UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ SETOR DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS DEPARTAMENTO DE PATOLOGIA BÁSICA CURSO DE MEDICINA

(BP332 – Microbiologia Médica Aplicada)

TEÓRICOMANUAL TEÓRICO-PRÁTICO DE PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM MICROBIOLOGIA MÉDICA
2ª EDIÇÃO

REALIZAÇÃO REALIZAÇÃO Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Professora: Acadêmico: Acadêmico: Drª Cristina Leise Bastos Monteiro (Coordenadora) Drª Laura Lúcia Cogo Drª Izabel Galarda Fernando Carlos Bortolozzi Filho

CURITIBA 2009

SUMÁRIO

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA............................................................................... 3 INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 5 CAPÍTULO 1: CONTROLE DE MICRORGANISMOS .............................................. 13 CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS............................................................................ 29 CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL................................................................ 35 CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO.............................................. 37 CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS ................................................ 39 CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA........................................................................ 52 CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS ........................................... 55 CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS ......................................... 58 CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO...................... 69 CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DE AGENTES ETIOLÓGICOS .................... 79 - PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS.......................................................... 79 - OROFARINGE ........................................................................................................ 88 - TRATO GÊNITO URINÁRIO ................................................................................. 106 - INTESTINAIS ........................................................................................................ 113 - FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE ....................................................................... 126 - TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS .............................................. 131 CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS........................... 136 CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES .................................................................... 152 CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE ........................................................................... 170 CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES ....................................................... 178 CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS ............................................................................ 199 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 204 2

A SEGURANÇA DOS ALUNOS NAS AULAS PRÁTICAS DE BACTERIOLOGIA E MICOLOGIA

“A segurança de todos depende dos cuidados individuais dos alunos e dos professores.” Seguem-se as orientações para os alunos executarem as tarefas dentro dos parâmetros de biosegurança médica: 1. 2. 3. 4. 5. 6. É obrigatório o uso de avental (ou jaleco, guarda-pó, etc.) fechado na frente e de mangas compridas, para proteger a roupa e a pele dos braços. É expressamente proibido comer, beber ou fumar dentro do laboratório. Não usar anéis e pulseiras. Prender o cabelo comprido. Lavar as mãos antes e depois dos procedimentos. Após a lavagem das mãos utilizar álcool 70% para otimizar a desinfecção. Evitar o contato da pele e mucosas com materiais clínicos tais como sangue, pus, escarro, fezes, urina, outras secreções e exsudatos. Tratar sempre todas as amostras como potencialmente infectantes, sendo que os maiores perigos estão relacionados com o vírus da hepatite B, HIV, bacilos da tuberculose e salmonelas. Observação: cada mL de sangue pode conter 100 milhões de vírus de hepatite B e uma só partícula provoca a hepatite. Caso ocorram respingos pelo material contaminado sobre a pele, fazer imediatamente a antissepsia do local. O avental respingado deve ser colocado em cartucho plástico para não contaminar outros objetos. 7. 8. Não trabalhar nas proximidades de cadernos, mochilas e livros. As mochilas devem ser colocadas no fundo dos laboratórios no início das aulas práticas. Só utilizar pipeta quando esta tiver mecha de algodão no bocal. A mecha tem dois objetivos: proteger o operador do risco de contaminação com material patológico ou culturas de microrganismos e preservar o material manipulado da contaminação pela saliva do operador (aerossóis). 9. Jamais colocar o tampão de algodão dos tubos ou frascos sobre a mesa. Durante os procedimentos o tampão deve ser segurado com o dedo mínimo.

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10.

Jamais colocar a pipeta usada sobre a bancada ou mesa de trabalho. Ela deve ser colocada em recipientes que contêm desinfetantes (Lisoform, hipoclorito de sódio a 2%, etc.), bem como algodão para vidro (para não quebrar a ponta da pipeta) disponível em cada mesa.

11.

Evitar a formação de aerossóis, que são micropartículas que contém uma quantidade extremamente pequena de líquido (água, saliva, etc.) e algumas partículas infectantes (vírus, esporos bacterianos, etc.). Estes aerossóis podem cair sobre a mesa contaminando-a, ou ainda ficarem suspensos no ar e serem inalados, promovendo um possível ciclo de infecção. Tais partículas podem se formar em procedimentos como flambagem da alça metálica, flambagem de pinças, abertura brusca de tubos ou frascos com tampa de pressão, agitação de tubos com as mãos, centrifugação de tubos abertos, manipulação incorreta de seringas, homogeneizadores, etc.

12. a) b)

Ao término do trabalho: Desinfetar a bancada com um desinfetante disponível (hipoclorito, álcool 70%, clorexedine, álcool iodado, etc.). Lavar as mãos e antebraços com água e sabonete líquido. Em seguida utilizar, de preferência, solução degermante à base de polivinilpirrolidona-iodo (PVPI) a 10%. Enxugar com toalha descartável. Em seguida aplicar álcool 70% nas mãos para dar continuidade à desinfecção.

Observação: em caso de acidente, como de pipetas contaminadas, placas e frascos com material patológico ou cultura de microrganismos é obrigatório: a) b) c) Derramar sobre o material quebrado um desinfetante (por exemplo álcool 70% ou clorexedine). Cobrir com toalha de papel. Deixar em contato, no mínimo, por uma hora antes de remover o vidro com uma pinça e com a mão enluvada absorver o líquido com papel toalha, acondicionar em sacos apropriados e a seguir autoclavar.

ESTE MANUAL NÃO TEM FINS LUCRATIVOS USO PARA FINS ACADÊMICOS DENTRO DA UNIVERSIDADE
(Concentrado de obras que não estão disponíveis nas bibliotecas da Universidade, por isso esse texto é disponibilizado aos alunos).

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Pode-se cultiválos facilmente em tubos (recipientes pequenos) o que requer menor espaço para manutenção do que plantas e animais. vírus e bactérias. O estudo dos microrganismos compreende o conhecimento de suas formas. tendo. das quais resultam efeitos prejudiciais ou proveitosos para outros seres vivos. o que não acontece com animais e plantas. ou seja. Para o estudo destas ciências é preciso estar familiarizado com os microrganismos. e servem cada vez mais. reprodução. 5 . fungos. Algumas espécies bacterianas produzem cerca de 100 gerações num período de 24 horas. apresentando características variadas. etc. são simplesmente interações destrutivas entre vegetais e animais. Foram os microrganismos que serviram. possuem estrutura primitiva não apresentando tecidos ou órgãos especializados. biologia molecular. mas também como instrumento de outras áreas biológicas. do ponto de vista biológico. A microbiologia pode ser estudada como ciência autônoma. de modelos para as ciências modernas como: bioquímica. Trata ainda da sua distribuição na natureza e as relações entre si e com os demais seres vivos. Em última análise os fenômenos chamados doenças infecciosas. metabolismo e identificação. genética. em comum o fato de conservarem ao longo do curso de evolução biológica.INTRODUÇÃO Micróbio: termo usado em 1878 por Charles Emmanocl Sedillot (cirurgião francês). no entanto. Os microrganismos possuem muitas características que os tornam seres ideais para a investigação dos fenômenos biológicos. Os microrganismos constituem um grande grupo heterogêneo. São os protozoários. Microbiologia: é a ciência que estuda os microrganismos (seres pequenos. Crescem rapidamente e se reproduzem a um ritmo extraordinariamente elevado. Estudam-se também as transformações físicas e químicas exercidas nos seus habitats. engenharia genética. estruturas. A cada 15 minutos surge uma nova geração e de cada célula resultam 2 células filhas em uma progressão geométrica sendo que no final de 24 horas teremos milhões de descendentes. uma estrutura simples e indiferenciada. algas. geralmente microscópicos) e suas atividades.

o que os torna patogênicos para o homem. desde o solo e as massas de água (mares. o microbiólogo deve se limitar a um ou poucos ramos selecionados da microbiologia. Microbiologia médica: os microrganismos muito estudados são os que causam doenças em humanos e são chamados de patogênicos. imunologia e os métodos diagnósticos. 6 . bem como de plantas. Felizmente a maioria é inócua e habita a superfície do nosso corpo. trato digestório. podem produzir modificações devido ao seu metabolismo. Aparecem em maior abundância onde encontram condições favoráveis. boca. esgotos. virologia estuda os vírus e ficologia estuda as algas. É freqüente a especialização em algum aspecto da microbiologia: citologia bacteriana. ar. até as superfícies internas e externas de humanos e outros animais.Áreas de aplicação da microbiologia O microbiólogo. Estritamente falando. etc. rios). Este ramo da microbiologia também estuda a prevenção e controle de doenças. de uma maneira geral. ar. bacteriologia é o estudo das bactérias (muitas vezes o termo é usado como sinônimo de microbiologia). Dispomos de meios para resistir à invasão daqueles que são potencialmente patogênicos. imunização. nariz. como substâncias nutritivas. O microbiólogo também busca estudar os microrganismos em ambientes particulares: solo. fisiologia dos fungos. Os microrganismos. umidade e temperatura adequada ao seu desenvolvimento. A educação de um microbiólogo abrange um conhecimento geral da maioria das subdivisões. Entretanto devido ao tremendo acúmulo de informações em cada especialização. e outras cavidades naturais. etc. micologia estuda os fungos. genética bacteriana. que são favorecidos pelas mesmas condições que a população humana. Distribuição na natureza (habitat) Os microrganismos são encontrados praticamente em todos os ambientes. Existem numerosas áreas onde a Microbiologia aplicada tem grande significado. água. pode se especializar no estudo de certos microrganismos.

com exceção das algas azulesverdeadas. genéticos e os principais modos de nutrição: fotossíntese. Para evitar a distribuição arbitrária dos grupos intermediários (entre plantas e animais). Fungi (fungos: leveduras e bolores). os fungos foram classificados como vegetais porque eram imóveis. Os protistas inferiores são procarióticos: 'bactérias e algas azul-esverdeadas. As outras algas e protozoários deveriam permanecer como pertencentes ao reino Protista. Desde o conceito original deste terceiro reino de seres vivos têm sido desenvolvidos numerosos critérios para determinar mais adequadamente onde classificar estas microvidas. Uma abordagem a respeito da classificação microbiana foi oferecida por Stanier e Van Niel em 1941. aparecendo vários absurdos como por exemplo. Os microrganismos são encontrados em três dos reinos: • • • Monera (bactérias e algas azuis esverdeadas). quase não apresentando outras propriedades dos mesmos sendo também que nenhum fungo possui clorofila. Protistas (outras algas e protozoários). fungos e bactérias. Protista e Monera. propôs o estabelecimento de um terceiro reino. o cientista alemão Ernest Haeckel. como os protozoários. . Fungi.Posição entre os seres vivos Após a descoberta dos microrganismos. O Reino Protista compreendeu as algas. no entanto. compatível com os recentes estudos ultraestruturais. Os vírus. 7 . que deveria conter algas azul-esverdeadas e as bactérias. fungos e algas. ficou claro que eles mostravam todas as combinações possíveis das propriedades dos vegetais e animais. protozoários. Animmalia. bioquímicos. discípulo de Charles Darwin em 1866. Os superiores possuem célula eucariótica. para eliminar a confusão existente em relação à posição dos microrganismos e para lhes proporcionar uma posição no mundo vivente. Eles propuseram outra designação para outro reino chamado Monera. Este terceiro reino foi chamado Protista (da palavra grega que significa primitivo ou primeiro). ainda permaneciam como um enigma.Algumas vezes os seres classificados em protistas eram denominados Protistas superiores e Protistas inferiores fundamentando-se em sua estrutura celular. Os cinco reinos de Whittaker são: Plantae. Em 1969 foi proposto por Whittaker um outro sistema classificatório de seres vivos. os dois reinos de seres vivos admitidos na época. absorção e ingestão.

Protistas: Deve-se utilizar a terminologia moderna e mais amplamente aceita. A classificação dos microrganismos apresenta problemas peculiares podendo se basear em muitas características. Monera: células procarióticas. aqueles que tem um ancestral em comum. Infelizmente não existe um sistema classificatório inteiramente aceitável para todos os microrganismos. eles são listados juntos porque apresentam algumas características em comum. Classificação atual dos microrganismos Uma classificação proposta atualmente poderia ser a seguinte: 1. Nas Chaves as características descritivas são organizadas de tal forma que um organismo em estudo será prontamente identificado. principalmente para as bactérias. eliminar confusões.Classificação dos microrganismos A classificação dos seres vivos serve a vários propósitos. pois um pesquisador com a responsabilidade de identificar uma cultura com pigmento vermelho. Os organismos agrupados numa chave não precisam necessariamente apresentar relação filogenética. Todavia. a) Bactérias b) Cianobactérias c) Arqueobactérias 2. 8 . De tempos em tempos são propostos novos sistemas não aceitos em sua totalidade internacionalmente. têm surgido muitas classificações. Durante os 100 anos da microbiologia como ciência. entre eles a de estabelecer critérios necessários para a identificação e acima de tudo. Na classificação filogenética. tais como Serraria marcescens e as Sulfobactérias púrpuras. facilmente identificáveis. agrupa-se tipos aparentados. O termo “protista” atualmente é empregado apenas para microrganismos eucarióticos. são observadas várias inconsistências. Dependendo da autoridade consultada. isto é. por exemplo. De uma maneira geral as classificações podem ser: Naturais ou Filogenéticas e Artificiais ou Chaves. colocar numa chave um grupo de bactérias formadoras de pigmento vermelho. Será perfeitamente razoável. imediatamente terá seu trabalho reduzido a poucos tipos bacterianos. este agrupamento será de muita utilidade.

lineares Presentes Presentes Não agrupados 9 . NATUREZA E ESTRUTURA CITOPLASMÁTICA Correntes citoplasmáticas Pinocitose Mesossomos Ribossomos Mitocôndrias Cloroplastos Complexo de Golgi Vacúolos limitados por membranas Ausentes Ausente Presentes Dispersos no citoplasma Ausentes Ausentes Ausentes Ausentes Presentes Presentes Ausentes Dispostos em membranas. retículos endoplasmáticos e cloroplastos Presentes Podem estar presentes Presentes Presentes Procarióticos Eucarióticos Procarióticos Ausente Um.a) Algas b) Protozoários c) Fungos Elementos diferenciais entre as células 1. NÚCLEO Membrana Nuclear Cromossomos Aparelho mitótico Histonas Genes 2. circular Ausente Ausente Agrupados Eucarióticos Presente Um ou mais.

