Você está na página 1de 8

INFORMATIVO DO STF Nº 585

PLENÁRIO
ADI e Revista Íntima em Funcionários
Lei que dispõe sobre a proibição de revistas íntimas em funcionários pelas empresas - matéria atinente a
relações de trabalho - competência privativa da União para legislar.

Por entender usurpada a competência privativa da União para legislar sobre matéria atinente a
relações de trabalho (CF, artigos 21, XXIV e 22, I), o Tribunal julgou procedente pedido formulado em
ação direta proposta pelo Procurador-Geral da República para declarar a inconstitucionalidade da Lei
2.749/97, do Estado do Rio de Janeiro, e do seu Decreto regulamentar 23.591/97, que dispõem sobre a
proibição de revistas íntimas em funcionários pelas empresas.
ADI 2947/RJ, rel. Min. Cezar Peluso, 5.5.2010. (ADI-2947)

ADI e Instituição de Programa de Assistência


Competência privativa do Chefe do Poder Executivo para iniciar projeto de lei que disponha sobre
criação, estruturação e atribuições de órgãos e entidades da Administração Pública

Por entender usurpada a competência privativa do Chefe do Poder Executivo para iniciar projeto de
lei que disponha sobre criação, estruturação e atribuições de órgãos e entidades da Administração Pública
(CF, art. 61, § 1º, II, e c/c art. 84, VI, a), o Tribunal julgou parcialmente procedente pedido formulado em
ação direta ajuizada pelo Governador do Estado de Santa Catarina para declarar a inconstitucionalidade
dos artigos 2º, 3º e seus parágrafos, 7º, 8º, 9º, parágrafo único e seus incisos, da Lei 12.385/2002, da
referida unidade federativa, que institui o Programa de Assistência às Pessoas Portadoras da Doença
Celíaca e adota outras providências. Alguns precedentes citados: ADI 2654 MC/AL (DJU de 23.8.2002);
ADI 2239 MC/SP (DJU de 15.12.2000); ADI 2296 MC/RS (DJU de 23.2.2001).
ADI 2730/SC, rel. Min. Cármen Lúcia, 5.5.2010. (ADI-2730)

Igrejas e Templos: Proibição da Cobrança de ICMS


O Tribunal julgou improcedente pedido formulado em ação direta de inconstitucionalidade ajuizada
pelo Governador do Estado do Paraná contra a Lei 14.586/2004, da mesma unidade federativa, que
“proíbe a cobrança de ICMS nas contas de serviços públicos estaduais a igrejas e templos de qualquer
culto”, desde que o imóvel esteja comprovadamente na propriedade ou posse destes e sejam usados para a
prática religiosa. Salientou-se que a proibição de introduzir-se benefício fiscal, sem o assentimento dos
demais Estados, teria como objeto impedir competição entre as unidades da Federação e que isso não se
daria na espécie. Asseverou-se que, na hipótese, a disciplina não revelaria isenção alusiva a contribuinte
de direito, a contribuinte que estivesse no mercado, e sim a contribuintes de fato, de especificidade toda
própria, isto é, igrejas e templos, observando-se, ademais, que tudo ocorreria no tocante ao preço de
serviços públicos e à incidência do ICMS. Entendeu-se estar-se diante de opção político-normativa
possível, não cabendo cogitar de discrepância com as balizas constitucionais relativas ao orçamento,
sendo irrelevante o cotejo buscado com a Lei de Responsabilidade Fiscal, isso presente o controle
abstrato de constitucionalidade. Concluiu-se que, no caso, além da repercussão quanto à receita, haveria o
enquadramento na previsão da primeira parte do § 6º do art. 150 da CF, que remete isenção a lei
específica (“Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido,
anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei
específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou
o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g.”).
ADI 3421/PR, rel. Min. Marco Aurélio, 5.5.2010. (ADI-3421)

Juiz Aposentado: Vitaliciedade e Prerrogativa de Foro - 4


O Tribunal retomou julgamento de recurso extraordinário, afetado ao Pleno pela 1ª Turma, em que
se discute se o foro especial por prerrogativa de função se estende, ou não, àqueles que se aposentam em
cargos cujos ocupantes ostentam tal prerrogativa. Trata-se, na espécie, de agravo de instrumento
convertido em recurso extraordinário criminal interposto, por desembargador aposentado, contra decisão
da Corte Especial do STJ que declinara de sua competência, em ação penal contra ele instaurada, ao
fundamento de que, em decorrência de sua aposentadoria, não teria direito à prerrogativa de foro pelo
encerramento definitivo da função — v. Informativos 485 e 495. O Min. Eros Grau, em voto-vista, deu
provimento ao recurso, na linha da divergência inaugurada pelo Min. Menezes Direito. Entendeu que,
quando se trata de cargo de exercício temporário, a exemplo dos decorrentes de mandato
eletivo, a prerrogativa seria da função, razão pela qual a prerrogativa do foro especial
persistiria apenas enquanto durasse a função. Reconheceu, que, no entanto, relativamente ao
magistrado, a prerrogativa seria do cargo e não da função. Explicou tratar-se,
neste caso, de cargo vitalício, que perdura pela vida inteira, podendo perecer
unicamente em virtude de sentença judicial transitada em julgado. Por isso,
projetar-se-ia à aposentadoria. Após o voto do Min. Ayres Britto, que acompanhava o voto do
relator no sentido de negar provimento ao recurso, o julgamento foi suspenso para aguardar a composição
completa.
RE 549560/CE, rel. Min. Ricardo Lewandowski, 6.5.2010. (RE-549560)

