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Disciplina: TEORIA PSICOTERAPICAS II

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE OBSESSIVO COMPULSIVO

Prof.: INGRID FRANKE

Acadêmicos:
Denise Moreira
Giovani figueiredo
Jéssica Milk
Kelvin Pereira Rodrigues

Novembro, 2017.
Sumário

INTRODUÇÃO..................................................................................3
DESENVOLVIMENTO DO TP...........................................................3
CRITÉRIO E DIAGNOÓSTICO SEGUNDO O DSM-V.....................5
TPOC: Transtorno de Personalidade Obsessivo Compulsivo........5
TOC: Transtorno Obsessivo Compulsivo.......................................5
ESTUDO DE CASO..........................................................................6
MODELO COGNITIVO......................................................................7
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL.........................................................9
Transtorno obsessivo-compulsivo..................................................9
Transtorno de acumulação.............................................................9
CONCLUSÃO....................................................................................9
REFERÊNCIAS...............................................................................10
INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem por finalidade apresentar o Transtorno de
Personalidade Obsessivo Compulsiva, uma patologia onde encontramos
pessoas perfeccionista, dentre outros traços caracterizam estes transtornos de
personalidades, que serão descritos no decorrer do trabalho. Outra questão
importante neste é salientar alguns fatores em pauta, relativo ao Diagnóstico
Diferencial entre TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e o assunto tema
deste referido trabalho TPOC (Transtorno de Personalidade Obsessivo
Compulsivo). O TOC e O TPOC caracterizam-se por terem seus sintomas uma
aparência muito parecida, resultando e uma dificuldade por parte de alguns
profissionais diagnosticar/classificar os dois transtornos.

A diferença primária apontada por Widiger e Francis (1992) caracteriza


os sujeitos portadores de TPOC, com um padrão de comportamentos que o
acompanharão por todo o curso de sua vida, mas, sem a existência de “rituais”
comportamentais. Já o TOC o indivíduo desenvolve padrões comportamentais,
voltado aos seus pensamentos distorcidos e súbitos, ofensivos, inadequados e
permanentes (obsessão), resultando em comportamentos rígidos e
desproporcionais, conferindo, arrumando, estocando, etc.... (Compulsão)
compreendido como um alivio.

No Transtorno de Personalidade Obsessivo Compulsivo, fatores com um


lar rígido e controlador, pode resultar em desejo ora consciente e lucido e em
alguns momentos não, de controle de si, do ambiente e de pessoas, resultando
muitas vezes em indecisão, inflexibilidade e muitas vezes poucos recursos
emocionais.

DESENVOLVIMENTO DO TP
No TPOC, encontramos pessoas com um padrão rígido e inflexível de
personalidade no que tange perfeccionismo e o fiel cumprimento de regras e
leis próprias. As pessoas que sofrem deste determinado transtorno têm uma
preocupação exacerbada com detalhes que para muitas pessoas passam
despercebidos no cotidiano. Geralmente pessoas que desenvolvem TPOC, tem
obsessão por organização, cumprimento de regras, limpeza, ordem de seus
pertences, transpondo muitas vezes para seu ambiente de trabalho, entretanto
esse perfeccionismo muitas vezes pode ser interpretado como virtude por parte
do sujeito, e algumas vezes, por estas preocupações excessiva acabam
deixando a desejar por excesso e por pouco rendimento. Outro fator de suma
importância neste TP é a dificuldade de expressão de sentimentos como
gratidão, generosidade, compaixão e até mesmo tolerância com outras
pessoas, tanto do seio familiar como de sua rede de amigos, prejudicando todo
o seu meio social.

O indivíduo, tem sérios problemas em relação ao prazer, criando regras,


planejamento em excesso, listas e rotas meticulosamente estudadas
exageradamente, e quando enfim chega ao lugar de lazer, dispõe do seu
tempo de descanso, para a regularização, conferencia e controle de tais regras,
visto que ao menor sinal de perda de controle da recreação, tem a impressão
de que esta tudo errado, muitas vezes a negação do lazer/ descontração é
justificada pela falta de controle do evento. Outros traços frequentes destes TP
além da rigidez, inflexibilidade bem como a teimosia, no que tange aspectos
profissionais, tarefas que seriam realizadas em poucos minutos se tornam
árduos trabalhos da mais alta complexidade por conta do perfeccionismo
exacerbado.

