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1.

Apresentação do Autor

O historiador francês nasceu em 1914, especialista no período de da Revolução


Francesa, em 1936 publica um estudo sobre o revolucionário Louis de Saint-Just,
utilizando o pseudônimo de Pierre Derocles. Em 1939, adere ao Partido Comunista
Francês e torna-se professor do Lycée de Montpellier, mas é afastado de suas funções
em julho de 1942, por causa da organização de uma manifestação estudantil. Passa o
essencial dos anos da Segunda Guerra Mundial realizando investigações para o Musée
National des Arts et Traditions Populaires. Depois da libertação, em 1944, Soboul
retorna ao posto de professor do Lycée de Montpellier, antes de incorporar-se ao Lycée
Marcelin-Berthelot, e depois ao Lycée Henri-IV. Soboul se incorpora a Université
Blaise Pascal de Clermont-Ferrand e, em 1967, obtém a cátedra de historia da
Revolução Francesa na Sorbonne. Durante quinze anos, publica diversas obras
históricas, como La Civilisation de la Révolution française. Nos anos de 1970 a 1980
faz frente a oposição crescente da escola revisionista ao redor de François Furet e de
Denis Richet, até sua morte em Nîmes em 1982. Soboul foi enterrado no cemitério de
Père-Lachaise, junto à tumba dos principais chefes do Partido Comunista e do mur des
Fédérés, onde os comunistas foram fuzilados em 1871.

2. Historiografia da Revolução Francesa

Na introdução da obra A Revolução Francesa de Albert Sobour o autor discorre sobre


os fatores que fazem a Revolução Francesa ser diferentes das demais revoluções
burguesas distinguindo de todos movimentos revolucionários da época, ressaltando-a
como a que resultou no fim do feudalismo. O autor também analisa as questões que
fomentaram a revolução naquela época, como :
Burguesia classe em ascensão, progressista já exercia atração sobre as massas populares
e setores dissidentes da aristocracia, sendo assim, a ambição burguesa apoiada pela
realidade social e econômica, se chocava com o espírito aristocrático das leis e
instituição. Para avançar a burguesia precisava romper com os quadros feudais da
produção e da troca, pois possuía uma consciência esclarecida de realidade econômica,
o que constitui a força que determinaria sua vontade.
A burguesia reclamava a liberdade política, econômica, e de empreendimento e do
lucro, já capitalismo exigia a liberdade da pessoa, liberdade dos bens, liberdade do
espírito, condição das pesquisas e das descobertas cientificas e técnicas. Portanto, a
revolução resulta na elevação da sociedade burguesa e capitalista na historia da frança.
Após essa explicação, Albert Soboul disserta sobre as estruturas sociais pré-revolução
apontando primeiramente para a desestabilização do Antigo Regime. A classe dos
nobres era possuidora de privilégios, possuindo diferenças extremas a classe dos
despossuídos de riquezas. A aristocracia incitou a luta contra o absolutismo para
restabelecer a sua preponderância política e salvaguardar privilégios sociais, havendo
assim, uma tentativa de reforma do antigo Regime.
A nobreza e o clero perderam parte de seu privilégio fiscal, mas conservavam uma
referência social pois as reformas não colocavam em debate a estrutura aristocrática do
antigo Regime. A Revolta da aristocracia abriu caminho para o terceiro estado, mas esse
confundido em suas classes, todos os plebeus, mais ou menos, 96% da população, que
era uma entidade legal que dissimulava elementos sociais e diversificava o curso a
revolução.A Burguesia não era homogênea, alguma de suas frações estavam integradas
ao antigo regime e participava de algum modo de seus privilégios, sendo o ódio a
aristocracia e aos ricos fermentados de unidade das massas .
As más colheitas e a crise econômica decorrente dela, serviram para impulsionar as
massas populares, apesar disso elas não se ordenaram como classe distinta, estavam
sempre atrás da burguesia, e dessa forma aplicaram os golpes mais duros contra o antigo
regime. As massas populares subordinadas a burguesia, e assim aconteceu a aliança
contra a aristocracia. Isso porque, os camponeses que em sua maioria já eram homens
livres do poder senhorial sofriam a exploração imposta pelo regime feudal e chegam a
um estado, grave de miséria por serem cobrados impostos pelos eclesiásticos.
Portanto, as classes populares foram o motor da revolução burguesa. e esta
revolução nasceu de uma crise econômica. Uma grande alta no preço de produtos
alimentícios, aumentou a fome nas massas populares, e gerou revolta. A alta dos
salários não acompanhava a exagerada alta no preço dos alimentos, os gastos com
comida consumiam a maior parte do salário do trabalhador. As contradições do Antigo
Regime, côo a crise econômica e também o aumento demográfico nas cidades, foram
geradores de tensões e criaram uma situação revolucionária. A classe dirigente que era
impotente para se defender, nada pode fazer quando levantou-se a imensa maioria da
nação, assim se deu a ruptura A insatisfação dos "não-nobres" contra o poder
monárquico foi o ponta pé inicial para a revolução que seria concretizada pela
burguesia.
3. Revolução para Albert Soboul

