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Sistemas de Distribuição de Energia

Elétrica (SDEE) e Introdução à Smart-


grid
Evoluindo para Redes Elétricas Inteligentes

Prof. Delberis A. Lima (Diretor DEE PUC-Rio)


Índice
Introdução 03
Capítulo 1 – Energia x Demanda 04
Capítulo 2 – Modelo de carga 13
Capítulo 3 – Planejamento dos SDEE (Fluxo de potência) 20
Capítulo 4 – Regulador de Tensão 33
Capítulo 5 – Banco de Capacitores 40
Capítulo 6 – Transformadores 45
Capítulo 7 – Introdução à Proteção de SDEE 63
Capítulo 8 – Elos Fusíveis 78
Capítulo 9 – Religadores 86
Capítulo 10 – Relé Direcional 93
Capítulo 11 – Relé Diferencial 101
Capítulo 12 – Relé de Distância 113
Capítulo 13 – Relé de Frequência 125

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução
Este e-book contém as apresentações dos vídeos disponibilizados no meu canal
no youtube referentes ao curso Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e
Introdução à Smart-grid. Trata-se de uma versão resumida do curso e deve ser
visto para complementar as vídeo-aulas. O Curso completo pode ser adquirido no
endereço ( http://www.cce.puc-
rio.br/sitecce/website/website.dll/folder?nCurso=sistemas-de-distribuicao-
de-energia-eletrica-e-introducao-a-smart(traco)grid.-(curso-
online)&nInst=cce ).
Você pode se cadastrar para as próximas turmas caso o curso não esteja aberto.
O objetivo do curso é apresentar os sistemas de distribuição de energia elétrica
atuais e como estes sistemas irão evoluir nos próximos anos a partir de recursos
distribuidos de energia.

Boa Leitura!

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Capítulo 1

Energia x Demanda

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


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Energia x Demanda
As principais aplicações associadas à Energia e Demanda evolvem:

Energia (kWh) Demanda (kW15min)


Estabelecer manutenção de
Estimar fluxo de caixa
equipamentos

Contratos futuros de energia Planejar crescimento do sistema

Referência para novas


Contratos de demanda
concessões

Avaliar atividade econômica Estimar queda de tensão

Estimar inflação elétrica Estimar fluxo de potência ativa

Estimar fluxo de potência reativa


Avaliar investimentos em
geração
Avaliar contratos de demanda

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Energia x Demanda
Graficamente, energia e demanda podem ser observados da seguinte forma:

consumo

𝒕
𝑬𝒏𝒆𝒓𝒈𝒊𝒂(𝒌𝑾𝒉) = න 𝑫𝒕 ∙ 𝒅𝒕
𝟎

𝒕𝟏 tempo
𝑫𝟏𝟓𝒎𝒊𝒏 𝒌𝑾. 𝟏𝟓 𝒎𝒊𝒏 = න 𝑫𝒕 ∙ 𝒅𝒕
𝒕𝟎

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Energia x Demanda Definição:


❑ O estudo das cargas é fundamental em sistemas de Energia (kWh)
distribuição para o seu devido dimensionamento, ✓ A energia (kWh) representa a potência consumida por um
manutenção e planejamento; consumidor em um intervalo de tempo.

❑ As cargas nos sistemas de distribuição estão Demanda (kW)


constantemente variando; ✓ A demanda (KW) é definida como um valor representativo
da energia consumida (kWh) no intervalo de tempo
❑ Alguns estudos, como no caso do cálculo de fluxo de considerado.
potência ou curto-circuito, requerem a definição de uma
carga (fixa) para ser usada no processo de cálculo; Exemplo:
Se considerarmos o intervalo de 30 min, o valor representativo
❑ O estudo das cargas tem como finalidade principal definir a será 4 kW. Se considerarmos dois intervalos de 15 min os
carga alocada a cada consumidor, grupo de consumidores valores de demanda serão 4.5 kW e 3.5 kW.
do sistema ou transformador.
Potência
(kW) 4.5 (kW)

3.5 (kW)

Fonte: Baseado em KERSTING, William H. Distribution System Modeling


and Analysis: CRC 2000.
6h15 6h30 6h45 tempo

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Energia x Demanda
A Demanda Máxima é a máxima demanda registrada em um intervalo de tempo.

Exemplo:
A demanda máxima do consumidor apresentado abaixo ocorre às 13h15 e tem valor de 6,18 KW.

𝑫𝒎𝒂𝒙 = 𝟔. 𝟏𝟖 𝒌𝑾

Fonte: KERSTING, William H. Distribution System Modeling and Analysis: CRC 2000.

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Energia x Demanda
A demanda média normalmente é usada para representar intervalos maiores (diário, semanal, anual, etc)
da energia consumida ao longo de um período. Seu valor é calculado pelo total de energia no período
dividido pelo número de horas considerado:

𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 (𝑘𝑊ℎ)
𝐷𝑚𝑒𝑑 = (𝑘𝑊)
𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 (ℎ)

Exemplo:
A demanda média do consumidor apresentado na figura abaixo é 9.92 kW.

9.92 kW

Fonte: KERSTING, William H. Distribution System Modeling and Analysis: CRC 2000.

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Energia x Demanda
O fator de carga representa uma medida de utilização do sistema, e é obtido pela razão da demanda média
do período considerado, pela demanda máxima ocorrida no período. Assim:

𝐷𝑚𝑒𝑑
𝐹𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎 =
𝐷𝑚𝑎𝑥

PS: O fator de carga indica o quanto a instalação pode estar ociosa.


Exemplo:
Um consumidor industrial tem uma carga que apresenta demanda instantânea de 20 kW, que se mantém constante durante dois
minutos, ao fim dos quais passa bruscamente para 30 kW, mantém-se constante durante dois minutos e assim continua de 10
em 10 kW até atingir 70 kW, quando se mantém constante por dois minutos ao fim dos quais cai abruptamente para 20 kW e
repete o ciclo.
Pede-se determinar a energia, demanda máxima, média e o fator de carga no intervalo de 10 minutos iniciais, admitindo-se que
o instante inicial seja o correspondente ao princípio dos dois minutos com 20 kW.

Potência
(kW)

50

10 tempo
min
Fonte: KAGAN, Nelson. Introdução aos sistemas de distribuição de energia elétrica: LTC, 2005.

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Energia x Demanda
Solução: No intervalo de 10 min:

2
𝑬𝒏𝒆𝒓𝒈𝒊𝒂 𝟏𝟎 𝒎𝒊𝒏 = 20 + 30 + 40 + 50 + 60 (2𝑚𝑖𝑛) = 200 𝑘𝑊(2𝑚𝑖𝑛) = 200 ∙ = 6.67 𝑘𝑊ℎ
60
𝐸𝑛𝑒𝑟𝑔𝑖𝑎 10 𝑚𝑖𝑛 400
𝑫𝟏𝟎
𝒎𝒆𝒅
𝒎𝒊𝒏
= = = 40 𝑘𝑊𝑚𝑒𝑑
𝑇𝑒𝑚𝑝𝑜 (𝑚𝑖𝑛) 10
(𝟏𝟎 𝒎𝒊𝒏)
𝑫𝒎𝒂𝒙 = 60 𝑘𝑊
10 𝑚𝑖𝑛
𝐷𝑚𝑒𝑑
𝑭𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂 = (10 𝑚𝑖𝑛)
= 0.66
𝐷𝑚𝑎𝑥

(𝟏𝟎 𝒎𝒊𝒏)
Potência 𝑫𝒎𝒂𝒙
(kW)

50
𝑫𝟏𝟎
𝒎𝒆𝒅
𝒎𝒊𝒏

10 tempo
min
Fonte: KAGAN, Nelson. Introdução aos sistemas de distribuição de energia elétrica: LTC, 2005.

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Energia x Demanda
Os estudos elétricos são fortemente concentrados nas análises de Demanda. Além da potência
associada às cargas, sua dependência da tensão também pode influenciar na Energia e Demanda do
Sistema. No próximo capítulo será feita uma análise mais abrangente da relação da demanda com a
tensão.

O futuro das redes elétricas passa


pelo monitoramento em tempo real da
energia e demanda nos sistemas de
distribuição.

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Capítulo 2

Modelo de carga

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Modelo de carga
O modelo de carga define a sensibilidade da potência elétrica com relação à variação de tensão. Matematicamente, pode-se
expressar os modelos de carga por um modelo ZIP (Impedância, Corrente e Potência constantes) :

Barra de Transmissão

Alimentador de Distribuição e OLTC

Carga Residencial Comercial Industrial Rural

Modelo de carga

𝑽 𝑽
𝟐 Z I P Outros Outros
𝑷 𝑽 = 𝑷𝟎 ∙ [𝒂𝑷 + 𝒃𝒑 ∙ + 𝒄𝒑 ∙ ]
𝑽𝟎 𝑽𝟎
𝟐
A sensibilidade com a tensão define o tipo de carga.
𝑽 𝑽
𝑸 𝑽 = 𝑸𝟎 ∙ [𝒂𝑸 + 𝒃𝑸 ∙ + 𝒄𝑸 ∙ ]
𝑽𝟎 𝑽𝟎

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Modelo de carga
Alternativamente, pode-se expressar a carga por um modelo exponencial.

Barra de Transmissão

Alimentador de Distribuição e OLTC

Carga Residencial Comercial Industrial Rural

𝜶𝑷
𝑽
𝑷(𝑽) = 𝑷𝟎 ∙
𝑽𝟎
Modelo
Exponencial 𝑽
𝜶𝑸
𝑸(𝑽) = 𝑸𝟎 ∙
𝑽𝟎

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Modelo de carga
Para ilustrar, as cargas residenciais apresentam os seguintes parâmetros do modelo exponencial:

𝜶𝑷
𝑽
𝑷(𝑽) = 𝑷𝟎 ∙
𝑽𝟎

𝜶𝑸
𝑽
𝑸(𝑽) = 𝑸𝟎 ∙
𝑽𝟎

Fonte: Neves, 2008. UFJF – Dissertação de mestrado

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Modelo de carga
A correta avaliação do modelo de carga permite que se analise a variação de energia a partir da variação de tensão. Este
conceito é conhecido como CVR (Conservation Voltage Reduction). A seguir é apresentado um estudo que foi feito na rede
elétrica de Manchester.
CVR x Modelo Exponencial
10 Subestações de Manchester foram usadas nos testes
∆𝑷 %
𝑪𝑽𝑹𝒇(𝑷) =
∆𝑽 %

∆𝑸 %
𝑪𝑽𝑹𝒇(𝑸) =
∆𝑽 %
∆𝑬 %
𝑪𝑽𝑹𝒇(𝑬) =
∆𝑽 %
𝛼 𝐶𝑉𝑅𝑓(𝑃)
𝑉(𝑡) 𝑉(𝑡)
𝑃 𝑡 = 𝑃0 ≈ 𝑃0
𝑉0 𝑉0

Referência: Igor et. al. Comprehensive analysis of Conservation Voltage Reduction: A real case study. Powertech 2019 - Milão.

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Modelo de carga
Os resultados do CVR estão apresentados abaixo:

Aplicação do OLTC
MWh CVRfactor
Subst. Tipo Núm.
Cons. médio Médio Int. 95%
Amostras
SSML1 287 0.67 ±0.09 68
SSML2 Mix 228 0.72 ±0.08 121
SSML3 191 1.05 ±0.09 146
SSIC1 158 1.36 ±0.18 59
Ind/Com
SSIC2 129 1.25 ±0.19 46
SSR1 298 0.82 ±0.09 121
SSR2 224 0.98 ±0.11 111
Residencial
SSR3 209 1.02 ±0.09 164
SSR4 164 1.19 ±0.12 123
SSR5 174 1.48 ±0.15 92

Conclusão:
❑ O CVR pode ser usado para estimar o modelo de carga de eletrodomésticos, residências,
transformadores ou subestações;
❑ No caso de subestações, o fator está entre 0,5 e 1,5.

PS: O período transitório (descontado) para estimar o CVR foi de 1 a 3 minutos.

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Modelo de carga
Os modelos de carga podem influenciar fortemente o consumo de energia e demanda nos sistemas de
distribuição.

Quanto melhores os modelos de


carga nos sistemas de distribuição,
melhor será o planejamento e
operação.

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Capítulo 3

Planejamento dos SDEE

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Planejamento dos SDEE


Para fazer o planejamento dos Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica, o fluxo de potência pode ser considerado como
passo inicial. O fluxo de potência consiste em calcular as tensões nas barras dos Sistemas de Distribuição. O método
backward-forward pode ser uma alternativa para executar esta função em Sistemas de Distribuição.

A solução do fluxo de potência pode ser observada nos seguintes passos:


1. Passo 1: Iniciar as tensões nas barras.

Método Backward-Forward

(𝒌−𝟏) (𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟐 𝑽ሶ 𝟑 (𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟒
𝟏 𝟐 𝟑 𝟒
𝒛𝟏𝟐 = 𝒓𝟏𝟐 + 𝒋 ∙ 𝒙𝟏𝟐 𝒛𝟐𝟑 = 𝒓𝟐𝟑 + 𝒋 ∙ 𝒙𝟐𝟑 𝒛𝟑𝟒 = 𝒓𝟑𝟒 + 𝒋 ∙ 𝒙𝟑𝟒
SE

𝒀𝒔𝒉
𝟐 𝒀𝒔𝒉 𝒀𝒔𝒉
𝟑 𝟒
𝑺𝟐 𝑺𝟑 𝑺𝟒
Solução:
Passo 1: (Etapa Backward – Tensões nas barras)

(0)
𝑉2ሶ = 1∠0
(0)
𝑉𝑖ሶ
(𝑘)
= 1∠0,∀ 𝑖 ∈ Ω𝑝𝑞 𝑉3ሶ = 1∠0
(0)
𝑉4ሶ = 1∠0

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Planejamento dos SDEE


2. Passo 2: Calcular as correntes nas barras.

Método Backward-Forward
𝟏 𝟐 𝟑 𝟒
(𝒌−𝟏) (𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟐 𝑽ሶ 𝟑 (𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟒
SE
𝒑𝒐𝒕.(𝒌)
𝒔𝒉.(𝒌)
𝑰ሶ 𝟒 𝑰ሶ 𝟒
𝒀𝒔𝒉
𝟐 𝒀𝒔𝒉 𝒀𝒔𝒉
𝟑 𝟒
𝑺𝟐 𝑺𝟑 𝑺𝟒
(𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟐 𝑰ሶ 𝟑
Solução: (𝒌)
Passo 2: (Etapa Backward – Corrente injetada) 𝑰ሶ 𝟒


(𝒌) 𝒑𝒐𝒕.(𝒌) 𝑺𝟒
𝑰ሶ 𝟒 = 𝑰ሶ 𝟒
𝒔𝒉. 𝒌
− 𝑰ሶ 𝟒 = − 𝒀𝒔𝒉 ሶ (𝒌−𝟏)
𝟒 ∙ 𝑽𝟒
𝑽ሶ 𝟒𝒌−𝟏

∗ 𝑺𝟑
(𝒌) (𝒌−𝟏)
(𝒌)
𝑰ሶ 𝒊 =
𝑺𝒊
− 𝒀𝒔𝒉
(𝒌−𝟏)
ሶ ,∀ 𝒊 ∈ Ω𝒑𝒒 𝑰ሶ 𝟑 = − 𝒀𝒔𝒉 ሶ
𝟑 ∙ 𝑽𝟑
(𝒌−𝟏) 𝒊 𝑽𝒊 (𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟑
𝑽ሶ 𝒊


(𝒌) 𝑺𝟐
𝑰ሶ 𝟐 = − 𝒀𝒔𝒉 ሶ (𝒌−𝟏)
𝟐 ∙ 𝑽𝟐
(𝒌−𝟏)
𝑽ሶ 𝟐

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Planejamento dos SDEE


3. Passo 3: Calcular as correntes nas linhas.

Método Backward-Forward
𝟏 (𝒌) 𝟐 (𝒌) 𝟑 (𝒌) 𝟒
𝑰ሶ 𝟏𝟐 𝑰ሶ 𝟐𝟑 𝑰ሶ 𝟑𝟒
SE

𝒀𝒔𝒉
𝟐 𝒀𝒔𝒉 𝒀𝒔𝒉
𝟑 𝟒
𝑺𝟐 𝑺𝟑 𝑺𝟒
(𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟐 𝑰ሶ 𝟑 (𝒌)
𝑰ሶ 𝟒

Solução:
Passo 3: (Etapa Backward – Corrente nas linhas)

(𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟑𝟒 = 𝑰ሶ 𝟒
(𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝜶𝒊 = 𝑰ሶ 𝒊 + ෍ 𝑰ሶ 𝒊𝒎 , ∀ 𝒊 ∈ Ω𝒑𝒒 𝑰ሶ 𝟐𝟑 = 𝑰ሶ 𝟑 + 𝑰ሶ 𝟑𝟒
𝒎∈Ω𝒊𝒃
(𝒌) (𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟏𝟐 = 𝑰ሶ 𝟐 + 𝑰ሶ 𝟐𝟑

Ω𝒊𝒃 Conjunto de barras conectadas à barra i e a jusante da barra i.

