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EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DA __ª VARA CÍVEL DA

COMARCA DE FORTALEZA/CE

Processo nº 0012345-67.2019.8.06-0001

Requerente: MARIA JOSÉ DE ANDRADE

Requerido: CONCESSIONÁRIA FORTAL HONDA

CONCESSIONÁRIA FORTAL HONDA, pessoa jurídica de direito privado,


já devidamente qualificados nos autos, vem, por seus advogados, ao final
assinado, como procurações em anexo, mui respeitosamente a presença de Vossa
Excelência, na AÇÃO CONDENATÓRIA NA OBRIGAÇÃO DE FAZER
COM PEDIDO DE TUTELA DE URGÊNCIA E DANOS MORAIS, que lhe
move MARIA JOSÉ DE ANDRADE, já classificados nos aludidos autos,
oferecer:

CONTESTAÇÃO

No incidente aos danos morais e materiais decorrente do suposto vício dos


produtos, pelos os fatos que passa expor.

BREVES RELATOS

1. A Requerente declara que adquiriu no dia 20/08/2018, um veículo marca


Honda, modelo HR-V Touring, 2020/2020, chassis HNVF1000J2018, cor prata
no valor pago à vista de R$140.000,00.

2. Após a realização de serviços contratados pela própria requerente, o carro foi


entregue no dia 25/07/2019. A partir desta data, segundo a mesma, utilizou o
veículo normalmente até que na volta de uma viagem pelo litoral, no dia
28/09/2019, o veículo deu uma pane – diante disto a requerente alegou vício
oculto. O bem foi trazido para o pátio da concessionária e avaliado.
3. Após a análise do produto, nosso mecânico verificou que o produto não
apresentava avaria de fabricação, mas sim danos causados pelo mau uso do
veículo, tais quais areia dentro dos componentes mecânicos. Visando não perder
a amizade da cliente, foi realizado o serviço de modo inteiramente grátis, e
devolvido à mesma no dia 15/10/2019.

4. O Requerente pleiteia, substituição do produto e indenização por danos morais


e materiais.

DO DANO MATERIAL

5. Conforme a lei, é conhecido o prazo de 90 dias de garantia legal a bens


duráveis, conhecendo também que o prazo para vício oculto passa a correr a
partir de quando se conhece o vício.

6. O produto foi remetido para análise por nosso mecânico especialista, que para
verificação da existência de um vício não percebido pela concessionária.

7. Após feito a análise, verificou-se que não houve VÍCIOS DE FABRICAÇÃO


e sim MAU USO por parte do Requerente, visto que dentro dos componentes
mecânicos do veículo havia muita areia, o que causou o dano que a requerente
alega ser vício oculto.

8. Tendo em vista que no ato da entrega do produto é entregue também o termo


de garantia, que há toda explicação como deve ser utilizado o produto para não
danificar ou colocar em risco tanto o adquirente como a perda da garantia.

9. O mau uso é culpa exclusiva do Requerente, uma vez que é o único que deu
causa a danificação do produto, se tivesse, ele, obedecidos as normas técnicas
explicado no termo de garantia, não teria colocado a vida útil de uso do produto.

10. Tratando do mau uso comprovado pela parte técnica competente, não há que
se falar em devolução do valor ou troca do produto.

11. Uma vez que há a pacificação nas Cortes sobre o referido assunto, que
tratando do mau uso por parte do adquirente, não cabe o fornecedor reparar ou
trocar o produto, assim trata a jurisprudência, in verbis:

CONSUMIDOR. REPARAÇÃO DE DANOS. APARADOR


DE CANTOS DE GRAMA. ALEGAÇÃO DE DEFEITO DE
FABRICAÇÃO DO PRODUTO. ALEGAÇÃO PELA RÉ
DE MAU USO PELO CONSUMIDOR. LAUDO DA
ASSISTÊNCIA TÉCNICA QUE ATESTA O MAU USO DO
BEM. CULPA EXCLUSIVA DO CONSUMIDOR.
AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE. PEDIDO DE
TROCA DO PRODUTO IMPROCEDENTE. DANOS
MORAIS CONFIGURADOS. Relatou o autor que comprou
junto à ré um aparador de cantos de grama, que estragou em
virtude de alegado defeito de fabricação, razão pela qual
postulou a troca do produto e a condenação da ré à indenização
a título de danos morais. A ré, por sua vez, alega que ocorreu
mau uso por parte do consumidor. A demanda foi julgada
improcedente sob o fundamento de mau uso. Recorreu o
autor. O laudo da assistência técnica juntado à folha 10 é
esclarecedor para atestar que o problema no produto se
originou de mau uso devido a não utilização da saia de
proteção do motor, que provocou o seu aquecimento
excessivo e conseqüente queima. Em sendo reconhecida a
culpa exclusiva do consumidor pelo defeito (mau uso), não
há o que se falar em responsabilidade da ré, nos exatos
termos do art. 12, par.3º, inciso III, do CDC. Correta a
sentença que julgou improcedente o pedido. SENTENÇA
MANTIDA PELOS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS.
RECURSO IMPROVIDO.
(Recurso Cível Nº 71005240775, Segunda Turma Recursal
Cível, Turmas Recursais, Relator: Vivian Cristina Angonese
Spengler, Julgado em 08/04/2015).

