Você está na página 1de 4

Seitas e Heresias: Os Mórmons

A igreja dos mórmons foi fundada por JOSEPH SMITH, em 1830


1 HISTÓRIA
Em 23 de dezembro de 1805, na cidade de Sharon, Vermont, Joseph e Lucy Smith ganharam o quarto
filho, a quem chamaram de Joseph Smith Jr., o qual não teve uma infância agradável devido as
necessidades econômicas pela qual a família vinha passando.
Durante sua infância e adolescência, Joseph foi exposto a várias seitas dentro da religião cristã.
Naquela época, o REAVIVALISMO era o movimento prevalecente, principalmente no Condado de
Ontário (atual Wayne), no Estado de Nova York. O jovem Joseph teve contato com o Metodismo e
mais tarde relatou que se sentiu atraído por ele. Quando, porém, tinha quinze anos de idade, sua
família, ou seja, sua mãe Lucy e seus dois irmãos Hyrum e Samuel e sua irmã Sophronia converteram-
se ao PRESBITERIANISMO. Joseph dedicou-se a uma profunda reflexão sobre a religião. Entretanto,
a existência de diversas religiões sectárias deixavam-no confuso. Uma pergunta que incessantemente
atormentava sua mente era: “Se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá
liberalmente, e não censura , e ser-lhe-á dada” (Tg1:5). Mais tarde ele escreveu:
“Refleti repetidas vezes sobre ela, sabendo que, se qualquer pessoa necessitava de sabedoria de
Deus, essa pessoa era eu; porque não sabia o que fazer, e a menos que obtivesse mais sabedoria do
que a que então eu tinha, jamais chegaria a saber; pois os mestres de religião das diferentes seitas
interpretavam as mesmas passagens da escritura diferentemente, a ponto de destruir toda a confiança
na solução do problema pela consulta à Bíblia” (SMITH, Joseph. Pérola de Grande Valor. A Igreja de
Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1950. p47).
1.1 As experiências místicas de Joseph Smith
Em 1820, retirou-se para um bosque, a fim de ficar a sós, e começou a orar. Vejamos o que ele relatou
em A PÉROLA DE GRANDE VALOR, sobre o que lhe aconteceu naquele dia fatídico:
“Depois de haver-me retirado para o lugar que havia escolhido previamente, tendo olhado em meu
redor, e encontrando-me só, ajoelhei-me e comecei a oferecer o desejo de meu coração a Deus.
Apenas fizera isto, quando fui subitamente subjugado por uma força que me dominou inteiramente, e
seu poder sobre mim era tão assombroso que me travou a língua de modo que não pude falar. Intensa
escuridão envolveu-me e pareceu-me por algum tempo que estivesse destinado a uma destruição
repentina. Mas, empregando todas as minhas forças para pedir a Deus para livra-me do poder desse
inimigo que me tinha subjugado, e no momento exato em que estava prestes a cair em desespero,
abandonando-me à destruição – não a uma ruína imaginária, mas ao poder de algum ser real do
mundo invisível, que tinha tão assombroso poder como jamais havia sentido em nenhum ser –
justamente neste momento de grande alarma, vi uma coluna de luz acima de minha cabeça, de um
brilho superior ao do sol, que gradualmente descia até cair sobre mim. Logo após esse aparecimento,
senti-me livre do inimigo que me havia sujeitado. Quando a luz repousou sobre mim, vi dois
Personagens, com resplendor e glória desafiam qualquer descrição, em pé, acima de mim, no ar. Um
Deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: “Este é o Meu Filho
Amado. Ouve-O”. Meu objetivo ao me dirigir ao Senhor foi saber qual de todas as seitas era a
verdadeira, a fim de saber a qual unir-me. Portanto, tão logo voltei a mim o suficiente para poder falar,
perguntei aos Personagens que estavam na luz acima de mim, qual de todas as seitas era a verdadeira
e a qual deveria unir-me. Foi-me respondido que não me unisse a nenhuma delas, porque todas
estavam erradas; e o Personagem que Se dirigiu a mim disse que todos os seus credos eram uma
abominação à Sua vista; que todos aqueles mestres eram corruptos, que: “Eles se chegam a Mim com
os lábios, porém, seus corações estão longe de mim; eles ensinam como doutrina os mandamentos
dos homens, tendo uma religiosidade aparente, mas negam o Meu poder”. Novamente proibiu que me
unisse a qualquer delas; e muitas outras coisas me disse que não posso, no momento, escrever.
Quando voltei a mim outra vez, estava deitado de costas olhando para o céu” (SMITH, Joseph.
História. 2:6).
Este relato geralmente é referido pelos mórmons como a PRIMEIRA VISÃO de Smith. Entretanto
surgiram dois problemas com este testemunho. Primeiro, ele só escreveu sobre este acontecimento
muitos anos depois. Na edição mais antiga do livro A PÉROLA DE GRANDE VALOR, Smith disse que
uma das personagens chamava-se NÉFI. Numa outra disse que se chamava Marôni. Segundo, na
primeira edição do livro, Smith mencionou que fora visitado por “uma personagem”. As edições
posteriores falam de “duas personagens”, o que constitui uma discrepância, principalmente porque a
verdade da revelação mórmon baseia-se na autoridade profética de seus livros.
