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Motores CC

As relações eletromecânicas fundamentais, que distinguem a


máquina operando como gerador ou como motor, podem ser
resumidas como se segue:
Torque
Torque é definido como a tendência do
p
acoplamento mecânico ((de uma força
ç e sua
distância radial ao eixo de rotação) para
produzir rotação.
rotação Sendo definido pela
equação:
onde:

P é o número de pólos;
a é o número de caminhos;
a é o número de caminhos;
Z é o número de condutores ativos na superfície da 
armad ra
armadura;
Ia é a corrente total que penetra na armadura;
Φ é o fluxo por pólo concatenando os condutores;
Para qualquer
P l máquina
á i de d CC,
CC contudo
d o número
ú d
de
caminhos, pólos e condutores na armadura é fixo ou
constante e,e portanto,
portanto a equação para o torque
eletromagnético desenvolvido para uma dada
armadura pode ser escrito apenas em função de suas
possíveis variáveis como

T = k.Φ.Ia  lb‐pé

onde k = 0,1173 (P/a) Z x 10‐8 para qualquer máquina. 
Força contra eletromotriz
Força contra‐eletromotriz
Durante a operação
D ã de
d uma máquina
á i de d CC como motor, ocorre
simultaneamente a ação geradora, pois os condutores estão se
movendo num campo p magnético.
g Essa tensão ggerada é chamada
de força contra‐eletromotriz (fcem) pois se opõe à tensão
aplicada na armadura.

É evidente que a fcem não pode nunca igualar a tensão aplicada


através dos terminais da armadura,
armadura porque o sentido no qual
ocorre o fluxo inicial da corrente determina o sentido da rotação e
cria, por outro lado, a fcem. Portanto, a fcem, assim como a
resistência
i ê i da d armadura,d é um fator
f li i
limitante à circulação
i l ã da d
corrente.
Exemplo
Um motor shunt CC possuindo uma resistência de
armadura de 0,25 Ω e uma queda de tensão nas
escovas de 3 V,
V recebe uma tensão aplicada de 120
V através dos terminais da armadura. Calcule a
corrente da armadura quando:
A) A velocidade produz uma fcem de 110 V para
uma dada carga;
B) Há queda de velocidade (devida à aplicação
adicional
di i l de
d carga)) e a fcem
f t
tem o valor
l ded 105 V;
V
C) Calcule a variação percentual na fcem e na
corrente da
d armadura.
d
Velocidade do motor como função da fcem e do 
fluxo

A velocidade do motor pode variar, além da variação da carga, em função da


fcem e do fluxo. Isto pode ser visto na chamada equação fundamental da
velocidade do motor CC sendo
Va − (Ia Ra + BD)
N=

onde:
Va, é a tensão no terminal da armadura em volts;
Ia, é a corrente da armadura em ampères;
Ra, é a resistência da armadura em ohms;
BD é a queda de tensão nas escovas em volts;
BD, é a queda de tensão nas escovas em volts;
k, é (ZP/60a) 10‐8 para uma dada armadura;
N, é a velocidade de rotação em rpm;
Φ é o fluxo por pólo.
Va − (Ia Ra + BD)
N=

Nesta
N t equaçãoã podemos
d observar
b que se o fluxo
fl
polar é enfraquecido consideravelmente, o motor
tende a disparar. Se o denominador da equação
tende a zero, a velocidade se aproxima do infinito.
Do mesmo modo, se a corrente e o fluxo são
mantidos constantes, enquanto a tensão aplicada
através da armadura é aumentada, a velocidade
aumenta na mesma proporção.
proporção
Finalmente, se o fluxo polar e a tensão aplicada nos
terminais da armadura permanecem fixos, e a
corrente da armadura aumenta por acréscimo de
carga, a velocidade do motor cairá numa mesma
propor ão com
proporção om o decréscimo
de rés imo da fcem.
f em
Exemplo
Um motor‐shunt CC,120 V, possuindo uma
resistência do circuito da armadura de 0,2 Ω e
uma resistência de 60 Ω no circuito de campo,
absorve da rede uma corrente de linha de 40 A
a plena carga. A queda de tensão nas escovas
na situação nominal é de 3 V, V a velocidade a
plena carga é de 1800 rpm. Calcule:
A) A velocidade numa situação de meia carga;
B) A velocidade numa sobrecarga de 125 %.
%
Dispositivos de partida para os motores
Dispositivos de partida para os motores