realizada por Müller. um grande esforço foi empregado na taxonomia bacteriana. em 1773. derivado do grego "gotinhas" foi introduzido em 1828 pelo alemão C. Procarióticos Possui parte da maquinaria respiratória e fotossíntese Presente * Fibrilas simples Ausentes Eucarióticos Não desenvolve atividade respiratória ou fotossíntese. Uma das classificações foi proposta pela Sociedade Americana de Microbiologia através de seu 10 . G. ESTRUTURAS CELULARES EXTERNAS Membrana plasmática Parede celular de Peptídeoglicano Organelas locomotoras Pseudópodos * ausente em Mycoplasma sp. RELAÇÃO GUANINA + CITOSINA Mols de Guanina e Citosina Procarióticos 28 a 73 Eucarióticos Cerca de 40 Bactérias O termo bactéria. mas havendo um interesse em evitar confusão generalizada é preciso aceitar e permitir a evolução de algum plano razoavelmente exeqüível acompanhando naturalmente o progresso dos novos conhecimentos. Bactérias são organismos microscópicos.3. unicelulares e procarióticos. Há falta de concordância nas classificações. Ausente Multifibrilas com microtúbulos Presente em alguns 4. Taxonomia bacteriana geral Desde a primeira tentativa conhecida de classificação das bactérias. mas até agora nenhum dos numerosos esquemas propostos recebeu aprovação universal. Ehrenberg como nome genérico de alguns tipos bacterianos característicos.

obviamente não são muito relacionados. Em 1980 o Comitê Internacional sobre Sistemática Bacteriológica. em virtude da natureza procariótica de suas células. inclusive o acréscimo de novas espécies e excluindo outras. Bactérias: Uma chave classificatória para bactérias estabelece 4 grupos bacterianos. A substituição das denominações abandonadas. já tendo alcançado a 9ª edição. em função do metabolismo de movimentação e das características da parede celular. de Procaryotae. Desde 1º de janeiro de 1980 apenas a nova lista de nomes é considerada válida. A 1ª edição data de 1923. Em cada edição subseqüente. permitir aos pesquisadores determinar se ce11o microrganismo corresponde a uma espécie descrita. O manual de Bergey representa mais de 70 anos de evolução. Nos últimos anos o sistema genético das bactérias foi estudado ao nível molecular a fim de determinar a homologia entre o DNA das células. Centenas de espécies têm sido caracterizadas desta maneira modernamente. 11 . no entanto. exigem publicações no International Journal of Systematic Bacteriology. Atualmente um dos esquemas da classificação semi-oficial disponível é o que foi publicado na 9ª edição do Bergey's manual de 1984. o manual admite que sua principal aplicação é determinativa. Ele reconhece o reino Monera de Whittaker. Novos conhecimentos causarão uma grande diferença nas futuras publicações a respeito da classificação microbiana.& edição do manual de Bergey tem como título: "Bergey' s Manual of Systematic Bacteriology". têm sido feito vários avanços significativos. A composição das bases do DNA é uma característica constante de uma determinada espécie e é expressa em porcentagem de guanina mais citosina sobre o total da mols das bases. A 9. chamando-o.Bergey' s Manual of Detenninative Bacteriology ao longo de muitas edições. isto é. o acréscimo de novas ou quaisquer outras alterações. publicou uma lista de aproximadamente 2500 espécies. Se dois organismos têm proporções muito diferentes de bases. É amplamente utilizada como padrão de referência na taxonomia bacteriana. substituindo uma lista anterior de 30000. O parâmetro empregado com mais freqüência é a porcentagem de moléculas de guanina mais citosina no conteúdo total de DNA. Devido às incertas relações filogenéticas das bactérias. sendo mais aceito que qualquer outro sistema.

*Os dados citados foram compilados de textos dados em aula.Vírus: Complexo molecular vivo. 12 . possuindo DNA ou RNA.

O termo anti-sepsia é geralmente usado referindo-se aos tecidos vivos. na maior parte das vezes. pois não destrói todos os esporos. anti-sepsia de feridas. anti-sepsia (anti-sépticos). estruturais. 13 . Anti-sepsia: é o conjunto de meios usados para evitar a proliferação de germes. puderam ser estudadas em todos os detalhes: morfológicos. reservando-se o termo desinfecção para objetos inanimados. O uso de materiais esterilizados é condição indispensável para o desempenho dos trabalhos microbiológicos. Esterilização: deve resultar na destruição total de todas as formas de vida presentes no material submetido ao processo em questão. etc. Saneamento: mantém a microbiota dentro dos valores populacionais previamente estabelecidos por instituições de saúde. fisiológicos. assepsia. saneamento e sanitização. Antes de iniciar o estudo dos métodos de controle dos germes. inativando ou destruído-os. é conseguida pelo uso de substâncias químicas chamadas desinfetantes. reduzindo a “bioburden” (carga de organismos viáveis). etc. é importante conceituar vários deles. meios de cultura estéreis e técnicas de assepsia. desinfecção (desinfetantes). A desinfecção. Os microbiologistas conseguiram estudar as espécies bacterianas. Através dos processos de esterilização dos objetos utilizados. reduzindo infecções e a transmissão de doenças contagiosas. como anti-sepsia da pele. tais como: esterilização.1: CAPÍTULO 1: CONTROLE DOS MICRORGANISMOS É indispensável o conhecimento do controle das populações microbianas para todos os profissionais da saúde. Assepsia: conjunto de procedimentos que impede a penetração de microrganismos em local que não os contenha. após as aplicações artificiais de condições desfavoráveis à sua multiplicação. mas que são ineficientes contra a maioria dos esporulados.. obtiveram populações bacterianas puras e. A medicina progredia à medida que surgiam novos conhecimentos sobre o domínio dos microrganismos. Desinfecção: é o processo que remove a maioria dos microrganismos viáveis. estas sim. obter dados sobre seus fatores de virulência e outros. executando cirurgias assépticas. destinadas a destruir os germes potencialmente patogênicos. A anti-sepsia é obtida pela ação de substâncias químicas chamadas anti-sépticos. O calor em temperaturas de 60 a 100oC também tem ação desinfetante.

e que cause dano mínimo ao material envolvido. por processos mecânicos. Segue-se o esquema e a descrição de alguns processos.Calor Úmido • • • • Pasteurização Tyndallização ou Tindalização Água Fervente Autoclavação 14 . ESTERILIZAÇÃO É importante o conhecimento das diferentes técnicas de esterilização. depende do resultado que se deseja e do material ou local em que o processo vai ser aplicado. Além destes. Como agentes químicos podem ser usados muitos compostos. radiações) exercem sobre o corpo humano. para saber qual delas aplica-se melhor. refere-se à eliminação dos microrganismos em utensílios e equipamentos para impedir a deterioração ou transmissão de infecções pelos produtos alimentares. Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos Calor . Os meios mais utilizados para esterilização são os meios físicos. é indispensável também conhecer os efeitos que alguns agentes esterilizantes (agentes químicos. tais como temperaturas elevadas e as radiações. Para pessoas da área de saúde. A escolha dos agentes e dos diferentes métodos. é possível eliminar a microbiota presente em um líquido ou gás.Sanitização: usada em restaurantes e indústrias de alimentos. como a filtração.Calor Seco • • • Flambagem Forno de Pasteur (estufa) Incineração . para casos específicos.

Velas • • Chamberland – porcelana porosa Berkefeld – infusórios .IONIZANTES Esterilização e Desinfecção por Agentes Químicos Agentes Químicos: . óxido de etileno. detergentes. . 15 . glutaraldeído.Discos • • Vidro Amianto – Seitz . na seleção da intensidade térmica e na duração da exposição.Membranas • • Acetato de celulose: Millipore e HEPA Nitrato de celulose . Esterilização e Desinfecção por Meios Físicos A ação letal do calor é uma relação tempo-temperatura afetada por numerosos fatores que devem ser levados em consideração. formaldeído.Líquidos – álcoois.Algodão – para gases (ar) Radiações .Gasosos – brometo de metila.Ultravioleta (UV) – NÃO IONIZANTES . .Filtração . para reduzir a população bacteriana ao nível desejado. álcalis.Sólidos – pastilhas de formalina.Gama (γ) .

A exposição ao ar quente constitui método usado correntemente em bacteriologia. parafina. contaminando a atmosfera por microrganismos e substâncias tóxicas. provetas. leválas ao rubro. etc. peças anatômicas. meios de cultura. A temperatura desejada é regulada e mantida por um termostato. objetos metálicos.CALOR SECO a) Flambagem É a exposição do objeto à chama de bico de Bunsen ou lamparina.. óleo mineral. São materiais removidos dos curativos. As pinças. porém não devem escurecer demais ou tornarem-se quebradiços. Na técnica bacteriológica utiliza-se a flambagem para esterilizar a alça de platina pelo aquecimento até o rubro. A destruição dos microrganismos ocorre por desidratação e oxidação dos constituintes celulares. (há os incineradores usados na queima de lixo não hospitalar). b) Ar Quente – Forno de Pasteur O Forno de Pasteur moderno é uma estufa de forma retangular de paredes duplas. Observação: o aparelho e seu funcionamento serão mostrados em aula. Limitações: não se pode esterilizar a seco a vidraria fina como balões volumétricos e pipetas graduadas de precisão. isolada termicamente e aquecida por eletricidade. c) Incineração O método de incineração. do ponto de vista microbiológico. as pipetas. consiste em destruir os microrganismos junto com os materiais orgânicos onde eles se localizam. líquidos diversos. as bocas dos tubos e balões em que se faz a semeadura são aquecidos na chama (chamuscadas) sem. O incinerador 16 . etc. etc. Isto porque os materiais não são destruídos por completo. placa. Os incineradores que possuem uma só câmara de combustão são ineficazes e inadequados. borracha. no entanto. para a esterilização de materiais secos. A vidraria seca será esterilizada no forno a 170 – 180oC por uma hora. talco. vaselina sólida. ampolas. tais como: tubos. animais de experiência infectados e mortos. Na porção superior possui orifícios para ventilação e colocação de termômetro graduado em 200oC. Deixar o forno esfriar espontaneamente. Em seu interior existem prateleiras móveis. O papel que protege o material e os tampões de algodão adquire cor parda. areia.

serão aquecidas à temperatura que não altere as suas propriedades. Processo pelo qual um determinado material (o leite. principalmente européias. bacilos da tuberculose. intercalados por períodos de incubação em temperatura ambiente. gera substâncias altamente tóxicas. uma câmara de combustão secundária. “Incineradores. etc. estreptococos. obtendo-se assim a morte dos germes patogênicos. Isto porque. Alguns meios de cultura bacteriológicos.deve ter. além da câmara de combustão principal. mas não a eliminação total dos germes contaminantes (bactérias esporuladas). É um processo de desinfecção. o idealizador do processo. Ideal é quando a 1a câmara está a 800oC e a segunda aquecida no mínimo a 1000oC. em 3 dias consecutivos. Os esporos resistentes germinam durante o tempo de incubação e são destruídos nas subseqüentes exposições ao calor. no caso do leite: Salmonella. durante 1 hora. conseguia esterilizar a solução em estudo. soluções de vitaminas ou enzimas. na verdade. a queima em altas temperaturas de matéria orgânica e plástico. 17 . soluções de carboidratos. Tyndall. A incineração tem-se tornado um problema social e político em muitas comunidades. aquecimento a 100oC. b) Tyndallização ou Tindalização É uma esterilização fracionada. CALOR ÚMIDO a) Pasteurização Ato de pasteurizar. verificou que o aquecimento descontínuo. brucelas..” Observação: o criminoso Agente Laranja usado na Guerra do Vietnã era rico em dioxinas (Fonte: Proteção no 11 – vol. por exemplo). são indústrias de “ultragifte” – ultravenenos – expressão cunhada pela comunidade científica para designar dioxinas e furanos. ou seja. é aquecido a uma temperatura não elevada (62. A temperatura de tindalização varia de acordo com o material a esterilizar.8oC por 30 minutos ou 71. 03).7oC por 15 minutos) e a seguir submetido a resfriamento brusco (em torno de 4oC). tais como as dioxinas.

do tipo do continente e de seus volumes. É uma câmara de vapor saturado equipada com dispositivos que permitem a manutenção do vapor em determinada temperatura e pressão por quaisquer períodos de tempo. Há vários modelos: horizontais. há emissão de um jato intermitente de vapor e ar. O aparelho que utiliza-se nesse procedimento chama-se autoclave. seringas de injeção. aquecidas a gás ou eletricidade.. neste momento fecha-se a 18 . esta repousa sobre um suporte. dependendo da natureza do material a esterilizar. rápido e barato de esterilização. Quando a água começar a ferver. A imersão em água fervente quando usada para esterilização de instrumentos cirúrgicos. tampa com borracha apertada por parafusos. começa a sair um jato contínuo de vapor. Pela fervura do material mergulhado em água ou exposto ao vapor em autoclave com válvula aberta (vapor fluente) só se consegue uma desinfecção e não esterilização. alimentadas por vapor gerado em caldeiras separadas. de tal modo que é o meio mais prático. ou ainda. oferece o risco de contaminação por esporulados. Por exemplo: tubos de ensaio com meios líquidos podem ser esterilizados em 10 a 15 minutos a 121oC. Embora as células vegetativas das bactérias possam ser destruídas em poucos minutos. Autoclave usa vapor d’água sob pressão regulada. verticais. Os mesmos líquidos em balões de 10 litros requerem 1 hora ou mais sob a mesma temperatura e pressão. d) Autoclave (temperatura superior a 100oC) É um método em que se utiliza vapor d’água sob alta pressão.c) Água em Ebulição Os materiais ou objetos contaminados não podem ser esterilizados com segurança pela simples exposição à água em ebulição. Iniciar o aquecimento com torneira aberta. Autoclave de Chamberland: caldeira de paredes resistentes. Materiais utilizados em Biologia Molecular necessitam de 40 minutos de autoclavação (para agir no DNA). válvula de segurança e torneira. etc. Os pacotes são colocados dentro de uma cesta metálica. Modo de proceder: o material a esterilizar é embrulhado em papel ou sacos plásticos (como os de microondas) formando pacotes. Orifícios para o manômetro. Só deve ser usada em circunstâncias emergenciais. evitando o contato com água do fundo da autoclave. alguns esporos resistirão durante muitas horas. Quando todo o ar for expulso.

