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a u l a
Apresentando o computador

OBJETIVOS Ao final desta aula, você deverá ser capaz de:


• Introduzir conceitos de hardware.
• Apresentar os elementos mais comuns de hardware
e suas características fundamentais.
• Mostrar o que é um softwaree e sua relação com o
hardware.
• Apresentar alguns tipos de software.
• Softwaree livre.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

INTRODUÇÃO Este curso de Introdução à Informática, como um curso a distância, exige de você
um comportamento muito diferente do que você teria num curso presencial.
Um curso a distância exige uma disciplina maior, já que você decidirá o tempo
que dedicará ao estudo de cada disciplina. Esta disciplina em particular exigirá
que você programe algumas idas ao pólo para o uso dos computadores e dos
programas instalados lá.
No texto, você terá muita informação, mesmo que você já tenha alguma
experiência com computadores. A idéia por trás deste volume de informações
é iniciar o processo de sua autonomia no uso dos computadores. Isto significa
que você poderá ter melhores condições de decidir quais características você
gostaria de ter num computador que comprar. Significa, também, ter referências
para usar programas no seu computador de acordo com suas necessidades, e
não usar algo porque todo mundo está usando. Computador e os programas
contidos nele são ferramentas de trabalho que não devem ser encaradas como
uma peça de vestuário que sai e entra na moda.
O curso também pretende criar uma visão crítica do uso dos computadores.
Como qualquer criação humana, um computador pode ser mal ou bem usado e
esta opção é sua. Então surgem, naturalmente, questões éticas e estas também
serão discutidas aqui.
Reenfatizo a necessidade de você praticar os conhecimentos aqui contidos. Da
mesma forma que não se pode aprender a andar de bicicleta lendo um livro,
não se pode apreender os conceitos apresentados sem examinar um compu-
tador por dentro e trabalhar com ele, usando seu teclado, mouse e aplicativos
variados. No seu pólo há um laboratório de informática e tutores para lhe dar
suporte, esclarecer suas dúvidas. Você tem disponível, ainda, uma tutoria a
distância que poderá ser acionada por telefone, fax ou por e-mail. Com o uso
de todos esses recursos disponíveis você poderá atingir um conhecimento do
uso de computadores que lhe será útil não só durante seu curso como também
em outras atividades de sua vida.

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MÓDULO 1
APRESENT0ANDO O COMPUTADOR

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AULA
O curso de Introdução à Informática é uma breve explanação
sobre a estrutura física de um computador, assim como uma introdução
ao uso de algumas ferramentas que lhe serão úteis durante o seu curso
de graduação. É um curso voltado para alunos com pouco ou nenhum
conhecimento no uso de computadores. Embora seja assim, haverá
itens úteis para quem tenha alguma experiência, pois o texto apresenta
informações não muito divulgadas em matérias mais comuns. As infor-
mações são o mais genéricas possível, embora usemos alguns aplicativos
específicos nos exemplos.
Você, provavelmente, já teve alguma experiência no uso de compu-
tadores. Hoje, na hora de votar temos uma urna eletrônica. Para sacar
dinheiro, muitas vezes, usamos um caixa automático. Apertamos botões
e estes disparam as tarefas que desejamos cumprir. Os celulares têm
um comportamento semelhante, assim como fornos de microondas e
aparelhos de CD e DVD. Todos estes aparelhos têm algo em comum:
um computador. Esta é uma ferramenta tão versátil que se destaca das
demais por não ter uma função a priori. Para fazermos uma comparação
com outras máquinas, vamos a alguns exemplos. Uma chave serve espe-
cificamente para abrir uma fechadura, um abridor de latas serve apenas
para isto, abrir latas. Como já foi dito, o computador não é feito para
uma tarefa específica. Como curiosidade, alguns dos primeiros compu-
tadores, foram usados para calcular otimização de bombardeios durante
a Segunda Guerra Mundial. Apesar deste início nada nobre, como o
computador faz a tarefa que estiver programada no seu interior, apare-
ceram aplicações limitadas apenas pela imaginação dos programadores
e pelos recursos computacionais disponíveis.
À medida que surgiam novas idéias, surgiam novas necessidades
que geravam novas máquinas que por sua vez inspiravam novas idéias
e aplicações. Atualmente o grande desafio nos computadores está mais
na programação (software) do que na estrutura em si da máquina
(hardware), existindo um forte inter-relacionamento entre a parte lógica
(software) e física (hardware) do computador.
Foi dito acima, de forma implícita, que o computador pode ser
analisado como constituído de duas partes fundamentais: o hardware
e o software.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Assim, trabalharemos sobre esta divisão observando que o hardware


é absolutamente inútil sem o software, pois é este último que contém a
seqüência de operações que o hardware deve seguir, de forma que o usuário
possa dizer que o computador está funcionando. Numa comparação gros-
seira, um hardware sem software seria como ter um televisor fantástico
num lugar em que não há nenhum canal de TV para assistir.

ASPECTOS BÁSICOS

Como qualquer ferramenta (e o uso da mesma), temos um conjunto


de conceitos associados ao computador. Um destes é a unidade de infor-
mação; afinal é isto que um computador faz: processa informações. A
menor unidade de informação contida num computador é o bit (repre-
sentado por um b). Este contém uma informação com apenas dois estados
possíveis. É como uma lâmpada que só pode estar ligada ou desligada.
Simbolicamente diz-se que o bit tem dois estados, chamados 0 e 1.

Atenção: não está sendo dito que o bit pode representar o número
zero ou o número um. Os símbolos 0 e 1 são apenas uma forma
de falar.

Observe que não podemos representar muitas coisas tendo algo


tão pobre. Por isto, usam-se grupos de bits para representar coisas mais
complexas. O múltiplo usual do bit é o baite (representado por um B
e escrito como byte, em inglês) que é constituído de 8 bits. Pode não
parecer muita coisa, mas é o bastante para representar informações mais
complexas como letras do alfabeto latino e outros símbolos como aspas,
asteriscos, parênteses etc. De maneira simplista, podemos dizer que um
baite corresponde a uma letra, ou melhor, um caracter. Se estamos escre-
vendo um texto num editor de textos com letras de tamanhos diferentes,
estilos diferentes como negrito, itálico, sublinhado e, quem sabe, com
cores diferentes, tais características, seus atributos, também deverão
ser representados de alguma forma e isto será mais informação a ser
guardada. Estas características são representadas de forma diferente em
diversos formatos de texto. E estes são muitos, cada um adequado a uma
finalidade. Estes mesmos baites podem ser usados para representar ponto
de imagem (chamados pixels) no computador. E, novamente, podemos
ter diferentes maneiras de representar imagens em diversos formatos.

