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PORTAL TERCEIRA VISÃO

Curso Avançado de Terapias Holísticas


Módulo Terapias Naturais

:: Fitoterapia 01 ::

Portal Terceira Visão


Ensino Multidisciplinar em Terapias Naturais,
Holísticas e Complementares
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USO DE PLANTAS MEDICINAIS – ASPECTOS HISTÓRICOS

A utilização de plantas pelo homem é tão antiga quanto qualquer fato da história que esteja
cientificamente constatado. A evolução e o aperfeiçoamento do uso das plantas medicinais
também acompanham a evolução humana, conforme a ciência vem tomando conhecimento ao
longo de pesquisas e realização das grandes descobertas arqueológicas.
Qualquer alusão da antiguidade que se refira à farmácia e medicina demonstra uma profunda
conexão entre ambas e a Fitoterapia. Para compreendermos o desenvolvimento de qualquer uma
delas, a outra é necessária, tanto quanto se faz necessário buscar dados sobre a utilização
terapêutica de plantas, e de que forma se dava essa utilização, seja numa visão religiosa,
mística, empírica ou científica.

A medicina antiga (pré-história)


Na pré-história o homem vivia em íntimo contato com a
natureza, com desenvolvimento intelectual incompleto e modo
de vida primitivo. As doenças eram vistas como forças
desconhecidas, sobrenaturais, havendo algumas evidências na
paleontologia e na antropologia que permitem-nos concluir que
a medicina pré-histórica evoluiu de práticas mágicas, instintivas
e empíricas.
O uso de rituais mágicos estava baseado na crença de que os
demônios da natureza eram os responsáveis pelos inúmeros
males e pelas mortes.
Encontrados crânios pré-históricos com orifícios de trepanação: orifícios de diferentes formas e
tamanhos; às vezes vários orifícios em um único crânio.
Enfim, a história da medicina estava estreitamente ligada à da religião – finalidade comum: a
defesa do indivíduo contra as forças do mal (demônios, maus espíritos).

A medicina na Mesopotâmia
Civilizações da Mesopotâmia:
 Sumérios (4000 a.C. – 2000 a.C.)
 Assírios e babilônios (2000 a.C. – 1580 a.C.)
Localização:
 Norte da Península Arábica. Vale de Ur
(Iraque).
 Golfo Pérsico  Rios Tigre e Eufrates.

A medicina dos sumérios


 A medicina da civilização suméria baseava-
se na astrologia (magia e empirismo).
 Os astros governavam as estações; as estações determinavam as doenças.
 O sangue continha toda a força vital do organismo. O fígado era o centro de
distribuição do sangue.
 O fígado era o órgão mais importante do corpo humano; sede da alma. Eles faziam
adivinhações utilizando-se de fígados de animais.

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A medicina dos assírios e babilônios


 A astronomia e a astrologia tornaram-se mais importantes, pois serviam para que o rei
pudesse conhecer e seguir as orientações dos deuses.
 Astronomia (racional e científica) e astrologia (mágica e ritualística)  suportes para a
arte-ciência médica da época. A prática médica era prerrogativa dos sacerdotes.
 As cirurgias deviam ser praticadas pelos homens do povo.
 Código de Hamurabi (1948-1904 a.C.)  dispunha sobre a responsabilidade civil e
penal dos médicos e determinava acerca dos honorários.
 Os sacerdotes deviam prestar contas com os deuses; os cirurgiões perante o Estado.
 Os médicos assírios e babilônios eram astutos observadores da natureza: contribuíram
com importantes avanços para a medicina empírica. Usavam medicamentos sob
diferentes formas: comprimidos, pílulas, pós, enemas e supositórios.
 O prognóstico do doente era decidido por meio de adivinhações e de augúrios
baseados no exame do fígado de carneiro. Doente soprava nas narinas do animal que
depois teria seu fígado examinado. Eram também utilizadas as análises de sangue,
urina e saliva do doente.
 Conheciam doenças dos olhos e ouvidos, reumatismo, doenças cardíacas e doenças
venéreas.
 Em 1924, na Inglaterra, os técnicos do Museu Britânico conseguiram identificar 250
vegetais, minerais e substâncias diversas cujas virtudes terapêuticas eram conhecidas
pelos médicos babilônios. Nos pergaminhos da época são citadas ervas como o
cânhamo indiano, utilizado com analgésico, nos casos de reumatismo.
 Placas de barro de 3.000 aC registram importações de ervas para a Babilônia (trocas
com a China de ginseng aconteceram por volta de 2.000 aC). A Farmacopéia
babilônica abrangia 1400 plantas. O historiador grego Heródoto mencionou que muitos
babilônios eram médicos amadores, os doentes deitavam na rua e pediam conselhos a
quem passava.

A medicina no Egito
Período de auge da civilização:
 Antigo Império (3200 a.C. – 2300 a.C.)
 Médio Império (2300 a.C. – 1580 a.C.)
 Novo Império (1580 a.C. – 525 a.C.)
Localização:
 Nordeste da África. Região desértica do Vale do Rio
Nilo.
 Heródoto (historiador grego): “O Egito é uma dádiva
do Nilo”.

A medicina egípcia
 A medicina egípcia era fortemente influenciada pela religião (magia e crenças).
 Acreditavam na imortalidade da alma  vida após a morte.
 Os egípcios tinham elementar conhecimento de anatomia humana. A técnica de
embalsamar era uma prova deste conhecimento. O embalsamamento era destinado tão
somente aos nobres e reis. Anubis era descrito como o Deus dos Embalsamadores – a
ele caberia a função de preparar os corpos que deveriam estar conservados para que a
alma imortal dele fizesse uso na outra vida.

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 O médico egípcio era um homem de cultura e erudição. Havia hierarquia


entre os médicos. Homens e mulheres podiam exercer a medicina.
 A prática médica dividia-se em duas escolas: a empírica, cara e reservada aos ricos e à
família real; a mágico-ritualística, barata e popular.
 Utilizavam remédios variados: mel, cerveja, frutas e especiarias, ópio, produtos de
origem animal (gordura, sangue, excrementos), sal e antimônio.
 As cirurgias incluíam, dentre outras práticas, as drenagens de abscessos e furúnculos,
a extirpação de tumores e a trepanação.
 Em 1873, o egiptólogo alemão Georg Ebers encontrou um rolo de papiro. Após ter
decifrada a introdução, foi surpreendido pela frase: "Aqui começa o livro relativo à
preparação dos remédios para todas as partes do corpo humano". Provou-se, mais
tarde, que este manuscrito era o primeiro tratado médico egípcio conhecido.
Atualmente pode-se afirmar que 2000 anos antes do aparecimento dos primeiros
médicos gregos já existia uma medicina egípcia organizada.
 Dentre as plantas mais utilizadas pelos egípcios é indispensável citar o zimbo, a
semente de linho, o funcho, o alho, a folha de sene e o lírio.
 O primeiro médico egípcio conhecido foi Imhotep (2980 a 2900 A.C.), foi o sacerdote
que desenhou uma das primeiras pirâmides. Grande curandeiro, foi deificado, e
utilizava ervas medicinais em seus preparados mágicos. Os Papiros de Ebers do Egito
foram um dos herbários mais antigos que se têm conhecimento, datando de 1550 A.C.,
e ainda está em exibição no Museu de Leipzig (são 125 plantas e 811 receitas). Nota-
se a astrologia integrada na medicina egípcia.
 Na mesma época, médicos indianos desenvolviam avançadas técnicas cirúrgicas e de
diagnóstico, e usavam centenas de ervas nos seus tratamentos. Segundo os hindus "as
ervas eram as filhas prediletas dos deuses".

A medicina grega

Aspectos históricos e
culturais da Grécia antiga.
Localização:
 Sudeste da Europa, entre o
mar Egeu e o
Mediterrâneo.
 A Grécia antiga abrangia o
sul da península Balcânica
(Grécia européia ou
continental), as ilhas do
mar Egeu (Grécia insular) e
o litoral da Ásia Menor
(Grécia asiática).
A partir do século VIII a.C., o território da Grécia européia foi ampliado com a fundação de
diversas colônias no Mediterrâneo ocidental, principalmente no sul da Itália, que passou a
chamar-se Magna Grécia.

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A medicina grega
 No início da civilização grega sua medicina sofreu enorme
influência dos egípcios e babilônios. Os gregos utilizaram-se da
matemática egípcia e da astronomia babilônica para
fundamentar a filosofia e a lógica da medicina grega.
 Acreditavam na influência dos deuses nas questões relativas à
vida e à morte, sendo a doença vista, inicialmente, como um
castigo dos deuses. Na religião grega os mortais estavam
fadados a morrer, não havia promessa de vida eterna.
 A medicina grega baseada na mitologia identificava a cura a
diversas divindades. Não apenas Apolo, Artemis, Atena e
Afrodite, mas também os deuses do submundo eram capazes
de curar ou evitar doenças. O culto a Esculápio parece ter evoluído dessas entidades, pois
o seu símbolo, a serpente, é uma representação antiga das forças do submundo da magia
e um sinal sagrado do deus da cura entre as tribos semitas da Ásia Menor.
 De acordo com a lenda, Esculápio foi filho de Apolo com uma jovem terrestre; Apolo
determinou que o centauro Quíron fosse o tutor e seu professor na arte de curar. Quíron
era o mais sábio dos centauros e um excelente cirurgião. Em vários momentos a Mitologia
se mistura com a História, restando a dúvida de que Esculápio tenha de fato existido; um
médico humano e de enorme capacidade profissional.
Esculápio possuía duas filhas que o auxiliavam na arte de curar: Panacéia – versada em
conhecimentos sobre todos os remédios da terra, capaz de curar qualquer doença
humana. Hígia (ou Higéia) – responsável pelo bem-estar social, pela manutenção da
saúde e prevenção das doenças; cuidava da higiene e da saúde pública.
Nos templos destinados a Esculápio realizavam-se os rituais de cura. Os mais famosos
ficavam em Epidauro, Cnido, Cós, Atenas, Cirene e Pérgamo, sendo visitados ainda no
século V d.C. Quando os tratamentos feitos por médicos leigos falhavam, as pessoas
procuravam auxílios nesses santuários. O tratamento era constituído de banhos e jejum.
Drogas (poções) eram empregadas para relaxar e adormecer os doentes. As curas
deveriam acontecer durante o sono do paciente, que ao acordar deveria relatar seus
sonhos. Antes da saída do templo o doente fazia uma oferenda em dinheiro ou objetos de
valor e deixava o registro de sua cura numa placa a ser exposta na entrada dos templo, a
fim de divulgar os sucessos alcançados.
Foi o culto a Esculápio que despertou nos gregos o interesse em reconhecer a importância
que a esperança e a ansiedade do paciente tinham para sua cura. Aqui estávamos diante
dos primórdios da psicoterapia ou da medicina psicossomática.
 A filosofia representou enorme influência na medicina grega, por seu caráter inquisidor e
racional. A escola filosófica de Pitágoras (580-489 a.C.), sediada na cidade de Crotona
(Itália meridional), proporcionou os fundamentos para a medicina científica.
 O médico mais famoso da escola de Crotona foi Alcmeon, um jovem contemporâneo de
Pitágoras que deu as bases científicas à medicina grega. Era um mestre da anatomia e da
fisiologia – descobriu os nervos ópticos, a trompa de Eustáquio (ouvido) e fez a distinção
entre veias e artérias. Em sua obra ”Sobre a natureza” ofereceu explicações plausíveis
(racionais) sobre as doenças e sugeria meios de prevenção e de cura. Entendia a doença
como um desequilíbrio do corpo, sendo esta desarmonia decorrente de diversos fatores
como má nutrição (dietas irregulares ou inadequadas) e fatores externos (clima e altitude).
Outro notável membro desta escola foi Empédocles (500-430 a.C.), cuja teoria dos
humores perdurou por vários séculos. Acreditava que o mundo era composto por 4

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(quatro) elementos: fogo, ar, terra e água. Os líquidos corporais representados


pelo sangue, linfa, bile amarela e bile negra eram representações destes
elementos da natureza, sendo seu equilíbrio a razão da saúde humana. Assim teríamos a
seguinte combinação: fogo (quente)  sangue; ar (frio)  linfa; terra (seco)  bile
amarela; água (úmida)  bile negra. Esta era a famosa Doutrina dos Humores.

HIPÓCRATES (O Pai da Medicina) – Nascido na ilha de Cós,


em 460 a.C., era filho e neto de médicos, tendo aprendido
medicina com os mesmos, na então famosa Escola de Cós.
Hipócrates conquistou enorme reputação devido a seu talento
e habilidades extraordinárias. Substituiu os deuses pela
acurada e perseverante observação clínica de seus pacientes.
Foi o idealizador de um modelo ético e humanista da prática
médica, dedicando-se de modo incansável à arte de curar.
Criou métodos de diagnóstico, baseado na inquirição (filosofia)
e raciocínio (lógica). As descrições de Hipócrates costumavam
ser precisas e objetivas. Hipócrates escreveu diversas obras,
sendo a ele atribuídos 72 textos e 42 histórias clínicas. As
obras éticas e o juramento fazem parte do chamado Corpo
Hipocrático (Corpus Hippocraticum) que reuniu a totalidade dos conhecimentos médicos de
seu tempo neste conjunto de tratados, onde, para cada enfermidade, descreve um remédio
vegetal e o tratamento correspondente.
Dentre suas obras mais famosas podemos destacar: Sobre as epidemias, onde descreve
doenças como pneumonia, tuberculose e malária; Sobre ares, águas e lugares, um tratado
sobre saúde pública e geografia médica; Sobre a dieta, alertando para a importância de uma
dieta equilibrada e saudável; Aforismos, descreve sua experiência cotidiana por meio de 400
provérbios, como estes:
“A vida é tão curta, a arte demora tanto a aprender, a oportunidade vai logo embora, a
experiência engana e o julgamento é difícil”;
“A doença extrema requer curas extremas”.
No século XIII AC um curandeiro chamado Asclépio, grande conhecedor de ervas, concebeu
um sistema de cura (também chamado Esculápio de Cos era filho do deus Apolo e da ninfa
Corônis), fundando o primeiro spa de que se tem conhecimento, em Epidauro, com
tratamentos baseados em banhos, jejum, chás, uso terapêutico de música, teatro e jogos. Os
templos de cura pipocaram em toda Grécia, Asclépio foi deificado. Seiscentos anos depois,
Tales de Mileto e Pitágoras compilaram essas receitas. Os gregos adquiriram seus
conhecimentos de ervas na Índia, Babilônia, Egito e até na China.

A medicina romana

Aspectos históricos e culturais da Roma antiga.


O Império Romano:
 O poder do Império Romano se estendeu por uma região profundamente influenciada, e
até mesmo transformada, pela cultura grega, que continuou a incorporar grande parte do
continente europeu e do norte da África. A expansão do poder romano chegou a englobar
todo o mundo mediterrâneo num sistema de dominação e transformou Roma num império
que até hoje molda grande parte da cultura ocidental.

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A medicina romana

 Os etruscos, que precederam os romanos, possuíam algum


conhecimento de medicina. Acredita-se que os sacerdotes
etruscos serviram de médicos aos romanos, que herdaram
conhecimentos importantes de odontologia, de hidroterapia e
sobre instalações sanitárias. Os etruscos também praticavam
o diagnóstico por meio de adivinhações, utilizando-se de
vísceras de animais, principalmente o fígado.
 A medicina romana nos tempos antigos deve ter sido mágica
e sobrenatural, baseada na crença de vários deuses, assim
como na medicina grega. Durante a República a prática
médica romana era reservada aos escravos, sendo o médico
grego pouco valorizado por seus serviços. Todavia, durante o
Império a medicina romana, por influência de famosos e bem
sucedidos médicos gregos, tomou grande impulso, em particular nas questões relativas ao
ensino médico.
 Foi enorme a influência da medicina grega na prática médica romana, tendo sido gregos
os primeiros e os mais importantes médicos em Roma. Os primeiros médicos gregos que
chegaram a Roma eram charlatães, que gradualmente foram substituindo os serviços
médicos praticados por escravos, sacerdotes, barbeiros e massagistas.
 O primeiro médico grego a conseguir fama e honra em Roma foi Archagathos, um escravo
livre que praticava a cirurgia.
 Asclepíades de Prusa, nascido cerca de 125 a.C., foi o primeiro médico grego de formação
a fazer sucesso em Roma. Estudara em Alexandria, no Egito, tendo sido exímio orador e
professor de oratória. Descrevia as doenças como alterações dos humores e defendia a
idéia de um corpo formado por partículas (átomos) que se moviam através de poros ou
canais, sendo saúde e doença resultantes da contração ou relaxamento dessas partículas.
 Na época romana, tanto a magia quanto a habilidade da parteira eram importantes para o
sucesso do parto. O primeiro grande obstetra foi Sorano de Éfeso (98-138 d.C.). Era
membro da escola metodista e praticou medicina em Alexandria. Escreveu um memorável
tratado sobre as moléstias femininas, condutas nos partos e contracepção – Sobre as
doenças das mulheres. É considerado o Pai da Ginecologia e Obstetrícia.
 Caio Plínio Segundo (23-79 d.C.), conhecido como Plínio, o Velho, foi considerado o maior
naturalista romano. Sua grandiosa obra, História Natural, em 37 volumes, revela uma
admirável erudição. Nesta obra encontram-se variados registros sobre plantas medicinais
e remédios a base de excreções de animais, bem como, conhecimentos sobre Anatomia,
Fisiologia, Patologia e Farmacologia. Dos 37 volumes de sua obra, 13 foram dedicados às
drogas, principalmente as originadas de plantas, entretanto, 19 remédios eram oriundos
apenas do crocodilo.
 Em Roma os procedimentos médicos racionais eram mesclados com práticas excêntricas
e inusitada farmacopéia. O vinho era prescrito livremente, assim como as massagens, os
banhos, as dietas e o repouso.
 Galeno nasceu em Pérgamo, por volta de 130 d.C., tendo estudado em Esmirna e
Alexandria. No ano de 162 partiu para Roma, onde conquistou reputação de bom médico e
escritor, contando com particular apoio de dois imperadores – Marco Aurélio e Lúcio Vero.
Famosos eram o gênio experimental de Galeno e sua pouca tolerância com os demais

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médicos, insinuando que seus (os dele) conhecimentos acerca do diagnóstico


e da terapêutica eram incomparáveis.
 Galeno escreveu excelentes obras sobre Anatomia (Sobre preparações anatômicas) e
Fisiologia (Sobre o uso das partes do corpo). Os tratamento empregados por Galeno
derivavam do conceito da ação dos opostos (contraria contraribus curantur) – a terapia dos
opostos (alopatia). Adotava a teoria do pneuma (espírito animal, espírito vital e espírito
natural) para suas explicações sobre as doenças; discordava da Teoria dos Humores,
tendo sido um ferrenho crítico dos ensinamentos hipocráticos. Além das dietas e das
inúmeras drogas por ele desenvolvidas, também utilizava-se da fisioterapia e ações
semelhantes. Galeno desenvolveu inúmeras preparações farmacológicas, sendo
considerado o Pai da Farmácia.
 No início da era cristã, Dioscórides inventou, no seu Tratado De Matéria Médica, mais de
500 drogas de origem vegetal, mineral ou animal .
 Finalmente, o grego Galeno, ligou seu nome ao que ainda se denomina "farmácia
galênica", onde as plantas não são mais usadas em forma de pó e sim em preparações,
nas quais são usados solventes como álcool, água ou vinagre, e servem para conservar e
concentrar os componentes ativos das plantas, sendo utilizadas para preparar ungüentos,
emplastos e outras formas galênicas.

A medicina oriental (China e Índia)

A medicina chinesa
 Na China, inscrições em carapaças de tartaruga
(160.000 das quais pertencentes à dinastia Shang, de
1766a.C. a 1112a.C.) revelaram que, já nessa época,
os praticantes da Medicina Tradicional Chinesa
conheciam os sintomas e a fitoterapia para tratar 36
tipos de doenças ou males e, mais interessante,
faziam propaganda impressa de seus produtos
fitoterápicos e suas qualidades curativas.i
 A medicina na China recebe enorme influência dos ensinamentos filosóficos e religiosos,
baseando-se tanto quanto tudo mais na cultura chinesa na tradição taoísta, no equilíbrio
das forças antagônicas da natureza (microcosmo e macrocosmo) – o yin e o yang. São
marcas características a concepção vitalista e holística da medicina tradicional chinesa.
 A enorme influência de uma religião panteísta (taoísmo) explica a busca de soluções para
os diversos males na natureza – produtos de origem vegetal, animal e mineral.
 Ao imperador Shen Nung (2838-2698 a.C.) reputa-se o fato de ser o fundador da medicina
chinesa. Sua obra Pen T’sao Ching (Herbário), com 3 volumes contendo uma lista de 365
ervas, prescrições e venenos, é a base da tradicional medicina chinesa. Outras obras
foram publicadas, culminando com a obra Pen T’sao Kang Mu (Grande Herbário) de Li Shi-
Chen, em 52 volumes contendo a descrição de 1871 tipos de drogas. Outro conceituado
imperador na medicina foi Hwang Ti, a quem se atribui o Nei Ching (Livro da Medicina) –
contendo uma impressionante descrição da circulação sangüínea, numa época em que as
dissecações de cadáver eram proibidas.
 Além dos herbários, contendo inúmeras preparações farmacológicas, a medicina chinesa
contava com a milenar prática da acupuntura. Esta técnica que utiliza agulhas aplicadas

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em pontos específicos do corpo, a fim de estimular a energia vital do


organismo a equilibrar-se e propiciar a cura dos males, representa o grande
legado da medicina chinesa para a moderna medicina.
 A partir da prática da acupuntura percebe-se o fabuloso conhecimento acerca da anatomia
desenvolvido pelos médicos chineses.
 O país com mais longa e ininterrupta tradição nas ervas é a China. Quando morreu em
2698 A.C., o lendário imperador Shen Nung já provara 100 ervas ; menciona em seu
"Cânone das Ervas" 252 plantas, muitas ainda em uso. Cem anos mais tarde, o Imperador
Amarelo, Huang Ti, formalizou a Teoria Médica no Nei Ching. No século VII, o governo da
dinastia Tang imprimiu e distribuiu pela China uma Revisão do Cânone de Ervas. Em
1578, Li Shizhen completou seu "Compêndio de Matéria Médica", onde listou 1800
substâncias medicinais e 11.000 receitas de compostos.
 Um mestre da medicina tradicional chinesa foi Sun Shu Mai, que viveu em
aproximadamente 600d.C., e que personificava os ideais altruístas do confucionismo. As
suas receitas para tratar beriberi, um tipo de desnutrição, cegueira noturna e bócio vieram
a ser comprovadas pela ciência séculos mais tarde.

A medicina hindu (védica)


 A medicina na Índia divide-se em dois distintos períodos:
- o primeiro período, da medicina védica – baseada em textos
sagrados como os livros de Veda (aprendizado), dentre os quais se
destaca o Ayurveda (livro da medicina) – fortemente influenciado
por lendas e revelações divinas;
- o segundo período, da medicina bramânica – que marcou o
apogeu da medicina indiana.
 Charaka e Susruta, os dois grandes médicos hindus, são
responsáveis pelas principais obras da antiga medicina indiana – o
Charaka Samhita, descrevendo os diversos tratamentos clínicos; o
Susruta Samhita, contendo elementares conhecimentos de
anatomia e descrições de técnicas cirúrgicas.
 Apesar de carecerem de estudos mais densos sobre a anatomia, os indianos foram muito
avançados na cirurgia, em especial a cirurgia plástica, como a rinoplastia.
 Um papel importante da medicina indiana é a aplicação de rigorosas regras de higiene,
fortemente influenciadas pela religião brâmane. Associam-se à higiene as dietas
vegetarianas e a abstinência de bebidas alcoólicas.
 A conquista muçulmana da Índia introduziu enormes influências da medicina árabe no
país; todavia, em algumas regiões ainda persiste a medicina segundo o Ayurveda,
demonstrando a convivência entre modernidade e tradição.

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A medicina árabe

• Idade Antiga (4000 a.C. – 476): iniciando-se aproximadamente


em 4000 a.C., com o advento da escrita, e estendendo-se até a queda
do Império Romano no ano 476. Durante esta fase encontramos as
estruturas da servidão coletiva, típicas do Oriente e as estruturas
escravistas do Ocidente clássico.
• Idade Média (476 – 1453): iniciando-se em 476 e estendendo-se
até 1453, quando terminou a Guerra dos Cem Anos, na Europa, e a
cidade de Constantinopla caiu em mãos dos turcos otomanos. Durante
o período medieval prevaleceu a estrutura socioeconômica feudal no
Ocidente.

A medicina árabe
 O início da Idade Média é marcado por uma enorme influência do cristianismo sobre as
diversas expressões culturais. A medicina, por influência do caridoso espírito cristão, uma
vez que a Igreja encarava o cuidado dos doentes como uma missão, passa a ser encarada
mais como obrigação moral (sacerdócio) do que como uma profissão remunerada. Esta
forma de pensamento chegava a influenciar mesmo os movimentos considerados
heréticos pela Igreja. A seita nestoriana é um bom exemplo – expulsos do Império, os
nestorianos se instalam na Pérsia, onde fundaram a Escola Médica de Gondishapur (berço
da medicina árabe).
 A expansão do mundo árabe inicia-se a partir da unificação dos diversos povos que
habitavam a península arábica. Inicialmente, os semitas árabes uniram-se aos sumérios,
originando a poderosa civilização babilônia. Todavia, a vida religiosa era confusa e
diversificada (judaísmo e cristianismo), sendo a unificação política e religiosa possível a
partir das revelações de Maomé, que deram origem ao islamismo: religião monoteísta
fundada sobre os ensinamentos do Corão – o livro sagrado do Islã.
 Os primeiros 250 anos após a Hégira (fuga de Maomé
para Medina – 16/07/622) assistiram a um extraordinário
desenvolvimento da cultura árabe.
 A família Bukht-Yishu era a mais famosa e respeitada da
Escola Médica de Gondishapur. Para a medicina árabe,
enorme influência tiveram os textos dos médicos gregos
Hipócrates e Galeno, que eram traduzidos do grego para
o árabe. Vários hospitais e bibliotecas médicas foram
construídos a fim de impulsionar a medicina árabe.
 Os médicos árabes mais famosos foram Rhazes e
Avicena, do califado oriental, e Avenzoar, Averróis e
Maimônides, membros da Escola de Córdoba (Espanha),
a capital do califado ocidental.
 Abu Ali al-Husain ibn Sina, conhecido como Avicena
(980-1037), nascido em Bukhara. Avicena era um garoto
prodígio, tendo memorizado todo o Corão e diversas poesias árabes aos 10 anos; aos 16

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anos afirmava conhecer toda a matéria médica, sendo nomeado médico e vizir
do Emir em Hamadan. Avicena era dado aos prazeres – mulheres e vinho –
tendo uma vida muito atribulada, chegando inclusive a ser preso.
 A obra-prima de Avicena foi uma compilação dos ensinamentos médicos de Hipócrates e
Galeno e biológicos de Aristóteles denominada Cânone (al-Quanum). Sua obra apesar de
muito criticada serviu como o primeiro tratado médico utilizado pelas universidades
européias.
 A Escola de Córdoba – No século X, a cidade espanhola de Córdoba tornou-se o centro
cultural da Europa. A população de mais de um milhão de habitantes dispunha de cerca de
52 hospitais.
 As escolas médicas árabes introduziram na medicina um grande número de drogas
(químicas e herbáceas). Entre os medicamentos introduzidos pelos árabes destacam-se o
âmbar, a almíscar, cravos-da-índia, pimentas, gengibre, a noz-moscada, a cânfora, a sena,
o cassis e a noz-vômica.
 Uma outra característica da medicina árabe que muito influenciou a medicina na Europa
medieval foi o hospital. O hospital árabe era local de enorme efervescência cultura e
científica, servindo a propósitos variados além da atividade médica – possuíam fontes,
salões de leitura, bibliotecas, capelas e dispensários. Os conhecimentos da medicina
grega foram fortemente enriquecidos pelos avanços dos árabes, em especial nas áreas da
Química, Botânica, Farmácia e Administração Hospitalar.

A medicina bizantina

O Império de Bizâncio
 Império Romano do Ocidente (Roma) e Império
Romano do Oriente (Bizâncio).
Idade Antiga (4000 a.C. – 476): até a queda do
Império Romano do Ocidente.
Idade Média (476 – 1453): estendendo-se até 1453,
quando terminou a Guerra dos Cem Anos, na
Europa, e a cidade de Constantinopla caiu em mãos dos
turcos otomanos, com a morte do imperador
Constantino XI e a queda do Império Bizantino.