acompanhando os processos de preparação de material para a esterilização. O talco e a areia umedecidos são difíceis de secar. e os microrganismos poderão sobreviver. Maior condutibilidade. Observação: a autoclave e seu funcionamento serão mostrados em seminários. marca-se o tempo. Não deixa resíduos tóxicos. causando sua coagulação. como gorduras. Desvantagens e Limitações: alguns materiais não miscíveis na água. O calor úmido desnatura proteínas. espera-se até que o manômetro abaixe para zero. quebrando ligações químicas envolvidas na manutenção da conformação espacial das proteínas. Para abrir a autoclave. haverá aumento de pressão acusado pelo manômetro. Algumas substâncias são alteradas (metais que oxidam) ou destruídas. como a que existe no departamento de Bioquímica da UFPR. Há autoclaves mais modernas em que o material já sai seco. 120oC por exemplo. O material sai da autoclave impregnado de umidade. Após esse período desliga-se a corrente elétrica. óleos. Com a continuação do aquecimento. vaselina líquida e sólida e parafina. 4. Ao ser atingida a temperatura desejada. que consequentemente não podem ser autoclavados.torneira. 2. Grande poder de penetração em material denso. Deve-se colocá-lo na estufa ± 60oC para a secagem. Aquecimento rápido. Vantagens: 1. 3. Mais econômico. catalisada pela água. 5. Tais materiais não são atingidos pelo vapor. Grau de Umidade (%) 50 25 18 06 00 Temperatura de Coagulação da Ovoalbumina 56 80 90 145 170 19 . 6. Só então se abre a torneira. Termocoagulação das proteínas.

esterilizar o equipamento e utensílios a temperaturas mais elevadas e por períodos mais longos. Esta diferença de poder de penetração do calor em estado seco ou úmido é exemplificada pela verificação de que. através do isolamento de microrganismos no material processado. Fardo de Flanela Calor Seco – 150oC – 4 horas Calor Úmido – 120oC – 1 hora e meia Temperatura Central 83oC 117oC Microrganismo Clostridium botulinum Bacillus anthracis Calor Úmido 120oC 20 minutos 15 minutos Calor Seco 120oC 120 minutos 120 minutos (150oC) Calor Úmido (tempo em minutos para várias temperaturas) Microrganismos Bacillus subtilis Clostridium botulinum Bactérias do solo Anaeróbios – putrefação Bactérias termófilas 780 400 100oC 300 530 420 105oC 115oC 40 20 30 06 11 120oC Testes para Controle de Eficiência da Autoclave Em geral. a temperatura atingida no centro sobre apenas a 83oC. a temperatura central chega a 117oC. 20 .Eficiência Comparativa do Calor Seco e do Calor Úmido como Esterilizantes O calor úmido tem um poder de penetração superior. em um fardo de flanela exposto ao calor seco a 150oC durante 4 horas. sendo necessário. A penetração do calor seco é menor. é necessário fazer o controle de esterilidade enquanto a autoclave está em operação. ao passo que. em vez de tentar reconhecer falhas. portanto. à temperatura de 120oC em autoclave durante 1 hora e meia.

Embora a temperatura e a pressão sejam indicadas pelo termo-manômetro. fluidos para inoculação. Substâncias químicas em pó (acondicionadas em ampolas de vidro) cujo ponto de fusão é conhecido. numa concentração de 106 esporos em ambos os casos. Observação: para cada método de esterilização existem indicadores químicos específicos. Geralmente vêm em forma de fitas ou selos que mudam de cor na temperatura estabelecida. 2. Estes são componentes termoestáveis da degradação das bactérias. Os esporos podem vir acondicionados em frascos com meio de cultura ou impregnados em tiras de papel de filtro seco. Steritest® e outros. Após a autoclavação. transferi-las para um caldo) durante 24 a 48 horas. etc. plasma. solução de enzimas. Para tanto se pode recorrer a métodos físicos e biológicos. Líquidos injetáveis são primeiramente filtrados e depois autoclavados para evitar pirogênios. Os bioindicadores existem no comércio sob o nome de Esporofars®. pontos em que a temperatura desejada é obtida com maior dificuldade. Colocar os esporos na autoclave em pontos críticos. solução de alguns carboidratos. colírios. solução de vitaminas. todos os laboratórios microbiológicos fazem testes confirmatórios de esterilidade do material processado. indica que o bacilo proliferou e que a autoclavação foi insatisfatória. Após a autoclavação. Caso haja turvação. centro e fundo da cesta. Indicadores que têm por base a reação de um composto químico quando expostos a um parâmetro necessário à esterilização. FILTRAÇÃO A filtração é o método de escolha para esterilizar soluções contendo substâncias termossensíveis como o soro sanguíneo. observar a substância que deve aparecer fundida. incubar a 55 a 57oC os esporos em caldo (ou no caso de usar as tiras. 21 . Nos métodos físicos usa-se: 1. No método biológico usam-se esporos bacterianos altamente resistentes como os do Bacillus stearothermophillus. Os esporos do Bacillus stearothermophillus morrem quando submetidos a 121oC por 15 minutos.

etc.Chamberland: porcelana. após a filtração.Berkefeld: terra infusórios. Podem filtrar diversos líquidos: água. parafina. . Cada cm2 contém milhões de poros. Elas apresentam a vantagem de poder ser autoclavadas. também chamados de filtros moleculares. balões vazios ou contendo meio de cultura. etc. por exemplo. Exemplo: Millipore. a membrana é colocada em meio de cultura adequado. como por exemplo: a) b) c) VELAS DISCOS MEMBRANAS . Numerosos são os dispositivos e materiais usados na técnica da filtração.000 ηm (para determinar o tamanho do vírus). etano. estudadas e identificadas. como. . Ultrafiltração Elford – colódio – membrana Gradocol (de nitrato de celulose). Atualmente são as mais usadas nas técnicas de filtração. O exemplo disto é dado pelo uso de tampões de algodão que obturam a boca de tubos. éter. metano. álcool. 22 . Acetato de celulose.. sem sofrer degradação.Amianto.As técnicas de filtração são também usadas para recuperar pequenas quantidades de bactérias presentes em grandes volumes de líquido. Há as descartáveis. 80% da membrana é espaço aberto e 20% de material sólido. água.05 a 10 µm (micrômetros). naftalina.Vidro. Outro exemplo é a filtração do ar nas câmaras assépticas. acetileno. Poros: 10 a 10. . com isto o fluxo é em torno de 40 vezes mais rápido que pelos demais filtros. as bactérias vão proliferar dando colônias que podem ser quantificadas. O algodão é suficientemente poroso para permitir a entrada de ar e impedir a entrada de germes. A filtração pode ser aplicada na descontaminação de gases como o ar. terpeno. toluol. Tamanho dos poros: 0. Nestes casos. xilol. salas de cirurgia.

é limitado por danificar a córnea e a pele. cateteres e luvas. Uma camada fina de vidro ou água pode impedir a ação da luz U. Raios Gama e Raios X Os raios gama são atualmente muito usados para esterilizar grandes quantidades de itens de pequeno porte tais como agulhas. seringas. É comum seu emprego para esterilização do ar em hospitais e também em laboratórios de microbiologia. O uso de raios U.esterilização fria (indústria alimentícia e farmacêutica). Estes radicais altamente reativos quebram as ligações covalentes do DNA.alto poder de penetração.97% RADIAÇÕES NÃO IONIZANTES (U. inibindo a replicação do DNA. .. Não é uma técnica aplicável para uso descontínuo. em medicina. formando dímeros. . alterando as estruturas do DNA e das proteínas. O processo é 100% eficiente e ininterrupto.alto custo. . Há produção de fluxo de ar não turbulento ou laminar.V. salas de cirurgia.V. O seu poder de penetração é mínimo.Filtros HEPA (High Efficiency Particulate Air) de Acetato de Celulose Utilizados para produção de fluxo de ar estéril em câmaras bacteriológicas assépticas. nas câmaras assépticas.e H+) pela hidrólise da água. Emprega-se esse tipo de radiação para reduzir a população microbiana da superfície dos equipamentos ou do ar. pois não é possível ligar ou desligar. 23 . comprimento de onda de absorção máxima pelas bases púricas e pirimídicas do DNA. equipamentos endovenosos. Vantagens Desvantagens .V.) As radiações na forma de luz ultravioleta têm sua atividade melhor na faixa de 250260 ηm. O material é esterilizado já acondicionado na sua embalagem final. etc. Eficiência = 99. Os raios gama e os raios X criam radicais livres ativos (OH. onde as condições de assepsia devem se manter rigorosamente controladas.operadores altamente especializados.

somente alguns são capazes de esterilizar. embora se saiba que os produtos químicos podem agir como bacteriostáticos ou esterilizantes dependendo da concentração e do tempo de ação. A maioria dos agentes químicos age como desinfetante ou anti-séptico. Alguns são rapidamente inativados em contato com matéria orgânica. . mas tóxicos para os tecidos vivos. ESTERILIZAÇÃO E DESINFECÇÃO POR AGENTES QUÍMICOS A esterilização por produtos químicos é indicada apenas para os materiais que não podem ser submetidos ao calor. maior estabilidade quando em solução e seu poder germicida.Irritante. . b) lesões de gônadas (alterações cromossômicas).acarreta sérios danos à saúde. portanto usados apenas em objetos inanimados. • Deve não ser . como a leucemia). Outros apresentam instabilidade quando em solução. Alguns produtos químicos são mais utilizados que outros devido a vários fatores: facilidade de obtenção. .Não deixar resíduos. Ácido fênico em solução de 0.Inocuidade para o homem.Estabilidade e homogeneidade quando em solução.Atividade antimicrobiana de largo espectro. 24 .2% age como bacteriostático e a 5% é esterilizante. • Deve .Corrosivo. Alguns são muito ativos..Boa solubilidade. menor custo. Não existe uma substância ideal capaz de agir em todos os casos. . Assim temos: Produto Químico • Deve ter . tais como: a) alterações celulares (neoplasias malignas. A escolha de um agente químico dependerá da finalidade do uso.

β-propionalactona. edema pulmonar e danos à pele. produtos desidratados. b) Tempo.Não alterar materiais como borracha. plástico. náuseas. compostos fenólicos. etc. incluindo plásticos. c) Temperatura. óxido de propileno e formaldeído. equipamentos de 25 .9oC. óxido de etileno. brometo de metila. sendo o líquido bastante solúvel em gás e solventes orgânicos. glutaraldeído. • Sólidos: pastilhas de formalina. Na aplicação de qualquer agente químico é necessário observar-se as seguintes variáveis: a) Concentração. couro. não se podendo trabalhar em temperaturas elevadas. O gás é altamente inflamável e explosivo. borrachas. não corrosivo e que se liquefaz a 10. e) Limpeza. O gás tem elevado poder de penetração em material orgânico. • Gasosos: ozônio. d) pH. madeira. álcoois e compostos quaternários de amônio. tecidos (lã). no máximo 60oC. Óxido de Etileno É um gás incolor. papel. causando irritações dos olhos e pulmões. AGENTES QUÍMICOS Agentes químicos são comumente empregados para a esterilização ou desinfecção de equipamentos: • Líquidos: ácidos e álcalis fortes. Concentrações acima de 100 mg/litro são tóxicas ao ser humano. Aplicações industriais são baseadas no uso de misturas contendo 10% de óxido de etileno e 90% de CO2 ou 50% de óxido de etileno e 50% de formato de metila..

O anel da molécula do óxido de etileno se rompe para formar –CH2 –CH2O que se insere entre átomos de enxofre e hidrogênio do grupo sulfidrila: o Desvantagens a) Alto custo. Pode ainda ser utilizado em metais. Umidade de 20 a 40%.SCH2. Uma câmara secadora onde o material. H2C O H2C + R. que consiste na circulação de ar filtrado. viricida. como em grupos sulfidrila. Tempo de exposição de 2 a 12 horas. seringa. b) Tóxico. Condições: • • • • Temperatura entre 49 e 60oC. após a esterilização. O uso de óxido de etileno requer equipamentos adequados de alto custo. o ETO é muito eficiente. Tendo condições adequadas de temperatura.anestesia e seringas sem danificá-los. O ar passando pelos materiais faz a remoção dos resíduos de gás retido nos mesmo. d) Equipamento anestesia. Um painel de controle onde está conectado o cilindro de mistura de gases. c) Grande variedade de materiais.CH2.OH (enzima inativa) 26 . Concentração do gás 450 mg/L. O óxido de etileno atua como alquilante. esporicida. b) Temperatura baixa 47-60 C.SH (enzima ativa) R. c) Inflamável. pressão de vapor d’água. tempo e concentração do gás. é obrigatoriamente submetido à aeração. Óxido de Etileno Vantagens a) Bactericida. o que recomenda muito o seu emprego. vidros e materiais elétricos. O aparelho esterilizador a ETO é formado de um conjunto de três unidades: Uma autoclave (câmara grande) tendo o gás ETO e vapor d’água. inativando as enzimas e outras proteínas que têm átomos de H lábeis.

Age lenta mas efetivamente. O formaldeído é utilizado na forma gasosa para esterilizar áreas fechadas. Em temperatura ambiente o formaldeído polimeriza-se. Formalina é a solução aquosa de formaldeído (37 a 40%). forma em que é comercializado. Tem a desvantagem do baixo poder de penetração. A umidade e temperatura têm grande influência sobre sua ação antimicrobiana. após a desocupação. hidroxila. temperatura ideal de 22oC e umidade de 60 a 80%. O álcool etílico é muito usado na degermação da pele e desinfecção de superfícies. Requer presença de água (álcool a 70%) para sua atividade máxima. mas é extremamente tóxico. algumas vezes em combinação com iodo. seus vapores são irritantes às mucosas. introduzindo um radical (CH2). A ação dos álcalis depende do seu grau de 27 . Outras substâncias de interesse na prática médica Álcoois: os mais usados são o álcool etílico e o isopropílico. carboxila e sulfidrila. Ácidos e Álcalis: a variação acentuada de pH pode resultar em cessação do metabolismo e morte do microrganismo. como quartos de doentes contagiosos. A sua ação é com os grupos amino. de estrutura simples (HCOH). O álcool desestrutura os lipídios da membrana celular e desnatura as proteínas bacterianas. A ação dos ácidos depende do seu grau de ionização: da concentração hidrogeniônica no caso dos ácidos minerais ou da natureza de suas moléculas no caso dos ácidos orgânicos. Glutaraldeído Age de modo semelhante ao formaldeído. formando uma substância sólida. Usado na desinfecção de endoscópios e equipamentos de terapia respiratória. é estável em altas concentrações e temperaturas elevadas. incolor – paraformaldeído – que libera formaldeído pelo aquecimento.Formaldeído O formaldeído. alterando a estrutura das proteínas e ácidos nucléicos. mas é menos tóxico e dez vezes mais eficiente.

