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José Domingos Muchanga .

Montagem da administração colonial

Em primeiro plano a montagem da administração colonial estava organizada em órgãos


metropolitanos da administração colonial, repartições encarregadas da coordenação geral do
processo de colonização dos territórios ultramarinos.2

Em razão do relativo fracasso dos sistemas das donatárias, a Coroa portuguesa viu-se obrigada a
centralizar o aparelho burocrático colonial, criando dessa maneira uma terceira estrutura
administrativa, o governo-geral, depois substituído pela nomeação de vice-reis. Os soberanos
portugueses costumavam ser assessorados, também nos assuntos coloniais, por elementos de
confiança, conhecidos pela designação de “secretários de Estado”. Apesar das proporções do
empreendimento, as questões relativas à colonização ultramarina ficaram, nos primeiros tempos,
sob inteira responsabilidade desses funcionários. 3 A administração variou de acordo com as
condições demográficas, culturais e económicas das regiões ocupadas. Ela podia ser directa, com
os funcionários da metrópole substituindo as autoridades locais, ou indirecta, utilizando-se das
autoridades locais subordinadas a funcionários da metrópole.

Dividiram o país em distritos e estes em circunscrição e conselhos. As circunscrições foram


divididas em postos. Os distritos tinham governadores que controlavam os administradores e as
suas ordens.

No princípio 1921 Manuel Brito Camacho, um político bem-sucedido em Lisboa, foi enviado a
Moçambique como alto-comissário, no entanto o mesmo não teve sucesso nesta colónia. Importa
referir que Moçambique estava sob administração directa de Portugal. Um dos obstáculos
enfrentados por Camacho, é o facto de colónia estar completamente dependente, a ponto de

1
Historiador
2
A.H.de oliveira Merques (2001), o império africano 1890-1928. Pp. 200-244. Moçambique. 484-537; 553.
3
Ibidem

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haver forcas económicas estrageiras que controlavam algumas áreas de Moçambique. (Vail e
White, 1980)4

Portugal procurou recuperar a autonomia económica, livrando-se do investimento de outras


potências imperialistas, contudo os esforços empreendidos por Portugal fracassaram.

De 1919-1928, Portugal não conseguiu montar um governo português devido a presença de


outras potências imperiais.

Principais pilares de administração colonial

Os administradores eram ajudados pelos régulos na cobrança de impostos, tributos, recrutamento


de trabalhadores para as plantações e para as minas, recrutamentos de homens para o exército.
Pode-se destacar Antonio Enes e Mouzinho Albuquerque.

Detenção de pessoas para o xibalo.

Para o funcionamento da economia colonial estava baseada nas plantações cujas culturas
estavam viradas para o mercado externo, algodão, cana-de-açúcar, coqueiro, borracha e outros.

Para plantar, sachar, cortar, extrair, transportar para as fábricas e processamento industrial,
carregamento de navios era utilizada a força braçal, pois não havia máquinas.

A Introdução de culturas obrigatórias como o algodão, o sisal e outras necessárias ao


funcionamento das indústrias europeias em detrimento das actividades de subsistência dos
camponeses, foram algumas das formas adoptadas.5

Os camponeses eram recrutados para trabalhar na construção de estradas, linhas férreas e outras
infra-estruturas de apoio ao sistema colonial.

Principal legislação até 1910

4
LEROY Vail and landing White, capitalism and colonialism in Mozambique: A Study of Quelimane District, Cap 5:
the struggle, 19191928. Pp. 200-244
5
ENNES, António. Moçambique. Lisboa: Imprensa Nacional, 1947.

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As leis que eram feitas para o Ultramar tinham algumas características especiais. Primeiramente,
na sua grande maioria, por autorização constitucional, não eram votadas pelo parlamento;
secundariamente, eram leis que tinham aplicações exclusivas, e marcadas pelo que se denominou
de urgência.6

Estas características, todavia, só aparecem quando, através do texto constitucional, autoriza-se o


Governo a legislar para o Ultramar. A Constituição Monárquica Portuguesa de 1826 não se
referia ao Ultramar explicitamente, isto porque, à altura, o ultramar era considerado como
fazendo parte da Nação, art. 2º. Ou seja, a nação era um todo formado pelo reino e seus domínios
e a Constituição tinha vigência, sem ressalvas, em todo este território7.

