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SUMÁRIO

Apresentação

1 - O resgate de nossa identidade em Cristo


Ricardo Costa

2 - Revitalizando a vida
Samuel Vieira

3 - Meu grito, minha oração: Revitaliza a minha alma, Senhor!


Armando Bispo

4 - Como crescer na igreja, ministério e ainda ter vida


Larry Osborne

5 - Casamento Vertical - parte 1


Dave e Ann Wilson

6 - Casamento Vertical - parte 2


Dave e Ann Wilson

7 - Nossos sonhos
Fabrini e Vivianny Viguier

8 - A infidelidade conjugal e os seus efeitos sobre a família


Renato Camargo

9 - Relacionamento saudável com o rebanho


Larry Osborne

10 - Qual o papel do Espírito Santo em nossa vocação diante da


perda da transcendência numa sociedade tecnológica?
Ricardo Barbosa

11 - Revitalizando sua vocação


Tommy Kiedis

12 - Mantendo acesa a chama da vocação


Ricardo Agreste
Apresentação

Entendemos que é tempo de revitalizar a


vida, a família e a vocação. Em face da
relevância desses temas, a Conferência
CTPI 2019 traz 12 palestras para reflexão
de quem está no ministério pastoral ou não.
01 O resgate de nossa
identidade em Cristo
Ricardo Costa

Vamos iniciar definindo a base para todas as reflexões que teremos.


Pense na sua vida. Como você está? Talvez cansado, desanimado ou
estressado. Atualmente podemos dizer que uma palavra que tem sido
bastante utilizada para descrever o momento de muitos é Burnout.
Portanto, como está a sua vida? O seu ministério? Sua família?

Precisamos definir nossa identidade a partir do que Jesus Cristo nos diz e
não pelo que fazemos ou temos, não pelo nosso momento ou com base no
que outros disseram a nosso respeito. Precisamos entender nossa imagem
a partir de quem Jesus é.

Sendo assim, devemos lembrar que fomos criados à imagem e semelhança


de Deus. E Deus se revela através da Palavra encarnada, Jesus Cristo.
Assim, somente através de Jesus é que podemos entender e encontrar
nossa verdadeira identidade.

Em Lucas 3.21-38, encontramos a identidade de Jesus: Ele é o filho amado


em quem Deus tem todo prazer. Jesus representa a humanidade. As
escrituras também deixam claro que toda nossa crise de identidade passa
pela realidade que a queda produziu em nós.

Para que tudo isso possa ficar mais evidente, vamos fazer um rápido
panorama dos oito primeiros capítulos de Romanos. Nos primeiros
capítulos, vemos que a humanidade, de modo geral, está em uma
condição de rebeldia e, portanto, sob uma vida marcada pela injustiça.
Depois, as Escrituras nos dizem que a justiça oferecida por Deus está
baseada em quem Jesus Cristo é e no que ele fez, sendo que ela é
aplicada a nós mediante a fé (concordância), com essa justiça que Deus
oferece. E, portanto, uma vez que a justiça é aplicada, nada mais poderá
nos separar dela. Essa justiça aplicada não nos fornece apenas
informações, mas traz uma mudança de identidade (Romanos 5.12-20).
01 - O resgate de nossa identidade em Cristo

O que você tem passado não representa quem você é. Jesus Cristo é quem
define a sua identidade e quem de fato você é. Então, entenda o que as
Escrituras dizem a nosso respeito e não as circunstâncias, o ministério, as
pessoas. Ninguém define sua identidade, porque Jesus já a definiu. Contudo,
o que importa é entender o que Deus diz de nós. Nós somos seus filhos
amados. Devemos ter fé no que o Espírito Santo nos diz através das
Escrituras.

Não existe revitalização sem fé, sem entrega.


01 - O resgate de nossa identidade em Cristo
02 Revitalizando a vida
Samuel Vieira

Revitalizar as nossas igrejas é a nossa constante preocupação como


pastores e líderes. Mas muitas vezes nossos líderes é que precisam ser
revitalizados. E mais, nós mesmos precisamos ser revitalizados! Afinal,
estamos em um cenário de desânimo crescente!

