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Geologia para Engenharia Civil

Professor Bernardo Caetano Chaves


OBJETIVO

Definir geologia, mostrando a sua importância na


compreensão do mundo em que vivemos.
Apresentar os fenômenos do nosso planeta, a partir
da perspectiva integrada pela dinâmica global da
teoria da tectônica de placas.
CONTEÚDO

Unidade 1: Geologia na engenharia


1.1 - Conceito de Geologia e sua importância nas diversas áreas de conhecimento.
1.2 - A geologia e sua aplicação na engenharia

Unidade 2: Composição e Estrutura Interna da Terra


2.1 - Estrutura Interna da Terra
2.2 - Modelos de Estruturação
2.3 - Composição da Terra Unidade

Unidade 3: Geologia e Tempo Geológico


3.1 - Cronologia da Terra
3.2 - Tabela de Tempo geológico
3.3 - Datação relativa
3.4 - Datação absoluta

Unidade 4 – Minerais e Rochas


4.1 - Conceito e Propriedades dos Minerais
4.2 - Rochas
4.3 - Tipos de Rochas (Magmáticas; Sedimentares e Metamórficas)

Unidade 5: Tectônica Global


5.1 - Surgimento da Teoria da Deriva Continental
5.2 - Surgimento da Teoria da Tectônica Global
5.3 - Placas Tectônicas
5.4 - Tectônica de Placas e aplicações.
CONTEÚDO

Unidade 6: Processos que moldam a Superfície da Terra


6.1 - Intemperismo e tipos de Intemperismo
6.2 - Erosão
6.3 - As Reações do Intemperismo
6.4 - Distribuição dos Processos de Alteração na Superfície da Terra
6.5 - Fatores que controlam a ação intempérica
6.6 - Produtos do Intemperismo
6.7 - Sedimentos
Unidade 7: Sedimentos e Processos Sedimentares
7.1 - Transporte e deposição de sedimentos
7.2 - Do sedimento à rocha sedimentar
7.3 - Transporte químico transporte mecânico
7.4 - Processos oceânicos e a fisiografia dos fundos marinhos
Unidade 8: Deformação das Rochas
8.1 - Como as rochas são fraturadas
8.2 - Como as rochas são dobradas
Unidade 9: Elementos dos Solos e utilização das rochas
9.1 - Conceito de solo para o geólogo e para o engenheiro
9.2 - Tipos de Solo
9.3 - Propriedades gerais dos solos
9.4 - Classificação granulométrica dos solos
9.5 - Obtenção dos materiais industriais e de construção
9.6 - Rochas e solos mais comuns e sua aplicação
MATERIAL DE APOIO E BIBLIOGRAFIA

1. PRESS, Frank et al. Para entender a terra. Porto Alegre:


Bookman, 2006.
2. MONROE, JAMES S. :

3. Material Professor Renê Macêdo (UFPe)


CONCEITO DAS ROCHAS

Dic. : Grande massa compacta de pedra muito dura; rochedo; conjunto


de substâncias minerais ou mineralizadas que entram em grande
massa na constituição da Litosfera.

As rochas são, basicamente, associações naturais de dois ou mais


minerais agregados ou não e, normalmente, cobrindo vastas áreas da
crosta (crusta) terrestre e, por vezes, embora raras, constituídas por
um só mineral.

São, normalmente, agrupadas, de acordo com a sua origem, em três


grandes classes: magmáticas ou ígneas (ignis=fogo), metamórficas
e sedimentares.
CONCEITO DAS ROCHAS

O domínio da Geologia que se dedica ao estudo da composição,


origem, história natural das rochas (crescimento e decadência)
designa-se por Petrologia.

Assim sendo, passamos a ter três subdomínios da Petrologia:


1) Das rochas magmáticas ou ígneas (ignis=fogo),
2) Das rochas metamórficas e
3) Das rochas sedimentares.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

As rochas magmáticas ou ígneas, resultam da consolidação e


cristalização do magma. O magma é uma substância fluída, total ou
parcialmente fundida, constituída, essencialmente, por uma fusão
complexa de silicatos, silício e elementos voláteis, tais como vapor de
água, cloretos, hidrogénio, flúor, e outros.

Os magmas encontram-se na crosta terrestre a diferentes


profundidades, em câmaras ou bolsadas magmáticas, a diferentes
temperaturas de fusão as quais dependem da composição química do
magma, da pressão a que está sujeito e da temperatura da rocha
confinante.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Corte esquemático e simplificado do modelo da


Tectónica de Placas. É de salientar as diferentes
profundidades e posições relativas a que se
encontram as câmaras magmáticas.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Apresentando os magmas variações químicas na sua composição,


quando solidificam e cristalizam originam uma extensa variação
mineralógica. Como consequência vamos ter diferentes tipos de
rochas magmáticas. Quando o magma solidifica no interior da crosta
terrestre, dá origem às chamadas rochas magmáticas
intrusivas ou plutónicas. No caso de solidificar à superfície da crosta
terrestre origina as chamadas rochas magmáticas
extrusivas ou vulcânicas.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Como as rochas vulcânicas são, normalmente, extruídas sob a forma


de lava, permitem fazer uma observação e um estudo direto do
magma no seu estado líquido. Após a erupção vulcânica dá-se o
rápido arrefecimento das escoadas lávicas à superficíe, originando
uma rápida cristalização da fracção líquida do magma (lava) e
formando uma rocha sólida com alguns cristais desenvolvidos
disseminados numa massa de microcristais ou numa massa vítrea.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Recolha de
amostras de lava
do vulcão Etna.

Cratera do vulcão
Stromboli.
Arrefecimento brusco de
uma escoada lávica.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

As rochas extrusivas mais comuns são o basalto, andesito, riolito,


traquito, fonólito, traquiandesito e traquibasalto. O basalto é uma das
rochas cuja formação tem sido observada directamente pelo homem,
em muitas ocasiões. As lavas com composição basáltica são as mais
comuns. Não podemos esquecer que hoje, sempre que se dá
uma erupção vulcânica, o homem, de forma direta ou indireta, tem
acesso aos mantos e/ou escoadas de lava, isto é, ao material em fusão
que se gera no interior da crosta terrestre a profundidades que vão
para além dos 100 quilómetros.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Amostra de obsidiana
Amostra de traquito.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

As rochas intrusivas ou plutónicas apresentam uma grande


diversidade, contudo os granitos são as mais abundantes. Se
percorrermos, em certa extensão, uma região granítica, verificamos
que a granularidade das rochas graníticas é assaz variável, embora
sejam sempre rochas cristalinas; sem falar nesses tipos formados por
enormes cristais, no geral euédricos (com faces perfeitamente
desenvolvidas), que são os pegmatitos graníticos, podemos
estabelecer toda uma seriação desde granitos de grão grosso até
granitos de grão fino. Os granitos são constituídos, essencialmente,
por minerais como o quartzo, as micas (biotite e/ou moscovite) e
feldspatos. Segundo a natureza ou proporção relativa de certos
constituintes, podem distinguir-se diversas variedades de granitos,
tais como, granitos biotíticos, granitos moscovíticos, granitos de duas
micas, granitos turmalínicos.
TIPOS DE ROCHAS – MAGMÁTICAS OU IGNEAS

Amostra de granito porfiróide.