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. VÍCIO DO


PRODUTO. ROÇADEIRA. LAUDO DA ASSISTÊNCIA
TÉCNICA QUE CONSTATA O MAU USO PELA
CONSUMIDORA. FALTA DE ÓLEO PARA O
FUNCIONAMENTO. EXCLUSÃO DA GARANTIA.
AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE DA RÉ. A autora
adquiriu uma roçadeira que apresentou problemas, em seu
funcionamento, 20 dias após a compra. Levado o produto para
assistência técnica, foi negada a garantia em razão do defeito ser
decorrente do mau uso pela consumidora. A empresa ré
comprovou, através do laudo da assistência técnica (fl. 60),
que o defeito apresentado ocorreu em razão da falta de óleo
combustível (lubrificante) para o perfeito funcionamento, o
que gerou um superaquecimento, vindo a fundir o cilindro.
Ademais, a circunferência do pistão estava com riscos,
evidenciando a falta de óleo no combustível. Portanto, com a
juntada do laudo, a ré se desincumbiu do ônus probatório
que estava a seu encargo, nos exatos termos do art. 333,
inciso II, do CPC, e art. 6º, inciso VIII, do CDC. Em sendo
reconhecida a culpa exclusiva do consumidor pelo vício (mau
uso), não há o que se falar em responsabilidade da ré.
Sentença mantida por seus próprios fundamentos. Precedentes
desta Segunda Turma Recursal. RECURSO IMPROVIDO.
(Recurso Cível Nº 71005414206, Segunda Turma Recursal
Cível, Turmas Recursais, Relator: Roberto Behrensdorf Gomes
da Silva, Julgado em 20/05/2015).

12. O CDC adotou a responsabilidade objetiva como regra, entretanto admitiu


causas excludente de responsabilização do fornecedor, numa nítida evidencia a
teoria do risco fundamentada da aludida responsabilidade não foi do risco
integral, que por sua vez, admite causas excludentes.

13. De fato, não evidenciando o nexo de causalidade entre o dano e o defeito do


produto, isento, está o Requerido de ser responsabilizado por qualquer avaria ou
perda por parte do Requerente.

14. Traz a luz do CDC, no seu art. 12, § 3º, III, caso há a comprovação que o
produto teve sua danificação devido ao mau uso por parte do cliente, o
fornecedor e isento de responsabilidade.

15. Uma vez comprovado pelo relatório técnico, anexos nos autos, realizada por
pessoa capacitada, que a danificação do produto foi ocasionada por o
Requerente, a não atentar o devido uso descrito no manual e termo de garantia,
que estão em anexos nos autos.

DO DANO MORAL

16. Também convém, na ocasião, contestar, igualmente, o dano moral


supostamente sofrido pelo autor.

17. Em seus ensinamentos traz Carlos Roberto Gonçalves que dano moral
é o que atinge o ofendido como pessoa, não lesando seu patrimônio, e sim a
lesão de bem que integra os direitos da personalidade, como a honra, a
dignidade, a intimidade e a imagem, acarretando ao lesado tristeza, vexame
e humilhação.

18. Percebe-se que, para a configuração do dano moral, há a necessidade de


lesão à um dos direitos da personalidade, o que não há no presente caso,
notadamente dano a pessoa do Requerente, como dito, sequer provou o dano
material que sofrera, não havendo falar, pois, em implicação de dano moral.

19. Em virtude de o próprio Requerente ser causador do problema apresentado,


exclui a responsabilidade objetiva por parte do fornecedor como determina
o CDC no seu Art. 12, § 3º, III.
20. Após visto em relatório técnico anexados nos autos, percebe que não é
evidenciado nenhum vício e sim negligência por parte do adquirente do produto,
na qual, traz pelo descumprimento das normas técnicas para uso do produto.

