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ARTIGO

MARCEL PARANHOS DIAS


Didata da SBDG

Inclusão, influência/controle
e abertura no desenvolvimento
de grupos e pessoas
Uma nova abordagem

Introdução novo entendimento diversificado do conceito de con-


trole, ampliam-se as possibilidades de intervenção, a
fim de auxiliar o aprimoramento do desempenho na
Este artigo tem a intenção de responder a ques-
produção dos grupos e crescimento dos membros.
tões do autor a partir de sua prática com a metodo-
Tomando isso como ponto de partida, o autor pro-
logia de Will Schutz, que estudou os grupos por
põe a pergunta: O grupo, utilizando a influência e
vários anos.
controla o seu funcionamento para evitar a sensação
O propósito também é propiciar uma reflexão
de insegurança diante do novo?
sobre o uso da influência pelo grupo no seu funcio-
Inicialmente, partindo de uma pesquisa biblio-
namento, sem que seus membros tenham consciência
gráfica, são expostos os principais conceitos dos au-
dos comportamentos usados no exercício deste con-
tores que têm relação com a proposta e com a
trole, cuja função é a de evitar o contato com o novo
pergunta, para em seguida apresentar os relatos de
e o enfrentamento da consequente aprendizagem
Will Schutz a respeito da sua coordenação de grupos
e desenvolvimento de novas habilidades. Com um

Resumo: Este trabalho trata de possibilidades de intervenções em Abstract: This paper deals with intervention possibilities in group
processos grupais, a partir de questões e reflexões do autor em processes, considering themes and reflections of the author in his
sua prática na facilitação de grupos. O autor constatou que exis- job to coordinate groups. The author came to the conclusion that
tem lacunas em conceitos e leis grupais que podem ser ampliadas e there are gaps in concepts and group laws that can be extended and
usadas na atividade de coordenação e contribuem para o desenvol- used in the coordination activity, contributing in this way to the to
vimento dos grupos e das pessoas. Tem como pano de fundo o uso the development of groups and people, having as scenario the use
do controle pelo grupo. A pesquisa bibliográfica é baseada na lite- of the control by the group. Besides the bibliographic research
ratura disponível, sobretudo as contribuições de Will Schutz, based on available literature, mainly emphasizing the contributions
Wilfred Bion e Pichón-Rivière. As observações dos movimentos by Will Schutz, Wilfred Bion and Pichón-Rivière, the observations
grupais foram confrontadas com os resultados de entrevistas com of the group movements carried out by the author were confronted
membros de um grupo para verificar a pertinência desta nova ver- with the results of interviews performed with members of a group,
tente. to verify the relevance of this new path.

Palavras-chave: Leitura grupal. Facilitação de grupos. Desenvolvi- Keywords: Group reading. Group coordination. Group and people
mento de grupos e pessoas. development.

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e dos objetivos dessas coordenações. Logo depois, serão ignoradas. Portanto, é a etapa de formação e
serão abordadas as novas concepções do uso da in- constituição do grupo.
fluência pelo grupo, indo além do controle nos rela- O comportamento de inclusão é decorrente de
cionamentos interpessoais e apontando prováveis dois aspectos: o racional e o defensivo. O racional
causas dos motivos de se usar este controle. Na se- representa simplesmente a preferência ou não em estar
quência, serão demonstrados os resultados da pes- com pessoas, é flexível e pode se adaptar às situações
quisa exploratória e como se relacionam com a nova e eventos. O defensivo representa a ansiedade em re-
proposta. Para concluir, as considerações finais com lação ao seu sentimento de importância, é rígido,
algumas reflexões do autor. não varia conforme a situação e resulta em comporta-
mentos inadequados. Por exemplo, se a pessoa se sen-
te ansiosa em relação à inclusão, pode, por um lado,
1 Os conceitos que norteiam o trabalho falar demais ou se exibir, e, por outro, omitir-se.

