Trabalho realizado por«

César Flores Mª Isabel Fernandes Teresa Santos

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IDENTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS DIFICULDADES LINGUÍSTICAS 

As dificuldades de linguagem são problemas ou distúrbios na compreensão ou na produção da fala. ³Um distúrbio de linguagem é caracterizado pela aquisição, compreensão ou expressão anormais da língua falada ou escrita. O distúrbio pode envolver todos ou alguns componentes fonológicos, morfológicos, semânticos, sintácticos ou pragmáticos do sistema linguístico. Os indivíduos com distúrbios de linguagem frequentemente apresentam problemas no processamento de frases ou na abstracção de informações significativas para armazenagem ou recuperação na memória de curto ou de longo prazo´ (ASHA, 1980, pp. 317-318). 

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IDENTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS DIFICULDADES LINGUÍSTICAS 

As dificuldades de linguagem podem ocorrer por várias razões:
Existência de uma causa orgânica que dispara o problema
‡ ‡

perda auditiva que afecta a compreensão linguística deficit de controlo neuro-motor do tracto vocal, que afecta a produção linguística oral

A criança foi precocemente estimulada de maneira errada, o que impede o desenvolvimento normal da aquisição da linguagem. Graves problemas de aprendizagem e de funcionamento cognitivo. 

Há ainda um grupo grande de crianças que apresentam dificuldades linguísticas na ausência de qualquer uma dessas causas.
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IDENTIFICAÇÃO E DESCRIÇÃO DAS DIFICULDADES LINGUÍSTICAS

A identificação das dificuldades é problemática As dificuldades linguísticas caracterizam-se por uma diferença do desenvolvimento linguístico normal A identificação precoce das mesmas depende da sensibilidade que os responsáveis pela criança têm para reconhecer que ela está no limite extremo da distribuição normal das passagens pelas etapas do desenvolvimento da linguagem

No entanto não há um ponto exacto que estabeleça a separação entre um desenvolvimento normal e um desenvolvimento que se possa considerar problemático.

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ATRASO 

Um atraso no desenvolvimento da linguagem é o primeiro indicador de uma dificuldade linguística.

b Ingram (1972) ± ausência de fala aos 18 meses; b Stackhouse e Campbell (1983) ± fala ininteligível na idade escolar; 

Linguagem receptiva ou expressiva classificada um ou dois desvios padrão abaixo do QI não-verbal.

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6 55 . O seu papel de competências e de habilidades deve ser comparado com outras crianças de idade linguística equivalente. e Quando a criança apresenta dificuldades em determinada estrutura sintáctica ou quando produz a fala de maneira disfluente. Para se estabelecer a existência de um distúrbio e não de um atraso no desenvolvimento linguístico da criança deve-se compará-la com crianças de idade linguística equivalente.Distúrbio Atraso linguístico Distúrbio linguístico Stark e colaboradores (1983) Bishop e Rosenbloom (1987) No distúrbio da linguagem a aquisição linguística das crianças parece seguir um padrão diferente do normal. e Uma criança de 6 anos de idade apresenta um atraso 3 anos.

Uma das maiores dificuldades na interpretação dos dados sobre a prevalência das dificuldades de linguagem é saber até que ponto os dados reflectem problemas subjacentes no processamento de linguagem e até que ponto eles reflectem atrasos na aquisição do sistema linguístico.    7 55 . Dados confiáveis sobre prevalência dependem de critérios claros para identificar as dificuldades. Não há consenso geral sobre os critérios que definem a dificuldade de linguagem e.FREQUÊNCIA  Estabelecer a prevalência das dificuldades de aprendizagem é uma tarefa complexa. assim . as estimativas variam consoante o critério usado.

bVários estudos longitudinais de crianças com dificuldades de linguagem relatavam uma alta percentagem de comprometimentos linguísticos.FREQUÊNCIA A identificação inicial de uma dificuldade linguística normalmente ocorre como resultado do fracasso na aquisição ou combinação das palavras. Entretanto aquelas que não conseguiam superar continuavam a manifestar as dificuldades até mais tarde. Bishop e Edmundson (1987) encontraram dados mostrando que 40% das crianças que apresentavam problemas linguísticos aos 4 anos já tinham resolvido estes problemas na metade dos 5 anos. educacionais e sociais que persistiam muitos anos após a dificuldade linguística ter sido diagnosticada. bAlgumas crianças conseguem superar um atraso inicial na aquisição linguística. É difícil saber até que ponto os atrasos representam problemas e até onde representam a variabilidade natural na aquisição linguística. 8 55 .

