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Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

EBSERH
Assistente Administrativo

NB027-N9
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Proibida a reprodução, total ou parcialmente, sem autorização prévia expressa por escrito da editora e do autor. Se você
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OBRA

Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares

Assistente Administrativo

EDITAL Nº 04 – EBSERH – ÁREA ADMINISTRATIVA, DE 04 DE NOVEMBRO DE 2019

AUTORES
Língua Portuguesa - Profª Zenaide Auxiliadora Pachegas Branco
Raciocínio Lógico - Profo Bruno Chieregatti e João de Sá Brasil
Legislação Aplicada à EBSERH - Profª Marcela Almendros e Bruna Pinotti
Legislação Aplicada ao SUS - Profª Marcela Almendros
Noções de Informática - Profo Ovidio Lopes da Cruz Neto
Conhecimentos Específicos - Profª Silvana Guimarães

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Leandro Filho

DIAGRAMAÇÃO
Thais Regis
Renato Vilela

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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SUMÁRIO
LÍNGUA PORTUGUESA
Compreensão e interpretação de textos.................................................................................................................................................. 01
Tipologia textual e gêneros textuais.......................................................................................................................................................... 08
Ortografia oficial................................................................................................................................................................................................ 09
Acentuação gráfica........................................................................................................................................................................................... 14
Classes de palavras........................................................................................................................................................................................... 17
Uso do sinal indicativo de crase.................................................................................................................................................................. 54
Sintaxe da oração e do período................................................................................................................................................................... 58
Pontuação............................................................................................................................................................................................................ 68
Concordância nominal e verbal................................................................................................................................................................... 71
Regência nominal e verbal............................................................................................................................................................................. 79
Significação das palavras................................................................................................................................................................................ 85

RACIOCÍNIO LÓGICO
Noções de Lógica.......................................................................................................................................................................................... 01
Diagramas Lógicos: conjuntos e elementos......................................................................................................................................... 01
Lógica da argumentação............................................................................................................................................................................. 01
Tipos de Raciocínio....................................................................................................................................................................................... 01
Conectivos Lógicos........................................................................................................................................................................................ 01
Proposições lógicas simples e compostas............................................................................................................................................ 01
Elementos de teoria dos conjuntos, análise combinatória e probabilidade............................................................................ 32
Resolução de problemas com frações, conjuntos, porcentagens e sequências com números, figuras, palavras.... 32

LEGISLAÇÃO APLICADA À EBSERH


Lei Federal nº 12.550, de 15 de dezembro de 2011........................................................................................................................... 01
Estatuto da EBSERH........................................................................................................................................................................................ 04
Código de Ética e Conduta da Ebserh - Princípios Éticos e Compromissos de Conduta - 1ª edição – 2017............. 09

LEGISLAÇÃO APLICADA AO SUS


Evolução histórica da organização do sistema de saúde no Brasil e a construção do Sistema Único de Saúde
(SUS) – princípios, diretrizes e arcabouço legal.................................................................................................................................... 01
Controle social no SUS................................................................................................................................................................................... 04
Resolução nº 453/2012 do Conselho Nacional da Saúde................................................................................................................ 09
Constituição Federal de 1988, artigos de 194 a 200........................................................................................................................... 16
Lei Orgânica da Saúde ‐ Lei nº 8.080/1990, Lei nº 8.142/1990 e Decreto Presidencial nº 7.508, de 28 de junho de 2011... 22
Determinantes sociais da saúde................................................................................................................................................................. 28
Sistemas de informação em saúde............................................................................................................................................................ 30
SUMÁRIO

RDC nº 63, de 25 de novembro de 2011 que dispõe sobre os Requisitos de Boas Práticas de Funcionamento para
os Serviços de Saúde....................................................................................................................................................................................... 33
Resolução CNS nº 553, de 9 de agosto de 2017, que dispõe sobre a carta dos direitos e deveres da pessoa
usuária da saúde............................................................................................................................................................................................... 38
RDC nº 36, de 25 de julho de 2013 que institui ações para a segurança do paciente em serviços de saúde e dá
outras providências......................................................................................................................................................................................... 43

NOÇÕES DE INFORMÁTICA
Internet e Aplicativos....................................................................................................................................................................................... 01
Ferramentas de busca...................................................................................................................................................................................... 01
Navegadores (Browser).................................................................................................................................................................................. 01
Redes de Computadores................................................................................................................................................................................ 01
Criptografia.......................................................................................................................................................................................................... 15
Sistema Operacional e Software.................................................................................................................................................................. 15
Hardware.............................................................................................................................................................................................................. 28
Correios Eletrônicos......................................................................................................................................................................................... 33
Programa Antivírus e Firewall....................................................................................................................................................................... 33
Editores de Apresentação.............................................................................................................................................................................. 37
Editores de Planilhas........................................................................................................................................................................................ 37
Editores de Texto............................................................................................................................................................................................... 37
Segurança da Informação.............................................................................................................................................................................. 37
Extensão de Arquivo........................................................................................................................................................................................ 39
Teclas de Atalho................................................................................................................................................................................................. 41
Pacote Microsoft Office.................................................................................................................................................................................. 42

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Noções de administração. Abordagens clássica, burocrática e sistêmica da administração. Evolução da
administração pública no Brasil após 1930; reformas administrativas; a nova gestão pública........................................... 01
Processo administrativo. Funções da administração: planejamento, organização, direção e controle........................... 16
Estrutura organizacional................................................................................................................................................................................ 18
Cultura organizacional.................................................................................................................................................................................... 36
Gestão de pessoas. Equilíbrio organizacional. Objetivos, desafios e características da gestão de pessoas..................... 37
Comportamento organizacional: relações indivíduo/organização, motivação, liderança, desempenho........................ 44
Gestão da qualidade e modelo de excelência gerencial. Principais teóricos e suas contribuições para a gestão da
qualidade. Ciclo PDCA. Ferramentas de gestão da qualidade.......................................................................................................... 51
Noções de gestão de processos: técnicas de mapeamento, análise e melhoria de processos................................................. 75
Legislação administrativa. Administração direta, indireta e funcional. Atos administrativos. Requisição......................... 79
Noções de administração de recursos materiais.................................................................................................................................. 93
SUMÁRIO

Noções de arquivologia. Arquivística: princípios e conceitos. Legislação arquivística. Gestão de documentos.


Protocolos: recebimento, registro, distribuição, tramitação e expedição de documentos. Classificação de
documentos de arquivo. Arquivamento e ordenação de documentos de arquivo. Tabela de temporalidade
de documentos de arquivo. Acondicionamento e armazenamento de documentos de arquivo. Preservação e
conservação de documentos de arquivo................................................................................................................................................ 105
Noções de licitação pública: fases, modalidades, dispensa e inexigibilidade........................................................................... 122
Ética no serviço público: comportamento profissional, atitudes no serviço, organização do trabalho, prioridade
em serviço............................................................................................................................................................................................................ 133
Noções de direito do trabalho;................................................................................................................................................................... 136
Noções de contrato administrativo, gestão e fiscalização de contratos, incluindo a IN 5/2017;...................................... 153
Noções de informática;................................................................................................................................................................................... 156
Direitos, deveres e responsabilidades dos servidores públicos....................................................................................................... 156
ÍNDICE

LÍNGUA PORTUGUESA

Compreensão e interpretação de textos.................................................................................................................................................. 01


Tipologia textual e gêneros textuais.......................................................................................................................................................... 08
Ortografia oficial................................................................................................................................................................................................ 09
Acentuação gráfica............................................................................................................................................................................................ 14
Classes de palavras............................................................................................................................................................................................ 17
Uso do sinal indicativo de crase................................................................................................................................................................... 54
Sintaxe da oração e do período.................................................................................................................................................................... 58
Pontuação............................................................................................................................................................................................................. 68
Concordância nominal e verbal.................................................................................................................................................................... 71
Regência nominal e verbal............................................................................................................................................................................. 79
Significação das palavras................................................................................................................................................................................ 85
Compreender significa
COMPREENSÃO E Entendimento, atenção ao que realmente está escrito.
INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS. O texto diz que...
É sugerido pelo autor que...
De acordo com o texto, é correta ou errada a afirmação...
O narrador afirma...
INTERPRETAÇÃO TEXTUAL
Erros de interpretação
Texto – é um conjunto de ideias organizadas e
relacionadas entre si, formando um todo significativo • Extrapolação (“viagem”) = ocorre quando se sai do
capaz de produzir interação comunicativa (capacidade contexto, acrescentando ideias que não estão no
de codificar e decodificar). texto, quer por conhecimento prévio do tema quer
pela imaginação.
Contexto – um texto é constituído por diversas frases. • Redução = é o oposto da extrapolação. Dá-se
Em cada uma delas, há uma informação que se liga com atenção apenas a um aspecto (esquecendo que
a anterior e/ou com a posterior, criando condições para um texto é um conjunto de ideias), o que pode
a estruturação do conteúdo a ser transmitido. A essa ser insuficiente para o entendimento do tema
interligação dá-se o nome de contexto. O relacionamento desenvolvido.
entre as frases é tão grande que, se uma frase for retirada • Contradição = às vezes o texto apresenta ideias
de seu contexto original e analisada separadamente, contrárias às do candidato, fazendo-o tirar
poderá ter um significado diferente daquele inicial. conclusões equivocadas e, consequentemente,
errar a questão.
Intertexto - comumente, os textos apresentam
referências diretas ou indiretas a outros autores através Observação: Muitos pensam que existem a ótica do
de citações. Esse tipo de recurso denomina-se intertexto. escritor e a ótica do leitor. Pode ser que existam, mas
em uma prova de concurso, o que deve ser levado em
Interpretação de texto - o objetivo da interpretação consideração é o que o autor diz e nada mais.
de um texto é a identificação de sua ideia principal.
A partir daí, localizam-se as ideias secundárias (ou Coesão e Coerência
fundamentações), as argumentações (ou explicações),
que levam ao esclarecimento das questões apresentadas Coesão - é o emprego de mecanismo de sintaxe que
na prova. relaciona palavras, orações, frases e/ou parágrafos entre
si. Em outras palavras, a coesão dá-se quando, através de
Normalmente, em uma prova, o candidato deve: um pronome relativo, uma conjunção (NEXOS), ou um
• Identificar os elementos fundamentais de uma pronome oblíquo átono, há uma relação correta entre o
argumentação, de um processo, de uma época que se vai dizer e o que já foi dito.
(neste caso, procuram-se os verbos e os advérbios, São muitos os erros de coesão no dia a dia e, entre
os quais definem o tempo). eles, está o mau uso do pronome relativo e do pronome
• Comparar as relações de semelhança ou de oblíquo átono. Este depende da regência do verbo;
diferenças entre as situações do texto. aquele, do seu antecedente. Não se pode esquecer
• Comentar/relacionar o conteúdo apresentado com também de que os pronomes relativos têm, cada um,
uma realidade. valor semântico, por isso a necessidade de adequação
• Resumir as ideias centrais e/ou secundárias. ao antecedente.
• Parafrasear = reescrever o texto com outras Os pronomes relativos são muito importantes na
palavras. interpretação de texto, pois seu uso incorreto traz erros
de coesão. Assim sendo, deve-se levar em consideração
Condições básicas para interpretar que existe um pronome relativo adequado a cada
circunstância, a saber:
Fazem-se necessários: conhecimento histórico- que (neutro) - relaciona-se com qualquer antecedente,
literário (escolas e gêneros literários, estrutura do texto), mas depende das condições da frase.
leitura e prática; conhecimento gramatical, estilístico qual (neutro) idem ao anterior.
(qualidades do texto) e semântico; capacidade de quem (pessoa)
observação e de síntese; capacidade de raciocínio. cujo (posse) - antes dele aparece o possuidor e depois
o objeto possuído.
LÍNGUA PORTUGUESA

Interpretar/Compreender como (modo)


onde (lugar)
Interpretar significa: quando (tempo)
Explicar, comentar, julgar, tirar conclusões, deduzir. quanto (montante)
Através do texto, infere-se que... Exemplo:
É possível deduzir que... Falou tudo QUANTO queria (correto)
O autor permite concluir que... Falou tudo QUE queria (errado - antes do QUE, deveria
Qual é a intenção do autor ao afirmar que... aparecer o demonstrativo O).

1
Dicas para melhorar a interpretação de textos

• Leia todo o texto, procurando ter uma visão geral EXERCÍCIOS COMENTADOS
do assunto. Se ele for longo, não desista! Há
muitos candidatos na disputa, portanto, quanto 1. (EBSERH – Analista Administrativo – Estatística –
mais informação você absorver com a leitura, mais AOCP-2015)
chances terá de resolver as questões.
• Se encontrar palavras desconhecidas, não O verão em que aprendi a boiar
interrompa a leitura. Quando achamos que tudo já aconteceu, novas
• Leia o texto, pelo menos, duas vezes – ou quantas capacidades fazem de nós pessoas diferentes do que
forem necessárias. éramos
• Procure fazer inferências, deduções (chegar a uma IVAN MARTINS
conclusão).
• Volte ao texto quantas vezes precisar. Sei que a palavra da moda é precocidade, mas eu acredito
• Não permita que prevaleçam suas ideias sobre em conquistas tardias. Elas têm na minha vida um gosto
as do autor. especial.
• Fragmente o texto (parágrafos, partes) para melhor Quando aprendi a guiar, aos 34 anos, tudo se transformou.
compreensão. De repente, ganhei mobilidade e autonomia. A cidade,
• Verifique, com atenção e cuidado, o enunciado de minha cidade, mudou de tamanho e de fisionomia.
cada questão. Descer a Avenida Rebouças num táxi, de madrugada, era
• O autor defende ideias e você deve percebê-las. diferente – e pior – do que descer a mesma avenida com
• Observe as relações interparágrafos. Um parágrafo as mãos ao volante, ouvindo rock and roll no rádio. Pegar
geralmente mantém com outro uma relação a estrada com os filhos pequenos revelou-se uma delícia
de continuação, conclusão ou falsa oposição. insuspeitada.
Identifique muito bem essas relações. Talvez porque eu tenha começado tarde, guiar me
• Sublinhe, em cada parágrafo, o tópico frasal, ou seja, parece, ainda hoje, uma experiência incomum. É um ato
a ideia mais importante. que, mesmo repetido de forma diária, nunca se banalizou
• Nos enunciados, grife palavras como “correto” ou
inteiramente.
“incorreto”, evitando, assim, uma confusão na
Na véspera do Ano Novo, em Ubatuba, eu fiz outra
hora da resposta – o que vale não somente para
descoberta temporã.
Interpretação de Texto, mas para todas as demais
Depois de décadas de tentativas inúteis e frustrantes,
questões!
num final de tarde ensolarado eu conquistei o dom
• Se o foco do enunciado for o tema ou a ideia
da flutuação. Nas águas cálidas e translúcidas da praia
principal, leia com atenção a introdução e/ou a
Brava, sob o olhar risonho da minha mulher, finalmente
conclusão.
consegui boiar.
• Olhe com especial atenção os pronomes relativos,
pronomes pessoais, pronomes demonstrativos, Não riam, por favor. Vocês que fazem isso desde os
etc., chamados vocábulos relatores, porque oito anos, vocês que já enjoaram da ausência de peso
remetem a outros vocábulos do texto. e esforço, vocês que não mais se surpreendem com a
sensação de balançar ao ritmo da água – sinto dizer, mas
SITES vocês se esqueceram de como tudo isso é bom.
Disponível em: <http://www.tudosobreconcursos. Nadar é uma forma de sobrepujar a água e impor-se a
com/materiais/portugues/como-interpretar-textos> ela. Boiar é fazer parte dela – assim como do sol e das
Disponível em: <http://portuguesemfoco.com/pf/09- montanhas ao redor, dos sons que chegam filtrados ao
dicas-para-melhorar-a-interpretacao-de-textos-em- ouvido submerso, do vento que ergue a onda e lança
provas> água em nosso rosto. Boiar é ser feliz sem fazer força, e
Disponível em: <http://www.portuguesnarede. isso, curiosamente, não é fácil.
com/2014/03/dicas-para-voce-interpretar-melhor-um. Essa experiência me sugeriu algumas considerações
html> sobre a vida em geral.
Disponível em: <http://vestibular.uol.com.br/ Uma delas, óbvia, é que a gente nunca para de aprender
cursinho/questoes/questao-117-portugues.htm> ou de avançar. Intelectualmente e emocionalmente,
de um jeito prático ou subjetivo, estamos sempre
incorporando novidades que nos transformam. Somos
geneticamente elaborados para lidar com o novo, mas
não só. Também somos profundamente modificados por
LÍNGUA PORTUGUESA

ele. A cada momento da vida, quando achamos que tudo


já aconteceu, novas capacidades irrompem e fazem de
nós uma pessoa diferente do que éramos. Uma pessoa
capaz de boiar é diferente daquelas que afundam como
pedras.
Suspeito que isso tenha importância também para os
relacionamentos.

2
Se a gente não congela ou enferruja – e tem gente que já e) ser necessário aprender nos relacionamentos, porém
está assim aos 30 anos – nosso repertório íntimo tende a sempre estando alerta para aquilo de ruim que pode
se ampliar, a cada ano que passa e a cada nova relação. acontecer.
Penso em aprender a escutar e a falar, em olhar o outro,
em tocar o corpo do outro com propriedade e deixar- Resposta: Letra A
se tocar sem susto. Penso em conter a nossa própria Ao texto: (...) tudo se aprende, mesmo as coisas simples
frustração e a nossa fúria, em permitir que o parceiro que pareciam impossíveis. / Enquanto se está vivo e
floresça, em dar atenção aos detalhes dele. Penso, relação existe, há chance de melhorar = sempre há
sobretudo, em conquistar, aos poucos, a ansiedade e tempo para boiar (aprender).
insegurança que nos bloqueiam o caminho do prazer, não Em “a”: haver sempre tempo para aprender, para tentar
apenas no sentido sexual. Penso em estar mais tranquilo relaxar e ser feliz nas águas do amor, agindo com
na companhia do outro e de si mesmo, no mundo. mais calma, com mais prazer, com mais intensidade e
Assim como boiar, essas coisas são simples, mas precisam menos medo = correta.
ser aprendidas. Em “b”: ser necessário agir com mais cautela nos
Estar no interior de uma relação verdadeira é como estar relacionamentos amorosos para que eles não
na água do mar. Às vezes você nada, outras vezes você se desfaçam = incorreta – o autor propõe viver
boia, de vez em quando, morto de medo, sente que pode intensamente.
afundar. É uma experiência que exige, ao mesmo tempo, Em “c”: haver sempre tempo para aprender a ser mais
relaxamento e atenção, e nem sempre essas coisas se criterioso com seus relacionamentos, a fim de que eles
combinam. Se a gente se põe muito tenso e cerebral, a sejam vividos intensamente = incorreta – ser menos
relação perde a espontaneidade. Afunda. Mas, largada objetivo nos relacionamentos.
apenas ao sabor das ondas, sem atenção ao equilíbrio, a Em “d”: haver sempre tempo para aprender coisas
relação também naufraga. Há uma ciência sem cálculos novas, inclusive agir com o raciocínio nas relações
que tem de ser assimilada a cada novo amor, por cada amorosas = incorreta – ser mais emoção.
um de nós. Ela fornece a combinação exata de atenção Em “e”: ser necessário aprender nos relacionamentos,
e relaxamento que permite boiar. Quer dizer, viver de porém sempre estando alerta para aquilo de ruim que
forma relaxada e consciente um grande amor. pode acontecer = incorreta – estar sempre cuidando,
Na minha experiência, esse aprendizado não se fez não pensando em algo ruim.
rapidamente. Demorou anos e ainda se faz. Talvez porque
eu seja homem, talvez porque seja obtuso para as coisas 2. (TJ-SC – ANALISTA ADMINISTRATIVO – FGV-2018)
do afeto. Provavelmente, porque sofro das limitações Observe a charge a seguir:
emocionais que muitos sofrem e que tornam as relações
afetivas mais tensas e trabalhosas do que deveriam ser.
Sabemos nadar, mas nos custa relaxar e ser felizes nas
águas do amor e do sexo. Nos custa boiar.
A boa notícia, que eu redescobri na praia, é que tudo
se aprende, mesmo as coisas simples que pareciam
impossíveis.
Enquanto se está vivo e relação existe, há chance de
melhorar. Mesmo se ela acabou, é certo que haverá outra
no futuro, no qual faremos melhor: com mais calma, com
mais prazer, com mais intensidade e menos medo.
O verão, afinal, está apenas começando. Todos os dias se
pode tentar boiar.
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/ivan-martins/
noticia/2014/01/overao-em-que-aprendi-boiar.html
A charge acima é uma homenagem a Stephen Hawking,
De acordo com o texto, quando o autor afirma que “Todos destacando o fato de o cientista:
os dias se pode tentar boiar.”, ele refere-se ao fato de
a) ter alcançado o céu após sua morte;
a) haver sempre tempo para aprender, para tentar relaxar b) mostrar determinação no combate à doença;
e ser feliz nas águas do amor, agindo com mais cal- c) ser comparado a cientistas famosos;
ma, com mais prazer, com mais intensidade e menos d) ser reconhecido como uma mente brilhante;
medo. e) localizar seus interesses nos estudos de Física.
LÍNGUA PORTUGUESA

b) ser necessário agir com mais cautela nos relaciona-


mentos amorosos para que eles não se desfaçam.
c) haver sempre tempo para aprender a ser mais criterio- Resposta: Letra D
so com seus relacionamentos, a fim de que eles sejam Em “a”: ter alcançado o céu após sua morte; = incorreto
vividos intensamente. Em “b”: mostrar determinação no combate à doença;
d) haver sempre tempo para aprender coisas novas, in- = incorreto
clusive agir com o raciocínio nas relações amorosas. Em “c”: ser comparado a cientistas famosos; = incorreto
Em “d”: ser reconhecido como uma mente brilhante;

3
Em “e”: localizar seus interesses nos estudos de Física. a) tornar ilimitada a produção de dinheiro.
= incorreto b) proteger os bens dos clientes de bancos.
Usemos a fala de Einstein: “a mente brilhante que c) impedir que os bancos fossem à falência.
estávamos esperando”. d) permitir o empréstimo de mais dinheiro
e) preservar as economias das pessoas.
3. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
Resposta: Letra D
Lastro e o Sistema Bancário Ao texto: (...) Com o tempo, os banqueiros se deram
[...] conta de que ninguém estava interessado em trocar
Até os anos 60, o papel-moeda e o dinheiro depositado dinheiro por ouro e criaram manobras, como a reserva
nos bancos deviam estar ligados a uma quantidade de fracional, para emprestar muito mais dinheiro do que
ouro num sistema chamado lastro-ouro. Como esse realmente tinham em ouro nos cofres.
metal é limitado, isso garantia que a produção de dinheiro Em “a”, tornar ilimitada a produção de dinheiro =
fosse também limitada. Com o tempo, os banqueiros se incorreta
deram conta de que ninguém estava interessado em Em “b”, proteger os bens dos clientes de bancos =
trocar dinheiro por ouro e criaram manobras, como a incorreta
reserva fracional, para emprestar muito mais dinheiro do Em “c”, impedir que os bancos fossem à falência =
que realmente tinham em ouro nos cofres. Nas crises, incorreta
como em 1929, todos queriam sacar dinheiro para pagar Em “d”, permitir o empréstimo de mais dinheiro =
suas contas e os bancos quebravam por falta de fundos, correta
deixando sem nada as pessoas que acreditavam ter suas Em “e”, preservar as economias das pessoas = incorreta
economias seguramente guardadas.
Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- 4. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018)
ouro. Desde então, o dinheiro, na forma de cédulas e A leitura do texto permite a compreensão de que
principalmente de valores em contas bancárias, já não
tendo nenhuma riqueza material para representar, é a) as dívidas dos clientes são o que sustenta os bancos.
criado a partir de empréstimos. Quando alguém vai até b) todo o dinheiro que os bancos emprestam é imaginário.
o banco e recebe um empréstimo, o valor colocado em c) quem pede um empréstimo deve a outros clientes.
sua conta é gerado naquele instante, criado a partir de d) o pagamento de dívidas depende do “livre-mercado”.
uma decisão administrativa, e assim entra na economia. e) os bancos confiscam os bens dos clientes endividados.
Essa explicação permaneceu controversa e escondida
por muito tempo, mas hoje está clara em um relatório do Resposta: Letra A
Bank of England de 2014. Em “a”, as dívidas dos clientes são o que sustenta os
Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo bancos = correta
é criado assim, inventado em canetaços a partir da Em “b”, todo o dinheiro que os bancos emprestam é
concessão de empréstimos. O que torna tudo mais imaginário = nem todo
estranho e perverso é que, sobre esse empréstimo, Em “c”, quem pede um empréstimo deve a outros
é cobrada uma dívida. Então, se eu peço dinheiro ao clientes = deve ao banco, este paga/empresta a outros
banco, ele inventa números em uma tabela com meu clientes
nome e pede que eu devolva uma quantidade maior Em “d”, o pagamento de dívidas depende do “livre-
do que essa. Para pagar a dívida, preciso ir até o dito mercado” = não só: (...) preciso ir até o dito “livre-
“livre-mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear, para mercado” e trabalhar, lutar, talvez trapacear.
conseguir o dinheiro que o banco inventou na conta Em “e”, os bancos confiscam os bens dos clientes
de outras pessoas. Esse é o dinheiro que vai ser usado endividados = desde que não paguem a dívida
para pagar a dívida, já que a única fonte de moeda é
o empréstimo bancário. No fim, os bancos acabam com 5. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO
todo o dinheiro que foi inventado e ainda confiscam os GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) Observe a charge
bens da pessoa endividada cujo dinheiro tomei. abaixo, publicada no momento da intervenção nas
Assim, o sistema monetário atual funciona com uma atividades de segurança do Rio de Janeiro, em março de
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. 2018.
Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abundante
porque é gerada pela simples manipulação de bancos
de dados. O resultado é uma acumulação de riqueza e
poder sem precedentes: um mundo onde o patrimônio
de 80 pessoas é maior do que o de 3,6 bilhões, e onde
LÍNGUA PORTUGUESA

o 1% mais rico tem mais do que os outros 99% juntos.


[...]
Disponível em https://fagulha.org/artigos/inventando-dinheiro/
Acessado em 20/03/2018

De acordo com o autor do texto Lastro e o sistema


bancário, a reserva fracional foi criada com o objetivo de

4
Há uma série de informações implícitas na charge; NÃO
pode, no entanto, ser inferida da imagem e das frases a Resposta: Letra A
seguinte informação: Em “a”: a criação de uma dependência tecnológica
excessiva;
a) a classe social mais alta está envolvida nos crimes Em “b”: a falta de exercícios físicos nas crianças; =
cometidos no Rio; incorreto
b) a tarefa da investigação criminal não está sendo bem- Em “c”: o risco de contatos perigosos; = incorreto
feita; Em “d”: o abandono dos estudos regulares; = incorreto
c) a linguagem do personagem mostra intimidade com Em “e”: a falta de contato entre membros da família. =
o interlocutor; incorreto
d) a presença do orelhão indica o atraso do local da Através da fala do garoto chegamos à resposta:
charge; dependência tecnológica - expressa em sua fala.
e) as imagens dos tanques de guerra denunciam a
presença do Exército. 7. (Câmara de Salvador-BA – Assistente Legislativo
Municipal – FGV-2018-adaptada) “Hoje, esse
Resposta: Letra D termo denota, além da agressão física, diversos tipos
de imposição sobre a vida civil, como a repressão
política, familiar ou de gênero, ou a censura da fala e
do pensamento de determinados indivíduos e, ainda,
o desgaste causado pelas condições de trabalho e
condições econômicas”. A manchete jornalística abaixo
que NÃO se enquadra em nenhum tipo de violência
citado nesse segmento é:

NÃO pode ser inferida da imagem e das frases a a) Presa por mensagem racista na internet;
seguinte informação: b) Vinte pessoas são vítimas da ditadura venezuelana;
Em “a”, a classe social mais alta está envolvida nos c) Apanhou de policiais por destruir caixa eletrônico;
crimes cometidos no Rio = inferência correta d) Homossexuais são perseguidos e presos na Rússia;
Em “b”, a tarefa da investigação criminal não está e) Quatro funcionários ficaram livres do trabalho escravo.
sendo bem-feita = inferência correta
Em “c”, a linguagem do personagem mostra intimidade Resposta: Letra C
com o interlocutor = inferência correta Em “a”: Presa por mensagem racista na internet =
Em “d”, a presença do orelhão indica o atraso do local como a repressão política, familiar ou de gênero
da charge = incorreta Em “b”: Vinte pessoas são vítimas da ditadura
Em “e”, as imagens dos tanques de guerra denunciam venezuelana = como a repressão política, familiar ou
a presença do Exército = inferência correta de gênero
Em “c”: Apanhou de policiais por destruir caixa
eletrônico = não consta na Manchete acima
6. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) Observe Em “d”: Homossexuais são perseguidos e presos na
a charge abaixo. Rússia = como a repressão política, familiar ou de
gênero
Em “e”: Quatro funcionários ficaram livres do trabalho
escravo = o desgaste causado pelas condições de
trabalho

8. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO –


ÁREA JURÍDICA – FGV-2018)

Oportunismo à Direita e à Esquerda


Numa democracia, é livre a expressão, estão garantidos
o direito de reunião e de greve, entre outros, obedecidas
leis e regras, lastreadas na Constituição. Em um regime
de liberdades, há sempre o risco de excessos, a serem
LÍNGUA PORTUGUESA

devidamente contidos e seus responsáveis, punidos,


No caso da charge, a crítica feita à internet é: conforme estabelecido na legislação.
É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos
a) a criação de uma dependência tecnológica excessiva; caminhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo,
b) a falta de exercícios físicos nas crianças; da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados
c) o risco de contatos perigosos; em se beneficiar do barateamento do combustível.
d) o abandono dos estudos regulares; Sempre há, também, o oportunismo político-ideológico
e) a falta de contato entre membros da família. para se aproveitar da crise. Inclusive, neste ano de

5
eleição, com o objetivo de obter apoio a candidatos. Não contextos. A cultura da paz tem de procurar soluções que
faltam, também, os arautos do quanto pior, melhor, para advenham de dentro da(s) sociedade(s), que não sejam
desgastar governantes e reforçar seus projetos de poder, impostas do exterior.
por mais delirantes que sejam. Também aqui vale o que Cabe ressaltar que o conceito de paz pode ser abordado
está delimitado pelo estado democrático de direito, em sentido negativo, quando se traduz em um estado
defendido pelos diversos instrumentos institucionais de de não guerra, em ausência de conflito, em passividade
que conta o Estado – Polícia, Justiça, Ministério Público, e permissividade, sem dinamismo próprio; em síntese,
Forças Armadas etc. condenada a um vazio, a uma não existência palpável,
A greve atravessou vários sinais ao estrangular as difícil de se concretizar e de se precisar. Em sua concepção
vias de suprimento que mantêm o sistema produtivo positiva, a paz não é o contrário da guerra, mas a prática
funcionando, do qual depende a sobrevivência física da não violência para resolver conflitos, a prática do
da população. Isso não pode ser esquecido e serve de diálogo na relação entre pessoas, a postura democrática
alerta para que as autoridades desenvolvam planos de frente à vida, que pressupõe a dinâmica da cooperação
contingência. planejada e o movimento constante da instalação de
O Globo, 31/05/2018. justiça.
Uma cultura de paz exige esforço para modificar o
“É o que precisa acontecer no rescaldo da greve dos pensamento e a ação das pessoas para que se promova
caminhoneiros, concluídas as investigações, por exemplo, a paz. Falar de violência e de como ela nos assola deixa
da ajuda ilegal de patrões ao movimento, interessados em de ser, então, a temática principal. Não que ela vá ser
se beneficiar do barateamento do combustível.” Segundo esquecida ou abafada; ela pertence ao nosso dia a dia e
esse parágrafo do texto, o que “precisa acontecer” é temos consciência disso. Porém, o sentido do discurso,
a ideologia que o alimenta, precisa impregná-lo de
a) manter-se o direito de livre expressão do pensamento. palavras e conceitos que anunciem os valores humanos
b) garantir-se o direito de reunião e de greve. que decantam a paz, que lhe proclamam e promovem. A
c) lastrear leis e regras na Constituição. violência já é bastante denunciada, e quanto mais falamos
d) punirem-se os responsáveis por excessos. dela, mais lembramos de sua existência em nosso meio
e) concluírem-se as investigações sobre a greve. social. É hora de começarmos a convocar a presença da
paz em nós, entre nós, entre nações, entre povos.
Um dos primeiros passos nesse sentido refere-se à gestão
Resposta: Letra D de conflitos. Ou seja, prevenir os conflitos potencialmente
Em “a”: manter-se o direito de livre expressão do violentos e reconstruir a paz e a confiança entre pessoas
pensamento. = incorreto originárias de situação de guerra é um dos exemplos mais
Em “b”: garantir-se o direito de reunião e de greve. = comuns a serem considerados. Tal missão estende-se às
incorreto escolas, instituições públicas e outros locais de trabalho
Em “c”: lastrear leis e regras na Constituição. = incorreto por todo o mundo, bem como aos parlamentos e centros
Em “d”: punirem-se os responsáveis por excessos. de comunicação e associações.
Em “e”: concluírem-se as investigações sobre a greve. Outro passo é tentar erradicar a pobreza e reduzir as
= incorreto desigualdades, lutando para atingir um desenvolvimento
Ao texto: (...) há sempre o risco de excessos, a serem sustentado e o respeito pelos direitos humanos,
devidamente contidos e seus responsáveis, punidos, reforçando as instituições democráticas, promovendo
conforme estabelecido na legislação. / É o que precisa a liberdade de expressão, preservando a diversidade
acontecer... = precisa acontecer a punição dos cultural e o ambiente.
excessos. É, então, no entrelaçamento “paz — desenvolvimento
— direitos humanos — democracia” que podemos
9. (PC-MA – DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL – vislumbrar a educação para a paz.
CESPE-2018) Leila Dupret. Cultura de paz e ações sócio-educativas: desafios
para a escola contemporânea. In: Psicol. Esc. Educ. (Impr.) v. 6, n.º
Texto CG1A1AAA 1. Campinas, jun./2002 (com adaptações).
A paz não pode ser garantida apenas pelos acordos
políticos, econômicos ou militares. Cada um de nós, De acordo com o texto CG1A1AAA, os elementos
independentemente de idade, sexo, estrato social, “gestão de conflitos” e “erradicar a pobreza” devem ser
crença religiosa etc. é chamado à criação de um mundo concebidos como
pacificado, um mundo sob a égide de uma cultura da a) obstáculos para a construção da cultura da paz.
paz. b) dispensáveis para a construção da cultura da paz.
LÍNGUA PORTUGUESA

Mas, o que significa “cultura da paz”? c) irrelevantes na construção da cultura da paz.


Construir uma cultura da paz envolve dotar as crianças d) etapas para a construção da cultura da paz.
e os adultos da compreensão de princípios como e) consequências da construção da cultura da paz.
liberdade, justiça, democracia, direitos humanos,
tolerância, igualdade e solidariedade. Implica uma Resposta: Letra D
rejeição, individual e coletiva, da violência que tem Em “a”: obstáculos para a construção da cultura da paz.
sido percebida na sociedade, em seus mais variados = incorreto

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Em “b”: dispensáveis para a construção da cultura da 11. (PM-SP - SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR –
paz. = incorreto VUNESP-2015) Leia a tira.
Em “c”: irrelevantes na construção da cultura da paz.
= incorreto
Em “d”: etapas para a construção da cultura da paz.
Em “e”: consequências da construção da cultura da paz.
= incorreto
Ao texto: Um dos primeiros passos nesse sentido
refere-se à gestão de conflitos. (...) Outro passo é tentar
erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades = etapas
para construção da paz.
(Folha de S.Paulo, 02.10.2015. Adaptado)
10. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE
JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018) Com sua fala, a personagem revela que
a) a violência era comum no passado.
b) as pessoas lutam contra a violência.
c) a violência está banalizada.
d) o preço que pagou pela violência foi alto.

Resposta: Letra C
Em “a”: a violência era comum no passado. = incorreto
Em “b”: as pessoas lutam contra a violência. = incorreto
Em “c”: a violência está banalizada.
Em “d”: o preço que pagou pela violência foi alto. =
incorreto
Infelizmente, a personagem revela que a violência está
banalizada, nem há mais “punições” para os agressivos.

12. (PM-SP - ASPIRANTE DA POLÍCIA MILITAR


[INTERIOR] – VUNESP-2017) Leia a charge.

O humor da tira é conseguido através de uma quebra de


expectativa, que é:

a) o fato de um adulto colecionar figurinhas;


b) as figurinhas serem de temas sociais e não esportivos;
c) a falta de muitas figurinhas no álbum;
d) a reclamação ser apresentada pelo pai e não pelo filho; (Pancho. www.gazetadopovo.com.br)
e) uma criança ajudar a um adulto e não o contrário.
É correto associar o humor da charge ao fato de que
Resposta: Letra B
Em “a”: o fato de um adulto colecionar figurinhas; = a) os personagens têm uma autoestima elevada e são
incorreto otimistas, mesmo vivendo em uma situação de
Em “b”: as figurinhas serem de temas sociais e não completo confinamento.
esportivos; b) os dois personagens estão muito bem informados
Em “c”: a falta de muitas figurinhas no álbum; = sobre a economia, o que não condiz com a imagem
incorreto de criminosos.
Em “d”: a reclamação ser apresentada pelo pai e não c) o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida dos
LÍNGUA PORTUGUESA

pelo filho; = incorreto personagens, pois eles demonstram preocupação


Em “e”: uma criança ajudar a um adulto e não o com a aparência.
contrário. = incorreto d) o aumento dos preços de cosméticos não surpreende
O humor está no fato de o álbum ser sobre um tema os personagens, que estão acostumados a pagar caro
incomum: assuntos sociais. por eles nos presídios.
e) os preços de cosméticos não deveriam ser relevantes
para os personagens, dada a condição em que se
encontram.

7
Resposta: Letra E
Em “a”: os personagens têm uma autoestima elevada
e são otimistas, mesmo vivendo em uma situação de TIPOLOGIA TEXTUAL E GÊNEROS TEXTUAIS
completo confinamento. = incorreto
Em “b”: os dois personagens estão muito bem
informados sobre a economia, o que não condiz com a
imagem de criminosos. = incorreto TIPOLOGIA E GÊNERO TEXTUAL
Em “c”: o valor dos cosméticos afetará diretamente a vida
dos personagens, pois eles demonstram preocupação A todo o momento nos deparamos com vários textos,
com a aparência. = incorreto sejam eles verbais ou não verbais. Em todos há a presença
Em “d”: o aumento dos preços de cosméticos não
do discurso, isto é, a ideia intrínseca, a essência daquilo
surpreende os personagens, que estão acostumados
que está sendo transmitido entre os interlocutores. Estes
a pagar caro por eles nos presídios. = incorreto
interlocutores são as peças principais em um diálogo ou
Em “e”: os preços de cosméticos não deveriam ser
relevantes para os personagens, dada a condição em em um texto escrito.
que se encontram. É de fundamental importância sabermos classificar
Pela condição em que as personagens se encontram, o os textos com os quais travamos convivência no nosso
aumento no preço dos cosméticos não os afeta. dia a dia. Para isso, precisamos saber que existem tipos
textuais e gêneros textuais.
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um
13. (TJ-AL – ANALISTA JUDICIÁRIO – OFICIAL DE fato presenciado ou ocorrido conosco, expomos nossa
JUSTIÇA AVALIADOR – FGV-2018) opinião sobre determinado assunto, descrevemos algum
lugar que visitamos, fazemos um retrato verbal sobre
Texto 1 – Além do celular e da carteira, cuidado com alguém que acabamos de conhecer ou ver. É exatamente
as figurinhas da Copa nessas situações corriqueiras que classificamos os
Gilberto Porcidônio – O Globo, 12/04/2018 nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração,
Descrição e Dissertação.
A febre do troca-troca de figurinhas pode estar atingindo
uma temperatura muito alta. Preocupados que os mais As tipologias textuais se caracterizam pelos
afoitos pelos cromos possam até roubá-los, muitos aspectos de ordem linguística
jornaleiros estão levando seus estoques para casa Os tipos textuais designam uma sequência definida
quando termina o expediente. Pode parecer piada, mas pela natureza linguística de sua composição. São
há até boatos sobre quadrilhas de roubo de figurinha observados aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais,
espalhados por mensagens de celular. relações logicas. Os tipos textuais são o narrativo,
descritivo, argumentativo/dissertativo, injuntivo e
Sobre a estrutura do título dado ao texto 1, a afirmativa expositivo.
adequada é: A) Textos narrativos – constituem-se de verbos de
ação demarcados no tempo do universo narrado,
a) as figurinhas da Copa passaram a ocupar o lugar do
como também de advérbios, como é o caso de an-
celular e da carteira nos roubos urbanos;
tes, agora, depois, entre outros: Ela entrava em seu
b) as figurinhas da Copa se somaram ao celular e à cartei-
carro quando ele apareceu. Depois de muita conver-
ra como alvo de desejo dos assaltantes;
c) o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros que sa, resolveram...
vendem as figurinhas da Copa; B) Textos descritivos – como o próprio nome indica,
d) os ladrões passaram a roubar as figurinhas da Copa descrevem características tanto físicas quanto psi-
nas bancas de jornais; cológicas acerca de um determinado indivíduo ou
e) as figurinhas da Copa se transformaram no alvo prin- objeto. Os tempos verbais aparecem demarcados
cipal dos ladrões. no presente ou no pretérito imperfeito: “Tinha os
cabelos mais negros como a asa da graúna...”
Resposta: Letra B C) Textos expositivos – Têm por finalidade explicar
Em “a”: as figurinhas da Copa passaram a ocupar o um assunto ou uma determinada situação que se
lugar do celular e da carteira nos roubos urbanos; = almeje desenvolvê-la, enfatizando acerca das ra-
incorreto zões de ela acontecer, como em: O cadastramento
Em “b”: as figurinhas da Copa se somaram ao celular e irá se prorrogar até o dia 02 de dezembro, portan-
à carteira como alvo de desejo dos assaltantes; to, não se esqueça de fazê-lo, sob pena de perder o
Em “c”: o alerta dado no título se dirige aos jornaleiros benefício.
que vendem as figurinhas da Copa; = incorreto
LÍNGUA PORTUGUESA

D) Textos injuntivos (instrucional) – Trata-se de


Em “d”: os ladrões passaram a roubar as figurinhas da uma modalidade na qual as ações são prescritas de
Copa nas bancas de jornais; = incorreto forma sequencial, utilizando-se de verbos expres-
Em “e”: as figurinhas da Copa se transformaram no sos no imperativo, infinitivo ou futuro do presente:
alvo principal dos ladrões. = incorreto Misture todos os ingrediente e bata no liquidificador
O título do texto já nos dá a resposta: além do celular até criar uma massa homogênea.
e da carteira, ou seja, as figurinhas da Copa também
passaram a ser alvo dos assaltantes.

8
E) Textos argumentativos (dissertativo) – Demar- - Sempre desligue os aparelhos elétricos ao sair do
cam-se pelo predomínio de operadores argumen- ambiente.
tativos, revelados por uma carga ideológica cons- - Utilize o computador no modo espera.
tituída de argumentos e contra-argumentos que Fique ligado! Evite desperdícios.
justificam a posição assumida acerca de um deter- Energia elétrica.
minado assunto: A mulher do mundo contemporâ- A natureza cobra o preço do desperdício.
neo luta cada vez mais para conquistar seu espaço Internet: <www.tjdft.jus.br> (com adaptações)
no mercado de trabalho, o que significa que os gê-
neros estão em complementação, não em disputa. Há no texto elementos característicos das tipologias ex-
positiva e injuntiva.
Gêneros Textuais
( ) CERTO ( ) ERRADO
São os textos materializados que encontramos em
nosso cotidiano; tais textos apresentam características Resposta: Certo. Texto injuntivo – ou instrucional – é
sócio-comunicativas definidas por seu estilo, função, aquele que passa instruções ao leitor. O texto acima
composição, conteúdo e canal. Como exemplos, temos: apresenta tal característica.
receita culinária, e-mail, reportagem, monografia, poema,
editorial, piada, debate, agenda, inquérito policial, fórum,
blog, etc.
A escolha de um determinado gênero discursivo ORTOGRAFIA OFICIAL.
depende, em grande parte, da situação de produção,
ou seja, a finalidade do texto a ser produzido, quem são
os locutores e os interlocutores, o meio disponível para
veicular o texto, etc.
Os gêneros discursivos geralmente estão ligados a ORTOGRAFIA
esferas de circulação. Assim, na esfera jornalística, por
exemplo, são comuns gêneros como notícias, reportagens, A ortografia é a parte da Fonologia que trata da
editoriais, entrevistas e outros; na esfera de divulgação correta grafia das palavras. É ela quem ordena qual som
científica são comuns gêneros como verbete de dicionário devem ter as letras do alfabeto. Os vocábulos de uma
ou de enciclopédia, artigo ou ensaio científico, seminário, língua são grafados segundo acordos ortográficos.
conferência. A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender
ortografia é realizar muitos exercícios, ver as palavras,
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS familiarizando-se com elas. O conhecimento das regras
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- é necessário, mas não basta, pois há inúmeras exceções
char. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. e, em alguns casos, há necessidade de conhecimento de
– São Paulo: Saraiva, 2010. etimologia (origem da palavra).
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa.
Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática – Regras ortográficas
volume único – 3.ª ed. – São Paulo: Saraiva, 2002.
A) O fonema S
SITE
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ São escritas com S e não C/Ç
redacao/tipologia-textual.htm> • Palavras substantivadas derivadas de verbos com
radicais em nd, rg, rt, pel, corr e sent: pretender
- pretensão / expandir - expansão / ascender - as-
censão / inverter - inversão / aspergir - aspersão /
EXERCÍCIO COMENTADO submergir - submersão / divertir - diversão / im-
pelir - impulsivo / compelir - compulsório / repelir
1. (TJ-DFT – CONHECIMENTOS BÁSICOS – TÉCNICO - repulsa / recorrer - recurso / discorrer - discurso /
JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINISTRATIVA – CESPE – sentir - sensível / consentir – consensual.
2015)
São escritos com SS e não C e Ç
Ouro em Fios • Nomes derivados dos verbos cujos radicais termi-
nem em gred, ced, prim ou com verbos termina-
dos por tir ou -meter: agredir - agressivo / imprimir
LÍNGUA PORTUGUESA

A natureza é capaz de produzir materiais preciosos,


como o ouro e o cobre - condutor de ENERGIA ELÉTRICA. - impressão / admitir - admissão / ceder - cessão /
O ouro já é escasso. A energia elétrica caminha para isso. exceder - excesso / percutir - percussão / regredir
Enquanto cientistas e governos buscam novas fontes de - regressão / oprimir - opressão / comprometer -
energia sustentáveis, faça sua parte aqui no TJDFT: compromisso / submeter – submissão.
- Desligue as luzes nos ambientes onde é possível • Quando o prefixo termina com vogal que se junta
usar a iluminação natural. com a palavra iniciada por “s”. Exemplos: a + simé-
- Feche as janelas ao ligar o ar-condicionado. trico - assimétrico / re + surgir – ressurgir.

9
• No pretérito imperfeito simples do subjuntivo. • Verbos terminados em ger/gir: emergir, eleger, fugir,
Exemplos: ficasse, falasse. mugir.
• Depois da letra “r” com poucas exceções: emergir,
São escritos com C ou Ç e não S e SS surgir.
• Vocábulos de origem árabe: cetim, açucena, açúcar. • Depois da letra “a”, desde que não seja radical ter-
• Vocábulos de origem tupi, africana ou exótica: cipó, minado com j: ágil, agente.
Juçara, caçula, cachaça, cacique.
• Sufixos aça, aço, ação, çar, ecer, iça, nça, uça, uçu, São escritas com J e não G
uço: barcaça, ricaço, aguçar, empalidecer, carniça, • Palavras de origem latinas: jeito, majestade, hoje.
caniço, esperança, carapuça, dentuço. • Palavras de origem árabe, africana ou exótica: jiboia,
• Nomes derivados do verbo ter: abster - abstenção / manjerona.
deter - detenção / ater - atenção / reter – retenção. • Palavras terminadas com aje: ultraje.
• Após ditongos: foice, coice, traição.
• Palavras derivadas de outras terminadas em -te, D) O fonema ch
to(r): marte - marciano / infrator - infração /
absorto – absorção. São escritas com X e não CH
• Palavras de origem tupi, africana ou exótica: abacaxi,
B) O fonema z xucro.
• Palavras de origem inglesa e espanhola: xampu,
São escritos com S e não Z lagartixa.
• Sufixos: ês, esa, esia, e isa, quando o radical é subs- • Depois de ditongo: frouxo, feixe.
tantivo, ou em gentílicos e títulos nobiliárquicos: • Depois de “en”: enxurrada, enxada, enxoval.
freguês, freguesa, freguesia, poetisa, baronesa, prin- Exceção: quando a palavra de origem não derive de
cesa. outra iniciada com ch - Cheio - (enchente)
• Sufixos gregos: ase, ese, ise e ose: catequese, me-
tamorfose. São escritas com CH e não X
• Formas verbais pôr e querer: pôs, pus, quisera, quis,
quiseste.  Palavras de origem estrangeira: chave, chumbo,
• Nomes derivados de verbos com radicais termina- chassi, mochila, espadachim, chope, sanduíche, salsicha.
dos em “d”: aludir - alusão / decidir - decisão / em-
preender - empresa / difundir – difusão. E) As letras “e” e “i”
• Diminutivos cujos radicais terminam com “s”: Luís -
Luisinho / Rosa - Rosinha / lápis – lapisinho. • Ditongos nasais são escritos com “e”: mãe, põem.
• Após ditongos: coisa, pausa, pouso, causa. Com “i”, só o ditongo interno cãibra.
• Verbos derivados de nomes cujo radical termina • Verbos que apresentam infinitivo em -oar, -uar
com “s”: anális(e) + ar - analisar / pesquis(a) + ar são escritos com “e”: caçoe, perdoe, tumultue.
– pesquisar. Escrevemos com “i”, os verbos com infinitivo em
-air, -oer e -uir: trai, dói, possui, contribui.
São escritos com Z e não S
• Sufixos “ez” e “eza” das palavras derivadas de adje- Há palavras que mudam de sentido quando
tivo: macio - maciez / rico – riqueza / belo – beleza. substituímos a grafia “e” pela grafia “i”: área (superfície),
• Sufixos “izar” (desde que o radical da palavra de ária (melodia) / delatar (denunciar), dilatar (expandir)
origem não termine com s): final - finalizar / con- / emergir (vir à tona), imergir (mergulhar) / peão (de
creto – concretizar. estância, que anda a pé), pião (brinquedo).
• Consoante de ligação se o radical não terminar com Se o dicionário ainda deixar dúvida quanto à
“s”: pé + inho - pezinho / café + al - cafezal ortografia de uma palavra, há a possibilidade de consultar
Exceção: lápis + inho – lapisinho. o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP),
elaborado pela Academia Brasileira de Letras. É uma obra
C) O fonema j de referência até mesmo para a criação de dicionários,
pois traz a grafia atualizada das palavras (sem o
São escritas com G e não J significado). Na Internet, o endereço é www.academia.
• Palavras de origem grega ou árabe: tigela, girafa, org.br.
gesso.
• Estrangeirismo, cuja letra G é originária: sargento, Informações importantes
gim.
LÍNGUA PORTUGUESA

• Terminações: agem, igem, ugem, ege, oge (com Formas variantes são as que admitem grafias ou
poucas exceções): imagem, vertigem, penugem, pronúncias diferentes para palavras com a mesma
bege, foge. significação: aluguel/aluguer, assobiar/assoviar, catorze/
Exceção: pajem. quatorze, dependurar/pendurar, flecha/frecha, germe/
gérmen, infarto/enfarte, louro/loiro, percentagem/
• Terminações: ágio, égio, ígio, ógio, ugio: sortilégio, porcentagem, relampejar/relampear/relampar/
litígio, relógio, refúgio. relampadar.

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Os símbolos das unidades de medida são escritos ONDE / AONDE
sem ponto, com letra minúscula e sem “s” para indicar
plural, sem espaço entre o algarismo e o símbolo: 2kg, Onde = empregado com verbos que não expressam
20km, 120km/h. a ideia de movimento = Onde você está?
Exceção para litro (L): 2 L, 150 L.
Aonde = equivale a “para onde”. É usado com verbos
Na indicação de horas, minutos e segundos, não que expressam movimento = Aonde você vai?
deve haver espaço entre o algarismo e o símbolo: 14h,
22h30min, 14h23’34’’(= quatorze horas, vinte e três MAU / MAL
minutos e trinta e quatro segundos).
O símbolo do real antecede o número sem espaço: Mau = é um adjetivo, antônimo de “bom”. Usa-se
R$1.000,00. No cifrão deve ser utilizada apenas uma como qualificação = O mau tempo passou. / Ele é um
barra vertical ($). mau elemento.

Alguns Usos Ortográficos Especiais Mal = pode ser usado como


1. conjunção temporal, equivalente a “assim que”,
POR QUE / POR QUÊ / PORQUÊ / PORQUE “logo que”, “quando” = Mal se levantou, já saiu.
2. advérbio de modo (antônimo de “bem”) = Você foi
POR QUE (separado e sem acento) mal na prova?
3. substantivo, podendo estar precedido de artigo ou
É usado em: pronome = Há males que vêm pra bem! / O mal
1. interrogações diretas (longe do ponto de não compensa.
interrogação) = Por que você não veio ontem?
2. interrogações indiretas, nas quais o “que” equivale REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
a “qual razão” ou “qual motivo” = Perguntei-lhe por
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
que faltara à aula ontem.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
3. equivalências a “pelo(a) qual” / “pelos(as) quais” =
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Ignoro o motivo por que ele se demitiu.
Cochar - Português linguagens: volume 1. – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
POR QUÊ (separado e com acento)
AMARAL, Emília... [et al.] Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Usos:
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
1. como pronome interrogativo, quando colocado no
fim da frase (perto do ponto de interrogação) = Produção de Textos & Gramática. Volume único / Samira
Você faltou. Por quê? Yousseff, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – São Paulo:
2. quando isolado, em uma frase interrogativa = Por Saraiva, 2002.
quê?
SITE
PORQUE (uma só palavra, sem acento gráfico) Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
aulas/portugues/ortografia>
Usos:
1. como conjunção coordenativa explicativa (equivale Hífen
a “pois”, “porquanto”), precedida de pausa na
escrita (pode ser vírgula, ponto-e-vírgula e até O hífen é um sinal diacrítico (que distingue) usado
ponto final) = Compre agora, porque há poucas para ligar os elementos de palavras compostas (como ex-
peças. presidente, por exemplo) e para unir pronomes átonos
2. como conjunção subordinativa causal, substituível a verbos (ofereceram-me; vê-lo-ei). Serve igualmente
por “pela causa”, “razão de que” = Você perdeu para fazer a translineação de palavras, isto é, no fim de
porque se antecipou. uma linha, separar uma palavra em duas partes (ca-/sa;
compa-/nheiro).
PORQUÊ (uma só palavra, com acento gráfico)
A) Uso do hífen que continua depois da Reforma
Usos: Ortográfica:
1. como substantivo, com o sentido de “causa”, 1. Em palavras compostas por justaposição que for-
mam uma unidade semântica, ou seja, nos termos
LÍNGUA PORTUGUESA

“razão” ou “motivo”, admitindo pluralização


(porquês). Geralmente é precedido por artigo = que se unem para formam um novo significado:
Não sei o porquê da discussão. É uma pessoa cheia tio-avô, porto-alegrense, luso-brasileiro, tenente-
de porquês. -coronel, segunda-feira, conta-gotas, guarda-chuva,
arco-íris, primeiro-ministro, azul-escuro.
2. Em palavras compostas por espécies botânicas e
zoológicas: couve-flor, bem-te-vi, bem-me-quer,
abóbora-menina, erva-doce, feijão-verde.

11
3. Nos compostos com elementos além, aquém, re- 3. Nas formações, em geral, que contêm os prefixos
cém e sem: além-mar, recém-nascido, sem-núme- “dês” e “in” e o segundo elemento perdeu o “h”
ro, recém-casado. inicial: desumano, inábil, desabilitar, etc.
4. No geral, as locuções não possuem hífen, mas al- 4. Nas formações com o prefixo “co”, mesmo quando
gumas exceções continuam por já estarem con- o segundo elemento começar com “o”: cooperação,
sagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, coobrigação, coordenar, coocupante, coautor,
mais-que-perfeito, pé-de-meia, água-de-colônia, coedição, coexistir, etc.
queima-roupa, deus-dará. 5. Em certas palavras que, com o uso, adquiriram
5. Nos encadeamentos de vocábulos, como: ponte noção de composição: pontapé, girassol,
Rio-Niterói, percurso Lisboa-Coimbra-Porto e nas paraquedas, paraquedista, etc.
combinações históricas ou ocasionais: Áustria- 6. Em alguns compostos com o advérbio “bem”:
-Hungria, Angola-Brasil, etc. benfeito, benquerer, benquerido, etc.
6. Nas formações com os prefixos hiper-, inter- e su-
per- quando associados com outro termo que é Os prefixos pós, pré e pró, em suas formas
iniciado por “r”: hiper-resistente, inter-racial, super- correspondentes átonas, aglutinam-se com o elemento
-racional, etc. seguinte, não havendo hífen: pospor, predeterminar,
7. Nas formações com os prefixos ex-, vice-: ex-di- predeterminado, pressuposto, propor.
retor, ex-presidente, vice-governador, vice-prefeito. Escreveremos com hífen: anti-horário, anti-infeccioso,
8. Nas formações com os prefixos pós-, pré- e pró-: auto-observação, contra-ataque, semi-interno, sobre-
pré-natal, pré-escolar, pró-europeu, pós-graduação, humano, super-realista, alto-mar.
etc. Escreveremos sem hífen: pôr do sol, antirreforma,
9. Na ênclise e mesóclise: amá-lo, deixá-lo, dá-se, antisséptico, antissocial, contrarreforma, minirrestaurante,
abraça-o, lança-o e amá-lo-ei, falar-lhe-ei, etc. ultrassom, antiaderente, anteprojeto, anticaspa, antivírus,
10. Nas formações em que o prefixo tem como se- autoajuda, autoelogio, autoestima, radiotáxi.
gundo termo uma palavra iniciada por “h”: sub-he-
pático, geo-história, neo-helênico, extra-humano, REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
semi-hospitalar, super-homem. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
11. Nas formações em que o prefixo ou pseudo- Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
prefixo termina com a mesma vogal do segundo
elemento: micro-ondas, eletro-ótica, semi-interno, SITE
auto-observação, etc. Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
aulas/portugues/ortografia>
O hífen é suprimido quando para formar outros
termos: reaver, inábil, desumano, lobisomem, reabilitar.

#FicaDica
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Ao separar palavras na translineação
(mudança de linha), caso a última palavra a 1. (EBSERH – TÉCNICO EM FARMÁCIA- AOCP-2015)
ser escrita seja formada por hífen, repita-o Assinale a alternativa em que as palavras estão grafadas
na próxima linha. Exemplo: escreverei anti- corretamente.
inflamatório e, ao final, coube apenas “anti-”.
Na próxima linha escreverei: “-inflamatório” a) Extrovertido – extroverção.
(hífen em ambas as linhas). Devido à b) Disponível – disponibilisar.
diagramação, pode ser que a repetição do c) Determinado – determinassão.
hífen na translineação não ocorra em meus d) Existir – existência.
conteúdos, mas saiba que a regra é esta! e) Característica – caracterizasão.

Resposta: Letra D
B) Não se emprega o hífen: Em “a”: Extrovertido / extroverção = extroversão
1. Nas formações em que o prefixo ou falso prefixo Em “b”: Disponível / disponibilisar = disponibilizar
termina em vogal e o segundo termo inicia-se em Em “c”: Determinado / determinassão = determinação
“r” ou “s”. Nesse caso, passa-se a duplicar estas Em “d”: Existir / existência = corretas
consoantes: antirreligioso, contrarregra, infrassom, Em “e”: Característica / caracterizasão = caracterização
LÍNGUA PORTUGUESA

microssistema, minissaia, microrradiografia, etc.


2. Nas constituições em que o prefixo ou pseudoprefixo 2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL
termina em vogal e o segundo termo inicia-se com I – CESGRANRIO-2018) O termo destacado está grafado
vogal diferente: antiaéreo, extraescolar, coeducação, de acordo com as exigências da norma-padrão da língua
autoestrada, autoaprendizagem, hidroelétrico, portuguesa em:
plurianual, autoescola, infraestrutura, etc.

