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8 SÉRIE 9 ANO
ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS
Volume 2

GEOGRAFIA
Ciências Humanas

CADERNO DO PROFESSOR
GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

MATERIAL DE APOIO AO
CURRÍCULO DO ESTADO DE SÃO PAULO
CADERNO DO PROFESSOR

GEOGRAFIA
ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS
8a SÉRIE/9o ANO
VOLUME 2

Nova edição

2014 - 2017

São Paulo
Governo do Estado de São Paulo
Governador
Geraldo Alckmin
Vice-Governador
Guilherme Afif Domingos
Secretário da Educação
Herman Voorwald
Secretária-Adjunta
Cleide Bauab Eid Bochixio
Chefe de Gabinete
Fernando Padula Novaes
Subsecretária de Articulação Regional
Rosania Morales Morroni
Coordenadora da Escola de Formação e
Aperfeiçoamento dos Professores – EFAP
Silvia Andrade da Cunha Galletta
Coordenadora de Gestão da
Educação Básica
Maria Elizabete da Costa
Coordenadora de Gestão de
Recursos Humanos
Cleide Bauab Eid Bochixio
Coordenadora de Informação,
Monitoramento e Avaliação
Educacional
Ione Cristina Ribeiro de Assunção
Coordenadora de Infraestrutura e
Serviços Escolares
Dione Whitehurst Di Pietro
Coordenadora de Orçamento e
Finanças
Claudia Chiaroni Afuso
Presidente da Fundação para o
Desenvolvimento da Educação – FDE
Barjas Negri
Senhoras e senhores docentes,

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo sente-se honrada em tê-los como colabo-
radores nesta nova edição do Caderno do Professor, realizada a partir dos estudos e análises que
permitiram consolidar a articulação do currículo proposto com aquele em ação nas salas de aula
de todo o Estado de São Paulo. Para isso, o trabalho realizado em parceria com os PCNP e com
os professores da rede de ensino tem sido basal para o aprofundamento analítico e crítico da abor-
dagem dos materiais de apoio ao currículo. Essa ação, efetivada por meio do programa Educação
— Compromisso de São Paulo, é de fundamental importância para a Pasta, que despende, neste
programa, seus maiores esforços ao intensificar ações de avaliação e monitoramento da utilização
dos diferentes materiais de apoio à implementação do currículo e ao empregar o Caderno nas ações
de formação de professores e gestores da rede de ensino. Além disso, firma seu dever com a busca
por uma educação paulista de qualidade ao promover estudos sobre os impactos gerados pelo uso
do material do São Paulo Faz Escola nos resultados da rede, por meio do Saresp e do Ideb.

Enfim, o Caderno do Professor, criado pelo programa São Paulo Faz Escola, apresenta orien-
tações didático-pedagógicas e traz como base o conteúdo do Currículo Oficial do Estado de São
Paulo, que pode ser utilizado como complemento à Matriz Curricular. Observem que as atividades
ora propostas podem ser complementadas por outras que julgarem pertinentes ou necessárias,
dependendo do seu planejamento e da adequação da proposta de ensino deste material à realidade
da sua escola e de seus alunos. O Caderno tem a proposição de apoiá-los no planejamento de suas
aulas para que explorem em seus alunos as competências e habilidades necessárias que comportam
a construção do saber e a apropriação dos conteúdos das disciplinas, além de permitir uma avalia-
ção constante, por parte dos docentes, das práticas metodológicas em sala de aula, objetivando a
diversificação do ensino e a melhoria da qualidade do fazer pedagógico.

Revigoram-se assim os esforços desta Secretaria no sentido de apoiá-los e mobilizá-los em seu


trabalho e esperamos que o Caderno, ora apresentado, contribua para valorizar o ofício de ensinar
e elevar nossos discentes à categoria de protagonistas de sua história.

Contamos com nosso Magistério para a efetiva, contínua e renovada implementação do currículo.

Bom trabalho!

Herman Voorwald
Secretário da Educação do Estado de São Paulo

3
A NOVA EDIÇÃO
Os materiais de apoio à implementação f incorporar todas as atividades presentes
do Currículo do Estado de São Paulo nos Cadernos do Aluno, considerando
são oferecidos a gestores, professores e alunos também os textos e imagens, sempre que
da rede estadual de ensino desde 2008, quando possível na mesma ordem;
foram originalmente editados os Cadernos f orientar possibilidades de extrapolação
do Professor. Desde então, novos materiais dos conteúdos oferecidos nos Cadernos do
foram publicados, entre os quais os Cadernos Aluno, inclusive com sugestão de novas ati-
do Aluno, elaborados pela primeira vez vidades;
em 2009. f apresentar as respostas ou expectativas
de aprendizagem para cada atividade pre-
Na nova edição 2014-2017, os Cadernos do sente nos Cadernos do Aluno – gabarito
Professor e do Aluno foram reestruturados para que, nas demais edições, esteve disponível
atender às sugestões e demandas dos professo- somente na internet.
res da rede estadual de ensino paulista, de modo
a ampliar as conexões entre as orientações ofe- Esse processo de compatibilização buscou
recidas aos docentes e o conjunto de atividades respeitar as características e especificidades de
propostas aos estudantes. Agora organizados cada disciplina, a fim de preservar a identidade
em dois volumes semestrais para cada série/ de cada área do saber e o movimento metodo-
ano do Ensino Fundamental – Anos Finais e lógico proposto. Assim, além de reproduzir as
série do Ensino Médio, esses materiais foram re- atividades conforme aparecem nos Cadernos
vistos de modo a ampliar a autonomia docente do Aluno, algumas disciplinas optaram por des-
no planejamento do trabalho com os conteúdos crever a atividade e apresentar orientações mais
e habilidades propostos no Currículo Oficial detalhadas para sua aplicação, como também in-
de São Paulo e contribuir ainda mais com as cluir o ícone ou o nome da seção no Caderno do
ações em sala de aula, oferecendo novas orien- Professor (uma estratégia editorial para facilitar
tações para o desenvolvimento das Situações de a identificação da orientação de cada atividade).
Aprendizagem.
A incorporação das respostas também res-
Para tanto, as diversas equipes curricula- peitou a natureza de cada disciplina. Por isso,
res da Coordenadoria de Gestão da Educação elas podem tanto ser apresentadas diretamente
Básica (CGEB) da Secretaria da Educação do após as atividades reproduzidas nos Cadernos
Estado de São Paulo reorganizaram os Cader- do Professor quanto ao final dos Cadernos, no
nos do Professor, tendo em vista as seguintes Gabarito. Quando incluídas junto das ativida-
finalidades: des, elas aparecem destacadas.
Além dessas alterações, os Cadernos do possibilitando que os conteúdos do Currículo
Professor e do Aluno também foram anali- continuem a ser abordados de maneira próxi-
sados pelas equipes curriculares da CGEB ma ao cotidiano dos alunos e às necessidades
com o objetivo de atualizar dados, exemplos, de aprendizagem colocadas pelo mundo con-
situações e imagens em todas as disciplinas, temporâneo.

Seções e ícones

Leitura e análise Aprendendo a


aprender
Para começo de Você aprendeu?
conversa

?
!

Pesquisa individual Lição de casa

O que penso Situated learning


sobre arte?

Learn to learn Pesquisa em grupo

Homework Roteiro de
experimentação

Pesquisa de Ação expressiva


campo
Para saber mais Apreciação
SUMÁRIO
Orientação sobre os conteúdos do volume 7

Situações de Aprendizagem 12

Situação de Aprendizagem 1 – As populações e o espaço geográfico 12

Situação de Aprendizagem 2 – As referências geográficas e econômicas


da demografia 25

Situação de Aprendizagem 3 – Populações: perfil interno, desigualdades, migrações


internacionais 31

Situação de Aprendizagem 4 – Populações e cultura: mundo árabe e mundo islâmico 44

Situação de Aprendizagem 5 – Cidades: espaços relacionais, espaços de conexão 51

Situação de Aprendizagem 6 – As cidades: criação e irradiação do consumo 67

Situação de Aprendizagem 7 – As redes turísticas: o consumo dos espaços urbanos 77

Situação de Aprendizagem 8 – Um mundo mais fluido: os caminhos geográficos das


redes ilegais 90

Propostas de Situações de Recuperação 97

Recursos para ampliar a perspectiva do professor e do aluno para a compreensão do


tema 99

Considerações finais 103

Quadro de conteúdos do Ensino Fundamental – Anos Finais 104

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

ORIENTAÇÃO SOBRE OS CONTEÚDOS DO VOLUME


Prezado(a) professor(a), ticularmente nas relações que o ser humano
trava com os espaços – que, aliás, ele mesmo
Os conteúdos previstos para a 8a série/9o ano constrói.
apresentam uma inovação importante com re-
lação à Geografia escolar anterior: reconhece-se Em seguida, com o propósito de mostrar a
que as realidades espaciais que vivemos combi- articulação entre as escalas local e global, as
nam relações e fenômenos de escalas geográficas cidades ganham destaque. As cidades são rea-
distintas (local, regional e global). Isso permite lidades de escala local que concentram a maior
perceber que o local (uma cidade, por exem- parte da população mundial e um número im-
plo) é espaço de manifestação do global e que, pressionante de recursos e informações cien-
no âmbito global, podem existir relações forte- tíficas e culturais, além do fato de serem os
mente influenciadas por cidades muito podero- espaços humanos por excelência, com uma
sas, quer dizer, pela escala local. Apresentamos grande concentração de construções.
para seu exame e trabalho maneiras de apreen-
der essa trama complexa do mundo. Dessa forma, as Situações de Aprendizagem
dedicam-se a essa escala local, representada pe-
O tema clássico da Geografia das popula- las grandes cidades (metrópoles), com o objetivo
ções é trabalhado por meio de Situações de de demonstrar que elas permitem que as rela-
Aprendizagem que privilegiam a escala mun- ções dos indivíduos, seja fazendo turismo, ne-
dial, antes de tudo. Os padrões populacionais, gócios legais e ilegais, praticando cultura ou nas
produtos de lógicas que integram e associam a redes de consumo, transitem para escalas mais
dinâmica demográfica e os espaços humanos, amplas, chegando até a escala global. Dito de
serão procurados por meio de um olhar global. outro modo: viver em grandes cidades implica
O objetivo é que as Situações de Aprendizagem ter acesso direto às relações globais. Daí nasce
criem condições para se vislumbrar o modo a ideia de cidade global (escala local C escala
como o ser humano povoa a superfície terrestre global). Conhecer a rede das cidades globais se-
(construindo seus espaços) e sobre como as po- ria identificar a base geográfica da globalização.
pulações crescem, movimentam-se e estendem
suas influências culturais. Em um mundo com essa complexidade
de ordenação, em que as interações entre as
Em última instância, é preciso demonstrar pessoas e os lugares foram muito intensifica-
que, para além dos dados estatísticos, há uma das, formam-se redes sociais novas, que se or-
complexidade humana a ser apreendida, par- ganizam para além dos territórios nacionais.

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Assim, temos sociedades territoriais e redes exatamente uma distribuição, e sim uma con-
sociais que se espraiam de diversos modos em centração (uma “distribuição concentrada”).
várias escalas, como, por exemplo, as redes Posteriormente, serão integrados ao longo das
turísticas. atividades novas possibilidades de raciocínios,
novas informações e exemplos que tentarão
Esperamos que os resultados sejam produ- sugerir o quanto são necessárias outras me-
tivos para a apreensão desses conceitos, fun- didas e referências para uma Geografia das
damentais para qualquer cidadão, em especial populações, além dos números que expressam
para aqueles que estão concluindo o Ensino os volumes populacionais e algumas caracte-
Fundamental. rísticas quantitativas.

Essas outras medidas e referências, além


Conhecimentos priorizados da lógica dominante da organização espacial
das sociedades humanas, incluem também a
Num primeiro momento, trabalha-se dinâmica dos procedimentos econômicos. A
com uma Geografia das populações que Situação de Aprendizagem trabalha, nesse
não se reduza à demografia. A dinâmica aspecto, a controversa e clássica relação
interna das populações pode ser apreen- entre o ritmo de crescimento populacional
dida em vários aspectos pela demografia, e a capacidade de produção alimentar no
mas é preciso insistir no estudo acerca das mundo contemporâneo, focando naqueles
relações que as populações travam com o países que teriam maior dificuldade em sus-
espaço geográfico (e com outras dimensões tentar suas populações.
sociais). As Situações de Aprendizagem
vão insistir nisso e a primeira delas começa Dirigindo as atividades para um gradual
priorizando essa relação, por intermédio aprofundamento, na Situação de Aprendiza-
da problematização de um senso comum: gem 3, as populações serão pensadas segundo
haveria gente demais no mundo. As ativida- suas diferenças e desigualdades e, para tal, a
des sugeridas vão expor os estudantes aos comparação será sugerida como caminho de
diversos modos como os seres humanos aprendizagem. A comparação permite perce-
constroem seus espaços, com a finalidade ber se há padrões e identificá-los, assim como
de demonstrar como é difícil ter certeza so- propicia que se relacionem as condições de
bre a afirmação de que existiria gente de- vida dos países e das regiões com seus res-
mais no planeta. pectivos padrões populacionais. Implicações
que podem causar desesperança em relação a
A partir daí, a Situação de Aprendizagem 2 certas realidades, que, combinadas com a mo-
vai buscar a lógica da distribuição da po- bilidade humana contemporânea, são um im-
pulação no mundo que, na verdade, não é portante combustível que move as migrações

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

entre países. Esse assunto também será desta- que deve ter seus direitos preservados e deve ser
cado na Situação de Aprendizagem, segundo protegido. Mas ele, nessa condição, vive em rede,
suas contradições e seus impasses. vive em trânsito e consome lugares diferentes do
seu local de origem. Esse entendimento é priori-
A Situação de Aprendizagem 4 refere-se à zado na Situação de Aprendizagem 7, com algu-
relação cultura (religião) e espaço como ingre- mas problematizações conceituais para analisar
diente das lógicas que interferem na dinâmica situações complexas.
das populações, inclusive na sua organização
espacial. O caso que ilustra essa complexa re- Outro aspecto já mencionado, destacado
lação é o do mundo árabe ĺ mundo islâmico, como discussão necessária à compreensão do
como uma possibilidade entre outras. mundo contemporâneo, refere-se à capacidade
das organizações que operam em escala mun-
Na Situação de Aprendizagem 5, os esforços dial de influenciar e agir com mais eficácia e
concentram-se em destacar a importância do poder. A Situação de Aprendizagem 8 propõe
estudo dos espaços internos das cidades para reflexões sobre as redes de ilegalidade, exemplo
a compreensão da Geografia contemporânea. de suma importância para ilustrar esse caso. Es-
Nesse sentindo, ressalta-se a condição das cida- sas redes também estão em expansão e são mais
des em promover muitas relações internas entre acessíveis e desembaraçadas num mundo que
seus habitantes e, ao mesmo tempo, funcionar ainda não construiu controles para o funciona-
como configuração polarizadora de relações mento seguro e democrático da escala global.
em outras escalas. Os conceitos que serão en-
focados nessa Situação de Aprendizagem vão
servir como base para discutir os hábitos de Competências e habilidades
consumo modernos, praticados nos espaços
das grandes metrópoles, e que acabam reestru- Competências fundamentais são trabalhadas
turando os espaços internos dessas cidades. Ao e mobilizadas: problematizar (colocar em causa)
mesmo tempo, esses hábitos de consumo são o senso comum; relacionar sua própria realidade
irradiados para outras realidades, tamanha é a e seus saberes prévios com novas realidades e no-
força das cidades em influenciar os modos de vos conteúdos; comparar realidades diversas que
vida em outras localidades. Esse é o tema da se expressam na escala mundial, com o intuito de
Situação de Aprendizagem 6. perceber a existência de um mundo em constru-
ção, de uma lógica agora mundial, algo essencial
As redes sociais que as novas possibilidades na formação do cidadão contemporâneo.
geográficas propiciam são notavelmente expres-
sas pelas redes espaciais do turismo, uma ativi- A apreensão de lógicas ocultas por sen-
dade símbolo do novo mundo de interações que sos comuns, a capacidade de análise de rea-
se constrói. O turista é o cidadão desenraizado, lidades distintas, a identificação de critérios

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adequados para a comparação de realidades f comparar realidades nacionais diversas
diferentes no tempo e no espaço são condições que se expressam na escala mundial, com o
essenciais para tornar mais aguda a apreensão intuito de perceber a existência de um mun-
crítica dos textos, assim como para a produ- do em construção, porém marcado por de-
ção de análises e textos próprios. sigualdades profundas no que diz respeito
ao perfil populacional de cada realidade;
Assim, espera-se que as Situações de Apren- f associar padrões populacionais (estrutura
dizagem contribuam para o desenvolvimento etária, em especial) distintos com as condi-
das seguintes competências: ções de desenvolvimento econômico e social.
Relacionar o processo de integração mundial
f construir e aplicar habilidades relativas ao à formação de redes de cidades, às redes de
domínio da linguagem cartográfica (leitura consumo e às redes de negócios ilegais.
e confecção), como meio de visualização
sintética da relação entre realidades geo- Metodologia e estratégias
gráficas distintas;
f selecionar, organizar, relacionar e interpre- Os conteúdos deste volume objetivam con-
tar dados e informações, representados de tribuir para a construção de um olhar em es-
diferentes formas (fotos, mapas, gráficos, ta- cala global sobre os volumes populacionais
belas ou textos) para construir e confrontar quantitativos e a forma de sua distribuição
visões de mundo; geográfica, na verdade uma “distribuição
f agrupar diferentes realidades em classes se- concentrada”. Também dizem respeito à im-
gundo critérios comuns, como meio de orga- portância de referenciar esses volumes popu-
nizar informações e buscar alguma coerência lacionais à complexidade da produção social
nos dados; do espaço geográfico e à economia, bem como
f identificar e distinguir realidades na escala ao mergulho nas desigualdades existentes no
mundial e as mudanças de percepção com interior dos grupos populacionais e nas dife-
as mudanças de escala geográfica; renças detectadas na comparação entre países
f apreender a lógica dos fenômenos geográfi- e regiões do globo.
cos em diversas escalas, em especial na esca-
la geográfica mundial; Nessa perspectiva, irá discorrer também
f construir e aplicar os conceitos: Geogra- sobre a nova complexidade do mundo, de-
fia da população; centros de povoamento; monstrando a formação de redes sociais que
“distribuição concentrada”; espaço geo- operam para além dos seus territórios, per-
gráfico; economia; cultura e espaço; ex- correndo e influenciando o mundo. Os casos
pansionismo geográfico, cidade relacional, das cidades globais, das redes de consumo, do
cidades mundiais, metrópole, turismo, es- turismo e das redes da ilegalidade servem para
paços turísticos e consumo local; dar concretude ao conceito que é trabalhado.

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

A principal estratégia adotada foi expor a cidades onde moram e o processo do consumo
visualização dos povoamentos humanos no nas concentrações urbanas, espera-se que o
mundo e também algumas características liga- estímulo à percepção funcione como matéria-
das aos perfis das populações nacionais. Uma -prima para a construção de quadros analíti-
cartografia de qualidade é essencial para tal. cos para que, em seguida, eles possam retornar
Uma estratégia complementar foi exercitar a às suas próprias realidades, analisando-as de
linguagem cartográfica, o que pode significar maneira mais crítica, de modo a compreender
um melhor aproveitamento da informação vi- a complexidade dos fatos geográficos.
sual. Outra medida para introduzir as discus-
sões foi a problematização de sensos comuns Avaliação
de peso cultural. O tema das populações no
mundo presta-se a muitas interpretações e al- A participação dos alunos nas aulas dialó-
gumas se tornaram célebres. Esse fato oferece gicas e nos trabalhos em grupo deve se consti-
uma boa oportunidade para utilizar essas in- tuir em item-chave de avaliação. A orientação
terpretações prévias que, de uma forma ou de dessa participação será indispensável como
outra, atingem os estudantes. garantia de uma participação produtiva. Ela
integra a aprendizagem de diversas habilida-
Por outro lado, a busca de uma lógica nos des, tais como a capacidade de se expressar
processos geográficos ligados à questão po- oralmente e por escrito; de trabalhar coletiva-
pulacional exigiu uma metodologia voltada mente; de desenvolver a capacidade de organi-
à comparação na escala mundial das diversas zação e o espírito de cooperação.
situações que se sucederam historicamente e,
também, à confrontação da diversidade con- Os relatórios das atividades coletivas, a
temporânea, assim como uma confrontação produção e a leitura de mapas, gráficos e tabe-
das interpretações na escala mundial com as las também são produtos para avaliar o apro-
interpretações em outras escalas geográficas veitamento e a natureza da aprendizagem.
(regional e nacional). Todas essas formas estão contempladas nas
atividades sugeridas.
As aulas dialógicas que preparam e es-
timulam a reflexão dos estudantes estão no A realização de exercícios, com questões
centro de boa parte das proposições. Elas abertas e de múltipla escolha, deve ser conside-
são responsáveis pela exposição de dados, rada peça importante do processo ensino-apren-
pelo encaminhamento e acompanhamento dizagem. Nesse momento, pode-se perceber
das atividades. em que medida para cada um dos alunos os
conteúdos desenvolvidos fizeram diferença e
Por exemplo, ao solicitar aos alunos que o que deverá ser retomado ou redirecionado
revelem como percebem as grandes cidades, as para se atingir os objetivos propostos.

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SITUAÇÕES DE APRENDIZAGEM
SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
AS POPULAÇÕES E O ESPAÇO GEOGRÁFICO

Nesta Situação de Aprendizagem procura-se O estudo quantitativo das populações é uma


encontrar critérios para pensar a Geografia das das atribuições da demografia, mas ao relacionar
populações no planeta. A ideia é mostrar tudo o as populações ao espaço onde elas se distribuem,
que deve ser considerado para responder se há na verdade onde elas se concentram, entramos
muita gente no planeta. no horizonte da Geografia das populações.

Quando nos referimos às coletividades Assim, um cuidado é necessário: os grupos


humanas usamos diversas palavras. Ao men- humanos não são apenas volumes estatísticos.
cionar o termo população humana, o sentido Embora possamos abordá-los dessa maneira,
imediato é quantitativo: população quer dizer é bom não esquecer a complexidade que cerca
volume de pessoas; população mundial signi- a vida humana no planeta. A Situação de
fica 7,1 bilhões de pessoas em julho de 2013, de Aprendizagem vai ingressar nessa complexi-
acordo com os dados da Central Intelligence dade ao mostrar que não há resposta fácil às
Agency (CIA US), disponível em: <https:// perguntas quantitativas. É preciso, portanto,
www.cia.gov/library/publications/the-world-fact considerar as variáveis que articulam popula-
book/geos/xx.html>, acesso em: 10 dez. 2013. ção e espaço geográfico.

Conteúdos: demografia; densidade demográfica; centros de concentração populacional.


Competências e habilidades: construir habilidades relativas à linguagem cartográfica, como
meio de visualização da relação entre realidades geográficas; selecionar e interpretar informa-
ções, representadas de diferentes formas para confrontar visões de mundo; agrupar diferentes
realidades em classes, como meio de organizar e buscar alguma coerência nos dados.
Sugestão de estratégias: criar um cenário de análise por meio da problematização de um sen-
so comum poderoso; observação e exploração cognitiva das representações visuais (mapas e
gráficos) referentes à distribuição e concentração geográfica da população na escala mundial;
exercício cartográfico de identificação e representação dos principais centros populacionais na
escala global.
Sugestão de recursos: mapas; gráficos; tabelas estatísticas; aulas dialógicas.
Sugestão de avaliação: observação dos mapas e gráficos; pesquisas; discussão; texto final.

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Etapa prévia – Sondagem inicial e Multiplicando 85 mil (um lado) por 85 mil (outro lado) o re-
sensibilização sultado será 7,2 bilhões de pessoas. Assim, você poderá dis-
cutir com os alunos como praticamente toda a população do
mundo caberia em um quadrilátero de apenas 85 km de lado
Inicialmente, entendemos ser oportuno
se as pessoas se colocassem a um metro de distância uma da
verificar se os alunos têm alguma noção so-
outra. Nesse sentido, pode-se considerar a Terra um planeta
bre a população mundial, do ponto de vista quase vazio.
quantitativo. Para tanto, sugerimos duas ati-
tSe a população mundial fosse toda colocada na França
vidades na seção Para começo de conversa do
com a mesma densidade demográfica de Paris, apenas me-
Caderno do Aluno: tade do território francês conteria os mais de 7 bilhões de
habitantes da Terra.
1. Responda às perguntas a seguir.
b) Em sua opinião, qual deveria ser a po-
a) Quantos habitantes há no mundo hoje, pulação ideal do mundo? Justifique.
aproximadamente? Você considera essa A resposta é pessoal, mas a ideia aqui é que o aluno se posi-
quantidade de pessoas grande ou pe- cione, a fim de que você possa saber quais argumentos ele
quena? Por quê? apresenta para justificar sua opinião. Esteja atento a posições
É provável que os alunos não saibam exatamente quantos neomalthusianas, que defendem o controle de natalidade
habitantes existem no mundo, uma vez que estão tomando nos países pobres como uma variável importante para me-
contato com o tema agora, por meio da disciplina de Geo- lhorar a vida da população.
grafia. No entanto, essa questão alcança outras esferas da vida
do aluno, na medida em que poderá revelar se eles já tiveram Feita essa primeira abordagem, chame a
contato com o assunto por meio, por exemplo, dos meios atenção dos alunos para alguns problemas so-
de comunicação. De toda forma, é importante informá-los ciais que sempre ganham destaque nos meios
de que há, atualmente, cerca de 7,1 bilhões de habitantes no de comunicação e que estão relacionados com
mundo, de acordo com dados da Central Intelligence Agency aqueles ambientes onde há grande concentra-
(CIA US). Considerar essa quantidade grande ou pequena é ção populacional, ou seja, as grandes e médias
uma questão pessoal. É um número alto, tendo-se em conta o cidades. Esses problemas estão listados na pró-
passado, mas levando-se em conta outras referências é um va- xima atividade, mas seria interessante que os
lor discutível. Professor, você pode ajudar com dois exemplos: alunos ampliassem a lista para então respon-
tProponha aos alunos o seguinte raciocínio: imaginem um derem às questões propostas na sequência.
grande quadrado de 85 km de lado; trata-se de uma distân-
cia inferior à da cidade de São Paulo a cidade de Campinas 2. Observe e analise a lista a seguir (Quadro 1),
(aproximadamente 96 km). Suponham que esse quadrado seja que traz alguns problemas comuns em
dividido em quadrados de um metro; o resultado será de 85 grandes cidades.
mil linhas e 85 mil colunas. Peça que calculem quantas pessoas
seriam necessárias se cada quadrado de um metro fosse ocu- a) Amplie a lista com outras possibilidades
pado por uma pessoa. de mesma natureza.

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1. Congestionamentos de automóveis. objetivo é que se explore essa presença na
segunda questão sobre as causas. E aqui é
2. Filas nas quais as pessoas aguardam um provável que surja um poderoso senso co-
serviço. mum: esses problemas teriam como razão
fundamental o fato de que há “muita gente
3. Número elevado de desempregados.
nas grandes cidades”.
4. Multiplicação do número de moradias
precárias. Aliás, seria interessante se você estimu-
lasse o desabrochar desse senso comum
5. Grande número de pessoas nos transportes para, em seguida, por meio do exercício da
coletivos. reflexão, problematizar sobre a força desse
senso comum. Deve-se atentar aqui para a
6. Multidões andando lentamente em ruas centrais. discussão entre o desenvolvimento de in-
fraestrutura e a concentração de pessoas.
7. Multidões em eventos artísticos e esportivos,
Mesmo as cidades menores, com pequena
aguardando em filas.
quantidade de pessoas e objetos, também
8. Grande número de pessoas disputando pou- podem ter problemas de congestionamento,
cas vagas em determinados vestibulares ou filas etc. Então, o motivo já não seria a den-
empregos. sidade demográfica, e, sim, a infraestrutura
da cidade.
Quadro 1.

Para terminar esta etapa prévia, segue uma


b) Considerando os problemas listados, o última questão que favorece a problematização
que há em comum entre eles? do tema: Há muita gente no mundo?

c) Quais são as causas desses problemas? f Referências para medir, para quantificar:
Há alguma causa principal? Qual a referência para afirmar que há muita
gente, ou que havia pouca gente no mundo?
d) Em sua opinião, esses problemas também Gente demais é uma medida que deve se
existem em cidades pequenas? Por quê? relacionar a algo, o que não parece aconte-
cer quando se enuncia esse senso comum.
O ideal é que os alunos percebam nos Logo, a afirmação “há gente demais no
enunciados das perguntas a presença comum mundo” só terá força de fato se houver re-
de um elemento quantitativo: congestiona- lações a se estabelecer.
mento ĺ volume elevado de automóveis; f O combate à mortalidade: o Rei Henri-
fila ĺ uma espécie de congestionamento de que VIII, da Inglaterra, que viveu entre
pessoas; número elevado; multiplicação. O 1491 e 1547, teve seis filhos com Catarina

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

de Aragão. Apenas uma menina sobrevi- um número elevado de pessoas nos locais
veu à primeira infância. Isso com um rei de concentração, por exemplo, nas gran-
todo-poderoso. O grande problema eram des cidades. Várias dessas cidades têm os
as doenças infectocontagiosas, que hoje problemas citados, no início desta seção
se sabe combater. Logo, o controle das do Caderno, mas há também outras onde
doenças é um fator de crescimento popu- eles não ocorrem. Um bom exemplo é a ci-
lacional. dade de Tóquio, a maior delas: nenhuma
f Desigualdade na distribuição populacional: outra metrópole do mundo consegue tanta
a distribuição da população é desigual eficiência na circulação de sua população,
no interior dos blocos continentais. Há ainda que nela haja o maior volume de
grandes vazios populacionais. Então, há gente concentrada.

© TWPhoto/Corbis/Latinstock

Figura 1 – Estacionamento de bicicletas no centro de Tóquio. De fato, a bicicleta é uma opção inteligente para uma cidade com
população concentrada.

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© Jose Fuste Raga/Mauritus/Latinstock

Figura 2 – Em Tóquio (e no Japão de um modo geral) há grande oferta de transportes sobre trilhos, que levam muitos passa-
geiros de maneira rápida, confortável e pontual. Mais um exemplo de um meio de transporte adequado para uma cidade com
população concentrada.

f População e desenvolvimento social: no Sobre esse item em especial, na seção Desa-


Paquistão, o adensamento populacional fio! do Caderno do Aluno, propomos três ques-
(número de habitantes por km2) é de tões, conforme descritas a seguir, que permitem
228,79 hab./km2. Já na Holanda essa den- o exercício sobre essa reflexão entre densidade
sidade é de 403,45 hab./km2.a Logo, tendo populacional e desenvolvimento social.
em vista esse resultado, a Holanda é mais
povoada. Tem mais gente proporcional- Segundo a Organização das Nações Unidas
mente ao tamanho do seu território. No (ONU), a população da Holanda era de
entanto, qualquer que seja a comparação 16,8 milhões de pessoas em 2013, enquanto
entre índices que medem qualidade de a do Paquistão era de 182,1 milhões. (Fonte:
vida, a Holanda leva vantagem. Assim, o <http://www.un.org/en/development/desa/
número menor de habitantes por km2 não population/publications/development/pde-
parece, aqui, ser a questão decisiva. wallchart-2013.shtml>. Acesso em: 18 dez. 2013.

a
Segundo dados das Nações Unidas, para o ano de 2013, e do IBGE. Disponíveis em: <http://www.un.org/en/
development/desa/population/publications/development/pde-wallchart-2013.shtml> (Nações Unidas) e <http://
www.ibge.gov.br/paisesat/> (IBGE Países). Acessos em: 18 dez. 2013.