Amostra de granito biotítico.


TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Abordaremos de forma elementar conceituando o metamorfismo.


Salientaremos que o metamorfismo é o conjunto de processos que
atuam no interior da crosta terrestre, produzindo transformações, quer
nas texturas, quer nas composições das rochas; muito dessas
transformações podem incluir-se na designação geral de recristalização:
novos minerais se geram, substituindo, no todo ou em parte, os que
existiam; os aspectos texturais e estruturais modificam-se, adquirindo a
rocha, muitas vezes, carater mais cristalino. 0 metamorfismo tem lugar
em meio essencialmente sólido, ao invés do que acontece no
magmatismo.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Do ponto de vista físico-químico é o seguinte o significado do


metamorfismo: as rochas formadas á superfície da Terra ou próximo
desta podem ser levadas, pela dinâmica da Terra, para níveis
profundos, onde as condições físico-químicas são bem diversas das
que existem à superfície; essas rochas tem então de se adaptar às
novas condições de pressão, temperatura e ambiente químico; deste
modo desaparece o equilíbrio que existia entre os seus primitivos
minerais e, para que a rocha volte a constituir um sistema estável, é
necessário que se gerem novos minerais e novas disposições texturais
que assegurem o equilíbrio, em face das novas condições físico-
químicas.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

O metamorfismo ocorre a diversas profundidades da crosta terrestre,


sob a parte mais superficial onde se processa a génese das rochas
sedimentares, como veremos à frente, e acima das condições que
poderiam produzir a fusão das rochas, isto é, acima do domínio do
magmatismo. Dado que as rochas metamórficas resultam, no estado
sólido, de rochas pré-existentes, podemos usar as seguintes
designações:
1) Parametamórficas se provêm de rochas sedimentares,
2) Ortometamórficas se têm origem em rochas magmáticas e
3) Polimetamórficas se resultam de rochas metamórficas.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Podemos, de uma forma sintética, considerar três ambientes


geológicos de metamorfismo:1) metamorfismo de contato: causado
pela temperatura de intrusões magmáticas e observa-se nas aureolas
metamórficas que rodeiam os grandes maciços ígneos. O aumento
de temperatura e a ação dos elementos voláteis (fluidos) derivados
do magma são os principais fatores deste tipo de metamorfismo. As
rochas características deste tipo de metamorfismo entram, quase
todas, na categoria genérica das corneanas. São rochas, em geral, que
não apresentam xistosidade (é a orientação paralela ou sub-paralela
de grãos minerais de diferentes dimensões); umas, com grão
normalmente fino e cor escura, derivam da transformação de rochas
sedimentares argilosas, em particular argilitos.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Contem, com frequência, silicatos aluminosos – andaluzite, cordierite,


etc. Outras, que podem ser claras e com grão variável, derivam de
calcários; há ainda outros tipos de corneanas, dependentes da
natureza da rocha original. As corneanas de origem calcária, além de
calcite, encerram silicatos cálcicos e alumino-cálcicos, como piroxenas
cálcicas, granadas cálcicas, epídotos, wollastonite, etc.

Amostra de corneana

Amostra de mármore
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Além das corneanas, o metamorfismo de contato origina calcários


cristalinos, por vezes bastante puros, isto é, constituídos quase
totalmente por calcite (e às vezes por dolomite); são designados por
mármores;

Amostra de uma ardósia.


TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Dinamometamorfismo resulta, essencialmente, das fortes e bruscas


pressões que se produzem em zonas submetidas a intensos
movimentos da crosta terrestre.

Metamorfismo regional causado por pressões muito intensas e


elevadas temperaturas, a que se juntam soluções aquosas a grandes
profundidades da crosta terrestre, caracteristicamente desenvolvido
em grandes áreas (milhares de quilómetros quadrados), nas regiões
de formação de montanhas.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Metamorfismo regional causado por pressões muito intensas e


elevadas temperaturas, a que se juntam soluções aquosas a grandes
profundidades da crosta terrestre, Caracteristicamente desenvolvido
em grandes áreas (milhares de quilómetros quadrados), nas regiões
de formação de montanhas.
No ambiente de metamorfismo regional há medida que aumenta a
pressão e a temperatura, distinguimos os graus seguintes: baixo,
médio e alto; no seu conjunto, estes três graus passam gradualmente
uns aos outros. Entre as rochas mais típicas desses diferentes graus
figuram as indicadas seguidamente, de acordo com os graus de
metamorfismo: Baixo – ardósias; filádios, xistos cloríticos; Médio –
micaxistos; anfibolitos, gnaisses (parte).
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Alto – gnaisses (parte); leptinitos; granitos. As ardósias são


constituídas por argilas, matéria carbonosa e algum quartzo; como o
seu grau de metamorfismo é baixo, podem conter fósseis. A
designação genérica de xistos cristalinos e/ou filádios é utilizada para
uma sucessão de tipos de rochas, cuja textura cristalina se acentua
com o grau do metamorfismo; inclui a generalidade dos xistos
metamórficos. Além de quartzo, clorites, micas, anfibolas e piroxenas,
outros silicatos salientam-se, em xistos cristalinos, como granadas,
estaurolite, andaluzite e feldspatos.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Há uma série de rochas metamórficas que se gera a partir de


determinadas rochas sedimentares e o termo mais avançado dessa
série poderá ser o granito. Assim se explicaria a passagem gradual
daquelas rochas a rochas metamórficas. São comuns também as
rochas denominadas migmatitos, onde, em graus diversos, se observa,
em bandas ondulantes, uma mistura de material claro (quartzo-
feldspático) com material escuro (rico em biotite), que representa um
xisto, o qual foi invadido por matéria rica de silício e de metais
alcalinos. Ter-se-ia dado uma evolução que, desde um sedimento –
como uma vasa argilosa – poderia conduzir ao granito. Existem
numerosos factos observados, quer na Natureza, quer no laboratório,
que levam a admitir tal evolução – que se chama granitização.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS
Ciclo metamórfico dos quartzitos e de alguns granitos

Ciclo metamórfico dos quartzitos e de alguns granitos.


TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Amostra de um micaxisto.
Amostra de um xisto.
TIPOS DE ROCHAS – METAMÓRFICAS

Erosão marinha de estratos ou


camadas calcárias.

