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A Editora Alfa-Omega: o sonho de um editor.

The Alfa-Omega: the dream of an editor.

Gustavo Orsolon de Souza1

Resumo: Este texto tem como objetivo expor, em linhas gerais, o meu projeto de doutorado
que está sendo desenvolvido na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ/FFP,
campus São Gonçalo – RJ. Com o título provisório “Editora Alfa-Omega: memória, cultura e
política”, pretendo analisar a trajetória do editor Fernando Mangarielo até a criação de sua
editora, a Alfa-Omega. A editora foi criada no ano de 1973, em São Paulo. Seus títulos de
estreia estavam voltados para atender o público universitário da época (alunos da USP). A
pesquisa conta documentos do arquivo da própria editora; entrevistas com Fernando e
Claudete Mangarielo, donos da instituição; e também bibliografia já produzida sobre o tema.
Palavras-chaves: Fernando Mangarielo; Alfa-Omega; Trajetória.

Abstract: This text aims to outline, in general terms, my doctoral project that is being
developed at the University of the State of Rio de Janeiro - UERJ / FFP, Campus São Gonçalo
- RJ. With the provisional title "Editora Alfa-Omega: memory, culture and politics", I intend
to analyze the trajectory of editor Fernando Mangarielo until the creation of his publisher,
Alfa-Omega. The publishing house was created in 1973, in São Paulo. His debut titles were
aimed at serving the university audience of the time (USP students). The research counts
documents from the publisher's own archive; interviews with Fernando and Claudete
Mangarielo, owners of the institution; as well as bibliography already produced on the
subject.
Keywords: Fernando Mangarielo; Alfa-Omega; Trajectory.

Nesta XIII Jornada de Estudos Históricos Manoel Salgado, edição 2018, promovida
pelo PPGHIS da UFRJ, venho apresentar brevemente o meu projeto de doutorado que está
sendo desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade do
Estado do Rio de Janeiro (UERJ/FFP) – Campus São Gonçalo-RJ, na linha “Território,
Identidades e Representações”, sob a orientação da Professora Doutora Márcia de Almeida
Gonçalves.
O estudo encontra-se ainda bem no seu início, portanto, o que vou expor aqui é apenas
um resumo geral, destacando o objetivo principal do projeto que tem como título provisório
“Editora Alfa-Omega: memória, cultura e política”. A proposta é analisar a trajetória do editor
Fernando Mangarielo até a criação da Alfa-Omega, em 1973 na cidade de São Paulo. Com
isso, o texto aqui apresentado é apenas uma prévia, sem a pretensão de ser exaustivo e rico em
detalhes, já que o projeto sofrerá reformulações nos próximos meses.

1
Doutorando em História Social pela UERJ/FFP, orientado pela Professora Doutora Márcia de Almeida
Gonçalves, e-mail: cliogustavo@bol.com.br.

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O interesse pelo tema originou-se ainda no mestrado, quando analisei a trajetória
intelectual de Clóvis Moura até a publicação de seu primeiro livro em 1959, intitulado
“Rebeliões da Senzala”. Esse livro possui uma história. Sua publicação ocorreu somente sete
anos após ter sido escrito, por uma pequena editora de esquerda chamada Edições Zumbi, de
São Paulo. Além disso, depois, recebeu três novas edições. Desta feita, por editoras grandes,
integrando coleções de prestígio.2
Durante essa pesquisa, vi que os estudos sobre as editoras ainda é bem tímido na
historiografia, poucos estudos se dedicaram ao tema. Além disso, constatei também que as
editoras de esquerda tiveram um papel importante no cenário político e cultural. Elas
funcionavam como locus de crítica e reflexão sobre a situação e as condições impostas pelo
regime militar.
O Regime Militar, instaurado no Brasil em 1964, teve um sistema de repressão
bastante significativo em todos os setores da sociedade. Os anos de 1969 e 1974, por
exemplo, podem ser considerados duros, com o fechamento do Congresso, a cassação e
suspensão de direitos políticos, assim como também com uma forte censura à imprensa, as
produções culturais e a demissão de muitos professores nas universidades públicas.3 Portanto,
conhecer a história editorial da Alfa Omega é mergulhar nesse universo da história política,
social e cultural do nosso país.
Vale ressaltar que o crescimento da indústria editorial brasileira ocorreu em plena
década de 1970. O historiador Flamarion Maués destaca que o segmento mais popular das
editoras foram o de livros que faziam oposição ao regime militar. Dentre essas editoras
destaca-se a Civilização Brasileira, a Brasiliense, a Vozes, a Paz e Terra. Os autores
publicados por essas editoras faziam alguma oposição ao regime político militar da época.
Maués destaca, por exemplo, “parlamentares de oposição, (ex) exilados e (ex) presos
políticos”. Mas outras editoras surgiram neste período e tiveram como perfil editorial livros
com caráter político e social, como foi o caso da editora Alfa-Omega.4

