Você está na página 1de 15

FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

18. CIRCULAÇÃO ENXOFRE-ÁLCALIS

Álcalis, enxofre e compostos de cloro quando presentes em grande quantidade na matéria –


prima e nos combustíveis utilizados no processamento do cimento, causam problemas
operacionais devido a formação de colagens na torre de ciclones e na entrada do forno. Os
principais elementos voláteis são :

• SO3 ;
• K2O ;
• Na2O ;
• Cl

A formação de colagens causa entupimentos ou restrições na área de entrada do forno, sendo


necessário pará – lo para efetuar limpeza. Pré – aquecedores estão munidos de desagregadores
para prevenir a formação destas colagens, ilustrando a importância deste problema. Os
desagregadores lançam freqüentemente jatos de ar para evitar a formação destas colagens.

18.1. MECANISMO DO FENÔMENO DE CIRCULAÇÃO

Os elementos de circulação evaporam na zona de sinterização do forno e seus vapores são


carregados pelos gases até as zonas mais frias. Nestas zonas, condensam sobre as partículas
de matéria – prima e parcialmente nas paredes que os cercam. Este mecanismo depende do
grau de volatilidade. Mais tarde, eles retornam com a matéria – prima para a zona de
sinterização do forno, onde parcialmente reevaporam. Este processo se repete até que se
estabeleça um ciclo interno. Finalmente o ciclo alcança um equilíbrio onde a quantidade de
elementos de circulação é igual a quantidade de elementos voláteis na matéria – prima e
combustíveis.

Quase todos os elementos de circulação saem do sistema capturados pela estrutura cristalina
do clinquer. Isto, nos casos onde se forma antecipadamente um ciclo interno de elementos
voláteis. Como tais elementos condensam sobre as partículas de matéria – prima e nas paredes
próximas, a formação de sais fundidos é capaz de reduzir a fluidabilidade da matéria – prima e,
se presente em quantidade suficiente, gruda nas paredes. De tempos em tempos,
especialmente durante a mudança de perfil de temperatura, pedaços de colagem depositam –
se, bloqueando a saída dos ciclones.

Se a quantidade de sais fundidos torna – se alta, porque uma quantidade excessiva de


elementos voláteis foi alimentada ou devido a um alto grau de volatilização, a instalação de um
by – pass torna – se necessária para extrair parte destes voláteis do sistema.

Uma pequena parte dos elementos de circulação saem do forno com o pó do gás de exaustão.
Este pó é eficientemente precipitado numa unidade de despoeiramento e é reintroduzido no
sistema. Isto se chama circulação externa dos elementos voláteis. Em casos normais, uma
quantidade insignificante de voláteis é emitida pela chaminé à atmosfera. Todavia, a emissão
de SO2 não é desprezível quando o enxofre na matéria – prima está presente na forma de
sulfetos ( PbS, ZnS, FeS2 ) ou compostos orgânicos. Neste caso, os sulfetos são volatilizados em
temperaturas da ordem de 400 a 600°C, saindo do sistema como emissão gasosa de SO2.

18.2. ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO NO SISTEMA DO FORNO

18.2.1. ALIMENTAÇÃO PELA MATÉRIA - PRIMA

A seguir, tem – se valores típicos para concentração de voláteis na matéria – prima e


combustível alimentados ao forno. Os limites reais de formação de colagens dependem de

114
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

vários fatores individuais como grau de volatilização, perfil de temperatura, combustão


completa e do excesso de ar, bem como, do tipo de sistema do forno. Os valores indicados
servem apenas como uma referência.

MATERIAL

Álcalis, como potássio ( K ) e sódio ( Na ), geralmente aparecem nos minerais argila e


feldspato. O enxofre é introduzido sob várias formas mineralógicas: como sulfato ( CaSO4.2H2O
→ gesso hidratado, CaSO4 → gesso anidro ); como sulfeto ( FeS2 → pirita e compostos
orgânicos ). Cloretos são principalmente introduzidos como NaCl ou KCl, geralmente presentes
na água.

Abaixo são mostrados alguns limites para um forno SP de 4 e 5 estágios. Outros sistemas de
forno toleram valores mais altos.

ELEMENTOS CONCENTRAÇÃO SITUAÇÃO


< 0,02 % - Caso normal, sem problema
Cl > 0,05 % - Graves problemas de
incrustação dependendo do
ciclo do enxofre
< 0,5 % - Caso normal, sem problemas
se se tem álcalis disponíveis
SO3 > 1,25 % - Graves problemas de
incrustação, dependendo da
concentração de álcalis e do
enxofre do combustível
< 1,0 % - Caso normal, sem problemas
K2O > 1,5 % - Problemas com incrustação,
dependendo do grau de
sulfatização
Na2O A volatilização do sódio é muito baixa. Não há problemas reais
de incrustação devido à recirculação de Na2O

18.2.2. ALIMENTAÇÃO PELOS COMBUSTÍVEIS

COMBUSTÍVEL ELEMENTO CONCENTRAÇÃO SITUAÇÃO


< 1,5 % - Não há problemas de
incrustação,
dependendo da
Carvão S quantidade de enxofre
e álcalis na matéria –
prima
> 3,0 % - Graves problemas
de incrustação
< 2,0 % - Não há problemas
Coque S > 4,0 % - Problemas de
incrustação
< 2,5 % - Não há problemas
Óleo S > 5,0 % - Problemas de
incrustação
Gás Natural S A concentração normalmente é zero

115
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Dependendo do elemento de circulação e de seus componentes, o ponto de condensação situa


– se num range de temperatura entre 650 e 1000°C. A condensação de cloretos e seus
componentes está entre 650 e 800°C. Por outro lado, a condensação de sulfatos e seus
componentes está entre 800 e 1000°C. As regiões suscetíveis a formação de colagem por
voláteis, dependem dos elementos de circulação e também do sistema do forno. A seguir, tem
- se um demonstrativo das principais zonas suscetíveis à formação de colagem. Nas zonas mais
frias, incrustações causadas por cloretos são encontradas, enquanto que nas zonas mais
quentes, incrustações causadas por sulfatos são mais freqüentes.

