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UNIVERSIDADE DE CABO VERDE

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS


MESTRADO EM FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO, DIREITOS HUMANOS E
CIDADANIA

Docente Professor Doutor Daniel Medina.


Discente: António Carlos Carvalho Andrade.

EDUCAÇÃO E A CIDADANIA NA PEDAGOGIA DO OPRIMIDO DE PAULO


FREIRE E A SUA RELAÇÃO COM CABO VERDE.

RESUMO

Este trabalho tem por finalidade discutir algumas reflexões sobre a Educação e a
cidadania em Paulo Freire, no sentido de mudar a condição humana através da
compreensão, da formação cultural e histórica da sociedade, contribuindo para uma
educação humanista e perspectivar a praxis da cidadania

A concepção de cidadania foi construída historicamente e está ligada a ideia de


pertencimento e a participação em direitos e deveres políticos, civis e sociais. A
construção da cidadania pressupõe luta por esses direitos mas destacando sempre o
papel da educação na formação e na libertação desses sujeitos.
Assim a educação no exercício activo da cidadania traz uma concepção da desigualdade
social, radicalizada na emancipação humana assumindo o papel esclarecedor da razão.
Por fim promover cidadania seria formar pessoas como autentico sujeitos da história e
como individuo cada vez mais livres, obviamente com maior emancipação humana

Palavra-chave: Educação. Cidadania. Paulo Freire Diálogo, conscientização, praxis.


INTRODUÇÃO
Paulo Freire1 dedicou sua vida a pensar a pratica educativa, o que lhe torna no meio
académicos contemporâneos uma novidade diante das propostas formuladas por ele no
campo da Educação. Freire apresenta a Educação como instrumento de superação
revolucionária da liberdade e da justiça social sem perder a referência à conscientização,
os valores e à cidadania.2

O termo Cidadania foi apropriada da Grécia Antiga no contesto de polis, com o tempo o
mesmo passou a ser usada para definir sociedades, com interesses diversos e com
significado universais uma vês que o homem ancora em princípios e valores sociais.

Freire citado por Gadotti e Torres, 1994, reflectindo a educação e a cidadania, identifica
cidadão como indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos e o Estado como a
condição da cidadania. A cidadania baseia-se nas relações que os homens constroem
entre si e com o mundo.

A Educação visa qualificar os cidadãos, mas também dar-lhes uma preparação em certos
valores humanos de forma a incorpora-los ideias e responsabilidades no seu
relacionamento com o outro.

Esse modo de ser e de estar permite desenvolver uma cultura de valores dentro da
sociedade educativa, formando cidadãos compreensivos, conscientizados da diversidade
social o que permite uma mudança na sua mundivivencia.

1
O filósofo, educador e político Paulo Reglus Neves Freire nasceu em Recife, na estrada do
Encanamento, em 19 de Setembro de 1921. A sua vida foi marcada por três períodos diferentes, mas todos
constituem um marco importante para Freire. Ainda Freire elaborou a sua teoria a partir da realidade do
Nordeste Brasileiro e da América Latina, do continente Africano para depois aplicar e generalizar a sua
teoria e prática em todos os países.
2
É o facto de pertencer a uma comunidade política e configura-se em termos diversos nas diferentes
sociedades. Está ligado a liberdade ou a justiça (concebido de modo universal). Na Antiguidade a ideia da
cidadania estava ligada essencialmente à deveres e na modernidade à direitos. Hoje a ideia de cidadania
resume-se a direitos e deveres ambos considerados essenciais para alguém ser membro de uma
comunidade. A nova cidadania conjuga-se direitos de liberdade, de igualdade e de solidariedade tornando-
se o discurso sobre a democracia. ( obra ……….pag 157)
OBJECTIVOS DO TRABALHO

OBJECTIVO GERAL:
- Mostrar o significado da cidadania no contexto Educativo, político-social e
pedagógico do pensamento de Paulo Freire relacionando-os com educação Cabo-
verdiana.

OBJECTIVOS ESPECÍFICOS:
- Analisar o contexto histórico da Cidadania;
- Explicar a importância da Educação e da Cidadania para formação do conhecimento
sólido e para formação do Cidadão;
- Mostrar o papel da Cidadania na Educação segundo a pedagogia de Paulo Freire;
-Demonstrar a Educação Cabo-verdiana como um princípio de Cidadania segundo
Paulo Freire.

METODOLOGIA DO TRABALHO
O tema será abordado no âmbito das obras do próprio autor em investigação,
baseado em análise e interpretação de suas obras.
Usarei o método da análise dos textos de Paulo Freire bem como nos dos outros autores.
Esse método é, essencialmente, analítico-comparativo. Igualmente, usarei o método
hermenêutico para proceder às interpretações.