2
SOUZA, Gustavo Orsolon de. Rebeliões da Senzala: diálogos, memória e legado de um intelectual brasileiro.
Dissertação de Mestrado em História. Seropédica- RJ. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ,
2013. Disponível em:
https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?po
pup=true&id_trabalho=152756. Acesso em: 01/05/2018.
3
ALMEIDA, Maria Hermínia Tavares de; WEIS, Luiz. Carro-Zero e Pau-de-Arara: o cotidiano da oposição da
classe média ao regime militar. In: SCHWARCZ, Lilia Moritz (org.). História da Vida Privada no Brasil. São
Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 332.
4
MAUÉS, Flamarion. Livros Contra a Ditadura: editoras de oposição no Brasil, 1974-1984. São Paulo:
Publisher Brasil, 2013. p. 10 e 13.

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A Editora Alfa-Omega, fundada em 1973, por Fernando Mangarielo, se destacou por
publicar obras de esquerda e também títulos para atender o público universitário da época,
editando autores que eram professores da USP. Para entendermos a fundação da Alfa-Omega
é preciso, antes de tudo, conhecer parte da trajetória de Mangarielo, seu editor, pois como
afirma a historiadora Heloísa Pontes, para conhecer a história do mercado editorial no Brasil
de forma completa é preciso expor, antes de tudo, as trajetórias dos editores.5
Fernando Celso de Castro Mangarielo nasceu em Recife, em 1947. Em 1965, aos 18
anos de idade, veio para São Paulo. Algum tempo depois de estabelecido na cidade, entrou
para o curso de Filosofia da USP. Em 1968, ao mesmo tempo em que estudava Filosofia,
Mangarielo começou a exercer a função de diretor da “Banca da Cultura”, uma espécie de
“ponto de encontro” dos estudantes da USP, onde ele também vendia livros. No mesmo ano,
as atividades da “Banca” foram interrompidas devido a uma invasão policial, e Mangarielo
ficou preso por 136 dias.6
O tempo em que ficou trabalhando na “Banca da Cultura” foi fundamental para sua
carreira de editor. Ali, naquele espaço, Mangarielo começou ter contato e a dialogar com
intelectuais importantes, muitos deles professores da própria Universidade, ajudando-o a
definir o perfil da futura Alfa-Omega.7
Questionado pela historiadora Eloísa Aragão sobre como se tornou editor,
Mangarielo fala de uma influência importante, a do amigo e filósofo Jacob Bazarian. Segundo
Mangarielo, seu destino era uma incógnita. Isso porque não sabia que caminho seguir após
terminar o curso de Filosofia. Foi, então, que Bazarian sugeriu que se tornasse editor, já que
possuía características essenciais para exercer tal função: saber “ouvir”; e “verticalizar a
compreensão dos fatos filosóficos, sociais e políticos”.8
Mangarielo não chegou a concluir o curso de Filosofia e, em 1973, funda com
Claudete, sua esposa, a Editora Alfa-Omega. O projeto editorial era bastante ousado para
época. O primeiro livro publicado foi “A Ideia Republicana no Brasil Através dos