O que implica que as leis portuguesas eram válidas para as colónias, sem quaisquer alterações.
Entretanto, com a edição do Acto Adicional de 1852, no seu art. 15º, estabeleceu-se a edição de
leis especiais para as colónias, começando, oficialmente, a ser observado o regime da autonomia,
tão solicitado pelos administradores ultramarinos.8

Reforma administrativa de 1907

Esta reforma significou a consolidação da descentralização administrativa e autonomia colonial.


Até a década de 1880 a política colonial baseava-se em vários pressupostos, sendo mais
importante a doutrina liberal, na medida possível as colónias deveriam ser tratados como
membros da metrópole, seriam aplicadas as leis metropolitanas alargando os direitos cívicos e
prosseguidas as políticas económicas liberais.
Com a grande expansão do território africano na década de 1890 os portuguese haviam
abandonado esses dogmas liberais, em quanto as colónias eram vistas como parte integrando da
metrópole, os habitantes passaram a ser classificados como indígenas.
A especialidade das leis ultramarinas não era uma exclusiva preocupação portuguesa, todas as
nações colonizadoras tinham-na como base na edição das normas para aplicação nas suas

6
MARQUES, 2001, p 556
7
MARQUES, A. H. de Oliveira. Nova História da Expansão Portuguesa (volume XI) O Império Africano (1890 –
1930). Lisboa: Editorial Estampa, 2001.
8
Ibidem

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respectivas colónias.9 E não poderia ser diferente, porque a diversidade que se apresentava em
cada uma delas necessitava de tratamento desigual, até mesmo para que fossem igualadas.10 A
literatura francesa colonial, por exemplo, que inúmeras vezes serviu de exemplo para as
autoridades portuguesas, era favorável a observação dos usos e costumes dos indígenas, e,
consequentemente, da especialização das leis Esta reforma visava a criação de uma hierarquia de
administração civil, a colónia era dividida em 5 distritos cada um com o seu governador que são:
Lourenço Marques, Inhambane, Quelimane, Tete, e Moçambique, sendo o distrito militar de
Gaza absorvidos pelos dos primeiros.11

Depois de António Enes e Mouzinho Albuquerque, não se nomeou mais nenhum comissário-
régio durante a monarquia, e a colónia foi administrada por um governo-geral, era coadjuvado, a
partir de 1907, por um conselho do governo, que possuía apenas funções deliberativas e
consultivas. Organizaram-se departamentos administrativos para tratarem da educação, obras
públicas, pescas, turismo e agricultura ao nível nacional.

Bibliografia

ANDRADE, A. Freire. Relatórios sobre Moçambique. Lourenço Marques: Imprensa Nacional,


1907
COSTA, Eduardo, “Governos Coloniais”. Revista Portuguesa Colonial e Marítima, Quarto. Ano,
1900-1901 nos. 41 e 42, Lisboa, Livraria Ferin, 1901.
ENNES, António. Moçambique. Lisboa: Imprensa Nacional, 1947.
LEROY Vail and landing White, capitalism and colonialism in Mozambique: A Study of
Quelimane District, Cap 5: the struggle, 19191928. Pp. 200-244

MARQUES, A. H. de Oliveira. Nova História da Expansão Portuguesa (volume XI) O Império


Africano (1890 – 1930). Lisboa: Editorial Estampa, 2001.
NEWITT, Malyn. História de Moçambique. Lisboa. Publicações eropa-america, 1995 pp339

9
COSTA, Eduardo, “Governos Coloniais”. Revista Portuguesa Colonial e Marítima, Quarto. Ano, 1900-1901 nos.
41 e 42, Lisboa, Livraria Ferin, 1901.
10
ANDRADE, A. Freire. Relatórios sobre Moçambique. Lourenço Marques: Imprensa Nacional, 1907.

11
NEWITT, Malyn. História de Moçambique. Lisboa. Publicações eropa-america, 1995 pp339

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