Reclamação: Inconstitucionalidade do Art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 e Ofensa à Súmula


Vinculante 10
O Tribunal iniciou julgamento de agravo regimental interposto contra decisão que negara
seguimento a reclamação, ajuizada contra acórdão da 8ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho - TST,
ao fundamento de ausência de identidade ou similitude de objeto entre o ato impugnado e a Súmula
Vinculante 10 [“Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário
de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do
poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte.”]. Aponta o reclamante desrespeito ao citado
verbete, na medida em que o Tribunal a quo teria afastado a aplicabilidade do § 1º do art. 71 da Lei
8.666/93, invocando o Enunciado 331, IV, do TST, para reconhecer a responsabilidade subsidiária da
sociedade de economia mista por débitos trabalhistas. O Min. Eros Grau, relator, negou provimento ao
recurso na linha do voto proferido pelo Min. Ricardo Lewandowski na Rcl 7517 AgR/DF (v. Informativo
563), no qual se afirmara que a Súmula 331, IV, do TST, utilizada como fundamento da decisão
reclamada, teria resultado do julgamento, por votação unânime do pleno daquele tribunal, do Incidente de
Uniformização de Jurisprudência TST-IUJ-RR-297751/96, em sessão de 11.9.2000, e que seria possível
verificar da leitura do acórdão desse incidente, que a questão da constitucionalidade do art. 71, § 1º, da
Lei das Licitações teria sido enfrentada por aquela Corte [“TST Enunciado nº 331 ... IV - O
inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica a responsabilidade
subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive quanto aos órgãos da
administração direta, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades
de economia mista, desde que hajam participado da relação processual e constem também do título
executivo judicial (art. 71 da Lei nº 8.666, de 21.06.1993).”]. Após, pediu vista dos autos a Min. Ellen
Gracie.
Rcl 8150 AgR/SP, rel. Min. Eros Grau, 6.5.2010. (RCL-8150)

Ministério Público do Trabalho e Legitimidade para atuar perante o Supremo


O MPT não tem legitimidade para atuar perante o STF.

Somente quem pode atuar perante o STF é o PGR.

O Tribunal iniciou julgamento de agravo regimental em agravo regimental em reclamação, no qual


se discute se o Ministério Público do Trabalho tem, ou não, legitimidade para atuar perante esta Corte. Na
espécie, o Min. Eros Grau, reportando-se ao que decidido na Rcl 4801 AgR/MT (DJE de 27.3.2009),
negara seguimento ao primeiro agravo regimental interposto pelo parquet contra decisão do relator que
julgara procedente reclamação ao fundamento de que o processamento de litígio entre servidores
temporários e a Administração Pública perante a Justiça do Trabalho afrontaria a decisão prolatada pelo
Supremo no julgamento da ADI 3395MC/DF (DJU de 10.11.2006). Alega o agravante que a
interpretação literal do art. 159 do RISTF (“Qualquer interessado poderá impugnar o pedido do
reclamante.”) permitiria concluir que a legitimidade do Procurador-Geral da República não excluiria a de
qualquer outro interessado, por não apresentar qualquer exceção à regra. O Min. Eros Grau não conheceu
do recurso. Considerou que, a despeito da disposição do art. 159 do RISTF, já teria havido fixação pelo
Plenário do entendimento segundo o qual o MPT não estaria legitimado a atuar perante esta Corte. Após,
pediu vista dos autos o Min. Ayres Britto.
Rcl 6239 AgR-AgR/RO, rel. Min. Eros Grau, 6.5.2010. (RCL-6239)
REPERCUSSÃO GERAL
Prazo para Repetição ou Compensação de Indébito Tributário e Art. 4º da LC 118/2005 - 1
O Tribunal iniciou julgamento de recurso extraordinário interposto pela União contra decisão do
TRF da 4ª Região que reputara inconstitucional o art. 4º da Lei Complementar 118/2005 na parte em que
determinaria a aplicação retroativa do novo prazo para repetição ou compensação do indébito tributário
[LC 118/2005: “Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de
outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de
tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1 o
do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação,
observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 -
Código Tributário Nacional.”; CTN: “Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I - em qualquer
caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos
dispositivos interpretados;”]. A Min. Ellen Gracie, relatora, reconhecendo a inconstitucionalidade do art.
4º, segunda parte, da LC 118/2005, por violação ao princípio da segurança jurídica, nos seus conteúdos de
proteção da confiança e de acesso à Justiça, com suporte implícito e expresso nos artigos 1º e 5º, XXXV,
da CF, e considerando válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão-somente às ações ajuizadas após o
decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9.6.2005, desproveu o recurso. Asseverou,
inicialmente, que a Lei Complementar 118/2005, não obstante expressamente se autoproclamar
interpretativa, não seria uma lei materialmente interpretativa, mas constituiria lei nova, haja vista que a
interpretação por ela imposta implicara redução do prazo de 10 anos — jurisprudencialmente fixado pelo
STJ para repetição ou compensação de indébito tributário, e contados do fato gerador quando se tratasse
de tributo sujeito a lançamento por homologação — para 5 anos, estando sujeita, assim, ao controle
judicial.
RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 5.5.2010. (RE-566621)
Prazo para Repetição ou Compensação de Indébito Tributário e Art. 4º da LC 118/2005 - 2
Em seguida, reputou que a retroatividade determinada pela lei em questão não seria válida. Afirmou
que a alteração de prazos não ofenderia direito adquirido, por inexistir direito adquirido a regime jurídico,
conforme reiterada jurisprudência da Corte. Em razão disso, não haveria como se advogar suposto direito
de quem pagou indevidamente um tributo a poder buscar ressarcimento no prazo estabelecido pelo CTN
por ocasião do indébito. Ressaltou, contudo, que a redução de prazo não poderia retroagir para fulminar,
de imediato, pretensões que ainda poderiam ser deduzidas no prazo vigente quando da modificação
legislativa. Ou seja, não se poderia entender que o legislador pudesse determinar que pretensões já
ajuizadas ou por ajuizar estivessem submetidas, de imediato, ao prazo reduzido, sem qualquer regra de
transição, sob pena de ofensa a conteúdos do princípio da segurança jurídica. Explicou que, se, de um
lado, não haveria dúvida de que a proteção das situações jurídicas consolidadas em ato jurídico perfeito,
direito adquirido ou coisa julgada constituiria imperativo de segurança jurídica, concretizando o valor
inerente a tal princípio, de outro, também seria certo que teria este abrangência maior e que implicaria
resguardo da certeza do direito, da estabilidade das situações jurídicas, da confiança no tráfego jurídico e
do acesso à Justiça. Assim, o julgamento de preliminar de prescrição relativamente a ações já ajuizadas,
tendo como referência novo prazo reduzido por lei posterior, sem qualquer regra de transição, atentaria,
indiscutivelmente, contra, ao menos, dois desses conteúdos, quais sejam: a confiança no tráfego jurídico e
o acesso à Justiça. Frisou que, estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante
requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, haver-se-ia de reconhecer
eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal restaria resguardado pela
proteção à confiança. De igual modo, não seria possível fulminar, de imediato, prazos então em curso,
sob pena de patente e direta violação à garantia de acesso ao Judiciário.
RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 5.5.2010. (RE-566621)