Como supracitado acima na introdução muitos profissionais, tem


dificuldades em fazer o diagnóstico diferencial entre TOC e TPOC, pois o
mesmo tem características parecidas, estas confusões podem ocorrer devido à
falta de informações de alguns profissionais devido a esta semelhança, ainda
como fator que dificulta o diagnóstico é a comorbidade, logo, os pacientes
apresentam a mesma sintomatologia. O TPOC é descrito pelo DSM-IV-TR
como

“Um padrão disseminado de preocupação com ordem, perfeccionismo e


controle mental e interpessoal à custa da flexibilidade, abertura e eficiência que
começa no início da idade adulta e se apresenta em diferentes contextos…”
(APA 2000, p. 729).

Ocorre que algumas pessoas procuram tratamento ao notarem,


hábitos ou sintomas inadequados, não muito comum relacionado ao TPOC,
diferentemente de quem sofre de TOC. Uma das diferenciações feitas por
(Bart, 2010) entre TOC e TPOC, é que no TPOC o sujeito entente que seus
traços de personalidade são advindos dela mesma, não ocorrendo uma crítica
sobre seus atos disfuncionais e aceitos por si mesmo. Já para a pessoa que
sofrem de TOC, percebe que atos disfuncionais e extremamente metódicos, é
algo desconfortante e inaceitável. Portanto o tratamento de indivíduos, com
TPOC não é muito comum dentro dos consultórios, diferentemente de quem
sofre de TOC, muitas vezes identificados devido a busca de tratamento, ou
terapia relativo a outros distúrbios ou patologias.

CRITÉRIO E DIAGNOÓSTICO SEGUNDO O


DSM-V
TPOC: Transtorno de Personalidade Obsessivo
Compulsivo
1. É tão preocupado com detalhes, regras, listas, ordem, organização ou
horários a ponto de o objetivo principal da atividade ser perdido.
2. Demonstra perfeccionismo que interfere na conclusão de tarefas (p. ex., não
consegue completar um projeto porque seus padrões próprios
demasiadamente rígidos não são atingidos).
3. É excessivamente dedicado ao trabalho e à produtividade em detrimento de
atividades de lazer e amizades (não explicado por uma óbvia necessidade
financeira).
4. É excessivamente consciencioso, escrupuloso e inflexível quanto a assuntos
de moralidade, ética ou valores (não explicado por identificação cultural ou
religiosa).
5. É incapaz de descartar objetos usados ou sem valor mesmo quando não têm
valor sentimental.
6. Reluta em delegar tarefas ou trabalhar com outras pessoas a menos que
elas se submetam à sua forma exata de fazer as coisas.
7. Adota um estilo miserável de gastos em relação a si e a outros; o dinheiro é
visto como algo a ser acumulado para futuras catástrofes.
8. Exibe rigidez e teimosia.

TOC: Transtorno Obsessivo Compulsivo


A. Presença de obsessões, compulsões ou ambas:
Obsessões são definidas por (1) e (2):
1. Pensamentos, impulsos ou imagens recorrentes e persistentes que, em
algum momento durante a perturbação, são experimentados como intrusivos e
indesejados e que, na maioria dos indivíduos, causam acentuada ansiedade ou
sofrimento.
2. O indivíduo tenta ignorar ou suprimir tais pensamentos, impulsos ou imagens
ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação. As compulsões são
definidas por (1) e (2):
1. Comportamentos repetitivos (p. ex., lavar as mãos, organizar, verificar) ou
atos mentais (p. ex., orar, contar ou repetir palavras em silêncio) que o
indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de
acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas.
2. Os comportamentos ou os atos mentais visam prevenir ou reduzir a
ansiedade ou o sofrimento ou evitar algum evento ou situação temida;
entretanto, esses comportamentos ou atos mentais não têm uma conexão
realista com o que visam neutralizar ou evitar ou são claramente excessivos.

ESTUDO DE CASO
Neste caso apresentamos a cliente J.A.M, 47 anos de idade, casada há
25 anos, mãe de um casal de filhos um rapaz de 21 e uma menina com 19
anos de idade. Ambos não residem mais na casa dos pais. Além de dona de
casa trabalha como gerente de uma loja de moda feminina. A cliente diz que se
casou na idade adequada e se considera “contente”, quando fala da família que
constituiu.

Quanto a infância ela relata os pais se separaram quando ela tinha 09


anos de idade pois o pai era alcoólatra e tinha muito ciúmes da mãe, e que por
diversas vezes presenciou brigas entre eles. Após a separação ela viveu com a
mãe e mais três irmãs, sendo ela a mais velha e que precisava cuidar das
irmãs menores para que a mãe pudesse trabalhar, mas que a mãe nunca
estava satisfeita. Aos 17 anos de idade saiu de casa para trabalhar como
doméstica.

J.A.M, tentou cursar a faculdade de administração, mas desistiu no 4


semestre pois alegou não se adequar a metodologia do curso, considerava os
colegas e professores “desorganizados”.

