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MINISTÉRIO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL

DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS SECAS


DIRETORIA DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO E PRODUÇÃO
COORDENADORIA DE PESCA E AQÜICULTURA
CENTRO DE PESQUISAS EM AQÜICULTURA RODOLPHO VON IHERING

2003

Coordenadoria de Pesca e Aqüicultura


Curso Teórico e Prático Sobre Aqüicultura Continental

DEPARTAMENTO NACIONAL DE OBRAS CONTRA AS SECAS – DNOCS

Diretor Geral
Engº Civil Eudoro Santana

Diretoria de Desenvolvimento Tecnológico e Produção


Engº Civil Leão H. Montezuma S. Filho

Coordenadoria de Pesca e Aqüicultura


Engª de Pesca Renata Teles Polary Borrigueiro

CURSO TEÓRICO E PRÁTICO SOBRE AQÜICULTURA CONTINENTAL

INSTRUTORES

Administração Central – Fortaleza - CE

Engª de Pesca Renata Teles Polary Borrigueiro – M. Sc.


Engº Agrº Airton Rebouças Sampaio – Esp. em Aquicultura

Centro de Pesquisas em Aqüicultura – Pentecoste-CE

Engº. Agrº. Pedro Eymard Campos Mesquita – M.Sc.


Med. Veterinário Marcelo José da Ascensão Feitosa Vieira - M.Sc.
Enga Pesca Maria Inês da Silva Nobre – Esp. em Aquicultura
Enga Agrª Maria do Socorro Chacon de Mesquita – M.Sc.

Centro de Pesquisas em Carcinicultura – Fortaleza - CE

Engª de Pesca Simone Cardoso Façanha – M.Sc.


Engª de Pesca Sandra Maria Xavier Pinheiro - M.Sc.
Engª de Pesca Vera Lúcia Bezerra de Abreu

Estação de Piscicultura Pedro de Azevedo – Lima Campos-CE

Engº. de Pesca José Hilton Sobrinho de Moura – Esp. em Aqüicultura


Engº. de Pesca Francisco Jaime de Oliveira – Esp. em Aqüicultura

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Curso Teórico e Prático Sobre Aqüicultura Continental

ÍNDICE

1 CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A ÁGUA PARA AQUICULTURA ________ 1


1.1 PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA ________________________________ 1
1.2 QUALIDADE DA ÁGUA PARA AQUICULTURA ______________________ 2
1.3 BIBLIOGRAFIA ___________________________________________________ 4
2 TRANSPORTE DE PEIXES VIVOS _______________________________________ 5
2.1 INTRODUÇÃO ____________________________________________________ 5
2.2 TIPOS DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS __________________________ 7
2.3 QUALIDADE DA ÁGUA ____________________________________________ 8
2.4 O USO DE ANESTÉSICO E TRANQUILIZANTES _____________________ 9
2.5 O USO DO SAL ___________________________________________________ 10
2.6 TAMANHO E QUALIDADE DE PEIXES A SEREM TRANSPORTADOS _ 12
3 SISTEMAS DE CULTIVO ______________________________________________ 15
3.1 PISCICULTURA EXTENSIVA _____________________________________ 15
3.2 PISCICULTURA SEMI-INTENSIVA ________________________________ 15
3.3 PISCICULTURA INTENSIVA ______________________________________ 15
3.4 PISCICULTURA SUPERINTENSIVA _______________________________ 15
3.5 COMO PROCEDER A CRIAÇÃO DE PEIXES NOS DIVERSOS SISTEMAS
15
3.6 CRIAÇÃO DE TILÁPIA EM TANQUES-REDE, CONSTRUÇÃO E
MANEJO ______________________________________________________________ 17
4 REPRODUÇÃO DE PEIXES ____________________________________________ 22
4.1 REPRODUÇÃO __________________________________________________ 22
4.2 FATORES QUE INFLUENCIAM OS AMBIENTES AQUÁTICOS _______ 23
4.3 DENSIDADE DE ESTOCAGEM ____________________________________ 24
4.4 RETIRADA E PRESERVAÇÃO DE HIPÓFISE _______________________ 24
4.5 ALIMENTAÇÃO E DESPESCA ____________________________________ 24
4.6 DESPESCA ______________________________________________________ 25
4.7 OPERAÇÃO DE PEIXAMENTO ____________________________________ 25
4.8 CRIAÇÃO DE LARVAS E ALEVINOS ______________________________ 26
4.9 REPRODUÇÃO DE PEIXES _______________________________________ 26
4.10 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ___________________________________ 30
5 DOENÇAS EM PISCICULTURA- MANEJO E TRATAMENTO - ______________ 31

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5.1 INTRODUÇÃO ___________________________________________________ 31


5.2 MANEJO, PROFILAXIA E TRATAMENTO OU SUSCEPTIBILIDADE DOS
PEIXES AOS PARASITOS E PATÓGENOS ________________________________ 31
5.3 MODO DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS E PARASITAS _____________ 32
5.4 MECANISMOS DE DEFESA DOS PEIXES. __________________________ 32
5.5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ___________________________________ 36
6 INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O CULTIVO DO CAMARÃO BRANCO
Litopenaeus vannamei ______________________________________________________ 37
6.1 INTRODUÇÃO ___________________________________________________ 37
6.2 A CARCINICULTURA NO NORDESTE BRASILEIRO ________________ 38
6.3 BENEFÍCIOS ECONÔMICOS ______________________________________ 39
6.4 VANTAGENS COMPETITIVAS ____________________________________ 39
6.5 ETAPAS DE CULTIVO ____________________________________________ 40
6.6 CULTIVO DE CAMARÕES MARINHOS EM ÁGUA DOCE ____________ 47
6.7 ESTUDO ECONÔMICO FINANCEIRO ______________________________ 47
6.8 LEGALIZE-SE ___________________________________________________ 48
6.9 BIBLIOGRAFIA __________________________________________________ 52
7 SEXAGEM E REVERSÃO DO SEXO DA TILÁPIA DO NILO, Oreochromis niloticus
53
7.1 SEXAGEM _______________________________________________________ 53
7.2 FUNDAMENTOS GERAIS DA DETERMINAÇÃO DO SEXO DOS PEIXES
E DIFERENCIAÇÃO SEXUAL ___________________________________________ 53
7.3 REVERSÃO SEXUAL DAS TILÁPIAS_______________________________ 54
7.4 TECNOLOGIA PARA REVERSÃO DE SEXO DA TILÁPIA DO NILO ___ 55
7.5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ___________________________________ 59
8 NUTRIÇÃO EM AQUICULTURA ________________________________________ 60
8.1 INTRODUÇÃO ___________________________________________________ 60
8.2 HÁBITOS ALIMENTARES ________________________________________ 62
8.3 REQUERIMENTOS NUTRICIONAIS _______________________________ 63
8.4 TIPOS DE DIETAS _______________________________________________ 67
8.5 FORMULAÇÃO DAS RAÇÕES _____________________________________ 73
8.6 MANEJO ALIMENTAR ___________________________________________ 79
8.7 AVALIAÇÃO DAS RAÇÕES _______________________________________ 81
8.8 DOENÇAS DE ETIOLOGIA NUTRICIONAL_________________________ 82
8.9 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ___________________________________ 84
9 PRÁTICA DE CONSERVAÇÃO DO PESCADO ____________________________ 90
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9.1 INTRODUÇÃO: __________________________________________________ 90


9.2 VALOR NUTRITIVO DO PEIXE ___________________________________ 90
9.3 NOÇÕES SOBRE HIGIENE ________________________________________ 92
9.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS _______________________________ 117
10 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS E DEMANDA D’ÁGUA EM PISCICULTURA 118
10.1 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS ____________________________________ 118
10.2 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA __________________________________ 131

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1 CONCEITOS IMPORTANTES SOBRE A ÁGUA PARA


AQUICULTURA
Engº. Agrº. Pedro Eymard Campos Mesquita – M.Sc.

1.1 PROPRIEDADES FÍSICAS DA ÁGUA

1.1.1 Temperatura

Depende principalmente da radiação solar. No entanto, é previsível em


função da localização em que se encontra o corpo d’água. Sendo um elemento de
calor específico padrão, necessita de 1 caloria para elevar 1 oC a temperatura de 1g.
É um parâmetro que condiciona praticamente a todos os outros e é um regulador
direto de todo o metabolismo dos animais que vivem em seu interior.

1.1.2 Densidade

Varia com a temperatura. Como as camadas superficiais se aquecem


mais rapidamente, nas horas mais quentes a superfície é menos densa o que
explica o movimento para baixo do plâncton nessas horas.

1.1.3 Cor
Sofre influências várias; a água pura é incolor. No entanto, os sólidos
dissolvidos, o zoo e o fitoplâncton, os teores de matéria orgânica, e humus
modificam a cor da água, que, em muitos casos é indicativa de sua produtividade.

1.1.4 Viscosidade

É a resistência que a água oferece ao movimento dos organismos e das


partículas nela presentes. Varia com a temperatura e com a presença de sais
dissolvidos. Como as águas doces tropicais contém poucos sais e sua temperatura
é sempre alta, deduz-se que sua viscosidade é baixa.

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1.2 QUALIDADE DA ÁGUA PARA AQUICULTURA

1.2.1 Teor de Oxigênio Dissolvido (O2)


É muito importante em águas para aquicultura. Toda a fisiologia
respiratória dos peixes depende da sua disponibilidade. A absorção é feita nas
finíssimas camadas de células das brânquias, ao mesmo tempo em que há a
liberação do gás carbônico para o ambiente. A faixa ideal de oxigênio dissolvido
para os peixes tropicais se situa entre 4 - 7mg/l de O2.
A determinação de O2 dissolvido se faz quimicamente pelo método de Winkler; outra
forma de determinação, que é mais usual, é através de oxímetros elétricos ou
eletrônicos.

1.2.2 Gás Carbônico (CO2)

É produto da respiração de organismos aquáticos, da mistura da água


com o CO2 atmosférico, bem como da decomposição orgânica. Sendo ácido, tende
a acidificar a água, se a mesma tiver baixa capacidade de tamponamento (baixa
alcalinidade total). A determinação do CO2 é feita pelo APHA Standard Method ou
por medidores eletrônicos. O CO2, em altas concentrações é tóxico para os peixes e
corrosivo para metais.

1.2.3 Nitrogênio

O nitrogênio contido na água é produto do metabolismo dos organismos


aquáticos e também da decomposição orgânica. Assume importância na forma
mineral (N2) como nutrientes para vegetais (algas e macrófitas), nas formas de
amônia (NH4+ e NH3) para nutrir o zooplancton e como tóxico para peixes e nas
formas de nitrito (NO2) e nitrato (NO3), também de forma idêntica à amônia. Sua
medição é feita através de métodos colorimétricos diretos ou por espectrofotômetro.

1.2.4 Fósforo

É um bom indicador do grau de poluição das águas por matéria orgânica.


A disponibilidade de fósforo na água é o fator regulador entre a boa produtividade e
a eutrofização. Praticamente todo o fósforo disponível na água se encontra na forma
de fosfato, já que as outras formas só se encontram em organismos vivos, fazendo
parte das moléculas de ATP e tendo papel fundamental no armazenamento de
energia. O teor de fosfatos na água é determinado através de espectrofotômetro.

1.2.5 Cálcio
Muitas espécies de peixes requerem bastante cálcio para a formação do
esqueleto, das escamas e placas. Os crustáceos precisam de cálcio para formar

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suas carapaças. O cálcio também é necessário na osmorregulação e tem a função


de reduzir a toxicidade dos íons metálicos.
A concentração de cálcio na água geralmente aumenta com o aumento
da salinidade.
As determinações de cálcio normalmente são feitas de forma indireta,
através das determinações, de DUREZA e ALCALINIDADE, através de métodos
químicos titulométricos ou equipamentos eletrônicos.

1.2.6 Outros Elementos

O magnésio, o ferro, o alumínio são também elementos químicos que, de


uma ou de outra forma tem importância na vida aquática, quer sendo úteis ou
tóxicos. No entanto, a bibliografia que indicamos ao final certamente dará melhores
informações sobre estes e outros elementos.

1.2.7 pH

É definido como o logaritmo negativo da concentração de íons hidrogênio.


Se uma água tem pH abaixo de 7, é ácida, isto é, tem muitos íons hidrogênio livres.
Os peixes preferem águas neutras ou próximas da neutralidade, isto é, com pH ao
redor de 7. Se o pH estiver acima de 7, trata-se de água alcalina.
Se a água é ácida, alguns íons como o alumínio tornam-se livres e
intoxicam os peixes. A ação direta de uma acidez acentuada (abaixo de 4,5, por
exemplo) é sentida pelos peixes principalmente nos olhos e nas brânquias.
A determinação do pH se faz através de indicadores líquidos, fita de
papel tornassol ou por medidores eletrônicos.

1.2.8 Condutividade Elétrica


É a capacidade da água em conduzir corrente elétrica. Uma água pura
tem condutividade igual a zero. No entanto, se um corpo d’água contiver muitos
íons, sua capacidade em conduzir eletricidade aumenta na medida em que
aumentam esses íons.
Águas doces tem condutividade que varia de 20 a 1.500 S/cm.
Algumas espécies de peixes são sensíveis a choques de condutividade
elétrica.
Ela pode ser medida através de equipamento eletrônico chamado
Condutivímetro.

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1.2.9 Alcalinidade

Os bicarbonatos, carbonatos, amônia, hidróxidos, fosfatos, silicatos e


alguns ácidos orgânicos podem reagir para neutralizar os íons hidrogênio e
contribuem para a alcalinidade da água.
No entanto, nas águas usadas para a aquicultura, os bicarbonatos, os
carbonatos ou ambos são os maiores responsáveis pela alcalinidade mensurável.
Os níveis de alcalinidade total em águas naturais variam de < 5mg/l a >
500 mg/l. Uma água com alcalinidade total em torno de 50 a 60 mg/l é ideal para o
cultivo da maioria das espécies tropicais.

1.2.10 Dureza Total

A dissolução de pedras calcárias é a maior fonte de alcalinidade em


águas naturais. Pedras calcárias são carbonatos de cálcio e de magnésio. Então,
miliequivalentes/l de cálcio + magnésio freqüentemente são similares aos
miliequivalentes/l de bicarbonato + carbonato em águas naturais.
Porque minerais alcalinos divalentes reagem com sabões para formar
um precipitado, águas que contêm altas concentrações de minerais alcalinos são
referidas como águas duras. Cálcio e magnésio são os minerais alcalinos mais
abundantes em águas doces, e suas concentrações como equivalente em
carbonato de cálcio usualmente são tomadas como a medida da Dureza Total..
Alguns autores se referem a águas altamente alcalinas como águas
duras, uma vez que alcalinidade e dureza tem concentrações similares na maioria
das águas.
A dureza total ideal para a piscicultura de água doce está na faixa que vai
de 50 - 150 mg/l.
A determinação de dureza pode ser feita por métodos químicos ou por
equipamento eletrônicos.

1.3 BIBLIOGRAFIA
BOYD,C. - Water Quality in Ponds for Aquaculture - Auburn
University, Alabama 36849 - (1990).

ESTEVES, F. A. - Fundamentos de Limnologia - Editora Interciências/FINEP -


(1988).

SWINGLE, H. S.- Methods of Analysis for Waters, Organic Mater and pond
Botton Soils Used in Fisheries Research - Auburn University 1969.

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2 TRANSPORTE DE PEIXES VIVOS


Engº. Agrº. Pedro Eymard Campos Mesquita – M.Sc.

2.1 INTRODUÇÃO
O transporte de peixes tem sido um problema muito renitente às soluções
até agora propostas, pois o fator custo é o maior empecilho. Grande quantidade de
água não pode ser conduzida, para que não ocorra um aumento considerável de
custos. Têm sido utilizados muitos métodos de transporte, mas todos eles implicam
no uso do menor volume possível de água. Surgem então os problemas derivados
da alta densidade de peixes e suas inevitáveis conseqüências sobre a degradação
da qualidade da água, que, por sua vez, vão comprometer a sobrevivência dos
peixes transportados.

Seguramente, o método mais utilizado em nosso meio é o transporte em


sacos plásticos, pela praticidade e eficiência que tem demonstrado. Entretanto,
algumas espécies tem apresentado alguns problemas de sobrevivência após o
stress no período do transporte neste tipo de recipiente. Entre elas está o tambaqui,
Colossoma macropomum, Cuvier. Muitos piscicultores têm se queixado da baixa
eficiência dos peixamentos feitos com o tambaqui, principalmente quando se trata
de pisciculturas extensivas em açudes.

Julgamos de interesse geral uma síntese histórica dos diversos métodos


de transporte de peixes vivos, tanto através da literatura consultada, como resultado
de informações coletadas de pessoas vividas nas hostes da piscicultura, bem como
de nossa vivência nos anos que temos trabalhado no Centro de Pesquisas
Ictiológicas “Rodolpho von Ihering”.

Desde os tempos mais remotos da história da China há registros do


cultivo e do transporte de ovos de peixes. Os Romanos também cultivavam e
transportavam peixes vivos (NORRIS, 1874, pp.16-18) citado por NORRIS, K.,1959.

O primeiro grande carregamento de peixes vivos chegou às águas da


Califórnia em 1871. Consistia de cerca de 12.000 alevinos de Alosa sapidissima,
trazidos do rio Hudson, New York, para Tehama, Califórnia, em barris. Em 1879, o
Dr. Livingston Stone capturou 133 stripped bass, Roccus saxatilis em Red Bank,
New Jersey e os conduziu através do País em um carro fretado. As latas de peixes
foram resfriadas com gelo. O Dr. Stone pediu aos companheiros de viagem para
fazerem aeração manual das latas. Por este incrivelmente tedioso método, 25
peixes chegaram vivos à Califórnia e foram implantados em Carquinez Straits. Um
outro carregamento, sob os cuidados de J. G. Woodbury,deixou a costa leste no dia
17 de julho de 1882 e chegou ao destino em 25 de julho (Shebley, 1927). Neste
carregamento, uma nova instrumentação foi usada, tendo sido considerada como
um grande progresso: um cilindro, com o fundo perfurado em vários pequenos
buracos, era empurrado para dentro da água para que enchesse; em seguida era
alçado, resultando num efeito chuveiro. É claro que isso também envolvia grande
trabalho manual. (NORRIS, K. 1959).
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FISHER (1915) discutiu o transporte e o povoamento com alevinos de


truta nas águas da Califórnia e descreveu suas técnicas e equipamentos da
seguinte forma: “Duas coisas devem ser cuidadosamente observadas - a
temperatura e a aeração da água. Uma queda de temperatura ou uma falta de ar
rapidamente afetam os alevinos de truta. O equipamento necessário deve incluir um
termômetro e um agitador. Um termômetro desses comuns, que pode ser adquirido
em qualquer loja é tão bom para este propósito quanto os adquiridos por altos
preços; e um agitador manual, feito de tela de arame. É tudo o que se precisa”.

Num estudo das técnicas de cultivo de vários animais marinhos, MECD


(1908) sublinhou os fatores que considerou essenciais para o transporte de peixes
vivos: “O princípio é, simplesmente, providenciar que os peixes sejam transportados
na água onde estavam vivendo; manter a temperatura e a densidade, e, em alguns
casos, a movimentação, para assegurar a contínua “respiração” da água, não
obstante a chegada dos gases produzidos pelo metabolismo dos peixes, bem como
das bactérias; assegurar o acesso de ao oxigênio e evitar o contato com
substâncias metálicas que possam causar danos aos peixes”. Esta afirmação
parece bem atual e sumariza os problemas enfrentados por todos os que encaram
o transporte de peixes vivos em nossos dias, embora outros fatores, como remoção
do muco, das escamas que se soltam e do material egestado sejam agora
reconhecidos como importantes. (NORRIS, K., 1959).

Aqui no Brasil, nos anos 50, por iniciativa do Dr. Rodolpho von Ihering,
várias espécies de peixes amazônicos foram transportados para o Ceará pelo Sr,
Oceano Atlântico Linhares, acreano aqui radicado, profundo conhecedor da fauna
ictíica daquela região e funcionário do Departamento Nacional de Obras Contra as
Secas - DNOCS. Os peixes eram capturados em seus nichos naturais e
acondicionados em latões de forma cilíndricas, com tampa perfurada. Então eram
transportados de barcos até Manaus; dali seguiam de avião até Belém, onde então
eram desembalados e passavam por um período de repouso no local onde funciona
o Museu Emílio Goeldi. Depois de novamente acondicionados nos latões, seguiam
de avião até Fortaleza, e, de carro, até Pentecoste. Desse modo chegaram ao
Ceará o tucunaré comum, Cichla ocellaris Schneider, a pescada cacunda,
Plagioscion surinamensis, Bleeker, acompanhada pelo seu alimento predileto,
camarão-canela, Macrobrachium amazonicum, Heller. Assim também foi trazido
para cá o pirarucu, Arapaima gigas.

CHACON (comunicação pessoal) indica o final dos anos 50 como a


época dos primeiros transportes de peixes feitos em sacos plásticos: chegaram ao
Ceará os primeiros exemplares de tilápia do Congo, Tilapia rendalli, Blgr., oriundos
da Costa do Marfim, enviados pelo Dr. Jacques Bard. O próprio CHACON
transportou alevinos de fidalgo do rio Parnaíba, mais precisamente do município de
Buriti dos Lopes, até Pentecoste, Ceará. Os peixes foram conduzidos
acondicionados em sacos plásticos, os quais foram colocados dentro de caixa de
madeira, revertida internamente com folhas de isopor.

Os tanques de transportes de peixes também são instrumentos de uso


intenso, principalmente quando as operações de grandes peixamentos de açudes
públicos, em toda a região Nordeste. Há grandes variações neste tipo de container,
desde a caixa pura e simples, contendo águas e os peixes, até aquelas providas de

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garrafas de oxigênio puro, ligadas por tubulações que terminam em finíssimos


difusores de ar, instalados no fundo da água. Há um equipamento muito eficiente
que colocado em alguns modelos: são os agitadores movidos pela eletricidade
gerada pelo próprio veículo condutor. Este equipamento, além de promover uma
aeração muito eficiente, faz uma importante difusão de calor, mantendo a
temperatura relativamente estável, como também procede a difusão dos gases
voláteis nocivos formados no decorrer da viagem, como o CO2.

A invencionice e o amadorismo, ainda hoje fazem com que as pessoas


usem os equipamentos mais curiosos: Numa estação de piscicultura do R.G. do
Norte, encontramos uma caixa de fibra de vidro, com aberturas tubuladas na tampa,
dirigidas para frente, com o objetivo de promover a aeração da água pela
movimentação do veículo contra o vento. Evidentemente que não funcionou a
contento, pois não havia mecanismo de injeção de ar na água. O transporte bem
sucedido de peixes vivos depende muito das condições em que os animais se
encontram. Os métodos de captura e transportes devem ser executados de modo a
evitar os danos na pele e nas escamas. Qualquer dano desta natureza facilitará a
perda de muco e de íons, bem como a penetração de microorganismos
oportunistas. Se os peixes começam bem, boa parte dos problemas estará
resolvida.

2.2 TIPOS DE MATERIAIS E EQUIPAMENTOS


Caixas (de madeira, de fibra de vidro, de ferro, de alumínio etc...) - O
tamanho das caixas depende do veículo disponível, da quantidade e tamanho dos
peixes a serem transportados. As superfícies internas devem ser não-abrasivas e
sem projeções pontiagudas. O material a entrar em contacto com a água deve ser
livre de substâncias tóxicas. Alguns tipos de caixas possuem quebra-ondas. O uso
de materiais opacos impede a passagem de luz e ajuda a manter os peixes mais
quietos.

Sacos Plásticos - É seguramente o método mais utilizado entre nós. É


muito eficiente para o transporte de pequenas quantidades de peixes e por pouco
tempo. Eles têm a vantagem de provocar um “damping” na oscilação dos
parâmetros físico-químicos da água de transporte e reter a desejada mistura de
oxigênio dissolvido em contacto com a superfície da água. Em períodos mais
longos, isto se torna uma desvantagem, porque também são retidos os gases
tóxicos derivados da respiração dos peixes e da atividade bacteriana.

Câmara Úmida- Este, talvez, venha a ser o método de transporte de


peixes do futuro. Naturalmente que muitos estudos ainda precisam ser feitos, mas
as perspectivas são muito interessantes. Muita gente já sabe que algumas espécies
de peixes suportam transporte envolvidos em toalhas ou jornais úmidos; assim, a
câmara úmida seria uma derivação mais racional deste tipo de transporte,
eliminando assim o maior problema da atividade, que é o translado inútil de grandes
quantidades de água. Se a esta metodologia for agregado o resfriamento do
ambiente, bem como o uso de tranqüilizantes, é muito provável que se consiga
resultados compensadores. Neste sentido, estamos auxiliando a execução de um
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projeto de tese de mestrado, que se baseia nestas premissas, para transportar


tilápias.

Sistemas de Aeração (Compressores, garrafas de oxigênio puro,


agitadores etc...) - A manutenção de um nível adequado de oxigênio dissolvido é
essencial para a sobrevivência dos peixes. Nos sistemas de transporte, é comum o
uso de compressores de ar ou de oxigênio comprimido em garrafas, distribuídos
dentro da água através de difusores com finas perfurações. O tamanho dessas
perfurações é extremamente importante na manutenção dos níveis de O 2 dissolvido;
quanto menores forem as bolhas, mais eficiente será a aeração. Em experimentos
realizados nos EEUU, Taylor e Solomon concluíram que:

a) Os peixes consomem mais oxigênio nas primeiras duas horas;

b) A temperatura tem uma influência considerável;

c) A densidade dos peixes tem também influência. Menos oxigênio por peixe
parece ser necessário com o aumento da densidade. Acredita-se que isso
deve à agitação maior da água que é feita quando há mais peixe. No
entanto, quando se adensa demais, esta situação se reverte devido ao
acréscimo no consumo.
Nós temos usado agitadores elétricos com relativa eficiência. Eles, além
de fazerem uma boa mistura de ar com a água, funciona também como
dissipadores de calor e de CO2.

Outros Equipamentos e Suprimentos - O monitoramento de alguns


parâmetros físico-químicos da água no decorrer do transporte e no momento do
povoamento é uma tarefa muito importante para o sucesso da operação. Assim,
alguns equipamentos auxiliares devem acompanhar o responsável pelo transporte,
a fim de que providências possam ser tomadas para evitar a mortalidade dos peixes.
Entre eles, podemos destacar os oxímetros, os pHmetros, os termômetros e os
condutivímetros.

2.3 QUALIDADE DA ÁGUA


Algumas características da água podem ser de importância crucial no
transporte de peixes. A primeira delas é a alcalinidade total. Ela é uma soma da
presença de hidrocarbonatos e carbonatos na água e é fator determinante na sua
capacidade de tamponamento, ou equilíbrio ácido-base. Se uma água tem
alcalinidade total baixa, por exemplo, 15-20 mg/l, logo que os peixes forem
embalados, sua atividade respiratória em estado de stress vai liberar uma grande
quantidade de CO2 na água, baixando o seu pH. Se, ao contrário, a alcalinidade
total for alta, este CO2 liberado pelos peixes será absorvido pelas bases existentes
para formar bicarbonatos. A alcalinidade pode ser incrementada pela utilização de
CaCO3 (calcita) ou [CaMg (CO3)2] (dolomita). Outro parâmetro importante é a
temperatura. É ela que comanda a velocidade metabólica dos peixes,
principalmente por serem eles animais de sangue frio, isto é, não possuem
mecanismos próprios de termo-regulação. Assim, quanto mais alta a temperatura

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da água, maior será a taxa metabólica dos peixes, influenciando sua demanda por
oxigênio dissolvido, sua excreção de amônia, CO2 etc Por outro lado, mesmo que o
aumento ou diminuição de temperatura não chegue a provocar estes efeitos, estas
modificações não podem ocorrer bruscamente, porque os peixes não resistiam a
choque térmico superior a 5 ou 6 graus de temperatura. Se for possível baixar
lentamente a temperatura da água de transporte, isto é recomendável, desde que
nunca desça a baixo dos 20oC, uma vez que as espécies tropicais se acomodam
mal a temperaturas mais baixas do que esta. De outro modo, é preferível fazer o
transporte em temperatura ambiente. Como já foi dito antes, a produção de CO2
pelos peixes acaba sendo um fator importante, caso a água não possua boa
alcalinidade total (cerca de 50 mg/l). O CO2 tem algumas influências interessantes;
por exemplo, em baixa quantidade, tem efeito narcotizante, que faz baixar o
metabolismo dos peixes; no entanto em quantidade maiores na água inibe a
liberação de mais CO2 pelos peixes, aumentando assim o pH do sangue dos
mesmos e comprometendo toda a atividade respiratória, tendo efeito tóxico e até
letal. A amônia livre - NH3, é um produto da degradação protéica, e sua formação
ocorre em condições favoráveis de temperatura, pH e presença de amônia iônica
(NH4+). É muito tóxica para os peixes. Entretanto, se o pH da água for mantido
neutro ou um pouco abaixo da neutralidade (7 ou 6,5) e a temperatura ficar em torno
de 27oC, menos de 1% da amônia iônica se transformará em amônia livre, e não
causará problemas aos peixes. Outro parâmetro importante da água de transporte é
a Condutividade elétrica, da qual falaremos quando tratarmos do uso de sal.

2.4 O USO DE ANESTÉSICO E TRANQUILIZANTES


Durante os últimos 30 anos, muitos produtos químicos tem sido usados
como anestésicos para peixes, com eficácia variável. Muitos deles tem sido usados
como tranqüilizantes durante o transporte e o manuseio, normalmente em baixas
concentrações. A principal função desses tranqüilizantes é reduzir a atividade física,
que diminui os riscos de ferimentos e facilita o manuseio, reduzindo ainda a
demanda por oxigênio dissolvido. Temos ainda a considerar que:

1) Os produtos químicos devem ser seguros para o operador, tanto em sua


concentração original como na dose a ser administrada;

2) Não deve apresentar efeitos colaterais ou posteriores aos peixes;

3) Como a administração das doses deve ser feita em condições de campo,


deve apresentar uma margem muito larga de segurança entre a dose
efetiva e a dose letal. Os efeitos das mudanças de temperatura devem ser
expressos.

4) Deve produzir efeito rápido na indução e ser fácil a recuperação dos


peixes;

5) A dose efetiva deve ser tolerada pelos peixes por tempo prolongado;

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6) Deve ser um produto barato e de fácil aquisição;

7) Deve ser de fácil administração, isto é, que possa ser dissolvido em água,
não necessitando de ingestão, injeção ou diluição em outros solventes.
(Mostrar transparência com dosagens e escolha dos melhores
anestésicos).

Apresentamos na tabela 1 dados sobre tranqüilizantes de peixes.

Tabela 1 - Notas sobre 5 tranqüilizantes de peixes.

Dosagem
Produto Recomendada Vantagens Desvantagens
Químico Para
salmonídeos
Uso seguro e Provoca baixa de pH em
comprovado. Os soluções com baixo poder de
MS222 10 - 40 mg/l peixes podem tamponamento. Alto custo. Lábil
ser consumidos ao calor, instável em solução.
com Irritante. Pode ser tóxico para
segurança quando a água esfria.
Baixo custo. Baixa solubilidade em água,
Benzocaíne 10 - 40 mg/l Não provoca a devendo ser primeiramente
baixa do pH que dissolvida em acetona.
o MS222 causa
Irritante.Venenoso quando
Chloral hydrate 0,8 - 3,0 g/l ingerido.A dosagem requer
cuidadosa regulagem.
Tertiary amyl 180 - 900 mg Estável em Irritante por contacto e pelo
Alcohol (0,2 - 1,0 cm3/l) solução vapor. Venenoso em alta
dosagem. Inflamável.
Methylparafynol 400 - 800 mg Estável em Inflamável.
(0,5 - 1,0 cm3/l) solução

2.5 O USO DO SAL


Segundo Wurts, os peixes e os outros vertebrados têm uma característica
única em comum: O conteúdo de sal no sangue deles é praticamente igual. O
sangue dos vertebrados tem uma salinidade de aproximadamente 9g/l (uma solução
salina a 0,9%) e um pH de 7,4. Aproximadamente 77% do sal do sangue é de sódio
e de cloreto. Os restantes são feitos de bicarbonatos, potássio e cálcio. Os sais de

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sódio e potássio são críticos para o funcionamento normal do coração, nervos e


músculos. Uma solução salina de 0,8% feita com sal comum (cloreto de sódio) pode
se equilibrar com o conteúdo de sódio do sangue.