 Funcional Quando a causa fisiológica é evidente. podemos obter informações sobre as características da criança e seu provável desempenho linguístico.CLASSIFICAÇÃO DAS DIFICULDADES LINGUÍSTICAS:  Etiológica Quando a etiologia é conhecida. No entanto tendem a ser indiferenciados para a grande classe de dificuldades linguísticas que não resultam de uma causa fisiológica identificável. 9 55 . os sistemas de classificação por etiologia são bastante refinados.

1987)  Disfasias de desenvolvimento Distúrbio específico de desenvolvimento da linguagem Comprometimento específico da linguagem   Usadas para nomear as crianças com problemas linguísticos na ausência de factores explicativos. EX.CLASSIFICAÇÃO DAS DIFICULDADES LINGUÍSTICAS:  Algumas crianças apresentam um desenvolvimento linguístico lento ou alterado na ausência de critérios etiológicos claros. e há poucos indícios que provem a existência de alta frequência de problemas perinatais entre esta população (BISHOP. Poucas crianças com dificuldades linguísticas específicas mostram evidências claras de lesão cerebral ou de antecedentes neurológicos. o problema com estas características é que elas não levam directamente a uma compreensão dos aspectos do comportamento linguístico que devem ser modificados. acarretando um problema especial para o sistema de classificações etiológicas porque não há evidências de factores como surdez. 55 10 . deficiência motora ou distúrbios socioemocionais que expliquem a dificuldade linguística. Ex. No entanto.

11 55 . Fornece a base explicativa dos componentes linguísticos e os padrões de mudança que ocorrem durante o desenvolvimento.BASE DE UM SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO Pré-requisitos básicos para estruturar uma abordagem de problemas linguísticos: Uma compreensão do padrão desenvolvimento linguístico normal de Uma descrição detalhada de como o sistema linguístico representa e processa informação linguística Este pré-requisito concentra-se na natureza do processamento que ocorre com as partes componentes do sistema linguístico. Este pré-requisito fornece perspectivas sobre o desenvolvimento na aquisição da linguagem e chama a atenção para mudanças que podem ocorrer. Também fornece informações sobre os estágios de desenvolvimento e um conjunto de padrões que podem ser usados na análise da adequação dos objectivos terapêuticos.

classificar a dificuldade levando em conta os mecanismos de processamento envolvidos.BASE DE UM SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO  Uma análise das dificuldades linguísticas nestes termos pode descrever a linguagem da criança tendo como referência o desenvolvimento normal e. 12 55 . também tenta identificar as bases linguísticas e cognitivas para este comportamento. ao mesmo tempo.  Para além de descrever o comportamento linguístico da criança.

quando exigida a produzir uma palavra ou expressão linguística. a criança deve confiar no sistema linguístico ± deve aceder à palavra apropriada ou à construção gramatical e transformar isto num resultado (output) linguístico aceitável.BASE DE UM SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO  Importa estabelecer uma diferença entre a compreensão e a produção da linguagem. ficam munidas de uma grande quantidade de sujeitos que guiam e estimulam as influências que farão sobre o significado das expressões linguísticas. Compreendendo uma determinada palavra ou uma forma de expressão. Ao contrário. 55   13 . as crianças geralmente. As crianças com desenvolvimento normal compreendem as formas de expressão antes de as produzirem. na produção.

 14 55 . No entanto as dificuldades de produção podem ocorrer na ausência de uma dificuldade de compreensão. As dificuldades na compreensão usualmente conduzem também a dificuldades na produção.BASE DE UM SISTEMA DE CLASSIFICAÇÃO  A produção coloca mais exigências sobre o sistema linguístico do que a compreensão.

o Fonológico e o Semântico: Estrutura linguística Léxico Sintáctico Fonológico Arquivo de palavras que uma pessoa possui As palavras podem ser combinadas para formar frases ± nível sintáctico de análise As palavras também contam com uma estrutura sonora interna ± nível fonológico de análise. 15 55 .O SISTEMA LINGUÍSTICO Consiste numa série de componentes que incluem o Léxico.