1-CIDADANIA E A EDUCAÇÃO

1.1. A Cidadania: contexto histórico e a origem do conceito.


As primeiras ideias do conceito de cidadania surgiram na Grécia Clássica, século V d.c,
sendo um dos conceitos mais antigos da história intelectual do ocidente após Roma
conquistar a Grécia expandindo-se para o resto da Europa. Em sua origem, limitava-se
aos direitos políticos, somente aos direitos e deveres para contribuir com o governo
(COUTINHO1999), sendo que nesse período só era considerado cidadão apenas
sujeitos (homens) maiores proprietários de terras desde que não fossem estrangeiros por
isso essa Cidadania não possuía uma dimensão Universal, por excluir as mulheres, as
crianças, os estrangeiros e os escravos não os considerando cidadãos. Na idade Media
(sec V ate XV d.C.), com o surgimento do feudalismo, a ideia de Cidadania termina.
Com o fim da Idade Media, voltaram a surgir as cidades e os países (Estado Nacionais),
a possibilidade de retomada a ideia de Cidadania. O problema da Cidadania no novo
contexto surge a partir dos processos de luta que culminaram na Independência dos
Estados Unidos e na Revolução Francesa enfatizando a abordagem da população como
sujeito político. Silva afirma que a Cidadania é o “status” associado ao pertencimento as
colectividades politicas modernas e é um produto provocada pela revolução Francesa e
Industrial (SILVA, 2008 p67). A partir desses eventos, houve um rompimento com o
princípio de legitimidade que até então vigorava como medida para acabar com o
absolutismo, começaram a surgir práticas que ampliaram o conceito e o exercício de
Cidadania.

A queda do absolutismo acabou por marcar a implantação do Estado de Direito na época


Contemporânea: Todos têm direitos iguais perante a constituição, configurando a
Cidadania como participação de todos em busca de igualdade de oportunidade e
benefício social. Ser cidadão implica ser sujeito de direitos e de deveres, de estar aptos
para exercer e participar da vida da cidade e da sociedade.

Para Marshall (1967), a cidadania é constituída por três direitos básicos: o direito civil,
o direito politico e o direito social. Cada um desses direitos possuem uma serie de
outros direitos individuais e colectivos que foram conquistados através da história ate
chegar ao modelo actual. O direito civil é composto pelos direitos ligados a justiça ou
ainda a liberdade de expressão e a vida. O direito Politico é composto pelo direito de
participação no exercício do poder, ou seja, traduz-se nos direitos de votar e ser votado
nas diferentes instâncias do poder político. Por último, o elemento social é composto
pelos direitos de bem-estar social como a educação, saúde, trabalho e tudo que compõe
a herança social de uma sociedade. Trata-se de um princípio de igualdade social, pois o
cidadão será aquele que goza plenamente de todos estes direitos simultaneamente, ou
seja, coloca todos os indivíduos de uma sociedade, no mesmo patamar de igualdade em
condições iguais. A cidadania plena não existe, ela é uma utopia que é impossível de se
realizar. A cidadania ideal seria combinar a liberdade, o amor, a participação e igualdade
para todos. Ainda esse ideal passaria por associar os direitos políticos, civis e social
acima mencionado o que levaria ter cidadãos pleno.
Sorj (2004) indica que o debate da cidadania, no mundo moderno e globalizado pode-se
definir abordando dois tópicos: o primeiro compreende a cidadania como mecanismo de
inclusão ou exclusão social, ou seja, quem é parte integrante ou não de uma comunidade
nacional, como exemplo ter nacionalidade de um pais.

O segundo passa-se por aqueles grupos que correspondem aos direitos económicos e
sociais que se amplia para o direito politico. Essa concepção da cidadania não se define
pela liberdade e direito mas sim pela dependência das instituições supra nacionais
(ONU, União Europeia), que constituem uma população estrangeira que aspira ser
cidadão.

Demo (1992) compreende a cidadania como um processo histórico de conquista


popular, através do qual a sociedade adquire, progressivamente, condições de tornar-se
sujeito histórico consciente e organizado, com capacidade de conceber e efectivar
projecto próprio. Ainda o autor coloca como condição para a cidadania o interesse do
cidadão em reconhecer-se com tal.

As diferentes concepções de cidadania abordadas nesta sessão conduzem à noção de que


a cidadania, requer a participação dos diferentes sujeitos sociais como também agentes
políticos passando por uma cultura letrada.