O sangue dos peixes se mantém em estreito contacto (camadas de uma


ou duas células) com o ambiente, quando circula nos capilares das guelras e da
superfície da pele. Os sais se difundem das áreas de maior concentração (sangue)
para as de menor concentração (água doce). Desse modo, os sais (primariamente
de sódio e cloro) são lenta mas continuamente perdidos (força osmótica) para o
ambiente. As guelras e a pele são recobertas por uma fina camada de muco, que
ajuda a reduzir a perda de sal para a água doce circundante. Os sais perdidos são
repostos pela reabsorção da própria água ou durante a digestão dos alimentos.
Energia corporal é usada para repor os sais.

O aprisionamento em redes e o manuseio removem a camada de muco


dos peixes. A transferência e o transporte provocam estresse. O estresse do
transporte e a perda de muco aumentam a perda de sais do sangue, aumentando a
demanda de energia nos peixes que já estão fragilizados. Perda excessiva de sais
podem causar falhas cardíacas, bem como espasmos nervosos e musculares. A
adição de cloreto de sódio limita ou previne, dependendo da concentração, a perda
de sais durante o transporte.

Keneth Norris e outros autores, escrevendo sobre os problemas


osmóticos dos peixes, afirmam que ambos, tanto os peixes de água doce como os
de água salgada, consomem energia para manter seus fluidos corporais em
constante equilíbrio osmótico. Os fluídos corporais dos teleósteos marinhos são
hipotônicos em relação à água do mar que os rodeia. Desse modo, eles estão
constantemente combatendo a desidratação através da superfície permeável da
guelras. A situação é inversa com relação aos peixes de água doce, que devem
combater contra a perda de sais e absorção excessiva de água. Uma significante
porção da energia consumida para manter o metabolismo basal nos peixes é usada
na manutenção do balanço osmótico interno. Se este gasto de energia puder ser
reduzido, o consumo de oxigênio e a produção de metabólicos também se reduzirá.
O procedimento mais óbvio contra este problema deve ser a colocação dos peixes
em água que seja isotônica ao seu sangue. Na prática, isto significa que, para se
transportar peixes de água doce, algum sal deve ser adicionado à água. Ao
contrário, quando se deseja transportar peixes de água salgada, alguma água doce
deve ser agregada à água marinha. Essa quantidade de água doce pode chegar ao
incrível limite de 90% da solução total.

Aqui, é oportuno falarmos sobre a condutividade elétrica e os


equipamentos que podem medir a salinidade e a condutividade. O salinômetro é um
aparelho muito simples, que pode ser operado por qualquer pessoa alfabetizada.
Uma gota d’água é o bastante para determinar a salinidade da água. Como foi visto
inicialmente, a solução ideal para o transporte de peixes de água doce deve ser de
0,8% de salinidade. Desse modo, deve ser verificada a salinidade natural da água,
para depois ser adicionada a quantidade de sal necessária até atingir a
concentração desejada.

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A condutividade elétrica é definida pela quantidade de íons existentes na


água; normalmente, são eles íons cloreto de sódio, de potássio, magnésio, etc., que
são também os responsáveis pela salinidade da água. Assim, depois de medida a
salinidade natural da água coloca-se a quantidade de sal necessária para a solução
ideal de transporte (0,8%), mede-se a condutividade elétrica com o condutivímetro,
que deve ficar por volta de 4.000µS/cm. Ao chegar ao local de peixamento, a água
do açude, lago ou viveiro onde os peixes vão ser estocados deve ter sua
condutividade elétrica determinada. Em seguida, deve ser bombeada lentamente
para a caixa de transporte, ao mesmo tempo em que se monitora sua condutividade
elétrica, até a mesma chegue ao mesmo nível do viveiro ou lagoa. Esse
bombeamento lento também tem efeito na adaptação dos peixes à temperatura, ao
pH e as outras características do ambiente onde os peixes viverão daí em diante. É
ainda oportuno lembrar os outros efeitos benéficos que o sal pode trazer, como a
assepsia e a prevenção de infecções, bem como a opção que os peixes terão de
trocar os íons amônia por Na+. No entanto, cuidados devem ser tomados para que
não se oferte água muito salinizada aos peixes, o que poderia provocar
desidratação e mortalidade dos peixes.

2.6 TAMANHO E QUALIDADE DE PEIXES A SEREM


TRANSPORTADOS
No Centro de Pesquisas Ictiológicas, quando o transporte é feito em
sacos plásticos, temos recomendado que se transporte 1kg de peixe/saco com 20
litros de água, o que tem dado resultados satisfatórios, quando se obedece às
outras recomendações de jejum de pelo menos 24 horas antes do translado, do uso
de sal nas quantidades já vistas e um cuidadoso manuseio, principalmente quando
se trata de alevinos. Uma prática que era corriqueira nas estações de piscicultura do
DNOCS está sendo abolida, qual seja a estocagem dos peixes em tanques de
manuseio, com renovação constante de água, antes de serem transportados. Esta
renovação, embora forneça a quantidade necessária de oxigênio dissolvido, é
extremamente maléfica pela lavagem de muco e pela retirada de sais que provoca
nos peixes, tendo sido causa inconsciente de grandes mortalidades de alevinos nos
peixamentos. Outras informações melhores sobre este assunto estão contidas com
grande riqueza de detalhes na revista Panorama da Aqüicultura, edição
set/out/1977, em artigo escrito pelo Eng. Agr. Fernando Kubitza, de onde retiramos
as tabelas que se seguem.

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Tabela 2 - Características de manuseio e recomendações para transporte em


tanques de alguns peixes cultivados no Brasil.

Carga
Tole- Temperatura Jejum
para
rância
Peso recomendada mínimo
Trans-
Espécies aomédio para Antes do
porte de
manu-
(kg) transporte Transporte
8 horas
seio (oC) 3 1 (horas)
(kg/m )
Espécies exóticas
2
Bagre-do-canal Bom 0,8 a 1,0 15 a 24 480 48-72
Bagre africano Ótimo 0,8 a 1,0 20 a 26 500 48-72
Black-bass Regular 0,4 a 1,0 10 a 24 300 48-72
Carpa capim Regular 1,0 a 2,0 10 a 24 400 24-36
Carpa comum Ótimo 0,8 a 1,5 10 a 24 500 24-36
Carpa cabeça grande Bom 2,0 a 3,0 10 a 24 400 24-36
Carpa prateada Regular 1,0 a 2,0 10 a 24 400 24-36
Tilápia Ótimo 0,5 a 1,0 22 a 26 550 24-36
Truta arco-íris Regular 0,3 a 0,5 5 a 14 300 24-36
Espécies nacionais
Curimbatá Bom 1,0 a 1,5 21 a 26 400 24-48
Dourado Regular 0,8 a 1,5 21 a 26 300 48-72
Matrinxã Regular 0,5 a 1,0 22 a 26 400 24-48
Pacu Bom 0,8 a 2,0 22 a 26 550 24-48
Piauçú Bom 0,8 a 1,5 22 a 26 400 24-48
Surubins Bom 1,0 a 2,0 22 a 26 480 48-963
Piraputanga Regular 0,5 a 1,0 22 a 26 400 24-48
Tambaqui Bom 0,8 a 2,0 24 a 26 550 24-48
Tambacu Bom 0,8 a 2,0 22 a 26 550 24-48
Tucunarés Regular 0,5 a 1,0 24 a 26 300 48-72
1
Recomendação feita para peixes com peso suficiente para comercialização para
mesa e pesca esportiva.
2
Maiores detalhes de cargas p/transporte são apresentados na Tabela 1 (da publ.
Citada).
3
Peixes carnívoros de grande porte podem necessitar um período de jejum mais
prolongado.

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Tabela 3 - Recomendações gerais de carga (no de peixes/litro) para transporte de


alevinos de tilápia, carpa comum, pacu, tambaqui (jejum de 24 a 48
horas) em sacos plásticos, com uma relação água : oxigênio de 1 : 5, a
uma temperatura de 25oC.

Tamanho Tempo de Embalagem e Transporte (horas)1


do peixe 4 8 12 16 20 24 48
2,5 cm 370 300 240 190 150 130 80
5,0 cm 170 140 110 90 70 60 40
7,5 cm 130 100 80 65 50 40 25
1
Usar 70% da carga para espécies dos gênero Brycon (piraputanga, piracanjuba
e matrinxã).

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3 SISTEMAS DE CULTIVO
o
Eng . Agrº Airton R. Sampaio
Engº de Pesca Guilherme V. L. Mavignier

3.1 PISCICULTURA EXTENSIVA


Trata-se de um sistema de criação de peixes em ambientes extensos,
sem controle ou domínio das condições ambientais. Esta se vale da produtividade
natural (plânctons e outros alimentos). Conseqüentemente apresenta resultados
inferiores aos outros tipos de piscicultura. A produção prevista oscila de 100 a 1.000
kg/ha/ano.

3.2 PISCICULTURA SEMI-INTENSIVA


Trata-se de um sistema de criação de peixe em ambientes controlados.
Esta se vale da adubação orgânica, renovação d’água, subprodutos agrícolas,
grãos, etc. A produtividade alcançada oscila de 1.000 a 8.000 kg/ha/ano.

3.3 PISCICULTURA INTENSIVA


Trata-se de um sistema de criação de peixes em ambientes devidamente
controlados. Emprega-se ração balanceada, renovação d’água, aeração mecânica,
etc. Apresenta rendimentos que variam de 8.000 kg a 30.000 kg/ha/ano ou mais.

3.4 PISCICULTURA SUPERINTENSIVA


Trata-se de um sistema de criação em ambientes pequenos com alta
densidade de estocagem. Esta se vale de ração balanceada, controle automatizado,
renovação permanente, etc. apresenta rendimentos acima de 50.000 kg/ha/ano até
300.000 kg/ha/ano.

3.5 COMO PROCEDER A CRIAÇÃO DE PEIXES NOS DIVERSOS


SISTEMAS

3.5.1 Criação Extensiva

Realizar os levantamentos das condições físico-químicas e biológicas do


ambiente aquático: ex: área inundada (ha), volume, profundidade, análise
laboratorial da água, as espécies existentes, tipo de agricultura de montante,
informações da bacia hidrográfica, etc.

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Fazer benfeitoria. Destocar o leito do açude, colocar tela, construir


atratores de peixes, etc.
Fazer peixamento. Introduzir as espécies desejadas nas quantidades
indicadas pelos profissionais.
Estabelecer o período de repouso, que não deve ser inferior a 6 meses.
Estabelecer um programa de pescarias. Obedecer o período de defeso
biológico (piracema).
Fazer repovoamento. Anualmente reponha as espécies julgadas
necessárias.

3.5.2 Criação Semi-Intensiva


Pratica-se em viveiros de terra, seguindo-se o método abaixo.

 Limpeza do viveiro manual ou mecânica. Procede-se a capina e a


retirada do material.

 Retirado da lama. Com o passar do tempo, é comum o assoreamento


do viveiro. Quando isto ocorrer, é necessária esta etapa.

 Calagem. Esta etapa é feita com duas finalidades. Desinfecção do


viveiro e correção do pH da água. No primeiro caso, após a despesca,
aplicar a cal na base de 200 kg/ha de viveiro. No segundo caso, fazê-
la após conhecer o resultado da análise laboratorial ou “in loco”.
Consultar um especialista.

 Adubação Orgânica. Adubar o viveiro antes de enchê-lo com água.


Esterco de aves (1800 kg/ha), estrume de boi (3000 kg/ha), se houver
necessidade, fazer adubação complementar todos os meses (obs:
usar o disco de Secchi para o monitoramento desta prática).

 Fertilização. Em algumas situações é preciso usar NPK. Aplique 15


kg de superfosfato triplo e 10 kg de uréia por hectare no início da
criação e repetir mensalmente se preciso for.

 Abastecimento d’água. Feitas as etapas anteriores, encher o viveiro


com água. Repor as perdas por evaporação e infiltração diariamente
ou períodos maiores, mas nunca acima de 7 dias.

 Estocagem. A estocagem por hectare no sistema semi-intensivo é


baixa. Pois, como é visto, neste sistema não se utiliza ração. Quando
muito, usam-se subprodutos, ingredientes ou mistura de ingredientes.
No sistema consorciado peixe-porco, empregamos as fezes de 50 a
60 porcos por hectare de viveiro, se for peixe-pato, usamos de 400 a
600 patos por hectare de viveiro de criação. Assim sendo não passar
de 5000 peixes por hectare de viveiro, sob pena de não se alcançar
um bom crescimento dos peixes num espaço de tempo desejado.

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 Acompanhamento. Fazer pesagem dos peixes mensalmente;


monitorar a qualidade d’água; verificar a saúde dos peixes, etc.

 Despesca. Fazer a despesca total do viveiro. É importante a produção


escalonada do projeto visando atender os contratos comerciais.

3.5.3 Criação Intensiva


Este sistema é praticado em viveiros de terra ou em tanques de cimento
(fibra de vidro, plástico). O que é certo e que neste sistema usamos ração completa.
Há uma preocupação com os níveis dos parâmetros limnológicos, optando-se em
alguns cultivos por aeração mecânica ou por renovação d’água permanente. A
densidade de estocagem é alta para algumas espécies. Por exemplo, usa-se até 6
tilápias por m2 de viveiros.

3.5.4 Criação Superintensiva


No nosso caso, abordaremos a criação em tanques-rede ou gaiolas, pois
se enquadra nesta classificação.

3.6 CRIAÇÃO DE TILÁPIA EM TANQUES-REDE, CONSTRUÇÃO


E MANEJO

3.6.1 Introdução

A piscicultura em tanque-rede teve início na Ásia, no século passado.


Há, posteriormente, registro documental de criação de peixes regionais em gaiolas
rudimentares na Indonésia, em 1920. Por volta de 1960, existem trabalhos que
citam a produção de peixes marinhos, no Japão.
No Velho Mundo, cita-se o sucesso do salmão em cultivo intensivo
utilizando gaiolas modernas e ração balanceada, na década de sessenta.
No continente americano, Estados Unidos e Chile foram os pioneiros no
tipo de cultivo em estudo, respectivamente, com as espécies tilápia e salmão, nos
anos setenta.
No Brasil, as primeiras iniciativas neste sentido couberam a UNESP
(Universidade do Estado de São Paulo) e ao Departamento Nacional de Obras
Contra as Secas (DNOCS). A primeira tentou a criação de carpa comum e o Órgão
nordestino trabalhou com a tilápia do Nilo, em 1980. De 1985 em diante, o CEPTA
(IBAMA-SP), a Itaipu (Paraná), o DNOCS, Departamento de Pesca (UFRPE),
Departamento de Pesca (UFC), vêm desenvolvendo estudos e prestando
assistência técnica aos criadores de peixes em tanques-rede.
O potencial hídrico nacional é muito promissor para o incremento da
criação em tanque-rede. Em todas as regiões, há disponibilidade de coleções
d’água públicas e particulares para o desenvolvimento desta atividade. Como

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exemplos, relaciona-se lago de Itaipu, represa do Sudeste, açudes e lagos do


Nordeste, entre outros.
Observa-se em certos projetos, produtividades acentuadas de tilápia do
Nilo/m3. Mas ocorrem, também, insucessos. É preciso que haja um
acompanhamento diuturno com relação aos projetos de piscicultura intensiva.

Em síntese, para que se tenha bons resultados em tanques-rede faz-se


mister:
 Gaiolas bem confeccionadas
 Alevinos de espécies geneticamente selecionadas
 Ração de elevada qualidade nutricional
 Água de ótima qualidade piscícola
 Assistência técnica de alto nível
 Trabalho onipresente

3.6.2 Definição de Tanques-Rede

São estruturas flutuantes, de variados tamanhos e formas geométricas,


delimitadas por telas ou redes, que permitem o confinamento de espécies de
pescado, com fins lucrativos.

3.6.3 Constituintes de Tanques-Rede

SUPORTE – É a estrutura de sustentação denominada de jangada. É


responsável pela forma do tanque-rede. Constrói-se com barrote de madeira, barra
de ferro, cano de pvc, fibra de vidro, cano de alumínio, tubo galvanizado, entre
outros.

FLUTUADORES – São objetos que mantém o tanque-rede na superfície


d’água. Exemplo: tubo rígido de pvc (100 ou 150mm) com tampão, cono plástico ou
de alumínio, bambona de plástico, tambor de ferro, isopor, bóia de fibra de vidro,
madeira (várias espécies vegetais).

CÊSTO DE CONTENÇÃO – É a parte telada do tanque-rede. Pode ser


de material flexível, semi-rígido. Mantém os peixes confinados durante o tempo de
cultivo.

Usa-se materiais diversos na confecção do cesto do tanque-rede, a


saber: rede de multifilamento (malha 1,5cm), rede primolitada (malha de 2,5cm), tela
de polietileno (malha de 1,5 e 2,0cm) tela níquel (malha de 1,0 e 2,0cm) arame
galvanizado revestido de pvc (malha 1,7 e 2,5cm) arame de aço inoxidável (malha
de 1,5 e 2,5cm), arame de alumínio (malha de 1,5 e 2,5cm) entre outros existentes
no mercado local.

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ÂNCORA – Objeto pesado que mantém fixo o tanque-rede, impedindo


seu deslocamento. Pode ser um bloco de cimento, pedra, peça de ferro preso ao
suporte da gaiola por uma corda, corrente, cabo de aço ou cabo de nailon.

COBERTA – Panagem (rede) ou tela posta sobre o cêsto de contenção


com a finalidade de proteger a saída de peixes ou entrada de invasores. A cobertura
pode ter, ainda, a finalidade de reduzir a incidência dos raios solares sobre os
peixes contidos no recinto de criação, diminuindo o estresse.

COMEDOURO OU COCHO – O comedouro em cultivo era fundamental


quando a ração era dos tipos: farelada, macerada e peletizada. Com o advento da
ração extrusada, tornou-se obsoleto. Em criação de peixe em gaiolas, usa-se o
comedouro apenas no berçário. Na fase de engorda, não há necessidade do
equipamento em relato. A não ser, o uso de uma cinta de proteção junto às paredes
do cêsto de contenção do tanque-rede, na superfície da água. Com isto, evita-se a
saída horizontal da ração.

3.6.4 Formas dos Tanques-Rede


A forma geométrica do tanque-rede está diretamente relacionada ao
custo de confecção do mesmo. Sabe-se, que é menor a despesa na medida em que
ele tende à forma circular. Além disso, esta tem a vantagem de não apresentar os
espaços mortos, ou seja áreas pouco utilizáveis pelo peixes confinados. Com isto,
cresce a produtividade do sistema de cultivo.
Mas não há só vantagens na forma circular do tanque-rede! È mais
trabalhosa a confecção do mesmo e apresenta um inconveniente que é a menor
taxa de renovação d’água.
Os criadores de peixes em tanques-rede têm utilizado as formas
quadradas, retangulares e circulares.

3.6.5 Tamanhos dos Tanques-Rede


O tamanho está relacionado ao comportamento dos peixes a serem
cultivados. Os peixes de superfície requerem espaços maiores para a locomoção,
sendo impróprios os tanques-rede pequenos. Os peixes de meia água, como as
tilápias, não são exigentes em termo de volume d’água.
Na verdade, os tanques menores são destinados ao cultivo
superintensivo. E, com certeza, são mais fáceis de controle e de manuseio.
No momento, as dimensões dos tanques-rede mais recomendados para a
criação de tilápia do Nilo (ex: Tailandesa), são:

Comprimento 2,0m
Largura 2,0m
Altura 1,2m

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3.6.6 Localização dos Tanques-Rede

É interessante observar que existem diversos tipos de açudes. O de


grande porte, o mediano e o pequeno. A qualidade e a quantidade de água são
fatores de suma importância para o sucesso ou insucesso do empreendimento
aquícola.
A localização deva ser onde exista água de boa qualidade (renovação de
água) e tenha uma profundidade superior a 4 metros, ao longo dos meses do ano.
A escolha do local a serem implantadas as gaiolas deva levar em conta o
clima, a legislação e as condições estruturais, a saber:

 Água - Variáveis químicas, físicas e biológicas. Ex: temperatura


da água, oxigênio dissolvido, pH, turbidez, salinidade, fitoplâncton,
poluição.

 Clima - Velocidade e direção dos ventos, correntes hídricas,


profundidade da água, etc.

 Legislação - Autorização, registros do Órgão Ambiental, portaria em


vigor e Lei Ambiental.

 Condições Estruturais - Levar em consideração o acesso,


mercado de insumos, infra-estrutura de apoio, mão-de-obra, etc.

3.6.7 Quantidade de Gaiolas

O nº de gaiolas a ser colocado no açude é limitado. O somatório das


áreas delas não deva ultrapassar a 1% do espelho d’água do açude (média dos
últimos 10 anos). Exemplo: se o açude tem uma média de 100ha de espelho d’água,
o projeto deve apresentar no máximo 1ha de gaiolas (soma das áreas das gaiolas).

3.6.8 Distância entre Gaiolas

A distância mínima entre gaiolas é de 2 metros e a distância entre filas de


gaiolas quanto maior, melhor. A dimensão vertical mínima entre o leito do açude e a
parte inferior da gaiola é de 1 metro. E quanto maior, melhor.

3.6.9 Povoamento das Gaiolas

GAIOLA – BERÇÁRIO - É uma gaiola da malha miúda. Abriga alevinos de


1g, permanecendo nela pelo período de 30 a 45
dias, alcançando os alevinos peso médio de 40g.
Utiliza-se a densidade de estocagem de 1000 a
2000 alevinos por m3 d’água, conforme a qualidade
da água.
A ração nesta fase é a juvenil (40% PB) todos os
ingredientes devem ser rigorosa e finamente

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moídos para promover elevadas taxas de


absorção.
É administrada em bandeja, em regime de
alimentação à vontade. Normalmente, pela manhã
e à tarde. As taxas de arraçoamento devem ser
observadas pelo tratador (começando com 8% do
peso vivo e encerrando a fase com 4%).

GAIOLA – ENGORDA - Observar a diversidade de gaiolas utilizadas no


Brasil, e não esquecer que existem outras em
atividade, que não foram fotografadas. Neste
sistema de criação, a tilápia permanece pelo
período de 120 a 150 dias ou até mais,
dependendo do peso desejado. A densidade de
estocagem é de 200 a 400 peixes por m 3, em
função da qualidade da água.
A ração nesta fase é a extrusada (32% PB). As
taxas de arraçoamento deverão ser atentamente
seguidas, pois a tilápia deve ser alimentada o mais
frequentemente possível, (iniciando com 4% e
finalizando com 2% do peso vivo).

3.6.10 Despesca
No caso da gaiola – berçário ao atingir o peso médio desejado (40g),
coletar os alevinos e fazer o povoamento das gaiolas de engorda, tendo o cuidado
de proceder uma contagem rigorosa. Também excluir os alevinos que não
apresentaram o crescimento esperado.
Na Segunda fase (engorda), ao atingir o peso ansiado para o abate,
transportar as gaiolas para a margem do açude e realizar a captura das tilápias.
Os peixes poderão ser transportados em caixas de fibra de vidro, próprias
para o transporte de peixes vivos, destinados à peixaria, ao pesque-pague ou à
indústria.
Poderão, também, ser acondicionados em gelo e transportados para os
pontos de comercialização ou a indústria.
As tilápias destinadas à indústria vão para o setor de filetagem, e
posteriormente, para a embalagem, câmara de frio e supermercados locais.

Observação: As informações são importantes para a criação de tilápia do


Nilo no Nordeste do Brasil.

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4 REPRODUÇÃO DE PEIXES
Med. Veterinário Marcelo José da Ascensão Feitosa Vieira

4.1 REPRODUÇÃO
Reprodução é o processo pelo qual uma espécie se perpetua,
transmitindo a seus descendentes as mudanças genéticas que lhes foram impostas
pelas variações ambientais (VAZZOLER 1996).

Estratégia reprodutiva é o conjunto de características que uma espécie


deverá manifestar para ter sucesso na reprodução, de modo a garantir o equilíbrio
da população, para tanto o ambiente tem papel fundamental para tornar uma
espécie apta ou não à aquela região.

Podemos citar como táticas por exemplo:

- modo como algumas espécies utilizam os recursos energéticos


- desencadeamento do processo hormonal
- tipo de fecundação interno ou externo
- estilo reprodutivos se não guardadores, guardadores ou carregadores
- comprimento e idade de primeira maturação gonadal
- época(s) de desova
- número de período reprodutivo durante o tempo de vida da espécie
- tipo de desenvolvimento ovocitário
- tipo de desova relacionado com o tipo de desenvolvimento ovocitário
- fecundidade tamanho do indivíduo, condições ambientais
- tempo de incubação e período de eclosão, características de cada
espécie (VAZZOLER 1996).

O conhecimento do ciclo biológico e os estoques (espécies) são a base


de toda exploração na piscicultura onde tem importância principalmente a
alimentação natural e a qualidade da água onde se pretende empreender o cultivo
(DIAZ, 1989).

Muitos fatores influenciam na sobrevivência dos organismos aquáticos,


no entanto, o pH merece atenção especial pois as alterações para mais e par
menos são danosas para tais organismos , daí a atenção que devemos ter para
manter o pH a níveis aceitáveis. A seguir mostramos alguns exemplos de como
corrigir este fator nos ambientes aquáticos.

O método mais comum e usado para corrigir o pH e adequar a água às


condições ideais através da utilização de substancias como CaO e CaCO 3

A maioria dos corpos da água continentais tem pH variando entre 6 e 8 ,


no entanto, pode-se encontrar ambientes mais ácidos ou mais alcalinos e
necessitam de correções (ESTEVES, 1988).

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4.2 FATORES QUE INFLUENCIAM OS AMBIENTES AQUÁTICOS

4.2.1 pH

PH Condição
7,0 Ideal
6,0 Afeta reprodução
4,8 Não há reprodução
4,0 É tóxico para peixes e camarões
8,5 Afeta metabolismo
9,0 Tóxico para peixes e camarões

4.2.2 Calagem para corrigir o pH

Quantidade (g/m2)
Produto
para pH = 6 para pH = 5 Para pH < 5
CaCO3 100 200 400 - 600
Ca0 80 120 -
Ca(OH)2 100 150 -

Para matar predadores, se pH = 6,5 - calagem é feita apenas nos


lugares úmidos (poças) dos viveiros. Na quantidade de 100g/m 2.

4.2.3 Adubação

A necessidade de alimento natural nas coleções de água na piscicultura


recomenda que para suprir as necessidades de águas pobres devemos utilizar o
recurso da adubação:

Fertilizantes N.P.K; e
Super fosfato simples/ha/mês.

Na prática:
50 kg/ha/mês - super sulfato simples
50 kg/ha/mês - sulfato de amônia.

ADUBO - ESTERCO para NE 100 a 500g/m2/mês

300g/m2/mês - bovinos
200g/m2/mês - aves e suínos

- Resíduo de biodigestor = esterco bovino


- Humos de minhocas = produzidos por minhocas - Assoreamento

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Obs.: Como a quantidade de material a ser depositado nos viveiros é


maior em relação a adubação devemos está alertas para o excesso
de material que comprometerá a profundidade do viveiro.
Obs.: Adubação orgânica deve ser feita após abastecimento ± 15 cm de
lâmina de água para evitar a incidência dos raios solares
diretamente no adubo.

4.3 DENSIDADE DE ESTOCAGEM


Tipo de cultivo Densidade (Peixes/ m2)
Larvas e alevinos até 2,5 cm 100
Larvas e alevinos  2,5 cm 16
Engorda semi-intensiva 1a2
Engorda intensiva 5 a 10
Engorda em gaiolas 0,5 a 200
Engorda super-intensiva 100 a 300
Reversão 5.000 para 0,4m3
Reprodutores
2
1 peixe para 10 a 15 m
2
Acasalamento de tilápia 1 a 2/m

4.4 RETIRADA E PRESERVAÇÃO DE HIPÓFISE


1. Captura de peixes preparados;
Ex. machos liberando facilmente sêmen por pressão manual na região
ventilar.
2. Sangrar para melhorar visão da glândula;
3. Proceder após contenção do peixe, dois cortes para expor cérebro;
4. Retirar o cérebro;
5. Retirar hipófise;
6. Colocar as glândulas em acetona imediatamente após a retirada;
7. Retirar acetona (final da operação) adicionar novamente acetona;
8. Trocar acetona após 8 horas;
9 - Retirar completamente acetona - após 24 horas;
10 - Secar por evaporação; e
11 - Armazenar em frascos lacrados. Etiquetar com data e acondicionar
em dessecador com sílica.

4.5 ALIMENTAÇÃO E DESPESCA

4.5.1 Alimentação

Calcular a biomassa do viveiro.


Ex. 5.000 x 300g = 1.500 kg.
3% biomassa = 45 kg/dia (em 2 refeições)
Na mesma hora e mesmo local.

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Obs.: Dependendo do sistema de cultivo pode dividir em 2 ou mais


refeições e utilizar comedouros automáticos ou não.

 Escolha da ração e tamanho das partículas vai depender do hábito


alimentar e do tamanho do peixe.

Obs.: Nível de proteína é extremamente limitante para o cultivo. Observar


relação custo - benefício.

4.6 DESPESCA
Tipos de despescas: - TOTAL e PARCIAL.

4.6.1 Total
É aquela cuja finalidade é retirar todo o estoque do viveiro: (reprodutores,
juvenis e alevinos).
Recomendações:
1. Esta operação nunca deve passar das 9:30 horas da manhã;
2. Os peixes deverão ter por destinos ambiente que diminuam o
estresse;
3. O transporte deve ser rápido e seguro;
4. No caso de alevinos não transportar muitos e uma vez no puçá.

4.6.2 Parcial
A finalidade é retirar, do viveiro ou de qualquer coleção de água, parte do
seu estoque.
Pode-se ou não baixar parcialmente o volume de água;
Utilizar principalmente redes de arrastos com malha pré definida se
houver diferentes tamanhos;
Para captura de reprodutores;
Para amostragens; e
Para vendas estratégicas.

4.7 OPERAÇÃO DE PEIXAMENTO


Definir o transporte a ser utilizado (Sacos ou caixas);
Em sacos de 60 litros colocar 1/3 de água e 2/3 de oxigênio;
Alevinos de 5cm para viagem de 4 horas. 500 alevinos por saco;
Em caixas de fibra de vidro com aerador, 50kg de peixes por metro
cúbicos de água;

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No caso de sacos plásticos deve-se deixar o saco lacrado flutuar no


reservatório a ser estocado por 15 minutos, depois abrir o saco e completar a água
do saco com a água do reservatório com a mão ou uso de recipiente de 0,5 litro.
Para evitar choque térmico; e
Na caixa devemos verificar a temperatura da água completar e misturar
um pouco se for necessário.

4.8 CRIAÇÃO DE LARVAS E ALEVINOS

4.8.1 Larvas

1. Abastecer o viveiro obedecendo todas as recomendações de calagem,


adubação e tela na entrada de água;
2. Esta operação deve ser realizada 5 dias antes da estocagem das
larvas;
3. Observar o estado da larva antes da estocagem reflexos e estado
geral, coração, circulação, etc.;
4. Estocar na densidade de 100/m2;
5. Fazer amostragem a cada 15 dias;
6. Fornecer ração conforme tabela pré definida; e
7. Ao atingir 2,5cm a densidade cai para 16/m2. Segunda alevinagem.

4.8.2 Criação de Alevinos

1. Preparar o viveiro;
2
2. Estocar os alevinos na densidade de 1 a 10 por m ;
3. Conhecer peso médio para calcular ração;
4. Fazer amostragem mensal para calcular biomassa; e.
5. O final do cultivo vai depender do objetivo do produtor.

4.9 REPRODUÇÃO DE PEIXES

4.9.1 Natural

A reprodução natural depende da adaptação do ambiente.


Para isso alguns pontos são vitais:

1. Capacidade de se reproduzir;
2. Os ovos devem ter ambiente ideal no que diz respeito ao oxigênio,
temperatura, alimentos, e livre de predadores; e
3. Os pais têm importância vital nos cuidados com ovos, larvas e alevinos.

Idade da Primeira Maturação Sexual

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Alguns peixes tornam-se sexualmente maduros em poucos meses,


enquanto que outros podem levar anos.
A maturação sexual depende de vários fatores sendo o clima um dos
mais importantes.
Em ambientes frios é mais demorada e em ambientes quentes é
acelerada.
Ex. Aqui no Nordeste, a carpa atinge 1,5 kg em um ano e está apta para
reprodução. Enquanto na Europa Central, precisa 3 anos, e 4 anos no Norte da
Europa.

