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TIPOS DE PAPEL,

HISTÓRIA E ACABAMENTOS

Karen Kiomi Takino


RA: 102180131
3PPN
INTRODUÇÃO
Muitas pessoas acreditam que a impressão
começou através de Gutenberg, porém, ela se
iniciou já no século VI, na China, com a utilização
de blocos de madeira onde as palavras e
imagens eram entalhadas. O livro mais antigo do
mundo, The Diamond Sutra, foi produzido em
868 d.C. por meio desse processo.

The Diamond Sutra

A impressão de caracteres de texto individuais


feitos de argila endurecida foi realizada na China,
no século XI, por Pi Sheng. No século XII, a
impressão a partir de tipos metálicos começou a
ser praticada no Extremo Oriente (China, Coreia,
Japão), mas não avançou, pois era inadequada
para os caracteres ideográficos.
Johaness Gutenberg revolucionou a impressão
com a criação de tipos móveis (obtidos a partir de
um molde), o que permitia revisar e corrigir um
texto antes da impressão. Cada caractere era
Impressão na China Antiga esculpido em uma punção de aço, que,
percutida contra uma chapa de metal mais
macio, como o cobre, produzia a matriz(molde).
Sobre essa chapa, vertia-se uma liga de metal
fundido de chumbo, estanho e antimônio para
criar o tipo móvel. Os tipos móveis eram então
montados, linha por linha, para formar a página;
depois da impressão, as páginas eram desmon-
tadas e os tipos podiam ser reutilizados.

Tipos móveis
DE GUTENBERG ATÉ OFFSET
Gutenberg estabeleceu uma gráfica em Mainz, Alemanha, em 1444, e começou a trabalhar na sua
bíblia de 42 linhas, publicada em 1456.

Bíblia de Gutenberg

De construção simples, a prensa de madeira de


Gutenberg baseava-se na prensa de vinho: os
tipos eram fixados em um quadro, na mesa da
prensa, e entintados com almofadas (feitas de
pele de carneiro e com cabos de madeira): a
folha de papel (previamente umedecida para
uma melhor impressão) era colocada por cima e
então um torno de madeira era girado
pressionando uma tábua contra o papel para
imprimir o tipo. Somente 200 anos mais tarde o
projeto básico dessa prensa foi aperfeiçoado e as
almofadas de tinta, substituídas por roletes.
Oficina tipográfica medieval

Na imagem acima é mostrada a oficina tipográfica de Abraham von Werdt, que trabalhou entre 1640
e 1680, em Nuremberg. No primeiro plano, o papel é umedecido antes da impressão; ao fundo, os
tipos são montados em páginas; à direita, os tipos na prensa são entintados com almofadas (depois
substítuidas por roletes).
A impressão, baseada na invenção de Gutenberg, espalhou-se rapidamente pela Europa, chegando
à Inglaterra em 1476, quando William Caxton montou sua oficina de impressão. Stephen Daye levou
a impressão para a América em 1638. Impressores em vários países desenvolveram diversas faces
de tipo (typefaces), cujas versões ainda estão em uso atualmente.
Com o passar do tempo, as prensas começaram
a ser fabricadas com ferro em vez de madeira,
apresentando um mecanismo de alavanca no
lugar de um torno. O Conde de Stanhope
construiu a primeira dessas prensas por volta de
1800 e ela foi aperfeiçoada por George Clymer,
cuja prensa Columbian era de utilização mais
fácil. Seguiu-se um período de rápida inovação
no projeto de prensas e, em 1814, o The Times foi
impresso em uma prensa de cilindro movida a
vapor, criada por Frederich Koenig, que imprimia
folhas de papel; a primeira prensa rotativa (que
imprimia a partir de uma bobina de papel) foi Prensa de cilindro movida a vapor, de Frederich Koenig
introduzida nos Estados Unidos por William
Bullock em 1865.
A prensa de cilindro a pedal, alimentada com
papel manualmente, era utilizada para pequenas
tiragens.
Esta prensa era utilizada para pequenas tiragens
e acionada pelo pé do impressor. Os roletes
transferem a tinta do disco à direita para os tipos
na mesa da máquina. As folhas de papel
são inseridas à mão e prensadas contra a página
composta com os tipos para fazer a impressão.
Até o fim do século XIX, o crescimento da
impressão foi prejudicado devido à lentidão e ao
custo da composição manual dos tipos. Um
compositor manual podia diagramar cerca de mil
caracteres por hora, portanto as gráficas que
imprimiam jornais e livros precisavam de muitos
compositores para acompanhar seu ritmo de
publicação.
Prensa de cilindro a pedal

Esse problema foi resolvido com a invenção da


máquina Linotipo, de Ottmar Mergenthaler, instalada
no New York Herald Tribune, em 1886. Ao pressionar
um caractere do teclado, uma matriz de bronze (em
baixo-relevo) desse caractere descia pelo canal de
um magazine até o componedor. Quando uma linha
de tipos estava completa no componedor. Quando
uma linha de tipos estava completa no componedor,
ela era enviada ao molde para fundir uma linha sólida
de tipos com chumbo. Ao final, a matriz era
encaminhada ao distribuidor, por onde retornava ao
magazine.