O autor nos fala que os pensamentos revolucionários foi um dos grandes impulsores
pra que houvesse a revolução, mas ele nos fala que esse pensamento chegou de forma
diferente pra camponeses, artesãos e burgueses. Com a crise econômica, os miseráveis
se multiplicando cada vez mais,os camponeses se preocupavam e se sentiam ameaçado
com o rumo que o país estava tomando, e não viram outra saída a organizar um complô
contra saída a aristocracia. No final de julho de 1789 os camponeses forçaram pra que
as milícias se unissem e fossem lutar na revolução, o mesmo aconteceu entre os
burgueses que organizaram as milícias camponesas contra a aristocracia. Com toda essa
revolução das massas rurais e da cidade unidas por causa da fome fez com que desde
fins de julho do mesmo ano, o antigo Regime caísse, com isso a burguesia começou a
comandar o novo governo e a rebelião das massas. As primeiras ações após a derrubada
do antigo regime foi a, supervisão de impostos, municipalizou o país e liberou as
autonomias locais.
Soboul ainda diz que com tantas lutas dentro do país,os impostos não eram mais
pagos pela população, a crise econômica só fazia aumentar principalmente por conta de
colheitas mal sucedidas, tudo isso fez com que o tesouro nacional acabasse se
esvaziando e obrigando o país a fazer compra no exterior e que regulasse o consumo
populacional. França agora estava estagnada, a economia fragilizada, a ausência de
produção de massas só faziam piorar a situação. A solução foi a cassação de 49
departamentos do governo, 177 deputados onde a pratica da hipocrisias se encontrava
ali afinal, mas só isso não bastava.
Portanto, o autor pretende tirar a Revolução do seu pedestal mítico e devolve-la as
suas realidades complexas. A revolução Francesa, abordada por Soboul em seu texto,
parte de premissas metodológicas oriundas do Marxismo Clássico segundo a qual é a
partir da emergência da classe burguesa, aproveitando-se da falência do Antigo Regime,
e dos movimentos de luta populares, que assume o poder e torna o Capitalismo
hegemônico nas formações econômico sociais, submetendo a seus interesses toda a
produção material. É o processo de transformação capitalista da sociedade e sua
subordinação às exigências do capital. Este processo engendra, também, a construção de
um Estado, de instituições políticas, adequados aos interesses da burguesia. Ele ocorre
em dois momentos distintos. No primeiro, de longa duração, com mudanças sociais e
econômicas; em outro momento, na curta duração, a partir de mudanças políticas e
institucionais, em que participam movimentos paralelos e antagônicos: um da
burguesia, e outro, mais radical, dos pobres e explorados da cidade e do campo.
conjunto da sociedade. O movimento da burguesia limita-se à mudança política e
jurídica para estabelecer a igualdade entre os setores proprietários, o fim das restrições
feudais à realização de negócios, a unificação do Estado nacional. Alcançado esses
objetivos, os políticos e ideólogos empreendem um enorme esforço para regulamentar o
jogo político-eleitoral de forma a manter o formalismo jurídico da consulta popular e
limitar a expressão institucional da vontade popular. O parlamento não foi uma criação
das massas revolucionárias, como a Comuna de Paris[7], em 1871, ou os sovietes, na
revolução russa. O movimento da burguesia é paralelo ao levante plebeu e camponês, e
se beneficia dele. Os artesãos, pequenos comerciantes, pequenos patrões, os
trabalhadores assalariados das cidades, por um lado, e os camponeses por outro, lutam
pelo fim de todos os privilégios, não apenas os da aristocracia. Exigem a igualdade entre
os homens, a democratização do Estado e da política, e a instauração de um governo
voltado para o bem comum.