Neste item serão abordados os principais concei-


tos aqui utilizados. Primeiramente, cumpre descrever 1.1.2 Comportamento de controle
as três dimensões do comportamento e, em seguida,
a relação destas com os sentimentos, autoestima e Este comportamento refere-se à quantidade de
autoconceito. Esses são os conceitos que propiciam controle que a pessoa necessita exercitar nas áreas
entender o comportamento dos membros no contexto do poder, da influência e da assunção de respon-
grupal. Outros conceitos básicos são o de mentali- sabilidades. Importa lembrar que existem pessoas
dade de grupo, criado por Bion, e o de olhar, de que necessitam dar ordens, decidir, liderar e condu-
Pichon-Rivière em relação às mudanças no grupo e zir. Em contrapartida, há aquelas que preferem não
às ansiedades presentes, as quais são consequências ter poder e, desse modo, não querem influenciar nem
da aprendizagem. decidir; ao contrário, têm preferência a que os outros
assumam a liderança, optando por seguirem ordens
e instruções. Por isso, a necessidade de controlar
1.1 As três dimensões do comportamento varia segundo uma “régua interna”, desde exercer
(Schutz, 1994) um elevado controle até ser controlado e isentar-se
de toda a responsabilidade.
1.1.1 Comportamento de inclusão Algumas manifestações de controle podem se dar
por atitudes de revolta, rebeldia, resistência ou por
submissão, aceitação extrema e ausência de iniciativa.
O comportamento de inclusão refere-se à neces-
A etapa de controle em um grupo é caracterizada
sidade de interação com pessoas, considerando-se
por confrontações e disputas entre os membros pela
que algumas necessitam de mais interação e têm com-
liderança, por preferências em relação a membros ou
portamentos característicos, como sempre iniciar
ao líder do grupo, para saber quem vai assumir mais
conversas, gostar de participar de festas e atividades
ou menos responsabilidades e quem vai decidir.
em grupo; outros necessitam de menor interação,
O objetivo de cada participante é ter tanto po-
preferindo atividades solitárias, ou seja, raramente ini-
der e influência até atingir o seu grau de conforto,
ciam conversas e resistem a participar de atividades
entre um estado de pouca até a sobrecarga de res-
em grupo. A necessidade de ser incluído manifesta-
ponsabilidades.
-se por meio do desejo de ter a atenção dos outros,
Note-se que a parte racional da pessoa tem uma
de ser distinto dos demais, de pertencer a um grupo e
preferência natural por certo controle da própria
ser reconhecido como único.
vida, até por questões de sobrevivência; a parte de-
Inclusão é também uma das etapas do grupo,
fensiva, por sua vez, origina-se no medo da incom-
na qual as pessoas estão decidindo se querem dele
petência e fraqueza perante os desafios básicos da
fazer parte, estar dentro ou fora. É a fase em que as
vida, da autossustentação e da realização dos pró-
pessoas estão verificando se, naquele grupo, terão
prios desejos e necessidades.
ou não atenção e importância para os outros ou se

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1.1.3 Comportamento de abertura timentos as fontes de outros secundários, tais como
alegria, tristeza, frustração, raiva, inveja, ciúme.
O sentimento de importância é gerado quando a
Algumas pessoas preferem os relacionamentos
pessoa diz para a outra que ela tem significado e faz
que lhes permitam falar sobre seus pensamentos,
diferença na sua vida, ao mesmo tempo em que lhe
sentimentos, incômodos, sensações. Outras, tendem
dá atenção e a escuta.
a manter a privacidade e falar pouco sobre o que
Competência tem a ver com a habilidade de
pensam e sentem; buscam, pois, relações mais im-
tomar decisões e resolver problemas. Os indivíduos
pessoais e têm mais conhecidos do que amigos.
se sentirão competentes se tiverem capacidade de
Desse modo, as pessoas têm necessidades diferentes
enfrentar o mundo, satisfazer os seus desejos e ne-
em relação a serem mais abertas ou fechadas em
cessidades, além de adquirir bens materiais. A
relação à expressão de sentimentos e pensamentos.
competência os faz sentirem-se inteligentes, fortes,
O comportamento de abertura está relacionado
harmoniosos, capazes de encarar as questões relacio-
com proximidade, abraço, laços pessoais e emocio-
nadas com o viver. Quando se percebem incompe-
nais entre duas pessoas ou em um grupo; favorece
tentes, ocorre o oposto: há a sensação de fraqueza,
ou não a construção de vínculos emocionais e é,
impotência e incapacidade de se defrontar com a
geralmente, a última fase a emergir no desenvolvi-
vida, sentindo-se ameaçados e inseguros. Reconhe-
mento de uma relação humana.
cemos a competência do outro quando observamos
Essa é a etapa de consolidação das relações, de
que ele é capaz de lidar com o mundo, de utilizar
aumento da confiança entre os membros, fundamen-
suas habilidades para satisfazer seus desejos e de
tada no conhecer o outro, em identificar e aceitar as
lidar com os problemas que surgem na vida e, desse
diferenças individuais. Nessa etapa, há um aumento
modo, delegamos tarefas para ele realizar.
da afetividade, uma vez que existem condições mais
O sentimento de bem-querer e o de gostar das
satisfatórias para o exercício de confrontação e reso-
pessoas está relacionado com a habilidade que temos
lução de conflitos.
de criar um ambiente no qual elas possam gostar de
Também em relação a esse comportamento, as
si próprias. Ou seja, as pessoas gostarão de nós se
pessoas apresentam um lado racional e um lado de-
gostarem da forma como se comportam e se sentem
fensivo. O racional tem preferência por certa quanti-
na nossa presença; gostarão de nós se gostarem de si
dade de abertura, permite a adaptação e a flexibili-
próprias quando estiverem conosco.
dade a diferentes circunstâncias. O modo defensivo
As atitudes que os outros têm em relação às
se origina no medo de ser rejeitado e/ou não amado,
pessoas geram sentimentos que determinam, isto
leva à rigidez e às reações estereotipadas, indiferen-
é, geram os comportamentos nos relacionamentos
temente das exigências das situações.
interpessoais. Quando se convida uma pessoa para
Se a pessoa não for amada e/ou não se sentir capaz
participar de grupos de trabalho, de reuniões, ou
de ser amada, ela tenderá a relacionamentos superfi-
para contribuir de alguma forma, ela experimenta o
ciais, evitando os vínculos afetivos e ocultando quem
sentimento de importância, por ser incluída. Se ela
ela é, o que pensa e o que sente. Se, pelo contrário, ela
tiver reconhecidos os seus esforços, for elogiada no
for amada e/ou se sentir capaz de ser amada, estará
trabalho e se lhe forem delegadas tarefas significa-
mais propensa a exercer um maior nível de abertura,
tivas, haverá possibilidade de assumir mais respon-
tornando seus relacionamentos mais produtivos.
sabilidades e de influenciar. Tal pessoa experimenta,
pois, o sentimento de competência. Quando as pes-
1.1.4 As três dimensões dos sentimentos, soas expressam seus sentimentos, pensamentos e são
autoconceito e autoestima (Schutz, 1994) amáveis para com alguém, isto é, forem abertas, este
alguém experimentará o sentimento de ser benquisto.
Outro aspecto a considerar na geração dos com-
Para cada dimensão do comportamento já refe-
portamentos é o autoconceito em relação às três di-
rida – inclusão, controle e abertura –, existe uma
mensões dos sentimentos e à autoestima. Assim, se a
correspondente dimensão do sentimento, a saber: im-
pessoa se sentir importante, competente e benquista,
portância, competência e bem-querer, sendo esses sen-
adotará comportamentos mais produtivos em relação