Ovos por Quilo de Peso

Mm Quantidade
0,3 - 0,5 500 - 1.000 (x 1.000) - por kg de peso
0,8 - 1,1 100 - 300 (x 1.000) - por kg de peso
1,5 - 2,5 5 - 50 (x 1.000) - por kg de peso

Sêmen

Os espermatozóides são imóveis nos testículos, mas tornam-se móveis


assim que entram em contato com a água.
O período de mobilidade do espermatozóide é muito curto e depende da
temperatura da água. Este período é de 1/2 a 1 minuto.
A quantidade de espermatozóides varia de espécie a espécie. A variação
é de 5 a 20 milhões por mm3, dependendo da densidade do mesmo.
A reprodução natural ocorre com espécies adaptadas ao clima e em
condições ideais, em cativeiro.

4.9.2 Artificial
Requisitos para propagação artificial.
1. Intervenção humana para ajudar a alcançar uma melhor sobrevivência
a prole;
2. As técnicas de reprodução artificial são múltiplas, todas têm o objetivo
de produzir quantidade abundante de ovos, larvas e alevinos;
3. A propagação artificial da maneira como é praticada em diferentes
partes do mundo pode variar, dependendo das condições locais e das instalações;
4. Ela pode começar com a coleta e posterior cultura do ovo, larvas ou
Avelino, produzidos naturalmente ou com a produção do próprio ovo, través de
indução artificial seguida de fertilização controlada, incubação e cultura de larvas e
alevinos; e.
5. Aquisição de ovos fertilizados por desova induzida, através de
tratamento com hormônio.

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Fase da Reprodução Artificial

1. Captura dos reprodutores;


2. Seleção dos reprodutores;
3. Cultivo dos reprodutores;
4. Indução da desova com tratamento hormonal;
5. Obtenção de produtos sexuais maduros por extrusão, com tratamento
hormonal;
6. Fertilização artificial; e.
7. Incubação e eclosão de ovos.

4.9.3 Embriologia

Desenvolvimento dos ovos de peixes em geral:


Alguns sinais são importantes para se verificar e avaliar a fecundação:
1. Hidratação, aumento do volume do ovo;
2. Na micrópila se observa o ponto onde penetrou o espermatozóide; e.
3. Observa-se o início das divisões celulares.

Fase de Desenvolvimento do Ovo Fertilizado

1. Ovo fertilizado intumescido;


2. Primeira segmentação;
3. Quatro células;
5. Mórula final;
6. Blástula;
7. Gástrula;
8. Fecundação do blastóporo;
9. Embrião (3 fases);
10. Ovo pronto para eclosão;
11. Larva recém incubada e eclodida;
12. Larva (fim saco vitelino); e.
13. Pós-larvas (bexiga natatória).

4.9.4 Hipofisação

Hipofisação é a utilização de hipófise para induzir a desova de fêmeas e


fluidificação e liberação de sêmen dos machos.

Etapas:

1. Captura das matrizes aparentemente preparadas com abdômen


volumoso e papila genital hiperemiada. 1a seleção;
2. Seleção definitiva através de sondagem ovariana;
3. Identificação e pesagem das matrizes;
4. Calcular a dose total de hormônio a ser aplicada (hipófise);
5. Dividir a quantidade de hormônio para 2 doses;

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Obs: Na 1a dose, 10% da dose total funciona provocando a maturação de


todo conteúdo ovariano. A 2a dose, 90% da dose total, promove a
expulsão de todo o conteúdo ovariano, e as fêmeas recebem uma
sutura na papila genital.

6. Após a 2a dose as fêmeas vão para o tanque de manuseio até o


momento da desova ou extrusão que no tambaqui ocorre entre 240 e
270 hora grau e a carpa entre 180 a 210 hora grau;

7. Desova - A fêmea recolhida é trazida a mesa, retirada a sutura e


pressionada no abdômen até expulsar todo conteúdo ovariano na bacia,
que é posteriormente pesada para se quantificar o número de óvulos;

8. Dos machos é colhido o sêmen e misturado aos óvulos na quantidade


de 1 a 2 cc para cada kg de óvulos;

9. Homogeneizados óvulos e espermatozóides, adiciona-se água. Está


realizada a fecundação; e.
10. Se os ovos são não-aderentes adiciona-se água, aguarda-se a
hidratação e leva-se às incubadoras.

20 l - 100 a 150g de ovos


60 l - 150 a 250g de ovos
200 l - 350 a 500g de larvas.

4.9.5 Fisiologia da Reprodução

 Ambiente;
 Órgãos sensitivos (narinas, pele, olhos e ouvidos);
 Hipotálamo - organizador do processo de reprodução conexão entre
meio ambiente e organismo;
 Hipotálamo secreta:

1. Folículo estimulante (FSH ou FH - RH) - que estimula e dirige a


vitelogênese, atua na hipófise; e.
2. Liberado ou luteinizante (LH - RH) atua do hipotálamo para hipófise.

Tem um inibidor, o hormônio (LH - RHIF) a substância pimozide é


antagônica ao hormônio inibidor.

4.9.6 Ações da Hipófise

Produz, estoca e distribui os hormônios gonadotropos (GTH).


1. Rico em proteína - dirigir vitelogênese regulado pelo FSH; e.
2 . Rico em carboidratos - estimular, regular. A maturação final dos ovos e
ovulação. Regulado pelo LH - RH
Hipotálamo - canal - hipófise.
Hipófise - corrente sangüínea - ovários e testículos.

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4.9.7 Função dos Ovários

Os ovários através dos folículos que envolvem as ovogônias produzem


dois tipos de hormônios:
1. Estradiol 17 beta (E 17 beta) estimula e regula a produção de
vitelogênese pelo fígado.
2. MIS (esteróide de maturação e indução) que tem a formula: 17 alfa
hidróxi 20 beta Dihydro progesterona - promove a maturação final pré-ovulação e
ovulação.

Ação - 6 horas ou um pouco mais.


A Hipofisação atua nesta fase da maturação gonadal.

4.10 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BEVERIDGE, M. C. M. and McANDREW B. Tilapias: Biology and Exploitation.


Institute of Aquaculture University of Stirling- Stirling, Scotland

KLUWER ACADEMIC PUBLISHEERS. Fish and Fisheries Series 25-2000.

CODEVASF, Brasília .ESTUDOS DE PISCICULTURA, Brasília , 1986 .

Díaz, G., J. Vázquez y ª Marí, 1988 Desarrollo de la acuicultura en Cuba. Manejo de


estaciones y pesquerías en aguas interiores. COPESCAL Doc. Tec. (6): 69p.

ESTEVES, F. de A. FUNDAMENTOS DE LIMNOLOGIA – Interciência: FINEP, Rio


de Janeiro-RJ.1988.

VAZZOLER, A. E. A. de M. BIOLOGIA DA REPRODUÇÃO DOS PEIXES


TELEOSTEOS: TEORIA E PRÁTICA Nupélia- Maringá-Paraná.1996.

OGAWA , M.& KOIKE ,J. ; Manual de pesca . Associação dos Engenheiros de


pesca do estado do Ceará.- Fortaleza - Ceará –1987, 799 p.

WOYNAROVICH, E. TAMBAQUI e PIRAPITINGA Propagação artificial e criação


de alevinos .CODEVASF, Brasília ,1986. 67p.

WOYNAROVICH,E. &HORVATH, L. Propagação de peixes em águas


temperadas : Manual de Extensão . CODEVASF, Brasília , 1988, 220 p.

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Curso Teórico e Prático Sobre Aqüicultura Continental

5 DOENÇAS EM PISCICULTURA- MANEJO E


TRATAMENTO -
Med. Veterinário Marcelo José da Ascensão Feitosa Vieira

5.1 INTRODUÇÃO
Os peixes convivem em equilíbrio com parasitas e patógenos. Este
equilíbrio pode ser rompido por distúrbio de ordem ambiental, dentre os quais
alterações na qualidade da água principalmente a redução extrema de níveis de
oxigênio dissolvido e aumento na concentração de substâncias tóxicas como gás
carbônico (CO2), amônia e nitrito. As práticas de manejo adotadas em sistemas de
cultivo intensivo de peixes, com altas densidades de estocagem, elevados níveis de
arraçoamento, freqüente remoção e reestocagem de peixes, uso freqüente de
produtos químicos e medicamentos, entre outros, podem exercer impactos
negativos sobre o bem está geral dos peixes, Kubitza (1999).

Todas as grandes concentrações de animais constituem sempre um fator


que favorece o aparecimento de doenças e as dos peixes não se constituem uma
exceção. Este fator é particularmente importante no caso das pisciculturas
intensivas nas quais as cargas de peixes por metro cúbico podem atingir níveis
extremamente elevados chegando a 60kg/m 3. Esta concentração de peixes
constitui-se em ambientes favorável a surtos epizoóticos, devido à presença de
diferentes organismos patogênicos, que, em condições naturais, teriam expressão
mínima. Pavanelli (1998).

Sendo assim, é possível perceber que a grande maioria dos problemas


sanitários que se colocam aos piscicultores são provenientes da ação de vários
fatores. Destes provém a complexidade que por vezes apresentam e que se reflete
na dificuldade de definir as medidas profiláticas e terapêuticas adequadas Pavanelli
(1998).

5.2 MANEJO, PROFILAXIA E TRATAMENTO OU


SUSCEPTIBILIDADE DOS PEIXES AOS PARASITOS E
PATÓGENOS
A susceptibilidade dos peixes aos parasitas e patógenos variam em
função da espécie de peixe cultivado e de indivíduo para indivíduo.

 É maior em peixes mais jovens (larvas e alevinos) comparado a


peixes adultos;
 É maior em peixe mal nutrido ou peixe que passou por privação
alimentar;
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 Aumenta quando as condições da qualidade da água são


inadequadas;
 Aumentam com a elevação da temperatura, os patógenos apresentam
atividade metabólica mais acelerada;
 Aumento com sobrecargas fisiológicas impostas aos peixes
(exposição a substâncias tóxicas como inseticidas e produtos
terapêuticos e profiláticos usados pelos piscicultores).

5.3 MODO DE TRANSMISSÃO DE DOENÇAS E PARASITAS


A água por ser um meio muito homogêneo facilita a propagação e
distribuição dos organismos patógenos e parasitas, que, se agravam com o tipo de
cultivo se extensivo, intensivo ou super-intensivo, com as condições de
arraçoamento e com o manejo.
Os parasitas podem ser introduzidos principalmente pela água de
abastecimento, principalmente se a fonte estiver contaminada por estes, também
por aves que se alimentam de peixes.
O uso de ração e alimentos contaminados, principalmente os preparados
com materiais contaminados que não passaram por adequada esterilização.
As portas de entradas para parasitas e patógenos são:

 Via oral - água e alimentos ingeridos;


 Via pele e brânquias; e
 Via narina e ânus

5.4 MECANISMOS DE DEFESA DOS PEIXES.


 Reações não específicas – são aquelas inatas do próprio animal ou
espécie, adquiridas através de herança genética.
 Reações específicas, ou as reações ligadas a imunidade dos peixes e
adquiridas ao longo de sua vida e exposições aos organismos
patogênicos e parasitas.

5.4.1 Mecanismos de Defesa não Específicos

Estes mecanismos compreendem as barreiras físicas, Muco, Escamas e


Pele.

MUCO DOS PEIXES

Substâncias com ação neutralizante, bactericida e fungicida, bem como


anticorpos (Imunoglobulinas) e enzimas (lisossomas e outras enzimas que destroem
a parede celular de bactérias) estão presentes no Muco dos peixes, fazendo deste
uma das mais importantes barreiras contra organismos patogênicos. O muco
protege contra fatores ambientais adversos, reduz o atrito facilitando a natação e
possui importante função na osmorregulação (manutenção do equilíbrio osmótico),
ou seja, equilíbrio entre o meio (água) e o corpo do peixe.

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ESCAMAS E PELE

As escamas protegem a pele dos peixes contra injúrias físicas e ajudam


na manutenção do equilíbrio osmorregulatório dos peixes, impedindo a entrada
excessiva de água e a perda de íons dos tecidos para água. Alguns peixes são
desprovidos de escamas são os chamados “peixes de couro” e nestes, a pele
substitui a função das escamas exercendo o papel de defesa e mantendo o
equilíbrio.
Infestações por parasitas podem causar danos às brânquias, pele e nadadeiras
além de perdas de escamas, favorecendo uma subseqüente infestação de bactérias
e fungos. Os cuidados com manuseio são fundamentais para evitar lesões na pele e
perdas de escamas.

DEFESA HUMORAL E CELULAR

A defesa humoral está relacionada com a síntese de imunoglobulinas


(proteínas importantes para o sistema imunológico) no plasma sanguíneo (fração
líquida do sangue).
As células sanguíneas dos peixes são produzidas tanto no baço, como
nos rins e podem ser classificados em três grupos:
 Células vermelhas ou eritrócitos;
 Trombócitos; e.
 Células brancas ou leucócitos.

Os eritrócitos dos peixes são mais abundantes que os leucócitos e tem


como principal função o transporte de oxigênio das brânquias para os demais
tecidos corporais.

Os trombócitos dos peixes atuam semelhantes às plaquetas dos


mamíferos e tem função importante na coagulação sangüínea, e são produzidos
provavelmente pelo baço a partir de pequenos linfócitos.

Leucócitos se encarregam de desempenhar o papel de fagocitose nos


mecanismos de defesa celular.

Linfócitos são produzidos no timo no baço e nos rins e a principal função


e desencadear a produção de anticorpos.

Monócitos produzidos pelos rins com a função de fagocitar partículas


estranhas ao organismo.

Granulócitos produzidos nos rins no baço e são:


 neutrófilos - que tem a função de fagocitose nas infecções por
bactérias.
 basófilos - contêm histaminas e são alvos nas inflamações agudas e
reações de hipersensibilidade.
 Eosinófilos - função fagocítica de bactérias e outras substâncias
estranhas ao organismo.

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Quadro 1 – Sinais Clínicos de Infecções por Bactérias (Bac); Fungos (Fun); Vírus
(Vir); Parasitas (Par) e devido a Deficiências Nutricionais (Nut).

Sinais clínicos externos Bac Fun Vir Par Nut


1. Hemorragia (olhos, tronco, nadadeiras, boca, abdômen) x x x
2. Lesões corporais (necrose, úlceras, furúnculos) x x x x
3. Manchas despigmentadas pelo corpo x x
4. Abdômen inchado (ascite) ou retraído (barriga seca) x x x x
5. Olhos saltados e córnea opaca x x x x
6. Coloração anormal: escurecimento ou palidez x x x x
7. Excessiva prod. de muco no corpo e brânquias x
8. Anemia (palidez das brânquias) x x x x
9. Áreas necrosadas e deformidades nas brânquias x x x x
10. Pontos brancos amarelos ou pretos no corpo (cistos) x
11. Nadadeiras desfiadas ou necrosadas (podridão ou
erosão). x x x
12. Deformidades corporais x

Alterações no Comportamento x
1. Perda total (anorexia) ou redução no apetite (hiporexia) x x x x x
2. Letargia (natação vagarosa ou o peixe fica parado) x x x x x
3. Peixes ficam boquejando na superfície (asfixia) x x x x x
4. Peixes raspam o corpo em alguma superfície (prurido) x

Sinais Clínicos Internos


1. Órgãos Internos (fígado, baço e rins) hemorrágicos x x
2. Fluído claro ou opaco na cavidade abdominal x x x x
3. Fluído amarelado ou sanguinolento no intestino x x
4. Lesões tipo úlceras no fígado x x x
5. Hiperplasia (aumento de tamanho) dos órgãos internos x x
6. Fígado cor anormal, aspecto friável e margens espessas x x
7. Baço de tamanho aumentado e com margens espessas x
8. Cistos brancos no fígado x

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Quadro 2 - Relação dos principais produtos usados na prevenção e controle de


parasitoses e doenças dos peixes e formas de tratamento.

Produtos Forma de Tratamento Concentração Organismo Alvo


Sal comum Banhos 5 a 10 min (1) 30 g/l Parasitos/bactérias
(NaCl) Banhos 30 minutos 10 a 20 g/l Externas ( Bac. Ext.).
Permanganato Banhos 20-30 min 10g/m3 Parasitos/Bac. Ext.
De potássio Indefinido 2g/m3 (ppm) Parasitos/ Bac. Ext
KmnO4 Tópico Solução 1% Fungos
Azul de Indefinido 2 a 3 g/m3 (ppm) Fungos/ par. Ext
Metileno
Banhos de 30 a 60 min 150 - 250 ml/m3 Fungos/Bactérias
Formalina Banho 24 horas 25 - 30ml/m3 Parasitos externos
(formaldeído a
40%) Banho em ovos 20 min 600 ml/m3 Ditto
Indefinido 15 - 25 ml/m3 ditto
Sulfato de cobre TA/100=g de
Indefinido Parasitos externos
CS(CuSO4.5H2O) SC/m3

Triclorfon Indefinido 0,13 - 0,25gIA/m3 Lernaea, Argulus e


(organo- Banhos prolongados 1 a 2,5gIA/m3 Ergasilus
Fosforado) Banho de 1 a 3 minutos 10g IA/L
Oxitetraciclina Na ração 10 a 14 dias 250 a 1800g/Ton Bactérias sistêmicas
ou clorohidratro Banhos prolongados 20g/m3 e externas
de tetraclina
Indefinido 0,10mg/l (ppm) fungos/par./bacter.
Verde de
Banho de 30 a 60 min. 1 mg/l (ppm) fungos/par./bacter.
Malaquita
Tópicos Solução a 1% fungos

IA = Ingrediente Ativo
PPM = Parte Por Milhão
TA = Total de Alcalinidade

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5.5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


Kubitza, F. & Kubitza, L. M.M. - Principais Parasitoses e Doenças dos Peixes
Cultivados 3a Edição revisada Jundiaí, SP, Brasil. 1999.
Pavanelli, G. C., Eiras, J.C. & Takemoto R. M. - Doenças de Peixes Profilaxia
Diagnóstico e Tratamento Maringá EDUEM:CNPq:Nupélia, 1998. pp.264
Figueiredo, J. J. C. B. & Feitosa, V. A. Treinamento em Piscicultura –
Ictioparasitologia. Diretoria de Pesca e Piscicultura do DNOCS-novembro /1995.

36
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6 INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE O CULTIVO DO


CAMARÃO BRANCO Litopenaeus vannamei
Engª de Pesca Simone Cardoso Façanha – Mestranda
Engª de Pesca Sandra Maria Xavier Pinheiro - Mestranda
Engª de Pesca Vera Lúcia Bezerra de Abreu

6.1 INTRODUÇÃO
O cultivo de camarões marinhos é uma atividade recente. Na década de
60 a carcinicultura alcançou um bom nível tecnológico. Hoje em dia é um dos ramos
da maricultura que mais tem se desenvolvido.
A criação do camarão é uma das poucas atividades do setor primário que
tem alcançado altas taxas de crescimento nos últimos anos devido o elevado
progresso tecnológico, a grande demanda de mercado, principalmente nos Estados
Unidos, Europa e Japão e o decréscimo da pesca extrativa do camarão. Em 1998, a
exportação do camarão cultivado gerou US$ 2,8 milhões, aumentando mais de
507% no ano seguinte, quando o volume atingiu US$ 14,2 milhões. Em 2000 o
montante chegou a US$ 71,5 milhões e em 2001 US$ 106,9 milhões, totalizando
nesse triênio um aumento nas exportações na ordem de 3.817,86%.
No ano 2002 a produção mundial do camarão cultivado em cerca de 2
milhões de hectares de viveiros localizados em mais de 50 países em
desenvolvimento chegou a 1.319.126 toneladas. Dentre os principais países
produtores no mundo, durante o ano de 2002, destacam-se a China (310.750 t),
Tailândia (260.000 t), Vietnã (178.000 t), Índia (102.940 t), Indonésia (102.000 t),
Bangladesh (63.164 mil t), Brasil (60.128 t), Equador (57.000 t), México (38.000 t)
Honduras (18.000 t) e outros (129.146 t) (Figura 1).
310,75

350,00
260,00
Produção (x 1.000 toneladas)

300,00
178,00

250,00
129,15

200,00
102,90

102,00

150,00
63,16

60,13

57,00

38,00

100,00
18,00

50,00

-
as

s
r
sh

o
ia

il
a

a
na

do

ro
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ic
di

si
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éx
In
Ch

ua
Br

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Vi

la

O
do

M
Eq
ng

Ho
Ta

In

Ba

Figura 1 - Principais países produtores de camarão de cultivo no ano 2002


Fonte: GAA-SHRIMP OUTLOOK (2002).

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O camarão branco, Litopenaeus vannamei, é o mais cultivado no Brasil,


respondendo por mais de 95% da produção nacional, tendo sido introduzido no
Brasil na década de oitenta.
A causa dessa grande procura é a sua acelerada taxa de crescimento em
altas densidades, conversões alimentares excelentes, grande capacidade para se
adaptar às diferentes condições climáticas. Por ser uma espécie eurialina, vive bem
em salinidades que variam de 0,2 a 55 ppt.
No Brasil, no ano de 2002 foram produzidas 60.128 toneladas do camarão
Litopenaeus vannamei (Tabela 1), numa área total de 11.016 ha e produtividade
média de 4.713 kg/ha/ano.

Tabela 1 - Situação do camarão marinho cultivado em 2002, no Brasil.


Fazendas Área Produção Produtividade
Estado
(N0) (ha) (ton) (Kg/ha)
RN 280 3.591 18.500 5.152
CE 126 2.260 16.383 7.249
BA 36 1.710 7.904 4.622
PE 74 1.031 6.792 6.588
PB 50 582 3.018 5.186
PI 12 590 2.818 4.776
SE 40 352 1.768 5.023
SC 41 560 1.650 2.946
MA 5 155 727 4.690
ES 10 97 250 2.577
PR 1 50 140 2.800
AL 2 16 100 6.116
PA 3 22 78 3.545
Total 680 11.016 60.128 4.713
Fonte: MCR (2003)

6.2 A CARCINICULTURA NO NORDESTE BRASILEIRO


No Brasil, dos 11.016 ha de área implantada com projetos de
carcinicultura, 96,48% encontra-se na região Nordeste, cuja produção atinge 58.010
t de camarão.

Tabela 2 - Distribuição da carcinicultura marinha no Brasil por Região em 2002

Regiões Área (ha) Produção %


Nordeste 10.287 58.010 96,48
Sul 610 1790 2,98
Sudeste 97 250 0,42
Norte 22 78 0,13
Total 11.016 60.128 100
Fonte: MCR (2003).

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Os principais produtores da região Nordeste por ordem de área


implantada são os Estados do Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia, Pernambuco,
Paraíba e Piauí. O Estado do Ceará, porém, é o que apresenta maior produtividade
(7.249 kg/ha), conforme apresentado na Tabela 1.
Não restam dúvidas que as regiões Norte e Nordeste concentram as
melhores condições ambientais para o pleno desenvolvimento da atividade,
permitindo aos produtores, em alguns casos, obter até 3,2 safras anuais de
camarões com peso médio de 12 gramas.
Para o êxito das engordas desse camarão em água doce, é indispensável
que o metabolismo das pós-larva seja totalmente adaptado e não somente
aclimatadas antes do povoamento, processos bastante diferentes.

6.3 BENEFÍCIOS ECONÔMICOS


A carcinicultura, além de gerar empregos, proporciona alta rentabilidade
como atividade comercial e pode gerar receitas significativas de exportação para o
país. O potencial do litoral brasileiro para o cultivo do camarão, se devidamente
aproveitado, pode transformar-se em uma das mais importantes fontes de geração
de divisas do setor primário.
Um investimento em torno de R$ 50.000,00/ha em viveiros de camarão
pode gerar divisas anuais da ordem de R$ 57.992,00/ha.
Outro indicador financeiro que mostra a viabilidade da carcinicultura
brasileira, mantidos os preços atualmente vigentes no mercado e as condições
atuais de financiamento, é o que se refere ao nível de comprometimento do lucro,
menor que 50%, para pagar as prestações.

6.4 VANTAGENS COMPETITIVAS


 Não precisa de grandes investimentos públicos;
 Existe uma razoável estrutura viária e aeroportuária;
 Possibilidades de substituição de culturas pouco rentáveis;
 Apresenta uma receita anual equivalente a US$ 20.000/ha ficando atrás
somente da uva irrigada (US$ 30.000/ha);
 Mais de 50% dos investimentos tem uma vida útil superior a 20 anos;
 produto tem uma grande demanda no mercado interno e externo;
 Apresenta um dos custos mais baixos para gerar um emprego (US$ 13.888),
[Químico - US$ 220.000; Turismo - US$ 66.000; Pecuária US$ 100.000];
 Apresenta uma rentabilidade superior à maioria das outras atividades
agropecuárias;
 A tecnologia já está consolidada, alcançando produtividade superior a 5.000
t/ha/ano; e
 Não depende de chuvas e sua produção pode ser feita indistintamente em
qualquer época do ano (para criação em água salgada).

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6.5 ETAPAS DE CULTIVO

6.5.1 LARVICULTURA

6.5.1.1 SETORES

- Maturação
- Desova
- Larvicultura
- Microalgas (Tetraselmis chuii e Chaetoceros gracilis)
- Eclosão do Cisto de Artemia

6.5.1.2 ESTÁGIOS LARVAIS E ALIMENTAÇÃO

- Náuplios (N1-N5) - microalgas


- Protozoea (Z1-Z3) - microalgas
- Mysis (M1-M3) - microalgas+náuplios de Artemia
- Pós-larvas – Náuplio de Artemia (PL1-PL3) + Alimento microencapsulado (PL4-PL6)
+ Ração completa com aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais com 45% PB
(PL7- PL10)

6.5.2 ENGORDA

6.5.2.1 TANQUES BERÇÁRIOS

6.5.2.2 CARACTERÍSTICAS

 Tanque de alvenaria, formato circular;


 Capacidade ideal de 30.000 a 60.000 litros;
 Sistema de aeração com pedras porosas;
 Quantidade de ar necessário de 1m3 de
oxigênio/h/m3 de água;
 Distribuição uniforme e ininterrupta; e
 Estocagem com Pl10 na densidade de 20 a
30 Pl/l;
 Tempo de cultivo = 10 dias;
 Sobrevivência de 80 a 96%.

6.5.2.3 VANTAGENS

 Mantém a estabilidade físico-química da água;


 Acompanhamento diário do crescimento e sobrevivência dos animais em
cultivo;
 Melhor monitoramento das condições hidrobiológicas, proporcionando
controle da alimentação;
 Animais com maior resistência para estocagem nos viveiros de engorda; e
 Maior índice de sobrevivência.

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6.5.2.4 LIMPEZA

 Escovação e lavagem das paredes;


 Exposição ao sol por algumas horas;
 Esterilização com ácido clorídrico (Ácido.
Muriático a 10%) ou hipocloríto de sódio a
10% de cloro ativo (200 ml/litro);
Obs: A esterilização deverá ser
feita quando do
surgimento de mortalidade
ou doenças e é
desaconselhável para se fazer em todas as limpezas.

6.5.2.5 FERTILIZAÇÃO E ABASTECIMENTO

 A densidade adequada de alimento natural é de no mínimo 100.000


cel/ml de algas e 2 a 3 mil indivíduos de zoo/litro;
 As diatomáceas são as algas mais indicadas, por serem de fácil digestão
e terem alto valor nutritivo;
 O silicato é um fertilizante específico para produção de diatomáceas;
 Podem ser utilizados como fertilizantes: uréia (4 g/m 3); superfosfato tríplo
(0,4 g/m3) ou silicato (1-2 g/m3) em três dosagens em aplicações
diferentes (42 - 43%, 30 - 35% e 22 - 28%);
 A primeira fertilização é quando o nível da água corresponde a 25% do
tanque e deve ser feita pela manhã e em dias ensolarados;
 A segunda aplicação, quando o nível da água deve está em 50% e
apresentar uma coloração marrom, dois dias após a primeira aplicação;
 A terceira quando o nível da água atingir 75%, e as pós-larvas já se
encontrarem estocadas.

6.5.2.6 CALAGEM

A calagem, visa reduzir grandes variações diárias de ph, sendo usada


também quando as fertilizações não atingem o efeito esperado;
Baixa-se o nível da água e coloca-se calcário dolomítico (CaMg(CO3)2 na
proporção de 0,7 a 1,0 g/m3, elevando-se o nível da água, 3 horas após repetindo-
se a 2ª fertilização.

ACLIMATIZAÇÃO E ACLIMATAÇÃO DAS PÓS-LARVAS

O objetivo da aclimatação é diminuir o estresse ocasionado pela mudança


brusca das condições físicas da água.
Os principais parâmetros envolvidos são:

 Temperatura;
 Salinidade;
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 Idade das pós-larvas;


 Estágio de muda; e
 pH.

Tabela 3 - Tabela de aclimatação de salinidade para pós-larvas

Amplitude de redução Redução/hora Tempo por faixa


35 – 20 ppt 4 ppt/hora 3 horas e 42 minutos
20 – 15 ppt 2 ppt/hora 2 horas e 30 minutos
15 – 05 ppt 1 ppt/hora 10 horas

6.5.2.7 ACLIMATIZAÇÃO NOS BERÇÁRIOS

 Caixas d’água de 200 litros com água e bem aerada;


 Quantidade máxima de pl’s por caixa = 2500;
 pH: < 0,5 unidade/hora;
 Tamperatura: < 2ºC/hora;
 Alimentação de náuplios de Artemia freqüentemente em função da
temperatura e apetite das pós-larvas;
 Transporte em sacos plásticos de 30 litros com 15 litros de água com
15.000 pl’s em caixas exotérmicas;
 Feito tratamento com antibiótico e vitamina C; e
 Observar as condições das pós-larvas.

6.5.2.8 ALIMENTAÇÃO DAS PÓS-LARVAS

 Dieta composta por náuplios de Artemia sp, biomassa de Artemia,


alimento natural e ração comercial com 35% de PB;
 12 alimentações diárias com intervalos de 2 horas, conforme as
necessidades dos camarões;
 1º dia de Cultivo – biomassa de Artemia (70 g/m3) e ração triturada (5g
/100.000 pl’s);
 2º dia de Cultivo – aumenta a ração comercial e reduz a biomassa de
Artemia (18 g/m3).

6.5.2.9 CONTROLE DA ÁGUA

 Análise diária da transparência (30 a 40 cm) e da cor (a cor marrom


indica a presença de diatomáceas);
 Oxigênio dissolvido superior a 3 mg/litro;
 pH de 7,0 a 8,5 (interfere tanto no metabolismo dos camarões como na
produção primária).
 Temperatura variando entre 25 e 30ºC;
 Salinidade – tolerância de 0,2 a 40 o/oo

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6.5.2.10 TRANSFERÊNCIA PARA OS VIVEIROS DE ENGORDA

 Aos 10 dias de cultivo (PL20), seguindo a disponibilidade dos viveiros;


 Deve ser feita no final da tarde;
 A contagem das pl’s é feita por amostragem;
 É necessário a aclimatização das PL’s checando a temperatura, pH, O2 e
salinidade.

6.5.2.11 VIVEIROS

 Podem ser de várias formas e tamanhos escavados em terreno natural,


profundidade média de 1,4 m e taludes com inclinação de 1:1 à 5:1;
 Área de 2 a 5 ha e retangulares, são os mais indicados;
 Na preparação, deve-se eliminar todos os predadores e/ou competidores;
 O solo deve ser revirado (manual ou mecanicamente) e deve ser feito a
incorporação de calcário dolomítico em função do pH, em 5 a 20 pontos
distintos;
 Devem ser feitas vedações, telagem, limpeza das comportas de
abastecimento e drenagem;
 A água remanescente deve ser esterilizada com cloro;
 Durante o cultivo deve-se fazer o controle da qualidade da água, através
de calagem, fertilização, biometrias, trocas d’água, limpeza das telas,
manutenção dos diques e taludes, controle do bombeamento, e
verificação dos parâmetros físico-químicos (temperatura, pH, oxigênio
dissolvido, salinidade e transparência).