Prazo para Repetição ou Compensação de Indébito Tributário e Art. 4º da LC 118/2005 - 3


Considerou, diante do reconhecimento da inconstitucionalidade, que o novo prazo só poderia ser
validamente aplicado após o decurso da vacatio legis de 120 dias. Reportou-se ao Enunciado da Súmula
445 do STF [“A Lei nº 2.437, de 7-3-55, que reduz prazo prescricional, é aplicável às prescrições em
curso na data de sua vigência (1º-1-56), salvo quanto aos processos então pendentes”], e relembrou que,
nos precedentes que lhe deram origem, a Corte entendera que, tendo havido uma vacatio legis alargada,
de 10 meses entre a publicação da lei e a vigência do novo prazo, tal fato teria dado oportunidade aos
interessados para ajuizarem suas ações, interrompendo os prazos prescricionais em curso, sendo certo
que, a partir da vigência, em 1º.1.56, o novo prazo seria aplicável a qualquer caso ainda não ajuizado. Tal
solução deveria ser a mesma para o presente caso, a despeito da existência do art. 2.028 do Código Civil -
CC, haja vista que este seria regra interna daquela codificação, limitando-se a resolver os conflitos no
tempo relativos às reduções de prazos impostas pelo novo CC de 2002 relativamente aos prazos maiores
constantes do CC de 1916. Registrou que o legislador, ao aprovar a LC 118/2005 não teria pretendido
aderir à regra de transição do art. 2.028 do CC. Somente se tivesse estabelecido o novo prazo para
repetição e compensação de tributos sem determinar sua aplicação retroativa, quedando silente no ponto,
é que seria permitida a aplicação do art. 2.028 do CC por analogia. Afirmou que, ainda que a vacatio
legis estabelecida pela LC 118/2005 fosse menor do que a prevista na Lei 2.437/55, objeto da Súmula
445, ter-se-ia de levar em conta a facilidade de acesso, nos dias de hoje, à informação quanto às
inovações legislativas e repercussões, sobretudo, via internet. Por fim, citou a LC 95/98 que dispõe sobre
a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, nos termos do art. 59 da CF, cujo art. 8º
prevê que a lei deve contemplar prazo razoável para que dela se tenha amplo conhecimento, reservada a
cláusula “entra em vigor na data de sua publicação” para as leis de pequena repercussão. Concluiu que o
art. 4º da LC 118/2005, na parte que em estabeleceu vacatio legis alargada de 120 dias teria cumprido
com essa função, concedendo prazo suficiente para que os contribuintes tomassem conhecimento do novo
prazo e pudessem agir, ajuizando ações necessárias à tutela dos seus direitos. Assim, vencida a vacatio
legis de 120 dias, seria válida a aplicação do prazo de 5 anos às ações ajuizadas a partir de então, restando
inconstitucional apenas sua aplicação às ações ajuizadas anteriormente a essa data. No caso concreto,
reputou correta a aplicação, pelo tribunal de origem, do prazo de 10 anos anteriormente vigente, por ter
sido a ação ajuizada antes da vigência da LC 118/2005.
RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 5.5.2010. (RE-566621)
Prazo para Repetição ou Compensação de Indébito Tributário e Art. 4º da LC 118/2005 - 4
Os Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso acompanharam a
relatora, tendo o Min. Celso de Mello dissentido apenas num ponto, qual seja, o de que o art. 3º da LC
118/2005 só seria aplicável não às ações ajuizadas posteriormente ao término do período de vacatio legis,
mas, na verdade, aos próprios fatos ocorridos após esse momento. Em divergência, o Min. Marco Aurélio
deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Dias Toffoli, Cármen Lúcia e
Gilmar Mendes. Entendeu que o art. 3º não inovou, mas repetiu rigorosamente o que contido no Código
Tributário Nacional. Afirmou se tratar de dispositivo meramente interpretativo, que buscou redirecionar a
jurisprudência equivocada do STJ. O Min. Dias Toffoli, por sua vez, acrescentou não vislumbrar na lei
atentado contra o direito adquirido, o ato jurídico perfeito, ou a coisa julgada. Observou que a lei pode
retroagir, respeitando esses princípios. Em seguida, o julgamento foi suspenso para aguardar-se o voto do
Min. Eros Grau.
RE 566621/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 5.5.2010. (RE-566621)

