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L C

ENTRE FRASES

Redação para
vestibular medicina
3ª edição • São Paulo
2018

3
LINGUAGENS, CÓDIGOS
t e c
e s u a s ação n o l o g i a s
Estudo da Escrita - Red e Murilo de Almeida Gonç
alves
ily Cristina dos Ouros
Cora de Andrade Ramos, Em
© Hexag Sistema de Ensino, 2018
Direitos desta edição: Hexag Sistema de Ensino. São Paulo, 2018
Todos os direitos reservados.

Autores
Cora de Andrade Ramos
Emily Cristina dos Ouros
Murilo de Almeida Gonçalves
Diretor geral
Herlan Fellini
Coordenador geral
Raphael de Souza Motta
Responsabilidade editorial
Hexag Sistema de Ensino
Diretor editorial
Pedro Tadeu Batista
Revisor
Murilo de Almeida Gonçalves
Pesquisa iconográfica
Raphael Campos Silva
Programação visual
Hexag Sistema de Ensino

Editoração eletrônica
Claudio Guilherme da Silva
Eder Carlos Bastos de Lima
Fernando Cruz Botelho de Souza
Matheus Franco da Silveira
Raphael de Souza Motta
Raphael Campos Silva

Projeto gráfico e capa


Raphael Campos Silva

Foto da capa
pixabay (http://pixabay.com)

Impressão e acabamento
Meta Solutions

ISBN: 978-85-9542-051-9

Todas as citações de textos contidas neste livro didático estão de acordo com a legislação, tendo por fim único e exclusivo o
ensino. Caso exista algum texto, a respeito do qual seja necessária a inclusão de informação adicional, ficamos à disposição
para o contato pertinente. Do mesmo modo, fizemos todos os esforços para identificar e localizar os titulares dos direitos sobre
as imagens publicadas e estamos à disposição para suprir eventual omissão de crédito em futuras edições.
O material de publicidade e propaganda reproduzido nesta obra está sendo usado apenas para fins didáticos, não represen-
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CARO ALUNO

O Hexag Medicina é referência em preparação pré-vestibular de candidatos à carreira de Medicina. Desde 2010, são centenas de aprovações nos princi-
pais vestibulares de Medicina no Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e em todo Brasil. O material didático foi, mais uma vez, aperfeiçoado e seu conteúdo
enriquecido, inclusive com questões recentes dos relevantes vestibulares de 2018.
Esteticamente, houve uma melhora em seu layout, na definição das imagens, criação de novas seções e também na utilização de cores.
No total, são 105 livros e 6 cadernos de aula.

O conteúdo dos livros foi organizado por aulas. Cada assunto contém uma rica teoria, que contempla de forma objetiva e clara o que o aluno

realmente necessita assimilar para o seu êxito nos principais vestibulares do Brasil e Enem, dispensando qualquer tipo de material alternativo complementar.

As aulas estão divididas da seguinte forma:


INFOGRÁFICO
Esta seção, de forma simples, resumida e dinâmica, foi desenvolvida para indicação dos assuntos mais abordados nos principais vestibulares,
voltados para o curso de medicina em todo território nacional.
TEORIA
Todo o desenvolvimento dos conteúdos teóricos, de cada coleção, tem como principal objetivo apoiar o estudante na resolução de questões
propostas. Os textos dos livros são de fácil compreensão, completos e organizados. Além disso, contam com imagens ilustrativas que complementam
as explicações dadas em sala de aula. Quadros, mapas e organogramas, em cores nítidas, também são usados, e compõem um conjunto abrangente de
informações para o estudante, que vai dedicar-se à rotina intensa de estudos.
TEORIA NA PRÁTICA (EXEMPLOS)
Desenvolvida pensando nas disciplinas que fazem parte das Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias. Nesses
compilados nos deparamos com modelos de exercícios resolvidos e comentados, aquilo que parece abstrato e de difícil compreensão torna-se mais aces-
sível e de bom entendimento aos olhos do estudante.
Através dessas resoluções é possível rever a qualquer momento as explicações dadas em sala de aula.
INTERATIVIDADE
Trata-se do complemento às aulas abordadas. É desenvolvida uma seção que oferece uma cuidadosa seleção de conteúdos para complementar
o repertório do estudante. É dividido em boxes para facilitar a compreensão, com indicação de vídeos, sites, filmes, músicas e livros para o aprendizado do
aluno. Tudo isso é encontrado em subcategorias que facilitam o aprofundamento nos temas estudados. Há obras de arte, poemas, imagens, artigos e até
sugestões de aplicativos que facilitam os estudos, sendo conteúdos essenciais para ampliar as habilidades de análise e reflexão crítica. Tudo é selecionado
com finos critérios para apurar ainda mais o conhecimento do nosso estudante.
INTERDISCIPLINARIDADE
Atento às constantes mudanças dos grandes vestibulares, é elaborada, a cada aula, a seção interdisciplinaridade. As questões dos vestibulares
de hoje não exigem mais dos candidatos apenas o puro conhecimento dos conteúdos de cada área, de cada matéria.
Atualmente há muitas perguntas interdisciplinares que abrangem conteúdos de diferentes áreas em uma mesma questão, como biologia e
química, história e geografia, biologia e matemática, entre outros. Neste espaço, o estudante inicia o contato com essa realidade por meio de explicações
que relacionam a aula do dia com aulas de outras disciplinas e conteúdos de outros livros, sempre utilizando temas da atualidade. Assim, o estudante
consegue entender que cada disciplina não existe de forma isolada, mas sim, fazendo parte de uma grande engrenagem no mundo em que ele vive.
APLICAÇÃO NO COTIDIANO
Um dos grandes problemas do conhecimento acadêmico é o seu distanciamento da realidade cotidiana no desenvolver do dia a dia, dificultando
o contato daqueles que tentam apreender determinados conceitos e aprofundamento dos assuntos, para além da superficial memorização ou “decorebas”
de fórmulas ou regras. Para evitar bloqueios de aprendizagem com os conteúdos, foi desenvolvida a seção "Aplicação no Cotidiano". Como o próprio
nome já aponta, há uma preocupação em levar aos nossos estudantes a clareza das relações entre aquilo que eles aprendem e aquilo que eles têm
contato em seu dia a dia.
CONSTRUÇÃO DE HABILIDADES
Elaborada pensando no Enem, e sabendo que a prova tem o objetivo de avaliar o desempenho ao fim da escolaridade básica, o estudante deve
conhecer as diversas habilidades e competências abordadas nas provas. Os livros da “Coleção vestibulares de Medicina” contêm, a cada aula, algumas
dessas habilidades. No compilado “Construção de Habilidades”, há o modelo de exercício que não é apenas resolvido, mas sim feito uma análise expo-
sitiva, descrevendo passo a passo e analisado à luz das habilidades estudadas no dia. Esse recurso constrói para o estudante um roteiro para ajudá-lo a
apurá-las na sua prática, identificá-las na prova e resolver cada questão com tranquilidade.
ESTRUTURA CONCEITUAL
Cada pessoa tem sua própria forma de aprendizado. Geramos aos estudantes o máximo de recursos para orientá-los em suas trajetórias. Um
deles é a estrutura conceitual, para aqueles que aprendem visualmente a entender os conteúdos e processos por meio de esquemas cognitivos, mapas
mentais e fluxogramas. Além disso, esse compilado é um resumo de todo o conteúdo da aula. Por meio dele, pode-se fazer uma rápida consulta aos
principais conteúdos ensinados no dia, o que facilita sua organização de estudos e até a resolução dos exercícios.
A edição 2018 foi elaborada com muito empenho e dedicação, oferecendo ao aluno um material moderno e completo, um grande aliado para
o seu sucesso nos vestibulares mais concorridos de Medicina.

Herlan Fellini
ENTRE FRASES
Estudo da escrita - REDAÇÃO
Aula 10: Coesão textual II 7
Aula 11: Coerência textual 25
Aula 12: Artigo de opinião 41
Aula 13: Carta argumentativa 55
Redações extras 71
Prontuário 79
ENTRE FRASES
Co es ão Re fe re nc ia l

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3ª pess

Aula Proposta 2 10
Projeto de texto modelo Enem

Coesão textual II
8
COESÃO REFERENCIAL
Na aula anterior, estudamos a coesão textual a partir do emprego de determinados verbos e conectivos, isto é,
a coesão sequencial. Vimos que esse tipo de amarração de ideias permite que o texto progrida sequencialmente
dentro de uma estrutura argumentativa.
No entanto, essa não é a única forma de estabelecer relações sequenciais entre as partes de um texto. Na
aula de hoje, observaremos a forma de emprego de outro tipo de coesão: a coesão referencial.

Coesão referencial
Coesão referencial é aquela em que um componente da superfície do texto faz remissão a outro(s) elementos(s)
nela presentes ou inferíveis a partir do universo textual. Em outras palavras, trata-se do ato de fazer referências a
termos que já apareceram no texto sem se valer do uso de repetições.
A coesão referencial pode ser empregada a partir do uso de artigos, pronomes, numerais, sinônimos e
hiperônimos e termos genéricos. Esses elementos estão classificados em formas gramaticais e lexicais conforme
veremos na sequência.

1. Formas gramaticais presas

Nesse grupo, observaremos o uso de termos que – acompanhados de um outro vocábulo – fazem remissão
a elementos que já apareceram ou que ainda estão por aparecer. Comumente, são formas relacionadas a um
nome com o qual concordam em gênero e/ou em número.
a) Artigos – definidos e indefinidos.
O artigo indefinido é utilizado de maneira catafórica, isto é, serve para apresentar um termo dentro da
superfície textual.

Um exemplo disso é a difícil inserção dos surdos no mercado de trabalho, devido à precária educação
recebida por eles e ao preconceito intrínseco à sociedade brasileira.
Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017.

No exemplo acima, vemos que ao artigo “um”, acompanhado do substantivo “exemplo”, referem-se a
expressão posterior “difícil inserção”.
O artigo definido é utilizado de maneira anafórica, isto é, serve para retomar um termo dentro da superfície
textual.

Ao seguir essa linha de pensamento, observa-se que a preparação do preconceito religioso se encaixa
na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende
a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, a continuação do pensamento da inferioridade
religiosa, transmitido de geração a geração, funciona como base forte dessa forma de preconceito, perpe-
tuando o problema no Brasil.
Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016.

No excerto acima, o artigo “o” acompanhado da palavra “problema” retomam a expressão “preconceito
religioso”.

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b) Pronomes adjetivos
Estes pronomes, caracterizados por sempre acompanharem um substantivo, também possuem função de
determinar um nome que retoma termo já expresso na superfície textual.

Demostrativos:

Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a con-
templar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de
palestras e peças teatrais que abordem essa temática.
Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016.

Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses mas-
culinos e tal paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone
de Beauvoir como expoente.
Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015.

Isso porque poucos recursos são destinados pelo Estado à construção de escolas especializadas na edu-
cação de pessoas surdas, bem como à capacitação de profissionais para atenderem às necessidades
especiais desses alunos.
Trecho da redação ENEM de Yasmin Lima Rocha, texto nota mil do ano de 2017.

Possessivos:

Em consequência disso, os deficientes auditivos encontram inúmeras dificuldades em variados âmbitos


de suas vidas.
Trecho da redação ENEM de Isabella Barros Castelo Branco, texto nota mil do ano de 2017.

Indefinidos:

Além da física, o balanço de 2014 relatou cerca de 48% de outros tipos de violência contra a mulher,
dentre esses a psicológica.
Trecho da redação ENEM de Amanda Carvalho Maia Castro, texto nota mil do ano de 2015.

2. Formas gramaticais livres

Fazem parte deste grupo as palavras que retomam outros termos, mas não vêm acompanhadas de substantivos.
Abaixo, estão listadas as formas mais interessantes para se empregar nas redações:
a) Pronomes pessoais de 3ª pessoa. (ELE, ELA, ELES, ELAS)
Desse modo, cabe ao Ministério da Educação a criação de um programa escolar nacional que vise a con-
templar as diferenças religiosas e o respeito a elas, o que deve ocorrer mediante o fornecimento de
palestras e peças teatrais que abordem essa temática.
Trecho da redação ENEM de Laryssa Cavalcanti, texto nota mil do ano de 2016.

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Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz em suas "Memórias Póstumas" que não teve filhos
e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua
decisão: a postura de muitos brasileiros frente a intolerância religiosa é uma das faces mais perversas de
uma sociedade em desenvolvimento.
Trecho da redação ENEM de Larissa Cristine Ferreira, texto nota mil do ano de 2016.

b) Pronomes substantivos – (Demonstrativos, possessivos, indefinidos, interrogativos, ou relati-


vos )

Demonstrativos:

Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor-
cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado
para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo.
Trecho da redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017.

No excerto acima, “este” retoma o termo mais próximo com o qual concorda em gênero e em número. No
caso, o termo “surdo”.

Sob esse viés, pode-se apontar como um empecilho à implementação desse direito, reconhecido por meca-
nismos legais, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos próprios respon-
sáveis por essas pessoas com limitação. Isso por ser explicado segundo o sociólogo Talcott Parsons, o
qual diz que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o
preconceito por parte de muitos pais dificulta o acesso à educação pelos surdos.
Trecho da redação ENEM de Marcus Vinícius Monteiro de Oliveira , texto nota mil do ano de 2017.

No exemplo acima, o pronome “isso” retoma toda uma ideia desenvolvida anteriormente.

Relativos:

Dentro dessa lógica, nota-se que a dificuldade de prevenção e combate ao desprezo e preconceito religioso
mostra-se fruto de heranças coloniais discriminatórias, as quais negligenciam tanto o direito à vida
quanto o direito de liberdade de expressão e religião.
Trecho da redação ENEM de Desirée Macarroni Abbade, texto nota mil do ano de 2016.

Em primeiro plano, evidencia-se que a coletividade brasileira é estruturada por um modelo excludente
imposto pelos grupos dominantes, no qual o indivíduo que não atende aos requisitos estabelecidos, branco
e abastado, sofre uma periferização social.
Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi, texto nota mil do ano de 2016.

c) Numerais (Ordinais, cardinais, multiplicativos e fracionários)

Pesquisas comprovam que, no Brasil, o salário dado a homens e mulheres é diferente, mesmo com am-
bos exercendo a mesma função.
Trecho da redação ENEM de Julia Guimarães Cunha, texto nota mil do ano de 2015.

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3. Formas lexicais
As formas de remissão lexicais são aquelas que – além de se conectarem com termos anteriores – possuem um sig-
nificado exterior à superfície textual. Fazem parte desse grupo sinônimos, hiperônimos, nominalizações e alguns
termos genéricos por meio dos quais conseguimos reconhecer o referente já expresso.
a) Sinônimos – Trata-se de usar termos com significado equivalente ou semelhante.

Outrossim, o preconceito da sociedade ainda é um grande impasse à permanência dos deficientes au-
ditivos nas escolas. Tristemente, a existência da discriminação contra surdos é reflexo da valorização dos
padrões criados pela consciência coletiva.
Trecho da redação ENEM de Thaís Fonseca Lopes, texto nota mil do ano de 2017.

SINÔNIMOS POSSÍVEIS
Verifique se a substituição desses elementos em seu texto pode ser realizada.
Ação: atividade, processo, realização, operação.
Ideia: posicionamento, acepção, posição, consideração.
Pessoas: indivíduos, cidadãos.
População: sociedade civil, pessoas de modo geral.
Trabalho: emprego, ocupação, função, cargo, posto

b) Hiperônimos – Trata-se da retomada de um termo específico por um termo mais abrangente.