Metais Pesados: os mais usados são mercúrio e prata. muito utilizado na anti-sepsia da pele. Mertiolato. a) Detergentes aniônicos têm hidrocarboneto de cadeia longa de carga elétrica negativa. Estes metais agem inativando as enzimas bacterianas através do grupo sulfidrila. como o cloreto de benzalcônio. É encontrado em duas formas: Tintura de Iodo e iodóforos. b) Detergentes catiônicos de carga elétrica positiva. por exemplo: os sabões e produtos sintéticos semelhantes aos sabões. Oxidantes: inativam as células oxidando os grupos sulfidrila livres. Os produtos sintéticos são mais solúveis e mais baratos que os sabões convencionais. O hidróxido de cálcio é um deles. cloro e compostos que liberam lentamente o cloro (cal clorada). Os iodóforos liberam iodo lentamente. não tem odor irritante e não tingem os tecidos. vagões. Os mais usados são os detergentes de compostos quaternários de amônio. Ambos possuem boa atividade antimicrobiana. não irritam a pele. É de efeito imediato. Protargol. iodo. são pouco tóxicos e não corrosivos. Estes compostos têm amplo espectro bactericida e bacteriostático mesmo em altas diluições contra bactérias Gram positivas e Gram negativas. É de alto poder desinfetante. excretas. Os detergentes agem sobre os lipídeos da membrana celular alterando sua função ou desintegrando-a. Por exemplo: mercúrio cromo. O mercúrio quando combinado a outras substâncias. O iodo reage especificamente com resíduos de tirosina das proteínas e inativa as enzimas que contém pontes de dissulfeto. Detergentes: são agentes surfactantes ativos e podem ser aniônicos ou catiônicos. apresenta-se menos tóxico ao organismo humano que o próprio metal. usado em quartos de doentes. São: peróxido de hidrogênio. Os iodóforos são complexos de iodo com detergentes ou outras moléculas carreadoras. da concentração de íons hidroxila e do íon metálico do álcali. também desnaturam as proteínas. etc. 28 . Os compostos quaternários de amônio são muito solúveis em água. A prata combinada com proteínas é antisséptico de mucosas do nariz e garganta: Argirol. O iodo é anti-séptico muito utilizado nas práticas médicas.dissociação.

elípticas. as suas células podem agruparse em três tipos morfológicos fundamentais: a) Arredondada. Identificar nas preparações microscópicas focalizadas a forma da célula e o grupamento. Observar estruturas bacterianas no interior das células (esporos.2: CAPÍTULO 2: TIPOS MORFOLÓGICOS DE BACTÉRIAS E GRUPAMENTOS BACTERIANOS Objetivos a. Tipos Morfológicos Embora existam milhares de espécies bacterianas. COCOS Forma arredondada (perfeitamente esféricas. 29 . b) Alongada. * VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Esférico: Completamente arredondado. c. granulações). em chama de vela e riniformes. Exemplo: Staphylococcus aureus. Verificar se nos grupamentos há ou não arranjos sempre com o mesmo número de células. Coco-oval (alongado) Exemplo: Streptococcus pyogenes. Observar e comparar a morfologia das diversas bactérias em lâminas focalizadas. c) Ondulada. b. d.

Curtos. Mycobacterium. Proteus. VARIAÇÕES BACILARES: Finos e curtos: têm extremidades arredondadas. Exemplo: Salmonella. Parece um fio de cabelo. Exemplo: Leptotrix buccalis. (variações: quanto ao comprimento. prefere-se o termo BACILO. como será visto nas aulas de Patologia Médica Molecular – BP334). Fonte: Fernando Bortolozzi Gonococo e Meningococo: Forma riniforme (em forma de feijão ou rim) Exemplos: Neisseria gonorrhoeae (G) Neisseria meningitidis (M). Portanto para bactérias alongadas. Exemplo: Bacillus. espessos e extremidades rombadas. Pseudomonas. No entanto.Pneumococo (em forma de gota. espessura e forma das extremidades). Shigella. Finas longas e extremidades agudas. chama de vela) Exemplo: Streptococcus pneumoniae. 30 . a denominação “bastonete” é de uso mais aconselhável para os neutrófilos imaturos que saem da medula óssea mielóide e vão para a corrente sanguínea suprir necessidades fisiológicas durante uma infecção (desvio à esquerda. BACILOS Forma alongada ou cilíndrica. Lactobacillus sp. Obs: Os bacilos eram também denominados bastonetes até alguns anos atrás. Bastonetes. Finos e longos (forma filamentosa).

sempre o comprimento predomina sobre a espessura no mínimo uma vez e meia. Exemplo: Treponema pallidum 31 . Haemophilus sp. Compreende: a) Espirilos b) Espiroquetas c) Vibriões a) Espirilo: possui corpo rígido.Exemplo: Fusobacterium nucleatum. Exemplo: Spirillum b) Espiroqueta: corpo flexível e móvel com o auxílio de filamentos axiais presentes sob a camada externa. movendo-se à custa de flagelos. FORMAS ONDULADAS Forma ondulada. Exemplo: Brucella. ao contrário dos cocos. espiralada ou helicoidal. Curta e arredondada (cocobacilo). nos quais essas dimensões permanecem quase iguais. * VER PRANCHAS DE MORFOLOGIA NAS AULAS PRÁTICAS Nos bacilos.

Exemplo: Vibrio cholerae Imagens: Tortora. Outras têm espiras numerosas.c) Vibrião: em forma de vírgula. espessura. abertas e irregulares. Treponema pallidum Leptospira interrogans 32 . apenas um seguimento de espiral. número e amplitude de espiras. Algumas possuem pequeno número de espiras. regulares e apertadas à semelhança de dentes de serra. Exemplo: Borrelia. 2005 Outros: Entre espirilos e espiroquetas aparecem diferenças notáveis de comprimento.

simetricamente) Micrococcus Sarcina (8 elementos. Estreptobacilos (em cadeia): (Geralmente esporulam) Imagens: Tortora. é importante o conhecimento das diferentes disposições que as bactérias apresentam. 2005 33 . Neisseria gonorrhoeae Neisseria meningitis (GONOCOCO e MENINGOCOCO) 2. Estas multiplicação. Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO) Streptococcus pyogenes Estafilococos (irregular ou cacho de uva) Staphylococcus aureus Tétrades (cocos de 4 em 4 elementos. chamadas de grupamentos.GRUPAMENTOS BACTERIANOS Ao lado da forma da célula. pelos quais pode-se diferenciar gêneros bacterianos. formando cubos simetricamente) Sarcina (não visível no plano do MO) Quanto às células alongadas. Diplobacilos (dois a dois): 2. os grupamentos não apresentam tanta importância: 1. Podem ocorrer os seguintes arranjos: Imagens: Fernando Bortolozzi e Tortora. 2005 h associações são explicadas por peculiaridades dos processos de NOMENCLATURA DO GRUPAMENTO Diplococos (dois a dois) 1 2 Estreptococos (cadeias) FORMATO EXEMPLOS 1.

34 . bacilos. quando o movimento pósdivisional é de deslizamento: Mycobacterium tuberculosis (PALIÇADA) 4.. composição do meio. Proteus. onde as células formam ângulo à semelhança de letras e o conjunto lembra letras chinesas: Corynebacterium diphteriae 6. produtos tóxicos vindos do próprio metabolismo bacteriano.). Mycobacterium leprae (GLOBIA) Imagens: Fernando Bortolozzi 5. As células deste tipo mostram aspectos de intumescimento. observar a morfologia celular e o grupamento predominante.3. não formando grupamentos. Chlamydia e o bacilo diftérico. Alguns bacilos podem agrupar-se em paliçada. Independe das condições do meio. Um dia foram cocos. toxinas. bacilos. como por exemplo. Quando em meio inadequado (pH. etc. As formas onduladas apresentam-se individuais. uma vez que nunca tiveram forma definida). esses microrganismos perdem sua forma original. etc. aberrantes e em degeneração. aberrantes ou intumescidas. Observação: em uma preparação microscópica. Globias: bacililos agrupados em formas concêntricas que se assemelham a um globo. Formas de Involução e Pleomórficas Pleomórficas: são bactérias sem parede e justamente por isso não têm forma definida ORIGINALMENTE (não se enquadram em cocos. Exemplos: Haemophilus. Mycoplasma. O2. a Yersinia pestis. Um outro movimento pós-divisional é em dobra. Involutivas: Bactérias em degeneração. espirilos etc.

Avaliar a importância destes dados na sistemática bacteriana. superfície. com pigmento difusível ou não. cromogênese (pigmento solúvel ou não). as bactérias apresentam uma notável constância de caracteres.. • Forma: Circular Irregular Rizóide ou arborescente • 35 . facilitando a caracterização e a identificação das bactérias. temperatura. elevação. a colônia representa a descendência de uma única célula. Identificar as principais características culturais de bactérias. Introdução Fornecendo as mesmas condições de cultivo relacionadas à composição do meio de cultura. brilho. • Cor: amarela ouro. pH. 2. tipos de bordas. alaranjada. consistência. Definição Colônia é o crescimento dos microrganismos em meio sólido.5mm) até alguns centímetros de diâmetro. branca. castanha. atmosfera. etc. amarela citrina. rosada. amarela clara. transparência. Pode-se considerar as seguintes características coloniais pela variação de: tamanho. cor.3: CAPÍTULO 3: MORFOLOGIA COLONIAL Objetivos 1. vermelha. Características das Colônias Tamanho: puntiformes (menores que 0. forma. Em condições ideais. etc.

pregueada. transparente • Brilho: Fosca. brilhante 36 . viscosa. raiada Papiliforme • Com círculos concêntricos • Consistência: Cremosa. translúcida. seca • Transparência: Opaca. rugosa. granulosa.• Bordas: Lisa Denteadas Lobadas Elevação: Convexa alta Onduladas • Convexa baixa Acuminada Espraiada Centro-saliente Umbilicada Centro-deprimida Superfície: Lisa.

2. etc. Técnica 1. Contar as colônias desenvolvidas. placas. aeróbias e mesófilas. as placas abertas em diversos locais da sala de aula por 30 minutos (por exemplo). Expor à contaminação. pipetas. Calcular a quantidade de bactérias por m2 de acordo com os seguintes dados: 37 . 3) Estudar as diferentes características coloniais..4: CAPÍTULO 4: VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE BACTÉRIAS NO AR E SUA CONTAGEM ATRAVÉS DE CULTIVO Observação A partir deste capítulo as aulas práticas serão participativas ou demonstrativas dependendo da disponibilidade de material para sua execução (meios de cultura. Fechar e incubar a 36oC durante 48h. cirurgias. etc. material patológico. para justificar a necessidade de assepsia nos trabalhos bacteriológicos. 4.) Objetivos 1) Avaliar o ambiente quanto a presença e número de bactérias viáveis não exigentes. Contagem Meio de cultivo: ágar simples (ASI) distribuído em placas de Petri de 10 cm de diâmetro. 2) Prevenção de contaminação em salas de curativos. 3. soros aglutinantes. pelo ar.

Tempo de exposição: 30 minutos.007854 m2 x→ x = 1.273 UFC/m2 em uma hora: 1.a.007854 m2. Área da placa de 10 cm de diâmetro = 0.546 UFC/m2/h UFC = Unidades Formadoras de Colônia 1 m2 38 . b. Exemplo: 10 UFC → 0.5 hora x→ 1 hora x = 2.273 → 0.

etc. Coloração Composta ou Diferencial – dois ou mais corantes • • • • A coloração negativa e a coloração simples são usadas para observar a presença de bactérias e sua morfologia. A coloração composta é usada para evidenciar estruturas celulares e as propriedades tintoriais. Introdução Existem muitos tipos de preparações microscópicas.. Servem para observar a mobilidade e/ou presença de bactérias.5: CAPÍTULO 5: PREPARAÇÕES MICROSCÓPICAS Objetivos Familiarizar o aluno com as técnicas de preparações microscópicas. variando com a necessidade de obter dados como: mobilidade.Entre lâmina e lamínula. Mortas: em preparações coradas. Preparações a Fresco Campo Claro . • Campo Escuro . Vivas: pelos exames a fresco.. Preparações Coradas Coloração Negativa – usando contraste. propriedades tintoriais. 2.Entre lâmina e lamínula.. A bacterioscopia pode ser feita com o objetivo de observar bactérias: 1. estruturas celulares. .Gota pendente. visando a observação dos microrganismos. iniciar a identificação das bactérias. 39 . Coloração Simples – um corante. Pelas características vistas.

Observar ao microscópio com quantidade reduzida de luz e objetiva de pequeno aumento (10x) para uma visão Técnica de preparação entre lâmina e lamínula panorâmica. em solução aquosa a 1%. fechando a preparação. Inverter a lâmina escavada sobre a lamínula e pressioná-la levemente para aderir ao Vaspar. Observação: para evitar a dessecação do material. Untar as bordas da concavidade com Vaspar. exsudatos. 4. azul de Nilo. Pode-se examinar as bactérias ao natural. 2. Os mais usados são: azul de metileno. vermelho neutro. 3. pode-se cercar as gotas com Vaspar (mistura de vaselina e parafina). Voltar rapidamente a lâmina à sua posição normal. Quando se tem material espesso (patológico ou de cultivo). 2) Cobrir com lamínula. atóxicos (para não prejudicar a mobilidade). podem ser examinados tais como se apresentam ou centrifugados e examinando-se o sedimento. mas como as suas células têm um índice de refração próximo ao da água. deve-se diluí-lo em soro fisiológico estéril. com pouca luminosidade. LCR. meios de cultivo líquidos. A lamínula colocada ficará aderida ao Vaspar. Nesses casos recorre-se aos corantes vitais. 1) Sobre uma lâmina colocar uma ou duas gotas do líquido a examinar. Em seguida passar para 40x aumentando convenientemente a intensidade da luz.Preparações a Fresco Nas preparações a fresco os materiais líquidos como urina. 1. Usa-se para esta técnica a lâmina escavada de Koch (lâmina com ± 3 mm de espessura com concavidade central). entre outros. Na falta de Vaspar pode-se utilizar vaselina sólida ou lanolina. 40 . Sobre uma lamínula colocar uma pequena quantidade do Técnica de preparação em gota pendente líquido a ser examinado. algumas vezes torna-se difícil observá-las.

