Você está na página 1de 5

- spectos negativos.

1. INTRODUÇÃO

1.1. Problema

Em fevereiro de 1987, na Florida International University (FIU), houve a I Conferência


Hemisférica sobre a Negritude. Nessa conferência, Aimé Césaire fez um um discurso sobre a
Negritude, apresentando a sua visão sobre a mesma e as características que na sua perspectiva
marcam a Negritude.

Em 1972, Pepetela escreve um romance, As aventuras de Ngunga, onde a personagem central,


Ngunga, um rapazinho. militante infantil, cresce integrado na luta de libertação nacional,
aprendendo a vida, vivendo a política. O ramance inclui também as personagens secundárias,
cujos nomes retratam bem a luta pela libertação colonial.

É nosso desejo, neste trabalho, estudar a relação existe entre a perspectiva teorica de Aimé
Césaire sobre a Negritude e a obra de Pepetela, As aventuras de Ngunga, olhando
especificamente para a significação das personagens Ngunga, Nossa luta, comandante avança
e professor coragem.

1.2. História do problema

O presente problema foi levantado no I primeiro ano de formação no ISCED/Luanda, na


cadeira de Introdução aos Estudos Literários. Fruto das leituras feitas com objectivo de
compor fichas de leitura e sucessivamente fazer um ensaio, percebemos que Pepetela escreve
a obra As Aventuras de Ngunga três anos antes da independencia de Angola, e compôe o
romance com personagens cujos os nomes estão relaccionadas com a luta de libertação
colonial.

Enquanto líamos o ramance, surgia-nos algumas questões, como: por que Pepetela escreve
esse romance três anos antes da independencia; por que as personagens recebem os nomes de
Nossa luta, Comandante Avança, professor coragem; e, será que há alguma relação com as
características do Movimento Negritude?

Como o trabalho centrava-se em fazer um breve ensaio para apresentarmos na cadeira de


Introdução aos Estudos Literários, deixamos essas questões para analisarmos com mais
profundidade no IV ano, isto é, no nosso trabalho do fim do curso.
1.3. Interesse do tema
As Aventuras de Ngunga interessou-nos no primeio ano de formação no ISCED/Luanda,
enquanto estudava a cadeira de Introdução aos Estudos Literários, não só pelo seu aspecto
pedagógico, que esteve na base da sua concepção, mas também pelo seu contexto histórico e
literário.
Sendo uma literatura engajada, além de se revestir de uma função didáctica, teve também
como objectivo ensinar novos valores, projectando uma nova Angola, livre do colonizador
português, convocando a consciência e a força do seu povo às armas.

1.4. Objectivos
Geral: Analisar as marcas da Negritude na obra As Aventuras de Ngunga de
Pepetela.
Específicos: Identificar as marcas da Negritude na obra As Aventuras de Ngunga de Pepetela.
- Descrever as marcas da Negritude na obra As Aventuras de Ngunga, de Pepetela.

1.5. Metodologia

1- Para a realização do nosso trabalho recorremos a uma pesquisa bibliográfica1.


2- Para as questões metodológicas temos como suporte Mário Azevedo -Teses, relatórios e
trabalhos escolares – sugestões para estruturação da escrita e Humberto Eco - Como se
Faz uma tese em ciências humanas.

1.6. Fundamentação teórica

Este trabalho fundamenta-se na perspectiva teórica de Aimé Césaire.


Para Césaire2,
Negritude, em seu estado inicial, pode ser definida primeiramente como tomada de consciência
da diferença, como memória, como fidelidade e como solidariedade (...). A negritude resulta de
uma atitude proactiva e combativa do espírito.
Ela é um despertar; despertar de dignidade.
Ela é uma rejeição; rejeição da opressão.
Ela é luta, isto é, luta contra a desigualidade.
Ela é também revolta.
Não é o nosso objectivo caracterizar todos esses aspectos na obra As
Aventuras de Ngunga, mas nos cingirmos apenas em “fidelidade”, que se
refere a relação de vínculo indelével com a terra-mãe e com a herança
ancestral africana, atiçando assim a revolta contra o colonizador
portugues.
Assim, a obra em análise apresenta caracteristicas que vinculam as
personagens com a sua terra, sua cultura e herança ancestral africana,
conforme veremos no terceiro capítulo.

1 Para mais informação sobre as obras consultadas nessa pesquisa, veja a página a seguir, subtítulo Estrutura do
trabalho, terceiro parágrafo.
2 Aimé Césaire, Le discours sur la Négritude – Miami 1987 (2010:109)
Estrutura do trabalho

O presente trabalho tem como guia Mário Azevedo (2018). Para este metodólogo, o trabalho
de fim do pode apresentar até cinco capítulos, nomeadamente: Introdução, Revisão da
Literatura, Métodos e Materiais, Resultados, Conclusão e Discussão.
Para o nosso trabalho (descritivo), estruturámo-lo em apenas três capitulos.
O primeiro capítulo é a Introdução, onde consta o Problema, a História do problema, o
Interesse do tema, os Objetivos, a Metodologia, e a Fundamentação teórica.
O secundo capítulo está reservado para a Revisão da Literatura. Neste capítulo vamos estudar
a Negritude na perspectiva de Aimé Césaire e analisar estudos feitos de vários autores sobre a
Negritude, tais como: Kembele Munanga - Negritude: usos e costumes, Alfredo Margarido
-Negritude e Humanismo e Manuela Ribeiro Sanches - Malhas que os Impérios tecem -
Textos Anticoloniais, Contextos Pós-coloniais.
O terceiro capitulo está reservado para estudarmos a relação existe entre a perspectiva teorica
de Aimé Césaire sobre a Negritude e a obra de Pepetela, As aventuras de Ngunga, olhando
especificamente para a significação das personagens Ngunga, Nossa luta, comandante avança
e professor coragem.
BIBLIOGRAFIAS

AFONSO, Aniceto e GOMES, Carlos de Matos. (2010). Os anos da guerra colonial – 1961-
1975. Lisboa: Quidnovi;

AZEVEDO, Mário. (2018). Teses, relatórios e trabalhos escolares – sugestões para


estruturação da escrita. Lisboa: Univ. Católica

CÉSAIRE, Aimé. (2010). Le discours sur la Négritude – Miami 1987. Belo Horizonte:
Nandyala;

ECO, Humberto. (2007). Como se Faz uma tese em ciências humanas. Lisboa: Editora
Presença.

LARANJEIRA, Pires. (1995). Literaturas Africanas de expressão Portuguesa. Lisboa:


Universidade Aberta;

MARGARIDO, Alfredo. (2015). Negritude e Humanismo. 2ª ed. Lisboa: Editorial Minerva;

MUNANGA, Kembele. (2009). Negritude: usos e costumes. 3ª ed. Belo Horizonte: autêntica;

PEPETELA (2000). As Aventuras de Ngunga. Luanda: Nzila;

PINTO, Nuno Tiago. (2011). Dias de coragem de amizade – Angola, Guiné, Moçambique: 50
histórias da guerra colonial. Lisboa: Manuel Barbosa e Filho;

SANCHES, Manuela Ribeiro. (2011). Malhas que os Impérios tecem: Textos Anticoloniais,
Contextos Pós-coloniais. Lisboa: Edições 70.

Você também pode gostar