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Nos ter.mos do art. 149, $ 2q, I (cortr r.

edação
-
dada pela Emenda Constitucionaln.33/2001),

nidade das contribuições de intervenção no oo,ninio
i;;:
econômico, relativamente às receitas oriundas d.
o;;: Capítulo Vll
rações de exportação.
Normas Gerais de
Direito Tributário

Stun(írio: 1. A Lei n.5.112/66, em face da Constituição de


1988. 2. Nonnas gerais cle Direito Tlibutário na estrntura do
Código Tributário Nacional. 3. Breve escorço histórico e as
duas rnais importantes interpretações do art. 18, $ ls, da Carta
de 1961.4. A previsão do alt. 146 da Constituição vigente. 5.
O tema da hierarquia cla lei complenentar. 6. Hieralquia formal
e Ìrierarquia material. 7. Exegese sistemática e compreensão do
alcance das normas gerais de Direito Tributário. 8. Conclusões.

1. A LEI N. 5.172t66, EM FACE DA CONSTITUIÇAO


DE 1988
O Código Tributário Nacional foi incorporado à ordem
jurídica instaurada com a Constituição de 5 de outubro de 1988.
Quanto mais não fbsse, por efeito da manifestação explícita
contida no $ 5e do art. 34 do Ato das Disposições Constitucio-
nais Transitórias, que assegura a validade sistêmica da legislcL-
ção cLnîerior, naquilo em que não for incompatível com o novo
ordenamento. É o tradicional princípio cla recepção, meio pelo
qual se evita intensa e árdua movimentação dos órgãos legisla-
tivos para o implemento de normas jurídicas que já se encontram
prontas e acabadas, irradiando sua eficácia ern termos de pati-
bilidade plena com o teor dos novos preceitos constitucionais.
Porventura inexistisse a aplicabilidade de tal princípio e, certa-
mente, o Poder Legislativo não faria outra coisa, durante muito

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tempo' senão reescrever no seu modo prescritivo regras já
co- produto isento de contradições e idôneo para o fim a que se des-
nhecidas, nos vários setores do convívio social. Este tratalho
iina. Dista de ser verdadeira a lição, tão cediça em nossos clás-
inócuo e repetitivo é afastado por obra daquela orientação
que sicos, de que a lei não contém effos, redundâncias, palavras
atende, sobretudo, a outro primado: o da economia legislctti'va.
inírteis. A pr'ática no meneio dos diplomas legislativos desmente,
Ora, tratando-se do Código Tributário, formado pelo gru_ com absoluta reiteração, o vetusto e teimoso preconceito. E líci-
pamento de centenas de dispositivos, nem todos seria*.onro- to afirmar-se que nenhum ato normativo está livre de tais defei-
nantes com as formulações básicas que passaram a constituir tos, fiuto que é do trabalho do homem, prisioneiro eterno de suas
o
fundamento da validade sintática e semântica das demais no,mas imanentes limitações. Nosso Código Civil, rnodelo excelso de
do direito positivo brasileiro. cabe aqui interessante registro:
a
linguagem escorreita, onde o zelo pela precisão da frase e a pu-
maior parte dos preceitos que se mostraram inconciliáveis fi- rezana concepção dos institutos ultrapassaram as melhores ex-
guram entre as prescrições do sistema Tributário Nacional pectativas, de nacionais e de estrangeiros, nem por isso se forrou
(Livro lq) e não no corpo das Nortnas Gerais cle Direito Tribu- aos percalços do labor humano, averbando tropeços.
tdrio (Livro 2q), divisão essa que será objeto, logo a seguir, de introito quer suavizar a gravidade com que venhamos
Esse
curiosas observações.
a nos deter na questão das normas gerais de direito tributário,
em face da sistematizaçáo promovida pelo Código Tributário
Nacional.
2. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NA
ESTRUTURA DO CÓUICO TRIBUTÁRIO NA. Quem soabrir a Lei n. 5.112166 encontrará, logo no sell art.
CIONAL le, a seguinte afirmação'. Esta lei regulu... o sistenta tributório
ncLcional e estabelece... os normas gerais de direito tributário
Em páginas que antecederam, ciframos a circunstância de
aplicóveis à Uniäo, ctos Estados, ao Distrito Federal e aos
que o legislador se exprime numa linguagem técnica, miscige-
Mtuticípios, sem prejuíz,o da respectiva legislação complemen-
nação de termos colhidos na experiência comum e de vocábulos
tar, supletivcL ou regulanlentar Ota, o leigo, o leitor incattto ou
científicos. Ao depositar nos textos do direito positivo as signi-
aquele intérprete aferrado ao ligeiro e superficial exame da
ficações de seus atos de vontade, muito embora o faça com
tessitura gráfica dos textos jurídicos, ficará atônito diante de
intenção de racionalidade, acaba por incorrer numa série de
algo que jamais imaginara: as normas gerais de direito tributá-
vícios, responsáveis por antinomias, pleonasmos, ambiguidades
rio não pertencem ao sistema tributário nacional! Certamente,
de toda ordem, falhas sintáticas, ôonstruções impróprias e até
irão acudir-lhe à ideia pensamentos tão absurdos como esses:
fórmulas vazias de sentido. Esse trato, de certa forma inconse-
hão de pefiencer, então, ao sistema financeiro? ao sistema mo-
quente da matéria legislada, obriga o cientista do Direito a um
netário? ao sistema previdenciário? E qual não será seu estado
penoso trabalho de reconstrução, de natureza compositiva,
de indiscriminação quando, ao percorrer com os olhos a com-
promovendo o arranjo lógico dos preceitos nos seus escalões
postura integral do Código, o vê dividido em clois livros: Livro
hierárquicos de origem, desenvolvendo ingentes pesquisas nos Primeiro Sistemct Tributário Nacional; Livro Segnnclo
planos semântico e pragmático, tudo para obter, do sistema, um -
Nonnas Gerais de Direito Tributóriot Precisamente aqui, neste
-
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ponto, aquilo que lhe parecera um desassiso aflora à sua
con- que tangem a incidência, prescrevendo as consequências pecu-
vicção com a força das confirmações manifestas. euanto lera,
liares ligadas ao impacto tributário.
com todas as letras no art. la da indigitada Lei, corresponcle
à
orientação perfìlhada pelo legislador, que não só disse Corno
cle
fato fez, separando as duas m¿rtérias em livros clistintos.
3. BREVE ESCORçO HISTÓRICO E AS DUAS MAIS
Quem sabe seja esse Llm dos exemplos mais sugestivos IMPORTANTES INTERPRETAÇÕES DO ART. 18,
acerca da despreocupação do político, qr-re joga, irrefletidamen- $ lq, DA CARTA DE 1967
te, normas para o interior do ordenamento, alheio ao significa-
do orgânico que nele possa represental'a edição de tais regras. Ao pé da compostura verbal do art. 18, $ ls, da superada