Somado a isto, uma pesquisa afirma que a maioria das igrejas brasileiras
atingiram seu platô e estagnaram ou estão em declínio. É nesse cenário
que vamos falar de revitalização da vida! Isso é primordial para depois,
podermos falar sobre revitalizar a família e o ministério. Estamos ansiosos
por avivamento, um avivamento que não alcance apenas nossas igrejas,
mas nossas casas e nossa própria vida.

Agostinho diz: "quando Deus se agita, o homem se levanta". E Deus


começa a levantar o homem pelo coração!

Mas a realidade do desencorajamento é gritante! E acontece cada vez


mais cedo e mais frequentemente. Ou ainda, quando olhamos para a
Bílbia, 2/3 dos líderes que ela nos apresenta terminaram mal. Assim, a
questão é: Como lidar com essa realidade?

Para responder a essa questão, precisamos ter em mente sete armadilhas:

(1) Mentalidade de vítima


(2) Auto sabotagem
(3) Perda da motivação
(4) Pensamento mágico
(5) Familiaridade com o sagrado
(6) Transferência de responsabilidade
(7) DOWN-Espiral: desanimados - desencorajados - displicentes -
deprimidos - descrentes
02 - Revitalizando a vida

Mas também devemos tomar cuidado com o lado sombrio da liderança que
nos cabe. Eis alguns tipos de líderes que encontramos ou até mesmo
podemos ser:

(1) Compulsivo
(2) Narcisista
(3) Paranoico
(4) Co-dependente
(5) Passivo/Agressivo

O caminho para a revitalização passa por:

(1) A transformação acontece nos detalhes específicos do coração


(2) Aja contra-intuitivamente
(3) A transformação pessoal tem implicações relacionais
(4) Quem sou eu em Cristo? Sou filho amado, não sou orfão! Essa é a
nossa identidade, é onde encontramos vida.
02 - Revitalizando a vida
03
Meu grito, minha oração:
Revitaliza a minha alma,
Senhor!
Armando Bispo

A expressão do latim Vitae significa vida, o período entre o nascimento e


a morte. Revitalizar, por sua vez, significa fazer viver de novo.

No entanto, é importante lembrar que estar vivo não garante o vigor da


alma e nem dos sonhos. O que conta é chama de vida, que se encontra na
minha casa, no meu coração, onde realmente sou quem sou.

Pergunta: Como Habacuque sobreviveu diante do sofrimento do povo de


Deus, em meio ao silêncio de Deus?

Por mais que nos julguemos sábios, realizadores, protagonistas na obra, a


maioria de nós vive a perplexidade do questionamento.

Contudo, o Senhor espera o momento de ser bondoso com vocês; ele


ainda se levantará para mostrar-lhes compaixão. Pois o Senhor é Deus de
justiça. Como são felizes todos os que nele esperam! - Isaías 30.18

Habacuque, entretanto, tinha consciência disso e diz algo no capítulo 3 de


uma maneira muito especial. Uma poesia que revela o caminho da
revitalização. É a poesia e não uma tese acadêmica que produz vida.

Toda espera requer uma pausa! O ritmo da vida se revitaliza na pausa. O


ritmo da vida se revitaliza no silêncio. O ritmo da vida se revitaliza na
celebração. O ritmo da vida se revitaliza na esperança e a esperança
pressupõe aguardo.

É necessário acreditar e agir em função do bem, como alguém que


constrói uma arca e planta uma semente na terra árida e espera pela
chuva ou pelo dilúvio no tempo certo, no tempo de Deus.

Habacuque faz a oração de reconhecimento: Senhor, ouvi falar da tua


fama; temo diante dos teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa
época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo; em tua ira,
lembra-te da misericórdia. - Hb 3.2
03 - Meu grito, minha oração: revitaliza minha alma, Senhor!

Em sua oração, o profeta reconhece:

(1) O que Deus tem feito na história.


- Precisamos conhecer os feitos de Deus na história. No entanto, não se
estuda Deus no sentido investigativo. Habacuque conhecia os feitos de
Deus por ter um relacionamento com ele.
- Precisamos recuperar o prazer de caminhar com Deus e conhecê-lo
durante a caminhada.

(2) Como Deus tem agido na história.

(3) O que só Deus pode ainda fazer na história.


- Habacuque faz o memorial da esperança. O profeta pondera e relembra
os atos de Deus na história. É preciso voltar para a história e perceber o
que você já tem. Trazer à memória o que pode dar esperança.

O que sai da boca de um coração revitalizado?