PS: Este passo garante a lei de Kirchhoff para as correntes.

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Planejamento dos SDEE


4. Passo 4: Recalcular as tensões.

Método Backward-Forward
(𝒌) (𝒌)
(𝒌)
𝑽ሶ 𝟏 = 𝑽ሶ 𝑺𝑬 𝑽ሶ 𝟐 (𝒌)
𝑽ሶ 𝟑 𝑽ሶ 𝟒
𝟏
𝟏 (𝒌) 𝟐 (𝒌) 𝟑 (𝒌) 𝟒
𝑰ሶ 𝟏𝟐 𝑰ሶ 𝟐𝟑 𝑰ሶ 𝟑𝟒
SE
𝑧12 𝑧23 𝑧34
𝒀𝒔𝒉
𝟐 𝒀𝒔𝒉 𝒀𝒔𝒉
𝟑 𝟒
𝑺𝟐 𝑺𝟑 𝑺𝟒
(𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟐 𝑰ሶ 𝟑 (𝒌)
𝑰ሶ 𝟒
Solução:
Passo 4: (Etapa Forward – Cálculo das novas tensões)
(𝒌) (𝒌) 𝒌
𝑽ሶ 𝟐 = 𝑽ሶ 𝟏 − 𝒛𝟏𝟐 ∙ 𝑰ሶ 𝟏𝟐

(𝒌) (𝒌) 𝒌
𝑽ሶ 𝒎 = 𝑽ሶ 𝒊 − 𝒛𝒊𝒎 ∙ 𝑰ሶ 𝒊𝒎 , ∀ 𝒎 ∈ Ω𝒊𝒃 (𝒌) (𝒌) 𝒌
𝑽ሶ 𝟑 = 𝑽ሶ 𝟐 − 𝒛𝟐𝟑 ∙ 𝑰ሶ 𝟐𝟑

(𝒌) (𝒌) 𝒌
𝑽ሶ 𝟒 = 𝑽ሶ 𝟑 − 𝒛𝟑𝟒 ∙ 𝑰ሶ 𝟑𝟒

PS: Este passo garante a lei de Kirchhoff para as tensões.

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Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Planejamento dos SDEE


5. Passo 5: Verificar convergência.

Método Backward-Forward
(𝒌) (𝒌)
(𝒌)
𝑽ሶ 𝟏 = 𝑽ሶ 𝑺𝑬 𝑽ሶ 𝟐 (𝒌)
𝑽ሶ 𝟑 𝑽ሶ 𝟒
𝟏
𝟏 (𝒌) 𝟐 (𝒌) 𝟑 (𝒌) 𝟒
𝑰ሶ 𝟏𝟐 𝑰ሶ 𝟐𝟑 𝑰ሶ 𝟑𝟒
SE
𝑧12 𝑧23 𝑧34
𝒀𝒔𝒉
𝟐 𝒀𝒔𝒉 𝒀𝒔𝒉
𝟑 𝟒
𝑺𝟐 𝑺𝟑 𝑺𝟒
(𝒌) (𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟐 (𝒌)
𝑺𝟐 𝑰ሶ 𝟑 𝑺𝟑
(𝒌) (𝒌)
𝑰ሶ 𝟒 𝑺𝟒
Solução
(𝒌) (𝒌)
Passo 5: (Verificação de erro) ∆𝑷𝟐 = 𝕽 𝑺𝟐 − 𝑺𝟐 (𝒌)
∆𝑷𝟐 <
∗ ∗ 𝟐
(𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌) (𝒌)
𝑺𝟐 = 𝑽ሶ 𝟐 ∙ 𝑰ሶ 𝟐 − 𝒀𝒔𝒉
𝟐 ∙ 𝑽ሶ 𝟐 ∆𝑸𝟐 = 𝑰𝒎𝒂𝒈 𝑺𝟐 − 𝑺𝟐 𝒕𝒐𝒍 (𝒌)
∆𝑸𝟐 <
∗ 𝟐 ✓ Convergiu!!
(𝒌) (𝒌) (𝒌)
𝑺𝟑 = 𝑽ሶ 𝟑 ∙ 𝑰ሶ 𝟑 𝒀𝒔𝒉
∗ (𝒌)
∙ 𝑽ሶ 𝟑
(𝒌)
∆𝑷𝟑 = 𝕽 𝑺𝟑 − 𝑺𝟑
(𝒌) 𝒕𝒐𝒍 (𝒌)
− 𝟑 ∆𝑷𝟑 < ✓ Caso contrário volta
(𝒌) (𝒌) 𝒕𝒐𝒍 (𝒌) ao passo 2.
(𝒌) (𝒌) (𝒌) ∗ ∗ (𝒌) 𝟐 ∆𝑸𝟑 = 𝑰𝒎𝒂𝒈 𝑺𝟑 − 𝑺𝟑 ∆𝑸𝟑 <
𝑺𝟒 = 𝑽ሶ 𝟒 ∙ 𝑰ሶ 𝟒 − 𝒀𝒔𝒉
𝟒 ∙ 𝑽ሶ 𝟒
(𝒌)
∆𝑷𝟒 = 𝕽 𝑺𝟒 − 𝑺𝟒
(𝒌) 𝒕𝒐𝒍∆𝑷(𝒌) <
𝟒
(𝒌) (𝒌) 𝒕𝒐𝒍 (𝒌)
∆𝑸𝟒 = 𝑰𝒎𝒂𝒈 𝑺𝟒 − 𝑺𝟒 ∆𝑸𝟒 <
𝒕𝒐𝒍

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Exemplo 1: Calcular o fluxo de potência para o sistema abaixo.

Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3;
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,5 pu

SE
0

4 3 6

7 5 8

10 14 12

11 15 13

16

17 18

19

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Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Exemplo 2: Calcular o fluxo de potência para o sistema abaixo.

Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3.
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,5 pu
Pot(5)=Pot(10)=-0,05 pu
SE
0

4 3 6

7
~ 5 8

10 14 12
~
11 15 13

16

17 18

19

27
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Exemplo 3: Calcular o fluxo de potência para o sistema abaixo.


Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3;
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,05 pu
Pot(5)=Pot(10)=Pot(14)=Pot(17)=-0,05 pu

SE
0

4 3 6

7
~ 5 8

10 14 12
~ ~
11 15 13

16
~ 17 18

19

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Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Solução 1:

SE
0

1
Queda de Tensão
2

4 3 6

7 5 8

10 14 12

11 15 13

16

17 18

19

Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3;
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,5 pu

29
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Solução 2:

SE
0

1
Queda de Tensão
2

4 3 6

7 ~ 5 8

10 14 12
~
11 15 13
16
17 18
19

Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3.
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,5 pu
Pot(5)=Pot(10)=-0,05 pu

30
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Solução 3:

SE
0

1 Queda de Tensão
2

4 3 6

7 ~ 5 8

10 14 12
~ ~
11 15 13

16
~ 17 18
19

Sbase=300e3;
Vbase=13.8e3;
Pot(:)= 0,05 pu
Pot(19)= 0,05 pu
Pot(5)=Pot(10)=Pot(14)=Pot(17)=-0,05 pu

31
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Planejamento dos SDEE


❑ O método BF é uma alternativa aos modelos tradicionais de cálculo de fluxo de potência;

❑ O cálculo da variação de tensão nos sistemas de distribuição e em micro-redes é cada vez mais
importante em um cenário com forte penetração de geração distribuída;

❑ Alternativas para controle de tensão como a utilização de reguladores de tensão e banco de


capacitores serão cada vez mais demandadas nas redes elétricas inteligentes.

A evolução do fluxo de potência em


SDEE envolve um sistema robusto de
medição para Estimação de Estado.

32
Capítulo 4

Regulador de Tensão

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Regulador de Tensão
❑ O nível de tensão em um sistema de distribuição é
determinado, principalmente pela tensão nas
subestações e variações de tensão nas linhas de
distribuição (LDs); Os reguladores de
❑ Esse nível de tensão pode variar de acordo com as
tensão possuem uma
flutuações nos níveis de consumo e por flutuações na bobina paralela, que
tensão nas subestações, oriundas do sistema de alta
tensão; representa o primário, e
uma bobina série,
❑ Para fazer a regulação de tensão em subestações ou
em LDs são usados os transformadores reguladores responsável por
com tap sob carga, normalmente conhecidos como
OLTC (On Load Tap Changer); estabelecer o nível de
regulação.
❑ Também podem ser usados reguladores de tensão ou
banco de capacitores instalados no barramento ou ao
longo das linhas de distribuição;

❑ Serão apresentados o principio de funcionamento dos


reguladores de tensão e os benefícios de usar estes
equipamentos.

34
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Regulador de Tensão
Autobooster (Dimensionamento)
Exemplo (Mamede, 2005):
Dimensionar e ajustar um banco de reguladores autobooster em um alimentador, sabendo
que a potência da carga do alimentador é de 930 kVA, na tensão de 13800V. A tensão de
entrada regulada no ponto de instalação do regulador autobooster é de 13600V. A queda de
tensão entre o ponto de instalação do regulador e a extremidade da carga é de 5,5% em carga
máxima. O banco de regulador autobooster deve elevar a tensão na carga ao valor nominal da
tensão do sistema.
Dados:
𝑉𝐿 = 13.8 𝑘𝑉

SE

(𝒌𝑽) 𝑆3𝜙 = 930 𝑘𝑉𝐴

13.8

𝑉𝑒𝐴𝐵 = 13.6 𝑘𝑉

(𝒅)
Fonte: Mamede, 2005. 35
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Regulador de Tensão
Autobooster (Dimensionamento)
Solução:

SE

(𝒌𝑽) 𝑆3𝜙 = 930 𝑘𝑉𝐴

13.8

13.6
∆𝑉𝑝 ≅ 7.4%

𝟏𝟐. 𝟖𝟓𝟐

(𝒅)
𝒔𝒆𝒎(𝑨𝑩) (𝑨𝑩) 𝑨𝑩
𝑽𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂 = 𝑽𝒆 − 𝟓. 𝟓% ∙ 𝑽𝒆 = 𝟏𝟑. 𝟔 ∙ 𝟎. 𝟗𝟒𝟓 = 𝟏𝟐. 𝟖𝟓𝟐 𝒌𝑽
𝑽𝑨𝑩
𝒔 − 𝑽𝒆
𝑨𝑩
𝟏𝟑. 𝟖 − 𝟏𝟐. 𝟖𝟓𝟐
∆𝑽𝒑 = 𝑨𝑩
∙ 𝟏𝟎𝟎 = ∙ 𝟏𝟎𝟎 ≅ 𝟕. 𝟒%
𝑽𝒆 𝟏𝟐. 𝟖𝟓𝟐

Para um RT conectado em triângulo fechado, pode-se considerar o uso de um regulador com 6% de


regulação. Assim, o ganho da tensão de linha seria de até 9%.

36
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Regulador de Tensão
Autobooster (Dimensionamento)
Solução:

SE
(𝒌𝑽)
𝑆3𝜙 = 930 𝑘𝑉𝐴

𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒂𝒅𝒐
13.8 ∆𝑽
𝟏𝟑. 𝟕𝟐 ∆𝑽𝒓𝒆𝒂𝒍
13.6

𝟏𝟐. 𝟖𝟓𝟐

(𝒅)
Para o ponto de operação apresentado, a regulação da tensão de linha promovida pelo regulador,
dentro dos tapes disponíveis seria: ±2.25%; ±4.5%; ±6.75%; ±9.0%. Assim, o tape escolhido resultaria
de um ajuste de 6.75%, ou seja:
∆𝑉 𝑟𝑒𝑎𝑙 𝑘𝑉 = 12.852 ∙ 1.0675 ≅ 13.72 (𝑘𝑉)
37
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Regulador de Tensão
Autobooster (Dimensionamento)
Solução: Tensão da rede
Tensão Estrela Estrela Ajuste do Pára-raios
Relação do
nominal aterrada só multiaterrad controle derivação
TP (RTP)
V nas SE – kV a kV(2) V kV
(1)
7.620 60 - 6,9/11,94 115 10
60 - 7,62/13,2 127 10
60 - 7,96/13,8 133 10
12.000 100 6,9/11,94 - 119 12
100 7,62/13,2 - 132 12
14.400 120 7,96/13,8 - 115 12
120 - 13,8/23,9 115 18
120 - 14,4/24,92 120 18
(1)Ligados em triângulo aberto ou fechado.
(2)Ligados em estrela com neutro aterrado.

Fonte: Mamede, 2005.


Outras especificações:
Tensão nominal do RT: 14400 V
𝑆3𝜙
Corrente nominal do RT: 50A 𝐼𝐿 = = 38.9 𝐴
𝑉𝐿 ∙ 3

RTP = 120
𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎
𝑉𝑠𝐴𝐵
𝑑𝑒𝑠𝑒𝑗𝑎𝑑𝑜 𝑉𝑑𝑒𝑠𝑒𝑗𝑎𝑑𝑜 ∙ 1.055
Tensão de ajuste: 𝑉𝑎𝑗 = = = 121.3 𝑉
𝑅𝑇𝑃 𝑅𝑇𝑃

PS: Supondo uma queda de tensão percentual constante.


38
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Regulador de Tensão
❑ Os reguladores de tensão tem papel importante na regulação de tensão em alimentadores rurais e
urbanos;

❑ O dimensionamento do regulador de tensão deve levar em conta, principalmente, a variação de tensão


máxima e mínima que se deseja regular;

❑ O ajuste do regulador deve levar em conta a tensão desejada, a largura da faixa e o tempo de atuação
do regulador;

❑ Além do controle de tensão, em redes elétricas inteligentes o regulador pode ser útil para aplicações
de CVR.