Paralelo a isso, o exemplo dado pelo pai ao violentar a companheira tem como consequência a solidifi-
cação desse comportamento psicológico dos filhos.
Trecho da redação ENEM de Valéria da Silva Alves, texto nota mil do ano de 2015.

Dessa forma, muitas pessoas julgam ser correto tratar o sexo feminino de maneira diferenciada e até
desrespeitosa. Logo, há muitos casos de violência contra esse grupo, em que a agressão física é a mais
relatada, correspondendo a 51,68% dos casos.
Trecho da redação ENEM de Anna Beatriz Alvares Simões Wreden, texto nota mil do ano de 2015.

c) Nominalizações - Trata-se de transformar uma oração expressa em um substantivo com o


objetivo de retomá-la.

A mulher é constantemente tratada com inferioridade pela população e pelos próprios órgãos públi-
cos. Uma atitude que demonstra com clareza esse tratamento é a culpabilização da vítima de estupro que,
chegando à polícia, é acusada de causar a violência devido à roupa que estava vestindo.
Trecho da redação ENEM de Caio Nobuyoshi Koga , texto nota mil do ano de 2015.

d) Termos genéricos – Trata-se do emprego de termos que podem retomar os variados tipos de
palavras ou orações.

Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses mas-
culinos e tal paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone
de Beauvoir como expoente.
Trecho da redação ENEM de Cecília Maria Lima Leite, texto nota mil do ano de 2015.

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É fundamental, portanto, a criação de oficinas educativas, pelas prefeituras, visando à elucidação das
massas sobre a marginalização da educação dos surdos, por meio de palestras de sociólogos que orientem
a inserção social e escolar desses sujeitos. Ademais, é vital a capacitação dos professores e dos pe-
dagogos, pelo Ministério da Educação, com o fito de instruir sobre as necessidades de tal grupo, como o
ensaio em Libras, utilizando cursos e métodos para acolher esses deficientes e incentivar a sua continuidade
nas escolas, a fim de elevar a visualização dos surdos como membros do corpo social. A partir dessas ações,
espera-se promover uma melhora das condições educacionais e sociais desse grupo.
Trecho da redação ENEM de Matheus Pereira Rosi , texto nota mil do ano de 2017

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PROPOSTA DE DISCUSSÃO : O OLHAR SOBRE A FAVELA
Texto 1
Quarto de Despejo
“O grito da favela que tocou a consciência do mundo inteiro”

2 de MAIO de 1958. Eu não sou indolente. Há tempos que eu pretendia fazer o meu diario. Mas eu pensava que
não tinha valor e achei que era perder tempo.
...Eu fiz uma reforma para mim. Quero tratar as pessoas que eu conheço com mais atenção. Quero enviar
sorriso amavel as crianças e aos operarios.
...Recebi intimação para comparecer as 8 horas da noite na Delegacia do 12. Passei o dia catando papel. A
noite os meus pés doiam tanto que eu não podia andar.
Começou chover. Eu ia na Delegacia, ia levar o José Carlos. A intimação era para ele. O José Carlos tem 9
anos.

3 de MAIO. ...Fui na feira da Rua Carlos de Campos, catar qualquer coisa. Ganhei bastante verdura. Mas
ficou sem efeito, porque eu não tenho gordura. Os meninos estão nervosos por não ter o que comer.

6 de MAIO. De manhã não fui buscar agua. Mandei o João carregar. Eu estava contente. Recebi outra in-
timação. Eu estava inspirada e os versos eram bonitos e eu esqueci de ir na Delegacia. Era 11 horas quando eu
recordei do convite do ilustre tenente da 12ª Delegacia.
...o que eu aviso aos pretendentes a política, é que o povo não tolera a fome. É preciso conhecer a fome
para saber descrevê-la.
Estão construindo um circo aqui na Rua Araguaia, Circo Theatro Nilo.
9 de MAIO. Eu cato papel, mas não gosto. Então eu penso: Faz de conta que estou sonhando.
10 de MAIO. Fui na Delegacia e falei com o Tenente. Que homem amavel! Se eu soubesse que ele era tão
amavel, eu teria ido na Delegacia na primeira intimação.
(...) O Tenente interessou-se pela educação dos meus filhos. Disse-me que a favela é um ambiente propenso,
que as pessoas tem mais possibilidades de delinquir do que tornar-se util a patria e ao país. Pensei: se ele sabe
disso, porque não faz um relatorio e envia para os politicos? O Senhor Janio Quadros, o Kubstchek, e o Dr Adhe-
mar de Barros? Agora falar para mim, que sou uma pobre lixeira. Não posso resolver nem as minhas dificuldades.
(...) O Brasil precisa ser dirigido por uma pessoa que já passou fome. A fome tambem é professora. Quem passa
fome aprende a pensar no proximo e nas crianças.
11 de MAIO. Dia das mães. O céu está azul e branco. Parece que até a natureza quer homenagear as mães
que atualmente se sentem infeliz por não realizar os desejos de seus filhos. (...) O sol vai galgando. Hoje não vai
chover. Hoje é o nosso dia. (...) A D. Teresinha veio visitar-me. Ela deu-me 15 cruzeiros. Disse-me que era para
a Vera ir no circo. Mas eu vou deixar o dinheiro para comprar pão amanhã, porque eu só tenho 4 cruzeiros.(...)
Ontem eu ganhei metade da cabeça de um porco no frigorifico. Comemos a carne e guardei os ossos para ferver.
E com o caldo fiz as batatas. Os meus filhos estão sempre com fome. Quando eles passam muita fome eles não
são exigentes no paladar. (...) Surgiu a noite. As estrelas estão ocultas. O barraco está cheio de pernilongos. Eu vou
acender uma folha de jornal e passar pelas paredes. É assim que os favelados matam mosquitos.
(Carolina Maria de Jesus, In: Quarto de Despejo.)

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Texto 2
FAVELÁRIO NACIONAL
Quem sou eu para te cantar, favela,
Que cantas em mim e para ninguém
a noite inteira de sexta-feira
e a noite inteira de sábado
E nos desconheces, como igualmente não te
conhecemos?
Sei apenas do teu mau cheiro:
Baixou em mim na viração,
direto, rápido, telegrama nasal
anunciando morte... melhor, tua vida.
...
Aqui só vive gente, bicho nenhum
tem essa coragem.
...
Tenho medo. Medo de ti, sem te conhecer,
Medo só de te sentir, encravada
Favela, erisipela, mal-do-monte
Na coxa flava do Rio de Janeiro.
Medo: não de tua lâmina nem de teu revólver
nem de tua manha nem de teu olhar.
Medo de que sintas como sou culpado
e culpados somos de pouca ou nenhuma irmandade.
Custa ser irmão,
custa abandonar nossos privilégios
e traçar a planta
da justa igualdade.
Somos desiguais
e queremos ser
sempre desiguais.
E queremos ser
bonzinhos benévolos
comedidamente
sociologicamente
mui bem comportados.
Mas, favela, ciao,
que este nosso papo
está ficando tão desagradável.
vês que perdi o tom e a empáfia do começo?
...

(Carlos Drummond de Andrade, In: “Sentimento do Mundo”. Rio de Janeiro: Record, 1984).

15
Texto 3
DUAS VEZES FAVELA
Marginalizados pela exclusão social e idealizados no cinema e na música popular, morros do Rio vivem
entre catástrofe e descaso do poder público
(Boris Fausto)

A imensa tragédia nos morros do Rio de Janeiro relembra o quanto as favelas cariocas fazem parte do imaginário
dos brasileiros. Começando pela sua origem e por sua designação, elas têm uma história peculiar e centenária.
Embora haja controvérsias a respeito, parecem ter surgido, por volta de 1897, como local de moradia, oferecido
pelo governo aos soldados que regressavam da campanha de Canudos [na Bahia]. Não por acaso, a designação
"favela" foi dada por esses soldados que, nas proximidades do arraial de Canudos, acamparam num morro, cha-
mado de morro da Favela, em referência a um arbusto resistente, muito conhecido nas zonas secas do Nordeste.
(...) Com uma distância de 50 anos, o editorial da revista "Anhembi", de responsabilidade do escritor e jornalista
Paulo Duarte, fala da vitória de Getúlio Vargas nas eleições presidenciais de 3 de outubro de 1950, vinculando-
-a, no Rio de Janeiro, ao "meio milhão de miseráveis, analfabetos, mendigos famintos e andrajosos, espíritos
recalcados e justamente ressentidos, indivíduos tornados pelo abandono homens boçais, maus e vingativos, que
desceram os morros embalados pela cantiga da demagogia (...)".

Idealização do morro
O reverso da demonização da favela veio pela mão do cinema e principalmente da música popular. No caso do
cinema, uma referência lendária é o filme "Favela dos Meus Amores", de 1935, do qual, se não estou enganado,
não sobrou uma só cópia. Dirigido por Humberto Mauro, com a colaboração de Henrique Pongetti, sua trilha mu-
sical era feita de canções e sambas de Ary Barroso, Custódio Mesquita e Orestes Barbosa, entre outros.
Milhares de sambas tematizaram a favela, em fases que têm a ver com a história do país, onde predo-
minam ora a idealização romântica (as cabrochas, os barracos sem trinco, a proximidade do céu), ora a violência
(dos marginais ou da polícia), ora o protesto contra as injustiças sociais. Isso foi muito bem mostrado por Jane
Souto de Oliveira e Maria Hortense Marcier num ensaio intitulado "A Palavra É Favela", que se encontra no livro
já citado de Zaluar e Alvito.
Curiosamente, Noel Rosa [1910-37], um dos grandes da música popular brasileira, tematizou quase
todos esses aspectos, inclusive na célebre polêmica com Wilson Batista, respectivamente na defesa e na conde-
nação do malandro.
Nos versos da música popular, encontramos às vezes um apelo para que a cidade enfrente o problema
da favela e da habitação popular. É o caso de "Barracão", a célebre canção de Luiz Antonio e Oldemar Magalhães,
que não eram compositores do morro, mas sabiam o que diziam: "Ai, barracão/ Pendurado no morro/ Vai pedindo
socorro/ À cidade a seus pés".
Bela inversão, em que uma cidade, geograficamente submetida, tem, no entanto, socialmente, uma posição
dominante com relação aos habitantes lá do alto.
Até que ponto o pedido de socorro, diante da catástrofe atual, será ouvido? Até que ponto o problema
será enfrentado com um misto de humanidade e competência técnica, à margem da falsa dualidade "remoção
ou urbanização", que percorre a história das favelas, como se todas as situações - na realidade, muito diversas -
fossem idênticas?
A folha corrida do poder público, onde consta o crime do esquecimento de tantas e tantas tragédias, não
me permite ser otimista. Mas quem sabe – assim espero – eu esteja completamente enganado.
(www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?http://www1.folha.uol.com.
Br/fsp/mais/fs180420100 9.h m – acesso em 20/05/2015)

16
Texto 4
“Poorism” (...) faz referência à existência de tours que levam pessoas, geralmente das classes mais abastadas,
para as áreas habitadas pelas classes mais pobres ou miseráveis. Essa palavra é resultante de um neologismo
criado a partir da junção de duas palavras inglesas: poor e tourism.
(...)
Muitas pessoas analisam o poorism como um tipo de turismo voyeurista que favorece o conceito de visita
de um “zoológico de pobres”, alimentado por uma observação e por um olhar, que nada ou pouco pode fazer
para mudar ou amenizar, por exemplo, a situação econômica alheia, consequentemente, tornando ainda mais
evidentes as disparidades entre visitante e visitado.
Posicionar o ser humano e suas condições de vida como produto de consumação turística envolve uma
noção de ética e moralidade altamente complexa.
Por exemplo, o turista voyeur vai ao encontro da pobreza, sem com ela desejar interagir ou misturar-se. Ele
paga para observar de longe, pois jamais seria capaz de envolver-se no contexto social da comunidade visitada.
Percebe-se a existência de um contexto sórdido de contemplação da miséria e da degradação humana, o
que também pode caracterizar uma forma comercial de diversão voltada para satisfazer os mais bizarros capri-
chos humanos, dentre eles, a sensação de ser ou estar numa condição superior ao do outro.
(...)
Para Freire-Medeiros (2009), o olhar curioso do turista é capaz de perceber as hierarquias sociais envolvidas
na estrutura organizacional das comunidades. A experiência do turista obtida pela participação prática de um
tour é capaz de influenciar sua forma de pensar e analisar os fatos tais como eles se apresentam e, a partir de sua
experiência, estarem aptos a desenvolverem suas próprias opiniões.
Além disso, os próprios agentes sociais envolvidos na comercialização do poorism também procuram de
certa forma colaborar para a desconstrução de estigmas, ainda que contribuam muito pouco para que haja a
participação da comunidade local na distribuição dos lucros obtidos.
Poorism: a pobreza como atrativo turístico. Trabalho de Conclusão de Thaís San-
tos da Mota para o Curso de Turismo na Universidade Federal Fluminense.

17
INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Porta dos Fundos - POBRE

Fonte: Youtube

LER

tt
Livros
Gringo na Laje - Col. Fgv de Bolso
Por meio de uma pesquisa socioetnográfica, Bianca Freire-Medeiros
busca compreender os novos arranjos sociais que permitem emoldurar,
anunciar, vender e consumir a pobreza, atribuindo-lhe um valor mone-
tário acordado entre promotores e consumidores no mercado turístico.
A pesquisadora esteve nas townships da África do Sul e em Dhavari,
considerada a maior slum da Índia, mas é a favela carioca da Rocinha
seu grande foco de interesse.

OUVIR
Músicas

- Subúrbio – Chico Buarque

18
EXERCÍCIOS
1. No texto abaixo, estão identificados de verde os sinônimos, hiperônimos e termos genéricos que
retomam o termo “surdos”, longamente referido durante a redação. Observe os termos em verme-
lho e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se referem.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos – promulgada em 1948 pela ONU – assegura a todos os in-
divíduos o direito à educação e ao bem-estar social. Entretanto, o precário serviço de educação pública
do Brasil e a exclusão social vivenciada pelos surdos impede que essa parcela da população usufrua desse
direito internacional na prática. Com efeito, evidencia-se a necessidade de promover melhorias no sistema
de educação inclusiva do país.
Deve-se pontuar, de início, que o aparato estatal brasileiro é ineficiente no que diz respeito à formação
educacional de surdos no país, bem como promoção da inclusão social desse grupo. Quanto a essa ques-
tão, é notório que o sistema capitalista vigente exige alto grau de instrução para que as pessoas consigam
ascensão profissional. Assim, a falta de oferta do ensino de libras nas escolas brasileiras e de profissionais
especializados na educação de surdos dificulta o acesso desse grupo ao mercado de trabalho. Além disso, há
a falta de formas institucionalizadas de promover o uso de libras, o que contribui para a exclusão de surdos
na sociedade brasileira.
Vale ressaltar, também, que a exclusão vivenciada por deficientes auditivos no país evidencia práticas his-
tóricas de preconceito. A respeito disso, sabe-se que, durante o século XIX, a ciência criou o conceito de
determinismo biológico, utilizado para legitimar o discurso preconceituoso de inferioridade de grupos mi-
noritários, segundo o qual a função social do indivíduo é determinada por características biológicas. Desse
modo, infere-se que a incapacidade associada hodiernamente aos deficientes tem raízes históricas, que
acarreta a falta de consciência coletiva de inclusão desse grupo pela sociedade civil.
É evidente, portanto, que há entraves para que os deficientes auditivos tenham pleno acesso à educação no
Brasil. Dessa maneira, é preciso que o Estado brasileiro promova melhorias no sistema público de ensino do
país, por meio de sua adaptação às necessidades dos surdos, como oferta do ensino de libras, com profis-
sionais especializados para que esse grupo tenha seus direitos respeitados. É imprescindível, também, que
as escolas garantam a inclusão desses indivíduos, por intermédio de projetos e atividades lúdicas, com a
participação de familiares, a fim de que os surdos tenham sua dignidade humana preservada.
Redação ENEM de Larissa Fernandes Silva de Souza , texto nota mil do ano de 2017.