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à inclusão, ao controle e à abertura. Ela terá maior • existência de um propósito comum;
flexibilidade ao amenizar suas defesas, sendo mais • reconhecimento comum dos limites de cada mem-
consciente de si, possibilitando percorrer a sua “ré- bro, sua posição e sua função em relação às uni-
gua interna”, entre alto e baixo, em relação aos seus dades e grupos maiores;
comportamentos nas três dimensões, dando, conse- • distinção entre os subgrupos internos;
quentemente, maior prioridade às necessidades do • valorização dos membros individuais por suas
relacionamento com o outro e/ou do grupo, em vez contribuições ao grupo;
de atender àquelas geradas pelas suas ansiedades. • liberdade de locomoção dos membros indivi-
duais dentro do grupo;
• capacidade de o grupo enfrentar descontenta-
1.2 Tarefa explícita, implícita, aprendizagem mentos dentro do próprio grupo e de ter meios
e ansiedades de lidar com ele.
Nesse sentido, os integrantes do grupo buscam
De acordo com Pichon-Rivière (1991), a tarefa conhecimento, aprendem por experiência e, constan-
subjetiva de um grupo implica um fazer e um refletir temente, perguntam qual a melhor maneira de alcan-
acerca deste fazer e das relações que se estabelecem çar sua meta.
durante a realização das tarefas que convoca a exis- O segundo espaço definido por Bion se refere
tência do grupo, faz parte ainda da tarefa subjetiva aos grupos de supostos básicos, ou a suposição bá-
a elaboração de duas ansiedades: medo da perda das sica, que é um termo que qualifica a mentalidade
estruturas existentes, comportamentos já aprendidos, grupal, que, segundo Grinberg (1973), é a vontade e
e que se mostraram eficazes, e receio do ataque da o desejo unânimes do grupo em um dado momento,
nova situação na qual as pessoas se sentem inseguras isto é, designa a atividade mental coletiva. Há uma
e ameaçadas diante da construção das novas estru- contribuição anônima, espontânea e inconsciente
turas, formas distintas de ser e atuar. para as forças que compõem o campo grupal e pode
Segundo Jasiner e Woronowsky (1992), todo haver conflito com os desejos, vontades ou pensa-
processo de mudança envolve ansiedades e ameaças mentos dos membros, gerando conflitos intrapessoais
advindas da aprendizagem e não ocorre sem contra- e confrontações interpessoais. Ou seja, o grupo tende
dições. Toda mudança significa desestruturar o co- a funcionar de forma a alcançar estados desejados,
nhecido, o já instrumentalizado para a ação e uma operando como uma unidade sem que seus membros
consequente nova estruturação e instrumentalização a isso se proponham com consciência. Assim, a men-
para lidar com o novo, havendo neste contexto uma talidade grupal é o recipiente ou continente de todas
contradição de sinais, um que impulsiona a mudar e as contribuições feitas pelos membros do grupo.
outro que impele a conservar as estruturas já conhe- Este cenário está configurado por emoções intensas.
cidas. Esses impulsos têm uma força e uma realidade que
se manifestam na conduta do grupo, e o grupo de su-
posto básico tem como finalidade aplacar a ansieda-
1.3 Mentalidade grupal de, depositando nesse suposto básico a solução da
ansiedade.
Para Bion, o grupo atua em dois espaços simul-
taneamente, dos quais um se refere ao grupo de
2 A caminhada de Will Schutz
trabalho, que é constituído pela reunião de pessoas
como facilitador de grupos
para a realização de uma tarefa específica, no qual
se consegue manter um nível refinado de comporta-
mento, distinguido pela cooperação. Cada um dos Em 1958, com a publicação do livro FIRO –
membros contribui com o grupo de acordo com suas (The interpersonal underworld), no qual descreve
capacidades individuais, e nesse caso, consegue-se sua teoria tridimensional do comportamento huma-
um bom espírito de grupo. Por espírito de grupo, no, Will Schutz apresenta os conceitos de inclusão,
Bion (1975, p. 18) entende que se trata de: controle e abertura que utilizou para a formação de

