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Will Kymlicka é um filósofo canadense, popularmente conhecido por suas pesquisas

em multiculturalismo e ética animal, um de seus trabalhos em multiculturalismo é seu livro


Cidadania Multicultural, a​ nalisando o segundo capítulo o autor discorre sobre a amplitude
do termo multiculturalismo e como considera que existem demasiadas generalizações
perante as consequências e objetivos, podendo assim induzir a erros, ele exemplifica este
fator pelas generalizações que oponentes políticos criam sobre as minorias, ignorando as
as diferenças entre grupos minoritários e interpretando erradamente as reais minorias. Com
isso ele concentra sua análise em dois padrões de diversidade cultural: das minorias
nacionais e dos grupos de imigrantes.
Nas minorias nacionais, a diversidade cultural está incorporada nas antigas culturas
concentradas territorialmente no interior de grande estados que desejam manter-se como
sociedades a partes não se atrelando a cultura majoritária, demandando bastante
autonomia para sua sobrevivência. Já nos grupos de imigrantes a diversidade surge de
imigração individual ou familiar de indivíduos que desejam integrar uma sociedade e serem
aceitos, neste caso os imigrantes não desejam se tornar uma nação autônoma mas sim de
modificar o Estado, seja em leis ou instituições dessa sociedade para ela adequar mais as
diferenças culturais.
Com estas distinções o autor considera que um país que possuir mais de uma nação
deve se considerar um Estado Multinacional, com suas culturas menores sendo suas
“minorias nacionais”, o Estado Multinacional geralmente é formado pela incorporação
involuntária de uma comunidade por outra ou por federações que se juntaram, muitas
democracias ocidentais são exemplos de estado multinacionais, os Estados Unidos pode
ser um bom exemplo pelo seu grande número de minorias nacionais como índios
americanos, os porto-riquenhos, os descendentes de mexicano. É a partir da imigração que
a segunda forma de pluralismo cultural se origina, quando nações recebem um grande
número de indivíduos de outras culturas e permite que eles mantenham algumas
particularidades de suas culturas, se tornam Estado Poliétnicos, exemplos como Canadá,
austrália e os EUA, estão inseridos nesse estilo de Estado, leva-se em consideração que
um país pode ser tanto multinacional, com o resultado de colonização, conquista ou
confederação de comunidades nacionais, quanto politécnico, resultado de imigração.
Para Kymlicka, o desafio do multiculturalismo é acomodar as diferenças nacionais e
étnicas de uma forma estável e moralmente defensável, para que as diferenças destes
grupos se acomodem é necessário que seus membros tenham certo direitos específicos,
para o autor existe 3 formas destes direitos específicos, os direitos de autogoverno, os
direitos poliétnicos e os direitos de representação especial. O primeiro tipo de direitos se
caracteriza pela autonomia política e jurídica territorial, para que assim seus membros
possam desenvolver livremente suas culturas e interesses de seu povo, a segunda dos
direitos poliétnicos estende-se ao direitos propriamente culturais, que vão de demanda por
financiamento público para suas práticas culturais, ou a isenção de leis que acabam
chocando se com as práticas culturais do devido grupo, podendo citar como exemplo o
pedido de homens sikhs de dirigir motocicletas sem usar capacete, já que usam turbante
por razões religiosas e por final os direitos de representação especial, aqui trata se de
direitos que garantam que alguma desvantagem sistêmica ou barreira no processo político
ocorra, podendo assim o grupo acabar nao sendo representado pelos seus interesses e
visão.
No capítulo 3, Kymlicka reconhece que para muitas pessoas a ideia de direitos
diferenciados a grupos parece se basear em uma visão de mundo contrária àquela do
liberalismo, porém ver os direitos coletivos como direitos individuais um tanto oposto não
corresponde às várias formas cidadania diferenciada em função do grupo, para isso o autor
configura 2 tipo de reivindicações que uma minoria étnica ou nacional podem fazer, a
restrições internas e proteções externa, ambas categorizadas como “direitos coletivos”, as
restrições internas são reivindicações internas de um grupo contra os seu próprios
membros, buscando coesão e solidariedade entre o grupo, pode se citar aqui de exemplo a
proibição de casamentos de religiões diferentes em determinados países, já as proteções
externa são reivindicações do grupo contra a sociedade em que estão inseridas, são
proteções intergrupal, ou seja, um processo de existência e identidade de um grupo étnico
nacional que limita o impacto das decisões do governo principal, reivindicações de direitos
lingüísticos são um exemplos aqui.
Por final o capítulo 4 inicia abrangendo a perspectiva liberal sobre as minorias
nacionais, o autor descreve como na maior parte do século XIX e na primeira metade do
século XX, os direitos das minorias nacionais eram continuamente discutidos e debatidos
por grandes estadistas e pensadores liberais da época, porém na atualidade os liberais têm
sido silenciosos sobre esses assuntos, com poucas discussões sobre as diferenças entre os
estados nacionais e os estados poliétnicos ou multinacionais, ou sobre as demandas
associadas à diversidade étnica ou nacional, este fato ocorre por várias determinantes, no
entanto o fato de minorias conquistarem mais espaços depois da 2 grande guerra, serem
incorporados em Estados multinacionais, a preocupação pela paz mundial e a chamada
“negligência benigna” contribuíram para este estigma de silêncio no debate sobre direitos
para minorias perante os liberais. Kymlicka, descreve que na década de 60 e 70, houve um
ressurgimento étnico, este ressurgimento ampliava as formas de expressão das diversas
identidades étnicas, os liberais de início apoiaram as demandas desses grupos, mas à
medida que tais demandam cresceram, o apoio dos liberais foi se exaurindo, pois viram
uma ameaça à integridade da política cultural americana, considerando não ser possível
manter a união de povos com bagagens culturais tão diferenciadas, criticando que não
existiria sobrevivência se alemães, suecos, italianos, poloneses entre outros vivessem como
povos separados e autônomos politicamente, com governos próprios, em vez de
considerarem-se membros de um grupo único e pluriétnico. Concluindo o autor descreve os
direitos das minorias na tradição socialista, que muitos pensam pelo fato da comunidade ou
fraternidade ser o princípio chave do socialismo, os direitos de comunidades culturais são
bem vindos, no entanto os socialistas foram hostis a estes direitos, primeiramente pelo fato
do socialismo se basear na teoria hegeliana da evolução histórica levando assim à ideia de
caráter provisório das comunidades culturais menores, que serão substituídas, com a
evolução, pelas maiores, Marx e Engels também aceitavam que determinadas nações
possuíssem estruturas políticas e econômicas altamente centralizadas, seriam os vetores
do desenvolvimento histórico, enquanto as meninas seriam atrasadas e estagnadas, além
da hegemonia linguística, de fato a assimilação de pequenas nacionalidades pelas maiores
era um fato esperado e por tanto não deveria ser interrompido ou contido. Considerando
que as identidades étnicas e nacionais são um obstáculo político, uma vez que as
diferenças políticas essenciais são de classe e que as diferenças nacionais inibem o
sentimento de solidariedade necessário para alcançar a justiça social, pressupondo que os
cidadãos devam compartilhar a mesma identidade nacional.
Assim, Kymlicka conclui, que a tradição socialista geralmente se opôs aos direitos
das minorias, o que quase sempre se pode explicar pelo comprometimento dos socialistas
marxianos e utópicos com o internacionalismo, que é a união de todos os trabalhadores do
mundo, e que uma sociedade sem classe transcenderá todas as divisões nacionais.