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MÓDULO 1
O baite também possui seus múltiplos. Os mais comuns são o

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kilobaite (KB), o megabaite (MB) e o gigabaite (GB). No entanto, é

AULA
corrente em informática o prefixo Kilo não representar o numeral mil
mas o número 1024. Assim, um KB é igual a 1024B, um MB é igual a
1024KB (1 048 578B) e 1GB é igual a 1024MB. Mas isto pode variar
ao descrevermos a capacidade de alguns tipos de memória como, por
exemplo, os discos rígidos.
Embora hoje seja comum encontrar equipamentos muito poderosos,
é bom lembrar que os computadores que a Nasa usou para projetar o
foguete Saturno 5 (que levou os astronautas à Lua) tinham menos poder
de computação que um aparelho de telefonia celular em 2003.

HARDWARE

O hardware é o conjunto de componentes eletrônicos e mecânicos


que formam a parte física dos computadores. As partes mais visíveis
são o monitor, o gabinete, o teclado e o mouse. No interior do gabinete
(que pode ter vários tamanhos e formatos) estão partes que formam
a essência do que é um computador. Nele encontra-se a placa-mãe
(motherboard ou mainboard, em inglês), onde são conectados todos
os demais componentes do gabinete. Em destaque temos o processador,
ou a CPU, a memória volátil ou RAM, o disco rígido e a placa gráfica.
Estes seriam os elementos mais comuns de se encontrar. No entanto, por
mais estranho que pareça à primeira vista, um computador pode ser útil
e funcional não tendo monitor, placa gráfica, teclado e disco rígido. O
mais comum é que além dos componentes básicos descritos acima ainda
se tenha um acionador (ou driver) de disquetes de 3 1/2 (três polegadas
e meia de diâmetro), além de uma unidade leitora de CD-ROM (leia
como cê dê rom) e modem.
Externo ao gabinete temos ainda o teclado e o monitor. É comum
ter em conjunto algum periférico como impressora e/ou um scanner.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

PRINCIPAIS COMPONENTES

Visão rápida

O processador, ou CPU (abreviação da expressão, em inglês,


Central Process Unitt –, em português, Unidade Central de Processa-
mento) é um elemento fundamental do computador, pois executa as
instruções dadas pelo software. Os comandos executados pela CPU são
conhecidos como instruções de máquina, e podem variar de fabricante
para fabricante e de modelo para modelo de CPU. Este é o principal
componente da placa-mãe e geralmente é o fator determinante na velo-
cidade da máquina. No entanto, para que o processador execute suas
funções é necessário existir um lugar no qual ele possa ler as instruções
passadas pelo software. O primeiro destes lugares é a chamada memória
volátil (memória RAMs). Para entender o papel da memória, podemos
fazer uma analogia com a figura do professor usando um quadro. O
quadro seria a área de trabalho do professor, assim como a memória
seria a área de trabalho do processador. Mas uma pergunta que surge
naturalmente é de onde vem a informação contida na memória volátil.
Estas informações, habitualmente, têm duas fontes básicas: de uma
memória não volátil ou de um dispositivo de entrada/saída.
As memórias não voláteis mais comuns são os disquetes, os CD-
ROMs, os discos rígidos (hard discs ou HDs) e alguns tipos de memórias
como as flash roms. Primeiro é melhor esclarecer o que quero dizer
com volátil e não volátil. A memória volátil tem este nome porque, no
momento em que você desliga o computador, as informações contidas
nela desaparecem (evaporam, digamos assim). As informações contidas
nos CDs, disquetes e HDs não são apagadas quando o equipamento é
desligado.
Quanto aos dispositivos de entrada e saída, já falamos de alguns
deles. O teclado e o mouse são dispositivos pelos quais informações
entram no computador. O monitor de vídeo é um dispositivo pelo qual
a informação contida no computador sai. O mesmo é verdadeiro se você
tem uma impressora. O modem tanto é de entrada como saída. Falemos
um pouco de cada um destes componentes.

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MÓDULO 1
Placa-mãe

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AULA
Figura 1.1: Modelo típico de placa-mãe.

Na placa-mãe conectam-se os vários componentes necessários


ao funcionamento do computador. Nela são acoplados o processador,
a memória, cabos para conexão com discos rígidos, acionadores de
disquetes, CD-Rom e DVDs, além de placas especializadas, como
modems, placas de vídeo, placas de rede e muitas outras existentes no
mercado de hardware. Atualmente, na placa-mãe estão as peças que
fazem a conexão entre as partes já citadas acima, a geração de sinais e
voltagens necessárias a cada componente, o gerenciamento dos sinais e
interfaces para os dispositivos acoplados. A quantidade de fabricantes
de placas-mãe é muito grande, não havendo um fabricante que controle
o mercado. A competição entre eles gera novidades e aperfeiçoamentos
constantes.
Uma característica nas placas atuais é a inclusão de determinados
componentes junto à placa. Por exemplo, é comum encontrar placas-mãe
que contênham os componentes para a saída de vídeo, áudio e o modem.
Isto traz vantagens e desvantagens. O fato de estes elementos estarem
integrados à placa-mãe faz com que o computador fique mais barato
como um todo, já que você não vai necessitar de comprar placas extras.
No entanto, geralmente tais dispositivos integrados (on-board) são de
desempenho inferior aos que são comprados separadamente. Tal perda
de desempenho é mais fácil de se observar em relação ao vídeo, se você
usar uma tarefa na qual este é muito exigido, como é o caso de jogos e
programas gráficos pesados. Mais recentemente, mesmo nas placas com
dispositivos on-board, é possível desabilitar tais elementos, colocando
placas externas para melhorar o desempenho.
A placa-mãe é desenvolvida para um determinado processador ou
família de processadores. O maior volume de placas é produzido para
os processadores da AMD (Duron, Athlon, Athlon XP), Intel (Pentium
III, Pentium IV) ou VIA (C3). Estas placas são geralmente baseadas

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

num conjunto de circuitos integrados (ChipSet) para os quais existem


muitos fabricantes, como a Intel, AMD, VIA, nVidia e outros. Outro
dado importante é o chamado BIOS (Basic Input Output System). Este
consiste em um programa (software) gravado num circuito na placa-mãe
e que gerencia as funções básicas do computador. Nele ficam gravadas as
configurações de hardware, programas que detectam o tipo de proces-
sador, memória e outras características necessárias para o funcionamento
correto. Muitas vezes o fabricante percebe algum erro no BIOS (ou quer
que o mesmo seja capaz de detectar um novo hardware) e apresenta
atualizações do mesmo. Isto pode ser feito com o uso de programas de
gravação apropriados e de imagens do BIOS que são obtidos diretamente
com os fabricantes das placas. É, porém, uma operação delicada e não
deve ser feita sem um pouco de conhecimento técnico.