Por sua capacidade de elevar e


reduzir a tensão, reguladores de
tensão terão papel importante nas
redes elétricas inteligentes.
39
Capítulo 5

Banco de Capacitores

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Banco de Capacitor
Introdução à compensação reativa

❑ Alguns equipamentos elétricos necessitam de


energia reativa (motores, fornos a arco,
transformadores, etc). Essa energia pode ser A utilização de banco
suprida por algumas fontes:
✓ Geradores síncronos; de capacitores tem sido
✓ Capacitores; cada vez mais
✓ Motores síncronos superexcitados. desafiadora
❑ Para evitar o transporte da energia reativa
considerando sistemas
através das linhas de transmissão, coloca-se as elétricos com geração
respectivas fontes próximas as unidades distribuída.
consumidoras.

❑ Isso implica em menores perdas, melhora no


perfil de tensão e menor congestionamento no
sistema.

41
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Banco de Capacitor
Adiando investimento com transformadores

Exemplo:
Em uma instalação, temos uma subestação de 1500 kW com fp=0,8 (indutivo). Desejamos adicionar
uma carga de 250 kW com fp= 0,85 (indutivo). Dado que o transformador da instalação já está na
carga máxima (KVA), qual a potência reativa (kVar) que deve ser instalada para que os transformador
da subestação não seja sobrecarregado.

Dados:
𝑷𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟓𝟎𝟎 𝒌𝑾
𝑷𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟏𝟕𝟓𝟎 𝒌𝑾
𝒄𝒐𝒔𝝓𝟏 = 𝒇𝒑𝟏 = 𝟎. 𝟖 (𝒊𝒏𝒅. )
𝑺𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟖𝟕𝟓 𝒌𝑽𝑨
𝑸𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟏𝟐𝟓 𝒌𝑽𝑨𝑹 𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝑸𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 + ∆𝑸 + 𝑸𝒃

𝑺𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟏𝟖𝟕𝟓 𝒌𝑽𝑨


Sistema de Subestação
Transmissão (Transf.)
𝑸𝒃 =?
+∆𝑷 = 𝟐𝟓𝟎 𝒌𝑾
+∆𝑸 = ∆𝑷 ∙ 𝒕𝒂𝒏𝒈 𝝓𝟐 𝒄𝒐𝒔𝝓𝟐 = 𝒇𝒑 = 𝟎. 𝟖𝟓 (𝒊𝒏𝒅. )
+∆𝑸 = 𝟐𝟓𝟎 ∙ 𝟎. 𝟔𝟐 = 𝟏𝟓𝟒. 𝟗 𝒌𝑽𝑨𝑹 +∆𝑸 = 𝟏𝟓𝟒. 𝟗 𝒌𝑽𝑨𝑹

42
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Banco de Capacitor
Adiando investimento com transformadores

Solução:

𝑷𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟓𝟎𝟎 𝒌𝑾 𝑷𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟏𝟕𝟓𝟎 𝒌𝑾

𝑺𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟖𝟕𝟓 𝒌𝑽𝑨 𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝑸𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 + ∆𝑸 + 𝑸𝒃

𝑸𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 = 𝟏𝟏𝟐𝟓 𝒌𝑽𝑨𝑹 𝑺𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟏𝟖𝟕𝟓 𝒌𝑽𝑨

Sistema de Subestação
Transmissão (Transf.)
𝑸𝒃 =?
+∆𝑷 = 𝟐𝟓𝟎 𝒌𝑾
+∆𝑸 = 𝟏𝟓𝟒. 𝟗 𝒌𝑽𝑨𝑹

𝑷𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝑷𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 + ∆𝑷 = 𝟏𝟕𝟓𝟎 𝒌𝑾

𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐
𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝑸𝒂𝒏𝒕𝒆𝒔 + ∆𝑸 𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐 𝟐 𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐 𝟐
𝑺𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝑷𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 + 𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔
𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐
𝟏𝟓𝟎𝟎 ∆𝑷 𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟏𝟏𝟐𝟓 + 𝟏𝟓𝟒. 𝟗 = 𝟏𝟐𝟕𝟗. 𝟗 𝒌𝑽𝑨𝑹
𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐
𝑸𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒂𝒅𝒐 𝑺𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 = 𝟐𝟏𝟔𝟖, 𝟎𝟗 𝒌𝑽𝑨
𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐
𝑸𝒃 = 𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 − 𝑸𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒂𝒅𝒐
𝟏𝟏𝟐𝟓
𝟏𝟖𝟕𝟓 𝟐 𝟐
𝑸𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒂𝒅𝒐 = 𝑺𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 − 𝑷𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔 𝑸𝒃 = 𝟏𝟐𝟕𝟗. 𝟗 − 𝟔𝟕𝟑 = 𝟔𝟎𝟔 𝒌𝑽𝑨𝑹
𝒔/𝒃𝒂𝒏𝒄𝒐
𝑸𝒅𝒆𝒑𝒐𝒊𝒔

𝑸𝒅𝒆𝒔𝒆𝒋𝒂𝒅𝒐 = 𝟏𝟖𝟕𝟓 𝟐 − 𝟏𝟕𝟓𝟎 𝟐 = 𝟔𝟕𝟑 𝒌𝑽𝑨𝑹


𝑸𝒃

43
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Banco de Capacitor
Conclusão:

❑ Os bancos de capacitores são normalmente utilizados para controle de baixo fator de


potência;

❑ Entretanto suas aplicações vão além disto:


✓ Adiar novos investimentos;
✓ Redução de perdas;
✓ Elevação do nível de tensão.

Os bancos de capacitores ser


combinados com outros dispositivos em
uma configuração de redes elétricas
inteligentes.

44
Capítulo 6

Transformadores

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
❑ Os transformadores são dispositivos
utilizados para elevar ou reduzir tensão ou
corrente e podem ser encontrados para
diferentes aplicações:
✓ Transformadores de potência; Os principais elementos do
✓ Transformadores de corrente (TC);
transformador de potência
✓ Transformadores de Potencial (TP).
são os enrolamentos
❑ Os Transformadores de potência são usados (primário e secundário) e o
para modificar (elevar/reduzir) o nível de núcleo ferromagnético.
tensão na rede elétrica;

❑ Os TCs são utilizados para refletir (reduzir) as


correntes para o secundário de forma que
possam ser lidas por medidores ou para
acionar um dispositivo de proteção;

❑ Os TPs são utilizados para refletir (reduzir) as


tensões para o secundário de forma que
possam ser lidas por medidores ou para
acionar um dispositivo de proteção.

46
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

O custo de aquisição de um transformador de potência em geral, é feito levando-se em


conta a vida útil do transformador, o custo de fabricação, os desembolsos para
amortização do transformador e as perdas elétricas no ferro e no cobre. Assim:

𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝐶𝑖𝑛𝑣. + 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
+ 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠(𝑐𝑢)

Sendo:
𝑪𝑻𝑹
𝒊𝒏𝒗. Custo de investimento do transformador ao longo do período de análise. (R$)

𝑪𝑻𝑹
𝒑𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔(𝒇𝒆)
Custo das perdas no ferro ao longo do período de análise. (R$)

𝑪𝑻𝑹
𝒑𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔(𝒄𝒖)
Custo das perdas no cobre ao longo do período de análise. (R$)

PS: A análise comparativa entre diferentes propostas para aquisição de um transformador


pode ser feita levando-se em conta toda a expectativa de vida útil do transformador ( espera-
se que seja de 20 a 30 anos).

47
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

❑ O custo de investimento do transformador deve levar em conta o custo associado a


perda de oportunidade:

✓ O custo de oportunidade é considerado quando o recurso investido poderia ser


alocado em outro investimento;

✓ Para o caso do transformador, o custo de oportunidade pode ser considerado para


cada mês ao longo de sua vida útil.

𝑪𝑻𝑹
𝟏 𝟐 𝟑 𝒏

............. períodos
𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴

𝑪𝑻𝑹
𝒊𝒏𝒗. = 𝒏 ∙ 𝑪𝑨𝑴 48
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Aplicação do Sistema Price
Considerando o sistema o saldo devedor de um bem a ser pago em um período n qualquer:

𝑆𝑛 = 1 + 𝑗 ∙ 𝑆𝑛−1 − 𝑝
𝑆𝑛 : Saldo devedor no período n;
𝑗: Taxa de juros por período;
𝑝: Valor da prestação.

𝑺𝟎
𝟏 𝟐 𝟑 𝒏
períodos
.............
𝒑 𝒑 𝒑 𝒑

Ou seja, para n=1: 𝑆1 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 (*)

Para n=2: 𝑆2 = 𝑆1 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 (**)


49
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Aplicação do Sistema Price 𝑆1 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 (*)
𝑆2 = 𝑆1 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 (**)
Combinando (*) e (**):

2
𝑆2 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 ∙ 1 + 𝑗 − 𝑝 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 −𝑝∙ 1+𝑗 −𝑝

Para n=3:
𝑆3 = 1 + 𝑗 ∙ 𝑆2 − 𝑝 (***)
Combinando com (***):
3 2
𝑆3 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 −𝑝∙ 1+𝑗 −𝑝

Dessa forma, pode-se estabelecer um padrão e encontrar o saldo devedor em n:


𝑛 𝑛−1 𝑛−2 𝑛−𝑛
𝑆𝑛 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 −𝑝∙ 1+𝑗 −𝑝∙ 1+𝑗 − ⋯− 𝑝 1 +𝑗

De outra forma: 𝑛
𝑛 𝑛−𝑖
𝑆𝑛 = 𝑆0 ∙ 1 + 𝑗 − ෍𝑝 ∙ 1 +𝑗
𝑖=1

Considerando que ao final de n períodos o saldo seja zero, pode-se chegar a:


𝑛
𝑝 𝑛−𝑖
𝑆0 = 𝑛
෍ 1+𝑗
1+𝑗
𝑖=1 50
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

Aplicação do Sistema Price

Reescrevendo:
𝑛
𝑝 𝑝 2 𝑛−1 ]
𝑛−𝑖 𝑆0 = ∙ [1 + 1 + 𝑗 + 1 + 𝑗 +⋯+ 1 +𝑗
𝑆0 = ෍ 1+𝑗 𝑛
1+𝑗 𝑛 1+𝑗
𝑖=1

Somapg
Trata-se de uma PG de ordem n com o primeiro termo igual a 1 e fator de multiplicação
(1+j). Logo:

(𝑞𝑛 −1) 1+𝑗 𝑛−1


𝑆𝑜𝑚𝑎𝑝𝑔 = 𝑎1 ∙ 𝑆𝑜𝑚𝑎𝑝𝑔 = 1 ∙
(1 + 𝑗) − 1
𝑞−1 Substituindo:
𝑎1 = 1
𝑞 = (1 + 𝑗)
1+𝑗 𝑛−1
𝑆𝑜𝑚𝑎𝑝𝑔 =
𝑗
51
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Aplicação do Sistema Price
Assim:
Isolando p:
𝑝 1+𝑗 𝑛−1 𝑗∙ 1+𝑗 𝑛
𝑆0 = 𝑛
∙ 𝑝 = 𝑆0 ∙
1+𝑗 𝑗 1+𝑗 𝑛−1

Para o transformador:
𝑗∙ 1+𝑗 𝑛
𝐶𝐴𝑀 = 𝐶𝑇𝑅 ∙
1+𝑗 𝑛−1

𝐶𝐴𝑀 Custo de amortização por período. (R$)

𝐶𝑇𝑅 Custo do transformador à vista. (R$)

𝑛 Número de períodos de desembolsos.


𝑗 Taxa de juros associada ao custo de oportunidade.

𝑪𝑻𝑹
𝟏 𝟐 𝟑 𝒏
𝑪𝑻𝑹
𝒊𝒏𝒗. = 𝒏 ∙ 𝑪𝑨𝑴
............. períodos
𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴 𝑪𝑨𝑴 52
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Consolidando os resultados:
Custo das perdas no ferro
O custo das perdas elétricas no ferro, considerando n períodos:
𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜
𝑇𝑅
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
= σ𝑛𝑖=1 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑖) ∙ 𝑇𝑖 ∙ ∆𝑡𝑖 (R$)

𝑇𝑖 Tarifa de energia no período i (R$/KWh);

𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜
𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑖) Perdas trifásicas no ferro no período i (KW);

∆𝑡𝑖 Período de tempo (horas) associado ao intervalo i.

𝛥𝑉𝑖
Consumo

𝑰𝒊
𝑉1 𝐸𝑖

Ex: de carga do Transf. tempo


53
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Custo das perdas no cobre

O custo das perdas elétricas no cobre, considerando n períodos:


𝑛
𝑇𝑅 𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠(𝑐𝑢)
= ෍ 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑖) ∙ 𝑇𝑖 ∙ ∆𝑡𝑖 (R$)
𝑖=1

𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒
𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑖) Perdas trifásicas no cobre no período i (KW).

𝑹 ∙ 𝑰𝟐𝒊

Consumo

𝑰𝒊
𝑉1

Ex: de carga do Transf. tempo

54
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

Finalmente, o custo total do transformador é:

𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝐶𝑖𝑛𝑣. + 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
+ 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)

𝑇𝑅
𝐶𝑖𝑛𝑣. Custo de investimento do transformador ao longo do período de
análise. (R$)
𝑇𝑅 Custo das perdas no ferro ao longo do período de análise. (R$)
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)

𝑇𝑅 Custo das perdas no cobre ao longo do período de análise. (R$)


𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)

55
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

Método aproximado:
𝑛
𝑇𝑅 𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜 𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒
𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝐶𝑖𝑛𝑣. + 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙 (𝑛𝑜𝑚.) ∙ ∆𝑡 ∙ 𝑇 + 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑛𝑜𝑚.) ∙ ෍ 𝐹𝑐𝑖2 ∙ ∆𝑡𝑖 ∙ 𝑇
𝑖=1

𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜 Perdas nominais trifásicas nominal no ferro. (kW)


𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙 (𝑛𝑜𝑚.)

∆𝑡 Tempo (em horas) de todo o horizonte de análise.

𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒 Perdas nominais trifásicas nominal no cobre. (kW)


𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑛𝑜𝑚.)

𝑆𝑖 Fator de carga no período i. Relaciona a potencia (KVA ) no período i (Si) com a


𝐹𝑐𝑖 =
𝑆𝑛𝑜𝑚 potência nominal (Snom) do transformador (kVA ) .

∆𝑡𝑖 Tempo de operação do transformador no período i.

𝑇 Tarifa de energia elétrica.

PS: Observe que o custo de perdas elétricas no ferro sempre vão ocorrer. Isso ocorre porque mesmo
o transformador funcionando à vazio essas perdas existirão.
56
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Exemplo (Mamede, 2005):
Analise, a partir do método aproximado, duas propostas para aquisição de um
transformador trifásico de 300 KVA (13800/380-220), cujos valores são:

Proposta 1:
Preço = R$ 8994,00
Perdas no cobre (nominal) = 3.0 KW
Perdas no ferro (nominal) = 1.1 KW

Proposta 2:
Preço = R$ 8450,00
Perdas no cobre(nominal) = 3.8 KW
Perdas no ferro(nominal) = 1.7 KW

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.