6.5.2.12 CALAGEM

 A calagem neutraliza a acidez do solo, corrigindo o pH para 7.0 - 7.5;


 Feita com calcário dolomítico;
 Para solo com pH < 5 usar 3.000 kg/ha, pH 5-6, 2.000 kg/ha e pH 6 - 7,
1.000 kg/ha;
 Fazer calagem de manutenção quando a água apresentar dureza ou
alcalinidade de 50 mg/litro de CaCO3 ou os camarões apresentarem
enfermidades (100 kg/ha);
 A esterilização, para combater organismos indesejáveis pode ser feita
com cloro granulado (900g/10 litros de água);
 Para produção de diatomáceas o pH deve está em torno de 8 a 9;
 Deve-se usar calcário dolomítico (CaMg(CO3)2 quinzenalmente nos
viveiros, independente de qualquer situação, como prevenção dos
problemas citados, dependendo somente da transparência e cor da água.

6.5.2.13 ABASTECIMENTO E FERTILIZAÇÃO

 Água de abastecimento deve ser filtrada (500 micra) até cerca de 40 a


80%;
 Análise da água (nutrientes, alcalinidade e plâncton) e de solo;

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 Fertilização orgânica ou mineral com nitrogênio, fósforo e silicato, na


relação 5,0 : 0,5 e 1,0 ppm respectivamente;
 Complementação gradual da água e fertilização de cobertura de acordo
com o resultado das análises da água e o desenvolvimento do plâncton;
 A fertilização é realizada objetivando estimular a produção primária;
 A uréia pode ser utilizada como fonte de nitrogênio.

É INDISPENSÁVEL

 Monitoramento dos parâmetros hidrobiológicos (temperatura, salinidade,


O2, pH, amônia, nitrito, nitrato, fosfato, silicato e alimento); e
 Aeração artificial (aeradores) na razão de 1,0 CV para cada 500 kg de
camarão a ser produzido, posicionados normalmente de forma angular ao
dique.

6.5.2.14 ALIMENTAÇÃO

 Interfere diretamente na produção,


produtividade e rentabilidade dos cultivos;
 Representam de 30 a 50% dos custos de
produção;
 O alimento é fornecido por lanço, duas vezes
ao dia (7:00h e 17:00h) durante os 30
primeiros dias e em bandejas, após esse
período;
 A ração utilizada inicialmente é a
desintegrada, para facilitar a captura pelo
camarão jovem e é fornecida até a quinta
semana de cultivo na quantidade de 1000 g/100.000 PL’s, sendo
reajustada conforme as observações do cultivo, utilizando o sistema de
bandejas como avaliadores de consumo.

VANTAGENS NO USO DE BANDEJAS:

 Acompanhamento do consumo de ração;


 Aumento da produção de camarão por área, com uma melhor conversão
alimentar;
 Melhor aproveitamento do alimento;
 Redução do custo de produção;
 Acompanhamento das condições dos indivíduos;
 Redução da poluição nos viveiros e conseqüentemente do meio
ambiente;
 As bandejas são distribuídas no viveiro conforme a densidade de
estocagem, podendo variar de 10 x 10 m até 10 m a 20 x 20 m; e
 Nos viveiros maiores que 1 ha, manter um espaçamento de 5 a 10 m das
estacas periféricas até os diques.

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6.5.2.15 BIOMETRIAS

 Objetiva acompanhar o crescimento em peso, sobrevivência,


enfermidades, muda e trato digestivo para verificar se o camarão está
bem alimentado;
 Realizado semanalmente após 30 dias de cultivo, onde são coletadas 5
amostras através de lances de tarrafa; e
 O ganho de peso ideal é de 1,0 g por semana, sendo considerado normal
o crescimento semanal superior a 0,8 g, já que o cultivo é de 90 a 120
dias e o tamanho médio comercial acima de 10,0 g.

6.5.2.16 QUALIDADE DA ÁGUA E FATORES AMBIENTAIS

O sucesso de uma carcinicultura está intrinsecamente ligado à qualidade


da água no que diz respeito aos aspectos físicos, químicos e biológicos.

OBS: Qualquer elemento da água que afete a sobrevivência, a


reprodução, o crescimento, a produção ou o manejo da população cultivada de
camarões é uma variável importante de qualidade da água.

Tabela 4 - Parâmetros físicos, químicos e biológicos em viveiros de camarão


marinho.

Físicos Químicos Biológicos


Luz Oxigênio dissolvido Densidade de estocagem
Água Dióxido de carbono Fitoplâncton
Temperatura PH Zooplâncton
Salinidade Alcalinidade
Turbidez/cor Dureza da água
Profundidade Formas nitrogenadas
Fonte de água Nitritos
Fluxo de água Nitratos
Aeração Amônia
Estratificação térmica Sulfato de hidrogênio
Ventos Fertilizantes
Substrato do viveiro Alimento

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Tabela 5 - Parâmetros ideais de qualidade da água para cultivo do camarão L.


vannamei

Parâmetro Faixa Ideal Freqüência


Temperatura (0C) 23 –30 2 x diariamente
Oxigênio dissolvido (mg/L) 6,0 – 10,0 2 x diariamente
Dióxido de carbono (mg/L) < 20
Salinidade (g/L ou ppm) 15 – 27 1 x diariamente
pH 8,1 – 9,0 1 x diariamente
Alcalinidade (mg/L de CaCO3) 100 – 140 1 x diariamente
Transparência (cm) 35 – 45 2 x diariamente
Amônia total (mg/L) 0,1 – 1,0 2 x semanalmente
Amônia não-ionizada (mg/L) < 0,1 2 x semanalmente
Sulfato de hidrogênio total (mg/L) < 0,1 2 x semanalmente*
Sulfato de hidrogênio não-ionizado (mg/L) < 0,005
Nitritos (N-NO2 em mg/L) < 0,5 2 x semanalmente
Nitratos (N-NO2 em mg/L) 0,4 – 0,8 2 x semanalmente
Nitrogênio total inorgânico (mg/L) 0,5 – 2,0 1 x semanalmente
Silicato (mg/L) 2,0 – 4,0 1 x semanalmente*
Fosfato reativo (PO4 em mg/L) 0,1 – 0,3 1 x semanalmente
Clorofila a (mcg) 50 – 75 1 x semanalmente
Sólidos totais em suspensão (mg/L) 50 – 150
Potencial Redox do fundo do viveiro (mV) 400 – 500 2 x semanalmente*
Contagem total de bactérias (UFC/mL) < 10.000
Contagem de Vibrio spp. (UFC/mL) < 1.000

OBSERVAÇÕES:

 A leitura do OD é iniciada às 00:00 hora;


 A transparência, cor e nível da água, as 13:00 horas;
 O pH às 6:00 e 14:00 horas; e
 Se o pH apresentar variação diária > que 0,5 unidades, faz-se calagem de
manutenção acrescida ou não de fertilização, mantendo assim, a
alcalinidade acima de 50 mg/l, disponibilizando CaCO 3 aos camarões,
interferindo no processo da muda e favorecendo a produção primária do
viveiro.

6.5.3 DESPESCA

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 Quando os camarões atingirem peso médio superior a 10 g, o tempo de


cultivo deve estar entre 80 e 120 dias;
 Deve ser feita à noite;
 Deve-se ter à disposição gelo, luminárias, mão de obra, caixas plásticas,
etc.
 As telas devem ser trocadas para facilitar a drenagem e a entrada de
água no viveiro (500 mm);
 Inicialmente a água deverá está em torno de 70 cm;
 Os camarões são retirados da rede e colocados em caixas exotérmicas
ou monoblocos, seguindo para as caixas onde será realizado choque
térmico.
 A caixa preparada para o choque térmico deve conter água e gelo, numa
faixa de 2 a 5oC;
 Uma caixa de 500 litros deverá ter em média 350 kg de camarão;
 Após estes procedimentos, transportar para o beneficiamento.

6.6 CULTIVO DE CAMARÕES MARINHOS EM ÁGUA DOCE


Essa é uma espécie eurihalina, ou seja, suporta grandes variações de
salinidade, mas, mesmo assim, só pode ser cultivada em águas onde a
concentração de sais atinja valores mínimos necessários para que os animais
mantenham as suas próprias concentrações internas de sais (concentração
osmótica). Se a concentração osmótica cair abaixo dos níveis mínimos para a
espécie, os animais morrem.
A água utilizada nos cultivos de camarões marinhos deve sempre
apresentar salinidade superior a 0,2 o/oo e concentração de cloretos deve ser maior
que 300 ppm. A alcalinidade total deve ser superior a 100 ppm como CaCO3 e a
dureza total superior a 150 ppm de CaCO3 .

6.7 ESTUDO ECONÔMICO FINANCEIRO


PARÂMETROS TÉCNICOS DE PRODUÇÃO

BERÇÁRIO INTENSIVO

Densidade de Estocagem 30 pós larvas / litro


Tempo de Cultivo 10 dias
Sobrevivência estimada 80 %
Densidade Final 24 juvenis

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VIVEIRO DE ENGORDA
Sem aeração Com aeração

Densidade de Estocagem 18 juvenis/m2 30 juvenis/m 2


Tempo de Cultivo 110 dias 110 dias
Sobrevivência estimada 55 % 55 %
Peso médio final 12 gramas 12 gramas
Densidade Final 10 camarões/m2 16,5 camarões/m 2
Produtividade/ciclo 1.200 kg/ha 1.960 kg/ha
Ciclos de cultivo/ano 2,5 2,5
Produtividade/ano 3.000 kg/ha 4.900 kg/ha

6.7.1 RESUMO ECONÔMICO

Discriminação Fundo Perdido


ÁREA INUNDADA - ha / Família 1,00 1,00
INVESTIMENTO (R$) 60.545,25 60.545,25
IMOBILIZAÇÕES FINANCEIRAS (R$) 21.107,79 21.107,79
-
PRODUTIVIDADE MÉDIA - Kg/ha/ciclo 3.937,50 3.937,50
CICLOS POR ANO 2,50 2,50
PRODUTIVIDADE MÉDIA - Kg/ha/ano 9.843,75 9.843,75
PRODUÇÃO TOTAL 9.843,75 9.843,75
PREÇO DE VENDA DO PRODUTOR (R$/kg) 8,40 8,40
RECEITA TOTAL (R$ ) 82.687,50 82.687,50
CUSTO DE PRODUÇÃO (ha/ano)1 69.850,83 61.685,53
LUCRO (ha/ano - R$) 12.836,67 21.001,97
RENDA MENSAL (R$) 1.069,72 1.750,16
RENDA MENSAL (SALÁRIOS MÍNIMO R$ 240,00) 4,46 7,29

6.8 LEGALIZE-SE
Como proceder para utilizar as Águas Públicas da União
(Nota retirada da Revista Panorama da Aqüicultura nº 74)

O Decreto, que abriu uma nova fronteira aqüícola com pelo menos 550 mil
hectares de reservatórios e 8.670 km de litoral, para a produção de alimentos
nobres tão necessários ao país, delegou ao MAPA - Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento, a tarefa de orientar os aqüicultores quanto aos trâmites
da obtenção da autorização para exploração dessas águas, cabendo a Gerência de
águas públicas do DPA – Departamento de Pescas e Aqüicultura do MAPA, o
fornecimento da certidão de registro da unidade de aqüicultura e os documentos
que consolidem as suas obrigações.
48
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Instrução Normativa

Mas foi somente em abril de 2001, três anos, portanto, decorridos da


assinatura do decreto, que as normas complementares a ele foram publicadas sob a
forma de uma Instrução Normativa Interministerial – INI (*). O documento saiu
marcado pela total ausência de impressões digitais do setor produtivo. Foi gerado
entre as paredes de repartições públicas federais, por técnicos de quatro
ministérios, que na sua maioria não tinham nada a ver com setor aqüícola. Dessa
época, ficou marcada na lembrança dos aqüicultores a atuação lamentável dos
representantes do MMA – Ministério do Meio Ambiente, que dificultaram como
puderam as negociações para a boa redação final do INI.v
O MMA (leia-se IBAMA), que até julho de 1998 era o único responsável
pela gestão da atividade aqüícola no País, passou, daí em diante, a ser responsável
apenas pela normatização da atividade, ficando para o MAPA (leia-se DPA/MAPA) a
grande tarefa de fomentar o desenvolvimento da aqüicultura no Brasil. De mãe
exageradamente protetora, o IBAMA passou a ser madrasta chata e exigente,
ajudando tão somente a transformar a aqüicultura brasileira na mais burocratizada
das atividades zootécnicas, e fortalecendo o injusto estigma de que o setor é nocivo
ao meio ambiente. O misto de má vontade e incompetência do IBAMA/MMA
resultou, em 2001, na péssima redação final da INI - Instrução Normativa
Interministerial n. 9, repleta de exigências, muitas delas descabidas.
(*) A Panorama da AQÜICULTURA na edição 64 de março/abril de 2001,
publicou a íntegra do Decreto 2.869 de 9 de dezembro de1998 e a INI – Instrução
Normativa Interministerial no. 9 de 11 de abril de 2001.
Consulta prévia
A INI no. 9 define claramente as duas fases pelas quais passa o processo
de cessão de uma área: a Consulta Prévia e a Autorização de Uso de Águas
Públicas.
Segundo o oceanógrafo Marcelo Barbosa Sampaio, gerente nacional de
águas públicas do DPA, os interessados em regularizar seus cultivos ou mesmo
implantar novos empreendimento aqüícolas, devem, através da INI no. 9, conhecer
os documentos que acompanham a Consulta Prévia, cuja operacionalização pode
ser resumida da seguinte forma (figura 1):

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Figura 1 - Diagrama de fluxo do Processo


de Cessão de águas públicas na fase de
Consulta Prévia (Órgãos envolvidos) – O
Ministério do Meio Ambiente – MMA e a
Capitania dos Portos com jurisdição sobre
a área sempre são consultados. Os Órgãos
envolvidos em função da questão
patrimonial podem variar a cada caso
sendo eles: Gerência Regional do
Patrimônio da União – GRPU/UF,
Departamento Nacional de Obras Contra a
Seca – DNOCS, Companhia de
Desenvolvimento do Vale do São Francisco
– CODEVASF ou Companhias
Administradoras de Hidroelétricas.v

a - O interessado solicita que seja constituído o processo de Consulta Prévia, na


DFA - Delegacia Federal de Agricultura do Estado em que será instalado o
empreendimento.
b - A DFA analisa e checa os documentos e informações necessárias, constitui o
processo com 3 vias anexas e o remete para o DPA/MAPA;
c - O DPA/MAPA analisa o conjunto de documentos e a adequação técnica do
projeto, cadastra o Processo no sistema de controle de prazos, plota as
coordenadas do empreendimento, determina a área da poligonal, verifica se há
sobreposição de solicitações e se a mesma não está localizada em Unidade de
Conservação Federal, identifica os órgãos envolvidos e encaminha cópias da
Consulta Prévia;
d – O DPA/MAPA acolhe as manifestações e pronuncia-se conclusivamente,
deferindo,
indeferindo ou apresentando restrições;
e – O DPA/MAPA encaminha o Processo a DFA para que tome conhecimento e
informe ao interessado sobre o pronunciamento.
Após ouvir o comando da Marinha e os demais Ministérios envolvidos, o MAPA terá
prazo de até 60 dias para acolher ou rejeitar a Consulta Prévia. Detalhe: esses
órgãos, após receberem a documentação do MAPA, deverão também se manifestar
dentro do prazo de 30 dias úteis. Esgotado o prazo, a falta de manifestação por
parte de qualquer uma das instituições envolvidas será considerado pelo MAPA
como assentimento presumido.
Autorização de Uso de Águas Públicas
Depois de aprovada a Consulta Prévia, o interessado deverá encaminhar
novamente ao MAPA os documentos listados no Artigo 4° da INI n° 9 para, aí sim,
requerer a Autorização de Uso das Águas Públicas. Se atendida a solicitação, o
MAPA efetivará então a entrega da área, por meio de um ofício dirigido à Secretaria

50
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do Patrimônio da União. Posteriormente, ainda segundo Sampaio, o Delegado


Federal de Agricultura, representante do MAPA, firmará o Termo de Entrega da
Área, juntamente com o Gerente Regional do Patrimônio da União, ambos da
Unidade da Federação em que está situado o empreendimento. Após esses
procedimentos, o Delegado por meio de Portaria repassa a área ao empreendedor
ou representante legal da pessoa jurídica. (Figura 2).

Figura 2 - Diagrama de fluxo do


Processo de Cessão de águas
públicas na segunda fase ou de
Autorização de Uso de Águas
Públicas – O interessado junta ao
Processo os documentos listados
no Art. 4° da INI n°9, e a DFA o
remete para o DPA/MAPA. Este
efetua análise documental e
remete à SARC/MAPA para que
encaminhe Ofício de Solicitação
de Entrega da Área ao Órgão
administrador do corpo d’água.
Posteriormente, o Delegado
Federal de Agricultura firma o
termo de entrega juntamente com
o representante do cessionário
original. Por último, o Delegado
Federal de Agricultura fará o
repasse da área ao pleiteante por
meio de Portaria, e o interessado
será chamado a assinar um
Termo de Ajuste de Conduta –
TAC.

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6.9 BIBLIOGRAFIA
BARBIERI JÚNIOR, R. C.; OSTRENSKY NETO, A. Camarões marinhos –
Engorda. Aprenda Fácil Editora. Viçosa – MG, Brasil. 2002. V. 2, 379p, il.

BRASIL. Plataforma tecnológica do camarão marinho cultivado: seguimento


de mercado/Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Departamento
de Pesca e Aqüicultura. Brasília: MAPA/SARC/DPA, CNPq, ABCC, 2001. 276p.

BOYD, C. O. O gerenciamento da Qualidade da Água e a Aeração no Cultivo


do Camarão. Alabama: Auburn University. 1997. 183p.

MADRID, R. M. Exportações brasileiras de camarão congelado cultivado


(janeiro de 1988 a outubro de 2001). Brasília: Ministério da Agricultura Pecuária e
Abastecimento, 2001. 54p.

ROCHA, I. P.; MAIA, E. P. Desenvolvimento tecnológico e perspectivas de


crescimento da carcinicultura marinha brasileira. Aquicultura Brasil’1998. Anais.
V.1. p.213-228.

ROCHA, I. P., RODRIGUES, J. As estatísticas da carcinicultura brasileira em


2001. Revista da ABCC. Recife, ano 4, n. 1, p. 39-42, abril 2002.

ROCHA, I. P. Desempenho sócio-econômico da carcinicultura no Brasil – Com


ênfase para o Estado do Ceará. In: SEMINÁRIO NORDESTINO DE PECUÁRIA,
6., 2002, Fortaleza. Anais... Fortaleza: FAEC, 2002. v. 1, p. 1-8.

ROSENBERRY, B. About shrimp farming. Disponível em:


<http://www.members.aol.com/brosenberr//About.html> Acesso em 02 de set. 2002.

52
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7 SEXAGEM E REVERSÃO DO SEXO DA TILÁPIA DO


NILO, Oreochromis niloticus
a
Eng Pesca Maria Inês da Silva Nobre – Espec. Aquicultura

7.1 SEXAGEM
É um método não genético de controle da população de tilápias, que
consiste na separação manual dos indivíduos machos e fêmeas através da
observação do aparelho genital (externamente).
A sexagem é feita quando as tilápias atingem comprimento de 10 cm, no
mínimo, tamanho a partir do qual já pode-se identificar claramente o sexo destes
peixes; as fêmeas apresentam 3 orifícios (uretra, oviduto e ânus) e os machos
apenas 2 (uretra e ânus), estes apresentam papila genital, perfeitamente visível.
Este processo exige certa prática e habilidade.
O método da sexagem é utilizado com duas finalidades:

 Na seleção de matrizes e reprodutores para reprodução


(acasalamento); e
 Para cultivo intensivo, usando-se de preferência os indivíduos machos
por apresentarem crescimento e ganho de peso superiores aos das
fêmeas.

7.2 FUNDAMENTOS GERAIS DA DETERMINAÇÃO DO SEXO


DOS PEIXES E DIFERENCIAÇÃO SEXUAL
Os cromossomos sexuais determinam o sexo dos peixes, os quais se
apresentam sob duas formas:

 heterogameta fêmea (WZ) e homogameta macho (ZZ) e


 homogameta fêmea (XX) e heterogameta macho (XY).

Estas duas formas do mecanismo genético da determinação do sexo (XX


fêmea, XY macho e WZ fêmea, ZZ macho) foram descobertas por Hickling (1960),
em relação a tilápia. O autor sugeriu o cruzamento do homogameta XX (fêmea) e do
homogameta (ZZ) (macho). Desta maneira podemos conseguir uma população
100% de macho (F1), onde o sexo está determinado geneticamente. Neste caso
podemos citar o cruzamento da espécie Oreochromis niloticus x O. hornorum –
híbrido de tilápias (Kovács, 1990).
Os hormônios ESTERÓIDES (androgênios e estrogênios) são indicadores
da diferenciação sexual dos peixes. Os androgênios são determinadores sexuais
dos machos e os estrogênios da fêmeas. Nas tilápias a diferenciação do sexo ocorre
entre o 20o - 40o dias, quando o sistema hormonal, que até então estava inativo,
passa a funcionar.

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7.3 REVERSÃO SEXUAL DAS TILÁPIAS


A população normal da tilápia apresenta-se com 50% de machos e 50%
de fêmeas (teoricamente) os quais são identificados genética e fenotipicamente.
Atualmente existem informações técnicas de que estes percentuais podem ser
diferentes de acordo com o clima da região onde estes são criados, por exemplo,
em regiões de clima quente estes percentuais passariam a ser de até 30% machos
e 70% fêmeas, o que tem sido observado neste Centro de Pesquisas.
Na reversão de sexo da tilápia, ou seja, após o tratamento com hormônio
masculino a população tratada mantém a proporção em termos genéticos, mas
fenotipicamente passam a ser 100% de machos, sendo portanto, um método não
genético de controle da população das tilápias (Quadro 1). Segundo Popma e
Green, a masculinização é um tratamento hormonal na dieta que começa antes que
o tecido gonadal das fêmeas genéticas jovens tenham se diferenciado em ovário, e
deve ser suspenso quando os testículos estiverem suficientemente desenvolvidos
para manter os níveis de hormônios endógenos numa faixa de normalidade.

Quadro 1 - Quadro Demonstrativo Da População De Tilápias Tratadas Com


Hormônio Masculino

POPULAÇÃO NORMAL

50% (XX) 50% (XY)

GENETICAMENTE FÊMEA GENETICAMENTE MACHO


FENOTIPICAMENTE FÊMEA FENOTIPICAMENTE MACHO

TRATAMENTO COM ANDROGÊNIO

50% (XX) 50% (XY)


GENETICAMENTE FÊMEA GENETICAMENTE MACHO
FENOTIPICAMENTE MACHO FENOTIPICAMENTE MACHO

50% GENETICAMENTE FÊMEA


50% GENETICAMENTE MACHO
100% FENOTIPICAMENTE MACHO

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Recomenda-se que o processo de reversão nas tilápias comece quando


os peixes estiverem entre o 10o e 15o dias de vida, ou seja, antes do início da
diferenciação sexual.

7.4 TECNOLOGIA PARA REVERSÃO DE SEXO DA TILÁPIA DO


NILO
Na produção de alevinos revertidos da tilápia, alguns pontos devem ser
observados, tais como:

 Seleção de matrizes e reprodutores para acasalamento, observando-


se os aspectos físicos, a saúde e o peso médio que deve ser de 80
- 180g.

 Deve haver sincronização da produção de pós-larvas com a


utilização das estruturas de reversão.

 Alimentação das matrizes: Ração balanceada e extrusada com 32%


de PB, taxa de 2% da biomassa e 2 vezes ao dia.

 As pós-larvas devem ter tamanho  14 mm.

 Profilaxia nas pós-larvas - Realizada durante o processo de reversão


através de banho com formol a 40%, em tanque ou calha, na
proporção de 250 ml de formol para 1.000 l d’água (250ppm),
durante 15 minutos. Após o tratamento a água é substituída e
renovada por 30 minutos.

 Seleção das pós-larvas: Quando trabalhamos com coleta de nuvens


é necessária uma seleção inicial das pós-larvas, através da utilização
de peneira de tela de arame galvanizado com 3,6 mm de malha,
onde os indivíduos que passam na peneira serão utilizados para
reversão; da mesma maneira deve ser feita uma seleção no final,
quando os alevinos que ficam na peneira são os considerados
revertidos.

 Duração do tratamento: 28 dias

7.4.1 Produção de Pós-Larvas:

a) Produção em viveiros (300 - 500 m2), com coleta de nuvens:

 Acasalamento: 2 a 4 fêmeas x 1 macho;


 Densidade de estocagem: 0,3 – 0,7 kg/m2.
 Duração do acasalamento: 1 - 2 meses, com período de descanso
de 10 dias para matrizes.
 Coleta das pós-larvas: coleta parcial a partir do 10o dia após o
acasalamento, sendo realizada diariamente com rede de nylon de
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1mm, pela manhã cedo e observando-se o teor de O2 e diferenças


de temperatura.
 Produção: 1 PL/g de fêmea/mês.

b) Produção em tanques (30 m2) com coleta total de pós-larvas:

 Acasalamento: 2 fêmeas x 1 macho;


 Densidade de estocagem: 0,3 – 0,7 kg/m2.
 Coleta das pós-larvas: 13 – 15 dias, com descanso de 5 dias para
matrizes;
 Produção: 2 PL/g de fêmea/mês.

c) Produção em hapas (1 – 2 m2 e malha de 1,6 mm):

 Acasalamento: 2 fêmeas x 1 macho;


 Densidade de estocagem: 0,2 – 0,6 kg/m2.
 Coleta ds pós-larvas: coleta total, 13 – 15 dias, com descanso de 5
dias para matrizes;
 Produção: 2 - 3 PL/g de fêmea/mês.

d) Produção em hapas (1 – 2 m2 e malha de 1,6 mm), retirando os ovos da


boca das fêmeas p/incubação (tilápia tailandesa)

 Acasalamento: 1 fêmea x 1 macho;


 Densidade de estocagem: 0,2 – 0,6 kg/m2;
 Coleta dos ovos: 5 – 7 dias após o acasalamento (reversão em
tanques);
 Produção: 4 - 8 PL/g de fêmea/mês (com descanso).

7.4.2 Reversão em Gaiolas (Hapas) - Etapa Única:

 Gaiolas - confeccionadas em tela “soldada” com malha de 1,6


mm com 1 ou 2m2 de área x 0,60m de altura. Estas são colocadas
em ambiente aquático adequado, sendo suspensas por estrutura de
flutuação feita de cano de PVC de 3” com tape. As gaiolas devem
ser limpas com frequência.
 Densidade de estocagem: 5.000 Pós-larvas/m2.
 Profilaxia: realizada em tanque, antes da estocagem das pós-larvas
e na despesca dos alevinos.

7.4.3 Reversão em Tanques/Viveiros - Etapa Única:

 Tanques ou viveiros: 30 – 500 m2.


 Densidade de estocagem: 2.000 Pós-larvas/m2, sem renovação
d’água e até 10.000 pós-larvas/m2, com renovação.

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 Profilaxia: realizada em tanque  10m2, antes da estocagem das pós-


larvas e na despesca dos alevinos.

7.4.4 Reversão em Calhas, Tanques e Gaiolas/Viveiro - Três Etapas:

 1a Etapa: Realizada em calhas:

 Calhas – Confeccionadas em eternit (pintada com tinta EPOXI ou


revestida com plástico branco) ou cano de PVC, com capacidade de
até 100 litros.
 Densidade de estocagem: 300 Pós-larvas/l.
 Profilaxia: realizada pelo menos 2 vezes no período.
 Limpeza das calhas: 2 vezes por dia
 Duração da Etapa: 10 dias

 2a Etapa: Realizada em tanques:

 Tanques – de alvenaria, fibra de vidro ou eternit, com volume  10


m3, os tanques devem ser revestidos com tinta EPOXY ou para facilitar
a visualização e limpeza (sifonamento) para eliminar detritos e sobras
de ração. O sistema de abastecimento é contínuo, com renovação
constante de água.
 Densidade de estocagem: 6.000 Pós-larvas/m3.
 Profilaxia: realizada 3 vezes no período.
 Duração da Etapa: 10 dias

 3a Etapa: Realizada em gaiolas ou tanques/viveiros:

 Gaiolas – confeccionada em tela de 1mm de malha, com área de 2m 2,


com estrutura de flutuação como a descrita anteriormente.
 Tanques/Viveiros – a terminação da reversão poderá ser feita ainda
em tanques ou viveiros de alevinagem deviamente desinfetados e
preparados.
 Densidade de estocagem: até 100 alevinos/m2.
 Profilaxia: Realizada em tanque, somente 1 vez, após a despesca.
 Duração da Etapa: 8 dias

7.4.5 Hormônio Utilizado para Reversão do Sexo:

 Hormônio: 17-- metiltestosterona


 Dosagem : 60 mg/ kg de ração.
7.4.6 Preparação e Administração da Ração para Reversão

 Ração: Balanceada, com PB de 40 a 45%.


 Álcool: Necessário para a homogeneização da ração com o hormônio.
 Tipo: Em forma de pó.
 Luvas e máscara.

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Solução estoque - preparada para facilitar o trabalho, de acordo


com a quantidade de ração necessária, sendo:

6 g de hormônio diluído em 1 litro de álcool

Esta solução deve ser armazenada em vidro escuro e conservada em


geladeira, por até 3 meses.

Preparo de 1 quilo de ração:

10 ml da solução estoque
+ 500 ml de álcool

Inicialmente mistura-se a solução estoque ao álcool; em seguida


acrescenta-se à ração previamente pesada, mexendo sempre com as mãos até que
a mistura esteja bem homogeneizada. Para este trabalho é necessário a utilização
de luvas e máscara para evitar o contato direto com o hormônio, assim como evitar
que a gordura das mãos se incorpore a este hormônio.
Após efetuada a mistura e homogeneizada, a ração preparada é levada
para secar à sombra e espalhada em camadas finas, de até 5 cm de espessura,
por um período de 24 horas. Esta ração é então acondicionada em sacos escuros
e conservada em refrigerador, onde pode permanecer por um período de até 3
meses. Fora da geladeira este período se limita a uma semana.

 Taxa de arraçoamento: 14 - 20% da biomassa

 Frequência da alimentação: 4 refeições diárias.

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Na prática aplica-se a seguinte tabela de arraçoamento:

Semana 1a 2a 3a 4a
Ração (g/dia/1.000 PL) 4 6 8 12

Considerando-se que a pós-larva de tilápia tem peso médio inicial de


0,02g, a ração a ser administrada será de 20 g/dia, (4 refeições de 5g cada), para
5.000 pós-larvas, na 1a semana.

7.4.7 Eficiência e Sobrevivência na Reversão

 Resultado eficaz:  95%


 Sobrevivência: 80 – 90%

7.5 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


KOVÁSC, G. - Métodos de Controle da População de Tilápias. Convênio
DNOCS/AGROBER, 1990, 66 pp.

POPMA, Thomas J. & GREEN, B.W. - Sex Reversal of Tilapia in Earthen Ponds -
International Center for Aquaculture, Alabama Agricultural Experiment Station,
Auburn University, Alabama - Research and Development Series No 35 -
September 1990, 15 pp.

POPMA, Thomas J. & GREEN, B.W. – Reversion Sexual de Tilapias en Lagunas


de Tierra – Manual de Producción Acuícola. Asociación Americana de Soya –
Auburn University, Alabama, 35 pp.

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8 NUTRIÇÃO EM AQUICULTURA
a
Eng Agron. Maria do Socorro Chacon de Mesquita - MSc.