12
a) O estagiário foi mal treinado, por isso não desempe- a) Descoberta a conspiração, enquanto os outros não
nhava satisfatoriamente as tarefas solicitadas pelos procuravam outra coisa se não salvar-se, ele revelou
seus superiores. a mais heróica força de ânimo, chamando a si toda a
b) O time não jogou mau no último campeonato, apesar culpa.
de enfrentar alguns problemas com jogadores des- b) Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da profissão
controlados. que lhe valera o apelido.
c) O menino não era mal aluno, somente tinha dificul- c) Não obstante, foi ele talvez o único a demonstrar fé,
dade em assimilar conceitos mais complexos sobre os entusiasmo e coragem na aventura de 89.
temas expostos. d) A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da Cos-
d) Os funcionários perceberam que o chefe estava de ta, Alvarenga eram homens requintados, letrados, a
mal humor porque tinha sofrido um acidente de carro quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes sempre
na véspera. lutara pela subsistência.
e) Os participantes compreendiam mau o que estava e) Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim, enfren-
sendo discutido, por isso não conseguiam formular tou a pena última.
perguntas.
Resposta: Letra A
Resposta: Letra A Em “a”: Descoberta a conspiração, enquanto os outros
Mal = advérbio (antônimo de “bem”) / mau = adjetivo não procuravam outra coisa se não salvar-se (senão se
(antônimo de “bom”). Para saber quando utilizar um salvar) , ele revelou a mais heróica (heroica) força de
ou outro, a dica é substituir por seu antônimo. Se a ânimo, chamando a si toda a culpa.
frase ficar coerente, saberemos qual dos dois deve ser Em “b”: Antes de alistar-se na tropa paga, vivera da
utilizado. Por exemplo: Cigarro faz mal/mau à saúde profissão que lhe valera o apelido = correta
= Cigarro faz bem à saúde. A frase ficou coerente – Em “c”: Não obstante, foi ele talvez o único a
embora errada em termos de saúde! Então, a maneira demonstrar fé, entusiasmo e coragem na aventura de
correta é “Cigarro faz mal à saúde”. 89 = correta
Vamos aos itens: Em “d”: A verdade é que Gonzaga, Cláudio Manuel da
Em “a”: O estagiário foi mal (bem) treinado = correta Costa, Alvarenga eram homens requintados, letrados,
Em “b”: O time não jogou mau (bem)no último a quem a vida corria fácil, ao passo que o alferes
campeonato = mal sempre lutara pela subsistência = correta
Em “c”: O menino não era mal (bom) aluno = mau Em “e”: Com coragem, serenidade e lucidez, até o fim,
Em “d”: Os funcionários perceberam que o chefe enfrentou a pena última = correta
estava de mal (bom) humor = mau
Em “e”: Os participantes compreendiam mau (bem) o 5. (TJ-MG – OFICIAL JUDICIÁRIO – COMISSÁRIO DA
que estava sendo discutido = mal INFÂNCIA E DA JUVENTUDE – CONSULPLAN-2017)
Estabeleça a associação correta entre a 1.ª coluna e a 2.ª
3. (TRANSPETRO – TÉCNICO AMBIENTAL JÚNIOR – considerando o emprego do por que / porque.
CESGRANRIO-2018) Obedecem às regras ortográficas (1) “Muitas pessoas se perguntam por que há tão poucas
da língua portuguesa as palavras mulheres [...].”
(2) “Misoginia é o ódio contra as mulheres apenas porque
a) admissão, paralisação, impasse são mulheres.”
b) bambusal, autorização, inspiração ( ) Faltei _____________ você estava doente.
c) consessão, extresse, enxaqueca ( ) Todos sabem _____________ não poderei estar presente.
d) banalisação, reexame, desenlace ( ) Não se sabe ____________realizou tal procedimento.
e) desorganisação, abstração, cassação ( ) Este ponto de vista é _________não há manifestação de
outro pensamento.
Resposta: Letra A
Em “a”: admissão / paralisação / impasse = corretas A sequência está correta em:
Em “b”: bambusal = bambuzal / autorização / a) 1, 1, 1, 2
inspiração b) 1, 2, 1, 2
Em “c”: consessão = concessão / extresse = estresse / c) 2, 1, 1, 2
enxaqueca d) 2, 2, 2, 1
Em “d”: banalisação = banalização / reexame /
desenlace Resposta: Letra C
Em “e”: desorganisação = desorganização / abstração Faltei porque você estava doente. = conjunção causal
LÍNGUA PORTUGUESA

/ cassação Todos sabem por que não poderei estar presente. = dá


para substituir por “a causa pela qual”
4. (MPU – ANALISTA – ÁREA ADMINISTRATIVA – Não se sabe por que realizou tal procedimento. =
ESAF-2004-ADAPTADA) Na questão abaixo, baseada substituir por “a causa”
em Manuel Bandeira, escolha o segmento do texto que Este ponto de vista é porque não há manifestação de
não está isento de erros gramaticais e de ortografia, outro pensamento. = conjunção causal
considerando-se a ortodoxia gramatical. Teremos: 2, 1, 1, 2

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6. (TJ-SC – TÉCNICO JUDICIÁRIO AUXILIAR – FGV- Os acentos
2018) “Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele
só usava meias vermelhas”. Nesse segmento do texto 1 A) acento agudo (´) – Colocado sobre as letras “a”
há um erro gramatical, que é: e “i”, “u” e “e” do grupo “em” - indica que estas
letras representam as vogais tônicas de palavras
a) empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe cercaram”; como pá, caí, público. Sobre as letras “e” e “o”
b) haver vírgula após a expressão “Um dia”; indica, além da tonicidade, timbre aberto: herói –
c) usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o perguntaram”; céu (ditongos abertos).
d) grafar-se “porque” em vez de “por que”; B) acento circunflexo (^) – colocado sobre as letras
e) escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”. “a”, “e” e “o” indica, além da tonicidade, timbre
fechado: tâmara – Atlântico – pêsames – supôs .
Resposta: Letra D C) acento grave (`) – indica a fusão da preposição “a”
“Um dia, o cercaram e lhe perguntaram porque ele só com artigos e pronomes: à – às – àquelas – àqueles
usava meias vermelhas” D) trema ( ¨ ) – De acordo com a nova regra, foi
Em “a”: empregar-se “o cercaram” em lugar de “lhe totalmente abolido das palavras. Há uma exceção:
cercaram”; = está correto, pois o “o” funciona como é utilizado em palavras derivadas de nomes
objeto direto (sem preposição) próprios estrangeiros: mülleriano (de Müller)
Em “b”: haver vírgula após a expressão “Um dia”; = está E) til (~) – indica que as letras “a” e “o” representam
correto, pois separa o advérbio no início do período vogais nasais: oração – melão – órgão – ímã
Em “c”: usar-se “lhe perguntaram” em lugar de “o
perguntaram”; = está correto (o “lhe” é objeto indireto Regras fundamentais
– perguntaram o que a quem)
Em “d”: grafar-se “porque” em vez de “por que”; A) Palavras oxítonas:acentuam-se todas as oxítonas
Em “e”: escrever-se “só usava” em lugar de “usava só”. terminadas em: “a”, “e”, “o”, “em”, seguidas ou não
= correto, pois se invertermos haverá mudança de do plural(s): Pará – café(s) – cipó(s) – Belém.
sentido (ele usava só meias, nenhuma outra peça de Esta regra também é aplicada aos seguintes casos:
roupa). Monossílabos tônicos terminados em “a”, “e”, “o”,
A incorreção está no uso de “porque” no lugar de “por seguidos ou não de “s”: pá – pé – dó – há
que”, já que se trata de uma pergunta indireta. Formas verbais terminadas em “a”, “e”, “o” tônicos,
seguidas de lo, la, los, las: respeitá-lo, recebê-lo, compô-lo

B) Paroxítonas: acentuam-se as palavras paroxítonas


ACENTUAÇÃO GRÁFICA terminadas em:
i, is: táxi – lápis – júri
us, um, uns: vírus – álbuns – fórum
ACENTUAÇÃO l, n, r, x, ps: automóvel – elétron - cadáver – tórax –
fórceps
Quanto à acentuação, observamos que algumas ã, ãs, ão, ãos: ímã – ímãs – órfão – órgãos
palavras têm acento gráfico e outras não; na pronúncia, ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou
ora se dá maior intensidade sonora a uma sílaba, ora a não de “s”: água – pônei – mágoa – memória
outra. Por isso, vamos às regras!
#FicaDica
Regras básicas
Memorize a palavra LINURXÃO. Repare que
A acentuação tônica está relacionada à intensidade esta palavra apresenta as terminações das
com que são pronunciadas as sílabas das palavras. paroxítonas que são acentuadas: L, I N, U
Aquela que se dá de forma mais acentuada, conceitua-se (aqui inclua UM = fórum), R, X, Ã, ÃO.
como sílaba tônica. As demais, como são pronunciadas Assim ficará mais fácil a memorização!
com menos intensidade, são denominadas de átonas.
De acordo com a tonicidade, as palavras são
classificadas como: C) Proparoxítona: a palavra é proparoxítona
Oxítonas – São aquelas cuja sílaba tônica recai sobre quando a sua antepenúltima sílaba é tônica
a última sílaba: café – coração – Belém – atum – caju – (mais forte). Quanto à regra de acentuação:
papel todas as proparoxítonas são acentuadas,
Paroxítonas – a sílaba tônica recai na penúltima independentemente de sua terminação: árvore,
paralelepípedo, cárcere.
LÍNGUA PORTUGUESA

sílaba: útil – tórax – táxi – leque – sapato – passível


Proparoxítonas - a sílaba tônica está na antepenúltima
sílaba: lâmpada – câmara – tímpano – médico – ônibus Regras especiais

Há vocábulos que possuem uma sílaba somente: são Os ditongos de pronúncia aberta “ei”, “oi” (ditongos
os chamados monossílabos. Estes são acentuados quando abertos), que antes eram acentuados, perderam o acento
tônicos e terminados em “a”, “e” ou “o”: vá – fé – pó - ré. de acordo com a nova regra, mas desde que estejam em
palavras paroxítonas.

14
Não serão mais acentuados “i” e “u” tônicos,
FIQUE ATENTO! formando hiato quando vierem depois de ditongo (nas
Se os ditongos abertos estiverem em uma paroxítonas):
palavra oxítona (herói) ou monossílaba
(céu) ainda são acentuados: dói, escarcéu. Antes Agora
bocaiúva bocaiuva
Antes Agora feiúra feiura
assembléia assembleia Sauípe Sauipe

idéia ideia O acento pertencente aos encontros “oo” e “ee” foi


geléia geleia abolido:
jibóia jiboia
Antes Agora
apóia (verbo apoiar) apoia
crêem creem
paranóico paranoico
lêem leem
Acento Diferencial vôo voo

Representam os acentos gráficos que, pelas regras enjôo enjoo


de acentuação, não se justificariam, mas são utilizados
para diferenciar classes gramaticais entre determinadas
palavras e/ou tempos verbais. Por exemplo: Pôr (verbo) X
#FicaDica
por (preposição) / pôde (pretérito perfeito do Indicativo do Memorize a palavra CREDELEVÊ. São os
verbo “poder”) X pode (presente do Indicativo do mesmo verbos que, no plural, dobram o “e”, mas
verbo). que não recebem mais acento como antes:
Se analisarmos o “pôr” - pela regra das monossílabas: CRER, DAR, LER e VER.
terminada em “o” seguida de “r” não deve ser acentuada, Repare:
mas nesse caso, devido ao acento diferencial, acentua-se, O menino crê em você. / Os meninos creem
para que saibamos se se trata de um verbo ou preposição. em você.
Os demais casos de acento diferencial não são Elza lê bem! / Todas leem bem!
mais utilizados: para (verbo), para (preposição), pelo Espero que ele dê o recado à sala. / Esperamos
(substantivo), pelo (preposição). Seus significados e que os garotos deem o recado!
classes gramaticais são definidos pelo contexto. Rubens vê tudo! / Eles veem tudo!
Polícia para o trânsito para que se realize a operação Cuidado! Há o verbo vir: Ele vem à tarde! /
planejada. = o primeiro “para” é verbo; o segundo, Eles vêm à tarde!
conjunção (com relação de finalidade).

As formas verbais que possuíam o acento tônico na


#FicaDica raiz, com “u” tônico precedido de “g” ou “q” e seguido de
“e” ou “i” não serão mais acentuadas:
Quando, na frase, der para substituir o “por”
por “colocar”, estaremos trabalhando com
um verbo, portanto: “pôr”; nos demais casos, Antes Agora
“por” é preposição: Faço isso por você. / apazigúe (apaziguar) apazigue
Posso pôr (colocar) meus livros aqui? averigúe (averiguar) averigue
argúi (arguir) argui
Regra do Hiato
Acentuam-se os verbos pertencentes a terceira
Quando a vogal do hiato for “i” ou “u” tônicos, pessoa do plural de: ele tem – eles têm / ele vem – eles
segunda vogal do hiato, acompanhado ou não de “s”, vêm (verbo vir). A regra prevalece também para os verbos
conter, obter, reter, deter, abster: ele contém – eles contêm,
haverá acento: saída – faísca – baú – país – Luís
ele obtém – eles obtêm, ele retém – eles retêm, ele convém
Não se acentuam o “i” e o “u” que formam hiato
LÍNGUA PORTUGUESA

– eles convêm.
quando seguidos, na mesma sílaba, de l, m, n, r ou z:
Ra-ul, Lu-iz, sa-ir, ju-iz
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
estiverem seguidas do dígrafo nh: ra-i-nha, ven-to-i-nha.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Não se acentuam as letras “i” e “u” dos hiatos se vierem
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
precedidas de vogal idêntica: xi-i-ta, pa-ra-cu-u-ba
Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.

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SITE Resposta: Errado
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/ O emprego do acento gráfico nas palavras “metálica”,
gramatica/acentuacao.htm> “acúmulo” e “imóveis” justifica-se com base na mesma
regra de acentuação.
metálica = proparoxítona / acúmulo = proparoxítona /
imóveis = paroxítona terminada em ditongo
EXERCÍCIOS COMENTADOS
4. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
1. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – EXATUS-2015) CESGRANRIO-2018) A palavra que precisa ser acentuada
Assinale a alternativa em que a palavra é acentuada pela graficamente para estar correta quanto às normas em
mesma razão que “Bíblia”: vigor está destacada na seguinte frase:

a) íris. a) Todo escritor de novela tem o desejo de criar um


b) estórias. personagem inesquecível.
c) queríamos. b) Os telespectadores veem as novelas como um espelho
d) aí. da realidade.
e) páginas. c) Alguns novelistas gostam de superpor temas sociais
com temas políticos.
Resposta: Letra B d) Para decorar o texto antes de gravar, cada ator rele
“Bíblia” = esta é acentuada por ser uma paroxítona sua fala várias vezes.
terminada em ditongo. e) Alguns atores de novela constroem seus personagens
Em “a”, íris = paroxítona terminada em i(s) fazendo pesquisa.
Em “b”, estórias = paroxítona terminada em ditongo
Em “c”, queríamos = proparoxítona Resposta: Letra D
Em “d”, aí = regra do hiato Em “a”: Todo escritor de novela tem = singular (não
Em “e”, páginas = proparoxítona acentuado)
Em “b”: Os telespectadores veem = correta - plural
2. (BANPARÁ – TÉCNICO BANCÁRIO – FADESP-2018) dobra o “e” (perdeu o acento com o Acordo)
A sequência de palavras cujos acentos são empregados Em “c”: Alguns novelistas gostam de superpor =
pelo mesmo motivo é correta
Em “d”: Para decorar o texto antes de gravar, cada ator
a) público, função, dói. rele = relê (oxítona)
b) burocráticos, próximo, século. Em “e”: Alguns atores de novela constroem = correta
c) será, aí, é, está.
d) glória, exercício, publicação. 5. (TJ-SP - ANALISTA EM COMUNICAÇÃO E
e) hábito, bancário, poética. PROCESSAMENTO DE DADOS JUDICIÁRIO –
VUNESP/2012) Seguem a mesma regra de acentuação
Resposta: Letra B gráfica relativa às palavras paroxítonas:
Em “a”, público = proparoxítona / função = o til tem
função de nasalizar (indicar som fechado) / dói = a) probatório; condenatório; crédito.
monossílabo formado por ditongo aberto b) máquina; denúncia; ilícita.
Em “b”, burocráticos = proparoxítona / próximo = c) denúncia; funcionário; improcedência.
proparoxítona / século = proparoxítona d) máquina; improcedência; probatório.
Em “c”, será = oxítona terminada em ‘a” / aí = regra do e) condenatório; funcionário; frágil.
hiato / é = (verbo) monossílabo tônico terminado em
“e” / está = (verbo) oxítona terminada em “a” Resposta: Letra C
Em “d”, glória = paroxítona terminada em ditongo Vamos a elas:
/ exercício = paroxítona terminada em ditongo / Em “a”: probatório = paroxítona terminada em ditongo
publicação = o til indica nasalização (som fechado) / condenatório = paroxítona terminada em ditongo /
Em “e”, hábito = (substantivo) proparoxítona / crédito = proparoxítona.
bancário = paroxítona terminada em ditongo / poética Em “b”: máquina = proparoxítona / denúncia
= proparoxítona = paroxítona terminada em ditongo / ilícita =
proparoxítona.
3. (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL – NÍVEL SUPERIOR – Em “c”: Denúncia = paroxítona terminada em ditongo
CONHECIMENTOS BÁSICOS – CESPE-2014) O emprego / funcionário = paroxítona terminada em ditongo /
LÍNGUA PORTUGUESA

do acento gráfico nas palavras “metálica”, “acúmulo” improcedência = paroxítona terminada em ditongo
e “imóveis” justifica-se com base na mesma regra de Em “d”: máquina = proparoxítona / improcedência
acentuação. = paroxítona terminada em ditongo / probatório =
paroxítona terminada em ditongo
( ) CERTO ( ) ERRADO Em “e”: condenatório = paroxítona terminada em
ditongo / funcionário = = paroxítona terminada em
ditongo / Frágil = paroxítona terminada em “l”

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Observe outros exemplos:
6. (TJ-AC – TÉCNICO EM MICROINFORMÁTICA
- CESPE/2012) As palavras “conteúdo”, “calúnia” e de águia aquilino
“injúria” são acentuadas de acordo com a mesma regra
de acentuação gráfica. de aluno discente
de anjo angelical
( ) CERTO ( ) ERRADO
de ano anual
Resposta: Errado de aranha aracnídeo
“Conteúdo” = regra do hiato / calúnia = paroxítona de boi bovino
terminada em ditongo / injúria = paroxítona terminada
de cabelo capilar
em ditongo.
de cabra caprino
7. (TRE-AP - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC/2011) Entre de campo campestre ou rural
as frases que seguem, a única correta é:
de chuva pluvial
a) Ele se esqueceu de que? de criança pueril
b) Era tão ruím aquele texto, que não deu para distribui- de dedo digital
lo entre os presentes.
c) Embora devessemos, não fomos excessivos nas críticas. de estômago estomacal ou gástrico
d) O juíz nunca negou-se a atender às reivindicações dos de falcão falconídeo
funcionários. de farinha farináceo
e) Não sei por que ele mereceria minha consideração.
de fera ferino
Resposta: Letra E de ferro férreo
Em “a”: Ele se esqueceu de que? = quê? de fogo ígneo
Em “b”: Era tão ruím (ruim) aquele texto, que não deu
para distribui-lo (distribuí-lo) entre os presentes. de garganta gutural
Em “c”: Embora devêssemos (devêssemos), não fomos de gelo glacial
excessivos nas críticas.
de guerra bélico
Em “d”: O juíz (juiz) nunca (se) negou a atender às
reivindicações dos funcionários. de homem viril ou humano
Em “e”: Não sei por que ele mereceria minha de ilha insular
consideração.
de inverno hibernal ou invernal
de lago lacustre
CLASSES DE PALAVRAS. de leão leonino
de lebre leporino
de lua lunar ou selênico
CLASSES DE PALAVRAS
de madeira lígneo
1. ADJETIVO de mestre magistral
de ouro áureo
É a palavra que expressa uma qualidade ou
característica do ser e se relaciona com o substantivo, de paixão passional
concordando com este em gênero e número. de pâncreas pancreático
As praias brasileiras estão poluídas.
Praias = substantivo; brasileiras/poluídas = adjetivos de porco suíno ou porcino
(plural e feminino, pois concordam com “praias”). dos quadris ciático
de rio fluvial
Locução adjetiva
de sonho onírico
Locução = reunião de palavras. Sempre que são de velho senil
necessárias duas ou mais palavras para falar sobre a de vento eólico
LÍNGUA PORTUGUESA

mesma coisa, tem-se locução. Às vezes, uma preposição


+ substantivo tem o mesmo valor de um adjetivo: é a de vidro vítreo ou hialino
Locução Adjetiva (expressão que equivale a um adjetivo). de virilha inguinal
Por exemplo: aves da noite (aves noturnas), paixão sem
de visão óptico ou ótico
freio (paixão desenfreada).

17
Observação: Flexão dos adjetivos
Nem toda locução adjetiva possui um adjetivo
correspondente, com o mesmo significado: Vi as alunas O adjetivo varia em gênero, número e grau.
da 5ª série. / O muro de tijolos caiu.
Gênero dos Adjetivos
Morfossintaxe do Adjetivo (Função Sintática):
Os adjetivos concordam com o substantivo a que se
O adjetivo exerce sempre funções sintáticas (função referem (masculino e feminino). De forma semelhante
dentro de uma oração) relativas aos substantivos, aos substantivos, classificam-se em:
atuando como adjunto adnominal ou como predicativo
(do sujeito ou do objeto). A) Biformes - têm duas formas, sendo uma para o
masculino e outra para o feminino: ativo e ativa, mau
Adjetivo Pátrio (ou gentílico) e má.
Se o adjetivo é composto e biforme, ele flexiona no
Indica a nacionalidade ou o lugar de origem do ser. feminino somente o último elemento: o moço norte-
Observe alguns deles: americano, a moça norte-americana.
Exceção: surdo-mudo e surda-muda.
Estados e cidades brasileiras:
B) Uniformes - têm uma só forma tanto para o
Alagoas alagoano masculino como para o feminino: homem feliz e
mulher feliz.
Amapá amapaense Se o adjetivo é composto e uniforme, fica invariável no
Aracaju aracajuano ou aracajuense feminino: conflito político-social e desavença político-social.
Amazonas amazonense ou baré
Número dos Adjetivos
Belo Horizonte belo-horizontino
Brasília brasiliense A) Plural dos adjetivos simples
Os adjetivos simples se flexionam no plural de acordo
Cabo Frio cabo-friense
com as regras estabelecidas para a flexão numérica dos
Campinas campineiro ou campinense substantivos simples: mau e maus, feliz e felizes, ruim e
ruins, boa e boas.
Adjetivo Pátrio Composto Caso o adjetivo seja uma palavra que também
exerça função de substantivo, ficará invariável, ou seja,
Na formação do adjetivo pátrio composto, o primeiro se a palavra que estiver qualificando um elemento for,
elemento aparece na forma reduzida e, normalmente, originalmente, um substantivo, ela manterá sua forma
erudita. Observe alguns exemplos: primitiva. Exemplo: a palavra cinza é, originalmente, um
substantivo; porém, se estiver qualificando um elemento,
África afro- / Cultura afro-americana funcionará como adjetivo. Ficará, então, invariável. Logo:
camisas cinza, ternos cinza.
germano- ou teuto-/Competições Motos vinho (mas: motos verdes)
Alemanha
teuto-inglesas Paredes musgo (mas: paredes brancas).
américo- / Companhia américo- Comícios monstro (mas: comícios grandiosos).
América
africana
belgo- / Acampamentos belgo-
Bélgica B) Adjetivo Composto
franceses
É aquele formado por dois ou mais elementos.
China sino- / Acordos sino-japoneses Normalmente, esses elementos são ligados por hífen.
Espanha hispano- / Mercado hispano-português Apenas o último elemento concorda com o substantivo
Europa euro- / Negociações euro-americanas a que se refere; os demais ficam na forma masculina,
singular. Caso um dos elementos que formam o adjetivo
franco- ou galo- / Reuniões franco- composto seja um substantivo adjetivado, todo o adjetivo
França
italianas composto ficará invariável. Por exemplo: a palavra “rosa”
Grécia greco- / Filmes greco-romanos é, originalmente, um substantivo, porém, se estiver
qualificando um elemento, funcionará como adjetivo.
Inglaterra anglo- / Letras anglo-portuguesas
Caso se ligue a outra palavra por hífen, formará um
LÍNGUA PORTUGUESA

Itália ítalo- / Sociedade ítalo-portuguesa adjetivo composto; como é um substantivo adjetivado, o


Japão nipo- / Associações nipo-brasileiras adjetivo composto inteiro ficará invariável. Veja:
Camisas rosa-claro.
Portugal luso- / Acordos luso-brasileiros
Ternos rosa-claro.
Olhos verde-claros.
Calças azul-escuras e camisas verde-mar.
Telhados marrom-café e paredes verde-claras.

18
Observação: • Analítica: a intensificação é feita com o auxílio de
Azul-marinho, azul-celeste, ultravioleta e qualquer palavras que dão ideia de intensidade (advérbios).
adjetivo composto iniciado por “cor-de-...” são sempre Por exemplo: O concurseiro é muito esforçado.
invariáveis: roupas azul-marinho, tecidos azul-celeste, • Sintética: nessa, há o acréscimo de sufixos. Por
vestidos cor-de-rosa. exemplo: O concurseiro é esforçadíssimo.
O adjetivo composto surdo-mudo tem os dois
elementos flexionados: crianças surdas-mudas. Observe alguns superlativos sintéticos:

Grau do Adjetivo
benéfico beneficentíssimo
Os adjetivos se flexionam em grau para indicar a bom boníssimo ou ótimo
intensidade da qualidade do ser. São dois os graus do comum comuníssimo
adjetivo: o comparativo e o superlativo.
cruel crudelíssimo
A) Comparativo difícil dificílimo
Nesse grau, comparam-se a mesma característica doce dulcíssimo
atribuída a dois ou mais seres ou duas ou mais
características atribuídas ao mesmo ser. O comparativo fácil facílimo
pode ser de igualdade, de superioridade ou de fiel fidelíssimo
inferioridade.
B.2 Superlativo Relativo: ocorre quando a qualidade
Sou tão alto como você. = Comparativo de Igualdade de um ser é intensificada em relação a um conjunto de
No comparativo de igualdade, o segundo termo da seres. Essa relação pode ser:
comparação é introduzido pelas palavras como, quanto • De Superioridade: Essa matéria é a mais fácil de
ou quão. todas.
• De Inferioridade: Essa matéria é a menos fácil de
Sou mais alto (do) que você. = Comparativo de todas.
Superioridade
O superlativo absoluto analítico é expresso por meio
Sílvia é menos alta que Tiago. = Comparativo de dos advérbios muito, extremamente, excepcionalmente,
Inferioridade antepostos ao adjetivo.
O superlativo absoluto sintético se apresenta sob duas
Alguns adjetivos possuem, para o comparativo de formas: uma erudita - de origem latina – e outra popular
superioridade, formas sintéticas, herdadas do latim. - de origem vernácula. A forma erudita é constituída pelo
São eles: bom /melhor, pequeno/menor, mau/pior, alto/ radical do adjetivo latino + um dos sufixos -íssimo, -imo
superior, grande/maior, baixo/inferior. ou érrimo: fidelíssimo, facílimo, paupérrimo; a popular é
constituída do radical do adjetivo português + o sufixo
Observe que: -íssimo: pobríssimo, agilíssimo.
• As formas menor e pior são comparativos de Os adjetivos terminados em –io fazem o superlativo
superioridade, pois equivalem a mais pequeno e com dois “ii”: frio – friíssimo, sério – seriíssimo; os
mais mau, respectivamente. terminados em –eio, com apenas um “i”: feio - feíssimo,
• Bom, mau, grande e pequeno têm formas sintéticas cheio – cheíssimo.
(melhor, pior, maior e menor), porém, em
comparações feitas entre duas qualidades de um REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
mesmo elemento, deve-se usar as formas analíticas CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
mais bom, mais mau,mais grande e mais pequeno.
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
Por exemplo:
– São Paulo: Saraiva, 2010.
Pedro é maior do que Paulo - Comparação de dois
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
elementos.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
Pedro é mais grande que pequeno - comparação de
Português: novas palavras: literatura, gramática,
duas qualidades de um mesmo elemento.
redação / Emília Amaral... [et al.]. – São Paulo: FTD, 2000.
Sou menos alto (do) que você. = Comparativo de
Inferioridade
Sou menos passivo (do) que tolerante. SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
secoes/morf/morf32.php>
LÍNGUA PORTUGUESA

B) Superlativo
O superlativo expressa qualidades num grau muito
elevado ou em grau máximo. Pode ser absoluto ou 2. ADVÉRBIO
relativo e apresenta as seguintes modalidades:
Compare estes exemplos:
B.1 Superlativo Absoluto: ocorre quando a O ônibus chegou.
qualidade de um ser é intensificada, sem relação com O ônibus chegou ontem.
outros seres. Apresenta-se nas formas:

19
Advérbio é uma palavra invariável que modifica o embaixo, externamente, a distância, à distância de,
sentido do verbo (acrescentando-lhe circunstâncias de de longe, de perto, em cima, à direita, à esquerda,
tempo, de modo, de lugar, de intensidade), do adjetivo e ao lado, em volta.
do próprio advérbio. B) Tempo: hoje, logo, primeiro, ontem, tarde, outrora,
Estudei bastante. = modificando o verbo estudei amanhã, cedo, dantes, depois, ainda, antigamente,
Ele canta muito bem! = intensificando outro advérbio antes, doravante, nunca, então, ora, jamais,
(bem) agora, sempre, já, enfim, afinal, amiúde, breve,
Ela tem os olhos muito claros. = relação com um constantemente, entrementes, imediatamente,
adjetivo (claros) primeiramente, provisoriamente, sucessivamente, às
vezes, à tarde, à noite, de manhã, de repente, de vez em
Quando modifica um verbo, o advérbio pode quando, de quando em quando, a qualquer momento,
acrescentar ideia de: de tempos em tempos, em breve, hoje em dia.
C) Modo: bem, mal, assim, adrede, melhor, pior,
Tempo: Ela chegou tarde.
depressa, acinte, debalde, devagar, às pressas, às
Lugar: Ele mora aqui.
claras, às cegas, à toa, à vontade, às escondidas, aos
Modo: Eles agiram mal.
poucos, desse jeito, desse modo, dessa maneira, em
Negação: Ela não saiu de casa.
geral, frente a frente, lado a lado, a pé, de cor, em
Dúvida: Talvez ele volte. vão e a maior parte dos que terminam em “-mente”:
calmamente, tristemente, propositadamente,
Flexão do Advérbio pacientemente, amorosamente, docemente,
escandalosamente, bondosamente, generosamente.
Os advérbios são palavras invariáveis, isto é, não D) Afirmação: sim, certamente, realmente, decerto,
apresentam variação em gênero e número. Alguns efetivamente, certo, decididamente, deveras,
advérbios, porém, admitem a variação em grau. Observe: indubitavelmente.
E) Negação: não, nem, nunca, jamais, de modo algum,
A) Grau Comparativo de forma nenhuma, tampouco, de jeito nenhum.
Forma-se o comparativo do advérbio do mesmo F) Dúvida: acaso, porventura, possivelmente,
modo que o comparativo do adjetivo: provavelmente, quiçá, talvez, casualmente, por
• de igualdade: tão + advérbio + quanto (como): Re- certo, quem sabe.
nato fala tão alto quanto João. G) Intensidade: muito, demais, pouco, tão, em
• de inferioridade: menos + advérbio + que (do excesso, bastante, mais, menos, demasiado, quanto,
que): Renato fala menos alto do que João. quão, tanto, assaz, que (equivale a quão), tudo,
• de superioridade: nada, todo, quase, de todo, de muito, por completo,
extremamente, intensamente, grandemente, bem
A.1 Analítico: mais + advérbio + que (do que): Renato (quando aplicado a propriedades graduáveis).
fala mais alto do que João. H) Exclusão: apenas, exclusivamente, salvo, senão,
A.2 Sintético: melhor ou pior que (do que): Renato somente, simplesmente, só, unicamente. Por
fala melhor que João. exemplo: Brando, o vento apenas move a copa das
árvores.
B) Grau Superlativo I) Inclusão: ainda, até, mesmo, inclusivamente,
também. Por exemplo: O indivíduo também
O superlativo pode ser analítico ou sintético:
amadurece durante a adolescência.
B.1 Analítico: acompanhado de outro advérbio:
J) Ordem: depois, primeiramente, ultimamente. Por
Renato fala muito alto.
exemplo: Primeiramente, eu gostaria de agradecer
muito = advérbio de intensidade / alto = advérbio
aos meus amigos por comparecerem à festa.
de modo
B.2 Sintético: formado com sufixos: Renato fala Saiba que:
altíssimo. Para se exprimir o limite de possibilidade, antepõe-se
ao advérbio “o mais” ou “o menos”. Por exemplo: Ficarei
Observação: o mais longe que puder daquele garoto. Voltarei o menos
As formas diminutivas (cedinho, pertinho, etc.) são tarde possível.
comuns na língua popular. Quando ocorrem dois ou mais advérbios em -mente,
Maria mora pertinho daqui. (muito perto) em geral sufixamos apenas o último: O aluno respondeu
A criança levantou cedinho. (muito cedo) calma e respeitosamente.

Classificação dos Advérbios Distinção entre Advérbio e Pronome Indefinido


LÍNGUA PORTUGUESA

De acordo com a circunstância que exprime, o Há palavras como muito, bastante, que podem
advérbio pode ser de: aparecer como advérbio e como pronome indefinido.
A) Lugar: aqui, antes, dentro, ali, adiante, fora, acolá, Advérbio: refere-se a um verbo, adjetivo, ou a outro
atrás, além, lá, detrás, aquém, cá, acima, onde, perto, advérbio e não sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muito.
aí, abaixo, aonde, longe, debaixo, algures, defronte, Pronome Indefinido: relaciona-se a um substantivo
nenhures, adentro, afora, alhures, nenhures, aquém, e sofre flexões. Por exemplo: Eu corri muitos quilômetros.

20
Quanto a sua função sintática: o advérbio e a
#FicaDica locução adverbial desempenham na oração a função
de adjunto adverbial, classificando-se de acordo com as
Como saber se a palavra bastante é circunstâncias que acrescentam ao verbo, ao adjetivo ou
advérbio (não varia, não se flexiona) ou ao advérbio. Exemplo:
pronome indefinido (varia, sofre flexão)? Se Meio cansada, a candidata saiu da sala. = adjunto
der, na frase, para substituir o “bastante” por adverbial de intensidade (ligado ao adjetivo “cansada”)
“muito”, estamos diante de um advérbio; se Trovejou muito ontem. = adjunto adverbial de
der para substituir por “muitos” (ou muitas), intensidade e de tempo, respectivamente.
é um pronome. Veja:
1. Estudei bastante para o concurso. (estudei REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
muito, pois “muitos” não dá!) = advérbio CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
2. Estudei bastantes capítulos para o concurso. Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
(estudei muitos capítulos) = pronome – São Paulo: Saraiva, 2010.
indefinido AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Advérbios Interrogativos Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

São as palavras: onde? aonde? donde? quando? como? SITE


por quê? nas interrogações diretas ou indiretas, referentes Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
às circunstâncias de lugar, tempo, modo e causa. Veja: secoes/morf/morf75.php>

Interrogação Direta Interrogação Indireta 3. ARTIGO


Como aprendeu? Perguntei como aprendeu O artigo integra as dez classes gramaticais, definindo-
Onde mora? Indaguei onde morava se como o termo variável que serve para individualizar ou
generalizar o substantivo, indicando, também, o gênero
Por que choras? Não sei por que choras
(masculino/feminino) e o número (singular/plural).
Aonde vai? Perguntei aonde ia Os artigos se subdividem em definidos (“o” e as
Donde vens? Pergunto donde vens variações “a”[as] e [os]) e indefinidos (“um” e as variações
“uma”[s] e “uns]).
Quando voltas? Pergunto quando voltas
A) Artigos definidos – São usados para indicar seres
Locução Adverbial
determinados, expressos de forma individual: O
concurseiro estuda muito. Os concurseiros estudam
Quando há duas ou mais palavras que exercem
muito.
função de advérbio, temos a locução adverbial, que
B) Artigos indefinidos – usados para indicar seres
pode expressar as mesmas noções dos advérbios. Iniciam
de modo vago, impreciso: Uma candidata foi
ordinariamente por uma preposição. Veja:
aprovada! Umas candidatas foram aprovadas!
A) lugar: à esquerda, à direita, de longe, de perto,
para dentro, por aqui, etc.
Circunstâncias em que os artigos se manifestam:
B) afirmação: por certo, sem dúvida, etc.
C) modo: às pressas, passo a passo, de cor, em vão,
Considera-se obrigatório o uso do artigo depois
em geral, frente a frente, etc.
do numeral “ambos”: Ambos os concursos cobrarão tal
D) tempo: de noite, de dia, de vez em quando, à tarde,
conteúdo.
hoje em dia, nunca mais, etc.
Nomes próprios indicativos de lugar (ou topônimos)
admitem o uso do artigo, outros não: São Paulo, O Rio de
A locução adverbial e o advérbio modificam o verbo,
Janeiro, Veneza, A Bahia...
o adjetivo e outro advérbio:
Quando indicado no singular, o artigo definido pode
Chegou muito cedo. (advérbio)
indicar toda uma espécie: O trabalho dignifica o homem.
Joana é muito bela. (adjetivo)
No caso de nomes próprios personativos, denotando
De repente correram para a rua. (verbo)
a ideia de familiaridade ou afetividade, é facultativo o uso
do artigo: Marcela é a mais extrovertida das irmãs. / O
Usam-se, de preferência, as formas mais bem e mais
LÍNGUA PORTUGUESA

Pedro é o xodó da família.


mal antes de adjetivos ou de verbos no particípio:
No caso de os nomes próprios personativos estarem
Essa matéria é mais bem interessante que aquela.
no plural, são determinados pelo uso do artigo: Os Maias,
Nosso aluno foi o mais bem colocado no concurso!
os Incas, Os Astecas...
O numeral “primeiro”, ao modificar o verbo, é
advérbio: Cheguei primeiro.
Usa-se o artigo depois do pronome indefinido todo(a)
para conferir uma ideia de totalidade. Sem o uso dele (do
artigo), o pronome assume a noção de “qualquer”.

21
Toda a classe parabenizou o professor. (a sala toda) Classificação da Conjunção
Toda classe possui alunos interessados e desinteressados.
(qualquer classe) De acordo com o tipo de relação que estabelecem, as
conjunções podem ser classificadas em coordenativas e
Antes de pronomes possessivos, o uso do artigo é subordinativas. No primeiro caso, os elementos ligados
facultativo: Preparei o meu curso. Preparei meu curso. pela conjunção podem ser isolados um do outro. Esse
A utilização do artigo indefinido pode indicar uma isolamento, no entanto, não acarreta perda da unidade
ideia de aproximação numérica: O máximo que ele deve de sentido que cada um dos elementos possui. Já no
ter é uns vinte anos. segundo caso, cada um dos elementos ligados pela
O artigo também é usado para substantivar palavras conjunção depende da existência do outro. Veja:
pertencentes a outras classes gramaticais: Não sei o Estudei muito, mas ainda não compreendi o conteúdo.
porquê de tudo isso. / O bem vence o mal. Podemos separá-las por ponto:
Estudei muito. Ainda não compreendi o conteúdo.
Há casos em que o artigo definido não pode ser
usado: Temos acima um exemplo de conjunção (e,
consequentemente, orações coordenadas) coordenativa
Antes de nomes de cidade (topônimo) e de pessoas – “mas”. Já em:
conhecidas: O professor visitará Roma. Espero que eu seja aprovada no concurso!
Mas, se o nome apresentar um caracterizador, a
presença do artigo será obrigatória: O professor visitará Não conseguimos separar uma oração da outra, pois
a bela Roma. a segunda “completa” o sentido da primeira (da oração
principal): Espero o quê? Ser aprovada. Nesse período
Antes de pronomes de tratamento: Vossa Senhoria temos uma oração subordinada substantiva objetiva
sairá agora? direta (ela exerce a função de objeto direto do verbo da
oração principal).
Exceção: O senhor vai à festa?
Conjunções Coordenativas
Após o pronome relativo “cujo” e suas variações:
Esse é o concurso cujas provas foram anuladas?/ Este é o
São aquelas que ligam orações de sentido completo
candidato cuja nota foi a mais alta.
e independente ou termos da oração que têm a mesma
função gramatical. Subdividem-se em:
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza A) Aditivas: ligam orações ou palavras, expressando
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. ideia de acréscimo ou adição. São elas: e, nem (= e
– São Paulo: Saraiva, 2010. não), não só... mas também, não só... como também,
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: bem como, não só... mas ainda.
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. A sua pesquisa é clara e objetiva.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Não só dança, mas também canta.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza B) Adversativas: ligam duas orações ou palavras,
Cochar - Português linguagens: volume 1– 7.ª ed. Reform. expressando ideia de contraste ou compensação.
– São Paulo: Saraiva, 2010. São elas: mas, porém, contudo, todavia, entretanto,
no entanto, não obstante.
SITE Tentei chegar mais cedo, porém não consegui.
Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
gramatica/artigo.htm> C) Alternativas: ligam orações ou palavras,
expressando ideia de alternância ou escolha,
4. CONJUNÇÃO indicando fatos que se realizam separadamente.
São elas: ou, ou... ou, ora... ora, já... já, quer... quer,
Além da preposição, há outra palavra também seja... seja, talvez... talvez.
invariável que, na frase, é usada como elemento de Ou escolho agora, ou fico sem presente de aniversário.
ligação: a conjunção. Ela serve para ligar duas orações ou
duas palavras de mesma função em uma oração: D) Conclusivas: ligam a oração anterior a uma oração
O concurso será realizado nas cidades de Campinas e que expressa ideia de conclusão ou consequência.
São Paulo. São elas: logo, pois (depois do verbo), portanto, por
A prova não será fácil, por isso estou estudando muito. conseguinte, por isso, assim.
LÍNGUA PORTUGUESA

Marta estava bem preparada para o teste, portanto


Morfossintaxe da Conjunção não ficou nervosa.
Você nos ajudou muito; terá, pois, nossa gratidão.
As conjunções, a exemplo das preposições, não
exercem propriamente uma função sintática: são E) Explicativas: ligam a oração anterior a uma oração
conectivos. que a explica, que justifica a ideia nela contida. São
elas: que, porque, pois (antes do verbo), porquanto.

22
Não demore, que o filme já vai começar.
Falei muito, pois não gosto do silêncio! #FicaDica

Conjunções Subordinativas Você deve ter percebido que a conjunção


condicional “se” também é conjunção
São aquelas que ligam duas orações, sendo uma integrante. A diferença é clara ao ler as
delas dependente da outra. A oração dependente, orações que são introduzidas por ela. Acima,
introduzida pelas conjunções subordinativas, recebe o ela nos dá a ideia da condição para que
nome de oração subordinada. Veja o exemplo: O baile já recebamos um telefonema (se for preciso
tinha começado quando ela chegou. ajuda). Já na oração: Não sei se farei o
O baile já tinha começado: oração principal concurso. = Não há ideia de condição
quando: conjunção subordinativa (adverbial temporal) alguma, há? Outra coisa: o verbo da oração
ela chegou: oração subordinada principal (sei) pede complemento (objeto
direto, já que “quem não sabe, não sabe
As conjunções subordinativas subdividem-se em algo”). Portanto, a oração em destaque
integrantes e adverbiais: exerce a função de objeto direto da oração
principal, sendo classificada como oração
Integrantes - Indicam que a oração subordinada subordinada substantiva objetiva direta.
por elas introduzida completa ou integra o sentido
da principal. Introduzem orações que equivalem D) Conformativas: introduzem uma oração que
a substantivos, ou seja, as orações subordinadas exprime a conformidade de um fato com outro.
substantivas. São elas: que, se. São elas: conforme, como (= conforme), segundo,
Quero que você volte. (Quero sua volta) consoante, etc.
O passeio ocorreu como havíamos planejado.
Adverbiais - Indicam que a oração subordinada
exerce a função de adjunto adverbial da principal. De E) Finais: introduzem uma oração que expressa
acordo com a circunstância que expressam, classificam- a finalidade ou o objetivo com que se realiza a
se em: oração principal. São elas: para que, a fim de que,
que, porque (= para que), que, etc.
A) Causais: introduzem uma oração que é causa da Toque o sinal para que todos entrem no salão.
ocorrência da oração principal. São elas: porque,
que, como (= porque, no início da frase), pois que, F) Proporcionais: introduzem uma oração que
visto que, uma vez que, porquanto, já que, desde expressa um fato relacionado proporcionalmente
que, etc. à ocorrência do expresso na principal. São elas: à
Ele não fez a pesquisa porque não dispunha de meios. medida que, à proporção que, ao passo que e as
combinações quanto mais... (mais), quanto menos...
B) Concessivas: introduzem uma oração que expressa (menos), quanto menos... (mais), quanto menos...
ideia contrária à da principal, sem, no entanto, (menos), etc.
impedir sua realização. São elas: embora, ainda O preço fica mais caro à medida que os produtos
que, apesar de que, se bem que, mesmo que, por escasseiam.
mais que, posto que, conquanto, etc.
Embora fosse tarde, fomos visitá-lo. Observação:
São incorretas as locuções proporcionais à medida
C) Condicionais: introduzem uma oração que indica em que, na medida que e na medida em que.
a hipótese ou a condição para ocorrência da
principal. São elas: se, caso, contanto que, salvo se, G) Temporais: introduzem uma oração que
a não ser que, desde que, a menos que, sem que, etc. acrescenta uma circunstância de tempo ao fato
Se precisar de minha ajuda, telefone-me. expresso na oração principal. São elas: quando,
enquanto, antes que, depois que, logo que, todas as
vezes que, desde que, sempre que, assim que, agora
que, mal (= assim que), etc.
A briga começou assim que saímos da festa.

H) Comparativas: introduzem uma oração que


LÍNGUA PORTUGUESA

expressa ideia de comparação com referência à


oração principal. São elas: como, assim como, tal
como, como se, (tão)... como, tanto como, tanto
quanto, do que, quanto, tal, qual, tal qual, que nem,
que (combinado com menos ou mais), etc.
O jogo de hoje será mais difícil que o de ontem.

23
I) Consecutivas: introduzem uma oração que expressa Puxa! Hoje não foi meu dia de sorte!
a consequência da principal. São elas: de sorte que, puxa: interjeição; tom da fala: decepção
de modo que, sem que (= que não), de forma que, de
jeito que, que (tendo como antecedente na oração As interjeições cumprem, normalmente, duas funções:
principal uma palavra como tal, tão, cada, tanto, A) Sintetizar uma frase exclamativa, exprimindo
tamanho), etc. alegria, tristeza, dor, etc.: Ah, deve ser muito
Estudou tanto durante a noite que dormiu na hora do interessante!
exame. B) Sintetizar uma frase apelativa: Cuidado! Saia da
minha frente.
FIQUE ATENTO!
As interjeições podem ser formadas por:
Muitas conjunções não têm classificação • simples sons vocálicos: Oh!, Ah!, Ó, Ô
única, imutável, devendo, portanto, ser • palavras: Oba! Olá! Claro!
classificadas de acordo com o sentido que • grupos de palavras (locuções interjetivas): Meu
apresentam no contexto (destaque da Zê!). Deus! Ora bolas!

Classificação das Interjeições


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Comumente, as interjeições expressam sentido de:
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. A) Advertência: Cuidado! Devagar! Calma! Sentido!
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Atenção! Olha! Alerta!
Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. B) Afugentamento: Fora! Passa! Rua!
– São Paulo: Saraiva, 2010. C) Alegria ou Satisfação: Oh! Ah! Eh! Oba! Viva!
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: D) Alívio: Arre! Uf! Ufa! Ah!
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
E) Animação ou Estímulo: Vamos! Força! Coragem!
Ânimo! Adiante!
SITE
F) Aplauso ou Aprovação: Bravo! Bis! Apoiado! Viva!
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
G) Concordância: Claro! Sim! Pois não! Tá!
secoes/morf/morf84.php>
H) Repulsa ou Desaprovação: Credo! Ih! Francamen-
te! Essa não! Chega! Basta!
5. INTERJEIÇÃO
I) Desejo ou Intenção: Pudera! Tomara! Oxalá! Quei-
ra Deus!
Interjeição é a palavra invariável que exprime
emoções, sensações, estados de espírito. É um recurso da J) Desculpa: Perdão!
linguagem afetiva, em que não há uma ideia organizada K) Dor ou Tristeza: Ai! Ui! Ai de mim! Que pena!
de maneira lógica, como são as sentenças da língua, mas L) Dúvida ou Incredulidade: Que nada! Qual o quê!
sim a manifestação de um suspiro, um estado da alma M) Espanto ou Admiração: Oh! Ah! Uai! Puxa! Céus!
decorrente de uma situação particular, um momento ou Quê! Caramba! Opa! Nossa! Hein? Cruz! Putz!
um contexto específico. Exemplos: N) Impaciência ou Contrariedade: Hum! Raios!
Ah, como eu queria voltar a ser criança! Puxa! Pô! Ora!
ah: expressão de um estado emotivo = interjeição O) Pedido de Auxílio: Socorro! Aqui! Piedade!
Hum! Esse pudim estava maravilhoso! P) Saudação, Chamamento ou Invocação: Salve!
hum: expressão de um pensamento súbito = Viva! Olá! Alô! Tchau! Psiu! Socorro! Valha-me,
interjeição Deus!
Q) Silêncio: Psiu! Silêncio!
O significado das interjeições está vinculado à maneira R) Terror ou Medo: Credo! Cruzes! Minha nossa!
como elas são proferidas. O tom da fala é que dita o
sentido que a expressão vai adquirir em cada contexto Saiba que:
em que for utilizada. Exemplos: As interjeições são palavras invariáveis, isto é, não
sofrem variação em gênero, número e grau como os
Psiu! nomes, nem de número, pessoa, tempo, modo, aspecto
contexto: alguém pronunciando esta expressão e voz como os verbos. No entanto, em uso específico,
na rua ; significado da interjeição (sugestão): “Estou te algumas interjeições sofrem variação em grau. Não se
chamando! Ei, espere!” trata de um processo natural desta classe de palavra, mas
tão só uma variação que a linguagem afetiva permite.
LÍNGUA PORTUGUESA

Psiu! Exemplos: oizinho, bravíssimo, até loguinho.


contexto: alguém pronunciando em um hospital;
significado da interjeição (sugestão): “Por favor, faça Locução Interjetiva
silêncio!”
Ocorre quando duas ou mais palavras formam uma
Puxa! Ganhei o maior prêmio do sorteio! expressão com sentido de interjeição: Ora bolas!, Virgem
puxa: interjeição; tom da fala: euforia Maria!, Meu Deus!, Ó de casa!, Ai de mim!, Graças a Deus!

24
Toda frase mais ou menos breve dita em tom As palavras anterior, posterior, último, antepenúltimo,
exclamativo torna-se uma locução interjetiva, final e penúltimo também indicam posição dos seres,
dispensando análise dos termos que a compõem: mas são classificadas como adjetivos, não ordinais.
Macacos me mordam!, Valha-me Deus!, Quem me dera!
1. As interjeições são como frases resumidas, sinté- C) Fracionários: indicam parte de uma quantidade,
ticas. Por exemplo: Ué! (= Eu não esperava por ou seja, uma divisão dos seres: meio, terço, dois
essa!) / Perdão! (= Peço-lhe que me desculpe) quintos, etc.
2. Além do contexto, o que caracteriza a interjeição é D) Multiplicativos: expressam ideia de multiplicação
o seu tom exclamativo; por isso, palavras de outras dos seres, indicando quantas vezes a quantidade
classes gramaticais podem aparecer como inter- foi aumentada: dobro, triplo, quíntuplo, etc.
jeições. Por exemplo: Viva! Basta! (Verbos) / Fora!
Francamente! (Advérbios) Flexão dos numerais
3. A interjeição pode ser considerada uma “palavra-
-frase” porque sozinha pode constituir uma men- Os numerais cardinais que variam em gênero são um/
sagem. Por exemplo: Socorro! Ajudem-me! Silêncio! uma, dois/duas e os que indicam centenas de duzentos/
Fique quieto! duzentas em diante: trezentos/trezentas, quatrocentos/
4. Há, também, as interjeições onomatopaicas ou imi- quatrocentas, etc. Cardinais como milhão, bilhão, trilhão,
tativas, que exprimem ruídos e vozes. Por exemplo: variam em número: milhões, bilhões, trilhões. Os demais
Miau! Bumba! Zás! Plaft! Pof! Catapimba! Tique- cardinais são invariáveis.
-taque! Quá-quá-quá!, etc.
5. Não se deve confundir a interjeição de apelo «ó» Os numerais ordinais variam em gênero e número:
com a sua homônima «oh!», que exprime admira-
ção, alegria, tristeza, etc. Faz-se uma pausa depois
do «oh!» exclamativo e não a fazemos depois do primeiro segundo milésimo
«ó» vocativo. Por exemplo: “Ó natureza! ó mãe pie- primeira segunda milésima
dosa e pura!” (Olavo Bilac)
primeiros segundos milésimos
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS primeiras segundas milésimas
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Os numerais multiplicativos são invariáveis quando
CAMPEDELLI, Samira Yousseff, SOUZA, Jésus Barbosa atuam em funções substantivas: Fizeram o dobro do
- Português – Literatura, Produção de Textos & Gramática esforço e conseguiram o triplo de produção.
– volume único – 3.ª Ed. – São Paulo: Saraiva, 2002. Quando atuam em funções adjetivas, esses numerais
flexionam-se em gênero e número: Teve de tomar doses
SITE triplas do medicamento.
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ Os numerais fracionários flexionam-se em gênero e
secoes/morf/morf89.php> número. Observe: um terço/dois terços, uma terça parte/
duas terças partes.
6. NUMERAL Os numerais coletivos flexionam-se em número: uma
dúzia, um milheiro, duas dúzias, dois milheiros.
Numeral é a palavra variável que indica quantidade É comum na linguagem coloquial a indicação de grau
numérica ou ordem; expressa a quantidade exata de nos numerais, traduzindo afetividade ou especialização
pessoas ou coisas ou o lugar que elas ocupam numa de sentido. É o que ocorre em frases como:
determinada sequência. “Me empresta duzentinho...”
Os numerais traduzem, em palavras, o que os números É artigo de primeiríssima qualidade!
indicam em relação aos seres. Assim, quando a expressão O time está arriscado por ter caído na segundona. (=
é colocada em números (1, 1.º, 1/3, etc.) não se trata de segunda divisão de futebol)
numerais, mas sim de algarismos.
Além dos numerais mais conhecidos, já que refletem Emprego e Leitura dos Numerais
a ideia expressa pelos números, existem mais algumas
palavras consideradas numerais porque denotam Os numerais são escritos em conjunto de três
quantidade, proporção ou ordenação. São alguns algarismos, contados da direita para a esquerda, em
exemplos: década, dúzia, par, ambos(as), novena. forma de centenas, dezenas e unidades, tendo cada
conjunto uma separação através de ponto ou espaço
Classificação dos Numerais
correspondente a um ponto: 8.234.456 ou 8 234 456.
LÍNGUA PORTUGUESA

Em sentido figurado, usa-se o numeral para indicar


A) Cardinais: indicam quantidade exata ou
exagero intencional, constituindo a figura de linguagem
determinada de seres: um, dois, cem mil, etc.
conhecida como hipérbole: Já li esse texto mil vezes.
Alguns cardinais têm sentido coletivo, como por
No português contemporâneo, não se usa a
exemplo: século, par, dúzia, década, bimestre.
conjunção “e” após “mil”, seguido de centena: Nasci em
B) Ordinais: indicam a ordem, a posição que alguém
ou alguma coisa ocupa numa determinada mil novecentos e noventa e dois.
sequência: primeiro, segundo, centésimo, etc. Seu salário será de mil quinhentos e cinquenta reais.

25
Mas, se a centena começa por “zero” ou termina por dois zeros, usa-se o “e”: Seu salário será de mil e quinhentos
reais. (R$1.500,00)
Gastamos mil e quarenta reais. (R$1.040,00)

Para designar papas, reis, imperadores, séculos e partes em que se divide uma obra, utilizam-se os ordinais até
décimo e, a partir daí, os cardinais, desde que o numeral venha depois do substantivo;

Ordinais Cardinais
João Paulo II (segundo) Tomo XV (quinze)
D. Pedro II (segundo) Luís XVI (dezesseis)
Ato II (segundo) Capítulo XX (vinte)
Século VIII (oitavo) Século XX (vinte)
Canto IX (nono) João XXIII ( vinte e três)

Se o numeral aparece antes do substantivo, será lido como ordinal: XXX Feira do Bordado. (trigésima)

#FicaDica
Ordinal lembra ordem. Memorize assim, por
associação. Ficará mais fácil!

Para designar leis, decretos e portarias, utiliza-se o ordinal até nono e o cardinal de dez em diante:
Artigo 1.° (primeiro) Artigo 10 (dez)
Artigo 9.° (nono) Artigo 21 (vinte e um)

Ambos/ambas = numeral dual, porque sempre se refere a dois seres. Significam “um e outro”, “os dois” (ou “uma
e outra”, “as duas”) e são largamente empregados para retomar pares de seres aos quais já se fez referência. Sua
utilização exige a presença do artigo posposto: Ambos os concursos realizarão suas provas no mesmo dia. O artigo só é
dispensado caso haja um pronome demonstrativo: Ambos esses ministros falarão à imprensa.
LÍNGUA PORTUGUESA

26
Quadro de alguns numerais

Cardinais Ordinais Multiplicativos Fracionários


Um Primeiro -
Dois Segundo Dobro, Duplo Meio
Três Terceiro Triplo, Tríplice Terço
Quatro Quarto Quádruplo Quarto
Cinco Quinto Quíntuplo Quinto
Seis Sexto Sêxtuplo Sexto
Sete Sétimo Sétuplo Sétimo
Oito Oitavo Óctuplo Oitavo
Nove Nono Nônuplo Nono
Dez Décimo Décuplo Décimo
Onze Décimo Primeiro - Onze Avos
Doze Décimo Segundo - Doze Avos
Treze Décimo Terceiro - Treze Avos
Catorze Décimo Quarto - Catorze Avos
Quinze Décimo Quinto - Quinze Avos
Dezesseis Décimo Sexto - Dezesseis Avos
Dezessete Décimo Sétimo - Dezessete Avos
Dezoito Décimo Oitavo - Dezoito Avos
Dezenove Décimo Nono - Dezenove Avos
Vinte Vigésimo - Vinte Avos
Trinta Trigésimo - Trinta Avos
Quarenta Quadragésimo - Quarenta Avos
Cinqüenta Quinquagésimo - Cinquenta Avos
Sessenta Sexagésimo - Sessenta Avos
Setenta Septuagésimo - Setenta Avos
Oitenta Octogésimo - Oitenta Avos
Noventa Nonagésimo - Noventa Avos
Cem Centésimo Cêntuplo Centésimo
Duzentos Ducentésimo - Ducentésimo
Trezentos Trecentésimo - Trecentésimo
Quatrocentos Quadringentésimo - Quadringentésimo
Quinhentos Quingentésimo - Quingentésimo
Seiscentos Sexcentésimo - Sexcentésimo
Setecentos Septingentésimo Septingentésimo
Oitocentos Octingentésimo Octingentésimo
Nongentésimo ou
Novecentos Nongentésimo
Noningentésimo
Mil Milésimo Milésimo
LÍNGUA PORTUGUESA

Milhão Milionésimo Milionésimo


Milhão Bilionésimo Bilionésimo

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform. – São
Paulo: Saraiva, 2010.

27
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: Quando é preposição, além de ser invariável, liga dois
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. termos e estabelece relação de subordinação entre eles.
Irei à festa sozinha.
SITE Entregamos a flor à professora! = o primeiro “a” é
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ artigo; o segundo, preposição.
secoes/morf/morf40.php>
Se for pronome pessoal oblíquo estará ocupando o
7. PREPOSIÇÃO lugar e/ou a função de um substantivo: Nós trouxemos a
apostila. = Nós a trouxemos.
Preposição é uma palavra invariável que serve para
ligar termos ou orações. Quando esta ligação acontece, Relações semânticas (= de sentido) estabelecidas
normalmente há uma subordinação do segundo termo por meio das preposições:
em relação ao primeiro. As preposições são muito
importantes na estrutura da língua, pois estabelecem Destino = Irei a Salvador.
a coesão textual e possuem valores semânticos Modo = Saiu aos prantos.
indispensáveis para a compreensão do texto. Lugar = Sempre a seu lado.
Assunto = Falemos sobre futebol.
Tipos de Preposição Tempo = Chegarei em instantes.
Causa = Chorei de saudade.
A) Preposições essenciais: palavras que atuam ex- Fim ou finalidade = Vim para ficar.
clusivamente como preposições: a, ante, perante, Instrumento = Escreveu a lápis.
após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, Posse = Vi as roupas da mamãe.
por, sem, sob, sobre, trás, atrás de, dentro de, para Autoria = livro de Machado de Assis
com. Companhia = Estarei com ele amanhã.
Matéria = copo de cristal.
B) Preposições acidentais: palavras de outras classes
Meio = passeio de barco.
gramaticais que podem atuar como preposições,
Origem = Nós somos do Nordeste.
ou seja, formadas por uma derivação imprópria:
Conteúdo = frascos de perfume.
como, durante, exceto, fora, mediante, salvo, segun-
Oposição = Esse movimento é contra o que eu penso.
do, senão, visto.
Preço = Essa roupa sai por cinquenta reais.
C) Locuções prepositivas: duas ou mais palavras va-
lendo como uma preposição, sendo que a última
Quanto à preposição “trás”: não se usa senão nas
palavra é uma (preposição): abaixo de, acerca de, locuções adverbiais (para trás ou por trás) e na locução
acima de, ao lado de, a respeito de, de acordo com, prepositiva por trás de.
em cima de, embaixo de, em frente a, ao redor de,
graças a, junto a, com, perto de, por causa de, por REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
cima de, por trás de. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
A preposição é invariável, no entanto pode unir-se CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
a outras palavras e, assim, estabelecer concordância em Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
gênero ou em número. Exemplo: por + o = pelo / por + – São Paulo: Saraiva, 2010.
a = pela. AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
Essa concordância não é característica da preposição, literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
mas das palavras às quais ela se une.
Esse processo de junção de uma preposição com SITE
outra palavra pode se dar a partir dos processos de: Disponível em: <http://www.infoescola.com/
• Combinação: união da preposição “a” com o artigo portugues/preposicao/>
“o”(s), ou com o advérbio “onde”: ao, aonde, aos.
Os vocábulos não sofrem alteração. 8. PRONOME
• Contração: união de uma preposição com outra pa-
lavra, ocorrendo perda ou transformação de fone- Pronome é a palavra variável que substitui ou
ma: de + o = do, em + a = na, per + os = pelos, de acompanha um substantivo (nome), qualificando-o de
+ aquele = daquele, em + isso = nisso. alguma forma.
• Crase: é a fusão de vogais idênticas: à (“a” preposi- O homem julga que é superior à natureza, por isso o
ção + “a” artigo), àquilo (“a” preposição + 1.ª vogal homem destrói a natureza...
do pronome “aquilo”). Utilizando pronomes, teremos: O homem julga que é
LÍNGUA PORTUGUESA

superior à natureza, por isso ele a destrói...


O “a” pode funcionar como preposição, pronome Ficou melhor, sem a repetição desnecessária de
pessoal oblíquo e artigo. Como distingui-los? Caso o “a” termos (homem e natureza).
seja um artigo, virá precedendo um substantivo, servindo
para determiná-lo como um substantivo singular e Grande parte dos pronomes não possuem significados
feminino: A matéria que estudei é fácil! fixos, isto é, essas palavras só adquirem significação
dentro de um contexto, o qual nos permite recuperar

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a referência exata daquilo que está sendo colocado até aqui”- comuns na língua oral cotidiana - devem
por meio dos pronomes no ato da comunicação. Com ser evitadas na língua formal escrita ou falada. Na
exceção dos pronomes interrogativos e indefinidos, os língua formal, devem ser usados os pronomes oblíquos
demais pronomes têm por função principal apontar para correspondentes: “Vi-o na rua”, “Encontrei-a na praça”,
as pessoas do discurso ou a elas se relacionar, indicando- “Trouxeram-me até aqui”.
lhes sua situação no tempo ou no espaço. Em virtude
dessa característica, os pronomes apresentam uma forma Frequentemente observamos a omissão do pronome
específica para cada pessoa do discurso. reto em Língua Portuguesa. Isso se dá porque as próprias
Minha carteira estava vazia quando eu fui assaltada. formas verbais marcam, através de suas desinências, as
[minha/eu: pronomes de 1.ª pessoa = aquele que fala] pessoas do verbo indicadas pelo pronome reto: Fizemos
Tua carteira estava vazia quando tu foste assaltada? boa viagem. (Nós)
[tua/tu: pronomes de 2.ª pessoa = aquele a quem se
fala]
B) Pronome Oblíquo
A carteira dela estava vazia quando ela foi assaltada.
Pronome pessoal do caso oblíquo é aquele que, na
[dela/ela: pronomes de 3.ª pessoa = aquele de quem
sentença, exerce a função de complemento verbal
se fala]
(objeto direto ou indireto): Ofertaram-nos flores.
Em termos morfológicos, os pronomes são palavras (objeto indireto)
variáveis em gênero (masculino ou feminino) e em número
(singular ou plural). Assim, espera-se que a referência Observação:
através do pronome seja coerente em termos de gênero O pronome oblíquo é uma forma variante do
e número (fenômeno da concordância) com o seu objeto, pronome pessoal do caso reto. Essa variação indica
mesmo quando este se apresenta ausente no enunciado. a função diversa que eles desempenham na oração:
Fala-se de Roberta. Ele quer participar do desfile da pronome reto marca o sujeito da oração; pronome
nossa escola neste ano. oblíquo marca o complemento da oração. Os pronomes
[nossa: pronome que qualifica “escola” = concordância oblíquos sofrem variação de acordo com a acentuação
adequada] tônica que possuem, podendo ser átonos ou tônicos.
[neste: pronome que determina “ano” = concordância
adequada] B.1 Pronome Oblíquo Átono
[ele: pronome que faz referência à “Roberta” = São chamados átonos os pronomes oblíquos que
concordância inadequada] não são precedidos de preposição. Possuem acentuação
tônica fraca: Ele me deu um presente.
Existem seis tipos de pronomes: pessoais, possessivos, Lista dos pronomes oblíquos átonos
demonstrativos, indefinidos, relativos e interrogativos. 1.ª pessoa do singular (eu): me
2.ª pessoa do singular (tu): te
Pronomes Pessoais 3.ª pessoa do singular (ele, ela): o, a, lhe
1.ª pessoa do plural (nós): nos
São aqueles que substituem os substantivos, 2.ª pessoa do plural (vós): vos
indicando diretamente as pessoas do discurso. Quem fala 3.ª pessoa do plural (eles, elas): os, as, lhes
ou escreve assume os pronomes “eu” ou “nós”; usa-se os
pronomes “tu”, “vós”, “você” ou “vocês” para designar a
quem se dirige, e “ele”, “ela”, “eles” ou “elas” para fazer FIQUE ATENTO!
referência à pessoa ou às pessoas de quem se fala.
Os pronomes o, os, a, as assumem formas
Os pronomes pessoais variam de acordo com as
especiais depois de certas terminações
funções que exercem nas orações, podendo ser do caso
reto ou do caso oblíquo. verbais:

A) Pronome Reto 1. Quando o verbo termina em -z, -s ou


Pronome pessoal do caso reto é aquele que, na sentença, -r, o pronome assume a forma lo, los, la
exerce a função de sujeito: Nós lhe ofertamos flores. ou las, ao mesmo tempo que a terminação
Os pronomes retos apresentam flexão de número, verbal é suprimida. Por exemplo:
gênero (apenas na 3.ª pessoa) e pessoa, sendo essa fiz + o = fi-lo
última a principal flexão, uma vez que marca a pessoa do fazeis + o = fazei-lo
discurso. Dessa forma, o quadro dos pronomes retos é dizer + a = dizê-la
assim configurado:
1.ª pessoa do singular: eu 2. Quando o verbo termina em som nasal,
o pronome assume as formas no, nos, na,
LÍNGUA PORTUGUESA

2.ª pessoa do singular: tu


3.ª pessoa do singular: ele, ela nas. Por exemplo:
1.ª pessoa do plural: nós viram + o: viram-no
2.ª pessoa do plural: vós repõe + os = repõe-nos
3.ª pessoa do plural: eles, elas retém + a: retém-na
Esses pronomes não costumam ser usados como tem + as = tem-nas
complementos verbais na língua-padrão. Frases como
“Vi ele na rua”, “Encontrei ela na praça”, “Trouxeram eu

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B.2 Pronome Oblíquo Tônico B.3 Pronome Reflexivo
Os pronomes oblíquos tônicos são sempre São pronomes pessoais oblíquos que, embora
precedidos por preposições, em geral as preposições a, funcionem como objetos direto ou indireto, referem-
para, de e com. Por esse motivo, os pronomes tônicos se ao sujeito da oração. Indicam que o sujeito pratica e
exercem a função de objeto indireto da oração. Possuem recebe a ação expressa pelo verbo.
acentuação tônica forte.
Lista dos pronomes oblíquos tônicos: Lista dos pronomes reflexivos:
1.ª pessoa do singular (eu): mim, comigo 1.ª pessoa do singular (eu): me, mim = Eu não me
2.ª pessoa do singular (tu): ti, contigo lembro disso.
3.ª pessoa do singular (ele, ela): si, consigo, ele, ela 2.ª pessoa do singular (tu): te, ti = Conhece a ti mesmo.
1.ª pessoa do plural (nós): nós, conosco 3.ª pessoa do singular (ele, ela): se, si, consigo =
2.ª pessoa do plural (vós): vós, convosco Guilherme já se preparou.
3.ª pessoa do plural (eles, elas): si, consigo, eles, elas Ela deu a si um presente.
Antônio conversou consigo mesmo.
Observe que as únicas formas próprias do pronome
tônico são a primeira pessoa (mim) e segunda pessoa 1.ª pessoa do plural (nós): nos = Lavamo-nos no rio.
(ti). As demais repetem a forma do pronome pessoal do 2.ª pessoa do plural (vós): vos = Vós vos beneficiastes
caso reto. com esta conquista.
As preposições essenciais introduzem sempre 3.ª pessoa do plural (eles, elas): se, si, consigo = Eles se
pronomes pessoais do caso oblíquo e nunca pronome conheceram. / Elas deram a si um dia de folga.
do caso reto. Nos contextos interlocutivos que exigem o
uso da língua formal, os pronomes costumam ser usados
desta forma: #FicaDica
Não há mais nada entre mim e ti.
Não se comprovou qualquer ligação entre ti e ela. O pronome é reflexivo quando se refere
Não há nenhuma acusação contra mim. à mesma pessoa do pronome subjetivo
Não vá sem mim. (sujeito): Eu me arrumei e saí.
É pronome recíproco quando indica
Há construções em que a preposição, apesar de reciprocidade de ação: Nós nos amamos. /
surgir anteposta a um pronome, serve para introduzir Olhamo-nos calados.
uma oração cujo verbo está no infinitivo. Nesses casos, O “se” pode ser usado como palavra
o verbo pode ter sujeito expresso; se esse sujeito for um expletiva ou partícula de realce, sem ser
pronome, deverá ser do caso reto. rigorosamente necessária e sem função
Trouxeram vários vestidos para eu experimentar. sintática: Os exploradores riam-se de suas
Não vá sem eu mandar. tentativas. / Será que eles se foram?