Processador

Figura 1.2: Processador.

Existem muitos fabricantes produzindo processadores, cada qual


adaptado a determinadas funções. Os aparelhos de CD e DVD, aparelhos
de telefonia celular, microondas modernos, todos contêm processadores.
Mesmo se nos limitarmos ao que chamamos de computadores ainda
teremos muita variedade.
Computadores de alto desempenho podem ter processadores espe-
cíficos de seus fabricantes. É o que a Sun, SiliconGraphics etc. fazem. No
caso dos computadores pessoais (PC, personal computers), os computa-
dores da Apple, hoje, usam o processador PowerPC da Motorola, que
é muito diferente dos encontrados nos chamados IBM PC compatíveis.
Para estes últimos existem vários processadores fabricados pela Intel
(os vários Pentiuns), a AMD (K6, Duron, Athlon), a Transmeta (Crusoe)
e a VIA (C3).

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MÓDULO 1
De uma maneira geral e simplificada, os processadores são clas-

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sificados pelo tamanho da informação que eles podem receber ou trans-

AULA
mitir para a memória num único passo de operação. Assim, dizemos
que temos processadores de 8, 16 ou 32 bits, significando que este é o
número de bits que ele pode trazer ou remeter para a memória por ciclo.
O número de ciclos que o processador faz por segundo é chamado de
clock e atualmente é medido em Mhz (megahertz) ou Ghz (gigahertz).
Uma observação importante é que não faz sentido comparar processa-
dores diferentes e de fabricantes diferentes pela freqüência de clock. Sendo
as estruturas de cada um diferentes entre si, podemos ter processadores
de clock mais alto que outro, mas sendo mais lento nas operações comu-
mente feitas num computador. Além disso, mesmo sendo o mesmo tipo
e modelo de processador, o processador de 1Ghz não necessariamente
será duas vezes mais rápido que um de 500Mhz. Se estivermos avaliando
a velocidade da máquina, a memória pode afetar muito a velocidade da
mesma como um todo, assim como o tempo de acesso do disco rígido.
Portanto, o que chamamos velocidade de um computador pode variar
de utilização para utilização.
Não se pode esquecer ainda que, atualmente, os processadores
trabalham muito aquecidos. Computadores que usam os mais rápidos
devem contar com ventoinhas extras para ventilação do gabinete.
Caso o computador trabalhe em ambientes muito quentes e sem
ventilação adequada, o computador poderá desligar automaticamente
para evitar danos ao processador, ou mesmo este poderá ser destruído
pelo superaquecimento.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Memória RAM

Figura 1.3: Um pente de memória.

A memória volátil ou memória RAM (random acess memory,


memória de acesso aleatório) é identificada, de forma simplificada, pelo
tempo de acesso a ela e pelo seu tamanho em baites. O tempo de acesso é o
intervalo de tempo necessário para que você acesse uma informação nela.
É claro que, quanto menor este tempo, maior será a velocidade que você
terá, trocando informações entre o processador e a memória. Hoje (2003),
são encontradas memórias com tempo de acesso de algumas dezenas
de nanossegundos. Quanto ao tamanho, este atualmente é medido em
megabaites. Estas memórias são instaladas na placa-mãe em conectores
específicos e podem ser encontradas nos chamados pentes de memória
de tamanhos diferentes, como por exemplo, 64MB, 128MB, 256MB.
O tipo de memória e a quantidade dela varia de placa-mãe e somente
sua documentação é que poderá lhe indicar estes dados. De uma maneira
geral, quanto mais memória você tiver, melhor será, pois, muitas vezes,
uma máquina está lenta não por causa do processador mas por ter pouca
memória RAM. No entanto, você não conseguirá uma melhora no seu
computador se a placa-mãe ou seu sistema operacional não for capaz
de reconhecer a memória adicional.

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MÓDULO 1
Meios não voláteis (disco rígido, disquete e CD-ROM)

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AULA
Figura 1.4: Visão interna de um disco rígido.

Das memórias não voláteis (as quais podemos gravar), a que tem
maior capacidade de informação é o disco rígido. Nele a informação é
guardada de forma magnética. Este dispositivo consiste em um ou mais
discos recobertos de material magnético, postos a girar dentro de uma
caixa lacrada e contendo ainda uma ou mais cabeças de leitura, similares
às contidas em gravadores cassete, só que muito mais sofisticadas.
Discutiremos apenas o tempo de busca, a taxa de transferência, o
tamanho em baites e a velocidade de rotação. Aqui, o tempo de acesso da
informação gravada no disco é da ordem de microssegundos. A taxa de
transferência, de algumas dezenas de MB, e o tamanho vão de dezenas até
uma centena de GB. Como podemos ver por estes números, acessar infor-
mações de um disco rígido é muito mais lento do que acessar informações
da memória RAM. No entanto, a capacidade de guardar informações é
muito superior no disco rígido. Geralmente o software de um compu-
tador se encontra gravado nesse dispositivo. Outro parâmetro do disco
rígido é a velocidade de rotação. Hoje as velocidades encontradas mais
comumente são 5400rpm (rotações por minuto), 7500rpm e 10000rpm.
Essa velocidade está associada ao tempo de acesso à informação gravada
ou a ser gravada no disco, e quanto maior (geralmente) melhor.
No entanto, o disco rígido geralmente não é removível do gabinete
e, se você necessita levar suas informações de um lugar para outro, não
pode fazer isto com o HD. Mesmo nas situações nas quais você tem um
disco removível, o mesmo é muito sensível a impactos e deve ser trans-
portado com muito cuidado.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

O dispositivo de memória portátil mais comum é o disquete.


