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170 Judith Martins-Costa

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línea, per(). dotándol~ así también de .um~ quaisquer elementos que não fossem estri,
raiva, 1994.
concie11cia más aguda de lá propia direcciói\,'
tamente jurídicos. Paralelamente, a vertente
[· d~ .· un~ dire~.~i~n 'lue.11.~ se ~I\ cu entra
certeramente'trázada;p(m; um:· incesante • filosófica do jusnaturalismo racionalista
· • movimief\!O. evolutivo. bajo. el signo de un contribuiu para a preponderância da con,
·. ·c.onstante prqgreso,< sino 9.1;1e .está circ~~·. cepção de um direito a, histórico, eterno,
·. tandadamente trenzada com el recurso de·~
la única riqueza disponible para .la imutável. 2
experiencia humana, la vida enteramente . Há algumas décadas, contudo, têm
vivida, en exposición completa com todo su
surgido escritos sobre História do Direito,
patrimonia de valores y desvalores"L
(PAOLO GROSSI,Professor de Historia do revelando a preocupação de traçar a evolu,
I· Direito da Universidade de Florença, Itália) ção do fenômeno jurídico e da forma de
pensar o direito, suas continuidades e

SUMÁRIO: 1. PAOLO GROSSI, "E/ punto y la línea (historia de/ derecho y


derecho positivo en la formación de/ jurista de/ nostro
Introdução. tiempo) ~ discurso proferido por ocasião do recebimento do
título de doutor honoris causa na Universidade de Sevilha,
I- Notas sobre a ciência histórica. 1998,p.29. .
II- Algumas contribuições da ciência 2. A elaboração dos códigos civis, nos séculos XVIII e XIX,
histórica à tarefa do historiador do Direito. corresponderia ao ápice de uma evolução que se vinha de-
lineando desde os romanos. Trata-se do equivalente jurídi-
Conclusão. co da noção de progresso histórico (Conforme LE GOFF,
História e Memória, p. 14). PAOLO GROSSI aponta os fato-
Bibliografia. res que explicam o fenômeno que ousamos chamar de
"deshistoricização" do direito (ob. cit., p.20}.

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descontinuidades. Exemplos dessa tendên, mas questões concernentes ao estatuto ci, "De fato, a insistência dos histo, tribunais. A dupla história,ficção, que vem
cia que busca resgatar a importância e a entífico da História, seu objeto e sua rela, riadores (... ) em procedimentos estrita, suscitando discussões em torno do estatuto
indispensabilidade da "perspectiva históri, ção com o tempo, à luz da contribuição de mente científicos, onde cada declaração cognitivo historiográfico, seria oposta à
ca" para a compreensão do jurídico são, duas das principais escolas da história ana, é acompanhada de provas, fontes de re, aproximação história, direito, 6 como reação
dentre inúmeras outras, as obras de FRANZ ferências e citações, é às vezes pedante e do paradigma racional científico às críticas
lítica/estrutural: marxismo e escola dos
trivial, principalmente agora que isso não pós,modernas. 7
WIEACKER, na Alemanha; annales.
participa mais de uma fé na possibilida,
BARTOLOMÉ CLAVERO, na Espanha;
Evidentemente, tais notas, feitas na de de uma verdade científica definitiva, Assim, visualiza, se o que
PAOLO GROSSI, na Itália; CABRAL DE positivista, que lhe conferia uma certa
condição de observateur da ciência históri, HOBSBAWN aponta ser o fundamento da
MONCADA, MÁRIO JÚLIO DE grandeza simplória. No entanto, os pro,
ca, não pretendem esgotar a temática, an, ciência histórica: a supremacia da evidência,
ALMEIDA COSTA, NUNO ESPINOSA cedimentos do tribunal de justiça, que
tes dirigem seu olhar aos aspectos que a busca da veracidade, que permanece sen,
GOMES DA SILVA e ANTÔNIO MA, insistem na supremacia da evidência com
podem ser relacionados com a disciplina da do traço distintivo entre a história e as pro,
NUEL HESPANHA, em Portugal; a mesma força que os pesquisadores his,
História do Direito- o que já revela a par, duções puramente ficcionais.