A frase: “Foi fácil para mim resolver aquela questão!”


está correta, já que “para mim” é complemento de “fácil”. C) Pronomes de Tratamento
A ordem direta seria: Resolver aquela questão foi fácil São pronomes utilizados no tratamento formal,
para mim! cerimonioso. Apesar de indicarem nosso interlocutor
(portanto, a segunda pessoa), utilizam o verbo na
A combinação da preposição “com” e alguns terceira pessoa. Alguns exemplos:
pronomes originou as formas especiais comigo, contigo, Vossa Alteza (V. A.) = príncipes, duques
consigo, conosco e convosco. Tais pronomes oblíquos Vossa Eminência (V. E.ma) = cardeais
tônicos frequentemente exercem a função de adjunto Vossa Reverendíssima (V. Ver.ma) = sacerdotes e
adverbial de companhia: Ele carregava o documento religiosos em geral
consigo. Vossa Excelência (V. Ex.ª) = oficiais de patente superior
à de coronel, senadores, deputados, embaixadores,
A preposição “até” exige as formas oblíquas tônicas: professores de curso superior, ministros de Estado
Ela veio até mim, mas nada falou. e de Tribunais, governadores, secretários de Estado,
Mas, se “até” for palavra denotativa (com o sentido de presidente da República (sempre por extenso)
inclusão), usaremos as formas retas: Todos foram bem na Vossa Magnificência (V. Mag.ª) = reitores de
prova, até eu! (= inclusive eu) universidades
Vossa Majestade (V. M.) = reis, rainhas e imperadores
As formas “conosco” e “convosco” são substituídas Vossa Senhoria (V. S.a) = comerciantes em geral, oficiais
LÍNGUA PORTUGUESA

por “com nós” e “com vós” quando os pronomes pessoais até a patente de coronel, chefes de seção e funcionários
são reforçados por palavras como outros, mesmos, de igual categoria
próprios, todos, ambos ou algum numeral. Vossa Meretíssima (sempre por extenso) = para juízes
Você terá de viajar com nós todos. de direito
Estávamos com vós outros quando chegaram as más Vossa Santidade (sempre por extenso) = tratamento
notícias. cerimonioso
Ele disse que iria com nós três. Vossa Onipotência (sempre por extenso) = Deus

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Também são pronomes de tratamento o senhor, Este caderno é meu. (meu = possuidor: 1.ª pessoa do
a senhora e você, vocês. “O senhor” e “a senhora” singular)
são empregados no tratamento cerimonioso; “você”
e “vocês”, no tratamento familiar. Você e vocês são Número Pessoa Pronome
largamente empregados no português do Brasil; em
algumas regiões, a forma tu é de uso frequente; em Singular Primeira Meu(s), minha(s)
outras, pouco empregada. Já a forma vós tem uso restrito Singular Segunda Teu(s), tua(s)
à linguagem litúrgica, ultraformal ou literária.
Singular Terceira Seu(s), sua(s)
Observações: Plural Primeira Nosso(s), nossa(s)
Plural Segunda Vosso(s), vossa(s)
1. Vossa Excelência X Sua Excelência: os pronomes de
Plural Terceira Seu(s), sua(s)
tratamento que possuem “Vossa(s)” são emprega-
dos em relação à pessoa com quem falamos: Es-
pero que V. Ex.ª, Senhor Ministro, compareça a este Note que:
encontro. A forma do possessivo depende da pessoa gramatical
a que se refere; o gênero e o número concordam com o
2. Emprega-se “Sua (s)” quando se fala a respeito objeto possuído: Ele trouxe seu apoio e sua contribuição
da pessoa: Todos os membros da C.P.I. afirmaram naquele momento difícil.
que Sua Excelência, o Senhor Presidente da Repúbli-
ca, agiu com propriedade. Observações:

3. Os pronomes de tratamento representam uma for- 1. A forma “seu” não é um possessivo quando resul-
ma indireta de nos dirigirmos aos nossos interlo- tar da alteração fonética da palavra senhor: Muito
cutores. Ao tratarmos um deputado por Vossa Ex- obrigado, seu José.
celência, por exemplo, estamos nos endereçando à
excelência que esse deputado supostamente tem 2. Os pronomes possessivos nem sempre indicam
para poder ocupar o cargo que ocupa. posse. Podem ter outros empregos, como:
A) indicar afetividade: Não faça isso, minha filha.
4. Embora os pronomes de tratamento dirijam-se à B) indicar cálculo aproximado: Ele já deve ter seus 40
2.ª pessoa, toda a concordância deve ser feita anos.
com a 3.ª pessoa. Assim, os verbos, os pronomes C) atribuir valor indefinido ao substantivo: Marisa tem
possessivos e os pronomes oblíquos empregados lá seus defeitos, mas eu gosto muito dela.
em relação a eles devem ficar na 3.ª pessoa.
Basta que V. Ex.ª cumpra a terça parte das 3. Em frases onde se usam pronomes de tratamento,
suas promessas, para que seus eleitores lhe fiquem o pronome possessivo fica na 3.ª pessoa: Vossa Ex-
reconhecidos. celência trouxe sua mensagem?

5. Uniformidade de Tratamento: quando escrevemos 4. Referindo-se a mais de um substantivo, o possessi-


ou nos dirigimos a alguém, não é permitido mudar, vo concorda com o mais próximo: Trouxe-me seus
ao longo do texto, a pessoa do tratamento escolhida livros e anotações.
inicialmente. Assim, por exemplo, se começamos
a chamar alguém de “você”, não poderemos usar 5. Em algumas construções, os pronomes pessoais
“te” ou “teu”. O uso correto exigirá, ainda, verbo na oblíquos átonos assumem valor de possessivo: Vou
terceira pessoa. seguir-lhe os passos. (= Vou seguir seus passos)

Quando você vier, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos 6. O adjetivo “respectivo” equivale a “devido, seu, pró-
teus cabelos. (errado) prio”, por isso não se deve usar “seus” ao utilizá-lo,
para que não ocorra redundância: Coloque tudo
Quando você vier, eu a abraçarei e enrolar-me-ei nos nos respectivos lugares.
seus cabelos. (correto) = terceira pessoa do singular
Pronomes Demonstrativos
ou
São utilizados para explicitar a posição de certa
palavra em relação a outras ou ao contexto. Essa relação
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando tu vieres, eu te abraçarei e enrolar-me-ei nos


teus cabelos. (correto) = segunda pessoa do singular pode ser de espaço, de tempo ou em relação ao discurso.

Pronomes Possessivos A) Em relação ao espaço:


Este(s), esta(s) e isto = indicam o que está perto da
São palavras que, ao indicarem a pessoa gramatical pessoa que fala:
(possuidor), acrescentam a ela a ideia de posse de algo Este material é meu.
(coisa possuída).

31
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o que está perto da Não ouvi o que disseste. (Não ouvi aquilo que disseste.)
pessoa com quem se fala: Essa rua não é a que te indiquei. (não é aquela que te
Esse material em sua carteira é seu? indiquei.)

Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam o que está • mesmo(s), mesma(s), próprio(s), própria(s):
distante tanto da pessoa que fala como da pessoa com variam em gênero quando têm caráter reforçativo:
quem se fala: Estas são as mesmas pessoas que o procuraram ontem.
Aquele material não é nosso. Eu mesma refiz os exercícios.
Vejam aquele prédio! Elas mesmas fizeram isso.
Eles próprios cozinharam.
B) Em relação ao tempo: Os próprios alunos resolveram o problema.
Este(s), esta(s) e isto = indicam o tempo presente em
relação à pessoa que fala: • semelhante(s): Não tenha semelhante atitude.
Esta manhã farei a prova do concurso!
• tal, tais: Tal absurdo eu não cometeria.
Esse(s), essa(s) e isso = indicam o tempo passado,
porém relativamente próximo à época em que se situa 1. Em frases como: O referido deputado e o Dr. Alcides
a pessoa que fala: eram amigos íntimos; aquele casado, solteiro este.
Essa noite dormi mal; só pensava no concurso! (ou então: este solteiro, aquele casado) - este se re-
fere à pessoa mencionada em último lugar; aquele,
Aquele(s), aquela(s) e aquilo = indicam um à mencionada em primeiro lugar.
afastamento no tempo, referido de modo vago ou como 2. O pronome demonstrativo tal pode ter conotação
tempo remoto: irônica: A menina foi a tal que ameaçou o professor?
Naquele tempo, os professores eram valorizados. 3. Pode ocorrer a contração das preposições a, de,
em com pronome demonstrativo: àquele, àquela,
C) Em relação ao falado ou escrito (ou ao que se falará
deste, desta, disso, nisso, no, etc: Não acreditei no
ou escreverá):
que estava vendo. (no = naquilo)
Este(s), esta(s) e isto = empregados quando se quer
fazer referência a alguma coisa sobre a qual ainda se
Pronomes Indefinidos
falará:
Serão estes os conteúdos da prova: análise sintática,
São palavras que se referem à 3.ª pessoa do discurso,
ortografia, concordância.
dando-lhe sentido vago (impreciso) ou expressando
Esse(s), essa(s) e isso = utilizados quando se pretende quantidade indeterminada.
fazer referência a alguma coisa sobre a qual já se falou: Alguém entrou no jardim e destruiu as mudas recém-
Sua aprovação no concurso, isso é o que mais plantadas.
desejamos!
Não é difícil perceber que “alguém” indica uma pessoa
Este e aquele são empregados quando se quer fazer de quem se fala (uma terceira pessoa, portanto) de forma
referência a termos já mencionados; aquele se refere ao imprecisa, vaga. É uma palavra capaz de indicar um ser
termo referido em primeiro lugar e este para o referido humano que seguramente existe, mas cuja identidade é
por último: desconhecida ou não se quer revelar. Classificam-se em:

Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São A) Pronomes Indefinidos Substantivos: assumem o


Paulo; este está mais bem colocado que aquele. (= este lugar do ser ou da quantidade aproximada de seres
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) na frase. São eles: algo, alguém, fulano, sicrano,
ou beltrano, nada, ninguém, outrem, quem, tudo.
Algo o incomoda?
Domingo, no Pacaembu, jogarão Palmeiras e São Quem avisa amigo é.
Paulo; aquele está mais bem colocado que este. (= este
[São Paulo], aquele [Palmeiras]) B) Pronomes Indefinidos Adjetivos: qualificam um
ser expresso na frase, conferindo-lhe a noção de
Os pronomes demonstrativos podem ser variáveis ou quantidade aproximada. São eles: cada, certo(s),
invariáveis, observe: certa(s).
Variáveis: este(s), esta(s), esse(s), essa(s), aquele(s), Cada povo tem seus costumes.
Certas pessoas exercem várias profissões.
LÍNGUA PORTUGUESA

aquela(s).
Invariáveis: isto, isso, aquilo.
Note que:
Também aparecem como pronomes demonstrativos: Ora são pronomes indefinidos substantivos, ora
pronomes indefinidos adjetivos:
• o(s), a(s): quando estiverem antecedendo o “que” e algum, alguns, alguma(s), bastante(s) (= muito,
puderem ser substituídos por aquele(s), aquela(s), muitos), demais, mais, menos, muito(s), muita(s), nenhum,
aquilo. nenhuns, nenhuma(s), outro(s), outra(s), pouco(s), pouca(s),

32
qualquer, quaisquer, qual, que, quanto(s), quanta(s), tal, Note que:
tais, tanto(s), tanta(s), todo(s), toda(s), um, uns, uma(s), O pronome “que” é o relativo de mais largo emprego,
vários, várias. sendo por isso chamado relativo universal. Pode ser
Menos palavras e mais ações. substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, quando
Alguns se contentam pouco. seu antecedente for um substantivo.
O trabalho que eu fiz refere-se à corrupção. (= o qual)
Os pronomes indefinidos podem ser divididos em A cantora que acabou de se apresentar é péssima. (=
variáveis e invariáveis. Observe: a qual)
• Variáveis = algum, nenhum, todo, muito, pouco, Os trabalhos que eu fiz referem-se à corrupção. (= os
vário, tanto, outro, quanto, alguma, nenhuma, toda, quais)
muita, pouca, vária, tanta, outra, quanta, qualquer, As cantoras que se apresentaram eram péssimas. (=
quaisquer*, alguns, nenhuns, todos, muitos, poucos, as quais)
vários, tantos, outros, quantos, algumas, nenhumas,
todas, muitas, poucas, várias, tantas, outras, quantas.
O qual, os quais, a qual e as quais são exclusivamente
• Invariáveis = alguém, ninguém, outrem, tudo, nada,
pronomes relativos, por isso são utilizados didaticamente
algo, cada.
para verificar se palavras como “que”, “quem”, “onde”
*Qualquer é composto de qual + quer (do verbo (que podem ter várias classificações) são pronomes
querer), por isso seu plural é quaisquer (única palavra relativos. Todos eles são usados com referência à
cujo plural é feito em seu interior). pessoa ou coisa por motivo de clareza ou depois de
determinadas preposições: Regressando de São Paulo,
Todo e toda no singular e junto de artigo significa visitei o sítio de minha tia, o qual me deixou encantado.
inteiro; sem artigo, equivale a qualquer ou a todas as: O uso de “que”, neste caso, geraria ambiguidade. Veja:
Toda a cidade está enfeitada. (= a cidade inteira) Regressando de São Paulo, visitei o sítio de minha tia, que
Toda cidade está enfeitada. (= todas as cidades) me deixou encantado (quem me deixou encantado: o
Trabalho todo o dia. (= o dia inteiro) sítio ou minha tia?).
Trabalho todo dia. (= todos os dias) Essas são as conclusões sobre as quais pairam muitas
dúvidas? (com preposições de duas ou mais sílabas
São locuções pronominais indefinidas: cada qual, utiliza-se o qual / a qual)
cada um, qualquer um, quantos quer (que), quem quer O relativo “que” às vezes equivale a o que, coisa que,
(que), seja quem for, seja qual for, todo aquele (que), tal e se refere a uma oração: Não chegou a ser padre, mas
qual (= certo), tal e qual, tal ou qual, um ou outro, uma deixou de ser poeta, que era a sua vocação natural.
ou outra, etc. O pronome “cujo”: exprime posse; não concorda
Cada um escolheu o vinho desejado. com o seu antecedente (o ser possuidor), mas com o
consequente (o ser possuído, com o qual concorda
Pronomes Relativos em gênero e número); não se usa artigo depois deste
São aqueles que representam nomes já mencionados pronome; “cujo” equivale a do qual, da qual, dos quais,
anteriormente e com os quais se relacionam. Introduzem das quais.
as orações subordinadas adjetivas.
O racismo é um sistema que afirma a superioridade de Existem pessoas cujas ações são nobres.
um grupo racial sobre outros. (antecedente) (consequente)
(afirma a superioridade de um grupo racial sobre
outros = oração subordinada adjetiva).
Se o verbo exigir preposição, esta virá antes do
pronome: O autor, a cujo livro você se referiu, está aqui!
O pronome relativo “que” refere-se à palavra “sistema”
(referiu-se a)
e introduz uma oração subordinada. Diz-se que a palavra
“sistema” é antecedente do pronome relativo que.
O antecedente do pronome relativo pode ser o “Quanto” é pronome relativo quando tem por
pronome demonstrativo o, a, os, as. antecedente um pronome indefinido: tanto (ou variações)
Não sei o que você está querendo dizer. e tudo:
Às vezes, o antecedente do pronome relativo não vem
expresso. Emprestei tantos quantos foram necessários.
Quem casa, quer casa. (antecedente)

Ele fez tudo quanto havia falado.


LÍNGUA PORTUGUESA

Observe:
Pronomes relativos variáveis = o qual, cujo, quanto, os (antecedente)
quais, cujos, quantos, a qual, cuja, quanta, as quais, cujas,
quantas. O pronome “quem” se refere a pessoas e vem sempre
Pronomes relativos invariáveis = quem, que, onde. precedido de preposição.
É um professor a quem muito devemos.
(preposição)

33
“Onde”, como pronome relativo, sempre possui que eu estava fazendo.
antecedente e só pode ser utilizado na indicação de B) Pronome oblíquo tônico: Joana perguntou para
lugar: A casa onde morava foi assaltada. mim o que eu estava fazendo.

Na indicação de tempo, deve-se empregar quando REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ou em que: Sinto saudades da época em que (quando) SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
morávamos no exterior. Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Podem ser utilizadas como pronomes relativos as Cochar - Português linguagens: volume 2 – 7.ª ed. Reform.
palavras: – São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
• como (= pelo qual) – desde que precedida das literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
palavras modo, maneira ou forma: CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura,
Não me parece correto o modo como você agiu semana Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira
passada. Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição –
São Paulo: Saraiva, 2002.
• quando (= em que) – desde que tenha como
antecedente um nome que dê ideia de tempo: SITE
Bons eram os tempos quando podíamos jogar Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
videogame. secoes/morf/morf42.php>

Os pronomes relativos permitem reunir duas orações Colocação Pronominal


numa só frase.
O futebol é um esporte. / O povo gosta muito deste Colocação Pronominal trata da correta colocação dos
esporte. pronomes oblíquos átonos na frase.
= O futebol é um esporte de que o povo gosta muito.

Numa série de orações adjetivas coordenadas, pode #FicaDica


ocorrer a elipse do relativo “que”: A sala estava cheia de
gente que conversava, (que) ria, observava. Pronome Oblíquo é aquele que exerce a
função de complemento verbal (objeto). Por
Pronomes Interrogativos isso, memorize:
São usados na formulação de perguntas, sejam OBlíquo = OBjeto!
elas diretas ou indiretas. Assim como os pronomes
indefinidos, referem-se à 3.ª pessoa do discurso de modo
impreciso. São pronomes interrogativos: que, quem, qual Embora na linguagem falada a colocação dos
(e variações), quanto (e variações). pronomes não seja rigorosamente seguida, algumas
Com quem andas? normas devem ser observadas na linguagem escrita.
Qual seu nome?
Diz-me com quem andas, que te direi quem és. Próclise = É a colocação pronominal antes do verbo.
A próclise é usada:
O pronome pessoal é do caso reto quando tem
função de sujeito na frase. O pronome pessoal é do caso • Quando o verbo estiver precedido de palavras que
oblíquo quando desempenha função de complemento. atraem o pronome para antes do verbo. São elas:
1. Eu não sei essa matéria, mas ele irá me ajudar. A) Palavras de sentido negativo: não, nunca, ninguém,
2. Maria foi embora para casa, pois não sabia se devia jamais, etc.: Não se desespere!
lhe ajudar. B) Advérbios: Agora se negam a depor.
C) Conjunções subordinativas: Espero que me expli-
Na primeira oração os pronomes pessoais “eu” e “ele” quem tudo!
exercem função de sujeito, logo, são pertencentes ao D) Pronomes relativos: Venceu o concurseiro que se
caso reto. Já na segunda oração, o pronome “lhe” exerce esforçou.
função de complemento (objeto), ou seja, caso oblíquo. E) Pronomes indefinidos: Poucos te deram a oportu-
Os pronomes pessoais indicam as pessoas do discurso. nidade.
O pronome oblíquo “lhe”, da segunda oração, aponta F) Pronomes demonstrativos: Isso me magoa muito.
LÍNGUA PORTUGUESA

para a segunda pessoa do singular (tu/você): Maria não


sabia se devia ajudar... Ajudar quem? Você (lhe). • Orações iniciadas por palavras interrogativas: Quem
lhe disse isso?
Os pronomes pessoais oblíquos podem ser átonos ou • Orações iniciadas por palavras exclamativas: Quanto
tônicos: os primeiros não são precedidos de preposição, se ofendem!
diferentemente dos segundos, que são sempre • Orações que exprimem desejo (orações optativas):
precedidos de preposição. Que Deus o ajude.
A) Pronome oblíquo átono: Joana me perguntou o

34
• A próclise é obrigatória quando se utiliza o prono- Chame-o agora.
me reto ou sujeito expresso: Eu lhe entregarei o Deixei-a mais tranquila.
material amanhã. / Tu sabes cantar?
• Em verbos terminados em r, s ou z, estas consoantes
Mesóclise = É a colocação pronominal no meio do finais alteram-se para lo, la, los, las. Exemplos:
verbo. A mesóclise é usada: (Encontrar) Encontrá-lo é o meu maior sonho.
(Fiz) Fi-lo porque não tinha alternativa.
Quando o verbo estiver no futuro do presente ou • Em verbos terminados em ditongos nasais (am, em,
futuro do pretérito, contanto que esses verbos não ão, õe), os pronomes o, a, os, as alteram-se para
estejam precedidos de palavras que exijam a próclise. no, na, nos, nas.
Exemplos: Realizar-se-á, na próxima semana, um grande Chamem-no agora.
evento em prol da paz no mundo. Põe-na sobre a mesa.
Repare que o pronome está “no meio” do verbo
“realizará”: realizar – SE – á. Se houvesse na oração
alguma palavra que justificasse o uso da próclise, esta #FicaDica
prevaleceria. Veja: Não se realizará...
Não fossem os meus compromissos, acompanhar-te-ia Próclise – pró lembra pré; pré é prefixo que
nessa viagem. significa “antes”! Pronome antes do verbo!
(com presença de palavra que justifique o uso de Ênclise – “en” lembra, pelo “som”, /Ənd/
próclise: Não fossem os meus compromissos, EU te (end, em Inglês – que significa “fim, final!).
acompanharia nessa viagem). Pronome depois do verbo!
Mesóclise – pronome oblíquo no Meio do
Ênclise = É a colocação pronominal depois do verbo. verbo
A ênclise é usada quando a próclise e a mesóclise não
forem possíveis:
• Quando o verbo estiver no imperativo afirmativo: REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Quando eu avisar, silenciem-se todos. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
• Quando o verbo estiver no infinitivo impessoal: Não Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
era minha intenção machucá-la. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
• Quando o verbo iniciar a oração. (até porque não se Cochar - Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
inicia período com pronome oblíquo). – São Paulo: Saraiva, 2010.
Vou-me embora agora mesmo.
Levanto-me às 6h. SITE
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/
• Quando houver pausa antes do verbo: Se eu passo gramatica/colocacao-pronominal-.html>
no concurso, mudo-me hoje mesmo!
• Quando o verbo estiver no gerúndio: Recusou a pro- 9. SUBSTANTIVO
posta fazendo-se de desentendida.
Substantivo é a classe gramatical de palavras
Colocação pronominal nas locuções verbais variáveis, as quais denominam todos os seres que existem,
sejam reais ou imaginários. Além de objetos, pessoas e
• Após verbo no particípio = pronome depois do fenômenos, os substantivos também nomeiam:
verbo auxiliar (e não depois do particípio): • lugares: Alemanha, Portugal
Tenho me deliciado com a leitura! • sentimentos: amor, saudade
Eu tenho me deliciado com a leitura! • estados: alegria, tristeza
Eu me tenho deliciado com a leitura! • qualidades: honestidade, sinceridade
• ações: corrida, pescaria
• Não convém usar hífen nos tempos compostos e
nas locuções verbais: Morfossintaxe do substantivo
Vamos nos unir!
Iremos nos manifestar. Nas orações, geralmente o substantivo exerce funções
diretamente relacionadas com o verbo: atua como núcleo
• Quando há um fator para próclise nos tempos do sujeito, dos complementos verbais (objeto direto
compostos ou locuções verbais: opção pelo uso ou indireto) e do agente da passiva, podendo, ainda,
LÍNGUA PORTUGUESA

do pronome oblíquo “solto” entre os verbos = funcionar como núcleo do complemento nominal ou do
Não vamos nos preocupar (e não: “não nos vamos aposto, como núcleo do predicativo do sujeito, do objeto
preocupar”). ou como núcleo do vocativo. Também encontramos
substantivos como núcleos de adjuntos adnominais
Emprego de o, a, os, as e de adjuntos adverbiais - quando essas funções são
desempenhadas por grupos de palavras.
• Em verbos terminados em vogal ou ditongo oral, os
pronomes: o, a, os, as não se alteram.

35
Classificação dos Substantivos se duas palavras no plural. No terceiro, empregou-se
um substantivo no singular (enxame) para designar um
A) Substantivos Comuns e Próprios conjunto de seres da mesma espécie (abelhas).
O substantivo enxame é um substantivo coletivo.
Observe a definição: Substantivo Coletivo: é o substantivo comum que,
mesmo estando no singular, designa um conjunto de
Cidade: s.f. 1. Povoação maior que vila, com muitas seres da mesma espécie.
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas (no Brasil,
toda a sede de município é cidade). 2. O centro de uma Substantivo coletivo Conjunto de:
cidade (em oposição aos bairros).
assembleia pessoas reunidas
Qualquer “povoação maior que vila, com muitas alcateia lobos
casas e edifícios, dispostos em ruas e avenidas” será
acervo livros
chamada cidade. Isso significa que a palavra cidade é um
substantivo comum. trechos literários
antologia
selecionados
Substantivo Comum é aquele que designa os seres de arquipélago ilhas
uma mesma espécie de forma genérica: cidade, menino,
banda músicos
homem, mulher, país, cachorro.
Estamos voando para Barcelona. desordeiros ou
bando
malfeitores
O substantivo Barcelona designa apenas um ser da banca examinadores
espécie cidade. Barcelona é um substantivo próprio –
aquele que designa os seres de uma mesma espécie de batalhão soldados
forma particular: Londres, Paulinho, Pedro, Tietê, Brasil. cardume peixes
caravana viajantes peregrinos
B) Substantivos Concretos e Abstratos
B.1 Substantivo Concreto: é aquele que designa cacho frutas
o ser que existe, independentemente de outros cancioneiro canções, poesias líricas
seres. colmeia abelhas
Observação: concílio bispos
Os substantivos concretos designam seres do mundo congresso parlamentares, cientistas
real e do mundo imaginário. atores de uma peça ou
Seres do mundo real: homem, mulher, cadeira, cobra, elenco
filme
Brasília.
Seres do mundo imaginário: saci, mãe-d’água, esquadra navios de guerra
fantasma. enxoval roupas
falange soldados, anjos
B.2 Substantivo Abstrato: é aquele que designa seres
que dependem de outros para se manifestarem ou fauna animais de uma região
existirem. Por exemplo: a beleza não existe por si feixe lenha, capim
só, não pode ser observada. Só podemos observar
flora vegetais de uma região
a beleza numa pessoa ou coisa que seja bela. A
beleza depende de outro ser para se manifestar. frota navios mercantes, ônibus
Portanto, a palavra beleza é um substantivo girândola fogos de artifício
abstrato.
Os substantivos abstratos designam estados, horda bandidos, invasores
qualidades, ações e sentimentos dos seres, dos quais médicos, bois, credores,
junta
podem ser abstraídos, e sem os quais não podem existir: examinadores
vida (estado), rapidez (qualidade), viagem (ação), saudade júri jurados
(sentimento).
legião soldados, anjos, demônios
• Substantivos Coletivos leva presos, recrutas
Ele vinha pela estrada e foi picado por uma abelha,
LÍNGUA PORTUGUESA

malfeitores ou
outra abelha, mais outra abelha. malta
desordeiros
Ele vinha pela estrada e foi picado por várias abelhas.
Ele vinha pela estrada e foi picado por um enxame. manada búfalos, bois, elefantes,
matilha cães de raça
Note que, no primeiro caso, para indicar plural, foi
molho chaves, verduras
necessário repetir o substantivo: uma abelha, outra
abelha, mais outra abelha. No segundo caso, utilizaram- multidão pessoas em geral

36
insetos (gafanhotos, Na língua portuguesa, há dois gêneros: masculino e
nuvem feminino. Pertencem ao gênero masculino os substantivos
mosquitos, etc.)
que podem vir precedidos dos artigos o, os, um, uns. Veja
penca bananas, chaves estes títulos de filmes:
pinacoteca pinturas, quadros O velho e o mar
Um Natal inesquecível
quadrilha ladrões, bandidos
Os reis da praia
ramalhete flores
rebanho ovelhas Pertencem ao gênero feminino os substantivos que
podem vir precedidos dos artigos a, as, uma, umas:
peças teatrais, obras A história sem fim
repertório
musicais Uma cidade sem passado
réstia alhos ou cebolas As tartarugas ninjas
romanceiro poesias narrativas
Substantivos Biformes e Substantivos Uniformes
revoada pássaros
sínodo párocos 1. Substantivos Biformes (= duas formas): apresen-
tam uma forma para cada gênero: gato – gata, ho-
talha lenha mem – mulher, poeta – poetisa, prefeito - prefeita
tropa muares, soldados 2. Substantivos Uniformes: apresentam uma única
turma estudantes, trabalhadores forma, que serve tanto para o masculino quanto
para o feminino. Classificam-se em:
vara porcos
A) Epicenos: referentes a animais. A distinção de sexo
Formação dos Substantivos se faz mediante a utilização das palavras “macho”
e “fêmea”: a cobra macho e a cobra fêmea, o jacaré
A) Substantivos Simples e Compostos macho e o jacaré fêmea.
Chuva - subst. Fem. 1 - água caindo em gotas sobre a B) Sobrecomuns: substantivos uniformes referentes
terra. a pessoas de ambos os sexos: a criança, a teste-
O substantivo chuva é formado por um único munha, a vítima, o cônjuge, o gênio, o ídolo, o in-
elemento ou radical. É um substantivo simples. divíduo.
C) Comuns de Dois ou Comum de Dois Gêneros:
A.1 Substantivo Simples: é aquele formado por um indicam o sexo das pessoas por meio do artigo: o
único elemento. colega e a colega, o doente e a doente, o artista e
Outros substantivos simples: tempo, sol, sofá, etc. Veja a artista.
agora: O substantivo guarda-chuva é formado por dois
elementos (guarda + chuva). Esse substantivo é composto.
Substantivos de origem grega terminados em ema
ou oma são masculinos: o fonema, o poema, o sistema, o
A.2 Substantivo Composto: é aquele formado por
sintoma, o teorema.
dois ou mais elementos. Outros exemplos: beija-
flor, passatempo.
• Existem certos substantivos que, variando de gênero,
B) Substantivos Primitivos e Derivados variam em seu significado:
B.1 Substantivo Primitivo: é aquele que não deriva o águia (vigarista) e a águia (ave; perspicaz); o cabeça
de nenhuma outra palavra da própria língua (líder) e a cabeça (parte do corpo); o capital (dinheiro)
portuguesa. O substantivo limoeiro, por exemplo, é e a capital (cidade); o coma (sono mórbido) e a coma
derivado, pois se originou a partir da palavra limão. (cabeleira, juba); o lente (professor) e a lente (vidro de
B.2 Substantivo Derivado: é aquele que se origina aumento); o moral (estado de espírito) e a moral (ética;
de outra palavra. conclusão); o praça (soldado raso) e a praça (área pública);
o rádio (aparelho receptor) e a rádio (estação emissora).
Flexão dos substantivos
Formação do Feminino dos Substantivos Biformes
O substantivo é uma classe variável. A palavra é
variável quando sofre flexão (variação). A palavra menino, Regra geral: troca-se a terminação -o por –a: aluno
por exemplo, pode sofrer variações para indicar: - aluna.
Plural: meninos / Feminino: menina / Aumentativo: • Substantivos terminados em -ês: acrescenta-se -a
LÍNGUA PORTUGUESA

meninão / Diminutivo: menininho ao masculino: freguês - freguesa


• Substantivos terminados em -ão: fazem o feminino
A) Flexão de Gênero de três formas:
Gênero é um princípio puramente linguístico, não 1. troca-se -ão por -oa. = patrão – patroa
devendo ser confundido com “sexo”. O gênero diz 2. troca-se -ão por -ã. = campeão - campeã
respeito a todos os substantivos de nossa língua, quer se 3. troca-se -ão por ona. = solteirão - solteirona
refiram a seres animais providos de sexo, quer designem Exceções: barão – baronesa, ladrão - ladra, sultão -
apenas “coisas”: o gato/a gata; o banco, a casa. sultana

37
• Substantivos terminados em -or: A palavra personagem é usada indistintamente
acrescenta-se -a ao masculino = doutor – doutora nos dois gêneros. Entre os escritores modernos nota-
troca-se -or por -triz: = imperador – imperatriz se acentuada preferência pelo masculino: O menino
descobriu nas nuvens os personagens dos contos de
• Substantivos com feminino em -esa, -essa, -isa: carochinha.
cônsul - consulesa / abade - abadessa / poeta Com referência à mulher, deve-se preferir o feminino:
- poetisa / duque - duquesa / conde - condessa / O problema está nas mulheres de mais idade, que não
profeta - profetisa aceitam a personagem.
• Substantivos que formam o feminino trocando o -e
final por -a: elefante - elefanta Diz-se: o (ou a) manequim Marcela, o (ou a) modelo
• Substantivos que têm radicais diferentes no fotográfico Ana Belmonte.
masculino e no feminino: bode – cabra / boi - vaca
• Substantivos que formam o feminino de maneira Masculinos: o tapa, o eclipse, o lança-perfume, o dó
especial, isto é, não seguem nenhuma das regras (pena), o sanduíche, o clarinete, o champanha, o sósia, o
anteriores: czar – czarina, réu - ré maracajá, o clã, o herpes, o pijama, o suéter, o soprano, o
proclama, o pernoite, o púbis.
Formação do Feminino dos Substantivos
Uniformes Femininos: a dinamite, a derme, a hélice, a omoplata,
a cataplasma, a pane, a mascote, a gênese, a entorse, a
Epicenos: libido, a cal, a faringe, a cólera (doença), a ubá (canoa).
Novo jacaré escapa de policiais no rio Pinheiros.
São geralmente masculinos os substantivos de origem
Não é possível saber o sexo do jacaré em questão. grega terminados em -ma: o grama (peso), o quilograma,
Isso ocorre porque o substantivo jacaré tem apenas uma o plasma, o apostema, o diagrama, o epigrama, o
telefonema, o estratagema, o dilema, o teorema, o trema,
forma para indicar o masculino e o feminino.
o eczema, o edema, o magma, o estigma, o axioma, o
Alguns nomes de animais apresentam uma só forma
tracoma, o hematoma.
para designar os dois sexos. Esses substantivos são
Exceções: a cataplasma, a celeuma, a fleuma, etc.
chamados de epicenos. No caso dos epicenos, quando
houver a necessidade de especificar o sexo, utilizam-se
Gênero dos Nomes de Cidades - Com raras exceções,
palavras macho e fêmea.
nomes de cidades são femininos: A histórica Ouro Preto. /
A cobra macho picou o marinheiro.
A dinâmica São Paulo. / A acolhedora Porto Alegre. / Uma
A cobra fêmea escondeu-se na bananeira.
Londres imensa e triste.
Exceções: o Rio de Janeiro, o Cairo, o Porto, o Havre.
Sobrecomuns:
Entregue as crianças à natureza. Gênero e Significação
A palavra crianças se refere tanto a seres do sexo Muitos substantivos têm uma significação no
masculino, quanto a seres do sexo feminino. Nesse masculino e outra no feminino. Observe:
caso, nem o artigo nem um possível adjetivo permitem o baliza (soldado que, que à frente da tropa, indica os
identificar o sexo dos seres a que se refere a palavra. Veja: movimentos que se deve realizar em conjunto; o que vai à
A criança chorona chamava-se João. frente de um bloco carnavalesco, manejando um bastão),
A criança chorona chamava-se Maria. a baliza (marco, estaca; sinal que marca um limite ou
proibição de trânsito), o cabeça (chefe), a cabeça (parte do
Outros substantivos sobrecomuns: corpo), o cisma (separação religiosa, dissidência), a cisma
a criatura = João é uma boa criatura. Maria é uma (ato de cismar, desconfiança), o cinza (a cor cinzenta),
boa criatura. a cinza (resíduos de combustão), o capital (dinheiro),
o cônjuge = O cônjuge de João faleceu. O cônjuge de a capital (cidade), o coma (perda dos sentidos), a coma
Marcela faleceu (cabeleira), o coral (pólipo, a cor vermelha, canto em coro),
a coral (cobra venenosa), o crisma (óleo sagrado, usado
Comuns de Dois Gêneros: na administração da crisma e de outros sacramentos),
Motorista tem acidente idêntico 23 anos depois. a crisma (sacramento da confirmação), o cura (pároco),
a cura (ato de curar), o estepe (pneu sobressalente), a
Quem sofreu o acidente: um homem ou uma mulher? estepe (vasta planície de vegetação), o guia (pessoa que
É impossível saber apenas pelo título da notícia, uma guia outras), a guia (documento, pena grande das asas
LÍNGUA PORTUGUESA

vez que a palavra motorista é um substantivo uniforme. das aves), o grama (unidade de peso), a grama (relva),
A distinção de gênero pode ser feita através da o caixa (funcionário da caixa), a caixa (recipiente, setor
análise do artigo ou adjetivo, quando acompanharem o de pagamentos), o lente (professor), a lente (vidro de
substantivo: o colega - a colega; o imigrante - a imigrante; aumento), o moral (ânimo), a moral (honestidade, bons
um jovem - uma jovem; artista famoso - artista famosa; costumes, ética), o nascente (lado onde nasce o Sol), a
repórter francês - repórter francesa nascente (a fonte), o maria-fumaça (trem como locomotiva
a vapor), maria-fumaça (locomotiva movida a vapor), o

38
pala (poncho), a pala (parte anterior do boné ou quepe, Plural dos Substantivos Compostos
anteparo), o rádio (aparelho receptor), a rádio (emissora),
o voga (remador), a voga (moda). A formação do plural dos substantivos compostos
depende da forma como são grafados, do tipo de
B) Flexão de Número do Substantivo palavras que formam o composto e da relação que
Em português, há dois números gramaticais: o estabelecem entre si. Aqueles que são grafados sem
singular, que indica um ser ou um grupo de seres, e o hífen comportam-se como os substantivos simples:
plural, que indica mais de um ser ou grupo de seres. A aguardente/aguardentes, girassol/girassóis, pontapé/
característica do plural é o “s” final. pontapés, malmequer/malmequeres.
O plural dos substantivos compostos cujos elementos
Plural dos Substantivos Simples são ligados por hífen costuma provocar muitas dúvidas
e discussões. Algumas orientações são dadas a seguir:
Os substantivos terminados em vogal, ditongo oral e
“n” fazem o plural pelo acréscimo de “s”: pai – pais; ímã – A) Flexionam-se os dois elementos, quando
ímãs; hífen - hifens (sem acento, no plural). formados de:
Exceção: cânon - cânones. substantivo + substantivo = couve-flor e couves-flores
substantivo + adjetivo = amor-perfeito e amores-
Os substantivos terminados em “m” fazem o plural perfeitos
em “ns”: homem - homens. adjetivo + substantivo = gentil-homem e gentis-
Os substantivos terminados em “r” e “z” fazem o plural homens
pelo acréscimo de “es”: revólver – revólveres; raiz - raízes. numeral + substantivo = quinta-feira e quintas-feiras

Atenção: B) Flexiona-se somente o segundo elemento,


O plural de caráter é caracteres. quando formados de:
verbo + substantivo = guarda-roupa e guarda-roupas
Os substantivos terminados em al, el, ol, ul flexionam- palavra invariável + palavra variável = alto-falante e
se no plural, trocando o “l” por “is”: quintal - quintais; alto-falantes
caracol – caracóis; hotel - hotéis. Exceções: mal e males, palavras repetidas ou imitativas = reco-reco e reco-
cônsul e cônsules. recos
Os substantivos terminados em “il” fazem o plural de
duas maneiras: C) Flexiona-se somente o primeiro elemento,
1. Quando oxítonos, em “is”: canil - canis quando formados de:
2. Quando paroxítonos, em “eis”: míssil - mísseis. substantivo + preposição clara + substantivo = água-
de-colônia e águas-de-colônia
Observação: substantivo + preposição oculta + substantivo =
A palavra réptil pode formar seu plural de duas cavalo-vapor e cavalos-vapor
maneiras: répteis ou reptis (pouco usada). substantivo + substantivo que funciona como
determinante do primeiro, ou seja, especifica a função ou
Os substantivos terminados em “s” fazem o plural de o tipo do termo anterior: palavra-chave - palavras-chave,
duas maneiras: bomba-relógio - bombas-relógio, homem-rã - homens-rã,
1. Quando monossilábicos ou oxítonos, mediante o peixe-espada - peixes-espada.
acréscimo de “es”: ás – ases / retrós - retroses
2. Quando paroxítonos ou proparoxítonos, ficam D) Permanecem invariáveis, quando formados de:
invariáveis: o lápis - os lápis / o ônibus - os ônibus. verbo + advérbio = o bota-fora e os bota-fora
verbo + substantivo no plural = o saca-rolhas e os
Os substantivos terminados em “ão” fazem o plural saca-rolhas
de três maneiras.
1. substituindo o -ão por -ões: ação - ações Casos Especiais
2. substituindo o -ão por -ães: cão - cães
3. substituindo o -ão por -ãos: grão - grãos o louva-a-deus e os louva-a-deus
Observação: o bem-te-vi e os bem-te-vis
Muitos substantivos terminados em “ão” apresentam o bem-me-quer e os bem-me-queres
dois – e até três – plurais:
o joão-ninguém e os joões-ninguém.
aldeão – aldeões/aldeães/aldeãos ancião –
LÍNGUA PORTUGUESA

anciões/anciães/anciãos
charlatão – charlatões/charlatães corrimão – Plural das Palavras Substantivadas
corrimãos/corrimões
guardião – guardiões/guardiães vilão – vilãos/ As palavras substantivadas, isto é, palavras de outras
vilões/vilães classes gramaticais usadas como substantivo, apresentam,
no plural, as flexões próprias dos substantivos.
Pese bem os prós e os contras.
Os substantivos terminados em “x” ficam invariáveis:
O aluno errou na prova dos noves.
o látex - os látex.
Ouça com a mesma serenidade os sins e os nãos.

39
Observação: Singular Plural
Numerais substantivados terminados em “s” ou “z”
não variam no plural: Nas provas mensais consegui muitos Corpo (ô) Corpos (ó)
seis e alguns dez. Esforço Esforços
Fogo Fogos
Plural dos Diminutivos
Forno Fornos
Flexiona-se o substantivo no plural, retira-se o “s” Fosso Fossos
final e acrescenta-se o sufixo diminutivo.
Imposto Impostos
Olho Olhos
pãe(s) + zinhos = pãezinhos
Osso (ô) Ossos (ó)
animai(s) + zinhos = animaizinhos
Ovo Ovos
botõe(s) + zinhos = botõezinhos
Poço Poços
chapéu(s) + zinhos = chapeuzinhos
Porto Portos
farói(s) + zinhos = faroizinhos
Posto Postos
tren(s) + zinhos = trenzinhos
Tijolo Tijolos
colhere(s) + zinhas = colherezinhas
flore(s) + zinhas = florezinhas Têm a vogal tônica fechada (ô): adornos, almoços, bolsos,
mão(s) + zinhas = mãozinhas esposos, estojos, globos, gostos, polvos, rolos, soros, etc.
papéi(s) + zinhos = papeizinhos
Observação:
nuven(s) + zinhas = nuvenzinhas Distinga-se molho (ô) = caldo (molho de carne), de
funi(s) + zinhos = funizinhos molho (ó) = feixe (molho de lenha).
túnei(s) + zinhos = tuneizinhos Há substantivos que só se usam no singular: o sul, o
pai(s) + zinhos = paizinhos norte, o leste, o oeste, a fé, etc.
pé(s) + zinhos = pezinhos Outros só no plural: as núpcias, os víveres, os pêsames,
as espadas/os paus (naipes de baralho), as fezes.
pé(s) + zitos = pezitos Outros, enfim, têm, no plural, sentido diferente do
singular: bem (virtude) e bens (riquezas), honra (probidade,
Plural dos Nomes Próprios Personativos bom nome) e honras (homenagem, títulos).
Usamos, às vezes, os substantivos no singular, mas
Devem-se pluralizar os nomes próprios de pessoas com sentido de plural: Aqui morreu muito negro.
sempre que a terminação preste-se à flexão. Celebraram o sacrifício divino muitas vezes em capelas
Os Napoleões também são derrotados. improvisadas.
As Raquéis e Esteres.
C) Flexão de Grau do Substantivo
Plural dos Substantivos Estrangeiros Grau é a propriedade que as palavras têm de exprimir
as variações de tamanho dos seres.
Substantivos ainda não aportuguesados devem ser
escritos como na língua original, acrescentando-se “s” Classifica-se em:
(exceto quando terminam em “s” ou “z”): os shows, os 1. Grau Normal - Indica um ser de tamanho conside-
shorts, os jazz. rado normal. Por exemplo: casa
Substantivos já aportuguesados flexionam-se de 2. Grau Aumentativo - Indica o aumento do tama-
acordo com as regras de nossa língua: os clubes, os nho do ser. Classifica-se em:
chopes, os jipes, os esportes, as toaletes, os bibelôs, os Analítico = o substantivo é acompanhado de um
garçons, os réquiens. adjetivo que indica grandeza. Por exemplo: casa grande.
Observe o exemplo: Este jogador faz gols toda vez que Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
joga. indicador de aumento. Por exemplo: casarão.
O plural correto seria gois (ô), mas não se usa.
3. Grau Diminutivo - Indica a diminuição do tamanho
Plural com Mudança de Timbre
LÍNGUA PORTUGUESA

do ser. Pode ser:


Analítico = substantivo acompanhado de um adjetivo
Certos substantivos formam o plural com mudança que indica pequenez. Por exemplo: casa pequena.
de timbre da vogal tônica (o fechado / o aberto). É um Sintético = é acrescido ao substantivo um sufixo
fato fonético chamado metafonia (plural metafônico). indicador de diminuição. Por exemplo: casinha.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Formas Rizotônicas e Arrizotônicas
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Ao combinarmos os conhecimentos sobre a estrutura
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza dos verbos com o conceito de acentuação tônica,
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform. percebemos com facilidade que nas formas rizotônicas o
– São Paulo: Saraiva, 2010. acento tônico cai no radical do verbo: opino, aprendam,
CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, amo, por exemplo. Nas formas arrizotônicas, o acento
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira tônico não cai no radical, mas sim na terminação verbal
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – (fora do radical): opinei, aprenderão, amaríamos.
São Paulo: Saraiva, 2002.
Classificação dos Verbos
SITE
Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ Classificam-se em:
secoes/morf/morf12.php>
A) Regulares: são aqueles que apresentam o radical
10. VERBO inalterado durante a conjugação e desinências
idênticas às de todos os verbos regulares da
Verbo é a palavra que se flexiona em pessoa, número, mesma conjugação. Por exemplo: comparemos os
tempo e modo. A estes tipos de flexão verbal dá-se o verbos “cantar” e “falar”, conjugados no presente
nome de conjugação (por isso também se diz que verbo do Modo Indicativo:
é a palavra que pode ser conjugada). Pode indicar, entre
outros processos: ação (amarrar), estado (sou), fenômeno Canto Falo
(choverá); ocorrência (nascer); desejo (querer).
Cantas Falas
Estrutura das Formas Verbais Canta Falas
Cantamos Falamos
Do ponto de vista estrutural, o verbo pode apresentar
os seguintes elementos: Cantais Falais

A) Radical: é a parte invariável, que expressa o


significado essencial do verbo. Por exemplo: fal-ei; #FicaDica
fal-ava; fal-am. (radical fal-)
Observe que, retirando os radicais, as
desinências modo-temporal e número-
B) Tema: é o radical seguido da vogal temática que
pessoal mantiveram-se idênticas. Tente fazer
indica a conjugação a que pertence o verbo. Por
com outro verbo e perceberá que se repetirá
exemplo: fala-r. São três as conjugações:
o fato (desde que o verbo seja da primeira
1.ª - Vogal Temática - A - (falar), 2.ª - Vogal Temática
conjugação e regular!). Faça com o verbo
- E - (vender), 3.ª - Vogal Temática - I - (partir).
“andar”, por exemplo. Substitua o radical
“cant” e coloque o “and” (radical do verbo
C) Desinência modo-temporal: é o elemento que
andar). Viu? Fácil!
designa o tempo e o modo do verbo. Por exemplo:
falávamos ( indica o pretérito imperfeito do indicativo)
/ falasse ( indica o pretérito imperfeito do subjuntivo)
B) Irregulares: são aqueles cuja flexão provoca
D) Desinência número-pessoal: é o elemento que alterações no radical ou nas desinências: faço, fiz,
designa a pessoa do discurso (1.ª, 2.ª ou 3.ª) e o farei, fizesse.
número (singular ou plural):
falamos (indica a 1.ª pessoa do plural.) / falavam Observação:
(indica a 3.ª pessoa do plural.) Alguns verbos sofrem alteração no radical apenas
para que seja mantida a sonoridade. É o caso de: corrigir/
corrijo, fingir/finjo, tocar/toquei, por exemplo. Tais
FIQUE ATENTO! alterações não caracterizam irregularidade, porque o
O verbo pôr, assim como seus derivados fonema permanece inalterado.
(compor, repor, depor), pertencem à 2.ª
conjugação, pois a forma arcaica do verbo C) Defectivos: são aqueles que não apresentam con-
LÍNGUA PORTUGUESA

pôr era poer. A vogal “e”, apesar de haver jugação completa. Os principais são adequar, pre-
desaparecido do infinitivo, revela-se em caver, computar, reaver, abolir, falir.
algumas formas do verbo: põe, pões, D) Impessoais: são os verbos que não têm sujeito
põem, etc. e, normalmente, são usados na terceira pessoa do
singular. Os principais verbos impessoais são:

41
1. Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
realizar-se ou fazer (em orações temporais). É preciso que chova. (Sujeito: que chova)
Havia muitos candidatos no dia da prova. (Havia =
Existiam) • Fazer e ir, em orações que dão ideia de tempo,
Houve duas guerras mundiais. (Houve = Aconteceram) seguidos da conjunção que.
Haverá debates hoje. (Haverá = Realizar-se-ão) Faz dez anos que viajei à Europa. (Sujeito: que viajei
Viajei a Madri há muitos anos. (há = faz) à Europa)
Vai para (ou Vai em ou Vai por) dez anos que não a
2. Fazer, ser e estar (quando indicam tempo) vejo. (Sujeito: que não a vejo)
Faz invernos rigorosos na Europa.
Era primavera quando o conheci. F) Abundantes: são aqueles que possuem duas ou
Estava frio naquele dia. mais formas equivalentes, geralmente no particípio,
em que, além das formas regulares terminadas em
3. Todos os verbos que indicam fenômenos da -ado ou -ido, surgem as chamadas formas curtas
natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, (particípio irregular).
trovejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, O particípio regular (terminado em “–do”) é utilizado
se constrói, “Amanheci cansado”, usa-se o verbo na voz ativa, ou seja, com os verbos ter e haver; o irregular
“amanhecer” em sentido figurado. Qualquer verbo é empregado na voz passiva, ou seja, com os verbos ser,
impessoal, empregado em sentido figurado, deixa ficar e estar. Observe:
de ser impessoal para ser pessoal, ou seja, terá
conjugação completa.
Amanheci cansado. (Sujeito desinencial: eu) Particípio Particípio
Infinitivo
Choveram candidatos ao cargo. (Sujeito: candidatos) Regular Irregular
Fiz quinze anos ontem. (Sujeito desinencial: eu) Aceitar Aceitado Aceito
Acender Acendido Aceso
4. O verbo passar (seguido de preposição), indicando
tempo: Já passa das seis. Anexar Anexado Anexo
Benzer Benzido Bento
5. Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição
“de”, indicando suficiência: Corrigir Corrigido Correto
Basta de tolices. Dispersar Dispersado Disperso
Chega de promessas.
Eleger Elegido Eleito
6. Os verbos estar e ficar em orações como “Está bem, Envolver Envolvido Envolto
Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal”, sem Imprimir Imprimido Impresso
referência a sujeito expresso anteriormente (por
exemplo: “ele está mal”). Podemos, nesse caso, Inserir Inserido Inserto
classificar o sujeito como hipotético, tornando-se, Limpar Limpado Limpo
tais verbos, pessoais. Matar Matado Morto
7. O verbo dar + para da língua popular, equivalente Misturar Misturado Misto
de “ser possível”. Por exemplo: Morrer Morrido Morto
Não deu para chegar mais cedo.
Murchar Murchado Murcho
Dá para me arrumar uma apostila?
Pegar Pegado Pego
E) Unipessoais: são aqueles que, tendo sujeito, Romper Rompido Roto
conjugam-se apenas nas terceiras pessoas, do
singular e do plural. São unipessoais os verbos Soltar Soltado Solto
constar, convir, ser (= preciso, necessário) e todos os Suspender Suspendido Suspenso
que indicam vozes de animais (cacarejar, cricrilar, Tingir Tingido Tinto
miar, latir, piar).
Vagar Vagado Vago
Os verbos unipessoais podem ser usados como
verbos pessoais na linguagem figurada: Estes verbos e seus derivados possuem, apenas, o
Teu irmão amadureceu bastante. particípio irregular: abrir/aberto, cobrir/coberto, dizer/
O que é que aquela garota está cacarejando? dito, escrever/escrito, pôr/posto, ver/visto, vir/vindo.
LÍNGUA PORTUGUESA

Principais verbos unipessoais: G) Anômalos: são aqueles que incluem mais de um


radical em sua conjugação. Existem apenas dois:
• Cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (sou, sois, fui) e ir (fui, ia, vades).
ser (preciso, necessário):
Cumpre estudarmos bastante. (Sujeito: estudarmos H) Auxiliares: São aqueles que entram na formação
bastante) dos tempos compostos e das locuções verbais. O

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verbo principal (aquele que exprime a ideia fundamental, mais importante), quando acompanhado de verbo
auxiliar, é expresso numa das formas nominais: infinitivo, gerúndio ou particípio.

Vou espantar todos!


(verbo auxiliar) (verbo principal no infinitivo)

Está chegando a hora!


(verbo auxiliar) (verbo principal no gerúndio)

Observação:
Os verbos auxiliares mais usados são: ser, estar, ter e haver.

Conjugação dos Verbos Auxiliares

SER - Modo Indicativo

Pret. mais-que- Fut. do


Presente Pret. Perfeito Pret. Imp. Fut.do Pres.
perf. Pretérito
Sou Fui Era Fora Serei Seria
És Foste Eras Foras Serás Serias
É Foi Era Fora Será Seria
Somos Fomos Éramos Fôramos Seremos Seríamos
Sois Fostes Éreis Fôreis Sereis Seríeis
São Foram Eram Foram Serão Seriam

SER - Modo Subjuntivo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro


que eu seja se eu fosse quando eu for
que tu sejas se tu fosses quando tu fores
que ele seja se ele fosse quando ele for
que nós sejamos se nós fôssemos quando nós formos
que vós sejais se vós fôsseis quando vós fordes
que eles sejam se eles fossem quando eles forem

SER - Modo Imperativo

Afirmativo Negativo
sê tu não sejas tu
seja você não seja você
sejamos nós não sejamos nós
sede vós não sejais vós
sejam vocês não sejam vocês

SER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


LÍNGUA PORTUGUESA

ser ser eu sendo sido


seres tu
ser ele
sermos nós
serdes vós
serem eles

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ESTAR - Modo Indicativo

Presente Pret. perf. Pret. Imp. Pret.mais-q-perf. Fut.doPres Fut.do Preté
estou estive estava estivera estarei estaria
estás estiveste estavas estiveras estarás estarias
está esteve estava estivera estará estaria
estamos estivemos estávamos estivéramos estaremos estaríamos
estais estivestes estáveis estivéreis estareis estaríeis
estão estiveram estavam estiveram estarão estariam

ESTAR Modo Subjuntivo – Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


esteja estivesse estiver
estejas estivesses estiveres está estejas
esteja estivesse estiver esteja esteja
estejamos estivéssemos estivermos estejamos estejamos
estejais estivésseis estiverdes estai estejais
estejam estivessem estiverem estejam estejam

ESTAR - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


estar estar estando estado
estares
estar
estarmos
estardes
estarem

HAVER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


hei houve havia houvera haverei haveria
hás houveste havias houveras haverás haverias
há houve havia houvera haverá haveria
havemos houvemos havíamos houvéramos haveremos haveríamos
haveis houvestes havíeis houvéreis havereis haveríeis
hão houveram haviam houveram haverão haveriam

HAVER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


ja houvesse houver
LÍNGUA PORTUGUESA

hajas houvesses houveres há hajas


haja houvesse houver haja haja
hajamos houvéssemos houvermos hajamos hajamos
hajais houvésseis houverdes havei hajais
hajam houvessem houverem hajam hajam

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HAVER - Formas Nominais

Infinitivo Impessoal Infinitivo Pessoal Gerúndio Particípio


haver haver havendo havido
haveres
haver
havermos
haverdes
haverem

TER - Modo Indicativo

Presente Pret. Perf. Pret. Imp. Pret.Mais-Q-Perf. Fut.do Pres. Fut.doPreté.


tenho tive tinha tivera terei teria
tens tiveste tinhas tiveras terás terias
tem teve tinha tivera terá teria
temos tivemos tínhamos tivéramos teremos teríamos
tendes tivestes tínheis tivéreis tereis teríeis
têm tiveram tinham tiveram terão teriam

TER - Modo Subjuntivo e Imperativo

Presente Pretérito Imperfeito Futuro Afirmativo Negativo


tenha tivesse tiver
tenhas tivesses tiveres tem tenhas
tenha tivesse tiver tenha tenha
tenhamos tivéssemos tivermos tenhamos tenhamos
tenhais tivésseis tiverdes tende tenhais
tenham tivessem tiverem tenham tenham

I) Pronominais: São aqueles verbos que se conjugam com os pronomes oblíquos átonos me, te, se, nos, vos, se, na
mesma pessoa do sujeito, expressando reflexibilidade (pronominais acidentais) ou apenas reforçando a ideia já
implícita no próprio sentido do verbo (pronominais essenciais). Veja:

• Essenciais: são aqueles que sempre se conjugam com os pronomes oblíquos me, te, se, nos, vos, se. São poucos:
abster-se, ater-se, apiedar-se, atrever-se, dignar-se, arrepender-se, etc. Nos verbos pronominais essenciais a
reflexibilidade já está implícita no radical do verbo. Por exemplo: Arrependi-me de ter estado lá.
A ideia é de que a pessoa representada pelo sujeito (eu) tem um sentimento (arrependimento) que recai sobre ela
mesma, pois não recebe ação transitiva nenhuma vinda do verbo; o pronome oblíquo átono é apenas uma partícula
integrante do verbo, já que, pelo uso, sempre é conjugada com o verbo. Diz-se que o pronome apenas serve de
reforço da ideia reflexiva expressa pelo radical do próprio verbo. Veja uma conjugação pronominal essencial (verbo e
respectivos pronomes):
Eu me arrependo, Tu te arrependes, Ele se arrepende, Nós nos arrependemos, Vós vos arrependeis, Eles se arrependem

• Acidentais: são aqueles verbos transitivos diretos em que a ação exercida pelo sujeito recai sobre o objeto
representado por pronome oblíquo da mesma pessoa do sujeito; assim, o sujeito faz uma ação que recai sobre
ele mesmo. Em geral, os verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos podem ser conjugados com
LÍNGUA PORTUGUESA

os pronomes mencionados, formando o que se chama voz reflexiva. Por exemplo: A garota se penteava.
A reflexibilidade é acidental, pois a ação reflexiva pode ser exercida também sobre outra pessoa: A garota penteou-
me.

Por fazerem parte integrante do verbo, os pronomes oblíquos átonos dos verbos pronominais não possuem função
sintática.

45
Há verbos que também são acompanhados Quando o gerúndio é vício de linguagem
de pronomes oblíquos átonos, mas que não são (gerundismo), ou seja, uso exagerado e inadequado do
essencialmente pronominais - são os verbos reflexivos. gerúndio:
Nos verbos reflexivos, os pronomes, apesar de se 1. Enquanto você vai ao mercado, vou estar jogando
encontrarem na pessoa idêntica à do sujeito, exercem futebol.
funções sintáticas. Por exemplo: 2. – Sim, senhora! Vou estar verificando!
Eu me feri. = Eu (sujeito) – 1.ª pessoa do singular; me
(objeto direto) – 1.ª pessoa do singular Em 1, a locução “vou estar” + gerúndio é adequada,
pois transmite a ideia de uma ação que ocorre no
Modos Verbais momento da outra; em 2, essa ideia não ocorre, já que
a locução verbal “vou estar verificando” refere-se a um
Dá-se o nome de modo às várias formas assumidas futuro em andamento, exigindo, no caso, a construção
pelo verbo na expressão de um fato certo, real, verdadeiro. “verificarei” ou “vou verificar”.
Existem três modos:
A) Indicativo - indica uma certeza, uma realidade: Eu C) Particípio: quando não é empregado na formação
estudo para o concurso. dos tempos compostos, o particípio indica,
B) Subjuntivo - indica uma dúvida, uma possibilidade: geralmente, o resultado de uma ação terminada,
Talvez eu estude amanhã. flexionando-se em gênero, número e grau. Por
C) Imperativo - indica uma ordem, um pedido: exemplo: Terminados os exames, os candidatos
Estude, colega! saíram.
Quando o particípio exprime somente estado, sem
Formas Nominais nenhuma relação temporal, assume verdadeiramente a
função de adjetivo. Por exemplo: Ela é a aluna escolhida
Além desses três modos, o verbo apresenta ainda pela turma.
formas que podem exercer funções de nomes (substantivo,
adjetivo, advérbio), sendo por isso denominadas formas
nominais. Observe:

A) Infinitivo
A.1 Impessoal: exprime a significação do verbo de
modo vago e indefinido, podendo ter valor e
função de substantivo. Por exemplo:
Viver é lutar. (= vida é luta) (Ziraldo)
É indispensável combater a corrupção. (= combate à)
Tempos Verbais
O infinitivo impessoal pode apresentar-se no presente
(forma simples) ou no passado (forma composta). Por Tomando-se como referência o momento em que
exemplo: se fala, a ação expressa pelo verbo pode ocorrer em
É preciso ler este livro. diversos tempos.
Era preciso ter lido este livro.
A) Tempos do Modo Indicativo
A.2 Infinitivo Pessoal: é o infinitivo relacionado às Presente - Expressa um fato atual: Eu estudo neste
três pessoas do discurso. Na 1.ª e 3.ª pessoas do colégio.
singular, não apresenta desinências, assumindo a Pretérito Imperfeito - Expressa um fato ocorrido
mesma forma do impessoal; nas demais, flexiona- num momento anterior ao atual, mas que não foi
se da seguinte maneira: completamente terminado: Ele estudava as lições quando
2.ª pessoa do singular: Radical + ES = teres (tu) foi interrompido.
1.ª pessoa do plural: Radical + MOS = termos (nós) Pretérito Perfeito - Expressa um fato ocorrido
2.ª pessoa do plural: Radical + DES = terdes (vós) num momento anterior ao atual e que foi totalmente
3.ª pessoa do plural: Radical + EM = terem (eles) terminado: Ele estudou as lições ontem à noite.
Foste elogiado por teres alcançado uma boa colocação. Pretérito-mais-que-perfeito - Expressa um fato
ocorrido antes de outro fato já terminado: Ele já estudara
B) Gerúndio: o gerúndio pode funcionar como as lições quando os amigos chegaram. (forma simples).
adjetivo ou advérbio. Por exemplo: Futuro do Presente - Enuncia um fato que deve
Saindo de casa, encontrei alguns amigos. (função de ocorrer num tempo vindouro com relação ao momento
LÍNGUA PORTUGUESA

advérbio) atual: Ele estudará as lições amanhã.


Água fervendo, pele ardendo. (função de adjetivo) Futuro do Pretérito - Enuncia um fato que pode
ocorrer posteriormente a um determinado fato passado:
Na forma simples (1), o gerúndio expressa uma ação Se ele pudesse, estudaria um pouco mais.
em curso; na forma composta (2), uma ação concluída:
Trabalhando (1), aprenderás o valor do dinheiro.
Tendo trabalhado (2), aprendeu o valor do dinheiro.

46
B) Tempos do Modo Subjuntivo
Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer no momento atual: É conveniente que estudes para o exame.
Pretérito Imperfeito - Expressa um fato passado, mas posterior a outro já ocorrido: Eu esperava que ele vencesse
o jogo.
Futuro do Presente - Enuncia um fato que pode ocorrer num momento futuro em relação ao atual: Quando ele vier
à loja, levará as encomendas.