57
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Outros dados:
A curva de carga diária do transformador é mostrada abaixo.
Tarifa de consumo de energia elétrica = R$/KWh 0.04968
O comportamento se repete para todos os dias dos 5 anos de análise.
Considere, a título de exemplo, um período de análise de 5 anos para ambos transformadores, e uma taxa
de juros de 12% ao ano.

Pot. (kVA)
350

300 300
250
200

150

0 4 8 12 16 20 24 Tempo (h)

Fig.: Curva de carga (kVA) do transformador.

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED. 58


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Solução:

Proposta 1:
𝟑. 𝟎
Cobre:
6
𝑇𝑅 𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)
= 5 ∙ 365 ∙ 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑛𝑜𝑚.) ∙ ෍ 𝐹𝑐𝑖2 ∙ ∆𝑡𝑖 ∙ 𝑇
𝑖=1
𝑇𝑅
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)
= 𝑹$ 𝟓𝟏𝟔𝟖. 𝟎𝟎
𝟏. 𝟏
Ferro:
𝑇𝑅 𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
= 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙 (𝑛𝑜𝑚.) ∙ ∆𝑡 ∙ 𝑇𝑖 = 1.1 ∙ 5 ∙ 8760 ∙ 0.04968
𝑇𝑅
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
= 𝑹$ 𝟐𝟑𝟗𝟑. 𝟔

Custo de investimento:
𝑗∙ 1+𝑗 𝑛 0.12 ∙ 1 + 0.12 5
𝐶𝐴𝑀 = 𝐶𝑇𝑅 ∙ = 8994,00 ∙ = 𝑹$ 𝟐𝟒𝟗𝟓. 𝟎𝟎
1+𝑗 𝑛 −1 1 + 0.12 5 − 1
𝑇𝑅
𝐶𝑖𝑛𝑣. = 𝑛 ∙ 𝐶𝐴𝑀 = 5 ∙ 2495.00 = 𝑹$ 𝟏𝟐𝟒𝟕𝟓. 𝟎𝟎

Custo Total:
𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝐶𝑖𝑛𝑣. + 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
+ 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)
= 𝑹$ 𝟐𝟎𝟎𝟑𝟕. 𝟎𝟎

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED. 59


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador
Solução:
Proposta 2:
Cobre: 𝟑. 𝟖 6
𝑇𝑅 𝑐𝑜𝑏𝑟𝑒
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)
= 5 ∙ 365 ∙ 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙(𝑛𝑜𝑚.) ∙ ෍ 𝐹𝑐𝑖2 ∙ 𝑇𝑜𝑝𝑖 ∙ 𝑇
𝑖=1
𝑪𝑻𝑹
𝒑𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔(𝒄𝒖) = 𝑹$ 𝟔𝟓𝟒𝟔. 𝟏

Ferro: 𝟏. 𝟕
𝑇𝑅 𝑓𝑒𝑟𝑟𝑜
𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
= 𝑃𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠3𝜙 (𝑛𝑜𝑚.) ∙ ∆𝑡 ∙ 𝑇 = 1.7 ∙ 5 ∙ 8760 ∙ 0.04968

𝑪𝑻𝑹
𝒑𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔(𝒇𝒆) = 𝑹$ 𝟑𝟔𝟗𝟗. 𝟐

Custo de investimento:
𝑗∙ 1+𝑗 𝑛 0.12 ∙ 1 + 0.12 5
𝐶𝐴𝑀 = 𝐶𝑇𝑅 ∙ = 8450,00 ∙ = 𝑅$ 2344.1
1+𝑗 𝑛−1 1 + 0.12 5 − 1
𝑇𝑅
𝐶𝑖𝑛𝑣. = 𝑛 ∙ 𝐶𝐴𝑀 = 5 ∙ 2344.00 = 𝑹$ 𝟏𝟏𝟕𝟐𝟏. 𝟎𝟎

Custo Total:
𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅 𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝐶𝑖𝑛𝑣. + 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑓𝑒)
+ 𝐶𝑝𝑒𝑟𝑑𝑎𝑠 (𝑐𝑢)
= 𝑹$ 𝟐𝟏𝟗𝟔𝟔. 𝟎𝟎

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED. 60


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Análise de custo do transformador
Custo de aquisição do transformador

Solução final:

Proposta 1:
Preço = R$ 8994,00 𝑇𝑅
Perdas no cobre (nominal) = 3.0 KW 𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝑹$ 𝟐𝟎𝟎𝟑𝟕. 𝟎𝟎
Perdas no ferro (nominal) = 1.1 KW

Proposta 2:
Preço = R$ 8450,00
Perdas no cobre (nominal) = 3.8 KW 𝑇𝑅
𝐶𝑇𝑂𝑇 = 𝑹$ 𝟐𝟏𝟗𝟔𝟔. 𝟎𝟎
Perdas no ferro(nominal) = 1.7 KW

PS: Observe que foi escolhido cinco anos de análise. Normalmente, o tempo de análise
está associado à expectativa de vida útil do transformador. A expectativa de vida útil do
transformador será estuda em detalhes na próxima seção.

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED. 61


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Transformadores
Conclusão:

❑ Os transformadores são parte importante nos sistemas de potência;

❑ Em termos de aplicações, podem elevar o nível de tensão na rede, no


caso de transformadores de potência, ou refletir a tensão ou corrente
para equipamentos de medição e proteção, no caso dos TCs e TPs.

A análise de custo dos transformadores de


potência é essencial na definição das tarifas
para as distribuidoras e/ou redução de perdas
e custos para consumidores.

62
Capítulo 7

Introdução à Proteção dos Sistemas


de Distribuição de Energia Elétrica

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


❑ É a técnica de selecionar, coordenar, ajustar e aplicar os vários equipamentos e dispositivos
protetores a um sistema elétrico, de forma a guardar entre si uma determinada relação, tal que uma
anormalidade no sistema possa ser isolada e removida no menor tempo possível, sem que outras
partes do mesmo sejam afetadas;

❑ Matematicamente, a definição do dispositivo e do ajuste de proteção devem ter em conta o resultado do


fluxo de potência (Tensão e Corrente de carga) e curto-circuito (Trifásico, Bifásico e Fase-Terra);

❑ Os principais tipos de dispositivos de proteção são:

✓ Elo-fusível;

✓ Relés de sobrecorrente;
O cálculo do curto-
✓ Religadores/Seccionalizadores;
circuito é o passo inicial
✓ Relé direcional; para definir o sistema
✓ Relé diferencial; de proteção.
✓ Relé de distância;

✓ Relé de frequência.

64
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
O cálculo de curto-circuito pode ser visto como extensão do teorema de Thevenin.
Teorema:
Variações que ocorrem nas tensões e correntes de um curto-circuito, devido à adição de uma
impedância de falta entre dois pontos, são idênticas as tensões e correntes causadas por um f.e.m,
com uma impedância interna, colocada em série com a impedância de falta e com valor e polaridade
iguais à tensão pré-falta que existiu entre os nós em questão, com as demais fontes ativas iguais a zero.
A teoria por traz do cálculo do curto-circuito está baseada na técnica de Fortescue.

Fonte: C. L. Fortescue, “Method of symmetrical co-ordinates applied to the solution of polyphase networks,” Trans.
AIEE, vol. XXXVII, no. 2, pp. 1027–1140, Jul. 1918.

Voltando ao problema inicial:

1 2 3 4
LT
G
𝑰ሶ 𝑪𝑪
𝒁𝑭 C

Fig: Sistema assimétrico e desequilibrado


65
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Trifásico

Considerando que o curto-circuito apresentado na barra 3 é um curto circuito trifásico, algumas condições
devem ser consideradas.
1 2 3 4
G LT
𝑰ሶ 𝑪𝑪
C
𝒁𝑭

✓ A tensão em cada fase na barra 3 será igual a zero (C1).


✓ As correntes de curto-circuito nas três fases são iguais em módulo e defasadas de 120 º(C2).
𝑰𝒂ሶ

𝑰𝒃ሶ 𝑉𝑎ሶ = 𝑉𝑏ሶ = 𝑉𝑐ሶ = 0 (C1)


Sistema
Carga 𝐼𝑎ሶ + 𝐼𝑏ሶ + 𝐼𝑐ሶ = 0 (C2)
Elétrico 𝑰𝒄ሶ

66
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Trifásico
Aplicando a ideia de TCS nas tensões:

𝑉ሶ𝑎0 𝑉𝑎ሶ 0 𝑉ሶ𝑎0


1 1 1 1
0
0
𝑉ሶ𝑎1 = 1 𝛼 𝛼 2 ∙ 𝑉ሶ𝑏 𝑉ሶ𝑎1 = 0
3 0
𝑉ሶ𝑎2 1 𝛼2 𝛼 𝑉𝑐ሶ 𝑉ሶ𝑎2 0
Sabendo que:
Voltando para correntes primitivas

ሶ = −𝑍0 ∙ 𝐼𝑎0
𝑉𝑎0 ሶ ሶ =0
𝐼𝑎0
0
𝐼𝑎ሶ 1 1 1
𝐸ሶ 𝐸ሶ
ሶ = ሶ𝐼𝑏 = 1 𝛼2 𝛼
ሶ = 𝐸ሶ − 𝑍1 ∙ 𝐼𝑎1
ሶ 𝐼𝑎1 𝑍1
𝑉𝑎1 𝑍1 𝐼𝑐ሶ 1 𝛼 𝛼2
0
ሶ = −𝑍2 ∙ 𝐼𝑎2
𝑉𝑎2 ሶ ሶ =0
𝐼𝑎2
Finalmente:
𝑬ሶ
𝒁𝟏
𝑰ሶ 𝒂 Conclusão:
𝑬ሶ
𝑰ሶ 𝒃 = 𝜶𝟐
𝒁𝟏 ✓ Trata-se de um curto-circuito simétrico e equilibrado;
𝑰ሶ 𝒄
𝑬ሶ ✓ Curto-circuito independe das correntes de sequência negativa e zero
𝜶
𝒁𝟏
67
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Bifásico
Considerando que o curto-circuito apresentado na barra 3 é um curto circuito bifásico, algumas
condições devem ser consideradas.
1 2 3 4
G LT
𝑰ሶ 𝑪𝑪
𝒁𝑭 C

✓ A corrente de curto-circuito da fase b é igual a corrente na fase c, com sentido contrário (C1).
✓ A corrente na fase a é muito pequena comparada as correntes de curto-circuito (C2).
✓ A Tensão na fase b é igual a tensão na fase c (C2).
𝑰𝒂ሶ

𝐼𝑎ሶ = 0 (C1)
𝑰𝒃ሶ
Sistema
Carga 𝐼𝑐ሶ = −𝐼𝑏ሶ = 𝐼𝑐𝑐ሶ (C2)
Elétrico 𝑰𝒄ሶ (C2)
𝑉𝑏ሶ = 𝑉𝑐ሶ

68
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Bifásico
Aplicando a ideia de TCS nas tensões:
0 0
0

𝐼𝑎0 𝐼𝑎ሶ ሶ ሶ
𝐼𝑎0 𝑗 3 𝑗 3
1 1 1 1 −𝐼𝑐𝑐
ሶ𝐼𝑎1 = 𝐼ሶ𝑏 − ሶ
𝐼𝑐𝑐
𝐼𝑎1ሶ = 1 𝛼 𝛼2 𝐼𝑏ሶ ሶ
𝐼𝑐𝑐 3 = 3
3
𝐼𝑎2 ሶ 1 𝛼2 𝛼 𝐼𝑐ሶ 𝐼𝑎2 ሶ 𝑗 3 𝑗 3
− 𝐼𝑏ሶ 𝐼ሶ
Sabendo que: 3 3 𝑐𝑐
𝑉𝑏ሶ = 𝑉𝑐ሶ ሶ + 𝛼 2 ∙ 𝑉𝑎1
𝑉𝑎0 ሶ + 𝛼 ∙ 𝑉𝑎2
ሶ = 𝑉𝑎0 ሶ + 𝛼 ∙ 𝑉𝑎1
ሶ + 𝛼 2 ∙ 𝑉𝑎2

𝛼 2 ∙ (𝐸ሶ − 𝑍1 ∙ 𝐼𝑎1
ሶ ) + 𝛼 ∙ (+𝑍1 ∙ 𝐼𝑎1
ሶ ) = 𝛼 ∙ (𝐸ሶ − 𝑍1 ∙ 𝐼𝑎1
ሶ ) + 𝛼 2 ∙ (+𝑍1 ∙ 𝐼𝑎1
ሶ )
Pode-se mostrar que:
𝒋 𝟑 𝐸ሶ
𝑰ሶ 𝒄𝒄 = −𝑰ሶ 𝒃 = 𝑰ሶ 𝒄 = ∙
𝟐 𝒁𝟏
Conclusão:

✓ Trata-se de um curto-circuito assimétrico e desequilibrado;


✓ Curto-circuito depende da impedância de sequencia positiva (c𝑜𝑛𝑠𝑖𝑑𝑒𝑟𝑎𝑛𝑑𝑜 𝑍1 = 𝑍2 );
✓ As correntes de curto-circuito na fase b e na fase c são iguais em módulo;
✓ A corrente de curto circuito bifásico corresponde a 87% da corrente de curto-circuito
trifásico.
69
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Fase-Terra
Considerando que o curto-circuito apresentado na barra 3 é um curto circuito franco fase-terra (𝑍𝐹 =0), algumas
condições devem ser consideradas.
1 2 3 4
LT
G
𝑰ሶ 𝑪𝑪
𝒁𝑭 C

✓ A corrente de curto-circuito da fase a é muito maior que as correntes de carga da fase b e c (C1).
✓ Tensão na fase a é igual a zero (C2).