A educação constitui-se um instrumento básico para o exercício da cidadania na medida


que trata de uma cultura letrada, mas regida por normas que ultrapassam o direito que é
condição para que a cidadania se efective.

1.2. Cidadania do Estatuário ao Cosmopolitismo.

A cidadania enquanto uma invenção grega, que idealizava a realidade social do tempo,
fazendo de tábua rasa acerca das desigualdades e da exclusão social existente na
sociedade. Com efeito Aristóteles, no livro III da Politica, nos apresenta uma polis com
colectividade de cidadãos mas agregando e considera-os politicamente iguais, como os
únicos a possuírem e a exercerem o direito de governarem a cidade e a constituir uma
comunidade dita de cidadãos livres e iguais acabando por praticar uma cidadania restrita
a todos os que não se situam em nascimento e origem geográfica definida no contexto
do polis. Esta concepção liberal da cidadania se acentua mais nos direitos e deveres para
com o estado, mas também ela urge o cidadão para usar as suas liberdades cívicas e
privadas enquadrada de uma forma estatuária.(cidadania estatuária)

A cidadania do regime estatutário é definido por um conjunto de regras que regulam a


relação funcional entre o servidor e o Estado sendo as normas são emanada do Estado
que torna uma convenção. Diz-se "estatutário"os deveres e os direitos que decorrem de
dispositivos do estatuto legal, isto é, a lei específica que regulamenta, as normas e os
valores administrativo dentro de uma comunidade o que torna uma lealdade exclusiva
ao estado.

Pelo contrário a cidadania cosmopolita 3 é mais do que um catalisador de diferentes


identidades culturais. A sua concepção tem como pressuposto uma nova maneira de ver
e edificar o mundo, ou seja, também envolve a construção de uma nova subjectividade.
Essa nova subjectividade expressa-se no modo de ser ético que implica a abertura à
alteridade do outro ou de si mesmo, a abertura para a virtual diferenciação engendrada
no encontro com o outro, tornando-se um veículo de actualização desta diferença em um
veículo de criação de novos modos de existência e de novos tipos de sociedade.
Hannah Arendt , apud BOSNIAK, 2000, defende que, o cidadão é por definição um
cidadão entre outros cidadãos de um país entre outros países. Seus direitos e deveres
devem ser definidos e limitados não apenas pelos seus concidadãos, mas também pelas
fronteiras de um território. De acordo com a autora, o Estado mundial é uma condição
necessária para a realização da cidadania mundial.
Kant (1995) defende que é possível e desejável que os indivíduos se reconheçam não
apenas, como membros de suas comunidades particulares, mas também como membros
da humanidade. Nesse sentido, é importante que se criem mecanismos de participação
democrática em planos mais amplos que o Estado-nação e isto, pois de certa forma
confere uma maior ideia de humanidade e da cidadania.
A Cidadania Cosmopolita não significa apenas um direito, mas um dever que infere dessa
teoria, uma disposição em sacrificar a própria vida a partir duma ligação emocional do
indivíduo com o território a partir de uma relação entre si.
3
Cosmopolitismo é um conceito ocidental que representa a necessidade que agentes sociais têm de
conceber uma entidade cultural e política, maior do que sua própria pátria, que engloba todos os seres
humanos em escala global. O cosmopolitismo pressupõe uma atitude positiva em relação à diferença, um
desejo para construir amplas alianças e comunidades globais iguais e pacíficas de cidadãos que deveriam
ser capazes de comunicar-se além das fronteiras culturais e sociais formando uma solidariedade
universalista.
Esta relação entre a subjectividade e alteridade é fundamental, porque é nossa condição
de afectar e sermos afectados pelo outro, que provoca turbulências e transformações
irreversíveis em nossa subjectividade. Essa condição faz com que a natureza do nosso
ser torna uma entidade processual, abrindo-se para o outro. Abrir-se para o outro
pressupõe aceitar e viver a experiência de que não somos uma individualidade, uma
identidade fixa, mas um permanente processo e permanente encontro com o outro.
Kant (1995), ao defender que quando os homens se reconhecerem mutuamente como
membros de um mesmo mundo, estariam menos dispostos a encarar e aceitarem as
guerras como um mecanismo aceitável de política internacional.

Para FREIRE (2000) enquanto os seres humanos existirem, haverá sonho, luta, desejo,
projectos direccionados para a concepção de uma humanidade liberta das forças que
interferem na nossa realização histórica.