E o sistema resiste, com todos os pesares, mantenclo-se incli- Constituição de 1961, surgiram duas vertentes interpretativas im-
nado à racionalidade. portantes, fomentadas na experiência jurídica de então, cada uma
delas, a seu modo, cercada de seríssimas implicações, que iam
Para snplantarmos situações desse jaez é que fizernos in_
descle os triviais efeitos práticos, provocados pela incidência clos
serir a adveltência de que não devemos esperar do legislaclor a
gr¿ìvames, até o debate de elevados princípios constitttcionais.
edificação de um sistema logicamente bem construído, hannô-
nico e cheio de sentido integrativo, quando a composição clos O dispositivo estava assim redigido:
Parlamentos é plofindamente hetelogônea, em termos cultnrais,
intelectuais, sociais, ideológicos e políticos. Essa tarefä difícil Lei contplement(Lr estabelecerci nornlas gerais cle
está reservada, única e exclusivamente, ao cientista, municlo de clireito tributário, disporá sobre confLitos de compeÍên-
seu instrumental epistemológico e animado para descrever o ciu nesscL matério entre União, os Estctdos, o Dislrito
direito positivo nas articulações da sua intimidade constitutiva, Feclerctl e os Municípios e regularó os linütctções cons-
transformando a multiplicidade caótica de normas nllma cons- titncionais ao poder de tributctr.
trução congruente e cósmica.
À margem clo problema de ter sido esse o real objetivo clo A linha tradicional de nossos tributaristas, cle formação

político que editou tais regras, as normas gerais de direito tri- ortodoxa, apegadaà leitura pura e simples do arranjo textual do
butário pertencem ao sistema tributário nacional, subordinanclo- preceptivo, erigiu seu entendimento procurando respeitar todas
-se ao seu regime jurídico-constitucional e arrancando dele as cláusulas, à letra, sem vislumbrar o cabimento de quaisquer
todas as projeções e efeitos capazesde irracliar. Afigura-se como outras ponderações alheias à estrutura linguística do comando.
um capítulo de enorme influência no desdobramento do sistema, Dessa maneira, encetou processo hermenêutico, de cunho es-
com assegllrar e implementar princípios capitais firmados no tritamente literal, para chegar à inf'erência de que a lei comple-
patamar da Constituição. Bastaria para confirmar essa impor.- mentar, citada no art. 18, $ 1s, manifestava três distintas funções:
tância o ro1 de temas que sob tal rubr.ica são versados pelo c) emitir normas gerais de direito tributário; å) dispor sobre
código Tributário, ao desenvolver e aprofundar institutos, ca- conflitos de competência, nessa matéria, entre a União, os Es-
tegorias e formas indispensáveis ao mane.io do tributo. É n"sse tados, o Distrito Federal e os Municípios; e c) regular as limi-
Livro Segundo que a Lei n. 5.112/66 desceu aos pormenol.es tações constitucionais ao poder de tributar.

