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2012.

FUNDAMENTOS DA
ENFERMAGEM

Profª Mércia Karla Pina


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SUMÁRIO

1.0 História da Enfermagem............................................................................................04


1.1 A Enfermagem no Brasil e no Mundo.........................................................................04
1.2 Desenvolvimento das práticas de saúde durante os períodos históricos....................05
1.3 Enfermagem Moderna................................................................................................07
2.0 Período Florence Nightingale.....................................................................................08
2.1 Primeiras Escolas de Enfermagem.............................................................................11
2.2 Sistema Nightingale de Ensino...................................................................................11
3.0 História da Enfermagem no Brasil..............................................................................11
3.1 Ana Néri...................................................................................................................12
4.0 Antecedentes externos do ensino da Enfermagem moderna no Brasil........................13
4.1.1 Ensino da Enfermagem na Inglaterra...........................................................13
4.1.2 Ensino da Enfermagem nos EUA................................................................13
4.1.3 Ensino da Enfermagem Moderna no Brasil...................................................14
5.0 surgimento e expansão do ensino da enfermagem moderna no brasil no contexto das
políticas educacionais e de .............................................................................................18
6.0 Entidades de Classe na Enfermagem (BRASIL)..........................................................20
6.1.1 ABEN- Associação Brasileira de Enfermagem..............................................20
6.1.2 Finalidades da ABEN....................................................................................20
6.1.3 Estrutura.....................................................................................................21
6.1.4 Realizações da ABEN.................................................................................. 21
7.0 Criação dos Conselhos de Enfermagem.................................................................... 22
Referência Bibliográficas
Anexos

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Perfil do Profissional de Enfermagem


segundo Florence

"A enfermeira não deve ser maldizente;


não deve falar em vão; jamais deve
responder as perguntas sobre seus
pacientes, a não ser aqueles que têm o
direito de fazê-las; deve (nem seria preciso
dizê-lo) ser sóbria e honrada; mas que
isso, deve ter elevado senso de
religiosidade e devotamento; deve
respeitar a própria vocação, porque a vida,
dom precioso que recebemos de Deus
muitas vezes estará em suas mãos. A
enfermeira deve ser uma observadora segura, atenta e rápida, possuidora de
sentimentos elevados e dedicados."

A Enfermagem é a arte de cuidar incondicionalmente, de alguém que você nunca


viu na vida, mesmo assim, ajudar e fazer o melhor por ela. Não se pode fazer isso
só por dinheiro... Isso se deve fazer por e com amor! Deus nos ensinou a amar o
próximo, é exatamente isso que esquecemos muitas vezes de fazer; olhar o
próximo e perceber que sua vida, neste momento é mais difícil que a nossa, que
sua situação é muito mais precária.

1.0 História da Enfermagem


O estudo da história é importante para descobrirmos e entendermos os
caminhos trilhados por nossos pais e antepassados, responsáveis pela atual
realidade. Da mesma forma, o futuro será uma consequência ou reflexo da
situação presente. Para compreendermos melhor os
caminhos que, na sociedade brasileira levam à construção da categoria
profissional “técnico de enfermagem”, precisaremos conhecer um pouco sobre o
curso dos acontecimentos históricos.

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De onde vem o nome Enfermeiro? A


palavra Enfermeira/o se compõe de duas palavras do latim: “nutrix”, que significa
Mãe, e do verbo “nutrire”, que tem como significados criar e nutrir. Essas duas
palavras, adaptadas ao inglês do século XIX, acabaram se transformando na
palavra NURSE que, traduzida para o português, significa Enfermeira.
1.1 A Enfermagem no Brasil e no Mundo
Os achados históricos que contém informações sobre tratamento de doenças
datam do período antes de Cristo, conhecido como período Pré-Cristão. Nesse
período as doenças eram tidas como um castigo de Deus ou resultavam do poder
do demônio.
Em razão dessas crenças os sacerdotes ou feiticeiras acumulavam funções de
médicos e enfermeiros, pois eram responsáveis pelo tratamento dos doentes. O
tratamento consistia em aplacar as divindades, afastando os maus espíritos por
meio de sacrifícios.
As medidas terapêuticas adotadas eram: massagens, banho de água fria ou
quente, purgativos, substâncias provocadoras de náuseas. Mais tarde os
sacerdotes adquiriram conhecimentos sobre plantas medicinais e passaram a
ensinar pessoas, delegando-lhes funções de enfermeiros e farmacêuticos.
Registros egípcios mostram como a medicina ocorria naquela época, o
tratamento prescrito pelos médicos deveriam ser acompanhadas por atos
religiosos, as práticas mais comuns era o hipnotismo, a interpretação de sonhos, a
influência de algumas pessoas sobre a saúde de outras.
Documento do século VI A.C. relatam conhecimento dos hindus sobre
anatomia e farmacologia: ligamentos, músculos, nervos, plexos, vasos linfáticos,
antídotos para alguns tipos de envenenamento e o processo digestivo. Há
descrição de alguns tipos de procedimentos, tais como: suturas, amputações,
trepanações e correção de fraturas.
Os hindus tornaram-se conhecidos pela construção de hospitais. Foram os
únicos, na época, que citaram enfermeiros e exigiam deles qualidades morais e
conhecimentos científicos, há relatos que nos hospitais ocorriam à prática da
utilização de músicos e narradores de histórias para distrair os pacientes, o
bramanismo fez decair a medicina e a enfermagem, pelo exagerado respeito ao
corpo humano - proibia a dissecação de cadáveres e o derramamento de sangue.

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As doenças eram consideradas castigo. Moisés, o grande legislador do povo


hebreu, deixa relatos de noções de higiene e exame do doente: diagnóstico,
desinfecção, afastamento de objetos contaminados e leis sobre o sepultamento de
cadáveres para que não contaminassem a terra.
Nos povos assírios e babilônios existiam penalidades para médicos
incompetentes, tais como: amputação das mãos, indenização, etc. A medicina era
baseada na magia - acreditava-se que sete demônios eram os causadores das
doenças.
Os sacerdotes-médicos vendiam talismãs com orações usadas contra os
ataques dos demônios.
Nos documentos assírios e babilônicos não há menção de hospitais, nem de
enfermeiros. Na China as doenças eram classificadas como benignas, médias e
graves, os sacerdotes eram divididos em três categorias que correspondiam ao
grau da doença da qual se ocupava.
Os templos eram rodeados de plantas medicinais. Os chineses conheciam
algumas doenças: varíola e sífilis. Realizavam alguns procedimentos, como,
operações de lábio, tratamentos também eram indicados: para anemia indicavam
ferro e fígado; verminoses tratavam com determinadas raízes; sífilis prescreviam
mercúrio; doenças da pele aplicavam o arsênico e anestesias utilizavam ópio.
Construíram alguns hospitais de isolamento e casas de repouso. A cirurgia
não evoluiu devido à proibição da dessecação de cadáveres, a cultura japonesa
aprovava e estimulava a eutanásia.
A medicina era fetichista e a única terapêutica era o uso de águas termais. Na
Grécia o tratamento das doenças estava relacionado à mitologia. Apolo, o deus
sol, era o deus da saúde e da medicina. Há relatos de uso de fármacos (sedativos,
fortificantes e hemostáticos), da utilização de ataduras e da retirada de corpos
estranhos e também casas para tratamento dos doentes.
A medicina era exercida pelos sacerdotes-médicos, que interpretavam os
sonhos das pessoas. Tratamentos relatados: banhos, massagens, sangrias,
dietas, sol, ar puro, água pura mineral, dava-se valor à beleza física, cultural e a
hospitalidade, contribuindo para o progresso o nascimento e a morte eram
considerados impuros, causando desprezo pela obstetrícia e abandono de
doentes graves,graças a Hipócrates a medicina passou a ser considerada ciência,

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deixando de lado a crença de que as doenças eram causadas por maus espíritos.
Hipócrates é considerado o Pai da Medicina.
Observava o doente, fazia diagnóstico, prognóstico e a terapêutica.
Reconheceu doenças, tais como: tuberculose, malária, histeria, neurose, luxações
e fraturas. Seu princípio fundamental na terapêutica consistia em “não contrariar
a natureza, porém auxilia-la a reagir.” Utilizava como tratamento: massagens,
banhos, ginásticas, dietas, sangrias, ventosas, vomitórios, purgativos e
calmantes, ervas medicinais e medicamentos minerais.
A medicina não teve prestígio em Roma. Durante muito tempo era exercida por
escravos ou estrangeiros. O indivíduo recebia cuidados do Estado como cidadão
destinado a tornar-se bom guerreiro, audaz e vigoroso.
Roma distinguiu-se pela limpeza das ruas, ventilação das casas, água pura e
abundante e redes de esgoto. Os mortos eram sepultados fora da cidade.

