Você está na página 1de 222

OS MISTÉRIOS DO SEXO 1

OS MISTÉRIOS DO SEXO

HENRIQUE JOSÉ DE SOUZA

Compilado e Atualizado por Dr. Evaldo Martins Leite,


Ysak Lustig e Paulo Machado Albernaz

PRIMEIRA PARTE

CAPÍTULO I – GENEALOGIA ESOTÉRICA DOS COSMOS E DO HOMEM

1. A TERRA É UM SER VIVO

2. A HARMONIA UNIVERSAL

3. O VERDADEIRO ASTRO CENTRAL DO SISTEMA

4. O LABORATÓRIO DO ESPÍRITO SANTO

5. AS TRÊS CORRENTES DA VIDA

6. A VOLTA À UNIDADE

7. A LEI DA RECIPROCIDADE

8. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO

9. AS SEIS DIREÇÕES DO ESPAÇO

10. A QUESTÃO DA FORMA E DA MASSA

11. AS CIÊNCIAS EM FUNÇÃO DO PRANA

Henrique José de Souza


1
OS MISTÉRIOS DO SEXO 2

12. ANATOMIA CELESTE

13. A EVOLUÇÃO DA TERRA E DO HOMEM

14. OS MALES QUE ATORMENTAM A TERRA

15. A AÇÃO DA GRANDE HIERARQUIA OCULTA

16. O JUSTO E O INJUSTO: O BOM E MAU CARÁTER

CAPÍTULO II

17. O HEPTACÓRDIO CELESTE

18. AS QUATRO VERDADES

19. O REI NÃO COROADO

20. MOVIMENTOS QUATERNÁRIOS : ENIGMA NÚMERO QUATRO

21. ROTAÇÃO DAS ESTRELAS FIXAS

22. PERÍODOS SECRETOS

23. VERDADES MILENARES

24. AS FUNÇÕES FISIOLÓGICAS DA TERRA

CAPÍTULO III

25. AS BATALHAS DE LURUKSHETRA

26. RAÇAS LUNARES E SOLARES - EVOLUÇÃO DOS CONTINENTES

27. ANALOGIA ENTRE O COSMOS E O HOMEM

28. RELAÇÃO ENTRE O HOMEM E SEU PLANETA

29. REGIME ALIMENTAR

30. HIGIENE MENTAL

Henrique José de Souza


2
OS MISTÉRIOS DO SEXO 3

31. ESTADOS MÍSTICOS

32. LEI CÍCLICA

33. IMPORTÂNCIA DO PLANETA MERCÚRIO

34. PEREGRINAÇÃO DAS ALMAS

35. ELEVAÇÃO ESPIRITUAL DAS MÔNADAS

36. ÓRBITA DA ALMA

37. A TERRA, SÍNTESE DE TODOS OS ESTADOS DE CONSCIÊNCIAS

38. AS TRÊS VESTES E O ESTADO NIRVÂNICO

39. OS AVATARAS

40. EXPLICAÇÃO DESTE MISTÉRIO

41. KARMA E OS ESTADOS DE CONSCIÊNCIA

42. OS PODERES DA ALMA

43. LINGUAGEM UNIVERSAL

44. SISTEMA ORGÂNICO DO COSMO

45. ALTERNATIVA DE VIGÍLIA E SONO

46. OS CONTINENTES

47. ORIGEM E DESTINO DA TERRA

48. A DUALIDADE

49. ORIGEM DOS MUNDOS

50. A VIDA CIRCULA EM TODO O UNIVERSO

51. ESTADOS MÍSTICOS

CAPÍTULO IV

52. EVOLUÇÃO HUMANA

Henrique José de Souza


3
OS MISTÉRIOS DO SEXO 4

53. HUMANIDADE CELESTE

54. PRIMEIRA RAÇA

55. SEGUNDA RAÇA

56. GÊNESE DOS MAMÍFEROS

57. TERCEIRA RAÇA

58. COMPARAÇÃO ENTRE AS TRÊS RAÇAS

59. HABITAT DA TERCEIRA RAÇA

60. REPRODUÇÃO DA ESPÉCIE

61. SEPARAÇÃO DO SEXO

62. LINGUAGEM DA TERCEIRA RAÇA

63. FORMA, COR E SENTIDO

64. FACULDADES PSÍQUICAS

65. PERÍODOS DE PRAVRITI-MARGA E NIVRITI-MARGA

66. FIM DO MUNDO E JUÍZO FINAL

67. HABITANTES DA LEMÚRIA

68. LUTA E DECADÊNCIA

69. VESTÍGIOS DA VINDA DOS PITRIS

70. DESCENDENTES ATUAIS

71. QUARTA RAÇA MÃE E OS ATLANTES

72. O SEGREDO DA ILHA DE PÁSCOA

CAPÍTULO V

73. RAÇA EQUILIBRANTE

74. ATLÂNTIDA E SEUS LIMITES

Henrique José de Souza


4
OS MISTÉRIOS DO SEXO 5

75. DESTRUIÇÃO DO CONTINENTE

76. VEÍCULOS E SENTIDOS

77. CARACTERES GERAIS

78. SUB-RAÇAS

79. LUTAS ATLANTES

80. A GUERRA TAKARA

81. A LENDA DE HERODES

82. SEMENTES DA QUINTA RAÇA

CAPÍTULO VI

83. MISCIGENAÇÃO PÓS-ATLANTE

84. CIVILIZAÇÕES PRÉ-INCAICAS

85. MANCO-CAPAC E MAMA-OCLO

86. O MANU BRASILEIRO

87. DIREITO DAS RAÇAS

88. TODES DO BRASIL

CAPÍTULO VII

89. NATUREZA DOS PENSAMENTOS

90. EFEITOS DOS PENSAMENTOS

91. EVOLUÇÃO DA MATÉRIA MENTAL

92. FORMAS E CORES

93. ORIGEM DOS HÁBITOS

Henrique José de Souza


5
OS MISTÉRIOS DO SEXO 6

94. ENTIDADES PERMANENTES

95. OUTRAS FORMAS DE PENSAMENTO

96. EFEITOS DA MÚSICA NO MUNDO MENTAL

97. O DEVER DO HOMEM

SEGUNDA PARTE

CAPÍTULO I

98. ÓRBITA DOS CORPOS SIDERAIS

99. PULSAÇÕES DO UNIVERSO

100. A RODA DA VIDA

101. OS PROMETEUS DE TODOS OS TEMPOS

102. EVOLUÇÃO PREMATURA DO HOMEM

103. DESOBEDIÊNCIA À LEI

CAPÍTULO II

104. A VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO DO HOMEM

105. O HOMEM ZERO

106. O HOMEM UNO

Henrique José de Souza


6
OS MISTÉRIOS DO SEXO 7

107. O HOMEM DUAL

108. O HOMEM UNO E TRINO

109. O HOMEM QUÍNTUPLO

110. CLASSIFICAÇÕES ORIENTAIS

111. CLASSIFICAÇÕES ANTIGAS

112. O HOMEM SÉTUPLO

113. DIVISÃO TRINA DO CORPO HUMANO

114. CIÊNCIA ESOTÉRICA

115. O OVO DO MUNDO E O HOMEM

116. TRÍADE SUPERIOR E CORPO FÍSICO

117. CORPO ÁURICO

118. O ADEPTO E O HOMEM

119. SENTIDOS, CONSCIÊNCIAS E PLANOS CÓSMICOS

120. MÉTODOS DE INICIAÇÃO

CAPÍTULO III - TATWAS

121. TATTWAS, DEFINIÇÃO

122. OS TATWAS, CINCO OU SETE?

123. CLASSIFICAÇÕES VELADAS

124. O AKASHA E OS CENTROS DE FORÇAS

125. AS SETE FORÇAS SUTIS

126. LOCALIZAÇÃO DOS TATWAS NO CORPO HUMANO

127. A HATA YOGA NÃO CONDUZ À EVOLUÇÃO ESPIRITUAL

Henrique José de Souza


7
OS MISTÉRIOS DO SEXO 8

128. CAUSAS DE CONFUSÃO

129. TATWAS ESOTÉRICOS E TÂNTRICOS

130. OS TRÊS NADIS

131. DIFERENÇA ENTRE HATA E RAJA YOGA

132. PSIQUISMO E EVOLUÇÃO INDIVIDUAL

133. OS TATWAS E OS PLEXOS

134. O SOM, A LUZ E AS CORES

135. VISIBILIDADE DO AURA PSÍQUICO

CAPÍTULO IV – FISIOLOGIA ESOTÉRICA DA RESPIRAÇÃO

136. RESPIRAÇÃO ALTERNADA

137. TIPOS DE RESPIRAÇÃO

138. FASES LUNARES E RESPIRAÇÃO

139. CORRESPONDÊNCIA ENTRE OS CHAKRAS

140. CARACTERÍSTICAS DOS TATWAS

141. CONSELHOS AOS DISCÍPULOS

CAPÍTULO V

142. FUNÇÃO DE VAYU NO ORGANISMO HUMANO

143. OS TRÊS HUMORES

144. EFEITOS DO DESEQUILÍBRIO

145. PARA MANTER O EQUILÍBRIO

146. OUTRO PROCESSO DE TRATAMENTO

Henrique José de Souza


8
OS MISTÉRIOS DO SEXO 9

147. DOENTES SEM KARMA

148. ELEMENTO "OJAS"

149. "OJAS' E A CONSTITUIÇÃO OCULTA DO HOMEM

150. CIÊNCIA DA VIDA – ORIGEM DESTE CONHECIMENTO

151. QUE É A VIDA

152. O ESPÍRITO E A CIÊNCIA DA VIDA

CAPÍTULO VI

153. O DIVINO FOGO

154. O FOGO DAS VÁRIAS TRADIÇÕES

155. AS DIVERSAS NATUREZAS DO FOGO

156. IGNIS NATURA RENOVATUR INTEGRA

157. O FOGO NOS DEMAIS PLANOS DA NATUREZA

158. O FOGO NO PLANO MENTAL

159. O FOGO E A TRÍADE SUPERIOR

160. HINO AO FOGO

TERCEIRA PARTE

161. PRÓLOGO

CAPÍTULO I

Henrique José de Souza


9
OS MISTÉRIOS DO SEXO 10

162. CAMINHOS SINUOSOS PARA SE ALCANÇAR O FIM

163. A VEREDA INICIÁTICA

164. FALSAS INTERPRETAÇÕES

CAPÍTULO II

165. OBRIGAÇÃO DE PREVENIR

166. OPINIÕES CIENTÍFICAS

167. O ASPECTO ECONÔMICO

168. FILHOS ADOTIVOS E ANIMAIS DOMÉSTICOS

169. MISÉRIA E POBREZA

170. CRIME E CASTIGO

171. ALGUMAS CÉLEBRES CITAÇÕES

CAPÍTULO III - O SEXO - FATOS UNIVERSAIS

CAPÍTULO IV

172. SÍNTESE SOBRE AS FUNÇÕES PROCRIADORAS EM AMBOS OS SEXOS

173. OS FATORES DETERMINANTES DO SEXO

174. TEORIA DA POLARIZAÇÃO DOS ESPERMATOZÓIDES

175. TEORIA DAS GÔNADAS

176. TEORIA DOS CROMOSSOMOS

177. TEORIA DO VITALISMO

Henrique José de Souza


10
OS MISTÉRIOS DO SEXO 11

178. OS ÓRGÃOS FUNCIONAIS DA EREÇÃO

179. ALGUNS MEDICAMENTOS

180. MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS

181. CAUSAS DA IMPOTÊNCIA

182. O CLORO E SEUS PREJUÍZOS

183. O OZONE

CAPÍTULO V

184. AS SAGRADAS FUNÇÕES DA MATERNIDADE

185. ESPERMATOGÊNESE

CAPÍTULO VI

186. MÉTODOS ANTIGOS E MODERNOS DE LIMITAÇÃO DE FILHOS

187. O ANTIGO CONHECIMENTO

188. A SABEDORIA CHINESA

189. O YIN-YANG E OS PA-KUÁ DE FO-HI

190. ATUAÇÃO DOS TATTVAS

191. TESTÍCULO DIREITO E TESTÍCULO ESQUERDO - OVÁRIO DIREITO E


OVÁRIO ESQUERDO

192. O QUE VEM A SER A CÁBALA

Henrique José de Souza


11
OS MISTÉRIOS DO SEXO 12

CAPÍTULO VII

193. TRÊS REVELADORES ARCANOS

CAPÍTULO VIII

194. VINTE E DOIS JULGADORES

CONCLUSÃO

195. CONCLUSÃO

196. CITANDO E COMENTANDO O DR MARANÔN

197.A GÔNADA MASCULINA E TESTÍCULOS

198.AS CÉLULAS INTERSTICIAIS COM CÉLULAS DE LEYDIG

199.ÓRGÃOS ACESSÓRIOS DE REPRODUÇÃO

Henrique José de Souza


12
OS MISTÉRIOS DO SEXO 13

OS MISTÉRIOS DO SEXO

A GENEALOGIA ESOTÉRICA DO COSMOS E DO HOMEM

CAPÍTULO I

01. A TERRA É UM SER VIVO


O verdadeiro Astro Central do Sistema - O laboratório do Espírito Santo - As
três correntes de vida - A volta à Unidade - A Lei da reciprocidade - O Tulkuismo em
Ação - Relação de Causa e Efeito - As seis direções do Espaço - A questão da Forma e
da Massa - As Ciências em Função do Prana - Anatomia Celeste - A evolução da Terra
e do homem - Os males que atormentam a Terra - Ação da Grande Hierarquia Oculta -
O justo e o injusto, o bom e o mau caráter.

PARTE PRIMEIRA

02. A HARMONIA UNIVERSAL

Um laço misterioso une a natureza celeste à natureza terrestre. (Humboldt)

CAPÍTULO I

03. O VERDADEIRO ASTRO CENTRAL DO SISTEMA


A ciência começa a compreender que "o globo terrestre é um ser vivo e, como
tal, animado por outro globo maior que é o Sol, fonte de energia do nosso sistema", mas
estamos muitíssimo distantes do dia em que se poderão decifrar seus enigmas,
principalmente a origem dos seres que nela habitam.
Kepler comparou o Sol a um gigantesco imã sustentado, pelas únicas leis de uma
atração recíproca, todos os mundos que ele rege; um archote de fogo permanente de
eletricidade, - força e luz (Kundalini e Fohat, segundo as teorias teosóficas), pondo em
movimento esse agente - imponderável da maior importância entre as energias atuantes
em nosso sistema.

Henrique José de Souza


13
OS MISTÉRIOS DO SEXO 14

A ação do Sol sobre a Terra, diz Flamarion, é tudo: a ele devemos nossa
existência - o vento que sopra em nossos campos; os rios que descem para os mares; as
chuvas que fecundam a Terra; as sementes que germinam; o ar que respiramos; as idéias
dos pensadores... É ao Sol que devemos reportar a explicação do fenômeno da vida. É o
agente direto ou indireto de todas as transformações que se operam nos planetas - ele,
cuja força e glória nos cercam e penetram, e sem ele cessaria logo de pulsar o coração
gelado da Terra...
Resta, entretanto, indagar se esse esplendoroso Sol, diante de cujo trono se
curvam reverentes os maiores sábios e também se esse prateado astro da noite ao qual os
poetas dedicam versos maviosos, são de fato aqueles que agem e influem, "direta ou
indiretamente" sobre os destinos da Terra e de quantos seres nela habitam. Não seriam
eles, por sua vez, subordinados a outros astros que por trás deles se acham ocultos ?

São de um Mahatma da linha dos Kut-Humpas as seguintes palavras:

O Sol visível não é, absolutamente, o astro central de nosso pequeno universo,


mas apenas seu véu ou imagem refletida. O sol invisível é, nós o sabemos, composto de
algo sem nome para a linguagem humana, não podendo, pois ser comparado a nenhum
dos elementos conhecidos da ciência oficial. Seu reflexo não contém coisa alguma que
se assemelhe a gás, matéria magnética, etc, desde que fomos forçados a expressar
semelhantes idéias em vossa linguagem. Antes de abandonarmos o assunto que tanto
nos interessa, devemos afirmar que as modificações na coroa solar nenhuma influência
tem sobre o clima terrestre, o mesmo se dando com suas manchas, ao contrário do que
julgam muitos sábios. As deduções de Lockyer são, na sua maioria, errôneas. O Sol não
é um globo sólido, líquido ou mesmo gasoso, mas enormes esfera de energia eletro-
magnética, como reserva da vida e do movimento universais, cujas pulsações se
irradiam em todos os sentidos, nutrindo, com o mesmo alimento, desde o menor dos
átomos ao maior dos gênios, até o fim da Maha-Yuga (grande idade ou ciclo de
4.320.000 anos).
"O sol nada tem a ver com o fenômeno da chuva, e muito menos com o do calor.
Eu julgava que a ciência oficial soubesse que os períodos glaciários e também, os
semelhantes aos da "idade carbonífera" fossem devidos a diminuição e aumento, ou
melhor, a dilatação e contração de nossa atmosfera, expansão essa resultante da
existência dos meteoros. Sabemos, também, que o calor recebido pela Terra da
irradiação Solar representa apenas um terço ou menos da quantidade recebida dessa
presença meteorítica".
Corroboram tais assertivas um dos mais antigos livros do mundo, o Kiu-té, do
qual transcrevemos estas poucas palavras:
"Subi a mais elevada montanha da Terra (ou às maiores altitudes), e nem assim
podereis divisar qualquer raio de sol que se oculta por trás daquele que percebeis com
vossos olhos físicos. Este não é mais do que sua psíquica roupagem".

Henrique José de Souza


14
OS MISTÉRIOS DO SEXO 15

04. O LABORATÓRIO DO ESPÍRITO SANTO


Que dizer, então, dos fenômenos que se processam no centro da Terra, de cujos
profundos mistérios a ciência oficial não tem o menor conhecimento? É o Tártaro ou
Inferno para alguns, pois, de fato, inferno (ou in-fera) quer dizer lugares inferiores. Para
outros, entretanto, é esse o Sanctum Sanctorum da Mãe Terra (Mater Rhea, matéria), é o
Laboratório do Espírito Santo, pois em tal região inferior centro-terrena arde em plena
atividade o fogo cósmico, a que as antiquíssimas escrituras orientais denominam
Kundalini, e que nas lendas chinesas, mongólicas e Tibetanas se chama Serpente ou
Dragão de Fogo. Algo, pois como um Sol do qual vivesse a Terra em estado gravídico
até o dia de se fazer una com ele e com outro que, nos céus, se acha por trás das obras
dos mistérios, formando assim três coisas (pessoas) ou sóis distintos em um só coração
gelado da Terra", na poética expressão de Flammarion, tomará ela uma forma ígnea, ou
seja, a de um Sol nascido de si mesmo, com o imanente concurso dos dois outros sóis
que lhe são afins.

05. AS TRÊS CORRENTES DE VIDA


As três correntes de vida que nutrem o globo terrestre e animaram os seres de
seus quatro reinos, evidenciam aquilo que se dará no final da evolução do mesmo globo:
este e o homem se reintegrarão na sua Origem. Os três sóis se reunirão em Uno, de igual
modo que se restabelecerá no homem o perfeito equilíbrio entre o corpo, alma e espírito,
idênticos à Unidade da qual procedem, por isso que somos (em essência) sua imagem e
semelhança. O homem é uno com Deus, embora trino em sua manifestação.
Esta se apresenta como Vontade, Atividade e Sabedoria, as três correntes vitais
simbolizadas nas três Normas ou Parcas mitológicas (Cloto, Laquesis e Átropos); nas
três pessoas da trindade cristã (Pai, Filho e Espírito Santo); na tríade Egípcia (Osiris, Isis
e Horus); na Trimurti Hindu (Brahmã, Shiva e Vishnu); na trindade caldaica (Anu, Hea
e Bel); no triângulo hebraico (Kether, Chochmah e Binah); nos três princípios
superiores do Homem, Atmã, Budi e Manas, que segundo a Teosofia, deram origem a
essas e outras Trindades das diversas tradições e que se interpretam ainda como as três
forças: centrífuga, centrípeta e equilibrante, as quais, em ação conjunta, desdobram-se
esotericamente em Vontade na Vontade, na Atividade e na Sabedoria; Atividade na
Atividade, na Vontade e na Sabedoria; Sabedoria na Sabedoria, na Atividade e na
Vontade; assim como anatomicamente no homem se diria, significando inteligência,
Amor e Emoção: cabeça na cabeça, no peito e no ventre; peito no peito, na cabeça e no
ventre; ventre no ventre, na cabeça e no peito.

06. A VOLTA À UNIDADE


A evolução da cada homem, precisamente por ser ele Mônada, um microcosmo
ou pequeno universo, se processa individual e coletivamente por vontade e esforço
próprio, exigindo-se de todos e de cada um a sua voluntária contribuição para que o
Todo volte ao Tudo. Ensina-nos uma das estâncias de Dzian que Deus se divide para
consumar o supremo sacrifício. As frações divididas e subdivididas em que se manifesta
a Unidade tendem centripetamente ao retorno, a tornaram-se unas com sua Origem.

Henrique José de Souza


15
OS MISTÉRIOS DO SEXO 16

"Deus se divide em homens e estes se somam em Deus". Os iogues mais evoluído,


quando em êxtase ( o "samadhi", período de "sushumna" ou andrógino em que
funcionam as narinas), costumam pronunciar as sagradas palavras - Tat Twan Asi (Eu
sou Ele, Eu sou Brahmâ). O homem possui dentro de si tudo quanto se contém no
universo, constituindo efetivamente um microcosmo.

07. A LEI DA RECIPROCIDADE


A Lei da reciprocidade rege o mundo astral ou asterismal (dos astros), donde a
razão de os iluminados pregarem o tema básico da fraternidade entre os homens, que é a
mesma de haver a Sociedade Teosófica Brasileira (hoje a Sociedade Brasileira de
Eubiose) adotado por lema o - At Niat Niatat, um por todos e todos por um. A terra, tal
como o homem, se acha ligada com outras entidades celestes. Tudo se subordina a Lei
da reciprocidade, o que já se depreendia dos arcanos de Hermés o Trimegistro, gravados
na Tábua de Esmeralda:

"É verdade (em princípio), é certo (em teoria), é real (de fato em ampliação) que
aquilo que está em baixo (o mundo físico, material) é como o que está em cima (análogo
e proporcional ao mundo espiritual e intelectual) e o que está em cima é como o que está
em baixo (reciprocidade), para a realização das maravilhas da Causa Única (Lei
suprema, em virtude da qual se harmoniza a criação universal na sua Unidade). E do
mesmo modo que todas as coisas são feitas de Um só (princípio), por mediação de Um
só (agente), assim também todas as coisas nasceram dessa mesma coisa, por adaptação
(ou conjugação). O sol (condensador da irradiação positiva, AOD, OD) é seu Pai
(elemento produtor ativo); a Lua (espelho da reverberação negativa ou da Luz no Azul,
AOB, OB) é sua Mãe (elemento produtor passivo); o Vento (atmosfera etérica
ondulatória) a contém em seu peito (servindo-lhe de veículo); a Terra (considerada
como tipo dos centros de condensação material, é sua nutridora material) é sua nutridora
(atanor - ou forno purificador, o telesma universal - de sua elaboração).
OBS: Telesma : Teles, fam. É a substância primitiva da qual se formam as coisas.

"Eis aí o Pai (elemento produtor) do universo telesmo (perfeição, fim colimado)


do mundo inteiro (universo vivo). Seu poder (força de exteriorização criadora, o rio
Phishon de Moisés) é inteiro (perfeito, realizado, desenvolvido integralmente), quando
metamorfoseado (transformado) em Terra (aretz de Moisés, substância condensada,
especificada; forma última da exteriorização criadora, matéria sensível).

"Tu separarás a Terra (no sentido de mundo moral e inteligível), o sutil do


grosseiro, com delicadeza e prudência. Ele (o fluído puro, universal, mediador; corpo do
Espírito Santo, segundo os gnósticos) se eleva da Terra ao Céu (corrente hemicíclica de
retorno, ascendente; refluxo de síntese) e de volta (por movimento a um tempo
alternativo e simultâneo), desde do Céu à Terra (corrente hemicíclica de projeção,
descida, influxo da análise) e recebe (enche-se, carrega-se, impregna-se,
alternativamente) a força (as virtudes, propriedades, influências) das coisas, tanto de

Henrique José de Souza


16
OS MISTÉRIOS DO SEXO 17

cima como de baixo (dos mundos físicos ou material e hiperfísico ou astral, e ainda, sob
outro ponto de vista, das esferas sensível e inteligível).

"Assim, (mediante esses princípios) tu terás a glória (a sabedoria, o império) do


Universo inteiro; pois toda a obscuridade (desânimo, dúvida, ignorância; o hierograma
mosaico Hoshek exprime esotericamente todas as idéias negativas simbolizadas pelo
cone sombrio da Terra) se afastará de ti. Aí reside a força de todas as forças (princípio
mútuo de atividade, o potencial de toda manifestação, o suporte de toda a ação, a base
imanente de toda a ordem fenomênica) que vencerá (fixará, reterá) toda coisa sutil,
(volátil, fluídica) e penetrará (decomporá, dissolverá) toda coisa sólida (densa, coesa,
concreta)

"Assim (por esse agente ou por semelhante processo) foi o universo criado
(transformado de princípio em essência em poder original atuante, realizado na razão do
"Fiat Lux"). Daí se originarão maravilhosas adaptações, cuja maneira (de ser, tipo de
formação), aqui se acha (indicada, revelada).

"Razão de me chamar HPMHY, Hermés (mercúrio, muito complexo, no


presente caso emblema da Matese, ciência sintética e analítica experimental) o
Trimegistro (três vezes grande, o maior de todos), possuindo (por lhe ter sido por Lei
doado, outorgado) as três partes da Filosofia (o total conhecimento dos três mundos:
divino ou inteligível; psíquico ou passional e natural ou sensível, donde o termo Maitri
com sentido de Senhor dos três mundos, vencedor das três Gunas ou tipos de matéria)
do Universo inteiro (evocando-se por direito divino a majestade "Rei do Mundo).

"O que acabo de revelar (meu ensinamento, meu verbo solar ou "Deva-Vani")
está completo (consumado, proferido) sobre o magistério (a operação, a Grande Obra
mágica) do Sol (com inúmeros sentidos, dentre eles: a força e o papel das correntes
fluídicas universais; a evolução - AUR andrógino ou Luz engendradora; o Magistério
dos alquimistas; cujo segredo, por assim dizer, estava a descoberto ou desvendado no
presente texto da Tábua Esmeraldina)."

O TULKUISMO EM AÇÃO
Dentro do processo evolutivo e mediante uma recíproca verdadeira, todas as
coisas estão subordinadas entre si, na razão da menor para a maior, a menos para a mais
evoluída, por fenômenos idênticos aos que na doutrina esotérica tibetana se denomina
"Tulkuismo". Deste assunto tratam os capítulos 31º a 34º da obra "O Tibete e a
Teosofia", do cientista e teósofo espanhol, Roso de Luna, em colaboração com o autor
deste livro (trata-se de obra publicada em capítulos pela revista Dhârânâ, órgão oficial
da SBE, cujos fascículos encontram-se esgotados). Transcreveremos aqui alguns trechos
no intuito de elucidar uma questão muito debatida entre os estudiosos do Oriente e
quase desconhecida entre os ocidentais:

Henrique José de Souza


17
OS MISTÉRIOS DO SEXO 18

"Prescindindo da base adotada (binária, ternária, setenária, decimal, duodecimal


etc.) a grande descoberta da numeração se funda na consideração serial e categoremática
das unidades das diversas ordens. Toda a cifra de cada ordem é o Tulku da superior;
toda unidade superior é o Jina, gênio ou Shamano das inferiores. Seja-nos pois
permitida semelhante introdução das palavras novas por não encontrarmos outras
próprias em nossa deficiente linguagem corrente.

"Assim, cada cifra numérica possui dois valores: o seu próprio absoluto e o
relativo à ordem a que pertence (decimal, centesimal, milesimal etc.); o que, vertido
para a linguagem concreta equivale a dizer: cada ser é um número na grande síntese
cósmica e possui duas modalidades psíquicas e dois valores: o seu próprio e o da
missão, assim como o "Eu sou quem sou" (Ego sum qui sum), e seu corolário filosófico,
Cogito, Ergo sum - com aquele que corresponde, qual parte integrante de um conjunto
superior, à família, povo, nação. Daí acontece o caso muito frequente de um indivíduo
forte, valioso, digno, achar-se mal colocado ou fora da ordem que lhe corresponde,
como aconteceria, por exemplo, ao número nove, permita-se a comparação, que,
valendo muito mais do que um, passasse a valer menos se este ocupasse a ordem das
dezenas, com o valor de 10".

Em outro ponto, tratando da Matemática, alma universal, diz o referido autor:

"A Numeração, símbolo do Anima-mundi platônico, é uma espécie de Árvore


das árvores, onde cada folha se acha presa em outro ramo do qual imediatamente
depende. Tal ramo e seus congêneres se acham, por sua vez, ligados a outro maior, e
assim sucessivamente e numericamente, até chegar ao tronco, cujo poder mágico de
tamanhas considerações é o que aciona todo o conjunto, tal como num exército o
general comandante é unidade superior comandando unidades inferiores; os oficiais
sendo unidades superiores aos sargentos e estes aos soldados, constituindo um vasto
organismo em atividade nos seus últimos misteres, tanto mais eficiente quanto mais
numeroso, organizado e disciplinado. Mas toda essa potência se resume à mente e
vontade do seu Chefe supremo, cuja personalidade se agiganta até o ponto de alguns
deles, na história, depois de vencerem o inimigo com a força do número ou de armas,
pretenderam para suas pessoas, honras divinas".

"Se cada homem e até cada coisa existe no Cosmos, é um tulku ou hipóstase de
uma entidade superior a que se acha subordinado por lei serial de numeração abstrata;
do mesmo modo se cada naldjorna possui um guru (mestre), em série indefinida, o
grandioso panorama do Universo, organismo vivo, não é mais do que a simbólica
árvore, cujas raízes, como a árvore norsa dos escandinavos primitivos e quantas outras
figuram nas diversas teogonias, se acham dentro do seio insondável da Divindade
abstrata, inefável e incognoscível; enquanto seus ramos crescem e se dividem sem

Henrique José de Souza


18
OS MISTÉRIOS DO SEXO 19

cessar, envolvendo assim tudo quanto se acha dentro do infinitamente grande até
alcançar o infinitamente pequeno".

"E ao longe de tais raízes, troncos, galhos, folhas, flores e frutos atua uma só
força inteligente: a do Logos ou Verbo, fazendo circular, centrífuga e centripetamente, a
magna vibração da vida em que cada ilusória "realidade vital" não é senão o tulku, tatwa
ou invólucro mágico de uma parte, grande ou pequena, daquela vibração, como tônica
orgânica ou vital dentro de outro organismo superior, ao qual se subordina como a parte
do todo".

08. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO


Este, e não outro, o ensinamento universal da Mística, de acordo com a
verdadeira etimologia da palavra - a do mistério, germe, ponto de partida de posteriores
porvires. Assim, quantos simbolismos traduzem algo dessa relação de causa e efeito,
dirigente e dirigido, mestre e discípulo, pai e filho, governo e governado, rei e súdito,
empregador e empregado etc. deixam transparecer aquela verdade de que nos vimos
ocupando".

"Notáveis são, com efeito, as estâncias do antiqüíssimo poema de Dzyan, que


serviu de tema à genial Helena Petrovna Blavatsky, autora da famosa "A Doutrina
Secreta", que cantam o místico laço existente em cada ser, na razão da Chama e Chispa;
em cada astro, entre seu Lha (espírito) e Vaham (veículo), que é a massa material e
astral do mesmo astro, os Homens solares ou imortais (Dhyanis, Chohans, andro-jinas
ou andróginos Hermés-afroditas ou hermafroditas, Kyrita etc.) e os mortais ou
terrícolas, com aquelas finalizadoras palavras da mais excelsa veneração, que cantam:
"Tu és meu Vaham (veículo) até o grande dia (Nirvana) em que Tu em mim e Eu em Ti
seremos a mesma coisa", cujo sentido, se prescindimos do falso conceito de um Deus
pessoal, antropomorfizado, de poder apenas criador e vingativo, para o de Emanador ou
Projetor, apontando nas palavras de s. Agostinho: "Creasti nos, domine, ad Te; et
inquietum est cornostrum donec requiesent in te., (Para ti e de Ti emanamos, senhor,
razão pelo qual nosso coração ficará inquieto até que em Ti repouse)."

09. AS SEIS DIREÇÕES DO ESPAÇO


Continuemos a citação de páginas do insigne Roso de Luna, extraídas de seu
livro póstumo "O Tibete e a Teosofia", por nós ampliado e concluído, a rogo de seus
ilustres herdeiros:

"Para focalizar melhor, embora sempre imperfeitamente por não o permitir a


humana linguagem essas místicas e inexplicáveis sublimidades, o próprio simbolismo

Henrique José de Souza


19
OS MISTÉRIOS DO SEXO 20

de verdadeiras coordenadas mentais, como diria um matemático - lembremos o que se


acha contido naquela parábola de "as seis direções", atribuídas a Budha, e que pode ser
encontrada em nossa Obra "Pelo Reino Encantado de Maya", em torno do qual e de
outras fazemos modestos comentários.

"Com efeito se o homem, saindo de seu cego e absurdo egocentrismo, de um


simples ponto sem dimensão espiritual, no mistério do espaço Infinito, meditar acerca
das seis direções, sendo ele um simples e efêmero ponto, verá na tríplice cruz formada
pelas linhas Norte-Sul, Este e Oeste, Zenit-Nadir; do lado Norte, as gerações físicas de
seus sucessivos ascendentes (avas, Jinas ou rishis), e do lado Sul os respectivos
descendentes (nepas, tulkus materiais etc ). Verá ainda, do lado Este, seus espirituais
progenitores, seus gurus ou mestres, e do lado Oeste a sua descendência espiritual e
mental, seus chelas (discípulos), por sua vez, tulkus seus.. já que ensinando a outros é
que o homem pode chegar a Mestre. Perquirindo mais, divisará misteriosamente na
terceira linha (Zenit - Nadir ou vertical) passando, como as outras duas, por seu próprio
Eu, o ponto pessoal - seu Ideal, sua Missão, razão de ser na sua vida e o Farol derradeiro
de todas suas dolorosas "rondas", encarnações ou peregrinações pelos mundos da ilusão;
e alongando seu olhar para baixo, o Nadir, contemplará seu negro, mísero ou kármico
passado, lastro esse que o impede de subir, de erguer seu vôo triunfal para o prodigioso
Farol do eterno descanso nirvânico, e do qual só se despojará, feliz no dia em que, sem
egoísmos, encontrar em seu próprio ponto o Universo inteiro, ao ter alcançado
semelhante superação de sua mesma Consciência ou Ponto, esse Todo-Nada
Incognoscível, mas que, de um modo ou de outro constitui a própria Divindade, que em
última análise não está senão nele mesmo".

10. A QUESTÃO DA FORMA E DA MASSA


Um dos muitos problemas que intrigam as inteligências não versadas em Ocultismo e
Teosofia, é o da forma. Pensa-se comummente que nenhum ser vivo pode deixar de
possuir forma característica, servindo de exemplo os vertebrados. No entanto, seres
vivos como os minerais, considerados em seu conjunto para formar a crosta terrestre,
caracterizam-se pela ausência quase completa de forma definida. Os vegetais, da ínfima
bactéria à gigantesca sequóia, apresentam-se sob prodigiosa multiplicidade de formas, o
mesmo sucedendo com as infinitas espécies animais.

11. AS CIÊNCIAS EM FUNÇÃO DO PRANA


Os sábios consideravam (e alguns ainda consideram) os astros como massas
inertes, postos em movimento por forças exteriores. A Teosofia, ou Sabedoria Iniciática,
sempre ensinou o contrário. Aliás, também a ciência oficial não deixa de ser um dos
ramos daquela Grande Árvore da Sabedoria Arcaica; tanto que a Química procede da
Alquimia, a Astronomia da Astrologia, a Medicina descende da Teurgia dos primitivos
Terapeutas.

Henrique José de Souza


20
OS MISTÉRIOS DO SEXO 21

Esotericamente falando, todas as ciências poderiam ser definidas em função do


prana (sopro, hálito, vida universal) solar, dizendo-se por exemplo: Química agrícola é
arte mágica de captar o prana solar e ligá-lo ao prana terrestre; Mecânica aplicada é a
arte mágica de utilizar hoje o prana solar armazenado há milênios nas plantas fósseis do
terreno carbonífero para servir-se amanhã da força das ondas, do vento, das correntes
telúricas, da eletricidade atmosférica etc.; Higiene médica é a arte mágica de colocar os
nossos sistemas físico, moral (ou anímico, astral) e intelectual (ou espiritual) em perfeita
sintonia com os pranas solar e terrestre de que vivemos; Higiene social, essa mesma arte
aplicada à vida dos povos, e assim por diante.

12. ANATOMIA CELESTE


A_ moderna Astronomia não é mais que um simples ensaio da Anatomia celeste,_ uma
verdadeira Biologia alquímica em que se verifica uma_ contínua permuta vital entre os
astros. Igual permuta ocorre entre cada astro e o ambiente sideral, no qual ele se mantém
com seus incessantes movimentos de rotação e translação. Enquanto isso, semelhante
permuta provoca na terra, como organismo vivo que é, verdadeiros processos de
alimentação e respiração pelo prana; de assimilação quimo-prana, elaborado em suas
próprias entranhas, e até de secreções, que podem dar lugar a esses fenômenos eletro-
magnéticos vitais das auroras polares, uma vez que os sistemas nervoso, sanguíneo e
linfático do planeta são dados respectivamente pelas suas correntes eletrotelúricas, pela
circulação "arterial" do vapor de água dos oceanos às nuvens, e a "venosa" das fontes
regatos e rios até o mar; provocando ainda outros fenômenos, como o das quedas
meteoríticas, contínuo alimento do Sol e da Terra, e o das marés que agitam as águas em
constantes movimentos de "sístole" e "diástole", como se quisessem voltar à mesma Lua
que lhes serviu de origem.

13. A EVOLUÇÃO DA TERRA E DO HOMEM


A evolução do planeta se faz lentissimamente por longas Eras, equivalentes a
verdadeiras "eternidades", paripassu com a de seus reinos, inclusive o hominal, uma e
outra ainda distantíssima do período conclusivo, como é fácil revelar dos abalos
sísmicos, erupções vulcânicas, maremotos legítimos meios de defesa partindo do centro
da Terra, tanto quanto se verifica no organismo do próprio homem, daí podendo-se
inferir que antes de concluída a evolução do globo nenhum homem será perfeito.
Excetuando-se somente aqueles que aqui comparecem para dar cumprimento a sua
missão de Guias ou Mestres, por serem fiéis guardiões da Eterna Sabedoria, desde que,
no longínquo alvorecer do mental humano, se constitui a Excelsa Hierarquia Oculta,
com o nome de "Shuda Dharma Mandalam".
Os ensinamentos da Doutrina Arcaica, por outro nome - Teosofia - tem uma
origem divina que se perde na noite dos tempos. origem divina, entretanto, não quer
dizer a revelação de um Deus antropomórfico, sobre uma montanha, entre relâmpagos e

Henrique José de Souza


21
OS MISTÉRIOS DO SEXO 22

trovões, mas segundo o compreendemos, uma linguagem e sistema transmitido à


humanidade primitiva por outra humanidade tão adiantada que parecia divina aos
imaturos (Blavatsky).
O estado evolutivo de nosso Globo não podia deixar de ser o resultado de
experiências anteriores, o passado formando o presente, e este o futuro, sem necessidade
dos mirabolantes artifícios cuja teoria se atribui ao autor do primeiro livro bíblico: Adão
manufaturado com o pó da terra, cai em pesado sono para que Deus lhe extraia uma
costela e a transforme em Eva, predestinada a ser a primeira mulher e mãe de seus
filhos. Se bem que sob a velada linguagem do Genesis, como de outras escrituras ditas
sagradas, alinhava-se um tênue fio da verdade, que não se pode ensinar abertamente a
humanidades onde predominem seres egoístas e perversos que, mal adquirem um
conhecimento, se dispõem a empregá-lo contra seus semelhantes, na prática de crimes
de lesa-evolução.

14. OS MALES QUE ATORMENTAM A TERRA

Crimes dessa natureza são não só os previstos no Código do Manú, mas também
todo o ato praticado contra a vida e os direitos do homem e da própria Terra, como ser
vivo que é, a qual vem suportando; ao invés dos cuidados restauradores devidos pelos
seus filhos que se nutrem de sua seiva, terríveis bombardeios de imprevisíveis
conseqüências intra e extra terrena, abrindo fendas profundas, dolorosas chagas a
clamarem perversidade de almas inconscientes e formando na atmosfera faixas de
radiações, cujo tremendo efeito deletério recai sobre vastas áreas, envenenando os ares e
as águas, contaminando os alimentos, tanto os de origem vegetal como animal, afetando
portanto gravemente a saúde pública, conforme tem sido divulgado nos trabalhos de
notáveis médicos e higienistas.
Que futuro podemos esperar de uma humanidade incoerente e hipócrita; os
próprios dirigentes dos povos que se dizem supercivilizados são os que se dizem
pacifistas mas forjam as armas para a destruição; os que apregoam o direito e a
liberdade mas espezinham a dignidade e cerceiam o livre arbítrio do homem e dos
povos; são enfim os que ensinam a fé, o amor fraternal e a caridade mas só para uso
externo, pois que eles mesmos não praticam tais coisas.

Respondem as profecias tantas vezes proferidas pelos clarividentes e realizadas


ao longo dos séculos, e a pior de todas a realizar-se neste fim de ciclo: cataclismos,
vulcões latentes que despertam com redobrada atividade, como destruidora réplica às
cruéis bombas A e H, inundações arrasadoras, como a lavar a face da terra das nódoas
desumanas, catástrofes e calamidades, pragas, epidemias, com seu indescritível cortejo
de misérias e mortes por toda a parte. Generosa e valente Mãe Terra, coagida a
defender-se tragicamente dos ultrajes causados por seus ingratos filhos ! Sim por toda a

Henrique José de Souza


22
OS MISTÉRIOS DO SEXO 23

parte a dança maldita dos quatro cavaleiros do apocalipse: domínio, guerra, fome, peste;
eles mesmos, formas humanas caóticas em oposição aos quatro Rishis ou reis Divinos.

15. AÇÃO DA GRANDE HIERARQUIA OCULTA


Não será por esse processo que se poderão aproveitar proficuamente os
resultados das laboriosas experiências levadas a efeito durante Idades sem conta pelos
Pitris construtores, os progenitores desta humanidade. A esta caberá por sua utilizar o
que de mais puro, perfeito e legítimo do ponto de vista espiritual puder adquirir para,
com as experiências do passado, somadas com às do presente, guiar os destinos das
gerações futuras. Enquanto não o conseguir, ingenuidade seria perguntar porque a
Grande Hierarquia Oculta, mentora espiritual da Humanidade permitem que alguns
homens possam causar tantos males e sofrimentos. É que a de hoje não difere, não é
mais digna que as humanidades que motivaram a vinda de luzeiros do quilate de
Krishna, Moisés, Budha e Jeoshua, subsistindo sempre as mesmas razões que
impediram a realização prática de seus ensinamentos, sem a qual jamais se poderá
melhorar a fisionomia moral do animal homem, para transformá-lo em homem.
Essa invisível instituição emanada do Supremo Governo do Mundo é constituído
de Mahatmas, com poderes e funções definidas em todo o globo, e cuja significação não
é a que se lhe dá comummente, por isso que os Mahatmas são seres representativos,
constituídos, também fisicamente, com elementos e matérias em combinações diversas
das que foram os sub-evoluídos terrícolas; são seres com poderosa capacidade de criar
mentalmente, que enviam periodicamente à Face da Terra seus embaixadores,
mensageiros da Paz e da Verdade, e aqui os mantém, por força de Lei, para vaticinar aos
homens o advento de uma nova era evolutiva, e nunca para impor-lhes com as armas da
coação e da violência a disciplina do Espírito nem para impedir as manifestações de
seus instintos egoístas. Todavia, quando o Mal predominar avassaladoramente a ponto
de subverter até mesmo os alicerces da Mãe Terra, vem então aqui apresentar-se sob a
forma humana o próprio Espírito da Verdade, o Planetário ou Avatara, ou como se lhe
queira designar, pois que sempre que Ele vem, só é reconhecido pelos raros eleitos da
sua corte. Cumpriram-se no passado e cumprir-se-ão no porvir as palavras que Ele
mesmo, pelo verbo de Krishna dirigiu a seu discípulo Arjuna e que se acham inscritas
em frases cristalinas no maravilhoso Bhagavad-Gitâ: "Todas as vezes, ó filho de
Bharata, que Dharma (a lei justa) declina e Adharma (a Lei injusta, como a que hoje
impera na Terra) se levanta, Eu me manifesto para a salvação dos bons e destruição dos
maus; para o restabelecimento da Lei justa, Eu hei de renascer em cada Yuga (Era).

16. O JUSTO E O INJUSTO; O BOM E O MAU CARÁTER


E no capítulo XVI ele ensina a discernir o Justo do Injusto ou o Divino do
Demoníaco:

Henrique José de Souza


23
OS MISTÉRIOS DO SEXO 24

"Vou dar-te os sinais característicos dos homens que andam pelo caminho que
conduz à Vida Divina. Ei-los: Intrepidez, pureza de coração, perseverança em busca da
sabedoria, caridade, abnegação, domínio de si mesmo, devoção, religiosidade,
austeridade, retidão, veracidade, mansidão, renúncia, equanimidade, amor e compaixão
para com todos os seres, ausência do desejo de matar, ânimo tranqüilo, modéstia,
discrição, firmeza; paciência, constância, castidade, humildade, indulgência."
"Agora houve as características dos homens que andam pelo caminho que
conduz aos demônios: Hipocrisia, egoísmo, orgulho, arrogância, presunção, cólera,
ódio, rudeza, ignorância".
"O bom caráter liberta da morte e conduz à Divindade. O mau caráter da causa a
repetidos nascimentos mortais. O primeiro da liberdade, o segundo, escravidão".
"Duas espécies de natureza pode-se observar neste mundo humano, a divina ou
boa, e a diabólica ou má. As características da natureza boa ou divina já te descrevi
suficientemente. Escuta agora, ó filho da Terra! quais são as da natureza má".
Os seres que são iguais aos Assuras (demônios, espíritos maus) não conhecem
nem o seu princípio nem seu fim; não sabem o que é praticar uma reta ação e não sabem
abster-se de ação má. Neles não há pureza nem moralidade, nem veracidade. Eles dizem
que no mundo não há verdade nem justiça. Negam a existência do Espírito Divino;
acreditam que o mundo é produto do acaso, e que o fim da vida é para gozo dos bens
materiais. E vivem conforme suas idéias errôneas: são de intelecto mesquinho,
desregrados, inimigos da humanidade e praga do mundo. Entregam-se aos prazeres
carnais e pensam que esse é o mais alto bem. Mas nunca os prazeres sensuais os
satisfazem, porque, mal um apetite obteve satisfação, já emerge outro cada vez mais
imperioso. É impura a sua vida, porque, pensando bem, com a morte do corpo tudo se
acaba, julgam que o supremo bem consiste na satisfação de seus desejos. Enleados nas
teias do desejo, entregam-se a volúpia, à ira e a avareza; prostituem suas mentes e seu
sentimento de justiça, empenham-se em acumular riquezas sem qualquer escrúpulo,
desde que possam satisfazer suas ambições materialistas.

Henrique José de Souza


24
OS MISTÉRIOS DO SEXO 25

CAPÍTULO II

O Heptacórdio Celeste: Trindade, Quaternário e Setenário - As Quatro Verdades


- O rei não Coroado - Movimentos Quaternários : Enigmas do Número Quatro -
Rotações das Estrelas fixas - Períodos Secretos - Verdades Milenares - As Funções
Fisiológicas da Terra.

17. O HEPTACÓRDIO CELESTE; TRINDADE, QUATERNÁRIO E SETENÁRIO


Todas as coisas no Universo estão, como se disse, subordinadas umas às outras
mediante inelutável reciprocidade, obedientes ao mesmo ritmo, isto é, à harmonia das
esferas, que corresponde ao heptacordo celeste ou lira de sete cordas das escrituras
orientais. Mas, para nosso globo, como qualquer anel cortado da nebulosa primitiva
após o esfriamento, prevalece o ritmo quaternário, tendo por direção espiritual o
ternário, na razão de 3 + 4 = 7. Cabalisticamente falando, (triangulo + quadrado =
Quadrado com triângulo em cima) o Carro, a Mercabah ou arcano sete do Taro, letra
hebraica Zain, com sua expressão hieroglífica de uma flecha, lança ou qualquer
instrumento retilínio, inclusive a caneta de que os homens se utilizam para divulgar os
bons e maus ensinamentos. O conjunto triângulo-quaternário simboliza a casa ou lar,
com seu telhado de duas águas, mesmo porque sem o lar e família o Carro da Evolução
não poderia cumprir o seu itinerário de IO.
Sim, o ternário celeste de harmonia, melodia e ritmo para, com o quaternário
terreno, completar o lírico heptacordo ou sete notas da gama musical, com os três sons
principais (dó, mi, sol), a que se relacionam também as sete cores, com as três básicas
(amarela, azul, vermelha), os sete luzeiros, os sete planetas ocultos, e os sete dias que
precisou para construir o mundo. Valores Um, Três, Quatro e Sete que, a filosofia
teosófica revela como Mônada refletindo a Unidade, constituída dos três princípios
superiores (Atmã, Budhi, Manas) que se manifestam pelos quatro veículos ou vestes
constituintes do quaternário humano (mental discursivo, anímico, duplo etérico e corpo
denso), cuja evolução se processa necessariamente através dos sete estados de
consciência de que se compõe a Ronda - sete raças-mãe, cada uma delas com as
respectivas sub-raças e descendentes ramos, famílias, clãs.

18. AS QUATRO VERDADES


À guisa de mais um exemplo do ritmo ou compasso quaternário do globo
terrestre, em correspondência a divina trindade, espiritualmente falando há as quatro
verdades ou Revelações pela boca dos três reis coroados - as três hierarquias
construtoras ou cadeias anteriores: Makaras, Agnisvatas e Barishads - e mais um sem

Henrique José de Souza


25
OS MISTÉRIOS DO SEXO 26

coroa, para significar que ainda não expirou o prazo para completar sua régia evolução.
Este é representado pelo tradicional guerreiro ou cavaleiro Akdorge das lendas
transhimalaias, simbolizando a luta do ternário espiritual contra o feroz dragão da
ignorância, encarnando os quatro princípios inferiores esmagados pelas quatro patas do
cavalo branco ( o Kalki-avatara , símbolo da redenção humana), símbolo esse plagiado
no Ocidente com a figura cavalheiresca de um Ignaro S. Jorge, cuja origem não pode ser
outra senão o lendário Akdorge das mais antigas tradições orientais, em que o guerreiro
que representa a Tríade Superior e dignificado com o título de Maitri ou Maitreya, que
significa o vencedor dos três mundos (ou três mayas, ilusões) das três gunas ou estados
vibratórios da matéria.
As quatro verdades são expressas nas Revelações que este ou aquele ser oferece
ao mundo, de acordo com as várias épocas evolutivas em que eles se apresentam entre
os homens, a fim de libertá-los da ignorância em que vivem, causadora de todos seus
sofrimentos; revelações que constituem portanto as mais preciosas oferendas trazidas ao
quarto globo de nosso sistema.

19. O REI NÃO COROADO


Os três reis magos do Novo Testamento locomoveram-se de três regiões diversas
para homenagear no berço a vinda de um quarto rei, cujo reino, como ele mesmo disse
mais tarde, não é deste mundo; pois aqui vinha, não para dominar como imperador ou
rei e viver faustosamente às expensas do povo, nem para guerrear outros povos, mas
para reinar como Deus nos corações de todos os homens, pelo mágico poder do amor
fraternal embora ante-sabendo que por única recompensa "real" os homens lhe
imporiam sobre a divinal cabeça uma coroa de espinhos; que em lugar do cetro lhe
ofereceriam por escárnio uma cana seca, e por manto real, uma enxovalhada capa
vermelha, cor de Kama-manas (correspondente aos quatro princípios inferiores) e da
matéria tamásica (a qualidade das trevas, impureza, inércia, ignorância); o mesmo
símbolo do mar vermelho (mundo tamásico) sobre o qual, Moisés, o Manú, não devia
conspurcar os pés ao conduzir seu povo à Terra Prometida, por isso mesmo passando
sobre ele a pés enxutos, para não se confundirem, os de sua escolha, como sementes que
eram de uma nova raça ou civilização, com os que não mereciam tamanha honra.

Pregada no cruzeiro do Supremo sacrifício ( a cruz é um dos símbolos do


quaternário terreno) a tabuleta indicava as quatro iniciais da frase escarnecedora - Jesus
Nazarenus Rex Judeorum - embora não tenha o sentido que lhe é dado correntemente, e
além disso "nazareno" não significava o adjetivo gentílico de Nazaré. Nazareno,
nazáreo, nazar, são expressões hebraicas que significam "separado" ou "selecionado",
havia com esse nome uma classe monástica temporal, mencionada no Antigo
Testamento; os monges não se casavam, usando cabeleira comprida, que só era cortada
rente aos ombros, no ato da iniciação. Iokanan, Jeoshua, Saulo de Tarso e outros
iniciados pertenceram a essa Ordem, e por isso se chamavam "nazarenos".

Henrique José de Souza


26
OS MISTÉRIOS DO SEXO 27

20. MOVIMENTOS QUATERNÁRIOS. ENIGMAS DO NÚMERO QUATRO


A Terra tem 24 horas, gira sobre seu próprio eixo, dividindo o dia em quatro
períodos: manhã, meio dia, tarde e noite. A Lua, exercendo em tudo prodigiosa
influência, apresenta-se nas quatro fases: nova, crescente, cheia e minguante,
produzindo as quatro marés: enchente, preamar, vazante, baixa-mar. Quaternária é a
idade do homem: infância, adolescência, maturidade e velhice. Quatro são os
movimentos respiratórios: inspiração, retenção do ar nos pulmões, expiração e pausa
sem ar, movimentos que, uma vez ritmados pelo exercício (pranayama) da yoga
respiratória, são dos mais recomendados pelos salutares efeitos que proporcionam.
Quatro são os pontos cardeais; quatro as estações do ano; quatro os
temperamentos do homem (sanguíneo, linfático, nervoso, bilioso); quatro são os graus
iniciáticos na Sociedade Brasileira de Eubiose (Manú, Yama, Karma e Astaroth). No
Taro, o arcano quatro, o Imperador, significa apoio, estabilidade, poder, proteção;
exprime no mundo intelectual a realização das idéias pelo quádruplo trabalho do
espírito; afirmação, negação, discussão, solução. A esfinge de Gisé aguarda até hoje que
decifre seu complexo quaternário: mulher, leão, touro e águia. E quatro são também os
excelsos Maharajas, cujos nomes não devemos divulgar.

Os pitagóricos faziam seu juramento pelo sagrado Quatro, a Tetraktys ou tétrade,


com significação muito mística, idêntica à do Tetragrammaton, - JEOVAH - nome tão
inefável que os Hebreus não ousavam pronunciá-lo, substituindo-o pelo de Adonai. Em
verdade ninguém o sabia pronunciar então nem o sabe agora. Tão alto privilégio divino
cabe exclusivamente ao Deva-Vâni, o Anjo da Palavra, portador da Palavra Perdida, o
mesmo Melki-Tsedek, que a Bíblia designa como supremo Sacerdote do Altíssimo.
Mas para não levarmos mais longe ainda estas digressões, vamos encerrá-las
com uma alusão à matemática das Idades do Mundo. A Maha-Yuga (grande idade)
alcança um total de 4.320.000 anos e se divide nas quatro idades: Kali-yuga, 432.000
anos; Dvapara-Yuga, duas vezes 432.000 igual a 864.000 anos; Treta-Yuga, três vezes
432.00 igual a 1.296.000 anos e finalmente Krita-Yuga, 4 vezes 432.000 ou 1.728.000
de anos.
Mil dessas Maha-Yuga constituem um Kalpa, um Dia de Brahmâ, durante o qual
reinam quatorze Manus. Teremos assim 4.320.000.000 anos que juntos a outros tantos
formarão uma noite de Brahmâ, ou 8.640.000.000 que multiplicados por 360 completam
o incrivelmente longuíssimo ano de Brahmâ. Mas ainda não será o fim, pois que o
período inteiro de Brahmâ é de cem anos, teremos finalmente para essa Maha-Kalpa o
número 311.040.000.000.000, igual a 720 Kali-Yugas. E todos esses números são
múltiplos de quatro.

21. ROTAÇÃO DAS ESTRELAS FIXAS


Todas essas idades em que se divide a vida universal estão relacionadas nos
movimentos das estrelas, que a astronomia chama de fixas porém sofrem uma rotação
matemática causadora deste e de muitos outros fenômenos que ocorrem em nosso globo.

Henrique José de Souza


27
OS MISTÉRIOS DO SEXO 28

Assim é que, durante cada período de 108.000 anos ou a quarta parte de 432.000, o
zodíaco faz quatro voltas completas em torno do seu eixo, dando lugar a outras
mudanças sucessivas da estrela polar.
Esse movimento do empíreo, em volta do qual gira todo o mistério, e que tanta
influência exerce sobre a Terra e a vida de todos seus habitantes, fará com que na
próxima fase ou ciclo a estrela Sirius passe a ocupar o lugar da estrela Polar, chamada
esotericamente nas escrituras orientais, Olho de Druva, e simbolicamente significando
que através deste astro o Eterno perscruta desde o Polo Norte toda a evolução do
planeta, que é a sua própria, segundo aquela estância de Dzyan, que ensina que Deus se
divide para consumar o supremo sacrifício.
Não há linhas retas nem pontos fixos no Universo, cujos movimentos, grandes
ou pequenos, rápidos ou lentos, luminosos ou trevosos, constituem no seu conjunto a
famosa harmonia das esferas de que tanto falavam os filósofos da antiguidade. O
clarividente Swedenborg se referia a esses ciclos de vida, que se manifestam em todos
os fenômenos da Natureza, como se fossem a própria vibração do Logos:
"A lei essencial da natureza é a vibração. Um ponto imutável é inteiramente
impossível dentro do nosso sistema. Os movimentos sutis a que chamamos de ondas, os
mais vagarosos que denominamos oscilações, as trajetórias dos planetas a que
chamamos de órbitas, as épocas da História designados por ciclos, tudo isso não é mais
do que um movimento ondulatório no Ar, no Éter, no Aura, na Terra, de nebulosas,
pensamentos, emoções e de tudo quanto se possa imaginar."

22. PERÍODOS SECRETOS


As quatro idades, que podemos chamar de Ouro, Prata Cobre e Ferro, por serem
esses metais relacionados com os planetas Sol, Lua, Vênus e Marte, respectivamente, e
que antes designamos com seus primitivos nomes sânscritos: Kali, Dwapara, Treta e
Krita, acham-se ligadas aos quatro princípios inferiores (ou em função), permanecendo
secretos os outros três, relacionados com os planetas Júpiter, Saturno e Mercúrio, estes
como regentes dos três princípios superiores ou Tríade Superior que tem como regentes
dos três princípios superiores ou Tríade Superior que dirige a evolução espiritual da
humanidade, mistério que tem suas representações vivas no Rei do Mundo e seus dois
Ministros, de que já tratamos longamente em nosso livro "O Verdadeiro Caminho da
Iniciação".
Em seus famosos versos dourados, Pitágoras exaltou esses três princípios
superiores:

"A Tríade Sagrada, imenso e puro símbolo,


Fonte da Natureza e modelo dos Deuses".

A eles se referiu Zoroastro, com expressões equivalentes:

Henrique José de Souza


28
OS MISTÉRIOS DO SEXO 29

"O Número três reina por toda a parte,


e a Mônada é seu princípio".

23. VERDADES MILENARES


Essas verdades foram conhecidas nos templos (Panteões) iniciáticos e disso dão
testemunho antigos documentos. Aí se representam os quatro reis, três coroados e um
sem coroa, de cujas bocas jorra o precioso líquido (as quatro verdades). Templos e
panteões, mosteiros e catedrais, pirâmide e esfinge, hipogeus e sarcófagos, espalhados
pelos cinco continentes, construídos por vários povos em épocas diversas, resistem à
ação demolidora dos séculos e à fúria das guerras fratricidas, para abrigarem santas
relíquias e conservarem preciosos símbolos das grandes verdades que foram e são
expressões objetivas.

Outros remanescentes ainda mais valiosos, inclusive papiros, pergaminhos, obras


de altíssimo valor, há longo tempo desaparecidas da superfície do globo, cânones de que
não mais restam sequer vestígios normas e preceitos ritualísticos de alta magia puderam
escapar da rapina dos infieis e das fogueiras dos fanáticos e foram finalmente ter aos
invioláveis escrínios dos templos subterrâneos, longe do alcance de mãos profanadoras,
onde, com outras coisas mais são custodiadas pelos Gênios conservadores e
propagadores da Sabedoria Iniciática das Idades, os Super-homens aos quais na Índia e
na Ásia Central se dá o nome de Mahatmas ou Jinas.
Aos aludidos quatro reis, a Cabala denomina de quatro sóis, que correspondem
aos mesmos dos Nahoas e às "quatro cabeças", que Myers assim descreve:
"Aziluth é o nome com que se designa o mundo dos Sephirots, chamado mundo
das emanações (Olam-Aziluth). É o grande selo sagrado, por meio do qual se copiaram
todos os mundos e que compreendem três graus, que são três sures (protótipos) de: 1)
Nephesh, a alma vital; 2) Ruach, a alma tradicional; 3) Nechamad, a alma suprema.
Assim, também os mundos receberam três sures: 1) Briah; 2) Yetzirah e 3) Asiah.
Finalmente, Aziluth é o supremo dos quatro mundos da cábala, relacionando-se
unicamente com o Espírito de Deus.
"O mistério do Ternário, que se faz Quaternário para fundir-se novamente no
Um, está ainda contido nas três faces cabalísticas (em língua Hebraica, Partsuphin), que
são: 1º Arikh-Anpin, o Face Larga; 2º Seir-Anpin, o Face Curta e o 3º Rosha-Hivrah, o
Cabeça ou Face Branca. Essas três cabeças estão em uma só, com o nome de Attikah-
Kadosha: Santos Antigos e as Faces. Quando tais faces olham uma para a outra, os
Santos Antigos em três cabeças ou Attikah-Kadosha recebem a denominação de Arkh-
Appayem, ou seja, Cabeças Largas".

24. AS FUNÇÕES FISIOLÓGICAS DA TERRA

Henrique José de Souza


29
OS MISTÉRIOS DO SEXO 30

Voltamos considerar um dos temas abordados nesta parte de nosso trabalho, que
se propõe demonstrar que a Terra, como tudo na Natureza, é um ser vivo. As quatro
estações representam para o globo as quatro fases digestivas do homem: 1º) Ingestão de
germes e seu preparo por meio da digestão, digamos, num período climático para cada
um dos hemisférios; 2º) Assimilação pelo húmus, dos germes ingeridos, ou verdadeira
digestão da Terra, triunfo da fermentação e das forças negras, porém começo da vitória
das forças brancas, isto é , da evolução solar, na seguinte estação; 3º) Produção e saída
dos germes transformados, união dos sucos terrestres e raios solares, constituindo a
seiva, triunfo das forças evolutivas sobre as involutivas, o mesmo fenômeno que se
verifica na humanidade, para a estação imediata; 4º) Fim da evolução dos novos seres
terrestres; todos os subprodutos volvem à terra, sob forma de cadáveres vegetais.
E tudo isso se explica as incompreensíveis palavras de Sendivexio em seu
"Diálogo entre Sulfur e o Alquimista", quando faz alusão ao coração sempre ativo da
Terra, que ao astro faz passar, sob a ação do sulfur solar, de luminoso sol condensado
com o auxílio do seu nebuloso anel, a planeta obscuro, tal como hoje o conhecemos.
Esta nossa Mãe Bhumi, "vaca nutridora" a que trivialmente se denomina Terra, e o
Espírito Planetário que a preside fornecem a quantos seres parasitariamente nela vivem,
o prana vital que do Sol recebem, realizando assim os mais transcendentes processos
bioquímicos e fisiológicos, que ainda não entraram nas cogitações de nossos ilustres
cientistas.

OS MISTÉRIOS DO SEXO
A GENEALOGIA ESOTÉRICA NO COSMOS E NO HOMEM

A TERRA É UM SER VIVO

PARTE PRIMEIRA
A HARMONIA UNIVERSAL

Um laço misterioso une a natureza celeste à natureza terrestre


Humboldt.

Henrique José de Souza


30
OS MISTÉRIOS DO SEXO 31

CAPÍTULO III

O EQUILÍBRIO DO COSMOS

25. AS BATALHAS DE LURUKSHETRA


Devemos aqui referir-nos a um fenômeno oculto de grande interesse na evolução
dos seres, encoberto por uma das sete chaves com que se interpreta o Bhagavad Gitâ,
isto é, em relação a essas intermináveis batalhas da vida cotidiana entre solares e
lunares, ou seja, entre bem e mal, direita e esquerda, espírito e matéria; ou, como
também se poderia dizer, entre as experiências da cadeia lunar primitiva e as da atual
cadeia terrena, tremenda e antiqüíssima luta que remonta à "Queda dos Anjos rebeldes"
e que de certo modo não deixa de ser travada entre solares e lunares ou, segundo a
terminologia das estruturas hindus, entre Surya-vansas e Chandra-vansas.
Não poderia haver evolução sem os inevitáveis choques de interesses contrários,
sem a luta constante entre o que se convencionou chamar de "bem" e "mal". Posto que
Daemon est Deus inversus, como ensina a Cabala, o Diabo não é senão o contrário ou a
sombra de Deus; não há nem mal nem bem, mas tão somente, em última análise,
ignorância e conhecimento. "Avidya", no sentido de ignorância da Lei ou
desconhecimento da Verdade, é uma das doze nidanas dos budistas, e se lhe atribui a
origem de toda a infelicidade. Vidya (conhecimento, sabedoria) e Avidya são os dois
polos contrários a serviço da evolução. Aqueles que não evoluem passam a viver no
sentido involutivo e, aumentando o peso do prato esquerdo da balança, retardam o
progresso dos que se colocam no prato direito.

26. RAÇAS SOLARES E LUNARES. EVOLUÇÃO DOS CONTINENTES


Segundo a Teosofia, as leis evolutivas de cada continente se desenvolvem
sucessivamente e nunca simultaneamente. Por isso, cada raça tem predominado sobre as
outras por longos períodos em determinados continentes. Enquanto uma delas se
expandia e alcançava a soberania, as outras, ao contrário, entravam em decadência e se
dispersavam, pois todas elas nasceram umas das outras, ligando-se à história dos
respectivos continentes. A lenda dos três Reis Magos, do Novo Testamento, é um
símbolo relacionado à expressão crística de um novo ciclo solar, que se encerra na
significação dos próprios termos Cristo e Mitra, motivo por que eles teriam partido dos
três continentes para irem homenagear o recém-nascido quarto rei (sem coroa), guiados
por uma estrela, cuja luz só poderia provir desse novo sol nascente.

Cada continente é, por sua vez, o sol dos demais, passando com suas raças por
uma sucessão de ascensão e declínios de civilização, enquanto nos outros se desenvolve
civilização diferente. Cada raça transfere para as outras o resultado de sua evolução.
Houve, pois, para cada raça uma idade de pedra, de bronze, de aço, de ferro; sem contar

Henrique José de Souza


31
OS MISTÉRIOS DO SEXO 32

com as idades de ouro e de prata, segundo seus ciclos, possuindo cada uma sua cor e
característica própria.

Como as leis universais são rigorosamente as mesmas em todos os planos, basta


conhecer o que representa um continente terrestre para se compreender o motivo pelo
qual as raças se acham atualmente em estado de franca miscigenação, com intensos
cruzamentos inter-raciais, favorecidos pelas invasões, imigrações, desenvolvimento com
comércio internacional, multiplicação dos meios de transporte. Assim cada raça
continental ou autóctone assimila os indivíduos das outras, emprestando-lhes a cor e as
tendências, a ponto de se confundirem os biótipos nas gerações descendentes.

27. ANALOGIA ENTRE O COSMOS E O HOMEM


Nem generosa nem avarenta; não é tolerante nem vingativa. Não há sinônimo
perfeito para ela, exceto um equivalente a Deus. Não há adjetivo, a menos que se queira
designá-la pleonasticamente de Lei Justa. Em sânscrito ela se chama Dharma. O
Homem é a sua mais expressiva manifestação na Terra, de vez que, espiritual e
materialmente, a representa na sua multiplicidade. Não se atina com outra interpretação
para o fato de haver ela mesma criado o universo finito dentro do infinito; o
microcosmo-homem qual reprodução fiel do macrocosmo-Deus.
Empregando processos mais grosseiros e anti-evolutivos, semelhantes aos
adotados pelos magos da lendária Atlântida, os sacerdotes egípcios, seus descendentes
psíquicos, enleavam a alma do extinto faraó a seu corpo físico (Ká e Rá), por meio de
rituais necromânticos realizados enquanto se procedia à mumificação regulamentar.
Eram extremamente prejudiciais os efeitos desse processo artificial adotado no antigo
Egito, em contraste com os benefícios resultantes do processo natural ou evolutivo dos
Manassaputras, a que podem atingir os homens pelos seus próprios méritos.

28. RELAÇÃO ENTRE O HOMEM E SEU PLANETA


Cada Sol, ou melhor dizendo, cada Órgão-sol, com seu cortejo de planetas e
satélites, gira em torno de um centro mais ou menos determinado que é o Coração do
Grande Homem Universal. Não se dirige o Sol visível deste sistema para a constelação
de Hércules?
Cada homem se acha ligado por meio de seus sentidos, num total de sete, sendo
que dois ainda permanecem latentes, bem como através de seus sete estados de
consciência, a um dos sete planetas sagrados e também aos sete planos do Cosmos. Esta
maravilhosa correspondência entre o Universo e o homem permite a este desenvolver e
utilizar os respectivos sentidos espirituais para situar-se em mais íntima ligação, no
plano físico em que vive, como divino centro de força que o engendrou e que é o seu
direto criador.

Henrique José de Souza


32
OS MISTÉRIOS DO SEXO 33

Essas místicas relações eram ensinadas aos mystai nos mistérios menores das
antigas escolas iniciáticas, assim chamados por conduzirem à percepção das coisas
somente através de um véu ou névoa, ao contrário do que sucedia nos mistérios maiores,
em que os epotpai, podiam percebe-las claramente sem qualquer disfarces. Tais métodos
de ensino, designados pelos nomes de maya-vada, doutrina da ilusão ou maya-budista,
ainda hoje são adotados na Índia, pelas duas escolas, a do norte, a maya-yana ou grande
barca da salvação, e a do sul, a hina-yana ou pequena barca, mas tudo implicitamente
envolvido na interpretação da letra que mata por ocultar o Espírito que vivifica.
Intimamente unido aos planos cósmicos e achando-se sob a influência de um dos
sete raios planetários, cada homem possui idéias e temperamentos próprios que os
levam a pensar, agir e reagir de maneira diversa dos demais, mesmo em face de
situações e circunstâncias perfeitamente idênticas. Em Medicina isto se torna tão
evidente que levou um famoso médico patrício a pronunciar uma frase que se tornou
aforismo: "Não há doenças, sim doentes". A Medicina também conhece o fato, mas não
sabe explicá-lo. Há pacientes que podem ingerir impunemente uma grama ou mais de
iodureto de potássio, enquanto outros nem sequer suportam o cheiro do iodo. Para as
intolerâncias, hipersensibilidades, idiossincrasias alimentares ou medicamentosas,
conseqüências da diferenciação do raio planetário a que está sujeito cada ser humano,
convencionou-se chamar de "Alergia", com significação complementar ao que
anteriormente se designava "Anafilaxia".

29. REGIME ALIMENTAR


Não se conhece um limite para as diversas conseqüências da multiplicidade de
caracteres e de temperaturas originada de uma inelutável influência planetária, por sua
vez subordinada à lei de causa e efeito. Os médicos, na sua nobilíssima missão de
prevenir as doenças e restabelecer a saúde, estão diariamente em contato com tais
enigmas: enquanto determinado tratamento e regime produzem ótimos efeitos a um
paciente, a outro resulta ineficaz e a um terceiro se torna até nocivo. Não é aconselhável
prescrever o mesmo tratamento e regime alimentar a pacientes de temperamentos
diversos; não é possível, por exemplo, a uma pessoa nascida sob a influência de Marte,
sentir-se bem com um tratamento e regime favorável a um venusiano. Pela mesma
razão, errado seria prescrever a um linfático um regime exclusivamente a base de
alimentos de origem vegetal, que poderia conduzí-lo a uma anemia profunda; como
também prejudicial seria indicar uma alimentação com predominância de carnes a
indivíduos pletóricos.
O homem era na sua origem primeira essencialmente frugívoro. O regime
vegetariano, tão fervorosamente recomendado por muitas escolas espiritualistas, não nos
pode ser propício, como resulta da mais elementar observação. Não é exato que os
animais herbívoros, pequenos ou grandes, tenham algo em comum com o aparelho
gastroentérico do homem, que de resto pertence a um reino superior, somente do ponto
de vista esotérico. É que tais escolas espiritualistas andam esquecidas dos ensinamentos
ministrados pelos Colégios de Iniciação.

Henrique José de Souza


33
OS MISTÉRIOS DO SEXO 34

O primitivo regime frugívoro não era imposto nem artificioso; era o natural
enquanto durava a eterna primavera, isto é, até que os cataclismos que fizeram
submergir a Atlântida inclinaram a posição do eixo da Terra, ocasionando os equinócios
e solstícios, as quatro estações climáticas do ano. O homem foi se afastando cada vez
mais da natureza, adquiriu os quatro temperamentos, sanguíneo, linfático, nervoso e
bilioso, devendo adaptar-se a diferentes lugares e climas, já sem as primeiras condições
de vida paradisíaca, da remotíssima era em que os Deuses conviviam com os Homens,
do que a Mitologia e a Tradição nos oferecem alguns vislumbres. Dos motivos dessa
involução espiritual e conseqüente degenerescência física temos tratado em outros
lugares e não seria oportuno repeti-los aqui.
Através de gerações sem conta o homem habituou-se a um regime alimentar
antinatural, tornando-se onívoro, e a própria constituição orgânica sofreu constante
adaptações, estudadas e classificadas pela Antropologia.