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Trilhando raciocínio diferente, outra facção doutrinária
Sem outros torneios, essa teoria permaneceu dominante.
menos numerosa, mas edificada sobre os aricerces
de abalizadas
opiniões científicas, veio prosperando, enriquecida, Aceita pelos tribunais e amplamente difundida no meio jurídi-
.uJi-u", co, postulou ser válida, simples e operativa.
mais' com valiosas contribuições de novos adeptos.
Não se ri_
mitando à feição gramatical do texto, buscava, Nossa discordância com relação a ela, porém, foi sempre de
antes Je irìoo,
analisá-l0 em confronto com as grancres diretrizes
do sistema, caríúer incondicionalmente frontal. Pecava pela base, e o fio de
para obter uma compreensão que pretendia seu raciocínio era tênue e quebradiço, rompendo-se ao leve toque
ser coerente rru.-
mônica' o produto desse trabalho eiegético contestavu "
u uti,rrro_ de uma reflexão mais séria e profunda sobre as articulações que
ção da corrente tradicional e, desapegado aos símbolos ringurr_ o direito encelra, enquanto sistema de normas jurídicas. Isolava-
tic.os do artigo, promoveu exame sistemático -se na contextura verbal de um único dispositivo e, nesse clima
qu" inuo.uîo o
primazia da Federação e cla autonomia dos de soledade, buscava assimilar conceitos de enorme influôncia,
Municípios,--para
atingir os seguintes resultados: a lei complementar num setor significativo da organizaçáo tributária nacional. Era
ao u.t.'is, g
1q, da constituição anterior, tinha mais um daqueles exemplos que Alfiedo Augusto Becker inscre-
uma única finalidade: u"i.utu'.
noÍnas gerais de direito tributário. Estas, por sell veu no qtradro do sistema dos fundamentos óbvios. Mostrava
turno, exerciam
duas- funções: dispor sobre conflitos de indisfarçável desapreço por máximas constitucionais da maior re-
competência entre as
entidades tributantes e regular as rimitações levância, supondo admissível apreender o teor de uma regrajurídica,
constitucionais ao
poder de tributar. como se não estivesse ela comprometida com o ordenamento.
Para efeito de uma análise mais apuracla, Incorreu no irreparável equívoco de toda interpretação singular-
convém reproduzir,
na essência, os fundamentos das duas propostas mente literal, a propósito do que já tratamos, e a melhor formu-
teoréticas. passe-
mos à primeira, qual seja a da i nt e rp re xr ãi lação crítica que se lhe pôde opor veio à tona no seio de uma
ç s in g tt r a nn e n te ri te rrt r.
análise mais abrangente, que passaremos a deduzir em sequôncia
Vimos de ver, em termos gerais, a significação jurÍdica
que a esta descrição retrospectiva: a compreensão sistemática do
a maioria de nossos autores atribuía
oo or.t. tS, $ lr, ¿u èonitl_ mandamento contido no art. I8, ç le, da Carta de 1967.
tuição Federal de 1967. contemplavam-no
como uma arquite-
tura de linguagem bastante_em_si, de organização
sintática bem
No itinerário da pesquisa da substância volitiva daquele
construída, de fácil interecção e de sentido
cristalino. Tomavam- dispositivo, sempre chamou a atençáo dos especialistas a im-
-no na inteireza da oração legislada, que, por precisão e insegurança do conceito de normas gerais de direito
tão evidente,
dispensava incursões inúrteis peias altura,
do ,lrt"*a, já que seu tributtírio, que, na forma registrada pelo legislador, maculava
conteúdo emergia ao ensejo de breve leitura, dois princípios essenciais à existência mesma do sistema cons-
rivre de äifi"rt¿u-
des. No pensamento desses juristas, que titucional brasileiro. Sim, porque na medida em que fosse de-
compõem a chamada
e,s.cola bem comportarla clo Direito
Tributtíriobrasileiro,as três ferida à legislação complementar produzft, indiscrimina-
direções da discutida lei complementar saltavam clamente, regras jurídicas que penetrassem o recinto das com-
aos olhos do
menos exigente iniciado nas coisas do Direito, petências outorgadas aos Estados-Membros, ainda que sob o
que se sentia
municiado pela regra constitncional para enfrentar pretexto de fazê,-lo mediante normas gerais, estar-se-ia trin-
às aplicações
que se fizessem necessárias cando o postulado federativo, encarnado, juridicamente, na