1.2 Desenvolvimentos das práticas de saúde durante os períodos históricos

As práticas de saúde instintivas caracteriza a prática do cuidar nos grupos


nômades primitivos, neste período as práticas de saúde propriamente ditas, num
primeiro estágio da civilização consistiam em ações que garantiam ao homem a
manutenção da sua sobrevivência, estando na sua origem, associadas ao trabalho
feminino.
Com o evoluir dos tempos, constatando que o conhecimento dos meios de
cura resultava em poder, o homem, aliando este conhecimento ao misticismo,
fortaleceu tal poder e apoderou-se.
Observa-se que a Enfermagem está em sua natureza intimamente
relacionada ao cuidar das sociedades primitivas. As práticas de saúde mágico-
sacerdotais aborda a relação mística entre as práticas religiosas e as práticas de
saúde primitivas desenvolvidas pelos sacerdotes nos templos.
Este período corresponde à fase de empirismo, verificada antes do
surgimento da especulação filosófica que ocorre por volta do século V a.C. Essa
prática permanece por muitos séculos desenvolvidos nos templos que, a princípio,
foram simultaneamente santuários e escolas, onde os conceitos primitivos de
saúde eram ensinados.

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Posteriormente, desenvolveram-se escolas específicas para o ensino da


arte de curar no sul da Itália e na Sicília, propagando-se pelos grandes centros do
comércio, nas ilhas e cidades da costa, naquelas escolas pré-hipocráticas, eram
variadas as concepções acerca do funcionamento do corpo humano, seus
distúrbios e doenças, concepções essas que, por muito tempo, marcaram a fase
empírica da evolução dos conhecimentos em saúde.
O ensino era vinculado à orientação da filosofia e das artes e os estudantes
viviam em estreita ligação com seus mestres, formando as famílias, as quais
serviam de referência para mais tarde se organizarem em castas, quanto à
Enfermagem, as únicas referências concernentes à época em questão estão
relacionadas com a prática domiciliar de partos e a atuação pouco clara de
mulheres de classe social elevada que dividiam as atividades dos templos com os
sacerdotes.
As práticas de saúde no alvorecer da ciência, relaciona a evolução das
práticas de saúde ao surgimento da filosofia e ao progresso da ciência, quando
estas então se baseavam nas relações de causa e efeito. Inicia-se no século V a.C.
estendendo-se até os primeiros séculos da Era Cristã.
A prática de saúde, antes mística e sacerdotal, passa agora a ser um
produto desta nova fase. Baseando-se essencialmente na experiência, no
conhecimento da natureza, no raciocínio lógico que desencadeia uma relação de
causa e efeito para as doenças e na especulação filosófica, baseada na
investigação livre e na observação dos fenômenos, limitada, entretanto, pela
ausência quase total de conhecimentos anatomo-fisiológicos.
Essa prática individualista volta-se para o homem e suas relações com a
natureza e suas leis imutáveis. Este período é considerado pela Medicina grega
como período hipocrático, destacando a figura de Hipócrates que propôs uma
nova concepção em saúde, dissociando a arte de curar dos preceitos místicos e
sacerdotais, através da utilização do método indutivo, da inspeção e da
observação.
Não há caracterização nítida da prática de Enfermagem nesta época. As
práticas de saúde monástico-medievais focalizam a influência dos fatores
socioeconômicos e políticos do medievo e da sociedade feudal nas práticas de
saúde e as relações destas com o cristianismo.

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Esta época corresponde ao aparecimento da Enfermagem como prática


leiga, desenvolvida por religiosos e abrange o período medieval compreendido
entre os séculos V e XIII. Foi um período que deixou como legado uma série de
valores que, com o passar dos tempos, foram aos poucos legitimados e aceitos
pela sociedade como característica inerente à enfermagem.
A abnegação, o espírito de serviço, a obediência e outros atributos que dão
à Enfermagem, não uma conotação de prática profissional, mas de sacerdócio. As
práticas de saúde pós-monásticas - evidencia a evolução das práticas de saúde e,
em especial, da prática de Enfermagem no contexto dos movimentos
Renascentistas e da Reforma Protestante.
Corresponde ao período que vai do final do século XIII ao início do século
XVI A retomada da ciência, o progresso social e intelectual da Renascença e a
evolução das universidades não constituíram fator de crescimento para a
Enfermagem.
Enclausurada nos hospitais religiosos, permaneceu empírica e
desarticulada durante muito tempo, piorando sua situação a partir dos
movimentos de Reforma Religiosa e das conturbações da Santa Inquisição.
O hospital, já negligenciado, passa a ser um insalubre depósito de doentes,
onde homens, mulheres e crianças coabitam as mesmas dependências,
amontoados em leitos coletivos. Esta fase tempestuosa, que significou uma grave
crise para a Enfermagem, permanece por muito tempo e apenas no limiar da
revolução capitalista é que alguns movimentos reformadores, que partiram
principalmente de iniciativas religiosas e sociais, tentam melhorar as condições
do pessoal a serviço dos hospitais.
As práticas de saúde no mundo moderno - analisa as práticas de saúde e,
em especial, a de Enfermagem, sob a ótica do sistema político-econômico da
sociedade capitalista. Ressalta o surgimento da Enfermagem como prática
profissional institucionalizada. Esta análise inicia-se com a Revolução Industrial no
século XVI e culmina com o surgimento da enfermagem moderna na Inglaterra, no
século XIX.

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1.3 Enfermagem Moderna

O avanço da Medicina vem favorecer a reorganização dos hospitais. É na


reorganização da Instituição Hospitalar e no posicionamento do médico como
principal responsável por esta reordenação, que vamos encontrar os reflexos na
Enfermagem, ao ressurgir da fase sombria em que esteve submersa até então.
A evolução crescente dos hospitais não melhorou, entretanto, suas
condições de salubridade. Diz-se mesmo que foi a época em que estiveram sob
piores condições, devido principalmente à predominância de doenças
infectocontagiosas e à falta de pessoas preparadas para cuidar dos doentes.
Os ricos continuavam a ser tratados em suas próprias casas, enquanto os
pobres, além de não terem esta alternativa, tornavam-se objeto de instrução e
experiências que resultariam num maior conhecimento sobre as doenças em
benefício da classe abastada.
É neste cenário que a Enfermagem passa a atuar, com o convite feito a
Florence Nightingale pelo Ministro da Guerra da Inglaterra, para trabalhar junto
aos soldados feridos em combate na Guerra da Criméia.

2.0 PERÍODO FLORENCE NIGHTINGALE (A Dama da Lâmpada)

Esta é a história de uma mulher corajosa,


impetuosa, de uma mente brilhante e que possuía
tenacidade de propósitos como característica
particular. Mulher que marcou sua época não só
por rebelar-se contra o papel convencional para as
mulheres de seu status, mas por abdicar do
“reino” de luxo e pomposidade para atender o
chamado de Deus e atender o povo.
Mulher que apesar de sua determinação e garra, usou toda sua
generosidade e doçura para cuidar de pessoas por quem ela renunciou todos os
sonhos que toda moça e sua época possuía.
Mulher que transmitia a imagem (e realmente era) de um anjo auxiliador que
consolava os moribundos. Mulher que rompeu barreiras e mudou conceitos, indo a
guerra para cuidar de soldados feridos, reforma hospitais treinar enfermeiras,

