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ISESE LAGBA UM GUIA INICIAL AO TRADICIONALISMO PRÁTICO

ISESE LAGBA UM GUIA INICIAL AO TRADICIONALISMO PRÁTICO



a IXEXE LAGBA b
UM GUIA INICIAL AO TRADICIONALISMO PRÁTICO

Aboru Aboye o!
Vamos denominar esta seção “Tradicionalismo Prático”, simplesmente
para dar nome a uma prática litúrgica que na África não possui um nome
específico, senão pelo fato de ser uma norma de comportamento habitual,
comum e corrente, entre os seguidores iorubas das Tradições Religiosas deste
povo. Essas práticas diferem-se em muito ou pouco, segundo as zonas, as
etnias, a cultura local, as influências externas e à outros fatores internos e
externos que podem alterar os costumes e tradições. Disto resulta uma prática
ritual ou litúrgica muito diversificada e escassamente uniforme, motivo pelo qual
estamos muito longe de afirmar que podemos contar com normas e
procedimentos uniformes e similares em todo o território yorùbá.
Cada família espiritual estendida ou ainda linhagem religiosa, emprega
seus próprios métodos e conceitos litúrgicos e disto provém uma enorme
diversificação, as vezes exagerada na ritualística e no corpo conceitual dos
iorubas. É por isto que, para alguém vindo da cultura ocidental, onde se tem
conhecido algumas das modalidades de sincretismo da religião yorùbá, haverá
uma extrema dificuldade em compreender e aceitar as normas litúrgicas de
conduta do tradicionalismo yorùbá. Entenda-se, pelo conceito
“tradicionalismo”, a forma pela qual os próprios iorubas da África têm praticado
em suas terras nativas a sua religião, ou seja, seus conceitos metafísicos e sua
maneira cotidiana de atuar liturgicamente falando.
O tradicionalismo cultua certos orisas em certas regiões iorubas,
enquanto em outras não. Ele reconhece certos orisa em algumas aldeias ou
cidades iorubas, enquanto em outras não. Reconhece como orisa algumas
divindades em certas cidades, enquanto em outras simplesmente as reconhece
como heróis lendários locais ou vice-versa. Atributos e/ou certos atributos para
um Orisa em determinados lugares, enquanto em outros não os reconhece ou
apenas atribui outras qualidades a eles. Eles usam liturgias em certas áreas ou
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regiões, enquanto que para os mesmos fins, usa liturgias diferentes em outras.
Emprega Orin e Orikis diversos e diferentes, pronunciados em diferentes
dialetos, para propósitos similares e dedicados a divindades e orisas
semelhantes. São detentores e receptáculos até hoje de um profundo e
completo conhecimento do Corpus Ifá ou Odu Ifá, dependendo da área, cidade,
família e/ou linhagem religiosa, sem expressar esse conhecimento em livros,
cadernos ou tratados por escrito. A transmissão de tal conhecimento continua
sendo a herança oral ancestral.
Você não pode encontrar uma uniformidade em terra Yorùbá na prática
das tradições religiosas, relacionadas à Orisa. Porque eles próprios afirmam que
na diversidade de sua prática religiosa reside a verdadeira liberdade do ser
humano para chegar até Olorun ou Orisa, bem como seus ancestrais solicitam
a manifestação de agradecimento de seus filhos através do uso de seu livre
arbítrio. Não há atavismos ou regras estabelecidas pelos homens para a
elevação de suas orações. Os iorubas geralmente não estabelecem regras
rígidas de comportamento litúrgico-ritual, porque para eles isto é guiado,
principalmente, por suas percepções que não são pré-estabelecidas por nada
nem por ninguém. O tradicionalismo é caracterizado por normas elementares
básicas, seguidas por procedimentos litúrgicos mais ou menos complexos,
nascidos da percepção espontânea e da interpretação metafísica da realidade,
presente no momento de iniciar as ações rituais. É por isso que, para atingir um
certo objetivo, os iorubas podem agir de diferentes maneiras dentro do mesmo
contexto ritual.
À primeira vista, pode-se dizer que o tradicionalismo é um caos e uma
anarquia litúrgico-ideológica, no entanto, é apenas uma amostra de uma das
maiores expressões de liberdade do espírito que pode encontrar em qualquer
religião existente. No tradicionalismo, o ser humano não é obrigado a regras e
procedimentos uniformes, como se ele fosse parte de um grande exército. O
tradicionalismo não chega à vida do ser humano para levá-lo embora, enchê-lo
de proibições e fazê-lo obedecer à tabus caprichosos e injustificados que
limitam suas liberdades. Pelo contrário, o tradicionalismo vem para a vida do
homem para trazer-lhe liberdade, alegria, bênçãos e Asé; não se limitando
apenas as liberdades humanas. A maioria dos atos rituais tradicionalistas
geralmente não seguem rígidos e complicados padrões litúrgicos
preestabelecidos. Não estabelecem obrigações alheias à transmissão
acadêmica e formal da América para tudo o que é feito, ao contrario disto, esta
Tradição Libertária é estabelecida de acordo com a inspiração originada no ato
perceptivo que cada indivíduo ou célula do culto é capaz de assimilar e
processar para atingir o princípio filosofal de Iwa Pele.
Na liturgia de suas ações iniciadoras, muitas famílias e linhagens
tradicionalistas evitam as roupas coloridas em respeito aos seus ancestrais
Egunguns. Evitam também a música profana que atrapalha a paz dos mortos,
preservando e enfatizando canções sagradas e a palavra ante a presença da
morte (Iku). Quando fazem seus sacrifícios, evitam fazer sofrer os animais
destinados a estes rituais, cantam para as carnes ou vísceras dos animais
abatidos, preservando a simplicidade e humildade em vez do luxo nos recintos
e salas sagradas de Orisa. Usam como parte de suas fundações/alicerces de
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Orisa, elementos como pedras, caracóis e sementes que compõem a maioria
de suas fundações para as suas Deidades. Eles rejeitam em seus atos iniciáticos
qualquer manifestação de vida mundana que possa contaminar a presença
sagrada dos Orisas.