2. Observe os termos em negrito e identifique a quais palavras, frases ou orações eles se referem.
Sob a perspectiva filosófica de São Tomás de Aquino, todos os indivíduos de uma sociedade democrática
possuem a mesma importância, além dos mesmos direitos e deveres. No entanto, percebe-se que, no Bra-
sil, os deficientes auditivos compõem um grupo altamente desfavorecido no tocante ao processo de for-
mação educacional, visto que o país enfrenta uma série de desafios para atender a essa demanda. Nesse
contexto, torna-se evidente a carência de estrutura especializada no acompanhamento desse público,
bem como a compreensão deturpada da função social deste.
O filósofo italiano Norberto Bobbio afirma que a dignidade humana é uma qualidade intrínseca ao homem,
capaz de lhe dar direito ao respeito e à consideração por parte do Estado. Nessa lógica, é notável que o
poder público não cumpre o seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos, uma vez que não
proporciona aos surdos o acesso à educação com qualidade devida, o que caracteriza um irrespeito des-
comunal a esse público. A lamentável condição de vulnerabilidade à qual são submetidos os deficientes
auditivos é percebida no déficit deixado pelo sistema educacional vigente no país, que revela o despreparo
da rede de ensino no que tange à inclusão dessa camada, de modo a causar entraves à formação desses
indivíduos e, por conseguinte, sua inserção no mercado de trabalho.
Além disso, outra dificuldade enfrentada pelos surdos para alcançar a formação educativa se dá pela falta
de apoio enfrentada por muitos no âmbito familiar, causada pela ignorância quanto às leis protetoras
dos direitos do deficiente, que gera uma letargia social nesse aspecto. Esse desconhecimento produz na
sociedade concepções errôneas a respeito do papel social do portador de deficiências: como consequência
do descumprimento dos deveres constitucionais do Estado, as famílias – acomodadas por pouca instrução
– alimentam a falsa ideia de que o deficiente auditivo não tem contribuição significante para a sociedade,
o que o afasta da escolaridade e neutraliza a relevância que possui.

20
Logo, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com instituições de apoio ao surdo, propor-
cione a este maiores chances de se inserir no mercado, mediante a implementação do suporte adequado
para a formação escolar e acadêmica desse indivíduo – com profissionais especializados em atendê-lo -,
a fim de gerar maior igualdade na qualificação e na disputa por emprego. É imprescindível, ainda, que as
famílias desses deficientes exijam do poder público a concretude dos princípios constitucionais de pro-
teção a esse grupo, por meio do aprofundamento no conhecimento das leis que protegem essa camada,
para que, a partir da obtenção do saber, esse empenho seja fortalecido e, assim, essa parcela receba o
acompanhamento necessário para atingir a formação educacional e a contribuição à sociedade.
Redação ENEM de Alan de Castro Nabor, texto nota mil do ano de 2017. .

21
PROPOSTA
Texto 1
A Defensoria Pública em parceira com o “Polos de Cidadania” – programa de extensão da Faculdade de Direito da UFMG
– promoveu, no dia 07 de novembro, a Roda de Conversa para debater sobre o tema Favela. O evento contou com a
presença de defensores públicos, estudantes e moradores destas comunidades. (...)
Outro tema abordado foi o estereótipo criado acerca da favela e dos seus moradores: a idealização, a visão ro-
mântica de que são pessoas alegres e unidas, que amam e se orgulham do lugar em que vivem, mesmo passando por
muitas dificuldades. De acordo com eles, essa ideia, consumida massivamente pela sociedade principalmente por meio
das novelas de televisão, acaba por gerar uma cristalização da posição social destas pessoas, pois, se tão contentes estão
com a própria vida, não faz sentido quererem ascender socialmente ou usufruir os mesmos direitos que moradores de
outras áreas das cidades.
“A Roda de Conversa foi realizada na data em que se comemora o dia estadual da Favela – disse a defensora pú-
blica Cleide Nepomuceno – o que nos faz questionar se há algo a ser comemorado, pois, se de um lado está a iniciativa,
organização e coragem dos moradores em construir o seu próprio espaço em contraponto à inércia do Estado e a margi-
nalização imposta pela sociedade, por outro lado existe uma gama de problemas a serem enfrentados”. (...)
De acordo com a coordenação, quando se pretende lidar com uma determinada realidade, há que se respeitá-la
em sua autonomia e peculiaridade, ouvindo sua voz e sua história. “Trabalhar em uma favela, exige, antes de tudo, o
reconhecimento daquele local e daquelas pessoas enquanto iguais e dotadas de vivências por nós desconhecidas, que
demandam respeito e cuidado. A oportunidade de ter um diálogo horizontal com pessoas que vivenciam cotidianamente
a luta pela moradia digna, a luta contra o racismo, contra a marginalização e criminalização da pobreza, dentre outras
muitas, é uma forma também de combater os perniciosos estereótipos que são criados acerca do ambiente da favela e
seus moradores”.
(www.anadep.org.br/wtk/pagina/materia?id=21282 - acesso em 20/05/2015)

Texto 2
Vivo no morro (Pato fu)

Vivo, vivo num morro


que quanto mais de longe
mais bonito é de se ver
não há quem resista ao meu morro
dentro da luz azul que sai da TV

Morro que é assim


cheio de não sei o quê
de tantas almas em dor
pra sentir teu cheiro, teu sabor
Morrendo pra sobreviver
penando pelas quatro dimensões

Pra lá e pra cá, é difícil chegar


Pra cá e pra lá, como vou começar
o tempo passa quando quer passar
e o morro sempre no mesmo lugar
(https://www.letras.mus.br/pato-fu/48036/)

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Texto 3
Favela Tour na Rocinha

O Favela Tour é uma experiência de vida. Nele conheceremos a outra cara do Rio, não tão bonita mas real. É também um
tour cultural que nos dará uma nova perspectiva, nos fará entender melhor a cidade, e caminhando por suas ruas estrei-
tas, veremos de perto como vivem os moradores e o que é realmente a desigualdade social em nosso país.
Mas também descobriremos que dentro das favelas não existe somente pobreza. Dizem que as dificuldades aguçam
o engenho e é verdade. Veremos pessoas que apesar de tudo, sempre sacam a vida para frente, com criatividade e com a
incrível habilidade do povo brasileiro de ser feliz. Não faltará o sorriso de uma criança, um gesto amável de um morador,
outro que passa cantando... Veremos gente que pinta, que baila, que samba, que com poucos recursos, leva a vida com
arte.
E para completar essa experiência cheia de contradições, apreciaremos as extraordinárias vistas do Rio de Janeiro
que possuem os moradores da Favela da Rocinha.
(http://riomaximo.tur.br/passeios-rio-de-janeiro/favela-tour-rocinha/)

Texto 4
Camiseta da givenchy com a palavra “favelas” custa quase mil reais

O mundo da moda está mesmo morrendo de amores pelo Brasil, mas nem por isso as peças estão acessíveis para
qualquer bolso. Uma camiseta de algodão da coleção de primavera da marca francesa Givenchy, inspirada nas favelas
latino-americanas, custa 392 dólares no site da loja italiana L'Inde Le Palais. Ou seja, quase mil reais. Elaborada pelo
estilista Riccardo Tisci com o nome “Favelas 74”, a coleção é fruto da obsessão do artista pela cultura latina, acrescida
pelo ano de nascimento dele (1974). Segundo a Givenchy, os homens latinos não tem medo de misturar estampas que,
aparentemente, não combinam, ou peças contrastantes, mas que ainda assim ficam elegantes. As demais peças da cole-
ção têm estampas, flores e camuflagem.
https://extra.globo.com/mulher/moda/camiseta-da-givenchy-com-palavra-favelas-
-custa-quase-mil-reais-11325747.html em 17.01.2014

23
Texto 5

O Museu de Favela é uma galeria de arte incomum. Funciona a céu aberto nos morros interligados do Cantagalo, em
Ipanema, e Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na zona sul da cidade. O acervo são os cerca de 20 mil moradores das
comunidades, seu modo de vida, suas narrativas, dificuldades, conquistas e memória da favela e da cidade. A história das
favelas é recontada no Circuito das Casas-Telas - 26 pinturas em muros de ruas e casas feitas em grafite por artistas de
dentro e de fora das comunidades. Estão retratadas, por exemplo, a fila da bica de água que tornou-se ponto de encontro
de sambistas e também a migração nordestina que povoou as favelas.

http://mapadecultura.rj.gov.br/manchete/museu-de-favela-2#prettyPhoto

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, empregando a norma--
-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O olhar sobre a favela: formas de sensibilização ou mera objetifica-
ção?

24
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Aula Proposta 2 11
Projeto de texto modelo Enem

Coerência textual
26
COERÊNCIA TEXTUAL
Coerência é aquilo que faz com que o texto tenha sentido durante a leitura. Sua ocorrência não depende do
texto em si, mas da organização dos elementos linguísticos e do conhecimento do mundo partilhado pelo autor,
construindo um sentido percebido através do raciocínio lógico.
Em outras palavras, a coerência ocorre a partir da interpretabilidade do texto, por meio processo cooperativo
entre quem escreve e quem lê. Ainda que o texto esteja bem escrito, a compreensão não ocorrerá se não houver
coerência.
É possível estudar a coerência de um texto a partir de duas formas: a coerência externa e a coerência in-
terna.

Coerência externa
Coerência externa é aquela realizada entre o texto e contexto de produção. Ela ocorre a partir da verificação da
pertinência das ideias desenvolvidas, analisando se as construções realmente fazem sentido no universo abordado
pelo texto. Ela depende diretamente do conhecimento do leitor.

Orações com problemas de coerência externa


O machismo é um problema brasileiro que ocorre desde a escravidão.
Desde os tempos mais remotos, a burguesia busca ascensão social das mais variadas formas.
Os períodos de seca – no Nordeste – são consequência dos grandes fluxos migratórios.
Embora os excertos acima estejam escritos corretamente a apresentem um posicionamento a respeito de
determinado assunto, as ideias por eles desenvolvidas não têm validade dentro do contexto de discussão. No
primeiro exemplo, não se pode dizer que o machismo é um problema restrito ao Brasil, ou ainda, que tenha sua
origem na escravidão. O segundo exemplo também se torna incoerente devido a uma dimensão temporal: a bur-
guesia é uma classe social nascida entre a Alta e a Baixa Idade média.
Em síntese, os períodos estão bem escritos, mas não possuem coerência externa.

Coerência interna
A coerência interna é aquela que aborda os sentidos entre as partes de um mesmo texto. Para que ela ocorra, é
preciso: não haver contradições entre as ideias desenvolvidas; não haver paráfrases repetidas que comprometam o
desenvolvimento lógico do texto; e não haver parágrafos isolados que não componham um todo sequencial.

27
Parágrafo com problema de coerência interna.
O voto obrigatório é importante, pois é a única maneira de forçar a população a refletir a respeito da política. Desse
modo, os cidadãos têm o dever de pensar em seus candidatos e avaliar o trabalho que os representantes podem
fazer pelo país. Além disso, trata-se de uma excelente maneira de avaliar o papel que o governo desempenha
na sociedade. No entanto, o voto obrigatório é negativo, pois é uma forma de imposição política que contraria o
princípio da liberdade de escolha.
Os períodos acima se tornam incoerentes porque apresentam contradições entre si. Na leitura, não sabemos
se o autor é favorável ou não ao voto obrigatório já que dois posicionamentos opostos são colocados lado a lado
sem que um deles seja eleito como prioritário.

Como compor um texto coerente?

§ Capriche no projeto de texto e siga-o até o fim. Um projeto de texto organizado produz uma redação
organizada. Quando elaboramos o projeto, colocamos em tópicos todas as ideias que contribuem para a de-
fesa de nossa tese, e, portanto, conseguimos organizar nosso texto a partir de um raciocínio que tenha lógica.
§ Escreva seu texto em favor de sua tese. Lembre-se de que as ideias apresentadas têm o objetivo de
comprovar o seu posicionamento inicial. Orações soltas e expositivas escritas apenas para “falar o que se
sabe sobre o assunto” costumam gerar textos incoerentes.
§ Cuidado com o argumento oposto à sua ideia. Não se esqueça de que o argumento contrário à nossa
posição apenas nos é interessante quando pode ser relativizado ou desconstruído. Evite descrever argumen-
tos muito bons que invalidem sua tese principal, pois o texto pode se tornar contraditório.
§ Não escreva parágrafos isolados. Lembre-se de que sua redação obedece uma sequência lógica e
tem como objetivo defender sua tese. Portanto, os parágrafos precisam estar alinhados ao posicionamento
principal. Não se pode compor um parágrafo para tratar de determinado assunto sem observar se essa
abordagem contribui para a comprovação da tese.
§ Cuidado com o título. Quando seu título já apresenta uma posição a respeito do assunto, é importante
que ela seja a mesma desenvolvida na redação. Por isso, recomenda-se que o título seja atribuído apenas
no final da escrita do texto, pois assim é possível escrever uma frase ou oração que esteja muito bem rela-
cionada à ideia que desenvolvemos ao longo do texto.
§ Evite a repetição de paráfrases. Quando não sabemos o que escrever, é muito comum escrevermos as
mesmas coisas com outras palavras. Ou então, passamos apenas a reproduzir as ideias apresentadas na
coletânea quase sem objetivo nenhum. Para acabar com esse problema, é importante realizarmos o projeto
de texto e nele colocarmos as ideias a serem desenvolvidas. Com o projeto de texto em mãos, dificilmente
nos perderemos nas paráfrases repetidas exaustivamente.
§ Releia o texto produzido. A melhor maneira de descobrir se o texto produzido está incoerente é colocar-
-se na posição de leitor. Sempre leia e releia seu texto para observar há coerência nas ideias, na articulação
dos parágrafos e no desenvolvimento da conclusão. A releitura ainda ajuda a acertar a pontuação ou a
acentuação que podem ter passado despercebidas.