VISTA DE CIMA Lâmina Vaspar

CORTE TRANSVERSAL (APÓS A MONTAGEM) Lâmina Lamínula Vaspar

escavação (concavidade)

Gota Pendente

Preparação a fresco em campo escuro Serve para a mesma finalidade que as técnicas precedentes, mas especialmente usada para observar bactérias muito delgadas, que são invisíveis em campo claro. Utilizada para observar a presença de espiroquetas em materiais como serosidade de cancro sifilítico (Treponema pallidum) ou urina suspeita de conter Leptospira (urina recém emitida e centrifugada, utilizar o sedimento). O campo escuro ao microscópio é obtido usando-se um condensador especial (como o cardióide) que impede a penetração de raios diretos de luz sobre o material examinado. As bactérias são iluminadas lateralmente, contrastando com o fundo escuro. A técnica de montagem da preparação é a mesma que entre lâmina e lamínula.

Preparações Microscópicas Coradas São as mais usadas em bacteriologia, onde as bactérias estão mortas e artificialmente coradas. Este tipo de preparação, que compreende a coloração de Gram, é muito importante na identificação presuntiva de microrganismos. A morfologia da célula, sua disposição e propriedades tintoriais são freqüentemente suficientes para definir o gênero. Etapas das preparações coradas: 1) Esfregaço 2) Fixação (a quente ou a frio) 3) Coloração

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1. Esfregaço: consiste em depositar o material a examinar no centro de uma lâmina e espalhá-lo numa espessura apropriada. Deixar secar espontaneamente ou numa estufa a 37oC. Se o material a examinar pela bacterioscopia for muito espesso (patológico ou cultivo), deve ser diluído em salina ou água estéril. Se for material líquido e pobre em microrganismos, deve ser centrifugado (urina, por exemplo); derrama-se o sobrenadante e examina-se o sedimento. 2. Fixação: tem por objetivo fixar o material à lâmina para que não se desprenda durante os procedimentos ulteriores. A fixação pode ser feita a quente ou a frio. Em ambos os casos há coagulação de célula bacteriana que a faz aderir à lâmina. A Quente • Pode ser feita “serrando” com a lâmina a chama da lâmpada ou bico de Bunsen, duas a três vezes, com a face que contém o material voltada para cima, para não ter contato direto com a chama. • Derrama-se álcool sobre a preparação e inflama-se. Observação: a exposição excessiva ao calor deforma a morfologia da bactéria e com aquecimento insuficiente haverá desprendimento do material. A Frio • Para não alterar muito a morfologia bacteriana ou quando há interesse de observar o aspecto citológico do material, como exsudatos, sangue, líquor, etc., usa-se fixação a frio, cobrindo o esfregaço com substâncias químicas: - Mistura de álcool e acetona. - Formol. - Solução de cloreto de mercúrio, etc.

3. Coloração propriamente dita: seguir as instruções do método de coloração a ser usado. Nos casos em que se queira observar apenas a presença de bactérias ou conhecer a sua morfologia ou grupamento, recorre-se à COLORAÇÃO SIMPLES, onde se usa um corante qualquer: azul de metileno, fucsina, violeta de genciana, etc.

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Coloração Simples Técnica 1. Cobrir o esfregaço com o corante e deixar agir um minuto; 2. Lavar com água; 3. Secar. Examinar no MO com a objetiva de 100x em imersão.

Coloração Composta ou Diferencial Nestas colorações participam fundamentalmente 4 componentes, cuja natureza química varia com o método escolhido. 1. Corante principal: é o primeiro a ser empregado determinando a característica tintorial (como por exemplo violeta de genciana na coloração Gram). 2. Mordente: é a substância que reforça a ação do corante principal (iodo no Gram). 3. Diferenciador: é o elemento que descora seletivamente as bactérias (álcool no Gram). 4. Corante secundário ou de fundo: é o que cora os elementos descorados pelo diferenciador (fucsina no Gram). O corante de fundo tem que ter cor contrastante com o corante principal. A coloração diferencial universalmente aceita, e usada em todos os laboratórios de bacteriologia, é a coloração de Gram, que separa as bactérias em dois grandes grupos: 1) Gram positivas. 2) Gram negativa.

A propriedade tintorial revelada pelo Gram está relacionada à composição química da parede celular bacteriana.

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COLORAÇÃO DE GRAM
Técnica 1. Cobrir o esfregaço com Violeta de Genciana e deixar agir durante 1 minuto. 2. Derramar o corante e cobrir com lugol, 1 minuto. 3. Lavar com água. 4. Descorar pelo álcool (tempo crítico) aproximadamente 15 segundos. 5. Lavar com água. 6. Cobrir com fucsina de Ziehl diluída 1:10, durante 30 segundos. 7. Lavar com água. 8. Secar. Observação: existem diversas modificações do método de Gram. Alguns laboratórios substituem a Violeta de Genciana (penta e hexametil pararosanilina) por Cristal Violeta (hexametilpararosanilina) que tem poder corante superior. As bactérias submetidas ao método de Gram comportam-se da seguinte maneira:
(Fonte: Tortora, 2005)

Etapa Até a 3a etapa Após a 5a etapa Após a 7a etapa

Gram Violeta Violeta Violeta

Gram Violeta Incolor Vermelha

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2005 *** LPS: são pirogênios exógenos (geram calor) – No organismo humano. Essas bactérias que produzem β- 45 . etc). Porém sobrevive só com o protoplasto. Uma enzima muito importante. sem lipoteicoato ± 1-2 camadas de peptídeoglicano (5-10%) (+ FINAS) Mais lipídeo (20%) e muitos aa Possui uma 2ª membrana ancorada às camadas de peptideoglicano (chamada membrana externa) externa à parede celular Formam ESFEROPLASTOS: quando a bactéria perde a parece celular. Uma vez que o TNF e a IL-1 estão elevados. em local e condições adequadas. carbapenêmicos. * Espaço periplásmico: é o espaço entre as camadas de peptideoglicano. Detalhes serão vistos na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). Ou seja. ligados à muranato 15 a 20 camadas de peptideoglicano (90%) (+ ESPESSAS) Tem pouco lipídeo (2%) e poucos aa Tem adjacente à membrana plasmática uma parede celular Formam PROTOPLASTOS: é a membrana de uma bactéria gram +. Menos polissacarídeos CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fonte: Robbins. Se perdê-la. os antibióticos mais utilizados no tratamento de infecções (leia-se penicilinas. via rolamento. Tais proteínas proteínas aumentam a atividade os linfocitária. essa PC pode ser refazer. Esses leucócitos estimulados liberam os pirogênios endógenos Interleucina 1 (IL-1) e fator de necrose tumoral (TNF). pois ela influencia na terapêutica antibiótica. a elevação da temperatura do corpo está relacionada a melhorar a resposta imune do indivíduo em resposta a bactérias patogênicas. Além disso. β-lactâmicos são uma classe de antibióticos. cefalosporinas. ativando proteínas do choque térmico. como acontece na gripe por exemplo. Quando restam partes da PC. que controla a temperatura corporal via AMPc. o sono aumenta e o apetite diminui. Esses mediadores estimulam a ativação das integrinas dos neutrófilos no endotélio para que eles migrem.GRAM – Microscopia: Rosa Possui uma parede celular mais diversificada. diga-se de passagem. É um importante local de produção de enzimas. Esses antibióticos são assim chamados porque em sua composição têm um anel beta-lactâmico. a Il-1 e o TNF estimulam a produção de PGE-2 (prostaglandina E2) no hipotálamo. para o tecido conjuntivo em combate às bactérias patogênicas. Por fim o hipotálamo aumenta a temperatura corporal. Quando os macrófagos fagocitam os produtos bacterianos. entre elas a β-LACTAMASE. estimulam leucócitos. Mais polissacarídeos e presença de lipídeo A formando os lipopolissacarídeos (LPS***) GRAM + Microscopia: Roxo Possui filamentos de teicoato. não consegue refazê-la. podem ser um dos produtores de febre.

etc). Ex: Clavulanato. uma vez que não será destruída pela ação dessas enzimas. deixando o mecanismo de ação antimicrobiano inativo. Streptococcus. em uma infecção tipo tonsilite por Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield produtor de estreptolisina). Mas. etc. Moraxella. Haemophilus influenzae. ao verificarmos a Gram positividade ou Gram negatividade. O mecanismo é simples. De tal modo que. são transpeptidases e carboxipeptidases. Antibiótico de primeira escolha para infecções de vias aéreas superiores. Essas enzimas degradam o fármaco que iria matar a bactéria causadora da infecção e o medicamento acaba falhando. Existem enzimas responsáveis pela síntese de peptideoglicano. dará cabo das bactérias. O clavulanato inibe as beta-lactamases e a amoxicilina. Haemophilus. por exemplo: esta bactéria não produz β-lactamases. proteínas fixadoras de penicilina. Moraxella e a maioria dos BGNs intestinais como a Escherichia coli. mas algumas bactérias da microbiota residente as produzem. Enterococcus. Amoxicilina + Sulbactam (Trifamox IBL®) Mecanismo de ação dos B-lactâmicos: Inibição da síntese de peptideoglicano. Corynebacterium. teremos informações referentes à natureza química da parede celular e do seu comportamento frente aos agentes antimicrobianos (antibióticos. 46 . deve ser prescrever um antibiótico JUNTO COM UM INIBIDOR DAS BETA LACTAMASES. Shigella. muitas vezes. Moraxella. as PBP (Penicillium Binding Protein). estreptococos. mesmo para infecções estreptocóccicas. Micrococcus. Eles inibem as β-lactamases e deixam o antibiótico agir (penicilina). Até porque clinicamente não se sabe se trata-se de uma infecção por estafilococos.). Exemplos de bactérias Gram positivas e Gram negativas mais comuns: Cocos Gram positivos Staphylococcus. a própria bactéria causadora da infecção pode ser produtora dessas enzimas. esses antimicrobianos fazem a inativação dos inibidores das enzimas autolíticas na PC. Listeria Enterobacteriaceae (Salmonella. Prescreve-se um antibiótico β-lactâmico com um inibidor de β-lactamases que faz inibição enzimática e deixa essas penicilinases sem atividade catalítica. Por isso. esses antibióticos inibem essas enzimas (que geralmente se localizam na superfície externa da MP). são capazes de destruir esse anel dos antibióticos por hidrólise. Brucella. Ou seja. Sarcina Cocos Gram negativos Bacilos Gram positivos Bacilos Gram negativos Neisseria (gonorrhoeae e meningitidis). No entanto. Medicamentos com inibidores de β-lactamases: Amoxicilina + Clavulanato de Potássio (Clavulin®). Alcaligenes O comportamento tintorial frente ao Gram está relacionado intimamente a outras propriedades das bactérias. deixando a parede celular frouxa. Proteus. Escherichia coli. Além disso. além disso.lactamases. Lactobacillus. muitas vezes. etc. Veillonella Bacillus. Estreptococos geralmente não são capazes de produzir β-lactamases. É UM IMPORTANTE MECANISMO DE RESISTÊNCIA AOS ANTIBIÓTICOS! As principais bactérias que a produzem são os estafilococos (Staphylococcus aureus principalmente). Há vários esquemas de posologia que serão vistos nas disciplinas clínicas. corantes. Pseudomonas. etc. Clostridium. Sulbactam. Bordetella.

Para vencer a resistência à coloração. aumenta-se a concentração do ácido fênico (mordente) da solução corante. sobretudo na parede celular. prolonga-se a exposição ao corante (5 a 10 minutos) e aplica-se o calor (aquecimento) durante o tempo de coloração. a ponto de resistir à ação de descorantes como o álcool e ácidos minerais fortes e diluídos. Daí o uso corrente do método de Ziehl-Neelsen ou de suas numerosas modificações para identificação das bactérias. tais como o ácido nítrico. que se opõe à penetração do corante. sulfúrico ou clorídrico.3 g 10 mL 5 mL 95 mL Fenol fundido Água destilada Observação: em outras colorações usa-se o fenol aproximadamente em quantidade 5 vezes maior. O fenômeno de ácido-álcool resistência é atribuído à presença de um alto teor de lipídeos. dificilmente tomam as cores da anilina. No descoramento são usados o álcool e soluções de ácidos minerais. Composição dos Reativos Usados no Ziehl-Neelsen Fucsina fenicada Fucsina básica Álcool 95 o • 0. mas uma vez coradas por técnicas apropriadas fixam fortemente o corante.COLORAÇÃO DE ZIEHL-NEELSEN: A Evidenciação de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAARs) Certas bactérias. como o bacilo da tuberculose e da hanseníase. 99 mL 1 mL • • 47 . Diferenciador Álcool etílico 95o Ácido clorídrico Corante de fundo Solução de azul de metileno. que assim se comportam e por isso são chamadas Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR).

Lavar com água. contar 5 minutos. as técnicas mais comuns são as seguintes: 1. Método de Giemsa. 48 . Métodos de impregnação pela prata: Fontana-Tribondeau. Lavar. aquecer a lâmina novamente. 6. 2. 4. Corar com azul de metileno. etc.2 µm de espessura). A maior parte cora-se com dificuldade. 5. filamentos de muco. etc. devido à natureza lipídica das estruturas mais superficiais: são microrganismos delicados que perdem a morfologia se forem fixados pelo calor numa preparação microscópica. leucócitos. Descorar com álcool ácido.Técnica 1. cor do azul de metileno (no caso do escarro: cocos. 1 minuto. até não sair mais o corante. e os outros elementos coram-se em azul. Lavar com água. Morosov. Os bacilos álcool-ácido resistentes aparecem em cor vermelha.). Exame a fresco em campo escuro. 4. Fixar o esfregaço pelo calor. cor da fucsina. Quando cessar a emissão de vapores. secar. células epiteliais. 7. de corpo flexuoso e deformável durante o movimento. Coloração negativa com tinta-da-China (método de Burri). 3. para observá-los. outros bacilos. Por estas razões. COLORAÇÕES DE ESPIROQUETAS Os espiroquetas são microrganismos muito delgados (a maioria tem cerca de 0. 2. 3. a partir deste momento. Cobrir com fucsina de Ziehl e aquecer até o desprendimento de vapores. Não ferver nem deixar secar. helicoidais.