5
PONTES, Heloísa. Retratos do Brasil: editores, editoras e “Coleção Brasiliana” nas décadas de 30, 40 e 50. In:
MICELI, Sérgio (org.). História das Ciências Sociais no Brasil. São Paulo: Vértice, Editora Revista dos
Tribunais: IDESP, 1989. p. 370.
6
ARAGÃO, Eloísa. Censura na Lei e na Marra: como a ditadura quis calar as narrativas sobre suas violências.
São Paulo: Humanitas/FAPESP, 2013. p. 75.
7
MAUÉS, Flamarion; NERY, João Elias; REIMÃO, Sandra. Alfa-Omega: o pensamento crítico em livro. In:
Intercom – RBCC, vol. 38, n. 01. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2015. p. 169-190. Disponível em:
http://www.portcom.intercom.org.br/revistas/index.php/revistaintercom/article/view/2210/1874. Acesso em:
10/05/2018.
8
Entrevista de Mangarielo, 2006 apud ARAGÃO, Eloísa. A Editora Alfa Omega nos Anos de Chumbo:
entrevista com Fernando Mangarielo. In: Oralidades – Revista de História Oral, n° 02. São Paulo: Universidade
de São Paulo - USP, 2007. p. 158.

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Documentos”, de Reinaldo Carneiro, professor da USP, da disciplina História da União
Soviética. O livro teve grande repercussão, já que era usado em sala de aula pelos
universitários.
Após o livro de estreia, outros títulos também marcaram o catálogo da Alfa-Omega.
Mangarielo investe em autores que se destacaram durante o regime militar pela oposição a
repressão. Dentre eles, destaco a publicação de: “A Ilha: um repórter brasileiro no país de
Fidel Castro” (1976), de Fernando Morais; “A Sangue-Quente: a morte do jornalista Vladimir
Herzog” (1978), de Hamilton Almeida Filho; “Cuba Hoje: 20 anos de revolução” (1979), de
Jorge Escosteguy; “A História Me Absolverá” (1979), de Fidel Castro; “Em Câmara Lenta”9
(1977), de Renato Tapajós. Alguns livros foram de grande sucesso, o que permitiu certa
estabilidade comercial para a Editora no mercado de livros da época.10
O objetivo da Editora Alfa-Omega era “articular pensamento e ação, teoria e
prática”, dando apoio ao pensamento crítico. Tal objetivo foi cumprido inicialmente pelos
trabalhos publicados pelos professores da USP, uma vez que a venda, como já afirmamos
anteriormente, era voltada para os alunos do curso de Filosofia. Somente depois de alguns
anos de atividade é que a Editora passou a publicar livros de outros cursos, mas sempre
voltada para a área das Ciências Humanas.11 Vale ressaltar aqui uma interpretação do
historiador Aníbal Bragança, que destaca os editores como uma espécie de “filtro” entre o
autor e o leitor. Ou seja, são eles que decidem que textos serão transformados em livros.12
O campo da história editorial como já afirmei anteriormente ainda é tímido, embora
tenha crescido bastante na última década. Muitos profissionais, preocupados com essa
memória, começaram a se debruçaram em pesquisas sobre editoras brasileiras, principalmente
editoras de esquerda.
Não cabe aqui um mapeamento minucioso sobre esses trabalhos, mas gostaria de
destacar alguns nomes. O primeiro deles é o do sociólogo Luiz Renato Vieira. Seu livro,
intitulado “Consagrados e Malditos”, publicado em 1998, tem como objetivo central examinar