30. HIGIENE MENTAL


O regime alimentar é apenas um entre mil outros cuidados necessários para
preservar a higidez. A isso se relaciona a sentença atribuída ao Cristo: "Não é tanto o
que entra pela boca, mas principalmente o que dela sai, que pode causar dano ao
homem. À higiene física se sobrepõe a mental. São causas de males físicos e ruína
espiritual as palavras destrutivas, as pragas, a maledicência, a mentira, a intriga, a
calúnia, as blasfêmias, filhos dos maus pensamentos. A boca é o santuário de nosso
corpo, onde se acham implantados os trinta e dois portais da sabedoria, representados
pelos trinta e dois dentes. Santuário arquitetado para bendizer e abençoar, para glorificar
e louvar a Deus, para difundir a Verdade e propagar a Fraternidade.

31. ESTADOS MÍSTICOS


A consciência física pode desaparecer, proporcionando ao homem os melhores
ou os piores momentos, quando a imaginação ou a faculdade emocional entra em plena
função, absorvendo-o inteiramente, tal como pode suceder ou assistir um espetáculo
empolgante, ao representar uma cena que o emociona intensamente. Em grau ainda mais
intenso o homem pode atingir o estado místico ou apoteótico, como o que Plotino diz
ter experimentado algumas vezes em sua vida.
Os estados de paz, de espiritual felicidade a que só os justos tem direito, podem
às vezes ser obtidos pelo emprego de drogas entorpecentes que provocam os chamados
"paraísos artificiais", resultantes de intoxicações ou estados patológicos deprimentes,
altamente perigosos. O uso de tóxicos, combatido em todos os países civilizados, é
absolutamente condenável também pela Lei do Espírito. Com a súbita paralisação da
consciência provocada artificialmente nos mundos inferiores e seu brusco despertar nos
superiores, o homem transgrede a natureza, transpões o ritmo normal, com evidentes
prejuízos para seu organismo e a sua própria evolução espiritual.

Henrique José de Souza


34
OS MISTÉRIOS DO SEXO 35

32. LEI CÍCLICA


As três interrogações da esfinge - Quem és, de onde vens, para onde vais ? - se
reduzem a uma só, de acordo com a Lei Cíclico-espiritual que rege todos os fenômenos
da natureza e que mais se evidenciam nas orbitas dos astros, permitindo que na curva
ascendente se reproduzam os fenômenos verificados na metade descendente, como se as
duas curvas fossem ramos da grande parábola da vida e, entre si, se mantivessem em
perfeita simetria: tal como simétrico pelas sístoles e diástoles ou pelos estados radiante e
latente, e tudo quanto nos cerca.
Essa expressão "parábola da vida", é uma impropriedade, porque a Mônada ou
Consciência superior, em cada ciclo de encarnação e desencarnação, descreve perfeita
elipse em torno do Sol, e nisto está a verdadeira base da Astrologia. Com efeito,
segundo a harmonia universal, tudo quanto aconteça aos seres terrestres deve estar
regido pela Lei astronômica-biológica do mundo em que habitam, isto é, devem ter,
como o próprio planeta, seu periélio e seu afélio. O trajeto percorrido pela Mônada, do
periélio ao afélio, se chama, em Ocultismo, encarnação ou queda; e a volta cíclica do
afélio ao periélio, desencarnação, ressurreição ou volta à celeste morada solar de onde
partira.
Se o Sol, ou seu Espírito, é o Deus do Sistema Planetário, a famosa sentença
semi-panteísta de S. Agostinho - "Para Ti nos criaste, Senhor, e nosso coração vive
inquieto até que em Ti descanse" - não é senão a mística revelação deste movimento de
aproximação e afastamento que, de certo modo, é o verão e o inverno de nossas
planetárias ou astrais vivências de seres manifestados.
A órbita percorrida pela Mônada humana entre duas encarnações é, porém, mais
excêntrica do que a da própria Terra, porque, a semelhança dos cometas planetários, por
ser um verdadeiro cometa psíquico, quando seu afélio se encontra na órbita terrestre sua
elipse corta, em muitos casos, as órbitas de Vênus e de Mercúrio, e seu periélio está
situado entre o Sol e este último planeta.

33. IMPORTÂNCIA DO PLANETA MERCÚRIO


Daí a importância astrológica que o Ocultismo confere aos dois referidos
planetas, que a bem dizer se completam em perfeito androginismo, principalmente ao
segundo, acerca do qual H. P. Blavatsky assim se expressa em sua obra "A Doutrina
Secreta", livro V:
"Mercúrio, como planeta, é muito mais misterioso e oculto do que Vênus e
idêntico ao Mitra Masdeísta, o Gênio ou Deus estabelecido, segundo Pausanias, entre o
Sol e a Lua (Ele por si só integra estes dois planetas e mais a Terra ou os quatro
elementos, na razão simbólica de companheiro perpétuo do Sol da Sabedoria e em
comum altar com Júpiter. Possuía asas para expressar que assistia ao Sol em seu

Henrique José de Souza


35
OS MISTÉRIOS DO SEXO 36

percurso, e era chamado e Núcio e o Lobo do Sol, solaris luminis particeps. Por tudo
isso, era ao mesmo tempo chefe e evocador das Almas, o grande Mago e Hierofante".
Virgílio descreve-o tomando sua vara para evocar as almas precipitadas no Orco:
Tum Virgem capit, hae animas ille evocat Orco. É o áureo das teogonias, cujo nome os
hierofantes não permitiam se pronunciassem. Digamos entre parênteses que,
esclarecendo as dúvidas criadas por alguns autores, sempre ensinamos ser amarelo-ouro
a sua cor, bem como a da pedra correspondente.
Na mitologia grega é simbolizado por um dos vigilantes pastores que cuidam do
rebanho celeste, ou Hermés-Anúbis, e também pelo bom demônio Agathodaemon. É
ainda o Argus que vela sobre a Terra e todos os seres que a habitam, e que ela toma
equivocadamente pelo próprio Sol.
O imperador Juliano orava ao Sol Oculto, por intercessão de Mercúrio, pois,
como diz Vossius (Idolatria, II, 373), todos os teólogos asseguram que Mercúrio e o Sol
são uma e a mesma coisa.
Sol oculto, sol espiritual, assim o temos denominado. Mercúrio é o mais
eloqüente e sábio dos Deuses, e que não é para estranhar, pois se acha tão próximo da
Sabedoria e da Palavra do Deus Solar que com ele se confunde. Simbolizando o
androginismo perfeito, relaciona-se com a Hierarquia dos Makaras ou "Manus-Karas",
justamente aqueles que deram aos homens o mental e o sexo.
Hermés, "Herr-man" ou o Senhor ou Mestre dos Homens, um dos designativos
de Mercúrio, donde a teosófica afirmativa de ser Buda-Mercúrio o dirigente da quinta
raça em que se desenvolve o mental superior - representa ao mesmo tempo o sexto e
sétimo princípios, uma vez que não são inseparáveis; isto é, a esfera ou órbita do
referido planeta, onde se acha seu periélio e, como dissemos, para onde se dirige a
Mônada depois de cada peregrinação terrena.

34. PEREGRINAÇÃO DAS ALMAS


Plutarco, na mencionada máxima ocultista de Isis e Osiris, ensina que quando se
dá a primeira morte, a do corpo físico, Hermés, o eterno vigilante ou "pastor" que
preside todo o complexo visível e invisível do homem, arranca violentamente a alma do
corpo para levá-la à região lunar chamada Perséfona, evocando-a do mundo inferior - do
Orco, para onde fora lançado lúcifer, o Anjo rebelde em que se encontrava prisioneira e
peregrina. Também Juliano, ao dirigir-se ao Sol Espiritual e Oculto, animador dos
homens e dos astros, o faz por intercessão de sua Alma Espiritual (Budhi ou Mercúrio).
Não foi por outra razão que a genial Blavatsky afirmou, no começo de sua citada
obra: "Uma íntima correspondência astrológica ou vital existe entre os princípios
humanos e os respectivos planetas do sistema solar, visto que o Sol é o sétimo princípio
do referido sistema e do homem".
Para complementar essa frase de H.P.B., poderíamos acrescentar: Mercúrio-
Buda é o Sexto princípio, tanto que toma o lugar à direita daquele, a guisa de seu
primeiro ministro ou vice-rei, e com ele se confunde; Vênus Shukra, o quinto, mente

Henrique José de Souza


36
OS MISTÉRIOS DO SEXO 37

espiritual ou abstrata chamando-se por isso em ocultismo ao olho físico, da direita, de


Budhi ou Mercúrio, e ao da esquerda, de Manas-Taijásico ou de Vênus; a Terra,
finalmente, o quarto ou mente concreta e aprisionada, em parte, na região de Kama-
manas, no plano passional demarcado pela órbita ou esfera da Lua, o que deu origem a
expressão teosófica "Cone da Lua", para significar a região das almas perdidas, a qual,
menos impropriamente, se poderia chamar "cone da Terra". Nosso satélite, que em
Ocultismo é considerado planeta, no seu novilúnio mais se aproxima do Sol do que da
Terra, no plenilúnio, mais se distancia desta, isto é, mais profundamente penetra em
regiões inferiores, na razão da natural seriação das esferas planetárias, todas, como
dissemos, tulkus umas das outras, a inferior da que lhe fica imediatamente superior, pela
interdependência existente, quer entre os seres que habitam a Terra, quer entre os
universos que povoam o Infinito.

35. ELEVAÇÃO ESPIRITUAL DAS MÔNADAS


Os potenciais físico-químicos e eletromagnéticos do Sol, único manancial de vida,
decrescem e aumentam segundo a maior ou menor distância em que dele se encontre
nosso planeta. Assim, a Mônada humana que, em elipse muito excêntrica, semelhante as
que descrevem os cometas do sistema, tenha que cortar essas distâncias,
sucessivamente, durante seu ciclo de encarnações, terá maior elevação espiritual ou
poderes psíquicos quanto maior seja sua aproximação do divino foco. Em tais princípios
se apóia a série de sucessivas transformações ou "metempsicose" a que está sujeita ao
percorrer o imenso ciclo de sua evolução. Essas, como tantas outras coisas, se
encontram mais ou menos veladas no livro das religiões, sobretudo na Astrologia do
Velho e caluniado Paganismo.

36. A ÓRBITA DA ALMA


Cada alma tem, no atual estado evolutivo, seu correspondente ciclo de
encarnações e nele uma excentricidade maior ou menor, segundo o grau de sua
espiritualidade. São Paulo, como iniciado que era, aludiu a esse fenômeno, ao dizer na
sua primeira Epístola aos Coríntos, que há uma alma espiritual e outra material, e que ao
morrermos todos resuscitaremos, porém nem todos seremos mudados; o que equivale
dizer que, conquanto todos devemos fatalmente deixar a Terra, nem todos estaremos
aptos a mudar de lugar planetário.
As almas vulgares, agarradas exclusivamente às coisas terrenas terão órbitas
psíquicas tão pouco excêntricas como a da Terra, isto é, não terão forças nem poderes
para escapar do seu anel ou órbita, demarcada no espaço pela do próprio planeta. Com
isso, ver-se-ão obrigadas a renascer pouco tempo depois do desenlace, como as nuvens
que se desfazem e em seguida se formam nos mesmos lugares. Ao contrário, as almas
divinamente evoluídas (como por exemplo a de Gautama, o Buda, e a de Jeoshua o
Cristo) atingem excentricidades tão sublimes que em seu perihélio, ao desencarnarem,
transpõem simultaneamente as quatro esferas: Terra, Lua, Vênus e Mercúrio e

Henrique José de Souza


37
OS MISTÉRIOS DO SEXO 38

mergulham definitivamente no Sol, por não lhes ser mais necessário vivenciar no
humano ciclo.
O insigne teósofo Roso de Luna, assim descreve as órbitas psíquicas da alma:
"As vulgares, em suas duas classes principais permanecerão séculos e séculos
prisioneiras entre a Lua e a Terra, no chamado cone sombrio da Lua. As mais elevadas,
ao morrerem, serão libertadas ou mudadas deste par conjugado de astros, ou melhor,
levadas em seu periélio psíquico à regiões mais excelsas de Vênus e de Mercúrio. As
perversas, enfim, possuem na órbita terrestre, não seu afélio, como as outras mas seu
periélio, onde tão miserável estado, como o representado pela vida no vale profundo e
escuro, de solitário e tristonho pranto, segundo as palavras do místico Frei Luiz de Lião,
seja para elas e para a sua melancólica psiquis um verdadeiro céu, dentro da realidade de
todas as coisas do Universo, exatamente como na vida dos homens decaídos, as casas de
jogo, as tavernas, ou lupanares e tantos outros infernais lugares significam para suas
almas verdadeiros paraísos".

37. A TERRA, SÍNTESE DE TODOS OS ESTADOS DE CONSCIÊNCIAS


Não nos permite a transcendência do assunto abordá-los como se devia. Diremos
apenas que se este ou aquele ser tem a cumprir determinada missão na Terra, aqui
permanecerá vinculado e não poderá desligar-se antes de a realizar integralmente. Há,
por isso, determinadas regiões da órbita terrestre, cujos estados de consciência são
idênticos não apenas aos dos quatro planetas citados, inclusive a própria Terra, mas aos
de todos os sete, visto possuir cada uma dessas regiões, colocadas fora ou dentro do
âmbito terreno, seu espiritual governo. Ele é ao mesmo tempo Uno e Trino, como
reflexo do que se passa em cima... além do Dhyan Chohan ou Planetário, cujo corpo
físico, como dizem as escrituras sagradas do Oriente, é a própria Terra, quarto globo de
nosso sistema.
Tal Ser, o Planetário dirigente do Globo, deve portanto viver no interior de seu
corpo físico, no seio da Terra, pouco importa como ou porque; e deve receber o auxílio
tulkuístico de seus irmãos dirigentes dos outros seis globos, sem necessidade de se
afastarem dos respectivos governos espirituais. Se assim não fosse, como se poderia
conceber o desenrolar de sete raças-mães e respectivas sub-raças, desenvolvendo cada
uma delas determinado estado de consciência ? Cada raça-mãe se acha, pois, sob o
influxo ou direção de Sete Raios diferentes, que são os mesmos Dhyans-Chohans.

De público, não se deve ir além sobre o assunto, que por isso mesmo deixou de
ser tratado também pelo ínclito Roso de Luna. Daí termos recorrido à irreverente
comparação da página anterior. Por mais evoluída e sublime que seja uma alma, jamais
poderá ser comparada à do Cristo ou à do Buda. Com razão disse este que seu espírito
continuaria no âmbito da Terra. Quanto às suas "vestes", como ensinou H.P.Blavatsky,
serviram para Shânkara-Chária e outros mais, vale dizer, para várias de suas tulkuísticas
manifestações.

Henrique José de Souza


38
OS MISTÉRIOS DO SEXO 39

38. AS TRÊS VESTES E O ESTADO NIRVÂNICO


Nos prolegômenos dedicados a Shvetashvatara, atribui-se a Shankaracharia as seguintes
palavras: "É uma idéia errônea aquela que impele os orientalistas a interpretarem
literalmente os ensinamentos da Escola Mahayama (Budismo do Norte da Índia) sobre
os três corpos: Prulpaku (Nirmanakaya), Longehod-dzoepig-Ku (shambogakaya) e
Chos-Ku (Dharma-Kaya), apresentando-os como pertencendo todos ao estado nirvânico.
Há duas espécies de Nirvana: o terrestre (que é o Samadhi ou oitavo passo da Ioga de
Patanjali, relacionado com a oitava pétala do plexo cardíaco) e o dos Espíritos
desencarnados.
"Esses três corpos são os três invólucros, todos mais ou menos físicos (donde a
possibilidade de Gautama se desfazer de qualquer deles, depois de deixar o Mundo, em
favor de outro ser, como citado Shankaracharia), que se acha a disposição dos Adeptos
que franquearam ou atravessaram as seis Paramitas ou caminhos do Buda. Alcançada a
sétima (preferimos fala de uma oitava), nenhum deles pode mais voltar à Terra".

39. OS AVATARAS
Podemos afirmar que o Buda não foi um dos Avataras comuns, isto é, dos que
figuraram na série dos dez, o último dos quais é o Kalkiavatara, o Cavaleiro do cavalo
branco, de que tratamos em nosso livro "O Verdadeiro Caminho da Iniciação". A
brilhante autora de "A Doutrina Secreta", embora não pudesse aprofundar a questão
deixou transparecer que a manifestação de Gautama, o Buda, não era apenas dessa
natureza. Falando dos Avataras, assim se expressou ela:
"É claro que os primeiros padres da Igreja, positivamente pagãos, haviam se
ocupado dos segredos dos templos, inclusive do mistério avatárico ou o messiânico,
procurando adaptá-lo ao nascimento do Messias. Mesmo assim, iludiram-se a si
próprios porque esses números cíclicos de que se serviram referem-se ao fim das raças-
mães e não a este ou aquele indivíduo propriamente dito. Seus esforços mal dirigidos
provocaram também um erro de cinco anos. Seria possível, diante do que eles
afirmavam acerca de um assunto de tal importância e tão universalmente conhecido, que
erro tão grave fosse praticado em uma computação cronológica de antemão organizada e
inscrita nos céus pelo dedo de Deus ? Por sua vez, que fariam os iniciados pagãos e
judeus se tal afirmativa sobre Jesus fosse correta ? Poderiam eles, como guardiões da
chave dos ciclos secretos dos Avataras; eles, os herdeiros de toda a sabedoria dos Árias,
dos egípcios e dos caldeus, deixar de reconhecer seu grande Deus encarnado como o
próprio Jeová, seu Salvador dos últimos dias; Ele, que todas as nações da Ásia esperam,
ainda, como seu Kalkiavatara, Maitréia-Buda, Messias, etc. ?

40. EXPLICAÇÃO DESSE MISTÉRIO

Henrique José de Souza


39
OS MISTÉRIOS DO SEXO 40

Eis como Blavatsky desvenda o segredo, de que os sacerdotes das religiões


naturalmente se esqueceram.
"Existem ciclos menores contidos em outros maiores, dentro do único Kalpa de
quatro milhões trezentos e vinte mil anos. É no fim desse grande ciclo que se espera o
Avatara Kalki, cujo nome e características permanecem secretos. Virá de Shamballah, a
cidade dos Deuses, que se acha a Oeste para certos povos, a Este para outros e, para
alguns ainda ao Norte e ao Sul. Por isso, a começar pelo Rishi Indiano, até Virgílio, ou
por Zoroastro até a última Sibila, desde o começo da quinta raça, todos profetizaram,
cantaram e auguraram a volta cíclica da Virgem (Virgo, a constelação, e não a mulher, a
mãe), e o nascimento de uma criança divina, que faria renascer a Idade de Oiro sobre a
Terra.
"Nenhum homem, por mais fanático que seja, será capaz de afirmar que a Era
cristã tivesse jamais constituído semelhante Idade. Além de outras razões, que não vem
ao caso apontar, teríamos a de não ter parecido o sinal celeste prometido, ou seja, o de
Virgo na Balança".
Quanto a relação esperada para aquela época, dispensa qualquer argumento para
demonstrar não ter sido Jesus o redentor final da Humanidade, a espantosa confusão em
que se encontra este mundo, no qual os homens continuam a odiar-se e a matar-se,
ignorantes, indiferentes ou esquecidos dos divinos ensinamentos e do trágico sacrifício
daquele luminoso ser.
Ele, como tantos outros, aparecendo nos ciclos menores dentro do maior,
represente uma fração, ou um tulku da forma total do Kalki-Avatara que, na sua missão
de verdadeiro Salvador do mundo, só aparecerá no fim de cada Yuga, como pela boca
de Krishna, prometeu a seu discípulo Arjuna: Para salvação dos bons e destruição dos
maus, Ele surgirá entre os homens no fim de cada Ronda de que foi o Dirigente, no seu
papel de Manú-Colheita, justamente para levar aos céus todos os esforços realizados
desde o momento em se que apresentou para a missão de Manú-semente, no início da
Ronda (Bhagavad Gitâ).

41. KARMA E ESTADOS DE CONSCIÊNCIA


Entre as interessantes perguntas que os discípulos nos tem apresentado acerca da
Lei de Causa e Efeito, apontamos esta: O sentenciado cumpre na prisão a pena do crime
cometido, alivia seu Karma ?
Tudo na vida é condicionado por estados de consciência. Se por ventura o
criminoso encontra na prisão um ambiente que lhe agrade, onde se sinta feliz, Karma
algum é descontado. Dele, porém, será aliviado se suporta com resignação os
sofrimentos morais e físicos, os remorsos, situações vexatórias inerentes ao
encarceramento, o regime penitenciário, sentindo com saudade amorosa a ausência da
esposa, de membros da família ou de amigos.
Para despertar estes estados de consciência é que deveriam existir em maior
número as penitenciárias-modelo, com escolas e educandários, onde os prisioneiros

Henrique José de Souza


40
OS MISTÉRIOS DO SEXO 41

pudessem trabalhar, produzir e aprender em cursos adequados, às suas condições, como


seres humanos recuperáveis e dignos de melhor sorte.

42. OS PODERES DA ALMA


"A Alma humana é superior a tudo quanto se possa imaginar e mais sábia que
qualquer de suas obras". (Emerson)

Temporariamente mergulhados neste mundo de matéria grosseira, encarcerados


em um corpo denso e trevoso, tolhidos, por isso em nossos movimentos espirituais
libertadores, não conseguimos sequer imaginar ou fantasiar os transcendentes estados de
alma que podem os virtuosos atingir em outros planos. Positivismo ou materialismo,
como cepticismo ou negativismo deturpam e pervertem a linguagem destinada a
exprimir quanto existe nos planos do Espírito, o que levou o citado autor dizer que a
corrupção do homem vai seguida da deturpação de sua linguagem. Quando o caráter e as
idéias são deturpados pelos impulsos inferiores pervertidos pelas emoções egoístas,
então a falsidade e a dissimulação tomam os lugares da sinceridade e da verdade;
cessam as criações mentais de novas imagens; sintam-se as pristinas expressões;
insinuando-se sentidos falsos às palavras e aos símbolos. Mas o erro e a mistificação
tem seu tempo de duração e círculo de expansão limitados pelo poder da Verdade que
por si mesma tende a mostrar-se à luz do Sol sem máscaras nem véu. Nenhum fato ou
acontecimento de nossa existência, por mais insignificante que pareça, deixa de projetar
no Akasha sua forma inerte. E assim cada homem, a seu turno, terá ensejo de
contemplar sua própria trajetória, partindo do imo do seu corpo e atingindo as regiões
mais elevadas do Espírito.

43. LINGUAGEM UNIVERSAL


Tal acontecerá, com a marcha do tempo, a essas coisas do céu, para onde se
elevam os justos ao deixar a Terra, como predisse o clarividente Claude Bernard, ao
dizer que o religioso, o filósofo, o artista e o cientista acabariam por falar uma só
linguagem, idêntica a astrológica, da há muito adotada pelos gênios ou Jinas, por ser de
fato, a verdadeira linguagem universal. Foi nela que Beethoven escreveu sua décima
sinfonia, intitulada "Ressurreição", que o mundo não conhece.
Ressurreição em planos celestiais, sim, bem o merecia aquele gênio da música,
em sua época desprezado pela surdez dos homens aos rogos divinos, mesmo quando
divinamente musicados ! E surdo ficou ele, como Kármica recompensa de seus
melodiosos apelos ao mundo da mentira e da ingratidão; pois que é destino dos homens
superiores pregar em vão a seus contemporâneos, no vasto deserto desta vida.

Henrique José de Souza


41
OS MISTÉRIOS DO SEXO 42

44. SISTEMA ORGÂNICO DO COSMO


Em cada sistema orgânico do grande Cosmo, o Sol em atividade ocupa um dos
focos de uma elipse, na qual se movem e giram os planetas desse mesmo Sol. O outro
polo da elipse é ocupado por um conglomerado de matérias em estado fluídico ou
etérico; é o sol negro de cada sistema, destinado a iluminar-se com seu novo grupo de
planetas, atualmente também etéricos, quando o sol branco de todo se extinguir. Desse
modo, realiza-se em cada sistema o equilíbrio perfeito que impede a ruptura do
equilíbrio geral, a que aludimos no capítulo anterior, por isso mesmo exigindo dos seres
humanos, equilíbrio, que, uma vez atingido, significa o resgate final de suas dívidas
como habitantes da Terra.

45. ALTERNATIVA DE VIGÍLIA E SONO


Em cada órgão-sol há duas secções, uma em sono (pralaya) e outra em atividade
(manuântara); uma desperta, enquanto a outra dorme por períodos tão longos que
equivalem a verdadeiras eternidades. A Lei é igual para todos os planetas. Quando o sol
negro se ilumina, recolhe os elementos não ainda totalmente evoluídos do sol branco, do
qual portanto ele depende, e conduz a termo sua evolução.

46. OS CONTINENTES
Analogamente, cada planeta é formado por diversos continentes, que passam por
seus períodos de sono e atividade. E cada continente se origina de um planeta anterior.
Razão porque as escrituras tanto denominam de dwipa a um continente como a um
globo, fato que tem dado lugar a inúteis discussões entre teósofos e ocultistas,
unicamente por desconhecerem esse particular.
Há necessariamente, um substrato para a antilogia entre solares e lunares. Nosso
planeta possui uma direita e uma esquerda, cujas leis de evolução se sucedem. Nelas
está implícito o fenômeno do dia e noite que se observa simultaneamente em toda a
superfície do globo, a face-dia iluminada pelo Sol, e a face-noite pela Lua.
Seria pueril querer aplicar ao continente asiático, por exemplo as mesmas leis
que regem a América. Já o Sol nos aponta, à sua moda, que as leis, nesse caso, não
sendo diferentes, são no entanto sucessivas em sua aplicação.
A terra é, pois, constituída pela reunião no mesmo globo, de alguns continentes
que foram outrora satélites de outro Sol. Assim, do mesmo modo que um Sol negro se
ilumina e um Sol branco se extingue, na Terra um continente se torna solar e dirigente
dos demais - acontecendo isso atualmente com o americano, como se verifica pela
destruição - e no hemisfério oposto outro continente desaparece ou se torna satélite do
que lhe sucede. Foi em obediência a essa lei que a Europa substituiu a Atlântida e este
continente sucedeu a Lemúria.

Henrique José de Souza


42
OS MISTÉRIOS DO SEXO 43

47. ORIGEM E DESTINO DA TERRA


A vida e o destino do nosso Globo, como astro do sistema solar, se acham estritamente
vinculados aos demais planetas e particularmente aos mais próximos. A Teosofia ensina
que a Terra, em sua vida planetária, constituí a quarta cadeia, em união com seis outras
esferas semelhantes que corresponderiam ao planeta desaparecido da órbita entre Marte
e Júpiter, a Marte, à Lua, a Vênus, a Mercúrio e finalmente a um planeta futuro.
Tudo quanto é terreno pertence, pois, àquela cadeia planetária representando, em
síntese, algo semelhante a um sistema numérico, do qual ela fosse a unidade de milhar
de um sistema septenário; o globo, a centena; a ronda, a dezena; a raça, a unidade e as
sub-raças, povos famílias etc., até chegar aos indivíduos, as frações das diferentes
ordens desse ou de qualquer outro sistema de numeração indefinido.

48. A DUALIDADE
A Terra é a esposa, a alma gêmea da Lua, com a qual forma esse par sexuado
que, em sânscrito, se chama Soma. É lei geral, e não exceção, que tudo seja duplo; são
duplos os sóis, conjugados se apresentam os Deuses, os homens, os irracionais, as
flores, as células, as moléculas; do mesmo modo se apresentam os átomos com seus
íons - pistilos de sua planetária flor - e seus elétrons, verdadeiros estames que são
planetas, protozoários, varonis heróis.
Não escapam à regra os homens capazes de compreender um dia o amor puro,
integral, uno e universal, que encerra em seu seio prolífero os mundos superiores e
inferiores, na suprema realidade que se chama Cosmos, por sua amorosa e conjugada
Harmonia.

49. ORIGEM DOS MUNDOS


É exatamente isso que, em linguagem velada é poética, ensina a Estância III do
livro de Dzian:

"A Última vibração da Suprema Eternidade estremece através do infinito. A Mãe


se dilata, cresce de dentro para fora, como o botão do Lôto.
"A vibração subitamente se propaga, tocando, com sua asa rápida todo o
Universo. É o germe colocado nas trevas que sopram as águas, nas profundezas da Mãe.
O raio atravessa, rapidamente, o óvulo infecundo, ele concorre para que o Ovo Eterno se
agite e faça cair o germe não eterno, que se condensa no Ovo do Mundo.
"Então, os três se tornam quatro. A Essência radiosa torna-se sete para dentro e
sete para fora. O Ovo luminoso, que em si mesmo é Trino, coagula e se estende em

Henrique José de Souza


43
OS MISTÉRIOS DO SEXO 44

fragmentos brancos, como se fora leite nas profundezas da Mãe, enquanto a Raiz, por
sua vez, cresce nas profundezas do Oceano da Vida".
Eis como na fabulosa gênese dos Universos se poderia vislumbrar o
processamento fisiológico e maravilhoso de algo como uma fantástica cópula dos
siderais progenitores de miríadas de expressões vivas. Sim, o que está em baixo é como
o que está no alto...

50. A VIDA CIRCULA EM TODO O UNIVERSO


Encerraremos este capítulo com a transcrição de uma página extraída de um livro
secreto, em verdade inacessível.
"Na origem de cada Universo o Movimento perpétuo se converte em Hálito, de
onde procede a Luz primordial, em cujas radiações se manifesta o Pensamento Eterno,
oculto nas trevas, e que chega a se expressar na Palavra ou Mantra (Hino Sagrado).
Dessa Palavra Inefável surge o Universo, a existência. A Vida imperceptível é, pois, o
Movimento equilibrado por alternadas manifestações da Força; porém, tal Movimento
se acha muito acima das forças operantes (ou em ação), em que alternativamente se
manifesta.
"A matéria é Substância primordial, apenas, no início de cada nova reconstrução
ou manifestação do Universo: é o primitivo Akasha (o Éter), o Pater Omnipotens Aeter
dos antigos, em seu grau mais grosseiro ou inferior, embora mais elevado, sem dúvida,
para nós homens, esse Raio do Sol Branco e Puro, que recebemos; prana, alento ou
hálito universal de tudo quanto em nossa Terra vive e palpita. Esse raio de Sol é tudo
para nós.
"Ele tinge com a alvura apoteótica das suas auroras, a mais elevada camada
atmosférica, rasgando as sombras da noite e dando vida, mesmo ali, a seres hiperfísicos,
por isso, ainda, tingindo de violeta as primeiras nuvens distantes, lá para as bandas do
Oriente...

"E esse filete inicial vai passando, insensivelmente, ao purpúreo, encarnado e,


finalmente, ao oiro, o primeiro Oiro celeste, que forma seu régio trono, quando a sua
máscara arredondada aparece lá para os confins do horizonte...

"As nuvens se tornam, então, durante alguns instantes, como se fossem de oiro
puro... A seguir, essas mesmas nuvens se dissipam diante da amorosa carícia de seu
calor fecundo... E o áureo raio vai incidir diretamente sobre a Terra, que ansiosa por ser
fecundada, recebe-o com infindáveis beijos, que a própria madrugada deposita sobre as
folhas mais elevadas das palmeiras, até a erva rasteira das planícies... O Homem que
esse matinal beijo, por sua vez, recebe.... de pés descalços, sente o poder vitalizante
desse mesmo prana Solar, sob a carícia do raio doirado, que lhe vem retemperar as
forças perdidas de uma véspera sempre agitada, repleta de temores e desilusões, como
só acontece à humana vida...

Henrique José de Souza


44
OS MISTÉRIOS DO SEXO 45

"E assim, continua o raio a acalentar toda a Terra, à medida que se levante o dia,
saturando a atmosfera com a sua frescura, com as áureas cintilações de sua longa
cabeleira. Aura Solar dando vida à traquéia, aos brônquios e aos pulmões das plantas,
dos animais, do próprio homem...
"Bate em cheio na face do globo, e as raízes do mundo vegetal, sentindo o
contato de seu prana, restauram os seus vigores, ativando, desse modo, a ação química
no seio dos fluidos ativos no subsolo, pelo hálito do raio solar... esse mesmo mundo
super-excitado pelo vigor das correntes que atravessam os seus próprios nervos...
"Excitada, também, a clorofila das partes verdes, verde-hemoglobina (de certo
modo rubro-verde), como o próprio sangue dos vegetais, iniciam, por sua vez, as
reações redutoras de aldeídos, que passam açucares, destes - como oiro respiratório nos
organismos superiores, de onde logo saem, por desdobramento, os prodigiosos álcoois,
do catabolismo vegetal, que o homem preferiu substituir pelos procedentes de
fermentação vinícolas ou de funestas destilações...
"O divino raio solar penetra, ainda, no seio do mar, dando vida a quantos seres
nele habitam, do mesmo modo que, no mais profundo da Terra, que embora opaca para
seus raios actínicos, no entanto, transparente para os raios infra e supra luminosos, que
se lançam nos abismos de suas entranhas..."

51. ESTADOS MÍSTICOS


Aldous Huxley, escritor inglês, lido e admirado em todo o mundo, tornou-se
mais notável por suas auto-experiências com a mescalina, publicadas recentemente em
seus livros "As Portas da Percepção" e "Céu e Inferno" (Editora Civilização Brasileira,
Rio). Defendendo a tese de que a percepção e revelação, em seu sentido místico, podem
constituir um só fenômeno, e que a capacidade visionária se consegue também por meio
de certos alcalóides, do hipnotismo e da lâmpada estroboscópica, o autor quis
comprová-lo por experiência própria. Ingere determinadas doses de mescalina e, como
nos desdobramentos ocultistas, entra bruscamente no reino dos antípodas do mundo
inconsciente. Esse outro mundo, fascinante ou pavoroso, existe realmente e se nos
manifesta segundo nosso estado de consciência. Pode ter as características do Céu se lá
chegarmos de coração puro e alma limpa: pode causar-nos os horrores do Inferno se nos
deixarmos dominar pelas emoções negativas: temor, ódio, malícia, falsidade.
A divulgação das experiências visionárias de Huxley abalou o ceticismo do
mundo intelectual moderno e valeu por uma confirmação experimental da vivência da
alma nos estados místicos religiosos. Leiamos suas próprias palavras nas páginas 89 - 91
da citada obra: "A experiência visionária negativa é, freqüentemente, seguida de
sensações corpóreas de natureza bastante especial e característica. As visões felizes são
via de regra, associadas a uma sensação de separação do corpo, a um sentimento de
despersonalização. Mas quando as experiências visionárias são terríveis e o mundo se
transfigura para pior, a individualização é intensificada e o visionário negativo sente- se
preso a um corpo que parece tornar-se cada vez mais denso, mais comprido, até que

Henrique José de Souza


45
OS MISTÉRIOS DO SEXO 46

acaba por sentir-se reduzido a condição de torturada consciência de um aglutinado de


matéria compacta, não maior que uma pedra que pudesse ser contida entre as mãos.
"Vale a pena observar que muitos dos sofrimentos narrados nas várias descrições
do Inferno são castigos de pressão e constrição. Os pecadores de Dante eram enterrados
na lama, encerrados em troncos de árvores, aprisionados em blocos de gelo, esmagados
entre rochas. Seu "Inferno" é psicologicamente verdadeiro. Muitas de suas punições são
experimentadas pelos esquizofrênicos e os que tomam mescalina ou ácido lisérgico, sob
condições desfavoráveis.
"Qual a natureza dessas condições desfavoráveis? Como e por que o Céu é
transformado em Inferno ?"
Em certos casos, a experiência visionária negativa é o resultado de causa
primordialmente fisiológica. A mescalina tende, após sua ingestão, a se acumular no
fígado. Se esse órgão estiver doente, isso pode levar a mente a sentir-se no inferno. Mas,
o que é mais importante, do ponto de vista de nosso presente estudo, é o fato de que, a
experiência visionária negativa pode ser produzida por meios puramente psicológicos. O
temor e a angústia barram o caminho para o Outro Mundo celestial e mergulham no
Inferno quem ingerir a droga.
"E o que é verdade para quem toma mescalina também é válido para os que tem
visões espontâneas ou sob a influência do hipnotismo. Foi com base nesse fundamento
psicológico que se ergueu a doutrina teológica da preservação da fé - doutrina com que
nos defrontamos em todas as grandes religiões do mundo. Os escatologistas sempre
tiveram dificuldade em conciliar seu racionalismo e sua moral com as realidades brutais
da experiência psicológica. Como racionalistas e moralistas, sentem que o bom
comportamento deve ser recompensado, e que o virtuoso merece subir ao Céu. Mas,
como psicologistas, sabem também que a virtude não é condição única, nem é
suficiente, para uma experiência visionária feliz. Sabem que as simples boas ações são
impotentes, e que é a fé, ou a confiança no amor, que assegura a bem-aventurança dessa
experiência.
"As emoções negativas - o medo, que é a ausência de confiança; o ódio, a ira ou
a maldade, que elimina o amor - trazem consigo a certeza de que a experiência
visionária, se e quando se produzir, será aterradora.
"O fariseu é um homem virtuoso; mas sua virtude é de uma espécie compatível
com as emoções negativas. Suas experiências visionárias tem pois, maiores
probabilidades de serem infernais que bem-aventuradas.
"A natureza da mente é tal que um pecador que se arrependa, e pratique um ato
de fé em um poder mais alto, tem maior probabilidade de encontrar a bem-aventurança,
na esperança visionária, do que um virtuoso de consciência tranqüila, mas que abrigue
na mente indignações, inquietações a respeito de bens e ambições materiais, hábitos
arraigados de reclamar, desprezar e condenar. Daí a enorme importância conferida, em
todas as grandes religiões, ao estado de espírito no momento da morte.
"Experiência visionária não é a mesma coisa que experiência mística. Esta se
situa além do reino do dualismo, enquanto que aquela permanece ainda dentro de sua
esfera de ação. O Céu está vinculado ao inferno, e "subir ao céu" não representa

Henrique José de Souza


46
OS MISTÉRIOS DO SEXO 47

liberação maior do que a descida ao horror. O Céu representa apenas a posição


vantajosa, da qual o Sublime Princípio poderá ser apreciado com maior clareza que ao
nível da existência individual de todos os dias.
"Se a consciência sobreviver à morte do corpo, há de fazê-lo, provavelmente, em
todos os níveis mentais - no da experiência mística, no da experiência visionária -
venturosa ou infernal - e no nível da existência cotidiana.
"Em vida, a própria experiência visionária venturosa tende para inverter suas
características, caso persista por um tempo muito longo. Muitos esquizofrênicos
possuem seus períodos de celestial bem-aventurança; mas o fato de não saberem eles (o
que não acontece com quem ingere mescalina) quando - se jamais - ser-lhes-á dado a
volver à reconfortante banalidade da existência normal, faz com que o próprio céu
pareça aterrador. Mas para aqueles que, seja qual for a razão, estiverem atemorizados, o
céu se volve em inferno, a ventura em horror, a Serena Luz, no odioso clarão da terra da
iluminação.
"Algo de natureza semelhante pode suceder após a morte. Depois de ter sido
contemplado, de relance, o ofuscante esplendor da Realidade última e após ter vagado,
de um para outro lado, entre o Céu e o Inferno, a maioria das almas acabará por
conseguir recolher-se àquela região mais tranqüila da mente, onde lhe seja possível fazer
uso dos seus e dos alheios desejos, recordações e predileções, para construir um mundo
bem semelhante ao que teve na Terra.
"Apenas uma minoria infinitesimal dos que morrem consegue ligar-se
imediatamente ao Divino Princípio; uns poucos são capazes de suportar a bem
aventurança visionária do Céu e outros tantos vêem-se envoltos pelos horrores das
visões do Inferno, ao qual não mais conseguirão escapar. A grande maioria acabará no
tipo de mundo descrito por Swedenborg e pelos médiuns, e dele, é fora de dúvida,
conseguirá passar, após preencher as condições necessárias, para outros mundos de
visionária bem aventurança ou para a Suprema Luz.
"Na minha opinião, tanto o espiritualismo como a tradição antiga estão certos.
Há um estudo póstumo, do tipo descrito por Sir Oliver Lodge, em seu livro "Raymond";
mas há também um Céu de experiência visionária venturosa, da mesma forma que um
Inferno de natureza semelhante à da aterradora experiência visionária a que estão
submetidos os esquizofrênicos e alguns dentre os que fazem uso de mescalina. Mas há
ainda outra experiência - esta, ímpar - a da união com o Sublime Princípio."

Henrique José de Souza


47
OS MISTÉRIOS DO SEXO 48

CAPÍTULO IV

Evolução Humana - As três primeiras raças - Humanidade Celeste - Espírito


Planetário - Gênese dos Mamíferos - Comparação entre as primeiras raças - Hábitat e
Continentes - Reprodução da Espécie - Separação dos Sexos - Linguagem, Forma,
sentidos - Faculdades Psíquicas - Pravriti e Nivriti-Marga - Fim do Mundo - Habitantes
da Lemúria - Lutas e decadência - Pitris Solares e Venusianos - Achados arqueológicos
da arte Lemuriana - A barca de Noé

CAPÍTULO V

Atlantes e Arianos - Raça equilibrante - Atlântida e seus limites - Destruição do


continente - Sentidos e caracteres - Sub-raças - Guerras Táraka - A lenda de Herodes -
Sementes da Quinta Raça.

CAPÍTULO VI

Miscigenação pós-atlante - Incógnitas comunicações - Civilização pré-Incaica -


Manco-Capac e Mama-Oclo - Manú brasileiro - Direito das raças - Todos do Brasil -
Mulukurumbas e Kahunas

CAPÍTULO VII

Henrique José de Souza


48
OS MISTÉRIOS DO SEXO 49

Pensamentos e formas-pensamento - Sua natureza e poder - Efeitos dos


Pensamentos - Evolução da matéria Mental - Formas e Cores - Origem dos habitantes -
Elementais da natureza - Elementares da mente humana - Entidades permanentes -
Efeitos da música no mundo mental - O dever do homem.

Henrique José de Souza


49
OS MISTÉRIOS DO SEXO 50

CAPÍTULO IV

52. EVOLUÇÃO HUMANA


A História da evolução humana, como a da própria Terra, não se resume aos
períodos da vida do nosso globo. Um comentário das Estâncias de Dzyan, citado por
H.P. Blavatsky em sua obra "A Doutrina Secreta" e por M. Roso de Luna em "O
Simbolismo das Religiões do Mundo", oferece-nos um ensinamento autenticamente
ocultista, ao dizer que enquanto o homem desenvolve neste mundo sua vida física, seu
espírito habita as estrelas.
Com efeito, as mônadas, segundo afirma Plutarco, procedem do Sol, a estrela do
nosso sistema, e a ela voltam depois de cada reencarnação terrena, como se fossem
verdadeiros cometas; mas por força da lei serial da Analogia, reencarnam
sucessivamente na Terra. Esta, como ser vivo que é, possui seu Espírito Planetário, o
qual, por sua vez, está subordinado a um ciclo consideravelmente mais amplo de
reencarnações. Este ciclo é expresso na doutrina oriental das Cadeias, Globos, Rondas,
Raças e Sub-raças, por unidades setenais de diferentes ordens, como diria um
matemático. Razão por que a História da Terra e a origem das raças permanecerão
ignoradas pelos pesquisadores que não dispõem de outros subsídios e fontes de
consultas além dos ensinamentos exotéricos das religiões e das constatações da ciência
acadêmica.

53. HUMANIDADE CELESTE


O quarto globo, que é a Terra, já desenvolveu três Rondas ou ciclos completos de vida
e, portanto, de vidas terrenas, segundo a tradicional Doutrina do Oriente, e, ao iniciar
sua quarta ronda, a atual, já recebeu germes vitais de seu antecessor e vizinho planeta, a
Lua, hoje satélite. À frente de tais elementos, uma humanidade Celeste, a dos Pitris ou
"Pais lunares", desceu à "Ilha Sagrada" ou região do Pólo Norte da Terra (Pólo espiritual
e não geográfico), onde estabeleceu a sua morada em continente paradisíaco,
denominado "Ilha Branca" em diferentes teogonias.
Essa Ilha possuía clima tropical, e dela restam ainda inúmeros testemunhas
geológicos. Provavelmente, o eixo da Terra estivesse colocado em posição diferente da
atual, ou, talvez, o nosso globo apresentasse ao Sol sempre a mesma face, à semelhança
do que se dá agora com a Lua em relação ao nosso planeta. Seu centro de iluminação
estaria no Polo Norte, seu eixo de rotação coincidiria com o plano da eclíptica.
Naquele remotíssimo período da História da Terra, depois de sofrer inenarráveis
convulsões, emergia aos poucos das águas efervescentes o mencionado continente a que
se deu o nome de Ilha Branca, também chamado de ponta do Monte Meru, em Pleno

Henrique José de Souza


50
OS MISTÉRIOS DO SEXO 51

Polo Norte. E sete promontórios, como se representassem, em síntese, os próprios


globos ou astros, os dwipas ou continentes futuros, se formaram no ponto de junção, ao
qual se dá o nome de Púshkara, termo sânscrito que se pode traduzir por "mar de leite
ou de manteiga clarificada", nome, aliás, destinado a designar o sétimo continente, ainda
adormecido nas profundezas insondáveis dos mares.

54. PRIMEIRA RAÇA


As sementes da vida lançadas nesse continente deram origem à primeira raça
humana, cujo estado de consciência era o átmico, relativo a Atmã, nosso sétimo
princípio. Eram os "filhos da Ioga", assim chamados por terem sido originados pelas
projeções mentais dos Pítris Lunares, da hierarquia dos Barishads, enquanto
concentrados na meditação. Tais seres resultaram das experiências de outras cadeias
celestes, tendo sido denominados "auto-gerados", por não descenderem de pais
humanos.
A propagação da espécie era feita por cissiparidade, desenvolvendo-se em forma
de gomos, como se nota em algumas espécies de plantas. No começo dividiam-se em
duas metas iguais, mais tarde, em porções desiguais, produzindo descendentes menores,
que cresciam para dar origem, por sua vez, a novos rebentos.
Tais seres, que nada possuíam de humanos, não passavam de formas frustras
(Bhutas, como denomina a tradição oriental), filamentosos, sem sexo, quase protistas,
emanadas do corpo etérico de seus progenitores. Quase inconscientes, podiam manter a
posição erecta, andar, correr, e "voar", embora simples chayas ou sombras, desprovidas
de sentidos, exceto da audição, correspondendo às impressões do AR.
Não voavam propriamente, como se lê nos velhos livros; eram levados muitas
vezes a grandes distâncias pelas rajadas mais fortes do vento. Fora disso, arrastavam-se,
moviam-se, preguiçosamente, baloiçavam inertes a diferentes altitudes, ao sabor das
correntes de ar, assemelhando-se a estranhas figuras de aeróstatos semi-humanos ou de
bonecos imponderáveis, de variadas formas e tamanhos, alguns de estatura maior que a
dos homens atuais. Seus movimentos davam a impressão de aves recém saídas dos
ovos, outros se pareciam a curiosas plantas semoventes, flexíveis e ondulantes.
Na fronte apresentavam uma protuberância, com aparência de botão convexo,
indício de um olho embrionário, que melhor se distinguirá na segunda raça, vindo a
desabrochar no começo da terceira. As orelhas eram como duas rodelas esponjosas e
flácidas, em cujo centro se localizava o conduto auditivo externo.
Dizem as primitivas escrituras do Oriente que o planeta governante foi o Sol,
mas para os iniciados poderíamos dizer que foi Urano.

55. SEGUNDA RAÇA

Henrique José de Souza


51
OS MISTÉRIOS DO SEXO 52

A segunda raça foi criada sob a égide do planeta Júpiter. Correspondia francamente ao
estado de consciência intuicional ou Búdico, que é o que vibra no sexto princípio. Ao
sentido da audição, desenvolvido na primeira raça, juntava-se o tato, correspondendo
aos impactos do Fogo e do Ar. Para o pleno desenvolvimento de seus indivíduos, os
espíritos da natureza, também chamados elementais, construíram em torno dos chayas
moléculas mais densas de matéria, formando uma espécie de urdidura protetora, de
maneira que o exterior (chaya) da primeira raça tornava-se o interior da segunda,
equivalente pois ao seu duplo etérico.
Suas formas, de brilhantes matizes, apresentavam-se ainda filamentosas,
arborescentes, com vestígios também animais, repetindo as três rondas anteriores,
durante as quais se desenvolveram os reinos mineral, vegetal e animal. De uma
coloração amarelo-ouro, os indivíduos melhor desenvolvidos, apresentavam, já nos
meados do ciclo evolutivo dessa raça, aparências semi-humanas, principalmente na
conformação do crânio e das faces.
Reproduziam-se de dois modos distintos: os assexuados desdobravam-se, como
os indivíduos da primeira raça, razão por que tomaram o nome de andróginos latentes.

56. GÊNESE DOS MAMÍFEROS


Dos germes abandonados pelos ares da segunda raça, aos quais não se podia ainda
considerar como pertencentes a espécie humana, foram desenvolvendo-se gradualmente
os primeiros mamíferos. Os animais da escala zoológica inferior a estes, iam
paralelamente sendo constituídos pelos elementos ou espíritos da natureza, utilizando-se
dos tipos elaborados durante a terceira ronda.
O continente habitado pela segunda raça denominava-se Hiperbóreo ou Plaska,
na terminologia das escrituras orientais. Ocupava o Norte da Ásia, ligando a
Groenlândia ao Kamtchatka. Era limitado ao sul pelas águas do mar que cobriam as
areias do atual deserto de Góbi. Compreendia ainda o Spitzberg, grande parte da Suécia,
Noruega e das Ilhas Britânicas. O Clima era tropical e luxuriante a vegetação.

57. TERCEIRA RAÇA


Nasceram os primeiros seres da terceira raça sob a égide do planeta Vênus, a cuja
influência se devem, desde aquela remotíssima era, os biótipos hermafroditas. O estado
de consciência dessa raça correspondia ao de Atmã-Budi-Manas, desde que aos sétimo e
sexto princípios das duas raças anteriores (crístico e intuicional), veio juntar-se o quinto,
relacionado ao mental superior, incorporando-se a Tríade sagrada do primeiro autêntico
homem.
A partir de meados da evolução da terceira raça os seres passaram a manifestar-
se com todas as características gerais dos seres humanos. Possuíam uma razão,
conquanto incipiente e pueril, (polo positivo do organismo); um sexo (polo negativo),
que começava por expressar uma cruz, para terminar em glorificação com a vitória

Henrique José de Souza


52
OS MISTÉRIOS DO SEXO 53

sobre o instinto sexual; uma noção de responsabilidade ou de equilíbrio entre os


postulados da razão ou mente e as exigências do sexo, constituindo assim o fiel da
balança (com vista ao que dissemos a respeito do Sol branco e do Sol negro e de sua
simbolização esotérica em forma de balança), entre a vida física ou material, vinculada
ao sexo, e a vida intelectual ou espiritual, que define o homem como ser pensante,
racional e verdadeiro manú. Daí o considerar-se a terceira raça-mãe como a primeira,
por se haverem nela concebido e gerado os primeiros autênticos representantes da
humanidade.

58. RELAÇÃO ENTRE AS TRÊS PRIMEIRAS RAÇAS


Sirvam de comparações e comentários acerca dessas três primeiras etapas da
evolução humana, as seguintes palavras transcritas do livro "O simbolismo das
Religiões do Mundo", de Roso de Luna:
"Assim como os homens da primeira raça foram exaltados e dirigidos por Pais
ou Mestres Lunares (Pitris Barishads); os da segunda, por seres ainda mais elevados, os
Pitris Solares (os luminosos Agniswattas); os da terceira o foram pelos Pitris Makaras,
Manus (Manus-kara ou ainda Kumaras). Estes sacrificaram-se oferecendo-nos a Mente,
o Fogo Divino do Pensamento, caindo entre nós, aceitaram nossas limitações físicas,
inclusive as de nosso cárcere ou corpo carnal (donde a mitológica expressão "Prometeu
acorrentado ao Cáucaso), mundo inferior ou infernal, que as religiões pregam até hoje
como "A Queda dos Anjos", se bem que desvirtuando lamentavelmente seu verdadeiro
sentido. Sim, desse mesmo modo acontece à humanidade, segundo a lei teosófica da
analogia, ou seja, que o homem é criado e alimentado fisicamente no lugar de seu
nascimento pelos pais físicos (primeiro período ou raça); depois, na escola, pelos pais
morais, a que chamamos de professores e mestres (segunda raça ou período); enfim,
quando alcançamos o final da instrução, aptos a cumprir nossa missão no mundo social
(terceiro período ou raça), tomamos por Norte ou rumo (espiritual farol), a um
verdadeiro Guru, guia supremo ideal que, por suas obras e exemplos, mesmo quando
distante de nós há muitos séculos e de acordo com o esforço próprio, segundo as leis do
Ocultismo, não só nos guia, mas ainda, pela renúncia e abnegação, oferece-nos sua
própria Mente, como prova, na maioria dos casos, passar seu estilo ao discípulo,
constituindo, portanto, as características das escolas filosóficas, religiosas, artísticas e
científicas.
"Uma vez de posse desses preciosos graus evolutivos, o aprendiz, discípulo ou
chela adquire consciente responsabilidade, como a tiveram os homens da terceira raça,
os primeiros que possuíram a Mente e o Sexo, os dois principais fatores da vida
humana, aquela para as criações mentais e este para a reprodução da espécie".

59. HABITAT DA TERCEIRA RAÇA


O Continente chamado Lemúria é o mesmo Shalmali das escrituras orientais. Foi
formado pela emersão da cadeia do Himalaia do seio do oceano, e ao sul, com a dos

Henrique José de Souza


53
OS MISTÉRIOS DO SEXO 54

continentes que se elevam para Leste, do lado de Ceilão, da Austrália até a Tasmânia e a
ilha da Páscoa (famosa pelo ciclópicos achados arqueológicos) e para oeste até
Madagascar. Uma parte da Á África emerge igualmente; a Suécia, a Noruega e a Sibéria
conservam-se.
No decorrer dos tempos, tal continente teve de suportar numerosos cataclismos,
devido às erupções vulcânicas e aos tremores de terra. Uma inclinação, ou antes,
rebaixamento, começou na Noruega e esse antigo continente desapareceu durante algum
tempo sob as águas. Há cerca de sete milhões de anos, no período Eoceno (da era
terciária), houve uma grande convulsão vulcânica que destruiu quase toda a Lemúria,
não subsistindo senão fragmentos, tais como a Austrália, Madagascar, a ilha da Páscoa
etc. Nos meados da evolução da terceira raça ocorreram fortes variações climáticas que
fizeram desaparecer os últimos vestígios da segunda, assim como os primeiros
representantes da terceira.

60. REPRODUÇÃO DA ESPÉCIE


A reprodução obedecia a três tipos diferentes. Na primeira, segunda e terceira sub-raças
da Raça Lemuriana, os indivíduos eram nascidos do suor. Os sexos somente se
desenvolveram na segunda sub-raça, produzindo seres nitidamente andróginos,
apresentando distintamente o biótipo humano. Durante a terceira e quarta sub-raças, os
indivíduos passaram a nascer do ovo; na terceira ocorreu a produção de hermafroditas
bem desenvolvidos desde o nascimento, e capazes de se locomover ao sair do ovo. Suas
formas serviram de veículos aos Senhores de Vênus. Na quarta sub-raça, um dos sexos
começou a predominar sobre o outro, e pouco a pouco foram saindo do ovo machos e
fêmeas. Os recém-nascidos careciam de maiores cuidados. Já não podiam, ao romper do
ovo, movimentar-se pelas próprias forças. Durante as três últimas sub-raças tem lugar o
humano desenvolvimento. Na quinta continuam ainda nascendo do ovo, mas este é
paulatinamente retido no seio materno. O filho nasce débil, impotente. Durante a sexta e
sétima sub-raças a criação intra-uterina se torna universal.

61. SEPARAÇÃO DOS SEXOS


A separação dos sexos se deu na terceira raça, sob o domínio de Marte (Lohitanga), cuja
característica é Kama, natureza passional ou psíquica e por isso os seres eram quase
totalmente desprovidos de mental. Daí a chamada "Queda no Sexo", a qual só poderia
ocorrer nessa raça, de vez que nas anteriores não havia dualidade sexual. Assim, a tríade

Henrique José de Souza


54
OS MISTÉRIOS DO SEXO 55

superior, representada pelo mental ou intelecto, tem por antagônica ou oposta a tríade
inferior, na própria conformação anatômica da região pubiana ou sexual.
O exame ginecológico dos órgãos genitais da mulher mostra que seu aspecto
interno corresponde ao aspecto exterior dos órgãos masculinos. Marañon, o grande
endocrinólogo espanhol, dizia que o homem e a mulher apresentam externamente seu
sexo e, internamente, o oposto. O mental e o sexo foram dados ao mesmo tempo ao
homem, justamente quando sua evolução alcançou a primeira etapa da responsabilidade
perante a Lei. Daí a necessidade de manifestar-se imediatamente na face da Terra a
Grande Hierarquia Oculta, de que falamos no capítulo anterior, constituída de seres
evoluídos, com a missão de guiar a humanidade nascente, que carecia de especiais
cuidados, como os recém-nascidos e as crianças os devem receber de seus genitores.
Quando esse mental chegar a tornar-se tão puro quanto o de sua origem (mundo
superior ou divino) desaparecerá o sexo, pois o mesmo andrógino do começo se
manifestará consciente, iluminado ou equilibrado, Uno com o Pai.
Os adeptos ou iluminados, embora não possam considerar-se andróginos,
anatomicamente falando, já se encontram nessas condições espirituais de evolução,
tanto que são designados "mercurianos perfeitos", andróginos ou hermafroditas (Hermés
Afrodita, iguais a Mercúrio e Vênus).

62. LINGUAGEM DA TERCEIRA RAÇA


Durante a primeira e segunda sub-raça, a linguagem consistia apenas em gritos de
espanto, dor ou prazer, interjeições de amor e ódio, tristeza e alegria. Na terceira sub-
raça se torna monossilábica e assim se transfere para a quarta, como se nota já pelos
termos zac, mu, ka, ra, ak, respectivamente nomes do tempo, país, corpo, alma, espírito,
sendo que os dois últimos passaram, como tantos outros, para a primitiva civilização
egípcia: Ka, o corpo astral, e Ra, a alma universal, e Sol o espírito. A palavra sânscrita
Makara se dá aos Assuras, aos Mu, Ka e Ra no sentido de filhos do Sol, corpos ígneos,
leões ardentes, segundo várias teogonias, embora nenhuma delas se tivesse preocupado
com a chave filológica. A linguagem Maya, vergôntea da raça atlante, é por sua vez rica
em vocábulos com esses radicais, o que vem abonar nossas assertivas acerca da origem
da linguagem.

63. FORMA, COR E SENTIDOS


Os homens da terceira raça possuíam corpos gigantescos, acompanhando
fisicamente a evolução da Cadeia e de todos os seres dos demais reinos da natureza.
tinham que enfrentar animais monstruosos, tais como os pterodáctilos, dinossauros,
megalossauros e outros do mesmo porte, comuns na era lemuriana.
Apresentavam a fronte inclinada, o nariz achatado e o queixo proeminente.
Predominava a cor avermelhada com variedades de tons. Os andróginos divinos eram da

Henrique José de Souza


55
OS MISTÉRIOS DO SEXO 56

cor ouro velho brilhante, com um fulgor que lhes provinha da própria Mônada na sua
tríplice manifestação átmica, búdica ou manásica.
Os órgãos visuais desenvolveram-se a princípio pela refulgência de um só olho
no centro da fronte; que depois foi involuindo para tornar-se o terceiro olho da visão
interior ou espiritual, com a qual se relaciona a glândula pineal. Muito mais tarde foram
se formando os dois olhos latero-subfrontais, cuja plena função só veio manifestar-se na
sétima sub-raça e nos primórdios da quarta raça-mãe ou atlante.
Os princípios Atmã-Budi-Manas, ou tríade superior, caracterizavam o estado de
consciência da terceira raça e correspondiam aos impactos do fogo, ar e água. Aos
sentidos preexistentes do tato e audição, somou-se, da maneira que tentamos resumir, o
da visão. Os homens daquela raça pecaram, portanto, pela visão e pelo instinto, como
era natural para a realização das experiências evolucionais.

64. FACULDADES PSÍQUICAS


Selvagens em aparência, não possuíam qualquer dom intuitivo. Obedeciam apenas, e
sem menor esforço, a todos os impulsos dos Reis Divinos, sob cujas ordens construíram
grandes cidades, enormes templos com imagens colossais, de que ainda hoje se
encontram destroços nas escavações da Ilhas Palenque e de Páscoa (1), além das ruínas
que os sucessivos cataclismos fizeram submergir nas profundezas dos mares.
Os lemurianos eram senhores de um poder psíquico fantástico, difícil de ser
entendido pelo raciocínio de nossos dias. Tal poder lhe permitia obter tudo quanto
desejassem no seu ambiente; um animal, um objeto, a rendição de um inimigo. Não era
o mental, então quase nulo ou incipiente, que lhes dava tão grande força, mas o
desenvolvimento psíquico ou "astral", de origem superior e sabiamente dirigido pelos
reis divinos.
Ultrapassada essa primeira fase da evolução humana, tornou-se condenável o
emprego de semelhantes forças ou "sidhis". Excetuam-se os adeptos da Boa Lei, que só
se utilizam desse poder para fins transcendentes, como, por exemplo, para construir ou
reconstruir uma obra de caráter espiritualista ou para assinalar novas etapas
evolucionais.
Como exemplos recentes da aplicação de forças dessa natureza, poderíamos
apontar dois grandes acontecimentos que, por serem de nossos dias, são bem conhecidos
pelos estudiosos ocultistas e teosofistas. Trata-se da fundação na América do Norte, em
fins do século passado, da Theosophical Society, cuja sede mais tarde retrocedeu para a
India, sendo hoje conhecido em nossos meios por Sociedade Teosófica Adiar ou
Mundial; e da fundação em Niterói, RJ, na segunda década deste século, de Dhâranâ
Sociedade Mental e Espiritualista, em seguida denominada Sociedade Teosófica
Brasileira e mais tarde Sociedade Brasileira de Eubiose, ocasiões em que ocorreram, em
torno das pessoas de seus fundadores, lá e aqui, fenômenos e fatos de extraordinária
relevância, apesar de ininteligíveis ao mental discursivo e, por isso mesmo,
considerados "impossíveis" ou "absurdos" na opinião dos que não dispõem de
conhecimentos herméticos nem de uma percepção intuicional.

Henrique José de Souza


56
OS MISTÉRIOS DO SEXO 57

65. PERÍODOS DE "PRAVRITI-MARGA" E "NIVRITI-MARGA"


Atingiu-se naquela raça o último passo da Mônada, na curva descendente do
grande esquema evolucional, chamado em sânscrito "Pravriti-Marga", da vida-energia,
em que a consciência suprema arde intimamente à matéria cada vez mais densa. Aqueles
mesmos princípios superiores, Átmico, Búdico e Manásico (ou, em termos que
aproximadamente lhes correspondem: espiritual, intuicional e mental), a Mônada os
manifestará em sentido inverso, durante o período de ascensão. "Nivriti-Marga" -
quando ela se movimenta no sentido de retorno à sua origem divina, à Casa de Deus,
não sendo outro o significado da parábola evangélica: o filho pródigo regressa à Casa
paterna, filho que se arrepende e se regenera ou renasce na vida eterna.
O período de ascensão começou com a quinta raça-mãe, chamada ária ou ariana
por se relacionar com o ciclo de Áries, o carneiro, durante a qual está se desenvolvendo
Manas, o princípio mental; para, na sexta, desenvolver-se a plena intuição, razão
iluminada ou princípio Búdico, em que tudo será visto e entendido simultaneamente; e,
na sétima raça, atingir-se-á finalmente a perfeição e o conhecimento do sétimo princípio
inerente a Atmã, longínqua era futura, em que a Mônada - após ter evoluído em cada um
dos sete estados de consciência - vivenciará a Superação pela conquista integral da
consciência divina ou, por outras palavras, pela sua perfeita identificação na Unidade de
onde procede.
Só então se restabelecerá o equilíbrio perfeito entre os três mundos; espiritual,
psíquico e físico. Mas até lá .... devemos percorrer ainda duas sub-raças, mais as duas
raças-mãe faltantes e suas respectivas sete sub-raças. Uma verdadeira eternidade de
vidas e experiências antes de completarmos a presente Ronda.

66. FIM DO MUNDO E "JUÍZO FINAL"


A vida da humanidade é repartida em grande ciclos e dentro destes, outros menores,
incorreto, pois, falar-se em fim do mundo e juízo final, sendo menos errado dizer-se fim
de ciclo e julgamento cíclico ou periódico, como aquele pelo qual a humanidade passou
agora no ano de 1956, sem que de tal Julgamento tenha ela sequer tomado
conhecimento...
Os falsos profetas, os adivinhadores da astrologia mercantil e seus concorrentes
de curta vidência e duvidosos dons mediúnicos, vem desde remotos tempos, apavorando
os crédulos com reiterados e sombrios prognósticos de iminente catástrofes, causando
pânico as populações e graves desequilíbrios neuropsíquicos aos mais sugestionáveis.
Basta que Marte se aproxime da órbita da Terra, ou que se aviste a cabeleira luminosa
de um inocente cometa, como sucedeu ao surgir o Halley em 1910 na sua maravilhosa
função de astro fecundador cósmico, para que comecem a esvoaçar de seus tugúrios as
aves agourentas. E logo se põem a grasnar os vaticínios do "fim do mundo" e do "juízo
final".

Henrique José de Souza


57
OS MISTÉRIOS DO SEXO 58

67. HABITANTES DA LEMÚRIA


A população da terceira raça dividia-se em três classes, a saber: 1) Os seres chamados
Senhores de Vênus; 2) Os Reis Divinos, emanados das hierarquias dos Agniswattas, e 3)
Os Agniswattas da classe inferior, constituída pelos descendentes dos cruzamentos da
raça divina com a terrena, e que mais tarde se tornaram Arhats. Daí a expressão de
"arhat de fogo", que ainda hoje se dá ao Adepto que alcançou a mais elevada categoria
iniciática, visto que Agniswatta quer dizer "leões de fogo", seres ígneos, solares.
Também por isso é que existe, desde aquela era, a Hierarquia Oculta que, em plena
Aryavartha toma o nome de Sudha Dharma Mandalam, com o sentido de Irmãos da
Pureza, Grande Fraternidade Branca, Confraria dos Bhante-Yaul.

68. LUTAS E DECADÊNCIA


Depois da separação dos sexos, as paixões carnais eclodiram de maneira insopitável e
generalizada, envolvendo até os seres superiores, que foram atraídos por mulheres de
classe inferior. Os desregramentos sexuais e a depravação alastraram-se por todo o
continente. Originou-se o primeiro conflito entre os Pitris e Barishads, que se
mantiveram puros e fiéis às leis da Divina Hierarquia e os que decaíram na sua
sensualidade que, de resto, era quase toda a população adulta.
As famílias não contaminadas pelo vírus da luxúria foram se retirando para o
norte; os corrompidos emigraram para o sul, na razão das raças de Caim e Abel, de
errônea interpretação no Velho Testamento. Mal interpretados tem sido também os
termos simbólicos de três ramos raciais: Sem, Cam, Jafé ou sejam, a raça semita ou
amarela, para Sem; a negra para Cam (Caim ou mesmo Kam, Kama, do sânscrito,
significando paixão, princípios inferiores donde a religião camanista ou dos shamamos,
do deserto de Góbi, que logo caiu em decadência passou a chamar-se camanismo); a
branca, para Jafé. Em outras palavras, asiática, africana e européia, expressas nos três
reis magos da Bíblia, como uma entre as sete chaves interpretativas que possuem os
símbolos ou coisas veladas.
Quanto aos povos de leste e oeste, decaíram ainda mais, a ponto de se
conjugarem a grosseiros elementais, ou rackshasas negros, que foram causadores da
queda da raça atlante, como se verá mais tarde. Adoravam a matéria, praticavam a
magia negra, servindo-se dos raios lunares , cuja cor violeta é nociva ao duplo etérico;
praticavam grande número de assassinatos, inclusive de mulheres grávidas para lhes
extraírem do ventre os fetos, que devoravam animalescamente. Não admira, pois, que os
canibais, vergônteas da raça lemuriana, devorem as esposas consideradas imprestáveis.

69. VESTÍGIOS DA VINDA DOS PITRIS

Henrique José de Souza


58
OS MISTÉRIOS DO SEXO 59

De que estiveram na Terra os Pitris solares e venusianos, primeiros instrutores da


humanidade, existe uma tradicional recordação em todas as teogonias, além de vestígios
indeléveis, como a descoberta do fogo; o ensino da linguagem; os princípios radiculares
das artes e das ciências, encontrados nas lendas de Muisca e Moisés, depois transmitidos
aos bardos e profetas; o ensino das "mantras" mágicos, que mais tarde se integraram aos
Vedas; a flauta de Pã, as liras de Apolo e de Orfeu; o Cânone arquitetural das
proporções; os desenhos das primitivas invenções (roda, polia, plano inclinado,
alavanca, balança, torno, pêndulo); os primeiros conhecimentos religiosos superiores, no
sentido de religar ou ligar duas vezes, porque, além do vínculo filial que unia a nascente
humanidade aos Pitris, surgia a ligação cármica e moral, como dívida de gratidão dos
homens em relação àqueles seus primordiais mestres e benfeitores.

70. DESCENDENTES ATUAIS


São descendentes dos lemurianos os aborígenes da Austrália e da Tasmânia,
provenientes da sétima sub-raça; ou malaios, os papuas, os hotentotes; os dravídios do
sul da Índia também descendentes daquela e das primeiras sub-raças atlantes. Todas as
raças tipicamente negras são descendentes da Lemúria, donde suas "nidhanas" ou
tendências psíquicas pela prática da goécia ou magia negra.
Segundo as teogonias, os antropóides são os últimos descendentes de um
cruzamento racial havido entre os decaídos lemurianos com uma espécie de animal
parecido com a lontra. A reprodução teratogênica se tornou impraticável graças à
própria evolução haver afastado o homem do reino inferior, conferindo-lhe diversa
constituição bioendócrina.

71. QUARTA RAÇA-MÃE - OS ATLANTES


Das últimas sub-raças da Lemúria originou-se a quarta raça-raiz que, como o seu
"hábitat", recebeu o nome de atlante. Teve início acerca de oito milhões de anos, na
segunda metade da era secundária. O Manú da quarta raça escolheu entre os
remanescentes da terceira, aqueles mais desenvolvidos, moral e espiritualmente,
constituindo uma elite e os conduziu para o norte, a fim de reuní-los e desenvolvê-los
numa região, a que se deu o nome de Terra Sagrada.
Essa, em síntese, a verdadeira interpretação de passagem bíblica que fala de Noé
(2) e da barca da salvação, de seu intuito manúsico de selecionar e abrigar o povo eleito,
de salvá-lo do dilúvio universal em sua grande arca (ou Agarta). Chegados os tempos, o
Manú desceu com seu povo para as regiões setentrionais da Ásia, salvas dos grandes
cataclismos lemurianos, passando a ocupar o continente Atlante, onde iria desenvolver-
se a nova raça.

Henrique José de Souza


59
OS MISTÉRIOS DO SEXO 60

72. O SEGREDO DA ILHA DA PÁSCOA


Não podemos hoje, quando nos referimos às ruínas ciclópicas da raça lemuriana,
deixar de citar o livro de Thor Heyerdahl - "AKU-AKU, O SEGREDO DA ILHA DE
PÁSCOA" (Edições Melhoramentos, S. Paulo). Os achados arqueológicos recentes
vieram esclarecer os textos da tradição oriental e, para os teosofistas, confirmar o
sentido de ensinamentos esotéricos de nosso Mestre acerca das civilizações pré-
históricas.
Transcreveremos aqui, para satisfação de nossos leitores que não possuem o
citado livro, um comentário de seus editores:
"Quando Thor Heyerdahl voltou às ilhas dos mares do sul, oito anos após a
aventurosa viagem da jangada Kon Tiki, a sua meta foi a ilha da Páscoa, a ilha das
misteriosas estátuas gigantescas que confundem os cientistas do mundo. A ilha é a
morada mais solitária. Naquela época seu único contato com a civilização era feito por
um navio do Chile que lhe fazia breve visita uma vez por ano. Mas os nativos tiveram
notícias de Kon Tiki.
"Heyerdahl foi alvo de recepção sem precedentes, quando armou suas tendas no
antigo sítio do lendário Rei Hotu Matua e deu início às primeiras escavações. Os
habitantes logo começaram a atribuír-lhe poderes supernaturais. Aquele homem que
devolvia à luz do dia estátuas descomunais e esculturas estranhas, de que ninguém
jamais tivera notícias, deveria ser um dos antepassados lemurianos que regressava para
junto deles.
"Com o transcorrer dos meses, os vínculos que ligavam o "Sr Kon-Tiki" aos
nativos se fizeram íntimos. Os nativos admitiram que ele possuísse um aku-aku
poderoso, espécie de espírito protetor de uso privado, que o ajudava em tudo quanto ele
empreendia. Eles, então, o iniciaram nas suas tradições mais secretas. Revelaram-lhe
como seus ancestrais, sem disporem de qualquer equipamento além do tronco de árvore
e pedras, foram capazes de esculpir e levantar aqueles colossos de granito de forma
humana, de dez a catorze metros de altura e pesando até setenta toneladas. Thor
Heyerdahl foi o primeiro europeu a ser admitido pelos insulares em suas cavernas
subterrâneas e secretas, cheias de tesouros artísticos de valor inestimável, bem como de
relíquias apavorantes.
"Essa expedição a um Mundo subterrâneo, que quase lhe custou a vida, lançou
nova luz sobre a cultura e as idéias religiosas dos habitantes da Ilha da Páscoa".
(2) O nome de Noé, lido anagramaticamente dá o termo grego Eon, que, por
causalidade, significa a manifestação de Deus na Terra.