FIQUE ATENTO!
Há casos em que formas verbais de um determinado tempo podem ser utilizadas para indicar outro.
Em 1500, Pedro Álvares Cabral descobre o Brasil.
descobre = forma do presente indicando passado ( = descobrira/descobriu)
No próximo final de semana, faço a prova!
faço = forma do presente indicando futuro ( = farei)

Tabelas das Conjugações Verbais

Modo Indicativo

Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
cantO vendO partO O
cantaS vendeS parteS S
canta vende parte -
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaIS vendeIS partIS IS
cantaM vendeM parteM M

Pretérito Perfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desinência pessoal


CANTAR VENDER PARTIR
canteI vendI partI I
cantaSTE vendeSTE partISTE STE
cantoU vendeU partiU U
cantaMOS vendeMOS partiMOS MOS
cantaSTES vendeSTES partISTES STES
cantaRAM vendeRAM partiRAM RAM

Pretérito mais-que-perfeito

3.ª conjugação
1.ª conjugação 2.ª conjugação Des. temporal Desinência pessoal
1.ª/2.ª e 3.ª conj
CANTAR VENDER PARTIR
cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
LÍNGUA PORTUGUESA

cantaRAS vendeRAS partiRAS RA S


cantaRA vendeRA partiRA RA Ø
cantáRAMOS vendêRAMOS partíRAMOS RA MOS
cantáREIS vendêREIS partíREIS RE IS
cantaRAM vendeRAM partiRAM RA M

47
Pretérito Imperfeito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantAVA vendIA partIA
cantAVAS vendIAS partAS
CantAVA vendIA partIA
cantÁVAMOS vendÍAMOS partÍAMOS
cantÁVEIS vendÍEIS partÍEIS
cantAVAM vendIAM partIAM

Futuro do Presente do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantar ei vender ei partir ei
cantar ás vender ás partir ás
cantar á vender á partir á
cantar emos vender emos partir emos
cantar eis vender eis partir eis
cantar ão vender ão partir ão

Futuro do Pretérito do Indicativo

1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação


CANTAR VENDER PARTIR
cantarIA venderIA partirIA
cantarIAS venderIAS partirIAS
cantarIA venderIA partirIA
cantarÍAMOS venderÍAMOS partirÍAMOS
cantarÍEIS venderÍEIS partirÍEIS
cantarIAM venderIAM partirIAM

Presente do Subjuntivo

Para se formar o presente do subjuntivo, substitui-se a desinência -o da primeira pessoa do singular do presente do
indicativo pela desinência -E (nos verbos de 1.ª conjugação) ou pela desinência -A (nos verbos de 2.ª e 3.ª conjugação).

Desinên. Pessoal Des. tem


1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Des.temporal
1.ª conj. 2.ª/3.ª conj.poral
CANTAR VENDER PARTIR
cantE vendA partA E A Ø
cantES vendAS partAS E A S
LÍNGUA PORTUGUESA

cantE vendA partA E A Ø


cantEMOS vendAMOS partAMOS E A MOS
cantEIS vendAIS partAIS E A IS
cantEM vendAM partAM E A M

48
Pretérito Imperfeito do Subjuntivo

Para formar o imperfeito do subjuntivo, elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -SSE mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantaSSES vendeSSES partiSSES SSE S
cantaSSE vendeSSE partiSSE SSE Ø
cantáSSEMOS vendêSSEMOS partíSSEMOS SSE MOS
cantáSSEIS vendêSSEIS partíSSEIS SSE IS
cantaSSEM vendeSSEM partiSSEM SSE M

Futuro do Subjuntivo

Para formar o futuro do subjuntivo elimina-se a desinência -STE da 2.ª pessoa do singular do pretérito perfeito,
obtendo-se, assim, o tema desse tempo. Acrescenta-se a esse tema a desinência temporal -R mais a desinência de
número e pessoa correspondente.

Des.temporal
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação Desin. pessoal
1.ª /2.ª e 3.ª conj.
CANTAR VENDER PARTIR
cantaR vendeR partiR Ø
cantaRES vendeRES partiRES R ES
cantaR vendeR partiR R Ø
cantaRMOS vendeRMOS partiRMOS R MOS
cantaRDES vendeRDES partiRDES R DES
cantaREM vendeREM partiREM R EM

C) Modo Imperativo

Imperativo Afirmativo

Para se formar o imperativo afirmativo, toma-se do presente do indicativo a 2.ª pessoa do singular (tu) e a segunda
pessoa do plural (vós) eliminando-se o “S” final. As demais pessoas vêm, sem alteração, do presente do subjuntivo. Veja:

Presente do Imperativo Presente do


Indicativo Afirmativo Subjuntivo
Eu canto - Que eu cante
Tu cantas CantA tu Que tu cantes
Ele canta Cante você Que ele cante
Nós cantamos Cantemos nós Que nós cantemos
Vós cantais CantAI vós Que vós canteis
LÍNGUA PORTUGUESA

Eles cantam Cantem vocês Que eles cantem

49
Imperativo Negativo Vozes do Verbo

Para se formar o imperativo negativo, basta antecipar Dá-se o nome de voz à maneira como se apresenta a
a negação às formas do presente do subjuntivo. ação expressa pelo verbo em relação ao sujeito, indicando
se este é paciente ou agente da ação. Importante lembrar
Presente do Subjuntivo Imperativo Negativo que voz verbal não é flexão, mas aspecto verbal. São três
as vozes verbais:
Que eu cante -
Que tu cantes Não cantes tu A) Ativa = quando o sujeito é agente, isto é, pratica a
ação expressa pelo verbo:
Que ele cante Não cante você
Ele fez o trabalho.
Que nós cantemos Não cantemos nós sujeito agente ação objeto (paciente)
Que vós canteis Não canteis vós
B) Passiva = quando o sujeito é paciente, recebendo
Que eles cantem Não cantem eles a ação expressa pelo verbo:
O trabalho foi feito por ele.
• No modo imperativo não faz sentido usar na 3.ª sujeito paciente ação agente da passiva
pessoa (singular e plural) as formas ele/eles, pois
uma ordem, pedido ou conselho só se aplicam C) Reflexiva = quando o sujeito é, ao mesmo tempo,
diretamente à pessoa com quem se fala. Por essa agente e paciente, isto é, pratica e recebe a ação:
razão, utiliza-se você/vocês. O menino feriu-se.
• O verbo SER, no imperativo, faz excepcionalmente:
sê (tu), sede (vós).
#FicaDica
Infinitivo Pessoal
Não confundir o emprego reflexivo do verbo
1.ª conjugação 2.ª conjugação 3.ª conjugação com a noção de reciprocidade:
Os lutadores feriram-se. (um ao outro)
CANTAR VENDER PARTIR
Nós nos amamos. (um ama o outro)
cantar vender partir
cantarES venderES partirES
Formação da Voz Passiva
cantar vender partir
cantarMOS venderMOS partirMOS A voz passiva pode ser formada por dois processos:
cantarDES venderDES partirDES analítico e sintético.
cantarEM venderEM partirEM A) Voz Passiva Analítica = Constrói-se da seguinte
maneira:
• O verbo parecer admite duas construções: Verbo SER + particípio do verbo principal. Por
Elas parecem gostar de você. (forma uma locução exemplo:
verbal) A escola será pintada pelos alunos. (na ativa teríamos:
Elas parece gostarem de você. (verbo com sujeito os alunos pintarão a escola)
oracional, correspondendo à construção: parece gostarem O trabalho é feito por ele. (na ativa: ele faz o trabalho)
de você).
Observações:
• O verbo pegar possui dois particípios (regular e
irregular): • O agente da passiva geralmente é acompanhado
Elvis tinha pegado minhas apostilas. da preposição por, mas pode ocorrer a construção
Minhas apostilas foram pegas. com a preposição de. Por exemplo: A casa ficou cer-
cada de soldados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa • Pode acontecer de o agente da passiva não estar
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. explícito na frase: A exposição será aberta amanhã.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
Cochar - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform.
LÍNGUA PORTUGUESA

• A variação temporal é indicada pelo verbo auxi-


– São Paulo: Saraiva, 2010. liar (SER), pois o particípio é invariável. Observe a
AMARAL, Emília... [et al.] - Português: novas palavras: transformação das frases seguintes:
literatura, gramática, redação. – São Paulo: FTD, 2000.
Ele fez o trabalho. (pretérito perfeito do Indicativo)
SITE O trabalho foi feito por ele. (verbo ser no pretérito
Disponível em: http://www.soportugues.com.br/ perfeito do Indicativo, assim como o verbo principal da
secoes/morf/morf54.php voz ativa)

50
Ele faz o trabalho. (presente do indicativo) AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
O trabalho é feito por ele. (ser no presente do literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
indicativo)
SITE
Ele fará o trabalho. (futuro do presente) Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/
O trabalho será feito por ele. (futuro do presente) secoes/morf/morf54.php>

• Nas frases com locuções verbais, o verbo SER as-


sume o mesmo tempo e modo do verbo principal
da voz ativa. Observe a transformação da frase se- EXERCÍCIOS COMENTADOS
guinte:
O vento ia levando as folhas. (gerúndio) 1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO –
As folhas iam sendo levadas pelo vento. (gerúndio)
CESGRANRIO-2018)
B) Voz Passiva Sintética = A voz passiva sintética -
O ano da esperança
ou pronominal - constrói-se com o verbo na 3.ª
pessoa, seguido do pronome apassivador “se”. Por
exemplo: O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos
Abriram-se as inscrições para o concurso. desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás
Destruiu-se o velho prédio da escola. do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações
de amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o
Observação: dinheiro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava,
O agente não costuma vir expresso na voz passiva com a consciência de que era uma doação. A situação
sintética. foi piorando. Os argumentos também. No início era para
pagar a escola do filho. Depois vieram as mães e avós
Conversão da Voz Ativa na Voz Passiva doentes. Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso.
Ajudava um rapaz, que não conheço pessoalmente.
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar Mas que sofreu um acidente e não tinha como pagar a
substancialmente o sentido da frase. fisioterapia. Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas
internações, remédios. A situação piorando, eu já estava
O concurseiro comprou a apostila. (Voz Ativa) encomendando missa de sétimo dia. Falei com um amigo
Sujeito da Ativa objeto Direto médico, no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso
gratuitamente. Surpresa! O doente não aparecia para
A apostila foi comprada pelo concurseiro. a consulta. Até que o coloquei contra a parede. Ou se
(Voz Passiva) consultava ou eu não ajudava mais.
Sujeito da Passiva Agente da Passiva Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva; conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter
o sujeito da ativa passará a agente da passiva, e o verbo caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o
ativo assumirá a forma passiva, conservando o mesmo emprego após o suposto acidente. Foi por isso que me
tempo. deixei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde
Os mestres têm constantemente aconselhado os
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As
alunos.
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a
Os alunos têm sido constantemente aconselhados
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar.
pelos mestres.
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos
Eu o acompanharei.
Ele será acompanhado por mim. aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão surgir.
Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça
Quando o sujeito da voz ativa for indeterminado, não de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova
haverá complemento agente na passiva. Por exemplo: consciência para votar. Como? Num mundo em que as
Prejudicaram-me. / Fui prejudicado. notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites
Com os verbos neutros (nascer, viver, morrer, dormir, servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram
acordar, sonhar, etc.) não há voz ativa, passiva ou reflexiva, cada história a meu respeito que nem sei o que dizer.
porque o sujeito não pode ser visto como agente, Já inventaram casos de amor, tramas nas novelas que
escrevo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por
LÍNGUA PORTUGUESA

paciente ou agente paciente.


que isso ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS a trama. Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa mentira da internet.
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Duvidam. Acham que estou mentindo.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Co- CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. 2017, p.97.
char - Português linguagens: volume 2. – 7.ª ed. Reform. Adaptado.
– São Paulo: Saraiva, 2010.

51
No trecho “perde-se o dinheiro e o amigo”, a colocação a) impregna a vida cotidiana / impregna-a;
do pronome átono em destaque está de acordo com a b) entender os debates / entendê-los;
norma-padrão da língua portuguesa. O mesmo ocorre c) ganha destaque / ganha-o;
em: d) supõe um conhecimento / supõe-lo;
e) marcaram sua história / marcaram-na.
a) Não se perde nem o dinheiro nem o amigo.
b) Perderia-se o dinheiro e o amigo. Resposta: Letra D
c) O dinheiro e o amigo tinham perdido-se. Em “a”: impregna a vida cotidiana / impregna-a =
d) Se perdeu o dinheiro, mas não o amigo. correta
e) Se o amigo que perdeu-se voltasse, ficaria feliz. Em “b”: entender os debates / entendê-los = correta
Em “c”: ganha destaque / ganha-o = correta
Resposta: Letra A Em “d”: supõe um conhecimento / supõe-lo = supõe-
Em “a”: Não se perde = correta (advérbio atrai o no
pronome = próclise) Em “e”: marcaram sua história / marcaram-na = correta
Em “b”: Perderia-se = verbo no futuro do pretérito:
perder-se-ia (mesóclise) 4. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
Em “c”: O dinheiro e o amigo tinham perdido-se = VUNESP-2014) Considerando-se o uso do pronome e
tinham se perdido a colocação pronominal, a expressão em destaque no
Em “d”: Se perdeu = não se inicia período com trecho – ... que cercam o sentido da existência humana...
pronome oblíquo/partícula apassivadora (Perdeu-se) – está corretamente substituída pelo pronome, de
Em “e”: Se o amigo que perdeu-se = o “que” atrai o acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, na
pronome (próclise): que se perdeu alternativa:

a) ... que cercam-lo...


2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR –
b) ... que cercam-no...
CESGRANRIO-2018) Segundo as exigências da norma-
c)... que o cercam...
padrão da língua portuguesa, o pronome destacado foi
d) ... que lhe cercam...
utilizado na posição correta em:
e) ... que cercam-lhe...
a) Os jornais noticiaram que alguns países mobilizam-se
Resposta: Letra C
para combater a disseminação de notícias falsas nas Correções à frente:
redes sociais. Em “a”: que cercam-lo = o “que” atrai o pronome (que
b) Para criar leis eficientes no combate aos boatos, o cercam)
sempre deve-se ter em mente que o problema de Em “b”: que cercam-no = que o cercam (“no” está
divulgação de notícias falsas é grave e muito atual. correta – caso não tivéssemos o “que”, pois, devido a
c) Entre os numerosos usuários da internet, constata-se sua presença, teremos próclise, não ênclise)
um sentimento generalizado de reprovação à prática Em “c”: que o cercam = correta
de divulgação de inverdades. Em “d”: que lhe cercam = a posição está correta, mas
d) Uma nova lei contra as fake news promulgada na o pronome está errado (“lhe” é para objeto indireto =
Alemanha não aplica-se aos sites e redes sociais com a ele/ela)
menos de 2 milhões de membros. Em “e”: que cercam-lhe = que o cercam
e) Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo mais
eficaz para que adote-se a conduta correta em relação 5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014)
à reputação das celebridades. Considerando apenas as regras de regência e de colocação
pronominal da norma-padrão da língua portuguesa, a
Resposta: Letra C expressão destacada em – Ainda assim, 60% afirmam que
Em “a”: Os jornais noticiaram que alguns países raramente ou nunca têm informações sobre o impacto
mobilizam-se = se mobilizam ambiental do produto ou do comportamento da empresa.
Em “b”: Para criar leis eficientes no combate aos – pode ser corretamente substituída por
boatos, sempre deve-se = sempre se deve
Em “c”: Entre os numerosos usuários da internet, a) ... nunca informam-se sob o impacto...
constata-se um sentimento = correta b)... nunca se informam o impacto...
Em “d”: Uma nova lei contra as fake news promulgada c) ... nunca informam-se ao impacto...
na Alemanha não aplica-se = não se aplica d) ... nunca se informam do impacto...
Em “e”: Uma vultosa multa é, muitas vezes, o estímulo e)... nunca informam-se no impacto...
LÍNGUA PORTUGUESA

mais eficaz para que adote-se = que se adote


Resposta: Letra D
3. (ALERJ-RJ – ESPECIALISTA LEGISLATIVO – Por eliminação: o advérbio “nunca” atrai o pronome,
ARQUITETURA – FGV-2017-ADAPTADA) Se teremos próclise (nunca se). Ficamos com B e D. Agora
substituíssemos os complementos dos verbos abaixo por vamos ao verbo: quem se informa, informa-se sobre
pronomes pessoais oblíquos enclíticos, a única forma algo = precisa de preposição. A alternativa que tem
INADEQUADA seria: preposição presente é a D (do = de+o). Teremos:
nunca se informam do impacto.

52
6. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL Indicativo
– VUNESP-2013) Considerando a substituição da Em “c”, Na juventude, apaixonou-se = pretérito perfeito
expressão em destaque por um pronome e as normas da do Indicativo
colocação pronominal, a oração – … que abrem a cabeça Em “d”, Quase meio século separa = presente do
… – equivale, na norma-padrão da língua, a: Indicativo
a) que abrem-a. Em “e”, para depois casá-las = Infinitivo pessoal (casar
b) que abrem-na. elas)
c) que a abrem.
d) que lhe abrem. 9. (TRT 20.ª REGIÃO-SE - TÉCNICO JUDICIÁRIO – FCC-
e) que abrem-lhe. 2016)
Precisamos de um treinador que nos ajude a comer...
Resposta: Letra C O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o
sublinhado acima está também sublinhado em:
Primeiramente: o “que” atrai o pronome oblíquo,
então teremos que + pronome. Resta-nos identificar
a) ... assim que conseguissem se virar sem as mães ou as
se o pronome é objeto direto (a) ou indireto (lhe).
amas...
Voltemos ao verbo: abrir. Quem abre, abre algo... abre b) Não é por acaso que proliferaram os coaches.
o quê? Sem preposição! Portanto: objeto direto = que c) ... país que transformou a infância numa bilionária in-
a abrem. dústria de consumo...
d) E, mesmo que se esforcem muito...
7. (TST - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA APOIO e) Hoje há algo novo nesse cenário.
ESPECIALIZADO - ESPECIALIDADE MEDICINA DO
TRABALHO – FCC/2012) Aos poucos, contudo, fui Resposta: Letra D
chegando à constatação de que todo perfil de rede que nos ajude = presente do Subjuntivo
social é um retrato ideal de nós mesmos. Em “a”, que conseguissem = pretérito do Subjuntivo
Mantendo-se a correção e a lógica, sem que outra Em “b”, que proliferaram = pretérito perfeito (e
alteração seja feita na frase, o elemento grifado pode ser também mais-que-perfeito) do Indicativo
substituído por: Em “c”, que transformou = pretérito perfeito do
Indicativo
a) ademais. Em “d”, que se esforcem = presente do Subjuntivo
b) conquanto. Em “e”, há algo novo nesse cenário = presente do
c) porquanto. Indicativo
d) entretanto.
e) apesar. 10. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - Técnico Judiciário – FCC-
2016) Empregam-se todas as formas verbais de acordo
Resposta: Letra D com a norma culta na seguinte frase:
Contudo é uma conjunção adversativa (expressa
oposição). A substituição deve utilizar outra de mesma a) Para que se mantesse sua autenticidade, o documento
classificação, para que se mantenha a ideia do período. não poderia receber qualquer tipo de retificação.
A correta é entretanto. b) Os documentos com assinatura digital disporam de
algoritmos de criptografia que os protegeram.
c) Arquivados eletronicamente, os documentos poderam
8. (TRT 23.ª REGIÃO-MT - ANALISTA JUDICIÁRIO -
contar com a proteção de uma assinatura digital.
ÁREA ADMINISTRATIVA- FCC-2016)
d) Quem se propor a alterar um documento criptogra-
... para quem Manoel de Barros era comparável a São fado deve saber que comprometerá sua integridade.
Francisco de Assis... e) Não é possível fazer as alterações que convierem sem
comprometer a integridade dos documentos.
O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o da
frase acima está em: Resposta: Letra E
Em “a”, Para que se mantesse (mantivesse) sua
a) Dizia-se um “vedor de cinema”... autenticidade, o documento não poderia receber
b) Porque não seria certo ficar pregando moscas no qualquer tipo de retificação.
espaço... Em “b”, Os documentos com assinatura digital
c) Na juventude, apaixonou-se por Arthur Rimbaud e disporam (dispuseram) de algoritmos de criptografia
Charles Baudelaire. que os protegeram.
d) Quase meio século separa a estreia de Manoel de Em “c”, Arquivados eletronicamente, os documentos
poderam (puderam) contar com a proteção de uma
LÍNGUA PORTUGUESA

Barros na literatura...
e) ... para depois casá-las... assinatura digital.
Em “d”, Quem se propor (propuser) a alterar
Resposta: Letra A um documento criptografado deve saber que
“Era” = verbo “ser” no pretérito imperfeito do comprometerá sua integridade.
Indicativo. Procuremos nos itens: Em “e”, Não é possível fazer as alterações que
Em “a”, Dizia-se = pretérito imperfeito do Indicativo convierem sem comprometer a integridade dos
Em “b”, Porque não seria = futuro do pretérito do documentos = correta

53
11. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO - 13. (PROCESSO SELETIVO INTERNO DA SECRETARIA
SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) Considere DE DEFESA SOCIAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO-PE
as seguintes frases: – SARGENTO DA POLÍCIA MILITAR - FM-2010)
Primeiro, associe suas memórias com objetos físicos.
Segundo, não memorize apenas por repetição.
Terceiro, rabisque!

Um verbo flexionado no mesmo modo que o dos verbos


empregados nessas frases está em destaque em:

a) ... o acesso rápido e a quantidade de textos fazem


com que o cérebro humano não considere útil gravar
esses dados...
b) Na internet, basta um clique para vasculhar um sem-
número de informações.
c) ... após discar e fazer a ligação, não precisamos mais
dele...
d) Pense rápido: qual o número de telefone da casa em
que morou quando era criança?
e) É o que mostra também uma pesquisa recente
conduzida pela empresa de segurança digital Disponível em: http://www.acharge.com.br/index.htm (acesso:
Kaspersky... 03/03/2010)

Resposta: Letra D A palavra “oposição”, da charge, é classificada


Os verbos das frases citadas estão no Modo Imperativo
morfologicamente como:
(expressam ordem). Vamos aos itens:
Em “a”, ... o acesso rápido e a quantidade de textos
a) Substantivo concreto.
fazem = presente do Indicativo
b) Substantivo abstrato.
Em “b”, Na internet, basta um clique = presente do
c) Substantivo coletivo.
Indicativo
d) Substantivo próprio.
Em “c”, ... após discar e fazer a ligação, não precisamos
e) Adjetivo.
= presente do Indicativo
Em “d”, Pense rápido: = Imperativo
Em “e”, É o que mostra também uma pesquisa = Resposta: Letra B
presente do Indicativo O termo “oposição” é classificado – morfologicamente
– como substantivo abstrato, pois não existe por si só
– depende de outro ser para “se concretizar”.
12. (PC-SP - ATENDENTE DE NECROTÉRIO POLICIAL –
VUNESP-2014) Assinale a alternativa em que a palavra
em destaque na frase pertence à classe dos adjetivos USO DO SINAL INDICATIVO DE CRASE.
(palavra que qualifica um substantivo).

a) Existe grande confusão entre os diversos tipos de eu-


tanásia... CRASE
b)... o médico ou alguém causa ativamente a morte...
c) prolonga o processo de morrer procurando distanciar A crase se caracteriza como a fusão de duas vogais
a morte. idênticas, relacionadas ao emprego da preposição “a”
d) Ela é proibida por lei no Brasil,... com o artigo feminino a(s), com o “a” inicial referente
e) E como seria a verdadeira boa morte? aos pronomes demonstrativos – aquela(s), aquele(s),
aquilo e com o “a” pertencente ao pronome relativo a
Resposta: Letra E qual (as quais). Casos estes em que tal fusão encontra-se
Em “a”, Existe grande confusão = substantivo demarcada pelo acento grave ( ` ): à(s), àquela, àquele,
Em “b”, o médico ou alguém causa ativamente a àquilo, à qual, às quais.
morte = pronome O uso do acento indicativo de crase está condicionado
Em “c”, prolonga o processo de morrer procurando aos nossos conhecimentos acerca da regência verbal e
LÍNGUA PORTUGUESA

distanciar a morte = substantivo nominal, mais precisamente ao termo regente e termo


Em “d”, Ela é proibida por lei no Brasil = substantivo regido. Ou seja, o termo regente é o verbo - ou nome -
Em “e”, E como seria a verdadeira boa morte? = que exige complemento regido pela preposição “a”, e o
adjetivo termo regido é aquele que completa o sentido do termo
regente, admitindo a anteposição do artigo a(s).
Refiro-me a (a) funcionária antiga, e não a (a)quela
contratada recentemente.

54
Após a junção da preposição com o artigo (destacados A letra “a” que acompanha locuções femininas
entre parênteses), temos: (adverbiais, prepositivas e conjuntivas) recebem o acento
Refiro-me à funcionária antiga, e não àquela grave:
contratada recentemente. • locuções adverbiais: às vezes, à tarde, à noite, às
pressas, à vontade...
O verbo referir, de acordo com sua transitividade, • locuções prepositivas: à frente, à espera de, à pro-
classifica-se como transitivo indireto, pois sempre cura de...
nos referimos a alguém ou a algo. Houve a fusão da • locuções conjuntivas: à proporção que, à medida
preposição a + o artigo feminino (à) e com o artigo que.
feminino a + o pronome demonstrativo aquela (àquela).
Cuidado: quando as expressões acima não exercerem
Observações importantes: a função de locuções não ocorrerá crase. Repare:
Alguns recursos servem de ajuda para que possamos Eu adoro a noite!
confirmar a ocorrência ou não da crase. Eis alguns: Adoro o quê? Adoro quem? O verbo “adoro” requer
objeto direto, no caso, a noite. Aqui, o “a” é artigo, não
• Substitui-se a palavra feminina por uma masculina preposição.
equivalente. Caso ocorra a combinação a + o(s), a
crase está confirmada. Casos passíveis de nota:
Os dados foram solicitados à diretora.
Os dados foram solicitados ao diretor. • A crase é facultativa diante de nomes próprios femi-
ninos: Entreguei o caderno a (à) Eliza.
• No caso de nomes próprios geográficos, substitui-se • Também é facultativa diante de pronomes posses-
o verbo da frase pelo verbo voltar. Caso resulte na sivos femininos: O diretor fez referência a (à) sua
expressão “voltar da”, há a confirmação da crase. empresa.
Faremos uma visita à Bahia.
• Facultativa em locução prepositiva “até a”: A loja fi-
Faz dois dias que voltamos da Bahia. (crase confirmada)
cará aberta até as (às) dezoito horas.
• Constata-se o uso da crase se as locuções prepo-
Não me esqueço da viagem a Roma.
sitivas à moda de, à maneira de apresentarem-se
Ao voltar de Roma, relembrarei os belos momentos
implícitas, mesmo diante de nomes masculinos:
jamais vividos.
Tenho compulsão por comprar sapatos à Luis XV. (à
moda de Luís XV)
FIQUE ATENTO! • Não se efetiva o uso da crase diante da locução ad-
Nas situações em que o nome geográfico verbial “a distância”: Na praia de Copacabana, ob-
se apresentar modificado por um adjunto servamos a queima de fogos a distância.
adnominal, a crase está confirmada. Entretanto, se o termo vier determinado, teremos
Atendo-me à bela Fortaleza, senti saudades uma locução prepositiva, aí sim, ocorrerá crase: O
de suas praias. pedestre foi arremessado à distância de cem metros.
Use a regrinha “Vou A volto DA, crase HÁ;
vou A volto DE, crase PRA QUÊ?” Exemplo: • De modo a evitar o duplo sentido – a ambiguidade
Vou a Campinas. = Volto de Campinas. -, faz-se necessário o emprego da crase.
(crase pra quê?) Ensino à distância.
Vou à praia. = Volto da praia. (crase há!) Ensino a distância.

• Em locuções adverbiais formadas por palavras


Quando o nome de lugar estiver especificado, repetidas, não há ocorrência da crase.
ocorrerá crase. Veja: Ela ficou frente a frente com o agressor.
Retornarei à São Paulo dos bandeirantes. = mesmo Eu o seguirei passo a passo.
que, pela regrinha acima, seja a do “VOLTO DE”
Irei à Salvador de Jorge Amado. Casos em que não se admite o emprego da crase:

A letra “a” dos pronomes demonstrativos aquele(s), Antes de vocábulos masculinos.


aquela(s) e aquilo receberão o acento grave se o termo As produções escritas a lápis não serão corrigidas.
regente exigir complemento regido da preposição “a”. Esta caneta pertence a Pedro.
Entregamos a encomenda àquela menina.
LÍNGUA PORTUGUESA

(preposição + pronome demonstrativo) Antes de verbos no infinitivo.


Ele estava a cantar.
Iremos àquela reunião. Começou a chover.
(preposição + pronome demonstrativo)
Antes de numeral.
Sua história é semelhante às que eu ouvia quando O número de aprovados chegou a cem.
criança. (àquelas que eu ouvia quando criança) Faremos uma visita a dez países.
(preposição + pronome demonstrativo)

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Observações:
• Nos casos em que o numeral indicar horas –
funcionando como uma locução adverbial EXERCÍCIOS COMENTADOS
feminina – ocorrerá crase: Os passageiros partirão
às dezenove horas. 1. (POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO -
• Diante de numerais ordinais femininos a crase SOLDADO PM 2.ª CLASSE – VUNESP/2017) O acento
está confirmada, visto que estes não podem ser indicativo de crase está empregado corretamente em:
empregados sem o artigo: As saudações foram
direcionadas à primeira aluna da classe. a) O personagem evita considerar à internet responsável
• Não ocorrerá crase antes da palavra casa, quando por suas atitudes.
essa não se apresentar determinada: Chegamos b) O personagem reconheceu que já tinha uma propen-
todos exaustos a casa. são à jogar o tempo fora.
Entretanto, se vier acompanhada de um adjunto c) O personagem tinha um comportamento indiferente à
adnominal, a crase estará confirmada: Chegamos todos qualquer influência da internet.
exaustos à casa de Marcela. d) O personagem refere-se à uma maneira de se portar
com relação ao tempo.
• Não há crase antes da palavra “terra”, quando e) O personagem revelou à pessoa com quem conversa-
essa indicar chão firme: Quando os navegantes va que jogava o tempo fora.
regressaram a terra, já era noite.
Contudo, se o termo estiver precedido por um Resposta: Letra E
determinante ou referir-se ao planeta Terra, ocorrerá Aos itens:
crase. Em “a”, evita considerar à internet = a internet (objeto
Paulo viajou rumo à sua terra natal. direto)
O astronauta voltou à Terra. Em “b”, tinha uma propensão à jogar = a jogar (sem
acento grave indicativo de crase antes de verbo no
• Não ocorre crase antes de pronomes que requerem infinitivo)
o uso do artigo. Em “c”, tinha um comportamento indiferente à
Os livros foram entregues a mim. qualquer influência = a qualquer (antes de pronome
Dei a ela a merecida recompensa. indefinido)
Em “d”, refere-se à uma maneira = a uma (antes de
• Pelo fato de os pronomes de tratamento relativos artigo indefinido)
à senhora, senhorita e madame admitirem artigo, Em “e”, O personagem revelou à pessoa com quem
o uso da crase está confirmado no “a” que os conversava que jogava o tempo fora = revelou o quê?
antecede, no caso de o termo regente exigir a que jogava o tempo fora; revelou a quem? à pessoa
preposição. (objeto indireto, com preposição) = correta.
Todos os méritos foram conferidos à senhorita Patrícia.
2. (PM-SP - SOLDADO DE 2.ª CLASSE – VUNESP-2017)
• Não ocorre crase antes de nome feminino utilizado Assinale a alternativa que preenche, correta e
em sentido genérico ou indeterminado: respectivamente, as lacunas do texto a seguir.
Estamos sujeitos a críticas. Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de
Refiro-me a conversas paralelas. atendimento _____ presos da Casa de Detenção, em São
Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella chega ao
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. Depois de
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa “Estação Carandiru” (1999), que mostra ________ entranhas
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. daquela que foi ________maior prisão da América Latina,
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários que
Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform. trabalham no sistema prisional, Varella agora faz um
– São Paulo: Saraiva, 2010. retrato das detentas da Penitenciária Feminina da Capital,
também na capital paulista, onde cumprem pena mais de
SITE duas mil mulheres.
Disponível em: <http://www.portugues.com.br/ (https://oglobo.globo.com. Adaptado)
gramatica/o-uso-crase-.html>
a) à … às … a
b) a … as … a
LÍNGUA PORTUGUESA

c) a … às … a
d) à … às … à
e) a … as … à

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Resposta: Letra B Resposta: Letra A
Quase 30 anos depois de iniciar um trabalho de Em “a”, O leitor aludiu à escrita = correta (regência do
atendimento a (preposição – regência nominal de verbo “aludir” pede preposição)
“atendimento”, mas sem acento grave por estar diante Em “b”, A escrita deve levar o texto à uma riqueza = a
de palavra masculina) presos da Casa de Detenção, uma (antes de artigo indefinido)
em São Paulo, o médico oncologista Drauzio Varella Em “c”, De parte à parte = parte a parte (entre palavras
chega ao fim de uma trilogia com o livro “Prisioneiras”. repetidas)
Depois de “Estação Carandiru” (1999), que mostra as Em “d”, Existem aquelas pessoas que chegam à
(objeto direto do verbo “mostrar”) entranhas daquela conclusões = a conclusões (antes de palavra no plural
que foi a (artigo definido) maior prisão da América e o “a” está “sozinho” = somente preposição)
Latina, e de “Carcereiros” (2012), sobre os funcionários Em “e”, Estamos nos referindo à pensamento = a
que trabalham no sistema prisional, Varella agora faz pensamento (palavra masculina)
um retrato das detentas da Penitenciária Feminina da
Capital, também na capital paulista, onde cumprem 5. (PREFEITURA MUNICIPAL DE MOGI DAS CRUZES-
pena mais de duas mil mulheres. SP - AUXILIAR DE APOIO ADMINISTRATIVO -
Teremos: a / as / a. VUNESP-2018)
No começo do século 20, a rápida industrialização nos
3. (CÂMARA MUNICIPAL DE DOIS CÓRREGOS-SP Estados Unidos deu origem _______ algumas das maiores
- OFICIAL DE ATENDIMENTO E ADMINISTRAÇÃO – fortunas que o mundo já viu. Famílias como os Vanderbilt
VUNESP-2018) Assinale a alternativa em que o acento e os Rockefeller investiram em ferrovias, petróleo e
indicativo de crase está empregado corretamente. aço, obtendo um grande retorno, e passaram _________
ostentar sua riqueza. O período ficou conhecido como
a) Algumas pessoas com supermemória chegam à sofrer Era Dourada. A desigualdade nunca foi tão grande – até
com dores de cabeça. agora. É o que mostra um relatório da UBS, companhia de
b) Há lembranças tão vivas que nos fazem voltar à episó-
serviços financeiros, feito em parceria com a consultora
dios de nosso passado.
PwC.
c) Lembrar-se do passado pode ser uma tarefa muito di-
Para os autores do documento, a primeira Era Dourada
fícil à determinadas pessoas.
aconteceu entre 1870 e 1910. Segundo eles, a atual
d) Ela referiu-se à vontade de esquecer completamente
começou em 1980 e deve se estender pelos próximos 10
os momentos dolorosos.
a 20 anos, prolongada pelo desempenho econômico da
e) Ao nos atermos à uma experiência ruim, desconsidera-
Ásia e de negócios ligados ________ tecnologia.
mos o que ela traz de bom.
(IstoÉ, 15.11.2017. Adaptado)
Resposta: Letra D
Aos itens: Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do
Em “a”, chegam à sofrer = a sofrer (antes de verbo no texto devem ser preenchidas, respectivamente, com:
infinitivo não se usa acento grave)
Em “b”, que nos fazem voltar à episódios = a episódios a) a … a … a
(palavra masculina e no plural) b) à … à … à
Em “c”, pode ser uma tarefa muito difícil à determinadas c) a … à … à
= a determinadas (palavra no plural e presença só da d) à … à … a
preposição) e) a … a … à
Em “d”, Ela referiu-se à vontade = correta (quem se
refere, refere-se a algo ou a alguém) Resposta: Letra E
Em “e”, Ao nos atermos à uma experiência = a uma Vamos aos trechos:
(antes de artigo indefinido) a rápida industrialização nos Estados Unidos deu
origem a algumas das maiores fortunas = antes de
4. (IPSM-SP - ASSISTENTE DE GESTÃO MUNICIPAL - pronome indefinido
VUNESP-2018) De acordo com a norma- -padrão, o e passaram a ostentar sua riqueza = antes de verbo
acento indicativo da crase está corretamente empregado no infinitivo
em: e de negócios ligados à tecnologia = regência nominal
de “ligados” pede preposição
a) O leitor aludiu à escrita como se ela fosse questão de
talento: quem não tem, não vai nunca aprender. 6. (CÂMARA MUNICIPAL DE COTIA-SP – CONTADOR -
b) A escrita deve levar o texto à uma riqueza, marcada VUNESP-2017) Assinale a alternativa correta quanto ao
LÍNGUA PORTUGUESA

pela clareza e precisão, afastando o leitor da confusão emprego do acento indicativo da crase.
ou tédio.
c) De parte à parte, o texto precisa organizar-se como um a) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais
tecido coeso e claro, instigando, assim, o leitor. chegam à um grande público devido à rapidez da in-
d) Existem aquelas pessoas que chegam à conclusões se- ternet, é favorável à formação de ondas de credulidade.
melhantes, no entanto elas seguem pelo lado oposto. b) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais
e) Também não estamos falando só de correção gramati- chegam à muitas pessoas devido a rapidez da internet,
cal e ortográfica. Estamos nos referindo à pensamento. favorece que se formem ondas de credulidade.

57
c) A circulação instantânea das notícias falsas, as quais Quanto à estrutura da frase, as que possuem verbo
chegam a muitas pessoas devido à rapidez da internet, (oração) são estruturadas por dois elementos essenciais:
é favorável à formação de ondas de credulidade. sujeito e predicado.
d) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais O sujeito é o termo da frase que concorda com o
chegam a um grande número de pessoas devido à ra- verbo em número e pessoa. É o “ser de quem se declara
pidez da internet, é favorável as ondas de credulidade algo”, “o tema do que se vai comunicar”; o predicado é
que se formam. a parte da frase que contém “a informação nova para o
e) A circulação instantânea das notícias falsas, às quais ouvinte”, é o que “se fala do sujeito”. Ele se refere ao tema,
chegam a muitas pessoas devido a rapidez da internet, constituindo a declaração do que se atribui ao sujeito.
favorece à formação de ondas de credulidade. Quando o núcleo da declaração está no verbo (que
indique ação ou fenômeno da natureza, seja um verbo
Resposta: Letra C significativo), temos o predicado verbal. Mas, se o
Acertos entre parênteses: núcleo estiver em um nome (geralmente um adjetivo),
Em “a”, as quais chegam à um (a um) grande público teremos um predicado nominal (os verbos deste tipo de
devido à rapidez (ok) da internet, é favorável à predicado são os que indicam estado, conhecidos como
formação (ok) verbos de ligação):
Em “b”, às quais (as quais) chegam à muitas (a muitas) O menino limpou a sala. = “limpou” é verbo de ação
pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet (predicado verbal)
Em “c”, as quais chegam a muitas pessoas devido à A prova foi fácil. – “foi” é verbo de ligação (ser); o
rapidez da internet, é favorável à formação = correta núcleo é “fácil” (predicado nominal)
Em “d”, às quais (as quais) chegam a um (ok) grande
número de pessoas devido à rapidez (ok) da internet, Quanto ao período, ele denomina a frase constituída
é favorável as ondas (às ondas) por uma ou mais orações, formando um todo, com
Em “e”, às quais (as quais) chegam a muitas (ok) sentido completo. O período pode ser simples ou
pessoas devido a rapidez (à rapidez) da internet, composto.
favorece à formação (a formação)
Observação: quanto à regência verbal de “favorecer” Período simples é aquele constituído por apenas
= pede complemento verbal direto (favorece o quê? uma oração, que recebe o nome de oração absoluta.
favorece quem?); já a regência nominal de “favorável” Chove.
pede preposição (favorável a quem? a quê?). A existência é frágil.
Amanhã, à tarde, faremos a prova do concurso.

Período composto é aquele constituído por duas ou


SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO. mais orações:
Cantei, dancei e depois dormi.
Quero que você estude mais.

FRASE, ORAÇÃO E PERÍODO Termos da Oração


SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
TERMOS DA ORAÇÃO Termos essenciais
COORDENAÇÃO E SUBORDINAÇÃO
O sujeito e o predicado são considerados termos
Frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para essenciais da oração, ou seja, são termos indispensáveis
estabelecer comunicação. Normalmente é composta para a formação das orações. No entanto, existem
por dois termos – o sujeito e o predicado – mas não orações formadas exclusivamente pelo predicado. O
obrigatoriamente, pois há orações ou frases sem sujeito: que define a oração é a presença do verbo. O sujeito é o
Trovejou muito ontem à noite. termo que estabelece concordância com o verbo.
O candidato está preparado.
Quanto aos tipos de frases, além da classificação Os candidatos estão preparados.
em verbais (possuem verbos, ou seja, são orações) e
nominais (sem a presença de verbos), feita a partir de seus Na primeira frase, o sujeito é “o candidato”.
elementos constituintes, elas podem ser classificadas a “Candidato” é a principal palavra do sujeito, sendo, por
partir de seu sentido global: isso, denominada núcleo do sujeito. Este se relaciona
A) frases interrogativas = o emissor da mensagem com o verbo, estabelecendo a concordância (núcleo no
formula uma pergunta: Que dia é hoje? singular, verbo no singular: candidato = está).
LÍNGUA PORTUGUESA

B) frases imperativas = o emissor dá uma ordem ou A função do sujeito é basicamente desempenhada


faz um pedido: Dê-me uma luz! por substantivos, o que a torna uma função substantiva
C) frases exclamativas = o emissor exterioriza um es- da oração. Pronomes, substantivos, numerais e quaisquer
tado afetivo: Que dia abençoado! outras palavras substantivadas (derivação imprópria)
D) frases declarativas = o emissor constata um fato: A também podem exercer a função de sujeito.
prova será amanhã. Os dois sumiram. (dois é numeral; no exemplo,
substantivo)

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Um sim é suave e sugestivo. (sim é advérbio; no A) com verbo na terceira pessoa do plural, desde que
exemplo: substantivo) o sujeito não tenha sido identificado anteriormente:
Bateram à porta;
Os sujeitos são classificados a partir de dois elementos: Andam espalhando boatos a respeito da queda do
o de determinação ou indeterminação e o de núcleo do ministro.
sujeito.
Se o sujeito estiver identificado, poderá ser simples
Um sujeito é determinado quando é facilmente ou composto:
identificado pela concordância verbal. O sujeito Os meninos bateram à porta. (simples)
determinado pode ser simples ou composto. Os meninos e as meninas bateram à porta. (composto)
A indeterminação do sujeito ocorre quando não
é possível identificar claramente a que se refere a B) com o verbo na terceira pessoa do singular,
concordância verbal. Isso ocorre quando não se pode acrescido do pronome “se”. Esta é uma
ou não interessa indicar precisamente o sujeito de uma construção típica dos verbos que não apresentam
oração. complemento direto:
Estão gritando seu nome lá fora. Precisa-se de mentes criativas.
Trabalha-se demais neste lugar. Vivia-se bem naqueles tempos.
Trata-se de casos delicados.
O sujeito simples é o sujeito determinado que Sempre se está sujeito a erros.
apresenta um único núcleo, que pode estar no singular
ou no plural; pode também ser um pronome indefinido. O pronome “se”, nestes casos, funciona como índice
Abaixo, sublinhei os núcleos dos sujeitos: de indeterminação do sujeito.
Nós estudaremso juntos.
A humanidade é frágil. As orações sem sujeito, formadas apenas pelo
Ninguém se move. predicado, articulam-se a partir de um verbo impessoal.
O amar faz bem. (“amar” é verbo, mas aqui houve uma A mensagem está centrada no processo verbal. Os
derivação imprópria, tranformando-o em substantivo) principais casos de orações sem sujeito com:
As crianças precisam de alimentos saudáveis.
• os verbos que indicam fenômenos da natureza:
O sujeito composto é o sujeito determinado que Amanheceu.
apresenta mais de um núcleo. Está trovejando.
Alimentos e roupas custam caro.
Ela e eu sabemos o conteúdo. • os verbos estar, fazer, haver e ser, quando indicam
O amar e o odiar são duas faces da mesma moeda. fenômenos meteorológicos ou se relacionam ao
tempo em geral:
Além desses dois sujeitos determinados, é comum a Está tarde.
referência ao sujeito implícito na desinência verbal (o Já são dez horas.
“antigo” sujeito oculto [ou elíptico]), isto é, ao núcleo Faz frio nesta época do ano.
do sujeito que está implícito e que pode ser reconhecido Há muitos concursos com inscrições abertas.
pela desinência verbal ou pelo contexto.
Abolimos todas as regras. = (nós) Predicado é o conjunto de enunciados que contém a
Falaste o recado à sala? = (tu) informação sobre o sujeito – ou nova para o ouvinte. Nas
orações sem sujeito, o predicado simplesmente enuncia
Os verbos deste tipo de sujeito estão sempre na um fato qualquer. Nas orações com sujeito, o predicado
primeira pessoa do singular (eu) ou plural (nós) ou na é aquilo que se declara a respeito deste sujeito. Com
segunda do singular (tu) ou do plural (vós), desde que os exceção do vocativo - que é um termo à parte - tudo
pronomes não estejam explícitos. o que difere do sujeito numa oração é o seu predicado.
Iremos à feira juntos? (= nós iremos) – sujeito implícito Chove muito nesta época do ano.
na desinência verbal “-mos” Houve problemas na reunião.
Cantais bem! (= vós cantais) - sujeito implícito na
desinência verbal “-ais” Em ambas as orações não há sujeito, apenas
predicado. Na segunda oração, “problemas” funciona
Mas: como objeto direto.
Nós iremos à festa juntos? = sujeito simples: nós
LÍNGUA PORTUGUESA

Vós cantais bem! = sujeito simples: vós As questões estavam fáceis!


Sujeito simples = as questões
O sujeito indeterminado surge quando não se quer - Predicado = estavam fáceis
ou não se pode - identificar a que o predicado da oração
refere-se. Existe uma referência imprecisa ao sujeito, caso Passou-me uma ideia estranha pelo pensamento.
contrário, teríamos uma oração sem sujeito. Sujeito = uma ideia estranha
Na língua portuguesa, o sujeito pode ser Predicado = passou-me pelo pensamento
indeterminado de duas maneiras:

59
Para o estudo do predicado, é necessário verificar No primeiro exemplo, o verbo amanheceu apresenta
se seu núcleo é um nome (então teremos um predicado duas funções: a de verbo significativo e a de verbo de
nominal) ou um verbo (predicado verbal). Deve-se ligação. Este predicado poderia ser desdobrado em dois:
considerar também se as palavras que formam o um verbal e outro nominal.
predicado referem-se apenas ao verbo ou também ao O dia amanheceu. / O dia estava ensolarado.
sujeito da oração.
No segundo exemplo, é o verbo julgar que relaciona o
Os homens sensíveis pedem amor sincero às mulheres complemento homens com o predicativo “inconstantes”.
de opinião.
Predicado Termos integrantes da oração

O predicado acima apresenta apenas uma palavra Os complementos verbais (objeto direto e indireto) e o
que se refere ao sujeito: pedem. As demais palavras se complemento nominal são chamados termos integrantes
ligam direta ou indiretamente ao verbo. da oração.
A cidade está deserta. Os complementos verbais integram o sentido
dos verbos transitivos, com eles formando unidades
O nome “deserta”, por intermédio do verbo, refere- significativas. Estes verbos podem se relacionar com
se ao sujeito da oração (cidade). O verbo atua como seus complementos diretamente, sem a presença
elemento de ligação (por isso verbo de ligação) entre o de preposição, ou indiretamente, por intermédio de
sujeito e a palavra a ele relacionada (no caso: deserta = preposição.
predicativo do sujeito).
O objeto direto é o complemento que se liga
O predicado verbal é aquele que tem como núcleo diretamente ao verbo.
significativo um verbo: Houve muita confusão na partida final.
Queremos sua ajuda.
Chove muito nesta época do ano.
Estudei muito hoje!
O objeto direto preposicionado ocorre
Compraste a apostila?
principalmente:
Os verbos acima são significativos, isto é, não servem
A) com nomes próprios de pessoas ou nomes comuns
apenas para indicar o estado do sujeito, mas indicam
referentes a pessoas:
processos.
Amar a Deus; Adorar a Xangô; Estimar aos pais.
(o objeto é direto, mas como há preposição,
O predicado nominal é aquele que tem como núcleo denomina-se: objeto direto preposicionado)
significativo um nome; este atribui uma qualidade ou
estado ao sujeito, por isso é chamado de predicativo B) com pronomes indefinidos de pessoa e pronomes
do sujeito. O predicativo é um nome que se liga a outro de tratamento: Não excluo a ninguém; Não quero
nome da oração por meio de um verbo (o verbo de cansar a Vossa Senhoria.
ligação).
Nos predicados nominais, o verbo não é significativo, C) para evitar ambiguidade: Ao povo prejudica a crise.
isto é, não indica um processo, mas une o sujeito ao (sem preposição, o sentido seria outro: O povo
predicativo, indicando circunstâncias referentes ao prejudica a crise)
estado do sujeito: Os dados parecem corretos.
O verbo parecer poderia ser substituído por estar, O objeto indireto é o complemento que se liga
andar, ficar, ser, permanecer ou continuar, atuando como indiretamente ao verbo, ou seja, através de uma
elemento de ligação entre o sujeito e as palavras a ele preposição.
relacionadas. Gosto de música popular brasileira.
Necessito de ajuda.
A função de predicativo é exercida, normalmente, por
um adjetivo ou substantivo. Objeto Pleonástico

O predicado verbo-nominal é aquele que apresenta É a repetição de objetos, tanto diretos como indiretos.
dois núcleos significativos: um verbo e um nome. No Normalmente, as frases em que ocorrem objetos
predicado verbo-nominal, o predicativo pode se referir pleonásticos obedecem à estrutura: primeiro aparece o
ao sujeito ou ao complemento verbal (objeto). objeto, antecipado para o início da oração; em seguida,
O verbo do predicado verbo-nominal é sempre ele é repetido através de um pronome oblíquo. É à
LÍNGUA PORTUGUESA

significativo, indicando processos. É também sempre por repetição que se dá o nome de objeto pleonástico.
intermédio do verbo que o predicativo se relaciona com
o termo a que se refere. “Aos fracos, não os posso proteger, jamais.” (Gonçalves
O dia amanheceu ensolarado; Dias)
As mulheres julgam os homens inconstantes.
objeto pleonástico

60
Ao traidor, nada lhe devemos. A) explicativo: A linguística, ciência das línguas
humanas, permite-nos interpretar melhor nossa
O termo que integra o sentido de um nome chama- relação com o mundo.
se complemento nominal, que se liga ao nome que B) enumerativo: A vida humana compõe-se de muitas
completa por intermédio de preposição: coisas: amor, arte, ação.
A arte é necessária à vida. = relaciona-se com a C) resumidor ou recapitulativo: Fantasias, suor e
palavra “necessária” sonho, tudo forma o carnaval.
Temos medo de barata. = ligada à palavra “medo” D) comparativo: Seus olhos, indagadores holofotes,
fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
Termos acessórios da oração e vocativo
O vocativo é um termo que serve para chamar,
Os termos acessórios recebem este nome por serem invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético,
explicativos, circunstanciais. São termos acessórios o não mantendo relação sintática com outro termo da
adjunto adverbial, o adjunto adnominal, o aposto e o oração. A função de vocativo é substantiva, cabendo
vocativo – este, sem relação sintática com outros temos a substantivos, pronomes substantivos, numerais e
da oração. palavras substantivadas esse papel na linguagem.
João, venha comigo!
O adjunto adverbial é o termo da oração que indica Traga-me doces, minha menina!
uma circunstância do processo verbal ou intensifica o
sentido de um adjetivo, verbo ou advérbio. É uma função Períodos Compostos
adverbial, pois cabe ao advérbio e às locuções adverbiais
exercerem o papel de adjunto adverbial: Amanhã voltarei Período Composto por Coordenação
a pé àquela velha praça.
O período composto se caracteriza por possuir mais
O adjunto adnominal é o termo acessório que
de uma oração em sua composição. Sendo assim:
determina, especifica ou explica um substantivo. É uma
Eu irei à praia. (Período Simples = um verbo, uma
função adjetiva, pois são os adjetivos e as locuções
oração)
adjetivas que exercem o papel de adjunto adnominal na
Estou comprando um protetor solar, depois irei à
oração. Também atuam como adjuntos adnominais os
praia. (Período Composto =locução verbal + verbo, duas
artigos, os numerais e os pronomes adjetivos.
orações)
O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu
Já me decidi: só irei à praia, se antes eu comprar
amigo de infância.
um protetor solar. (Período Composto = três verbos, três
orações).
O adjunto adnominal se liga diretamente ao
substantivo a que se refere, sem participação do verbo.
Já o predicativo do objeto se liga ao objeto por meio de Há dois tipos de relações que podem se estabelecer
um verbo. entre as orações de um período composto: uma relação
O poeta português deixou uma obra originalíssima. de coordenação ou uma relação de subordinação.
O poeta deixou-a. Duas orações são coordenadas quando estão juntas
(originalíssima não precisou ser repetida, portanto: em um mesmo período, (ou seja, em um mesmo bloco
adjunto adnominal) de informações, marcado pela pontuação final), mas têm,
ambas, estruturas individuais, como é o exemplo de:
O poeta português deixou uma obra inacabada. Estou comprando um protetor solar, depois irei à praia.
O poeta deixou-a inacabada. (Período Composto)
(inacabada precisou ser repetida, então: predicativo Podemos dizer:
do objeto) 1. Estou comprando um protetor solar.
2. Irei à praia.
Enquanto o complemento nominal se relaciona a um
substantivo, adjetivo ou advérbio, o adjunto nominal se Separando as duas, vemos que elas são independentes.
relaciona apenas ao substantivo. Tal período é classificado como Período Composto por
Coordenação.
O aposto é um termo acessório que permite ampliar, Quanto à classificação das orações coordenadas,
explicar, desenvolver ou resumir a ideia contida em um temos dois tipos: Coordenadas Assindéticas e Coordenadas
termo que exerça qualquer função sintática: Ontem, Sindéticas.
LÍNGUA PORTUGUESA

segunda-feira, passei o dia mal-humorado.


Segunda-feira é aposto do adjunto adverbial de A) Coordenadas Assindéticas
tempo “ontem”. O aposto é sintaticamente equivalente São orações coordenadas entre si e que não são
ao termo que se relaciona porque poderia substituí-lo: ligadas através de nenhum conectivo. Estão apenas
Segunda-feira passei o dia mal-humorado. justapostas.
O aposto pode ser classificado, de acordo com seu Entrei na sala, deitei-me no sofá, adormeci.
valor na oração, em:

61
B) Coordenadas Sindéticas A análise das orações continua sendo a mesma:
Ao contrário da anterior, são orações coordenadas “Quero” é a oração principal, cujo objeto direto é a
entre si, mas que são ligadas através de uma conjunção oração subordinada “ser aprovado”. Observe que a
coordenativa, que dará à oração uma classificação. As oração subordinada apresenta agora verbo no infinitivo
orações coordenadas sindéticas são classificadas em (ser). Além disso, a conjunção “que”, conectivo que unia
cinco tipos: aditivas, adversativas, alternativas, conclusivas as duas orações, desapareceu. As orações subordinadas
e explicativas. cujo verbo surge numa das formas nominais (infinitivo,
gerúndio ou particípio) são chamadas de orações
Dica: Memorize SINdética = SIM, tem conjunção! reduzidas ou implícitas (como no exemplo acima).

• Orações Coordenadas Sindéticas Aditivas: suas Observação:


principais conjunções são: e, nem, não só... mas As orações reduzidas não são introduzidas por
também, não só... como, assim... como. conjunções nem pronomes relativos. Podem ser,
Nem comprei o protetor solar nem fui à praia. eventualmente, introduzidas por preposição.
Comprei o protetor solar e fui à praia.
A) Orações Subordinadas Substantivas
• Orações Coordenadas Sindéticas Adversativas: A oração subordinada substantiva tem valor de
suas principais conjunções são: mas, contudo, substantivo e vem introduzida, geralmente, por conjunção
todavia, entretanto, porém, no entanto, ainda, integrante (que, se).
assim, senão.
Fiquei muito cansada, contudo me diverti bastante. Não sei se sairemos hoje.
Li tudo, porém não entendi! Oração Subordinada Substantiva

Temos medo de que não sejamos aprovados.


• Orações Coordenadas Sindéticas Alternativas:
Oração Subordinada Substantiva
suas principais conjunções são: ou... ou; ora...ora;
quer...quer; seja...seja.
Os pronomes interrogativos (que, quem, qual) também
Ou uso o protetor solar, ou uso o óleo bronzeador.
introduzem as orações subordinadas substantivas, bem
como os advérbios interrogativos (por que, quando, onde,
• Orações Coordenadas Sindéticas Conclusivas:
como).
suas principais conjunções são: logo, portanto,
por fim, por conseguinte, consequentemente, pois O garoto perguntou qual seu nome.
(posposto ao verbo). Oração Subordinada Substantiva
Passei no concurso, portanto comemorarei!
A situação é delicada; devemos, pois, agir. Não sabemos quando ele virá.
Oração Subordinada Substantiva
• Orações Coordenadas Sindéticas Explicativas:
suas principais conjunções são: isto é, ou seja, a Classificação das Orações Subordinadas
saber, na verdade, pois (anteposto ao verbo). Substantivas
Não fui à praia, pois queria descansar durante o
Domingo. Conforme a função que exerce no período, a oração
Maria chorou porque seus olhos estão vermelhos. subordinada substantiva pode ser:

Período Composto Por Subordinação 1. Subjetiva - exerce a função sintática de sujeito do


verbo da oração principal:
Quero que você seja aprovado!
Oração principal oração subordinada É fundamental o seu comparecimento à reunião.
Sujeito
Observe que na oração subordinada temos o verbo
“seja”, que está conjugado na terceira pessoa do singular É fundamental que você compareça à reunião.
do presente do subjuntivo, além de ser introduzida por Oração Principal Oração Subordinada
conjunção. As orações subordinadas que apresentam Substantiva Subjetiva
verbo em qualquer dos tempos finitos (tempos do modo
do indicativo, subjuntivo e imperativo) e são iniciadas FIQUE ATENTO!
por conjunção, chamam-se orações desenvolvidas ou
LÍNGUA PORTUGUESA

Observe que a oração subordinada


explícitas. substantiva pode ser substituída pelo
pronome “isso”. Assim, temos um período
Podemos modificar o período acima. Veja: simples:
É fundamental isso ou Isso é fundamental.
Quero ser aprovado.
Oração Principal Oração Subordinada Desta forma, a oração correspondente
a “isso” exercerá a função de sujeito.

62
Veja algumas estruturas típicas que ocorrem na Marta não gosta (de) que a chamem de senhora.
oração principal: Oração Subordinada
Substantiva Objetiva Indireta
• Verbos de ligação + predicativo, em construções
do tipo: É bom - É útil - É conveniente - É certo - Parece 4. Completiva Nominal = completa um nome
certo - É claro - Está evidente - Está comprovado que pertence à oração principal e também vem
É bom que você compareça à minha festa. marcada por preposição.

• Expressões na voz passiva, como: Sabe-se, Soube- Sentimos orgulho de seu comportamento.
se, Conta-se, Diz-se, Comenta-se, É sabido, Foi Complemento Nominal
anunciado, Ficou provado.
Sabe-se que Aline não gosta de Pedro. Sentimos orgulho de que você se comportou. (=
Sentimos orgulho disso.)
• Verbos como: convir - cumprir - constar - admirar - Oração Subordinada
importar - ocorrer - acontecer Substantiva Completiva Nominal
Convém que não se atrase na entrevista.
As orações subordinadas substantivas objetivas
Observação: indiretas integram o sentido de um verbo, enquanto
Quando a oração subordinada substantiva é subjetiva, que orações subordinadas substantivas completivas
o verbo da oração principal está sempre na 3.ª pessoa do nominais integram o sentido de um nome. Para distinguir
singular. uma da outra, é necessário levar em conta o termo
complementado. Esta é a diferença entre o objeto indireto
2. Objetiva Direta = exerce função de objeto direto e o complemento nominal: o primeiro complementa um
do verbo da oração principal: verbo; o segundo, um nome.

5. Predicativa = exerce papel de predicativo do


Todos querem sua aprovação no concurso.
sujeito do verbo da oração principal e vem sempre
Objeto Direto
depois do verbo ser.
Nosso desejo era sua desistência.
Todos querem que você seja aprovado. (Todos
Predicativo do Sujeito
querem isso)
Oração Principal Oração Subordinada
Nosso desejo era que ele desistisse. (= Nosso
Substantiva Objetiva Direta
desejo era isso)
Oração Subordinada
As orações subordinadas substantivas objetivas Substantiva Predicativa
diretas (desenvolvidas) são iniciadas por:
• Conjunções integrantes “que” (às vezes elíptica) e 6. Apositiva = exerce função de aposto de algum
“se”: A professora verificou se os alunos estavam termo da oração principal.
presentes. Fernanda tinha um grande sonho: a felicidade!
• Pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto (às Aposto
vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: O pessoal queria saber quem era o dono Fernanda tinha um grande sonho: ser feliz!
do carro importado. Oração subordinada
• Advérbios como, quando, onde, por que, quão (às substantiva apositiva reduzida de infinitivo
vezes regidos de preposição), nas interrogações
indiretas: Eu não sei por que ela fez isso. (Fernanda tinha um grande sonho: isso)

3. Objetiva Indireta = atua como objeto indireto Dica: geralmente há a presença dos dois pontos! ( : )
do verbo da oração principal. Vem precedida de
preposição. B) Orações Subordinadas Adjetivas
Uma oração subordinada adjetiva é aquela que possui
Meu pai insiste em meu estudo. valor e função de adjetivo, ou seja, que a ele equivale.
Objeto Indireto As orações vêm introduzidas por pronome relativo e
exercem a função de adjunto adnominal do antecedente.
Meu pai insiste em que eu estude. (= Meu pai insiste
LÍNGUA PORTUGUESA

nisso) Esta foi uma redação bem-sucedida.


Oração Subordinada Substantiva Substantivo Adjetivo (Adjunto Adnominal)
Objetiva Indireta
O substantivo “redação” foi caracterizado pelo adjetivo
Observação: “bem-sucedida”. Neste caso, é possível formarmos outra
Em alguns casos, a preposição pode estar elíptica na construção, a qual exerce exatamente o mesmo papel:
oração.

63
Esta foi uma redação que fez sucesso. No período acima, observe que a oração em destaque
Oração Principal Oração Subordinada Adjetiva restringe e particulariza o sentido da palavra “homem”:
trata-se de um homem específico, único. A oração limita
Perceba que a conexão entre a oração subordinada o universo de homens, isto é, não se refere a todos os
adjetiva e o termo da oração principal que ela modifica é homens, mas sim àquele que estava passando naquele
feita pelo pronome relativo “que”. Além de conectar (ou momento.
relacionar) duas orações, o pronome relativo desempenha
uma função sintática na oração subordinada: ocupa o Exemplo 2:
papel que seria exercido pelo termo que o antecede (no
caso, “redação” é sujeito, então o “que” também funciona O homem, que se considera racional, muitas vezes
como sujeito). age animalescamente.
Oração Subordinada Adjetiva Explicativa
FIQUE ATENTO! Agora, a oração em destaque não tem sentido
Vale lembrar um recurso didático para restritivo em relação à palavra “homem”; na verdade,
reconhecer o pronome relativo “que”: ele apenas explicita uma ideia que já sabemos estar contida
sempre pode ser substituído por: o qual - no conceito de “homem”.
a qual - os quais - as quais
Refiro-me ao aluno que é estudioso. = Esta Saiba que:
oração é equivalente a: Refiro-me ao aluno A oração subordinada adjetiva explicativa é separada
o qual estuda. da oração principal por uma pausa que, na escrita,
é representada pela vírgula. É comum, por isso, que a
pontuação seja indicada como forma de diferenciar as
Forma das Orações Subordinadas Adjetivas orações explicativas das restritivas; de fato, as explicativas
vêm sempre isoladas por vírgulas; as restritivas, não.
Quando são introduzidas por um pronome
relativo e apresentam verbo no modo indicativo ou C) Orações Subordinadas Adverbiais
subjuntivo, as orações subordinadas adjetivas são Uma oração subordinada adverbial é aquela que
chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as exerce a função de adjunto adverbial do verbo da oração
orações subordinadas adjetivas reduzidas, que não principal. Assim, pode exprimir circunstância de tempo,
são introduzidas por pronome relativo (podem ser modo, fim, causa, condição, hipótese, etc. Quando
introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa desenvolvida, vem introduzida por uma das conjunções
das formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio). subordinativas (com exclusão das integrantes, que
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou. introduzem orações subordinadas substantivas).
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar. Classifica-se de acordo com a conjunção ou locução
conjuntiva que a introduz (assim como acontece com as
No primeiro período, há uma oração subordinada coordenadas sindéticas).
adjetiva desenvolvida, já que é introduzida pelo pronome
relativo “que” e apresenta verbo conjugado no pretérito Durante a madrugada, eu olhei você dormindo.
perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração Oração Subordinada Adverbial
subordinada adjetiva reduzida de infinitivo: não há
pronome relativo e seu verbo está no infinitivo. A oração em destaque agrega uma circunstância de
tempo. É, portanto, chamada de oração subordinada
Classificação das Orações Subordinadas Adjetivas adverbial temporal. Os adjuntos adverbiais são termos
acessórios que indicam uma circunstância referente, via
Na relação que estabelecem com o termo que de regra, a um verbo. A classificação do adjunto adverbial
caracterizam, as orações subordinadas adjetivas podem depende da exata compreensão da circunstância que
atuar de duas maneiras diferentes. Há aquelas que exprime.
restringem ou especificam o sentido do termo a que Naquele momento, senti uma das maiores emoções de
se referem, individualizando-o. Nestas orações não minha vida.
há marcação de pausa, sendo chamadas subordinadas Quando vi o mar, senti uma das maiores emoções de
adjetivas restritivas. Existem também orações que realçam minha vida.
um detalhe ou amplificam dados sobre o antecedente,
que já se encontra suficientemente definido. Estas orações No primeiro período, “naquele momento” é um
denominam-se subordinadas adjetivas explicativas. adjunto adverbial de tempo, que modifica a forma verbal
LÍNGUA PORTUGUESA

“senti”. No segundo período, este papel é exercido


Exemplo 1: pela oração “Quando vi o mar”, que é, portanto, uma
oração subordinada adverbial temporal. Esta oração é
Jamais teria chegado aqui, não fosse um homem que desenvolvida, pois é introduzida por uma conjunção
passava naquele momento. subordinativa (quando) e apresenta uma forma verbal do
Oração Subordinada Adjetiva Restritiva modo indicativo (“vi”, do pretérito perfeito do indicativo).
Seria possível reduzi-la, obtendo-se:

64
Ao ver o mar, senti uma das maiores emoções de Principal conjunção subordinativa condicional: se.
minha vida. Outras conjunções condicionais: caso, contanto que,
desde que, salvo se, exceto se, a não ser que, a menos que,
A oração em destaque é reduzida, apresentando uma sem que, uma vez que (seguida de verbo no subjuntivo).
das formas nominais do verbo (“ver” no infinitivo) e não Se o regulamento do campeonato for bem elaborado,
é introduzida por conjunção subordinativa, mas sim por certamente o melhor time será campeão.
uma preposição (“a”, combinada com o artigo “o”). Caso você saia, convide-me.