Linotipo, Ottmar Mergenthaler


Em 1890, surgiu o sistema Monotipo, inventado por Tolbert Lanston, que consistia em duas partes:
um teclado produzia uma fita de papel perfurada, que então era inserida em uma fundidora que, por
sua vez, fundia cada tipo na ordem correta. Correções na composição da Monotipo podiam ser feitas
à mão, enquanto na composição da Linotipo, a linha inteira precisava ser diagramada novamente.
Com essas duas máquinas, o texto então podia ser composto na velocidade da digitação, o que
diminuiu os custos de impressão e editoração daquela época. Supreendentemente, as duas
máquinas continuaram em uso comercial até os anos 1980, quando a fotocomposição e, mais tarde,
a composição digital se mostraram mais viáveis economicamente.

Monotipo, Tolbert Lanston

As ilustrações eram impressas por meio de técnicas como xilogravura (blocos de madeira) ou água-
-forte (matrizes metálicas gravadas com ácido) até que Alois Senefelder inventou na Alemanha, em
1796, o processo de impressão litográfica. Os desenhos eram feitos em pedra e permaneciam em
uma superfície plana. Nesse processo, utiliza-se uma tinta oleosa, e a imagem é impressa com base
na repulsã natural entre óleo e água, sendo este o princípio da impressão offset.

Alois Senefelder, impressão litográfica


TIPOS DE PAPÉIS E SUAS CARACTERÍSTICAS
Feito um breve entendimento da história da impressão e conhecendo os primeiros materiais que
eram utilizados, compreendemos a origem e o desenvolvimento dos suportes e processos. Agora,
serão abordadas informações referentes aos tipos de papeis e suas características, compreendendo
as possibilidades de utilização.
O tipo de matéria-prima, o processo e os diferentes
aditivos, possibilitam a fabricação dos mais variados tipos
de papel.
A colheita da matéria-prima se dá através do corte e
transporte das árvores até os locais de fabricação, onde
rão por uma limpeza, para posterior divisão em cavacos de
tamanhos pré-estabelecidos.
Os cavacos são cozidos em um digestor à temperatura de
160°C. Nessa etapa já se tem acesso a uma pasta marrom
que pode ser usada para fabricação de papéis não
branqueados.
O branqueamento é feito com alvejantes, que são
adiconados à pasta marrom transformando-a em polpa
branqueada.
A polpa de celulose é espalhada em uma tela de metal que
roda entre diversos cilindros. A matéria é então seca e
prensada até atingir a gramatura desejada para o papel a
ser produzido. Processo de produção do papel

Aproveitamento de Papel
Uma etapa muito importante no desenvolvimento de um projeto gráfico é a definição do tamanho do
suporte (geralmente papel), e tão importante quanto, é usar um tamanho que possibilite um bom
aproveitamento de papel. Muitas vezes, por questões de um ou dois centímetros, o projeto pode
acabar custando bem mais caro do que sairia se fosse construído com pequenas alterações.
A primeira coisa para se avaliar sobre o melhor aproveitamento de papel são os tamanhos
disponíveis de mídia. Feito isso você precisa pensar em qual é a área útil de impressão digital.
Os tamanhos mais comuns de papel usados para
impressão digital são o formato A4 (21cm x 29,7cm) e o
formato A3 (29,7cm x 42cm). A área útil de impressão
digital sempre será menor do que o formato da mídia.
Você terá que sempre levar em consideração um
desconto de 0,5 cm em cada borda da mídia. Por
exemplo, numa folha A3 que tem 29,7cm x 42cm de
tamanho, você terá 28,7cm x 41 cm de área útil de
impressão.
Com estas duas informações básicas você já consegue
começar a planejar os melhores formatos para obter o
melhor aproveitamento de papel e assim obter o melhor
custo benefício nas suas impressões digitais.
A seleção do papel é de suma importância para a boa
execução de trabalhos impressos, pelas propriedades de
suas diferentes classes, que influem de maneira decisiva
no custo e na apresentação da obra. Ele deve ser
escolhido com atenção, pois tanto pode valorizar um
trabalho, como prejudicá-lo.

Tamanhos de folha
Papel Offset - Papel de impressão, com ou sem revestimento. Tem
boa colagem interna e superficial e gramatura específica para o
processo Offset, que exige elevada rigidez e resistência, inclusive à
água e à umidade.

Sacola de papel offset

Papel couchê - Indicado para trabalhos de alta qualidade gráfica,


como rótulos de embalagens, revistas, folhetos e encartes. É
produzido, normalmente, a partir do papel de imprimir, mediante a
aplicação de tinta, podendo receber acabamento brilhante ou
texturizado.