𝑰𝒂ሶ
𝐼𝑎ሶ = 𝐼𝑐𝑐
ሶ (C1)

𝑰𝒃ሶ 𝐼𝑏ሶ = 𝐼𝑐ሶ = 0 (C1)


Sistema
Carga 𝑉𝑎ሶ = 0 (C2)
Elétrico 𝑰𝒄ሶ

70
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Fase-Terra
Aplicando a ideia de TCS nas tensões:
𝐼𝑎ሶ

𝐼𝑐𝑐 ሶ
𝐼𝑎0 3

𝐼𝑎0 𝐼𝑎ሶ 𝐼ሶ
1 1 1 1 0 𝐼𝑎1ሶ = 𝑎
𝐼𝑎1ሶ = 1 𝛼 𝛼2 𝐼𝑏ሶ 0 3
3 𝐼𝑎2 ሶ
𝐼𝑎2 ሶ 1 𝛼2 𝛼 𝐼𝑐ሶ 𝐼𝑎ሶ
3
Sabendo que:

𝑉𝑎ሶ = 𝑉𝑎0
ሶ + 𝑉𝑎1
ሶ + 𝑉𝑎2

𝐼𝑎ሶ 𝐼𝑎ሶ 𝐼𝑎ሶ



0 = −𝑍0 ∙ + 𝐸 − 𝑍1 ∙ − 𝑍2 ∙
3 3 3
Finalmente:
𝟑𝑬ሶ
𝑰ሶ 𝒄𝒄 = 𝑰ሶ 𝒂 =
𝒁 𝟎 + 𝒁𝟏 + 𝒁 𝟐
Conclusão:

✓ Trata-se de um curto-circuito assimétrico e desequilibrado;


✓ Curto-circuito depende das impedâncias de sequencia positiva, negativa e zero.
71
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Fase-Terra com resistência de aterramento
Considerando que o curto-circuito apresentado na barra 3 é um curto circuito fase-terra (𝑍𝐹 ≠ 0), algumas condições
devem ser consideradas.
1 2 3 4
LT
G
𝑰ሶ 𝑪𝑪
𝒁𝑭 C

✓ A corrente de curto-circuito da fase a é muito maior que as correntes de carga da fase b e c (C1).
✓ Tensão na fase a é diferente de zero (C2).
𝑰𝒂ሶ
𝐼𝑏ሶ = 𝐼𝑐ሶ = 0 (C1)

𝑰𝒃ሶ 𝐼𝑎ሶ = 𝐼𝑐𝑐ሶ (C1)


Sistema
Carga
Elétrico 𝑰𝒄ሶ
𝑉𝑎ሶ = 𝐼𝑎ሶ ∙ 𝑍𝐹 (C2)

𝒁𝑭

72
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Curto-circuito Fase-Terra (𝒁𝑭 ≠ 𝟎)
Aplicando a ideia de TCS nas tensões:

𝐼𝑐𝑐 𝐼𝑎ሶ
0 ሶ
𝐼𝑎0 3

𝐼𝑎0 𝐼𝑎ሶ
1 1 1 1 0 𝐼ሶ
𝐼𝑎1ሶ = 1 𝛼 𝛼 2 𝐼𝑏ሶ 𝐼𝑎1ሶ = 𝑎
3 ሶ 3
𝐼𝑎2 ሶ 1 𝛼 2 𝛼 𝐼𝑐ሶ 𝐼𝑎2
𝐼𝑎ሶ
Sabendo que: 3
𝑉𝑎ሶ = 𝑉ሶ𝑎0 + 𝑉ሶ𝑎1 + 𝑉ሶ𝑎2
𝐼𝑎ሶ 𝐼𝑎ሶ 𝐼𝑎ሶ
ሶ ሶ
𝑍𝐹 ∙ 𝐼𝑎 = −𝑍0 ∙ + 𝐸 − 𝑍1 ∙ − 𝑍2 ∙
3 3 3
Finalmente:
𝟑𝑬ሶ
𝑰ሶ 𝒄𝒄 = 𝑰ሶ 𝒂 =
𝒁𝟎 + 𝒁𝟏 + 𝒁𝟐 + 𝟑 ∙ 𝒁𝑭
Conclusão:

✓ Trata-se de um curto-circuito assimétrico e desequilibrado;


✓ Curto-circuito depende das impedâncias de sequencia positiva, negativa e zero;
✓ A impedância de falta (𝑍𝐹 ) serve como um limitador da corrente de curto-circuito;
✓ Uma das principais dificuldades em calcular o curto-circuito fase-terra (o mais comum) é estimar a
impedância de falta;
✓ Além da impedância de falta, a impedância de retorno pela terra também deve ser considerada.
73
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Modelagem de curto-circuito
Algoritmo para solucionar um curto-circuito

Início

Ler dados de entrada


• Dados de Linhas;
• Dados de barras.

Formar a matriz Ybus

Calcular a matriz Zbus

Calcular corrente de
curto-circuito

Fim
74
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Exemplo:
Calcular o fluxo de potência, curto-circuito e dimensionar os dispositivos de proteção para um trecho deste
sistema.
SE
Sbase=300e3;
0
Vbase=13.8e3;
Zf=1; %Impedância de falta

4 3 6

7 5 8

10 14 12

11 15 13

16

17 18

19
75
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Solução:
Avaliação do curto-circuito nas últimas barras.
𝟏𝟎𝟓. 𝟑

𝑆𝑏𝑎𝑠𝑒 = 300 𝑘𝑉𝐴 𝟗𝟏. 𝟏𝟔

𝑉𝑏𝑎𝑠𝑒 = 13.8 𝑘𝑉 𝟒𝟖. 𝟔𝟐 15


𝑰𝟏𝟓 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗º
𝑍𝑓 = 1 𝑝. 𝑢
𝑰𝟏𝟓−𝟏𝟔 = 𝟖. 𝟑𝟔𝟔∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟏𝟎𝟒. 𝟓
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
16 𝟗𝟎. 𝟓𝟑

𝟏𝟎𝟒. 𝟓 17 𝟏𝟎𝟒. 𝟗 𝟒𝟖. 𝟒𝟔

𝟗𝟎. 𝟒𝟕 𝟗𝟎. 𝟖𝟓 𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º 18

𝟒𝟖. 𝟒𝟓 𝟒𝟖. 𝟓𝟒
𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
𝑰𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟑𝝓
𝑰𝑪𝑪 Curto-circuito trifásico 𝟏𝟎𝟒. 𝟐
19
𝟐𝝓
𝑰𝑪𝑪 Curto-circuito bifásico 𝟗𝟎. 𝟐𝟓 𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
𝝓𝑻
𝑰𝑪𝑪 Curto-circuito fase-terra 𝟒𝟖. 𝟒

76
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Introdução à Proteção dos SDEE


Conclusão:
❑ O cálculo do fluxo de potência e curto-circuito são importantes para
dimensionar o sistema de proteção;

❑ Os principais tipos de curto-circuitos são trifásico, bifásico e fase-terra e


as variações bifásico-terra e fase-terra, por exemplo.

O curto-circuito fase-terra é um dos grandes


desafios para dimensionar o sistema de
proteção devido a dificuldade de estimar a
impedância de falta para a a terra.

77
Capítulo 8

Elos fusíveis

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis

❑Os elos fusíveis são largamente


utilizados em Sistemas de Distribuição
por seu preço e simplicidade de
aplicação;
O preço do elo fusível o
❑O dimensionamento do elo fusível
passa por calcular o fluxo de potência
torna ainda interessante
e curto-circuito nos sistemas de mesmo em um cenário
distribuição; de redes elétricas
❑A partir desta análise, os elos são
inteligentes.
alocados e coordenados de forma a
garantir a seletividade do sistema;

79
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis


Exemplo: Calcular o fluxo de potência, curto-circuito e dimensionar os dispositivos de
proteção para um trecho deste sistema.

𝑆𝑏𝑎𝑠𝑒 = 300 𝑘𝑉𝐴

𝑉𝑏𝑎𝑠𝑒 = 13.8 𝑘𝑉
SE
0
𝑍𝑓 = 1 𝑝. 𝑢

4 3 6

7 5 8

10 14 12

11 15 13

16

17 18

19

80
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis

𝟏𝟎𝟓. 𝟑
𝑆𝑏𝑎𝑠𝑒 = 300 𝑘𝑉𝐴
𝟗𝟏. 𝟏𝟔
𝑉𝑏𝑎𝑠𝑒 = 13.8 𝑘𝑉
𝟒𝟖. 𝟔𝟐 15
𝑍𝑓 = 1 𝑝. 𝑢 𝑰𝟏𝟓 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗º

𝑰𝟏𝟓−𝟏𝟔 = 𝟖. 𝟑𝟔𝟔∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟏𝟎𝟒. 𝟓
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
16 𝟗𝟎. 𝟓𝟑

𝟏𝟎𝟒. 𝟓 17 𝟏𝟎𝟒. 𝟗 𝟒𝟖. 𝟒𝟔


18
𝟗𝟎. 𝟒𝟕 𝟗𝟎. 𝟖𝟓 𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º

𝟒𝟖. 𝟒𝟓 𝟒𝟖. 𝟓𝟒 𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º


𝑰𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
𝟑𝝓
𝑰𝑪𝑪
𝟐𝝓
𝑰𝑪𝑪
𝝓𝑻
𝑰𝑪𝑪
𝟏𝟎𝟒. 𝟐 19

𝟗𝟎. 𝟐𝟓 𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟒𝟖. 𝟒

81
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis


a) Elos colocados
Pot. (kVA) Elos Tipo

𝑺𝟏𝟓 45 𝑬𝒍𝒐𝟏𝟓 3H

𝑺𝟏𝟔 45 𝑬𝒍𝒐𝟏𝟔 3H

𝑺𝟏𝟕 45 𝑬𝒍𝒐𝟏𝟕 3H

𝑺𝟏𝟖 45 𝑬𝒍𝒐𝟏𝟖 3H

𝑺𝟏𝟗 45 𝑬𝒍𝒐𝟏𝟗 3H

b) Dimensionamento dos elos de ramais


𝟏𝟎𝟒. 𝟓
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
𝐸𝑙𝑜 16−18 16 𝟗𝟎. 𝟓𝟑
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≥ 1.5 ∙ 𝐼𝑛𝑜𝑚
𝟒𝟖. 𝟒𝟔
𝐸𝑙𝑜
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≥ 1.5 ∙ (4.18) 𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º
18

𝑬𝒍𝒐 𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º


𝑰𝒏𝒐𝒎𝟏𝟔−𝟏𝟖 ≥ 𝟔. 𝟐𝟕 𝑨 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟏𝟎𝟒. 𝟐

𝟗𝟎. 𝟐𝟓 19
𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
𝟒𝟖. 𝟒

82
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis


b) Dimensionamento dos elos de ramais
𝐸𝑙𝑜 16−18
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≥ 1.5 ∙ 𝐼𝑛𝑜𝑚
𝐸𝑙𝑜
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≥ 1.5 ∙ (4.18)
𝑬𝒍𝒐
𝑰𝒏𝒐𝒎𝟏𝟔−𝟏𝟖 ≥ 𝟔. 𝟐𝟕 𝑨

Candidatos: 8k, 10k, 12k, 15k, 20k, 25k, 30k.... 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

16
A corrente de curto-circuito no fim do trecho protegido
𝟏𝟎𝟒. 𝟓
pelo elo é de 48.4 A (curto-circuito fase-terra mínimo 𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º
no final do trecho protegido pelo elo). 𝟗𝟎. 𝟓𝟑

𝐸𝑙𝑜 1 ∅−𝑇(𝑚𝑖𝑛) 𝟒𝟖. 𝟒𝟔


𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≤ ∙𝐼 18
4 𝑐𝑐
𝐸𝑙𝑜 1
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≤ ∙ 48.4 𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
4 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝐸𝑙𝑜
𝐼𝑛𝑜𝑚16−18 ≤ 12.1

Candidatos: 8k, 10k, 12k.


𝟏𝟎𝟒. 𝟐 19

𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º


𝟗𝟎. 𝟐𝟓

𝟒𝟖. 𝟒

83
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis


b) Dimensionamento dos elos de ramais

Tabelas de seletividade
𝟏𝟎𝟒. 𝟓
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
16 𝟗𝟎. 𝟓𝟑
Testando elo de 8K:
Não há seletividade com 3H. 𝟒𝟖. 𝟒𝟔
18
𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º

Testando elo de 10K:


𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
Seletividade com 3H até 45 A. Como as 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
correntes podem chegar a 104.5 A, não há
seletividade.

Testando elo de 12K:


𝟏𝟎𝟒. 𝟐 19
Seletividade com 3H até 220 A. Portanto há
𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
seletividade. 𝟗𝟎. 𝟐𝟓

𝟒𝟖. 𝟒

84
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Dimensionamento de Elos fusíveis


Conclusão:

❑ O cálculo do fluxo de potência e curto-circuito são importantes para dimensionar o


sistema de proteção;

❑ Os principais tipos de curto-circuitos são trifásico, bifásico e fase-terra e as


variações bifásico-terra e fase-terra, por exemplo.

O curto-circuito fase-terra é um dos grandes


desafios para dimensionar o sistema de
proteção devido a dificuldade de estimar a
impedância de falta para a terra.

85
Capítulo 9

Religadores (50/51)

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Religadores (50/51)
❑ Os religadores são dispositivos que tem
a função de relés de sobrecorrente
(50/51) e capacidade de religamento do
sistema;
Em algumas aplicações,
os seccionalizadores
❑ São dispositivos que podem substituir (mais baratos que os
elos fusíveis em alimentadores e ramais; religadores) podem ser
uma alternativa
❑ Entretanto, devido ao alto custo destes
equipamentos, deve-se fazer uma
interessante. Neste
análise de confiabilidade no sistema caso, devem ser
antes de propor a troca; colocados à jusante de
religadores.
❑ A seguir será apresentado um exemplo
de ajuste de um religador.

87
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Religadores (50/51)
Dimensionamento e ajuste de Religadores (50F e 51F)
Critérios para ajuste de correntes de falta envolvendo fases.

Quando o religador for instalado ao longo da rede:

𝐼𝐷𝐹𝑎𝑠𝑒 ≥ 𝑘 ∙ 𝐼𝑐𝑎𝑟𝑔𝑎
𝑚𝑎𝑥

𝐼𝐷𝐹𝑎𝑠𝑒 Corrente de disparo da unidade de fase.


𝐼𝐷𝐹𝑎𝑠𝑒 ≥ 1.5 ∙ 𝑰𝟏𝟓−𝟏𝟔 = 𝟏. 𝟓 ∙ 𝟖. 𝟑𝟔𝟔
Supondo 𝑘 = 1.5:
𝑰𝑭𝒂𝒔𝒆
𝑫 ≥ 𝟏𝟐. 𝟓𝟓 𝑨
A corrente máxima de disparo deve ser ajustada de
forma que:
2𝜙
𝐼𝐷𝐹𝑎𝑠𝑒 ≤ 𝐼𝑐𝑐𝑚𝑖𝑛 𝑰𝑭𝒂𝒔𝒆
𝑫 ≤ 𝟗𝟎. 𝟐𝟓 𝑨
2𝜙 Corrente de curto-circuito bifásico
𝐼𝑐𝑐𝑚𝑖𝑛
mínimo no final do trecho protegido
pelo religador.

Assim:

𝑰𝑭𝒂𝒔𝒆
𝑫 (𝟓𝟎𝑭) = 𝟏𝟑 𝑨 𝑰𝑭𝒂𝒔𝒆
𝑫 (𝟓𝟏𝑭) = 𝟏𝟑 𝑨

88
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Religadores (50/51)
Dimensionamento e ajuste de Religadores (50F e 51F)
Coordenação Religador (50F) x Elo 12k (Fase).

Testando para:
50𝐹
𝐼𝐷(15−16) = 13 𝐴

𝑁𝐼 𝟏𝟐𝑲
𝒐𝒌‼ 𝒕(𝒔)
𝑇𝑀𝑆 = 0.01
𝑘 𝑇 = 1.5 (Duas rápidas)

0.35

0.27
𝟎. 𝟎𝟒𝟖𝟕
𝟎. 𝟎𝟐𝟎𝟏
50F
𝒓𝒆𝒍𝒊𝒈.
𝒌𝑻 ∙ 𝒕𝒐𝒑
𝟐𝝓 𝟑𝝓 𝑰 (𝑨)
𝑰𝑪𝑪 𝑰𝑪𝑪
(𝟗𝟎. 𝟐)(𝟏𝟎𝟒. 𝟓)
𝑟𝑒𝑙𝑖𝑔. 𝐾 ∙ 𝑇𝑀𝑆
𝑡𝑜𝑝 =
𝐼 𝛼
𝐼𝐷
89
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Religadores (50/51)
Dimensionamento e ajuste de Religadores (50F e 51F)
Coordenação Religador (50F) x Elo 12k (Fase).