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29
PROPOSTA DE DISCUSSÃO: O SUICÍDIO NO BRASIL
Tabu e necessidade de informação
Culturalmente, o suicídio é um tabu. Não é noticiado, não é falado, comentado, discutido. Muitas vezes, mortes
decorrentes de um suicídio são escondidas, evitadas. Assunto delicado demais para falar. Em muitas religiões, o
suicídio é visto como o pior tipo de morte, ou até mesmo como um pecado. São comuns comentários do tipo:
“Quem se suicida é covarde! Não pensa na família! Quer só fugir dos problemas!”. Acontece que o suicídio é um
problema de saúde pública. O número de mortes por suicídio tem aumentado consideravelmente, e esconder ou
fugir do assunto não é a solução! É o problema!
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), nove entre dez casos de suicídio poderiam ser
prevenidos se o assunto fosse mais discutido e as pessoas estivessem mais conscientizadas para perceberem
os sinais, as ideações suicidas de alguém e a forma de encaminhamento para um profissional. O movimento
“Setembro Amarelo” vem trazer essa visibilidade necessária ao tema, conscientizando e estimulando a fala
e prevenção. Por fugir do assunto, pessoas que ouvem ideias suicidas vindas de alguém próximo não se
atentam para a seriedade disso, pensam que é "drama" ou realmente escolhem não escutar por não saber
como lidar com isso, como ajudar.
http://www.folhadeitapecerica.com.br/noticia/10/
opiniao-a-importancia-do-setembro-amarelo-precisamos-falar-sobre-suicidio

O mapa do suicídio no Brasil


Enquanto o suicídio segue sendo um assunto sobre o qual se fala pouco, o número de pessoas que tiram a própria
vida avança silenciosamente. No Brasil, o índice perde apenas para homicídios e acidentes de trânsito entre as
mortes por fatores externos (o que exclui doenças). Em todo o mundo, entre os jovens, a morte por suicídio já é
mais frequente que por HIV. Entre idosos, assim como entre pessoas de meia-idade, os índices também avançam.
O Mapa da Violência de 2014 (levantamento mais recente) também aponta uma alta de 15,3% entre jovens
e adolescentes no Brasil, de 2002 a 2012. O suicídio é predominante no sexo masculino, com exceção da Índia e
China. Os homens brasileiros têm 3,7 vezes mais chances de se matar que as mulheres, de acordo com o estudo
da UFBA. Tem sido registrado um aumento no número de suicídios em todas as faixas etárias: crianças, jovens,
adultos e idosos, como afirma o Mapa.
Para o psiquiatra Rubens Pitliuk, do Hospital Albert Einstein, uma boa campanha de conscientização, como
ocorreu com a da Aids no Brasil, deve ser feita para a depressão. "A população precisa ser mais bem informada
de que depressão é uma doença e tem tratamento. Boa parte das vezes, a pessoa se sente mal e não sabe que
tem depressão. Se soubesse o nome da doença, talvez procurasse ajuda. E muitas vezes a família não percebe
que ela está deprimida", explica.

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/suicidio-e-preciso-falar-sobre-esse-problema.ghtml

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http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/suicidio-e-preciso-falar-sobre-esse-problema.ghtml

Facebook lança ferramenta de prevenção do suicídio


junto ao CVV
Usuários poderão intervir ao identificar postagem com sinais alarmantes.
Tanto quem postou quanto quem notificou receberá apoio e dicas.

A partir desta terça-feira (14), os usuários do Facebook no Brasil terão acesso a uma nova ferramenta para
prevenção de suicídio. O projeto, desenvolvido em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), leva em
consideração que pessoas contemplando a ideia de suicídio podem emitir sinais de alerta em suas publicações
nas redes sociais.

Agora, amigos podem intervir de forma mais direta nesses casos por meio do novo recurso, que já estava dispo-
nível nos Estados Unidos e Austrália e agora está sendo lançado globalmente.

Funciona assim: ao perceber que um amigo postou um conteúdo que possa indicar uma tendência ao suicídio
ou automutilação, o usuário pode escolher "denunciar a publicação", clicando naquela setinha no canto direito
superior do post.
O Facebook perguntará o que está acontecendo e a resposta deve ser: "acredito que não deveria estar no
Facebook". Depois, a questão é "o que há de errado", quando o usuário poderá escolher uma opção relacionada
ao suicídio.

31
Aquele que fez a postagem alarmante receberá, então, uma mensagem em seu Facebook avisando que um
de seus amigos está preocupado com ele (sem identificar quem fez a denúncia), oferecendo algumas opções
possíveis: enviar uma mensagem a um amigo, conversar com um agente do CVV pelo telefone, chat ou e-mail ou
ainda receber dicas do que fazer.

A própria pessoa que denunciou a publicação também receberá uma lista do que pode fazer: oferecer ajuda ao
amigo, conversar com outros amigos e ver dicas de como abordar o assunto com a pessoa.

"Especialistas dizem que o suicídio pode ser prevenido em 90% das situações", diz Carlos Correia, voluntário
do CVV desde 1992. Ele observa que, muitas vezes, pessoas que estão pensando em suicídio emitem sinais que
podem ser detectados.
"No Facebook, isso pode se manifestar de forma mais sutil, em frases como 'estou sofrendo', em poemas
de solidão postados de forma repetitiva... São sinais que vão se acumulando", afirma Correia. "Postar algo como
'qualquer dia eu sumo', por exemplo, é um super sinal de alarme."

Campanha para voluntários


Para dar conta de um possível aumento da demanda pelo CVV – que oferece um serviço de prevenção de suicí-
dio e dá apoio emocional a pessoas que precisam conversar por meio de telefone, chat online, e-mail, Skype ou
pessoalmente – o Facebook contribuirá com a organização oferecendo publicidade gratuita na rede social para o
recrutamento de novos voluntários.
Correia prevê que o projeto dará maior visibilidade à organização para o público jovem, o que pode levar a
um aumento da busca por atendimentos online.
O CVV - Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntá-
ria e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email, chat
e Skype 24 horas todos os dias.

http://www.cvv.org.br/conheca-mxais-suicidio.php

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Mandando bem no ENEM

Mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano. Isso significa uma morte a cada 40 segundos. Muitos
outros tentaram suicídio, e o suicídio é a segunda principal causa de morte entre as pessoas entre 15 e 29 anos
de idade.
Em resposta a esses números alarmantes, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 2014
seu primeiro relatório global sobre o suicídio com uma mensagem de esperança: os suicídios são evitáveis.
Estratégias eficazes existem e aguardam implementação. Isto inclui a restrição do acesso aos meios mais comuns,
mas também a notificação responsável de suicídio pelos meios de comunicação, evitando o sensacionalismo e
fornecendo informações sobre onde procurar ajuda.
Como os distúrbios mentais e o uso nocivo do álcool contribuem para muitos suicídios em todo o mundo, a
identificação precoce e a gestão eficaz por parte dos profissionais de saúde são fundamentais para garantir que
as pessoas recebam os cuidados que necessitam.
As comunidades também desempenham um papel crítico. Elas podem fornecer apoio social a indivíduos
vulneráveis e se envolver em cuidados de acompanhamento, combater o estigma e apoiar todos os que estão em
luto por conta do suicídio.
O primeiro relatório global sobre o tema da OMS apelou a indivíduos, comunidades e países a agir agora
para prevenir o suicídio.
Fonte: https://nacoesunidas.org/prevencao-do-suicidio-uma-necessidade-global-video/

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INTERATIVI
A DADE

ASSISTIR

Vídeo Vídeo Institucional do CVV - Curitba

Fonte: Youtube

Vídeo Como vai você? - Documentário sobre o CVV

Fonte: Youtube

LER

tt
Livros
Suicídio e sua prevenção (UNESP) - José Manoel Bertolote

Desde a Antiguidade, o suicídio é uma questão que intriga aqueles


que ficam: o que levaria a tamanho rompimento com o primeiro dos
instintos humanos? Este livro estuda o suicídio em profundidade,
aproximando-se de suas possíveis causas e sugerindo caminhos para
prevenir esse ato extremo.

34
EXERCÍCIOS
1. Entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer
teste de DNA. Assinale a alternativa cujo texto pode ser concluído coerentemente com essa afirma-
ção.
a) Sara Mendes deu início a um processo na justiça, para que Tiago Costa assuma a paternidade de seu
filho Cássio. Tiago não fez o exame de DNA, mas assume como muito provável ser ele o pai do menino.
Cássio alega que o exame não é conclusivo, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção
de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA.
b) Adriano é um rapaz muito presunçoso e não admite que lhe cobrem nada. A namorada lhe pediu um
exame de DNA, para esclarecer a paternidade de Amanda, sua filha. Adriano disse que não faria o exa-
me. A namorada disse que toda essa presunção serviria para o juiz atestar a paternidade, pois entrou
em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste
de DNA.
c) Carlos de Almeida responde processo na justiça por não querer reconhecer como seu o filho de Diana
Santos, sua ex namorada. Carlos se recusou a fazer o exame de DNA, o que permite ao juiz lavrar a
sentença que o indica como pai da criança, porque entrou em vigor a lei que converte em presun-
ção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA.
d) Alessandro presume que Caio seja seu filho. Sugeriu a Telma um exame de DNA. Telma disse não ser
necessário, pois entrou em vigor a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos
homens em fazer teste de DNA.
e) Mário e Felipe são primos. Mário é extremamente vaidoso, pretensioso. Felipe é um rapaz calmo e mui-
to simples. Os dois namoraram Teresa na mesma época. Teresa teve uma filha e entrou na justiça para
exigir dos dois primos um exame de DNA. O juiz disse que não era necessário, pois entrou em vigor
a lei que converte em presunção de paternidade a recusa dos homens em fazer teste de DNA.

2. Identifique a ordem em que os períodos devem aparecer, para que constituam um texto coeso e
coerente. (Texto de Marcelo Marthe: Tatuagem com bobagem. Veja, 05 mar. 2008, p. 86.)
I. Elas não são mais feitas em locais precários, e sim em grandes estúdios onde há cuidado com a
higiene.
II. As técnicas se refinaram: há mais cores disponíveis, os pigmentos são de melhor qualidade e
ferramentas como o laser tornaram bem mais simples apagar uma tatuagem que já não se quer
mais.
III.Vão longe, enfim, os tempos em que o conceito de tatuagem se resumia à velha âncora de ma-
rinheiro.
IV. Nos últimos dez ou quinze anos, fazer uma tatuagem deixou de ser símbolo de rebeldia de um
estilo de vida marginal.
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, em que os períodos devem aparecer.
a) II, I, III, IV
b) IV, II, III, I
c) IV, I, II, III
d) III, I, IV, II
e) I, III, II, IV

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

Mais velho, poucos amigos?

Um curioso estudo divulgado na última semana mostrou que a redução do número de amigos com
a idade, tão comum entre os humanos, pode não ser exclusivo da nossa espécie. 1Aparentemente,
macacos também passariam por processo semelhante em suas redes de contatos sociais, o que po-
deria sugerir um caráter evolutivo desse fenômeno.
2
No trabalho desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa com Primatas em Göttingen, Alemanha, se
identificou uma redução de grooming (tempo dedicado ao cuidado com outros indivíduos, como
limpar o pelo e catar piolhos) entre os macacos mais velhos da espécie Macaca sylvanus. 3Além
disso, eles praticavam grooming em um número menor de “amigos” ou parentes.
4
Fazer grooming está para os macacos mais ou menos como o “papo” para nós. 5Da mesma forma
que o “carinho” humano, ele parece provocar a liberação de endorfinas. 6Geram-se, dessa forma,
sensações de bem-estar tanto em homens como em outros animais.

36
Na pesquisa, publicada pelo periódico New Scientist, os cientistas perceberam que macacos de 25
anos tiveram uma redução de até 30% do tempo de grooming quando comparados com adultos de
cinco anos. 7Se esse fenômeno acontece em outros primatas, ele também pode ter chegado a nós ao
longo do caminho de formação da nossa espécie. 8Se chegou, qual teria sido a vantagem evolutiva?
9
Durante muito tempo se especulou que esse “encolhimento” social em humanos seria, na verda-
de, resultado de um processo de envelhecimento, em que depressão, morte de amigos, limitações
físicas, vergonha da aparência e menos dinheiro poderiam limitar as novas conexões. 10Mas, pes-
quisando os idosos, se percebeu que ter menos amigos era muito mais uma escolha pessoal do que
uma consequência do envelhecer.
Uma linha de investigação explica que essa redução dos amigos seria, na verdade, uma seleção dos
mais velhos de como usar melhor o tempo. Mas outros especialistas defendem a ideia de que os
mais velhos teriam menos recursos e defesas para lidar com estresse e ameaças e, assim, 11esco-
lheriam com mais cautela as pessoas com quem se sentem mais seguros (os amigos) para passar
seu tempo.
BOUER, J. Jornal O Estado de São Paulo, caderno Metrópole, domingo, 26 jun. 2016, p. A23. Adaptado.

3. Para garantir a unidade e a coerência, todo texto deve seguir uma determinada ordem de apresen-
tação das ideias. Ao desenvolver o processo argumentativo, o texto apresentado, depois de infor-
mar que a redução do número de amigos pode ser fruto de uma escolha pessoal do idoso, afirma
que
a) a depressão, as limitações físicas, a vergonha da aparência são alguns fatores que podem afetar as
pessoas idosas.
b) o grooming entre os macacos equivale à relação de carinho e de contato entre os humanos.
c) o homem não é o único ser vivo que sofre uma redução de amigos ao longo do seu processo de enve-
lhecimento.
d) os especialistas defendem posições distintas sobre a relação entre envelhecimento e redução de ami-
gos.
e) os macacos mais velhos tiveram redução do tempo de grooming, segundo uma pesquisa alemã.

GABARITO
1. C 2. C 3. D

37
Texto 1
Falsas aparências nas redes sociais escondem situações que podem levar ao suicídio, diz sociólogo

Aprender a ouvir e perceber pessoas alheias ao convívio social pode ajudar a evitar quadros de depressão, que
podem levar ao suicídio.
Ultimamente, as redes sociais têm tornado cada vez mais invisíveis as percepções sobre alguém que precisa
de ajuda. A aparência de serenidade e felicidade nos diversos pontos de interação na internet afastam as pessoas do
convívio social e as incluem num mundo, muitas vezes, fantasioso. "A própria necessidade de buscar as redes sociais
para ser visto como uma maneira de ficar on-line, já é um sinalizador de uma dificuldade emocional. Ter essa neces-
sidade de ser visto, de ser notado, de transparecer uma situação ideal", explicou o sociólogo Washington Brandão.
(https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/falsas-aparencias-nas-redes-sociais-escondem-

-situacoes-que-podem-levar-ao-suicidio-diz-sociologo.ghtml)

Texto 2
Na década de 1970, o sociólogo David Phillips cunhou o termo “efeito Werther”, para descrever o aumento de sui-
cídios que ocorre quando um caso é muito noticiado. Tal efeito já foi comprovado, e é um dos grandes responsáveis
pelo medo que os veículos de mídia têm de tocar no assunto.
No entanto, esse é um medo infundado. Noticiar suicídios de forma espetaculosa, detalhada, pode, de fato,
convencer pessoas em risco, ainda hesitantes, a se matar. Mas abordar o problema de forma séria e indicar meios
de prevenção têm o efeito oposto.
Em 2010, o psiquiatra Thomas Niederkrotenthaler cunhou o termo “efeito Papageno”, inspirado pelo perso-
nagem da ópera A Flauta Mágica que foi impedido de se matar por algumas palavras otimistas. Ele também estava
desesperado por amor e já a ponto de se matar quando três gênios intervieram, lembrando-o de seu instrumento
musical mágico que poderia uni-lo a sua amada. A cena mostra que quem está envolvido num problema muitas
vezes não consegue vislumbrar saídas.
http://saude.estadao.com.br/noticias/geral,prevencao-ao-suicidio,70001981774

Texto 3

Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde

38
Texto 4

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/20/folheto-Suicidio-Publico-Gera.pdf

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua for-
mação, redija texto dissertativo-argumentativo na modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre Desafios
na prevenção ao suicídio no Brasil apresentando proposta de intervenção, que respeite os direitos humanos.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

39
Aula Proposta 2 12
Projeto de texto modelo Enem

Artigo de opinião
42
ARTIGO DE OPINIÃO
O artigo de opinião é um gênero discursivo predominantemente argumentativo que tem como objetivo expressar
o ponto de vista do autor (que assina tal artigo) a respeito de alguma questão importante (de âmbito, cultural,
político, social, etc.). Trata-se de um tipo de texto que encontramos com maior frequência em jornais ou revistas; e
mais recentemente, sua produção vêm sendo bastante exigida pelos vestibulares.