• Forno de 4/5 estágios SP com précalcinador → os dois últimos estágios mais baixos,
seus dutos superiores e área de entrada do forno ;

• Forno SP com três estágios → último ciclone mais baixo e seu duto superior de saída,
entrada do forno, primeira seção do forno rotativo.

18.2.3. CAPTURA DOS ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO

Os cloretos são tão voláteis que dificilmente são capturados pela estrutura cristalina do
clinquer. Apenas em casos especiais, quando a zona de sinterização está bastante fria ou
quando incrustados em grandes pedaços de material, os cloretos talvez sejam capturados em
maior quantidade. De qualquer forma, normalmente os cloretos formam um grande ciclo dentro
do sistema do forno e precisam ser extraídos por um by – pass.

O enxofre e os álcalis saem do forno, normalmente, capturados pela estrutura do clinquer. Tais
elementos formam os seguintes compostos :

• K2SO4, K3Na(SO4), NaSO4 ;


• Ca2K2(SO4)3 → langbeinita ;
• CaSO4 → raro.

Além de formar tais compostos, enxofre e álcalis podem ser capturados em solução sólida nos
minerais de clinquer :

• K com belita e aluminita ;


• Na com aluminatos ;
• SO3 com belita.

O sulfato de cálcio anidro, CaSO4, é especialmente volátil ( decompõem – se em temperaturas


acima de 1000°C ) e forma então um grande ciclo de enxofre no sistema do forno. Desta
forma, é importante que hajam álcalis suficientes para se combinar com o enxofre e sair do
sistema forno como um composto álcali – enxofre.

O sistema de by – pass é principalmente utilizado para extrair cloretos voláteis do sistema do


pré – aquecedor. Este by – pass retira aproximadamente de 5 a 15 % dos gases do sistema. Os
gases quentes do forno são resfriados com ar fresco, algumas vezes auxiliado por injeção de
água dentro da uma câmara de resfriamento. Os gases, nesta situação, atingem temperaturas
abaixo de 600°C. Os cloretos condensam sobre as partículas de pó e são separados finalmente
em um eletrofiltro ou filtro de mangas.

O by – pass também é utilizado para produzir clinquer com baixo teor de álcalis ( cerca de 20 a
50 % dos gases do forno ). Desta maneira se pode produzir clinquer com teor de álcalis abaixo
de 0,6 %. A volatilização dos álcalis se dá por queima severa e por injeção de cloretos dentro
do forno.

116
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

O pó retirado pelo by – pass precisa ser descartado. Em alguns casos, pode ser utilizado como
aditivo no cimento, ou em outros casos, vendido.

Outra possibilidade para a retirada dos elementos de circulação do sistema do forno é via ciclo
externo. O enriquecimento do pó do forno por elementos de circulação depende do sistema do
forno. Enquanto o pó de longos fornos via úmida apresentam – se altamente enriquecidos, no
caso dos fornos SP a composição do pó é quimicamente muito semelhante à da matéria –
prima.

Nos gases de exaustão normalmente não há emissão de elementos de circulação. O SO2 que
não condensa a baixas temperaturas é eficientemente absorvido pelo CaO livre nos ciclones
mais baixos ( 4ª e 5ª etapas ). A origem da emissão do SO2, provém da pirita que entra com
a matéria – prima. ( FeS2 ). Os sulfetos se decompõem em temperaturas entre 400 e 600°C,
formado SO2. Aproximadamente 70 % deste SO2 reage imediatamente com CaCO3 da
alimentação do forno, forma CaSO3 e, finalmente a altas temperaturas, forma CaSO4. Os 30 %
residuais são parcialmente absorvidos no caminho até a chaminé, principalmente no moinho de
cru e na torre de arrefecimento. De qualquer forma, uma certa porção deste SO2 é emitido pela
chaminé.

Pode – se determinar o grau de volatilização dos elementos de circulação e de seus compostos


a partir da expressão abaixo :

Ccl
ϕ = 1−
Chm
onde,

• ϕ - Fator de volatilização, %
• Ccl – concentração do elemento de circulação na farinha de entrada do forno, %
• Chm – concentração do elemento de circulação no clinquer, %

18.3. AFINIDADE DOS ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO

Os elementos de circulação apresentam uma grande afinidade por outros elementos e formam
compostos químicos. A seguinte ordem de afinidade tem sido observada na prática :

• Cloreto se combina primeiramente com álcalis, formando KCl e NaCl. Cloreto residual combina
– se com cálcio, formando CaCl2 ;

• Álcalis residuais combinam – se com enxofre, formando K2SO4, Na2SO4. Formam também sais
duplos, tais como, Ca2K2(SO4)2, K3Na(SO4)2 ;

• Enxofre residual, SO3 ou SO2, combinam – se com CaO, formando CaSO4.