7.6 INTRODUÇÃO
A aquicultura é uma atividade econômica, viável e crescente no mundo
todo; é um setor de produção de alimentos que mais cresce no mundo,
principalmente em países em desenvolvimento. Quando a reserva vitelina
fica em um terço, o peixe procura o alimento natural: algas, bactérias, rotíferos,
cladóceros, etc., começando então a diferenciação do hábito alimentar.
Nos ambientes naturais, os alimentos que são procurados pelos peixes,
são ricos em energia e em proteína de alto valor biológico, além de serem uma
excelente fonte de vitaminas e minerais. Nestes ambientes os peixes e camarões
escolhem entre os diversos itens existentes os que melhor suprem suas exigências
nutricionais e preferências alimentares, conseguindo balancear suas dietas.
Raramente são observados sinais de deficiência nutricional nestas condições. A
quantidade de alimentos naturais e a biomassa dos peixes limitam a criação.
Quando a produtividade da água não consegue sustentar o crescimento
adequado dos animais, principalmente devido a alta densidade de estocagem, então
é necessário entrarmos com alimentação artificial. Nas criações intensivas e super-
intensivas, todos os nutrientes devem ser oferecidos através de dietas balanceadas,
visando o máximo desenvolvimento dos animais.
O alto valor nutritivo e comercial do pescado são considerados razões
suficientes para intensificação dos processos de produção, objetivando maior
produtividade em menores áreas, menor tempo e menores custos. Conhecimentos
de nutrição e manejo alimentar são imprescindíveis para o sucesso do produtor, pois
o alimento artificial tem uma participação significativa nos custos de criação dos
animais aquáticos.
A nutrição envolve processos fisiológicos que suprem as necessidades
nutricionais, englobando a ingestão, digestão, absorção e o transporte de nutrientes
dentro do corpo, além da retirada do excesso e excreção dos metabólitos.
A alimentação artificial não é uma mera mistura de ingredientes, pois os
animais aquáticos têm os seus requerimentos no que se refere a proteína, gordura
(lipídios), carboidratos, vitaminas e minerais, de modo a satisfazerem as suas
necessidades fisiológicas de manutenção, crescimento e reprodução. Esses
requerimentos variam com a espécie, idade, estado fisiológico, e condições
ambientais (temperatura, qualidade e fluxo de água) e stress.
Sabemos que rações economicamente viáveis são muito difícil de se
conseguir, pois convivemos com os mais variados problemas em relação a falta de
informações quanto aos requerimentos nutricionais das espécies que trabalhamos,
capacidade digestiva dos ingredientes utilizados, como também, as suas restrições.
Comumente o que acontece, é nos basearmos nas informações de pesquisas
elaboradas em regiões onde as condições climáticas são diferentes das nossas.
Aos nutricionistas, cabe a certeza de que somente os animais que
recebem alimento em quantidade e qualidade adequadas, conseguem externar
potencial produtivo máximo. (PEZZATO, L.E. 1996).

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FLUXOGRAMA DA NUTRIÇÃO NUMA FAZENDA

Exigências Nutricionais Ingredientes


(tipo, composição química,
Espécie a ser cultivada digestibilidade valor
biológico da proteína).

Formulação Balanceada

Aceitação
Estabilidade na água
Manufaturação Dureza
Sabor, odor, cor
Alimento

Manejo Alimentar

Água

Peixe

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7.7 HÁBITOS ALIMENTARES


De acordo com suas preferências alimentares, os peixes na sua grande
maioria, são considerados onívoros, tanto em condições naturais como em cultivos,
ou seja, tanto se alimentam com alimentos naturais, como os suplementares
oferecidos. Porém, algumas espécies, na maioria das vezes são mais eficientes no
aproveitamento de determinado tipo de alimento; devido esta preferência, para uma
melhor compreensão costuma-se separar as espécies em grupo, de acordo com as
preferências alimentares.
Os camarões (peneídeos) consomem praticamente tudo que está
presente no ambiente; abrangendo as algas, os detritos e as presas. Eles são
considerados onívoros durante seus estágios iniciais de desenvolvimento,
alimentando-se de fitoplacton e ao atingir ao estágio pós-larval muda para
zooplancton.
Os juvenis são onívoros e os adultos onívoros, detritivos, oportunistas,
carnívoros ou predadores.

7.7.1 Planctófagas

Estes peixes aproveitam eficientemente o plâncton - comunidade


aquática formada por algas unicelulares - “fitoplancton” e organismos animais,
rotíferos, protozoários e copépodos - “zooplancton”.
Praticamente todas as espécies de peixes, nos primeiros estádios de
desenvolvimento são planctófagos; as larvas, geralmente, são de pequeno tamanho,
pouca habilidade da natatória e um aparelho digestivo rudimentar. Essas
características determinam que após a eclosão, a larva precisa contar com uma
fonte própria de alimento e que sua dieta seja planctônica. Porém existem espécies
de peixes, que têm preferências planctófagas mesmo na fase adulta, como a tilápia
do Nilo, carpa cabeça grande e carpa prateada.
Os camarões na fase de crescimento em viveiros consomem em grandes
quantidades as poliquetas, anfípodos, copépodos, restos de outros decápodos e de
diferentes crustáceos, foraminíferos, nematódeos, moluscos, etc. Segundo NUNES
(1997), as poliquetas podem contabilizar até 33% da dieta de algumas espécies de
peneídeos durante um ciclo evolutivo.

7.7.2 Herbívoros e Frugívoros

Os peixes desse grupo têm preferência por alimentos de origem vegetal


vivo, rico em fibra e de baixo valor energético, como plantas (macrófitas) e algas
filamentosas. São desse grupo: carpa capim, tilápia Rendali, piapara.
Os frugívoros, em condições naturais, aproveitam eficientemente frutos e
sementes. São os tambaquis e pacus.

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7.7.3 Bentófagos/Iliófagos/Detritívoros

São peixes que se alimentam de organismos bentônicos (que vivem no


fundo dos tanques ou viveiros), larvas de insetos, larvas e ovos de moluscos,
crustáceos, etc., detritos orgânicos e algas.
Espécies desse grupo: cascudos, curimbatá, carpa comum piauçú.
Os camarões nas fases juvenil e adulto são predominantemente
bentônicos.
Detrito, composto de material orgânico em decomposição, é uma
importante fonte alimentar para os camarões. De associação das partículas orgânica
em decomposição com bactéria aumentam o valor nutricional

7.7.4 Onívoros
Peixes que ingerem todo tipo de alimento. Exemplo: carpa comum, pacu,
tambacu, matrinxã.

7.7.5 Carnívoros/Piscívoros
A alimentação desse grupo constitui de animais de maior porte como os
insetos, crustáceos, peixes, anfíbios, cobras, etc.
Estas espécies apresentam grande dificuldade na aceitação de rações.
Exemplos de carnívoros: tucunaré, pescada branca, truta, salmão, bagre
de canal, pintado, dourado, traíra, surubim, etc.
Alguns camarões possuem tendência mais carnívora, como Peanaeus stylirostris.

7.8 REQUERIMENTOS NUTRICIONAIS


O pescado de uma forma geral, com poucas exceções dependendo da
espécie, apresenta exigências em pelo menos 44 nutrientes essenciais, que incluem
a água, proteína (aminoácidos essenciais), energia, ácidos graxos essenciais,
vitaminas, minerais e carotenóides.

7.8.1 Proteínas e Aminoácidos

A proteína é o ingrediente mais caro e mais importante de uma dieta, pois


é fonte de aminoácidos, que são unidades básicas na construção de células,
tecidos, enzimas, hormônios, anticorpos, etc.
As proteínas são nutrientes básicos para a vida, crescimento e produção
de peixe. Excetuando a água, as proteínas formam a maior porção do corpo dos
peixes, variando em média de 15 a 20%.
O teor protéico varia com a espécie, idade, disponibilidade de alimentos,
dispêndio de energia e estado fisiológico.

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As dietas naturais de peixes são ricas em proteínas. Os peixes


requerem mais proteína que os mamíferos e aves, porque eles usam pouco
carboidratos para transformar em energia.
A qualidade da proteína (composição de aminoácidos) é mais importante
que a quantidade para um bom desenvolvimento dos organismos.
Os peixes podem formar gorduras a partir de gorduras, carboidratos e
proteínas presentes nas dietas, mas as proteínas só podem ser formadas a partir
de aminoácidos, que são resultantes da quebra das proteínas ingeridas. Por isso
os aminoácidos essenciais têm que estar presentes na dieta. São dez os
aminoácidos essenciais (AAE) para os organismos aquáticos: arginina, histidina,
leucina, isoleucina, metionina, lisina, fenilalanina, treonina, triptofano e valina, porém
diferem quantitativamente de espécie para espécie.
Muitas são as fontes de proteínas vegetal e animal utilizadas na produção
das rações: farinha de peixe, farinha de carne, farinha de sangue, farinha de
camarão, farelo de soja, farelo de trigo, etc.
Atualmente, pesquisadores tem direcionado suas pesquisas no sentido
de melhor aproveitamento de proteína vegetal, devido a maior disponibilidade e
menor custo.
Em sistema semi-intensivo os camarões devem se alimentar com rações
entre 30 – 35% de proteína, derivadas de fontes vegetais e/ou animais.
Para sistema intensivo Akiyama et al (1992), recomendam para camarões
de 0 – 0,5g, rações de 45% de PB; camarões de 0,5 – 3g rações com 40% de PB;
de 3 – 15g rações com 38% de PB; e de 15 – 40g rações com 36% de PB.

7.8.2 Energia

O peixe come para satisfazer os requerimentos de energia. Os lipídios


têm papel importante na nutrição dos peixes de águas tropicais como fonte de
energia, fosfolipídios e esteróides dos órgãos vitais.
Peixes não necessitam manter a temperatura corporal constante,
consome menos energia dietética para atividade muscular e para manter o
equilíbrio na água, gastando menos energia para excretar produtos nitrogenados do
que os animais homeotérmicos, pois eles excretam 90% de seus metabólitos
nitrogenados em forma de amônia com mínimo gasto de energia quando
comparamos com a excreção de uréia ou ácido úrico em animais homeotérmicos.
Os peixes necessitam de energia para o crescimento, atividades físicas, processos
digestivos, reprodução, regeneração dos tecidos, etc. A utilização da energia é
influenciada pela espécie, temperatura, idade, tamanho do corpo, parâmetros
químicos da água, estado fisiológico do peixe.
Os animais aquáticos utilizam fontes de energia diversas; as proteínas
são boas fontes, mas, como são mais caras que as gorduras e hidratos de carbono,
devemos utilizá-las o menos possível como produtora de energia, ficando o seu uso
para o crescimento dos animais aquáticos.
Para espécie de clima temperado, as principais fontes de energia são as
proteínas e os lipídios; enquanto que as espécies tropicais podem utilizar os
carboidratos, com mais eficiência que os peixes de água fria, pois como a
temperatura ambiental é mais alta, o coeficiente de digestibilidade do amido é
melhorada.
Atualmente, a formulação das dietas tem sido feita visando atender as
exigências energéticas, e para isso a relação energia/proteína, é um dos itens
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de grande importância na determinação das exigências nutritivas de uma espécie


a qual se vai cultivar.
A relação ideal de energia/proteína para o peixe fica na faixa de 6 a 8
Kcal/ED/g proteína, que é bem menor que a exigência de outros monogástricos (14
a 20 Kcal/ED/g proteína) para aves e suínos; como a faixa ideal é difícil de se
conseguir, a relação 8 a 10 Kcal/ED/g proteína é aceitável.
A energia digestível de uma ração depende de uma combinação de
vários fatores: como a combinação dos ingredientes, o tipo de processamento, pois
esse determina o grau de gelatinização do amido e a destruição de fatores
antinutricionais nos alimentos
As rações comerciais apresentam uma ralação média em torno de 8 a 11
Kcal/ED/g proteína.

7.8.2.1 Gordura (Lipídios)

Os lipídios são as fontes mais baratas e importantes de energia; os


ácidos graxos são os componentes dos lipídios (óleos e gorduras). Ácidos graxos
essenciais são aqueles que não podem ser sintetizados pelo organismo animal a
partir de outro ácido graxo ou qualquer outro precursor. Os peixes necessitam obter
os ácidos graxos essenciais através da ração ou alimentos naturais. Eles são
essenciais para um bom crescimento e sobrevivência dos peixes, representam a
principal fonte de combustível aeróbico para o metabolismo energético do
músculo do peixe. A absorção das vitaminas lipossolúveis só é feita na presença
das gorduras. Os fosfolipídios e esteróis exercem papel importante na estrutura das
membranas celulares e sub-celulares.
Poucos dados existem a respeito do nível ótimo de lipídio nas dietas de
peixe, porém estudos indicam que os peixes podem utilizar de 20 a 30% dos
ingredientes da dieta na forma de gordura, desde que provida de teores adequados
de colina, metionina e tocoferol.
As exigências em ácidos graxos essenciais diferem entre os peixes de
clima frio e temperado e peixes tropicais. Os peixes de águas frias e temperadas
(salmonídeos e bagre-do-canal), bem como as espécies marinhas apresentam
exigências em ácido graxos polissaturados da família  - 3 (ácido linolênico, EPA e
DHA), sendo encontrados em grandes abundância nos organismos plantônicos e
nos óleos de peixes marinhos.
Os peixes tropicais e de água doce, como as tilápias, exigem ácidos
graxos da família  - 6 (ácido linoléico).
Quando não se tem resultados de pesquisas, então para formulação
de dietas para novas espécies de peixes, deve-se utilizar teores de 6 a 8%,
sendo o ideal o óleo de peixe.
Os lipídios são boas fontes de energia porque têm 2,25 vezes mais
energia que os carboidratos.
O uso deste nutriente como fornecedor de energia é valioso pois
economiza a proteína, deixando-a para o crescimento e manutenção.
Rações para camarões contêm geralmente 8 e 10% de lipídios, existindo
um requerimento por ácidos graxos das séries linoléicas e linolênicas.
O colesterol é um precursor vital dos hormônios do sexo e do processo
de muda, é um constituinte do exoesqueleto, é requerido em níveis dietéticos entre
0,5% e 1,25% da dieta total.
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7.8.2.2 Carboidratos

Os carboidratos entram com pouca quantidade na composição do corpo


do peixe, por isso esses animais não utilizam este nutriente para o seu crescimento,
servindo basicamente como fonte de energia.
Poucas informações se tem a cerca da digestibilidade e metabolismo
deste nutriente dos animais aquáticos.
Na formulação balanceada, principalmente para engorda, os carboidratos
apresentam um efeito suporte na utilização eficaz das proteínas, além de melhorar
a estabilidade das rações em água, por suas propriedades aglutinantes.

7.8.2.3 Fibra

A fibra é muito difícil de ser digerida pelos peixes, porém está presente
na grande maioria dos ingredientes básicos.
É sabido que o corpo do peixe praticamente não tem fibra, por isso
numa dieta ela serve apenas como volume e em poucos casos, como fonte de
energia. Nas rações peletizadas, age como aglutinante.
Nutricionistas recomendam que o teor de fibra deve ser menor que 10%.

7.8.3 Vitaminas
Necessárias nos cultivos intensivos e super intensivo, pois nos cultivos
extensivos, em que a densidade de estocagem é baixa, o alimento natural está
sempre em abundância, suprindo então as carências vitamínicas.
Os estudos de requerimentos de vitaminas para organismos aquáticos
são muito recentes, mas, pesquisas mostram que tipos conhecidos de vitaminas
são necessários à saúde, vida e crescimento do peixe.
A maioria das vitaminas requeridas pelos peixes ocorre em quantidade
suficiente nos ingredientes usados na formulação de dietas balanceadas.
Na prática, a produção de rações utiliza a inclusão de premix em
quantidade que satisfaçam os requerimentos do animal e supram as perdas sofridas
no processamento, estocagem e pela dissolução quando o produto é imerso em
água.
As vitaminas adicionadas às rações são: as lipossolúveis (A, D, K, E) e
hidrossolúveis (C, Colina, PP, B1, B2, B6, B12, H, Ácido Pantotênico, Ácido Fólico e
Inositol).
A vitamina C é uma das mais importantes e que apresenta maior custo.
Ela participa como co-fator de numerosas reações, é precursora do colágeno
(formação de tecido conectivo), formação da matrix óssea e juntamente com a
vitamina E previne a oxidação dos tecidos corporais.

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7.8.4 Minerais

Os requerimentos de minerais não estão bem definidos. É sabido que


os animais aquáticos têm possibilidade de absorver/excretar vários dos minerais
diretamente do meio ambiente.
Na composição de uma ração, os macrominerais, cálcio e fósforo, são
calculados separadamente dos outros minerais, devido a grande importância no
crescimento, deposição óssea e outros processos metabólicos.
O balanço cálcio/fósforo, é muito importante devido a osmoregulação.
Além do cálcio e fósforo, são exigidos os seguintes minerais numa ração:
Magnésio, Sódio, Potássio, Ferro, Cobre, Cobalto, Manganês, Iodo, Zinco e Selênio.

7.9 TIPOS DE DIETAS

7.9.1 Dieta Suplementar


É uma dieta preparada como suplemento da alimentação natural dos
organismos aquáticos que vivem em tanques e viveiros. Isto acontece quando a
produtividade da água não consegue sustentar o crescimento adequado dos
animais, devido a maior quantidade de peixes. Normalmente são empregados sub-
produtos da agricultura e pecuária, pois são menos onerosos.
Atende parte da demanda nutricional do peixe em função do sistema de
produção e nível de manejo empregado.
Pode-se usar: farelos, leveduras, etc.

7.9.2 Dieta Balanceada


É um conjunto de alimentos com a finalidade de atender os
requerimentos nutricionais do pescado, englobando os nutrientes necessários,
nas quantidades e proporções devidas.
Para se elaborar este tipo de dieta deve-se ter em mãos os dados
referentes à composição química dos ingredientes (proteína, carbohidrato, lipídios,
cinza, cálcio e fósforo) e suas restrições de uso.
A ração balanceada é preparada para atender grupos específicos de
organismos aquáticos.
Quanto maior o grupo de ingredientes maior será a chance de uma dieta
balanceada.
Nos quadros no 1 ao no 6 encontramos sugestões de algumas dietas
balanceadas.

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Quadro 1 - Espécie: Tambaqui

Tipo de dieta
Ingredientes
Crescimento (%) Engorda (%)
Farinha de peixe 35 30
Farinha de carne e osso 5 5
Farelo de soja 26 20
Farelo de algodão 5 5
Farelo de arroz 12 17
Milho triturado 10 16
Melaço de cana 2 2
Óleo de soja 3 3
Premix vitamina 1 1
Premix mineral 1 1
Proteína 34,8 30,9
Lipídios 6,2 6,4
Fibra 5,8 5,4
Cinzas 13,2 12,1
Fonte: Merola e Cantelmo (1987).

Quadro 2 - Espécie: Tilápia

Tipo de dieta
Ingredientes
Larva (%) Alevino (%) Crescimento (%)
Farinha de peixe 30 10 25
Farelo de soja 30 20 20
Óleo de girassol 20 20 20
Farelo de trigo 20 (19) 20 20
Farinha de sangue - 15 -
Premix vitamina 1 1 1
Melaço - 15(14) 15(14)
Proteína bruta 42,8 39,5 33,3
Umidade 8,6 8,5 8,0
Lipídios 5,0 6,0 -
Fibra 6,5 9,6 -
Cinza 5,7 6,4 10,5
Fonte: Dickson (1987)

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Quadro 3 - Ração para larvas.

Ingredientes Tipo de dieta


A (%) B (%)
Farinha de peixe 18,0 12,0
Farinha de carne 18,0 12,0
Farelo de soja 10,0 10,0
Farinha de trigo 15,0 15,0
Farelo de milho 8,0 8,0
Farinha de folha de mandioca 10,0 15,0
Farinha de tubérculo de mandioca 11,5 22,0
Óleo vegetal 3,0 2,0
Fermento de pão 4,0 2,0
Premix vitamina 1,0 1,0
Premix mineral 1,0 1,0
Sal 0,5 0,5
Proteína 27 23
Energia metabolizável Kcal/kg 2.500 2.300
Fonte: DNOCS

Quadro 4- Espécies: Tambaqui, pacu e carpa

Tipo de dieta
Ingredientes
Larvas (%) Alevinos (%)
Arroz 25 -
Milho - 25
Soja 25 25
Farinha de carne 25 25
Farinha de peixe 25 25
Fonte: CODEVASF

Quadro 5- Espécie: Carpa

Tipo de dieta
Ingredientes
Crescimento (%) Engorda (%)
Farinha de peixe 25 15
Farelo de soja - 17
Trigo (moído) 10 10
Sorgo (moído) 62,5 56,85
DL – Metionina - 0,15
Premix mineral/vitamina 2,5 1
Proteína 24 24,5
Umidade 13 13
Lipídios 4,9 3,7
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Fonte: Viola et al,. (1982)

Quadro 6- Espécies: Tambaqui e pacu

Tipos de dieta
Ingredientes
Alevinos (%) Reprodutores (%) Engorda (%)
Farinha de peixe 15 10 10
Farelo de soja - 40 -
Farelo de milho 20 25 18
Farelo de trigo 20 25 37
Farinha de carne 10 - 10
Torta de babaçu - - 25
Proteína 33 28 25
Fonte:

 Recomendações para a elaboração de uma dieta para peixe (tilápia)

 Proteína: 22% (mínimo); 28% (ideal); 32% (máximo)


 Energia líquida disponível: 1.800 - 2.300 Kcal/kg
 Lipídios: 4 - 10% (ideal 8%)
 Fibra: menor que 10%
 Carboidrato: menor ou igual a 30%
 Relação Ca: P = 2:1
 Premix vitamina e/ou mineral = 1%
 Proteína animal: 20 a 30%
 Proteína vegetal: 70 a 80%.
Fonte: Silva, J.W.B.

7.9.3 Dieta para Reversão do Sexo de Tilápia

 Hormônio utilizado para reversão do sexo:


 Hormônio: 17  - metiltestosterona
 Dosagem : 60 mg/ kg de ração,
 Preparação da ração para reversão;
 Ração: Balanceada com proteína na faixa de 40 - 45%.
 Álcool Etílico, 90 –95% ou álcool Isopropílico: Necessário para a
homogeneização da ração com o hormônio.
 Peneira com tela de 1,0 mm.
 Luvas e máscara.

 Preparação:
Visando otimizar o trabalho, prepara-se uma solução padrão em que se
utiliza de 6g de hormônio para 1 litro de álcool (trata 300.000 alevinos). A
solução/estoque pode ser estocada à temperatura ambiente, mas é preferível

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conservar sob refrigeração, tendo uma vida útil de três meses. Neste caso, quando
for preparar 1 kg de ração, utiliza-se 10 ml da solução em 500ml de álcool.
A ração é peneirada em peneira de tela de nylon de 1mm de malha e
pesada, sendo colocada em uma bacia onde aos poucos vai se misturando o álcool
com o hormônio, mexendo sempre com as mãos até que a mistura esteja bem
homogeneizada. Para este trabalho é necessário a utilização de luvas e
máscara para evitar o contato direto com o hormônio, assim como evitar que a
gordura das mãos incorpore este hormônio.
Depois de bem homogeneizada, a ração preparada é levada para
secar à sombra e espalhada em camadas finas, de até 5 cm de espessura no
máximo, por um período mínimo de 24 horas. Esta ração é então acondicionada
em sacos escuros e conservada em refrigerador, onde pode permanecer por um
período de até 3 meses.
Fora da geladeira este período se limita a um mês.
Arraçoamento: 20% da biomassa, sendo fornecida em 4 refeições
diárias.

7.9.4 Tipos de Processamento

7.9.4.1 Ração farelada

É uma mistura de ingredientes secos. Deve ser utilizada para pós-larvas


até 1g. Devido às perdas excessivas de nutrientes por lixiviação na água, estas
rações necessitam de uma suplementação vitamínica e mineral de 3 a 5 vezes mais
que os níveis recomendados para rações peletizadas.
Estas rações precisam ter flutuabilidade, que depende do teor de extrato
etéreo e do grau de moagem. O tamanho das partículas deve ser menor que 0,5
mm.
A adição dos premix deve ser feita após a moagem da mistura.

7.9.4.2 Ração farelada úmida

É uma mistura de ingredientes secos e úmidos, e numa razão de 50%,


dando um teor de umidade de 20 a 50%.
Os ingredientes secos são ricos em carboidratos (mandioca, milho, trigo,
etc.), misturar-se-ão aos úmidos (de origem vegetal) e aos de origem animal).
(Vísceras).
Equipamentos utilizados: trituradores e picadores de carne ou máquina
para fazer macarrão.

7.9.4.3 Rações trituradas

São produzidas a partir de uma ração peletizada através de um triturador.


Peletes de 2 a 2,5mm e de boa integridade e de estabilidade são mais facilmente
triturado e resultam em menor quantidade de finos. Após a desintegração do peletes
deve ser feita uma separação de partículas num conjunto de peneiras. As rações
trituradas apresentam maior estabilidade na água comparadas às rações fareladas,
e, portanto, uma menor perda de vitaminas e minerais por lixiviação.
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Atualmente, já existem fábricas de ração que submetem a ração


extrusada a um processo de moagem para transformá-la na firma triturada com
granulometria inferior a 1,5 mm. Esta ração é recomendada para pós-larvas e
microalevinos de peixes com peso de até 3g.
Os camarões de peso médio de 1 – 3g devem ser alimentados com
alimento desintegrado de 1 – 1,7 mm de diâmetro.

7.9.4.4 Grânulos secos ou ração peletizada

A ração peletizada promove um cocção parcial do alimento, dando mais


estabilidade aos grânulos, maior uniformidade dos ingredientes.
A qualidade do pelete depende diretamente da composição da mistura
(ingredientes).
A combinação umidade, calor e pressão nos alimentos, ajuda os animais
na melhor utilização dos alimentos.
Ração peletizada evita a alimentação seletiva por parte dos animais por
ingredientes preferidos.
Na peletização todos os ingredientes são moldados juntos e o animal é
obrigado a comer o que for formulado, evitando perdas por lixiviação (normalmente
acontece com a ração farelada) e mantendo uma alimentação balanceada,
possibilitando a destruição parcial de alguns fatores antinutricionais e aumentando a
eficiência alimentar.
Para uma boa estabilidade das rações peletizadas é necessário um grau
fino de moagem. Mais de 95% das partículas devem ser menores do que 0,25 mm e
as partículas restantes não devem exceder 0,4 mm.
Rações peletizadas de boa qualidade devem apresentar estabilidade na
água de pelo menos 20 minutos.
As rações de camarões para engorda com peso de 3 gramas devem ser
oferecidas na forma peletizada, pois são rações que afundam.

7.9.4.5 Grânulos expandidos ou ração extrusada

O processo de extrusão exige alta pressão (30 a 60 atm), umidade e


temperaturas em torno de 130 a 150oC, causando explosão e expansão da mistura
dos ingredientes, ocorrendo então maior gelatinização do amido e exposição dos
nutrientes contidos no interior das células vegetais à ação digestiva, melhorando a
eficiência alimentar dos peixes. Como os grânulos são resfriados rapidamente e
aprisionam bolhas de ar no seu interior, adquirem menor densidade e maior
flutuabilidade.
Devido ao tratamento térmico dos ingredientes, há desnaturalização de
enzimas desagradáveis, inativação de fatores antinutricionais e a população
microbiana fica reduzida.
O custo final do produto é mais elevado que a peletização, pois há um
envolvimento de equipamentos mais sofisticados e maior gasto de energia, porém
este custo adicional acaba sendo compensado pela melhora na eficiência alimentar
dos peixes e a menor deterioração na qualidade da água, obtendo-se maiores
índices de produtividades e crescimento mais rápido dos peixes.

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7.9.4.6 Alimentos pastosos

É uma dieta pastosa e muito onerosa, pois constitui basicamente de


farinha de peixe, finamente pulverizada, e amido de batata seco e gelatinizado, são
adicionados minerais e vitaminas.

7.10 FORMULAÇÃO DAS RAÇÕES


O valor nutritivo de um alimento ou ração depende:
a) do uso de ingredientes de alta qualidade;
b) da combinação correta dos ingredientes de forma a atingir, no produto
final, um balanço adequado de nutrientes para a espécie de peixe em
cultivo;
c) da boa digestibilidade do produto e estabilidade na água. Uma ração
pouco vale, por mais perfeita que seja em termos de qualidade de
ingredientes e balanceamento de nutrientes, se não sofrer um
processamento que lhe confira adequada estabilidade na água.

7.10.1 Composição Química dos Ingredientes


O conhecimento quantitativo da composição química dos ingredientes,
incluindo as possíveis variações estacionais e geográficas, é de grande importância
para a formulação de dieta apropriada. Existem muitas tabelas que podemos
encontrar estes dados.
Nos quadros 7 e 8 temos exemplos dos ingredientes mais utilizados,
estes dados representam uma média.

Quadro 7 - Ingredientes convencionais usados nas dietas.

Ingrediente PB (%) ELD(Kcal/kg) Restrições


Milho 9,0 3.488
Sorgo 10,0 3.453 Tanino
Trigo 12,7 3.520
Farelo de trigo 16,0 2.512
Raspa de mandioca 2,4 3.476 Ácido cianídrico
Farelo de babaçu 18,0 2.425
Farelo de algodão 30,0 2.043 Gossipol
Farelo de soja 46,0 3.300
Farinha de peixe 61,0 3.123
Farinha de carne 40,0 2.878
Tubérculo de mandioca 1,3 1.470 Ácido cianídrico

Quadro 8 - Subprodutos agroindustriais e agrícolas

Ingrediente PB (%) ELD(Kcal/kg) Restrições


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Farinha de sangue 72,3 2.785 Digest. baixa-ferro


Vísceras de frango 14,2 3.554 Gordura alta
Levedo de cerveja 35,0 3.076
Farinha de aves 49,6 2.984
Farinha de penas 85,4 2.728 Digest baixa-quitina
Soro de leite 13,8 3.432
Casca de arroz 4,1 900 Fibra alta-ant.vit E
Casca de soja 12,5 1.557 Fibra alta-ant.vit E
Resíduo de castanha 26,7 2.130
Algaroba 16,0 1.670
Leucena/rama 17,8 1.840 Mimosina-a.a.tóxico
Cunhã/rama 18,7 2.300
Cunhã/semente 38,0 2.400
Mucunã 18,7 1.700
Feijão de porco 21,0 2.700
Fava branca 42,0 2.800
Marianinha 11,0 1.200
Polpa de caju 8,0 1.100
Fontes: Paiva et al (1971); Erös (1990).

7.10.2 Disponibilidade dos Ingredientes


Os ingredientes usados na alimentação dos peixes são compostos de
produtos de origem animal: farinha de peixe, ossos, carne e osso, sangue, camarão,
minhoca, abatedouro avícola, etc.; de cereais (milho, cevada, centeio, aveia, trigo,
sorgo, arroz), tortas e farelos de oleoginosas, resíduos de cervejaria, fenos
(principalmente leguminosas). Subprodutos de grão (farelo, cuim), frutos diversos e
tubérculos (mandioca).

7.10.2.1 Fontes protéicas não convencionais

Pesquisas têm sido feitas, no intuito de aproveitar estas fontes na


alimentação dos organismos aquáticos; dentre elas, podemos citar as proteínas
unicelulares (leveduras, algas e bactérias), cujos resultados dão a possibilidade de
substituição da farinha de peixe de até 100%.
Comparados com as proteínas alimentícias convencionais de plantas e
animais, estes microorganismos oferecem numerosas vantagens como produtores
de proteínas:
 Sua produção pode ser baseada sobre substratos de carbono
natural, que são disponíveis em grandes quantidades ou sobre
subprodutos celulósicos da agricultura, os quais por outro lado
causam danos ao meio ambiente;
 Maioria dos microorganismos cultivados possuem altos níveis de
proteínas (40 - 80% de proteína bruta em matéria seca), variando
com a espécie;
 Tem um tempo de produção muito curto; em ótimas condições de
cultivo as bactérias podem dobrar sua massa celular de 0,5 a 2
horas, as leveduras em 1 a 3 horas e as algas em 3 a 6 horas.

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As leveduras de cerveja, ricas em lisina e complexo B, porém são


deficientes em alguns aminoácidos essenciais. Mas, já existe recomendação para
seu emprego em até 33% nas dietas, em que a artêmia salina é básica.
Muitas algas unicelulares já têm sido recomendadas como alimentação
nos primeiros dias de vida de organismos aquáticos.
Exemplos de algas: Chlorella, Spirulina e Scenedemus.

