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Art.

213 e 214 ‘revogado’ – (Estupro e Atentado Violento ao


Pudor)
EMENTA: APELACAO CRIMINAL. ESTUPRO. ATENTADO VIOLENTO AO
PUDOR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRENCIA.
INSUFICIENCIA DE PROVAS PARA CONDENACAO. ABSOLVICAO.
IMPROCEDENCIA. DOSIMETRIA DA PENA. CONCURSO MATERIAL.
APLICACAO DA LEI N. 12.015/09. 1 - NAO DEMONSTRADO PREJUIZO A PARTE,
NAO HA FALAR EM NULIDADE PROCESSUAL POR CERCEAMENTO DE DEFESA (ART .
563, CPP E SUMULAS 155 E 523 DO STF). 2 - NAO PROCEDE A NEGATIVA DE
AUTORIA EM VERSAO ISOLADA DO REU, QUANDO AS DEMAIS PROVAS SAO
ROBUSTAS A COMPROVAR A OCORRENCIA DA CONDUTA DELITIVA, NA FORMA
DESCRITA NA DENUNCIA. 3 - NOS CRIMES CONTRA OS COSTUMES, USUALMENTE
PRATICADOS NA CLANDESTINIDADE, A PALAVRA DA VITIMA GANHA ESPECIAL
RELEVO PROBATORIO, SE NAO DESTOA DOS DEMAIS ELEMENTOS DE PROVA. 4 -
COM O ADVENTO DA LEI 12.015/09, DE 07 DE AGOSTO DE 2009, O CRIME DE
ESTUPRO PASSOU A SER DE CONDUTA MULTIPLA OU DE CONTEUDO VARIADO.
PRATICANDO O AGENTE MAIS DE UM NUCLEO, DENTRO DO MESMO CONTEXTO
FATICO, DEVE SER AFASTADO O CONCURSO MATERIAL DE CRIMES E RECONHECIDA
A CONTINUIDADE DELITIVA, EM OBEDIENCIA A RETROATIVIDADE DA LEI MAIS
BENEFICA. APELACAO PROVIDA, PARA RETIFICACAO DA PENA APLICADA. (TJ-GO.
APELACAO CRIMINAL - 37204-9/213. 1ª Câmara Criminal. Rel. DES.
HUYGENS BANDEIRA DE MELO. DJ 539 de 16/03/2010).

EMENTA: APELACAO CRIMINAL. ESTUPRO. VIOLENCIA PRESUMIDA. VITIMA


MENOR. AUSENCIA DE INTIMACAO DO DEFENSOR NOMEADO.
TEMPESTIVIDADE DO RECURSO. AUTORIA E MATERIALIDADE
COMPROVADAS. CONDENACAO MANTIDA. DOSIMETRIA DA PENA.
CONTINIDADE DELETIVA. INDIVIDUALIZACAO PARA CADA CRIME.
IMPOSSIBILIDADE. EXCLUSAO DE MAJORANTE. 1 - SE O DEFENSOR NOMEADO
AO REU NAO FOI INTIMADO DA SENTENCA PENAL CONDENATORIA. DEVE SER
CONSIDERADO TEMPESTIVO O RECURSO INTERPOSTO, EM RESPEITO AO PRINCIPIO
DA AMPLA DEFESA. 2 - ESTANDO DEVIDAMENTE COMPROVADA A MATERIALIDADE E
A AUTORIA DO CRIME DE ESTUPRO, APURANDO-SE QUE O REU CONSTRANGEU SUA
FILHA MENOR A MANTER COM ELE CONJUNCAO CARNAL, REVELA-SE COFIGURADO O
DELITO DE ESTUPRO, MERECENDO, PORTANTO, SER CONFIRMADO O DECRETO
CONDENATORIO. 3 - NO CRIME CONTINUADO, A AUSENCIA DE ANALISE
INDIVIDUALIZADA DAS CIRCUNSTANCIAS JUDICIAIS, PARA CADA UM DOS DELITOS,
CONFIGURA NULIDADE, SO NAO DECLARADA, NO CASO, POR MOSTRAR-SE SEM
PRATICIDADE ALGUMA A INDIVIDUALIZACAO DE CADA CONDUTA PERPETRADA PELO
ACUSADO, PORQUANTO FORAM COMETIDAS EM FACE DA MESMA VITIMA E SEM QUE
HOUVESSE VARIACAO EM SUAS CIRCUNSTANCIAS, ISTO E, DEVEM SER
CONSIDERADAS COMO DELITOS DE IGUAL GRAVIDADE, DE MODO A ENSEJAR PENAS
IDENTICAS. 4 - O AUMENTO DE PENA PREVISTO NO ARTIGO 9., DA LEI N. 8.072/90
TEM APLICACAO SOMENTE NOS CASOS DE ESTUPROE ATENTADO VIOLENTO AO
PUDOR PRATICADOS CONTRA MENOR DE 14 (QUATORZE) ANOS, DE QUE RESULTE
LESAO CORPORAL GRAVE OU MORTE, SOB PENA CONFIGURAR- SE O BIS IN IDEM.
APELO CONHECIDO E IMPROVIDO. SENTENCA REFORMADA DE OFICIO PARA
EXCLUIR A MAJORANTE DO ARTIGO 9., DA LEI 8.072/90. (TJ-GO. 1ª Câmara
Criminal. Apelação Criminal - 37305-1/213. Rel. DES. ITANEY FRANCISCO
CAMPOS. DJ 539 de 16/03/2010).

EMENTA: 'HABEAS CORPUS'. 1 - O FATO DO ART. 214, DO CODIGO PENAL, TER


SIDO REVOGADO, PELA LEI N. 12.015/09, NAO DA ENSEJO A EXTINCAO DA
PUNIBILIDADE DOS CRIMES PRATICADOS E CONDENADOS NAQUELE DISPOSITIVO,
UMA VEZ QUE A FIGURA TIPICA 'PRATICAR ATO LIBIDINOSO' NAO FOI EXCLUIDA DO
ORDENAMENTO JURIDICO PENAL, MAS APENAS ENCAMPADA AO 'MODUS OPERANDI'
DO CRIME DE ESTUPRO. 2 - NAO SE CONHECE DO PEDIDO DE DECLARACAO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL EM SEDE DE HABEAS CORPUS, PRIMEIRO
POR NAO SER A VIA APROPRIADA PARA TAL FINALIDADE E, EM SEGUNDO PLANO,
POR SER DE COMPETENCIA EXCLUSIVA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (ART. 102,
II, 'B',CF). ORDEM CONHECIDA E DENEGADA QUANTO AO PEDIDO DE EXTINCAO DA
PUNIBILIDADE E NAO CONHECIDA QUANTO AO PEDIDO DE DECLARACAO DE
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI FEDERAL. (TJ-GO. 2ª Câmara Criminal. HC
-37741-0/217. Rel. DES. NEY TELES DE PAULA. DJ 546 de 25/03/2010).

Art. 215 (Violação Sexual Mediante Fraude)


Decisões monocráticas STJ

RE no REsp 445881
Relator(a) Ministro EDSON VIDIGAL Data da Publicação 16/05/2003 Decisão
RE no RECURSO ESPECIAL Nº 445.881 - BA (2002/0077962-8)
RECORRENTE : CLÓVIS DOS SANTOS
ADVOGADO : DJALMA EUTIMIO DE CARVALHO
RECORRIDO : MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DA BAHIA

DECISÃO

Fazendo-se passar por “pai de santo”, “curandeiro” e “vidente”, Clóvis dos Santos
teria constrangido diversas mulheres, em sua maioria adolescentes, a com ele
manterem conjunção carnal - tudo, mediante grave ameaça física e moral, a última
consubstanciada na alegação de que, caso resistissem, as vítimas e seus familiares
correriam risco de vida, este decorrente dos poderes da “entidade espiritual”
contrariada.
Denunciado, por infração ao CP, arts. 284, I e II, 213, c/c 71, parágrafo único (por
quatro vezes), 213, c/c 14, II e 329, e à Lei 8069/90, art. 241 (porque surpreendido
na posse de fotos de uma de
suas vítimas, menor, que tirara durante o evento criminoso, para posterior
revenda), Clóvis teve desclassificados os crimes de estupro para posse sexual
mediante fraude (CP, art. 215, “caput”),
pelo qual foi condenado à pena de sete anos e seis meses de reclusão, mais três
meses de detenção pela resistência, e absolvido quanto aos demais.
Foi então interposto um apelo, ao qual o TJ/BA deu parcial provimento para,
acolhendo a tese defensiva relativa à continuidade delitiva, diminuir a reprimenda
imposta para dois anos de reclusão, fixado o regime semi-aberto para o
cumprimento respectivo.
Opostos Embargos Declaratórios, foram eles parcialmente acolhidos para declarar
extinta a punibilidade do réu, pela prescrição, quanto ao crime de resistência.
Veio então o Recurso Especial, assim decidido pela Quinta Turma:

“CRIMINAL. RESP. ESTUPRO. POSSE SEXUAL MEDIANTE FRAUDE.


INADEQUAÇÃO TÍPICA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. ABSOLVIÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N.º 07/STJ. MUTATIO LIBELLI.
INOCORRÊNCIA. RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E DESPROVIDO. Não
se conhece de recurso visando a absolvição do réu com base na inadequação típica
do fato e na insuficiência das provas que ensejaram a condenação, se a pretensão
esbarra no óbice da Súmula n.º 07 desta Corte. Não ocorre mutatio libeli quando o
magistrado de primeiro grau de jurisdição desclassifica o crime de estupro para
posse sexual mediante fraude, sem modificar os fatos dos quais o réu tinha que se
defender. Recurso parcialmente conhecido e desprovido.”