Mesmo não florescendo a figueira, não havendo uvas nas videiras; mesmo
falhando a safra de azeitonas, não havendo produção de alimento nas
lavouras, nem ovelhas no curral nem bois nos estábulos, ainda assim eu
exultarei no Senhor e me alegrarei no Deus da minha salvação. - Hb
3.17,18.

Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Por que está assim tão
perturbada dentro de mim? Ponha a sua esperança em Deus! Pois ainda o
louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus. - Sl 42.11.

O homem revitalizado está firmado na rocha e antecipa o pior para


triunfar com o melhor. As promessas de Deus tangenciam o agora, mas
miram na eternidade.
03 - Meu grito, minha oração: revitaliza minha alma, Senhor!
04 Como crescer na igreja, no
ministério e ainda ter vida
Larry Osborne

Há grande chance de focarmos tanto nos resultados de nosso trabalho,


no fruto, que esquecemos a importância de fazer o fruto crescer. Muitas
pessoas de sucesso porém terminam mal.

Nos meus primeiros anos de ministério, a igreja não crescia como eu


esperava. A mesma mentalidade que poderia ter feito com que eu ficasse
deprimido, teria feito com que eu ficasse orgulhoso, se eu fosse bem
sucedido. Deus estava me ensinando que Ele iria produzir o fruto caso eu
corresse a corrida da maneira que Ele queria. Eu iria regar, fertilizar,
cuidar, mas os frutos eu teria que deixar por conta de Deus.

6 COISAS QUE NINGUÉM ME DISSE

1- Crie uma igreja e ministério que você gostaria de frequentar.


O alvo não é ser grande, mas ser fiel àquilo que Deus quer de nós.
Estaremos nas áreas dos nossos dons, haverá autenticidade, e seremos
tão grandes quanto Deus quiser. Deus quer ministérios de diversos
tamanhos, para que cada um faça sua parte.

2- Desenvolva seu chamado, não seu potencial.


Em nossa cultura, todo mundo adora o "potencial" e a pior coisa é não
desenvolver "todo o seu potencial". Mas não podemos confundir chamado
com potencial. Cuidado com a armadilha do potencial: ele te dará um bom
currículo, mas pode te levar à desobediência. Por exemplo, se você se
dedicar 100% ao ministério, irá destruir seu casamento e sua família. Por
outro lado, quando minha igreja me vê abrir mão de um sonho pelo bem
da minha família, a igreja tem um vislumbre do amor de Deus pelos
homens em Cristo.
04 - Como crescer na igreja, no ministério e ainda ter vida

3- Foque no rebanho que você tem, não no que você espera ter.
As pessoas não trazem amigos porque pedimos, mas se gostam do que
recebem. Trazem amigos para serem curados por Jesus.

4- Não viva como um pastor, viva como um cristão maduro.


Todos recebemos o chamado de Cristo no dia em que nos rendemos a Ele.
Não há uma categoria profissional mais espiritual. Todo cristão deve ter o
mesmo padrão de comportamento em casa, no trabalho ou na igreja. Se
seus filhos virem pessoas diferentes, "o pai em casa" e "o pai na igreja",
você está sendo hipócrita!

5- Faça o seu melhor, então tire um cochilo.


Se levarmos a vida como se fosse uma corrida de 100m, alguns ficarão
impressionados, mas você vai se arrebentar, por que a vida é uma longa
maratona. Se nos levarmos muito a sério, vamos querer manipular o
resultado, queremos sempre vencer. Prepare-se para o trabalho, mas
quem dá o resultado é Deus. Devemos descansar nEle. Pv 29.30-31.

6- Dê a seus filhos um legado que valha a pena.


a) O maior presente que você pode dar aos seus filhos não é uma boa
educação, esportes, mas um casamento forte. Pai e mãe que se amam em
primeiro lugar, acima dos próprios filhos, geram filhos seguros.
b) Certifique-se de que você valoriza mais o caráter deles do que a
performance deles. A performance deles vai melhorar ao longo da vida,
mas caráter e valores são formados dentro no lar.