A medicina bizantina
 A Igreja controlava a prática médica em Bizâncio. Além desta, no entanto, fervilhavam
os feiticeiros e todo um mercado de amuletos, feitiços e encantamentos. Afinal, numa
sociedade que não acreditava nem em drogas nem no estudo do enfermo havia poucas
oportunidades para os médicos. Na Biblioteca do Vaticano encontra-se o famoso
Juramento de Hipócrates escrito em formato de cruz num manuscrito bizantino do
século XII. Deste modo, a medicina bizantina era essencialmente dogmática, orientada
pela fé cristã que recorria aos espíritos de cura. Acreditava-se que cada santo era
capaz de curar moléstias específicas, como Santo Artemis nas perturbações genitais e
São Sebastião nas pestilências. As doenças e a morte eram, assim, consideradas

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como uma visitação divina, sendo considerada blasfêmia qualquer tentativa


de explicação racional para as moléstias da época.
 Os primeiros médicos cristãos foram aceitos com certa dificuldade, como os gêmeos
árabes Cosme e Damião, de início martirizados pelo imperador romano Diocleciano e
posteriormente beatificados e reverenciados com um santuário erguido em
Constantinopla.
 O mais célebre médico bizantino foi Oribásio, nascido em Pérgamo (cidade de Galeno)
e aluno de Zeno de Chipre. Foi médico palaciano do imperador Juliano, tendo escrito
diversas obras sobre dieta na gravidez, contracepção, escolha de enfermeiras e
moléstias infantis. Sua famosa obra Euporista era um manual de orientação sobre
acidentes e doenças que poderiam ocorrer a viajantes que não dispusessem de auxílio
médico imediato.
 Aécio de Amida (século VI), nascido no Tigre e educado em Alexandria, foi o médico do
imperador Justiniano. Sua obra Tetrabiblos era um compêndio com 16 volumes acerca
de todo o conhecimento médico produzido até o século VI. Em seus tratamentos
combinava misticismo cristão com superstição pagã; entre seus diversos métodos
contraceptivos, recomendava o uso de um dente de criança suspenso sobre o ânus da
mulher.
 Alexandre de Trália, irmão do arquiteto que planejou a basílica de Santa Sofia, foi um
médico de rara independência mental. Seus 12 livros foram traduzidos para o árabe e o
latim. Era um profissional de muita experiência, para a hemoptise ele sugeria repouso e
poções de vinagre. O último dos grandes médicos bizantinos foi o cirurgião e
ginecologista-obstetra Paulo de Égina, que mencionou as ligaduras de trompas,
descreveu os pólipos nasais e realizou extirpação de amígdalas.
 Quando, no século XV, o Império Bizantino desintegrou-se, a medicina na Europa
encontrava-se em franca expansão – eram famosas as escolas médicas de Salerno,
Bolonha, Montpellier e Oxford – iniciava-se, assim, o Renascimento.

A medicina medieval

A Idade Média. O período medieval.

 Idade Média: iniciando em 476 e


estendendo-se até 1453, quando
terminou a Guerra dos Cem Anos,
na Europa, e a cidade de
Constantinopla caiu em mãos dos
turcos otomanos, com a morte do
imperador Constantino XI e a
queda do Império Bizantino.
 As expressões Idade Média e
Idade Moderna foram criadas
durante o Renascimento, no século
XV. Demonstrando repúdio ao mundo medieval, em particular ao sistema feudal, os
renascentistas forjaram tendenciosamente a concepção de que a Idade Média fora
“uma longa noite de mil anos”, a “Idade das Trevas”, em que mergulhara a cultura
clássica após a queda de Roma. Neste período, a ciência perdeu vitalidade e a parceria

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com a filosofia se dissolveu; a filosofia construiu uma nova aliança, dessa


vez com a teologia.
 O período medieval caracterizou-se pela preponderância do feudalismo, estrutura
econômica, social, política e cultural que se edificou progressivamente na Europa
centro-ocidental em substituição à estrutura escravista da Idade Antiga.
 O feudalismo começou a se formar a partir das transformações ocorridas no final do
Império Romano do Ocidente e das invasões bárbaras, alcançando seu apogeu no final
da Alta Idade Média, período compreendido entre os séculos V e X. A estruturação do
feudalismo se fez em meio a guerras contínuas, decorrentes das invasões dos
bárbaros e de suas constantes disputas pelo poder.
 O declínio do feudalismo, que já se esboçava no século X, prosseguiria até o século
XV, constituindo-se no período denominado Baixa Idade Média.
 No feudalismo, a posse da terra era o critério de diferenciação dos grupos sociais,
rigidamente definidos: de um lado, os senhores feudais, cuja riqueza provinha de posse
territorial e do trabalho servil; de outro, os servos, vinculados á terra e sem
possibilidades de ascender socialmente. Assim, a sociedade feudal era composta por
dois grupos sociais (estamentos): os senhores feudais (clero e nobreza) e os servos
(população camponesa).
 A Igreja cristã tornou-se a maior instituição feudal do Ocidente europeu. Sua
incalculável riqueza, a sólida organização hierárquica e a herança cultural greco-
romana permitiram-lhe exercer a hegemonia ideológica e cultural da época,
caracterizada pelo teocentrismo. Atuando em todos os níveis da vida social, a Igreja
estabeleceu normas, orientou comportamentos e, sobretudo, imprimiu nos ideais do
homem medieval os valores teológicos, isto é, a cultura religiosa.
 Ao contrário da teologia, as ciências, como a astronomia, a medicina, a matemática e a
física, não avançaram muito no mundo medieval; a Igreja repudiava qualquer forma de
pensamento que colocasse em risco as convicções religiosas, impondo, dessa forma,
barreiras à indagação científica.

O longo período que se seguiu, no ocidente, designado por Idade Média, não foi exatamente uma
época caracterizada por rápidos progressos científicos.

A medicina monástica.

 Como era de se esperar, a medicina medieval cresceu ligada à Igreja, sendo


fortemente influenciada pela convicções religiosas. No século VI, em Monte Cassino
(entre Roma e Nápoles), um nobre italiano chamado Benedito de Nursia fundou uma
comunidade monástica denominada Ordem Beneditina. Seus membros faziam votos de
pobreza, castidade e obediência; aperfeiçoaram o ofício da caligrafia e do iluminismo, e
transcreveram textos gregos e latinos remanescentes. Em Monte Cassino, como em
toda a Europa, o primeiro médico medieval foi um padre ligado a alguma ordem
religiosa.
 A medicina monástica (ou monastérica) era simples e praticada por monges que
apenas conheciam a medicina popular, extraindo remédios das ervas medicinais
cultivadas nos jardins dos mosteiros.

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 O declínio da medicina monástica deu-se no século XII, quando as


autoridades eclesiásticas recearam que os monges estivessem por demais
afastados de seus votos religiosos por razão de seus deveres médicos.
 No início do século XIII, as atividades médicas foram banidas dos mosteiros, passando
o conhecimento médico da época a ser transferido para escolas e universidades leigas.

A Escola de Salerno.

 O primeiro centro medieval de Medicina leiga surgiu junto ao Mar Etrusco, numa
estação de cura. Na cidade de Salerno, ao sul de Nápoles, durante o século X, reuniu-
se uma comunidade de médicos, professores, estudantes e tradutores, com a
finalidade de criar a primeira faculdade de medicina do Ocidente. Seu corpo docente de
médicos, professores, freiras e monges foi o primeiro dos tempos medievais.
 Um dos mais famosos professores de Salerno foi Constantino, o africano, que trouxe
consigo uma ampla coleção de manuscritos árabes. Neste famoso centro de ensino
médicos as mulheres também ensinavam, dentre as quais destacou-se Trotula, uma
das “damas obstetras de Salerno” (as outras eram Abella, Constanza e Rebeca), que
escreveu sobre moléstias femininas e de pele – De Mulierum Passionibus.
 Em Salerno, a obra mais famosa e mais editada (cerca de 1500 edições) foi o Regimen
Sanitatis Salernitanum, que destacava-se por sua isenção de superstições e baseava-
se em fontes galênicas, hipocráticas e pseudoaristotélicas.
 Salerno estimulou o renascimento da tradição hipocrática, inspirou uma nova literatura
médica pela publicação de mais de 50 novas obras, fomentou o estudo e
desenvolvimento da cirurgia e traçou o esboço da vida universitária.

A fundação das Universidades.

 O primeiro centro medieval de Medicina leiga surgiu junto ao Mar Etrusco, numa
estação de cura. Na cidade de Salerno, ao sul de Nápoles, durante o século X, reuniu-
se uma comunidade de médicos, professores, estudantes e tradutores, com a
finalidade de criar a primeira faculdade de medicina do Ocidente. Seu corpo docente de
médicos, professores, freiras e monges foi o primeiro dos tempos medievais.

A medicina renascentista (século XVI)


O Renascimento.

 As transformações socioeconômicas iniciadas na Baixa Idade Média e que culminaram com a


Revolução Comercial na Idade Moderna afetaram todos os setores da sociedade,
ocasionando inclusive mudanças culturais. Intimamente relacionado à expansão comercial, à
reforma religiosa e ao absolutismo político surgiu um grande movimento cultural burguês
denominado Renascimento.
 O Renascimento enfatizava uma cultura laica (não-eclesiática), racional e científica, sobretudo
não-feudal. Buscando subsídios na cultura greco-romana, O Renascimento foi a eclosão de
manifestações artísticas, filosóficas e científicas do novo urbano e burguês.

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 No conjunto da produção renascentista, começaram a sobressair valores


modernos, burgueses, como o otimismo, o individualismo, o naturalismo, o
hedonismo e o neoplatonismo; entretanto, o elemento central do Renascimento foi o
humanismo, isto é, o homem como centro do universo (antropocentrismo), a valorização da
vida terrena e da natureza, o humano ocupando o lugar cultural até então dominado pela
divindade e pelo extraterreno.
 O Renascimento científico: Como visto, a efervescência cultural da Renascença impulsionou o
estudo do homem e da natureza. O Universo já não era mais aceito como obra sobrenatural,
fruto dos preceitos cristãos. O espírito crítico do homem partiu para a ciência experimental, a
observação, a fim de obter explicações racionais para os fenômenos da natureza. O
Renascimento retirou da Igreja o monopólio da explicação das coisas do mundo. Aos poucos,
o método experimental passou a ser o principal meio de se alcançar o saber científico da
realidade.
 A crítica, o naturalismo, a dimensão humana culminaram no racionalismo, no empirismo
científico dos séculos XVI e XVII. Dessa forma, as principais barreiras culturais do progresso
científico foram suficientemente abaladas para não mais representarem ameaça ao progresso
capitalista burguês em curso.

A medicina renascentista.

 A medicina dos séculos XVI e XVII caracterizou-se pelo racionalismo científico, fundamentado
nas experimentações e no espírito crítico. Durante o século XVI, as universidades italianas,
francesas e alemães libertaram-se gradualmente dos credos e ensinamentos eclesiásticos.
Contribuiu enormemente para o desenvolvimento da medicina nesta época a invenção da
imprensa.
 Os médicos renascentistas eram humanistas e letrados; pertenciam a classes privilegiadas e
tinham estudado em importantes universidades. O italiano Leonardo da Vinci (1452-1519), um
dos mais brilhantes e completos humanista do Renascimento, representou a essência desta
comunhão de conhecimentos. Ao longo de sua vida, a obra de Leonardo da Vinci incorporou
as tendências de cada um dos movimentos culturais da época e ele foi de pintor e escultor a
urbanista e engenheiro; de músico e filósofo a físico e botânico; de inventor a médico.
Leonardo da Vinci, mestre das artes e das ciências, interessou-se pela anatomia, sem
preconceitos e com um enorme senso de observação; seus desenhos demonstram que ele foi
o criador da ilustração médica e da arte de desenhar em anatomia e fisiologia – do ponto de
vista histórico poderia ser considerado o pai da anatomia.
 As fontes principais eram os ensinamentos de Hipócrates, Galeno e
Avicena, sendo, contudo, cada vez mais praticadas as dissecações e
os estudos de anatomia e fisiologia. A anatomia e a cirurgia, até
então ensinadas em conjunto, a partir de 1570 tornaram-se
disciplinas autônomas. Aos poucos surgiram inúmeros estudiosos
com a finalidade de questionar os autores clássicos.
 A medicina universitária, seguidora dos ensinamentos clássicos,
encontrou em Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von
Hohenheim, vulgo Paracelso, um formidável oponente, ferrenho
inimigo. Paracelso dedicou-se ao estudo da medicina, da magia e da
alquimia, sendo defensor de uma medicina baseada em novos conceitos, diversos daqueles
ensinados por Galeno.

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 Paracelso desenvolveu inúmeros preparados farmacêuticos, optando por fórmulas


mais simples e com ingredientes provenientes da natureza. Utilizou inúmeras
substâncias minerais, como enxofre, mercúrio, chumbo, cobre, ferro e antimônio.
 Paracelso foi professor de medicina na Universidade da Basiléia, onde rompeu com a
tradição, ensinando em alemão no lugar do latim; queimou em público as obras de Galeno e
Avicena, mas, apesar de sua fúria iconoclasta, concordava com Hipócrates quando este
defendia que o lugar do médico era na cabeceira do doente. Seu admirável conhecimento
prático refletiu-se em suas obras sobre cirurgias e sobre farmacologia, tendo sido responsável
pela introdução de muitos produtos novos.
 No início do século XVI Paracelso, tentou relacionar as virtudes das plantas com as suas
propriedades morfológicas, sua forma e sua cor. Conhecida como a "teoria dos sinais" ou
"teoria da similitude". Paracelso considerava que uma doença se podia curar com aquilo que
com ela tivesse semelhança. Este pensamento não era original do médico suíço, pois os
índios da América da Sul e, possivelmente indígenas de outros continentes, tinham as
mesmas idéias sobre os sinais das plantas e suas relações sobre das plantas e suas relações
como valor curativo.
 A partir de século XV houve uma preocupação em catalogar um grande número de vegetais,
identificando-os e classificando-os de acordo com a precedência, e características dos
princípios ativos.
 Finalmente, os esforços de classificação culminam, em 1735, com a publicação do Systema
Naturae, de Lineu.
 A área do conhecimento médico que mais se expandiu durante o Renascimento foi a
anatomia. Foi, no entanto, no Renascimento, com a valorização da experimentação e
observação direta, com as grandes viagens para as Índias e a América, que se deu origem a
um novo período de progresso no conhecimento das plantas e suas aplicações.

O século XV traz a era dourada para as ervas: à partir da observação


dos resultados dos remédios à base de ervas; Nesse ambiente
racional as mulheres foram proibidas de estudar e os curandeiros não
profissionais eram hereges.

A medicina iluminista (século XVIII)

A Idade da Razão (século XVIII).


 A Europa do século XVIII foi o berço de uma grandiosa revolução intelectual – o
movimento denominado “Iluminismo”. Esta época ficou conhecida como a “Idade da
Razão” ou “Idade da Luz”, em contraposição com o período medieval (“Idade das
Trevas”).
 O racionalismo foi aplicado a todos os setores da sociedade: política, economia,
filosofia, ética, religião e, consequentemente, nas ciências.
 Predominava a idéia de um universo mecânico, um universo que funcionava como uma
máquina. O corpo humano também era visto como uma máquina. A esta forma de ver o
mundo (paradigma) denominou-se mecanicismo.
 Esta foi a era de grande influência dos filósofos franceses, os iluminados. Grande
repercussão teve a obra coletiva “Encyclopédie”, com seus 28 volumes. Dentre seus

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autores, destacamos: Montesquieu, também autor da obra jurídica “O


Espírito da Lei”; Jean le Rond d’Alembert; François-Marie Arouet (Voltaire);
Jean-Jacques Rousseau; Denis Diderot.

A medicina iluminista (século XVIII). Famosos médicos iluministas.


 Na medicina iluminista prevaleceu uma acirrada disputa entre duas correntes
filosóficas: Animismo – que defendia a existência da vida (anima) a partir da união de
matéria e alma; dentre seus defensores destacava-se o médico e filósofo alemão
Georg Ernst Stahl. Vitalismo – que incluía, além da matéria e da alma, a força vital
como elemento essencial para a existência da vida; dentre os vitalistas destacaram-se
Theophile de Bordeu e Joseph Barthez, criador do termo princípio vital.
 Carl von Linneus (1707-1778) – médico e botânico sueco, mais conhecido como Lineu,
responsável por importantes estudos de sistemática (classificação) de plantas e
animais.
 Hermann Boerhaave (1688-1738) – este famoso médico holandês foi considerado o
maior médico do século XVIII. Assim como Thomas Sydenham, seguia a doutrina
hipocrática – defendia a utilização dos poderes curativos da natureza e uma rigorosa
observação clínica. Foi um conceituado professor, tendo inúmeros alunos famosos
como Albrecht von Haller (fundador da neurofisiologia), Gerard van Smieten (criador da
primeira clínica universitária, era um exímio administrador hospitalar) e Leopold
Auenbrugger (estudos sobre diagnósticos a partir do exame físico, criou um método
para percussão do tórax).
 Giovanni Battista Morgani (1682-1771) – fundador da moderna patologia, a partir de
estudos sobre as diferenças anatômicas entre um corpo sadio e um corpo doente.
 Lazzaro Spallanzani (1729-1799) – fez estudos notáveis sobre a digestão, a circulação
e o processo reprodutivo. Com criteriosos estudos utilizando sapos (Bufo rana),
combateu a teoria da geração espontânea, descrevendo a necessidade de participação
dos gametas masculino e feminino para a reprodução. Considerado o “Pai da
Reprodução Humana”.
 Antoine-Laurent Lavoisier (1743-1794) – fundador da química moderna. Realizou
inúmeros estudos sobre a fisiologia da respiração, concluindo tratar-se de um processo
de combustão, onde dava-se a queima do oxigênio (O2) e a produção do gás carbônico
(CO2).
 Franz Anton Mesmer (1734-1815) – a partir de seus estudos sobre magnetismo animal,
desenvolveu uma técnica de tratamento baseada na emissão de ondas magnéticas
pelas mãos – mesmerismo.
 Samuel Hahnemann (1755-1843) – criador da homeopatia. Utilizando conceitos do
vitalismo (princípio vital), defendeu o uso de substâncias capazes de produzir sintomas
semelhantes aos das doenças a serem curadas (similitude = similia similibus curantur),
a partir de doses mínimas (não tóxicas). Na homeopatia o doente deve ser tratado
como um todo indivisível (holismo), sendo a doença apenas uma manifestação do
desequilíbrio da energia vital.
 Edward Jenner (1749-1823) – nascido em Berkeley, Gloucestershire. Estudou em
Londres, sendo aluno do famoso cirurgião escocês John Hunter (1728-1793) e de seu
irmão William Hunter (1718-1783), mais célebre anatomista do século XVIII. O Dr.
Edward Jenner observou, ao comparar a varíola humana com a varíola bovina, que as
jovens leiteiras que haviam adquirido a varíola bovina tornavam-se “resistentes” à
forma humana da doença. Deste modo, a partir da coleta de secreção das pústulas da

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leiteira Sarah Nelmes, Jenner inoculou o jovem James Phipps, em 14 de


maio de 1796, tendo este tornado-se resistente (imune) à varíola humana.
Nascia, assim, a vacinação (vacina  vaccina  vacum  vaca). Este foi, sem sombra
de dúvidas, o maior triunfo da medicina preventiva de todos os tempos.

A medicina no século XIX

A era das grandes conquistas

 Neste século, grandes conquistas da ciência propiciaram uma prodigiosa evolução no


conhecimento humano, deslocando o eixo egocêntrico para uma maior integração do
homem com as demais espécies.
 Na Química observou-se as sínteses de diversas substâncias, como o álcool etílico e a
uréia; moléculas foram descritas e novas reações foram aperfeiçoadas.
 Na Física, a conservação da energia e os estudos da termodinâmica permitiram a criação
do gerador elétrico (Michael Faraday, 1831) e mais tarde do motor elétrico; a primeira
lâmpada incandescente elétrica foi viabilizada pelo americano Thomas Edison (1879).
 Em 1895, os raios de ondas curtas de William Roentgen permitiram ao homem ver através
da matéria. Em 1898, o casal Pierre-Marie Curie descobriram o elemento rádio, que iria
revolucionar o tratamento do câncer, a partir da radioterapia.
 O grande naturalista inglês Charles Darwin (1809-1882) descreve a sua teoria da evolução
– em sua famosa obra “A origem das espécies” (1859) expôs a lei da seleção natural,
abrindo novos horizontes para a medicina. A genética inicia-se a partir dos estudos com
ervilhas do monge gregoriano Johann Mendel.

Anatomia, histologia e fisiologia


 A velha teoria dos humores foi contestada por Rudolf Virchow, um dos baluartes da
medicina do século XIX. Em sua histórica obra, “Patologia celular” (1858), Virchow
descreve o corpo como um conjunto de células (tecido), definindo a doença como “a vida
modificada pela reação celular contra estímulos anormais”.

Anestesia. Anti-sepsia e assepsia.


 O século começou com a descoberta do óxido nitroso (gás hilariante) em 1800 por
Humphrey Davy, utilizado apenas como passatempo, até que em 1845, um dentista de
Connecticut chamado Horace Wells utilizou-o para uma extração dentária.
 O pioneirismo do uso do éter na anestesia é creditado ao Dr. Crawford Williamson Long
(1815-1878), da Georgia, sem que nada tivesse sido por ele publicado. Em 1844, William
Thomas Green Morton (sócio de Wells) usou o éter para realizar uma obturação dentária;
dois anos depois, o Dr. John Collins Warren, do Hospital Geral de Massachussets, passou
a usá-lo em suas cirurgias.. O clorofórmio foi introduzido como anestésico no ano seguinte.
Aliás, os termos “anestesia” e “anestésico” foram propostos pelo Dr. Oliver Wendell
Holmes. A anestesia local e loco-regional tornou-se possível em 1884 com a descoberta
de Karl Koller das propriedades anestésicas da cocaína.
 A descoberta da etiologia microbiana de inúmeras doenças, levada a cabo por um cientista
que não era médico, o filho de um curtidor, chamado Louis Pasteur (1822-1895),
possibilitou um maior controle das infecções. De outro turno, contribuíram para avanços

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nesta área as descobertas de Roberto Koch (1845-1910), que descreveu o


bacilo da tuberculose; e Joseph Lister (1827-1912), que introduziu na cirurgia a
prática da desinfecção das partes contaminadas do corpo (anti-sepsia). Os anti-sépticos e
a anestesia mudaram os rumos da cirurgia.
 A era da anti-sepsia foi seguida pela da assepsia. Os cirurgiões, em vez de procurar limpar
os focos infectados das cirurgias, buscaram eliminar os agentes nocivos (bactérias) da
sala de cirurgia (campo cirúrgico) – esterilização pelo calor e substâncias químicas.

A medicina no século XX

IDADE CONTEMPORÂNEA: iniciando-se em 1789 (Revolução Francesa) e estendendo-se


até os nossos dias. No século XX o capitalismo atingiu a sua maturidade e plena dinamização,
alcançando progressivamente sua globalização.

 Fatos históricos relevantes (século XX): A Primeira Guerra Mundial (1914-1918). A


Revolução Russa (1917): o governo de Lênin (1917-24) e o governo de Stálin (1924-53). A
grande crise econômica de 1929. Os regimes totalitários: nazismo e fascismo. A Segunda
Guerra Mundial (1939-1945). A Guerra Fria (EUA X URSS). O socialismo na China e em
Cuba. Uma nova ordem econômica internacional: a globalização.

A MEDICINA CONTEMPORÂNEA

Avanços científicos e as bases da nova medicina


 O conhecimento do átomo e o domínio da energia atômica a partir dos processos de fissão
e fusão nuclear.
 A Teoria da Relatividade de Albert Einstein cria uma nova concepção de universo no qual
tempo e espaço são entidades relativas; a luz é definida como composta por massa e
energia (partícula-onda).
 Os astrofísicos descrevem a expansão do universo e o surgimento em um dado momento
de grande contração-expansão (big bang). Inicia-se a conquista do espaço com as viagens
espaciais tripuladas e os satélites em órbita da Terra.
 Os bioquímicos e biofísicos exploram os meandros da célula, descobrindo suas reações
metabólicas e as estruturas dos genes. Em 1953, James Watson e Francis Crick
descrevem a estrutura do DNA em dupla hélice. Surgem os avanços da genética e da
engenharia genética – agora no século XXI temos o desvendar do genoma humano.
 Os fisiologistas descrevem as enzimas, os eletrólitos e os hormônios, desvendando os
mistérios do metabolismo e de suas complexidades funcionais.
 O microscópio eletrônico permitiu avançarmos da estrutura celular para uma investigação
molecular e atômica das bactérias e vírus.
 Os progressos da Física trouxeram enormes contribuições práticas, sobretudo na área do
diagnóstico: os isótopos radioativos da Medicina Nuclear; a eletroforese e a
espectofotometria nas Análises Clínicas; o eletrocardiograma, o eletroencefalograma e o
eletromiograma nos estudos da Fisiolopatologia; as radiografias, a tomografia
computadorizada e a ressonância magnética na Imagenologia, Ortopedia e Neurocirurgia;
a arteriografia digital e o cateterismo cardíaco na Angiologia e na Cardiologia; dentre
outros.

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 Uma nova era na Farmacologia teve início em 1935 quando o alemão Gerhard
Domagk descobriu as propriedades bactericidas da sulfanilamida, a precursora
das sulfonamidas, que se tornaram as primeiras “drogas miraculosas” do século XX ao
combaterem eficazmente inúmeras doenças infecciosas, especialmente a pneumonia e a
peritonite pós-cirúrgica. Em seguida, num pequeno e desorganizado laboratório em
Londres, a contaminação de uma cultura de bactérias pelo fungo Penicilium notatum
proporcionou ao Dr. Alexander Fleming (1881-1955) a oportunidade de ampliar o arsenal
terapêutico contra as doenças infecciosas. A penicilina, nome dado por Fleming à
substância isolado daquele fungo, permaneceu como curiosidade laboratorial até a
Segunda Guerra Mundial, quando foi ampliada sua produção e desenvolvido seu uso pelos
ingleses Howard Florey e Ernest Chain no combate às infecções provenientes dos
ferimentos, reduzindo drasticamente as mortes deles decorrentes.
 À penicilina seguiu-se a descoberta da estreptomicina em 1944 pelo Dr. Selman Waskman
e seus assistentes. Depois, na esteira dos antibióticos naturais, surgiram os antibióticos
semisintéticos e os sintéticos, grande fonte de riqueza para a indústria farmacêutica na
atualidade.
 As universidades, como centros de ensino médico, passaram a desenvolverem-se como
enormes e bem equipados centros de pesquisa e de tecnologia médica. Parcerias com as
indústrias farmacêutica e de equipamentos tornaram as universidades os locais preferidos
para a atuação dos médicos pesquisadores.

Brasil - As plantas e os primórdios da colonização

O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espécies em sua
flora e fauna. A utilização das plantas acompanha toda a história que se tem conhecimento,
iniciando-se com a cultura dos paleoíndios amazônicos, dos quais derivaram as principais tribos
indígenas do país, porém poucos dados podem ser considerados cientificamente verdadeiros a
respeito desse período.
Na sua carta, ao rei de Portugal, o escrivão da esquadra de Pedro Álvares Cabral, Pero Vaz de
Caminha, já traçava considerações sobre a riqueza da flora brasileira (1500).
O padre José de Anchieta detalhou melhor as plantas comestíveis e medicinais do Brasil em suas
cartas ao Superior Geral da Companhia de Jesus (1560 e 1580). Descreveu em detalhes
alimentos como o feijão, o trigo, a cevada, o milho, o grão-de-bico, a lentilha, o cará , o palmito e
a mandioca, que era o principal alimento dos índios. Anchieta citou também verduras como a
taioba-roxa, a mostarda, a alface, a couve, falou das frutas nativas como a banana, o marmelo, a
uva, o citrus e o melão, e mostrou a importância que os índios davam às pinhas das araucárias.
Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma "erva boa", a hortelã-
pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar nevralgias e para o
reumatismo e as doenças nervosas. Exaltou também as qualidades do capim-rei, do ruibarbo-do-
brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do bálsamo-da-copaíba, usado para
curar feridas, e da cabriúva-vermelha.
Outro fato que chamou a atenção do missionário foi a utilização dos timbós pelos índios,
especialmente da espécie Erythrina speciosa, Andr. O timbó, de acordo com o Aurélio, é uma
"designação genérica para leguminosas e sapindáceas que induzem efeitos narcóticos nos
peixes, e por isso são usadas para pescar. Maceradas, são lançadas na água, e logo os peixes

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começam a boiar, podendo facilmente ser apanhados à mão. Deixados na água, os


peixes se recuperam, podendo ser comidos sem inconveniente em outra ocasião".
Praticamente tudo o que se sabe sobre a flora brasileira foi descoberto por cientistas
estrangeiros, que realizaram grandes expedições científicas ao Brasil. Vários foram os europeus
que ao longo do tempo vieram ao nosso país para estudar as riquezas locais. Destes estudos
surgiram diversas obras, a citar:

- Narrativa de uma viagem feita à terra do Brasil também dita América (1578) - Léry, pastor
calvinista e escritor.

- História natural do Brasil publicado na Europa por Jorge Marcgrave (alemão, 1610-1644).\

- Alexandre Rodrigues Ferreira (brasileiro, 1756-1815) que Ficou conhecido pelo cognome de
"Humboldt brasileiro" realizou extensas investigações em todos os ramos das ciências naturais,
enviando um grande número de manuscritos e espécimes botânicos, zoológicos e mineralógicos
para o Real Museu da Ajuda, em Portugal. Boa parte de sua obra foi pilhada pelos franceses em
1808, durante a invasão de Portugal pelas tropas de Junot, marechal do exército de Napoleão.

- Plantas usuais do povo brasileiro (1824), História das plantas mais notáveis do Brasil e
do Paraguai (1824) e Flora do Brasil Meridional (1825), obras até hoje consultadas na
biblioteca de botânica da Universidade de Paris. Todas do Botânico Augustin François César
Provençal de Saint-Hilaire (francês, 1779-1853).