É dessa decisão que a defesa reclama, agora, via Recurso Extraordinário. Sustenta
ofendidos o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, na medida em
que, desclassificados os crimes de estupro para posse sexual mediante fraude,
quanto a este não foi dado ao acusado defender-se.
Pede seja anulado todo o processado, a partir da sentença, “devendo ser propiciado
prazo ao recorrente para apresentar sua defesa sobre a nova imputação e
apresentar provas, cf. autoriza o art. 384, caput, do CPP” (fl. 473).
Contra-razões às fls. 476/481.
O Recurso não merece trânsito.
Infere-se dos autos que dos dispositivos tidos como ofendidos não cuidou a decisão
recorrida, nem foram opostos Embargos Declaratórios a sanar qualquer omissão. A
pretensão esbarra, portanto, nos óbices previstos nos verbetes 282 e 356/STF.
Ainda que assim não fosse, a demanda remete à correta aplicação do texto de lei
federal – CPP, art. 384, fundamento exclusivo do Acórdão atacado. É contra tal fato
que se insurge o Extraordinário, valendo transcrever, daquele arrazoado:

“Vê-se, pois, que a r. decisão, ora hostilizada, deve ser reformada, porquanto a
denúncia, inequivocamente, somente demonstrou delitos de estupro e não posse
sexual mediante fraude, o que demonstra a patente violação do art. 384, caput, do
CPP. E, por conseguinte, os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido
processo legal, haja vista que o recorrente não teve o direito de se defender, em
juízo, da imputação de posse sexual mediante fraude” (fl. 472, grifei).

Sob tal aspecto, não há como visualizar a existência de ofensa direta e frontal à
Constituição, diante da prévia e necessária exegese de normas de feição
estritamente infraconstitucional. Possível transgressão ao texto constitucional seria,
quando muito, de ordem reflexa ou indireta, o que, efetivamente, impede a
abertura da via extraordinária. Segundo orienta o Supremo Tribunal, "O recurso
extraordinário não é admissível quando a constatação de ofensa ao texto
constitucional reclama, para que se configure, a formulação de juízo prévio de
legalidade fundado na vulneração e infringência de dispositivos de ordem
meramente legal" (AGRAG 155.188, rel. Min. Celso de Mello).

De mais a mais, “apresenta-se sem utilidade prática o processamento do recurso


extraordinário quando o acórdão recorrido encontra-se em sintonia com a
jurisprudência do STF acerca do tema” (AgRg 239792-7, Rel. Min. Ilmar
Galvão).

E outro não é o entendimento do Supremo sobre a questão:

“1. HABEAS CORPUS. 2. Pacientes denunciados como incursos no art. 334,


combinado com o art. 14, II, do Código Penal, e condenados com base no art. 22 e
parágrafo único, da Lei nº 7492/1986, combinado com o art. 14, II, do Código Penal.
3. Alegação de nulidade da sentença e do processo a partir da fase do art. 499, do
Código de Processo Penal, por inobservância do art. 384 e parágrafo único, do
mesmo diploma processual penal. 4. Ocorrência, na espécie, de emendatio libelli e
não de mutatio libelli. Invocação do art. 383, sendo inaplicável o disposto no art.
384 e parágrafo único, ambos do Código de Processo Penal. 5. Cerceamento de
defesa que não se verificou no caso concreto. 6. O réu defende-se do fato que lhe é
imputado na denúncia ou queixa e não da classificação jurídica feita pelo Ministério
Público ou pelo querelante. O juiz poderá dar ao fato definição jurídica diversa da
que constar da denúncia ou da queixa, ainda que, em conseqüência, tenha de
aplicar pena mais grave (Código de Processo Penal, art. 383). 7. Não conhecimento
do habeas corpus, no que concerne à alegação de retroatividade de lei mais
rigorosa (Lei nº 7766/1989), em relação ao crime de evasão de divisas, porque o
tema não foi objeto de debate e decisão, no Tribunal indigitado coator, por ocasião
do julgamento da apelação interposta pela defesa, já que não suscitado nas razões
de recurso. 8. Habeas Corpus conhecido, em parte, e, nessa parte, indeferido. 9.
Remessa dos autos ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, para que julgue,
como entender de direito, a parte do pedido não conhecida pelo Supremo Tribunal
Federal.” (HC 74553/RS, Rel. Min. Néri da Silveira, DJ em 19/12/96).

"HABEAS CORPUS". ESTUPRO. VÍTIMA MENOR DE 14 (CATORZE) ANOS.


PRESUNÇÃO DE VIOLÊNCIA: AINDA QUE AFASTADA PELA SENTENÇA, NÃO
OBSTA A CONDENAÇÃO PELO ART. 213 DO CP. MUTATIO LIBELII:
INOCORRÊNCIA. 1. Se a sentença, adotando a corrente doutrinária segundo a qual
é de afastar-se a ficção jurídica de violência quando ausente a innocentia consilii do
sujeito passivo, decide que o réu não deve ser apenado na forma do art. 224, do CP,
não obsta que o condene como incurso nas sanções do art. 213 do mesmo Código.
2. Não dá motivo à nulidade a sentença que, desconsiderando a aplicação do art.
224 do CP, fundamenta a condenação pelo crime de estupro, na convicção de que a
vítima foi coagida a manter relações sexuais, tendo sido deflorada pelo paciente. 3.
Tendo em vista que não ocorreu nova definição jurídica do fato, e que o réu se
defendeu da prática do crime de estupro pelo qual foi acusado, não há falar-se em
mutatio libelii. 4. Habeas Corpus indeferido. (HC 74215/MG, Rel. Min. Maurício
Corrêa, DJ em 24/09/96).

Assim, à míngua de questão apta a ser revista pelo Supremo Tribunal Federal, não
admito o Recurso Extraordinário.

Publique-se.

Brasília (DF), 09 de maio de 2003.

MINISTRO EDSON VIDIGAL


Vice-Presidente

Art. 216-A (Assédio Sexual)


EMENTA: HABEAS CORPUS. DENÚNCIA POR ASSÉDIO SEXUAL CONTRA
ADOLESCENTE. ACUSADO O MOTORISTA DO TRANSPORTE ESCOLAR QUE CONDUZIA
A VÍTIMA. ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO, DIANTE DA
POSSIBILIDADE DE A FAMÍLIA DA VÍTIMA ARCAR COM AS DESPESAS DA AÇÃO
PENAL. DECISÃO ACERCA DA LEGITIMIDADE ATIVA PELO JUIZ NATURAL DA CAUSA.
DIREITO SUBJETIVO DO RÉU À TRANSAÇÃO PENAL NÃO RECONHECIDO. ATIPICIDADE
DA CONDUTA NÃO EVIDENTE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO CONFIGURADO. I -
LEGITIMIDADE DO MINISTÉRIO PÚBLICO PARA PROPOR A AÇÃO PENAL MEDIANTE
REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA OU DE SEUS PAIS (ART. 225, §1º, I, DO CP). A questão
relativa à legitimidade do Ministério Público para propor a ação penal foi decidida
pelo juiz natural da causa, em momento superveniente à inteposição do writ. O
habeas corpus, por sua vez, não se constitui no recurso da parte que não obtém
êxito em pleito judicial, mostrando-se incabível seu conhecimento no ponto. II -
DIREITO SUBJETIVO DO RÉU À TRANSAÇÃO PENAL. Na linha de outras decisões
desta Câmara, o réu não tem direito subjetivo à suspensão condicional do processo,
mas à manifestação fundamentada do órgão ministerial a respeito, o que já ocorreu
no caso dos autos, tendo o Ministério Público manifestado posicionamento contrário
quando do oferecimento da denúncia. III - ATIPICIDADE DA CONDUTA NÃO
EVIDENTE. Em princípio, a conduta narrada na denúncia não é atípica. Se o tipo
penal eleito pelo Ministério Público não foi o correto, existem mecanismos de
adequação à disposição do magistrado. ORDEM PARCIALMENTE CONHECIDA E, NO
PONTO EM QUE CONHECIDA, DENEGADA. (Habeas Corpus Nº 70031153349, 6ª
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Alberto
Etcheverry, Julgado em 13/08/2009).

EMENTA: ASSÉDIO SEXUAL. ART 216-A, DO CÓDIGO PENAL. SENTENÇA


ABSOLUTÓRIA. INCONFORMIDADE MINISTERIAL. Para a configuração do delito
de assédio sexual é necessário que o réu tenha se prevalecido de sua superioridade
hierárquica para constranger a vítima no intuito de obter vantagem ou
favorecimento sexual Prova insuficiente sobre os elementos constitutivos do tipo.
Dúvida que diz respeito à tipificação da conduta delituosa. Aplicação do princípio do
in dubio pro reo. RECURSO DESPROVIDO. ABSOLVIÇÃO MANTIDA. (Recurso Crime
Nº 71002102325, Turma Recursal Criminal, Turmas Recursais, Relator:
Laís Ethel Corrêa Pias, Julgado em 08/06/2009)
Arts. 217-A (Estupro de vulnerável)
EMENTA: HABEAS CORPUS. ESTUPRODE VULNERAVEL. REVOGACAO PRISAO
TEMPORARIA. FUNDAMENTACAO SUFICIENTE PARA MANUTENCAO DA CUSTODIA.
INDEFERIMENTO. FACE A DEMONSTRACAOCONCRETA DA NECESSIDADE DA PRISAO
TEMPORARIA PARA GARANTIA DA INSTRUCAO CRIMINAL, DIANTE DA ESTREITA
RELACAO ENTRE O REU E A VITIMA, SUA MANUTENCAO E MEDIDA QUE SE IMPOE.
ORDEM DENEGADA. (TJ-GO. 1ª Câmara Criminal. HC - 37580-8/217. Rel. DES.
IVO FAVARO. DJ 539 de 16/03/2010)