16
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

1. Considerando que, de acordo com o IBGE tamanho do seu território, faz com que
Países, o Paquistão tem 796 100 km2 e a esse país tenha mais problemas sociais que
Holanda 41 540 km2, calcule as densidades o Paquistão? Justifique.
demográficas desses países. Contrariando o senso comum, a concentração popula-
É importante levar os alunos a entenderem que, para calcular cional num pequeno território não significa maiores pro-
a densidade demográfica, basta dividir o número de habitan- blemas sociais (como se poderia pensar, já que há muita
tes pelo tamanho do território do país. Assim: gente a ser sustentada). A Holanda, por exemplo, é um país
Paquistão: 182,1 milhões de habitantes divididos por 796 100 com boa qualidade de vida, enquanto o Paquistão, onde
km² = 228,74 hab/km²; aparentemente “sobra” mais território, tem graves proble-
Holanda: 16,8 milhões de habitantes divididos por 41 540 km² mas sociais. Não existe necessariamente uma relação entre
= 404,43 hab/km². tamanho do país, tamanho da população, densidade de-
mográfica na escala do país e desenvolvimento.
2. Em sua opinião, de que forma essas po-
pulações se distribuem: de forma equi- A esses exemplos de problematização po-
tativa sobre o território ou concentram- dem ser acrescentados outros. Seria inte-
-se em alguma parte dele? Explique sua ressante verificar se os alunos conseguem
resposta. ampliar essa lista que contraria o senso
Considerando-se as densidades demográficas dos dois paí- comum. O que eles mencionarem deve ser
ses, parece que, a princípio, haveria uma distribuição mais aproveitado no decorrer da Situação de
equitativa da população no território holandês. Entretanto, Aprendizagem.
a densidade demográfica é uma média aritmética e não nos
mostra, nessa escala, se a população está distribuída equita-
tivamente ou se está concentrada em algumas poucas áreas Etapa 1 – As medidas e as
(grandes cidades, por exemplo). É o caso do Paquistão, que referências para uma Geografia das
tem zonas muito populosas (na região de Karachi e na pro- populações
víncia do Punjab) e outras que são vazios demográficos (re-
gião montanhosa a norte e a oeste). Leitura e análise de mapa

3. Você acha que o fato de a Holanda ter uma Esta etapa pode começar com a expres-
densidade demográfica maior, ou seja, ter são cartográfica dos volumes populacionais
maior população proporcionalmente ao segundo os países apresentados na Figura 3.

17
Figura 3 – População dos Estados e territórios, 2010. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Disponível em: <http://cartographie.
sciences-po.fr/fr/popula-o-dos-estados-e-territ-rios-2010>. Acesso em: 10 mar. 2014. Mapa original.

Tão importante quanto saber qual é a po- f trata-se de um mapa de comunicação cla-
pulação e onde ela habita é verificar se as in- ra, simples e objetiva. Ele não se propõe
formações do mapa ajudarão a dar sentido à a apresentar múltiplas informações, foca
discussão que foi desenvolvida com a turma apenas uma informação, o que facilita a
até agora. comunicação;
f o fundo é um mapa-múndi apresentado
Sugerimos que, antes de tudo, você numa cor neutra. Ele é discreto para não
chame atenção para o mapa. É sempre im- concorrer com a informação principal do
portante exercitar a linguagem cartográfica, mapa, que será expressa pela figura do
mesmo que ainda não haja aprofundamento círculo, em diversos tamanhos propor-
nesse tema. Eis algumas das características cionais;
que podem ser destacadas nesse mapa e que f o tamanho desses círculos representa o ta-
vão ajudar na compreensão e no exercício manho das populações. Por isso é chama-
da linguagem: do mapa quantitativo;

18
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

f a relação quantitativa entre o tamanho Sim, a partir da correlação entre os círculos apresentados
do círculo e o número de habitantes dos na legenda e os círculos destacados sobre os países. Dessa
países pode ser obtida num elemento da forma, chegarão à seguinte resposta: em 2010, a população
legenda chamado ábaco. Seu título é: chinesa era 1 341,3 milhões, já a dos EUA era 310,4 milhões.
População, 2010 (em milhões de pessoas). Para saber os valores da população de países que não figu-
O círculo maior no ábaco equivale ao cír- ram na legenda, basta medir o diâmetro do círculo, ver a
culo que está sobre a China e representa diferença em relação ao diâmetro da China (100% = 1 341,3
1 341,3 milhões de habitantes. O segundo milhões de habitantes) e aplicar uma regra de três.
maior representa 310,4 milhões de habitan-
tes, que é a população dos Estados Unidos b) Quais são os dois países mais populosos
da América. Os círculos são proporcionais representados no mapa?
e um trabalho conjunto com o professor de Os dois países mais populosos no mapa são: China e Índia.
Matemática pode auxiliar no cálculo exato
das populações. Por exemplo: Qual é a po- 2. De acordo com o mapa:
pulação do Brasil? Isso se você considerar
necessário e produtivo; a) Liste os cinco países mais populosos do
f mas, o mais importante desse mapa é que mundo.
ele é compreensível apenas com um olhar. China, Índia, Estados Unidos da América, Indonésia e Brasil.
Seja qual for o fenômeno que ele represen-
ta, percebe-se visualmente, sem erro, que o b) Liste cinco países que figurem entre os
fenômeno é maior na Ásia. Por isso, pode- menos populosos no mundo.
-se afirmar algo bem singelo, que é lógico e Essa lista poderá variar bastante, pois o mapa mostra diver-
óbvio: trata-se de um mapa para ver. sos “pequenos pontos”, como: Uruguai, Panamá, Namíbia,
Botsuana, Guiné Equatorial, Eslovênia, Áustria, Mongólia,
A partir daqui sugerimos algumas questões Timor Leste, entre outros.
disponíveis no Caderno do Aluno, para orientar
a análise do mapa. Acrescentar outras ques- Após a análise do mapa, sugeri-
tões e modificar as sugeridas é algo que sem- mos que os alunos desenvolvam o
pre servirá para enriquecer este momento de seguinte trabalho, presente no Ca-
aprendizagem. derno do Aluno, na seção Pesquisa em grupo.

1. A partir das informações do mapa (Figura 3): Considere as listas de países que você in-
dicou nas questões anteriores. Complete a
a) É possível responder exatamente qual tabela a seguir (Quadro 2), tendo como base
é a população da China e dos Estados o mapa População dos Estados e territórios,
Unidos da América? Como chegar a es- 2010 (Figura 3) e outras fontes complementa-
sas informações? res de informação.

19
Segue uma possibilidade de preenchimento do quadro. É sugerindo três categorias: rico, pobre e emergente. Também
importante que você converse com os alunos a respeito da esteja atento para a necessidade de retomar com eles como
fonte dos dados que serão coletados e sobre a classificação se calcula a densidade demográfica (população total dividida
de cada um deles em relação ao nível de desenvolvimento, pela extensão territorial do país).

População Nível de
País Área2 Densidade Ano Continente Hemisfério
(2013)1 Desenvolvimento

China 1 385 566 537 9 600 000,50 144,33 2013 Ásia Norte Emergente
Países mais populosos

Índia 1 252 139 596 3 287 260,00 380,91 2013 Ásia Norte Emergente

América do
EUA 320 050 716 9 831 510,00 32,55 2013 Norte Rico
Norte

Sudeste da
Indonésia 249 865 631 1 904 570,00 131,19 2013 Sul/Norte Pobre
Ásia

América do
Brasil 200 361 925 8 515 767,05 23,53 2013 Sul Emergente
Sul

América do
Países menos populosos

Uruguai 3 407 062 176 220,00 19,33 2013 Sul Emergente


Sul

Mongólia 2 839 073 1 564 120,00 1,82 2013 Ásia Norte Pobre

Eslovênia 2 071 997 20 270,00 102,22 2013 Europa Norte  Rico

Botsuana 2 021 144 581 730,00 3,47 2013 África Sul Pobre

Timor Sudeste da
1 132 879 14 870,00 76,19 2013 Sul Pobre
Leste Ásia
1
De acordo com dados das Nações Unidas. Disponível em: <http://www.un.org/en/development/desa/population/
publications/development/pde-wallchart-2013.shtml>. Acesso em: 7 mar. 2014.
2
Fonte: IBGE Países. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/paisesat/main_frameset.php>. Acesso em: 7 mar 2014.
Quadro 2.

Discuta com os seus colegas os dados da f a relação entre a densidade demográfica


tabela, sob orientação de seu professor, tendo dos diferentes países e seu nível de desen-
em vista os seguintes aspectos: volvimento.

f a desigualdade entre o tamanho da popu- Após a análise coletiva, escrevam, em uma


lação dos diferentes países; folha avulsa, um breve relatório, retomando a
f a desigualdade entre a densidade demográ- discussão da seguinte questão: Há gente demais
fica dos diferentes países; no mundo?

20
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Para a análise dos relatórios dos grupos, A partir das observações e dos comentá-
apresentamos alguns pontos que podem ser rios sobre o mapa, espera-se que os alunos
destacados. percebam que as desigualdades notadas di-
ficultam a afirmação de que “há gente de-
f Há várias desigualdades entre os países mais no mundo”. Essa é uma afirmação na
quanto ao tamanho de suas populações. escala mundial, porém em algumas regiões
Dois países (China e Índia) concentram do mundo, considerando-se outras escalas,
juntos mais de 2,5 bilhões de habitantes, isso não é de todo verdadeiro.
o que representa cerca de 1 da popula-
3
ção mundial. Será que basta apenas mudar a escala de
f São diversos os tamanhos dos países: observação (mundial ĺ regional, país) para
um país com a extensão territorial do dar mais sentido às informações quantitati-
Brasil tem uma população menor que a vas sobre a população?
Indonésia, territorialmente bem menor.
Sem dúvida isso ajudará, mas se tivermos
Quantas observações semelhantes o mapa
em mente – e vale até uma pequena pesquisa a
propicia? Muitos países bastante popu-
respeito – que mesmo no interior da China há
losos não têm necessariamente grande
vazios populacionais, a própria observação na
extensão territorial, como, por exemplo,
escala de um país não é muito segura para res-
Paquistão, Bangladesh, Japão. Esses
ponder se “há gente demais”. Está aqui mais
países, assim como outros, têm popula-
um exemplo de observação que você pode fa-
ção superior ao Canadá, cujo território
zer. Comentários como esse vão gradualmente
é imenso.
sofisticando o olhar dos estudantes.
f A apresentação das informações por
países não diz tudo: por exemplo, o
Leitura e análise de mapa
continente europeu é muito recortado,
tem muitos países. Somados (exceto a
Algo muito importante, talvez o princi-
Rússia) daria uma extensão territorial
pal, será a verificação das regiões de maior
semelhante a do Brasil. E somadas suas
povoamento realmente existentes, indepen-
populações, também teríamos um núme-
dentemente dos limites territoriais dos países.
ro superior à população do Brasil. Isso
Isso pode ser feito apresentando aos alunos o
mostra que uma extensão territorial se-
mapa a seguir (Figura 4).
melhante a do Brasil, que é a Europa
sem a Rússia, é muito mais povoada que A partir da leitura do mapa As 150 metró-
o Brasil, cujo território possui grandes poles mais populosas, 2010, os alunos deve-
vazios demográficos. rão responder às seguintes questões, presentes

21
também no Caderno do Aluno. Este exercí- Observe o mapa da Figura 4 e, com o au-
cio é válido, inclusive, para reforçar a leitura xílio do planisfério presente no final do Ca-
cartográfica. derno, responda às questões.

Figura 4 – As 150 metrópoles mais populosas, 2010. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Mapa original.

1. A partir da leitura do mapa, destaque as Listamos, a seguir, algumas prováveis respostas extraídas da
áreas de grande povoamento mundial. Para leitura do mapa:
tanto, agrupe as metrópoles, indicando o Tóquio (Japão), Xangai (China), situadas no Leste Asiático;
nome de cada uma e os países aos quais per- Karachi (Paquistão), Daca (Bangladesh), Calcutá, Nova Dé-
tencem e agrupe-as em regiões. lhi e Mumbai (Índia), situadas no Subcontinente Indiano;

22
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Nova York (EUA) e Cidade do México (México), situadas na Os alunos poderão fazer diferentes abordagens sobre o
região norte-americana; São Paulo, Rio de Janeiro (Brasil), tema. Mas, novamente, retomamos a intenção de desmiti-
situadas na Região Sudeste brasileira; entre outras. ficar a ideia de que existe gente demais no mundo. A po-
pulação mundial concentra-se em determinados pontos
2. Considerando as informações sobre a po- do globo, não se dispersando equitativamente pelos con-
pulação chinesa e outros mapas sobre popu- tinentes. Viver junto (e dividir os recursos) é o que o ser
lação, indique, usando os pontos cardeais, humano tem feito ao longo da história, por fatores físicos,
porções do território chinês que não são históricos e socioeconômicos.
muito povoadas.
Na porção oeste da China, há vazios demográficos, em es-

© Walter Bibikow/The Image Bank/Getty Images


pecial no sudoeste, onde predomina o planalto do Tibet e a
Cordilheira do Himalaia.

Ficará visível no exercício cartográfico que


essas áreas representam pouquíssimo do total
da extensão territorial das terras emersas. Isso
reforçará a ideia de “distribuição concentrada”.

É bom insistir e atrair a atenção dos estu-


dantes para esse aspecto: a população mun-
dial está concentrada em alguns pontos, e não
dispersa pelo planeta. E isso pode ser detec-
tado já no início da era cristã e muitos desses
principais centros de povoamento são os mes-
mos de antigamente.

O ser humano busca viver em meio


a muita gente. Tanto é assim que se
constroem centros de grande con-
centração – eliminando a distância geográfica Figura 5 – Uma cena urbana de Xangai, na China, localizada no
– que nada mais são do que as cidades, as gran- coração do principal centro de povoamento no mundo, que é o
leste da Ásia.
des cidades especialmente. Sugerimos solicitar
aos alunos que escrevam sobre a pertinência
dessa conclusão, tendo como tema de redação, Nós formamos centros de densidade de-
proposta na seção Lição de casa, a seguinte mográfica que são parâmetros para discutir
afirmação: A população mundial não está distri- medidas de população: a densidade demográ-
buída igualmente pelo mundo. fica relaciona volume populacional e extensão

23
territorial. Será importante os estudantes per- tsua “distribuição” (concentração no espaço) e, em decor-
ceberem que agora estão em um dos caminhos rência, também os espaços, suas divisões, seus tamanhos;
para dar sentido aos números populacionais. tse os meios econômicos de sobrevivência são suficientes
nas áreas onde os grupos se concentram. Viver junto leva ao
Esse caminho relaciona população e es- desenvolvimento de formas sofisticadas de sustentação ma-
paço geográfico. Há muito o que discutir a terial, implica organização econômica.
respeito dessa relação, em especial sobre a Assim, não há possibilidade de afirmar que há muita gente
escolha do ser humano em viver aglomerado. no mundo sem verificar os espaços onde os grupos se dis-
Porém, essa não é a única referência para dis- tribuem e os meios econômicos disponíveis nesses espaços.
cutir a dimensão de um país e outros núme-
ros populacionais. Você poderia perguntar se 2. Os seres humanos vivem juntos, concen-
há outras referências para avaliar a questão tram-se preferencialmente. Espalhar-se,
populacional. criar distâncias entre seus membros, não
é a lógica dominante de vida entre as po-
Leitura e análise de esquema pulações humanas, pelo menos, desde o
Período Neolítico. Essa afirmação ca-
Para desencadear essa discussão, sugerimos racteriza a relação população C espaço?
a análise do esquema sobre as relações que se es- Justifique.
tabelecem entre população, espaço e economia Sim, pois o ser humano é um ser social. Organizar a socieda-
(Figura 6), apresentado também no Caderno do de implica criar relações entre seus membros: quanto mais
Aluno e seguido das seguintes questões: próximos eles estiverem, melhor para as relações. Essa é a ló-
gica que justifica a concentração humana. Os seres humanos
querem viver juntos e viver junto é se concentrar.
Relações que dão sentido aos números
populacionais
3. A humanidade é capaz de produzir bens e
recursos materiais suficientes para sobrevi-
População ver com essa organização espacial aglome-
rada? Justifique.
A princípio, é possível afirmar que a humanidade é ca-
Espaço Economia paz de produzir bens e recursos suficientes para suprir as
Figura 6. necessidades de uma enorme população. Apesar disso,
percebe-se uma distribuição desigual da riqueza, respon-
1. De acordo com o esquema, quais relações sável por situações de fome e miséria em várias regiões do
devem ser consideradas para discutir se há mundo. É importante que os alunos identifiquem a distri-
gente demais no mundo? Explique. buição de renda desigual e a dificuldade de acesso à tec-
O esquema mostra que, para pensar a questão populacional, nologia como fatores que justificam a fome e a pobreza
é preciso considerar: em muitas áreas do planeta.

24
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
AS REFERÊNCIAS GEOGRÁFICAS E ECONÔMICAS
DA DEMOGRAFIA

A demografia não vale por si só. Saber populações mais bem protegidas, pois têm
quais são os volumes populacionais e suas acesso à moradia, à alimentação, assim como
dinâmicas (o ritmo de seu crescimento, índi- é igualmente comum encontrar populações
ces de natalidade e mortalidade, estrutura de pequenas sofrendo enormes carências.
idades – envelhecimento e rejuvenescimento)
são informações sem dúvida muito impor- Nesta Situação de Aprendizagem, a prio-
tantes. Mas, sozinhas, não significam tudo o ridade será trabalhar as referências concretas
que podem. que dão sentido aos números populacionais:
as condições dos espaços geográficos e da eco-
Para dar-lhes mais sentido é preciso saber nomia. Vale ressaltar que outras dimensões da
as condições geográficas dos territórios onde vida humana (cultura, regime social, política)
se encontram os volumes populacionais. Por também contribuem para dar sentido aos nú-
exemplo: é comum encontrar casos de grandes meros populacionais.

Conteúdos: evolução da população mundial; medidas e referências para a Geografia da população; den-
sidade demográfica; diversidade do espaço geográfico, domínio de técnicas diferentes; economia da
produção de alimentos.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem visual;


relacionar e interpretar dados e informações representados em tabelas; identificar e distinguir reali-
dades na escala mundial e as mudanças de percepção com as mudanças de escala; construir e aplicar
conceitos relacionados à evolução da população humana na escala mundial; relacionar dimensões do
social, como volumes populacionais, com o espaço geográfico, com o domínio das técnicas e com o
processo econômico.

Sugestão de estratégias: observação e exploração cognitiva das representações visuais referentes à evo-
lução da população mundial e ao seu perfil interno; problematização, por meio de discussões verbais e
tabelas estatísticas, da relação complexa entre população e espaço geográfico; proposição de pesquisa
de ampliação de repertório; proposição de organização de resultados por meio de trabalho coletivo e
elaboração de relatório.

Sugestão de recursos: mapas contemporâneos; gráficos; textos; tabelas estatísticas; aulas dialógicas.

Sugestão de avaliação: participação nas discussões e nas pesquisas.

25
Etapa 1 – As relações complexas da
população com o espaço geográfico

Esta etapa pode começar com um exercício


de observação do gráfico da Figura 7. Por si
só, a evolução do crescimento da população
mundial tem vários aspectos que chamam
muito a atenção. Seria interessante estimu-
lar os alunos a verbalizar seus comentários e
observações, ajustando o que eles disserem,
se isso for necessário. Talvez uma orientação
inicial ajudasse. Algo assim: observem os ex-
tremos do gráfico e a aceleração do ritmo de
crescimento, façam contas...

Leitura e análise de gráfico e texto Figura 7 – Mundo: população, 400 a.C –2007. Fonte: DU-
RAND, M-F. et al. Atlas de la mondialisation. Édition
2008. Paris: Presses de Sciences Po, 2008. p. 20.
Para orientar a leitura, assim como fomen-
tar a análise crítica dos dados apresentados f Somente no período entre 1980 e 1990 o nú-
no gráfico, no Caderno do Aluno são propos- mero de pessoas no planeta aumentou apro-
tas quatro questões, descritas adiante. Antes, ximadamente 829 milhões (cf. PNUMA.
porém, vale a pena discorrer sobre algumas Disponível em: <http://www.brasilpnuma.
possibilidades de análise. org.br>. Acesso em: 16 jan. 2014). Esse nú-
mero é bem próximo da população total do
f O gráfico mostra que no ano 400 a.C. a mundo inteiro na época de Thomas Robert
população mundial era de aproximada- Malthus (1766-1834), um economista sempre
mente 200 milhões de habitantes e que lembrado quando se discutem números da po-
após 1900 anos (início do século XVI) pulação, em função do que se convencionou
essa população apenas havia dobrado chamar Teoria Malthusiana, na qual o autor
(500 milhões); em apenas 505 anos a po- estabelece a relação entre aumento populacio-
pulação mundial multiplicou-se 13 vezes, nal e produção de alimentos. Em seu tempo,
chegando ao número de 6,7 bilhões de ele não via como a humanidade conseguiria
habitantes em 2007. Está visível na curva se sustentar caso a população e a produção de
do gráfico que, quanto mais nos afasta- alimentos continuassem a crescer no ritmo de
mos do passado e mais nos aproximamos sua época.
do presente, mais a velocidade de cresci- f Nota-se facilmente que em nossa era os
mento populacional se acelera. seres humanos se comunicam mais. Isso

26
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

se deve, sem dúvida, ao desenvolvimen- b) E no início do século XVI?


to dos meios de comunicação. Mas, além No início do século XVI, a população era de cerca de 500
desse fato, as pessoas estão mais próximas milhões de pessoas.
umas das outras pela singela razão de
que há mais seres humanos na superfície c) E no ano de 2007?
terrestre. Se imaginarmos as pessoas No ano de 2007, chegava a 6,7 bilhões de habitantes.
igualmente distribuídas sobre as “terras
emersas habitáveis”, a distância entre d) Quanto tempo se passou entre o iní-
duas delas há dois milênios era de 1 km. cio do século XVI e o ano de 2007?
Hoje em dia, a distância seria menos de Quanto a população cresceu nesse
150 metros. Uma distância ao alcance da período?
voz (GRATALOUP, 2007). Passaram-se pouco mais de 500 anos, e a população aumen-
f O ser humano produz de forma domi- tou cerca de 6 bilhões de habitantes nesse período.
nante espaços concentrados (muita gente,
muitos objetos e equipamentos, muitas 3. A partir de qual século a velocidade de
edificações) e a relação população e espa- crescimento populacional se acelerou?
ço deve levar isso em conta. A partir de meados do século XVIII, houve uma imensa ace-
f Uma maneira razoável de se perceber isso é leração do crescimento populacional, provocada pela Re-
a relação entre o volume de população e a volução Industrial. Essa situação refletia uma nova forma de
extensão territorial. E essa relação é deno- organização social.
minada densidade demográfica.
4. Leia o texto a seguir.
Feitas essas breves observações, vamos às
questões que exploram a Figura 7.
O ritmo de crescimento populacional no
1. O que representam os números do eixo ver- mundo é diferenciado se mudarmos a esca-
tical? E os do eixo horizontal? la geográfica de observação: na Europa pra-
No eixo vertical, estão representados os números de habitan- ticamente não há mais crescimento; há um
tes (em bilhões). No eixo horizontal, o tempo em intervalos é ritmo bem moderado na América do Norte;
de + 500 anos. O gráfico cruza essas duas informações. um crescimento um pouco maior na Ásia e
na Oceania; relativamente alto na América
2. Identifique a população humana nos se-
Latina; bem acelerado na África. À exceção
guintes estágios do gráfico, que percorre
da África, as previsões para 2050 dizem que o
um período de 2 407 anos da humanidade.
crescimento populacional se conterá.
a) Qual era a população humana em 400
Fonte: GRATALOUP, Christian. Géohistoire de la
a.C.? mondialisation: le temps long du Monde. Paris: Armand
A população mundial, em 400 a.C., estava em torno de 200 Colin, 2007.

milhões de habitantes.

27
Com base nesse texto e no gráfico População Sugerimos duas dessas relações,
mundial, 400 a.C. – 2007 (Figura 7), responda: entre muitas possibilidades de dis-
cussão. Elas são, inclusive, objeto
O ritmo de crescimento populacional ainda de pesquisa coletiva proposta no Caderno do
é acelerado em todo o mundo? Justifique. Aluno, na seção Pesquisa em grupo, que solicita
Se compararmos o ritmo de crescimento populacional atual aos alunos que pesquisem no material didático
com o de um passado remoto, ele ainda é acelerado. Entre- disponível sobre as relações descritas a seguir.

© Per-Andre Hoffmann/Look-foto/Latinstock
tanto, percebe-se que, depois do impressionante crescimen-
to populacional nos últimos 200 anos – em que todo o porte
atual da humanidade se fez –, parte do crescimento da po-
pulação mundial está estabilizada. Nos países ricos, já ocorreu
a transição demográfica. Em outras regiões, o crescimento
populacional ainda é alto, mas também tende a diminuir.

Por outro lado, há outras relações es-


tabelecidas entre população e espaço geo-
gráfico que devem ser consideradas para se
pensar de maneira qualificada a questão das Figura 8 – Exemplo de paisagem da Antártica, região que com-
põe o anecúmeno, área em que o ser humano até hoje não con-
quantidades de população. segue habitar. Península Antártica, Graham Land.

Relações população C espaço: a questão da natureza e os ecúmenos (área habitável da superfície


da Terra)

f Quanto a natureza suporta? Os recursos naturais, como os diversos grupos sociais os usam, são
inesgotáveis? Qual é a “carga” de seres humanos e de seus engenhos (e modos de vida) que a na-
tureza pode suportar sem que surjam problemas? E mesmo que a natureza ainda possa suportar
muito de nossa ação sobre ela, até que ponto se deve fazer isso, até onde é ético modificá-la?
Os recursos naturais são finitos, e o ritmo acelerado de utilização desses recursos pode levar ao seu esgotamento. É importante que os
alunos reflitam sobre a ação humana na natureza em diferentes regiões do planeta e sobre o uso indiscriminado de muitos recursos.

f Quais espaços são habitáveis? Existem anecúmenos? Podemos habitar os desertos quentes,
como o núcleo do Saara? Ou a Antártida?
Historicamente, os povos buscavam áreas planas e próximas a rios ou lagos para se fixarem. Existem áreas no planeta que são
hostis à ocupação humana, como desertos, altas montanhas e regiões polares; esses territórios são chamados anecúmenos. É
importante discutir com os alunos que o ser humano tem condições tecnológicas de habitar essas regiões, mas que o custo para
isso seria muito alto.

28
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Apresentamos a seguir dois casos específicos Nos dois casos, qual é a região mais po-
de relação população ļ espaço, como exemplo, voada e a menos povoada? Qual delas en-
para concluir a discussão, que se constituem na frenta maiores dificuldades para alimentar sua
segunda parte da atividade Pesquisa em grupo. população? Pode-se afirmar que há gente de-
mais na Ásia tropical?
Relações população C espaço: a questão da Segundo o texto, a região mais povoada é a da Ásia tro-
tecnologia pical úmida e a menos povoada é a da África tropical
úmida. A segunda é a que enfrenta maiores dificulda-
f Caso 1: A região da Ásia tropical úmida
des para alimentar a sua população, pois sua agricultura
apresenta uma densidade média de cerca
tem técnicas rudimentares. Se considerarmos a relação
de 175 habitantes por km2. No restante das
produção de alimentos/população é possível afirmar
regiões do mundo tropical úmido, as densi-
que não há gente demais na Ásia tropical úmida. Po-
dades médias não alcançam 15 habitantes
rém, não podemos nos esquecer de que essa região é
por km2. Por que os trópicos asiáticos têm
uma população maior? Será porque nessa densamente povoada.

região as condições são melhores do que


nas outras regiões tropicais? Tal diferença Etapa 2 – As relações complexas da
não pode ser atribuída a uma superioridade população com a economia
natural dos trópicos asiáticos em relação ao
restante do mundo tropical. Então, qual é A economia é uma atividade humana
a razão de tal diferença? Essa região foi o complexa. Em nossos dias, essa complexi-
berço das técnicas da rizicultura inundada, dade aumentou tanto que ao cidadão co-
que permitiu alimentar fortes densidades mum tornou-se praticamente impossível
populacionais. Em 1984 essa região conta-
acompanhá-la. Por isso é muito importante
va com 140 milhões de hectares de terras ir-
recuperar o sentido fundamental das coisas:
rigadas. A familiaridade dos asiáticos com
economia é o conjunto de ações que o ser
essas técnicas lhes permitiu participar mais
humano realiza para resolver sua vida ma-
facilmente da “revolução verde”.
terial (biológica, inclusive). Por exemplo,
f Caso 2: A região da África tropical úmida conseguir e produzir alimentos para comer
ignorava o essencial das técnicas hidráulicas
e sobreviver é o princípio absoluto das práti-
na agricultura (irrigação) até 20 anos atrás.
cas econômicas. Depois dela é que as outras
Em 1984, a África tropical contava com ape-
podem acontecer.
nas 9 milhões de hectares de terras irrigadas.
A carência de técnicas hidráulicas é um freio
Por essa razão, a questão primeira, a
para a adoção de uma agricultura com varie-
dades de cereais de alto rendimento. mais básica, que envolve a relação tamanho
das populações ļ economia, é a produção
Fonte: BRUNET, R.; DOLLFUS, O. Mondes
nouveaux. Paris: Hachette/Reclus, 1990. de alimentos.

29
Eis uma questão elementar que você O esperado, portanto, das respostas dos
pode apresentar à classe: estudantes para a questão levantada, é que
percebam que não há indícios que justifiquem
Se o tamanho de uma população, num (na escala do mundo) os temores de Malthus.
dado território, for maior que a capacidade Contudo, isso não significa que em certas si-
que essa população tem de produzir alimen- tuações do passado, e mesmo em algumas do
tos, o que vai acontecer com ela? presente, a falta de capacidade de produção de
alimentos não tenha pesado no ritmo de cres-
Para provocar as respostas, pode-se men- cimento populacional.
cionar novamente Malthus: ele afirmou,
há dois séculos (1798), que a produção de No Caderno do Aluno, há uma
alimentos vinha perdendo terreno e prog- proposta de atividade na seção Li-
nosticou desastres terríveis resultantes do ção de casa que permite consolidar
consequente desequilíbrio “na proporção os temas tratados até aqui. Em seu caderno, os
entre o aumento natural da população e os alunos deverão elaborar um texto a respeito da
alimentos”. relação crescimento populacional ļ produção
de alimentos.
Será que o medo dele era justificado? Numa
corrida entre o crescimento da população e a Deverão considerar também as questões a
produção de alimentos, o que está crescendo seguir para o desenvolvimento do texto.
mais rápido?
f Há gente passando fome no mundo? Por
Para algumas situações localizadas em cer- quê?
tas conjunturas sim, mas numa escala de tempo f Há relação direta entre tamanho da popu-
maior, a previsão de Malthus não se justificou. lação e fome?
f Como conclusão necessária e final da re-
A essa altura, os alunos têm elementos dação, retome a questão: Há gente demais
suficientes para dar algumas respostas para no mundo?
essa relação básica: crescimento populacio- Propõe-se a produção de um texto que trata da questão po-
nal ļ produção de alimentos. pulacional, considerando a relação população Ceconomia
(produção de alimentos). Como várias informações foram
f Volumes populacionais atuais. trabalhadas, torna-se importante que, na redação, o aluno
f Distribuição geográfica e o fenômeno da siga o roteiro estabelecido na atividade.
concentração populacional. tUm continente muito povoado como a Ásia comprova
f A evolução histórica do crescimento popu- que não há relação direta entre tamanho da população
lacional. e fome.
f A questão diferencial do peso das técnicas. tHá gente passando fome em algumas partes do planeta.

30
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Dependendo da escala que se observa, isso pode acontecer (e já produz) alimentos para que ninguém passe fome.
numa cidade rica, inclusive. Os principais motivos disso são os tLevando-se em conta a capacidade humana de desenvol-
fenômenos de desigualdade social e econômica. Entretanto, ver tecnologias que permitem produzir mais alimentos, não
potencialmente, a humanidade tem condições de produzir há gente demais no mundo.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
POPULAÇÕES: PERFIL INTERNO, DESIGUALDADES,
MIGRAÇÕES INTERNACIONAIS

Lembramos anteriormente que a palavra medidas da população vinculadas à orga-


população nos remete para o quantitativo: nização geográfica aprofundam nosso en-
volume de pessoas. Mas, se a dinâmica do tendimento da Geografia das populações.
crescimento populacional e o modo como Em especial, porque por esse meio podem
a população se distribui podem ser capta- ser identificados padrões populacionais que
dos pelas técnicas estatísticas, é sempre bom vão contribuir para entender uma série de
destacar que elas funcionam como ponto questões relevantes e difíceis na vida das so-
de partida para entender a vida humana no ciedades contemporâneas.
planeta, e não como ponto de chegada. Para
além das medidas, há muita complexidade a Nesta Situação de Aprendizagem, va-
ser compreendida. Inclusive para dar signifi- mos sugerir e indicar alguns caminhos pos-
cados a elas. síveis para confrontar com o perfil interno
das populações e para identificar certos
Para ter dimensão do quanto há para ser padrões que estruturam as desigualdades
compreendido, a própria estatística pode existentes entre as populações dos países,
ampliar seu olhar e mergulhar em aspectos das regiões e na população interna de um
internos dos perfis da população. Outras único país.