CAPÍTULO V

Henrique José de Souza


60
OS MISTÉRIOS DO SEXO 61

73. RAÇA EQUILIBRANTE


A quarta raça-mãe é a equilibrante entre as três primeiras e as três últimas,
assunto omisso nas escrituras orientais. A humanidade atual pertence à quinta,
achando-nos por isso à base do triângulo divino, cujo vértice aponta para o alto.
Deuses e Homens formaram a humanidade da raça equilibrante. Cada rei ou
Dhyan-Chohan - os sete reis de Edon, Edem ou paraíso terrestre - dirigia uma das sete
cidades, enquanto na oitava se encontrava a expressão do próprio Logos, o Uno-Trino
de que foram auto-geradas as cidades constituintes de um sistema geográfico que era a
reprodução fiel de um sistema planetário, a oitava representando o Sol central, e as
demais os sete planetas.
A raça atlante foi governada por Lua e Saturno, isto é, desenvolveu-se sob a
égide desses planetas, que davam o espírito deífico e equilibrante aos seus
representantes, mas também a facilidade de entrar em decadência quando havia qualquer
vacilação por parte dos chamados deuses que a dirigiam. Uma espécie de balança em
fiel, mas se a concha se depositava o mal descambasse com o peso de Kama ou Tamas,
tudo estaria perdido. Foi, de fato, o que sucedeu por terem prevalecido os instintos
grosseiros da raça anterior.

74. ATLÂNTIDA E SEUS LIMITES


A Atlântida é conhecida com o nome de Kucha nos arquivos ocultos,
denominando-se também , país de Mú, inclusive entre os Maias, que figuram entre seus
rebentos. O continente compreendia o Norte da Ásia, quase toda a costa oriental das
Américas. Ao Sul estendia-se pela India, Ceilão, Birmânia e Malásia. A Oeste, a Pérsia,
Arábia, Síria, Abissínia e as regiões banhadas pela bacia do Mediterrâneo. Da Escócia e
da Irlanda, projetava-se para o Leste sobre a região hoje tomada pelo Oceano Atlântico e
grande parte da costa ocidental das Américas. O Brasil, como outras regiões, escapou
ileso aos grandes cataclismos. Habitamos, portanto, um grande país positivamente
atlante(1).

75. DESTRUIÇÃO DO CONTINENTE


A Atlântida sofreu grande transformação geográfica desde a primeira catástrofe, que a
despedaçou em sete ilhas de tamanhos e configurações diversas, verdadeiros fantasmas
ou duplos das sete cidades sagradas. Estima-se que isso tenha ocorrido em meados do
período Mioceno, há quatro milhões de anos, tendo provocado a elevação das regiões
que vieram a constituir a Escandinávia, grande parte da Europa meridional, o Egito,
quase toda a Africa e parte da América do Norte; no passo que submergia a Ásia
setentrional, separando, desse modo, a Atlântida da Terra Sagrada.
Os continentes chamados Ruta e Daitia, que jazem no fundo do Atlântico, foram
separados da América à qual estavam ligados por grande faixa de terra que desapareceu
há uns oitocentos e cinquenta mil anos, com o cataclismo do fim do Plioceno. Tais

Henrique José de Souza


61
OS MISTÉRIOS DO SEXO 62

continentes se transformaram em duas ilhas que, por sua vez, foram tragadas pelas
águas há perto de duzentos e cinquenta mil anos. Depois disso só restava em pleno
oceano a ilha de Posseidon, que alguns historiadores supõem ter sido todo o continente
da Atlântida. Finalmente, também essa ilha veio a submergir em conseqüência de um
maremoto vulcânico, numa data que a cronologia esotérica estima em nove mil
quinhentos e sessenta e quatro anos antes da era cristã. (2).

76. VEÍCULOS E SENTIDOS


Na raça atlante o veículo físico adquiriu o máximo da densidade, uma vez que ela
atingiu o clímax no caminho da descida (pravriti-marga). O mental desenvolvia-se
lentamente, pois a característica era o veículo kamásico, onde a consciência se focava.
Sobre o terceiro olho, diz a Doutrina Secreta:
"Quando a quarta raça chegou à metade de sua carreira, a visão interna teve que
ser despertada e adquiriu por estímulos artificiais, cujos procedimentos eram conhecidos
pelos antigos sábios. O terceiro olho involuiu e desapareceu gradualmente, internando-
se no centro do cérebro (onde viria a transformar-se em glândula pineal). Os seres de
uma só face se converteram em homens de dois olhos e dupla face".

77. CARACTERES GERAIS


A influência negativa dos planetas regentes, Lua e Saturno, contribuiu para que
se generalizasse a prática da magia negra, mormente por meio do hipnotismo. A
linguagem era aglutinante na terceira, quarta e quinta sub-raça, a mais antiga forma de
linguagem dos rackshasas; com o correr do tempo se tornou inflexiva, assim passando
para a raça ária.
Administrativamente, dividia-se o continente em sete grandes reinos ou cantões,
cada um regido, como se disse, por um dos sete reis divinos, sendo que o governo geral
era sediado na capital do oitavo, a qual era protegida por altíssimas muralhas. Houve
época em que a capital foi sitiada pelos inimigos da Lei e da Ordem; construíram grande
torre para poderem transpor as referidas muralhas. Da tradição oral do fato nasceu a
lenda bíblica da Torre de Babel.

78. SUB-RAÇAS
Como as demais raças raízes, a atlante desenvolveu sete sub-raças, a saber: 1a.)
os romoals, povos pastores que imigraram sob a direção dos reis divinos; 2a.) os tlavatli,
de cor amarela, pacíficos habitantes da América; 3a.) os toltecas, belos, de cor
avermelhada, estatura elevada, constituíram poderosa civilização, embora fossem
essencialmente guerreiros; deram origem aos maias e astecas; 4a.) os turânios, raça
guerreira e brutal, designados nos antigos documentos Hindus sob o nome de

Henrique José de Souza


62
OS MISTÉRIOS DO SEXO 63

rackshasas; 5a.) os semitas, povo turbulento e obstinado, que deu origem aos Hebreus;
6a.) os acádicos, migradores, espalharam-se pela bacia do Mediterrâneo; deles se
originaram os pelasgos, os etruscos, os cartagineses, os citas; e 7a.) os mongóis,
nascidos dos turânios, difundiram-se sobretudo pelo norte da Ásia.

79. LUTAS NA ATLÂNTIDA


A primeira luta travada na Terra, entre solares e lunares, adeptos da esquerda contra os
da direita, ocorreu na Atlântida em tempos imemoriais, da qual o poema épico de
Valmiki é uma alegoria. O Ramayana, como diz seu próprio nome, descreve as
aventuras de Rama, o primeiro rei divino dos primitivos ários, desterrado de Ayodhyâ, o
país dos Deuses, equivalente a Agartha, Atalântida ou aptalântida. Trata-se do mais
antigo dos poemas épicos sânscritos, ao qual só se podem comparar o Mahabhârata e a
Ilíada. Ravana, o grande opositor de Rama, é a personificação simbólica dos lunares da
quarta raça.
O choque entre os Agniswattas e os Barishads, por causa das maldosas
insinuações dos Rackshasas, inimigos dos Deuses, redundou na terrível batalha entre o
Bem e o Mal, isto é, entre a Magia Branca e a Negra, que era a luta pela supremacia das
forças divinas sobre os poderes terrenos; era o combate encarniçado movido pelas
deidades da Lua, governadoras dos povos atlantes, contra os seres solares que, como
doadores do mental, deviam dirigir os povos ários da quinta raça mãe.
Tais guerras, em verdade, tiveram suas origens nos próprios céus, da divina luta
entre o Anjo da espada e o Anjo da luz; foi da derrota deste e de suas hostes que o
acompanharam na sacrílega rebeldia, que a tradição passou para as bíblicas escrituras
como a lenda da "queda dos anjos". Todavia, as interpretações da Igreja, como as de
Milton, no seu "Paraíso Perdido", estão muito longe de corresponder à verdade.

80. A GUERRA TARAKA


Nessa guerra, dizem certos fragmentos alegóricos, o Deus Soma (Lua), o de áurea cor, à
semelhança de Páris, arrebata a esposa de Brihaspati, qual uma Helena do reino sideral
dos Hindus, ocasionando a guerra entre Deuses e Assuras. O rei Soma alia-se a Ushanas
(Vênus), o chefe dos Davanas, enquanto os Deuses são dirigidos por Indra e Rudra.
Aquele auxilia também a Brihaspati, que havia sido seu Mestre. Durante a luta, os
Maruts (3) gênios da tempestade, desertam, abandonando as forças do esposo de Tara e
seus aliados.
O sentido esotérico desses personagens é o seguinte: Brihaspati, o esposo
enganado, personifica o gênio que preside o Planeta Júpiter; é o representante dos
poderes criadores, a quem o Rig Veda denomina Brahmanaspati, isto é o culto esotérico,
a fé ritualística. Tara, sua esposa, simboliza o conhecimento místico, é a Gupta-Vidya,
doutrina esotérica. Soma, embora astronomicamente seja a Lua, tem aqui o sentido de
licor de Shukra, Amrita, a misteriosa bebida usada pelos deuses.

Henrique José de Souza


63
OS MISTÉRIOS DO SEXO 64

81. A LENDA DE HERODES


Com esses mesmos fatos se relaciona a lenda bíblica acerca de HERODES, segundo a
qual, a rogo de sua filha Salomé e por insinuação de Herodíades, João Batista foi preso e
degolado. Uma representação simbólica do aparecimento da raça Ária, portadora do
mental que ela devia desenvolver e da luta que lhe impuseram os Rackshasas, que não
queriam seu florescimento. Assim, cortava-se a cabeça (portadora do mental) de quem
naquele tempo fosse o arauto da "boa nova", o divulgador de auspiciosas transformações
na mentalidade dos homens. Deve-se observar, no sentido transcendente, que dos
homens de João, HERODES e Salomé, se formou a prodigiosa sigla JHS, também
relacionada aos planetas Júpiter, Hermés (Mercúrio) e Saturno, que as escolas
espiritualistas e a própria Igreja divulgam com interpretação completamente diversa da
verdadeira.

82. SEMENTES DA QUINTA RAÇA


Há cerca de um milhão de anos, o Manú Vaisvávata selecionou na sub-raça semita,
quinta sub-raça atlante, as sementes que deviam constituir a quinta raça-mãe,
conduzindo-as à Terra imperecível. Segundo a cronologia esotérica, há 850.000 anos,
uma primeira emigração atravessou as cordilheiras do Himalaia, espalhando-se pelo
norte da Índia.
A quarta sub-raça, dita céltica, povoou a Grécia, a Itália, a França, a Irlanda e a
Escócia. Distinguiu-se no culto das artes, apanágio de nossa civilização. Foi conduzida
pelo Manú Orfeu, que alguns consideram um ser mítico, o que não admira, se outros,
ainda hoje, negam Shakespeare.
A sexta e sétima sub-raças do ciclo ário se manifestariam respectivamente, na
América do Norte e do Sul, quase simultaneamente, para o desenvolvimento do sexto e
sétimo sentidos. Foi a razão de ter-se dado à missão da então S.T.B. o nome de "Sete
Raios de Luz" e também de "Missão Y", por abranger essas duas sub-raças. No entanto
as explosões atômicas experimentais ocorridas em Norte América, mudaram essas
diretrizes. Recaiu para a América do Sul a responsabilidade evolutiva das duas sub-
raças. Motivo pelo qual costumamos dizer que o Brasil é o santuário da iniciação moral
do gênero humano, a caminho da sociedade futura.
Saber-se que essa raça Ária é dirigida por Buda Mercúrio, precisamente porque o
principal objetivo é o desenvolvimento da mente. Visto que o estado de consciência
acima de Manas, teosoficamente falando, é Budhi, correspondente à intuição ou razão
iluminada, outro não poderia ser seu dirigente ou guia senão o que lhe está
imediatamente acima. Com isso também se relaciona o fato de conspícuos membros da
Excelsa Fraternidade Branca considerarem que Gautama, o Buda, foi o Ser de mais alta
hierarquia manifestado no mundo.

Henrique José de Souza


64
OS MISTÉRIOS DO SEXO 65

Aos quatro sentidos da quarta raça veio, na quinta, juntar-se o olfato, como
quinto sentido para os representantes da quinta raça mãe, na razão também dos cinco
continentes, cinco dedos, quinto princípio (Manas), do astro pentagonal e de outras
coisas mais.

Henrique José de Souza


65
OS MISTÉRIOS DO SEXO 66

SUB-RAÇAS ÁRIAS
A primeira sub-raça Ária povoou, como se disse, o Norte da Índia. Sua religião
era o hinduísmo primitivo, regido pelo Código do Manú, pela lei das castas, fonte de
preconceitos que até hoje perturbam a vida social daquele país.
A segunda, ário-semita ou caldáica, atravessou o Afganistão, ocupando as
planícies do Eufrates, dirigida pelo Manú Ram ou Rama, que adotou o símbolo de Áries
(carneiro), do qual provem o termo ário, ariano. Sua religião era o Sabeísmo, crendo no
Princípio deífico impessoal, universal, tributando culto aos planetários e aos deuses.
A terceira, chamada iraniana, conduzida pelo primeiro Zoroastro, cabendo
observar que houve não apenas um, mas vários seres com esse nome, assim também
como o de Moisés, Vyasa e outros. Estabeleceu-se na Pérsia, difundindo-se pela Arábia
e pelo Egito. Culto do fogo e da pureza. Astrologia e Alquimia obtiveram progressos
acentuados.

------------------------------------------------

(1) - A Sociedade Brasileira de Eubiose tem pesquisado certas regiões chamadas Jinas,
entre as quais, a de S. Tomé das Letras, no Sul de Minas, onde se encontram inscrições
rupestres ainda por decifrar; a de Vila Velha, no Paraná; a Serra do Roncador, em Mato
Grosso; a Ilha de Itaparica, na Bahia; a Pedra da Gávea, na Guanabara, cujas inscrições
foram decifradas por Bernardo A. da Silva Ramos, e publicadas em sua obra "Inscrições
e Tradições da América Pré-Histórica, especialmente do Brasil".
(2) - As catástrofes atlantes teriam dado causa a uma inclinação de 23 graus no eixo do
Globo, segundo cálculos aproximativos.
(3) - Deste vocábulo deriva a palavra japonesa Maru, com o significado de força, vapor.
Maruths, Marus, Tachus-marus, são outrossim, expressões que designam seres de alta
hierarquia, que, no meio da Terra, montam guarda aos vinte e dois templos sagrados de
Agartha.

Henrique José de Souza


66
OS MISTÉRIOS DO SEXO 67

CAPÍTULO VI

83. MISCIGENAÇÃO PÓS-ATLANTE


Depois das catástrofes que fizeram submergir grandes áreas da Atlântida, processou-se
lentamente o caldeamento de ramos e famílias de suas últimas sub-raças, consoante o
fenômeno cíclico da descida das mônadas pelo itinerário de IO, a fim de que pudessem
constituir no devido tempo as duas derradeiras sub-raças do ciclo ariano que deveriam
desenvolver-se, como se disse, uma ao norte e outra ao sul do continente americano.
Daquele caldeamento destacou-se o ramo chamado sohane, do qual brotou o
chichêmeca, gerando-se depois vários outros, como o tolteca, o nahuatl, o quíchua, o
tsental.
Os quíchuas habitaram a Guatemala e o México, enquanto os toltecas, antigo
povo mexicano, foram suplantados pelos Astecas, cujo último imperador, Guatimazin,
foi supliciado por ordem de Cortez.
A civilização Maia alcançou altos níveis e dela se ocuparam eminentes teósofos,
notadamente Roso de Luna, em sua contribuição para o estudo dos códices Anahuac,
intitulada "La Ciência Hierática de Los Mayas". Antes da invasão Tolteca, habitavam
toda a costa oeste da América Central. Seus remanescentes encontram-se nos Estados
mexicanos de Chiapas e de Tabasco, na península de Yucatã, em S. Salvador e nas
Honduras. dividiam-se em três grupos: 1) os de Guatemala, divididos em três sub-
grupos, nam, queché e pokonchi; 2) os de Iucatã, Tabasco e Chiapas, com seus sub-
grupos teantal e mayas, propriamente ditos; 3) Huasteques, considerando-se mais
importantes os que se localizam no Iucatã e nos confins da Guatemala.
Os toltecas, ramo de uma família étnica e lingüística muito extensa; os nahoas,
não se reconheciam, segundo suas próprias tradições, como autóctones. Diziam ter
vindo de um outro país bastante povoado, situado a noroeste do México, e só se terem
estabelecido no centro de Anahuac, após longas vicissitudes. Alcançaram elevado grau
de civilização, mormente na arquitetura. O mesmo termo "tolteca" acabou por significar
construtor. Guerreiros e construtores eram, por sua vez, chamados de turânios, quarta
sub-raça atlante. Curioso notar que os toltecas construíam suas cidades por cima de
infindáveis galerias subterrâneas. E até hoje, pela deficiência dos métodos de
investigação, os arqueólogos não puderam atinar com a razão de ser das "infindáveis
galerias subterrâneas"

INCÓGNITAS COMUNICAÇÕES INTRATERRENAS


Aceitamos o risco de sermos apodados de visionários e fantasistas pelos senhores da
sabedoria acadêmica, mas desejamos aqui consignar nossa opinião a esse respeito. As

Henrique José de Souza


67
OS MISTÉRIOS DO SEXO 68

misteriosas galerias subterrâneas das cidades toltecas eram utilizadas pelos seus mais
conspícuos representantes, quase sempre sacerdotes, para se comunicarem com
determinadas regiões do mundo "jina" ou agartino, habitado por seres de extraordinário
saber e poder. Outras galerias subterrâneas existiram ou existem numa secreta
correspondência com aquele mundo, construídas e conservadas para que, na instância
das catástrofes de fim de ciclo, o povo eleito, os iniciados, ou seja, os poucos que
permanecerem fiéis à divina tradição, pudessem ser guiados à Terra Santa, à Ilha
Imperecível que resiste e sobrevive a qualquer cataclismo, na expressão das escrituras
sagradas do Oriente.
Também temos afirmado que se pode passar subterraneamente de um sítio no
Estado de Mato Grosso para certa região do Peru, denominada Machu-Pichu,
esotericamente Manus Piscus (Piscis).

84. CIVILIZAÇÕES PRÉ-INCAICAS


P. Odinot, em seu trabalho "O mistério dos Incas", escreve entre outras coisas o
seguinte:
"Uma das páginas mais dolorosas da história é a conquista do Peru pelos
espanhóis. Pizarro, o Conquistador, a exemplo do que já fizera Cortez, no México,
atirou-se com seus soldados sobre o grande Império dos Incas, dele se apoderando. A
extraordinária façanha ocorreu no ano de 1532, num século em que qualquer descoberta
de terras no Novo Mundo inflamava o ânimo dos Europeus, atraindo-os para viagens e
expedições as mais audaciosas.
"Por mais trágico que possa parecer o aniquilamento dessa poderosa e bem
organizada civilização, o progresso empregado pelos conquistadores faz-nos lembrar o
que ela mesmo utilizou para firmar seus próprios alicerces na face da Terra.
"O Império dos Incas não datava de longos séculos. Sua fundação foi feita pelas
armas e os seus invasores tinham subjugado uma civilização que atingira nível igual ou
talvez superior ao seu.
"Na realidade, uma civilização multissecular tinha existido naquela parte da
América, antes da chegada dos Incas, embora sua História, até hoje desconhecida, só
permitia vagas suposições por parte dos cientistas hodiernos. Porém outros seres
existem, conhecedores de uma História mais profunda e consentânea com os reais
princípios da Evolução humana, mas que só se manifestam através de reduzido número
de discípulos, chamemo-los assim, que aos poucos vão oferecendo ao mundo aquilo que
não possa transpor o limite máximo dessa mesma evolução.
"O pouco que a ciência oficial conhece a respeito da referida civilização acha-se
representado pelas ruínas de suas cidades, cujas construções exigiam grandes
conhecimentos arquitetônicos e mecânicos e pelas vasilhas finamente trabalhadas, entre
as quais alguns exemplares que fazem supor não faltar àquelas antiqüíssimas populações
um delicado espírito artístico.

Henrique José de Souza


68
OS MISTÉRIOS DO SEXO 69

"Que povo era aquele, anterior aos Incas, construtor de semelhante império no
Novo Mundo ? De onde teria vindo para realizar semelhante fenômeno cíclico, se tudo
na vida está regulado por uma série de leis que a mesma ciência desconhece ?
"Para que se possa ter uma idéia do que é o Peru atual, torna-se necessária a
apresentação de fatores que passaram despercebidos. Julga ela que aquele povo
guerreiro e empreendedor se originou dos aymaras, cujo hábitat era o planalto dos
Andes, ao tempo em que os quíchuas, seus irmãos, se achavam estabelecidos nos vales
situados mais a nordeste. Pensam os historiadores que essas duas grandes estirpes pré-
colombianas foram do mesmo sangue, pelo simples fato de ser idêntica a linguagem,
não havendo entre uma e outra maior diferença que a existente entre dois dialetos do
mesmo tronco.
"A verdade é que, avançando cada vez mais, os Incas foram subjugando povo a
povo, construindo assim os fundamentos do seu vasto Império. Merece particular
destaque o fato de que, sendo esse povo de origem guerreira (1) conseguiu formar uma
civilização digna de constituir um dos maiores títulos de glória de uma estirpe aborígene
da América. Seus engenheiros eram capazes de construir através das montanhas,
galerias que, segundo secretas tradições, alcançavam longínquas distâncias (2) e lançar
pontes sobre abismos ou abrir estradas de cuja perfeição e solidez nos falam bem alto as
que ainda hoje existem. Eram igualmente infatigáveis agricultores; hidráulicos tão
geniais que suas obras são em nosso dias motivo de assombro por parte dos técnicos.
Tem-se a impressão de estar em face daquele espírito construtivo e admirável dos
remotíssimos tempos da Atlântida, a que se referem as narrações de Platão, em Timeu e
Crítias, bem como as de Diodoro Sículo e outros.
"Não se pode falar no país dos Incas sem mencionar as ruínas de Machu-Pichu,
descobertas pelos arqueólogos americanos no começo de 1911. Situadas sobre as
montanhas, a nordeste de Cuzco em um "Cañon" banhado pelo rio Urubamba, as
construções daquela cidade-fortaleza constituem uma das maravilhas do Novo Mundo.
Sobre a rochosa cordilheira onde ainda são vistos terraços de pedra lavrada e ruínas
graníticas de templos, existia a morada de um povo misterioso de quem os Incas
descendem.
"Encontram-se essas ruínas em uma das pontas do monte Machu-Pichu, do qual
tomaram o nome. Quando foram redescobertas - pois sua existência havia sido
vagamente mencionada no passado - estavam em grande parte sepultadas sob a
cordilheira. Deixemos de parte séculos sem conta de opressão, guerras civis e lutas
tremendas por sua independência e chegamos ao Peru de hoje.
"A que país se assemelha este vasto centro que já foi um império pré-
colombiano e como tal, incluía em suas fronteiras a maior porção da Bolívia atual ? A
terra em que a civilização dos Incas floresceu e se extinguiu chamou-se "O Teto da
América Meridional", já que o teto do mundo inteiro é o Tibete. O nome dado pelos
antigos a esse rincão americano e sua configuração topográfica, que levou os atuais
habitantes a falarem do Peru central como de La Sierra, nenhuma dúvida nos deixa
acerca de sua identidade com as terras tibetanas, ao Norte da India.
"Entre os principais maciços montanhosos dos Andes há desfiladeiros profundos
e íngremes, cavados pelas águas dos numerosos rios, que vão desembarcar no

Henrique José de Souza


69
OS MISTÉRIOS DO SEXO 70

caudalosos Amazonas. A paisagem é monótona, e estéril. Sobre aqueles planaltos,


rodeados de picos nevoentos, batidos por ventos ásperos, não existia outra vegetação a
não ser a erva "ichu" e algumas áridas pastagens chamadas "lhamas", donde o nome dos
camelídeos aí criados.
"É particularmente interessante saber-se que os índios habitantes desses
planaltos descendem, mais diretamente que os de qualquer outra tribo, dos antigos incas.
Na província do lago Titicaca, na Bolívia, são ainda chamados "aymarás"; mas no Peru
os índios das montanhas o são de quíchuas. Morenos na sua maioria, os quíchuas tem os
cabelos pretos, como a maior parte das tribos do Brasil, que formam entroncamento,
embora distante, com os índios daquelas regiões. O corpo baixo e largo recorda o dos
esquimós.
"No que diz respeito ao temperamento, os quíchuas dos planaltos dos Andes
assemelham-se aos montanheses dos outros países. Taciturnos, muitas vezes
melancólicos, tem uma fisionomia tão expressiva que, embora não denunciando muita
inteligência, denotam um princípio investigador ou uma grande perspicácia. Suas
fisionomias mais parecem máscaras sob as quais se acham os restos evoluídos de uma
raça desconhecida. Todavia, o quíchua é um companheiro bastante simpático, segundo a
opinião dos viajantes que percorrem aquelas regiões. Merece essa lisonjeira referência
ao fato de ser paciente, industrioso, sensato e geralmente alheio à petulância e
arrogância.
São inúmeras as cidades antigas hoje cobertas por verdadeiros escombros. As
narrações dessas descobertas, embora mui longe de expressarem a verdade, constituem
um capítulo de grande interesse. Podemos afirmar que apenas insignificante parte dos
tesouros perdidos volveu à luz do dia. Tão vultosos são eles que impossível nos seria
avaliá-los num simples estudo como este. Basta dizer que na região de que estamos
tratando, floresceram povos durante muitos milênios, suas energias desenvolveram-se
pelo mundo, embora dentro de limitada periferia e manifestaram-se em diversas
atividades: artísticas, industriais, guerreiras e arquitetônicas.
"O estudos destas últimas, principalmente, podem dar-nos segura indicação do
grau de cultura alcançado, visto que, para a execução desses empreendimentos, mister
se faz a coordenação de prodigiosos esforços individuais, além de exigirem uma
comunidade possuidora de importância material, cultural e demográfica.
"As descobertas arqueológicas levadas a efeito concorreram para que se fizessem
profundas explorações no remoto passado da humanidade. É curioso verificar-se a
existência de raças civilizadas de parceria com as mais primitivas, se é que 6.000 anos
antes da era Cristã represente alguma coisa diante da imensidade de anos que pesa na
existência do mundo. As condições de vida mudaram enormemente durante os últimos
oito milênios. Subsistem porém tribos e povos atrasados, cujo modo de viver em nada se
modificou, por falta de progresso desde a época dos grandes reinos mesopotâmicos.
"Naqueles remotos tempos habitavam tribos neolíticas nas Américas, Europa,
Ásia e Oceania. No âmbito selvagem de semelhantes povos persistiam, entretanto,
verdadeiros "oásis" formados por outros povos de maior cultura e inteligência que,
como nossos antepassados, constituíam então uma minoria. Mas, como a levedura,
penetraram os extratos humanos através de interpenetrações, se assim se pode dizer, de

Henrique José de Souza


70
OS MISTÉRIOS DO SEXO 71

ramos e famílias raciais, todas elas, grandes e pequenas, possuidoras de Guias (ou
Manus) capazes de se infiltrarem com suas gentes nos momentos cíclicos coordenados
pela própria Lei de Evolução, onde quer que fossem reclamados.
"Os homens de ciência não estão de acordo quanto à idade que se deve assinalar
às civilizações americanas. Nota-se mesmo entre eles uma certa tendência em só admitir
a existência de civilizações pré-históricas em outras regiões do mundo, notadamente nas
asiáticas. No entanto Posnanshy, por exemplo, afirma que a famosa cidade pré-incaica
de altiplano boliviano, Tiahuanaco, foi construída há perto de 13.000 (treze mil) anos.
Aquele sábio baseia seus cálculos cronológicos na orientação astronômica dada pelos
fundadores às entradas do templo maior, método aliás seguido pelos construtores das
pirâmides do Egito.
"É indiscutível a grande antiguidade dessas ruínas. Os Incas encontraram a
região abandonada quando aí chegaram pela primeira vez. Do grande povo construtor
que antes deles tinham ocupado a região, nenhum vestígio ficou entre os raros
habitantes dos seus arredores. As condições climáticas e mesmo a configuração
topográfica da meseta do lago Titicaca, provavelmente sofreram grandes modificações
no correr dos tempos, visto os degraus da escadaria de pedra ultimamente descobertos
no muro que olha de frente o lago e que deviam ter sido usados pelos habitantes de
Tihuanaco para descer até às margens do mesmo lago, acharem-se atualmente afastados
desse em um número considerável de milhas.
"A referida cidade, que ocupa grande superfície, foi planejada e construída por
arquitetos de incomparável capacidade. Os monólitos empregados são de enormes
dimensões; um deles mede aproximadamente doze metros de comprimento e mais de
dois de largura, pesando 70 toneladas. Com muita probabilidade, diz Markham, em seu
livro "Los Incas del Peru": "A condução e colocação de tais monólitos em semelhante
lugar faz supor uma grande população, um governo regular e desde logo o cultivo da
terra em grande escala, além da organização de uma chefia ativa e inteligente
encarregada do transporte dos abastecimentos e sua distribuição entre os trabalhadores.
Deve ter sido um regime que uniu o gênio e a destreza ao poder e à capacidade
administrativa. Depois da gigantesca dimensão das pedras, o que mais surpreende é sua
magnífica escultura. A complexidade e simetria do debuxo e da ornamentação
demonstram grandes conhecimentos artísticos por parte daqueles que tiveram a seu
cargo a realização de tão maravilhoso trabalho".
"Que teria acontecido àquele povo imperial cuja permanência em semelhante
região não poderia ser curta, mesmo porque uma raça nômade não constrói tão
maravilhosas obras arquitetônicas ?
"Sir Markham acredita em uma possível elevação da zona andina como fator
decisivo do afastamento da raça tiahuanacana. Para apoiar sua tese, cita o descobrimento
de ossos de mastodonte na região de Ulluma, na Bolívia, situada a 4300 metros acima
do nível do mar. Esse animal não podia viver em semelhantes altitudes. Os esqueletos
gigantescos sepultos nas paredes quebradas dos desertos de Tarapacá e pertencentes a
mamíferos que só habitam as selvas frondosas, são outras tantas provas de ter havido
uma profunda mudança no clima. Os desertos em que se encontram os restos dos
tamanduás deviam ter sido anteriormente zonas úmidas e férteis cobertas de espessos
bosques.

Henrique José de Souza


71
OS MISTÉRIOS DO SEXO 72

"Quando a cordilheira era mais baixa do que agora, os ventos alísios chegaram a
semelhante lugar deixando sua umidade na faixa costeira. Quando os mastodontes
viviam em Ulluma e os tamanduás em Tarapacá, os Andes, em seu lento ressurgimento,
estariam a setecentos ou mil metros mais abaixo do que é hoje; o milho crescia então
nas proximidades do lago Titicaca e a paragem das ruínas de Tihuanaco poderia
aumentar a numerosa população que construiu aquela ciclópica cidade.
"A origem dos Incas, sucessores de outros povos de precedência ainda mais
enigmática, não é muito clara, apesar de sua alta cultura e do íntimo contato com os
conquistadores espanhóis. Sir Markham trata mui detalhadamente dos mitos de Paccari-
Tempu, Pouso da Aurora, e de Tampu-Tocco, a Serra das Três Cavernas, melhor dito,
embocaduras chamadas, Sutic, Maras e Ceapac. A lenda diz como da embocadura de
Maras saiu uma tribo que levava o mesmo nome, e da de Sutic, outra denominada
Tampu. Da do centro saíram, por sua vez, quatro augustos personagens com o título de
Ayar, nome que se dá a diversos monarcas primitivos e que se chamavam Manco, o
príncipe; Auca, o ayar guerreiro e jovial; cach, o Ayar sal e Uchu, o Ayar pimenta. Estes
monarcas vieram acompanhados de suas esposas. Reuniram em torno de si forças
consideráveis, sem contar as duas tribos que saíram das embocaduras Maras e Tampu,
da Serra do Tampu-Tacco. Sob suas bandeiras alistaram mais outras oito linhagens
cujos nomes conserva a lenda.

85. MANCO-CAPAC E MAMA-OCLO


Para nós tem outra significação também a lenda que assim narra o aparecimento dos
fundadores do Império Tawantisuyo:
"Manco-Capac, homem de caráter enérgico e de costumes outros, acompanhado
de Mama-Oclo, sua irmã e esposa, surgem às margens do lago Titicaca, enviados pelo
seu pai, o Sol, para arrancar seu povo da barbárie, mediante a unificação. Trazia ele um
bastão de ouro, que seu pai lhe havia oferecido, a fim de escolher o território onde o
mesmo se enterrasse profundamente no solo, que viria a ser a Terra Prometida ou a
fundação de seu império. De fato, o bastão enterrou-se no monte Huanacaura, ao qual
deu ele o nome de Cuzco, que quer dizer centro ou umbigo. Manco-Capac ensinava aos
homens a lavrar a terra, construir habitações e tudo quanto lhes iluminasse a mente. E
Mama-Oclo ensinava as mulheres a fiar, tocar e a tornarem-se boas mães de família".
Outra lenda conta que ele ensinava aos homens na cidade alta e ela doutrinava as
mulheres na cidade baixa; o que se interpreta, respectivamente, como coisas do mental,
parte alta ou superior, para o sexo masculino, e coisas do lar, domésticas, inclusive os
ensinamentos inerentes à maternidade e à puericultura, para o feminino.
O bastão pode significar o cetro de um rei e chefe, desde que se trate de um
Manú racial. As duas penas e vestes, nas cores encarnado e verde, se relacionam a Fogo
sagrado, Verbo Solar, Agni (ou Tejas, nas escrituras orientais), e o Hálito que o anima,
como sopro divino ( nominado Vayú nas mesmas escrituras).

Henrique José de Souza


72
OS MISTÉRIOS DO SEXO 73

86. O MANÚ BRASILEIRO


Na língua tupi, Tamandaré procede da expressão Tamanda-ré, que quer dizer "depois da
volta". É este o nome do Noé brasileiro na lenda do dilúvio que assolou as plagas
brasileiras. Segundo Batista Caetano, o termo Tamandaré originou-se de Tamandaré
(tab-moi-nda-ré), isto é, aquele que formou um povo ou o repovoador da Terra. Nesse
caso, o Manú dirigente dessa raça, em que se infundiu o sangue português, qual
fenômeno cíclico por Lei exigido.
Fato histórico dessa miscigenação racial é a mística união entre Diogo Álvares
Correia, o Caramuru, representante da raça portuguesa, e Catarina Paraguaçu, a índia
representante da raça tupi.
José de Alencar, no seu esplêndido "Guarani", oferece-nos em poucas e
maviosas frases, a lenda do Manú brasileiro e de sua esposa:
"Foi longe, bem longe dos tempos de agora. As águas caíam e começaram a
cobrir a terra. Os homens subiram ao alto das montanhas. Um só ficou na várzea com
sua esposa. Era Tamandaré. Forte entre os fortes, sabia mais do que todos. O Senhor
falava-lhe de noite e de dia ele ensinava aos filhos da tribo o que aprendia do Céu".
O romancista tece, nesse livro, o enredo que prende os corações dos dois
principais personagens, Cecí e Perí, a portuguesa e o índio. Perí quer dizer "a flecha"; e
Cecí "meu pesar, minha dor". Qual Deus Cupido, a flecha amorosa de Perí fere em
cheio o coração de Cecí.

87. DIREITO DAS RAÇAS


Damos aqui a palavra de Menotti del Picchia, escritor e poeta dos mais ilustres.
"A descida dos tupis do planalto continental, rumo ao Atlântico, foi uma
fatalidade histórica pré-cabralina, que preparou o ambiente para as entradas no sertão
pelos aventureiros brancos desbravadores do oceano.
"A expulsão feita pelo povo tapir, dos tapuias do litoral, significa bem, na
história da América, a proclamação do direito das raças e a negação de todos os
preconceitos.
"Embora viessem os guerreiros do Oeste, dizendo - Ya so Pindorama Koti,
itamarana po anhatim, yura rama recê - realidade não desceram com a sua Anta, afim de
absorver a gente branca e se fixarem objetivamente na terra. Onde estão os rastos dos
velhos conquistadores?
"Os tupis desceram para serem absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente
nova. Para viver subjetivamente e transformar numa prodigiosa força a bondade do
brasileiro e o seu grande sentimento de humanidade; e aí parece estar indicada a
predestinação da gente tupi.
"Toda a história desta raça corresponde a um lento desaparecer de formas
objetivas e um crescente aparecimento de forças subjetivas nacionais. O tupi significa a
ausência de preconceitos. O tapuia é o próprio preconceito, em fuga para o sertão. O

Henrique José de Souza


73
OS MISTÉRIOS DO SEXO 74

jesuíta pensou que havia conquistado o tupi, mas este é que conquistara a religião
daquele. O português julgou que o tupi deixaria de existir; e o português transformou-se
e ergueu-se com fisionomia de nação nova contra a Metrópole, porque o tupi venceu
dentro da alma e do sangue do português.
"O tapuia isolou-se na selva para viver e foi morto pelos arcabuzes e pelas flexas
inimigas. O tupi sociabilizou-se sem temor da morte; e ficou eternizado no sangue da
nossa raça. O tapuia é morte; o tupi é vida".
Da lavra do brilhante Menotti são também as seguintes expressões:
"Somos um país de imigração e continuaremos a ser o refúgio da humanidade,
por motivos geográficos e econômicos demasiadamente sabidos. Segundo os dados de
Reclus, só o vale do Amazonas é capaz de alimentar trezentos milhões de habitantes. Na
opinião bem fundamentada do sociólogo mexicano Vasconcelos, é de entre as bacias do
Amazonas e do Prata que sairá a raça cósmica, que realizará a concórdia universal,
porque será filha das dores e das esperanças de toda a humanidade.
"Temos de construir uma grande nação, integrando na Pátria comum todas as
nossas expressões históricas, étnicas, sociais, religiosas e políticas, pela força centrípeta
do elemento tupi".
De um editorial publicado na revista "Dhâranâ", nº 72, intitulado "Uma Nova
Humanidade":
"Está se formando no continente sul-americano um novo tipo racial. Para
concentrar-se e tomar expressão só lhe falta um corpo coletivo capaz de fundi-lo em
uma só entidade. Já a atual população dos países Íbero-americanos possui, sobre outras,
imensa superioridade do ponto de vista estético, culturalmente emotivo e ideológico. A
descoberta não é nossa; já o disseram outros pensadores mais autorizados. Até o mais
inferior índio mexicano possui em seu imo, profunda sensibilidade e capacidade de
organização. Que viva em choça e deixe morrer a metade de seus filhos, não é prova em
contrário. Em sua concepção dos valores da vida não entra o fator castigo nem o
problema da morte. Em troca, está profundamente integrado no sentido de sua pessoa,
como fator dentro de sua comunidade.
"Nisso se estriba o aparente mistério de produzirem eles uma arte plástica de
insuperável beleza, que só podem reproduzir, aproximadamente, raros artistas
civilizados, tidos como gênios. O gênio do índio mexicano produziu no começo deste
século a maior escola de pintura, sem exceção alguma e o maior ressurgimento dos
grêmios de artesãos populares de nossa época".
Roso de Luna, quando, em 1910, realizou uma série de conferências teosóficas
pela América do Sul, teve ensejo de dizer:
"O país de Pinzón, Cabral, Lopes e Souza, por sua maior vizinhança com a
Europa e África, por sua mescla de raças e por inúmeras outras razões... demonstra
excepcionais características que nos dão o direito de afirmar que seus futuros destinos
são semelhantes aos de Norte América; que em cultura, no litoral, nada fica a dever à
Europa; do mesmo modo que, em belezas naturais e espiritualidade, recorda o berço
ário, a Índia, como se no desenvolver dessa nobre raça - da Ásia à Europa e desta à
América - coubesse ao Brasil a glória de servir de remate e epílogo daquele grande

Henrique José de Souza


74
OS MISTÉRIOS DO SEXO 75

povo, com um civilização fluvial e costeira igual a de todos os grandes rios chamados
Ganges, Indo, Oxus, Iaxarte, Nilo, Tigre e Eufrates, Danúbio, Ródano, Reno, Mississipi,
etc cada um deles legando ao humano um florão de sua coroa...
"Não resta dúvida alguma que as bacias do Amazonas e do Prata, com o decorrer
do tempo, selarão em suas ribeiras os destinos do mundo".
As proféticas palavras desses grandes pensadores fazem eco as nossas: Brasil Tu
é o Santuário da iniciação moral do gênero humano, a caminho da sociedade futura. Teu
nome o diz: é em teu seio, nas profundezas de teu solo, que se mantém vivas e
crepitantes as brasas de Agni, o Fogo Sagrado.

88. TODES DO BRASIL


Todes ? Mulukurumbas ? Naturalíssimas interrogações, essas como tantas
outras. ninguém pode saber o que não estudou nem o que "deixaram" de ensinar. Ao Sul
da Índia há uma região denominada Nilguíria, palavra que significa montanhas azuis.
Blavatski, em sua preciosa obra "Au Pays des Montagnes Bleux" (aludindo a Nilguíria),
trata desses estranhos seres que, a bem dizer, representam o alfa e ômega das
civilizações lá existentes. Os Mulukurumbas, homúnculos, monstrengos cujo olhar mata
em treze dias a quem quer que lhes seja antipático, constituem os últimos vestígios de
uma raça desaparecida.
Os Todes, ao contrário, como fiéis guardiões de montanhas sagradas, ou guardas
avançadas de embocaduras que conduzem aos reinos infraterrenos, são as sementes de
uma raça futura, arregimentadas em determinada parte do globo, a espera do raiar do
novo ciclo. Naquela região o totem é o búfalo, com o qual conversa e se entende o Tode,
como narra a insigne autora. Este, como aquele fato, estão registrados nos arquivos das
autoridades inglesas que então dominavam a Índia, consignando até uma severa
penalidade ao Mulukurumba que com seu fulminante olhar abatesse um súdito da coroa
britânica (3).
Os Todes se encontram em outras regiões do Globo, inclusive no Brasil, em
determinados sítios da majestosa Mantiqueira, onde em 1921 eclodiu a obra em que está
empenhada a S. B. E. e também a Serra do Roncador (Mato Grosso), subterraneamente
comunicante com a montanha peruana de Machu-Pichu.

------------------------------
(1) - Também de caráter guerreiro era a primeira sub-raça ária que povoou, como se
disse, o Norte da Índia. A uma de suas quatro castas se deu por isso mesmo o nome de
Kshattrya, no sentido de aguerrida, a par de Jina, isto é, heróica e sábia.
(2) - A cidade de Cuzco, no Perú, como toda a cordilheira de Machu-Pichu, comunica-
se por via subterrânea com a Serra do Roncador, em Mato Grosso, por se tratarem de
regiões Jinas. Nossos Xavantes, de caráter aguerrido, mas não feroz como dizem alguns
sertanistas, são os fiéis guardiões de uma região vedada à curiosidade profana; uma
espécie de tabu onde se oculta grande mistério relacionado com a descida das Mônadas

Henrique José de Souza


75
OS MISTÉRIOS DO SEXO 76

de Norte para Sul e com a infusão do nobre sangue ibérico no não menos nobre da raça
Tupi.
É conhecida a tradição que nos fala da advertência Xavantina: Toda a vez que
um intruso se aproxima de suas terras, vê cair na sua frente uma flecha atirada por mãos
invisíveis. Se teima em prosseguir, a segunda flecha lhe cai junto aos pés, para uma
terceira o ferir mortalmente, no caso de não atender ao aviso da nação aborígene
localizada na bacia do Tocantins.
O termo Xavante poderia ser decomposto em dois: chave, andes. Ligada a essa
possível derivação, estaria a hipótese de se encontrar em suas mãos a chave do enigma.
Tentaram ir buscá-la e não voltaram para contar a aventura, os valorosos Fawcett, pai e
filho. Quem se interessa pela história desses heróis, poderá ler algumas páginas
emocionantes assinadas por Feliciano Galdino, publicadas em "O Globo", do Rio, de 17
de setembro de 1928, que, pela sua importância, foram transcritas por Bernardo de
Azevedo da Silva Ramos, por justa alcunha, "O Champollion brasileiro", no segundo
volume de sua citada obra, "Inscrições e Tradições da América Pré-Histórica", sob o
título de "Os Mártires da Ciência" (pgs. 470/474).
(3) - terrível poder esse o de matar uma pessoa em duas semanas, pela força do olhar
direto. A magia negra, como a branca, dispões de métodos e processos incrivelmente
eficazes e rápidos. Poder mortífero semelhante ao olhar dos Mulukurumbas , possuem
os "Kahunas", magos nativos do Havai, os "donos do Segredo". Podem eles matar um
desafeto a distância, pela prática da "Ana-Ana" - A oração da morte. Uma das perguntas
mais frequentes dos turistas que chegam a Honolulu é sobre a veracidade e os perigos
dessa arma.
Max Freedom Long, em seu livro "Milagres da Ciência Secreta" (Secret Science
Behind Miracles) reporta suas observações pessoais e as constatações do Dr. William T.
Brigham que conviveu quarenta anos com os Kahunas do Havai. Os arquivos do
"Queen's Hospital", de Honolulu, indicam, segundo o autor, que as vítimas dessa
potente forma de magia não escapam da morte, apesar de todos os socorros que a
medicina lhes possa oferecer.
"Nos primórdios do Havai, prisioneiros de guerra, bem como outros quaisquer
infelizes, recebiam o que se chamava tratamento pela sugestão hipnótica para, numa
forma de grande potência, fazer com que seu espírito subconsciente, depois da morte, se
separasse da mente espiritual consciente e permanecesse como fantasma, a fim de
guardar as clausuras de pedra sagrada dos templos nativos do "kahunaísmo" decadente.
É provável que alguns destes infelizes receberam ordens de servir os kahunas na "oração
da morte", mesmo depois de executados.
"Os espíritos (elementais) também recebiam instruções definitivas sobre o que
deviam fazer com a força vital. Deviam apanhar como que o odor pessoal através de
uma mecha de cabelos ou fragmentos de vestuário usado pela vítima e segui-la pelo
faro, assim como faz um cão à procura do dono pelas pegadas que este deixou no solo.
Tão logo encontrasse a vítima deveriam esperar uma oportunidade até que pudessem
penetrar em seu corpo. Isto eles eram capazes de fazer por causa da sobrecarga de força
vital que lhes fora doada por seu mestre e que deveria ser usada como choque
paralisador.

Henrique José de Souza


76
OS MISTÉRIOS DO SEXO 77

"O processo era um só, qual seja o de penetrar no corpo da vítima ou anexar-se
ao mesmo. Uma vez feito isto, a força vital da vítima era retirada pelos espíritos intrusos
e armazenada em seus fantasmas. Como as forças da vítima eram retiradas pelos pés,
uma espécie de insensibilidade advinha dos mesmos, a qual progredia gradativamente
num período de três dias até os joelhos, quadris e, finalmente, o plexo solar e o coração,
vindo então a vítima a falecer.
"Quando a morte era consumada, os espíritos retiravam o máximo de força vital
e voltavam para seus mestres. Se a vítima fosse salva por um outro "kahuna", os
espíritos voltavam para seu chefe, porém hipnotizados e com ordem de atacar o
mandante. Neste caso, poderiam de fato atacar e então os resultados eram fatais. Com o
propósito de evitar tal perigo, o ritual de magia era seguido à risca, quando o "kahuna"
enviava seus espíritos (kala). Ou, ainda, como acontecia na maior parte dos casos, a
pessoa que contratara o "kahuna" para enviar a "oração da morte" a outro, e que
afirmava merecer a vítima tão drástica punição, era nomeada responsável e a única a ser
atacada, caso a vítima fosse salva por outro "kahuna" e os espíritos mandados de volta,
antes da tarefa cumprida".
O autor observa que nenhuma das explicações correntes acerca da "oração da
morte", como o uso de algum veneno, ou "pavor supersticioso", era verdadeira. Quase
nunca a vítima sabia que estava sendo assassinada pela magia. Em seguida passa a
relatar detalhadamente os casos por ele observados.
Mais uma lenda que, como tantas outras, vem comprovar existência de um
mundo subterrâneo, a que se referem as tradições dos povos primitivos, assunto de que
temos tratado em diversos trabalhos, inclusive em nosso livro "O Verdadeiro Caminho
da Iniciação".
Tal mundo ou país é conhecido por vários nomes, sobressaindo dentre todos o de
Agartha, muito citado nas obras do marquês Saint'Yves d'Alveydre, "La Mission des
Juifs" e "La Mission de L'Inde, Mission de Europe dans L'Asie"; como no livro "Le Roi
du Monde", do ilustre cabalista Réné Guénon e também no de Ferdinand Ossendowski,
intitulado "Bêtes, Homes, Dieux".
Agharta é a mesma Asgardi ou a cidade dos Doze Ases, dos Edas escandinavos,
o mesmo País subterrâneo de Asar, dos povos da Mesopotâmia. É o País do Amenti a
que se refere o Livro da Santa Morada ou Livro dos Mortos, mal compreendido pelos
ocultistas que tentaram comentá-lo. É ainda o País das Sete Pétalas descrito por
Parashara a Maitréia no Vishnu Purana, ou o dos sete Reis de Edon (Éden ou Paraíso
Terrestre). Para os tibetanos e mongóis é a Cidade de Erdemi; na Mitologia grega, são
os Campos Elíseos, o Tártaro ou Hades; para os antigos mexicanos, a Cidade de Tula ou
Tulã; para os bardos celtas: A Terra do Mistério, cantada por O'Hering. É o famoso
Monte Salvat, das tradições do Santo Graal e do ciclo artúrico, nas quais se inspirou
Wagner para compor suas monumentais peças Lohengrin e Parsifal. É a Terra de Chivin
ou Cidade das Treze Serpentes; o Fu-Sang das tradições chinesas; "o Mundo
subterrâneo que fica na Raiz do Céu", segundo o Votan Tsental; o País dos Calcas,
Kalcis ou Kalkis, ou a famosa Cólchida, para onde se dirigiam os Argonautas. Na
literatura inca se fala do famoso falcão, companheiro inseparável de Manco-Capac,
imperador da dinastia incaica. Essa ave se chamava "indi", era venerada e temida por
todos de sua raça.

Henrique José de Souza


77
OS MISTÉRIOS DO SEXO 78

CAPÍTULO VII

89. NATUREZA DOS PENSAMENTOS


O pensamento é o resultado das vibrações na matéria dos corpos invisíveis do
homem. Tal como acontece a todas as vibrações, elas se transmitem no meio que lhe é
próprio. A diferença entre as ondas produzidas pelo som e as que se originam do
pensamento, está em que estas se propagam por dimensões desconhecidas no mundo
físico. À medida que a onda se afasta do seu ponto de partida, vai diminuindo seu poder,
alcançando, porém, as do pensamento uma distância incomparavelmente maior que as
emanadas de qualquer outra fonte.
Quanto à natureza e vitalidade dos pensamentos, depende de vários fatores, entre
os quais está a espécie da matéria que os produziu. Emitidos pelo intelecto de um
homem vulgar, sua potência é limitada nos mundos em que deve agir, devido,
principalmente, a projetarem-se em planos onde turbilhonam milhões de pensamentos
da mesma natureza inferior que, de certo modo, logo anulam seus efeitos. Emanados,
porém, dos homens superiores, encontram campo mais livre que lhes permite atingir
grandes distâncias e permanecer ativos durante mais tempo.
Vibrações desta natureza são, por exemplo, as produzidas por pensamentos
teosóficos ou eubióticos que, pairando nas mesmas alturas dos de caráter puramente
religioso ou científico, acham-se destes separados pela nitidez e precisão de suas
formas. Um pensamento teosófico ou eubiótico assemelha-se a um som produzido no
meio do mais absoluto silêncio. Ele age em matéria mental ainda pouco utilizada,
tocando as fronteiras do plano búdico, onde não podem chegar nem os mais elevados
pensamentos filosóficos e científicos, em geral indecisos e impregnados de matéria em
que se origina a vaidade e o orgulho.
É no plano búdico que se faz a leitura dos anéis "acásicos", podendo-se
distinguir a identidade de nossas vidas anteriores; por isso o "Akasha" é chamado o
Grande Livro da Vida.

90. EFEITO DOS PENSAMENTOS


O pensamento, principalmente quando dirigido por uma forte vontade, é sempre
uma entidade viva, capaz de realizar a idéia que lhe deu origem. Projetadas no ambiente,
essas entidades vivas representam outros tantos mensageiros, destinados a propagar o
bem ou o mal, o amor ou o ódio, a virtude ou o vício. Acordam os germes das boas e
más tendências latentes nos cérebros humanos, não raro dependendo deles o impulso
original de uma vida virtuosa ou pecaminosa. Conscientemente projetados em uma

Henrique José de Souza


78
OS MISTÉRIOS DO SEXO 79

determinada direção, por mais distante que esteja o objeto visado, agem tão eficazmente
como se estivessem fisicamente presentes os indivíduos que os emitem.
Incalculável é o mal que homens e mulheres causam ao mundo e a si próprios
pela força destruidora de seus pensamentos hostis, de suas palavras de ódio, de inveja,
de egoísmo. A calúnia, a maledicência, o rancor são outros tantos inimigos mortais da
alma.
Felizmente, como consoladora compensação, existem as formas-pensamento de
paz e amor, de bondade e solidariedade, emitidas pelos que se dedicam à felicidade
humana, capazes de induzir calma, coragem, resignação, tranqüilidade e toda a sorte de
benefícios morais, e mesmo materiais, às almas aflitas e sofredoras.
Os efeitos dos pensamentos são tão intensificados quando emitidos
conjuntamente por várias pessoas. Daí os maiores benefícios que auferem as
coletividades onde militam associações espiritualistas e escolas de iniciação, como a
Sociedade Brasileira de Eubiose, em cujas sedes e templos se reúnem seus membros
para ensinar e vivenciar as regras de paz, do amor e da concórdia universal.
As poderosas egrégoras assim formadas movem-se e vibram em todas as
direções, afastando ou dominando as vibrações negativas dos gênios do mal. Quantos
benefícios esses pensamentos coletivos tem trazido à humanidade! Ninguém jamais o
poderá saber, porque as entidades que eles representam vibram e agem na matéria sutil
que não se vê e na qual, por isso, poucos acreditam.

91. EVOLUÇÃO DA MATÉRIA MENTAL


As ondas de pensamentos altruístas e generosas propagadas no plano da matéria
mental, não se limitam a favorecer e beneficiar apenas os que são por elas alcançados;
concorrem para o desenvolvimento e enriquecimento da própria matéria que lhes serve
de condução, de veículos transmissores.
No estado atual da humana evolução, apenas quatro das espirilas de cada átomo
se acham vivificadas e a última só entrará em plena atividade, no presente período de
vida do Globo, desenvolvendo a faculdade correspondente a consciência mental. A
maioria dois homens só agora inicia o desenvolvimento dessa faculdade que irá
futuramente dar-lhe posse plena dessa consciência, ainda incipiente.
O homem dotado de um corpo mental em que os átomos constituintes já
contenham essa espirila ativa, emitirá constantemente átomos dessa natureza superior,
suscetíveis de adentrarem o aura de pessoas afins e de serem por estas utilizados. Desse
modo, todos os pensamentos puros levam em si átomos evoluídos que irão despertar no
mundo mental, as espirilas daqueles cujas consciências mentais, por ausência de veículo
apropriado, ainda não puderam manifestar-se.

92. FORMAS E CORES

Henrique José de Souza


79
OS MISTÉRIOS DO SEXO 80

As cores do ovo áurico, de cada homem revelam o estado evolutivo de seu corpo
mental. É também pelas formas e cores dos pensamentos que nesse "ovo" se agitam ou
dele se projetam para o exterior, que o clarividente pode ter conhecimento do caráter de
cada pessoa. A forma indica a natureza boa ou má do pensamento, e a cor espalha a
qualidade superior ou inferior da matéria que o reveste. A precisão dos pensamentos,
sua intensidade e natureza, resultam da luz e da nitidez de suas formas.
O tom rosa brilhante caracteriza os pensamentos afetivos, amorosos; os que
visam aliviar alguém de sofrimentos, apresentam-se aos olhos do clarividente em
matizes de ouro, de azul celeste e, por vezes, de um branco prateado. Dir-se-ia que tais
pensamentos, como todos os de simpatia e amizade, depois de tomarem a forma ovóide,
que é a de qualquer criação física ou mental, adornam-se de asas e partem com uma
velocidade superior à da luz, através do mundo mental, em busca de seu destino.
Assemelham-se aos Devas luminosos dos hindus, tanto quanto aos anjos dos cristãos.
De cores embaçadas e turvas e de formas grosseiras apresentam-se os
pensamentos de sensualidade, ódio, ciúme, cólera, irascibilidade, por se acharem
impregnados de matéria astral. Neles predominam os tons escuros do vermelho e do
verde, projetando-se sob formas de raios e de garras aduncas.
A grande maioria dos pensamentos não tem uma forma precisa, nem cores
marcantes, assemelhando-se a espessos nevoeiros de contornos indefinidos. São dessa
natureza os emitidos pela massa de fiéis e devotos, ao entrarem nos templos e igrejas,
com pouca fé e em geral sem convicções fundamentadas, conferindo assim,
inevitavelmente, um nível de pequena ou nula espiritualidade ao ambiente. Formam-se
sobre eles nuvens de um azul sombrio, por entre as quais transitam lívidos pensamentos
de medo e remorsos ou estranhas formas tentaculares do egoísmo.

93. ORIGEM DOS HÁBITOS


Toda e qualquer forma-pensamento, uma vez criada, tende a persistir viva e a
reproduzir-se no corpo que a plasmou. Este fato, de máxima relevância, verifica-se
também no plano físico e basta para explicar a razão de ser de nossos hábitos de pensar
e sentir. Isso justifica a ênfase dos teósofos e ocultistas ao recomendarem a formulação
de pensamentos altruístas, a emissão de idéias nobres e a imaginação de esquemas
construtivos, progressistas, liberais que, incentivados com palavras da mesma natureza,
concorrem seguramente para acelerar a evolução do homem.
O desconhecimento desse fato é a causa de baixo teor vibratório nos
pensamentos de uma grande maioria, que os mantém restritos às suas exclusivas
conveniências pessoais, entravando assim a marcha do progresso da coletividade.
São de um grande mestre estas palavras: "O homem cria sem cessar no seu
ambiente um mundo próprio, povoado pelos produtos da sua imaginação, dos seus
desejos, dos seus impulsos e das suas paixões". As formas-pensamento grosseiras
invadem nosso aura, aumentam sempre de número e se tornam suficientemente fortes
para dominar toda nossa vida mental e emocional, desde que obedeçamos docilmente

Henrique José de Souza


80
OS MISTÉRIOS DO SEXO 81

nos seus impulsos e caprichos, coagindo-nos a criar hábitos de pensar e sentir que
passarão a formar parte integrante do nosso caráter.

94. ELEMENTARES ARTIFICIAIS


Dá-se o nome de elementares artificiais às formas-pensamento excepcionalmente
poderosas, criadas pelo prolongado esforço de um ou vários homens reunidos para o
mesmo fim. Essas entidades, plenamente vivificadas, podem ser benéficas ou maléficas
e, uma vez bem constituídas, dificilmente poderão ser aniquiladas. Continuarão através
dos séculos a executar o trabalho ordenado pelo seu criador, mesmo quando este venha
a arrepender-se de havê-las plasmado.
Quando impossibilitadas de descarregarem a energia que lhes deu a vida, sobre o
objeto a que se destinam ou sobre seu próprio criador, elas se transformam em
verdadeiros demônios, atraídos constantemente para quantas pessoas mantenham
pensamentos ou sentimentos de sua natureza. São geralmente a causa das obsessões e
dos acidentes entre os frequentadores das sessões anímicas ou necromânticas,
impropriamente ditas espíritas, e que eles, mal orientados pelos livros e os adeptos do
"Kardecismo", atribuem a "espíritos atrasados e sem lua" de pessoas falecidas.
Por vezes eles se apoderam de um "coque" ou cadáver astral e podem
manifestar-se na sessão através de um "médium", fazendo-se passar, astutamente, por
alguém muito venerado ou conhecido e, desse modo, exercer grande influência sobre os
incautos.
O prestígio dessas entidades artificiais é notável principalmente entre os
selvagens, cujo amor e adoração elas estimulam por meio da prática de certos
fenômenos psíquicos de ordem inferior. conseguem assim, à custa da vitalidade de seus
devotos, prolongar sua existência durante anos e mesmo séculos.
Foram exímios fabricantes de entidades dessa natureza os magos negros que
proliferaram na decadência da Atlântida, os quais conseguiam envolver estas formas-
pensamentos em matéria física, fazendo-as surgir entre os combatentes nas guerras por
eles movidas contra as forças brancas. É a elas, animalescas e semi-humanas, criadas
nos recuados tempos do continente submerso, que se referiam os gregos, nos seus mitos
dos faunos e dos sátiros. A terrível deusa Kali, que até hoje tem sequazes na Índia e em
outros países, pode, com toda a probabilidade, ser uma síntese de elementais dessa
natureza, como vestígio pertinaz daquele tempo tenebroso passado.
Os conceitos aqui emitidos acerca da natureza e o poder das formas-
pensamentos, constituem tema de estudos nas escolas de iniciação e vem sendo
desenvolvidos nas melhores obras de Ocultismo. Dentre estas, assinalamos a de Arthur
E. Powell, intitulada "El Cuerpo Astral Y Otros Fenómenos Celestes", de que foram
extraídos alguns trechos deste capítulo.
A propósito da formação moral da criança, é interessante ouvir o que diz esse
autor, na referida obra (pag 189):

Henrique José de Souza


81
OS MISTÉRIOS DO SEXO 82

"Durante os primeiros anos de vida do homem, o Ego tem pouco domínio sobre
seus veículos; espera, portanto, que os pais o ajudem a conseguir um domínio mais
firme, cercando-o de condições adequadas. É impossível exagerar a plasticidade desses
veículos ainda não formados. Muito pode fazer-se com o corpo físico das crianças;
porém, muito mais ainda se pode fazer com o veículo astral e com o mental.
"Estes corpos respondem prontamente a toda a vibração que lhes chega e são
intensamente receptivos a qualquer influência, boa ou má, que proceda de quem os
rodeia. Além disso, enquanto em sua tenra juventude sejam muito suscetíveis e se
moldem com facilidade, muito depressa se assentam e enrijecem, adquirindo hábitos
que, uma vez firmemente arraigados, são difíceis de extirpar.
"De sorte que o porvir das crianças depende dos pais e mestres em medida muito
maior do que geralmente estes supõem. Só uma clarividente sabe com que rapidez e em
que grande medida se poderia melhorar o caráter das crianças se o adulto fosse melhor
do que é correntemente. O meio ambiente em que crescem é de tanta importância, que
na vida, em que se alcança o adeptado, a criança há de estar em um meio ambiente
absolutamente perfeito."

95. FORMAS PENSAMENTOS DOS OBJETOS


Todas as vezes que o homem pensa num objeto qualquer, sua imagem aparece
antes de tudo no aura do seu corpo mental. O clarividente que "adivinha" nosso
pensamento, apenas "vê" suspensa diante de nós a imagem daquilo em que pensamos,
seja uma pessoa, uma casa, uma paisagem ou qualquer outra coisa. O pintor que vai
executar um quadro, o escritor que imagina um romance, o arquiteto que planeja uma
construção, antes de objetivarem no mundo físico suas concepções já as tem realizadas
nos seus corpos mentais. São formas-pensamento que persistem, tornando-se "contra-
partes" invisíveis daquelas obras de arte, e os sentimentos ou emoções que inspiraram
seus autores, exercerão sua influência nas gerações futuras, levando-as à concepção de
idênticas obras.
Daí o mal que pode causar aos homens, principalmente às crianças, a
contemplação de quadros com cenas de guerra, de destruição, episódios sangrentos; a
leitura de livros deprimentes, negativos; de folhetos e revistas indecorosos. Pior ainda,
devido o seu incoercível efeito sugestivo, assistir a espetáculos de teatro, circo, cinema
ou televisão, em que as cenas de adultério, traição, corrupção, roubo, covardia, são
apresentados de maneira a sugerirem a reprodução do vício e do crime. Espetáculos
esses que vêm exercendo tão nefasta influência, em particular na mente da infância e da
juventude, naturalmente propensas a imitar os maus exemplos dos adultos. Compete
antes de tudo aos pais, aos educadores e às autoridades constituídas a adoção de
medidas saneadoras adequadas, visando a moralização dos costumes e o aprimoramento
do caráter.
Citemos de passagem o curioso fenômeno a que estão sujeitos todos os artistas,
principalmente os romancistas e dramaturgos. Criados no plano mental os personagens
de que se vão utilizar para a realização de suas obras, não é raro que um escritor falecido

Henrique José de Souza


82
OS MISTÉRIOS DO SEXO 83

ou mesmo um "elemental", espírito da natureza, que não se deve confundir com os


"elementais artificiais", ao ver essas imagens mentais, delas se apoderam e as faça agir
de modo diverso do imaginado pelo autor. E este, à medida que escreve seu trabalho,
nota com espanto, e sem achar para o fato uma explicação plausível, que a ação se vai
desenrolando de maneira muito diferente que ele havia concebido.

94. ENTIDADES PERMANENTES


Além das citadas entidades criadas pelos magos negros, encontram-se espalhadas pelo
plano astral outras formas-pensamento, a bem dizer de caráter permanente, resultado de
um trabalho por várias gerações. As histórias religiosas, os acontecimentos históricos, as
lendas dos santos e heróis que ocuparam o pensamento dos homens, são outras tantas
imagens vivas existentes como formas-pensamento no plano mental, visíveis para um
clarividente, que as pode tomar por entidades reais, quando não possui suficiente
experiência.
Poderoso é o efeito que essas formas-pensamento exercem na gênese dos
sentidos racionais, formando uma entidade coletiva, saturam o meio que nos cerca e
todos os produtos de nosso espírito, ao atravessá-las, sofrem deformações decorrentes
de sua infância. Nossos próprios corpos astral e mental, onde se originam nossas
emoções e pensamentos, são dominados por essa entidade, levando-nos a reproduzir
suas próprias vibrações. A consciência das multidões encontra nesse fato a verdadeira
explicação.
Quando esse agregado de formas-pensamentos, constantemente intensificado
pela automática reprodução de pensamentos idênticos, tem caráter destrutivo ou é criado
sob a influência do ódio entre os povos e as raças, torna-se de tal modo poderosos que
sua energia se faz sentir no mundo físico em formas de guerras, guerrilhas, epidemias,
crimes jamais imaginados, desarmonia entre classes e revoluções sociais. Suas ações
vão ainda mais longe, originando tempestades, terremotos, cataclismos físicos de toda a
natureza. Foram esses poderosos agregados de formas-pensamento que abalaram até aos
fundamentos, acabando por fazer desaparecer o continente atlante da face da Terra. Foi
esse incontrolável poder maligno que desencadeou a guerra de 1914 / 18 e as
calamidades que lhe sucederam. Não foi de outra origem a força avassaladora que
engendrou a guerra de 1939 - 45 e as sucessivas lutas internacionais.
Povos inteiros, plasmando durante anos e anos explosivos pensamentos de ódio,
domínio, destruição, imaginando como inimigos implacáveis os demais povos do
mundo, alimentam e desenvolvem as monstruosas e sanguinárias formas-pensamento
que subjugam e escravizam os espíritos, mesmo os mais poderosos, levando-os a
considerar como justos todos os delitos contra o direito e a liberdade alheios e como
necessários os mais nefandos crimes cometidos contra a dignidade humana. Nessas
ocasiões, a rubra matéria tamásica prevalece pesadamente por sobre toda a superfície do
planeta.
A história que registra os feitos humanos, ignorando a existência dessas fatídicas
formas-pensamento e de seu irrefreável poder, lançará sobre dois ou três nomes toda a

Henrique José de Souza


83
OS MISTÉRIOS DO SEXO 84

culpa desses crimes de lesa-evolução. Os portadores desses nomes serão execrados


pelos contemporâneos e pelas gerações futuras. No entanto, eles nada mais fizeram que
dar forma concreta, personificar e dirigir essas invisíveis forças maléficas, criadas e
constantemente alimentadas pelos negros pensamentos de milhões de seres humanos.
Elas não serão destruídas com a morte de um líder ou a queda de um governo
nem desaparecerão com a derrota completa desta ou daquela facção em luta.
Permanecerão vivas e ativas mesmo que não houvesse mais homens para assassinar nem
cidades para arrasar. Suas inesgotáveis energias continuarão agindo caoticamente para
produzir aqui uma epidemia, ali um terremoto, além um ciclone, as pragas, as secas, as
inundações, os sinistros coletivos.
A desordem e confusão que tais formas-pensamento provocam no mental
humano atingem igualmente o mental cósmico, cujas leis, aparentemente imutáveis,
modificam-se e alteram-se de modo alarmante, por força desses efeitos "kármicos".

95. OUTRAS FORMAS-PENSAMENTO


Todo e qualquer pensamento egoísta, em suas diversas modalidades (ambição,
avareza, cobiça, vaidade, impostura, orgulho) se tinge de cores turvas, pardacentas, com
reflexos avermelhados ou esverdeados, e suas formas adquirem linhas curvas, com
aparências de garras aduncas, como as das aves de rapina, ou assemelham-se a
tentáculos ondulantes que lembram bem os dos polvos e outros cefalópodes.
Ao contrário, todos os pensamentos altruístas, filantrópicos de abnegação e
generosidade, distinguem-se pelas cores claras e brilhantes, nos mais lindos tons de ouro
e azul, de púrpura e verde ou lilás. São frequentes ainda os matizes rosa e prata
fulgurante, mas muito raros os que reproduzem pequenos sois circundados de auras de
todas as cores. As formas desses pensamentos são radiantes, retilíneas, e jamais
reconvergem ao ponto de partida.
Um pensamento de devoção bem definido afigura-se à forma de uma flor ou de
um cone índigo com a ponta voltada para o alto, rumando para as regiões mais sutis do
cosmos, como para abrir um conduto pelo qual descem até ao pensador as sublimes
vibrações desses planos.
Os pensamentos bem definidos, formulados por seres conscientes e capazes de
dominar suas emoções, adquirem formas simétricas de rara beleza, entre as quais se
distinguem os triângulos entrelaçados ou separados, as estrelas de cinco pontas, os
hexágonos, as cruzes, os globos, relacionando-se em geral a conceitos metafísicos ou de
índole cósmica.
Os pensamentos de ciúme, de inveja, tomam formas de serpentes esverdeadas; os
de ira, cólera ou irritação violenta, surgem como um raio vermelho de uma nuvem da
mesma cor; mas quando a cólera é persistente, vê-se a projeção alaranjada de um estilete
pontiagudo.

Henrique José de Souza


84
OS MISTÉRIOS DO SEXO 85

96. EFEITOS DA MÚSICA NO MUNDO MENTAL


Talvez não pareça razoável incluir entre as formas-pensamento, as produzidas
pela música. Se as considerarmos, porém como o resultado do pensamento do
compositor, expresso pelos artistas mediante seus instrumentos ou vozes, convencer-
nos-emos de que lhes cabe lugar destacado, principalmente pelos benéficos efeitos que
produzem. Elas variam não só com o timbre da voz e com a sonoridade do instrumento
que as emitem, como também segundo as qualidades artísticas do compositor e o
virtuosismo dos executantes. As formas musicais produzidas no plano mental emanam
vibrações exatamente como as das formas-pensamento.
São conhecidas dos clarividentes as cores e formas características resultantes da
execução de obras deste ou daquele compositor. Uma "overture" de Wagner, por
exemplo, produz um conjunto magnífico semelhante a um grupo de majestosos edifícios
de paredes e telhados resplandecentes. Uma "fuga" de Bach dá origem a formas
audaciosas, de contornos nítidos: uma forma rude mas simétrica, cortada verticalmente
por uma infinidade de riachos paralelos e multicores. Se observarmos os efeitos de uma
canção de Mendelssohn, distinguiremos algo como castelos volantes, rendilhados de
ouro e prata.
As músicas populares originam formas variáveis, segundo os motivos, amorosos,
satíricos ou sensuais que as inspiram. As de caráter selvagem, sincopadas, povoam o
espaço de pequenos estiletes opacos, saltitantes, semelhantes aos produzidos pelos
latidos dos cães, pelos gritos e pelas buzinas estridentes.
Tal como sucede com as formas-pensamento criadas pelos grandes poetas, as dos
compositores persistem por milhares de anos no mundo mental, constantemente
reforçadas pelas repetições de sua execução nos concertos e nas gravações. As formas
mentais da boa música atraem os "espíritos da natureza". Seu afastamento do convívio
humano é provocado pelas formas-pensamento inferiores de que em geral nos achamos
cercados.
A análise dos efeitos de um canto coral revela-nos como um tecido ondulante de
fios de diversas cores e contexturas, ao passo que um "solo" com acompanhamento
produz no mundo mental um fio colorido sinuoso ou espiraliforme, ao longo do qual se
dispõem e se movimentam magnificamente os diversos anéis do acompanhamento. Já
uma música marcial produz uma série de formas vibrantes ritmadamente em ondulações
sucessivas. É conhecido o efeito encorajador das pulsações de tais ondulações na mente
dos soldados.

97. O DEVER DO HOMEM


O universo inteiro é um ser vivo, uma verdadeira forma-pensamento do Logos.
Dentro dela agem inconscientemente na realização do seu plano, em todos os setores da
natureza, entidades menores, visíveis e invisíveis, entre as quais se conta o homem;
microscópica reprodução do Homem Cósmico. Dotado do livre arbítrio e do poder de
criar formas-pensamento, povoando assim o Infinito de entidades vivas, tem o homem a
faculdade de lhes conferir qualidades e defeitos, perfeições e imperfeições. Mas nunca o

Henrique José de Souza


85
OS MISTÉRIOS DO SEXO 86

direito de perturbar a marcha progressista da Evolução, mediante espúrias criações


mentais que possam causar infelicidade e sofrimento a qualquer pessoa.
Compete ao homem evoluído espiritual e moralmente, tornar-se um colaborador
consciente na realização do grande plano do Supremo Arquiteto. Pode e deve o homem,
digno de sua Tríade Superior, trabalhar pela fraternidade e paz mundial. Por humilde
que seja, dispõe o homem da força mágica do pensamento, capaz de reerguê-lo de volta
ao Nirvana ou plano divino, e de ajudar seus irmãos a progredirem por esse mesmo e
verdadeiro caminho da Iniciação.