No instante em que aplicamos a tensão Va nos terminais


da armadura,
armadura para iniciar a rotação do motor,
motor não existe
fcem, pois a velocidade é nula. Os únicos fatores que
limitam a corrente são a queda de tensão nos contatos
das escovas e a resistência no circuito da armadura, Ra.
Como nenhum destes fatores alcança, em condições
normais,
i maisi do
d que 10 a 15% da d tensão
t ã aplicada,
li d Va,
V
através dos terminais da armadura, a sobrecarga é
muitas vezes maior que a corrente nominal.
Exemplo
Um motor‐shunt CC de 120 V possui uma
resistência
i tê i dad armadura
d d 0,2
de 0 2 Ω e uma queda
d
no contato das escovas de 2 V. A corrente
nominal a plena carga é de 75 A. Calcule a
corrente no instante da p partida,, e o seu
percentual em relação à situação nominal.
À medida que se inicia a rotação, a fcem
cresce p proporcionalmente
p ao aumento da
velocidade. O que se requer, então, é um
dispositivo usualmente um reostato contínuo
dispositivo,
ou com tapes, cujo propósito é limitar a
corrente durante o período de partida e cuja
resistência pode ser progressivamente
reduzida à medida que o motor adquire
velocidade.
Dado um resistor, Rs, em série com a

armadura, a equação pode

ser modificada para computar a corrente da


armadura:
A maneira pela
l quall o dispositivo
d d partida
de d é
usado junto com três básicos de máquinas de
CC, empregadas como motores é:
Na prática,
prática a corrente de partida inicial é geralmente
limitada a um valor mais elevado que a corrente
nominal para desenvolver um grande torque de partida,
particularmente no caso de grandes motores, que
possuem ggrande inércia e q
p que custam a acelerar.
Todos os três tipos de motores, se efetuada a partida
com uma carga g mecânica acoplada,
p acelerarão mais
lentamente do que sem carga.
O motor‐série, ademais, nunca deverá partir e acelerar
sem carga acoplada à sua armadura, apesar de que os
motores shunt e compostos podem ter a partida
efetuada
f d com ou sem carga mecânica.
â
Exemplo
Calcule os valores da resistência de partida para
limitar a corrente no motor do exemplo anterior
para:
A) Uma carga 150% superior na partida ao valor
nominal;
B) Uma fcem com 25% do valor da tensão da
armadura, Va, com uma corrente de 150% do valor
nominal;
C) Uma fcem com 50% do valor da tensão da
armadura, com uma corrente de 150% do valor
nominal;l
D) Calcule a fcem a plena carga, sem a resistência de
partida.
tid
Características do torque eletromagnético 
dos motores CC

Através da equação do torque, em que T = k Φ


Ia, vemos que o torque variará com a aplicação
da carga
g ((ou seja,
j , com a corrente da armadura).
)
Supondo‐se que o motor teve sua partida
devidamente realizada e foi acelerado,
acelerado os
efeitos de um aumento de carga sobre o torque
de cada tipo de motores CC são:
Motor‐shunt: à medida que a carga é
aumentada, o motor tem sua velocidade
diminuída um pouco, causando uma
diminuição na fcem e um aumento na
corrente da armadura, aumentando também
o torque na mesma proporção.
proporção Veja pela
equação: T = k Φ Ia.
Motor‐série: como a corrente da armadura e a
p
corrente do campo‐série são as mesmas, e o
fluxo produzido pelo campo‐série, Φ, é em
todo instante proporcional à corrente da
armadura, a relação entre o torque do motor‐
série e corrente de carga é exponencial.
exponencial A
equação do torque passa a ser T = k Ia².
Motores composto cumulativo: partindo com
g
fluxo igual ao do campo
p shunt sem carga g e
que aumente com a corrente da armadura, o
motor composto cumulativo produz uma
curva de torque que é sempre mais elevada
que a do motor‐shunt
motor shunt para a mesma corrente
da armadura. Pois são dois fluxos produzindo
o torque, sendo a equação do torque T = k (Φf
+ Φs) Ia.
Motor
M t composto t diferencial:
dif i l partindo‐se
ti d com
fluxo igual ao fluxo do campo‐shunt sem carga,
qualquer
l valor
l d corrente da
da d armadurad
reduzirá o fluxo total no entreferro e,
consequentemente, o torque. Assim, i o motor
composto diferencial, produz uma curva de
torque que é sempre menor do que a do
motor‐shunt. Pois a equação do torque passa a
ser
T = k (Φ
(Φf – Φ
Φs)) Ia.
Características de velocidade dos motores 
CC
A equação
ã fundamental
f d l da
d velocidade
l id d em que
Va − (Ia Ra + BDproporciona
) um meio de
N=

predizer como a velocidade de cada um dos motores


vistos variará com a aplicação de carga.