É um método que deforma em menor grau a célula bacteriana.. 3. uma vez que não usa fixação pelo calor. estender sobre a primeira lâmina. isto é. Usando outra lâmina (não esborcinada). reunir os dois materiais e inclinando-a num ângulo de ± 40o. Colocar o material a examinar sobre a lâmina. à maneira de esfregaços de sangue. Usada para evidenciar: espiroquetas. que possam desidratá-la ou deformá-la. associação fuso-espiralar ou cápsulas bacterianas. hialinas. corantes. bacilo diftérico. 2. Uma das maneiras de preparar a lâmina para coloração negativa segue esta técnica: 1. Composição dos reativos no método de Fontana: Fixador (Líquido de Ruge) Ácido acético – 1 mL Formalina – 2 mL Água destilada – 100 mL Mordente Tanino – 5g Água fenicada a 1% – 100 mL Solução impregnadora Nitrato de prata amoniacal 49 . Deixar secar. Examinar em imersão. Os elementos (bactérias) aparecerão como se apresentam em natureza.Coloração Negativa (Método de Burri) São preparações com tinta-da-China (Nanquim) ou Nigrosina. Fontana-Tribondeau (Impregnação pela Prata) Método tradicional para a identificação de espiroquetas como o Treponema palidum. 4. incolores. Gotejar tinta-da-China. diferenciadores. etc. contrastando com o fundo escuro formado pela tinta-da-China.

As bactérias aparecem de cor marrom e o fundo da lâmina amarelo. apresentam o fenômeno de metacromasia. 5. COLORAÇÃO DE GRANULAÇÕES METACROMÁTICAS As granulações metacromáticas são as que tratadas por certos corantes.Processo 1. os quais empregam corantes metacromáticos. São também chamadas de granulações de volutina ou de Babes-Ernst. bacilo diftérico. 2. 4. aquecendo a lâmina até a emissão de vapores. difteróide e lactobacilo. Lavar com água. 3. Exemplo: método de Neisser. Cobrir com solução de tanino fenicado. Cobrir com líquido de Ruge e deixar agir por 1 minuto. Lavar e secar ao ar. 7. usam-se métodos de coloração especiais. Método de Albert Laybourn Reativos da Coloração de Laybourn Solução de Laybourn Azul de toluidina Verde malaquita Ácido acético glacial Álcool a 95% Água destilada Mordente Lugol forte 50 . método de Albert Laybourn. Lavar com água. durante 1 minuto. Cobrir com solução de nitrato de prata e aquecer até a emissão de vapores durante ½ minuto. Para evidenciá-las. são encontradas em determinadas bactérias como: Spirillum volutans. tomam uma cor diferente da do corante. isto é. 6. Secar o esfregaço ao ar.

As bactérias aparecem coradas de verde-claro e as granulações ficam escuras (quase negras). Examinar em imersão. Derramar o corante e cobrir com lugol por 1 minuto. 5.Técnica 1. Secar. Lavar com água. neste método. 4. Corar com solução de Laybourn por 3 a 5 minutos. 3. é o azul de toluidina. 2. 51 . Observação: o corante metacromático. Fixar o esfregaço pelo calor.

O ágar é extraído de algas marinhas (gênero Gelidium é uma delas) de natureza química polissacarídica (D-galactose e L-galactose). outros se preparam com ingredientes complexos como extratos de tecidos ou órgãos de animais. água peptonada. pela mistura de diversas substâncias. QUANTO À PROCEDÊNCIA Naturais São usadas substâncias assim como elas se apresentam na natureza ou apenas com pequenas modificações. As exigências são decorrentes do maior ou menor poder de síntese da espécie. É um solidificante ideal porque: 52 . Os meios de cultura podem ser divididos em diversos grupos de acordo com a procedência. consistência. Os meios de cultura microbiológicos consistem em uma mistura de substâncias nutrientes mais ou menos complexa. como cocção. Exemplos: suco de tomate. batata.6: CAPÍTULO 6: MEIOS DE CULTURA O conjunto de substâncias nutritivas em que se cultivam os microrganismos em laboratório chama-se meio de cultura. Alguns meios compõem-se apenas de soluções de sais inorgânicos. A composição varia ao infinito. dependendo das exigências nutritivas da espécie em estudo. Outros consistem em tecidos vivos (cultivo de tecidos) usados para Rickettsia e vírus. QUANTO À CONSISTÊNCIA Sólidos Semi-sólidos Xaroposos Líquidos A solidificação geralmente é feita acrescentando o ágar aos meios líquidos. Artificiais São preparados no laboratório. obtemos a variação da consistência de acordo com a necessidade. leite. Aumentando ou diminuído a porcentagem do ágar. composição e finalidade. Exemplos: caldo simples.

caldo simples. b) Sílica-gel. ideal para solidificar os meios sintéticos. Também porque à temperatura de 36oC (temperatura própria para o cultivo da maioria das bactérias de interesse médico) ela apresenta-se líquida. só se liquefaz à temperatura de 100oC (próprio até para o cultivo de termófilas = 65oC a 70oC). fato que se aproveita para cultivar bactérias incorporadas ao meio de cultura a esta temperatura. 3. Tem a vantagem de apresentar composição química definida. Enriquecidos São meios adicionados de substâncias altamente nutritivas. extratos de órgãos de mamíferos. com o que perde sua qualidade de gel. como proteínas termocoaguláveis (sangue. Exemplos: ágar sangue e ágar soro. 2. Não é metabolizado pelas bactérias de interesse médico (apenas algumas espécies marinhas o digerem). proteína da soja. aminoácidos. a) A gelatina é obtida a partir de osseína. água peptonada. uma proteína rica em aminoácidos. b) A sílica-gel é obtida pela ação de HCl sobre silicato de sódio.1. formando ácido silícico. líquido de ascite). Apresenta a desvantagem de ser hidrolisada por algumas bactérias. 53 . vai solidificar apenas ao redor de 45oC. uma vez liquefeito. Usados no cultivo de bactérias exigentes. gelose simples. etc. Uma vez na consistência de gel. Em seguida deixa-se solidificar (semeadura de Pour-Plate). Exemplos: solução aquosa de sais minerais. não possuir nenhum elemento nutritivo. Outras substâncias usadas para solidificar os meios de cultura são: a) Gelatina. plasma sanguíneo. QUANTO À COMPOSIÇÃO Simples São destinados ao cultivo de germes pouco exigentes ou servem de base para outros meios.

inibe a proliferação de germes Gram positivos. pela reação com produtos do metabolismo. São usados quando as bactérias que se deseja isolar. Seletivos-Diferenciais São os que simultaneamente selecionam e diferenciam as espécies. sem afetar os Gram negativos. inibe o crescimento de algumas bactérias. MacConckey. Meios Sintéticos São meios de composição química bem definida. Sobre a composição. ao meio de cultura. Neste último caso. Diferenciais São aqueles que permitem a diferenciação dos germes que neles crescem.QUANTO À FINALIDADE Seletivos A adição de certas substâncias químicas. Exemplo: meio de Teague. De Enriquecimento São os meios líquidos ou xaroposos que favorecem a proliferação dos germes. constituídos de solução de sais minerais ou orgânicos. O cristal violeta na concentração de 1:20. preparo e ajuste de pH de meios de cultura. 54 . costuma-se adicionar substâncias impedientes ao meio. de Konemann e colaboradores. de modo que na cultura prevalecerá o germe que se deseja isolar. A penicilina e outros antibióticos são usados com a mesma finalidade.000. possibilitando o desenvolvimento de outras. aminoácidos. consultar Diagnóstico Microbiológico (6a edição) 2001. estejam em quantidade muito pequena ou quando a microbiota de acompanhamento seja muito rica. Os meios seletivos são sólidos. hidratos de carbono e vitaminas. pela mudança da cor das colônias ou do meio de cultura. facilitando o seu posterior isolamento em meio sólido. Chapmann e SS.

• Nunca abrir os tubos ou frascos na posição vertical. Para semeadura em meios líquidos. evitar o aquecimento brusco para evitar os aerossóis). frascos. cujas propriedades servirão para caracterização e posterior identificação. Treinar o aluno na manipulação dos meios de cultura. Introdução Em microbiologia nada pode ser feito antes de isolar a bactéria em cultura pura. são flambadas ligeiramente antes e após a transferência de material. para evitar contaminações. • As bocas de tubos. etc. a cultura deve ser de uma única espécie. em condições de assepsia. • • Os procedimentos devem ser feitos de preferência por trás da chama. Só então é que se pode caracterizá-la. Semear o material em estudo (patológico ou não) para obter o isolamento da bactéria em cultura pura. pipetas. Para isso devem ser observados os seguintes cuidados: • Os tubos e placas estéreis ou com material em estudo somente devem ser abertos próximos a uma chama onde se forma uma área estéril (ou se usar câmara asséptica).7: CAPÍTULO 7: ISOLAMENTO DE MICRORGANISMOS Técnicas assépticas de semeaduras para o isolamento e estudo das bactérias. O tubo com meio sólido. 55 . deixar na horizontal.. Objetivos 1. inclinar o tubo em um ângulo de aproximadamente 40o. O cultivo de bactérias requer técnicas assépticas adequadas. As alças ou agulhas devem ser flambadas imediatamente antes e após o uso (após o uso. 3. As alças devem ser levadas ao rubro em posição vertical em relação à chama de gás ou lâmpada de álcool. 2. Executar semeaduras em meios sólidos e líquidos. ou seja.

2. Não passar 2 vezes no mesmo local (salvo em semeaduras que Cuidados serão explicadas a seguir). muito 56 . podese fazer estrias em quadrantes. flambando a alça na última estria do quadrante anteriormente semeado. Esgotamento Ponto de recarregamento Na semeadura por estrias haverá crescimento confluente na área de esgotamento e nas primeiras estrias. Com semeadura por esgotamento (para descarregar a alça). dão crescimento Colônias isoladas confluente Quando se tem material muito rico em bactérias (verificar pela bacterioscopia). Em seguida aparece um grande número de colônias isoladas. 3.Isolamento em Placas O isolamento em placas é o mais usado para obter cultura pura de amostras que contenham população mista. As estrias não devem ser muito próximas nem muito distantes uma da outra (o objetivo é conseguir colônias isoladas). Uma das maneiras corretas de semear Crescimento confluente Maneiras incorretas de semear Desperdício de meio de cultura sem conseguir culturas isoladas Estrias muito apertadas. faz-se estrias superficiais de lado a lado da placa. 1. Ocupar toda a superfície do meio de cultura.

portanto constituindo cultura pura. Esta proximidade cria uma situação que pode ser chamada “aglomeração fisiológica” na qual as células competem entre si pelos nutrientes disponíveis e afetam-se mutuamente pelo acúmulo de produtos residuais. atividades fisiológicas relacionadas com os diversos metabolismos de carboidratos. O importante é que no final se consiga colônias isoladas. A investigação de somente um tipo dessas características raramente é suficiente para identificar a espécie. mas também por interações entre colônias vizinhas. Conhecer os princípios das provas bioquímicas diferenciais utilizadas na caracterização. (são as provas bioquímicas) e estrutura antigênica (reação antígenoanticorpo). proteínas. Só no final haverá espaçamento maior entre as colônias e estas terão o tamanho característico da espécie. A identificação fundamenta-se na observação de um complexo conjunto de caracteres. devido à proximidade das células acumuladas. Existem diversas maneiras de fazer estrias. Executar técnicas e interpretar resultados. Familiarizar o aluno com a seqüência de etapas para conseguir caracterizar e identificar a bactéria para fins de diagnóstico. 3. Identificação de Bactérias Objetivos 1. 2. É necessária a análise de todos os aspectos: morfologia celular. a ordem de crescimento se torna muito complexa. morfologia colonial. entretanto. 57 . Para a próxima etapa de identificação. Logo após. O crescimento em colônias é afetado não só pelas interações celulares dentro de cada colônia. presumindo-se que são formadas por descendentes de uma única célula. dependendo da preferência ou habilidade do laboratorista. conforme explicado anteriormente. vai se preferir as colônias bem separadas. Observação: cultura pura é a condição indispensável para caracterização e identificação de bactérias.próximas umas das outras e de tamanho pequeno. Inicialmente o crescimento é exponencial em relação ao tempo. etc.

2) Nitrogenados protéicos (indol). de que maneira ou se não o foi. respectivamente. Mesmo que a bactéria não utilize o substrato testado. gelatinase. ela crescerá a custa do meio básico. lactose. lactose. etc. 3) Nitrogenados não protéicos (urease). Provas de Fermentação Fermentação da Glucose Fermentação da Lactose Fermentação da Sacarose Fermentação do Manitol A aparência dos 4 tubos é igual. Algumas so caracterizadas com menos de 10 provas. citratase. sacarose e manitol. G.). Para realizar as provas bioquímicas usam-se meios de cultura contendo meio nutritivo básico. levam a identificação das letras. Os sistemas de provas bioquímicas tornaram-se cada vez mais sofisticados na atualidade. pela ação das enzimas bacterianas. urease. As provas bioquímicas que vão ser executadas em sala de aula prática são: provas de fermentação da glicose. gás sulfídrico (H2S).8: CAPÍTULO 8: PROVAS BIOQUÍMICAS DIFERENCIAIS Através das provas bioquímicas verificam-se as transformações que ocorrem num substrato conhecido. Com auxílio de indicadores observa-se se o substrato foi degradado. nitratase e mobilidade. acrescido do substrato a ser ensaiado. outras exigem dezenas delas. Voges-Proskauer. prova do indol. Entre outras. Cada microrganismo possui um sistema enzimático específico. A quantidade de provas depende da espécie a caracterizar. As provas bioquímicas baseiam-se no metabolismo de: 1) Carboidratos (fermentação de glucose. S e M. Cada um destes substratos é misturado a meio nutritivo básico. L. de acordo com a seguinte fórmula: 58 . vermelho de metila.