PRIMEIRA TURMA
PROCESSO PENAL
Assistente de Acusação e Legitimidade para Recorrer
A Turma deliberou afetar ao Plenário julgamento de habeas corpus em que se questiona a
legitimidade do assistente de acusação para interpor apelação na ausência de recurso do Ministério
Público. No caso, a paciente, após regular trâmite da instrução criminal, fora absolvida da imputação de
estelionato, o que ensejara apelação por parte do assistente de acusação. Ocorre que, ante a falta de
recurso do parquet, o tribunal de origem não conhecera da apelação. Contra essa decisão, o assistente
manejara recurso especial que, provido em parte, determinara o prosseguimento no exame da apelação,
superado o óbice da ilegitimidade do assistente de acusação. Daí a impetração do writ pela Defensoria
Pública da União em que se almeja o reconhecimento da ilegitimidade do assistente da acusação para
recorrer e a manutenção da sentença absolutória em favor da paciente.
HC 102085/RS, rel. Min. Cármen Lúcia, 4.5.2010. (HC-102085)
Furto Qualificado e Rompimento de Obstáculo
A Turma indeferiu habeas corpus em que a Defensoria Pública da União pleiteava, sob alegação de
ofensa ao princípio da proporcionalidade, o afastamento da qualificadora do rompimento de obstáculo à
subtração da coisa (CP, art. 155, § 4º, I). Sustentava que o furto dos objetos do interior do veículo seria
mais severamente punido do que o furto do próprio veículo, impondo-se sanção mais elevada para o furto
do acessório. Entendeu-se que, na situação dos autos, praticada a violência contra a coisa, restaria
configurada a forma qualificada do mencionado delito.
HC 98606/RS, rel. Min. Marco Aurélio, 4.5.2010. (HC-98606)
Publicação em Nome de Advogado Falecido
A Turma iniciou julgamento de habeas corpus em que se pleiteia a nulidade dos atos subseqüentes à
publicação de acórdão — em agravo regimental interposto perante o STJ —, em nome de advogado
falecido, apesar de haver dois patronos habilitados no processo, tendo sido o recurso assinado apenas pelo
ora impetrante. Sustenta-se, na espécie, cerceamento de defesa, uma vez que o impetrante não tivera
conhecimento, em tempo hábil, da decisão prolatada, o que prejudicara a interposição das medidas
cabíveis. A Min. Cármen Lúcia, relatora, indeferiu o writ por reputar ter decorrido tempo suficiente para a
comunicação da morte do causídico, em 6.11.2008, e a publicação do acórdão, em 22.5.2009, realizada
com o nome do advogado falecido “e outro”. Consignou que a jurisprudência do STF é firme no sentido
de não estar caracterizado o cerceamento de defesa no julgamento de apelação interposta em favor do réu
se o seu advogado falece antes do julgamento, sem que o óbito tenha sido oportunamente comunicado à
turma julgadora. Após, pediu vista dos autos o Min. Dias Toffoli.
HC 101437/ES, rel. Min. Cármen Lúcia, 4.5.2010. (HC-101437)

SEGUNDA TURMA
Maus Antecedentes: Inquéritos Policiais e Ações Penais em Curso
Processos penais em curso, ou inquéritos policiais em andamento ou, até mesmo, condenações
criminais ainda sujeitas a recurso não podem ser considerados, enquanto episódios processuais suscetíveis
de pronunciamento absolutório, como elementos evidenciadores de maus antecedentes do réu. Com base
nesse entendimento, a Turma deferiu habeas corpus para reconhecer, em favor do paciente, o direito de
ter reduzida, em 8 meses, a sua pena privativa de liberdade, cuja pena-base fora exasperada ante a
existência de inquéritos e processos em andamento. Realçou-se recente edição, pelo STJ, de súmula no
mesmo sentido (Súmula 444: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para
agravar a pena-base.”).
HC 97665/RS, rel. Min. Celso de Mello, 4.5.2010. (HC-97665)

Intimação Pessoal e Defensor Público-Geral


A Turma indeferiu habeas corpus no qual se alegava nulidade absoluta de acórdão proferido pela
Corte de origem em apelação interposta por Defensoria Pública estadual, ante a ausência de intimação
pessoal do defensor público. Tendo em conta que a Defensoria Pública estadual fora intimada da sessão
de julgamento da apelação por intermédio de ofício encaminhado ao titular da instituição, entendeu-se
que, no caso, houvera sim intimação pessoal, o que afastaria a pretensão dos pacientes.
HC 99540/AP, rel. Min. Ellen Gracie, 4.5.2010. (HC-99540)