Modo como o ouvinte interpreta as intenções do falante. Este processo exige que o ouvinte faça inferências. 16 55 .O SISTEMA LINGUÍSTICO Também devemos considerar em que situações as palavras e as frases têm significado. a relação entre o significado é determinada pela forma como a estrutura sintáctica de uma frase leva a uma interpretação semântica. Geralmente este nível é analisado sob os tópicos: Situações em que as palavras e as frases têm significado SEMÂNTICOS PRAGMÁTICOS O significado de uma palavra é adquirido aprendendo a fazer a correspondência de um determinado padrão sonoro com um particular conceito ± quanto ao significado de uma sentença.

é necessário avaliar a competência da criança em cada um dos componentes. Ou seja.O SISTEMA LINGUÍSTICO Léxico Pragmátic a Sintaxe Fonológico Semântica Interagem no processo global de compreensão e produção de fala. o primeiro passo é identificar em que componentes específicos do sistema linguístico a criança apresenta dificuldades. Ao considerarmos os problemas linguísticos. 17 55 .

PRINCIPAIS COMPONENTES ENVOLVIDOS NA COMPREENSÃO E PRODUÇÃO DA FALA Entrada (input) da fala Sistema de percepção auditiva Sistema conceptual (o qual cria representações semânticas e pragmáticas de significado Sistema léxico Sistema gramatical Sistema fonológico de emissão (output) Componentes envolvidos na compressão da fala Sistema articulatório de emissão (output) Componentes envolvidos na produção da fala 18 Emissão (output) da fala 55 .

Outras crianças apresentam dificuldades mais gerais em torno de diferentes componentes. 55 19 . logo   Ao discutir as explicações das dificuldades linguísticas. é necessário precisar o tipo de dificuldade ao qual a explicação se refere.DIFICULDADES DA LINGUAGEM E SUAS EXPLICAÇÕES  Algumas crianças parecem ter dificuldades restritas a um componente particular.

processamento temporal e sequencial e processos de memória activa. fazendo correlação entre uma medida de linguagem e uma medida de algum factor cognitivo nãolinguístico colocado como hipótese de causa das dificuldades de linguagem.DIFICULDADES DA LINGUAGEM E SUAS EXPLICAÇÕES Processos que causam dificuldades de linguagem Processos estruturais do sistema linguístico Processos cognitivos dos quais o sistema linguístico depende Até recentemente o paradigma de pesquisa dominante era aquele no qual as dificuldades de linguagem eram investigadas. 20 55 . Era o caso do processamento perceptual auditivo.

DIFICULDADES DA LINGUAGEM E SUAS EXPLICAÇÕES  As pesquisas mais recentes são influenciadas por argumentos de que o sistema de linguagem possa ser um domínio cognitivo autónomo. parece sensato discutir primeiro os aspectos linguísticos que podem estar envolvidos em casos de dificuldades de linguagem e. 21 55 . pouco dependente da cognição geral para a análise da fonologia e da sintaxe da entrada (input).  Além da relação entre linguagem e outros aspectos da cognição. perguntar que recursos cognitivos gerais podem estar implicados nessas dificuldades. então.

22 55 . (Haynes & Naidoo. apesar de ser mais comum a presença de dificuldades numa série de componentes. variando o grau de gravidade tanto na compreensão quanto na produção. 1991).PROBLEMAS COM O SISTEMA DE LINGUAGEM  As crianças podem ter dificuldades isoladas numa componente.

Há um repertório limitado de características. submetidas às regras da pronúncia. A identificação e a organização dessas mesmas é um pré-requisito para aquisição de outros aspectos da linguagem. todas elas inatas aos seres humanos. São compostos por um grupo de características fonéticas. 55  23 .ESTRUTURA FONOLÓGICA DAS PALAVRAS Palavras (estrutura interna) Padrão de tonicidade Estrutura silábica Estrutura fonológica  Os fonemas são as unidades sonoras individuais que compõem uma palavra e que distinguem uma palavra da outra. As crianças descobrem quais são as características relevantes para elas pelo input linguístico que recebem.

Na aquisição da linguagem. 55  24 . a organização fonológica começa após a aquisição das primeiras palavras. Geralmente. Ocorre um grande desenvolvimento e refinamento do sistema fonológico durante os anos pré-escolares. 1989). vogal) ou CVC. No entanto.ESTRUTURA FONOLÓGICA DAS PALAVRAS Fonemas combinados formam dividem-se em Sílabas Consoantes Vogais   Em geral as sílabas seguem um padrão CV (consoante. a compreensão precede a produção durante toda a aquisição fonológica (Ingram. as primeiras palavras são monossílabas com um padrão CV ou a duplicação deste padrão em CVCV (Ex. mama e dada).