Então na nossa relação com o mundo, podemos agir positivamente e contribuir para que
as coisas aconteçam. O educador autêntico precisa assumir a política inerente à
educação, pois o educar constitui-se em um acto essencialmente político, onde não há,
neutralidade diante dos contextos concretos em que se situam os seres humanos
enquanto seres ético, sujeitos sociais e cidadãos do mundo.

1.3. A Educação como condição Inalienável da Cidadania.

Ao longo dos tempos, configurou-se uma sociedade dividida entre fortes e fracos,
dominadores e dominados, incluídos e excluídos. Partindo da premissa de que, apesar
das diferenças genéticas e socioeconómicas, somos todos iguais como seres humanos,
concluí-se que os socialmente desfavorecidos necessitam, em termos de educação, de
amparo num duplo sentido. Primeiro, mediante uma educação escolar democrática,
visando um modelo de cidadania participativa e tendo por objectivo a construção de
uma sociedade digna e justa. Segundo, pela garantia de acesso a educação de qualidade
para todos sob a responsabilidade do Estado enquanto direito do cidadão.
Marshall, apontava três elementos que compõem a cidadania: uma parte civil,
relacionada aos direitos necessários à liberdade individual; uma parte política, que diz
respeita ao direito de participar no exercício do poder político; e uma parte social, que
se remetia a um mínimo de “bem-estar económico e segurança, ao direito de participar
por completo da herança social, e levar a vida de um ser civilizado de acordo com os
padrões que prevalecem na sociedade” (MARSHALL, 1967, p. 9). A princípio, os
direitos civis, políticos e sociais estavam fundidos num só plano, pois as instituições
estavam amalgamadas entre si.
Para este estudo, é importante investigar as partes que constituem a cidadania, ou seja, a
política, a civil e a social. Quanto à parte política, Marshall remete ao que os romanos
circunscreveram: “o direito de votar e ser votado” e o direito de participar no exercício
do poder político - como membro ou como eleitor dos organismos investidos de
autoridade política, como, por exemplo, o parlamento e os conselhos do governo local.
A respeito da história dos direitos políticos, o período formativo apontado pelo autor
abrange o século XIX. Quando esse direito começou a ser “implementado” na
Inglaterra, ele não enriqueceu os direitos ou criou novas legislações, mas foi uma
espécie de doação de direitos velhos a novas camadas da população ou outras classes
sociais. Isso quer dizer, que, no século XVIII, os direitos políticos eram deficientes na
distribuição, mas não no conteúdo. Em 1832, o direito ao voto era um monopólio, o que
significa que o direito político era privilégio da classe económica que detinha as
riquezas do país. Com a democracia política, surgiram algumas necessidades, como um
eleitorado educado, além de técnicos e trabalhadores qualificados para actuação e
intensificação da produção científica. “O dever do auto-aperfeiçoamento e de auto
civilização é, portanto, um dever social e não somente individual porque o bom
funcionamento de uma sociedade depende da educação de seus membros”
Para que o sujeito possa se tornar cidadão, é necessário habilitá-lo a convivência social
Isto, exige a capacidade de expressar seus ideais, interesses e necessidades e defender
seus direitos no espaço público. Precisa, além disso, de ter condições de participar de
todo o processo social que lhe garanta a vida digna, em termos de trabalho e emprego
para a sua sobrevivência em condições dignas, ou seja, ele precisa ter condições de
acesso aos bens materiais e culturais produzidos pela sociedade. Para que isso seja
possível, é necessário desenvolver suas potencialidades de domínio dos conhecimentos
e habilidades, bem como o manejo dos códigos de comunicação indispensáveis para
argumentação.
A cidadania está relacionada a capacidade de intervir tanto nos espaços privados da
ordem económica, quanto nos assuntos públicos de ordem política. Só essa dupla
capacidade e habilidade leva o sujeito a ultrapassar da simples e formal posse de direitos
e alcançar o que se pode chamar de cidadania activa, ou seja, a verdadeira participação
no modelo democrático. São múltiplos os caminhos para adquirir tais capacidades e
habilidades, mas o principal deles é sem dúvida, a educação.
E a educação continua sendo imprescindível ao exercício da cidadania. Apesar de suas
inúmeras deficiências, limites e problemas, ela continua sendo o principal recurso de
formação para a cidadania com tudo o que isso implica. É, portanto, lógico que o
exercício da cidadania, certamente o principal direito do ser humano como ser social,
pressupõe o acesso a educação. Disso se depreende que a sociedade democrática, em
seu sentido pleno, é aquela em que todos os seus integrantes têm acesso a educação, e
uma educação de qualidade tal que lhe de condições para o exercício pleno da
cidadania.
O que significa ter acesso educação é, sem dúvida, algo difícil de ser respondida no
contexto da sociedade contemporânea. Se até algumas décadas atrás ainda existiam
razoáveis consensos em termos de valores e de formas de comportamento que serviam
de orientação para o processo educativo, actualmente estes paradigmas se mudaram.
Na sociedade intercultural, globalizada existem e incidem educativamente sobre o
indivíduo múltiplas referências culturais e ideológicas. No qual estes são entendidos
como o conjunto de normas, valores, conhecimentos, entre outros, legitimados
socialmente com a interferência, do outro, da alteridade.
O acesso a educação é condição fundamental para a formação de cidadãos conscientes,
críticos e democráticos, capazes de promover a transformação social. E a escola é, por
excelência, o espaço no qual se pode promover o comportamento reflexivo e crítico
indispensável a cidadania activa, com identidade e pertinência, visando um projecto
colectivo de convivência verdadeiramente democrático. Ao contrário do que muitas
vezes se afirma, a educação não perde a importância frente ao crescimento dos espaços
informais, tais como os meios de comunicação.
A educação precisa ser hoje repensada na perspectiva da realidade complexa, plural,
fluente, globalizada e multicultural, tanto em termos de procedimentos pedagógicos
quanto em conteúdos e de formação de cidadão. Podemos, então, concluir que o acesso
a educação é condição do direito a cidadania.
Para Paulo Freire, a educação pode mudar a condição humana através da compreensão
das relações entre educação e a formação para cidadania, isto é, esclarecer as raízes
ontológicas da educação democrática e dos direitos e responsabilidades dos cidadãos
comprometida com a humanização, no qual seja mais fácil amar.
A educação deve ter como horizonte o “sonho de um mundo menos depravado, menos
feio, menos autoritário, mais democrático e humano” (FREIRE, 1995, p. 30). Para isso é
necessário desencadearmos uma educação reflexiva e uma cidadania legítima baseada
numa educação libertadora.