9
O livro em Câmara Lenta, de Renato Tapajós foi publicado em 1977 pela Alfa Omega. Embora sendo um
romance, o livro traz a experiência de luta do autor na Ala Vermelha. Preso entre os anos de 1969-1974, Tapajós
escreveu o livro na prisão. Cf. FREITAS, Guilherme. Censura a Livros na Ditadura Deixou Herança Autoritária.
In: Jornal O Globo, Prosa. Rio de Janeiro, 22/03/2014. Disponível em:
http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2014/03/22/censura-livros-na-ditadura-deixou-heranca-autoritaria-
528431.asp. Acesso em: 24/08/2014.
10
ARAGÃO, Eloísa. Censura na Lei e na Marra: como a ditadura quis calar as narrativas sobre suas
violências. São Paulo: Humanitas/FAPESP, 2013. p. 156, 159 e 160.
11
Idem. p. 77.
12
BRAGANÇA, Aníbal. Sobre o Editor: notas para sua história. In: Em Questão. Porto Alegre, vol. 11, n. 2,
2005. p. 224. Disponível na internet via: http://seer.ufrgs.br/index.php/EmQuestao/article/view/119/77. Acesso
em: 14/09/2015. p. 224.

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o processo de formação da Editora Civilização Brasileira que, segundo ele, foi um dos mais
importantes centros da prática intelectual no Rio de Janeiro entre as décadas de 1950 e 1960.13
Marcelo Ferreira Andrades também se dedicou ao mundo editorial. Em 2001
defendeu sua dissertação tendo como objetivo central a análise das mudanças editoriais entre
os anos de 1964 a 1986 na Editora Vozes, de Petrópolis. Nesse sentido, o autor busca
identificar as orientações e opções editorias da instituição, de forma a observar as estratégias
mercadológicas dos editores.14
Outro nome que merece destaque é o do historiador Flamarion Maués, já
mencionado neste artigo. Em 2006 ele defendeu a dissertação que daria origem ao livro
“Livros Contra a Ditadura: editoras de oposição no Brasil (1974-1984)", em 2013.15
Nesse livro, Maués analisa três casas editoriais paulistas – Livraria e Editora
Ciências Humanas; Kairós Livraria e Editora; Livraria Brasil Debates – fundadas na década
de 1970 e que se destacaram com publicações de oposição ao governo militar. O pesquisador
analisou a fundo a trajetória de cada uma das delas, desde o momento em que foram criadas
até o final de suas atividades. Para além disso, o autor procurou examinar as relações políticas
dessas empresas como sua organização empresarial.16
Outro trabalho defendido em 2006 foi a tese do historiador Teodoro Koracakis. A
proposta de seu estudo foi analisar a formação da editora Companhia das Letras, assim como
verificar a importância de seu editor, Luiz Schwarcz. Pois, para Koracakis, a “figura do
editor” costuma ficar pouco “iluminada” nos estudos que tem como foco a produção
intelectual.17
Em 2009, uma nova tese é publicada, a da historiadora Andréa Xavier Galúcio, sobre
as editoras Civilização Brasileira e Brasiliense. Tal estudo visa uma análise editorial da
trajetória das duas editoras, dando destaque maior para o período do regime político militar.18
Galúcio se diferencia de Luiz Renato Vieira, também dedicado a Civilização
Brasileira, em dois pontos. O primeiro deles é que além da Civilização Brasileira, a

13
VIEIRA, Luiz Renato. Consagrados e Malditos: os intelectuais e a Editora Civilização Brasileira. Brasília:
Thesauros, 1998. p. 15.
14
ANDRADES, Marcelo Ferreira de. Do Claustro à Universidade: as estratégias editorias da Editora Vozes na
gestão de Frei Ludovico Gomes de Castro (1964-1986). Dissertação de Mestrado em Comunicação e
Informação. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, 2001. p. 13.
15
MAUÉS, Flamarion, op. cit.
16
Idem. p.17 e 18.
17
KORACAKIS, Teodoro. A Companhia e as Letras: um estudo sobre o papel do editor na literatura. Tese de
Doutorado em Literatura Comparada. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ, 2006.
p. 05.
18
GALÚCIO, Andréa Lemos Xavier. Civilização Brasileira e Brasiliense: trajetórias intelectuais, empresários
e militância política. Tese de doutorado em História. Niterói: Universidade Federal Fluminense – UFF, 2009.

