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A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NA

FORMAÇÃO INICIAL DO ADMINISTRADOR

Nara Lucia Bonasina Scabeni


Pós-Graduanda do Curso de Especialização do Ensino Superior, da
Universidade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO. -2007- E-mail:
narascabeni@hotmail.com

Ana Lucia Crisóstimo


Professora Orientadora. Ms. Em educação. Docente efetiva e Pró-Reitora de
www.unicentro.br Extensão e Cultura da Faculdade Estadual do Centro Oeste – UNICENTRO.

RESUMO
Muitos estudos têm sido realizados para explicar o comportamento empreendedor e os
aspectos relacionados com empreendedorismo. O objetivo deste artigo é analisar a
importância do empreendedorismo na formação do administrador. Para atingir esse objetivo
foi realizado um estudo bibliográfico. Estudar empreendedorismo é estudar o
comportamento humano diante de desafios. Para formar um empreendedor, é necessário
preparar as pessoas para aprender a agir e pensar por conta própria, com criatividade,
liderança e visão de futuro, para inovar e ocupar o seu espaço no mercado. No entanto, a
força propulsora ao sucesso é, sem dúvida, a vontade de enfrentar desafios, mas, se
somada a essa vontade houver disposição para adquirir conhecimento e desenvolver
comportamentos adequados as chances de dar certo será bem maior. Preparar
empreendedores é questão importante, sendo que as faculdades podem contribuir e
influenciar no desenvolvimento e aprimoramento de profissionais.
Palavras-chave: empreendedorismo, educação, administração.

ABSTRACT
Many studies have been conducted to explain the behavior entrepreneur and the aspects
related to entrepreneurship. The purpose of this article is to analyze the importance of
entrepreneurship in the training of the administrator to achieve this goal a study was
conducted bibliographic. Studying entrepreneurship is studying human behavior in front of
challenges. To form an entrepreneur, it is necessary to prepare people to learn to think and
act on their own, with creativity, leadership and vision of the future, to innovate and take its
space in the market. However, the force that pushes a person to success is undoubtedly the
will to face challenges, but he added that the provision will have to acquire knowledge and
develop appropriate behaviors to chances to be true much greater. Prepares entrepreneurs
is important, and the colleges can contribute and influence the development and and
improvement of professionals.
Key words: entrepreneurship, education, administration.

Ed. 6 Ano: 2008 Revista Eletrônica Lato Sensu – UNICENTRO ISSN: 1980-6116
A IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA NA FORMAÇÃO INICIAL DO ADMINISTRADOR

1 INTRODUÇÃO

Por meio de leituras de artigos e pesquisas literárias, este artigo procura


mostrar a importância de estudar as características empreendedoras nos formandos do
Curso de Administração. E a partir dessa reflexão mostrar que, se cada indivíduo conhecer
quais são as características empreendedoras para ter sucesso profissional, pode identificar
nele as forças e as fraquezas, ou seja, identificar onde precisa trabalhar mais ou tomar mais
cuidado na hora de tomar decisões.
Atualmente, as instituições de ensino superior formam grande percentual de
bacharéis em administração e os lançam nos mercados, enquanto que a os empregos vem
diminuindo a cada dia. O enxugamento do quadro de funcionário nas grandes empresas é
devido às novas reestruturações, privatizações, fusões e também a melhor utilização de
ferramentas administrativas, além da situação econômica do país. Dessa forma, o brasileiro
vem presenciando a crescente busca pelo auto-emprego, surgindo assim empreendedores
involuntários ou por necessidade, representados principalmente por recém-formados e por
trabalhadores demitidos de empresas.
A concepção da educação de preparar pessoas para trabalharem em um
local estabelecido, onde alguém as guiará e lhes dirá o que fazer precisa ser revista. Existe
a necessidade de formar pessoas autônomas e criativas, capazes de definir a partir do não
definido. Essa é a nova visão. E isso serve tanto para aqueles que têm seu próprio negócio,
como para aqueles que trabalham em empresas. Diante desse cenário, o objetivo desse
trabalho é analisar através de estudos exploratórios e da literatura, a importância do
empreendedorismo e de conhecer as principais características empreendedoras na
formação do profissional de Administração.