MISTÉRIOS DO SEXO

Segunda Parte

Capítulo I

Órbita dos Corpos Siderais - Serpentes de Fogo - Pulsações do Universo - A


Roda da Vida - Os Prometeus de Todos os Tempos - Evolução Prematura do Homem.

Capítulo II

A Verdadeira Constituição do Homem - Classificações antigas - Ciência


Esotérica - Ovo do Mundo - Corpo Áurico - Adepto e Homem - Métodos de Iniciação

Henrique José de Souza


86
OS MISTÉRIOS DO SEXO 87

CAPÍTULO I

98. ÓRBITA DOS CORPOS SIDERAIS , "SERPENTES DE FOGO"


Uma voz secreta, indefinível, a voz de nossa consciência interna, como aquela
do Judeu Errante da lenda, exclama constantemente em nossos ouvidos: Anda,
Caminha, Avante ! Inútil resistir-lhe, porque a lei da vida é em síntese, a da mudança,
do movimento, do caminhar para determinado ponto, que só se considera ilusório por
não ter sido ainda alcançado.
Essa lei envolve os próprios astros. Assim, nosso planeta realiza sua marcha em
torno do Sol por meio de movimento constante, acelerando a rotação de um dia, e lento
na transição de um ano. E no entanto, por ser o Sol, a seu turno, submetido a um
movimento em direção a constelação de Hércules (ou Lira), percorrendo no mesmo
período milhões e milhões de quilômetros, a elipse descrita pelo planeta, não se torna,
no espaço sideral, mais do que uma ondulação espiral, uma simples rosca de infindável
parafuso, lembrando o movimento dos anéis de uma serpente a deslizar cautelosamente
pelo solo. Razão pela qual os sábios da antiguidade denominavam os astros de
Serpentes e Dragões da celestial sabedoria.
Pela mesma razão, na falta de melhor imagem literária, se chama de "Dhyans
Chohans", Espíritos Planetários, de Serpentes de Fogo ou Dragões Luminosos,
expressões encontradiças na literatura mística dos povos orientais, enquanto nas lendas
dos primitivos povos da América Central se fala de Serpentes Luminosas Voadoras. Ao
norte da Índia existe uma cidade chamada Srinagar que, além de outros significados,
possui o de Homens-Serpentes.
Semelhantes ao movimento da Terra em volta do Sol, também a Lua parece
completar a sua órbita em torno da Terra, em 29 dias e meio. Mas, na realidade, esse
movimento é ilusório, justamente por não estar a Terra fixa em um determinado ponto
(foco da elipse), mas constantemente em movimento, arrastando consigo o satélite, que
é obrigado a traçar o seu serpentino caminho de um ponto a outro da órbita terrestre, que
traça no espaço sideral o seu rastro que é outra serpentina. Alcança, enfim, o seu mais
elevado ponto, arrastada pela massa planetária, completando seu ciclo diurno de rotação.
Engastada no fantástico mecanismo celeste, nem por isso volta a ocupar o
mesmo ponto do espaço planetário do dia anterior, porém a Terra, nesse breve tempo,
afastou-se milhões de quilômetros do lugar em que se encontrava, à semelhança do
fenômeno do deslocamento do Sol em relação ao nosso planeta.

99. PULSAÇÕES DO UNIVERSO


Tudo se move, tudo caminha no universo. Movimento é vida; imobilidade é
morte. Entre esse par de contrários, irmãos poderosos e inseparáveis, como o Pai-Mãe

Henrique José de Souza


87
OS MISTÉRIOS DO SEXO 88

das escrituras sagradas, e seu reflexo na Terra, desenvolve-se o fio de nossa existência.
Fio que se vai tecendo, não pelas três Parcas nem pelas três Normas, mas pelas eternas
Normas do Movimento Cósmico. Seus respectivos símbolos, não deuses como pensa o
vulgo, são representadas por Brahmã, o crescimento germinativo, o movimento
progressivo de tudo quanto nasce, cresce ou se dilata; e por Shiva, o decrescimento
vital, o cíclico movimento regressivo de quanto se contrai ou morre, e que se vai
transformando e desaparecendo, ilusório equilíbrio, fugaz, instável, relativo, fio apenas
da limitação, da inércia, da forma cambiante que jamais volta a ser idêntica a si mesma
nos momentos sucessivos.
No começo era o Ritmo, disse o inspirado Wagner. E o Ritmo outra coisa não é
senão o eterno caminhar de Édipo, alma incansável, embora o corpo se desgaste na
caminhada (alusão aos pés inchados) e mesmo que, de costas para a Luz, como disse
Platão, tome por seres reais as sombras que se projetam nas paredes de seu cárcere
terreno (o bíblico pote de argila), do qual se libertará gloriosamente com a morte física,
para renascer em outro mundo, o mundo "Jina" ou "Lunar".

100. A RODA DA VIDA


A Causa desconhecida dos efeitos, que pode ou não ser observados, chama-se
Vida Una, imutável em sua eternidade, não importa o nome que se lhe queira dar, mas,
Essência de tudo quanto não poderia existir sem Ela; que não teve princípio nem jamais
terá fim; da qual emana o mental ou inteligência universal, "Mahat", que é a síntese de
todas as inteligências, diferenciadas, por sua vez, em todas as manifestações existentes,
inclusive nos seres humanos.
É o movimento eterno e ininterrupto que governa as demais leis da Natureza,
que regem, por sua vez, o equilíbrio dinâmico dos Universos e a harmonia perfeita, que
envolve, soberana e completamente, não apenas quanto nos seja possível observar ou
sentir, mas tudo quanto escapa à nossa limitada visão e inteligência. Inalterável e
perpétuo Movimento, produtor de maravilhosas vidas e de inefáveis vibrações em todos
os planos cósmicos e terrenos, sapientissimamente regido por Lei Suprema e Única, a
qual o verdadeiro teósofo como Divindade Eterna e Absoluta; jamais como um Deus
antropomorfo, moldado ao sabor da mente humana, ora magnânimo, ora vingativo. Por
isso mesmo, preferimos dar-lhe o nome de Lei, de vez que não se pode deixar de
convencionar um nome. Lei justa, reta, inelutável. Lei Suprema e Única que a tudo e a
todos rege.
Tal é a roda da vida e da morte, a roda terrível a que se refere Sidarta, o Mestre
do Nirvana e da Lei; roda da qual ele procurou libertar o homem, depois de ter-se
iluminado com suas meditações sob a "Árvore de Budhi", que é a Sabedoria. São dele
estes primorosos ensinamentos: "Uma vez começada a vida, qualquer que seja o seu
lugar de origem e sua causa, percorre o seu ciclo de existência, elevando-se desde o
átomo ao verme, ao inseto, ao réptil, ao peixe, ao pássaro, ao quadrúpede, até alcançar o
homem, o demônio, o deva e o Deus, para depois tornar à descer à terra e ao átomo.

Henrique José de Souza


88
OS MISTÉRIOS DO SEXO 89

"Razão de nosso evolucional parentesco com os seres de todos os reinos da


Natureza. Se o homem pudesse, pois, quebrar esse ciclo e livrar-se de tais
transmigrações, o mundo inteiro participaria da obra de extermínio da ignorância, cujo
temor é a sombra, e a crueldade seu terrível passatempo.
"Sem poder salvar o mundo, e recursos existem para tanto, refúgio sagrado deve
haver contra tudo isso. Os homens pareciam gelados pelos ventos de inverno, até que a
um deles ocorreu fazer saltar do sílex a chama viva, partida do fogo solar, que na pedra
fria se ocultava...
"Fartavam-se de carne, como lobos, até que um deles experimentou semear o
trigo, que germinou como uma pobre erva, e que, entretanto, dá nutrimento a todos os
homens.
"Balbuciavam, apenas; gesticulavam como verdadeiros monos, até que uma
"língua" inventou a palavra, e pacientes dedos procuravam escrever a harmoniosa
música das letras.
"Que dons possuem os meus irmãos, que não provenham da investigação, da luta
e do sacrifício inspirados pelo amor ?
"Se, pois, um homem nas minhas condições, que tudo possuindo em seus
palácios, tudo abandona por amor aos homens, e sua própria vida arruína, para dedicar-
se a investigação da verdade, para descobrir o segredo da libertação, quer esteja nos céus
ou nos infernos, quer no seio de todas as coisas, ou em nosso próprio imo, não sabe
quando, finalmente, se levantará diante de seus olhos o espesso véu das trevas; seus pés
ensangüentados e doloridos hão de chorar, desde já o caminho da libertação, por ter
alcançado a Meta, pela qual renunciou o império do mundo.
"E a morte encontrará o seu Senhor !"
Divinas palavras de um Mestre ímpar, que transcendeu a presente Ronda.

101. OS PROMETEUS DE TODOS OS TEMPOS


Este búdico "Matar a Morte" é o tema de Paulo de Tarso, em sua primeira
Epístola aos Coríntios, cap XV, e, mais incisivo, no versículo 16:
"Porque, se os mortos não ressuscitam, também Cristo não ressuscitou".
É a mesma tese teosófica de Roso de Luna, em sua obra "El Libro que Mata a la
Muerte o Libro de los Jinas" (1)
Porque a morte encontrará o seu Senhor quando este destruir a fatalidade com a
liberdade, a ignorância com o conhecimento, o jugo das leis naturais com o definitivo
poder sobre elas; poder que a Humanidade há de alcançar somente quando todos os seus
membros, sem exceção alguma, compreenderem e viverem o sentido de que "deuses
fomos, mas nos esquecemos por causa da nossa queda", como afirmam os grandes
iniciados, de vez que a iniciação consiste em verdadeiro despertar no mundo da
Verdade.

Henrique José de Souza


89
OS MISTÉRIOS DO SEXO 90

Por esse motivo, na literatura universal, a começar pelas epopéias, há sempre um


herói, um destemido viandante, um peregrino lutador que, inflexível como um astro na
sua órbita, caminha impávido até alcançar seu ideal, decifrando esfinges ou elidindo
sereias, atravessando mares ou galgando montanhas, não o detendo as seduções das
Apsaras nem das Kundrys, não o intimidando as ameaças ferozes dos Keshin nem dos
Fafner...
Cavaleiros chamados "andantes", na idade Média. Todos eles de fato estão
sempre andando, sem jamais dormir, moralmente falando - (a falta de repouso de
quantos se fizeram escravos da Lei, para salvação do mundo), escudados na virtude, que
é "qualidade de varão", e atraídos pela Dama de seus pensamentos, de seus sonhos, ou
seja a Tríade Superior que preside seus atos (a mesma Psyké, ou a alma em busca do
Espírito, seu bem amado, segundo a mitologia Grega); mas, desafortunadamente,
crucificados a cada passo, por quantas esfingéticas ilusões e sombras procuram
embargar-lhes o passo (como os fantásticos moinhos de vento e rebanhos de ovelhas do
Cavaleiro da Triste Figura), mas tendo que vencer, por lei cósmica de ponderação de
forças, por serem naturalmente superiores àquelas.
Todos os heróis das referidas epopéias tem por sublime protótipo o clássico
Prometeu, o gigante Imir dos Edas, preso à terra pelas invisíveis cordas dos Liliputianos,
pois o próprio significado etimológico de Prometeu (de Pro-mitor, o que vê e percebe), é
de herói super-homem, previdente, tanto que H.P. Blavatsky diz ter Ésquilo, na sua
divina tragédia "Prometeu Encadeado" (obra que teria custado a vida do autor por haver
revelado ao mundo profano mistérios iniciáticos assegurando que um dos maiores dons
propiciados aos homens pelo rebelde titã foi o de lhes impossibilitar a visão do futuro,
que ele possuía; de acordo com uma advertência de "luz no Caminho"; Antes que os
olhos possam ver, tem que se Tornar incapazes de chorar; antes que o neófito possa falar
na presença do Mestre, tem que lavar suas mãos no sangue do coração.
(1) O último capítulo dessa obra, intitulado "a morte da Morte, operada pela
Teosofia", recorda-nos, entre outros fatos e muitas experiências, que nas iniciações
egípcias mais solenes dos mestres, está demonstrando que o iniciador ou Hierofante
submetia o candidato a uma espécie de transe hipnótico que deixava inerte, desmaiado e
como morto seu corpo físico, ao mesmo tempo que levava a alma pelos amplos confins
do mundo Jina ou astral, em verdadeiras peregrinações que na tradição tem chamado "A
descida de Orfeu aos infernos para libertar Eurídice", "A de Perseu para libertar
Andrômeda", "A de Pitágoras", "A de Telêmaco em busca de seu pai Ulisses", etc. Não
é preciso dizer que, com isso, a partir desse momento, logo que ao terceiro dia o inerte
corpo do candidato despertava de seu letargo físico sob o primeiro raio de Sol nascente,
conservando plena consciência de que se havia visto cadáver (em seu corpo de carne), e,
simultaneamente, vivo (em seu duplo astral, corpo em que recebera a iniciação), o
iniciado nunca mais temeria a morte (segundo a própria frase de Cícero ao regressar de
sua iniciação eleusiana), e estivesse apto para realizar, com desprezo de uma morte que
já para ele era pura mentira, os maiores heroísmos.
Refere-se em seguida, às múmias egípcias, a que se dedicara a ciência
necromante do País dos Faraós, com seus profundos conhecimentos anatômicos e
químicos, a conservar quase indefinidamente o organismo corpóreo de seus reis e
sacerdotes, salvo, como é natural, certas partes brancas e vísceras do mesmo. Dentro do

Henrique José de Souza


90
OS MISTÉRIOS DO SEXO 91

critério ocultista que o autor desenvolve nessa obra, há motivo para pensar que, com
semelhantes práticas, da mais refinada magia negra e a mais anti-natural, o que faziam
era suspender a evolução interior daquelas almas que, devido a conservação maior ou
menor dos corpos físicos, ficavam atadas e retidas em esferas vizinhas deste mundo
inferior. Semelhante estado de suspensão da marcha ascencional das lamas, que
acompanham a destruição "conjurada" dos corpos de carne, devem equivaler, em um
aspecto ao fenômeno do trânsito da larva à crisálida, fenômeno em que não há
putrefação. Em outro aspecto, corresponde ao estado desses cadáveres que, longe de se
compreenderem, são encontrados às vezes dentro de suas tumbas em conservação tão
perfeita que lhes permitiu crescerem o cabelo e as unhas, e até apresentarem uma
coloração em suas faces, por neles continuar a circulação sanguínea, alimentada
"etereamente" através das paredes da sepultura, pelos mais aterradores fenômenos do
vampirismo.
Em são Ocultismo, a completa liberação da alma pressupõe, como condição
indispensável, a total decomposição ou a incineração do corpo. Tudo quanto de um
modo ou de outro impeça ou retarde essa liberação de átomos físicos pelo corpo
aprisionado, além de ser uma operação necromante, impede ou atrasa semelhante
liberação, tal como sucede no caso das evocações que se fazem dos mortos nas sessões
espíritas e em geral todo e qualquer ato de comunicação com os que se despediram deste
mundo, salvo as comunicações de pensamentos e palavras nascidas do amor, que é
superior à morte, e da santa recordação de sua obra e de bons exemplos de sua vida.

102. EVOLUÇÃO PREMATURA DO HOMEM


A autora de "A Doutrina Secreta", diz a respeito do viajante Prometeu, o que foi
ao céu e volveu à terra para trazer-nos o dom do pensamento, com o qual nos igualamos
aos deuses, as seguintes palavras, dignas de profunda meditação:
"Em sua revelação final, o antigo mito de Prometeu, cujos protótipos e
arquétipos se encontram em todas as antigas teogonias, equivale, em todas elas, à
origem do mal físico, por ser a entrada nessa mesma vida humana. Cronos é o Tempo,
cuja primeira lei é a de que se conserve a ordem das fases sucessivas e harmônicas, no
processo da evolução cíclica, sob pena de um desenvolvimento anormal com todos os
seus terríveis resultados, não estava, embora se pense ao contrário, no plano para o
desenvolvimento natural do homem o intento de convertê-lo com tanta rapidez,
intelectual, psíquica e espiritualmente, no semideus que é a Terra, antes que sua
constituição física pudesse tornar-se mais potente e longeva que a de qualquer dos
grandes mamíferos.
"O contraste é muito grosseiro e evidente, e o tabernáculo, por sua vez,
demasiadamente indigno do Deus que nele habita. Assim, o dom de Prometeu
converteu-se em maldição, embora de antemão conhecida e prevista pela Hoste das
excelsas entidades sintetizadas no mesmo Personagem, segundo seu próprio nome o
demonstra. Em tal mistério estão fundados, ao mesmo tempo, seu pecado e sua

Henrique José de Souza


91
OS MISTÉRIOS DO SEXO 92

redenção, pois que a hoste de seres que encarnaram em uma parte da humanidade
preferiram o livre arbítrio à escravidão passiva, a dor e a tortura intelectual, consciente,
durante miríades de séculos, à beatitude instintiva, imbecil e vazia.
"Sabendo que semelhante encarnação era prematura e não estava no plano da
natureza, a Hoste celeste, ou Prometeu, sacrificou-se, entretanto, para beneficiar, desse
modo, uma parte da humanidade. À medida, porém, que salvava o homem do
obscurantismo mental, infligia-lhe as torturas da própria consciência de sua
responsabilidade, resultante de seu livre arbítrio, além de quantos males é herdeiro o
homem por sua carne mortal.
"Semelhante tortura aceitou-a Prometeu, embora essa Hoste se houvesse, daí por
diante, misturado no tabernáculo por ela preparado (1). Sim, não concluído tal
tabernáculo no referido período de formação, por isso mesmo incapaz de espiritual
evolução ou marcha para adiante, ao lado da física, uma vez desfeita a homogeneidade
pela referida mescla, aquele dom de Prometeu se converte na causa principal, senão a
única da origem de quanto por mal se concebe..." (2)

(1) Tabernáculo a que os teósofos designam de Manassaputras, no sentido de filhos


do Mental, depois considerados Vasos de eleição ou, como dizem as teogonias,
custodiados, embora sem ligar um fenômeno a outro.
(2) Houve também uma Segunda Queda, à qual aludimos em nosso estudo
"reminiscências Atlantes" publicado na revista DHÂRANÂ, número 104.

103. DESOBEDIÊNCIA À LEI


Édipo-prometeu, ao desviar-se das diretrizes traçadas por Lei, não fez mais do
que imitar o mesmo fenômeno que acontece aos astros, se mesmo aos homens, quais
mônadas caídas do céu, dá-se o nome de Estrela, como prova a humana configuração
pentalfa ou signo de Salomão.
Por tudo isso, e muito mais ainda, se nosso planeta permanece submetido à lei de
rotação sobre seu eixo ou ciclo de raio curto, os dias, as noites e todas as resultantes
climáticas teriam um caráter de regularidade, normalidade e constância o que no entanto
lhe falta justamente por causa do ciclo de raio longo, que lhe permitiu girar em torno do
Sol da Verdade, não egolatricamente em redor de seu eixo antropocêntrico, conquanto
lhe sucedam também, como duplo viajante humano e terreno, crises análogas ou de
dores, das quais, por sua vez, padece a Natureza (com dores parirás teus filhos e te
cobrirás de espinhos, na expressão bíblica de Eloim), na sucessão das estações
climáticas, não da rotação, mas da transição da Terra, e que só poderá terminar de duas
maneiras: ou cessando o movimento de translação (o que seria absurdo, de vez que,
mecanicamente, rotação e translação se acham essencialmente ligados); ou orientando-
se de modo reto e justo (do que certas fraternidades iniciáticas tiram seu antigo lema
"Justus et perfectus"), como no começo das coisas, até a grande catástrofe atlante, que
desviou de vinte e três graus o eixo da Terra em relação ao plano da elíptica.

Henrique José de Souza


92
OS MISTÉRIOS DO SEXO 93

Foi esse desvio que lhe deu a forma do misterioso Tau ou Esquadro (outro
símbolo iniciático ou maçônico, além do seu sentido de construção, obra), com o plano
translativo, mas que um dia volverá, infalivelmente à sua primitiva posição, a despeito
de opiniões contrárias baseadas em cálculos aparentemente certos, mas certamente
errôneos porque despistados pelo véu maiávico (a ilusão dos sentidos), que envolve toda
a abóbada celeste.

Henrique José de Souza


93
OS MISTÉRIOS DO SEXO 94

CAPÍTULO II

104. A VERDADEIRA CONSTITUIÇÃO DO HOMEM


Laboram em grave erro os que confundem o espírito ou Inteligência (NOUS)
com Alma (PSYKÉ) e com o Corpo (SOMA). Da união do Espírito com a Alma nasce a
razão; da união da Alma com o Corpo nasce a Paixão. Desses três elementos, a terra deu
o Corpo; a Lua, a Alma, e o Sol o Espírito. Por isso, todo o homem justo e consciente
dessas coisas é ao mesmo tempo, durante sua vida física, um habitante da Terra, da Lua
e do Sol.
PLUTARCO (ISIS E OSIRIS)

Depois de Plutarco, iniciamos este capítulo citando Roso de Luna que, tanto
quanto H.P. Blavatsky, nunca poderemos deixar de citar porquanto, pela magnitude de
suas obras, se tornaram eternos credores
da gratidão e admiração dos verdadeiros teósofos.

105. O HOMEM-ZERO
Este conceito inicial é negativo e talvez o mais evidente. O homem igual a zero, que
pode, de fato, representar o homem e seus problemas para o ente vulgar que de si
próprio jamais se ocupou ? Um verdadeiro não-ser metafísico, nada, zero. Por outro
lado, no começo das coisas, antes de seu desaparecimento como um ser distinto,
emanado da Divindade, o homem nada era, representava o zero. E a própria Divindade
pode ser simbolizada por um Zero; neste caso, Zero Astro ou Sol. Donde o nome
adotado de Zoroastro, ou antes, por um dos seres que se apresentam na Terra com esse
nome.

106. O HOMEM-UNO
Este conceito, homem-uno, é por sua vez evidente. Por um lado, obediente a
toda espécie de manifestação, que é una no começo, como por exemplo, o talo do
germe, do seio do abstrato ou do não-ser. Por outro, como quer a ciência positiva, que
só vê e analisa o organismo físico, do qual pretende fazer derivar, como quaisquer
funções ou secreções, os princípios intangíveis e as faculdades hiperfísicas que integram
o animal-homem.

Henrique José de Souza


94
OS MISTÉRIOS DO SEXO 95

107. O HOMEM-DUAL
Já não parece clara e evidente às mentalidades vulgares, esta maneira de
considerar o homem. Para divulgar a idéia da dualidade, as religiões apelam para a fé. A
fé, no entanto, pairando acima do conhecimento, não pode ser racionalmente explicada e
muito menos demonstrada cientificamente. Seria pois "algo" sentimental e inexplicável.
As religiões cristãs, por exemplo, ensinam que, com a morte, fica livre para sempre a
parte imortal do homem, a alma, criada por Deus, antes dos nascimento físico; e que
depois da morte seu destino terá um destes três endereços: céu, inferno ou purgatório,
segundo sua conduta (boa, má ou neutra) durante o tempo que viveu na Terra, unida a
um corpo carnal perecível, porém capaz de recompor-se e reanimar-se no dia do "Juízo
Final", isto é, ressuscitaria o mesmo corpo que fora seu tentador, seu lastro cruel e até
mesmo seu inimigo mortal.
Este, em duas pinceladas, o quadro apresentado pelas religiões ocidentais com o
seu homem dual, alma e corpo, dois elementos, um mortal-eterno e outro mortal-
ressuscitável. Ou a mariposa triunfal, que bate suas asas policrômicas surgindo de
misterioso casulo, simbolizado no sudário da morte, e a asquerosa larva que, nele
encerrando-se teve de morrer para ressuscitar como alígero ser.
No entanto, mesmo errônea essa doutrina dualista, devemos convir que não está,
quanto a anterior, tão longe da verdade. pelo menos já considera algo que não morre.

108. O HOMEM UNO E TRINO


Antes de chegarmos ao âmago da questão, convém lembrar que em nenhuma língua
existem sinônimos perfeitos. Assim, por exemplo, na palavra "cosmos" é essencial a
condição de harmonia; em "universo" temos a idéia de unidade invertida ou
manifestada. Não é idêntico o "ser" com o "existir", como demonstra a Ontologia.
Na concepção do homem trino se detiveram, historicamente, todas as filosofias
ocidentais, desde a antiga cabala até o moderno Espiritismo, sem falar nas de povos
aborígenes, como os africanos e ameríndios, e as línguas correspondentes, tais como a
grega (com o seu "NOUS" "Psiké" e "Soma"); a latina (com seu "spiritus", "anima" e
"Corpus") e algumas línguas pré-colombianas, tais como o guarani, essa língua ária sul-
americana que serviu de auxílio à cultura de um grande povo, séculos antes da
conquista. Nela se encontram os três referidos conceitos relativos a "corpo", "alma", e
"espírito". Senão vejamos: "Pa", o espírito, o hálito divino, ou "Hu", "Tu", que, segundo
Wagner (é a própria gênese bíblica), move-se originariamente sobre as águas
primordiais (Ap-sa ou Apas, em sânscrito); "Pan" ou "fP'an" é o espírito, porém já
manifestado na alma, como em um veículo ou "perispírito", e "Ang", o corpo, donde a
verdadeira desinência que define o homem, como física integração dos três citados
elementos: "Pa-pan-gan"; ou, como demonstra o termo "caray" (donde Caraíbas, etc.), o
humano "fruto", segundo a doutrina dos "aba" (ava, avo, avô, etc) ou "antecessores
guaranis".

Henrique José de Souza


95
OS MISTÉRIOS DO SEXO 96

Essa mesma concepção, notável por sua simplicidade, resplandece também os


ensinamentos de Paulo: em sua primeira Epístola aos coríntios, alude a um "corpo
material", um "corpo espiritual" e um "Espirito". Depois os textos religiosos passaram
equivocadamente a considerar como sinônimos termos de significações distintas.
Por fim, o conceito de Plutarco, de Homem-trino, constituído de corpo, alma e
espírito, em relação respectivamente com a Terra, a Lua e o Sol.

109. O HOMEM-QUÍNTUPLO
Segundo a filosofia grega, a alma é atraída para baixo pelo corpo e para cima
pelo espírito, separando-se, por assim dizer, em três níveis constituídos
respectivamente; a) pela mente inferior ou passional (em Sânscrito denominada Kama-
manas, alma animal, corpo dos desejos; b) pela mente superior intuitiva ou agencial
(Budhi-manas ou alma espiritual) e c) pela mente reflexiva ou mediadora propriamente
dita (o Manas Sânscrito, donde se deriva a palavra "manú", pensador e "man", homem).
Esses três elementos anímicos formam com o espírito e o corpo a divisão
quinária das antigas filosofias do Oriente, nas quais, por essa razão, tomaram por
símbolo o pentalfa, muito propriamente relacionando-o aos cinco sentidos, aos "tatwas"
e aos cinco continentes.

110. CLASSIFICAÇÕES ORIENTAIS


O assunto foi amplamente tratado por H.P.B. em a "Doutrina Secreta" (Estância
VI do vol. I). Enquanto a classificação oriental e tártara chamada Táraka - Raja-Yoga, é
ternária, como as do ocidente, as posteriores da escola Vedanta obedecendo a forma
quinária. ambas não incluem Atmã, ou Espírito, por ser elemento hiperabstrato,
consubstancial com a Divindade, como os raios solares o são com o próprio Sol,
passando a forma quaternária, uma, e setenária, a outra. Idênticos se apresentam em
mambos os termos mais sutis de espírito (Atmã) e alma espiritual (Kárana-Upadhi) ou
Ananda-maya-Kosha, literalmente: envoltório do ilusório espírito), enquanto os
elementos mentais do homem (sukshma-upadhi) dividem-se, na escola vedantina, em
mente superior (vijnana-maya-kosha) e mente inferior ou passional (manas-maya-kosha)
e os elementos mais baixos ou astrais e corpóreos (sthula-upadi, da táraka) se dividem,
por sua vez, segundo a Vedanta, em força transitória, da vida (prana-maya-kosha) e
elementos corpóreos (ana-maya-kosha).

111. CLASSIFICAÇÃO ANTIGA

Henrique José de Souza


96
OS MISTÉRIOS DO SEXO 97

A antiqüíssima classificação de Táraka-Raja-Yoga responde, a nosso ver, melhor


que qualquer outra às funções da magia prática ou "raja-yoga", no sentido de reforma ou
renovação do homem pela meditação, estudo e conhecimento. conquanto existem sete
princípios no homem, eles se firmam em três bases apenas, ou envolturas para Atmã.
Este pode, com efeito, agir separadamente em cada um desses três veículos ou
"uphadis". Tais veículos (correspondente ao corpo, à mente e a alma espiritual) podem
ser separados por um Adepto, sem perigo de vida (justamente por se relacionarem com
as três regiões - terrestre, lunar e solar, da teoria de Plutarco); porém, ele não pode
desagregar os sete princípios sem destruir a constituição integral. Não obstante todo
Adepto, de aquém ou além Himalaia, pertença ele a escola de Patanjali, à Áriasanga ou
à Maha-yana (Budismo do Norte), deve converter-se em um raja-iogue, e, como tal,
aceitar a classificação "táraka", seja qual for à que recorra com fins práticos esotéricos.
Assim, tanto faz dizer "três upadhis com seus três aspectos e mais Atmã, sua síntese
eterna e imortal", como a todo esse conjunto chamar de "sete princípios".
Não se conhecendo bem todos esses sistemas, o assunto parece muito complexo
e não raro se confunde princípios com corpos, quando estes são três em um, como o é o
mistério de sua própria origem, e os veículos propriamente ditos, os que ligam entre si,
ligando ao Divino e ao seio da Terra, qual nova maneira de se interpretar o fenômeno.

112. O HOMEM SÉTUPLO


As duas classificações de iogues e vedantinos representam o precedente histórico
da chamada classificação teosófica, que foi divulgado no mundo ocidental pela primeira
vez por A. P. Sinnett, em seu livro "Budismo Esotérico", o qual, seguindo os
ensinamentos da época, classificou o homem em um Ternário ou Tríade superior, como
diriam os pitagóricos, à saber: Espírito, alma espiritual e mente superior ou abstrata
(Atmã-Budhi-Manas), indubitavelmente ligada à própria mente pelo quaternário inferior
(Kama-manas) ou mente animal e sua envoltura Kama-rúpica; linga-sharira ou corpo
astral (mediador plástico, segundo a escola de Paracelso, "perispírito" de Allan Kardec,
etc.), corpo físico.
O quadro seguinte resume estas classificações e dá ao leitor melhor idéia de suas
correspondências:

______________________________________________________________________
I Budismo Esotérico I Vedanta I Táraka-raja-yoga I OcidenteI
----------------------------------------------------------------------
I Sthula-sharira I Ana-maya-kocha I Sthula-upadi I corpo I
I Prana I I I I
I Linga-sharira IPrana-maya-kosha I I I

Henrique José de Souza


97
OS MISTÉRIOS DO SEXO 98

I Kama-rupa I I I I
I Manas IManas-maya-kosha I Sukshma-upadi I alma I
I IVijnana-maya-koshaI I I
I Budhi IAnanda-maya-kosha I I I
I Atmã IAtmã I Atmã I espírito I
I I I I I
----------------------------------------------------------------------

113. DIVISÃO TRINA DO CORPO HUMANO


A lei de analogia demonstra que no corpo humano se refere a clássica divisão
trina. Em sua "Antroposofia", Brionde ensina que se examinarmos com atenção nosso
corpo ou de um animal adiantado na escala zoológica, podemos observar que existe uma
tríplice divisão que separa os órgãos mais importantes, encerrando-se em cavidades
distintas e perfeitamente limitadas. A cavidade inferior é encontrada na região antero-
lateral, pelos músculos retos anteriores do abdômen, obliquo maior e menor, aponeurose
e músculo transverso (além de outros pequenos elementos, como o músculo piramidal,
etc.) Na região posterior da face, temos o quadrado lombar, o psoas ilíaco, as apófises
transversais da vértebras lombares, músculos vertebrais, coluna vertebral, etc. A base se
acha oculta pelos músculos períneos e a aponeurose do períneo, com orifícios de saída
para os diferentes condutos excretores - ( uretra, ânus, vulva). Na parte superior estende-
se um só músculo, aponeurótico, que separa perfeitamente o abdome do tórax,
deixando, entretanto, passar o esôfago e a aorta. Seve, ao mesmo tempo, de base para a
chamada caixa torácica, segunda cavidade, limitada pela coluna vertebral, costelas e
esterno, dando passagem, no estreitamento superior, ao esôfago, traquéia, artérias, etc.,
que põem em comunicação as três cavidades.
A terceira (ou primeira) e mais perfeita é a craniana, admirável abóbada onde
todas as leis da Arquitetura chegaram à sublimação, encerrando o conjunto de orifícios
de entrada das três cavidades: esotericamente o conjunto de orifícios, na razão setenária
da própria constituição do homem (olhos, ouvidos, narinas e boca).
Crânio, tórax e abdômen encerram admiráveis geradores de energia, usinas
transformadoras, laboratórios químicos e biológicos auto-controlados, capazes de uma
incrível complexidade de ações e reações, com planos de construção, produção e
transporte inteligentemente executados em todos os departamentos orgânicos, a ponto
de a própria Fisiologia considerar que temos dentro de nós um gênio diretor. São as três
bases da constituição mental, psíquicas e física em que se fundamenta o chamado
cruzamento polar do Ocultismo: cabeça na cabeça, cabeça no peito, cabeça no ventre;
peito na cabeça, peito no peito, peito no ventre; ventre na cabeça, ventre no ventre,
ventre no peito.

Henrique José de Souza


98
OS MISTÉRIOS DO SEXO 99

114. CIÊNCIA ESOTÉRICA


Desde a primeira publicação da citada obra Sinett (1891) ou do desaparecimento
de H. P. Blavatsky (1891) aos nossos dias, os clássicos conceitos setenários da
constituição humana sofreram profundas modificações na sua exposição e interpretação,
merecendo por isso mesmo alguns comentários.
O estudo das ciências esotéricas, segundo H. P. B., visa a dois objetivos
principais: demonstrar que a essência espiritual e física do homem é idêntica no
Princípio Absoluto ou Deus na natureza; e demonstrar que no homem existem,
potencialmente, poderes criadores e destruidores idênticos aos que pulsam nas forças ou
energias dessa mesma natureza.
A sagrada sentença do Longínquo Oriente - OM MANI PADME HUM -
equivale só por si a sempiterna e oculta diferenciação do Raio Uno ou Atmã que. ligado
a Budhi e Manas, constitui nossa Tríade Superior. Esta, sobrepujando os quatro
princípios inferiores (ver diagrama), acha-se envolvida em uma atmosfera áurica,
dourada brilhante, de forma oval, chamada por isso de Aura ou Ovo de Ouro, lembrando
a gema do ovo, futuro embrião, em relação a clara do e à casca, três coisas distintas
numa só, alem de lembrar a forma espacial, onde se mantém o ar, comparável à
Consciência Universal, o externo Atmã (se assim quisermos designá-la), em relação ao
interno, que represente a Mônada em cada indivíduo. E que são os indivíduos de todas
as correntes de vida, senão infinitas frações do Grande Todo em evolução, mais ou
menos lenta, ao longo das sete Cadeias de cada Sistema. Diz uma estância de Dzyan
tantas vezes citadas, que Deus se divide para consumar o supremo sacrifício. O homem
é um microcosmo dentro do macrocosmo, ou uma fração microscópica (potencialmente
idêntica) na Unidade infinita e imperecível. Daí o maior ideal pregado por todos os
iluminados de todos os tempos: a fraternidade Universal (que não çe apenas, como se
pensa, a fraternidade humana, e que já é por si só um Grande Ideal), para que todos os
seres de todos os reinos da natureza possam evoluir, progredindo para atingir o fim
estabelecido dentro do período prefixado pela Eterna Lei.
Entenda-se ainda que esse ideal máximo de Fraternidade universal abrange o
inteiro esquema do Logos para a evolução da vida, não só aquelas formas visíveis em
que os seres se apresentam revestidos de matéria densa, nas mais variadas formas e
constituições, pois inclui paralelamente a evolução da vida nos planos invisíveis, em
que os seres se apresentam constituídos de matéria sutilíssima, hiperfísica, com
indescritível variedade de formas, cores e sons ou vozes, desde os espíritos solares,
devas búdicos, devas mentais, do astral, silfos, salamandras, gnomos, ninfas, ondinas,
etc., além das formas menos etéreas de uma infinita profusão de elementais ou espíritos
da natureza.

115. O "OVO DO MUNDO" E O HOMEM


Os seres superiores percebem semelhante conjunto, desde planos mais elevados,
de sorte que para eles cada indivíduo é representado por uma esfera oval, mais ou menos
radiante, segundo seu maior, ou menor grau de evolução. Os Puranas expõem,

Henrique José de Souza


99
OS MISTÉRIOS DO SEXO 100

exotericamente, a alegoria do nascimento de Brahmã (masculino-feminino, na razão do


Pai-Mãe de quase todas as escrituras sagradas), no Hyrania-garbha (Ovo do mundo)
circundado de sete regiões ou planos, e, analogamente, o homem na matriz (materna),
circundados, por sua vez, de outras tantas capas ou envoltórios, a saber: embrião,
líquido amniótico, âmnios, cordão umbilical (que o prende astralmente à mãe, como esta
à Lua, e o homem ao Sol, no sentido esotérico ou das polaridades magnéticas), o
alantóide, o interstício entre o âmnios e o córion, e este como envoltura externa. Cada
um desses sete elementos uterinos corresponde a um dos sete planos da existência, e
estes sete antétipos correspondem, por sua vez aos sete estados da matéria e às
adequadas forças da natureza.
No quadro abaixo estão esquematizados os grandes sistemas orgânicos, de forma
distinta da conhecida pela Ciência oficial, e que a própria Ciência Hermética procura
velar, tanto quanto possível, por não ser ainda o tempo de sua revelação completa.

----------------------------------------------------------------------
I I Aparelho I Aparelho I Aparelho Céfalo I
I I Digestivo I Circulatório I Raquidiano I
I--------------------------------------------------------------------I
I Orifícios de I Boca I Nariz I Olhos I
I Entrada I I I I
I--------------------------------------------------------------------I
I Orifícios de I Esôfago I Traquéia I Nervo óptico I
I Saída I I I I
I--------------------------------------------------------------------I
I Órgãos I estômago I Coração I Terceiro I
I Centrais I I I Ventrículo I
I--------------------------------------------------------------------I
I Órgãos I Fígado e I Pulmões I Hemisférios I
I laterais I Pâncreas I I I
I--------------------------------------------------------------------I
I Cavidades I Abdômen I Caixa I Crânio I
I orgânicas I I Torácica I I
I--------------------------------------------------------------------I
I Formas de matéI sólidos e I Ar I Luz I
Iria assimilávelI líquidos I I I

Henrique José de Souza


100
OS MISTÉRIOS DO SEXO 101

I--------------------------------------------------------------------I
I Redes I Sistema I Sistema arté- I Sistema I
I Gerais I quilífero I rio Venoso I nervoso I
I--------------------------------------------------------------------I
I Redes de I Tubo intestinal I Aparelho I Aparelho sexual I
I eliminação I I Urinário I interno I
I--------------------------------------------------------------------I
I Sublimações I Transforma os I Transforma o I Transforma o I
I I alimentos em I plasma sanguí- I fluído nêurico I
I I linfa e plasma I neo em energia I em magnetismo e I
I I sanguíneo. I nervosa ou I pensamentos. I
I I I fluído nêurico I I
I--------------------------------------------------------------------I

(1) Em semelhantes condições se encontra lá embaixo o seio ou "útero da Terra", que


representa a verdadeira mãe de todos os seres que vivem na superfície. donde o termo
Mater-rhea (Mãe Terra).

116. TRÍADE SUPERIOR E CORPO FÍSICO


Nosso corpo físico, a rigor, não participa das diretivas nem das excelsas ondas da divina
Essência, as quais fluem na Tríade Superior. Purusha, o Espírito Primordial, vem ter à
cabeça e nela se detêm, mas o homem espiritual, síntese dos sete princípios, com ele se
acha diretamente relacionado. Até agora só teve ocasião de dar uma classificação
aproximada e vaga dos referidos sete princípios. O budismo esotérico começa por Atmã,
o sétimo, também chamado de princípio crístico e termina no primeiro, em sentido da
descida ou involução: o corpo físico. Nenhum dos dois, entretanto, deve ser considerado
estritamente como princípio, porque aquele é a radiação no indivíduo, do Logos
Imanifestado ou hipostaticamente Um com ele: e o último, a simples casca ou
envoltório protetor do Homem espiritual, o pote de argila bíblico.
Em verdade, o princípio capital não é mencionado na literatura teosófica e
ocultista. Trata-se do Ovo luminoso (Hyrania-garbha), ou esfera invisível magnética que
envolve cada ser dos vários reinos da escala evolucional, representando muito mais que
o aura ou eflúvio ódico, como denominou Reichenbach, por ser aquele a emanação
direta do raio átmico em seu tríplice aspecto: criador, conservador e destruidor (Brahmã,
Vishnu, Shiva) e também da excelsa Tríade Atmã, Budhi-Manas.
O sétimo aspecto desse aura individual é a faculdade de revestir o corpo,
convertendo-o no radiante e luminoso Augoeides (corpo causal) dos neo-platônicos; o

Henrique José de Souza


101
OS MISTÉRIOS DO SEXO 102

Deus Cupido, que não é o Deus do amor da interpretação popular, no sentido da


abstração sexual, e muito menos do amor platônico, no sentido de aliança de todos os
seres da Terra, que também possui seu próprio aura. Em sânscrito, a expressão que
corresponde a Augoeides é Mauavi-rupa.
O homem espiritual, segundo a escola vedantina é constituído de cinco
princípios; ela substitui o corpo áurico pelo físico e resumiu em um só os dois princípios
manásicos, e chama de Atmã ao Espírito. Nisto se funda a crítica do sanscritista Subba
Rao à citada obra de Sinnett.
Vejamos qual a verdadeira nomenclatura esotérica.

117. CORPO ÁURICO


Não era até então permitido falar publicamente do corpo áurico por ser o mais
sagrado. Depois da morte física, este se assemelha à essência de Budhi e de Manas,
convertendo-se no veículo desses dois princípios espirituais, não objetivados. A razão já
plenamente operada por Atmã sobre ele se eleva ao estado devacânico (celestial), como
um Mânasa-Taijasi, Manas radioso, iluminado pelo Eu superior, liberto das cadeias da
carne. O corpo áurico é, pois, o Sutra-Atmã (Sutratmã), conhecido na linguagem
iniciática como Fio de ouro (Sol) ou Fio de Prata (Lua), Andrógino etc., que se acha
encarnado desde o começo do manuântara ou ciclo, e irá até seu fim, engastando, uma
após outra, as numerosas pérolas desse Colar inefável, que tem por potencial o
prodigioso número setecentos e setenta e sete, como que colhendo o místico perfume
das múltiplas personalidades de que vai fazendo uso em sua longa peregrinação pela
vereda evolucional da Vida.

118. O ADEPTO E O HOMEM


Processo semelhante se verifica quanto à matéria com que os Adeptos vão formando
seus corpos astrais, desde o Augoeides ou Mayavirupa, até os menos sutis. Depois da
morte física, quando as partículas mais etéreas do homem foram absorvidas pelos
espirituais princípios de Budhi e Manas superior, e iluminados pela direta radiação de
Atmã ( razão porque o Mahatma Djval-Kul dizia que o verdadeiro Mestre é o sétimo
princípio), o corpo áurico passa ao estado de consciência chamado Devachan ou ao
puríssimo estado de Nirmanakaya se se trata de um Adepto que habitava o plano astral,
em relação com a terra, já que vive em seus humanos princípios, com exceção de Kama-
rupa e do corpo físico. no primeiro caso, ao chegar a Devachan (reino dos Devas,
equivalente ao céu dos cristãos, mas no astral superior, portanto beatitude, bem-
aventurança temporária, não eterna como se diz), seu linga-sharira, o Alter-ego do corpo
físico, sendo compelido pelas partículas materiais que o Aura deixa para traz,
permanece, ainda, estreitamente ligado ao cadáver, do qual sempre acaba por
desvencilhar-se.

Henrique José de Souza


102
OS MISTÉRIOS DO SEXO 103

No caso de um adepto, ao desintegrar-se do corpo físico, desintegra-se também o


centro de seus desejos e paixões, embora durante sua vida esses centros tenham estado
mais ou menos ativos e em constante correspondência com seus protótipos, os centros
cósmicos. É unicamente por intermédio desses centros espirituais que os
correspondentes centros físicos podem receber ações ocultas e recíprocas. O aura
humano tem, como espaço cósmico e nossa própria pele, sete revestimentos; razão
porque, quanto mais delicado ou sutil for nosso aura, maiores probabilidades teremos de
abrir os olhos espirituais para os mundos superiores ou divinos.

119. SENTIDOS, CONSCIÊNCIA E PLANOS CÓSMICOS


Antes de falarmos de sentidos, para clareza do assunto, fazemos uma pergunta e damos
uma resposta. São cinco ou sete ? Sete, sendo dois em estado latente ou ainda não
desenvolvidos, e portanto desconhecidos da Ciência ortodoxa. Cada um deles e cada um
de nossos sete estados de consciência se corresponde com um dos sete planos cósmicos
desenvolvendo e utilizando o respectivo sentido espiritual e, no plano terreno-espiritual,
com o divino e cósmico centro de força que os engendrou, isto é, com seu direto
Criador.
Cada sentido, além disso, está relacionado e submetido aos respectivos sete
Planetas Sagrados.

120. MÉTODOS DE INICIAÇÃO


Todas essas correlações e muitas outras eram ensinadas aos mystai, nos mistérios
menores, assim chamados, justamente, por só permitirem a percepção das coisas através
de um véu ou névoa; enquanto os Iniciados nos Mistérios maiores, os videntes, tinham o
qualificativo de epoptai, porque viam coisas diretamente, despidas de qualquer véu. S.
Paulo, ao atribuir-se tal qualificativo, (1, Conríntios, III, 10), revela ser um adepto ou
iniciado, com faculdades e responsabilidade de iniciar a outros.
Entre os hindus, tais processos de ensinamento são chamados Maya-vada
(doutrina da ilusão) ou Maya-budista, por ser adotada pelas duas escolas: a do norte da
Índia, conhecida por Maha-yana, com o significado de grande barca da salvação; e a do
Sul, designada Rinayana, querendo dizer pequena barca da salvação. Em suma, por
baixo da letra que mata encontra-se o Espírito que vivifica.

MISTÉRIO DO SEXO
----------------

Henrique José de Souza


103
OS MISTÉRIOS DO SEXO 104

Genealogia Esotérica no Cosmo e no Homem

Henrique José de Souza

Fundador e Primeiro Presidente da sociedade Teosófica Brasileira. OBRA PÓSTUMA


INÉDITA. Edição em fascículos autorizada com exclusividade e direitos reservados à
Revista DHÂRANÂ

Henrique José de Souza


104
OS MISTÉRIOS DO SEXO 105

SEGUNDA PARTE

CAPÍTULO III

OS TATTVAS

Definições - Cinco ou Sete ? - Classificações veladas - O "Akasha" e os centros de força


- As sete forças sutis - Localização dos "Tattvas" no corpo humano - Hata-ioga não
conduz à evolução espiritual - Causas de confusão - "Tattvas" esotéricos e Tântricos -
Diferenças entre Hata e Raja-ioga - Psiquismo e evolução individual - Os "Tattvas" e os
plexos - O som e a cor - Visibilidade do aura psíquico.

CAPÍTULO IV
-----------

FISIOLOGIA ESOTÉRICA DA RESPIRAÇÃO

Respiração alternada - Tipos de respiração - Fases lunares e respiração -


Correspondências entre so "chakras" - Características dos Tattvas" - Conselhos aos
discípulos.

CAPÍTULO V
----------

ESTUDO SOBRE "VAYU" E "OJAS"

Henrique José de Souza


105
OS MISTÉRIOS DO SEXO 106

Funções de "Vayu" no organismo humano - Os três humores - Efeitos do desequilíbrio -


Para manter o equilíbrio - Outro processo de tratamento - Doentes sem "Karma" -
Elemento "Ojas" - "Ojas" e a constituição oculta do homem - Origem deste
conhecimento - Que é a Vida ? - O espírito da Vida.

CAPÍTULO VI
-----------

O fogo nas várias tradições - As diversas naturezas do fogo - Ignis natura renovatur
integra - o fogo nos demais planos da natureza - O fogo no plano mental - O fogo e a
Tríade Superior - Hino ao fogo.

CAPÍTULO III

121. OS TATTVAS, DEFINIÇÕES


Antes de falarmos do "Tattvas", cuidemos de conhecer o significado deste
vocábulo sânscrito. H.P.Blavatsky define-os como aquilo externamente existente,
inclusive os diferentes princípios da natureza em seu sentido oculto. São Abstratos
Princípios de existência ou categorias físicas e metafísicas; os elementos sutis
correlacionados aos sentidos humanos no plano físico. (Glossário Teosófico Edit. Glem
- Buenos Aires).
Rama Prasad é considerado autoridade no assunto, em seguida à publicação de
seu livro Las Fuerzas Sutiles de la Naturaleza, que traz como subtítulo - La ciencia del
aliento y Filosofia de los Tattvas (Ed. Kier, Buenos Aires), tendo baseado seus estudos
no antigo tratado hindu - "Shivâgama" - os Ensinamentos de Shiva. Define ele os
"Tattvas" como um modo de movimento; o impulso central que mantém a matéria em
certo estado vibratório e ainda como uma forma distinta de vibração.
Podemos defini-los também como qualidade de Aquele ou de Aquilo que não se
percebe pelos sentidos físicos, mas que pode ser concebido como origem ou natureza
essencial; forma de manifestação dos diferentes planos cósmicos; as linhas que
determinam a forma do átomo seus eixos de crescimento e suas relações angulares.

Henrique José de Souza


106
OS MISTÉRIOS DO SEXO 107

122. CINCO OU SETE


Eram considerados cinco por se relacionarem aos cinco planos cósmicos nos quais
evoluiu o homem, mas na realidade existem sete, para acompanhar os mistérios que
envolvem os universos, de acordo com a "harmonia das estrelas", expressão
encontradiça nas escrituras orientais, equivalente a "heptacordo divino", simbolizado
por uma lira de sete cordas.
os autores orientais consideravam apenas cinco "Tattvas", baseados em reflexões
apoiadas nesse número. Existem ainda remanescentes lemurianos e atlantes
necessariamente imiscuídos na humanidade atual para resgates Kármicos de raças e sub-
raças primitivas. De fato, neste ciclo a humanidade evolui através da cinco sub-raças da
quinta raça raiz, sob a égide do Pentalfa, habitando cinco continentes e desenvolvendo
cinco sentidos.
A existência de mais dois sentidos latentes no homem não pode ser ainda
afirmada senão mediante provas de ordem fenomênica. Aos cinco sentidos manifestos
relacionaram-se os cincos "Tattvas" inferiores. Os dois sentidos embrionários e as duas
forças sutis que escaparam às cogitações dos ocultistas orientais existem subjetivamente
e correspondem aos dois mais elevados princípios do homem: o intuicional ou búdico e
o espiritual ou atômico, por achar-se iluminado por "Atmã".
São vivificados respectivamente por "Anupâdaka" e "Adi", nomes sânscritos dos
"Tattvas" ditos ocultos ou superiores. aquele de cor dourada e este púrpura.

123. CLASSIFICAÇÕES VELADAS


A menos que consigamos despertar em nós mesmos aqueles dois mais elevados
princípios, o que so alguns eleitos conseguem, por seus próprios esforços, ao término da
dificílima escalada para o Adeptado, jamais poderemos compreender suas equivalências
físicas e fisiológicas. Assim, não nos parece correta, à luz da Filosofia esotérica, a
afirmação contida na citada obra de Rama Prasad, de que na escala Tattvica o primeiro e
mais importante é o "Akasha", e que em sentido de descida cada um dos quatro restantes
se torna menos sutil.
Se o "Akasha", "Tattva" quase homogêneo e certamente universal é definido
como "éter sonoro", deduz-se que seja limitado ao nosso universo visível, por não ser de
fato o éter do espaço.
O éter é uma substância diferenciada. O "Akasha", não possuindo senão um
atributo, o som (de que ele é o substrato), não é a substância. Do ponto de vista profano,
pode ser considerado o caos e o grande vácuo do espaço. Esotericamente, e o espaço
sem limites, e não se faz éter senão no último plano, isto é, aquele que vivemos. O
equivoco se resume no termo "atributo", com o qual se designou o som. Este não é um
atributo do "Akasha", mas sua correlação primária ou manifestação primordial, o Logos
ou Ideação divina feito Verbo e este feito carne. O som não deve ser considerado como

Henrique José de Souza


107
OS MISTÉRIOS DO SEXO 108

um atributo do "Akasha", a menos que se queira antropomorfiza-lo. Nele é inata a idéia


do "Eu sou Eu" (Ego sum qui sum), por sua vez inata em nosso pensamento.

124. O "AKASHA" E OS CENTROS DE FORÇA


O ocultismo ensina que o Akasha encerra e compreende os sete centros de força
e, portanto, os seis tattvas, de que ele é o sétimo, ou antes, de que ele constitui a síntese
(nesse caso, vale por três, porquanto, como dissemos, por ele fluem os outros dois).
Mas, se considera o Akasha representado apenas uma idéia exotérica, Rama Prasad
estaria com a razão, porque, admitindo ser esse tattva, onipresente no universo, devemos
conformar-nos com a limitação purânica, para ser melhor compreendido, colocando-o,
então, no começo ou além dos quatros planos de nossa Cadeia terrestre, seguido dos
dois tattvas superiores, ainda latentes, relativos ao sexto e sétimo sentidos. Por tudo
isso, enquanto as Filosofias sânscrita e indiana não consideram senão cinco tattvas, os
verdadeiros ocultistas estudam mais dois, fazendo-os corresponder a todos os setenários
da Evolução.

125. AS SETE FORÇAS SUTIS


Os tattvas ocupam a mesma ordem que as sete forças macro e microcósmicas, a saber:
(1) - Adi: a forças primordial universal existente no começo da manifestação, ou no
período da criação, no seio do Eterno Imutável Sat, e substrato de Tudo. Corresponde ao
envoltório áurico, o Ovo de Brahmã, no qual por sua vez, estão envolvidos não só os
globos, como os homens, os animais e todas as coisas. É o veículo que contém
potencialmente o Espírito e a Substância, a Força e a Matéria, Adi-Tattva, na
Cosmogonia esotérica, é a Força emanada do Primeiro Logos ou Logos não
manifestado.
(2) - Anupâdaka: A primeira diferenciação sobre o plano do ser, diferenciação ideal,
originando-se de transformação de algo mais elevado. Para os ocultistas, procede do
Segundo Logos.
(3) - Akasha: Ponte de partida de todas as filosofias e de todas as religiões exotéricas.
Estas descrevem-no como sendo a força esotérica, o éter. O próprio júpiter, o "Deus
altíssimo", era chamado "Pater Asther". Indra, que em certa época foi o maior Deus dos
hindus, representa a expansão etérica celeste, e é o mesmo Urano. O Deus cristão, é
também representado como Espírito Santo, Pneuma, o Vento ou Ar rarefeito. Os
ocultistas chamam a este tattva de força do Terceiro Logos.
(4)- Vayú: o plano aéreo onde a substância se acha em estado gasoso.
(5)- Tejas: o plano da nossa atmosfera.
(6)- Apas: a substância ou força aquosa ou líquida.
(7)- Pritivi: a substância terrestre sólida, o espírito ou força terrestre, o mais sólido.

Henrique José de Souza


108
OS MISTÉRIOS DO SEXO 109

Correspondem aos sete princípios, aos sete sentidos e aos sete centros de força
existentes em nosso duplo etérico. O corpo humano age e reage segundo o "tattva" nele
gerado ou introduzido de um plano externo.

126. LOCALIZAÇÃO DOS TATTVAS NO CORPO HUMANO


Na filosofia exotérica da Hata-Ioga, indica-se vagamente o cérebro como sede
física do Akasha. Tejas localizar-se-ia nas espáduas. Vayú, na região umbilical. Apas,
nos joelhos e Pritivi nos pés. Assim, os dois "Tattvas" superiores - Adi e Anupâdaka -
por serem ignorados, são simplesmente omitidos. No entanto, são fatores
preponderantes da Raja-Ioga. Nenhum progresso espiritual e mental pode ser
conseguido sem as suas vibrações.
A localização, ou melhor, a correspondência anátomo-fisiológica dos "Tattvas",
como a dos chakras, não é precisamente a que tem sido divulgada. Em verdade o
assunto é demasiado complexo para poder ser claramente exposto em livros e revistas.
No concernente aos "Tattvas" e suas vibrações nos diversos departamentos orgânicos,
procuramos, mediante a ilustração da figura 1, corrigir os lapsos aqui apontados.
Vejamos com olhar clarividente o Ovo áurico de um indivíduo equilibrado. Na
cabeça correspondente ao mundo divino, distinguem-se as cores azul e dourada, de
"Manas" e "Budi" bafejados por "Atmã". Dourada para o olho direito, ou búdico e azul
para o esquerdo, ou manásico.
H.P.B. aconselhava uma ioga em que se mentalizava a recepção pelo "olho de
Budi", de uma faixa de cor amarelo-ouro, indo ter à glândula pineal, acompanhada da
vibração da nota mi, ao harmônio ou piano. A mistura das duas referidas cores dá, como
se sabe o verde. E sendo esta a cor de "Vayú", o ar, deve ele estar no peito, respondendo
pelo abastecimento e funcionamento da árvore respiratória.
O encarnado abrange a região do estômago, fígado, baço e a umbilical, onde o
verde e o vermelho se unem. Note-se que na região sexual figura o signo de Scórpio, do
planeta Marte. Este possui a cor encarnada do mesmo Tejas, e da guna ou qualidade de
matéria Tamas, que é a mais grosseira das três. Por isso, o indivíduo que tenha
predominância dessa cor em qualquer parte do corpo (principalmente na cabeça) exceto
na região pubiana, é sem dúvida involuido. De fato, a cor vermelha é a que envolve o
ovo áurico do selvagem.

127. A HATA-IOGA NÃO CONDUZ A EVOLUÇÃO


Como os cinco hálitos (sopros), ou antes, os cinco estados da respiração humana
correspondem, na Hata-ioga, aos planos e as cores terrenos, quais resultados espirituais
poderiam ser obtidos ? Nenhum, porque eles são o inverso do plano do Espírito, o plano
macrocósmico superior, e se refletem em desordem na luz astral, conforme ficou
demonstrado na obra tântrica Shivâgama (Ensinamentos de Shiva).
Ensina o ocultismo que o setenário da natureza visível e invisível se compões
dos três mais quatro fogos, na razão das três emanações cósmicas dos três princípios

Henrique José de Souza


109
OS MISTÉRIOS DO SEXO 110

superiores e dos quatro inferiores, que se desenvolvem e se fazem quarenta e nove


fogos, os chamados quarenta e nove fogos de Kundalini. Quarenta e nove é também o
número de uma Ronda na razão de sete raças mães, cada uma delas com as respectivas
sete sub-raças, o que demonstra que o macrocosmo é dividido em sete grandes planos,
formados das diversas diferenciações da Substância, desde a espiritual ou subjetiva ate a
que se faz totalmente objetiva ou material; desde o Akasha até a a atmosfera saturada de
pecados desta terrena humanidade; e que cada um de seus grandes planos possui três
baseados nos quatro princípios. disto não diverge a Ciência oficial, que distingue três
estados de matéria e o que geralmente denomina de estados críticos ou intermediários
para sólido líquido e gasoso.

128. CAUSAS DE CONFUSÃO


A luz astral não é senão a matéria universalmente difusa, mas pertence exclusivamente à
Terra e aos demais corpos do Sistema Solar, que se acham no mesmo plano da matéria
terrestre. Nossa Lua astral é, por assim dizer, o Linga-Sharira da Terra; somente que, em
lugar de ser o protótipo primordial, como nos casos de nosso Chaya ou duplo, é
justamente o contrário. Os corpos dos homens e dos animais crescem e se desenvolvem
sob o modelo de seu duplo antétipo; enquanto a luz astral nasceu das emanações
terrestres, cresce e desenvolve-se segundo seu genitor e protótipo. De outro modo, tudo
quanto provém dos planos superiores e do inferior sólido, a terra, se reflete invertido em
suas ondas traiçoeiras.
Daí a confusão que se nota em suas cores, forma e sons, no que concerne a
clarividência e a Clariaudiência, quer dos sensitivos espontâneos, que se fixam em
semelhantes arquivos, quer se trate de sensitivos artificialmente preparados por
inadequados métodos de ioga ou por inconscientes instrutores de "médiuns".

129. TATTVAS ESOTÉRICOS E TÂNTRICOS


Para maior clareza de quanto vimos expondo neste capítulo, publicamos um
quadro indicativo os sete tattvas, os princípios esotéricos, suas correspondências com os
estados da matéria, órgãos e aparelhos do corpo físico, as cores e suas relações com os
tattvas tântricos.
O ensino dos cinco sopros, o úmido, o ardente, o aéreo, etc., possui dupla
significação e aplicação. Os tantristas, como regularizador do sopro vital dos pulmões,
enquanto os antigo raja-iogues o relacionavam com o sopro mental ou da vontade, capaz
de conduzir o discípulo às mais altas faculdades de clarividência, ao desenvolvimento
funcional do "terceiro olho" e à conquista de poderes ocultos da verdadeira "Raja-Ioga".
Há enormes diferenças entre os dois métodos. O primeiro emprega, como dissemos, os
cinco tattvas inferiores. O segundo começa por empregar os dois superiores. para o
desenvolvimento mental e da vontade, e não usa os demais senão depois de completo
domínio daqueles.

Henrique José de Souza


110
OS MISTÉRIOS DO SEXO 111

Os Tattvas são modificações de Svara. Este é a raiz de todos os sons, o substrato


da harmonia das esferas, por ser Aquele ou Aquilo que se encontra além do Espírito, na
mais alta acepção da palavra; ou a corrente da vaga da vida, a emanação da Vida Única,
o mesmo que nossa Escola ensina o desenvolvimento mental, o processo da própria
evolução do universo, isto é, procedendo do universal para o particular a Hata-Ioga
inverte as condições e começa procurando suprimir seu sopro vital. Se, como ensina a
filosofia Hindu, no começo da evolução cósmico Svara se projeta em forma de Akasha,
depois, sucessivamente, em forma de Vayú (ar), Tejas (fogo), Apas (água) e Pritivi
(matéria sólida), o bom senso indica que se deve começar pelos tattvas superiores
hipersensíveis (1)
(1) Por sustentar este ponto de vista. HPB manteve longo debate com Subba-Rao.
Este afirmava que, já tendo descido o espírito na Matéria, pareceria lógico que, para
despertá-lo no corpo humano, dever-se-ia fazê-lo de baixo para cima. Ambos
permaneceram irredutíveis em suas posições. Ela, receosa de que seus discípulos
pudessem descambar pelo declive da magia negra, alertava-os das ilusões e perigos que
levam ao desequilíbrio; e ele a insistir que não é o cérebro (chakra Sahasrara) e sim o
cóccix (chakra Muladara) a sede física do poder de Kundalini.
O raja-iogue não desce aos planos da substância além de Sushumna (a matéria
sutil); o hata-iogue, ao contrário, não desenvolve nem emprega suas faculdades senão no
plano da matéria.

130. OS TRÊS NADIS


Alguns tattvas localizam os três nadis na coluna vertebral. Um, que percorre a
linha central, chama-se Sushumna; os outros dois, persorrendo as loinhas laterais, um à
esquerda e outro à direita da central, receberam respectivamente os nomes de Ida e
Pingala. Dividem também o coração em tres secções, uma central e duas laterais,
atribuindo-lhes os mesmos nomes.
A Escola dos antigos raja-iogues, com a qual os modernos iogues da Índia quase
não tem contato, localiza Sushumnâ, a sede principal desses três nadis (ou condutos) no
canal vertebral, e Ida e Pingala à sua esquerda e direita. Sushumna desce do vértice
cerebral onde localiza o místico Brahmarandhra. Ida e Pingala não são mais que os
sustenidos e bemóis desse "fá" musical da natureza humana, tônica e nota média da
escala da harmonia setenária dos princípios que, tão logo os faça vibrar
convenientemente, desperta as sentinelas que se acham de cada lado, o Manas espiritual
e o Karma físico, submetendo o inferior ao superior.
Esse efeito, todavia, deve ser produzido por meio também de poder da Vontade,
e não apenas pela paralisação dos movimentos respiratórios, seja obtido por meios
científicos ou à custa de exaustivos exercícios especiais. Examine-se uma secção
transversa da região da espinha dorsal e constatar-se a existência de três secções através
de três colunas: uma transmite as ordens da Vontade; a outra transporta uma corrente
vital Jiva, não de Prana, que anima o corpo humano durante os estado de Samádi e
outros estados semelhantes; ao passo que a terceira...

Henrique José de Souza


111
OS MISTÉRIOS DO SEXO 112

131. DIFERENÇAS ENTRE HATA E RAJA-IOGA


A Hata-ioga exerce ações psicofisiológicas, ao passo que a Raja-ioga é de âmbito psico-
espiritual, capaz portanto de aproximar cada vez mais a alma do Espírito. Parece que os
Tantristas não se elevam acima dos seis plexos visíveis e conhecidos, a cada um dos
quais eles ligam os tattvas. A grande importância que emprestam ao chakra muladara
(plexo sagrado) demonstra a tendência egoísta de seus esforços. Ninguém pode
despertar o poder de Kundalini existente no muladhara fazendo vibrar os chakras em
sentido contrário, isto é, de cima para baixo.
Note-se que o cardíaco é o número quatro, tanto na ordem de descida como de
subida e que, também, se lhe dá, esotericamente, o nome de "Câmara de Kundalini",
justamente por ser nesse plexo que o discípulo se une, afinal com seu mestre. Além
disso, estando ele compreendido nos cinco tattvas visíveis, os dois superiores hão de ser
atingidos, mesmo indiretamente, porquanto ambos fluem através do Akasha para formar
com este o que se denomina "Tríade Superior", fiando então os outros quatros "tattvas"
abaixo, como os quatro princípios inferiores.

132. PSIQUISMO E EVOLUÇÃO INDIVIDUAL


Só é louvável a busca de poderes psíquicos para usá-los em benefício de seus
irmãos e da humanidade; jamais de maneira frívola ou pior ainda, em detrimento de
outrem, razão porque Budha ensinou que devemos reservá-los para a vida futura. Eles
constituem poderosos liames para unir veículos de que é formado o homem, robustecem
seu Ovo áurico, evitando que este se rompa. A graves riscos, se expõem os
frequentadores de sessões espíritas, infestadas de larvas astrais e de outros parasitas
nocivos, de que não é oportuno tratar aqui.

133. OS TATTVAS E OS PLEXOS


Os cincos hálitos e os cinco tattvas ligam-se principalmente aos plexos genital,
esplênico, cardíaco e laringeo. Desconhecendo (os tantristas) quase por completo o
plexo Ajna ou frontal, ignoram positivamente o Vishuda, plexo laringeo ou sintético
(H.P.B.). Quanto ao poder de síntese desse chakra, não nos parece que Blavatsky esteja
com a razão, porquanto, como dissemos, esse papel cabe ao plexo Anahata ou cardíaco,
inclusive pela sua localização central, em quarto lugar, como equilibrante entre os três
superiores e os três inferiores. É provável que a insigne autora se tenha referido ao
laringeo por constituir este uma espécie de Antakarana, isto é, um tubo de ligação entre
os dois mundos, superior e inferior, visto que, realmente, a cabeça representa o divino e
o corpo (do pescoço para baixo) o terreno. Pode-se também interpretar o peito como
mundo humano, relegando para animal ou terreno propriamente dito a parte inferior do
tronco, por ser justamente a mais impregnada de Tamas, como se vê no Ôvo áurico.

Henrique José de Souza


112
OS MISTÉRIOS DO SEXO 113

Para os discípulos da Escola antiga, acrescenta HPB, o caso é diferente. Começam pelo
treinamento do órgão ou glândula centro-cerebral que está em relação com o "terceiro
olho", na mesma razão de Manas para Budi. Aquele que dá energia à Vontade, enquanto
este confere a percepção clarividente. RAJA-IOGA E JNANA-IOGA.

Entre so exercícios de "Hata-Ioga", para a obtenção da clarividência, há um que


consiste em olhar fixamente a ponta do próprio nariz, forçando a visão física,
normalmente bifocal, a transformar-se em unifocal, coma dos Espírito, ou visão interna.
O nervo ótico é de conformação bifurcada, semelhante a um "Y" horizontal. Esse
exercício obriga a interferência pineal, que se acha atrás do referido nervo.
O erro está em querer ligar os plexos inferiores à questão dos tattvas. Assim,
desprezando a conhecida nomenclatura, o Akasha passaria a corresponder-se com o
cérebro, isto é, com Manas, mental, pensamento etc. Logo, praticando-se esse método
de Ioga sob a direção de um Mestre, equivale a praticar ao mesmo tempo a Jnana e a
Raja-Ioga, na razão do corpo, alma e Espírito, porque desde o começo, do mínimo ao
máximo, o discípulo deve permanecer sob a dependência desse tríplice manifestação.
Nesse caso a Hata-Ioga pode encerrar a Jnana e a Raja. Quando se passa para Jnana, não
mais se faz a Hata e sim ambas; e quando se passa para a terceira o discípulo deve
dominar as três, equilibrando-se física, psíquica e espiritualmente, na mesma razão das
três gunas ou qualidades da matéria, tornando-se finalmente um Adepto, um Homem
perfeito.

134. O SOM, A LUZ E A COR


O som é capaz de provocar impressões de luz e de cor, além das conhecidas impressões
sonoras. Cada impulso ou cada movimento de um objeto físico, originando no ar uma
certa vibração, isto é, provocando a colisão das partículas físicas, é suscetível de afetar o
sentido auditivo, produzindo ao mesmo tempo um som e uma luminosidade
correspondente, dotado de uma determinada cor. Um som audível não é senão uma cor
subjetiva, enquanto uma cor objetiva ou perceptível é um som inaudível. Ambos
procedem da mesma substância potencial, à qual a Física chama de éter, e agora lhe dá
nomes diversos. Nós a chamamos de Espaço plástico, embora invisível.
A completa surdez, por exemplo, não exclui a possibilidade de poder o surdo
perceber os sons. A ciência médica registra diversos casos em que os sons foram
recebidos e transmitidos pelo mental, atingindo o órgão visual do paciente sob a forma
de impressões cromáticas. O fato de os tons intermediários da escola cromática musical
serem ou outrora representados pelas cores, segundo o qual a cor e o som, em nosso
plano, são dois dos sete aspectos correlativos de uma só e mesma coisa, a saber: a
primeira substância diferenciada da Natureza.

Henrique José de Souza


113
OS MISTÉRIOS DO SEXO 114

135. VISIBILIDADE DO AURA PSÍQUICO


Os clarividentes e mesmo os videntes podem ver em torno de cada indivíduo um aura
psíquico, de cores variadas segundo seu caráter e temperamento. Virtudes e vícios,
paixões, emoções, ideais, pensamentos são registrados ao vivo no Aura por formas,
cores, sons, e movimentos variáveis segundo sua intensidade. Assim como um
instrumento musical vibra emitindo sons, o sistema nervoso, como verdadeiro
heptacordo, vibra sob o influxo das emoções, absorvendo vitalidade do Prana ou
desperdiçando-a, quando elas são destrutivas.
Nosso sistema nervoso, em seu conjunto, pode ser considerado como uma harpa
eólia, respondendo aos impactos da força vital, o que não é uma abstração, mas
realidade dinâmica, denunciando as mais sutis nuances do caráter e temperamento
individual, por meio de fenômenos policrômicos. Se tais vibrações nervosas são
bastante intensas o postas em vibratórias relações nervosas com um elemento astral, o
resultado produzido é o som. Por que, pois, duvidar das relações existentes entre as
forças microcósmicas e as macrocósmicas ?

Henrique José de Souza


114
OS MISTÉRIOS DO SEXO 115

CAPÍTULO IV

FISIOLOGIA ESOTÉRICA DA RESPIRAÇÃO

136. RESPIRAÇÃO ALTERNADA


Pelo fato de possuirmos duas narinas, julga-se que a respiração se processa
simultaneamente por ambas, assim como vemos ao mesmo tempo pelos dois olhos e
escutamos pelos dois ouvidos. Puro engano, pois a respiração se faz alternadamente, ora
pela narina direita, ora pela esquerda.
Desde milênio, no Egito, e antes na Atlântida, eram praticados exercícios
respiratórios, como hoje praticam os iogues na Índia e no Ocidente, todos quantos
seguem as escolas orientais. Do modo pelo qual são realizados, valendo alguma coisa do
ponto de vista exotérico, esotericamente nada representam, alem do mais porque
praticar algo sem saber a razão, redunda em fanatismo.
Os sábios de outrora, pela ciência da respiração e da alimentação protegiam a
saúde e prolongavam a existência. No que concerne a respiração alternada, o leitor pode
certificar-se do que afirmamos, mediante um teste muito simples. Coloque a mão sob o
nariz para sentir se são ambas ou apenas uma das narinas que está funcionando. Se nesse
momento a respiração se faz por ambas, aguarde uma hora ou pouco mais e repita a
prova. Verificará que a respiração passou a processar-se unilateralmente, pela narina
direita ou pela esquerda. É que depois desse lapso de tempo passou a vibrar outro
"tattva".
Um teste ainda mais fácil e rápido pode-se fazer em decúbito. Deite-se de flanco
e procure comprimir com o travesseiro o lado que estiver apoiado no colchão. Depois de
alguns minutos verificará que a respiração se processa pela narina do lado oposto. Se
antes era pela esquerda, passará para a direita, e vice-versa. Bastaria isso para
demonstrar que a respiração nem sempre se faz por ambas as narinas ao mesmo tempo.