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equipes de trabalho em um centro operacional de mesma localidade; reuniões de negócio; “de onde
navios, na Guerra da Coreia, explorando a compati- você é?” (SCHUTZ, 1978, p. 63).
bilidade/incompatibilidade entre pessoas e conside-
rando a predominância dos comportamentos definidos O comportamento da pessoa, como se estivesse
em sua teoria. em uma festa, favorece a socialização e a descoberta
Posteriormente, Schutz (1978), relatou a sua par- de quem é quem, com quem ele terá mais possibili-
ticipação, entre os anos de 1961 e 1964, nos movi- dades de interação, tendo, assim, atendidas suas ne-
mentos que geraram os primeiros workshops tendo cessidades de se sentir importante, e/ou ser benquisto,
como objetivo o aprimoramento do desenvolvimento para tomar a decisão de permanecer ou não no grupo.
pessoal, empregando o processo de grupo. Desse mo- Na dimensão da afeição, que no livro The
vimento participaram Irving e Joseph Luft (1961/ human element ele chama de abertura, a interação
1962), Robert Tannenbaum, Charles Seashore, tem como propósito ter intimidade, construir a pos-
Herbert Shepard e Will Schutz (1963), tendo os cali- sibilidade de poder falar com alguém sobre senti-
fornianos John e Joyce Weir liderado o primeiro mentos, sensações – alegrias, medos, receios, dúvidas,
laboratório de Desenvolvimento Pessoal em Bethel. pedidos de ajuda. Ou expressar desagrados no rela-
Após ter-se instalado na Califórnia, Will Schutz deu cionamento.
continuidade a essa proposta, introduzindo no Insti-
[...] agora exploram a questão de se integrarem emo-
tuto Esalen, em Big Sur, a modalidade de grupo de cionalmente. Neste estágio notam-se, caracteristica-
desenvolvimento pessoal que, mais tarde, foi deno- mente, comportamentos afetivos (de abertura), como
minada de Encontro. a expressão de sentimentos positivos, a hostilidade
Portanto, Will Schutz, em sua teoria e nos pri- pessoal direta, ciúmes, formação de pares e, em geral
meiros passos de trabalho com grupos, nos mostra emoções e sentimentos intensificados entre os pares
que seu foco se situava nas possíveis facilidades e (SCHUTZ, 1978, p. 67).
dificuldades de interação entre pessoas e, no cresci-
mento das mesmas. Quanto à dimensão do controle, na subjetividade,
estão presentes disputas e competições entre os mem-
bros para adquirir mais poder, maior exercício da
2.1 O desenvolvimento de grupos liderança e, de alguma forma, maior influência.
segundo Will Schutz
[...] o comportamento característico do grupo inclui
luta pela liderança, competição, e discussões sobre
Ao apresentar a sua teoria sobre desenvolvimento procedimentos, sobre tomada de decisões e sobre
de grupo, Schutz (1978) alude ao desenvolvimento responsabilidade (SCHUTZ, 1978, p. 65).
dos grupos, apoiando-se nas três dimensões, sendo
que no texto ele sempre se refere ao comportamento Como membro de grupo suas ansiedades primárias
dos membros no grupo quanto à inclusão; “[...] em neste momento radicam-se em assumir muita ou
pouca influência. Você procura situar-se no grupo de
primeiro lugar, você procura descobrir onde se en-
modo a obter a soma de poder e de dependência que
quadra. Isto implica estar dentro ou fora do grupo, mais lhe convenha (SCHUTZ, 1978, p. 65).
firmar-se como um indivíduo específico”. Os instru-
mentos utilizados nesta etapa são apontados pelo Há uma luta para controlar o grupo, para liderar
autor da seguinte forma: informalmente os outros membros [...]. Subjacente a
este fenômeno encontra-se o desejo inconsciente, ou
Caracteriza os grupos nesta fase a ocorrência que pelo menos reprimido, de que ninguém tome o meu
Semrad (1955) chamou de “questões de taça”. [...] lugar, e a esperança de que, por fim, assumirei a dire-
funcionam como veículos para chegar a conhecer ção (SCHUTZ, 1978, p. 65).
os outros membros, em especial, o eu de cada um
(SCHUTZ, 1978, p. 63; grifo nosso). Considerando o seu foco e os dados citados
acima, podemos verificar que, segundo Schutz, o de-
[...] O clima é tema sabidamente universal; “regras de
senvolvimento de grupos ocorre quando as pessoas
conduta”, um tema comum em grupos formais; “você
conhece [...]?” é característico de membros de uma
têm melhor qualidade no seu relacionamento.