18.4. VOLATILIDADE DOS ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO

No forno, os álcalis são liberados a partir do mineral argila. Eles são parcialmente dissociados
na fase gás e combinam – se com outros elementos de acordo com a ordem de afinidade
apresentada anteriormente. O restante, combina – se com cloretos ou enxofre ou é capturado
na estrutura cristalina dos minerais do clinquer, especialmente o sódio ( Na ) que é pouco
volátil.

117
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Os cloretos liberados durante o aquecimento do material e combustão do combustível reagem


com os álcalis para formar cloreto de álcalis. Esta reação também ocorre no material no interior
do forno ou, após a vaporização, no gás do forno.

Da volatilização do enxofre, o SO2 é o principal composto resultante. Este gás se origina


também da dissociação do enxofre dos combustíveis ou da decomposição do CaSO4 e
parcialmente da volatilização do Alc2SO4 ( sulfato de álcalis ). Se houver um excesso de álcalis o
ciclo interno de enxofre é causado primeiramente pela reação com estes elementos. Esta
reação ocorre internamente ao forno. Os sulfatos de álcalis formados nesta reação são, como
estão presentes na forma de vapor, precipitados sobre o material. Isto ocorre principalmente no
forno e parcialmente na torre de ciclones.

Os álcalis precipitados viajam através do forno novamente, passam pela zona de sinterização, e
são parcialmente capturados na estrutura cristalina dos minerais de clinquer, enquanto que
uma parte permanece circulando.

O CaSO4 é formado como resultado da reação entre SO2 e CaO. Está presente já na matéria –
prima ou é formado preferencialmente entre 800 e 900°C. Acima de 1000°C, o sulfato de cálcio
inicia decomposição lenta, porém, acima de 1300°C, esta decomposição se torna rápida.
Dióxido de enxofre é novamente liberado. Se a concentração de álcalis na alimentação do forno
não for suficiente para se combinar com todo o enxofre, o SO2 estará presente no gás do
forno. Em circunstâncias iguais, o CaSO4 pode passar sem se decompor pela zona de
sinterização do forno, saindo embutido na estrutura do mineral belita.

A circulação interna de enxofre , expressa em SO3, entre a zona de queima e a zona de


calcinação é normalmente descrita por um simples modelo matemático. Os parâmetros são
estimados a partir de dados operacionais e análises de amostras do sistema.

a
b=
(1 − ε )
onde,

• b → quantidade de SO3 no material no último ciclone ( 4ª ou 5ª etapa ), em gSO3/gclinquer ;


• a → quantidade total de SO3 alimentado ao forno e calcinador em gSO3/gclinquer ;
• ε → fator de evaporação.

A quantidade de SO3 no material do último ciclone é igual ao fluxo específico de material ( Kg


material/Kg de clinquer ), multiplicado pelo conteúdo de SO3.

18.5.VOLATILIDADE DOS COMPOSTOS DOS ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO

O gráfico abaixo demonstra a relação entre a pressão de vapor de vários compostos alcalinos
para diferentes temperaturas. Isto demonstra que o mecanismo de volatilização é dependente
da forma de combinação do elemento volátil.

CLORETOS : KCl, NaCl, CaCl2

Entre 1200 e 1300°C, os cloretos já estão praticamente volatilizados. Nas temperaturas da zona
de sinterização, os cloretos estão quase que totalmente volatilizados, de forma que o fator de
volatilização é 0,97.

SULFATOS : Alc2SO4, CaSO4

118
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Basicamente os sulfatos de álcalis são pouco volátil, enquanto que, o CaSO4 é altamente volátil.
Desta forma, um critério importante para determinar a volatilidade do enxofre é a razão molar
entre os álcalis e o enxofre, corrigido pelo cloro.
K 2 O Na 2 O Cl
+ −
Alcali
= 94 62 71
SO3 SO3
80

mmHg

Temperatura

PRESSÃO DE VAPOR X TEMPERATURA

O valor desejável está na casa de 1,2.

Se existir álcalis suficientes disponíveis para se combinar com o enxofre presente ( proveniente
da matéria – prima e do combustível ), a volatilidade do enxofre ficará entre 0,3 e 0,5. Por
outro lado, se há excesso de enxofre em relação aos álcalis, a volatilidade do CaSO4 é grande,
em torno de 0,9, mas pode chegar ao valor 1, dependendo das condições do processo.

Em geral, a volatilidade do enxofre é bastante dependente das condições operacionais do forno


e do processo de queima do combustível. Os principais fatores são :

• máxima temperatura da zona de sinterização do forno ;


• tempo de retenção do material no forno ;

119
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

• granulometria do material no forno ;


• pressão parcial do O2 na atmosfera do forno ;
• pressão parcial do SO2 na atmosfera do forno.

- Máxima temperatura da zona de sinterização → a partir de uma determinada temperatura, o


incremento de volatilização é exponencial. Para o enxofre, a temperatura crítica é da ordem da
temperatura de queima. Consequentemente, sobreaquecimento do forno ou sobrequeima do
material, tem uma grande influência sobre a volatilidade do enxofre.

- Tempo de retenção do material → a volatilização dos compostos de enxofre é um processo


dinâmico. Num forno longo, o material é exposto a altas temperaturas por mais tempo,
favorecendo a volatilização.