Veremos a seguir a característica carga‐velocidade de


cada motor, porém, para simplificar vamos desprezar
a queda de tensão nas escovas.
Motor shunt: Para um motor shunt que atingiu a
Motor‐shunt:
velocidade nominal e está operando sem carga a
velocidade do motor p
pode ser expressa
p

através da equação e

quando uma carga mecânica é aplicada ao eixo do


motor, a fcem decresce e a velocidade cai
proporcionalmente. Mas, como a fcem desde a vazio
até plena carga sofre uma variação de 20%, (vimos no
1º exemplo) a velocidade do motor é essencialmente
constante.
Motor‐série: Para um motor‐série a equação deve ser

modificada para

e se uma carga mecânica relativamente pequena é aplicada ao


eixo da armadura de um motor série, a corrente da armadura Ia é
pequena fazendo com que o numerador da equação seja grande
pequena,
e o denominador pequeno, resultando numa elevada velocidade
não usual.
P essa razão,
Por ã o motor‐série
é i é sempre operado d acoplado
l d ou
engrenado com uma carga.
Geralmente,os
, motores‐série são usualmente equipados
q p com
chaves centrífugas, normalmente fechadas em operação normal,
e que se abrem em velocidades 150% acima do valor nominal.
M t composto
Motor t cumulativo:
l ti através
t é da
d equação
ã

vemos que com o aumento da carga e da corrente da


armadura, o fluxo produzido pelo campo‐série também
aumenta,, enquanto
q a fcem decai. O denominador da
equação, portanto cresce, enquanto o numerador decresce
proporcionalmente mais do que no motor‐shunt.
O resultado é que a velocidade de um motor composto
cumulativo cairá numa razão mais elevada do que a
velocidade do motor‐shunt com a aplicação de carga.
M
Motor composto diferencial:
dif i l através
é da
d equação
ã

podemos verificar que com o aumento da carga e de Ia, Ia o


numerador da fração na equação decresce um pouco, mas o
denominador decresce rapidamente.
A velocidade pode cair ligeiramente para cargas leves; mas,
com o aumento da carga, a velocidade aumenta. Esta
condição estabelece uma instabilidade dinâmica fazendo com
que os motores compostos diferenciais sejam raramente
utilizados.
Os gráficos abaixo mostram o comportamento
dos motores em p ç
comparação das
características torque‐carga e velocidade‐
carga para a carga nominal.
nominal
Exemplo
Um motor composto de
U d 10 HP,
HP 230 V,V 1250 rpm tem
uma resistência de armadura de 0,25 Ω, um
enrolamento combinado de compensação e interpolos
com resistência de 0,25 Ω e uma queda de tensão nos
contatos de escovas de 5 V. A resistência do campo‐série
p
é 0,5 Ω e a resistência do campo‐shunt é 230 Ω. Quando
ligado como motor‐shunt, a corrente de linha na
situação nominall é 55 A e a corrente de
d linha
l h a vazio é 4
A. A velocidade sem carga é de 1810 rpm. Desprezando
a reação da armadura na tensão especificada,
especificada calcule:
A) A velocidade para carga nominal.
B) Potência
P tê i interna
i t em W e HP.
HP
Regulação de Velocidade
Regulação de Velocidade
A regulação de velocidade de um motor é
definida como: a variaçãoç da velocidade
nominal a plena carga (N) até a situação de
carga nula (No),
(No) expressa em percentagem da
velocidade nominal. Em forma de equação, a
regulação torna‐se
torna se
Exemplo

Determine a regulação de velocidade


percentual p
p para o motor do exemplo
p anterior.
Torque externo, HP e velocidade 
nominal
Na especificação e seleção de um motor pode‐
g uma q
se surgir questão de como se referir a
uma quantidade de torque externo disponível
numa polia ou eixo de motor para executar
trabalho útil numa velocidade nominal.
A equação que expressa o relacionamento
l
entre torque externo, HP e velocidade segue a
seguir:
onde:
HP é a potência mecânica,
T é o torque em lb‐pé
T é o torque em lb pé,
N é a rotação em rpm.
Exemplo
p
A pa
partir
t dos valores
a o es ca
calculados
cu ados da velocidade
e oc dade
nominal e da potência interna no exemplo
anterior calcule:
anterior,
A) O torque interno.
B) O torque externo quando temos os HP e
velocidades nominais dados pelo exemplo.
exemplo
Inversão do sentido de rotação
Para trocar o sentido de rotação de qualquer motor CC, é necessário
inverter o sentido da corrente através da armadura com relação ao
sentido do campo magnético.
magnético Isto porque:

1 – o campo é um circuito altamente indutivo e, inversões frequentes


prod em elevadas
produzem ele adas fem induzidas
ind idas e desgaste dos contatos das chaves
cha es
que servem para executar a inversão do circuito de campo;

2 – se o circuito de campo‐shunt é invertido, o campo‐série também o


deve ser, ou um motor composto cumulativo tornar‐se‐á um motor
composto diferencial;

3 – as conexões do circuito da armadura estão normalmente abertas


para fins dinâmicos,, e como estas conexões são normalmente
p
disponíveis, elas podem ser usadas para a inversão;

4 – se a chave de inversão está defeituosa e o circuito de campo não é


fechado, o motor pode disparar.

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