Aqui se pode concluir seguramente que o tradicionalismo não é a


complexa estrutura filosófico-litúrgica que muitos querem fazer ser vista e
,principalmente, o que muitos por aí expressam em suas teorias e hipóteses de
todo tipo. O tradicionalismo verdadeiro está muito além de possuir uma
estrutura ideológica e metafísica complexa, que seja somente acessível aos
intelectuais ou aqueles que possuem determinadas atitudes intelectuais
superiores. Tudo isso é INCORRETO! Quem pretende dar a entender que o
tradicionalismo yorùbá está fora do alcance da interpretação de qualquer ser
humano mediano, simplesmente está MENTINDO! O tradicionalismo é um
sistema acima de tudo espontâneo e muito primitivo de crença em energias
majoritariamente ligadas as forças da Natureza e seus eventos. É acessível até
para as mentes mais simples que existem neste mundo, porque suas liturgias,
ritualística e teologia, são muito primitivas e elementares. Não é absolutamente
nada complexa, como alguns asseguram por aí. Esta liturgia é tão simples e
elementar que como ela praticamente não existe outra tal...

Por tudo o que aqui foi exposto espero sinceramente que não os venham
enganar aqueles que pretendem fazer do tradicionalismo um complexo
sistema litúrgico-ideológico para o lucro e a comercialização religiosa.
Praticar o tradicionalismo é estar cercado de um passado longínquo, é liberdade
plena, é não ter homens líderes nem chefes religiosos, é responder diretamente
aos Irunmoles associados ao seu destino na terra, é ser livre para adorar nossos
Orisas de maneira espontânea, é interpretar livremente nossas percepções e
mensagens subliminares, é estar cercado e acolhido pelos nossos ancestrais e
antepassados, é andar com os Orisas obedecendo os ditames de nosso
coração e não cumprindo regras vazias e estereotipadas, de uma liturgia pré
estabelecida pela memória de um “homem sagrado”. É, portanto, queimar,
retirar toda a contaminação de natureza humana, retomando o que é correto
pela via ancestral, primitiva, espontânea. Com isso, vivificando dentro de si
mesmo as maravilhas desta fé; portanto isto em seu fim, implicará na busca da
real origem de nós mesmos, naquele lugar onde certamente estaremos mais
perto da fonte original de toda verdade de nosso sublime Criador.