- Granulometria do material no forno → Se o material no forno está bem granulado, o enxofre


leva mais tempo para se difundir na superfície do grão. Consequentemente, a volatilização é
baixa.

- Atmosfera do forno → a composição da atmosfera do forno é um fator essencial para a


volatilização do enxofre.

m
Me n ( SO 4 ) ⇔ nMeO + mSO 2 + O2
2

O equilíbrio da dissociação é deslocado, com incremento da pressão parcial do O2 e pressão


parcial do SO2, em favor dos sulfatos. Uma atmosfera redutora no forno também é favorável à
volatilização do enxofre.

Testes de laboratório determinaram que a um nível de temperatura de 1000°C, o enxofre


volatiliza – se por completo, numa atmosfera sem oxigênio. Este é um caso muito parecido com
a situação em que o combustível produz uma atmosfera redutora no forno. Desta forma pode -
se determinar que a volatilização do enxofre sofre incremento quando o teor de oxigênio está
entre 0 e 2 %. Acima de 2 %, o incremento é desprezível.

A pressão parcial do dióxido de enxofre ( SO2 ) diminui a volatilização do enxofre. Isto significa
que se a circulação do enxofre no forno é grande o suficiente, a dissociação dos sulfatos
diminui. Desta forma, os sulfatos podem gradualmente sair do forno juntamente com o
clinquer. De qualquer forma, isto não ajuda muito, pois uma grande circulação de enxofre já
causa problemas de incrustação.

18.6.CONDENSAÇÃO DOS ELEMENTOS DE CIRCULAÇÃO

Como previamente determinado, os elementos de circulação volatilizam nas zonas quentes do


forno e condensam nas áreas frias. Abaixo tem – se alguns pontos de fusão de cloretos e
sulfatos. Geralmente pode – se determinar que os cloretos condensam numa temperatura mais
baixa que os sulfatos.

COMPOSTO TEMPERATURA ( °C )
NaCl 881
KCl 776
CaCl2 772
Na2SO4 884
K2SO4 1069
CaSO4 1280

120
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Na fase líquida, compostos secundários são formados, sendo tão complexos quanto os
elementos voláteis e seus compostos. Alguns compostos secundários são:

• K3Na(SO4)2 ;
• Ca2K2(SO4)3 ;
• 2C2S.CaCO3 ;
• 2C2S.CaSO4 .

Além disso, investigações tem revelado que sulfato de cálcio, óxido de cálcio e sulfato de álcalis
formam pontos eutéticos, os quais podem ter temperaturas de fusão menores que os
compostos simples. Sob a presença de cloretos, estas temperaturas de fusão podem ficar
abaixo de 700°C. Estes pontos, quando presentes em quantidades suficientes, levam a
formação de colagens no pré – aquecedor e na entrada do forno.

Outro problema se deve ao fato de que a volatilização é um processo endotérmico, enquanto


que a condensação é exotérmico. Por este caminho, uma importante quantidade de calor é
retirada da zona de sinterização para a entrada do forno.

18.7. PROBLEMAS OPERACIONAIS DURANTE A CIRCULAÇÃO DE VOLÁTEIS

As conseqüências de grande circulação de voláteis são bastante severas. Primeiramente a


formação de colagens na entrada do forno e ciclones mais baixos. Como conseqüência, a perda
de carga do sistema se eleva e também a quantidade de ar falso. Isto acarreta em redução da
tiragem e produção do forno. Quando o operador tenta compensar a baixa tiragem do forno
por uma baixa taxa de excesso de ar, a situação piora, promovendo um incremento na
circulação do enxofre.

Estudos tem revelado que a circulação de cloretos impede a combustão completa. Isto facilita o
incremento na circulação de enxofre.

Alta circulação de enxofre conduz a um clinquer pouco granulado e pulverulento. A circulação


de pó promove um aumento do perfil de temperaturas dentro do forno, o que gera um
aumento da volatilização pois o material permanece mais tempo em contato com altas
temperaturas. Além disso, alta circulação de voláteis transporta o calor da zona de sinterização
para a zona de condensação, causando o mesmo efeito que o da circulação de pó descrito
acima.

O resultado deste mecanismo é sempre o mesmo :

• freqüentes paradas do forno por problemas de colagem, reduzindo o fator de marcha ;


• redução da produção do forno ;
• alto consumo térmico ;
• formação de colagens instáveis na zona de sinterização, aumentando o consumo de
refratário.

18.8. CRITÉRIOS E INDICADORES PARA AVALIAR PROBLEMAS DE COLAGENS

• Posição das colagens – se as colagens são encontradas acima do segundo ciclone mais baixo
ou até no terceiro ciclone mais baixo, o problema geralmente é causado por circulação de
cloretos. Em casos raros este problema é causado por circulação de álcalis. Se as colagens são
encontradas principalmente no ciclone mais baixo e na entrada do forno, geralmente são
provocadas por circulação de enxofre.

• Combustão completa – CO > 0,1 % e O2 < 1,5 a 2 % na entrada do forno, causam alta
circulação de enxofre. Se não há queimador secundário ou pré – calcinador, as concentrações

121
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

de CO e O2 podem ser tomadas após o pré – aquecedor para avaliar a combustão ( CO abaixo
de 0,1 % e O2 usualmente entre 3 e 4 %, dependendo da quantidade de ar falso na torre ).