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autonomia recíproca da União e dos F.stados, sob
o pálio da var, imediatamente, que nenhum simpatizante dessa corrente
Constituição. Ao meslno tempo, se tais preceitos,
prå**iOo, de pensamento logrou declarar os lindes da matéria, fixando-lhe
pela capa da generalidade, pudessem invìdir
as p.Ërrogu-,iuo* ageografianormativa. Tal doutrina, até hoje, não foi elaborada.
constitncionais de que usufruem os Municípios, ,å,n,
tr,rrTlo'ç0", Enquanto isso, permaneceu como um cheque branco entregue
cle t e r m i nacl a s, re c i s ct
¡t se a nt e c ip a cr atne nt e i o nh e c i d a s.,"riÀo, às mãos do legislador da União, meio que lhe possibilitou co-
inevitável esvaziamento do p'incípio que assegurava
autonomia meter, incólume, sem qualquer controle constitucional, as mais
àquelas pessoas políticas. Não é ócioso rembiar grau
o ¿. L"r"_ grosseiras agressões aos fundamentos do sistema.
vância qlle essas d'as diretrizes assumiam na estrutura
da ordem
jurídica de então. Foram tidas, invariavermente, Partiu daí, exatamente desse ponto, a reação dos jur:istas
corno ori"nta-
ções diretivas muito caras, que o constituint" u"rruru .u, da chamada linha de interpletação sisternática. Urgia, antes de
grande apreço, procurando preservá_las de modo mais nada, dar sentido e alcance ao conceito de norntcts gerais
rígido e insis_
tente. Não seria críver, portanto, que as admitisse de clireito tribtrário. No entanto, como fazê,-lo, preservando os
aiuradas pela
via indireta de um instrumento indefinido, neburoso princípios da Federação e da autonomia clos Municípios? A
uÃito,
corno sugere a interpretação literal d,as normas gerctis " resposta a esta pergunta foi, justamente, a contribuição da tese
cte ctirci-
to tribuliírio. Ora, se pensarmos que, além disso, as sistemática: curvando a forma sintática do art. 18, $ lq, da
duas sen_
tenças constitucionais expressas sLlstentavam a Constituição Federal de 1967 , à substância daqueles dois câno-
máxima implí-
cita da isonomict clas pessoct.s (Jnião, nes, de tal arte que f'osse compreendido como se estivesse es-
e Municípios
¡toríticcrs
- o fatorEstarJo,ç,'DF
intuiríartos, com facilidade, crito com as seguintes palavras:
sitivo que ela-,
decoÁpo_
(a interpretação literar) representava, em
termos Lei complementar estabelecerít norrnas gerais de
de exegese do sistema constitucionar que vigorava
no Brasil. direito tributório para dis¡tor sobre conflitos de com-
É bem verdade que consistiria exagero condenável petêncict, nesso ntatéria, entre ús entidodes tributantes,
imagi_
nar que os dois prirnados tivessem caúúer absoluto, bem como regular as limitctções constitucionais cto
estando
isentos de ressalvas. seria concepção extremada poder de tribtttcLr.
e distante da
realidade jurídica nacional. Aquilo que se pretendia
dizer é que
seu prestígio reclamava exceções creterminadas As consequências teór'icas e práticas resultantes dessa inter-
dentro cte paia-
metros traçados com segurança e nitide z, paÍa que pretação seriam as seguintes: 14) À lei cornplementar, enunciacla
a ativiclade
legislativa complementar realizasse seu papel såb no art. I 8, $ 1e, da Constituição Federal de 196l , caberia a única
a vigilância
de balizas constitucionais cuidadosamente estabelecidas. fìrnção de ser o veículo introdutório das normcLs gerais de clirei-
to tribtnário. 2a) Estas, por sua vez, frcariam circunscritas a dois
E qual era o conteúdo das nort,xas gerais cre tiireito
tribu- objetivos rigorosamente detenninados: a) dispor sobre conflitos
tário para a interpretação singularmente literal? Ninguérl
de competência entre as entidades tributantes; e å) regular as li-
chegou a anunciá-lo! Estudássernos os autores que
adotaram rnitações constitucionais ao poder de tributar. 3a) Como decor-
essa posição sirnplista, e debalde encontraríamos
qualquer es- rência imediata dos tópicos anteriores, a expressão nonnas gerais
forço voltado a demarcar o significado dessa espeåie jurídica.
de direito tributítrio ganharia conteúdo jurídico definido. 4a)
uma verificação objetiva e imparcial teria a virtuãe
d" äo*pro- Ficaria assegurada a integridade dos princípios da Federação e
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da autonomia dos Municípios e, por extensão, sua resultante
imediata: o postulado da isonomia das pessoas políticas conflitos de competências entre as entidades tributantes 2?) regu-
de direi_
to constitucional interno. 5a) Nenhum detrimento adviria lar as limitações constitucionais ao poder de tributar; e 3a) estabe-
ao lecer normas gerais em matéria de legislação tributária. Abre aqui
sistema, porquanto tais pessoas poderiam exercer, naturalmente,
as competências que a constituição lhes dera e, nas o constituinte as três alíneas do inc. III, em tom de esclarecimen-
áreas duvi-
dosas, onde houvesse perigo de inomper conflitos, o to, para proclamar que, além das normas gerais propriamente
,n".unirn'o
da lei complementar seria acionado, mantendo_se, ditas, a lei complementar estaria habilitada a reger, com especifi-
assim, a
rigidez da discriminação que o constituinte pranejou. puìo- cidade: a) a defnição de tributos e de suas espécies, bem como,
lelamente, a mesma espécie normativa continuaria regulando em relação aos impostos discriminaclos na Constituição, a dos
as limitações constitucionais ao poder de tributar. respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; e å)
obrigação, crédito, prescrição e decadência tributár-ios.
Não pretendemos exagerar na crítica à sensibilidade do
4. A PREVTSÃO DO ART. 146 DL CONSTTTUTÇÃO constituinte de 1988, mas a forma escolhida para verter o co-
VIGENTE mando do art. 146 sacode as estruturas do sistema, mexe com
Após considerações como essas, de naturezaregrcssiva, que seus fundamentos e provoca fenda preocupante na racionalida-
já pertencem ao arquivo histórico do direito nacionãI, de que ele, sistema, deve ostentar.
impõe-se,
como reivindicação inafastável da proposta dogmáti"u, qi"
Em poucas palavras, preceituou o legislador constitucional
""u-
minemos o teor do que foi preceituado no art. 146 daconsìituicão
que toda amatéria da legislação tributária está contida no âm-
de 5 de outubro de 1988. Afinar de contas, o ponto de partida
do bito de competência da lei complementar. Aquilo que não cair
trabalho cognoscitivo, para a ciência do Direito em senìido
estr.i- na vala explícita da sua "especialidade" caberá.. certamente, no
to, é o texto jurídico-normativo válido, recolhido hic et
nunc. domínio da implicitude de sua 'ogeneralidade". eue assunto
O mencionado art. 146, com seus três incisos, repartindo_se poderia escapar de poderes tão amplos? Eis aí o aplicador do
o último também em três alíneas, não representa menos do que direito novamente atônito! Pensará: como é excêntrico o legis-
a
confirmação cabal do que predicara a chamada escora bem
iom- lador da Constituição! Demora-se por delinear, pleno cle cuida-
portada do Direito Tributório brasileiro. Se nele não pudermos dos, as faixas de competência da União, dos Estados, clo Dis-
divisar o tino do político arguto, do regisrador atento às pioporções
trito Federal e dos Municípios e, de entremeio, torna tudo
e à magnitude do sistema jurídico positivo, uma coisa
ficou sufi- aquilo supérfluo, na medida em que põe nas mãos do legislador
cientemente clara: éo subproduto de um trabalho de pressão porí-
complementar a iniciativa de regrar os mesmos assuntos, fazen-
tica, exercida sobre a comissão de Tübutos da constituinte de
do-o pelo gênero ou por algumas espécies que lhe aprouve
1988, e que surtiu efeitos admiráveis, porque busca reproduzir
consignar, esquecendo-se de que as eleitas, como as demais
fielmente a mensagem doutrinária sustentada com tanta veåmência.
espécies, estão contidas no conjunto que representa o gênero.
Seja como for', estatui o art. 146 da constituição Federal de
Aliás, pouco antes, ao redigir o $ ln do art. 145, prescre-
1988 que cabe à lei complementar três funções: 1a)
dispor sobre vera o constituinte:

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Sempre clue possível, os int¡tostos tercio cordter pesso_ das outras regras do sistema positivo, não seria despropositado
al e serão graduados segunclo o capacidade econôtni_ conceber que todos os diplomas normativos assumem
catéúer
ca do contribuinte... dão curso aos posttt-
complementar, posto que implementam e

Redundância tosca, que podemos relevar da parte do polí_ ladoi fundamentais nela insculpidos. Essa não é, todavia, a
e, muito
tico, mas inadmissível quando recebe a chancela descritiva do conotação qlle a doutrina atribui à lei complementar
Ítenos, a inteligência que devemos extrair de sua previsão,
no
cientista. A cláusula sempre que possível está pressuposta em
art. 69, bem como das insistentes referências que a ela faz a
toda e qualquer regulação da conduta, por um motivo muito
simples: as normas jurídicas incidem, exclusivamente, no carn- Carta Constitucional do Brasil.
po dos comportamentos passíveis, representando inusitado Têm entendido os constitucionalistas que tais leis são aque-
absurdo deôntico regular a conclutct necessária (comportamen- las necessárias ao complemento de dispositivos da Lei Básica
tos intersubjetivos realizados em "estado de necessidade") ou que não sejam autoaplicáveis, qualificando-as ontologicamente
a concluta intpossível (é proibiclo, pennitido ou obrigatório ir matéria inserida no seu conteúdo. E, se dermos revista em
iela
ao planeta Marte no próximo fim de semana). A região material norru Constituição, encontrafemos uma série de leis irremedia-
sobre que incide o direito para governar as relações cle inter- velmente ligadas ao desdobraÍrento normativo de princípios que
pessoalidade, orientando-as no caminho da realização dos clelirs depenclem em termos de realizaçáo substantiva'
conteúdos axiológicos que a sociedade persegue, é uma e so-
mente uma: a região da conduta possível. Tanto assim que a Nada obstante, o direito que entre nós vigora erigiu concei-
supressão radical da cláusula em nada prejudica o produto le- to de lei complementar que nos interessa conhecer por tratar-Se
gislado. Esta é mais uma das múltiplas dissonâncias entre o que de noção jurídico-positiva: lei complementar é aquela que, dis-
diz o editor da norma e o que constitui, de fato, a mensagem pondo sobre matéria, expressa ou implicitamente, prevista na
que há de ser acolhida pelo receptor oll seu destinatário. Por ieclação constitucional, está submetida ao quorumqualificado do
outro giro: não existe correspondência necessária entre a inten- art.69 (CF), isto é, maioria absoluta nas duas Casas do Congres-
ção do legislador e a substância semântica que o intérprete so Nacional. É com essa porção significativa que a vemos inú-
obtém pela verifìcação das exigências sistêmicas. meras vezes mencionadapelo constituinte, e é assim que devemos
recebê-la, numa exegese genuinamente intrassistemática'
Voltaremos à tese, para oferecer Llm esquema herme-
nêutico que concette melhor à harmonia do conjunto e que não Desse conceito jurídico-positivo sobressaem dois traços
ofenda, com tanta agressividade, valores tão preciosos ao sis- identificadores: a) matéria expl'essa ou implicitamente indicada
tema constitucional brasileiro. Antes, porém, pensemos lto na Constituição; e b) o cluorurz especial do art. 69 (CF)' Ao
velho problema da hierarquia da lei cornplementar. primeiro, denominamos pressuposto material o¡ ontológico' Ao
segundo, requisito formal. Daí o afirmar-se que a lei comple-
mental reveste-se de natureza ontológico-formal.
5. O TEMA DA HIERARQUIA DA LEI COMPLEMEN.
Os assuntos qlle o constituinte reservou para o campo da
TAR lei complementar estão quase sempre expressos, inobstante
Entrevendo na Constituição o último reduto de valiclade possamos encontrar, em alguns passos, a simples alusão à l¿i,