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pesquisadora analisa também a trajetória da Brasiliense. O segundo deles é que a autora faz
uma análise comparativa entre as duas editoras, observando suas “ações no campo editorial
brasileiro”.19
Ainda no ano 2006 outro nome merece destaque é o do historiador Fábio Franzini.
Na sua tese o autor analisa a Coleção Documentos Brasileiros da Editora José Olympio, de
São Paulo – outra editora de esquerda. Embora o foco seja a Coleção, o pesquisador dedica
parte de sua atenção à fundação e à importância da José Olympio dentro do cenário editorial
da época.20
Quatro anos depois, em 2010, destaca-se a antropóloga Luciana Lombardo Costa
Pereira com sua tese “A Lista Negra dos Livros Vermelhos: uma análise etnográfica dos
livros apreendidos pela polícia no Rio de Janeiro” que traz uma abordagem bem interessante.
A análise antropológica da autora visa verificar os livros apreendidos pelo DOPS/RJ durante
o período da ditadura militar, associando com a repressão feita pela polícia aos editores e as
editoras.21 Dentre as editoras de oposição estudas por Luciana Pereira destacam-se: Editora
Vitória, Civilização Brasileira, Paz e Terra e Zahar Editores.
Assim como o trabalho de Luciana Pereira, a tese de Michele Rosa também
privilegia editoras de esquerda. Defendida um ano depois, em 2011, “Esquerdisticamente
Afinados: os intelectuais, os livros e as revistas das editoras Civilização Brasileira e Paz e
Terra (1964-1969)” é outra contribuição importante para o campo da história editorial. Tendo
como cenário o período do regime militar, a pesquisadora analisa a oposição ao autoritarismo
que foi posto através das editoras Civilização Brasileira e Paz e Terra, e de suas revistas
Civilização Brasileira, a Política Externa Independente e a Paz e Terra.22
Neste breve levantamento, pode-se perceber um interesse maior pelo campo da
história editorial nos últimos anos. Não foi a intenção fazer um levantamento minucioso,
contemplando todos os trabalhos que se dedicaram ao tema recentemente. O intuito foi apenas
mostrar que os estudos vêm crescendo e contribuindo para construir um debate entre as casas

19
GALÚCIO, Andréa Lemos Xavier, op. cit., p. 13.
20
FRANZINI, Fábio. À Sombra das Palmeiras: a Coleção Documentos Brasileiros e as transformações da
historiografia nacional (1936-1959). Tese de doutorado em História. São Paulo: Universidade de São Paulo -
USP, 2006. p. 12 e 13.
21
PEREIRA, Luciana Lombardo Costa. A Lista Negra dos Livros Vermelhos: uma análise etnográfica dos livros
apreendidos pela polícia política no Rio de Janeiro. Tese de Doutorado em Antropologia Social. Rio de Janeiro:
Museu Nacional/UFRJ, 2010.
22
ROSA, Michele Rossoni. Esquerdisticamente Afinados: os intelectuais, os livros e as revistas das editoras
Civilização Brasileira e Paz e Terra. Tese de Doutorado em História. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio
Grande do Sul, 2011.

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editorias e a política brasileira, principalmente a política vigente durante o período do regime
militar.
Nesse sentido, pretendemos com essa pesquisa de doutorado, não apenas contribuir
para esse debate historiográfico, mas realizar uma investigação minuciosa do papel
desempenhado pela Alfa-Omega durante o período de abertura política, observando sua
posição crítica em relação ao pensamento político, cultural e social em plena década de 1970.
A pesquisa encontra-se em desenvolvimento. Algumas fontes do arquivo da editora
já foram analisadas como, por exemplo, recortes de periódicos da época. A segunda etapa da
pesquisa será uma entrevista com os donos da editora – Fernando e Claudete - que será
realizada no próximo semestre. Ainda para o segundo semestre está programada outras
análises documentais do acervo da editora.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

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