2. Cidadania e a pedagogia do Oprimido de Paulo Freire.

2.1. A Cidadania em Educação como Prática da Liberdade

A concepção de Paulo Freire sobre cidadania pode ser entendida na obra Educação
como Prática da Liberdade, na qual ele expressa seu entendimento sobre sociedade e
educação no contexto brasileiro. Nessa obra, ele afirma que a sociedade brasileira passa
por fases intituladas e caracterizadas como consciência intransitiva, fechada, transitiva
aberta e crítica, as quais estão intimamente relacionadas com a democracia, a
participação do homem e a educação.
Conforme anunciado, o termo conscientização assume grande importância Paulo Freire,
principalmente em Educação Como Prática da Liberdade. Este estudo toma por base a
cidadania, para Paulo Freire, conscientizar-se é quando a consciência estabelece o agir e
o estar do ser humano no mundo, isto é, o tipo de consciência que o sujeito assume e
reflecte no tipo de cidadania que ele assumirá.
Pinto (2005) caracteriza a consciência como “representação mental da realidade
exterior, do objecto, do mundo, e representação mental de si, do sujeito, auto
consciência. Nessa mesma direcção, devido ao facto real da consciência sob a forma de
vida do ser humano, Paulo Freire pensou na importância de um processo educativo que
levasse os sujeitos a uma posição de tomada de consciência, em especial numa
alfabetização que os levasse do estado da ingenuidade à criticidade.
Paulo Freire também discute o conceito de consciência, caracterizando-a como,
transitivo-ingênua4 e transitivo-crítica5, afirmando que a última só se daria pela
educação libertadora. Com relação à intransitividade, ele se refere à falta de
compromisso do homem com a sua existência. transitividade-crítica se liga à
responsabilidade social e política, “se caracteriza pela profundidade na interpretação dos
problemas, pela prática do diálogo (FREIRE, 1967, p. 69).

A passagem da consciência intransitiva para a transitivo-ingênua vinha paralela as


transformações dos padrões económicos da sociedade. Era passagem que se fazia
automática. Na medida realmente em que se vinha intensificando o processo de
urbanização e o homem vinha sendo lançado em formas de vida mais complexas e
entrando, assim num circuito maior de relações e passando a receber maior número de
sugestões e desafios de suas circunstâncias, começava a se verificar nele a transitividade
de sua consciência;

[...] a consciência transitivo-crítico [...] somente se daria por efeito de um trabalho educativo
crítico [...] trabalho educativo advertido do perigo da massificação, em íntima relação com a
industrialização, que nos era e nos é imperativo existencial [...] Daí a consciência transitivo-
ingênua tanto poder evoluir para a transitivo crítica, característica da mentalidade mais
legitimamente democrática, quando poder distorcer-se para esta forma rebaixativa,
ostensivamente desumanizada, característica da massificação (FREIRE, 1967, p. 70).

