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Na Rota da Índia

Cena I

Narrador- (dirigindo-se para o público) – Desde a chegada de Vasco da Gama à India, Portugall
mudou. É um reino rico. Os nossos marinheiros fazem viagens regulares à India.

Navegante – (olhando para o capitão) – Pois é! Os portugueses comercializam com os indianos nas
feitorias de Cochim, Cananor, Coulão e Goa.

Capitão – Através da rota do Cabo, Portugal domina o comércio no Oceano Índico.

Chega o rei D. Manuel I

Rei D. Manuel I – (sentado no trono reúne com os capitães da armada) - Mandei vir de Itália e de
Inglaterra objetos de metal e tecidos luxuosos. As naus e os galeões devem ir carregados com
produtos que interessem aos indianos.

Navegante - (coçando a barba) – Claro que levaremos estes produtos, além de azeite, mel, vinho,
cortiça, açúcar, pau-brasil, malaguetas e ouro que vem de Africa.

Capitão – (de frente para o público) – Estamos no final do mês de Março. É a altura ideal para
iniciarmos a nossa viagem. Apanharemos a monção grande, esse vento que nos ajudará a navegar
mais facilmente.

Navegante – Sendo assim, partiremos na próxima semana.

Navegante – Não se esqueçam que a água e os mantimentos que iremos levar devem estar fechados
à chave e estarem longe do calor e da humidade. No fundo das naus é preciso colocar algumas
pedras para navegarmos com maior segurança.

Navegante – Atenção (apontando o dedo) temos de estar preparados para os ataques dos piratas e
dos corsários. São necessárias balas de canhão e pólvora, para os vários meses que a viagem dura.
Preciso de muitos bombardeiros a bordo.

Cena II

Narradora - No cais os marinheiros estão atarefados.

Carregam e distribuem as mercadorias, dizem: Ou, ou, iça; Ou, ou, iça; Ou, ou, iça; Ou, ou, iça; Ou,
ou, iça.

Os membros da tripulação entram a bordo, levando as trouxas, formam o galeão e declamam o


poema de Sebastião da Gama “Pelo sonho é que vamos”

Pelo sonho é que vamos,

comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?

Haja ou não haja frutos,

pelo sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

1
Basta a esperança naquilo

que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,

com a mesma alegria,

ao que desconhecemos

e ao que é do dia a dia.

Chegamos? Não chegamos?

– Partimos. Vamos. Somos.

Capitão – Toda a população deve entrar a bordo (desloca-se de lado para lado no convés). Quero os
sábios junto de mim, assim como os mapas, as bússolas, os quadrantes e os sextantes. Já coloquei os
instrumentos de navegação nos meus aposentos (inclinado).

Navegante (aponta para a tripulação e diz o provérbio a rir) – Quem vai para o mar, avia-se em terra.

Mulheres – Esperamos não ser descobertas. Não podemos viajar. Entramos disfarçadamente
(cantam e dançam em pares e sorrateiramente vão ocupar as suas posições no galeão).

Navegante – (diz o provérbio a rir, apontando para as mulheres disfarçadas de homens) –Quem
tarde embarca, remo torto não lhe falta.

Alguns navegantes (dizem a quadra) – Quem embarca, quem embarca/ Quem vem para o mar quem
vem? /Quem embarca nos meus olhos? /Ó que linda maré tem!

Capitão - Com mil diabos, icem já a vela mestra, seus patifes de uma figa.

Navegantes (dois) – Já chega de beber rum e de coçar a barriga (dizem coçando a barriga e fazendo
de bêbedos)

Capitão - Depressa, está na hora de arribar. Barco parado não faz viagem (grita para os marinheiros
com voz grossa)

As várias profissões a bordo do galeão apresentam-se.

Escrivão – Eu sou o escrivão. Tenho aqui o diário de bordo para registar tudo o que se passa na
viagem.

Vários navegantes (dizem) – Naufrágios, tempestades, diversões, ataques de piratas, perigos

Trinqueiros – Nós somos os trinqueiros. Levamos todo o material para conservar as velas das naus.
(mostram os materiais)

Tanoeiros – E nós somos os tanoeiros. Temos os instrumentos para cuidar das pipas (mostram os
materiais).

Calafates – Nós somos os calafates. Cuidaremos das fendas da madeira das naus. (dizem o provérbio)
“ Grande nau, grande tormenta”.