Informativo nº 0409
Período: 28 de setembro a 2 de outubro de 2009.
Quinta Turma – STJ
ESTUPRO. RETROATIVIDADE. LEI.
Este Superior Tribunal firmou a orientação de que a majorante inserta no art. 9º da
Lei n. 8.072/1990, nos casos de presunção de violência, consistiria em afronta ao
princípio ne bis in idem. Entretanto, tratando-se de hipótese de violência real ou
grave ameaça perpetrada contra criança, seria aplicável a referida causa de
aumento. Com a superveniência da Lei n. 12.015/2009, foi revogada a majorante
prevista no art. 9º da Lei dos Crimes Hediondos, não sendo mais admissível sua
aplicação para fatos posteriores à sua edição. Não obstante, remanesce a maior
reprovabilidade da conduta, pois a matéria passou a ser regulada no art. 217-A do
CP, que trata do estupro de vulnerável, no qual a reprimenda prevista revela-se
mais rigorosa do que a do crime de estupro (art. 213 do CP). Tratando-se de fato
anterior, cometido contra menor de 14 anos e com emprego de violência ou grave
ameaça, deve retroagir o novo comando normativo (art. 217-A) por se mostrar mais
benéfico ao acusado, ex vi do art. 2º, parágrafo único, do CP. REsp 1.102.005-SC,
Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 29/9/2009.

EMENTA: PENAL. RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO. AUMENTO PREVISTO NO


ART. 9º DA LEI Nº 8.072/90. VIOLÊNCIA REAL E GRAVE AMEAÇA.
INCIDÊNCIA. SUPERVENIÊNCIA DA LEI Nº 12.015/2009. I - Esta Corte firmou
orientação de que a majorante inserta no art. 9º da Lei nº 8.072/90, nos casos de
presunção de violência, consistiria em afronta ao princípio ne bis in idem.
Entretanto, tratando-se de hipótese de violência real ou grave ameaça perpetrada
contra criança, seria aplicável a referida causa de aumento. (Precedentes). II - Com
a superveniência da Lei nº 12.015/2009 restou revogada a majorante prevista no
art. 9º da Lei dos Crimes Hediondos, não sendo mais admissível a sua aplicação
para fatos posteriores à sua edição. Não obstante, remanesce a maior
reprovabilidade da conduta, pois a matéria passou a ser regulada no art. 217-A do
CP, que trata do estupro de vulnerável, no qual a reprimenda prevista revela-se
mais rigorosa do que a do crime de estupro (art. 213 do CP). III - Tratando-se de
fato anterior, cometido contra menor de 14 anos e com emprego de violência ou
grave ameaça, deve retroagir o novo comando normativo (art. 217-A) por se
mostrar mais benéfico ao acusado, ex vi do art. 2º, parágrafo único, do CP. Recurso
parcialmente provido. (STJ. RECURSO ESPECIAL Nº 1.102.005. Rel. MINISTRO
FELIX FISCHER. 19/10/2009).

Art. 218 (Corrupção de Menores)

Informativo nº 0397
Período: 1º a 5 de junho de 2009.
Quinta Turma – STJ
MENOR. CONJUNÇÃO CARNAL. CORRUPÇÃO.
A conduta do recorrido que praticou ato libidinoso consistente em conjunção carnal
com vítima de 14 anos não se adequa ao delito tipificado no art. 213 do CP, pois
houve consentimento daquela. Do mesmo modo não se amolda ao delito previsto no
art. 218 do CP (corrupção de menor); pois, conforme o acórdão recorrido, soberano
na análise do confronto fático-probatório, a vítima já teria, anteriormente, mantido
relações sexuais com outras pessoas. Assim, conforme precedente da Turma, a
anterior inocência moral do menor se presume iuris tantum como pressuposto fático
do tipo. Quem já foi corrompido não pode ser vítima do delito sob exame.
Precedente citado: REsp 822.977-RJ, DJ 12/11/2007. REsp 1.107.009-PR, Rel.
Min. Felix Fischer, julgado em 4/6/2009.

EMENTA: APELACOES CRIMINAIS. CRIMES DE EXPLORACAO SEXUAL E CORRUPCAO


DE MENORES. NAO CARACTERIZACAO. ABSOLVICAO. ESTUPRO E ATENTADO
VIOLENTO AO PUDOR. NULIDADES. PRINCIPIO IDENTIDADE FISICA DO JUIZ.
INOCORRENCIA. ABSOLVICAO. IMPOSSIBILIDADE. NULIDADE DA SENTENCA.
AUSENCIA DE FUNDAMENTACAO. INOCORRENCIA. SUFICIENTE. CONTINUIDADE
DELITIVA. NUMERO DE INFRACOES. CONCURSO MATERIAL. I - NAO HAVENDO PROVA
JURISDICIONALIZADA CAPAZ DE SUSTENTAR QUE O REU TENHA PRATICADO OS
CRIMES DE CORRUPCAO DE MENORESE EXPLORACAO SEXUAL, IMPOSITIVA A SUA
ABSOLVICAO. II - NAO PROSPERA A ALEGACAO DE OFENSA AO PRINCIPIO DA
IDENTIDADE FISICA DO JUIZ, QUE NAO E ABSOLUTO, MORMENTE QUANDO O
TITULAR ENCONTRAVA-SE DE FERIAS, O QUE E PERMITIDO, POR ANALOGIA, DO
PRECEITUADO PELO ARTIGO 132 DO CPC. III - NOS CRIMES CONTRA OS COSTUMES,
COMO O ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR E ESTUPRO, EM ESPECIAL CONTRA
MENOR, EM REGRA PRATICADOS NA CLANDESTINIDADE, A PALAVRA DA VITIMA E
HABIL A ENSEJAR DECRETO CONDENATORIO, MORMENTE SE EM HARMONIA COM
OUTROS ELEMENTOS DE PROVAS. IV - A SENTENCA QUE ANALISOU, MESMO QUE DE
FORMA SUCINTA, AS ELEMENTARES DA CULPABILIDADE, NAO ESTA EIVADA DE
NULIDADE. V - DEVE SER UTILIZADO O PATAMAR DE 1/5 (UM QUINTO), NA
CONTINUIDADE DELITIVA DE TRES CRIMES. VI - NAO HA QUE SE FALAR EM
DESCARACTERIZACAO DE CONCURSO MATERIAL, QUANDO O AGENTE PRATICA OS
CRIMES DE ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR E ESTUPRO CONTRA VITIMAS
DIVERSAS. APELOS CONHECIDOS E IMPROVIDOS. (TJ-GO. 1ª Câmara Criminal.
Apelação Criminal - 35894-8/213. Rel. DES. AMELIA MARTINS DE ARAUJO.
DJ 406 de 26/08/2009).

EMENTA: APELAÇÕES CRIMINAIS. CRIMES DE EXPLORAÇÃO SEXUAL E


CORRUPÇÃO DE MENORES. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ABSOLVIÇÃO. ESTUPRO
E ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. NULIDADES. PRINCÍPIO IDENTIDADE
FÍSICA DO JUIZ. INOCORRÊNCIA. ABSOLVIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
NULIDADE DA SENTENÇA. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO.
INOCORRÊNCIA. SUFICIENTE. CONTINUIDADE DELITIVA. NÚMERO DE
INFRAÇÕES. CONCURSO MATERIAL. I – Não havendo prova jurisdicionalizada
capaz de sustentar que o réu tenha praticado os crimes de corrupção de menores e
exploração sexual, impositiva a sua Página 3 - AC nº 35894-8/213 (200901610300)
4. absolvição. II – Não prospera a alegação de ofensa ao princípio da identidade
física do juiz, que não é absoluto, mormente quando o titular encontrava-se de
férias, o que é permitido, por analogia, do preceituado pelo artigo 132 do CPC. III -
Nos crimes contra os costumes, como o atentado violento ao pudor e estupro, em
especial contra menor, em regra praticados na clandestinidade, a palavra da vítima
é hábil a ensejar decreto condenatório, mormente se em harmonia com outros
elementos de provas. IV - A sentença que analisou, mesmo que de forma sucinta, as
elementares da culpabilidade, não está eivada de nulidade. V – Deve ser utilizado o
patamar de 1/5 (um quinto), na continuidade delitiva de três crimes. VI - Não há que
se falar em descaracterização de concurso material, quando o agente pratica os
crimes de atentado violento ao pudor e estupro contra vítimas diversas. APELOS
CONHECIDOS E IMPROVIDOS. (TJ-GO. Apelação Criminal - 35894-8/213. Rel.
DESª. AMÉLIA MARTINS DE ARAÚJO).

Art. 218-A (Satisfação da Lascívia Mediante


Presença de Criança ou Adolescente)
EMENTA: 'HABEAS CORPUS' PREVENTIVO. CRIMES DE ESTUPRO DE VULNERAVEL E
SATISFACAO DE LASCIVIA MEDIANTEPRESENCA DE CRIANCA OU ADOLESCENTE.
SALVO-CONDUTO. AUSENCIA DE AMEACA DE CONSTRANGIMENTO. MERO RECEIO. O
SIMPLES TEMOR OU PRESUNCAO DE QUE POSSA VIR A OCORRER O
CONSTRANGIMENTO ILEGAL NAO GERA O DIREITO A CONCESSAO DE SALVO-
CONDUTO, QUANDO NAO VISLUMBRADO ATO QUE POSSIBILITE IDENTIFICAR A
IMINENCIA DE UMA VIOLENCIA OU DE SUPOSTA IRREGULARIDADE A LIBERDADE DE
LOCOMOCAO DO PACIENTE, TORNANDO INVIAVEL A IMPETRACAO DE 'HABEAS
CORPUS' PREVENTIVO, QUE DEVE ESTAR FUNDADA EM AMEACA REAL E NAO EM
MERO RECEIO. PETICAO INICIAL INDEFERIDA. (TJ-GO. 2ª Câmara Criminal. HC -
37877-2/217. Rel. DES. LUIZ CLAUDIO VEIGA BRAGA. DJ 546 de
25/03/2010).