MIGUEL REALE e NELSON tóricos, e muitas vezes quase da mesma
cialidade e estreiteza da análise. A modernização da ciência históri,
SALDANHA, no Brasil. maneira, demonstram que a diferença
A partir desses pressupostos, inten, entre fato histórico e falsidade não é ideo, ca, iniciada na segunda metade do séc.
O presente estudo visa, destarte, lógica.( ... ) Quando uma pessoa inocen, XVIII, tem como um de seus princípios bá,
taremos, na segunda parte, identificar al,
apontar algumas questões para uma análise te é julgada por assassinato, e deseja
gumas contribuições da História à História sicos a racionalidade do método como es,
do estatuto epistemológico da disciplina da provar sua inocência, aquilo de que se
do Direito, tendo em vista as questões aci, tratégia cognitiva no trato da experiência
História do Direito. Quais seus limites, seu necessita não são as técnicas do teórico
ma referidas, ou seja, a investigação sobre a passada. 8 O método racional científico apli,
objeto, sua especificidade? Qual a tarefa do pós,moderno, mas do antiquado histo,
natureza da História do Direito. 4 Não são cado à História reflete,se, além da supre,
historiador do direito? É possível a elabora, riador." 5
certamente as únicas "pontes" entre a His, macia da evidência, na tentativa de
ção de um instrumental teórico para análi, O autor, em sua crítica às vertentes
tória e a História do Direito; cuida,se tão, elaboração de um instrumental teórico apto
se do fenômeno jurídico no seio da História da denominada pós,modernidade, aproxi, a investigar a realidade social. Busca,se a
somente dos primeiros passos num terreno
do Direito? Qual a sua contribuição, ao lado ma a busca da verdade na história àquela
ainda pouco explorado. ruptura com o senso comum, ou saber ideo,
da Filosofia do Direito, para repensar a teo, intentada pelos operadores jurídicos nos lógico, 9 que elaboram explicações simples,
ria do DireitoP E qual a especificidade da
História do Direito, que legitima sua carac, I - Notas sobre a ciência
terização como ramo da História (se for histórica 5. HOBSBAWN, Não basta a história de identidade, p. 287. Também PATRICK NERHOT identifica o método histórico, em sua
possível). busca de conhecer e atestar o verdadeiro, ao método jurídico, ou à busca judiciária da verdade nos tribunais (ln No princípio era
Considerando que o norte do presen, o Direito ... , p. 91).
Não temos a pretensão de solucio, te estudo reside na reflexão sobre a Histó, 6. Outro ponto comum seria o fato de o discurso de ambas ser, via de regra, fator de legitimação dos que estão no poder (PETERSEN,
ria do Direito, e não sobre o estatuto O conhecimento histórico na atualidade, p. 213). A relação entre direito e poder é particularmente evidenciada, não só pelo
nar as inquietações indicadas, mas apenas caráter exclusivamente estatal da produção da fonte jurídica (lei), mas também pelo fato de ser a composição de um dos três
de apontar alguns caminhos. É na epistemológico da História propriamente poderes da República inteiramente feita por egressos das faculdades de direito. Segundo RÜSEN, orientar é tarefa da história
historiografia que encontraremos apoio para dita, 1n1c1amos a abordagem da (Narratividade... , p. 80)- outro traço comum entre os dois discursos, em nosso entender.
tais reflexões. Assim, na primeira parte do cientificidade na História com a seguinte 7. ROUANET identifica três vertentes da crítica ao pensamento iluminista: aprimeira seria encabeçada por ADORNO eHORKHEIMER,
passagem de HOBSBAWN: a segunda por FOUCAULT, e a terceira pelos pós-estruturalistas ou pós-modernos ("Razões do neo-iluminismo". ln A criação
trabalho em epígrafe, tratar,se,á de algu, histórica. Cornelius Castoriadis e outros, p. 12). Também sobre a pós-modernidade e giro lingüístico na história: RÜSEN, J., A
História entre a Modernidade e a Pós-modernidade; LACERDA, Sônia, História, narrativa e imaginação histórica; Cézar,
TEMÍSTOCLES, Sob o firmamento da história: o "mito" do texto como representação objetiva do passado.