- O desenvolvimento do Brasil desde o descobrimento até o nosso tempo (1821) e Viagem


pelo Brasil (1823-1831), de Johann-Baptist von Spix (zoólogo alemão, 1781 — 1827).

- Gêneros e espécies de palmeiras (1823-1832) e a monumental Flora brasiliense (1840-


1868). Ambos de Karl Friedrich von Phillip Martius (botânico alemão, 1794-1868).

- The naturalist on the river Amazonas (1863), traduzido para o português em 1944 – escrito
por Henry Walter Bates (inglês, 1825-1892) que morou oito anos no vilarejo de Tefé (Pará) e
retornou para a Inglaterra levando uma coleção de 14.712 espécies de animais e vegetais, muitas
delas novas para a ciência.

- Lagoa Santa: Contribuição para a geografia fitobiológica (1892), traduzido para o português
em 1908 por Alberto Loefgren, e As comunidades vegetais (1895), primeiro livro de ecologia do
mundo, escritos por Eugênio Warming (dinamarquês) que morou por três anos em Lagoa Santa
(MG), onde estudou muito a vegetação do cerrado.

- História física do vale do Amazonas, Geografia do Brasil e O Rio Amazonas (1867) e ainda
Uma viagem pelo Brasil (1868) escitos por Jean-Louis Rodolphe Agassiz (suíco, 1807-1873).

Aspectos da natureza do Brasil, Maravilhas da natureza da Ilha de Marajó e Álbum das


aves amazônicas (1900-1906), por Emile Auguste Goeldi (suíç o, 1859-1917).

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História da Farmácia Brasileira

Os primeiros povoadores da nova colônia portuguesa tiveram de valer-se de recursos da


natureza para combater as doenças, curar ferimentos e neutralizar picadas de insetos. Com isso
foram aprendendo com os pajés a preparar os remédios da terra para tratar seus próprios males.
Remédios da "civilização" só apareciam quando expedições portuguesas, francesas ou
espanholas apareciam com suas esquadras, onde sempre havia um cirurgião barbeiro ou algum
tripulante com uma botica portátil cheia de drogas e medicamentos.
As coisas ficam assim até que a coroa portuguesa resolveu instituir no Brasil o governo geral, e o
primeiro a ser nomeado foi Thomé de Souza, que veio para a colônia com uma armada de três
naus, duas caravelas e um bergantim, trazendo autoridades, funcionários civis e militares, tropa
de linha, diversos oficiais, seis jesuítas, quatro padres e dois irmãos, chefiados por Manuel da
Nóbrega. O corpo sanitário da grande armada compunha-se de apenas um boticário, Diogo de
Castro, com função oficial e com salário. Não havia nesta armada nenhum físico, denominação
de médico na época. O físico-mor, só viria a ser instituído no segundo governo de Duarte da
Costa. Ao todo aproximadamente mil pessoas que se instalaram na Bahia.
Dentre os irmãos destinados ao sul do país, estava a criatura humilde e doentia de nome José de
Anchieta. Os jesuítas eram mais práticos e previdentes que os donatários e, até do que os
próprios governadores-gerais, e trataram logo de instituir enfermarias e boticas em seus colégios,
colocando um irmão para cuidar dos doentes e outro para preparar remédios. Em São Paulo o
irmão que preparava os remédios era José de Anchieta, por isso podemos considerá-lo o
primeiro boticário de Piratininga.
E o padre relata em suas cartas aos jesuítas: "Em nós outros tem médicos, boticários ou
enfermeiros...
Nossa casa é botica de todos; poucos momentos está quieta a campainha da portaria..."
"... todavia fiz-lhe eu os remédios que pude..."
A princípio os medicamentos vinham do reino já preparados. Mas a pirataria do século XVI e as
dificuldades da navegação impediam com freqüência a vinda de navios de Portugal, e era preciso
reservar grandes provisões como acontecia com São Vicente e São Paulo. Por estas razões os
jesuítas terminaram sendo os primeiros boticários da nova terra, e nos seus colégios ficavam as
primeiras boticas onde o povo encontrava drogas e medicamentos vindos da metrópole bem
como, remédios preparados com plantas medicinais nativas através da terapêutica dos pajés.
Importantes boticas sob a direção dos jesuítas tiveram a Bahia, Olinda, Recife, Maranhão, Rio de
Janeiro e São Paulo.
"Por muito tempo, diz o padre Serafim Leite, as farmácias da companhia foram as únicas
existentes em algumas cidades. E quando se estabeleceram outras, as dos padres, pela sua
notável experiência e longa tradição, mantiveram a primazia. O colégio do Maranhão possuía
uma farmácia flutuante, a Botica do Mar, bem provida, que abastecia de medicamentos os
lugares da costa, desde o Maranhão até Belém do Pará".
A botica mais importante dos jesuítas foi a da Bahia, sua importância a tornou um centro
distribuidor de medicamentos para as demais boticas dos vários colégios de norte a sul do país.
Para isso, e como a Bahia mantivesse maiores contatos com a metrópole, os padres
conservavam a botica bem sortida e aparelhada para o preparo de medicamentos, iniciando-se
nela, inclusive, o aproveitamento das matérias primas indígenas.
Os jesuítas possuíam um receituário particular, onde se encontravam não só as fórmulas dos
medicamentos como seus processos de preparação. Havia também método de obtenção de
certos produtos químicos, como a pedra infernal (nitrato de prata).

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O medicamento extraordinário no entanto, a penicilina da época, era a Tríaga


Brasílica, que se manipulava mediante fórmula secreta. Essa tríaga, se usava contra
a mordedura de animais peçonhentos, em várias doenças febris, e principalmente como antídoto
e contraveneno ("exceto os corrosivos") gozava de grande fama e era considerada tão boa
quanto a de Veneza, pois agia pronta e rapidamente com a vantagem de, em sua composição,
entrarem várias drogas nacionais de comprovada eficiência.
Quando o colégio dos jesuítas da Bahia foi saqueado e seqüestrado em julho de 1760, ordem
dada pelo Marques de Pombal, o desembargador incumbido da ação judicial comunicava a seus
superiores, "que tendo ele notícia da existência na Botica do Colégio de algumas receitas
particulares, entre as quais a do antídoto ou "Tríaga Brazílica", havia feito as necessárias
diligências para dele se apossar". Mas a receita não apareceu na Botica, nem em lugar algum na
Bahia. Somente mais tarde foi ela encontrada na Coleção de Várias Receitas, "e segredos
particulares das principais boticas da nossa companhia de Portugal, da Índia, de Macau e do
Brasil, compostas e experimentadas pelos melhores médicos, e boticários mais célebres.
Aumentada com alguns índices, e noticias curiosas e necessárias para a boa direção, e acerto
contra as enfermidades"., Roma 1766.
Outra botica que se assemelhava a dos padres, era a da Misericórdia. De caráter semi público,
tanto servia a seu próprio hospital como a cidade. Frei Vicente de Salvador refere-se também a
existência de uma grande caixa de botica que os holandeses possuíam num forte baiano, e eram
vinte e duas boticas (caixas) da armada luso espanhola.
Já na primeira década do século passado, as boticas da capital baiana, segundo testemunho de
Spix e Martius, estavam "providas copiosamente de específicos ingleses e remédios milagrosos".

As boticas do Brasil

As boticas só foram autorizadas, como comércio, em 1640, a sangria, também foi legalmente
autorizada naquele mesmo ano e, resultou em competição entre os barbeiros e os escravos
sangradores. A partir deste ano as boticas se multiplicaram, de norte a sul, dirigidas por boticários
aprovados em Coimbra pelo físico-mor, ou por seu delegado comissário na capital do Brasil,
Salvador. Estes boticários, que obtinham com a máxima facilidade a sua "carta de aprovação"
eram profissionais empíricos, as vezes analfabetos, possuindo apenas conhecimento de
medicamentos corriqueiros. Por causa de toda essa "facilidade", muitas vezes lavadores de
vidros ou simples ajudantes de botica, requeriam exame perante o físico-mor ou seu delgado e,
uma vez aprovados, o que geralmente acontecia, arvoravam-se em boticários, estabelecendo-se
por conta própria ou associando-se a um capitalista ou comerciante, normalmente do ramo de
secos e molhados, que alimentava a expectativa dos bons lucros no novo negócio. Em todas as
cidades do Brasil, desde os primeiros tempos da colonização, foi hábito dos comerciantes de
secos e molhados, negociarem com drogas e medicamentos, não só para uso humano como
para tratamento dos animais domésticos, aos cuidados do alveitares (veterinários). Raras eram
as boticas legalmente estabelecidas.
O comércio das drogas e medicamentos era privativo dos boticários, segundo o que estava nas
"Ordenações", conjunto de leis portuguesas que regeram o Brasil durante todo o período colonial,
reformada por D. Manuel e em vigor desde o princípio do século XVI, bem como por leis e
decretos complementares. Foi com base nesta legislação que o físico-mor do reino, por
intermédio de seu comissário de São Paulo, ordenou o cumprimento integral do regimento
baixado em maio de 1744. Com isto intensificou-se a fiscalização do exercício dessa profissão,
pois o regimento proibia terminantemente o comércio ilegal das drogas e medicamentos,
estabelecendo pesadas multas e seqüestro dos respectivos estoques. Houve, busca e

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apreensões das mercadorias proibidas, que foram depositadas nas boticas locais. Foi
um "Deus nos acuda".
O Regimento foi feito a partir de uma ordem do Conselho Ultramarino de dois anos antes. A
ordem fora dada ao Dr. Cypriano de Pinna Pestana, físico-mor do reino, para que não desse
comissão a pessoa alguma, que no Brasil servisse por ele, esta comissão só poderia ser dada a
um médico formado pela Universidade de Coimbra, e que mesmo físico-mor faça um novo
regimento da forma em que os seus comissários deveriam proceder nas suas comissões e qual o
salário que deveriam receber. "E que fizesse também um regimento para os Boticários do dito
estado com atenção as distâncias, que ficam as terras litorâneas. Ficando advertido que tanto os
ganhos dos seus comissários como os preços dos medicamentos nunca deveriam exceder o
dobro, dos preços praticados no reino e que feito tal regimento deveria ser remetido ao
Conselho".
Quanto ao exame prestado pelos candidatos a boticários, bem como a inutilização das drogas
eventualmente deterioradas, desde a sua chegada aos portos, e a fiscalização das boticas, tudo
se faria de acordo com o regimento: legalização do profissional responsável; existência de
balança; pesos e medidas; estado de conservação das drogas vegetais, principalmente as
importadas; medicamentos galênicos; produtos químicos; vasilhames e ocasionalmente, a
existência de alguns livros. As inspeções das boticas seriam rigorosas e realizadas a cada três
anos. Este regimento foi considerado modelar para a sua época.
Em completo atraso e carência de preparo, os boticários de Portugal e das colônias portuguesas,
tinham como guia a obsoleta Farmacopéia Ulissiponense Galênica e Química de Joan Vigier,
data de 1716, e em 1735 aparecia a Farmacopéia Tubalense Química Galênica, teórica e prática,
de Manoel Rodrigues Coelho, boticário da corte, que visava ter seu trabalho autorizado pelo
governo, o que não conseguiu.
Em 1772 apareceu a obra de Frei João de Jesus Maria, monge beneditino e boticário do
convento e, finalmente, publicada por ordem de D. Maria I. Em 7 de abril de 1794 foi mandada
adotar a Farmacopéia Geral para o Reino de Portugal e Domínios, de autoria de Francisco
Tavares, professor da Universidade de Coimbra, obra cujos preceitos não era lícito ao
profissional se afastar, mesmo quando o próprio autor a reconheceu insuficiente, sendo por isso,
o mesmo autor, levado a reescrever sua obra.
A cidade de São Paulo em 1765, tinha três boticários, Francisco Coelho Aires, estabelecimento e
moradia na rua Direita, Sebastião Teixeira de Miranda na atual rua Alvares Penteado e José
Antônio de Lacerda na atual Praça da Sé.
A Real Botica de São Paulo, estava instalada onde hoje está o Vale do Anhangabaú, mais
precisamente, onde hoje está o prédio central dos Correios e Telégrafos. O prédio para instalar
esta primeira farmácia oficial da cidade foi construída em 1796 e demolida em 1916.
No tempo da Real Botica os remédios eram, na sua grande maioria, plantas medicinais, porém
desde de 1730 o brasileiro usava o mercúrio e o arsênico importados da Europa.
O ópio, a escamonéia, a rosa, o sene, o manacá e a ipeca já faziam parte dos remédios
necessários para funcionamento de uma botica. Pomadas e linimentos tinham grande consumo,
aliás o produto mais consumido era a pomada alvíssima, além do bálsamo católico, de Copaíba,
e a Água Vienense, que só entrou em desuso no começo deste século.
As Boticas do Rio de Janeiro, no entanto, eram adornadas "com estilo muito mais faustoso que o
comum das casas de comércio, isto é, de muito bom gosto. Em vez de balcão, como se
costumava ter, tinham bem no meio uma espécie de altar, com a frente ornamentada com
pinturas e dourados; o motivo mais comum na pintura era alguma paisagem, um naufrágio ou um
simples ramalhete de flores. Acima, no altar, a balança, os pesos, dois ou três livros velhos,
oráculos, sem dúvida, da arte de curar".

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Os utensílios de laboratório, sempre despertou no cliente um olhar respeitador bem


como muita curiosidade. Talvez por suas formas singulares, tão diferente da maioria
dos objetos corriqueiros, talvez por indicarem ao leigo de alguma forma, as transformações que
nestes locais se faziam. Na porta dos laboratórios o aviso "Proibida a Entrada", só entravam o
boticário, vestido com sua bata branca, e os auxiliares , geralmente moços me manga de camisa.
O freguês ficava a espera da receita, que levava no mínimo uma hora para ser aviada além da
grade de madeira ou de ferro.

Os estudos de farmácia

Quando a família real portuguesa ruma para a colônia Brasil, o futuro país não tinha conseguido
fazer chegar as suas terras qualquer dos avanços científicos que a Alemanha, França e Itália
desfrutavam.
O Brasil era a colônia portuguesa esquecida pela rainha D. Maria I, A Louca.
Não havia faculdades, as ciências de uma maneira geral eram privilegio dos que podiam ir
estudar em Lisboa, Paris ou Londres.
Foi depois da vinda da família real, (1803) que o país, ainda colônia, adquiriu o direito de
acompanhar os movimentos culturais e científicos que aconteciam no velho continente a mais de
um século.
O primeiro passo largo rumo a modernidade foi encabeçado pelo príncipe regente D. João VI,
que admirava os estudos de história natural, bem como o trabalho dos naturalistas.
Em 18 de fevereiro de 1808, instituiu os estudos médicos no Hospital Militar da Bahia, por
sugestão do cirurgião-mor do reino, Dr. José Correia Pincanço, futuro Barão de Goiana, com
ensino de anatomia e cirurgia, porém o ensino de farmácia só se iniciou em 1824.
A intenção de D. João VI era formar médicos e cirurgiões para o exército e marinha, onde estava
a elite econômica da época.
No Rio de Janeiro instituiu o curso de medicina em 1809. Este curso era composto das cadeiras
de Medicina, Química, Matéria Médica e Farmácia. O primeiro livro desta faculdade foi escrito por
José Maria Bontempo, primeiro professor de farmácia do Brasil, e chamava-se "Compêndios de
Matéria Médica" e foi publicado em 1814.
Em 1818 o farmacêutico português instalado no Rio de Janeiro, José Caetano de Barros abriu o
ensino gratuito a médicos, boticários e estudantes no laboratório de sua farmácia, sendo que as
aulas de botânica eram dadas pelo carmelita pernambucano Frei Leandro do Sacramento, diretor
do Jardim Botânico, e professor dessa disciplina na então Escola Médico Cirúrgica. As aulas de
Frei Sacramento eram ministradas no Passeio Público daquela cidade.
Dentre os discípulos de José Caetano de Barros, destacava-se Ezequiel Corrêa dos Santos, que
veio a ser um dos pioneiros da farmácia no Brasil. Seu filho, também farmacêutico, tornou-se
catedrático de farmácia na Faculdade de Medicina no Rio de Janeiro entre 1859 e 1883.
Em 3 de outubro de 1832, foi criada a Faculdade de Medicina, com isso regulou-se o ensino de
farmácia. Um decreto imperial sancionado em 8 de maio de 1835, transformou a Sociedade de
Medicina em Academia Imperial, e nela ficou instituído a seção de farmácia, o que elevou a
classe farmacêutica à hierarquia científica, colocando-a em igualdade aos demais ramos das
ciências médicas.
A consolidação do ensino de farmácia, no entanto, só aconteceu em 1925, quando o curso passa
a ser Faculdade de Farmácia, filiada, como as outras, à Universidade do Rio de Janeiro.
A assembléia legislativa de Minas Gerais, decretou lei sancionada pelo então conselheiro
Bernardo Jacinto da Veiga, em 4 de abril de 1839, criando duas Escolas de Farmácia, uma em

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Ouro Preto e outra em São João Del Rei, destinada ao ensino de farmácia e da
matéria médica brasileira.
A cidade do Rio de Janeiro abriu curso de agricultura em 1814, e o laboratório de química chegou
a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1818.
Os cursos superiores nasceram sob a imposição de necessidades práticas imediatas, por isso
não acompanharam, no decorrer de nossa história, as exigências da sociedade brasileira. Em
virtude do imediatismo, a pesquisa científica foi totalmente negligenciada durante todo o período
do império, vindo a desenvolver-se timidamente no começo do nosso século. Assim, não é de se
estranhar que em 10 anos (1855 -1864) as escolas de medicina das duas províncias, Bahia e Rio
de Janeiro, tivessem apenas 27 estudantes de medicina, por ano, e no curso de farmácia 5,
enquanto o curso de direito tinha 80 alunos.
A Escola de Farmácia de Porto Alegre surgiu em 1896 e a de São Paulo em 1898. Se bem que a
idéia da instituição desta última constituísse, desde algum tempo, cogitação de ilustres
profissionais que integravam a Sociedade Farmacêutica, coube, sem dúvida, ao Dr. Braulio
Gomes, médico de renome e vasto currículo de relações sociais, a vitória na iniciativa que
culminou na fundação da Escola de Farmácia de São Paulo em 12 de outubro de 1898.
Em 1822, São Paulo, não possuía nenhuma faculdade, mas tinha 7 médicos e cirurgiões e
continuava tendo 3 boticários, sendo um deles Ereopagita da Mota, que tinha farmácia na então
rua do Rosário atual 15 de novembro, no coração da cidade. Já o Rio de Janeiro em 1843 tinha
78 farmácias, e em 1893, 210 farmácias e 34 drogarias.

De Boticário a Farmacêutico

Apesar das diversas instituições de ensino de farmácia pelo país no século passado, a passagem
do comércio de botica para farmácia, não foi nada fácil. Afinal o hábito, na cultura popular,
dificulta em muito as mudanças, por mais necessárias que elas sejam.
Assim, até a própria lei que regulamentava o efetivo exercício da profissão persistia em chamar
os farmacêuticos de boticários. O Regimento da Junta de Higiene Pública, aprovado pelo decreto
imperial número 829, de 29 de setembro de 1851, documento que regulamentava a profissão,
fazia menção ao técnico da preparação dos medicamentos através da palavra "boticário"., e não
se pense que a expressão dissesse respeito a profissionais sem diploma, pois o artigo 28 do
referido regimento é claro: "os médicos, cirurgiões, boticários, dentistas e parteiras apresentarão
seus diplomas..."
O hábito continuou até surgir o Decreto 2055, de dezembro de 1857, onde ficou estabelecida a
condição para que os farmacêuticos, não habilitados, tivessem licença para continuar a ter suas
boticas. Uma ironia bem própria da cultura brasileira, onde farmacêuticos e boticários, habilitados
ou não, tinham pouca diferença para a média da população bem como para os legisladores,
normalmente leigos em questões de farmácia.
O boticário dará definitivamente espaço ao farmacêutico depois de 1886. Isto no entanto não
deve significar que o país e suas faculdades de farmácia não produziram cientistas de nível
nacional e internacional é o caso de Luís Antônio da Costa Matos, que obteve um princípio
antifebril da amêndoa de cajú; Joaquim de Almeida Pinto, pernambucano, que estudou espécies
da nossa flora e organizou um dicionário de botânica; Antônio Gonçalves de Araujo Penna,
paulista que se dedicou a farmácia homeopática, dando-lhe grande impulso e popularidade.
Ezequiel Correia dos Santos, fluminense, dedicou-se ao estudo das plantas medicinais
brasileiras, procurando isolar os princípios ativos e obtendo em 1838, a pereirina do Pau Pereira,
com a colaboração dos farmacêuticos Soullié e Dourado.

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Joaquim Correia de Mello, paulista, exerceu a profissão em Campinas, onde se


popularizou pelo apelido de "Quinzinho da botica", sua vocação era a botânica.
Estudioso e modesto, aplicou-se profundamente ao estudo da nossa flora, redigindo
comunicações e memórias que foram publicadas nos anais da famosa "Linnean Society", de
Londres, da qual era o único sócio correspondente sul americano. Pedro Baptista de Andrade,
mineiro, o "poeta da química", químico industrial e professor de farmácia; Christovão Buarque de
Hollanda, químico do Laboratório Nacional de Análises e diretor da Farmácia do Estado de São
Paulo; José Frederico de Borba, especializou-se em química toxicológica e bromatológica, tendo
sido chefe do Laboratório do Estado e professor de farmácia. João Florestino Meira de
Vasconcellos, foi professor da Santa Casa, professor de farmácia e escreveu "Elementos de
Farmácia", em 2 volumes, São Paulo (1906). A primeira mulher que colou grau de farmacêutico,
no período do império foi Maria Luiza Torrezão de Seurville, nascida em Niteroi em 1865,
diplomou-se pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1888. Foi farmacêutica da
Policlínica do Hospital de São João Batista em Niteroi. Sua formatura foi um verdadeiro
acontecimento social, pois aberrava os hábitos da época.

Farmacopéias e remédios do século XIX

Em maio de 1841 aparecia com grande êxito o "Formulário do Dr. Pedro Luís Napoleão
Chernoviz" e, no ano seguinte, o Dicionário de Medicina Popular e das Ciências Acessórias,
contendo a descrição das doenças, sintomas e tratamento, as receitas para cada doença; as
plantas medicinais, as alimentícias, as águas minerais do Brasil, Portugal e de outros países.
Esta obra tornou-se popular para o efetivo exercício da farmácia durante todo o século passado,
e também era aceita como, bibliografia de base para a reformulação da Farmacopéia Brasileira
de Rodolpho Albino, em 1947. Foram sucessivas seis edições do Formulário, chegando a 1908;
em 2 volumes de cerca de 1500 páginas cada um.
Em 1900 o Dr. M.H.Lacronix, de Paris a remodelou, de acordo ao Codex, Farmacopéia Francesa,
sem deixar de transcrever também as fórmulas da Farmacopéia Lusitana.
Reformulado, o formulário do Dr. Chernoviz, passou a ter descrição dos medicamentos, as doses,
e as doenças em que eram usadas.
Foi através das informações deste formulário que muitas das farmácias brasileiras do século
passado e começo deste século, produziram seus remédios, afinal o estudante de farmácia tinha
de decorar as formulações que estavam no Formulário do Dr. Chernoviz, para poder exercer a
sua profissão.
Outra razão para o sucesso deste formulário está na forma didática das suas muitas descrições.
Assim, para que o leitor saiba, um pouco mais sobre a farmácia do passado transcrevemos
algumas citações do formulário do Dr. Chernoviz

Arte de Formular

É aquela parte da ciência médica que prescreve as regras para a preparação e administração
dos medicamentos.

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Medicamento

É toda substância empregada pela medicina para restabelecer a saúde. Os medicamentos são
oficinais, aqueles que devem achar-se prontos nas farmácias como xaropes, vinhos, extratos,
tinturas, conservas, emplastos, ungüentos etc.
Magistrais ou extemporâneos, são aqueles que são preparados segundo fórmulas de cada
médico; podem ser: porções, cozimentos, emulsões, pílulas, colírios, linimentos, cataplasmas etc.

A teoria na prática do balcão

A farmácia no Brasil teve de vencer muitos obstáculos para se firmar enquanto profissão. Não era
só o número de alunos reduzido nas faculdades, mas também a concorrência profissional dos
químicos, botânicos, médicos, curandeiros, benzedeiras, comerciantes de seco e molhados e
principalmente da pouca ou nenhuma escolaridade da grande maioria da população por vários
séculos. Aliado a isso a necessidade de desenvolvimento científico nunca fez parte da cultura
nativa.
Foi uma luta composta por diversas batalhas para que a profissão de farmacêutico ganhasse o
direito a exclusividade na produção e manipulação de medicamentos.
O mercado de trabalho era pequeno e normalmente vinculado aos hospitais militares ou as
Santas Casas.
Para que a indústria farmacêutica se estabelecesse, foi outra batalha contra a ignorância dos
políticos da época sobre o exercício da profissão, e a concorrência desigual dos produtos
importados, nem sempre de boa qualidade, além da falta de confiança na capacidade profissional
e científica dos profissionais brasileiros.
É certo que o farmacêutico do século passado e boa parte deste século tinha tempo para exercer
outras funções sociais importantes como juiz de paz, vereador, prefeito, deputado, senador, etc,
sem deixar de atender no seu estabelecimento, afinal o mais importante era formular o remédio, e
isso acontecia uma vez ao dia, as vezes de dois em dois dias. As vezes também, acontecia de ter
de formular a noite, dependendo do caso era acordado altas horas da madrugada por causa de
uma dor de dente ou de uma febre. Em algumas cidades exercia também a função de médico, já
que determinava a doença e receitava o remédio. Aliás era mais fácil que os habitantes do
interior fossem a farmácia do que ao médico. Quando o farmacêutico formulava tinha de anotar
no livro de farmácia o nome do paciente, a prescrição, a data e o nome do médico.
O investimento para exercer a sua profissão também não era pouco, afinal precisava de um
número bastante respeitável em medicamentos simples e composto, para efetivamente exercer a
sua profissão.
Não havia necessidade de grandes maquinismos, mas o indispensável, não era barato. Balança,
vidros, termômetro, conta gotas, prensa, filtros, capsula, cadinho, cortador de raiz, almofariz, mão
de almofariz, caçarola, tacho, terrina, espátula, seringa, apertador de rolha entre tantos outros.

A Farmacopéia Brasileira

A Sociedade de Medicina fundada em 30 de junho de 1829 ocupava-se com a precisa


codificação da farmácia, e o presidente Dr. Otáviano da Rosa mostrava a necessidade de
organizar uma farmacopéia, desejo de todos os farmacêuticos que só se concretizou, (1926) com
o trabalho de Rodolfo Albino Dias da Silva.

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O problema da falta da farmacopéia, no entanto, ficou em foco durante todo o século


passado.
Sempre adiada, a codificação não se fazia, porém parcialmente se produzia, e mesmo
oficialmente redigiam-se formulários para vários serviços. Assim, em 1837, apresentava-se
candidato a Academia Agostinho Albano da Silveira Pinto com o código farmacêutico lusitano,
que organizara, propondo que este fosse adotado no Brasil. Apesar da opinião favorável da
academia, a adoção, do código português não se fez oficial, porém era usado pelos
farmacêuticos das cidades, e com isso se acentuou a necessidade de organizar o nosso.
Em maio de 1841 aparecia com grande êxito o "Formulário do Dr. Pedro Luís Napoleão
Chernoviz” e no ano seguinte, o “Dicionário de Medicina Popular e das Ciências Acessórias”,
contendo a descrição das doenças, sintomas e tratamento, as receitas para cada moléstia; as
plantas medicinais e as alimentícias; as águas minerais do Brasil, Portugal e de outros países e
muitos outros conhecimentos úteis. Esta obra tornou-se popularíssima no seu tempo, foram
sucessivas seis edições do Formulário, chegando a 2 volumes de cerca de 1500 páginas cada
um.
Em 1908 o Dr. M.H.Lacronix, de Paris a remodelou, o formulário do Dr Chernoviz em
conformidade com o Codex sancionado pelo governo francês naquele mesmo ano.
Reformulado, o formulário passou a ter descrição dos medicamentos, as doses, as doenças em
que são empregados; compêndio alfabético das águas minerais; mapas especiais das várias
estâncias; relação das melhores fórmulas; memorial terapêutico, em harmonia com as modernas
idéias e progressos mais recentes da medicina, com tratamento de todas as doenças, em
especial das doenças de países tropicais; a profilaxia das doenças contagiosas, o diagnóstico e o
modo de debelar as de ordem médica e cirúrgica. Formulário completo e interessante resenha
das últimas novidades científicas, enriquecido com vocabulário português-francês. Depois de
toda esta reforma o formulário do Dr. Chernoviz tornou-se na verdade um guia médico.
Desde 1851 ficou estabelecido que o preparo dos medicamentos oficinais seguiriam a
Farmacopéia Francesa até que se organizasse a brasileira, e para tanto o governo nomearia uma
comissão, e de fato nomeou, porém como tantas outras esta comissão nada fez.
Outras obras pretenderam ter igual função a do Dr Chernoviz e são elas: O Formulário Médico de
Theodoro J. H. Langgaard e mais o do Dr. José Ricardo Pires de Almeida, compilação de cerca
de 6 mil fórmulas visando ser oficializado. Para uso limitado nos seus diversos departamentos,
organizaram-se sucessivamente formulários para o Hospital Militar da Côrte, hospitais e
enfermarias do exército e marinha, para a Santa Casa de Misericórdia etc.; entretanto, o exercício
da profissão no país continuava sem a tão reclamada Farmacopéia Brasileira.
A única comissão instalada para este fim, fazer a farmacopéia, que funcionou foi a comissão
executiva formada no Congresso Brasileiro de Medicina e Cirurgia de São Paulo realizada em
1906 que organizou a Farmacopéia Paulista, cujo trabalho levou 9 anos para a sua elaboração e
foi apresentada no Congresso Médico Paulista em 1916 e oficializado neste estado em maio de
1917 e aceita como tal nos outros estados da união. Esta obra foi a antecessora da Farmacopéia
Brasileira de 1926.