PROBLEMAS FONOLÓGICOS As crianças com alterações do desenvolvimento fonológico podem apresentar um conjunto de processos permanentes semelhantes àqueles observados no desenvolvimento normal: ‡ Frequentemente continuam a usar os processos de simplificação até muito depois das crianças com desenvolvimento normal os terem abandonado (coexistem processos muito anteriores com processos mais avançados). Desequilíbrio cronológico Processos incomuns / idiossincráticos Uso variado de processos Preferência sistemática de sons 55 ‡ ‡ ‡ 25 ‡ .

PROBLEMAS FONOLÓGICOS Adições Ingram (1989) (descreveu) Alterações Fonológicas Omissões Substituições O objectivo da análise é identificar as regras que estão por trás das alterações fonológicas. 26 55 .

ou seja.PROBLEMAS FONOLÓGICOS É possível identificar pelo menos dois tipos de alterações articulatórias funcionais. Alterações Articulatórias Funcionais localizado na produção ± planeamento e execução dos movimentos articulatórios sistema fonológico alterado ou inadequado Dificuldades Fonéticas Dificuldades Fonémicas 27 55 . casos em que não há razão orgânica visível para a alteração da fala da criança.

na tradução lógico-motora) não há implicações sintácticas directas. Entretanto podem ocorrer problemas com a articulação de sons específicos que têm implicações para a sintaxe (por exemplo. Na maioria dos casos existe uma coexistência entre as dificuldades fonológicas e sintácticas. ausência de inflexão).PROBLEMAS FONOLÓGICOS  Se a dificuldade da criança é restrita à emissão (ou seja. 55   28 . ou as palavras podem ser combinadas de uma forma pouco convencional.

Elas conferem o significado em si e podem ser combinadas para criar frases. O arquivo de palavras que a criança adquire forma o seu vocabulário ou léxico. Durante a infância (entre o final do 1º ano de vida e os 5 ou 6 anos de idade) a criança adquire em média cerca de dez palavras novas por dia.LÉXICO E SEMÂNTICO  As palavras são as unidades básicas da língua.   29 55 .

As primeiras palavras das crianças não têm morfemas flexionais dando uma aparência telegráfica às palavras justapostas As flexões como o morfema de plural e o morfema de passado são adquiridas durante os anos pré-escolares. A morfologia é a estrutura interna das palavras. Alguns aspectos da morfologia são controlados pelas considerações sintácticas ± morfologia flexional. as flexões tornam-se a base da aprendizagem da categoria sintáctica de uma nova palavra. 30 55 . que é a aquisição da morfologia Exige que a criança perceba a que objecto do mundo a nova palavra se refere e desenvolva a representação da forma pela qual as várias palavras estão ligadas ou se distinguem dentro do sistema linguístico.ASPECTOS NA AQUISIÇÃO LEXICAL Aspectos na aquisição lexical Aquisição do significado da palavra (relação entre a palavra e o mundo) A forma como a estrutura interna de uma palavra pode ser modificada. Uma vez aprendidas. Esta tarefa é apoiada pela experiência e pelo conhecimento das crianças ± A quantidade de experiências da criança influência o tamanho do seu léxico. As crianças têm que dominar a morfologia flexional para comunicarem.

Byers Brown e Edwards (1989) relataram que as crianças manifestam problemas ³em encontrar as palavras´ de duas formas diferentes: ± algumas crianças com dificuldade em evocar itens lexicais parecem quietas e pouco comunicativas devido à restrição da sua fala. o facto das palavras novas não serem mantidas por tempo suficiente na memória activa. enquanto que apresentam a mesma dificuldade de localizar as palavras parecem até tagarelar porque recorrem a uma variedade de partículas comunicativas enquanto evocam a palavra. Em geral as crianças com dificuldades de evocação de palavras apresentam boa compreensão. (Rice et al. As crianças com dificuldades de linguagem são mais lentas para aprender novas palavras que as crianças da mesma faixa etária. 31 55 . ± outras As dificuldades de evocação de palavras são geralmente medidas através de tarefas estruturais de nomeação.PROBLEMAS LÉXICOS E SEMÂNTICOS Uma das marcas das dificuldades linguísticas é a emergência tardia das palavras. 1990) Alguns especialistas apresentam como causa para estas dificuldades.

