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HIGIENE ORAL EM PACIENTE

INTERNADO: ROTINA E
PROCEDIMENTO OPERACIONAL

Enfermeira Residente-
Lázara Carolina Pelegrini
Cirurgiã Dentista-
Stella Borges Silva
IMAGEM: www.cecapodonto.com.br
HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

Cuidado ao paciente cuja doença sistêmica possa ser fator de risco para
agravamento e ou instalação de doença bucal, ou cuja doença bucal possa
ser fator de risco para agravamento e ou instalação de doença sistêmica.

Exemplos: Endocardite infecciosa


Infecção das válvulas cardíacas ou tecidos endoteliais do coração
Partos prematuros
Pneumonia recorrente
Pneumonia recorrente

• Em pacientes hospitalizados, é comum a pneumonia nosocomial, derivada de


patógenos oriundos do ambiente hospitalar.

• Os pacientes mais acometidos são aqueles submetidos a intubação orotraqueal e


ventilação mecânica.

• Caso o paciente aspire conteúdo infectado oriundo da cavidade bucal, a pneumonia


pode se agravar.
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• ± 300 espécies de bactérias


• Higiene bucal precária:
• Altera o pH oral desencadeando interações físico-químicas que modificam
homeostase oral
• Gram Negativos
• Proteases
• Neuraminidases
• Saliva
• Imunoglubolinas
• Essas alterações fazem com que reduza fibronectina (substância protetora)

(Silveira, Maia, Gnatta e Lacerda, 2010)


HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL
AÇÕES DE ENFERMAGEM
ENFERMEIRO
Avaliar região oral

• Lábios • Palato
• Dentes • Fossas das amígdalas
• Língua • Gengivas
• Mucosas • Região sub lingual
estomatologiaonline.net
Principais anormalidades que o enfermeiro
pode identificar na avaliação da cavidade
bucal
Sinais e sintomas peculiares
Hipossalivação
Redução do fluxo salivar ou da produção salivar que pode acarretar sensação
subjetiva de boca seca (xerostomia).

Trismo
Espasmos musculares tônicos, independentes da fibrose dos músculos da
mastigação e da cápsula da articulação temporomandibular (ATM)

Ageusia, hipogeusia e diseugia

Perda (ageusia), redução (hipogeusia) ou alteração (disgeusia) da sensação do paladar


Principais anormalidades que o enfermeiro
pode identificar na avaliação da cavidade
bucal
Língua Saburrosa ( saburra na língua)
Infecções fúngicas
O agente causal mais comum das infecções
fúngicas na mucosa bucal é a Candida
albicans, que pode apresentar-se clinicamente
como lesão pseudomembranosa, eritematosa,
crônica hiperplásica ou mucocutânea.
Principais anormalidades que o enfermeiro
pode identificar na avaliação da cavidade
bucal

Infecções virais
A mais comum é a infecção causada pelo
herpes simples tipo 1 (HSV-1), que pode
ser primária ou recorrente.
Principais anormalidades que o enfermeiro
pode identificar na avaliação da cavidade
bucal

Hemorragia na cavidade bucal


Sangramento imediato ou tardio sem causa
aparente (hemorragias espontâneas)
Principais anormalidades que o enfermeiro
pode identificar na avaliação da cavidade
bucal

Gengivite Periodontite
Principais anormalidades
importantes para o enfermeiro avaliar que indica a
necessidade de solicitar avaliação do odontólogo

Cáries

.
Principais anormalidades
importantes para o enfermeiro avaliar que indica a
necessidade de solicitar avaliação do odontólogo

Hiperplasia gengival medicamentosa

Aumento do volume gengival provocado por


drogas anticonvulsivantes (fenitoína),
imunossupressoras (ciclosporina
e bloqueadoras dos canais de cálcio
(diidropiridinas, benzeno-acetilnitrilas e
benzodiazepínicas).
Principais anormalidades
importantes para o enfermeiro avaliar que indica a
necessidade de solicitar avaliação do odontólogo
Mucosite oral
Toxicidade na mucosa bucal decorrente dos efeitos citotóxicos diretos e indiretos oriundos
tanto da quimioterapia geral, quanto da radioterapia localizada em região de cabeça e
pescoço.
A mucosite oral inclui diversos estágios de gravidade, que vão desde somente
hiperemia localizada até múltiplas ulcerações na mucosa oral.
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Graus de Mucosite

Escala 0 1 2 3 4

Toxicidade Nenhuma Sensibilidade Eritema, úlcera, Úlcera, eritema Úlcera, mucosite


Oral (OMS) e eritema pode deglutir extenso, não pode extensa, não é
alimentos sólidos deglutir dieta possível deglutir.
sólida

Fonte: Stone R et al., 2005.