2 0 EMPREENDEDORISMO: CONCEITO E DESAFIOS NO CENÁRIO


NACIONAL

Em 2002, o SEBRAE fez uma pesquisa nacional com pessoas que haviam
participado de seminários, onde pudesse desenvolver características do comportamento
empreendedor, comparando-as com outras pessoas, o resultado vem a confirmar a
importância de estudar no Curso de Administração as características empreendedoras.
Comparando a pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), e
Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP) ficou comprovado de que as
empresas das quais os empresários participaram de capacitações, em que estudaram o
comportamento empreendedor teve taxa de mortalidade menor. Na pesquisa, foi identificado
também que pessoas preparadas empreendem mais por oportunidades do que por
necessidade e, as empresas são mais eficientes e mais produtivas.
O Lucro líquido total dessas empresas pesquisadas apresentou crescimento
de 51%. No grupo de empresários que participaram do seminário antes, 7% das empresas
possuíam plano de negócio. Depois, esse número cresceu para 31%. Fornecendo assim
maior informação na hora de novos investimentos.
Outro índice informado na pesquisa é de que as empresas passaram a
empregar mais. Em termos gerais, o nível de emprego cresceu 31%. A massa salarial 36%
em termos reais. O custo por emprego gerado caiu em 35%. Ou seja, empreendedores
empregam mais e com menos investimento.
Outra informação da pesquisa é de que as pessoas que não eram
empresários e participaram de seminários, para fortalecer ou desenvolver características
empreendedoras 34% dos que eram empregados montaram suas próprias empresas
formais. Dos que não tinham emprego formal, 43% estavam empregados ou montaram
empresas formais. E dos que estavam empregados 58% aumentaram sua renda após o

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seminário.
Dessa forma, observa-se que o empreendedorismo contribui para gerar
riquezas e conseqüentemente para o crescimento do país. Empresas com pessoas
preparadas para enfrentar o mercado contribui muito mais com a sua comunidade.
No Brasil, há muitos empreendedores, pesquisas já apontaram os brasileiros
como o povo mais empreendedor do mundo. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor
(GEM Brasil 2006) pesquisou 42 países e o Brasil ficou entre os 10 mais empreendedores
do mundo. São cerca de 13,7 milhões de empreendedores iniciais (estão em fase de
implantação do negócio ou que já o mantêm por até 42 meses). Eles correspondem a
11,65% da população adulta de 118 milhões de brasileiros com 18 a 64 anos de idade.
Apesar da boa colocação no ranking, o País tem 50% dos empreendedores iniciais por
necessidade. Isso se dá pelos altos índices de desemprego que levam a busca de renda
através atividades informais. Os pesquisadores apontam que esses empreendimentos têm