A Farmacopéia de Rodolpho Albino

Rodolpho Albino Dias da Silva, fluminense, químico do Laboratório Nacional de Análise e


professor de farmácia, trabalhou intensamente por mais de 10 anos para concluir o Código
Farmacêutico Brasileiro. Ao concluí-lo, o pouco conhecido, Rodolpho Albino Dias da Silva, em
1924, pode apresentar seu projeto de farmacopéia brasileira ao Dr. Carlos Chagas, Diretor Geral

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do Departamento Nacional de Saúde Pública. Para julgar o trabalho apresentado, o


Dr. Chagas nomeou uma comissão constituída pelos professores doutores Antônio
Pacheco Leão, Renato de Souza Lopes e Antidônio Pamplona e os farmacêuticos, Alfredo da
Silva Moreira, José Malhado Filho e Isaac Wernewck da Silva Santos. Após exame minucioso da
obra, essa comissão resolveu aceitá-la solicitando ao governo a sua oficialização, como Código
Nacional Farmacêutico, com a supressão, porém de certos artigos por eles considerados de uso
restrito para serem oficializados, os quais vem enumerados no prefácio da primeira edição da
Farmacopéia Brasileira.
Em 4 de novembro de 1926, pelo Decreto 17.509, assinado pelo presidente da república, Dr.
Arthur Bernardes, e pelo ministro do Interior e da Justiça, Dr. Affonso Penna Jr, nos termos do
artigo 252 do Decreto16.300, de 31 de dezembro de 1923, foi aprovada e adotada como Código
Farmacêutico Brasileiro a farmacopéia brasileira, elaborada por Rodolpho Albino Dias da Silva,
com as emendas da comissão revisora. O código entraria em vigor em 60 dias, depois da
publicação da primeira edição oficial, ficando sua execução a cargo do Departamento Nacional
de Saúde Pública.
Afinal, depois de mais de cem anos de luta, tinha o Brasil sua farmacopéia, obra de um só
homem, que no julgamento de eminentes farmacólogos do mundo, um dos mais adiantados e
atualizados códigos farmacêuticos do seu tempo.
Não é exagero chamar esta primeira farmacopéia brasileira de "Farmacopéia Verde", já que é a
única com 183 espécies de plantas medicinais brasileiras, com descrições macro e microscópicas
das drogas, o que lhe reservou vanguarda absoluta comparada com outras farmacopéias da
mesma época.
Quatro fórmulas para se preparar extratos fluídos das plantas e, tantas outras informações
essenciais para os farmacêuticos de ontem e de hoje. Mas como tantos outros trabalhos
científicos formulado por brasileiros, teve vida útil curta.
A descoberta da penicilina, como substituto mais do que satisfatório das quinas, bem como o
desenvolvimento da indústria farmacêutica de remédios feitos a base de petróleo exigiu a revisão
da farmacopéia brasileira, iniciada em 1936. Formou-se uma comissão de farmacêuticos para
que a atualização resultasse em transformação dos princípios que até então norteavam o
exercício da farmácia no pais. Esta primeira comissão formada inclusive pelo químico
farmacêutico de tradição fitoterápica, Waldemar Peckolt, foi dissolvida em 1943, exatamente por
causa do corte substancial no número de plantas medicinais brasileiras que existia na primeira
farmacopéia.
Segundo a opinião dos profissionais de vanguarda da época as " mudanças tecnológicas e
químicas, exigiam mudanças radicais na farmácia brasileira, restando pouco espaço aos
medicamentos tradicionais”.
Forma-se a segunda comissão que estabelece através da Portaria número 52 de março de 1945
a seguinte bibliografia para a produção de produtos oficinais, "para que possam ser fabricados de
conformidade com as normas estabelecidas nas farmacopéias estrangeiras ou nos farmulários
que abaixo seguem:
Dorvault - "L'Officine" ou "Répertoire Général de Pharmacie Pratique"
Chernoviz - "Formulário e Guia Médico"
Medicamenta - "Guia Teórico-Prático para farmacêuticos, médicos e veterinários"- Cooperativa
Farmacêutica de Milão.
"Nuevo Recetario de Farmácia" – Dieterich
"Formulário Oficinal Magistral" - Pires de Almeida

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Farmacopéias Americana e Inglesa

A Farmacopéia Brasileira se descaracterizou, após o corte substancial das plantas medicinais


nativas. A razão da formação de uma segunda comissão para a revisão tinha por objetivo a
retirada da "nova farmacopéia" da maioria das plantas medicinais brasileiras. Tanto assim, que os
revisores da segunda comissão se propunham a fazer uma farmacopéia de fitoterápicos após o
termino da revisão da Farmacopéia Brasileira. A presença de plantas medicinais na segunda
edição "ampliada e atualizada" é insignificante. O que restou da identidade do remédio brasileiro,
plantas medicinais, tinturas, extrato fluído, ungüentos, formulações, foi e é insignificante.
Levamos mais de 100 anos para ter uma Farmacopéia Brasileira, a de Rodolpho Albino, porém
levamos apenas 20 anos para destruir a pouca identidade cultural que este farmacêutico nos
deixou.
Nos dias de hoje já não se justifica mais a inclusão de nossas plantas na Farmacopéia Brasileira,
mas é urgente que se faça uma Farmacopéia Brasileira de Produtos Fitoterápicos, até porque o
PSF, Programa de Saúde da Família/MS e a crônica pobreza de muitos estados denuncia a
necessidade de se colocar técnica e responsabilidade na formulação dos únicos medicamentos
efetivamente brasileiros.

A Primeira Indústria Farmacêutica

O proprietário da primeira indústria farmacêutica do Brasil, foi também o patrono da cadeira de nº


20 da Academia Nacional de Farmácia e chamava-se Luís Felipe Freire de Aguiar.
Luís Felipe nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 23 de agosto, filho de Luís Francisco Freire de
Aguiar e Dona Francisca de Paula Fonseca de Aguiar.
Iniciou seu curso de farmácia em 1869 na Faculdade Nacional de Medicina no Rio de Janeiro,
onde logo manifestou decidida vocação e se formou em 1871.
Serviu durante o curso no Hospital da Marinha como auxiliar de laboratório, passando depois a
ocupar o lugar de segundo farmacêutico. Deixou o posto em 1874, para ter a sua farmácia no
antigo Largo de Santa Rita. Associou-se a Farmácia Episcopal, a mais antiga das farmácias do
Rio de Janeiro, onde começou a trabalhar em prol da farmácia brasileira. Em 1877 tornou-se
proprietário da Farmácia Episcopal.
Em 1876 casou-se com Dona Rita Lessa Godói, filha do Desembargador Antônio Thomáz Godói
e neta do Barão de Diamantina. Deste casamento nasceram Tíndaro Godói Freire de Aguiar,
Abelardo Freire de Aguiar, (farmacêutico), Astrogildo Freire de Aguiar e Luiza Freire de Aguiar.
Devido à vontade de se dedicar exclusivamente a manipulação de alguns preparados especiais
de sua composição, que começavam a ganhar confiança, Luís Felipe Freire de Aguiar, vendeu a
Farmácia Episcopal para montar um laboratório para produzir remédios e perfumaria.
Este é um tempo em que a grande maioria dos remédios consumidos pela população brasileira
era importado da Europa. Também não era grande o número de profissionais que se formavam
em farmácia, 20 alunos por ano era o total de formandos na Faculdade Nacional de Medicina do
Rio de Janeiro na última década do século XIX.
O grande inimigo do aproveitamento das plantas medicinais brasileiras, eram os remédios
importados e o preconceito dos governantes e da população quanto a sua qualidade e a
eficiência. Como ainda hoje, "o que é importado é melhor".

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Brigando pela "Água Inglesa"

De início, o farmacêutico Freire de Aguiar, teve de sustentar uma disputa judicial com uma fábrica
de produtos medicinais, estrangeira, pois manipulava um produto de fórmula conhecida, e com o
nome comercial de "Água Inglesa". No Brasil a distribuição deste remédio era feito pela poderosa
"Sociedade União dos Fabricantes Franceses"
A Água Inglesa ou da Inglaterra, era um vinho de quina, muito usada como tônico e
antiespasmódico. Até 1888 este produto no Brasil era considerada um segredo da família de
André Lopes Castro, português, porém sua fórmula já fora escrita na Farmacopéia Tubalense,
editada em 1760.
Freire de Aguiar estudou vários vegetais da nossa flora, e conseguiu elaborar uma fórmula mais
honesta e cientificamente perfeita e obteve a aprovação da sua Água Inglesa modificada. Para
que o farmacêutico brasileiro conseguisse comercializar o seu produto precisou de uma
autorização da Inspetoria de Higiene, responsável pela qualidade dos medicamentos
comercializados no país. Em 20 de outubro de 1888 a Inspetoria Geral de Higiene, expediu uma
circular aos seus inspetores de higiene provinciais e aos droguistas declarando: "Que a Água
Inglesa julgada por esta Inspetoria como a mais adequada a índole dos formulários brasileiros, é
a do farmacêutico Freire de Aguiar." Foi o que bastou para que a distribuidora francesa reagisse.
A Sociedade União de Fabricantes Franceses, julgou-se prejudicada em seus interesses no
Brasil, e entrou com processo judicial no foro de Ouro Preto contra Freire de Aguiar. Freire de
Aguiar, sem nenhum auxílio, teve que arcar com todas as despesas dos processos, conseguindo
triunfar, sempre até em última instância. Teve muitos dissabores, por não querer ceder um só
milímetro de seu direito, tal era a convicção que tinha do serviço que prestava a sua profissão.
Depois de vencer todas as batalhas pela sua "Água Inglesa modificada", voltou ao Rio de Janeiro
e fundou um outro laboratório na rua General Câmara, mais tarde mudou seu estabelecimento
para a rua Conde de Bomfim. Neste novo estabelecimento cedeu ao insistente convite do seu
colega e amigo farmacêutico Paulo Barreto e organizou, em 1890 a "Companhia Química
Industrial da Flora Brasileira", da qual ficou apenas com o cargo de técnico.
Em pouco tempo, dois anos, Freire de Aguiar viu o seu bem montado estabelecimento pedir
falência. Nesta época sua indústria já tinha cem produtos, sendo muitos da flora nacional e outros
de matéria prima estrangeira.
Numa série de artigos publicados em jornais no Rio de Janeiro, moveu honesta campanha contra
produtos falsificados, nacionais e estrangeiros. Tinha por hábito exibir farta documentação
provando suas afirmações. Em análises realizadas nos laboratórios oficiais, e pessoalmente,
provava a iniqüidade de vários produtos importados, entre os quais o Elixir Alimentício de Ducro,
que não continha nenhuma substância alimentar. Chapoteaut, farmacêutico francês, fabricou um
preparado em que deveria entrar a pepiona; pelo exame realizado por Freire de Aguiar, na
presença de médicos, farmacêuticos e jornalistas, provou que o elixir que chegava às prateleiras
nas nossas farmácias, não possuía nem sombra de carne.
Em outra ocasião em sua farmácia, uma senhora pediu um vidro de xarope de Forget, o qual foi
vendido. Momentos depois, essa senhora voltou muito aflita, porque sua filha estava
envenenada. Examinando o medicamento, verificou que continha alta dose de cloridrato de
morfina. Não deixou de comentar o ocorrido com as autoridades da Inspetoria de Higiene e tão
pouco voltou a comprar o dito remédio importado.
Todos os seus produtos, entre os quais Água Inglesa, Xarope de Rabano Iodado, Elixir
Alimentício, Magnésia Fluida, entre outros, tinham ótimo conceito na classe médica e o Elixir de
Jurubeba, mereceu do Dr. Domingos Freire, um parecer honroso, pois conseguiu regularizar de
modo científico a preparação de jurubeba que sempre tinha irregularidade no preparo.

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No governo de Prudente de Morais, sendo Ministro da Fazenda, Bernardino de


Campos, (1897), Freire de Aguiar manifestou-se franca e positivamente, pedindo
proteção para a indústria farmacêutica nacional, que nesta época estava longe de ter um número
grande de estabelecimentos, evitando a importação de remédios, que podiam ser produzidos no
país com todas as garantias de qualidade.

A Fábrica de Produtos de Hulha

Em 17 de outubro de 1903, com grande alarde social, Freire de Aguiar, inaugurou na rua Senador
Euzébio a sua fábrica de produtos extraídos da hulha.
Nesta ocasião o Dr Luís Felipe não deixou por menos e realizou a vista dos presentes uma
experiência interessante: Em um tubo de vidro, de 15 litros, colocou algumas larvas de
mosquitos, derramou algumas gotas do produto de sua fabricação o Phenogeno. Imediatamente
as larvas morreram, ficando provado a grande importância do produto na desinfecção de águas
estagnadas e depósitos de água, onde se desenvolvem as larvas dos mosquitos, que transmitem
doenças como a febre amarela.
Os desinfetantes obtidos da destilação de hulha, muito auxiliaram no combate a várias
epidemias, principalmente a do Maranhão, em que o Phenogeno, cujo preço era inferior ao fenol,
auxiliou a debelar o surto de peste bubônica.
Freire de Aguiar inventou e patenteou um aparelho a que denominou de "Simplex", para ser
adaptado as caixas de descarga dos vasos sanitários, lançando em cada descarga a dose exata
de desinfetante. Também planejou e executou dispositivos para a desinfecção de banheiros
públicos e carroças de lixo. Nem com todos estes benefícios sociais viabilizados pelos seus
produtos, deixou o Dr Luís Felipe de ter mais uma questão judicial, e desta vez com o inglês, Ed
William Person com relação a marca da Creolina, pois o autor da "Creolina Pearson", entendia
que nenhum outro fabricante poderia usar o referido nome que o industrial britânico havia
patenteado.
Freire de Aguiar teve que provar que o nome "Creolina" era genérico, encontrando-se em
diferentes formulários e o supremo tribunal brasileiro, determinou que a Creolina brasileira
poderia se chamar "Creolina Freire de Aguiar", ficando proibido aos demais fabricantes nacionais
o uso deste.
Freire de Aguiar fez tudo o que pode para tornar útil as numerosas substâncias da flora nacional,
inclusive classificando vários vegetais.
Em 1888 o Barão de Ibituruna, agradeceu publicamente os relevantes serviços prestados por
Freire de Aguiar a Inspetoria Geral de Higiene, pelas análises e correspondente parecer técnico,
sobre os vinhos portugueses com vestígios de ácido salicílico. Estas análise foram feitas no
Laboratório da Faculdade de Medicina, em presença de professores e alunos.
A primeira Magnésia fluida fabricada no Brasil foi de autoria de Freire de Aguiar, ao tempo em
que a única existente no mercado era a de Dinnefori, francesa.
Suas incansáveis campanhas contra produtos estrangeiros, provocou severa fiscalização das
autoridades sanitárias, e isso fez com que muitas destas fábricas se instalassem no Brasil. Entre
estas a fabricante da Magnésia Fluida de Murray.
A indústria farmacêutica de Freire de Aguiar foi uma das primeiras a se interessar em fabricar
extratos fluidos, principalmente de plantas nacionais, sendo que usava com êxito comprovado
suas especialidades, que se constituíam de remédios feitos com plantas da nossa flora.

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No elixir antiascítico usava uma planta da flora brasileira que de fato agia
especificamente no caso de ascite, tornando desnecessário as incômodas punções,
que não impediam a repetição das crises.
Após persistente trabalho de pesquisa e com muitas experiências, conseguiu obter um processo
econômico para a refinação do sal, e montou em Minas Gerais uma fábrica para esse fim.
O Laboratório Farmacêutico e Industrial Freire de Aguiar produzia no começo do século XX:
Remédios: Água Inglesa (adotada na terapêutica brasileira), Alimentose (pó de carne
assimilável), Cognax creosotado, Elixir alimentício (adotado na Santa Casa de Misericórdia), Elixir
de Catuaba e Marapuama, Elixir tônico hepático ergotado, Elixir de Jurubeba (simples ou
ferruginoso), Elixir antiascítico, Essência depurativa (Salsa Creosoto), Gotas nervinas, Licor de
Cacau e Noz de Cola, Licor de Cacau com hipofosfitos de cálcio, Magnésia fluida, Pastilhas
cresotadas com cocaina e clorato de potássio, Fenol sódico, Solução ácida de fosfatos
(sucedâneo do de Horsford), Solução de clorido fosfato de cálcio (similar ao de Coirre), Solução
de cloridro fosfato de cálcio creosotada, com bálsamo de tolú (similar ao de Pautauberge),
Vermífugo, Vinho de Quínio, Vinho de Jurubeba simples ou ferruginoso, Vinho tônico
recosntituinte (lato fosfato de cálcio, quina e carne), Vinho iodo-tânico fosfatado, Vinho de quina e
cola fosfatado, Vinho de cacau e cola, Xarope de Serpol contra a coqueluche, Xarope peitoral
balsâmico, Xarope de rabano iodado, Elixir de cipó azougue, Biogenol.
Licores naturais: Cacau (creme fino), Caroços de pêssegos, Laranja Cravo, Cerejas do Rio
Grande, Anizette superfino, Genipapo do Norte, Kúmmel Brasileiro.
Perfumaria: Água de colônia, Água Florida, Água de Quina para cabelo, Pasta dentifrícia,
Eucalipticina (água dentifrícia), Sabonete medicinais.
Fábrica de Desinfetantes e Produtos Químicos derivados da Hulha: Creolina, Sanatol,
Phenogeno, Antracina, Antiparasitário, Anti-culex, Aphytosil (para peste aftosa), Bernicida (para
bernes e carrapatos do gado).
Os produtos acima relacionados, são apenas os mais vendidos no período em que o Dr Freire de
Aguiar era o diretor técnico da indústria.
Em 1918, faleceu na cidade do Rio de Janeiro, Dona Rita de Cássia Godói, mulher de Freire de
Aguiar. Dois anos depois e como filho, Abelardo Freire de Aguiar, farmacêutico, assumiu suas
funções frente a indústria. Freire de Aguiar, comprou uma farmácia em Barbacena e se mudou
para a cidade mineira. Em Minas Gerais, exerceu suas funções de farmacêutico até morrer.
Os esforços do Dr Luís Felipe Freire de Aguiar, para que a industrial farmacêutica nacional
florescesse não foram de todo em vão, pois nos primeiros vinte anos do século XX a cidade do
Rio de Janeiro tinha 512 farmácias, 143 drogarias, 100 laboratórios e depósitos e 47 ervanárias.
As primeiras indústrias foram: Granado & Cia, Silva Araujo, Giffoni, Werneck, Orlando Rangel,
Laboratório do Xarope de Honório Prado, Laboratório Dauat & Lugonfla. No entanto, foi após a
primeira guerra que surgiu a grande maioria das indústrias: Laboratório Oliveira Junior,
Laboratório da Flora Medicinal, Laboratório Famel, Laboratório Moura Brasil, Frederico Brandão
Nuña, Laboratório Frederico Bayer, Silva Litrato Júnio, Francisco de Albuquerque, Laboratório
Orlando Rangel, Laboratório Heinzelman, Laboratório Phymatosan, Instituto Freuder, Pílulas de
Foster, Laboratório Hugo Molinari, Canabarro & Cia, Instituto Bioquímico proença, Lago & Cia,
Fábrica de Produtos Schering, Ecott Brown, Matricária Dutra.
Os laboratórios de produtos fitoterápicos viveram seu melhor período produtivo nos primeiros 30
anos deste século, apesar das rápidas mudanças pelas quais passava o mundo da farmácia e
dos remédios, pois naquela época havia apenas 44 laboratórios estrangeiros contra 452
nacionais. Sendo que o país contava com apenas 2.954 farmacêuticos formados.

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Produto Fabricante Data Indicação


Água Inglesa Lab. Catarinense 1888 tonificante
Pílulas de Vida Smith Kline
1898 laxante
Dr.Ross Beecham
Staphylase do Dr.
Lab. Primá 1900 complex. vitamínico
Doyen
Polvilho Granado Casa Granado 1903 antisséptico
Citrosodine Lab. Primá 1906 antiácido
Smith Kline
Emulsão Scott 1907 complem..alimentar
Beecham
Pomada Minancora Minancora 1914 anticéptico
Elixir Galenogal Lab. Galenogal 1914 depurativo
Biotônico Fontoura D.M.Farmacêutica 1915 tonificante
Elixir de Vida Olinda Lab. Wesp 1916 digestivo

A História da Farmacognosia Brasileira

Farmacognosia foi um termo criado por Seydler em 1815, para designar uma nova ciência cujo
objetivo principal era sistematizar o estudo dos remédios. Para registar e ensinar esta novidade,
Seydler publicou em 1832 um livro intitulado "Grundriss der Pharmakognisie de Pflanzenreich".
Afinal já se iam três séculos e inúmeros remédios novos, plantas, animais e minerais, passaram a
fazer parte das alternativas de cura do mercado consumidor europeu.
A palavra grega Pharmakon, significa substância medicinal, planta curativa ou veneno e Gnosis,
conhecimento, assim esta palavra passou a ser usada por Guibourt, professor da Faculdade de
Farmácia de Paris para designar uma disciplina do curso de Farmácia, que deveria estudar os
remédios a partir das drogas simples.
Antes de Guibourt o químico alemão Theodoro Martius, já havia usado a mesma palavra para
designar o estudo dos princípios ativos das plantas que resultavam em remédio.
Na Europa do começo do século XIX o desenvolvimento dos estudos de farmácia progrediam
vertiginosamente entre a França e a Alemanha. Neste século a farmácia era uma ciência natural
que tratava do conhecimento, preparação, valorização, estabelecia preço de mercado, e
conservação do medicamentos. Rapidamente se isolaram conjunto de farmacos vegetais, depois
animal. Entretanto, apareceram novas substâncias medicinais de origem biológica, assim como a
síntese química, a cópia sintética da natureza, e rapidamente se desenvolveram novas disciplinas
e com isso a palavra e o ensino de farmacognosia se restringiu ao estudo de todos os
medicamentos simples que normalmente se originavam das plantas medicinais.
A famacognosia exigia um fichamento da planta que se compunha de:
Nome vulgar da droga. Sinomia e etimologia; Nome vulgar da planta que produz, sinônima e
etimologia; Classificação sistemática da planta produtora; Descrição da planta produtora; Origem

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e produção da mesma; Cultura da planta medicinal, danificadores das culturas;


Obtenção da droga; colheita e tratamento; Mercados; variedades comerciais,
embalagens;
Descrição da droga, compreendendo;
a. descrição e morfologia externa;
b. descrição e morfologia interna (histologia)
c. Composição química;
d. Classificação farmaco-química; posição no sistema farmaco-quimica;
e. Cheiro e sabor;
Impurezas e falsificações. Sucedâneos; animais danificadores das drogas (eventual); qualidade e
avaliação do preço; histórico e usos.
O Brasil Império não ensinava esta sistemática para a formulação dos remédios, e também
desconhecia suas riquezas naturais.
Os estudantes de farmácia eram poucos e lutavam com dificuldades para aprender e para
exercer sua profissão. Por isso, esta ciência levou 110 anos para chegar ao pais. Isto no entanto,
não deve significar que os estudos farmacognosticos de nossa flora não começaram no século
XIX, pois o farmacêutico alemão de nascimento de nome Theodoro Peckolt, trabalhou, no Brasil,
por 65 anos a nossa flora através dos princípios de farmacognosia ensinado na Europa. Assim, é
através do trabalho dele que começa a história da farmacognosia no Brasil.

O pai da farmacognosia brasileira

A Europa produzia cientistas demais para sua já muito pesquisada fauna e flora. O Novo Mundo,
principalmente países de florestas tropicais desafiavam os jovens cientistas do velho mundo. Por
pouco tempo, alguns anos, ou para o resto de seus dias os jovens cientistas do começo do
século XIX sabiam que do outro lado do Atlântico lhes aguardava o sucesso e as novas
descobertas. Muitos vieram e voltaram para a Europa, outros vieram para ficar e, entre os que
ficaram Theodoro Peckolt.
Peckolt desembarcou no Rio de Janeiro em novembro de 1847. Em 1848 começou a conhecer o
interior do país. Montado em um cavalo começou pelo Rio de Janeiro, Espirito Santo e Minas
Gerais. Neste jovem Brasil havia poucos médicos no interior e os conhecimentos farmacêuticos
do jovem naturalista colocavam-no na posição de prestar serviços médicos aos doentes que o
consultavam. Destes serviços recebia, interessantes presentes para a sua coleção botânica.
Em novembro de 1851, abriu uma farmácia em Cantagalo na Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro.
A cidade naqueles tempos tinha ricas plantações de café e belas matas intactas para as suas
pesquisas. Pesquisou durante 10 anos para apresentar sua primeira obra na Exposição Nacional
em 1861. "Catálogo Explicativo da Coleção de Pharmacognosia e Química Orgânica Enviada a
Exposição Nacional de 1861" são os primeiros resultados de suas pesquisas que vem a público.
Escreve o autor:
"Tudo que minha coleção contém é feito por mim e não há nenhum produto estranho. As diversas
análises executadas por mim acham-se publicadas, em parte, no Archivo de Pharmácia da
Allemanha do Norte. Reparti a minha coleção em séries seguindo mais ou menos o sistema
Pharmacognostico: 1º série: As drogas simples, vegetais, raízes e sementes; 2º série: as Painas;
3º série: Os amidos (Amylaceas); 4º série: As resinas, gomas, e tintas; 5º série: Os Óleos
expressos". Do total de 140 substâncias de origem vegetal e animal comunicadas por Peckolt, 66
eram óleos essenciais, 16 resinas, 4 ácidos, e o restante, extratos, resinas e amidos."

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A organização farmacognosta deste primeiro momento o acompanha pelos seus 65


anos de trabalho. Ao analisarmos o todo de suas obras observamos que a qualidade
e quantidade das informações das espécies colhida neste primeiro momento o acompanham
durante toda a sua existência. Sua principal preocupação será, sempre, ensinar ao povo
brasileiro a importância da sua flora e fauna, absolutamente desconhecida e desprestigiada.
Peckolt neste início de década tinha apenas começado suas pesquisas químicas, mas já
comunicava descobertas importantes.
Zabucaia (em tupi), ninho de ovos; Çapucaio, Jaçapucaio.
Locythis urnigera, Mart.
Lecythideas
Estes frutos que apodrecem aos milhares nas matas, sem proveito para ninguém, poderiam
utilizar-se o extrato aquoso. Eles contem 13,6% de tanino. Este tanino nas suas reações
químicas pouco se distingue do das Galhas e dei-lhe o nome de Ácido lecythistanico.
O mesmo fruto contém mais substâncias:
Uma substância resinosa ainda não minuciosamente examinada e a qual chamei, ácido gálico,
vestígio de ácido benzóico, óleo pingue. Sais inorgânicos e 6% de uma substância cristalizável,
que nas suas reações se assemelha a cafeína, mas as análises ainda não estão concluídas e
talvez descubra um alcalóide novo, próprio desta espécie".
Nem todas as informações deste primeiro trabalho observam o rigor dos estudos de
farmacognosia das plantas européias, até porque não haviam dados como por exemplo os
registros botânicos da Flora Brasileira de Martius, que em grande parte aconteceram através da
colheita de exemplares de espécies feitas pelo próprio Peckolt.
(Noz de Galha = Excrescência desenvolvida nos grelos dos ramos novos de uma espécies de
Carvalho, Quercus infectoria, que habita na Ásia Menor. Colhem-se também as Galhas nos
diversos Carvalhos que habitam a Europa. A água, o álcool, o éter, extraem facilmente os
princípios ativos da Galha. Ela serve para preparar tanino. Adstringente e tônico, aconselhado
internamente na diarréia, leucorréia e como antídoto emético; externamente em gargarejos).(2)
As análises químicas mais importante desta exposição aparecem mais detalhadamente por
ocasião da Exposição Universal de Paris, em 1867.
Nesta segunda publicação os óleos essenciais e a cafeína dos diversos vegetais analisados
formam um novo quadro.
Peckolt é sempre muito singular em seu trabalho quando comparado a outros farmacêuticos
brasileiros do mesmo século. Seus estudos são sempre pautados pelos moldes da
farmacognosia européia. Ainda que com enormes lacunas de informações em um primeiro
momento, a persistência e a determinação de seguir os princípios da farmacognosia o
perseguiram por toda a vida. Minucioso e metódico sempre realizava pelo menos três análises
em cada parte da planta para depois publicar. Quase nunca se restringia a analisar quimicamente
apenas a parte da planta usada pelo povo. No correr de sua vida são mais de seis mil vegetais da
flora brasileira analisadas quimicamente, descritas botanicamente e registradas minuciosamente
o uso popular e as indicações farmacológica.
Na sua obra há análises curiosas como a análise de fungos das florestas como o Tabaco de
Judeu, Espiga de Sangue e o Fel da Terra, escreve o autor em 1868 sobre estes assuntos:
Tabaco de Judeu "Este fungo, muito singular, desenvolve-se em conseqüência de certa doença
de uma lagarta grande. Excelente remédio externo contra as hemorragias". Espiga de Sangue -
"Helosis brasiliensis , Balanophoreae , Helosieae". Este parente parasitico do Fel da Terra acha-
se nos lugares sombrios do mato virgem; aparece com cor de sangue, em forma de espiga;
sustenta-se de preferência sobre as raízes de urtiga branca. Tanto a flor como a batata tem efeito

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adstringente e usam-se contra as hemorragias". Dos três o que realmente foi


pesquisado por mais tempo foi o Fel da Terra.