3) Cor amarela com gás = reação positiva com gás. libera indol livre (benzil pirrol). O OH FORMIASE H–C H2 + CO2 Os seguintes casos podem ser observados: 1) Cor vermelha (inicial) = reação negativa. Reação positiva com gás = + ou AG (ácido e gás). de boca para baixo (tubinho de Durham) que vai servir para captar os gases que se formam na decomposição do carboidrato. Reação positiva = + ou A (ácido).ou 0 (zero). PROVA DO INDOL (Derivados Protéicos) Meio de cultivo: • Água peptonada de fórmula: Peptona (triptofano) 10g Água 1000 mL O triptofano quando metabolizado por desamimação pela enzima triptofanase. em casos que a bactéria elaborar a enzima formiase e que vai desdobrar o ácido fórmico (metanóico) em H2 e CO2.Caldo simples 1000 mL Solução de carboidrato a 10% 100 mL Vermelho de fenol (indicador de pH) 2 mg Dentro do tubo com meio de cultura há um tubo pequeno. ácido pirúvico e NH3. Uma das técnicas de verificar a presença do indol é extraí-lo da fase aquosa por meio de éter e evidenciá-lo por meio do reativo de Ehrlich. A notação usada para reações: Reação negativa = . 2) Cor amarela = reação positiva. TRIPTOFANASE TRIPTOFANO INDOL + NH4+ + 59 .

que a única fonte de C é o citrato. 3) Pelas paredes do tubo inclinado. PROVA DA CITRATASE (Bactérias que usam Citrato como fonte de Carbono) O meio de cultura usado é o de Kirsh-Koser. Resultado Turbidez: prova positiva Limpidez: prova negativa 60 . pela composição.Técnica 1) Agitar a cultura com éter (na proporção de 3:1). cuja fórmula é: Fosfato de sódio amoniacal Fosfato monopotássico Sulfato de magnésio Citrato de sódio Água Nota-se. Os outros componentes são sais inorgânicos. liberando o C. Resultado Cor vermelha imediata: prova + Cor amarela: prova POSITIVO NEGATIVO O princípio ativo do reativo de Ehrlich é: paradimetilaminobenzaldeido. Só vai proliferar a bactéria que produzir a enzima citratase. gotejar o reativo de Ehrlich até formar camada visível. que degrada o citrato. 2) Deixar em repouso para estratificar as camadas.

O gênero Proteus hidrolisa rapidamente a uréia de 1 a 2h ou até 24h. PROVA DA UREASE O meio de cultura contém. A seqüência de etapas que conduzem à produção e detecção do H2S é a seguinte: 1. Detecção do H2S pelos sais de metais pesados é na forma de sulfeto do metal pesado que é preto. A urease é uma enzima que desdobra a uréia com liberação de amônia e dióxido de carbono. chumbo. liberando S na forma de H2S. A uréia é uma diamida do ácido carbônico cuja fórmula é: Uréia A urease hidrolisa a uréia de acordo com a reação: A amônia reage em solução para formar carbonato de amônio. Liberação do S a partir do composto sulfurado.PROVA DO GÁS SULFÍDRICO – H2S O meio de cultivo para esta prova contém composto sulfurado (cisteína. O substrato sulfurado vai ser hidrolisado pela enzima dessulfidrilase. O gênero Klebsiella é urease tardia. 61 . metionina ou tiossulfato) e um indicador de reação (sal de metal pesado: ferro. 2. além da uréia.). resultando a alcalinização do meio observada pelo indicador de pH. Acoplamento do S (S-2) com o íon H (H+) para formar H2S. azul de bromotimol. etc. Prova positiva = meio de cultivo enegrecido. um indicador de pH. pode demorar de 3 a 4 dias para positivar. 3. Prova positiva = cor azul intensa.

coloração amarela = negativa. A acidez forte do primeiro caso é verificada pela prova de VM. cujo substrato a testar é a glicose. ficando em torno de 6 a 6. 2) Ácido pirúvico é decomposto em acetil-metil-carbinol ou acetoína e pequena quantidade de ácidos orgânicos fortes. com produção de diferentes quantidades e tipos de ácido de acordo com a composição enzimática da bactéria.PROVA DE VM (VERMELHO DE METILA) E VP (VOGES-PROSKAUER) Ambas são realizadas no meio de Clark-Lubs. Interpretação: coloração vermelha = positiva.5). Por estas provas evidenciamos duas maneiras de decomposição da glicose: 1) A partir do ácido pirúvico há formação de ácidos orgânicos fortes (ácido acético. A presença de acetil-metil-carbinol é detectada pela prova de VP.4 (6 – amarelo. Exemplo: Escherichia coli produz grandes quantidades de ácidos.5. A acetoína é neutra e os ácidos formados não baixam muito o pH. Enterobacter produz grande quantidade de acetoína e pequena quantidade de ácidos. Glucose Succinato Ácido fórmico Acetil-CoA H2 + CO2 PIRUVATO Acetato Lactato acetil-metil-carbinol Muitas bactérias (incluindo todas as enterobactérias) produzem a fermentação ácida mista. Técnica de VM No meio cultivado Clark-Lubs colocar 5 gotas do vermelho de metila. ácido fórmico) provocando uma queda acentuada do pH do meio (<4.4 – vermelho). ácido láctico. 62 . 4. Observação: o vermelho de metila é um indicador de pH com a zona de viragem entre 6 e 4.

Observação: o alfa-naftol é catalisador. PROVA DA NITRATASE OU REDUÇÃO DO NITRATO (NO3-) O termo redução de nitratos inclui todos os processos pelos quais o nitrato desaparece do meio de cultura. 63 . A reação se processa assim: acetoína + O2 + KOH + alfa-naftol diacetila + O2 + KOH complexo colorido vermelho A reação é lenta. Para saber se a gelatina foi hidrolisada. Resultado: Coloração vermelha = prova positiva. ao tirar da estufa a 37oC o meio de cultivo apresenta-se líquido. Colocar 6 gotas de alfa-naftol e 4 gotas de KOH. Após o cultivo. Se o meio solidificou é porque a gelatina está intacta. aparecendo o nitrogênio sob forma menos oxidada. que perde a qualidade de gel. Resultado: Meio liquefeito = prova positiva. Algumas bactérias decompõem a gelatina.Técnica de VP Ao Clark-Lubs juntar o reativo de Barrit: d) Alfa-naftol a 5% em álcool absoluto. Agitar para expor o meio de cultura ao contato com o O2 do ar. PROVA DA GELATINASE O meio de cultura usado é acrescido de gelatina. Se permanecer líquido é sinal de degradação da gelatina. e) Solução aquosa de KOH a 40%. É acelerada pelo catalisador alfa-naftol que se acrescenta à reação. de algumas horas. Meio solidificado = prova negativa. pela ação das enzimas bacterianas. coloca-se o tubo na geladeira por alguns minutos. dando resultado em 10 minutos.

a prova da nitratase é negativa.+ 2H ⇒ NO2 + H2O Às vezes. Observação: o reativo de Griess-Ilosva só produz coloração vermelha em presença de nitritos. Resultados 1) Cor vermelha = prova positiva. g) B – solução de alfa-naftil-amina. A cor vermelha é produzida pelo diazônio vermelho: p-sulfobenzeno-azo-alfa-naftilamina.Na maioria das espécies essa redução não prossegue além do estágio de nitritos: NO3 + 2e. O pó de Zn reduz rapidamente o NO3 a NO2. Técnica 1) Colocar no meio cultivado 5 gotas da solução A. a redução progride até a formação de amônia e nitrogênio molecular. f) A – solução de ácido sulfanílico. Observação: não agitar. 2) Colocar 5 gotas da solução B. 2) Cor inalterada = prova positiva ou negativa. Os nitratos são aceptores de H. a cor é fugaz. no entanto. RESUMO 1a etapa Cor vermelha Incolor Prova positiva Prova positiva ou negativa 64 . Se após o Zn aparecer coloração vermelha. NO3 ⇒ NO2 ⇒ NO ⇒ NH3 ⇒ N Reativos usados: reativo de Griess-Ilosva A e B. Agitar. Neste caso faz-se a contra prova que consiste em colocar uma pitada de Zn metálico em pó.

com algumas provas bioquímicas e respectivos resultados para bacilos Gram negativos. As imóveis terão crescimento confinado ao ponto de inoculação. simplificada.2a etapa (após o Zn) Cor vermelha Incolor Prova negativa Prova positiva PROVA DA MOBILIDADE A mobilidade bacteriana. Meio de cultura: gelose semi-sólida distribuída em tubo (coluna alta). Resultado: as bactérias móveis dão crescimento difuso para dentro do meio de cultura. Esquema da Prova da Mobilidade (Vista Lateral) Prova positiva Prova negativa Na página 66. 65 . consta uma tabela parcial. pode ser observada através de cultivo. Semeadura: picada superficial (cerca de 1mm). além de preparações a fresco.

66 .

fenilalanina. H2S. uma identificação correta não depende. 3) Baracchini = glucose. cor. já no isolamento primário. à propriedade tintorial pelo Gram. o que não ocorre com os meios convencionais. Precisam de pouco espaço para armazenamento e incubação. 67 . até um ano. Longo prazo de validez dos meios de cultura.Estas são algumas das provas feitas com o substrato colocado separadamente em tubos de cultivo individuais. algumas vezes. apenas das provas bioquímicas diferenciais (como nos Sistemas Compactos). descritas acima. morfologia da célula bacteriana e grupamento e às reações sorológicas. lactose e H2S. Além disso. uréia e H2S. Ademais. motilidade. 4. textura. 2) Ágar – tríplice açúcar (TSI) = glucose. As vantagens destes sistemas são: 1. 2. Características de crescimento facilmente observáveis. 3. a identificação tornase fácil e precisa. formato. Detalhes de composição e interpretação dos resultados do meio Baracchini serão dados no diagnóstico das infecções intestinais. no entanto. meios que são compostos por diversos substratos num único tubo: 1) Ágar – ferro Kligler (KIA) = glicose. glucose. Existem. lactose. na identificação da Salmonella. reação hemolítica. 4) Rugai modificado (IAL) = indol. sacarose. Por exemplo: alguns bacilos Gram negativos fermentadores de lactose podem ser identificados com poucas provas bioquímicas. lactose. Também serão levados em consideração os seus custos e a complexidade dos testes. existem inúmeras outras e a escolha vai depender do microrganismo a identificar e da disponibilidade de meios de cultura no laboratório. sacarose. uréia. Entre as desvantagens podem-se citar os custos elevados quando forem necessárias dez ou mais provas diferenciais.. alguns microbiologistas empregam um número mínimo de provas na identificação de certas bactérias que apresentam aspectos coloniais e bacterioscópicos altamente característicos. sacarose. Com o registro dos resultados e programas de computação. para a identificação final confiável. Estas devem somar-se às características das colônias. etc. quanto ao tamanho. como a Escherichia coli. lisina. Além das provas bioquímicas. como por exemplo. H2S. Observação: existem disponíveis no comércio os chamados Sistemas Compactos de identificação de bactérias.

Não a teria descoberto. descobriu a penicilina que revolucionou a medicina. As suas mutações. as surpresas com o surgimento de resistência a um antibiótico. talvez. em média. variando com as condições que se lhe oferece. o biotipo da bactéria isolada e o antibiograma. precisamos admitir que os futuros bacteriologistas não terão a satisfação de conhecer o âmago da bactéria. Estes podem revelar.Aparelhos automatizados. se estivesse usando os métodos sofisticados e apenas apertando os botões de um computador. 150 culturas de urina por dia. Conhecerão apenas os biotipos das bactérias. ao observar a ação inibidora de um fungo contaminante sobre os estafilococos em isolamento numa singela placa de Petri. Os laboratórios de grande porte onde. as características de seus componentes celulares. são feitos. Fleming. e não fazendo apologia das técnicas convencionais. 68 . têm o seu trabalho facilitado pelos aparelhos automatizados. fornecidas pelos cálculos eletrônicos e impressos computadorizados. saindo o resultado no impresso computadorizado. por exemplo. que é prática e indispensável atualmente. em algumas horas (6 a 12h). Longe de desaprovar os progressos da tecnologia moderna.

em concentração elevada. podem ser rastreados e relacionados com a pele e fossas nasais das pessoas que trabalham nestes locais. causa endocardite quando se instala no coração. pode alcançar 60 a 90% das pessoas em atividades hospitalares. De 10 a 20% das pessoas normais da comunidade extra hospitalar. Provocando enfermidades em pessoas debilitadas ou imunodeprimidas. inibição por produtos metabólicos tóxicos. Quando deslocada do seu ambiente para outros órgãos ou tecidos. 2. etc. existentes sobre a pele e na fossa nasal. Introdução O termo “microbiota normal” refere-se aos microrganismos presentes regularmente em determinados locais do corpo. Se removidos.9: CAPÍTULO 9: MICROBIOTA NORMAL DO ORGANISMO HUMANO Objetivos 1. Há também a microbiota transitória. 3. principalmente em enfermarias re recém natos. É a também chamada microbiota residente. na nasofaringe. Atentar para os dados do exame laboratorial bacteriológico. prontamente se recompõe. Demonstrar a presença de bactérias de diversas espécies. para não incorrer em erros de interpretação. 69 . dias ou semanas. Os surtos ocasionais devidos ao Staphylococcus aureus. por diversos mecanismos: competição por substâncias nutritivas. A microbiota normal também pode provocar doenças nos seguintes casos: 1. competição por receptores das células do hospedeiro. A microbiota residente é benéfica quando evita a colonização pelas patogênicas. Exemplo: Streptococcus do grupo viridans inócuo na orofaringe. Esse estado de portador assintomático – que pode ser persistente. que pode ser constituída por microrganismos não patogênicos (de baixo potencial patogênico) ou alto potencial patogênico e que habitam a pele e mucosas por horas. 2. em cujo resultado possa constar a presença de microbiota normal. são portadoras de Staphylococcus aureus. principalmente em ambientes hospitalares. intermitente ou transitório. Alertar para a necessidade dos cuidados higiênicos para evitar a propagação de bactérias.

O microrganismo predominante é o Staphylococcus epidermidis. formas onduladas. Mas os brônquios inferiores e os alvéolos contêm poucos ou nenhum microrganismo. fusobactérias. Streptococcus mutans) e o Streptococcus pyogenes.A PELE A pele possui uma microbiota residente bem definida. Streptococcus mitis. com cerca de 103 a 104/cm2 de pele. etc. Haemophilus influenzae. Staphylococcus epidermidis. garganta e boca. outros habitam folículos pilosos e atuam como reservatório para restabelecimento após a lavagem. Neisseria sp. Pseudomonas aeruginosa Micrococcus Streptococcus do grupo viridans Enterococcus Staphylococcus aureus Mycobacterium “não patogênico" (em regiões ricas em secreções sebáceas) TRATO RESPIRATÓRIO Grande número de bactérias coloniza as fossas nasais. OROFARINGE Cerca de 50% da microbiota da garganta é constituída por ESTREPTOCOCOS: Streptococcus do grupo viridans (Streptococcus salivarius. pela sua exposição ao meio ambiente. MICROBIOTA NORMAL DA PELE Staphylococcus epidermidis Corynebacterium sp. Porém. Staphylococcus aureus. não patogênica ou patogênica. 70 . A maioria está localizada no extrato córneo. Streptococcus sanguis. lactobacilos. tem facilidade de apresentar a microbiota transitória.