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Schutz, ao retomar os seus estudos, após ter per- grupos do programa de pós-graduação em dinâmica
manecido em Esalen por dez anos, amplia os concei- dos grupos, todavia, tenho observado que para o de-
tos das três dimensões do comportamento e desen- senvolvimento de pessoas e dos grupos é possível ir
volve um método, descrito em seu livro The human além da perspectiva apresentada por Schutz quando se
element (1994), e diversos manuais com instruções refere aos conceitos de controle, inclusão e abertura,
para formar facilitadores de grupo utilizando sua conforme apresentados anteriormente. É possível for-
metodologia. Neste método, o desenvolvimento das mularmos novas perguntas e encontrarmos novas
pessoas ocorre mantendo o foco no intrapessoal e respostas, considerando também a contribuição de
interpessoal, com utilização de diversas atividades outros autores.
corporais, feedback, imagens mentais e apresentação Por exemplo, quando perguntamos: Com que fi-
de conceitos. nalidade os integrantes dos grupos usam o controle?
No treinamento para ser facilitador, conforme a A resposta de Schutz seria que o objetivo é a luta
metodologia relatada em The human element, existe pelo poder, por influenciar e por liderar, nas relações
ênfase na ajuda à pessoa para a ampliação do seu interpessoais. Por outro lado, se perguntarmos sobre
grau de consciência em relação às suas áreas de ne- a causa desses comportamentos, Schutz diria: “Co-
cessidades nas três dimensões, utilizando as ativida- mo membro de grupo, suas ansiedades primárias nes-
des supracitadas. Portanto, a base de atuação do faci- te momento radicam-se em assumir muita ou pouca
litador é o de seguir a energia do grupo considerando influência”. Essa conclusão de Schutz advém de suas
as três dimensões e ajudar no autoconhecimento dos pesquisas sobre as causas do mau desempenho de
membros. O processo do grupo é utilizado para o de- equipes. Segundo ele, as equipes fracassam porque
senvolvimento de atividades com foco no intra e in- os membros se tornam intransigentes nos seus com-
terpessoal. portamentos, quando o seu autoconceito está amea-
Levando-se em conta os conceitos desenvolvidos çado. Essa ameaça provoca uma atuação defensiva,
e o foco de atuação na facilitação de grupos, podemos de forma rígida. Assim, seus comportamentos de in-
concluir que Schutz não realizava intervenções no clusão, controle e abertura se tornam estereotipados,
funcionamento do grupo explorando as múltiplas repetitivos e tendem a ser polarizados nos extremos
possibilidades dos diferentes campos de forças que com alta ou baixa intensidade.
se estabelecem no grupo, a partir da contribuição Nessa visão de Schutz, observamos que é pos-
dos membros, ficando, assim, restrito ao processo de sível estabelecer uma conexão entre “influenciar” e
grupo e à energia grupal, referindo-se ao comporta- “ansiedades primárias”.
mento dos membros, uns em relação aos outros e ao Quando os membros do grupo estão diante das
facilitador (SCHUTZ, 1978). Portanto, as intervenções tarefas grupais, uma concreta, que se refere à finali-
do facilitador têm como base o desenvolvimento dade para a qual o grupo foi formado, e a outra
intra e interpessoal desenvolvendo atividades que subjacente, que consiste em lidar com o seu funcio-
propiciem não apenas a reflexão sobre si mesmo, namento, propiciando crescimento grupal, para ter
mas também interagindo com o outro. eficácia ou bom desempenho para a realização da
primeira tarefa, eles estão diante de processos de mu-
danças comportamentais e aprendizagens que geram
3 Uma nova possibilidade para intervenção ansiedades.
em grupos Em um cenário em que estão presentes ameaças
e ansiedades, existe uma contradição de sinais em
Ao longo dos últimos 21 anos, venho aprimo- relação à mudança: um que impulsiona para o novo,
rando minha prática e reflexões sobre grupos. Tal e outro que impele a conservar as estruturas já co-
percurso me aproximou de conceitos de inúmeros nhecidas. Para que estes movimentos ocorram, é
autores, sendo um deles Will Schutz, cuja teoria tridi- necessário que o campo de forças (LEWIN, 1965) do
mensional e metodologia, denominada The human grupo seja alterado, isto é, os membros contribuam
element, vem sendo estudada por mim, buscando e influenciem de alguma forma na intensidade dos
aprimorar meus conhecimentos a respeito dela. Nos vetores para a alteração das forças, movimentando o
equilíbrio, ora em um sentido ora em outro.