Consiste em um disco de plástico recoberto de material magnético e
colocado dentro de uma caixa também plástica. Embora tenham sido
criados disquetes de vários tamanhos (tamanho do disco plástico) hoje
quase só é encontrado o de três polegadas e meia (3 1/2 polegadas).
O mais comum é que ele seja capaz de guardar 1,44MB. O tempo de
acesso à informação é muito maior que o dos discos rígidos, ou seja,
o acesso à informação é muito mais lento. Como podemos perceber,
não é uma maneira de guardar muita informação. Embora seja muito
mais robusto que o HD quanto às condições de transporte, o disquete
é suscetível a campos magnéticos fortes e tem um tempo de uso curto.
Colocar um disquete sobre uma caixa acústica ou um televisor, ou ainda
passar um detector de metais próximo do mesmo poderá apagar as
informações contidas ali.
Outro meio de gravação de dados removível é o CD-ROM, no qual
a informação é registrada de forma óptica. Podemos gravar nestes mais
de 700MB e a velocidade de acesso à informação, assim como sua taxa
de transferência, são bem mais rápidas que num disquete, embora seja
mais lento que um HD. O problema de usá-los como transporte de infor-
mações está no fato que este é um dispositivo apenas de leitura (ROM,
read-only memory, daí o nome CD-ROM). No entanto, já existem discos
que permitem regravações, mas o transporte das informações pode ser
limitado pelo fato de o computador ter ou não um dispositivo de gravação
de CDs. Os CD-ROMs não são sensíveis a campos magnéticos fortes,
mas devem ser usados com cuidado, pois digitais e sujeiras aderentes
poderão impedir a leitura da informação. Devem ser tomados cuidados
similares aos CDs de áudio.
Aqui, obviamente, não esgotamos o assunto memórias. Além
das não descritas aqui (discos ZIP, memórias flash etc.), a produção e a
introdução de novos tipos de memórias está em pleno desenvolvimento,
surgindo várias novidades por ano.

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MÓDULO 1
Monitores

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AULA
Figura 1.5: Monitor de tela plana.

Atualmente, temos uma grande variedade de monitores de vídeo,


não só em tamanho como também em características fisicas e lógicas
e em tecnologia empregada. Aqui faremos, como sempre, uma breve
apresentação.
A tecnologia mais comum é a que usa tubos de raios catódicos,
ou tubos de imagem, similares aos dos televisores convencionais. Com
o crescimento da indústria de informática, as tecnologias de televisores
e de computadores tiveram uma forte influência uma sobre a outra, e
hoje vemos tanto televisores como monitores de tela plana, por exemplo.
Em características gerais, um monitor é medido em polegadas, mas este
tamanho não é tomado pela largura ou pela altura da tela mas pelo
tamanho da diagonal do tubo de imagem. Geralmente a área visível do
monitor é menor que o tamanho especificado e atualmente os fabricantes
informam também esta dimensão. Resumindo, nem sempre dois moni-
tores de 15 polegadas têm a mesma área visível. Outra característica dos
monitores é se a tela é plana ou não. Telas planas dão maior conforto
visual para o usuário e têm uma área útil com uma deformação menor.
Se você trabalhar muito tempo com um computador, estes fatores serão
muito importantes.
Existem ainda monitores que substituem o tubo de imagem por
outros sistemas, como as telas de cristal líquido e as de plasma. São
pequenas telas de cristal líquido que encontramos na maioria das calcula-
doras de mão. Em computadores portáteis (laptop) e os de mão, o mais
comum são telas de cristal líquido, enquanto as telas de plasma estão no
campo mais sofisticado da tecnologia de monitores de vídeo. Tanto as
telas de cristal líquido quanto as de plasma se destacam por proporcionar
monitores mais compactos, leves e de menor consumo de energia.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Impressoras

Figura 1.6: Impressoras laserr e cartuchos de tonner.

Você pode encontrar mais comumente impressoras de matriz de


pontos, laser e jato de tinta. As de matriz de ponto, alguns anos atrás,
eram as mais comuns tanto profissionalmente como no uso doméstico.
Consistem em uma cabeça de impressão contendo um grupo de agulhas
que possuem um eletroímã que é acionado por um circuito eletrônico.
Estas agulhas são arremessadas pelos eletroímãs contra uma fita impreg-
nada de tinta e o papel no qual se deseja imprimir algo. O impacto
transfere a tinta da fita para o papel. Assim, sejam letras ou imagens,
estas são criadas por estes impactos. Mas, mesmo com progressivos
aperfeiçoamentos, a qualidade da impressão era geralmente baixa,
e sempre foi um fato limitador de seu uso. Geralmente permitiam a
criação de impressões em apenas uma cor e mesmo assim era comum
que a impressão se desvanecesse em relativamente pouco tempo. Tinham
como vantagem um custo relativamente baixo (inclusive em termos de
gasto com energia elétrica e tinta) e este ainda é o principal fator a seu
favor. Hoje ainda são encontradas em caixas registradoras, terminais de
cartões e caixas automáticos.
O surgimento das impressoras laser levou as impressoras matri-
ciais a serem progressivamente menos usadas, embora o custo deste
tipo de impressora seja bem maior. Estas impressoras se destacam pela
melhor qualidade gráfica e pela durabilidade maior do material impresso.
Consistem num sistema que trabalha nos mesmos princípios de uma
máquina de fotocópias. Nestas últimas, uma luz conveniente ao processo
é projetada sobre o material a ser copiado.

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MÓDULO 1
A imagem gerada é usada para sensibilizar um tambor sobre o

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AULA
qual adere eletrostaticamente o pigmento de impressão. Este pigmento
(chamado tonner) é depositado sobre a folha de papel e depois aquecido
para que o pigmento se incorpore ao papel. Na impressora laser o docu-
mento vem codificado do computador e dentro da impressora existe um
computador que processa a informação e faz mover um sistema ótico que
sensibiliza o tambor de impressão. O resto é similar a uma máquina de
cópias. Como pode ser percebido, é um sistema bem mais complexo que
a impressora matricial. As mais comuns não permitem material impresso
colorido, embora seja possível conseguir impressões em tons de cinza.
A complexidade dessa impressora implica também num maior custo da
impressora em si e custos mais altos de manutenção, o que a inviabiliza
para a maioria dos usuários que deseja uma impressora doméstica.
A solução doméstica mais comum atualmente é a impressora de
jato de tinta. Nela, a cabeça de impressão dispara microscópicas gotas de
tinta contra o papel. Embora a primeira patente deste tipo de impressora
seja do início do século XX, estas impressoras só se tornaram viáveis
com o surgimento da tecnologia para as tintas usadas nas mesmas.
As tintas são sempre o fator crítico nestas impressoras, tanto na questão
do custo como na qualidade da impressão. Existem impressoras que
possuem tipos de cartuchos de tinta diferentes para qualidades gráficas
diferentes, por exemplo, com capacidade de impressão de qualidade
fotográfica. As vantagens destas impressoras estão no custo inicial
baixo, na capacidade de imprimir material colorido e de alta qualidade.
No entanto, o custo da tinta é relativamente elevado e deve ser levado
em conta na hora da compra.
Além dessas impressoras, existem outras menos comuns, como a
jato de cera, que produz impressões de altíssima qualidade, as impressoras
para painéis e ainda as laserr coloridas. Um tipo de impressora comumente
usada em pontos de venda é a impressora térmica. Esta usa atrito ou
aquecimento para imprimir num papel especial. O material impresso se
degrada rapidamente sendo, portanto, apenas usada para impressão de
documentos não permanentes, como recibos.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

O mouse

Figura 1.7: Mouse de dois botões.

