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NORMAS PROCESSUAIS

Conceito de norma jurídica processual resulta da articulação dos conceitos de processo e de fato jurídico processual.

É aquela de cuja incidência resulta um fato jurídico processual – seu consequente normativa estrutura um
procedimento ou criar, alterar ou extinguir situações jurídicas processuais.

Dotada de aplicação imediata e de característica instrumental.

Norma de direito público porque na relação há sempre a presença de uma pessoa jurídica de direito público:
o Estado – interesse do processo é público em primeiro lugar.

Não são chamadas cogentes porque algumas delas são dispositivas (ex: eleição de foro).

Costuma-se falar em três classes de normas processuais:

1. Normas de organização judiciária – tratam da criação e estruturação de órgãos judiciários;

2. Normas processuais em sentido restrito;

3. Normas procedimentais – dizem respeito ao modus procedendi.

Observa Dinamarco que a distinção entre processuais (disciplinam pressupostos processuais e o


exercício do direito de ação) e procedimentais (disciplinam a forma e o encadeamento dos atos processuais) esbarra
no conceito moderno de processo, definido como entidade complexa da qual fazem parte o procedimento e a relação
jurídica processual. Logo, normas procedimentais são também processuais.

DIREITO MATERIAL: formado por um conjunto de princípios e normas jurídicas orientadoras de conduta.

DIREITO PROCESSUAL: disciplina a atuação jurisdicional do Estado e as regras que integram o processo. Contribuem
para a resolução de conflitos interindividuais.

OBS: não se nega o caráter instrumental das normas de direito material, no sentido de que servem a um objetivo.

Fontes
1. CONSTITUIÇÃO – normas processuais fundamentais, a exemplo do devido processo legal e do contraditório;

2. LEI FEDERAL – principal fonte de normas jurídicas processuais. ART 22, I, CF – compete privativamente à União
legislar sobre o Direito Processual;

3. TRATADOS INTERNACIONAIS;

4. MEDIDAS PROVISÓRIAS;

5. PRECEDENTES – o reconhecimento da força normativa de alguns precedentes é muito bem aceito pelos tribunais e
pela maior parte da doutrina. Fonte de segundo grau;

6. NEGÓCIOS JURÍDICOS – em atenção ao princípio do autorregramento da vontade no processo.

7. REGIMENTOS INTERNOS – elaborados pelos tribunais, dispõem sobre a competência e o funcionamento dos
respectivos órgãos jurisdicionais.

OBS: o legislador federal pode editar leis que revoguem as normas processuais criadas pelo STF em seu
Regimento Interno.

8. LEI ESTADUAL – apesar do disposto no art. 22, I, CF, o art. 24 determina que se atribui competência suplementar
aos Estados para legislar sobre “procedimentos em matéria processual”
Retornamos ao problema sobre distinção processo e procedimento – quem os distingue, interpreta
literalmente o texto constitucional; quem entende que não há distinção, interpreta no sentido de que os Estados
teriam competência suplementar para suprir omissões da legislação federal em atenção às peculiaridades locais.

9. COSTUME – possível cogitá-lo como fonte, mas é raro. Doutrina exige que se prove a existência do comportamento
social reiterado e da convicção social de que o comportamento é devido como jurídico.

Ex: pregões orais que anunciam o início de audiências.

10. JURISPRUDÊNCIA – controvertida.

*Dinamarco – separa as fontes em abstratas (lei, usos, costumes e negócios jurídicos) e concretas (normas de
superdireito, relativas à criação e organização dos órgãos judiciais).

Eficácia da lei processual no tempo


As normas processuais novas aplicam-se aos processos pendentes, devendo respeitar os atos processuais praticados
e as situações jurídicas consolidadas – art. 14 e 1.046.

Não atinge ato jurídico perfeito nem direito adquirido (proteção constitucional).

Respeita as regras de retroatividade e estão sujeitas às normas relativas à eficácia temporal das leis, constantes da
LINDB.

Há, aqui, algumas interpretações – três sistemas diferentes poderiam ser aplicados:

a) unidade processual – segundo o qual o processo apresenta unidade, apesar de desdobrar em diversos atos
processuais, podendo, portanto, ser regulado somente por uma lei: a nova ou a velha;

b) fases processuais – distingue o processo em fases autônomas (postulatória, saneadora, instrutória e de


julgamento), podendo cada uma delas ser disciplinada por uma lei diferente;

c) isolamento dos atos processuais – para o qual a lei nova não atinge os atos processuais já praticados nem
seus efeitos, mas se aplica ao que virão, sem limitações às fases processuais. CONFIRMADA PELO CPC COMO REGRA
GERAL – ART 1.046

EXCEÇÕES À REGRA DO ISOLAMENTO:

- 1.046, § 1º - processos de procedimento sumário e especial serão concluídos na vigência do novo de


acordo com o anterior;

DIDIER – o processo é ato jurídico complexo, composto por vários atos que se sucedem no tempo relacionados entre
si. Assim, a lei não pode atingir ato jurídico perfeito. De outro lado, o processo é um efeito jurídico, conjunto das
relações jurídicas estabelecidas entre os sujeitos processuais. Assim, a lei não pode atingir direito adquirido por um
dos sujeitos.

EXEMPLOS

1. Publicada a decisão, surge para o vencido o direito ao recurso. Se a decisão é publicada ao tempo do código
anterior, caberiam as hipóteses de embargos infringentes (recurso que não mais existe) porque a situação jurídica
ativa de direito aos embargos infringentes teria se consolidado;

Respeita-se o direito anterior da parte, mas limitado à nova redação da lei.


2. Antes o Poder Público possuía prazo quádruplo para contestação. Agora, dobrado. Se o quádruplo tiver
começado a correr, não poderá se tornar dobrado.

PORTANTO -> RESPEITO AO ATO JURÍDICO PERFEITO, AO DIREITO ADQUIRIDO E À COISA JULGADA (!!!)

Em decorrência do disposto no art. 1.054, parte da fundamentação da sentença também se protege da coisa
julgada.

Eficácia da lei processual no espaço


As leis processuais aplicadas nos processos desenvolvidos em território nacional são as brasileiras. Impõe sempre a
aplicação da lex fori – a atividade jurisdicional é manifestação do exercício do poder soberano do Estado.

OBS: a regra não se aplica aos processos arbitrais – partes podem convencionar.