TDAs: Pagamento Integral e Ordem Cronológica


A Turma iniciou julgamento de recurso ordinário em mandado de segurança no qual se alega quebra
da ordem cronológica de pagamento de Títulos da Dívida Agrária – TDAs, emitidos, em favor da
recorrente, no bojo de procedimento de desapropriação de imóvel rural. Na espécie, o mandado de
segurança fora impetrado diante da omissão da autoridade apontada como coatora em não efetuar o
pagamento de expurgos inflacionários e de juros incidentes sobre o valor de face dos títulos. Ocorre que o
STJ negara seguimento ao writ por reconhecer a decadência do direito à impetração. O Min. Eros Grau,
relator, por reputar descumprida a ordem cronológica de pagamento de TDAs, proveu o recurso para
determinar, tal como postulado na inicial, a suspensão dos pagamentos dos títulos “com vencimentos
mais recentes do que os dos títulos do impetrante, antes do integral pagamento destes, com as diferenças
dos Planos Bresser (8,04%) e/ou Collor (13,89%), devidamente corrigidas até o seu efetivo pagamento
e/ou juros moratórios e/ou compensatórios, devidos até a data em que houver o pagamento integral dos
títulos”. Preliminarmente, rejeitou a decadência do direito à impetração, porquanto o writ fora impetrado
em face da omissão da autoridade coatora ao proceder ao pagamento integral dos títulos da ora recorrente.
Enfatizou que o adimplemento de uma obrigação de valor compreende o pagamento do principal e dos
acessórios. Assim, a União não poderia, anteriormente ao adimplemento integral dos títulos da recorrente,
resgatar TDAs emitidos posteriormente. Ademais, aduziu que a ora recorrente não estaria a fazer uso do
mandado de segurança objetivando o recebimento de acessórios de seu crédito. Após, pediu vista o Min.
Gilmar Mendes.
RMS 24479/DF, rel. Min. Eros Grau, 4.5.2010. (RMS-24479)

Intimação de Réu Preso


A Turma deferiu, parcialmente, habeas corpus em que preso que atua em causa própria insurgia-se
contra a falta de sua intimação pessoal do acórdão do STJ que denegara idêntica medida na qual pleiteava
a incidência da regra do crime continuado a sua condenação. Enfatizou-se que, na espécie, a intimação do
acórdão se efetivara pelo Diário da Justiça, embora se tratasse de réu preso, sem formação jurídica e
atuando em causa própria. Consignou-se que o paciente preso não poderia ter conhecimento dessa
intimação, devendo-se aplicar, por analogia, o art. 370, § 2º, do CPP (“§2º Caso não haja órgão de
publicação dos atos judiciais na comarca, a intimação far-se-á diretamente pelo escrivão, por mandado,
ou via postal com comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.”). Por outro lado,
rejeitou-se o pedido de que fosse nomeado defensor para ciência do acórdão e interposição de eventual
recurso, porquanto inexistente no ordenamento jurídico pátrio a obrigatoriedade desta nomeação. Aduziu-
se, no ponto, que pode o juiz conceder a ordem de ofício, caso repute presente hipótese de
constrangimento ilegal imposto ao paciente (CPP, art. 654, § 2º). Ordem concedida para, mantido o
acórdão do STJ, anular seu trânsito em julgado e determinar que tal Corte intime o paciente por via
postal, com o devido comprovante de recebimento.
HC 100103/SP, rel. Min. Ellen Gracie, 4.5.2010. (HC 100103)

Impedimento de Magistrado: Atuação em Feito Criminal e Sentença em Ação Civil Pública -


1
A Turma iniciou julgamento de habeas corpus em que se discute se estaria comprometida, ou não, a
imparcialidade de magistrado que condenara o paciente em ação civil pública e, depois, recebera
denúncia em ação penal pelos mesmos fatos. No caso, o juízo de vara única de determinada comarca
julgara procedente pedido formulado em ação civil pública para destituir o paciente da função de
conselheiro tutelar daquela cidade, decretando, ainda, a sua inelegibilidade para o exercício da função.
Ocorre que, posteriormente, fora instaurada ação penal para se apurar a suposta prática dos crimes
tipificados no art. 216-A do CP (duas vezes), no art. 65 da Lei de Contravenções Penais (três vezes) e do
art. 240, § 2º, do ECA, em concurso material (CP, art. 69). A impetração alega que a ação penal estaria
embasada nos fatos utilizados na ação civil pública, sendo conduzida pelo mesmo magistrado que o
condenara na ação coletiva.
HC 97544/SP, rel. Min. Eros Grau, 4.5.2010. (HC-97544)

Impedimento de Magistrado: Atuação em Feito Criminal e Sentença em Ação Civil Pública -


2
O Min. Eros Grau, relator, deferiu o writ para anular a ação penal, desde o recebimento da denúncia,
determinando a remessa dos autos ao substituto legal do juiz. Inicialmente, ressaltou que a jurisprudência
do STF encontra-se firmada no sentido de que o rol das causas de impedimento do art. 252 do CPP seria
taxativo. Em seguida, aduziu que, em situações como as do presente caso, não se estaria a criar, pela via
da interpretação, hipótese de impedimento estranha às previstas no aludido dispositivo legal. Estar-se-ia,
apenas, conferindo, consoante autorizado pelo art. 3º do CPP, interpretação extensiva ao inciso III do art.
252 do mesmo diploma (“Art. 252. O juiz não poderá exercer jurisdição no processo em que: ... III –
tiver funcionado como juiz de outra instância, pronunciando-se, de fato ou de direito, sobre a questão;”).
Assim, reputou que a expressão “instância”, no preceito, não poderia ser entendida como conotativa
exclusivamente de “grau de jurisdição”. Após, o julgamento foi suspenso em virtude do pedido de vista
do Min. Gilmar Mendes.
HC 97544/SP, rel. Min. Eros Grau, 4.5.2010. (HC-97544)