É necessário acreditar e agir em função do bem, como alguém que


constrói uma arca e planta uma semente na terra árida e espera pela
chuva ou pelo dilúvio no tempo certo, no tempo de Deus.
04 - Como crescer na igreja, no ministério e ainda ter vida
05 Casamento Vertical
parte 1
Dave e Ann Wilson

Parte 1 - Casamento e conflitos conjugais

Você pode sim ter um ministério de sucesso com um casamento ruim e uma
caminhada com Deus fracassada. Há muitos pastores bem sucedidos no
ministério, mas um fracasso no casamento e na família.

Realidades ministeriais: a) o ministério pode ser devorador, b) pessoas de


fora não entendem, c) pessoas de dentro são maus exemplos.

Inúmeras vezes a família se ressente com as ausências do marido e do


pai, em face aos inúmeros compromissos com a igreja. Enquanto este
homem tenta se defender e provar que se esforça muito e dá conta do
trabalho e da família.

Idolatria é colocar o amor no lugar errado. A tendência é, enquanto o


homem se concentra no trabalho, a mulher se concentra no marido, nas
falhas dele x as necessidades da família. Ambos esperam ser
completamente preenchidos no lugar errado, em relacionamentos
horizontais. São cisternas secas - Jr 2.12-13. Antes de tudo temos que nos
arrepender e colocar Jesus de volta como número um (vertical). Se
voltamos ao primeiro amor, tudo o mais é consertado.

Ninguém no mundo vai nos preencher completamente. É fácil pregar sobre


isso, mas é difícil viver ao longo dos anos, no cansaço da rotina. Algumas
dicas podem ajudar:

1. Todos os dias: orem juntos.


Ao cultivar um relacionamento vertical com Deus, o relacionamento
horizontal será uma consequência.

2. Semanalmente: namorem.
O tempo de descanso semanal é importante tanto para o trabalho, quanto
para o casamento. É importante ter esse tempo de namoro.
05 - Casamento Vertical - parte 1

3. Anualmente: sair a sós.


É fundamental ter um tempo a sós como casal e um tempo só com a família
para descansar e se recarregar espiritualmente.

Quando Deus é a nossa cisterna, todas as coisas são restauradas.


Precisamos nos arrepender, voltarmos a Deus, entregando nossa vida,
casamento e família para Jesus, e então vê-lo fazer coisas maravilhosas.
05 - Casamento Vertical - parte 1
06 Casamento Vertical
Parte 2
Dave e Ann Wilson

No casamento, constantemente, existem erros de comunicação que geram


conflitos e conflitos quebram corações! Grandes e pequenos conflitos. A
saúde e o futuro do seu relacionamento são determinados pelo modo como
você lida com eles. Eles podem nos à levar a divisão ou à unidade.

Conflitos não são necessariamente ruins. A maneira como lidamos com eles
é que pode ser ruim.

4 padrões de resolução de conflitos:

1. Vencer (estar certo)


2. Conceder (a relação é mais importante que a briga)
3. Retirar-se (não gosta de briga e sai do ambiente ou emocionalmente)
4. Resolver (vai fazer o que for necessário)

Precisamos aprender e ensinar sobre princípios dentro de um conflito:

1. Cale a boca!
“Meus amados irmãos, tenham isto em mente: Sejam todos prontos para
ouvir, tardios para falar e tardios para irar-se.” - Tg 1.19

2. Responda calmamente
“A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira.” -
Pv 15.1

Decida se é hora de resolver o conflito ou dormir.

Para que não existam paredes entre nós é preciso tratarmos o conflito.
Apagar os “tijolos” só acontece quando oramos e entregamos tudo diante
de Jesus para que haja genuína cura. Por isso, procure ser perdoado e
perdoar!
06 - Casamento Vertical - parte 2
07 Nossos sonhos
Fabrini e Vivianny Figuier

Como casal sempre sonhamos muito e, em determinado momento,


sonhamos com uma nova igreja por que víamos igrejas muito
desconectadas com o mundo real da porta pra fora. O sonho era plantar
uma igreja centrada na Bíblia, a vida de santidade, e comprometida com a
plantação de novas igrejas.

Entretanto, começamos com muita paixão, mas nenhum método. Na


verdade, eramos muito jovens e inexperientes. Como tínhamos acabado
de ter dois filhos, lidamos com a igreja, como um terceiro filho, com fases
distintas de desenvolvimento, demandando atenção, cuidado e amor. E
colocamos para nós algumas regrinhas:

1. Cuidar bem de si mesmo individualmente (corpo, mente e espírito)


2. Cuidar bem do casamento (namorar, devocional, sair a sós)
3. Cuidar bem dos nossos filhos
4. Cuidar bem da nossa igreja

Cuidar do Reino de Deus em primeiro lugar não significa deixar ou


negligenciar a própria saúde física, mental e espiritual, negligenciar a
família. Pelo contrário! Se nos enfraquecermos, como cuidaremos da
igreja?