Conteúdos: estrutura da população por idades; padrões populacionais; transição demográfi-


ca; padrão populacional ļ condições sociais; migrações internacionais; direções das migra-
ções internacionais.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da lingua-


gem cartográfica (leitura e confecção), como meio de visualização sintética da relação entre
realidades geográficas distintas; comparar realidades nacionais diversas que se expressam
na escala mundial como meio de visualizar as desigualdades no que diz respeito ao perfil

31
populacional de cada uma; associar padrões populacionais (estrutura etária, em especial)
distintos com as condições de desenvolvimento econômico e social.

Sugestão de estratégias: uso conjunto e comparativo de mapas na escala mundial que repre-
sentam os extremos das faixas etárias (população infantil e população idosa) para investigar a
presença de situações-padrão; a partir das situações-padrão, chegar a padrões de perfis popu-
lacionais (1, 2 e 3); associar os perfis populacionais às condições socioeconômicas dos países
fazendo, mais uma vez, uso de mapas de escala mundial.

Sugestão de recursos: mapas contemporâneos; gráficos; textos; tabelas; aulas dialógicas.

Sugestão de avaliação: observação dos mapas; pesquisas; discussão; texto final.

Etapa prévia – Sondagem inicial e No Caderno do Aluno, essas questões es-


sensibilização tão encaminhadas na seção Para começo de
conversa com a seguinte estrutura.
Para abordar o tema das populações no
mundo atual, um bom recurso é expor os alu- 1. Você acredita que o fato de o Brasil ter uma
nos a ditos muito repetidos, tratados como história breve comparada a muitos outros
verdadeiros. Um exemplo comum é a afirma- países e de, portanto, ser considerado um
ção de que há gente demais no mundo, o que país jovem (afinal, somos independentes há
já se discutiu levando-se em conta as variá- pouco menos de dois séculos), justificaria
veis presentes na relação da população com vários dos problemas sociais que temos?
o espaço e a economia (e outras dimensões Por quê?
do social).
2. Você concorda com a afirmação de que o
Aproveitando a oportunidade desse Brasil é um país jovem e, por isso, é um país
comentário, sugerimos a você que lance do futuro? Justifique.
mais duas afirmativas que têm origem no
senso comum: 1. O Brasil é um país jovem, Depois de ouvir os alunos, peça que sis-
e por isso tem muitos problemas; 2. O Bra- tematizem a sua resposta nos espaços re-
sil é um país jovem, e por isso é um país do servados no Caderno do Aluno. De modo
futuro. geral, pode-se ponderar que a primeira
questão se refere à nossa curta história
Os alunos já ouviram isso? E o que pensam após a chegada dos portugueses (500 anos).
a respeito? Essa nossa juventude justificaria as dificul-

32
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

dades socioeconômicas do Brasil. Mas isso tros dos alunos e o que eles disserem para um
é bastante duvidoso visto que nos EUA, que aproveitamento posterior.
possuem a mesma curta história, há uma
realidade socioeconômica bem distinta da Etapa 1 – As desigualdades entre as
brasileira. populações do mundo
Propomos que se comece a discussão a
Quanto à segunda questão, que permite
partir de duas questões-chave:
explorar temas voltados para a demogra-
fia, seria bom mencionar que o senso co- 1. Será que o perfil interno das populações dos
mum se refere ao Brasil como país jovem, países mais ricos se assemelha ao perfil das
utilizando como referência o fato de a populações dos países mais pobres?
nossa população ter um número elevado de
crianças e de jovens. E isso seria algo que 2. Será que países desenvolvidos teriam uma
nos dá uma vantagem, que nos indica um estrutura populacional própria (padrão) e
futuro melhor. os menos desenvolvidos também teriam seu
próprio padrão?
Inquirir os estudantes sobre o que eles
Leitura e análise de mapa e quadro
acham desse último raciocínio é algo muito
interessante. Coloca-os no centro de uma das Para começar a construir a resposta,
discussões mais importantes sobre a dinâ- sugerimos a leitura dos mapas da Figura 9 e
mica das populações e sobre as questões do também dos Quadros 3 e 4.
desenvolvimento. Vale considerar os regis-

33
34
Figura 9 – Jovens e velhos, 2010. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Disponível em: <http://cartographie.sciences-po.fr/fr/jovens-e-velhos-2010>.
Acesso em: 19 dez. 2013. Mapa original.
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

A seguir, apresentamos o roteiro de com- população idosa. Esse fato pode ser explicado também pela
paração entre mapas, disponível também no precariedade das condições de vida dessas populações.
Caderno do Aluno.
Você deve avaliar se são necessárias mais ati-
1. Examine os fenômenos representados nos vidades para que a configuração geográfica da
dois mapas, e com o auxílio do planisfério disposição do perfil da distribuição das idades
político disponível no final do Caderno, da população (perfil etário) se sedimente. Pode-
responda: -se, por exemplo, verificar o que acontece nas si-
tuações intermediárias, como no caso do Brasil:
a) No mapa que indica a população jovem,
quais são os países com maior e menor Se o Brasil está numa posição intermediária
porcentagem de população com menos em relação ao volume de população infantil, isso
de 15 anos de idade? significa que ele também está numa posição in-
Os países com maior proporção de população com menos de termediária em relação à população idosa?
15 anos encontram-se em grande parte do continente africa-
no, em algumas partes do sul e sudeste da Ásia, Oriente Médio O importante é que o aluno chegue à se-
e Caribe. São países que em sua maioria apresentam baixo guinte constatação: existem, grosso modo,
desenvolvimento socioeconômico. De acordo com a legenda três grandes padrões no perfil populacional,
do mapa, os países com maior porcentagem de jovens com em termos de idade.
menos de 15 anos são: Níger, Uganda, RDC, Zâmbia e Burki-
na Faso. Os países com menor proporção de população com Para auxiliá-los nesta verificação, tendo
menos de 15 anos são: Canadá, China, Japão, Coreia do Sul, como base a tabela do Quadro 3, os alunos se-
Austrália, Cuba e nações europeias. Esses países apresentam guirão a análise dos mapas, agora de uma forma
melhores indicadores socioeconômicos. um pouco mais complexa a partir das questões:

b) No mapa que indica a população idosa, 2. Observe o quadro a seguir, que representa
quais são os países com maior e menor os padrões de perfil populacional, de acor-
porcentagem de população com mais de do com a correlação entre a distribuição da
65 anos de idade? população infantil e a população idosa.
No mapa que apresenta a situação dos países com maior
população com mais de 65 anos de idade ganham desta-
Porcentagem Porcentagem
Países de população de população
que países da Europa Ocidental, Canadá e Japão. Percebe-
infantil idosa
-se que esses países, que apresentam boa qualidade de vida,
Padrão 1 Elevada Baixa
estão no mesmo grupo dos países com menor porcenta-
Padrão 2 Moderada Moderada
gem de população infantil. Os países africanos, do Oriente
Médio e da Ásia Central, além de alguns países do Sudeste Padrão 3 Baixa Elevada
Asiático, são os que apresentam menor porcentagem de Quadro 3.

35
Com base nas informações do Quadro 3, questões para potencializar e sedimentar a
preencha a tabela a seguir (Quadro 4) listando três discussão, e que poderão ser utilizadas nas
países para cada padrão. Para tanto, consulte os situações de avaliação da aprendizagem.
mapas da Figura 9 e, se for o caso, o planisfério
político disponível no final do Caderno do Aluno. No Caderno do Aluno, na seção
O Quadro 4 apresenta alguns exemplos de países segundo os Pesquisa em grupo, sugerimos
padrões populacionais. que os alunos façam uma pes-
quisa com base nos questionamentos a seguir.
Países segundo os padrões
populacionais Em uma folha avulsa, deverão escrever um re-
latório que responda a essas perguntas.
Nome Continente
Nigéria África
Madagascar África f Os países tendem a permanecer com
Padrão 1 Ásia central sul esses padrões populacionais? Justifique.
Afeganistão (de acordo com
f Será que os países de Padrão 3, como
IBGE Países)
Brasil América do Sul
os da Europa Ocidental, já tiveram o
perfil populacional do Padrão 1? Nesse
Padrão 2 África do Sul África
Egito África
caso, pesquise os padrões populacio-
Japão Ásia nais europeus do século XIX e início
Padrão 3 Itália Europa do século XX.
Noruega Norte da Europa f É possível afirmar que, no caso euro-
Quadro 4. peu, de um passado de Padrão 1 houve
transição demográfica para o Padrão
3. Os padrões populacionais agrupam-se por
3, passando pelo Padrão 2?
regiões ou continentes do planeta? Comente.
f O Brasil enquadra-se em qual situa-
Os padrões populacionais são agrupados por regiões no
ção? Qual é seu padrão atual e em que
mundo, embora também possam ser agrupados por conti-
padrão se encontrava antes dos anos
nentes: na África, há predomínio do Padrão 1; na América do
1950? Estaria também acontecendo em
Sul, do Padrão 2; e na Europa Ocidental, do Padrão 3. Mas há
nosso país uma transição demográfica?
situações mais isoladas, que podem ser estudadas separada-
f Se há transição demográfica em anda-
mente, como a da Austrália em relação à Oceania.
mento no Brasil, quais seriam os fato-
res que a favorecem?
Fazer essa verificação e esse levantamento
nos mapas propiciará uma percepção direta
dessa geografia dos padrões populacionais. tOs países tendem a transitar do Padrão 1 para os Padrões
2 e 3. Essa transição é uma das faces do que nas sociedades
Após a identificação dos três padrões po- modernas designamos desenvolvimento. O que vai influen-
pulacionais, segundo as idades e a respectiva ciar as mudanças no padrão é o foco dos investimentos em
distribuição geográfica, sugerimos algumas educação, saúde e infraestrutura.
36
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

tA Europa Ocidental já teve características populacionais Sugerimos muita ênfase nessa constatação,
(alteração na estrutura etária da população dos países, tendo pois ela é um portal para ingressar na comple-
em vista a alteração nos índices de mortalidade e fecundi- xidade da vida humana no planeta.
dadeb) que se aproximavam do Padrão 1. Com o passar do
tempo, ela realizou sua transição demográfica em virtude Demonstrações muito conhecidas e objetivas
da progressiva diminuição das taxas de natalidade e morta- confirmam a relação padrão populacional ļ
lidade, combinada com o grande aumento na expectativa condições sociais.
de vida. No início do século XX, essas taxas eram muito mais
altas do que no final do mesmo século. Leitura e análise de mapa
tAtualmente, a Europa já terminou a sua transição demográ-
fica. Num primeiro momento, houve diminuição da morta- Antes, porém, com relação à Figura 11, vale
lidade, resultando em acelerado crescimento populacional. destacar que o Índice de Gini é um coeficiente
Posteriormente, houve desaceleração do crescimento de- que está compreendido no intervalo entre 0
vido à constante queda da natalidade e à manutenção dos e 1, sendo que quanto mais próximo do zero,
baixos índices de mortalidade. menor é a desigualdade de renda num país, ou
tO Brasil encontra-se em plena transição demográfica, si- seja, melhor a distribuição de renda, e quanto
tuando-se na Fase II. Antes da queda da taxa de crescimento mais próximo de um, maior a concentração de
populacional, a partir de 1950, encontrava-se na Fase I, com renda num país. No mapa da Figura 11, o Índice
altas taxas de natalidade e mortalidade. de Gini é apresentado em pontos percentuais
tA queda dos índices de fecundidade indica que está em (coeficiente x 100). Dando sequência à atividade,
andamento, no Brasil, uma transição demográfica. Essa que- a análise será conduzida pelas questões a seguir.
da resulta da intensificação da urbanização, de maiores es-
clarecimentos sobre o uso de contraceptivos, da crescente A partir da leitura dos mapas Expectativa
emancipação das mulheres etc. Fatores como esses podem de vida, 2009 (Figura 10) e Índice Gini de
ser tidos como sinalizadores de desenvolvimento social. renda, 1999 – 2009 (Figura 11), o que pode-
mos afirmar sobre:
Dessa identificação dos padrões popula-
cionais e de sua dinâmica (transição demo- a) a condição dos países de Padrão 1?
gráfica) é importante, neste momento, que os No mapa Expectativa de vida, 2009, muitos países do Padrão 1
alunos compreendam o seguinte aspecto: situam-se entre aqueles em que a expectativa de vida é infe-
rior a 58 anos de idade. No Indice Gini de renda, 1999-2009,
f Os padrões populacionais não são inde- os países de Padrão 1 também estão em má situação. Entre-
pendentes das condições sociais (econômi- tanto, eles estão junto com alguns países do Padrão 2, como
cas, geográficas, culturais, políticas etc.). é o caso do Brasil.

b
Fonte: Conceitos básicos de Demografia. Disponível em: <http://www.abep.nepo.unicamp.br/docs /outraspub/
demoedu/parte1cap1p13a44.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2014.

37
b) a condição dos países de Padrão 2? c) a condição dos países de Padrão 3?
O Padrão 2 encontra coerência nas duas representações: os Os melhores índices de esperança de vida, assim como uma
países desse padrão encontram-se em situação intermediá- distribuição de renda mais equitativa, serão notados no Padrão
ria. Uma exceção é o Brasil, cuja distribuição de renda é uma 3. Logo, existe relação entre os padrões demográficos, a quali-
das piores do mundo. dade de vida e as estruturas econômicas mais igualitárias.

Figura 10 – Expectativa de vida, 2009. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Mapa original.

38
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Figura 11 – Índice Gini de renda, 1999-2009. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Mapa original.

Certamente, a evidência da relação pa- sociais num “país jovem”. Aqui é o caso de re-
drões populacionais ļ condições sociais será lembrar o senso comum trabalhado na etapa
importante a todos. prévia e as opiniões que os alunos apresenta-
ram (sobre as vantagens de sermos um “país
Para encerrar esta etapa, falta pensar jovem”).
nas consequências sociais dos padrões popu-
lacionais. Até aqui foi demonstrado que as A seguir, alguns elementos pertinentes que
condições sociais interferem nos padrões po- poderão ser levantados, entre outros:
pulacionais. Neste momento, sugerimos, com
toda ênfase, inverter a questão: f O mundo do Padrão 1 é também aquele de
pior expectativa de vida, de muitas desigual-
E como os padrões populacionais interferem dades sociais, países e regiões pobres. Certas
nas condições sociais? situações semelhantes são encontradas nos
países de Padrão 2, como no caso do Brasil
Tendo bem sedimentado o que é o Padrão 1 (ver Figura 11).
(uma grande parcela de população infantil em f Nesses países (Padrão 1 e parcialmente Pa-
relação ao total), sugere-se levar os alunos a drão 2), as necessidades de escolas, centros
pensar a respeito das tarefas sociais que devem de saúde e empregos são históricas e crescen-
ser executadas para se conseguir boas condições tes, em razão do elevado número de jovens.

39
Os Estados desses países devem fazer gran- aprender. São vários os aspectos que devem
des investimentos para atender a essas carên- ser notados:
cias, mas justamente nesses países os Estados – O Estado brasileiro está pouco prepara-
têm poucas condições para investir e ainda do, e a discussão a respeito não tem sido
não se construiu alternativa razoável para feita de forma realista e criativa, para
compensar essa fragilidade. Essa situação arcar com as obrigações financeiras das
de insuficiência de investimentos alimenta a aposentadorias.
desesperança de uma juventude que está sem – Novas estruturas precisam ser providen-
formação, desempregada e exposta aos riscos ciadas no campo da saúde e da assistência
à saúde (além disso, há os casos de gravidez ao idoso sem família.
indesejada e a exploração sexual). Esses ele- – As cidades devem contemplar em suas
mentos ampliam o desejo de emigração para políticas urbanas uma série de serviços e
outras localidades e, ao mesmo tempo, estão situações para dar condições dignas de
na base da degradação social. vida aos idosos. O espaço geográfico das
f O envelhecimento da população, como con- cidades deve ser preparado para a plena
sequência da transição demográfica, traz locomoção do idoso e todos os cidadãos
também suas questões para os países que se ganharão com isso. Eles não podem ficar
encontram no Padrão 3 e parcialmente para confinados em suas casas e abrigos, não
o Padrão 2. A não renovação das gerações podem ficar apartados da vida social e, na
(em razão do envelhecimento da população medida do possível, devem ter vida priva-
e do encerramento das imigrações) interfere da e social.
no processo econômico e aumenta as obriga- – É preciso combater os preconceitos so-
ções éticas dos Estados com aposentadorias ciais que vitimam os idosos, que tratam a
para um grande número de pessoas, que vive velhice como doença, como um estado de
em média mais de 20 anos depois de encer- alienação e incapacidade.
rar sua vida ativa. As previsões são de que
as despesas ligadas às aposentadorias irão Leitura e análise de texto
dobrar no Japão, em um futuro próximo, e
representarão 15% do PIB da Alemanha (cf. Mas nosso aprendizado já começou. Em
o
DURAND, M.-F. et al., 2006. p. 25), o que é 1 de outubro de 2003, entrou em vigor a Lei
um volume extraordinário de recursos. no 10.741, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso.
f O envelhecimento da população também Somente a lei não basta, mas ajuda muito. Su-
é, obviamente, uma conquista social, pois gerimos a apresentação do trecho inicial dessa
está associado ao aumento da expectativa lei aos estudantes; oriente a leitura e, se achar
de vida. Mas coloca uma questão importan- pertinente, proponha uma leitura dos vários ar-
te em um país como o Brasil: não sabemos tigos do Estatuto, solicitando que grupos dife-
conviver com esse novo fenômeno e é preciso rentes exponham o que entenderam.

40
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Estatuto do Idoso f No Brasil, sabemos conviver com o novo


fenômeno do crescimento da expectativa
Disposições preliminares de vida?
Art. 1o É instituído o Estatuto do Idoso, f Quais são os argumentos para criticar os
destinado a regular os direitos assegurados que consideram a velhice como doença,
às pessoas com idade igual ou superior a 60 como um estado de alienação e de inca-
(sessenta) anos. pacidade? Explique.
f Quais são as estratégias possíveis para
Art. 2o O idoso goza de todos os direitos
garantir qualidade de vida aos idosos?
fundamentais inerentes à pessoa humana,
f Nossas cidades estão preparadas para
sem prejuízo da proteção integral de que
garantir acessibilidade digna aos nos-
trata esta Lei, assegurando-se-lhe, por lei ou sos idosos? Como assegurar que eles
por outros meios, todas as oportunidades e não fiquem confinados em suas casas?
facilidades para preservação de sua saúde Explique.
física e mental e seu aperfeiçoamento mo- f Recentemente, criou-se a lei em benefício
ral, intelectual, espiritual e social, em condi- do idoso. O que você acha dessa iniciati-
ções de liberdade e dignidade. va? Você reparou como a data de sua pro-
mulgação é recente? O fato de contarmos
Art. 3o É obrigação da família, da comu-
com essa lei significa que os problemas
nidade, da sociedade e do Poder Público as-
dos idosos terminaram?
segurar ao idoso, com absoluta prioridade,
a efetivação do direito à vida, à saúde, à ali-
mentação, à educação, à cultura, ao esporte, O Brasil vive o estágio de transição demográfica entre o Pa-
ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberda- drão 2 e o Padrão 3, o que significa um aumento do número
de, à dignidade, ao respeito e à convivência de idosos no país, consequência de uma maior esperança de
familiar e comunitária. [...] vida. Esse aumento é um fenômeno novo no Brasil. Há, ainda,

Fonte: BRASIL. Casa Civil da Presidência da Repú-


a necessidade de políticas públicas para garantir qualidade
blica. Lei no 10.741, 1 o out. 2003. Disponível em: de vida aos idosos e para aumentar a infraestrutura e a rede
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/
L10.741.htm>. Acesso em: 26 nov. 2013. de assistência para as pessoas com mais de 60 anos.
t 5PEPTUFOEFNPTBDIFHBSËWFMIJDF QPJTFTTBÏVNB
Para que os alunos reflitam criticamente condição humana. Ser velho não implica estar doen-
sobre o contexto brasileiro no qual se in- te nem incapacitado. Se nessa fase houver cuidados
sere o Estatuto do Idoso, sugerimos que com a saúde, se os idosos receberem aposentadorias
elaborem, em seu caderno, um texto sobre dignas e tiverem opções de se manter ativos, eles te-
a questão do idoso no Brasil. Os questiona- rão qualidade de vida. É importante ressaltar que o
mentos a seguir podem auxiliá-los em suas convívio social é imprescindível para que permane-
redações. çam ativos e inseridos socialmente.

41
t 1BSBPTJEPTPTWJWFSFNCFNÏQSFDJTPRVFPTFTQBÎPTEBT vimentos atingindo escala mundial, como se tem
cidades sejam seguros, que haja disponibilidade de rede
no exemplo da imigração japonesa para o Brasil.
de transporte eficiente e gratuita, locais específicos para
o convívio e práticas de atividades físicas e de lazer, assis-
tência médica etc. De acordo com a Organização Internacional
t /PTTBT DJEBEFT OÍP FTUÍP QSFQBSBEBT QBSB HBSBOUJS B
para as Migrações (OIM), estimava-se em 2010
acessibilidade aos idosos: as calçadas são perigosas, no que havia mais de 214 milhões de migrantes no
trânsito corre-se risco etc. É muito importante garantir a mundoc. Trata-se de um grande contingente
acessibilidade aos idosos, pois eles não podem ficar con- populacional que migra de seu local de origem
finados em casa, sem atividade, pois isso piora muito a
para fugir de situações de conflito, de fome, ou
qualidade de vida deles.
para buscar outras condições de vida.
t .FTNPDPNP&TUBUVUPEP*EPTP PTQSPCMFNBTSFMBUJWPTB
eles estão longe de ser resolvidos. Entretanto, a lei é ine- Considerando esse contexto, vale resgatar
gavelmente um avanço, pois agora há uma base legal por
duas afirmações da etapa anterior.
meio da qual podemos exigir ações das autoridades e polí-
ticas públicas mais eficientes e dignas para os idosos.
f A desesperança dos jovens é um fator mo-
tivador importante do desejo de migrar
Etapa 2 – O impasse das migrações
para outras realidades. Isso acontece com
internacionais jovens africanos que buscam viver nos
Você pode começar com um comentário países europeus e nos EUA e com jovens
que introduz a questão da imigração. Eis uma latino-americanos (brasileiros, inclusive)
sugestão: que lutam por participar do sonho ame-
ricano (de migrar para os EUA).
Entender o povoamento de uma região im- f Os países europeus não estão renovando
plica conhecer algo muito importante na dinâ- gerações porque sua população está enve-
mica atual: os movimentos migratórios. O ser lhecendo, a migração está praticamente
humano não nasce, vive e morre necessariamente encerrada. Há imigrantes novos na Eu-
no mesmo lugar. Cada vez mais o ser humano ropa, certamente. Porém, essa imigra-
tem aumentado sua mobilidade e, em função ção nem sempre é desejada e por isso
o fluxo não é tão expressivo. Afinal, os
dessa nova condição e outras mudanças sociais,
países europeus não têm uma política
sua vida se desenvolve com outras possibilidades
deliberada de atração de imigrantes.
geográficas: pode nascer num lugar e viver em vá-
rios lugares diferentes: o ser humano pode migrar.
Essa contradição pode ser o fio condutor de
Os movimentos migratórios estão na origem uma proposta de trabalho de grande interesse,
e formação, por exemplo, dos países das Améri- sobre o estado geral das migrações internacionais.
cas. Os séculos XIX e XX foram os períodos de A contradição fica maior se levarmos em conta
maiores movimentos migratórios, com esses mo- que atualmente, pelo menos tecnicamente, é
c
World Migration Report, 2010. p. 115. Disponível em: <http://publications.iom.int/bookstore/free/WMR_2010_
ENGLISH.pdf>. Acesso em em: 16 jan. 2013.
42
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

mais fácil migrar, a mobilidade humana é maior, Aluno, na seção Desafio!. Além da elaboração
as distâncias não são mais intransponíveis etc. do mapa, propomos também uma pesquisa so-
bre os sistemas migratórios, conforme segue:
O que sugerimos é uma atividade que articu-
lará a leitura de uma tabela com a elaboração de Reunidos em grupos os alunos deverão
um mapa, conforme proposto no Caderno do examinar o Quadro 5.

Cinco principais corredores de migrantes em cada uma das quatro rotas de migração, usando a
classificação do Banco Mundial, 2010

S-N Origem Destino Número de % do total S-N migrantes


migrantes
1 México Estados Unidos 12 189 158 12,8
2 Turquia Alemanha 2 819 326 3,0
3 China Estados Unidos 1 956 523 2,1
4 Filipinas Estados Unidos 1 850 067 1,9
5 Índia Estados Unidos 1 556 641 0,7
N-N Origem Destino Número de % do total N-N migrantes
migrantes
1 Alemanha Estados Unidos 1 283 108 4,0
2 Reino Unido Austrália 1 097 893 3,5
3 Canadá Estados Unidos 1 037 187 3,0
4 República da Coreia Estados Unidos 1 030 561 2,8
5 Reino Unido Estados Unidos 901 916 2,5
S-S Origem Destino Número de % do total S-S migrantes
migrantes
1 Ucrânia Federação Russa 3 662 722 4,9
2 Federação Russa Ucrânia 3 524 669 4,7
3 Bangladesh Butão 3 190 769 4,2
4 Casaquistão Federação Russa 2 648 316 3,5
5 Afeganistão Paquistão 2 413 395 3,2
N-S Origem Destino Número de % do total N-S migrantes
migrantes
1 Estados Unidos México 563 315 7,8
2 Alemanha Turquia 306 459 4,3
3 Estados Unidos África do Sul 252 311 3,5
4 Portugal Brasil 222 148 3,1
5 Itália Argentina 198 319 2,8
Fonte: Cálculos do IOM, baseados em UN DESA, 2012,b
Nota: Dois fluxos migratórios foram excluídos desse ranking: China para Hong Kong, China (ranqueado em
terceiro no Sul-Norte) e movimentos de Porto Rico para os Estados Unidos (primeiro no Norte-Norte).

Quadro 5 – Cinco principais corredores de migrantes em cada uma das quatro rotas de migração, usando a classificação do Banco
Mundial, 2010. Fonte: World Migration Report, 2013. p. 62. Disponível em: <http://publications.iom.int/bookstore/free/WMR2013_
EN.pdf>. Acesso em: 16 jan. 2014. Tradução: Eloisa Pires.

43
1. A partir do mapa mudo, disponível no Ca- 2. Na sequência, os alunos deverão escolher
derno do Aluno, e tendo como referência um dos corredores migratórios apresenta-
o planisfério político disponível no final dos no quadro e fazer uma pesquisa sobre
do Caderno, os alunos farão um mapa dos ele levantando dados sobre os fatores que
fluxos migratórios. A seta de fluxos deverá motivaram e/ou motivam os fluxos migra-
indicar a origem e o destino dos migrantes. tórios.
Atenção, é importante que cada um elabo- Além de apresentar dados sobre os diversos fluxos migratórios,
re o seu próprio mapa, para exercitar o en- os grupos devem acrescentar no seu relatório os eventuais
tendimento sobre a linguagem problemas e conflitos existentes no fluxo que estão estudan-
Observe que a tabela do Quadro 5 extrapola a leitura tradi- do. Por exemplo: no fluxo México A EUA, há sérios problemas,
cional acerca dos processos migratórios que ocorreram so- pois boa parte dessa imigração é ilegal, os imigrantes correm
bretudo na segunda metade do século XX, e que indicavam grandes riscos para atravessar as fronteiras dos EUA e, se bem-
uma tendência dos fluxos migratórios no sentido Sul-Norte. -sucedidos, continuam se arriscando na sua futura vida.
Nessa tabela, organizada pela Organização Internacional Por fim, vale destacar que os números relacionados aos
para Migrações, foram destacados quatro principais corre- processos migratórios também permitem elucidar o deba-
dores migratórios contemporâneos, a partir da classificação te sobre a formação da população mundial, que não pode
que o Banco Mundial faz dos países pertencentes às regiões ficar restrito aos dados estatísticos de contagem da popula-
Norte e Sul, que revelam a complexidade dos processos mi- ção, por exemplo, como veremos na próxima Situação de
gratórios: sistema S-N, sistema N-N, sistema S-S, sistema N-S. Aprendizagem.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
POPULAÇÕES E CULTURA: MUNDO ÁRABE E
MUNDO ISLÂMICO
Os volumes populacionais contêm in- cionamento das populações: suas práticas
ternamente uma complexidade que as culturais. O caso que servirá de ilustração re-
estatísticas nem sempre apreendem. As ca- fere-se ao mundo árabe ĺ mundo islâmico. As
racterísticas sociais dos grupos populacio- práticas culturais constituem-se como elemen-
nais, assim como as condições econômicas, tos que produzem diversidade entre as popu-
as formas de organizar e operar a partir do lações e diversidade nos comportamentos.
espaço geográfico e as práticas culturais
interferem na lógica de funcionamento das po- Por outro lado, olhar a dinâmica das práti-
pulações, inclusive no seu crescimento e na sua cas culturais, suas influências, o modo como se
distribuição geográfica. expandem, auxilia-nos também a compreen-
der a própria dinâmica de povoamento das
Nesta Situação de Aprendizagem, vamos várias regiões do planeta e a dinâmica das re-
destacar um dos aspectos relevantes no fun- lações contemporâneas entre os povos.

44
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Conteúdos: cultura (religião) e espaço; organização espacial e circulação; expansionismo


geográfico.

Competências e habilidades: associar as realidades próprias (geográfico-culturais) às realidades


dos outros.

Sugestão de estratégias: exposição das formas geográfico-culturais de divisão regional do


globo; exercício de associação das grandes religiões do mundo às suas localizações geo-
gráficas; reflexão comparativa sobre as peculiaridades do islamismo e do cristianismo com
as outras religiões do mundo; reflexão, a partir de texto, sobre a lógica geográfica do isla-
mismo.

Sugestão de recursos: tabelas de dados; atlas geográfico; aulas dialógicas.

Sugestão de avaliação: associação de informações estatística a mapas (a localização geográfi-


ca); pesquisa de aprofundamento.

Etapa prévia – Sondagem inicial e 1. O que você acha que significa cada uma
sensibilização dessas expressões?
tMundo ocidental: seu núcleo é a Europa Ocidental. A dife-
Para iniciar essa Situação de Aprendiza- rença entre Hemisfério Ocidental (marcado pelo meridiano
gem, sugerimos um exame acerca de algumas de Greenwich) e o mundo ocidental (designação menos rí-
referências geográfico-culturais para a divisão gida) é que esse último estende-se também a leste do meri-
regional do mundo, listadas a seguir. Essa lista diano de referência, como é o caso de boa parte da Europa.
está disponível no Caderno do Aluno na seção tOriente Médio: anteriormente chamado de Oriente Pró-
Para começo de conversa, e o exame da mesma ximo, é composto de: Turquia, Chipre, Líbano, Israel, Síria,
é orientado a partir das questões a seguir. Jordânia, Irã, Iraque, Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita,
Iêmen, Omã e Emirados Árabes Unidos. Devido a questões
Examine os nomes desta lista. históricas e culturais, alguns autores consideram o Afeganis-
tão como parte do “Grande Oriente Médio”, apesar da sua
f Mundo ocidental localização geográfica na Ásia Central.
f Oriente Médio tExtremo Oriente: Japão, China e as Coreias são o núcleo
f Extremo Oriente dessa região.
f Mundo cristão
tMundo cristão: área de expansão do cristianismo, cujo nú-
f Mundo árabe
cleo é o mundo ocidental, que vai além da Europa, pois soma
f Mundo islâmico (o Islã)
também as Américas e parte da África.

