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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE ARTES VISUAIS HISTÓRIA DA ARTE LATINO AMERICANA PROFESSORA RENATA WILNER ALUNO PEDRO SÁ

FOTOGRAFIA NA AMÉRICA LATINA

DENÚNCIA SOCIAL E EXPRESSÃO AUTORAL

Na história da arte latino americana tem um lugar importânte para a fotografia produzida no século 20 nos países latino americanos. Marcados, antes de mais nada, por uma busca e reafirmação de uma identidade cultural, devido ao processo de colonização exaustivo que resultou em populações com traços culturais heterogêneos, pelo crescimento da população urbana e uma imposição cultural-estética globalizadora de países externos, têm como o principal traço dessa época os governos autoritários da segunda metade do século.

A forte repressão, censura e perda dos direitos democráticos foi uma das causas que unificou organicamente fotógrafos latinos ao redor das temáticas de resistência, denúncia e documentação acerca da violência institucionalizada que populações que lutavam por seus diretos sofriam, utilizando a fotografia como manifestação artística e instrumento de luta.

Dentro desse contexto, este documento tem como objetivo retratar dois fotográfos chilenos com produções relevantes para o estudo da história da arte latino americana no século 20, servindo como material complementar ao seminário realizado no dia 20 de novembro de 2019, no Centro de Artes e Comunicação- UFPE.

FOTOGRÁFO

LUIS NAVARRO

CHILE

1939

FOTOGRÁFO LUIS NAVARRO CHILE 1939 No Chile em 1976, três anos após o início da ditadura

No Chile em 1976, três anos após o início da ditadura de Pinochet, que brutalmente inter- rompeu as esperanças de justiça social propostas pelo governo de Allende, Luis Navarro deixa sua cidade natal, Antofa- gasta, vai para Santiago, e começa sua carreira como fotógrafo a partir de uma câmera fotográ- fica Pentax emprestada de um amigo. Em suas palavras se autodeclara fotógrafo dos perdedores

e dos mortos.

“Yo me declaro como el fotógrafo de los perdedores y de los muertos, me tocó esa parte de la vida a mí,me tocó, porque, bueno, estaba en el lugar en quecorres- pondía estar. Defender a los que no teníanvoz, no tenían libertad, a los que estaban siendotorturados y martirizados, me toco hacer eso y nome arrepiento, yo creo que esa es la tarea más nobleque puede hacer el ser humano, defender al caído”. Luis Navarro, 1976.

LONQUÉN, 1978

LONQUÉN, 1978

LONQUÉN, 1978 LONQUÉN, 1978

LONQUÉN, 1978

LONQUÉN, 1978

LONQUÉN, 1978 LONQUÉN, 1978
SANTIAGO, 1983 SANTIAGO, 1983

SANTIAGO, 1983

SANTIAGO, 1983 SANTIAGO, 1983

SANTIAGO, 1983

mio Altazor 2011. “O trabalho de Luis Navarro foi marcado como um gran- de documentário que
mio Altazor 2011. “O trabalho de Luis Navarro foi marcado como um gran- de documentário que

“O trabalho de Luis Navarro foi marcado como um gran- de documentário que emana de sinceridade imprudente e disciplina visual” (Gonzalo Leiva Q., Instituto de Estética, PUC, 2014)

SANTIAGO, 1988

SANTIAGO, 1984 SANTIAGO, 1984

SANTIAGO, 1984

SANTIAGO, 1984

SANTIAGO, 1984 SANTIAGO, 1984
SANTIAGO, 1981 SANTIAGO, 1981

SANTIAGO, 1981

SANTIAGO, 1981 SANTIAGO, 1981

SANTIAGO, 1981

SANTIAGO, 1988

SANTIAGO, 1988

CHILE

1944

É considerada uma das fotógrafas de maior im- portância do Chile. Retra- tista em preto e branco, explora a sociedade chilena destacando seus aspectos brutos. Documentou co- munidades marginaliza- das, profissionais do sexo, pacientes psiquiátricos e artistas de circo durante a ditadura militar no Chile. Errazuriz iniciou sua car- reira em fotografia na dé- cada de 1970, quando dei- xou a escola primária em que lecionava após o início da ditadura de Pinochet. Autodidata no início de sua carreira, estudou mais tar- de no Centro Internacio- nal de Fotografia de Nova York. Foi co-fundadora da Associação de Fotógrafos Independentes .

“São tópicos que a sociedade não olha, e minha intenção é incenti- var as pessoas a ousarem olhar”.