Quanto ao marido, descreve ele como sendo alguém que não tem
iniciativa alguma, ela conta que o parceiro não arruma as coisas dentro de
casa, deixando-a toda bagunçada. Quando tenta fazer algum serviço
doméstico, passa horas intermináveis trabalhando, finalizando em um serviço
muito mal feito. Mais do que isso, suja toda a casa tentando fazê-lo. Traz
também que evita ficar na presença do marido o tanto quanto pode.

Também relata queixas em relação aos filhos, relata que eles se


parecem com o pai, que somente agora que saíram de casa ela consegue
manter um pouco da organização e da limpeza da casa, relata que até tentou
ensinar os filhos a serem mais organizado, mas no final ela sempre tinha que
refazer tudo e mesmo assim sua casa nunca era como ela gostaria e
imaginava, que nunca é visitada pela família porque sua casa não é bonita,
limpa o suficiente nem organizada.

No trabalho se queixa da equipe de trabalho que deveria ser mais


eficiente no atendimento e organização da loja, que nunca está com as roupas
dobradas e ordenadas corretamente e que ela passa mais tempo reordenando
os itens da loja e do estoque do que gerenciando a equipe. Ela acredita que
isto vai acabar lhe prejudicando podendo perder o emprego pois a responsável
pela equipe é ela, no entanto o desleixo deles está refletindo no seu
desempenho, pois quanto mais ela cobra, e faz da maneira certa mais falhas
ela encontra. Relatou que se sente ansiosa e no auge de sua ansiedade é
acometida por pensamentos de que algo ruim estaria para acontecer com sua
ela que sofreria um derrame ou um ataque do coração e que não teria ninguém
para ajudá-la já que ninguém se importa com ela. Segundo a cliente, os
pensamentos parecem avisos e acontecem ao menos cinco vezes por dia, e
que após estes pensamentos ela procura fazer suas atividades o mais rápido
possível pois caso aconteça algo, não fique nada pendente.
MODELO COGNITIVO

Situação 1: Situação 2: Situação 3:

Insatisfação com marido Rigidez no trabalho Mal-estar

Pensamento automático Pensamento automático Pensamento automático


(PA) (PA) (PA)

“Ele é bagunceiro, não faz Equipe relapsa e Vou morrer, algo vai
nada direito.” desorganiza. acontecer comigo e ninguém
irá me ajudar.
Significado do PA: Significado do PA: Significado do PA:

Hiper-responsabilidade, Hiper-responsabilidade Hiper-responsabilidade


infelicidade.

Emoção: Emoção: Emoção:

Tristeza, ansiedade Ansiedade, insegurança, Ansiedade, medo.


culpa
Comportamento: Comportamento: Comportamento:

Refazer as atividades feitas Refazer as atividades feita Realizar as atividades o mais


pelo marido, criticar. pela equipe, exagerar nas rápido possível.
cobranças, tentar controlar
tudo.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Transtorno obsessivo-compulsivo. Apesar de serem
semelhantes, o transtorno obsessivo-compulsivo deve apresentar obsessões e
compulsões verdadeiras.
Transtorno de acumulação. Deve apresentar extrema acumulação
de objetos praticamente inúteis, como pilhas, ferramentas quebradas,
documentos sem validade, etc.... dificultando até mesmo o trânsito dentro de
casa.

CONCLUSÃO
Tendo em vista os aspectos estudados foi possível compreender a
diferença entre TOC e TPOC, visto que ambos são transtornos psicológicos e
encontram-se descritos no DSM-V.

Um ponto que deve ser observado e é bem distinto entre eles é o fato de
que no TPOC as obsessões e compulsões são egossintônicos, já no TOP
esses traços são egodistônicos.

Ainda assim existem muitas semelhanças entre os dois transtornos


havendo assim, a necessidade de uma avaliação criteriosa para que não
ocorram erros de diagnóstico.

REFERÊNCIAS
Bart, J.; Kaplan, A.; e Hollander, E. Transtorno de Personalidade
Obsessivo-Compulsiva.
https://psicopauta.wordpress.com/2014/04/15/toc-e-tpoc-transtornos-
que-se-confundem/
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-
55452004000200007
BECK, Aaron T.
Terapia cognitiva dos transtornos da personalidade [recurso eletrônico] /
Aaron T. Beck, Denise D. Davis, Arthur Freeman ; tradução: Daniel Bueno ; – 3.
ed. – Porto Alegre : Artmed, 2017.
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais:
DSM-5 / [American Psychiatric Association ; tradução: Maria Inês Corrêa
Nascimento... et al.] ; revisão técnica: Aristides Volpato Cordioli ... [et al.]. – 5.
ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre :
Artmed, 2014.