O mouse foi criado para facilitar o uso do computador e trabalha


em conjunto com uma interface gráfica. Ambos foram criados pelos labo-
ratórios de pesquisa da Xerox, em Palo Alto, na década de 60. Tais cria-
ções não foram patenteadas e isto permitiu, anos depois, a popularização
destes sistemas, já que ninguém tinha que pedir licença (ou pagar) à Xerox
para fazer um sistema similar. Inicialmente era encontrado em máquinas
rodando o sistema operacional Unix, depois chegando aos computadores
da Apple. O MacIntosh foi o primeiro computador pessoal, produzido
em larga escala, a ter um sistema gráfico associado a um mouse. Antes
dele foi lançado o Elisa, mais como teste de conceito, tendo ficado no
mercado de informática durante pouquíssimo tempo.
O mouse com a interface gráfica criam uma correlação dos seus
!
O mouse está tão
movimentos sobre uma mesa com o movimento, na tela do compu- presente na infor-
mática que opta-
tador, de um sinal gráfico chamado cursor. Os primeiros mouses eram mos por "aportu-
guesar" seu plural
óticos e não podiam ser movimentados sobre uma mesa comum, mas como mouses, e não
sobre uma prancheta que continha um reticulado que dava a referência mice, em ingês.

dos movimentos. Depois surgiram os mouses optomecânicos (os mais


comuns hoje), onde o rolamento de uma bola faz girar roletes internos
que transmitem o posicionamento ao computador. O número de botões
inicialmente era de apenas um, no entanto, já se fabricaram mouses com
uma dezena. Os mais comuns são os de dois e três botões, podendo existir
ainda mouses com roletes para aplicações gráficas específicas.
Embora o uso associado do mouse com a interface gráfica crie
grandes facilidades em muitas operações, em outras o mouse se torna
entediante e mesmo de uso difícil. Para sanar estes problemas, em muitos
aplicativos você encontrará as chamadas teclas de atalho que agilizam as
operações. Outras vezes o uso de comandos de linha
a agiliza operações difí-
ceis para o mouse, embora exijam mais conhecimentos para o seu uso.

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MÓDULO 1
Teclado

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AULA
Figura 1.8: Teclado de modelo compacto.

Este é o dispositivo que acompanha os computadores há mais


tempo. Teve vários estilos, sendo que sua origem remonta aos teletipos
que foram usados para facilitar a entrada e saída de dados nos primeiros
computadores. Hoje se encontra relativamente padronizado, com varia-
ções de país para país, ou melhor, de idioma para idioma, com adaptações
a caracteres específicos de cada língua. No Brasil, o padrão adotado é
o ABNT 2, definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.
É constituído de teclas que representam letras, algarismos e sinais gráficos,
além de um conjunto de teclas de comando que facilitam o uso de alguns
softwares. Possui ainda teclas auxiliares que só têm significado se usadas
em conjunto com outras teclas. Dois exemplos destas são as teclas Ctrl
e Alt. Estas, geralmente, disparam operações ou são usadas como teclas
de atalho que facilitam o uso de alguns programas e aplicativos.

OUTROS COMPONENTES

Embora não essenciais para o funcionamento do computador,


alguns componentes são cada vez mais comuns de se encontrar. São eles
os acionadores e gravadores de CD-ROM, o modem e o scanner. Além
destes, brevemente descritos aqui, ainda podemos encontrar acionadores
e gravadores de DVD, câmeras digitais, pranchetas eletrônicas e scanners
tridimensionais, só citando alguns.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Acionadores e gravadores de CD

Este tipo de dispositivo já é quase padrão na maioria das máquinas


vendidas. O motivo disso é o custo extremanente baixo de produção
dos CDs (compact discs), tanto os de áudio quanto os chamados CDs
ROM (read-only memory, memória somente de leitura). A tecnologia
neste caso está sempre avançando e são encontrados acionadores (ou
drivers) cada vez mais rápidos. Quanto à velocidade destes dispositivos,
o comum é especificá-la quantas vezes mais rápido ele é em relação à
primeira geração de aparelhos. Assim um dispositivo 52X significa que
ele é até cinqüenta e duas vezes mais rápido que o acionador de primeira
geração. Como geralmente acontece nesta área de computação, quanto
mais rápido melhor. No entanto, dependendo de seu tipo de atividade,
pode não valer a pena atualizar um acionador de 12X para outro mais
veloz, por exemplo.
Quanto aos gravadores, estes são mais complexos. Você pode usar
CDs de tecnologias diferentes para fazer gravações. Atualmente existem
discos que permitem apenas uma gravação (mais baratos) e outros que
permitem serem regravados (mais caros). Dependendo do tipo, podemos
gravá-los em velocidades diferentes. O próprio gravador trabalha em
velocidades diferentes para leitura e gravação, e isto deve ser conside-
rado na compra de um acionador. Outro fator importante é verificar se
o acionador trabalha com algum dispositivo que não permita a perda
de informação durante a gravação (caso haja uma falha no momento da
gravação, você poderá perder o disco que está gravando).

Modem

Figura 1.9: Modem interno.

Estes dispositivos podem ser encontrados atualmente em três tipos


básicos: interno, externo via porta serial e via porta USB. O mais comum
é o interno, e pode ser encontrado integrado à placa-mãe. Por sua vez
há ainda uma divisão importante sobre os modems.

