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Antropologia filosófica 3

O que vimos nas aulas anteriores:


1. Objetivo do livro: formulação de um conceito normativo de ser humano como
alternativa às ciências de pesquisa empírica particulares e à sua redução da
compreensão do ser humano a um princípio fisiológico-orgânico-biológico.
2. Ciências empíricas particulares não podem construir esse conceito.
3. Diferente entre mundo humano versus mundo natural/animal: as ciências
empíricas apagam essa diferença, na medida em que reduzem seres humanos e animais
em geral a um princípio fisiológico-orgânico-particular).
4. Ser humano/mundo humano é simbólico.
5. Nosso acesso ao mundo é mediado pela nossa constituição simbólica; os animais têm
acesso direto ao mundo.
6. Racionalidade é um termo-conceito restrito para definirmos o que é o ser humano.
O ser humano não pode ser definido apenas por seu pensamento lógico-matemático. O
homem como animal simbólico é um conceito mais adequado para se captar a
pluralidade das manifestações simbólicas que os seres humanos possuem.
7. Correlação entre ser humano como animal simbólico e civilização.
8. Ser humano: axiologia-valor-símbolo.
9. Ser humano: linguagem proposicional-conceitual; animais: linguagem emocional
(sentidos).
10. Seres humanos usam símbolos (formalização-reflexividade); animais usam apenas
sinais. O homem sabe realizar abstrações, formalizações: constrói conceitos que
representam conjuntos de objetos e se guia por esses conceitos, pensa a partir deles.
11. Ser humano: espaço-tempo simbólico, espaço abstrato.

VII – Mito e Religião


1. Mito combina um elemento teórico com um elemento de criação artística, porém, ao
passo que a arte é indiferente à inexistência ou à existência de seu objeto, no mito há
um ato de crença acerca de determinado objeto, fato, entidade – “sem a crença na
realidade de seu objeto o mito perderia seu fundamento” (p. 125-126).
2. O mito possui caráter basicamente social; a mentalidade primitiva não é nem apenas
pré-lógica e nem apenas mística, pois ela possui aspectos lógico-racionais (p. 132).
Características da mentalidade mítica são sua capacidade de metamorfose e sua
perspectiva simpática, que não separa teoria e prática (p. 134-135). Há também, na
mentalidade mítica, uma profunda solidariedade-dependência entre as formas de vida
(p. 136). Há também a crença na unidade da vida (p. 137-138).
3. Crença na vida após a morte e ligação-comunicação entre o mundo dos vivos e o
mundo dos mortos: dois princípios fundamentais da religião primitiva (p. 140-141).
4. Crença na simpatia do todo como uma característica importante da religião (p. 155).
5. As grandes religiões monoteístas substituem a magia pelo ético. Assim, para o homem
ser bem sucedido ele já não precisa realizar algum ato mágico de oferta-
convencimento aos deuses, mas sim possuir uma vida ética (p. 162-163).

VIII – A Linguagem
1. Correlação linguagem e mito nas culturas primitivas. A palavra possui uma função
criadora, de contato com a natureza espiritual própria da natureza, da divindade, do
próprio homem (p. 177).
2. Com o tempo, a correlação linguagem-mito foi desfeita, posto que o homem passou a
perceber a inexorabilidade dos fenômenos naturais, que já não poderiam mais ser
controlados pela magia. Nesse sentido, a função mística da linguagem deu lugar à
centralidade da função semântica. É o caso da filosofia pré-socrática grega, que
confere centralidade ao lógos (p. 177-178-179).
3. “A chamada linguagem animal permanece sempre inteiramente subjetiva; expressa
vários estados de sentimentos, mas não designa nem descreve objetos” (CASSIRER,
p. 185).
4. Qual é a função geral da linguagem?
5. Wilhelm Von Humboldt: a verdadeira diferença entre as línguas não é uma diferença
de sons ou de sinais, mas uma diferença de perspectivas universais (p. 192).
6. De fins do século XIX ao século XX: superação das abordagens científicas
particularizadas (em que todos os fenômenos seriam explicados a partir da sua redução
a elementos simples) a partir da reafirmação de visões holísticas, em que o todo
organicamente constituído seria a condição da particularidade (p. 194).
7. Não existe critério uniforme ou comum para se avaliar a riqueza ou a pobreza de
determinado idioma, que segue sendo sempre dependente de sua contextualização vital
(p. 215-216).
8. Por outro lado, parece tendência geral o fato de que cada linguagem, em seu
desenvolvimento, acaba construindo conceitos e categorias universais – essa parece
ser uma tendência basilar a todas as linguagens humanas, ainda que não apresente a
mesma forma e a mesma intensidade em cada uma delas (p. 217).

IX – A Arte
1. Na história do pensamento filosófico, a arte possui, quando muito, um valor
secundário, inferior ao pensamento científico, racional. Ela seria mais uma preparação
para um estágio mais elevado da ciência, do pensamento, da ação (p. 219-220).
2. Com Rousseau, a arte deixa de ser medida pela sua capacidade de representar-
conhecer-idealizar o mundo e se transforma em “explosão de paixões e de
sentimentos”, assumindo, depois com Herder e Goethe um papel basicamente
formativo (p. 223-224-225).
3. Arte: união entre os aspectos subjetivo e objetivo; ciência: essa separação é possível,
posto que o conceito científico é interpretação objetiva da realidade, que transcende a
figura do cientista (p. 229-230-231-232).
4. Arte: “poder construtivo no aperfeiçoamento do universo humano” (p. 264).