Um praticante de quaisquer dos sincretismos derivados de terras iorubas


ou católicos/afros e etc.; não poderá esperar, portanto que um tradicionalista
atue religiosamente como ele. Geralmente, o tradicionalista saúda os Orisa
seguindo os ditames de seu coração. Ele não pronuncia rezas estereotipadas
aprendidas e memorizadas como um modelo de fabricação para as massas. Na
maioria das vezes o seu respeito pelos seus antepassados mortos é tamanho,
que prefere se calar na presença dos mortos, quando estão ocorrendo
sacrifícios e rituais.
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O tradicionalista condena a maldade e não a bruxaria e a feitiçaria. Pois,
entendem que a alquimia e a Arte Real que ambas representam na busca de
transformação seja pelo seu sacrifício (oferenda), medicina, dentre muitos
outros aspectos. Entretanto, cabe salientar que o tradicionalista não vive envolto
em guerras mágicas infindáveis na qual venha a fazer uso da bruxaria e feitiçaria
de forma inadequada. Quanto a isto Ifá é bastante claro em sua palavra
condenatória. Estes que desafiam Ifá em nome de inimigos ocultos, rusgas,
traições com irresponsabilidade ante seus irmãos de fé, sobrepujam (não
escutando seus mais velhos), tanto físicos quanto religiosos e serão por isto
responsabilizados diante de Olodumare, Ifá e Èsù.
O tradicionalista busca uma plenitude de vida para si e para os seus, de
forma amorosa em seu círculo familiar, respeitando as atribuições de cada filho
ou pai dentro de sua comunidade de Ifá. Coloca-se por muitas vezes acima dos
laços de família comum, fazendo com que sua família espiritual seja estendida
para além dos laços sanguíneos e biológicos. O tradicionalista só reconhece
uma força do mal, Ajogun, seu empenho e movimento são contínuos para que
essa força (Ajogun), não se acumule sobre si mesmo.

Dito isto veremos abaixo algumas diretrizes normativas


básicas/elementar para nossa família e seu circulo interno o Ouroboros Awo
circle:

Estatuto Interno
NORMAS E DIRETRIZES BÁSICAS/ELEMENTARES
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ù Todo membro do Ouroboros Awo Circle (O.’.A.’.C.’.), deverá passar pela


cerimônia de Isefa e receber para si o seu colar (ileke Ifá) assim como sua
pulseira (ide Ifá) como determinado por Orunmila em consulta prévia.

ù Deverá reconhecer Ifá como Eleri Ipin, a testemunha da Criação, segundo de


Olodumare, porém para todos os efeitos reconhecerá Orunmila como o
intérprete por excelência junto a todos os Orisas, aquele que conhece o destino
de todos os seres humanos, por tanto o grande estruturador de toda a religião
e guardião máximo da Tradição. Aqui fica claro então que Orunmila ocupa um
cargo acima dos demais Orisas.

ù Reconhecerá a Orí como a deidade ou Orisa mais importante de todas, e cujo


mandato está acima de todos os demais Orisas.

ù Se submeterá ao interrogatório de seu Orí para conhecer se tem caminho


religioso dentro do tradicionalismo.

ù Deverá receber o fundamento de Orí (Ile Orí), e deverá presidir o mesmo


diante de seu santuário de Orisa como a deidade mais importante em seu Ile
Orisa.

ù Acima dos ditames e prescrições dos demais Orisas, incluindo à Orunmila,


haverá de prevalecer a hierarquia de seu Ori.

ù Praticará oração diária de louvor ao seu Ori, ao seu Orisa, assim como a
Orunmila e Olodumare, sempre lembrando de saudar seus antepassados com
os devidos Ibas.

ù Cada passo iniciático deverá ser previamente consultado e aprovado por Ori.

ù Todo ser humano, sem exceção nem discriminação por crença, gênero ou
quaisquer outras circunstâncias, natural ou não, terá o direito a passar pelas
iniciações até aqui mencionadas.

ù Todo iniciado junto ao Ouroboros Awo Circle deverá receber seu Ifá contendo
40 Ikins conforme determinado por Orunmila na fundação da Ayelala Family
Heritage. O motivo para isto, não é outro senão conforme estabelecido por Ifá
que, em caso de falecimento de um membro do Ouroboros Awo Circle, os ritos
fúnebres apropriados deverão ser feitos de forma que o Awo tenha seus olhos
tapados com um ikin cada, assim como suas orelhas e também sua boca. Sua
cabeça então receberá os 5 ikins determinados e em suas mãos serão
colocados outros 16 ikins. Os outros 19 ikins serão oferecidos aos familiares
para a continuidade do culto a ifá e na negativa desta ( família/familiares), serão
dadas ao mais velho membro da família Ayelala para os ritos apropriados de
Egungun.
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ù Todo iniciado no Ouroboros Awo Circle receberá seu Èsù Ifá conforme o pré-
estabelecido pelo nosso rito para movimentação de sua vida e de seu Ase junto
à Orunmila Ifá.

ù Todo o iniciado de qualquer nível deverá praticar a oração espontânea, o


sacrifício e as oferendas adequadas ao seu Orisa e seus Ancestrais de maneira
constante e permanente. Estas sem motivos de petições ou mudanças a isto
relacionado, salva as questões puramente espirituais e destinadas ao
crescimento pessoal e a obtenção de Iwa Pele.