Fel da terra
Nome cientifico: Lophophytum mirabile, Schott e Endl.
Família: Balanophoreae Lophophyteae
Sinomia cietífica: Archimedea pyramidalis, Leandro
Nome popular: Batata de escamas, Boa noite, Espiga da terra, Pinha de raiz, Urupitim, Sanchim
Habitat: Habita quase todos os estados do Brasil em especial Santa Catarina, Maranhão e Rio de
Janeiro.
Descrição da planta: É planta parasita que vegeta sobre as raízes das árvores, em lugar
sombrio e úmido, de preferência sobre as leguminosas.
De seu rizoma hipogeo saem os espiques florais oblongos, cônicos, de 10-17cm de altura sobre
4-8cm de grossura, cobertos quando novos de escamas pardacentas e depois de flores
monóicas; afilas, assemelhando-se a uma longa espiga de milho privada de palha, tendo na parte
inferior as flores femininas reunidas em capítulos globosos, de 4-6mm de diâmetro, de cor
amarelo claro, levemente pardacentas sobre o centro; fruto é um cariopse.
Os rizomas tuberosos atingem desde o tamanho de uma laranja até o de uma melancia, sendo
estes últimos mais raros. São de conformação irregular, em geral oblonga, arredondada,
achatados de um lado, de cor parda e cobertos de numerosas excrescências verrugosas; a sua
casca tem 4-5mm de grossura. A parte interna deste rizoma é carnosa, de cor pardacenta listada
de vermelho; o seu sabor é desagradável, adstringente, o seu aroma é sui generis.

Análise 1000grs da batata fresca/1868 Análise 1000grs da batata fresca/1888


Substância Grs Substância Grs
Água 496,860 Água 490,860
Amido 45,570 Óleo pingue 2,560
Celulose e mat lenhosa 228,860 Amido 45,570
Lophophytina 0,060 Lophophytina cristalisada 0,060
Mat. corante resinosa de cor
58,580 Lophophyt-fungina 2,930
vermelha
Mat. extr. amarga sacarina 2,390 Picro-lophophytina 1,140
Mat. Extrativa azotica c/ cheiro de
2,930 Ácido lophophyt-tanico 1,520
cogumelo
Mat. pectinosa 14,100 Ácido resinoso 44,000
Mucilagem, dextrina e sais
144,510 Glicose 2,390
inorgânicos
Óleo c/ cheiro de cogumelo 2,560 Subst. Albuminoides 6,920
Stryphino (clorofila*) 1,520 Mat. corante vermelha 14,580
Subt. Gomosa, mucilagem, pectina e
Subst. albuminosas 6,920 158,510
sais inorgânicos

É interessante observar que quase todas as plantas desta época tinham sinônima botânica e a
sinônima popular era abundante, e Peckolt comenta que o nome popular das plantas mudava
quase que de um município para o outro, o que tornava quase impossível saber se era mesmo
aquela planta apenas pelo nome popular.
A origem e a produção das plantas era quase sempre extração, o cultivo de plantas medicinais
ainda hoje carece de desenvolvimento. Por isso não restou outra alternativa a Peckolt a não ser

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pesquisar plantas cultivadas, e também porque tinha o objetivo de ensinar a


importância da flora nativa ao povo e por isso escreve Plantas Alimentares e de Gozo
do Brasil que teve seu primeiro volume publicado em 1871.
Sistematizar, agrupar, organizar, sempre foram princípios intrínsecos na farmacognosia. Na
Europa ou no Brasil a ordem alfabética do nome científico das plantas, ou dos princípios ativos
encontrados em determinados grupos de plantas era o que fazia valer os seus preceitos básicos
da nova ciência. Assim, nada mais justo do que escolher esta ordem para ampliar seus estudos
sobre a flora brasileira. Antes no entanto, faz anotações importantes sobre a geografia, a
topografia, a geologia, hidrografia, clima e solo dos estados brasileiros. É dele também as
primeiras análises químicas do solo brasileiro.
"Nos terrenos de mato virgem deixam as queimadas um estrume mineral, que é acrescido de
substâncias inorgânicas conveniente a cultura; a capina de substâncias orgânicas acelera a
decomposição dessas substâncias minerais, e por isso deve-se executar o mais cedo possível a
primeira limpa. O terreno é para a planta a única fonte de alimentos minerais; portanto sua
fertilidade depende da abundância dos minerais em estado assimilável. Todas as plantas para
nutrir-se precisam de ácido fosfórico e sulfurico, da cal, da magnésia e do ferro; certas famílias de
plantas requerem silicio; as marítimas, cloruretos e ioduretos; no entanto estas duas substâncias
também parecem indispensáveis a muitos vegetais que nascem nas regiões interioranas do
Brasil". E fala sobre a fertilidade do solo:
"Em outros tempos chamavam-se rico um terreno que continha 1 1/2 a 5% de humus; regular o
que continha 1/2 a 1 1/2%; e pobre o que não encerrava mais de 1/2%; porém hoje essas
designações não são mais aplicáveis, pois sabe-se bem que o húmus não pertence aos
ingredientes dos quais depende imediatamente a fertilidade de nenhum terreno". E continua," a
decomposição das rochas graníticas que abundam no Brasil fornece em geral, como todos
sabem, terrenos de medíocre fertilidade, enquanto os produzidos pelo Trapp são riquíssimos. A
análise química de um e outro mineral oferece diferenças consideráveis, mas constante. Fora o
silício e a alumina, comum a ambos, o granito contém quantidades consideráveis de potassa e
soda, porém em proporções insignificantes cal, magnésia e oxido de ferro, enquanto o trapp
possui todas estas substâncias em abundância, e todas elas em proporções quase iguais".
Peckolt considera o homem como o agente mais perigosos no grupo dos modificador dos
terrenos. "Estimulado pela ambição de obter ricas colheitas pelo menor esforço possível, o
homem derruba e queima os matos; o terreno estrumado pelas cinzas produz abundantemente
por alguns anos; mas pouco a pouco o vigor da vegetação vai diminuindo, e as plantas, cada vez
mais fracas, acabam por sucumbir aos insetos ou a vegetação parasítica. O homem então vai
destruir outro pedaço de mato virgem e os mesmos fenômenos se repetem". Peckolt já previa o
movimento que vivemos hoje na área rural de tentativa constante de recuperar o solo já a muito
destruído, e escreve: "Tempo virá sem dúvida em que a influencia humana se fará sentir nestes
mesmos terrenos em sentido inverso: a destruição dos matos será seguida por outra geração
que, forçada pelas circunstâncias, procurará restabelecer pela cal, o gesso, ou por outros meios
químicos, a força antiga dos terrenos esgotados".

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Análise química das queimadas

Existiam, segundo Peckolt três graus de efeito de queimada nas derrubadas:


Cinzas de derrubada de mato virgem. Terreno de primeira qualidade, formação de granito;
excelente produtor de café e milho
100 g de cinzas
Ácido carbônico 36,666
Cloro 0,669
Iodo -
Ácido sulfúrico 1,786
" fosfórico 0,478
Sílica solúvel 1,200
Óxido de ferro 0,442
Óxido de manganês 2,225
Óxido de cobre 0,040
Cal 3,200
Magnésia 0,071
Alumina 0,042
Potássio 5,761
Sódio 40,080
Silício 7,420

Cinza de derruba de capoeirão (de 12 anos). Terreno de primeira qualidade, de formação


calcária; próprio para cultura de milho e feijão.

100 g de cinzas
Ácido carbônico 36,250
Cloro 0,277
Iodo -
Ácido sulfurico 0,858
" fosfórico 0,635
Sílica solúvel 1,450
Óxido de ferro 0,715
Óxido de manganês -
Óxido de cobre -
Cal 42,868
Magnésia 4,572
Alumina vestígio
Potássio 0,530
Sódio 6,970
Silício 5,000

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Cinzas de derrubada de capoeira (de 6 anos). Terreno de primeira qualidade, de


formação granítica; próprio para a cultura de milho e feijão

100 g de cinzas
Ácido carbônico 32,333
Cloro 0,016
Iodo -
Ácido sulfúrico 1,374
" fosfórico 1,995
Sílica solúvel 1,974
Óxido de ferro 1,393
Óxido de manganês -
Óxido de cobre -
Cal 26,002
Magnésia 0,180
Alumina vestígio
Potássio 2,693
Sódio 13,000
Silício 19,009

Uma outra situação antiga analisada quimicamente por Peckolt são as grandes queimadas e
seus efeitos no ar que respiramos, e escreve:
"Na ocasião das grandes queimadas de derrubadas a quantidade de ácido carbônico contido no
ar subir ao décuplo do estado normal. Em um dia claro do mês de julho, anterior as queimadas,
achei 3,9 volumes de ácido carbônico, termo médio em cada 10 mil volumes de ar, enquanto que
no mês de agosto, em um dia abafado por um veo de fumaça, achei na mesma porção de ar,
31,9 volumes de ácido carbônico, quantidade que depois das primeiras trovoadas fortes com
chuva desceu a 3,4".
Outra afirmativa bastante atual é que "a destruição do mato tem por conseqüência natural um
aumento tanto de calor como de sequidão do clima, de sorte que terras em outro tempo férteis
podem por esta causa serem transformadas em desertos".

O trabalho de Peckolt e a farmacognosia básica

Todos os itens mencionados acima como princípios básicos de farmacognosia foram abordados
por Theodoro Peckolt em suas obras. Em algumas plantas a informações são escritas de forma
mais completa em outras, até porque eram plantas medicinais de pouco uso, ou de uso apenas
em algumas regiões, ou por falta de matéria prima para análise, mas em todas a leitura sempre
seguia os preceitos de farmacognosia inclusive a observação dos danificadores da cultura como

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foi o caso do café onde analisou folhas secas atacadas por insetos e encontrou 6,530
de cafeína em 1kg de material.
Quando fala da cultura de determinadas plantas não se limita a falar da cultura brasileira, mas da
cultura daquela planta em outros países de clima tropical e principalmente nos países da América
Latina. Quando menciona por exemplo o Abiu, fala que "a pátria do abieiro são as cordilheiras do
Peru, em Ega de onde foi introduzida a árvore no Brasil, e que era cultivada no Pará e
Maranhão". Do terreno ideal para cultivo do Abieiro comenta: "Esta árvore exige terreno quente e
rico em húmus; no Peru, onde 'cultivada em grande escala, o terreno é vulcânico e nele se acha
verdadeira terra para esta cultura. Devem-se mudar as plantas somente quando tem um ou dois
palmos de altura; sendo maiores geralmente morre, pois tem raízes profundas.
Como quase todas as sapetaceas, leva esta árvore muitos anos para dar fruto, os quais
amadurecem no Rio de Janeiro nos meses de maio e junho".
A obra mais completa do pai da farmacognosia brasileira, se é que se pode dispensar algum dos
seus muitos trabalhos, é "a História das Plantas Medicinais e Úteis do Brasil, cujo primeiro
volume foi publicado em 1888 e o último por seu filho Gustavo Peckolt em 1914. Nela consta a
primeira descrição microscópica do feita por Theodoro Peckolt, porém esta natureza de descrição
só passa a se caracterizar e a ser incorporada nos estudos de farmacognosia no Brasil a partir da
publicação da Primeira Farmacopéia Brasileira, de Rodolpho Albino. As descrições dos grãos de
amido e os desenhos que constam na obra de Peckolt, Plantas Alimentares e de Gozo do Brasil
de 1877, foram feitas pelo Dr. Teuscher na Alemanha.
No prefácio de Plantas Medicinais e Úteis do Brasil, escrito por Gustavo Peckolt está o pedido de
desculpas por não constar os estudos clínicos, pois para os autores estes estudos não lhes
competiam.

A Farmacognosia no século XX

Todo o trabalho de Peckolt valeu-lhe longos anos de prestígio e respeito técnico, porém isto não
fez com que a farmacognosia se popularizasse ou ao menos se tornasse matéria obrigatória nas
universidade brasileiras. Foram necessários longos 20 anos de debates acadêmicos para que na
reforma do ensino superior promovida pelo Ministro da Educação Rocha Vaz, 1925, a matéria
passasse a ser de ensino obrigatório nas universidades. Isto no entanto, não trouxe da noite para
o dia, ao leve movimento de um punho e uma caneta, esta natureza de estudo para a realidade
do consumo popular ou do mundo dos medicamentos a base de plantas medicinais brasileiras.
O primeiro estudo realizado por brasileiros de nascimento e de formação acadêmica foi publicado
em 1934 e chama-se "Estudo Farmacognostico do Abacateiro", dos farmacêuticos Oswaldo de
Almeida Costa e do neto de Peckolt, Oswaldo Lazzarini Peckolt. Neste estudo observam-se os
seguintes itens: sinônima vulgar; sinônima científica; etimologia; histórico e origem; descrição da
planta; cultura; fitopatologia; partes usadas; caracterização das drogas folhas e casca; estrutura
microscópica da folha; estrutura microscópica da casca e lenho do caule; composição química;
emprego oficinal; substituições; uso
Como se pode observa apenas pelo exame dos itens alguns requisitos do que seria a
farmacognosia européia não foram assimilados no Brasil. É o caso das embalagens, mercados,
variedades comerciais, qualidade e avaliação dos preços, obtenção da droga, colheita e
tratamento.
Em cada um destes itens da farmacognosia européia a ausência nos estudos brasileiros só pode
ser compreendida a luz da nossa cultura. Primeiro este é um pais que só muito recentemente
deixou de ser monocultor, logo o abacate, sempre foi uma árvore caseira, presente em qualquer

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pomar e o seu cultivo para consumo como medicinal sempre foi feito com material
fresco. No máximo o que se consegue ou conseguia industrializar era o fruto, colhido
aqui e ali para comercializar, mas quase sempre como cultura secundária.
Colheita e tratamento esta é realmente para as plantas medicinais brasileiras uma preocupação
desta última década. E apenas para confirmar esta afirmativa utilizamos o trabalho do professor
de botânica aplicada da Faculdade de Farmácia de São Paulo Wilson Hoehne publicado em
1940. Escreve o autor: "A grande maioria do povo, mesmo os farmacêuticos continuam a
desconhecer quase todas as nossas plantas medicinais, só entrando em contato e conhecendo
algumas das drogas que lhes chegam as mãos através do comércio de importação e as plantas
colhidas pelos fornecedores geralmente incultos e gananciosos que não trepidariam muitas vezes
em substituir uma espécie por outra parecida, ou então para aumentar o peso misturam as
plantas com detritos de todas as espécies; outros podem se enganar, o que não é difícil devido
as semelhanças que há entre várias plantas".
Já o industrial de fitoterápicos Eduardo da Silva Araujo em sua conferência sobre plantas
medicinais explica: "Exportamos produtos do reino vegetal em condições péssimas e criminosas,
e sobretudo, estamos inertes em face da fabulosa riqueza cuja existência assombra o mundo e
nos envergonha, pela demonstração de nossa importância em traduzi-la em valores concretos.
Nenhum pais tem mais e melhores motivos para se ocupar de suas plantas do que o Brasil;
nenhum, entretanto, ostenta por elas desprezo igual".
Vejam que os anos passaram mas a nossa mentalidade continua a mesma em relação ao cultivo
de plantas medicinais.
As embalagens só passaram a ser objeto de preocupação depois da chegada da indústria
farmacêutica de alopáticos, década de 50, e ainda hoje a industria de fitoterápicos tem dificuldade
de encontrar a embalagem ideal para fazer frente aos concorrentes alopáticos.
Outro estudo de farmacognosia dos mesmos autores ganha o prêmio Dr. Monteiro da Silva, com
a Poaia mineira. Neste trabalho os autores começam falando da Ipeca, Cephaelis ipecacunha,
Rich., para num segundo capítulo falar da Heteropterys praguá, Vell. Costa e Peckolt. Neste
trabalho os itens abordados são: nome científico, sinônima científica, sinônima vulga; histórico;
etimologia; distribuição geográfica das malpighiasceas; afinidades; descrição da espécie;
descrição morfológica da droga; histoquímica; composição química; análise química vegetal; uso
e terminam dando a conclusão de seu largo trabalho químico comparativo.
Como se pode observar por estes dois trabalhos, a farmacognosia no Brasil jamais conseguiu
seguir os passos da farmacognosia européia. O que nos separa não é apenas o oceano, mas
toda uma cultura jovem e que mesmo nos ramos mais sofisticados da ciência ainda carece de
compreensão e de aceitação da nossa cultural, além da maturidade informativa. Desconhecemos
o que já foi estudado, logo sempre começamos do princípio e assim estamos a quase um século
em termos de estudos de farmacognosia básica das nossa plantas medicinais, sempre de volta
ao começo.
Há evolução em alguns itens em algumas plantas, mas jamais conseguimos ter um número,
superior as 110 estudar por Rodolpho Albino, pelo contrário a cada revisão da nossa farmacopéia
menos plantas medicinais ficam. O que é perfeitamente justificável se pensarmos que ainda não
conseguimos estabelecer qual é o mínimo aceitável para os estudos de farmacognosia de nossas
plantas dentro das nossas evidentes e já antigas limitações.
É por demais elementar dizer que há plantas brasileiras que cumprem os requisitos básicos da
farmacognosia européia, mas é básico também dizer que este grupo não chega a dez em seu
total.
Há ainda as plantas muito estudadas no passado o caso das Flocourtiáceas (Capatroches
brasiliensis, Endl), tão estudada como antileprótica no passado hoje absolutamente esquecida.

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E o pior é que o número de doentes com hanseníase não diminuiu no pais, pelo
contrário é considera pela OPAS, Organização Panamericana de Saúde, uma doença
reemergente, logo deverá seguir crescendo em número de pacientes ainda neste século.
Poderíamos argumentar o mesmo que o professor Oswaldo Almeida Costa em sua matéria na
Revista da Associação Brasileira de Farmácia de 1937 dizendo que "há uma diversidade de
conhecimentos indispensáveis ao farmacognosta", e isto talvez justificasse toda a ausência de
informação, afinal esta ciência vem com seus profissionais correndo atrás do desenvolvimento
europeu, que claro está muito mais adiantado do que nos e é feito por pessoas de cultura
sistêmica, o que não é o nosso caso.
Então o que é realmente indispensável para o estudo de farmacognosia das nossas plantas
dentro da nossa cultura?

O ontem construindo o hoje

Se fizermos uma rápida análise das informações disponíveis através de século e meio de
farmacognosia veremos que há muito por resgatar e a evolução só pode se tornar viável a partir
do resgate do que já foi feito na busca do que há por fazer. Afinal em nenhum momento da nossa
história conseguimos ser ortodoxos nos nossos estudos de farmacognosia. Assim, sejamos
realistas; o mínimo que se conseguiu até hoje na grande maioria das plantas medicinais foi: nome
vulgar da droga, sinônima e etimologia; nome vulgar da planta que produz, sinônima e etimologia;
classificação sistemática da planta produtora; descrição da planta produtora; descrição da droga
compreendendo: descrição da morfologia externa; descrição da morfologia interna (histologia);
composição química; classificação farmaco-química; cheiro, sabor; histórico e usos populares. Os
demais requisitos, em uso modernamente, ainda não tem tempo suficiente para se
caracterizarem como assimilados ou não pela nossa cultura. Assim, se conseguirmos estabelecer
estes poucos itens de farmacognosia básica nas seis mil plantas analisadas por Theodoro
Peckolt no século XIX, então estaremos começando a caminhar.

Um outro Brasil

No momento em que os Institutos Oswaldo Cruz e Butantan, década de 50/60, definem como
linha de pesquisa e desenvolvimento a vacinoterapia, as universidades federais do nordeste
fincam seu trabalho em estudos em medicamentos fitoterápicos. Neste item muito especialmente
as Universidades Federais do Ceará e do Recife. Segundo o professor F.J.Matos, isto aconteceu
devido a pobreza destas populações, e não por falta de investimento dos laboratórios
multinacionais de medicamento.
Por tradição, por opção pela cultura popular ou pelo baixo poder aquisitivo de suas populações, a
verdade é que a partir de 1960, quem passa a desenvolver estudos fitoterápicos, são as
universidades federais do nordeste.
Renato Braga publica no Ceará o livro "Plantas do Nordeste, especialmente do Ceará" pela
Imprensa Oficial. Anterior ao dele é o trabalho do Professor Dias da Rocha que tem sua obra
publicada por primeira vez em 1964.
O sudeste e o sul, no entanto, só tomam conhecimento dos avanços conseguidos no nordeste
por ocasião da descoberta do Lapachol pelo grupo de pesquisadores do Instituto de Antibióticos
do Recife, liderados pelo Dr. Oswaldo Gonçalves de Lima.

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Escreve a revista O Cruzeiro em outubro de 1967: "Está cientificamente comprovado


que o "lapachol", substância abundantemente encontrada no ipê e isolada pelo
professor Oswaldo Gonçalves de Lima, "tem ação anti-câncer" já em fase de experimentação
pré-clínica nos Estados Unidos, conforme comunicação oficial do Dr. Jonatham Hartwell,
pesquisador norte-americano, assistente extraordinário do National Cancer Institute, órgão do
governo dos EUA".
No corpo da matéria Dr. Oswaldo, reclama que a imprensa está distorcendo as suas declarações
e explica:
"Fui convocado pela Comissão da Câmara, por indicação do deputado Breno da Silveira,
para uma exposição dos trabalhos que vimos fazendo sobre antibióticos e câncer junto ao
Instituto de Antibióticos do Recife e ao Instituto Central de Química da Universidade de
Brasília, na qualidade de coordenador geral das pesquisas, e detive-me numa explanação
que chegou a cerca de 3 horas. O meu maior cuidado foi em relação ao ipê. Há muito
venho trabalhando em substâncias antimicrobiana, sobretudo em relação ao Lapachol e
derivados, encontrados abundantemente no Ipê. Cheguei a descobrir que a planta, sob a
forma de extrato, apresenta ação antimicrobiana, sendo o Lapachol a substância que mais
fortemente apresenta esta forma de reação.
Afirmei na exposição que os nossos estudos em relação à atividade anti-câncer dos
extratos da parte do líber (entrecasca) e do cerne (casca) do ipê revelaram resultados
inconclusivos, isto é, inibições em tumores experimentais, resultados inconstantes e
marginais, resultados estes que não podem ser cientificamente divulgados. Porém recebi
do Dr. Jonathan Hartwell uma afirmação de que ele, havendo pesquisado com espécies de
Bignoniaceae, do gênero Tabebuia (é o gênero dos ipês), descobriu que os seus extratos
tinham ação anti-câncer em animais experimentais e que, ademais, havia isolado da planta
uma substância ativa anti-câncer, o Lapachol.
Comuniquei em resposta à carta do cientista americano, entre outras informações, que em
nossos trabalhos com extrato aquoso da parte do líber do Ipê obtivemos apenas inibições
inconstantes e marginais, isto é, inibições que, quando ocorrentes, oscilavam entre 40 e
44%, portanto destituídas de significação maior, visto que o índice crítico admitido é de
52%, ainda que os russos não desprezem estes índices, considerados insuficientes pelos
norte-americanos.
Informei ainda que os extratos alcoólicos do Ipê se revelaram inativos contra o sarcoma de
Yoshida. Com referência ao Lapachol, por nós isolado, verificamos que ele não mostrava
atividade anti-câncer contra o Walker-255 à dose diária de 50 mg por quilo e nem contra o
tumor ascítico de Ehrlish, dose de 150 mg por quilo, introduzidos por via intrapeitoral.
Agora, em agosto, voltou o Dr. Hartwell com mais detalhes aos resultados dos seus
experimentos com o Lapachol, declarando que ficou verificado ser essa substância ativa
contra câncer experimental, a uma dose mínima de cerca de 78 mg por quilo, via oral e a
100 mg por quilo, via intrapeitoral. O Dr. Hartwell informa que a inibição foi mais ativa por
via oral do que por via intrapeitoral e que apresentou um índice terapêutico (relação entre
dose efetiva e toxidez) muito favorável, o que justificou a realização da fase primária em
estado clínico, a fase I. Esta fase destina-se ao estudo da toxidez da droga no homem
para determinar as dosagens toleradas, visando posteriores estudos clínicos."

Diante das informações do Dr. Hartwell, que não tinham caráter particular pois estava escrita em
papel oficial, o Dr. Gonçalves de Lima autorizou a sua oficialização através da entrevista. E os
resultados dos testes em pacientes portadores de neoplasias malignas foram comunicados em
1980.

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A grande notícia provocada pelos estudos do nordeste, não despertaram o meio


científico do sul e do sudeste em relação a importância da flora nacional nativa. E os
medicamentos fitoterápicos ficaram completamente esquecidos do consumidor dos grandes
centros do país, até porque a classe médica também não aprendia mais matéria médica vegetal
nas universidades a pelo menos 40 anos. Por tudo isso, não é de causar surpresa que a própria
indústria farmacêutica de remédios alopáticos alarmada com a pronunciada queda no consumo
de medicamentos no Recife em 1996 criasse um levantamento que se chamou SOS FARMA,
para conhecer as razões do seu prejuízo. Para surpresa de todos ficou provado que 91,9% das
famílias entrevistadas praticavam a sua auto medicação com plantas medicinais e 46,6%
mantinham o cultivo de suas plantas nos quintais. Para complicar um pouco mais a Associação
Brasileira da Indústria Farmacêutica, assinalou aumento de consumo de remédios em 16% neste
mesmo ano, mas o uso de produtos fitoterápicos cresceu 20%, mesmo sem dispor da agressiva
estrutura de propaganda de suas "concorrentes". As razões alegadas pelos consumidores para
esta troca, em todo o país é o alto custo do remédio alopáticos, bem como o cansaço por parte
do consumidor dos efeitos colaterais. Ou seja, o consumidor não quer mais morrer da cura, mas
antes prefere, morrer da doença.

Olhando o passado, repensando o presente

Certo está Ariano Suassuna, autor do Auto da Compadecida, quando diz:


"desprezamos tudo o que é local, e super valorizamos o que vem de fora"
Com o desenvolvimento do medicamento fitoterápico não foi diferente de outras áreas.
Levamos cem anos para ter uma Farmacopéia Brasileira que vigorou por apenas 20, afinal
tínhamos de nos "atualizar", e atualizar significou reescrever uma farmacopéia brasileira, sem a
menor referência com os nossos medicamentos tradicionais. Isto porque, em 1946 o mundo já
tinha a Penicilina e nós nem conhecíamos os antibióticos e bactericidas da nossa flora, que
durante séculos livraram a muitos estrangeiros e nativos da costumeira febre palustre, malária,
febre terçã, febre amarela, e tantas outras doenças.
Saltamos de dois extratos fluidos, farmacopéia do Dr. Chernoviz, para quinhentos produzidos
pelas nossas indústrias e que foram para a nossa primeira farmacopéia, de Rodolpho Albino,
reduzidos para 138. Pulamos de 44 laboratórios farmacêuticos estrangeiros contra 556 nacionais,
e na sua grande maioria produzindo medicamento fitoterápico, para cento e poucos laboratórios
farmacêuticos brasileiros, com menos de 50 produzindo fitoterápicos. Para completar temos 500
anos de extrativismo de plantas medicinais, porém minamos e destruímos todas as iniciativas de
cultivo no passado e ainda temos um cultivo de plantas medicinais totalmente insipiente para a
demanda nacional, que de fato é minguada ao se pensar na nossa quantidade de plantas
medicinais. Por isso, boa parte da industria nacional de medicamento fitoterápico produz com
matéria-prima importada.
Nos acostumamos a adaptar plantas para cultivo, porém não formamos igual cultura para
domesticar as nossas plantas medicinais, mesmo a mais antiga e consumida pelo mundo todo
como é o caso da Ipeca.
Priorizamos e ensinamos a etnobotânica. Porém, não tem igual importância os estudos científicos
do passado, ou seja não há a disciplina história das plantas medicinais brasileiras, em nenhuma
universidade brasileira. É um eterno recomeçar a estudar plantas.
Quanto é que custa ao país recomeçar estudos científicos de plantas medicinais ? Quanto custa
uma pesquisa científica feita com base na etnobotânica? E quanto sai uma pesquisa de plantas
medicinais baseada nas investigações históricas? Ainda não temos estas respostas.

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Tantos avanços científicos no passado nenhuma atualização no presente. Isto só nos


leva a concluir que não falta ao país capacidade técnica para o desenvolvimento de
medicamentos porém certamente falta aos brasileiros, uma maior reflexão na frase de Ariano
Suassuna.