Observação: D) Concessiva = indica concessão às ações do


A classificação das orações subordinadas adverbiais verbo da oração principal, isto é, admitem uma
é feita do mesmo modo que a classificação dos adjuntos contradição ou um fato inesperado. A ideia de
adverbiais. Baseia-se na circunstância expressa pela concessão está diretamente ligada ao contraste,
oração. à quebra de expectativa. Principal conjunção su-
bordinativa concessiva: embora. Utiliza-se tam-
bém a conjunção: conquanto e as locuções ainda
Classificação das Orações Subordinadas Adverbiais
que, ainda quando, mesmo que, se bem que, posto
que, apesar de que.
A) Causal = A ideia de causa está diretamente ligada
Só irei se ele for.
àquilo que provoca um determinado fato, ao moti-
A oração acima expressa uma condição: o fato de
vo do que se declara na oração principal. Principal “eu” ir só se realizará caso essa condição seja satisfeita.
conjunção subordinativa causal: porque. Outras Compare agora com:
conjunções e locuções causais: como (sempre in- Irei mesmo que ele não vá.
troduzido na oração anteposta à oração principal),
pois, pois que, já que, uma vez que, visto que. A distinção fica nítida; temos agora uma concessão:
As ruas ficaram alagadas porque a chuva foi muito irei de qualquer maneira, independentemente de sua ida.
forte. A oração destacada é, portanto, subordinada adverbial
Já que você não vai, eu também não vou. concessiva.
Observe outros exemplos:
A diferença entre a subordinada adverbial causal e Embora fizesse calor, levei agasalho.
a sindética explicativa é que esta “explica” o fato que Foi aprovado sem estudar (= sem que estudasse /
aconteceu na oração com a qual ela se relaciona; aquela embora não estudasse). (reduzida de infinitivo)
apresenta a “causa” do acontecimento expresso na
oração à qual ela se subordina. Repare: E) Comparativa= As orações subordinadas adver-
1. Faltei à aula porque estava doente. biais comparativas estabelecem uma comparação
2. Melissa chorou, porque seus olhos estão vermelhos. com a ação indicada pelo verbo da oração princi-
pal. Principal conjunção subordinativa comparati-
Em 1, a oração destacada aconteceu primeiro (causa) va: como.
que o fato expresso na oração anterior, ou seja, o fato de Ele dorme como um urso. (como um urso dorme)
estar doente impediu-me de ir à aula. No exemplo 2, a Você age como criança. (age como uma criança age)
oração sublinhada relata um fato que aconteceu depois,
já que primeiro ela chorou, depois seus olhos ficaram • geralmente há omissão do verbo.
vermelhos.
F) Conformativa = indica ideia de conformidade, ou
seja, apresenta uma regra, um modelo adotado
B) Consecutiva = exprime um fato que é consequência,
para a execução do que se declara na oração
é efeito do que se declara na oração principal. São
principal. Principal conjunção subordinativa
introduzidas pelas conjunções e locuções: que,
conformativa: conforme. Outras conjunções
de forma que, de sorte que, tanto que, etc., e pelas
conformativas: como, consoante e segundo (todas
estruturas tão...que, tanto...que, tamanho...que. com o mesmo valor de conforme).
Principal conjunção subordinativa consecutiva: que Fiz o bolo conforme ensina a receita.
(precedido de tal, tanto, tão, tamanho) Consoante reza a Constituição, todos os cidadãos têm
Nunca abandonou seus ideais, de sorte que acabou direitos iguais.
concretizando-os.
Não consigo ver televisão sem bocejar. (Oração G) Final = indica a intenção, a finalidade daquilo que
Reduzida de Infinitivo)
LÍNGUA PORTUGUESA

se declara na oração principal. Principal conjunção


subordinativa final: a fim de. Outras conjunções
C) Condicional = Condição é aquilo que se impõe finais: que, porque (= para que) e a locução
como necessário para a realização ou não de conjuntiva para que.
um fato. As orações subordinadas adverbiais Aproximei-me dela a fim de que ficássemos amigas.
condicionais exprimem o que deve ou não ocorrer Estudarei muito para que eu me saia bem na prova.
para que se realize - ou deixe de se realizar - o fato
expresso na oração principal.

65
H) Proporcional = exprime ideia de proporção, SITE
ou seja, um fato simultâneo ao expresso na Disponível em: <http://www.pciconcursos.com.br/
oração principal. Principal locução conjuntiva aulas/portugues/frase-periodo-e-oracao>
subordinativa proporcional: à proporção que.
Outras locuções conjuntivas proporcionais: à
medida que, ao passo que. Há ainda as estruturas:
quanto maior...(maior), quanto maior...(menor), EXERCÍCIOS COMENTADOS
quanto menor...(maior), quanto menor...(menor),
quanto mais...(mais), quanto mais...(menos), quanto 1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018)
menos...(mais), quanto menos...(menos). “Talvez um dia seja bom relembrar este dia”. (Virgílio) A
À proporção que estudávamos mais questões forma de oração desenvolvida adequada correspondente
acertávamos. à oração sublinhada acima é:
À medida que lia mais culto ficava.
a) relembrarmos este dia;
I) Temporal = acrescenta uma ideia de tempo ao fato b) a relembrança deste dia;
expresso na oração principal, podendo exprimir c) que relembremos este dia;
noções de simultaneidade, anterioridade ou d) que relembrássemos este dia;
posterioridade. Principal conjunção subordinativa e) uma nova lembrança deste dia.
temporal: quando. Outras conjunções
subordinativas temporais: enquanto, mal e Resposta: Letra C
locuções conjuntivas: assim que, logo que, todas as Em “c”: que relembremos este dia;
vezes que, antes que, depois que, sempre que, desde Em “d”: que relembrássemos este dia;
que, etc. Em uma oração desenvolvida há a presença de
Assim que Paulo chegou, a reunião acabou. conjunção. Ambos os itens têm, mas temos que fazer
Terminada a festa, todos se retiraram. (= Quando a correlação verbal com o período da oração reduzida
terminou a festa) (Oração Reduzida de Particípio) (o verbo nos dá uma hipótese – talvez seja bom
relembrar). Portanto, a forma correta é: Talvez um dia
Orações Reduzidas seja bom que relembremos este dia.

As orações subordinadas podem vir expressas como 2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE


reduzidas, ou seja, com o verbo em uma de suas formas LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Ou seja,
nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e sem foi usada para criar uma desigualdade social...”; se
conectivo subordinativo que as introduza. modificarmos a oração reduzida de infinitivo por uma
É preciso estudar! = reduzida de infinitivo oração desenvolvida, a forma adequada seria:
É preciso que se estude = oração desenvolvida
(presença do conectivo) a) para a criação de uma desigualdade social;
b) para que se criasse uma desigualdade social;
Para classificá-las, precisamos imaginar como seriam c) para que se crie uma desigualdade social;
“desenvolvidas” – como no exemplo acima. d) para a criatividade de uma desigualdade social;
É preciso estudar = oração subordinada substantiva e) para criarem uma desigualdade social.
subjetiva reduzida de infinitivo
É preciso que se estude = oração subordinada Resposta: Letra B
substantiva subjetiva Em “b”: para que se criasse uma desigualdade social;
Em “c”: para que se crie uma desigualdade social;
Orações Intercaladas Desenvolvida = tem conjunção. Ambas têm. A
diferença é o tempo verbal. A ação aconteceu (foi
São orações independentes encaixadas na sequência usada para criar): Ou seja, foi usada para que se criasse
do período, utilizadas para um esclarecimento, um uma desigualdade social.
aparte, uma citação. Elas vêm separadas por vírgulas ou
travessões. 3. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO
Nós – continuava o relator – já abordamos este – FGV-2017) Uma manchete do Estado de São Paulo,
assunto. 10/04/2017, dizia o seguinte: “Atentados contra cristãos
matam 44 no Egito e país decreta emergência”. As duas
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA orações desse período mantêm entre si a seguinte
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa relação lógica:
LÍNGUA PORTUGUESA

Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.


CAMPEDELLI, Samira Yousseff. Português – Literatura, a) causa e consequência;
Produção de Texto & Gramática – Volume único / Samira b) informação e comprovação;
Yousseff Campedelli, Jésus Barbosa Souza. – 3.ª edição – c) fato e exemplificação;
São Paulo: Saraiva, 2002. d) afirmação e explicação;
e) tese e argumentação.

66
Resposta: Letra A Resposta: Letra D
Atentados contra cristãos matam 44 no Egito e país O verbo “dar” é bitransitivo (transitivo direto e indireto):
decreta emergência = devido aos atentados (causa), Quem dá, dá algo (direto) a alguém (indireto). No
o país decretou emergência (consequência). caso: resposta (objeto direto) / lhe (objeto indireto =
a ele[a])
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO GABARITO OFICIAL: D
– FGV-2017) “Com as novas medidas para evitar a
abstenção, o governo espera uma economia vultosa no 7. (TRE-AC – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA
Enem”. A oração reduzida “para evitar a abstenção” pode ADMINISTRATIVA – AOCP-2015) Em “Ele diz que vota
ser adequadamente substituída pela seguinte oração desde os 18, quando ainda era jovem e morava em Minas
desenvolvida: Gerais, sua terra natal...”, a expressão em destaque

a) para que se evitasse a abstenção; a) exerce função de vocativo e não pode ser excluída da
b) a fim de que a abstenção fosse evitada; oração por tratar-se de um termo essencial.
c) para que se evite a abstenção; b) exerce função de aposto e pode ser excluída da oração
d) a fim de evitar-se a abstenção; por tratar-se de um termo acessório.
e) evitando-se a abstenção. c) exerce função de aposto e não pode ser excluída da
oração por tratar-se de um termo essencial.
Resposta: Letra C d) exerce função de adjunto adnominal, portanto é um
Em “a”: para que se evitasse a abstenção; termo acessório.
Em “b”: a fim de que a abstenção fosse evitada; e) exerce função de adjunto adverbial, portanto é um ter-
Em “c”: para que se evite a abstenção; mo acessório.
Desenvolvida tem conjunção. O período traz “para
evitar a abstenção” = hipótese. A forma correta é: “com Resposta: Letra B
as novas medidas para que se evite a abstenção”.
A expressão destacada exerce a função de aposto
– uma informação a mais sobre o termo citado
5. (MPE-AL – ANALISTA DO MINISTÉRIO PÚBLICO –
anteriormente (no caso, Minas Gerais). É um termo
ÁREA JURÍDICA – FGV-2018) Assinale a opção em que
acessório, podendo ser retirado do período sem
o termo sublinhado funciona como sujeito.
prejudicar a coerência.
a) “Em um regime de liberdades, há sempre o risco de
8. (TRF-1.ª REGIÃO – TÉCNICO JUDICIÁRIO –
excessos”.
b) “Sempre há, também, o oportunismo político-ideoló- INFORMÁTICA – FCC-2014)
gico para se aproveitar da crise”. Em 1980, um gigabyte de dados armazenados ocupava
c) “Não faltam, também, os arautos do quanto pior, me- uma sala...
lhor, ...”. O verbo que exige complemento tal como o sublinhado
d) “A greve atravessou vários sinais ao estrangular as vias acima está em:
de suprimento que mantêm o sistema produtivo fun-
cionando”. a) A capacidade de computação duplicou a cada 18
e) “Numa democracia, é livre a expressão”. meses nos últimos 20 anos ...
b) ... que deriva da informação.
Resposta: Letra C c) ... que reduz as barreiras ao acesso.
Em “a”: há sempre o risco de excessos = objeto direto d) ... do que era nos anos 70.
Em “b”: “Sempre há, também, o oportunismo político- e) ... atualmente, 200 gigabytes cabem no bolso de uma
ideológico = objeto direto camisa.
Em “c”: “Não faltam, também, os arautos do quanto
pior, melhor = sujeito Resposta: Letra C
Em “d”: que mantêm o sistema produtivo funcionando “Ocupava uma sala” = transitivo direto
= objeto direto Em “a”: A capacidade de computação duplicou =
Em “e”: é livre a expressão = predicativo do sujeito verbo intransitivo
Em “b”: que deriva da informação = transitivo indireto
6. (TJ-PE – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FUNÇÃO Em “c”: que reduz as barreiras = transitivo direto
JUDICIÁRIA – IBFC-2017 - ADAPTADA) “A resposta que Em “d”: do que era nos anos 70 = verbo de ligação
lhe daria seria: ‘Essa estória não aconteceu nunca para Em “e”: atualmente, 200 gigabytes cabem = verbo
que aconteça sempre... ’” O pronome destacado cumpre intransitivo
LÍNGUA PORTUGUESA

papel coesivo, mas também sintático na oração. Assim,


sintaticamente, ele deve ser classificado como: 9. (TJ-AL – TÉCNICO JUDICIÁRIO – FGV-2018) “Tenho
comentado aqui na Folha em diversas crônicas, os usos da
a) adjunto adnominal. internet, que se ressente ainda da falta de uma legislação
b) objeto direto. específica que coíba não somente os usos mas os abusos
c) complemento nominal. deste importante e eficaz veículo de comunicação”. Sobre
d) objeto indireto. as ocorrências do vocábulo que, nesse segmento do
e) predicativo. texto, é correto afirmar que:

67
a) são pronomes relativos com o mesmo antecedente;
b) exemplificam classes gramaticais diferentes;
c) mostram diferentes funções sintáticas; PONTUAÇÃO
d) são da mesma classe gramatical e da mesma função
sintática;
e) iniciam o mesmo tipo de oração subordinada. PONTUAÇÃO

Resposta: Letra D Os sinais de pontuação são marcações gráficas que


“Tenho comentado aqui na Folha em diversas crônicas, servem para compor a coesão e a coerência textual, além
os usos da internet, que (= a qual) se ressente ainda da de ressaltar especificidades semânticas e pragmáticas.
falta de uma legislação específica que (= a qual) coíba Um texto escrito adquire diferentes significados quando
não somente os usos mas os abusos deste importante pontuado de formas diversificadas. O uso da pontuação
e eficaz veículo de comunicação” = ambos podem depende, em certos momentos, da intenção do autor do
ser substituídos por “a qual”, portanto são pronomes discurso. Assim, os sinais de pontuação estão diretamente
relativos (pertencem à mesma classe gramatical); o 1.º relacionados ao contexto e ao interlocutor.
inicia uma oração subordinada adjetiva explicativa; o
2.º, adjetiva restritiva. Principais funções dos sinais de pontuação

10. (TRE-RJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA A) Ponto (.)


ADMINISTRATIVA – CONSULPLAN-2017) Analise as
afirmações apresentadas a seguir. • Indica o término do discurso ou de parte dele, en-
I. Em “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, a cerrando o período.
oração sublinhada é uma oração subordinada adjetiva
explicativa. • Usa-se nas abreviaturas: pág. (página), Cia. (Com-
II. Em “[...] tem surgido, cada vez mais frequente, o panhia). Se a palavra abreviada aparecer em final
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada atua de período, este não receberá outro ponto; neste
como sujeito da locução verbal “ter surgido”. caso, o ponto de abreviatura marca, também, o fim
III. “Não pense que para por aí [...]”, a oração sublinhada de período. Exemplo: Estudei português, matemári-
é uma oração subordinada substantiva objetiva direta. ca, constitucional, etc. (e não “etc..”)
IV. Em “[...] se te chamarem de ‘queridinho’, querem é
que você exploda.”, a oração destacada é uma oração • Nos títulos e cabeçalhos é opcional o emprego do
subordinada adverbial causal. ponto, assim como após o nome do autor de uma
citação:
Estão corretas apenas as afirmativas Haverá eleições em outubro
O culto do vernáculo faz parte do brio cívico. (Napoleão
a) I e II. Mendes de Almeida) (ou: Almeida.)
b) II e III.
c) III e IV. • Os números que identificam o ano não utilizam pon-
d) I, II e IV. to nem devem ter espaço a separá-los, bem como
os números de CEP: 1975, 2014, 2006, 17600-250.
Resposta: Letra B
Em “I” - “Existe alguma hora que não seja de relógio?”, B) Ponto e Vírgula (;)
a oração sublinhada é uma oração subordinada
adjetiva explicativa = substituindo “que” por “a qual”, • Separa várias partes do discurso, que têm a mesma
continua com sentido, então é pronome relativo – importância: “Os pobres dão pelo pão o trabalho; os
presente nas adjetivas, mas no período em questão ricos dão pelo pão a fazenda; os de espíritos genero-
temos uma restritiva = incorreta sos dão pelo pão a vida; os de nenhum espírito dão
Em “II” - tem surgido, cada vez mais frequente, o pelo pão a alma...” (VIEIRA)
diminutivo do gerúndio.”, a expressão destacada
atua como sujeito da locução verbal “ter surgido” = • Separa partes de frases que já estão separadas por
correta vírgulas: Alguns quiseram verão, praia e calor; ou-
Em “III” - “Não pense que para por aí [...]”, a oração tros, montanhas, frio e cobertor.
sublinhada é uma oração subordinada substantiva
objetiva direta = correta • Separa itens de uma enumeração, exposição de mo-
Em “IV” - se te chamarem de ‘queridinho’, a oração tivos, decreto de lei, etc.
LÍNGUA PORTUGUESA

destacada é uma oração subordinada adverbial causal Ir ao supermercado;


= adverbial condicional (“se”) = incorreta Pegar as crianças na escola;
Caminhada na praia;
Reunião com amigos.

68
C) Dois pontos (:) C) das expressões explicativas ou corretivas: As indús-
trias não querem abrir mão de suas vantagens, isto
• Antes de uma citação = Vejamos como Afrânio Cou- é, não querem abrir mão dos lucros altos.
tinho trata este assunto:
• Antes de um aposto = Três coisas não me agradam: 2. Para marcar inversão:
chuva pela manhã, frio à tarde e calor à noite. A) do adjunto adverbial (colocado no início da ora-
• Antes de uma explicação ou esclarecimento: Lá es- ção): Depois das sete horas, todo o comércio está de
tava a deplorável família: triste, cabisbaixa, vivendo portas fechadas.
a rotina de sempre. B) dos objetos pleonásticos antepostos ao verbo: Aos
pesquisadores, não lhes destinaram verba alguma.
• Em frases de estilo direto C) do nome de lugar anteposto às datas: Recife, 15 de
Maria perguntou: maio de 1982.
- Por que você não toma uma decisão?
3. Para separar entre si elementos coordenados
D) Ponto de Exclamação (!) (dispostos em enumeração):
Era um garoto de 15 anos, alto, magro.
• Usa-se para indicar entonação de surpresa, cólera, A ventania levou árvores, e telhados, e pontes, e
susto, súplica, etc.: Sim! Claro que eu quero me ca- animais.
sar com você!
4. Para marcar elipse (omissão) do verbo: Nós
• Depois de interjeições ou vocativos queremos comer pizza; e vocês, churrasco.
Ai! Que susto!
João! Há quanto tempo! 5. Para isolar:
A) o aposto: São Paulo, considerada a metrópole bra-
E) Ponto de Interrogação (?)
sileira, possui um trânsito caótico.
B) o vocativo: Ora, Thiago, não diga bobagem.
• Usa-se nas interrogações diretas e indiretas livres.
“- Então? Que é isso? Desertaram ambos?” (Artur
Observações:
Azevedo)
Considerando-se que “etc.” é abreviatura da
expressão latina et coetera, que significa “e outras coisas”,
F) Reticências (...)
seria dispensável o emprego da vírgula antes dele.
• Indica que palavras foram suprimidas: Comprei lápis, Porém, o acordo ortográfico em vigor no Brasil exige
canetas, cadernos... que empreguemos etc. predecido de vírgula: Falamos de
• Indica interrupção violenta da frase: “- Não... quero política, futebol, lazer, etc.
dizer... é verdad... Ah!” As perguntas que denotam surpresa podem ter
• Indica interrupções de hesitação ou dúvida: Este combinados o ponto de interrogação e o de exclamação:
mal... pega doutor? Você falou isso para ela?!
• Indica que o sentido vai além do que foi dito: Deixa,
depois, o coração falar... Temos, ainda, sinais distintivos:
• a barra ( / ) = usada em datas (25/12/2014), separa-
G) Vírgula (,) ção de siglas (IOF/UPC);
• os colchetes ([ ]) = usados em transcrições feitas
Não se usa vírgula pelo narrador ([vide pág. 5]), usado como primeira
Separando termos que, do ponto de vista sintático, opção aos parênteses, principalmente na matemá-
ligam-se diretamente entre si: tica;
• o asterisco (*) = usado para remeter o leitor a uma
1. Entre sujeito e predicado: nota de rodapé ou no fim do livro, para substituir
Todos os alunos da sala foram advertidos. um nome que não se quer mencionar.
Sujeito predicado
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
2. Entre o verbo e seus objetos: CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
O trabalho custou sacrifício aos realizadores. Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform.
V.T.D.I. O.D. O.I. – São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
LÍNGUA PORTUGUESA

Usa-se a vírgula: Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

1. Para marcar intercalação: SITE


A) do adjunto adverbial: O café, em razão da sua Disponível em: <http://www.infoescola.com/
abundância, vem caindo de preço. portugues/pontuacao/>
B) da conjunção: Os cerrados são secos e áridos. Estão Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
produzindo, todavia, altas quantidades de alimen- gramatica/uso-da-virgula.htm>
tos.

69
No texto 1, os termos inseridos nos parênteses – na
Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista de
EXERCÍCIOS COMENTADOS Mussolini – têm a finalidade textual de:

1. (BANPARÁ – ASSISTENTE SOCIAL – FADESP-2018) a) enumerar os sistemas políticos fechados do passado;


O enunciado em que a vírgula foi empregada em b) destacar os sistemas onde se originaram os regimes
desacordo com as regras de pontuação é trabalhista e previdenciário;
c) criticar o atraso político de alguns sistemas da História;
a) Como esse metal é limitado, isso garantia que a pro- d) condenar nossos regimes trabalhista e previdenciário
dução de dinheiro fosse também limitada. por serem muito antigos;
b) Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o padrão- e) exemplificar alguns dos nossos erros do passado.
-ouro.
c) Praticamente todo o dinheiro que existe no mundo é Resposta: Letra B
criado assim, inventado em canetaços a partir da con- Arquitetados de início em sistemas políticos fechados
cessão de empréstimos. (na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália
d) Assim, o sistema monetário atual funciona com uma fascista de Mussolini) = os termos entre parênteses
moeda que é ao mesmo tempo escassa e abundante. servem para se referir aos sistemas políticos fechados,
e) Escassa porque só banqueiros podem criá-la, e abun- exemplificando-os.
dante porque é gerada pela simples manipulação de Em “a”, enumerar os sistemas políticos fechados do
bancos de dados. passado = incorreta
Em “b”, destacar os sistemas onde se originaram os
Resposta: Letra E regimes trabalhista e previdenciário = correta
O enunciado pede a alternativa em desacordo: Em “c”, criticar o atraso político de alguns sistemas da
Em “a”, Como esse metal é limitado, isso garantia História = incorreta
que a produção de dinheiro fosse também limitada Em “d”, condenar nossos regimes trabalhista e
= correta previdenciário por serem muito antigos = incorreta
Em “b”, Em 1971, o presidente dos EUA acabou com o Em “e”, exemplificar alguns dos nossos erros do
padrão-ouro = correta passado = incorreta
Em “c”, Praticamente todo o dinheiro que existe no
mundo é criado assim, inventado em canetaços a 3. (BADESC – ANALISTA DE SISTEMA – BANCO DE
partir da concessão de empréstimos = correta DADOS – FGV-2010) Assinale a alternativa em que a
Em “d”, Assim, o sistema monetário atual funciona vírgula está corretamente empregada.
com uma moeda que é ao mesmo tempo escassa e
abundante = correta a) O jeitinho, essa instituição tipicamente brasileira pode
Em “e”, Escassa porque só banqueiros podem criá- ser considerado, sem dúvida, um desvio de caráter.
la, (X) e abundante porque é gerada pela simples b) Apareciam novos problemas, e o funcionário embora
manipulação de bancos de dados = incorreta - a competente, nem sempre conseguia resolvê-los.
vírgula pode ser utilizada antes da conjunção “e”, c) Ainda que os níveis de educação estivessem avançan-
desde que haja mudança de sujeito, por exemplo (o do, o sentimento geral, às vezes, era de frustração.
que não acontece na questão) d) É claro, que se fôssemos levar a lei ao pé da letra, mui-
GABARITO OFICIAL: E tos sofreriam sanções diariamente.
e) O tempo não para as transformações sociais são ur-
2. (BANESTES – ANALISTA ECONÔMICO FINANCEIRO gentes mas há quem não perceba esse fato, que é
GESTÃO CONTÁBIL – FGV-2018) evidente.

Texto 1 Resposta: Letra C


Indiquei com (X) os lugares inadequados e acrescentei
Em artigo publicado no jornal carioca O Globo, 19/3/2018, a pontuação que faltou:
com o nome Erros do passado, o articulista Paulo Em “a”, O jeitinho, essa instituição tipicamente
Guedes escreve o seguinte: “Os regimes trabalhista e brasileira , pode ser considerado, sem dúvida, um
previdenciário brasileiros são politicamente anacrônicos, desvio de caráter.
economicamente desastrosos e socialmente perversos. Em “b”, Apareciam novos problemas , (X) e o funcionário
Arquitetados de início em sistemas políticos fechados , embora competente, nem sempre conseguia resolvê-
(na Alemanha imperial de Bismarck e na Itália fascista los.
de Mussolini), e desde então cultivados por obsoletos Em “c”, Ainda que os níveis de educação estivessem
LÍNGUA PORTUGUESA

programas socialdemocratas, são hoje armas de avançando, o sentimento geral, às vezes, era de
destruição em massa de empregos locais em meio à frustração.= correta
competição global. Reduzem a competitividade das Em “d”, É claro , (X) que se fôssemos levar a lei ao pé da
empresas, fabricam desigualdades sociais, dissipam em letra, muitos sofreriam sanções diariamente.
consumo corrente a poupança compulsória dos encargos Em “e”, O tempo não para , as transformações sociais
recolhidos, derrubam o crescimento da economia e são urgentes , mas há quem não perceba esse fato,
solapam o valor futuro das aposentadorias”. (adaptado) que é evidente.

70
4. (BANCO DO BRASIL – ESCRITURÁRIO – De acordo com a norma-padrão, no primeiro quadrinho,
CESGRANRIO-2018) De acordo com a norma-padrão na fala de Hagar, deve ser utilizada uma vírgula,
da língua portuguesa, a pontuação está corretamente obrigatoriamente,
empregada em:
a) antes da palavra “olho”.
a) O conjunto de preocupações e ações efetivas, quando b) antes da palavra “e”.
atendem, de forma voluntária, aos funcionários e c) depois da palavra “evitar”.
à comunidade em geral, pode ser definido como d) antes da palavra “evitar”.
responsabilidade social. e) depois da palavra “e”.
b) As empresas que optam por encampar a prática da
responsabilidade social, beneficiam-se de conseguir Resposta: Letra C
uma melhor imagem no mercado. “Não posso evitar doutor” = no diálogo, Hagar fala com
c) A noção de responsabilidade social foi muito utilizada o doutor (vocativo); portanto, presença obrigatória de
em campanhas publicitárias: por isso, as empresas vírgula após o verbo “evitar”.
precisam relacionar-se melhor, com a sociedade.
d) A responsabilidade social explora um leque abrangente 6. (TJ-RS – JUIZ DE DIREITO – SUBSTITUTO –
de beneficiários, envolvendo assim: a qualidade de VUNESP-2018) No trecho do primeiro parágrafo
vida o bem-estar dos trabalhadores, a redução de do texto – Nas escolas da Catalunha, a separação da
impactos negativos, no meio ambiente. Espanha tem apoio maciço. É uma situação que contrasta
e) Alguns críticos da responsabilidade social defendem com outros lugares de Barcelona, uma cidade que vive
a ideia de que: o objetivo das empresas é o lucro e hoje em duas dimensões. De um lado, há a Barcelona
a geração de empregos não a preocupação com a dos turistas, que se cotovelam nos pontos turísticos da
sociedade como um todo. cidade, … –, empregam-se as vírgulas para separar as
expressões destacadas porque elas
Resposta: Letra A
a) acrescem às informações precedentes comentários
Assinalei com (X) as inadequações e destaquei as
que lhes ampliam o sentido.
inclusões:
b) sintetizam as ideias centrais das informações prece-
Em “a”: O conjunto de preocupações e ações efetivas,
dentes.
quando atendem, de forma voluntária, aos funcionários
c) apresentam informações que se opõem às informa-
e à comunidade em geral, pode ser definido como
ções precedentes.
responsabilidade social = correta
d) retificam as informações precedentes, dando-lhes o
Em “b”: As empresas que optam por encampar a correto matiz semântico.
prática da responsabilidade social, (X) beneficiam-se e) estabelecem certas restrições de sentido às informa-
de conseguir uma melhor imagem no mercado. ções precedentes.
Em “c”: A noção de responsabilidade social foi muito
utilizada em campanhas publicitárias: (X) ; por isso, as Resposta: Letra A
empresas precisam relacionar-se melhor, (X) com a É uma situação que contrasta com outros lugares
sociedade. de Barcelona, uma cidade que vive hoje em duas
Em “d”: A responsabilidade social explora um leque dimensões. De um lado, há a Barcelona dos turistas,
abrangente de beneficiários, envolvendo , assim: (X) , que se cotovelam nos pontos turísticos da cidade
a qualidade de vida , o bem-estar dos trabalhadores, Os períodos destacados acrescentam informações aos
(X) e a redução de impactos negativos, (X) no meio termos citados anteriormente.
ambiente.
Em “e”: Alguns críticos da responsabilidade social
defendem a ideia de que: (X) o objetivo das empresas é CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL
o lucro e a geração de empregos , não a preocupação
com a sociedade como um todo.
GABARITO OFICIAL: A CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
5. (PC-SP - Investigador de Polícia – Vunesp-2014) Os concurseiros estão apreensivos.
Concurseiros apreensivos.

No primeiro exemplo, o verbo estar se encontra


na terceira pessoa do plural, concordando com o seu
LÍNGUA PORTUGUESA

sujeito, os concurseiros. No segundo exemplo, o adjetivo


“apreensivos” está concordando em gênero (masculino)
e número (plural) com o substantivo a que se refere:
concurseiros. Nesses dois exemplos, as flexões de pessoa,
(Folha de S.Paulo, 03.01.2014. Adaptado) número e gênero se correspondem. A correspondência
de flexão entre dois termos é a concordância, que pode
ser verbal ou nominal.

71
Concordância Verbal D) Quando o sujeito é um pronome interrogativo ou
indefinido plural (quais, quantos, alguns, poucos,
É a flexão que se faz para que o verbo concorde com muitos, quaisquer, vários) seguido por “de nós” ou
seu sujeito. “de vós”, o verbo pode concordar com o primeiro
pronome (na terceira pessoa do plural) ou com o
Sujeito Simples - Regra Geral pronome pessoal.
Quais de nós são / somos capazes?
O sujeito, sendo simples, com ele concordará o verbo Alguns de vós sabiam / sabíeis do caso?
em número e pessoa. Veja os exemplos: Vários de nós propuseram / propusemos sugestões
inovadoras.
A prova para ambos os cargos será aplicada às 13h.
3.ª p. Singular 3.ª p. Singular Observação:
Veja que a opção por uma ou outra forma indica a
Os candidatos à vaga chegarão às 12h. inclusão ou a exclusão do emissor. Quando alguém
3.ª p. Plural 3.ª p. Plural diz ou escreve “Alguns de nós sabíamos de tudo e nada
fizemos”, ele está se incluindo no grupo dos omissos. Isso
Casos Particulares não ocorre ao dizer ou escrever “Alguns de nós sabiam de
tudo e nada fizeram”, frase que soa como uma denúncia.
A) Quando o sujeito é formado por uma expressão Nos casos em que o interrogativo ou indefinido
partitiva (parte de, uma porção de, o grosso de, metade estiver no singular, o verbo ficará no singular.
de, a maioria de, a maior parte de, grande parte de...) Qual de nós é capaz?
seguida de um substantivo ou pronome no plural, o Algum de vós fez isso.
verbo pode ficar no singular ou no plural.
A maioria dos jornalistas aprovou / aprovaram a ideia. E) Quando o sujeito é formado por uma expressão
Metade dos candidatos não apresentou / apresentaram que indica porcentagem seguida de substantivo, o
proposta. verbo deve concordar com o substantivo.
25% do orçamento do país será destinado à Educação.
Esse mesmo procedimento pode se aplicar aos casos 85% dos entrevistados não aprovam a administração
dos coletivos, quando especificados: Um bando de do prefeito.
vândalos destruiu / destruíram o monumento. 1% do eleitorado aceita a mudança.
1% dos alunos faltaram à prova.
Observação:
Nesses casos, o uso do verbo no singular enfatiza a • Quando a expressão que indica porcentagem não
unidade do conjunto; já a forma plural confere destaque é seguida de substantivo, o verbo deve concordar
aos elementos que formam esse conjunto. com o número.
25% querem a mudança.
B) Quando o sujeito é formado por expressão que 1% conhece o assunto.
indica quantidade aproximada (cerca de, mais
de, menos de, perto de...) seguida de numeral e • Se o número percentual estiver determinado por
substantivo, o verbo concorda com o substantivo. artigo ou pronome adjetivo, a concordância far-
Cerca de mil pessoas participaram do concurso. se-á com eles:
Perto de quinhentos alunos compareceram à Os 30% da produção de soja serão exportados.
solenidade. Esses 2% da prova serão questionados.
Mais de um atleta estabeleceu novo recorde nas
últimas Olimpíadas. F) O pronome “que” não interfere na concordância;
já o “quem” exige que o verbo fique na 3.ª pessoa
Observação: do singular.
Quando a expressão “mais de um” se associar a verbos Fui eu que paguei a conta.
que exprimem reciprocidade, o plural é obrigatório: Mais Fomos nós que pintamos o muro.
de um colega se ofenderam na discussão. (ofenderam um És tu que me fazes ver o sentido da vida.
ao outro) Sou eu quem faz a prova.
Não serão eles quem será aprovado.
C) Quando se trata de nomes que só existem no
plural, a concordância deve ser feita levando-se G) Com a expressão “um dos que”, o verbo deve
em conta a ausência ou presença de artigo. Sem assumir a forma plural.
LÍNGUA PORTUGUESA

artigo, o verbo deve ficar no singular; com artigo Ademir da Guia foi um dos jogadores que mais
no plural, o verbo deve ficar o plural. encantaram os poetas.
Os Estados Unidos possuem grandes universidades. Este candidato é um dos que mais estudaram!
Estados Unidos possui grandes universidades.
Alagoas impressiona pela beleza das praias. • Se a expressão for de sentido contrário – nenhum
As Minas Gerais são inesquecíveis. dos que, nem um dos que -, não aceita o verbo no
Minas Gerais produz queijo e poesia de primeira. singular:

72
Nenhum dos que foram aprovados assumirá a vaga. Observação:
Nem uma das que me escreveram mora aqui. Quando o sujeito é composto, formado por um
elemento da segunda pessoa (tu) e um da terceira (ele),
• Quando “um dos que” vem entremeada de é possível empregar o verbo na terceira pessoa do plural
substantivo, o verbo pode: (eles): “Tu e teus irmãos tomarão a decisão.” – no lugar
1. ficar no singular – O Tietê é um dos rios que atravessa de “tomaríeis”.
o Estado de São Paulo. (já que não há outro rio que
faça o mesmo). C) No caso do sujeito composto posposto ao
2. ir para o plural – O Tietê é um dos rios que estão verbo, passa a existir uma nova possibilidade de
poluídos (noção de que existem outros rios na concordância: em vez de concordar no plural com
mesma condição). a totalidade do sujeito, o verbo pode estabelecer
concordância com o núcleo do sujeito mais
H) Quando o sujeito é um pronome de tratamento, o próximo.
verbo fica na 3ª pessoa do singular ou plural. Faltaram coragem e competência.
Vossa Excelência está cansado? Faltou coragem e competência.
Vossas Excelências renunciarão? Compareceram todos os candidatos e o banca.
Compareceu o banca e todos os candidatos.
I) A concordância dos verbos bater, dar e soar faz-se
de acordo com o numeral. D) Quando ocorre ideia de reciprocidade, a
Deu uma hora no relógio da sala. concordância é feita no plural. Observe:
Deram cinco horas no relógio da sala. Abraçaram-se vencedor e vencido.
Soam dezenove horas no relógio da praça. Ofenderam-se o jogador e o árbitro.
Baterão doze horas daqui a pouco.
Casos Particulares
Observação:
Caso o sujeito da oração seja a palavra relógio, sino,
• Quando o sujeito composto é formado por núcleos
torre, etc., o verbo concordará com esse sujeito.
sinônimos ou quase sinônimos, o verbo fica no
O tradicional relógio da praça matriz dá nove horas.
singular.
Soa quinze horas o relógio da matriz.
Descaso e desprezo marca seu comportamento.
A coragem e o destemor fez dele um herói.
J) Verbos Impessoais: por não se referirem a nenhum
sujeito, são usados sempre na 3.ª pessoa do
singular. São verbos impessoais: Haver no sentido • Quando o sujeito composto é formado por núcleos
de existir; Fazer indicando tempo; Aqueles que dispostos em gradação, verbo no singular:
indicam fenômenos da natureza. Exemplos: Com você, meu amor, uma hora, um minuto, um
Havia muitas garotas na festa. segundo me satisfaz.
Faz dois meses que não vejo meu pai.
Chovia ontem à tarde. • Quando os núcleos do sujeito composto são unidos
por “ou” ou “nem”, o verbo deverá ficar no plural,
Sujeito Composto de acordo com o valor semântico das conjunções:
Drummond ou Bandeira representam a essência da
A) Quando o sujeito é composto e anteposto ao poesia brasileira.
verbo, a concordância se faz no plural: Nem o professor nem o aluno acertaram a resposta.

Pai e filho conversavam longamente. Em ambas as orações, as conjunções dão ideia de


Sujeito “adição”. Já em:
Juca ou Pedro será contratado.
Pais e filhos devem conversar com frequência. Roma ou Buenos Aires será a sede da próxima
Sujeito Olimpíada.

B) Nos sujeitos compostos formados por pessoas Temos ideia de exclusão, por isso os verbos ficam
gramaticais diferentes, a concordância ocorre da no singular.
seguinte maneira: a primeira pessoa do plural (nós)
prevalece sobre a segunda pessoa (vós) que, por • Com as expressões “um ou outro” e “nem um
sua vez, prevalece sobre a terceira (eles). Veja: nem outro”, a concordância costuma ser feita no
LÍNGUA PORTUGUESA

Teus irmãos, tu e eu tomaremos a decisão. singular.


Primeira Pessoa do Plural (Nós) Um ou outro compareceu à festa.
Nem um nem outro saiu do colégio.
Tu e teus irmãos tomareis a decisão.
Segunda Pessoa do Plural (Vós) • Com “um e outro”, o verbo pode ficar no plural ou
no singular: Um e outro farão/fará a prova.
Pais e filhos precisam respeitar-se.
Terceira Pessoa do Plural (Eles)

73
• Quando os núcleos do sujeito são unidos por “com”, o Quando pronome apassivador, o “se” acompanha
verbo fica no plural. Nesse caso, os núcleos recebem verbos transitivos diretos (VTD) e transitivos diretos e
um mesmo grau de importância e a palavra “com” indiretos (VTDI) na formação da voz passiva sintética.
tem sentido muito próximo ao de “e”. Nesse caso, o verbo deve concordar com o sujeito da
O pai com o filho montaram o brinquedo. oração. Exemplos:
O governador com o secretariado traçaram os planos Construiu-se um posto de saúde.
para o próximo semestre. Construíram-se novos postos de saúde.
O professor com o aluno questionaram as regras. Aqui não se cometem equívocos
Alugam-se casas.
Nesse mesmo caso, o verbo pode ficar no singular, se
a ideia é enfatizar o primeiro elemento.
O pai com o filho montou o brinquedo.
#FicaDica
O governador com o secretariado traçou os planos
para o próximo semestre. Para saber se o “se” é partícula apassivadora
O professor com o aluno questionou as regras. ou índice de indeterminação do sujeito, ten-
te transformar a frase para a voz passiva. Se
Com o verbo no singular, não se pode falar em a frase construída for “compreensível”, esta-
sujeito composto. O sujeito é simples, uma vez que as remos diante de uma partícula apassivadora;
expressões “com o filho” e “com o secretariado” são se não, o “se” será índice de indeterminação.
adjuntos adverbiais de companhia. Na verdade, é como Veja:
se houvesse uma inversão da ordem. Veja: Precisa-se de funcionários qualificados.
“O pai montou o brinquedo com o filho.” Tentemos a voz passiva:
“O governador traçou os planos para o próximo Funcionários qualificados são precisados (ou
semestre com o secretariado.” precisos)? Não há lógica. Portanto, o “se”
“O professor questionou as regras com o aluno.”
destacado é índice de indeterminação do
sujeito.
Casos em que se usa o verbo no singular:
Agora:
Vendem-se casas.
Café com leite é uma delícia!
Voz passiva: Casas são vendidas. Constru-
O frango com quiabo foi receita da vovó.
ção correta! Então, aqui, o “se” é partícula
apassivadora. (Dá para eu passar para a voz
Quando os núcleos do sujeito são unidos por
expressões correlativas como: “não só... mas ainda”, “não passiva. Repare em meu destaque. Percebeu
somente”..., “não apenas... mas também”, “tanto...quanto”, semelhança? Agora é só memorizar!).
o verbo ficará no plural.
Não só a seca, mas também o pouco caso castigam o
Nordeste. O Verbo “Ser”
Tanto a mãe quanto o filho ficaram surpresos com a
notícia. A concordância verbal dá-se sempre entre o verbo
e o sujeito da oração. No caso do verbo ser, essa
Quando os elementos de um sujeito composto são concordância pode ocorrer também entre o verbo e o
resumidos por um aposto recapitulativo, a concordância predicativo do sujeito.
é feita com esse termo resumidor.
Filmes, novelas, boas conversas, nada o tirava da Quando o sujeito ou o predicativo for:
apatia.
Trabalho, diversão, descanso, tudo é muito importante A) Nome de pessoa ou pronome pessoal – o verbo
na vida das pessoas. SER concorda com a pessoa gramatical:
Ele é forte, mas não é dois.
Outros Casos Fernando Pessoa era vários poetas.
A esperança dos pais são eles, os filhos.
O Verbo e a Palavra “SE”
B) nome de coisa e um estiver no singular e o outro no
Dentre as diversas funções exercidas pelo “se”, há plural, o verbo SER concordará, preferencialmente,
duas de particular interesse para a concordância verbal: com o que estiver no plural:
A) quando é índice de indeterminação do sujeito; Os livros são minha paixão!
B) quando é partícula apassivadora. Minha paixão são os livros!
LÍNGUA PORTUGUESA

Quando índice de indeterminação do sujeito, o “se” Quando o verbo SER indicar


acompanha os verbos intransitivos, transitivos indiretos
e de ligação, que obrigatoriamente são conjugados na • horas e distâncias, concordará com a expressão
terceira pessoa do singular: numérica:
Precisa-se de funcionários. É uma hora.
Confia-se em teses absurdas. São quatro horas.

74
Daqui até a escola é um quilômetro / são dois A concordância do adjetivo ocorre de acordo com as
quilômetros. seguintes regras gerais:
A) O adjetivo concorda em gênero e número quando
• datas, concordará com a palavra dia(s), que pode se refere a um único substantivo: As mãos trêmulas
estar expressa ou subentendida: denunciavam o que sentia.
Hoje é dia 26 de agosto. B) Quando o adjetivo refere-se a vários substantivos,
Hoje são 26 de agosto. a concordância pode variar. Podemos sistematizar
essa flexão nos seguintes casos:
• Quando o sujeito indicar peso, medida, quantidade
e for seguido de palavras ou expressões como • Adjetivo anteposto aos substantivos:
pouco, muito, menos de, mais de, etc., o verbo SER O adjetivo concorda em gênero e número com o
fica no singular: substantivo mais próximo.
Cinco quilos de açúcar é mais do que preciso. Encontramos caídas as roupas e os prendedores.
Três metros de tecido é pouco para fazer seu vestido. Encontramos caída a roupa e os prendedores.
Duas semanas de férias é muito para mim. Encontramos caído o prendedor e a roupa.

• Quando um dos elementos (sujeito ou predicativo) Caso os substantivos sejam nomes próprios ou de
for pronome pessoal do caso reto, com este parentesco, o adjetivo deve sempre concordar no plural.
concordará o verbo. As adoráveis Fernanda e Cláudia vieram me visitar.
No meu setor, eu sou a única mulher. Encontrei os divertidos primos e primas na festa.
Aqui os adultos somos nós.
• Adjetivo posposto aos substantivos:
Observação: O adjetivo concorda com o substantivo mais próximo
Sendo ambos os termos (sujeito e predicativo) ou com todos eles (assumindo a forma masculina plural
representados por pronomes pessoais, o verbo concorda se houver substantivo feminino e masculino).
com o pronome sujeito. A indústria oferece localização e atendimento perfeito.
Eu não sou ela. A indústria oferece atendimento e localização perfeita.
Ela não é eu. A indústria oferece localização e atendimento perfeitos.
A indústria oferece atendimento e localização perfeitos.
• Quando o sujeito for uma expressão de sentido
partitivo ou coletivo e o predicativo estiver no Observação:
plural, o verbo SER concordará com o predicativo. Os dois últimos exemplos apresentam maior clareza,
A grande maioria no protesto eram jovens. pois indicam que o adjetivo efetivamente se refere aos
O resto foram atitudes imaturas. dois substantivos. Nesses casos, o adjetivo foi flexionado
no plural masculino, que é o gênero predominante
O Verbo “Parecer” quando há substantivos de gêneros diferentes.
O verbo parecer, quando é auxiliar em uma Se os substantivos possuírem o mesmo gênero, o
locução verbal (é seguido de infinitivo), admite duas adjetivo fica no singular ou plural.
concordâncias: A beleza e a inteligência feminina(s).
O carro e o iate novo(s).
• Ocorre variação do verbo PARECER e não se flexiona
o infinitivo: As crianças parecem gostar do desenho. C) Expressões formadas pelo verbo SER + adjetivo:
O adjetivo fica no masculino singular, se o substantivo
• A variação do verbo parecer não ocorre e o infinitivo não for acompanhado de nenhum modificador: Água é
sofre flexão: bom para saúde.
As crianças parece gostarem do desenho. O adjetivo concorda com o substantivo, se este
(essa frase equivale a: Parece gostarem do desenho for modificado por um artigo ou qualquer outro
aas crianças) determinativo: Esta água é boa para saúde.

Com orações desenvolvidas, o verbo PARECER fica no D) O adjetivo concorda em gênero e número com
singular. Por exemplo: As paredes parece que têm ouvidos. os pronomes pessoais a que se refere: Juliana
(Parece que as paredes têm ouvidos = oração subordinada encontrou-as muito felizes.
substantiva subjetiva).
E) Nas expressões formadas por pronome indefinido
LÍNGUA PORTUGUESA

Concordância Nominal neutro (nada, algo, muito, tanto, etc.) + preposição


DE + adjetivo, este último geralmente é usado
A concordância nominal se baseia na relação entre no masculino singular: Os jovens tinham algo de
nomes (substantivo, pronome) e as palavras que a eles se misterioso.
ligam para caracterizá-los (artigos, adjetivos, pronomes
adjetivos, numerais adjetivos e particípios). Lembre-se: F) A palavra “só”, quando equivale a “sozinho”, tem
normalmente, o substantivo funciona como núcleo de um função adjetiva e concorda normalmente com o
termo da oração, e o adjetivo, como adjunto adnominal. nome a que se refere:

75
Cristina saiu só. Anexo - Obrigado - Mesmo - Próprio - Incluso -
Cristina e Débora saíram sós. Quite
Estas palavras adjetivas concordam em gênero e
Observação: número com o substantivo ou pronome a que se referem.
Quando a palavra “só” equivale a “somente” ou Seguem anexas as documentações requeridas.
“apenas”, tem função adverbial, ficando, portanto, A menina agradeceu: - Muito obrigada.
invariável: Eles só desejam ganhar presentes. Muito obrigadas, disseram as senhoras.
Seguem inclusos os papéis solicitados.
Estamos quites com nossos credores.
#FicaDica
Bastante - Caro - Barato - Longe
Substitua o “só” por “apenas” ou “sozinho”. Estas palavras são invariáveis quando funcionam
Se a frase ficar coerente com o primeiro, como advérbios. Concordam com o nome a que se
trata-se de advérbio, portanto, invariável; se referem quando funcionam como adjetivos, pronomes
houver coerência com o segundo, função de adjetivos, ou numerais.
adjetivo, então varia: As jogadoras estavam bastante cansadas. (advérbio)
Ela está só. (ela está sozinha) – adjetivo Há bastantes pessoas insatisfeitas com o trabalho.
Ele está só descansando. (apenas (pronome adjetivo)
descansando) - advérbio Nunca pensei que o estudo fosse tão caro. (advérbio)
As casas estão caras. (adjetivo)
Achei barato este casaco. (advérbio)
Mas cuidado! Se colocarmos uma vírgula depois de Hoje as frutas estão baratas. (adjetivo)
“só”, haverá, novamente, um adjetivo:
Ele está só, descansando. (ele está sozinho e Meio - Meia
descansando) A palavra “meio”, quando empregada como adjetivo,
concorda normalmente com o nome a que se refere: Pedi
G) Quando um único substantivo é modificado por meia porção de polentas.
dois ou mais adjetivos no singular, podem ser Quando empregada como advérbio permanece
usadas as construções: invariável: A candidata está meio nervosa.
• O substantivo permanece no singular e coloca-se o
artigo antes do último adjetivo: Admiro a cultura
espanhola e a portuguesa. #FicaDica
• O substantivo vai para o plural e omite-se o artigo
antes do adjetivo: Admiro as culturas espanhola e Dá para eu substituir por “um pouco”, assim
portuguesa. saberei que se trata de um advérbio, não
de adjetivo: “A candidata está um pouco
Casos Particulares nervosa”.

É proibido - É necessário - É bom - É preciso - É


permitido Alerta - Menos
Essas palavras são advérbios, portanto, permanecem
• Estas expressões, formadas por um verbo mais sempre invariáveis.
um adjetivo, ficam invariáveis se o substantivo a Os concurseiros estão sempre alerta.
que se referem possuir sentido genérico (não vier Não queira menos matéria!
precedido de artigo).
É proibido entrada de crianças. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Em certos momentos, é necessário atenção. CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
No verão, melancia é bom. Cochar. Português linguagens: volume 3 – 7.ª ed. Reform.
É preciso cidadania. – São Paulo: Saraiva, 2010.
Não é permitido saída pelas portas laterais. SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
• Quando o sujeito destas expressões estiver AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
determinado por artigos, pronomes ou adjetivos, literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
tanto o verbo como o adjetivo concordam com ele.
É proibida a entrada de crianças. SITE
LÍNGUA PORTUGUESA

Esta salada é ótima. Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/


A educação é necessária. secoes/sint/sint49.php>
São precisas várias medidas na educação.

76
Resposta: Letra D
Em “a”: Alimentos saudáveis e prática constante de
EXERCÍCIOS COMENTADOS exercícios são necessárias (necessários) para uma vida
longa e mais equilibrada.
1. (BANCO DA AMAZÔNIA – TÉCNICO BANCÁRIO – Em “b”: Inexistência de esgoto em muitas regiões e
CESGRANRIO-2018) A forma verbal em destaque está falta de tratamento adequado da água são causadores
empregada de acordo com a norma-padrão em: (causadoras) de doenças.
Em “c”: Notícias falsas e boatos perigosos não
a) Atualmente, comercializa-se diferentes criptomoedas deveriam ser reproduzidas (reproduzidos) nas redes
mas a bitcoin é a mais conhecida de todas as moedas sociais da forma como acontece hoje.
virtuais. Em “d”: Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos
b) A especulação e o comércio ilegal, de acordo com al- da Região Nordeste foram elogiados por suas
guns analistas, pode tornar as bitcoins inviáveis. propriedades alimentares = correta
c) As notícias informam que até hoje, em nenhuma par- Em “e”: Profissionais dedicados e pesquisas constantes
te do mundo, se substituíram totalmente as moedas precisam ser estimuladas (estimulados) para que se
reais pelas virtuais. avance na cura de algumas doenças.
d) De acordo com as regras do mercado financeiro, criou-
-se apenas 21 milhões de bitcoins nos últimos anos. 3. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR
e) O valor dos produtos comercializados seriam determi- – CESGRANRIO-2018) A concordância do verbo
nados por uma moeda virtual se a real fosse abolida. destacado foi realizada de acordo com as exigências da
norma-padrão da língua portuguesa em:
Resposta: Letra C
Em “a”: Atualmente, comercializam-se diferentes a) Com a corrida desenfreada pelas versões mais atuais
criptomoedas mas a bitcoin é a mais conhecida de dos smartphones, evidenciou-se atitudes agressivas e
todas as moedas virtuais. violentas por parte dos usuários.
Em “b”: A especulação e o comércio ilegal, de b) Devido à utilização de estratégias de marketing, de-
acordo com alguns analistas, podem tornar as bitcoins senvolveu-se, entre os jovens, a ideia de que a posse
inviáveis. de novos aparelhos eletrônicos é garantia de sucesso.
Em “c”: As notícias informam que até hoje, em nenhuma c) É necessário que se envie a todas as escolas do país ví-
parte do mundo, se substituíram totalmente as deos educacionais que permitam esclarecer os jovens
moedas reais pelas virtuais. = correta sobre o vício da tecnologia.
Em “d”: De acordo com as regras do mercado d) É preciso educar as novas gerações para que se redu-
financeiro, criaram-se apenas 21 milhões de bitcoins za os comportamentos compulsivos relacionados ao
nos últimos anos. uso das novas tecnologias.
Em “e”: O valor dos produtos comercializados seria e) Nos países mais industrializados, comprovou-se os
determinado por uma moeda virtual se a real fosse danos psicológicos e o consumismo exagerado causa-
abolida. dos pelo vício da tecnologia.

2. (LIQUIGÁS – MOTORISTA DE CAMINHÃO GRANEL Resposta: Letra B


I – CESGRANRIO-2018) A concordância da palavra Em “a”: Com a corrida desenfreada pelas versões mais
destacada atende às exigências da norma-padrão da atuais dos smartphones, evidenciou-se (evidenciaram-
língua portuguesa em: se) atitudes agressivas e violentas por parte dos
usuários.
a) Alimentos saudáveis e prática constante de exercícios Em “b”: Devido à utilização de estratégias de
são necessárias para uma vida longa e mais equili- marketing, desenvolveu-se, entre os jovens, a ideia de
brada. que a posse de novos aparelhos eletrônicos é garantia
b) Inexistência de esgoto em muitas regiões e falta de de sucesso = correta
tratamento adequado da água são causadores de do- Em “c”: É necessário que se envie (enviem) a todas as
enças. escolas do país vídeos educacionais que permitam
c) Notícias falsas e boatos perigosos não deveriam ser esclarecer os jovens sobre o vício da tecnologia.
reproduzidas nas redes sociais da forma como acon- Em “d”: É preciso educar as novas gerações para que
tece hoje. se reduza (reduzam) os comportamentos compulsivos
d) Plantas da caatinga e frutos pouco conhecidos da Re- relacionados ao uso das novas tecnologias.
gião Nordeste foram elogiados por suas proprieda- Em “e”: Nos países mais industrializados, comprovou-
des alimentares.
LÍNGUA PORTUGUESA

se (comprovaram-se) os danos psicológicos e o


e) Profissionais dedicados e pesquisas constantes preci- consumismo exagerado causados pelo vício da
sam ser estimuladas para que se avance na cura de tecnologia.
algumas doenças.

77
4. (IBGE – AGENTE CENSITÁRIO – ADMINISTRATIVO – que assegurem o controle recíproco entre eles para o
FGV-2017) Observe os seguintes casos de concordância advento de um cenário de equilíbrio e harmonia nas
nominal retirados do texto 1: sociedades estatais. A concentração do poder em um só
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e in- órgão ou pessoa viria sempre em detrimento do exercício
dependente. da liberdade. É que, como observou Montesquieu, “todo
2. A agenda pública é determinada pela imprensa tra- homem que tem poder tende a abusar dele; ele vai até
dicional. onde encontra limites. Para que não se possa abusar do
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de poder, é preciso que, pela disposição das coisas, o poder
conteúdo independentes. limite o poder”.
Até Montesquieu, não eram identificadas com clareza
A afirmação correta sobre essas concordâncias é: as esferas de abrangência dos poderes políticos: “só se
concebia sua união nas mãos de um só ou, então, sua
a) os dois adjetivos da frase (1) referem-se, respectiva- separação; ninguém se arriscava a apresentar, sob a forma
mente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’; de sistema coerente, as consequências de conceitos
b) os adjetivos da frase (1) deveriam estar no plural por diversos”. Pensador francês do século XVIII, Montesquieu
referirem-se a dois substantivos; situa-se entre o racionalismo cartesiano e o empirismo
c) na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ se re- de origem baconiana, não abandonando o rigor das
fere a ‘imprensa’; certezas matemáticas em suas certezas morais. Porém,
d) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está correta- refugindo às especulações metafísicas que, no plano da
mente no plural por referir-se a ‘empresas’; idealidade, serviram aos filósofos do pacto social para a
e) na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ deveria estar explicação dos fundamentos do Estado ou da sociedade
no singular por referir-se ao substantivo ‘conteúdo’. civil, ele procurou ingressar no terreno dos fatos.
Fernanda Leão de Almeida. A garantia institucional do
Resposta: Letra D Ministério Público em função da proteção dos direitos
1. A democracia reclama um jornalismo vigoroso e humanos. Tese de doutorado. São Paulo: USP, 2010, p.
18-9. Internet: <www.teses.usp.br> (com adaptações).
independente.
2. A agenda pública é determinada pela imprensa
A flexão plural em “eram identificadas” decorre da
tradicional.
concordância com o sujeito dessa forma verbal: “as
3. Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de
esferas de abrangência dos poderes políticos”.
conteúdo independentes.
Em “a”: os dois adjetivos da frase (1) referem-se,
( ) CERTO ( ) ERRADO
respectivamente a ‘democracia’ e ‘jornalismo’;
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e Resposta: Certo
independente = apenas a “jornalismo” (...) Até Montesquieu, não eram identificadas com
Em “b”: os adjetivos da frase (1) deveriam estar no clareza as esferas de abrangência dos poderes
plural por referirem-se a dois substantivos; políticos = passando o período para a ordem direta
A democracia reclama um jornalismo vigoroso e (sujeito + verbo), temos: Até Montesquieu, as esferas
independente = a um substantivo (jornalismo) de abrangência dos poderes políticos não eram
Em “c”: na frase (2), a forma de particípio ‘determinada’ identificadas com clareza.
se refere a ‘imprensa’;
A agenda pública é determinada pela imprensa 6. (PC-RS – ESCRIVÃO e Inspetor de Polícia –
tradicional = refere-se ao termo “agenda pública” Fundatec-2018 - adaptada) Sobre a frase “Esses alunos
Em “d”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ está que são usuários constantes de redes sociais têm um risco
corretamente no plural por referir-se a ‘empresas’; 27% maior de desenvolver depressão”, avalie as assertivas
Mas o pontapé inicial é sempre das empresas de que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
conteúdo independentes = correta ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado para
Em “e”: na frase (3), o adjetivo ‘independentes’ o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer
deveria estar no singular por referir-se ao substantivo ajustes para fins de concordância.
‘conteúdo’ = incorreta (refere-se a “empresas”) ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes sociais
podem ficar deprimidos.
5. (MPU – ANALISTA DO MPU – CESPE-2015) ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais desen-
volverem depressão constante extrapola o índice
Texto I dos 27%.

Na organização do poder político no Estado moderno,


LÍNGUA PORTUGUESA

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de


à luz da tradição iluminista, o direito tem por função a cima para baixo, é:
preservação da liberdade humana, de maneira a coibir a
desordem do estado de natureza, que, em virtude do risco a) V – V – V.
da dominação dos mais fracos pelos mais fortes, exige b) F – V – F.
a existência de um poder institucional. Mas a conquista c) V – F – F.
da liberdade humana também reclama a distribuição do d) F – F – V.
poder em ramos diversos, com a disposição de meios e) F – F – F.

78
Resposta: Letra C A voluntária distribuía leite às crianças.
Esses alunos que são usuários constantes de redes sociais A voluntária distribuía leite com as crianças.
têm um risco 27% maior de desenvolver depressão
Em: ( ) Caso os termos ‘Esses alunos’ fosse passado Na primeira frase, o verbo “distribuir” foi empregado
para o singular, outras quatro palavras deveriam sofrer como transitivo direto (objeto direto: leite) e indireto
ajustes para fins de concordância. (objeto indireto: às crianças); na segunda, como transitivo
Esse aluno que é usuário constante de redes sociais direto (objeto direto: crianças; com as crianças: adjunto
tem um risco 27% maior de desenvolver depressão adverbial).
= (verdadeira = haveria quatro alterações) Para estudar a regência verbal, agruparemos os
Em: ( ) Mais da metade dos alunos que usam redes verbos de acordo com sua transitividade. Esta, porém,
sociais podem ficar deprimidos. não é um fato absoluto: um mesmo verbo pode atuar de
= falsa (o período em análise não nos transmite tal diferentes formas em frases distintas.
informação, apenas afirma que usuários constantes
têm um risco 27% maior que os demais) A) Verbos Intransitivos
Em: ( ) O risco de alunos usuários de redes sociais Os verbos intransitivos não possuem complemento. É
desenvolverem depressão constante extrapola o importante, no entanto, destacar alguns detalhes relativos
índice dos 27%. aos adjuntos adverbiais que costumam acompanhá-los.
= Falsa (“depressão constante” altera o sentido do
período) Chegar, Ir
Normalmente vêm acompanhados de adjuntos
adverbiais de lugar. Na língua culta, as preposições
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL usadas para indicar destino ou direção são: a, para.

Fui ao teatro.
Adjunto Adverbial de Lugar

Dá-se o nome de regência à relação de subordinação Ricardo foi para a Espanha.


que ocorre entre um verbo (regência verbal) ou um nome Adjunto Adverbial de Lugar
(regência nominal) e seus complementos.
Comparecer
Regência Verbal = Termo Regente: VERBO O adjunto adverbial de lugar pode ser introduzido
por em ou a.
A regência verbal estuda a relação que se estabelece Comparecemos ao estádio (ou no estádio) para ver o
entre os verbos e os termos que os complementam último jogo.
(objetos diretos e objetos indiretos) ou caracterizam
(adjuntos adverbiais). Há verbos que admitem mais B) Verbos Transitivos Diretos
de uma regência, o que corresponde à diversidade Os verbos transitivos diretos são complementados por
de significados que estes verbos podem adquirir objetos diretos. Isso significa que não exigem preposição
dependendo do contexto em que forem empregados. para o estabelecimento da relação de regência. Ao
empregar esses verbos, lembre-se de que os pronomes
A mãe agrada o filho = agradar significa acariciar, oblíquos o, a, os, as atuam como objetos diretos. Esses
contentar. pronomes podem assumir as formas lo, los, la, las (após
A mãe agrada ao filho = agradar significa “causar formas verbais terminadas em -r, -s ou -z) ou no, na, nos,
agrado ou prazer”, satisfazer. nas (após formas verbais terminadas em sons nasais),
enquanto lhe e lhes são, quando complementos verbais,
Conclui-se que “agradar alguém” é diferente de objetos indiretos.
“agradar a alguém”. São verbos transitivos diretos, dentre outros:
abandonar, abençoar, aborrecer, abraçar, acompanhar,
O conhecimento do uso adequado das preposições acusar, admirar, adorar, alegrar, ameaçar, amolar, amparar,
é um dos aspectos fundamentais do estudo da regência auxiliar, castigar, condenar, conhecer, conservar, convidar,
verbal (e também nominal). As preposições são capazes defender, eleger, estimar, humilhar, namorar, ouvir,
de modificar completamente o sentido daquilo que está prejudicar, prezar, proteger, respeitar, socorrer, suportar,
sendo dito. ver, visitar.
Na língua culta, esses verbos funcionam exatamente
Cheguei ao metrô.
LÍNGUA PORTUGUESA

como o verbo amar:


Cheguei no metrô. Amo aquele rapaz. / Amo-o.
Amo aquela moça. / Amo-a.
No primeiro caso, o metrô é o lugar a que vou; no Amam aquele rapaz. / Amam-no.
segundo caso, é o meio de transporte por mim utilizado. Ele deve amar aquela mulher. / Ele deve amá-la.