ESTRUTURAÇÃO DO ARTIGO DE OPINIÃO


Sendo um texto de natureza argumentativa, os artigos de opinião apresentam uma estrutura que objetiva conven-
cer o leitor de que a perspectiva analítica desenvolvida pelo articulista é melhor do que a perspectiva apresentada
por outros especialistas. Exatamente por isso, esse gênero textual não apresenta uma estrutura tão fixa/engessada
(afinal, o articulista, que em geral é um especialista no assunto discutido, precisa de certa liberdade para escolher
o caminho analítico mais eficaz para convencer o leitor). Ainda assim, encontraremos certas estratégias que contri-
buam para angariar a confiança do leitor. Vejamos um exemplo:

Atenção à linguagem

Geralmente, o que define o grau de formalidade de um artigo de opinião é o seu espaço de circulação e
perfil dos leitores. Já no caso do vestibular, caso haja a necessidade de o estudante produzir um texto nesse
gênero, é necessário observar duas orientações:
1º - Linguagem formal, obedecendo os parâmetros da gramática normativa
2º - A linguagem não deve ser intelectualizada / rebuscada, pois parte-se do pressu-
posto que o artigo de opinião é um texto direcionado a um público mais amplo, muitas vezes
leigo no assunto.
OBS: Essas duas orientações são de caráter mais geral, e não excluem outras orientações extras que
um vestibular deseje apresentar ao estudante.

43
O brasileiro cordial
Perguntas retóricas
Falar que somos tolerantes é desconhecer nosso ma-
chismo, nossa homofobia, nosso racismo As perguntas retóricas dão início ao desen-
volvimento da análise. Essa estratégia argu-
Há dias, ao término de uma palestra para cerca de 300 mentativa faz com que o leitor coloque seu
estudantes de uma universidade privada em São Pau- foco sobre aquilo que o autor do texto dese-
lo, me peguei pensando, ao olhar o auditório lotado de ja analisar
jovens: quantos de nós, ao deixar esse prédio, chegará
ileso em casa? Porque, nos dias que correm, a nossa
vida vale tão pouco que sobreviver a mais uma jornada
Argumentação / Respostas às pergun-
é o máximo que aspiramos. Todos nós conhecemos fa-
tas retóricas
mílias destroçadas pela violência — e pouco a pouco a
sociedade paralisada de medo vai se tornando refém da
Durante os parágrafos de desenvolvimento,
própria impotência.
é importante que se crie uma cadeia argu-
Até o final do ano, estima-se que cerca de mentativa que convença o leitor da tese que
65.000 pessoas terão sido assassinadas no Brasil, o que foi apresentada no parágrafo introdutório.
nos coloca na melancólica liderança do ranking mundial Essa cadeia argumentativa pode também ser
de homicídios no mundo em números absolutos, ou o construída respondendo perguntas retóricas
11º em números relativos (levando em conta o tamanho que forma feitas em momentos anteriores do
da população). E, embora a sensação de violência con- texto.
tamine a sociedade de forma geral, ela nos atinge de
maneira particular, dependendo da classe social a que
pertencemos, da cor, idade e sexo, e da região do país
que habitamos. Contextualização do tema

De cada três pessoas mortas no Brasil, duas são


A contextualização do tema é algo impor-
negras — e 93% do total pertencem ao sexo masculi-
tante para que o leitor passe a estar ciente
no. Os jovens entre 15 e 29 anos constituem 54% das
do que se discute no artigo (além de ajudá-
vítimas. O Nordeste concentra sozinho 37% do total
-lo a a localizar e recuperar informações que
das mortes no país, sendo Alagoas o campeão com
já possui sobre o assunto).
uma taxa de 65 mortes por 1.000 habitantes, o dobro
da média nacional. A região concentra ainda as cinco
capitais mais violentas: João Pessoa, Maceió, Fortaleza,
São Luís e Natal. As armas de fogo respondem por 80% Informações referenciais
dos crimes e quase 60% de todos os homicídios estão
relacionados direta ou indiretamente ao tráfico de dro- Para ratificar as opiniões apresentadas em
gas. E, o mais inquietante: 90% dos assassinatos ficam seu artigo (e levando em consideração que
impunes, porque nunca solucionados... os dados apresentados devem ser especia-
lizados), podemos nos valer de informações
Se as mulheres representam somente 7% do
encontradas no mundo (seja um fato que
total das vítimas de homicídios, elas respondem pela
efetivamente ocorreu, seja algum dado esta-
quase totalidade das ocorrências de estupro, que é uma
tístico presente em alguma pesquisa).
agressão devastadora. O Brasil registra cerca de 53.000
casos de violência sexual por ano, que, estima-se, sig-
nifica apenas 10% do total — a maioria não chega a
denunciar o agressor por medo, vergonha ou falta de

44
confiança nas autoridades. 70% das queixas envolvem crianças ou adolescentes e em dois de cada três casos o
criminoso é pessoa próxima da vítima (pai ou padrastro, irmão, namorado, amigo ou conhecido).
Mas a violência também acha-se presente no trânsito, um dos mais letais do mundo — são mais de 40.000
mortos e 170.000 feridos todo ano. Do total das vítimas, 29% são motociclistas, 24% motoristas de automóveis,
19% pedestres, 3% ciclistas, 2% motoristas de caminhão —a maioria absoluta homens (78%) e jovens entre 20 e
29 anos (28%). Imprudência, uso de drogas e álcool e má conservação das ruas e estradas estão entre as principais
causas dos acidentes.
Um dos estereótipos mais arraigados em relação à cultura brasileira é a de que somos um povo alegre,
hospitaleiro e festeiro. Ora, de cada 100 assassinatos ocorridos no mundo, 13 verificam-se no Brasil. O pensamento
machista domina a sociedade de alto a baixo —uma em cada três pessoas (homens e mulheres) acredita que o
estupro ocorre por causa do comportamento feminino. A violência no trânsito é responsável pela terceira maior
causa de óbitos no Brasil, logo após as doenças cardíacas e o câncer.
Se somarmos as vítimas de homicídios e de acidentes de trânsito alcançamos um total de mais 100.000
mortos por ano ou 274 pessoas por dia, um número de óbitos maior do que o verificado em países em conflito —
por exemplo, a guerra civil da ex-Iugoslávia, que durou dez anos, resultou em cerca de 200.000 mortos, e a guerra
do Iraque, ocorrida entre 2003 e 2011, em torno de 400.000 vítimas. Então, por que a questão da segurança públi-
ca, que afeta a todos individualmente, para além de ideologias ou facções políticas, não mobiliza a opinião pública?
Talvez tenhamos que repensar o caráter do bra-
sileiro. Afirmar que os brasileiros somos naturalmente
alegres é desconhecer a insatisfação latente que vigora Análise do articulista
nos trens, ônibus e vagões de metrô lotados. Falar que
os brasileiros somos tolerantes é desconhecer nosso É comum que, ao final do artigo, a tese cen-
machismo, nossa homofobia, nosso racismo. Dizer que tral apresentada no começo do texto seja re-
os brasileiros somos solidários é desconhecer nossa cuperada e explicada, abrindo espaço para o
imensa covardia para assumir causas coletivas. A frus- desenvolvimento de uma análise sobre o tema.
tração, como já alertou uma canção do Racionais MC, é Essa análise, inevitavelmente, apresenta di-
uma máquina de fazer vilão. No fundo, estamos empur- mensões mais particularizadas (perspectivas
rando a sociedade para o beco sem saída do autismo ideológicas e convicções pessoais do autor),
social. no entanto, ela deve ser explicitada com argu-
(Luiz Ruffato – Jornal El País in: https://brasil.elpais.com/bra-
mentos organizados e plausíveis (a análise não
sil/2015/06/03/opinion/1433333585_575670.html)
pode apresentar caracteres passionais).

Como vimos no exemplo apresentado, mesmo sendo um tipo de texto que não apresenta estrutura fixa, algumas
estratégias serão muito frequentes.

45
PROPOSTA DE DISCUSSÃO: VÍCIO EM REDES SOCIAIS

Texto 1
Nomofobia: a dependência do telefone celular. Este é o seu caso?

Cada vez mais as pessoas não conseguem desgrudar do smartphone e esse hábito pode trazer consequências
físicas e psicológicas
Antes da popularização do celular, outras dependências comportamentais haviam sido descritas: alimen-
tar, exercícios, compra, trabalho (workaholics), jogo, internet e sexo. Mais recentemente, o termo nomofobia (uma
abreviação, do inglês, para no-mobile-phone phobia) foi criado no Reino Unido para descrever o pavor de estar
sem o telefone celular disponível. Na realidade, este neologismo atualmente tem sido muito utilizado para des-
crever a dependência (também conhecida como uso problemático ou compulsão) do telefone móvel.
As prevalências descritas do uso abusivo do celular variam amplamente, muito em decorrência da diver-
sidade dos critérios diagnósticos utilizados e da variabilidade dos indivíduos estudados. As taxas estimadas de
dependência de celular podem chegar até a 60% nos seus usuários. Um estudo brasileiro realizado pela pesqui-
sadora Anna Lúcia King, da UFRJ, verificou que 34% dos entrevistados afirmaram ter alto grau de ansiedade sem
o telefone por perto. Assim, com a enorme quantidade de pessoas com pleno acesso ao aparelho, estes índices
são extremamente preocupantes.

Dependência precoce

Neste sentido, o ponto que mais chama a atenção aqui é que cada vez mais cedo inicia-se o uso do celular, com
milhões de crianças (várias com cerca de dois ou três anos de idade!) e adolescentes com acesso livre, total e
irrestrito. Sabe-se que o quanto antes ocorre uma dependência, piores são suas consequências físicas e psicoló-
gicas em longo prazo. Em termos comportamentais mais amplos, têm sido observado nestes jovens uma falta de
habilidade nos relacionamentos interpessoais, com dificuldades no estabelecimento de vínculos de amizade e/ou
afetivos plenos e duradouros.
Em nível neurobiológico, sabemos que existe um “sistema de recompensa cerebral” (SRC) que tem como
função estimular comportamentos que colaboram com a manutenção da vida (como sexo, alimentação e pro-
teção). Quando o SRC é ativado, com a liberação do neurotransmissor dopamina, isto proporciona imediatas
sensações de prazer e satisfação. Tal qual para as drogas de abuso, as dependências comportamentais (incluindo
a nomofobia), são capazes de levar a uma hiperatividade do constante SRC, podendo causar alteração no funcio-
namento cerebral. Entretanto, as consequências de longo prazo do funcionamento alterado pelo excesso do uso
do celular ainda são incertas.
Além disso, as pessoas que apresentam uso abusivo do celular têm maior chance de desenvolver trans-
tornos psiquiátricos como ansiedade, depressão e sintomas de impulsividade, embora a relação de causa-efeito
nem sempre seja fácil de ser estabelecida. Problemas físicos frequentemente ocorrem, incluindo fadiga, patologia
ocular, dores musculares, tendinites, cefaleia, distúrbios do sono e sedentarismo. Além disso, é evidente a maior
propensão em se envolver em um acidente automobilístico e de sofrerem quedas ao andar.

46
Sintomas da nomofobia

Portanto, as pessoas com uso problemático do celular apresentam diversos sinais e sintomas muito parecidos com
a dependência de drogas:

Fissura:
a) usa o telefone celular para se sentir melhor, quando está pra baixo.

Abstinência:
a) quando não está com o aparelho fica preocupado e ansioso em perder chamadas ou mensagens; b) acha difícil
desligar o aparelho em situações obrigatórias, como no avião ao decolar;

Consequências negativas para a vida:


a) atrasa em compromissos por ficar muito tempo no celular; b) gasta valores elevados na compra do aparelho e
nas contas; c) ocupa-se demasiadamente com o celular quando deveria estar fazendo outras coisas; d) a produ-
tividade no estudo e/ou trabalho reduz como resultado direto deste padrão de uso do celular; e) recebem mais
multas de trânsito.

Perda de controle:
a) os amigos ou familiares reclamam do padrão de uso do celular, podendo atrapalhar os relacionamentos; b)
permanece conectado ao celular por períodos muito maiores do que gostaria;

Tolerância:
a) aumento progressivo no tempo que fica usando o celular; b) incapacidade de gastar menos tempo usando o
aparelho.
https://veja.abril.com.br/blog/letra-de-medico/nomofobia-a-dependencia-do-telefone-celular-este-e-o-seu-caso/

Texto 2
Estudo americano feito com 300 voluntários mostra que ser instável
emocionalmente torna o indivíduo mais suscetível à dependência

Os resultados mostram que os traços de neuroticismo e de conscienciosidade têm efeitos diretos sobre
a probabilidade de desenvolvimento do vício(foto: Pacífico/CB/D.A Press)

Olhos vidrados no smartphone à espera da resposta àquela mensagem que foi lida há poucos minutos. E eles
ficam assim, de dia e de noite, no decorrer das conversas travadas na internet. A cena retrata bem o quanto as
interações em ambientes virtuais podem estar envoltas por sentimentos de ansiedade, impaciência e descontroles
ainda maiores, como o vício. O grande número de redes sociais e a facilidade de acessá-las — geralmente, basta
pegar o celular — parecem encurtar o caminho para a dependência. Cientistas têm estudado o fenômeno em
busca de formas de evitá-lo, como a identificação de fatores que influenciem esse comportamento.
Uma equipe americana detectou, em um experimento com universitários, três características com papel-
-chave no vício em redes sociais. Segundo eles, o trabalho, apresentado neste mês, na 51ª Conferência Interna-

47
cional do Havaí sobre Ciências do Sistema, poderá ajudar na prevenção de um problema que acomete pessoas
de todas as idades. “Devido à importância e à onipresença das aplicações de redes, focamos no vício em mídias
sociais. Sabemos, a partir da pesquisa sobre outros tipos de dependências, como a toxicodependência, que as
características da personalidade podem desempenhar papéis importantes no desenvolvimento desse tipo de com-
portamento”, conta ao Correio Hamed Qahri-Saremi, um dos autores do estudo e professor da Universidade de
Chicago, nos Estados Unidos.
Na pesquisa, Saremi e colegas coletaram dados de quase 300 estudantes, que responderam a perguntas
relacionadas à personalidade e a como se comportam em plataformas tecnológicas de interação social. Ana-
lisando os dados, os investigadores descobriram três traços de personalidade mais relacionados ao vício em
redes sociais: o neuroticismo (também chamado de instabilidade emocional), a conscienciosidade (relacionada
à disciplina e ao controle de impulsos para atingir metas específicas) e a amabilidade (o quanto uma pessoa é
agradável e cooperante).
Segundo Saremi, os três traços fazem parte do modelo chamado cinco fatores, um conceito bem esta-
belecido entre cientistas usado para entender teoricamente a personalidade humana. Os outros dois traços —
extroversão e abertura para novas experiências — não desempenharam, no experimento, papel importante na
probabilidade de desenvolvimento de vício em redes sociais.
Identificadas as três características influentes, os pesquisadores resolveram relacionar o efeito delas e o
desencadeamento do vício. “É um tema complexo e complicado. Você não pode ter uma abordagem simplista”,
justifica Isaac Vaghefi, professor da Universidade de Binghamton, em Nova York, e um dos autores do estudo.
Os resultados mostram que, por si só, os traços de neuroticismo e de conscienciosidade têm efeitos dire-
tos sobre a probabilidade de desenvolvimento do vício. O excesso de instabilidade emocional parece aumentar
a vulnerabilidade à dependência. Por outro lado, indivíduos mais disciplinados têm menor probabilidade de ser
acometidos pelo problema. Quando os traços são testados em conjunto, porém, o neuroticismo modera o efeito
da conscienciosidade em relação ao vício.
Para a surpresa da equipe, identificou-se que o grau em que alguém é amigável e empático não exerce
efeito significativo sobre o uso exagerado das redes sociais. Isso muda, porém, quando esse traço é combinado
à conscienciosidade. Para Isaac Vaghefi, a descoberta inesperada pode ser explicada pela perspectiva de “adição
racional”, ou seja, alguns usuários estão intencionalmente usando mais de uma rede e por mais tempo para
maximizar os benefícios desse comportamento. “Usuários amigáveis provavelmente valorizam suas relações nas
redes sociais. Para esse grupo, a conscienciosidade pode resultar em uma quantidade excessiva de tempo de
comunicação, como objetivo que deliberadamente perseguem”, explica Saremi.