Esse homem e sua conscientização estão inseridos dentro de uma sociedade, na qual a
semelhança da consciência possui suas caracterizações específicas. A sociedade
fechada, de massas se caracteriza por ser;

“Exportadora de matérias-primas [...] Predatória. Reflexa na sua economia, na sua


cultura, alienada, objecto e não sujeito de si mesma. Sem povo. Avessa ao diálogo,
precária vida urbana, alarmantes índices de analfabetismo, atrasada e comandada por
uma elite alheia a seu mundo” (FREIRE, 1967, p. 56).

4
Consciência transitivo-ingênua nesse modelo os indivíduos vêm a realidade dos factos como algo
estático, já estabelecido mas não colocam-se à distancia para julga-los e, consideram-se livres para
entende-los conforme lhes aparece.
5
Consciência transitivo-critica nesse modelo os indivíduos captam e percebem os factos conseguindo
desocultar as razoes que os explicam e, ainda, são capazes de compreender as circunstancias. Ela é a
representação das coisas e dos factos que se dão na existência empírica.
A sociedade foi sofrendo mudanças, aparecendo a harmonia de uma sociedade fechada
em relação a uma aberta. Ressalta-se que a educação teve o seu trabalho nos dois
contextos, na sociedade fechada e na sociedade em processo de mudança para a
libertação através de uma praxis consciente que leva a cidadania.

O discurso de Paulo Freire sobre a cidadania pode assumir múltiplas formas se parar na
consciência transitiva ingénua, viverá de conquistas e realizações sociais do passado.
Mas, ao se associar a uma consciência transitiva crítica, a cidadania será histórica,
tomará contornos e reflexos da democracia e, por isso, será aberta ao diálogo, à
participação, valorizará a educação que leva a esse tipo de conscientização, educação
que forma sujeitos históricos. Por esses aspectos, a cidadania em Paulo Freire assume
diferentes aspectos, dependerá do tipo de consciência e do tipo de sociedade que o
sujeito assume ou na qual se insere.

Paulo Freire entende a singularidade do homem como o único animal capaz da auto
reflexão e da reflexão sobre sua capacidade de transcender não apenas no sentido
espiritual, mas sim na sua existência concreta. As relações do homem com o mundo são
plurais e, constantemente, ele enfrenta os desafios do contacto reflexivo, da própria
pluralidade, da libertação e do existir no tempo e no espaço.
Dentro de uma sociedade aberta e crítica, a cidadania se desenvolve num ambiente
democrático. Segundo Paulo Freire, assim como outros profissionais, intelectuais, tinha
uma contribuição a dar à sociedade. Pode-se inferir, então, que a concepção de
cidadania de Paulo Freire está dentro do campo da pedagogia e o sujeito o principal (ao
lado de outros) no processo de construção dessa cidadania. Freire defende um princípio
fundamental da cidadania, que é a participação consciente, uma vez que estar no poder
implica direitos e deveres e não somente desfrutar de privilégios.
Na obra Educação como Prática da Liberdade, Paulo Freire apresenta a necessidade de
buscar a humanização e a libertação do homem na sociedade, para expulsar o excesso
da opressão desse homem, pela conscientização, seria essencial o trabalho da educação.

2.2. A Cidadania na Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire.


Nessa obra, Pedagogia do Oprimido, o educador apresenta uma educação com base no
diálogo de saberes, fazendo uma crítica a educação bancária, na qual só o educador é
sujeito do saber, do conteúdo, dos temas e o educando é apenas um depositário
mecânico e ingénuo de tal conteúdo. Há um convite a uma educação como prática da
liberdade, de cunho ético, na qual os saberes do educador e do educando entram em
constante diálogo e ambos são sujeitos autores de sua própria história.
Paulo Freire escreve Pedagogia do Oprimido, dialogando sobre a opressão e a
libertação dos homens e deixando claro que liberdade é uma conquista, não uma doação
e, por isso, exige uma permanente busca. (FREIRE, 1987, p34)
É nessa busca por liberdade que surge um importante componente: a educação,
apresentada por meio de dois contrapontos, a educação bancária e a educação dialógica.
Na discussão de Paulo Freire sobre a relação opressor/oprimido e a busca da libertação,
o papel da educação na conscientização dos sujeitos é definidor da sua concepção de
cidadania.
Cidadania, quando associada à educação tome como referência filosófica os princípios
de uma educação libertadora/Problematizadora6, opondo-se às práticas educativas que
delimitam alfabetização como domínio da leitura e escrita. Os homens e as mulheres,
num mundo de cultura e história, ultrapassam a esfera de contactos, que lhes garante a
presença no mundo, se relacionam constroem relações entre si, no e com o mundo.
Consequentemente, a compreensão de cidadania deve ser a condição humana de
transgressão às práticas que teimam em formalizar apenas as suas acções na esfera dos
contactos e não na valorização da cidadania.

