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Grupex – Grupo de

Pesquisa e Extensão
em Citricultura e
Prefeitura Municipal
de São Sebastião do
Caí
21 de novembro de 2018
Seminário de Adubação e
Nutrição de Citros
Adubação de Formação do Pomar

Dirceu Mattos Jr.


Laboratório de Nutrição e Fisiologia dos Citros

Centro de Citricultura Sylvio Moreira


Pesquisa para o agronegócio
1928 - 2018
Sumário
... do plantio à formação análise de solo
nutrientes sempre importantes ... interpretação
respostas de porta-enxertos à N, P e K
adensamento e novas recomendações
Interpretação diagnose foliar:
faixas, DRIS, CND...

diagnóstico visual:
desordens nutricionais
Bases para as
recomendações de
calagem e adubação N K
P

para a citricultura B

| plantio | formação | produção

6
Porque nutrientes...
Demanda de NPK para
laranjeiras em formação
120
Relative fruit yield, %
A

100

80

RL
60
Cleo
Sw
40
0 500 1000 1500 2000 2500

N, g tree-1

RL: Limão Cravo


Cleo: Tangerina Cleópatra
SW: Citrumelo Swingle
Mattos Jr. et al (2006)
Demanda de NPK para
laranjeiras em formação

120 B

Relative fruit yield, % 100

80
RL
60 Cleo
Sw
40
0 200 400 600 800 1000

RL: Limão Cravo P, g tree-1


Cleo: Tangerina Cleópatra
SW: Citrumelo Swingle
Mattos Jr. et al (2006)
Novo estudo em rizotrons: morfologia
raízes
Produção de massa seca
laranjeira = f(distribuição P solo)

Tratamento Partes das plantas


Folhas Ramos Total PA Raiz
-------------------------- g /planta -----------------------
P0P0 73,0 d 92,5 b 165,3 c 104,0 b
P1P0 79,4 cd 99,3 ab 178,8 bc 118,7 a
P0,5P0,5 88,1 bc 100,6 ab 188,7 b 121,7 a
P2P0 92,1 ab 105,1 ab 196,2 ab 125,7 a
P1P1 98,9 a 112,5 a 211,4 a 126,5 a
Zambrosi et al. (2013)
Absorção e
eficiência de
uso do P em
citros
Zambrosi et al. (2012)

Pré-condição | condição

D = deficiente
S = suficiente

Porta-enxertos: Cléo e Cravo


Atividade fosfatase ácida:
folhas e raízes

Porta-enxerto P-solução (mmol L-1)


0,0125 0,8
AFAFolhas μmol nitrofenol g-1 min-1
Cléo 0,45 0,25
Cravo 0,42 0,18
AFARaízes
Cléo 0,35 0,19
Cravo 0,54 0,24
ADAPTADO: Zambrosi et al. (2012)
Deficiência de
P nas folhas
laranjeira Pêra
NO CAMPO
Remobilização
de P
Zambrosi et al. (2012)

Pré-condição | condição

D = deficiente
S = suficiente

Porta-enxertos: Cléo e Cravo


Remobilização
de P
Zambrosi et al. (2012)

Pré-condição | condição

D = deficiente
S = suficiente

Porta-enxertos: Cléo e Cravo


Demanda de NPK para
laranjeiras em formação

120 C

Relative fruit yield, %


100

80
RL
60 Cleo
Sw

RL: Limão Cravo 40


Cleo: Tangerina Cleópatra 0 320 640 960 1280 1600
SW: Citrumelo Swingle K, g tree-1
17
Mattos Jr. et al (2006)
Boro Ano K B
Interação kg/ha g/kg mg/kg
1999
boro x potássio 0 7,1 63
2 7,1 141
Valência/Cleo e 4 7,8 292
pomelo/Azeda 6 9,7 348
2000
Cooper et al. (1951)
0 6,8 70
2 7,2 217
Siciliano/Azeda ou Cravo 4 8,1 308
Grassi et al. (2004) 6 9,0 334
2001
Valência/Cravo ou Swingle 0 7,8 64
2 8,3 229
Boaretto et al. (2008)
4 9,3 329
6 10,3 358
Natal/Cravo, Swingle ou Sunki Teste F ** **
Mattos Jr. et al. (200_)
Sta. Cruz Rio Pardo
Pêra/Cravo
Quaggio et al. (2003)
Mesquita et al. (2016)
Interação
boro x potássio

Ferreira et al. (2018)


Manejo nutricional

Produção de frutos,
destacar a importância
do desenvolvimento do

kg/planta
pomar na fase de
formação

Volume de copa, m3
Quaggio et al. (2003)
(árvores/há)