Erosão pluvial, fluvial e eólica de


estratos de arenitos e calcários.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Para começarmos vamos olhar para o esquema da génese das rochas


sedimentares, apresentado à esquerda da página, e fazer uma análise
sucinta do mesmo. As rochas expostas à superfície da crosta terrestre
ficam sujeitas às ações físicas e químicas exercidas pelo contato com a
atmosfera (temperatura e vento), hidrosfera (água) e biosfera (seres
vivos). A meteorização não é mais que o resultado das ações físicas e
químicas sobre as rochas. Como consequência, as rochas são
gradualmente alteradas e desagregadas.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Assim, temos a desintegração das rochas por meios mecânicos e a


decomposição das mesmas por meios químicos. Evidentemente, estes
dois processos não atuam separadamente mas, função das diferentes
condições climáticas há um que é predominante sobre o outro. A
desagregação ou desintegração acontece pela contração e
expansão provocadas pelas variações de temperatura, facilitada pela
existência de fendas, as diáclases, resultantes quer das condições de
arrefecimento das rochas ígneas, quer do relaxamento da pressão
durante a ação das forças tectónicas.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

As diáclases enchem-se de água das chuvas e, sobretudo, à noite


quando se dá o abaixamento da temperatura, a água gela e aumenta
de volume, partindo as rochas por efeito da pressão. Quando a rocha é
porosa, a água penetra mais profundamente e o aumento de volume
por congelação da água provoca tensões internas capazes de a
fragmentar.
Também, as variações de temperatura entre o dia e a noite, implica
que os distintos coeficientes de dilatação dos minerais que formam as
rochas se traduzam em tensões que tendem a aumentar as fissuras e
diáclases existentes. Os seres vivos, sobretudo, as raízes de árvores
que se desenvolvem nas fissuras, ao crescerem partem grandes blocos
com facilidade.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

A decomposição das rochas por meios químicos envolve, quase


sempre, a presença de água que atua, particularmente, como
dissolvente. A decomposição por dissolução é desigual nas distintas
rochas, dependendo dos minerais que as constituem. O quartzo é
dificilmente solúvel, ao contrário da calcite que é muito solúvel em
águas ricas em CO2. A dissolução efetua-se tanto à superfície,
pelas águas de escorrência, como em profundidade pela ação
das águas subterrâneas, bem como próximo da superfície pelas águas
de infiltração. A água, ao realizar esta ação, atua ao mesmo tempo
como agente de transporte das substâncias dissolvidas.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Pela sua natureza, os processos e produtos da meteorização


química originados pelos diferentes agentes são complexos e
interdependentes. A dissolução, hidratação, hidrólise, oxidação,
redução e lexiviação dos compostos mais solúveis combinam-se de
formas diferentes de acordo com o tipo de rocha, o clima e a
morfologia da região.

Esquema simplificado de um modelado cársico numa formação calcária, resultante da acção dissolvente da
água. A - Dolina; B - Campos de lapiás; C - Gruta com rio subterrâneo; D - Estalagmite; E - Estalactite; F - Algar;
G - Exsurgência.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Aspecto de uma gruta numa formação calcária,


mostrando as estalagmites e estalactites.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Como consequência da acção dos agentes meteóricos sobre as rochas,


estas vão sendo desagregadas originando fragmentos e grãos de
diferentes dimensões, os chamados detritos ou clastos. A ação de
desgaste e remoção dos diferentes detritos e soluções, que acontece a
seguir ou em simultâneo à meteorização, chama-se erosão. Os
agentes são, praticamente, os mesmos que atuam na meteorização.
O vento, por exemplo, tem uma ação importante principalmente nos
locais onde os produtos da meteorização não estão protegidos por
vegetação ou outros obstáculos. O vento arranca detritos incoerentes
e secos. Este fenómeno denomina-se deflação. Arrastando consigo os
detritos arrancados, o vento, próximo do solo, provoca a erosão das
rochas, podendo originar um modelado designado por blocos
pedunculados (massas rochosas escavadas na parte inferior).
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

Este tipo de erosão eólica denomina-se corrasão. A ação erosiva


causada pelos diferentes tipos de águas (pluviais, fluviais,
subterrâneas, lacustres, marinhas, glaciares, etc.) é sobejamente
conhecida. Por exemplo, a capacidade de erosão de um rio é máxima
quando experimenta grandes cheias e a sua água atinge grande
velocidade. A velocidade de desgaste do leito do rio depende do
caudal, do declive, da natureza dos detritos arrastados e das rochas
constituintes do leito, e varia ao longo do curso do rio.
Como acabamos de ver os materiais resultantes da meteorização,
normalmente, não ficam no seu local de origem. São deslocados para
outros locais pelos ventos, gravidade, águas (estado líquido e sólido) -
dissolução e detritos ou clastos- e seres vivos, particularmente pelo
homem. Desta forma ocorre o transporte.
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

A sedimentação ou deposição ocorre, em vários ambientes (deltaico,


lagunar, marinho, torrencial, etc.), sobretudo por ação da gravidade. O
agente transportador perde a força de arraste e deposita os detritos
que transportava, segundo a dimensão e densidade dos detritos.
Como resultado de sucessivos transportes e deposições formam-
se camadas ou estratos de sedimentos, disposição característica da
grande maioria das rochas sedimentares.
A diagénese consiste nas mudanças ou transformações, químicas,
físicas e biológicas, sofridas por um sedimento após a sua deposição.
Inclui processos tais como: compactação e rearranjo espacial dos
grãos, consolidação, cimentação, autigénese,
TIPOS DE ROCHAS – SEDIMENTARES

substituição, solução de pressão, precipitação, recristalização,


oxidação, redução, desidratação, hidratação, lexiviação, polimerização,
adsorção, acção bacteriológica (exº origem do petróleo), os quais são
normais na parte superficial da crosta terrestre.

Esquema do fenómeno da solução de pressão, refletindo a


dissolução dos grãos de um mineral resultado das
pressões e a cimentação dos poros.
Tectônica Global
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Professor Bernardo Caetano Chaves


TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES

Apesar da atual divisão do mundo em continentes parecer uma situação estática, se nos
basearmos em um referencial de milhões de anos, tudo indica que não é bem assim.

Segundo a Teoria da Deriva dos Continentes, existe um movimento, ainda que


imperceptível dentro de nossa vivência de tempo, que faz com que os continentes se
desloquem lentamente. Essa teoria foi proposta em 1912 pelo alemão Alfred Wegener,
que observou o recorte da costa leste da América do Sul e o comparou com a da costa
oeste da África e notou algumas semelhanças, como se os dois lados tivessem um dia
estado juntos.

Em determinada época, há centenas de milhões de anos, todos os continentes formavam


um só bloco, a Pangeia. Ao longo de milhões de anos, com o movimento das placas
tectônicas a Pangeia dividiu-se inicialmente em duas partes: Gondwana e Laurásia. Daí
para frente, as partes foram fragmentadas, até assumir a forma atual.
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES - Alfred Wegener

Credita-se a Alfred Wegener, um meteorologista alemão,


o desenvolvimento da hipótese da deriva continental.
Em seu livro: The origin of continents and oceans ( A ori-
gem dos continentes e dos oceanos), publicado em 1915
pela primeira vez, Wegener propôs que todas as massas
De terra estavam originalmente unidas em um único su-
percontinente que ele chamou de Pangéia , que significa
“toda terra” em grego. Ele registrou seu grande conceito
da deriva continental em uma série de mapas mostrando
o rompimento do Pangéia e o movimento dos vários con-
tinentes para as suas localizações atuais. Coletou uma
Enorme quantidade de evidências geológicas, paleonto-
lógicas e climáticas para sustentar a deriva continental, mas a reação inicial dos
cientistas às suas idéias, então heréticas, pode ser descrita como contraditória.
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES

No entanto, o eminente geólogo sul-africano Alexander du Toit desenvolveu os


argumentos adicionais aos de Wegener e introduziu outras evidências geológicas em
apoio à deriva continental. Em 1937, du Toit publicou o livro Our wandering continents
(Nossos continentes errantes), no qual ele confrontou os depósitos de carvão da
mesma idade encontrados nos continentes do hemisfério norte. Para resolver esse
aparente paradoxo climatológico, du Toit construiu um mapa dos continentes do sul
do Gondwana no Pólo Sul ou próximo dele e ordenou os continentes do norte juntos
para que os depósitos de carvão fossem localizados no equador. Essa grande área do
norte, que consiste hoje na América do Norte, Groelândia, Europa e Ásia (exceto a
Índia), ele chamou de Laurásia.
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES – Alfred Wegener
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES - EVIDÊNCIAS

Foram através de evidências que Wegener, du Toit usaram para apoiar


a hipótese da deriva continental. Inclui a combinação das áreas
litorâneas; a aparência das sequências da mesma rocha e cadeias de
montanhas da mesma idade em continentes agora amplamente
separados; a combinação dos depósitos glaciais e zonas
paleoclimáticas; e a semelhança de muitas plantas e grupos de
animais, cujos fósseis remanescentes são encontrados hoje em
continentes totalmente separados.
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES – EVIDÊNCIAS – Ajuste continental
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES – EVIDÊNCIAS
Semelhanças das sequências das rochas e cadeias de montanhas
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES – EVIDÊNCIAS – glacial
TEORIA DA DERIVA DOS CONTINENTES – EVIDÊNCIAS – fósseis
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS

A tectônica de placas é uma teoria geológica sobre a estrutura da litosfera.

A teoria explica o deslocamento das placas tectônicas que formam a superfície terrestre,
assim como a formação de cadeias montanhosas, as atividades vulcânicas e sísmicas e a
localização das grandes fossas submarinas. Dessa forma, a crosta está dividida em muitos
fragmentos, as placas tectônicas. As placas flutuam sobre o manto, mais precisamente
sobre a astenosfera, uma camada plástica situada abaixo da crosta. Movimentam-se
continuamente, alguns centímetros por ano. Em algumas regiões do globo, duas placas se
afastam uma de outra, e em outros, elas se chocam. Acredita-se que o motor da tectônica
de placas seja a corrente de convecção – material quente que sobe e material frio que
desce produzida por essa troca. Os continentes continuam se movendo até hoje. A teoria
da Tectônica de Placas, que aperfeiçoou a Teoria da Deriva Continental, é, atualmente, a
forma mais aceita de se explicar a formação dos continentes.
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS

Como as placas tectônicas parecem ter operado, pelo menos, desde o


Éon Proterozóico, é importante entender como elas se movem e
interagem. Afinal de contas, o movimento delas tem afetado
profundamente a história geológica e biológica deste planeta.
Os geólogos reconhecem três importantes tipos de limites de placa:
divergente, convergente e transformante. Ao longo desses limites,
novas placas são formadas, consumidas ou deslizam lateralmente,
passando umas pelas outras. A interação das placas ao longo de seus
limites explica a maior parte das erupções vulcânicas da Terra, os
terremotos, a formação e a evolução de seus sistemas de montanhas.
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS

Tipos de limites de placas


Tipo Exemplo Relevo Vulcanismo

Divergente
Oceânica Cadeia mesoatlântica Cadeia mesoceânica Basalto
com vale em rifte axial

Continental Vale em rifte do leste da Vale em rifte Basalto e riolito,


África sem andesito

Convergente
Oceânica- Ilhas Aleutas Arco de ilha vulcânica, Andesito
Oceânica fossa oceânica litorânea

Oceânica - Andes Fossa oceânica litorânea, Andesito


Continental cadeia de montanha
vulcânica

Continental- Himalaia Cinturão de montanhas Subordinado


Continental

Transformante Falha de San Andreas Vale de falha Subordinado


TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS
Divergentes

Limites Divergentes de placas ou cadeias de expansão ocorrem onde


as placas estão se separando e uma nova litosfera oceânica está se
formando. São lugares onde a crosta estendida, afinada e fraturada
eleva-se para a superfície, assim como o magma derivado da fusão
parcial do manto. O magma é quase inteiramente basáltico e irrompe
nas fraturas verticais para formar diques. Uma parte dele é expedida
como fluxos de lava. Quando as sucessivas injeções de magma
resfriam e solidificam, elas formam uma nova crosta oceânica e
registram a intensidade e orientação do campo magnético da terra.
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS
Convergentes

Enquanto a nova crosta se forma, em limites divergentes de placa, as


crostas mais velhas devem ser destruídas e recicladas para que toda a
área da superfície da Terra permaneça constante. De outro modo,
teríamos uma Terra em expansão. Tal destruição de placa ocorre em
limites convergentes de placa, onde duas placas colidem e a aresta
principal de uma placa é subductada sob a margem de outra placa e,
finalmente, incorporada na astenosfera.

Limites convergentes são caracterizados pela deformação, vulcanismo,


formação de montanha, metamorfismo, terremoto e importantes
depósitos minerais. São reconhecidos três tipos de limites
convergentes (VER TABELA).
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS
Transformantes

Esses limites ocorrem ao longo das fraturas no assoalho oceânico,


conhecidas como falhas transformantes. Nesse local, as placas
deslizam lateralmente, passando uma ao lado da outra, quase em
paralelo à direção do movimento da placa. Embora a litosfera não seja
criada nem destruída ao longo do limite transformante, o movimento
entre as placas resulta em uma zona de rocha estilhaçãda e sujeita a
numerosos terremotos de fraca intensidade.
As falhas transformantes são tipos particulares de falhas que
“transformam” ou mudam o tipo de movimento entre as placas. Mais
comumente, falhas transformantes ligam dois segmentos de cadeia
oceânica, mas elas podem também ligar cadeias a fossas e fossas a
fossas.
TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS – TIPOS DE LIMITES DE PLACAS
MODELOS
TECTÔNICA DE PLACAS – Mecanismo que direciona
TECTÔNICA DE PLACAS – Mecanismo que direciona
TECTÔNICA DE PLACAS – Mecanismo que direciona

Nas figuras anteriores podemos ver dois modelos para explicar os


movimentos das placas:

(a) Correntes de convecção termal que são restritas à astenosfera.

(b) Correntes de convecção termal que envolvem o manto inteiro.