137. TIPOS DE RESPIRAÇÃO


Chama-se de "Prana-Vayú" o ar que penetra por "Ida" (narina esquerda ou lunar) e
"Pingala" (direita ou Solar). Quando por ambas simultaneamente, "Sushumnâ", a
respiração é, como dissemos, do tipo andrógino. Em ciência médica, a narina lunar está

Henrique José de Souza


115
OS MISTÉRIOS DO SEXO 116

para o vago, assim, como a solar para o simpático. Logo, mediante semelhantes
exercícios pode-se conseguir o perfeito equilíbrio do sistema nervoso. Nas crises
simpático-tônicas, já alguns médicos mandam respirar profundamente, ou por ambas as
narinas ou, justamente, pela direita; nas vagotônicas, pela esquerda.
A respiração pela narina esquerda chama-se também "Chandraswara", isto é,
respiração lunar. (Chandra, lua; Swara, hálito). Se pela narina direita, "Suryaswara" ou
respiração solar (Surya - Sol).
A respiração feita pela esquerda é menos cálida do que a pela direita. Por isso, de
um doente febril se deitar sobre o lado direito, obriga a narina esquerda a funcionar, e a
febre diminui dentro de poucos instantes. Sim, porque Lua, "Apas" ou água e Sol,
"Tejas", "Agni" ou fogo são respectivamente termos de igual significado. Tudo quanto
está no Macrocosmo se encontra também no Microcosmo, segundo a sentença
hermética: "O que está em baixo é como o que está em cima"...
É isso, a respiração natural. Mas o iogue pode modificar a própria natureza
quando deseja alcançar determinado fim, principalmente quando este se reverte em
benefício para seus semelhantes. Dominada pelo poder da inteligência, a respiração se
torna submissa à vontade do homem.

138. FASES LUNARES E RESPIRAÇÃO


O mês lunar divide-se em duas metades, isto é, nas duas semanas da lua crescente e nas
duas da minguante, o que abrange as quatro fases lunares. No primeiro dia das duas
semanas da Lua crescente, deve a respiração passar, ao nascer do Sol, pela narina
esquerda, isto no princípio dos três primeiros dias. No sétimo dia, começa outra vez a
respiração lunar, e assim por diante. Vemos, pois, que em certos dias se começa por
uma respiração determinada.
A respiração ora se efetua por uma das narinas, ora simultaneamente por ambas
durante um período de cinco "gharis", equivalente a duas horas; fato que o homem
vulgar, para escárnio de seu mental, ainda não descobriu.
Se no primeiro dia das duas semanas, na Lua crescente, começa a respiração
lunar, deve ser substituída, depois de cinco "gharis" (ou duas horas) pela respiração
Solar, e, passado esse tempo, novamente pela Lunar. Tal coisa se dá naturalmente todos
os dias. No primeiro dia das duas semanas da Lua minguante, começa outra vez a
respiração solar, que muda depois de cinco "gharis", durante os três dias seguintes.
Donde se conclui, que todos os dias do mês são divididos em "Ida" e "Pingala".
A respiração somente corre em "Sushumnâ" quando passa de uma para outra
narina, ou na forma natural ou sob condições que explicaremos em nossa próxima obra.
Além de ser ato dessa respiração que o homem pode ligar-se ao seu Raio ("Dhyan
Choan"), pela realização do êxtase espiritual, era nesse momento que se praticavam
determinadas uniões sexuais, como, por exemplo, entre reis e rainhas do velho Egito,
para que seus filhos nascesses deuses, filhos de Amon, como rezam suas escrituras. Mas
não explicam o resto. Um casal pobre, espiritualizado, poderá, dessa forma, procriar um
filho genial, portador de dotes de grande valor. Se, porém, os cônjuges não forem de

Henrique José de Souza


116
OS MISTÉRIOS DO SEXO 117

alto padrão moral e espiritual, seria vã qualquer tentativa nesse sentido. Na terceira parte
desse livro desenvolveremos estes e outros temas diretamente relacionados com o título
do mesmo.

139. CORRESPONDÊNCIAS ENTRE OS "CHAKRAS"


A região genital ou "sagrada", como indica seu nome, está para a cabeça na razão
dos próprios centros de força ou "chakras".
"Muladara" (raiz); "Sahasrara" (coronal); "Svadistana" (esplênico; "Ajna"
(frontal); "manipura" (umbilical); "Vishuda" (laringeo).
"Anahata" (cardíaco) é ímpar em relação aos demais; a câmara de "Kundalini" é
um centro independente, se assim pudermos denominar por ser nele que se regulam
todos os mistérios humanos, entre os quais o fato de suas doze pétalas aumentarem para
catorze, desde o momento em que se manifesta o poder de "Kundalini" para elevar o
homem à categoria de Adepto.

140. CARACTERÍSTICAS DOS "TATTVAS"


A tabela abaixo complementa as características dos "Tattvas" dadas no começo deste
capítulo:

------------------------------------------------------------------------
I "Tattva" I SABOR I COMPRIMENTO I NATUREZA I MOVIMENTO I
I----------------------------------------------------------------------I
I Pritivi I doce I 12 dedos I grumoso I centro I
I Apas I adstringente 16 dedos I frio I para baixo I
I Tejas I picante I 4 dedos I quente I para cima I
I Vayú I ácido I 8 dedos I em movimento inclinado I
I Akasha I amargo I sem dimensão I onipenetrante- I transversal I
I I I I trante I I
I----------------------------------------------------------------------I

Os comprimentos podem ser constatados, colocando-se a mão abaixo das narinas


até o máximo que eles possam alcançar, para uma espécie de tensão arterial aplicada ao

Henrique José de Souza


117
OS MISTÉRIOS DO SEXO 118

sistema respiratório, se um ligado está ao outro, ou melhor dizendo, todos os sistemas


estão interligados apesar da diversidade de suas funções.
O fato do "Akasha" não ter dimensão é natural, pois que a tudo alcança e
interpenetra, e como tal dando razão a uma nossa assertiva, em parte contrapondo-se à
da "Doutrina Secreta", de que através desse "Tattva" fluem outros dois que lhe são
superiores.

141. CONSELHO AOS DISCÍPULOS


Não se deve tomar por guia as obras tântricas (1).

(1) O sentido literal do termo sânscrito - TANTRA - é ritual ou regra, significando


também misticismo ou magia destinada a cultuar o poder feminino personificado em
Shakti. Devi, Durgâ (Kali, esposa de Shiva) é a energia especial relacionada com os
ritos sexuais e poderes mágicos, a pior forma de feitiçaria ou magia negra. A linguagem
adotada nas obras tântricas é altamente simbólica e as fórmulas são pouco mais que
expressões algébricas sem qualquer utilidade. (H.P.B. - Glossário Teosófico).

Elas concorrem, na maioria dos casos, principalmente quando o praticante não se


encontra sob a orientação pessoal de um Mestre nem filiado a um colégio Iniciático,
para ocasionar mais mal do que bem, levando muitas vezes o incauto pelo caminho
perigoso da magia negra. Acrescente-se que jamais se poderia escrever um Verdadeiro
Tratado de ioga, mesmo porque, se alguém tivesse competência para tanto, teria
igualmente consciência dos riscos a que se expõem os seus leitores.

Henrique José de Souza


118
OS MISTÉRIOS DO SEXO 119

CAPÍTULO V

ESTUDO SOBRE "VAYÚ" E "OJAS"

De um livro desaparecido da face da terra.

142. FUNÇÕES DE "VAYÚ" NO ORGANISMO HUMANO


"Vayú" é o "tattva" que anima os constituintes do corpo humano e circula na
intimidade de todas as células. Ele é de forma quíntupla, sendo a causa determinante dos
movimentos de diferentes classes. Afasta a mente do não desejável. Concorre para que
os sentidos de conhecimento e os órgãos de ação cumpram suas respectivas funções
próprias. Leva à mente a imagem dos objetos que entra em contato com os sentidos.
Mantém coesos os elementos do corpo, é a causa da voz, a energia primária do tato, do
som e da audição, sendo também a raiz ou causa do olfato.
"Vayú" desperta a temperatura e age como termo-regulador. Conduz os humores,
elimina as impurezas. Dá forma ao embrião na matriz e propulsiona o início da vida do
nascituro. Mas, quando excitado, aflige o corpo com doenças, sendo capaz de destruir os
sentidos de conhecimento e os órgãos de ação, chamados em sânscrito respectivamente
"Jnanaendryanis" e "Karmaendrianis".

143. OS TRÊS HUMORES


Os três humores do sistema vayú-bilisfleuma, em suas ações ou movimentos
tríplices: 1) podem ser atenuados, normais ou excitados; 2) podem correr para cima,
para baixo ou diagonalmente; 3) podem fluir pelo estômago e os condutos eferentes,
pelos órgãos vitais e pelas articulações. Em seus estados normais, todo o organismo se
mantem hígido; qualquer anormalidade nos humores provoca desequilíbrio. Entre as
doenças, além das hereditárias, infecciosas e constitucionais, são mais frequentes as
contraídas por ausência de higiene, desnutrição, alcoolismo, tabagismo, erros
alimentares.
Sem querermos invadir a seara alheia, permita-se-nos recordar que para a
maioria destas doenças o melhor remédio é a temperança e adoção de regime dietético
racional prescrito pelo médico especialista. Mas há outra classe de doenças que afeta

Henrique José de Souza


119
OS MISTÉRIOS DO SEXO 120

praticamente a todos os seres pensantes, oriundas da ausência de higiene mental e de


erros na formulação dos pensamentos ou idéias. Para estas a cura ou tratamento não é
tão fácil, pois que se devem desarraigar velhos hábitos de pensar e modificar velhas
atitudes adquiridas. Posto que nesse mundo tudo é conseqüência do "mental", a reforma
deve começar pela cabeça, com responsabilidade para os pais, educadores, psicólogos e
psiquiatras.

144. EFEITO DO DESEQUILÍBRIO


Quando fleuma muda de condição, converte-se nas impurezas que se eliminam pelos
emunctórios, podendo ocasionar por acúmulo ou deficiente eliminação, as mais variadas
doenças. Todas as funções orgânicas são devidas a "vayú", por isso mesmo considerado
a vida. Nele tem origem os males que acabam por desgastar e aniquilar o físico. A
digestão e assimilação dos alimentos se produzem com o auxílio de pepsina, ácido
clorídrico e bílis. Quando estes se alteram, surgem distúrbios gastrintestinais, nervosos,
cardiocirculatórios. No organismo anemiado, as extremidades dos membros são frias. O
corpo requer calor. No entanto, "pés quentes, cabeça fria".

145. PARA MANTER O EQUILÍBRIO


Daí o nosso conselho de se dormir com a cabeça voltada para o Norte (Vayú),
que é a região fria ou polar, e os pés para o Sul, região quente (Tejas), conquanto
também polar. O primeiro alimenta o segundo, Vayú flui no corpo para que este se
mantenha vivo e aquecido. É certo dizer-se: O fogo está vivo. Brasas vivas ou acesas.
Como fazer tornar a normalidade os três humores ? Admninistrando alimentos ou
medicamentos de condições opostas à causa que produziu o estado anormal.
Vayú pode ser frio, seco, ligeiro, sutil, instável, claro e azedo, normalizando por
meio de coisas que possuam qualidades contrárias. A bílis, que pode ser quente, fria,
ácida e amarga, também se normalizou por meio de coisas antagônicas. As qualidades
de fleuma, quando alteradas, podem igualmente normalizar-se mediante substâncias
opostas. Acre, doce, salgado, reprimem vayú. As doenças geradas por esses três
elementos, separadamente ou em combinações, carecem de medicamentos e dietas
apropriadas a estabelecer condições contrárias a anormalidade provocada.

146. OUTRO PROCESSO DE TRATAMENTO


Cada enfermidade possui o seu "devata" ou inteligência própria. Certas curas
consideradas miraculosas, resultam de uma força poderosa que se convencionou chamar
de magnetismo. A conjugação dessa força acionada pelo agente e pela fé do paciente
pode, efetivamente, conseguir a cura de moléstias consideradas incuráveis. Na filosofia
oriental se dá ao magnetismo o nome de "Kundalini Shakti".

Henrique José de Souza


120
OS MISTÉRIOS DO SEXO 121

No Tibet e na Mongólia certas moléstias são tratadas por meio de "mantrans" ou


"daranis", isto é, de versos do "Rig Veda" cantados com entonações especiais, segundo
o tipo de doença. Produzem-se vibrações para obrigar os "devatas" a abandonar o
paciente. Para o Hinduísmo não há vida sem forma, nem forma sem vida. Não há
espírito sem matéria nem matéria sem espírito. Cada humor tem, portanto, seu próprio
"devata" e para curar suas perturbações, basta fazer uso dos sistemas terapêuticos
fundados nos atos relativos as deidades e à razão. Era esta a medicina do grande
Paracelso.

147. DOENTES SEM "KARMA"


Para encerrar o assunto, recordemos a famosa frase de um célebre facultativo brasileiro:
"Não há doenças; há doentes". Mas falta dizer que há também doentes sem "Karma".
São os seres de alta hierarquia espiritual que trazem missão especial para este mundo,
aos quais não falta o necessário equilíbrio orgânico, porém são obrigados a assumir as
responsabilidades Kármicas se seus discípulos e da humanidade. Esses missionários
tornam-se vítimas até dos próprios meios de que devem lançar mão para poder atrair a
atenção e despertar interesse pela sua Obra, pois em geral os homens a quem devem
instruir e redimir se portam como crianças: para cumprirem suas tarefas, deve-se antes
oferecer-lhes doces e brinquedos. E para doentes de tal categoria não se conhecem
remédios. Nesses casos, não há como repetir "Sic transit gloria mundi".

148. ELEMENTO "OJAS"


Circula dentro do nobre órgão central determinada quantidade de sangue puro,
ligeiramente amarelado, ao qual se dá o nome de "ojas" (força). Quando esse elemento
escasseia, o paciente se torna febril, com tendência a ansiedade e desânimo
inexplicáveis, cansando-se ao menor esforço. Se a escassez perdura, pode até causar a
morte. "Ojas" aparece inicialmente, nas crianças; tem cor de manteiga clarificada, gosto
semelhante ao do mel e cheiro de arroz fermentado.
Ao centro cardíaco (anahata) relacionam-se dez grandes condutos (nadis), por
sua vez ligado a medula espinhal (Sushumnâ) e aos demais centros geradores de energia
(chakras). Mahat e Artha, são, para o iogue, sinônimos de "coração". A inteligência, os
sentidos, a alma com seus atributos, a mente, e os pensamentos se acham instalados no
coração, órgão que encerra a síntese evolucional de cada ser humano. O coração é a sede
do ojas mais perfeito, pois é também o trono de Brahmâ.. Os dez grandes condutos
distribuem ojas por todo o corpo, vivificando-o, por isso que é um fluido como o
sangue. Fluido físico ou etérico ? Inclinamo-nos pelo etérico e, sem abusar da dualidade
das coisas poderíamos considerar ojas como o espírito do sangue. Ele desempenha papel
relevante na constituição humana. Se desejamos preservá-lo, devemos libertar-nos dos
tormentos passionais e mentais.

Henrique José de Souza


121
OS MISTÉRIOS DO SEXO 122

149. "OJAS" E A CONSTITUIÇÃO OCULTA DO HOMEM


Para compreender-se o sentido dessas palavras, deve-se aprofundar o estudo da
constituição oculta do homem. Como poderia o coração encerrar os dons da mente, da
inteligência, os atributos da alma ? O homem se constitui, repetimos, de três corpos: o
grosseiro ou denso, o sutil ou psíquico e o causal ou espiritual, isto é, causado ou tecido
pelo Espírito universal. O corpo causal é portador, uma "sombra espiritual" da
verdadeira luz espiritual, ou em outras palavras, uma partícula do Todo, uma fagulha
acesa separada pela divina fogueira; "Mônada" atirada na corrente evolucional pelo
imanifestado.
Os sentidos, com suas naturais limitações, se encontram nos dois primeiros,
físico e anímico; e, enquanto estes permanecerem da mesma natureza, o terceiro não se
manifesta, isto é, o homem não o percebem, necessitando de numerosas encarnações
para com ele identificar-se. Só então haverá o chamado equilíbrio das três cordas da
"Vina de Shiva" a harmonia entre as três "Gunas": Sattva (amarelo ouro), pureza,
verdade, esplendor, justiça; Rajas (azul), atividade, movimento, progresso, evolução;
Tamas (vermelho), resistência, inércia, indolência, involução.
Assim como essas três qualidades de matéria se encontram ligadas entre si, com
predominância do vermelho tamásico, também os três corpos do homem se acham
interpenetrados, com geral prevalência do emocional. Restabelecer-lhes o equilíbrio, por
vontade e esforço próprios, é formar o homem perfeito ou sintético. O corpo causal tem
este nome justamente por ser a causa dos outros dois e o reflexo, em si mesmo, da
Causa das Causas. É necessário que na causa se encontre o efeito, embora de forma
latente. De fato, no físico e no psíquico se acham os sentidos. Não poderá ocorrer o
mesmo em sua causa ?
As obras esotéricas mencionam o "corpo causal" na forma de "ovo áurico", sem
entrar em detalhes acerca dos sentidos. Segundo alguns autores hindus, seria um corpo
de inconsciência, que funciona no alto transe, o que está a indicar que ele só pode ter
consciência quando ligado aos dois inferiores. Isoladamente, não lhe seria possível
possuir consciência. Não é ele o reflexo do Espírito universal ? Nos "Upanishads" se
descreve o "corpo causal" com sede no coração e diferentes pórticos onde se acham
localizados os elementos restantes dos corpos menos vibráteis. Nos centros cardíacos se
concentram, portanto todas as energias do alto transe. Cabe lembrar, além disso, que aí
se abrigam os famosos "oito poderes do iogue". E quando o homem tem que despertar o
alto transe, "ojas" é compelido a fluir do coração pelos diferentes condutos, para dar
força ao corpo sutil e depois ao físico, fato que será explicado quando tratarmos dos
dois "chakras" que recebem de cada plano a vitalidade prânica.

150. CIÊNCIA DA VIDA - ORIGEM DESTE CONHECIMENTO


A Ciência da vida (Ayur-Veda) achava-se sob custódia de BrahmÂ, o Criador, e
d'Ele provem este conhecimento, o qual foi transmitido por um Mestre a seu discípulo e
por este a outros, em séries regulares. Finalmente, o Tratado do discípulo Agnivesha

Henrique José de Souza


122
OS MISTÉRIOS DO SEXO 123

teve por título CHARA-KASAMHITA, pelo fato de ter sido corrigido por Châraka,
"Ayur-Veda" ou Ciência da Vida, é assim chamada por ensinar como se alcança a
longevidade e como se evitam as causas das doenças.
Châraka (não confundir com Ramachâraka e outros nomes parecidos) dizia que,
boa ou má, feliz ou desgraçada pode ser a vida. Antes de entrarmos em considerações
sobre as causas determinantes da ventura ou desventura, devemos estar preparados para
responder esta pergunta:

151. QUE É A VIDA?


Châraka define-a assim: Chama-se vida a união do corpo, da sensibilidade e da alma
com o Espírito. Nossa definição pouco difere dessa, pois dizemos que a vida é o fio de
Sutra que liga o Espírito com a alma e o corpo. o Chandogyá-Upanishad a compara a
um cordão que consegue atá-los intimamente. Se considerarmos os corpos do homem,
esse fio de Sutra é o que une (ioga) todos os seus sete veículos e tem por nome Prana.
Quando ele se rompe, fato que em geral se verifica prematuramente, a vida deixa de
fluir para os veículos inferiores, tal como o rompimento da linha de transmissão
interrompe a passagem da corrente elétrica.
Por outras palavras, a vida do homem na terra é um entrelaçamento íntimo do
corpo físico com as sensações e emoções do corpo astral, tido como alma, e com os
corpos mental e causal. A vida divina se une a terrena através do Ego ou Espírito,
também chamado Mônada ou Tríade. Em linguagem teosófica fala-se, por essa razão, da
Tríade Superior, que transcende e sobrevive ao quaternário inferior, que é a mesma
"tetrakis" pitagórica, no símbolo do "Kalki-Avatra", décimo avatara de Vishnu, sob a
forma de cordel branco, animal nobre, de alvura imaculada, mesmo que apoiado nas
quatro patas alusivas ao quaternário.
A vida é ainda o que em sânscrito se chama "Dhari", aquilo que mantém a
coesão dos elementos do corpo: "Jivata", o que torna possível a existência; "Nityoga", o
que passa através; "anubanda", ininterrupto, continente etc. De tal coesão ou
interligação de corpo, sensibilidade, alma e Espírito, diz Châraka, a semelhança é o que
produz a unidade, e a dessemelhança, a diversidade. Nesse caso, semelhança é
identidade de essência e de substância. Espírito, alma e corpo, a trindade a que se dá o
nome de "pessoa", (per-sona, aquele através de quem se manifesta o som), repousam
sobre essa coessência com três ramos unidos ou três luzes de um só candelabro, qual
símbolo cabalístico da árvore sefirotal, na razão da coroa, como Kether, Chochmah e
Binah. Sobre essa trindade tudo descansa. É o que nas escrituras orientais se denomina
Purusha, a verdadeira vida universal que anima a vida puramente animal, dentro do
pequeno mundo de que é formado cada indivíduo.
Do exposto resulta que a ciência da vida não busca apenas a longevidade hígida
do nosso organismo, mas principalmente a união e a perfeita identificação com Purusha,
o Espírito supremo Eu que se torna assim, o regente da Ciência Espiritual e recorriam a
processos racionais para as deter ou evitar, a fim de que fosse alcançada a longevidade,

Henrique José de Souza


123
OS MISTÉRIOS DO SEXO 124

qual eucaristia dos corpos humanos (a carne eucarística ou imortal das tradições) que
passavam a pertencer ao "mundo jina", agartino ou de Shamballah, a Cidade dos deuses.

152. O ESPÍRITO E A CIÊNCIA DA VIDA


O Espírito é imutável e eterno; as faculdades, os atributos da matéria e dos sentidos são
as causas, diz Châraka. Poderíamos acrescentar a essa frase: as causas ou as formas
causais, razão porque um Adepto ou homem perfeito pode apresentar-se em corpo
causal. O Espírito é a eterna testemunha de todos os pensamentos, palavras e ações,
boas ou más, sem jamais ser atingido por qualquer delas, mercê de sua inalienável
independência, que lhe faculta abandonar um veículo tornado indigno de sua presença,
ou antes, da bênção da sua assistência. Felizes os que podem vislumbrar Sua presença,
os que distinguem a voz da Consciência, a voz silenciosa que nos acusa de todo o mal
que fazemos e que nos sugere todo o bem que devemos praticar. A presença simbólica
do Arcanjo Miguel (o mesmo Dhyan-Choan Mikael), como supremo guardião à porta do
Paraíso, co sua flamígera espada na mão direita, não seria para impedir a volta de Adão
e Eva, mas para guardar o Edem até que a última parelha humana; e por isso ele sustem
na mão esquerda uma balança em cujas conchas se pesam o bem e o mal que
praticamos.
A expressão Espírito tem, pois, aqui a acepção de um raio de Atmã, a
manifestação da eterna testemunha, o Jivatmã da terminologia hindu, a Tríade Atmã-
Budi-Manas dos teósofos ou a Santíssima trindade de todas as tradições. Nenhuma
enfermidade, seja qual for sua causa, jamais poderá atingi-lo, mas apenas no corpo e à
mente inferior, por isso que as doenças só podem ser de duas classes, psicofísicas e
psicomentais, estas originadas no mental inferior e aquelas no veículo emocional, como
imperfeições e deformações do próprio aura, das quais cada indivíduo é o causador, por
ignorar as Leis do Espírito e os conhecimentos de ordem superior, dificultando-lhe a
ascensão evolucional.
Consideram-se o corpo e a mente como formas parciais do sujeito ou indivíduo
inferior, mas coesas e inseparáveis, sejam hígidas ou enfermas, até o rompimento do fio
de sutra. Da harmonia entre ambas resultam saúde e bem estar, donde o sábio aforismo -
Mens sana in corpore sano.

Henrique José de Souza


124
OS MISTÉRIOS DO SEXO 125

CAPÍTULO VI

153. O DIVINO FOGO

"Agni Agni, AUM"


Fogo sagrado, fogo purificador,
Tu que dormes no lenho
E que te elevas em chamas brilhantes no Altar!
Tu és o coração do sacrifício,
Vôo audaz da oração.
Centelha divina
Que arde em todas as coisas,
Alma gloriosa do sol !
Agni Agni Agni AUM".

154. O FOGO NAS VÁRIAS TRADIÇÕES


O hino védico ao fogo é ainda hoje cantado nos templos hindus e nos colégios de
iniciação. Para a S.T.B. foi um "mantram" de notável poder construtivo. O fogo vem
sendo objeto de culto desde eras imemoriais. os "Vedas" caracterizam o culto de Agni, o
fogo. Na religião de Zoroastro ele representou papel de relevo e seu nome - Zero Astro -
está ligado ao Fogo divino. No antigo Egito, como entre incas dos altiplanos, o fogo era
religiosamente venerado. Grécia e Roma o cultuavam e o conservavam aceso nos
vestíbulos, consagrado a Vesta. No jainismo a "Swástica" era o símbolo dos símbolos
sagrados, a representação plana de uma pirâmide de base quadrada, como as do Egito, o
que revela o segredo da relação entre o fogo e pirâmide, de acordo com o Timeu de
Platão.
No antigo Testamento encontram-se evidências da adoração ao fogo. Os autores
de obras teosóficas exaltam o princípio da existência de diferentes planos, mundos ou
idealizações resultantes de agregados diversos e peculiares de um só último átomo
original, multiplicado ao infinito, com o repercussões inúmeras da primeira atualização
das potencialidades do indiferenciado Parabramâ. O fogo não é um elemento e sim uma

Henrique José de Souza


125
OS MISTÉRIOS DO SEXO 126

coisa divina (Blavatsky). A chama física é o veículo objetivo do espírito mais elevado.
O éter é fogo. A chama é a parte inferior do éter. O fogo é divindade em sua presença
subjetiva, através do Universo. sob certas condições, este fogo universal se manifesta
como água, ar e terra. É o elemento uno de nosso Universo visível, sendo a potência
criadora (Kriya-Shakti) de todas as formas de vida, luz e calor. No aspecto menos sutil é
Prana, é a forma primeira e reflete as formas inferiores dos primitivos seres subjetivos.

155. AS DIVERSAS NATUREZAS DO FOGO


Segundo Blavatsky, os primeiros pensamentos caóticos divinos são elementos do
fogo. pergunta-se: Os vários aspectos que adota o fogo correspondem a cada mundo
concebível ? ou melhor: Existem, além do fogo físico, um fogo astral ou passional, um
fogo manásico ? Existiriam os fogos de Atmã e Budi ? cremos que sim e, ao tentarmos
concentrar-nos em tal idéia e com ela penetrarmos seu significado.
Consideremos o primeiro, aliás o menos difícil de entender, e com ele também o
calórico, a caloria, calor necessário para elevar de um grau centígrado a temperatura de
um grama de água. Para o teósofo, o fogo físico é a atuação da energia cósmica, do
movimento original da primeira vibração inteligível. Se com um malho ferimos um
objeto de metal, a energia comunica à massa um abalo que modifica seu estado
vibratório, traduzindo-se em calor. Um projétil lançado contra uma chapa blindada, se
suficientemente resistente para contê-lo, sofre enorme elevação de temperatura, que o
faz incandescer, passando para o estado ígneo pela comoção brusca experimentada. Até
o organismo humanos, o fenômeno de enrubescimento se verifica mediante uma
comoção ou abalo de ordem moral, que acelera a velocidade da circulação, produzindo
calor.
Nas combinações químicas, o movimento dos átomos que se entrecruzam para
formar novas moléculas, ou seja, o aumento do estado vibratório, se traduz igualmente
em calor. Assim, o calor, cuja culminância física é o fogo, é uma atuação de forças
internas que se produzem pela aceleração do movimento vibratório. Alguns corpos,
como a esponja de platina, tem a propriedade de absorver gases que, aprisionados,
modificam seu equilíbrio interno, atuação de energia que se manifesta por uma elevação
de temperatura capaz de incandescer a esponja. Os corpos radioativos, em que o calor se
origina pela constante atuação das partículas primárias constitutivas, fazem supor que se
achem submetidas a um processo de desmaterialização. Há corpos, como o rádio, que se
diriam fragmentos do próprio Sol, trazidos à Terra por seu calor e luminosidade,
praticamente inesgotáveis. Se uma modificação vibratória, uma concentração de forças
em movimento e uma atuação das energias elementais constituem, como se supõe, o
processo inteligível do princípio da formação de um sistema cósmico, o Fogo teria sido
o primeiro elemento a surgir na alvorada de um Manuântara.
Poderíamos assim corroborar a assertiva da brilhante autora de "A Doutrina
Secreta", de que os elementais do fogo são os primeiros pensamentos caóticos do
Criador; e compreender sua afirmação de que o Sol Espiritual é o centro, é o fogo etéreo
e espiritual, o inquietante enigma dos materialistas, que algum dia hão de convencer-se
de que a eletricidade, ou, melhor dizendo, o magnetismo divino é a casa da diversidade

Henrique José de Souza


126
OS MISTÉRIOS DO SEXO 127

de forças cósmicas, manifestadas em correlação perpétua; e que o Sol Físico é um dos


milhares e milhares de irmãs espalhados pelo espaço, um refletor sem mais luz própria
do que a de qualquer astro opaco". (Isis Sem Véu, vol. I, 357)

156. IGNIS RENOVATUR INTEGRA


A instantaneidade da aplicação da força influi poderosamente na produção ou
dissipação do calor físico. Quando uma força atua lentamente sobre um corpo, o calor
também é produzido, porém inapreciável, dissipando-se no ambiente. A razão
poderíamos, talvez, buscá-la no fato de que, sendo o fogo um reflexo das formas
inferiores subjetivas do plano, manifesta-se o reflexo, o calor, a luz o fogo.
Igual efeito reflexo ocorre quando se manifestam e se desligam essas primeiras
formas, tal como nas combinações químicas, na afinidade pelos gases observada na
esponja de platina, ou nos fenômenos de desmaterialização notados por Gustavo Le Bon
nos corpos radioativos. Quando é intenso e enérgico o movimento, em certos estados da
matéria desaparece, pelo contrário, o reflexo calorífico produzido pela presença
daquelas formas inferiores subjetivas, veladas no movimento total, e se produz o frio
intenso que se manifesta nas clássicas experiências de Cailletet e Pietet da liquefação
dos gases.
O calor moderado, reflexo da presença do elemento do plano estimula a
evolução física, o crescimento. O calor exaltado, o fogo, quebra os edifícios moleculares
e torna aquela presença tão real e efetiva que chega a separar os elementos atômicos,
produzindo as dissociações. Temos assim o duplo papel do fogo como criador e
destruidor no plano físico: Ignis Natura Renovatur Integra (I.N.R.I., iniciais
impropriamente traduzidas por Jesus Nazarenus Rex Judeorum).
Temo-nos referido à presença objetiva das formas inferiores do plano. Sem nos
esquecermos de que estas são reflexos de seres subjetivos, vejamos até que ponto a
Ciência concede movimento e vida aos corpúsculos primários, considerados no estudo
da constituição dos corpos.
"Os diversos métodos usados para medir a velocidade das partículas da matéria
dissociada, diz Gustavo Le Bon em seu livro "L'Evolution de la Matiere" (p. 37), deram
sempre cifras aproximadas. Essa velocidade é quase igual a da luz para certas emissões
radioativas, e destas para outras. Aceitamos a menos elevada dessas cifras, a de 100.000
km por segundo, e tratamos com base de calcular a energia que produziria a
desintegração completa de 1 g de uma substância qualquer. Ponhamos, por exemplo,
uma moeda de cobre de um grama e suponhamos que conseguimos desintegrá-la,
exagerando a rapidez de sua desintegração. A energia cinemática possuída por um corpo
em movimento é igual a metade de sua massa pelo quadrado de sua velocidade.
"Um cálculo elementar nos dará a potência que representariam as partículas de
um grama de matéria, animadas pela velocidade que propusemos. Temos, com efeito,

Henrique José de Souza


127
OS MISTÉRIOS DO SEXO 128

T = 0,001 kg 1 2
-------- X --- X 100.000.000 = 510.000.000.000 de kg
9,81 2

número que corresponde a cerca de 6.800.000.000 de HP".

157. O FOGO NOS DEMAIS PLANOS DA NATUREZA


Até aqui ocupamo-nos somente do fogo físico. A seguir, algumas palavras sobre
as gradações do divino fogo nos demais planos. Falemos antes do mais próximo, o
astral, o campo das paixões onde impera o desejo de apropriação egoísta e de
separatividade.
No mundo astral, em determinado movimento-retenção que, consoante o
ocorrido no mundo físico, pode ser ocasionado por uma violenta comoção, ou choque
astral, que, transformado em aumento de atividade vibratória dos elementos (ou formas
inferiores do corpo astral receptor), nele provoca um fogo característico do plano. De
igual modo, o fogo astral pode engendrar-se pela contínua inserção e expansão do corpo
de desejos de novas formas astrais. Com isto, estamos apenas formulando as idéias,
ficando, porém, claro que as expressões correntes, como "o fogo das paixões", "desejo
ardente", "paixão vulcânica" e tantas outras não são desprovidas de sentido concreto,
tratando-se evidentemente de fogo criado pelo nosso mental inferior; de vez que,
segundo dissemos no início deste estudo, o fogo real e verdadeiro nos diversos planos se
manifesta como reflexos do divino fogo, quais natureza e diversificadas de "Purusha",
do Espírito em sua Fonte ou Manancial de todo o Cosmo. De qualquer modo, reflexos
ou projeções cada vez mais largas, segundo a abertura do ângulo em maior distância do
Projetor ou Farol-matriz.
Posto que tudo se manifesta sob a forma dual, vemos esse Fogo descendo como
"Fohat" (Luz) e subindo como "Kundalini" (Força), como choque ou reflexo, segundo a
fórmula que propusemos: um projétil lançado contra uma chapa blindada experimenta
enorme elevação de temperatura (Laboratório do E.S.), que o faz incandescer, passando-
o ao estado ígneo pela combustão brusca provocada pela retenção de movimento da
massa total, aí transmutada em movimento da substância íntima do corpo considerado.
Antes de passarmos ao fogo mental, citemos mais uma vez a teoria de
Swedenborg: "A Lei essencial da Natureza é a da vibração. Um ponto morto, um ponto
imóvel não poderia existir em nosso planeta. Os movimentos sutis a que chamamos de
vibrações ou ondas; os mais vagarosos a que chamamos de osculações; as trajetórias dos
planetas e cometas a que denominamos órbitas; às épocas da História consideradas
como ciclos; tudo isso e mais ainda não passa de um movimento ondulatório cíclico de

Henrique José de Souza


128
OS MISTÉRIOS DO SEXO 129

ondas no éter, no ar, na água, na aura, na terra, por nebulosas, pensamentos, emoções de
todo o imaginável".

158. O FOGO DO PLANO MENTAL


A Luz é universal em todos os planos e em todas as suas relações. Quando as
ondas etéricas impelem, com movimentos mais lentos, o ar que nos envolve, dizemos
que há som; já outras, sumamente rápidas, que o sentido da audição não pode captar, as
tomamos por luz. A origem das vibrações, ondas, ciclos, está na própria Vida Divina.
No mundo mental o Fogo divino se manifesta de modo próprio e característico
do plano, já que o cérebro é a sede do corpo mental. Na glândula pineal se concentram
as várias naturezas do Fogo uno ou sintético. Uma ação interna ou externa, atuando nas
formas mentais, integrantes do corpo mental, produz a ação de presença das formas
assim vitalizadas, o que se expressa por fogo luminoso este mesmo que em linguagem
corrente chamamos "fogo do entusiasmo", "verbo inflamado", fogo da inspiração", etc.
Essa a primeira manifestação do Fogo ascendente na Terra (mundo psíquico), por isso
que caminha para a vitória sobre o mundo astral.

159. O FOGO E A TRÍADE SUPERIOR


No mundo do discernimento, da intuição (plano búdico), o cérebro- professor (sexto
princípio), a energia aí manifestada (matéria ígnea rarefeita), por mais próxima que
esteja do Sol (Fogueira central) que para baixo vibra no "Poço de ilusões", como ardente
céu do filantropo, a chama da caridade, as inspirações do gênio etc., já o dissemos em
outros lugares, é a válvula de segurança entre a alma e os demais princípios inferiores,
para que a matéria-espírito não se turve nem se confunda com as demais. É como os
diques no canal do Panamá, por exemplo, contendo as marés montantes do Pacífico e do
Atlântico.
No "Oceano sem Litoral" as águas somente podem confluir e misturar-se quando
a Humanidade estiver equilibrada ao nível do Oceano das puríssimas e tranqüilas águas
do "Akasha", o imperecível Brahmâ-Shiva-Vishnu, na mesma razão porque "Atmã" só
se manifesta nessa tríplice forma (Atmã-Budi-Manas; Ida-Pingala-Sushumnâ), ou os
Três em Um, quando o hálito corre pelo meio, desde já simbolizando o Hermafrodita do
fim da Ronda, se este relacionado estiver com o mesmo fato. Eis porque o período de
"Sushumnâ" é o da meditação e fusão no maravilhoso Brahmâ (Tat Twan Asi).
No mundo espiritual ou atmânico, para a nossa consciência, todo Ele é o Fogo,
porque todo ele é o radiante Amor divino. É unidade embora tríplice em sua
manifestação, como luz e calor no coração humano, a "câmara de Kundalini".
Seu despertar no homem é a famosa "Serpente de Fogo" que deixa de se arrastar
serpenteando na Terra, para evoluir em forma circular nesse mesmo humano coração: o
fogo das paixões afinal substituído pelo Fogo do Amor Divino. Nesse instante não se
poderia dizer em qual extremidade da "serpente" se encontra a cabeça ou a ponta da

Henrique José de Souza


129
OS MISTÉRIOS DO SEXO 130

cauda, pois ambas se confundem. Certos estavam os antigos ensinamentos ao


consideraram o fogo como elemento divino e infernal.
Como "Fohat", o fogo é de tal sutileza que se torna quase inconcebível, apesar
das múltiplas formas sob as quais se manifesta, como "Kundalini", é ao mesmo tempo
criador de Vida e causador de Morte; melhor dizendo, Transformação. É o mesmo Fogo
na ânsia de alcançar sua extremidade superior, o Divino. Na sua essência ou Unidade é
para a consciência a revelação primeira das energias cósmicas.
É a própria força divina revelada; o germe dos universos, conexões imensas das
forças cósmicas, segundo a própria Ciência, ao admitir que os corpos celestes e os
sistemas nasceram de primitivas nebulosas ígneas; a Alma vivificadora, prodigiosa
transmissora de vibrações e energias do Logos, que denominamos Sol espiritual.
Compreende-se assim razão por que os primitivos povos veneravam o Fogo.
Ante seus olhos, era este o representante legítimo, no plano físico, das Potências
divinas. Podemos reviver sua devoção recitando o Hino entoado pelos antigos "Rishis",
tal como foi descrito no Rig Veda:

160. HINO AO FOGO


Ó Fonte de riqueza, Divindade, vida alimento,
Prazer do lar feliz, que te saúda e adora,
Expressão ideal da Verdade Excelsa !

OS MISTÉRIOS DO SEXO

A Genealogia Esotérica no Cosmos e no Homem

TERCEIRA PARTE

"Crescei e multiplicai-vos... (A voz de


Deus, ou antes, da Lei ou Natureza).

Henrique José de Souza


130
OS MISTÉRIOS DO SEXO 131

161. Prólogo

Pergunta de difícil resposta - Nasceu este livro das seguintes perguntas feitas ao
seu autor: "Que pensa a Eubiose a respeito do sexo ? Aprova ou condena que se evite a
procriação ? Deve-se limitar o número de filhos ?"
A nossa resposta foi: O assunto é por demais complexo para ser respondido
imediatamente. O teósofo apanhado de surpresa, principalmente o que confunde
Eubiose com religião, desprezaria o lado científico do problema e responderia, sem
vacilações, do modo pelo qual as religiões correntes o fazem: - A união dos sexos é uma
função dada por Deus com o objetivo da criação de indivíduos semelhantes aos pais, e
que todo o artifício, seja ele qual for, para obstar esse objetivo é contrário a Lei da
Natureza e da Igreja". Nesse caso, para tais pessoas, Teosofia e Igreja valem a mesma
coisa, o que absolutamente, não se dá. Desprezaria esse mesmo teósofo, muitíssimo
mais, aquilo a que preferimos chamar de Lei, e que está acima da própria Teosofia, visto
a concebermos como algo tangível, embora como origem de todas as religiões, ciências,
artes e filosofias.
Até certo ponto, concordaríamos que se respondesse desse modo; porém, em se
tratando de um assunto que afeta a humanidade inteira, por sua vez, subordinada à
excelsa Lei da Evolução, há inúmeros casos em que se deve evitar ou limitar a
procriação. Os próprios Manús, grandes e pequenos, reconhecem a necessidade de se
considerar a situação cada casal. Diante da impossibilidade, por exemplo, de uma
esposa exercer as funções maternas, devido a um defeito orgânico ou doença, não há
razão de sacrificá-la. O sectarismo religioso, nesse caso, colide com a orientação
científica e os preconceitos sócio-econômicos. Certas religiões, reconhecendo a
necessidade, em diversos casos, de se evitar ou limitar os filhos, aconselham o uso dos
processos científicos conhecidos, sem se responsabilizar pela opinião da maioria dos
seus prosélitos. Dessa forma, sem comprometer a própria felicidade conjugal, senão,
muito mais ainda, a evolução de ambos: marido e mulher.
A leitura deste livro permitirá compreender o que pensa a Teosofia seguindo a
própria Lei da evolução humana - não só do ponto de vista daquelas perguntas como de
outras, que envolvem o mais importante assunto da vida humana, e que se relaciona
com uma das tarefas da Sociedade Brasileira de Eubiose, claramente exposta no lema
"Spess messis in Semine" (A esperança da colheita reside na Semente). Semente
representada pelos "filhos", as crianças, a nova geração que homens procriaram, como
se inconscientemente quisessem fazer a espiritual seleção entre as velhas e as novas
sementes raciais, ou seja, as de um ciclo positivamente agonizante, para um outro que
vai surgir das suas cinzas. Por isso, terçam armas da arena da vida as Forças do Mal e as
Forças do Bem, para fazer jus a essas repetidas batalhas no campo de Kuru-Kshetra ,

Henrique José de Souza


131
OS MISTÉRIOS DO SEXO 132

que é o mesmo da vida humana, entre lunares e solares, por sua vez imitando aquela no
começo das coisas, entre "rakshasas" negros e devas luminosos.

Henrique José de Souza


132
OS MISTÉRIOS DO SEXO 133

CAPÍTULO I

162. Caminhos sinuosos para se alcançar o fim...


"O verdadeiro filósofo nem tudo pretende reformar, nem a tudo submeter-se, pois, tirano
não é, nem tão pouco escravo. Por isso mesmo, a Filosofia tanto pode como deve
discutir, de igual modo, os motivos da crença religiosa e científica".

163. A VEREDA INICIÁTICA


Conhecida a razão de ser do lançamento deste livro aos amantes da boa leitura,
bem como as analogias das perguntas com a Obra em que a S.B.E. está empenhada,
abordaremos a questão de um modo mais direto, embora, segundo a exigida maneira de
se iniciar os homens, conduzindo o leitor ora por uma trilha cheia de sinuosidades, ora
contornando a realidade um tanto mais próxima ou distanciando-se da mesma, por meio
das mais fatigantes escaladas, para que o leitor, acostumado a caminhos menos árduos,
possa decidir por si próprio, a desligar-se de suas antigas ou enraizadas convicções...
Caminho, portanto, igual àquele falso da esquerda, ou "smaritta", a que se refere Dante,
na sua Divina Comédia, ou seja, aquele que ia ter ao trágico Portal, onde se liam as
ameaçadoras palavras: "Lasciate ogni esperanza, o Voi che entrate"

Comecemos:

A Eubiose é contraria a qualquer processo que evite ou limite a natalidade, desde


que não existam motivos superiores para isso, como sejam: doenças, inclusive
anomalias congênitas ou adquiridas; miséria; incompatibilidade de gênios, que as
próprias leis terrenas reconhecem como motivo bastante para o divórcio. sim, desde que
exista uma "incompatibilidade de gênios", melhor que se de a separação dos corpos,
para que o mau exemplo provocado pelas disputas, além do mais, não seja observado
pelos filhos, ou melhor, transmitidos aos mesmos. E isso porque a humanidade, na sua
eterna "falta de vigilância dos sentidos" , como dizem os mesmos Adeptos, em relação
com toda a espécie de erros e faltas praticados por seus discípulos só se preocupa com o
lado mau das coisas depois de ter passado por ele, na razão do "Vox populi" ou seja, o
de "só fechar a porta depois de roubado". E se tal coisa acontece na mais insignificantes
questões da vida, que dizer nas e cunho mais transcendental, como aquela, por exemplo,
em que a Esfinge expões por meio de três simples perguntas: "Quem és ?... De onde
vens ? ... Para onde vais ? ... Seguidas de um repto: "Ou me decifras, ou te devoro! ...
Sim, porque sendo o homem a própria Esfinge, e dentro dele mesmo que deve procurar
a Verdade, ou melhor, o conhecimento perfeito das coisas.

Henrique José de Souza


133
OS MISTÉRIOS DO SEXO 134

"Busca dentro de ti mesmo o que procura fora !"... "O Adepto faz-s, e não é
feito"... Tais são os ensinamentos dos livros sagrados do Oriente. E mesmo Jeoshua,
quando aconselha o "faze por ti, que Eu te ajudarei", além de estar de acordo com
aquelas duas sábias sentenças, completa a do "Conhece-te a ti mesmo" do portal do
Templo de Delfos. Porque não é pagando a outros para realizar preces, missas, etc.
("culto externo" e não o do interno...) que o Homem poderá resolver aquelas três
perguntas feitas pela Esfinge. O que vale é o esforço próprio, o verdadeiro significado
do Édipo grego, ou "pé inchado" (de tanto caminhar), como o da ânsia multi-milenar da
mônada humana em busca da Meta desejada, ou a sua completa evolução por este
planeta de dores (ou de provas, de conhecimentos, de experiências, etc.) onde é
obrigado a viver...
Lá está ela guardando, ainda a entrada desse deserto imenso de areia que se
chama "Saara". Com a sua face voltada para o Oriente, e coroada de um disco de ouro, o
sol da manhã emergia da cadeia arábica, e seus primeiros raios iam iluminar o disco e a
face da esfinge, fazendo-a resplandecer como um "sol, de face humana", ou como um
"deus aureolado de chamas". A própria face do Kumara-andrógino, excelso padrão da
humanidade inteira.
Com um pouco de boa vontade e fértil imaginação, poderíamos até ouvir suas
fantásticas palavras ao peregrino:
"Sim... Homem-Esfinge, se te fizeres em deus!... Homem-animal, se te tornares
um "demônio", por te afastares das diretrizes da Lei!...Atrás de ti, Fogueira imensa
destrói as velhas e imundas roupagens com que te revestiste inúmeras vezes, para
alcançar o lugar que te encontras hoje. Não busques, pois, olhar para trás na mórbida
contemplação dessas chamas perigosas que se elevam, ora pequeninas, como as tuas
faltas dessa mesma natureza, ora enormes, raivosas e sibilantes, como verdadeiras
víboras destilando veneno das tuas faltas maiores... Não o faças, para que tu mesmo não
sejas por elas destruído. Olha sempre para frente, buscando fogueira maior e mais
excelsa, que a do próprio Sol espiritual, cujas radiosas chamas, oh! corajoso peregrino,
édipo de todos os tempos, concorrerão para que ELE te confundas, e transformados
sejas em "Sol de humana face", em "Deus aureolado de chamas!..."

164. FALSAS INTERPRETAÇÕES


"Data veniam corvis, vexat censura columbus" - (A censura poupa os corvos e persegue
as pombas)
Verso de Juvenal - (Sátiras, II, 63)

O verdadeiro Teósofo tem o dever de "dar de graça o que de graças receber". É


isso o que ele faz com o que aprende no Templo da Sabedoria Divina, melhor dito, dos
deuses, super-homens, gênios ou Jinas, pouco importa que se chamem Rama, Moisés,
Krishna, Buda, Platão, Confúcio, Láo-Tzé ou outro qualquer inclusive os próprios

Henrique José de Souza


134
OS MISTÉRIOS DO SEXO 135

"santos da Igreja", como Francisco de Assis, o Cura d'Ars e Pio X. Todos eles incapazes
de ter um procedimento incorreto para com seus irmãos em humanidade.
Mais uma vez dissemos: "Não é a religião que faz o homem e sim, o seu
caráter".
A discriminação religiosa é um dos crimes contra a própria Divindade, ainda
mais, quando é acompanhada de férreos preconceitos e injustas perseguições. Por isso
mesmo, quem adota uma religião pelo simples fato de ter sido a mesma de seus pais,
como quer a Igreja, demonstra quanto muito, ser um seguidor da "lei do menor esforço",
pouco importando a posição em que esteja colocado. Ademais, que dizer se esses "pais"
ao invés de católicos (por exemplo), fossem protestantes, muçulmanos, budistas ou
ateus ?
Como isso, entretanto, vem a própria Igreja em nosso auxílio, Sim, porque o
termo "pais" provem do latim "padre", que por sua vez remonta ao sânscrito "Pitris",
com o mesmíssimo significado para "Aqueles" que foram de fato, os Construtores da
Humanidade, para não dizer, responsáveis pela sua Antropogênese, e como tal, senhores
de uma só Religião ou Verdade, que serviu, mais tarde, de origem às simples facetas
com que se apresentam as várias religiões existentes no mundo, para não dizer, "turvos
espelhos onde aquela Verdade se reflete".
O próprio Amônio Sacas ensinou que "a religião das multidões correm pari-
passu com a filosofia, e com esta gradualmente se corrompem, por vícios de conceitos,
mentiras e superstições puramente humanas". Era necessário, portanto, restitui-la à sua
prístina integridade (a religião-Sabedoria dos Pitris, pais ou antepassado), purificando-a
da escória e interpretando-a filosoficamente. Sim, porque o propósito de Jesus foi o de
restabelecer a pureza inicial num todo harmonioso, a Sabedoria Iniciática das Idades;
reduzir o domínio da superstição, que prevalecia (e prevalece ainda em muitos
setores...), corrigir os erros introduzidos nas diversas religiões, etc.
Tornamos a repetir, nenhum DELES (Rama, Krishna, Buda, Platão, e etc.)
pregou a religião confessional que se lhes atribuem, e sim, os seus pretensos discípulos
que, escravos do inerte dogma que criavam, esqueceram que religião não é crença, mas
uma dupla ligação de fraternidade entre os homens, segundo sua etimologia latina, (do
religo, religare, etc.). Tal como no começo, dia virá em que todos os homens estarão
ligados pelos indissolúveis laços de Fraternidade entre os homens, para que melhor
possam unir-se à sua própria Origem, na razão do dito de Santo Agostinho: "Viemos da
Divindade e um dia, depois de cumpridos todos os trabalhos, para Ela haveremos de
voltar". Por sinal, que com a mesma interpretação da "Parábola do Filho Pródigo", ou
aquele que "volta a Casa Paterna", embora não a façam, desse modo, os que ignoram tão
excelsos ensinamentos, por não serem iniciados.
Esses grandes Seres, portadores, todos Eles da Paz, da Harmonia, da Concórdia
entre os homens - jamais benzeriam espadas e outras armas de destruição ou extermínio,
como o fazem alguns daqueles que se dizem representantes de Deus na Terra. Sem falar
na contradição palmar da súplica posterior que fazem as religiões, à Divindade, para que
"faça cessar a luta entre os homens". Valha-nos neste momento o famoso "Ser ou não
ser" do "Hamlet"... Sim, porque o Poder Espiritual é um e o Temporal bem outro, na

Henrique José de Souza


135
OS MISTÉRIOS DO SEXO 136

razão mesma de ouvirmos da boca do "Cristo" aquele: "dai a César o que é de César e a
Deus o que é de Deus !"...
Quanto a estas críticas, ou outras quaisquer que fazemos - dentro do espírito
construtivo ensinado pela Eubiose - continuam valendo os nossos dizeres publicados em
"O Verdadeiro Caminho da Iniciação (pag 98 e seguintes).
Helena P. Blavatsky já dizia: "A crítica mútua é a política mais sadia, e ajuda a
estabelecer regras finais e definitivas na vida prática, e não meramente teórica. Temos
tido teoria demais !"
Infelizmente, em assuntos dessa natureza - iguais aquele que fez a "Pedro negar
o Mestre por três vezes" - nem todos possuem coragem bastante para afrontar os
chamados "Preconceitos Sociais", mesmo que a sociedade humana, com algumas
exceções, por felicidade, esteja repleta de vícios e defeitos que lhe não dão o direito de
criticar o próximo, sob a pena de "rir o roto do esfarrapado", por isso mesmo, não
podendo "atirar a primeira pedra"... muito menos naquele que fala em nome da Razão
através de seu tríplice aspecto" Amor, Verdade e Justiça. E que a mesma humanidade se
acha afastada da Lei inclusive as religiões, conforme provamos em nossa obra anterior,
nenhuma obra resta. Falam bem alto todos os horrores que a afligiram na última Grande
Guerra. Aliás, as guerras sem tréguas são todas elas provocadas, por verdadeiros
monstros que serão fatalmente expulsos de seus tronos, ou melhor, destruídos
juntamente com o próprio ciclo agonizante. É a cavalgada fantasmagórica dos Três
Irmãos da sombra, em oposição aos Três Irmãos Luminosos. Os primeiros agiram
recentemente através da personalidade de Mussoline, Hitler e Stalin, tal qual uma
caótica reedição dos flagelos: Átila, Genghis-Khan e Tamerlão, refletindo aquele fatal
triângulo, chamem-no Ódio, Mentira, Injustiça, como grosseiras formas de uma
evolução passada, por isso mesmo capazes de interditar aos Homens - principalmente
aos de espírito fraco - a excelsa Visão das Coisas Eternas.
Desviemos nossos olhos, para não vermos tamanhas misérias, num chamado
"século de luzes", e marchemos, intrépidos, com o leitor amigo, através das propositais
"sinuosidades" a que nos referimos no começo do capítulo, com se estivéssemos
seguindo as hamanas quedas, nesse "cair e levantar" de tão longos quão necessários
parênteses, principalmente em se tratando de questões de sexo.

Henrique José de Souza


136
OS MISTÉRIOS DO SEXO 137

CAPÍTULO II

JULGAMENTOS EUBIÓTICOS

165. OBRIGAÇÃO DE PREVENIR


Como admitir que um senhora portadora de defeito congênito, tendo os seus partos
laboriosos, com ameaça de morte, ou mesmo aquela que, outrora com partos felizes, em
virtude de acidente ou moléstia, que dificulte novas concepções, não tomem elas a
exigida deliberação de evitar a vinda de novos filhos ? A menos que, sujeitando-se a um
tratamento e venham a ficar radicalmente curadas, convirá empregar os processos
naturais, hoje, de certo modo, mais ou menos conhecidos, graças aos doutores Ogino e
Knaus e não os artificiais, dentre eles "o venusiano véu elástico", que até uma úlcera
interna - devido ao seu uso muitas vezes repetido - pode provocar na pobre "venus-
mulher".

166. OPINIÕES CIENTÍFICAS


Fazem parte de um livro intitulado "Método Moderno de Limitação dos Filhos", editado
em 1937 o qual aconselhamos aos casai dignos e sinceros, a par de uma outra obra
intitulada "Menino ou Menina ?" de autoria do Dr. Jules Regnault, as seguintes
palavras:
"É uma felicidade para o gênero humano que este método tenha sido descoberto,
pois há ocasiões em que, mesmo as pessoas mais amantes, virtuosas e religiosas
desejam sinceramente e com boas razões, limitar ou prevenir, durante certo tempo, o
nascimento de filhos ou novos filhos. Os médicos sabem que em alguns casos a
procriação de muitos filhos, em rápida sucessão, não é boa para a saúde da mãe. Muitas
vezes acha-se a mulher atacada de alguma doença que poderá torna-la inválida no caso
de se tornar grávida. Há enfermidades capazes de determinar a morte, no caso de virem
a complicar a gravidez ou serem por ela complicadas. Fatores econômicos tornam
muitas vezes desejável interromper-se, pelo menos durante certo tempo, a procriação de
filhos. Alguns pais, por motivos particulares, desejam espaçar o nascimento de seus
filhos, fazendo com que nasçam com intervalos de tempo determinados."
Não havendo no passado, um método científico seguro, que de maneira legal e
religiosa lhes permitisse seguir tais preferências, as pessoas casadas, muitas vezes,
recorriam a meios anti-naturais, que atuavam desfavoravelmente sobre a saúde e
felicidade mental. Estas objeções já não se explicam mais. Marido e mulher podem ter
relações naturais em períodos certos do mês, sem ficar apreensivos com a possibilidade
de uma gravidez momentaneamente não desejada. Podem saber quando deverão abster-

Henrique José de Souza


137
OS MISTÉRIOS DO SEXO 138

se das relações maritais, se não desejarem filhos. A mulher não necessita mais procurar,
afobada, uma clínica de controle de natalidade ou um consultório médico, muitas vezes
com grande sacrifício, a fim de se informar do "modus-operandi" de adaptar um
preventivo mecânico à sua cervix (colo do útero), ou modernamente, no interior do
útero (Dispositivo Intra-uterino - DIU), objeto de borracha, metal ou plástico, invenção
em cuja história se contam inúmeros fracassos e que, como poderá dizer qualquer
ginecologista, já causou infecções pélvicas, tendo sido o fator etiológico de condições
que muitas vezes exigiram operação abdominal, tendo ainda em muitos casos, tornado
mulheres estéreis ou inválidas, e em outros, sendo causa de sua morte. Sem falar no
fato, de tal dispositivo causar freqüentemente uma ação abortiva. Quando as mulheres
tiverem sido instruídas sobre este método simples e natural, que não exige o dispêndio
de dinheiro e sim, apenas um cuidado inteligente quanto à ocasião do mês em que
tenham relações sexuais, será seguramente eliminada uma grande fonte de afecções
peculiares às mulheres.
A moderna Farmacologia, partindo dos estudos de Pincus, realizadas com
mulheres de Porto Rico, em 1945, produz drogas de natureza hormonal, que agindo
sobre a hipófise e ovários, impede que estes libertem seus óvulos. Assim, não havendo
ovulação, não poderá haver fecundação, isto é, a concepção de um novo ser. Daí serem
chamados tais medicamentos de drogas anti-concepcionais ou Enovulatório, os quais
podem trazer efeitos outros, secundários, desde os desequilíbrios hormonais até
perigosas alterações no sistema circulatório, que podem chegar a serem fatais. Em
estudos, encontram-se outros medicamentos que agem como anti-concepcionais
masculinos, por um mecanismo semelhante aos femininos. Mas, os efeitos secundários
dos mesmos são de tal maneira nocivos, que ainda não foram liberados para uso
generalizado.

167. O ASPECTO ECONÔMICO


Condenaria, entretanto, a Eubiose, qualquer casal (como no caso já apontado, de
doenças e acidentes radicalmente curados) que continuasse a evitar filhos, a menos que
outra doença maior, que é a da miséria, viesse bater à sua porta, e portanto, dentro da
Lei do Livre Arbítrio e não do Determinismo propriamente dito. Mesmo que a nação
seja incumbida de proteger semelhantes casais, impossível seria exercer efetivamente a
referida proteção, pois, que a ela compete outros tantos socorros, inclusive o da sua
própria defesa interna e externa. Donde a existência das chamadas "Obras Pias", com os
nomes de patronatos, asilos, creches, etc., mantidos por particulares e instituições
religiosas, e sob a direção de profissionais devotados e competentes, como por
felicidade em nosso país já se contam aos milhares.

168. FILHOS ADOTIVOS E ANIMAIS DOMÉSTICOS


Noutro particular, estamos de acordo com a Sra. Annie Besant, quando prefere
que se tome para criar filhos sem pais, ou quando estes se encontram em franca

Henrique José de Souza


138
OS MISTÉRIOS DO SEXO 139

indigência; que sejam fundadas instituições como as acima enumeradas, de maior valia
que as sociedades protetoras de animais. Sem querer diminuir essa grande obra, também
de benemerência, não há razão para se preferir manter em seu lar cães, gatos, etc., com
seus bercinhos enfeitados, comendo à mesa com seus "humanos papais". Preferível
adotar uma ou mais crianças abandonadas, que no final de contas, acabariam por serem
tão queridas como se fossem seus próprios filhos. Nem sempre prevalece o velho adágio
popular de que "Deus dá o frio conforme a roupa", pois, em muitas partes do mundo,
tanto se morre de frio como de fome, não faltando ocasião propícia para se adotar as
referidas crianças. Do mesmo modo, quando aquele outro adágio: "Onde comem dois,
comem três e mais", pois, acontece muitas vezes que nem para dois há o necessário,
quanto mais para maior número de pessoas.

169. MISÉRIA E POBREZA


Não nos referimos aqueles que, aparentemente pobres, como os pescadores, por
exemplo, com prole superior a dez filhos, habitando o litoral e tendo por alimentação,
peixes e mariscos (ricos em proteína, fosforo, cálcio, iodo, etc.) e uma pequena lavoura
nos fundos da casa, não passem miséria, pois o termo é bem diverso do de pobreza,
propriamente dita. Referimo-nos, sim, aqueles que são obrigados a escolher uma
profissão de acordo com o seu habitat, ou lugar onde vivem, como por exemplo, o
lavrador, que vê de um momento para o outro, todo o seu esforço de meses e até de anos
completamente destruído pelas longas estiagens ou pelo excesso de chuvas, as pragas,
destruidoras da lavoura, etc... Muito pior, os doentes, os desempregados, os que acabam
por tomar o doloroso alvitre de recorrer a mendicância para não chegarem ao ponto
daquele Jean Valgean de "Os Miseráveis" de Victor Hugo, de ter que roubar um pão
para mitigar a fome de um ente querido...

170. CRIME E CASTIGO


Quanto ao crime propriamente dito, deve-se levar em conta, antes de tudo, o
preconizado nas sábias palavras dos Visconde de Bonald: "Esperar o delito para o punir,
quando é fácil corrigí-lo, é uma barbárie inútil, um crime de lesa humanidade, que
desonra um código e um governo".
A sociedade humana é responsável pelos crimes de que se queixa e que rebaixam
o seu prestígio. Inconscientemente ou não, são os favorecidos pela sorte que excitam os
apetites das classes inferiores, pois, nem sempre o fato de se arrojar aqui e ali um porta
moedas, mais ou menos cheio, será bastante para acalmar a sede de ouro entre os
deserdados. O exemplo tem que vir de cima, se é que se deseja por termo aos
sentimentos de inveja, que explodem em forma de roubo, assassínio e anarquia.

Henrique José de Souza


139
OS MISTÉRIOS DO SEXO 140

Quando um povo colocar a instrução acima do dinheiro; quando todas as honras


pertenceram ao homem instruído, ao sábio e ao benfeitor, o pobre, atraído pelas
radiantes fulgurações de semelhante ideal, imitará o exemplo que lhe apresentam,
porque o povo é um grande imitador e segue o caminho que lhe traçam os que vão à sua
frente. Se nele encontra apenas o vício, ao vício se vê conduzido; se ao contrário, é a
virtude, para esta se voltará do mesmo modo.
Em resumo, do ponto de vista eubiótico, o verdadeiro crime em se evitar, ou
mesmo limitar os filhos, consiste em se agir contrariamente às leis da natureza, onde se
deve também incluir a Lei do Carma, ou de Causa e Efeito. Sim, porque o que realmente
importa na vida é o "estado de consciência". Se o homem age deste ou daquele modo,
visando o bem, nenhum crime pratica; se ao contrário, é ao Mal que ele visa, criminoso
se torna, e como tal, sujeito fica ao castigo, pouco importa se instituído pelos homens
através de seus códigos. Se um criminoso aceita a pena que lhe foi imposta, como já
dissemos, sofrendo as suas conseqüências, chorando a liberdade perdida, a separação da
família e dos amigos, etc., "ipso fato", seu carma correspondente é esgotado. No
entanto, se tal pena ou castigo é recebido com indiferença, muito pior, mantendo ódio
por seus juízes, pelo próprio mundo, do qual se acha separado, sem arrependimento
algum do crime cometido, continua de pé, um outro castigo muito mais severo e
infalível, que é justamente o imposto pelo Carma, o qual terá fatalmente de pagar, nesta
vida ou em outra... Donde a sentença bíblica: "Quem com ferro fere, com ferro será
ferido", igual à do Corão: "Dente por dente, olho por olho".
Quanto àqueles que lançam mão do criminoso processo de destruir a vida no seio
materno, seja a própria mãe, o pai ou outro qualquer, mais hoje, mais amanhã, terão que
pagar o pesado tributo de semelhante falta. Não importa como, mas o fato é que
pagarão... O anjo negro da morte paira eternamente sobre semelhantes lares ! Sim,
porque a lareira vive apagada...

171. ALGUMAS CÉLEBRES CITAÇÕES


"Que é a infância senão o futuro de uma raça forte e poderosa ?"
"Os direitos da puerícia; dizia o grande Victor Hugo, são mais sagrados dos que
os dos pais, porque se confundem com os do próprio Estado".
Do mesmo modo, disse Paul Strauss: "Educar a criança é cultivar o seu espírito,
enriquecendo-os com os conhecimentos necessários ou úteis; o coração, sufocando neles
o germe das paixões e dos vícios, que crescem conosco, e implantando nele o amor do
bem e da virtude".
Para as mulheres voltadas inteiramente para o lar, poderíamos citar as palavras
de Gina Lombroso, a ilustre filha do grande César Lombroso (doutor em letras e em
medicina), em sua obra de alta psicologia, "L'Ame de la femme", cuja leitura indicamos
a toda mulher que se honre de possuir o nome da mãe:
É um fato que entre as mulheres não se encontre um Dante, um Sheakespeare,
um Newton, porém, a verdade é que fazer poemas ou descobrir as leis universais não é
assunto nosso; a mulher não pode consagrar a um obra prima senão o que em sua alma

Henrique José de Souza


140
OS MISTÉRIOS DO SEXO 141

não for absorvido pelas preocupações da família, porque, nenhuma excelência poderá
jamais exonerá-la de suas humildes funções de mãe, para as quais o instinto a atrai e a
natureza a destina. À personalidade prepara instintivamente as mulheres a auxiliar os
demais, ates de produzir por conta própria."
Michelet dizia: "Les homes superieurs, sont tous les fils de leus mère; ils en
reproduisent l'empreinte morale aussi bien que les trais".
Efetivamente, a mãe é a melhor mestra, que a humanidade conhece e admira,
para formar cidadãos dignos e cônscios dos seus deveres cívicos, e atém mesmo
espirituais; do mesmo modo que as esposas e filhas exemplares, que não se esquecerão
jamais de praticar os ensinamentos daquela que lhes deu a vida e guiou os passos na
adolescência.
Mãe, nome querido que todos nós trazemos como preciosa jóia no escrínio de
nossos corações.
Não pode, pois, de ser a maldita mulher, que sem motivo justificável, se negar ao
mais excelso de todos os privilégios existentes no mundo: o da MATERNIDADE.
Descubramo-nos ! Por nossa frente passa uma Mulher carregando em seu seio "o
bendito fruto", com que a própria Lei quis honrá-la, preciosa dádiva que a natureza lhe
fez, pouco importa que seu nome seja Maria ou qualquer outro !
Descubramo-nos, sim, que em seu Seio vibra, em ânsias de evolução, a preciosa
Mônada que, finalmente encontrou o lar apropriado onde devia realizar a sua atual
encarnação.
"Senire parvulus venire ad ME"
J.H.S

Henrique José de Souza


141
OS MISTÉRIOS DO SEXO 142

Henrique José de Souza


142
OS MISTÉRIOS DO SEXO 143

CAPÍTULO III

Ciência e Eubiose

"... As trevas irradiam a Luz, e a Luz deixa cair um Raio solitário nas Águas, nas
profundezas da Mãe. O Raio atravessa, rapidamente, o Ovo virgem; ele faz vibrar o Ovo
Eterno, que deixa cair o Germe não eterno, que se condensa no Ovo do Mundo".
(Doutrina Secreta - A Evolução Cósmica - Estância III do "Livro de Dzyan")

172. SÍNTESE SOBRE AS FUNÇÕES PROCRIADORAS EM AMBOS OS SEXOS

O SEXO - FATOR UNIVERSAL


A citação acima, extraída do mais antigo livro existente no mundo, que é o de
Dzyan, para provar que o Sexo, para não dizer, a cópula, pouco importa maneira pela
qual se lhe queiram interpretar, já provém do Divino, inclusive no momento de ser
fecundado o "Ovo do Mundo", fato este que já deixamos bem patente na primeira parte
deste livro.
Por isso mesmo, ao invés de motivo ou gozo de prazer, é que tantos crimes tem
ocasionado na vida humana, é o sublime postulado através do qual se mantém a própria
Evolução de tudo quanto se manifesta na Natureza.
Depois de ter o grande Mozart, como Rosacruz que era e portanto um iniciado,
musicado ou antes, dado vida ao D. joão de Molière, e não quando da Flauta Mágica,
como pensam alguns, aparecem-lhe três misteriosos Seres encomendando o "Requiem"
que, conforme ele mesmo compreendeu, "seria executado na ocasião de sua morte"...
Contrariamente, o mavioso poeta Guerra Junqueira aniquila, mata o D. João, o devasso,
o profanador e destruidor de lares, com o fulgor e veemência de sua pena justiceira...
Ao contrário do que faz ao homem, o mais evoluído de todos os seres que se
manifestam na Terra, os animais procuram realizar a seleção da espécie: a leoa só se
entrega ao macho, depois deste ter vencido em renhida luta, os demais leões que dela se
aproximam, no erroneamente chamado "momento do cio" (cio provem do latim - zelus)
pois o melhor seria chamá-lo "momento da necessidade", ou outro termo qualquer para

Henrique José de Souza


143
OS MISTÉRIOS DO SEXO 144

definir aquilo que a natureza instituiu como "propagação da espécie". O mesmo


acontece com a cadela, senão mesmo com certas aves, inclusive o canário, que depois
da vitória, e ao lado "de sua dama", como "os cavalheiros de outrora em busca da sua",
põe-se a cantar de um modo completamente diverso do usual, qual acontece, também,
na hora de sua morte, com diversas aves, a começar pelo cisne, donde surgiu a
conhecida frase "o canto do cisne na hora da morte", que os próprios poetas em "flores
de retórica" ou "passarinhos de papel" dela fazem uso, na sua última poesia, esperando
deixar o mundo dentro em breve. Sim, na razão do Amor, Mor, Mors ou Morte, pois
que Amor e Morte vivem de braços dados.
Que dizer do "vôo nupcial entre as abelhas", tão poeticamente descrito pelo
inspirado Maeterlink, em que o zangão morre para reviver no filho ? já nas velhas
tradições egípcias, Osiris ressuscitado em seu filho Horus, vem ao mundo vingar a sua
própria morte... Enquanto isso, Isis procura seus quatorze pedaços, sendo que o último,
o sexual ou fálico, encontra-se no bucho de um peixe, no rio Nilo. E como se sabe,
Peixe ou Piscis, no qual se encontra a humanidade, é o signo zodiacal relacionado com o
sexo. Não o traçou no solo, o mesmo Jeoshua, quando lhe apresentam a mulher adúltera,
passagem esta do Novo Testamento, tantas vezes por nós citada e comentada de acordo
com o seu verdadeiro sentido, e não o errôneo de que fossem o mesmo Jeoshua e seus
apóstolos, pescadores ... ? Como se verá no decorrer desta Terceira Parte, o número 14
se acha estritamente ligado ao referido fenômeno.
"cherchez la femme", dizia certo juiz francês, diante de qualquer crime, por mais
complicado que fosse, mas esquecendo que em outros casos também poderia apelar para
o "cherchez l'homme", nessa verdadeira recíproca sexual, ou de atrações boas ou más,
ou as que tanto podem ser abençoadas como amaldiçoadas...
Em um desses casos obscuros, e no qual um indivíduo caiu do telhado de sua
casa, o referido juiz pronunciou as referidas palavras, tendo as próprias autoridades
esboçado um sorriso de incredulidade... Mais tarde ficou provado que "o tal homem ali
havia subido para contemplar melhor uma certa dama, que na casa fronteiriça se achava
em trajes menores..."
No prefácio de "aberraciones Psíquicas del Sexo", valiosíssimo trabalho de
crítica a condenável obra do Conde de Gabalis, nome com que se ocultava o Abade
Villars, e que muitas vezes foi citada pelo escritor Anatole France, diz o grande Teósofo
e Cientista espanhol Dr. Mario Roso de Luna: (alias já citada em nossa outra obra)
"O ser humano está crucificado no sexo, bem se pode dizer, desde o nascimento
até a morte. Semelhante limitação orgânica é a causa principal de suas lutas, de suas
desditas no decorrer da vida.
Há no diálogo "O Banquete do Amor", diz E. Gomes de Baquero, uma passagem
onde cita estranha mitologia, que teve seu curso no Oriente e ressuscitou no ocultismo
moderno. É aquele em que Aristófanes afirma que em outros tempos a Humanidade
possuiu uma forma distinta das conhecida pelos gregos. Compunha-se de homens
duplos, de três espécies: uns varões, outros fêmeas e, finalmente, outros mistos dos dois
primeiros; os andróginos (concorda com a mesma opinião do Dr. Marañon, que
citaremos várias vezes, e com os ensinamentos ocultistas ou teosóficos, como já foi dito
na primeira parte deste livro).