7.10.2.2 Fontes protéicas de origem vegetal

As fontes de origem vegetal são mais econômicas que as de origem


animal, porém apresentam uma menor digestibilidade, devido as fibras; são
deficientes em alguns aminoácidos como a metionina e cistina (leguminosas) e lisina
(cereais), podem também ter fatores antinutricionais.
Como fontes protéicas vegetais, podemos citar: farelo de soja, farelo de
algodão, farelo de trigo, torta de babaçu, farinha de colza, glúten de milho, farinha
de castanha, etc.
 Farelo de soja - é o mais utilizado nas dietas para peixes e
camarões, apresenta um razoável balanço de aminoácidos,
possuindo um alto teor de lisina e segundo PEZZATO (1996) pode
substituir a farinha de peixe em até 94% para espécie omnívora.
 Farelo de algodão - é o subproduto resultante da moagem do caroço
para obtenção de óleo, tem baixo custo, boa qualidade e apresenta
boa palatabilidade. Tem o inconveniente da presença do gossipol,
que em nível altos, implica em problemas hepáticos para o peixe.
 Farelo de trigo - é o subproduto resultante da moagem de trigo para
extração da farinha para consumo humano, tem razoável
palatabilidade. Além de ser uma boa fonte protéica é uma ótima
fonte energética.
 Glúten de milho - tem um alto teor protéico variando conforme a
fonte de onde é obtido. Se for resultante da membrana externa do
grão de milho após a extração do amido e glúten apresenta 21% de
proteína bruta, porém se o farelo for elaborado do resíduo seco de
milho após remoção da maior parte do amido e do gérmen, pode
apresentar 60% de proteína bruta. Não há fatores antinutricionais e
pode compor em até 30% de uma dieta.

7.10.2.3 Fontes protéicas de origem animal

Os produtos de origem animal, quando realmente de boa qualidade, são


os melhores ingredientes para se compor uma ração, pois possuem um bom
balanceamento de AAE, ácidos graxos, sais minerais, vitaminas do complexo B e
boa palatabilidade.
O seu emprego em altas quantidades limita-se a:
 Preço alto;
 Excesso de gordura (causando rancidez);
 Níveis de NaCl, quando alto, afeta o equilíbrio osmótico;
 Presença de uréia, aumentando o nível de N.

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Como exemplo dessas fontes tem: farinha de peixe, farinha de carne,


farinha de carne e osso, farinha de sangue, farinha de abatedouro agrícola, farinha
de penas, cama de frango, farinha de camarão, etc.
Farinha de peixe - é indiscutivelmente a melhor das fontes protéicas,
possui alto valor biológico, devido ao balanço de AAE, níveis ótimos de Ca e P e
vitaminas. Os níveis protéicos variam de 50 a 60%, dependendo do processo de
secagem.
Esta farinha é feita geralmente, de: peixes de pequenos tamanhos ou de
vísceras, pele, cabeça, etc.
Farinha de carne - apresenta um bom balanço de AAE e altos níveis de
Ca e P. O nível protéico está entre 40 e 55%. É importante estar atento quanto a
qualidade da farinha de carne, pois quando nível protéico é muito alto, é bom fazer
a análise pois a presença do N pode ser por adição de uréia; outro problema é
presença de matérias-primas estranhas como: sebo, cascos, sangue, etc.
Farinha de sangue - é uma matéria-prima de pouca palatabilidade, mas é
dentre os subprodutos um dos mais ricos em proteínas e com mais teor lisina e
triptofano.
É resultante do processamento de sangue fresco de abatedouro, o qual
pode ser desidratado por aquecimento direto (digestibilidade ± 17%) ou por calor de
vapor (digestibilidade em torno de 90%).
Devido ao excesso de ferro e problemas de digestibilidade recomenda-se
o máximo de 10% na dieta.
Farinha de camarão - geralmente apresenta boa composição de AAE,
bom balanceamento de ácidos graxos, uma excelente fonte protéica, mas sua
qualidade depende do processamento e origem. Devido a presença de quitina,
recomenda-se 5% na dieta, como promotor de crescimento.
Farinha de abatedouro avícola - Com teor protéico em torno de 60%,
equivalente as farinhas de peixe e carne, é resultante da autoclavagem, secagem e
moagem de vísceras, sangue, pés, cabeças e ave com defeito. Substitui a farinha
de peixe em até 75%.

7.10.2.4 Fontes energéticas

O pescado necessita de energia para suas funções vitais. Os animais


aquáticos utilizam várias fontes para conseguir energia, podemos citar as proteínas,
que são os nutrientes mais caros, os lipídios e mais raramente os carboidratos.
Deve-se então empregar ingredientes energéticos, deixando a proteína
exclusivamente para crescimento e manutenção.
Óleos e gorduras são utilizados pelo pescado como fonte de energia
direta. Recomenda-se o óleo de soja bruto (degomado), pois além de possuir em
sua composição ácido linoléico, tem um preço acessível.
A qualidade dos lipídios usados na composição das rações é de grande
importância, pois os peixes podem incorporar em seus tecidos paladares diferentes
a que o consumidor está acostumado, isto devido a presença de compostos
oxidados presentes nos óleos, podendo também comprometer o metabolismo e
valor nutricional dos outros componentes da ração.
Afora os óleos e gorduras, podemos citar: o milho, o sorgo, farelo de trigo,
farelo de arroz, farelo de mandioca, etc.
 Milho - é o ingrediente que oferece a maior fração energética nas
dietas para o pescado, não tem restrições quanto a quantidade, mas
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não é recomendado ser empregado exclusivamente como fonte


energética, pois além de obter-se um pescado excessivamente gordo,
pode haver uma inibição no crescimento dos peixes, devido um
antagonismo entre a lisina e isoleucina. (PEZZATO, 1996).
 Sorgo - Pode substituir o milho em até 90%, tem boa palatabilidade,
porém possui o tanino que é um fator antinutricional. Este não deve
exceder a 1% expresso em ácido tânico.
 Farelo de trigo - subproduto resultante da retirada da farinha para
consumo humano. É uma ótima fonte energética, sendo também uma
boa fonte protéica, pode entrar na dieta em até 25% e o peixe
terminado não apresenta muita gordura.
 Farelo de arroz - é um subproduto que deve ser usado com muita
cautela devido a um elevado teor de gordura (min. 14%), que pode
oxidar facilmente. É recomendado usar um antioxidante (BHT, BHA).
 Farelo de mandioca integral - é um produto obtido por meio de
secagem e posterior moagem de tubérculo de mandioca, tem
baixíssimo valor protéico, porém é rico em energia. Embora apresente
um fator antinutricional - o ácido cianídrico - pode substituir o milho
em até 50% em uma dieta. É também um excelente aglutinante.

7.10.3 Digestibilidade dos Ingredientes


A digestão do peixe é totalmente enzimática, existem poucos micróbios
para atividade microbiana.
É preciso ter muito cuidado na elaboração das dietas com relação aos
ingredientes que tem alta percentagem de fibras, pois são insolúveis e resistentes
as degradações enzimáticas.
Conhecer a digestibilidade de certos nutrientes, como proteínas, lipídios e
carboidratos nos ingredientes é de fundamental importância. Por exemplo, a
digestibilidade da fração protéica na farinha de peixe varia de 74 a 90%; do farelo de
soja de 77 a 84%.

7.10.4 Tamanho da Partícula

O tamanho das partículas é um dos fatores mais importantes; e quanto


maior for a uniformidade das partículas, melhor será o resultado da mistura. Quando
os tamanhos são muito diferentes, há possibilidade de separação na ração,
afetando os princípios nutritivos do produto final.
Há produtores comerciais que conseguem trabalhar com partículas
alimentares entre 0,5 a 0,8 mm, que são as ideais para os peixes. Não confundir
partículas alimentares com o tamanho do pelete.

7.10.5 Fatores Antinutricionais

São substâncias que estão contidas em determinados ingredientes,


prejudicando-os na sua utilização dentro de uma dieta.

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Nos vegetais estas substâncias protege-os contra as intempéries do


tempo, ataque de animal, etc. Podemos citar o tanino, que está no sorgo, é tóxico,
protegendo as sementes contra ataque de aves; existem fatores que não são
tóxicos porém agem contra a digestão, são os antitrípticos encontrados na soja in
natura. Muitos desses fatores podem ser eliminados através do aquecimento.

7.10.6 Estabilidade na Água

É uma das características mais importantes para uma ração; como a


água é considerado o melhor solvente, quando a ração é lançada no viveiro, muitos
dos nutrientes começam a sofrer diluição, diminuindo o valor nutricional do produto.
As maiores perdas são das vitaminas, (ácido ascórbico, tiamina, ácido
pantotênico, ácido fólico); minerais, principalmente o potássio e aminoácidos livres.
A instabilidade da ração na água está diretamente ligada ao tipo e
proporção dos ingredientes usados, como foi fabricada, período e tipo de
armazenagem e de manuseio.
Há ingredientes naturais e artificiais usados como aglutinantes, que
influem na qualidade da ração. Exemplo: mandioca, farinha de trigo, milho, ágar-
ágar, carboximetilcelulose, betonita, etc.
As rações peletizadas necessitam da inclusão da aglutinantes, enquanto
a extrusada utiliza a gelatinização do amido que acontece durante a fabricação do
produto.
As rações devem ter estabilidade em água de pelo menos 10 minutos.

7.10.7 Atratividade/Palatabilidade

Os peixes demonstram reações quanto a palatabilidade dos alimentos,


por exemplo, as carpas não aceitam alimento com gosto adocicado, enquanto as
tilápias mostram respostas positivas ao azedo e salgado.

7.10.8 Densidade, Granulometria e Formato

Uma ração teoricamente correta tem que atender estes três itens, que
variam de peixe para peixe. Cada espécie tem seu nicho ecológico, há peixes que
comem na superfície, outros na meia água e outros no fundo do viveiro.
Para os peixes de superfície, a ração precisa flutuar mais tempo para o
melhor aproveitamento; já os peixes de fundo e camarões, as rações precisam ter
alta densidade.
Na elaboração das rações, a granulometria dos ingredientes deve ser
muita fina, facilitando os processos digestivos e uma melhor agregação das
partículas na ração.
Quanto ao formato, existem espécies que ingerem ração de formato
arredondado e outras preferem formato cilíndrico.

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7.11 MANEJO ALIMENTAR


Não existe no País, principalmente no Nordeste um padrão quanto ao
manejo na alimentação. No caso dos grande piscicultores, utilizam tabelas obtidas
da literatura ou tabelas de alimentação oferecidas pelos fabricantes de ração ou
alimentação até saciar. No caso dos pequenos produtores que não possuem
recursos suficientes para adquirir uma ração de boa qualidade, preferem aproveitar
material disponível (cama de frango, milho, farinha de castanha, etc.) fazer uma
mistura e alimentar o peixe “ad libitum”. Na conveniência de procurar alimento mais
barato não consideram a qualidade, pois esta tem uma elevada participação nos
custos.
Um dos aspectos mais importante e decisivo para o sucesso das criações
é o manejo alimentar, que é ainda uma incógnita para muitos criadores de peixe.

7.11.1 Amostragem dos Organismos

Estas amostragens devem ser feitas periodicamente, a fim de se avaliar o


estado geral dos peixes, reajuste da quantidade de ração e ganho de peso.
O manuseio deve ser cuidadoso, evitando assim o stress e lesões, que
podem afetar a saúde e consequentemente, o bom desenvolvimento dos peixes.

7.11.2 Monitoramento das Quantidades das Rações


As quantidades das rações devem ser monitoradas, baseadas nos
aumentos da biomassa e consumo alimentar.
O excesso de alimentação ocasiona poluição no viveiro devido a
decomposição da matéria orgânica, influindo diretamente no oxigênio dissolvido na
água que é vital para os organismos aquáticos; mesmo que não ocorra perda de
ração, o alimento passa rapidamente pelo trato digestivo reduzindo a sua digestão e
assimilação, piorando a conversão alimentar. Pode resultar numa acumulação de
gordura corporal.

7.11.3 Horário das Refeições

Sempre é bom alimentar os peixes no mesmo horário.


Quando a temperatura da água baixar muito, ou estiver chovendo,
recomenda-se evitar o arraçoamento.
Geralmente, os organismos aquáticos procuram o alimento nas primeiras
horas da manhã, ao entardecer ou à noite.

7.11.4 Ingestão das Refeições


O alimento deve ser dividido em refeições; normalmente alimenta-se de
duas a quatro vezes por dia.
Quanto menor o peixe, mais vezes deve-se ofertar as rações;
apresentamos no quadro 9, tabela de alimentação para larvas.
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Quadro 9 - Alimentação para larvas

Semana Quant. (kg) 2 X dia Quant. Consistência


(Kg)/Semana
1a Para adaptação = 0,2 3 Pó
a
2 0,5 (500g) 7 pó
3a 1,0 (1.000g) 14 muito fina
4a 1,5 (1.500g) 21 fina
5a 2,0 (2.000g) 28 fina
Fonte: CODEVASF (1987)

 Para 100.000 pós-larvas


 Alimentar no mínimo duas vezes ao dia.
 Local: por todo viveiro.
 De 10 em 10 dias - coletar alguns peixes e verificar o
 crescimento.

A quantidade do alimento varia com o tamanho do peixe; a taxa de


alimentação das larvas é maior do que a do alevino ou do reprodutor.
As taxas variam de 2 a 20%. Já existem tabelas em que figuram o
comprimento, peso do peixe e a taxa de alimentação correspondente.
Dependendo da espécie de camarão, pois há os que se enterram no
substrato durante o dia e emergem no período noturno, de um modo geral
recomenda-se alimentar de 3 – 6 vezes por dia. O Penaeus vannamei, raramente
apresenta o hábito de enterramento.

7.11.5 Condições Ambientais do Viveiro


O viveiro que é o ambiente em que vivem os organismos aquáticos deve
oferecer as melhores condições; o oxigênio dissolvido é fator preponderante,
havendo queda de níveis deste parâmetro, recomenda-se suspender a alimentação.
O ideal seria monitorar os parâmetros físico-químicos da água, manter o viveiro livre
de plantas daninhas e peixes invasores.

7.11.6 Estocagem da Ração

O armazenamento das rações deve ser em lugares secos e arejados,


livre de umidade, roedores e pássaros. Os locais devem estar sempre limpos e
longe de pesticidas e combustível.
Os sacos de ração precisam ficar longe das paredes e sobre estrados de
madeira.
Período de estocagem: ideal até 3 meses.

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7.11.7 Uso de Comedouros

Eles são importantes nas criações onde se usa ração:

 eliminam a biometria periódica;


 diminui o desperdício de ração;
 evitam os problemas de concorrência, pois dentro do comedouro há
falta de oxigênio e o peixe permanece pouco tempo;
 economia de mão-de-obra;
 ajustamento da ração é facilitado, pois se baseia nas sobras que
ficam.

Existem vários tipos de comedouros, dos mais simples até os controlados


por timer ou energia solar. A capacidade varia dependendo do modelo.
Para os camarões pode-se usar bandejas de alimentação, permitindo as
observações direta do grau do apetite do camarão.

7.12 AVALIAÇÃO DAS RAÇÕES


É de fundamental importância que o piscicultor conheça alguns métodos
que lhe permitem avaliar a sua ração.

7.12.1 Conversão Alimentar Aparente


CAap = alimento consumido
ganho de peso

Chamamos de aparente, porque não é levado em consideração as


quantidades de alimentos que o animal não aproveitou, que se perderam na água,
algum alimentação natural que tenha sido consumido, etc.
Quanto menor a conversão alimentar, melhor, pois significa que menos
ração foi gasta para produção de um quilo de peixe.

7.12.2 Índice de Rentabilidade

IR = custo da produção do viveiro


custo da ração utilizada

Esta avaliação é importante, pois auxilia o criador, a concluir se a sua


criação tem retorno econômico.

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7.13 DOENÇAS DE ETIOLOGIA NUTRICIONAL


Os peixes criados nos sistemas intensivos dependem de uma dieta
nutricionalmente balanceada atendendo às exigências particulares de cada espécie.
Para muitas espécies já existe a composição ideal de alimentos a ser
fornecido, como é o caso dos salmonídeos, mesmo assim pode haver problemas
nutricionais, se os alimentos tiverem sido mal acondicionados. As espécies tropicais
que têm grande potencialidade para piscicultura, ainda pouco se conhece sobre os
requerimentos nutricionais, impedindo a formulação de uma dieta nutricionalmente
completa, acarretando uma deficiência, excesso ou falta de equilíbrio dos
componentes das dietas utilizadas. Conseqüentemente, as enfermidades
provenientes destes fatores irão aparecer, apresentando uma progressão gradual, e
os sintomas não aparecem antes de um ou mais componentes atingirem níveis
considerados críticos.
O estado nutricional dos peixes influi também sobre várias doenças de
etiologia vírica, bacteriana e parasítica. Observações demonstram uma estreita
relação entre o bom estado nutricional e a resistência a certas doenças.

7.13.1 Proteínas e Aminoácidos

A quantidade de proteínas oferecidas bem como a qualidade,


digestibilidade e aminoácidos presentes são de grande importância na saúde dos
peixes, pois a redução destes nutrientes afeta a síntese de compostos essenciais
como enzimas, hormônios, melaninas, etc. As proteínas são necessárias para
oxidação e utilização das gorduras e hidratos de carbono.
O diagnóstico devido à deficiência de proteína ou a.a. é muito difícil, pois
os sintomas se confundem com de outras doenças, como a catarata, escoliose,
lordose, etc.

7.13.2 Lipídios
Condições patogênicas relacionadas com os lipídios podem ocorrer do
excesso de gorduras, deficiências de ácidos graxos essenciais, e do efeito tóxico da
oxidação dos ácidos graxos não saturados.
Sintomas: despigmentação, redução de crescimento, erosão de
nadadeiras principalmente a caudal, o que fornece condições propícias para o
ataque de organismos facultativos, intensa anemia, palidez branquial, edemas,
diminuição do apetite, redução de crescimento, catarata, etc. Há também alteração
no comportamento natatório do peixe, ele nada rapidamente e em seguida, fica
imobilizado podendo os exemplares flutuarem ou caírem para o fundo dos viveiros.

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7.13.3 Hidratos de Carbono


Os peixes digerem e metabolizam os hidratos de carbono em menor
quantidade que os animais superiores. O excesso de hidratos de carbono resulta em
hiperglicemia e aumento da massa do fígado.

7.13.4 Vitaminas

São necessárias em pequenas quantidades mas são indispensáveis à


vida. O diagnóstico das deficiências em vitaminas é muito difícil de se efetuar, além
dos dados clínicos é geralmente necessário recorrer as técnicas de hematologia,
dosagem de vitaminas nos tecidos e alimentos e histopatologia.
Alguns sintomas: escoliose, crescimento reduzido, atrofia muscular,
letargia, perda de apetite, perda de equilíbrio, edema, etc.

7.13.5 Minerais

Os peixes são capazes de adquirir pelo menos parcialmente alguns


minerais na água pela difusão dos seus íons através das brânquias ou tegumento,
apesar disso, estes elementos precisam estar presentes na dieta.
O diagnóstico é muito difícil pois os conhecimentos da patogenia causada
pela carência de minerais são restritos.
Sintomatologia: redução de crescimento, anorexia, bócio, anemia, falta de
equilíbrio, catarata, etc.
“A incidência de doenças e parasitas aumenta proporcionalmente à
redução na qualidade nutricional e básica dos alimentos e na qualidade da água e
podem causar significativas perdas durante o cultivo. Boa qualidade de água e
manejo nutricional garantem a saúde e o desempenho produtivo dos peixes”
(KUBITZA,1997).

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7.14 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CASTAGNOLLI, N - Fundamentos de nutrição de peixes. Livros Ceres


Ltda. Piracicaba. 1979. 108 p.

CYRINO, J. E. P. & CONTE, L. – Fundamentos da criação de peixes em


tanques-rede. Campus Luis de Queiroz – USP. Piracicaba-SP. Abril 2000.
55p.

EROS I. - Manual de Formulação e confecção de ração para peixes.


Fortaleza - CE - 1990. 42 p.

FRANCO, G. - Tabela de composição química dos alimentos 7a Edição


Livraria Atheneu - Rio de Janeiro - 1986. 145 p.

HEPHER, B. Nutrition of pond fishes - Cambridge University Press. 1990. 388 p.

KUBITZA, F. – Nutrição e alimentação do peixes cultivados. 3a ed. Ver. e ampl. –


Jundiaí – SP – Brasil – 1999. 123p

KUBITZA, F. – Qualidade do alimento, Qualidade da Água e manejo


Alimentar na Produção de Peixes. In: Anais do Simpósio sobre Manejo e
Nutrição de Peixes. São Paulo (SP). 1997. 101p.

NUNES, A. J. P – Manual Purina de Alimentação para Camarões Marinhos.


Paulinia, S.P. 2000. 40p.

Nutrient requiriments of warmwates fishes - NRC. National Academy of Sciences


- Wash Washington D.C. 1977. 78 p.

PAVANELLI, G. C; EIRAS, J.C.; TAKEMOTO, R.M – Doenças de etiologia


nutricional. In: Doenças de Peixes – Profilaxia, diagnóstico e tratamento.
Maringá – PR. 1998. P. 193 – 207.

PEZZATO, L. E. - Tecnologia de Processamento de Dietas, Alimentos e


Alimentação de Organismos Aquáticos - Universidade Estadual Paulista
Curso de Pós-Graduação em Aquicultura - 1996 - 63p.

POPMA, T.J. & GREEN, P. W - Reversão da tilápia da em viveiros –


Apostila. ALABAMA AGRICULTURAL EXPERIMENT STATION, AUBURN
UNIVERSITY – Traduzido pela Dra. Cristina Borges. 15p.

SILVA, J.W.B. Nutrição e alimentação artificial. Datilografado - 30 p.

TACON, A.G.S. Nutrition y alimentacion de peces y camarones cultivados.


In: Manual de Capacitacion - FAO Brasília - 1989. 572 p.

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------------------, The nutrition and feeding of farmed fish and shrimp - A training
manual 1 the essencial nutrients - Brasília - 1987. 115 p.

------------------, The nutrition and feeding a l farmed fish and shrinp - A traninig
manual - 3. feeding methods - 1988. 208 p.

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Anexo 1:

TABELA REFERENCIAL DE ALIMENTAÇÃO:

Peso Médio dos Percentual da Freqüência de Alimentação


peixes (g) biomassa (%) (qtde.calc. no vezes no dia)
 5,0 20 - 10 4
5,0 a 20,0 8-6 4–3
20,0 a 150,0 5-4 3–2
150,0 a 400,0 4-2 2
 400,0 2 1

TABELA DE ALIMENTAÇÃO PARA TILÁPIAS


EM DIVERSAS FASES DE CULTIVO

Taxa de
Tamanho da
Peso do peixe (g) PB (%) alimentação (%) do
partícula (mm)
peso médio

Larvas e Alevinos até 5g 36 - 45 10 - 12 Farelada fina

Peletizada ou
de 5 a 50g 32 5 - 8 Extrusada (2 mm)
Peletizada ou
Extrusada
de 50 a 100g 30 3 - 5
(2 – 4mm)
Peletizada ou
Extrusada
de 100 a 300g 28 2 - 3
(2 – 4 mm)
Peletizada ou
Extrusada
maior que 300g 24 1
(6 mm)

Tabela de alimentação para peixes tropicais.

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Anexo 2:

TAXAS DE ALIMENTAÇÃO PARA TILÁPIA.

Taxa de Alimentação (%)


Peso do Peixe (g)
1 - 5 7 - 10
5 - 20 4-6
20 - 100 3-4
100 - 200 2-3
200 - 400 1,5

Fonte: POPMA E LOVSHIN (1996).


Em Relação ao Peso do Corpo/Dia.
T = 27 A 29oC.

Tamanho ótimo de partículas do alimento para os peixes tropicais comumente


cultivados (adaptado: NRC. 1981: Cantelmo e Ribeiro. 1994).

Tamanho do Tamanho da
Tipo de Ração
Peixe (cm) partícula (mm)
Pós-larva Farelada fina  0,3
1,0 a 1,5 Farelada 0,3 a 0,5
1,6 a 2,4 Triturada/farelada 0,5 a 0,8
2,5 a 4,0 Triturada 0,8 a 1,2
4a7 Triturada ou micropelete 1,2 a 1,7
7 a 10 Peletizada ou extrusada 1,7 a 2,4
10 a 15 Peletizada ou extrusada 2,4 a 4,0
15 Peletizada ou extrusada 4

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Anexo 3: Restrições quanto ao nível de inclusão de alguns ingredientes em rações para peixes (SR =
sem restrições; RC = restrição condicionada).

Ingrediente Restrição (%) Causa da restrição


Farinha de peixe 4 a 20 Alto teor de cálcio.
Farinha de carne < 25 Alto teor de cálcio.
Farinha de carne e ossos < 10 – 15 Alto teor de cálcio; aminoácidos limitantes.
Farinha de vísceras < 20 Alto teor de gordura; aminoácidos limitantes.
Farinha de penas < 10 Baixa palatabilidade; aminoácidos limitantes.
Farinha de sangue < 5 – 10 Aminoácidos limitantes; alto teor de ferro; baixa palatabilidade.
Farelo de soja SR ou RC Baixa palatabilidade; RC para peixes carnívoros.
Farelo de soja integral <3 Elevado teor de óleo.
Farelo de algodão RC 20 a 30 RC < 20 para peletização; RC < 30 para extrusão;
gossipol; aminoácidos limitantes; alta fibra.
Farelo de glúten de milho SR ou RC < 6 RC < 6 se não desejar pigmentação amarelada no filé.
Farelo de amendoim SR ou RC RC aos teores de aflatoxina e aos aminoácidos limitantes.
Farelo de trigo < 25 Alto teor de fibra.
Farelo de arroz integral <15 Alto teor de gordura e fibra; rancificação fitatos.
Farelo de arroz desengordurado < 25 Alto teor de fibra; aminoácidos limitantes; fitatos.
Milho SR ou RC RC ao nível total de amido em rações para peixes carnívoros.
Sorgo < 20 Tanino e baixa palatabilidade.
Fonte: Kubitza (1999)

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8 PRÁTICA DE CONSERVAÇÃO DO PESCADO
a
Eng Agron. Maria do Socorro Chacon de Mesquita - MSc.
a
Eng de Pesca Renata Teles Polary Borrigueiro – MSc.

8.1 INTRODUÇÃO:
O peixe como alimento é uma das principais fontes de proteína animal e
de alta qualidade. A porcentagem comestível de peixe varia de 47 e 70%, diferindo
segundo a espécie, tamanho, estágio de desenvolvimento, tipo de processamento,
etc.
A digestibilidade da proteína do peixe é muito alta, de 90 – 95%,
superando a carne bovina, que atinge os valores ao redor de 90%.
Além do seu alto valor protéico, o peixe é rico em vitaminas e sais
minerais, metais (Cu, Mn, Zn, Co, Cr, Mo) e metalóides (F, I, Se) devendo por isso
ser incluída na dieta.

8.2 VALOR NUTRITIVO DO PEIXE


- PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS: Rico em proteínas (contém
aminoácidos (a.a) essenciais e fácil digestão).

- VALOR BIOLÓGICO DE UMA PROTEÍNA  QUALIDADE DOS


AMINOÁCIDOS (a.a) PRESENTES  ALTO VALOR NUTRITIVO
ATRIBUIDO AO PESCADO.

Quanto à sua composição em aminoácidos, as proteínas do pescado


equiparam-se com as proteínas com outros produtos animais (quadro 1), contendo
ainda todos aminoácidos considerados essenciais ao homem. No músculo do
pescado esses a.a encontram-se assim distribuídos (mg/100):

Isoleucina 5,0
Leucina 9,2
Lisina 10,6
Metionina 2,7
Fenilalanina 4,7
Treonina 5,5
Triptofano 1,4
Valina 5,8

Uma dieta alimentar correta deverá conter proteínas que apresente em


sua composição os a.a essenciais, em quantidades suficientes ao organismos.

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Para o homem as quantidades mínimas diárias experimentais são:

Isoleucina 0,70 g
Leucina 1,10 g
Lisina 0,80 g
Metionina 1.10 g
Fenilalanina 1,10 g
Treonina 0,50 g
Triptofano 0,25 g
Valina 0,8 g

A carne do pescado, por seu conteúdo protéico e de grande


digestibilidade, é recomendada para pessoas de todas as faixas etárias, tendo sido
comprovado que o consumo diário de 150 g de pescado supre a quantidade de
proteínas que um adulto necessita, que é de 70 g/dia.

Quadro 1 - Composição comparativa em aminoácidos de produtos animais.

AMINOÁCIDOS OVO LEITE CARNE PEIXE


Arginina 400* 230 410 360
Cistina 130 50 80 70
Histidina 160 170 200 130
Isoleucina 360 390 320 320
Leucina 560 620 490 470
Lisina 420 490 510 560
Metionina 190 150 150 180
Fenilalanina 330 320 260 230
Treonina 330 290 280 280
Triptofano 110 90 80 60
Tirosina 270 350 210 190
Valina 450 440 330 330
* Os números representam mg de aminoácidos por g de nitrogênio
Quando manuseado e preparado com os cuidados necessários, o peixe
contém todas as qualidades nutritivas, tornando-se um dos mais completos
alimentos para o ser humano.
Apresentaremos algumas informações importantes que serão de grande
valia na escolha, conservação e beneficiamento do pescado.
O DNOCS - Departamento Nacional de Obras Contra as Secas, através
de sua Diretoria de Pesca e Piscicultura realizou pesquisas e introduziu técnicas de
conservação e beneficiamento do Pescado; alguns processos já são bastantes
conhecidos e foram aprimorados, como é o caso da salga e defumação.
Tecnologias de beneficiamento foram desenvolvidas através dos
seguintes métodos:
- Congelamento;
- Salga;
- Marinagem (picles de peixe);
- Defumação;
- Embutidos;
- Produtos cremosos e concentrados.
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Foram utilizadas as espécies ictíicas do Ceará, como carpa, tambaqui,


pacu caranha, pescada do Piauí, tucunaré, tilápia, sardinha e camarão canela.
A qualidade do pescado depende da espécie e varia em função da
idade e regime alimentar. Os peixes carnívoros são mais saborosos.
O peso ideal dos peixes de água doce varia entre 1,0 a 5,0kg.

As taxas de aproveitamento das espécies beneficiadas são as seguintes:

Carpa comum 55%


Carpa prateada 56%
Carpa cabeça grande 54%
Curimatã 61%
Pacu caranha 52%
Pescada do Piauí 64%
Tambaqui 58%
Tilápia 56%
Tucunaré 61%
Fonte: DARAZS, 1987, J.S. GURGEL, 1972

Segundo SZATHMARI, na quadro 2, encontra-se a lista das espécies


mais utilizadas para cada tipo de beneficiamento.

Quadro 2 - Espécies mais utilizadas para cada tipo de beneficiamento.

Salga Marinagem Defumação Almôndega Embutidos


Curimatã Carpa Pacu Carpa comum Carpa comum Carpa c. grande
Tilápia Prateada Pescada Pacu Pacu Camarão
Curimatã Tambaqui Tambaqui Tambaqui Carpa prateada
Pescada Tilápia Tilápia Pescada
Tilápia Tucunaré

8.3 NOÇÕES SOBRE HIGIENE

8.3.1 Cuidados necessários ao manusear alimentos:

- As mãos devem estar limpas (e/ou com luvas) e as unhas aparadas;


- A roupa limpa (preferência com avental);
- Cabelos presos e com gorro;
- Sapatos limpos;
- Não espirrar ou tossir nos alimentos;
- Se tiver acometido com doenças do trato respiratório, evitar o manuseio com
os alimentos, se for necessário, usar máscara;
- Em caso de ferimento nos membros superiores não trabalhar com
alimentos;
- Não usar jóias;
- Trabalhar com alimento de boa procedência e boa qualidade;
- Nunca misturar alimentos estragados com os bons.

92
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8.3.2 Cuidados na preparação e conservação dos alimentos:

- Manter o local refrigerado ou bem ventilado;


- Manter o depósito de lixo fechado;
- Manter as tábuas e utensílios limpos e cobertos;
- Observar o aparecimento de roedores e insetos, pois além de contaminar os
alimentos transmitindo doenças, principalmente as infecções, acusam
desleixo, quando são encontrados nas comidas;
- Evitar que os alimentos perecíveis, principalmente os pescados fiquem
expostos ao calor, conservar em refrigeração, ou com gelo;
- Sempre escolher o pescado fresco;
- Usar água clorada para lavagem;
- Verduras e legumes usados no preparo das receitas devem ser bem
lavados a fim de evitar contaminação dos agrotóxicos.
- Verificar os prazos de validade dos condimentos e especiarias;
- Manter os alimentos cozidos em vasilhames tampados e na geladeira
quando for para uso imediato e no freezer por período mais prolongado.

8.3.3 Como escolher um peixe:

A carne de pescado é mais perecível que a dos outros animais, então


cabe ao consumidor escolher um peixe realmente fresco. Deve-se avaliar a
qualidade do pescado quanto ao frescor, antes de submetê-lo a qualquer tipo de
beneficiamento.