Art. 218-B (Favorecimento a Prostituição ou


outra Forma de Exploração Sexual de Vulnerável)

EMENTA: PENAL - ESTUPRO COM VIOLÊNCIA PRESUMIDA E EXPLORAÇÃO SEXUAL


DE MENOR - PRELIMINARES - AUSÊNCIA DE INTERROGATÓRIO - RÉU
REGULARMENTE CITADO - DIREITO DE AUTODEFESA NÃO-EXERCIDO
OPORTUNAMENTE - PRELIMINAR QUE SE REJEITA - DEFESA PRÉVIA APRESENTADA
INTESPESTIVAMENTE - INDEFERIMENTO DE OITIVA DE TESTEMUNHAS -
CERCEAMENTO DE DEFESA - INOCORRÊNCIA - PRELIMINAR REJEITADA - MÉRITO - 1º
APELO (DEFENSIVO) - ESTUPRO COM VIOLÊNCIA PRESUMIDA - AUTORIA E
MATERIALIDADE COMPROVADAS - CONSENTIMENTO DA VÍTIMA - IRRELEVÂNCIA -
ADOLESCENTE INGÊNUA, SEM QUALQUER EXPERIÊNCIA SEXUAL - COMPLEIÇÃO
FÍSICA DA VÍTIMA - AUSÊNCIA DE MOTIVOS PARA QUE O RÉU ACREDITASSE TER ELA
MAIS DE 14 (QUATORZE) ANOS - MANUTENÇÃO DA CONDENAÇÃO - NECESSIDADE -
REDUÇÃO DA PENA - DESCABIMENTO - CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS QUE JUSTIFICAM
O QUANTUM ESTABELECIDO PARA A PENA-BASE - REGIME - ABRANDAMENTO -
CABIMENTO - QUANTUM DA PENA E NÃO-HEDIONDEZ DO CRIME QUE O PERMITEM -
POSSIBILIDADE DO INÍCIO DE CUMPRIMENTO DA REPRIMENDA EM REGIME SEMI-
ABERTO - PENA DE MULTA - DECOTE - DECISÃO ULTRA PETITA - EXPLORAÇÃO
SEXUAL DE MENOR - SUJEITO ATIVO - PESSOA QUE SE BENEFICIA FINANCEIRAMENTE
DO ATO - CLIENTE OCASIONAL - NÃO-CONFIGURAÇÃO - ATIPICIDADE DO FATO -
ABSOLVIÇÃO - NECESSIDADE - RECURSO A QUE SE DÁ PARCIAL PROVIMENTO - 2º
APELO (DEFENSIVO) - ABSOLVIÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - ALEGAÇÃO DE QUE NÃO
FOI A APELANTE QUEM PRATICOU O ATO SEXUAL - IRRELEVÂNCIA - ADOÇÃO DA
TEORIA MONISTA NO CONCURSO DE PESSOAS - INTELIGÊNCIA DO ART. 29, CAPUT,
CP - ABRANDAMENTO DO REGIME - DESCABIMENTO - QUANTUM DA PENA - PENA DE
MULTA - DECOTE - DECISÃO ULTRA PETITA - RECURSO A QUE SE DÁ PARCIAL
PROVIMENTO - 3º APELO (MINISTERIAL) - ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR -
CONDENAÇÃO - IMPOSSIBILIDADE - PRAELUDIA COITI - ABSORÇÃO DO DELITO DE
ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR PELO DE ESTUPRO - DECOTE DA MINORANTE DA
PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA - NECESSIDADE - RECURSO A QUE SE DÁ
PARCIAL PROVIMENTO. V.V.P. ESTUPRO - LEI 12.015/2009 - CRIME HEDIONDO -
REGIME FECHADO. (TJ-MG. Numeração única: 4437277-30.2008.8.13.0702.
Rel. HÉLCIO VALENTIM. Publicação 30/11/2009).

EMENTA: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO


SEXUAL DE VULNERÁVEL. LEI Nº 12.015/09. NOVA CAPITULAÇÃO JURÍDICA DOS
FATOS. PRELIMINAR. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. PENA PRIVATIVA DE
LIBERDADE SUPERIOR A DOIS E NÃO EXCEDENTE A QUATRO ANOS. MENORIDADE
DA APELANTE SIMONE CRISTINA. PRAZO PRESCRICIONAL REDUZIDO À METADE.
DECURSO DE LAPSO TEMPORAL SUPERIOR A QUATRO ANOS ENTRE O
RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E A PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA. PRETENSÃO PUNITIVA
PRESCRITA EM RELAÇÃO A SIMONE CRISTINA. PRESCRIÇÃO NÃO ALCANÇA A
APELANTE HELEN CRISTINA VIEIRA. MÉRITO. AUTORIA DEVIDAMENTE
COMPROVADA. PALAVRAS DA VÍTIMA EM HARMONIA COM AS PROVAS. DOSIMETRIA.
REDUÇÃO DA PENA PARA O MÍNIMO LEGAL. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS
FAVORÁVEIS. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE POR DUAS
RESTRITIVAS DE DIREITOS. REQUISITOS PREENCHIDOS. (TJ-MG. Numeração
única: 0158524-40.2000.8.13.0105. Rel. HERCULANO RODRIGUES.
Publicação 22/02/2010).

Art. 227 (Mediação Para Servir a Lascívia de Outrem)


EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL. MEDIAÇÃO PARA SERVIR A LASCÍVIA DE OUTREM.
ADOLESCENTE CONTRATADA PARA PRESTAR SERVIÇOS DE ATENDIMENTO E
LIMPEZA QUE É INDUZIDA A PROSTITUIR-SE EM CASA DE MASSAGEM. PROVA
SUFICIENTE. CONDENAÇÃO MANTIDA. Apelo desprovido. (Apelação Crime Nº
70007222466, Sexta Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator:
João Batista Marques Tovo, Julgado em 01/09/2005).

EMENTA: DIREITO PENAL - CRIME DE CORRUPÇÃO PASSIVA EM CONCURSO


MATERIAL COM CRIME DE MEDIAÇÃO PARA SERVIR A LASCÍVIA DE OUTREM
COM O FIM DE LUCRO - ATOS PRATICADOS NO INTERIOR DE UMA UNIDADE
PRISIONAL POR SERVIDORES PÚBLICOS - PRELIMINARES - NULIDADE
PROCESSO - INTIMAÇÃO - AUDIÊNCIAS - PRECATÓRIAS - ALEGAÇÕES FINAIS
DEFICIENTES - AUSÊNCIA DE DEFESA - REJEIÇÃO - AUTORIA E
MATERIALIDADE DELITIVAS - PROVAS PRODUZIDAS EM JUÍZO E NA FASE
INQUISITORIAL A ENSEJAREM A CONDENAÇÃO - CRIME COMETIDO EM
CONCURSO DE PESSOAS - DOLO INTENSO - DESRESPEITO AOS PRESOS E À
ORDEM PÚBLICA - PENAS-BASES QUE DEVEM FICAR BEM ACIMA DO MÍNIMO
LEGAL - PENA - DIAS-MULTA APLICAÇÃO EQUIVOCADA - PEQUENO ERRO
MATERIAL ARITMÉTICO - SUBSTITUIÇÃO DAS PENAS POR RESTRITIVAS DE
DIREITO - TRANSAÇÃO PENAL - IMPOSSIBILIDADE - ART. 44, I DO CP -
REGIME INICIAL FECHADO PARA CUMPRIMENTO DA PENA PRIVATIVA DE
LIBERDAD - RECURSO PROVIDO EM PARTE. 1 - Suposta irregularidade
processual penal relativa não pode ser erigida após ter decorrido o prazo para que o
vício fosse alegado, 'in casu', apenas em grau recursal, precluso pois, o direito. 2 -
''A eventual insuficiência da defesa técnica promovida em favor do réu somente
caracterizaria hipótese de invalidação formal do processo penal condenatório se se
demonstrasse, objetivamente, a ocorrência de prejuízo para o acusado (Súmula nº
523/STF), uma vez que a causa de nulidade absoluta prevista na legislação
processual refere-se à falta de defesa e não ao seu eventual exercício'' (STF, in RT
755/533). 3 - È descabido o pleito de absolvição pela prática dos delitos de
corrupção passiva em concurso material com o crime de mediação para servir a
lascívia de outrem, quando existem nos autos provas suficientes de autoria e
materialidade delitivas. Em especial, quando resta comprovado que tais delitos
ocorreram no interior de uma unidade prisional, por servidora pública e sua
companheira de serviço, em ato de total desrespeito à dignidade dos presos que ali
se encontravam, bem comoda própria Administração Pública. 4 - Incabível a
incidência ao caso - crime de mediação para servir a lascívia de outrem - das regras
da transação penal, já que tal instituto é restrito aos procedimentos que tramitam
perante os Juizados Especiais, logo, que dizem respeito a delitos de menor potencial
ofensivo, cuja pena máxima seja de até 02 anos. 5 - A definição do regime prisional
do acusado baseia-se nos requisitos temporais previstos no art. 33 do CP, e na
análise das suas condições pessoais e daquelas envolventes do delito. 6 - Em
virtude da proibição contida no inc. I do art. 44 do CP, com a redação determinada
pela Lei 9.714/1998, não se afigura viável a substituição de pena reclusiva,
requerida pela defesa, quando a pena final aplicada for superior a 04 anos e as
circunstâncias judiciais assim não o recomendarem. (TJ-MG. APELAÇÃO
CRIMINAL N° 1.0024.01.035684-8/002 – Rel. DELMIVAL DE ALMEIDA
CAMPOS. Publicação: 26/11/2009).
Art. 228 (Favorecimento da Prostituição ou
outra Forma de Exploração Sexual de Vulnerável)

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL. CRIME CONTRA OS COSTUMES.


FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO (ART. 228, §§ 1° E 3°, DO CP).
ABSOLVIÇÃO MANTIDA. A prova testemunhal produzida nos autos não fornece a
certeza necessária sobre a existência do delito. Havendo dúvida quanto à
materialidade ou à autoria, a absolvição se impõe, pois o processo penal não
autoriza conclusões condenatórias baseadas em suposições ou indícios. APELO
DESPROVIDO. (Apelação Crime Nº 70029313442, Sexta Câmara Criminal,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Carlos Alberto Etcheverry, Julgado em
17/12/2009).

EMENTA: APELACAO CRIMINAL. FAVORECIMENTODA PROSTITUICAO. ALICIAMENTO


DE MENOR DE 18 ANOS PARA A EFETIVA PRATICA DA PROSTITUICAO. PROVA
SATISFATORIA. MANUTENCAO DE CASA DE PROSTITUICAO. PROVA DA
HABITUALIDADE. DELITO CONFIGURADO. PRATICA OS DELITOS PREVISTOS NOS
ARTS. 228, NA FORMA QUALIFICADA, E 229 DO CP, O AGENTE QUE MANTEM CASA
DE PROSTITUICAOCOM INTUITO DE LUCRO E, AINDA, ALICIA E ATRAI MULHER MAIOR
DE 14 ANOS E MENOR DE 18 ANOS A PROSTITUICAO, INSTALANDO-A NO
ESTABELECIMENTO A PROCURA DE CLIENTES. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO.
(TJ-GO. 2ª Câmara Criminal. Apelação Criminal - 36174-6/213. Rel. DES.
JOSE LENAR DE MELO BANDEIRA. DJ 421 de 17/09/2009).

Art. 229 (Estabelecimento de Exploração Sexual)


EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - CASA DE PROSTITUIÇÃO E RUFIANISMO -
MANUTENÇÃO DE BOITE E BAR - NOVA MORAL SEXUAL - ACEITAÇÃO DA
SOCIEDADE - ABSOLVIÇÃO - POSSIBILIDADE - AMEAÇA - PRESCRIÇÃO -
PENA DE MULTA - ART. 114 DO CÓDIGO PENAL - TÓXICOS - ASSOCIAÇÃO
PARA O TRÁFICO - CRIME CARACTERIZADO - ABSOLVIÇÃO - APLICAÇÃO DA
MINORANTE PREVISTA NO ARTIGO 33, § 4º DA LEI 11.464/06 -
IMPOSSIBILIDADE - SUBSTITUIÇÃO DA PENA - DECOTE PENA DE MULTA -
INADMISSIBILIDADE - ISENÇÃO DAS CUSTAS PROCESSUAIS -
SOBRESTAMENTE CONCEDIDO. Nos dias de hoje, aqueles que mantêm
estabelecimentos cuja frequência destina-se a encontros para fins sexuais, não
podem ser incriminados, diante da permissividade da sociedade quanto a esse
modelo de comportamento. Embora ainda figure no Código Penal vigente, a
conduta a que se refere o seu art. 229 (casa de prostituição) deixou de ser vista à
conta de delituosa. E deixou de sê-lo, porque se trata de um conceito moral
reconhecidamente ultrapassado e que já não tem mais como sustentar-se nos dias
atuais. A sociedade hodierna culminou por ditar uma realidade que acabou por
afastar a ilicitude daquela conduta - a do art. 229 -, tornando-a, em consequência,
atípica, em nome da evolução dos costumes. A prescrição da pena pecuniária se
opera em dois anos e se ela é a única a prevalecer (CP, art. 114), deve-se tê-la por
consumada, com a consequente decretação da extinção da punibilidade, se entre a
data de recebimento da denúncia e a sentença transcorreu lapso temporal superior
a um biênio. Se todas as provas comprovam a ocorrência do crime de associação
para o tráfico, e não se desincumbindo os acusados de retirarem as suas
responsabilidades, impossíveis as absolvições pretendidas. O artigo 33 da Lei
11.343/06 é claro, em seu dispositivo, ao conceder a causa especial de diminuição
de pena tão-somente ao delito de tráfico e não o de associação para o tráfico. A
pena privativa de liberdade não deve ser substituída por restritiva de direitos, por
não atender a melhor prevenção e repreensão do delito. A pena de multa faz parte
do tipo legal não pode ser decotada. Deve ser concedido aos apelantes o
sobrestamento do pagamento das custas até a fase da execução, momento em que
a miserabilidade jurídica dos recorrentes será examinada, para fins de concessão
ou não da isenção do pagamento das despesas judiciais. Provimento parcial aos 3º
e 4º recursos e desprovimento do 1º , 2º e 5º recursos que se impõe. (TJ-MG.
Apelação Criminal. Numeração Única: 0120260-68.2004.8.13.0054. Rel.
ANTÔNIO CARLOS CRUVINEL. Publicação 11/02/2010).
EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - CASA DE PROSTITUIÇÃO - ACEITAÇÃO
SOCIAL - TOLERÂNCIA DAS AUTORIDADES - ABSOLVIÇÃO - A conduta prevista
no art. 229 do Código Penal, diante da aceitação social e da tolerância das
autoridades, tornou-se letra morta, não mais ensejando punição, por ausência de
tipicidade material, pois ao lado desses estabelecimentos, tidos como casas de
encontros ou de prostituição, proliferam os motéis onde se explora livre e
impunemente o lenocínio e nada é feito para reprimir essa atividade. Penalizar o
réu importaria em tratar de maneira discriminatória situações idênticas, haja vista
que o motel em última análise, em nada difere do prostíbulo. Recurso provido. (TJ-
MG. Apelação Criminal. Numeração Única: 0075581-89.2003.8.13.0515.
Rel. ANTÔNIO ARMANDO DOS ANJOS. 26/02/2010.

Art. 230 (Rufianismo)


EMENTA: PENAL. APELAÇÃO. RUFIANISMO. RECURSO DO MINISTÉRIO
PÚBLICO. SUBMISSÃO DE ADOLESCENTE À PROSTITUIÇÃO. NEGATIVA DOS
FATOS NO INTERROGATÓRIO. ABSOLVIÇÃO EM PRIMEIRO GRAU POR ERRO
DE TIPO. CONTRADIÇÃO DA SENTENÇA. INEXISTÊNCIA. MENOR DE IDADE
COM APARÊNCIA DE MAIOR DE 18 ANOS. RECURSO DA DEFESA.
HABITUALIDADE DA CONDUTA. COMPROVAÇÃO. NEGADO PROVIMENTO
AOS RECURSOS. 1. A negativa de autoria, sustentada pelo réu durante seu
interrogatório, não exclui a possibilidade de ser absolvido por erro de tipo, eis que a
autodefesa, exercida pelo agente no momento de seu interrogatório, é
manifestação concreta das garantias do contraditório e da ampla defesa, não
excluindo a defesa técnica e a possibilidade de se reconhecer que a menor,
aparentemente, possuía idade superior a dezoito anos na época dos fatos. 2. O
crime de rufianismo exige para a sua configuração a habitualidade da conduta. 3.
Aquele que intermedeia, rotineiramente, a prostituição alheia, ainda que não faça
disso seu único meio de vida, mas dela sempre tire proveito econômico,
caracteriza-se como rufião. 4. Negado provimento aos recursos. (TJ-MG. Apelação
Criminal. Numeração Única: 0586510-16.2002.8.13.0433. Rel. JANE SILVA.
Publicação 27/05/2009.)