Henrique José de Souza


144
OS MISTÉRIOS DO SEXO 145

Tais seres que eram uma espécie de "irmãos siameses", foram fortes e audazes.
Conceberam o projeto de "escalar o céu para lutar contra os deuses" (donde a tradição
religiosa copiou a Torre de Babel e respectiva "confusão das línguas", mas em verdade,
o que transcende nosso trabalho intitulado "Reminiscências Atlantes", publicado no
número 32 da revista Dhâranâ), tal como aconteceu com os Titãs em mais remotos dias,
Júpiter quis castigá-los, porém, resolveu não aniquilar tão soberba raça, para não privar
o Olimpo do culto e dos sacrifícios oferecidos pelos homens. Adotou um meio termo:
dividiu os homens duplos em duas metades ("a separação dos sexos" nos meados da 3a.
raça-mãe ou Lemuriana), às quais Apolo deus os necessários retoques (isto é, o Sol,
Prana, a própria vida Universal), para que não ficassem por demais imperfeitas. Assim,
nasceram as diversas atrações do amor: as naturais e aquelas que o homem normal olha
como "aberrações" (as tais "faltas ortográficas" a que se refere Anatole France) pela
nostalgia de cada homem pela metade perdida (donde o termo, dizemos nós, "alma-
irmã", ou algo que vem completar uma das duas partes).
Os modernos Teósofos citam os andróginos platônicos como "reminiscência da
antiga tradição esotérica de uma raça bi-sexuada, bem como um versículo do Gênesis:
"Macho e Fêmea criou", que tem, sem dúvida alguma, explicação mais simples dentro
da exegese bíblica, como expressão abreviada da criação da primitiva parelha.
Não realizada, entretanto, a emancipação do crescimento, desde a vida intra-
uterina até a puberdade, o sexo adquire plenamente com esta, os seus tirânicos direitos,
se é que, segundo Freud, indica o Dr. Marañon em suas maravilhosas obras, não começa
a exigí-los muitos anos antes, ao alcançar nos cinco anos os pródomos da sexualidade.
E uma vez que começa a impor o sexo o seu imperativo categórico, orgânico e
até psíquico, não mais pode perdê-lo. Em resumo, em idades avançadas do homem e
depois do fenômeno da menopausa na mulher, o sexo descamba, de modo estranho, para
diversas espécies de misticismo, que a ciência bem longe está em conhecer. É a "ferida
de Amfertas", no Parsifal de Wagner; a chaga terrível que jamais sanará; a propulsora
eterna de grandezas e loucuras, de heroísmos e crimes, de sonhos, esperanças de
protéicas desilusões; da Arte, enfim, da História e da Vida.
A crucificação no sexo e pelo sexo não pertence apenas ao homem. Dela
compartilham, também, os animais, se é que ela não é em si a característica animal de
sua complexíssima contextura, assemelhando-se a simbólica flor do Loto, com as suas
raízes no fundo das águas (ou o lodo que lhe deu o nome, dizemos), seus talos
emergindo das águas tranqüilas, suas folhas estendem-se, verdes e louçãs, no ar, e suas
flores, alegria da vista, saturando de fragrâncias, não foi mais além no problema do
sexo, porem, teve que aparecer o sábio Lineu surpreendendo o mundo com a revelação
do sexo nas plantas, e vendo nas flores, encanto maior da natureza animada, depois da
mulher, um tálamo de amor, o cego amor vegetal! Tálamo em que, sobre o cálice floral,
cálice havia de ser em dores e amarguras !, masculinos estames e femininos pistilos
sublimemente se unirem, no policrômico seio da circunavegadora corola, para dar
nascimento à semente, futuro germe de outras plantas análogas, que opor, com a sua
indefinida prossecução sobre a Terra, à destruidora ação da Natureza, tornando mais
uma vez real a sentença de que o Amor é maior do que a Morte, e que a Mors-Amor -
Morte e Amor (como dissemos anteriormente) o título genial da maior das obras de D.
Juan Valera, são os dois pratos da balança da Vida, com cuja oscilação eterna, que

Henrique José de Souza


145
OS MISTÉRIOS DO SEXO 146

muito possui do fluxo e refluxo das marés, é mantida a economia do Universo,


concorrendo para que a Morte vença o indivíduo e seja, por sua vez, vencida pela
espécie, que é o que os antigos indus quiseram simbolizar com a eterna lutado Brahmã
criador (Brahmã não é um deus, como vulgarmente se pensa, mas o Germe da raiz
sânscrita "brig" crescer, estender-se, propagar-se, donde a incompreendida expressão
"crescei e multiplicai-vos") e o Shiva destruidor, ou antes, reformador para novas
criações...
E a botânica post-Lineuana teve de comprovar, desde logo, que a separação
sexual do estame e do pistilo era insignificante nas flores chamadas monóicas, tornando
verdadeiras entidades andróginas, sendo que, completa nas plantas chamadas dióicas,
nas quais o órgão floral masculino estava em um talo ou algo diferente do órgão
feminino, observando-se casos admiráveis, como daquela palmeira fêmea do Jardim
Botânico de Madrí, que apesar de não haver outra de características masculinas nas
imediações (qual acontece entre nós com o mamoeiro, etc.) era fecundada, anualmente,
pelo pólen de uma dessas, no pátio das Salésias Reais, a dois quilômetros de distância.
Ficou também provado que o instinto sexual, mesmo nas plantas, é mais forte do que o
da conservação, tal como o da Valisnéria, de que Maeterlink, como um dos mais
valiosos escritores botânicos, nos deixou uma descrição feita com mão de mestre"
"Entre as plantas aquáticas figura, como a mais romântica, a Valisnéria, essa
hidrocarídea, cujos desposórios formam o episódio mais trágico da história amorosa das
flores. A Valisnéria é uma planta insignificante, desprovida da graça encantadora do
nenúfar, espécie de loto europeu, ou de outras flores sub-aquáticas, de airosa cabeleira,
que a natureza se esmerou em oferecer-lhe delicado romance. Toda a existência dessa
planta tão humilde, se desenvolve no fundo das águas, em uma espécie de sono, até o
momento nupcial, em que tem de passar por uma nova vida. Então, a flor feminina vai
desenrolando, lentamente, a longa espiral do seu pedúnculo; sobe, emerge das águas,
abre e se estende na superfície do lago. De lugar vizinho, ao vê-la, apenas, através do
reflexo das águas, eleva-se, por sua vez, a flor masculina, cheia de esperança, atraída
para um mundo novo de senhos, que transcende da mágica sugestão de sua
companheira. Chegando, entretanto, ao meio do caminho, a flor masculina se sente
bruscamente retida, porque o talo que a sustenta e que lhe dá a vida, é demasiadamente
curto, não lhe permitindo, portanto, chegar à superfície, e ali consumar a nupcial união
entre estame e pistilo. Será isso um defeito ou a mais cruel das provas, impostas pela
natureza ?... Imagine-se, com efeito, a horrível tragédia de semelhante desejo, de estar
vendo e tocando aquilo que se fez inacessível... Semelhante drama se torna tão insolúvel
quanto o nosso próprio na Terra; mas, eis que, de repente, surge um novo e inesperado
elemento. Terá a flor masculino o pressentimento de tamanha decepção ? Não o
sabemos, que é certo, é que, ela soube conservar em seu coração uma bolha de ar, como
guardamos em nossa alma um doce pensamento de inesperada salvação... Dir-se-ia que
vacila um instante, mas, em seguida, com esforço sobrenatural, o mais assombroso de
quantos se conhece na vida de flores e de insetos, rompe heroicamente o laço que a une
à existência, para voar às alturas de seu amoroso ideal: corta, por si mesma, seu
pedúnculo, e em incomparável impulso, entre pérolas de alegria, suas pétalas afloram à
superfície das águas... Feridos de morte, porém livres e rutilantes, flutuam um instante
ao lado de sua amorosa desposada; a união dos dois seres se realiza, depois da qual a
flor masculina, sacrificada nas aras de seus anelos, torna-se joguete das águas, que

Henrique José de Souza


146
OS MISTÉRIOS DO SEXO 147

levam o seu cadáver para a margem vizinha, enquanto a esposa já mãe, cerra sua corola,
onde palpitam ainda os amantes eflúvios, enrola seu pistilo e volta as profundidades
aquáticas, a fim de amadurecer o fruto de um amor heróico e sem limites...
Muito tem ainda a Ciência que descobrir na Natureza, os mistérios do sexo, não
se limitando, como até agora, a animais e vegetais, mas a tudo quanto nos cerca:
minerais, átomos, moléculas, células e astros, fazendo do estudo do Sexo Universal a
chave mestra dos segredos do Cosmos, porque, se o Sexo, em si, é limitação, a união
dos sexos contrários é propagação indefinida: finitude da Dualidade, vencendo, com a
sua recíproca penetração, so Infinito !
Sim, porque, orgânica e filosoficamente, o fenômeno da cópula não é mais do
que a cessão, que o elemento chamado masculino faz ao elemento feminino, de algo que
possui, mas o segundo necessita. Razão pela qual a sabedoria da Linguagem, outra das
preciosas chaves do Mistério que nos cerca, houve por bem chamar ao referido
fenômeno de "comércio sexual", como simil da mesma essência do fenômeno
"Comércio", nascido com a Humanidade, em forma de troca, ou seja, da cessão de algo
que se tem e não se necessita, e até estorva, devido a sua abundância, em troca de algo
de que se carece. E, desse modo, tal "troca de que se tem pelo que não se tem, mas se
deseja", é comum a tudo quanto existe no Universo, constituindo, assim a própria
essência da Vida, que é precisamente a Vida pelo Sexo.
Em tal sentido, a química não vem a ser senão o estudo do sexo em moléculas e
átomos. Se a Filogenia e a Ontogenia nos ensinam que a vida terrestre nasceu no mar,
isto é, da Água, a Química moderna já comprovou este princípio, que na presente obra
não é possível desenvolver de modo científico, de que: todas as reações químicas
produzem ou decompõem água", ou finalmente, quando esta última não aparecendo, por
falta de algun de seus dois componentes, colocam os elementos da reação em condições
de produzir água ou decompô-la, por meio de outra posterior.
Assim, se a água é a Mãe, e "águas-mães" se chama, por exemplo, aos resíduos
da cristalização por via úmida, a água é, por sua vez, o filho (na espécie humana,
dizemos nós, o filho é precedido de água, na razão das "águas do parto"...) em toda
reação de ácidos e bases para formar o sal ( união dos resíduos - ligaduras post-cópula,
como se poderia dizer; e que não é estranha nenhuma vez no reino animal), sendo, além
disso, a água o protótipo do androginismo químico, porque, embora o voltâmetro
decomponha a sua molécula em um átomo de hidrogênio (H), que atua nas reações à
guisa de elemento ácido, e outra de oxidrila (OH) que, por sua parte, age como elemento
básico, tornando-se assim, a água, por seu Hidrogênio (H), o último, o menos ácido dos
ácidos, e por seu Oxidrila, (OH), a primeira ou menos alcalina das bases, que, com o
seu maior calor específico, é causa da decisiva importância da água em a Natureza.
Fica, pois, com isso assentado - mais longe não podemos ir neste livro - que
debaixo do novo "sentido sexual" de nosso presente Ensaio, todo ácido é "masculino" e
como tal, apto a ceder um Hidrogênio ao unir-se ou copular com o Oxidrila da base, a
qual, por sua vez, se faz feminina".
A molécula H + (OH) é, pois, o filho de semelhante "comércio sexual químico",
e os ligados a radicais resíduos, ou "progenitores" da referida molécula de água, ficam
em condições de latência química, para reconstituir o seu recíproco e perdido "sexo",

Henrique José de Souza


147
OS MISTÉRIOS DO SEXO 148

destruindo em posteriores reações, a molécula de água, isto é, "devorando-a", como fez


Saturno a seus filhos, na Mitologia, pois, afirma-se que o mesmo devorava, porque
estes, como mais tarde fez com o próprio Júpiter, o ameaçavam de privá-lo daquela sua
virtude criadora, com o deus que era...
E se este é o "fenômeno da sexualidade química", também existe aquele que,
plagiando a Marañon; poderíamos qualificar de "química homossexual", que é
realizado, como foi dito, entre os ácidos e os sais, entre moléculas homogêneas ou do
mesmo sexo químico. Tal é o caso de duas moléculas "femininas" de qualquer dos
infinitos álcoois, de oxidrilos básicos copuláveis com o hidrogênio dos ácidos. E,
quando sobre elas atua o calor, eterno ativador das reações (inclusive febris para a
desintoxicação do organismo), se não tem ácido com que se unirem, unem-se entre si
(uma espécie de "tribadismo" ... ou algo mais) gerando "água" e transformando-se as
duas moléculas de álcool e uma de éter.

H H H H H H H H
| | ....... | | | | | |
H--C--C--OH HO--C--C--H --> H--C--C--O--C--C--H + H2O
| | ....... | | | | | |
H H H H H H H H

Álcool Álcool Éter Água

Há, finalmente, a "autossexualidade química", pela qual moléculas das mais


complexas, como as albuminas e as lactonas, copulam hidrogênios e oxidrilos de seu
próprio meio, tornando-se, desse modo, com seu complexo edifício estéreo-químico,
verdadeiras plantas de infinitésimo, onde, os "estames hidrogênicos e os pistilos
oxidrílicos" ficam sustentados pelo mesmo arbóreo tronco molecular...
Da sexualidade "de átomos e moléculas" muito se poderia dizer, porque,
presididos, sem dúvida, por essa suprema "Lei geométrica", que rege o Cosmos,
segundo Platão e os pitagóricos, todas elas se cristalizam em alguns dos sistemas
regulares da ciência cristalográfica, e já houve quem demonstrasse "a origem poliédrica
das mesmas espécies".

Henrique José de Souza


148
OS MISTÉRIOS DO SEXO 149

(AURORA BOREAL NA NORUEGA, enfeita o cerúleo manto do firmamento )

**** deve haver uma figura ****

Quanto à sexualidade dos astros, ela já se torna evidente para muitos filósofos
astrônomos e, como já tratamos do assunto em muitos dos nossos trabalhos, não se torna
necessária a sua repetição. Basta apontar, apenas, que os últimos estudos sobre os
cometas começam a considerá-los como "espermatozóides cósmicos", que, depois das
mais vertiginosas, "loucas e juvenis corridas" pelo espaço sem fim, acabam ficando
prisioneiros de verdadeiros "óvulos femininos", constituído pelo Sol e os "anéis" ou
"esferas", onde se movem os planetas, e ainda por estes mesmos. Realizada tamanha
"fecundação", o núcleo cometário, tal como aconteceu com o cometa Biela em 1866-72,
se decompõe em milhares de fragmentos produtores de densas "chuvas de estrelas", com
as quais "o espermatozóide celeste" é absorvido, do mesmo modo como pela
fecundação é absorvido o espermatozóide orgânico, pelo óvulo que assim fecundado
determina, em seguida, a primeira cariocinese do organismo do "filho". Milhões e
milhões desses inertes fragmentos, como suspeita a teoria meteorítica de Lockier, caem
sobre o Sol, "alimentando-o" (novo broto do mito de Saturno), do mesmo modo que
sobre a Terra e demais planetas. Cada um destes, com efeito, possui ligados a ele ou
fazendo parte "de sua família", vários cometas ou "espermatozóides" ainda não
destruídos, mas que, cedo ou tarde, deverão ser por eles "genesicamente absorvidos", tal
como foi dito. Isto sem contar com a mesma Luz, que gira em torno da Terra, como o
"espermatozóide" em torno do "óvulo", antes de fecundá-lo, e a prognosticada
dissolução da "masculina Lua" (para a Terra, pois, para o Sol se faz "feminina"...) no
âmbito "ovular" da "feminina Terra", que só se dará, felizmente, em época muito
distante, na opinião dos referidos astrônomos-filósofos.
E não apenas astros e átomos obedecem, desse modo, ao imperativo do sexo,
mas também, de modo brilhante, o metabolismo de tudo quanto nos cerca, pois tudo é,
segundo o critério dual do masculino-feminino, positivo-negativo, latente-radiante,
ativo-passivo, quente-frio, luminoso-tenebroso e demais "contrários filosóficos" -
contrários por sua mesma transcendental sexualidade - sem o que nada seria possível
realizar no mundo, pois, como muito bem afirma D. Rafael Salillas, em sua "Teoria
Básica ou Sexual", tudo é, segundo a lei do "lingham e do Yoni" : a chave e a fechadura,
o ferrolho macho e fêmea, do mesmo modo que o colchete, o arado e a terra, cortante e
cortado, a serra e a madeira, o vencedor e o vencido, o operador e o operado, lucro e
perda, abandono e posse, ação e reação, impulso e queda e mil outros conceitos
reciprocamente sexuais, de que está repleta a literatura burlesca de todos os tempos e
países, literatura cujo único mal se estriba em oferecer "como recreação proibida", ou de
atrações morbo-imaginativas, o que deveria ser tratado com a maior pureza e
sublimidade possíveis, por corresponder a um dos mais sagrados mistérios da
Natureza... SANCTA, SANCTA SUNT TRACTANDA !
Viveu-se, durante muitos séculos - o que é de se lamentar - debaixo de
condenáveis subterfúgios acerca dessas questões. Hoje, em troca, todo o mundo clama
acompanhando o simpático escritor espanhol Ernesto Lopes Parra :" A verdade,

Henrique José de Souza


149
OS MISTÉRIOS DO SEXO 150

Senhor ! A verdade ! " Se a vida é difícil e má e nos cumula de adversidades, preferível


é enfrentar tudo isso, com verdadeiro heroísmo, do que se refugiar na ilusão de uma
rósea esperança... Porém, feliz não pode viver aquele que não deseja saber se vive de
mentiras, resignando-se a seguir vivendo... Não existe amor sem verdade, como verdade
sem amor. "A única fé admissível é a fé da verdade", disse Buchner, condenando o
fanatismo das religiões positivas.
"A verdade, Senhor ! A verdade!
"Não pode consolar-nos a mentira, nem em paz pode viver por muito tempo
quem de mentiras vive, porque a verdade lhe tolhe o passo com a frieza da sua realidade
e justiça. os que alicerçam a sua própria história com perfídias, negando cinicamente a
crença que à sua própria insinceridade diminui, vivem sempre em estado precário; sua
vida é uma promissória, cujo vencimento chegará antes do prazo terminado. A verdade,
pouco importa qual seja, mesmo que para confessar um crime... combater com ela é
livrar-se de todas as ciladas e prevenir-se contra todos os possíveis perigos; é limpar o ar
de miasmas e o espaço de sombras, o coração de rancores e dúvidas. Morrer é afogar-se
em mentiras; cair na cisma em que caiu Hamlet e debater-se como Sigismundo em uma
luta estafante e inútil. Há quem tema a verdade, porque nela se executa sem querer,
porque é a forca dos que vão vivendo do seu próprio medo e dos demais. Porém, os que
fizeram de sua vida um culto e vivem com os olhos abertos às eternas verdades,
asfixiam-se, justamente, quando os seus pulmões são obrigados a respirar o ar da
mentira, que sempre foi o ar da escravidão..."
porém, verdade alguma daquelas que o mundo busca, ou melhor, das que o
mundo se arreceia, como aquela do mito da Lady Godiva, é mais repelida do que a
verdade sexual, a lei que, por meios fisiológicos, impele ao amor da humana parelha,
edifica o lar, alimenta, educa, instrui, tornando verdadeiros Homens os filhos, vencendo,
assim, pela magia do Amor, que cria, ao também mágico poder da Morte, que destrói. E
o vence, em criadora epopéia, com a qual a nossa finitude em Espaço, Tempo,
Quantidade, forma e Matéria alcança o Infinito, assegurando, por trás da fugaz
personalidade dos dois consortes, a perpetuidade do Homem sobre a Terra.
Mas não existe micróbio algum moral que ataque mais diretamente a Santidade
do Sexo como a má literatura, sempre em voga no mundo, desde as cruezas de "As mil e
uma noites" árabes - não "As Mil e Uma Noites" primitivas ário-indús, hoje perdidas (e
quantos outros livros tivemos de apontar em "O Verdadeiro Caminho da Iniciação"), e
das que só podemos deduzir como eram na sua excepcional grandeza, através dessas
últimas, cruamente traduzidas para o francês, pelo Dr. Mardrus, e para o castelhano por
Blasco Ibañes desde as "Mil e Uma Noites", repetimos, até a obra do Abade Villars,
comentado por Roso de Luna, através de toda essa literatura medieval, conhecida sob o
nome genérico de "literatura picaresca", e hoje continuada, como lamentabilíssimo
êxito, mas, transformando-as em montões de esterco, ou de dolorosas realidades que
antes deveriam ser silenciadas, em honra da mesma verdade, pois que, sendo elas "uma
verdade animal" não são "uma verdade humana" no sentido sublimado do verdadeiro
Ideal literário, que sobre elas voando a imensas alturas, não deviam ser alcançadas com
a vista, justamente por essa mesma elevação de espírito, já que a verdadeira Arte deve
firmar-se sempre acima da Realidade - melhor dito, dos "crus realismos", que não
representam senão uma parte, mínima inferior, daquela Realidade - do mesmo modo

Henrique José de Souza


150
OS MISTÉRIOS DO SEXO 151

que da Terra se acham afastados todos os sóis que adornam o cerúleo manto do
Firmamento.
Em tão perigoso sentido, o Conde de Gabalis tem tantos precursores como
continuadores.
Mas, fiquemos aqui, por enquanto, pois, para terminar esta terceira parte e o
próprio livro que hoje expomos, teremos mais uma vez de citar Roso de Luna, através
de sua valiosíssima obra "Aberraciones psíquicas del sexo" . CAPÍTULO V

Síntese sobre as funções procriadoras em ambos os sexos

173. OS FATORES DETERMINANTES DO SEXO

O que figura no presente capítulo, faz parte de uma série de estudos realizados
através de pesquisa microscópica pelo Dr. Constant Papazolu, de "Sanatatea", de
Bucarest, que é bem um complemento do magistral estudo do capítulo anterior, da
autoria do insigne polígrafo espanhol, Dr. Mario Roso de Luna, além dos enxertos,
comentários, anotações e tradução do autor da presente obra:
"O problema relacionado com o conhecimento do mecanismo, através do qual
evolui o sexo, não constitui apenas uma curiosidade científica, mas sim uma questão de
suma importância, tanto sob o ponto de vista social como econômico.
É, pois, natural que um problema de tamanha vitalidade concorresse para que
diversas opiniões se fizessem apresentar, na esperança de que o resumo fosse elucidado.
E assim, das várias teorias levadas a lume, surgiram dois grupos:

1o - O que sustenta a predestinação do sexo, desde a célula germinativa.

De acordo com esta teoria, o sexo se produz de modo imperioso, em virtude de


determinadas captações das células germinativas, seja antes ou depois da fecundação.

2o - O que reúne todas as teorias que atribuem ao organismo materno as


captações que determinam, no momento oportuno a procriação do sexo masculino ou
feminino ( esta é entre todas, dizemos, a mais acertada, pelas razões que vamos elucidar
em outro capítulo, já se vê, do ponto de vista esotérico ou eubiótico).

Predestinação do sexo das células germinativas:

Henrique José de Souza


151
OS MISTÉRIOS DO SEXO 152

Deste grupo fazem parte:

a) a teoria da polarização dos espermatozóides;


b) a teoria das gônadas;
c) a teoria dos cromossomos;
d) a teoria do vitalismo.

174. TEORIA DA POLARIZAÇÃO DOS ESPERMATOZÓIDES

Foi concebida por M. R. Coltzoff e W. R. Schroeder. Tais autores afirmam que


os germes se diferenciam entre si devido a certas propriedades, apoiando esta tese nos
resultados obtidos em suas próprias experiências.
O processo consiste em por líquido espermático sob a influência de uma corrente
elétrica, cujo resultado demonstra que nem todos os germes se conduzem do mesmo
modo.
Alguns dirigem-se e reúnem-se em torno do polo positivo, enquanto outros
procedem do mesmo modo em torno do polo negativo; uma terceira categoria
permanece à margem da influência dos dois polos.
De acordo com a presente teoria, existem três categorias de células germinativas
masculinas. Acreditamos que a referida multipolaridade seria difícil de explicar, do
ponto de vista biológico, pois o fato de somente os espermatozóides do polo negativo
produzirem exclusivamente um sexo, impõe certa reserva à respeito da mesma tese.
Deve-se, pois, estudar as demais espécies de animais, visto o processo sexual,
embora em suas características ser análogo em todas as espécies, apresentar variações de
uma para outra; não podemos nos basear na experiência com os coelhos, nos quais a
ovulação não se produz de modo espontâneo.

175. TEORIA DAS GÔNADAS

Segundo Biedl, a gônada, que é uma glândula sexual inicial, em sua origem, bi-
sexual, da maneira que o sexo é determinado, posteriormente, depois da bifurcação
sexual, concorrendo para que o mesmo se pronuncie a favor do que estiver melhor
representado, por intermédio dos tecidos sexuais endócrinos.

Henrique José de Souza


152
OS MISTÉRIOS DO SEXO 153

Segundo Steinach, a gônada primária seria "assexuada", porém, suscetível de


diferenciar-se posteriormente de modo tal que as células glandulares endócrinas de um
dos sexos chegariam a exercer a sua influência hormônica sobre o organismo. Para o
mesmo autor, ambos os sexos, o principal e o secundário, preexistiriam. Este último
poderia manifestar-se somente no caso em que aquele não estivesse suficientemente
desenvolvido, ou se encontrasse ausente.
Mas, tal fenômeno tem a sua origem poli-glandular e exige outras interpretações
relacionadas com a teoria de Steinach.
Outros autores, por sua vez, julgam que as células intersticiais constituem "a
fonte harmônica do tecido germinativo".
Gley, do mesmo modo, acredita na dualidade funcional, mas que não implica tão
pouco em dualidade morfológica. Segundo sua opinião, as células germinativas pré-
existiriam antes da puberdade e se tornariam mais complexas mediante a modificação
das células seminais.

176. TEORIA DOS CROMOSSOMOS

Herking pôs em evidência, pela primeira vez, a existência de cromossomos


especiais nas células germinativas denominados "cromossomos sexuais".
Mais tarde, E. Wilson, Winifater, Ozuma, Painter, e outros, atribuiriam a tais
cromossomos as virtudes de terminar o sexo, com o auxílio das células germinativas,
possuindo um ou dois cromossomos sexuais.
Modernamente estes cromossomos são chamados de Cromossomos X e Y, sendo
justamente os que determinam o sexo. Na realidade, o verdadeiro responsável pela
formação de machos e fêmeas é o elemento masculino, o espermatozóide. Nas células
do corpo existe um par de cromossomos sexuais (XX para o sexo feminino e XY para o
masculino), enquanto as células germinativas (óvulos e espermatozóides) tem um só
cromossomo sexual: X, para óvulos; X ou Y para espermatozóides. Quando, na
formação do ovo, unir-se um óvulo com um espermatozóide X, teremos um ovo XX e,
conseqüentemente, nasce um indivíduo feminino. Se o óvulo unir-se a um
espermatozóide Y, teremos o ovo XY, nascendo um indivíduo masculino.

177. TEORIA DO VITALISMO

Muitas são as opiniões que concedem à vitalidade das células - segundo o grau
de cada uma - a virtude de produzir seres masculinos ou femininos. Institui-se, do

Henrique José de Souza


153
OS MISTÉRIOS DO SEXO 154

mesmo modo, no que diz respeito ao vigor dos procriadores maduros, ao estado de
nutrição, conservação, etc. (o que não deixa de ser importante, dizemos nós, para o caso,
segundo reclama a própria lógica.
É de observar que, em todas essas opiniões, os experimentadores chegaram -
partindo da mesma idéia - a resultados opostos, de modo que semelhante teoria não
possui valor científico suficiente, para que fosse tomada em consideração.

178. OS ÓRGÃOS FUNCIONAIS DA EREÇÃO

O fenômeno da ereção e conseqüente orgasmo, que é justamente o fim ou razão


de ser da cópula ou união sexual, como já foi dito, não por um simples motivo de gozo
ou prazer, mas por pura necessidade fisiológica, donde resulta o nascimento do filho,
principalmente se antecedido da vontade do casal em possuir tal filho, o que se torna u
mato da mais transcendental pureza, além do mais para que não surja um simples "filho
de acidente sexual", mas da vontade, do desejo de dois seres francamente evoluídos,
dizíamos, tal fenômeno foi por muito tempo posto em discussão, no que diz respeito à
sua origem propriamente dita, ou por outra, quais os órgãos que no mesmo influíam.
Inútil dizer que, sob esse ponto de vista, aliás como em outros muitos, até bem pouco
tempo, a ciência oficial estava bastante distanciada da verdadeira Ciência, que só era
facultada nos Colégios Iniciáticos, como fossem os do Egito, da Grécia, da própria
India, etc., como reminiscência dos prodigiosos tempos atlantes, ou sejam, os do
governo do mundo, através dos chamados "Reis Divino".
Assim acabou por descobrir a mesma ciência oficial que o fenômeno da ereção
ou "potência", no homem, origina-se da ação conjunta dos seguintes fatores:

a) do estado psico-mental;
b) do sistema secretor interno
c) do sistema nervoso;
d) do aparelho genital.

As glândulas de secreção que tomam parte ativa no referido fenômeno são:


hipófise, tiróide, cápsulas supra-renais, próstata, vesículas seminais e epidídimo. A
principal glândula deste sistema é a genital (testículos). sob a ação do hormônio pela
mesma secretado, todo o aparelho genital se torna eretizado, "carregado", como se fosse
uma bateria. Nesta carga tomam parte, mais ou menos acentuadamente, as outras
glândulas acima citadas. Do córtice cerebral partem as excitações erético-nervosas, que
são conduzidas por intermédio de um centro especial através dos meios condutores da
medula (esotericamente falando, os próprios nadis, a que já nos referimos na parte

Henrique José de Souza


154
OS MISTÉRIOS DO SEXO 155

anterior), dirigindo-se então para baixo, para o centro de ereção, que atua mediante os
nervos eretivos provocando uma afluência sanguínea sobre os corpos cavernosos.

(-) (+)
CABEÇA CABEÇA

^ v
| |
| |

Coração Coração
e e
Grande Simpático Grande Simpático

| |
| |
^ V

Órgão Órgão
Genital Genital
(+) (-)

***** verificar os outros desenhos *****

O cérebro masculino da mulher, não produz mais que os germens das idéias, mas
ele só fornece esses germens, o que vale dizer, o movimento inicial e a substância da
primeira, numa palavra: o esperma intelectual. É o cérebro masculino da mulher que
fecunda o cérebro feminino do homem, que a seguir gera as idéias. O diagrama acima
explica e comprova (esotericamente) tudo quanto acima vai exarado, em relação com a

Henrique José de Souza


155
OS MISTÉRIOS DO SEXO 156

cabeça, e do mesmo fenômeno sexual caótico para o cerebral, etc., ou seja do Samadhi
ou êxtase místico (cabeça, portanto), para o da cópula ou região sexual.
Veja-se, ainda, o que foi dito na primeira parte, por meio de representações ou
símbolos, a respeito dos dois referidos fenômenos, do ponto de vista externo: dois olhos
físicos e mais o frontal ou o chamado terceiro olho (relacionado com a glândula pinela),
que formam um triângulo de vértice para cima, ou apontando o divino, em oposição aos
dois testículo e o falus, que além do mais, situados na região pubiana, que tem a forma
de um triângulo de vértice para baixo, ou mundo infra-terreno, pois que, no terreno
propriamente dito, ela o indica no momento eretivo, tomando o falus a posição
horizontal para a referida função de cópula, que é bem a comparação feita no capítulo
anterior da "chave para a fechadura", etc. etc...
Em tais momentos, também assume a divina posição do 3o olho, muito bem
representado, como se disse ainda na primeira parte, por uma "serpente de bote armado
na fronte dos faraós" mais conhecido como "ureus mágico".
Em medicina, bem se poderia dizer que semelhante triângulo, anatomicamente
falando (e que se vê externamente) confirma o nosso esotérico, apontando pela primeira
vez em estudos profanos, como internamente, no chamado "Triângulo Lietau".
Com um derivativo conhecido, os intelectuais não necessitam tanto da união
sexual, como o vulgar dos homens. sim, nessa mais que comprovada ligação existente
entre o cérebro e os órgãos sexuais.
Outro ponto em que a Medicina está, mesmo sem o saber, de acordo com o
esoterismo, é aquele dos distúrbios mentais muitas vezes serem provocados pelo abuso
dos chamados "prazeres sexuais", sendo que muito mais, ainda, perlo sentimento de
culpa provocado pelo "vício solitário". Sem falar em que, muito antes de se manifestar o
referido desequilíbrio, na maioria dos casos, já as células se tornarem menos suscetíveis
de fecundar o óvulo feminino.

179. ALGUNS MEDICAMENTOS

A medicina Alopata empregando, hoje em dia, a Hormonoterapia, não só para os


distúrbios do aparelho genital, em ambos os sexos, como para os de outra espécie (hipo
ou hipertireoidismo, hipo-suprarenalismo, etc. etc.), não abandonou o velho sistema de
drogas para esse mesmo tratamento, e outros que possam cercar ao caso apontado, ou
seja, das anomalias sexuais. Faz muito mais, diga-se de passagem, com resultados
proveitosos, por meio do "tratamento cruzado", ou de hormônio de um sexo empregado
no outro. Em tais casos, estão muitos dos apontados pelo insigne Dr. Marañon, na sua
obra intitulada "L'evolution de la sexualité et les etats intersexuels" (trad. francesa do
Dr. Sanjurjo d'arellano).

Henrique José de Souza


156
OS MISTÉRIOS DO SEXO 157

180. MEDICAMENTOS HOMEOPÁTICOS

A homeopatia, que embora muitos afirmem "so lhe interessarem os sintomas, e


não as causas", procura atender as várias razões da "impotência", por meio de
medicamentos adequados.

Exemplo: a originada por mau funcionamento das funções da digestão e


conseqüentes anomalias (inclusive hemorróidas, etc.): NUX VOMICA, LYCOPODIUM
CLAVAT (este é um dos mais indicados), ALOES SOC. DA 6a alternada com
CAPSICUM AN. DA 30a dinamizações; quando a causa é desconhecida:
PHOSPHORUS ACID, SELENIUM, etc.
Medicamento, por excelência, para a impotência provocada por "prostatite":
SABAL SERRULATA (na 1a dinamização). É este seu principal quadro de ação:
Hipertrofia da próstata dos velhos, com difícil micção e desejo constante de urinar à
noite; enurese, devida à paresia do esfíncter vesical; gonorréia, epididimite, irite com
perturbações prostáticas, vertigem com dor de cabeça, nevralgia em pacientes fracos,
debilidade sexual, impotência (seu mais poderoso medicamento), nevroses sexuais;
perversão ou debilidade sexual nas jovens, ovários sensíveis e tumefactos; valioso
remédio para as mulheres que tem os seios mal desenvolvidos e enrugados (desenvolve
as glândulas mamárias, logo, tem a ver com a hipófise, etc. embora os homeopatas
ignorem. Do mesmo modo NATRUM MUR. - medicamento também empregado na sua
extensa patogenia, na impotência, já então influindo na tiróide, pois, além do mais, é
medicamento do hipertireoidismo.
Todas essas deduções ou intuição para as coisas, o espírito dedutivo, de
raciocínio analógico, de análise profunda, portanto, é exigido ao médico, pouco importa
a sua medicina, sob a pena de incorrer em graves erros. Copiosa expectoração com
catarro no nariz, bronquite crônica, são ainda sintomas do referido medicamento
NATRUM MUR.
A próstata, sendo para o homem o mesmo que o útero é para a mulher - na razão
do primitivo hermafrodita de que já falamos em outro capítulo - possui cinco núcleos
embrionários, que condicionam os lobos prostáticos: o anterior, os laterais (que são
dois), o pré-espermático ou mediano e um quinto grupo, que é o mais importante: o
grupo submucoso cervical, abaixo da mucosa, ao nível do colo, prolongando-se algumas
vezes para o soalho vesical, ao nível da porção trigonal, ao nível do trígono.
As perturbações produzidas por uma prostatite são muito maiores do que se
possa julgar, porquanto chegam a alcançar órgãos mais distantes, produzindo futuras
anomalias, que no começo não podem ser previstas. Por isso mesmo se aconselha o
tratamento, quer no velho, quer no jovem, neste com maior razão, antes que seja tarde.
Inúmeros sintomas que tanto se propagam para a área nervosa, como para a muscular ou
articular, como sejam certas artrites e manifestações miálgicas, etc. tem por origem uma
anomalia prostática. Sem falar naquelas - por felicidade, raras - que penetram no campo

Henrique José de Souza


157
OS MISTÉRIOS DO SEXO 158

muito bem estudado pelo Dr. Marañon, ou dos estados intersexuais, inclusive bridas ou
vestígios uterinos, exigindo uma intervenção cirúrgica, por um profissional de
reconhecido mérito. São anomalias que passam despercebidas, mas que podem colocar
um quadro enorme de sintomas nervosos, incapazes de serem debelados com a
Hormonoterapia, ou quaisquer outros medicamentos.
A falta de resistência ao frio, que se nota na maioria dos anciãos (e sempre às
voltas com balas, bombons, açúcar, enfim) demonstra uma hipo glicemia, na maioria
dos casos provocada por uma prostatite, que é doença de todo aquele que já passou dos
40/45 anos, mas que não é razão, como já foi dito anteriormente, para deixar de ser
tratada. É a prova que uma dose pela manhã e outra à noite, de SABAL SERRULATA,
fazem desaparecer esta fraqueza, essa falta de vitalidade naquele que do mesmo
medicamento fizer uso. Não há como experimentar, quem estiver em semelhantes
condições...

181. CAUSAS DA IMPOTÊNCIA

Assim, a fraqueza genital possui várias causas, a começar pela invasão do


organismo, de uma carga de hormônios originada das glândulas que lhe são correlatas.
Tais hormônios, entretanto, só agem sobre tecidos quando estes possuem uma
certa quantidade de sais minerais (sais de potássio). Estes sais preparam, pois, os tecidos
para receberem hormônios.
Todo e qualquer metabolismo dos sais minerais pode trazer como conseqüência
uma modificação de carga. Tal modificação pode se dar das seguintes maneiras:
a) Retardamento congênito das glândulas de secreção internas (hermafroditismo,
eunucoidismo, infantilismo);
b) Traumatismo mecânico ou físico das glândulas;
c) Como conseqüência de moléstias infecciosas, (como também diabetes);
d) Prejuízos químicos: excessos de álcool, fumo, cocaína, morfina, abuso de
cloro na água, (como se dá em certos países, que ainda não fazem uso de ozone). Do
mesmo modo, outros vícios, que interferem principalmente nos processos psico-
mentais, na razão daquelas "aberrações psíquicas do sexo" de que falava Roso de Luna.
As moléstias intestinais, por sua vez, concorrem para a fraqueza genital, quando
não provocam a sua perda total. Chama-se de "impotência coe undi" a produzida não
apenas pela prostatite, como julgam muitos, mas também pela "sigmoidite" e outras
afecções intestinais, que na maioria dos casos se caracterizam por dilatações das veias
retais, hemorróidas, estas, por si só, capazes de ocasionar outras tantas doenças e
"anomalias" difíceis de serem removidas. Por isso mesmo, nos casos obscuros deverá o
doente procurar imediatamente o seu médico de confiança, sim, e além do mais, porque
"confiança não se impõe, adquire-se", especialmente em medicina.

Henrique José de Souza


158
OS MISTÉRIOS DO SEXO 159

Outrora, os distúrbios do aparelho sexual produzidos por infecções e uso


exagerado de tóxicos eram considerados como esgotamento nervoso e classificados no
campo da neurastenia. Hoje, após as pesquisas efetuadas a cerca de hormônios, sabe-se
que as moléstias infecciosas; assim como o uso exagerado de tóxicos prejudicam a
produção de hormônios. Do mesmo modo, a impotência causada por onanismo e
relações sexuais exageradas não devem ser consideradas sob o antigo ponto de vista,
isto é, o de "neurastenia sexual", e sim como um distúrbio no funcionamento das
glândulas sexuais, ocasionadas por processos psico-mentais. Em tais casos, como nos
demais, deve-se atender a famosa e sábia sentença: "Uti, non abuti".

182. O CLORO E SEUS PREJUÍZOS

O uso do cloro, de maneira excessiva (na água, etc.) não apenas causa apenas a
impotência, mas antes produz a ruína da mucosa gastro-intestinal, isso em adultos,
quanto mais em crianças...
Nas próprias piscinas - como se usa e abusa de modo aterrador - o cloro é
prejudicialíssimo à saúde pública. Não falemos da falta de higiene existente em tais
lugares, onde não podia deixar de haver a promiscuidade e tudo quanto da mesma
resulta, inclusive o do fenômeno produzido pelo choque entre o corpo, na sua
temperatura natural, com a água, principalmente se o banhista não tiver, antes de entrar
na piscina, tomada a consciência e a humanitária deliberação de procurar o mictório, etc.
Que dizer, ainda, de moléstias de pele, e em lugares invisíveis do corpo, ou as que o
mesmo banhista não queira revelar ao médico de tais estabelecimentos ?
Das várias moléstias causadas pelo excesso de cloro nas piscinas ressaltam:
oftalmias, otites, rinites, etc. etc.
Em questões dessa natureza - dentro da própria técnica profissional, à qual se
atribui hoje tanto valor - é ao médico, à Saúde Pública, que se deve ouvir, e não aos de
outras profissões, sob pena de graves riscos para a população, seja de que país for.
Até hoje, na América do Norte, ninguém sabe, ao certo, a razão porque ali, mais
do que em qualquer parte, principalmente em determinados Estados, sempre grassou a
"paralisia infantil". E pelo que se sabe, além de muitas outras razões, o cloro entra como
principal elemento que facilita a incidência dessa doença. Depois que esse mesmo país
tomou a deliberação do uso do OZONE e outras providências que a própria Medicina
conhece (vacinas, etc.), o surto de semelhante moléstia diminui ou desapareceu, ficando,
entretanto, nos lugares onde continua o grosseiro e prejudicialíssimo sistema do cloro.
em outros países, onde raramente foram constatados casos da mesma doença, por se ter
tomado a resolução de aumentar o volume d'água para abastecimento da cidade, fazendo
uso de uma "adutora" de certa cachoeira de má procedência, (águas contaminadas, etc. )
logo diversos casos de "paralisia infantil" foram constatados.

Henrique José de Souza


159
OS MISTÉRIOS DO SEXO 160

Empregar o cloro para não se apanhar uma doença, ou mesmo morrer dela, pelo
fato de ser a água de má procedência, torna-se um círculo vicioso, porque também se
apanha doenças terríveis com o cloro, das quais também se pode morrer muito mais
depressa do que bebendo uma água imunda. As probabilidades são totais para o
primeiro caso, e duvidosas para o segundo, na razão das defesas orgânicas em cada
indivíduo.

183. O OZONE

O ozone é o mais apropriado purificador da água, graças às suas propriedades


microbicidas, oxigenantes e vivificantes. De ozone está impregnada a água da chuva, e o
"vox-populi" é o primeiro a se manifestar por meio destas palavras: "A água da chuva é
a mais pura e a mais saborosa de quantas se conhece". Pessoas há, que por ocasião das
tempestades - estando a atmosfera completamente carregada de eletricidade - expõem a
água impura de suas residências, repleta de artifícios ( para não dizer venenos ) ao
âmbito exterior, durante todo o tempo da tempestade. Os Adeptos ou Iniciados, com
maior razão de ser, procuram residir próximo à cachoeiras, pois, de viverem em
harmonia com a Natureza, sabem que a mesma, ao natural, ou sem processos
"artificiais" apontados, possuem maior quantidade de Prana.
Tudo isso faz lembrar os primitivos dias da Humanidade, em que esta era
obrigada a viver dentro do ambiente de cataclismos que nos conta a Cosmogênese, todo
saturado de OZONE.
Por ser interessante, transcrevemos aqui alguns trechos de um velho estudo
nosso publicado em Dhârânâ, nos números 25 a 28, de janeiro a abril de 1928, na
segunda parte de nossa Mensagem ao Mundo Espiritualista:
"Se em uma bela noite estrelada, assestardes uma bela luneta telescópica sobre a
constelação cantada por Homero, como "a mais bela e mais rica do céu", a sublime
Orion, podereis verificar, perto das três estrelas, que formam o cinturão do guerreiro,
um nevoeiro luminoso que nos aparece mais ou menos com a largura do disco aparente
de nosso satélite, e que, no entanto, possui um bilhão, trezentos e trinta e dois milhões
de léguas de extensão, afastando-se de nós a velocidade de cem mil quilômetros por
hora. (Uma nave espacial, das que foram à Lua, numa velocidade aproximada de
sessenta mil quilômetros por hora, levaria a bagatela de cem mil anos para atravessar tal
nevoeiro). Tudo isso entretanto, dizemos, são cálculos aproximados, porque "a
trepidação da matéria akashica que envolve o nosso globo é bastante para confundir os
mais valiosos astrônomos", como prova cada vez mais se empenharem na fabricação de
maiores ou mais potentes telescópios, (ou mesmo transferi-los para estações orbitais), a
fim de poderem melhor devassar a abóbada celeste, embora nunca, absolutamente
nunca, cheguem a alcançar o que se pode chamar de verdadeiro, existente por trás dessa
mesma matéria akhasica.

Henrique José de Souza


160
OS MISTÉRIOS DO SEXO 161

Em uma época a que o espírito humano não pode remontar, nosso sistema solar
não formava senão uma vasta nebulosa perdida no infinito negro da imensidade (por
hipótese, negra, mas em verdade, o índigo do mesmo akasha, como já dissemos na parte
anterior).
De acordo com as leis, em virtude das quais "cada átomo atrai outro átomo", um
anel central se formou e todas as moléculas da nebulosa convergiram para esse anel.
Então, dois fenômenos se produziram: o movimento de rotação, conseqüência da
força condensadora e da atração central, e o calor, conseqüência do movimento
produzido.
Um globo de fogo brilhou no espaço; em torno desse globo a nebulosa continuou
a girar, e suas diversas partes condensando-se, sucessivamente, formaram alguns anéis,
que gravitaram em torno do centro incandescente.
No entanto, o trabalho atômico, continuando em cada um de seus anéis, fez com
que os mesmos se separassem e dessem nascimento a outros focos luminosos (os
planetas), donde, outros anéis se desprendendo e separando, formaram, por sua vez, os
seus satélites.
O Fiat-Lux estava realizado !
Séculos e séculos se passaram, e em nossa Terra, quarto anel cortado da
nebulosa primitiva, resfriou-se, e uma camada consistente pode receber a condensação
dos vapores.
Todavia, o fogo central sempre em atividade desprendia enormes quantidades de
gazes, que, para se escaparem, faziam monstruosas fendas na crosta terrestre,
produzindo gigantescas elevações. As águas, subitamente volatilizadas, subiam em
imensas trombas de vapor às regiões geladas do éter, donde bruscamente condensadas
tornavam a cair com estrepitosos raios que, unidos aos clarões do raio e à rutilância dos
relâmpagos, continuavam a obra terrível mais grandiosa da criação.
Milênios sobre milênios se passaram para que a camada se condensasse, os
continentes emergissem e a vida aparecesse na face da Terra.
Descrever as primeiras idade da vida, definir como uma simples célula
transformou-se em uma alga e esta num gigantesco dinossauro; como insignificante
infusório, passando pela escala ascendente de todos os seres, tornou-se um homem;
como os cataclismos cósmicos agiram na sucessão das raças; descrever tudo isso é
impossível, no limitado espaço em que nos mantemos, em uma insignificante
mensagem, cujos fins, em verdade, são bem outros".
Foi, pois, em tal ocasião - como dissemos anteriormente - que o homem
envolvido pelo natural ozone produzido pela obra grandiosa da criação, além do mais,
possuindo outros meios de vida superiores aos de hoje, adquiria o direito a uma
existência acima de 200 anos. Regiões há na face da Terra, próximas aquelas a que
denominamos de "embocadura agartinas", onde os vapores que vem do seio da Terra
auxiliam os habitantes dos arredores a uma existência ainda hoje superior a 150 anos,
pouco importa o sorriso de escárnio por parte daquelas que ousam criticar as coisas que
ignoram por completo. A estes, como diz o Nitri-xataca de Barticari, nem Brahmâ é
capaz de convencer.

Henrique José de Souza


161
OS MISTÉRIOS DO SEXO 162

Na Índia, em lugar idêntico, existe um misterioso Ser que fez verdadeiros


"milagres", tornando um ancião em jovem, ou melhor, diminuindo-lhe de 25 anos ou
mais a idade. (Paracelso e outros já possuíam o mesmo poder...)

Henrique José de Souza


162
OS MISTÉRIOS DO SEXO 163

CAPÍTULO V

184. As sagradas funções da Maternidade

Entre alguns povos od Oriente - inclusive os Todes da Nilguiria (Nilghiri,


"montanha azul") ao sul da Índia - o nome mulher é substituído pelo de mãe. A uma
menina se chama "mãezinha" e a uma senhora, de "mãe grande". O mesmo acontece em
certas tribos selvagens de nosso próprio país.
Pelo que se vê, tais povos tem uma concepção mais perfeita do papel da mulher
que outros que desejam passar por mais civilizados.
Na mesma Índia, o casamento é principalmente entre filhos de brâmanes levado
a efeito entre duas crianças, cujos pais - concordaram em que "tivessem nascido uma
para a outra", seguindo, assim, as velhas regras do Manu, apontadas no "Manava-
Dharma-Shastra. Logo que o menino alcança os quinze anos e a menina os treze,
deixam a casa paterna para morarem juntos. as razões, científica e esotérica, de
semelhante comportamento se baseiam no que passamos a expor:
Pequena é a diferença entre as duas crianças ao nascerem. Nos primeiros anos,
entretanto, cada uma delas assume características diferentes e acentuadas. Logo que
começam a andar, essa diferenciação se torna evidente. Do ponto de vista sexual, a
menina sofre uma transformação ao atingir, mais ou menos, a idade de dez anos. Tal
mudança se torna visível dos doze aos quatorze anos. Nessa ocasião atinge ela a
puberdade, tornando-se mulher, ou melhor, em condições (biológicas) de reprodução. E
assim continua até alcançar, mais ou menos, os cinquenta anos, quando passa pela
denominada "idade crítica" ou menopausa.
Esotericamente, tal fenômeno pode ser indicado por uma quadrante, (que pela
primeira vez se apresenta em um livro), onde há uma pequena divergência, ou antes,
variação para o que é conhecido pela ciência oficial:

*** desenho de um semi-circulo dividido em quatro partes ***

** 'os raios' estão numerados com 1, 15, 30, 45, 60

Henrique José de Souza


163
OS MISTÉRIOS DO SEXO 164

De acordo com o "compasso quaternário", a que tudo se sujeita no mundo, como


procuramos provar na primeira parte deste livro, citando as quatro idades da vida
(infância, adolescência, maturidade e velhice), o diagrama acima representa 4 vezes a
idade dos quinze anos, sendo que seu dobro central dos quinze aos quarenta e cinco
anos, pode ser todo dedicado a procriação, a menos que, como acontece com os mesmos
brâmanes acima citados, ao completar, o casal que se uniu naquela idade, o homem 42
anos e a mulher 40, estando seus filhos em condições de se manterem por si mesmos,
procurem dedicar-se a outro sacerdócio. sim, o pai - depois de tão sublime missão do
lar, ao lado de sua companheira (a sacerdotisa, que manteve durante tanto tempo a
lareira, ou fogo sagrado da maternidade, das responsabilidades domésticas, etc...)
procura uma outra, ou seja a espiritual, quer seja em um mosteiro, ou mesmo
independentemente, pregando as santas verdades a quantos desejam ouví-lo ou seguir os
seus preciosos conselhos e ensinamentos. Semelhantemente, a sua antiga companheira
faz-se sacerdotisa de um templo, ou - tal como o esposo - indo pregar entre as mulheres
não possuidoras dessas mesmas verdades, que ambos já em seu lar não se descuidaram,
compartilhando com seus filhos.
Na maioria dos casos, a jovem que começa cedo o período catamenial vê-se
também cedo livre dele, isto é, mais ou menos dos 40 aos 45 anos. Conforme indica o
mesmo diagrama, nessa idade, que é a de 3 X 15, começando a chamada "idade crítica",
é muito natural que a esposa brâmane procure dedicar-se a outros misteres, pouco
importa que o fazendo aos 40 anos, pois quando tal período lhe aparece, já está ela
envolvida em outro ambiente, como o mesmo Dr. Marañon diz na sua preciosa obra
anteriormente citada.
Nessa idade a mulher toma um verdadeiro aspecto masculino (por isso mesmo,
podendo substituir as coisas do sexo pelas do Espírito), inclusive na tonalidade da voz,
que se torna mais grossa e algumas vezes por meio de pelos que nascem no lábio
superior, à guisa de bigode, etc. O mesmo, quanto ao homem ( em diversos casos,
também), o de lhe cair os pelos da barba, a voz se afinar, além de outras características
femininas.
De passagem, fazemos lembrar que foi na idade de 15 para 16 que fomos
conduzidos ao Norte da Índia, afim de realizar um certo ritual que, a bem dizer, estreitas
relações tem com tudo quanto estamos desenvolvendo. E ao subirmos à Montanha
Sagrada, em São Lourenço, 21 anos depois de voltarmos da Índia, ou seja em 1921,
quando a Obra em que a S.B.E. se acha empenhada foi espiritualmente fundada, nossa
companheira de missão, por sua vez, acabava de completar os mesmos 15 anos
(apontados em nosso diagrama e respectivos comentários).
Mais adiante voltaremos a tratar do mesmo assunto, servindo-nos, porém, de
uma linguagem mais transcendental, para não dizer cabalística, obedecendo aos 22
Arcanos Maiores, com a suas sete chaves interpretativas, entre as quais se acha a sexual,
embora considerada como a mais grosseira de todas.

Henrique José de Souza


164
OS MISTÉRIOS DO SEXO 165

Acentuadas alterações físicas e psíquicas se passam na menina quando se faz


mulher; alarga-se a bacia, assumindo o tamanho e forma necessários à sua principal
função. E adquire "formas", devido a gordura arredondar seu corpo. Ângulos são
substituídos por graciosas curvas e belas proporções, a menos que se trate de uma jovem
anômala. Os seios aumenta, tornando-se seus bicos mais salientes e cercados por um
pequeno círculo de hiperpigmentação (auréola primária). A atividade da pele aumenta,
especialmente a das glândulas sebáceas. É conhecido, mesmo entre os povos incultos, o
fenômeno das erupções cutâneas, em ambos os sexos, espinhas (ácne), cravos, etc. Na
jovem, os cabelos se tornam mais abundantes e de textura delicada. Modificam-se,
também, os órgãos genitais externos, desenvolvendo-se e tornando-se mais escuros, bem
como aumenta a sua irrigação sanguínea. A tiróide, por sua vez, aumenta o volume,
exercendo importante papel na vida da jovem. A voz se torna mais cheia e mais
harmoniosa.
Psiquicamente, apresentam-se várias modificações no seu caráter: no começo,
instabilidade nervosa; grita, ri e canta sem motivo justificável. Mostra-se caprichosa, e
algumas vezes, arrogante, ao ponto de não querer aceitar os conselhos paternos,
inclusive, por suas predileções amorosas. Seu estado, entretanto, plenamente
desenvolvido, e fixados os seus hábitos, essas emotivas manifestações tempestuosas
desaparecem, e em sua vida começa um novo equilíbrio mental. Embora encarando o
sexo oposto com maior interesse, a sexualidade não está de todo desenvolvida, a menos
que seja despertada por fatores externos, digamos, artificiais, e muitas vezes, só
alcançado a plenitude do desenvolvimento depois de casada.
Quando transpõe o portal que conduz da infância à sexual maturidade,
verificam-se outras modificações internas. Notável aumento se dá no tamanho do útero
e dos demais órgãos da geração. suas glândulas de secreção interna apresentam novas ou
intensificadas funções. O óvulo é libertado periodicamente. E portanto, como mulher,
pode ser fecundada. A bacia não alcança seu integral desenvolvimento senão dos
dezoito aos vinte anos.
Diz-se que nos países tropicais as meninas se tornam verdadeiramente mulher
muito cedo. Porém, nem sempre é esse o principal fator de semelhante
desenvolvimento. Existem muitos outros, dentre eles o temperamento, para não irmos a
questões mais transcendentes, ou sejam as cármicas.
Periodicamente desprende-se um óvulo de um ovário. Quando isso se dá pela
primeira vez, é geralmente seguido da primeira menstruação. A menstruação resulta da
não fecundação de um óvulo.
O grave erro de se ocultar das jovens suas próprias funções concorre para,
quando mulheres já formadas, mal saberem o que se relaciona consigo próprias, quando
não fazem concepções completamente errôneas, dentre elas, por exemplo, o de que "a
união sexual 3 dias antes ou depois da menstruação é sinal certo de fecundação". Este é
o maior de todos os absurdos, como se verá mais adiante.
Algumas instruções devem ser dadas nesse sentido, em proveito de nossas
leitoras.
A vagina, que pode ser comparada a um tubo, é o receptáculo das células
masculinas que lhe chegam pela união física. Em sua extremidade superior acha-se o

Henrique José de Souza


165
OS MISTÉRIOS DO SEXO 166

útero. O útero virgem é periforme e achatado no sentido antero-posterior. Numa


comparação grosseira, tem mais ou menos o tamanho de uma pera. Possui uma cavidade
vertical que se abre na vagina. Lateralmente ao útero e perto de seu fundo, acham-se as
aberturas das trompas de Fallopio, uma de cada lado. Cada trompa leva um ovário que
se acha preso por um ligamento ao lado externo do útero.
O útero hígido é móvel e mantido em sua posição por certos suportes e
ligamentos. Faz geralmente ângulo quase reto com a vagina, tendo o seu fundo dirigido
para diante. Acha-se situado abaixo e para trás da sínfise pubiana (falta um arcabouço
ósseo na porção mediana mais baixa do abdome). O útero é um órgão muscular que foi
denominado "o coração da bacia" pelo fato de se contrair e relaxar de tempos em
tempos. A cavidade do útero tem um revestimento glandular de primordial importância
na menstruação e gravidez. Esse revestimento é denominado endométrio. O útero é um
órgão especializado. A natureza o deu à mulher com um objetivo determinado - o
recebimento do óvulo fecundado e sua implantação, bem como para albergar e proteger
o produto da concepção, até o nascimento da criança a termo. Se as mulheres pudesse os
seus óvulos de maneira análoga a dos peixes e às aves, a natureza não lhes teria dado
útero. Deixando de parte sua função na gravidez, o útero é um órgão inútil. Da mesma
forma que temos dentes para mastigar os alimentos e ossos para caminhar, tem a mulher
útero para conceber filhos.
O leitor de reportar-se ao que foi dito na primeira parte, a respeito das primitivas
raças, ou meios completamente diferentes de reprodução da espécie: no começo, por
cissiparidade; depois, por uma forma de exsudação; nascidos do ovo; finalmente, o
humano, na sua própria apresentação orgânica, como o ser mais evoluído da cadeia.
Continuamos as descrições anatômicas do corpo feminino (que alias pode ser
encontrado em qualquer Anatomia, mas, preferimos transcrevê-las da obra por nós
recomendada, ou seja: Método Moderno da limitação dos filhos, do Dr. Thurston Scott
Welton):
"As trompas de Fallopio tem mais ou menos o comprimento do útero. Seu
diâmetro é mais ou menos o dos canudinhos que se usam para tomar refrescos. A
extremidade interna termina na cavidade do útero; a extremidade externa é livre,
próxima do ovário e ligeiramente dilatada como o pavilhão de uma trombeta. O ovo
chega a extremidade da trompa e desce pelo seu interior. É, enquanto atravessa a
mesma, que se encontram com ele as células masculinas, uma das quais o fertiliza.
Os ovários são os principais órgãos responsáveis pelas características sexuais
femininas. Como vimos, a menina, ao atingir a idade de doze a quatorze anos, sofre
pronunciadas transformações físicas e mentais, tornando-se mulher. Estas mudanças são
resultado de atividades e alterações dos ovários. Os ovários lançam na corrente
sanguínea hormônios (secreção interna) que, em conjunto com os hormônios de outras
glândulas (como foi dito em outros lugares desta parte) sem tubo excretor, exercem
notável influência sobre a sua estrutura corporal, mentalidade, felicidade e eficiência na
vida".
Se os ovários são extirpados ou sua função cessa sob a influência de
enfermidades, ou radiações várias, a mulher passa por uma idade crítica artificial, cessa
a menstruação e a concepção se torna impossível.

Henrique José de Souza


166
OS MISTÉRIOS DO SEXO 167

Os ovários, portanto, tem dupla função: formar e libertar óvulos e produzir


hormônios essenciais à saúde.
Quanto a formação e libertação da célula feminina ou óvulo, diz o mesmo autor (
para apresentar depois o seu método, baseado nas descobertas dos Drs. Ogino e Knaus):
"Na criança, a maior porção do ovário acha-se preenchida por grandes
quantidades de óvulos não desenvolvidos. Nas mulheres jovens, o ovário contém ainda
grande quantidade destes óvulos não desenvolvidos. Cada óvulo tem um núcleo
(corpúsculo relativamente grande situado no interior e geralmente próximo ao centro de
toda célula típica). Um óvulo não desenvolvido pode conter, ocasionalmente, mais de
um núcleo.
O óvulo cresce. Do nascimento até a idade crítica, acham-se em constante
desenvolvimento vesículas fechadas (folículos de Graaf), que contêm o óvulo. Antes
que a menina atinja a puberdade são apenas encontradas nas partes mais profundas do
ovário e não alcançam a superfície. Mais tarde, contudo, estes folículos que contem o
óvulo abrem caminho para a superfície do ovário, as paredes do folículo vão se tornando
mais delgadas. O óvulo aumenta muito ao avizinhar-se à maturidade. Quando o folículo
de Graaf alcança plena maturidade, rompe-se, o óvulo é expulso e vai ter a uma das
trompas.
Na imensa maioria das mulheres liberta-se um óvulo em cada ciclo menstrual
processo esse que se continua por todo o período fecundo de sua vida (1). Se a ovulação
for constante e regular, também a menstruação o será. Desde, porém, que quaisquer
condições irregulares interfiram com a ovulação, o ciclo menstrual se torna variável e
patológico. Para compreender a teoria dos ciclos fixos de infertilidade e fertilidade
(período em que a gravidez é ou não possível) e ter confiança na mesma, é necessário
lembrar-se que foi descoberto que a ovulação (libertação do óvulo) se dá de 12 a 16 dias
antes do advento da menstruação. Por outras palavras, muitas mulheres leigas custam a
compreender este fato, a mulher tem as regras e 12 a 16 dias antes da menstruação
seguinte é que se dará a libertação do óvulo (logo, como dissemos anteriormente, não é
possível ser ela fecundada, nesse período como julga a maioria). Sendo o óvulo
fertilizado, aquela menstruação seguinte não se verifica porque a mulher está grávida.
No caso de não ser o óvulo fertilizado pela célula masculina, a menstruação se dará 12 a
16 dias após a ovulação.
(1) Sem considerar os casos de mulheres em que se desenvolvem duas ovulações em
cada ciclo lunar, e não apenas uma ovulação mensal.
Esta questão de tempo no ciclo menstrual de ovulação é uma das bases sobre as
quais se edificou a teoria dos períodos seguros e inseguros, relativamente a concepção".
Foi, pois, dentro de tais princípios, que os Drs. Ogino e Knaus fizeram as suas
descobertas, pois, como já tivemos ocasião de dizer, elas são muito mais antigas do que
se possa julgar, e obedientes a processos mais seguros, alguns dos quais, o possível de
ser revelado ao mundo profano, serão comentados no capítulo que a este se segue.
O Dr. Knaus, como diz o autor da obra citada, abordou o problema por um
ângulo diverso, do ponto de vista endocrinológico (referente à ciência das secreções
internas).

Henrique José de Souza


167
OS MISTÉRIOS DO SEXO 168

"O lobo posterior da hipófise, situada na base do cérebro, produz uma secreção
que é lançada na corrente sanguínea. Este hormônio ou secreção interna excita as
contrações musculares do útero (ou fenômeno peristáltico, que, tornando-se deficiente,
em certos partos laboriosos, dizemos, exige o emprego da pituitrina).
Após a libertação do óvulo, fica no ovário uma cavidade que se enche de sangue.
Por sua vez, este coágulo sanguíneo é absorvido. Por um processo desconhecido, o
espaço por este coágulo sanguíneo torna-se cheio de células de coloração amarela. Estas
constituem o corpus-luteum ou "corpo amarelo".
Imaginemos que este corpo amarelo se acha ciente de que um óvulo partiu na
esperança de encontrar um companheiro masculino (a teoria dos átomos já apontada em
outro capítulo), ou seja o espermatozóide e por este ser fertilizado. Sabemos que o
destino do óvulo, no caso de se dar a fecundação, é a cavidade do útero. Este corpo lúteo
envia ao mesmo, por intermédio da corrente sanguínea, um aviso para que se prepare
afim de receber importante hóspede. Outro aviso é enviado aos músculos do útero
dizendo-lhes que eliminem a ação do hormônio da hipófise (pituitrina), que, como
vimos, é causa das contrações e expansões do útero. Os músculos obedecem a este
aviso, cessam as contrações e o útero torna-se preparado para hospedar o óvulo
fecundado".
O Dr.Cyrus W. Anderson, por sua vez, escreveu no "Colorado Medicine" (junho
de 1933) um artigo referente às suas observações sobre o fato de as mulheres sentirem,
pelos meados do ciclo menstrual, uma sensação particular na bacia. O Dr. Anderson
descreve esta sensação como uma dor ligeira, semelhante a uma cãimbra, sobrevindo
súbita e seguidamente, durante algumas longas horas, uma desagradável sensação, como
se o fundo do útero estivesse caído para fora da bacia... Não se assemelha a nenhuma
outra dor. No entanto, dizemos, existe um outro aviso ainda não conhecido da ciência
médica, que vem através de vários sintomas, objetivos e subjetivos; além da referida
dor, que nem sempre aparece. Sim, uma outra como se fosse um corte de navalha, ou
algo deslisando, de modo cortante, de um dos lados para o baixo ventre. a mulher se
torna mais irritável, embora se interessando pela união sexual, devido a excitações
vaginais. Quando sentada, move as coxas, insensível e agitadamente; seus olhos se
tornam lânguidos e húmidos, algumas vezes produz movimento instintivo com os
lábios, formando ligeira contração no canto da boca, principalmente do lado esquerdo.
Conclui o referido médico que tal dor é produzido pela ruptura do folículo ao
desprender o óvulo. Baseado nessa dor intermenstrual, localizou o período estéril, para
as pacientes que desejam espaçar o nascimento dos filhos, a partir de quatro dias após a
superveniência da dor... "E, em nenhum caso houve gravidez em pacientes que só se
utilizaram deste período seguro", segundo relata. Contudo, há ainda autores que não dão
muito valor à associação dessa "dor intermedeia", com o fenômeno da ovulação.
E assim, de acordo com outras experiências, ficou constatado que a "libertação
do óvulo" e o início de sua jornada pela trompa se dá 12 a 16 dias antes de cada
menstruação. Ademais, se "o óvulo vivesse desde o instante de seu nascimento até ser
expulso com os resíduos menstruais, não haveria um período seguro, por assim dizer, na
vida da mulher. Se o mesmo vivesse longo tempo, seria possível a uma célula masculina
fertilizá-lo ou fecundá-lo a qualquer momento". Se tal fosse verdadeiro, todas as
mulheres que levam vida matrimonial normal, achar-se-iam em estado quase constante

Henrique José de Souza


168
OS MISTÉRIOS DO SEXO 169

de gravidez". Sabe-se, pois, que ele expulso uma só vez por mês e vive apenas algumas
horas, exceto quando fecundado pela célula masculina.
Quanto às células masculinas, chamadas espermatozóides, são gerados em
quantidades incríveis nos testículos.
Da mesma maneira que a próstata, é comparada ao útero, os testículos o são com
os ovários. Produzem eles as células necessárias à reprodução. Ambos, segundo a
ciência, lançam na corrente sanguínea hormônios que servem ao pleno desenvolvimento
sexual, com suas características. Mas, como se verá oportunamente, quando apresentar-
mos novas teorias (de caráter esotérico), nem sempre ambos funcionam do mesmo
modo, como não funcionam ambas as narinas, na razão luni-solar do fenômeno.
O espermatozóide tem uma cabeça lanceolada (donde o termo Lachesis
lanceolata, que aqui citamos para fazer lembrar aquela "serpente" existente na fronte dos
faraós, em oposição ao próprio falus",etc.) e uma cauda. Depositado na vagina ou vulva,
ganha a entrada do útero, atravessa a sua cavidade e penetra nas trompas. Com seus
duzentos milhões de companheiros ou irmãos, vai vivamente à caça do óvulo virgem. Se
encontra um deles na trompa, imediatamente se introduz no mesmo (digamos, uma
segunda cópula interna, ou antes, complementar). Nesse momento se dá a fertilização do
óvulo, tornando-se grávida a mulher.
Suponha-se, entretanto, que não exista óvulo algum nas trompas. Esperarão as
células masculinas o seu aparecimento ? Não. Tem longa vida ? Não, ainda. Calculou-se
que as células masculinas perdem o seu poder de fecundação 48 horas após terem
penetrado nos órgãos femininos. Diz o Dr. Knaus: "As últimas pesquisas lançaram
bastante luz sobre a duração da vida do espermatozóide. Estes perdem sua capacidade
fecundante muito antes de sua motilidade. Isto significa que sua capacidade de
deslocamento não implica absolutamente em capacidade de fecundação. E assim, outros
mais chegaram às mesmas conclusões.
Em resumo, três casos se apresentam dignos de nota: 1o - o óvulo é expulso
entre 12 e 16 dias antes da menstruação; 2o - o óvulo não é fecundado após 24 horas de
idade; 3o - a célula masculina, ou espermatozóide, perde seu poder de fecundante após
48 horas, como dobro da vitalidade da célula feminina.

185. ESPERMATOGÊNESE

Com a fecundação do óvulo feminino inicia-se o desenvolvimento de um novo


ser humano, que começa a delinear-se a partir da Quarta Semana. Daí, em etapas
sucessivas, opera-se o desenvolvimento intra-uterino, que se completa na fase final do
nascimento.

Henrique José de Souza


169
OS MISTÉRIOS DO SEXO 170

FIGURA
******

CAPÍTULO VI

186. Métodos antigos e modernos de limitação dos filhos

Para que melhor se possa compreender o que será desenvolvido no presente


capítulo, mister se faz conhecer, ao menos, o conteúdo destes dois livros por nós
recomendados, ou sejam "Método de limitação dos filhos" do Dr. Thuston Scott Welton
e "Menino e Menina" do Dr. Jules Regnault, ou obras semelhantes. O primeiro, por
exemplo, por ser mais simples, ou de mais fácil compreensão, é algo assim como um
manual a ser consultado pelos casais que se interessam pelos processos postos hoje em
prática, para se evitar ou limitar os filhos. Acontece, porém, que "não havendo regra
sem exceção", àqueles que lançam mão de semelhantes processos, não por motivos
superiores, e sim egoisticamente, ou por "não quererem se preocupar com filhos. para
melhor poderem viver fora do lar, como se unir ou casar fosse desunir, abandonar, etc.,
levando, enfim, a vida que muitos casais hoje preferem, ainda que contrariando a Voz
da Natureza. Tais processos -por mais valiosos que sejam - podem falhar em 75 % dos
casos, digamos mesmo, em 80 ou 90 %; ficaria o restante - usando de palavras ocultistas
ou eubióticas - para "castigo cármico" aqueles que, sem motivos justificáveis se recusam
à razão principal da união de dois seres que se amam e que se acham ligados pelos
sagrados laços do matrimônio. nisso, como em tudo mais na vida, não é religião - seja
ela qual for - nem mesmo as leis civis em vigor, que prevalecem, e sim, como estamos
fartos de dizer, o caráter. Muitíssimo pior, se tais casais revoltados contra esse pseudo-
código - se representa uma Bênção que a Natureza lança sobre aqueles que a desprezam
- procurarem obstar essa "marcha triunfal de Vênus em torno do Sol", que é o período
de nove meses ou da gestação.
Outros, por sua vez - uma espécie também de "castigo cármico" - desejam
possuir filhos, e estes jamais aparecem. Em casos tais, mais vale curvar a fronte -
reverente e heroicamente - diante dos desígnios da Lei. E assim, aperfeiçoando o
organismo de um ou de ambos - pois que a perfeição produz milagres, receberá esse tão
digno quão evoluído casal a recompensa de semelhante resignação. coisa semelhante
acontece por vezes em nossa vida.

Henrique José de Souza


170
OS MISTÉRIOS DO SEXO 171

Contam as lendas tibetanas que certo leproso tendo sido abandonado pela
família, dedicou-se à vida de ermitão. Depois de muitos anos, separado do mundo, um
tufão destruiu a sua ermida, indo ele ter à margem de um rio. Qual não foi a sua
surpresa, ao mirar-se no espelho das águas, ao ver que tinha desaparecido todos os sinais
das chagas que lhe corriam o corpo. Tal lenda, como outras tantas, são narradas em O
Tibet e a Teosofia, publicado na revista Dhâranâ de autoria do insigne Teósofo e
cientista, Dr. Mario Roso de Luna, de parceria com o autor do presente livro.
O segundo livro recomendado - por ser mais complexo e repleto de termos
técnicos, é mais próprio para médicos e pessoas que desejam saber um pouco mais de
tudo, ao menos para se ilustrarem. Dele extraímos as seguintes palavras, dedicadas às
esposas, como síntese do método de controle da natalidade:
"sabemos pelos trabalhos de Ogino e Knaus que a ovulação se dá 12 a 16 dias
antes da data em que é esperada a menstruação. sabemos que a célula feminina ou óvulo
vive um dia ou ainda menos. Em vosso caso, portanto, se a união sexual se realizou no
último dia em que se poderia verificar a ovulação, o óvulo, a menos que tenha sido
fecundado por essa ocasião, não poderá mais ser fecundado durante esse ciclo. Assim, o
período durante o qual se poderá dar vossa ovulação termina no 12o dia antes da
menstruação seguinte. (Note-se que contais de trás para diante, da data em que esperais
a menstruação seguinte, para trás).
A ovulação pode, porém, se dar 16 dias antes da menstruação seguinte. As
células masculinas podem viver 3 dias. A vida dos espermatozóides é, geralmente, de
dois dias, só vivendo três dias em casos excepcionais; assim, falamos em três dias para
ter absoluta segurança. Se tiverdes relações 1, 2 ou 3 dias antes do primeiro dia possível
de ovulação, podereis tornar-vos grávida. Exemplo: estamos a primeiro de março. No
dia 2 de março verifica-se a união sexual. No dia 3 começa o período fértil. suponhamos
que os espermatozóides ou células masculinas vivam os três dias que poderão viver. No
último dia de sua vida é que se vai dar a ovulação. A fecundação se realiza e fiscais
grávida. Por causa dessa possibilidade devemos acrescentar mais 3 dias ao tempo da
ovulação.
Na mulher com ciclo menstrual de 28 dias, o exemplo citado, o período vai de
12 a 16 dias antes da data em que é esperada a menstruação seguinte. Como as células
masculinas podem viver 3 dias, devemos acrescentar a estes o limite de 16 dias da
ovulação, o que perfaz 19 dias. O período em que a gravidez é possível fica sendo,
assim, de 12 a 19 dias antes da data em que se espera o início da menstruação seguinte.
Quando falamos em data da menstruação seguinte, sempre nos referimos ao
primeiro dia do fluxo. A duração do fluxo menstrual nada tem a ver com a determinação
dos períodos férteis e estéreis".
E vem nas páginas seguintes alguns exemplos para serem utilizados na prática
no referido Método, além de inúmeros gráficos dos ciclos menstruais normais, regulares
e irregulares, com variações de 4 a 5 dias etc. Sem falar num "disco-calendário"
encontrado na capa interna do mesmo livro, dentro de uma carteira ou invólucro. Por
tudo isso, termos recomendado aos casais interessados no assunto que mais de perto lhe
diz respeito.