O peixe fresco deve apresentar as seguintes características:

 PELE – o peixe fresco apresenta pele brilhante com coloração


característica. A medida que a qualidade diminui, resulta a
descoloração da pele e, para algumas espécies, as escamas tornam-
se facilmente removíveis. Observa-se também uma formação de
muco.
 GUELRAS – estas constituem as partes mais suscetíveis à
deterioração. Além de sua função respiratória, veiculam minerais
contidos na água, necessários ao metabolismo, e eliminam
substâncias já utilizadas. Em virtude disso, as guelras recebem uma
carga significativa de bactérias, o que acarreta sua rápida
deterioração. Quando o peixe está absolutamente fresco, as guelras
são vermelhas brilhantes e não tem odor desagradável. Com a queda
da qualidade, estas vão perdendo a coloração, tornando-se verde
escuro nos casos extremos. Vale salientar que, mesmo durante a
conservação do peixe em água com gelo, as guelras sofrem
descoloração.
 REGIÃO VENTRAL – Quando o peixe é fresco, esta região
apresenta-se firme. À proporção que diminui de qualidade, torna-se
flácida, observando-se eliminação de conteúdo intestinal pelo orifício
anal.
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 No caso de peixes de pequeno porte, dada a sua estrutura delicada, a


queda de qualidade acarreta rompimento da parte ventral, com
exposição das vísceras.
 CARNE – um peixe em excelente estado de frescor apresenta carne
translúcida, a qual perde gradualmente o brilho com a queda de
qualidade, tornando-se opaca.
 Quando o peixe é filetado bem fresco, os vasos capilares do músculo
são bem distintos, tornando-se imperceptíveis com o desenvolvimento
de deterioração. Ainda, um peixe fresco tem a carne bem aderida à
espinha, tornando-se mais solta quando o pescado diminui de
qualidade. Quando o peixe é cozido ocorre o inverso.
 ODOR - é um indicador da qualidade do pescado. O peixe fresco
apresenta cheiro fresco e suave. Caso não seja bem conservado
(gelo), no período de 6 horas, o cheiro começa a mudar, ficando com
odor de peixe estragado. Todavia, como o desenvolvimento da
deterioração é diferente para cada parte do corpo do peixe, convém
examinar individualmente a pele, vísceras, guelras e carne. A carne
constitui a parte que apresenta por último o odor pútrido.
 OLHOS – brilhantes, salientes e nítidos. O peixe deteriorado tem
olhos opacos, fundos e as vezes cobertos por um limo cor de rosa.
 ESCAMAS – firmes, brilhantes, difíceis de serem retiradas.
 CONSISTÊNCIA – firme e elástica. Ao pressionarmos com o dedo
polegar (forte pressão), não deve permanecer a marca.

Obs.: O beneficiamento do peixe deverá ocorrer logo após a despesca, porém se


não for possível, conservá-los em caixa de isopor com gelo.

8.3.3.1 Medidas a serem observadas por parte do pescador

 Adaptar sua embarcação, qualquer que seja o tipo, quanto à higiene e


sanitização, (lavagem, após término de trabalho).
 Não expor o pescado ao sol escaldante, sobre o convés de sua
embarcação.
 Não permitir que o pescado se debata demasiadamente antes de
morrer, esgotando suas reservas de glicogênio, diminuindo o rigor-
mortis.
 Evitar focos de contaminação através de maus tratos no momento da
captura.
 Evitar estocagem com grandes espessuras de pescado. A demasiada
compressão de um peixe sobre outro provocará rupturas intestinais
com derrame dos conteúdos, favorecendo as contaminações.
 Provocar, sempre que possível, a lavagem do pescado no
momento da captura, utilizando a própria água do reservatório.
 Gelar o pescado, entrega-lo para processamento ou comercialização
direta.

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8.3.4 Como tratar um peixe:

O peixe precisa ser tratado cuidadosamente, principalmente no que se


refere a higiene. Um peixe mal escamado e mal eviscerado causará problemas no
gosto e contaminação.

Passos importantes:

1. Lavar o peixe em água corrente clorada;


2. Retirar as escamas, inclusive as que estão perto das nadadeiras e
cabeça;
3. Para eviscerar, usa-se uma faca bem amolada para abrir o ventre e retirar
todas as vísceras, ovas, gorduras e sangue, eliminar as guelras, lavar com
bastante água corrente e se possível usar escovinha.
4. Se for salgar, abrir o peixe pela espinha (escalado) ou pela barriga;
5. Remover as nadadeiras e caudas (usar tesoura);
6. Retirar a pele dependendo do tipo de beneficiamento.
7. Filetar.
8. Beneficiar.

Obs.: Se não for usar o peixe todo (inteiro ou filé), deve ser congelado.

8.3.5 Métodos de Conservação e Beneficiamento

A conservação do pescado pode ser feita de várias formas: defumando,


salgando, secando, enlatando em salmoura ou utilizando conservantes químicos.
Porém, o congelamento é um processo natural que não compromete a qualidade do
alimento, não alterando o sabor e a textura. É um meio de preservar o peixe e as
receitas preparadas a partir deste, durante o período prolongado de tempo. Esta
preservação é feita através da temperatura muita baixa (18ºC – 20ºC negativos), a
qual paralisa ou reduz os efeitos destrutivos dos microrganismos, enzimas e
oxigênio. Remove o calor dos alimentos, retardando a deterioração dos alimentos.

8.3.6 Congelamento

O uso do gelo no pescado, conserva a matéria prima, evitando assim a


deterioração do produto. Recomenda-se a utilização do gelo em escamas em sua
conservação, visto que:

 sua utilização é simples não requer equipamentos especiais, é segura


e de preço acessível;
 o gelo em escamas não apresenta cantos vivos, portanto não traz o
perigo de produzir escoriações no produto;
 é de fácil transporte e mantém a temperatura do pescado próxima a
0oC;
 poderá receber aditivos químicos, auxiliando no processo de
saneamento;
 remove o muco por escorrimento, evitando contaminação; e
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 a caixa plástica, monobloco ou o contetor de pescado deve receber


uma camada de gelo e, acima desta uma de pescado, posteriormente
outra de gelo e assim sucessivamente.

Recomenda-se 30% do total de gelo no fundo e nas laterais, distribuindo


20% pelo pescado e os 50% restantes na parte superior sobre o pescado. Não é
vantagem, nem recomenda-se cobrir com gelo o peixe colocado em caixas apenas
na parte superior, pois as paredes laterais e o fundo destas, permitem trocas
térmicas influenciadas pela temperatura ambiente
Peixe cru só deve ser congelado se tiver certeza que é fresco, ou
pescado no máximo até 12 horas antes e conservado em caixa de isopor com gelo
ou geladeira. A matéria-prima deve ser de primeira qualidade, pois nenhum
processo melhora uma qualidade inferior inicial.
Seguindo-se a regra básica de congelamento, o peixe congelado
mantém o sabor e textura idênticos ao peixe fresco.
Recomenda-se congelar inteiro os peixes pequenos ou médios, os
maiores congelam-se melhor em postas ou filés. Caso queira congelar o peixe
grande inteiro, recomenda-se que depois de limpo, mergulhe-o em água fria e leve
ao freezer sem embalagem até congelar. Mergulhe-o novamente em água e leve-o
ao freezer , até que o peixe obtenha uma camada de gelo, sem rachaduras.
Embale, tire o ar, sele e leve ao freezer para congelamento.
Os peixes devem ser bem lavados, limpos e sem nenhum vestígio de
sangue e gordura; todos os peixes devem ser embalados um a um, em filme plástico
duplo ou empilhados separando-os com plásticos ou papel alumínio e depois
guardado em saco maior bem vedado. Os filés em postas devem ser embrulhados
um a um e guardados em sacos plásticos transparentes ou caixas plásticas bem
fechadas.
Os peixes magros podem ser congelados por um período de 6 a 8 meses
no freezer e os gordos duram de 1 a 3 meses. É importante anotar na etiqueta o tipo
de peixe e a validade.
As bolinhas de peixe para serem congeladas devem ser colocadas numa
travessa ou caixa plástica cobertas com plástico e levadas para congelar. Depois de
congeladas passe-as para saco plástico, retire o ar, etiquete e congele.
A embalagem contribui para o sucesso do congelamento. Os alimentos
não podem ficar em contato direto com ar seco e frio do congelador, pois diminui a
umidade, sabor baixando a qualidade. Os produtos acondicionados com filme
plástico ou papel alumínio devem ser colocado em outro saco plástico e retirado o
ar.
Nunca usar saco de polietileno colorido, pois as cores são obtidas com
amoníaco.

8.3.7 Refrigeração
Armazenamento a temperaturas superiores ao ponto de congelamento
e que cobre uma faixa de 15 a - 2oC, objetivando remover calor da superfície.
Ponto de congelamento: é a temperatura na qual o líquido está em
equilíbrio com a fase sólida.
ROSENFELD, distingue os animais marítimos em:

 HIPOTÔNICOS: (–0,6oC a 1,0oC) ponto de congelamento.

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Exemplo: cavala, mero, linguado, bacalhau, abadejo, etc.

 ISOTÔNICOS: (-1,8oC a –2,0oC) ponto de congelamento.


Exemplo: tubarões, carangueijos, ostras, mexilhões, etc.

Tempo de Conservação em Gelo/Estágios de Deterioração

Duração
Fase (dias) Características
I 0a6 O peixe perde alguns sabores naturais (pequenas alterações).
O peixe perde bastante o seu sabor e cheiro original.
II 6 a 10 O peixe começa a ter gosto estragado e começa a perder sua
III 10 a 14 aparência e textura normal.
Guelras e cavidade abdominal com cheiro totalmente anormal
IV + 14 (podre), impróprio para consumo humano.

8.3.8 Salga
A salga de alimentos particularmente de pescado é segundo vários
autores, um tratamento antigo ainda em uso nos países subdesenvolvidos devido a
razões econômicas e para satisfazer os hábitos alimentares dos consumidores.
No Nordeste brasileiro, estima-se que 45% do pescado capturado nos
nossos açudes sejam comercializados salgado e/ou salgado-seco. Porém, os
próprios pescadores se ocupam de salgar e secar o pescado em instalações
precárias e com técnicas primitivas, fazendo com que as condições sanitárias do
produto deixem muito a desejar.
De modo geral, o uso da salga do pescado é um procedimento bastante
utilizado por se constituir em uma atividade de pouco emprego de capital,
fornecendo maior tempo de conservação ao produto sem depender de transporte
rápido para levá-lo ao local de consumo.
A salga é um método de preservação baseado na penetração de sal no
interior dos tecidos, o que é governado por vários fatores físico-químicos, e uma
série de processos bioquímicos associados com mudanças nos constituintes do
peixe, principalmente as proteínas. (BERAQUET, 1974).

OBSERVE que o peixe bem salgado vale mais dinheiro...


V E J A que um peixe mal salgado vale pouco dinheiro e pode
causar doenças.
O GERASOL É UM TÓXICO, COMER TÓXICO, SIGNIFICA.MORTE ! ! !

8.3.8.1 Fatores que influenciam no processo de salga:


a) Exposição do peixe a elevada concentração salina:
 redução acelerada do peso do peixe;
 camadas interiores não penetração de sal.

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b) Ação da pressão osmótica em escala reduzida:


 não há grande diferença entre a taxa de sal que penetra no peixe e a
taxa de água que sai.
c) Uma menor quantidade de sal se move para o interior do peixe:
 peso do peixe aumenta ligeiramente;
 concentração dos fluidos celulares de toda parte do peixe iguala-se a
concentração de sal.

8.3.8.2 Algumas condições que determinam a penetração de sal:


a) Condições relativas ao peixe:
 teor de gordura;
 tamanho do peixe;
 tamanho do pedaço tratado;
 tipo de carne (espécie).

b) Condições fatores externos:


 temperatura;
 concentração da salmoura;
 impureza do sal;
 volume da salmoura.

4.3.3 - Métodos Tradicionais de Salga:


a) Salga Seca:

Este método consiste em empilhar-se camadas de peixe e sal em forma


cristalina (20-30%), depositando-se em cima de tábuas, de forma tal que a pressão
exercida sobre os peixes ocasione a saída de água e conseqüentemente a
penetração de sal, GAVA et alli (1978). Neste método, a salmoura formada pelo sal
e umidade do pescado é retirada de contato com o produto.
Na salga seca, para cada 3Kg de peixe usar 1 Kg de sal.
Obs.: Colocar sal nas partes inteiras (cortes longitudinal) do peixe.

TEMPO DE SALGA: 48 horas.

 Vantagens: - grande efeito desidratante;


- grande velocidade de penetração do sal;
- não necessita de equipamentos especiais

 Desvantagens: - baixo rendimento (devido o forte efeito


desidratante);
- má aparência (penetração não homogênea de sal;
- facilidade de oxidação.

 Recomendação: - peixes magros.

b) Salga Úmida:

Neste método o pescado é imerso em uma solução de salmoura até o


fim do período de salga.
TEMPO DE SALGA: 48 horas.
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LOCAL DO PREPARO: Monoblocos de 50 litros e/ou tanques azulejados.


 Preparo da salmoura (concentração de 30%):
430g de sal............................................1 litro de água
para cada kg de peixe...........................4 litros de salmoura
cura.......................................................48 horas

 Vantagens - a oxidação é evitada;


- a penetração do sal é mais uniforme;
- desidratação moderada.

 Desvantagens - necessita de agitação da salmoura.

 Recomendação: - Para peixe com elevado teor de gordura, pois o mesmo


não fica exposto ao ar e sua oxidação (rancificação) é evitada.

c) Salga Mista
Neste método o pescado é inicialmente salgado à seco. A medida que
ocorre a formação da salmoura entre o sal e a umidade do processo, submergir
completamente o produto.

ETAPAS:

1) Camadas de sal e peixe


2) Proteção das camadas com sacos de nylon amarrado a borda com
cordão.
3) Colocar pesos sobre o plástico.
4) Período de cura: 48 horas.
5) lavagem na própria salmoura.
6) Secagem.
 vantagens - é a mais recomendada, pois possui as vantagens das
duas salgas anteriores
 Recomendação - Peixes magros e/ou gordos

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FLUXOGRAMA

(Salga Mista)

Captura

Lavagem

Retirada das vísceras

Retirada das escamas (opcional)

Retirada das guelras

Espalmar

Cortes longitudinais internos

Salga (1kg de sal p/3kg de peixe)

Período de cura - 48 horas

Secagem ao sol - 8 horas

Armazenamento

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d) Salga Rápida

Processo de Salga Rápida para Peixe

1 – Moagem de carne com adição simultânea de sal.


Objetivo – aumentar a penetração de sal no músculo, pelo
aumento da área superficial de contato entre sal e carne e
decréscimo da espessura requerida para difusão do sal.
2 – Agitação adicional do produto salgado.
Objetivo – a mistura adicional de sal no músculo assegura uma
distribuição uniforme do sal.
3 – Aplicação de uma pressão de 2000 lb/pol 2, ou mais, para remover água
e formar os bolos.
4 – Secagem natural ou artificial dos bolos.
Objetivo – reduzir a atividade de água do produto, diminuindo assim a
possibilidade de ataque bacteriano.

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F L U X O G R A M A GERAL

Captura do Pescado

Transporte
P– 1
Evisceração
guelras; sangue; visceras
Lavagem

Escamação
escamas
Retirada da cabeça
cabeça
Descouragem
couro
Filetagem
ossos; nadadeiras
Lavagem

Trituração
P-2
Mistura

Prensagem
P-3
Secagem
P-4
Embalagem

Estocagem

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8.3.8.3 Como Salgar Peixe

(Orientação para pescadores)

Peixe bem salgado, VALE DINHEIRO!

Faça assim:

1 - Lave todo o peixe trazido da pescaria.


2 – Escolha somente peixe bom:
a) guelras vermelhas;
b) olhos, pele e escamas brilhantes;
c) carne consistente e elástico; e
d) cheiro característico.
3 – Abra o peixe pela espinha (escalado) ou pela barriga, como achar melhor.
4 – Retire do peixe: tripas, guelras, ovas, gorduras e sangue.
5 – Lave o peixe aberto, muito bem lavado, com água do açude ou do pote.
6 – Dê cortes nas carnes grossas do peixe já aberto.
7 – Use sal bom, na quantidade de 1 kg para 3 kg de peixe.
8 – Sal ruim deve ser esterilizado.
9 – Deixe curar o peixe na caixa de madeira à prova de mosca.
10 – Bote para secar ao sol depois de um dia.

8.3.9 Marinagem (Picles)

Os microorganismos quando se encontram em meio ácido têm suas


atividades prejudicadas, então a “marinagem” resume-se na adição de ácidos
orgânicos (vinagre) ao pescado, bloqueando a reprodução dos microorganismos e
impedindo as atividades enzimáticas.
Neste processo pode-se usar pescado de pequeno tamanho ou em
postas, cru ou pré-cozido.
Os pescados descamados e eviscerados devem ser lavados em água
corrente e feito um branqueamento (a carne tem que ficar firme). Colocá-los numa
vasilha de plástico e cobrí-los com uma solução de sal (8%) e vinagre (3%). O
vinagre que usamos tem uma concentração de 4%, então torna-se necessário
fazer uma diluição para obter-se a concentração desejada, ficando a solução com
3 partes de vinagre e 1 parte de água.
A proporção do pescado/solução é 1,0 : 1,2 e a duração da fermentação
chega a 60 - 72 horas na temperatura de 6 - 10oC (geladeira).
A fermentação da cebola é feita em outra vasilha, porém uma solução
diluída, sendo 1,5% de vinagre e 3% de sal. A duração é de um dia, assim, a
fermentação do pescado começa dois dias antes da fermentação da cebola.
No terceiro dia da fermentação do pescado, junta-se o pescado e a
cebola numa vasilha de vidro, na proporção de pescado/cebola, 2 :1. O espaço
restante é preenchido com uma solução conservante que contém 2% de vinagre,
3% de sal e 3,5% de açúcar. Antes de fechar hermeticamente o vidro, colocar uma
folha de louro e 4 - 5 sementes de pimenta-do-reino para dar mais sabor.

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TECNOLOGIA DE PRODUÇÃO

Descamação

Evisceração

Lavagem em água corrente

Corte

Salmouragem

Repouso

Defumação

Esfriamento

Embalagem

Armazenamento

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O processo tem três etapas:

 Salmouragem: O pescado deve ficar numa salmoura de 6 - 8% durante 18 -


20 horas, na temperatura de 10 - 15oC. O tempo varia de acordo com o
tamanho do peixe e pode ser salmourado nas seguintes formas: cortar ao
meio (escalado), filé ou postas. Para melhorar o sabor, acrescenta-se folha
de louro e pimenta-de-reino.

 Repouso: Depois da salmouragem, coloca-se o pescado numa tela, durante


20 minutos, para retirar o excesso da salmoura.

 Defumação: Após o repouso o pescado vai para a câmara do defumador


(Fig.1), um período de 4 - 5 horas, dependendo do tamanho e forma. A
temperatura deve ficar na faixa de 40 - 45oC (defumação semi-fria). Este tipo
de defumação é a mais prática para o clima tropical. A serragem deve estar
seca não conter resina. Recomenda-se virar o pescado de hora em hora, a
fim de obter um bom aspecto. Depois de frio, o pescado defumado pode ser
embalado em papel impermeável ou colocado numa bandeja de isopor e
coberto com filme plástico. O armazenamento deve ser realizado numa
temperatura de 0 a 5oC, mantendo a sua qualidade até 40 dias.

8.3.10 Almôndega e Fishburger

Almôndega ou bolinha de peixe tem um custo de produção baixa, sendo a


carpa muito adequada para este fim.

Depois de removido o couro de peixe, fileta-se. O filé deve ser passado


num moedor de carne e depois misturado aos outros ingredientes (Fluxograma).
Há uma opção de se preparar uma pasta-base de peixe, onde se
conserva embrulhada em plástico e sob refrigeração, até sua utilização.

O filé de peixe é triturado, colacado em água gelada com carbonato de


cálcio; espera-se alguns minutos e passa-se a carne moída numa peneira,
pressionando para retirar o excesso de água. Após esse processo empacotar em
saco plástico e levar para refrigeração.

Quando for fazer as almôndegas – fishburger, abrir a pasta-base,


adicionar os ingredientes e formatar.

É recomendado, antes de embalar, colocar as almôndegas no freezer.

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FLUXOGRAMA DE PRODUÇÃO

Descamação

Evisceração

Lavagem em água corrente

Separação do couro

Filetagem

Pré-cozimento (somente nas almôndegas)

Trituração

Mistura dos ingredientes

Homogeneização

Formação

Empanamento

Embalagem

Armazenamento

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Receita para 1kg de almôndega ou fishburger é a seguinte:

Pescado pré-cozido moído 600g


Proteína de soja cozida e triturada 200g
Farinha de mandioca (opcional) ¾ xícara (chá)
Água gelada ¼ xícara (chá)
Óleo vegetal 2 colheres (sopa)
Sal 2 colheres (sopa)
Alho 6 dentes
Pimenta-do-reino 1 colher (chá)
Orégano 1 colher (sopa)

A homogeneização deve ser feita num multiprocessador.


A formação do produto pode ser manual ou através de uma formadora
automática de almôndega e hamburger.

Almôndega........................................... 20 - 30g
.Fishburger...................................... 50 - 60g

Os produtos devem ser empanados com farinha de rosca ou mandioca.


Armazenamento: congelado sob temperatura entre –10 ºC a – 18 ºC.
Validade: até três meses.
Obs.: A farinha de mandioca pode ser substituída pela farinha de
trigo, neste caso o produto final não precisa se empanado.
Receita do kibe:
Pescado moído 500g
Trigo para kibe 200g
Água gelada ¼ xícara (chá)
Óleo vegetal........ 2 colheres (sopa)
Sal..................... 2 colheres (sopa)
Alho .......................... 6 dentes
Pimenta-do-reino 1 colher (chá)
Orégano................... 1 colher (sopa)
Hortelã..................... a gosto

Deixar o trigo de molho por 1 hora. Retirar a água do trigo, misturar aos
ingredientes e passar no moinho.
Molda-se o kibe numa formadora automática ou manual (30 - 40g).
Embalagem: caixa de cartolina enrolada com papel manteiga ou em
bandeja de isopor revestida com filme plástico.
Armazenamento: congelado com a temperatura de - 10 º C até -
18ºC.Período: até 3 meses.

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8.3.11 Produtos Embutidos

8.3.11.1 Lingüiça

O filé de pescado deve ser moído e misturado aos outros ingredientes.

Receita para 1kg do produto:

Pescado moído 810g


Óleo vegetal... 4 colheres (sopa)
Água gelada. ¼ xícara (chá)
Colorau 5 colheres (sopa)
Sal 2 colheres (sopa)
Alho 6 dentes
Pimenta-do-reino moída 1 colher (chá)
Molho de pimenta 1 colher (sopa)
Obs.: Se o colorau tiver sal, diminuir o sal da receita.

Após a mistura, encher a tripa com uma máquina embutidora


(ensacadeira tipo (WANKE). A tripa pode ser natural ou sintética. Usamos a tripa
seca de boi, com diâmetro de 30 - 35mm e para se fazer 1kg de lingüiça necessita-
se de 75 - 80cm de tripa, a qual precisa ser molhada antes do embutimento. Pode-
se embutir tripa fina de 22 a 26 mm.
Para melhor qualidade do produto, levar a massa preparada e bem
comprimida numa vasilha de plástico, para uma câmara fria por 12 horas. Embutir.
A forma de lingüiça pode ser redonda ou semi-circular, podendo o peso
variar de 500 - 550g; depois de embutida, recomenda-se fazer uns furos na lingüiça,
com uma agulha fina.
Armazenamento: 0 - 5ºC, produto mantém a qualidade até uma semana.
A lingüiça pode também ser defumada numa temperatura de 50ºC e
mantém a qualidade até um mês (0 - 5ºC).
Embalagem: Bandeja com filme plástico.

Obs.: Para degustar, dar um pré-cozimento nas lingüiças e fritar


cortadas em rodelas.

8.3.11.2 Salsicha

Receita para 1 kg do produto:

Pescado moído 600g


Proteína de soja cozida.. 250g
Óleo vegetal 5 colheres (sopa)
Água gelada 5 colheres (sopa)
Colorau 3 colheres (sopa)
Sal. 3 colheres (sopa)
Pimenta-do-reino moída 1 colher (chá)
Orégano 1 colher (sopa).
Obs.: Se o colorau tiver sal, diminuir o sal da receita.

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Após a mistura, o material tem que ser homogeneizado. O processo de


embutimento é semelhante ao da lingüiça, diferenciando o tipo de tripa e o funil que
são mais finos. A tripa pode ser sintética ou de carneiro. O tamanho varia de 10 a
14cm.
Antes do armazenamento, a salsicha deve ser pré-cozida ou
pasteurizada, mantendo a qualidade até 14 dias, numa temperatura de 0 - 5ºC.

FLUXOGRAMA DE PRODUTO
(Lingüiça e Salsicha)

Descamação

Evisceração

Lavagem em água corrente

Separação do couro

Filetagem

Mistura dos ingredientes

Homogeneização

Embutimento

Linguiça In natura Salsicha


Defumada
Pasteurização

Embalagem

Armazenamento

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8.3.11.3 Presunto

O filé deve ser cortado em pedaços de 4 a 6cm e salmourado durante 24


horas na temperatura de 7 - 10ºC. A salmoura deve conter 5% de sal, 2% de
tempero completo e 0,6% de corante artificial (WEMA). A proporção
pescado/salmoura - é 1:1,5. Depois da salmoura, o pescado precisa ser cozido
durante 20 minutos na temperatura de 80 - 85ºC. (A carne tem que ficar firme).
O pescado ainda quente deve ser colocado num saco plástico misturado
com gelatina natural (sem sabor), 4% do peso do pescado. Dar uns pequenos furos
no saco e colocar numa prensa (utilizada na indústria alimentícia). Depois de frio,
guardar o produto na geladeira durante 10 - 12 horas. Retirado da prensa, o
presunto deve ser embalado em folha de alumínio e armazenado na temperatura de
0 - 5ºC, garantindo a sua qualidade até 1 mês.

FLUXOGRAMA DA FABRICAÇÃO DE PRESUNTO

Descamação

Evisceração

Lavagem em água corrente

Filetagem e corte

Salmouragem

Prensagem

Esfriamento

Embalagem

Armazenamento

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8.3.11.4 Produtos Cremosos

Após a retirada do filé, o que sobra do pescado (carcaça), será


aproveitada para a elaboração dos produtos cremosos (patê) e concentrado
(tablete).

A carcaça do pescado é cozido durante 20 minutos; depois de cozida,


separa-se os ossos e espinhas, isto pode ser feito manualmente ou através do
separador de ossos.

8.3.11.5 Patê de pescado:

A parte obtida deve ser misturada aos ingredientes, de acordo com a receita
seguinte, obtendo-se um patê.

Pasta de pescado cozido............................. 830g


Mostarda...................................................... 4 colheres (sopa)
Água............................................................ 3 colheres (sopa)
Colorau........................................................ 1 colheres (sopa)
Alho............................................................. 4 dentes
Sal............................................................... 2 colheres (sopa)
Pimenta-do-reino moída.............................. 1 colher (chá)
Orégano....................................................... 1 colher (sopa).

A homogeneização deve ser feita num multiprocessador durante 2 - 3


minutos. O patê pode ser guardado em copos plásticos ou vidros, armazenado na
geladeira (0 - 5ºC) até uma semana.

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FLUXOGRAMA DE PRODUÇÃO DO PATÊ

Cabeça e resto de filetagem

Cozimento

Separação de ossos e espinhas

Mistura dos ingredientes

Homogeneização

Enchimento das vasilhas

Embalagem

Esterilização (no caso de latas)

Armazenamento

8.3.11.6 Tablete de caldo de pescado:

A elaboração da pasta de pescado é igual a do patê. Esta pasta cozida é


então misturada aos ingredientes da receita:
Pasta de pescado cozido............................. 540g
Sal............................................................... ¾ xícara (chá)
Cebola triturada.......................................... 150g
Colorau....................................................... 3 colheres (sopa)
Alho............................................................ 50g
Polpa de tomate.......................................... 4 colheres (sopa)
Pimenta-do-reino moída............................ 2 colher (sopa)
Farinha de mandioca.................................. ¼ xícara (chá).
O tempo de homogeneização é de 5 minutos. Após esta operação formar
cubos de 40g (cuba para gelo). A secagem pode ser feita em estufa (24 horas em
60ºC) ou no sol (2 - 3 dias). O peso do tablete seco é aproximadamente 20g.
A embalagem recomendada é o papel alumínio; não precisa de
armazenamento especial, podendo ser guardado até um ano em temperatura
ambiente.
Para utilizar basta dissolver um tablete em ½ litro de água fervente ou
usar em peixada.
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FLUXOGRAMA DE PRODUÇÃO DO TABLETE

Cabeça e resto de filetagem

Cozimento

Separação de ossos e espinhas

Mistura com os ingredientes

Pré-secagem

Formação de tabletes

Secagem no sol ou estufa

Embalagem

Armazenamento

Conservas Completas

A tecnologia destas conservas baseia-se no efeito conservante do óleo


vegetal e da esterilização, aproveitando pescados e crustáceos de pequenos portes,
por exemplo, pescadinha, sobras de tilápia sexada e camarão canela.
Os peixes limpos e os camarões descascados são salgados e fritos em
óleo vegetal (soja ou milho) e alho durante 5 minutos, numa temperatura de 180ºC.
Após a fritura, colocar os peixes ou camarões em vidro com tampa de metal ou
latas. O espaço livre da vasilha deve ser preenchido com óleo vegetal quente
(65ºC). Para melhorar o sabor adicionar molho de pimenta no óleo na proporção de
0,5%, uma folha de louro e 3 - 4 sementes de pimenta-do-reino. Após o fechamento
começa a esterilização. Este tratamento do calor deve ser feito em autoclave de
pressão (50 - 60 minutos na temperatura de 115 - 120ºC).

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Quando a embalagem for lata, o aquecimento e o resfriamento deve ser


gradual (25 - 30 minutos) para evitar danificação. O produto esterilizado mantém a
qualidade até 2 anos.

Este tipo de conserva pode ser feita também com peixe defumado; o
produto é muito valorizado e aumenta a rentabilidade de peixes pequenos.

FLUXOGRAMA DE CONSERVA

Descamação

Evisceração

Decapitação

Salga Salmoura

Fritura Defumação

Enchimento com óleo

Enlatamento

Esterilização

Embalagem

Armazenamento

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Aproveitamento de peixes pequenos e das aparas da filetagem

 Peixes pequenos são aproveitados para fazer conserva (tipo sardinha)

TÉCNICA DA SARDINHA

Ingredientes:

3 kg de peixe (pequeno) já pronto sem cabeça e barbatanas


2 copos de água
1 copo de óleo
1 copo de vinagre

Modo de preparar:

Arrume o peixe já salgado (salmoura) na panela de pressão e depois


coloque os outros ingredientes, sem mexer com o peixe. Se quiser pode colocar
pimenta, alho, molho inglês, etc.
Deixar em fogo baixo por 2 h e meia a 3 horas (após pegar pressão) para
cozinhar.
Pode temperar macarrão, fazer com malassada, etc.
As aparas de peixe resultante da filetagem são aproveitadas para fazer
petiscos que podem ser degustados como tira gosto ou com molho tártaro.

Filetinhos de peixe

Ingredientes

Aparas (carne) da filetagem


Tempero completo (a gosto)
suco de limão
Amido de milho para empanar
Cheiro verde
Óleo para fritar.

Modo de fazer

Misturar às aparas o suco de limão e o tempero, colocar em uma vasilha


plástica tampada por um período de 10 minutos; passar os filetinhos em amido de
milho e fritar em óleo quente; acrescentar o cheiro verde picado por cima. Servir
logo após.

Observações:

1) O controle de qualidade começa com o material básico e termina com o produto


final, passando pelo controle de higiene e microbiologia.

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2) Existem produtos químicos que podem ser adicionados ao pescado, conservando


a sua qualidade por mais tempo; impedem as reações enzimáticas e oxidação
nas conservas. A adição tem que ser em baixa concentração (0, 01- 0,2%).

TAMPA

BANDEJA
DOS PEIXES

FILTRO DE
FUMAÇA

ESPAÇO
DO FOGO

90 cm 1,20
1,40cm

Figura 1 - Defumador

116
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8.4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERAQUET, N. J. - Peixe Salgado e Seco: Um Processo Rápido de Salga.