𝒕(𝒔)
Testando para:
𝟑. 𝟖𝟗 𝑰𝟓𝟏𝑭
𝑫(𝟏𝟓−𝟏𝟔) = 𝟏𝟑 𝑨

𝟑. 𝟑𝟕 𝑴𝑰 𝒐𝒌‼
𝑻𝑴𝑺 = 𝟐
0.8

0.22
51F
𝒓𝒆𝒍𝒊𝒈. 𝑲 ∙ 𝑻𝑴𝑺
𝒕𝒐𝒑 =
𝑰 𝜶
𝑰𝑫
𝟏𝟐𝑲
𝟐𝝓 𝟑𝝓 𝑰 (𝑨)
𝑰𝑪𝑪 𝑰𝑪𝑪
(𝟗𝟎. 𝟐)(𝟏𝟎𝟒. 𝟓)

90
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Religadores (50/51)
Dimensionamento e ajuste de Religadores (50F e 51F)
Coordenação Religador (50F) x Elo 12k (Fase).

c) Coordenação

15

𝑰𝟏𝟓 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗º

𝑰𝟏𝟓−𝟏𝟔 = 𝟖. 𝟑𝟔𝟔∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟏𝟎𝟒. 𝟓
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º 𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟒. 𝟏𝟖𝟑∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º
16 𝟗𝟎. 𝟓𝟑

𝟏𝟎𝟒. 𝟓 17 𝟏𝟎𝟒. 𝟗 𝟒𝟖. 𝟒𝟔


18
𝟗𝟎. 𝟒𝟕 𝟗𝟎. 𝟖𝟓 𝑰𝟏𝟔 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º

𝟒𝟖. 𝟒𝟓 𝟒𝟖. 𝟓𝟒 𝑰𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º


𝑰𝟏𝟕 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟏∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟐º
𝑰𝟏𝟔−𝟏𝟖 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

Religador
Elo 12 k 𝟏𝟎𝟒. 𝟐 19

𝟗𝟎. 𝟐𝟓 𝑰𝟏𝟗 = 𝟐. 𝟎𝟗𝟐∠ − 𝟏𝟑. 𝟗𝟑º

𝟒𝟖. 𝟒

91
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Religadores (50/51)
Conclusão:

❑ Os religadores são dispositivos importantes nos sistemas de distribuição, principalmente em


redes elétricas com alto índice de faltas transitórias;

❑ A análise de viabilidade econômica de um religador envolve o custo associado aos


indicadores de qualidade (DEC, FEC, DMIC), corte de carga e comprometimento da
imagem da distribuidora.

Em um sistema de redes elétricas inteligentes,


chaves, religadores, seccionalizadores
telecomandados poderão contribuir
significativamente para o aumento da
qualidade da energia no sistema.

92
Capítulo 10

Relé Direcional (67)

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Relés direcionais (67)

Os relés direcionais
❑ Os Relés direcionais são amplamente
utilizados em sistemas em anel;
consideram o sentido
da corrente, além da
❑ Buscam eliminar faltas (curto-circuito) tendo corrente de ajuste.
em conta a intensidade e o sentido da
corrente;
Portanto, são relés de
sobrecorrente com
❑ As características que definem o relé direcionalidade
direcional são: grandeza de polarização,
grandeza de atuação, conexão e ângulo
incorporada.
de conjugado máximo.

94
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)


Exemplo:
Considere um curto-circuito entre as fases B e C e a terra no sistema abaixo no ponto F (próximo de A):

a. Determine a corrente e a tensão que aparecem em cada relé direcional, que tem conexão 30º e ângulo
de conjugado máximo (𝜏) igual a 0º.

b. Verifique se os relés irão atuar.

Dados:

Relé 1 : 𝐼𝐴 e 𝑉𝐴𝐶 ; Relé 2 : 𝐼𝐵 e 𝑉𝐵𝐴 ; Relé 3 : 𝐼𝐶 e 𝑉𝐶𝐵 ;


A 𝟓𝟎𝟎 B
T1 T2
𝟓 F L
~ Fonte: Gers, 2004.
6 𝟏𝟏𝟓𝟎𝟎𝟎
7
𝟏𝟏𝟓

Reatâncias G (p.u) T1 (p.u) L (p.u) T2 (p.u)

𝑋0 0.09 0.11 1.2 0.3


𝑋1 0.15 0.11 0.4 0.3
𝑋2 0.15 0.11 0.4 0.3

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. Protection of Electricity Distribution Networks. IET Power Energy Series 47.

95
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)


Exemplo: A 𝟓𝟎𝟎 B
T1 T2
𝟓 F L
~
67
𝟏𝟏𝟓𝟎𝟎𝟎
𝟏𝟏𝟓

Solução:
A corrente de curto-circuito nas fases B e C, para o sistema apresentado no ponto F será
(p.u):
𝐼𝐴ሶ ≅ 0
𝐼𝐵ሶ ≅ 22.76∠135.86𝑜 A
𝐼𝐶ሶ ≅ 22.76∠44.14𝑜 A
A tensão em cada uma das fases:
𝑉𝐴ሶ = 0.66 𝑝. 𝑢
𝑉ሶ𝐵 = 𝑉ሶ𝐶 = 0
Considerando os relés utilizados:
Relé 1 : 𝐼𝐴 e 𝑉𝐴𝐶 ; ሶ = 𝑉𝐴ሶ − 𝑉ሶ𝐶 = 43.82∠0𝑜 𝑉
𝑉𝐴𝐶
Relé 2 : 𝐼𝐵 e 𝑉𝐵𝐴 ; 𝑉ሶ𝐵𝐴 = 𝑉ሶ𝐵 − 𝑉𝐴ሶ = 43.82∠180𝑜 𝑉
Relé 3 : 𝐼𝐶 e 𝑉𝐶𝐵 ; 𝑉ሶ𝐶𝐵 = 𝑉ሶ𝐶 − 𝑉ሶ𝐵 = 0

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. Protection of Electricity Distribution Networks. IET Power Energy Series 47.
96
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)

Solução:

ሶ e a corrente na fase A para (𝝉 = 𝟎):


Analisando o relé polarizado pela tensão 𝑉𝐴𝐶

𝐶=0

Região de não Região de atuação


ሶ = 𝑉𝐴ሶ − 𝑉ሶ𝐶 = 43.82 𝑉
𝑉𝐴𝐶 atuação

𝐼𝐴ሶ ≅ 0
𝑰ሶ 𝑨 ≅ 𝟎 𝑽ሶ 𝑨𝑪 = 𝟒𝟑. 𝟖𝟐∠𝟎𝒐 𝐶𝑚𝑎𝑥

Considerando esta situação, o relé não irá atuar, pois considerando que a corrente de ajuste do relé é maior
do que a corrente de carga, está não será suficiente para fazer o relé atuar.

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. Protection of Electricity Distribution Networks. IET Power Energy Series 47.
97
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)


Solução:

Analisando o relé polarizado pela tensão 𝑉ሶ𝐵𝐴 e a corrente na fase B para (𝝉 = 𝟎):

𝑉ሶ𝐵𝐴 = 𝑉ሶ𝐵 − 𝑉𝐴ሶ = 43.82∠180𝑜 𝑉 𝑰ሶ 𝑩 ≅ 𝟐𝟐. 𝟕𝟔∠𝟏𝟑𝟓. 𝟖𝟔


Região de não
𝐼𝐵ሶ ≅ 22.76∠135.86 atuação

𝑽ሶ 𝑩𝑨 = −𝟒𝟑. 𝟖𝟐 𝐶𝑚𝑎𝑥
Região de atuação

𝐶=0

Neste caso, o relé irá atuar.

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. Protection of Electricity Distribution Networks. IET Power Energy Series 47. 98
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)


Solução:

Analisando o relé polarizado pela tensão 𝑉ሶ𝐶𝐵 e a corrente na fase B para (𝜏 = 0):

𝐶=0
𝑰ሶ 𝑪 ≅ 𝟐𝟐. 𝟕𝟔∠𝟒𝟒. 𝟏𝟒

𝑽ሶ 𝑪𝑩 = 𝟎
𝑰ሶ 𝑪 ≅ 𝟐𝟐. 𝟕𝟔∠𝟒𝟐. 𝟕𝟑 𝑨
𝑽ሶ 𝑪𝑩 = 𝟎 𝐶𝑚𝑎𝑥

Para este caso, o relé não atuaria pois a tensão 𝑉𝐶𝐵 = 0 não polariza o relé.

Resumo:

Relé 1 (𝐼𝐴 e 𝑉𝐴𝐶 ): Não atua.


A 𝟓𝟎𝟎 B
T1 T2
Relé 2 (𝑰𝑩 e 𝑽𝑩𝑨 ) : Atua. 𝟓 F L
~
𝟏𝟏𝟓𝟎𝟎𝟎
Relé 3 (𝐼𝐶 e 𝑉𝐶𝐵 ): Não atua. 67
𝟏𝟏𝟓

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. Protection of Electricity Distribution Networks. IET Power Energy Series 47. 99
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés direcionais (67)


Conclusão:

❑ Os relés direcionais podem também ser aplicados em plantas industriais por utilização de
motores de indução que podem alimentar curto-circuitos em redes de distribuição;

❑ Em sistemas com alta penetração de Geração Distribuída os relés direcionais terão papel
cada vez mais importante.

A perda de radialidade em sistemas de


distribuição com o avanço da geração
distribuída deverá impulsionar ainda mais a
utilização destes dispositivos.

100
Capítulo 11

Relé Diferencial (87)

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)

❑Dispositivo de proteção utilizado para


Os relés diferenciais
proteger transformadores, linhas de consideram a diferença
transmissão, barramentos, entre outros das correntes na
elementos tendo em conta a diferença de
corrente na entrada e na saída destes
entrada e saída dos
elementos; dispositivos para avaliar
se há um curto-circuito
❑Uma das principais aplicações deste relé
está associada aos transformadores;
interno.

102
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


❑ Dispositivo de proteção utilizado para proteger transformadores, linhas de transmissão,
barramentos, entre outros elementos tendo em conta a diferença de corrente na entrada e
na saída destes elementos;

❑ Uma das principais aplicações deste relé está associada aos transformadores;

𝑰𝑿
𝑰𝒀

𝑰𝑪𝑪 𝑰𝒚 𝑰𝒐𝒑
40%
25%
𝑰𝒙
Operação 𝑰𝒐𝒑. = 𝑰𝒙 − 𝑰𝒚 ≠ 𝟎 15%

𝑰𝒓𝒆𝒔𝒕.
Restrição
𝑰𝒙 + 𝑰𝒚
𝑰𝒓𝒆𝒔𝒕. =
𝟐

103
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)

❑ Na aplicação de proteção de Transformadores de Potência, alguns pontos devem ser destacados:

✓ Relação de transformação;

✓ Conexão dos TCs (Primário e secundário);

✓ Mudança de tape (no relé);

✓ Corrente de magnetização (inrush).

𝑰𝑿
𝑰𝒀

𝑰𝑪𝑪 𝑰𝒚 𝑰𝒐𝒑
40%
25%
𝑰𝒙
Operação 𝑰𝒐𝒑. = 𝑰𝒙 − 𝑰𝒚 ≠ 𝟎 15%

𝑰𝒓𝒆𝒔𝒕.
Restrição
𝑰𝒙 + 𝑰𝒚
𝑰𝒓𝒆𝒔𝒕. =
𝟐 104
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)

No esquema a seguir, estão ilustrados o esquema de ligação dos TCs e as correntes envolvidas no
processo de acionamento do relé diferencial, para um transformador (∆-y aterrado)

𝑰𝑨ሶ
𝑰𝑨ሶ Transformador ∆-y aterrado 𝑰𝒂ሶ = ∠ − 𝟑𝟎𝒐
𝑵 𝟑
TC1 TC2

𝑰𝒂ሶ ′
𝐼𝐴′ሶ = 𝐼𝐴 ሶ′′ 𝑰𝒂ሶ ′′ = 𝟑𝑰𝒂ሶ ′𝒆𝒋𝟑𝟎
𝒐

𝑰𝑨ሶ ′′ R R 𝑰𝒂ሶ ′′


(𝑰′′ ሶ
𝒂 − 𝑰𝑨 ′′)
OP
R R

OP
R R

OP

Relé Diferencial

105
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Os relés possuem tapes (de conexão) que permitem compensar parte do erro das
correntes que alimenta as bobinas. Comercialmente podem ser encontradas tabelas
do seguinte tipo:

Tabela: Matriz de derivações do relé.


Tapes Tapes
(alta) (Baixa tensão)

2.9 3.2 3.5 3.8 4.2 4.6 5.0 8.7


2.9 1.000 1.103 1.207 1.310 1.448 1.586 1.724 3.000
3.2 1.000 1.094 1.188 1.313 1.438 1.563 2.719
3.5 1.000 1.086 1.200 1.314 1.429 2.486
3.8 1.000 1.105 1.211 1.316 2.289
4.2 1.000 1.095 1.190 2.071
4.6 1.000 1.087 1.891
5.0 1.000 1.740
8.7 1.000

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.

106
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Exemplo:
Considere um transformador de potência de 26 MVA, tensão 69/13,8 kV, ligado em triângulo no primário e
estrela no secundário. Determine:

a) Os parâmetros dos TCs e os ajustes necessários do relé;


b) Dado os ajustes acima, verifique se o relé opera para uma corrente de curto-circuito monopolar (fase-
terra) de 2100 (A) no enrolamento da fase A do secundário do transformador. Considere que a corrente de
carga igual a zero.

Fig.: Relação entre grandeza de restrição e operação no relé.

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.


107
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Solução:

a) A corrente nominal primária e secundária do transformador na potência nominal (Seq. Positiva):

𝑛𝑜𝑚 26 ∙ 106 𝑜
𝐼𝐴ሶ = = 217.5 ∙ 𝑒 +𝑗0 𝐴
3 ∙ 69 ∙ 103

𝑛𝑜𝑚 26 ∙ 106 𝑜
𝐼𝑎ሶ = = 1087.76 ∙ 𝑒 −𝑗30 𝐴
3 ∙ 13.8 ∙ 103

Dimensionamento dos TCs:


250
𝑅𝑇𝐶𝑝𝑟𝑖𝑚 𝑇𝑅 = = 50
𝑇𝐶(69𝑘𝑉) (69𝑘𝑉) 5
𝐼𝑛𝑜𝑚 𝑝𝑟𝑖𝑚. = 250𝐴 > 217.5 𝐴

𝐼𝑛𝑜𝑚 𝑇𝐶(13.8𝑘𝑉) = 1200𝐴 > 1087.76 𝐴 1200


𝑠𝑒𝑐. 𝑅𝑇𝐶𝑠𝑒𝑐 𝑇𝑅
(13.8𝑘𝑉) = = 240
5

PS: Para analisar se o TC é realmente adequado deve-se avaliar a saturação do TC para o maior valor de
corrente de curto-circuito que pode passar por ele.

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.


108
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Solução:
b) A corrente nominal no secundário dos TCs:
𝑜
𝐼𝐴ሶ 217.5 ∙ 𝑒 +𝑗0

𝐼𝐴 ′ = = = 4.35 𝐴 Chegando no relé 𝐼𝐴 ሶ′′ = 𝐼𝐴ሶ ′ = 4.35 A
𝑅𝑇𝐶∆ 50
𝑜
𝐼𝑎 ሶ′′ = 3𝐼𝑎ሶ ′𝑒 𝑗30 = 7.84 𝐴
𝑜
𝐼𝑎ሶ 1087.76 ∙ 𝑒 −𝑗30 𝑜
𝐼𝑎ሶ ′ = = = 4.53 ∙ 𝑒 −𝑗30 𝐴
𝑅𝑇𝐶𝑦 240
O erro induzido na comparação das correntes que chegam ao relé é de 80%.