• Perfil de temperatura – Temperaturas excessivas no interior e após o pré – aquecedor


indicam um distúrbio no perfil de temperatura do forno e assim uma alta volatilização do
enxofre.

• Perfil de pressão – o perfil de pressão após o pré – aquecedor indica onde as colagens estão
localizadas.

18.9. MEDIDAS CONTRA FORMAÇÃO DE COLAGENS

• Medidas Gerais → a principal medida contra a formação de colagens é reduzir a entrada de


elementos de circulação no sistema. Normalmente não é possível substituir a principal matéria –
prima. De qualquer forma, algumas vezes o menor componente que possui quantidade
substancial de elementos de circulação pode ser trocado. Em muitos casos é mais fácil
substituir o combustível por outro com menor teor de enxofre. Porém note que talvez o
combustível também contenha considerável quantidade de cloretos.

• Limpeza inteligente → limpeza do pré – aquecedor e da entrada do forno são quase sempre
necessárias. Pode apresentar maior ou menor facilidade, quando se observa algumas regras :

a. caixas de distribuição de farinha podem ser instaladas, as quais distribuem a farinha


através de toda a seção ;

b. dutos com inclinação insuficiente ( > 55 ° ) devem ser evitados ;

c. a saída dos ciclones para farinha quente devem ser suficientemente largas. Se
freqüentemente ocorre transbordamento de matéria – prima, a seção de saída pode ser
equipada com desagregadores. Se esta medida não ajudar, o diâmetro da mesma pode ser
aumentado ;

d. cantos mortos nos dutos, ciclones e câmaras de transição devem ser evitados ;

e. nos locais críticos onde sempre há depósito de material podem ser instalados
desagregadores. Tais desagregadores sempre devem atirar na direção do fluxo de material;

f. Para uma eficiente limpeza uma bomba especial de alta pressão, tipo bomba Woma, pode
ser aplicada. A utilização desta bomba é perigosa e necessita treinamento especial aos
operadores. Há também perigo em destruir o revestimento refratário ;

g. Limpeza deve ser feita apenas quando o perfil de pressão ou inspeções rápidas indicarem a
necessidade. A abertura das portas de acesso causam distúrbios no forno e a entrada de
ar frio favorece a formação de colagens ;

• Medidas contra problemas por cloretos → a utilização do ciclo externo, retirada de cloretos
através do pó do forno, não é muito eficaz. Porém como a formação de colagem, em geral, é
provocada pela circulação de cloretos em conjunto com o enxofre, pode – se tentar reduzir a
circulação deste último elemento. Se a concentração de cloretos alimentada ao forno for maior
que 0,02 a 0,03 %, um by – pass pode ser instalado. A regra para calcular o by – pass
requerido é dada por :

% by – pass = % Cl na matéria – prima x 100

122
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

• Medidas contra problemas por enxofre → primeiramente, a relação álcalis – enxofre deve ser
ajustada para o valor ideal de 1,2. Como segunda medida, deve – se controlar o teor de O2 na
entrada do forno em 2 %. Note que a medida de O2 na entrada do forno é um valor pontual,
não representando a seção como um todo. O teor de 2 % de O2 é apenas um valor de
referência.

A terceira medida é assegurar uma adequada preparação do combustível para haver uma
combustão completa, com um teor de CO na entrada do forno variando de 0 a 0,05 % no
máximo. Isto significa correta finura para o carvão e correta temperatura para o óleo ( por
exemplo, 150°C ). É também importante uma dosagem estável do carvão.

O maçarico deve ser o mais atualizado, gerando uma chama curta e estável, para que o tempo
de retenção do material na zona de alta temperatura seja pequeno. A carga térmica na zona de
sinterização deve ser a menor possível. Para este propósito, um queimador secundário ou pré –
calcinador pode ser aplicado. Outra medida é evitar a sobrequeima do clinquer.

Algumas vezes é possível uma melhora na queimabilidade ou na granulação do clinquer pela


modificação do mix de matéria – prima. Esta medida ajuda a reduzir a temperatura máxima
requerida na zona de queima e reduz a volatilização do enxofre dos grãos de clinquer.

Para fornos tipo SP, a instalação de um by – pass para o gás pode tornar – se necessária
quando não se tem álcalis suficientes para extrair o enxofre do forno.

• Medidas contra problemas com álcalis → na ausência de enxofre, a volatilidade dos álcalis é
muito alta e cria problemas no pré – aquecedor. Em um caso semelhante, a matéria – prima
pode ser sulfatada pela adição de gesso.

Se se deve produzir um clinquer com baixo teor de álcalis, deve – se tomar todas as medidas
para incrementar a volatilização destes elementos, como :

- reduzir a entrada de enxofre no sistema ;


- produzir uma chama longa e estável ;
- aplicar uma queima drástica, se possível reduzindo a queimabilidade e aumentando o teor de
sílica ;
- aplicando um mínimo de excesso de ar ;

Em forno tipo SP os álcalis são retirados de sistema através da instalação de um by – pass.

19. FORMAÇÃO DE ANÉIS E BOLAS - INTRODUÇÃO

Anéis são materiais sólidos acumulados em seções rotatativas ou estáticas da linha de produção
de clinquer. Tem sido encontrados desde os primeiros dias de produção dos fornos. Como
resultado direto de anéis e formação de depósitos, o gás e o fluxo de material através do forno
ficam restritos, resultando em redução da produção. Especialmente na zona de sinterização, a
presença de anéis pode interferir na combustão. De tempos em tempos, anéis instáveis podem
quebrar, conduzindo a bloqueios ou danos mecânicos no resfriador.