8. RÜSEN, Narratividade e Objetividade... , p. 81; CÉZAR, cit., p. 167.
3. Tais inquietações orientam nosso estudo, ainda que não se tenha a pretensão de solucioná-las num trabalho de dimensões 9. BRAUNSTEIN, "Cómo se constituye una ciencia?", p. 11. BACHELARD examina a formação do conhecimento científico em
limitadas como o que ora se propõe. termos de obstáculos, que seriam causas de estagnação, de inércia do ato de conhecer (A formação do espírito científico, pp. 17-
4. É também a insatisfação com o indesejável distanciamento - historicamente explicável, diga-se de passagem - que o Direito 18). O primeiro obstáculo seria a opinião, experiência primeira, expressão do senso comum, que se forma antes da crítica (Ob.
mantém em relação às demais ciências sociais, que inspira o presente estudo. cit., pp. 18-19).

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confundindo o real com o aparente. 1°Como coordenada preciosa, sutil e complexa - o junturas, múltiplas realidades da vida so .. dentre as inúmeras dimensões do social: a
as demais ciências sociais, a História elabo, tempo ... ".16 MARC BLOCH acrescenta que cial.2o dimensão jurídica. É dela que nos ocupare ..
ra códigos de leitura do real (conceitos e não é o passado em si o objeto da história, Para o historiador francês, a longa mos no item que segue.
relações entre conceitos) com o intuito de mas a relação dos homens no tempoY A duração seria a linha mais útil para uma
conhecer e interpretar a realidade social. relação com o tempo consistiria na observação e reflexão comuns às ciências II- Algumas contribuições da
Ao romper com o senso comum da memó, especificidade do conhecimento histórico, sociais, as quais não deveriam ocupar.. se em ciência histórica à tarefa
ria coletiva, 11 elabora abstrações, "catego, tantas discussões sobre suas fronteiras, mas do historiador do Direito
seu traço distintivo das demais ciências so,
rias perceptivas". 12 sim em traçar as linhas de uma pesquisa
ciais. A identidade entre os métodos jurí,
No plano historiográfico, consoante coletiva e de temas que permitam atingir
É significativa, a respeito do tempo, clico e histórico seria um rico ângulo para
BRAUNSTEIN, o materialismo histórico uma convergência. 21
a reflexão de FERNAND BRAUDEL. 18 reflexão sobre a racionalidade ocidental,
constitui um referencial de elaboração teó, O estudo da duração sob todas as afirma NERHOT. 26 Como já referimos no
rica para compreensão da realidade, elegen, Opondo, se ao tempo curto, instantâneo, da
suas formas permite que a História, dialética início do item anterior, o paradigma do
do como conceito,chave o "modo de história política tradicional, événémentielle,
da duração, entre movimento e semi..imo .. método jurídico e seu compromisso com a
produção", enquanto forma de organização propõe três dimensões da temporalidade, a bilidade, 22 penetre em todo o social, tendo veracidade exclui, em princípio, teorizações
do trabalho humano. Em torno dele articu, serem utilizadas pelos historiadores em suas em vista que tudo é História. 23 Essa idéia sobre a ficção no direito. Há que se atentar,
lam,se outros lugares teóricos assinalados análises do real. A primeira seria a dimen, de historicidade do social, legado do todavia, para a diferença entre a prática dos
por MARX, 13 como infra,estrutura econô, são temporal geográfica, quase imóvel, es, historicismo do séc. XIX, 24 foi outra impor.. tribunais, e os métodos nela utilizados, e o
mica, supraestrutura jurídico,política, ide, fera das relações do homem com o meio. A tante contribuição dos historiadores dos método concernente à produção acadêmi..
ologia, processo de sujeitação, luta de segunda seria a história lenta, das civiliza, annales, no sentido de ampliação das fron .. ca do conhecimento jurídico, sujeito a se ..
classes como constante na história, 14 etc. teiras do conhecimento histórico, da no .. melhantes preocupações em torno da
ções, sociedades, Estados, economias. A
Outra importante matriz terceira, concernente à história tradicional, ção de fonte histórica e das investigações relação sujeito .. objeto na construção do
historiográfica, ao lado do marxismo, foi a seria a dimensão do indivíduo, as oscilações interdisciplinares.25 conhecimento.