Henrique José de Souza


171
OS MISTÉRIOS DO SEXO 172

Quando tivermos de falar dos verdadeiros processos adotados antigamente, e


ainda hoje, pelos Iniciados nos Grandes Mistérios da Vida, abordaremos a questão com
o critério que merece, inclusive, quando consideramos como normais as senhoras cujo
ciclo lunar (mensal ou menstrual) é de 28 dias, pois, de fato, o verdadeiro calendário
astrológico devia ser de acordo com as próprias 4 fases lunares, cada uma delas com
sete dias.

187. O ANTIGO CONHECIMENTO

citamos, agora, algumas teorias - na sua maior parte dentro do Ocultismo - mas
que nada tem de comum com as que vamos tratar mais adiante - embora que só de leve,
como a gaivota que tocando a superfície das águas, com as suas enormes e alígeras asas,
se eleva nos ares conduzindo no bico o pobre peixinho que lhe serve de alimento... Sim,
um tanto comum com as nossas, apenas as citações do Manava-Dharma-Shastra; diga-se
de passagem, fazendo com inteira responsabilidade, na humilde obra que hoje trazemos
a público, embora oriunda de nosso fraternal e carinhoso desejo de bem servir a Excelsa
causa da Humanidade.
Principiemos por alguns preceitos, do Manava-Dharma-Shastra (ou leis do
Manú):
"Que o marido se aproxime da mulher no momento favorável a concepção,
anunciado pelo fluxo sanguíneo, e lhe seja sempre fielmente ligado, mesmo em
qualquer outra ocasião; excetuados os dias lunares interditos, pode vir a ela com amor,
seduzido pela atração da volúpia".
São dias lunares interditos: "a noite do Novilúnio, a oitava, a do Plenilúnio e a
décima-quarta (1) que o Dwija, dono de casa, seja tão casto quanto um noviço, mesmo
na estação favorável ao amor", a qual é: Dezesseis dias e dezesseis noites, cada mês a
partir do momento em que o sangue se mostra, com quatro dias distintos interditos pelas
pessoas de bem (pelo que se vê, também no rodapé, o Dr. Ogino e outros beberam nesta
Fonte o que hoje apresentam como seu, qual acontece com outras pseudo-descobertas,
que de há muito eram conhecidas pelos referidos Iniciados aos Mistérios da Vida),
formando o que se chama a estação natural das mulheres. Como se vê, dessas 16 noites,
as 4 primeiras são proibidas, assim como a undécima e duodécima: as dez outras noites
são permitidas.
Em outros lugares:
"Seja qual for o desejo que sinta, não deve aproximar-se da mulher quando suas
regras começam a mostrar-se, nem com ela repousar no mesmo leito".
Com efeito, a ciência, virilidade, o vigor, a vista ou a decência, a própria
existência do homem que se aproxima da mulher em semelhante estado destroem-se por
completo.
(1) A tradução é errônea, como se verá mais tarde, devendo ser a décima-segunda.
Dizem as lendas sertanejas que "a cobra não morde a mulher em semelhante
estado". E quanto aos Yoguis, na Índia, procuram passar longe da mulher que estiver em

Henrique José de Souza


172
OS MISTÉRIOS DO SEXO 173

semelhante estado, o qual é percebido por vibrações étero-astrais ou psíquicas. Já


dissemos que é este o período lunar, enquanto o dos nove meses de gestação
corresponde ao vitorioso período venusiano.
Por isso, "o que dela se afasta - como preconiza ainda o mesmo códice sagrado -
na época em que se acha imunda, aumenta a ciência, a virilidade, o vigor, a vista e a
existência".
"As noites pares, entre as dez aprovadas, são favoráveis à procriação de filhos
varões; e a ímpares, às filhas. Assim, quem deseja um filho deve aproximar-se da esposa
na época favorável e durante as noites pares".
"Todavia, gerado é um filho varão se a semente do homem está em maior
quantidade; quando se dá ao contrario, gera-se uma menina; quando houver igualdade
produz-se um eunuco ou um menino e uma menina. Em caso de fraqueza ou de
esgotamento se dá a esterilidade".
A Bíblia está repleta de indicações nesse sentido, mas como é para ser lida "por
baixo da letra que mata", bem poucos as descobrem. Um dos primeiros argumentos é
tirado da história de Jacó, Lia e Raquel:
"Para ter um filho, é preciso que a mulher deseje ardentemente o marido, como
Lia desejou a Jacó".
Na mesma razão o Talmud (existem dois Talmuds: o da escola de Jerusalém e o
da escola da Caldéia; a primeira parte de cada um deles, chamada Mischná, é
sensivelmente semelhante; a segunda, entretanto, a Ghemurá ou comentários, é bem
diferente). Era o Talmud da Babilônia que Luiz Felipe se referia, ao dizer a Meyerbeer:
"O senhor leu o Talmud; deve saber, portanto, como eu posso anunciar a meus
parentes e amigos o sexo do ser que esta para vir". Assim explicava como anunciava,
com exatidão o sexo de seus filhos.
Atribuem-lhe também esta frase mais explícita:
"Quando quero uma filha, ofereço-a à rainha; quando quero um menino, espero
que seja ela quem mo ofereça".
Pelo que se vê, por mais valiosas que sejam as teorias modernas, outra coisa
fazem senão buscar nos velhos alfarrábios o que em outros tempos já era conhecido.
Em 1837 Marcel de Rubempré publicava em Bruxelas "Os segredos da geração
ou a arte de procriar a vontade meninos ou meninas e de fazer criaturas de espírito" (ou
inteligentes, como se provará mais adiante).

188. A sabedoria chinesa

"Entre os chineses, todos os fenômenos são atribuídos a dois princípios YNN e


YANG, cujo equilíbrio constitui a harmonia do Universo e a saúde do organismo (já

Henrique José de Souza


173
OS MISTÉRIOS DO SEXO 174

falamos, com outras palavras, dessas duas forças, às quais todas as outras estão
subordinadas: Fohat e Kundalini). O determinismo do sexo explica-se por esta lei geral:
nascerá menino ou menina conforme predominam as forças ou formas de energia YNN
ou YANG.

**** desenho da página 39 segunda parte ****

189. O YNN-IANG e os PA-KUÁ de FU-HI

Conforme indica o gráfico, temos no centro o círculo que simboliza o princípio


único, Tai-Ki, o qual gera Ynn e Yang (com vista ao ideograma chinês de outro
capítulo, traduzindo o Ovo Universal, de onde parte esse mesmo princípio indicado no
diagrama acima), representados por duas espécies de vírgulas, ou antes, embriões
enlaçados, um verde e outro encarnado (outras vezes branco e preto) cores essas que
preferimos justamente para designar os dois elementos Ar e Fogo, dos quais já nos
ocupamos em outros capítulos.
Os traços inteiros representam Yang, e os traços interrompidos, Ynn. A
combinação desses traços três a três dá os Pa-Kuá ou oito signos ou pentagrama de Fu-
Hi.
Na teoria atômica, seriam os eons e os elétrons (por sinal que o primeiro termo,
algo semelhante ao chinês: Ynn ou Eon, do mesmo modo que Yone, para o ctéis ou
elemento feminino e o Yang, lingham ou Falus para o elemento masculino).
Oito signos, do mesmo modo que os OITO PODERES DO YOGUI, contidos
nas "oito pétalas do chacra vibutti do centro cardíaco, ao qual denominamos de
"pêndulo que regula a vida humana, etc."
Os gráficos dos ciclos de dias, dos métodos modernos, são, por sua vez,
divididos em três seções, as duas das extremidades ou dos períodos estéreis e o segundo
por um traço inteiro. Mas como Ynn e Yang nunca se apresentam inteiramente
separados na Natureza (o eterno mistério do duplo, do Pai-Mãe, etc.) os elementos são
figurados por três traços simples ou duplos superpostos. Obtêm-se, assim, oito
combinações, que se denominam Pá-Kuá ou "oito signos" de Fu-Hi, do nome do
imperador que os teria imaginado entre os anos 2.900 e 2.850 antes de nossa era (o
mesmo Buda é chamado, em chinês, de Fo-Hi).
Superpostos dois a dois, esses "oito sinais" dão 64 combinações, que constituem
o livro mais antigo da China, o Y-King. O verdadeiro sentido desse livro não podia

Henrique José de Souza


174
OS MISTÉRIOS DO SEXO 175

deixar de, com o tempo, obscurecer-se. No século XII antes de nossa era, o imperador
Uen-Uang, em primeiro lugar, o seu filho Tchéu-kong, em seguida, julgaram
conveniente oferecer, do referido livro, uma explicação sumária, redigida com os
caracteres que usavam seus contemporâneos; o conjunto de seus comentários formou o
Hi-Tsé. Mais tarde, no século VI antes de J.C., Kong-Fu-Tséu (Confúcio) deu, por sua
vez, explicações do Y-King e dos comentários precedentes; escreveu assim os Hi-tsé-
tchuan, que a bem dizer seria "a Sabedoria dos Chohans" (ou dos Arcanjos, o que
implica, finalmente, em Theoin, movimento, astros, etc., para provar que tudo na vida
aos mesmos se acha ligado). Hoje em dia, o livro primitivo e esses diversos comentários
estão englobados sob o nome de Y-King.
Os dois princípios, derivando-se do Princípio Único, são ainda representados de
outro modo com o Ynn-Yang: no círculo em que figura, o Tai-Ki, os dois princípios são
representados, como se viu, por duas espécie de vírgulas enlaçadas, uma branca e outra
negra, ou uma vermelha e outra esverdeada, simulando os elementos de um turbilhão de
larvas, ou micróbios (no caso vertente, em relação com o espermatozóide). Não se
apresenta, do mesmo modo, essa poeira cósmica, ou cauda que todos os cometas
possuem, e com à qual vão fecundando os universos. Umas circulares (ou de cabeleira)
como feminina ou negativa, e outras projetivas ou de cauda, como masculino ou
positivo.
Cada uma dessa duas formas possui dois dentes que penetram na forma oposta, e
um "olho" ou núcleo, que é da cor da forma oposta, para demonstrar que os dois
princípios se acham indissoluvelmente ligados.

Um dos comentários diz que:


"No domínio científico, Yang e Ynn, seriam os fluidos ou polos negativos e
positivo, o vermelho e o verde, a luz e a obscuridade, o calor e o frio, a base e o ácido, o
macho e a fêmea: formam turbilhões e seu equilíbrio faz-se segundo um ciclo..."
Pelo que se vê, esta teoria nada difere da do Ocultismo, aliás, como já foi dito na
primeira parte, "donde a mesma ciência oficial procede". O mais é querer contaminar a
Fonte de cujas águas ela hoje se serve...
Em 1935, em seu livro "Princípio único da filosofia e da ciência do Extremo
oriente", Sakurazawa, levou as aproximações muito mais longe, aplicando a "Ynn-
Yologia" (ciência do Ynn-Yang ou Ynn-yo, em japonês) a explicação de diversos
fenômenos físicos, químicos ou biológicos. Não precisamos ir tão longe, entretanto, se o
presente livro esta vazado nos mesmos princípios. Haja vista as citações que fizemos da
preciosíssima obra Aberraciones psíquicas del sexo, daquele a quem consideramos "o
maior gênio de nosso século" - o Dr. Mario Roso de Luna.

A Determinação do sexo segundo o conhecimento chinês.

Henrique José de Souza


175
OS MISTÉRIOS DO SEXO 176

No que se refere aos fatores que determinam o sexo, escreve Jorge Oshawa
Sakurazawa em 1931:
"Tomemos uma centena de ovos. Podemos dividí-los muito facilmente em duas
categorias: Ynn e Yo. Subentende-se que os primeiros são longos em comparação com
os últimos, que são mais arredondados (1). Os primeiros são machos e os últimos,
fêmeas, porque Ynn produz Yo e Yo produz Ynn (2). Não se trata de probabilidades,
pois que esta só existe para o homem. A química provará em seguida que os primeiros
são superiores aos segundos pelo teor em elementos Ynn, representados pelo potássio,
K (3) e estes, ao contrário, são superiores por seu Elemento Yo, representado pelo sódio,
Na.
Assim, também o espermatozóide é longo, enquanto o óvulo é redondo.
Se a vitalidade do óvulo é superior à do espermatozóide, sua comunhão dará o
sexo macho e reciprocamente, segundo a lei da minoria.

__ __ ______
______ __ __
__ __ ______

Cumpre dizer que em Ynn-Yologia o primeiro é considerado como um símbolo


de Yo, porque a minoria ali está representada por Yo; é sempre a minoria que governa
em todos os níveis dos fenômenos.
A mulher (Ynn) dá o óvulo (Yo) e o homem, o esperma (Ynn). As condições
climatológicas e geográficas desempenham um papel muito importante. É assim que se
obtém, em, identidade com todas as outras circunstâncias, mais meninas que meninos à
beira-mar, onde a atividade Yo (Na) é tão abundante, e mais meninos que meninas nas
montanhas (4).

(1) Na mesma razão a teoria comentada por nós apresentada: cometas projetivos ou de
cauda e circulares ou redondos.
(2) A Deusa Isis, por sua vez, não é chamada de IO ? Isis ou Lua e Osiris ou Sol, por sua
vez, representam os elementos feminino e masculino, água e fogo, etc., etc..
(3) As células masculinas não duram, como se viu, o dobro dos óvulos ?
(4) É assim que a religião dos Mormons, deve admitir a poligamia, perto do lago
Salgado. Esotericamente falando, já o dissemos: maré, o mar, Maria, Lua, água, tanto
valem...
"Uyogo-ga-Sima", a terra japonesa feminista em que o homem não trabalha e
sim a mulher, é uma pequena ilha (e isto diz tudo)...

Henrique José de Souza


176
OS MISTÉRIOS DO SEXO 177

É preciso notar que o continente Ynn pode transformar-se em país Yo pela ação
do homem, ou graças a condições especiais, por exemplo, se a alimentação comporta
muitos produtos animais Yo, ou se existe uma grande jazida de sal, fontes muito
quentes, etc.
Assim também a ilha se transforma num país, mais ou menos Ynn, graças à
humanidade, a uma corrente fria do mar, etc.
Se os habitantes de uma ilha submetida a uma temperatura média bastante
elevada, isto é, de uma ilha Yo, se nutrem em grande parte de vegetais, batata inglesa ou
da Índia, incomparavelmente ricas em K, tornam-se muito grandes, isto é, muito
desenvolvidas pela atividade Ynn, dilatadora (1); a fortiori os habitantes de um clima
frio, os ingleses, por exemplo...
devem-se contar igualmente os fatores e os agentes físicos. O calor, o frio, a
secura, a umidade, a pressão atmosférica, a excitação externa, etc. desempenham um
papel muito importante, e isto sobretudo nos seres inferiores ou simples. Uma excitação
qualquer, por mais simples que seja, pode ser o fator de Yo, ou de Ynn, conforme o
caso. Deve-se compreender aqui que a reprodução, a sexualidade, não são mais do que
uma oscilação, uma vibração das atividades Ynn e Yo.
E opina o autor de "Menino ou Menina ?" que é o ilustre cientista Dr. Jules
Regnault - a respeito de Ynn-Yang:
"Em biologia, encontraremos evoluções cíclicas que podem enquadrar-se no
esquema do Ynn-Yang. A harmonia deste corresponde no organismo ao equilíbrio vago-
simpático (2) e no ácido básico, que andam ao par e aos quais se começa a atribuir a
importância que merecem."
E mais adiante:
"A noção filosófica é bem outra: a procriação de uma criança de tal ou qual sexo
está ligada à predominância das influências de Ynn ou Yang. Uma ou outra predomina
conforme a estação, a fase da Lua, a alimentação, etc.
Na prática, aconselha-se à mulher que deseja um menino, comer a Iris
foetidissima. Pensa-se aumentar assim nela a influência de Yang ou de Ynn ? É possível
!
Pelo que se vê, e estamos de pleno acordo, a ciência oficial não conhece ainda
um método de todo eficiente, para se alcançar o êxito desejado.
(1) Embora interpretemos esse fenômeno de maneira diferente.
(2) dissemos o mesmo, em outros capítulos deste livro.

190. Atuação dos "TATTVAS"

Henrique José de Souza


177
OS MISTÉRIOS DO SEXO 178

No entanto, vamos tentar provar que o verdadeiro Esoterismo o conhece. E isso


o fazemos através de uma velha teoria, também citada no mesmo livro, mas que
infelizmente não foi compreendida, porque lhe faltava o devido critério esotérico, ou
seja, o da conjugação do ato sexual com certas posições e a atuação dos Tattvas ou
forças sutis da Natureza. Não foi por outra razão que lhes dedicamos um capítulo deste
livro, isto é, para que o leitor inteligente pudesse formar uma idéia própria, a respeito do
pouquíssimo que vamos insinuar, servindo-nos - como já dissemos anteriormente - da
teoria testicular e ovariana, na constante do referido livro.

191. Testículo direito e testículo esquerdo. Ovário direito e ovário esquerdo

"Aristóteles também teria feito intervir a proveniência do sêmen do testículo de


tal ou qual lado; o direito daria meninos e esquerdo, meninas.
Se Plutarco não mente, a teoria remontaria a Parmênides a teria sido retomada
por Anaxágoras, no VI e V séculos antes de nossa era, mas estes haviam admitido certa
influência da mãe se o sêmen que vem do testículo direito é projetado no lado esquerdo
resulta em macho: de outro modo tem-se uma fêmea. Hipócrates admite uma teoria
semelhante e aconselha a inclinar a matriz para o lado direito, afim de obter um menino,
e para o lado esquerdo afim de obter uma menina. Aconselhava-a fazer a ligadura do
testículo correspondente ao sexo que não se desejava.
contudo, na escola hipocrática, a teoria era mais complexa: ambos os pais tem
isoladamente a aptidão de procriar seja um menino seja uma menina (estamos de
acordo).
A semente masculina do pai juntando-se à semente masculina da mãe, daria um
filho macho dotado de beleza e vigor.
A semente masculina do pai juntando-se à semente feminina da mãe daria um
filho macho menos forte.
A semente feminina do pai dominada pela semente masculina da mãe daria um
homem efeminado.
Demócrito, Plínio e Calúmelo aconselharam, igualmente, a ligadura ou mesmo a
secção do canal deferente.
No século XVIII, Procópio Couteau retomou tais idéias e foi mais longe.
Segundo ele, o homem poderia sacrificar o testículo correspondente ao sexo que não
desejava obter.
Millot respondeu-lhe: "Não se divorcie de nenhum de seus testículos; conserve
os dois, que a sábia natureza fez bem o que fez, nada nos deu demais". Entretanto, era o
primeiro a preconizar a ovarioectomia - ou ablação de um dos ovários...

Henrique José de Souza


178
OS MISTÉRIOS DO SEXO 179

Não vamos adiante para não fatigar o mental do leitor e sua própria paciência em
saber que temos a dizer de novo a respeito de um fenômeno que à Humanidade toda
interessa. Não esqueça, porém, o leitor que não prometemos fazê-lo na íntegra, mas
apenas, os possíveis comentários, aliás de assuntos por demais tratados em nosso
primeiro livro, e em estudos esparsos, como por exemplo, no preâmbulo da Seção
dedicada a São Lourenço, na revista Dhârânâ, no 103, Dhâranâ falamos dos filho de
Amon Râ, ou sejam os de certos Faraós que, usando processos ocultos ou conservados
no Seio das Fraternidades egípcias, por isso mesmo, eram auxiliados, em tais ocasiões,
por um sacerdote e uma sacerdotisa, não que isso influísse de todo no fenômeno, mas
pelo caráter ritualístico que o mesmo tomava.
Chegamos mesmo a ensinar, no capítulo deste livro dedicado aos Tattvas, como
se pode fazer a respiração passar de uma narina para a outra, bastando deitar do lado
contrário da narina que se deseja funcionar.
Nesse caso, sem precisar fazer uso de tão complicados meios como os que foram
ensinados pelos autores citados anteriormente, dentre eles alguns dignos do maior
acatamento, bastar observar a posição ou asana - quando agir determinado Tattva... -
para que o casal obtenha uma criança do sexo masculino ou feminino, segundo seu
desejo. E isso, está subentendido, na fase fértil ou fecundante, embora varie de acordo
com o período menstrual; desde que se obedeça a semelhante processo, todas as
probabilidades serão favoráveis para que se obtenha o devido resultado. Porque, se
deitado estiver o homem sobre o lado esquerdo, conseqüentemente a mulher estará
sobre o direito, e portanto, a respiração fluirá em um pela narina direita, e em outro pela
esquerda, acontecendo, infalivelmente, o que foi preconizado por Aristóteles e pouco
mais: o testículo direito obedecerá à função respiratóriada narina do mesmo lado, e
assim, a criança que nascer de semelhante união deverá ser do sexo masculino. Nascerá
uma criança do sexo feminino se as posições forem invertidas. (1)
Mas, se não houver tanta pressa por parte do casal, basta esperar que a respiração
esteja normalmente funcionando do lado correspondente ao sexo da criança`que se
deseja (para o homem, o lado direito ou solar, masculino, e, o esquerdo ou lunar,
feminino, pois que a mulher tem as polaridades opostas, regulando assim em sentido
oposto, e com isso, a união pode ser efetuada segundo o processo pela primeira vez
apontado).
(1) Pode-se comparar tal período ao de uma "balança em fiel", isto é, as conchas em
equilíbrio, ou mesmo nível. Com justa razão lhe demos o nome de "período andrógino",
devido os dois elementos (o masculino e o feminino) estarem afins. Nesse caso, um
"mercuriano", ou mesmo, "Uraniano Perfeito". O termo Hermafrodita, no seu mais
elevado sentido, provém de Hermes (Mercúrio) e Afrodite (Vênus). O capítulo com que
se conclui o presente livro ao mesmo é dedicado.
Quanto a um filho "dotado de beleza e vigor", e até mesmo de grande
inteligência (razão por que era chamado de "filho do deus Amom") o processo é bem
outro, por isso, e além do mais, que reclamava o auxílio de "um sacerdote e uma
sacerdotisa", isto é, o rei e a rainha assentados, em um trono especial... mas, ambas as
narinas funcionando, porque, em tal período chamado de Súshumna, o homem se acha
unido à Divindade. dizem mesmo as escrituras sagradas que tratam do assunto
(inclusive a obra de Rama-Prasad, As Forças sutis da Natureza) que "nessa ocasião não

Henrique José de Souza


179
OS MISTÉRIOS DO SEXO 180

se deve tratar de assunto algum concernente ao mundo físico, isto é, às coisas comuns
da vida, mas sim às do Espírito". E como a função sexual seja caótica ou oposta a
mental ou cerebral... logo, nenhuma outra hora mais propícia para se obter um filho de
"categoria superior" ou divina.. Seria isso contrariar o Karma ? Não, porque Karma é
Ignorância ou falta dos conhecimentos superiores. E estes quando aplicados para fins
condignos, só podem exaltar o homem. Nesse caso, o mesmo Karma, como lei bem
certa, concorrerá para que nasça de um casal tão inteligente, ou conhecedor da Magia
Teúrgica, a Magia dos C, etc., a Mônada que tal direito possui, para não dizer, de
skandas ou tendências apropriadas a semelhante Lar., O mesmo Buda já dizia:
"Ninguém nasce na família ou na Pátria que não lhe estiver destinada". Para completar
tudo isso, o próprio termo "Senhores do Karma", podem lançar Adeptos da Boa Lei,
demonstra que já tendo Eles esmagado o Karma, podem lançar mão deste ou daquele
processo, desde que afastados não fiquem dessa mesma Lei. Negar tudo isso não passa
de fanatismo ou ignorância.
Não se deve esquecer, ainda, que tendo o homem a própria conformação dos
cinco Tattvas, isto é - como já dissemos em outros lugares, (******* DESENHO
DESENHO DESENHO DESENHO *******)
estando sentado ou em pé, sua cabeça representa o Akasha. Por isso quando as duas
narinas estiverem funcionando simultaneamente, são os dois Tattvas superiores que
estão em plena função. Já tivemos ocasião de citar a famosa sentença iniciática que diz:
"Aquele que ultrapassa o Akasha é fonte de toda a Riqueza" (isto é, a riqueza espiritual).
Como negar que tal processo não concorra, mesmo que carmicamente falando, para o
nascimento de uma criança privilegiada ? Não há como provar o contrário, seja cientista
ou ocultista.
O processo é antiquíssimo, pois, o conheciam certos Faraós egípcios. Sendo o
Egito, considerado "o primogênito atlante", ou herdeiro direto da Sabedoria da
Atlântida, lógico é deduzir que já procedia o mesmo da 4a Raça Atlante, para não dizer,
"já havia sido ensinado pelos Reis Divinos".
Tal como "o Ovo de Colombo", é facílimo o processo; resta, apenas, saber
manejar as forças sutis da Natureza. Para isso, necessita o homem sujeitar-se a longos
anos de exercícios. Não foi para o outro fim que nos propusemos publicar uma quarta
obra, intitulada A ciência da vida, ou como se tornar adepto, dedicado àqueles que de
fato aspiram a Luz Sublime da Verdade. Quanto aos interesseiros, os que só se dedicam
ao Ocultismo para fins pessoais, e muito pior, em detrimento do próximo, melhor que
nunca adquiram semelhante obra, mesmo porque, antes de terminar a sua leitura, já
estarão arrependidos como a "mariposa que aproxima-se da chama de uma vela". De
fato, a Luz, quando é por demais intensa, cega.

192. O que vem a ser Cabala?

Henrique José de Souza


180
OS MISTÉRIOS DO SEXO 181

Para isso o leitor possa compreender o que vai ser dito no seguinte capítulo,
mister se faz conhecer de modo sintético, o significado do termo Cabala.
Cabala, quer dizer, em hebraico, Tradição.
Este termo, que também se escreve Quabala, possui diversos significados,
justamente por aplicar-se a diversos assuntos:
I - Doutrina oralmente transmitida. Os textos hebraicos dizem "de boca a
ouvido" e de idade em idade, de pai a filho, etc., é, pois, uma doutrina oral que os judeus
denominam Lei oral, em oposição à Lei escrita, que Deus confiou a Moisés, no Monte
Sinai. Voltando ele do referido Monte, entrou em sua tenda e comunicou a seu irmão
Aarão o que havia aprendido do céu (1) da mesma revelação tiveram conhecimento
Eleazar e Ithamar, filhos de Aarão; a seguir, os 70 anciãos que compunham o Sanhedrin,
e finalmente todos os Israelitas que desejaram conhecê-la, de sorte que os filhos de
Israel ouviram a explicação da Lei uma só vez; os setenta anciãos, duas vezes; Eleazar e
Ithamar, três vezes, e Aarão, quatro vezes (2).
II - Este termo designa, ainda, a interpretação que os Rabinos e os Doutores
Judeus deram, quer do texto da Escritura, quer das palavras ou mesmo das letras de que
se compõe o texto e seu real sentido, por meio de certas combinações. Esta espécie de
Cabala se divide em três partes: a Gematria, a Notaricon e a Themurah.
(1) Sempre a mesma lenda dos Manus, que transmitem aos de sua tribo, clã, raça, etc., o
que recebem do céu.
(2) Na razão cabalística, digamos assim, dos Espirituais merecimentos de cada um...
A - A Gematria consiste em desdobrar as letras de uma palavra em números,
explicando cada uma de acordo com seu valor numérico.
B - A Notaricon consiste em tomar cada letra de uma palavra por uma inteira
dicção, isto é, pronunciar separadamente o nome de cada letra.
C - A Themurah, isto é, mudança, troca, etc., consiste em dar um sentido
diferente a qualquer palavra, quer separando quer transpondo as letras que a compõem.
chama-se a esta espécie de Cabala, de artificial.
III - Cábala prática: - É a ciência com auxílio da qual se operam as obras
mágicas, as mesmas de que se serviram Moisés, Josué, Elias e outros Taumaturgos, e
que não estão ao alcance dos homens vulgares, por isso mesmo, tomando-as como
"milagres". foi ainda com seu auxílio que Salomão pode construir o templo de
Jerusalém. Esta Cabala foi consignada em um livro publicado pelo rabino Isaac Ben-
Abrahão, no começo do século XVIII. De todas as Cabalas, entretanto, a mais
importante é a filosófica.
IV - Cábala Filosófica: Tal espécie de Cabala contem sobre Deus, o homem e o
Universo (Aziluth) sublime metafísica. ela se divide em duas partes principais: uma
chamada Bereschit (livro dos princípios); e outra Mercabah ou o Carro, na qual se
acham todas as explicações necessárias a compreensão de todas as verdades. Existem
várias razões para ser chamada de Carro, dentre elas a relacionada com o carro (ou
charriot) de Ezequiel. Estas duas ciências são sagradas. Não se pode falar do Bereschit

Henrique José de Souza


181
OS MISTÉRIOS DO SEXO 182

diante de mais de duas pessoas; quanto a Mercabah ou Mercavah, proibido é explicá-la


diante de qualquer pessoa.
Eis aqui alguns princípios encontrados na Cabala Filosófica:
1 - Nada é feito do nada;
2 - Nenhuma substância foi do nada;
3 - Assim, também, a matéria não foi tirada do nada;
4 - Porém, não deve ela a sua origem à substância com que se apresenta;
5 - Não há, pois, matérias, num uma só matéria propriamente dita;
6 - Tudo que existe é fluido ou espírito;
7 - O Espírito é incriado, eterno, inteligente, sensível e contém em si o princípio
do movimento (1);
8 - Tudo quanto existe emana do Espírito Universal ou Finito (2);
9 - Quanto mais próximos se achem os seres desse Espírito Infinito, maiores e
divinos se tornam;
(1) - Lei da vibração, portanto.
(2) O Ain-soph.

10 - O mundo emanou de Deus, devendo, pois, ser olhado - com tudo quanto
nele existe - como o próprio Deus, que estando oculto, incognoscível, incompreendido
em sua própria Essência, manifestou-se e tornou-se, por assim dizer, invisível ao
homem por suas emanações (1).

Foram essas emanações que no Universo criaram três mundos diferentes, embora
ligados entre si: Aziah, Ietzirah e Briah, os quais, por sua vez, correspondem às três
divisões fundamentais do homem: Nephesch, Ruasch e Neschamah, Corpo, Alma e
Espírito (2)..
Os dez princípios acima exarados para simbolizar os Dez ramos da "Árvore
Sephirotal", são: 1 - Kether; 2 - Chochmah; 3 - Binah; 4 - Chesed; 5 - Geburah; 6 -
Tiphereth; 7 - Netzah; 8 - Hod; 9 - Yesod e 10 - Malkuth.
Tanto no universo como no homem. a Árvore Sefirotal possui diversos
simbolismos, dentre eles os desconhecidos que vão abaixo, extraído dos Livros de
Revelações da Sociedade Brasileira de Eubiose:

****** desenho desenho desenho ********


(1) Nesse caso, não é visto, mas é sentido ou percebido em tudo e em todos, justamente
por aqueles que mais próximos se achem desse mesmo Espírito infinito.

Henrique José de Souza


182
OS MISTÉRIOS DO SEXO 183

(2) Como concebe a própria Teosofia, e neste livro exuberantemente demonstrado.

Henrique José de Souza


183
OS MISTÉRIOS DO SEXO 184

CAPÍTULO VII

193. TRÊS REVELADORES ARCANOS

Quando o Dragão celeste caiu do céu, arrastou com sua cauda tudo quanto foi
encontrado no seu caminho, fazendo apagar as 22 estrelas". (Dos mais antigos livros do
Oriente)

Em se tratando de um livro escrito para o mundo profano - embora repleto de


ensinamentos completamente desconhecidos para o mesmo - não seria possível
comentar as palavras que servem de cabeçalho a este capítulo, a menos que quiséssemos
infringir a própria Lei.
Nesse caso, diremos apenas que os próprios Arcanos Maiores do Taro (Tora,
Rota, Torah, etc.) do mesmo modo que diversos alfabetos sagrados, dentre eles o
hebraico, tiveram, no verdadeiro sentido encoberto por semelhantes palavras, a sua
origem, na razão de 3 X 7 = 21, e mais 1 igual a 22, sendo o 22o a Síntese dos demais.
A própria Mônada, cujo significado já conhece, agora, o leitor, por nela termos
falado tantas vezes no decorrer deste livro, é de forma Tríplice. E se a multiplicássemos
pelos sete estados de consciência por que é obrigada a percorrer, durante a sua evolução
em toda a Ronda (inclusive através das sete raças-mães e respectivas sete sub-raças,
ramos e famílias), obteríamos o precioso número 21, que acrescido da Vitória da própria
Mônada, ou a volta à sua Origem, como Unidade donde tudo procede, completo estaria
o mistério dos referidos Arcanos Maiores.
Tanto o Taro Sacerdotal como o dos Boêmios, serve para jogar a vida dos homens, algo
assim como quem diz: "a própria vida humana depende dos referidos arcanos".
E a maneira de jogar, que nada tem de comum com aquela usada por
cartomantes, por mais peritos que sejam, é feita do seguinte modo: a primeira carta que
sai representa o consulente ou pessoa que interroga "a voz do Oráculo"; as duas
seguintes, que devem ser colocadas, uma à direita e outra à esquerda, como verdadeiras
colunas ou Ministros (as colunas do Templo de Salomão, etc.) são as que devem
responder à pergunta feita pelo mesmo consulente. Sete vezes baralhadas as 22 cartas do
Taro, e sete vezes arrumadas do referido modo, sete vezes, portanto, o jogo completo da
vida do consulente.
Se o leitor conhecesse um estudo nosso intitulado Cabala Musical, publicado no
número 99/101 de Dhârânâ, compreenderia melhor o sentido de nossas atuais palavras,
principalmente quando falando do "piano" - como o mais sintético de todos os

Henrique José de Souza


184
OS MISTÉRIOS DO SEXO 185

instrumentos - lhe bastariam sete ou oitavas de escalas, através das quais se pode repetir
um acorde (de três notas; exemplo: dó, mi, sol, ou mi, sol, dó; sol, dó, mi etc.), na
mesma razão da evolução da Mônada", como foi dito anteriormente, através dos sete
estados de consciência.
Quanto ao termo "estrelas", já dissemos várias vezes que o próprio homem tem a
sua conformação na razão do Pentalfa, etc. E isso obtém, ainda, mais transcendental
explicação através da resposta que deu certo "nadjorpa tibetano" à Sra. A. David-Neel,
autora de "Místicos e Magos do Tibet", quando lhe indagou o que fazia - "Vivo de
transformar esterco de cães em estrelas luminosas", respondeu. Infelizmente, a ilustre
escritora e abnegada ocultista francesa não compreendeu o sentido de semelhantes
palavras, nem tão pouco o lama Yongdem, a quem ela chamava de seu "pupilo", e que
significam: "Vivo de transformar almas (ou homens, se o quiserem) imundas em estrelas
luminosas, isto é, em Espíritos, em formas radiosas semelhantes à sua própria Origem.
Essas "22 estrelas que se apagaram com a queda do Dragão celeste" estão
expressas em constelações (e a prova é que certo Jogo de cartas, ou Taro, chamado de
Mlle. Lenormend, traz, em cima do assunto, as referidas constelações, que ninguém
sabe decifrar...), com a conformação e sentido dos alfabetos sagrados mencionados.
Haja visto a de Orion, em relação com o Alef, primeira letra do alfabeto hebraico, e o
próprio A do nosso, etc., por isso, representando o Pai, Osiris, Deus, etc, enquanto a
segunda, o Beth (nosso B), a Mãe, o aspecto feminino que toma a mesma divindade, na
razão de Isis para o egípcio, e astrologicamente falando, as duas letras e arcanos, para
expressarem Sol e Lua, como os Pais da Humanidade....
O grande iluminado Claude Bernard (citado várias vezes) disse, em tom
profético, as seguintes palavras, a respeito do mistério celeste: "Há de chegar o dia em
que os homens poderão ler ao livro aberto do Firmamento a sua própria História
passada, presente e futura" (na razão dos 3 arcanos reveladores da vida humana, a
própria Mônada, etc.)
Na Atlântida, cada um dos Sete Reis de que a mesma regiam, como dirigentes de
suas sete cidades cantões, e mais uma oitava, onde se achava o mistério do Uno e do
Trino (1) para provar que todos os nossos trabalhos de caráter iniciático dizem as coisas,
mas nem todos a compreendem) representava o mesmo Ternário, na razão de Rei-
Rainha e Valete (ou Príncipe), ou seja, Pai-Mãe-Filho. Por isso mesmo, essa tríplice
direção, multiplicada pelas referidas sete cidades dão o número 21, e mais a Unidade
representada pela Oitava, igual a 22. Em tudo e em todos... o mesmo Mistério.
O arcano 21 do Taro é representado pelo Louco, isto é, o incompreendido, o que
embora manifestado, é como se não o estivesse, porque nem todos o compreendem, vêm
ou sabem de sua existência. Donde a velada frase bíblica: "Ele já veio e vós não o
reconhecestes". E isso, através de suas sete chaves interpretativas ou cabalísticas. E não
apenas o sentido que lhe dá a Igreja.
Por isso, tal LOUCO leva no ombro um saco, o saco contendo as experiências da
Ronda, por Ele mesmo, em forma, ao mesmo tempo, Una e Trina, dirigida. Volta, pois,
ao Seio do Infinito ou Mansão Celeste. Mas falta algo ainda a decifrar: um crocodilo
negro, a sua própria sombra na razão cabalística do Daemon est Deus inversus, que
procura devorar a sua perna esquerda, por ser o lado lunar do homem. E "da Lua vieram

Henrique José de Souza


185
OS MISTÉRIOS DO SEXO 186

as Mônadas em evolução em nosso globo, como o do 4o Sistema". Nova é a decifração


do mistério do referido arcano, mas é a verdadeira, por ser a 7a ou última das chaves
interpretativas. Sim, e alem do mais, porque a Obra em cuja frente nos achamos, e tendo
a S.B.E. como sua fiel detentora no mundo; é a própria Mercabah. Por isso, não
podendo ser desvendada por aqueles que na mesma não estiverem integrados. Mister se
faz ser Um com Ela. Por isso, possui quatro vestíbulos ou graus, e mais um, que é o
próprio Mistério, na razão do Templo ou Apta.
Agora entram em cena os três reveladores Arcanos: 13, 14 e 15.
Mas antes, uma simples pergunta:
Porque razão teria exigido a própria Lei que os Dois principais fundadores da
Obra em que a S.B.E. se acha empenhada nascessem, o Homem a 15 de setembro
(Mercúrio, ou Urano, se quiserem), e a Mulher a 13 de agosto (o Sol; não esquecer que
Mercúrio é o verdadeiro Sol espiritual, que se oculta por trás do que se toma como tal...)
? Não nasceu, também, a mesma Obra, materialmente, a 10 de agosto de 1924 ? Nesse
caso, 3 sois ou mundos, quer pelo ano de 1924 ter sido por ele (Sol) governado, quer
pelo mês e dia, que foi um domingo.
(1) Vide nosso trabalho intitulado "Reminiscências Atlantes", publicado em o No 104
de Dhârânâ.
Fisiologicamente falando, já não se apontou que a idade em que a mulher pode
conceber, justamente por se manifestar o início do fenômeno catamenial (lunar, mensal,
etc.), começa dos 13 aos 15 anos, dependendo do temperamento, clima e outras tantas
razões ? Não se disse, que entre os brâmanes, os casamentos, na maioria dos casos,
quando se trata de jovens de categoria superior, se dão, na mesma idade, ou seja, o
jovem com 15 anos e a jovem com 13 ? Não foi, ainda, com 15 anos, como se viu
anteriormente, que os citados fundadores foram ao Norte da Índia (em 1899) para
voltarem com 16 anos, 1900, começo do século XX... ou seja a chamada "idade
adolescente", ou, de outro modo, "O adolescente das 16 primaveras" (em relação com
Kumara ou Makara) ? O arcano 16 é chamado de CASA DE DEUS. A presidência geral
de S.B.E., em São Lourenço, possui 16 degraus, que devem ser galgados, para chegar ao
alto, à mesma Casa, Presépio, Creche, APTA, ou o nome que lhe queiram dar, na razão
de uma oitava coisa ...
Assim, nas extremidades dos 3 arcanos, figurando os 13o e 15o, se acha no
centro do 14o, na razão dos "14 pedaços de Osiris", da lenda egípcia, mas, em verdade...
sete vezes uma forma dual, ou seja o "andrógino em separado". Por essa razão, na frente
dos Templos babilônicos e assírios existiam duas filas de Esfinges: de um lado, 7
machos, e do outro, 7 fêmeas.
Penetremos no CARRO, e deixemos que o mesmo deslize cercado de fogo,
através do cerúleo manto do Firmamento, qual Elias no seu.
A 13a letra hebraica, ou seja o Mem (com a qual em nossa língua tanto se
escreve Mulher como Mãe) designa hieroglificamente "a Mulher", como companheira
do Homem. Daí a idéia de tudo quanto é fecundo e formador. É o signo maternal e
fêmeo por excelência, signo local e plástico, imagem da ação exterior e passiva, para o

Henrique José de Souza


186
OS MISTÉRIOS DO SEXO 187

masculino, que é o Homem, etc. Empregado no fim das palavras se torna signo coletivo
(Mem final). Em tal estado desenvolve o ser no indefinido espaço...
A criação necessitando de uma força destruidora igual e de sentido contrário o
Mem designa todas as REGENERAÇÕES, nascidas de anteriores destruições. Por isso,
nasceu a Obra em que a S.B.E. se acha empenhada, das anteriores destruições, uma
delas, aquela por que está passando o mundo. Fala bem alto a GUERRA.. Morte, mas
também, transformação, ou passagem de um mundo ou coisa para outra.
O Mem é uma das 3 letras mães, no alfabeto hebraico, ao lado de Alef e Shim.
A 14a letra hebraica Num (ou arcano) corresponde, hieroglificamente, a
produção da mulher: o Filho. Donde os 14 pedaços daquele que, sendo Filho, é ao
mesmo tempo Pai: Osíris. Chamêmo-lo, ainda, de Maitri (o vencedor dos 3 mundos ou
Mayas) ou Maitreya, como Redentor-Síntese da Humanidade, ou o próprio Manu, que é
ao mesmo tempo SEMENTE E COLHEITA (começo e fim das coisas...)
Assim, tal letra é a imagem do ser produzido ou refletido, o signo da existência
individual e corporal.
Como letra final, é o signo aumentativos (Num final) e dá à palavra que o
recebe, toda a extensão individual de que a coisa expressa é suscetível.
O Num correspondente ao signo zodiacal SCORPIO, que está situado, no corpo
humano (como se pode verificar no diagrama expresso em outro capítulo), na região
sexual. É signo de Marte, que corresponde, simbolicamente, ao mesmo guerreiro Maitri,
Akdorge, etc. ou seja "Aquele que, em 1921 apareceu por 3 vezes aos Dois principais
fundadores da Obra, em 3 lugares diferentes, sendo que o último, no cume da Montanha
Sagrada (Cume ou Kumara, tanto vale...)
Não se deve, ainda, esquecer que, na lenda egípcia, o último pedaço (o sexual)
de Osíris, foi encontrado no bucho de um Peixe, no rio Nilo. E Peixe ou Piscis é um
signo puramente sexual, mesmo que pertença a Júpiter, Zeus, Jove, Jeove ou Jeová...
Por isso, Jeoshua o traçou no solo, quando lhe apresentaram "a mulher adúltera". e logo
pronunciou as seguintes palavras: "Aquele que estiver isento de pecado (este pecado,
deveria ter dito), que lhe atire a primeira pedra".
Diversos símbolos de Piscis ou Peixes trás o homem em seu corpo, para
demonstrar que nasceu da "queda do sexo". De fato:

Orelhas

Olhos

Lábios

Narinas (vistas de baixo para cima)

Henrique José de Souza


187
OS MISTÉRIOS DO SEXO 188

Na mulher: grandes e pequenos lábios, na vagina; no homem: os testículos.


Pés (pis, Pies, Piscis, justamente onde o mesmo signo está colocado no corpo
humano (vide o respectivo diagrama):
&&&&&&&& desenho de dois pés &&&&&&&&

Por onde passa, o Manu deixa impresso na pedra, na rocha, tão precioso
símbolo: os pés. Assim estão em S. Tomé das Letras e em diversas partes do mundo. O
peregrino, o andante, aquele que palmilha a estreita Vereda da Vida, o ÉDIPO grego,
que quer dizer "pés inchados", sim, de tanto caminhar ! Na mesma razão da Mônada,
através de dolorosa peregrinação de corpo em corpo, vida em vida.
A 15a letra (ou arcano) correspondente é o Samech, tendo por hieróglifo, uma
arma qualquer, sugerindo um circulo fechado. Tal idéia de um círculo intransponível dá
nascimento a de Destino, Fatalidade, etc. delimitando uma circunferência, em cuja área
age livremente a vontade humana (livre arbítrio). Assim, a serpente que morde a própria
cauda, alem de seus mais transcendentes sentidos, possui o de Destino ou Fatalidade.
Não foi Destino, ou melhor, a nossa ida à Srinagar, ao Norte da Índia, por sinal
que tendo por significado "Homens Serpentes" (semi-deuses, Adeptos, Iluminados, etc.)
? E Srinagar não tem por inicial a mesma letra que é Samech ? Quantas vezes o S está
envolvido na vida do autor deste livro, a começar por seu nome de família !
Para fazer jus a "Srinagar Templo Budista", onde o mesmo esteve, a Instituição
possuía a sigla S.T.B.
Astronomicamente falando, tem por signo Sagitário, que pertence - como se sabe
- a JÚPITER...
Nos três Mundos ou planos possui os seguintes significados: 1o - O Destino,
Karma; 2o - A Fatalidade, como resultado da QUEDA DE ADAM HEVE, que outra
não é senão, simbolicamente, a do SEXO; 3o - Nabash, O Dragão do Umbral, o próprio
"Seio da Terra", onde, além do mais, se acha a Agarta, ou seja o "País das Sete mais
uma Cidades", tal como era representada a mesma Atlântida...
E paremos por aqui, por já termos falado demais em Cabala, porém, fazendo suo,
ainda, das conhecidas palavras: "Deixai vir a Mim as crianças, porque delas é o Reino
do Céu".
Deixai, sim, vir aos nossos lares, quantos Filhos a Natureza vos quiser oferecer,
a menos que motivos superiores (como os vários apontados neste livro) não vos
permitam usufruir de tão valiosa dádiva.
Como conceber um Natal se uma Árvore repleta de brinquedos e cercada de
crianças ? Vendo-as assim, vós e vossa esposa, Pai-Mãe manifestado no Santuário do
Lar, acabardes por compreender, ao menos nesse dia, que a vossa vida não foi inútil na
Terra, se ali está representada a prodigiosa árvore genealógica de vossa Família...

Henrique José de Souza


188
OS MISTÉRIOS DO SEXO 189

CAPÍTULO VIII

194. Vinte e Dois julgadores Arcanos

"O estado de sexual escravidão, (diz Roso de Luna na mesma obra já citada, ou
seja "Aberraciones Psíquicas del Sexo"), em que tanto o homem como a mulher se
encontram em sua vida terrena, é assunto que não pode deixar de maravilhar o filósofo.
Sacudir semelhante escravidão, por outra parte, bendita, pois que ao sexo a saúde e a
vida devemos, é seguramente, o maior de todos os problemas e por ignorá-lo ou mal
compreendê-lo os legisladores, tem lugar todos os horrores que se conhecem no mundo,
a começar pelas guerras.
O trilema do sexo é bem claro: ou se lhe obedece, ou se lhe transcende, ou se lhe
perverte, segundo já o dissemos em nossa obra La Dama del Ensueño: porém, quase
todos que pretendem transcender seu categórico imperativo, ao contrário, não fazem
mais do que pervertê-lo. Nesse caso se encontram todos aqueles que, tomando ao pé da
letra o simbolismo da chamada "chave sexual do Mistério", o aceitam em seu morto
sentido de "união sexual mágica" com entidades "astrais", ou dos Elementos, (Tattvas),
tal como o pretende e julga Villars, embora colocando essa sua pervertida opinião nos
lábios do bom Conde de Gabalis".
Vimos a este mundo devido ao sexo, e nossa titânica prova no mesmo, em torno
do mesmo gira. Se seguirmos o caminho fisiológico, traçado pela Natureza, e melhor
interpretada que qualquer outra legislação, a da ária primitiva do Código do Manú, do
amor passarmos ao matrimônio, e deste aos filhos e a todos os cuidados e lutas do
Drama da Vida, que o vulgo procura sintetizar na poética frase de "criar os filhos". Se
seguirmos, entretanto, o caminho patológico, ou temos de buscar "o doce amargo do
pomar alheio", com enormes perigos morais e sociais, ou oferecer mais um doloroso
óbelo ao estigma social da prostituição, que logo, hipocritamente, queremos por meio do
"abolicionismo" combater ou construir "lares anormais", como falsificação dos
legítimos que a Lei ampara, em honra aos consortes e a seus preciosos frutos (os filhos),
ou viver entre aquela "mariposagem" a que se referem os sansimonianos, ou então, sem
contarmos com as nossas próprias forças, nos lançarmos à perigosa aventura dos
irrealizáveis asceticismos, seja o dos "celibatos oficiais", a respeito dos quais muito
teríamos para dizer, quer o exigido como condição indispensável à "superação", que as
Branca e Negra magias adotam".
Muito mais racional e sábia, entretanto, seguindo à própria Voz da Natureza, a
doutrina bramânica, que só considera completo o homem, por sua vez trino,
constitucionalmente falando, por si, sua esposa e filho. E que exige, também, como
condição indispensável para não nos considerarmos fracassados na vida o haver
plantado, ao menos, uma árvore (símbolo da produção que temos de oferecer à
sociedade); a oferta de um filho (símbolo, por sua vez, da reprodução com que devemos,
também, contribuir à social propagação da espécie sobre a terra), e escrever um livro,
outra dádiva ainda, e das mais preciosas (isto é, a necessidade de lutar em prol de uma

Henrique José de Souza


189
OS MISTÉRIOS DO SEXO 190

doutrina transcendente, acima da vulgaridade e "animalidade" de toda a espécie de


doutrinas, que de salvadoras ou redentoras nada possuem...)
A renúncia, pois, que defende, como algo indispensável, o Conde de Gabalis,
antes de prosseguir em suas revelações, não é, senão, a supressão desse exigido laço ou
nó da vida humana, constituído pelo sexo em nossas idades centrais, antecipando,
anormalmente, a idade senil em que o homem virtuoso, por força de lei, terá que se ver
livre da cadeia do sexo, para poder preparar fisiologicamente "seu trânsito", com aquele
asceticismo moral e físico que exige a retirada do brâmane ao seu retiro florestal, depois
de cumpridos os referidos deveres sociais ou físicos, que pressa, pois, deve haver em
antecipar de alguns anos a colheita do ascético fruto, que devemos saborear em idade
avançada, se a ela teremos que chegar como premio de nossas virtudes ?
Porém nunca o fruto da aberração psíquica, o "prazer solitário", que estabelece o
"comércio" com os habitantes dos Elementos, como preconiza Gabalis, como mais
adiante veremos.
E vêm os aforismos, que por serem em número de Vinte e Dois, representam, de
fato, o julgamento dos Arcanos Maiores:
I - A primeira concepção transcendente, que podemos adquirir do Cosmos, como
um todo orgânico, está sintetizada na filosofia do Sexo. Tudo no Universo é luminoso
ou tenebroso (a Teoria dos dois Sois - Branco e Negro - a que nos referimos na primeira
parte deste livro) ativo ou passivo, isto é, "masculino e feminino". Donde essas duas
espécies ou Características dos seres e coisas encontradas em todas as línguas sábias. As
trevas da "luz sexual" ou luz astral, como diria Paracelso, representa a espécie ou gênero
neutro.
II - A simbólica "Queda dos Anjos" das teogonias, foi a queda da própria
Humanidade no sexo. Primitivamente, os homens eram assexuados, segundo essas
mesmas teogonias, como assexuadas as plantas denominadas criptógamas, e
bissexuados ou andróginos, como deuses e a maioria das plantas. Chegaram então, os
homens, diz Platão no Banquete, a tal grau de Saber e de Poder, que os Deuses,
invejosos, os dividiram em sexos, cujas recíprocas metades se buscam sempre, sem
nunca se unificarem. Desde então, a Natureza é a primeira a rir-se de nós, na sua
impiedade, pois que, da união dos sexos opostos, ao invés de nascer a desejada
identificação ou retorno ao androginismo (mistificação), aparece o Ternário, o filho, de
acordo com a humorística poesia de Victor Hugo, que no lied de Rosamunda (a Roda do
mundo ou da vida ? perguntamos nós...), musicada por René Chansarel, assim canta:
Il était une fois
Un jardin, et j'y vis madame Rosemonde;
L'air était plein d'oiseaux les plus charmants du monde.
Quelle ombre dans les bois!
Il était une fois
Un source, et j'y vins boire avec Rosemonde;
Des naoades passaient, et je voyais dans l'ombre

Henrique José de Souza


190
OS MISTÉRIOS DO SEXO 191

Des perles à leurs doigts.


Il était une fois
Un baiser qu'en tremblant je pris à Rosemonde,
- Tiens, regarde, ils sont deux - dit une nynphe blonde.
- Non - dit autre - ils sont trois !

Natural, pois, se o sexo é queda, que a superação filosófica, depois de obedecido, seja a
libertação, embora não no necromântico sentido apontado por Gabalis.
III - Porém, essa mesma queda no sexo que é nossa crucificação na vida, também
exprime a nossa redenção futura, ao abandonar nossa "Pecadora" carne com a morte, por
aquele em que o ponto da roda que mais baixo cai, é logo o que mais alto se levanta,
quando ao caminhar, descreve sua epiciclóide evolutiva. Talvez por isso tivesse dito
Jesus que "no Reino do Pai os últimos serão os primeiros", e que ali não viveríamos
como homens e mulheres, mas como anjos celestes, ou seja, acima do Sexo. E, por sua
vez, S. Paulo ao dizer que "estes mesmos seres humanos, hoje caídos, chegariam a ser
juízes e senhores dos próprios anjos celestes", semelhantes àquele "império universal
dos sábios sobre todas as coisas e seres da Natureza", a que se refere o Conde de
Gabalis.
IV - Não conhecemos hoje os vulgares ou não iniciados meios legítimos de
escapar ao sexo, entre o que se denomina de Humanidade. Aqueles que fisiologicamente
o obedecem, sem profaná-lo, isto é, pondo a serviço do sexo animal, os divinos dons da
imaginação criadora (para o que já dissemos no capítulo anterior), estes são os
verdadeiros Homens. Aqueles que, mediante as leis da Boa Magia - não os execrandos
ou feiticeiros meios propostos em O Conde de Gabalis, leis hoje desconhecidas ou
conhecidas por um número muito limitado, alcançarem a sua vitoriosa exaltação,
denominam-se de super-homens ou "irracionais", quantos o pervertem ou prostituem.
Proverbial é, pois, a maldade do eunuco; do que tem hipertrofiada a glândula do timo,
como os criminosos natos, e em geral, todos os de sexo aberrado, de que hoje tão
valiosamente se preocupa a ciência médica, ou seja a das secreções internas ou
endócrinas.
V - Magia branca no sexo ? Tal coisa equivaleria em querer conservar, por um
lado, todo os traços da animalidade que o sexo possui, mas também todos os nossos
humanos lauréis, simbolizados no divino mito de Prometeu, por isso mesmo, elevar-nos,
cada vez mais, até chegarmos à condição de deuses. Cabe, sim, na Lei da Evolução,
aquele dualismo humano-animal, causa de todas as nossas torturas de seres decaídos: o
dualismo cruel da animalidade, que vamos abandonando, e a verdadeira ou pura
Humanidade que constante e vagarosamente vamos conquistando. Como tentar unir a
semelhante dualismo, uma terceira evolução super-humana, sem que o primitivo animal,
a Besta Rugidora da lenda do Baladro, de Merlim, em nós tenha morrido (ou
desaparecido) ? Pretendê-lo, como se quer por meio das "ciências secretas" e as sábias"
uniões com os seres Elementais, do Conde Gabalis, é querer abrir a Porta Celeste do
Mistério com traiçoeira gazua. Tais "ciências" são, assim, como já temos dito em outros
lugares, a falsa moeda do verdadeiro Ocultismo assexual e redentor, ou seja, dessa

Henrique José de Souza


191
OS MISTÉRIOS DO SEXO 192

Ciência das ciências transcendentes, sintetizada, acima de tudo, em nosso mais sublime
aperfeiçoamento moral e sexual, Ciência que há de destruir em nós aquela simbólica e
perigosa Besta, antes que o super-homem, o "Menino-Deus" nasça no presépio de nossa
animal miséria.
VI - O elemento propulsor de nossos referidos três estados evolutivos, é a
imaginação criadora. Ela, por necessidade orgânica, nos inicia, fisiologicamente, no
desejo sexual mediante preciosos sonhos premonitórios; quando debilitada e corrompida
por maus exemplos, condenáveis leituras eróticas e outras muitas patologias psíquicas,
precipita a diversos no abismo profundo das aberrações sexuais, entre elas, à da
imortalização de sílfides, ninfas, salamandras ou gnômidas, criminosamente
aconselhadas pelo Conde de Gabalis. Transcendida, entretanto, e vigorizada por
criadora força de vontade (algo desde já, semelhante ao poder de Krya-shakty), ou seja
aquela imaginação criadora, que é a Chave da Verdadeira Magia, dessa Ciência da
Virtude e essa virtude da Ciência, que, semelhante ao ensinado por Pitágoras, Platão e
Jesus, acaba por tornar o homem um verdadeiro Deus, como os mesmos das Teogonias.
Razão porque o radical latino virtus, virtude, provem do vir (1), varão, e do vis, força,
etc., pois que outra maior não se conhece sobre a terra.
VII - O amor físico entre os sexos reflete o místico Amor Ideal e sem Sexo,
como o próprio lago reflete as estrelas do céu; porém, quando as águas do referido lago
não estejam agitadas pelo tempestuoso desencadear do vento das paixões, mas, gozando
de serena tranqüilidade fisiológica; doloroso, sim, quando essa límpida e tranqüila
superfície se vê alterada sob os impetuosos ventos passionais, que uma aberrante
imaginação provoca. Por isso, estudar a imaginação equivale a estudar a origem humana
do sexo e suas aberrações. Razão de se dizer que "os artistas e os libertinos tudo despem
com o olhar". Por isso, o animal, desprovido de imaginação, só se ressente da atração
amorosa ou sexual quando a mesma imaginação da Natureza, a eterna Fada-Primavera,
a tal coisa o impele. No homem, pois, imaginação criadora e sexo são essencialmente
antitéticos, os dois polos da alta e da baixa sexualidade, e por isso, seus anelos
espirituais e suas paixões sexuais, lutam na arena da vida, como muito bem diz
Espronceda, com estas palavras:
"En este mundo, para estar en calma,
o sobra la materia o sobra el alma".
E finalmente, quando Pitágoras ensina aos seus discípulos:
-"Não vos entregueis ao sexo, quando o sintais inferior a vós mesmos - coisa
completamente oposta aos "delírios imortalizadores de Sílfides", do Conde de Gabalis,
isto é, quando o véu de Mayá, ou de Isis, criado pela paixão sexual reclama seus
reprodutores direitos evolutivos. Ou então, quando o mesmo Adepto de Crotona tem
estas outras palavras: "Não deveis jamais enaltecer a tão extensiva lei animal do sexo,
empregando o divino dom da Imaginação Criadora, porque realizareis, com isso, o mais
perfeito ato de Magia Negra, concorrendo para que a régia faculdade humana
imaginativa se torne escrava da animal condição inferior, e não ao contrário, como
aqueles insensatos cavalheiros de O mundo ao contrário, que carregavam seus cavalos,
ao invés de serem por estes transportados.

Henrique José de Souza


192
OS MISTÉRIOS DO SEXO 193

(1) O Viril Atlante, dizemos nós, que significa "força", e com a qual se moviam os
veículos naquele tempo, inclusive os aviatórios, pouco importa o descrédito por parte
daqueles que tudo negam, sem nada saberem... E ainda, para o próprio termo
"virilidade", potência, etc. etc.
VIII - Este é o maior crime de certas literaturas - inclusive a do Conde Gabalis -
enaltecedoras ou pervertedoras de uma sagrada função (1), pois que, igual às demais
funções naturais do organismo, jamais deveria ser comentada, muito menos, enfeitada
com vários adornos imaginativos ou artísticos, como aquele que cinzela e modela a
lápide de um sepulcro, onde jazem apodrecidos os restos mortais de nossa
animalidade...
IX - O Sexo, como o Estado, como as religiões vulgares ou exotéricas, como as
profissões (médicos, advogados, comerciantes, políticos, engenheiros, etc.) representa
um mal necessário (2). Donde o referido conselho pitagórico.
X - Do mesmo modo, o sexo é ainda uma realidade - e realidade tão dolorosa
quão perseguidora (3), a suprema arte humana, insistimos, seria preferível só se falar do
Sexo nos tratados de Medicina, Sociologia e outros similares. Além disso, aquele que só
vive a pensar no sexo, quando carmicamente o perde, grave perigo ocorre em pervertê-
lo. Coloquem-se em uma das conchas de simbólica balança, certas obras decadentes
atribuídas a Salomão e todas as da mesma espécie, de procedência grega e romana...
Continuem-se enfileirando por cima - com algumas honrosas exceções - o Decameron
de Boccacio, os Diálogos do Aretino, a Celestina, etc. etc.; do mesmo modo, devido a
seu estilo e perigosos realismo, as de certos literatos, e até acadêmicos. Ponha-se,
entretanto, na concha oposta, as super-sexuais e idealistas (4) e nosso horror chegará ao
auge... Sim, o alarmante horror de nossa sexual decadência.
XI - Quem se deleita com pensamentos dessa natureza; quem, em conversações
grosseiras, só trata de semelhante assunto, do mesmo modo que, por aberrações
imaginativas se entrega patologicamente ou excessivamente ao sexo, repetimos, corre
grande perigo de perdê-lo (5).
XII - Luxúria, no seu etimológico sentido, nunca foi o ato fisiológico sexual,
como pensa a maioria, pois que, luxúria provem de "jogo" e de "luxo", isto é, das
doentias excitações que o luxo e a ociosidade provocam na imaginação de ambos os
sexos: na mulher, quando, para atrair, mais agradar, se excede em adornos, em jóias,
etc.; no homem, quando assim contemplando o sexo oposto, contrariamente ao preceito
salomônico de "afasta teus olhos da mulher excessivamente adornada, para que não
venhas a cair em tentação", ou aquele do Evangelho, "quem olha com os olhos de
deleite à mulher do outro, com ela já cometeu adultério no coração". Donde, também, a
eterna castidade do Nú estatuário da Vênus do Milo, de Guido, de Falero ou de Medicis,
no Apolo de Belvedere, etc. A imaginação, prejudicada por enfeites e atavios, além de
outros meios com que lhe excita, ilude sempre com aquilo que se procura adivinhar por
baixo do que não aparece, na razão de "o proibido ser justamente o desejado". O famoso
suplício de Tântalo não nasceu do sentido que se julga, mas do luxo, pois que certo
famoso escritor já dizia a tal respeito: "Se a mulher mantem o presunçoso e egoísta culto
de sua própria beleza, de outra coisa não se pode ocupar. Madame de Castiglioni, que
adorava a si mesma como um Narciso, passou a maior parte de sua vida meditando na
maneira como aperfeiçoar, cada vez mais, os defeitos de seu rosto e as linhas de seu

Henrique José de Souza


193
OS MISTÉRIOS DO SEXO 194

corpo". "A história das mulheres que se fizeram célebres por sua formosura, demonstra
que essa mesma formosura as submeteu a verdadeira e doentia escravidão, que nem de
leve pode ser comparada com as mais cômodas, não menos atrativas e atuais exigências
para se conseguir agradar, diz Salomé Nunez Topete, e toda a beleza feminina, beleza
proclamada, corresponde a limitada missão de se considerar algo assim como um
espetáculo gratuito, embora que pesado ou custoso. Enquanto uma galante é duplamente
fácil, uma intelectual é ativa, incansável, desinteressada, uma grande mulher, enfim, que
não concordaria, jamais, que lhe dissessem "tua cabeça é formosa, mas sem juízo" (1).
Resignam-se, pois, as beldades e essa quebra universal do tipo ideal de outrora: aquelas
damas célebres apenas por seu rosto. Os mesmos pintores já não mais procuram
modelos "de rara beleza", e sim, "os muito interessantes". Um outro crítico, de fino
trato, preferiu dizer que, "se fácil é adquirir a formosura do rosto, em troca não é o de
aformosear o porte, a indumentária, o trato, a conversação, a força observadora, afina ou
delicada vontade. Em suma, a beleza feminina está quase aniquilada, vendida, pelas
elevadas aspirações de outras mulheres modernas, e pela indiferença, por sua vez, de
inúmeros homens, muito mais modernos ainda".
(1) O próprio termo "região sacra" o diz, acrescentamos nós.
(2) "Fruto proibido", dizemos nós, que um dia - com a própria evolução humana, ser ele
transcendido - acabará apodrecendo por si mesmo, e portanto, deixando de ser ou
existir.
(3) Ou pseudo-atraente, dizemos nós.
(4) Inclusive esta, dizemos nós, que submetemos ao estudo dos homens de boa vontade
e sedentos de luz.
(5) Mais uma vez, dizemos nós, "Uti, non abuti".
XIII - O Sexo, nas Matemáticas, esta representado pelas quantidades positivas e
negativas - as imaginárias são o luxo; em Mecânica, pela matéria e a força inteligente,
que a forma e fecunda; em Física, pelos elétricos opostos; em Química, pelos metalóides
e metais, electrons e íons; em Biologia, pelos hidrogenioentes e oxidrilos, nos quais a
água se decompõe, e também pelo anfiáster, que determina a cariocinese da célula; em
Fisiologia, pelo espermatozóide e pelo óvulo; em Astronomia, pelos duplos sóis, pares
conjugados, como o está também a Luz com a Terra e os planetas com o Sol; nas lutas
da História, pelos vencedores militares e vencidos, mais cultos que eles, quase sempre, e
que terminam por dominá-los... Em tudo quanto nos cerca, enfim o sexo está
simbolizado, como já foi dito, no ativo e no passivo; o arado e a terra, a chave e a
fechadura, a agulha e o tecido, o envolvente e o envolvido, a árvore e o solo que a
sustenta, etc.
XIV - O sexo, em todos os seres vivos, é uma organização justaposta,
francamente parasitária, agindo no organismo de maneira a assegurar, com o seu
contrário, a continuidade da espécie. O espermatozóide e o óvulo, característicos, em
uma outra forma, de todos os seres organizados, não são, senão, o limite supremo a que
chegam as sucessivas divisões ou cariocineses da célula que já não pode mais
segmentar-se, esterilizada ou impossibilitada como se encontra para uma segmentação
posterior, pela natureza química dos respectivos jogos protoplásmicos. Olhados sob o
ponto de vista cariocinético, representam ambos a Morte. E no entanto, ao conjugar-se,

Henrique José de Souza


194
OS MISTÉRIOS DO SEXO 195

geram, também, por suas próprias virtudes, a Vida. Tudo isso é simbolizado, talvez no
mito egípcio do anfiáster de Isis-Osíris, e os cromossomos nucleares representados pela
serpente Tifón que, embora divida o anfiáster, é também cortada em pedaços ou morta
pelo fenômeno cariocinético do mesmo anfiáster.
(1) A guisa da desconhecida frase de Schopenhauer as mulheres frívolas, etc. "longos
cabelos para curta inteligência".
XV - Amor e Morte - Morsamor, de Valera - não sinônimos conjugados, porém,
o Amor é mais forte do que a Morte, por ser justamente a vida.
XVI - O estado de civilização de um povo, do mesmo modo que sua cultura, não
se avalia por algo melhor do que a sua elevação moral e intelectual de suas mulheres, e
também pela maneira por que os homens as consideram.
XVII - O homem faz a mulher, e a mulher o homem. "Diz-me a quem amas e
como amas, e te direi quem és".
XVIII - O problema dos clericalismos, falsos misticismos, frivolidades e
egoísmo feminino, não é, senão, o justo karma ou retribuição do abandono do homem e
da falta de convivência dos dois sexos, segundo o mais perfeito princípio de igualdade,
desde que representam seres humanos - uma e outra - e não propriamente dito, homem e
mulher. A igreja faz o cassino e o cassino a igreja, dito isso, não no sentido religioso,
mas no de recinto, onde, tantas damas, tristonhas e abandonadas, buscam, não a
devoção, mas o divertimento ou passatempo.
XIX - Correm grandes perigos de perder ou perverter o sexo os que vivem
sempre a pensar nele, ou a falar, constantemente, nos seus escravizadores prazeres. Por
isso, a má literatura, chamada "pornográfica", vai diretamente contra o próprio sexo, sob
o grosseiríssimos pretexto de arte naturista, que nada tem de Arte, muito menos de
Verdade.
XX - Se admitíssemos o cristianismo assunto da Sonata a Kreutzer, de Tolstoi,
relacionado aos deveres de fidelidade que devem ser idênticos, tanto para o homem
como para a mulher, transformaríamos, por completo, as caducas bases de nossa atual
sociedade. Nesse caso, tem a palavra os biólogos e os moralistas. Entretanto, as
grandezas da monogamia e do lar tradicional, sancionado no primitivo Código do Manú
ou Manava-Dharma-Shastra, parecem constituir o mais alto ideal humano, não a
tendência animal contrária, que chamou de "mariposagem" um conspícuo precursor do
comunismo. E um sábio alemão houve também, que escreveu oito grossos volumes para
chegar a essa mesma conclusão, porque, de todos os males, o sexo, não brota melhor
planta redentora que um lar fecundo, enaltecido por todas as religiões, do mesmo modo
que preciosa ara de todos os redentores sacrifícios, não obstante terem elas mesmas,
desgraçadamente, produzido em seu seio, mais de uma vez, o que graficamente,
poderíamos chamar de "micróbio destruidor do próprio lar".
XXI - Como a chave sexual, diz-se, é a mais inferior do Mistério que nos cerca,
tudo no sexo, entretanto, possui algo de iniciação. Porém, a Natureza não conhece,
senão, duas maneiras de agir para iniciar os seres humanos: a evolutiva e revolucionária,
e a fisiológica e patológica. Por isso, as maiores vítimas do tempestuoso mar do sexo
são aquelas que antes e depois da puberdade, receberam a letal influência dessas

Henrique José de Souza


195
OS MISTÉRIOS DO SEXO 196

doutrinas, que julgam resolver o problema so sexo, estendendo, sobre o mesmo, como
disse Freud, um véu de mistério que o torna, precisamente, mais sedutora e apetitosa. À
criança de um outro sexo, desde a mais tenra idade, tanto no que ao mesmo sexo se
refere, como em outras tantas coisas, não se deve mentir. Os pais educadores cumprem
sua missão oferecendo-lhes, sempre, a verdade tal como se apresenta, suave, sem
adornos nem incentivos, na certeza de que o fazendo com toda decência, resvalará -
como a própria água de uma cachoeira, pela encosta abaixo - nessas mentalidades ainda
jovens ou não preparadas. Mais de uma vez se tem criticado, por agir ao contrário, o que
se passa no confessionário, justamente por inverter os termos do problema, procurando
saber o que de mau foi praticado em relação ao sexo, quando deveriam limitar-se - como
bons educadores - a só o fazerem com paternal e amorosa lealdade, a respeito daquilo a
que se limita, ainda, tão jovem consciência... "Qual de vossos filhos vos pedindo pão,
lhe dareis apenas uma pedra" ? ensinou o Evangelho.
XXII - O amor é o desconhecido... Por isso, a Divindade, que é supremo Amor,
também é supremo Incognoscível... Bendito seja, pois, tudo quanto restitua ao sexo seus
legítimos direitos, e maldito, quanto o afastam, por meio de enganosos processos, do
verdadeiro caminho, que é o natural, hoje tão sabiamente traçado, por isso mesmo,
oposto ao indicado por Gabalis, tanto quanto o Amor o é para o Ódio.
Os aforismos precedentes (1) representam o que o nosso insignificantes saber
nos ensina a respeito de tão grande problema, contrariamente a quantas "aberrações" ou
"desvios" servem de obstáculos à Humanidade, seguindo ou não o bom Conde de
Gabalis, bom dignos da atualidade, que em nada difere dos negros dias da Kali-yuga
ária, a que se refere Krishna em seu famoso diálogo com Maitréya, no Visnhu Purana,
quando diz:
"Nos dias em que os bárbaros foram senhores das margens do Indo, Casemira, e
Chandra-bhaga, aparecerão monarcas de mau espírito, gênio violento, mentirosos e
perversos. Darão morte as mulheres, às crianças e aos animais domésticos. No entanto,
limitado será o seu poder, curtas as suas vidas, embora seus desejos sejam insaciáveis...
Gentes de todos os países, confundindo-se com eles, seguirão o seu exemplo. Os puros
serão desprezados e o povo perecerá, porque os mlechchas estarão nos extremos, e os
verdadeiros ários, no centro. A riqueza e a piedade diminuirão cada vez mais, até que o
mundo entre em completa degradação... Então, só a fortuna dará valor aos homens; será
ela a única fonte de devoção; a paixão animal, o único laço de união entre os dois sexos;
a falsidade, o único meio de vencer as contendas; e as mulheres, simples objetos de
satisfações inferiores; a exterioridade, o único sinal de distinção entre as camadas
sociais; a falta de honradez o mais prático de todos os meios para se ganhar a vida; a
debilidade trará consigo a dependência; a mais desenfreada liberdade não dará lugar a
outras aspirações. A riqueza dará ao homem a reputação de puro e honesto; o
matrimônio não passará de simples negócio; a razão estará sempre do lado do mais
forte. E o povo esmagado pelo peso de enorme carga, emigrará. E assim, na Idade
Negra, a decadência moral continuará a sua marcha, até que a raça humana se aproxime
de sua extinção.
Quando o fim estiver próximo, descerá sobre a Terra uma parte daquele divino
Ser, que existe em sua própria natureza espiritual dotado das OITO faculdades
supremas. Ele restabelecerá a justiça na Terra e as mentes dos que viverem até o fim

Henrique José de Souza


196
OS MISTÉRIOS DO SEXO 197

serão tão puras como cristal. Os homens assim transformados serão somo SEMENTES
DE UMA NOVA RAÇA, que seguirá as leis da Idade de Ouro ou da pureza para
transformar o mundo. Dois elevados Seres, dois DEVAPIS, volverão à Terra para a
felicidade dos homens !!!