Art. 231 (Tráfico internacional de Pessoas


Para Fins de Exploração Sexual)
Ementa: PENAL E PROCESSO PENAL. TRÁFICO INTERNACIONAL DE SERES
HUMANOS. EXPLORAÇÃO SEXUAL DE MULHERES. ARTIGO 231 C/C O ART.
14, II e PARÁGRAFO ÚNICO, AMBOS DO CÓDIGO PENAL. QUADRILHA OU
BANDO (ART. 288 DO CP). CONSENTIMENTO DAS VÍTIMAS. AUTORIA E
MATERIALIDADE COMPROVADAS. 1. O consentimento da vítima em seguir
viagem não exclui a culpabilidade do traficante ou do explorador, pois que o
requisito central do tráfico é a presença do engano, da coerção, da dívida e do
propósito de exploração. É comum que as mulheres, quando do deslocamento,
tenham conhecimento de que irão exercer a prostituição, mas não têm elas
consciência das condições em que, normalmente, se vêem coagidas a atuar ao
chegar no local de destino. Nisso está a fraude. 2. O crime de tráfico de pessoas -
foi a Lei 11.106, de 28.03.2005, que alterou a redação do art. 231 do Código Penal,
de tráfico de mulheres para tráfico internacional de pessoas - consuma-se com a
entrada ou a saída da pessoa, homem ou mulher, seja ou não prostituída, do
território nacional, independentemente do efetivo exercício da prostituição - basta o
ir ou vir exercer a prostituição , e ainda que conte com o consentimento da vítima.
3. O Protocolo para Prevenir, Suprimir e Punir o Tráfico de Pessoas, Especialmente
Mulheres e Crianças, que suplementa a Convenção da ONU contra o Crime
Organizado Transnacional, adotada em novembro de 2000, trouxe a primeira
definição internacionalmente aceita de tráfico de seres humanos: "a) 'Tráfico de
pessoas' deve significar o recrutamento, transporte, transferência, abrigo ou
recebimento de pessoas, por meio de ameaça ou uso da força ou outras formas de
coerção, de rapto, de fraude, de engano, do abuso de poder ou de uma posição de
vulnerabilidade ou de dar ou receber pagamentos ou benefícios para obter o
consentimento para uma pessoa ter controle sobre outra pessoa, para o propósito
de exploração. Exploração inclui, no mínimo, a exploração da prostituição ou outras
formas de exploração sexual, trabalho ou serviços forçados, escravidão ou práticas
análogas à escravidão, servidão ou a remoção de órgãos; b) O consentimento de
uma vítima de tráfico de pessoas para a desejada exploração definida no
subparágrafo (a) deste artigo deve ser irrelevante onde qualquer um dos meios
definidos no subparágrafo (a) tenham sido usados". 4. "O tráfico pode envolver um
indivíduo ou um grupo de indivíduos. O ilícito começa com o aliciamento e termina
com a pessoa que explora a vítima (compra-a e a mantém em escravidão, ou
submete a práticas similares à escravidão, ou ao trabalho forçado ou outras formas
de servidão). O tráfico internacional não se refere apenas e tão-somente ao
cruzamento das fronteiras entre países. Parte substancial do tráfico global reside
em mover uma pessoa de uma região para outra, dentro dos limites de um único
país, observando-se que o consentimento da vítima em seguir viagem não exclui a
culpabilidade do traficante ou do explorador, nem limita o direito que ela tem à
proteção oficial" (Damásio de Jesus, in Tráfico Internacional de Mulheres e Crianças
- Brasil, São Paulo: Saraiva, 2003, p. XXIV). 5. O crime de formação de quadrilha ou
bando é delito formal, que se consuma com a reunião ou a associação do grupo, de
forma permanente e estável, para a prática de crimes, independentemente,
portanto, do cometimento de algum dos crimes acordados pelos membros do
bando. 6. O crime de formação de quadrilha ou bando difere do concurso de
pessoas, em razão deste derivar de uma associação momentânea, de caráter
transitório, para a prática de determinado crime, enquanto que naquele os
membros se associam para a prática de um número indeterminado de crimes, de
forma permanente e estável. 7. Materialidade e autoria dos crimes de formação de
quadrilha ou bando e tráfico internacional de pessoas, na forma tentada,
comprovados pelo conjunto probatório contido nos autos. 8. Apelações não
providas. (TRF1 – Terceira Turma. APELAÇÃO CRIMINAL: ACR 8024 MT
2007.36.00.008024-1. Rel. JUIZ TOURINHO NETO Publicação: 03/07/2009
e-DJF1 p.38).

Art. 231-A (Tráfico Interno de Pessoas


Para Fins de Exploração Sexual)
EMENTA: TRÁFICO DE PESSOAS NO TERRITÓRIO NACIONAL E MANUTENÇÃO
DE CASA DE PROSTITUIÇÃO - AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS -
PARTICIPAÇÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO NA INQUIRIÇÃO DE ALGUMAS
TESTEMUNHAS NA FASE ADMINISTRATIVA - POSSIBILIDADE - NULIDADE
REJEITADA - PENA CORRETAMENTE FIXADA - ISENÇÃO DE CUSTAS
RECURSAIS - COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA EXECUÇÃO - RECURSO
DESPROVIDO. - A presença do Promotor de Justiça na inquirição de algumas das
testemunhas do auto de prisão em flagrante, além de ser franqueada pelo artigo
129, incisos VII e VIII da CF e artigo 26, IV da Lei Orgânica Nacional do Ministério
Público, não avocou da autoridade policial a competência para o exercício da
investigação e apuração das infrações penais, que desempenhou sua função tal
como determina o artigo 144, §4º da Constituição Federal. - A materialidade delitiva
foi apurada através de documentos e depoimentos, sendo esses regularmente
colhidos, sem o registro de qualquer ocorrência de coação moral das testemunhas. -
Comprovadas autoria e materialidade, mantém-se a condenação do apelante
acusado de alojar e acolher mulheres, de outras cidades ou Estados, para
exercerem a prostituição, inclusive em seu estabelecimento comercial, local esse
mantido para encontros com fins libidinosos. - Nenhuma ressalva na fixação da
pena, determinada no mínimo legal, bem como na sua substituição, rejeitando-se
ainda o pedido de isenção de custas que deve ser analisado pelo Juízo da Execução.
(TJ-MG. Apelação Criminal. Numeração Única: 0651914-88.2005.8.13.0342.
Rel. Fernando Starling. Publicação 08/08/2008).

Art. 233 (Ato Obsceno)


EMENTA: RECURSO CRIME. ATO OBSCENO. ART 233 DO CP. SUFICIÊNCIA
DO CONJUNTO PROBATÓRIO. TIPICIDADE DA CONDUTA. SENTENÇA
CONDENATÓRIA MANTIDA. 1- Réu que abaixa a bermuda e mostra seu órgão
sexual, em local exposto ao público, e no claro intuito de chocar e ofender o pudor
alheio, pratica ato obsceno. 2- Prova testemunhal suficiente para embasar o
decreto condenatório, e que deve prevalecer sobre a negativa do réu, até mesmo
em virtude da natureza do delito. 3- A embriaguez voluntária ou culposa, assim
entendida como a intoxicação aguda provocada pelo álcool ou por substância de
efeitos análogos, não afasta a imputabilidade penal, nos precisos termos do art. 28
do CP. Comprovada a ocorrência e autoria do fato criminoso, a condenação é
conseqüência necessária. Excluída, de ofício, a pena de multa, que não está
prevista - cumulativamente - para o delito. RECURSO DESPROVIDO. (TJ-RS.
Recurso Crime Nº 71002370641, Turma Recursal Criminal, Turmas
Recursais, Relator: Volcir Antônio Casal, Julgado em 25/01/2010).

EMENTA: "APELACAO CRIMINAL. ATOOBSCENO- ABSOLVICAO - INEXISTENCIA DE


PROVAS. PRESCRICAO DA PRETENSAO PUNITIVA ANTES DE TRANSITAR EM JULGADO
A SENTENCA. INOCORRENCIA. 1) NAO HA QUE SE FALAR EM ABSOLVICAO DO CRIME
IMPUTADO AO APELANTE, POIS BASTA A SIMPLES EXIBICAO DO PENIS EM LUGAR
EXPOSTO AO PUBLICO, EMBORA PARA URINAR, PARA QUE SE CONFIGURE O DELITO
PREVISTO NO ARTIGO 233 DO CODIGO PENAL. 2) IMPROCEDE O PEDIDO DE
RECONHECIMENTO DA PRESCRICAO DA PRETENSAO PUNITIVA PORQUANTO O
DECURSO DE TEMPO ENTRE A DATA DO RECEBIMENTO DA DENUNCIA E DA
PUBLICACAO DA SENTENCA E INSUFICIENTE PARA O ALCANCE DA EXTINCAO DA
PUNIBILIDADE PRETENDIDA. 3) APELO CONHECIDO E IMPROVIDO." (TJ-GO. 2ª
Câmara Criminal. Rel. DES. PAULO TELES. DJ 14991 de 02/05/2007).

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL - DELITO DE ATO OBSCENO -


DESCLASSIFICAÇÃO PARA CONTRAVENÇÃO PENAL DE IMPORTUNAÇÃO
OFENSIVA AO PUDOR - TRANSCURSO DE LAPSO PRESCRICIONAL ENTRE O
RECEBIMENTO DA DENÚNCIA E A PUBLICAÇÃO DA SENTENÇA
CONDENATÓRIA RECORRIDA - RECONHECER A PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO
PUNITIVA NA MODALIDADE RETROATIVA. Se a prova dos autos, em seu
conjunto, comprova a autoria e a materialidade em desfavor do réu, é de se manter
a sentença condenatória recorrida, ainda que haja peremptória negativa de autoria.
A conduta de importunar alguém de forma ofensiva ao pudor em local exposto ao
público configura a contravenção penal de importunação ofensiva ao pudor e não o
crime de ato obsceno. Decorrido o lapso prescricional entre a data do recebimento
da denúncia e a publicação da sentença condenatória recorrida com trânsito em
julgado para o MP, é de se declarar extinta a punibilidade do réu pelo
reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva na modalidade retroativa. (TJ-
MG. Apelação Criminal. Numeração Única: 0014375-08.2007.8.13.0718.
Publicação 15/09/2008.)

Art. 234 (Escrito ou Objeto Obsceno)

Ementa: PENAL - PROCESSO PENAL - ESCRITO OU OBJETO OBSCENO - AUTORIA E


MATERIALIDADE COMPROVADAS - CRITÉRIO TRIFÁSICO DE INDIVIDUALIZAÇÃO DA
PENA OBSERVADO - REPRIMENDA PRIVATIVA DA LIBERDADE FIXADA DE FORMA
CORRETA -1. PRATICA O CRIME DE ESCRITO OU OBJETO OBSCENO, TIPIFICADO NO
INCISO I DO PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 234 DO CÓDIGO PENAL BRASILEIRO, O
AGENTE QUE TEM A POSSE DE FOTOS DE MULHER NUA E EM SITUAÇÕES DE
PRÁTICAS SEXUAIS, AS QUAIS REMETE POR E-MAILS, COM CONSIDERAÇÕES
PESSOAIS ATINENTES A SEXO, A COLEGAS DE TRABALHO DA EX-COMPANHEIRA.2.
CORRETA MOSTRA-SE A INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA PRIVATIVA DA LIBERDADE
QUE OBSERVA O CRITÉRIO TRIFÁSICO, E QUE SE ORIENTA PELOS PRINCÍPIOS
SUBJETIVOS DA NECESSIDADE E SUFICIÊNCIA DA REPRIMENDA.3. RECURSO
CONHECIDO E IMPROVIDO, SENTENÇA MANTIDA, POR UNANIMIDADE. (TJ-DF.
Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais. APELAÇÃO
CRIMINAL NO JUIZADO ESPECIAL : ACR 20010111156939 DF. Rel. JOÃO
BATISTA TEIXEIRA. DJU 03/05/2005 Pág. : 159).