Escolhas racionais

A pesquisa mostra ainda que uma característica comum aos que acessam as redes em excesso é que o vício não
resulta da falta de racionalidade. “Isso é único porque esse vício não é resultado de irracionalidade ou da falta de
controle. Em vez disso, uma pessoa o desenvolve através de um processo racional e bem-intencionado”, detalha
Saremi.
Thiago Blanco, psiquiatra da infância e adolescência e professor da Faculdade de Medicina da Escola Su-
perior de Ciências da Saúde, em Brasília, avalia que os resultados do estudo estão em concordância com suspeitas
levantadas na área clínica. “Sabemos da fragilidade do ego, da necessidade de sentir busca pelo reconhecimento,
de nos sentirmos amados. São esses fatores que levam o sujeito a precisar desses recursos tecnológicos. As redes
sociais têm um papel importante nessa busca incessante de se sentir amado, de ter um reconhecimento pessoal,
uma validação”, diz.

48
Blanco frisa que as interações virtuais não são negativas, o problema está na recorrência excessiva a elas.
“Não é o uso, mas como as pessoas interagem com elas. As redes sociais fortalecem as relações, a questão é que,
quando isso se extrapola, pode trazer sofrimento. É o que temos trabalhado bastante com adolescentes nos con-
sultórios: saber lidar com essa ferramenta da melhor forma para que eles não se sujeitem a sofrimentos”, destaca.
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2018/03/18/interna_ciencia_sau-
de,666857/personalidade-pode-interferir-na-vulnerabilidade-ao-vicio-em-redes-soc.shtml

49
INTERATIVI
A DADE

LER

tt
Livros
Redes Sociais na Internet - Raquel Recuero

O livro de Raquel Recuero trata de um fenômeno que toca milhares


de usuários ao redor do mundo: surgimento das redes sociais na
Internet. A partir de uma proposta teórico-aplicada, o livro foca as
questões teóricas voltadas ao atores, ao capital social e às estruturas
das redes sociais, bem como sua aplicação para os estudos na Internet,
a popularidade, autoridade e reputação em sites como Fotolog, o
Flickr, o Orkut etc. Discute, assim, toda uma cultura da sociabilidade
mediada emergentes em diversos grupos e comunidades.

O livro de Recuero nos ajuda a ver como as redes sociais na Internet


são instrumentos de colaboração e de produção de conhecimento,
e como devemos aprender a usá-los para ampliarmos a nossa ação
sobre o mundo.

50
PROPOSTA

Texto I
Qualificada como “Me Me Me Generation” pela revista Time, a geração Y, base de tal fenômeno, foi retratada como
acomodada, narcisista, com expectativas irreais, afundada na cultura de celebridades e crente que é especial. Fica
menos tempo nos empregos do que as anteriores, mais preocupada em obter satisfação e significado do trabalho
do que em fazer carreira. É uma geração que mira no intangível conceito de felicidade — que parece antigo, mas
segundo o economista Eduardo Giannetti, em seu livro Felicidade (Companhia das Letras), é bem recente. Ele de-
monstra como o bem-estar pessoal está ligado ao bem-estar social, mas que as realizações e ambições mudam de
geração para geração. O bem-estar econômico já foi o grande horizonte da realização da felicidade. Para Giannetti,
hoje a grande realização é amar e ser amado. “Continuar aumentando a renda e os padrões de consumo não vai
tornar as pessoas mais felizes com a vida que têm”, diz o economista. “Somos cada vez mais infelizes porque tei-
mamos em querer saciar todas as nossas vontades, desejos e caprichos. (...) A gente não pode tudo, não.
https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/05/tudo-por-um.html

Texto II
Narcisismo?

A sensação de prazer despertada nos usuários é uma das possíveis explicações para a dependência. "Falar de si
gera um prazer equivalente a se alimentar, ganhar dinheiro ou fazer sexo. E em 90% do tempo as pessoas estão
falando de si nas redes sociais, com feedback instantâneo", complementa Guedes. "Em uma conversa normal, em
30% do tempo normalmente se fala sobre si".
Os dados são de uma pesquisa da Universidade de Harvard segundo a qual esse comportamento gera um
mecanismo de recompensa no cérebro, graças à liberação de dopamina, além de endorfina, ocitocina e serotonina,
hormônios ligados ao prazer.
Mas esse prazer é temporário, observa Guedes. "E vira problema quando passa a ser a fonte exclusiva de
prazer, quando a pessoa passa a viver para postar a foto e deixa de aproveitar o momento".
Gianna Testa, integrante da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), explica que o "sistema de recompen-
sa" do usuário é muito afetado por estímulos - ou pela ausência deles - criados pelo reconhecimento virtual nas
redes sociais, como medida de aceitação e sucesso.
O efeito seria comparável ao da dependência de substâncias químicas no sistema nervoso central.
"Hoje é muito claro em adolescentes, por exemplo, o quanto a autoestima depende do número de curtidas,
do sucesso que eles têm nas redes sociais", observa a especialista, também sócia da ASEAT, uma assessoria de
segurança e educação em alta tecnologia, de Brasília.
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41922087

52
Texto III

Texto IV

Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um artigo de opinião, empregando
a norma padrão da língua portuguesa, sobre o tema: O vício nas redes sociais

53
Carta Argumentativa
PREZADOS SENHORES,
Uns amigos me falaram que os senhores
estão para destruir 45 mil pares de tênis
falsificados com a marca Nike e que, para
esse fim, uma máquina especial já teria até
sido adquirida. A razão desta cartinha é um
pedido. Um pedido muito urgente.
Antes de mais nada, devo dizer aos senho-
res que nada tenho contra a destruição de
tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qual-
quer coisa que tenha sido pirateada. Afinal,
a marca é dos senhores, e quem usa essa
marca indevidamente sabe que está
correndo um risco. Destruam, portanto.
Com a máquina, sem a máquina, destru-
am. Destruir é um direito dos senhores.
Mas, por favor, reservem um par, um único

13
par desses tênis que serão destruídos para

Aula
este que vos escreve. Este pedido é moti-
vado por duas razões: em primeiro lugar,
sou um grande admirador da marca Nike,
Proposta 2
mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os
tênis pirateados e devo confessar que não
vi grande diferença deles para os verdadei-

Projeto de texto modelo Enem

Carta argumentativa
56
CARTA ARGUMENTATIVA
As cartas, em geral, cumprem o objetivo de estabelcer contato escrito entre dois interlocutores que estão distantes
um do outro. No entanto, temos uma modalidade de carta que serve para expormos reivindicações em torno de
algum tema. Estamos falando da carta argumentativa.
Em termos mais objetivos, a carta argumentativa é um gênero textual em que o autor dirige-se a um inter-
locutor a fim de defender um ponto de vista, tentando convecê-lo a mudar de opinião (ou de comportamento) a
respeito de alguma questão, em geral, mais polêmica.
Sendo um gênero textual que visa à persuasão do leitor, a carta argumentativa se constitui efetivamente
pelo encadeamento organizado de informações, em que o autor apresente não só fatos, mas também argumentos
que justifiquem seu ponto de vista.
Outro ponto importante a ser comentado, é que as cartas pessoais são dirigidas a interlocutores que nor-
malmente são nossos amigos ou familiares – pessoas que conhecemos bem – e por isso apresentam informações
mais íntimas ou linguagem mais informal. Nas cartas argumentativas o autor, em geral, só conhece uma coisa a res-
peito do receptor: que ele possui uma opinião ou comportamento que precisaria ser alterado (o autor discorda do
receptor), por isso a necessidade de uma carta que exponha não só fatos, mas também argumentos convincentes.

Circulação das cartas argumentativas


As cartas argumentativas não costumam circular publicamente, sendo transmitidas diretamente das mãos do autor
para as mãos do receptor. Há casos menos comuns em que uma carta argumentativa é apresentada como carta
aberta ao público. Geralmente isso ocorre quando o pedido particular responde a demandas coletivas, e vale a
pena divulgá-la para o grande público por meio de veículos de comunicação de massa, como jornais, revistas ou blogs.

A recepção das cartas argumentativas


Por possuírem uma recepção bastante específica (são direcionadas a alguém a quem desejamos converter as opini-
ões), as cartas argumentativas devem ser construídas em uma estratégia que leve em consideração as condições ou
fatos que fizeram com que o interlocutor configurasse determinada opinião. Ou seja, há fatos históricos, culturais,
sociais (ou mesmo referenciais), que levaram o receptor a pensar de um modo que eu discordo (e que agora desejo
convencê-lo a mudar)? Responder a essas perguntas, levando também em consderação as condições materiais do
receptor (quem é ele?, de onde vem?, quais são seus contatos?, entre outras questões), pode ajudar a formular as
bases argumentativas da carta.

Linguagem das cartas argumentativas


A linguagem da carta argumentativa depende essencialmente que se garante o andamento da interlocução, ou
seja, que se conduza a marcação de um diálogo por meio de elementos gramaticais como os pronomes, verbos,
vocativos, entre outras. O uso desses recursos não é apenas uma mera formalização, mas é ele garante o caráter
argumentativo e atribui algumas ações que gostaríamos que fossem realizadas pelo interlocutor da carta.
Já seu grau de formalidade, será maior que o das cartas pessoais, isso porque, como dissemos anteriormen-
te, costuma ser uma carta enviada a alguém com quem não temos intimidade (geralmente uma autoridade), por
esse motivo precisamos preservar, por meio da linguagem, certo respeito e certo distanciamento, algo que pode ser
alcançado mais facilmente ao usarmos a gramática normativa.

57
É importante lembrar que, quando nos valemos de uma linguagem mais formal durante a produção da
carta, colocamos em cena uma imagem nossa para o receptor: a de que somos educados e que, por isso, nossas
opiniões e argumentos devem ser levados em consideração.

ESTRUTURA DAS CARTAS ARGUMENTATIVAS


A estrutura das cartas argumentativas mantém alguns parâmetros que encontramos nas cartas pessoais. Desse modo, é
necessário construir um pequeno cabeçalho com a informação da localidade onde se encontra o autor e a data de pro-
dução do texto. Na sequência, deve ser feita a identificação do interlocutor a partir de um vocativo (por exemplo, senhor
ministro da defesa). A partir daí, é necessário não apenas expor suas convicções a respeito de um assunto, mas criar
argumentos que convençam o leitor de que tais convicções são fundamentadas e coerentes. Ao final, se a instituição que
aplica a o vestibular fizer a solicitação, deve-se inserir uma assinatura na carta (algumas provas pedem ao aluno para que
coloquem as iniciais de seu nome, ou que assinem a partir de um nome fictício).

A seguir, temos um exemplo de carta argumentativa montada a partir de uma crônica do escritor Moacyr
Scliar, escrita para o Jornal A Folha de S. Paulo. No contexto em que foi escrita, o jornal apresentava, justamente
naquele dia, uma notícia informando que a empresa Nike destruiria 45 mil pares de tênis falsificados com seu
logo. Com base nisso, o autor cria uma carta argumentativa em que um sujeito pobre pede à empresa americana
uma cópia, pois mesmo sendo falsificada, ela contribuiria para o aumento do “status” do rapaz na sociedade.

PREZADOS SENHORES,

Uns amigos me falaram que os senhores estão para destruir 45 mil pares de tênis falsificados com a marca Nike e que, para esse fim,
uma máquina especial já teria até sido adquirida. A razão desta cartinha é um pedido. Um pedido muito urgente.
Antes de mais nada, devo dizer aos senhores que nada tenho contra a destruição de tênis, ou de bonecas Barbie, ou de qualquer
coisa que tenha sido pirateada. Afinal, a marca é dos senhores, e quem usa essa marca indevidamente sabe que está correndo um risco.
Destruam, portanto. Com a máquina, sem a máquina, destruam. Destruir é um direito dos senhores.
Mas, por favor, reservem um par, um único par desses tênis que serão destruídos para este que vos escreve. Este pedido é motivado
por duas razões: em primeiro lugar, sou um grande admirador da marca Nike, mesmo falsificada. Aliás, estive olhando os tênis pirateados e
devo confessar que não vi grande diferença deles para os verdadeiros.
Em segundo lugar, e isto é o mais importante, sou pobre, pobre e ignorante. Quem está escrevendo esta carta para mim é um vizinho,
homem bondoso. Ele vai inclusive colocá-la no correio, porque eu não tenho dinheiro para o selo. Nem dinheiro para selo, nem para qualquer
outra coisa: sou pobre como um rato. Mas a pobreza não impede de sonhar, e eu sempre sonhei com um tênis Nike. Os senhores não têm
ideia de como isso será importante para mim. Meus amigos, por exemplo, vão me olhar de outra maneira se eu aparecer de Nike. Eu direi,
naturalmente, que foi presente (não quero que pensem que andei roubando), mas sei que a admiração deles não diminuirá: afinal, quem
pode receber um Nike de presente pode receber muitas outras coisas. Verão que não sou o coitado que pareço.
Uma última ponderação: a mim não importa que o tênis seja falsificado, que ele leve a marca Nike sem ser Nike. Porque, vejam, tudo
em minha vida é assim. Moro num barraco que não pode ser chamado de casa, mas, para todos os efeitos, chamo-o de casa. Uso a camiseta
de uma universidade americana, com dizeres em inglês, que não entendo, mas nunca estive nem sequer perto da universidade – é uma
camiseta que encontrei no lixo. E assim por diante. Mandem-me, por favor, um tênis. Pode ser tamanho grande, embora eu tenha pé pequeno.
Não me desagradaria nada fingir que tenho pé grande. Dá à pessoa uma certa importância. E depois, quanto maior o tênis, maisvisível ele é.
E, como diz o meu vizinho aqui, visibilidade é tudo na vida.
ATENCIOSAMENTE, (DESPEDIDA FORMAL)
(O NOME DO EMISSOR, ISTO É, A PESSOA QUE ENVIOU A CARTA)
(Moacyr Scliar, cronista da Folha de S. Paulo, 14/8/2000).