(1) Em número de 22, como os Arcanos Maiores, dizemos nós.

Henrique José de Souza


197
OS MISTÉRIOS DO SEXO 198

195. CONCLUSÃO

O Uraniano perfeito ou verdadeiro Andrógino é todo aquele que possui a sua


natureza masculina, varonil, forte, construtiva, de pensamentos claros, imaginativos e
repletos de confiança em si mesmo, na sua tríplice manifestação de Sabedoria, Amor e
Justiça. Em sua natureza feminina (a introspectiva), terno, protetor dos débeis, dos
fracos, dos oprimidos, mas forte, receptivo e protéico em todas as suas emoções,
inflexível nos seus propósitos, em resumo, com a energia das potências da vida dirigidas
para ideais colimados com essa mesma natureza, que o coloca acima dos puramente
humanos ou terrenos.
Somente da união dos dois sexos num mesmo e consciente organismo pode ser
desenvolvido um grande artista, como construtor de belas formas, ou realizador de
grandes ideais. O homem que não é conjugado debaixo desse duplo e espiritual aspecto,
deixa de ser o escultor para ser e estátua muda e fria, por ele mesmo esculpida. Deve
ser, portanto, o criador e não a criatura. Desse modo, nele se reflete a sua própria obra,
construída, animada, por seus melhores sentimentos. O mesmo acontecerá, uma dia, à
própria humanidade. Sim, porque o Supremo Arquiteto se esforça, de todos os modos,
para que a sua obra se torne completamente animada de sua Vontade. E por isso mesmo,
nele se funde, como naquela conhecida lenda trans-himalia, em que o santo e o sábio
(as duas salvadoras características humanas) Rimpotché se fundiu na estátua de
Maitréya, por sua vez, precioso Símbolo da Redenção Humana.
Deve-se notar, entretanto, que semelhante tipo de Uraniano não podia, de modo
algum, ser o hermafrodita a que se referem os grandes clássicos da Medicina, como
Marañon e outros mais, quer se trate da predominância de um sexo ou de outro. Na
época atual, o que predomina é o aspecto feminino ou lunar; não faltam homens
efeminados nem mulheres masculinizadas. quanto a estas, além de repelirem o papel
sublime de Mãe, com o qual lhes dotou a própria Natureza, miram o seu sexo como um
D. João de saias, através de um monóculo, símbolo adequado para quem vê as coisas de
modo contrário, ou seja, com um grau maior do lado em que devia estar o menor.
Francas "aberrações psíquicas do sexo", que fazem jus a um ciclo por sua vez
decadente.
Os totalmente masculinos em sua natureza masculina, e totalmente femininos em
sua natureza feminina, são os verdadeiros andróginos, a que nos referimos no começo
desta conclusão. O esoterismo denomina-os: aos masculinos, soli-lunares (ou helio-
selenitas, se o quiserem), e aos femininos, luni-solares, etc. Cada qual em seu sexo, mas
trazendo o contrário internamente.
São aqueles que sentem, física e espiritualmente, atraídos um para o outro, pois,
como verdadeiras "almas-irmãs", se completam. Por isso, procuram cada vez mais
alcançar o sublime e puro Amor, que os une para sempre. Sentem-se felizes com seu
próprio destino, sua condição sexual, como quis a Natureza, para não dizer, a prodigiosa
e sabia lei de Retribuição, que é a do Karma.

Henrique José de Souza


198
OS MISTÉRIOS DO SEXO 199

As crianças nascidas de tão abençoada união representam a verdadeira


SEMENTE da Nova Civilização, que começa a fazer seu surto no privilegiado
continente americano. Para semelhante advento foi fundada a Sociedade Brasileira de
Eubiose a 10 de agosto de 1924, senão muitos anos antes, embora que de modo
subjetivo par ao mundo profano.

**** FOTOGRAFIA *****

Schopenhauer não era inimigo das mulheres, como julga a maioria, pois, como
budista, não podia ser inimigo de pessoa alguma, e sim, de tudo quanto fosse fútil,
enganoso, prejudicial à evolução humana. Não podia, pois, suportar - como não o
suporta nenhum homem evoluído - a mulher vulgar, fútil, inimiga do lar, para não dizer,
de si mesma, a mulher a que o grande escritor ocultista francês Josephin Péladan, se
referia na sua obra "Le Vice Suprême", como tipo degenerado de Finis Latinorum, mas
em verdade, dizemos nós, do fim de toda uma civilização que definha ou morre, para
que das suas cinzas uma outra possa surgir em todo o esplendor da sua espiritual
grandeza.
A Rainha Vitória, da Inglaterra, chegava ao ponto de não permitir ao homem, em
tempo de calor, usar um leque. E àqueles que desvirtuavam por completo o verdadeiro
sentido de seu sexo, enviava ao exílio, para não servirem de exemplo a outros
indivíduos possuidores das mesmas "propensões", para não dizer, anomalias... "Vitória"
idêntica - através de pertinaz e acertada campanha - devia ser alcançada por toda a parte,
nesse sentido a começar por nosso país, com o auxílio do mundo médico, porque o caso
é mais digno de ir ter às suas mãos do que, propriamente, às das autoridades policiais.
Estas se incumbiriam de fazer cumprir as novas leis que, nesse sentido, fossem
sancionadas.
"Filhos da Evolução", entretanto, outros Homens que a caminho se acham do
"androginismo perfeito", que terá lugar na chamada "Idade de Ouro ou Satya-Yuga", os
milênio que ainda restam para se alcançar tal desenvolvimento. No fim, entretanto,
serão aqueles que, a possuindo de modo integral, conduzirão até o fim da Ronda os que
não tiverem alcançado tamanha dignidade.
Com efeito, em tal época, a reprodução será feita, entre os "andróginos
vitoriosos", pelo Poder da Vontade (o poder de Krya-Shakti), como o foi no início das
coisas, algo assim como se disséssemos "nascidos de si mesmos", portanto, sem
necessidade de união sexual. São os mais sagrados e antigos livros do mundo que

Henrique José de Souza


199
OS MISTÉRIOS DO SEXO 200

afirmam tais coisas, os mesmos que predisseram aquilo que hoje vem sendo cumprido à
risca, inclusive na própria ciência. Antes, porém, menosprezam-nas os que não
conhecem a sabedoria arcaica, para depois aceitá-las, não se envergonhando, entretanto,
quando trazidas a lume. O grande Paracelso já dizia, em seu tempo: "O que uma
Humanidade considera como do saber, considerado é pela vindoura como inútil, e até
prejudicial".
O corpo pituitário, na sua forma física, se fará o órgão dessa espiritual Vontade.
E a energia, nessa epigenesia, se expressará através dos prodigiosos fogos de
KUNDALINI. O corpo terá dois fortes condutos por onde passarão os fogos da criação,
servindo de suporte a cabeça, que será maior do que aquela que possui o homem; do
mesmo modo, canais por onde fluem os elétricos "fogos de ouro", cuja síntese é o
Sutratma.
O despertar dos fogos de Kundalini, de há muito tem sido o apanágio daqueles
que se fizerem precursores de semelhante Raça.
O fogo destruirá todas as coisas impuras, inclusive as moléstias, porque, os
"Devatas da dor e da miséria" serão transformados em Devas de outra natureza, por isso
mesmo, fiéis servidores dos homens, transformados em Deuses.
Atualmente, os canais se acham ligados, obstruídos pelas próprias formas
grosseiras dos atos e pensamentos humanos. E é a razão pela qual nem todos obtém
resultados satisfatórios da maneira de dirigir semelhantes fogos através de Ida e Píngala.
Para estes, quem sabe quantas vidas terrenas lhe serão, ainda, exigidas...
Nenhum discípulo deve perder de vista, um só instante, esse fato
importantíssimo, se representa, desde já, o fim da evolução humana. As potências
espirituais são o resultado de esforços muito acima daquilo que hoje se concebe através
do referido termo. E mesmo que tais resultados não sejam imediatos, dever é de todo o
homem praticar tão sublime quão prodigiosa Ciência. Basta a certeza de que o
fenômeno é o "Summum-bonum" da evolução terrena, para que os mais dignos e
perseverantes não se esqueçam um só dia de tão nobre quão valiosa prática.
Não se deve, ainda, esquecer, que outros homens desconhecedoras de tamanhas
verdades, no entanto se tornaram "mártires de sua ciência", somente pelo desejo de fazer
sanar os sofrimentos de seus semelhantes. São "bons e sábios", embora ainda não
Adeptos. A história está repleta de tão abnegados seres.
Não se dedicam, também, os Adeptos à verdadeira felicidade humana, que é a
espiritual, ou seja a da Superação ? Uns e outros se distinguem pelo mesmo Amor que
compartilham entre todos os seres da Terra.
Por tudo isso, o homem evoluído não deve temer o despertar desses fogos tão
sutis, prodigiosamente construtivos e realizadores, porque somente os maus atos,
palavras e pensamentos, são os três tipos de escória, que mantem obstruídos
semelhantes canais. Não são estes que se dilatam, e sim, a substância contida nos
mesmos, permitindo, assim a tais fogos se manifestarem ou despertarem. É como aquele
conto da "Bela Adormecida, à espera do príncipe encantador, que a venha despertar de
tão amargurado letargo".

Henrique José de Souza


200
OS MISTÉRIOS DO SEXO 201

Todos os homens possuem nas profundezas de seu ser, imenso tesouro que não
sabem avaliar. Com perseverança e coragem, um dia o encontrando, sentir-se-ão para
sempre felizes.
Nos primeiros momentos em que tais fogos se manifestam, aparecem as formas
grosseiras de uma evolução passada. Chamem-nas de "poderes psíquicos" (visão astral,
audição, etc.), o nome que lhe quiserem dar, contanto que aproveitadas não sejam
inutilmente, e muitíssimo pior, em detrimento alheio. Aceite-se, então, o conselho de
Buda: "guarda os teus sidhis para a tua vida futura".
A seguir, começarão a surgir os fulgurantes lampejos da Inteligência, que jamais
engana ou atraiçoa, como as que apareceram anteriormente.
Essas três exigidas etapas do Físico, do Astral e do Mental (na razão de Hatha,
Jnana, e Raja Yogas, como meios de vencê-las) estão poeticamente descritas em A Voz
do Silêncio, com estas palavras:
"Três Vestíbulos, oh! fatigado peregrino, conduzem ao termo dos penosos
trabalhos. Três Vestíbulos, oh! Vencedor de Mâra (o deus tentador), te conduzirão por
três diversos estados, ao quarto, e daí aos sete mundos; os mundos do Eterno Repouso.
Se desejas saber seus nomes, ouve e guarda contigo:
O nome do primeiro vestíbulo é Ignorância (Avidya). É aquele em que viste a
luz, onde vives e onde morrerás.
O nome do segundo é Vestíbulo da Instrução (instrução probatória). Nele
encontrará a tua alma as flores da vida, porém, debaixo de cada flor uma serpente se
acha enroscada (o mundo astral ou psíquico).
O nome do terceiro Vestíbulo é Sabedoria, além do qual se estendem as águas
sem praias do Akasha, a fonte inesgotável da Onisciência".
É, pois, desses três vestíbulos que vai tratar a nossa futura obra:

A CIÊNCIA DA VIDA ou Como se tornar um Adepto.

FIM
---------

196. CITANDO E COMENTANDO O Dr. MARAÑON

Henrique José de Souza


201
OS MISTÉRIOS DO SEXO 202

Apresentando os caracteres anatômicos e primários na diferenciação dos sexos,


diz o Dr. Marañon, como teósofo latente, por sinal que grande amigo e companheiro do
Dr. Mario Roso de Luna, tantas vezes por nós citado:
A maior e mais profunda diferenciação dos sexos se observa nas glândulas onde
nasce a sexualidade: as gônadas, isto é, o testículo do homem e o ovário da mulher. Há
animais, (por exemplo, diversos pássaros), nos quais não se pode diferenciar o sexo no
período juvenil, a não ser por meio de exame microscópico da glândula genital, tal a
semelhança entre o macho e a fêmea. Há casos, mesmo, de inter-sexualidade
pronunciada (hermafroditismo) no homem e em diversos animais superiores.
Embora não haja razão para se fazer aqui uma descrição embriológica e
anatômica da glândula germinal, mister se faz ter presente, para a perfeita compreensão
de nossas anteriores afirmações, os seguintes e elementares fatos:
1o - Há no ovário duas espécies de tecidos: o tecido folicular e o tecido
intersticial. O folicular é formado por células do tipo epitelial, que se dispõem em
lâminas constituindo uma vesícula (a vesícula de Graaf), cheia de um líquido (líquido
folicular), no qual banha uma célula extraordinariamente diferenciada (o óvulo ou
gameta fêmea), célula que fecundada por um espermatozóide ou gameta macho, dará
nascimento ao ovo ou zigoto. Uma camada de elementos conjuntos (a teca) forma um
revestimento externo, que protege a vesícula assim constituída.
O tecido intersticial é formado de células epitelióides do tipo glandular,
lembrando aquelas que formam o parênquima hepático ou córtico supra-renal. Elas são
dispostas em, grupos disseminados entre as vesículas.

CARACTERES SEXUAIS - G. MARAÑON: ENSAYOS SOBRE LA VIDA SEXUAL


- CAP I - PÁG. 28 - ESPASA - CALPE S.A. MADRID - 1951

Anatômicos

Mulher Homem

Primários (genitais)
a) Ovários a) Testículos
b) Trompas b) Epidídimo, canal deferente
Útero Vesículas Seminais

Henrique José de Souza


202
OS MISTÉRIOS DO SEXO 203

Vagina Próstata
Vulva (lábios, clitóris) Pênis, escroto
c) Seios bem desenvolvidos c) Seios rudimentares
Secundários (sexuais)
a) Predominância do desenvolvimento- a) Predominância do
pélvico sobre o es- vimento escapulário sobre
capulário. o pélvico
b) Sistema locomotor pouco b) Sistema locomotor muito
poderoso. poderoso.
c) Maior desenvolvimento e c) Menor desenvolvimento e
distribuição da gordura sub- distribuição da gordura
cutânea sub-cutânea
d) Sistema piloso infantil e ca- d) Sistema piloso desenvol-
beleira abundante e persis- vimento, cabelos menos abun
tente. dantes e caducos
e) Laringe com desenvolvimento e) Laringe bem desenvolvida

FUNCIONAIS

Primários (genitais)
a) Libido com o homem a) Libido com a mulher
b) Orgasmo lento e não neces- b) Orgasmo rápido e neces-
sário a fecundação. sário a fecundação.
c) Aptidão conceptual c) Aptidão fecundante
Menstruação
Gravidez. Parto.
Lactação
Secundário (sexuais)
a) Instinto maternal e cui- a) Instinto de agir social-
dado direto sobre o fi- mente (defesa e desenvol-
lho. vimento do lar)
b) Maior sensibilidade às b) Menor sensibilidade às
reações afetivas e menor reações afetivas e maior

Henrique José de Souza


203
OS MISTÉRIOS DO SEXO 204

disposição para o trabalho capacidade para a abstra-


abstrato e criador ção mental e criadora.
c) Menor aptidão as impulsões c) Maior aptidão as impulsões
motrizes ativas e a resis- motrizes e à resistência
tência passiva. passiva.
d) Timbre de voz aguda (sopra- d) Timbre de voz grave (baixo
no para contralto) para tenor)

Enfim o folículo amadurece e se rompe para dar origem ao óvulo; a cicatriz da


vesícula rota se transforma em um tecido de igual aparência glandular, formado de
células especiais ditas luteínicas. Cada grupo de células luteínicas constitui um corpo
amarelo.
Como o ovário, preenche duas funções, uma genésica ou externa (produção do
óvulo maduro), e outra endócrina ou interna (produção dos hormônios que determinam
e protegem as funções e os caracteres da feminilidade). tem-se procurado dar a essa
divisão do trabalho uma baixa diferenciação histológica, isto é, de assinalar a cada um
dos tipos de tecidos ovarianos uma função diferente. Mas se a sede do processo da
ovulação é conhecida (o folículo), o mesmo não acontece a secreção endócrina. Em
diversas fazes do progresso científico, foram considerados como origem da secreção
hormonal o tecido folicular, o intersticial e os corpos amarelos. Hoje, entretanto,
sabemos que o tecido folicular, é certamente a fonte de hormônio muito importante do
ovário, a foliculina, que rege o ciclo menstrual e os fenômenos primários do libido
feminino. Resta, entretanto, dizer que, no tecido intersticial e nos corpos amarelos, são
elaborados também funções endócrinas, que não são, de fato, a foliculina. É possível
que cada um desses tecidos, como já vimos há muito tempo sugerindo, exerce uma
dessas funções hormonais complexas, sem podermos precisar a que uma função
corresponde cada grupo histológico.
2o - A Gônada masculina ou testículo é também formada por dois tipos de
tecidos: o seminífero e o intersticial.
O seminífero é encarregado de formar os gametas macho ou espermatozóides.
Ela se compõe da canais (tubos seminíferos) constituídos por células epiteliais de duas
espécies: uma que se transforma diretamente em espermatozóides (ditos
espermatogônias) e outras, que não se transformam, jamais, em espermatozóides e que
provavelmente servem de elementos de sustentáculo e de nutrição às precedentes
( células de Sertoli). Alguns autores julgam que elas representam também um papel de
increção.
As células intersticiais ou células de Levdig, são do tipo glandular, que se
agrupam em conglomerados mais ou menos densos, entre os tubos seminíferos. A maior
parte dos autores julgam que às mesmas se deve a elaboração da secreção interna
testicular. no testículo, por conseguinte, a divisão do trabalho corresponderia a uma
nítida divisão histológica; a função seminal ou externa seria preenchida pelo tecido

Henrique José de Souza


204
OS MISTÉRIOS DO SEXO 205

seminífero, a função endócrina ou interna, pelo tecido intersticial. não obstante, existem
vários casos clínicos e experimentais que não se enquadram no referido esquema.
3o - As duas gônadas ( o ovário e o testículo) provêm do mesmo tecido
embrionário: a eminência uro-genital. Até a quarta semana da fecundação é impossível
discernir no embrião (que então atinge o tamanho de 11 a 13 mm), se a futura gônada
será masculina ou feminina. Não quer dizer, entretanto, que pelo fato de não se poder
fazer semelhante distinção, o sexo já não esteja determinado. É bem possível que a
razão de tal coisa esteja na insuficiência de nossos métodos de análise. Mas, em suma, é
preciso admitir que em certo estágio, o futuro tecido germinal, é ainda indiferenciado,
sem pender para o sentido testicular ou ovariano. A diferenciação não se produz senão
no fim de determinado tempo. A gônada é, pois, indiferenciada a seus fins, contendo em
poder, as duas sexualidades. É admitido, hoje, por todos os autores, que essa
diferenciação quase nunca se efetua de maneira absoluta, mas, ao contrário, subsistem
elementos masculinos no ovário e femininos no testículo, ou antes, uma aptidão bi-
funcional latente das células, susceptível de se manifestar em certas condições e de
secretar hormônios de sexo contrário. Segundo essa hipótese, toda a gônada (em um
outro sexo) seria, por conseguinte, um ovário-testículo, mas com predominância dos
elementos testiculares, entre o macho, e ovarianos entre a fêmea.
Pelo que se vê, a teoria ocultista, por nós apresentada pela primeira vez,
diferencia o testículo direito (solar ou masculino) do esquerdo (lunar ou feminino), e na
razão inversa para o ovário, é de certo modo, corroborada pelo Dr, Marañon, ainda que
suas prodigiosas teorias não estejam de todo elaboradas. Por isso mesmo, a
possibilidade da fecundação do sexo que se queira, fazendo funcionar um ou outro dos
testículos, em relação com a narina do mesmo lado (com atuação nervosa, seja para o
simpático ou solar, ou para o vago ou lunar), conforme apontamos em outros lugares,
principalmente em pessoas normais ou perfeitamente equilibradas com as forças
cósmicas.
"Em circunstâncias anormais, continua o famoso endocrinologista, essa
persistência das células dos dois sexos na mesma glândula já tem sido demonstrada em
considerável número de casos de hermafroditismo, tanto no animal como no homem.
Mas sem chegar a esses casos indiscutíveis de verdadeiro ovário-testículo (1), em
muitos outros aparecem células isoladas da gônada contrária, coincidindo com
manifestações anatômicas funcionais de inter-sexualidade. Não podemos, até agora,
determinar em que medida essa predominância da bissexualidade histológica é
frequente, porque os meios de análise são por ora imperfeitos. É provável que o tecido
intersticial, sempre menos diferenciado que o tecido germinativo propriamente dito
(folicular e seminífero), é a sede dessa confusão histológica, como pensaram Steinach e
outros.
A mais importante questão do problema está em se saber se a gônada
originalmente indiferenciada em todos os indivíduos, conserve, no decorrer do
desenvolvimento, esta virtualidade bi-sexual em um certo número de organismo, ou em
todos, a frequência dos casos intersexuais em clínicas humanas, de uma parte, e o fato
de que, em muitos casos, essa transformação intersexual sobrevenha tardiamente entre
indivíduos que anteriormente não apresentaram o menor estigma da confusão, faz crer
que a a virtualidade bi-sexual da gônada é um fenômeno universal, persistindo de modo

Henrique José de Souza


205
OS MISTÉRIOS DO SEXO 206

latente no maior número de indivíduos e se manifesta, claramente, em outros, quer no


decorrer da existência, sob o efeito estimulante de circunstâncias ocasionais, quer desde
o começo da vida extra-uterina. Entretanto, ao menos teoricamente, não seria possível
imaginar, senão em princípio, um grupo de seres humanos não suscetível de atingir tão
perfeita diferenciação da gônada, que tornasse impossível qualquer alteração de sua
futura especificidade sexual. Seriam os sexos-tipos, atualmente excepcionais, mas que
se tornarão mais numerosos, à medida que a humanidade for progredindo (2).
(1) Para a mulher, dizemos nós, e testículo-ovário para o homem; em estudos nossos já
denominamos, mesmo que embrionariamente, de luni-solares soli ou hélio-lunares, etc...
(2) Caminho ao androginismo, dizemos nós, do começo até alcançar a total consciência
da Ronda.
Não resta a menor dúvida de que o problema só será resolvido quando nossos métodos
histológicos e biológicos houverem progredido, sobretudo, no terreno da Embriologia.
4o - Uma outra questão, que não deve ser perdida de vista, é que a gônada
masculina (o testículo) sofreu, além de sua evolução intrínseca, um processo de
migração, do interior do abdômen, onde teve a sua origem, para o exterior, depositando-
se nas bolsas escrotais. Ordinariamente, logo que a criança do sexo masculino vem ao
mundo, seus testículos já efetuaram a referida descida. Mas, em um grande número,
observa-se a criptorquidia ou um retardamento na descida do testículo, que estaciona em
regiões diferentes, seja no interior do abdômen, ou no trajeto inguinal. Essa
criptorquidia pode ser corregida, espontaneamente, ou persistir definitivamente. Por
conseguinte, no que concerne ao desenvolvimento da virilidade em um indivíduo dessa
natureza, semelhante dote topográfico será também de considerável valor.
Órgãos acessórios de reprodução: Tais órgãos são constituídos pelas trompas, o
útero, a vagina e os órgãos vulvares, na mulher, e pelo epidídimo, vesículas seminais,
canais deferentes, próstata, pênis e escroto, no homem.
Todos esses órgãos acessórios, são diretamente adaptados à realização do ato
genital. Seu fim é servir: 1o - à migração; 2o- à sua conjugação, depois à nidação e ao
desenvolvimento do ovo ou zigoto que disso resulta.
A diferenciação desses órgão acessórios da reprodução é muito nítida entre os
seres humanos normais. Entre os recém-nascidos, constituem o único elemento de
determinação do sexo, porque todos os outros caracteres diferenciais não existem, a não
ser no estado rudimentar. Enquanto não se examina essa região não se sabe se o fato,
cuja cabeça se apresenta na vulva materna, será menino ou menina.
O verdadeiro ocultista, sem necessidade de clarividência psíquica, mas apenas
por sinais, chamados subjetivos, o reconhece com bastante facilidade, dentre eles, a
feição materna, que se torna emagrecida ou seca quando o ser gerado é masculino, e
arredondada ou um tanto gorda, quando é feminino.
Conhece por acaso, a medicina os sinais subjetivos de uma anginacrupal ?
Ignora-os por completo. No entanto, apresentamos alguns: a criança atacada dessa
doença ergue-se repentinamente e vem ter à beira do leito, de olhar espantado; quando
não, põe uma das mãos espalmada sobre a nuca, acompanhando o gesto por grande
irritabilidade nervosa. Não falemos no odor característico de todas as doenças, que se

Henrique José de Souza


206
OS MISTÉRIOS DO SEXO 207

pode ser pressentido pelo médico entendido em assuntos ocultistas, logo ao chegar à
porta da casa do seu doente. Do mesmo modo, sabe se vai ou não morrer. Tudo isso e
muito mais ainda explicaremos em nossa próxima obra "A Ciência da Vida ou como se
tornar Adepto" (1).
Numa categoria importante de indivíduos (os hermafroditas e muitos pseudo-
hermafroditas), o exame dos órgãos genitais não permite facilmente tal distinção, sendo
impossível determinar o sexo; essa tese, muitas vezes só pode ser resolvida por exame
histológico da gônada.
Explica-se tão frequente indiferenciação se conhece a comum origem desses
órgãos em um outro sexo. O mesmo canal de Muller do embrião se desenvolverá na
mulher para formar as trompas, o útero e a vagina; no homem, ele se atrofiará, ficando
reduzido ao utrículo prostático. Por sua vez, o mesmo tubérculo genital do embrião se
desenvolverá amplamente no homem, para formar o pênis com a parte cavernosa da
uretra e as bolsas escrotais; e se atrofiará na mulher, transformando-se em clitóris e em
pequenos e grandes lábios.
Já tivemos ocasião de dizer que, esotericamente, a mulher possui
introspectivamente os órgãos genitais masculinos. E tudo isso para provar o
androginismo do começo, a que nos referimos, que se reproduzirá novamente no fim da
evolução humana. H.P.B., na "Doutrina Secreta", por sua vez, demonstra as similitudes
existentes entre o cérebro e os órgãos genitais em ambos os sexos. Donde as perturbação
que no mesmo se dão, como já dissemos, devidas ao abuso do coito e outras anomalias
relacionadas com o sexo.
É este um dos motivos porque muitos preconizam a castidade absoluta - mesmo
para a aquisição de poderes psíquicos, etc. - no que não estamos de acordo, pois no
sexo, como em tudo mais na vida, necessário se torna estudar as tendências dos
indivíduos. Assim, tanto uma abstinência total como o abuso podem ocasionar
gravíssimos distúrbios. Ninguém ignora que tanto se pode morrer por falta de alimento
como também de uma indigestão, através das respectivas complicações.
No homem e na mulher adultos, tais órgãos característicos do sexo não são, pois
rigorosamente específicos; no primeiro há órgãos femininos hipoplásticos, e na segunda,
órgãos viris, igualmente rudimentares.
(1) Certa vez, em São Lourenço, parou à porta da Residência Presidencial da S.B.E.
(Vila Helena) uma charrete para nos conduzir, segundo pedido urgente de um médico
amigo da localidade, ao Hotel Bela Vista, para vermos um doente que se achava muito
mal. Três médicos inclusive aquele que nos mandou chamar, levaram-nos à presença do
doente. Logo ao entrarmos, sem outro exame prévio, já tínhamos divulgado seu duplo
etérico baloiçando sobre o corpo, como querendo se desligar do mesmo, através do
plexo solar. Olhamos, mesmo de longe, o doente, que falava, queixava-se de uma dor do
lado, que muito o incomodava, etc., e delicadamente nos afastamos, tomando lugar em
uma das cadeiras existentes na varanda do referido Hotel. Dando por nossa falta, vieram
os 3 médicos saber por que razão não havíamos dito coisa alguma, saindo tão depressa
do quarto do doente. sim, respondemos, porque ele só durará, no máximo, uma oito a
nove horas. Viemos para casa, e no dia seguinte o próprio médico amigo, que nos havia
chamado na véspera, telefonou dizendo que o doente tinha falecido oito horas depois...

Henrique José de Souza


207
OS MISTÉRIOS DO SEXO 208

Órgãos mamários - Inútil insistir sobre o desenvolvimento tão típico dos seios na
mulher e de seu estado rudimentar no homem. Os seios são o órgão representativo da
aptidão lactária, uma das funções sexuais primárias da mulher. Por nos afastarmos de
todos os autores, é justamente que não hesitamos em fazer figurar tais órgãos entre os
caracteres anatômicos primários.
Todavia, não encontramos também nesse caso uma distinção radical entre os
dois sexos. No homem subsistem freqüentemente restos de tecido mamário pequeno,
além da morfologia atrófica, porém, constante, indicada pelo pequeno mamilo
masculino cercado por sua auréola. Tais restos mamários podem desenvolver-se de
modo eventual devido à ação de diferentes estimulantes, dando lugar à ginecomastia,
que será estudada mais adiante. É muito interessante notar a origem comum
embriológica do seio e das glândulas sebáceas e sudoríparas da região compreendida
entre as raízes dos membros superiores. Essas glândulas tem um caráter sexual muito
nítido, porque elas desprendem o odor axilar, cuja importância é inegável na atração dos
sexos.
Em algumas mulheres esse odor aumenta, consideravelmente, quando da
aproximação do período mensal; em outras, por felicidade, raras, esse chamado "odor-
femina" toma caraterísticas especiais tão profundas que se tornam as "mulheres fatais"
de que trata a própria História.
Entretanto, os indivíduos, de ambos os sexos, que abusam da alimentação
carnívora, possuem também tal odor muito pronunciado, assemelhando-se ao das
próprias feras, de cujas jaulas dificilmente nos aproximamos sem termos de levar o
lenço às narinas.
No estudo dos caracteres sexuais, o autor apresenta como o mais significativo
dos anatômicos secundários, o que se relaciona com o tamanho proporcional da bacia e
da cintura escapulária. A bacia da mulher é mais larga do que a do homem, em relação
ao tamanho do diâmetro que separa os pontos mais distantes das espáduas. Tal
privilégio na mulher está ligado à necessidade de ter de alojar na bacia os órgãos
femininos da gestação; por isso, dever-se-ia considerar, de fato, tal conformação como
um caráter primário. Basta vê-los, mesmo que vestidos, para se distinguir um sexo do
outro. No homem, as ancas são estreitas (não há regra sem exceção, dizemos nós,
principalmente em se tratando de um final de ciclo racial, onde os indivíduos
apresentam em se tratando de um final de ciclo racial, onde os indivíduos apresentam
diversas deformações, na maioria dos casos, de origem luética, etc.) indicando sua
aptidão ao esforço físico. Na mulher, o peito é nitidamente menor, em relação ao
tamanho da bacia, indicando que o plano de sua arquitetura é subordinado às
necessidades da maternidade. A acumulação da gordura peri-pélvica acentua o
contraste. Porém, mesmo entre as mulheres negras se torna evidente. A maior largura
pélvica faz com que na mulher as coxas convirjam fortemente para os joelhos. No
homem, o paralelismo das coxas é muito mais estrito. Tal diferença imprime à marcha
uma modalidade distinta, em um ou outro sexo. Se medirmos as respectivas dimensões
da bacia e das espáduas, a diferença que o simples exame visual permite constatar,
plenamente se firma. É este o quadro de Vierordt completado por Well:

Henrique José de Souza


208
OS MISTÉRIOS DO SEXO 209

Homem MulherEunucóide

1) Largura das espáduas 39,1 35,2 36


2) Largura da bacia 30,5 31,4 31
Relação entre 1 e 2 1:0,78 1:0,89 1:0,86
3) Circunferência torácica 82 76 80
Circunferência pélvica 81 84 81,5
Relação entre 3 e 4 1:0,89 1:1,11 1:1,02

Essas diferenças típicas não existem na infância, época em que a bacia dos dois
sexos é muito semelhante. A diferença se opera, certamente, sob a influência dos
hormônios genitais. Enquanto o hormônio testicular não age sobre o desenvolvimento
pélvico, e sim sobre o torácico, o hormônio ovariano estimula, especificamente, o
desenvolvimento da bacia, três ou quatro anos antes de aparecerem as primeiras regras.
Poder-se-á constar que desde o começo desse desenvolvimento começa a acumulação da
gordura pélvica, como se a natureza quisesse proteger, de avanço, essa parte do
esqueleto que vai ser a arca da maternidade.
Vê-se, no quadro de Vierordt, que, faltando a secreção genital (estado
eunucóide), a bacia fica no estado indiferenciado, assemelhando-se ao da mulher. Nos
animais castrados, tal falta de diferenciação sexual da bacia é um dos fenômenos mais
típicos e constantes. Se se enxerta em tais animais uma glândula ovariana, a bacia
desenvolve-se normalmente. E se injeta em animais jovens fortes doses de extrato
ovariano, o aumento pélvico aparece antes da idade normal. Não é, pois, duvidosos que
semelhante alteração fundamental do esqueleto não seja um verdadeiro caráter
específico do sexo.
Esses caracteres não são os únicos, no que diz respeito às respectivas proporções
do esqueleto, que diferenciam o homem da mulher. Mas, não faz parte de nosso plano
entrar em detalhes. Lembremos, entretanto, para ser mais fácil a compreensão, aqueles
que se relaciona com a altura da cabeça, do tronco e das extremidades. Se
considerarmos uma criança púbere, uma mulher e um homem, donde somente a cabeça
emerge de um plano, a altura desses três crânios é aproximadamente igual; é apenas
maior no homem que na mulher, e ligeiramente mais visível o tamanho entre esta e a
criança. Se virmos esses três indivíduos assentados no mesmo plano, a progressão
descendente do homem para a criança, se acentua sobremodo, mas sem ultrapassar os
discretos limites. Se então os três se puserem de pé, a diferença a favor do homem se
torna mais visível, a mulher tendo, como sempre, o lugar intermediário entre aquele e a
criança.
É fácil, ainda observar que, estando o homem de pé com os braços pendentes em
supinação (as palmas para diante), o braço e o ante-braço formam um ângulo médio de
173.17 graus, enquanto na mulher o ângulo é de 167,35 graus.

Henrique José de Souza


209
OS MISTÉRIOS DO SEXO 210

Em geral, todo aparelho locomotor (esqueleto, articulação, tendões, músculos)


do homem é mais potente que o da mulher. É talvez difícil, com um osso isolado entre
as mãos, diagnosticar o sexo daquele a que o mesmo pertenceu, mas, o conjunto do
esqueleto dá uma impressão tão diferente que não poderia haver confusão. Nota-se logo
a grande robustez no esqueleto masculino e a impressão nitidamente infantil do
esqueleto feminino. Mesmo os ossos pélvicos, de menor envergadura no homem, são de
uma estrutura mais forte que os da mulher.
Ademais, dizemos nós, grande é a diferença entre o crânio de uma mulher e do
homem. Os próprios pássaros se distinguem pela cabeça: o macho a possui achatado no
vértex, enquanto a fêmea, arredondada. Muitas pessoas quando desejam comprar, por
exemplo, um canário, não sabem como distinguí-lo da fêmea. A cor, nas aves, por sua
vez, distingue um sexo do outro. O macho é sempre de cor mais escura que a fêmea.
Em harmonia com a potência estrutural óssea, o sistema muscular do homem é,
por sua vez, mais forte do que o da mulher; os relevos musculares, nas condições
normais, modelam-se sobre a pele discretamente adiposa; enquanto na mulher, mesmo
que esportista, é de notar que os músculos deformam, por seu relevo aparente, os
contornos, modelados pela gordura, da morfologia feminina (1)
Como apêndice às diferenças sexuais do esqueleto, citaremos os dos dentes:
Na mulher nota-se a predominância do desenvolvimento dos incisivos centrais
superiores sobre os caninos. O contrário se dá no homem. Os dentes superiores da
mulher são em geral, mais serrados que os do homem. Entre os intersexuais, esse caráter
aparece, segundo nossa experiência, com acentuações equívocas (virilóides na mulher e
feminilóides no homem). É pois mais um fato interessante a juntar aos já conhecidos.
(1) Em caso contrário, dizemos nós, a mulher que desde a puberdade apresenta
músculos salientes nos braços, do mesmo modo como o homem quase sem musculatura,
poderia muito bem ser um caso de hermafroditismo, mesmo que não manifestado
visivelmente.

Do mesmo modo, a distribuição da gordura é completamente diferente nos


homens e nas mulheres normais e submetidas a condições exógeras análogas de
alimentação e de repouso. Neste caso, a gordura sub-cutânea da mulher é, desde logo,
mais abundante que a do homem. Poderão dizê-lo quantos tenham feito operações
cirúrgicas ou autópsias; logo que um homem, devido a qualquer perturbação no seu
metabolismo, ou por comer em demasia, engorda bastante, as massas musculares
predominam sempre sobre a tecitura adiposa. Na mulher, mesmo que emagreça, a
gordura tende, não obstante, a predominar sobre o músculo; isto, porém, quanto a
quantidade, pois existem outras diferenças não menos interessantes, no que diz respeito
ao tecido adiposo.
A gordura subcutânea na mulher, sobretudo no tipo astênico, acumala-se de
preferência, na região retromamária, na parte inferior do ventre na região pubiana, em
volta das ancas e das nádegas: em suma, na metade inferior do corpo, na maioria dos
casos, escapa ao engrossamento (1). Mesmo que se trate de grandes obesidades, o

Henrique José de Souza


210
OS MISTÉRIOS DO SEXO 211

excesso de gordura tende a invadir o rosto, o pescoço, a região torácica e a parte alta do
ventre, deixando a perna um tanto fina.
Estudando uma síndrome muito interessante, ou seja, a lipodistrofia progressiva
de Barbaquer-Simon, ou lipodistrofia céfalo-torácica, segundo nos propusemos chamar
essa síndroma, como se sabe, consistindo na desaparição da gordura da parte superior do
corpo (cabeça, tórax e braço) enquanto que a da parte inferior do corpo (baixo ventre e
pernas) conserva seu volume ou mesmo aumenta, temos feito notar que não se age, de
fato, senão da expressão patológica de uma disposição formal entre a maioria das
mulheres de tipo astênico.
Como a morfologia astênica seja mais particularmente feminina que a pícnica,
acontece que essa distribuição adiposa se apresenta entre as mulheres mais
profundamente femininas, as astênicas, e em seguida, as que são mais próprias para
excitar o libido masculino. É interessante notar que, precisamente a lipodistrofia céfalo-
torácica - verdadeira caricatura de uma forma normal - é observada sempre na mulher, e
nunca, pelo que sabemos, no homem.
Nas crianças, a distribuição da gordura é a mesma em ambos os sexos. No
decorrer dos anos que precedem a aparição das regras, já se percebe na rapariga, quase
sempre de modo notável, o depósito adiposo peri-pélvico.
(1) Outro sinal de hermafroditismo, quer em um como em outro sexo, isto é, quando
acontece o contrário - a mulher com a parte inferior mais estreita, e o homem com a
mesma mais larga.

Esta gordura pélvica seria, pois, a primeira a se manifestar no desenvolvimento


do dimorfismo sexual da mulher.
Sua acumulação precede o desenvolvimento esquelético da bacia, acentuando
assim a importância biológica e a significação erótica desse caráter ósseo.
Na época pré-menopáusica, a gordura sub-cutânea da mulher se apropria da parte
superior do tronco. Ela dá lugar ao arredondado adiposo da cintura escapular, dos braços
e do pescoço, característica esta do chamado tipo matrona que permite, debaixo de uma
nova forma, prolongar muitas vezes durante alguns anos, os atrativos físicos da mulher.
As do tipo pícnico, achatado (cheio) São mais sujeitas à deformação e a suportá-la mais
intensamente.
Tanto os homens como as senhoras gordas, dizemos nós, na maioria dos casos
são fracos, eroticamente falando, perdendo mesmo, os homens, prematuramente a
virilidade (1), e as senhoras, do mesmo modo, alcançando cedo o período da
menopausa.
A mulher atual evita a gordura típica da maturidade sujeitando-se a severos
regimes de hipoalimentação (2), dedicando-se à ginástica (3), a silhueta juvenil é assim
conservada, à custa dessa fase de beleza madura; atualmente, as senhoras elegantes
passam sem transição da mocidade a decrepitude senil.

Henrique José de Souza


211
OS MISTÉRIOS DO SEXO 212

É preciso escolher, diz um grande sábio da ciência endocrinológica, em uma


anotação, "entre a pele lisa e a ruga"; a humanidade atual preferiu a primeira. Por isso
mesmo, as modas de hoje são concebidas para a vida à luz do artificialismo.
Temos estudado, recentemente, com grande minúcia, as características sexuais
da pele e do sistema piloso. Procuremos resumi-las:
De modo geral, podemos dizer que a pele da mulher é mais lisa, mais delicada e
acetinada, menos pigmentada que a do homem. As glândulas sebáceas menos
abundantes que no homem, o que explica sua menor predisposição para erupções de
acne e de furúnculos, etc.
E cita em uma anotação um sinal, entre os sexuais de origem circulatória:
(1) Do termo atlante e sânscrito vril, donde o nosso viril - força, poder, potência, etc.
(2) Muitas vezes condenados, como os levados a efeito por meio de medicamentos,
principalmente com a tiróide, etc., tais os distúrbios que podem provocar, senão a
própria morte...
(3) Como o mais aconselhável

"Segundo Novak, 80 % das matronas tem, nas coxa, ligeiras sinuosidades de


pequenas veias eclásicas, que o homem apresenta bem mais raramente. Tal fenômeno
poderia relacionar-se com a maior frequência das varizes no sexo feminino (1).
Os dados tricósicos relativos à distribuição e aos caracteres dos pêlos e dos
cabelos são os seguintes:
Cabelos - As características sexuais dos cabelos são o comprimento, a
caducidade e o modo de implantação.
Essas três modalidades distinguem um sexo de outro, o que torna, a meu ver, seu
estudo muito interessante, contrariamente a opinião da maioria dos autores que supõem
o caráter formá-lo desde o nascimento, pouca importância representando os cabelos na
formação sexual.
Os cabelos da criança já possuem tendências para ser mais longos e mais finos
no sexo feminino, mas a diferença é ainda pouco visível.
Não é senão depois da puberdade, logo que os cabelos da mulher adquirem seus
característicos comprimento e fineza, que aparece, nitidamente, a diferenciação sexual.
Emitiu-se a hipótese que, se o homem deixasse crescer indefinidamente os cabelos,
atingiriam eles o mesmo comprimento do da mulher. Essa asserção é certamente
errônea".
Indivíduos há, entretanto, dizemos nós, que em criança, mesmo que do sexo
masculino, possuem cabelos até os quadris, como tivemos ocasião de conhecer (poucos
em verdade), mas que contrariam a regra geral indicada pelo eminente endocrinologista
por nós citado e comentado. Uma dessas crianças do sexo masculino possuía uma
cabeleira tão basta e comprida que sua mãe ofereceu a metade para uma imagem ainda
hoje existente em Salvador, e o restante, por sua vez, ficou na mão da madrinha da

Henrique José de Souza


212
OS MISTÉRIOS DO SEXO 213

referida criança. De fato, em questões dessa natureza, como em tudo mais na vida, não
há regras sem exceções.
E sem citar as crianças do sexo masculino, por ele mesmo já ter afiançado que
em tal época a diferença é pouco visível (e a prova é que a criança por nós citada, ao se
tornar homem, seus cabelos tomaram outra feição, seguindo também a forma normal de
crescimento no referido sexo, sem ultrapassar os ombros, na razão dos "nazar ou
nazarenos", como eram os do próprio Jesus e todos os Adeptos da referida seita), chega
ao ponto de afirmar que "um homem possuidor de cabelos longos e bastos como os da
mulher é um monstro, uma aberração da natureza".
Convém notar que, segundo suas próprias teorias que muito tem de comum com
as ocultistas, ao menos uma grande parte delas, até os 15 anos (vide nosso diagrama ou
quadrante que divide a idade em quatro períodos) o menino possui características
feminis, enquanto a menina, masculinas; dessa idade em diante, se passa para a
característica de cada sexo e dos 45 anos em diante começam a voltar ao que eram na
infância. O vox populi diz que ambos chegam a senectude: "E virou criança", "deu para
brincar e cometer toda sorte de asneiras", etc
(1) Principalmente, dizemos, para aquelas que tiveram muitos filhos.

Mais adiante, quando fala dos atrativos eróticos para ambos os sexos, referindo-
se ainda aos cabelos, faz ver o seguinte:
"A longa cabeleira foi em todas as épocas um dos traços característicos da
atração sexual da mulher. Há diversas histórias de mulheres - na sua maioria espanholas
e italianas - que se tornaram célebres por suas magníficas madeixas: sua cabeleira
bastou, independentemente dos demais atrativos, para desencadear a paixão em muitos
homens.
Desde o Cânticos dos Cânticos, depois Catulo e Ovídio e tantos outros - quase
sempre poetas - cantaram as belezas de negras, castanhas e loiras cabeleiras, sempre
luxuriantes, da bem-amada". Contrariamente, como já dissemos em outros lugares deste
livro, a moda da jovem usar seus cabelos curtos, "à la garçom", de cigarro nos lábios,
mesmo que estes mais do que enrubecidos pelo cheiro do fumo, principalmente para os
homens que não tem semelhante vício.
"Convém ajuntar, diz o Dr. Marañon, no que diz respeito aos cabelos curtos da
mulher, que seu verdadeiro sentido não é, como se pensa, o de uma tendência
masculinizada. É bem verdade que a aparição de semelhante moda coincidir com o surto
feminista no mundo (bem que ele o diz... ! ), no decorrer da 1a Grande Guerra e dos
primeiros anos de sua conclusão, e que a mesma se aliou a um conjunto de detalhes
anatômicos e indumentários que revelavam nitidamente uma tendência inversa. Mas, a
parte das razões de comodidade e economia que representam, para a mulher, os cabelos
curtos e que influíram sobre a duração de tal moda, a verdadeira razão dessa "tosquia"
(mutilação, como ele próprio diz) sexual é menos uma tendência virilóide do que uma
aspiração juvenil.
E completa as suas afirmações através da seguinte rota:

Henrique José de Souza


213
OS MISTÉRIOS DO SEXO 214

"Com efeito, toda interpretação sexual posta de parte, os cabelos curtos dão uma
aparência de juventude e é, portanto, a principal razão de se tornar em "moda". Na época
da Revolução Francesa, a nuca rapada era, como agora, a moda, em homenagem aos
guilhotinados ("Chaveux à la sacrificiée).
O estudo da caducidade dos cabelos, mesmo que um caráter sexual viril, é
bastante interessante. Realmente, a partir da puberdade, os cabelos do mancebo, e não
da rapariga, começam a desaparecer dos ângulos fronte-parietais, até então recobertos,
dando lugar, entre um grande número de pessoas, à calvitites frontalis adolescentium.
Passados vinte e cinco ou trinta anos, tal fenômeno se torna quase geral e tende para a
forma típica da fronte "livre" do homem, não pela sua vaidosa opinião da grande
importância da massa encefálica, mas pelo banalíssimo fenômeno da queda precoce dos
cabelos.
Entre grande número de homens, a queda dos cabelos continua e a calvice, mais
ou menos espalhada, aparece até invadir, em certos casos, todo o couro cabeludo, exceto
o occipital e a região parietal. A meu ver a caducidade dos cabelos, degenerando muitas
vezes em calvice, tem pois um sentido virilóide indiscutível. Todas as experiências que
foram feitas para explicar a calvície exclusivamente por motivos locais - seborréia - ou
gerais - diátese artrítica - carecem de base, sendo que tais causas existem, igualmente,
nos dois sexos e que a mulher não se torna calva senão excepcionalmente. Não se deve,
pois, invocar senão um fator constitucional ligado ao sexo. Em todo caso, se a calvície é
uma acidente patológico, é preciso admitir que seu agente etiológico apresenta
predileção para o sexo masculino que lhe pode conferir o título de verdadeiro caráter
sexual.
Mas, o que vem provar não se tratar de um fenômeno mórbido, e sim, de um
acidente em relação com a vida sexual, é que na idade em que se produz a queda dos
cabelos da fronte, a cabeleira com tendência a se desenvolver para a nuca, desenhando a
modalidade occipital da cabeleira do homem maduro, que vamos agora descrever. De
outro modo, é muito frequente, como afirmam diversos autores, e como por nossa vez
temos verificado, que a calvície precoce coincide com uma afluência extraordinária dos
cílios, da barba e dos pelos do púbis e das axilas. Mister se faz juntar, como já dizia
Hipócrates e continuam repetindo todos os observadores, que os eunucos jamais se
tornam calvos, conservando - como eu mesmo tive ocasião de constatar, os ângulos
fronto-parientais cobertos de cabelos, tal como as senhoras e crianças.
O estudo da patologia nos oferece, também, muitos dados interessantes a
respeito da calvície, considerada como um caráter sexual viril: Quando, por efeito de um
tumor da capsula supra-renal, a sexualidade de uma mulher se torna perturbada, e que,
entre os sinais de virilismo, aparece uma forte pilosidade do tronco e da face, este
hirsutismo, tão claramente masculino, não é acompanhado, como se pensa julgar, de um
crescimento de cabeleira; muito ao contrário, os cabelos encurtam e caem, indicando
tudo isso a positiva categoria dos caracteres viris".
Mais adiante procura provar que, à caducidade dos cabelos e ao seu
comprimento, é preciso juntar, como caracteres sexuais, as modalidades da linha de
implantação sobre a fronte, a região zigomática e a nuca.

Henrique José de Souza


214
OS MISTÉRIOS DO SEXO 215

Nas crianças, qualquer que seja o sexo, os cabelos são plantados na fronte,
seguindo uma linha à concavidade inferior, porque eles cobrem inteiramente os ângulos
fronto-parietais..... Logo atingida a puberdade, esses ângulos começam a se
desguarnecer, e pouco a pouco a linha de implantação na convexidade inferior, ora
ligeiramente indicada, ora apresentando profundas entradas laterais (calvities frontalis
adolescentium).
Entre as crianças de puberdade precoce, e as senhoras de franco caráter viril,
observa-se essa mesma disposição dos cabelos. Buschke e Gumpert verificaram tal
fenômeno, além de Steins; mas não admitem senão com certa reserva seu sexual
significado.
E mais adiante:
Nas senhoras em idade de menopausa, a queda dos cabelos fronto-parietais se
produz mui freqüentemente; o que vem explicar a razão por que certos autores não
conhecendo a idade, tenham seguido diretrizes diferentes da nossa.
Na região zigomática, os cabelos da mulher terminam bruscamente. No homem,
continuam sem interrupção com a barba, que começa justamente por essa região, ao
mesmo tempo que se estende ao mento e sobre o mento. Nas mulheres francamente
viris, observa-se a tendência para a disposição masculina.
Enfim, no que diz respeito à nuca, já descrevemos a disposição dos cabelos
nitidamente distinta nos dois sexos. Em mulher adulta, terminam de modo muito
preciso, sobre a pele sempre lisa da nuca, seguindo uma linha característica por dois
prolongamentos laterais, firmes e constantes, formados por longos cabelos frisados, e
eventualmente por um prolongamento central, que infalivelmente o deve fazer através
de um outro simétrico, sobre a linha mediana da fronte.
No homem adulto, essa terminação occipital é imprecisa: ora os cabelos
terminam horizontalmente, ora os prolongamentos laterais são vagamente desenhados e
mesmo o central - mas sem a reconhecida precisão e nitidez da mulher. Contrariamente,
são sempre formados por cabelos curtos, os pelos espalhando-se em toda a região que,
passados os quarenta anos, é fartamente coberta. No adolescente, pode-se observar uma
disposição que, embora não seja idêntica, faz lembrar a observada na mulher. Esta, em
troca, conserva a mesma disposição típica até a idade avançada.
Nas crianças, a implantação dos cabelos na nuca é muito parecida em ambos os
sexos. Ela desenha uma linha horizontal, colocada mais alto do que o adulto, e
apresentando um prolongamento mediano.
Mais tarde, a partir de cinco anos, porém mais precocemente entre as meninas,
os prolongamentos são desenhados indistintamente em ambos os sexos; entre os oito e
dez anos aparecem no menino pelos um tanto atravessados que mais tarde cobrirão toda
a região; em troca, na menina, os prolongamentos laterais persistem e se espalham,
destacando-se com nitidez sobre a pele lisa da nuca.
O caráter familiar e a hereditariedade muito influem sobre todas essas
modalidades de implantação (inclusive, dizemos nós, quando de origem patológica - a
lues, etc.), donde as novas teorias das escolas anglicanas, para diferenciar as doenças
congênitas e de contágio: o sifilítico, por exemplo, que possui congenitamente a sífilis,

Henrique José de Souza


215
OS MISTÉRIOS DO SEXO 216

para o sifilítico, que contraiu essa doença após o seu nascimento; o tuberculínico, do
mesmo modo, para o tuberculoso, e assim por diante. Sabe-se mesmo, que a queda dos
cabelos, quer da cabeça, quer das pernas, e até da região pubiana, são indícios certos da
LUES. Na Homeopatia, por exemplo, onde se cogita os sintomas, embora algumas
vezes abusando mais deles do que da causa... pois nem sempre se deve olhar uma cousa
desprezando a outra. NITRI-ACID, é o medicamento aconselhado, pois que em sua
patogenia figuram os referidos sintomas, designando mesmo as regiões onde tem lugar o
desprendimento ou queda dos pelos, a ponto de, na banheira, etc. serem eles constatados
em abundância.
Quanto às sobrancelhas, no homem não mais desenvolvidas, com maior
tendência a se juntarem (sinofridia) e se espalharem até uma idade muito avançada,
coincidindo então com a abertura tardia da pilosidade corporal, que vamos estudar, o
que faz contraste com a tendência à calvície.
Entre os homens idosos as sobrancelhas crescem em desmesuradamente e se
interpenetram.
Esse fenômeno é muito mais frequente na raça semítica. Temos visto, por
exemplo entre os velhos judeus, sobrancelhas que chegam voltar nas extremidades,
como se fossem verdadeiros bigodes. Quanto mais antiga é a raça, tanto mais se constata
o referido fenômeno.
Na mulher se dá justamente o contrário: as sobrancelhas são menos espessas,
menos compridas para a linha mediana, e o crescimento cessa ao mesmo tempo que o
desenvolvimento.
Notamos que as mulheres de todos os tempos foram sempre atraídas pela
depilação, como que procurando acentuar seu desenho linear, ou seja o essencialmente
feminino.
Assim também, quer em um sexo como no outro, a abundância das sobrancelhas
segue geralmente a dos pelos das axilas e do púbis.
A significação sexual da barba e do bigode é por demais conhecida para que
insistamos a seu respeito. Sua ordem de aparição, segundo o mesmo Dr. Marañon, é a
seguinte:

1 - Ângulos externos do lábio superior;


2 - Região zigomática, prolongando-se para baixo dos "favoritos";
3 - Região mentoniana e sub-maxilar;
4 - Remanescente do bigode e da barba.

Segundo o que temos observado, mui freqüentemente é ver, durante um certo


tempo, a barba limitar-se às três primeiras regiões, constituindo a forma juvenil. Muitas
vezes entre os jovens de evolução retardada, essa forma juvenil persiste anos inteiros,
não chegando senão tardiamente à forma total ou adulta. Todo o homem que se barbeia
desde a puberdade pode testemunhar o fato, fazendo apelo à sua memória.

Henrique José de Souza


216
OS MISTÉRIOS DO SEXO 217

Essa evolução crono-topográfica da barba masculina se reproduz nos casos de


hirsutismo virilóide na mulher.
Em tais casos, tem lugar na primeira fase, nas três primeiras regiões de nossa
enumeração ou forma juvenil. E apenas nas síndromes de virilismo muito intenso que
aparece a forma total ou madura de barba. Por não reconhecer semelhante distinção
entre a forma juvenil e adulta, certos autores, como Olivet, por exemplo, supuseram que
a barba feminina nada tinha de comum com a masculina. Nós insistimos que a mesma
difere da do homem adulto, mas é idêntica à masculina juvenil.
Quanto às outras zonas de pilosidade facial, nem todos os autores ligam
importância aos pelos que se espalham (ou crescem) quase sempre no homem de idade
madura, do orifício auricular, do mesmo modo sobre o lóbulo das orelhas, e nas fossas
nasais, senão mesmo na ponta do nariz. Tal fenômeno jamais acontece na mulher, salvo
em casos excepcionais, nas de idade muito avançada. sua significação especificamente
sexual não é, pois, para suscitar dúvidas. Reafirmamos que a aparição desses pelos é
tardia - entre 40 e 50 anos - e que seu apogeu é muito mais tardio ainda: quase pré-senil
ou mesmo senil.
Em referência a pilosidade pubiana, suas formas, diferentes em cada sexo, são
bem conhecidas. Na mulher, os pelos obedecem à mesma disposição que no
adolescente, isto é, terminam no alto por uma linha horizontal, e no baixo, invadindo
raramente o períneo.
No homem, a disposição é feminóide na época da puberdade; porém, nos anos
post-púbere, evolui de modo típico, a pilosidade tornando-se mais cheia que na mulher,
prolongando-se ao alto até o umbigo, seguindo a linha média do abdome e invadindo
para trás o períneo e a margem do ânus.
Na pilosidade axilar, se é que não são mais espessos, nenhuma outra diferença se
constata entre a de um sexo e do outro. São mesmo abundantíssimos nas mulheres
muito morenas, de sorte que nenhuma diferença quantitativa existe para outro sexo.
Quanto ao odor que se desprende das axilas, já foi tratado anteriormente, para
que tenhamos de insistir sobre o assunto, embora sua importância erótica em ambos os
sexos.
No que diz respeito à pilosidade do tronco`e das extremidades, de modo geral,
são cobertos de pêlos os do homem, enquanto que na mulher, tais regiões são lisas (com
exceção do púbis e das axilas). Embora muitas exceções e variedades existem nesse
esquema, sua significação sexual é indiscutível. Mais interessantes, pois, notar a ordem
da aparição dessa pilosidade.
Na maioria dos indivíduos jovens do sexo masculino - não entre todos - tal
ordem é a seguinte:

1 - Ante-braço ( plano extensor ou posterior);


2 - Pernas (plano extensor ou posterior);
3 - Tórax (parede anterior);

Henrique José de Souza


217
OS MISTÉRIOS DO SEXO 218

4 - Coxas (plano anterior);


5 - Ventre (parede anterior);
6 - Dorso

Insistimos sobre o fato de que tal ordem, sendo a mais conhecida varia num
grande número de casos. Certos homens acabam por ter toda a superfície da epiderme
coberta de pelos, excetuando apenas a planta dos pés e as palmas das mãos. Tal
fenômeno tem lugar, de preferência nas raças morenas. E já foi dito que freqüentemente
esse hirsutismo exuberante coincide com uma calvície precoce.
É quase impossível descrever sistematicamente as variedades na topografia e
cronologia da pilosidade viril. É frequente, por exemplo, observar na região torácica
duas modalidades: uma, a pilosidade se acumula exclusivamente ou de modo
predominante sobre as regiões mamilares, deixando livre a zona do esterno; na outra,
acumula-se nessa região respeitando as zonas mamilares. No dorso, que entre muitos
homens é desprovida de pelos, a pilosidade adota também, quando aí se desenvolve,
duas disposições bastante típicas, ou antes, se apropria das fossas sub-escapulárias e
região deltóide, ou então, a mais dessas duas zonas, cobrindo as regiões infra-
escapulárias e o sacro, onde procura formar um verdadeiro tufo, semelhante a um
penacho (ou cauda), como já foi dito anteriormente. Muitas outras variedades poderiam
ser citadas. Uma das mais raras é a distribuição da pilosidade que denominamos de "tipo
faunesco", onde o tronco e os braços ficam lisos ou quase lisos, enquanto os membros
inferiores, o sacro e o púbis cobertos de pelos.
Aí, como no rosto, podemos distinguir dois tipos de hirsutismo: um juvenil, que
compreende as três primeiras zonas da enumeração anterior (ante-braço, pernas e tórax)
e que aparece nos primeiros anos da maturidade masculina - única que chegam a
apresentar muitos homens, o que se observa também na maioria das mulheres atingidas
de hirsutismo viril. O outro tipo, total ou adulto, é a forma final, aquela que se observa
entre os homens maduros, no hirsutismo muito completo, e entre raras mulheres
apresentando um hirsutismo intenso patológico.
A raça e a cor dos pelos influem bastante no grau de desenvolvimento desse
caráter. As formas intensas de hirsutismo são muito mais frequentes entre os indivíduos
morenos das raças do sul. Em tais raças - o mesmo se aplicando às mulheres - um
hirsutismo de primeiro grau (pernas e antebraço) é tão frequente que seu caráter
fisiológico não mais depende, em realidade, de sua presença, mas de sua intensidade.
Devo insistir sobre um caráter que me parece essencial na cronologia dessa
pilosidade e daquelas que já temos estudado: a lentidão da evolução. Nos casos normais,
essa aparição sucessiva de zonas pilosas se opera no decorrer de muitos anos, e não se
acelera senão em idade muito avançada. Mais ou menos pelos quarenta anos, sobrevém,
geralmente, em muitos homens, um impulso súbito da pilosidade, que não cessará senão
na velhice; coincide muitas vezes com a aparição ou acentuação da calvície.
Devemos lembrar que muitas crianças, de ambos os sexos, sobretudo no
feminino, apresentam, ao nascer, pilosidade no tronco, especialmente no dorso e nas
extremidades, em particular no ante-braço (1). Tal penugem persiste durante alguns

Henrique José de Souza


218
OS MISTÉRIOS DO SEXO 219

anos. nos casos de infantilismo patológico até uma idade mais adiantada, tal como já foi
observado. É preciso, pois, descobrir aí um verdadeiro sintoma desse infantilismo.
A significação desse lanuge fetal é muito discutível e não nos foi possível
estudá-lo até agora; mas, pode-se conjecturar que, quando se iniciam nas primeiras fases
do desenvolvimento as preponderâncias masculinas ou femininas, logo dessa "primeira
puberdade" de Steinach, predominam, sem dúvida, influências virilóides, que
desaparecem mais tarde, porém deixando o sinal indelével da pilosidade.
Algumas vezes, tal pilosidade precoce desaparece espontaneamente na menina,
logo que chega a verdadeira puberdade, se a influência feminina adquire o necessário
vigor. O mais provável é que essa pilosidade do recém-nascido - assim como os cabelos
anteriormente estudados - pouca relação tem com os caracteres sexuais definitivos,
propriamente post-púberos. Mas, de todos os modos, as mulheres fortemente providas
de lanugem infantil são aquelas que mais tarde, no decorrer da vida, apresentam a maior
predisposição ao hirsutismo fisiológico ou patológico.
Duas palavras sobre os cabelos anelados ou frisados:
São, desde logo, um caráter racial (cabelos encaracolados nos negros, lisos nos
amarelos, ondulados dos brancos). Em nossas raças brancas, constituem, de outro modo,
um caráter juvenil, poderíamos dizer, fetal; o feto nasce, muito comummente, com
cabelos anelados, que se alisam depois. Os cachos persistem muitas vezes durante toda a
infância, mas raramente depois da juventude, e excepcionalmente até a maturidade. Os
cachos sendo um atributo da mocidade, explica-se a sua razão de ser mais frequente na
mulher.

(1) E nas orelhas, acrescentamos.

Convém notar, acrescentamos, que muitas doenças - principalmente


acompanhadas de febre alta - modificam não só a qualidade como a cor dos cabelos. Na
gripe chama "espanhola", inúmeros casos se deram, confirmando assim a nossa
afirmativa. Pessoas com cabelos lisos e negros passaram a tê-los cacheados e castanhos.
Noutros se deu justamente o contrário. Das doenças que muito concorrem para o
fenômeno figuram o sarampo, a varíola, etc. por afetarem de perto a pele.
É muito estranho que os pelos do púbis sejam quase sempre anelados. A perda
desses caráter coincide, em um ou outro sexo, com a involução.
Os pelos do tronco, sobretudo os do tórax, apresentam particularmente
predisposição a se anelar.
Como um apêndice ao estudo dos cabelos, temos a dizer que as UNHAS são
mais longas e mais fortes no homem que na mulher. (1).
Pode-se considerar essa diferença como um verdadeiro caráter sexual, segundo
Esbach, cujas minuciosas medidas permitiriam estabelecer as cifras de 0.384 mm como
a espessura média da unha masculina, e a de 0.346 mm para a feminina.

Henrique José de Souza


219
OS MISTÉRIOS DO SEXO 220

O último caráter anatômico que desejamos apontar diz respeito ao


desenvolvimento da laringe - a da mulher fica em estado de hipo-evolução e a do
homem se desenvolve completamente, tanto no que diz respeito à sua morfologia geral,
que se firma exteriormente pela existência ou ausência da "maça de Adão" (ou "fruto
proibido", como diz o vulgo), como pelo tamanho e grossura das cordas vocais.
Segundo Richerand, a abertura da glote aumenta, do menino ao homem, na proporção
de 5 para 10, enquanto o aumento da menina para a mulher não é senão 5 para 7.
Esta última desigualdade é a mais importante, e da mesma depende, diretamente,
a diferença de timbre entre a voz dos homens e das mulheres, que reputamos de imenso
valor específico do ponto de vista sexual.
Antes de falarmos do timbre de voz, citando e comentando a maior sumidade em
matéria endocrinológica, devemos deixar aqui consignado um fenômeno de há muito
conhecido do Ocultismo, e que a ciência médica começa a tomar na devida
consideração: refere-se a estreita ligação existente entre as amígdalas e o apêndice. Por
isso mesmo, todo cuidado deve haver por parte do médico, em não permitir sua extração
em qualquer caso, o que se poderia resolver clinicamente. Sim, a extração das amígdalas
ou do apêndice, poderá ocorrer com o correr do tempo que um desses órgãos venha a ser
afetado sem o equilíbrio do outro.

(1) Nem sempre, dizemos nós, obediente, muitas vezes, à questão da inter-sexualidade
por que tanto se bate o insigne Dr. Marañon, porquanto, é mesmo usual dizer-se "unha
feminina" e "unha masculina" par aos sexos inversos.

Nesse caso, a medicina homeopática está muito mais adiantada. O número de


curas, em ambos os casos, e já na iminência de uma intervenção cirúrgica, é tão grande
que só não o conhece que prima negar as coisas sem conhecimento de causa, e outros,
para "não darem às mãos à palmatória", como se costuma dizer.
Para a amigdalite, por exemplo, aí está, em primeiro lugar, a Baryta carbônica,
além do mais, para evitar um possível tumor, se o indivíduo é positivamente luético,
Mercurius iodat ruber 5a alternado com Belladona atr 3a. Mesmo que supurada, uma só
dose de Thuya 200 (5 gotas para 15 gr. de água destilada), seguido dum tratamento
complementar. A própria angina crupal é debelada, de início, com Mercuriuscyanatus
30 e Tarantula cubensis 5a, podendo variar as dinamizações de acordo com a gravidade
ou não do caso. E isso, ao invés do soro de Roux, de posteriores e perigosas
perturbações, impossível de ser previstas por quem, dentro de sua própria medicina, o
aplica em uma hora tão difícil.
Quanto a apendicite, são tantos os medicamentos, segundo os sintomas, que seria
fastidioso enumerá-los. Bastam os seguintes: Dioscorea vilosa, e mesma Belladona atr.
Colocinthis, Mercurius iod ruber, etc. etc.
Para terminar o seguinte capítulo, que foi um tanto longo, e mais para profanos
do que para médicos, se na sua maioria não podem deixar de possuir em suas valiosas
estantes as obras do grande endocrinologista Dr. Gregório Marañon, citaremos o que diz
respeito da voz:

Henrique José de Souza


220
OS MISTÉRIOS DO SEXO 221

"As diferenças anatômicas da laringe, num e noutro sexo, correspondem as vozes


dotadas, por sua vez, de uma significação específica diferente. Nos tons graves, a voz da
mulher é de uma oitava mais alta que a do homem, e no registro agudo, em média, mais
alta de duas oitavas (Schultze).
A voz propriamente feminina é a voz de soprano em suas diversas modalidades
ou graus. As vozes propriamente masculinas são as de barítono e de baixo. Pode-se
considerar como vozes intersexuais a de tenor lírico no homem e de contralto na mulher.
Se se considera a importância que tem a voz para a atração sexual, nas espécies
animais, compreende-se que o mesmo devia acontecer com o homem, bem que até
agora, apesar de sua importância ainda muito elevada, tenha perdido o seu primitivo
valor. H. Ellis fez observar que a sugestão sexual da voz, nas espécies animais, é
geralmente a própria do macho. Não somente é ela mais poderosa como tem as aptidões
características para o canto. Supõe ele que de modo análogo, na espécie humana, a
mulher é mais sensível à atração da voz masculina que o homem pelo encanto da voz
feminina. "A voz feminina, diz, para sustentar a sua tese, difere um pouco apenas da
criança". Não podemos admitir essa razão, quando sabemos que à parte dos caracteres
maternais, tolos os demais traços da feminilidade são precisamente a tonalidade infantil
e, todavia, se tornam atrativos específicos da libido masculina. De fato, poderíamos citar
inúmeros exemplos tomados da vida real, ou através de interpretações literárias da vida,
que provam que se é precisamente atraído para uma mulher por causa da voz.
Um outro ponto interessante é o encanto erótico das vozes intersexuais. A voz de
contralto é, para muitos homens, especificadamente sugestiva e provoca diretamente a
libido. Quanto à voz tenor, sua significação erótica é, afora de dúvida, de grande
influência para a mulher, como se pode constatar facilmente no delírio que a mesma
provoca no teatro. Tais fatos fazem parte de fenômenos geral da "inter-sexualidade,
como estimulante do erotismo em ambos os sexos": fenômeno ao qual poucas naturezas
escapam, e que entra na generalidade das predisposições inter-sexuais primitivas, mas
aparece, quase sempre de um modo pronunciado entre os indivíduos dotados de um
sexo pouco diferenciado.
Entre as crianças, a voz leva muito tempo para adquirir a diferenciação
específica. De todas as manifestações funcionais da criança, aquela que menos revela
seu sexo é a voz. A discriminação é difícil, mesmo na época da puberdade, porque a
rapariga conserva uma vez infantil e, no homem, é um dos caracteres que mais
tardiamente se viriliza: passa, no começo, por uma fase que dá lugar aos típicos
adolescentes de "voz de frango". Aristóteles já dizia que essa transformação sobrevém
mais cedo entre os jovens que precocemente se dedicam ao amor.
Freqüentemente, ao se aproximar o período da menopausa, a voz das mulheres
se torna mais grave.
Quando mudanças patológicas se produzem na sexualidade (virilização da
mulher, feminização do homem), a voz traduz a mesma tendência invertida como nos
outros caracteres sexuais. Se antes da puberdade o testículo do homem for suprimido
por uma operação ou moléstia, a voz fica indefinidamente fixa no registro de tenor, o
que demonstra uma vez mais, o caráter inter-sexual do timbre.

Henrique José de Souza


221
OS MISTÉRIOS DO SEXO 222

Notemos, enfim, que a propósito desse caráter sexual, como de todos os outros,
pode-se observar uma inversão parcial, isto é, que no homem uma voz nitidamente
afeminada pode coincidir com a sexualidade morfológica e funcional tipicamente
masculina. E vice-versa, uma voz grave coexistir em uma senhora com uma
feminilidade perfeita, embora que, de ordinário, a inversão da voz não se apresenta
como um caráter isolado, mas fazendo parte de um vasto conjunto de síndromes inter-
sexuais".
Sabe-se, acrescentamos nós, que outrora, os pequenos do "Coro da Capela
Sixtina" - para manterem a voz afeminada - passavam por uma intervenção cirúrgica
( castração que os transformava em verdadeiros eunucos), que lhes dava ainda outras
características feminís, como por exemplo, o desenvolvimento dos seios e dos quadris.
Convém, ainda, notar que o temor, o susto, etc. provocam momentaneamente, a
modificação do timbre da voz em certos indivíduos de qualquer sexo.
Para terminar: a um clarividente, o que é mais notável para distinguir um sexo
do outro, desde criança, o tamanho do chacra raiz ou muladara. No sexo feminino ele é
muito maior do que no masculino. E se se trata de uma senhora que já teve diversos
filhos, o tamanho é por demais notável para escapar a indivíduos possuidores de
semelhante privilégio. contrariamente, possui o homem mais desenvolvido o coronal
(ou Sahasrara) do que a mulher. E isso, para provar que o homem tem maior
desenvolvimento mental (ou inteligência) do que a mulher (com as devidas exceções de
todas as regras), cuja função principal é a da maternidade. (Veja-se o que diz, em outros
lugares, Gina Lombroso, como valioso testemunho do que acabamos de afirmar). Nada,
entretanto, de maior valor para a nítida compreensão de nossas anteriores palavras do
que as próprias vidas dos "manus raciais", onde o "Homem ensina aos de seu sexo as
coisas do espírito, enquanto sua esposa, às suas companheiras, as que dizem respeito ao
lar, à maternidade, etc."

***** finis *****

Henrique José de Souza


222