ሶ 𝐼𝐴ሶ ′′
𝐼𝑎 ′′−
∆𝐼 % = ∙ 100 = (7.84 − 4.35)/4.35 ≅ 80%
𝐼𝐴 ′′

Neste caso, seria conveniente substituir o TC. Substituindo o TC de 1200 A por um TC de 2000A

2000
𝑅𝑇𝐶𝑠𝑒𝑐 𝑇𝑅
(13.8𝑘𝑉) = = 400
5

A corrente no lado da baixa tensão:

𝑜
ሶ 𝐼𝑎ሶ 1087.76 ∙ 𝑒 −𝑗30 𝑜
𝐼𝑎 ′ = = = 2.72 ∙ 𝑒 −𝑗30 𝐴 Chegando no relé
𝑅𝑇𝐶𝑦 400

𝑜
𝐼𝑎 ሶ′′ = 3𝐼𝑎ሶ ′𝑒 𝑗30 = 4.70 𝐴
109
Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Solução:
Para minimizar o efeito das correntes que deve fluir na bobina de restrição em condições de corrente de carga (situação
normal de funcionamento), escolhe-se o tape em função da diferença das correntes que fluem no secundário dos TCs
provenientes do primário e secundário do transformador. Assim:
ሶ 𝐼𝐴ሶ ′′
𝐼𝑎 ′′− 4.70−4.35
∆𝐼 % = ∙ 100 = ∙ 100 ≅ 8%
𝐼𝐴 ′′ 4.35

Da tabela de tapes, o ajuste escolhido será:


Tape escolhido

𝐼𝑎 ′′
= 4.70/4.35 ≅ 1.08% 𝑇𝑎𝑝𝑒 = 1.086
𝐼𝐴 ′′

Assim, as derivações escolhidas são:

Tapes Tapes
Baixa tensão: 3.8 (alta) (Baixa tensão)
Alta tensão: 3.5 2.9 3.2 3.5 3.8 4.2 4.6 5.0 8.7

2.9 1.000 1.103 1.207 1.310 1.448 1.586 1.724 3.000

3.2 1.000 1.094 1.188 1.313 1.438 1.563 2.719

3.5 1.000 1.086 1.200 1.314 1.429 2.486

3.8 1.000 1.105 1.211 1.316 2.289

4.2 1.000 1.095 1.190 2.071

4.6 1.000 1.087 1.891

5.0 1.000 1.740

8.7 1.000

110
Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED.
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Solução:

Ajuste da declividade (Por simplicidade, será desconsiderado o Tape de ajuste):


A corrente na bobina de restrição será :

𝐼𝑎′′ሶ + 𝐼\ሶ′′
𝐴 4.70 + 4.35
𝐼𝑟𝑒𝑠𝑡 = =
2 2
= 4.52 𝐴

A corrente na bobina de operação será :

𝐼𝑜𝑝 = 𝐼𝑎′′ሶ − 𝐼𝐴′′ሶ = 4.70 − 4.35 = 0.35 𝐴

A declividade deve ser ajustada de forma que:

𝑰𝒐𝒑 𝟎.𝟑𝟓
𝑫𝒆𝒄𝒍𝒊𝒗𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 % > 𝑰 . 𝟏𝟎𝟎 = 𝟒.𝟓𝟐 ≅ 𝟕. 𝟕%
𝒓𝒆𝒔𝒕

Portanto, a declividade escolhida será de 20%.

Fig.: Relação entre grandeza de restrição e operação no relé.

Fonte: Mamede, 2005. MANUAL DE EQUIPAMENTOS ELETRICOS - 3ªED. 111


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés diferencial (87)


Conclusão:
❑ Os relés diferenciais tem sua aplicação clássica na proteção de transformadores contra
faltas internas (principalmente nos enrolamentos) dos transformadores;
❑ Entretanto, sua aplicação não se restringe a transformadores. Barramentos, geradores e
linhas de transmissão são algumas das possíveis aplicações deste tipo de dispositivo

Por serem dispositivos muito sensíveis, o


processo de energização de um sistema
elétrico pode acionar estes dispositivos. Os
cuidados devem ser ainda maiores se a outros
dispositivos ativos no sistema.

112
Capítulo 12

Relé de Distância (21)

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)

❑ É importante que qualquer falta em sistemas de


potência seja eliminada rapidamente. Caso
contrário, isso poderia resultar em:
A aplicação de relés de
✓ Danos a equipamentos do sistema; distância, em longas linhas de
✓ Perda de estabilidade no sistema elétrico; transmissão/distribuição,
pode desempenhar um papel
✓ Problemas de qualidade e continuidade de importante para minimizar o
energia. tempo de atuação da proteção
❑ Relés de distância têm aplicações principalmente e, consequentemente,
em sistemas com linhas longas, pois permitem mitigando os problemas
que os trechos destas linhas possam ser listados.
protegidos em tempos diferentes.

114
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Um típico exemplo de aplicação é uma linha de transmissão com trechos que podem ser
protegidos por um relé de distância com três zonas de atuação, conforme figuras abaixo:

A B C

2 2 3 4 3 4

Dist

O diagrama de distância x tempo das zonas de atuação do relé

𝑡3

𝑡2

𝑡1

𝒁𝟏 = 𝑨𝑩 𝒁𝟐 = 𝑨𝑩 + 𝑩𝑪 + 𝟏𝟎%𝑪𝑫 𝒁𝟑 = 𝑨𝑩 + 𝑩𝑪 + 𝟓𝟎%𝑪𝑫 Ω

115
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Relé de impedância ou ohm
A relação entre V e I, também pode ser obtida por:
𝑉 𝑘1
=𝑍= = 𝑐𝑡𝑒 (*)
𝐼 𝑘2

A expressão acima descreve a equação do circulo com centro na origem, representado em um plano
Z=R+jX. Elevendo ao quadrado os dois lados da expressão (*):
2
𝑘1
𝑍2 = = 𝑅 2 + 𝑋 2 = 𝑐𝑡𝑒
𝑘2

𝑍1
Fig: Diagrama R-X

𝒁𝟐

Como é possível observar a área de atuação do relé de impedância está limitada à circunferência de
𝑘1
raio .
𝑘2

Em muitos casos, são consideradas diferentes zonas de proteção, de acordo com o ajuste do relé.

116
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Tipos clássicos de relés

Os ajustes dos relés podem ser ajustados para produzir figuras em formato mho deslocado, elíptico (lenticular),
quadrilateral ou de tomate para adaptar o relé a diferentes condições de operações.

Fig: Relé de MHO deslocado

117
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Tipos clássicos de relés

Os ajustes dos relés podem ser ajustados para produzir figuras em formato mho deslocado, elíptico
(lenticular), quadrilateral ou de tomate para adaptar o relé a diferentes condições de operações.

Fig: Formato elíptico.

Pode ser obtido da combinação de dois relés de admitância em série.

118
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Tipos clássicos de relés

Os ajustes dos relés podem ser ajustados para produzir figuras em formato mho deslocado, elíptico
(lenticular), quadrilateral ou de tomate para adaptar o relé a diferentes condições de operações.

Fig: Formato tomate.

Pode ser obtido da combinação de dois relés de admitância em paralelo.

119
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Tipos clássicos de relés

Os ajustes dos relés podem ser ajustados para produzir figuras em formato mho deslocado, elíptico
(lenticular), quadrilateral ou de tomate para adaptar o relé a diferentes condições de operações.

Fig: Formato quadrilátero.

Pode ser obtido da combinação de um relé de reatância com dois relés de impedância angular.

120
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Exemplo (Caminha, 1988):
A figura abaixo representa um sistema de potência em que pode ser visto um relé de distância tipo MHO
conectado através de TCs e TPs, cujas relações são de 300/5 e 154.000/115 V. Pede-se:
a) Traçar o diagrama de distância x tempo das zonas de atuação do relé;
b) Traçar no plano R-X as características das zonas de atuação do relé, mostrando os respectivos
alcances;

Dados:
Tensão máxima de operação do sistema = 162 kV;
Impedância de sequência positiva das linhas = 0.242+j0.9397 (ohm/km);
Ângulo de sensibilidade máxima do relé igual ao ângulo da linha (θ = 𝜏);
Ajustes das zonas:
𝑍1 = 90% de AB.
𝑍2 = AB+50% de BC.
𝑍3 = AB+BC+10% de CD.

121
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Solução:

a. O diagrama de distância x tempo das zonas de atuação do relé;

𝑡3

𝑡2

𝑡1

𝑍1 = 13,07 + 𝑗50,74 𝑍2 = 24,2 + 𝑗93,97 𝑍3 = 36,54 + 𝑗141,9 Ω

Dados:
Impedância de sequência positiva das linhas = 0.242+j0.9397 (ohm/km);
Ajustes das zonas:
𝑍1 = 90% de AB.
𝑍2 = AB+50% de BC.
𝑍3 = AB+BC+10% de CD.
122
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Solução:

b. No plano R-X as características das zonas de atuação dos relés são:

𝑍1 = 13,07 + 𝑗50,74
𝒁𝟐 = 𝟐𝟒, 𝟐 + 𝒋𝟗𝟑, 𝟗𝟕
𝒁𝟑 = 𝟑𝟔, 𝟓𝟒 + 𝒋𝟏𝟒𝟏, 𝟗

123
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Distância (21)


Conclusão:
❑ Os relés de distância são dispositivos que buscam “enxergar” o local da falta através de
medidas de tensão e corrente;

❑ Assim, para linhas longas, a oscilografia pode ajudar na localização e identificação do


tipo de falta;

❑ Entretanto, deve-se destacar que erros de medição ou interferências na rede por um nó


no sistema ou injeção por geração distribuída influenciam na região de proteção.

Deve-se destacar que erros de medição ou


interferências na rede por um nó no sistema ou
injeção por geração distribuída influenciam na
região de proteção

124
Capítulo 13

Relé de frequência (81)

Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid


Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)

❑ A frequência elétrica (60 Hz no Brasil) é um


indicador de equilíbrio entre geração e carga;
A partir do avanço da
❑ Quando há um desequilíbrio entre geração e Geração Distribuída e das
demanda, os relés de frequência atuam
(cortando carga ou geração) para recuperar a
micro-redes, os relés de
frequência nominal; frequência terão papel
❑ Os relés de frequência são dispositivos muito
fundamental para manter
utilizados em sistemas de transmissão de as microrredes
energia elétrica para efetuar cortes de geração
ou cortes de carga quando ocorrer variações
funcionando de forma
significativas na frequência. isolada.

126
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Exemplo:
Considere o diagrama unifilar de uma planta industrial conforme a figura. Estabeleça uma estratégia de corte
de carga para o sistema (Gers, 2004).
Condições iniciais:
Carga total: 24.0 MW Auto-produção: 8.0 MW
𝑓𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 59 𝐻𝑧
GH: 35.43 Total importado: 16.0 MW
Uma possível situação de sobrecarga é a perda
da alimentação da rede de distribuição. Assim:

... 𝟐𝟒 − 𝟖
... %𝑺𝒐𝒃𝒓𝒆𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂 = ∙ 𝟏𝟎𝟎 = 𝟐𝟎𝟎%
𝟖
~ ~
Em função das cargas prioritárias (totalizando 8.02
MW) e dada a auto-produção (8.0 MW), as cargas que
podem ser cortadas totalizam 15,98 MW . A tabela a
seguir descreve como o corte de carga será
implementado em cada estágio:
Corte de carga Descrição MW
1 Carga 1 6.03
2 Carga 2 4.73
3 Carga 3 5.22
Total do corte de carga(MW) 15.98

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 127
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Critérios para ajustar o relé de frequência

✓ A determinação do ajuste do relé de frequência é um processo iterativo e deve ser feito de tal forma
que o ajuste final defina uma atuação rápida e coordenada;

✓ Neste processo, a coordenação dos diferentes estágios deve ser checada para que o menor montante
de carga seja cortado;

✓ Ao ajustar o relé é necessário considerar o intervalo de tempo entre o acionamento do relé até o
momento em que a carga é efetivamente desconectada;

✓ Os seguintes valores são tipicamente usados:


𝑟𝑒𝑙𝑒
▪ Tempo de acionamento do relé: 𝑡𝑜𝑝 = 50 ms.
𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
▪ Tempo de abertura do disjuntor: 𝑡𝑜𝑝 = 100 ms.

✓ A variação da frequência será feita usando o modelo da máquina simples, e a carga modelada como
potência constante;

✓ É considerado que a carga conectada antes da desconexão da geração é a mesma de antes da


contingência. Esta consideração despreza o efeito da rampa de variação da carga com a tensão, o que
torna o ajuste da proteção mais robusto.

128
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Exemplo:
Considere o diagrama unifilar de uma planta industrial conforme a figura. Estabeleça uma estratégia de corte
de carga para o sistema.

Condições iniciais:
Carga total: 24.0 MW Auto-produção: 8.0 MW
𝑓𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 59 𝐻𝑧
GH: 35.43 Total importado: 16.0 MW
Uma possível situação de sobrecarga é a perda da alimentação da rede de
distribuição. Assim:
𝟐𝟒 − 𝟖
%𝑺𝒐𝒃𝒓𝒆𝒄𝒂𝒓𝒈𝒂 = ∙ 𝟏𝟎𝟎 = 𝟐𝟎𝟎%
𝟖
... ...
~ ~
Em função das cargas prioritárias (totalizando 8.02 MW) e dada a auto-
produção (8.0 MW), as cargas que podem ser cortadas totalizam 15,98 MW . A
tabela a seguir descreve como o corte de carga será implementado em cada
estágio:
Corte de carga Descrição MW

1 Carga 1 6.03

2 Carga 2 4.73

3 Carga 3 5.22

Total do corte de carga(MW) 15.98

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004.
129
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑
Estágio 1: Desconexão com 𝒇𝟏 = 𝟓𝟗 𝑯𝒛

Estágio 2: Deverá ser definido de forma que:


𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫
𝒇𝟐 ≤ 𝒇𝟏 𝟏

Considerando a expressão:
𝒇(𝑯𝒛) 6.03 MW
𝒅𝒇 𝑷𝑨 ∙ 𝒇𝟎 60
=
𝒅𝒕 𝟐𝑮𝑯
𝑷𝟏
𝑃𝐴 ∙ 𝑓0 𝟓𝟗
𝑑𝑓 = ∙ 𝑑𝑡
2𝐺𝐻
𝑑𝑓 −6.03 ∙ 60
= = −5.106 𝐻𝑧/𝑠
𝑑𝑡 2(35.43)
Para 𝑓 = 59 𝐻𝑧:
𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 𝑑𝑓 𝑃1(6.03)
𝑓1 = ∙𝑡 + 𝑓0
𝑑𝑡 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝
𝑃1 (6.03) 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 𝑑𝑡
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 𝑓1 − 𝑓0 ∙
𝑑𝑓
1 0.196 𝑡(𝑠)
𝑃1 (6.03)
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 59 − 60 ∙
−5.106
𝑷 (𝟔.𝟎𝟑)
𝟏
𝒕𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟏𝟗𝟔 𝒔