45
tMundo árabe: coincide com grande parte do Oriente países a essas religiões por meio das seguintes
Médio, incluindo também a África, principalmente a região questões:
norte (Egito, Líbia, Tunísia, Marrocos, Argélia).
tMundo islâmico (o Islã): área de expansão do islamismo, 1. Complete a tabela a seguir (Quadro 6), citan-
que vai além do Oriente Médio e que está presente em paí- do os países/regiões em que os praticantes de
ses da Ásia Central, Indonésia e Norte da África. cada uma das religiões são majoritários.

Principais religiões do mundo, 2010


2. A quais desses “mundos” você pertence?
Justifique. Religião Adeptos Países/regiões
A população brasileira, de modo geral, pertence ao mundo Europa Ocidental
Cristianismo 2,2 bilhões e Américas
ocidental e ao mundo cristão. O Brasil está no Hemisfério
Países árabes, Irã
Ocidental, área de expansão do cristianismo, que é um traço Islamismo 1,6 bilhão e Indonésia
cultural forte de nossa formação.
Hinduísmo 1 bilhão Índia

Budismo 500 milhões Tibet


3. Qual é o tamanho do mundo cristão? Como
Israel, Estados
ele se constituiu? Judaísmo 14 milhões Unidos e Europa
O mundo cristão se confunde com o Ocidente. A expansão Quadro 6 – Principais religiões do mundo, 2010. Fonte
de dados: Pew ResearchReligion & Public Life Project.
cristã data do Império Romano e se alastrou por todo o Oci-
Disponível em: <http://www.pewforum.org/2012/12/18/
dente. A Igreja Católica Apostólica Romana, principal força global-religious-landscape-exec/>. Acesso em: 19 fev. 2014.

do cristianismo, durante séculos moldou a mentalidade e a


cultura no Ocidente. 2. Considere as religiões listadas na questão an-
terior e outras que você tenha conhecimento.
Etapa 1 – A lógica expansionista do
islamismo a) Pode-se afirmar que todas são nacionais,
ou seja, pertencem e são praticadas em
Você pode iniciar o tema chamando um único país (ou em poucos países)?
atenção sobre alguns dados relativos às Esta questão explora a competência leitora e de cor-
práticas religiosas da população mundial, relação entre dados. Mobilizadas essas competências,
comuns quando se discutem questões po- espera-se que a partir da leitura dos dados da tabela e
pulacionais, e para alguns aspectos da sua considerando os dados sobre população que foram tra-
lógica geográfica. balhados nas Situações de Aprendizagem anteriores, os
alunos concluam que os grandes grupos religiosos não se
Leitura e análise de tabela restringem a um único território nacional.

Observe a tabela do Quadro 6. Na sequên- b) Existem religiões que podem ser ca-
cia da apresentação desses números, seria con- racterizadas como multinacionais?
veniente averiguar como os alunos associam Quais? Justifique suas respostas.

46
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Boa parte das religiões é multinacional, como o cristia- Uma lista dos países que possuem as
nismo e o islamismo. Mas há também religiões nacionais, maiores populações muçulmanas (Quadro
como o hinduísmo (praticamente restrito à Índia). 7), com dados divulgados pela CIA (esta-
dunidense), pode começar a responder essa
3. A partir dos dados populacionais que questão. Os alunos poderão observar essa
vimos nas Situações de Aprendizagem lista tendo como apoio o planisfério dispo-
anteriores, podemos afirmar que os nível no final do Caderno.
países/regiões que possuem as maiores
populações do mundo são aqueles nas Leitura e análise de tabela
quais predominam as maiores religiões
do mundo? Justifique. Novamente, com a intenção de possibi-
Não. China e Índia, os países mais populosos do mun- litar aos alunos o exercício com a lingua-
do, praticam religiões mais ou menos restritas aos seus gem cartográfica, propomos, no Caderno
territórios. Elas não se expandiram para outras localida- do Aluno, uma atividade de elaboração de
des e, por isso, não são maiores que o islamismo e o mapa seguida de algumas questões que ex-
cristianismo. ploram o dado total da tabela e permitem
que os alunos façam inferências a partir
Em seguida, propomos uma reflexão so- desses mesmos dados e do conteúdo desen-
bre essa realidade encontrada, tendo como volvido durante a aula.
referência o que foi assinalado antes: é cos-
tume referir-se ao universo de pessoas que Países com maiores populações
seguem o islamismo e o cristianismo como islâmicas
Mundo islâmico e Mundo cristão. Mundo é Países Islâmicos (em milhões)
mais que país. Quer dizer:
Indonésia 216,3

Nessa realidade e nessa forma de se ex-


Paquistão 186,3
pressar, está embutida a ideia de que o Índia 163,6
cristianismo e o islamismo são religiões ex- Bangladesh 146,5
pansionistas. Afinal de contas, China e Índia Nigéria 87,3
possuem as maiores populações e seria de se
Turquia 80,5
esperar que suas religiões fossem as maiores
do mundo. Entretanto, perdem, em número Irã 78,3
de adeptos, para aquelas religiões que são Egito 76,8
praticadas em vários países ao mesmo tempo. Total 1035,6
Seria interessante, neste momento, ver qual
Quadro 7 – Países com maiores populações islâmicas. Fonte de
a distribuição geográfica do islamismo: Será dados: CIA. The world factbook. Disponível em: <https://www.
cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fields/2122.
que ele está bem distribuído no planeta? html#ch>. Acesso em: 13 jan. 2013 (valores aproximados).

47
1. No mapa mudo, disponível no Caderno do 4. Quem são os árabes e em quais países
Aluno, eles deverão representar essas popu- predominam?
lações nas respectivas áreas dos países com Os árabes são as populações que habitam o Oriente Mé-
círculos proporcionais (o maior para a Indo- dio e a África do Norte (ou Setentrional). Recebem este
nésia e o menor para o Egito) e assinalar no nome por terem se originado na Península Arábica e por
interior deles o número de muçulmanos. Su- terem características culturais comuns.
gerimos que use como modelo o mapa Popu-
lação dos Estados e territórios, 2010 (Figura 5. Na lista dos oito países que têm maior po-
3) para produzir os círculos proporcionais. pulação islâmica, quantos são árabes?
A proposta aqui é a produção de um mapa quantitativo Apenas o Egito. Os países árabes terminam não sendo
com a distribuição dos praticantes do islamismo em oito muito populosos, entre outras razões, pela condição de

países. A ideia é fazer primeiro um círculo maior para a seus territórios serem dominados por um grande deser-
1
Indonésia e, então, com o auxílio da regra de três, calcu- to. Os árabes, na verdade, representam cerca de dos
5
lar o diâmetro dos outros círculos, proporcionalmente. muçulmanos do mundo. Mas, o islamismo, que é criação
É importante visualizar essa distribuição, que dará uma árabe (e que em si já possui muitos elementos da cultu-
ideia da expansão dessa religião ao longo de séculos. ra árabe propriamente dita), é o principal fenômeno de
identidade cultural de uma vasta região que inclui Paquis-
2. Se o total de adeptos do islamismo no tão, Afeganistão, Bangladesh, Irã – que constituem uma
mundo é de, aproximadamente, 1,6 bilhão, espécie de Oriente Médio expandido. Isso mais imedia-

qual é a porcentagem que esses oito países tamente, pois como os dados mostram, essa influência

da tabela representam desse total? chegou ao oeste da África e ao leste asiático (Filipinas e
Indonésia).
Somando a população islâmica desses oito países e, de-
pois, calculando o quanto isso significa em relação ao
total, vamos chegar a 64,7% dos muçulmanos. Depois do que se apresentou de dados e
do que se observou sobre a localização geo-
3. Islâmicos ou muçulmanos são designa- gráfica das populações islâmicas, é preciso
ções associadas aos povos árabes? O que agora apresentar aos estudantes um comen-
você sabe sobre isso? tário fundamental: nos territórios árabes
É comum associar o árabe ao islamismo, pois Maomé nas- não se encontra a maioria da população
ceu em Meca (Arábia Saudita) e foi o fundador da religião, islâmica, cerca de 1 5 . Será então que a ci-
que passou a se expandir a partir da Península Arábica. Isla- vilização árabe ficou menos importante no
mismo e mundo árabe, portanto, têm uma ligação histórica mundo islâmico? A resposta é não, muito
e de formação. Porém, o islamismo tem duas vertentes dis- pelo contrário.
tintas, os xiitas e os sunitas, e se distribuiu por vários países,
alguns além do mundo árabe (composto de Oriente Médio Nem tudo o que é ligado aos grupos po-
e países da África do Norte). pulacionais humanos depende da quanti-

48
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

dade. O centro do Islã é ainda a civilização Leitura e análise de imagem e texto


árabe. O território árabe e a cidade de Meca
são as conexões geográficas para onde ainda Esta discussão pode ser concluída com al-
todos vão e de onde tudo partiu. gumas questões que mobilizam a leitura de
imagem e que permitem aos alunos sistemati-
No mundo católico cristão também não é zar o que foi discutido até aqui. Dessa forma,
assim? O Brasil é o país católico mais popu- propomos a seguinte sequência de atividades,
loso, mas não é aqui o centro principal dessa presente no Caderno do Aluno.
prática religiosa.
1. Observe a imagem a seguir.

© Mohamed Messara/Epa/Corbis/Latinstock

Figura 12 – Muçulmanos do mundo inteiro visitam Meca periodicamente, no centro do mundo árabe, fenômeno que não tem
correspondente nem mesmo no catolicismo, outra grande religião multinacional.

a) Faça uma descrição da imagem conside- se realiza uma série de cerimônias, é anterior ao isla-
rando todos os aspectos retratados. mismo, pois era símbolo sagrado de práticas religiosas
Essa imagem é da cidade de Meca e retrata a pere- antigas. Quando Maomé unificou os povos no islamis-
grinação de islâmicos oriundos de outros países que mo, determinou que a Caaba se tornasse um centro de
vão a Meca. O cubo negro (Caaba), em torno do qual peregrinação.

49
b) O que a cidade de Meca, na Arábia Saudi- os árabes encontravam sua forma de pra-
ta, significa para a religião islâmica? ticar economia, de realizar riqueza.
Meca é a cidade onde nasceu o profeta Maomé. Como prin-
cípio religioso, estabeleceu-se a obrigatoriedade de os pra- Assim, não era dominando territó-
ticantes que tiverem condições irem a Meca ao menos uma rios que esse povo encontrava sua for-
vez na vida, o que explica as grandes peregrinações.
ça, mas sim controlando os caminhos,
as rotas, as vias e os meios de transpor-
c) No mundo cristão há algum lugar que
te. Logo, essa lógica geográfica lançou
tenha a mesma importância religiosa de
os árabes muçulmanos, comerciantes e
Meca para os islâmicos? Justifique.
Há o Vaticano, sede eclesial do catolicismo. Trata-se de
guerreiros nômades ao encontro de ou-
uma área muito visitada pelos cristãos católicos. Entre- tros centros de civilização, por terra ou
tanto, na doutrina católica não há obrigatoriedade de pelo mar. Lançou-os em um período de
visitá-la, como para os seguidores de Maomé. Há tam- conquistas e de exercício de influência
bém centros de peregrinação regionais em cada país. que terminou expandindo, num passado
Mas esse não é um fato central no cristianismo, como o mais ou menos recente, o islamismo por
é no islamismo. uma vasta região do planeta.

2. Leia o texto. Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o


São Paulo faz escola.

Como se expandiu o islamismo

Como se deu a expansão do islamismo a


O islamismo nasceu e organizou-se em partir do mundo árabe?
sociedade entre os árabes. Estes viviam Parte significativa da expansão se deu por meio das ro-
em tribos no litoral e no interior da Pe- tas comerciais. Os árabes eram comerciantes e também
nínsula Arábica, que é um grande deserto. se organizavam para saquear quem usasse suas rotas.
As características geográficas do deserto O islamismo incorporou-se à vida dos grupos tribais nô-
pesavam sobre a organização dos espaços mades e dos comerciantes árabes, que expandiram a re-
dessas tribos. O espaço não era em si um ligião para áreas extensas, organizando, posteriormente,
recurso; afinal, como produzir ali? Ha- exércitos e promovendo conquistas. O islamismo chegou
via descontinuidade nas áreas povoadas. por esses caminhos até a Europa e permaneceu na Penín-
Justamente na troca, no comércio de bens, sula Ibérica por mais de 700 anos.

50
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 5
CIDADES: ESPAÇOS RELACIONAIS, ESPAÇOS DE CONEXÃO

Nesta Situação de Aprendizagem, procu- outra escala geográfica, com outras cidades,
ra-se trabalhar conceitualmente, e também na com outras culturas, com o mundo.
prática, os significados e os efeitos sociais da
configuração espacial que é a cidade. As cida- Nas cidades, os seres humanos aglomeram-
des são espaços relacionais por excelência, nas -se e diminuem as distâncias entre si, mas, ao
quais se produziu e se produz o fundamental mesmo tempo, conectam-se e associam-se a
dos elementos estruturadores do mundo mo- espaços distantes. Elas são, portanto, a antí-
derno, incluindo o campo da cultura, em seu tese do isolamento geográfico. As caracterís-
sentido mais amplo. Não são apenas espaços ticas essenciais, em especial as das grandes
que promovem relações no seu interior, mas que cidades, serão buscadas e trabalhadas durante
conectam seus habitantes a redes sociais de esta Situação de Aprendizagem.

Conteúdos: cidade; urbano; espaço relacional; isolamento geográfico; conexão; trocas e víncu-
los entre escalas geográficas diferentes; cidades globais; redes geográficas.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da lingua-


gem cartográfica, como meio de visualização da geografia do urbano; selecionar, organizar
e relacionar informações extraídas de uma metrópole, como meio de interpretação de outras
realidades; identificar e distinguir realidades na escala mundial e as mudanças de percepção
com as mudanças de escala; identificar e distinguir configurações espaciais diferentes como
redes geográficas de cidades globais; comparar realidades geográficas diversas para perceber
que certas configurações permitem maior conexão com outras escalas e com a escala mundial
do que outras.

Sugestão de estratégias: uso e problematização da cartografia como forma de apresentação das


cidades; construção de quadro de características das cidades voltadas para as relações com ou-
tras escalas; aplicação do quadro em situações concretas; proposição de exercício cartográfico
para a localização das cidades globais; exposição da relação consumo-cidade; exposição e in-
terpretação cartográfica sobre a expansão de uma rede mundial símbolo do consumo urbano;
aulas dialógicas.

Sugestão de recursos: mapas; textos.

Sugestão de avaliação: observação e interpretação dos mapas; processo de construção partici-


pativa de quadros analíticos; aplicação em grupo de quadro analítico em situações concretas.

51
Etapa prévia – Sondagem inicial e Após questionar os estudantes sobre o que
sensibilização é cidade, você deve registrar as respostas na
lousa por intermédio de palavras-chave que
Embora pareça muito óbvio e banal, lançar certamente vão aparecer (talvez seja preciso
para uma classe de estudantes a questão sobre algum exemplo inicial). É provável que apare-
o que é uma cidade pode ser muito interessante. çam palavras e expressões como: concentração,
Algumas surpresas podem surgir. A despeito aglomeração, muita gente junta, lugar que tem
da familiaridade com essa configuração espa- muitas coisas, lugar que tem confusão etc.
cial, é comum encontrarmos dificuldade para
discursar a respeito. Sobre a cidade, vive-se o O que propomos na sequência é que você
mesmo impasse que o filósofo católico Santo comente as palavras e as expressões, chamando
Agostinho (354-430) mencionava quando o a atenção para o fato de que, na maioria delas,
tema era o tempo. Dizia ele algo assim: “O há um componente espacial: concentração,
tempo... se não me perguntam sei o que é, mas muita gente e objetos em direção a um cen-
se me perguntam... já não sei mais”. tro, a um único ponto do espaço; aglomeração
tem o mesmo sentido; muita gente junta, lugar
Normalmente, esse tipo de situação ocorre que tem muitas coisas são formas comuns de se
quando estamos diante de fenômenos que, de referir à aglomeração e à concentração; lugar
tão presentes em nossas vidas, não são mais que tem confusão já é uma afirmação que ava-
alvo de nossa atenção, porque evidentemente lia o ajuntamento no espaço como algo difícil
já o conhecemos. Isso ocorre com o tempo, de ordenar, logo, a bagunça.
com o espaço, com o rural, com o urbano e
com a cidade, por exemplo. Mas o que sabe- Dessa forma, na seção Para Começo de
mos? Como sondagem inicial, sugerimos que conversa, propomos duas questões que le-
você faça esse teste com seus alunos e cheque vam os alunos a refletir sobre o que enten-
o que eles sabem e como discursam sobre esse dem acerca da concentração, de um lado, e
fenômeno geográfico complexo que é a cidade. da dispersão, de outro lado, dos fenômenos
geográficos.
E por que isso é importante? Porque, ape-
sar de imersos nessa configuração espacial 1. O que é cidade? Qual é o significado da pa-
que é a cidade, muito dos seus sentidos e de lavra “urbano”?
sua força em nossa vida escapam de nossas Cidade é uma aglomeração de pessoas, objetos, negócios e
consciências. Como a Geografia é uma dis- atividades em determinado espaço físico, buscando a maior
ciplina que volta sua atenção às lógicas es- proximidade possível. Para o IBGE, são consideradas cidades
paciais que percorrem nossas sociedades, ela as sedes administrativas dos municípios e dos distritos. A pala-
tem a responsabilidade de trazer à luz o que vra “urbano” foi, durante muito tempo, sinônimo de “cidade”.
essas lógicas escondem. Hoje, entretanto, seu conceito abrange uma realidade mais

52
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

ampla. Os espaços urbanos são aqueles que possuem densi- Etapa 1 – Abrindo a caixa-preta das
dade demográfica e diversidade de atividades/objetos sempre cidades
maior que os espaços não urbanos (espaços rurais); praticam
um modo de vida originário na cidade, mesmo que esse es- Leitura e análise de mapa e texto
paço não seja uma cidade propriamente dita – subúrbios
afastados e com alguma dispersão, zonas agrícolas modernas Após a sondagem inicial, esta Situação
(agrobusiness). Atualmente, fala-se em sistema urbano, cujo de Aprendizagem prossegue com algo bem
ingrediente principal é a cidade, núcleo dos espaços urbanos. simples: a observação atenta do mapa do
Estado de São Paulo, com suas principais
2. Concentração, aglomeração e ajuntamen- cidades assinaladas (Figura 13).
to são formas espaciais que diminuem a
distância entre as pessoas e os objetos. Para iniciar esta etapa, você pode
Quais são os significados de expansão, perguntar se todos reconhecem o mapa.
dispersão e espalhamento? Espera-se que a resposta seja afirmativa. A
Expansão, dispersão e espalhamento significam criar e am- leitura do mapa pode ser conduzida a partir
pliar distâncias entre pessoas, objetos e atividades. É exata- de uma questão exploratória no Caderno do
mente o contrário de “cidade” e de “urbano”. Aluno.

Estado de São Paulo: cidades mais importantes

Figura 13 – Estado de São Paulo: cidades mais importantes. Organizado por Jaime Oliva especialmente para o
São Paulo faz escola, 2014.

53
1. Qual é o principal fenômeno representa- des, sem colocar dados sobre a importância econômica
do nesse mapa? Que recurso da lingua- ou população absoluta. Talvez os alunos percebam que a
gem cartográfica é utilizado para repre- maior concentração desses círculos sólidos acontece nas
sentá-lo? proximidades da capital e elas se dispersam em direção
O principal fenômeno representado no mapa, além do ao interior.
próprio território do Estado de São Paulo, são suas prin-
cipais cidades. Salvo a capital do Estado, representada por A seguir, apresente alguns dados sobre o
um ponto com um círculo, as demais cidades são repre- Estado de São Paulo, referentes ao que está
sentadas por meio de pequenos círculos sólidos do mes- representado no mapa (Figura 13), conforme
mo tamanho. O objetivo do mapa é localizar essas cida- o texto a seguir.

A população urbana do Estado de São Paulo

Em 1997, o Estado de São Paulo passou a ser dividido em 645 municípios, situação que
não se altera até o ano de 2013. O município é uma unidade política e administrativa, interna
aos territórios dos Estados brasileiros. No interior de cada município, define-se o que é a área
urbana. Em geral, é a área sede do município, ou seja, a cidade propriamente dita. Somados
todos os habitantes das áreas urbanas dos 645 municípios paulistas, chegamos ao volume da
população urbana do Estado de São Paulo: de acordo com o Censo 2010, foram contabiliza-
dos 39,5 milhões de habitantes residindo em áreas urbanas (96% do total). Logo, a população
rural correspondia a apenas 4% da população.

Há regiões do Estado cuja concentração urbana é tão elevada que a população urbana
de municípios vizinhos compõe um único espaço urbano de escala local. É o caso da capital
e dos municípios vizinhos que, somados, formam uma das maiores metrópoles do mundo.
No Estado de São Paulo, visando a ações administrativas, foram oficializadas quatro regiões
metropolitanas: São Paulo, Baixada Santista, Campinas, Vale do Paraíba e Litoral Norte
(sendo essa última criada em 9 de janeiro de 2012). Ainda de acordo com o Censo 2010,
a região metropolitana de São Paulo concentrava, sozinha, 48% da população paulista – a
melhor expressão da concentração populacional dessa região é o número de habitantes por
quilômetro quadrado: 2 476,82 hab./km2. Por sua vez, a região metropolitana de Campi-
nas respondia por 7% da população paulista, enquanto a região metropolitana da Baixada
Santista responde por 4%. Nos três casos, a maioria absoluta da população era urbana. Em
todo caso, 58% da população do Estado se concentrava em apenas três núcleos espaciais,
quase inteiramente urbanos.

54
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Evidentemente, essas áreas possuem um enorme dinamismo econômico. Há ou-


tros núcleos menores, também dinâmicos, que vêm se tornando importantes po-
los de concentração, como São José dos Campos, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José
do Rio Preto. Seguindo essa lógica de concentração demográfica em poucos nú-
cleos, na maior parte do território do Estado serão encontradas baixas densida-
des demográficas. Por exemplo: na região do Vale do Ribeira, no sul do Estado, ou no
oeste paulista.
Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola. Fonte de dados: Sinopse do Censo Demográfico 2010.
Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/sinopse/sinopse_tab_rm_zip.shtm> e
<http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/index.php?dados=29&uf=35>. Acessos em: 13 jan. 2014.

Após a leitura desse texto, você pode vin- O texto destaca que há um processo de urbanização mais
cular o que foi trabalhado na sondagem ini- intenso em algumas regiões do Estado de São Paulo, ten-
cial com os dados demográficos do Estado de do em vista a concentração evidenciada pela elevada
São Paulo. As questões a seguir são sugestões densidade demográfica em algumas áreas urbanas (nas
apresentadas no Caderno do Aluno para se áreas metropolitanas, por exemplo). Essas áreas reúnem,
explorar o texto. Vale destacar que o texto per- em pequenos espaços, a maioria da população do Estado.
mite também discorrer sobre alguns conceitos
importantes para a Geografia da população, b) A concentração de pessoas e de obje-
como densidade demográfica, que caracte- tos é a mesma em todas as cidades do
riza a quantidade de população vivendo em Estado? Justifique sua resposta, citando
um dado território. Se considerar oportuno, é exemplos.
possível trabalhar o tema na sala de informá- Essa concentração ocorre em poucas cidades – como São
tica, acessando o site do IBGE, que apresenta Paulo, Campinas, Santos, Ribeirão Preto, São José do Rio Pre-
dados do Censo 2010 para todo o território to, São José dos Campos e Sorocaba –, que concentram a
nacional, com a possibilidade, inclusive, de maioria da população do Estado.
elaboração de mapas. Ao final deste volume,
você encontrará a indicação do site. 3. Observe novamente o mapa (Figura 13).
Ele representa as informações apresenta-
2. Leia o texto e responda às questões a seguir. das no texto? Justifique.
O mapa não corresponde às informações trazidas no texto,
a) Se cidades são concentrações, aglome- pois as dimensões e a tendência à concentração não estão
rações, ajuntamentos de pessoas e de representadas, ou seja, a verdadeira geografia (lógica espa-
objetos, o que as informações expostas cial) do fenômeno não está representada. No mapa, pode-
no texto evidenciam? mos observar somente a localização das cidades.

55
4. Faça uma descrição do Estado de São respeito aos vazios demográficos, já que
Paulo com base nas informações do mapa nessas escalas as cidades viram bolinhas.
(Figura 13) e do texto.
Raramente se vê numa aula de Geo-
Mais da metade da população do Estado de São Paulo está
grafia, em atlas geográficos escolares e
concentrada em alguns poucos centros urbanos (regiões me-
nos livros didáticos mapas dos espaços
tropolitanas de São Paulo, Baixada Santista e Campinas). Disso
internos das cidades.
resulta que as outras áreas têm baixa densidade demográfica.
A questão não é referente apenas aos
Essa é a lógica do espaço humano: altas densidades de pessoas
mapas, pois, na Geografia, as cidades não
e objetos em poucos núcleos do Estado, enquanto na maior
despertaram a atenção que mereciam.
parte dele há áreas de menor densidade demográfica.
Os espaços humanos mais complexos
Diante da evidência dos dados e das in- – centros geradores e comandantes da eco-
formações, talvez seja adequado aferir seus nomia e da cultura modernas e espaços de
efeitos junto à turma toda. Na verdade, o que moradia da maioria da população – são
se espera aqui não é simplesmente que eles te- negligenciados pela Geografia e pela Car-
nham acesso à visão da estrutura espacial e tografia. Assim, nega-se aos estudantes o
social do Estado de São Paulo. O que se pre- acesso direto às realidades geográficas que
tende é ir além e enfrentar uma questão bem lhes são mais imediatas.
interessante nos estudos de Geografia, e na Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São
própria visão de senso comum que se tem da Paulo faz escola.

geografia dos lugares, algo que em boa me-


dida é construído por uma cartografia que se Para propiciar aos alunos uma reflexão
vincula a uma visão tradicional da Geografia. crítica acerca do que foi discorrido no texto,
O texto a seguir sintetiza, em várias dimen- sugerimos a atividade a seguir.
sões, a questão a ser ressaltada.
Peça aos alunos que formem
A cartografia geográfica e as cidades grupos e listem numa folha
avulsa as características de
A Geografia não mapeava os espaços duas metrópoles do Estado de São Paulo:
internos das cidades, reduzia-os a boli- São Paulo e Campinas. Para tanto, oriente-
nhas pretas em mapas de outra escala, -os a procurar informações sobre os se-
como o do Estado de São Paulo. guintes aspectos: população; recursos
Os mapas da Geografia são dominan- econômicos (indústria, comércio, serviços);
temente de escala geográfica regional, na- recursos culturais (universidades, cinemas,
cional ou mundial, quer dizer, são mapas teatros e museus); instituições políticas e
em que a maior parte da representação diz estatais etc. Você deve ajustar o que eles
concluírem. A ideia aqui é que os estudan-

56
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

tes vislumbrem o mundo que as bolinhas do Mauá, Guarulhos, São Caetano, Itaquaquecetuba, Arujá e
mapa não conseguem representar (até por- Mogi das Cruzes.
que não é esse o objetivo do mapa). Essa
proposta está no Caderno do Aluno, na se- b) Considere agora o que está fora da man-
ção Pesquisa em grupo, e você poderá utili- cha rosa. Liste os municípios e responda:
zar o relatório de pesquisa dos grupos como Os habitantes que se encontram nessa
parte das avaliações da aprendizagem. área se relacionam cotidianamente com
o núcleo rosa da metrópole? Justifique.
Depois desse exercício, pode-se apresentar Embora não pertençam à área contígua e contínua, as áreas
os mapas de duas áreas metropolitanas do fora da zona rosa estão conectadas intensamente a essa zona
Estado: a de São Paulo (Figura 14), que está por meio de redes, e os habitantes desses outros municípios
entre as maiores aglomerações do mundo de têm relações cotidianas com o núcleo da metrópole, o que
escala local, e a de Campinas (Figura 15). os faz integrantes dela. Mesmo morando fora da área urbana
contínua, trabalham e dependem de serviços e do comércio
Na Figura 14, as manchas assinaladas em dessa área urbana.
rosa, que incluem o município de São Paulo,
compõem a área urbana, cuja população, em 2. Com base no mapa Região administrativa
2010, era de cerca de 19,7 milhões de habitantes de Campinas (Figura 15), responda:
(cf. IBGE, Censo Demográfico, 2010).
a) Observe o mapa (em laranja), do lado
Leitura e análise de mapa direito, e enumere, sobre o próprio
mapa, os municípios que compõem a
Para conduzir a leitura dos mapas, sugeri- região metropolitana de Campinas.
mos as questões a seguir, disponíveis no Ca- Direcionando a atenção ao mapa da região metropolitana de
derno do Aluno. Campinas, em destaque no lado direito do mapa Região admi-
nistrativa de Campinas, e pautando-se no limite administrativo
1. Observe o mapa Região metropolitana de de cada município (linha cinza), os alunos chegarão ao número
São Paulo (Figura 14). de 19 municípios, entre os quais podemos destacar: Paulínia,
Campinas, Hortolândia, Indaiatuba, Cosmópolis, entre outros.
a) O que significa a área rosa? Identifique
os municípios nela representados. b) Na região administrativa de Campinas,
Segundo a legenda, trata-se da área urbana, mas, na verda- quais são os municípios em que a man-
de, o mapa retrata o espaço urbano contínuo e contíguo, cha rosa, que identifica no mapa a área
ou seja, a área conurbada e mais construída. Alguns dos mu- urbana, é maior? Como essas manchas
nicípios representados nessa mancha rosa são: São Paulo, estão conectadas?
Osasco, Carapicuíba, Taboão da Serra, Cotia, Ferraz de Vas- Dentro da região metropolitana de Campinas, os alunos
concelos, Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema, perceberão que existem municípios que se destacam pelo

57
tamanho da mancha urbana, como Valinhos, Indaiatuba, Trata-se de um mundo isolado geogra-
Americana, entre outros. Pode-se verificar também que to- ficamente, ou ao contrário, seria vocação
das essas manchas estão conectadas por importantes vias de dessa impressionante aglomeração humana
circulação, que são as rodovias de pista dupla ou pista sim- a abertura e o relacionamento com os mun-
ples, conforme consta na legenda do mapa. dos externos?

Atenção! Essa questão pode desdobrar uma opor-


Professor, esteja atento às cores do tunidade interessante para revelar o potencial
mapa nos Cadernos, pois elas podem so- relacional de uma grande cidade, e como esse
frer alterações na impressão. gênero de configuração espacial é decisivo para
a compreensão da geografia do mundo em que
O número de edificações, de infraestruturas vivemos. Pois, para além do seu espaço interno,
urbanas, de negócios diversos e de recursos cul- uma grande cidade estende seus tentáculos – a
turais é imenso nessa grande metrópole que é, metrópole de São Paulo, que soma vários mu-
em si, um mundo. Ser um mundo em si significa nicípios –, cria imensas redes sociais, que, por
que, em sua relativa pequena extensão espacial, vezes, alcançam a escala global.
há um máximo de concentração de popula-
ção e de objetos geográficos construídos pelos Provavelmente, ninguém entende uma grande
seres humanos. Mas, para apreender de uma cidade como um espaço isolado geografica-
maneira mais profunda a verdadeira natureza mente, mas certamente é necessário exami-
dessa configuração espacial, deve ser respon- nar com detalhes todos os elementos de uma
dida uma indagação fundamental, que pode grande cidade, que comprovam sua articula-
ser enunciada nos seguintes termos: ção com regiões bem mais amplas.

58
Figura 14 – Região metropolitana de São Paulo. IGC. Disponível em:<http://www.igc.sp.gov.br/produtos/mapas_ra.aspx>. Acesso em: 13 jan. 2014. Mapa original (base cartográfica
com generalização; algumas feições do território não estão representadas). Adaptado (mapa reduzido em relação ao seu tamanho original; supressão de escala numérica).
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

59
60
Figura 15 – Região administrativa de Campinas. IGC. Disponível em:<http://www.igc.sp.gov.br/produtos/mapas_ra.aspx>. Acesso em: 13 jan. 2014. Mapa original (base carto-
gráfica com generalização; algumas feições do território não estão representadas). Adaptado (mapa reduzido em relação ao seu tamanho original; supressão de escala numérica).
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Feito o trabalho de leitura e in- Caso morem em São Paulo, escolham, com
terpretação dos mapas, você a orientação do seu professor, uma cidade
pode organizar os estudantes de médio porte do interior do Estado.
em grupos para que realizem uma pesquisa f Cada grupo escolherá três dos quinze itens
a respeito do alcance das redes sociais e geo- da tabela do Quadro 8 para pesquisar so-
gráficas de duas cidades do Estado de São bre as duas cidades, garantindo que não
Paulo, conforme orientado no Caderno do haja repetição entre grupos, para que to-
Aluno, na seção Pesquisa em grupo, da dos os itens sejam contemplados.
seguinte forma: f Realizada a pesquisa, cada grupo deve
elaborar um quadro dos itens escolhidos,
f A turma toda vai pesquisar sobre a cidade de modo que a turma toda apresente um
de São Paulo e a cidade em que moram. painel das duas cidades.