24 C E D E R J

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MÓDULO 1
Eles podem ser divididos em softmodem e hardmodems. Como você

1
pode imaginar, os primeiros funcionam usando um software enquanto

AULA
os outros o dispensam por conter um processador interno. Em geral, os
softmodems são bem mais baratos que os hardmodems mas, ao mesmo
tempo, os softmodems são em geral mais instáveis, têm performance
pior e sobrecarregam o processador do computador.
Dos modems externos, o de saída serial usa uma das portas seriais
do computador e são difíceis de encontrar. Atualmente, os modems para
porta USB são mais modernos e mais fáceis de encontrar. Estes, assim
como os hardmodems internos, têm performance mais confiável que os
softmodems.
Geralmente não existem grandes problemas com os hardmodems
ou os modems seriais. No entanto, dependendo do sistema operacional
que você usa, é bom verificar se o softmodem que você vai comprar tem
suporte técnico.

Scanners

Figura 1.10: Scannerr de mesa.

Scanners são dispositivos que permitem copiar um material


impresso para um arquivo dentro do computador. Permitem que você
recupere um material que não foi produzido digitalmente ou, ainda, cujo
arquivo você não tem mais. Algo comum é a cópia de imagens, mas é
possível ainda copiar textos, usá-los em edição de texto com o uso de
programas chamados OCR (optical character recognition). Como o nome
diz, são programas que reconhecem caracteres e os reproduzem como
tal e não como uma imagem. A grande diferença entre uma situação e
outra é que um texto salvo como imagem ocupa dezenas de vezes mais
memória que o texto salvo como tal. O formato de saída do texto geral-
mente tem grande variedade, a fim de compatibilizá-lo com os vários
editores de texto existentes. As imagens também podem ser salvas em
vários formatos, cada um adequado a determinada finalidade (mais à
frente estudaremos, ainda, sobre formatos de textos e imagens).

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Os scanners são especificados pelo número de pontos que eles


podem ler no material impresso (resolução) e pelo número de cores.
Novamente, quanto maior melhor mas, geralmente, também mais caro.
Como já foi falado, scanners, leitores e gravadores de CDs e
modems são absolutamente inúteis se associados a eles não temos
programas que seqüenciem as operações necessárias para que o proces-
sador utilize os recursos disponibilizados pelo hardware. Falaremos agora
da alma do computador: o software.

SOFTWARE

O hardware não serve para nada se não houver junto dele o


software. Este termo é usado para identificar seqüências de instruções
ou procedimentos criados para executar uma determinada função. Da
mesma forma que você, ao acordar, escova os dentes, seguindo uma série
de procedimentos (chegar até a pia, abrir a torneira, verificar se tem água,
pegar a escova de dentes e o tubo de dentifrício etc.), no software está
escrita uma série de comandos para, por exemplo, permitir que você
escreva um texto ou que você brinque com um jogo. Um editor de texto,
um jogo, uma planilha ou mesmo o que faz o computador escrever uma
letra na tela quando você aperta uma tecla, tudo isto é feito via software
ou, como podemos chamá-lo de outra forma, um programa. Existem
vários tipos de software, alguns evidentes, como os já citados editores
de texto, e outros mais sutis, como o contido no BIOS da placa-mãe,
que tem como função inicializar o computador e, após isto, permitir a
inicialização do software fundamental para qualquer computador: o
sistema operacional. Todos estes softwares são escritos de uma forma
especial, seguindo regras dependentes do processador, da estrutura do
hardware e do sistema operacional, entre outros detalhes, para que sejam
entendidos corretamente. Tais programas são escritos em linguagens
especiais chamadas de linguagens de programação.
Além das questões técnicas, existem também aspectos legais no
uso do software que relacionam os direitos e deveres do usuário e do
fabricante, além das questões envolvendo direitos autorais e tipo de
distribuição do software. De uma maneira sutil, estamos falando de
fazer pirataria ou não.

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MÓDULO 1
Tipos de software

1
AULA
Os softwares podem ser classificados de muitas formas. Aqui,
descreveremos alguns tipos levando em consideração o tipo de licença
de uso que o mesmo proporciona. A questão do direito de uso de um
programa tem longa história e aqui será descrita apenas de passagem.
Os fabricantes comerciais de software não vendem um programa
como um automóvel ou um livro. Afinal, um software vem geralmente
em um ou mais CDs, acompanhados de manuais. O custo de impressão
dos manuais e duplicação dos CDs é muito menor que o valor pago pelo
software. O que o fabricante cobra é pelas licenças de uso do software.
Para deixar mais claro o que isto significa vamos comparar um carro
com um software comercial. Se você compra um carro, você pode usá-lo,
emprestá-lo e depois vendê-lo ou dá-lo para alguém. Se você compra
um software e o instala em sua máquina, você não pode dar ou vender
o seu software para alguém, mesmo que você o desinstale. Isto limita o
comércio de software ao próprio fabricante ou seus representantes. Em
geral, você também não consegue comprar uma versão antiga como você
compraria um carro usado.
Outra modalidade de distribuição é chamada shareware e significa
que você pode usá-lo, copiá-lo, distribuí-lo sem restrições. No entanto,
você se coloca no compromisso moral de pagar uma taxa (geralmente
pequena em comparação a outros softwares proprietários) caso queira
usá-lo sistematicamente. É um meio que alguns produtores usam para
não só divulgar o seu trabalho, como começar a ganhar um pouco de
dinheiro com ele.
Existem ainda desenvolvedores de software que não cobram pelo
seu trabalho, usando o mesmo para a divulgação de suas qualificações
e competência. Alguns destes têm origem na resolução de problemas
pessoais ou projetos de graduação ou pós-graduação. Se o programa é
distribuído sem custo, este produto é denominado freeware, no sentido
de que o mesmo é gratuito. No entanto, o produtor do programa
muitas vezes não libera o CÓDIGO FONTE (falaremos um pouco mais sobre CÓDIGO-FONTE
código-fonte a seguir). Isto, é claro, impede que qualquer usuário faça Conjunto de instruções
escritas em linguagem
modificações no mesmo de forma a adaptá-lo às suas necessidades ou de programação.
mesmo aperfeiçoá-lo.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Existem ainda softwares pelos quais não se paga por licenças e


que ainda distribuem o código-fonte. Um destes tipos trabalha sobre uma
licença chamada GPL ou copyleft, que preserva os direitos de autoria
para o produtor de software mas, ao mesmo tempo, este autor não pode
cobrar nenhuma quantia pelo uso do mesmo. Isto faz com que o código
feito não possa ser utilizado por um fabricante de software proprietário,
o que garante a gratuidade e liberdade de produção do software GPL.
Com o código-fonte disponível, modificações e aperfeiçoamentos podem
ser feitos por qualquer um que se dispuser a trabalhar sobre o assunto. O
mais comum é um grupo de pessoas trabalharem sob uma coordenação.
Um software GPL muito famoso é o Linux, do qual falaremos nas
próximas aulas. O núcleo (também chamado KERNEL) do Linux continua KERNEL DE UM
sendo desenvolvido cooperativamente, com Linus Torvald como coorde- SISTEMA OPERACIONAL