≤ 1979 333
1980 340
1990 357
2000 366
2001 383
pomares

2002
474 árvores/ha

391
pomares adultos

2003 392
2004 401
2005 429
2006 440
média

2007 468
484 árvores/ha

2008 518
2009 515
2010 546
2011 569
Densidade de plantio de

2012 570
2013 623
656 árvores/ha
plantios novos

2014 648
2015 645
2016 644
2017 668
Eficiência fertilizante aumentou: Plantas
com excesso de vigor

Idade 2-3 anos


23
Valência/SW
ANO 1 ANO 2 ANO 3

408 plantas
7,0 x 3,5 m
24,5 m2

550 plantas
6,5 x 2,8 m
18,2 m2

700 plantas
6,5 x 2,2 m
14,3 m2
24
ANO 1
Sistema radicular

408
plantas
7,0 x 3,5 m
24,5 m2

550
plantas
6,5 x 2,8 m
18,2 m2

700
plantas
6,5 x 2,2 m
14,3 m2
ANO 3
Sistema radicular

408
plantas
7,0 x 3,5 m
24,5 m2

550
plantas
6,5 x 2,8 m
18,2 m2

700
plantas
6,5 x 2,2 m
14,3 m2
26
Novas tabelas para citros em formação

Idade N P-resina, mg dm-3 K-trocável, mmolc dm-3


<15 15-30 >30 <1,6 1,6-3,0 >3,0
Anos ------------------- N - P2O5 - K2O (kg ha-1) -------------------
0-1 70 15 15 15 12 0 0
1-2 100 60 45 30 54 30 0
2-3 140 90 60 45 90 60 36
3-4 180 120 90 60 120 90 60
Copas sobre tangerinas Cleópatra e Sunki, aumentar a dose de P2O5 em 20%; para
aquelas sobre Cctrumelo Swingle aumentar a dose de K2O em 20%.

IAC: Novo Boletim 100


27
Recomendação N
Pomar em formação

N Recomendação Densidade de plantio Recomendação


Nova 550 600 650 700 750 Anterior
Anos kg ha-1 -------- gramas por planta --------
0a1 70 127 117 108 100 93 100
1a2 100 182 167 154 143 133 220
2a3 140 255 233 215 200 187 300
3a4 180 327 300 277 257 240 400
Novo conceito: “Plantio direto de citros”

Fotos: A. Peche (2010)

29
Sítio Lagoa Bonita – Mogi
Mirim/SP
Lima ácida Tahiti – IAC 5
/citrumelo Swingle
Plantio 2010 – Cultivo mínimo
7 anos de resultados
Convencional Ecológica

Fitomassa
roçada é
lançada para
a linha do
pomar

Fitomassa
roçada fica na
entrelinha
do pomar
30
Biomassa Microbiana do Solo (BMS)

Lorenzo M.
(2018)

31
Respiração Basal do Solo (RBS)

Embrapa (2007)

32
Produtividade

37,6 t ha-1
Estado Nutricional

DEFINIÇÃO: níveis de ocorrência dos nutrientes numa planta


e as interações entre eles determinando o crescimento a
produtividade e a qualidade da produção.

AVALIAÇÃO MONITORAMENTO

Acesso ao estado nutricional Acompanhamento do estado


das plantas. Métodos visuais nutricional no espaço e no
ou análises químicas. tempo.
Avaliação do estado nutricional
dos citros
conceito, relações e consequência

Nutrição mineral
l nutrientes: substâncias químicas necessária ao metabolismo
e formação da produção

Relações
l teor nutriente disponível no solo x teor foliar
l teor foliar x produção

Consequência
l atributos do solo e da planta
Análise química de plantas: pra
que serve?
• diagnose de deficiência ou excesso de
nutrientes
• conhecer a exportação de nutrientes
• avaliação do estado nutricional

AMOSTRAGEM
• necessidade de padronização
• estabilidade e sensibilidade
• uso de amostras compostas
• dependência dos objetivos da análise
Tabela 2. Amostragem e faixas adequadas de teores de nutrientes em frutíferas - continuação

Planta Amostragem g/kg mg/kg

Maça Coletar 4 a 8 folhas recém-maduras N 19-26 B 25-50


totalmente expandidas P 1,4-4 Cu 6-50
25 plantas por talhão K 15-20 Fe 50-300
Ca 12-16 Mn 25-200
Mg 2,5-4 Mo 0,1-
S 2-4 Zn 20-100

Macadamia Coletar 4 folhas recém maduras e N 15-25 B 25-50


totalmente expandidas no meio do P 1-3 Cu 6-12
fluxo de vegetação K 5-15 Fe 25-200
25 plantas por talhão Ca 5-10 Mn 100-400
Mg 1-3 Mo 0,5-2,5
S 1-2,5 Zn 15-50