Uma vez que elas conseguem realizar tarefas de reconhecimento correctamente. a palavra deve estar armazenada na memória. o que dificulta para a criança a selecção de uma palavra relevante para um dado conceito. 32 55 . Este facto tem implicações directas em relação à intervenção. Kail e Leonard (1986) sugeriram que as crianças com dificuldades de evocação de palavras apresentam representações menos elaboradas da palavra. pois em vez de exigir treino ou estratégias de evocação. os autores sugerem que elas passem por um treino mais detalhado de representação do significado de uma palavra.PROBLEMAS LÉXICOS E SEMÂNTICOS PROBLEMAS DE PROCESSAMENTO RESPONSÁVEIS PELAS DIFICULDADES DE EVOCAÇÃO A explicação mais comum diz que essas crianças apresentam dificuldades para aceder à palavra na memória.

A tarefa principal para a criança que está a adquirir a gramática é aprender a tratar as palavras como membros de uma categoria gramatical e aprender as formas legítimas de combinar essas categorias.ESTRUTURA SINTÁCTICA Sintaxe: conjunto de princípios que determina como as palavras podem ser combinadas de forma gramatical. A criança começa a construir relações entre as palavras. 1980). As crianças começam a combinar as palavras no final do segundo ano de vida (McShane. 33 55 .

ESTRUTURA SINTÁCTICA  As flexões gramaticais (ex: dois patos) começam entre os dois e os três anos . (EX: Uso de artigos antes dos substantivos. de uma palavra aos dois anos para quatro palavras aos três anos e meio e oito palavras aos seis anos. etc). mais importante que o comprimento da frase.   34 55 . O tamanho médio da frase aumenta durante os anos pré-escolares. No entanto. Este é o marco do início real de aquisição da sintaxe. o que conta é o domínio gradual da estrutura sintáctica. o uso de preposições para indicar direcção e localização. o uso de verbos em diferentes tempos.

Algumas crianças parecem conhecer muito mal as estruturas sintácticas. como as consoantes e as vogais.PROBLEMA SINTÁCTICOS Características linguísticas das crianças com problemas gramaticais Ausência de palavras conectivas Ausência de flexões verbais Alguns investigadores associam os problemas gramaticais a dificuldades no processamento dos sons (auditivo). Talal e Piercy (1978) sustentam que a percepção dos sons da fala. No entanto. 55 35 . nem todos os problemas sintácticos têm origem nas estratégias iniciais de processamento. Van der Lely (1990) refere que as crianças com dificuldades de linguagem apresentam uma dificuldade específica no uso da informação sintáctica como um guia para o significado. são percebidos de forma pior pelas crianças com dificuldade de linguagem.

As dificuldades pragmáticas podem surgir por várias razões.PRAGMÁTICA Pragmática ponto de vista da« dificuldades Produção .a pragmática diz respeito às nossas habilidades para conferir intenções através da fala.a pragmática diz respeito às nossas habilidades para inferir a intenção do falante ao produzir a sua expressão oral. Compreensão . Dificuldades com o sistema linguístico Dificuldades no sistema cognitivo 36 55 .

O desenvolvimento das habilidades pragmáticas pode ser visto sob duas perspectivas: Linguística Geral Podemos estudar o desenvolvimento da habilidade de compreender como os outros ³funcionam´ e levar isto em conta na comunicação. Do ponto de vista da perspectiva linguística. podemos estudar o desenvolvimento das estratégias verbais específicas para a comunicação das intenções. 55 Linguística Específica 37 . Aos 2 anos de idade. a capacidade da criança para participar numa conversa prolongada é limitada.PRAGMÁTICA O desenvolvimento das habilidades pragmáticas começa antes do uso da linguagem propriamente dita.

Habilidades referenciais Participação em conversas Actos e fala Fey e Leonard (1987) cinco áreas da pragmática importantes para as crianças com dificuldades de linguagem Mudança de código Regras do discurso 38 55 .PROBLEMAS DA PRAGMÁTICA Algumas crianças com dificuldades de aprendizagem são descritas como portadoras de um distúrbio semântico-pragmático ou de um distúrbio de conversação. São crianças que dominam bem os aspectos formais da língua. mas a conversação não ocorre normalmente.

tal como as formas interrogativas. Bishop e Adams referiram que o estilo discursivo das crianças não era apenas imaturo para a sua idade.PROBLEMAS DA PRAGMÁTICA Fey e Leonard (1987) Identificaram 3 conjuntos de problemas nessas crianças:    Não dão respostas. A sua comunicação pode estar comprometida porque elas não apresentam mecanismos específicos de discurso. Apoiam-se longamente em respostas automáticas. mas também incluía algumas características discursivas que não eram normais em nenhuma idade. 39 55 .