Carpinteiros –Nós somos os carpinteiros. Consertaremos o mobiliário (fazem gestos)

2
Capelão – Eu sou o capelão. Rezarei missa, cuidarei das almas da tripulação e contarei histórias.

Mercadores – (deslocam-se no convés) Faremos negócios de compra e venda.

Outros navegantes – Nós estamos treinados a combater os piratas e os corsários (imitam uma luta
com espadas)

Barbeiro – Eu sou o barbeiro. Cuido das barbas e do cabelo desta tripulação. Também trato dos
doentes com várias doenças como o escorbuto e o berybery. Tiro dentes com um alicate e faço
sangrias (mostra o alicate e finge que arranca os dentes de um marinheiro)

Grumetes - E nós somos os responsáveis pela limpeza do galeão. Os quartos e o convés estão cheios
de excrementos de galinhas, porcos e cabritos (esfregam o chão com um pano).

Narradora – (dirigindo-se ao público) - Nas naus a tripulação tem momentos de diversão. Fazem
touradas (dois navegantes brincam às touradas). Jogam xadrez e ouvem histórias lidas pelo capelão

Capelão - “ Era uma vez um velho muito velho que inventava as palavras” (os restantes navegantes
repetem e de seguida o capelão diz, gesticulando) ” Era uma vez uma velha muito velha que destruía
as palavras” (os restantes navegantes repetem).

Despenseiro – Eu sou o responsável pela despensa. Tenho aqui a chave! A outra está com o escrivão.
Só nós dois é que podemos ter as chaves (mostra - a ao público) porque senão roubam os
mantimentos.

Bombardeiros (apresenta-se) –Nós somos os bombardeiros! Somos especialistas em bombas e


canhões!

Alguns marinheiros (dizem a quadra) - Embarquei no mar largo/ Já perdi vistas à terra,/Já não vejo
senão céu/água e vento que me leva.

Cena lll

Narradora – Os dias, as semanas e os meses vão passando (diz, pausadamente). Às vezes, os dias são
calmos, outras vezes, há grandes perigos e tempestades violentas e ataque de piratas (os
marinheiros imitam o som do vento e outros marinheiros imitam um combate com piratas).

Alguns navegantes (dizem a quadra) - A sorte do marinheiro/É uma verdade pura/Anda sempre a
trabalhar/em cima da sepultura.

Capitão – (passeia no convés, coloca o binóculo e grita) – Terra à vista! Aproximamo-nos da Índia. É
agora! Com bom vento e de feição é fácil a navegação (diz com entusiasmo este provérbio)!

(dirige-se aos marinheiros) – Descarreguem todos os produtos que trouxemos para o cais.

Navegante – Quero conhecer esta terra e ver as raparigas bonitas (faz cara de gozo e coça a barba)

A tripulação sai do galeão e vai comprar especiarias, pedras preciosas, sedas, porcelanas e perfumes
exóticos aos mercadores indianos (sentados em pequenos grupos de acordo com os produtos).

Narradora – Os marinheiros compram pimenta, cravinho, noz-moscada, pedras preciosas, sedas,


porcelanas e perfumes exóticos e colocam os produtos que trouxeram em caixas enormes.

(Dança indiana)

3
Navegante – Com tanta beleza, fico já por estas terras!!

Navegante – Bem que podes ficar! Mas nós estamos desejosos de voltar para as nossas famílias

Cena lV

Capitão – Vamos partir e regressar a Lisboa. A viagem será longa e perigosa.

Alguns marinheiros (dizem a quadra) - A sorte do marinheiro/ É uma pura verdade/ Anda sempre a
trabalhar/ Em cima da sepultura.

Capitão - Chegamos ao porto de Lisboa. Vejam a população e os encarregados do rei estão à nossa
espera.

Os navegantes no convés saúdam a população e depois saem das suas posições, desfazem o galeão e
retiram as mercadorias.

Encarregado do rei – (aponta para a mercadoria) – Levem todas as riquezas para o Palácio da Ribeira.
Elas pertencem ao rei D. Manuel l e ele decidirá o que fazer com elas.

Narradora– Quando chegam ao Palácio Real, D. Manuel l fica feliz com os resultados da viagem.

Rei – (mostra as riquezas trazidas) – Somos um povo grandioso! Portugal será um país rico e
poderoso. Em honra dos descobrimentos, mandarei construir a Torre de Belém e o Mosteiro dos
Jerónimos. Viva o povo português! (em coro, todos, dizem viva ao povo português!)

4
BARINEL

5
CARAVELA
LATINA

6
NAU

7
CARAVELA REDONDA

8
GALEÃO

9
BARCA

10

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