Até onde vão as redes sociais e geográficas das grandes cidades?


Características
Redes de influência
(elementos integrantes)
Por ter base migratória, as grandes cidades estimulam a manutenção de vínculos
1. População
geográficos com as áreas de origem dos habitantes.

2. Tamanho da Os grandes volumes populacionais das grandes cidades atraem negócios que
população (I) têm origens em outros lugares, inclusive no exterior.

3. Tamanho da Os grandes volumes populacionais das grandes cidades sustentam negócios lo-
população (II) cais, que se tornam poderosos e se estendem para outras cidades, até ao exterior.

Com esses volumes populacionais e de negócios que se estendem para além


4. Infraestrutura de
dos seus espaços, as grandes cidades estimulam e constroem redes internas e
transporte
externas de ligação (estradas de rodagem, rotas aéreas, rotas marítimas etc.).
Em virtude do volume de pessoas, de negócios e das relações internas e exter-
5. Infraestrutura de nas que se estabelecem nas grandes cidades, todas se equipam, necessariamen-
comunicação te, com sistemas telefônicos, de correio e internet. Em geral, com o que há de
mais avançado em termos tecnológicos.
O público interno das grandes cidades estimula e sustenta a imprensa escrita,
6. Infraestrutura de
o rádio e a televisão e, assim, surgem grupos poderosos, cujas informações
informação
influenciam outras localidades.
Redes de diversos negócios (corporações transnacionais, por exemplo) optam
por sediar seus escritórios de comando de suas atividades no mundo nas gran-
7. Atividades
des cidades, tidas como lugares geográficos estratégicos para essas funções, en-
econômicas (I)
tre outras razões, pelas infraestruturas de longo alcance (transportes, comuni-
cações e informações). Isso em todos os ramos (indústria, comércio, finanças).

61
As grandes cidades centralizam certos fluxos que articulam a economia mun-
8. Atividades
dial, como bolsas de valores, bolsas de mercadorias (commodities) e sedes dos
econômicas (II)
grandes grupos financeiros.

Com grande população, as grandes cidades contam com muitas instituições


9. Atividades escolares em todos os níveis de ensino. Possuem universidades e atraem estu-
educacionais (I) dantes e professores de outras localidades que não oferecem toda essa gama
de níveis de ensino.

Por serem polos de atração, as universidades em grandes cidades ganham em


10. Atividades qualidade e em recursos. Isso implica a ampliação das ligações com outras
educacionais (II) universidades do mundo e envolve a realização de congressos que atraem pes-
soas de diversas localidades.

As grandes cidades têm boa estrutura universitária e número significativo de pes-


soas com formação científica, o que atrai institutos de pesquisa científica públicos
11. Atividades
e privados e estimula também as próprias empresas a instalarem seus centros de
científicas
pesquisa nesses espaços. Cidades que têm esse potencial realizado atraem cientistas
e estudantes de outras partes do mundo.

As grandes cidades fomentam muitas atividades culturais para seu público


12. Atividades interno, mas também atraem espetáculos culturais de várias localidades do
artísticas mundo, em todos os ramos artísticos. Festivais de música e de cinema são
comuns nas grandes aglomerações urbanas.

Numa cidade que sedia grandes negócios, com atividades culturais e cien-
tíficas de importância, com infraestrutura de circulação de bens materiais e
13. Sistema de
imateriais, é natural a circulação de muitos visitantes de fora, ou seja, turistas.
hospedagem
A estrutura de hotéis, por exemplo, torna-se um equipamento presente nas
grandes cidades.

As grandes cidades – com suas poderosas infraestruturas de transporte, co-


municação e informação, seus negócios, suas ciências, suas artes – terminam
14. Hábitos culturais
sendo irradiadoras de seus modos de vida, de seus hábitos comportamentais,
de consumo etc.

Algumas grandes cidades devem parte do seu crescimento à decisão de serem


capitais de um país. Isso porque a sede do poder político demanda infraestru-
tura para levar suas decisões a territórios mais amplos. Mas cidades grandes
15. Poder político
que não são sede do poder político terminam, mesmo assim, por todos os
outros fatores mencionados, tendo muita força e influência política em terri-
tórios mais amplos.

Quadro 8 – Até onde vão as redes sociais e geográficas das grandes cidades?

62
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Listados 15 pontos que ajudam a abrir um e artistas do Brasil e do mundo rotineira-


pouco a caixa-preta das cidades, em especial mente; tem museus e exposições bem visita-
das grandes cidades. Podem-se acrescentar vá- dos, inclusive recebe público que viaja com
rios outros ou organizá-los de diversas formas. esse objetivo etc.
Eles servem de exemplo dos elementos geográ-
ficos de uma grande cidade que exercem seu pa- Exemplo 2: Item 15 (Poder político) ļ São
pel muito além do espaço local, da escala local. Paulo = a cidade não é a capital do Brasil, mas
é a maior e a mais influente cidade do país.
Voltando à atividade sugerida aos estu- Alguns dos principais partidos que atuam na
dantes, quais foram os resultados que cada política nacional têm origem na metrópole
grupo obteve? De posse dos resultados, os paulista, assim como algumas das principais
alunos poderão montar o quadro. Eliminando lideranças saíram dessa cidade (que vai além
as repetições e tendo como referência o qua- do município de São Paulo). Os interesses
dro de exemplos apresentado anteriormente formados nessa cidade costumam ter força
(Quadro 8), debatendo e ajustando o que os política no quadro nacional. A proposta é
alunos levantaram, a ideia é que se feche o que os alunos apliquem as ideias desenvol-
quadro do inventário dos elementos geográ- vidas num quadro real. Não importa tanto o
ficos das cidades, conforme modelo apresen- resultado a que vão chegar, pois o precioso,
tado no Caderno do Aluno (Quadro 9). No nesta atividade, é esse exercício de reflexão,
momento seguinte, esse quadro pode ser en- observação e construção de um produto.
riquecido com fatos concretos. Você pode
devolver aos grupos três itens do inventário Até onde vão as redes sociais e
(no quadro referência são 15) e pedir que
geográficas de uma cidade?
eles pensem diretamente numa cidade real
Características [Nome da
– no caso, São Paulo será a mais adequada. São
(elementos outra cidade
Desse modo: Paulo
integrantes) pesquisada]

o item ļ São Paulo = ? Item A

Item B
Vejamos dois exemplos:
Item C
Exemplo 1: Item 12 (Atividades artísticas) ļ Quadro 9.
São Paulo = a cidade sedia uma mostra in-
ternacional de cinema anual de muito pres- Como conclusão desta etapa, após a apre-
tígio e festivais de música de vários gêneros; sentação dos resultados de todos os grupos,
tem uma estrutura razoável de salas de ci- sugerimos duas questões, presentes na seção
nema e de espetáculos e recebe espetáculos Desafio!, no Caderno do Aluno.

63
1. São Paulo é uma cidade que estende suas Todos esses termos se referem a cidades
redes de relações? Por quê? ou reunião de cidades (espaços urbanos)
Sem dúvida, São Paulo é uma cidade que estende muito suas que têm a capacidade de se inserir em es-
redes de relações e é um grande espaço de conexões que calas mais elevadas e, no limite, na escala
integra um volume enorme de pessoas e de atividades, tanto mundial. A definição mais comum de me-
internamente quanto com realidades geográficas externas. trópole diz respeito à sua capacidade de
Na verdade, integra seus habitantes com o mundo. comandar territórios, sociedades e negó-
cios para além de seu próprio território.
2. A outra cidade pesquisada cria redes de re-
E o que seria uma cidade global (ou
lações? Dê exemplos.
mundial)? Como o próprio nome diz, é
A resposta a essa questão varia de acordo com a cidade ava-
aquela, cujas influências têm escala mun-
liada. Quanto maior for a cidade, em termos potenciais, mais
dial de fato. Mais até: as cidades globais
ela possui atividades diversificadas que estabelecem relações
são os lugares mais estratégicos da glo-
múltiplas. As cidades são sempre espaços relacionais, mas é
balização, os principais lugares da rede
variável o grau dessa condição.
de relações econômicas que forjam a glo-
balização. Nos anos 1990, admitia-se que
Etapa 2 – Cidades: plataformas para
apenas três metrópoles chegavam a tanto:
a transição das escalas geográficas
Tóquio, Nova Iorque e Londres. Hoje, já
se admite que outras podem ser conside-
Leitura e análise de texto
radas cidades mundiais. São Paulo, se-
gundo esse modo de classificar as cidades,
Leia o texto a seguir, também disponível no
não teria alcance global, mas teria forte
Caderno do Aluno.
alcance regional ou zonal.

Cidades globais No entanto, essa forma de classificar


isoladamente cidades é discutível. Talvez
Com o objetivo de caracterizar a condi- o ideal fosse apenas verificar se a cidade
ção das cidades quanto à sua capacidade propicia o acesso cotidiano de sua popu-
de influenciar e se articular com outros lação e de suas relações à escala mundial.
espaços e outras sociedades, os estudio- E isso São Paulo proporciona de forma
sos do fenômeno urbano têm procurado evidente. Nesse caso, seria uma cidade
classificá-las. Nesse esforço, vários termos global. Não somente porque influencia,
vêm sendo empregados: metrópoles, me- mas porque recebe a influência e pertence
galópoles (megapólis e gigapólis), cidades à rede geográfica da globalização.
mundiais ou globais, arquipélago megalo-
politano mundial, entre outros. Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São
Paulo faz escola.

64
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Tendo em vista o que foi apresentado no simplesmente discutir se São Paulo é ou


texto, São Paulo é, sem dúvida nenhuma, não uma cidade global.
uma grande metrópole. E as outras cida-
des avaliadas pelos estudantes? Se fosse Para firmar essa discussão, peça aos
Campinas, certamente seriam encontradas alunos que, a partir do texto e do que foi
características para catalogá-la como uma explanado em sala de aula, respondam às
metrópole, embora menor e menos influente questões a seguir, disponíveis no Caderno
que São Paulo. Outros centros urbanos do do Aluno.
Estado não chegam a essa condição, mas
poderá se notar a presença de alguns ele- 1. Com base no texto e nos mapas Região
mentos metropolitanos em algumas delas: metropolitana de São Paulo (Figura 14)
Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, por e Região administrativa de Campinas
exemplo. (Figura 15), responda:

Você pode destacar nesse caso algo a) São Paulo pode ser considerada uma
muito importante: São Paulo é uma ci- metrópole? Justifique.
dade global e não é uma cidade global.
Mas, qual é a realidade? É ou não é? A b) Campinas pode ser considerada uma
realidade existe, mas ela somente chega metrópole? Justifique.
até nós conforme a olhamos. E, no caso,
mencionamos duas formas de interpretar 2. A cidade que seu grupo pesquisou, além
essa realidade: de São Paulo, pode ser considerada uma
metrópole? Justifique.
1. Conforme o critério de capacidade isolada
de influência, São Paulo tem força para in- 3. Quais são as duas concepções de cidade
fluenciar muito pouco na escala mundial, global que o texto apresenta?
logo não é uma cidade global (uma metró-
pole global). 4. Qual é o critério pelo qual São Paulo pode
ser considerada uma cidade global?
2. Segundo o critério de pertencimento a re-
des sociais e econômicas de relações que Algo mais pode ser acrescentado à ques-
caracterizam a globalização, São Paulo é tão das cidades e às suas relações que se es-
plenamente uma metrópole global. tendem a outras escalas: certas regiões do
mundo reúnem em espaços de pequenas ex-
Qual dos dois critérios mencionados re- tensões mais de uma metrópole, que articu-
vela melhor a realidade em que vivemos? lam de tal modo as relações entre si que é
Essa discussão é mais importante do que justo se falar num espaço urbano de outra

65
escala, a escala regional. Esse espaço urbano que Neste momento, para concluir
articula intensamente mais de uma metrópole é esta etapa da Situação de Aprendi-
comumente designado como megalópole. Numa zagem, sugerimos uma atividade
megalópole, encontram-se mais claramente os na seção Lição de casa para trabalhar com o
elementos de integração na escala global. quadro a seguir (Quadro 10).

Arquipélago Megalopolitano Mundial (ou Global)

Megalópoles Localização

Nova Iorque – Filadélfia EUA (costa leste)

Principais Dorsal Europeia – Londres – Paris Europa

Tóquio – Osaka Japão

Chicago – Pittsburgh EUA (Grandes Lagos)

Los Angeles EUA (costa do Pacífico)

Secundárias
Seul – Shangai – Pequim – Hong Kong – Cingapura Ásia (costa do Pacífico)

Rio de Janeiro – São Paulo (incluindo Campinas e Polígono do Mercosul


Santos) – Buenos Aires (América do Sul)

Quadro 10 – Arquipélago megalopolitano mundial (ou global). Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola. Fonte:
DAGORN, René. Archipel Mégalopolitain Mondial. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, Michel (Org.). Dictionnaire de la Géographie et
de l’espace des sociétés. Paris: Belin, 2003. p. 81-83; LÉVY, Jacques. Le tournant géographique. Paris: Belin, 2000. p. 398; LÉVY, Jacques.
Europe: une géographie. Paris: Hachette, 1997. p. 288.

Nesse quadro estão mencionados e localiza- 1. Como a cidade de São Paulo está classifi-
dos os principais centros urbanos, que, como cada nesse quadro (Quadro 10)? Comente.
grandes ilhas em conjunto, formam uma espé- São Paulo é uma metrópole situada nesse quadro como o
cie de arquipélago: Arquipélago Megalopoli- núcleo principal de uma megalópole (uma configuração ur-
tano Mundial. Essa seria, como alguns autores bana de escala regional) sul-americana, que seria uma das
dizem, a estrutura espacial básica da globaliza- bases (com papel mais ou menos secundário) do Arquipéla-
ção. E São Paulo faz parte dessa estrutura. go Megalopolitano Mundial, uma designação possível para o

66
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

que se denominou antes como espaços da globalização. Essa ser identificadas como megalópoles. Além disso, há me-
classificação é uma proposição de classificação e entendi- galópoles de expressão mundial que ainda não chegaram
mento da rede de cidades que constituem a escala mundial. a essa condição, mas que caminham nessa direção e que,
em termos regionais, têm grande importância; é o caso
2. Amplie sua descrição sobre o quadro con- de Moscou, na Rússia, que articula um rol importante de
siderando os países desenvolvidos e os paí- relações com os países vizinhos (CEI), algo herdado da
ses denominados emergentes. antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Observando o quadro mais detalhadamente, pode-se
identificar uma divisão entre as megalópoles das áreas 3. Com o auxílio de um mapa-múndi político,
de maior desenvolvimento econômico (EUA, Europa e localize os núcleos do Arquipélago Megalo-
Japão), que teriam um papel mais ativo nessas redes de politano Mundial e represente-os no mapa
cidades, e as megalópoles das denominadas áreas emer- mudo (disponível no Caderno do Aluno).
gentes, que ainda não têm a mesma importância nessa Este exercício de localização dos pontos principais desse
rede mundial, embora já a integrem. Acrescente-se tam- arquipélago das cidades que compõem os espaços da glo-
bém que pertencer a essa rede aumenta o potencial de balização é importante para notar as proximidades regionais,
desenvolvimento desses núcleos urbanos. O modo como mas também para perceber como o seu tamanho é pequeno
a classificação é feita ressalta, ainda, a importância da in- na escala do planeta em termos de extensão, embora sejam
tegração regional das metrópoles, até que elas possam esses os espaços comandantes da escala mundial.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 6
AS CIDADES: CRIAÇÃO E IRRADIAÇÃO DO CONSUMO

As configurações urbanas reúnem, na dis- comando, das ciências, das diversas faces da
tância mínima, um número máximo de pes- cultura, da política. Entre as práticas moder-
soas e recursos. Além da imensa massa de nas, uma que tem um peso importante em
relações que se estabelecem entre os habitan- nossas vidas e uma complexidade de múlti-
tes e os recursos de um espaço urbano, a vida plos significados é o consumo. O local funda-
na cidade permite relações em outras escalas mental do consumo é a cidade. Não somente
geográficas, com outros espaços e sociedades. o ato em si, mas também no que diz respeito
Essa última situação ocorre de forma muito à sua invenção e à invenção das necessidades.
eficiente nas metrópoles. Aliás, é por isso que
uma cidade chega à condição de metrópole. Nesta Situação de Aprendizagem, o tra-
balho principal será com dois aspectos do
Não é por acaso que o fundamental da fenômeno consumo: a criação do consumo e
vida humana no mundo moderno se orienta das novas necessidades nas cidades; a sua irra-
por criações que têm origem nas cidades. Es- diação para o mundo a partir das cidades que
ses são os casos da criação econômica e seu participam das redes sociais de escala global.

67
Conteúdos: relação consumo ļcidade; expansão de hábitos urbanos de consumo.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem car-


tográfica, como meio de visualização da Geografia do consumo urbano; identificar e estabelecer
relações entre as práticas da vida cotidiana e as configurações espaciais onde elas se desenvolvem;
relacionar o processo de integração mundial à formação de redes de cidades e à formação das redes
de consumo.

Sugestão de estratégias: destacar o espaço urbano, por meio de aulas dialógicas, como ingrediente de
um modo de vida que necessariamente promove o consumo; construir, para posterior análise, um mapa
que permita visualizar a expansão de redes mundiais de consumo; propor reflexões e organização de
resultados por meio de trabalho coletivo.

Sugestão de recursos: textos; roteiro orientador para construção cartográfica; atlas; mapa mudo.

Sugestão de avaliação: textos elaborados individualmente e/ou em grupo; participação nas discussões
e reflexões de classe; participação no trabalho em grupo de construção de representação cartográfica.

Etapa prévia – Sondagem inicial e pretende é dimensionar a percepção atual dos


sensibilização estudantes sobre o consumo em suas vidas.
Antes disso, você pode apresentar algumas
A Situação de Aprendizagem pode come- informações aos alunos sobre um novo modo
çar com uma indagação aos estudantes sobre de vida que surge a partir do advento da Re-
as relações entre consumo e cidade. O que se volução Industrial, por meio do texto a seguir.

A Revolução Industrial e o consumo

A Revolução Industrial na Europa foi marcante no desenvolvimento da prática do con-


sumo na vida das sociedades modernas. Antes da fase industrial, as unidades familiares
camponesas, que tinham se libertado da ordem feudal, produziam o essencial para seu sus-
tento material e para a manutenção de seu modo de vida. Elas realizavam praticamente uma
economia de subsistência.

Frutas, legumes, verduras e alguns cereais vinham das hortas que as famílias cultiva-
vam. Carnes, ovos e leite eram obtidos com a criação doméstica de porcos, vacas, cabras e
aves. As mulheres preparavam pães, compotas, queijos, linguiças e alimentos em conserva.
A elas cabia a tarefa de costurar e tecer. Os homens dedicavam-se à lavoura, aos trabalhos
de marcenaria e à construção das casas, por exemplo. A vida em família e o trabalho não
se distinguiam. Trabalhar não era uma atividade separada, que se realizava fora de casa.
As famílias dirigiam-se às feiras e aos mercados urbanos para vender seus excedentes e
comprar certos bens.

68
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Genericamente, pode-se afirmar que a Revolução Industrial implicou uma transferên-


cia importante de grandes contingentes populacionais para as cidades. E quais foram as
consequências na vida desses novos grupos migrados? Uma mudança estrutural, visto que
as pessoas não mais puderam produzir bens para sua sobrevivência e passaram a ter de
comprá-los. Alimentos, vestuário, objetos domésticos passaram a ser bens de mercado,
de um comércio que antes não existia nas proporções que passaria a ter. A vida urbana,
nesse sentido, criou o consumo como meio necessário de sustentação material dos novos
habitantes das cidades. Logo, impôs a eles a necessidade de possuir bens monetários. Isso
demonstra como o consumo não é algo natural, e sim uma construção social fortemente
vinculada às cidades.

Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

O que a transferência desses contingen- relação entre consumo e cidade, explorando o


tes populacionais para as cidades, que a texto por meio das questões a seguir, disponí-
nova industrialização estimulou ou mesmo veis no Caderno do Aluno.
obrigou, impôs a essas pessoas? Um novo
estilo de vida. Elas não puderam mais 1. Qual era a origem dos bens (alimentares,
produzir os bens para sua sobrevivência e vestuário) das famílias camponesas antes
passaram a ter de comprá-los. A vida ur- da Revolução Industrial?
bana, nesse sentido, criou o consumo como Antes da Revolução Industrial, os bens alimentares eram cul-
meio necessário de sustentação material tivados e processados pelas próprias famílias, que produziam
dos novos habitantes. A vida urbana estava o essencial para o seu sustento material e para a manutenção
criando um mercado que, antes, não exis- de seu modo de vida.
tia. Logo, o consumo, para começo de con-
versa, é resultado de um modo de vida num 2. Como se caracterizava o trabalho no modo
espaço no qual os alimentos são produzi- de vida camponês pré-industrial? Ele era
dos em outras áreas. O consumo de nossos diferente do trabalho numa sociedade mo-
meios de vida não é, portanto, algo natu- derna e urbana? Justifique.
ral. É uma construção social fortemente O trabalho era essencialmente distinto do que ocorre no
vinculada às cidades. mundo contemporâneo, visto que era voltado para a sobre-
vivência direta (ainda não estruturado com base na relação
Leitura e análise de texto assalariada). O trabalho, que antes não era vendido, passa a
ser remunerado; ele deixa então de produzir nossa sobrevi-
Sugerimos, nessa sondagem inicial, que vência direta e passa a ser uma mediação entre o consumo e
os estudantes sejam estimulados sobre essa as nossas necessidades.

69
3. A jornada de trabalho no segmento in- Espaços (geográficos) sociais ļ modos
dustrial que se impôs sobre o novo ha- de vida ļ uma prática específica, no caso, o
bitante da cidade também o obrigou ao consumo
consumo. Você sabe dizer por quê? Dê
exemplos. Essa reflexão é um passo importante para o
O trabalhador urbano passa muitas horas do seu dia no enriquecimento do olhar dos estudantes sobre
trabalho, que não é realizado em casa. Dessa forma, ele as realidades: a desnaturalização de ocorrências
não tem tempo de produzir ou processar seus alimentos e que na verdade são construções sociais e his-
objetos de uso pessoal, precisando comprá-los. tóricas. Mesmo que as reflexões não cheguem
a bom termo nesse momento, essa sondagem
4. Por que a nova população das cidades provocativa pode abrir caminhos para isso.
composta, em sua maioria, de operários
das indústrias que se multiplicavam pas-
sou a ser a base de formação de uma nova Etapa 1 – Os novos modelos de
economia urbana? consumo e as metrópoles
Como discutido na questão anterior, a necessidade do
trabalhador de comprar alimentos e outros objetos de Sugerimos que esta etapa seja iniciada
uso pessoal, em razão da impossibilidade de produzi- com a discussão da relação entre o elemento
-los, criou um fluxo de mercadorias que passaram a ser espacial e as necessidades do consumo. A
comercializadas na cidade e que movimentam a eco- ideia agora é verificar alguns aspectos desta
nomia urbana. relação (cidade ļ consumo) numa situação
contemporânea e real: na metrópole global
O objetivo dessa sequência de questões é que é São Paulo. O primeiro passo proposto
estimular uma reflexão que relacione: é a leitura do texto a seguir.

O consumo e o espaço interno das metrópoles: o caso de São Paulo

O importante geógrafo brasileiro Milton Santos dizia que a difusão das novas formas
de consumo é um dos principais fatores para explicar a geografia atual dos lugares. Isso
parece ter toda pertinência ao se examinar o caso da cidade de São Paulo. A irradiação de
um modelo de consumo mundializado deixou marcas evidentes no espaço interno dessa
metrópole. As transformações lembram, em alguma medida, o modelo de urbanização de
boa parte do território dos Estados Unidos, onde proliferam estabelecimentos comerciais
de grande porte, como shopping centers e hipermercados. No caso de São Paulo, são notá-
veis as modificações espaciais que reestruturaram a cidade a partir dos anos 1980. E uma

70
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

parte significativa dessas modificações vincula-se aos novos meios e aos novos hábitos de
consumo:

f Alterações no sistema de abastecimento, com a presença maciça de supermercados,


shopping centers, empresas transnacionais de fast-food (hambúrguer, pizza etc.), que
parecem fazer parte da paisagem da cidade há muito tempo, mas são recentes.
f O consumo como lazer emana da força cultural (de marketing) desses novos estabeleci-
mentos (em especial dos shoppings). A bem-humorada frase “Shopping center é a praia
do paulista” tem, de fato, uma força interpretativa sobre os novos espaços e os novos
modos de vida dessa cidade. Pesquisas diversas mostram que muitos dos frequentadores
de shoppings vão a essas localidades, antes de tudo, em busca de lazer. Trata-se de um
lugar de consumo e de um consumo do lugar.
f O modelo de consumo implantado, que fez parte da reestruturação de São Paulo, con-
tribuiu para o estabelecimento de outra ordem na circulação geográfica das pessoas e
das mercadorias na cidade. Os grandes estabelecimentos comerciais procuram se loca-
lizar às margens das grandes avenidas, vias expressas e rodovias – quando isso não é
possível, localizam-se no interior do núcleo denso.
f O acesso fundamental a esses locais é por meio do automóvel particular; logo, as insta-
lações desses negócios são cercadas por imensos estacionamentos. Esses grandes estabe-
lecimentos polarizam boa parte do abastecimento dos segmentos sociais que possuem
renda regular. Essas características combinadas resultam no aumento da circulação
interna da cidade, o que vai ocasionar uma elevação de gastos com o sistema viário e
uma ampliação dos congestionamentos. Pode-se afirmar que uma parte expressiva da
circulação diária nessa metrópole é uma circulação de consumo.
f A descentralização, provocada pela circulação de consumo em direção às novas loca-
lidades de abastecimento, coincide com o declínio das antigas áreas centrais e bairros
densos que eram centros de comércio e serviços. Atualmente, nessas áreas, circula a
maioria pobre da população, que não possui automóvel, e concentra-se um comércio
popular, para segmentos de baixa renda. Assim, esse novo modelo de consumo foi um
dos elementos que promoveram a separação social que hoje é uma marca dramática da
cidade.

Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

71
Depois da leitura, sugerimos algumas re- Com os grandes centros de consumo concentrados em pou-
flexões que vão ajudar na interpretação do cos pontos das cidades, o comércio de rua, antes distribuído,
texto. Certamente, você poderá detectar ou- enfraquece significativamente e fica restrito a segmentos de
tras reflexões que se mostrem necessárias, a baixa renda. Isso não somente empobrece os pequenos ne-
partir do conhecimento que tem dos alunos e gócios, mas compromete a vida pública nas ruas.
do contexto em que eles vivem.
4. A localização centralizada em poucos pon-
Leitura e análise de texto tos de amplos estabelecimentos comerciais
numa grande cidade, como São Paulo, cria
1. O consumo das sociedades modernas é problemas para a distribuição dos bens à
algo natural ou é uma construção social população? Quais?
vinculada às cidades? Justifique. A concentração dos locais de abastecimento (hipermerca-
O consumo é uma construção social, e está muito longe de dos, shopping centers) em alguns pontos da cidade implica
ser natural. É criação de um modo de vida e está, evidente- uma ampliação da circulação das pessoas e também uma
mente, vinculado às cidades antes de tudo. Estas são grandes adesão ao modelo automobilístico como meio de acesso
mercados e instituidoras de novas necessidades porque são para esse modelo de consumo. Isso contribui para o conges-
criadoras de novos modos de vida. A divisão do trabalho nes- tionamento, o aumento no uso do tempo etc.
ses modos de vida é complexa, a começar pela separação
casa-trabalho. Há também um consumo do tempo total das 5. Em sua cidade ou em seu bairro, o comér-
pessoas em atividades específicas, o que as obriga a recorrer cio de produtos alimentares e domésticos,
ao mercado para consumir o que não produzem. importante no abastecimento das famílias,
dá-se preferencialmente pelo “comércio de
2. Os modos de vida têm relação com a orga- rua” ou pelos “supermercados”? Comente.
nização dos espaços geográficos? Explique. Espera-se que o aluno perceba que, em alguns locais, o co-
Os modos de vida têm relação com a organização dos espa- mércio de rua é fundamental para o abastecimento da popu-
ços geográficos, pois as cidades representam a concentração lação, embora venha sendo substituído por grandes redes de
de pessoas e objetos. Logo, a eliminação de espaços de culti- supermercado, principalmente nas cidades médias e grandes.
vo agrícola, atividade que se estabeleceu fora da cidade, não
faz parte do modo de vida dos seus habitantes. Até mesmo 6. Numa cidade como São Paulo, onde se mo-
a organização interna dos espaços das cidades interfere no vimentam milhões de trabalhadores de suas
modo de vida das pessoas. residências para seus postos de trabalho, nem
todos retornam para casa no horário de al-
3. Considerando a ampliação das redes de moço. Isso gera um tipo de consumo deriva-
supermercado e hipermercado nas gran- do da estrutura das cidades? Explique.
des cidades, como São Paulo, o que você As dificuldades de mobilidade nas grandes cidades, as distân-
acha que aconteceu com o pequeno co- cias e o grande consumo de tempo para percorrê-las não
mércio de rua? permitem que todas as refeições sejam feitas em casa. Está aí

72
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

uma razão para a notável multiplicação de negócios voltados Ela poderá propiciar, de forma bastante produ-
para a alimentação nas ruas. É a estrutura urbana e suas difi- tiva e relevante, a percepção concreta das for-
culdades criando mercados novos. mas de consumo surgidas no interior das
cidades e que terminaram se expandindo em
7. As cidades têm força para expandir a outras escala mundial. Essa proposta de atividade está
escalas geográficas seus hábitos de consu- orientada no Caderno do Aluno, na seção Pes-
mo? Em caso afirmativo, dê exemplos. quisa em grupo.
Sem dúvida, têm. Um modelo de consumo, como um
shopping center, multiplica-se por cidades médias sem as mes- Primeira fase – a pesquisa
mas necessidades existentes em uma grande cidade, como in-
fluência cultural da grande cidade. Esse é apenas um exemplo Na experiência cotidiana da vida urbana
entre muitos outros que podem ser encontrados. Algumas ci- moderna, não somente nas grandes cidades,
dades expandem suas invenções para o mundo e isso é notó- mas também nas cidades médias, o consumo
rio. Na Situação de Aprendizagem 5, foi proposta uma pesquisa apresenta-se muitas vezes organizado em re-
em grupo que ajuda a construir e a visualizar esse cenário de des. Aliás, essa é a forma popular de os consu-
influência de modelos de consumo de origem nas cidades. midores se referirem a certos tipos de negócios.
Muitas dessas redes não se restringem à escala
O consumo e seus novos modelos de espacia- do Brasil, pois são, na verdade, redes que se
lização são suficientemente fortes para interferir estruturam na escala mundial, instalando-se,
na estruturação de uma cidade mundial, como no mínimo, em capitais de diversos países.
São Paulo, por exemplo. Além disso, outras ci-
dades terminam sendo influenciadas pelas for- O primeiro passo da pesquisa é identificar,
mas e pelos hábitos de consumo das grandes com base no conhecimento dos estudantes e
cidades. Essa lógica é cada vez mais acentuada da paisagem urbana que lhes é familiar (in-
na medida em que as conexões entre as cida- cluindo os shopping centers), a presença de
des intensificam-se formando redes geográficas algumas dessas redes que atuam na escala
urbanas de caráter cada vez mais mundial. As mundial (nos ramos de alimentação, vestuá-
corporações transnacionais do consumo en- rio, aparelhos eletrônicos etc.).
contram, nessa estrutura geográfica que elas
ajudaram a criar, um terreno propício para Identificadas as redes, o segundo passo é
expandir seus negócios. realizar uma pesquisa sobre sua história e sua
estrutura geográfica. No que diz respeito à his-
Para explorar essa nova situação tória, o importante é verificar a origem – em
geográfica, que se sedimenta na que país surgiu, em qual cidade e como e para
estrutura urbana mundial, suge- onde iniciou sua expansão geográfica. Quanto
rimos uma atividade, em pequenos grupos, que à sua estrutura geográfica, interessa a distri-
envolverá pesquisa e construção cartográfica. buição: em que localidades se encontram seus