baixo nível de investimento e baixo conteúdo tecnológico. Acontece que, o país não estimula
o empreendedorismo e, educacionalmente, tem um nível muito baixo. O nível de
empreendedorismo no Brasil, mesmo quando identificado como o primeiro do mundo, é de
subsistência, de sobrevivência. São pequenas empresas que não sabem onde estão e nem
para onde irão.
As faculdades falham na formação de administradores empreendedores, pois
raramente é oferecida a disciplina de empreendedorismo em sala de aula, não há estímulo
nesse sentido por parte dos professores. Embora empreendedorismo não seja disciplina
obrigatória na grade curricular do Curso de Administração, a resolução de número 4 de 13
de julho de 2005 deixa espaço para complementação e isso poderia ser utilizado para
estudar a característica empreendedora.
A maioria dos formandos, não sabe que caminho seguir. Visto que nem
sempre o aluno sai de uma faculdade com o emprego já garantido. É responsabilidade
também da escola formar um cidadão. Deve ser responsabilidade também da escola formar
cidadão para o mercado de trabalho ou com capacitação de criar seu trabalho. Uma vez que
existe mecanismo de incentivo para o empreendedorismo.
O sucesso de um empreendimento está relacionado a atributos e
comportamentos de seus empreendedores, que sabem como combinar, conhecimento e
persistência, não só para sobreviver, mas para crescer, se desenvolver e conquistar o
mercado. Nas pequenas empresas, as características individuais dos empreendedores são
consideradas cruciais para o desenvolvimento dos empreendimentos.
"As características do empreendedor, suas atitudes e comportamento são os
fatores que o conduzem ao sucesso” (DOLABELA, 1999, p. 24). Nem todo empresário é
empreendedor e nem todo empreendedor é empresário. Entretanto, encontramos muitos
empresários que também são empreendedores e que fazem de suas organizações
exemplos de inovação, criatividade e competência. O bom empreendedor é aquela pessoa
capaz de criar riquezas para si e para a coletividade.
Empreendedor, segundo DOLABELA (1999, p. 43), “que se dedica à geração
de riquezas, seja na transformação de conhecimento em produtos ou serviços, na geração
do próprio conhecimento ou na inovação em áreas como marketing, produção, organização,
etc.”.
Conforme DORNELAS (2001, p.15) “O empreendedor é aquele que faz as
coisas acontecerem, antecipa-se aos fatos e tem uma visão futura de organização”. É
preciso estudar as características empreendedoras para entenderem porque alguns fazem
sucessos na vida profissional e outros acumulam diplomas e, no entanto, não estão
satisfeitos com a profissão.
A existência de indivíduos conhecidos como empreendedores é condição
básica para novos empreendimentos, são pessoas ou grupos de pessoas responsáveis pelo
surgimento e pela condução de processos criativos. É fácil abrir novas empresas apesar da