Mamão Coletar 15 pecíolos de folhas fovens, N 10-25 B 20-30


totalmente expandidas e maduras P 2,2-4 Cu 4-10
(17ª a 20ª folhas a partir do ápice, K 33-55 Fe 25-100
com uma flor visível na axila. Ca 10-30 Mn 20-150
Mg 4-12 Mo
S Zn 15-40

Manga Coletar 4 folhas do meio do último N 12-14 B 50-100


fluxo de vegetação de ramos com P 0,8-1,6 Cu 10-50
flores na extrmidade. K 5-10 Fe 50-200
Época do florescimento Ca 20-35 Mn 50-100
20 plantas por talhão Mg 2,5-5 Mo
S 3,2-4 Zn 20-40

Maracujá 3ª ou 4ª folha, a partir do ápice de N 42-52 B 40-60


ramos não sombreados. P 1,5-2,5 Cu 5-20
Outono K 20-30 Fe 100-200
Amostrar 20 plantas Ca 17-27 Mn 100-250
Mg 3-4 Mo 1-1,2
S 3,2-4 Zn 50-80

Pêssego Folhas recém maduras e totalmente N 30-35 B 20-60


expandidas, da porção mediana dos P 1,4-2,5 Cu 5-16
ramos. K 20-30 Fe 100-250
Amostrar 25 plantas por talhão num Ca 18-27 Mn 40-160
total de 100 folhas Mg 3-8 Mo
S 1,5-3 Zn 20-50

Uva Folha recém madura mais nova, N 30-35 B 45-53


contada a partir do ápice dos ramos P 2,4-2,9 Cu 18-22
da videira. K 15-20 Fe 97-105
Coletar cerca de 100 folhas Ca 13-18 Mn 67-73
Mg 4,8-5,3 Mo
S 3,3-3,8 Zn 30-35
F 63.2 F
R
30.3
34.7
Conteúdo

Tree component
R 53.5
Tree component

L1 40.2 L1 57.1

S2
L2
TR 10.2
19.7
31.6 S2
L2
TR 13.7
39.2
71.2

de
nutrientes
Total = 234.7 g N Total = 273.8 g Ca
S1 9.5 S1 19.1
LSD0.05 = 2.7 LSD0.05 = 4.0
T 6.9 T 8.6

0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100

g N per tree g Ca per tree


em
laranjeira
F 81.4 F 6.3
R 33.8 R 9.1

Tree component
Tree component

L1 22.0 L1 4.7
S2 17.6 S2 5.8
L2 8.6 L2 1.6 Mattos Jr. et al. (2002)
TR 6.8 TR 0.7
Total = 181.5 g K Total = 30.2 g Mg
S1 6.5 S1 1.3 LSD0.05 = 0.9
LSD0.05 = 3.1
T 4.8 T 0.7

0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100

g K per tree g Mg per tree

F 9.6 F 4.9
R 5.7 R 7.3
Tree component

Tree component

L1 3.7 L1 3.6

S2 5.6 S2 3.5

L2 1.3 L2 2.7

TR 1.1 TR 0.9

S1 1.8 Total = 29.8 g P S1 0.9 Total = 24.1 g S


LSD0.05 = 0.5 LSD0.05 = 0.5
T 1.1 T 0.6

0 20 40 60 80 100 0 20 40 60 80 100

g P per tree g S per tree


Remoção de nutrientes pela
colheita de frutos (laranjas)
Nutriente estimativa
kg/t kg/40 t
N 1,9 - 2,4 85,0 - 96,0
P 0,15 - 0,21 6,0 - 8,4
K 1,3 - 2,1 52,0 - 84,0
Ca 0,45 - 0,64 18,0 - 25,6
Mg 0,11 - 0,15 4,4 - 6,0
S 0,10 - 0,18 4,0 - 7,2
Bataglia et al. (1977)
Conteúdo
de
nutrientes
em
laranjeira
Pestana et al. (2001)

Malavolta et al. (2006)


Análise química das
folhas:
variação sazonal

Smith (1966) out jan abr jul


Amostragem de +4
+1
folhas para
análise química
+3 2-4 cm diâm.
+2
Análise química de plantas: pra
que serve?

www.piatv.com.br
Análise química de plantas: pra
que serve?

www.piatv.com.br
Faixas de interpretação de resultado
de análise de folhas de citros (BT 100)
Nutriente Baixo Adequado Alto
-------------------- g kg-1 --------------------
N <25 25-30 >30
P <1,2 1,2-1,6 >2,0
K <12 12-16 >20
Ca <35 35-50 >50
Mg <3,5 3,5-5,0 >5,0
S <2,0 2,0-3,0 >3,0
-------------------- mg kg-1 --------------------
B <50 75-150 >150
Cu <10 10-20 >20
Fe <50 50-150 >150
Mn <35 35-70 >70
Zn <50 50-75 >75
Mo <0,5 0,5-2,0 >2,0
Para limões e lima ácida Tahiti, as faixas de interpretação do teor de N foliar (mg kg-1) são: <20 (= baixo), 20-
24 (= adequado) e >24 (alto).
Manejo da fertilidade

resultado da análise de folha & adubação

• O programa de adubação do
pomar deve ser ajustado de modo
que os teores foliares estejam na
faixa adequada
Métodos de interpretação