A queda de pedaços de colagem das lâminas do ventilador de exaustão, resulta em severos


problemas de vibração. A remoção completa se dá apenas com desligamento do equipamento.
A ruptura do anel quase sempre causa um deslizamento do material dentro da zona de queima
e uma temporária perda da estabilidade de operação.

A formação de depósitos em ciclones resulta em custo extra para o trabalho necessário de


remoção. A instalação de desagregadores é um bom método para remoção regular automática
destas colagens. Bombas de água de alta pressão também são empregadas.

123
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Em casos piores, um completo desligamento é necessário para que se tenha acesso à área
afetada e possa se remover a colagem mecanicamente. Este desligamento enfraquece os
refratários da zona de sinterização e acelera a parada para troca destes mesmos refratários.

Por outro lado, existem incrustações que são benéficas. As incrustações na zona de queima
protegem os tijolos refratários. Do controle desta incrustação depende a vida útil do refratário.
Desta forma, consegue – se uma redução de custos pois a vida útil do refratário é aumentada e
também consegue – e garantir mais produção pois o tempo de campanha do forno é maior.
Entretanto, a colagem em refratários não é permanente. Alguns pedaços podem cair, levando
consigo pedaços do refratário. A formação desta colagem protetora na zona de queima
depende de dois fatores : condutividade do tijolo refratário e da fase líquida formada. Quanto
melhor a condutividade dos revestimentos, menor será a temperatura da superfície,
favorecendo a ancoragem. Um elevado teor de fase líquida também facilita a formação de
colagem.

É evidente que a chama também desempenha um papel importante. Uma perfil de chama curto
e largo pode corroer a colagem, devido ao intenso calor. Uma chama fria dificulta a formação
de colagem pois não haverá fase líquida suficiente.

19.1. LOCALIZAÇÃO DOS ANÉIS

Colagens podem ser classificadas com respeito ao material que as formam, em sinterizadas ou
não sinterizadas. Dentro destes dois grupos, os vários tipos podem ser classificados como
segue :

• não sinterizado

- depósito em ventiladores de exaustão ;


- depósito em ciclones ;
- anéis de farinha.

• sinterizado

- anéis médios ;
- anéis na zona de sinterização ;
- “ homem de neve “ no resfriador de grelha ;
- formação de bolas no forno.

19.2. ASPECTOS TEÓRICOS DA FORMAÇÃO DE ANÉIS

A formação de depósitos é sempre um processo dinâmico no qual os fatores responsáveis pela


formação superam as forças de degradação. Após o transporte do material para a área onde
ocorerá o depósito, uma força é requerida para fazê – lo aderir à parede. Isto pode abranger
uma certa magnitude causando turbulência dentro da corrente de gás, aumentado a força
centrífuga quando a corrente muda de direção.

As forças, segundo Rumpf, responsáveis pela formação de depósitos podem ser agrupadas com
segue :

• fundição ou amolecimento da superfície devido a fricção ou colisão ;


• fundição ou resfriamento devido a adição ou remoção de calor ;
• união de colagens com partículas finas ;
• união de grandes partículas ;
• forças eletrostáticas.

124
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

19.3. CARACTERÍSTICAS DE VÁRIOS ANÉIS E TIPOS DE DEPÓSITOS

• Ventiladores de exaustão → nos casos de fornos com sistemas de filtro pressurizado, nos
quais o gás não filtrado ( carregado de pó ) passa pelo ventilador de exaustão, a formação de
colagens causa problemas. Isto aparece quando a colagem cai e causa desbalanceamento no
ventilador. Tais colagens compostas por finas partículas de farinha são usualmente marrom –
avermelhadas, duras e bastante frágeis. Este tipo de colagem se apresenta estruturada em
camadas compactas e com baixa porosidade.

Sua composição química e mineralógica é basicamente a mesma da farinha alimentada.


Durante seu longo tempo de permanência no sistema, tais colagens são enriquecidas com
componentes voláteis, tais como K2O, Na2O e SO3.

Partículas de pó, devido à rotação do ventilador, batem na superfície da colagem com alta
velocidade e também são compactadas. Como a textura da superfície, mesmo após pequeno
tempo de operação possui ondulações, as partículas menores do pó podem ser mecanicamente
“ trancadas “.

• Anéis de cimento → este fenômeno ocorre em longos fornos via úmida e são compostos de
material do forno parcialmente seco, um pouco enriquecidos com álcalis e SO3. São frágeis e
usualmente podem ser quebrados com correntes pesadas. O conteúdo de água fica entre 20 e
30 %, um range no qual materiais argilosos exibem uma consistência pegajosa e plástica. O
conteúdo de álcalis, que aumenta muito a tendência à adesão ( influi nas propriedades
reológicas ), pode ser superior a 10 % ( mais ou menos o mesmo nível de SO3 ).

O mecanismo de formação é conhecido. Materais argilosos formam uma massa pegajosa e


plástica quando contém a correta quantidade de água. Quando perdem a água, endurecem.
Para este mecanismo é necessário também acrescentar a cristalização de uma solução de K2SO4
e promover o fortalecimento da estrutura para formação do CaSO4.