Após receber aquela visão, Joseph relatou a experiência a um pastor metodista. Ele escreveu que
este teve uma reação desdenhosa, ao dizer-lhe que as visões e vozes eram do DIABO. Smith também
percebeu que, embora as seitas fossem divididas umas contra as outras, “todas se uniram para me
perseguir”. Apesar das perseguições ele permaneceu firme nas suas convicções.
· No dia 21 de setembro de 1823, antes de se deitar, Smith começou a orar. Enquanto invocava a
Deus, afirmou que uma luz brilhante encheu seu quarto e uma figura resplandecente apareceu ao seu
lado. A personagem disse-lhe ser Morôni, um mensageiro enviado por Deus para entregar-lhe uma
visão que era um livro escrito em placas de ouro. Nela encontrava a história dos primeiros habitantes
da América.
· Finalmente chegou o dia. Em 22 de setembro de 1827, as placas de ouro foram dadas a Joseph
Smith juntamente com a recomendação de guardá-las com cuidado. Tais placas até hoje, ninguém
nunca viu.
2 Os ensinamentos anticristãos
2.1 Os mórmons não ensinam que a Bíblia é a Palavra de Deus totalmente infalível
“Cremos ser a Bíblia a palavra de Deus o quanto seja correta a sua tradução; cremos também ser o
LIVRO DE MÓRMON a palavra de Deus.” (Declaração de fé, artigo 8. 1954).
O cristianismo crê que as Escrituras é a Palavra de Deus inspirada por Deus (Teopeneumatos)
autoridade final para nossa fé e vida, sem erros, infalível. Afirmações bíblicas: “Deus no-las revelou
pelo Espírito...as quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o
Espírito Santo nos ensina” (1Co.2:10-13); “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei”
(1Co.11:23); “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o
que vos escrevo. E, se alguém o ignorar, será ignorado” (1Co.14:37-38); “Porque eu não o recebi,
nem o aprendi de homem algum, mas mediante a revelação de Jesus Cristo” (Gl.1:2); “porque estais
inteirados de quantas instruções vos demos da parte do Senhor Jesus. Dessarte, quem rejeita estas
coisas não rejeita o homem, e sim a Deus, que também vos dá o seu Espírito Santo” (1Tss.4:2, 8);
“Toda a Escritura é inspira por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a
educação na justiça” (2Tm.3:16).
Deus falou antigamente pelos Seus profetas, os quais produziram o A.T., o mesmo Deus depois falou
através do Seus Filho Jesus Cristo, depois pelos Apóstolos (inspirados pelo Espírito Santo), inclusive,
ouviram até a vós de Deus:
“Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu nós a ouvimos
quando estávamos com ele no monte santo. Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética,
e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie
e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da
Escritura provém de particular elucidação” (2Pe.1: 17B, 18, 19, 20), como acontece com o
mormonismo!
2.2 Os mórmons ensinam que o Pai e o Filho possuem corpos
“O próprio Deus já foi como somos agora – ele é um homem exaltado, entronizado em céus distantes!
(...) o próprio Deus, o Pai de todos nós, habitou sobre uma terra” (O Sermão de King Follet, ps. 336,
376).
“Deus é Espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito em verdade” (Jo.4;24). Toda
essa confusão é porque eles não entendem a doutrina da trindade, na verdade, não é de se ignorar,
pois a doutrina da Trindade é um mistério, porém, um mistério revelado pelo Espírito Santo de Deus.
Quem não é agraciado com essa revelação, mão nasceu da água e do Espírito (Jo.3:5).
Vemos que os mórmons não conheciam a Bíblia, a fonte de autoridade para eles são os livros escritos
por Joseph Smith, como por exemplo: PÉROLA DE GRANDE VALOR o qual contém as Regras de Fé
e DOUTRINA E CONVÊNIOS publicado em 1876. Por isso não há o conhecimento de Deus conforme
a revelação bíblica. Para os mórmons, segundo a pregação de Smith, em 1844, com o título “A
Divindade Cristã – Divindades Plurais” , no qual disse:
“Pregarei sobre a Pluralidade dos Deuses... Eu sempre declarei que Deus é um personagem distinto,
que Jesus Cristo é um personagem separado e distinto de Deus, o Pai, e que o Espírito Santo é outro
personagem distinto, e é Espírito... Muitos homens dizendo que há um Deus : o Pai, o Filho e o Espírito
Santo são apenas um Deus. Que Deus estranho - digo eu – três em um, e um em três!” (Ensinamentos
do Profeta Joseph Smith (Sermão do Profeta sobre a Trindade Cristã e a Pluralidade dos Deuses,
pregado no dia 16 de junho de 1844), publicado pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos
Dias, São Paulo, 1975, ps.361, 362 e 364).