Por tentativa e erro, aprendemos o quanto é importante - para todos -


cuidar da nossa própria saúde, da nossa vida devocional, proteger nosso
casamento de nós mesmos, de nossas brigas, e de gente mal resolvida,
que quer estragar a vida dos outros. E um dos melhores presentes que
você pode dar para a sua família: é um casamento saudável. Isso é cuidar
dos filhos. Também precisamos proteger nossos filhos da igreja. Nunca
cobramos nossos filhos que eles deveriam fazer algo por serem filhos de
pastor, nem permitimos que a igreja cobrasse deles algo que não fosse
cobrado de todas as crianças.
07 - Nossos sonhos

As coisas íam bem na igreja, na família, mas uma nova crise surgiu. Uma
insatisfação, uma vontade de largar tudo surgiu para ambos.

Uma crise relacionada a falta de reconhecimento. Como mulher, eu não


queria ser só "a esposa do pastor", faltou reconhecimento de que eu também
era uma pessoa que amava a igreja e trabalhava por ela desde o início. Tinha
construído do zero um departamento infantil reconhecido na cidade.
Ao mesmo tempo, eu, como homem, apesar de tudo estar dando certo, não
tinha energia, fazia o mínimo necessário, queria fugir de tudo. Olhava para a
vida de pastores idosos e pensava: como aguentam por tanto tempo? Um
sentimento de inutilidade emergiu. Parecia que os demais profissionais tinham
valor, mas pastor era mal visto pela sociedade, só queria saber de extorquir
as pessoas. Não queria nem ler mais autores cristãos, queria ser outra
pessoa.

Mas Deus na sua graça, fez com que eu entendesse o que havia: estávamos
vivendo um novo momento de vida, somos humanos. Há tempo para todas as
coisas! O chamado permanece, o fogo continua ardendo no coração!
Apenas, temos que virar o carro para outra nova estrada.

Mt 15.29 - Depois de anos sentados aos pés de Jesus, vendo suas maravilhas,
estamos morrendo de fome. Deus se compadece de nós e não é pecado ter
fome enquanto servimos a Deus. Ele multiplica nosso pão, nosso vigor, o fogo
da nossa vocação.

Novas fases, novas fomes.

Cristo ter morrido na cruz é a maior prova de valor que podemos receber.
Faz parte da maturidade enxergar o reconhecimento de nosso valor nesta
cruz.
07 - Nossos sonhos
08
A infidelidade conjugal
e os seus efeitos sobre
a família
Renato Camargo

A família vem sempre em primeiro lugar, e depois o ministério. Devemos


tomar muito cuidado no nosso casamento com o “aparentemente bem”,
porque nem sempre é sinal de uma estabilidade garantida na relação
conjugal. Atitudes inconvenientes podem gerar consequências
indesejáveis para toda a família. Sendo assim, prevenir é sempre melhor
do que consertar ou remediar.

Atualmente, somos o país da América Latina que mais trai. Este é um


problema que atinge a todos,homens e mulheres, celebridades, líderes,
pastores e gente comum. Precisamos tomar cuidado, levar a sério e
prevenir nossa relação conjugal contra este problema. Quando acontece
um relacionamento extraconjungal, não se trata apenas de realizar uma
vontade, do prazer imediato, da diversão, mas sim de um grande estrago
no coração e na vida do cônjugue, dos filhos, das pessoas mais próximas
e também das pessoas lideradas.

Não basta começar bem o casamento, precisamos nos proteger para


poder terminar bem. Quando pensamos nas causas da infidelidade, Emily
Brown (Key Briedge therapy and M. Center) cita algumas causas:

1. Indisposição para conflitos (cansados de D.R.)


2. Falta de intimidade sexual (distanciamento)
3. Vício sexual (pornografia, prostituição)
4. Personalidade dividida (falta de caráter)
5. Fuga

Consequências da infidelidade:
Prazer momentâneo + culpa duradoura
Descrédito generalizado no contexto social
Estímulo constante à prática da imoralidade.