“ o que fotografo tem a ver

com pessoas que não estão no centro, que ficam do lado de fora e sempre foram subordinadas ao poder”. Paz Errázuriz, 2004

FOTOGRÁFA

PAZ ERRÁZURIZ

centro, que ficam do lado de fora e sempre foram subordinadas ao poder”. Paz Errázuriz, 2004
DORMIDOS, 1979

DORMIDOS, 1979

DORMIDOS, 1979
DORMIDOS, 1979 DORMIDOS, 1979

DORMIDOS, 1979

DORMIDOS, 1979

DORMIDOS, 1979 DORMIDOS, 1979
SANTIAGO, 1982

SANTIAGO, 1982

1983

Em um contexto onde, devido à violência de um governo opressor e aos preconcei- tos de gênero de uma sociedade patriarcal, era bastante incomum ver mulheres atu- ando na documentação imagética no Chile da década de 70, assim como era atípica a presença das mulheres na literatura latina do início do século. Errázuriz, ao ir para as ruas documentar a realidade chilena e assim marcar uma resistência ao governo, fez nesse período na fotografia o que escritoras como a argentina Alfonsina Storni ha- viam feito anteriormente: conquistado o acesso a um campo intelectual dominado pe- los homens (SARLO, 2017)

LA MANZANA DE ADÁN

Ainda nos anos 80, no auge do regime de Pinochet, desenvolveu o trabalho que se transformaria em uma de suas marcas registradas. La Manzana de Adán foi fruto de mais de cinco anos de convivência da fotógrafa com uma comunidade de transexuais que trabalhavam nos prostíbulos La Carlina, em Santiago, e La Jaula, em Talca. (SYDNEY, 2019)

Tudo começou em 1982, quando Paz estava fazendo uma documentação sobre mu- lheres prostitutas e elas pediram que as fotografias produzidas não fossem mostra- das, pois tinham receio das reações de seus familiares. Errázuriz se vê então obrigada a suspender o projeto, mas nele conhece Evelyn – travesti que iria apresentar a fo- tógrafa à comunidade de transexuais de um prostíbulo em Santiago e que se tornaria figura central do próximo projeto da autora. (SYDNEY, 2019)

Paz, junto com a escritora Claudia Donoso, compartilha momentos, lembranças, esperanças e receios com todas que vivem ali. Passam muito tempo conhecendo as pessoas antes de começarem a fotografar e a escrever. Como Roger Bastide, buscaram vivenciar de dentro a experiência social dos retratados, transformando-se em etnó- grafos capazes de entender aqueles indivíduos (ANDRADE, 2002)

Este trabalho ganha ainda mais relevância pelo fato de os sujeitos retratados serem tão ignorados e perseguidos pela sociedade e a repressão que a ditadura de Pinochet representava. A identidade e cultura travesti sempre foram, na América Latina, re- legadas à subalternidade; e a decisão de retratar essa gente é uma tomada de posição em prol de um estabelecimento de uma nova relação da coletividade para com esse grupo social: mais respeitosa e inclusiva (SUTHERLAND, 2014).

Portanto, Paz traz uma forma inovadora de documentação e denúncia da repressão dos governos autoritários da America Latina durante a segunda metade do século 20 através dos retratos pessoais de grupos marginalizados da sociedade, onde a violência institucionalizada se fez mais presente e absurda.

REFERÊNCIAS

BIBLIOTECA NACIONAL DO CHILE - EM: WWW.BIBLIOTECANACIONAL.GOB.CL/SITIO/

COLOMBO, Jennifer. Fotografias de que denunciam: O chile de Luis Navarro e o Brasil de Vlado, 2017.

ANDRADE, Rosane de. Fotografia e antropologia: olhares fora-dentro. São Paulo: Es- tação Liberdade; EDUC, 2002;

ERRÀZURIZ, Paz e DONOSO, Claudia. La Manzana de Adán. Santiago de Chile: Funda- ción AMA, 2014;

SANTOS, Ana Carolina Lima. Sobre essa tal de fotografia latinoamericana: uma análi- se do processo de demarcação de uma suposta essência fotográfica latina. In: Revista Contracampo, v. 29, n. 1, ed. abril ano 2014. Niterói: Contracampo, 2014.

SARLO, Beatriz. Decir y no decir: erotismo y represión. PRIGORIAN, Nelly e OROZCO, Carmen Díaz (2017), Representaciones, emergencias y resistencias de la crítica cultu- ral: mujeres intelectuales en América Latina y el Caribe / Beatriz Sarlo

SANTANA, Sidney Dupeyrat de. Outra América, a América: o fotodocumentarismo do marginalizado na obra de Paz Errázuriz. Outra América, 2019.