ù O Ouroboros Awo Circle se reserva o direito de convocar todos os seus


membros a qualquer momento, que julgar oportuno afim de:

- Reuniões periódicas com os membros do Ilé para transmitir os ensinamentos


de Ifá/ Orisas, assim como os ensinamentos morais e as normas de convivência
de acordo com a maneira do caráter (Iwa), que perseguimos para cada um de
nós.

ù Todo fundamento de Orisa deverá nascer de outro que por sua vez tenha
nascido de outro, e assim consecutivamente. O fundamento que dará
nascimento ao novo, deverá estar presente no momento do nascimento da nova
energia, afim de captar e receber a energia do Ase vinculado, bem como evitar
a perda ou dispersão da energia fluídica procedente de Orisa.

ù Não será requisito obrigatório para Isefa uma quantidade determinada mínima
de Babalawos, para levar a cabo o rito. A quantidade não garantirá
obrigatoriamente a qualidade nem o Ase do ato em si.

ù Ao início de cada cerimônia do Ouroboros Awo Circle relacionada a Ifá ou


Orisa, se dará parte da oferenda a Èsù e a Ogun.

ù As ordens para o estabelecimento de rituais ou as liturgias não respondem a


esquemas rígidos previamente estabelecidos ou modelados, os conteúdos de
tais atos tão pouco, porque se considera que ambas as atividades respondem
a criação do ser humano e não a criações divinas. Portanto, todos os atos
litúrgicos e cerimoniais responderão a experiência e ao nível de percepção do
Oficiante, sobretudo, a autenticidade de sua autoridade perante as Deidades
para transmitir o Ase a quem recebe tais consagrações.

ù Tanto para os iniciados de Ifá quanto para os de Orisa, não serão fixadas
proibições arbitrárias, nem tão pouco limitações a liberdade do iniciado, salvo
aquelas situações muito especiais, que se mostrem num alto grau de
importância para este iniciado. Nestes casos os tabus serão observados e
complementados de forma privativa por cada iniciado. Lembramos aqui que Ifá
é um culto à plenitude de vida, portanto agregador e não aquele que tira algo
de alguém.
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HIERARQUIA NO CULTO A ÒRÚNMÍLÀ IFÁ

Muito se tem falado sobre a hierarquia no culto de Òrìsà, isso


contribui para o enriquecimento das informações sobre a religião Afro-
Brasileira, mas infelizmente sobre a hierarquia do culto de Ifá é muito
raro encontrar informações confiáveis, sendo assim na tentativa de
contribuir com as informações disponíveis em nosso país estamos
divulgando aqui as orientações hierárquicas conforme estipuladas
originalmente em território Yoruba.

PRIMEIRO ESCALÃO-GRUPO CONHECIDO COMO IWAREFA

ARABA- Oluawo, Oluwo Nla

O titulo de ARABA é o mais importante dentro do culto de ifá,


normalmente em terras yorubas um Araba é escolhido com base em três
critérios:
- Conhecimento inquestionável
- Conduta ilibada
- Apoio unânime.
O
Araba representa o grupo de Babalawos de uma cidade ou de um país, o que
nos leva a seguinte conclusão, as cidades com maior população de Babalawos
tem um critério de escolha mais exigente do que as cidades de pequenas
populações.
Em uma cidade grande para que um Babalawo se torne um Araba
ele será questionado por um grupo maior de sacerdotes.
Esses
questionamentos podem durar dias, e somente quando todos Babalawos
estiverem satisfeitos com as respostas, a data da cerimônia será marcada.

OBSERVAÇÃO: em uma cidade muito pequena com um grupo muito


pequeno de Babalawos a escolha de um Araba pode ser imediata desde que
exista o apoio do grupo.
Existe também uma forma carinhosa de intitular o
Babalawo mais velho em um Ile Ifá que muitas vezes é confundido com o acima
mencionado, já que carinhosamente o mais velho dos sacerdotes dentro da
família pode ser chamado de Araba, importante não confundir esse título familiar
restrito há casa da família com o Araba de uma cidade ou de um país.

AKODA

Babalawo Agbalagba preparado para substituir o Araba em caso de


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morte ocupa imediatamente o cargo do Araba mantendo os rituais mesmo no
período de luto.

ASEDA

Babalawo Agbalagba, o terceiro na hierarquia, preparado para substituir


o Akódá.

AGBONGBON

Babalawo especialista em Oriki, considerado a memória da família, capaz


de recitar o conhecimento contido nos versos de ifá durante dias e noites.