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desacompanhada do quarific ativo comprementar
Em circuns- Trazendo essa diretriz para o setor que nos interessa, ganha
tâncias como essa, a bem empreendiàa análise
¿o .ãr-unao ouffo aspecto a questão da hierarquia, tornando legítimo asse-
supremo apontará que a grandeza do tema
somente pode ser verar que, em alguns casos, a lei complementar subordina a lei
objeto de lei complementar, visto que estão
em purro r.!utoçU.,
diretas de preceitos.da Lei Maior, que por ordinária, enquanto noutros descabem considerações de supre-
outios nao macia nos níveis do ordenamento, uma vez que tanto as com-
poderiam ser versadas. "rrot-oiåì
plementares como as ordinárias extratam seu conteúdo direta-
A lei de que falamos é figura cro repertório legislativo da mente do texto constitucional.
ordem jurídica federal, sendo posta no orclenamena
p""brårgao, Não foi vão o disculso e se presta para investigarmos a lei
Iegiferantes da união. Não implica afirmar,
âmbito de validade de suas normas cinja-se ao"nt."iunto, li,. o complementar mencionada no art. 146 (CF), à luz de informa-
prano federar. É
excelente instrumento de legisração national, ções científicas mais ricas e consistentes.
aicançancro,.on-
junta ou isoladamente, a esfera jurídica
cras pessoas poríticas de
direito constitucional interno .Talvezpor isso
,"¡u ir"qr"nt. o 6. HMRARQUIAFORMALEHMRARQUIAMATERIAL
magistério de que as leis complementãres desfruiem
¿å sllpre- O problema da hierarquia não se esgota com as observa-
macia hierárquica relativamente às leis orcrinárias,
qu". i"la ções que precederam. Hâ a hierarquia sintática, de cunho
posição que ocupam na lista do art. 59 (CF),
vindo togo abàixo eminentemente lógico, assitn como há a hierarquia semântica,
das emendas à Constituição, quer pelo regime
mais severo a que se reporta o art. 69 (CF).
r l
de frovaçao que se biparte em hierarquia formal e hierarquia material.
Aliás, a subordinação hierárquica, no Direito, é uma constru-
Foi José Souto Maior Borgesr quem pôs a descoberto
as ção do sistema positivo, nunca uma necessidade reclamada
erronias dessa tese, baseada, rudimàntarmente, pela ontologia objetat. Dito de outra maneira, não é a regula-
na topologia
do enunciado legal e no procedimento legislativo
pr".ånrádo ção da conduta, em si mesnt¿¿, que pede a formação escalonada
para a edição dessas normas. Com argumentos
sóliclos, de_ das normas jurídicas, mas uma decisão que provém do ato de
monstrou que as leis complementares não exibem
fisionomia vontade do detentor do poder político, nulna sociedade histori-
unitária que propicie, em breve juízo, uma definição camente dada.
cle sua
superioridade nos escalões do sistema. De
seguiãa, propõe
critério recolhido na Teoria Geral do Direito, pla Interessa-nos agora o enfoque semântico da hierarquia,
oiscenir as
leis complementares em duas espécies: ø) aquelas que, como já dissemos, pode dar-se no aspecto formal e no
que funda-
mentam a validade de outros atos normativos; aspecto material. A primeila, quando a norma superior dita
å¡ u, qu"
"
rcalizam sua missão constitucional independenteÁente
cra
apenas os pressupostos de forma que a norma subordinada há
edição de outras nolmas. de respeitar; a segunda, sempre que a regra subordinante ple-
ceituar os conteúdos de signif,cação da norma inferior. O modo
como as leis são produzidas, seus requisitos procedimentais,
desde a propositura até a sanção (quando houver); os esquemas
Lei com¡tlementar tributária, Revista dos Tribunais
, lg:/5,p. 54 es de alteração ou modificação de umas pelas outras; como também