Art. 235 (Bigamia)


EMENTA: "APELACAO CRIMINAL. BIGAMIA. ABSOLVICAO. AUSENCIA DE DOLO.
INADMISSIBILIDADE. NAO HA QUE SE FALAR EM AUSENCIA DE DOLO, QUANDO O
ACUSADO CONTRAI NOVAS NUPCIAS, DECLARANDO-SE SOLTEIRO, SEM QUE TENHA
SIDO HOMOLOGADO SEU DIVORCIO COM A ESPOSA ANTERIOR, SENDO IMPOSITIVA
A SUA CONDENACAO PELO CRIME DE BIGAMIA. APELO CONHECIDO E IMPROVIDO."
(TJ-GO. 1ª Câmara Criminal. Apelação Criminal 30480-7/213. Rel. DR(A).
MARCELO FLEURY CURADO DIAS. DJ 15040 de 12/07/2007).

Art. 236 (Induzimento a Erro Essencial e


Ocultação de impedimento)

"DUPLO GRAU DE JURISDICAO. ACAO ANULATORIA DE CASAMENTO.


ERROESSENCIALQUANTO A PESSOA DO OUTRO CONJUGE. CONFIGURA
ERROESSENCIALSOBRE A PESSOA DO OUTRO CONJUGE A OCULTACAO, PELA
MULHER, QUE SE CASA GRAVIDA, DO VERDADEIRO PAI DE SEU FILHO, DEIXANDO
QUE O COMPANHEIRO SE CASE ACREDITANDO SER O AUTOR DO FATO. REMESSA
CONHECIDA E IMPROVIDA". (TJ-GO. 1ª Câmara Criminal. Apelação Criminal -
4548-9/195. Rel. DES ARIVALDO DA SILVA CHAVES. DJ 12564 de
28/05/1997).

Art. 237 (Conhecimento prévio de impedimento)

Art. 238 (Simulação de Autoridade


Para Celebração de Casamento)
EMENTA: “Simulação de casamento – Envolvimento também, na denúncia, da
noiva – Jovem que, entretanto, foi iludida pelo co-réu que se dizia solteiro e que
conseguiu ‘juiz de paz’ para casá-los – Gravidez daquela a essa época – Farsa só
descoberta quando estava tudo pronto para o consórcio – Coação irresistível
caracterizada na espécie – Absolvição da co-ré mantida – Condenação, porém, dos
demais – Apelação provida” (TACRIM-SP – AC – Rel. Xavier Homrich – RT
448/382).

Art. 239 (Simulação de Casamento)

Ementa: PENAL. PROCESSO PENAL. DENÚNCIA VÁLIDA. SIMULAÇÃO DE


CASAMENTO (ART. 239 DO CP). REGISTRO DE FILHO ALHEIO COMO
PRÓPRIO (ART. 242 DO CP). DECLARAÇÃO FALSA EM PEDIDO DE
TRANSFORMAÇÃO DE VISTO (ART. 125, XIII, DA LEI 6.815/81). 1. Não é
inepta a denúncia que atende às exigências previstas no art. 41 do Código
Processual Penal, expondo clara e objetivamente as circunstâncias dos fatos, sem
deixar de descrever os elementos essenciais que lhe são inerentes, pois permite o
pleno exercício de defesa. 2. Impõe-se a absolvição se há dúvida insanável quanto à
ocorrência de simulação de casamento e dolo no registro de filho alheio. Por
conseguinte, restam insuficientes as provas para condenação pelo delito de
declaração falsa do estado civil em pedido de visto para fixação de residência
definitiva no território nacional. (TRF4 – Oitava Turma. APELAÇÃO CRIMINAL:
ACR 22140 PR 2002.04.01.022140-0. Rel. LUIZ FERNANDO WOWK
PENTEADO. DJ 30/11/2005 PÁGINA: 1011).

Ementa: HABEAS-CORPUS. DENEGAÇÃO. CRIME DE SIMULAÇÃO DE CASAMENTO.


EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE POR DECADENCIA DE DIREITO DE QUEIXA OU
REPRESENTAÇÃO; ARGÜIÇÃO IMPROCEDENTE. (STF. Segunda Turma. HC –
33210. Rel. Ribeiro da Costa. ADJ DATA 08-08-1955 PP-02697 ADJ
DATA 12-03-1956 PP-00428).

Art. 241 – (Promover no Registro Civil a


Inscrição de Nascimento Inexistente)
EMENTA: “Registro de nascimento inexistente – A gravidade do crime está em
ofender a fé pública e atentar não contra a família e contra o próprio indivíduo,
mas, sobretudo, contra a boa ordem da Administração Pública. O registro civil é de
real importância, não apenas para a pessoa humana que vive em sociedade, mas,
principalmente, para o Estado que encontra no registro público o senso
demográfico de toda a Nação” (TJSP – AC – Rel. Arruda Sampaio – RT 281/99).

EMENTA: “Promover um segundo registro de nascimento, alterando dados


constantes do registro anterior, constitui delito de falsificação ideológica e não o
previsto no art. 241 do CP” (TJSP – Rev. – Rel. Dinio Garcia – RT 334/90).

Art. 242 – (Parto Suposto. Supressão ou Alteração


de Direito Inerente ao Estado Civil de Recém-Nascido)
EMENTA: “Crime contra o estado de filiação – ocorrência. Réus que agiram por
motivo de nobraze – Artigo 242, parágrafo único do Código Penal. Recurso
parcialmente provido para reconhecer a prática de delito e conceder o perdão
judicial” (TJSP – AC 129.264-3).
EMENTA: “É de ser reconhecido o motivo de nobreza, a que alude o parágrafo
único do art. 242 do CP, à ré, expulsa do lar, grávida de meses e ao desamparo, que
preferiu gerar o filho, ao invés de recorrer a processo abortivo, que seria mais
deletério, entregando-o, quando de seu nascimento, aos cuidados de quem melhor
pudesse criá-lo” (TJSP – AC – Rel. Camargo Sampaio – RT 525/334).

Art. 243 - (Sonegação de Estado de Filiação)


EMENTA: “Não caracterização – Avó que entrega neta ao Juizado de Menores,
dizendo que a mesma era desconhecida e fora deixada em sua casa – Ação despida
de dolo específico, pois não teve como escopo prejudicar direitos relativos ao
estado civil, tudo indicando que agira em razão de dificuldades econômicas –
Ocorre que o delito em questão exige para sua configuração o dolo específico.
Portanto, o delito em questão somente poderá ser reconhecido se o elemento
subjetivo tiver um fim específico, mencionado no próprio artigo. No caso em exame,
em momento algum ficou demonstrado que a intenção da ré, ao ocultar a origem
da criança entregue, tivesse por escopo prejudicar direitos relacionados ao estado
civil. Ao contrário, tudo indica que a entrega foi feita em razão de dificuldades
econômicas e a ocultação por receio do não recebimento da infante” (TJSP – AC –
Rel. Camargo Aranha – RT 542/341).

EMENTA: “O crime do art. 243 do CP só pode ser reconhecido se houver intenção


de prejudicar direitos relativos ao estado civil” (TJSP, RT 542/341).

Art. 244 – (Abandono Material da Família)


EMENTA; “EXECUÇÃO DE ALIMENTOS. ABANDONO MATERIAL. A reiterada e
injustificável resistência do devedor em atender o pagamento dos alimentos, além
de justificar o aprisionamento em sede de execução, evidencia a prático do delito
de abandono material. Agravo desprovido, com recomendações.” (Agravo de
Instrumento Nº 70008465841, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Maria Berenice Dias, Julgado em 16/06/2004).