escola dos Annales. 15 breves e rápidas, "agitações de superfície" .19 A idéia de que tudo é História, ao No entanto, não se pretende aqui
LUCIEN FEBVRE, um de seus fun, Insurge, se contra a imposição de um só rit, estender os objetos do fazer histórico, cons .. realizar um quadro comparativo, tampouco
dadores, ensina que a história não é mero mo (o ritmo ágil da conjuntura econômi, titui um primeiro passo para legitimar a exis .. um exame das relações entre as duas disci,
exercício de erudição, mas uma "explica, ca), com seus imperativos e suas tência de uma História do Direito enquanto plinas - o que remeteria à questão da
ção do homem e do social a partir dessa conseqüências lógicas, se há diversas con, disciplina autônoma, que examina uma interdisciplinariedade e os riscos da apro ..

20. BRAUDEL, O Mediterrâneo e o mundo mediterrânico à época de Filipe 11. Vol. 11, p. 262.
10. SEDAS NUNES, pp. 37-38.
11. LE GOFF antepõe memória coletiva à ciência histórica produzida na academia. 21. BRAUDEL, "História e ciências sociais. A longa duração".ln Escritos, pp. 75-77.,
22. BRAUDEL, OMediterrâneo. Vol. 11, p. 261.
12. SEDAS NUNES, p. 39.
13. Idem, p. 16. 23. BRAUDEL, "História e sociologia". ln Escritos, pp. 98-99.
14. BRAUNSTEIN, pp. 14-15. 24. Sobre histericismo e sua formação no contexto da Alemanha do séc. XIX, vide J. FONTANTA, ob. cit., pp. 118 e128. Acategoria
da historicidade do social é de grande importância para a reflexão aqui proposta. LE GOFF, citando P. VEYNE, afirma que a
15. A Escola dos Annales, fundada por Bloch e Febvre, seria outra vertente da "história científica" iniciada com Ranke (Stone, pp. 97- historicidade, incluindo no campo da história novos objetos (o que até então era considerado nonévénémentie~. colaborou para
98 e 100). Segundo Fontana, caracteriza-se pelo esforço de modernização formal da ciência histórica, encobrindo a ausência de excluir uma idealização da História- já que tudo era História (Ob. cit., p. 19).
um pensamento teórico propriamente dito. Outros traços seriam o ecletismo, a vontade globalizadora, com recurso a elementos
de outras disciplinas- sociologia, antropologia, economia (Ob. cit., pp. 203-4, e 169-170). 25. PETERSON, Silvia. Oconhecimento histórico..., p. 215.
16. ApudBRAUDEL, "Posições da história em 1950".1n Escritos... , p. 34. 26. No principio era o direito..., cit.. Adefinição de Taine para o método histórico teria as seguintes etapas: 1) pesquisa dos fatos, 2)
classificação dos fatos em classes; 3) defini-los; 4) estabelecer relações de dependência para verificar em que medida formam
17. ApudLE GOFF, História, p. 23. sistema com outras definições. Paralelamente, o método jurídico, segundo Maccormick, teria algumas semelhanças: 1) pesquisa
18. A importância dos diversos ritmos da História será retomada adiante. dos fatos; 2) interpretação dos fatos (que compreende sua classificação); 3) interpretar as regras que se reportam a tais fatos; 4)
19. Idem, Escritos ... , p. 14. apreciar as regras em relação ao conjunto/sistema de regras (Ob. cit., pp. 93·94).

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priação indevida de conceitos de uma área estudo as causas do surgimento, evolução e tória événémentielle, busca compreender as do o fenômeno do "desuso" das regras.