• Ciclones → os depósitos são formados no teto, paredes, saída e tubos de ascensão dos
ciclones, variando consideravelmente em aparência e homogeneidade. Em geral, tais depósitos
apresentam uma coloração clara variando de creme a marrom, indicando que seus
componentes não foram aquecidos a temperaturas acima de 1200°C. Em alguns casos, zonas
perigosas de material muito queimado podem ser observadas. Dependendo do lugar de
deposição, formam uma densa e compacta estrutura em camadas, porosa e difícil de quebrar.

Do ponto de vista químico, estes depósitos são usualmente caracterizados pela concentração de
elementos voláteis, de acordo com o range abaixo :

• K2O → 1 – 30 % ;
• SO3 → 1 – 35 % ;
• Cl → 1 – 25 % ;
• Na2O → 0 – 2 %.

A composição mineralógica dos depósitos no pré – aquecedor difere, como seria esperado, da
composição da farinha.

Nos primeiros estágios devem ser encontrados, com bastante freqüência, os minerais calcita e
CaO livre. Os cloretos podem aí se depositar, formando halita ( NaCl ) e silvita ( KCl ). No 4° ou
5° ciclone, como a temperatura é mais alta, pode – se encontrar spurrita ( Ca5(SiO4)2CO3

As substâncias presentes nos depósitos são compostos de baixo ponto de fusão, tais como
Na2O, K2O, SO3 e Cl. Eles se apresentam fundidos no gás do forno e são depositados nas
paredes dos ciclones e tubos, ou primeiramente sobre as partículas de pó, as quais são

125
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

posteriormente depositadas nestas áreas. Resfriamento ou aumento da espessura resulta em


fortalecimento do depósito originalmente pegajoso. Devido ao grande tempo de retenção no
forno, reações com gases como CO2 e SO3 ocorrem, resultando na formação de uma camada de
2C2S.CaSO4, que fortalece adicionalmente a textura do depósito.

• Anéis de farinha → anéis de farinha, frequentemente chamados de anéis de calcinação em


fornos longos, são similares em suas propriedades e formação aos depósitos ocorridos em
ciclones. Tais anéis geralmente são menos preocupantes do que os depósitos no pré –
aquecedor. Isto porque, devido a seu relativo pouco fortalecimento, flutuações térmicas,
deformações do forno e ação da corrente de material, caem periodicamente pelo seu próprio
peso.

• Anéis intermediários em grandes fornos com pré – aquecedor → ao contrário dos chamados
anéis de farinha, os anéis intermediários são densos, pouco porosos, muito duros e raramente
caem durante a operação do forno. Embora sejam chamados de anéis, são particularmente
mais alongados ( 15 – 20 metros ). Geralmente ocorrem numa região equivalente a 7 - 11
diâmetros do forno a partir da saída. Tal depósito apresenta coloração semelhante ao clinquer,
indicando que é composto de material queimado.

A composição química dos anéis intermediários é muito similar à do clinquer. Isto é surpresa
pois considerando o longo tempo de retenção do material no forno, um não aumento na
concentração de álcalis ou SO3 é pouco esperado.

Os minerais encontrados nos anéis intermediáros são os minerais de clinquer, alita, belita,
aluminita e CaO livre. A alita é frequetemente decomposta em belita e CaO livre, resultado da
temperatura do lugar onde o anel existe, que é uma temperatura abaixo da temperatura de
estabilidade da alita ( aproximadamente 1260°C ).

Durante o período de uma longa chama fria, o clinquer tem uma tendência de ser fino, e as
pequenas partículas de clinquer são carregadas pela chama e depositadas nas paredes do forno
em zonas onde a temperatura está abaixo de 1250°C. As partículas imediatamente refriam no
local e como a carga do forno é ainda fina, não possue ação abrasiva suficiente para remover o
crescimento do anel.

• Anéis de sinterização → ocorrem no início da zona de sinterização. São depósitos com


coloração preta – acinzentada. São aglomerações de pequenas partículas de clinquer e de pó
de clinquer. A não presença de camadas estruturadas é obvia devido a presença de grandes
poros.

Em geral, a composição química é semelhante à do clinquer, sem apreciável concentração de


elementos voláteis.

Do ponto de vista mineralógico, minerais normais de clinquer como alita, belita, aluminita,
ferrita e CaO livre são observados, com reações de formação de belita e CaO livre por
decréscimo da temperatura ( caso similar ao dos anéis intermediários ).

O mecanismo de ligação é criado pelo resfriamento do clinquer alumínico – ferroso no caso de


anéis puros. Este fenômeno ocorre especialmente no início da zona de sinterização, onde a fase
líquida está começando a se formar ( apromidamente 1280°C ). Durante a rotação do forno, a
carga de material nesta zona resfria a cada rotação, depositando uma nova camada. Com o
tempo, um depósito espesso se forma, consistindo de partículas menores que 1 mm.

• Anéis de cinza de carvão → em fornos que queimam carvão com alto teor de cinza, anéis
podem ser formados a 7 - 8,5 diâmetros do forno a partir da saída. São anéis densos,

126
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

freqüentemente em camadas e alguma vezes com aparência vítrea. São constituídos de


partículas entre 150 e 250 micra. São menos densos que os anéis intermediários e possuem
poros maiores.

Dos pontos de vista da composição química e mineralógica, são essencialmente similares ao


clinquer, apresentando os minerais alita, belita, aluminita e CaO livre. Com o decréscimo da
temperatura, reações para formação de calcita ocorrem, e também a transformação de alita em
belita + CaO livre e de β belita em α belita. São depósitos com pequena presença de
compostos voláteis.