58
59
ACERVO
Texto I
A importância da doação regular de sangue

Doar sangue é um ato de solidariedade. Cada doação pode salvar a vida de até quatro pessoas. E é este
pensamento que Adalto Carvalho leva a cada vez que pratica o ato. Doador frequente há 15 anos, o moto-
rista conta que se orgulha de poder ajudar. “Sei que já salvei muitas vidas com isso e quero salvar muitas
vezes mais. Chego a doar até quatro vezes por ano. Falo muito para os mais jovens da importância de doar
de sangue. É muito bom a pessoa fazer isso”, conta.
Os anos de doação renderam a Adalto histórias emocionantes. Ele pôde presenciar a gratidão de
uma família, após ajudar a salvar a vida de uma criança. “Estava trabalhando e me ligaram pedindo que eu
doasse, pois tinha uma criança que necessitava. Estava completando três meses e dois dias que eu tinha
doado pela última vez. A família me agradeceu muito, queriam até me pagar, mas a doação é um ato volun-
tário e eu tenho muito orgulho em fazer isso”, relembra.
É preciso criar o hábito de doar. Atualmente, são coletadas no Brasil, cerca de 3,6 milhões de bolsas/
ano, o que corresponde ao índice de 1,8% da população doando sangue. Embora o percentual esteja dentro
dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Ministério da Saúde trabalha para aumentar
este índice. O Ministério da Saúde reduziu a idade mínima de 18 para 16 anos (com autorização do respon-
sável) e aumentou de 67 para 69 anos a idade máxima para doação de sangue no País.
Alguns estados como São Paulo e o Distrito Federal fornecem vantagens para os doadores regulares de
sangue. Existem leis que isentam da taxa de inscrição os doadores de sangue que quiserem prestar concursos
públicos realizados pela Administração Direta, Indireta, Fundações Públicas e Universidades Públicas do Estado.
Há critérios que permitem ou que impedem uma doação de sangue, que são determinados por
normas técnicas do Ministério da Saúde, e visam à proteção ao doador e a segurança de quem vai receber
o sangue.
(Fonte: http://www.blog.saude.gov.br/35615-a-importancia-da-doacao-regular-de-sangue.html)

Texto II
Doação de sangue é essencial no tratamento oncológico,
explica Simone Mozzilli, da ONG Beaba

Hoje, a publicitária Simone Mozzilli, 36 anos, leva uma rotina de executiva. Com a agenda cheia, ela é
requisitada para falar em palestras e seminários, ao mesmo tempo em que preside uma ONG com cerca de
50 colaboradores ativos. No meio da correria, que inclui visitas a crianças em hospitais e outros trabalhos
voluntários, ela ainda encontra tempo para fazer uma pausa e refletir sobre os acontecimentos dos últimos
anos, discutir a importância da doação de sangue no tratamento oncológico, e explicar em detalhes alguns
mecanismos da doença.
Simone fundou a Beaba em 2013, uma organização que busca melhorar a comunicação de conceitos
relacionados à oncologia ao público infantil. Ela também faz campanhas pela doação de sangue e busca
espalhar informação sobre a doença de maneira geral. A publicitária já fazia trabalho voluntário junto a
crianças com câncer desde 2006. Em 2011, ela própria foi diagnosticada com a doença em estágio avança-

60
do de desenvolvimento. Começava aí uma batalha de superação que resultaria também em insights sobre
o universo dos pacientes e os obstáculos enfrentados por eles.
Enquanto Simone mergulhava no tratamento, ela começou a observar uma lacuna na comunicação
entre pais, médicos, e as crianças que passavam pelo tratamento. Isso porque os termos e conceitos particu-
lares a esse campo são complicados, pouco usados na rotina fora do hospital. Ela notou que muitas crianças
não compreendiam a situação pela qual passavam. “Há pais que não falam que elas estão com câncer.
Dizem que elas têm um ‘bichinho’. Mas, se o tratamento for longo, elas crescem e passam a desacreditar
neles e nos médicos”, diz Simone.
A doação de sangue ocupa um papel importante nessa história, e a publicitária explica as diversas
situações em que uma transfusão pode ser necessária. “Quem faz o tratamento pode precisar em várias
etapas”, diz Simone. “Em uma cirurgia, por exemplo, para repor o sangue perdido.”
Durante a quimioterapia, a transfusão também pode ser necessária. “Nessa situação, o paciente
recebe um medicamento no sangue para matar as células cancerígenas. Mas, muitas vezes, esse remédio
não consegue distinguir e acaba por destruir toda célula que se duplica rapidamente, como as da medula
óssea, por exemplo”, diz Simone. “Então, a quimioterapia afeta a produção de sangue. A pessoa fica com
níveis baixos de plaquetas, e como sangue é um elemento que não se produz em laboratório, a doação é
super importante.”
Ela explica que, além da medula, células capilares e do sistema gastrointestinal também são afetadas
pela maior parte das drogas quimioterápicas, pois se duplicam rapidamente. É por isso que os pacientes
em tratamento podem ter queda de cabelo, feridas na boca e enjoos. “Muita gente fala que isso acontece
porque o remédio [quimioterápico] é forte. Aí a criança escuta isso, vai na farmácia, e se a mãe falar para
ela que qualquer outro remédio é forte, ela fica desesperada, achando que também vai fazer o cabelo dela
cair.” Essa visão sensível à perspectiva infantil é a que, por meio da Beaba, em conversas e palestras, Simone
busca espalhar.
“Na medida em que as pessoas se informam e entendem como o processo funciona, elas se engajam
no tratamento. Como explicar para uma criança que durante esse período ela vai se sentir mal? Quando ela
entende que aqueles efeitos são causados pelo remédio, ela percebe que ao menos são sinais de que ele
está funcionando.”
Outro caso em que a transfusão de sangue se faz necessária durante um tratamento oncológico é
no transplante de medula, explica Simone. “É muito importante. Na leucemia, você precisa ‘acabar’ com a
produção de sangue com problema e, para isso, o paciente passa por uma quimioterapia muito forte, que
mata a medula. Depois, ele recebe uma bolsa de sangue do doador da medula pois, depois do transplante,
ainda levam alguns dias até que a produção recomece. Nesse período, o paciente precisa receber transfusão
direto.”
Um dos principais frutos da Beaba é um guia ilustrado com 180 páginas no qual são explicados ter-
mos de maneira acessível, para ajudar as crianças a entender o que está acontecendo com elas. Simone sa-
lienta a importância das ilustrações, leves e coloridas, em contraste com as imagens disponíveis na maioria
dos sites da internet. Nos esforços de tornar essa comunicação ainda mais lúdica, a Beaba acaba de lançar
um game para smartphones. O intuito é o mesmo: ajudar a espalhar informação de qualidade e ampliar a
consciência dos pequenos por meio de uma linguagem acessível. Além disso, a ONG ainda organiza cam-
panhas de doação de sangue, visitas a hospitais… Hoje, Simone Mozzilli leva uma rotina de executiva. Ou,
colocando de outra forma, uma rotina de super-heroína das crianças.
(Fonte: https://projetodraft.com/doacao-de-sangue-e-essencial-no-tratamento-
-oncologico-explica-simone-mozzilli-da-ong-beaba/)

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Texto III
Ações com foco em populações vulneráveis garantem educação

O Dia Nacional da Inclusão Social, celebrado em 10 de dezembro, foi criado na mesma data em que a Orga-
nização das Nações Unidas (ONU) instituiu a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Para garantir que
um dos principais direitos, a educação, chegue a quem mais precisa, o MEC coloca em prática programas e
ações que têm como foco o ensino aos jovens e adultos que ficaram fora da escola, indígenas, quilombolas
e populações rurais de todo o país. Assegurar a matrícula é apenas o primeiro passo para manter essas
pessoas na escola.
“A inclusão social começa pela educação. A criança incluída desde a educação infantil vai ter muito
mais condições de seguir na escola e manter sua trajetória”, observa a secretária de Educação Continuada,
Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi), Ivana de Siqueira.
Por isso, os programas e ações desenvolvidos pela Secadi vão além da formação continuada de pro-
fessores: passam pela distribuição de materiais didáticos específicos para os diferentes públicos e elaboram
adaptações físicas nas instituições.
Analfabetismo – O Programa Brasil Alfabetizado, por exemplo, promove a superação do analfabe-
tismo entre jovens a partir de 15 anos, adultos e idosos. Desde a sua criação, já atingiu mais de 4 mil mu-
nicípios e 16 milhões de matrículas. O MEC presta assistência técnica e financeira aos estados e municípios
que aderiram ao programa.
Os recursos podem ser aplicados na ampliação de turmas de alfabetização, ações de formação e
pagamento de bolsas para professores, aquisição de material escolar e alimentos. Também podem ser pagas
despesas com transporte dos estudantes e material escolar, entre outros.
Sempre respeitando as diversidades de cada região, o programa permite a adequação das propostas
pedagógicas sem perder de vista as ações já existentes, com a adequação às diferenças étnicas, regionais,
culturais e de gênero. O material didático é especialmente produzido para atender ao perfil desses jovens.
Jovens – O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem), por sua vez, foca nas pessoas en-
tre 18 e 29 anos que sabem ler e escrever, mas não concluíram o ensino fundamental. Para eles, a formação
por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA) é integrada à qualificação profissional. O programa possui
duas vertentes: urbano e campo. Este último é destinado a atender jovens agricultores e familiares.
O Projovem Urbano já contou mais de 300 mil jovens matriculados. O Projovem Campo, que teve sua
primeira edição em 2014, conta com mais de 41 mil jovens matriculados.
Diferenças – Comunidades indígenas, quilombolas e populações rurais recebem atenção especial
das políticas de educação. De acordo com a Ivana Siqueira, esse públicos devem ser atendidos nos locais
onde vivem, por professores preparados para lidar com as suas realidades.
A Educação Escolar Quilombola é dirigida às comunidades de forma a privilegiar os valores étnico-
-raciais na escola. O ensino segue as Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Quilombola,
que observa os valores históricos e culturais dos alunos e professores das comunidades remanescentes de
quilombos. O MEC já apoiou a formação continuada de 855 professores, beneficiando aproximadamente
1.800 alunos quilombolas.
Prolind – Já o Programa de Apoio à Formação Superior e Licenciaturas Interculturais Indígenas (Pro-
lind) é destinado a apoiar a realização de cursos específicos para a formação de professores indígenas, com
respeito ao ensino da língua materna, bem como gestão e sustentabilidade das terras e culturas indígenas.
Um dos principais objetivos é fazer com que toda a educação básica seja ampliada nas próprias aldeias,

62
evitando que essas populações necessitem sair de suas comunidades para estudar. O Prolind já formou
1.961 professores.
Os cursos são divididos em aulas nas instituições de ensino superior (Tempo Universidade) e ativida-
des de formação nos territórios indígenas (Tempo Comunidade).
“Temos que fortalecer esses laços para que a nossa sociedade seja realmente democrática, considere
e enxergue essas pessoas”, resume Ivana.
Acessível – Para que as escolas estejam preparadas para receber todos os alunos, o Programa Esco-
la Acessível promove a acessibilidade ao ambiente escolar, por meio de salas com recursos multifuncionais e
adequação do espaço físico, por exemplo, para atender estudantes com deficiência. Mais de 48 mil escolas
foram beneficiadas com recursos do programa.
Professor há 20 anos, Renato Soares de Moraes conta que a vida dos professores e, principalmente,
dos estudantes mudou muito após a implantação da sala multifuncional. Formado em geografia e especia-
lista em deficiência visual, ele dá aulas no Centro de Ensino Médio Setor Leste, em Brasília. Lá, por ser uma
escola que tradicionalmente acolhe alunos com deficiência, a sala multifuncional foi transformada em duas
para melhor atender os estudantes.
Dos 1.800 alunos, 11 têm deficiência visual e cerca de 25 têm outras deficiências ou transtornos.
Quem tem deficiência visual conta com apoio especial para imprimir materiais em braile e tirar dúvidas so-
bre o conteúdo das aulas no contraturno escolar. Na outra sala, estudantes com outros tipos de deficiência
– auditiva, física e ou transtorno de espectro autista – também são assistidos.
“Quando eu entrei na Secretaria de Educação do DF, há 20 anos, o aluno não chegava ao ensino
médio porque não havia condição de preparar o material. Hoje, eles fazem o ensino fundamental, o ensino
médio e muitos estão na faculdade, inclusive na UnB”, conta. “No ano passado, formamos seis deficientes
visuais. Desses, cinco entraram na faculdade e dois na UnB. É um ganho enorme para todos. Eu sinto como
se fosse o pai que conseguiu colocar um filho na faculdade.”
Além das salas, o Setor Leste, como a escola é conhecida em Brasília, é todo acessível. O chão é
coberto por piso tátil, as placas contam com escrita em braile, e os banheiros são adaptados, entre outros
recursos.
(Fonte: http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/31872-educacao-inclusiva)

Texto IV
Violência contra mulher não é só física; conheça outros 10 tipos de abuso

Controlar financeiramente, expor vida íntima e forçar atos sexuais desagradáveis são casos previstos pela
Lei Maria da Penha
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é a principal legislação brasileira para a enfrentar a vio-
lência contra a mulher. A norma é reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo
no enfrentamento à violência de gênero.
Além da Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff em
2015, colocou a morte de mulheres no rol de crimes hediondos e diminuiu a tolerância nesses caso.
Mas o que poucos sabem é que a violência doméstica vai muito além da agressão física ou do estu-
pro. A Lei Maria da Penha classifica os tipos de abuso contra a mulher nas seguintes categorias: violência
patrimonial, violência sexual, violência física, violência moral e violência psicológica.

63
Conheça algumas formas de agressões que são consideradas violência doméstica no Brasil:

1: Humilhar, xingar e diminuir a autoestima

Agressões como humilhação, desvalorização moral ou deboche público em relação a mulher constam como
tipos de violência emocional.

2: Tirar a liberdade de crença

Um homem não pode restringir a ação, a decisão ou a crença de uma mulher. Isso também é considerado
como uma forma de violência psicológica.

3: Fazer a mulher achar que está ficando louca

Há inclusive um nome para isso: o gaslighting. Uma forma de abuso mental que consiste em distorcer os
fatos e omitir situações para deixar a vítima em dúvida sobre a sua memória e sanidade.

4: Controlar e oprimir a mulher

Aqui o que conta é o comportamento obsessivo do homem sobre a mulher, como querer controlar o que ela
faz, não deixá-la sair, isolar sua família e amigos ou procurar mensagens no celular ou e-mail.

5: Expor a vida íntima

Falar sobre a vida do casal para outros é considerado uma forma de violência moral, como por exemplo
vazar fotos íntimas nas redes sociais como forma de vingança.

6: Atirar objetos, sacudir e apertar os braços

Nem toda violência física é o espancamento. São considerados também como abuso físico a tentativa de
arremessar objetos, com a intenção de machucar, sacudir e segurar com força uma mulher.

7: Forçar atos sexuais desconfortáveis

Não é só forçar o sexo que consta como violência sexual. Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam
desconforto ou repulsa, como a realização de fetiches, também é violência.