A cidadania para ele está além do aspecto social, englobando outros factores, como o
sujeito e as suas relações sociais, a cultura, a educação que propõe a reflexão das
situações sociais e ideológicas já existentes. Essa cidadania perpassa questões de cunho
antropológico, sociológico, filosófico e comportamental, no sentido de atitudes, de
acções sociais dos sujeitos como opressores ou oprimidos, com implicações existenciais
mais complexas. O educador é o sujeito e os educandos são transformados em
6
Expressão utilizada por Paulo Freire quando se refere à educação que se opõe aos modelos opressores de
educação. Para isto ver Educação e actualidade brasileira (2001); Educação como prática da liberdade
(1967); Pedagogia do oprimido (1987).
“recipientes”, “vasilhas”, “depósitos”. Com essa relação, a acção está com o educador,
enquanto os educandos são passivos no processo. Portanto, “a educação se torna um ato
de depositar” e, dentro dessa concepção bancária de educação, “a única margem de
acção que se oferece aos educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e
arquivá-los” (FREIRE, 1987, p. 58). Para Paulo Freire, esse tipo de educação é um
equívoco, “fora da praxis os homens não podem ser (p.58)”. o autor salienta uma praxis
libertadora, definida como “a acção e a reflexão dos homens sobre o mundo para
transformá-lo” (p. 67). A praxis libertadora se opõe à concepção bancária de educação,
na qual educador e educandos apenas arquivam informações, mas não há saber; “só
existe saber na invenção, na reinvenção, na busca inquieta, impaciente, permanente, que
os homens fazem o mundo, com o mundo e com os outros através do dialogo (p.58)”.
Ainda em Pedagogia do Oprimido, Freire nos lembra sobre a relevância de pensar e
agir mediados pela dialéctica, pelas vocações ontológicas de amorosidade, de
humanização, de ser mais colectivo. Isto refere-se a cidadania como meio indispensável
aos homens e mulheres que buscam, em sua radicalidade autêntica, a condição de sua
existência, de sua incompletude humana, dentro das suas histórias, num contexto real,
concreto, objectivo, enquanto seres inconclusos e conscientes de sua inconclusão”
(Freire, 1980).
A educação cidadã, construída, da valorização à vida, do respeito aos jovens e adultos
desfavorecidos, oprimidos de seus direitos, dimensionada pela prática educativa
libertadora, popular, precisa conotar à multiplicidade humana como essencialidade que
insere-se como praxis revolucionária, como atitude de transformação social.

O respeito a valorização da cidadania, neste contexto, é atitudes que exigem de todos o


comportamento ético e o reconhecimento de sua humanidade como praxis libertadora.

2.3. O PAPEL DO DIÁLOGO NA CONSTRUÇÃO DA CIDADANIA.

O diálogo coloca-se como elemento principal para que se estabeleça uma boa relação
entre os sujeitos. Para que os sujeitos saibam fazer uso das palavras, é necessário que
conheça a “situação Problematizadora” que proporciona a condição do conhecimento. O
processo do conhecimento consiste no desenvolvimento do mundo pelos sujeitos que
nele vivem, na compreensão das trocas do sujeito com o meio e entre os sujeitos,
estabelecendo uma acção colectiva em busca da conscientização, que possibilita a
libertação e a vivência da cidadania

A importância do diálogo dentro do pensamento de Paulo Freire remete à formulação da


educação dialógica, que traz consigo a ideia de que o saber não está pronto, acabado,
não sendo possível que um ser humano tenha todo o conhecimento científico para ser
transmitido a um recipiente passivo, o educando.
Pelo contrário, o educador mais prático na cultura deve fazer mediações intencionais na
aprendizagem do educando, convocando-o para uma construção de saber mútuo, a
dotando uma postura reflexiva sobre a vida em sociedade. Para Paulo Freire o diálogo
ou a situação dialógica de aprendizagem pressupõe amor, humildade, fé nos homens,
pois:

Não há diálogo se não houver profundo amor ao mundo e aos


homens [...] a pronúncia do mundo não pode ser um ato arrogante
(...) não há também diálogo se não há uma intensa fé nos homens
(...) fé na sua vocação de ser mais, que não é privilégio, mas direito
dos homens (FREIRE, 1980, p. 81).