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Havendo intensas emoções e ansiedades, os inte- siedade, colaborando de forma adequada nos mo-
grantes do grupo atuam como uma unidade grupal, mentos em que o grupo tender à desestruturação.
para influenciar o campo de forças e, assim, alcan- Portanto, se os integrantes do grupo se sentirem
çarem estados de segurança desejados. Ou seja, competentes, influenciarão os movimentos grupais
agem como uma unidade para manter o ambiente sob com comportamentos produtivos, somando nas for-
controle, afastando-se do novo e do desconhecido, ças facilitadoras do bom funcionamento grupal, em
que os remetem às dúvidas sobre seu autoconceito vez de somar nas forças dificultadoras. Caso se sin-
em relação à competência, importância e/ou bem- tam benquistos, serão “abertos”, falando de seus
-querer. Desse modo, aplacam a ansiedade, procuran- sentimentos e sensações em relação aos outros e ao
do reduzir as ameaças que podem ser geradas pelo funcionamento grupal, possibilitando que o grupo se
contato com tais dúvidas ao lidarem com os desa- redirecione na sua forma de ser.
fios que existem na mudança, na aprendizagem e
também nas confrontações com o outro durante a
realização das tarefas grupais. 4 Metodologia da pesquisa
O estado desejado de segurança é alcançado
com a contribuição anônima e espontânea dos mem- Com a finalidade de lançar uma base sobre a
bros do grupo, mesmo que eles não tenham cons- qual seja possível dar continuidade à abordagem da
ciência de que estejam contribuindo para a formação influência grupal, conforme apresentada anteriormente,
de um campo de forças que tem como característica foi realizada uma pesquisa qualitativa exploratória
a repetição de comportamentos e atitudes que dão a com entrevistas individuais com cinco membros de
sensação de segurança. um grupo. Este método foi escolhido considerando o
A influência para manter o ambiente sob domí- pouco conhecimento em relação às ideias aqui apre-
nio pode ser exercitada utilizando como recurso o sentadas.
comportamento de inclusão: falando em excesso, ca- O grupo pesquisado se reunia havia cerca de um
lando-se, incluindo e/ou excluindo ou minimizando ano, uma vez por mês, durante quinze horas, com o
a participação de membros; ou o comportamento de propósito de desenvolver habilidades comportamen-
abertura: expressando emoções e/ou omitindo emo- tais e conhecimentos teóricos, sendo a metodologia
ções. utilizada no programa alicerçada no aprender fazen-
Quanto a excluir ou minimizar a participação, do e EM vivências. Das pessoas pesquisadas, três
ela vai ocorrer se os membros se sentirem ameaça- eram do sexo feminino e duas do sexo masculino,
dos pelo fato de um ou mais membros estarem se com faixa etária entre 30 e 50 anos.
movimentando no sentido de maior abertura e este As perguntas propostas tinham como foco movi-
não for o desejo do grupo. A sua participação ficará mentos grupais que se relacionavam com uma maior
condicionada, isto é, desde que não force esse mo- abertura e consequente aumento da intimidade, isto
vimento. é, expressão de emoções, sentimentos, sensações e
Outro movimento de contribuição espontânea incômodos no espaço grupal.
ocorre quando o grupo percebe que sua existência Perguntas propostas:
está ameaçada, em virtude de algumas pessoas co- P1. Nos primeiros encontros do grupo, quando o
meçarem a demonstrar que não têm interesse em movimento se direcionava para expressar e/ou
permanecer no grupo ou até pretendem deixá-lo. Os vivenciar emoções, como você se sentia? O que
membros se comportam no sentido de tentar manter perpassava você?
tais pessoas, incluindo-as, demonstrando o quanto P2. Quais os seus comportamentos e atitudes no gru-
elas são importantes, assegurando-se, dessa forma, a po, quando havia esse movimento? Como você
continuidade de existência do grupo. procedia?
Por outro lado, se os membros desenvolverem ou P3. Você consegue identificar o que o impulsionava
tiverem um bom autoconceito ou, ainda, se sentirem e qual o motivo de adotar tais comportamentos e
importantes, abrirão espaço para serem incluídos e atitudes?
também incluirão pessoas. Facilitarão movimentos
grupais de inclusão e não se deixarão levar pela an-