A família também sofre com as consequências:


Dor extremamente aguda e profunda, semelhante à dor da morte
Esfacelamento da autoestima
Amargura como estilo de vida.
08 - A infidelidade conjugal e os seus efeitos sobre a família

Provérbios 5 ensina:
Resista
Decida a quem ouvir em tempos de crise e confusão
Entenda o que de fato é uma oportunidade ou um abismo para a família
Não se iluda com as aparências. Comparações são injustas e
devastadoras
Não desafie seus próprios limites
Cultive seu relacionamento conjugal, namore, cuide de sua esposa, da sua
família como sua prioridade
Submeta-se ao olhar gracioso do Senhor. Peça um coração igual ao de
Jesus que foi fiel até a morte.
08 - A infidelidade conjugal e os seus efeitos sobre a família
09 Relacionamento saudável
com o rebanho
Larry Osborne

Pedro fala em 1 Pe 5.1-4 para os pastores, encorajando-os a pensarem


como pastores e como liderar em tempos difíceis.

Se Deus se assume como nosso pastor e o próprio Jesus disse que é nosso
pastor, vamos compreender o que significa ser um pastor no Salmo 23.

Ênfase no que o pastor faz PELO seu rebanho


O pastor sabe o que é melhor para as ovelhas e suas fraquezas

4 Princípios de liderança:

1- Pensar como um pastor


a) Pergunte-se o que as ovelhas precisam. Seu chamado é para servir,
não para o palco.
b) Estar disposto a ser mal entendido. Aprenda a lidar com a frustração.
c) Aprenda a lidar com amor e adaptar seus planos às suas fraquezas e às
características de suas ovelhas. Cuidar não significa fazer todo mundo
feliz, agradar a todos.

2- Servir com entusiasmo


Sem reclamação.

3- Liderar pelo exemplo


Tenha cuidado ao ensinar, pois será cobrado sobre suas atitudes.

4- Liderar com perspectiva a longo prazo


Nossa recompensa virá quando o Supremo Pastor vier. Não é agora.
09 - Relacionamento saudável com o rebanho
Qual o papel do Espírito

10
Santo em nossa vocação
diante da perda da
transcendência numa
sociedade tecnológica?
Ricardo Barbosa

Em 1 Tm 1.6-7, Paulo convida Timóteo a reavivar o dom que havia nele.


Mas que dom seria esse? Ao final do trecho, Paulo afirma que Deus não
nos tem dado um espírito de covardia, mas de ousadia. Ou seja, esse dom
tem relação com algo que vai além das nossas competências, tem relação
com o que Deus está fazendo.

Mas como esse desafio faz sentido para nós que vivemos em uma
sociedade tecnológica, racional e iluminada, e que nega a necessidade de
Deus ou de qualquer transcendência, já que tudo se explica e se supre
pelo conhecimento humano, um tipo de mundo desencantado?

Precisamos ser evangelicais, sacramentais e pentecostais.

Evangelical: reconhecemos a autoridade das Escrituras e centralidade


de Cristo.
Sacramental: valorizar o significado do batismo e da ceia como ritos de
identidade e poder de Deus.
Pentecostais: reconhecer que dependemos da ação do Espírito Santo
para ter comunhão com o Pai e o Filho, para compreender o amor de
Deus, nos apropriar dele e compartilhá-lo.

Seguindo e obedecendo a Palavra de Deus, o Verbo encarnado, Jesus,


temos a redenção. É através do Espírito Santo que podemos experimentar
a vida da fé e permanecer unidos a Jesus. Neste vínculo, o próprio Deus
habita em nós, os benefícios de Jesus recebidos do Pai são transferidos a
nós. É nesse contexto que a promessa do Consolador nos é dada. Essa é a
união mística que temos com Cristo. E isso é dom, pois nos foi dado.

A cultura moderna ignora a transcendência, esquece que nada finito pode


satisfazer anseios infinitos. Apenas o Deus Trino tem essa capacidade e
Ele o faz, mediante a sua Palavra e o Espírito Santo em meio a essa
caminhada, onde ainda experimentados dor e sofrimento até o dia da
volta de Cristo.
10 - Qual o papel do Espírito Santo em nossa vocação diante da perda da
transcendência numa sociedade tecnológica?
11 Revitalizando sua Vocação
Tommy Kiedis

Revitalizar nossa vocação começa com o diagnóstico de qual problema


precisa ser tratado primeiro. Como um médico, é necessário examinar e
entender o que de fato está acontecendo para nos direcionar no
tratamento. Mas cuidado, sem o diagnóstico correto, podemos focar no
problema errado, e no final, ainda teremos um problema.