73
negócios, em que quantidade – número de es- atividade e para realizá-la basta colocar nos
tabelecimentos, valor do faturamento etc. buscadores da internet os nomes das marcas
dessas redes e as informações vão surgir. Ou,
Tudo isso pode parecer muito difícil de ob- nas próprias lojas, haverá quem forneça mate-
ter, mas esse pensamento é equivocado. Faz rial ou informe os caminhos para se obter as in-
parte da lógica desses negócios procurar for- formações. Se houver dificuldades você deverá
talecer sua imagem, realçando o tempo todo intervir e, quem sabe, conforme a situação, for-
seu caráter mundial, o que pode ser expresso necer um “pacote de dados”. O ideal é que os
com slogans publicitários como: “...finalmente, alunos tenham os meios, encontrem as fontes e
chegou ao Brasil o produto X, que já era objeto levantem os dados.
de consumo das principais cidades do mundo
(ou das sociedades mais modernas.)”. O fato Segunda fase – a representação
de ser mundial, de ser objeto de consumo de cartográfica
outras cidades, acrescenta desejo de consumir
nas populações de cidades que ainda não têm Nesta fase, sugerimos que cada grupo pro-
acesso ao bem de consumo, e as redes mun- duza uma representação cartográfica a partir
diais desses negócios sabem como se promover dos dados e informações coletados.
e despertar grande interesse. Não é incomum
aglomerações e filas para experimentar, por f Propomos, num primeiro momento, que
exemplo, um alimento fast-food “mundial- cada grupo escolha apenas uma rede de
mente conhecido”, recém-introduzido numa bens de consumo urbanos para fazer a
cidade. atividade; não há problema se houver re-
petição, o que importa é garantir que haja
Tudo isso quer dizer o quê? Que essas trabalho autônomo e sem cópias.
redes de negócios em escala global são as
primeiras a querer informar sobre sua força É insuperável o valor da visualização
mundial e, por esta razão, mantêm sites que cartográfica para que se possa vislumbrar
oferecem boa parte das informações necessá- a dimensão global de um bem de consumo
rias para compor a pesquisa. E não somente urbano ou detectar a irradiação dos hábi-
na internet, mas também por meio de outros tos de consumo por intermédio de redes.
materiais. Evidentemente que os alunos não precisa-
rão produzir mapas com grande precisão; o
Isso quer dizer também que, além das pró- importante é, nesse caso, exercitar a lingua-
prias empresas, muitos estudiosos e muitas gem cartográfica conforme seus princípios
publicações (inclusive livros didáticos) organi- fundamentais. Num segundo momento, os
zam dados sobre essas empresas. Informações grupos devem fazer uma seleção de infor-
como as sugeridas estão disponíveis para essa mações, dando preferência àquelas relacio-

74
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

nadas à localização geográfica das unidades uma rede, pode ser relevante representá-
da rede e também em relação ao volume de -los. Outro exemplo: digamos que uma
unidades. Com isso organizado, é possível rede de alimentação tenha mantido sua
partir para a representação cartográfica. Os expansão restrita ao mundo ocidental e a
materiais necessários serão: o mapa mudo alguns países da Ásia até os anos 1980, e
(disponível no Caderno do Aluno), um que, após essa data, tenha se estendido a
compasso, uma régua e lápis de cor. outros países asiáticos e à África. Seria o
caso de colorir os círculos de forma gra-
f O mapa será uma representação quantita- duada, por exemplo: amarelo-claro para os
tiva, um elemento iconográfico que repre- mais antigos; amarelo-escuro para os mais
sente a quantidade – no caso, propomos recentes. É importante que se use a mesma
que sejam círculos proporcionais. Cabe cor com tonalidades diferentes para que,
um exemplo hipotético: tendo como re- visualmente, o observador do mapa não se
ferência o dado numérico maior (100 mil confunda. Outro aspecto que pode permi-
lanchonetes nos Estados Unidos), define- tir sofisticação e informação mais apurada
-se que o círculo que será desenhado sobre é a representação das quantidades por ci-
os Estados Unidos no mapa terá um diâ- dade. Talvez possam existir dados sobre o
metro de 4 cm. Logo, se, na China, hou- número de unidades nas grandes cidades. E
ver 50 mil lanchonetes, o círculo deverá aí, talvez, seja o caso de colocar um círculo
ter um diâmetro de 2 cm. E se, no Brasil, na posição de algumas cidades com volume
houver 20 mil lanchonetes? Uma regra de expressivo de unidades. Nesse caso, use
três resolve a questão: se para 100 mil são uma cor diferente da dos círculos coloca-
necessários 4 cm, para 20 mil precisare- dos nos países.
mos de 0,8 cm.
Tudo isso precisa, posteriormente, ser or-
Aí vale a sua experiência: se os núme- ganizado na legenda: os tamanhos de círcu-
ros forem muito desiguais, não é adequado los e as quantidades que eles representam; as
representar a maior quantidade com um tonalidades de cores e os tempos que elas re-
círculo com diâmetro pequeno, porque presentam; as cores diferentes e os fenômenos
será difícil representar as demais quantida- diferentes que eles representam (unidades no
des em círculos menores. A representação país e unidades em cidade).
cartográfica pode ser ainda mais sofisti-
cada; se, por acaso, houver dados sobre A seguir, no quadro, sintetizamos a pro-
o período de expansão das unidades de posta de organização dos dados.

75
Redes urbanas de consumo (escala mundial): pesquisa e representação cartográfica
Origem da rede (país, cidade); início da ex-
Pesquisa (Fontes: Dimensão histórica
pansão.
internet, publicações
diversas, unidades
das redes) Estrutura espacial atual; número de unidades
Dimensão geográfica
e distribuição geográfica (países e cidades).

Organizar dados quantitativos em ordem de-


crescente para se chegar aos diâmetros dos
Seleção de dados círculos e também em ordem de localização
geográfica. Se for o caso, organizar os dados
também segundo uma ordem de tempos.

Definir tamanhos dos diâmetros dos círcu-


los proporcionais segundo os dados numé-
Símbolos proporcionais ricos e aplicá-los na localização geográfica
Representação (no centro do país ou na posição da cidade)
cartográfica do mapa-múndi com divisão política.

Colorir os círculos com uma única cor va-


riando sua tonalidade se for o caso de assi-
Gradação de cor
nalar períodos diferentes de existência das
unidades da rede.

Colocar os círculos proporcionais e as classes


Organização da legenda
de idades diferentes das unidades.

Quadro 11 – Redes urbanas de consumo (escala mundial): pesquisa e representação cartográfica.

O mapa feito pelos alunos permitirá uma A mesma organização dos alunos em
visualização do fenômeno sob vários pontos grupo pode permanecer para a interpretação
de vista. Além da configuração da rede (arti- do mapa produzido.
culação, pontos mais densos, áreas mais anti-
gas, áreas mais novas, velocidade de expansão Um aspecto interessante será analisar a ex-
da rede), algumas outras observações poderão pansão da rede segundo o seu tipo de produto
ser feitas sobre a força de irradiação do con- com uma abordagem cultural. Essa é uma di-
sumo que certas cidades (e certas redes) pos- mensão da força das redes que vale a pena des-
suem. Logicamente, você é quem avaliará o tacar. Por exemplo: como uma rede de fast-food
grau de auxílio necessário para que os alunos que vende hambúrguer consegue se instalar em
realizem a leitura do mapa. países que restringem culturalmente o hábito

76
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

do consumo de carnes? Ou, então: como uma derno do Aluno, na seção Lição de casa, há uma
rede de roupas jeans consegue penetrar em áreas proposta de redação que poderá ser utilizada nas
cujos vestuários masculino e feminino são bas- avaliações da aprendizagem que você desenvolve.
tante diferentes desse tipo de vestimenta? Nes-
ses casos, não é possível falar em transformação Numa grande cidade, há estímulos para
cultural produzida pela irradiação do consumo? consumir além das necessidades mais ele-
mentares e imediatas, como as de alimenta-
A relação trabalhada nesta atividade e as ção e vestuário. Escreva um texto a respeito
interpretações derivadas podem ser sintetiza- dessa afirmação.
das esquematicamente da seguinte maneira:
Em seus textos, espera-se que os alunos considerem que nas
Cidade ļ consumo ļ cidades mundiais grandes cidades há muitos estímulos para o consumo, como
(rede de cidades) ļ expansão de modelo de também há imensa atividade criativa, que gera uma infinida-
consumo ļ transformações culturais. de de mercadorias que nos atraem. Os produtos culturais se
multiplicam, os equipamentos domésticos são expostos pro-
Com o objetivo de consolidar a dis- metendo novas possibilidades na vida etc. Viver nas cidades
cussão feita até o momento, no Ca- é estar exposto em tempo integral aos apelos do consumo.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 7
AS REDES TURÍSTICAS: O CONSUMO DOS ESPAÇOS URBANOS

Em um mundo em que aumenta a mobi- Em torno dessa atividade, formam-se redes


lidade humana, em que as conexões entre os geográficas e econômicas. Desse modo, cresce
lugares se intensificam (fato que se nota espe- o pertencimento dos viajantes-turistas aos lu-
cialmente nas cidades), potencializa-se uma gares do mundo, e eles podem agora consumir
atividade humana que está em crescimento: o os diversos lugares atrativos com mais frequên-
turismo. cia e regularidade.

Para a atividade turística, os lugares do Nesta Situação de Aprendizagem, além de


mundo são mais acessíveis em razão das novas trabalharmos um panorama dessa atividade
tecnologias de transporte, da queda no custo no mundo contemporâneo, com os cuidados
das viagens, da ampliação do tempo livre das conceituais necessários, serão propostas refle-
pessoas e da melhoria da capacidade de recep- xões sobre a condição urbana predominante
ção ao turista nos lugares de destino. Num nas atividades turísticas, algo que, entre outras
mundo assim, o ser humano seria inevitavel- razões, decorre da condição global de boa
mente um turista. parte das cidades mais visitadas.

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Conteúdos: o que é turismo; o que é lazer; cotidiano e lugar; espaços turísticos; fluxos turísticos globais
e regionais.

Competências e habilidades: observar e interpretar representação cartográfica complexa; agrupar dife-


rentes realidades em classes com critérios comuns, como meio de organizar informações e buscar alguma
coerência nos dados; construir e aplicar conceitos da Geografia do turismo.

Sugestão de estratégias: confrontar, numa situação real, personagens semelhantes, mas de essência dis-
tinta: o turista e um praticante de lazer; construir um quadro teórico que faça distinção entre turismo e
lazer; aplicar esse quadro teórico num caso desafiante; problematizar a questão dos efeitos do turismo;
observar e interpretar uma representação cartográfica de fluxos turísticos no mundo.

Sugestão de recursos: mapa contemporâneo; texto e tabelas; aulas dialógicas.

Sugestão de avaliação: participação nas reflexões sugeridas em sala de aula; participação na proposi-
ção de um desafio; observação e interpretação de mapas.

Etapa prévia – Sondagem inicial e 1. Como você define uma atividade turística?
sensibilização Cite exemplos.
Atividade turística é uma viagem que proporciona sair do
O fenômeno turístico é muito conhecido cotidiano e do lugar (local onde se vive), com o objetivo
no mundo contemporâneo, em especial em de visitar, conhecer, vivenciar experiências em outro lu-
certas áreas do Brasil. Seguramente, os es- gar. Tudo o que daí decorre está na essência do turismo
tudantes percebem o turismo, se não de (fazer um tour, uma experiência, é a origem do próprio
forma direta, ao menos de forma indireta, termo).
pois a prática turística é bem presente nos
meios de comunicação, por exemplo. É sem- 2. Quais são as motivações para a prática do
pre muito produtivo iniciar uma Situação turismo?
de Aprendizagem verificando o modo como A grande motivação é a experiência pessoal, conhecer ou-
os alunos percebem os fenômenos que serão tro lugar. Diante disso, a indústria moderna do turismo cria
estudados. um conjunto de outras atividades instigantes: atrações na-
turais, parques temáticos etc., com o intuito de descansar
Por isso, sugerimos algumas questões na ou se divertir.
seção Para começo de conversa, do Caderno
do Aluno, que poderão mostrar qual a noção 3. Associe alguns lugares do mundo e do Bra-
que os alunos têm acerca do turismo. sil às seguintes práticas turísticas.

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Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Hidroterapia: Poços de Caldas, Caldas Novas. Segundo a Organização Mundial do Tu-


rismo (2001), compreende-se por turismo as
Atrações culturais e econômicas (comer- atividades (de lazer, de negócios etc.) que as
ciais): Nova Iorque, Berlim, São Paulo, Miami. pessoas realizam quando viajam por mais de
um dia consecutivo para lugares diferentes
Climatismo: Campos do Jordão, Davos (Suíça). do seu entorno habitual.

Alpinismo: Himalaia (Nepal), Países andinos (Andes). O visitante que viajou está fora do seu coti-
diano, está em outro lugar, não mora ali, está
Esportes de inverno: Aspen (EUA), Bariloche hospedado. Ele está viajando. Já o visitante
(Argentina), Chamonix (Suíça). da própria cidade não está fora do seu co-
tidiano, mora ali, não está hospedado, logo,
Esportes de verão: Havaí (EUA), Austrália, litoral não está viajando. São dois personagens
brasileiro. diferentes e em situações distintas.

Experiências ecológicas: Amazônia, Pantanal, Leitura e análise de texto


Moçambique (Parque da Gorongosa), África do Sul
(Parque Krueger). Em seguida, propomos uma narrativa
hipotética com a intenção de que os alunos
Há muitíssimos outros exemplos possíveis. O professor pode, reflitam sobre o que é ser turista. Acerca da
inclusive, buscar com os alunos exemplos de lugares próxi- situação sugerimos algumas atividades no
mos ao município em que a escola se localiza e que permi- Caderno do Aluno.
tam algumas dessas práticas turísticas.
Numa grande cidade, uma locali-
Vale destacar alguns aspectos relacionados dade muito conhecida, onde se encon-
ao trabalho conceitual, cujo exercício é crucial tra um monumento (uma igreja muito
para o desenvolvimento cognitivo dos alunos. antiga, uma grande torre, uma estátua
Por tudo isso, esse é um momento importante, importante, um museu etc.) ou então
que você deve acompanhar com bastante cui- uma localidade que é muito conhecida
dado, ajudando os alunos na construção de por ter sido palco de um grande acon-
conceitos precisos. É provável que apareça tecimento (um ponto onde se declarou
nesse esforço de distinguir os visitantes do lu- a independência de um país, por exem-
gar atrativo uma palavra-chave: viagem. E, de plo). Áreas assim são atrações e, por
fato, essa palavra é um divisor de águas entre isso, recebem muitos visitantes, que ne-
o visitante comum de um lugar e o visitante- las exploram todos os detalhes, tiram
-turista. O conceito de turismo pode ser cons- fotografias etc.
truído baseado nesta condição.

79
1. Todos esses visitantes podem ser caracteri- Etapa 1 – O turismo: um fenômeno
zados como turistas? Por quê? que constrói espaços
Não necessariamente. Serão turistas apenas aqueles que não
são do lugar, que não moram ali. Os moradores do local são Aproveitando o esforço conceitual que os
visitantes que estão praticando lazer, uma atividade recreativa alunos já realizaram na sondagem inicial, suge-
e cultural que se realiza onde se mora. rimos que retome a reflexão sobre o que é tu-
rismo, utilizando uma nova palavra para auxiliar
2. O que é um turista? a discussão: lazer. Pode-se também perguntar aos
Turista é o viajante que está fora do seu lugar, fora do seu estudantes sobre o ponto atrativo no exemplo tra-
cotidiano e em busca de novas experiências, de conhecer balhado na sondagem inicial. Aqueles visitantes
lugares. O grande objeto de consumo de um turista é o lugar que não eram turistas, que moravam no lugar, es-
visitado. tavam praticando o quê? Seguramente, a palavra
lazer será lembrada. Conclusão: todos visitavam
3. Você acha que a prática turística está a atração da cidade, mas alguns praticavam o tu-
necessariamente relacionada ao ato de rismo e outros praticavam o lazer. Você pode per-
viajar? Justifique. guntar: Se a diferença não estava no que faziam,
Sim, pois não há prática turística sem o ato de viajar. A movi- então estava nas condições em que faziam?
mentação que realizamos dentro do lugar e dentro do coti-
diano não se caracteriza como viagem, pois ela não implica O importante é que esse diálogo com o estu-
preparação nem programação, que são atos característicos dante o coloque numa posição de atenção, con-
das práticas turísticas. centração e reflexão. Todos sabemos o quanto
isso é precioso no desenvolvimento intelectual
4. Relacione as expressões seguintes com dos alunos, mas é preciso reinvestir e reconstruir
cada um dos tipos de visitante: essa possibilidade, mesmo admitindo que, ini-
cialmente, os resultados não serão ideais. Para
VV Visitante viajante não desperdiçar a participação que houver so-
VM Visitante morador bre a definição do turismo e sobre sua distinção
em relação à prática do lazer, sugerimos que
(vm) dentro do seu cotidiano você trabalhe com o Quadro 12 e duas questões
que o problematizam, conforme atividade dis-
(vv) fora do seu cotidiano
ponível no Caderno do Aluno.
(vm) não está hospedado
Leitura e análise de quadro
(vv) está hospedado

(vm) não está viajando 1. Preencha o quadro a seguir (Quadro 12),


identificando as características do lazer e
(vv) está viajando do turismo.

80
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Características Lazer Turismo

1. Uso de tempo livre sob o domínio do praticante Ɣ Ɣ

2. Recreação, diversão e passeios diversos Ɣ Ɣ

3. Tempo livre no interior do cotidiano Ɣ

4. Tempo livre fora do cotidiano Ɣ

5. Prática realizada no seu lugar Ɣ

6. Prática realizada fora do seu lugar Ɣ

7. Quando apenas alguns lugares são atração Ɣ

8. Quando qualquer lugar por si só é atração Ɣ

Quadro 12 – Características de lazer e turismo. Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

2. Analise o quadro preenchido e responda: Significa que essa característica distingue o lazer do turis-
mo. Por exemplo: prática no seu lugar ou prática fora do
a) Quando as características têm os seu lugar são essenciais para identificar o que é turismo e
dois campos preenchidos, o que isso o que é lazer.
significa?
São situações em que turismo e lazer se misturam. Assim, pode-se utilizar a contextualização
Há muita coisa em comum entre essas duas práticas. da Organização Mundial do Turismo (2001)
Por essa razão, descuidadamente, em várias situações para complementar a caracterização:
usa-se uma expressão como sinônimo da outra. Mas
lazer e turismo são práticas distintas de igual status f Turismo: viagem de mais de 24 horas para
conceitual. fora do lugar;
f Excursão: viagem de menos de 24 horas
b) Quando as características listadas têm para fora do lugar;
apenas um dos campos preenchido, f Lazer: visita a um ponto turístico ou de
qual é o significado disso? lazer feita por um morador do lugar.

81
Ressalte, inicialmente, que essa caracteri- 1. Descreva como você entendeu a ideia de
zação estabelece um vínculo entre o lazer e a cotidiano.
atividade turística, mas que o conceito de lazer
possui uma amplitude maior: considera todo 2. Explique a afirmação: O lugar é o tamanho
o tempo disponível, excluindo-se as horas de geográfico de nosso cotidiano.
trabalho, que pode ser dedicado às atividades
que dão prazer às pessoas. Esse tempo poderá Após esse esclarecimento, com o quadro
servir para visitar algum ponto atrativo local. preenchido e com verificações informais se o
entendimento está mais ou menos sob con-
Para que o aluno possa retomar trole, sugerimos que você eleve o patamar
essa importante discussão concei- da discussão.
tual da Geografia, na seção Lição
de casa, do Caderno do Aluno, há a proposta O problema a ser levantado é o seguinte:
de atividade a seguir. Todas as viagens podem ser caracterizadas
como turismo? Se, por exemplo, alguém vai
Leia o texto a seguir e responda às questões. a uma festa de casamento de um parente,
não foi fazer turismo. Mas há práticas que
O que é lugar envolvem viagens que estão sendo chama-
das de turismo, e o melhor exemplo é o cha-
Para que a definição seja precisa, bas- mado turismo de negócios. E aqui está o
tam dois conceitos-chave: cotidiano C lu- desafio: Faz sentido dizer que pessoas que
gar. Um elemento que compõe o cotidia- viajam a negócios praticam algo que possa
no de qualquer pessoa é o lugar, o lugar ser chamado turismo?
geográfico. Lugar é o quadro geográfico
de vida, no qual a distância não impede Mais do que acompanhar as respostas,
que as relações do dia a dia (moradia, você deve ficar atento às estratégias cogni-
trabalho, escola, lazer, relações pessoais) tivas que os estudantes estão empregando
se realizem. O que não podemos realizar para responder à questão. Alguns podem
no dia a dia, porque é muito longe para ser meramente intuitivos, não vinculando a
nós, está fora de nosso lugar. E está fora discussão anterior com a solução do desa-
de nosso cotidiano. Uma frase resume fio; outros podem fazer isso, mas de maneira
essa conceituação: o lugar é o tamanho vaga e genérica; outros ainda (e isso seria
geográfico de nosso cotidiano. o ideal) conseguem fazer uma aplicação do
quadro de forma rigorosa, item a item. Se
Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São
Paulo faz escola. ninguém usar essa estratégia, recomenda-
mos que mostre como a usar e enfatize a im-

82
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

portância de pensar com método, de usar os são variadas e os lugares procurados tam-
conceitos como ferramentas para construir bém, especialmente onde há mais tempo e
os pensamentos. as pessoas se organizam para a prática do
turismo. No passado, as atrações turísti-
A importância de insistir nas estratégias cas eram outras e novas motivações foram
cognitivas muito mais do que em respostas acrescentadas a elas. A seguir, apresentamos
definitivas deve-se, principalmente, ao fato alguns exemplos.
de o turismo de negócios também ser um
tema polêmico na própria área, com defesas f Hidroterapia, climatismo, alpinismo,
favoráveis e contrárias a essa categoria tu- esportes de inverno e esportes de verão
rística. Alguns pesquisadores, como Cunha referem-se às diferentes práticas que já
(2001), conciliam a questão dos negócios existiam no passado. Algumas ainda são
com a atividade turística, ao afirmar que o muito procuradas, como os esportes de
turismo de negócios comporta as atividades inverno nos países temperados.
de visitação que decorrem de viagens com a f “Turismo cultural”, “turismo balneário
finalidade de realizar negócios ou outras ati- ou litorâneo”, “turismo de montanha”,
vidades profissionais. Reforçando essa posi- “turismo verde” – ecoturismo e “turis-
ção, o Ministério do Turismo (2008) afirma mo rural” – são termos referentes a cer-
que as atividades turísticas decorrentes de tas realidades espaciais e sociais (grupos
viagens de negócios (participação em fei- sociais tidos como exóticos, praias,
ras e convenções, reuniões comerciais etc.) montanhas, santuários ecológicos,
caracterizam-se como turismo de negócios área rural).
e eventos. f O descanso, o divertimento, a procura
de outras experiências e a realização
O próximo passo desta etapa da Situa- de uma necessidade existencial são re-
ção de Aprendizagem é levar a uma reflexão ferências às finalidades buscadas pelos
sobre os espaços turísticos. Ela será facili- turistas.
tada com o trabalho conceitual feito ante-
riormente. Propomos que você pergunte aos Como se dá a organização espacial do tu-
estudantes se eles sabem onde as pessoas rismo e de suas redes?
gostam de praticar turismo.
Sugerimos que, para dar prosseguimento à
É provável que as respostas sejam di- Situação de Aprendizagem, você trabalhe com
versificadas: as motivações para o turismo o Quadro 13.

83
Distinção entre os espaços turísticos
Capacidade de Funções urbanas
Espaços turísticos População local
recepção diversificadas

Sítio turístico Não Não Não


Infraestrutura turística Sim Não Não
Estações turísticas Sim Sim Não
Cidade turística Sim Sim Sim
Quadro 13 – Distinção entre os espaços turísticos. Elaborado especialmente para o São Paulo faz escola. Fonte: KNAFOU, Rémy;
STOCK, Mathis. Tourisme. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT, Michel. Dictionnaire de la Géographie et de l’espace des sociétés.
Paris: Belin, 2003. p. 933.

Pelo quadro, pode-se classificar os lu- para os estudantes e pedir que eles deem
gares turísticos que funcionam articulada- exemplos à medida que forem compreen-
mente. Vale a pena defini-los rapidamente dendo os termos.

f Sítio turístico: É a atração turística propriamente. Uma área destacada no interior de


outros espaços e que possui a função turística pura. Esse é o caso das pirâmides do
Egito (e de outras ruínas daquela civilização antiga); das pirâmides maias na América
Central; de formações naturais (quedas d’água, picos de montanhas, por exemplo). Nos
sítios turísticos não se hospeda e não mora ninguém. Os turistas dirigem-se até eles,
visitam-nos e retiram-se. Que outros exemplos, inclusive ligados à realidade dos alunos,
podem ser apontados como sítios turísticos?
f Infraestrutura turística: Lugar pouco conhecido em nosso território, mas muito co-
mum em países turísticos. Por exemplo, nas escaladas e trilhas em regiões monta-
nhosas existem lugares que apoiam o turismo, até com serviços de hospedagem. Não
mora ninguém nesses lugares, não são eles a atração, mas foram construídos como
parte necessária das redes espaciais do turismo. Aeroportos em lugares afastados por
vezes cumprem esse papel. São portas de entrada para áreas exploradas por certas
práticas turísticas. Vale também, nesse caso, procurar outros exemplos de situações
desse gênero.
f Estação turística: Esse gênero de lugar turístico já é mais familiar. Estrutura-se em
áreas povoadas, pequenas cidades em geral, com grande capacidade de hospedagem
para o período da estação turística. Suas atrações vinculam-se às estações do ano.
Esse é o exemplo dos pequenos povoados em regiões montanhosas que lotam de tu-

84
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

ristas na estação do inverno, ou, então, das pequenas cidades litorâneas que se trans-
formam no verão. Sem o turismo, são áreas urbanas sem a diversidade de atividades
e recursos de uma grande cidade. Certamente, muitos exemplos de estações turísticas
poderão ser lembrados por você, e os próprios alunos também saberão exemplificar
esse tipo de espaço. Um exemplo bem conhecido de São Paulo: Campos do Jordão,
estação turística de inverno.
f Cidade turística: São as cidades que recebem muitos turistas, mas têm uma vida am-
pla e diversificada para além dessa atividade. São centros urbanos plenos, que exer-
cem todas as funções das áreas metropolitanas e são visitadas inclusive por isso.
Entre eles, estão os principais destinos dos turistas do mundo e exemplos não faltam:
Paris, Londres, Nova Iorque, Rio de Janeiro, Salvador, Sydney, Barcelona e muitas
outras cidades.

Qualquer lugar turístico se encaixa em 2. Por que um sítio turístico não tem capaci-
uma dessas quatro categorias. Elas compõem dade de recepção?
a rede espacial do turismo e sua escala de
abrangência pode ir do local até o global. 3. Explique como pode ser a capacida-
de de recepção nos seguintes espaços
Leitura e análise de quadro turísticos: estação turística e cidade
turística.
No Caderno do Aluno, a análise do Quadro
13 é conduzida por meio das questões a seguir. 4. Comente a relação entre o item “Popula-
ção local” e os espaços turísticos citados no
1. Considerando o Quadro 13 e tendo em vis- quadro.
ta a terminologia empregada, responda:
Para o fechamento desta etapa,
a) O que é sítio turístico? Dê dois exemplos. sugerimos que você utilize o texto
a seguir para iniciar uma discus-
b) O que é infraestrutura turística? Dê dois são sobre as reações e as consequências do
exemplos. turismo no mundo. Afinal, trata-se de um fe-
nômeno novo (na proporção atual) na histó-
c) O que é estação turística? Dê dois exemplos. ria da humanidade, e seus efeitos não estão
ainda absorvidos. As atividades relacionadas
d) O que é cidade turística? Dê cinco ao texto estão propostas na seção Lição de
exemplos. casa do Caderno do Aluno.

85
Turismo: um modo de consumo dos espaços

O bem que se compra com a prática turística é o direito de visitação a um espaço. Por isso,
tornou-se comum dizer que o turismo é uma forma de consumo do espaço. Apesar de o turista
estar em perfeita consonância com nosso mundo e com tudo que nele se criou (em especial, a
mobilidade), são fortes as contestações ao turismo e às suas práticas. Como diz Rémy Knafou
(1996), um importante estudioso do assunto, o turista é um nômade, seus espaços são tempo-
rários, mas ele precisa agir como cidadão de pleno direito, apropriar-se daquele espaço, o que
pode fazer com que o morador local não o veja com boa vontade. Além disso, o turismo é
condenado porque destruiria o meio ambiente e sobrecarregaria os locais com excesso de pes-
soas. Tudo isso inviabilizaria o turismo sustentável. Seria o turismo um devorador do próprio
recurso que lhe deu origem, por exemplo, uma bela paisagem? Qual o papel das instâncias
político-administrativas e das sociedades dos lugares turísticos para evitar que isso aconteça?

Muitos críticos do turismo estranham um mundo que aumenta de modo impressionante as


relações entre pessoas de lugares distantes. Entendem o turismo como um destruidor das pecu-
liaridades locais. A despeito das condenações, a atividade continuará e se multiplicará. Isso é evi-
dente em razão das condições de vida que o mundo moderno promove. Com relação a conter a
degradação promovida pelo turismo, é evidente que, quanto menos depender do turismo, menos
risco corre o lugar. Uma grande cidade suporta mais a multiplicação dos negócios turísticos que
um lugar muito dependente do turismo, que acaba não tendo força para controlar a degradação.
E, certamente, há o que controlar, há o que combater. Muitas situações são condenáveis, mas elas
não são suficientes para justificar a crítica intolerante ao turismo e ao turista.
Referência
KNAFOU, Rémy. Turismo e território: por uma abordagem científica do turismo. In: RODRIGUES, Adyr A. B. Turismo
e Geografia. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 62-74.

Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

1. Por que se pode dizer que praticar o tu- Muitas vezes, o turista não é bem-visto porque é um nôma-
rismo é um modo de consumir o espaço de, um visitante temporário que se apropria do espaço. Além
visitado? disso, a concentração de turistas tende a sobrecarregar os lo-
Segundo o texto, na atividade turística compra-se o direito cais e alterar significativamente o espaço para que se possam
à visitação de um espaço. Isso significa que esse espaço é criar estruturas que comportem esse fluxo de pessoas.
comercializável.
3. Uma das condenações comuns ao turismo
2. Parece que cada vez mais as pessoas é a de que essa atividade destruiria a cultu-
buscam, sempre que possível, praticar o ra e as peculiaridades dos locais visitados,
turismo. No entanto, o texto mostra que pois os turistas chegam com novos hábitos e
nem sempre o turista é bem-visto. Apre- impõem mudanças ao local. Você concorda
sente dois motivos para isso. com isso? Justifique.
86
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

A resposta é pessoal, mas espera-se que os alunos percebam fico do que significam as práticas turísticas no
as alterações que os turistas podem provocar nos locais visi- mundo contemporâneo. Para tanto, propomos
tados. Elas tanto podem ser positivas (levando ao desenvol-
que você trabalhe com a representação carto-
vimento econômico local) quanto negativas (promovendo a
gráfica apresentada na Figura 16, disponível
perda da cultura local).
no Caderno do Aluno.
4. Agora, procurando utilizar as novas infor-
mações obtidas, escreva em seu caderno Depois de perceber que os alunos compreen-
um texto que: deram a linguagem gráfica dos mapas, talvez seja
f caracterize o fenômeno turístico no mun- o caso de deixar os estudantes observarem por
do contemporâneo (segundo as suas per- um tempo a Figura 16. Após um tempo de ob-
cepções); servação individual, o próximo passo que vamos
f inclua comentários sobre as atividades sugerir implica em um trabalho coletivo para per-
turísticas presentes nas realidades geo- mitir a troca de informações entre os estudantes.
gráficas que você conhece.
Espera-se que o texto produzido pelos alunos apresente a in- Leitura e análise de mapa
tensificação do turismo no mundo e as consequências em
escala local, regional e mundial dessa atividade. Para orientar a observação, algumas ques-
tões podem ajudar a construir uma visão pa-
Etapa 2 – A escala do fenômeno norâmica sobre os principais fluxos turísticos
turístico: o apoio na rede de cidades internacionais, percorrendo maiores distâncias,
e sobre o movimento turístico em espaços mais
O turismo tem uma dimensão econômica curtos, no interior de uma região do continente.
importante que contribui para a criação de ri-
queza em diferentes escalas. Na escala mundial, 1. Qual é o fluxo quantitativamente mais sig-
com mais de 700 milhões de deslocamentos, o nificativo de turismo intercontinental que
turismo contribui com cerca de 10% da riqueza está representado no mapa? De que forma
mundial. Em países em desenvolvimento, uma ele está representado?
porcentagem ainda maior de sua riqueza pro- Trata-se do fluxo Europa ĺ América do Norte, que é de
vém do turismo; porém, países ricos, como a 12 747 000 turistas. Está representado no mapa que centra-
França ou a Espanha, arrecadam perto de 10% liza a Europa pela seta proporcionalmente mais larga dos
de suas riquezas dessa atividade (KNAFOU, quatro mapas.
Rémy; STOCK, Mathis. Tourisme. In: LÉVY,
Jacques; LUSSAULT, Michel (Org.). Diction- 2. Qual é o maior volume de turismo intrarregio-
naire de la Géographie et de l’espace des sociétes. nal e como ele está representado no mapa?
Paris: Belin, 2003. p. 931-933). O maior volume ocorre no continente europeu com
372 894 000 turistas. Está representado pelo maior dos círcu-
Nesta etapa da Situação de Aprendizagem, los dos quatro mapas. Esse número indica também o domí-
o objetivo é fornecer um panorama geográ- nio do turismo de distâncias menores.
87
3. Qual dos continentes tem a maior movi- Europa para esse país é enorme, como também da Ásia. Os EUA
mentação turística intercontinental (como são um destino muito procurado, em razão de seu poderio, das
origem e destino) e intrarregional? Expli- grandes cidades que possuem e das múltiplas atrações que ali
que por que isso ocorre. existem (parques temáticos visitados por pessoas do mundo in-
Trata-se da Europa, em especial em sua porção ocidental. É a área teiro). É importante lembrar que suas influências culturais sobre
do mundo que mais recebe turistas intercontinentais vindos prin- o mundo são enormes: por meio do cinema e de programas de
cipalmente das Américas e da Ásia. É também o continente que televisão, muitos lugares dos EUA passam a ser conhecidos por
mais envia turistas para os outros continentes, inclusive a África. todos, tornando-se objeto de desejo de visitação. Muitas pes-
Além de tudo isso, tem o maior turismo intracontinental. Isto é, soas sonham em conhecer Nova Iorque, por exemplo.
ao mesmo tempo, sintoma de riqueza econômica; boa qualidade
de vida de seus habitantes que conquistaram parcelas de tempo 5. Agora observe, nos diferentes mapas (Figura
livre; presença de localidades atrativas e de estruturas para atrair o 16), os fluxos turísticos que envolvem a Europa.
turista e facilitar o turismo para o exterior. Em menor escala, essa
situação se repete na América do Norte e no Nordeste Asiático. a) Qual é a geografia desses fluxos?
A Europa é o principal emissor de turistas para outras partes
4. Observe, nos diferentes mapas (Figura 16), do mundo. O turismo surgiu nesse continente. O padrão de
os fluxos turísticos que envolvem o conti- vida e as condições de trabalho permitem que boa parte dos
nente americano. europeus introduza o turismo em sua vida quase como uma
cultura. Os principais fluxos turísticos de europeus, como fica
a) Qual é a geografia desses fluxos? evidente no mapa, dirigem-se à Amércia do Norte,, mas ou-
Na coleção de mapas, o que está representado como continente tras localidades surpreendem, como a África do Norte. O que
americano é a junção das três Américas (do Norte, Central e do justifica os fluxos elevados são as relações do passado (muitos
Sul). No que se refere à emissão de turistas, a coleção não dis- países ali foram colonizados pelos europeus) e a proximida-
tingue a origem regionalmente; portanto, pode-se dizer que os de. Ao mesmo tempo, a Europa é o maior destino turístico
maiores fluxos desses três continentes se dirigem à Europa como internacional do planeta, como a coleção de mapas mostra.
um todo, destacadamente à Europa do Oeste. Mas também são
elevados os fluxos para a Europa do Sul e para a Europa do Norte. b) Compare os fluxos turísticos da Europa
Já os fluxos para outras partes do mundo são bem menores, ainda com os da Ásia.
que mereça destaque o fluxo de viagens turísticas para o Nordes- A geografia turística da Europa é a mais relevante tanto no que
te Asiático, sendo o Japão o país de destaque dessa região. diz respeito à emissão quanto à recepção de turistas. As razões são
praticamente as mesmas que justificam o turismo para a América
b) Qual é a região desse continente que rece- do Norte, com destaque para os EUA. Para a Europa vão, em gran-
be o maior número de turistas? Por quê? de número, os estadunidenses, os asiáticos, os sul-americanos
Para a recepção de turistas, a coleção de mapas é mais detalha- etc. Por sua vez, a Ásia se integra cada vez mais ao mundo, e isso
da. É possível observar que partes do “continente americano” se reflete nos seus fluxos turísticos, em especial, na emissão de
ampliado recebem mais turistas e de onde eles se originam. Fica turistas. O Nordeste Asiático, principalmente o Japão, com uma
evidente que a América do Norte, sendo os EUA o país de des- economia pujante, envia uma grande quantidade de turistas para
taque, recebe grandes volumes de turistas. O fluxo turístico da a Europa e a América do Norte, principalmente os EUA.
88
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Destinos do turismo internacional, 2005 (em milhares de turistas por ano)

12 7 372 894
América 47
do Norte

Nordeste Asiático
602

1 88
Caribe 4 915 3
e América 603
Central EUROPA Oceania
E CEI* 34 Sudeste Asiático
48

06
60

9 731
18

África Sul da Ásia


40

18
do Norte Oriente Médio

12
América

83
do Sul * Comunidade dos Estados Independentes:

25
África do Oeste Armênia, Azerbaijão, Bielorrússia, Geórgia,
África do Leste Casaquistão, Quirguistão, Moldávia, Rússia,
Tadjiquistão, Ucrânia e Uzbequistão

7 775
América
do Norte
62

114
32

65
2
6 73
65

Europa do Norte
34

Europa Central ÁSIA


Europa do Oeste e do Leste E PACÍFICO
Europa do Sul
2 82
3 6 149
Oriente Médio

48
39

Nordeste
AMÉRICAS 64 Asiático
47
1 10
2 90

9 559
1
3

Europa do Norte Oceania


Europa Europa Central Sudeste Asiático
30 e do Leste
9

do Oeste
2 624

27
Ásia do Sul
Europa do Sul
906

6 919 Oriente Médio

76
10

O recorte regional é o da Organização


Mundial do Turismo. 710 Europa do Norte
Europa 52
do Oeste 9
28

Deslocamento de turistas internacionais:


13

Europa do Sul
784 ORIENTE
África MÉDIO
no interior da região do Norte
65
Benoît MARTIN, dezembro de 2006

1 57 15 8
9

entre as regiões
ÁFRICA
13
291
Estão representados apenas os fluxos superiores
a 500 000 turistas internacionais.

Fonte: Organização Mundial do Turismo, <http://www.unwto.org>

Figura 16 – Destinos do turismo internacional, 2005 (em milhares de turistas por ano). DURAND, M.-F. et al. Atlas de la
mondialisation. Paris: Presses de Sciences Po, 2008, p. 27. Tradução: Renée Zicman. Mapa original.

89
6. A Europa é o continente que tem a maior tornar mecânico e natural o pensamento de que turismo
movimentação turística do mundo. sempre causa degradação. Tal julgamento não é tão óbvio
nem tão simples.
a) Essa movimentação busca principal-
mente que tipo de atração? 7. A sensação de um mundo vasto, de relações
As grandes atrações turísticas da Europa são suas cidades, so- dificultadas pelas grandes distâncias, man-
bretudo para quem vem de outros continentes. Mas também tém-se diante da representação cartográfica
não se pode negligenciar a importância do turismo “sol- dos fluxos turísticos atuais? Por quê?
-areia” de verão que acontece na Europa. Nesse caso, é prin- Principalmente apoiado nas redes de cidades, o turismo in-
cipalmente o público interno do continente que se desloca tercontinental movimenta mais de 100 milhões de pessoas
entre os países. anualmente (pode-se chegar aos números exatos somando-
-se o que as setas representam). Isso, adicionado ao turismo
b) Essa movimentação teria provocado a dentro dos continentes (cerca de 600 milhões), demonstra
degradação dos espaços da Europa? quanto no mundo contemporâneo as relações humanas
Eis aí uma questão importante. Não parece que as grandes estão se estreitando e quanto os espaços estão se transfor-
cidades europeias tenham sofrido processos significativos de mando em espaços de todos. Por enquanto, os números
degradação, muito pelo contrário: o turismo significa apor- da movimentação turística representam 10% da população
tes importantes de recursos para várias dessas cidades e isso mundial, mas todas as tendências indicam que esse processo
as tem revitalizado. É bom refletir sobre esse fato para não de “consumo dos espaços” mal se iniciou.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 8
UM MUNDO MAIS FLUIDO: OS CAMINHOS GEOGRÁFICOS
DAS REDES ILEGAIS

Num mundo mais interconectado, que es- terroristas; os novos meios de fuga de recursos
trutura seus principais núcleos urbanos em re- financeiros em “paraísos fiscais” (que não co-
des e por onde circula um volume imenso de bram impostos sobre determinadas operações
turistas, de novos bens e hábitos de consumo, financeiras); a “lavagem” e o “esquentamento”
circulam também pessoas, bens e informações de dinheiro sujo; e o comércio de produtos e
fora do controle das leis vigentes. de bens culturais com marcas famosas falsifi-
cadas: a pirataria.
Ao contrabando de mercadorias, à circu-
lação de imigrantes clandestinos, ao tráfico A rigor, as redes de ilegalidade se forta-
de drogas e de armas e às redes de ilegalidade lecem porque é possível fazer circular bens
tradicionais (embora atualmente mais profis- em escala global, há demanda para eles, e os
sionais e mais sofisticadas) juntam-se: as no- controles que são feitos pelos Estados nacio-
vas formas de organização dos agrupamentos nais (países) não estão bem preparados para

90
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

reprimir as organizações ilegais mundiais, serão propostas algumas reflexões a respeito


bem mais poderosas e engenhosas do que dessas novas redes de ilegalidade, a partir de
eram antes. Nesta Situação de Aprendizagem, um exemplo significativo desse fenômeno.

Conteúdos: globalização; redes de ilegalidade; fronteiras; controles; empresa global; crime global; vanta-
gens comparativas; Estado nacional; paraísos fiscais.

Competências e habilidades: construir e aplicar habilidades relativas ao domínio da linguagem carto-


gráfica como meio de visualização sintética da relação entre realidades geográficas distintas; relacionar
o processo de integração mundial às redes de negócios ilegais; identificar e distinguir configurações
espaciais diferentes como “paraísos fiscais”; identificar e distinguir realidades na escala mundial e as
mudanças de percepção com as mudanças de escala.

Sugestão de estratégias: ativar conhecimentos prévios relativos às redes de ilegalidade; apresentar um pa-
norama das vantagens dos negócios que atuam em escala global, em comparação com os que atuam em
escala local (empresa global e crime global); apresentar texto que define “paraíso fiscal”; expor e propor
interpretação de representação cartográfica dos paraísos fiscais; aulas dialógicas.

Sugestão de recursos: texto; mapa.

Sugestão de avaliação: participação nas reflexões sugeridas em sala de aula; observação e interpretação de
um mapa.

Etapa prévia – Sondagem inicial e jas”, tráfico (de drogas e de armas), muambas,
sensibilização lavagem de dinheiro, dinheiro sujo etc. Não
se pode prever quantas e quais palavras serão
Você pode abrir esta etapa de sondagem mencionadas. Se houver inibição, um recurso
com uma afirmação: algumas atividades ile- que se pode usar é o de citar algumas dessas pa-
gais em nosso país estão muito presentes em lavras e sondar se eles sabem o que significam.
nosso cotidiano, por exemplo, indiretamente
pelos meios de comunicação. Depois disso, Pode-se ir mais longe ainda nesta etapa de
peça aos estudantes que mencionem termos sondagem: listar os termos e buscar seus signifi-
relacionados a essas atividades. Para esti- cados, na verdade criar um glossário. Ele será útil
mular as respostas, você pode citar um deles para começar a revelar as redes de ilegalidades,
como exemplo: o contrabando. que podem não ser óbvias. Veja o exemplo do
que pode ser feito a partir da palavra “pirata”:
Liste na lousa as respostas para constatar se
o conjunto dos estudantes tem conhecimento Certamente, todos conhecem a palavra “pi-
da existência das atividades ilegais. Eis algumas rata”. Os piratas são personagens históricos,
possibilidades: pirataria, falsificação, “laran- navegadores que viviam de saquear navios

91
que transportavam mercadorias das regiões O mesmo pode ser feito nesta etapa de son-
colonizadas pelos europeus, por exemplo (a dagem com outros termos que se relacionam
pirataria clássica de rapto e saque de navios às redes de ilegalidades.
parece ter retornado, a partir da Somália, país
que vive uma guerra civil desde 1990. Desde Etapa 1 – Um mundo interligado: as
1997, há relatos de roubos de navios nas pro- redes da ilegalidade se fortalecendo
ximidades desse país). Quando, atualmente, se
fala em produtos piratas e pirataria, estamos Você poderia iniciar esta etapa com um
nos referindo a algum tipo de roubo? problema complexo para os estudantes re-
fletirem e assumirem uma posição. Ele será
Para responder a esta pergunta, precisamos apresentado por meio de um texto e algumas
ter clareza de que produtos piratas são pro- questões interligadas e terá o seguinte título:
dutos falsificados, copiados de outros produ- As vantagens de ser global no mundo con-
tos famosos. A pirataria é um negócio ilegal, temporâneo.
apoiado por redes e organizações poderosas,
que vivem de copiar, de falsificar, de usar a Uma sugestão é que os alunos estejam
identidade alheia. Produtos piratas são mais organizados em grupos, porque seria bom
baratos: não pagam impostos e geralmente compartilharem as reflexões para depois assu-
usam materiais de baixa qualidade. mirem uma posição conjunta.

As vantagens de ser global no mundo contemporâneo

As empresas globais: algumas empresas, as chamadas corporações transnacionais, operam em escala


global. E o que é operar em escala global? É ter o mundo inteiro como mercado consumidor? Uma cor-
poração reduz sua ação mundial ao ato de vender? Ou será que vender nos Estados Unidos e na União
Europeia (os maiores mercados mundiais) pode ser ainda um melhor negócio se a produção se der em
outras partes do mundo? Quem não nota, nos nossos dias, que as grandes corporações transnacionais
(com origem principalmente nos Estados Unidos, na Europa e no Japão) vendem seus produtos no mun-
do inteiro, e que seus sistemas de produção estão sediados em diversas localidades do mundo (como a
China, a Coreia do Sul, o Vietnã, a Tailândia, a Índia, o Brasil etc.)? Por que localizar a produção nesses
países? Seguramente porque isso lhes dá vantagens na competição internacional, porque a produção
fabril nesses países tem custos de produção mais baixos. E por que os custos são menores? Parte da
resposta estaria no nível dos salários que são pagos? Haveria outras vantagens competitivas em poder
produzir em qualquer parte do mundo e realizar as vendas em âmbito global? Muitos países procuram
atrair empresas para seus territórios porque isso é bom para suas economias. Esses países oferecem van-
tagens, além da mão de obra barata: impostos mais baixos ou mesmo inexistentes, empréstimos, doação
de terrenos, infraestrutura à disposição e a baixo custo, energia mais barata etc. É possível concluir que

92
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

uma empresa global pode compensar as dificuldades de uma ação num país com a facilidade em agir em
outro? Uma empresa nacional não terá dificuldades de concorrer com outra que tem a diversidade do
mundo à sua disposição?

As redes de ilegalidade globais: haveria também para as atividades ilegais vantagens em ter uma atuação
global? Por exemplo: uma organização criminosa que trafica drogas obtém lucros vendendo seus pro-
dutos na Europa e nos Estados Unidos. Digamos que as drogas são produzidas na América do Sul ou
na Ásia, e que o dinheiro obtido com os lucros seja depositado em países que possuem uma “fiscaliza-
ção frouxa” no seu sistema bancário. Muitos países estão interessados em atrair capitais e, com isso,
podem relaxar o controle da origem do dinheiro. Os que controlam as redes da ilegalidade em escala
global sabem explorar essas situações. “Purificar” esse dinheiro “sujo” (que tem origem, por exemplo,
na venda de drogas) não é tão difícil. Essa é uma operação que, do ponto de vista geográfico, pode
ser chamada global? Obter lucros com o crime num país e usar o dinheiro advindo dessa atividade
na mesma localidade sempre foi um problema para os grupos criminosos. Porém, no mundo globali-
zado a diminuição dos controles para circulação financeira, o afrouxamento das fronteiras e a busca
incessante de muitos países pobres por mais capital não acabam fazendo com que o dinheiro sujo tenha
maiores chances de circular com cara de limpo?

Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

O propósito desta etapa é trabalhar na o processo de globalização e a fragilização


construção de um raciocínio central que per- dos controles internos.
corre o problema apresentado: os negócios le-
gais e as redes de ilegalidade que operam em Nesse caso, fica evidente como em mui-
escala global aproveitando diferentes oportu- tas situações inexistem controles às redes de
nidades no mundo desigual e de controles e ilegalidade. Um exemplo é o próprio Brasil e
necessidades variadas. sua maior cidade (São Paulo), cuja paisagem
urbana atual está marcada por locais que
Vários aspectos ou temas relacionados ao concentram abertamente a comercialização
enfraquecimento dos controles dos Estados de “produtos pirateados”. Nesse comércio,
nacionais – que favorecem a circulação de mobiliza-se um volume muito grande de mão
bens ilegais, e, depois, “purificam” seus re- de obra e de compradores, que de outro modo
sultados, dando condição legal ao dinheiro não teriam emprego ou condição de comprar
obtido – podem ser lembrados para enri- certos produtos. E até mesmo quem pode-
quecer a discussão que os alunos estão fa- ria comprar produtos mais caros termina se
zendo em grupo. Um exemplo interessante beneficiando desse comércio. Nesse ponto, a
pode ser enunciado da seguinte maneira: ilegalidade se mistura com problemas sociais

93
e econômicos do país. Esse é um aspecto da ciais conseguem ter alguma eficiência. No entanto, é mais
complexidade do problema. Outro aspecto difícil coibir o crime na escala global, em razão da diversida-
são os malefícios que esse comércio ilegal de de atividades criminosas e de regiões onde elas ocorrem.
produz sobre várias atividades legais que vão Além disso, não existem polícias estruturadas; se as operações
sofrer com perda de mercado, o que vai oca- criminosas se dão num país e o comando está em outros, ou
sionar desemprego, por exemplo. Além disso, pulverizado pelo mundo, reprimir algo assim fica mais difícil.
muitos outros riscos – de saúde, de segurança
etc. – estão implicados no comércio ilegal. 4. O que é dinheiro “sujo”? E o que significa
“lavar” esse dinheiro? Como isso é feito?
Leitura e análise de texto Dinheiro “sujo” são ganhos obtidos com práticas crimino-
sas diversas. Uma maneira eficiente de combater o crime é
Seguem algumas sugestões de questões ex- dificultar a circulação desse dinheiro, exigindo demonstra-
ploratórias para o texto, disponíveis no Ca- ção de sua origem legal. Para os proprietários (criminosos)
derno do Aluno. desse dinheiro, é importante que ele se torne legal, que se
“purifique”. Esse mecanismo do mundo do crime chama-se
1. Qual é o aspecto que o texto apresenta “lavagem de dinheiro”. Isso é feito em países que aceitam
como central no funcionamento do mundo o dinheiro “sujo” no seu sistema bancário oficial e, depois,
contemporâneo? permitem investimentos feitos com esses montantes e rendi-
Segundo o texto, a escala das relações aumentou no mundo mentos que advêm disso, o que dá caráter legal ao dinheiro.
contemporâneo. Hoje atua-se na escala mundial de modo cada
vez mais eficiente e acelerado. Nem todas as pessoas e nem to- 5. Por que alguns países afrouxam seus con-
das as relações podem se beneficiar das ações nessa escala, mas troles e aceitam, em seu sistema bancário,
quem se beneficia tem vantagens. Empresas transnacionais ob- o ingresso de dinheiro “sujo”?
têm parte de sua força daí. E também redes criminosas. Existem vantagens econômicas importantes para países que
recebem dinheiro “sujo”, pois estes lucrarão. No entanto, é
2. Quais são as vantagens de conseguir explo- importante notar que os países que permitem esses inves-
rar negócios na escala global (mundial)? timentos fazem isso porque são, na maioria dos casos, pe-
As vantagens são o acesso a mercados mais amplos, a fontes quenos e sem recursos. Há situações de outro tipo (como no
de matéria-prima e a controles menos rígidos, diversidade de caso da Suíça), e sobre elas há um pouco mais de controle.
situações para agir com mais criatividade etc.
6. Segundo o texto, o processo de globaliza-
3. Como os “negócios ilegais” se aproveitam ção pode estimular alguns países (dos Es-
da atuação na escala global para obter van- tados nacionais) a afrouxar seus controles
tagens no tipo de atividade que realizam? internos no que diz respeito à circulação de
Assim como as empresas transnacionais, as redes criminosas capitais de origem duvidosa. Por quê?
se beneficiam ao atuar em escala global. Coibir o crime e os Espera-se que os alunos respondam que alguns países
grupos em escala nacional já é difícil, porém as forças poli- tendem a afrouxar seus controles internos em relação à

94
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

circulação de capitais de origem duvidosa porque têm inte- dade: “os paraísos fiscais”. Antes do trabalho
resse em atrair capitais externos para dinamizar sua econo- com o mapa, talvez seja adequado esclarecer
mia. Por isso, a eles não importa a origem do dinheiro. o que são esses paraísos e a ironia da designa-
ção. O pequeno texto a seguir e as questões
Leitura e análise de texto exploratórias que o acompanham (disponí-
veis no Caderno do Aluno) podem contribuir
Para encerrar esta etapa sugerimos o traba- nessa direção, porém você não precisa ficar
lho com um mapa que localize alguns pontos preso a ele, se achar que precisa abordar o
estratégicos de operação das redes de ilegali- tema para além da definição.

O que é um paraíso fiscal?

Paraísos fiscais são regiões que, muitas vezes, têm o status de Estado nacional e que
aceitam o ingresso de recursos financeiros de origem desconhecida, quer dizer, sem que o
dono desse dinheiro precise declarar como o dinheiro foi obtido. Além disso, protege-se a
identidade do dono dos recursos e garante-se o sigilo bancário absoluto. Nesse sentido, um
lucro obtido com tráfico de armas ou de drogas pode ser depositado no banco e aplicado,
e ninguém vai incomodar o dono do dinheiro de origem criminosa.
Outra característica de um paraíso fiscal é que esse é um lugar que facilita a abertura de em-
presas. Uma empresa pode se instalar num paraíso fiscal e todos os recursos que por ali circula-
rem não serão tributados. Como muitos usam os paraísos fiscais para “lavar” dinheiro “sujo”,
por exemplo, usando lucros de aplicação de dinheiro advindo da droga para abrir uma empresa,
que depois vai atuar legalmente, esses paraísos terminam sendo lugares em que não “há peca-
dos”. Tudo vale. Nos paraísos fiscais, há uma grande rejeição aos controles ditados pelas regras
do direito internacional, que, tentam coibir a lavagem de dinheiro – como as medidas contra a
crise mundial propostas no encontro do G-20 em 2009, que incluíram a necessidade de regulação
das transações realizadas nos paraísos fiscais.
Elaborado por Jaime Oliva especialmente para o São Paulo faz escola.

1. Nos denominados “paraísos fiscais”, quais a) O que é sigilo absoluto?


são as exigências para que estrangeiros de- Sigilo absoluto é uma norma utilizada em alguns bancos de
positem capitais em seus bancos? paraísos fiscais que preservam o nome do depositante do
Não há exigências para que esses depósitos sejam feitos. Não é ne- dinheiro. Isso significa que a informação sobre o correntis-
cessária a declaração da origem do dinheiro e, em muitos casos, a ta não será divulgada, mesmo que haja pedido da Justiça de
identidade do depositante é preservada pelo sigilo bancário. outros países.

2. Converse com os alunos sobre as questões b) Qual é a vantagem para o negociante de ar-
a seguir. mas (ou de drogas) em conseguir depositar

95
seu dinheiro (capital) em bancos que garan- a ser legal e pode ser transferido para outras empresas ou,
tem o sigilo absoluto? ainda, financiar novas ações criminosas.
O criminoso tem a vantagem de guardar e aplicar o dinheiro
obtido ilegalmente sem que isso possa ser usado como prova Leitura e análise de mapa
da atividade ilegal.
O próximo passo é trabalhar o mapa da
3. Explique como, por meio de abertura de Figura 17 com os estudantes e pedir a eles
empresas em paraísos fiscais, consegue-se que o observem atentamente. Qual é a fun-
“limpar” o dinheiro “sujo”. ção deste mapa? Ele mostra a localização
O lucro obtido na aplicação do dinheiro de origem ilegal dos paraísos fiscais. Não há representação
é utilizado para financiar a abertura de uma empresa le- das movimentações financeiras de cada um
galizada dentro do paraíso fiscal. Assim, o dinheiro passa deles, que certamente são diferenciadas.

Figura 17 – Paraísos fiscais, 2011. ATELIER de Cartographie de Sciences Po. Mapa original.

96
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

Sendo assim, algumas questões surgem, e 2. Será que todos os “paraísos fiscais”
elas podem ser apresentadas aos alunos. Suas movimentam o mesmo volume de di-
respostas serão de valia para se compreender nheiro? Dá para saber isso pelo mapa?
melhor o fenômeno dos paraísos fiscais e das Por quê?
redes de ilegalidade que eles apoiam. O mapa não revela o valor e o volume de operações, uma
vez que no paraíso fiscal as operações são secretas. Se não
1. Observando o mapa (Figura 17), seria jus- houvesse sigilo, se todos soubessem para onde vai o dinhei-
to atribuir a condição de “paraíso fiscal” ro dos traficantes, quais os negócios legais que são abertos
apenas às localidades pequenas e sem mui- com esse dinheiro, isso enfraqueceria os paraísos fiscais e as
tos recursos econômicos? Por quê? organizações criminosas em suas operações no mundo. As
Não exatamente, pois se podem notar no mapa localidades transações ilícitas (os “pecados”) seriam reveladas, e a expul-
europeias bem ricas. No entanto, percebe-se essa situação são do “paraíso”, mais eminente.
principalmente em países pequenos e pobres (ou muito de-
pendentes desse tipo de atividade). A segunda maior con- 3. No mapa, onde se concentram os paraísos
centração de paraísos fiscais que o mapa nos mostra é na fiscais? Explique.
Europa. São áreas de pequena extensão, espécies de recortes Há uma forte concentração nos países situados na região
que ficaram fora da divisão territorial dos principais países eu- do Caribe. Nesse caso, os Estados nacionais identificados
ropeus. Encontram-se num continente rico e servem de al- como paraísos fiscais são quase todos ilhas, quase todos de
gum modo para que muitos milionários europeus, por exem- pequena extensão territorial e, seguramente, com poucos
plo, mudem para esses paraísos para fugir de impostos nos recursos econômicos próprios. Sua vida econômica depen-
seus países de origem. São paraísos fiscais tanto quanto os de das relações com o exterior: pode ser turismo (que neles
outros e também mais ou menos fora do controle das leis in- é bem forte), mas pode ser também como espaço livre de
ternacionais. Logo, servem de apoio às redes de ilegalidade. controles aos capitais.

PROPOSTAS DE SITUAÇÕES DE RECUPERAÇÃO

Definir quais conteúdos essenciais foram de povoamento no mundo, desigualdade das po-
apreendidos pelos alunos é o primeiro passo pulações dos diversos países, a distribuição geo-
do trabalho de recuperação. E aqui vale um co- gráfica das grandes religiões do mundo, cidades
mentário sobre este Caderno. Tendo como fio globais, turismo e redes de ilegalidade. Por isso,
condutor a reflexão acerca das concentrações será preciso definir o que é essencial em cada um
e desconcentrações geográficas no mundo con- dos temas, mas também o que os articula.
temporâneo, ou seja, as cidades e as redes sociais
que se organizam em razão da maior conexão O segundo passo é distinguir em que con-
que o espaço geográfico moderno propicia, cos- dições chegaram os alunos para o trabalho de
turam-se alguns diferentes temas: distribuição recuperação, de modo que os procedimentos se
concentrada da população, principais centros ajustem às diferentes condições dos estudantes.

97
Primeiro encaminhamento: aproveitamento Segundo encaminhamento: para os alunos
das questões que foram utilizadas ao longo que apresentaram dificuldades de aprendi-
das Situações de Aprendizagem como meios zado, mesmo participando normalmente das
para as reflexões sobre os textos e os mapas proposições das Situações de Aprendizagem,
trabalhados. Você também poderá lançar mão sugerimos que o trabalho se centre especifi-
de outros materiais didáticos disponíveis na camente no que é extremamente essencial em
escola, como livros didáticos. Por fim, exa- cada uma das Situações de Aprendizagem. A
mine as respostas dos alunos, o que vai permi- seguir, apresentamos o quadro desses elemen-
tir definir os ajustes necessários. tos essenciais.

Situação de
Conteúdos essenciais
Aprendizagem
A. Incorporar a visão de uma “distribuição concentrada” da população no
mundo segundo os nove principais centros de povoamento do globo;
1
B. perceber que os números populacionais precisam de referências externas
para ganhar sentido.

A. O crescimento histórico da população mundial;


2 B. as relações da população com o espaço;
C. as relações da população com a economia.

A. As desigualdades entre as populações dos diversos países, perceptíveis por


intermédio da identificação de padrões populacionais com base na estrutu-
3 ra etária;
B. a relação essencial padrões populacionais C condições sociais;
C. os motivos e as dificuldades para as migrações internacionais.

A. A distribuição geográfica das grandes religiões no mundo;


4 B. a distribuição específica do islamismo;
C. uma visão do expansionismo islâmico.
A. A essência relacional da cidade; a cidade é uma concentração de gente e de
recursos, e viver nela é estar num local muito conectado, que se relaciona
5 com o mundo;
B. cidades (metrópoles, principalmente) permitem se relacionar com o mundo
(com a escala mundial).
A. O modo de vida urbano (o espaço das cidades) obriga uma nova forma de
abastecimento das famílias: o consumo; relação cidade C consumo;
6
B. as cidades são espaços de consumo e propagadoras de hábitos de consu-
mo, inclusive em escala mundial.

98
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

A. O turismo é uma prática que envolve viagem, uma saída do lugar e do


cotidiano; turismo é diferente de lazer;
7 B. as práticas turísticas estão mais disseminadas na Europa e na América
do Norte, nos países que têm melhores condições de vida. São eles os
que recebem mais turistas e também os que enviam mais para outras
partes do mundo.
A. Redes de ilegalidade tornam-se mais fortes quando atuam em escala glo-
8 bal, o que hoje é mais fácil;
B. paraísos fiscais são uma configuração geográfica das redes de ilegalidade.