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5 Resultados da pesquisa sidade de aprender a lidar de forma mais adequada
com as emoções, assim como dúvidas sobre a pos-
sibilidade de trilhar o caminho da aprendizagem.
A seguir, são apresentadas as respostas dadas pe-
As palavras que comprovam tal percepção: “estou
los entrevistados:
aprendendo a lidar com emoções minhas e dos ou-
M1: “A raiva é abafada no grupo. Pessoas ficam
tros; nós sabemos lidar com emoções no sentido
explicando, justificando para sair de momentos
de expressá-las, mas não sabemos o que fazer com
em que a raiva está presente. Para o grupo,
elas; Estou aprendendo a dar apoio; o grupo queria
falar de emoções é enfadonho. O grupo quer
entrar nas emoções, mas não sabia como entrar; com
objetividade. Nós sabemos lidar com emoções
o tempo, percebi que havia um valor no que estava
no sentido de expressá-las, mas não sabemos o
sendo dito; em momentos de emoção eu me entregava
que fazer com elas.”
muito; eu estava com a emoção muito aflorada”.
M1: “Estou aprendendo a dar apoio. Pegar na mão.
Estou aprendendo a lidar com emoções, minhas
M1: “Tinha receio que o outro ficasse exposto,
e as dos outros.”
porque eu tenho vergonha de expor/mostrar sen-
M2: “Eu sabia que estava entrando em um espaço de
timentos.” “Se vou além do meu limite, me sinto
laboratório e tinha consciência de que precisava
meio criança, feminino, tenho medo do risco de
me desenvolver em relação a emoções.” “O grupo
descontrole.”
queria entrar nas emoções, mas não sabia como
M1: “A raiva é abafada no grupo. Pessoas ficam ex-
entrar.”
plicando, justificando para sair de momentos em
M2: “Eu paralisava. Não sabia o que fazer. Por onde
que a raiva está presente.”
vou, o que vou falar agora, neste exato momento?”
M2: “A questão principal parecia ser: como vou li-
M3: “Eu desconsiderava emoções, era um empecilho
dar com as emoções dos outros se não sei lidar
quando o grupo falava de emoções, eu achava
com as minhas? Este movimento era incons-
desnecessário. Não sabia lidar e não achava ne-
ciente”. “Também havia a questão de não ter
cessário, ficava impaciente. Eu desviava a atenção
intimidade com o grupo. Como vou ser um livro
para outras coisas. Com o tempo, percebi que
aberto? Porém, este fato não era consciente.”
havia um valor no que estava sendo dito.” “O
M2: “Eu tinha medo. Quem é esta pessoa nova, que
grupo passou a receber melhor. Abrir espaço
pode dar uma opinião sobre mim? Tinha medo
para a expressão de emoções.”
da rejeição.” “No início, você não entra na emo-
M3: “Tinha preconceito em relação a quem era
ção porque você não sabe como vai acontecer o
emotivo.”
programa. Pessoas estavam ameaçadas nos seus
M3: “Percebi por um autoconhecimento em relação
status. Ameaçadas no seu ego.” “Como eu, que
à emoção que para mim era difícil. O grupo me
sou diretor, expert, tenho experiência, conhe-
mostrou que eu tinha algo mais, e também que
cimentos e não sei lidar com emoções?” “O que
eu causava impacto nas pessoas, e elas ficavam
importava era como o grupo me via.”
mais distantes.”
M4: “No início me permitia ser mais natural, espon-
M4: “Me soltei demais. Fui sem filtro, muito aberta
tânea, porque eu não sentia a censura do grupo.
ao grupo. Eu queria muito iniciar este curso. Em
O que ele valorizava ou não. Com o andar do
momentos de emoção, eu me entregava muito.
grupo, eu percebi que fui mal interpretada.”
Eu estava com a emoção muito aflorada.”
Para este último entrevistado (M4), com base
M5: “Tentava separar emoção e ação. Procurava ser
em uma percepção do entrevistador quanto à forte
mais racional. Pensava: ‘eu estou fazendo uma
evidência de a pessoa ter muitas dúvidas acerca de
pós para adquirir conhecimentos’. Eu me inco-
sua competência para estar e/ou lidar com questões
modava com o ter que se dar bem com as pes-
grupais, e com o intuito de confirmar o quanto a
soas, ter que me relacionar. Emoção, para mim,
ameaça em relação ao autoconceito estava presente,
neste contexto, era bobagem.”
foi feita a seguinte pergunta: Você se sente ameaçada
Nas respostas do bloco acima, podemos consta-
no grupo? Sua resposta foi: “Me sinto como se não
tar que existia nos membros a percepção da neces-

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tivesse capacidade de gerir um grupo, de trabalhar Durante a elaboração deste artigo, um dos mem-
com grupos, ser efetiva”. bros do grupo enviou um relatório, tarefa que é
Nesse outro bloco, os membros demonstram realizada após cada encontro mensal, descrevendo
o quanto se sentiam ameaçados em relação ao seu o quanto se sentia ameaçada, insegura e se sentindo
autoconceito, demonstrando uma intensa preocupa- pressionada pelo grupo. Nesse relatório também está
ção de como eram e/ou seriam percebidos pelo registrada a evolução desse membro, relatando que
outro: “Se vou além do meu limite, me sinto meio estava se sentindo mais competente e permitindo
criança, feminino; como vou ser um livro aberto?; se expressar mais no grupo, como consequência do
tinha medo da rejeição; como eu, que sou diretor, fortalecimento do seu autoconceito. Por considerar
expert, tenho experiência, conhecimentos e não sei que o conteúdo do referido relatório é bastante
lidar com emoções?” significativo para a proposta aqui apresentada, ele
foi incluído como Anexo A deste artigo.
M1: “Para o grupo falar de emoções é enfadonho. O
*
grupo quer objetividade.”
M1: “Não interferia, deixava o grupo andar. Por Podemos fazer uma importante correlação dos
outro lado, provocava o grupo.” resultados da pesquisa com os referenciais teóricos
M2: “Em momentos de emoções, soltavam algumas e a proposta da influência do grupo, apresentados
piadas por não saber o que estava acontecendo neste trabalho. Os membros expressaram ansiedades,
com o grupo.” receios em relação a sua competência para aprender
M3: “Eu desconsiderava, era um empecilho quando a lidar com emoções e sentimentos, demonstrando
o grupo falava de emoções, eu achava desneces- medo de se sentirem humilhados perante os outros,
sário. Não sabia lidar e não achava necessário, uma vez que demonstravam ter elevada competência
ficava impaciente. Eu desviava a atenção para para uma série de requisitos profissionais, porém
outras coisas.” se mostravam incompetentes para lidar com o lado
M3: “Grupo não aceitava agressividade. Não se humano no sentindo de construir maior intimidade,
falava abertamente sobre isso, porém havia um exercitando maior abertura. Nesse cenário, aparece-
movimento de não valorizar estes movimentos. ram as suas dúvidas sobre o autoconceito.
Uma das formas era o silêncio de algumas pes- A resposta à pergunta, que não fazia parte do
soas.” questionário, do último entrevistado no segundo bloco
M4: “No início tinha mais vontade de expressar do de respostas, demonstra a dúvida da pessoa quanto à
que agora, sem censura. Eu me sentia mais solta, sua competência para lidar com uma situação gru-
porque não conhecia as pessoas. Agora estou pal, como facilitador de um grupo ou gestor de uma
mais fechada (sem vontade de falar – para mim equipe, gerando comportamento de baixa inclusão e
é bom).” controle, em virtude se sentir ameaçado no autocon-
M5: “Eu filtrava, pensava muito no que falar. Evitava ceito e tentar, assim, evitar experimentar a sensação
contato com emoções. Ficava mais na superfície.” de humilhação.
M5: “Existe uma comunicação não verbal, olhares,
caras, etc., que fazem com que alguém adote
Considerações finais
um comportamento e/ou fala que leva o grupo a
mudar o diálogo.”
Nesse último bloco, as respostas mostram a O resultado da pesquisa mostra fortes indícios
forma como o controle era exercitado, demandando de que a proposta de se ter uma nova vertente para
objetividade do grupo, omitindo-se ou procurando explorar a leitura de grupo e possibilidades distin-
expressar sensações, desviando o foco com piadas, tas de intervenções do coordenador com a inclusão
negando a agressividade, filtrando a comunicação e da influência grupal para assegurar estados de segu-
utilizando comunicação não verbal. rança, sim, é válida. Constata-se que os membros
não têm consciência de estar influenciando o direcio-
namento do grupo para estados desejados improdu-
tivos, dificultando o desenvolvimento da tarefa