por outra.27 Busca,se investigar, à luz da transformação das regras jurídicas nas so, "espantosas permanências" que existem no Outras vezes, pelo contrário, adianta, se em
historiografia, o estatuto cognitivo da his, ciedades - o que remete ao problema das interior das civilizações. 34 O Direito move, relação à moral vigente. Porém sua relação
tória do direito, seus limites, sua fontes 31 do direito. Mas não só as regras se predominantemente no ritmo dos trends com a permanência segue sendo intrínse,
especificidade, o que a torna um ramo da constituem matéria do direito; a noção de seculares e das longas flutuações, 35 e não ca: as próprias inovações operadas no pla,
História, alguns elementos de uma possível experiência jurídica entraria como categoria no tempo ágil das crises econômicas e dos no jurídico só adquirem relevância pela sua
"teoria da História do Direito". Tais refle, do real de grande valia para o pesquisador: eventos. capacidade de constituírem,se estruturas
xões aparecem usualmente como um pe, " ... o Direito não é, apenas, are, repetitíveis. 37
Não significa que não possa haver,
queno item introdutório às obras de História gra jurídica (... ) abrange tudo o que se no percurso histórico,jurídico, o evento, o Atentar para a peculiaridade do rit,
do Direito, 28 sem maior aprofundamento, a relaciona não só com seu aparecimento, tempo curto, em especial quando se trata mo temporal no Direito não interessa so,
despeito de constituírem a opção mas também com seu conteúdo, inter,
do "jovem" direito constitucional e suas fon, mente à leitura da experiência jurídica, mas
epistemológica (ainda que inconsciente), o pretação e aplicação, com eventuais
tes - mais ligado às intempéries políticas também aos pesquisadores de outras áreas
modus operandi do trabalho de investigação distorções ou, ainda, com as reflexões que
(história política é, por excelência, a esfera que manuseiam fontes jurídicas em suas
histórico,jurídica efetuada. provoca" .32
do tempo événementiel) do que, por exem, pesquisas - fontes que, além de exigirem
Primeiramente, faz,se mister identi, A temática das fontes e sua exegese plo, o direito civil, nascido entre os roma, hermenêutica própria, uma vez que sua lin,
ficar seu objeto. Para WIEACKER, o obje, remete à consideração do aspecto tempo, nos, contando com longos dois mil anos de guagem e conceitos têm significado diverso
to da História do Direito seria a ral da História do Direito, que enseja con, trajetória na cultura jurídica ocid~ntal. da linguagem leiga, 38 devem ser vis tas com
compreensão dos "ordenamentos jurídicos seqüências importantes. Isto porque as Contudo, indubitável que o Direito, pela atenção à sua dimensão temporal própria.
passados (ou, eventualmente, vigentes), fontes jurídicas, na maior parte dos casos, sua própria razão de ser, com sua aspiração
destinam,se à aplicação repetida, 33 têm pre, Na tentativa de "teorizar" o estudo
através da exploração da dimensão históri, à justiça e à segurança nas relações entre as
tensão de longevidade, exigindo uma uni, jurídico,histórico, NELSON SALDANHA
ca do direito". A História do Direito Priva, pessoas na sociedade, transcorra sobre a
dade de medida temporal que não se esboça alguns elementos e premissas que
do intentada pelo autor "ocupa,se dos repetibilidade estrutural, e seja espaço pri,
integrariam o instrumental teórico da dis,
pressupostos culturais e científicos do di, coaduna com o tempo curto do evento. vilegiado para as permanências. Não se trata
ciplina. Refere,se a um sistema de referên,
reito privado de hoje" .29 As contribuições de BRAUDEL são de uma esfera de imobilidade total: muda o
cias que representam um modo de conhecer
valiosas nesse sentido. A categoria da lon, direito, à medida em que se transforma a
Outros autores, como NUNO o direito, distinguindo uma mera investiga,
ga duração, oposta ao tempo curto da his, sociedade, pois é parte integrante do social,
ESPINOSA, 30 indicam como objeto deste ção das realidades jurídicas e seus percur,
é reflexo das necessidades econômicas e
sos históricos (pesquisa descritiva) do
políticas da conjuntura. É, nas palavras de
entendimento da realidade jurídica como
PAOLO GROSSI, "dimensão da vida" .36
27. PETERSEN, Silvia. Algumas observações sobre a interdisciplinariedade, pp. 109-111. fenômeno histórico. 39 Não seria um mero
28. A única exceção em forma de livro, encontrado na Biblioteca da Faculdade de Direito da UFRGS, é O problema da história no Por vezes, como a ética e a moral, método de coleta de dados, mas almejaria a
pensamento jurídico contemporâneo, do professor pernambucano Nelson Saldanha. A obra de MIGUEL REALE, Horizontes do custa a absorver as modificações, ocorren, compreensão dos processos, sendo o regis,
Direito e da História, coletânea de artigos diversos, contém alguns textos que abordam o tema. Nos periódicos, encontramos um
antigo texto de CABRAL DE MONCADA, historiador português, publicado no Boletim da Faculdade de Direito de Coimbra de
1929, intitulado Problemas metodológicos da história do direito.