O ideal é acompanhar bem de perto os estu- presente, a comunicação sobre elementos no-
dantes que têm dificuldades e estão no trabalho vos fique interrompida. Nesse caso, você pode
de recuperação. Com relação à observação e à indicar aos alunos várias associações, sempre
interpretação de representações cartográficas, perguntando o que se quer ver. Com isso, ime-
é comum que o baixo aproveitamento esteja diatamente você notará se o aluno conhece os
associado às lacunas anteriores, que tornam as pontos cardeais, se tem noção das coordenadas
representações um mistério, um mundo estra- geográficas, dos hemisférios (do norte, do sul,
nho para o estudante. Em razão disso, muitos do ocidente, do oriente) e, mais que tudo isso,
bloqueios inconscientes foram se cristalizando se ele entende que num mapa estão representa-
em sua vida escolar, o que faz com que, no dos aspectos do mundo.

RECURSOS PARA AMPLIAR A PERSPECTIVA DO PROFESSOR


E DO ALUNO PARA A COMPREENSÃO DO TEMA

BEAUJEAU-GARNIER, J. Geografia da CUNHA, Licínio. Introdução ao turismo. Lis-


população. São Paulo: Nacional, 1980. Um boa: Verbo, 2001.
convite para conhecer a abordagem clássica
da Geografia sobre as questões da popu- DAGORN, René. Archipel Mégalopolitain
lação. Trabalho de qualidade, mesmo que Mondial. In: LÉVY, Jacques; LUSSAULT,
muitas de suas análises estejam hoje so- Michel (Org.). Dictionnaire de la Géographie
frendo concorrência de novos fatos e novas et de l’espace des sociétes. Paris: Belin, 2003. p.
abordagens. 81-83. Importante discussão sobre o papel das
redes de aglomerações urbanas no mundo con-
BRASIL. MINISTÉRIO DO TURISMO. Se- temporâneo como base geográfica do denomi-
cretaria Nacional de Políticas de Turismo. Tu- nado processo de mundialização. Atualiza a
rismo de negócios & eventos: orientações básicas. discussão sobre as aglomerações urbanas que
Brasília: MT, 2008. tem em Jean Gottmann o grande precursor.

99
DAVIS, Mike. Planeta favela. São Paulo: Boi- dimensão social e sobre a necessidade de teo-
tempo, 2006. Interessante abordagem sobre a rização dessa dimensão espacial.
dimensão do fenômeno urbano nos países po-
bres que passa pela discussão sobre se há ou LIMA, Ricardo; REZENDE, Fernando
não excesso de gente no mundo. (Org.). Rio-São Paulo: cidades mundiais: de-
safios e oportunidades. Brasília: Ipea, 1999.
DURAND, Marie-Françoise; MARTIN, B.; 280 p. Coletânea multidisciplinar sobre o
PLACIDI, D.; TORNQUIST-CHESNIER, potencial como cidade mundial do Rio de
M. Atlas da mundialização: compreender o Janeiro e de São Paulo. Bem interessante é o
espaço mundial contemporâneo. São Paulo: destaque dado à articulação dessas cidades
Saraiva, 2009. para aumentar o poderio econômico.

GRATALOUP, Christian. Géohistoire de La OFFICE du Tourisme et des Congrès de Pa-


mondialisation: le temps long du Monde. Pa- ris. Paris Île-de-France, capitale du tourisme
ris: Armand Colin, 2007. 256 p. d’affaires, 2009. Disponível em: <http://www.
parisinfo.com>. Acesso em: 26 nov. 2013.
KNAFOU, Rémy. Turismo e território: por
uma abordagem científica do turismo. In: RO- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO TU-
DRIGUES, Adyr A. B. Turismo e Geografia. RISMO. Introdução ao turismo. São Paulo:
São Paulo: Hucitec, 1996. p. 62-74. Coletâ- Roca, 2001.
nea de textos sobre turismo e Geografia or-
ganizada por pesquisadora brasileira que se POCHMANN, M.; BARBOSA, A.; CAM-
dedica há tempos a essa relação. O texto de POS, A.; AMORIM, R.; ALDRIN, R. (Org.).
Rémy Knafou é altamente recomendado pela A exclusão no mundo. São Paulo: Cortez, 2004.
fineza de sua análise. 229 p. (Atlas da exclusão Social, volume 4).

_____; STOCK, Mathis. Tourisme. In: LÉVY, RODRIGUES, Adyr Balastreri. Turismo e es-
Jacques; LUSSAULT, Michel (Org.). Diction- paço: rumo a um conhecimento transdisciplinar.
naire de la Géographie et de l’espace des sociétes. São Paulo: Hucitec, 2001. A autora é geógrafa
Paris: Belin, 2003. p. 931-933. Verbete de impor- e há vários anos dedica-se a refletir sobre a rela-
tante dicionário francês de Geografia. Nova- ção Turismo e Geografia. Também é responsá-
mente, vale ressaltar a autoria de Rémy Knafou, vel pela organização de obras coletivas que nos
que vem se dedicando ao tema do turismo. deram acesso ao pensamento de especialistas.

LÉVY, Jacques. Le tournant géographique. Pa- SANTOS, Milton; SILVEIRA, María Laura.
ris: Belin, 2000. Obra teórica de Jacques Lévy O Brasil: território e sociedade no início do sé-
sobre a necessária inclusão do espaço como culo XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001. Livro

100
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

abrangente sobre o Brasil com abordagem mapas_ra.aspx?>. Acesso em: 13 jan. 2014.
geográfica renovada, onde destacamos o ca- Neste site, é possível encontrar os mapas que re-
pítulo IX, (Re)distribuição da população, sultaram do último censo brasileiro, com repre-
economia e geografia do consumo e dos ní- sentações sobre o urbano, o rural, as metrópoles,
veis de vida (p. 199-237), que trata de ques- entre outros. Os mapas podem ser baixados no
tões demográficas articuladas à estruturação formato pdf.
do espaço geográfico.
Central Intelligence Agency – CIA. The world
SASSEN, Saskia. As cidades na economia mun- factbook. Disponível em: <https://www.cia.gov/
dial. São Paulo: Studio Nobel, 1998. A autora library/publications/the-world-factbook>.
ficou muito conhecida com a criação de critérios Acesso em: 16 jan. 2014. Site da agência de in-
para definir o que são as cidades mundiais, ou formações do governo dos EUA que possui um
globais, cidades cuja força financeira tem alcance dos maiores bancos de dados sobre todos os paí-
mundial. Propõe uma discussão interessante. ses do mundo, inclusive os relativos à Geografia
das populações. Embora seja em inglês é bastante
THERY, Hervé; MELLO, Neli A. Atlas do Bra- amigável e os dados são encontrados facilmente.
sil: disparidades e dinâmicas do território. São
Paulo: Edusp, 2005. Obra didática com mapas Congrès de Paris. Disponível em: <http://
criativos, sem erros cartográficos, mapeando ele- www.parisinfo.com> (em francês). Acesso
mentos importantes da geografia brasileira nem em: 26 nov. 2013. Nesse site, há muitos dados
sempre presentes nos atlas convencionais. sobre a cidade de Paris, o principal destino
turístico do mundo.
URRY, John. O olhar do turista. São Paulo:
Sesc/Studio Nobel, 1996. Obra de grande Fundo de População – ONU. Disponível em:
qualidade do sociólogo inglês, que vai além <http://www.unfpa.org/webdav/site/global/
do exame econômico do fenômeno turístico e s h a re d / d o c u m e n t s / p u bl i c at i o n s / 2 0 0 7 /
entra na discussão das novas relações que se swp2007_spa.pdf> (em espanhol). Acesso em:
estabelecem entre o local e o turista (o outro). 13 maio 2014. Nesse endereço encontra-se o
estudo: O estado da população mundial 2007:
Sugestão de sites liberar o potencial de crescimento urbano.

Atlas do Censo Demográfico 2010. Disponível IBGE Cidades. Disponível em: <http://
em: <http://censo2010.ibge.gov.br/apps/atlas/>. cidades.ibge.gov.br/xtras/home.php?lang=>.
Acesso em: 16 jan. 2013. Acesso em: 16 jan. 2013.

Instituto Geográfico e Cartográfico (IGC). Dis- IBGE Web Cart. Disponível em: <http://
ponível em: <http://www.igc.sp.gov.br/produtos/ www.ibge.gov.br/webcart/default.php>

101
Acesso em: 16 jan. 2014. Site do órgão pú- sp.gov.br/portalsdm/faces/pages_index?_
blico brasileiro com informações sobre todos afrLoop=1790581235904563&_afrWindow
os municípios brasileiros, dispostas em tabe- Mode=0&_afrWindowId=null#%40%3F_
las, textos e mapas. a f r Wi n d ow I d % 3 D nu l l % 2 6 _ a f r L o o p
%3D1790581235904563%26_afrWindow
Ministério do Turismo. Disponível em: Mode%3D0%26_adf.ctrl-state%3Dqpann
<http://www.turismo.gov.br>. Acesso em: 26 z6we_54>. Acesso em: 16 jan. 2014. Neste
nov. 2013. Traz informações sobre toda a rede site, podemos encontrar dados sobre as me-
de serviços e de atrações turísticas no Brasil. trópoles paulistas.

Observatório das Metrópoles. Disponível em: Sinopse do Censo Demográfico 2010. Dispo-
<http://observatoriodasmetropoles.net>. nível em: <http://www.censo2010.ibge.gov.br/
Acesso em: 26 nov. 2013. O Observatório das sinopse/index.php?dados=29&uf=35>.
Metrópoles é um grupo de pesquisa que tra- Acesso em: 13 jan. 2014. Neste site, o IBGE
balha em rede e reúne pesquisadores de várias disponibiliza todos os resultados do último
instituições governamentais e ONGs e univer- censo brasileiro, realizado no ano de 2010,
sidades. As equipes reunidas vêm trabalhando com dados consolidados, dispostos em ma-
sobre 15 metrópoles (Rio de Janeiro, São pas, tabelas e textos.
Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Curi-
tiba, Goiânia, Recife, Salvador, Natal, Forta- Sugestão de filme
leza, Belém, Florianópolis, Santos, Vitória e
Brasília) e a aglomeração urbana de Maringá. Gaijin: os caminhos da liberdade. Direção:
Tizuka Yamazaki. Brasil, 1980. 104min.
Revista Turismo. Disponível em: <http://www. Drama. Sensível filme sobre a história de imi-
revistaturismo.com.br>. Acesso em: 26 nov. 2013. grantes japoneses vivendo em fazendas de
Revista eletrônica sobre o turismo no Brasil e café no interior do Estado de São Paulo. Mos-
no mundo. tra o abuso na exploração do trabalho desses
imigrantes, suas dificuldades de comunicação
Secretaria do Desenvolvimento Metropolitano. e seu estranhamento cultural em relação ao
Disponível em: <http://www.sdmetropolitano. novo mundo.

102
Geografia – 8a série/9o ano – Volume 2

CONSIDERAÇÕES FINAIS
As Situações de Aprendizagem procura- serem em nosso cotidiano com organizações
ram contemplar de maneira produtiva e re- que operam em escala mundial.
flexiva o tema das novas redes sociais que se
estruturam tendo como base a nova Geogra- Os conteúdos aqui tratados podem ser abor-
fia do mundo. Com esse intuito, trabalhou- dados de outras formas e necessariamente de-
-se a natureza relacional das cidades, espaço verão ser ampliados, aprofundados e revistos,
fundamental por sua condição de nos inse- pois eles envolvem realidades muito dinâmicas
rir em várias escalas de relações, como um e ainda pouco conhecidas.
elemento-chave que explica a Geografia con-
temporânea, o que pode ser bem expresso As atividades propostas certamente ganharão
pelo fenômeno da cidade global. em qualidade, consistência e pertinência se conta-
rem com a sua contribuição. Antes de tudo, pela
Tendo essa referência, refletiu-se sobre razão óbvia que a produtividade delas (ou não)
temas pouco presentes na programação tra- será sentida por você, mas também porque suas
dicional da Geografia escolar: a lógica de próprias elaborações, seus entendimentos, suas
expansão das redes mundiais do consumo práticas, em suma, toda a sua experiência deve ser
urbano; as redes espaciais do turismo e as incorporada ao trabalho. Nenhuma atividade do-
consequências dessa atividade que consome cente será verdadeira e interessante se ela se basear
e transforma espaços; a lógica que aumenta num material externo que ignore, não dialogue e
o poder das redes de ilegalidade, que se in- não permita a incorporação da sua experiência.

103
QUADRO DE CONTEÚDOS DO
ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS

5a série/6o ano 6a série/7o ano 7a série/8o ano 8a série/9o ano


Paisagem O território brasileiro Representação cartográfica A produção do espaço
O tempo da natureza A formação territorial do Visão de mundo e suas geográfico global
– Os objetos naturais Brasil tecnologias Globalização e regionalização
O tempo histórico Limites e fronteiras Globalização em três tempos As doutrinas do poderio dos
– Os objetos sociais A federação brasileira O meio técnico e o Estados Unidos da América
A leitura de paisagens – Organização política e encurtamento das distâncias Os blocos econômicos
Escalas da Geografia administrativa O meio técnico-científico- supranacionais
As paisagens captadas pelos A regionalização do território -informacional e a A nova “desordem” mundial
satélites brasileiro globalização A Organização das Nações
– Extensão e desigualdades Critérios de divisão regional O processo de globalização Unidas (ONU)
Memória e paisagens As regiões do Instituto e as desigualdades A Organização Mundial do
As paisagens da Terra internacionais Comércio (OMC)
Volume 1

Brasileiro de Geografia
O mundo e suas e Estatística (IBGE), os Produção e consumo de O Fórum Social Mundial
representações complexos regionais e a energia – Um outro mundo é
Exemplos de representações Região Concentrada As fontes e as formas de possível?
– Arte e fotografia energia
Introdução à história da Matrizes energéticas
cartografia – Da lenha ao átomo
A linguagem dos mapas Perspectivas energéticas
Orientação relativa A matriz energética mundial
– A rosa dos ventos A matriz energética brasileira
Coordenadas geográficas
Os atributos dos mapas
Mapas de base e mapas
temáticos
Representação cartográfica
– Qualitativa e quantitativa

Os ciclos da natureza e a Domínios naturais do A crise ambiental Geografia das populações


sociedade Brasil A apropriação desigual dos Demografia e fragmentação
A história da Terra e os Biomas e domínios recursos naturais Estrutura e padrões
recursos minerais morfoclimáticos do Brasil Poluição ambiental e populacionais
A água e os assentamentos O patrimônio ambiental e a efeito estufa As migrações internacionais
humanos sua conservação Do Clube de Roma ao Populações e cultura
Natureza e sociedade na Políticas ambientais no desenvolvimento sustentável – Mundo árabe e mundo
modelagem do relevo Brasil Alterações climáticas e islâmico
O clima, o tempo e a vida O Sistema Nacional de desenvolvimento
humana Unidades de Conservação Consumo sustentável Redes urbanas e sociais
Volume 2

(SNUC) Cidades
As atividades econômicas e o Geografia comparada da – Espaços relacionais e
espaço geográfico Brasil: população e economia América espaços de conexão
Os setores da economia e as A população e os fluxos Peru e México As cidades e a irradiação do
cadeias produtivas migratórios – A herança pré-colombiana consumo
A agropecuária e os circuitos A revolução da informação e Brasil e Argentina Turismo e consumo do lugar
do agronegócio a rede de cidades – As correntes de As redes da ilegalidade
A sociedade de consumo O espaço industrial povoamento
– Concentração e Colômbia e Venezuela
descentralização – Entre os Andes e o Caribe
O espaço agrário e a questão Haiti e Cuba
da terra – As revoluções

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CONCEPÇÃO E COORDENAÇÃO GERAL Química: Ana Joaquina Simões S. de Mattos Rosângela Teodoro Gonçalves, Roseli Soares
NOVA EDIÇÃO 2014-2017 Carvalho, Jeronimo da Silva Barbosa Filho, João Jacomini, Silvia Ignês Peruquetti Bortolatto e Zilda
Batista Santos Junior, Natalina de Fátima Mateus e Meira de Aguiar Gomes.
COORDENADORIA DE GESTÃO DA Roseli Gomes de Araujo da Silva.
EDUCAÇÃO BÁSICA – CGEB Área de Ciências da Natureza
Área de Ciências Humanas
Biologia: Aureli Martins Sartori de Toledo, Evandro
Coordenadora Filosofia: Emerson Costa, Tânia Gonçalves e
Rodrigues Vargas Silvério, Fernanda Rezende
Maria Elizabete da Costa Teônia de Abreu Ferreira.
Pedroza, Regiani Braguim Chioderoli e Rosimara
Diretor do Departamento de Desenvolvimento Geografia: Andréia Cristina Barroso Cardoso, Santana da Silva Alves.
Curricular de Gestão da Educação Básica Débora Regina Aversan e Sérgio Luiz Damiati.
João Freitas da Silva Ciências: Davi Andrade Pacheco, Franklin Julio
História: Cynthia Moreira Marcucci, Maria de Melo, Liamara P. Rocha da Silva, Marceline
Diretora do Centro de Ensino Fundamental Margarete dos Santos Benedicto e Walter Nicolas
de Lima, Paulo Garcez Fernandes, Paulo Roberto
dos Anos Finais, Ensino Médio e Educação Otheguy Fernandez.
Orlandi Valdastri, Rosimeire da Cunha e Wilson
Profissional – CEFAF Luís Prati.
Sociologia: Alan Vitor Corrêa, Carlos Fernando de
Valéria Tarantello de Georgel
Almeida e Tony Shigueki Nakatani.
Coordenadora Geral do Programa São Paulo Física: Ana Claudia Cossini Martins, Ana Paula
PROFESSORES COORDENADORES DO NÚCLEO Vieira Costa, André Henrique GhelÅ RuÅno,
faz escola
PEDAGÓGICO Cristiane Gislene Bezerra, Fabiana Hernandes
Valéria Tarantello de Georgel
Área de Linguagens M. Garcia, Leandro dos Reis Marques, Marcio
Coordenação Técnica Educação Física: Ana Lucia Steidle, Eliana Cristine Bortoletto Fessel, Marta Ferreira Mafra, Rafael
Roberto Canossa Budiski de Lima, Fabiana Oliveira da Silva, Isabel Plana Simões e Rui Buosi.
Roberto Liberato Cristina Albergoni, Karina Xavier, Katia Mendes
Smelq Cristina de 9lbmimerime :oeÅe e Silva, Liliane Renata Tank Gullo, Marcia Magali Química: Armenak Bolean, Cátia Lunardi, Cirila
Rodrigues dos Santos, Mônica Antonia Cucatto da Tacconi, Daniel B. Nascimento, Elizandra C. S.
EQUIPES CURRICULARES
Silva, Patrícia Pinto Santiago, Regina Maria Lopes, Lopes, Gerson N. Silva, Idma A. C. Ferreira, Laura
Área de Linguagens Sandra Pereira Mendes, Sebastiana Gonçalves C. A. Xavier, Marcos Antônio Gimenes, Massuko
Arte: Ana Cristina dos Santos Siqueira, Carlos Ferreira Viscardi, Silvana Alves Muniz. S. Warigoda, Roza K. Morikawa, Sílvia H. M.
Eduardo Povinha, Kátia Lucila Bueno e Roseli Fernandes, Valdir P. Berti e Willian G. Jesus.
Língua Estrangeira Moderna (Inglês): Célia
Ventrella.
Regina Teixeira da Costa, Cleide Antunes Silva,
Área de Ciências Humanas
Educação Física: Marcelo Ortega Amorim, Maria Ednéa Boso, Edney Couto de Souza, Elana
Filosofia: Álex Roberto Genelhu Soares, Anderson
Elisa Kobs Zacarias, Mirna Leia Violin Brandt, Simone Schiavo Caramano, Eliane Graciela
Gomes de Paiva, Anderson Luiz Pereira, Claudio
dos Santos Santana, Elisabeth Pacheco Lomba
Rosângela Aparecida de Paiva e Sergio Roberto Nitsch Medeiros e José Aparecido Vidal.
Kozokoski, Fabiola Maciel Saldão, Isabel Cristina
Silveira.
dos Santos Dias, Juliana Munhoz dos Santos,
Kátia Vitorian Gellers, Lídia Maria Batista Geografia: Ana Helena Veneziani Vitor, Célio
Língua Estrangeira Moderna (Inglês e
BomÅm, Lindomar Alves de Oliveira, Lúcia Batista da Silva, Edison Luiz Barbosa de Souza,
Espanhol): Ana Beatriz Pereira Franco, Ana Paula
Aparecida Arantes, Mauro Celso de Souza, Edivaldo Bezerra Viana, Elizete Buranello Perez,
de Oliveira Lopes, Marina Tsunokawa Shimabukuro
Neusa A. Abrunhosa Tápias, Patrícia Helena Márcio Luiz Verni, Milton Paulo dos Santos,
e Neide Ferreira Gaspar.
Passos, Renata Motta Chicoli Belchior, Renato Mônica Estevan, Regina Célia Batista, Rita de
Língua Portuguesa e Literatura: Angela Maria José de Souza, Sandra Regina Teixeira Batista de Cássia Araujo, Rosinei Aparecida Ribeiro Libório,
Baltieri Souza, Claricia Akemi Eguti, Idê Moraes dos Campos e Silmara Santade Masiero. Sandra Raquel Scassola Dias, Selma Marli Trivellato
Santos, João Mário Santana, Kátia Regina Pessoa, e Sonia Maria M. Romano.
Língua Portuguesa: Andrea Righeto, Edilene
Mara Lúcia David, Marcos Rodrigues Ferreira, Roseli
Bachega R. Viveiros, Eliane Cristina Gonçalves História: Aparecida de Fátima dos Santos
Cordeiro Cardoso e Rozeli Frasca Bueno Alves.
Ramos, Graciana B. Ignacio Cunha, Letícia M. Pereira, Carla Flaitt Valentini, Claudia Elisabete
Área de Matemática de Barros L. Viviani, Luciana de Paula Diniz,
Silva, Cristiane Gonçalves de Campos, Cristina
Matemática: Carlos Tadeu da Graça Barros, Márcia Regina Xavier Gardenal, Maria Cristina
de Lima Cardoso Leme, Ellen Claudia Cardoso
Ivan Castilho, João dos Santos, Otavio Yoshio Cunha Riondet Costa, Maria José de Miranda
Doretto, Ester Galesi Gryga, Karin Sant’Ana
Yamanaka, Rosana Jorge Monteiro, Sandra Maira Nascimento, Maria Márcia Zamprônio Pedroso,
Kossling, Marcia Aparecida Ferrari Salgado de
Zen Zacarias e Vanderley Aparecido Cornatione. Patrícia Fernanda Morande Roveri, Ronaldo Cesar
Barros, Mercia Albertina de Lima Camargo,
Alexandre Formici, Selma Rodrigues e
Priscila Lourenço, Rogerio Sicchieri, Sandra Maria
Área de Ciências da Natureza Sílvia Regina Peres.
Fodra e Walter Garcia de Carvalho Vilas Boas.
Biologia: Aparecida Kida Sanches, Elizabeth
Área de Matemática
Reymi Rodrigues, Juliana Pavani de Paula Bueno e
Matemática: Carlos Alexandre Emídio, Clóvis Sociologia: Anselmo Luis Fernandes Gonçalves,
Rodrigo Ponce.
Antonio de Lima, Delizabeth Evanir Malavazzi, Celso Francisco do Ó, Lucila Conceição Pereira e
Ciências: Eleuza Vania Maria Lagos Guazzelli, Edinei Pereira de Sousa, Eduardo Granado Garcia, Tânia Fetchir.
Gisele Nanini Mathias, Herbert Gomes da Silva e Evaristo Glória, Everaldo José Machado de Lima,
Maria da Graça de Jesus Mendes. Fabio Augusto Trevisan, Inês Chiarelli Dias, Ivan Apoio:
Castilho, José Maria Sales Júnior, Luciana Moraes Fundação para o Desenvolvimento da Educação
Física: Anderson Jacomini Brandão, Carolina dos Funada, Luciana Vanessa de Almeida Buranello, - FDE
Santos Batista, Fábio Bresighello Beig, Renata Mário José Pagotto, Paula Pereira Guanais, Regina
Cristina de Andrade Oliveira e Tatiana Souza da Helena de Oliveira Rodrigues, Robson Rossi, CTP, Impressão e acabamento
Luz Stroeymeyte. Rodrigo Soares de Sá, Rosana Jorge Monteiro, Esdeva Indústria GráÅca Ltda.
GESTÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO CONCEPÇÃO DO PROGRAMA E ELABORAÇÃO DOS Filosofia: Paulo Miceli, Luiza Christov, Adilton Luís
EDITORIAL 2014-2017 CONTEÚDOS ORIGINAIS Martins e Renê José Trentin Silveira.

COORDENAÇÃO DO DESENVOLVIMENTO Geografia: Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu


FUNDAÇÃO CARLOS ALBERTO VANZOLINI DOS CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS DOS Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araujo e
CADERNOS DOS PROFESSORES E DOS Sérgio Adas.
CADERNOS DOS ALUNOS
Presidente da Diretoria Executiva
Ghisleine Trigo Silveira História: Paulo Miceli, Diego López Silva,
Mauro de Mesquita Spínola
Glaydson José da Silva, Mônica Lungov Bugelli e
CONCEPÇÃO
Raquel dos Santos Funari.
GESTÃO DE TECNOLOGIAS APLICADAS Guiomar Namo de Mello, Lino de Macedo,
À EDUCAÇÃO Luis Carlos de Menezes, Maria Inês Fini Sociologia: Heloisa Helena Teixeira de Souza
(coordenadora) e Ruy Berger (em memória).
Martins, Marcelo Santos Masset Lacombe,
Direção da Área
Melissa de Mattos Pimenta e Stella Christina
Guilherme Ary Plonski AUTORES
Schrijnemaekers.

Coordenação Executiva do Projeto Linguagens


Coordenador de área: Alice Vieira. Ciências da Natureza
Angela Sprenger e Beatriz Scavazza Coordenador de área: Luis Carlos de Menezes.
Arte: Gisa Picosque, Mirian Celeste Martins,
Geraldo de Oliveira Suzigan, Jéssica Mami Biologia: Ghisleine Trigo Silveira, Fabíola Bovo
Gestão Editorial
Makino e Sayonara Pereira. Mendonça, Felipe Bandoni de Oliveira, Lucilene
Denise Blanes
Aparecida Esperante Limp, Maria Augusta
Educação Física: Adalberto dos Santos Souza, Querubim Rodrigues Pereira, Olga Aguilar Santana,
Equipe de Produção
Carla de Meira Leite, Jocimar Daolio, Luciana Paulo Roberto da Cunha, Rodrigo Venturoso
Venâncio, Luiz Sanches Neto, Mauro Betti, Mendes da Silveira e Solange Soares de Camargo.
Editorial: Amarilis L. Maciel, Ana Paula S. Bezerra,
Renata Elsa Stark e Sérgio Roberto Silveira.
Angélica dos Santos Angelo, Bóris Fatigati da Silva,
Ciências: Ghisleine Trigo Silveira, Cristina Leite,
Bruno Reis, Carina Carvalho, Carolina H. Mestriner, LEM – Inglês: Adriana Ranelli Weigel Borges, João Carlos Miguel Tomaz Micheletti Neto,
Carolina Pedro Soares, Cíntia Leitão, Eloiza Lopes, Alzira da Silva Shimoura, Lívia de Araújo Donnini Julio Cézar Foschini Lisbôa, Lucilene Aparecida
Érika Domingues do Nascimento, Flávia Medeiros, Rodrigues, Priscila Mayumi Hayama e Sueli Salles Esperante Limp, Maíra Batistoni e Silva, Maria
Giovanna Petrólio Marcondes, Gisele Manoel, Fidalgo. Augusta Querubim Rodrigues Pereira, Paulo
Jean Xavier, Karinna Alessandra Carvalho Taddeo, Rogério Miranda Correia, Renata Alves Ribeiro,
LEM – Espanhol: Ana Maria López Ramírez, Isabel
Leslie Sandes, Mainã Greeb Vicente, Maíra de Ricardo Rechi Aguiar, Rosana dos Santos Jordão,
Gretel María Eres Fernández, Ivan Rodrigues
Freitas Bechtold, Marina Murphy, Michelangelo Martin, Margareth dos Santos e Neide T. Maia
Simone Jaconetti Ydi e Yassuko Hosoume.
Russo, Natália S. Moreira, Olivia Frade Zambone, González.
Física: Luis Carlos de Menezes, Estevam Rouxinol,
Paula Felix Palma, Pietro Ferrari, Priscila Risso,
Guilherme Brockington, Ivã Gurgel, Luís Paulo
Regiane Monteiro Pimentel Barboza, Renata Língua Portuguesa: Alice Vieira, Débora Mallet
de Carvalho Piassi, Marcelo de Carvalho Bonetti,
Regina Buset, Rodolfo Marinho, Stella Assumpção Pezarim de Angelo, Eliane Aparecida de Aguiar,
José Luís Marques López Landeira e João Maurício Pietrocola Pinto de Oliveira, Maxwell
Mendes Mesquita, Tatiana F. Souza e Tiago Jonas
Henrique Nogueira Mateos. Roger da PuriÅcação Siqueira, Sonia Salem e
de Almeida. Yassuko Hosoume.
Matemática
Direitos autorais e iconografia: Beatriz Fonseca Química: Maria Eunice Ribeiro Marcondes, Denilse
Coordenador de área: Nílson José Machado.
Micsik, Dayse de Castro Novaes Bueno, Érica Morais Zambom, Fabio Luiz de Souza, Hebe
Matemática: Nílson José Machado, Carlos
Marques, José Carlos Augusto, Juliana Prado da Eduardo de Souza Campos Granja, José Luiz Ribeiro da Cruz Peixoto, Isis Valença de Sousa
Silva, Marcus Ecclissi, Maria Aparecida Acunzo Pastore Mello, Roberto Perides Moisés, Rogério Santos, Luciane Hiromi Akahoshi, Maria Fernanda
Forli, Maria Magalhães de Alencastro, Vanessa Ferreira da Fonseca, Ruy César Pietropaolo e Penteado Lamas e Yvone Mussa Esperidião.
Bianco e Vanessa Leite Rios. Walter Spinelli.
Caderno do Gestor
Edição e Produção editorial: R2 Editorial, Jairo Souza Ciências Humanas Lino de Macedo, Maria Eliza Fini e Zuleika de
Design GráÅco e Occy Design (projeto gráÅco). Coordenador de área: Paulo Miceli. Felice Murrie.

Catalogação na Fonte: Centro de Referência em Educação Mario Covas

* Nos Cadernos do Programa São Paulo faz escola são S2+9m São Paulo (Estado) Secretaria da Educação.
indicados sites para o aprofundamento de conhecimen- Material de apoio ao currículo do Estado de São Paulo2 caderno do professor3 geograÅa, ensino
tos, como fonte de consulta dos conteúdos apresentados
fundamental ¹ anos Ånais, 0a série/9o ano / Secretaria da Educação; coordenação geral, Maria Inês
e como referências bibliográficas. Todos esses endereços
eletrônicos foram checados. No entanto, como a internet é Fini; equipe, Angela Corrêa da Silva, Jaime Tadeu Oliva, Raul Borges Guimarães, Regina Araújo,
um meio dinâmico e sujeito a mudanças, a Secretaria da Sérgio Adas. - São Paulo: SE, 2014.
Educação do Estado de São Paulo não garante que os sites v. 2, 112 p.
indicados permaneçam acessíveis ou inalterados.
Edição atualizada pela equipe curricular do Centro de Ensino Fundamental dos Anos Finais, Ensino
* Os mapas reproduzidos no material são de autoria de Médio e Educação ProÅssional ¹ CEFAF, da Coordenadoria de Gestão da Educação Básica - CGEB.
terceiros e mantêm as características dos originais, no que
ISBN 9/0-0--/049-.4/-0
diz respeito à grafia adotada e à inclusão e composição dos
elementos cartográficos (escala, legenda e rosa dos ventos). 1. Ensino fundamental anos Ånais 2. GeograÅa +. Atividade pedagógica I. Fini, Maria Inês. II.
Silva, Angela Corrêa da. III. Oliva, Jaime Tadeu. IV. Guimarães, Raul Borges. V. Araújo, Regina. VI. Adas,
* Os ícones do Caderno do Aluno são reproduzidos no Sérgio. VII. Título.
Caderno do Professor para apoiar na identificação das
CDU: +/1.+:00..90
atividades.
Validade: 2014 – 2017