CLIPPING D O DJ
7 de maio de 2010

ADI N. 3.243-MT
RELATOR : MIN. GILMAR MENDES
EMENTA: Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI n.° 875/DF, ADI n.° 1.987/DF, ADI n.° 2.727/DF e ADI n.° 3.243/DF).
Fungibilidade entre as ações diretas de inconstitucionalidade por ação e por omissão. Fundo de Participação dos Estados – FPE (art.
161, inciso II, da Constituição). Lei Complementar n° 62/1989. Omissão inconstitucional de caráter parcial. Descumprimento do
mandamento constitucional constante do art. 161, II, da Constituição, segundo o qual lei complementar deve estabelecer os critérios
de rateio do Fundo de Participação dos Estados, com a finalidade de promover o equilíbrio socioeconômico entre os entes
federativos. Ações julgadas procedentes para declarar a inconstitucionalidade, sem a pronúncia da nulidade, do art. 2º, incisos I e II,
§§ 1º, 2º e 3º, e do Anexo Único, da Lei Complementar n.º 62/1989, mantendo sua vigência até 31 de dezembro de 2012.
* noticiado no Informativo 576
AG.REG. NO AI N. 410.946-DF
RELATORA : MIN. ELLEN GRACIE
CONSTITUCIONAL. MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO. QUINTOS. INCORPORAÇÃO. NOMEAÇÃO NA
MAGISTRATURA. VANTAGEM NÃO PREVISTA NO NOVO REGIME JURÍDICO (LOMAN). INOVAÇÃO DE DIREITO
ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA.
1. O Supremo Tribunal Federal já pacificou entendimento de que descabe alegar direito adquirido a regime jurídico. Precedentes.
2. Preservação dos valores já recebidos em respeito ao princípio da boa-fé. Precedentes.
3. Agravo regimental parcialmente provido.
* noticiado no Informativo 579
HC N. 102.732-DF
RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO
HABEAS CORPUS – JULGAMENTO – MANIFESTAÇÕES – DEFESA – MINISTÉRIO PÚBLICO. Na dicção da sempre
ilustrada maioria, em relação a qual guardo reservas, ainda que o ato atacado com a impetração repouse em requerimento do
Procurador-Geral da República, cabe à Vice que o substitua falar após a sustentação da tribuna pela defesa.
PRISÃO – GOVERNADOR – LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL. Porque declarada inconstitucional pelo Supremo –
Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.024-4/DF, Relator Ministro Celso de Mello –, não subsiste a regra normativa segundo a
qual a prisão do Governador pressupõe sentença condenatória.
PRISÃO PREVENTIVA – GOVERNADOR – INQUÉRITO – LICENÇA DA CASA LEGISLATIVA – PROCESSO. A regra da
prévia licença da Casa Legislativa como condição da procedibilidade para deliberar-se sobre o recebimento da denúncia não se
irradia a ponto de apanhar prática de ato judicial diverso como é o referente à prisão preventiva na fase de inquérito.
HABEAS CORPUS – ADITAMENTO – ABANDONO DA ORTODOXIA. O habeas corpus está imune às regras instrumentais
comuns, devendo reinar flexibilidade maior quando direcionada à plena defesa.
PRISÃO PREVENTIVA VERSUS SENTENÇA CONDENATÓRIA – FORMA – PEÇA DO MINISTÉRIO PÚBLICO. Cabe
distinguir a adoção de arrazoado do Ministério Público como razões de decidir considerada sentença condenatória, quando então
verificado vício de procedimento, da referente ao ato mediante o qual imposta prisão preventiva.
PRISÃO PREVENTIVA – GOVERNADOR – ARTIGO 51, INCISO I, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – APLICAÇÃO
ANALÓGICA – INADEQUAÇÃO. A interpretação teleológica e sistemática do artigo 51, inciso I, da Carta da República revela
inadequada a observância quando envolvido Governador do Estado.
PRISÃO PREVENTIVA – INSTRUÇÃO CRIMINAL – ATOS CONCRETOS. A prática de atos concretos voltados a obstaculizar,
de início, a apuração dos fatos mediante inquérito conduz à prisão preventiva de quem nela envolvido como investigado, pouco
importando a ausência de atuação direta, incidindo a norma geral e abstrata do artigo 312 do Código de Processo Penal.
PRISÃO PREVENTIVA – CIÊNCIA PRÉVIA DO DESTINATÁRIO. A prisão preventiva prescinde da ciência prévia do
destinatário, quer implementada por Juiz, por Relator, ou por Tribunal.
PRISÃO PREVENTIVA – INQUÉRITO – AUSÊNCIA DE OITIVA. O fato de o envolvido no inquérito ainda não ter sido ouvido
surge neutro quanto à higidez do ato acautelador de custódia preventiva.
FLAGRANTE – DEFESA TÉCNICA – INEXIGIBILIDADE. A documentação do flagrante prescinde da presença do defensor
técnico do conduzido, sendo suficiente a lembrança, pela autoridade policial, dos direitos constitucionais do preso de ser assistido,
comunicando-se com a família e com profissional da advocacia, e de permanecer calado.
* noticiado no Informativo 577
INQUÉRITO 2.646-RN
RELATOR : MIN. AYRES BRITTO
EMENTA: INQUÉRITO. CRIME DE AÇÃO PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA. INCISO II DO ART. 1º DO DECRETO-