O milênio do monopólio do vivo

Um país com 5 ecossistemas diferentes, 55 mil espécies vegetais catalogadas, e destas pelo
menos 6 mil foram investigadas no passado como medicinais e apenas 10 constantes na
farmacopéia oficial. Em momento nenhum do século que recém se findou qualquer cientista, ou
grupo de cientistas, falou em escrever um Dicionário de Especialidades Fitoterápicas, DEFito,
para presentear a formandos de medicina. Porém não há formando neste país que não receba na
sua formatura um DEF de presente de alguma multinacional de medicamento alopático.
Hoje gastamos mais importando, conhecimento, tecnologia e exemplares exóticos do que
estudando as nossas plantas. Estamos mais preocupados em nos atualizarmos do que em
estabelecer estudos científicos brasileiros de qualidade, para a nossa flora medicinal. Nos
viciamos no copiar, assim não temos identidade nacional ao investigar nossos novos remédios.
Porém, colocamos regras polêmicas e pouco patrióticas ao estabelecer critérios para o registro
de medicamentos fitoterápicos tradicionais.
Os lobbies da indústria farmacêutica internacional procuram suprimir, através da OMC,
Organização Mundial do Comércio, toda exceção aos direitos de patente. E nós não conhecemos
a nossa flora medicinal o suficiente para reivindicar com certeza nada. Ao mesmo tempo, o
monopólio farmacêutico quer ter o mais amplo acesso, "gratuito e sem embaraço", a fauna e a
flora dos países de clima tropical, cujo conhecimento do genoma constitui uma das chaves dos
futuros medicamentos.
Dos 25 medicamentos mais vendidos, 20 são americanos. Existe quase que um preço mundial
único, baseado nas políticas de preço praticadas nos Estados Unidos, que estão entre os mais
elevados do planeta.
E pensar que nós tivemos uma primeira farmacopéia das mais avançadas do mundo no começo
do século passado, e começamos este milênio como se a nossa flora medicinal houvesse sido
criada ontem.

RESUMINDO: Fitoterapia no Brasil


A fitoterapia praticada no Brasil é originária de várias tradições diferentes, criando um sistema
heterogêneo de plantas medicinais. As origens do sistema popular brasileiro de plantas
medicinais são os seguintes:

Sistema etnofarmacológico europeu: este sistema possui influência das plantas de


uso mundial e plantas européias.
Sistema etnofarmacológico africano: foi trazido com o tráfico de escravos para o
Brasil, este sistema associa rituais religiosos ao uso de plantas medicinais. É mais
encontrado na região da Bahia.
Sistema etnofarmacológico indígena: corresponde à herança do conhecimento de
plantas dos indígenas brasileiros.
Sistema etnofarmacológico oriental: foi trazido junto com imigrantes chineses e
japoneses para o Brasil, encontrado principalmente no estado de São Paulo.

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Sistema etnofarmacológio amazônico: este sistema deriva das


características peculiares da flora da região, associadas à absorção de
conhecimentos indígenas pelo caboclo.
Sistema etnofarmacológico nordestino: possui forte influência indígena e africana.

A Farmacologia é a ciência que estuda os fármacos. Ela ocupa-se cada vez mais do estudo
dos resultados de toda a complexidade bioenergética da planta, no estudo dos seus
fitocomplexos.
Sabe-se que a razão principal da existência nas plantas destes fitocomplexos, ou
princípios ativos está em todo o contexto ambiental onde elas se desenvolvem, por isso
em fitoterapia utilizamos preferencialmente toda a planta ou parte da mesma, não fazendo
uso de uma substância isoladamente.
É de extremo interesse que sejam conhecidos os princípios ativos dos fitoterápicos, assim
como sua ação farmacológica sobre o organismo humano.
Determinados compostos químicos descobertos de plantas e utilizados na medicina, não podem
ser obtidos por meio de síntese e outros produtos de síntese só podem ser obtidos por meio de
vegetais. Portanto a droga vegetal é um produto vivo, do qual podemos concluir que esta
“terapêutica suave” é melhor tolerada pelo organismo que substâncias inteiramente sintetizadas.

Realmente o isolamento de compostos vegetais provocou um surpreendente desenvolvimento da


indústria química, mas hoje podemos sentir profundas mudanças em numerosos setores que
vieram se cristalizando nas últimas décadas. Nota-se um presente retorno à vida natural.
Aumenta o número de indivíduos que passam a adotar uma alimentação integral e natural.
Cresce a prática de antigas filosofias orientais, além de várias outras terapias que se tornam cada
vez mais conhecidas, como massoterapia, acupuntura e aromaterapia.
A química de produtos naturais representa um ponto de grande importância e valor, na
medida que somente por meio de métodos específicos pode-se obter tanto o isolamento e
a purificação de compostos químicos, como a determinação estrutural e posterior síntese
total ou parcial.
A composição química das espécies vegetais, especialmente das plantas encontradas nas
florestas tropicais, ainda está longe de ser descrita em sua totalidade, apesar de uma
grande quantidade de constituintes naturais já foram isolados, mas muitos ainda nem
foram estudados quanto a sua atividade biológica.
Existem várias considerações a serem revistas com relação aos produtos naturais, uma
delas é quanto a seriedade na identificação das plantas medicinais, através de ensaios
macroscópicos e microscópicos
A Botânica, a química e a farmacologia abrangem conhecimentos indispensáveis para a
utilização segura de plantas medicinais. É função dos botânicos providenciar a
identificação correta e a descrição da morfologia das espécies vegetais, além da
compilação de dados em herbários, onde são obtidas informações sobre a distribuição
geográfica e a fenologia das mesmas. Os farmacêuticos e os químicos especializados em
plantas extraem, isolam, purificam e identificam os componentes químicos (princípios
ativos). Os farmacologistas de produtos naturais verificam as ações biológicas ou
atividades farmacológicas desses princípios ativos e/ou de extratos vegetais, bem como
avaliam a sua eventual toxicidade. Somando-se a essas importantes contribuições,
desempenham papel fundamental aqueles profissionais que atuam nas áreas de
Etnobotânica e Etnofarmacologia, recolhendo dados junto à população sobre a utilização

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de plantas medicinais. Estes dados incluem informações sobre a planta,


período ideal de coleta, parte da planta utilizada, formas de utilização e
preparação, dose preconizada, indicações terapêuticas e todas as outras informações
sobre sua utilização.
Este trabalho adquire importância fundamental em vista do caráter dinâmico da medicina popular
e do desaparecimento de espécies vegetais e de práticas culturais; é necessário, portanto,
registrar todas as informações possíveis sobre o emprego de plantas medicinais.

Consumo de Plantas Medicinais


Popularmente, as plantas medicinais de pequeno porte são conhecidas por ervas e geralmente
são utilizadas inteiras; para plantas maiores (arbustos, árvores, etc.) é comum a distinção de uma
parte específica a ser utilizada (raízes, folhas, frutos, sementes, flores, etc.). Esta parte é
geralmente secada à sombra, podendo ser picada grosseiramente (planta rasurada) e utilizada
em preparações diversas.
Industrialmente, é muito comum a utilização de plantas medicinais moídas, sob as formas de pó,
saquinhos, cápsulas, comprimidos, etc. Estas formas apresentam algumas vantagens quanto à
manipulação, estocagem, dosagem e administração. Existem ainda outras formas farmacêuticas
que podem ser elaboradas com plantas medicinais (extratos fluidos, elixires, pomadas, drágeas,
colírios, cremes, loções, tinturas, etc.); estas exigem técnicas que necessitam de aparelhagem
específica e conhecimentos científico e técnico no âmbito farmacêutico, podendo ser
manipuladas em farmácias e/ou laboratórios industriais, por profissionais competentes.

Problemas mais comuns na utilização indevida de Plantas Medicinais


Muito se tem comentado atualmente sobre os efeitos colaterais ou indesejáveis provocados por
medicamentos sintéticos. As plantas medicinais e os produtos fitoterápicos têm sido, muitas
vezes, propagandeados e divulgados pelos meios de comunicação, como um recurso terapêutico
alternativo, isento de efeitos indesejáveis e até mesmo desprovidos de qualquer toxicidade ou
contra-indicações. No entanto, os conhecimentos empírico (medicina popular) e científico negam
estas informações. O mito de que o que é natural não faz mal é portanto uma inverdade
insustentável.

Recomendações úteis para a utilização


 Utilizar plantas conhecidas e não de identidade duvidosa.
 Nunca coletar plantas medicinais junto a locais que possam ter recebido agrotóxicos em
geral.
 Nunca coletar plantas medicinais que crescem à beira de lagos, lagoas e rios poluídos.
 Nunca coletar plantas medicinais à beira de estradas, pois os gases que saem dos canos
de descarga dos veículos podem conter substâncias tóxicas que se depositam na vegetação.
 As plantas medicinais devem ser secadas à sombra, em ambiente arejado, por alguns dias
(até tornarem-se quebradiças), antes de serem utilizadas.
 Após a secagem, guardar em vidro fechado, ao abrigo da luz. Colocar o nome da planta e
a data de coleta em um rótulo, para evitar problemas. Plantas armazenadas por longos períodos
perdem seus efeitos terapêuticos.
 Verificar o estado de conservação (umidade, mofo, insetos, etc.) da planta medicinal a ser
adquirida. Habituar-se a adquirir plantas medicinais de fornecedores confiáveis.

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 Não utilizar plantas medicinais durante a gravidez. Existem plantas que podem
causar sérios problemas ao bebê e à mãe. Por exemplo, as babosas quando
ingeridas podem provocar aumento da irrigação sangüínea na região do baixo ventre e estimular
contrações da musculatura lisa uterina. Outras plantas, como a arruda e a salsa, também podem
comprometer a saúde da mãe e do feto.
 Evitar a utilização de chás laxantes e/ou diuréticos para emagrecer.

Fitoterapia como Ciência


A palavra fitoterapia é formada por dois radiais gregos: fito vem de phyton, que significa planta, e
terapia vem de therapia, que significa tratamento, ou seja, tratamento em que se utilizam plantas
medicinais.

Eficácia dos Fitoterápicos


As plantas medicinais vêm sendo usadas, por todos os povos e culturas, desde a antigüidade,
como principal forma de tratamento e manutenção da saúde. Isto, por si só, é considerado uma
prova de eficácia pela Organização Mundial de Saúde. Atualmente, com o desenvolvimento da
tecnologia aliado ao interesse em se confirmar o conhecimento da medicina popular, as plantas
medicinais estão tendo seu valor terapêutico pesquisado e ratificado pela ciência, e seu uso pelos
médicos vem crescendo. Mais de 60% da população mundial usa plantas medicinais ou seus
derivados nos cuidados com a saúde.

Melhores Resultados
Como todo remédio, para se conseguir os melhores resultados dos fitoterápicos, é preciso obter
um medicamento de boa procedência e usar a dosagem certa.

Por que um mesmo Fitoterápico apresenta várias ações e indicações?


As plantas medicinais possuem, em geral, muitas substâncias ativas em sua composição
química. O número de compostos com atividade costuma ser maior que 30, podendo haver mais
de 200.
Essas substâncias somam suas ações, determinando o efeito da planta medicinal. As diversas
substâncias podem se combinar de várias maneiras, resultando em ações específicas. Como são
observadas muitas substâncias e muitas combinações possíveis, cada planta possui muitas
ações terapêuticas.

Importante:
As plantas e ervas medicinais, mesmo sendo medicamentos naturais, podem intoxicar,
cegar, provocar coma e até matar!
Todas as plantas têm mais de um princípio ativo. Algum dos princípios ativos pode ser
contra-indicado para o usuário.
A formação de quem recomenda a prática deve ser baseada em todas as fontes
disponíveis possíveis.
Fitoterapia é uma terapêutica racional, eficaz e econômica.

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Termos importantes que devemos conhecer:


Fitoterápico - remédio obtido a partir de matéria-prima vegetal.
Fitomedicamento – São produtos terapêuticos feitos a partir de vegetais (plantas medicinais,
extratos integrais ou concentrados de princípios ativos vegetais.
Fitofármaco - É a substância medicamentosa isolada de extratos de plantas, como a rutina e a
pilocarpina, alguns dos raros fitofármacos produzidos no Brasil.
Medicamento - Forma farmacêutica acabada, contendo o princípio ativo, apresentado em
variadas formas farmacêuticas: cápsula, líquido, comprimido, etc.
Biopirataria - comércio ilegal de plantas e animais.
Nutracêuticos - alimentos funcionais, alimentos com funções terapêuticas.

A situação da Fitoterapia – Considerações Gerais

O interesse pelo poder das ervas é justificável. Nunca a procura pelos remédios
fitoterápicos – feitos à base de plantas – foi tão grande como agora. De acordo com as previsões
da Organização Mundial de Saúde (OMS), no próximo ano só na Europa o mercado mundial de
fitoterápicos e produtos naturais registrará um volume de vendas de US$ 500 bilhões.
Existem normas para o uso correto de plantas medicinais que foram elaborados pelos
especialistas da OMS e que estão no Research Guidelines for evaluation the safety and efficacy
of herbal medicines WHO Regional Office for the Western Pacific - Manila -1993.

"A medicina tradicional é parte da cultura de todos os povos do mundo, e tem sido
recomendada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como a pedra angular para a
construção da APS (Atenção Primária à Saúde). Uma das principais contribuições da medicina
tradicional para a saúde tem sido o descobrimento do valor das Plantas Medicinais.

Com muita razão, a OMS está incentivando os governos de todos os países do mundo,
onde as condições de saúde de suas populações são precárias, a implantar programas de saúde
que diminuam os custos mediante métodos e técnicas sociais aceitáveis (documento de Alma
Ata-1978).

Em países como a China, as plantas medicinais fazem parte da Farmacopéia Chinesa,


sendo usadas em cerca de 80% das patologias da Atenção Primária. Os médicos de pés
descalços são os que usam a planta junto com a população rural, e em seu manual consta uma
lista com as respectivas indicações, mas também são usadas na Atenção Secundária nos
hospitais.

Outros países da África, Ásia e América Latina também seguem este caminho: Tailândia,
Filipinas, Vietnã, Togo e Ïndia, têm valorizado a sua medicina tradicional e vem desenvolvendo
estudos sérios sobre a base científica de suas plantas.

Destes países, destacamos a Índia que publicou o dicionário "The Wealth of Índia -Row
Materiais", com informações sobre classificação botânica, toxicidade, fitoquímica e ações
farmacológicas de diversas espécies medicinais muitas delas, inclusive, encontradas no Brasil.

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Em Togo (África), um laboratório estatal selecionou um grupo de plantas para


estudo preliminar, partindo do resgate etno-farmacológico. Depois iniciou a produção
de uma dezena de medicamentos fitoterápicos, economizando milhões de dólares.

Na América Latina, o exemplo mais importante é o de Cuba. Forçada pelo bloqueio


econômico por parte dos Estados Unidos, é obrigada a buscar em suas plantas o arsenal
terapêutico para suas necessidades. Neste caso o uso não fica restrito a APS, mas estende-se à
Atenção Secundária. Um dos livros mais sérios que se conhece na América Central é o
"Elemento para uma Farmacopéa Caribena" (Seminário Tramil), sendo Cuba um dos principais
participantes. Constam nesta obra investigações de laboratório e estudo de casos clínicos.

Na maior parte do mundo, especialmente na EUA e no Reino Unido, a prática da


Fitoterapia é uma arte imperfeita. Na Alemanha, o uso de drogas vegetais é uma ciência. Uma
das razões para isso é a tradição, entretanto, sem dúvida o sistema claro de leis e regulamentos
que governa a venda e uso de tais produtos é a maior de todas as razões.

Basicamente, a legislação na Alemanha permite que os fitoterápicos sejam vendidos tanto


como medicamentos de procura espontânea quanto como medicamentos prescritos pelos
médicos, contanto que haja prova absoluta de sua segurança e certeza razoável de sua eficácia.
Entenda-se por “certeza razoável” o fornecimento de algumas evidências científicas e clínicas
antes da aprovação, mas as exigências não são as mesmas que seriam necessárias para um
fármaco novo.

Pelo motivo de que a proteção das patentes não está disponível para as drogas vegetais
antigas, as grandes empresas farmacêuticas não têm interesse em investir astronômicas somas
para comprovar a sua eficácia pelos mesmos padrões aplicados a fármacos sintéticos novos (que
têm a garantida da patente). Investem então quantias menores nos testes científicos e clínicos
necessários para estabelecer uma certeza razoável.

O corpo científico responsável pelos julgamentos que validam a utilidade de centenas de


diferentes fitoterápicos é a Comissão E (Européia) da Agência Federal Alemã de Saúde.

Agora, vejamos a situação da Fitoterapia no Brasil


O Brasil tem uma biodiversidade estimada em cerca de 55.000 espécies de plantas
superiores. Pesquisas nas Universidades e Institutos de Pesquisa, revelam substâncias ativas em
câncer, aids, analgésicos, antibióticos e um sem número de outras utilidades até na cosmética.
Qual seria o percentual dessas plantas que já foi estudado química e farmacologicamente?
O Brasil tem também uma equipe invejável de cientistas e empresas farmacêuticas de boa
qualidade e competência.
Com tudo isso é surpreendente a demora em recebermos, somente no ano passado
(2005) a seguinte notícia:
Chega ao mercado Acheflan®, o primeiro medicamento com pesquisa e desenvolvimento
100% nacional.
Abaixo, trecho de matéria da revista Fitomédica, ano 1, nº 1 (disponível pra download na íntegra
no endereço: http://www.ache.com.br/arquivo/institucional/phytomedica_jornal/numero5.pdf
“O primeiro fitoterápico produzido a partir de uma planta brasileira está a caminho. O
medicamento,um antiinflamatório, será resultado da pesquisa conduzida por uma

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equipe, entre eles o Dr. Luiz Francisco Pianowski, farmacêutico, com


doutorado em tecnologia farmacêutica pela Faculdade de Farmácia do
Porto, Portugal. A planta é encontrada na Mata Atlântica e é utilizada há séculos
como cicatrizante e antiinflamatório por habitantes dos litorais do Sudeste e do Sul
do Brasil.
Popularmente, é conhecida por nomes diversos como erva baleeira, catinga-de-
barão, catinga-de-mulata e salicilina.
Um dos principais destaques da pesquisa, diz o Dr. Pianowski, foi a identificação do
verdadeiro princípio ativo da Cordia verbenacea, o alfahumuleno.
Já existem no mercado antiinflamatórios tópicos baseados na planta, mas que
indicam como princípio ativo a artemetina. Desse modo, o Dr. Pianowski realizou
cruzamento entre estudos do extrato desta substância e estudos biológicos, em que
foi verificado que a artemetina não apresenta ação terapêutica. Em seguida, a
substância foi isolada e testada pura, e novamente não houve efeito. “Há pouco
tempo, uma equipe da Unicamp fez testes iguais, e encontrou os mesmos
resultados. Quaisquer desses produtos baseados em artemetina não funcionam.
Alguns, no entanto, podem apresentar algum efeito, por conterem também um
pouco de alfa-humuleno”, afirma ele. “Nós concentramos o alfa-humuleno em
quantidade muito maior, através da extração por arraste de vapor, método
amplamente utilizado para extração de óleos essenciais”. Segundo o farmacêutico,
este é o primeiro estudo em que foi realizada a identificação correta do princípio
ativo da Cordia.
Outra propriedade importante descoberta na pesquisa é a baixa toxicidade da
Cordia. Tal característica já era de conhecimento da sabedoria popular, que
recomenda a utilização das folhas da planta diretamente sobre lesões, no caso de
cortes e de dores agudas, e na composição de uma garrafada (infusão alcoólica) e
de chás para o alívio de sintomas de reumatismo. Essas beberagens populares
eram conhecidas por não produzirem efeitos colaterais sobre o sistema digestivo.
Desse modo, essa ausência de toxicidade coloca o antiinflamatório desenvolvido
pela equipe em grande vantagem em relação aos medicamentos sintéticos do
mesmo tipo, conhecidos pelos efeitos colaterais que costumam causar no
estômago. “A Cordia, ao contrário, apresenta um poder protetor sobre a mucosa
gástrica”, afirma o Dr. Pianowski. Segundo o farmacêutico, o dano que os
antiinflamatórios em geral produzem sobre o estômago é minimizado em muito com
a Cordia, entretanto, os estudos para seu uso oral ainda levarão alguns anos para
ser concluídos.”

Política Nacional de Fitoterapia – Decreto Presidencial

http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5813.htm

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Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
DECRETO Nº 5.813, DE 22 DE JUNHO DE 2006.

Aprova a Política Nacional de Plantas Medicinais


e Fitoterápicos e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o inciso VI, alínea
“a”, do art. 84 da Constituição,
DECRETA:
Art. 1o Fica aprovada a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, na forma do
Anexo a este Decreto.
Art. 2o Fica instituído Grupo de Trabalho para elaborar, no prazo de cento e vinte dias, o
Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Art. 3o O Grupo de Trabalho será constituído por três servidores do Ministério da Saúde, um
dos quais será designado seu coordenador, e por um representante de cada órgão e entidade a
seguir identificados:
I - Casa Civil da Presidência da República;
II - Ministério da Integração Nacional;
III - Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior;
IV - Ministério do Desenvolvimento Agrário;
V - Ministério da Ciência e Tecnologia;
VI - Ministério do Meio Ambiente;
VII - Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
VIII - Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome;
IX - Ministério da Cultura;
X - Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA; e
XI - Fundação Oswaldo Cruz - FIOCRUZ.
Art. 4o O coordenador, os membros do Grupo de Trabalho e seus respectivos suplentes
serão designados pelo Ministro de Estado da Saúde, mediante indicação dos dirigentes máximos
dos órgãos e entidades nele representados.
Art. 5o O Grupo de Trabalho poderá:
I - constituir comissões e subgrupos de trabalho sobre temas específicos; e
II - convidar profissionais liberais de notório saber na matéria ou especialistas de outros
órgãos ou entidades e da sociedade civil para prestar assessoria às suas atividades.
Art. 6o Caberá ao Ministério da Saúde prover o apoio administrativo e os meios necessários
à execução das atividades do Grupo de Trabalho.
Art. 7o A participação no Grupo de Trabalho, considerada prestação de serviço público
relevante, não será remunerada.
Art. 8o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 22 de junho de 2006; 185o da Independência e 118o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA


Roberto Rodrigues

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José Agenor Álvares da Silva


Luiz Fernando Furlan
Patrus Anania
Sergio Machado Rezende
Marina Silva
Pedro Brito do Nascimento
Guilherme Cassel
Dilma Rousseff
Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 23.6.2006.

ANEXO

Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos

1 – OBJETIVOS

Objetivo Geral
Garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e
fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia
produtiva e da indústria nacional.

Objetivos Específicos
Ampliar as opções terapêuticas aos usuários, com garantia de acesso a plantas medicinais,
fitoterápicos e serviços relacionados à fitoterapia, com segurança, eficácia e qualidade, na
perspectiva da integralidade da atenção à saúde, considerando o conhecimento tradicional sobre
plantas medicinais.
Construir o marco regulatório para produção, distribuição e uso de plantas medicinais e
fitoterápicos a partir dos modelos e experiências existentes no Brasil e em outros países.
Promover pesquisa, desenvolvimento de tecnologias e inovações em plantas medicinais e
fitoterápicos, nas diversas fases da cadeia produtiva.
Promover o desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas de plantas medicinais e
fitoterápicos e o fortalecimento da indústria farmacêutica nacional neste campo.
Promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios decorrentes do
acesso aos recursos genéticos de plantas medicinais e ao conhecimento tradicional associado.

2 – DIRETRIZES

1. Regulamentar o cultivo, o manejo sustentável, a produção, a distribuição e o uso de


plantas medicinais e fitoterápicos, considerando as experiências da sociedade civil nas suas
diferentes formas de organização.
2. Promover a formação técnico-científica e capacitação no setor de plantas medicinais e
fitoterápicos.
3. Incentivar a formação e a capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento de
pesquisas, tecnologias e inovação em plantas medicinais e fitoterápicos.

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4. Estabelecer estratégias de comunicação para divulgação do setor plantas


medicinais e fitoterápicos.
5. Fomentar pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação com base na biodiversidade
brasileira, abrangendo espécies vegetais nativas e exóticas adaptadas, priorizando as
necessidades epidemiológicas da população.
6. Promover a interação entre o setor público e a iniciativa privada, universidades, centros de
pesquisa e organizações não-governamentais na área de plantas medicinais e desenvolvimento
de fitoterápicos.
7. Apoiar a implantação de plataformas tecnológicas piloto para o desenvolvimento integrado
de cultivo de plantas medicinais e produção de fitoterápicos.
8. Incentivar a incorporação racional de novas tecnologias no processo de produção de
plantas medicinais e fitoterápicos.
9. Garantir e promover a segurança, a eficácia e a qualidade no acesso a plantas medicinais
e fitoterápicos.
10. Promover e reconhecer as práticas populares de uso de plantas medicinais e remédios
caseiros.
11. Promover a adoção de boas práticas de cultivo e manipulação de plantas medicinais e de
manipulação e produção de fitoterápicos, segundo legislação específica.
12. Promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios derivados do
uso dos conhecimentos tradicionais associados e do patrimônio genético.
13. Promover a inclusão da agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das
plantas medicinais, insumos e fitoterápicos.
14. Estimular a produção de fitoterápicos em escala industrial.
15. Estabelecer uma política intersetorial para o desenvolvimento socioeconômico na área de
plantas medicinais e fitoterápicos.
16. Incrementar as exportações de fitoterápicos e insumos relacionados, priorizando aqueles
de maior valor agregado.
17. Estabelecer mecanismos de incentivo para a inserção da cadeia produtiva de
fitoterápicos no processo de fortalecimento da indústria farmacêutica nacional.

3 - DESENVOLVIMENTO DAS DIRETRIZES

1. Regulamentar o cultivo, o manejo sustentável, a produção, a distribuição e o uso de


plantas medicinais e fitoterápicos, considerando as experiências da sociedade civil nas suas
diferentes formas de organização:
1.1. criar legislação específica para regulamentação do manejo sustentável e
produção/cultivo de plantas medicinais que incentive o fomento a organizações e
ao associativismo e à difusão da agricultura familiar e das agroindústrias de
plantas medicinais;
1.2. criar e implementar regulamento de insumos de origem vegetal, considerando suas
especificidades;
1.3. criar e implementar legislação que contemple Boas Práticas de Manipulação de
Fitoterápicos, considerando as suas especificidades quanto à prescrição, à garantia e ao
controle de qualidade; e
1.4. criar e implementar legislação que contemple Boas Práticas de Fabricação de
Fitoterápicos, considerando as suas especificidades quanto à produção, à garantia e ao
controle de qualidade.