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numa época que estas eram vistas como mulheres marginalizadas, ou seja, fora
dos padrões da época, até mesmo como prostitutas.
Correndo o risco de ser confundida como tal. Se prepare para conhecer a
fascinante história desta mulher que foi uma candidata perfeita a heroína e que
ate hoje é lembrada como tal. O nome dela? Florence Nightingale.
Quase dois séculos depois, no dia 12 de maio de 1820, durante uma viagem
que Edward e Francis Nightingale realizavam pela Europa, nasce uma de suas
filhas que recebeu o nome de Florence em virtude de o nascimento ter acontecido
na cidade de Florença.
Por ter nascido em uma família rica e educada, viveu a adolescência
participando de uma sociedade aristocrática, tendo tido a oportunidade de
estudar diversos idiomas, matemática, religião e filosofia.
Extremamente religiosa, desejava mesmo era fazer "trabalho de Deus" -
ajudar os pobres, os doentes e os menos dotados, amenizando lhes o sofrimento e
a degradação.
Florence Nightingale é considerada a fundadora da Enfermagem moderna
em todo o mundo, obtendo projeção maior a partir de sua participação como
voluntária na Guerra da Criméia, em 1854, quando com 38 mulheres (irmãs
anglicanas e católicas) organizou um hospital de 4000 soldados internos, baixando
a mortalidade local de 40% para 2%.
Com o prêmio recebido do governo inglês por este trabalho, fundou a
primeira escola de enfermagem no Hospital St. Thomas - Londres, em 24/06/1860.
Os fundamentos que nortearam a criação da escola de enfermagem foram
originados também, de suas experiências anteriores à guerra, ou seja, sua
educação aristocrática que lhe permitiu ter acesso a vários idiomas, a
matemática, religião e filosofia e seu estágio de três meses no Instituto de
Diaconisas de Kaiserswerth/Alemanha, onde aprendeu os primeiros passos da
disciplina na enfermagem (regras e horários rígidos, religiosidade, divisão do
ensino por classes sociais).
A organização do Instituto de Diaconisas instituída pelo pastor luterano
Theodor Fliedner e sua esposa Frederika muito se assemelhava àquela
preconizada pelas Irmãs de Caridade de São Vicente de Paulo, estando mais
preocupados em formar o caráter de suas alunas do que em ministrar-lhes
conhecimentos específicos de enfermagem.

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Um fato que é pouco reforçado pelos historiadores é o de que Florence


Nightingale conheceu e apreendeu o trabalho desenvolvido pelas Irmãs de
Caridade de São Vicente de Paulo em Paris, no Hôtel-dieu, onde acompanhou o
tipo de trabalho assistencial e administrativo que realizavam, suas regras, sua
forma de cuidar dos doentes, fazendo anotações, gráficos e listas das atividades
desenvolvidas, e aplicou o mesmo questionário, que já havia distribuído nos
hospitais da Alemanha e Inglaterra, tendo aprofundado seus estudos; a sua
organização.
Num segundo momento, Florence Nightingale retornou a este hospital por
mais um mês, vestindo com o hábito das irmãs, para sentir mais próximo o seu
carisma, apenas residindo em casa separada. Possivelmente, o convívio com as
regras de conduta das Irmãs de Caridade e as Senhoras da Confraria a
influenciaram intimamente na construção do seu modelo de enfermagem.
Em 1854, com a Guerra na Criméia, a Grã-Bretanha lutava junto com a
França ao lado dos aliados turcos em sua guerra contra a Rússia. Mais uma vez,
as contingências aproximam Florence Nightingale das irmãs de caridade, só que
agora de forma indireta. As irmãs já estavam em Constantinopla desde 1839,
desenvolvendo seu trabalho nos hospitais, e por ocasião da Guerra foram
enviadas por solicitação do governo francês para os hospitais militares e da
marinha para prestar cuidados aos enfermos “nem os rigores do inverno, nem a
cólera e o tifo, nada as assusta, nada as repele”.
Ao serviço das ambulâncias e dos hospitais, elas juntaram ainda a visita
frequente aos prisioneiros de todas as nações, e esperavam o desembarque dos
navios carregados de doentes e de feridos chegados da Criméia.
Enquanto isso, os hospitais militares ingleses estavam vivendo o caos, o
exército britânico estava prestes a ser derrotado em virtude da doença, da
desorganização, do frio e da fome, a cólera reduziu o exército à inutilidade e as
primeiras batalhas da Criméia foram feitas por homens exauridos pela doença e
sedentos.
Os jornais ingleses criticavam a administração dos hospitais militares e
alguém que conhecia o excelente trabalho das irmãs de caridade nos hospitais
militares franceses escreveu no “Time": "PORQUE NÃO TEMOS IRMÃS DE
CARIDADE?" O ótimo tratamento que dispensavam aos soldados franceses
constituía, sem dúvida, uma novidade para os ingleses, porquanto, algum tempo

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depois o Ilustred London News estampou uma ilustração, onde se viam as irmãs
trabalhando na enfermaria de seu hospital, a consequência disto foi que, o
Ministro da Guerra necessitava tomar medidas urgentes para reverter a situação,
e assim escreve “Na Inglaterra, só conheço uma criatura capaz de organizar e
dirigir um plano assim...mas não devo ocultar que, segundo penso, o sucesso final
ou o fracasso do projeto depende de sua decisão, esta pessoa era Florence
Nightingale.
A partir destas informações, entendo que, ao pensar numa escola de
enfermagem, Florence Nightingale deva ter utilizado muito do que havia aprendido
com as irmãs de caridade, desde as vastas exigências de caráter moral e espírito
religioso feitas às candidatas, a distribuição e controle do tempo destinado ao
trabalho hospitalar, curso e folgas, bem como, a admissão de alunas de classes
sociais diferenciadas.
As de classe elevada (lady nurses) podem ser comparadas às Senhoras da
Confraria, que eram preparadas para as atividades de supervisão, direção e
organização do trabalho em geral, e as de nível socioeconômico inferior (nurses)
que podem ser comparadas as irmãs de caridade provenientes das aldeias, que
eram mais preparadas para o trabalho manual, o cuidado direto, a obediência e a
submissão.
As ideias de Florence Nightingale acerca da enfermagem como profissão
chocavam-se com a ideologia da era vitoriana, correspondente à prática da
enfermagem, ou seja, uma forma de ocupação manual desempenhada por
empregadas domésticas.
Não obstante, a escola iniciou seu funcionamento tendo por base:a) preparo
de enfermeiras para o serviço hospitalar e para visitas domiciliárias a doentes
pobres; b) preparo de profissionais para o ensino de enfermagem na seleção das
candidatas, as qualidades morais tinham prioridade durante o curso e a disciplina
era rigorosa.
O rigor da escola justificava-se, considerando o que era corrente na época,
isto é, quem cuidava dos doentes na Inglaterra eram pessoas imorais e, portanto,
o modelo preconizado deveria ser o oposto, o mais próximo possível do que
realizavam as associações religiosas, porém laicas.
Florence morre a 13 de agosto de 1910, deixando caminho aberto para o
ensino de Enfermagem. Assim a Enfermagem surge não mais como uma atividade

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empírica, desvinculada do saber especializado, mas como uma ocupação


assalariada que vem atender a necessidade de mão-de-obra nos hospitais,
constituindo-se como uma prática social institucionalizada e específica.

2.1 Primeiras Escolas de Enfermagem

Apesar das dificuldades que as pioneiras da Enfermagem tiveram que


enfrentar, devido à incompreensão dos valores necessários ao desempenho da
profissão, as escolas se espalharam pelo mundo, a partir da Inglaterra.
Nos Estados Unidos a primeira Escola foi criada em 1873. Em 1877 as
primeiras enfermeiras diplomadas começam a prestar serviços a domicílio em
New York. As escolas deveriam funcionar de acordo com a filosofia da Escola de
Florence Nightingale, baseada em quatro idéias-chave:
O treinamento de enfermeiras deveria ser considerado tão importante
quanto qualquer outra forma de ensino e ser mantido pelo dinheiro público. As
escolas de treinamento deveriam uma estreita associação com os hospitais, mas
manter sua independência financeira e administrativa.
As estudantes deveriam, durante o período de treinamento, ter residência à
disposição, que lhes oferecesse ambiente confortável e agradável, próximo ao
hospital.

2.2 Sistema Nightingale de Ensino

As escolas conseguiram sobreviver graças aos pontos essenciais


estabelecidos:
 Direção da escola por uma enfermeira.
 Mais ensino metódico, em vez de apenas ocasional.
 Seleção de candidatos do ponto de vista físico, moral, intelectual e
aptidão profissional.

3.0 História da Enfermagem no Brasil

A organização da Enfermagem na Sociedade Brasileira começa no período


colonial e vai até o final do século XIX. A profissão surge como uma simples
prestação de cuidados aos doentes, realizada por um grupo formado, na sua
maioria, por escravos, que nesta época trabalhavam nos domicílios.