Processos que moldam a
superfície da Terra
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Professor Bernardo Caetano Chaves


INTEMPERISMO

• A maioria das pessoas tem a consciência de que substâncias que


são semelhantes as rochas, a exemplo o asfalto que forma a
pavimentação das ruas dos grandes centros urbanos, do concreto
presente nas pontes, nos postes de apoio dos cabos elétricos entre
outros se deterioram e desfazem com o tempo. Sendo assim
também, para os materiais da Terra, na superfície ou perto dela,
sofrem o mesmo destino, quando expostos à atmosfera, à água e às
atividades orgânicas. Em resumo, eles experimentam o
intemperismo.
• O intemperismo é definido como quebra física e alteração química
dos materiais da Terra, na superfície ou perto dela. Parte essencial
do ciclo das rochas, mostra as interações dos materiais da terra com
a atmosfera, a hidrosfera e a biosfera, sendo assim interesse dos
geólogos.
INTEMPERIMOS E O CICLO DAS ROCHAS
INTEMPERISMO

• Durante o intemperismo, o material parental, que é a rocha que


sofre os processos de intemperismo desagrega-se para formar
peças menores, e alguns de seus minerais constituintes se alteram
ou se dissolvem.
• Alguns materiais gerados pelo intemperismo simplesmente se
acumulam no local – isto é, eles não são erodidos -, enquanto
outros são transportados a alguma distância e finalmente
depositados como sedimento. Em qualquer dos casos, os materiais
desagregados podem ser modificados mais tarde para formar solo
ou sedimento, talvez transformado em rocha sedimentar, como o
arenito e o calcário. Assim, o intemperismo fornece as matérias
primas tanto para os solos como para as rochas sedimentares. Além
do mais, ele é responsável pela origem e pelo enriquecimento de
alguns recursos naturais.
TIPOS DE INTEMPERISMO
Exemplo de Intemperismo Físico – Biológico – Ação de Raízes
EROSÃO

Dic. : Erosão: É o desgaste efetuado pelas águas correntes sobre a


superfície da terra.

A erosão envolve o desgaste do solo e da rocha por vários agentes


geológicos. A água corrente, o vento, as geleiras e as correntes
marinhas transportam os materiais sólidos, alterados e dissolvidos,
para outro lugar. Portanto a erosão envolve todos os processos que
desgastam o solo e a rocha, enquanto o termo transporte se refere
somente ao fenômeno de carregar o material erodido para outro lugar.
Por exemplo, uma corrente erodi um desfiladeiro (canyon) mas
transporta materiais erodidos tais como sólidos ou substâncias
dissolvidas.
EXEMPLOS DE EROSÃO
AS RELAÇÕES DO INTEMPERISMO

Hidratação: Com a adição de água aos minerais, ocorrerá atração


entre os dipolos das moléculas de água e as cargas elétricas
insaturadas das superfícies dos grãos, acarretando na modificação e
formação de um novo mineral.

Dissolução: Transformação total do mineral em compostos solúveis


(solubilização completa).

Hidrólise: Os silicatos ( principais minerais formadores das rochas), em


contato com água, sofrem hidrólise, resultando numa solução alcalina.
Na hidrólise total, 100% da sílica e do potássio são eliminados.
AS REAÇÕES DO INTEMPERISMO

Na hidrólise parcial, em função do grau de eliminação do potássio e da


sílica, pode ocorrer 100% de eliminação ou parte desse potássio não
ser eliminado.Isso vai depender das condições de pluviosidade e
drenagem dos perfis.Se essas condições forem boas, acarretará na
eliminação total, caso contrário, a eliminação será parcial.

Acidólise: O que vai caracterizar a acidólise é o domínio do pH.

Oxidação: Alguns elementos podem estar presentes nos minerais em


mais de um estado de oxidação. Ex.: A alteração intempérica de um
mineral com Fe² resulta, por oxidação do Fe² para Fe³, na formação de
um oxi-hidróxido, a goethita.
FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO
Clima

• Clima: O clima é o fator que isoladamente, mais influencia no


intemperismo. Mais do que qualquer outro fator, determina o tipo
e a velocidade do intemperismo numa dada região. Os dois mais
importantes parâmetros climáticos, precipitação e temperatura,
regulam a natureza e a velocidade das reações químicas. Assim, a
quantidade de água disponível nos perfis de alteração, fornecida
pelas chuvas, bem como a temperatura, agem no sentido de
acelerar ou retardar as reações do intemperismo, ou ainda
modificar a natureza dos produtos neo formados, segundo a
possibilidade de eliminação de componentes potencialmente
solúveis.
FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO
Clima

• A temperatura desempenha um papel duplo, condicionando a ação


da água: ao mesmo tempo em que acelera as reações químicas,
aumenta a evaporação, diminuindo a quantidade de água
disponível para a lixiviação dos produtos solúveis. A cada 10° C de
aumento na temperatura, a velocidade das reações químicas
aumenta de duas a três vezes.
FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO
Topografia

• A topografia regula a velocidade do escoamento superficial das


águas pluviais (que também depende da cobertura vegetal) e,
portanto, controla a quantidade de água que se infiltra nos perfis,
de cuja eficiência depende a eliminação dos componentes solúveis.
As reações químicas do intemperismo ocorrem mais intensamente
nos compartimentos do relevo onde é possível boa infiltração da
água, percolação por tempo suficiente para a consumação das
reações e drenagem para lixiviação dos produtos solúveis.
FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO
Topografia
FATORES QUE CONTROLAM O INTEMPERISMO
Tempo

• O tempo necessário para intemperizar uma determinada rocha


depende, principalmente da susceptibilidade dos constituintes
minerais e do clima. Em condições de intemperismo pouco
agressivas, é necessário um tempo mais longo de exposição às
intempéries para haver o desenvolvimento de um perfil
de alteração.
PRODUTOS DO INTEMPERISMO

• Na porção mais superficial do perfil de alteração, o saprólito, sob a


ação dos fatores que controlam a alteração intempérica, sofre
profundas e importantes modificações, caracterizadas por: (I) perda
de matéria provocada pela lixiviação tanto física (em partículas)
como química (em solução), (II) adição de matéria, proveniente de
fontes externas, incluindo matéria orgânica de origem animal ou
vegetal, poeiras minerais vindas da atmosfera e sais minerais
trazidos por fluxo ascendente de soluções, (III) translocação de
matéria, isto é, remobilização através dos fluxos de soluções no
interior do perfil (movimentos verticais e laterais) ou pela ação
da fauna e (IV) transformação de matéria, em contato com os
produtos da decomposição da matéria vegetal e animal.
PRODUTOS DO INTEMPERISMO

Há muita variação de terreno a terreno dos elementos do solo, mas


basicamente existem quatro camadas principais: A primeira camada é rica
em húmus, detritos de origem orgânica. Essa camada é chamada de
camada fértil. Ela é a melhor para o plantio, e é nessa camada que as
plantas encontram alguns sais minerais e água para se desenvolver.
A outra camada é a camada dos sais minerais. Ela é dividida em três
partes:
A primeira parte é a do calcário. Corresponde de 7 a 10% dessa
camada.
A segunda parte é a da argila, formada geralmente por caulinita,
caulim e sedimentos de feldspato. Corresponde de 20 a 30% dessa
camada.
A última parte é a da areia. Esta camada é muito permeável e existem
espaços entre as partículas da areia, permitindo que entre ar e água
com mais facilidade. Esta parte corresponde de 60 a 70% da camada.
SEDIMENTOS

Dic.: s.m. Depósito produzido pela precipitação de matérias dissolvidas


ou suspensas num líquido: os rios são ricos em sedimentos.