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2. Promover a formação técnico-científica e capacitação no setor de plantas


medicinais e fitoterápicos:
2.1. fortalecer e integrar as redes de assistência técnica e de capacitação administrativa
de apoio à cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos;
2.2. promover a integração com o sistema de ensino técnico, pós-médio, na área de
plantas medicinais e fitoterápicos, articulação com o Sistema S, com universidades e
incubadoras de empresas, fortalecimento da ATER - Assistência Técnica e Extensão
Rural por meio de ações do governo e da iniciativa privada; e
2.3. elaborar programa de formação técnica e científica para o cultivo e o manejo
sustentável de plantas medicinais e a produção de fitoterápicos.
3. Incentivar a formação e a capacitação de recursos humanos para o desenvolvimento de
pesquisas, tecnologias e inovação em plantas medicinais e fitoterápicos:
3.1. criar e apoiar centros de pesquisas especializados em plantas medicinais e
fitoterápicos;
3.2. criar e apoiar centros de pesquisas especializados em toxicologia de plantas
medicinais e fitoterápicos;
3.3. promover a formação de grupos de pesquisa com atuação voltada ao enfrentamento
das principais necessidades epidemiológicas identificadas no País;
3.4. estabelecer mecanismos de incentivo à fixação de pesquisadores em centros de
pesquisas nas Regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste;
3.5. incentivar a formação e atuação de técnicos e tecnólogos, visando à agregação de
valor e à garantia da qualidade nas diversas fases da cadeia produtiva;
3.6. incentivar o desenvolvimento de linhas de pesquisa e implantação de áreas de
concentração relacionadas a plantas medicinais e fitoterápicos nos cursos de pós-
graduação;
3.7. incentivar o desenvolvimento de linhas de pesquisa para a formação de redes de
coleções e bancos de germoplasma; e
3.8. apoiar a qualificação técnica dos profissionais de saúde, e demais envolvidos na
produção e uso de plantas medicinais e fitoterápicos.
4. Estabelecer estratégias de comunicação para divulgação do setor plantas medicinais e
fitoterápicos:
4.1. estimular profissionais de saúde e a população ao uso racional de plantas medicinais
e fitoterápicos;
4.2. desenvolver e atualizar um portal eletrônico nacional para plantas medicinais e
fitoterápicos;
4.3. apoiar e incentivar eventos de plantas medicinais e fitoterápicos, para divulgar,
promover e articular ações e experiências das cadeias produtivas do setor;
4.4. estimular a produção de material didático e de divulgação sobre plantas medicinais e
fitoterápicos; e
4.5. apoiar as iniciativas de coordenação entre as comunidades para a participação nos
fóruns do setor.
5. Fomentar pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação com base na biodiversidade
brasileira, abrangendo espécies vegetais nativas e exóticas adaptadas, priorizando as
necessidades epidemiológicas da população:
5.1. incentivar e fomentar estudos sobre plantas medicinais e fitoterápicos, abordando a
cadeia produtiva no que tange:
▪ à etnofarmacologia;
▪ à produção de insumos;

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▪ ao desenvolvimento de sistema de produção e manejo sustentável;


▪ à implantação de redes de coleções e bancos de germoplasma;
▪ ao desenvolvimento de produtos;
▪ à qualidade dos serviços farmacêuticos;
▪ à farmacoepidemiologia;
▪ à farmacovigilância;
▪ à farmacoeconomia;
▪ ao uso racional; e
▪ à participação de agricultura familiar nas cadeias produtivas de plantas medicinais e
fitoterápicos;
5.2 incentivar e fomentar estudos sobre plantas medicinais e fitoterápicos, abordando
educação em saúde, organização, gestão e desenvolvimento da assistência
farmacêutica, incluindo as ações da atenção farmacêutica; e
5.3 estabelecer mecanismos de financiamento à pesquisa, desenvolvimento, inovação e
validação de tecnologias para a produção de plantas medicinais e fitoterápicos.
6. Promover a interação entre o setor público e a iniciativa privada, universidades, centros de
pesquisa e organizações não-governamentais na área de plantas medicinais e desenvolvimento
de fitoterápicos:
6.1. apoiar o desenvolvimento de centros e grupos de pesquisa emergentes;
6.2. identificar e promover a integração dos centros de pesquisa existentes no País;
6.3. incentivar a realização de parceria em projetos de pesquisa;
6.4. estruturar rede de pesquisa; e
6.5. incentivar a transferência de tecnologia das instituições de pesquisa para o setor
produtivo.
7. Apoiar a implantação de plataformas tecnológicas piloto para o desenvolvimento integrado
de cultivo de plantas medicinais e produção de fitoterápicos:
7.1. desenvolver tecnologia nacional necessária à produção de insumos à base de
plantas medicinais;
7.2. incentivar o desenvolvimento de tecnologias apropriadas aos pequenos
empreendimentos, à agricultura familiar e estimulando o uso sustentável da
biodiversidade nacional; e
7.3. fomentar a realização de pesquisas, visando à ampliação do número de espécies
nativas da flora brasileira na Farmacopéia Brasileira.
8. Incentivar a incorporação racional de novas tecnologias no processo de produção de
plantas medicinais e fitoterápicos:
8.1. estimular o desenvolvimento nacional de equipamentos e tecnologias necessários à
garantia e ao controle de qualidade na produção de plantas medicinais e fitoterápicos;
8.2. prospectar novas tecnologias que potencializem o sistema de produção;
8.3. incluir procedimento de avaliação tecnológica como rotina para a incorporação de
novas tecnologias; e
8.4. desenvolver mecanismos de monitoramento e avaliação da incorporação de
tecnologia.
9. Garantir e promover a segurança, a eficácia e a qualidade no acesso a plantas medicinais
e fitoterápicos:
9.1. promover o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos;
9.2. incluir plantas medicinais e fitoterápicos na lista de medicamentos da “Farmácia
Popular”;
9.3. implementar Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no âmbito do

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Sistema Único de Saúde - SUS, em conformidade com as diretrizes


estabelecidas pela Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares no SUS e pela Política Nacional de Assistência Farmacêutica;
9.4. atualizar permanentemente a Relação Nacional de Fitoterápicos (RENAME-FITO) e
a Relação Nacional de Plantas Medicinais; e
9.5. criar e implementar o Formulário Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
10. Promover e reconhecer as práticas populares de uso de plantas medicinais e remédios
caseiros:
10.1. criar parcerias do governo com movimentos sociais visando ao uso seguro e
sustentável de plantas medicinais;
10.2. identificar e implantar mecanismos de validação/reconhecimento que levem em
conta os diferentes sistemas de conhecimento (tradicional/popular x técnico-científico);
10.3. promover ações de salvaguarda do patrimônio imaterial relacionado às plantas
medicinais (transmissão do conhecimento tradicional entre gerações); e
10.4. apoiar as iniciativas comunitárias para a organização e o reconhecimento dos
conhecimentos tradicionais e populares.
11. Promover a adoção de boas práticas de cultivo e manipulação de plantas medicinais e de
manipulação e produção de fitoterápicos, segundo legislação específica:
11.1. estimular a implantação de programas e projetos que garantam a produção e a
dispensação de plantas medicinais e fitoterápicos; e
11.2. resgatar e valorizar o conhecimento tradicional sobre plantas medicinais.
12. Promover o uso sustentável da biodiversidade e a repartição dos benefícios derivados do
uso dos conhecimentos tradicionais associados e do patrimônio genético:
12.1. apoiar e integrar as iniciativas setoriais relacionadas à disseminação e ao uso
sustentável de plantas medicinais e fitoterápicos existentes no Brasil;
12.2. facilitar e apoiar a implementação dos instrumentos legais relacionados à proteção
dos conhecimentos tradicionais associados ao uso de plantas medicinais e fitoterápicos;
12.3. integrar as iniciativas governamentais e não-governamentais relacionadas à
proteção dos conhecimentos tradicionais associados ao uso de plantas medicinais e
fitoterápicos; e
12.4. fortalecer e aperfeiçoar os mecanismos governamentais de proteção da
propriedade intelectual na área de plantas medicinais e fitoterápicos.
13. Promover a inclusão da agricultura familiar nas cadeias e nos arranjos produtivos das
plantas medicinais, insumos e fitoterápicos:
13.1. estimular a produção de plantas medicinais, insumos e fitoterápicos, considerando
a agricultura familiar como componente dessa cadeia produtiva;
13.2. estabelecer mecanismos de financiamento para estruturação e capacitação
contínua da rede ATER;
13.3. disseminar as boas práticas de cultivo e manejo de plantas medicinais, e
preparação de remédios caseiros;
13.4. apoiar e estimular a criação de bancos de germoplasma e horto-matrizes em
instituições públicas; e
13.5. promover e apoiar as iniciativas de produção e de comercialização de plantas
medicinais e insumos da agricultura familiar.
14. Estimular a produção de fitoterápicos em escala industrial:
14.1. incentivar e fomentar a estruturação dos laboratórios oficiais para produção de
fitoterápicos; e
14.2. incentivar a produção de fitoterápicos pelas indústrias farmacêuticas nacionais.

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15. Estabelecer uma política intersetorial para o desenvolvimento


socioeconômico na área de plantas medicinais e fitoterápicos:
15.1. criar mecanismos de incentivos para a cadeia produtiva de plantas medicinais e
fitoterápicos;
15.2. apoiar o desenvolvimento e a interação dos agentes produtivos de toda cadeia de
plantas medicinais e fitoterápicos;
15.3. fomentar a produção de insumos, o beneficiamento, a comercialização e a
exportação de plantas medicinais e fitoterápicos;
15.4. estimular o uso e o desenvolvimento de sistema de produção orgânica plantas
medicinais; e
15.5. disponibilizar tecnologias apropriadas para o uso de plantas medicinais e
fitoterápicos.
16. Incrementar as exportações de fitoterápicos e insumos relacionados, priorizando aqueles
de maior valor agregado:
16.1. estabelecer programas de promoção comercial para plantas medicinais e
fitoterápicos;
16.2. promover a Política de Plantas Medicinais e Fitoterápicos no âmbito do
MERCOSUL; e
16.3. instituir linhas de financiamento para produção de fitoterápicos e insumos
relacionados para fins de exportação.
17. Estabelecer mecanismos de incentivo para a inserção das cadeias e dos arranjos
produtivos de fitoterápicos no processo de fortalecimento da indústria farmacêutica nacional:
17.1. estabelecer mecanismos creditícios e tributários adequados à estruturação das
cadeias e dos arranjos produtivos de plantas medicinais e fitoterápicos;
17.2. estabelecer mecanismos para distribuição dos recursos destinados ao
desenvolvimento regional da cadeia produtiva de fitoterápicos;
17.3. realizar análise prospectiva da capacidade instalada nas diferentes regiões;
17.4. definir critérios diferenciados para alocação e distribuição dos recursos
orçamentários e financeiros destinados às cadeias produtivas de fitoterápicos;
17.5. selecionar projetos estratégicos na área de plantas medicinais e fitoterápicos,
visando ao investimento em projetos pilotos; e
17.6. utilização do poder de compra do Estado na área da saúde para o fortalecimento
da produção nacional.

4 - MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO

A explicitação de diretrizes e prioridades desta Política Nacional de Plantas Medicinais e


Fitoterápicos, no âmbito federal, evidencia a necessidade de um processo contínuo de
monitoramento e avaliação de sua implementação, por meio de:
1. criação do Comitê Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, grupo técnico
interministerial formado por representantes do governo e dos diferentes setores da sociedade civil
envolvidos com o tema, que terá a missão dos referidos monitoramento e avaliação da
implantação desta política. Esse comitê deverá inicialmente criar instrumentos adequados à
mensuração de resultados para as diversas vertentes desta política, além de incentivar parcerias
técnicas dos setores do governo envolvidos com sua implantação;
2. definição de critérios, parâmetros, indicadores e metodologia voltados, de forma específica
e inovadora, à avaliação da política, sendo as informações alimentadoras do processo de
monitoramento e avaliação, geradas no interior dos vários planos, programas, projetos, ações e

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atividades decorrentes dessa política nacional;


3. desdobramento desta política em seus objetivos, visando avaliar as questões
relativas ao impacto de políticas intersetoriais sobre plantas medicinais e fitoterápicos, de forma a
garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e
fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia
produtiva e da indústria nacional. Para tanto, deverão ser mensuradas a ampliação das opções
terapêuticas aos usuários e à garantia de acesso a plantas medicinais, fitoterápicos e serviços
relacionados à fitoterapia, observando-se a perspectiva de integralidade da atenção à saúde;
4. criação de marco regulatório para produção, distribuição e uso de plantas medicinais e
fitoterápicos, e seu conseqüente acompanhamento, assim como das iniciativas de promoção à
pesquisa, desenvolvimento de tecnologias e inovações nas diversas fases da cadeia produtiva;
5. acompanhamento, pari passu, pelo gestor federal, de movimentos estruturais, como:
desenvolvimento sustentável das cadeias produtivas, fortalecimento da indústria farmacêutica
nacional, uso sustentável da biodiversidade e repartição dos benefícios decorrentes do acesso
aos recursos genéticos de plantas medicinais e ao conhecimento tradicional associado;
6. acompanhamento do cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo País
na área, com destaque àqueles de iniciativa das Nações Unidas, representada por diversos
organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde - OMS, assim como aos
preceitos da Convenção sobre Diversidade Biológica - CDB, da qual o Brasil é signatário.
Acompanhamento, no âmbito interno, da consonância da presente política com as demais
políticas nacionais, tendo em vista a incorporação alinhada e integrada de concepções, objetivos,
metas e estratégias de saúde, desenvolvimento industrial e meio ambiente na agenda de
governo.

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Edição Número 84 de 04/05/2006

Ministério da Saúde

Gabinete do Ministro

PORTARIA Nº 971, DE 3 DE MAIO DE 2006

Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único


de Saúde.

O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, INTERINO, no uso da atribuição que lhe confere o art.
87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, e

Considerando o disposto no inciso II do art. 198 da Constituição Federal, que dispõe sobre a
integralidade da atenção como diretriz do SUS;

Considerando o parágrafo único do art. 3º da Lei nº 8.080/90, que diz respeito às ações
destinadas a garantir às pessoas e à coletividade condições de bem-estar físico, mental e social,
como fatores determinantes e condicionantes da saúde;

Considerando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) vem estimulando o uso da Medicina
Tradicional/Medicina Complementar/Alternativa nos sistemas de saúde de forma integrada às
técnicas da medicina ocidental modernas e que em seu documento "Estratégia da OMS sobre
Medicina Tradicional 2002-2005" preconiza o desenvolvimento de políticas observando os
requisitos de segurança, eficácia, qualidade, uso racional e acesso;

Considerando que o Ministério da Saúde entende que as Práticas Integrativas e Complementares


compreendem o universo de abordagens denominado pela OMS de Medicina Tradicional e
Complementar/Alternativa - MT/MCA;

Considerando que a Acupuntura é uma tecnologia de intervenção em saúde, inserida na


Medicina Tradicional Chinesa (MTC), sistema médico complexo, que aborda de modo integral e
dinâmico o processo saúde-doença no ser humano, podendo ser usada isolada ou de forma
integrada com outros recursos terapêuticos, e que a MTC também dispõe de práticas corporais
complementares que se constituem em ações de promoção e recuperação da saúde e prevenção
de doenças;

Considerando que a Homeopatia é um sistema médico complexo de abordagem integral e


dinâmica do processo saúde-doença, com ações no campo da prevenção de agravos, promoção
e recuperação da saúde;

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Considerando que a Fitoterapia é um recurso terapêutico caracterizado pelo uso de


plantas medicinais em suas diferentes formas farmacêuticas e que tal abordagem
incentiva o desenvolvimento comunitário, a solidariedade e a participação social;

Considerando que o Termalismo Social/Crenoterapia constituem uma abordagem reconhecida de


indicação e uso de águas minerais de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde e
que nosso País dispõe de recursos naturais e humanos ideais ao seu desenvolvimento no
Sistema Único de Saúde (SUS); e

Considerando que a melhoria dos serviços, o aumento da resolutividade e o incremento de


diferentes abordagens configuram, assim, prioridade do Ministério da Saúde, tornando
disponíveis opções preventivas e terapêuticas aos usuários do SUS e, por conseguinte,
aumentando o acesso, resolve:

Art. 1º Aprovar, na forma do Anexo a esta Portaria, a Política Nacional de Práticas Integrativas e
Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde.

Parágrafo único. Esta Política, de caráter nacional, recomenda a adoção pelas Secretarias de
Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, da implantação e implementação das
ações e serviços relativos às Práticas Integrativas e Complementares.

Art. 2º Definir que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, cujas ações se relacionem com
o tema da Política ora aprovada, devam promover a elaboração ou a readequação de seus
planos, programas, projetos e atividades, na conformidade das diretrizes e responsabilidades
nela estabelecidas.

Art. 3º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

JOSÉ AGENOR ÁLVARES DA SILVA

ANEXO

Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no Sistema Único de Saúde - SUS -


PNPIC

1. INTRODUÇÃO

O campo das Práticas Integrativas e Complementares contempla sistemas médicos complexos e


recursos terapêuticos, os quais são também denominados pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) de medicina tradicional e complementar/alternativa (MT/MCA), conforme WHO, 2002. Tais
sistemas e recursos envolvem abordagens que buscam estimular os mecanismos naturais de
prevenção de agravos e recuperação da saúde por meio de tecnologias eficazes e seguras, com
ênfase na escuta acolhedora, no desenvolvimento do vínculo terapêutico e na integração do ser
humano com o meio ambiente e a sociedade. Outros pontos compartilhados pelas diversas
abordagens abrangidas nesse campo são a visão ampliada do processo saúdedoença e a
promoção global do cuidado humano, especialmente do autocuidado.

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No final da década de 70, a OMS criou o Programa de Medicina Tradicional,


objetivando a formulação de políticas na área. Desde então, em vários comunicados
e resoluções, a OMS expressa o seu compromisso em incentivar os Estados-Membros a
formularem e implementarem políticas públicas para uso racional e integrado da MT/MCA nos
sistemas nacionais de atenção à saúde, bem como para o desenvolvimento de estudos
científicos para melhor conhecimento de sua segurança, eficácia e qualidade. O documento
"Estratégia da OMS sobre Medicina Tradicional 2002-2005" reafirma o desenvolvimento desses
princípios.

No Brasil, a legitimação e a institucionalização dessas abordagens de atenção à saúde iniciou-se


a partir da década de 80, principalmente após a criação do SUS. Com a descentralização e a
participação popular, os estados e os municípios ganharam maior autonomia na definição de
suas políticas e ações em saúde, vindo a implantar as experiências pioneiras.

Alguns eventos e documentos merecem destaque na regulamentação e tentativas de construção


da política:

- 1985 - celebração de convênio entre o Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência


Social (Inamps), a Fiocruz, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e o Instituto
Hahnemaniano do Brasil, com o intuito de institucionalizar a assistência homeopática na rede
publica de saúde;

- 1986 - 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), considerada também um marco para a oferta
das Práticas Integrativas e Complementares no sistema de saúde do Brasil, visto que,
impulsionada pela Reforma Sanitária, deliberou em seu relatório final pela "introdução de práticas
alternativas de assistência à saúde no âmbito dos serviços de saúde, possibilitando ao usuário o
acesso democrático de escolher a terapêutica preferida";

- 1988 - resoluções da Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação (Ciplan) nºs 4,


5, 6, 7 e 8/88, que fixaram normas e diretrizes para o atendimento em homeopatia, acupuntura,
termalismo, técnicas alternativas de saúde mental e fitoterapia;

- 1995 - instituição do Grupo Assessor Técnico-Científico em Medicinas Não-Convencionais, por


meio da Portaria nº 2543/GM, de 14 de dezembro de 1995, editada pela então Secretaria
Nacional de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde; - 1996 - 10ª Conferência Nacional de
Saúde que, em seu relatório final, aprovou a "incorporação ao SUS, em todo o País, de práticas
de saúde como a fitoterapia, acupuntura e homeopatia, contemplando as terapias alternativas e
práticas populares";

- 1999 - inclusão das consultas médicas em homeopatia e acupuntura na tabela de


procedimentos do SIA/SUS (Portaria nº 1230/GM de outubro de 1999);

- 2000 - 11ª Conferência Nacional de Saúde que recomenda "incorporar na atenção básica: Rede
PSF e PACS práticas não convencionais de terapêutica como acupuntura e homeopatia";

- 2001 - 1ª Conferência Nacional de Vigilância Sanitária;

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- 2003 - constituição de Grupo de Trabalho no Ministério da Saúde com o objetivo de


elaborar a Política Nacional de Medicina Natural e Práticas Complementares (PMNPC
ou apenas MNPC) no SUS (atual PNPIC);

- 2003 - Relatório da 1ª Conferência Nacional de Assistência Farmacêutica, que enfatiza a


importância de ampliação do acesso aos medicamentos fitoterápicos e homeopáticos no SUS;

- 2003 - Relatório Final da 12ª CNS que delibera pela efetiva inclusão da MNPC no SUS (atual
Práticas Integrativas e Complementares).

- 2004 - 2ª Conferência Nacional de Ciência Tecnologia e Inovações em Saúde à MNPC (atual


Práticas Integrativas e Complementares) que foi incluída como nicho estratégico de pesquisa
dentro da Agenda Nacional de Prioridades em Pesquisa;

- 2005 - Decreto Presidencial de 17 de fevereiro de 2005, que cria o Grupo de Trabalho para
elaboração da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos; e

- 2005 - Relatório Final do Seminário "Águas Minerais do Brasil", em outubro, que indica a
constituição de projeto piloto de T ermalismo Social no SUS.

Levantamento realizado junto a Estados e municípios em 2004, mostrou a estruturação de


algumas dessas práticas contempladas na política em 26 Estados, num total de 19 capitais e 232
municípios.

Esta política, portanto, atende às diretrizes da OMS e visa avançar na institucionalização das
Práticas Integrativas e Complementares no âmbito do SUS.

1.1. MEDICINA TRADICIONAL CHINESA-ACUPUNTURA

A Medicina Tradicional Chinesa caracteriza-se por um sistema médico integral, originado há


milhares de anos na China. Utiliza linguagem que retrata simbolicamente as leis da natureza e
que valoriza a inter-relação harmônica entre as partes visando à integridade. Como fundamento,
aponta a teoria do Yin-Yang, divisão do mundo em duas forças ou princípios fundamentais,
interpretando todos os fenômenos em opostos complementares. O objetivo desse conhecimento
é obter meios de equilibrar essa dualidade. Também inclui a teoria dos cinco movimentos que
atribui a todas as coisas e fenômenos, na natureza, assim como no corpo, uma das cinco
energias (madeira, fogo, terra, metal, água). Utiliza como elementos a anamnese, palpação do
pulso, observação da face e da língua em suas várias modalidades de tratamento (acupuntura,
plantas medicinais, dietoterapia, práticas corporais e mentais).

A acupuntura é uma tecnologia de intervenção em saúde que aborda de modo integral e


dinâmico o processo saúde-doença no ser humano, podendo ser usada isolada ou de forma
integrada com outros recursos terapêuticos. Originária da medicina tradicional chinesa (MTC), a
acupuntura compreende um conjunto de procedimentos que permitem o estímulo preciso de
locais anatômicos definidos por meio da inserção de agulhas filiformes metálicas para promoção,
manutenção e recuperação da saúde, bem como para prevenção de agravos e doenças.

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Achados arqueológicos permitem supor que essa fonte de conhecimento remonta há


pelo menos 3000 anos. A denominação chinesa zhen jiu, que significa agulha (zhen)
e calor (jiu), foi adaptada nos relatos trazidos pelos jesuítas no século XVII, resultando no
vocábulo acupuntura (derivado das palavras latinas acus, agulha, e punctio, punção). O efeito
terapêutico da estimulação de zonas neurorreativas ou "pontos de acupuntura" foi, a princípio,
descrito e explicado numa linguagem de época, simbólica e analógica, consoante com a filosofia
clássica chinesa.

No ocidente, a partir da segunda metade do século XX, a acupuntura foi assimilada pela medicina
contemporânea, e graças às pesquisas científicas empreendidas em diversos países tanto do
oriente como do ocidente, seus efeitos terapêuticos foram reconhecidos e têm sido
paulatinamente explicados em trabalhos científicos publicados em respeitadas revistas
científicas. Admite-se, atualmente, que a estimulação de pontos de acupuntura provoca a
liberação, no sistema nervoso central, de neurotransmissores e outras substâncias responsáveis
pelas respostas de promoção de analgesia, restauração de funções orgânicas e modulação
imunitária.

A OMS recomenda a acupuntura aos seus Estados-Membros, tendo produzido várias


publicações sobre sua eficácia e segurança, capacitação de profissionais, bem como métodos de
pesquisa e avaliação dos resultados terapêuticos das medicinas complementares e tradicionais.
O consenso do National Institutes of Health dos Estados Unidos referendou a indicação da
acupuntura, de forma isolada ou como coadjuvante, em várias doenças e agravos à saúde, tais
como odontalgias pós-operatórias, náuseas e vômitos pós-quimioterapia ou cirurgia em adultos,
dependências químicas, reabilitação após acidentes vasculares cerebrais, dismenorréia, cefaléia,
epicondilite, fibromialgia, dor miofascial, osteoartrite, lombalgias e asma, entre outras.

A MTC inclui ainda práticas corporais (lian gong, chi gong, tuina, tai-chi-chuan); práticas mentais
(meditação); orientação alimentar; e o uso de plantas medicinais (fitoterapia tradicional chinesa),
relacionadas à prevenção de agravos e de doenças, a promoção e à recuperação da saúde.

No Brasil, a acupuntura foi introduzida há cerca de 40 anos. Em 1988, por meio da Resolução nº
5/88, da Comissão Interministerial de Planejamento e Coordenação (Ciplan), teve suas normas
fixadas para atendimento nos serviços públicos de saúde.

Vários conselhos de profissões da saúde regulamentadas reconhecem a acupuntura como


especialidade em nosso país, e os cursos de formação encontram-se disponíveis em diversas
unidades federadas.

Em 1999, o Ministério da Saúde inseriu na tabela Sistema de Informações Ambulatoriais


(SIA/SUS) do Sistema Único de Saúde a consulta médica em acupuntura (código 0701234), o
que permitiu acompanhar a evolução das consultas por região e em todo o País. Dados desse
sistema demonstram um crescimento de consultas médicas em acupuntura em todas as regiões.
Em 2003, foram 181.983 consultas, com uma maior concentração de médicos acupunturistas na
Região Sudeste (213 dos 376 cadastrados no sistema).

De acordo com o diagnóstico da inserção da MNPC nos serviços prestados pelo SUS e os dados
do SIA/SUS, verifica-se que a puntura está presente em 19 estados, distribuída em 107
municípios, sendo 17 capitais.

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Diante do exposto, é necessário repensar, à luz do modelo de atenção proposto pelo


Ministério, a inserção dessa prática no SUS, considerando a necessidade de aumento de sua
capilaridade para garantir o princípio da universalidade.

1.2. HOMEOPATIA

A homeopatia, sistema médico complexo de caráter holístico, baseada no princípio vitalista e no


uso da lei dos semelhantes foi enunciada por Hipócrates no século IV a.C. Foi desenvolvida por
Samuel Hahnemann no século XVIII. Após estudos e reflexões baseados na observação clínica e
em experimentos realizados na época, Hahnemann sistematizou os princípios filosóficos e
doutrinários da homeopatia em suas obras Organon da Arte de Curar e Doenças Crônicas. A
partir daí, essa racionalidade médica experimentou grande expansão por várias regiões do
mundo, estando hoje firmemente implantada em diversos países da Europa, das Américas e da
Ásia. No Brasil, a homeopatia foi introduzida por Benoit Mure, em 1840, tornando-se uma nova
opção de tratamento.

Em 1979, é fundada a Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB); em 1980, a


homeopatia é reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina
(Resolução nº 1000); em 1990, é criada a Associação Brasileira de Farmacêuticos Homeopatas
(ABFH); em 1992, é reconhecida como especialidade farmacêutica pelo Conselho Federal de
Farmácia (Resolução nº 232); em 1993, é criada a Associação Médico-Veterinária Homeopática
Brasileira (AMVHB); e em 2000, é reconhecida como especialidade pelo Conselho Federal de
Medicina Veterinária (Resolução nº 622).

A partir da década de 80, alguns Estados e municípios brasileiros começaram a oferecer o


atendimento homeopático como especialidade médica aos usuários dos serviços públicos de
saúde, porém como iniciativas isoladas e, às vezes, descontinuadas, por falta de uma política
nacional. Em 1988, pela Resolução nº 4/88, a Ciplan fixou normas para atendimento em
homeopatia nos serviços públicos de saúde e, em 1999, o Ministério da Saúde inseriu na tabela
SIA/SUS a consulta médica em homeopatia.

Com a criação do SUS e a descentralização da gestão, foi ampliada a oferta de atendimento


homeopático. Esse avanço pode ser observado no número de consultas em homeopatia que,
desde sua inserção como procedimento na tabela do SIA/SUS, vem apresentando crescimento
anual em torno de 10%. No ano de 2003, o sistema de informação do SUS e os dados do
diagnóstico realizado pelo Ministério da Saúde em 2004 revelam que a homeopatia está presente
na rede pública de saúde em 20 unidades da Federação, 16 capitais, 158 municípios, contando
com registro de 457 profissionais médicos homeopatas.

Está presente em pelo menos 10 universidades públicas, em atividades de ensino, pesquisa ou


assistência, e conta com cursos de formação de especialistas em homeopatia em 12 unidades da
Federação. Conta ainda com a formação do médico homeopata aprovada pela Comissão
Nacional de Residência Médica.

Embora venha ocorrendo aumento da oferta de serviços, a assistência farmacêutica em


homeopatia não acompanha essa tendência. Conforme levantamento da AMHB, realizado em
2000, apenas 30% dos serviços de homeopatia da rede SUS forneciam medicamento

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homeopático. Dados do levantamento realizado pelo Ministério da Saúde, em 2004,


revelam que apenas 9,6% dos municípios que informaram ofertar serviços de
homeopatia possuem farmácia pública de manipulação.

A implementação da homeopatia no SUS representa uma portante estratégia para a construção


de um modelo de atenção centrado na saúde uma vez que:

- recoloca o sujeito no centro do paradigma da atenção, compreendendo-o nas dimensões física,


psicológica, social e cultural. Na homeopatia o adoecimento é a expressão da ruptura da
harmonia dessas diferentes dimensões. Dessa forma, essa concepção contribui para o
fortalecimento da integralidade da atenção à saúde;
- fortalece a relação médico-paciente como um dos elementos fundamentais da terapêutica,
promovendo a humanização na atenção, estimulando o autocuidado e a autonomia do indivíduo;
- atua em diversas situações clínicas do adoecimento como, por exemplo, nas doenças crônicas
não-transmissíveis, nas doenças respiratórias e alérgicas, nos transtornos psicossomáticos,
reduzindo a demanda por intervenções hospitalares e emergenciais, contribuindo para a melhoria
da qualidade de vida dos usuários; e
- contribui para o uso racional de medicamentos, podendo reduzir a fármaco-dependência;

Em 2004, com o objetivo de estabelecer processo participativo de discussão das diretrizes gerais
da homeopatia, que serviram de subsídio à formulação da presente Política Nacional, foi
realizado pelo Ministério da Saúde o 1º Fórum Nacional de Homeopatia, intitulado "A Homeopatia
que queremos implantar no SUS". Reuniu profissionais; Secretarias Municipais e Estaduais de
Saúde; Universidades Públicas; Associação de Usuários de Homeopatia no SUS; entidades
homeopáticas nacionais representativas; Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde
(Conasems); Conselhos Federais de Farmácia e de Medicina; Liga Médica Homeopática
Internacional (LMHI), entidade médica homeopática internacional, e representantes do Ministério
da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. (ANVISA).