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Desde o princípio da colonização foi incluída a abertura das Casas de


Misericórdia, que tiveram origem em Portugal.
A primeira Casa de Misericórdia foi fundada na Vila de Santos, em 1543. Em
seguida, ainda no século XVI, surgiram as do Rio de Janeiro, Vitória, Olinda e
Ilhéus. Mais tarde Porto Alegre e Curitiba, esta inaugurada em 1880, com a
presença de D. Pedro II e Dona Tereza Cristina. No que diz respeito à saúde do
povo brasileiro, merece destaque o trabalho do Padre José de Anchieta. Ele não
se limitou ao ensino de ciências e catequeses.
Foi além. Atendia aos necessitados, exercendo atividades de médico e
enfermeiro. Em seus escritos encontramos estudos de valor sobre o Brasil, seus
primitivos habitantes, clima e as doenças mais comuns.
A terapêutica empregada era à base de ervas medicinais minunciosamente
descritas. Supõe-se que os Jesuítas faziam a supervisão do serviço que era
prestado por pessoas treinadas por eles. Não há registro a respeito.
Outra figura de destaque é Frei Fabiano Cristo, que durante 40 anos exerceu
atividades de enfermeiro no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro (Séc.
XVIII).
Os escravos tiveram papel relevante, pois auxiliavam os religiosos no
cuidado aos doentes. Em 1738, Romão de Matos Duarte consegue fundar no Rio
de Janeiro a Casa dos Expostos. Somente em 1822, o Brasil tomou as primeiras
medidas de proteção à maternidade que se conhecem na legislação mundial,
graças a atuação de José Bonifácio Andrada e Silva.
A primeira sala de partos funcionava na Casa dos Expostos em 1822. Em
1832 organizou-se o ensino médico e foi criada a Faculdade de Medicina do Rio de
Janeiro. A escola de parteiras da Faculdade de Medicina diplomou no ano
seguinte a célebre Madame Durocher, a primeira parteira formada no Brasil.
No começo do século XX, grande número de teses médicas foi apresentado
sobre Higiene Infantil e Escolar, demonstrando os resultados obtidos e abrindo
horizontes e novas realizações.
Esse progresso da medicina, entretanto, não teve influência imediata sobre
a Enfermagem. Assim sendo, na enfermagem brasileira do tempo do Império,
raros nomes de destacaram e, entre eles, merece especial menção o de Anna
Nery.

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3.1 Ana Néri


Aos 13 de dezembro de 1814, nasceu Ana
Justina Ferreira, na Cidade de Cachoeira, na
Província da Bahia. Casou-se com Isidoro Antonio
Néri, enviuvando aos 30 anos. Seus dois filhos, um
médico militar e um oficial do exército, são
convocados a servir a Pátria durante a Guerra do
Paraguai (1864-1870), sob a presidência de
Solano Lopes.
O filho mais jovem estava cursando o 6º ano de Medicina e oferece seus
serviços médicos em prol dos brasileiros. Ana Néri não resiste à separação da
família e escreve ao Presidente da Província, colocando-se à disposição de sua
Pátria.
Em 15 de agosto parte para os campos de batalha, onde dois de seus irmãos
também lutavam. Improvisa hospitais e não mede esforços no atendimento aos
feridos. Após cinco anos, retorna ao Brasil, é acolhida com carinho e louvor,
recebe uma coroa de louros e Victor Meireles pinta sua imagem, que é colocada
no Edifício do Paço Municipal.
O governo Imperial lhe concede uma pensão, além de medalhas
humanitárias e de campanha. Faleceu no Rio de Janeiro a 20 de maio de 1880. A
primeira Escola de Enfermagem fundada no Brasil recebeu o seu nome.
Ana Néri como Florence Nightingale, rompeu com os preconceitos da época
que faziam da mulher prisioneira do lar.

4.0 ANTECEDENTES EXTERNOS DO ENSINO DA ENFERMAGEM MODERNA NO


BRASIL
4.1.1 ENSINO DE ENFERMAGEM NA INGLATERRA (1860)

Apesar da existência secular da Enfermagem, a história da Enfermagem


Moderna tem início a partir da segunda metade do século XIX com Florence
Nightingale, na Inglaterra (SILVA, 1986; PIRES, 1989), o qual baseava-se em
criteriosa seleção das candidatas ao curso, na sistematização do ensino teórico e
da prática correspondente e na total autonomia da escola em assuntos financeiros
e pedagógicos.

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No entanto mantinha o caráter religioso e caritativo, servindo ao próximo


como meio de aperfeiçoamento espiritual, principalmente aos pobres e
necessitados (FERNANDES, 1983; GERMANO, 1993). Para o curso, a aluna deveria
ser sóbria, honesta, leal, digna de confiança, pontual, calma e ordeira, correta e
elegante. Tomava também conhecimento do currículo no qual, segundo
CARVALHO (1972), esperando-se que desenvolvesse várias habilidades, entre
elas - em curativos de pústulas, queimaduras, escaras, ferimentos, na aplicação
de fricções terapêuticas, cataplasmas e curativos menores;- na aplicação de
sanguessugas, externa e internamente (sic).
O Sistema Nightingale expandiu-se rapidamente a princípio na própria
Inglaterra e países escandinavos e, posteriormente nos Estados Unidos e Canadá.
Assim, o que se encontrava na Inglaterra neste momento interfere no ensino nos
Estados Unidos que por sua vez, vem influenciar o ensino na Enfermagem
brasileira.

4.1.2 O ENSINO DE ENFERMAGEM NOS EUA (1870)

Nos Estados Unidos, segundo CARVALHO (1972), no período de 1873 a 1890


foram criadas trinta e cinco escolas; em 1900 o número subiu a 432; em 1909 já
existiam 1096 escolas em funcionamento. O primeiro curso universitário para a
formação de enfermeiras foi criado na Universidade de Minnessota, em 1909. Seis
anos após, em 1916, existiam quinze desses cursos em funcionamento nos
Estados Unidos.
As escolas norte americanas tinham como finalidade prover assistência aos
paciente indigentes por meio do trabalho das estudantes e preparar enfermeiras
para a comunidade. No entanto, houve um predomínio do treinamento em serviço
sem a preocupação com o crescimento intelectual das estudantes, apenas
interesse em torná-las rápidas e eficientes no atendimento aos doentes.
(CARVALHO, 1972; FERNANDES, 1975).
Em 1917, a National League of Nursing Education publicou uma obra
trazendo uma tentativa concreta de padronização do currículo das escolas,
sugerindo para tanto o curso de três anos (com o programa teórico totalizando
cerca de 590 horas), exigência do secundário completo para admissão, prática
obrigatória nos diversos serviços hospitalares e práticas eletivas. Falhas graves
nas condições de vida e de estudos das alunas de Enfermagem foram apontadas

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no relatório "Goldmark Raport", publicado em 1923, que enuncia uma série de


recomendações, entre elas a necessidade do curso secundário para admissão na
escola; colocação de algumas escolas nas universidades; programas com
objetivos educacionais; trabalho das estudantes a um máximo de 48 horas por
semana; curso com duração mínima de 28 meses (CARVALHO, 1972).
Até os anos 50 o currículo de Enfermagem passou por várias revisões,
análises das falhas do sistema educacional e modificações baseadas nas funções
e no papel que as enfermeiras deviam desempenhar na equipe de saúde e na
competência e eficiência técnica delas exigidas, visando melhorar o programa das
escolas.

4.1.3 O ENSINO DA ENFERMAGEM MODERNA NO BRASIL

Antes do advento da "Enfermagem Moderna" no país, a Enfermagem


brasileira estava nas mãos de irmãs de caridade e de leigos (recrutados
sobretudo entre ex-pacientes e serventes dos hospitais), quase que
exclusivamente à mercê do empirismo de ambos, forjado no embate das
exigências concretas das rotinas das Santas Casas de Misericórdia espalhadas
pelo Brasil (SILVA, 1986; ALMEIDA & ROCHA, 1986).
Portanto a Enfermagem exercida desde a fundação das primeiras Santas
Casas tinham um cunho essencialmente prático; daí por que eram excessivamente
simplificados os requisitos para o exercício das funções de enfermeiro, não
havendo exigência de qualquer nível de escolarização para aqueles que as
exerciam. Essa situação perdurou desde a colonização até o início do século XX,
ou seja, uma Enfermagem exercida em bases puramente empíricas (GERMANO,
1993; FERNANDES, 1975).
GERMANO (1993) aponta que na época do descobrimento do Brasil os
índios, nas pessoas dos pajés, foram os primeiros a se ocuparem dos cuidados
daqueles que adoeciam em suas tribos. Com a colonização outros elementos
assumiram também essas responsabilidades, dentre eles os jesuítas e
posteriormente por religiosos, voluntários leigos e escravos selecionados para tal
tarefa.
Dessa forma, gradativamente surge a Enfermagem, com fins mais curativos
que preventivos e exercida no início, ao contrário de hoje, praticamente por
pessoas do sexo masculino.