79
Observação: Agradeço aos ouvintes a audiência.
Os pronomes lhe, lhes só acompanham esses verbos Objeto Indireto Objeto Direto
para indicar posse (caso em que atuam como adjuntos
adnominais): Paguei o débito ao cobrador.
Quero beijar-lhe o rosto. (= beijar seu rosto) Objeto Direto Objeto Indireto
Prejudicaram-lhe a carreira. (= prejudicaram sua
carreira) O uso dos pronomes oblíquos átonos deve ser feito
Conheço-lhe o mau humor! (= conheço seu mau com particular cuidado:
humor) Agradeci o presente. / Agradeci-o.
Agradeço a você. / Agradeço-lhe.
C) Verbos Transitivos Indiretos Perdoei a ofensa. / Perdoei-a.
Os verbos transitivos indiretos são complementados Perdoei ao agressor. / Perdoei-lhe.
por objetos indiretos. Isso significa que esses verbos Paguei minhas contas. / Paguei-as.
exigem uma preposição para o estabelecimento da Paguei aos meus credores. / Paguei-lhes.
relação de regência. Os pronomes pessoais do caso
oblíquo de terceira pessoa que podem atuar como Informar
objetos indiretos são o “lhe”, o “lhes”, para substituir Apresenta objeto direto ao se referir a coisas e objeto
pessoas. Não se utilizam os pronomes o, os, a, as como indireto ao se referir a pessoas, ou vice-versa.
complementos de verbos transitivos indiretos. Com os Informe os novos preços aos clientes.
objetos indiretos que não representam pessoas, usam-se Informe os clientes dos novos preços. (ou sobre os
pronomes oblíquos tônicos de terceira pessoa (ele, ela) novos preços)
em lugar dos pronomes átonos lhe, lhes.
Na utilização de pronomes como complementos, veja
Os verbos transitivos indiretos são os seguintes: as construções:
Consistir - Tem complemento introduzido pela Informei-os aos clientes. / Informei-lhes os novos
preposição “em”: A modernidade verdadeira consiste em preços.
direitos iguais para todos. Informe-os dos novos preços. / Informe-os deles. (ou
sobre eles)
Obedecer e Desobedecer - Possuem seus
complementos introduzidos pela preposição “a”: Observação:
Devemos obedecer aos nossos princípios e ideais. A mesma regência do verbo informar é usada para os
Eles desobedeceram às leis do trânsito. seguintes: avisar, certificar, notificar, cientificar, prevenir.

Responder - Tem complemento introduzido pela Comparar


preposição “a”. Esse verbo pede objeto indireto para Quando seguido de dois objetos, esse verbo admite as
indicar “a quem” ou “ao que” se responde. preposições “a” ou “com” para introduzir o complemento
Respondi ao meu patrão. indireto: Comparei seu comportamento ao (ou com o) de
Respondemos às perguntas. uma criança.
Respondeu-lhe à altura.
Pedir
Observação: Esse verbo pede objeto direto de coisa (geralmente
O verbo responder, apesar de transitivo indireto na forma de oração subordinada substantiva) e indireto
quando exprime aquilo a que se responde, admite voz de pessoa.
passiva analítica:
O questionário foi respondido corretamente. Pedi-lhe favores.
Todas as perguntas foram respondidas Objeto Indireto Objeto Direto
satisfatoriamente.
Pedi-lhe que se mantivesse em silêncio.
Simpatizar e Antipatizar - Possuem seus Objeto Indireto Oração Subordinada
complementos introduzidos pela preposição “com”. Substantiva Objetiva Direta
Antipatizo com aquela apresentadora.
Simpatizo com os que condenam os políticos que A construção “pedir para”, muito comum na
governam para uma minoria privilegiada. linguagem cotidiana, deve ter emprego muito limitado
na língua culta. No entanto, é considerada correta
D) Verbos Transitivos Diretos e Indiretos quando a palavra licença estiver subentendida.
LÍNGUA PORTUGUESA

Peço (licença) para ir entregar-lhe os catálogos em


Os verbos transitivos diretos e indiretos são casa.
acompanhados de um objeto direto e um indireto.
Merecem destaque, nesse grupo: agradecer, perdoar Observe que, nesse caso, a preposição “para” introduz
e pagar. São verbos que apresentam objeto direto uma oração subordinada adverbial final reduzida de
relacionado a coisas e objeto indireto relacionado a infinitivo (para ir entregar-lhe os catálogos em casa).
pessoas.

80
Preferir No sentido de morar, residir, o verbo “assistir” é
Na língua culta, esse verbo deve apresentar objeto intransitivo, sendo acompanhado de adjunto adverbial
indireto introduzido pela preposição “a”: de lugar introduzido pela preposição “em”: Assistimos
Prefiro qualquer coisa a abrir mão de meus ideais. numa conturbada cidade.
Prefiro trem a ônibus.
Chamar
Observação: Chamar é transitivo direto no sentido de convocar,
Na língua culta, o verbo “preferir” deve ser usado solicitar a atenção ou a presença de.
sem termos intensificadores, tais como: muito, antes, mil Por gentileza, vá chamar a polícia. / Por favor, vá
vezes, um milhão de vezes, mais. A ênfase já é dada pelo chamá-la.
prefixo existente no próprio verbo (pre). Chamei você várias vezes. / Chamei-o várias vezes.

Mudança de Transitividade - Mudança de Chamar no sentido de denominar, apelidar pode


Significado apresentar objeto direto e indireto, ao qual se refere
Há verbos que, de acordo com a mudança de predicativo preposicionado ou não.
transitividade, apresentam mudança de significado. O A torcida chamou o jogador mercenário.
conhecimento das diferentes regências desses verbos é A torcida chamou ao jogador mercenário.
um recurso linguístico muito importante, pois além de A torcida chamou o jogador de mercenário.
permitir a correta interpretação de passagens escritas, A torcida chamou ao jogador de mercenário.
oferece possibilidades expressivas a quem fala ou
escreve. Dentre os principais, estão: Chamar com o sentido de ter por nome é pronominal:
Como você se chama? Eu me chamo Zenaide.
Agradar
Agradar é transitivo direto no sentido de fazer Custar
carinhos, acariciar, fazer as vontades de. Custar é intransitivo no sentido de ter determinado
Sempre agrada o filho quando. valor ou preço, sendo acompanhado de adjunto adverbial:
Aquele comerciante agrada os clientes. Frutas e verduras não deveriam custar muito.

Agradar é transitivo indireto no sentido de causar No sentido de ser difícil, penoso, pode ser intransitivo
agrado a, satisfazer, ser agradável a. Rege complemento ou transitivo indireto, tendo como sujeito uma oração
introduzido pela preposição “a”. reduzida de infinitivo.
O cantor não agradou aos presentes.
O cantor não lhes agradou. Muito custa viver tão longe da família.
Verbo Intransitivo Oração Subordinada
O antônimo “desagradar” é sempre transitivo indireto: Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
O cantor desagradou à plateia.
Custou-me (a mim) crer nisso.
Aspirar Objeto Indireto Oração Subordinada
Aspirar é transitivo direto no sentido de sorver, inspirar Substantiva Subjetiva Reduzida de Infinitivo
(o ar), inalar: Aspirava o suave aroma. (Aspirava-o)
A Gramática Normativa condena as construções que
Aspirar é transitivo indireto no sentido de desejar, atribuem ao verbo “custar” um sujeito representado por
ter como ambição: Aspirávamos a um emprego melhor. pessoa: Custei para entender o problema.
(Aspirávamos a ele) = Forma correta: Custou-me entender o problema.

Como o objeto direto do verbo “aspirar” não é pessoa, Implicar


as formas pronominais átonas “lhe” e “lhes” não são Como transitivo direto, esse verbo tem dois sentidos:
utilizadas, mas, sim, as formas tônicas “a ele(s)”, “a ela(s)”. A) dar a entender, fazer supor, pressupor: Suas atitudes
Veja o exemplo: Aspiravam a uma existência melhor. (= implicavam um firme propósito.
Aspiravam a ela) B) ter como consequência, trazer como consequência,
acarretar, provocar: Uma ação implica reação.
Assistir
Assistir é transitivo direto no sentido de ajudar, prestar Como transitivo direto e indireto, significa
assistência a, auxiliar. comprometer, envolver: Implicaram aquele jornalista em
LÍNGUA PORTUGUESA

As empresas de saúde negam-se a assistir os idosos. questões econômicas.


As empresas de saúde negam-se a assisti-los.
No sentido de antipatizar, ter implicância, é transitivo
Assistir é transitivo indireto no sentido de ver, indireto e rege com preposição “com”: Implicava com
presenciar, estar presente, caber, pertencer. quem não trabalhasse arduamente.
Assistimos ao documentário.
Não assisti às últimas sessões.
Essa lei assiste ao inquilino.

81
Namorar
Sempre tansitivo direto: Luísa namora Carlos há dois anos.

Obedecer - Desobedecer
Sempre transitivo indireto:
Todos obedeceram às regras.
Ninguém desobedece às leis.

Quando o objeto é “coisa”, não se utiliza “lhe” nem “lhes”: As leis são essas, mas todos desobedecem a elas.

Proceder
Proceder é intransitivo no sentido de ser decisivo, ter cabimento, ter fundamento ou comportar-se, agir. Nessa
segunda acepção, vem sempre acompanhado de adjunto adverbial de modo.
As afirmações da testemunha procediam, não havia como refutá-las.
Você procede muito mal.

Nos sentidos de ter origem, derivar-se (rege a preposição “de”) e fazer, executar (rege complemento introduzido pela
preposição “a”) é transitivo indireto.
O avião procede de Maceió.
Procedeu-se aos exames.
O delegado procederá ao inquérito.

Querer
Querer é transitivo direto no sentido de desejar, ter vontade de, cobiçar.
Querem melhor atendimento.
Queremos um país melhor.

Querer é transitivo indireto no sentido de ter afeição, estimar, amar: Quero muito aos meus amigos.

Visar
Como transitivo direto, apresenta os sentidos de mirar, fazer pontaria e de pôr visto, rubricar.
O homem visou o alvo.
O gerente não quis visar o cheque.

No sentido de ter em vista, ter como meta, ter como objetivo é transitivo indireto e rege a preposição “a”.
O ensino deve sempre visar ao progresso social.
Prometeram tomar medidas que visassem ao bem-estar público.

Esquecer – Lembrar
Lembrar algo – esquecer algo
Lembrar-se de algo – esquecer-se de algo (pronominal)

No 1.º caso, os verbos são transitivos diretos, ou seja, exigem complemento sem preposição: Ele esqueceu o livro.
No 2.º caso, os verbos são pronominais (-se, -me, etc) e exigem complemento com a preposição “de”. São, portanto,
transitivos indiretos:
Ele se esqueceu do caderno.
Eu me esqueci da chave.
Eles se esqueceram da prova.
Nós nos lembramos de tudo o que aconteceu.

Há uma construção em que a coisa esquecida ou lembrada passa a funcionar como sujeito e o verbo sofre leve
alteração de sentido. É uma construção muito rara na língua contemporânea, porém, é fácil encontrá-la em textos
clássicos tanto brasileiros como portugueses. Machado de Assis, por exemplo, fez uso dessa construção várias vezes.
Esqueceu-me a tragédia. (cair no esquecimento)
Lembrou-me a festa. (vir à lembrança)
LÍNGUA PORTUGUESA

Não lhe lembram os bons momentos da infância? (= momentos é sujeito)

Simpatizar - Antipatizar
São transitivos indiretos e exigem a preposição “com”:
Não simpatizei com os jurados.
Simpatizei com os alunos.

82
Importante:
A norma culta exige que os verbos e expressões que dão ideia de movimento sejam usados com a preposição “a”:
Chegamos a São Paulo e fomos direto ao hotel.
Cláudia desceu ao segundo andar.
Hoje, com esta chuva, ninguém sairá à rua.

Regência Nominal

É o nome da relação existente entre um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e os termos regidos por esse
nome. Essa relação é sempre intermediada por uma preposição. No estudo da regência nominal, é preciso levar em
conta que vários nomes apresentam exatamente o mesmo regime dos verbos de que derivam. Conhecer o regime de
um verbo significa, nesses casos, conhecer o regime dos nomes cognatos. Observe o exemplo: Verbo obedecer e os
nomes correspondentes: todos regem complementos introduzidos pela preposição a. Veja:
Obedecer a algo/ a alguém.
Obediente a algo/ a alguém.

Se uma oração completar o sentido de um nome, ou seja, exercer a função de complemento nominal, ela será
completiva nominal (subordinada substantiva).

Regência de Alguns Nomes

Substantivos
Admiração a, por Devoção a, para, com, por Medo a, de
Aversão a, para, por Doutor em Obediência a
Atentado a, contra Dúvida acerca de, em, sobre Ojeriza a, por
Bacharel em Horror a Proeminência sobre
Capacidade de, para Impaciência com Respeito a, com, para com, por

Adjetivos
Acessível a Diferente de Necessário a
Acostumado a, com Entendido em Nocivo a
Afável com, para com Equivalente a Paralelo a
Agradável a Escasso de Parco em, de
Alheio a, de Essencial a, para Passível de
Análogo a Fácil de Preferível a
Ansioso de, para, por Fanático por Prejudicial a
Apto a, para Favorável a Prestes a
Ávido de Generoso com Propício a
Benéfico a Grato a, por Próximo a
Capaz de, para Hábil em Relacionado com
Compatível com Habituado a Relativo a
Contemporâneo a, de Idêntico a Satisfeito com, de, em, por
Contíguo a Impróprio para Semelhante a
Contrário a Indeciso em Sensível a
Curioso de, por Insensível a Sito em
Descontente com Liberal com Suspeito de
LÍNGUA PORTUGUESA

Desejoso de Natural de Vazio de

Advérbios
Longe de Perto de

Observação:
Os advérbios terminados em -mente tendem a seguir o regime dos adjetivos de que são formados: paralela a;
paralelamente a; relativa a; relativamente a.

83
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Duvidam. Acham que estou mentindo.
CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza CARRASCO, W. O ano da esperança. Época, 25 dez. 2017, p.97.
Cochar - Português linguagens: volume 3. – 7.ª ed. Reform. Adaptado.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Considere o trecho “Podemos esperar por um futuro me-
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. lhor”. Respeitando-se as regras da norma-padrão e con-
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras: servando-se o conteúdo informacional, o trecho acima
literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000. está corretamente reescrito em:

SITE a) Podemos esperar para um futuro melhor


Disponível em: <http://www.soportugues.com.br/ b) Podemos esperar com um futuro melhor
secoes/sint/sint61.php> c) Podemos esperar um futuro melhor
d) Podemos esperar porquanto um futuro melhor
e) Podemos esperar todavia um futuro melhor
EXERCÍCIOS COMENTADOS
Resposta: Letra C
1. (LIQUIGÁS – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – CES- Em “a”: Podemos esperar para um futuro melhor = po-
GRANRIO-2018) demos esperar o quê?
Em “b”: Podemos esperar com um futuro melhor = po-
O ano da esperança demos esperar o quê?
Em “c”: Podemos esperar um futuro melhor = correta
O ano de 2017 foi difícil. Avalio pelo número de amigos Em “d”: Podemos esperar porquanto um futuro me-
desempregados. E pedidos de empréstimos. Um atrás lhor = sentido de “porque”
do outro. Nunca fui de botar dinheiro nas relações de Em “e”: Podemos esperar todavia um futuro melhor =
amizade. Como afirmou Shakespeare, perde-se o dinhei- conjunção adversativa (ideia contrária à apresentada
ro e o amigo. Nos primeiros pedidos, eu ajudava, com a anteriormente)
consciência de que era uma doação. A situação foi pio- A única frase correta – e coerente - é podemos esperar
rando. Os argumentos também. No início era para pagar um futuro melhor.
a escola do filho. Depois vieram as mães e avós doentes.
Lamentavelmente, aprendi a não ser generoso. Ajudava 2. (PETROBRAS – ADMINISTRADOR JÚNIOR – CES-
um rapaz, que não conheço pessoalmente. Mas que so- GRANRIO-2018) Considere a seguinte frase: “Os lança-
freu um acidente e não tinha como pagar a fisioterapia. mentos tecnológicos a que o autor se refere podem re-
Comecei pagando a físio. Vieram sucessivas internações, sultar em comportamentos impulsivos nos consumidores
remédios. A situação piorando, eu já estava encomen- desses produtos”. A utilização da preposição destacada
dando missa de sétimo dia. Falei com um amigo médico, a é obrigatória para atender às exigências da regência
no Rio de Janeiro. Ele aceitou tratar o caso gratuitamen- do verbo “referir-se”, de acordo com a norma-padrão da
te. Surpresa! O doente não aparecia para a consulta. Até língua portuguesa. É também obrigatório o uso de uma
que o coloquei contra a parede. Ou se consultava ou eu preposição antecedendo o pronome que destacado em:
não ajudava mais.
Cheio de saúde, ele foi ao consultório. Pediu uma receita a) Os consumidores, ao adquirirem um produto que qua-
de suplementos para ficar com o corpo atlético. Nunca
se ninguém possui, recém-lançado no mercado, pas-
conheci o sujeito, repito. Eu me senti um idiota por ter
sam a ter uma sensação de superioridade.
caído na história. Só que esse rapaz havia perdido o em-
b) Muitos aparelhos difundidos no mercado nem sempre
prego após o suposto acidente. Foi por isso que me dei-
trazem novidades que justifiquem seu preço elevado
xei enganar. Mas, ao perder salário, muita gente perde
também a vergonha. Pior ainda. A violência aumenta. As em relação ao modelo anterior.
pessoas buscam vagas nos mercados em expansão. Se a c) O estudo de mapeamento cerebral que o pesquisador
indústria automobilística vai bem, é lá que vão trabalhar. realizou foi importante para mostrar que o vício em
Podemos esperar por um futuro melhor ou o que nos novidades tecnológicas cresce cada vez mais.
aguarda é mais descrédito? Novos candidatos vão sur- d) O hormônio chamado dopamina é responsável por
gir. Serão novos? Ou os antigos? Ou novos com cabeça causar sensações de prazer que levam as pessoas a se
de velhos? Todos pedem que a gente tenha uma nova sentirem recompensadas.
consciência para votar. Como? Num mundo em que as e) As pessoas, na maioria das vezes, gastam muito mais
notícias são plantadas pela internet, em que muitos sites do que o seu orçamento permite em aparelhos que
LÍNGUA PORTUGUESA

servem a qualquer mentira. Digo por mim. Já contaram elas não necessitam.
cada história a meu respeito que nem sei o que dizer. Já
inventaram casos de amor, tramas nas novelas que escre- Resposta: Letra E
vo. Pior. Depois todo mundo me pergunta por que isso Em “a”: Os consumidores, ao adquirirem um produto
ou aquilo não aconteceu na novela. Se mudei a trama. que (= o qual) quase ninguém possui, recém-lançado
Respondo: — Nunca foi para acontecer. Era mentira da no mercado, passam a ter uma sensação de superio-
internet. ridade.

84
Em “b”: Muitos aparelhos difundidos no mercado nem Resposta: Letra C
sempre trazem novidades que (= as quais) justifiquem Em “a”: Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o
seu preço elevado em relação ao modelo anterior. amigo comentou de (X) que = comentou que
Em “c”: O estudo de mapeamento cerebral que (= o Em “b”: Enquanto seu amigo continua encomendando
qual) o pesquisador realizou foi importante para mos- livros de papel, o autor aderiu o = aderiu ao
trar que o vício em novidades tecnológicas cresce Em “c”: Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer
cada vez mais. seria sair para jantar = correta
Em “d”: O hormônio chamado dopamina é responsá- Em “d”: As estantes que o autor aludiu = às quais/a
vel por causar sensações de prazer que (= as quais) que
levam as pessoas a se sentirem recompensadas. Em “e”: O único detalhe do apartamento que o amigo
Em “e”: As pessoas, na maioria das vezes, gastam mui- se ateve = ao qual/ a que
to mais do que o seu orçamento permite em apare-
lhos de que (= das quais) elas não necessitam. 5. (TJ-SP – ADVOGADO - VUNESP/2013 - ADAPTADA)
GABARITO OFICIAL: E Na passagem – ... e ausência de candidatos para preen-
chê-las. –, substituindo-se o verbo preencher por concor-
rer e atendendo-se à norma-padrão, obtém-se:
3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)
A pobreza é um dos fatores mais comumente respon- a) … e ausência de candidatos para concorrer a elas.
sáveis pelo baixo nível de desenvolvimento humano b) … e ausência de candidatos para concorrer à elas.
e pela origem de uma série de mazelas, algumas das c) … e ausência de candidatos para concorrer-lhes.
quais proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso d) … e ausência de candidatos para concorrê-las.
do trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas e) … e ausência de candidatos para lhes concorrer.
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga Resposta: Letra A
crianças e adolescentes a participarem do processo de Vamos por exclusão: “à elas” está errada, já que não
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem temos acento indicativo de crase antes de pronome
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de pessoal; quando temos um verbo no infinitivo, pode-
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do mos usar a construção: verbo + preposição + prono-
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil me pessoal. Por exemplo: Dar a eles (ao invés de “dar-
foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado, -lhes”).
ele continua sendo grave problema nos países mais po-
bres.
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações). SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS.

O emprego de preposição em “a participarem” é exigido


pela regência da forma verbal “obriga”.
SIGNIFICADO DAS PALAVRAS
( ) CERTO ( ) ERRADO
Semântica é o estudo da significação das palavras
e das suas mudanças de significação através do tempo
Resposta: Certo ou em determinada época. A maior importância está em
(...) o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, distinguir sinônimos e antônimos (sinonímia / antonímia)
obriga crianças e adolescentes a participarem = e homônimos e parônimos (homonímia / paronímia).
quem obriga, obriga alguém (crianças e adolescentes –
objeto direto) a algo (a participarem – objeto indireto: Sinônimos
com preposição – no caso, uma oração com a função São palavras de sentido igual ou aproximado: alfabeto
de objeto indireto). - abecedário; brado, grito - clamor; extinguir, apagar -
abolir.
4. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2013) Duas palavras são totalmente sinônimas quando
Considerando as regras de regência verbal, assinale a al- são substituíveis, uma pela outra, em qualquer contexto
ternativa correta. (cara e rosto, por exemplo); são parcialmente sinônimas
quando, ocasionalmente, podem ser substituídas,
a) Ao ver a quantidade excessiva de prateleiras, o amigo uma pela outra, em deteminado enunciado (aguadar e
comentou de que o livro estava acabando. esperar).
LÍNGUA PORTUGUESA

b) Enquanto seu amigo continua encomendando livros


de papel, o autor aderiu o livro digital. Observação:
c) Álvaro convenceu-se de que o melhor a fazer seria sair A contribuição greco-latina é responsável pela
para jantar. existência de numerosos pares de sinônimos: adversário e
d) As estantes que o autor aludiu foram projetadas para antagonista; translúcido e diáfano; semicírculo e hemiciclo;
armazenar livros e CDs. contraveneno e antídoto; moral e ética; colóquio e diálogo;
e) O único detalhe do apartamento que o amigo se ateve transformação e metamorfose; oposição e antítese.
foi o número de estantes.

85
Antônimos O hiperônimo impõe as suas propriedades ao
São palavras que se opõem através de seu significado: hipônimo, criando, assim, uma relação de dependência
ordem - anarquia; soberba - humildade; louvar - censurar; semântica. Por exemplo: Veículos está numa relação de
mal - bem. hiperonímia com carros, já que veículos é uma palavra de
significado genérico, incluindo motos, ônibus, caminhões.
Observação: Veículos é um hiperônimo de carros.
A antonímia pode se originar de um prefixo de Um hiperônimo pode substituir seus hipônimos em
sentido oposto ou negativo: bendizer e maldizer; quaisquer contextos, mas o oposto não é possível. A
simpático e antipático; progredir e regredir; concórdia e utilização correta dos hiperônimos, ao redigir um texto,
discórdia; ativo e inativo; esperar e desesperar; comunista evita a repetição desnecessária de termos.
e anticomunista; simétrico e assimétrico.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Homônimos e Parônimos SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.
• Homônimos = palavras que possuem a mesma gra- CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza
fia ou a mesma pronúncia, mas significados dife- Cochar - Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
rentes. Podem ser – São Paulo: Saraiva, 2010.
AMARAL, Emília... [et al.]. Português: novas palavras:
A) Homógrafas: são palavras iguais na escrita e dife- literatura, gramática, redação – São Paulo: FTD, 2000.
rentes na pronúncia: XIMENES, Sérgio. Minidicionário Ediouro da Lìngua
rego (subst.) e rego (verbo); colher (verbo) e colher Portuguesa – 2.ª ed. reform. – São Paulo: Ediouro, 2000.
(subst.); jogo (subst.) e jogo (verbo); denúncia (subst.)
e denuncia (verbo); providência (subst.) e providen- SITE
cia (verbo). Disponível em: <http://www.coladaweb.com/
portugues/sinonimos,-antonimos,-homonimos-e-
B) Homófonas: são palavras iguais na pronúncia e paronimos>
diferentes na escrita:
acender (atear) e ascender (subir); concertar (harmo- Polissemia
nizar) e consertar (reparar); cela (compartimento) e Polissemia é a propriedade de uma palavra adquirir
sela (arreio); censo (recenseamento) e senso ( juízo); multiplicidade de sentidos, que só se explicam dentro de
paço (palácio) e passo (andar). um contexto. Trata-se, realmente, de uma única palavra,
mas que abarca um grande número de significados
C) Homógrafas e homófonas simultaneamente (ou dentro de seu próprio campo semântico.
perfeitas): São palavras iguais na escrita e na pro- Reportando-nos ao conceito de Polissemia, logo
núncia: percebemos que o prefixo “poli” significa multiplicidade
caminho (subst.) e caminho (verbo); cedo (verbo) e de algo. Possibilidades de várias interpretações levando-
cedo (adv.); livre (adj.) e livre (verbo). se em consideração as situações de aplicabilidade. Há
uma infinidade de exemplos em que podemos verificar a
• Parônimos = palavras com sentidos diferentes, ocorrência da polissemia:
porém de formas relativamente próximas. São O rapaz é um tremendo gato.
palavras parecidas na escrita e na pronúncia: cesta O gato do vizinho é peralta.
(receptáculo de vime; cesta de basquete/esporte) Precisei fazer um gato para que a energia voltasse.
e sesta (descanso após o almoço), eminente Pedro costuma fazer alguns “bicos” para garantir sua
(ilustre) e iminente (que está para ocorrer), osso sobrevivência
(substantivo) e ouço (verbo), sede (substantivo O passarinho foi atingido no bico.
e/ou verbo “ser” no imperativo) e cede (verbo),
comprimento (medida) e cumprimento (saudação), Nas expressões polissêmicas rede de deitar, rede de
autuar (processar) e atuar (agir), infligir (aplicar computadores e rede elétrica, por exemplo, temos em
pena) e infringir (violar), deferir (atender a) e comum a palavra “rede”, que dá às expressões o sentido
diferir (divergir), suar (transpirar) e soar (emitir de “entrelaçamento”. Outro exemplo é a palavra “xadrez”,
som), aprender (conhecer) e apreender (assimilar; que pode ser utilizada representando “tecido”, “prisão”
apropriar-se de), tráfico (comércio ilegal) e ou “jogo” – o sentido comum entre todas as expressões
tráfego (relativo a movimento, trânsito), mandato é o formato quadriculado que têm.
(procuração) e mandado (ordem), emergir (subir à
LÍNGUA PORTUGUESA

superfície) e imergir (mergulhar, afundar). Polissemia e homonímia


A confusão entre polissemia e homonímia é bastante
Hiperonímia e Hiponímia comum. Quando a mesma palavra apresenta vários
Hipônimos e hiperônimos são palavras que pertencem significados, estamos na presença da polissemia. Por
a um mesmo campo semântico (de sentido), sendo outro lado, quando duas ou mais palavras com origens
o hipônimo uma palavra de sentido mais específico; o e significados distintos têm a mesma grafia e fonologia,
hiperônimo, mais abrangente. temos uma homonímia.

86
A palavra “manga” é um caso de homonímia. Ela pode SITE
significar uma fruta ou uma parte de uma camisa. Não Disponível em: <http://www.brasilescola.com/
é polissemia porque os diferentes significados para a gramatica/polissemia.htm>
palavra “manga” têm origens diferentes. “Letra” é uma
palavra polissêmica: pode significar o elemento básico Denotação e Conotação
do alfabeto, o texto de uma canção ou a caligrafia de
um determinado indivíduo. Neste caso, os diferentes Exemplos de variação no significado das palavras:
significados estão interligados porque remetem para o Os domadores conseguiram enjaular a fera. (sentido
mesmo conceito, o da escrita. literal)
Ele ficou uma fera quando soube da notícia. (sentido
Polissemia e ambiguidade figurado)
Polissemia e ambiguidade têm um grande impacto Aquela aluna é fera na matemática. (sentido figurado)
na interpretação. Na língua portuguesa, um enunciado
pode ser ambíguo, ou seja, apresentar mais de uma As variações nos significados das palavras ocasionam
interpretação. Esta ambiguidade pode ocorrer devido à o sentido denotativo (denotação) e o sentido conotativo
colocação específica de uma palavra (por exemplo, um (conotação) das palavras.
advérbio) em uma frase. Vejamos a seguinte frase:
Pessoas que têm uma alimentação equilibrada A) Denotação
frequentemente são felizes. Uma palavra é usada no sentido denotativo quando
Neste caso podem existir duas interpretações apresenta seu significado original, independentemente
diferentes: do contexto em que aparece. Refere-se ao seu significado
As pessoas têm alimentação equilibrada porque mais objetivo e comum, aquele imediatamente
são felizes ou são felizes porque têm uma alimentação reconhecido e muitas vezes associado ao primeiro
equilibrada. significado que aparece nos dicionários, sendo o
significado mais literal da palavra.
De igual forma, quando uma palavra é polissêmica, A denotação tem como finalidade informar o receptor
ela pode induzir uma pessoa a fazer mais do que uma da mensagem de forma clara e objetiva, assumindo um
interpretação. Para fazer a interpretação correta é muito caráter prático. É utilizada em textos informativos, como
importante saber qual o contexto em que a frase é jornais, regulamentos, manuais de instrução, bulas de
proferida. medicamentos, textos científicos, entre outros. A palavra
Muitas vezes, a disposição das palavras na construção “pau”, por exemplo, em seu sentido denotativo é apenas
do enunciado pode gerar ambiguidade ou, até mesmo, um pedaço de madeira. Outros exemplos:
comicidade. Repare na figura abaixo: O elefante é um mamífero.
As estrelas deixam o céu mais bonito!

B) Conotação
Uma palavra é usada no sentido conotativo quando
apresenta diferentes significados, sujeitos a diferentes
interpretações, dependendo do contexto em que esteja
inserida, referindo-se a sentidos, associações e ideias que
vão além do sentido original da palavra, ampliando sua
significação mediante a circunstância em que a mesma
é utilizada, assumindo um sentido figurado e simbólico.
Como no exemplo da palavra “pau”: em seu sentido
(http://www.humorbabaca.com/fotos/diversas/corto-cabelo-e- conotativo ela pode significar castigo (dar-lhe um pau),
pinto. Acesso em 15/9/2014). reprovação (tomei pau no concurso).
A conotação tem como finalidade provocar
Poderíamos corrigir o cartaz de inúmeras maneiras, sentimentos no receptor da mensagem, através da
mas duas seriam: expressividade e afetividade que transmite. É utilizada
principalmente numa linguagem poética e na literatura,
Corte e coloração capilar mas também ocorre em conversas cotidianas, em letras
ou de música, em anúncios publicitários, entre outros.
Faço corte e pintura capilar Exemplos:
Você é o meu sol!
LÍNGUA PORTUGUESA

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Minha vida é um mar de tristezas.


CEREJA, Wiliam Roberto, MAGALHÃES, Thereza Você tem um coração de pedra!
Cochar. Português linguagens: volume 1 – 7.ª ed. Reform.
– São Paulo: Saraiva, 2010.
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010.

87
a) tinta indelével / que não se apaga;
#FicaDica b) ação impossível / que não se possui;
c) trabalho inexequível / que não se exemplifica;
Procure associar Denotação com Dicionário: d) carro invisível / que não tem vistoria;
trata-se de definição literal, quando o termo e) voz inaudível / que não possui audiência.
é utilizado com o sentido que consta no
dicionário.
Resposta: Letra A
Em “a”: tinta indelével / que não se apaga = correta
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Em “b”: ação impossível = que não é possível
SACCONI, Luiz Antônio. Nossa gramática completa Em “c”: trabalho inexequível = que não se executa
Sacconi. 30.ª ed. Rev. São Paulo: Nova Geração, 2010. Em “d”: carro invisível = que não se vê
Português linguagens: volume 1 / Wiliam Roberto Em “e”: voz inaudível = que não se ouve
Cereja, Thereza Cochar Magalhães. – 7.ª ed. Reform. –
São Paulo: Saraiva, 2010. 3. (MPU – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – CESPE-2010)
A pobreza é um dos fatores mais comumente responsáveis
SITE pelo baixo nível de desenvolvimento humano e pela
http://www.normaculta.com.br/conotacao-e- origem de uma série de mazelas, algumas das quais
denotacao/ proibidas por lei ou consideradas crimes. É o caso do
trabalho infantil. A chaga encontra terreno fértil nas
sociedades subdesenvolvidas, mas também viceja onde
o capitalismo, em seu ambiente mais selvagem, obriga
EXERCÍCIOS COMENTADOS crianças e adolescentes a participarem do processo de
produção. Foi assim na Revolução Industrial de ontem
e nas economias ditas avançadas. E ainda é, nos dias de
1. (BANESTES – TÉCNICO BANCÁRIO – FGV-2018) Um
hoje, nas manufaturas da Ásia ou em diversas regiões do
ex-governador do estado do Amazonas disse o seguinte:
Brasil. Enquanto, entre as nações ricas, o trabalho infantil
“Defenda a ecologia, mas não encha o saco”. (Gilberto
foi minimizado, já que nunca se pode dizer erradicado,
Mestrinho) O vocábulo sublinhado, composto do radical-
ele continua sendo grave problema nos países mais
logia (“estudo”), se refere aos estudos de defesa do meio
pobres.
ambiente; o vocábulo abaixo, com esse mesmo radical,
Jornal do Brasil, Editorial, 1.º/7/2010 (com adaptações).
que tem seu significado corretamente indicado é:

a) Antropologia: estudo do homem como representante A palavra “chaga”, empregada com o sentido de ferida
do sexo masculino; social, refere-se, na estrutura sintática do parágrafo, a
b) Etimologia: estudo das raças humanas; “pobreza”.
c) Meteorologia: estudo dos impactos de meteoros sobre
a Terra; ( ) CERTO ( ) ERRADO
d) Ginecologia: estudo das doenças privativas das mu-
lheres; Resposta: Errado
e) Fisiologia: estudo das forças atuantes na natureza. (...) É o caso do trabalho infantil. A chaga encontra
terreno = refere-se a “trabalho infantil”.
Resposta: Letra D
Em “a”: Antropologia: Ciência que se dedica ao estudo 4. (MPU – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA O CARGO
do homem (espécie humana) em sua totalidade 33 – TÉCNICO ADMINISTRATIVO - Nível Médio –
Em “b”: Etimologia: Ciência que investiga a origem CESPE-2013)
das palavras procurando determinar as causas e Há um dispositivo no Código Civil que condiciona a
circunstâncias de seu processo evolutivo edição de biografias à autorização do biografado ou
Em “c”: Meteorologia: Estudo dos fenômenos descendentes. As consequências da norma são negativas.
atmosféricos e das suas leis, principalmente com a Uma delas é a impossibilidade de se registrar e deixar
intenção de prever as variações do tempo. para a posteridade a vida de personagens importantes
Em “d”: Ginecologia: estudo das doenças privativas das na formação do país, em qualquer ramo de atividade.
mulheres = correta Permite-se a interdição de registros de época, em
Em “e”: Fisiologia: Ciência que trata das funções prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro.
orgânicas pelas quais a vida se manifesta Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o relato da
LÍNGUA PORTUGUESA

vida do poeta Manoel Bandeira e dos escritores Mário de


2. (CÂMARA DE SALVADOR-BA – ASSISTENTE Andrade e Guimarães Rosa. Tanto no jornalismo quanto
LEGISLATIVO MUNICIPAL – FGV-2018) “Na verdade, na literatura não pode haver censura prévia. Publicada a
todos os anos a imprensa nacional destaca os inaceitáveis reportagem (ou biografia), os que se sentirem atingidos
números da violência no país”. O vocábulo “inaceitáveis” que recorram à justiça. É preciso seguir o padrão existente
equivale ao “que não se aceita”. A equivalência correta em muitos países, em que há biografias “autorizadas” e
abaixo indicada é: “não autorizadas”.

88
Reclamações posteriores, quando existem, são
encaminhadas ao foro devido, os tribunais.
O alegado “direito à privacidade” é argumento frágil HORA DE PRATICAR!
para justificar o veto a que a historiografia do país seja
enriquecida, como se não bastasse o fato de o poder 1. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional
de censura concedido a biografados e herdeiros ser um Nível Médio - Oficial Administrativo
atentado à Constituição. Considere os enunciados a seguir:
O Globo, 23/9/2013 (com adaptações).
I. Angélica conquistou amigos, sinceros companheiros e
A palavra “sonegado” está sendo empregada com o uma nova família em seu novo local de trabalho.
sentido de reduzido, diminuído. II. Angélica conquistou amigos sinceros, companheiros e
uma nova família em seu novo local de trabalho.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Analise as afirmativas e dê valores Verdadeiro (V) ou Fal-
Resposta: Errado so (F). 
(...) Permite-se a interdição de registros de época, em
prejuízo dos historiadores e pesquisadores do futuro. ( ) No 1° enunciado, o vocábulo “sinceros” exerce a função
Dessa forma, tem sido sonegado, por exemplo, o de adjunto adnominal do substantivo “companheiros”.
relato da vida do poeta Manoel Bandeira e dos ( ) No 2° enunciado, o vocábulo “sinceros” exerce a função
escritores Mário de Andrade e Guimarães Rosa = o de complemento nominal do substantivo “amigos”.
sentido é o de “impedido”. ( ) A diferença de sentido entre os dois enunciados deve-
se à posição da vírgula em cada uma dessas frases.
5. (PC-SP - ESCRIVÃO DE POLÍCIA – VUNESP-2014) O ( ) A alteração na posição da vírgula alterou o tipo de
termo destacado na passagem do primeiro parágrafo – predicado.
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na hora
da compra. – tem sentido equivalente a Em I, tem-se predicado verbal e em II, verbo-nominal. 

a) impetuosidade. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta


b) empatia. de cima para baixo.
c) relutância.
d) consentimento. a) F, F, V, V
e) segurança. b) V, F, F, V
c) F, V, F, V
Resposta: Letra C d) V, F, V, F
Mesmo com tantas opções, ainda há resistência na
hora da compra. 2. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional
Em “a”: impetuosidade (força) = incorreto Nível Médio - Oficial Administrativo 
Em “b”: empatia = incorreto Assinale a alternativa em que o uso de letra maiúscula
Em “c”: relutância (resistência). está incorreto.
Em “d”: consentimento (aceitação) = incorreto
Em “e”: segurança = incorreto a) Para aqueles que estudam, Julho e Dezembro são me-
A substituição que manteria o sentido do período é ses de lazer e descanso.
“ainda há relutância”. b) No sábado, a jovem recebeu um belo buquê de flores
porque era o Dia dos Namorados.
c) Avenida 15 de Novembro, 1025. Este é o endereço do
curso de Administração gratuito.
d) O Sistema Único de Saúde passa por vários problemas.
Faltam médicos e equipamentos.
LÍNGUA PORTUGUESA

89
3. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional 6. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional
Nível Médio - Oficial Administrativo  Nível Médio - Oficial Administrativo
Leia a charge a seguir e assinale a alternativa incorreta. Leia o texto para responder a questão.

Coisas Antigas

[...] “Depois de cumprir meus afazeres voltei para


casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a
contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele;
meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu lugar a
um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber
qual a origem desse carinho.
Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já
notado por outras pessoas, de ser o guarda-chuva o
objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou
apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de
a) O texto faz uso da prosopopeia, ou seja, da perso- minha infância existe mais em sua forma primitiva. De
nificação de objetos inanimados para representar as máquinas como telefone, automóvel etc., nem é bom
mudanças tecnológicas. falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma,
b) O vocábulo “moleque”, que aparece no balão da direi- de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para
ta, é o sujeito da oração. melhor; mas mudaram. [...]
c) O vocábulo “moleque”, que aparece no balão da direi- O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas,
ta, é o vocativo da oração. já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e
d) O vocábulo “moleque”, que aparece no balão da direi- tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu
ta, alude à novidade tecnológica. austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas.
De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda
4. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional
animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno. [...]”
Nível Médio - Oficial Administrativo
Rubem Braga
Assinale a alternativa em que as palavras estão acentua-
das corretamente.
Analise o trecho: “Suas irmãs,  as sombrinhas, já se en-
tregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto
a) Há pesquisas sobre robôs inocuos que instalarão teles-
abusaram que até caíram de moda”. Assinale a alterna-
cópios na Lua para observar a galáxia.
tiva que apresenta a classificação sintática da expressão
b) Naquela manhã, Pedro saiu taciturno para a sala re-
em destaque.
côndita após a conversa com o pérfido homem de
chapéu.
a) aposto.
c) Aproximo-me suavemente do momento em que os fi-
b) sujeito.
lósofos e os imbecis tem o mesmo destino.
c) predicativo.
d) A Secretaria de Segurança Pública intervem, sempre
d) vocativo.
que necessário, em favor da população.

5. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT - Profissional 7. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT -


Nível Médio - Oficial Administrativo  Profissional Nível Médio - Oficial Administrativo
Analise o enunciado: “Todo esforço tem a sua recom- Leia o texto para responder a questão.
pensa”. Assinale a alternativa que preencha correta e
respectivamente as lacunas abaixo. Coisas Antigas
A expressão “todo esforço” funciona como _____ da ora-
ção; o termo  “tem” é um _____ que é complementado [...] “Depois de cumprir meus afazeres voltei para
com um  _____  representado pela expressão  “a sua re- casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a
compensa”. contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele;
meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu lugar a
a) predicado / verbo intransitivo / complemento nominal. um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber
b) substantivo / verbo de ligação / complemento verbal. qual a origem desse carinho.
c) predicativo / verbo transitivo indireto / objeto indireto. Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já
d) sujeito / verbo transitivo direto / objeto direto. notado por outras pessoas, de ser o guarda-chuva o
LÍNGUA PORTUGUESA

objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou


apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de
minha infância existe mais em sua forma primitiva. De
máquinas como telefone, automóvel etc., nem é bom
falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma,
de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para
melhor; mas mudaram. [...]

90
O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, De acordo com o texto e a Gramática Normativa da Lín-
já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e gua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu
austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas. a) Segundo o texto, graças ao desenvolvimento tecnoló-
De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda gico, o uso do computador está amplamente difundi-
animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno. [...]” do na sociedade e atende a atividades de diferentes
Rubem Braga graus de complexidade, o que torna plausível a vida
sem esse recurso tecnológico.
Leia o trecho: “pendurei o guarda-chuva a um canto e me b) A expressão “nada mais”, no trecho “algoritmo nada
pus a contemplá-lo”. Assinale a alternativa que apresenta mais é do que uma receita”, é uma forma pejorativa de
a regra correta que justifica o uso da expressão pronomi- caracterizar os algoritmos dada sua vasta utilização na
nal em destaque. sociedade contemporânea.
c) Para explicar o conceito de “algoritmo”, a autora utiliza
a) Próclise – uso do pronome após o verbo em enuncia- como estratégia didática uma linguagem figurada an-
dos afirmativos no pretérito imperfeito. tes de fazer uma definição mais técnica.
b) Ênclise – uso do pronome após o verbo no infinitivo d) De acordo com o texto, algumas atividades cotidianas,
impessoal regido por preposição. por serem tão fáceis e automatizadas, dispensam o
c) Mesóclise – uso do pronome após o verbo em enun- uso, mesmo inconsciente, dos algoritmos para serem
ciados afirmativos no presente do indicativo. realizadas.
d) Próclise – uso do pronome após o verbo em enuncia-
dos afirmativos no pretérito perfeito. 9. IBFC - 2017 - SEDUC-MT - Técnico Administrativo
Educacional
8. IBFC - 2019 - SESACRE - Contador  Quando era novo, em Pringles, havia donos de
Leia com atenção trecho do texto “O que é algoritmo?” automóveis que se gabavam, sem mentir, de tê-los
de Ana Paula Pereira (TecMundo) para responder à ques- desmontado “até o último parafuso” e depois montá-
tão a seguir. los novamente. Era uma proeza bem comum, e tal como
(adaptado)  eram os carros, então, bastante necessária para manter
uma relação boa e confiável com o veículo. Numa viagem
Nos dias atuais e com a evolução galopante da tecnologia, longa era preciso levantar o capô várias vezes, sempre
dificilmente encontramos pessoas que nunca tenham que o carro falhava, para ver o que estava errado. Antes,
utilizado um computador. Os propósitos podem variar na era heroica do automobilismo, ao lado do piloto ia
bastante, seja para edição de textos, jogos ou atividades mecânico, depois rebaixado a copiloto. [...]
mais complexas. Já é difícil de imaginar nossas vidas sem Na realidade, os bricoleurs* de vila ou de bairro não se
o uso dessa ferramenta. limitavam aos carros, trabalhavam com qualquer tipo
Nessa atividade tão comum ao nosso cotidiano, de máquinas: relógios, rádios, bombas d´água, cofres.
você algum dia deve ter parado para pensar como os [...] Desnecessário dizer, assim, que desde que os carros
programas funcionam. Você deve ter feito a si mesmo vêm com circuitos eletrônicos, o famoso “até o último
esta pergunta: como é que o computador faz todas as parafuso” perdeu vigência.
tarefas exatamente da forma que você pede? A resposta Houve um momento, neste último meio século, em que
é mais simples do que parece: ele segue as instruções a humanidade deixou de saber como funcionavam as
que você passa. máquinas que utiliza. De forma parcial e fragmentária,
Mas, para que ele consiga entender o que você fala, ele sabem apenas alguns engenheiros dos laboratórios
precisa de uma linguagem mais específica. Para fazer de Pesquisa e Desenvolvimento de algumas grandes
essa interpretação entre homem e máquina, foram empresas, mas o cidadão comum, por mais hábil e
desenvolvidas as linguagens de programação. Para que entendido que seja, perdeu a pista há muito. Hoje em dia
essa interação seja possível, eles são fundamentais: os usamos os artefatos tal como as damas de antigamente
algoritmos. usavam os automóveis: como “caixas-pretas”, com um
Um algoritmo nada mais é do que uma receita que Input (apertar um botão) e um Output (desliga-se o
mostra passo a passo os procedimentos necessários para motor), na mais completa ignorância do que acontece
a resolução de uma tarefa, como a receita de um bolo. entre esses dois polos.
Ele não responde à pergunta “o que fazer?”, mas sim O exemplo do carro não é por acaso, acredito ter sido
“como fazer”. Em termos mais técnicos, um algoritmo a máquina de maior complexidade até onde chegou o
é uma sequência lógica, finita e definida de instruções saber do cidadão comum. Até a década de 1950, antes
que devem ser seguidas para resolver um problema ou do grande salto, quando ainda se desmontavam carros
LÍNGUA PORTUGUESA

executar uma tarefa. e geladeiras no pátio, circulava uma profusa bibliografia


Embora você não perceba, utiliza algoritmos de forma com tentativas patéticas de seguir o rastro do progresso.
intuitiva e automática diariamente quando executa [...]
tarefas comuns. Como estas atividades são simples e Hoje vivemos num mundo de caixas-pretas. Ninguém se
dispensam ficar pensando nas instruções necessárias assusta por não saber o que acontece dentro do mais
para fazê-las, o algoritmo presente nelas acaba passando simples dos aparelhos de que nos servimos para viver.
despercebido. [...]

91
O que aconteceu com as máquinas é apenas um indício [...]
concreto do que aconteceu com tudo. A sociedade inteira Hoje vivemos num mundo de caixas-pretas. Ninguém se
virou uma caixa-preta. A complicação da economia, os assusta por não saber o que acontece dentro do mais
deslocamentos populacionais, os fluxos de informação simples dos aparelhos de que nos servimos para viver.
traçando caprichosas espirais num mundo de estatísticas [...]
contraditórias, acabaram por produzir uma cegueira O que aconteceu com as máquinas é apenas um indício
resignada cuja única moral é a de que ninguém sabe “o concreto do que aconteceu com tudo. A sociedade inteira
que pode acontecer”; ninguém acerta os prognósticos, virou uma caixa-preta. A complicação da economia, os
ou acerta só por casualidade. Antes isso acontecia apenas deslocamentos populacionais, os fluxos de informação
com o clima, mas à imprevisibilidade do clima o homem traçando caprichosas espirais num mundo de estatísticas
respondeu com civilização. Agora a própria civilização, contraditórias, acabaram por produzir uma cegueira
dando toda a volta, se tornou imprevisível. resignada cuja única moral é a de que ninguém sabe “o
(César Aira. In: Marco M. Chaga, org. Pequeno que pode acontecer”; ninguém acerta os prognósticos,
manual de procedimentos. Tradução: Eduardo ou acerta só por casualidade. Antes isso acontecia apenas
Marquardt. Cuuritiba: Arte & Letra, 2007, p.49-51) com o clima, mas à imprevisibilidade do clima o homem
* bricoleur: aquele que faz qualquer espécie de trabalho respondeu com civilização. Agora a própria civilização,
dando toda a volta, se tornou imprevisível.
Em “havia donos de automóveis que se gabavam” (1º§), (César Aira. In: Marco M. Chaga, org. Pequeno
considerando o contexto, a palavra em destaque pode manual de procedimentos. Tradução: Eduardo
ser entendida como sinônimo de: Marquardt. Cuuritiba: Arte & Letra, 2007, p.49-51)
* bricoleur: aquele que faz qualquer espécie de trabalho
a) vangloriavam.
b) sustentavam.
Dentre as ocorrências do emprego do pronome
c) provocavam.
oblíquo átono abaixo, destacadas do texto, assinale a
d) prejudicavam.
e) organizavam. alternativa incorreta de colocação considerando a Norma
Culta.
10. IBFC - 2017 - SEDUC-MT - Técnico Administrativo
Educacional a) “havia donos de automóveis que se gabavam” (1º§).
Quando era novo, em Pringles, havia donos de b) “´até o último parafuso’ e depois montá-los” (1º§).
automóveis que se gabavam, sem mentir, de tê-los c) “os bricoleurs* de vila ou de bairro não se limitavam”
desmontado “até o último parafuso” e depois montá- (2º§).
los novamente. Era uma proeza bem comum, e tal como d) “Ninguém se assusta por não saber o que acontece”
eram os carros, então, bastante necessária para manter (5º§).
uma relação boa e confiável com o veículo. Numa viagem e) “dando toda a volta, se tornou imprevisível.” (6º§).
longa era preciso levantar o capô várias vezes, sempre
que o carro falhava, para ver o que estava errado. Antes, 11. IBFC - 2019 - MGS - Auxiliar Administrativo
na era heroica do automobilismo, ao lado do piloto ia Leia: “Campanha da Polícia Rodoviária Federal visa fazer
mecânico, depois rebaixado a copiloto. [...] com que o motorista reflita, porque o próximo carro a ser
Na realidade, os bricoleurs* de vila ou de bairro não se exibido pode ser o dele  [...]”. Assinale a alternativa que
limitavam aos carros, trabalhavam com qualquer tipo tenha a reescrita incorreta do trecho em destaque:
de máquinas: relógios, rádios, bombas d´água, cofres.
[...] Desnecessário dizer, assim, que desde que os carros a) “[...] objetiva fazer com que o motorista reflita, porque
vêm com circuitos eletrônicos, o famoso “até o último o próximo carro a ser exibido pode ser o dele”.
parafuso” perdeu vigência. b) “[...] tem o intuito fazer com que o motorista reflita,
Houve um momento, neste último meio século, em que porque o próximo carro a ser exibido pode ser o dele”.
a humanidade deixou de saber como funcionavam as c) “[...] destina-se fazer com que o motorista reflita, por-
máquinas que utiliza. De forma parcial e fragmentária, que o próximo carro a ser exibido pode ser o dele”.
sabem apenas alguns engenheiros dos laboratórios de d) “[...] impõe fazer com que o motorista reflita, porque o
Pesquisa e Desenvolvimento de algumas grandes empresas, próximo carro a ser exibido pode ser o dele”.
mas o cidadão comum, por mais hábil e entendido que seja,
perdeu a pista há muito. Hoje em dia usamos os artefatos 12. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT -
tal como as damas de antigamente usavam os automóveis: Profissional Nível Médio - Oficial Administrativo 
como “caixas-pretas”, com um Input (apertar um botão) Leia o texto para responder a questão.
e um Output (desliga-se o motor), na mais completa
LÍNGUA PORTUGUESA

ignorância do que acontece entre esses dois polos. Coisas Antigas


O exemplo do carro não é por acaso, acredito ter sido [...] “Depois de cumprir meus afazeres voltei para
a máquina de maior complexidade até onde chegou o casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a
saber do cidadão comum. Até a década de 1950, antes contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele;
do grande salto, quando ainda se desmontavam carros meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu lugar a
e geladeiras no pátio, circulava uma profusa bibliografia um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber
com tentativas patéticas de seguir o rastro do progresso. qual a origem desse carinho.

92
Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já d) De acordo com o infográfico, a troca de afetos produz
notado por outras pessoas, de ser o guarda-chuva o melatonina que é o neurotransmissor que melhora a
objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou qualidade de nosso sono.
apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de
minha infância existe mais em sua forma primitiva. De 14. IBFC - 2019 - Prefeitura de Cuiabá - MT -
máquinas como telefone, automóvel etc., nem é bom Profissional Nível Médio - Oficial Administrativo 
falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma, Leia o texto para responder a questão.
de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para
melhor; mas mudaram. [...] Coisas Antigas
O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, [...] “Depois de cumprir meus afazeres voltei para
já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a
tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele;
austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas. meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu lugar a
De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber
animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno. [...]” qual a origem desse carinho.
Rubem Braga Pensando bem, ele talvez derive do fato, creio que já
notado por outras pessoas, de ser o guarda-chuva o
Assinale a alternativa em que apenas uma palavra segue
objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou
a mesma regra de acentuação do vocábulo: automóvel.
apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de
minha infância existe mais em sua forma primitiva. De
a) cascavel, lápis, matemática, Rússia.
b) açúcar, hipótese, metrópole, denúncia. máquinas como telefone, automóvel etc., nem é bom
c) fundamental, língua, período, enciclopédia. falar. Mil pequenos objetos de uso mudaram de forma,
d) níquel, camafeu, incólume, pernóstico. de cor, de material; em alguns casos, é verdade, para
melhor; mas mudaram. [...]
13. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas,
Leia o infográfico (Pinimg) para responder à questão. já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e
tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu
austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas.
De junco fino ou pinho vulgar, de algodão ou de seda
animal, pobre ou rico, ele se tem mantido digno. [...]”
Rubem Braga

De acordo com o texto, analise as afirmativas e assinale


a alternativa correta.

I. O texto discorre sobre um objeto de uso comum que


tem resistido às mudanças que ocorrem naturalmente
com o tempo.
II. O narrador se mostra introspectivo e expressa apatia
ao observar que o guarda-chuva se mantém obsoleto
nos dias atuais.
III. As expressões junco e pinho, que aparecem no último
parágrafo, referem-se aos tipos de metais utilizados na
fabricação das varetas do guarda-chuva.

a) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.


b) Apenas a afirmativa a II está correta.
c) Apenas a afirmativa I está correta.
d) Apenas a afirmativa III está correta.
Sobre as informações contidas no infográfico, assinale a
alternativa correta. 15. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo
Leia com atenção um trecho de uma reportagem
a) O infográfico informa sobre como hábitos cotidianos sobre “Mães solo” para responder à questão a seguir.
produzem certos tipos de neurotransmissores e quais (Adaptado)
LÍNGUA PORTUGUESA

são as consequências da liberação destas substâncias


em nosso corpo e nossa vida. É muito comum escutarmos por aí as pessoas utilizando
b) De acordo com o infográfico, a endorfina, produzida a expressão “mãe solteira” para se referir àquelas
pelo consumo de chocolate, é nociva ao nosso orga- mulheres que criam sozinhas os seus filhos. E por que
nismo e precisa ser evitada. não é adequado utilizarmos essa expressão?
c) A coluna central do infográfico aponta todas as vita- O termo “mãe solo” surgiu como uma forma de dar
minas que precisamos consumir cotidianamente para enfoque ao compromisso assumido pela mãe em
cultivar uma vida saudável. se responsabilizar pelos cuidados da criança por ela

93
gerada ou adotada. Mas é importante entendermos a existe uma cultura que viabiliza esse comportamento
maternidade como algo muito complexo, que se dá para masculino de isenção perante a paternidade, mas o
além do estado civil da mulher. contrário parece impensável para as mulheres,que ainda
Se o pai não divide a criação com a mãe igualitariamente, são alvo de críticas, caso não cumpram suas funções
50 a 50% do tempo, ela ainda será considerada uma mãe maternas de maneira esperada.
solo – mesmo que ele coloque seu nome na certidão Segundo dados colhidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro
do filho(a), pague a pensão que deve e veja a criança de Geografia e Estatística), em 2005, 10,5 milhões de
algumas vezes durante a semana. (...) Infelizmente ainda famílias já eram compostas por mulheres sem cônjuge
existe uma cultura que viabiliza esse comportamento e com filhos,sendo elas as principais responsáveis pela
masculino de isenção perante a paternidade, mas o criação dos mesmos. Nos últimos 10 anos, o número de
contrário parece impensável para as mulheres,que ainda “mães solo” no Brasil aumentou em mais de um milhão.
são alvo de críticas, caso não cumpram suas funções Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 2,38
maternas de maneira esperada. filhos por mulher para 1,9, em 2010. Esse decréscimo está
Segundo dados colhidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro ligado ao aumento da escolaridade feminina, que teve
de Geografia e Estatística), em 2005, 10,5 milhões de sua presença intensificada tanto no ensino médio como
famílias já eram compostas por mulheres sem cônjuge nas universidades, superando os números masculinos
e com filhos,sendo elas as principais responsáveis pela neste mesmo processo. 
criação dos mesmos. Nos últimos 10 anos, o número de
“mães solo” no Brasil aumentou em mais de um milhão. De acordo com o texto e com a Gramática Normativa
Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 2,38 da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.
filhos por mulher para 1,9, em 2010. Esse decréscimo está
ligado ao aumento da escolaridade feminina, que teve a) O texto é um gênero em que predomina a sequência
sua presença intensificada tanto no ensino médio como tipológica injuntiva já que incentiva a compra de con-
nas universidades, superando os números masculinos traceptivos que evitariam o aumento do número de
neste mesmo processo.  mães solo no Brasil.
b) A sequência textual predominante no texto acima é a
De acordo com o texto e com a Gramática Normativa da narrativa, pois explora detalhes e informações caracte-
Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta. rizando singularmente os raros casos de maternidade
solo no Brasil.
a) No trecho “para se referir àquelas mulheres”, verifica- c) A reportagem pode ser lida como um texto informati-
-se que o verbo “referir” exige, de acordo com as re- vo que além de atualizar a nomenclatura sobre mater-
gras de regência verbal, a presença da preposição “a”. nidade solo, faz uso de dados numéricos que contex-
b) No trecho “isenção perante  a  paternidade”, o termo tualizam a realidade das mães no Brasil.
destacado “a” é uma preposição. d) O trecho é prioritariamente argumentativo ao defen-
c) No trecho “o contrário parece impensável para as mu- der de modo enfático pontos de vista sobre a neces-
lheres”, a expressão em destaque “para as mulheres” sidade de planejamento familiar para evitar assim que
é um objeto indireto. crianças cresçam sem a presença do pai.
d) No trecho “está ligado ao aumento da escolaridade
feminina”, a expressão em destaque “ao aumento da 17. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo
escolaridade feminina” é um objeto direto preposicio- Leia com atenção um trecho de uma reportagem
nado. sobre “Mães solo” para responder à questão a seguir.
(Adaptado)
16. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo É muito comum escutarmos por aí as pessoas utilizando
Leia com atenção um trecho de uma reportagem a expressão “mãe solteira” para se referir àquelas
sobre “Mães solo” para responder à questão a seguir. mulheres que criam sozinhas os seus filhos. E por que
(Adaptado) não é adequado utilizarmos essa expressão?
O termo “mãe solo” surgiu como uma forma de dar
É muito comum escutarmos por aí as pessoas utilizando enfoque ao compromisso assumido pela mãe em
a expressão “mãe solteira” para se referir àquelas se responsabilizar pelos cuidados da criança por ela
mulheres que criam sozinhas os seus filhos. E por que gerada ou adotada. Mas é importante entendermos a
não é adequado utilizarmos essa expressão? maternidade como algo muito complexo, que se dá para
O termo “mãe solo” surgiu como uma forma de dar além do estado civil da mulher.
enfoque ao compromisso assumido pela mãe em Se o pai não divide a criação com a mãe igualitariamente,
se responsabilizar pelos cuidados da criança por ela 50 a 50% do tempo, ela ainda será considerada uma mãe
gerada ou adotada. Mas é importante entendermos a solo – mesmo que ele coloque seu nome na certidão
LÍNGUA PORTUGUESA

maternidade como algo muito complexo, que se dá para do filho(a), pague a pensão que deve e veja a criança
além do estado civil da mulher. algumas vezes durante a semana. (...) Infelizmente ainda
Se o pai não divide a criação com a mãe igualitariamente, existe uma cultura que viabiliza esse comportamento
50 a 50% do tempo, ela ainda será considerada uma mãe masculino de isenção perante a paternidade, mas o
solo – mesmo que ele coloque seu nome na certidão contrário parece impensável para as mulheres,que ainda
do filho(a), pague a pensão que deve e veja a criança são alvo de críticas, caso não cumpram suas funções
algumas vezes durante a semana. (...) Infelizmente ainda maternas de maneira esperada.