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burocracia de nosso país, mas só empreendedores fazem durar e crescer. Só os


empreendedores têm uma visão um planejamento em longo prazo. Ao mesmo tempo em
que cada empreendedor tem suas próprias características, parece existir uma tendência
marcante na maneira de oferecer aos graduandos, oportunidade de saber e estudar como
os empreendedores agem e se comportam.
O empreendedor visionário é que sabe identificar oportunidades. De acordo
com GERBER (1996), a personalidade empreendedora transforma a condição mais
insignificante numa excepcional oportunidade. É um inovador, estrategista, criador de novos
métodos para entrar em mercados já existentes ou criarem novos mercados. Os
empreendedores através de suas ações inovam e desenvolvem o universo empresarial
permitindo, que o fluxo e desenvolvimento da economia sejam catalisados.
DOLABELA (1999), afirma ser o empreendedor, o motor da economia, um
agente de mudanças. Estudos realizados sobre esse assunto confirmam que, o sucesso de
um empreendimento está relacionado a atributos e comportamentos de seus
empreendedores, que combinam talento, conhecimento e persistência para, não apenas
sobreviver, como também para crescer, desenvolver-se e conquistar o mercado. No caso de
empresas de pequena dimensão, as características individuais dos empreendedores são
consideradas cruciais para o desenvolvimento dos empreendimentos. "As características do
empreendedor, suas atitudes e comportamento são os fatores que o conduzem ao sucesso"
(DOLABELA, 1999, p. 24).
Devido ao importante papel exercido pelas empresas na geração de emprego
no Brasil, faz-se necessário um entendimento sobre os aspectos que contribuem para o seu
sucesso ou seu fracasso e que sirvam para sustentar instrumentos que ampliem e
melhorem o entendimento a respeito desse fenômeno, chamado empreendedorismo.
Empreendedor não é só quem cria seu próprio negócio, mas empreendedor é
quem inova dentro da empresa da qual faz parte. Segundo PINCHOT: “Inovação depende
basicamente de como a pessoa encara sua vida, e não do lugar em que está trabalhando”
(PINCHOT Apud JACOMINO, 2001, p. 23).
DOLABELA (2005), em uma entrevista, fala da importância do
empreendedorismo para o desenvolvimento sustentável da sociedade e alerta que falta no
Brasil uma estrutura que permita às pessoas empreender. Para ele, a burocracia começa no
momento de abrir uma empresa e não tem mais fim, os impostos são inúmeros e a carga é
elevada, o crédito é escasso e de difícil acesso. Quando não inviabiliza um negócio, esse
sistema dificulta ao máximo a sobrevivência – para não falar em desenvolvimento – das
micro e pequenas empresas, as maiores geradoras de emprego e renda e responsáveis
pela maior parte das inovações.
Outro autor muito importante FILLION (1999), no conceito de
empreendedorismo, o empreendedor é uma pessoa que sonha, desenvolve e realiza visões.
O termo visão significa habilidade em definir e alcançar objetivos e, para que ela se
desenvolva, o empreendedor deve aprender continuamente, ler, manter-se informado, ouvir
o mercado e estabelecer visões e antecipar-se aos demais. Nas pequenas empresas, vêem-
se claramente a importância das características individuais para o seu desenvolvimento,
imagem, valores e comportamento social. Na literatura, ainda falta clareza do que são
empreendedores, os economistas, que os unem à inovação; e os comportamentalistas, que
enfocam a criatividade e a intuição, pois:

[...] o empreendedor caracteriza-se por ser uma pessoa criativa, marcada


pela capacidade de estabelecer e atingir objetivos e que mantém alto nível
de consciência do ambiente em que vive usando-a para detectar
oportunidades de negócios. Um empreendedor que continua a aprender a
respeito de possíveis oportunidades de negócios e a tomar decisões
moderadamente arriscadas que objetivam a inovação, continuará a
desempenhar um papel empreendedor (FILLION, 1999, p.19).

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A pesquisa do empreendedorismo revelou o foco comportamental, para


FILION (1997), as características dos empreendedores refletem as características do
período e do local onde eles vivem.
Formar empreendedores é fornecer dados para a compreensão e a
construção da consciência crítica e equipar aqueles que podem transformar sua realidade e
encontrar o seu talento. O conhecer e identificar em si as características empreendedoras é
fundamental para o recém formado se inserir no mercado.
De acordo com o manual de participante do EMPRETEC (2004),
características empreendedoras é um conjunto de realizações, ou seja, o empreendedor
está sempre em busca de oportunidades e tem iniciativas; faz as coisas antes de solicitado,
ou antes, de forçado pelas circunstâncias; agem para expandir o negócio a novas áreas,
produtos ou serviços; aproveita oportunidades fora do comum para começar um negócio,
obter financiamentos, equipamentos, terrenos, local de trabalho ou assistência.
O empreendedor não é um aventureiro, ele corre risco calculado, avalia
alternativa e calcula riscos deliberadamente; age para reduzir os riscos ou controlar os
resultados; coloca-se em situação que implicam desafios ou riscos moderados.
A qualidade e a eficiência é uma das características do empreendedor.
Sempre encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápidas, ou mais barato; age de
maneira a fazer coisas que satisfaçam ou excedem padrões de excelência; desenvolve e
utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que atenda
a padrões de qualidade previamente combinados.
A perseverança, a persistência do empreendedor, é uma das características
mais importantes, fazem com que ele mude de estratégia, a fim de enfrentar um desafio ou
superar um obstáculo; faz sacrifícios pessoais se for preciso para completar uma tarefa.
O comprometimento é outra atribuição que o empreendedor traz para si
mesmo, e sempre assume a responsabilidade pessoal pelos resultados obtidos; colabora
com os empregados ou coloca-se no lugar deles, se necessário, para terminar uma tarefa; é
esforçado para assim manter os clientes satisfeitos e coloca a boa vontade a longo prazo
acima do lucro a curto prazo.
O planejamento faz parte do conjunto de realizações. A busca por informação
sobre os concorrentes e fornecedores; investiga pessoalmente como fabricar um produto ou
proporcionar um serviço; busca consultas com especialista para obter assessoria técnica ou
comercial.
Os objetivos são desafios e tem significado pessoal; tem visão de longo
prazo, mas a visão é clara e especifica; os objetivos são de curto prazo e mensuráveis.
O planejamento é monitorado de forma sistêmica. As tarefas de grande porte
são divididas em sub-tarefas com prazos definidos; revisa constantemente seus planos,
levando em conta os resultados obtidos e mudanças circunstanciais; os registros financeiros
são utilizados para tomar decisões.
No conjunto de poderes, faz parte a persuasão e rede de contatos. Utiliza
estratégias para influenciar ou persuadir os outros; têm sempre pessoas chaves como
agentes para atingir seus próprios objetivos; age no sentido de desenvolver e manter
relações comerciais.
A independência e autoconfiança fazem parte do conjunto de poder de um
empreendedor. Ele também busca autonomia em relação a normas e controles de outros;
mantém o seu ponto de vista, mesmo diante da oposição ou de resultados inicialmente
desanimadores; expressa confiança em sua própria capacidade de completar uma tarefa
difícil ou de enfrentar um desafio.
Empreendedorismo é ser criativo, inovador. Essas características podem ser
despertadas ou ensinadas ao graduando, os gestores educacionais precisam admitir que
criatividade não é modismo. E incluir como disciplina nos cursos de graduação. Segundo
Katzenbach apud James (revista HSM Mangement 17, 1999), “a maior revolução de nossos