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A criação de escolas de Enfermagem no Brasil ocorreu na virada


deste século, mas teve impulso após o ano de 1923 como veremos
posteriormente. A primeira iniciativa oficial com relação ao estabelecimento da
Enfermagem profissional no Brasil foi a criação da Escola Profissional de
Enfermeiros e Enfermeiras do Hospital Nacional de Alienados, no Rio de janeiro,
pelo Decreto nº 791/1890, a qual seguia mais o sistema francês que o Sistema
Nightingale, já então espalhado por todo o mundo de língua inglesa (CARVALHO,
1972; GUSSI, 1987).
Com a proclamação da República, as relações entre a Igreja e o Estado
ficam estremecidas, chegando ao rompimento. Houve a desanexação do Hospício
Nacional de Alienados da Santa Casa de Misericórdia que repercutiu na
estatização da assistência aos doentes mentais e, os médicos assumem o poder.
As relações com as irmãs de caridade, responsáveis pela administração interna
do Hospital, se tornam insustentáveis neste novo sistema a ponto destas
abandonarem repentinamente o serviço (FERNANDES, 1975; GUSSI, 1987).
Conforme aponta GUSSI (1987), em meio ao discurso de melhoria da
assistência psiquiátrica e a situação em que ficou o serviço do Hospício com a
saída das religiosas e conseqüente falta de mão de obra para assumir os
trabalhos, praticamente ao mesmo tempo em que foram convidadas enfermeiras
francesas para suprir a deficiência de recursos humanos para a assistência, foi
também vislumbrada a possibilidade de se solucionar o problema criando-se uma
escola para enfermeiros e enfermeiras.
Em seguida à saída das religiosas foi assinado pelo Governo Provisório da
República o Decreto 791/90 (BRASIL, 1974), que dispõe sobre a criação da Escola
Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras anexa ao Hospital de Alienados.
Este Decreto fixava os objetivos da Escola, currículo, duração do curso,
condições de inscrição e matrícula, título conferido, garantia de preferência de
emprego e aposentadoria aos 25 anos dos candidatos exigia-se no mínimo saber
ler e escrever, conhecer aritmética e apresentar atestado de bons costumes. No
entanto, não contempla recursos para a viabilização do curso assim como as
normas para sua concretização (BRASIL, 1974; GUSSI, 1987).
Segundo GUSSI (1987), um incêndio destruiu os arquivos da Divisão
Nacional de Saúde Mental, na década de 60, o que impossibilita detalhes oficiais
quanto ao funcionamento da Escola Profissional de Enfermeiros e Enfermeiras até

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1905 e também com relação à vinda das enfermeiras francesas ao Brasil para
assumir o Hospício Nacional com a saída das religiosas.
Essa escola, posteriormente denominada Escola de Enfermagem Alfredo
Pinto, hoje uma unidade da UNIRIO, inspirou-se na Escola de Salpetière, na
França, embora a direção por uma Enfermeira somente tenha ocorrido com mais
de 50 anos de sua existência, precisamente em 1943 (FERNANDES, 1983;
GERMANO, 1993; MOURA, EGRY & MOURA 1995). O Sistema Nightingale
espalhou-se rapidamente pelo mundo inteiro, levado principalmente pelas
pioneiras inglesas e norte-americanas. Em 1892 foi instalado em São Paulo o
"Hospital Evangélico", para estrangeiros, hoje Hospital Samaritano, com um corpo
de enfermeiras inglesas oriundas de escolas orientadas por Florence Nightingale.
O curso de Enfermagem iniciado neste Hospital por volta de 1901-02 trazia
todas as características do sistema inglês sendo, inclusive, ministrado nesse
idioma, para estudantes recrutadas nas famílias estrangeiras do sul do país, tendo
como objetivo precípuo preparar pessoal para a Instituição.
Essa Escola nunca chegou a ser reconhecida por tratar-se de iniciativa
privada que visava unicamente preparar pessoal para o próprio hospital
(CARVALHO, 1972). Em 1916, como repercussão do movimento mundial de
melhoria nas condições de assistência aos feridos da Primeira Grande Guerra, a
Cruz Vermelha Brasileira criou uma Escola no Rio de Janeiro, subordinada ao
Ministério da Guerra preparando enfermeiras em curso de dois anos de
duração(CARVALHO, 1972).
Um detalhe curioso quanto a esta Escola é que o Decreto 21141/32, que
aprovava o regulamento para a organização do quadro de Enfermeiras do
Exército, determinava a fiscalização da Escola de Enfermagem da Cruz Vermelha
Brasileira pela Diretoria de Saúde da Guerra, desvinculando o exercício
profissional dos enfermeiros por ela formados, das determinações do Dec.
20109/31, que regulava o exercício de Enfermagem no Brasil e fixava as condições
para a equiparação das escolas de Enfermagem.
Posteriormente o programa foi ampliado para três anos e a escola foi
subordinada ao Ministério da Educação e Cultura, como as demais. Foi equiparada
à Escola de Enfermeiras "Ana Neri", conforme Dec. 20209/31, pelo Dec. 24768/48
(CARVALHO, 1972). A criação da Escola de Enfermeiras do Departamento
Nacional de Saúde Pública (Dec. 15799 de 10/12/22) constituiu de fato o início de

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uma nova era para a Enfermagem brasileira; o mérito do acontecimento deve-se,


principalmente, a seu Diretor, Carlos Chagas e ao grupo de enfermeiras norte-
americanas, trazidos pela Fundação Rockefeller, a pedido daquele, para
prestarem serviço no Departamento.
Lideradas por Ethel Parsons e Clara Louise Kienninver, algumas dessas
enfermeiras assumiram a responsabilidade pela direção e pelo ensino da escola,
tendo influenciado grandemente no conteúdo da legislação que determinava o
currículo a ser adotado e no Decreto 20109/31 que instituiu a Escola Ana Neri
como "escola padrão" para efeito de equiparação (CARVALHO, 1972;
FERNANDES, 1983; ALMEIDA & ROCHA, 1986).

SILVA (1986), aponta que este fato, no que se refere à Enfermagem


brasileira, representa um marco de extrema importância, isto é, o advento da
Enfermagem Moderna no país, 63 anos depois de seu surgimento na Inglaterra.
Surge num momento em que o Estado brasileiro emergente institui políticas
de saúde voltadas ao controle das grandes endemias e epidemias que colocavam
o Brasil numa posição ameaçadora ao desenvolvimento do comércio
internacional, porém contava com escassos equipamentos de saúde e mão de
obra qualificada para a viabilização das ações coletivas propostas.
Nesse sentido, Carlos Chagas ao tomar contato com o trabalho no padrão
nightingaleano das enfermeiras norte americanas, acreditou ser este o
profissional necessário para a estratégia sanitarista do governo brasileiro e
solicitou auxílio à International Health Board para criar serviço semelhante no
Brasil.
Assim foi criada a Escola de Enfermeiras do Departamento Nacional de
Saúde Pública nos moldes das escolas americanas que utilizavam o "Sistema
Nightingale", mesmo mantendo a contradição de preparar as enfermeiras dentro
das enfermarias do Asilo São Francisco de Assis, adaptado para ser o hospital-
ensino da Enfermagem, para o trabalho em saúde pública (FERNANDES, 1975;
GUSSI, 1987).
No entanto vale apontar que a partir de 1930, com a ampliação do sistema
previdenciário, a produção de serviços privados foram privilegiados e
favoreceram a assistência hospitalar curativa em detrimento da Saúde Pública,
ampliando dessa forma a oferta de trabalho às enfermeiras no âmbito do hospital.

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O funcionamento da Escola foi regulamentado pelo Decreto nº 16300/23 que


aprovava o regulamento do Departamento Nacional de Saúde Pública, e que
determinava o currículo da Escola (BRASIL, 1974).