94
Segundo dados colhidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro a toda sua rede de relacionamentos e uma terceira conta,
de Geografia e Estatística), em 2005, 10,5 milhões de de preferência dessas de provedores gratuitos, que é útil
famílias já eram compostas por mulheres sem cônjuge para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu
e com filhos,sendo elas as principais responsáveis pela e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você
criação dos mesmos. Nos últimos 10 anos, o número de não deve usar essa conta para contatos importantes. 
“mães solo” no Brasil aumentou em mais de um milhão.
Ao mesmo tempo, a taxa de fecundidade caiu de 2,38 De acordo com o texto e com a Gramática Normativa da
filhos por mulher para 1,9, em 2010. Esse decréscimo está Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo e assina-
ligado ao aumento da escolaridade feminina, que teve le a alternativa correta.
sua presença intensificada tanto no ensino médio como
nas universidades, superando os números masculinos I. As expressões em destaque no trecho a seguir “estar
neste mesmo processo.  familiarizado com a tecnologia da informação é tão ne-
cessário quanto foi no passado” são classificadas como
A partir da leitura e interpretação do texto, assinale a al- locução conjuntiva e tem sentido comparativo.
ternativa incorreta. II. A expressão destacada no trecho a seguir “a entrada e
saída de dados que recebemos do ambiente” é classifi-
a) De acordo com o texto, o termo “mãe solo” faz refe- cada como conjunção integrante.
rência a mulheres que assumiram completamente ou III. A expressão destacada no trecho a seguir “Aconse-
majoritariamente os cuidados e a responsabilidade lho  que  toda pessoa tenha pelo menos três contas” é
por seus filhos. classificada como pronome relativo.
b) O termo “mãe solo” não discrimina a maternidade
adotiva podendo ser empregado para referir-se tanto a) Apenas a afirmativa III está correta.
a mães de filhos biológicos como de filhos adotivos. b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
c) A diferença de uso das expressões “mãe solteira” e c) Apenas as afirmativas II e III estão corretas.
d) Apenas a afirmativa I está correta.
“mãe solo” reside no fato de deslocar a compreensão
da maternidade para além do estado civil da mulher.
19. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo
d) O decréscimo do número de “mães solo” no Brasil se
Leia atentamente um trecho da entrevista realizada
deve, entre outros fatores, ao aumento da escolarida-
pelo jornal “A tarde” com o consultor de marketing
de feminina.
Mario Persona para responder à questão. (Adaptado)
A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que “so-
18. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo
frem” uma espécie de ansiedade tecnológica, aquele tipo
Leia atentamente um trecho da entrevista realizada pelo de situação que envolve a falta de capacidade de contro-
jornal “A tarde” com o consultor de marketing Mario Per- le quando o assunto é dominar programas e utilização
sona para responder à questão. (Adaptado) do micro?
A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que “so- Mario Persona: Essa ansiedade é comandada pela
frem” uma espécie de ansiedade tecnológica, aquele tipo necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a
de situação que envolve a falta de capacidade de contro- tecnologia da informação é tão necessário quanto foi
le quando o assunto é dominar programas e utilização no passado estar familiarizado com a pena — saber
do micro? escrever. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada
Mario Persona: Essa ansiedade é comandada pela e saída de dados que recebemos do ambiente depende
necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a agora desses acessórios tecnológicos.
tecnologia da informação é tão necessário quanto foi A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras
no passado estar familiarizado com a pena — saber e parte para a solução mais “irracional” possível: pode
escrever. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada até mesmo dar umas pancadas no micro...
e saída de dados que recebemos do ambiente depende Mario Persona: Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada.
agora desses acessórios tecnológicos. Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas
A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras horas mais impossíveis. É a impressora que para na hora
e parte para a solução mais “irracional” possível: pode de imprimir aquela proposta urgente. É a Internet que
até mesmo dar umas pancadas no micro... decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber
Mario Persona: Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada. meus e-mails, ou pesquisar algo.
Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas A Tarde: No caso de a pessoa ter mais de três contas
horas mais impossíveis. É a impressora que para na hora de e-mail, a seu ver, isso seria uma forma de ansiedade
de imprimir aquela proposta urgente. É a Internet que ou dispersão? O que acha disso?
decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber Mario Persona: Hoje é preciso ter mais de uma conta
LÍNGUA PORTUGUESA

meus e-mails, ou pesquisar algo. de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção.
A Tarde: No caso de a pessoa ter mais de três contas Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas.
de e-mail, a seu ver, isso seria uma forma de ansiedade Uma da empresa onde trabalha, um e-mail pessoal ligado
ou dispersão? O que acha disso? a toda sua rede de relacionamentos e uma terceira conta,
Mario Persona: Hoje é preciso ter mais de uma conta de preferência dessas de provedores gratuitos, que é útil
de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção. para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu
Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas. e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você
Uma da empresa onde trabalha, um e-mail pessoal ligado não deve usar essa conta para contatos importantes. 

95
De acordo com o texto e com a Gramática Normativa da a) tem mania de causar dificuldades operacionais nos
Língua Portuguesa, assinale a alternativa incorreta. momentos mais impróprios./ que resolve interromper
a impressão daquela
a) O sujeito do trecho “Nossos sentidos foram expan- b) resolve gerar problemas sem solução, devido à hora
didos” é classificado como sujeito paciente, já que a em que acontecem./ cuja a impressão dá algum pro-
frase está na voz passiva. blema justamente no momento de imprimir
b) No trecho “Já fiz isso”, a palavra destacada é um pro- c) , nas piores horas, costuma dar problemas./ em que
nome demonstrativo com função anafórica no texto, apresenta, no pior momento, problemas na impressão
por retomar uma ideia já enunciada. daquela
c) No trecho “Uma da empresa onde trabalha”, a palavra d) decide criar um problema novo nos momentos me-
destacada é um pronome relativo, que retoma corre- nos inconvenientes./ que decide dar problema no mo-
tamente a palavra “empresa”. mento de imprimir
d) O trecho “que é útil para ser usada nesses sites de In-
ternet” apresenta um problema de concordância ver- 21. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo
bal, pois a palavra “que” retoma um termo no plural Leia atentamente um trecho da entrevista realizada
“provedores gratuitos”, obrigando que a forma verbal pelo jornal “A tarde” com o consultor de marketing
destacada também estivesse no plural. Mario Persona para responder à questão. (Adaptado)
A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que
20. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo “sofrem” uma espécie de ansiedade tecnológica,
Leia atentamente um trecho da entrevista realizada aquele tipo de situação que envolve a falta de
pelo jornal “A tarde” com o consultor de marketing capacidade de controle quando o assunto é dominar
Mario Persona para responder à questão. (Adaptado) programas e utilização do micro?
A Tarde: O que você tem a dizer sobre pessoas que Mario Persona: Essa ansiedade é comandada pela
“sofrem” uma espécie de ansiedade tecnológica, necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a
tecnologia da informação é tão necessário quanto foi
aquele tipo de situação que envolve a falta de
no passado estar familiarizado com a pena — saber
capacidade de controle quando o assunto é dominar
escrever. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada
programas e utilização do micro?
e saída de dados que recebemos do ambiente depende
Mario Persona: Essa ansiedade é comandada pela
agora desses acessórios tecnológicos.
necessidade. Hoje saber estar familiarizado com a
A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras
tecnologia da informação é tão necessário quanto foi
e parte para a solução mais “irracional” possível: pode
no passado estar familiarizado com a pena — saber
até mesmo dar umas pancadas no micro...
escrever. Nossos sentidos foram expandidos e a entrada Mario Persona: Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada.
e saída de dados que recebemos do ambiente depende Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas
agora desses acessórios tecnológicos. horas mais impossíveis. É a impressora que para na hora
A Tarde: Em muitos casos, a pessoa perde as estribeiras de imprimir aquela proposta urgente. É a Internet que
e parte para a solução mais “irracional” possível: pode decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber
até mesmo dar umas pancadas no micro... meus e-mails, ou pesquisar algo.
Mario Persona: Já fiz isso. Felizmente não quebrou nada. A Tarde: No caso de a pessoa ter mais de três contas
Até hoje o micro resolve inventar uma novidade nas de e-mail, a seu ver, isso seria uma forma de ansiedade
horas mais impossíveis. É a impressora que para na hora ou dispersão? O que acha disso?
de imprimir aquela proposta urgente. É a Internet que Mario Persona: Hoje é preciso ter mais de uma conta
decide ficar muda quando mais preciso enviar ou receber de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção.
meus e-mails, ou pesquisar algo. Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas.
A Tarde: No caso de a pessoa ter mais de três contas Uma da empresa onde trabalha, um e-mail pessoal ligado
de e-mail, a seu ver, isso seria uma forma de ansiedade a toda sua rede de relacionamentos e uma terceira conta,
ou dispersão? O que acha disso? de preferência dessas de provedores gratuitos, que é útil
Mario Persona: Hoje é preciso ter mais de uma conta para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu
de e-mail, às vezes até por segurança ou prevenção. e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você
Aconselho que toda pessoa tenha pelo menos três contas. não deve usar essa conta para contatos importantes. 
Uma da empresa onde trabalha, um e-mail pessoal ligado
a toda sua rede de relacionamentos e uma terceira conta, De acordo com a leitura atenta do texto acima e
de preferência dessas de provedores gratuitos, que é útil com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa,
para ser usada nesses sites de Internet que pedem seu assinale a alternativa correta.
e-mail e depois enviam propaganda. Obviamente você
não deve usar essa conta para contatos importantes.  a) A palavra “pena” no trecho “estar familiarizado com a
LÍNGUA PORTUGUESA

pena” é sinônima de “dó” e refere-se ao sentimento de


Leia o trecho extraído do texto e assinale a alternativa quem se solidariza com as pessoas não familiarizadas
que preencha correta e respectivamente as lacunas, com as novas tecnologias de informação.
preservando o seu sentido original e respeitando a b) As aspas utilizadas para destacar a palavra “irracional”
Gramática Normativa da Língua Portuguesa. no trecho “parte para a solução mais ‘irracional’ possí-
“Até hoje o micro _____. É a impressora _____ proposta vel” têm função de alertar o leitor para que o sentido
urgente.” dessa palavra é carregado de ironia.

96
c) As reticências utilizadas no trecho a seguir “até mesmo dar umas pancadas no micro...” têm função de ocultar uma
ou mais palavras de baixo calão, inadequadas ao gênero textual em questão.
d) Apesar de não responder explicitamente à última pergunta, é incorreto dizer que o entrevistado não se posiciona,
já que ele a responde indiretamente.

22. IBFC - 2019 - SESACRE - Agente Administrativo


Leia com atenção a tira de “Calvin e Haroldo”, criada pelo cartunista Bill Watterson, para responder à questão.

De acordo com a tira e com a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo e assinale a
alternativa correta.

I. No primeiro quadrinho, é possível classificar a pergunta que Calvin faz para a mãe como uma pergunta retórica.
II. A expressão “batendo as botas”, no terceiro quadrinho, é uma figura de linguagem conhecida como hipérbole.
III. O adjetivo “belo”, no terceiro quadrinho, é utilizado com uma conotação irônica.

a) Apenas as afirmativas I e II estão corretas.


b) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
c) Apenas a afirmativa II está correta.
d) Apenas a afirmativa III está correta.

23. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico


Leia a tira de “Níquel Náusea”, criada pelo cartunista brasileiro Fernando Gonsales, para responder à questão.

De acordo com a tira e a Gramática Normativa da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta:

a) A palavra “quem” no primeiro quadrinho é um pronome interrogativo.


b) A palavra “um” no primeiro quadrinho é um artigo indefinido.
c) A palavra “rolando” no segundo quadrinho é um verbo no infinitivo.
d) A palavra “suporto” no último quadrinho é um verbo conjugado na primeira pessoa do singular no presente do
modo indicativo.

24. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico


LÍNGUA PORTUGUESA

Leia com atenção o poema “Guardar” do poeta brasileiro Antonio Cícero e responda à questão.
Guardar
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto

97
é, iluminá-la ou ser por ela iluminado. agora: Luiz Francisco Senne, nosso secretário de produção,
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, professor de português, roqueiro, colecionador de discos
isto de vinil e livros usados, e responsável pelo atendimento
é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, aos leitores. Kiko, como é muito mais conhecido, sabe
estar por ela ou ser por ela. também driblar as angústias dos nossos jovens amigos
Por isso, melhor se guarda o voo de um pássaro em apuros.
Do que de um pássaro sem voos. Muitos pedem ajuda a Galileu quando recebem dos
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, professores uma tarefa complicada e não sabem a quem
por recorrer. Kiko responde delicada mas firmemente: não dá
isso se declara e declama um poema: para fazer o trabalho escolar no lugar do aluno (é festa
Para guardá-lo: agora?). Mas simpatiza com o drama de leitores como
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda: este cuja mensagem é reproduzida acima: “Vocês não
Guarde o que quer que guarda um poema: poderiam dar uma dica de como ir bem numa prova de
Por isso o lance do poema: física porque o meu cérebro está cansado?” Atendendo
Por guardar-se o que se quer guardar. ao apelo levado aos repórteres por Kiko, Galileu oferece
(Fonte: Pensador) a seus leitores a matéria “Os cientistas alertam: não
deveríamos existir”, do editor Marcelo Ferroni. Ela mostra
Considerando o poema acima e a Gramática Normativa que a física pode ser criativa em vez de uma aula chata.
da Língua Portuguesa, analise as afirmativas abaixo e dê Quer ver?
valores Verdadeiro (V) ou Falso (F). Martha San Juan França, Diretora de Redação 
( ) No trecho “Guardar uma coisa não é escondê-la”, o De acordo com o texto acima e com a Gramática Norma-
termo destacado corresponde ao Pronome Pessoal do tiva da Língua Portuguesa, assinale a alternativa incorre-
caso oblíquo “a” corretamente grafado quando colocado ta:
após um verbo no infinitivo.
( ) No trecho “Em cofre não se guarda coisa alguma.”, o a) No trecho “Kiko, como é muito mais conhecido, sabe
termo destacado é uma Locução Adverbial. também driblar as angústias dos nossos jovens ami-
( ) No trecho “mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la” a gos em apuros.”, o termo destacado é classificado
expressão destacada pode ser substituída, sem alteração
como Verbo Transitivo Direto e Indireto.
de sentido, pelo termo “ou seja”.
b) No trecho “Muitos pedem ajuda a Galileu quando re-
( ) No trecho “Por isso, melhor se guarda o voo de
cebem dos professores uma tarefa complicada”, a
um pássaro”, o termo destacado é uma Conjunção
oração destacada é classificada como Oração Subor-
Coordenativa Adversativa.
dinada Adverbial Temporal.
( ) No trecho “Guarde o que quer que guarda um poema”,
c) No trecho “Ainda mais para nós, jornalistas de Gali-
o termo destacado é um artigo definido.
leu, que adoramos um bom desafio.” a expressão des-
tacada é classificada como Aposto.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta
de cima para baixo. d) No trecho “Ela mostra que a física pode ser criativa em
vez de uma aula chata.”, o termo destacado é classifi-
a) V, V, V, F, V. cado como conjunção integrante.
b) V, V, V, F, F.
c) F, F, V, V, F. 26. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico
d) F, V, F, F, F.
Leia a tira de “Níquel Náusea”, criada pelo cartunista
25. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico brasileiro Fernando Gonsales, para responder à ques-
Carta ao Leitor tão.
Nunca te vi, sempre te amei
(...)
De todas as tarefas que fazem parte da rotina de redação
de Galileu, a mais prazerosa certamente é ler as cartas
dos leitores. Os fãs da revista são de fato especiais
e suas cartas traduzem isso. São criativos, curiosos,
observadores e não deixam passar nada. Fazem perguntas
tão difíceis quanto imprevisíveis. Querem saber de tudo:
do monstro do Lago Ness ao Projeto Genoma Humano.
LÍNGUA PORTUGUESA

E não se contentam com respostas pela metade. Ler as


dúvidas que aparecem nas cartas, os comentários sobre A partir da interpretação da tira anterior, assinale a alter-
as reportagens passadas e as sugestões de futuras é nativa correta.
gratificante para qualquer jornalista. Ainda mais para nós,
jornalistas de Galileu, que adoramos um bom desafio. a) No primeiro quadrinho, a palavra “chinelo” representa
Felizmente, a revista conta com uma arma secreta para um símbolo de controle, que garante ao seu dono um
satisfazer tantas pessoas exigentes. Vou apresentá-la poder absoluto.

98
b) No terceiro quadrinho a oração “Não suporto filosofia 28. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico
barata”, a palavra “barata” é um vocativo, pois faz um Carta ao Leitor
chamamento direto à personagem. Nunca te vi, sempre te amei
c) A tirinha é construída por um monólogo da barata que (...)
está incomodando o rato, o que pode ser explicado De todas as tarefas que fazem parte da rotina de redação
pela sua expressão facial. de Galileu, a mais prazerosa certamente é ler as cartas
d) Os termos “chinelo” e “naftalina”, usados no primeiro dos leitores. Os fãs da revista são de fato especiais
e segundo quadrinhos, são adjetivos relacionados ao e suas cartas traduzem isso. São criativos, curiosos,
sujeito “barata”. observadores e não deixam passar nada. Fazem perguntas
tão difíceis quanto imprevisíveis. Querem saber de tudo:
27. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico do monstro do Lago Ness ao Projeto Genoma Humano.
Leia com atenção o trecho do livro A contadora de E não se contentam com respostas pela metade. Ler as
filmes do escritor chileno Hernán Rivera Letelier, dúvidas que aparecem nas cartas, os comentários sobre
traduzido para o português por Eric Nepomuceno e as reportagens passadas e as sugestões de futuras é
responda à questão. gratificante para qualquer jornalista. Ainda mais para nós,
jornalistas de Galileu, que adoramos um bom desafio.
Naquele tempo descobri que todo mundo gosta que Felizmente, a revista conta com uma arma secreta para
alguém conte histórias. Todos querem sair da realidade satisfazer tantas pessoas exigentes. Vou apresentá-la
um momento e viver esses mundos de ficção dos filmes, agora: Luiz Francisco Senne, nosso secretário de produção,
das radionovelas, dos romances. Gostam até que alguém professor de português, roqueiro, colecionador de discos
lhes conte mentiras, se essas mentiras forem bem de vinil e livros usados, e responsável pelo atendimento
contadas. Essa é a razão do êxito dos embusteiros de fala aos leitores. Kiko, como é muito mais conhecido, sabe
hábil. também driblar as angústias dos nossos jovens amigos
Sem nem ter pensado nisso, para eles eu tinha me em apuros.
transformado numa fazedora de ilusões. Numa espécie Muitos pedem ajuda a Galileu quando recebem dos
de fada, como dizia a vizinha. Minhas narrações de filme professores uma tarefa complicada e não sabem a quem
os tiravam daquele amargo nada que era o deserto, e recorrer. Kiko responde delicada mas firmemente: não dá
mesmo que fosse por um instante os transportava a para fazer o trabalho escolar no lugar do aluno (é festa
mundos maravilhosos, cheios de amores, sonhos e agora?). Mas simpatiza com o drama de leitores como
aventuras. Em vez de vê-los projetados numa tela, em este cuja mensagem é reproduzida acima: “Vocês não
minhas narrações cada um podia imaginar esses mundos poderiam dar uma dica de como ir bem numa prova de
ao seu bel prazer. física porque o meu cérebro está cansado?” Atendendo
Certa vez li por aí, ou vi num filme, que quando os judeus ao apelo levado aos repórteres por Kiko, Galileu oferece
eram levados pelos alemães naqueles vagões fechados, a seus leitores a matéria “Os cientistas alertam: não
de transportar gado – com apenas uma ranhura na parte deveríamos existir”, do editor Marcelo Ferroni. Ela mostra
alta para que entrasse um pouco de ar –, enquanto que a física pode ser criativa em vez de uma aula chata.
iam atravessando campos com cheiro de capim úmido, Quer ver?
escolhiam o melhor narrador entre eles e, subindo-o em Martha San Juan França, Diretora de Redação 
seus ombros, o elevavam até a ranhura para que fosse
descrevendo a paisagem e contando o que via conforme Leia atentamente ao texto “Nunca te vi, mas sempre
o trem avançava. te amei” publicado na seção “Carta ao leitor” da
Eu agora estou convencida de que entre eles deve ter revista Galileu e assinale a alternativa correta.
havido muitos que preferiam imaginar as maravilhas
contadas pelos companheiro a ter o privilégio de olhar a) Simpático aos dramas dos leitores, Kiko se recusa a
pela ranhura. fazer as tarefas dos alunos, principalmente quando se
trata de tarefas com questões delicadas e complexas.
Partindo da compreensão do trecho acima e da b) No título “nunca te vi, mas sempre te amei”, a palavra
Gramática Normativa da Língua Portuguesa, assinale “te” faz referência a Martha San Juan França, Diretora
a alternativa incorreta: de Redação da revista Galileu.
c) Luiz Francisco Senne é apontado como “professor de
a) No trecho “o elevavam até a ranhura  para que fos- português, roqueiro, colecionador de discos de vinil e
se descrevendo a paisagem  e contando o que via” livros usados”, o que o ajuda a efetivamente ser um
é uma Oração Subordinada Substantiva Objetiva In- excelente responsável pelo atendimento dos leitores.
direta. d) O trecho “Querem saber de tudo: do monstro do Lago
LÍNGUA PORTUGUESA

b) No trecho “Gostam até que alguém lhes conte menti- Ness ao Projeto Genoma Humano.” exemplifica a im-
ras”, a palavra destacada é um objeto indireto. previsibilidade temática das perguntas feitas pelos
c) No trecho “Em vez de vê-los projetados numa tela”, o leitores, que abordam assuntos de natureza mítica-
termo destacado é um objeto direto. -fantástica a temas de concreta relevância científica.
d) No período “Naquele tempo descobri que todo mun-
do gosta que alguém conte histórias.”, o trecho des-
tacado é uma Oração Subordinada Substantiva Obje-
tiva Direta.

99
29. IBFC - 2019 - IDAM - Assistente Técnico
Leia com atenção o trecho do livro A contadora de filmes
do escritor chileno Hernán Rivera Letelier, traduzido para GABARITO
o português por Eric Nepomuceno e responda à questão.
1 D
Naquele tempo descobri que todo mundo gosta que
alguém conte histórias. Todos querem sair da realidade 2 A
um momento e viver esses mundos de ficção dos filmes, 3 B
das radionovelas, dos romances. Gostam até que alguém
lhes conte mentiras, se essas mentiras forem bem 4 B
contadas. Essa é a razão do êxito dos embusteiros de fala 5 D
hábil. 6 A
Sem nem ter pensado nisso, para eles eu tinha me
transformado numa fazedora de ilusões. Numa espécie 7 B
de fada, como dizia a vizinha. Minhas narrações de filme 8 C
os tiravam daquele amargo nada que era o deserto, e
9 A
mesmo que fosse por um instante os transportava a
mundos maravilhosos, cheios de amores, sonhos e 10 E
aventuras. Em vez de vê-los projetados numa tela, em 11 D
minhas narrações cada um podia imaginar esses mundos
ao seu bel prazer. 12 D
Certa vez li por aí, ou vi num filme, que quando os judeus 13 A
eram levados pelos alemães naqueles vagões fechados, 14 C
de transportar gado – com apenas uma ranhura na parte
alta para que entrasse um pouco de ar –, enquanto 15 A
iam atravessando campos com cheiro de capim úmido, 16 C
escolhiam o melhor narrador entre eles e, subindo-o em
seus ombros, o elevavam até a ranhura para que fosse 17 D
descrevendo a paisagem e contando o que via conforme 18 D
o trem avançava. 19 D
Eu agora estou convencida de que entre eles deve ter
havido muitos que preferiam imaginar as maravilhas 20 A
contadas pelos companheiro a ter o privilégio de olhar 21 D
pela ranhura.
22 B
Sobre a interpretação do trecho acima, assinale a 23 D
alternativa correta. 24 B

a) A narradora relaciona o ato de narrar histórias a uma 25 A


necessidade ficcional falaciosa, visto que as pessoas 26 A
sentem necessidade de narrativas mentirosas e de 27 A
embusteiros de fala hábil.
b) Ao comparar-se com os judeus que eram transporta- 28 D
dos em vagões de gado, a narradora busca evidenciar 29 C
como ela se sente amarrada a uma profissão opresso-
30 D
ra, quase como uma sentença de morte.
c) O trecho destacado marca um momento de desco- 31 D
berta da narradora sobre a necessidade que as pes- 32 C
soas têm de ouvirem histórias, e de como sua atuação
como narradora de filmes proporcionava a quem a
ouvia momentos de prazer e liberdade imaginativa.
d) Segundo a narradora, os narradores judeus preferiam
negar completamente a realidade e criar, sem acesso
à paisagem de fora do vagão, mundos ficcionais ma-
ravilhosos.
LÍNGUA PORTUGUESA

100
ÍNDICE

RACIOCÍNIO LÓGICO

Noções de Lógica.......................................................................................................................................................................................... 01
Diagramas Lógicos: conjuntos e elementos......................................................................................................................................... 01
Lógica da argumentação............................................................................................................................................................................. 01
Tipos de Raciocínio....................................................................................................................................................................................... 01
Conectivos Lógicos........................................................................................................................................................................................ 01
Proposições lógicas simples e compostas............................................................................................................................................ 01
Elementos de teoria dos conjuntos, análise combinatória e probabilidade............................................................................ 32
Resolução de problemas com frações, conjuntos, porcentagens e sequências com números, figuras, palavras.... 32
É importante ressaltar que objetivo fundamental de uma
NOÇÕES DE LÓGICA. proposição é transmitir uma tese, que afirmam fatos ou
DIAGRAMAS LÓGICOS: CONJUNTOS E juízos que formamos a respeito das coisas.
ELEMENTOS. Sabendo disso, uma questão importante tem que ser
LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO. respondida: como realmente podemos identificar uma
TIPOS DE RACIOCÍNIO proposição? A única técnica direta que temos é verifi-
CONECTIVOS LÓGICOS car se podemos atribuir o valor de verdadeiro ou falso a
PROPOSIÇÕES LÓGICAS SIMPLES E elas. Entretanto, existe uma técnica indireta que facilita
COMPOSTAS. muito o trabalho de identificação de uma proposição e é
frequentemente cobrada em concursos públicos.
A técnica consiste em sabermos o que não é pro-
CONCEITO FUNDAMENTAL posição e por eliminação, achar a proposição. A seguir,
seguem exemplos do que não é proposição e a reco-
A Preposição mendação é que se memorizem esses tipos para facilitar
na hora da prova:
No ensino fundamental, nos ensinam que os seres i.) Sentenças Imperativas: Todas as declarações que
humanos são diferentes dos outros animais e a justifica- remeterem a uma ordem não são proposições.
tiva é que os humanos pensam e os animais não pensam. Ex: “Apague a luz.”, “Observe aquele painel”, “Não
Porém, temos animais com inteligência suficiente para faça isso”.
serem treinados a executar tarefas, como os chimpanzés
e os golfinhos. Assim, qual é o real motivo que nos dife- ii.) Sentenças Interrogativas: Perguntas não são defi-
renciam de todos os outros seres vivos? nidas como proposições:
A resposta envolve não somente o ato se pensar Ex: “Olá, tudo bem?”, “Qual a raiz quadrada de 5?”,
como também o de se comunicar. Primeiro, aprendemos “Onde está minha carteira?”
a falar, depois, a escrita dividiu nossa existência em Pré-
-História e História. Os registros por escrito guardaram iii.) Sentenças Exclamativas:
os pensamentos de nossos antepassados, proporcionan- Ex: “Como o dia está lindo!”, “Isto é um absurdo!”,
do as gerações futuras, dados importantíssimos para se “Não concordo com isto!”
ir além daquilo que já foi feito.
Porém, acabou surgindo o grande desafio que nor-
iv.) Sentenças que não tem verbo: 
teou a disciplina de lógica: Como interpretar esses re-
Ex: “A bicicleta de Bruno”, “O cartão de João”.
gistros?
A grande diferença do ser humano em relação aos
v.) Sentenças abertas: Este tipo de sentença possui
outros seres vivos está nesse ponto, pois tão importante
é o ato se interpretar uma informação quanto é elaborar uma grande quantidade de exemplos e os exem-
a mesma. Assim, nossa mente é capaz de receber dados plos são importantes para sabermos identifica-las:
e deles extrair uma conclusão. Essa habilidade está dire- Ex: “x é menor que 7 ou x < 7” – Essa expressão por
tamente ligada ao raciocínio lógico. si só é genérica pois não temos informações de x
Muitos pensam que essa disciplina está voltada ape- para saber se ele é ou não menor que 7.Entretan-
nas para as pessoas de “exatas”, mas ela é voltada para to, caso seja atribuído um valor a x, essa sentença
o público em geral e aqui seguem alguns exemplos que se tornará uma proposição, pois será possível atri-
provam nosso conceito: buir VERDADEIRO ou FALSO a sentença original.
- Um advogado reúne todas as informações dos au- Assim, a expressão “Para x=5, tem-se que: 5 é me-
tos do processo e através do Raciocínio Lógico, nor que 7” é uma proposição e é VERDADEIRA. Por
elabora sua tese de acusação ou defesa; outro lado, “Para x=9, tem-se que: 9 é menor que
- Um médico ao estudar todos os exames consegue a 7” é uma proposição mas é FALSA.
partir de raciocínio lógico, elaborar um diagnostico Ex: “z é a capital da França” – As sentenças abertas
e propor um tratamento; não necessariamente são números, como mostra
- Um CEO de uma empresa, através dos relatórios o exemplo. Se substituirmos “z” por “Toulouse”, a
mensais consegue definir o plano de ação para es- sentença virará proposição e será FALSA. Se z =
timular o crescimento da companhia. Paris, a proposição será VERDADEIRA.

Todos os exemplos acima mostram como será o estu- Valores Lógicos das proposições – Leis de Pensa-
do da disciplina, onde receberemos informações e delas mento
extrairemos respostas ou em outras palavras, conclusões. Definido o que é preposição, podemos aprofundar
RACIOCÍNIO LÓGICO

No Raciocínio Lógico, essas informações terão uma o conceito apresentando as leis fundamentais (axiomas)
particularidade: Elas sempre serão declarações onde po- que norteiam a lógica:
deremos classificá-las de duas maneiras, VERDADEIRA
ou FALSA. Essas declarações serão chamadas de PRO- 1) Princípio do Terceiro Excluído: “Toda proposição
POSIÇÕES. ou é verdadeira ou é falsa, isto é, verifica-se sem-
As proposições são a base do pensamento lógico. pre um destes casos e nunca um terceiro”.
Este pensamento pode ser composto por uma ou mais
sentenças lógicas, formando uma idéia mais complexa.

1
Pode parecer óbvio, mas às vezes as pessoas se con- As sentenças compostas dos exemplos acima não são
fundem em questões de concursos públicos quan- ligadas apenas pela conjunção “e”, podem ser ligadas
do aparecem as alternativas “VERDADEIRO”, “FAL- por outros CONECTORES LÓGICOS (Capítulo 2). Seguem
SO” ou “NENHUMA DAS ANTERIORES”. Qualquer alguns exemplos para iniciar sua curiosidade pelo próxi-
proposição lógica será verdadeira ou falsa, não mo capítulo:
existe uma terceira opção. T – Osmar tem uma moto OU Tainá tem um carro.
U – SE Kléber é asiático ENTÃO eu sou brasileiro.
2) Principio da identidade: “Se uma proposição é
verdadeira, então todo objeto idêntico a ela tam-
bém será verdadeiro”. FIQUE ATENTO!
Esse principio coloca que se duas proposições que As proposições compostas irão nortear seus
apresentam a mesma informação mas são escritas estudos nos próximos capítulos, então aten-
de maneiras distintas, devem possuir o mesmo va- te-se a saber como dividir as proposições
lor lógico. Por exemplo, “Bruno é 5 anos mais velho compostas em duas ou mais proposições
que João” e “João é 5 anos mais novo que Bruno”. simples!
As duas proposições dizem a mesma coisa mas de
maneira diferente. Portanto se uma delas é verda-
deira, a outra deve ser.
EXERCÍCIOS COMENTADOS
3) Princípio da não contradição: “Uma proposição
não pode ser verdadeira ou falsa ao mesmo tempo”
Esse axioma é importante, pois a partir do momen- 1. (SEFAZ-SP – AGENTE FISCAL DE TRIBUTOS ESTA-
to em uma proposição recebe um valor lógico, ele DUAIS – FCC – 2006) Das cinco frases abaixo, quatro
deve ser carregado em toda a análise para evitar delas têm uma mesma característica lógica em comum,
contradições. enquanto uma delas não tem essa característica. 

Tipos de proposições I. Que belo dia! 


II. Um excelente livro de raciocínio lógico. 
Existem dois tipos de proposições: Simples e Com- III. O jogo terminou empatado? 
postas IV. Existe vida em outros planetas do universo. 
As proposições simples são aquelas que não con- V. Escreva uma poesia. 
têm nenhuma outra proposição como parte de si mes-
ma. São, geralmente, designadas por letras minúsculas A frase que não possui essa característica comum é a
do alfabeto (p,q,r,s,...). Uma definição equivalente é de
uma proposição que não se consegue dividi-la em partes a) I
menores, de tal maneira que as partes divididas gerem b) II
novas proposições. Exemplos: c) III
p – O rato comeu o queijo; d) IV
q – Astolfo é advogado; e) V
r – Hermenegildo gosta de pizza;
s – Raimunda adora samba. Resposta: Letra D. Podemos interpretar do exercício
que o mesmo quer a identificação da proposição. As
Já as proposições compostas são formadas por uma alternativas A,B,C e E são respectivamente sentenças
ou mais proposições que podem ser divididas, formando exclamativas, sem verbo, interrogativa e imperativa, o
proposições simples. São, geralmente, designadas por que não as caracterizam como proposições. Já a al-
letras maiúsculas do alfabeto (P,Q,R,S,...).Exemplos: ternativa D é uma sentença que pode ser classificada
P – O rato é branco e comeu o queijo; como verdadeira ou falsa, caracterizando uma propo-
Q – Astolfo é advogado e gosta de jogar futebol; sição.
R – Hermenegildo gosta de pizza e de suco de uva;
S – Raimunda adora samba e seu tênis é vermelho. 2. (NOVA CONCURSOS – 2018) Assinale a alternativa
que representa um não cumprimento das 3 leis de pen-
Veja que as proposições acima podem ser divididas samento da lógica 
em duas partes. Observe:
a) Se Abelardo é mais alto que Hormindo, pelo princípio
da identidade posso dizer que Hormindo é mais baixo
que Abelardo.
RACIOCÍNIO LÓGICO

b) A proposição “Choveu está manhã na cidade” pode


ser considerada “meia verdade” se apenas uma leve
garoa atingir a cidade.
c) O réu no processo afirmou que não estava dirigindo
embriagado, porém o mesmo foi encontrado sentado
no banco do motorista durante a abordagem policial,
caracterizando uma contradição.

2
d) Eu sou milionário pois tenho patrimônio acima de 1 O exemplo acima já usa os conceitos vistos no capí-
milhão de reais. Josevaldo possui menos que 1 milhão tulo 1, onde temos uma proposição simples e chamare-
e não pode ser considerado um milionário. mos essa proposição com uma letra minúscula “p” (Lê-
e) Não estava presente para afirmar que foi o gato que -se “proposição p”). Vamos agora negar essa proposição
derrubou o vaso. usando os dois símbolos possíveis:
~ p : A secretária não foi ao banco esta tarde.
Resposta: Letra B. Não existe “meia verdade” dentro ¬ p : A secretária não foi ao banco esta tarde.
da lógica. As proposições receberão apenas dois valo-
res lógicos: Verdadeiro ou Falso. Os símbolos “~” e “¬” são os símbolos que indicam
negação. É Importante frisar que os símbolos de negação
não indicam a presença da palavra “não” na frase. Obser-
CONECTIVOS LÓGICOS ve este outro exemplo:
q : Bráulio não comprou detergente
Como visto rapidamente no capítulo anterior, os co-
nectivos lógicos são estruturas usadas para formar pro- Observe que a proposição q possui a palavra “não” e
posições compostas a partir da junção de proposições quando negarmos a mesma, ficaremos com a frase afir-
simples. As proposições compostas são linhas de raciocí- mativa:
nio mais complexas e permitem se formular teses lógicas ~ q : Bráulio comprou detergente.
com vários níveis de pensamento. Observe o exemplo a ¬ q : Bráulio comprou detergente.
seguir:
“Otávio gosta de jogar futebol e seu irmão não gosta
FIQUE ATENTO!
de jogar futebol”
Facilmente conseguimos separar essa sentença em No Raciocínio Lógico, pode-se existir a “ne-
duas: “Otávio gosta de jogar futebol” e “O irmão de Otá- gação da negação” que chamaremos de
vio não gosta de jogar futebol”. Entretanto, ao invés de Dupla Negação e veremos isso mais adiante
tratarmos as duas proposições simples separadamente, no capítulo 4. O que você precisa saber nes-
ligamos as mesmas com a palavrinha “e”, que é um dos te momento é que negando uma negação,
conectores lógicos que iremos estudar a seguir. voltaremos a uma frase afirmativa, ou na lin-
Logo, com esse vínculo, poderemos estudar se a pro- guagem coloquial: “O não do não é o sim”.
posição composta é inteiramente verdadeira ou inteira-
mente falsa, dependendo do valor lógico de cada propo-
A CONJUNÇÃO – Conectivo “e”
sição simples, ou seja, cada proposição simples interfere
O próximo conectivo lógico certamente é um dos
no valor a ser atribuído na proposição composta.
mais usados dentro do raciocínio lógico e é também um
As seções a seguir irão estudar os cinco conectivos
dos mais conhecidos. O “e” também é chamado de con-
lógicos, apresentando suas características principais e as
junção e segue a mesma classificação da própria língua
combinações possíveis entre duas proposições simples.
portuguesa.
Diferentemente do conectivo “não”, a conjunção irá
A Negação – Conectivo “Não” relacionar duas proposições simples, formando uma pro-
O primeiro conectivo a ser estudado é o mais sim- posição composta. Vamos ao exemplo:
ples de todos e remete a negação de uma proposição. p : Carlos gosta de jogar badminton.
A importância deste conectivo se dá na ligação entre o q : Pablo tomou suco de maçã
valor lógico VERDADEIRO e o valor lógico FALSO pois a
negação de um valor lógico será exatamente o outro va- Temos acima duas proposições simples e podemos
lor lógico, ou seja: formar uma proposição composta usando o conectivo
i) Se uma proposição for VERDADEIRA, sua negação “e”:
será FALSA. 𝑹 = 𝒑 ∧ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton e Pablo
ii) Se uma proposição for FALSA, sua negação será tomou suco de maçã.
VERDADEIRA.
Seguindo as definições do capítulo 1, a proposição
Aqui conseguimos observar a importância do “Prin- composta será indicada com uma letra maiúscula, neste
cípio do terceiro excluído”, explicado no capítulo 1. Se caso, R. O símbolo
𝑹 = 𝒑 ∧ 𝒒indica a conjunção, ou seja, quando
tivéssemos mais do que dois valores lógicos, a negação ele aparecer, estaremos usando o conectivo “e”.
se tornaria impossível pois não conseguiríamos criar um Se invertermos a ordem das proposições simples, for-
vínculo de “ida e volta” entre os valores lógicos. maremos outra proposição composta:
O conectivo NÃO possui dois símbolos e recomenda- 𝑺 = 𝒒 ∧ 𝒑 : Pablo tomou suco de maçã e Carlos gosta
RACIOCÍNIO LÓGICO

-se que o leitor conheça ambos pois as bancas de con- de jogar badminton.
cursos não possuem um padrão em qual símbolo usar.
Observe o exemplo a seguir: No caso da conjunção, o valor lógico da proposição
p : A secretária foi ao banco esta tarde. composta não se altera com a inversão das proposições
simples, mas outros conectivos que veremos a seguir po-
dem ter alterações dependendo da ordem das proposi-
ções simples.

3
Vamos agora analisar quais os valores lógicos possí- Comparando com a conjunção, observa-se que hou-
veis para uma proposição composta formada pelo co- ve uma certa “inversão” em relação as combinações das
nectivo “e”. No capítulo 3 aprenderemos sobre as tabe- proposições simples. Enquanto na conjunção precisáva-
las-verdade e elas ajudarão (e muito!) na memorização mos de todas as proposições simples VERDADEIRAS para
das combinações possíveis dos conectivos lógicos. Por que a proposição composta ser VERDADEIRA, no ope-
enquanto, vamos enumerar todos os casos para familia- rador “ou” precisamos de apenas 1 delas para tornar a
rização: proposição composta VERDADEIRA.
i) Uma proposição composta formada por uma con- No caso do valor lógico FALSO também há inversão,
junção será VERDADEIRA se todas as proposições onde no conectivo “e” basta 1 proposição simples ser
simples forem VERDADEIRAS. FALSA e na disjunção, precisamos de todas FALSAS.
ii) Uma proposição composta formada por uma con- Assim:
junção será FALSA se uma ou mais proposições 𝑹 = 𝒑 ∨ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton ou Pablo
simples forem FALSAS. tomou suco de maçã.

Recuperando o exemplo anterior: Termos que R será VERDADEIRO se uma (ou as duas)
𝑹 = 𝒑 ∧ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton e Pablo proposição (ões) sejam VERDADEIRAS e R será FALSO se
tomou suco de maçã. p e q forem FALSOS.

Termos que R será VERDADEIRO somente se p e q A DISJUNÇÃO exclusiva – Conectivo “OU exclusi-
forem VERDADEIROS. Se uma (ou as duas) proposições vo”
simples for (forem) falsa(s), R será FALSO. O conectivo “ou” possui um caso particular que nor-
malmente é cobrado em concursos públicos de maior
A DISJUNÇÃO – Conectivo “OU” complexidade, porém é importante que o leitor tenha
O conectivo “ou”, também conhecido como disjun- conhecimento do mesmo pois pode se tornar um dife-
ção, segue a mesma linha de pensamento que o conec- rencial importante em concursos públicos de maior dis-
tivo “e”, relacionando duas proposições simples, forman- puta.
Este caso particular é chamado de “ou exclusivo” pois
do uma proposição composta. Vamos manter o exemplo
implica que as proposições simples são eliminatórias, ou
da seção anterior:
seja, quando uma delas for VERDADEIRA, a outra será
p : Carlos gosta de jogar badminton.
necessariamente FALSA. Veja o exemplo:
q : Pablo tomou suco de maçã
p: Diego nasceu no Brasil
q: Diego nasceu na Argentina
Temos acima duas proposições simples e vamos for-
mar agora uma proposição composta usando o conecti-
Temos duas proposições referentes a nacionalidade
vo “ou”: de Diego. Fica claro que ele não pode ter nascido em
𝑹 = 𝒑 ∨ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton ou Pablo
dois locais diferentes, ou seja, se p for VERDADEIRO, q
tomou suco de maçã. é necessariamente FALSO e vice-versa. Assim, quando
montarmos a disjunção, temos que indicar essa questão
O símbolo
𝑹 = 𝒑 ∨ 𝒒indica a disjunção, ou seja, quando ele
e será feito da seguinte forma:
aparecer, estaremos usando o conectivo “ou”. Observe 𝑹 = 𝒑 ∨ 𝒒 : Ou Diego nasceu no Brasil ou na Argen-
que ele é o símbolo do conectivo “e” invertido, então, tina
muita atenção na hora de identificar um ou o outro.
Se invertermos a ordem das proposições simples, for- A leitura da proposição lógica acrescente mais um
maremos outra proposição composta: “ou” no início e o restante é como se fosse um operador
𝑺 = 𝒒 ∨ 𝒑 : Pablo tomou suco de maçã ou Carlos gos- “ou” convencional (que para diferenciar, é chamado de
ta de jogar badminton. inclusivo), porém, o símbolo é sublinhado para indicar
exclusividade:
𝑹=𝒑∨𝒒 . Os casos possíveis para o “ou exclusi-
No caso da disjunção, o valor lógico da proposição vo” são:
composta também não se altera com a inversão das pro- i) Uma proposição composta formada por uma dis-
posições simples (igual a conjunção). junção exclusiva será VERDADEIRA se apenas uma
Vamos agora analisar quais os valores lógicos possí- das proposições for VERDADEIRA.
veis para uma proposição composta formada pelo co- ii) Uma proposição composta formada por uma dis-
nectivo “ou”. Novamente vale lembrar que no capítulo 3 junção exclusiva será FALSA se todas as proposi-
aprenderemos sobre as tabelas-verdade e elas ajudarão ções simples forem FALSAS ou se as duas proposi-
(e muito!) na memorização das combinações possíveis ções forem VERDADEIRAS.
dos conectivos lógicos. Por enquanto, vamos enumerar
RACIOCÍNIO LÓGICO

todos os casos para familiarização: Perceba que a diferença é sutil entre os casos inclusi-
i) Uma proposição composta formada por uma dis- vo e exclusivo e ela se dá no caso das duas proposições
junção será VERDADEIRA se uma ou mais proposi- simples serem VERDADEIRAS. No caso exclusivo, isso é
ções forem VERDADEIRAS. uma contradição e assim a proposição composta deve
ii) Uma proposição composta formada por uma dis-
ser FALSA. Usando o exemplo:
junção será FALSA se todas as proposições simples
𝑹 = 𝒑 ∨ 𝒒 : Ou Diego nasceu no Brasil ou na Argen-
forem FALSAS.
tina

4
Temos que R é VERDADEIRO se p for VERDADEIRO e Pegadinhas da condicional
q FALSO ou p FALSO e q VERDADEIRO. R é FALSO se p e
q forem ambas VERDADEIRAS ou ambas FALSAS. Este tópico é uma análise complementar da condi-
cional. Em concursos mais apurados, sobretudo de en-
A CONDICIONAL – Conectivo “SE...ENTÃO” sino superior, existem certas “pegadinhas” que testam a
O conectivo “Se...então”, conhecido como condicio- atenção do candidato em relação ao seu conhecimento.
nal não é tão conhecido quanto o “e” e o “ou”, porém é Existem quatro formas de raciocínio que envolvem a con-
o que normalmente gera mais dúvidas e o que contém dicional que merecem destaque.
as famosas “pegadinhas” que confundem o candidato i) Modus Ponens: Essa linha de raciocínio é o básico
durante a prova. A principal característica dele é que se da condicional onde considera a mesma VERDADEIRA e
você inverter a ordem das proposições simples, o valor no caso da ocorrência de p, podemos afirmar com certe-
lógico da proposição composta muda, o que não acon- za que q ocorreu:
tecia na conjunção e na disjunção. Vamos recuperar o
mesmo exemplo das seções 2.2.3 e 2.2.4:
p : Carlos gosta de jogar badminton.
q : Pablo tomou suco de maçã
Temos acima duas proposições simples e vamos for-
mar agora uma proposição composta usando o conecti- Exemplo:
vo “Se...então”:
𝑹 = 𝒑 → 𝒒 : Se Carlos gosta de jogar badminton en-
tão Pablo tomou suco de maçã.

Observe que agora temos uma condição para que


Pablo tome o suco de maçã. A frase em si pode parecer ii) Falácia de afirmar o consequente: Pode-se dizer que
sem nexo, mas no Raciocínio Lógico nem sempre fará é a pegadinha mais clássica da condicional pois induz a
sentido a conexão de duas proposições e até por isso pessoa a considerar que se o consequente ocorreu (q),
nós montamos esses exemplos para o leitor ficar mais pode-se afirmar que o antecedente (p) também ocorreu:
familiarizado com essa situação!
O símbolo
𝑹 = 𝒑“ → ”𝒒 indica a condicional, mostrando que Esse raciocínio está INCORRETO. Para justificar, lem-
a proposição da esquerda condiciona o acontecimento bre-se dos casos em que a condicional é VERDADEIRA.
da proposição da direita. As combinações possíveis para Em um desses casos, se o antecedente (p) for FALSO, não
esse conector são: importa o valor lógico de q, a proposição com condicio-
i) Uma proposição composta formada por uma condi- nal será VERDADEIRA. Assim, se q ocorrer não é garantia
cional será VERDADEIRA se ambas as proposições que p também ocorreu:
forem VERDADEIRAS ou a proposição a esquerda
do conector for FALSA.
ii) Uma proposição composta formada por uma con-
dicional será FALSA se a proposição a esquerda
(antecedente) do conector for VERDADEIRA e a
proposição a direita (consequente) do conector for iii) Modus Tollens: Nessa linha de raciocínio, estamos
FALSA. negando que o consequente (q) ocorreu e se olharmos
os casos possíveis da condicional, isso só será possível se
Observe agora que a posição da proposição em rela- o antecedente (p) também não ocorrer:
ção ao conector lógico importa no resultado da proposi-
ção composta. Considerando os casos observados, certa-
mente deve haver dúvidas do leitor em relação a situação
onde a proposição a esquerda do conector ser falsa e
isso implicar que a proposição composta seja verdadeira.
A explicação é a seguinte: Na condicional, limitamos Exemplo:
apenas ao caso da proposição da esquerda do conector
em si e não em relação a sua negação, ou seja, quan-
do montamos 𝑹 = 𝒑 → 𝒒 , estamos condicionando apenas ao
caso de p ocorrer, ou em outras palavras, p ser VERDA-
DEIRO. Se p for FALSO, não há nenhuma condição para
q, ou seja, não importa o que acontecer com q, já que iv) Falácia de negar o antecedente: Novamente um
RACIOCÍNIO LÓGICO

p não é VERDADEIRO. Assim, define-se 𝑹 = 𝒑 → 𝒒 sempre erro de pensamento referente aos casos possíveis da
VERDADEIRO quando p for FALSO. Logo: condicional. Se você nega o antecedente (p) não é ga-
𝑹 = 𝒑 → 𝒒 : Se Carlos gosta de jogar badminton en- rantia que o consequente (q) não irá ocorrer pois a partir
tão Pablo tomou suco de maçã. do momento que temos ~p, o valor lógico de q pode ser
Temos R VERDADEIRO se p for FALSO ou se p for qualquer um e a condicional se manterá VERDADEIRA:
VERDADEIRO e q VERDADEIRO e R é FALSO apenas se p
for VERDADEIRO e q FALSO.

5
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (PREFEITURA DE SARZEDO, MG – TÉCNICO ADMI-


Exemplo: NISTRATIVO – IBGP, 2018) “Cecília comprará ou o vesti-
do azul ou o vestido preto.” 
Com base na estrutura lógica, assinale a alternativa COR-
RETA.

a) 𝑝∨𝑞
b) 𝑝∧𝑞
FIQUE ATENTO! c) 𝑝∨𝑞
As pegadinhas da condicional nem sempre d) 𝑝→𝑞
são cobradas em concursos mas se você ob-
servar os exercícios resolvidos deste capítu- Resposta: Letra C. Provavelmente muitos devem ter
lo, verá o quanto é importante este conector pensado que este era um caso de “ou exclusivo”, mas
lógico e o conhecimento de todos os casos observe que o verbo em questão é “comprar” e não
possíveis. “vestir”. Cecília pode muito bem comprar os dois ves-
tidos, não há nada lógico que impeça isso, porém se a
proposição fosse “Cecília vestirá ou o vestido azul ou
A BI-CONDICIONAL – Conectivo “SE E SOMENTE o vestido preto”, aí teríamos o caso de “ou exclusivo”
SE” pois ela não poderia vestir os dois vestidos ao mesmo
tempo.
O conectivo “Se e somente se”, conhecido como bi
condicional elimina justamente o limitante da condicio- 2. (EMATER-MG – ASSESSOR JURÍDICO – GESTÃO
nal de não ser possível inverter a ordem das proposições CONCURSO – 2018) Considere as proposições compos-
sem perder o valor lógico da proposição composta. Ago- tas abaixo, identificadas como P e Q.
ra, os dois valores lógicos serão limitantes, tanto se a
proposição a esquerda do conector for VERDADEIRA ou P: Se faz frio, então bebo muita água.
FALSA. Novamente vamos ao mesmo exemplo: Q: Se estudo e trabalho no mesmo dia, fico muito can-
p : Carlos gosta de jogar badminton. sado.
q : Pablo tomou suco de maçã
Sabendo-se que as duas proposições citadas no enuncia-
Temos acima duas proposições simples e vamos for- do são falsas, é verdade afirmar que
mar agora uma proposição composta usando o conecti- a) Fico muito cansado ou bebo muita água
vo “Se e somente se”: b) Não estudo e trabalho no mesmo dia e faz frio
𝑹 = 𝒑 ↔ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton se e c) Não fico muito cansado e não bebo muita água
somente se Pablo tomou suco de maçã. d) Se faz frio, então não estudo e trabalho no mesmo dia

Resposta: Letra C. O enunciado nos diz que as duas


O símbolo
𝑹=𝒑↔𝒒 indica a bi condicional, ou seja, os dois condicionais são falsas, ou seja, podemos afirmar que
sentidos devem ser satisfeitos. Em outras palavras, a bi “Faz frio” e “Estudo e trabalho no mesmo dia” são
condicional será VERDADEIRA apenas se os valores lógi- VERDADEIRAS e “Bebo muita água” e “Fico muito can-
cos das duas proposições forem iguais: sado” são FALSAS, pois é a única combinação possível
i) Uma proposição composta formada por uma bi para as condicionais serem FALSAS. Logo, a letra A é
condicional será VERDADEIRA se ambas as propo- FALSA pois ambas são FALSAS e a disjunção será FAL-
sições forem VERDADEIRAS ou se ambas as propo- SA, a letra B é FALSA pois ‘Não estudo e trabalho” é
sições forem FALSAS. FALSO o que faz a conjunção ser FALSA. A letra C é
ii) Uma proposição composta formada por uma bi VERDADEIRA pois as duas negações geram proposi-
condicional será FALSA se uma proposição for ções VERDADEIRAS que combinada em uma conjun-
VERDADEIRA e outra for FALSA e vice-versa. ção, formam uma proposição VERDADEIRA. E por fim
a letra D é FALSA pois “Faz frio” é VERDADEIRO e “Não
Assim: estudo e trabalho no mesmo dia” é FALSO e combina-
𝑹 = 𝒑 ↔ 𝒒 : Carlos gosta de jogar badminton se e dos em uma condicional, gera uma proposição FALSA.
RACIOCÍNIO LÓGICO

somente se Pablo tomou suco de maçã.


A proposição R será VERDADEIRA se p e q forem VER- 3. (COLÉGIO PEDRO II – ANALISTA DA TECNOLOGIA
DADEIROS ou p e q forem FALSOS e R será FALSO se p for DA INFORMAÇÃO - 2018) Considere as seguintes pro-
VERDADEIRO e q FALSO ou p FALSO e q VERDADEIRO. posições P e Q, sendo que P é falsa e Q é verdadeira; 

P: Se o monitor está funcionando, então a placa de vídeo


não está com defeito.    

6
Q: A placa de vídeo está com defeito se, e somente se, a 𝒓 ↔ (𝒑 ∨ 𝒒) : Neste caso, com a presença da
memória não apresenta defeito.  proposição r, temos três proposições simples distintas,
p,q e r.
Logo, é verdadeira a proposição: A segunda informação, que é o número de linhas
da tabela verdade, deriva do número de proposições
a) Se o monitor não está funcionando, então a memória simples que a estrutura composta possui. Usando essa
não apresenta defeito. conta simples:
b) Ou o monitor está funcionando ou a memória não
apresenta defeito. 𝐿 = 2𝑛
c) O monitor não está funcionando ou a memória apre-
senta defeito. Onde L é o número de linhas da tabela-verdade e n
d) O monitor está funcionando e a memória apresenta é o número de proposições simples que ela possui. Ou
defeito. seja, para duas proposições simples, temos 4 linhas na
tabela-verdade, para 3 proposições simples, 8 linhas
Resposta: Letra A e B (Anulada). Como P é uma na tabela e para 4 proposições simples, a tabela possui
condicional FALSA, temos que “O monitor está fun- 16 linhas. Além disso, para o caso de uma proposição
cionando” é VERDADEIRO e “A placa de vídeo não simples, pode-se aplicar a fórmula também, e teremos
está com defeito” é FALSO. No caso de Q temos duas duas linhas na tabela-verdade.
possibilidades: “A placa de vídeo está com defeito” e Esses valores são derivados da organização da tabela,
“A memória não apresenta defeito” são ambas VER- para que tenhamos todos os casos possíveis avaliados.
DADEIRAS ou ambas FALSAS. Entretanto, como vimos Com essa informação, podemos organizar a tabela e isso
em P que “A placa de vídeo está com defeito” é VER- será apresentado caso a caso nas seções seguintes.
DADEIRO, só teremos um caso, onde “A memória não
apresenta defeito” também é VERDADEIRO. A alter- TABELA-VERDADE DE PROPOSIÇÃO SIMPLES:
nativa A é VERDADEIRA pois temos uma condicional NEGAÇÃO
e a proposição “O monitor não está funcionando” é Nós iremos seguir a ordem do capítulo anterior e
FALSA, o que faz a condicional ser VERDADEIRA. A al- apresentar a montagem das tabelas-verdade para os
ternativa B é VERDADEIRA também pois “O monitor operadores lógicos descritos. Inicia-se pele negação, que
está funcionando” é VERDADEIRO e isso já basta para é uma proposição simples e terá apenas duas linhas na
uma disjunção ser VERDADEIRA, além disso, “A me- tabela-verdade:
mória não apresenta defeito” também é VERDADEIRA.
A alternativa C é FALSA pois “O monitor não está fun-
p ~p
cionando” é FALSO e “A memória apresenta defeito”
também é FALSA, sendo o único caso da disjunção ser V F
FALSA. Por fim, a alternativa D também é falsa pois “A F V
memória apresenta defeito” é FALSA e isso na conjun-
ção já caracteriza uma proposição composta FALSA. Observe que a tabela possui duas colunas. A primeira
contém os valores possíveis para a proposição simples,
que pela fundamentação da lógica, é o VERDADEIRO (V)
TABELAS VERDADE e o FALSO (F).
Já a segunda coluna possui o operador lógico
A tabela-verdade é um dispositivo prático muito negação. O operador foi aplicado em casa linha da
usado para a organizar os valores lógicos de proposições tabela, gerando o resultado correspondente. Ou seja, se
compostas pois ela ilustra todos os possíveis valores a proposição p é V, sua negação será F e vice-versa.
lógicos da estrutura composta, correspondentes a todas É importante frisar que as operações da tabela-
as possíveis atribuições de valores lógicos às proposições verdade ocorrem de linha em linha, ou seja, se na
simples. primeira linha temos que a proposição p é V, esse valor
Para se construir uma tabela verdade, são necessárias permanecerá assim até que todas as operações daquela
três informações iniciais: O número de proposições que linha correspondente tenham terminado.
compõem a proposição composta, o número de linhas
que a tabela-verdade irá ter e a variação dos valores TABELA-VERDADE PARA 2 PROPOSIÇÕES
lógicos. SIMPLES
A primeira informação é puramente visual, basta olhar Chegamos as seções onde a tabela-verdade fará mais
a proposição composta e verificar quantas proposições sentido, pois ela é aplicada em proposições compostas.
simples a compõem, contando a quantidade de letras Iniciando com uma estrutura de duas proposições
RACIOCÍNIO LÓGICO

distintas que existem nela, vejam os exemplos: simples, vamos primeiramente explicar a organização
𝒑 ∧ 𝒒 : Temos as proposições simples p e q, ou seja, a destas proposições.
proposição composta possui duas proposições; Como já sabemos que são duas proposições simples,
(𝒑 ∧ 𝒒) → (~𝒒 ↔ 𝒑) : Esta estrutura possui duas
que chamaremos de p e q, temos que a tabela-verdade
proposições simples também, p e q. Não se deve terá quatro linhas:
considerar a repetição das proposições que no caso de p
e q, repetiram duas vezes;

7
p q p q
V V
V F
F V
F F

No caso da conjunção, temos que ela é VERDADEIRA


FIQUE ATENTO! apenas se as duas proposições compostas, p e q, forem
Observe que além das linhas corresponden- VERDADEIRAS, caso contrário, ela será FALSA. Usando
tes da tabela-verdade, nós inserimos uma li- essa informação, vamos preencher a tabela:
nha inicial indicando qual a proposição que Na primeira linha, temos que p é VERDADEIRO e
estamos atribuindo o valor lógico. Isso é de q é VERDADEIRO, logo, a conjunção nesse caso será
suma importância para se dominar esse con- VERDADEIRA por definição:
teúdo.
p q
Agora temos que combinar os dois valores lógicos V V V
possíveis entre as proposições, formando as quatro V F
linhas. Para isso, recomenda-se que sigam os seguintes
passos: F V
F F
i) Na coluna da primeira proposição, atribua o valor
de V para a primeira metade das linhas e F para a A segunda linha possui p = V e q = F. Para a conjunção
segunda metade. Ou seja, as duas primeiras linhas é necessário que as duas proposições sejam V para ela
são V e as duas últimas são F: ser V, logo, ela será FALSA:

p q p q
V V V V
V V F F
F F V
F F F

ii) Para a segunda coluna, repita o mesmo Seguindo o mesmo raciocínio, a terceira linha possui
procedimento dentro de cada valor lógico atribuído p = F e q = V, o que faz a conjunção ser FALSA:
para a coluna anterior. Ou seja, como temos V nas
duas primeiras linhas de p, vamos colocar V na p q
primeira linha e F na segunda. Da mesma forma,
V V V
vamos fazer o mesmo procedimento para as duas
linhas de p que contém F: V F F
F V F
p q F F
V V
Finalmente, a quarta linha possui as duas proposições
V F
simples com valor lógico FALSO, o que faz a conjunção
F V ser FALSA também:
F F
p q
Pronto, a tabela-verdade para duas proposições foi V V V
organizada e agora podemos passar para as proposições
compostas. V F F
RACIOCÍNIO LÓGICO

F V F
Tabela Verdade da Conjunção (“e”)
F F F
Seguindo a ordem do capítulo anterior, temos o
operador lógico “e”, ou a conjunção. Para atribuir valores
Esta é a tabela-verdade para conjunção é deve ser
lógicos a essa expressão, cria-se uma terceira coluna na
memorizada ou resolvida de forma rápida no caso de
tabela-verdade e insere no título qual proposição lógica
tabelas maiores.
iremos tratar, desta maneira:

8
Tabela Verdade da Disjunção (“ou”) p q
Passando agora para o próximo conectivo, que é
a disjunção (“ou”). Esse operador possui a definição V V V
contrária a conjunção, onde ele só será FALSO no caso V F F
de as duas proposições simples serem FALSAS, caso
contrário, será sempre VERDADEIRO. F V V
Montando a tabela: F F V

p q Tabela Verdade da Condicional (“Se...então”)


O último operador é o Bicondicional (“Se e somente
V V
se”) e a tabela será montada da mesma forma:
V F
F V p q
F F V V
V F
A primeira, segunda e terceira linhas possuem ao
menos 1 valor lógico VERDADEIRO, ou seja, condição F V
suficiente para o operador lógico ser VERDADEIRO: F F
p q
V V V Montaremos a tabela usando sua lógica simples:
Ele será VERDADEIRO se as duas proposições simples
V F V tiverem o mesmo valor lógico e FALSO se tiverem valores
F V V diferentes:
F F
p q
Já a última linha, possui ambas proposições simples V V V
com o valor lógico FALSO, o que faz a disjunção ser
FALSA também: V F F
F V F
p q F F V
V V V
Com essas informações memorizadas é possível
V F V montar QUALQUER tabela-verdade.
F V V
Montagem de tabelas usando mais de um
F F F
operador lógico
Esta é a tabela da disjunção é também deve ser Obviamente que as seções acima introduziram as
memorizada. tabelas-verdade fundamentais, que vão auxiliar na
montagem de tabelas mais complexas. Vamos apresentar
Tabela Verdade da Condicional (“Se...então”) um exemplo onde isso será aplicado. Considere a
O próximo conector lógico é a condicional (“Se... seguinte proposição composta:
então”) e montaremos a tabela-verdade do mesmo jeito
(𝒑 ∧ 𝒒) ↔ ~𝒑 ∨ 𝒒
que os anteriores:
Observe que a proposição possui duas proposições
p q simples mas possui três operações lógicas. Para montar
V V a tabela-verdade desta proposição, deveremos fazer
combinações dos resultados fundamentais vistos
V F anteriormente.
F V Iniciando, vamos montar a estrutura inicial, com as
colunas de p e q:
F F
RACIOCÍNIO LÓGICO

O princípio deste operador lógico está na relação p q


entre o antecedente (p) e o consequente (q). Ele será V V
FALSO apenas se 𝑝 = 𝑉 e 𝑞 = 𝐹 , o que ocorre na
V F
segunda linha. Nos outros casos, ele será VERDADEIRO.
Em caso de dúvidas deste operador, recomenda-se a F V
releitura do capítulo 2. F F

9
Agora, vamos analisar a expressão: temos dois p q ~p
parênteses separados por uma bicondicional, portanto,
teremos que saber os valores lógicos de cada parêntese V V V F V
antes de resolver o “se e somente se”. Para isso, vamos V F F F F
criar colunas específicas na tabela para cada informação
e depois agrupá-las. F V F V
Começando com a conjunção no primeiro parêntese F F F V
e atribuindo os valores lógico de cada linha, cria-se uma
terceira coluna a partir da primeira e da segunda: Na terceira linha, temos ambos VERDADEIROS, o que
faz a disjunção VERDADEIRA:
p q
p q ~p
V V V
V V V F V
V F F
V F F F F
F V F
F V F V V
F F F
F F F V
Agora, vamos resolver o segundo parêntese. Para
isso, precisaremos da negação de p para fazer uma E na quarta linha, temos a quarta coluna VERDADEIRA
disjunção com q. Logo, vamos criar primeiro uma coluna e a segunda coluna FALSA, o que faz a disjunção ser
da negação e depois faremos a disjunção: VERDADEIRA:

p q ~p p q ~p

V V V F V V V F V

V F F F V F F F F

F V F V F V F V V

F F F V F F F V V

Observe que esta quarta coluna é a negação da


primeira, como deve ser, já que estamos negando a FIQUE ATENTO!
proposição p. Criaremos agora uma quinta coluna, onde Fizemos uma disjunção entre a quarta e a
faremos a disjunção de ~p (quarta coluna) e q (segunda segunda coluna, NESTA ORDEM. No caso
coluna): da disjunção, se fizéssemos invertido, não
haveria problemas, mas nem sempre isso
p q ~p acontece. A recomendação é que se mante-
nha a ordem da operação lógica.
V V V F
V F F F Finalmente, vamos criar a sexta coluna que será a
bicondicional da terceira e quinta colunas:
F V F V
F F F V p q ~p

Nós temos que utilizar os valores lógicos da quarta V V V F V


e segunda colunas em cada linha correspondente da V F F F F
tabela. É aqui que muitos candidatos se confundem e
F V F V V
acabam usando colunas diferentes. Na primeira linha,
temos que a quarta coluna tem valor F e a segunda F F F V V
coluna tem valor V, assim a disjunção entre elas será V:
Na primeira linha, temos a terceira coluna VERDADEIRA
e a quinta também, que pela bicondicional, gera um valor
p q ~p VERDADEIRO:
V V V F V
RACIOCÍNIO LÓGICO

V F F F p q ~p
F V F V V V V F V V
F F F V V F F F F
F V F V V
Na segunda linha, temos a quarta e a segunda coluna
com valores lógicos FALSO, o que faz a disjunção FALSA: F F F V V

10
Na segunda linha, temos ambas as colunas FALSAS, p q r
que pela bicondicional, gera um valor VERDADEIRO:
V
p q ~p V
V V V F V V V
V F F F F V V
F V F V V F
F F F V V F
F
Na terceira e quarta linhas temos o mesmo caso, com
a terceira coluna FALSA e a quinta VERDADEIRA, o que F
gera um valor FALSO na bicondicional:
Na segunda coluna, vamos subdividir cada bloco da
primeira coluna em dois novamente, colocando VERDADEIRO
p q ~p na primeira parte e FALSO na segunda, desta maneira:
V V V F V V
V F F F F V p q r
F V F V V F V V
F F F V V F V V
V F
Pronto, esses são os resultados possíveis da
proposição composta, variando os valores lógicos das V F
proposições simples p e q que a compõem. F
F
TABELA VERDADE PARA 3 PROPOSIÇÕES SIMPLES
F
Vamos agora aumentar a complexidade do problema F
inserindo uma terceira proposição, que chamaremos de
r. Pela relação de número de linhas da tabela, teremos Veja que o primeiro bloco da primeira coluna, que é
então L=23=8 linhas. A tabela fica na seguinte forma: VERDADEIRO foi dividido em dois blocos de duas linhas
cada, em um, colocamos duas linhas VERDADEIRO e nas
p q r outras duas linhas, FALSO. Fazendo o mesmo para o
bloco seguinte:

p q r
V V
V V
V F
V F
F V
F V
Para organizar todas as combinações possíveis dos F F
valores lógicos, vamos usar o mesmo artifício visto na
tabela com duas proposições simples. Primeiro, vamos F F
dividir a primeira coluna em dois blocos de 4 linhas, onde
o primeiro bloco será VERDADEIRO e o segundo, FALSO: A terceira coluna é mais simples, basta subdividir
cada bloco de duas linhas em uma linha cada, colocando
V e F intercalado, montando assim todas as combinações
possíveis:
RACIOCÍNIO LÓGICO

11
p q r
V V V
V V F
V F V
V F F
F V V
F V F
F F V
F F F

Como exemplo, vamos montar a tabela-verdade da seguinte proposição composta: ~𝑝 → 𝑞 ∧ 𝑟 ↔ 𝑝 ∨ 𝑟 . Com a


tabela acima, vamos organizar quais informações precisamos para montar a expressão final. Observando o primeiro
parênteses, precisaremos da negação de p, ou seja, ~p. Criando uma quarta coluna e preenchendo em função da
primeira:

p q r ~p
V V V F
V V F F
V F V F
V F F F
F V V V
F V F V
F F V V
F F F V

Agora precisaremos fazer a conjunção entre q e r no primeiro parênteses para poder combinar com a negação de
p. Montando a quinta coluna com , que é a combinação entre a segunda e a terceira coluna, temos que:

p q r ~p 𝒒∧𝒓

V V V F V
V V F F F
V F V F F
V F F F F
F V V V V
F V F V F
F F V V F
F F F V F

Interessante observar que ficamos apenas com duas linhas com o valor lógico VERDADEIRO e isso não é nenhum
problema, pois quando se realiza operações lógicas não teremos sempre a divisão de 50% VERDADEIRO e 50% FALSO.
Combinando a quarta e quinta colunas, podemos formar o primeiro parênteses, que é ~𝑝 → 𝑞 ∧ 𝑟 :
RACIOCÍNIO LÓGICO

12
p q r ~p 𝒒∧𝒓 ~𝒑 → 𝒒 ∧ 𝒓

V V V F V V
V V F F F V
V F V F F V
V F F F F V
F V V V V V
F V F V F F
F F V V F F
F F F V F F

Antes de montarmos a bicondicional entre os dois parênteses, precisamos montar a coluna relativa ao segundo
parênteses da expressão. Colocando a conjunção a partir da primeira e terceira colunas:

p q r ~p 𝒒∧𝒓 ~𝒑 → 𝒒 ∧ 𝒓 𝒑∨𝒓

V V V F V V V
V V F F F V V
V F V F F V V
V F F F F V V
F V V V V V V
F V F V F F F
F F V V F F V
F F F V F F F

Finalmente, a oitava coluna é montada a partir da combinação entre a sexta e a sétima colunas:

p q r ~p 𝒒∧𝒓 ~𝒑 → 𝒒 ∧ 𝒓 𝒑∨𝒓 ~𝒑 → 𝒒 ∧ 𝒓 ↔ 𝒑∨𝒓

V V V F V V V V
V V F F F V V V
V F V F F V V V
V F F F F V V V
F V V V V V V V
F V F V F F F V
F F V V F F V F
F F F V F F F V

O resultado é interessante pois apenas a sétima linha da proposição completa possui valor lógico FALSO. Isso pode
ser facilmente uma questão de concurso, onde pergunta-se quais são os valores lógicos para que a proposição acima
seja FALSA. A resposta correta é p e q FALSOS e r VERDADEIRO.