Parte de um sistema
nador geral e vários subcoordenadores para cada elemento fundamental
operacional que
do sistema operacional. A forma flexível de desenvolvimento permite que controla diretamente
o hardware.
elementos das equipes saiam e entrem no processo de colaboração sem
que isto atrapalhe significativamente a evolução do software. Softwares
assim já evoluíram mesmo depois de o autor original abandonar o
projeto que iniciou. Diferente de um software comercial, não existe
uma empresa que possa falir e deixar usuários abandonados nem a
necessidade de novos lançamentos, apenas por motivos mercadológicos.
Como os desenvolvedores são também usuários, só são acrescentadas
funcionalidades que, de fato, são úteis.
Além desta há uma outra categoria de software que é usada, por
exemplo pelo FreeBSD, um sistema operacional muito usado em prove-
dores de Internet. Nesta licença, o código-fonte é disponível, o direito de
autoria existe mas não se impõe que os derivados do software sigam a
gratuidade e liberdade de distribuição. Isto permite o uso deste software
por produtores comerciais e permite que os mesmos fechem o produto
resultante, mesmo sendo um produto baseado em software público. Isto
de fato já aconteceu.

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MÓDULO 1
Linguagens de programação

1
AULA
Um software ou um programa é criado usando outros programas
que entendem as denominadas linguagens de programação. Quando uma
pessoa escreve um programa nestas linguagens, diremos que ela escreve
o código-fonte do programa. A existência de tais linguagens se justifica
pelo fato de que programar direto no tipo de instruções contidas (e enten-
didas) pelos processadores é uma tarefa extremamente tediosa e difícil. As
chamadas instruções do processador executam tarefas bem elementares,
como movimentar valores na memória do computador, somar os valores
de duas posições na memória, mandar um sinal para determinado disposi-
tivo do hardware etc. Para facilitar o trabalho dos programadores, foram
criados programas, os compiladores, que traduzem as instruções escritas nas
linguagens de programação para as instruções do processador. Intui-se pela
última frase que é mais fácil trabalhar escrevendo programas em linguagens
de programação do que na chamada linguagem de máquina, e assim o é.
No entanto, da mesma maneira que existem vários tipos de instrumentos
de escrita (caneta, lápis, giz, lapiseira etc.) com diversas finalidades, existem
também várias linguagens de programação, algumas feitas para atividades
muito específicas e outras chamadas de linguagens de uso geral.
Existem muitas delas (falar em centenas não é exagero), como o
Fortran, usado em aplicações técnicas e científicas; o C, linguagem de
uso geral inicialmente criada para desenvolver softwares gerais e sistemas
operacionais; e o C++, linguagem “prima” da linguagem C. Temos ainda o
Pascal, uma linguagem criada para ensino de programação, sendo a mais
usada no mundo inteiro para esta finalidade. Uma linguagem para finali-
dades comerciais é o Cobol, ainda usada em grandes sistemas, embora com
importância menor na atualidade.
Linguagens como Fortran, C, Cobol e Pascal são definidas por
comitês internacionais, de forma que o usuário pode usar uma delas de
qualquer fabricante de software tendo um mínimo de garantias de suas
características. Outras linguagens proprietárias (ou seja, produzidas,
mantidas e patenteadas por um único fabricante) podem ser muito
convenientes mas dificultam o aproveitamento do trabalho desenvolvido
nelas, caso um imprevisto aconteça, por exemplo, falência do fabricante
ou desinteresse do mesmo em dar suporte ao usuário por considerar o
produto obsoleto (um termo irônico usado para estas linguagens, e outros
softwares abandonados é abandonware).

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

O seu computador, provavelmente, tem o software escrito em


C ou C++. Estas são, atualmente, as linguagens mais empregadas para
escrever sistemas operacionais, editores de texto, planilhas e jogos. No
entanto, dificilmente você encontrará o código-fonte de seu sistema
operacional nestas linguagens no seu computador, a não ser que esteja
usando um sistema operacional como o Linux ou o FreeBSD, onde estas
informações se encontram disponíveis. Os programas escritos em lingua-
gens de programação são convertidos para uma linguagem que o proces-
sador seja capaz de seguir – num processo chamado de compilação –
e, por meio do sistema operacional, as demais partes do hardware são
capazes de entender e executar as instruções contidas. Você poderá
futuramente fazer seus próprios programas e tudo o que você precisa é
de necessidade, da função prática e determinação.

SISTEMA OPERACIONAL

Os sistemas operacionais são programas que gerenciam e executam


as tarefas básicas dos computadores. Podemos entendê-los como “gerentes”
do computador, pois fazem as partes da máquina (os periféricos) traba-
lharem juntas em tarefas que desejamos executar no computador. Um
exemplo desta atuação ocorre quando um editor de textos abre um arquivo
que está no disco rígido e interpreta corretamente as teclas que você
aperta e as ações do mouse. Uma definição formal para o sistema opera-
cional, retirada do Dicionário Microsoft, é a seguinte: – é o softwaree que
controla a alocação e uso dos recursos do hardware, como as memórias –,
a unidade central de processamento – CPU – e os periféricos. O sistema
operacional é a fundação sobre a qual os aplicativos são construídos. Hoje
existem diferentes sistemas operacionais no mercado, comercializados por
diferentes empresas. Os sistemas operacionais mais conhecidos são: o
Windows, produzido pela empresa Microsoft, o Mac OS, produzido pela
Apple, e vários tipos de Unix, produzidos tanto em empresas como em
entidades acadêmicas e não acadêmicas. Num crescimento explosivo está
o Linux, que é similar ao Unix, que vem se popularizando nos últimos
anos. Ainda pode ser encontrado o FreeBSD, um "primo" do Linux. No
entanto, existem muitos outros sistemas operacionais no mundo, embora
não sejam de larga divulgação.
Uma divisão possível para falarmos de sistemas operacionais é classi-
ficá-los em relação ao número de tarefas e de usuários que ele pode gerenciar.