21. Trazido pelo CDC, art. 14, § 3º, II, que quando comprovado que o não a
vícios no fornecimento ou de fabricação, não fica responsável por indenizar o
DANO MORAL, por excluir o nexo da casualidade.

22. Como pacificado nas cortes, uma vez comprovado pela análise técnica que
a culpa é exclusiva do consumidor, devido ao seu mau uso, o fornecedor não tem
o dever de indenizar.

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. DEFEITO DE


PRODUTO. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
DEFEITO DECORRENTE DO MAU USO PELA
CONSUMIDORA. Tendo a recorrida se desincumbido do
ônus de prova que lhe foi imposto, logrando comprovar que
o defeito é decorrente do mau uso do produto pela autora,
não há falar em dever de indenizar. RECURSO
DESPROVIDO. UNÂNIME.
(Recurso Cível Nº 71004496782, Primeira Turma Recursal
Cível, Turmas Recursais, Relator: Pedro Luiz Pozza, Julgado em
28/01/2014)

RECURSO INOMINADO. CONSUMIDOR. TELEVISOR.


QUEBRA DO DISPLAY. LAUDO DA ASSISTÊNCIA
TÉCNICA QUE APONTA MAU USO DO PRODUTO.
VÍCIO DO PRODUTO NÃO CONFIGURADO. DEVER
DE SUBSTITUIR O PRODUTO NÃO CARACTERIZADO.
HIPÓTESE DE EXCLUDENTE DE
RESPONSABILIDADE. ARTIGO 14, § 3.º, II, DO CDC.
SENTENÇA MANTIDA. O autor adquiriu uma televisão,
produto que apresentou defeitos de imagem, no primeiro mês de
uso. Requereu a restituição do valor pago, bem como
indenização por danos morais. O laudo técnico apresentado pela
assistência autorizada da fabricante constatou que o display (tela
do televisor) estava quebrado em razão de queda ou colisão do
produto. Concluiu, portanto, pelo mau uso do aparelho (fl.
58). Configurada hipótese de excludente de responsabilidade
da requerida, conforme dispõe o artigo 14, § 3.º, II, do CDC.
Não evidenciado o vício oculto, não há se falar em aplicação
do artigo 18, parágrafo 1.º, II, do CDC. Sentença de
improcedência que merece ser mantida pelos seus próprios
fundamentos jurídicos, nos termos do artigo 46 da Lei
n.º 9.099/95. RECURSO IMPROVIDO.
(Recurso Cível Nº 71005140603, Segunda Turma Recursal
Cível, Turmas Recursais, Relator: Cintia Dossin Bigolin,
Julgado em 20/05/2015).
23. Desta forma, não pode a Requerida arcar com indenização pelo fato de culpa
exclusiva da Requerida.

IMPUGNAÇÃO DO VALOR DA CAUSA

24. Em que pesem os fundamentos anteriormente expostos, torna-se descabido


o valor dado à causa pela ora Requerente.

25. No tocante ao dano moral, o valor requerido na exordial encontra-se em


desacordo com quaisquer padrões de razoabilidade para o caso concreto em
questão.

26. Tendo em vista que foi apenas um produto teve avaria, e descabido pedir
esse valor, inclusive pelos danos morais, isso causo o enriquecimento sem justa
causa.

27. Tendo que nos seus preceitos doutrinários de LIMONGI FRANÇA, que
enriquecimento sem causa, enriquecimento ilícito ou locupletamento ilícito é o
acréscimo de bens que se verifica no patrimônio de um sujeito, em detrimento
de outrem, sem que para isso tenha um FUNDAMENTO JURÍDICO.

28. Descabido o valor pleiteado neste feito, uma vez que o requerente não sofreu
dano moral, por motivo aqui exposto, não vale a pretensão desse valor.

DOS PEDIDOS

Ante exposto, requer:

29. Que seja dado indeferimento dos pedidos da exordial, ante a ausência de
culpa do Requerido no evento danoso, pelos motivos aqui expostos.

30. Caso seja dado provimento da exordial, que seja visto o valor da causa, para
então ser desobedecido o princípio da razoabilidade.
Neste termo, espera e requer deferimento.

Fortaleza/CE, __ de _________ de _____

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Advogado
OAB/CE