De acordo com CARVALHO (1972), curso possuía as seguintes características:


 Duração de dois anos e quatro meses, divididos em cinco fases, a última das quais
reservada para a especialização Enfermagem clínica, Enfermagem de saúde
pública;
 Exigência de diploma de Escola Normal como requisito de entrada facilitando,
porém, a admissão dos candidatos que, na falta desse diploma, provassem
capacitação para o curso;
 Os quatro primeiros meses correspondiam ao período probatório das escolas
norte-americanas, sendo essencialmente teórico;
 A prestação de oito horas diárias de serviços ao hospital era obrigatória, com
direito a residência, pequena remuneração mensal e duas meias folgas por
semana.
O confronto do conteúdo do currículo dessa primeira escola brasileira com
as determinações contidas no "Standard Curriculum" norte americano de 1917
mostra a grande semelhança entre os dois, tanto na parte teórica quanto nos
serviços nos quais as alunas deveriam estagiar e a fragmentação do currículo em
disciplinas de pequena carga horária e de curta duração constituía uma das
principais características dos dois currículos.
O Art. 429 do Dec. nº 16300/23 não continha o número de horas destinadas à
parte teórica e ao estudo; entretanto, o Art. 418 do mesmo Decreto estabelecia
claramente a obrigatoriedade do "serviço diário de oito horas no Hospital Geral de
Assistência", o que leva à conclusão de que as horas destinadas ao ensino teórico
e ao estudo fossem em acréscimo às quarenta e oito horas semanais de prática
hospitalar (BRASIL, 1974).
A publicação dos livros "Essentials of a Good School of Nursing" e Nursing
for the Future" e tradução de ambos para o português pelo então Serviço Especial
de Saúde Pública, tiveram grande repercussão no desenvolvimento da
Enfermagem brasileira.
Junto a isso houve influência também das escolas universitárias norte-
americanas, às quais eram encaminhadas as docentes de algumas das escolas do
país para cursos de aperfeiçoamento e de pós-graduação (CARVALHO, 1972).
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Portanto os anos 20 e 30 marcaram a implantação da Enfermagem Moderna no


Brasil e a partir de então, o ensino na área se expandiu em atenção ao aumento da
demanda desses profissionais impulsionado basicamente pela crescente
urbanização e pelo processo emergente de modernização dos hospitais e com
isso começa a transferência da Enfermagem das congregações religiosas às
mãos laicas (VERDERESE, 1979).
É importante apontar ainda que a partir de então, a Enfermagem procura
consolidar-se buscando garantir seu espaço profissional com a fundação em 1926
da Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras, com a
regulamentação do exercício da Enfermagem pelo Decreto 20109/31 e também
com a publicação da revista "Anais de Enfermagem" em 1932 (CARVALHO, 1972;
SILVA, 1986; GERMANO, 1993).

5.0 SURGIMENTO E EXPANSÃO DO ENSINO DA ENFERMAGEM MODERNA NO


BRASIL NO CONTEXTO DAS POLÍTICAS EDUCACIONAIS E DE SAÚDE

No início do século XX, a situação das cidades portuárias das cidades


brasileiras era precária colocando em risco o comércio de exportação e a política
de imigração. Destacava-se o Rio de Janeiro, importante via de acesso no país na
época. Assim, sobre pressão dos mercados internacionais são adotadas medidas
visando o controle das endemias através do saneamento dos portos.
Tendo como pano de fundo a necessidade de controlar a febre amarela, o
Estado implementa um mercado de trabalho de saúde pública ao promover a
reforma Carlos Chagas, ao criar o Departamento Nacional de Saúde Pública
(DNSP) e as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAPs), instituídos pela Lei Eloy
Chaves (CORDEIRO, 1991).
É criada a Escola de Enfermagem Ana Néri em 1923, a então Escola de
Enfermeiras do DNSP, para atender a necessidade de pessoal no campo da saúde
pública, com objetivo de dar continuidade às atividades de educação sanitária que
haviam sido iniciadas por médicos sanitaristas (ALCANTARA, 1966).
Constituindo assim uma iniciativa necessária para qualificar profissionais
que cooperassem no saneamento dos portos. Apesar das tentativas anteriormente
descritas de sistematização do preparo do pessoal de enfermagem, foi a partir de
uma iniciativa do Estado que a Enfermagem Moderna chega ao Brasil.

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FERNANDES (1983), considera que esta institucionalização se deu, não


somente pelo fato do Estado reconhecer a necessidade da Enfermagem na
melhoria das condições sanitárias da população, ao lado do atendimento dos
interesses econômicos do país mas, também, como resultado de algumas
pressões para se implementar esta sistematização. Tiveram papel proeminente na
fundação desta primeira Escola, assumindo as atividades atinentes à sua direção
e ensino, um grupo de enfermeiras norte americanas lideradas por Ethel Parsons
e Clara Louise Kienninger que vieram para o Brasil através do Serviço
Internacional de Saúde Pública da Fundação Rockfeller (CARVALHO, 1972). Para
GERMANO (1993), havia interesse desta fundação em criar condições sanitárias
adequadas ao desenvolvimento capitalista.
Assim, através do decreto 17268/1926, é institucionalizado o ensino de
enfermagem no Brasil e, em 1931, pelo decreto 20109 da Presidência da
República, a Escola Ana Neri foi considerada oficial, um padrão para todo o país.
Em 1937, é considerada instituição complementar da Universidade do Brasil e em
1946, é definitivamente incorporada a esta Universidade (BRASIL, 1974).
A política educacional estatal até 1930, era praticamente inexistente.
A monocultura latifundiária exigia um mínimo de qualificação da força de trabalho
a qual se compunha quase exclusivamente de escravos trazidos da África, não
havia nenhuma função de reprodução da força de trabalho a ser preenchida pela
Escola (FREITAG, 1986).A década de 20 encerra-se com apenas uma escola de
enfermagem oficial no país.
A crise mundial de 1929 encaminha as mudanças estruturais que vão
caracterizar o modelo de substituição das importações, é o marco para o
processo de industrialização. Segundo FREITAG (1986), a classe até então
hegemônica dos latifundiários cafeicultores, é forçada a dividir o poder com a
classe burguesa emergente. No âmbito da educação inicia-se o movimento de
expansão e democratização da escola. São transformados os objetivos da escola
que passa a privilegiar a formação de quadros de trabalhadores especializados
em todos os campos exigidos pela sociedade moderna. -

Em 1930, é criado o Ministério da Educação e Saúde, a


Constituição de 1934 estabeleceu a necessidade de elaboração de um Plano
Nacional de Educação que coordenasse e supervisionasse as atividades de ensino

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em todos os níveis do país e, na Constituição de 1937, é introduzido o ensino


profissionalizante (CUNHA, 1977).
Acontece assim, neste período, uma tomada de consciência por parte da
sociedade política da importância estratégica do sistema educacional para
assegurar e consolidar as mudanças estruturais ocorridas (FREITAG, 1986).
A educação passa a ser um meio de preparo dos cidadãos para as diversas
ocupações, que naquele momento são exigidos pelos processos de urbanização e
de industrialização. Socialmente, a industrialização representa a consolidação de
dois componentes, a burguesia industrial e o operariado, pois, é a partir daí, que o
povo começa a existir enquanto expressão política.
As manifestações urbanas organizadas, retratavam de forma mais objetiva a
insatisfação dos setores de classe dominada (RIBEIRO, 1987). Por outro lado, as
mudanças que se observam no quadro social e urbano, em decorrência do
processo de industrialização, da organização das classes empresariais e dos
assalariados urbanos, impulsionam o movimento da previdência social e a
expansão dos programas de assistência à saúde, ampliando-se assim, a demanda
desses serviços de atenção ao doente (FREITAS, 1990) .
6.0 Entidades de Classe na Enfermagem (BRASIL)
6.1.1 ABEN- Associação Brasileira de Enfermagem
Sociedade civil sem fins lucrativos que congrega enfermeiras e técnicos em
enfermagem, fundada em agosto de 1926, sob a denominação de "Associação
Nacional de Enfermeiras Diplomadas Brasileiras". É uma entidade de direito
privado, de caráter científico e assistencial regida pelas disposições do Estatuto,
Regulamento Geral ou Regimento Especial em 1929, no Canadá, na Cidade de
Montreal, a Associação Brasileira de Enfermagem, foi admitida no Conselho
Internacional de Enfermeiras (I.C.N.). Por um espaço de tempo a associação ficou
inativa. Em 1944, um grupo de enfermeiras resolveu reerguê-la com o nome
Associação Brasileira de Enfermeiras Diplomadas. Seus estatutos foram
aprovados em 18 de setembro de 1945. Foram criadas Seções Estaduais,
Coordenadorias de Comissões.

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Ficou estabelecido que em qualquer Estado onde houvesse 7 (sete)


enfermeiras diplomadas, poderia ser formada uma Seção. Em 1955, esse número
foi elevado a 10 (dez). Em 1952, a Associação foi considerada de Utilidade Pública
pelo Decreto nº 31.416/52. Em 21 de agosto de 1964, foi mudada a denominação
para Associação Brasileira de Enfermagem - ABEN, com sede em Brasília,
funciona através de Seções formadas nos Estados, e no Distrito Federal, as quais,
por sua vez, poderão subdividir-se em Distritos formados nos Municípios das
Unidades Federativas da União.

