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Agricultura biológica

A agricultura biológica é praticada em 120 países e caracteriza-se como


sendo uma agricultura que não utiliza pesticidas e adubos químicos sobre as
culturas nem organismos geneticamente modificados (ONG). Tem também
regras muito restritas a nível da conservação e fabricação dos alimentos como
as temperaturas a que estão sujeitos ou as condições do seu local de
armazenamento. Os produtos transformados como o o iogurte ou o queijo, são
considerados biológicos no caso de 95% dos seus ingredientes serem de
origem biológica. Relativamente à produção animal biológica, não são usadas
hormonas de crescimento ou qualquer tipo de antibióticos nos animais, estes
têm uma alimentação adequada à sua fisiologia e vivem em condições
ambientais que lhes permitem expressar livremente os seus comportamentos.
É também importante referir que todos os produtos biológicos deverão ser
portadores do seguinte logotipo:

Visto que este tipo de agricultura não utiliza pesticidas químicos,


compostos muito eficazes no combate às pragas ou doenças que afetem as
culturas, a proteção das plantas baseia-se na prevenção. Posto isto, a
agricultura biológica recorre à utilização de variedades mais resistentes a
pragas e doenças; adubos verdes ou derivados de compostagem. Utiliza ainda
algumas técnicas como a rotação dos campos de cultivo para que o solo possa
repousar e, consequentemente, ser mais fértil e resistente e a instalação de
sebes vivas, estruturas compostas por árvores ou arbustos dispostos em faixas
em volta das culturas que têm como objetivo proteger as culturas da ação de
agentes meteorológicos como o vento ou de pragas.
Apesar de a agricultura biológica promover as práticas sustentáveis e de
impacto positivo nos ecossistemas, esta também apresenta alguns aspetos
negativos. Os alimentos deste tipo de agricultura não estão acessíveis a toda a
população visto que o seu custo é cerca de 50% mais elevado do que o da
agricultura convencional; as frutas e os legumes, devido à ausência de
pesticidas e de conservantes, apresentam uma forma menos apelativa e têm
um período de conservação menor; exige muita terra, um bem escasso; as
substâncias utilizadas são menos eficazes do que as sintéticas utilizadas na
agricultura convencional pelo que, se houver uma contaminação da cultura,
será necessário aplicar uma maior quantidade de produto de origem orgânica
do que seria necessário caso fosse um produto químico.
Existem também muitos mitos em volta da agricultura biológica que são
usados como marketing da mesma. Muitas pessoas pensam que os alimentos
biológicos apresentam grandes vantagens nutricionais. No entanto, a
quantidade de nutrientes presentes nas frutas e legumes depende do tempo
de vida dos alimentos pois passado cerca de uma semana, estes já perderam
aproximadamente 50% do seu valor nutricional. Pensa-se ainda que devido à
ausência de pesticidas químicos, os alimentos são obrigatoriamente mais
seguros e saudáveis. Porém, existem pesticidas orgânicos como é o caso da
rotenona, que podem ser muito prejudiciais para a saúde humana. A rotenona,
por exemplo, pode estar relacionada com a doença de Parkinson visto que,
quando utilizada em grandes quantidades, mata as mitocôndrias das células
humanas, estruturas responsáveis por dar energia às células.
Relativamente aos impactos ambientais causados por este tipo de
agricultura, o único benéfico é a quantidade de energia utilizada, muito inferior
à que é utilizada pela agricultura convencional. As emissões de gases de efeito
de estufa são semelhantes em ambas as agriculturas. No entanto, o potencial
de eutrofização é muito superior na agricultura biológica. Este último tópico
pode ser explicado com base no modo como cada agricultura obtém os
nutrientes necessários ao desenvolvimento dos alimentos.
A eutrofização caracteriza-se pelo crescimento excessivo de plantas
aquáticas para níveis que afetem a utilização normal e desejável da água. Na
agricultura biológica, são aplicados derivados de compostagem ou estrume
para fornecer nutrientes às culturas e estes compostos vão libertar os
nutrientes dependendo das condições ambientais (humidade do solo e
temperatura). Assim, a libertação dos nutrientes nem sempre vai de encontro
às exigências das culturas e, o excesso de nutrientes que poderá ser libertado
por não ser absorvido pela cultura, irá contaminar os cursos de água e
provocar o crescimento das plantas aquáticas. Na agricultura convencional, o
fornecimento de nutrientes é feito através da aplicação de fertilizantes
químicos que irão libertar os nutrientes de acordo com as demandas da
cultura. Deste modo, não haverá nutrientes em excesso nem perigo de
contaminação das águas.
Existe ainda um tópico muito importante a abordar quando se fala em
agricultura que é a quantidade de terra utilizada. A agricultura biológica
cultiva de forma menos intensiva uma maior área enquanto que a agricultura
convencional cultiva de forma mais intensiva uma menor área. Posto isto,
existem vária opiniões em relação a este tópico. Por um lado, há quem defenda
que é mais benéfico para a biodiversidade cultivar intensamente uma área
menor, visto que a biodiversidade só será afetada nessa área. Por outro lado,
há quem defenda o contrário, mais vale optar por consequências menos
significativas por área plantada mas ao longo de uma área maior.
Em suma, apesar dos alimentos biológicos apresentarem aspetos
positivos, é importante esclarecer que nem todo o marketing que os rodeia é
verdadeiro. Deve-se ter em conta que estes alimentos contêm pesticidas
naturais, os quais podem ser prejudiciais para a saúde. O que realmente faz a
diferença é a quantidade de pesticidas no produto e não a sua origem. Na
minha opinião, é necessário que as pessoas tomem consciência do que
realmente é a agricultura biológica e que percebam quais as vantagens e
desvantagens da mesma, não confiando cegamente em tudo o que lhes é dito.

Lua Fidalgo, nº 13, 12º D