29. WIEACKER, pp. 1-3. 34. OMediterrâneo. Vol. 11, p.132.
30. História do Direito Português, pp. 9 e ss. 35. Idem, pp. 262 e 265. Registra BRAUDEL que "...os movimentos longos das civilizações, suas florações, no sentido tradicional da
palavra, surpreendem-nos e desconcertam-nos" (Ob. cit., p. 268).
31. A palavra aqui designa os fatores que, numa dada sociedade, originam regras de conduta, tais como a lei, o contrato, o costume,
os mitos nas sociedades primitivas. Outro sentido para o termo fonte seria aquele utilizado pelos historiadores: os textos jurídicos 36. GROSSI, E/ punto y la línea (Historia de/ derecho y derecho positivo en la formación de/ jurista de/ nostro tiempo), discurso
seriam a fonte por excelência, não só para a História do Direito, mas também para a própria ciência histórica e disciplinas afins, proferido por ocasião do recebimento do título de doutor honoris causa na Universidade de Sevilha, 1998, p. 21.
consoante o objeto de investigação. 37. KOSELLECK, p. 178.
32. ESPINOSA, Nuno. Ob. cit., p. 1O. 38. Idem, pp. 176-177.
33. KOSELLECK, Histoire, Droit et Justice, p. 175. 39. SALDANHA, cit., pp. 54-58.

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tro dos eventos um ponto de partida, e sem, cial" dos práticos) igualmente afigura,se Conclusão O objeto da História do Direito é cir,
pre associada à concepção do direito como relevante para evitar os relatos simplórios e cunscrito às formas da experiência jurídica
histórico, em oposição ao direito natural a reprodução do discurso oficial de As breves reflexões aqui expostas
dos homens no tempo (o que já não é pou,
conservador e imutável. Tratando,se do sobre a História do Direito foram feitas a
legitimação do poder. 43 A ruptura com o co!). Não se pode, portanto, exigir,lhe ex,
Direito brasileiro, há que se ter em conta a partir de contribuições de duas das grandes
conhecimento vulgar da história oficial plicações globais, tampouco respostas a
tensão entre o legado europeu e a latência escolas da história estrutural ou científica, 48
pode ser feita ao nível das perguntas, 44 man, perguntas equivalentes àquelas formuladas
das espontaneidades criadoras, colocando o marxismo e a escola dos annales, a respei,
tendo uma postura científica de permanente na seara História científica. 51
as necessidades jurídicas nacionais em pla, to da necessidade de elaboração de um ins,
interrogação, suscitando constantes
no de independência, evitando,se a atitu, trumental teórico e da relação com o tempo, Com isso, é válida a lição de
releituras em torno do passado jurídico.45
de mimetista. 40 respectivamente. Trata,se, evidentemente, KOSELLECK, no sentido de que a Histó,
Assim, a reflexão à luz de pressupos, de possíveis visões sobre a relação entre ria do Direito precisa de outras abordagens
Em sentido semelhante, afirma tos que, na Historiografia, já integram o História e História do Direito, sem a pre, historiográficas, não como meras auxiliares
KOSELLECK que a História do Direito te, corpo da disciplina, embora eventualmen, tensão de exaustividade. na leitura de seus textos, mas para a com,
ria como resultado uma linha cronológica te possa parecer pobre ao historiador, ao preensão de uma História do Direito inte,
(enfrentando, tal como o cientista, historia, Do ponto de vista da História cientí, gral.sz
historiador do direito aparece como um viés fica, afigura,se,nos legítima a constituição
dor, o problema da periodização) 41 e uma
de análise enriquecedor, passo cognoscitivo da História do Direito, como um de seus Acrescentaríamos que a História do
estrutura sistemática. 42
indispensável para compreensão do que é o ramos especializados, dotado de ritmo pe, Direito não apenas precisa dos conhecimen,
Revela, se, portanto, ainda incipiente Direito. culiar e voltado à dimensão jurídica dà'rea, tos trazidos pelas outras Histórias, enquan,
a tarefa de elaboração de um instrumental lidade social (tendo em vista a historicidade to troca interdisciplinar, mas
Afinal, também a tarefa da História
teórico da História do Direito, muito aquém do social, que ampliou os objetos fundamentalmente das contribuições rela,
do Direito, em sua apropriação do passado,
dos lugares teóricos assinalados por MARX "historicizáveis") .4 9 tivas a seu corpo teórico, conceitos e cate,
para compreender a realidade histórica. consiste na formação de uma identidade em
gorias, devendo manter,se atenta aos
Conta,se apenas com algumas premissas torno da cultura jurídica, enquanto meca, A História do Direito, disciplina au,
debates sobre o estatuto epistemológico de
que, contudo, já auxiliam o investigador, e, nismo de autopreservação social, 46 e teria tônoma, conta com alguns pressupostos te,
sua "ciência,raiz", que é a ciência históri,
principalmente, reagem contra a mentali, missão cognitiva quanto à óricos, algumas categorias que auxiliam o
c a.