6.1.2 Finalidades da ABEN


- Congregar os enfermeiros e técnicos em enfermagem, incentivar o espírito de
união e solidariedade entre as classes;
- Promover o desenvolvimento técnico, científico e profissional dos integrantes de
Enfermagem do País;
- Promover integração às demais entidades representativas da Enfermagem, na
defesa dos interesses da profissão.

6.1.3. Estrutura

ABEN é constituída pelos seguintes órgãos, com jurisdição nacional:


a) Assembléia de delegados
b) Conselho Nacional da ABEN (CONABEN)
c) Diretoria Central
d) Conselho Fiscal

6.1.4. Realizações da ABEN

- Congresso Brasileiro em Enfermagem


Uma das formas eficazes que a ABEn utiliza para beneficiar a classe dos
enfermeiros, reunindo enfermeiros de todo o país nos Congressos para fortalecer
a união entre os profissionais, aprofundar a formação profissional e incentivar o
espírito de colaboração e o intercâmbio de conhecimentos.
- Revista Brasileira de Enfermagem

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A Revista Brasileira de Enfermagem é Órgão Oficial, publicado bimestralmente e


constitui grande valor para a classe, pois trata de assuntos relacionados à saúde,
profissão e desenvolvimento da ciência. A idéia da publicação da Revista surgiu
em 1929, quando Edith Magalhães Franckel, Raquel Paddocks Lobo e Zaira Cintra
Vidal participou do Congresso do I.C.N. em Montreal, Canadá. Numa das reuniões
de redatoras da Revista, Miss Clayton considerou indispensável ao
desenvolvimento profissional a publicação de um periódico da área. Em maio de
1932 foi publicado o 1º número com o nome de "Anais de Enfermagem", que
permaneceu até 1954. No VII Congresso Brasileiro de Enfermagem foi sugerida e
aceita a troca do nome para "REVISTA BRASILEIRA DE ENFERMAGEM"- ABEn
(REBen). Diversas publicações estão sendo levadas a efeito: Manuais, Livros
didáticos, Boletim Informativo, Resumo de Teses, Jornal de Enfermagem.

7.0 Criação Dos Conselhos De Enfermagem


LEI Nº 5.905, 12 DE JULHO DE 1973.
O Presidente da República
Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º - São criados o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e os


Conselhos Regionais de Enfermagem (CORENs),constituindo em seu conjunto
uma autarquia, vinculada ao Ministério do Trabalho e Previdência Social.
Art. 2º - O Conselho Federal e os Conselhos Regionais são órgãos
disciplinares do exercício da profissão de Enfermeiro e das demais profissões
compreendidas nos serviços de Enfermagem.
Art. 3º - O Conselho Federal, ao qual ficam subordinados os Conselhos
Regionais, terá jurisdição em todo o território nacional e sede na Capital da
República.
Art. 4º - Haverá um Conselho Regional em cada Estado e Território, com
sede na respectiva capital, e no Distrito Federal.
Parágrafo único – O Conselho Federal poderá, quando o número de
profissionais habilitados na unidade de federação for inferior a cinquenta,
determinar a formação de regiões, compreendendo mais de uma unidade.

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Art. 5º - O Conselho Federal terá nove membros efetivos e igual número de


suplentes, de nacionalidade brasileira, e portadores de diploma de curso de
Enfermagem de nível superior.
Art. 6º - Os membros do Conselho Federal e respectivos suplentes serão
eleitos por maioria de votos, em escrutino secreto, na Assembleia dos Delegados
Regionais.
Art. 7º - O Conselho Federal elegerá dentre seus membros, em sua primeira
reunião o Presidente, o Vice-Presidente e o Segundo Secretários e o Primeiro e o
Segundo Tesoureiros.
Art. 8º - Compete ao conselho Federal:
I aprovar seu regimento interno e os dos Conselhos Regionais;
II instalar os Conselhos Regionais;
III elaborar o Código de Deontologia de Enfermagem e alterá-lo, quando
necessário, ouvidos os Conselhos regionais;
IV baixar provimentos e expedir instruções, para uniformidade de
procedimento e bom funcionamento dos Conselhos Regionais;
V dirimir as dúvidas suscitadas pelos Conselhos regionais;
VI apreciar, em grau de recursos, as decisões dos Conselhos Regionais;
VII instituir o modelo das carteiras profissionais de identidade e as insígnias
da profissão;
VII homologar, suprir ou anular atos dos Conselhos Regionais;
IX aprovar anualmente as contas e a proposta orçamentária da autarquia
remetendo-as aos órgãos competentes;
X promover estudos e campanhas para aperfeiçoamento profissional;
XI publicar relatórios anuais de seus trabalhos;
XII convocar e realizar as eleições para sua diretoria;
XIII exercer as demais atribuições que lhe forem conferidos por lei.
Art. 9º - O mandato dos membros do Conselho Federal será honorífico e terá
a duração de três anos, admitida uma reeleição.
Art. 10º - A receita do CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM será
constituída de:
I um quarto da taxa de expedição das carteiras profissionais;
II um quarto das multas aplicadas pelos Conselhos Regionais;
III um quarto das anuidades recebidas pelos Conselhos Regionais;

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IV doações e legados;
V subvenções oficiais;
VI rendas eventuais
Parágrafo único – Na organização dos quadros distintos para inscrição de
profissionais o Conselho Federal de Enfermagem adotará como critério, no que
couber, o disposto na Lei nº 2.604 de 17 de setembro de 1955.
Art. 11º - Os Conselhos Regionais serão instalados em suas respectivas
sedes, com cinco e vinte e um membros e outros tantos suplentes, todos de
nacionalidade brasileira, na proporção de três quinto de Enfermeiros e dois
quintos de profissionais das demais categorias do pessoal de Enfermagem
reguladas em lei.
Parágrafo único – O número de membros dos Conselhos Regionais será
sempre ímpar, e a sua fixação será feita pelo Conselho Federal , em proporção ao
número de profissionais inscritos.
Art. 12º - Os membros dos Conselhos Regionais e respectivos suplentes
serão eleitos por voto pessoal, secreto e obrigatório, em época determinada pelo
Conselho Federal, em Assembleia Geral especialmente convocada para este fim.
$1º - Para eleição referida neste artigo serão organizadas chapas separadas,
uma para Enfermeiros e outra para os demais profissionais de enfermagem,
podendo votar, em cada chapa, respectivamente, os Profissionais referidos no
Artigo 11º.
$2º - Ao eleitor que, sem causa justa, deixar de votar nas eleições referidas
neste artigo, será aplicado pelo Conselho Regional multa em importância
correspondente ao valor da anuidade.
Art. 13º - Cada Conselho Regional elegerá seu Presidente, Secretário e
Tesoureiro, admitido à criação de cargos de vice-presidente, Segundo Secretário
e Segundo Tesoureiro, para os Conselhos com mais de doze membros.
Art. 14º - O mandato dos membros dos Conselhos Regionais será honorífico a
terá duração de três anos, admitida uma reeleição.
Art. 15º - Compete aos Conselhos Regionais:
I deliberar sobre inscrição no Conselho e seu cancelamento;
II disciplinar e fiscalizar o exercício profissional, observadas as diretrizes
gerais do Conselho Federal;
III fazer executar as instruções e provimentos do Conselho Federal;

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29

IV manter o registro dos profissionais com exercício na respectiva jurisdição;


V conhecer e decidir os assuntos atinentes à ética profissional, impondo as
penalidades cabíveis;
VI elaborar a sua proposta orçamentária anual e projeto de seu regimento
interno e submetê-lo à aprovação do Conselho Federal;
VII expedir a carteira profissional, indispensável ao exercício da profissão a
qual terá Fé Pública em todo o Território Nacional e servirá de documento de
identidade;
VIII zelar pelo bom conceito da profissão e dos que exercem;
IX publicar relatórios anuais de seus trabalhos e relação dos profissionais
registrados;
X propor ao Conselho Federal medidas visando à melhoria do exercício
profissional;
XI fixa o valor da anuidade
XII apresentar sua prestação de contas ao Conselho Federal, até o dia 28 de
fevereiro de cada ano;
XIII eleger sua diretoria e seus delegados eleitorais ao Conselho Federal;
XIV exercer as demais atribuições que lhes foram conferidas por esta Lei ou
pelo Conselho Federal.
Art. 16º - A renda dos Conselhos Regionais será constituída de:
I três quartos da taxa de expedição das carteiras profissionais;
II três quartos das multas aplicadas;
III três quartos das anuidades;
IV doações e legados;
V subvenções oficiais, de empresas ou entidades particulares; VI rendas
eventuais.