Nessa concepção de educação, o diálogo deve ser contínuo para que se possa produzir e
se apropriar do conhecimento e isso exige muito mais preparo por parte do educador.
Portanto, a educação dialógica contribui para a formação da cidadania a partir da
conscientização do homem sobre o seu tempo e seu espaço no mundo, sobre a sua
realidade social e filosófica. Essa cidadania teria características democráticas, colocaria
o homem na realidade, se apresentaria como uma construção comunitária, na qual os
homens conscientes de sua história transformariam a realidade histórica na qual
estivessem inseridos.
Podemos afirmar que o sujeito será um cidadão melhor, após uma formação de crítica e
uma construção da cidadania a correm num processo contínuo através do diálogo e não
em um momento estanque. A consciência clara, critica e dialógica se traduza em sujeitos
autónomos em que o conhecimento propicie a todos a capacidade de exercer com
dignidade uma cidadania activa, em atitudes correspondentes ao nível da concepção.
A Educação cabo-verdiana um princípio de cidadania

Em Cabo Verde, o ensino tem sido um processo contínuo desde a independência,


apostando numa educação de qualidade no país abrangendo todos os níveis. Portanto,
em 1990, com a aprovação da Lei de Base do Sistema Educativo (proposta em 1999),
foi estabelecido o novo quadro geral do sistema de ensino.

A referida Lei de Base do Sistema Educativo estabeleceu os princípios gerais da


organização e funcionamento do sistema educativo cabo-verdiano, que inclui o ensino
público e o ensino particular, fundamentados no livre acesso de todos à educação,
independentemente da idade, sexo, nível sócio-económica, crença religiosa ou
convicção. (LBSE artigos 1º e 4º).
Qualquer sistema educativo deve reger por pensar radicalmente a pessoa humana,
porque é no reconhecimento do valor da pessoa que radica a compreensão da educação
como processo de promoção dos valores eminentes que contribuem para sua realização
pessoal e social enquanto cidadão.

Nesta perspectiva, pode-se ver que existe uma maior preocupação a nível do
desenvolvimento da personalidade do indivíduo, assente nos valores de natureza ético-
social, capaz de permitir uma intervenção criativa na sociedade afim de mostram uma
atitude de cidadãos livres, ou seja, dando-lhes possibilidades e competências para o
pleno exercício da sua cidadania.

No entanto, perante este processo de evolução do processo educativo podemos


concluir que a educação deve ser para todos, um processo de inclusão social, apostando
numa perspectiva de qualidade, reconhecendo assim a importância da educação para os
valores, de modo a proporcionar a aquisição de conhecimentos, qualificações, valores e
comportamentos que possibilitam ao cidadão integrar-se na comunidade e construir para
o seu constante progresso enquanto cidadão do mundo.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Terminando o trabalho posso dizer que a educação proposta por Paulo Freire é, um
modelo educativo que faz-se do educando um ser ético, no respeito à dignidade, à
própria autonomia. Essa postura ajuda-o a construir o ambiente favorável à promoção
do conhecimento e da cidadania.

A educação para a cidadania promove a manutenção da identidade Nacional, o


Patriotismo, a lealdade e obediência ao Estado. Mas ela deve cumprir o seu papel de
sensibilizar os sujeitos para situações que ultrapassam o caris nacional e torna-se
cidadão do mundo, dentro das leis e dos valores universais.
A cidadania não é compreendida como um estado pleno de liberdade humana, mas sim
como um processo onde o universo constitui um espaço da construção da efectiva
liberdade humana.
Então a cidadania é a condição do cidadão e para realizar a cidadania plena é preciso
que a alfabetização seja assumida como um acto político, já mais como um que fazer
neutro, isto porque a alfabetização é um elemento da cidadania e esta é a liberdade, a
conscientização e a superação de toda alienação.
Em Cabo Verde, a educação é um elemento-chave e decisivo para o
desenvolvimento do país. O valor da educação, é reconhecido pelo contributo
imprescindível, que proporciona aos demais subsistemas, pois, a construção da
sociedade passa pela educação e cidadania do país.
A tarefa pedagógica duma educação libertadora é orientar as consciências para a
acção, ou seja, para que os homens possam reencontrar a si mesmos, e a sua capacidade
de agir como cidadão e com cidadania.

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