dade vigente, que concebe o direito como "autoconscientização do homem relativa, pesquisador na periodização e na constru,
a,histórico, dissociado do todo social. A mente às suas próprias constituintes da exis, ção do conhecimento. Cabe a ele buscar
na ciência histórica seu instrumental, man,
Bibliografia
reflexão acerca da necessidade de rompi, tência humana captáveis directamente e
mento com o senso comum (o "direito ofi, inteligíveis em si próprio". 47 tendo,se atento às discussões que ali de, BACHELARD, Gaston. A formação do espírito
senvolvem,se (sem perder de vista as científico. Trad. Estela dos Santos Abreu. Rio
especificidades de seu objeto). Defendemos, de Janeiro: Contraponto, 1996.
40. Idem, pp, 99·99.
ainda, a importância do papel cultural da BRAUDEL, Fernand. O Mediterrâneo e o Mun-
41. NUNO ESPINOSA aborda o problema da periodização na História do Direito, ob. cit., pp. 14·15. Nelson Saldanha elogia o
esforço de juristas como Wieacker, Wolf e Michel Villey, quando propõem novas periodizações para a história do direito, acompa· História do Direito, essencial para a forma, do Mediterrânico na Época de Felipe II. Trad.
nhadas do exercício de repensar as antigas fontes do direito romano, afastando as interpretações liberal-individualistas que ção dos juristas de nosso tempo. 5° da 4. ed; francesa (1979). São Paulo/Lisboa:
caracterizaram a História do Direito até o início deste século (Ob. cit., p. 85).
42. KOSELLECK, p. 173.
43. A História contribui, ainda, para oferecer novos código de leitura para o fenômeno jurídico: além de ser visto como reação aos 48. Ambas caracterizam-se pela extensão do objeto e modelo científico de conhecimento - princípio macro-explicativo e sistêmico
problemas sociais, ou como regulador de litígios, pode ser enfocado sob o prisma da contestação da ordem dada, a partir do (PETERSEN, ob. cit., p. 215).
questionamento acerca de seus mecanismos de elaboração, que refletem a legitimação do poder de certos grupos. Nesse
sentido, é interessante a observação de CERTEAU, sobre as condições de produção do conhecimento histórico (ln La historia... , 49. LE GOFF, cit., p. 19.
pp. 23 e 29). 50. GROSSI, ob. cit., p. 19.
44. SEDAS NUNES, p. 43. 51. Deixamos de lado, por ora, as críticas "pós-modernas" às explicações globais da História, bem como a discussão em torno da
45. Tal qual a incessante reconstrução do passado pelos historiadores, mencionada por LE GOFF (Ob. cit., p. 25). "volta à narrativa".
46. PETERSEN, Oconhecimento histórico... , p. 213. 52. KOSELLECK sustenta que os fenômenos de interdependência oferecem interpretações pertinentes, apesar de toda a reserva de
47. WIEACKER, p. 5. revisão (Ob. cit., pp. 179-180).

Revista da Faculdade de Direito da UFRGS, v. 18, 2000 Revista da Faculdade de Direito da UFRGS, v. 18, 2000
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