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tempos é a descoberta mudar as atitudes internas de suas mentes. Os seres humanos


podem mudar os processos externos de suas vidas”. O autor nos remete a uma reflexão
quanto ao processo educativo.
Segundo CARDOSO (1972), os indivíduos estabelecem relações com outros
indivíduos, isto é, com outros organismos individuais, e com situação natural, social e
cultural que os circunda; essas relações tendem a repetir-se na medida em que experiências
individuais selecionam aquelas que são essenciais e favoráveis para a sobrevivência e para
a produção. As reproduções das condições necessárias à vida, à criação de padrões
regulares que determinam ligações dos homens entre si e destes com as coisas. Assim,
criam sistemas de integração social, através de três sistemas básicos: personalidade,
cultura e sociedade.

3 EMPREENDEDORISMO E OS DESAFIOS EDUCACIONAIS

Segundo SALIM (2001), é um grande equívoco acreditar que


empreendedorismo não se ensina. É o mesmo que dizer que pintar é uma questão de jeito.
Alguns têm mais inclinação, é claro. Mas outros podem se dar bem se trabalharem duro. O
que escolas de qualidade estão tentando é exatamente fornecer essa bagagem a seus
alunos. (SALIM apud COHEN, 2001, p. 32)
Embora existam estudos sobre o comportamento empreendedor, não há um
delineamento claro sobre a questão. Em geral, algumas diferenças têm sido constatadas,
entretanto, estas não são suficientes para uma abordagem comportamental mais ampla.
A existência de padrões culturais é necessária tanto para o funcionamento de
qualquer sociedade, como para sua conservação. CARDOSO (1972) define a cultura como
maneira de viver de uma sociedade um guia indispensável em todos os tempos da vida.
Sem ela, tanto a sociedade como seus membros estariam, impossibilitados de funcionar de
maneira eficiente.
No entanto acredita-se que a grande questão – em nível mundial – é saber se
o atual sistema educacional promove a formação da cultura empreendedora. A maioria dos
educadores reconhece que o atual sistema de ensino põe muita ênfase na aquisição de
conhecimento, e pouco enfoque é dado ao desenvolvimento de habilidades específicas para
o uso prático desses conhecimentos.
A maioria reconhece que a metodologia instrucional, atualmente adotada, não
enfoca o desenvolvimento da cultura empresarial ou empreendedora.
Os estudos de MCMULLAN e LONG (1987) sugerem que na educação para o
empreendedorismo, os estudantes deveriam lidar com a ambigüidade e exercer a prática de
definir problemas e projetar soluções.
No entanto, a inserção de mecanismos e procedimentos pedagógicos que
estimulem o desenvolvimento de competências e habilidades básicas empreendedoras,
requer uma nova leitura do educador, vislumbrando a necessidade de aproximar cada vez
mais o ensino da realidade do mercado, formando profissionais ajustados à nova ordem
econômica mundial. Para DEGEN (1989), o que se aprende na escola é acumulado ao
longo de nossa vida, sendo que a maioria das pessoas aprende mais rapidamente na
juventude. Defende assim, ser este o melhor momento para o preparo de um indivíduo para
empreender um negócio.
O papel desempenhado pelos empreendedores é fundamental para
assegurar o desenvolvimento e a estabilidade da economia da maioria dos países. O Brasil
é um país empreendedor, embora nem sempre seja por oportunidades, mas por
necessidade, independente se o empreendedor o é por vocação ou necessidade, o que
importa é a coragem e a dedicação com que ele empreende pra ganhar seu sustento.
Dois fatos marcaram a evolução da humanidade, a revolução agrícola e a

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industrial, agora é um novo momento. O mercado moderno vem passando por constante
evolução e modificação, que acarretam num alto aperfeiçoamento e profissionalismo das
organizações, tanto na constituição interna das empresas como na divulgação de seus
produtos e serviços. Mas essas organizações só se manterão no mercado se tiverem à
frente pessoas empreendedoras.
Uma instituição de ensino superior tem como principal desafio formar um
profissional, com habilitações técnicas e científicas, consciente de seu papel civil, e capaz
de contribuir para melhoria da qualidade de vida do homem. Para tanto o graduando
necessita receber uma formação técnica de qualidade, valorizado pelo mercado de trabalho
e claro sem esquecer-se da formação do cidadão que, quando formado, buscará retornos
positivos para uma sociedade cada vez mais necessitada de vencer desafios originados por
vários fatores sociais e econômicos. A falta de emprego e a situação financeira na maioria
das vezes não dão condições ao graduado de obter seu próprio negócio ficando sem saber
o que fazer, ou simplesmente mais um desempregado e com curso superior.
As escolas superiores devem, além de se preocupar com a formação integral
do graduando, considerar as suas aptidões individuais no sentido de aprimorá-las e
desenvolvê-las. Formar pessoas capazes de criar e de aproveitar oportunidades, melhorar
processos e inovar, de pouco adiantaria estar inserido num contexto de grande liberdade
econômica se não houver uma postura empreendedora, necessária para o alcance do
sucesso individual e organizacional.
Para formar uma pessoa no desempenho de um papel profissional, é preciso
primeiro conhecer as características daqueles que desempenham esse papel e mesmo as
atividades que executam para bem desempenhá-lo. E a partir daí, estabelecer o tipo de
formação exigida.