Geologia Depósito de matérias sólidas, por camadas, deixadas pelas


águas ao retirarem-se, ou acumuladas pela ação do vento.
TIPOS DE SEDIMENTOS

De acordo com sua origem, os sedimentos podem ser classificados em


três grupos: Sedimentos gerados pelo intemperismo dos continentes,
sedimentos gerados a partir de restos de organismos que secretam
conchas minerais e sedimentos compostos pela precipitação de cristais
inorgânicos quando elementos químicos dissolvidos na água se
combinaram para formar novos minerais.
De acordo com a deposição, os sedimentos podem ser agrupados
como sedimentos clásticos ou sedimentos químicos ou bioquímicos .
SEDIMENTOS CLÁSTICOS

São as acumulações de partículas clásticas, ou seja, aquelas geradas


pela fragmentação das rochas pré-existentes na superfície, sujeitas a
intemperismo. Estes sedimentos são também chamados de
siliciclásticos, pois são gerados a partir de rochas compostas
predominantemente por silicatos. A mistura de minerais nestes
sedimentos é variada, mas a presença de quartzo inalterado, que é um
mineral resistente ao intemperismo, é comum nos sedimentos
clásticos. Outros minerais presentes são o feldspato,
os argilominerais e outros. Quanto à forma e granulometria, estes
sedimentos são bastante variados: desde matacão a seixo,
de areia a argila. A forma destas partículas é definida pelo mecanismo
de fraturamento e quebra.
SEDIMENTOS QUÍMICOS E BIOQUÍMICOS

O intemperismo, além de gerar partículas minerais, também gera


produtos dissolvidos como íons e moléculas em solução. Estas
substâncias são precipitadas a partir de reações químicas ou
bioquímicas, gerando sedimentos. Os sedimentos químicos formam-se
no local de deposição ou próximo a ele. Os sedimentos bioquímicos
são minerais não-dissolvidos de restos de organismos ou minerais
precipitados por processos biológicos. É comum a sobreposição destes
dois tipos de sedimentos. Em ambientes marinhos rasos, os
sedimentos bioquímicos consistem em partículas sedimentares
precipitadas biologicamente, como as conchas. Por vezes, as conchas
também são transportadas e depositadas em sedimentos bioclásticos.
Estes sedimentos são compostos por dois minerais de carbonato de
cálcio - a calcita e a aragonita.
SEDIMENTOS QUÍMICOS E BIOQUÍMICOS

Já no fundo do oceano, as conchas são de tipos menos variados e a


predominância é de calcita, embora possa haver sílica precipitada.
Processos inorgânicos também levam à precipitação de sedimentos
químicos: a evaporação da água do mar pode
precipitar gipsita ou halita.
Sedimentos e Processos Sedimentares
7

Professor Bernardo Caetano Chaves


GERAÇÃO DE SEDIMENTO A PARTIR DE ROCHAS PREEXISTENTES
TRANSPOSTE E DEPOSIÇÃO DE SEDIMENTOS

Em geologia, chama-se sedimento ao detrito rochoso resultante


da erosão, da precipitação química a partir de oceanos, vales ou rios
ou biológica (gerado por organismos vivos ou mortos), depositado na
superfície da Terra em camadas de partículas soltas quando diminui a
energia do fluido que o transporta, água, gelo ou vento.

As características dos sedimentos dependem da composição da rocha


erosionada (erodida), do agente de transporte, da duração do
transporte e das condições físicas da bacia de sedimentação.
SEDIMENTOS – EXEMPLOS

Dunas em Ponta do Mel no Rio Grande do Norte (Brasil), resultante de


depósito de sedimentos transportados pelo vento:
IMPORTÂNCIA DOS SEDIMENTOS EM ECOLOGIA E NA ENGENHARIA

Os fundos dos oceanos e lagos são, em grande parte, cobertos por


sedimentos que formam um substrato que pode
suportar ecossistemas complexos. Na zona eufótica, os sedimentos
podem ancorar plantas que servem de alimento e refúgio a
muitos animais; nas zonas mais profundas, são as bactérias que
formam a base da cadeia alimentar destes ecossistemas bênticos.
No Brasil o estudo dos sedimentos tem grande importância por causa
de inteferências antrópicas, como por exemplo, mau uso do solo,
causando diversos problemas pela erosão, voçorocas, transporte de
sedimentos nos rios, depósitos em locais indesejáveis e
assoreamento das barragens.
IMPORTÂNCIA DOS SEDIMENTOS EM ECOLOGIA E NA ENGENHARIA

A deposição de sedimentos em reservatórios é um grande problema


da engenharia hidráulica, pois a maioria da energia consumida vem
de usinas hidroelétricas. No caso da Usina hidrelétrica de Tucuruí, por
exemplo, foi calculado, pelos pesquisadores Jorge Rios e Roneí
Carvalho, em 400 anos o tempo necessário para o assoreamento total
do reservatório da barragem.
DO SEDIMENTO À ROCHA SEDIMENTAR

As rochas sedimentares são formadas pelo acúmulo e litificação dos


sedimentos. Os sedimentos e as rochas sedimentares formadas por
eles são classificados de acordo com o tamanho
de grão (granulometria), material constituinte, grau de
arredondamento e textura.
DO SEDIMENTO À ROCHA SEDIMENTAR
TRANSPORTE QUÍMICO E TRANSPORTE MECÂNICO

O transporte do sedimento pode ocorrer de duas formas:

• Transporte mecânico: o sedimento enquanto matéria sólida já


começa a existir durante o transporte.
• Transporte químico: a matéria sólida só se forma na deposição a
partir de íons
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

Relevo Oceânico:

Tal qual a crosta terrestre, o fundo dos oceanos está em constante


transformação. Seja por meio de sedimentos que se depositam, pela
ação das marés, terremotos ou mesmo vulcões, o relevo oceânico
ainda está em transformação. O relevo oceânico é composto por
inúmeras cadeias montanhosas, buracos imensos chamados de
“fossas”, e até de planaltos. Geralmente, considera-se relevo oceânico
a parte da crosta que está submersa pelos oceanos e que é
denominada de crosta oceânica. A crosta oceânica difere da crosta
continental por ter uma densidade maior e uma espessura que varia
de 5 a 15 km, bem pouco se considerarmos a profundidade da crosta
continental que pode chegar a mais de 70 km.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

A menor densidade explica o motivo de a crosta continental


apresentar um relevo positivo em relação ao nível do mar formando as
terras emersas, ou continentes. Outra diferença está na formação da
crosta oceânica composta, predominantemente, por rochas do tipo
básicas (SiMa), plutônicas, sedimentares, vulcânicas e subvulcânicas. Já
a crosta continental é geralmente formada por rochas granitóides
sílico-aluminosas (SiAl). A crosta oceânica, portanto, se inicia após as
chamadas “margens continentais” que constituem a parte periférica e
submersa dos continentes e são constituídas pela “plataforma
continental”, “vertente continental” e “rampa continental”. Mas,
alguns estudiosos não concordam com a denominação da “rampa
continental” alegando que, muitas vezes, ela se encontra sobre a
crosta oceânica, fazendo, portanto, parte do relevo oceânico e não do
continental.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