Boletim Téc. de Alimentação, 37 p., 1974.

SZATHMARI, L. - Manual de Beneficiamento dos Pescados e Crustáceos de


Água Doce. Convênio DNOCS/AGROBER, Fortaleza-CE, 58 p., 1992.

BERBERIAN, A. - Valor Nutritivo das Proteínas do Pescado. Eq. Jorn., nº 36,


São Paulo, 11 p. 1970.

TABELAS DE EQUIVALÊNCIAS

LÍQUIDOS

1 xícara (chá) de água.................................................................. = 200ml


¼ xícara (chá) de água................................................................. = 50ml
1 colher (sopa) de óleo.................................................................. = 12ml
½ colher (chá) de molho de pimenta............................................. = 2ml

SÓLIDOS

PESO EM MEDIDAS EM XÍCARA


INGREDIENTES GRAMAS (NIVELADAS) OU COLHER
Sal..................................... 10 1 colher (sopa) rasa
Farinha de mandioca........ 90 ¾ xícara (chá)
Açúcar............................... 13 1 colher (sopa) rasa
Farinha de trigo................. 11 1 colher (sopa) rasa
Pimenta do reino moída.... 3 1 colher (chá) rasa
Orégano............................ 2 1 colher (sopa) cheia
Alho................................... 15 1 colher (sopa) cheia
Colorau............................. 8 1 colher (sopa) rasa

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9 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS E DEMANDA D’ÁGUA EM


PISCICULTURA
José Hilton Sobrinho de Moura
o
Eng de Pesca - Especialista em Aquicultura

9.1 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS

9.1.1 SELEÇÃO DA ÁREA


Para implantação de um projeto de piscicultura devem-se analisar
previamente os fatores que possam interferir na viabilidade e otimização do
empreendimento. Tais fatores referem-se principalmente à topografia da área, tipo
de solo, avaliação quantitativa e qualitativa da água, e dados metereológicos
(temperatura, pluviometria, evaporação, umidade do ar e intensidade dos ventos).

9.1.1.1 Topografia

Este é um fator determinante na viabilidade economico-financeira do


empreendimento , no que se refere a trabalhos de movimento de terra. Áreas com
suave declividade de até 2% (desnível de 2,0m a cada 100,0m) permitem
minimização de custos de corte e aterro nos serviços de terraplanagem. Áreas com
declividade acima de 5% oneram substancialmente o custo do projeto, embora
possam ser construídos viveiros em forma de platôs (figura 1).
Outro importante fator é a diferença de nível entre as cotas de captação
d’água e do local de implantação dos viveiros, sendo ideal quando há condições de
abastecimento por gravidade.

9.1.1.2 Tipologia do Solo

9.1.1.2.1 Textura

O solo é composto de partículas orgânicas resultantes da decomposição


de animais e vegetais, e partículas minerais (argila, silte, areia e cascalho).
Os solos orgânicos encontram-se nas camadas superficiais, com
profundidade de 30 a 40 centímetros, e são ricos em nutrientes. Entretanto os solos
turfosos, sub-tipo de solo orgânico, com cerca de 80% de matéria orgânica em
decomposição, encontram-se em locais poucos drenados, como vales fluviais ou
áreas pantanosas, podem atingir alguns metros de profundidade. Estes são
altamente permeáveis não se prestando para piscicultura.
Os solos minerais, formados de partículas rochosas existentes no local
(residuais) ou transportadas pelo vento e água (sedimentares), apresentam
granulometria diversificada:

118
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Pedregulho - Partículas com diâmetro acima de 7,6mm


Cascalho - Partículas com diâmetro entre 7,6mm e 4,8mm
Areia Grossa - Partículas com diâmetro entre 4,8mm e 2,0mm
Areia - Partículas com diâmetro entre 2,0mm e 0,05mm
Silte - Partículas com diâmetro entre 0,05mm e 0,005mm
Argila - Partículas com diâmetro inferior a 0,005mm

9.1.1.2.2 Permeabilidade

Também é um forte determinante no custo de construção de projetos de


piscicultura. Solos com teor superior a 35% de argila são os que apresentam
características técnicas adequadas para a construção de viveiros, evitando gastos
adicionais com recapeamento (impermeabilização) e repleção.
Solos com teores acima de 50% de areia são considerados impróprios
para a construção de viveiros.
Testes práticos podem servir de indícios para percepção da textura e
permeabilidade dos solos:

 Pedregulho e cascalho - Facilmente identificáveis pelo maior tamanho das


partículas.
 Areia - Absorve água rapidamente e não se torna aderente.
 Silte - Apresenta-se como pequenas partículas não aderentes quando
umedecidas e racham quando submetidas à secagem.
 Argila - Absorve água lentamente, torna-se aderente e de fácil modelagem
quando umedecida e apresenta rachaduras ao perder a umidade.

Na elaboração de grandes projetos é indispensável que as amostras de


solos sejam levadas a laboratório para identificação detalhada da sua composição
física e química.
Durante a coleta de amostras faz-se necessário investigar o subsolo até
uma profundidade de 2,0 m, através de tradagem, com a finalidade de identificar a
presença de perfis pedológicos satisfatórios e se não há rochas em afloramento que
venham dificultar as escavações dos viveiros.
A coleta de amostras deve ser realizada com distância máxima de 20,0 m
entre dois pontos, abrangendo toda área de construção.

9.1.1.3 Química do Solo

A profundidade primária de um viveiro está intimamente relacionada com


as riquezas minerais do solo, que deve ter em sua composição íons metálicos como
N, P, K, Ca, Na e Mg, os quais são fontes de alimentação para o fitoplancton e
bactérias fotossintetizadoras. Solos com teores de Al+++ e Fe++ acima de 1 ppm
(1mg/l) devem ser evitados.
O pH do solo deve estar próximo da neutralidade, isto é, entre 6,5 e 8,0.
Solos de fundo de viveiros que apresentam pH ácido devem ser corrigidos através
de calagem.

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pH do solo Calcário (kg/ha)

6,7 - 7,0 1.500


5,0 - 6,0 2.000
Menor que 5,0 4.000

A carência de íons metálicos pode ser corrigida através da prática de


adubação.

9.1.1.4 Recursos Hídricos

9.1.1.4.1 Avaliação Quantitativa

Para um bom desempenho em piscicultura é essencial o correto


dimencionamento do manancial que irá abastecer os viveiros, suprindo suas perdas
por evaporação, infiltração e renovação. Para regiões tropicais críticas, onde está
inserido o semi-árido nordestino, a evaporação pode chegar a 25,0mm de coluna
d’água por dia, necessitando para tanto uma vazão de reposição da ordem
de 3,0 l/s. Para essas regiões admite-se como sufuciente um manancial com vazão
de 8,0 a 10,0 l/s.
Desta forma, o consumo mínimo de água para um viveiro de 1,0 ha com
profundidade média de 1,0 m, sem utilizar renovação, será de 104.900 m 3/ano,
sendo:

Repleção (única vez por ano)................................................................... 10.000 m3


Evaporação (25,0mm/dia).......... 250 m 3/dia x 365 dias........................... 91.250 m 3
Infiltração (0,1 l/s) ...................... 10 m 3/dia x 365 dias........................... 3.650 m3
Consumo total .........................................................................................104.900 m 3

É recomendável que o tempo de enchimento de um viveiro não seja


superior a 72,0 horas. Portanto, no dimensionamento de canais ou bombas de
sucção para 1,0 ha de viveiros, a vazão deve situar-se em torno de 40,0 l/s ou 140
m3/hora.

9.1.1.4.2 Avaliação Qualitativa

É imprescindível o conhecimento das características físico-químicas da água


de abastecimento dos viveiros, tais como:

a) Temperatura - Exerce forte influência sobre a reprodução, crescimento,


alimentação e sobrevivência dos peixes. Cada espécie tem uma faixa
limítrofe para seu conforto fisiológico. Temperaturas elevadas propiciam uma
boa produtividade natural, até o limite de 32 oC. Para a maioria das espécies
tropicais temperaturas abaixo de 20oC, inibem o crescimento e a reprodução.

b) Transparência/cor - A penetração de luminosidade na água do viveiro é fator


determinante na produtividade primária, pois é da luz que o fitoplancton e
120
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bactérias retiram energia para a fotossíntese. Portanto, quanto maior a


transparência, maior será a camada onde se processará a produção
orgânica. De maneira prática, pode-se dizer que a água de viveiros apresenta
boa produtividade quando sua transparência está entre 20 e 60cm, sendo
melhor no limite inferior. Ressalta-se que águas com pequenas
transparências, causada pelo turbidez de partículas em suspensão, não são
adequadas para a piscicultura. A adubação orgânica pode ser utilizada para
decantação dessas partículas.

c) Parâmetros Químicos - É importante a presença de elementos químicos na


água do viveiro. O nitrogênio, fósforo, cálcio, magnésio, enxofre e potássio
são necessários para cadeia alimentar. Outros elementos como cobre,
cromo, níquel, alumínio, manganês, ferro e zinco são aceitáveis, entretanto
quando em concentrações elevadas são tóxicos para os peixes. A seguir são
relacionados alguns parâmetros desejáveis na qualidade da água.

Parâmetro Nível desejado


PH 5a9
Alcalinidade 48 a 200 mg/l (CaCO3)
Dureza acima de 15 mg/l (CaCO3)
O2 dissolvido acima de 4 mg/l
CO2 livre abaixo de 20 mg/l
Amônia abaixo de 0,5 mg/l
Gás sulfídrico abaixo de 1,0 mg/l
Metano abaixo de 0,5 mg/l
Ferro abaixo de 1,0 mg/l
Alumínio abaixo de 0,5 mg/l

9.1.2 CONSTRUÇÃO DE VIVEIROS


Um viveiro pode ser definido como uma coleção d’água que deve ser
manejada facilmente em sua repleção e drenagem, e se constitua em um meio
adequado para o conforto fisiológico dos peixes.
Podemos classificar os viveiros, conforme o sistema da tomada de água
e da forma de construção dos diques, em viveiros de barragem ou interceptação e
viveiros de derivação. (Fig. 2).

9.1.2.1 Viveiros de Barragem ou Interceptação

São coleções formadas pelo barramento transversal de um vale, para


represamento de um curso natural de água, onde normalmente não se controla o
fluxo do caudal de abastecimento.
Para a correta execução da obra deve-se levar em consideração a
sequência das etapas descritas a seguir:

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9.1.2.1.1 Levantamento Alti-Planimétrico

Estabelecer curvas de nível de 50cm em 50cm, com nível de mangueira


ou teodolito, e passar para o papel em escala de 1:1000. A análise da planta
fornecerá detalhes para elaboração do projeto.

9.1.2.1.2 Elaboração do Projeto

Neste deverão estar contidas informações precisas sobre localização da


barragem, fundação, altura, inclinação dos taludes, largura da saia e do
coroamento, volume do maciço, sistema de drenagem, sangradouro, água do
viveiro, altura da água e volume represado.

9.1.2.1.3 Limpeza da Área

Efetuar o desmatamento e destocamento, inclusive com retirada das


raizes, de toda a bacia hidráulica do viveiro.

9.1.2.1.4 Construção da Barragem

Para evitar infiltrações é necessário que o dique seja assentado em solo


firme. Para tanto faz-se mister a escavação e enchimento de uma fundação,
previamente determinada na elaboração do projeto. O enchimento deve ser feito
com solo argiloso umedecido, em camadas compactadas a cada 20 cm. A partir
deste ponto inicia-se a elevação do dique que tem os seguintes componentes (fig.
3).
 SAIA - Base maior do trapézio, assentada sobre a fundação. Sua largura
é diretamente proporcional a altura, largura do coroamento e inclinação
dos taludes do dique.
 COROAMENTO OU CRISTA - Parte mais elevada do dique (base
menor do trapézio). Se há necessidade de tráfego de veículos, deve ser
de 4,0 a 5,0 m.
 ALTURA - Diferença de nível entre a saia e a crista. Para efeito de
economicidade na construção e manejo do viveiro, esta não deve
ultrapassar os 3,0 metros.
 INCLINAÇÃO DOS TALUDES – Depende do material usado na
construção. Se este for argiloso, o talude de montante (parte molhada)
pode ser 2 : 1 e o de jusante (parte seca) 1,5 ou 1 : 1.

Após a regularização dos taludes, estes devem ser protegidos contra erosão
através do plantio de gramas em toda a extensão (parte seca).
A relação existente entre a superfície de um viveiro (m 2) e o volume de terra
movimentado (m3) para construí-lo, pode servir como indicador de sua viabilidade
econômica:

Relação Superfície/Volume (m2/m3) Viabilidade Econômica


3 Viveiros de alto custo, não recomendáveis
3 Construção satisfatória.
7 Local ideal para instalação de viveiros

122
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Ex.: Superfície do viveiro = 2.000 m2


Volume do maciço = 1.000 m2
m2/m3 = 2  inviável

9.1.2.1.5 Esvaziamento/Drenagem

O sistema de drenagem de viveiros de barragem apresenta muitas


variações (fig. 5a):
 Cano com rolha e registro;
 Cano com cotovelo fixo;
 Cano com cotovelo fixo de mangote;
 Comporta com cano ou galería; e
 Monge.

MONGE – Este mostra-se ser o sistema mais eficiente e seguro para


viveiros de barragem. Pode ser construído de madeira, alvenaría de tijolo ou
concreto. Suas dimensões dependem do volume e da altura da coluna d’água do
viveiro. O monge pode ser construído para escoamento da água de fundo e de
superfície (fig. 5b,c, d).

9.1.2.1.6 Sangradouro/Vertedouro

Durante o período de maior intensidade pluviométrica os viveiros de


barragem recebem um maior aporte de água oriunda de sua bacia hidrográfica ou
das fontes perenes que os abastecem. Há portanto, a necessidade de construção
do vertedouro para dar vazão aos excessoa e garantir a segurança da obra. Sua
localização deve ser uma das ombreiras com a largura um pouco superior a do
riacho ou regato que abastece o viveiro. Com isso tenta-se evitar a vazão de coluna
muita que permite a fuga dos peixes. Para prevenir essa fuga pode-se colocar no
sangradouro, uma tela com malha de 5,0 cm em forma de “V”, com vértice voltado
para dentro do viveiro, facilitando a limpeza durante enxurradas. Em grandes
viveiros a tela pode comprometer a segurança, em função do volume de água que
pode receber.

9.1.2.1.7 Regularização do Fundo

Para facilitar as operações de coleta dos peixes, o piso dos viveiros deve
ser regularizado e com fraco declive (1 a 2%) em direção ao sistema de drenagem.
Tal operação normalmente deve ser feita com motoniveladora.

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9.1.2.2 Viveiros de Derivação

São estruturas escavadas ou elevadas em terreno natural, com total


controle e facilidade de abastecimento e esvaziamento. A economicidade de
construção está na dependência da topografia do local, sendo ideal quando é
possível a combinação de escavação parcial e aproveitamento do material escavado
para elevação dos diques.
Os viveiros de derivação apresentam melhores condições de manejo
quando têm forma quadrada ou retangular e a largura não ultrapassa 50 metros.
A área do viveiro é a do espelho d’água e não aquela medida na crista
dos diques. Observe-se que quando mantemos a forma de um viveiro, se o seu
perímetro é duplicado sua área será quadruplicada, como por exemplo: um viveiro
retangular de 1.000 m2 com dimenções (20 x 50)m tem perímetro de 140 metros, se
duplicamos seu perímetro para 280 metros (40 x 100)m sua área será de 4.000 m 2.
Desta forma seria muito mais econômico construirmos o viveiro de 0,4 ha que 4
viveiros de 0,1 ha.
Após constatação de adequabilidade das condições de solo e água,
tecnicamente devem-se obedecer as etapas de construção descritas a seguir:

9.1.2.2.1 Levantamento Plani-Altimétrico

Destinado a fornecer dados para a análise de locação dos viveiros,


fixação das cotas de tomada d’água e drenagem, e dos custos de terraplanagem.

9.1.2.2.2 Elaboração do Projeto

Neste deverão estar presentes as plantas de situação dos viveiros e


demais instalações necessárias (prédios, estradas, etc.), plantas detalhadas (com
cortes) de todas instalações e estimativa econômica da obra.

9.1.2.2.3 Desmatamento e Limpeza

Retirada de árvores inclusive raízes até uma profundidade de 1,0 metro


abaixo do fundo do viveiro, para evitar futuras infiltrações.

9.1.2.2.4 Marcação dos Viveiros

Operação realizada com aparelhos de topografia (teodolito e mira) ou por


método prático com nível de mangueira para medir a declividade, três balizas para
indicar o alinhamento, linha de nylon e esquadro para medir os ângulos retos dos
cantos, estacas e piquetes para demarcar os viveiros, canais e drenos.

9.1.2.2.5 Escavação do Viveiro

Será realizada de acordo com o dimensionamento estabelecido no


projeto. Em pequenos viveiros a escavação poderá ser manual, viveiros médios e
grandes terão seu custo reduzido se a operação for realizada com máquinas (trator
de esteira, moto-scraper, pá-mecânica, caçamba, etc.).

124
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Como já foi dito anteriormente, os viveiros semi-escavados/ elevados


onde o material escavado é aproveitado na construção dos diques, são os mais
econômicos.
Se o viveiro está assentado sobre solos permeáveis, há necessidade de
uma impermeabilização com solo argiloso. Tal procedimento requer uma camada
compactada de 15 a 30 cm em todo o fundo e taludes internos do viveiro. Esta
prática pode elevar em até 50% o custo da obra, se o local de empréstimo do
material estiver muito distante.
O piso do viveiro deve ser bem regularizado e com declividade de 1% em
direção ao sistema de drenagem, para que não apresente poças e peixes fiquem alí
retidos durante o esvaziamento.

9.1.2.2.6 Elevação de Diques

Mesmo processo utilizado para os viveiros de barragem, contudo, não


havendo grande necessidade da fundação até o solo impermeável. A inclinação dos
taludes depende da natureza e material utilizado. Se este é de boa qualidade
(argiloso) a inclinação deve ser de 2:1 na parte interna e 1:1 na externa. A largura
do coroamento pode variar de 1,0m até 5,0m, caso haja necessidade de tráfego de
veículos para operações de carregamento de pescado ou alevinos e descarga de
insumos (cal, adubo, rações, etc.) A altura dos diques deve ser de 1,0m na parte
mais rasa até 2,0m na parte mais profunda, portanto a altura da coluna d’água deve
variar de 0,7 a 1,7m, permanecendo uma revanche de 0,3m entre a superfície da
água e a crista do dique.
Observe-se que nos viveiros onde se pretende utilizar aeradores, os
pontos de localizaçãp destes devem ser os mais profundos, a fim de evitar o
carreamento de partículas minerais do fundo para a coluna d’água, o que é
altamente prejudicial ao desenvolvimento dos organismos aquáticos.

9.1.2.2.7 Caixa de Coleta

Estrutura destinada a acumular a totalidade de peixes, por ocasião do


esvaziamento do viveiro. Pode ser localizada na parte interna ou externa do viveiro,
sendo construída em alvenaria de tijolo e revestimento com argamassa de cimento-
areia.
Quando interna constitui-se em um rebaixamento de 40 cm de piso do
viveiro na parte mais próxima do sistema de drenagem, com uma largura de 2,0m e
comprimento variando em função da quantidade de organismo cultivados. Em
viveiros de alevinagem ou onde se pretende a coleta de peixes vivos para
transporte, é imprescindível um sistema de renovação de água na própria caixa de
coleta, ficando este do lado oposto à drenagem. Nestas condições admite-se a
relação de 300 kg de peixes para cada 1,0 m 3 de caixa de coleta.
Quando externa, apresenta-se contígua a tubulação de drenagem, tendo
a mesma funcionalidade da caixa interna, porém com a vantagem de poder absorver
peixes de dois ou três viveiros. (fig. 6).

9.1.2.2.8 Sistema de Abastecimento

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Objetiva conduzir a água de uma fonte ao viveiro. As fontes de


abastecimento podem ser rios, riachos, lagos, vertentes, poços raso ou artesiano e
canais de irrigação. O sistema pode ser constituído de quatro partes distintas:

a) Tomada D’água Fonte/Canal – Se a fonte é uma nascente, riacho ou


canal, a captação pode ser feita por meio de tubulações (ferro, PVC, concreto, etc.)
ou comporta imersa. Esta é uma estrutura de alvenaria, revestida com argamassa
de cimento/areia e com duas ranhuras laterais onde se coloca uma comporta de
madeira, para controle da vazão. Situa-se contígua a lâmina d’água de fonte (fig. 7).
Quando a fonte é formada por rios ou poços, a tomada d’água é feita por
bombeamento.
Se a fonte é um açude ou lago, a tomada d’água é realizada por meio de
tubulação com tampão ou registro, galeria, sifão ou por bombeamento.

b) Canal de Abastecimento – Alimenta os viveiros a partir da tomada


d’água. Pode ter seção retangular, trapezoidal ou semi-circular. A construção é
realizada em alvenaria de tijolo ou pedra, concreto pré-fabricado ou moldado no
próprio local, assentamento de tubulações ou escavado em terreno natural.
Os canais de terra são pouco apropriados para piscicultura, pois além do
custo de manutenção, normalmente carreiam partículas minerais causando turbidez
e prejudicando o desenvolvimento dos peixes. Contudo, não havendo outra
alternativa viável, sua construção deve obedecer uma declividade de 0 a 0,05% e
uma velocidade máxima recomendável de 0,15 m/s. A forma deve ser trapezoidal,
com declividade de , no mínimo, 2:1 no talude interno, a fim de evitar maior erosão.
Os canais tabulados são constituídos de manilhas de concreto ou
cerâmica, PVC rígido, cimento amianto e mais raramente de ferro. Geralmente ficam
enterrados no solo.
Os canais de concreto de elevados custos, porém, os mais vantajosos
quanto à duração e gastos com manutenção. A forma é normalmente retangular ou
semi-circular, devendo ser assentados a uma declividade de até 0,1% e velocidade
recomendada de 1,0 m/s.
Os canais de alvenaria de tijolo ou pedra, revestidos com argamassa de
cimento-areia, podem ter paredes verticais ou inclinadas e obedecem as mesmas
recomendações quanto a declividade e velocidade da água, para os canais de
concreto.
No dimensionamento de canais é conveniente deixar 1/3 da altura como
borda livre de segurança.
O cálculo da vazão para canais a céu aberto é dado pela fórmula de
MANNING.

Q = 1/n. A. R1/2 . i1/2, onde


Q = Vazão em m3/s
n = Coeficiente de rugosidade
A = Área úmida em m2
R = Raio hidráulico em m
i = Declividade

Valores de n para canais de:

Terra n = 0,025

126
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Alvenaria n = 0,020 a 0,017


Concreto n = 0,013

Em canais retangulares a área úmida (A) é dada pela largura da base x


altura da lâmina d’água (A = b.h).

O raio hidráulico (R) é encontrado dividindo-se a área úmida pelo


perímetro úmido (P), sendo P = b +2h, portanto:
R = A/P ........ R= (b.h)/(b + 2h).

Segue-se o mesmo raciocínio para canais com seção trapezoidal.

Filtro – Estrutura localizada entre a tomada d’água e o canal de


abastecimento ou num ponto mediano deste, com a finalidade de retenção de
espécies indesejáveis em suas diversas fases de vida (ovo, larva, alevino ou adulto).
É normalmente construído em alvenaria de tijolo revestido, e apresenta três
compartimentos, A parte central é elevada em alvenaria de tijolo furado, sem
revestimento, e preenchido com brita nº 1 ou 2. Suas dimensões variam de acordo
com a vazão desejada. (fig. 8).

d) Tomada D’água Canal/Viveiro – Constituída de tubulação de plástico


PVC, cimento amianto ou concreto, com diâmetro variando com a área do viveiro.
A tubulação deve sair de uma caixa de distribuição perpendicular ao canal, tendo
esta duas ranhuras em cada lado para colocação de uma comporta de madeira
reguladora de fluxo (no caso do canal abastecer mais de um viveiro) e uma grade
telada para impedir a circulação de peixes do viveiro para o canal ou vice-versa.
Também para este fim, garantindo maior segurança, a tubulação deve ficar a30 cm
acima do nível da água do viveiro.

e) Sistema de Drenagem – Para escoamento dos viveiros de derivação os


métodos mais utilizados são: tubulação com tampão (pequenos viveiros), cotovelos
rígidos ou flexíveis, podendo ser internos ou externo, e os monges de escoamento
de superfície ou de fundo. Todos obedecem as mesmas características descritas
para os viveiros de barragem.
O dimensionamento de um monge para escoamento total de um viveiro
está relacionado com a seção transversal da tubulação (diâmetro do tubo), volume
do viveiro e tempo desejado para o esvaziamento. O cálculo é dado pela expressão:

Q = C . S  gh, onde:
Q = vazão em m3/s
C = coeficiente de descarga, considerar C = 0,88
S = área da seção transversal (m2) = r2, r = raio
g = aceleração da gravidade (m/s) = 9,81 m/s
h = altura da coluna d’água na boca do tubo (m)

Se desejarmos esvaziar um viveiro com volume de 10.000 metros


cúbicos, com 1,5m de coluna d’água, em 10 horas, teremos os seguintes cálculos:

Q = volume = 10.000 m3  Q = 0,277 m3/s


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Tempo 36.000 s
0,277 m3/s = 0,88 . S .  2 x 9,81 x 1,5 ; S = 0,0581 m 2

S = r2 0,0581 = 3,14 . r2 r = 0,15 m

Portanto, se o raio é de 0,15 m, o diâmetro da tubulação desejada será


de 30 centímetros ou 12 polegadas.
Recomenda-se a tabela abaixo para instalação de tubos de descarga em
viveiros:

Área do Viveiro (m2) Diâmetro do Tubo (cm)


 400 10 a 15
400 a 1.200 15 a 20
1.200 a 5.000 20 a 30
5.000 a 20.0000 30 a 40

O destino da água de drenagem do viveiro pode ser uma baixada natural,


onde poderá haver reaproveitamento na irrigação de culturais, ou um rio, lago, etc.
Portanto, esta é uma importante característica na escolha inicial da área.
Na ausência de condições naturais é necessária a construção de um
dreno artificial, que pode ser escavado em terreno natural, com ou sem
revestimento, ou instalado através de tubulação subterrânea.
Quando abertos, os drenos apresentam forma trapezoidal e a inclinação
dos taludes deverá ser no mínimo de 2:1 naqueles sem revestimento e de 1:1 nos
revestidos (pedra, lajota, etc.).
Os drenos fechados constituídos por tubos de PVC, concreto, cimento-
amianto, etc., devem ter diâmetros que comportem a vazão máxima dos viveiros.

9.1.3 DEMANDA D’ÁGUA EM VIVEIROS DE PISCICULTURA

A demanda d’água em viveiros de piscicultura está na dependência direta


de quatro componentes:

1. Composição física de solo, onde a infiltração é componente de consumo;


2. Fatores meteorológicos, tais como ventos e insolação, sendo estes
responsáveis pelas perdas por evaporação, e a pluviosidade atuando
como fonte de reposição;
3. Sistema de cultivo: com alto fluxo (raceways), baixo fluxo ou estático; e
4. Produto de cultivado: pescado ou alevino. Quando a finalidade é produção
de alevinos, invariavelmente teremos várias repleções e descargas
durante o ano.

Desta forma, o balanço hídrico para viveiros de piscicultura pode ser


analisado pela seguinte equação:

Vd = (Vrv – Vp) + (Vev + Vinf + Vre)) onde:

Vd = volume de demanda total


Vrv = volume de repleção do viveiro = área x profundidade média
Vp = volume pluviométrico = área x pluviosidade do período
128
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Vev = volume de evaporação = área x evaporação


Vinf = volume de infiltração = área x infiltração
Vre = volume de renovação.

Em regiões tropicais de clima moderado podemos atribuir uma taxa de


evaporação entre 5 e 10 mm/dia, sendo que para regiões críticas, essa taxa poderá
elevar-se até até 25 mm/dia de coluna d’água evaporada
Viveiros construídos em solos argilosos poderão apresentar infiltração,
considerada normal, entre 1 a 2 mm de coluna d’água em viveiros, consideremos 02
situações:

SITUAÇÃO I

Cultivo anual realizado em viveiro de 1,0 ha , com profundidade média de


1,0m, localizado em uma região com lâmina de evaporação de 25 mm/dia, solo com
infiltração de 1 mm/dia, pluviosidade anual de 450 mm. Em virtude de escassez de
recursos hídricos, o sistema será estático, havendo somente reposição das perdas.

Vd = (Vrv – Vp) + (Vev + Vinf + Vre)) onde:

Vrv = 10.000 m2 x 1,0 m Vrv = 10.000 m3


Vp = 10.000 m2 x 0,450 m Vp = 4.500 m3
Vev = 10.000 m2 x 0,025 m x 365 dias = 91.250 m3
Vinf = 10.000 m2 x 0,001 m x 365 dias = 3.650 m3
Vre = 0
Vd = (10.000 m2 x 4.500 m3) + (91.250 m3 x 3.650 m3)

Vd = 100.400 m3/ano

SITUAÇÃO II

Cultivo quadrimestral em viveiro de 2.000 m 2, profundidade média de


1,0m, lâmina de 12 mm/dia, lâmina de infiltração de 2 mm/dia e fluxo de renovação
de 2,0 1/s, não houve pluviosidade no período.

Vd = (Vrv – Vp) + (Vev + Vinf + Vre)) onde:


2 3
Vrv = 2.000 m x 1,0 m = 2.000 m
Vp = 0
Vev = 2.000 m2 x 0,012 m x 120 dias = 2.880 m3
Vinf = 2.000 m2 x 0,02 m x 120 dias = 480 m3
Vre = 2,0 l/s x 120 dias Vre = 172,8/dia x 120 dias Vre = 20.736m3
Vd = 2.000 m3 x 2.880 m3 + 480 m3 x 20.736 m3

Vd = 26.096 m3/4 meses

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DIMENSIONAMENTO DE CANAIS

N.A
Borda livre V

H = 0,40 m

H = 0,25 m

b = 0,30 cm

FÓRMULA DE BRZIN = V = 87  RH.I, onde:


1+ 
 RH
V = velocidade em m/s
 = coeficiente de atrito e  = 0,40 para canal de concreto
I = declividade em m/m, neste exemplo I = 0,5% ou 0,005 m/m
RH = Raio hidráulico, em m
RH = Su , Su = área úmida e Pu = perímetro úmido
Pu

Para canal de secção retangular, Su = b.h Su = 0,30 x 0,25 = 0,075 m2

Pu = b+2h Pu = 0,30+2 x 0,25 = 0,80m

RH = b.h Rh = 0,75 = 0,094m


B+2h 0,80

V = 87  0,094.0,005 V = 87 .  0,00047
1 + 0,40 1 + 0,40
 0,094 0,30

V = 87 . 0,02 V = 0,74 m/s


1+1,333

Q = V . Su Q = 0,74m/s x 0,075 m2 = 0,0555 m3/s = 55,51/s

B = 0,70 m

N.A Borda livre = 0,15m


V

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h = 0,25m I =
0,005m/m
 = 0,40

z = 0,20m b = 0,30m z = 0,20m

Para canal de secção trapezoidas:

Su = b+B . h Su = 0,30 x 0,70 . 0,25 Su = 0,125 m2


2
Pu = b+2a Pu = 0,30 + 2 x 0,32 Pu = 0,94 m
RH = Su RH = 0,125 m2 RH = 1,1329
Pu 0,94m

V = 87 .  RH.I
1+
 RH

V = 87  0,1329 x 0,005 V= 87 . 0,0257


1+0,40 1 + 1,099
 0,1329

V = 1,065 m/s

Q = V . Su Q = 1,065 m/s x 0,125 m2


Q = 0,1331 m3/s ou Q = 133,1 l/s

9.2 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA


- BARD, J, et all. Manual de Piscicultura para a América e a África Tropicais.
França, 1974
- FAO, PROVECTO “AQULA”, Manual Sobre o Manejo de Reservatórios para a
Produção de Peixes. Brasília, 1988
- PROENÇA, C. E. M, & BITTENCOURT, P. R. L. Manual de Piscicultura Tropical.
IBAMA. Brasília, 1994
- WOYNARROVICH, I. Manual de Piscicultura, CODEVASF, BRASÍLIA, 1988.

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