Principais anormalidades
importantes para o enfermeiro avaliar que indica a
necessidade de solicitar avaliação do odontólogo

Osteonecrose dos maxilares associada a bifosfonatos

Osteorradionecrose

Necrose do osso previamente irradiado com radiação ionizante.

Osteomielites
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FINALIDADE:
• Reduzir a colonização da cavidade bucal
• Conservar os dentes, evitando cáries e odor
desagradável na boca
• Manter a integridade das mucosas orais
• Melhorar o paladar e estimular o apetite
• Remover partículas de alimentos e placas
• Massagear as gengivas.
• Proporcionar conforto e bem-estar
• Prevenir infecções
FONTE: www.alagoas24horas.com.br
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• EQUIPE DE EXECUÇÃO
Enfermeiro
Cirurgião Dentista
Técnico de enfermagem
Técnico de Saúde Bucal (TSB)
Auxiliar de enfermagem
Acadêmicos de enfermagem e do curso
TSB sob a supervisão do professor e/ou
responsável FONTE: www.tecnicos-auxiliares-de-saude2.blogspot.com
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ENFERMEIRO e CIRURGIÃO DENTISTA


• Diagnosticar o problema
• Planejamento de metas e intervenção
Realizar ação de acordo com a necessidade
• Prescrever ação
• Reavaliar paciente
• Evoluir em prontuário
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ENFERMEIRO
Diagnóstico de Enfermagem
Prioritários
Domínio 11 - Segurança/Proteção e Classe 2 – Lesão Física
Mucosa oral prejudicada (AGHU e NANDA, 2015-2017)
Risco de mucosa oral prejudicada (NANDA, 2015-2017)
Domínio 11- Segurança/Proteção e Classe 1 - Infecção
Dentição prejudicada (NANDA, 2015-2017)

Secundários
Domínio 12 – Conforto e Classe 1 – Conforto Físico
www.zazzle.com.br
Dor aguda (AGHU e NANDA, 2015-2017)
Domínio 2 – Nutrição e Classe 1 – Ingestão
Nutrição desequilibrada: menor do que as necessidades corporais AGHU e
NANDA, 2015-2017)
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ENFERMEIRO
Prescrever ação
Aspirar trato oral e respiratório (de acordo com o nível de cuidado do paciente), quando necessário
Passar fio dental nos sucos entre dentes (de acordo com o nível de cuidado do paciente), a cada higiene oral
Escovar cavidade oral (de acordo com o nível de cuidado do paciente), a cada higiene oral
Realizar bochecho com solução oral (quando possível), a cada higiene oral
Passar solução de clorexidina 0,12% oral em paciente em VM por TOT ou TQT, a cada 12 horas
Umedecer a cavidade bucal de clientes em VM com água, pelo menos, a cada 6 horas, intercalando com a higiene
bucal
Hidratar lábio a cada 06 horas ou se necessário

www.faculdadedeitaituba.com.br
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ENFERMEIRO
Realizar ação de acordo com a necessidade
Lei do exercício profisssional 7.498/86 , Artigo 11, paragrafos:
l) cuidados diretos de Enfermagem a pacientes graves com risco de vida.
m) cuidados de Enfermagem de maior complexidade técnica e que exijam
conhecimentos de base científica e capacidade de tomar decisões imediatas.
Reavaliar paciente
Registrar em prontuário

blogs.ne10.uol.com.br
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ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

AUXILIAR E TÉCNICO DE ENFERMEGEM e TÉCNICO de SAÚDE BUCAL

Desenvolver a intervenção Relatar a ação realizada


em prontuário do paciente

saladeenfermagem.com
saladeenfermagem.com
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• MATERIAL
 PROFISSIONAL
Luvas de procedimento
Máscara cirúrgica
Gorro
Óculos protetor

