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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADORPRESIDENTE DO

EGRÉGIOTRIBUNAL DE JUSTIÇA DOESTADO DE ____________

João Cid Correa Almeida, Advogado inscrito na OAB com número 40.123, com
escritório nesta Comarca, na Rua Imperatriz, vem, respeitosamente, perante
Vossa Excelência, impetrar ordem de

HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR

com fulcro no art. 5o, inciso LXVIII, da Constituição Federal, e art. 647 e 648, inc.
I, do Código deProcesso Penal, em favor de José Alcântara, brasileiro, casado,
comerciante, residente e domiciliado na Rua Virgínia de Freitas, contra ato ilegal
praticado por furto, vide artigo 155 do código penal, pelas razões de fato e
dedireito a seguir expostas:

I – DOS FATOS
José Alcântara, em 29 de março do corrente ano, foi autuado em
flagrante delito por ter supostamente infringido a norma prevista no artigo 155,
“caput”, do Código Penal, conforme cópia dos autos que seguem em anexo.
Após a lavratura do auto de flagrante delito, a autoridade policial concedeu
liberdade provisória ao paciente.

II – DO DIRETO
Trata-se de ação penal instaurada sem amparo legal, constituindo-
seconstrangimento a ser reparado pela medida ora requerida.
É evidente o constrangimento ilegal que está sofrendo a Paciente, poisque não
exista perfeita adequação do fato concreto à descrição do art. 342 do Código
Penal, que diz:
“Fazer afirmação falsa, ou negar, ou calar
a verdade comotestemunha, perito,
contador, tradutor ou intérprete, em
processojudicial ou administrativo,
inquérito policial ou em juízo arbitral.”

Em direito penal, o princípio da reserva legal exige que os textos legaissejam


interpretados sem ampliações ou equiparações por analogia, salvo quando “in
bonam partem”. Otipo, a partir de tal princípio, não pode ser distendido ao gosto
do intérprete para cobrir hipóteses nelenão contidas.
Dessa forma, é manifesta a inexistência de justa causa para a ação
penal, uma vez que o falso testemunho é crime de mão própria, podendo apenas
ser praticado pelaspessoas elencadas no artigo retro referido. Não se admite,
portanto, a co-autoria.
No caso concreto, a Paciente é advogada, sendo certo que não figuraentre
aqueles que podem praticar o crime de falso testemunho.
Sobre o assunto, preleciona o renomado Julio Fabbrini Mirabete:
“Como o delito de falso testemunho ou
falsa perícia é crime de mãoprópria,
discute-se a possibilidade de responder
por ele outra pessoaque não a
testemunha. Afirma-se que nos crimes de
mão-própria, quesó podem ser cometidos
pelo sujeito em pessoa, é impossível a
coautoriapor instigação, dado o caráter
personalíssimo da infração.”
(Manual de Direito Penal – Parte Especial
– 17ªedição, Editora Atlas,pág. 417)

No mesmo sentido, é a construção jurisprudencial, “in verbis”:“É impossível a co-


autoria no delito de falso testemunho, perito ouintérprete” (STJ – RT 655/281).
Co-autoria – Não caracterização-
Advogado que teria induzidotestemunha a
mentir na instrução criminal – Natureza
personalíssimada infração, que não admite
qualquer forma de co-participação
emmero pedido ao futuro depoente para
falsear a verdade –Comunicação
impossível de circunstâncias pessoais
entre odepoente mendaz e o advogado –
Atipicidade penal reconhecida,sem
embargo da reprovabilidade ética da
conduta do causídico –Ordem concedida
para trancar a ação penal. (TJSP – HC –
Rel.Márcio Bonilha – RJTJSP 72/284).

Portanto, é forçoso concluir que não deve prosseguir a ação penal


instaurada contra a Paciente, pois que atípica sua conduta.

III – DO PEDIDO
Diante do exposto, requer, após as informações prestadas pela autoridade
apontada como coatora, seja concedida a ordem de “Habeas Corpus”,
determinando-se o trancamento da ação penal que tramita contra a Paciente,
como medida de inteira justiça.

Nesses termos,
pede deferimento.

(local e data).
_________________________________
advogado – OAB no
(1): O “habeas corpus” terá pedido de liminar nas seguintes situações:
– réu preso ou na iminência de o ser (mandado de prisão expedido).
– ato processual já marcado.
Se for esse o caso deve-se, desde logo, mencionar “habeas corpus” com pedido
de liminar.
(2): Se houvesse pedido de liminar o requerimento deveria ser feito de outra
forma: o que se pretende obter liminarmente deve ser pedido antes e apenas
depois deve ser requerida a prestação definitiva.
Exemplo de como deveria ser formulado o pedido nessa petição, caso a Paciente
estivesse presa preventivamente:
“Diante do exposto, estando presentes o “fumus boni iuris” e o “periculum in
mora”, requer se digne Vossa Excelência de conceder medida liminar para que
seja determinada a revogação da prisão preventiva imposta à Paciente, bem
como expedido o alvará de soltura em seu favor e,após as informações
prestadas pela autoridade coatora, requer seja definitivamente concedida a
ordem, determinando-se o trancamento da ação penal e confirmando-se a
liminar, como medida de inteira Justiça.”