Gotas de carvão fundido aderem ao revestimento do forno no ponto e temperatura onde estão
parcialmente fluidas e pegajosas. Quando esta camada pegajosa passa sob o material do forno
em cada rotação, uma fina camada de material do forno adere. Isto ocorre porque se tem a
presença de pequenos cristais de alita e também ocorrência de fase líquida. Os cristais de alita
são muito pequenos e certamente menores do que os do clinquer. Por esta razão, pode – se
dizer que o anel não é formado por pó de clinquer que retorna ao forno.

• Homen de neve → tais depósitos são formados a partir de grãos normais de clinquer, tendo
uma alta porosidade e contendo muitos vazios. Normalmente não prejudicam a operação do
forno e podem ser removidos facilmente. Sua composição mineralógica é semelhante à do
clinquer, mas em alguns casos, anéis com 3,5% de K2O e 3,0% de SO3 são observados.

O mecanismo de ligação é o resfriamento da fase líquida quando o clinquer passa através da


zona de resfriamento ou quando está caindo pela calha para dentro do resfriador de grelhas.

• Formação de bolas → a formação de bolas ocorre em casos onde uma tendência para
formação de anel já existe. A composição química é um importante fator. Geralmente são
formadas de material já calcinado e podem ter uma porosidade acima de 55%, consistindo de
poros muito finos. Freqüentemente consistem de um centro poroso e duro, circundado
majoritariamente por material poroso.

O mecanismo de formação pode ser devido aos seguintes fatores :

• aglomeração de clinquer ou sal fundido ;


• anéis agem com uma represa, segurando o material. Crescimento radial de pedaços do
material ocorre devido a compactação e aderência, em função da continuidade de rotação dos
pedaços sobre a carga de material do forno.

19.4. MECANISMO DE FORMAÇÃO DE ANÉIS E BOLAS

As incrustações surgem em função da circulação de elementos voláteis no sistema do forno.


Esta circulação pode ser externa, ocorre no pré – aquecedor, e interna, que ocorre na zona de
queima. Os principais elementos circulantes são álcalis e enxofre. Sobre a volatilidade dos
álcalis, pode – se dizer que :

• a volatilidade dos álcalis, que começa numa temperatura entre 800 – 1000°C, aumenta com a
a temperatura e tempo de residência do material ;

• ao aumentar o conteúdo de SO3 com a farinha e/ou o conteúdo de SO2 no gás do forno, a
volatilidade dos álcalis diminui ;

• cloro e vapro d’água aumentam a volatilidade dos álcalis ;

• os álcalis de clinquer – ferroso volatilizam – se com maior dificuldade, visto que esse clinquer
possui um grande conteúdo de material fusível.

127
FORNO ROTATIVO – MÓDULO TEÓRICO

Um fato relativamente definido é a formação de sais alcalinos. O sal fundido cristaliza, unindo
as partículas do cru por pontes de sal, formando uma estrutura mais ou menis forte. Como
resultado do processo cíclico, a concentração de sais de cru torna – se maior, reduzindo sua
fluidez e facilitando sua aderência. A solidificação ocorre em temperaturas acima de 900°C,
porém, na presença de cloro, este fenômeno pode começar a ocorrer em temperaturas de
680°C.

Quando se utilizam combustíveis com teor mais alto de enxofre, os problemas de incrustração e
a formação de depósito aumentam.

19.5. METÓDOS DE REMOÇÃO

Um pré – requisito para minimizar a formação de bolas e anéis é a estabilidade operacional do


forno. Isto se aplica a composição, finura, alimentação de matéria – prima e combustíveis e
controle do calor na zona de queima.

A tendência de formar anéis e bolas é reduzida pela diminuição da carga de pó no gás do forno.
Anéis e bolas que são formadas como conseqüência de altas concentrações de elementos
voláteis podem ser evitados pela redução dos ciclos de volatilização.

Isto pode ser alcançado por :

• emprego de diferentes matérias – primas e/ou combustíveis com menor concentração de


voláteis. Isto geralmente não é praticável ;

• controle da moagem da matéria – prima para reduzir a concentração de partículas muito finas
( abaixo de 20 µm ) ;

• intervenção no processo, descartando o pó no quais os elementos de circulação estão


concentrados. Também pode – se instalar um by – pass para extrair uma parte deste gás.

A entrada de ar falso no pré – aquecedor e pelo selo do forno deve ser evitado, assim como
áreas frias que atuam como lugares pereferencias para formação de colagens.

Para reduzir a tendência de formação de anéis de sinterização, em primeiro lugar é necessário


reduzir a proporção de matériais fundíveis no clinquer. Para tanto, um incremento no FSC e no
módulo de sílica é desejável.

Em fornos que queimam carvão, um conteúdo normal de cinza deveria ser empregado. Carvão
contendo 40% de cinza apresenta uma alta tendência à formação de anel.

Anéis de clinquer podem ser evitados trazendo a chama para trás, aumentando a temperatura
na saída do forno. Como resultado disto, o clinquer torna – se pegajoso apenas na entrada do
resfriador. Colagens , então, podem ser formadas na calha de entrada do resfriador. Isto é
particularmente problemático para o caso de resfriadores tipo Unax. Colagens formadas na
calha de entrada do refriador de grelhas podem ser eliminadas com injeção de água.

128

Você também pode gostar