PROBLEMAS EXTERNOS AO SISTEMA LINGUÍSTICO O sistema linguístico não existe isolado do resto do sistema cognitivo. Fontes possíveis das dificuldades não linguísticas: Processamento auditivo Memória activa Processos cognitivos gerais 40 55 . É possível que algumas dificuldades linguísticas sejam causadas por problemas que surgem de processos nãolinguísticos em que se baseia o sistema linguístico.

Também Frumkin e Rapin (1980) mostraram que as crianças com dificuldades fonológicas apresentavam uma descriminação auditiva medíocre quando os estímulos eram apresentados rapidamente. Tallal e seus colaboradores concluiram que crianças com dificuldades linguísticas têm um pior desempenho ao processar estímulos auditivos rápidos ou breves.PROCESSAMENTO AUDITIVO  Vários autores já referiram que as dificuldades linguísticas específicas são causadas por problemas no processamento do input auditivo.  41 55 . como tons ou sons da fala.

Gathercole e Baddeley (1990) concluíram. em estudos efectuados.  42 55 . que as crianças com dificuldades de linguagem conseguiam reter menos material no repertório fonológico da sua memória activa e sugeriram que isto poderia afectar a formação de uma representação estável de uma nova sequência sonora na memória de longo prazo.MEMÓRIA ACTIVA  Alguns autores sugerem que uma habilidade reduzida ou diminuída para armazenar informações na memória activa pode ser um factor agravante da dificuldade linguística.

55   43 . em que a linguagem é vista como um tipo de actividade simbólica. Cromer (1978) observou que muitos comportamentos ordenados por sequência.PROCESSOS COGNITIVOS  Uma hipótese muito comum sobre as dificuldades linguísticas é que elas reflectem as deficiências em processos cognitivos mais gerais. inclusive a linguagem. na sintaxe da linguagem. Em estudos realizados o mesmo autor concluiu que as crianças com dificuldades linguísticas tinham menos probabilidade de usar um planeamento hierárquico. propuseram que as dificuldades de linguagem. como por exemplo. Isto significa que há relações estruturais importantes entre itens não-adjacentes. apresentavam uma estrutura hierárquica. cujo desenvolvimento depende do desenvolvimento de uma capacidade simbólica geral. Outros estudos conduzidos dentro da estrutura piagetiana. são causadas por dificuldades gerais no processamento de símbolos de qualquer tipo.

Como tal estes podem ser prejudicados em maior ou menor extensão.  44 55 . uma vez que são considerados um sistema único.IMPLICAÇÕES DE UM MODELO DE PROCESSAMENTO DE DIFICULDADES DE LINGUAGEM  Um modelo de processamento das dificuldades da linguagem requer que o sistema linguístico seja tratado como uma série de componentes. Este tipo de análise permite dissociar o desenvolvimento de diferentes componentes e possui implicações directas para os procedimentos de classificação e para a compreensão do desenvolvimento.

daquelas cujas alterações são provavelmente transitórias. ainda permanece a dificuldade de distinguir entre as crianças que apresentam problemas persistentes.CLASSIFICAÇÃO Bishop e Edmundson (1987) estabeleceram uma tabela de classificação dos tipos de dificuldade: ‡ Distúrbio fonológico puro ‡ Distúrbio restrito à fonologia. 45 55 . à sintaxe e à morfologia ‡ Distúrbio de todas as funções expressivas ‡ Distúrbio receptivo-expressivo ‡ Outros No entanto.

ATRASO VERSUS DISTÚRBIO  Um modelo de processamento de linguagem destaca a dificuldade de se tentar fazer um distinção simples entre atraso e distúrbio. a conceitualização das dificuldades de linguagem através da dicotomia atrasodistúrbio é extremamente simplista.  46 55 . Levando-se em conta a variabilidade que existe no processo normal de aquisição de linguagem. Um atraso num componente pode fazer com que toda a linguagem pareça alterada devido à interacção entre componentes.