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subjetiva, dificultando ou evitando confrontações. Referências
Intervenções de coordenação, considerando esta ver-
tente, possibilitam ampliar o desenvolvimento do BION, W. R. Experiências com grupos. Rio de Janeiro: Imago,
grupo, aumentando o grau de consciência de seus 1970.
membros em relação aos sentimentos experimen- GRINBERG, L.; SOR, D.; BIANCHEDI, T. E. Introdução às idéias
tados no grupo, ao seu autoconceito, à autoestima e, de Bion. Rio de Janeiro: Imago, 1973.
consequentemente, à contribuição espontânea. JASINER, G.; WORONOWSKY, M. Para pensar Pichón. Buenos
O foco é ampliado para além da interação com Aires: Lugar Editorial, 1992.
o outro e da identificação do que é de um e daquilo LEWIN, Kurt. Teoria de campo em ciências sociais. São Paulo:
que é do outro, possibilitando o deslocamento para Pioneira, 1965.

espaços grupais, nos quais a tomada de consciência PICHON-RIVIÈRE, Enrique. O processo grupal. 4. ed. São Paulo:
Martins Fontes, 1991.
das contribuições espontâneas para o campo de for-
ças propicia que a pessoa se desenvolva com a reve- SCHUTZ, Will. The interpersonal underworld. 4. ed. Palo Alto,
California: Science & Behavior Books, 1970.
lação de aspectos não conhecidos do seu eu.
O autoconceito, a autoestima e a competência ______. Todos somos uno. Buenos Aires: Amarrortu, 1971.
são definidos em relação à pessoa satisfazer seus ______. O prazer. Rio de Janeiro: Imago, 1974
desejos e necessidades e lidar de modo eficaz com ______. Psicoterapia pelo encontro. São Paulo: Atlas, 1978.
o mundo a sua volta, ou seja, nos espaços sociais. ______. Profunda simplicidade. São Paulo: Ágora, 1989.
Sentir-se capaz de conseguir sobreviver nos espaços
______. The human element. San Francisco, California: Jossey-
sociais é adquirir competência para enfrentar qual- Bass Inc., 1994.
quer outro contexto. É identificar a competência para
aprender, ao lidar com as ansiedades inerentes aos
processos de aprendizagem e interação com o outro
Anexo A
e do acontecer grupal.
Este artigo não encerra todas as possibilidades,
Neste encontro algumas palavras e reflexões foram importantes
mas tem como intenção contribuir com um novo durante as coordenações.
olhar para o campo de forças do grupo. A ideia é “O que me impede de falar” – COBRANÇA INTERNA E
ampliar oportunidades para a continuidade de estu- EXTERNA. Sou uma pessoa que me cobro muito e também cobro
das pessoas. Acredito que esse é sempre o tema central das minhas
dos, considerando a relação entre comportamentos, inseguranças e fraquezas. Ainda não sei lidar com essas questões.
sentimentos, autoconceito, autoestima e a colaboração Também acho que sou PROLIXA em algumas colocações, não
espontânea de membros dos grupos para funciona- sei se me expresso direito e me faço entender. Fico repetindo para
que eu possa me ouvir.
mentos grupais. A última palavra TRAVA INTERNA, não sei nomear o sen-
timento que vem em alguns momentos. Sinto-me tão superficial às
vezes.
Tenho percebido que sou uma pessoa que tem mais força para
falar o que tem vontade, antes me sentia presa. Medo do julgamento.
Parece que estou sem filtro na fala. Isso está me fazendo bem,
pois estou engolindo menos “sapos”.

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