O que é Coren?

Conselho Regional de Enfermagem criado pela lei 5.905 de 25 de julho de


1973 é uma Autarquia Profissional, dotado de Personalidade Jurídica de Direito
Público, e tem por ,finalidade,normatizar,disciplinar e fiscalizar o exercício de
enfermagem e suas atividades.

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30

A lei 9.649 de 27 de maio de 1999 em seu artigo 58 alterou a natureza jurídica


dos conselhos de fiscalização profissionais, mantendo sob competência da
Justiça Federal apenas as ações que tivessem por objeto os aspectos dos poderes
delegados pela União Federal a estes.
Por conter Dispositivos inconstitucionais a referida Lei foi objeto de ação
Direta de inconstitucionalidades – ADIN junto ao supremo tribunal federal o que
fez com que a jurisprudência enquanto aguardava o pronunciamento da suprema
corte brasileira,mantivesse sob competência da justiça federal os aspectos aos
conselhos de fiscalização.

Desde quando existem os Cofens e os Corens

Os COFENs ( Conselho Federal de Enfermagem ) e os CORENs ( Conselho


Regionais de Enfermagem),foram criados pela Lei nº 5.907/73 de 12 de julho de
1973.

Como é dirigido o Coren

O COREN é dirigido por um plenário constituído por 17 conselheiros sendo 10


enfermeiros e 7 técnicos e/ou auxiliares de enfermagem, eleitos por pleito direto,
mediante voto pessoal, secreto e obrigatório, dos profissionais inscritos.
Para se candidatar, o profissional deve ter inscrição definitiva há pelo menos
três anos, estar em gozo dos direitos profissionais e não ter condenação passada.
O mandato é honorífico e tem duração de três anos.
O plenário elege, dentre os conselheiros, a diretoria, que é composta
de:presidente,vice-presidente,1º e 2º secretárias,1º e 2º tesoureiros e comissão
de tomada de contas.
Todas as decisões tomadas pelo conselheiro são votadas pelo plenário. Os
assuntos especializados são estudados por comissões; nomeados através de
portaria que encaminham à plenária para apreciação e decisão.

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Quem se inscreve no COREN?

Para exercício legal da profissão, está obrigada a inscrição nos conselhos


regionais de enfermagem em cuja jurisdição exerça suas atividades:
 Os enfermeiros
 Os técnicos de enfermagem
 Os auxiliares de enfermagem
Pela Lei 7.498/86, o pessoal sem formação específica, exercendo atividades
elementares de enfermagem, terá que requer autorização do COREN para
continuar atuando em enfermagem.

São deveres dos profissionais de Enfermagem:


 Inscrever-se no COREN, em cuja jurisdição exerça suas atividades profissionais.
 Efetuar pagamento da unidade
 Votar em composição do plenário
 Solicitar transferência em caso de mudança de Estado
 Solicitar prorrogação de inscrição provisória
 Solicitar cancelamento de inscrição, quando encerrar as atividades por qualquer
motivo
 Comunicar ao COREN os casos de infrações éticas
 Atender a toda convocação do COREN
 Conhecer as atividades desenvolvidas pelo COREN
 Manter atualizado o seu endereço no COREN

Estrutura Administrativa do COREN


 Departamento de Fiscalização
 Departamento de Inscrição, Registro e Cadastro
 Departamento Administrativo
 Departamento Financeiro
 Departamento de Secretaria e Expediente
 Departamento Jurídico
 Departamento de Imprensa

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Destinação da Receita dos CORENs

 Da receita dos CORENs,25% é destinado ao COREN,sendo que os 75% restantes


são destinados integralmente às despesas com serviços dos CORENs.
 O controle e a avaliação dos gastos efetuados pelos CORENs é feito por uma
Comissão de Tomada de Contas (CTC),composta por membros do Plenário.
 A prestação de contas dos CORENs é enviada ao COFEN,para análise e controle.

Se não receber a Guia de Recolhimento de anuidade via correio


 Comparecer à sede do COREN, a partir do dia 20 de janeiro para receber a guia ou
telefonar solicitando, informar endereço atualizado. Com isto, evite pagar multa e
se beneficie dos descontos.

Se houver mudança de categoria


 O enfermeiro, técnico de enfermagem e o auxiliar de enfermagem devem
comunicar-se por escrito ao COREN,e solicitar mudança de
categoria,entretanto,nada impede que seja mantida a inscrição antiga, ficando
dessa forma com as duas. Chama-se atenção, que o profissional responsabilizar-
se-á pelo pagamento das anuidades referentes aos dois registros.
Se o profissional nunca estiver exercido a profissão
 Somente será necessário o pagamento da anuidade, a partir de quando o
profissional estiver inscrito no COREN , seja por decisão de exercer a profissão,
por ocasião de inscrição em concurso e/ou outras atividades profissionais.

Quando da aposentadoria
 O cancelamento da inscrição deverá ser requerido pelo interessado. Poderá ser
efetuado nos seguintes casos (Res/COFEN nº 244/2000 atr. 54)
 Mudança de categoria ou inscrição
 Encerramento de atividade profissional
 Decisão definitiva em processo ético-administrativo
 Falecimento
 Inadimplência

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Quanto às inscrições:

TEMPO DE VALIDADE DA INSCRIÇÃO PROVISÓRIA – 02 (dois) anos


PRAZO PARA RECEBER A INSCRIÇÃO PROVISORIA – 10 (dez) dias
RENOVAÇÃO DA INSCRIÇÃO PROVISÓRIA – Será renovada por mais de 2 (dois)
anos, desde que o inscrito procure o COREN antes da data de vencimento da
franquia, com apresentação de atestado de conclusão com data atualizada,
quando não houver recebido o diploma ou certificado de conclusão do curso.
PRAZO PARA RECEBER A INSCRIÇÃO DEFINITIVA - 60 (sessenta) dias. No
momento que o profissional dá entrada ao processo de inscrição definitiva,
automaticamente será cancelada a franquia provisória. Passa a valer o processo
da inscrição definitiva.
SE O PROFISSIONAL TRABALHAR COM INSCRIÇÃO PROVISÓRIA VENCIDA –
Incorrerá no art. 47 da lei nº 688/44, combinada com a resolução COFEN nº 167/93
, que dispõe sobre exercício ilegal da profissão, possível de afastamento imediato
da função.
PARA EXERCER ATIVIDADES PROFISSIONAIS EM QUALQUER ESTADO DO
BRASIL – Há necessidades de solicitar transferência de inscrição do COREN de
origem, para o novo destino.

Como proceder para encaminhar comunicado de infrações ao COREN


 Qualquer notificação de infração ética deverá ser feita por escrito. Assinada e
enviada pelo correio ou entregue diretamente na sede do COREN, que se
responsabiliza pelo sigilo da autora da denúncia.

O que é Dívida Ativa e como funciona


 De acordo com a lei 6.994,as taxas e anuidades devidas aos Conselhos são fixadas
obedecendo as normas do Ministério do Trabalho, constituindo-se ,portanto débito
com a autarquia não tendo os mesmos poder de reduzi-las ou anistiá-las
 O profissional que não cumprir essa obrigação, será submetido a execução fiscal
através da JUSTIÇA FEDERAL.

Podem-se exercer atividades profissionais em mais de um Estado?


 Sempre que houver inscrição definitiva em um Estado e secundário em outro.

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Referências Bibliográficas

ALMEIDA,M.C.P. O saber de enfermagem e sua dimensão prática . São


Paulo:Cortez,1986
BRASIL, Leis, etc. Lei 5.905, de 12 de julho de 1973. Dispõe sobre a criação dos
Conselhos Federal e Regionais de Enfermagem e dá outras providências. Diário
Oficial da União, Brasília, 13 de julho de 1973. Seção I, p. 6.825.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM. Documentos Básicos de Enfermagem.
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DE SÃO PAULO. Home-page.
GEOVANINI, T . et al. História da enfermagem: versões e interpretações. Rio de
Janeiro:Revinter , 2002.
LOUZEIRO,J.A.N.A brasileira que venceu a guerra.Rio de Janeiro:Mondrian,2002
MOREIRA, A escola de Enfermagem Alfredo Pinto- 100 anos de história. Rio de
Janeiro. Dissertação de Mestrado, Universidade do Rio de Janeiro- UNIRIO, 1990.
SEYMER, L. Florence Nightingale.São Paulo: Melhoramentos, s/d.
TURKIEWICZ, Maria. História da Enfermagem. Paraná, ETECLA, 1995.

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Anexos

Florence Nightingale

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36

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37

Ana Neri

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