LEI 201/67. COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DENÚNCIA. REQUISITOS DO ART. 41 DO CÓDIGO
DE PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA DA AÇÃO PENAL (INCISO III DO ART. 395 DO CPP). FALTA DE
DEMONSTRAÇÃO DO DOLO ESPECÍFICO DO TIPO. DENÚNCIA REJEITADA.
1. A indiciada está no exercício de mandato de Senadora da República pelo Estado do Rio Grande do Norte. Do que resulta a
competência do Supremo Tribunal Federal para o processamento e julgamento da causa, nos termos do § 1º do art. 53 da
Constituição Federal.
2. O exame prefacial da denúncia é restrito às balizas dos arts. 41 e 395 do Código de Processo Penal. É falar: a admissibilidade da
acusação se afere quando satisfeitos os requisitos do art. 41, sem que ela, denúncia, incorra nas impropriedades do art. 395 do
Código de Processo Penal. 3. No caso, as peças que instruem este inquérito dão conta de que o protocolo de intenções firmado pelos
denunciados incorpora finalidade social. Finalidade inscrita nas competências materiais de toda pessoa estatal-federada (“organizar
o abastecimento alimentar” - inciso VIII do art. 23 da CF/88). Mais: o “tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte
constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no país” chega a ser princípio regente de toda a ordem econômica nacional
(inciso IX do art. 170 da Carta Magna). Tudo sem considerar que a abertura do estabelecimento comercial objeto da denúncia gerou,
aproximadamente, 154 empregos diretos para os habitantes do Município de Mossoró/RN.
4. A incidência da norma que se extrai do inciso II do art. 1º do DL 201/67 depende da presença de um claro elemento subjetivo do
agente político: a vontade livre e consciente (dolo) de lesar o Erário. Pois é assim que se garante a necessária distinção entre atos
próprios do cotidiano político-administrativo e atos que revelam o cometimento de ilícitos penais. No caso, o órgão ministerial
público não se desincumbiu do seu dever processual de demonstrar, minimamente que fosse, a vontade livre e consciente do agente
em lesar o Erário. Ausência de demonstração do dolo específico do delito que impossibilita o recebimento da denúncia, por falta de
atipicidade da conduta do agente denunciado (inciso III do art. 395 do CPP).
5. Denúncia rejeitada.
* noticiado no Informativo 576
HC N. 97.034-MG
RELATOR : MIN. AYRES BRITTO
EMENTA: HABEAS CORPUS. CRIME DE FURTO QUALIFICADO. INCIDÊNCIA DO PRIVILÉGIO DA PRIMARIEDADE E
DO PEQUENO VALOR DA COISA SUBTRAÍDA. POSSIBILIDADE. ORDEM CONCEDIDA. 1. A jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal é firme no sentido da possibilidade de homicídio privilegiado-qualificado, desde que não haja incompatibilidade
entre as circunstâncias do caso. Noutro dizer, tratando-se de qualificadora de caráter objetivo (meios e modos de execução do
crime), é possível o reconhecimento do privilégio (sempre de natureza subjetiva). 2. A mesma regra de interpretação é de ser
aplicada no caso concreto, dado que as qualificadoras do concurso de pessoas e da destreza em nada se mostram incompatíveis com:
a) o fato de ser a acusada penalmente primária; b) inexpressividade financeira da coisa subtraída. Precedentes de ambas as Turmas
do STF: HCs 94.765 e 96.843, da relatoria da ministra Ellen Gracie (Segunda Turma); HC 97.051, da relatoria da ministra Cármen
Lúcia (Primeira Turma); e HC 98.265, da minha relatoria (Primeira Turma). 3. Ordem concedida para reconhecer a incidência do
privilégio do § 2º do art. 155 do CP.
HC N. 97.123-MG
RELATORA : MIN. CÁRMEN LÚCIA
EMENTA: HABEAS CORPUS. ELABORAÇÃO DE EXAME CRIMINOLÓGICO PARA FINS DE PROGRESSÃO:
POSSIBILIDADE, MESMO COM A SUPERVENIÊNCIA DA LEI N. 10.792/03. NECESSIDADE, CONTUDO, DE DECISÃO
FUNDAMENTADA. ORDEM CONCEDIDA.
1. Conforme entendimento firmado neste Supremo Tribunal, a superveniência da Lei n. 10.792/2003 não dispensou, mas apenas
tornou facultativa a realização de exames criminológicos, que se realiza para a aferição da personalidade e do grau de periculosidade
do sentenciado (v.g., Habeas Corpus n. 85.963, Rel. Ministro Celso de Mello, DJ 27.10.2006).
2. Na linha dos precedentes deste Supremo Tribunal posteriores à Lei n. 10.792/03, o exame criminológico, embora facultativo,
deve ser feito por decisão devidamente fundamentada, com a indicação dos motivos pelos quais, considerando-se as circunstâncias
do caso concreto, ele seria necessário.
3. Ordem concedida para cassar a decisão que, com fundamento no exame criminológico, indeferiu ao Paciente a progressão de
regime e determinar ao Juízo das Execuções Criminais nova apreciação da questão posta, devendo ele avaliar se, na espécie,