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 130
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
Estágio 2: Deverá ser definido de forma que:
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫
𝒇𝟐 ≤ 𝒇𝟏 𝟏
O tempo para efetuar o corte de carga: 𝒇(𝑯𝒛)
6.03 MW
𝑃1 (6.03) 𝑃1 (6.03) 𝑟𝑒𝑙𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 60

𝑃 (6.03)
1 𝑷𝟏
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 0.196 + 0.05 + 0.1 𝟓𝟗
𝑷 (𝟔.𝟎𝟑)
𝟏 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟑𝟒𝟔 𝒔 58.23
𝑷𝟐
𝟓𝟖. 𝟏𝟓
Até o acionamento do disjuntor, a
frequência terá caído para:
𝐷 𝑑𝑓 𝑃1(6.03)
𝑓1 1 = ∙ 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 + 𝑓0
𝐷
𝑑𝑡
𝑓1 1 = −5.106 ∙ (0.346) + 60
𝑫
𝒇𝟏 𝟏 = 𝟓𝟖. 𝟐𝟑 𝑯𝒛
A análise para uma sobrecarga mais 0.196 𝑡(𝑠)
severa (10.76 MW), deve considerar
um valor que esteja abaixo de 58.23
Hz.
Assim, considera-se: 58.15 Hz.
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑
𝒇𝟐 = 58.15 Hz
Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 131
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
Estágio 3: Deverá ser definido de forma
que não operará para sobrecargas abaixo
de (6.03+4.73)=10.76 MW, que são
desconectadas no estágio 1 e 2. Logo:
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫 𝒇(𝑯𝒛) 10.76 MW
𝒇𝟑 ≤ 𝒇𝟐 𝟏 6.03 MW
60
Considerando a expressão:
𝒅𝒇 𝑷𝑨 ∙ 𝒇𝟎 𝑷𝟏
𝟓𝟗
=
𝒅𝒕 𝟐𝑮𝑯 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
58.23
𝑃𝐴 ∙ 𝑓0 𝟓𝟖. 𝟏𝟓
𝑷𝟐
𝑑𝑓 = ∙ 𝑑𝑡
2𝐺𝐻
𝒅𝒇 −𝟏𝟎. 𝟕𝟔 ∙ 𝟔𝟎
= = −𝟗. 𝟏𝟏𝟏 𝑯𝒛/𝒔
𝒅𝒕 𝟐(𝟑𝟓. 𝟒𝟑)
O tempo de acionamento para o
primeiro estágio:
𝑑𝑓 𝑃1(10.76)
𝑓= ∙𝑡 + 𝑓0 0.110 0.196 𝑡(𝑠)
𝑑𝑡 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝
𝑃1 (10.76) 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 𝑑𝑡
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 𝑓1 − 𝑓0 ∙
𝑑𝑓
𝑃1 (10.76) 1
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 59 − 60 ∙
−9.111
𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝟏
𝒕𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟏𝟏𝟎 𝒔
Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 132
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
Estágio 3: Deverá ser definido de forma
que não operará para sobrecargas abaixo
de (6.03+4.73)=10.76 MW, que são
desconectadas no estágio 1 e 2. Logo:
𝒇(𝑯𝒛) 10.76 MW
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫 6.03 MW
𝒇𝟑 ≤ 𝒇𝟐 𝟏
60
O tempo para efetuar o primeiro corte
de carga: 𝑷𝟏
59
𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔) 𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔) 𝒅𝒊𝒔𝒋𝒖𝒏𝒕𝒐𝒓 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝟏
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 𝟏
= 𝒕𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = +𝒕𝒓𝒆𝒍𝒆
𝒐𝒑 + 𝒕𝒐𝒑 58.23
𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
𝑷𝟏 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 0.110 + 0.05 + 0.1 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
57.63
𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝟏
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟐𝟔 𝒔
4.73 MW
A frequência neste intervalo terá caído
para:
𝑫 𝑑𝑓 𝑃1(10.76)
𝒇𝟐 𝟏 = ∙𝑡 + 𝑓0
𝑑𝑡 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 0.110 0.196 𝑡(𝑠)
𝑫
𝒇𝟐 𝟏 = −9.111 ∙ (0.26) + 60
𝑫
𝒇𝟐 𝟏 = 𝟓𝟕. 𝟔𝟑 𝑯𝒛

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 133
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:

Estágio 3: Deverá ser definido de forma que


não operará para sobrecargas abaixo de
(6.03+4.73)=10.76 MW, que são
desconectadas no estágio 1 e 2. Logo:
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫 𝒇(𝑯𝒛)
𝒇𝟑 ≤ 𝒇𝟐 𝟏
10.76 MW
𝑃2 (10.76) 6.03 MW
O valor de 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 no 2º estágio: 60

𝑃 (10.76)
2 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 𝑑𝑡
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 𝑓2 − 𝑓0 ∙ 𝑷𝟏
𝟓𝟗
𝑑𝑓
𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝑃2 (10.76) 1
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 58.15 − 60 ∙ 58.23
−9.111 𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝟐 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
𝒕𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟐𝟎𝟑 𝒔 57.63
𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)

2 𝑃 (10.76)
O valor de 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 no segundo estágio:
4.73 MW
𝑃2 (10.76) 𝑃2 (10.76) 𝑟𝑒𝑙𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 + 𝑡𝑜𝑝
𝑃 (10.76)
2
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 0.203 + 0.05 + 0.1 0.110 0.196 0.203 𝑡(𝑠)

𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝟐
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟑𝟓𝟑 𝒔

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 134
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
Estágio 3: Deverá ser definido de forma que
não operará para sobrecargas abaixo de
(6.03+4.73)=10.76 MW, que são
desconectadas no estágio 1 e 2. Logo:
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 𝑫
𝒇𝟑 ≤ 𝒇𝟐 𝟐
𝑷 (𝟏𝟎.𝟕𝟔)
𝟐
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟑𝟓𝟑 𝒔 𝒇(𝑯𝒛) 10.76 MW
A equação da frequência em função do 6.03 MW
60
tempo ganha uma nova inclinação em 0.26
s. Assim: 𝑃𝐴 ∙ 𝑓0 𝑷𝟏
𝑑𝑓 = ∙ 𝑑𝑡 𝟓𝟗
2𝐺𝐻 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )

𝑑𝑓 −4.73 ∙ 57.63 58.23


= = −3.847 𝐻𝑧/𝑠 𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
𝑑𝑡 2(35.43) 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
𝑫 57.63
O valor de 𝒇𝟐 𝟐 no 2º estágio: 57.24
𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)

𝐷2 𝑑𝑓 𝑃2 10.76 𝑃1 10.76 𝟓𝟕. 𝟐 𝑷𝟑


𝑓2 = 𝑓0 + 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 4.73 MW
𝑑𝑡
𝐷
𝑓2 2 = 57.63 − 3.847 0.353 − 0.26
𝐷
𝑓2 2 = 57.24 𝐻𝑧 0.110 0.196 0.203 𝑡(𝑠)
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑
Portanto, o estágio 3 escolhido será: 𝒇𝟑 = 𝟓𝟕. 𝟐 𝑯𝒛

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 135
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:
Com uma sobrecarga de 15.98 MW:
Considerando a expressão:
𝒅𝒇 𝑷𝑨 ∙ 𝒇𝟎
=
𝒅𝒕 𝟐𝑮𝑯
𝑃𝐴 ∙ 𝑓0
𝑑𝑓 = ∙ 𝑑𝑡 15.98 MW
2𝐺𝐻
𝒇(𝑯𝒛)
𝑑𝑓 −15.98 ∙ 60 10.76 MW6.03 MW
= = −13.53 𝐻𝑧/𝑠 60
𝑑𝑡 2(35.43)
O tempo de acionamento para o 1º estágio: 𝑷𝟏
𝟓𝟗
𝑃1(15.98) 𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 𝑑𝑡 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 𝑓1 − 𝑓0 ∙
𝑑𝑓 58.23
𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
𝑃1(15.98) 1 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 = 59 − 60 ∙ 57.63
−13.53 𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)
𝑷𝟏(𝟏𝟓.𝟗𝟖) 57.274
𝒕𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟎𝟕𝟒 𝒔
𝟓𝟕. 𝟐 4.73 MW 𝑷𝟑
O tempo de acionamento do 2º:
𝒕𝑷𝟐
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟏𝟑𝟕𝒔

O tempo de acionamento do 3º: 0.074 0.110 0.137 0.196 0.207 𝑡(𝑠)


0.203
𝒕𝑷𝟑
𝒑𝒊𝒄𝒌−𝒖𝒑 = 𝟎. 𝟐𝟎𝟕𝒔

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 136
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:

Estágio 3: Com uma sobrecarga de


15.98 MW:

1 𝑃 (15.98)
O valor de 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 no 1º estágio: 15.98 MW
𝒇(𝑯𝒛)
𝑃1 (15.98) 𝑃1 (15.98) 𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
10.76 MW6.03 MW
𝑟𝑒𝑙𝑒
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 60

𝑃 (10.76)
1 𝑷𝟏
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 0.074 + 0.05 + 0.1 𝟓𝟗
𝑷 (15.98)
𝟏 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟐𝟐𝟒 𝒔 58.23
𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
A frequência correspondente: 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
57.63
𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)
𝑫 𝑑𝑓 𝑃1(15.98) 57.274
𝒇𝟑 𝟏 = ∙𝑡 + 𝑓0 4.73 MW
𝑑𝑡 𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝟓𝟕. 𝟐 𝑷𝟑
𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟐𝟒)
𝑫
𝒇𝟑 𝟏 = −13.53 ∙ (0.224) + 60 56.96

𝑫
𝒇𝟑 𝟏 = 𝟓𝟔. 𝟗𝟔 𝑯𝒛
0.074 0.110 0.137 0.196 0.207 𝑡(𝑠)
0.203

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 137
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:

Estágio 3: Com uma sobrecarga de 15.98 MW:

2 𝑃 (15.98)
O valor de 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 no 2º estágio:
𝑃 (15.98)
2 2 𝑃 (15.98)
𝑟𝑒𝑙𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 + 𝑡𝑜𝑝
𝑃 (10.76)
2
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 0.137 + 0.05 + 0.1 15.98 MW
𝑷 (𝟏𝟓.𝟗𝟖)
𝒇(𝑯𝒛)
𝟐
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟐𝟖𝟕𝒔 10.76 MW6.03 MW
60
Como a inclinação muda a partir de 0.224
s, a nova variação de frequência será: 𝟓𝟗
𝑷𝟏

𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
𝑑𝑓 −9.97 ∙ 56.96 58.23
= = −8.01 𝐻𝑧/𝑠 𝑷𝟐
𝑑𝑡 2(35.43) 𝟓𝟖. 𝟏𝟓
𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
A frequência correspondente: 57.63
𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)
57.274
𝐷 𝑑𝑓 𝑃2 15.98 𝑃1 15.98
𝑓3 2 − 𝑓0 = 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝟓𝟕. 𝟐 4.73 MW 𝑷𝟑
𝑑𝑡 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟐𝟒)
56.96 𝑫𝟐 (𝟎. 𝟐𝟖𝟕)
𝐷
𝑓3 2 − 56.96 ∙ −8.01 = 0.287 − 0.224 56.4
9.97 MW
𝑫
𝒇𝟑 𝟐 = 𝟓𝟔. 𝟒 𝑯𝒛 0.074 0.110 0.137 0.196 0.207 𝑡(𝑠)
0.203

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 138
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Solução:

Estágio 3: Com uma sobrecarga de 15.98 MW:


3 𝑃 (15.98)
O valor de 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 no 3º estágio:
𝑃 (15.98)
3 3 𝑃 (15.98)
𝑟𝑒𝑙𝑒 𝑑𝑖𝑠𝑗𝑢𝑛𝑡𝑜𝑟
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 𝑡𝑝𝑖𝑐𝑘−𝑢𝑝 + 𝑡𝑜𝑝 + 𝑡𝑜𝑝
𝑃 (10.76)
3
𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 = 0.207 + 0.05 + 0.1 15.98 MW
𝑷 (𝟏𝟓.𝟗𝟖) 𝒇(𝑯𝒛)
𝟑
𝒕𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍 = 𝟎. 𝟑𝟓𝟕 𝒔 10.76 MW6.03 MW
60
Como a inclinação muda a partir de 0.287
s, a nova variação de frequência será: 𝑷𝟏
𝟓𝟗
𝑑𝑓 −5.24 ∙ 54.6 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟑𝟒𝟔 )
= = −4.04 𝐻𝑧/𝑠
𝑑𝑡 2(35.43) 58.23
𝟓𝟖. 𝟏𝟓 𝑷𝟐
A frequência correspondente: 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟔)
57.63
𝑫𝟐 (𝟎. 𝟑𝟓𝟑)
𝐷 𝑑𝑓 𝑃3 15.98 𝑃2 15.98
57.274
𝑓3 3 − 𝑓0 = 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 − 𝑡𝑡𝑜𝑡𝑎𝑙 𝟓𝟕. 𝟐 4.73 MW 𝑷𝟑
𝑑𝑡 𝑫𝟏 (𝟎. 𝟐𝟐𝟒)
56.96 𝑫𝟐 (𝟎. 𝟐𝟖𝟕)
𝑫𝟑 (𝟎. 𝟑𝟓𝟕)
𝐷 56.4
𝑓3 3 − 56.40 = −4.04 ∙ 0.357 − 0.287 56.11 9.97 MW
𝑫 0.074 0.110 0.137 0.196 0.207 𝑡(𝑠)
𝒇𝟑 𝟐 = 𝟓𝟔. 𝟏𝟏 𝑯𝒛 5.24 MW
0.203

Fonte: Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series 47. Protection of Electricity Distribution Networks , 2004. 139
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid

Relés de Frequência (81)


Conclusão:

❑ Os relés de frequência tem papel fundamental em sistemas de transmissão para manter o


equilíbrio entre geração e carga;

❑ Quando ocorre uma perda de linha de transmissão ou geração, os relés de frequência


podem atuar isolando uma parte do sistema para manter o funcionamento do restante da
rede.

Os relés de frequência, largamente utilizados


em sistemas de transmissão agora tendem a
ser aplicados em redes de distribuição com
geração distribuída. Desta forma, redes
isoladas poderiam funcionar sem a
distribuidora.
140
Sistemas de Distribuição de Energia Elétrica e Introdução à Smart-grid
Referências

1. Elgerd, Olle. Introdução à teoria de sistemas de energia elétrica. Editora McGraw-Hill do Brasil, LTDA.

2. Caminha A. C. “Introdução à Proteção dos Sistemas elétricos”, Porto Alegre, SAGRA, 1988.

3. Proteção de Sistemas de Distribuição. Sérgio Guiguer, SAGRA.

4. Protection of Electricity Distribution Networks. Juan M. Gers e Edward J. Holmes. IET Power Energy Series
47.

5. Mamede, João. Proteção de sistemas elétricos de potência. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

6. Mamede, João. Manual de equipamentos elétricos. Rio de Janeiro: LTC, 2005.

7. Apostila de Proteção de Sistemas Elétricos. Professor Marcos A. Dias de Almeida, UFRN, 2000.

8. Apostila de Proteção de Sistemas de Energia Elétrica. Prof. Fujio Sato.

9. Kagan, Nelson. Introdução aos sistemas de distribuição de energia elétrica: LTC, 2005.

10. Kersting, William H. Distribution System Modeling and Analysis: CRC 2000.

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