4 EMPREENDEDORISMO E O CURSO DE ADMINISTRAÇÃO

A resolução de número 4 de 13 de julho de 2005, que institui as Diretrizes


Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Administração, não contemplou o
empreendedorismo como disciplina obrigatória, mas o artigo 5º, dessa mesma resolução,
diz: que os projetos pedagógicos quando da organização curricular deverá contemplar os
conteúdos que revelem uma inter-relação com a realidade.
É necessário que a escola amplie seus espaços, reveja seus currículos, para
preparar jovens ao mundo da tecnologia, sem deixar de lado, o estudo das habilidades de
auto desenvolvimento comportamental, necessário, para trabalhar com pessoas, como: auto
conhecimento, auto-estima, comunicação e relacionamento interpessoal.
O problema enfrentado pela maioria dos países, de acordo com BURTI
(2007), é o de gerar empregos em quantidade insuficiente para atender a toda população.
No caso do Brasil, esse desafio é ainda maior, porque uma grande faixa do desemprego se
encontra entre as camadas jovens da população. A economia brasileira tem apresentado
baixa taxa de crescimento nas últimas décadas, o qual torna difícil não apenas a criação de
emprego como de oportunidades. As faculdades devem ensinar o acadêmico a identificar o
que um empreendedor de sucesso faz e como faz.
Aos poucos, a universidade avança e percebe a importância de valorizar as
inovações, proteger o conhecimento e realizar intercâmbio com empresários. È necessário
formar administradores que acreditem em sua capacidade de protagonizar o
desenvolvimento e a construção do futuro. Pois empreendedores são agentes de mudança,
capazes de transformar o conhecimento, em resultados palpáveis, levando à realização
pessoal e profissional. Indivíduos empreendedores são capazes de dinamizar suas
comunidades, desenvolvendo suas potencialidades e certamente contribuindo para uma
mudança.

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6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Neste artigo, foi abordada a importância do formando em Administração


conhecer o conjunto das características empreendedoras para utilizar na sua empresa ou no
cargo que ocupa. Entendo que as características empreendedoras podem ser
desenvolvidas, desde que sejam utilizadas técnicas próprias para isso. Dentro desse
contexto, entendemos que as universidades devem assumir especial importância por
abrigarem cursos de graduação em administração, pois estes cursos têm papel importante
no desenvolvimento econômico e social. Esse é um dos motivos que o curso deve ser
contemplado com o tema empreendedorismo.
A formação de pessoas com olhar perseverante, inovador e criativo é de
fundamental importância, tanto para abrir o próprio negócio quanto para trabalhar em
empresas. Analisando o verbo empreender, o empresário seria por definição aquele que
empreende, arrisca tem iniciativa e responsabilidade, que toma a frente num negócio e o
põe de pé, não necessariamente com o seu dinheiro, e o negócio nem sempre é dele.
Empreendedorismo é uma soma de atitudes e ações. Educação empreendedora não é
educação para ser empresário é educação para ser dono de si, independente do local onde
vai atuar.
O ensino Empreendedorismo vem acontecendo em algumas universidades,
porem não de forma consolidada. Algumas mudanças podem ser realizadas no sentido de
preparar o acadêmico para ser um administrador empreendedor. Sugirimos que as
universidades insiram o empreendedorismo nos seus cursos, de forma a aliar a teoria e a
pratica, utilizando casos, jogos, teatros, seminários, visitas, palestras e até viabilização de
uma empresa. Outra dica é que o curso de empreendedorismo não seja somente para o
curso de administração mas sim em todos os cursos universitários. O interesante é fazer
pesquisa envolver todos os docentes dos cursos de graduação, permitindo assim uma
leitura mais clara do entendimento do empreendedorismo nos cursos de graduação, em
especial no de administração.
Seria maravilhoso de ver um formando concluir seu curso oferecendo
emprego e não procurando. O recém graduado precisa compreender que, para ingressar em
uma profissão ou mesmo ter seu próprio negócio, deve buscar de forma continua a
habilidade de construir seu próprio conhecimento. E os docentes precisam criar condições
para que o aluno aprenda, ou que, aprenda a empreender.
Enfim, para que a escola atinja o objetivo de formar empreendedores, é
necessário que se utilize uma metodologia de ensino, em cujo planejamento, esteja previsto
educá-los para que saibam lidar com o imprevisto, com as adversidades, criando
oportunidades, atuando com perseverança, comprometendo-se com seus ideais, primando
pela qualidade e que aceitem correr riscos calculados, estabelecendo metas objetivas com
confiança e independência. Assim, a educação empreendedora deve contribuir para a
formação de profissionais muito mais atuantes no mercado de trabalho.

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