Logo em seguida, às margens continentais, ao contrário do que se


poderia esperar, geralmente (principalmente no Oceano Pacífico)
encontram-se as fossas submarinas, depressões relativamente
inclinadas muito profundas e estreitas. Elas se localizam sempre junto
às margens dos continentes em regiões de encontro de placas e estão
sempre associadas a vulcões ativos e a terremotos. Mas, nem sempre
encontramos fossas submarinas perto dos continentes, como é o caso
da costa leste da América do Sul banhada pelo Oceano Atlântico. Ali,
encontramos uma imensa “planície abissal”, como são chamadas as
planícies no fundo do oceano que são as mais extensas regiões planas
do planeta.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

Outros tipos de relevo que podem ser encontrados no assoalho


oceânico são as “colinas abissais”, conjunto de pequenas elevações
que podem atingir até 1.000m. As “montanhas submarinas” são,
geralmente, vulcões extintos que formam um relevo cônico quase
sempre isolado, podendo chegar a mais de 1.000 m, mas que nunca
chegam à superfície. Já a “crista submarina” é uma cadeia montanhosa
imersa que chega a 60.000 km de extensão, sendo a cadeia
montanhosa mais longa do planeta.
A maior fossa abissal do planeta de que se tem notícia é a Fossa das
Marianas que chega a 11.034 m de profundidade e fica no Oceano
Pacífico próximo às Ilhas Marianas em uma zona de subducção (locais
onde a convergência de placas tectônicas faz com que uma placa
deslize para debaixo da outra) entre as placas tectônicas do Pacífico e
das Filipinas.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

Já a crista oceânica mais famosa, ou a que tenha sido mais estudada, é a


crista Meso-Atlântica que vai desde o Atlântico Norte até o extremo sul da
África e se afasta a uma velocidade de 2,5 centímetros por ano. Isso nos
leva a outra questão: o relevo oceânico é determinado pelo movimento
das placas tectônicas e o tipo de atividade em seus limites. Algumas
placas se movimentam em sentido contrário (limites divergentes, este é o
movimento que forma a crista Meso-Atlântica) fazendo com que o magma
suba formando uma nova crosta. Nos locais onde o movimento das placas
é no mesmo sentido (limites convergentes, movimento que formou, e
segue tornando mais profunda, a Fossa das Marianas) ocorre de uma
placa entrar debaixo da outra e ser destruída pelo calor do magma. Já em
outros locais, bem mais raros, ocorrem movimentos laterais das placas,
como se uma estivesse raspando de lado na outra (limites transformantes,
responsável pela Falha de San Andreas nos EUA). Nestes locais a crosta
não é criada nem destruída.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

Processos responsáveis pela distribuição de sedimentos marinhos


A origem e a distribuição dos sedimentos nos fundos oceânicos atuais
O fundo oceânico, exceto em algumas áreas mais próximas das cristas
médio-oceânicas, está coberto por sedimentos. Parte deste material
foi depositado por correntes túrbidas e o restante depositou-se
lentamente. A espessura desta camada de sedimentos varia bastante.
Em algumas fossas que atuam como sifão para os sedimentos, as
acumulações podem atingir a espessura de 10 Km. Contudo, em geral,
as acumulações de sedimentos são bem menores. No oceano Pacífico
sedimentos não compactados atingem a espessura de cerca de 600
metros ou menos, enquanto no oceano Atlântico, a espessura varia
entre os 500 e os 1000 metros. Embora se encontrem depósitos de
partículas de diversos tamanhos, a lama ou vasa é o sedimento mais
comum que cobre o fundo marinho.
PROCESSOS OCEÂNICOS E A FISIOGRAFIA DOS FUNDOS MARINHOS

As lamas também se encontram no talude e margem continental mas


não são facilmente identificadas pois estão misturadas com grandes
quantidades de areia. Os sedimentos oceânicos podem ser
classificados, de acordo com a sua origem, em três grandes categorias:
> sedimentos terrígenos (com origem na terra),
> sedimentos biogénicos (com origem nos seres vivos) e
> sedimentos hidrógenos (com origem na água).
Embora possam ser estudados separadamente, devemos
lembrar que os sedimentos são misturas. Nenhum corpo sedimentar
provém unicamente de uma fonte.
SEDIMENTOS TERRÍGENOS

Os sedimentos terrígenos são constituídos essencialmente por grãos


de minerais, resultantes da erosão das rochas, transportadas para o
oceano. As partículas terrígenas, em geral, depositam-se próximo da
costa. Como as partículas mais pequenas demoram anos a depositar-
se no fundo dos oceanos, podem ser carregadas pelas correntes
oceânicas durante centenas de quilómetros. Em consequência,
virtualmente, toda a área dos oceanos recebe alguns sedimentos
terrígenos. A taxa a que estes sedimentos se depositam no fundo
oceânico é muito lenta. São precisos de 5000 a 50 000 anos para se
formar uma camada de 1 centímetro de espessura. Contudo, nas
margens continentais próximo da foz dos grandes rios os sedimentos
terrígenos acumulam-se rapidamente. No golfo do México, por
exemplo, os sedimentos atingem a espessura de muitos quilómetros.
SEDIMENTOS TERRÍGENOS

Se as partículas se mantêm em suspensão na água durante muito


tempo, há uma enorme possibilidade de ocorrerem reações químicas.
Por esta razão, muitas vezes, as cores dos sedimentos dos fundos
oceânicos são vermelhas ou castanhas. Esta cor resulta da oxidação do
ferro que se transforma num óxido de ferro.
SEDIMENTOS BIOGÉNICOS

Os sedimentos biogénicos são constituídos por conchas e esqueletos


de animais marinhos e de plantas. Estes detritos são produzidos por
organismos microscópicos que vivem nas águas iluminadas próximo da
superfície oceânica. Cai continuamente como "chuva" nos fundos
oceânicos. Estes sedimentos mais comuns são conhecidos por vasas
calcárias e têm a consistência de um lodo fino.
Estes detritos são resultantes de organismos que habitam superfícies
de água mais ou menos quente. Quando as porções calcárias
atravessam lentamente camadas de água fria, começam a dissolver-se.
Outros sedimentos deste tipo são derivados de ossos, dentes e
escamas de peixes e outros organismos marinhos.
SEDIMENTOS HIDROGÉNICOS

Os sedimentos hidrogénicos são constituídos por minerais que


cristalizam diretamente na água do mar através de variadas reações
químicas. Por exemplo, alguns calcários formam-se quando o
carbonato de cálcio precipita diretamente da água. Contudo, muitos
calcários têm origem biogénica. Um tipo de sedimento é importante
pelo seu potencial valor econômico. São os nódulos de manganésio
que são esferas compostas por uma complexa mistura de minerais que
se formam muito lentamente nas bacias oceânicas. A sua taxa de
formação corresponde a uma das reações mais lentas conhecidas.
Podem conter cerca de 20 % de manganésio e ainda quantidades
significativas de ferro, cobre, níquel e cobalto.
A ORIGEM E A DISTRIBUIÇÃO DOS SEDIMENTOS NOS FUNDOS OCEÂNICOS ATUAIS