262
263
os meios de revogação parcial ou total (ab_rogação),
tudo isso Lei complementar disporá sobre cL elaboração,
concerne ao segmento de indagações
da hierarquia formar entre
regras jurídicas. No domínio material, reclctção, alteração e consolidaçcío das leis.
porérn, o ni.ruräulo
manifesta diversamente, indo a norma ,.
subordinadu nu
Se, como dissemos, as relações de subordinação entre
compostura semiológica da norma subordinante "or-'l*,
o nú"i"o .to nolr¿ìs, bem como as de coordenação, são tecidas pelo sistema
assunto sobre o qual pretende dispor:
do direito positivo, o nosso, inaugurado em 1988, houve por
Se transpusermos esses conceitos para bem estabelecer que as leis, todas elas, com nome ou com,r/¿z-
o território com que
agora lidamos, algumas ilações interessantes tus de lei, ficam sujeitas aos critérios que o diploma cornple-
aparecerão. No
que concerne ao campo material a
situação continua a mesnìa mentar previsto no art. 59,paráryrafo único (CF) veio a prescre-
da ordem jurídica anterior', vale clizer,
muitas no'nas introclu_ ver com a edição da Lei n. 95198. Note-se que seu papel é
no sisterna por lei ordinária, da União, dos mer¿ìmente formal, porque nada diz sobre a matéria que servi-
19ur Estados, do
Distrito Federar e dos Municípios dever.ão p.".*rIJää,riro rá de conteúdo signif,cativo às demais leis. Entretanto, nenhu-
de validade matefial de seu.ont"úrdo prescritivo ma lei ordinária, delegada, medida provisória, decreto legisla-
ern no'nas cla
legislação complementl O exemplo eloquente tivo ou resolução poderá inobservar as formalidades impostas
.rrã nár,"gro,
que dispõem sobre conflitos cle competênõia por essa lei complementar. É a consagração da superioiidade
entre as entidåcles
tributantes. Instarando-se a possibilùade, hierárquica formal dessa espécie do processo legislativo com
o IegisraJo.
mentar expedirá disposição normativa "orrrpr"- relação às previstas nos outros itens.
cujo conleúrdo dever.á ser
observado e absorvido pelas pessoas políticas
interessaclas.
Trata--se de hipótese cle hierarquia
material, em que a r.egra
veiculada por lei complementar submete
suas inferiores
7. BXEGESE SISTEMÁTICA E COMPREENSÃO DO
hierárquicas: as introdurlda, por lei orclinária.
Nao no,
ALCANCE DAS NORMAS GERAIS DE DIREITO
çamos, contudo, de queexistem porções privativas para atuaçao "rlu" TRIBUTÁRIO
da lei cornplementar tributária. o
típico å o das rimi- Prometêramos regressar à tese da interpretação do manda-
tações constitucionais ao poder de """topto
tributar. Nèste ponto, como mento contido no art. 146 (CF), para apÍesentar uma proposta
os campos de irradiação semântica são
necessariåm.rr" Jir.., hermenêutica mais consentânea com as exigências do sistema.
rentes, não há como e por que falar_se
em relação de hierarquia. E aqui estamos.
Confinna-se aqui a precisão da doutrina de
Souto trlulo. no.g"r,
acima referida, quanto à impossibilidade
de uma visão uníãria
A inserção do art. 146, seus incisos e alíneas, na Consti-
sobre o tema da supremacia das leis comprementares tuição de 1988, com a amplitude de que é portador, refletiu o
tributárias.
desempenho de um trabalho político bem urdiclo , paraa obten-
Foi no terreno da hierarquia formal que
a Constituição ção de finalidade específica: impor a prevalência, agora com
de 1988 trouxe uma inovaçaå Oe grande
ål.un." pu.u o L, foros normativos, daquela corrente que prosperara, a velas
tudo e o entendimento adequado dã categoria
regisìativa que pandas, entre os mais tradicionais tributaristas brasileiros. Ob-
e.xaminamos. Logo no parágrafo único
ão art. 51 1Cn; nr_ jetivaram fìrmar, de modo mais incisivo, que as normas gerais
tituiu que
cle direito tributório continuavam a ser um canal de livre inter-

264
265
ferência da união nos interesses jurídico-tributários dos Estados,
amplo? Perde-se no âmago de rotunda formulação pleonástica,
do Distrito Federal e dos Municípios. Buscaram, para tanto,
que nada acrescenta. Vejarnos. Pode o legislador complementar,
uma fórmula quanîitativamente mais forte do que aquela
pre_ invocando a disposição do art. 146,IIl, a, definir um tributo e
vista no antigo g lq do art. 1g da constituição Federai¿"
téoz. suas espécies? Sim, desde que seja para dispor sobre conflitos
Pretenderam que a repetição de vocábulos e a quanticlade
de de competência. Ser-lhe-á possível mexer no fato gerador, na
termos pudessem ter o condão de vergar o sistema, deslocando
base de cálculo e nos contribuintes de determinado imposto?
suas raízes e deformando princípios fundamentais.
Novamente sitn, no pressuposto de que o faça para dispor sobre
Fique estabelecido qlre esta oposição não significa reco- conflitos. E quanto à obrigação, lançamento, crédito, prescrição
nhecer o primado da Federação e o da autonomia dos Municí- e decadência tributários? Igualmente, na condição de satisfazer
pios, com ares de uma plenitude que, verdadeiramente, não àquela fi nalidade primordial.
têm.
são conceitos relativos, cuja dimensão de signif,cado há de ser Com tal interpretação, daremos sentido à expressão nonnas
procurada nos limites internos do nosso sistema, e não fora. gerais de clireito tributário, prestigiaremos a Federação, a au-
Entretanto, há de existir umminimum semãnfico sem o qual tais tonomia dos Municípios e o princípio da isonomia das pessoas
categorias, tão prestigiadas pelo próprio legislador constitucio- políticas de direito constitucional interno, além de não despre-
nal, ficadam vazias de conteúdo e destituídas de sentido. E a zar, pela coima de contraditórias, as palavras extravagantes do
interpretação que adversamos resvala, desastrosamente, em mais citado afi.746,III, a e b, que passam a engrossar o contingen-
este obstáculo. Não lograram dizer os limites do conceito de te das redundâncias tão comuns no desempenho da atividade
normas gerais de direito tributdrio, além de incidirem no effo legislativa.
lógico trivial de afirmar a validade do gênero e, de sequência,
confirmar o cabimento da espécie. chegamos a pensar até que
seria mais consistente, em termos de argumentação séria, qr" o, 8. CONCLUSÕBS
sectários da doutrina ortodoxa se mantivessem atrelados à forma
do preceito superado, menos ostensivo e mais defensável. As conclusões não podem ser outras: a interpretação sis-
ternática que adotamos com relação à ordem jurídica de 196l
Qual a compreensão que devemos ter do papel a ser cum- continua válida para apreender a disciplina da matéria segundo
prido pelas normas gerais de direito tributório,no novo sistema? as disposições da Constituição de 1988, edificada sobre os
O primeiro passo é saber qne são as tão faladas trontxtrs mesmos fundamentos. Quanto à hierarquia da lei complemen-
gerais de direito tributário. E a resposta vem depressa: são tar é que devemos registar a novidade, pois, assim que foram
aquelas que dispõem sobre conflitos cle competência entre as editados os preceitos a que alude a Lei Complernentar n.95198,
entidades tributantes e também as que regulam as limitações a lei ordinária e as que lhe forem equiparadas ficarão a eles
constitucionais ao poder de tributar. pronto: o conteúdo está submetidas, sob o ângulo formal. No que tange ao conteúdo,
firmado. Quanto mais não seja, indica, denotativamente, o tudo permanece como antes.
campo material, fixando-lhe limites. E como fÌca a dicção cons-
No subcapítulo em que discorremos sobre a interpretação
titucional, que despendeu tanto verbo paradizer algo bem mais no Direito Tributário, fizemos questão de assinalar que se tra-