Smith continua e explica que, quando a Bíblia fala de um Deus, é um Deus “no que concerne a nós”.
Entretanto, isso não quer dizer que não haja uma pluralidade de deuses por todo o Universo. Além
disso, o mormonismo ensina que cada deus é gerado por outro, em sucessão. O Deus Pai é um deus
superior, por causa de sua linha de progressão particular neste processo. Segundo alguns apologistas
talvez o ensino mais divergente do cristianismo seja a crença dos mórmons de que Deus e a
pluralidade de deuses eram homens antes de se tornarem deuses.
2.3 Os mórmons ensinam que Cristo e o Diabo são irmãos
“... que Lúcifer, o filho da alva, é nosso irmão mais velho e o irmão de Jesus Cristo” (Doutrina Mórmons
por Bruce Mconkie, ps. 163 – 164).
A Bíblia diz que o diabo é um ser criado por Deus. “Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em
que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti”, (Ez.28:15). “Porque nele foram criadas todas as
coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam
principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e par ele” (Cl.1:16).
2.4 Os mórmons ensinam que Jesus Cristo era casado e polígamo
“Cremos que o casamento em Cana da Galiléia foi o de Jesus Cristo”(Jornal de Discurso, vol.2, p.80).
O Mormonismo ensina que Jesus foi o filho natural de Adão e Maria. “Quando a Virgem Maria
concebeu o Menino Jesus... Ele não foi gerado pelo Espírito Santo. E quem é o seu pai? Ele é o
primeiro na família humana” (Brigham Young, Jornal de Discurso, ps. 50 – 51).
Diz a Bíblia: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se
fez carne, e habitou entre nós.. .” (Jo.1:1, 14a); “E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que
não conheço homem algum? E, respondeu o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo...”
(Lc.1:34-35).
2.5 Os mórmons ensinam o “casamento celestial”
“Para que um homem e uma mulher recebam a plenitude das bênçãos no REINO CELESTIAL, devem
se casar num templo mórmon. A falha em fazer isso resulta na dissolução do casamento com a morte,
uma vida de solteiro na eternidade e numa condição inferior de anjo e não de um deus” (Doutrina e
Convênios, ps. 132:15, 16).
Para os cristãos, o casamento é uma parte importante da criação (Gm;2:23, 24; Hb.13:14). Entretanto,
não é um foco prioritário ou uma obrigação que se deva cumprir para a ordem da salvação. Jesus
Cristo tornou-se o centro da fé: “Porque decidi nada saber entre vós, se não a Jesus Cristo e este
crucificado” (1Co. 2:2). O casamento é uma bênção de Deus nesta vida, mas não na futura. Para uma
vida imortal não há a necessidade de casamento e procriação “seremos como os anjos” (cf. Mt.22:29,
30).
2.6 Os mórmons ensinam que a igreja estava em um estado de grande corrupção, antes de 1830
Joseph Smith acreditava ter sido separado por Morôni, para restaurar a pureza e a verdade, através
de uma extensa série de novas revelações, incorporadas na literatura sagrada do Mormonismo.
Conseqüentemente, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a verdadeira
representante de Deus na terra.
O Cristianismo não faz uma afirmação tão audaciosa. A verdadeira Igreja de Deus não está
incorporada a uma organização ou denominação especifica. A autêntica Igreja consiste da “comunhão
dos santos” (Credos Apostólico e Niceno), dos que “nasceram de novo”, através do Batismo e que
possuem fé em Jesus Cristo. Estes estão espalhados por todas as diferentes denominações cristãs
do mundo. “A Igreja de Deus é constituída por todas as pessoas espiritualmente regeneradas, cujos
nomes estão escritos no Céu”. (Manual da Igreja do Nazareno. 2001 –2005. p.35).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é extremamente ativa e crescente em todo
mundo. Os fatores que mais contribuem para isso incluem o apelo amplamente difundido para a
moralidade, altas taxas de natalidade e uma ênfase ao retorno dos valores familiares e os comerciais
contra as drogas. Por isso é considerada a seita que mais cresce nos E.U.A., outro fator é a falta de
informações dos que se agregam a ela. Esta seita apresenta-se com uma fachada de cristã, de
verdadeira igreja, todavia, esta pseudo-igreja não prega as verdades bíblicas que conduz a vida
eterna.

BIBLIOGRAFIA
BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo e Barueri, Cultura Cristã
e Sociedade Bíblica do Brasil, 1999. 1728p.
MATHER, George A. e NICHOLS, Larry. Dicionário de Religiões, Crenças
e Ocultismo. São Paulo, Vida, 576p.
____________
Pr. Carlos Roberto
· Bacharel em Teologia - FATER
· Licenciatura em Teologia – FATER
· Licenciatura em Ciencias da Religião (UVA)
· Pós-graduado em História das Artes e das Religiões – UFRPE
· Pós-graduado em História – UFRPE
· Cursando Mestrado, como aluno especial, em Antropologia (com pesquisa em etnologia judaica) -
UFPE . Curso de Cultura Judaica e Simbologia Judaica.