Nível crítico

Faixas de suficiênia

DRIS, diagnosis and recommendation


integrated system
Beaufils (1973)

CND, compositional nutrient diagnosis


Parent & Dafir (1992)
Métodos de interpretação:
NC e faixas suficiência
Interpretação
de resultados
de análise
de folhas de
citros

Quaggio et al. (1998)


Métodos de interpretação:
DRIS

( N/P-N/P)
f (N/P) = x k
SN/P
Métodos de interpretação:
CND
Métodos de interpretação:
faixas suficiência x DRIS x CND em
citros
CND IBN
N P K Ca Mg S B Cu Fe Mn Zn -r² m
-------------------- g kg-1 -------------------- --------------- mg kg-1 ---------------

25,0 1,4 12,5 40,0 3,3 2,5 68 7 85 167 63

0,1 -0,4 -0,1 1,5 -0,8 -0,5 -0,6 -1,9 -1,3 2,8 1,3 18,8

0,00 -0,3 -0,1 0,9 -0,5 -0,2 -0,5 -1,8 -1,1 2,4 1,1 0,81

Rozane et al. (dados não publicados)


Outros métodos de análise:
Extratos de seiva

Souza (2008)
Extrato de seiva
1400
1200
DMS Tukey P < 0,05
1000
Ca (mg L )
-1

800

600
N=0
400
N=120
200 N=240
0 N na seiva de citros
N= 0
jul/08 set/08 out/08 nov/08 dez/08 jan/09 fev/09 mar/09 abr/09 mai/09 jun/09 jul/09
N= 120
250 Meses
N= 240"

200
N (mg L )
-1

150

100

50

0
ago/07 out/07 dez/07 fev/08 abr/08 jun/08 ago/08

Meses
Ensaios bioquímicos: Cu/Zn
isoformas SOD Mn
Hippler (2012) Fe

P 1 2 3 1 2 3 1 2 3

I
1 - Controle II e III
2 - ZnSO4 1,0 g de Zn IV
3 - ZnSO4 5,0 g de Zn
V
VI

P 1 2 3 1 2 3 1 2 3
I
1 - Controle II e III
2 - MnSO4 0,7 g de Mn IV
3 - MnSO4 3,5 g de Mn
V
VI

120 dias 150 dias 180 dias


Diagnose visual de desordens
nutricionais em plantas
sintomas definidos e característicos
o Sintomas aparecem quando a produção já está comprometida
o Sintomas podem ser mascarados por interações, doenças,
pragas
o Exige experiência do técnico
-S
“folhas mais novas amareladas, semelhante
àquelas deficientes em N; folhas em fluxos
de crescimento seguintes mostraram clorose
acentuada, menor tamanho e sujeitas à
abscisão prematura”

Chapman (1968)

Bryan (1957)

Mattos Jr. et al. (2005)


58
-N

59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
Syvertsen (2014)
Sintomas
visuais de
desordens
nutricionais:
interpretação

• exige experiência do técnico


• existem padrões de ocorrência
• deve ser pautada com análises químicas
• mascarados/confundidos com outras desordens
nutricionais e problemas fitossanitários
• aparecem quando há comprometimento planta
A amostragem deve ser feita na
região adubada
15 a 20 pontos por gleba homogênea

0,5 m

0,5 m

78
Amostragem do solo em
profundidade

l Identificar limitações ao crescimento


radicular
l acidez: baixo Ca, alto Al
l baixa fertilidade
l Checar manejo da adubação
l altos teores de nutrientes = lixiviação

79
Amostragem
de solo

80
Interpretação de resultados de análise de solo na
camada arável do solo para a citricultura

Classes de Saturação por


P-resina K Mg
teores bases
mg dm-3 mmolc dm-3 %
Baixo <15 <1,5 <5 <50
Médio 15-30 1,5-3,0 5-9 50-70
Alto >30 >3,0 >9 >70
Manejo da fertilidade
resultado da análise de solo & adubação

É importante manter a fertilidade em níveis médio a


alto

• Níveis baixos = baixo potencial de produtividade


• Níveis muito altos = custo elevado da adubação e
riscos de perdas de nutrientes

• Teores médios e altos: reposição das exportações


• Teores baixos: adubar pela necessidade da planta +
enriquecer o solo
• Teores muito altos: pode ser menor que exportação
83