EMENTA: APELACAO CRIMINAL. 1 - A DISPENSA DE TESTEMUNHA, ARROLADA PELA


DEFESA, ANTE A IMPOSSIBILIDADE DE LOCALIZACAO, NAO AFRONTA O DEVIDO
PROCESSO LEGAL, MORMENTE QUANDO O REU NAO DILIGENCIOU VISANDO
LOCALIZAR A FALTA. 2 - NO CRIME DE ABANDONOMATERIAL, A PROVADA
EXISTENCIA DE JUSTA CAUSA COMPETE A DEFESA, CABENDO A ACUSACAO TAO
SOMENTE DEMONSTRAR A OBRIGACAO. VERIFICANDO-SE QUE O APELANTE DEIXOU
DE EFETUAR O PAGAMENTO DE PENSAO DEVIDA, SOMENTE O FAZENDO QUANDO A
JUSTICA FOI ACIONADA, RESTA DEMONSTRADO O DOLO NA CONDUTA DO MESMO.
APELO CONHECIDO E IMPROVIDO. (TJ-GO. 2ª Câmara Criminal. Apelação
Criminal - 36429-9/213. Rel. DES. NEY TELES DE PAULA. DJ 437 de
09/10/2009)

EMENTA: APELACAO CRIMINAL. ABANDONOMATERIAL. CONFIGURACAO. FALTA DE


PAGAMENTO DE PENSAO ALIMENTICIA. AUSENCIA DE JUSTA CAUSA. ATIPICIDADE DA
CONDUTA. DIFICULDADES FINANCEIRAS. ABSOLVICAO. IMPROCEDENCIA. QUITACAO
POSTERIOR DE PRESTACAO ATRASADA. CONSUMACAO DO DELITO. ASSISTENCIA
PRESTADA POR TERCEIROS. MANUTENCAO DA CONDENACAO. CONFISSAO
ESPONTANEA. REDUCAO DA PENA. 1 - COMETE CRIME DE ABANDONOMATERIALO
AGENTE O AGENTE QUE, SEM JUSTA CAUSA, DEIXA DE PROVER A SUBSISTENCIA DE
FILHO MENOR DE IDADE, FALTANDO, PARA TANTO, AO PAGAMENTO DE PENSAO
ALIMENTICIA JUDICIALMENTE ACORDADA. 2 - A MERA ALEGACAO DE DIFICULDADE
FINANCEIRA, DESPROVIDA DE QUALQUER COMPROVACAO, NAO E BASTANTE PARA
AFASTAR A CONFIGURACAO DO DELITO PREVISTO NO ARTIGO 244, CAPUT DO
CODIGO PENAL. 3 - A QUITACAO POSTERIOR DAS PRESTACOES EM ATRASO NAO
DESCARACTERIZA O DELITO DE ABANDONOMATERIAL, O QUAL SE CONSUMA NO
MOMENTO EM QUE O DEVEDOR NAO EFETUA O PAGAMENTO DA PENSAO
ALIMENTICIA ACORDADA. 4 - O AUXILIO MATERIALOFERECIDO, ESPORADICAMENTE
E DE MANEIRA PRECARIA, POR OUTROS FAMILIARES DA VITIMA NAO ELIDE A
RESPONSABILIDADE DO APELANTE, O QUAL DEVE SUPRIR MENSALMENTE AS
NECESSIDADES DO FILHO MENOR E NA FORMA ACORDADA JUDICIALMENTE. 5 - UMA
VEZ ADMITIDA A AUTORIA DO CRIME E TAL CONFISSAO TENHA SERVIDO DE
SUBSTRATO PARA A CONDENACAO, IMPOE-SE A REDUCAO DA PENA EM RAZAO DA
REFERIDA ATENUANTE (ART. 65, III, 'D' DO CP). APELACAO IMPROVIDA. (TJ-GO. 2ª
Câmara Criminal. Apelação Criminal -36340-3/213 . Rel. DES. HUYGENS
BANDEIRA DE MELO. DJ 415 de 09/09/2009).

Art. 245 (Entrega de Filho Menor a


Pessoa Inidônea)

EMENTA: " DENUNCIA : REJEICAO - TENTATIVA DE ENTREGADE FILHO MENOR-


PRESCRICAO. I - NA DENUNCIA NAO E IMPRESCINDIVEL A NARRATIVA DE TODOS OS
CONTORNOS DO FATO, NOS TERMOS DA LICAO DE JOAO MENDES - TANTO CITADA.
TRANTANDO-SE DE TENTATIVA DE ENTREGADE FILHO MENOR A PESSOA INIDONEA,
CUMPRIRIA AO PROMOTOR DESCREVER OS ATOS EXECUTORIOS INICIAIS E
CONDIZENTES COM O NUCLEO VERBAL, QUE DIZ RESPEITO A COLOCAR EM
'GUARDA' OU 'SOB OS CUIDADOS'. II - A FALTA DO TEMPO DOS ATOS APENAS
SUGERIDOS NA CAPITULACAO, NO CASO TOMA-SE COMO TERMO INICIAL, PARA A
CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL, A DATA DO PROTOCOLO. - RECURSO EM
SENTIDO ESTRITO CONHECIDO E IMPROVIDO, DECLARANDO-SE AINDA EXTINTA A
PUNIBILIDADE ". (TJ-GO. 4676-4/220 - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO. Rel.
DES BYRON SEABRA GUIMARAES. DJ 12778 de 03/04/1998).

Ementa: ENTREGA DE FILHO MENOR A PESSOA INIDONEA - CONCURSO FORMAL


IMPERFEITO - LEI N 9 .099/95 - APLICABILIDADE - SENTENCA CONDENATORIA -
DESCONSTITUICAO - EFEITOS - CESSACAO - RECURSO PREJUDICADO. COM O
ADVENTO DA LEI N 9 .099/95, QUE CRIOU OS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS,
PROFUNDAS MUDANCAS FORAM INTRODUZIDAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO-
PENAL, DE CUNHO EMINENTEMENTE BENIGNO AO REU, INCIDINDO SOBRE A
EFETIVA APLICACAO DA PENA NAS INFRACOES ABRANGIDAS POR ESTE INOVADOR
INSTITUTO, COMO E O CASO DOS ARTIGOS 244 E 245, DO CÓDIGO PENAL, QUE,
MESMO EM CONCURSO, SUAS "PENAS MINIMAS ABSTRATAS NAO PODEM SER
SOMADAS PARA O FIM DE IMPEDIMENTO DA MEDIDA". A APLICABILIDADE DESSA
NORMA, NO CAMPO MATERIAL, ABRANGE, INCLUSIVE, OS PROCESSOS CUJA
INSTRUCAO JA SE ULTIMOU, A DESPEITO DAS RESTRICOES CONTIDAS NO ARTIGO 90
DA ALUDIDA LEI, QUE NAO INCIDEM SOBRE AS NORMAS DE CARATER MATERIAL
MAIS BENIGNAS, RELACIONANDO-SE, TAO SOMENTE, AS NORMAS GENERICAS DE
PURO DIREITO ADJETIVO INSERIDAS NO MESMO DIPLOMA. LEGISLACAO: L 9099/95 -
ART 90 . CP - ART 244 . CP - ART 245 . CPP - ART 386, III. CP - ART 2, PAR UN. CF/88
- ART 5, XL. CP - ART 61, E E H. DOUTRINA: JESUS, DAMASIO E. DE - LEI DOS
JUIZADOS ESPECIAIS, 3 ED, ED SARAIVA, P 121 . GRINOVER, ADA PELLEGRINI -
JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS, 1996, ED RT, P 199 . (TJPR – 1ª Câmara
Criminal. “Extinto TA”. Apelação Crime: ACR 810313. Rel. Nério Spessato
Ferreira. Julgamento 16/10/1997)

Art. 246 (Abandono Intelectual – inclusive Moral)

EMENTA: ABANDONO INTELECTUAL. ARTIGO 246, DO CÓDIGO PENAL. APELAÇÃO


MINISTERIAL. MANTIDA DECISÃO QUE REJEITOU A DENÚNCIA. Ausente elemento
subjetivo do tipo penal, qual seja, o dolo em deixar, sem justa causa, de prover a
instrução primária da filha, sem o que não se concretiza a conduta incriminadora.
Ausente, ainda, o elemento normativo do tipo (sem justa causa) em face das
precárias condições financeiras e miserabilidade dos réus. APELAÇÃO IMPROVIDA.
(Recurso Crime Nº 71002396968, Turma Recursal Criminal, Turmas
Recursais, Relator: Laís Ethel Corrêa Pias, Julgado em 25/01/2010)

Ementa: APELAÇÃO CRIMINAL. ABANDONO MATERIAL E INTELECTUAL. PAIS QUE,


SEM JUSTA CAUSA, DEIXAM DE PROVER A SUBSISTÊNCIA E A INSTRUÇÃO DOS
FILHOS. AUTORIA E MATERIALIDADE SOBEJAMENTE COMPROVADAS. RECURSOS
DESPROVIDOS.Comete o crime descrito no art. 244, caput, do Código Penal o pai ou
a mãe que, sem justa causa, deixa de prover a subsistência de filho menor de 18
(dezoito) anos, não lhe proporcionando os recursos necessários para viver, como,
por exemplo, alimentação, remédios, vestuário e habitação, ou não efetua o
pagamento de pensão alimentícia. O ensino fundamental e gratuito é garantia
constitucional, constituindo-se em dever da família assegurar à criança e ao
adolescente o direito à educação, cuja omissão configura o delito previsto no art.
246, caput, do Código Penal, denominado ABANDONO INTELECTUAL, definido como
o ato de deixar, sem justa causa, de prover à instrução primária do filho em idade
escolar. (TJ-SC. 2ª Cãmara Criminal. Rel. Sérgio Paladino. Dj. 08/06/2004)

Art. 248 (Induzimento a Fuga, Entrega Arbitraria


ou Sonegação de Incapazes)

Art. 249 – (Subtração de Incapazes)

EMENTA: FALSIDADE IDEOLÓGICA. SEQÜESTRO. DESCLASSIFICAÇÃO PARA O


DELITO DO ART. 249 DO CP (SUBTRAÇÃO DE INCAPAZ). Comprovada a ocorrência
dos delitos de falsidade ideológica, por meio de certidão de nascimento falsa, e
subtração de incapaz, eis que a ré subtraiu criança permanecendo com ela por
trinta e sete dias, cuidando-a como se fosse sua filha. Declarada extinta a
punibilidade, pela prescrição, quanto ao delito de subtração de incapaz. APELO
MINISTERIAL PROVIDO EM PARTE. APELO DEFENSIVO DESPROVIDO. (Apelação
Crime Nº 70005965991, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do
RS, Relator: Silvestre Jasson Ayres Torres, Julgado em 17/03/2004).
UNIP – Universidade Paulista
Curso de Direito

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Direito Penal
Profª: Lidiany Mendes Campos
Alunas: Millena Luana Souza Santos
RA: 224675-9
Turma: DR8A42
Data: 09/04/2010
Goiânia
2010