estariam presentes os requisitos objetivos e subjetivos para a concessão do benefício, independentemente do exame criminológico.
HC N. 98.142-PA
RELATORA : MIN. CÁRMEN LÚCIA
EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. CONTEÚDO DE DEVOLUTIVIDADE. RECURSO ESPECIAL.
SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. PROVIMENTO DE RECURSO ESPECIAL PARA RESTABELECER A CONDENAÇÃO:
NULIDADE. EXTRAÇÃO IRREGULAR DE MINERAL. ALEGAÇÃO DA NECESSIDADE DE SE SUBMETER A
APELAÇÃO CRIMINAL À ANÁLISE DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL ANTES DE SE RESTABELECER A
SENTENÇA PENAL. HABEAS CORPUS PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESTA PARTE, CONCEDIDO.
1. Cabe analisar, no presente habeas corpus, somente as questões abrangidas pelo âmbito de devolutividade restrita do Recurso
Especial, ou que tenham sido objeto da decisão ora questionada, sendo inviável, portanto, a discussão sobre a eventual ausência de
fundamentação do trecho da sentença penal condenatória que fixou a pena do Paciente. 2. Ao reformar acórdão do Tribunal a quo,
no ponto em que este decidiu, de ofício, que a desclassificação da conduta imputada ao Paciente levaria ao reconhecimento da
prescrição do crime – o que levou, inclusive, ao prejuízo do recurso de apelação -, o Superior Tribunal de Justiça deveria ter
determinado o prosseguimento do julgamento do recurso no Tribunal a quo, e não ter restabelecido, desde logo, a condenação
imposta em primeiro grau.
3. Habeas corpus parcialmente conhecido e, nesta parte, concedido para declarar nula, em parte, a decisão proferida pelo Superior
Tribunal de Justiça, no ponto em que, ao prover o Recurso Especial do Ministério Público, restabeleceu, desde logo, a condenação
do Paciente, sem determinar, embora devesse, que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região prosseguisse no julgamento da
apelação.
HC N. 93.596-SP
RELATOR : MIN. CELSO DE MELLO
E M E N T A: “HABEAS CORPUS” – SENTENÇA CONDENATÓRIA QUE ASSEGURA, AO RÉU, O DIREITO AO
REGIME PENAL SEMI-ABERTO – IMPOSSIBILIDADE MATERIAL, POR PARTE DE ÓRGÃO COMPETENTE DA
ADMINISTRAÇÃO PENITENCIÁRIA DO ESTADO, DE VIABILIZAR A EXECUÇÃO DESSA MEDIDA –
DETERMINAÇÃO, PELO MAGISTRADO LOCAL, DE RECOLHIMENTO DO CONDENADO A QUALQUER
ESTABELECIMENTO PRISIONAL DO ESTADO, MESMO ÀQUELE DE SEGURANÇA MÁXIMA, ATÉ QUE O PODER
PÚBLICO VIABILIZE, MATERIALMENTE, O INGRESSO DO SENTENCIADO NO REGIME PENAL SEMI-ABERTO
(COLÔNIA PENAL AGRÍCOLA E/OU INDUSTRIAL) – INADMISSIBILIDADE – AFRONTA A DIREITO SUBJETIVO
DO SENTENCIADO – HIPÓTESE CONFIGURADORA DE EXCESSO DE EXECUÇÃO – PEDIDO DEFERIDO.
- O inadimplemento, por parte do Estado, das obrigações que lhe foram impostas pela Lei de Execução Penal não pode
repercutir, de modo negativo, na esfera jurídica do sentenciado, frustrando-lhe, injustamente, o exercício de direitos subjetivos a
ele assegurados pelo ordenamento positivo ou reconhecidos em sentença emanada de órgão judiciário competente, sob pena de
configurar-se, se e quando ocorrente tal situação, excesso de execução (LEP, art. 185).
Não se revela aceitável que o exercício, pelo sentenciado, de direitos subjetivos – como o de iniciar, desde logo, porque assim
ordenado na sentença, o cumprimento da pena em regime menos gravoso – venha a ser impossibilitado por notórias deficiências
estruturais do sistema penitenciário ou por crônica incapacidade do Estado de viabilizar, materialmente, as determinações
constantes da Lei de Execução Penal.
- Conseqüente inadmissibilidade de o condenado ter de aguardar, em regime fechado, a superveniência de vagas em colônia
penal agrícola e/ou industrial, embora a ele já reconhecido o direito de cumprir a pena em regime semi-aberto.
- “Habeas corpus” concedido, para efeito de assegurar, ao sentenciado, o direito de permanecer em liberdade, até que o Poder
Público torne efetivas, material e operacionalmente, as determinações (de que é o único destinatário) constantes da Lei de
Execução Penal.
RE N. 424.584-MG
RED. P/ O ACÓRDÃO: MIN. JOAQUIM BARBOSA
EMENTA: SERVIDOR PÚBLICO. REVISÃO GERAL DE VENCIMENTO. COMPORTAMENTO OMISSIVO DO CHEFE DO
EXECUTIVO. DIREITO À INDENIZAÇÃO POR PERDAS E DANOS. IMPOSSIBILIDADE.
Esta Corte firmou o entendimento de que, embora reconhecida a mora legislativa, não pode o Judiciário deflagrar o processo
legislativo, nem fixar prazo para que o chefe do Poder Executivo o faça. Além disso, esta Turma entendeu que o comportamento
omissivo do chefe do Poder Executivo não gera direito à indenização por perdas e danos. Recurso extraordinário desprovido.
* noticiado no Informativo 568