Os sedimentos e as rochas sedimentares cobrem cerca de 80% da


superfície terrestre. Contudo, constituem apenas uma película muito
fina que corresponde a 1% do volume da Terra. Consequentemente, a
grande maioria dos fundos oceânicos está coberta por sedimentos,
embora a espessura da coluna sedimentar seja muito variável,
oscilando entre milímetros e muitas centenas de metros, podendo
atingir mesmo mais de 9km, como se verifica em algumas fossas
abissais. As idades destes sedimentos são, também muito variadas.
Estima-se que os sedimentos oceânicos mais antigos têm cerca de 200
milhões de anos.
A ORIGEM E A DISTRIBUIÇÃO DOS SEDIMENTOS NOS FUNDOS OCEÂNICOS ATUAIS

As partículas que constituem os sedimentos oceânicos têm origens


muito variadas. Muitas, provêm das áreas continentais emersas.
Muitas outras são constituídas em meio marinho pelos mais diversos
organismos, integrando-se nesta categoria quer as fezes produzidas
por partes deles (coprólitos), quer as peças dos seus esqueletos
(dentes, vértebras, etc.), quer os endo-esqueletos da micro-fauna e da
micro-flora (carapaças de foraminíferos, valvas de diatomáceas,
espículas de radiolários, frústulas de cocolitoforídeos, etc.).
Quantidade significativa de partículas provém dos materiais lançados
para a atmosfera pelas erupções vulcânicas (partículas
vulcanogénicas), quer por caírem diretamente no oceano, quer depois
de circularem mais ou menos tempo na estratosfera. Várias outras
partículas são geradas diretamente no meio marinho (glauconite,
nódulos de manganês, etc.). outras, ainda, provêm do espaço
extraterrestre (partículas cosmogénicas).
A ORIGEM E A DISTRIBUIÇÃO DOS SEDIMENTOS NOS FUNDOS OCEÂNICOS ATUAIS

A análise de muitas destas partículas permite-nos conhecer a história da


Terra. A maior parte dos conhecimentos que atualmente temos das
mudanças que se verificaram no oceano e no clima durante os últimos
milhares ou milhões de anos (ou seja, sobre a paleo-oceanografia e a
paleoclimatologia) deve-se, precisamente, ao estudos dessas partículas. A
este propósito refere-se, a título de exemplo, que a análise das
paleotanatocenoses de foraminíferos permite-nos conhecer com bastante
precisão as temperaturas superficiais que no passado existiram no
oceano, quer no verão, quer no inverno. Todas as partículas provenientes
da desagregação das rochas designam-se por "terrígenas". A esmagadora
maioria destas partículas tem origem nas áreas emersas dos continentes.
Contudo, a ação das ondas e das correntes, bem como a alteração
química, conduzem também, obviamente, à desagregação das rochas
submersas, produzindo-se, aí, também, partículas terrígenas, embora a
quantidade seja desprezível no que se refere ao cômputo global de
fornecimento de terrígenos ao oceano.
A ORIGEM E A DISTRIBUIÇÃO DOS SEDIMENTOS NOS FUNDOS OCEÂNICOS ATUAIS

Na terminologia de vários autores, as partículas aqui referidas são


designadas por “litoclásticas”, sendo o termo “terrígeno” reservado
apenas para as partículas que são transferidas do continente emerso
(isto é, de terra) para o mar. assim, as partículas vulcanogénicas seriam
litoclásticas mas não terrígenas. Contudo, para simplificar, segue-se
neste texto a escola científica que considera os termos “litoclástico” e
“terrígeno” como sinônimos. A quantidade média de partículas
terrígenas transferidas anualmente do continente para o oceano é
superior a 20 bilhões de toneladas (não considerando, evidentemente,
as substâncias que são transportadas em suspensão e acabam, por
ação química ou biogénica, por integrar os sedimentos), ou seja, mais
de 75% da quantidade total de materiais que anualmente, chega aos
fundos marinhos.
Deformação das Rochas
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Professor Bernardo Caetano Chaves


DEFORMAÇÃO DAS ROCHAS

Dic. : Deformação: Alteração; modificação da forma; desvio da forma


habitual.

Deformação é um termo geral abrangendo todas as alterações de


forma e volume, ou ambos, apresentado pelas rochas. As rochas
podem ser fraturadas ou dobradas como resultado da pressão (stress)
que é simplesmente, uma força aplicada a uma determinada área de
uma massa rochosa.
DEFORMAÇÃO DAS ROCHAS

O dinamismo interno da Terra pode manifestar-se através de


deformação nas rochas designada por tensões que afetam a sua forma
e/ou volume. A tensão é a força exercida por unidade de área.

Estas tensões podem ser compressivas, distensivas, ou de


cisalhamento. As tensões compressivas estão associadas a forças
convergentes; as tensões distensivas estão associadas a forças
divergentes; e, por fim, as tensões de cisalhamento estão associadas a
movimentos paralelos das rochas em sentidos contrários.
DEFORMAÇÃO DAS ROCHAS
DEFORMAÇÃO DAS ROCHAS

Resposta à tensão:
O comportamento dos materiais quando estão sujeitos a estados de
tensão pode ser:
Comportamento elástico – é reversível, o material deforma mas,
quando a tensão cessa, recupera a sua forma/volume iniciais e
verifica-se quando a força aplicada sobre a rocha não ultrapassou o
seu limite de elasticidade;
Comportamento plástico – é permanente, o material fica deformado
sem rotura e verifica-se quando a força aplicada sobre a rocha é
superior ao seu limite de elasticidade e inferior ao limite de
plasticidade.
DEFORMAÇÃO
COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS

Comportamento dos materiais


Os materiais, quando sujeitos a tensões, apresentam diferentes
comportamentos de natureza frágil e de natureza dúctil. Uma mesma
rocha, sujeita a condições de pressão e temperatura distintas, pode
apresentar comportamentos diferenciados.
Os limites tectónicos são zonas onde existem grandes pressões e,
portanto, os materiais sofrem alterações. Com o aumento da
temperatura, o limite de elasticidade dos materiais aumenta,
tornando-se mais dúcteis. A temperatura é superior em profundidade,
pelo que os materiais nestas circunstâncias são mais plásticos do que à
superfície.
COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS

À superfície, tanto a pressão como a temperatura são menores, pelo o


que os materiais geológicos apresentam um comportamento elástico,
seguido de ruptura. Diz-se que a deformação ocorre em regime
frágil. Os regimes dúcteis e frágeis estão associados, respectivamente,
a dobras e falhas.
COMPORTAMENTO DOS MATERIAIS
FALHAS

As falhas são deformações associadas a comportamentos frágeis do


material geológico. Correspondem a superfícies de fratura, ao longo
das quais ocorreram movimentos relativos entre os dois blocos que
separam. Surgem quando o limite de plasticidade das rochas é
ultrapassado e estão, muitas vezes, associadas a sismos.
FALHAS
FALHAS

Plano de falha – superfície de fratura ao longo da qual ocorreu o


movimento dos blocos;
Teto (bloco superior) – bloco que se encontra acima do plano de falha;
Muro (bloco inferior) – bloco que está situado abaixo do plano de falha;
Rejeito – distância do deslocamento relativo entre os dois blocos da
falha;
Inclinação da falha – ângulo definido entre o plano da falha e um plano
horizontal;
Direção da falha – alinhamento horizontal do plano de falha.

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