Convite de papel couchê

Papel jornal ou papel imprensa - Destina-se à impressão de jornais,


periódicos, revistas, listas telefônicas, suplementos e encartes
promocionais.

Papel jornal

Papel LWC - É o mais usado na produção de catálogos e revistas.

HQ de papel LWC
Papel monolúcido - Sua principal utilidade é na impressão de
sacolas, rótulos, etiquetas e laminados.

Embalagem de papel monolúcido

Papelão Ondulado - Papel de embalagem, usado na fabricação de


chapas e caixas.

Impresso em papelão ondulado

Papel kraft - Papel de embalagem, cuja característica principal é a


resistência mecânica.

Impressão simples em papel kraft

Papel glassine, cristal ou pergaminho - Tem como principal


característica a transparência, obtida mediante elevado grau de
refino no processo produtivo. É usado em embalagens de
alimentos, como proteção de frutas nas árvores e papel auto-
-adesivo.

Papel glassine para hambúrguer


ACABAMENTO GRÁFICO
Acabamento gráfico é a etapa do processo em que o produto, já impresso, é finalizado. Em
acabamento gráfico, muitos recursos podem ser utilizados, de aplicação de verniz à dobras e cortes
especiais. Esses processos são tão importantes e específicos que existem empresas gráficas
especializadas nesse segmento. As opções de acabamento gráfico são diversas, porém as mais
utilizadas são:
Laminação:
O processo consiste em aplicar uma película plástica no papel. Essa película pode ter diversas
características como ser brilhante ou fosca, com padrões de cores, texturas, etc. A aplicação
geralmente é feita em ambos lados do impresso, para evitar a deformação do material. A laminação
também fornece proteção extra ao material e dificulta rasgos que estragam a apresentação do
mesmo.

Laminação fosca

Corte e vinco:
O processo de corte e vinco utiliza
um tipo de faca moldado em uma
matriz de madeira. As facas são
feitas de aço e pode-se utilizar
lâminas de corte, com bordas
afiadas, ou lâminas de vinco, com
bordas cegas ou arredondadas. O
corte do papel é feito sob pressão
em máquinas específicas para
corte e vinco e podem ser manuais
ou automáticas. Algumas
máquinas antigas de impressão
tipográfica foram adaptadas para
dar acabamento de corte e vinco
em impressos menores. Faca de corte e vinco
Aplicação de vernizes:
O acabamento gráfico de aplicação de vernizes
também é conhecido como "coating". Os
vernizes podem ser aplicados em todo a
superfície do material ou de modo focado,
conhecido como aplicação de verniz em reserva.
Existem vernizes de alto brilho, texturizados, com
aroma, etc. O acabamento gráfico com vernizes
pode ser feito na própria offset, em máquinas
serigráficas, offsets dedicadas, etc.

Verniz localizado

Relevo seco:
O processo de relevo seco utiliza um conjunto de
clichês macho-fêmea sob pressão para gravar
uma imagem no papel. Em papéis mais grossos,
como papelão utilizado em encadernação de
capas-duras, pode-se conseguir o mesmo efeito
com a utilização de apenas um clichê.

Relevo seco

Encadernação:
Encadernar é unir ordenadamente, por meio de
costura sólida, os cadernos de uma obra, para
formar um volume compacto, cobrindo-o com
uma capa para proteção e embelezamento.
O processo de encadernação abrange vários
métodos. O mais comum, utilizado na produção
de livros, é o sistema de colagem a quente,
conhecido como "hot melt". Além do "hot melt",
ainda existem na encadernação os sistemas de
"wire-o" e espiral, comum em cadernos e Encadernação hot melt
apostilas, e o grampeamento, presente em Faca Gráfica:
revistas e catálogos. Processo no qual se aplicam cortes ou ½ corte,
não lineares ou limitados, no papel ou cartão,
acompanhados ou não de vincos para dobras.
As formas são lâminas de aço montadas sobre
uma base de madeira.

Faca de corte gráfica


CONCLUSÃO
É possível compreender através da evolução dos suportes e dos processos, partindo da argila
endurecida utilizada na China até os papéis utilizados atualmente, a constante inovação dentro do
mundo da produção gráfica e a necessidade de um estudo profundo em cada projeto gráfico.
Cada projeto exige uma necessidade, e das necessidades cada vez mais melhorias foram
implantadas nos processos, nos possibilitando hoje uma ampla gama de opções e comprovando
que a inovação é um ciclo constante que deve ser mantido, principalmente, pelos profissionais da
área.
REFERÊNCIAS
BANN, David. Novo manual de produção gráfica. Porto Alegre, 2010.

http://www.rickardo.com.br/epg/manuais/manual_Poche.pdf

https://slideplayer.com.br/slide/1354658/3/images/2/Proces-
so+Produ%C3%A7%C3%A3o+da+madeira+Picagem+Cozimento+Branqueamento.jpg

http://www.gamgraf.com.br/papeis.pdf

http://www.bachmann.com.br/website/documents/ACPTiposdePapeisrev1.pdf