8: Impedir a mulher de prevenir a gravidez ou obrigá-la a abortar

O ato de impedir uma mulher de usar métodos contraceptivos, como a pílula do dia seguinte ou o anticon-
cepcional, é considerado uma prática da violência sexual. Da mesma forma, obrigar uma mulher a abortar
também é outra forma de abuso.

9: Controlar o dinheiro ou reter documentos

Se o homem tenta controlar, guardar ou tirar o dinheiro de uma mulher contra a sua vontade, assim como
guardar documentos pessoais da mulher, isso é considerado uma forma de violência patrimonial.

64
10: Quebrar objetos da mulher

Outra forma de violência ao patrimônio da mulher é causar danos de propósito a objetos dela, ou objetos
que ela goste.
(Fonte: http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/12/violencia-contra-
-mulher-nao-e-so-fisica-conheca-10-outros-tipos-de-abuso)

65
INTERATIVI
A DADE

LER

tt
Livros
A doação de sangue como prestação social alternativa -
jayme Walmer de Freitas

O ato de doar sangue reúne duas vertentes de alcance inestimável: de


um lado, o desprendimento e a solidariedade do doador; de outro, a
carência humana decorrente da debilidade da saúde física. No Brasil,
o percentual de doadores, da ordem de 1,9% da população, pode e
precisa ser incrementado, não só por meio das políticas institucionais
rotineiras realizadas pelo Ministério da Saúde, mas também por novos
mecanismos que o alcem ao patamar dos doadores fidelizados das
nações consideradas desenvolvidas, cuja média gira em torno de 3%
dos habitantes. Há países em que o percentual chega a 5%, como a
Escócia .

O que é educaçao inclusiva - Emílio Figueira

O livro 'O que é educação inclusiva' propõe uma análise histórica da


inclusão no sistema de ensino brasileiro. Entre os temas abordados
pelo autor estão - a questão psicológica, o projeto pedagógico, o papel
do professor e o desafio de se estabelecer um sistema educacional
que não exclua alunos com deficiência.

Violência e Relações de Gênero. O Desafio das Práticas


Institucionais - Maria de Fátima Araújo, Olga Ceciliato
Mattioli e Vera Da Rocha Resende

O NEVIRG - Núcleo de Estudos sobre Violência e Relações de Gênero,


da UNESP/Assis e o Grupo de Pesquisa “Violência e Relações de
Gênero” do CNPQ, procuram oferecer neste livro, estudos científicos
ligados à violência e às relações de gênero, destinados a psicólogos,
pesquisadores, alunos de graduação e de pós-graduação, além de
profissionais de outras áreas de conhecimento que atendem a vítimas
da violência. Reúne pesquisas bibliográficas, de revisão e de campo,
produtos de trabalhos de Iniciação Científica, Mestrado, Doutorado e
Pós-Doutorado, além de investigações não vinculadas à universidade.

66
PROPOSTA
Partiremos de uma situação hipotética em que o Governo de uma cidade recebe uma verba limitada do Estado para
intensificar a exibição de apenas uma das propagandas oficiais apresentadas a seguir. Com base nisso, desen-
volva uma carta argumentativa, direcionada ao governador do Estado, na qual sejam apresentados
argumentos plausíveis e factíveis que justifiquem a priorização de investimentos em exibição de
uma dessas propagandas. É importante lembrar que não se trata, aqui, de julgar qual desses assuntos é – de
modo global – o mais importante (todos são igualmente importantes), mas sim de considerarmos uma tomada de
decisão mais imediata em relação a uma situação pontual de contenção financeira. A carta deve apresentar, ao seu
final, uma assinatura que apresente as iniciais de seu nome.

PROPAGANDA PARA O SETOR DE SAÚDE

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PROPAGANDA PARA SETOR DE EDUCAÇÃO E CULTURA

PROPAGANDA PARA SETOR DE JUSTIÇA E CIDADANIA

69
Redações Extras

Pratique mais
PROPOSTA EXTRA 1

73
PROPOSTA EXTRA 2

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos adquiridos ao longo de
sua formação, redija um texto dissertativo - argumentativo em norma culta da língua portuguesa sobre o tema
as implicações do ativismo na internet, apresentando proposta de conscientização social que respeite o Direitos
Humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de
seu ponto de vista.
O apoio a causas pela internet motiva ações
no mundo real? Segundo uma pesquisa da Universi-
dade de British Columbia, no Canadá, esse tipo de
manifestação on-line pode ter, na verdade, um efei-
to inverso. Segundo o estudo, a sensação de dever
cumprido provocada pelo clique no botão “curtir”
estimula as pessoas a deixarem de lado ações mais
significativas, como doar dinheiro a instituições ou
se engajar de fato em um trabalho voluntário.
O objetivo dos cientistas era investigar um
fenômeno que ainda gera controvérsias en-
tre estudiosos, conhecido como slacktivism. O termo
em inglês, surgido em 1995, é formado pelas pala-
vras slack (preguiçoso, negligente) e activism
(ativismo).
Para Kirk Kristofferson, principal autor do es-
tudo, os resultados mostram que fazer demonstra-
ções de engajamento, como curtir uma página na
rede social, usar uma pulseira ou divulgar a assinatura de uma petição on-line, pode inflar o ego da pessoa a
tal ponto que ela se abstém de ajudar de uma forma mais significativa. Isso pode ter relação com um efeito
inconsciente chamado licença moral: se o indivíduo fez uma boa ação, ele se sente no direito de ser negligen-
te ou de fazer algo ruim depois. É como quando uma pessoa se permite comer uma sobremesa depois de tro-
car o refrigerante por uma bebida light.

Há especialistas, no entanto, que contestam a visão negativa sobre o ativismo virtual. O argumento mais co-
mum é que as ações na internet não excluem ações na vida real. Ao contrário, elas seriam fundamentais para
organizar encontros fora da rede, como ocorreu com a Primavera Árabe, o movimento Occupy, nos Estados
Unidos, ou mesmo as manifestações populares que tomaram o Brasil neste ano. Nesses casos, os internautas
não só divulgaram sua posição política, como também colocaram os planos em prática.
http://sites.uai.com.br/app/noticia/saudeplena/noticias/2013/11/28/noticia_saudeplena,146533/apoio-a-causas-em-redes-sociais-
produz-sensacao-de-dever-cumprido.shtml

A Avaaz

É esta a realidade do protesto no século XXI: um desfile de beleza. Uma competição pela coisa que to-
dos parecemos ter menos: atenção. Doante do Parlamento em Londres, em um dia de julho de 2013, a mani-
festação "Não deixe que a Birmânia se torne a próxima Ruanda" acontecia. As câmeras de TV aparecem e u-
ma jovem da minoria muçulmana rohingya da Birmânia dá entrevistas comoventes para jornalistas sobre os
terríveis abusos aos direitos humanos que sua família sofreu. E cerca de uma dúzia de jovens aparecem para
oferecer apoio. O protesto foi organizado pela Avaaz, uma organização ativista da internet, e esses são
"avaazistas". Eles podem ter acabado de assinar uma petição online, ou "curtido" uma causa no Facebook, ou
doado para uma campanha – para salvar as abelhas da Europa de pesticidas, defender os direitos à terra dos
massai na Tanzânia ou "apoiar" Edward Snowden. Ou eles estão inventando um novo tipo de protesto do sé-
culo XXI ou são um bando de desocupados com tanta probabilidade de iniciar uma revolução quanto de re-
nunciar a seus iPhones e abandonar o Facebook.
O crescimento explosivo da Avaaz é apenas uma parte do que a torna totalmente diferente das organi-
zações beneficentes ou de campanhas tradicionais. É o produto de uma era em rede, e sua evolução foi pare-
cida com a viralização de um vídeo no YouTube. O que a Avaaz está fazendo é tentar desbloquear os segredos
da Internet – do que faz o vídeo de um gato bonitinho caindo se tornar viral, mas não outro – e levar essas
técnicas a tratar não apenas da carreira de Justin Bieber ou as vendas de discos de Lady Gaga, mas de um
genocídio, estupro ou extinção de espécies potenciais.
Ela não lança uma campanha porque seu fndador ou a equipe acreditam nela apaixonadamente
(embora possam acreditar). Eles lançam uma campanha que acham que vai dar certo. A Avaaz não apoia cau-
sas sem esperança. Se ela lança uma campanha, aplica seus recursos nela – e uma parte de seu orçamento
anual de 12 milhões de dólares, doados por indivíduos – e há uma boa probabilidade de que tenha um impacto.

http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/o-ativismo-online-realmente-pode-mudar-o-mundo-6736.html

74
PROPOSTA EXTRA 3

Texto 1
Temos nos esforçado livremente e com grande afinco para alcançar a meta de trabalhar vinte e quatro horas por
sete dias da semana. Nenhum capitalista havia sonhado tanto. O chefe nos alcança em qualquer lugar, a qualquer
hora. O expediente nunca mais acaba. Já não há espaço de trabalho e espaço de lazer, não há nem mesmo casa.
Tudo se confunde. A internet foi usada para borrar as fronteiras também do mundo interno, que agora é um fora.
Estamos sempre, de algum modo, trabalhando, fazendo networking, debatendo (ou brigando), intervindo, tentando
não perder nada, principalmente a notícia ordinária. Consumimo-nos animadamente, ao ritmo de emoticons. E,
assim, perdemos só a alma. E alcançamos uma façanha inédita: ser senhor e escravo ao mesmo tempo.
O professor de filosofia e estudos culturais Byung-Chul Han, em seu livro Sociedade do Cansaço, afirma que
“A sociedade do trabalho e a sociedade do desempenho não são sociedades livres. Elas geram novas coerções.
A dialética do senhor e escravo está, não em última instância, para aquela sociedade na qual cada um é livre e
que seria capaz também de ter tempo livre para o lazer. Leva, ao contrário, a uma sociedade do trabalho, na qual
o próprio senhor se transformou num escravo do trabalho. Nessa sociedade coercitiva, cada um carrega consigo
seu campo de trabalho. A especificidade desse campo de trabalho é que somos ao mesmo tempo prisioneiro e
vigia, vítima e agressor. Assim, acabamos explorando a nós mesmos. Com isso, a exploração é possível mesmo sem
senhorio”.
http://jornalggn.com.br/noticia/dois-poemas-de-carlos-drummond-de-andrade-sobre-o-ano-novo

Texto 2
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo


cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

75
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo


que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
http://jornalggn.com.br/noticia/dois-poemas-de-carlos-drummond-de-andrade-sobre-o-ano-novo

Texto 3
É urgente recuperar o sentido de urgência

Se há algo que se perdeu nessa época em que a tecnologia tornou possível a todos alcançarem todos, a qualquer
tempo, é o conceito de urgência. Vivemos ao mesmo tempo o privilégio e a maldição de experimentarmos uma
transformação radical e muito, muito rápida em nosso ser/estar no mundo, com grande impacto na nossa relação
com todos os outros. Como tudo o que é novo, é previsível que nos atrapalhemos com ela. Nessa nova configura-
ção, parece necessário resgatarmos alguns conceitos, para que o nosso tempo não seja devorado por banalidades
como se fosse matéria ordinária. E talvez o mais urgente desses conceitos seja mesmo o da urgência.
Estamos vivendo como se tudo fosse urgente. Urgente o suficiente para acessar alguém. E para exigir desse
alguém uma resposta imediata. Como se o tempo do “outro” fosse, por direito, também o “meu” tempo. E até
como se o corpo do outro fosse o meu corpo, já que posso invadi-lo, simbolicamente, a qualquer momento. Como
se os limites entre os corpos tivessem ficado tão fluidos e indefinidos quanto a comunicação ampliada e potencia-
lizada pela tecnologia. Esse se apossar do tempo e do corpo do outro pode ser compreendido como uma violência.
Mas até certo ponto consensual, na medida em que este que é alcançado se abre e se oferece para ser invadido.
Ele, ao se colocar no modo “online”, torna-se um corpo-tempo à disposição. Mas exige o mesmo do outro – e
retribui a possessão. Olho por olho, dente por dente. Tempo por tempo.
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/eliane-brum/noticia/2013/04/
e-urgente-recuperar-o-sentido-de-urgencia.html

O TEMPO DA URGÊNCIA: O HOMEM TORNOU-SE SENHOR E ESCRAVO?

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PROPOSTA EXTRA 4

Texto 1

Texto 2
A participação cidadã na gestão pública nunca foi oferecida pelos governos. Ela sempre foi uma conquista da
cidadania organizada. Essa ampliação da democracia, assim como a própria democracia, depende da vitalidade e
da iniciativa dos cidadãos. Ao se criarem leis e mecanismos que institucionalizam canais de participação na gestão
pública, a cidadania organizada cria um novo direito, o direito à participação cidadã na governança pública. Mas,
assim como os direitos sociais, o direito à participação não se efetiva por seu reconhecimento formal. Na verdade,
esse reconhecimento abre um novo campo de disputas, legitima e torna visíveis novos atores que se empenham
na conquista desses direitos.
Ao mesmo tempo que essa inovação democrática – a participação cidadã na gestão pública – ganha
espaços, assistimos, paradoxalmente, à democracia liberal ser capturada pelo poder econômico, distanciar-se dos
interesses dos cidadãos e sujeitar-se aos interesses do mercado, isto é, das grandes corporações transnacionais,
especialmente as financeira. Submetemos o poder político ao econômico.
Silvio Caccia Bava, Le Monde Diplomatique Brasil

Texto3
Bertold Brecht

O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha
e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta,
o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo.

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Texto 4
Bauman dentre várias definições para época atual, utiliza o termo “modernidade líquida” para caracterizar a
fluidez da realidade em contraposição à solidez do período anterior. Esta fluidez não é apenas econômica, que
transfere em questões de segundo grandes volumes de capital de um canto do mundo a outro, ou de uma empresa
que se instala em um país e dele migra tão rápido quanto entrou. É também política: mudanças contínuas de legis-
lação, leis de patentes, fim dos direitos adquiridos dos trabalhadores, crise dos partidos tradicionais de esquerda e
de direita, etc. Ao caracterizar a sociedade atual, o sociólogo é bastante pessimista. Pois, se de um lado o fim das
grandes utopias e das certezas poderiam tornar os indivíduos mais livres e autônomos para decidirem seu destino,
do outro, a radicalização do individualismo tornou quase impossível à convivência coletiva. O que sobrou foi apenas
o indivíduo, e este enquanto consumidor.

A sociedade e a democracia na pós-moderninade

Maristela Rempel Ebert, Mestre em Filosofia

Com base nos textos apresentados e em outros conhecimentos que julgar pertinentes, elabore um texto dissertati-
vo, em norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:

A RELAÇÃO ENTRE CAPITALISMO E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA NA CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA

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Prontuário
PRONTUÁRIO
Meta 2018:

Conquistar uma vaga no curso de Medicina.


Para conquistar a sua meta, divida-a em objetivos menores. Assim, fica mais fácil acompanhar a sua evolução:

Escrever redações nota dez.

Para atingir esse objetivo:

Escrever _____ redações por semana.

Minhas Notas
Semana 1 2 3 4
Nota
Reescrita

Redações Extras
Extras 1 2 3 4
Original

Reescrita

LEMBRE-SE:

As notas fazem parte de um processo. Cada uma representa uma avaliação pontual.
É importante olhar para elas e autoavaliar-se para desenhar estratégias que
ajudem a melhorar seus textos.

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