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A Física Quântica: o que é, e para que serve

Já faz cem anos que Planck teve de lançar mão de uma expressão inusitada para
explicar os seus resultados da medida da intensidade da radiação emitida por um radiador
ideal - o corpo negro - levando-o assim a estabelecer o valor de uma nova constante
universal que ficou conhecida como a constante de Planck. A partir daí, e também em
função de outras experiências que apresentavam resultados igualmente surpreendentes no
contexto da mecânica de Newton e do eletromagnetismo de Maxwell, os pesquisadores do
começo do século passado se viram obrigados a formular hipóteses revolucionárias que
culminaram com a elaboração de uma nova física capaz de descrever os estranhos
fenômenos que ocorriam na escala atômica; a mecânica quântica.
Esta teoria, com a sua nova conceituação sobre a matéria e os seus intrigantes
postulados, gerou debates não só no âmbito das ciências exatas mas também no da filosofia,
provocando assim uma grande revolução intelectual no século XX. Obviamente que, além
das discussões sérias e conceitualmente sólidas, as características não cotidianas dos
fenômenos quânticos levaram muitos pesquisadores, e também leigos, a formular
interpretações equivocadas da nova teoria, o que infelizmente, ainda nos nossos dias, atrai a
atenção das pessoas menos informadas.
Só para se ter uma idéia podemos mencionar o nosso aparelho de CD, o controle
remoto de nossas TVs, os aparelhos de ressonância magnética em hospitais ou até mesmo o
micro-computador que ora usamos na elaboração deste artigo. Todos os dispositivos
eletrônicos usados nos equipamentos da chamada high-tech só puderam ser projetados
porque conhecemos a mecânica quântica.
A mecânica quântica é a teoria que descreve o comportamento da matéria na escala
do "muito pequeno", ou seja, é a física dos componentes da matéria; átomos, moléculas e
núcleos, que por sua vez são compostos pelas partículas elementares.
O primeiro conceito é o de partícula. Para nós este termo significa um objeto que
possui massa e é extremamente pequeno, como uma minúscula bolinha de gude. Podemos
imaginar que os corpos grandes sejam compostos de um número imenso destas partículas.
Este é um conceito com o qual estamos bem acostumados porque lidamos diariamente com
objetos dotados de massa e que ocupam uma certa região do espaço.
O segundo conceito é o de onda. Este, apesar de ser também observado no nosso dia
a dia, escapa à atenção de muitos de nós. Um exemplo bem simples do movimento
ondulatório é o das oscilações da superfície da água de uma piscina. Se mexermos
sistematicamente a nossa mão sobre esta superfície, observaremos uma ondulação se
afastando, igualmente em todas as direções, do ponto onde a superfície foi perturbada.
O caso particular aqui mencionado é o de onda material, ou seja, aquela que precisa
de um meio material para se propagar (a água da piscina no nosso caso). Entretanto, esse
não é o caso geral. Há ondas que não precisam de meios materiais para a sua propagação,
como é o caso da radiação eletromagnética. Aqui, a energia emitida por cargas elétricas
aceleradas se propaga no espaço vazio (o vácuo) como as ondas na superfície da piscina.
Apesar da sua origem mais sutil, a radiação eletromagnética está também presente
na nossa experiência diária. Dependendo da sua frequência ela é conhecida como: onda de
rádio, FM, radiação infravermelha, luz visível, raios-X e muito mais.
Em um experimento realizado uma onda, material ou não, incida sobre um anteparo
opaco onde haja duas fendas (ver figura abaixo). Cada uma das fendas passa então a ser
fonte de um novo movimento ondulatório. Uma característica fundamental deste
movimento é o fenômeno de interferência, que reflete o fato das oscilações provenientes de
cada uma das fendas poderem ser somadas ou subtraídas uma da outra. Colocando-se agora
um segundo anteparo, distante do primeiro, onde iremos detetar a intensidade da onda que o
atinge, observaremos como resultado uma figura que alterna franjas com máximos e
mínimos da intensidade da onda. Esta é a chamada figura de interferência.

a) arranjo experimental b) visão frontal do segundo anteparo

Vamos agora repetir a mesma experiência com a diferença que, ao invés de ondas,
incidimos partículas sobre o primeiro anteparo. O que ocorre nesta nova situação é a
presença de duas concentrações distintas de partículas atingindo o segundo anteparo.
Aquelas que passam por uma ou outra fenda, como mostra a figura abaixo.
Este seria, portanto, o resultado esperado pela física clássica. Entretanto, quando
esta experiência é feita com partículas como elétrons ou nêutrons, ocorre o inesperado:
forma-se no segundo anteparo uma figura de interferência na concentração de partículas
que a atingem, como mostramos em seguida.

Ainda mais estranho é a repetição desta mesma experiência com apenas uma
partícula. Ela passa pelo primeiro anteparo e atinge o segundo em apenas um ponto.
Vamos, então, repetir esta mesma experiência um número enorme de vezes. O resultado é
que em cada experimento o ponto de deteção no segundo anteparo é diferente. Entretanto,
sobrepondo todos os resultados obtidos nos segundos anteparos de cada experiência obtém-
se, novamente, a mesma figura de interferência da figura anterior.

Assim, mesmo falando de apenas uma partícula, nos vemos obrigados a associá-la a
uma onda para que possamos dar conta da característica ondulatória presente no nosso
exemplo. Por outro lado, devemos relacionar esta onda à probabilidade de se encontrar a
partícula em um determinado ponto do espaço para podermos entender os resultados de
uma única experiência de apenas uma partícula. Este é o chamado princípio da dualidade
onda-partícula.

Bibliografia:

* Fundamentos de física vol. 4- Ótica e Física Moderna

*www.ufsm.br

Grupo: Ana Claudia Paes Witzel nº03


Gabriela Fernandes nº14
Lais R. D. Sommaggio nº23
Maria Angélica Arnosti nº30