266
261
tava de um ato de vontade e de um ato de conhecimento, e
q*e,
como ato de conhecimento, não caberia à ciência do Dirèito
dizer qual é o sentido mais justo ou correto de uma regra jurí_
dica, limitando-se a indicar as interpretações possíveis, oque Capítulo Vlll
atende bem ao seu cunho de atividade meramente descr.itiva
um fenômeno.
de Com petência Tri but ária
A advertência, que é típica e estilisticamente kelseniana,
nos parece carregada de uma verdade forte e, por inteiro, pro_
cedente. Julgamos, no entanto, fosse interessante para os efeitos
deste curso, acrescentar u'a meditação crítica acerca clas teorias Smn¿irio: 1. Competência tlibutária e capacidade tlibutária
interpretativas do art. 146 da constituição trederal, em voga na ariva. 2. Sobre as características da competência tributária. 3.
Cornpetência residual e extraordinár'ia. 4. Consiclelações a
dogmática brasileira. E, ao empreendê-la, manifestamos posi_
respeito cla cornpetência como objeto de disciplina do Código
tivamente nossa inclinação em favor da tese sistemática. ora, Tributário Nacional. 5. Fiscalidade, extrafiscalidade e parafis-
como à ciência do Direito não compete decidir qual delas seja calidade. 6. Exercício da competência a edição das normas
a correta, o assunto permanece aberto, entregue ao criterioso
- arnplo e em acep-
tributárias. 7. Normas tributárias em sentido
juízo de cada leito¡ que se sentirá livre não só para opinar entre ção estrita. 8. A regra-matriz de incidência sua estrutura
lógica hipótese e consequência. -
as duas propostas, como para levantar e sugerir novas alterna- -
tivas hermenêuticas que o satisfaçam. As formulações teoréticas
são portadoras de maior ou de menor potencialidade de expli_ 1. COMPETÊNCIN TRIBUTÁRIA E CAPACIDADE
cação dos fenômenos que descrevem, forjando o convencimen_ TRIBUTÁRIA ATIVA
to no espírito de quem as conhece. E a Ciência Jurídica, nar- Competência legislativa é a aptidáo de que são dotadas as
rando o sistema empírico do direito positivo, que aparece, pessoas políticas para expedir regras jurídicas, inovando o or-
inexoravelmente, como um corpo de linguagem, sempre foi denamento positivo. Opera-se pela observância de uma série de
espaço fecundo para o surgimento de múltiplas teorias, quantas atos, cujo conjunto caracteriza o procedimento legislativo.
vezes agrupadas em torno de um írnico tema, despertanclo a
dúvida na mente do estudioso, que se vê impelido a escolher Por força do princípio da legalidade (CF, art. 5q, II), a po-
uma, afastando as demais. A eleição é fì-uto da ideologia, pois nência de normas jurídicas inougurais no sistema há de ser
o direito, antes de tudo, é um objeto cultural, região ôntica em feita, exclusivamente, por intermédio de lei, compreendido este
que os entes são sempre valiosos, positiva ou negativamente. vocábulo no seu sentido lato. Em qualquer segmento da condu-
ta social, regulada pelo direito, é alei o instrumento introdutor
dos preceitos jurídicos que criam direitos e deveres correlatos.

No plexo das faculdades legislativas que o constituinte


estabeleceu, figura a de editar normas que disciplinem a maté-
ria tributária, desde a que contemple o próprio fenômeno da

268 269
PAULO DE BARROS CARVALHO
Professor Titular de Direito Tributário da PUC/SP e da USP

C.trso J"
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Fore: (l ó) 361 S5843 - Fox: (l ó) 3ó10'8284 - Ribeirõ0 Prel0
Data de fechamento da edição: 27-9-20'10
RIO DE JANIIRO/TsPf NtTO SANTO

Ruc Visronde de Sonto lsobel, I l3 o Il9 -Vilc lsobel


Fom: {21) 257l.9494
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sem o plévio oulorizoçõo do Edilolo Saraivo.
5Â0 PAIJIo
Avl0l0(00 dos di€il0s ouÌomis é dme elobehcid0 n0 [ei n. 9.ó10/98 e pnido Sonia M. Falcão de Barros Carvalho.
Au Anldli(o,92 - Boro fufldo
pelo ortigo ì84 do (ódþo Pmol.
Fom: PABX (l l) 3óló.3óóó - Sto Pculo