FONTE: www.sindisaudevs.com
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PACIENTE INDEPENDENTE:
Espátula envolvida com gazes ou escova de dentes
Solução antisséptica bucal (digluconato de clorexidine 0,12%) ou creme dental
Toalha de rosto ou compressa
Copo descartavel com água e sem água

www.odontologiapersonalizada.com.br
arquivo pessoal donodecasa.miz.com.br
Protocolos de higiene bucal

PARA PACIENTES NÃO-INTUBADOS:

Caso o paciente esteja recebendo alimentação por via oral, deve-se


escovar os dentes com escova dental 3 vezes ao dia, após as principais
refeições.

Caso o paciente não esteja se alimentando por via oral, os


procedimentos de higiene oral devem ser realizados 2 vezes ao dia.
HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

• PACIENTE DEPENDENTE:
Seringa de 20 mL com água, se necessário
Abaixador de língua, se necessário
Raspador de língua, se necessário
Cufômetro, se necessário
Sistema de aspiração montado:
 cateter de aspiração de 10 a 14 french
 extensões de látex ou de silicone
 frascos redutor de pressão
 coletor intermediário
 rede de vácuo
www.hc.unicamp.br
Protocolos de higiene bucal

PARA PACIENTES INTUBADOS:


• Verificar a angulação da posição de decúbito do paciente. Embora ainda não existam estudos em
relação à posição do paciente no momento da higiene bucal, recomenda-se 30° para evitar
pneumonia aspirativa.
• Calçar luvas de procedimento.
• Aspirar na região da orofaringe antes do procedimento.
• Embeber escova de dente e/ou “boneca de gaze” em solução não-alcoólica de clorexidina 0,12%
e realizar os seguintes movimentos:
* Friccionar os vestíbulos e a mucosa jugal no sentido póstero-anterior.
* Friccionar o palato no sentido póstero-anterior.
* Friccionar as superfícies vestibulares, linguais e oclusais dos dentes.
* Friccionar o tubo orotraqueal.
• Passar raspador na língua no sentido póstero-anterior.
• Aspirar na região da orofaringe durante todo procedimento.
Protocolos de higiene bucal

PARA PACIENTES QUE USAM PRÓTESES


HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

Fonte: “Desinfection in veterinary and Farm animal pratice”- A. H. Linton – Blackwll Scientific Publication, 1988
HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
ROTINA E PROCEDIMENTO OPERACIONAL

Fonte: “Desinfection in veterinary and Farm animal pratice”- A. H. Linton – Blackwll Scientific Publication, 1988
Protocolo do uso de clorexidina a 0,12% em
pacientes hospitalizados

Para pacientes acamados conscientes: Bochechos de 12 em 12 horas;

Para pacientes acamados inconscientes: limpeza com espátula envolvida com gazes
duas vezes ao dia

Não exceder 15 dias

Efeitos colaterais: manchamento nos dentes( reversível); perda do paladar(reversível)

Projeto Piloto no HC/UFTM: UTI Adulto e UTI Coronáriana


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PEDIDO DA SOLUÇÃO DE CLOREXIDINA ORAL 0,12%


Nome
Leito ou Prontuário
HIGIENE ORAL EM PACIENTE INTERNADO:
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• Aulas disponiveis no link do SEE do HC-UFTM


http://ead.uftm.edu.br/course/index.php?categoryid=54
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REFERENCIAS:
SILVEIRA,I.R; MAIA, F.O.M.; GNATTA, J.R. e LACERDA, R.A. Oral hygiene: a relevant practice to prevent hospital
pneumonia in critically ill patients. Acta paul. enferm. [online]. 2010, vol.23, n.5 [cited 2016-08-05], pp.697-700.
Disponível em: http://dx.doi.org/10.1590/S0103-21002010000500018.

São Paulo. Secretaria de Saúde. Manual de odontologia hospitalar. - São Paulo: Grupo Técnico de Odontologia
Hospitalar, 2012.

STACCIARINI, T.S.G.; CUNHA, M.H.R. Procedimentos operacionais padrão em enfermagem. Atheneu, 2014. 442p.

Departamento de Odontologia e de Enfermagem da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB).

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