Como discípulo de Jesus, falando da Palavra de Deus, você já se sentiu


como se as palavras saíssem da sua boca, mas sem estar no seu coração?
Você já pregou sobre coisas que não crê totalmente? Se sim, isso não é
bom! Se não, pense bem...

Nesta investigação, preste atenção, procure identificar e corrigir os


vazamentos que te fazem perder a paixão vocacional. E você pode ter
vários vazamentos.

Veja alguns exemplos de pessoas que perderam a paixão vocacional,


apesar do forte chamado:

Pessoa -> diagnóstico -> recomendação


Elias -> não aguento/exaustão -> descanso/renovação/reengajamento.
Jonas -> não quero ir/desobediência -> arrependimento/foco/
reengajamento.
Demas -> eu me apaixonei (distração) -> foco em Deus/reengajamento.
Timóteo -> estou com medo (falta de fé) -> foco em Deus/auto controle.
Tomé -> duvido (fé diminuída) -> abrir mão da certeza/submeter-se á
Palavra/reengajamento.

Deus não precisa de nós, mas Ele nos escolheu através de Jesus para
cumprir nossa vocação. Devemos focar em Deus novamente. Lembre-se
que foi nos dado este santo privilégio!

Contudo, pare, seja honesto, examine-se e coloque-se diante de Deus,


reajuste o foco e se engaje novamente na obra que Deus lhe deu o
privilégio de servir.
11 - Revitalizando sua Vocação
12 Mantendo acesa a chama
da vocação
Ricardo Agreste

2 Timóteo 1.6
NVI - Por essa razão, torno a lembrar-lhe que mantenha viva a chama do
dom de Deus que está em você mediante a imposição das minhas mãos.
ARA - Por essa razão,pois, te admoesto que reavives o dom de Deus que
há em ti pela imposição das minhas mãos.

A maior missão dos discípulos de Jesus não é fazer mais e mais rápido,
mas sim manter a chama da sua vocação acesa. Quando a chama apaga,
tudo fica mais difícil, o trabalho fica mais pesado, nada mais faz
sentido. Por isso, Paulo apela a Timóteo com vigor, que mantenha a chama
acesa, não apenas uma brasinha.

PARA MANTER A CHAMA ACESA:

1. Crie, mantenha e valorize um círculo de intercessores.


“...ao lembrar-me constantemente de você noite e dia em minhas orações”
(2 Tm 1.3).

2. Estabeleça relações de vulnerabilidade e cuidado.


“Lembro-me das suas lágrimas e desejo muito vê-lo, para que a minha
alegria seja completa” (2 Tm 1.4).

3. Proteja o seu coração e lute contra o cinismo.


“Recordo-me da sua fé não fingida, que primeiro habitou em sua avó
Lóide e em sua mãe Eunice, e estou convencido de que também habita em
você” (2 Tm 1.5).

Carey Nieuwhof diz sobre o cinismo: “Sentimento gerado por


experiências de desencantamento e decepção que, gradativamente, nos
rouba a capacidade de sonhar e acreditar nas pessoas”.
12 - mantendo acesa a chama da vocação

4. Três valores: poder, amor e equilíbrio.


“Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de
equilíbrio” (2 Tm 1.7).

- Poder (Dynamis): capacitação para novas atitudes tomadas a partir do


poder do Espírito Santo.

- Amor: 1 Co 13 mostra que nada adianta fazer e acontecer, sem amar as


pessoas. Se o ministério pastoral se tornar pesado para você com o passar
dos anos, faça o que precisa ser feito por amor a Jesus. Ele mesmo vai
aquecer seu coração e você o reconhecerá pelo caminho (Lc 24.15).

- Equilíbrio: moderação entre trabalho e descanso, entre família e igreja e


entre a história e a eternidade.
12 - mantendo acesa a chama da vocação
Assista estas e mais de 120
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Centro de Treinamento para Plantadores de Igrejas

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Ricardo Agreste
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