1.3. PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA

A fitoterapia é uma "terapêutica caracterizada pelo uso de plantas medicinais em suas diferentes
formas farmacêuticas, sem a utilização de substâncias ativas isoladas, ainda que de origem
vegetal". O uso de plantas medicinais na arte de curar é uma forma de tratamento de origens
muito antigas, relacionada aos primórdios da medicina e fundamentada no acúmulo de
informações por sucessivas gerações. Ao longo dos séculos, produtos de origem vegetal
constituíram as bases para tratamento de diferentes doenças.

Desde a Declaração de Alma-Ata, em 1978, a OMS tem expressado a sua posição a respeito da
necessidade de valorizar a utilização de plantas medicinais no âmbito sanitário, tendo em conta
que 80% da população mundial utiliza essas plantas ou preparações destas no que se refere à
atenção primária de saúde. Ao lado disso, destaca-se a participação dos países em
desenvolvimento nesse processo, já que possuem 67% das espécies vegetais do mundo.

O Brasil possui grande potencial para o desenvolvimento dessa terapêutica, como a maior
diversidade vegetal do mundo, ampla sociodiversidade, uso de plantas medicinais vinculado ao
conhecimento tradicional e tecnologia para validar cientificamente esse conhecimento.

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O interesse popular e institucional vem crescendo no sentido de fortalecer a


fitoterapia no SUS. A partir da década de 80, diversos documentos foram elaborados,
enfatizando a introdução de plantas medicinais e fitoterápicos na atenção básica no sistema
público, entre os quais se destacam:

- a Resolução Ciplan nº 8/88, que regulamenta a implantação da fitoterapia nos serviços de


saúde e cria procedimentos e rotinas relativas a sua prática nas unidades assistenciais médicas;
- o Relatório da 10 a Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1996, que aponta no item
286.12: "incorporar no SUS, em todo o País, as práticas de saúde como a fitoterapia, acupuntura
e homeopatia, contemplando as terapias alternativas e práticas populares" e, no item 351.10: "o
Ministério da Saúde deve incentivar a fitoterapia na assistência farmacêutica pública e elaborar
normas para sua utilização, amplamente discutidas com os trabalhadores em saúde e
especialistas, nas cidades onde existir maior participação popular, com gestores mais
empenhados com a questão da cidadania e dos movimentos populares";
a Portaria nº 3916/98, que aprova a Política Nacional de Medicamentos, a qual estabelece, no
âmbito de suas diretrizes para o desenvolvimento científico e tecnológico: "...deverá ser
continuado e expandido o apoio às pesquisas que visem ao aproveitamento do potencial
terapêutico da flora e fauna nacionais, enfatizando a certificação de suas propriedades
medicamentosas";
- o Relatório do Seminário Nacional de Plantas Medicinais, Fitoterápicos e Assistência
Farmacêutica, realizado em 2003, que entre as suas recomendações, contempla: "integrar no
Sistema Único de Saúde o uso de plantas medicinais e medicamentos fitoterápicos";
- o Relatório da 12ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2003, que aponta a
necessidade de se "investir na pesquisa e desenvolvimento de tecnologia para produção de
medicamentos homeopáticos e da flora brasileira, favorecendo a produção nacional e a
implantação de programas para uso de medicamentos fitoterápicos nos serviços de saúde, de
acordo com as recomendações da 1ª Conferência Nacional de Medicamentos e Assistência
Farmacêutica".
a Resolução nº 338/04, do Conselho Nacional de Saúde que aprova a Política Nacional de
Assistência Farmacêutica, a qual contempla, em seus eixos estratégicos, a "definição e
pactuação de ações intersetoriais que visem à utilização das plantas medicinais e de
medicamentos fitoterápicos no processo de atenção à saúde, com respeito aos conhecimentos
tradicionais incorporados, com embasamento científico, com adoção de políticas de geração de
emprego e renda, com qualificação e fixação de produtores, envolvimento dos trabalhadores em
saúde no processo de incorporação dessa opção terapêutica e baseada no incentivo à produção
nacional, com a utilização da biodiversidade existente no País";
- 2005 - Decreto Presidencial de 17 de fevereiro de 2005, que cria o Grupo de Trabalho para
elaboração da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
Atualmente, existem programas estaduais e municipais de fitoterapia, desde aqueles com
memento terapêutico e regulamentação específica para o serviço, implementados há mais de 10
anos, até aqueles com início recente ou com pretensão de implantação. Em levantamento
realizado pelo Ministério da Saúde no ano de 2004, verificou-se, em todos os municípios
brasileiros, que a fitoterapia está presente em 116 municípios, contemplando 22 unidades
federadas.
No âmbito federal, cabe assinalar, ainda, que o Ministério da Saúde realizou, em 2001, o Fórum
para formulação de uma proposta de Política Nacional de Plantas Medicinais e Medicamentos
Fitoterápicos, do qual participaram diferentes segmentos tendo em conta, em especial, a
intersetorialidade envolvida na cadeia produtiva de plantas medicinais e fitoterápicos. Em 2003, o

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Ministério promoveu o Seminário Nacional de Plantas Medicinais, Fitoterápicos e


Assistência Farmacêutica. Ambas as iniciativas aportaram contribuições importantes
para a formulação desta Política Nacional, como concretização de uma etapa para elaboração da
Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.

1.4. TERMALISMO SOCIAL/CRENOTERAPIA

O uso das Águas Minerais para tratamento de saúde é um procedimento dos mais antigos,
utilizado desde a época do Império Grego. Foi descrita por Heródoto (450 a.C.), autor da primeira
publicação científica termal.

O termalismo compreende as diferentes maneiras de utilização da água mineral e sua aplicação


em tratamentos de saúde.

A crenoterapia consiste na indicação e uso de águas minerais com finalidade terapêutica


atuando de maneira complementar aos demais tratamentos de saúde.

No Brasil, a crenoterapia foi introduzida junto com a colonização portuguesa, que trouxe ao País
seus hábitos de usar águas minerais para tratamento de saúde. Durante algumas décadas foi
disciplina conceituada e valorizada, presente em escolas médicas, como a UFMG e a UFRJ. O
campo sofreu considerável redução de sua produção científica e divulgação com as mudanças
surgidas no campo da medicina e da produção social da saúde como um todo, após o término da
segunda guerra mundial.

A partir da década de 90, a Medicina Termal passou a dedicar-se a abordagens coletivas, tanto
de prevenção quanto de promoção e recuperação da saúde, inserindo neste contexto o conceito
de Turismo Saúde e de Termalismo Social, cujo alvo principal é a busca e a manutenção da
saúde.

Países europeus como Espanha, França, Itália, Alemanha, Hungria e outros adotam desde o
início do século XX o Termalismo Social como maneira de ofertar às pessoas idosas tratamentos
em estabelecimentos termais especializados, objetivando proporcionar a essa população o
acesso ao uso das águas minerais com propriedades medicinais, seja para recuperar seja para
sua saúde, assim como preservá-la.

O termalismo, contemplado nas resoluções CIPLAN de 1988, manteve-se ativo em alguns


serviços municipais de saúde de regiões com fontes termais como é o caso de Poços de Caldas,
em Minas Gerais.

A Resolução do Conselho Nacional de Saúde nº 343, de 7 de outubro de 2004, é um instrumento


de fortalecimento da definição das ações governamentais que envolvem a revalorização dos
mananciais das águas minerais, o seu aspecto terapêutico, a definição de mecanismos de
prevenção, de fiscalização, de controle, além do incentivo à realização de pesquisas na área.

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2. OBJETIVOS

2.1 Incorporar e implementar as Práticas Integrativas e Complementares no SUS, na perspectiva


da prevenção de agravos e da promoção e recuperação da saúde, com ênfase na atenção
básica, voltada para o cuidado continuado, humanizado e integral em saúde.

2.2 Contribuir para o aumento da resolubilidade do Sistema e ampliação do acesso às Práticas


Integrativas e Complementares, garantindo qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso.

2.3 Promover a racionalização das ações de saúde, estimulando alternativas inovadoras e


socialmente contributivas ao desenvolvimento sustentável de comunidades.

2.4 Estimular as ações referentes ao controle/participação social, promovendo o envolvimento


responsável e continuado dos usuários, gestores e trabalhadores, nas diferentes instâncias de
efetivação das políticas de saúde.

3. DIRETRIZES

3.1. Estruturação e fortalecimento da atenção em Práticas Integrativas e Complementares no


SUS, mediante:
- incentivo à inserção das Práticas Integrativas e Complementares em todos os níveis de
atenção, com ênfase na atenção básica;
- desenvolvimento das Práticas Integrativas e Complementares em caráter multiprofissional, para
as categorias profissionais presentes no SUS, e em consonância com o nível de atenção;
- implantação e implementação de ações e fortalecimento de iniciativas existentes;
- estabelecimento de mecanismos de financiamento;
- elaboração de normas técnicas e operacionais para implantação e desenvolvimento dessas
abordagens no SUS; e
- articulação com a Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas e as demais
políticas do Ministério da Saúde.

3.2. Desenvolvimento de estratégias de qualificação em Práticas Integrativas e Complementares


para profissionais no SUS, em conformidade com os princípios e diretrizes estabelecidos para
Educação Permanente.

3.3. Divulgação e informação dos conhecimentos básicos das Práticas Integrativas e


Complementares para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS, considerando as
metodologias participativas e o saber popular e tradicional:

Apoio técnico ou financeiro a projetos de qualificação de profissionais para atuação na área de


informação, comunicação e educação popular em Práticas Integrativas e Complementares que
atuem na estratégia Saúde da Família e Programa de Agentes Comunitários de Saúde.

- Elaboração de materiais de divulgação, como cartazes, cartilhas, folhetos e vídeos, visando à


promoção de ações de informação e divulgação das Práticas Integrativas e Complementares,
respeitando as especificidades regionais e culturais do País e direcionadas aos trabalhadores,
gestores, conselheiros de saúde, bem como aos docentes e discentes da área de saúde e
comunidade em geral.

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- Inclusão das Práticas Integrativas e Complementares na agenda de atividades da


comunicação social do SUS.
- Apoio e fortalecimento de ações inovadoras de informação e divulgação sobre Práticas
Integrativas e Complementares em diferentes linguagens culturais, tais como jogral, hip hop,
teatro, canções, literatura de cordel e outras formas de manifestação.
- Identificação, articulação e apoio a experiências de educação popular, informação e
comunicação em Práticas Integrativas e Complementares.

3.4. Estímulo às ações intersetoriais, buscando parcerias que propiciem o desenvolvimento


integral das ações.

3.5. Fortalecimento da participação social.

3.6. Provimento do acesso a medicamentos homeopáticos e fitoterápicos na perspectiva da


ampliação da produção pública, assegurando as especificidades da assistência farmacêutica
nesses âmbitos, na regulamentação sanitária.
- Elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais e da Relação Nacional de Fitoterápicos.
- Promoção do uso racional de plantas medicinais e dos fitoterápicos no SUS.
- Cumprimento dos critérios de qualidade, eficácia, eficiência e segurança no uso.
- Cumprimento das boas práticas de manipulação, de acordo com a legislação vigente.

3.7. Garantia do acesso aos demais insumos estratégicos das Práticas Integrativas e
Complementares, com qualidade e segurança das ações.

3.8. Incentivo à pesquisa em Práticas Integrativas e Complementares com vistas ao


aprimoramento da atenção à saúde, avaliando eficiência, eficácia, efetividade e segurança dos
cuidados prestados.

3.9. Desenvolvimento de ações de acompanhamento e avaliação das Práticas Integrativas e


Complementares, para instrumentalização de processos de gestão.

3.10. Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências em Práticas


Integrativas e Complementares nos campos da atenção, da educação permanente e da pesquisa
em saúde.
- Estabelecimento de intercâmbio técnico-científico visando ao conhecimento e à troca de
informações decorrentes das experiências no campo da atenção à saúde, à formação, à
educação permanente e à pesquisa com unidades federativas e países onde as Práticas
Integrativas e Complementares esteja integrada ao serviço público de saúde.

3.11. Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo Sistema Nacional de


Vigilância Sanitária.

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4. IMPLEMENTAÇÃO DAS DIRETRIZES

4.3. NAS PLANTAS MEDICINAIS E FITOTERAPIA

Diretriz PMF 1
Elaboração da Relação Nacional de Plantas Medicinais e da Relação Nacional de Fitoterápicos.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. realizar diagnóstico situacional das plantas medicinais e fitoterápicos utilizados em programas
estaduais, municipais e outros relacionados ao tema;
2. estabelecer critérios para inclusão e exclusão de plantas medicinais e fitoterápicos nas
Relações Nacionais, baseados nos conceitos de eficácia e segurança;
3. identificar as necessidades da maioria da população, a partir de dados epidemiológicos das
doenças passíveis de serem tratadas com plantas medicinais e fitoterápicos;
4. elaborar monografias padronizadas das plantas medicinais e fitoterápicos constantes nas
Relações.

Diretriz PMF 2
Provimento do acesso a plantas medicinais e fitoterápicos aos usuários do SUS.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. tornar disponíveis plantas medicinais e/ou fitoterápicos nas unidades de saúde, de forma
complementar, seja na estratégia de saúde da família, seja no modelo tradicional ou nas
unidades de média e alta complexidade, utilizando um ou mais dos seguintes produtos: planta
medicinal “in natura”, planta medicinal seca (droga vegetal), fitoterápico manipulado e fitoterápico
industrializado.
1.1. Quando a opção for pelo fornecimento da planta medicinal “in natura”, deverão ser
observados os seguintes critérios:
- fornecimento das espécies constantes na Relação Nacional de Plantas Medicinais;
- fornecimento do memento referente às espécies utilizadas;
- utilização das espécies identificadas botanicamente, cuja produção tenha a garantia das boas
práticas de cultivo orgânico, preservando a qualidade do ar, do solo e da água;
- implantação e manutenção de hortos oficiais de espécies medicinais e/ou estimulando hortas e
hortos comunitários reconhecidos junto a órgãos públicos, para o fornecimento das plantas.
1.2. Quando a opção for pelo fornecimento da planta seca (droga vegetal), deverão ser
observados os seguintes critérios:
- fornecimento das espécies constantes na Relação Nacional de Plantas Medicinais;
- fornecimento do memento referente às espécies utilizadas;
- utilização das espécies identificadas botanicamente, cuja produção tenha a garantia das boas
práticas de cultivo orgânico, preservando a qualidade do ar, do solo e da água;
- obtenção da matéria-prima vegetal, processada de acordo com as boas práticas, oriunda de
hortos oficiais de espécies medicinais, de cooperativas, de associações de produtores, de
extrativismo sustentável ou de outros, com alvará ou licença dos órgãos competentes para tal;
- oferta de local adequado para o armazenamento das drogas vegetais.
1.3. Quando a opção for pelo fornecimento do fitoterápico manipulado, deverão ser observados
os seguintes critérios:
- fornecimento do fitoterápico manipulado conforme memento associado à Relação Nacional de
Plantas Medicinais e à legislação pertinente para atender as necessidades do SUS nesta área;
- utilização de matéria-prima vegetal, processada de acordo com às boas práticas, oriunda de
hortos oficiais de espécies medicinais, de cooperativas, de associações de produtores,

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extrativismo sustentável ou de outros, com alvará ou licença de órgãos competente


para tal;
- utilização dos derivados de matéria-prima vegetal, processados de acordo com as boas praticas
de fabricação, oriundos de fornecedores com alvará ou licença dos órgãos competentes para tal;
- ampliação da oferta de fitoterápicos, por intermédio de farmácias públicas com manipulação de
fitoterápicos, que atenda à demanda e às necessidades locais, respeitando a legislação
pertinente às necessidades do SUS na área;
- elaboração de monografias sobre produtos oficinais (fitoterápicos) que poderão ser incluídos na
farmacopéia brasileira;
- contemplar, na legislação sanitária, Boas Práticas de Manipulação para farmácias com
manipulação de fitoterápicos que atendam às necessidades do SUS nesta área.
1.4. Quando a opção for pelo fornecimento do fitoterápico industrializado, deverão ser
observados os seguintes critérios:
- fornecimento do produto conforme a Relação Nacional de Fitoterápicos;
- estímulo à produção de fitoterápicos, utilizando, prioritariamente, os laboratórios oficiais;
- fornecimento de fitoterápicos que atendam a legislação vigente;
- aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação dos medicamentos aos usuários do
SUS, conforme a organização dos serviços municipais de assistência farmacêutica.

Diretriz PMF 3
Formação e educação permanente dos profissionais de saúde em plantas medicinais e
fitoterapia.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. definir localmente, em consonância com os princípios e diretrizes estabelecidos para a
Educação Permanente em Saúde no SUS, a formação e educação permanente em plantas
medicinais e fitoterapia para os profissionais que atuam nos serviços de saúde. A educação
permanente de pessoas e equipes para o trabalho com plantas medicinais e fitoterápicos, dar-se-
á nos níveis:
1.1. básico interdisciplinar comum a toda a equipe: contextualizando as Práticas Integrativas e
Complementares, contemplando os cuidados gerais com as plantas medicinais e fitoterápicos.
1.2. específico para profissionais de saúde de nível universitário: detalhando os aspectos
relacionados à manipulação, do uso e à prescrição das plantas medicinais e fitoterápicos.
1.3. específico para profissionais da área agronômica: detalhando os aspectos relacionados à
cadeia produtiva de plantas medicinais.
2. estimular a elaboração de material didático e informativo visando apoiar os gestores do SUS
no desenvolvimento de projetos locais de formação e educação permanente.
3. estimular estágios nos serviços de fitoterapia aos profissionais das equipes de saúde e aos
estudantes dos cursos técnicos e de graduação.
4. estimular as universidades a inserir, nos cursos de graduação e pós-graduação envolvidos na
área, disciplinas com conteúdo voltado às plantas medicinais e fitoterapia.

Diretriz PMF 4
Acompanhamento e avaliação da inserção e implementação das plantas medicinais e fitoterapia
no SUS.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. desenvolver instrumentos de acompanhamento e avaliação;
2. monitorar as ações de implantação e implementação por meio dos dados gerados;

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3. propor medidas de adequação das ações, subsidiando as decisões dos gestores a


partir dos dados coletados;
4. identificar o estabelecimento Farmácia de Manipulação de Fitoterápicos no cadastro de
estabelecimentos de saúde.

Diretriz PMF 5
Fortalecimento e ampliação da participação popular e do controle social.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. resgatar e valorizar o conhecimento tradicional e promover a troca de informações entre
grupos de usuários, detentores de conhecimento tradicional, pesquisadores, técnicos,
trabalhadores em saúde e representantes da cadeia produtiva de plantas medicinais e
fitoterápicos;
2. estimular a participação de movimentos sociais com conhecimento do uso tradicional de
plantas medicinais nos Conselhos de Saúde;
3. incluir os atores sociais na implantação e na implementação desta Política Nacional no SUS;
4. ampliar a discussão sobre a importância da preservação ambiental na cadeia produtiva;
5. estimular a participação popular na criação de hortos de espécies medicinais como apoio ao
trabalho com a população, com vistas à geração de emprego e renda.

Diretriz PMF 6
Estabelecimento de política de financiamento para o desenvolvimento de ações voltadas à
implantação das plantas medicinais e da fitoterapia no SUS.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. para a obtenção de plantas in natura - planejar, a partir da articulação entre as esferas de
competência a implantação e a manutenção de hortos oficiais de espécies medicinais ou hortas e
hortos comunitários reconhecidos junto a órgãos públicos, para o fornecimento das plantas;
2. para a obtenção de plantas secas - planejar, a partir da articulação entre as esferas de
competência, a obtenção de matériaprima vegetal, processada de acordo com as boas práticas,
oriunda de hortos oficiais de espécies medicinais, cooperativas, associações de produtores,
extrativismo sustentável ou outros, com alvará ou licença dos órgãos competentes para tal;
3. para a obtenção de fitoterápico manipulado - criar incentivo voltado à implantação ou à
melhoria das farmácias públicas de manipulação de fitoterápicos, com possibilidade de ampliação
para homeopáticos, com contrapartida do município e/ou do estado para sua manutenção e
segundo critérios pré-estabelecidos e legislação pertinente para atender às necessidades do SUS
nesta área;
4. para a obtenção de fitoterápico industrializado – incentivar a produção de fitoterápicos,
utilizando, prioritariamente, os laboratórios oficiais, assim como criar incentivo para aquisição,
armazenamento, distribuição e dispensação dos medicamentos aos usuários do SUS, conforme a
organização dos serviços de assistência farmacêutica;
5. para divulgação e informação dos conhecimentos básicos da fitoterapia para profissionais de
saúde, gestores e usuários do SUS, considerando as metodologias participativas e o saber
popular e tradicional - garantir financiamento específico.

Diretriz PMF 7
Incentivo à pesquisa e desenvolvimento de plantas medicinais e fitoterápicos, priorizando a
biodiversidade do País.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:

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1. garantir linhas de financiamento nos Ministérios da Saúde, da Agricultura, Pecuária


e Abastecimento, do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia, nas Fundações de
Amparo à Pesquisa, na Organização Mundial da Saúde/ Organização Pan-Americana da Saúde
(OMS/Opas), para pesquisas sobre os itens da Relação de Plantas Medicinais com Potencial de
Utilização no SUS e para estímulo à produção nacional, visando assegurar o fornecimento
regular ao mercado interno;
2. incorporar à Relação de Plantas Medicinais com Potencial de Utilização para o SUS na
Agenda Nacional de Prioridades em Pesquisa e Saúde;
3. estimular linhas de pesquisa em fitoterapia nos cursos de pós-graduação strictu sensu junto às
universidades e aos institutos de pesquisa;
4. incentivar a realização e a aplicação de protocolos para o desenvolvimento de pesquisa em
fitoterapia, relacionada aos aspectos epidemiológicos, clínicos e da assistência farmacêutica;
5. promover pesquisa e desenvolvimento tecnológico, com base no uso tradicional das plantas
medicinais, priorizando as necessidades epidemiológicas da população, com ênfase nas
espécies nativas e naquelas que estão sendo utilizadas no setor público e nas organizações dos
movimentos sociais;
6. garantir recursos para apoio e desenvolvimento de centros de pesquisas clínicas na área da
fitoterapia;
7. incentivar o desenvolvimento de estudos de farmacovigilância e farmacoepidemiologia;
8. - implantar bancos de dados dos programas de fitoterapia, das instituições de pesquisas, dos
pesquisadores e dos resultados de pesquisas com plantas medicinais e fitoterápicos.

Diretriz PMF 8
Promoção do uso racional de plantas medicinais e dos fitoterápicos no SUS.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. divulgar as Relações Nacionais de Plantas Medicinais e de Fitoterápicos;
2. garantir o suporte técnico em todas as etapas de implantação e implementação da fitoterapia;
3. envolver os gestores do SUS no desenvolvimento das ações de comunicação e divulgação,
oferecendo os meios necessários (conteúdos, financiamento e metodologias, entre outros);
4. desenvolver campanhas educativas buscando a participação dos profissionais de saúde com
vistas ao uso racional;
5. desenvolver ações de informação e divulgação aos usuários do SUS, por meio de cartazes,
cartilhas, folhetos, vídeos, entre outros, respeitando as especificidades regionais e culturais do
País;
6. incluir a fitoterapia na agenda de atividades da comunicação social do SUS;
7. desenvolver ações de farmacoepidemiologia e farmacovigilância;
8. identificar, articular e apoiar experiências de educação popular, informação e comunicação em
fitoterapia.

Diretriz PMF 9
Garantia do monitoramento da qualidade dos fitoterápicos pelo Sistema Nacional de Vigilância
Sanitária.
Para tanto, deverão ser adotadas medidas que possibilitem:
1. financiamento aos laboratórios oficiais de controle de qualidade;
2. implantação/inserção de sistema de informação sobre o uso, os efeitos e a qualidade destes
medicamentos;
3. formação dos profissionais de Vigilância Sanitária para o monitoramento da qualidade destes
medicamentos;

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4. apoio aos serviços de vigilância sanitária para o desempenho neste campo.

...

OBS: VEJA ESTA PORTARIA NA ÍNTEGRA: http://www.deltaeduc.com.br/971-ms.htm

Programa Nacional de Plantas Medicinais recebe sugestões até 18 de março


25/02/2008

O Ministério da Saúde recebe, até o dia 18 de março, sugestões sobre o Programa Nacional de
Plantas Medicinais e Fitoterápicos. Os interessados em participar da consulta pública, iniciada em
dezembro, podem acessar a página do ministério na internet e enviar as contribuições.
O objetivo do programa é garantir o acesso seguro aos fitoterápicos e promover o uso racional de
plantas medicinais. O texto básico para o recebimento de sugestões foi elaborado pelo Comitê
Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos.
No entendimento dos especialistas, a população tem que ter acesso seguro a medicamentos
fitoterápicos. Para isso, eles querem regulamentar o manejo sustentável de plantas medicinais,
sua produção e cultivo, bem como a manipulação e a fabricação de fitoterápicos de acordo com
suas especificidades de produção, garantia e controle de qualidade.
Outra ação prevê o incentivo à formação e à capacitação de recursos humanos para o
desenvolvimento de pesquisas com plantas medicinais e fitoterápicos. A proposta é resgatar e
valorizar o conhecimento tradicional sobre plantas usadas popularmente como remédios
caseiros, além de apoiar projetos que valorizem esse conhecimento.
O estímulo à produção de fitoterápicos em escala industrial também está proposto, sendo que a
idéia é incentivar a produção pelas indústrias farmacêuticas nacionais.

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Bibliografia

ACKERKNECHT EH (1982) A Short History of Medicina. John Hopkin's University Press.


Baltimore-London
ALAMILLO A, LARA D (1990) Tratados hipocráticos, Vol. V. Gredos, Madrid
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John Baptist Morgagni. Haefner Pub. Co. New York
ALMEIDA, E. R. Plantas medicinais brasileiras: conhecimentos populares e
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Site do Terra Ciência - Sexta, 25 de julho de 2003, 20h26
Monges taoístas usavam publicidade há mil anos
Os monges taoístas que há mil anos viviam como eremitas nas montanhas sagradas da China já usavam anúncios
publicitários para vender seus remédios tradicionais, segundo uma recente descoberta arqueológica. Os arqueólogos
encontraram nesta semana, dentro de um ninho de pássaros da montanha sagrada de Wudangshan, no centro da
China, garrafas que foram usadas durante quase mil anos para armazenar bebidas medicinais, mas o mais
interessante é um velho cartaz publicitário encontrado ao lado.
O cartaz, de 1,2 metro de comprimento e 0,5 de largura, lembra os antigos anúncios de produtos farmacêuticos, e
garante que os produtos "curam mais de 72 doenças oculares" e que as receitas "foram ditadas pelo Céu". Além
disso, inclui uma lista de preços e pede aos possíveis clientes que não pechinchem na hora de pagar, já que os
remédios são "muito difíceis de fazer".
As garrafas começaram a ser usadas durante a dinastia Song, século X da nossa era, e voltaram à moda durante as
duas últimas dinastias imperiais da China, a Ming (1368-1644) e a Qing (1644-1911).
A descoberta também mostrou a curiosa forma de venda desses remédios, já que, como os monges viviam em uma
remota e inacessível gruta, e desejavam viver afastados do barulho mundano, vendiam os remédios à distância. Do
alto da gruta onde viviam, os monges jogavam uma corda na qual estava amarrada uma cesta, onde os clientes
deviam primeiro depositar o dinheiro que estava no anúncio.
Depois, com um puxão na corda avisavam os monges, que recolhiam o cesto com o dinheiro, colocavam nele a
garrafa com o remédio e voltavam a baixá-la para que o comprador tivesse o prometido, em um sistema no qual era
necessário confiar na honradez dos eremitas. O anúncio encontrado pelos arqueólogos também mostra que, devido
ao sistema de venda, era inútil pechinchar, já que os monges permaneciam muito longe e não podiam ouvir os
clientes.
Segundo os registros históricos, na gruta viveu um famoso monge taoísta chamado "Yunxia" ("Nuvens de Cores"),
que morreu no ano 928 e fazia parte de uma escola de eremitas-doutores chamados "os Danding", que ainda existe,
mais de mil anos depois.
Zhu Huaying, monge considerado o descendente da escola Danding, disse, em uma entrevista à agência Xinhua,
que Yunxia e seus colegas criaram um grande número de remédios para os olhos, capazes de curar miopia, catarata
e inclusive evitar que os globos oculares chorem devido ao vento.
As montanhas do norte da província de Hubei, onde foi feita a descoberta arqueológica, são um lugar com uma
grande carga simbólica para os praticantes da medicina tradicional chinesa. Segundo os chineses, era nas
montanhas que, há milhares de anos, descansava o imperador Shennong, legendário inventor da medicina
tradicional, quando viajava na busca das 100 plantas que utilizava em suas receitas medicinais.
O taoísmo, uma das duas grandes escolas de pensamento filosófico da China, junto ao confucionismo, foi iniciado no século VI
antes de nossa era pelo pensador Lao Zi, autor do "Tao Te Qing" ("O livro do Caminho"). O livro contém uma série de
pensamentos com os quais se pretende conseguir a harmonia com a natureza e alcançar a felicidade, chegar ao "Tao".
O taoísmo, que séculos depois se converteu em uma religião com seus templos, divindades e monges, recomenda a
passividade diante das alegrias e das penúrias da vida, a fuga do excessivo entusiasmo e da ira, e é muito popular
na China.

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