ERINMI AWO LODE OWO

Babalawo com conhecimento inquestionável sobre os rituais secretos


no Ile Ifá.

AGIRI

Babalawo experiente com profundo conhecimento sobre odu.

AWISE

No Brasil o título de Awise foi divulgado de forma errada, um Awise fala


em nome da família autorizado pelo seu Oluwo ou Araba, sendo assim deve ser
um Babalawo bastante experiente.

- SEGUNDO ESCALÃO NO EGBE IFÁ.

ALAKEJI


 Esse título só pode ser usado por um Babalawo muito experiente. Ele
substitui o Oluwo dentro do Ile Ifá em todas as situações com exceção das
iniciações.

ALARA


Babalawo experiente especialista na relação com os iniciados, e


iniciações em geral.

OKUNMERI

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Babalawo especialista nas cerimônias internas.

AGUNSIN


Babalawo experiente que acompanha o primeiro escalão em rituais ou


festejos externos, responsável pelo deslocamento dos membros do Egbe Ifá.

ARANISAN


 Babalawo experiente que orienta cerimônia diante de Osun, no ritual de


itefa.

AMUKINRO


 Babalawo experiente que orienta os iniciados dentro do Ile Ifá em


cerimônias que é consultado ikin.

KAWOLEHIN


 Babalawo experiente que orienta os iniciados em rituais e festejos


internos e externos.

OLUWO


 Existem dois títulos diferentes descritos pela palavra Oluwo, um dentro


do ifá e outro dentro da Sociedade Ogboni, imediatamente superior ao título de
Apena na hierarquia.
Nessa abordagem vamos analisar o título restrito ao culto
de Ifá.
O Oluwo pode ser escolhido ou não entre os cargos acima citados.
O
Oluwo é um Babalawo que tem autorização para iniciar outros Babalawos, não
devemos confundir com Olodu, (Babalawo que possui o assentamento de Iya
Odu), o fato isolado de possuir Iya Odu, não o torna um Oluwo.
O Oluwo é o
sacerdote que tem a responsabilidade sobre as cerimônias de itefa e Ìtélodú,
sendo assim todas as situações que passo a descrever devem ter a autorização
do Oluwo:
- Consultar ifá com opele ou ikin.
- Submeter se a ebó ou etutu.
-
Participar de iniciações ou festejos referentes ao culto de Orunmila e Orisa.
-
Fazer iniciações e consultas.

OJUGBONA


O Ojugbona é o Babalawo que participou da iniciação que tem a função


de treinar, mas não tem o poder de autorizar o novo awo para que faça
iniciações ou consultas.
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BALOGUN


Balogun é um titulo muito importante. O Babalawo escolhido para essa


função deve ser muito experiente para lidar com as questões que envolvem os
rituais e as relações internas e externas da família, no tocante a proteção do Ile
Ifá, e seus membros.

SOKINLOJU


 Esse título deve ser dado a um Babalawo antigo dentro do Egbe. É uma
espécie de observador com autoridade para corrigir erros e procedimentos no
dia-a-dia do Ile Ifá.

AKOGUN


 Esse título só pode ser dado para um Babalawo experiente, normalmente


o Akogun auxilia ou substitui o Balogun.

SUREPAWO


 Esse título pode ser ocupado por um Babalawo jovem. O Surepawo é


encarregado de pagamentos, compras e afazeres fora do Ile Ifa.

ASAWO


 Babalawo jovem ou Awo kekere que auxilia o Surepawo.

IYANIFA


Iyanifa (aquela que possui ifá, sacerdotisa), também conhecida como


Iyaonifa.

IYA APETEBI


Iya apetebi na religião tradicional yoruba é a esposa do Babalawo.

IYANIFA IYA APETEBI


No caso da Iyanifa Iya Apetebi, esposa do Oluwo, do Egbe Ifá, as


exigências são maiores em razão da alteração da hierarquia considerando que
o titulo é superior aos demais remetendo imediatamente a Iya Apetebi e Iyanifa
ao segundo cargo dentro do Egbe ifá.
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IYALODE AWO


 Iyanifa líder das mulheres no Egbe Ifá

AJIGBEDA AWO


 Iyanifa experiente auxiliar da Iyalode. E assim por diante...

Penso ter aqui descrito ainda que superficialmente a estrutura básica de


uma comunidade EGBE IFÁ a qual futuramente Orunmila Ifá nos permitirá
estruturar dentro de nossa humilde família.

Ire o.
Babarinde Ayoka Ifasowunmi Oyekale.
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