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MÓDULO 1
Se só é possível gerenciar uma tarefa por vez, dizemos que o sistema

1
operacional é monotarefa; e, se várias tarefas podem ser gerenciadas,

AULA
então falaremos de sistema operacional multitarefa. Se só um usuário
pode acessar a máquina por vez, diremos que o sistema operacional é
monousuário, e caso mais de um usuário possa acessá-lo diremos que é
multiusuário. Esta última definição pode causar estranheza, afinal, como
mais de um usuário poderia acessar a mesma máquina ao mesmo tempo?
Basta chamar a atenção para que o acesso a um computador não se dá
somente via teclado com a saída num monitor. Existem também os acessos
remotos, ou seja, você pode acessar um computador, de um ponto distante
deste, via rede (destas falaremos brevemente mais à frente). Na Internet, os
computadores podem ser acessados remotamente de forma simultânea por
vários usuários. Além disto, num sistema operacional realmente multiu-
suário, uma máquina pode ter vários usuários cadastrados e cada um
deles com um ambiente personalizado, e que pode permitir ou não que
as informações sejam acessadas pelos outros usuários.

Aplicativos

Aplicativos são programas que fazem o computador atender às


diversas necessidades do usuário. Exemplos de aplicativos são os editores
de texto, que permitem ao usuário escrever textos formatando-os para
dar uma aparência mais agradável; programas de criação de desenho,
voltados para a construção de desenhos e figuras simples. Outro exemplo
são as planilhas eletrônicas, que podem ser utilizadas na contabilidade
de uma pequena empresa ou departamento. Para uma mesma função
podemos usar diversos aplicativos de diversos fabricantes. Muitas vezes,
a diferença entre eles é pequena. A escolha de um aplicativo é baseada,
em geral, no valor econômico do software, na aceitação do mercado
ou nas facilidades que ele oferece em relação aos seus concorrentes.
No entanto, o referencial de escolha deve ser sempre a necessidade do
usuário, ou seja, suas necessidades. Atualmente há um forte monopolismo
na produção, venda e distribuição de aplicativos como editores de texto,
planilhas eletrônicas e ferramentas de apresentação. No entanto, cresce
um processo de criação cooperativa de aplicativos, alguns destes apoiados
por grandes e pequenas empresas, outros por grupos de programadores
espalhados pelo mundo.

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Introdução à Informática | Apresentando o computador

Software livre

O primeiro movimento organizado deste tipo iniciou-se em 1984,


com a criação da Free Software Foundation e o Projeto GNU, por
Richard Stallman. Daí surgiu o conceito de software livre, em que cada
participante produz programas pela chamada GPL (gnu public licence)
ou copyleft, em que os direitos dos autores são preservados mas estes se
comprometem a distribuir e a deixar distribuir o software livremente.
O projeto pretendia que fosse criado um conjunto de softwares de distri-
buição livre, incluindo um sistema operacional. Desta maneira, ninguém
pode cobrar pelo software, o que não significa que não se possa ganhar
dinheiro cobrando pelo suporte do mesmo ou pelo treinamento para o
seu uso para quem não quer aprender ou desenvolver o software por
conta própria. Um ponto vital na questão do software livre é que o mais
importante é a liberdade de produção, distribuição e desenvolvimento.
O fato de ele ser grátis deve ser encarado apenas como uma conseqüência,
embora isto possa ser muito importante.
Um grande impulso nesse movimento ocorreu com o surgimento do
sistema operacional Linux, cuja criação foi coordenada por um estudante
de informática finlandês, Linus Benedict Torvald, a partir de 1991, sobre
um projeto público chamado Minix, baseado no sistema operacional Unix.
O sistema se tornou estável em pouco tempo e passou a ser distribuído
num ritmo intenso seguindo a expansão da Internet. Em 1996 já era
utilizado por grandes centros de pesquisa e empregado na construção de
supercomputadores. Pouco depois, começou uma maior preocupação de
tornar o Linux mais acessível a um número maior de pessoas. Os sistemas
de janelas criados com formato das estações de trabalho existentes nos
centros de pesquisas foram progressivamente aprimorados, assim como
formas de acesso e configuração mais fáceis para um usuário comum.
À medida que o Linux foi sendo usado foram criadas distribuições
que facilitavam a instalação do mesmo nos computadores. Criaram-se
várias distribuições porque o que é fácil e o que não é, muitas vezes, é uma
questão de opinião e da finalidade que cada pessoa quer dar a algo. Assim,
surgiram o Slackware, RedHat, Ygdrasil e muitas outras. Atualmente, entre
as mais famosas estão RedHat, Mandrake, Debian, Suse e YellowDog.
No Brasil, a mais famosa no momento é a Conectiva. No entanto, a
posição de mais famosa pode mudar com o tempo, o que é muito natural.

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MÓDULO 1
Algumas distribuições são voltadas mais para usuários finais. Outras dão

1
um controle maior sobre as funções da máquina, outras ainda são voltadas

AULA
para o uso em servidores de redes e outras necessidades.
Hoje, já existem muitos aplicativos para o Linux contando-se aos
milhares os grupos de desenvolvimento espalhados por todo o mundo.
Aqui, mostraremos apenas alguns deles já que este é um um curso intro-
dutório. Centraremos as discussões sobre alguns softwares que acompa-
nham a distribuição Mandrake e mais o OpenOffice (pacote que reúne de
forma integrada um sistema de apresentação, editor de texto e de arquivos
HTML e uma planilha), que é um software GPL baseado no StarOffice
5.2, este um freeware. Inicialmente o StarOffice foi desenvolvido por
uma empresa alemã, a StarDivision, que posteriormente foi apoiada e
depois absorvida pela Sun Microsystems. Com o seu desenvolvimento o
StarOffice, agora na versão 6.0, voltou a ser um software fechado, sendo
comercialiado pela Sun Microsystems.

RESUMO

FForam apresentados vários conceitos envolvendo o uso de computadores, tanto


quanto a sua parte física quanto a sua parte lógica. Aspectos históricos foram
mencionados com a finalidade de relativizar o desenvolvimento de hardware e
software na atualidade.

EXERCÍCIO PROPOSTO

Procure em um caderno de informática de um jornal dados relativos ao hardware de compu-


tadores. Veja a variedade de discos rígidos e suas capacidades, assim como outros componentes
como memória, processador etc. Tente entender as especificações levando em conta o que está
apresentado neste texto.

ONDE ENCONTRAR MAIS INFORMAÇÕES

MONTEIRO, M. Introdução à Organização de Computadores. Rio de Janeiro: LTC, 1996.


VELLOSO, Fernando de Castro. Informática: conceitos básicos. 6.ed. Rio de Janeiro: Campus,
2002.

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