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REIS, José Carlos. Os Anos 1900: Capistrano de Abreu.

O surgimento de um povo novo: o


brasileiro. In: ______. As identidades do Brasil: De Varnhagen a FHC. 9. ed. ampl. Rio de
Janeiro: Editora FGV, 2007. Parte II, p.85-114. (vol.1).

Marcos Briccius

Ao tópico que inicia o texto: “Capistrano de Abreu,‘Heródoto do povo brasileiro’”


(REIS, 2007, p.85) até a página 88, José Carlos Reis fala sobre a vida de Capistrano de Abreu;
origem simples e de uma família dona de uma pequena porção de terra no Nordeste, em
Maranguape – CE. Aos 21 anos, em 1875, muda-se para o Rio de Janeiro. Em sua “bagagem
intelectual: lia francês e inglês, conhecia filosofia, literatura, história e geografia” (REIS, 2007,
p.86).

O ponto principal neste tópico, é a leitura que José Carlos faz sobre Capistrano,
comparando-o com a do país (sob a ótica de Abreu): “Sua história pessoal se parece com a
interpretação que construiu do Brasil: rebeldia e recusa do passado, opção por um futuro novo”
(REIS, 2007, p.88).

No tópico Varnhagen e Capistrano (REIS, 2007, p.88-90), esse futuro novo não
caberia mais os grandes homens e nomes do Império, como o fora em Varnhagen, e sim “o
povo e sua constituição étnica” (REIS, 2007, p.89). E estando dividido o pensamento intelectual
brasileiro entre as diversas correntes: do positivismo, historicismo neokantiniano ao
cientificismo sociológico.

José Carlos afirma a importância da obra Capítulos de História Colonial escrita por
Capistrano, para a compreensão da sua historiografia, uma escrita em que aponta o povo e seus
costumes, uma escrita antiportuguesa, um verdadeiro “elogio da rebelião brasileira (REIS,
2007, p.97).

Por fim, Reis faz um breviário da obra de Capistrano. Segundo José Carlos, Abreu
se aproxima de Varnhagen no contexto explicativo do local, porém se distancia do mesmo
quando se coloca no ponto de vista dos autóctones quando presenciaram a chegada dos navios
europeus e negreiros (os alienígenas) em detrimento aos nativos, que eram vistos por
Varnhagen como exóticos.

Conforme Reis, Abreu faz a leitura do nascimento desse novo povo e sua construção
identitária fica evidente após “a vitória contra os holandeses só revelou nitidamente esta nova
identidade nacional” (REIS, 2007, p.104).

Abreu escreveu uma história “social e cultural” (REIS, 2007, p.113), uma ruptura
com o elogio à colonização portuguesa e um novo elogio ao:

Brasileiro mestiço, ainda cristão, mas sem expressão política clara; não faz
uma história da constituição da identidade brasileira em moldes europeus, mas
busca as identidades brasileiras no interior, no sertão e nas rebeliões. (REIS,
2007, p.113).

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