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Isadora Machado - Parte em casa - 20 pontos

Formato voltado para o ensino de literatura -

Escolher um texto literário* para ensinar conceitos estudados até este


momento no curso e elaborar uma sequência didática, que deverá conter:

1- Público alvo: Alunes de 1º ano de ensino médio.

2- Objetivos - Conceito (s) a ser (em) trabalhado (s)

2.1 Objetivo Geral

Tratar do gênero narrativo conto, a partir da obra Farina de Cidinha da


Silva, escritora negra, lésbica, periférica, mineira, onde a pessoa leitora é
convocada a adquirir diversos conhecimentos sobre o mundo no diálogo
com o texto.

2.2 Objetivos específicos

Evidenciar, com a leitura do conto de Cidinha em relação a algumas teorias


sobre o conto, a forma como Cidinha atualiza a teoria literária colocando a
questão racial mundial como um nocaute.

Trabalhar o(s) mundo(s) e encontros trabalhados no texto.

3- Nome/ autoria do texto literário

Farina, de Cidinha da Silva.

4- Atividade a ser feita

Explicar a condução da atividade:

Introdução

A sala deverá ser disposta em roda. Será anunciado que o gênero a ser
trabalhado hoje é o conto. E a obra escolhida é a de Cidinha da Silva. A
professora deve perguntar se alguém conhece a autora citada e se sim,
permitir a pessoa que conheça compartilhar aquilo que sabe com es
colegues. A professora distribui um texto para cada alune e pede para que
leiam, inicialmente, brevemente, ressaltando as partes que mais se
interessam no conto e as palavras que não conhecem. Os primeiros 15
minutos da aula serão dedicados a leitura silenciosa da turma, o que será
acordado com essa e cronometrado em um relógio de cozinha levado pela
professora (caso não tenha na escola).

Desenvolvimento

Dada a leitura, a professora deve perguntar as palavras que não foram


compreendidas, trabalhando com a turma que não existe vergonha nesse
processo e que compreender as palavras e situações citadas contribui no
entendimento do conto. Essas palavras são jogadas para a turma que,
tendo conhecimento para responder entre colegas, deve responder entre
si. E, em situações em que ninguém saiba responder, a professora, que
deve ter se preparado para isso antes, contextualiza as palavras desejadas.
E volta ao texto, dessa vez coletivamente (cada alune pode ler uma frase)
para ver o que saber a palavra muda no significado desse.

A professora busca então os sentidos que a turma teve nessa leitura,


tentando captar dos conhecimentos prévios dessa a percepção sobre o
gênero literário.

Segue uma linha de perguntas que não precisa se dispor na ordem,


podendo trocar de acordo com o que a turma for produzindo caso sinta
que assim o encadeamento dos sentidos vá se potencializar.

(Enquanto es alunes respondem, a professora pode 1) anotar em seu


caderno pessoal as respostas 2) escrever na lousa)

- Poe, quando trata de conto, diz que o que é interessante nesse gênero é
que ele é capaz de ser lido “em uma sentada”, ou seja, sem interrupções e
isso aumentaria o efeito da leitura. Nós, literalmente, fizemos isso. Ainda
que em contexto de sala de aula, você sente alguma diferença entre ler
assim e ler algum gênero mais longo e espaçado?

- Você lembra de algum conto que já leu? Você gosta desse gênero? Por
quê?

- Porque o texto trabalhado é um conto?

- Existe alguma palavra que, por mais que você conheça, não está
habituade a ver em textos literários? Por que você considera que isso
acontece?
- Algumas teorias do conto dizem que um conto sempre conta duas
histórias, você reconhece isso nos contos que já teve contato? (está no
BNCC que no ensino fundamental haveria um espaço para o contato com
esse gênero literário)

- E nesse conto, quais seriam essas duas histórias? (Fazer com que por mais
que a primeira resposta seja rápida, essa pergunta promova uma descrição
mais aprofundada (possivelmente) das duas personagens)

- Há algo que se torna possível inferir sobre as personagens pela forma que
a conversa acontece entre elas?

- Quais são suas parecências, quais são as suas diferenças? Como


descobrimos isso?

- Você achou o texto difícil de ler?

- O que acontece no conto?

- Onde o texto se passa? (Caso a resposta seja Nova York, chegar até o
Brooklyn, chegar até o museu)

- A que lugares ele leva?

- Você sentiu o conto brando, leve, tenso, intenso, feliz, triste, emocional,
descritivo?

- O que é cis? (Caso essa pergunta não venha)

- Por que a voz narrativa fala rápido sobre o fato de ser lésbica?

- Um outro teórico do conto, disse uma vez, que no romance se ganha o


leitor por pontos, já no conto, se ganha por nocaute. Qual o nocaute de
Cidinha da Silva no conto em questão?

- Há também uma teoria que diz que no conto existe uma história secreta e
uma história mais visível, a secreta se construiria silenciosamente enquanto
a visível é contada, quais seriam essas histórias no conto?

- Por essa dimensão do oculto, do segredo, o conto também sempre


guarda uma esfera de revelação. O que você sentiu que lhe foi revelado
com o caminhar do texto?
- Tem algo que você imaginou que fosse acontecer e não aconteceu?

Ainda que as questões sejam mais ou menos objetivas, é importante que a


professora medie a conversa sobre as respostas gerando um espaço
polifônico e complementar no aprendizado da turma. Durante a
explanação sobre a leitura, é fundamental que se toque na questão que
permeia o conto em sua centralidade: o encontro de duas mulheres
negras, de nacionalidades, histórias e posições sociais distintas, em Nova
York, mas que dividem muitas experiências devido àquilo que Cidinha
pontua (e eu considero ser o nocaute do texto) a política do descaso e
destruição do povo negro.

Caso essa questão não emerja organicamente, fazer ela ser vista e
comentada amparando-se no texto. Aliando a compreensão do gênero
com a necessária discussão do racismo estrutural, conduzindo a um ponto
em que a turma perceba que mesmo em ambiente escolar dinâmicas
racistas acontecem (perceber corpo docente, livros mais conhecidos, falar
sobre estatísticas) podem acontecer e a professora deve colocar-se como
alguém que não permitirá que tais lógicas se reproduzam e, havendo
qualquer comentário preconceituoso na discussão, interromper e colocar o
tanto que isso fere os direitos humanos não permitindo que continue a ser
dito, colocar o contexto histórico de produção de uma subjetividade racista
machista e classista e salientar a importância de defendermos o espaço de
pessoas e obras negras na escola para nos transformarmos numa
sociedade mais igualitária.

Conclusão

Para um fechamento, a professora devolve aos alunos aquilo que foi


produzido em sala de aula com as discussões (voltado às anotações)
fazendo perceber o conteúdo desenvolvido coletivamente em uma leitura.
Por fim, traz uma fotografia de Cidinha impressa e (como já é atividade na
própria escola, dispõe na parede ou mural da sala para que os alunos
relembrem aquilo que a atividade trouxe à tona, como uma guia para que
se recordem das discussões acontecidas) adiciona ela na fileira des artistes
trabalhades.