É importante considerar o papel do ambiente na modificação do processo de aquisição. ‡ Não há um deficit único e principal que responde pelos problemas apresentados por todas as crianças com distúrbios linguísticos A avaliação deve ser determinada pelo conhecimento da criança e pelo conhecimento do sistema linguístico. 47 55 .AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO Princípios centrais que guiam a abordagem da avaliação e intervenção de linguagem: ‡ Não há um modelo completo e satisfatório de processamento linguístico.

48 55 . conversas sobre brinquedos.AVALIAÇÃO Tarefas do avaliador: 1º Estabelecer se o problema existe e identificar a dificuldade presente (testes. uma vez que ela está continuamente a reavaliar os dados iniciais da avaliação e os impactos das várias intervenções possíveis. respostas a perguntas«) A avaliação é parte integral da intervenção. check-lists«) 2º Descrever as habilidades linguísticas da criança (descrição de figuras.

INTERVENÇÃO   A ênfase deve ser dada à linguagem e às habilidades relacionadas com a linguagem. o foco da intervenção for discriminação auditiva. mas sim à discriminação do tipo de conteúdo que ocorre na linguagem. Se. As estratégias que as crianças aprendem devem ser aplicáveis para o processamento linguístico em contextos normais. 55 49 . a ênfase não deve ser dada à discriminação de sons simples. por exemplo.

O sistema linguístico deve ser considerado como uma série de componentes interactivos. mas devido à interacção dos componentes é provável que a maioria das crianças apresentem um padrão de dificuldades em vários componentes. Os perfis das dificuldades linguísticas podem ser mais úteis que as classificações em categorias.CONCLUSÕES Uma análise das dificuldades de linguagem deve centrar-se na linguagem. 50 55 . A dificuldade de uma criança pode ser mais grave num componente que em outro.

Dicas« «para a sala de aula 51 55 .

o reforço e a ajuda de forma a encorajar a iniciativa no jogo/brincadeira (caso a criança com PL não se aproximar do contexto do jogo e não iniciar interacções com os seus pares). que a criança brinque sozinha durante 2 a 6 minutos depois da sequência estar completa.  a análise de tarefas para cada uma das actividades e ensinar as componentes ou subtarefas à criança com PL. Loeb e Schiefelbusch (1997): Seleccionar três a quatro actividades (3 a 13 minutos de duração) no contexto de prática. aos pares sem PL (antes do início de cada actividade) a esperar que seja o seu par com PL a iniciar a interacção.INTERVENÇÃO ATRAVÉS DO ENSINO DIRECTO Sequência típica de ensino directo apresentada por McCormick. Permitir Utilizar Ensinar Implementar 52 55 .

Focar o ensino individualizado nas competências apropriadas espontâneas de iniciativa e resposta. Não deverá ser esperado que elas ensinem objectivos específicos de linguagem ou de comunicação. Ensinar estratégias sócio-comunicativas a todas as crianças.INTERVENÇÃO ATRAVÉS DO ENSINO DIRECTO Sugestões facilitadoras de interacções sócio-comunicativas entre as crianças. Incluir 53 55 . apresentadas por Bailey e Wolery (1992) e Kuder (1997): as crianças sem PL como tutores e não como principais intervenientes. palavras ou sinais). durante as interacções. Começar as actividades com as crianças que têm maiores possibilidades de sucesso (as crianças com PL podem comunicar frequentemente através de gestos.

responder. tomar a vez. role playing e feedback). pedir informação.   54 55 . fornecer sistematicamente reforço e ajudas e ensinar as competências sóciocomunicativas que aparentam ser as mais funcionais para a criança. ajudas. nomeadamente ao permitir mais tempo para aprender novas competências. etc.). tornar as interacções entre pares uma componente regular das rotinas da sala de aula. comentar. Programar a manutenção e generalização.INTERVENÇÃO ATRAVÉS DO ENSINO DIRECTO  Ensinar as estratégias de conversação. contacto visual. Utilizar o ensino directo e implementar o ensino de competências específicas de interacções entre pares (demonstrações. no sentido de facilitar as interacções sócio-comunicativas (conseguir a atenção.

BIBLIOGRAFIA Dockrel. Porto Alegre: Artemed Correia. Porto: Porto Editora 55 55 . MCShane. Uma abordagem cognitiva. M. (1993).Crianças com Dificuldades de Aprendizagem. J. (1997).. J. Alunos Com Necessidades Educativas Especiais nas Classes Regulares. L.

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