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PROJUDI - Processo: 0037198-28.2019.8.16.0182 - Ref. mov. 20.

1 - Assinado digitalmente por Eduardo Lopes Portes


21/11/2019: JUNTADA DE PROJETO DE SENTENÇA . Arq: Decisão

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO
13º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL, CRIMINAL E DA FAZENDA
PÚBLICA DO FORO CENTRAL DA COMARCA DA REGIÃO
METROPOLITANA DE CURITIBA

Validação deste em https://projudi.tjpr.jus.br/projudi/ - Identificador: PJV9Q AUP23 B4V9T 2H2RK


ESTADO DO PARANÁ

Av. Anita Garibaldi, 750 – Centro Judiciário –Bloco Juizados Especiais – Cabral – Curitiba/PR

Autos nº 0037198-28.2019.8.16.0182

Vistos e examinados.

I - Relatório:

Dispensado nos termos do art. 38 da Lei 9.099/1995.

II – Fundamentação:

Trata-se de ação de indenização por danos morais em decorrência de


problemas ocorridos com produto supostamente viciado.
Alega a Autora que em abril de 2019, ganhou um anel de noivado feito em
ouro branco, adquirido na loja da Ré, na cidade do Rio de Janeiro, pelo valor de R$
1.900,00. Como o tamanho do aro era muito grande, dirigiu-se à loja para ajustar. Porém,
como o anel não ficaria pronto a tempo do seu retorno para Curitiba, preferiu trocar por
outro anel pelo valor de R$ 2.650,00, suportando a diferença de valor. Contudo, em junho,
ao tentar retirar o anel, sentiu dificuldade, percebendo que o aro tinha entortado, sem que
tivesse alguma causa para tanto. Em razão disso, foi até a loja da Ré no Rio de Janeiro
para reparar o anel, o que foi realizado em 15 dias, mas em razão do deslocamento, só o
retirou no mês seguinte. Ocorre que no mês de agosto, o anel novamente amassou, da
mesma forma como ocorrido anteriormente, tendo que a Autora mais uma vez se dirigir
até o Rio de Janeiro, dessa vez requerendo a troca do produto, o que foi negado pela Ré,
que ofereceu apenas o reparo do produto. Após reclamação, foi dada a opção de troca
por um anel de qualidade superior. Entendendo que não tinha outra opção, a Autora
aceitou o novo anel, suportando a diferença, já que tal objeto custava R$ 3.800,00. Dessa
forma, pugna pela indenização por danos morais no importe de R$ 3.000,00, pela quebra
de expectativa sofrida e pela falha n.
Instada judicialmente, a Ré preliminarmente pugna pela incompetência do
juizado especial, uma vez que entende que é necessária prova técnica para solucionar o
litígio. No mérito, contesta a narrativa da exordial, alegando que seguiu os ditames
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consumeristas, realizando a troca inicial por mera liberalidade. Quanto aos alegados
vícios do segundo anel, alega que este restava amassado, razão que realizou o reparo,
contudo, alega que não se tratava de vício do produto. Alegou que não tem como ter
qualquer gerência sobre como o consumidor utiliza seu produto e as condições que é
exposto, nos termos orientados nas condições de garantia, como o caso dos autos.

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Quanto aos danos morais pleiteados, sustenta que não restou demonstrada sequer a
falha de serviço que pudesse ensejar o dever de indenizar.
Sopesando a juntada de Impugnação à Contestação, seq. 15.1, passo a
decidir.
Afasto a preliminar lançada pela Ré, uma vez que entendo que não há
necessidade de prova complexa para solução do feito, uma vez que entendo que a
controvérsia resta sobre o atendimento em face dos reclamados vícios tendo os autos
elementos suficientes para uma conclusão segura, não havendo que se falar em
incompetência do Juizado Especial.
Processualmente, cumpre esclarecer que a relação entre as partes é
claramente consumerista, sendo aplicável, portanto, o Código de Defesa do Consumidor.
Dessa forma, sob à ótica dos princípios da transparência (informações claras e precisas),
da boa-fé e equilíbrio nas relações entre fornecedor e consumidor, da equidade (equilíbrio
dos direitos e deveres nos contratos) e da confiança, passo a análise do feito sob à luz do
referido diploma legal.
Resta invertido o ônus da prova, uma vez que há verossimilhança das
alegações da Autora, bem como verifico sua hipossuficiência técnica em face a Ré,
satisfazendo o que dita o art. 6º, VIII, CDC. Embora invertido o ônus probante, cabia a
Autora demonstrar os fatos constitutivos do seu direito.
Definida as questões processuais, passo a analisar a responsabilidade pelos
danos alegados, senão vejamos.

Responsabilidade do fornecedor

Entendo que a controvérsia da demanda resta sobre o atendimento da Ré


na solução dos problemas do produto adquirido pela Autora, isso porque os amassados
no anel restam incontroversos.
Compulsando o conjunto fático-probatório, entendo que a falha de serviço
não restou demonstrada conforme a própria narrativa da Autora demonstra, senão
vejamos.
Os amassados no anel reclamado se enquadram como vício de qualidade
do produto, razão que nos termos do art. 18, §1º, CDC, o fornecedor possui o prazo de 30
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dias para reparar o alegado vício. Conforme narrado pela Autora, quando constatou o
amassado em junho, a Ré realizou o reparo em 15 dias. No segundo amassado, a Autora
não mais aceitou o reparo, pugnando pela troca do produto. Ocorre que era direito da Ré
reparar dentro do prazo restante, 15 dias, o produto, antes de surgir o direito de o
consumidor exigir a troca do produto e até a devolução do produto.

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Por certo, a Autora não poderia suportar indefinidamente vários reparos,
mas creio que na hipótese dos autos, ao não aceitar o novo reparo, dentro do prazo legal,
entendo que restou suprimida uma etapa crucial para se avaliar a conduta da Ré.
Tal conduta reflete até na compra de produto superior, para evitar novo
deslocamento e mais aborrecimentos, a Autora adquiriu este novo produto, suprimindo o
reparo. Ressalte-se que tal transação se tratou de mera liberalidade do fornecedor.
Fato o é que ainda que a Autora se irresigne com a conduta da Ré, de que a
troca do produto não acarretaria prejuízo, a Ré agiu dentro da legislação consumerista,
inclusive na primeira troca de produto, não podendo se falar em falha de serviço.
Dessa forma, não havendo falha, resta prejudicada a análise dos danos
morais.

III – Dispositivo:

Ante o exposto, com fundamento no artigo 487, I, do CPC, JULGO


IMPROCEDENTE o pedido formulado, com resolução do mérito.

Sem custas e honorários, nos termos dos arts. 54 e 55 da Lei 9.099/95.

Atendendo a disposição contida no art. 40 da Lei 9.099/95, encaminho esta


decisão para análise do MM. Juiz de Direito Supervisor.

P.R.I
Curitiba, 21 de novembro de 2019.

EDUARDO LOPES PORTES


Juiz Leigo