TABELA VERDADE PARA 4 PROPOSIÇÕES SIMPLES

Os problemas envolvendo 4 proposições simples são mais trabalhosos pois envolvem 16 linhas de análise. Entretanto,
RACIOCÍNIO LÓGICO

a resolução é a mesma dos problemas de duas ou três proposições simples. Considerando as proposições p, q, r e s, a
tabela fica da seguinte maneira:

13
p q r s p q r s
V V
V V
V V
V V
V F
V F
V F
V F
F V
F V
F V
F V
F F
F F
F F
F F

A primeira coluna é dividida em dois blocos de oito A terceira coluna subdivide a segunda em blocos de
linhas, atribuindo V ao primeiro bloco e F ao segundo. duas linhas, intercalando V e F:

p q r s p q r s
V V V V
V V V V
V V V F
V V V F
V V F V
V V F V
V V F F
V V F F
F F V V
F F V V
F F V F
F F V F
F F F V
F F F V
F F F F
F F F F

A segunda coluna subdivide a primeira novamente


em dois, formando blocos de quatro linhas, intercalando
RACIOCÍNIO LÓGICO

os valores V e F:

14
A quarta coluna basta intercalar V e F: Aplicando a condicional entre a terceira e quarta
colunas:
p q r s
V V V V p q 𝑝𝑝∧∧𝑞𝑞 →→ 𝑝𝑝∨∨𝑞𝑞 𝑝∧𝑞 → 𝑝∨𝑞

V V V F V V V V V
V V F V V F F V V
V V F F F V F V V
V F V V F F F F V
V F V F
O resultado da proposição composta mostra que
V F F V
todas as linhas geraram um valor lógico VERDADEIRO.
V F F F Assim, podemos classificar essa proposição composta
F V V V como Tautologia.
F V V F
F V F V FIQUE ATENTO!
F V F F O exemplo de tautologia foi com duas pro-
posições simples mas considere que a clas-
F F V V sificação é válida também para três ou mais
F F V F proposições simples.
F F F V
F F F F Contradição
A contradição é exatamente o contrário da tautologia,
onde todos os resultados lógicos da operação da proposição
CLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSIÇÕES SEGUNDO A composta devem ser FALSOS. Observe o exemplo:
TABELA-VERDADE Tabela verdade para 𝑝 ↔ ~𝑞 ∧ (𝑝 ∧ 𝑞)..
Após a montagem de qualquer proposição composta Antes de montarmos a proposição composta,
na tabela-verdade, podemos classificar seu resultado de precisaremos montar a negação de q, a bicondicional do
três maneiras: primeiro parênteses e a disjunção do segundo, assim:

Tautologia
A tautologia ocorre quando todas as linhas da p q ~q 𝑝𝑝↔
↔~𝑞
~𝑞 ∧∧(𝑝
(𝑝∧∧𝑞).
𝑞).
coluna correspondente a proposição composta seja
VERDADEIRA. Ou seja, não importa os valores lógicos V V F F V
das proposições simples, a proposição composta terá V F V V F
sempre o valor lógico V. Observe o exemplo:
F V F V F
Tabela-verdade para a proposição 𝑝 ∧ 𝑞 → 𝑝 ∨ 𝑞 .
São duas proposições simples, o que formará quatro F F V F F
linhas na tabela:
Combinando a quarta e quinta colunas para montar a
p q disjunção entre os dois parênteses:

V V
p q ~q 𝑝𝑝 ↔
↔ ~𝑞
~𝑞 ∧∧ (𝑝
(𝑝 ∧∧ 𝑞).
𝑞). 𝑝 ↔ ~𝑞 ∧ (𝑝 ∧ 𝑞).
V F
F V V V F F V F

F F V F V V F F
F V F V F F
Inserindo os dois parênteses na terceira e quarta
F F V F F F
colunas:
Como todas as linhas do resultado final são FALSAS,
RACIOCÍNIO LÓGICO

p q 𝑝∧𝑞 → 𝑝∨𝑞 temos uma contradição.

V V V V Contingência
V F F V A contingência é o caso mais simples de todos
pois são as tabelas-verdade que não são tautologia ou
F V F V contradição, ou seja, possui os dois valores lógicos (V e
F F F F F) no resultado final.

15
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (EMATER, MG – ASSISTENTE ADMINISTRATIVO – GESTÃO CONCURSO, 2018) Para Alencar (2002, p.14), “na tabela
verdade figuram todos os possíveis valores lógicos da proposição composta, correspondentes a todas as possíveis
atribuições de valores lógicos às proposições simples correspondentes.” Considerando duas proposições identificadas
como p e q, deseja-se construir a tabela verdade da proposição composta , conforme descrito na tabela a seguir.

Os valores lógicos da proposição composta , descritos de cima para baixo na última coluna da tabela, serão,
respectivamente,

a) (F);(F);(F);(F)
b) (F);(V);(F);(F)
c) (V);(V);(V);(V)
d) (V);(F);(V);(V)

Resposta: Letra D. O exercício já auxiliou deixando a tabela com todas as colunas organizado. A “pegadinha” é se
você esquecer de fazer a negação final, que faria você marcar a alternativa B e não a D.
p q ~q
V V F F V
V F V V F
F V F F V
F F V F V

2. (EMATER, MG – ASSESSOR JURÍDICO – GESTÃO CONCURSO, 2018) Considere que temos três proposições,
identificadas como p, q e r. Objetiva-se construir uma tabela-verdade para avaliar os valores lógicos que a proposição
composta 𝑝 𝑣 ~ 𝑟 → 𝑞 ᴧ ~ 𝑟 .A esse respeito, avalie as afirmações a seguir.

I. A tabela-verdade, nesse caso, terá seis linhas.


II. A tabela-verdade, nesse caso, terá oito linhas.
III. Haverá apenas três linhas da tabela-verdade na coluna correspondente à proposição composta p v ~ r → q ᴧ ~ r, que
assumirá o valor verdadeiro.

Está correto apenas o que se afirma em 

a) II
b) III
c) I e III
d) II e III

Resposta: Letra A. Antes de montarmos a tabela-verdade, já podemos verificar que a afirmação I está errada e a
II está certa pois está relacionado com o número de linhas da tabela, que é uma função apenas da quantidade de
proposições simples, neste caso 3. Montando a tabela verdade e respeitando a ordem de resolução dos operadores
lógicos, pois não temos parênteses (negação primeiro, depois as conjunções e disjunções e por fim a condicional),
você verificará que a linhas 2,5,6 e 7 são VERDADEIRAS, tornando a afirmação III incorreta pois ela afirma que são 3
RACIOCÍNIO LÓGICO

linhas que são VERDADEIRAS.

3. (CÂMARA MUNICIPAL DE ARARAQUARA – AGENTE ADMINISTRATIVO – IBFC, 2017) De acordo com o raciocínio
lógico proposicional a proposição composta [𝑝 ∨ (~𝑞 ↔ 𝑟)] → ~𝑝 é uma: 

a) Contingência
b) Tautologia

16
c) Contradição
d) Equivalência

Resposta: Letra A. Construindo a tabela verdade:

p q r ~p ~q[𝑝 ∨ (~𝑞 ↔ 𝑟)] →𝒑 ∨~𝑝


(~𝒒 ↔ 𝒓) 𝒑 ∨ ~𝒒 ↔ 𝒓 → ~𝒑

V V V F F F V F
V V F F F V V F
V F V F V V V F
V F F F V F V F
F V V V F F F V
F V F V F V V V
F F V V V V V V
F F F V V F F V

PROPOSIÇÕES LÓGICAS

As proposições categóricas são formadas basicamente por três palavras: Todo, Nenhum e o Algum. Desta última,
deriva-se também o “Algum Não” para completar as quatro proposições fundamentais. Assim, vamos interpretar e
representar as seguintes expressões:

Todo A é B
A primeira proposição categórica é bem conhecida e facilmente interpretada. Ela afirma que todos os elementos
que pertencem ao grupo (ou na nossa linguagem, conjunto) A também pertencem ao conjunto B. Para este caso, temos
duas representações possíveis:

O primeiro caso talvez seja o que a maioria das pessoas pensam quando se diz que “Todo A é B”, ou seja, o
conjunto A sendo subconjunto do conjunto B. Entretanto, quando ambos os conjuntos são coincidentes, ou sejam,
são exatamente iguais, a proposição ainda é válida, com todos os elementos do conjunto A pertencentes também ao
conjunto B.

FIQUE ATENTO!
Observe que quando falamos que “Todo A é B” não é necessariamente verdade que “Todo B é A” pois o
primeiro caso da figura acima justifica que nem todos os elementos de B podem pertencer ao conjunto
A.”.

Nenhum A é B
A segunda proposição categórica é a mais simples de se observar através do diagrama de conjuntos pois quando
RACIOCÍNIO LÓGICO

falamos que “Nenhum A é B”, conclui-se que nenhum elemento do conjunto A pertence ao conjunto B, ou seja, são dois
conjuntos distintos sem nenhuma intersecção:

17
Algum A não é B
Análogo a proposição anterior, a proposição “Algum
A não é B” estabelece que há ao menos um elemento de
A que não pertence ao conjunto B. Novamente não se
estipula quantos elementos de A não são de B (e podem
ser todos eles inclusive), mas sim que não temos todos os
elementos de A pertencendo a B, algum necessariamente
não será. São três diagramas para representar essa
proposição categórica:

Diferentemente da proposição “Todo A é B”, dizer


que “Nenhum A é B” é logicamente equivalente a dizer
que “Nenhum B é A”, ou seja, permite-se a inversão dos
conjuntos sem prejudicar o raciocínio.

Algum A é B
As próximas duas proposições também são
categóricas, mas não casos extremos como as anteriores
em que ou temos todos os elementos de A pertencente
a B ou não temos nenhum. A expressão “Algum A é
B” estabelece que ao menos um elemento pertence
também ao conjunto B. Ela não fala quantos elementos
de A pertencem a B (podem ser todos inclusive), o que ela
descarta é o fato de nenhum elemento de A pertencer a B,
e essa consideração será importante quando estudarmos
a negação das proposições categóricas.
Além disso, são quatro diagramas possíveis para
interpretar essa proposição:

No primeiro caso, como temos elementos exclusivos


de A e B, esses elementos exclusivos satisfazem a
proposição. No segundo caso, temos B como subconjunto
de A sem serem coincidentes, o que também deixam
alguns elementos de A não pertencendo a B. Finalmente
o terceiro caso, onde A e B não possuem intersecção
(coincidente com “Nenhum A é B”), temos que os
elementos de A não pertencem a B, bastava apenas 1
mas nesse caso foram todos.

CLASSIFICAÇÃO DAS PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS


As quatro proposições categóricas também
possuem nomes formalizados que são de importante
conhecimento para se interpretar enunciados de
Os dois primeiros casos remetem ao conjunto A ser concursos que utilizarem essas definições. Vamos a elas
subconjunto de B ou vice-versa. Em ambos conseguimos
afirmar que existe ao menos um elemento de A que Proposição Universal Afirmativa
pertence a B. O terceiro caso é o mesmo de “Todo A é B” A proposição universal afirmativa é equivalente
pois, como dissemos, essa proposição afirma que temos a expressão “Todo A é B”, ou seja, todo o universo do
no mínimo um elemento de A que está em B, então conjunto A pertence a B.
logicamente todos os elementos de A pertencerem a
B atendem a “Algum A é B”. E o último caso é aquele Proposição Universal Negativa
onde temos termos exclusivos de A e B, mas uma região A proposição universal negativa é equivalente a
de interseção onde há elementos pertencentes aos dois expressão “Nenhum A é B”, ou seja, todo o universo do
RACIOCÍNIO LÓGICO

conjuntos, satisfazendo a proposição. conjunto A não pertence a B.


Além disso, é possível inverter os conjuntos de
posição e manter a lógica correta, ou seja, se falarmos Proposição Particular Afirmativa
que “Algum A é B”, pode-se afirmar que “Algum B é A” A proposição particular afirmativa é equivalente a
expressão “Algum A é B”, ou seja, algum caso de todo o
universo do conjunto A pertence a B.

18
Proposição Particular Negativa Se é verdade que “Alguns A são R” e que “Nenhum G
A proposição particular negativa é equivalente a é R”. então é necessariamente verdadeiro que:
expressão “Algum A não é B”, ou seja, algum caso de a) Algum A não é G
todo o universo do conjunto A não pertence a B. b) Algum A é G
c) Nenhum A é G
RELAÇÃO DAS PROPOSIÇÕES CATEGÓRICAS d) Algum G é A
As proposições categóricas possuem relações entre si e) Nenhum G é A.
para aplicarmos valores lógicos quando necessário. Para
ajudar na memorização, construiu-se um diagrama com Observem neste caso que temos 3 conjuntos: A,R
as definições apresentadas abaixo: e G e eles estão relacionados através de proposições
categóricas. Para resolver esse tipo de problema, temos
que utilizar dos diagramas de conjuntos para entende-
lo. A ordem de aplicação das proposições determina seu
êxito no exercício, onde recomenda-se começar pelas
proposições universais e depois partir para as particulares.
Iniciando então por “Nenhum G é R”, o diagrama fica da
seguinte forma:

As proposições que são contraditórias entre si, ou


seja, aquelas ligadas pela diagonal do problema serão
justamente as negações lógicas da proposição categórica
considerada, ou seja:
Nesse caso, G e R não possuem intersecções. Feito
- A negação de “Todo A é B” é “Algum A não é B”
isso, deve-se analisar a proposição “Algum A é R”, que
- A negação de “Nenhum A é B” é “Algum A é B”
possui 4 casos distintos. Além disso, não sabemos se A
- A negação de “Algum A é B” é “Nenhum A é B”
intersecta ou não o conjunto G, portanto teremos que
- A negação de “Algum A não é B” é “Todo A é B”
considerar ambos os casos:
Ou seja, nas proposições categóricas, negar uma
proposição universal é transformá-la em uma proposição - A é subconjunto de R: Nesta primeira situação, A
particular de afirmação contrária e vice-versa. Isso reforça não poderá intersectar G pois está dentro de R e nenhum
o que foi dito no início do capítulo que a negação de R é G:
“Todo A é B” não é “Nenhum A é B” e agora fica fácil
de entender pois para que “Todo A é B” seja falso, basta
apenas um único elemento de A não pertencer a B, o
caracteriza a proposição “Algum A não é B”.

No caso das relações “subalternas”, quando temos o


valor lógico definido da proposição universal, podemos
expandi-lo para a sua correspondente proposição
particular, ou seja:
- O valor lógico da proposição particular afirmativa
será o mesmo que o da proposição universal
afirmativa. - R é subconjunto de A: Nesta primeira situação,
- O valor lógico da proposição particular negativa será podemos ter A intersectando G ou não:
o mesmo que o da proposição universal negativa.

ANÁLISE COM MAIS DE UMA PROPOSIÇÃO


RACIOCÍNIO LÓGICO

CATEGÓRICA ENVOLVIDA
Os problemas envolvendo proposições categóricas
podem ser simples de se revolver como visto no
exercício comentado acima, porém, existem casos mais
elaborados, onde pode haver 3 ou mais conjuntos para
serem analisados. Observe esse exemplo extraído de - A e R são coincidentes: Neste caso, A não cruza G
uma banca que aborda muito o raciocínio lógico, a ESAF: pois nenhum R é G;

19
EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (PC-ES – PERITO CRIMINAL – FUNCAB, 2013).


A negação de “Todos os padeiros dessa cidade são
talentosos” é:

a) Todos os padeiros dessa cidade não são talentosos.


b) Somente um padeiro dessa cidade é talentoso.
- A e R possuem intersecção com elementos c) Não já padeiro talentoso nessa cidade.
exclusivos: Neste caso, pode-se haver intersecção ou não
de A em G: d) Existe algum padeiro dessa cidade que não é talentoso.
e) Não há padeiros nessa cidade.

Resposta: Letra D. A negação de uma proposição


universal afirmativa será uma proposição particular
negativa, ou seja “Algum A não é B” que nesse caso é
“Algum padeiro dessa cidade não é talentoso”.

2. (SERPRO – ANALISTA – ESAF, 2001). Todos os alunos


de Matemática são, também, alunos de Inglês, mas
nenhum aluno de inglês é aluno de História. Todos os
alunos de Português são também alunos de informática,
e alguns alunos de informática são também alunos de
história. Como nenhum aluno de informática é aluno de
inglês, e como nenhum aluno de Português e aluno de
História, então:

a) pelo menos um aluno de Português é aluno de Inglês


b) pelo menos um aluno de Matemática é aluno de
História
c) nenhum aluno de Português é aluno de Matemática
d) todos os alunos de Informática são alunos de
Matemática
Portanto são 6 casos para se analisar e verificar qual e) todos os alunos de Informática são alunos de Português
alternativa atende todos simultaneamente:
a) Algum A não é G: Se observarmos os 6 casos, Resposta: Letra C. São muitos diagramas para
sempre há ao menos um todos os elementos de se montar, porém quase todos são proposições
A que não pertencem a G, ou seja, não há nenhum universais de fácil entendimento. Unificando todas as
caso onde todos os elementos de A estão dentro informações, monta-se o diagrama e se observa que
de G. Logo esta alternativa aparenta ser a correta. nenhum aluno de Português é aluno de Matemática.
b) Algum A é G: No primeiro, terceiro, quarto e sexto
casos, nenhum elemento de A pertence a G, logo
esta alternativa não é a correta.
c) Nenhum A é G: No segundo e quinto casos,
há elementos de A que estão em G, logo esta
alternativa não é a correta.
d) Algum G é A: Os casos onde A e G não se cruzam
eliminam esta alternativa da mesma forma que na
alternativa b
e) Nenhum G é A: Da mesma forma que as alternativa
b e d, os casos onde A e G possuem intersecção EQUIVALÊNCIA LÓGICA
são suficientes para eliminar esta alternativa.
A equivalência lógica é a relação entre duas proposi-
RACIOCÍNIO LÓGICO

Logo, encontramos a alternativa correta. O que é ções lógicas que serão ditas equivalentes, ou seja, ao se
importante observar é que problemas envolvendo mais montar a tabela-verdade de ambas, a distribuição dos
de uma proposição categórica podem ser complicados e valores lógicos será a mesma.
requererem uma análise aprofundada de todos os casos. O domínio desta teoria passará ao candidato a se-
gurança de se manipular expressões lógicas, buscando
a equivalência correta nas alternativas da questão. Na
maioria das vezes, os enunciados das questões de equi-

20
𝑝𝑝 ∧∧ 𝑞𝑞 =
= 𝑞𝑞 ∧∧ 𝑝𝑝
valência lógica, usando frases simples como: “A negação 𝑝𝑝 ∨∨ 𝑞𝑞 =
= 𝑞𝑞 ∨∨ 𝑝𝑝
da expressão ... é:” ou também “A expressão logicamente
equivalente a ... é:”. 𝑝𝑝 ↔
↔ 𝑞𝑞 =
= 𝑞𝑞 ↔
↔ 𝑝𝑝
Para resolver esses exercícios, o candidato deverá re-
conhecer na expressão original que tipo de equivalência
pode ser usada e é isso que iremos apresentar nas seções Ou seja, para a disjunção, conjunção e bicondicional é
a seguir. possível inverter a ordem das proposições simples, man-
tendo o resultado final da proposição composta. Usando
EQUIVALÊNCIAS LÓGICAS NOTÁVEIS novamente frases como exemplo, temos que se p = “An-
Iniciando pelas equivalências mais simples, apresen- dei 5km” e q = “Tomei um suco”:
taremos os cinco primeiros casos de relações lógicas: Andei 5km e tomei um suco = Tomei um suco e andei 5 km
Andei 5km ou tomei um suco = Tomei um suco ou
Dupla Negação andei 5 km
A dupla negação já foi introduzida quando se definiu Andei 5km se e somente se tomei um suco = Tomei
o operador lógico negação, ou o “não” e se apresentou um suco se e somente se andei 5 km
que “a negação da negação é a própria afirmação”. Em
outras palavras, a dupla negação anula dois operadores
“não” que estão juntos, como no exemplo a seguir: FIQUE ATENTO!
O leitor mais atento percebeu uma poten-
~ ~𝑝 = 𝑝 cial “pegadinha” nesta propriedade pois ela
não vale para o operador “Se...então” que é a
Ou seja, os dois operadores lógicos “~” são retirados, condicional. Muita atenção quando for utili-
restando apenas a proposição simples. zar essa propriedade!

Idempotência Associação
A idempotência trata de duas relações, uma com o A propriedade associativa também tem a mesma ca-
operador “e” (conjunção) e outra com o operador “ou” racterística encontrada na matemática, onde você pode
(disjunção). A idéia básica é mostrar que quando se apli- inverter a ordem das operações lógicas. Isso só pode ser
ca esses operadores na mesma proposição simples, o re- feito caso tenhamos APENAS disjunção e conjunção nas
sultado é a própria proposição. Vejam os casos: operações, observe:

𝑝∧𝑝=𝑝 𝑝 ∧𝑝 ∧𝑞 ∧𝑞𝑟∧ 𝑟= =𝑝 ∧𝑝 𝑞∧ 𝑞∧ 𝑟∧ 𝑟

𝑝∨𝑝=𝑝 𝑝 ∨𝑝 ∨𝑞 ∨𝑞 𝑟∨ 𝑟= =𝑝 ∨𝑝𝑞∨ 𝑞∨ 𝑟∨ 𝑟

Essa equivalência é fácil verificar na tabela-verdade: O que a propriedade nos mostrou é que podemos
fazer a operação entre p e q antes de realizar a operação
entre q e r.
p 𝑝∧𝑝=𝑝 𝑝∨𝑝=𝑝
Distribuição
V V V A propriedade distributiva também segue a analogia
F F F da propriedade vista na matemática, sendo conhecida
também como a propriedade “chuveirinho” onde a partir
Tanto na tabela-verdade da disjunção e da conjunção, de um operador lógico externo aos parênteses, faz-se a
quando ambas as proposições são VERDADEIRAS, o re- distribuição nos elementos internos, desta forma:
sultado é VERDADEIRO e quando ambas são FALSAS, o
resultado da proposição composta é FALSO.
𝑝 ∧𝑝 ∧𝑞 ∨𝑞𝑟∨ 𝑟= =𝑝 ∧𝑝𝑞∧ 𝑞∨ (𝑝
∨ (𝑝 ∧ 𝑟)
∧ 𝑟)
Usando frases nas proposições, essa propriedade nos
permite dizer que se p = “João é professor”, temos que: 𝑝 ∨𝑝 ∨𝑞 ∧𝑞𝑟∧ 𝑟= =𝑝 ∨𝑝𝑞∨ 𝑞∧ (𝑝
∧ (𝑝 ∨ 𝑟)
∨ 𝑟)
João é professor e João é professor = João é professor
João é professor ou João é professor = João é pro-
fessor Observe novamente que essa propriedade também é
válida APENAS para os operadores disjunção (“e”) e con-
Comutação junção (“ou”), sendo incorreto aplicar na condicional e na
A propriedade comutativa da equivalência lógica é bicondicional. Usando frases como exemplo, considere
RACIOCÍNIO LÓGICO

análoga a propriedade de mesmo nome da matemática. que: p = “Almir é biólogo”, q = “Joseval é escritor” e r
Ela descreve que podemos mudar a ordem das propo- = “Arlequina é bandida”, assim:
sições simples sem afetar o resultado final. Existem três A propriedade 𝑝 ∧ 𝑞 ∨ 𝑟 = 𝑝 ∧ 𝑞 ∨ (𝑝 ∧ 𝑟) nos
casos: permite dizer que a proposição: “Almir é biólogo, e Jo-
𝑝 ∨ 𝑞 ∧é 𝑟bandida”
seval é médico ou Arlequina = 𝑝 ∨ 𝑞é ∧equivalente
(𝑝 ∨ 𝑟)
𝑝∧𝑞 =𝑞∧𝑝 à proposição: “Almir é biólogo e Joseval é escritor, ou
𝑝∨𝑞=𝑞∨𝑝 Almir é biólogo e Arlequina é bandida”

𝑝↔𝑞=𝑞↔𝑝

21
𝑝 ∧ 𝑞 ∨ 𝑟 = 𝑝 ∧ 𝑞 ∨ (𝑝 ∧ 𝑟)

Já a propriedade 𝑝 ∨ 𝑞 ∧ 𝑟 = 𝑝 ∨ 𝑞 ∧ (𝑝 ∨ 𝑟) nos permite dizer que a proposição: “Almir é biólogo, ou Joseval


é médico e Arlequina é bandida” é equivalente à proposição: “Almir é biólogo ou Joseval é escritor, e Almir é biólogo
ou Arlequina é bandida”

NEGAÇÃO DOS OPERADORES LÓGICOS


Este tópico provavelmente é o mais importante deste capítulo pois apresentará as negações das proposições lógi-
cas mais utilizadas: “Disjunção”, “Conjunção”, “Condicional” e “Bicondicional”

Negação da conjunção – Regra de De Morgan


As negações da conjunção e da disjunção são conhecidas como Regras de De Morgan e são fáceis de memorizar
pela sua estrutura simples:
∼ 𝑝 ∧ 𝑞 = ~𝑝 ∨∼ 𝑞

A regra nos diz que ao negar uma conjunção, podemos negar individualmente cada proposição simples trocando o
operador “e” por um operador “ou”. A prova desta relação se dá na tabela-verdade a seguir:

p q ∼ 𝑝 ∧ 𝑞 =~~𝑝𝒑∨∼
∧ 𝒒𝑞 ~p
∼ 𝑝 ∧~q
𝑞 = ~𝑝 ∨∼ 𝑞

V V V F F F F
V F F V F V V
F V F V V F V
F F F V V V V

Observando a quarta e a sétima coluna, verifica-se o mesmo valor lógico em todas as linhas, o que prova a equi-
valência.
Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “Eu sei nadar” e q = “Eu sei correr”, a negação correta de
“Eu sei nadar e sei correr” será “Eu não sei nadar ou não sei correr”

Negação da disjunção – Regra de De Morgan


A negação da disjunção também é conhecida como Regra de De Morgan:
∼ 𝑝 ∨ 𝑞 = ~𝑝 ∧∼ 𝑞

A regra nos diz que ao negar uma disjunção, podemos negar individualmente cada proposição simples trocando o
operador “ou” por um operador “e”. A prova desta relação se dá na tabela-verdade a seguir:

p q ∼ 𝑝 ∧ 𝑞 = ~𝑝
~ 𝒑∨∼
∧𝒒𝑞 ~p
∼ 𝑝 ∧~q
𝑞 = ~𝑝 ∨∼ 𝑞

V V V F F F F
V F V F F V F
F V V F V F F
F F F V V V V

Observando a quarta e a sétima coluna, verifica-se o mesmo valor lógico em todas as linhas, o que prova a equi-
valência.
Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “Andei de bicicleta” e q = “joguei futebol”, a negação cor-
reta de “Eu andei de bicicleta ou joguei futebol” será “Eu não andei de bicicleta e não joguei futebol”.
RACIOCÍNIO LÓGICO

Negação da Condicional
A negação da condicional é uma expressão que vem derivada de outras duas equivalências lógicas: Regra de De
Morgan e Implicação material (apresentada nos tópicos seguintes). Como a idéia não é apresentar deduções, vamos
mostrar a equivalência e prova-la através da tabela-verdade:
∼ 𝑝 → 𝑞 = 𝑝 ∧∼ 𝑞

22
Montando a tabela-verdade:

p q 𝒑→𝒒 ~ 𝒑→𝒒 ~q 𝒑 ∧∼ 𝒒

V V V F F F
V F F V V V
F V V F F F
F F V F V F

Comparando a quarta e sexta colunas, podemos observar que todas as linhas possuem os mesmos valores lógicos,
comprovando a equivalência desta negação.
Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “Fiz muitos gols” e q = “Sou o artilheiro”, a negação correta
de “Se fiz muitos gols então sou o artilheiro” será “Fiz muitos gols e não sou o artilheiro”.

Negação da Bicondicional
Certamente a negação da bicondicional é a expressão mais difícil dentre as apresentadas na equivalência lógica. Ela
não é simples de deduzir e usaremos a mesma abordagem da negação da condicional, que é apresentar a expressão
e provar com a tabela-verdade:
∼ 𝑝 ↔ 𝑞 = (𝑝 ∧∼ 𝑞) ∨ (𝑞 ∧ ~𝑝)

Montando a tabela-verdade:

p q∼ 𝑝 ↔ 𝑞 =∼(𝑝𝑝∧∼
↔ 𝑞) ~p
𝑞 ∼∨=(𝑞
𝑝
(𝑝↔ 𝑞~q𝑞)
∧∧∼
~𝑝) =∨(𝑝(𝑞∧∼
∧ ~𝑝)
𝑞) ∨∼(𝑞𝑝∧↔
~𝑝)
𝑞 = (𝑝 ∧∼ 𝑞) ∨ (𝑞 ∧ ~𝑝)
V V V F F F F F F
V F F V F V V F V
F V F V V F F V V
F F V F V V F F F

Observando a quarta e nona colunas, verifica-se o mesmo valor lógico em todas as linhas, o que prova a equiva-
lência lógica.
Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “Passei de ano” e q = “Tirei 10 na prova”, a negação correta
de “Passei de ano se e somente se tirei 10 na prova” será “Passei de ano e não tirei 10 na prova ou tirei 10 na prova e
não passei de ano”.

EQUIVALÊNCIAS LÓGICAS DA CONDICIONAL E BICONDICIONAL


Além das negações dos operadores lógicos condicional e bicondicional, existem outras equivalências lógicas impor-
tantes que estatisticamente são cobradas com certa frequência nos concursos públicos e serão apresentadas a seguir:

Implicação Material
A implicação material é uma equivalência lógica aplicada ao operador condicional que transforma esse operador
em uma disjunção (“ou”):
𝑝 → 𝑞 = ~𝑝 ∨ 𝑞

Montando a tabela-verdade:

p q ~p
𝑝 → 𝑞 𝑝 =→~𝑝
𝑞 ∨=𝑞~𝑝 ∨ 𝑞
RACIOCÍNIO LÓGICO

V V V F V
V F F F F
F V V V V
F F V V V

23
A terceira e quinta colunas possuem os mesmos valores lógicos em todas as linhas, podendo afirmar que são, por-
tanto, proposições equivalentes.
Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “Andei distraído” e q = “Tropecei na calçada”, uma expres-
são equivalente a “Se andei distraído então tropecei na calçada” será “Não andei distraído ou tropecei na calçada”

Transposição
A transposição, como o próprio nome diz, é aplicada ao operador condicional, trocando de posição as proposições
simples, algo que não é permitido diretamente pela propriedade comutativa apresentada anteriormente. A equivalên-
cia é a seguinte:
𝑝 → 𝑞 = ~𝑞 → ~𝑝

Ou seja, nega-se e inverte-se as proposições simples para formar a equivalência. Comprovando pela tabela-verdade:

p q ~p →𝑝 ~𝑝
𝑝 → 𝑞 = ~𝑞 →~q𝑞 = ~𝑞 → ~𝑝

V V V F F V
V F F F V F
F V V V F V
F F V V V V

Assim, como a terceira e sexta colunas são idênticas, temos a equivalência lógica comprovada.
Usando as frases da implicação material como exemplo novamente, se considerarmos p = “Andei distraído” e q
= “Tropecei na calçada”, uma expressão equivalente a “Se andei distraído então tropecei na calçada” será “Se não
tropecei na calçada, então não andei distraído”

FIQUE ATENTO!
Sempre que no enunciado de um exercício de equivalência tivermos o operador condicional, desconfie se
não será aplicada as regras de implicação material ou transposição, normalmente elas que serão utilizadas
para resolver a questão!

Equivalência Material
A equivalência material é a última relação que veremos neste capítulo e envolve o operador bicondicional que sem-
pre irá proporcionar expressões maiores para memorização. Além disso, são dois casos para se analisar: O primeiro,
transforma-se a bicondicional em duas operações condicionais:
𝒑↔𝒒 = 𝒑→𝒒 ∧ 𝒒→𝒑

Intuitivamente essa expressão não é difícil pois o próprio nome “bicondicional” já se refere a “duas condicionais”.
O importante é lembrar que as duas condicionais são ligadas por um operador “e” e não por um operador “ou”. A
tabela-verdade fica:

p q 𝒑𝒑 ↔
↔ 𝒒𝒒 =
= 𝒑𝒑 →
→ 𝒒𝒒 ∧∧ 𝒒𝒒
𝒑→→
↔𝒑𝒑𝒒 = 𝒑 → 𝒒 ∧ 𝒒 → 𝒑
V V V V V V
V F F F V F
F V F V F F
F F V V V V
RACIOCÍNIO LÓGICO

Usando frases como exemplo, se considerarmos p = “A bolsa é azul” e q = “O estojo é vermelho”, uma expressão
equivalente para “A bolsa é azul se e somente se o estojo é vermelho” será “Se a bolsa é azul então o estojo é vermelho
e se o estojo é vermelho então a bolsa é azul”.
O outro caso de equivalência material é a conversão da bicondicional em operadores “ou” e “e”:
𝒑 ↔ 𝒒 = 𝒑 ∧ 𝒒 ∨ ~𝒑 ∧ ~𝒒

24
Essa expressão não é tão intuitiva como o primeiro caso mas dá para se criar um raciocínio imaginando que a bi-
condicional foi separada em duas conjunções das afirmações e negações ligadas por uma disjunção. A tabela-verdade
fica desta maneira:

p q 𝒑 ↔ 𝒒 = ~p
𝒑𝒑→↔𝒒~q
𝒒∧ =𝒒 𝒑
→∧𝒑𝒒 ∨ ~𝒑
𝒑↔∧ ~𝒒
𝒒 = 𝒑 ∧ 𝒒 ∨ ~𝒑 ∧ ~𝒒

V V V F F V F V
V F F F V F F F
F V F V F F F F
F F V V V F V V

Com a terceira e oitava coluna idênticas, temos a equivalência comprovada. Usando as mesmas frases como exem-
plo, se considerarmos p = “A bolsa é azul” e q = “O estojo é vermelho”, uma outra expressão equivalente para “A
bolsa é azul se e somente se o estojo é vermelho” será “A bolsa é azul e o estojo é vermelho ou a bolsa não é azul e
o estojo não é vermelho”.

EXERCÍCIOS COMENTADOS

1. (EMSERH – PSICÓLOGO – FUNCAB, 2016). Dizer que não é verdade que Francisco é dentista e Tânia é enfermeira,
é logicamente equivalente a dizer que é verdade que:

a) Se Francisco não é dentista, então Tânia não é enfermeira.


b) Francisco não é dentista e Tânia não é enfermeira.
c) Se Francisco não é dentista, então Tânia é enfermeira.
d) Francisco não é dentista ou Tânia não é enfermeira.
e) Francisco é dentista ou Tânia não é enfermeira.

Resposta: Letra D. Aplicando a regra de De Morgan, a negação da conjunção será a disjunção das negações, então
nega-se ambas as proposições e aplica-se o operador “ou”.

2. (TJ-SP – ESCREVENTE – VUNESP, 2017). Uma negação lógica para a afirmação “João é rico, ou Maria é pobre” é:

a) Se João é rico, então Maria é pobre


b) João não é rico, e Maria não é pobre
c) João é rico, e Maria não e pobre
d) Se João não é rico, então Maria não é pobre
e) João não é rico, ou Maria não é pobre

Resposta: Letra B. Aplicando a regra de De Morgan, a negação da disjunção será a conjunção das negações.

3. (PREFEITURA DE MARILÂNDIA – AGENTE ADMINISTRATIVO – IDECAN, 2016). A negação da proposição com-


posta “Se goleia o rival, então é campeão” é equivalente a:

a) Não goleia o rival e é campeão.


b) Goleia o rival e não é campeão.
c) Não goleia o rival ou é campeão.
d) Nem goleia o rival, nem é campeão.

Resposta: Letra B. A negação da condicional é uma conjunção da primeira proposição com a negação da segunda,
o que aparece na alternativa B.
RACIOCÍNIO LÓGICO

4. (TJ-PR – ANALISTA JUDICIÁRIO – PUC-PR, 2017). Arno, especialista em lógica, perguntou: qual a negação de “hoje
é carnaval se, e somente se, for 8 ou 9 de fevereiro”?

A resposta CORRETA é: 

a) Hoje não é Carnaval se, e somente se, não for 8 ou 9 de fevereiro


b) Hoje não é Carnaval e não é 8 nem 9 de fevereiro

25
c) Hoje não é Carnaval e é 8 ou 9 de fevereiro ou hoje é 7. (PMRJ – ADMINISTRADOR – PMRJ, 2016). A propo-
Carnaval e não é nem 8 e nem 9 de fevereiro sição equivalente para “A lua é um satélite natural se e
d) Hoje é Carnaval e é 8 de fevereiro somente se Saturno ter anéis” é:
e) Hoje é Carnaval e é 8 ou 9 de fevereiro ou hoje não é
Carnaval e não é nem 8 e nem 9 de fevereiro a) Se a Lua é um satélite natural, então Saturno tem anéis
ou Se Saturno tem anéis, então a Lua é um satélite
Resposta: Letra C. Questão trabalhosa mas possível. natural
Considere p = “Hoje é Carnaval” e q = “É 8 ou 9 de b) Se a Lua é um satélite natural, então Saturno não tem
fevereiro”. Aplicando a negação da bicondicional, te- anéis e Se Saturno não tem anéis, então a Lua é um
mos que: = Hoje é carnaval e não é nem 8 e nem 9 satélite natural
de fevereiro ou é 8 ou 9 de fevereiro e não é carnaval. c) Se a Lua é um satélite natural, então Saturno tem anéis
Usando a propriedade comutativa onde podemos in- e Se Saturno tem anéis, então a Lua é um satélite na-
verter a ordem das proposições, conseguimos montar tural
a alternativa C. d) Se a Lua não é um satélite natural, então Saturno não
tem anéis e Se Saturno tem anéis, então a Lua é um
5. (ANAC – TÉCNICO ADMINISTRATIVO – ESAF, 2016). satélite natural
A proposição “se o voo está atrasado, então o aeroporto
está fechado para decolagens” é logicamente equivalen- Resposta: Letra C. Aplicando a equivalência material
te à proposição: que transforma a bicondicional em duas condicionais,
temos que “Se a Lua é um satélite natural, então sa-
a) o voo está atrasado e o aeroporto está fechado para turno tem anéis e se Saturno tem anéis, então a Lua é
decolagens. um satélite natural”.
b) o voo não está atrasado e o aeroporto não está fecha-
do para decolagens.
c) o voo está atrasado, se e somente se, o aeroporto está LÓGICA DA ARGUMENTAÇÃO
fechado para decolagens.
d) se o voo não está atrasado, então o aeroporto não Tanto o argumento, quanto a proposição, formam as
está fechado para decolagens. bases para o estudo da lógica. Todavia, a proposição ain-
e) o voo não está atrasado ou o aeroporto está fechado da continua sendo o elemento fundamental, pois a partir
para decolagens. dela que são construídos os argumentos. Mas afinal de
contas, o que é um Argumento? Essa definição é impor-
Resposta: Letra E. Como a questão envolve condicio- tante para o seguimento do capítulo e será apresentada
nal, devemos pensar em aplicar a implicação material a seguir.
ou a transposição. Olhando as alternativas, temos ape- Um argumento é feito de uma composição de duas
nas uma delas que é condicional, então provavelmen- ou mais proposições. Diferentemente de uma proposi-
te será melhor aplicar a implicação material primeiro, ção composta, o argumento apresenta as proposições
que gera o seguinte resultado: “O voo não está atra- de maneira separada, classificando-as em dois tipos:
sado ou o aeroporto está fechado para decolagens”. Premissas e Conclusão. As premissas são as bases e as
informações que irão nortear a Conclusão (que é única,
6. (PMRJ – ADMINISTRADOR – PMRJ, 2016). Uma apenas 1 proposição pode ser a conclusão). Assim, a es-
proposição logicamente equivalente a “se eu não posso trutura básica de um argumento é: Premissas Conclusão.
pagar um táxi, então vou de ônibus” é a seguinte:  Normalmente, os argumentos são apresentados na
forma vertical, separando as premissas e a conclusão por
a) se eu não vou de ônibus, então posso pagar um táxi  um traço, desta maneira:
b) se eu posso pagar um táxi, então não vou de ônibus
c) se eu vou de ônibus, então não posso pagar um táxi
d) se eu não vou de ônibus, então não posso pagar um
táxi

Resposta: Letra A. Como todas as alternativas são


condicionais, provavelmente o exercício se resolve As três premissas informam que há uma caracterís-
aplicando a transposição. Negando as duas proposi- tica genética de olhos azuis na família, onde seu pai e
ções e invertendo a ordem, temos que “Se eu não vou você possuem olhos azuis. Dadas essas informações,
de ônibus, então posso pagar um taxi”. Observe que concluiu-se que seu filho terá a mesma característica, ou
já temos uma negação na frase original e na hora de seja, olho azul.
RACIOCÍNIO LÓGICO

negarmos, faremos uma dupla negação, eliminando Como este argumento é mais genérico, vamos a um
os dois “não”. mais direto que vocês irão lidar em seus concursos:

26
A argumentação apresenta que o grupo denominado Diagramas de Conjuntos (Euler)
“brasileiros” pertence em sua integralidade ao conjunto A análise de argumentos usando os diagramas de
“devedores”. Assim, se eu pertenço ao grupo dos “brasi- conjuntos só é efetivamente vantajosa se os argumentos
leiros”, naturalmente estarei no grupo “devedores”. forem montados com proposições categóricas (capítulo
Um ponto importante a se ressaltar neste exemplo 5). Ou seja, as premissas devem conter as expressões que
é a estrutura particular dele. Quanto tivermos um argu- designam este tipo, como todo, nenhum, algum e al-
mento composto por 2 (duas) premissas e a conclusão, gum não. Algumas variações podem existir, como pelo
ele será considerado um caso particular e terá o nome menos um e cada um, mas sempre serão remetidas as
de silogismo. proposições que aprendemos no capítulo anterior.
Ambos os argumentos foram conclusões verdadei- Este método prevê que desenharemos as premissas
ras das premissas que consideramos. Neste caso, iremos dentro de cada conjunto correspondente, procurando as
classifica-los como argumentos válidos, ou seja, as pre- interseções entre eles. Após a construção do diagrama,
missas levam a esta conclusão. verifica-se a validade do argumento.
A oposição disso é justamente uma ou mais premis- Exemplo:
sas falharem na conclusão, e isso tornará o argumento
inválido, pois não atende integralmente todas as premis-
sas.
Outro caso de argumentos que podem ser cobrados
são aqueles que envolvem conectivos lógicos, como por
exemplo, neste exercício que caiu em um concurso:
O ponto chave da lógica da argumentação é verificar
se a conclusão é uma consequência lógica das premissas.
Isso será feito neste caso usando os conjuntos. A primei-
ra proposição diz que todas as mulheres são morenas,
assim o conjunto “mulheres” está dentro ou é coinciden-
te ao conjunto “morenas”:
Se considerarmos as proposições:

Ou seja, toda a argumentação é montada sob propo-


sições compostas ligadas pelos conectivos lógicos. Nos
concursos públicos, isso pode aparecer diretamente, ou
em forma de frases onde o leitor deverá convertê-la para
expressões lógicas. Para verificar se o argumento é válido
ou não, usaremos as técnicas apresentadas a seguir.

ANÁLISE DA VALIDADE DOS ARGUMENTOS


Normalmente quando os argumentos são analisados,
a primeira estratégia pensada é o uso dos diagramas de A segunda proposição diz que nenhuma morena can-
conjuntos, ou conhecidos também como diagramas de ta, ou seja, não há intersecção entre esses conjuntos:
Euler. Essa estratégia será a primeira a ser apresentada
nesta seção, porém, é importante que fique claro que
ela funciona em alguns casos específicos e que em casos
onde o argumento foi construído sob conectivos lógicos
(exemplo anterior), sua praticidade não é encontrada.
Logo, serão apresentadas 4 estratégias definitivas para
se resolver qualquer problema de argumentação.

FIQUE ATENTO!
Vocês encontrarão exercícios onde mais de
RACIOCÍNIO LÓGICO

uma técnica pode ser usada para sua reso-


lução. Esta apostila será uma referência para
sugestão de qual técnica utilizar. Caso con- Assim, a conclusão torna-se válida pois o conjunto
siga resolver por outra técnica, é um ponto mulheres também não possui intersecção com o conjun-
a mais no seu aprendizado. tos “cantoras”, tornando assim o argumento válido. É im-
portante frisar que sabemos que parte das mulheres não
são morenas mas isso não pode interferir na validade do

27
argumento. A única coisa que devemos ver sob o ponto
de vista lógico é que se as premissas forem verdadeiras,
temos que ter a conclusão verdadeira.
Vamos agora com um exemplo de argumento inváli-
do. Observem:

Repetindo a estratégia do exemplo anterior, temos ou


que a primeira premissa nos mostra que o conjunto
“convidados” está dentro ou é coincidente ao conjunto
“parentes”:

A conclusão nos fala que Roberto não é parente, o


que é verdade na segunda e na terceira possibilidade.
Na primeira, ambas as premissas são atendidas mas a
conclusão é falsa, já que Roberto está dentro do conjunto
ou
parentes.
Quando uma ou mais das possibilidades falha, não
temos garantia integral do argumento, tornando-o invá-
lido.

Premissas verdadeiras
A segunda estratégia já envolve premissas que não
tenham as proposições categóricas. Ela é eficiente quan-
do ao menos uma das proposições é simples, ou seja,
não há nenhum conectivo lógico com ela ou se temos
uma das premissas com uma conjunção, pois assim con-
seguimos valorar logicamente as proposições simples
que a compõe.
A segunda premissa nos mostra que Roberto não é Para avaliar a validade do argumento, basta adotar
um convidado. Neste caso, veja que temos três possi- que todas as premissas são verdadeiras e a partir da pro-
bilidades, duas no primeiro caso da premissa e um no posição simples, verificar se a conclusão mantém-se ver-
segundo caso. A posição de Roberto está indicada com dadeira.
um “X”: Se o resultado da conclusão for verdadeiro, o argu-
mento é válido, caso contrário, se a conclusão for falsa
ou se você não conseguir definir seu valor lógico, ele será
inválido.
Vamos a um exemplo:
RACIOCÍNIO LÓGICO

Esse argumento está montado apenas com os valores


lógicos e temos uma proposição simples no terceiro ar-
ou gumento. Assim, vamos adotar a estratégia de premissas
verdadeiras, ou seja:

28
Na terceira proposição, temos que R é verdadeiro e a partir disso, para a segunda premissa ser verdadeira, temos
que ter ~Q=V, ou seja Q=F.
Esse resultado implica na primeira premissa, pois se Q=F, para a condicional ser verdadeira, precisaremos ter que P
seja falso, ou seja, P=F .
Com os três valores lógicos, podemos avaliar a conclusão, onde se P=F, temos ~P=V, tornando a conclusão verda-
deira e o argumento válido.
Se após essas associações tivéssemos encontrado ~P=F, teríamos uma contradição, o que tornaria o argumento
inválido.

Tabela verdade
O método de resolução do argumento por tabela verdade é utilizado quando não se consegue resolver pelos dois
métodos anteriores, ou seja, quando não temos proposições categóricas ou quando não temos premissas sob a forma
de proposições simples ou uma delas sendo uma conjunção. Entretanto, mesmo para o caso onde o método de pre-
missas verdadeiras é aplicável, a tabela verdade pode ser utilizada, tornando um método mais genérico.
A resolução se baseia na construção da tabela verdade e temos que olhar as linhas correspondentes a todas as
premissas possuírem o valor VERDADEIRO. Se nessa linha, a conclusão também for VERDADEIRA, temos um argumento
válido, caso contrário, ele será inválido.

FIQUE ATENTO!
Lembre-se que a quantidade de linhas da tabela-verdade é calculada em função da quantidade de propo-
sições simples que formam as premissas. Quanto maior o problema, mais trabalhoso será a sua resolução!

Vamos analisar um exemplo passo a passo:


Analise o argumento a seguir e verifique se ele é válido
Se Pablo é ator e Irene é médica, então João é carpinteiro.
João não é carpinteiro ou Irene é médica.
Logo, Pablo não é ator ou Irene não é médica.
Passando para a linguagem lógica, temos que:

Observe que este argumento possui duas premissas e uma conclusão, porém é formado por três proposições sim-
ples. Assim, a tabela-verdade terá 8 linhas e não 4. Construindo a base da tabela:

p q r
V V V
V V F
V F V
V F F
F V V
F V F
RACIOCÍNIO LÓGICO

F F V
F F F

As próximas duas colunas serão correspondentes à primeira premissa:

29
p q r

V V V V V
V V F V F
V F V F V
V F F F V
F V V F V
F V F F V
F F V F V
F F F F V

As duas colunas seguintes são correspondentes à segunda premissa:

p q r ~𝒓 ∨ 𝒒~𝒓 ∨ 𝒒

V V V V V F V
V V F V F V V
V F V F V F F
V F F F V V V
F V V F V F V
F V F F V V V
F F V F V F F
F F F F V V V

Agora, as próximas três colunas se referem a conclusão:

p q r ~𝒓 ∨ 𝒒
~𝒓 ∨ 𝒒 ~𝒑
~𝒑∨∨~𝒒
~𝒒 ~𝒑 ∨ ~𝒒

V V V V V F V F F F
V V F V F V V F F F
V F V F V F F F V V
V F F F V V V F V V
F V V F V F V V F V
F V F F V V V V F V
F F V F V F F V V V
F F F F V V V V V V

Com a tabela construída, temos que identificar as linhas que possuem ambas as premissas verdadeiras, ou seja, te-
mos que analisar a quinta e sétima colunas, procurando as linhas em que ambas são V. Se observarmos, encontraremos
a primeira, quarta, quinta, sexta e oitava linhas nesta configuração:
RACIOCÍNIO LÓGICO

30
p q r ~𝒓 ∨ 𝒒~𝒓 ∨ 𝒒 ~𝒑
~𝒑∨∨~𝒒
~𝒒 ~𝒑 ∨ ~𝒒

V V V V V F V F F F
V V F V F V V F F F
V F V F V F F F V V
V F F F V V V F V V
F V V F V F V V F V
F V F F V V V V F V
F F V F V F F V V V
F F F F V V V V V V

Observando essas cinco linhas, temos que a conclusão (última coluna) é VERDADEIRA em quatro delas, excetuan-
do-se apenas a primeira linha, onde a conclusão, assim, como nem todos os casos foram atendidos, o argumento é
inválido. Vale lembrar que basta 1 caso FALSO para o argumento não ser válido.

Conclusão Falsa
Para os casos onde temos um número de proposições simples maior (acima de 3), uma alternativa ao invés de se
aplicar uma tabela verdade que terá muitas linhas será o método da conclusão Falsa, ou seja, considera-se o valor ló-
gico FALSO na conclusão além de considerar as premissas VERDADEIRAS. Se este caso existir, teremos um argumento
inválido, caso contrário, ele será válido. Este método funciona bem quando a conclusão é uma condicional ou uma
conjunção, pois conseguiremos atribuir valores lógicos a todas as proposições simples que a compõe.
Observe o exemplo a seguir, extraído do livro Raciocínio Lógico Simplificado, de Sérgio Carvalho e Weber Campos,
um dos livros que usamos como referência para montar esta apostila:

Temos 4 proposições simples formando o argumento, o que faria a tabela-verdade ter 16 linhas. Se tentarmos pelo
método de premissas verdadeiras, teríamos muitos casos a analisar, uma vez que as mesmas são condicionais. Para
facilitar, vamos então adotar também a conclusão FALSA, o que para a condicional, tem-se apenas um caso, que é a
proposição da esquerda VERDADEIRA e da direita FALSA, assim temos que 𝑨 = 𝑽 e ~𝑫 = 𝑭 ⟹ 𝑫 = 𝑽.
Com esses valores lógicos definidos, podemos ir para a segunda premissa, onde sabemos o valor de ~𝑨 = 𝑭 . Para
essa premissa ser verdadeira, teremos que ter 𝑩 = 𝑭. Na primeira premissa, a condicional será verdadeira, dado que
𝑨 = 𝑽 se 𝑩 ∨ 𝑪 = 𝐕. Como 𝑩 = 𝑭., temos que ter 𝑪 = 𝑽 para atender a primeira premissa. Finalmente, como
𝑫 = 𝑽 , temos que ter ~𝑪 = 𝑽 ⟹ 𝑪 = 𝑭 , mas isso contradiz a primeira premissa que determinou que 𝑪 = 𝑽 .
Como houve falha em provar que a conclusão é FALSA com as premissas VERDADEIRAS, temos que a conclusão é
VERDADEIRA o que faz o argumento VÁLIDO!

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (TCE-RS – ENGENHEIRO – CESPE, 2004). A seguinte afirmação é válida:

Premissa 1: Toda pessoa honesta paga os impostos devidos


Premissa 2: Carlos paga os impostos devidos
Conclusão: Carlos é uma pessoa honesta

( ) CERTO ( ) ERRADO
RACIOCÍNIO LÓGICO

Resposta: Errado. Montando as premissas dentro do diagrama de Euler, se o conjunto “pagam impostos” e “hones-
tos” não forem coincidentes, não há como garantir que Carlos está necessariamente dentro do conjunto “honestos”.
Portanto, o argumento torna-se inválido.

31
2. (TCE/AC – ANALISTA – CESPE, 2008). Considere que - Se a conta fica no vermelho muito rapidamente, então
as seguintes proposições são premissas de um argumento: a alegria dura pouco
- As contas chegam.
1. César é o presidente do tribunal de contas e Tito é um
conselheiro Pressupondo que as premissas apresentadas acima se-
2. César não é o presidente do tribunal de contas ou jam verdadeiras e considerando as propriedades gerais
Adriano impõe penas disciplinares na forma da lei dos argumentos, julgue os itens subsequentes:
3. Se Adriano é vice-presidente do tribunal de contas, en- A afirmação: “Começo do mês é tempo de receber salá-
tão Tito não é o corregedor. rio, porém a alegria dura pouco”, é uma conclusão válida
a partir das premissas apresentadas acima.
Com base nas definições apresentadas no texto acima,
assinale a opção em que a proposição apresentada, junto ( ) CERTO ( ) ERRADO
com essas premissas, forma um argumento válido:
A afirmação: “Se as contas chegam, então a alegria dura
a) Adriano não é o vice-presidente do tribunal de contas pouco” é uma conclusão válida a partir das premissas
b) Se César é o presidente do tribunal de contas, então apresentadas acima.
Adriano não é o corregedor.
c) Se Tito é o corregedor, então Adriano é o vice-presi- ( ) CERTO ( ) ERRADO
dente do tribunal de contas.
d) Tito não é o corregedor Resposta: Certo e Certo. Chamando de p: Começo
e) Adriano impõe penas disciplinares na forma da lei do mês é tempo de receber salário, q: As contas che-
gam; r: O dinheiro (salário) sai, s: A conta fica no ver-
Resposta: Letra E. Utilizando o método de premissas melho muito rapidamente e t: A alegria dura pouco,
verdadeiras, a primeira premissa já nos garante que vamos resolver a primeira afirmação (𝑝 ∧ 𝑡) utilizan-
César é o presidente do tribunal de contas e Tito é um do apenas premissas verdadeiras: Como q=V na quin-
conselheiro. Na segunda, como temos uma disjunção ta premissa, a segunda premissa só será VERDADEI-
e a primeira proposição é falsa, já que César é o pre- RA se r=V. Isso vale para a terceira premissa, fazendo
sidente do tribunal, temos que ter que Adriano impõe s=V e na quarta premissa, fazendo t=V. Assim, como
penas disciplinares na forma da lei, o que é exatamen- a primeira premissa é o valor lógico de p=V, temos
te a alternativa E. Para completar, a terceira premissa que 𝑝 ∧ 𝑡 = 𝑉 . Na segunda afirmação, vamos usar a
fica indefinida sob o ponto de vista lógico, uma vez conclusão FALSA, ou seja, 𝑞 → 𝑡 = 𝐹 . Como a quinta
que não temos informações suficientes para determi- premissa é q=V, temos que ter t=F, mas isso contradiz
nar se Adriano é ou não vice-presidente do TCE, mas justamente a quarta premissa, onde t=V, mostrando
isto não afeta a escolha da alternativa correta. que há contradição na conclusão FALSA, tornando-a
VERDADEIRA ou um argumento válido.
3. (PF – ESCRIVÃO – CESPE, 2009). A sequência de pro-
posições a seguir constitui uma dedução correta:

Se Carlos não estudou, então ele fracassou na prova de ELEMENTOS DE TEORIA DOS
Física. CONJUNTOS, ANÁLISE COMBINATÓRIA
Se Carlos jogou futebol, então ele não estudou. E PROBABILIDADE. RESOLUÇÃO DE
Carlos não fracassou na prova de Física PROBLEMAS COM FRAÇÕES, CONJUNTOS,
Carlos não jogou futebol PORCENTAGENS E SEQUÊNCIAS COM
NÚMEROS, FIGURAS, PALAVRAS
( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Certo. Considerando as três primeiras li-


TEORIA DOS CONJUNTOS
nhas como premissas e a última como conclusão, cha-
maremos de a: Carlos estudou, b: Carlos fracassou na O conceito de conjunto é um conceito primitivo e,
prova de Física e c: Carlos jogou futebol. Construindo portanto, não existe uma definição clara para tal. Porém,
a tabela-verdade com a ordem estudada nesta apos- conjuntos fazem parte do dia a dia de todas as pessoas
tila, teremos que apenas a linha 4 terá as 3 premissas nas mais diversas situações: conjunto de pessoas, con-
VERDADEIRAS simultaneamente e nesta linha temos junto de objetos, conjunto de arquivos em um computa-
também a conclusão VERDADEIRA. Logo, este argu- dor, conjunto de fotografias.
mento é válido. Considere, em uma empresa, uma equipe de trabalho
RACIOCÍNIO LÓGICO

com 4 membros. Essa equipe nada mais é do que um


4. (SEGER-ES – TODOS OS CARGOS – CESPE, 2011). conjunto de pessoas, onde cada um dos membros é um
elemento desse conjunto.
- Começo do mês é tempo de receber salário.
- Se as contas chegam, o dinheiro (salário) sai.
- Se o dinheiro (salário) sai, a conta fica no vermelho mui-
to rapidamente.

32
CLASSIFICAÇÃO DE CONJUNTOS

Conjunto Finito
Um conjunto finito é um conjunto que possui um
número limitado (finito) de elementos. Por exemplo, o
conjunto dos números naturais, ímpares e inferiores a 10.
Esse conjunto contém apenas os elementos 1, 3, 5, 7 e 9.
O conjunto é expresso por: A={1, 3, 5, 7,9}

Note que o conjunto é expresso por uma letra maiús-


cula e os elementos são apresentados entre colchetes

Conjunto Infinito
Um conjunto infinito é um conjunto que possui um RELAÇÕES ENTRE ELEMENTOS E CONJUNTOS
número ilimitado (infinito) de elementos. Por exemplo, o Aqui são apresentadas as relações: entre elemento e
conjunto dos números naturais e pares maiores do que conjunto e entre conjuntos.
1. Não há um número limitado de números naturais e
pares, começa com 2, 4, 6... e assim sucessivamente. O RELAÇÃO ENTRE ELEMENTO E CONJUNTO
conjunto é expresso por: B={2, 4, 6,8...} Quando se analisa a relação entre um elemento e um
conjunto há duas possibilidades: ou o elemento pertence
Conjunto Vazio ao conjunto ou não pertence ao conjunto. A essa relação,
Um conjunto vazio é um conjunto que não possui ele- dá-se o nome de pertinência. Abaixo, um exemplo:
mentos. Por exemplo, o conjunto dos números múltiplos Conjunto X={1, 5, 10, 15, 20}
de 10, maiores do que 1 e menores do que 2. Como é O elemento 1 pertence ao conjunto X. O símbolo que
possível notar, não há nenhum múltiplo de 10 entre 1 e indica essa relação é: ∈ . Assim, a relação é expressa por
9, portanto esse conjunto não possui elementos. O con- 1 ∈ X:
junto é expresso por: 𝐶 = 𝜙 ou 𝐶 = { } O elemento 4 não pertence ao conjunto X. O símbolo
que indica essa relação é: ∉ . Assim, a relação é expressa
Conjunto Unitário por: 4 ∉ X.
Um conjunto unitário é um conjunto que possui um
único elemento. Por exemplo, o conjunto dos números RELAÇÃO ENTRE CONJUNTOS
pares maiores do que 3 e menores do que 5. Nota-se que Quando se analisa a relação entre dois conjuntos, há
o único número par maior do que 3 e menor do que 5 é duas possibilidades: ou um conjunto está contido em
o número 4 e, portanto, é o único elemento do conjunto. outro ou não está contido. A essa relação dá-se o nome
Assim, o conjunto é unitário e expresso por: D={4}. de continência. Para explicar essa relação, é necessário
definir o conceito de subconjunto. A seguir um exemplo:
REPRESENTAÇÃO Sejam dois conjuntos Y={1, 2, 3} e Z={1, 2, 3, 7, 8, 9}.
Há três formas principais para representar conjuntos:
Nota-se que todos os elementos do conjunto