“A cavidade bucal apresenta uma das mais concentradas e variadas populações microbianas (29 espécies) e cuja localização principal está no dorso da língua, sulco gengival e placa dentária. A contagem bacteriana em material da língua apresenta números que variam de 43 milhões a 5,5 bilhões por ml de saliva. Do sulco gengival e da placa a quantidade é pelo menos 100 vezes maior, aproximadamente 200 bilhões por grama. Os estreptococos constituem o grupo mais numeroso, a metade das viáveis.” (Microbiologia Oral, Burnet, Sherp, Schuster – 4a edição).

MUCOSA NASAL
A mucosa nasal é habitada por estreptococos e estafilococos, destes o mais importante é o Staphylococcus aureus. O Staphylococcus aureus pode ser disseminado causando doenças em hospitais: em enfermarias de recém-nascidos, de queimados, de imunodeprimidos e dos submetidos à cirurgia.

MICROBIOTA NORMAL DA MUCOSA NASAL Staphylococcus epidermidis Staphylococcus aureus Streptococcus pneumoniae Streptococcus do grupo viridans Neisseria sp. Haemophilus sp.

TRATO GASTROINTESTINAL (TGI)
No estômago existem poucos microrganismos devido ao baixo pH. Em situações patogênicas se encontra o Helicobacter pylori. O intestino delgado alberga pequeno número de estreptococos, lactobacilos e Candida albicans. O cólon possui grande quantidade de bactérias, cerca de 1011/g, aproximadamente 20% das fezes é constituído por bactérias, com predominância de anaeróbios. As bactérias mais numerosas são: bacteróides, coliformes, estreptococos, lactobacilos, clostrídeos, Pseudomonas, etc.

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TRATO GÊNITO-URINÁRIO (TGU)

Microbiota

vaginal:

lactobacilos

e

menos

freqüentemente

Escherichia

coli,

Enterobacter, Streptococcus agalactiae. Bexiga: a urina na bexiga é estéril em pessoas sãs, mas ao passar pela porção final da uretra, pode se contaminar com Staphylococcus epidermidis, coliformes, difteróides e estreptococos não hemolíticos. * Staphylococcus saprophyticus faz infecção em TGU inferior em mulheres jovens. A área em torno da uretra masculina e feminina pode apresentar Mycobacterium smegmatis (BAAR). A candidíase torna-se uma das doenças que mais acomente mulheres em idade fértil no mundo atual. A vagina é uma região favorável ao crescimento de microrganismos, como a Candida albicans, o Thichomonas vaginalis e os bacilos de Doderlëin (gram positivos). PRÁTICA Evidenciação da presença de bactérias na pele e mucosa nasal. O meio de cultura, usado para o isolamento primário em nossa aula prática, será o Ágar-sangue em placas de Petri. 1o dia Para coletar o material da pele do queixo, testa, aba do nariz e fossa nasal, usar swab ou zaragatoa, atritando a área em estudo (individualmente em cada área). Em seguida deslizar o swab em estrias na superfície do meio de cultura, ocupando toda a área da placa. Mãos Com um pincel, dividir o fundo da placa em 4 partes. Marcar as partes com letras para identificar a área semeada: S = sujo. L = lavado. E = escovado. D = com degermante.

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1. Com o dedo indicador (sem lavar) fazer estrias diretamente sobre o meio na parte S. 2. Em seguida, lavar as mãos com sabão normalmente. Não enxugar. Com o mesmo dedo fazer estrias na parte L. 3. Ensaboar as mãos e escovar os dedos. Enxaguar. Não enxugar e passar na parte E. 4. A seguir passar um anti-séptico disponível. Enxaguar. Fazer estrias sobre a parte D. Colocar as placas semeadas na estufa a 37oC. Representação esquemática da lavagem das mãos

Lavagem com água e sabão

Escovação Degermante e água

Recolonização

Recolonização (após horas)

2o dia 1. Retirar as placas da estufa e observar o crescimento. Verificar a quantidade de colônias em cada área. Anotar. 2. Estudar as características das colônias. Anotar. 3. Fazer bacterioscopia pelo método de Gram dos diferentes tipos de colônias. Anotar. Na placa semeada com os dedos notar onde houver maior crescimento de bactérias. Justificar. 4. Comparar com o resultado dos colegas e fazer um levantamento da bactéria predominante.

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5. Se houver crescimento de colônias com características de estafilococos, ou seja: de 1 a 3 mm de diâmetro, brancas ou amarelas, opacas, brilhantes, convexas altas, circulares, bordas lisas e superfície lisa, prosseguir com a caracterização utilizando as provas de Identificação Presuntiva dos estafilococos de interesse clínico.

dia: 3o dia: Identificação Presuntiva de Estafilococos da Pele e Mucosa Nasal
Sabemos que à microscopia simples, não conseguimos na maioria das vezes fazer o diagnóstico da espécie da bactéria. No máximo descobrimos o gênero e muitas vezes só o tipo bacteriano (ex: BGN). No caso dos estafilococos, à microscopia, nós damos o diagnóstico de Staphylococcus sp. Teremos que partir para as provas bioquímicas para diferenciar a espécie. Para ter certeza de que estamos trabalhando com uma colônia de estafilococos da placa de ágar (sem fazer microscopia) faremos a prova da catalase.

1ª PROVA: CATALASE Os estafilococos têm a capacidade de degradar peróxido de hidrogênio, pois eles produzem a enzima catalase. H2O2 H2O + ½ O2 (via catalase – processo enzimático)

A prova é simples: pingamos em uma lâmina em cima da colônia, água oxigenada a 3% (que contém H2O2 e água comum). Se borbulhar (liberar O2) é porque a colônia produz catalase, algo que estreptococo NÃO faz.

Fonte: Google

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mergulharemos as colônias das amostras. como os estreptococos. CATALASE + CATALASE ESTAFILO ESTREPTO ou outro tipo de coco. que estaria mais protegida contra as defesas do nosso corpo e os antibióticos. Em tubo de ensaio com plasma de coelho. Esses são os chamados abscessos. Se ocorrer um precipitado "coagulado". dizemos que a prova é coagulase positiva. coleções de infecção e inflamação aguda. Ela converte o fibrinogênio em fibrina seguindo a cascata da coagulação. para seguirmos na identificação de estafilococos. Mas por que isso acontece? O Staphylococcus aureus produz uma enzima chamada coagulase. basta semear a colônia no plasma de coelho e encubar à 37ºC. aureus. Portanto. Como no plasma de coelho também há fibrinogênio. Por isso precisamos saber se nossa colônia em questão produz fibrina. 2ª PROVA: PLASMOCOAGULASE Usaremos agora só as colônias CATALASE +. quem a produz coagulase é somente o S. Digamos que seria uma colônia encapsulada. Fonte: Profa Alessandra Daur Dentre o grupo dos estafilococos de interesse médico. a reação que ocorrerá é a mesma. São galerias de bactérias e exsudato.Esta prova diferencia os estafilococos de outros cocos Gram positivos. para fazer uma cápsula fibrosa em torno das colônias no nosso organismo (ela usa fibrinogênio do plasma). 75 . geralmente no tecido subcutâneo. Depois de 24h veremos se há precipitado ou não.

Incuba-se. que bactéria sempre devemos incluir no grupo de agentes etiológicos suspeitos? Procedimentos Num tubo estéril colocar: 0. Observação: algumas técnicas recomendam usar o plasma sem diluição. ela é resistente.5 mL de plasma sanguíneo diluído a 1/5. mas não de interesse médico tão importante. deixar na estufa até 24 h para fazer a leitura. Neste caso o coágulo formado é mais consistente.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Quando se evidencia a presença de um abscesso em um paciente. Resultados PLASMOCOAGULASE + PLASMOCOAGULASE Staphylococcus aureus (DIAGNÓSTICO DEFINITIVO) ENPC (Estafilococos não produtores de coagulase) 3ª PROVA: NOVOBIOCINA É um antibiótico. Se não houver formação de coágulo. Resultados RESISTENTE: Staphylococcus saprophyticus SENSÍVEL: Staphylococcus epidermidis 76 . Ele vai testar a sensibilidade dos ENPC para fazer a diferenciação via halo de inibição. Coletar a colônia em estudo e emulsionar no plasma. Se não houver. Semeia-se a colônia de ENPC em uma nova placa de ágar sangue e coloca-se um disco de novobiocina no centro. Atualmente são conhecidas outras espécies de ENPC que também são resistentes à novobiocina. Se houver um halo de inibição (> que 14mm). Observar a formação de coágulo de ½ em ½ hora durante as primeiras 4 horas. Incubar em estufa a 37oC. dizemos que a bactéria é sensível à novobiocina.

Fonte: Google RESUMO: Catalase + estafilo Plasmocoagulase + Plasmocoagulase Catalase estrepto ou outro coco Staphylococcus aureus ENPC Novobiocina S R S. • • Cultura amarela = positiva. A decomposição do manitol acidifica o meio de cultura. produzindo a mudança da cor do indicador de vermelho para amarelo. 77 . epidermidis S. Cultura vermelha = negativa. Após 24h fazer a leitura. Colocar na estufa a 36oC. saprophyticus PROVA DO MANITOL (ALTERNATIVA) Semear o estafilococo em tubo (caldo) ou placa (ágar) com manitol e indicador de pH vermelho de fenol.

Para diferenciar as três principais espécies. MEIO DE MANITOL-HIPERTÔNICO (CHAPMAN) Extrato de carne Peptona NaCl Manitol Ágar Vermelho de fenol Água 1g 10 g 75 g 10 g 15 g 0. vai haver destruição dos glóbulos vermelhos aparecendo um halo claro ao redor das colônias. A bactéria que crescer pode apresentar hemólise do sangue ou não.025 g 1000 mL É um meio seletivo e diferencial. pode se utilizar o seguinte esquema: DIFERENCIAÇÃO DAS TRÊS ESPÉCIES DE Staphylococcus Coagulase Staphylococcus aureus Staphylococcus epidermidis Staphylococcus saprophyticus v = 11 a 89% positivos. Composição do ASA: gelose simples acrescida de 5 a 10% de sangue desfibrinado de carneiro. entre elas o estafilococo (os meios comuns contêm em geral 0. + Manitol + .(v) Novobiocina Sensível Sensível Resistente ÁGAR SANGUE Meio diferencial e não selietivo (muito enriquecido. Seletivo: pela concentração de 7. 78 . uma vez que possui proteínas e outros substratos provenientes do sangue). No caso de hemólise total.5% de NaCl permitindo o crescimento de poucas bactérias.5% de NaCl).

como clínico solicitante do exame laboratorial. 3) Acompanhar a seqüência dos exames laboratoriais bacteriológicos necessários na identificação do agente para fins de diagnóstico e tratamento. facilitando o isolamento do agente efetivo da infecção. 79 . capítulo 10 – pág. Estreptococos e Pseudomonas sp. deverá orientar o paciente quanto à maneira correta de coletar a amostra. Luis Parellada Ruiz. de conservá-la e transportá-la ao laboratório de análises. a fim de evitar contaminantes. relativos à hipótese diagnóstica formulada a partir de dados epidemiológicos. PORÇÕES SUPERFICIAIS E PROFUNDAS Estafilococos. dividiremos o conteúdo didaticamente de acordo com os locais de acometimento mais comuns no ser humano. Paulo Kiyoshi e Dr. Objetivos 1) Familiarizar o aluno com as técnicas da coleta adequada do material patológico. Doenças Transmissíveis. clínicos e laboratoriais inespecíficos. “O médico deve dominar os conhecimentos que lhe permitam escolher e indicar a realização de exames complementares específicos. 2) No futuro.10: CAPÍTULO 10: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL ATRAVÉS DO ISOLAMENTO E CARACTERIZAÇÃO DOS AGENTES ETIOLÓGICOS DAS INFECÇÕES Neste capítulo abordaremos os possíveis tipos de microrganismos que podem ser agentes etiológicos das mais diversas infecções.” (Dr. Cabe-lhe também orientar a colheita dos materiais adequados para o exame e saber interpretar com rigor e segurança os resultados fornecidos pelo laboratório. Para isto. 115).

O exame laboratorial. a difteria. é indispensável quando houver necessidade da avaliação da resistência do estafilococo aos antimicrobianos. lançando mão de dados epidemiológicos e clínicos (como sinais e sintomas típicos ou patognomônicos) que podem por si só. no entanto.. escarlatina e furunculose. bactérias cuja ação promove a formação de exsudato ou derrame inflamatório que contém grandes quantidades de componentes celulares do hospedeiro. a coqueluche. Além do Staphylococcus aureus e do Streptococcus pyogenes.Introdução Algumas doenças bacterianas podem ser diagnosticadas presuntivamente. como as piodermites causadas por estafilococos. IL-1 e TNF pelos macrófagos. não necessitam habitualmente de confirmação por exames laboratoriais. características da inflamação aguda). 2005 80 . Como já referido acima. Exemplos disso são: o tétano. Esse exsudato é descrito como purulento. a amidalite purulenta bacteriana. as outras bactérias mais freqüentemente encontradas nas infecções são: Enterococcus sp. existe um número grande de doenças que necessitam exames laboratoriais para confirmar a suspeita clínica. o tipo celular predominante de células é NEUTRÓFILO (devido a liberação de quimiocinas. o quadro clínico de determinadas infecções. Pseudomonas e Enterobactérias (Escherichia coli. As infecções são causadas por diversas bactérias. No processo patológico desenvolvido. Proteus). No entanto. algumas vezes. Fonte: Robbins. ativando as integrinas dos neutrófilos circulantes. Enterobacter. fazer o diagnóstico sem necessitar do exame microbiológico. identificado como infecção bacteriana piogênica. As mais comuns são estafilococos e estreptococos.

Os exames bioquímicos como glucose e LDH são utilizados em secreções mais “nobres”. porque ele pode apresentar um padrão diferente de sensibilidade aos antimicrobianos do que o agente efetivo da infecção. poucas proteínas. pericárdico. Quando há um líquido suspeito. mais de 103 leucócitos/µL. Uma característica muito importante é a presença de POUCA GLUCOSE. b) O isolamento de contaminante pode levar a uma terapia incorreta. muitos leucócitos. peritoneal. líquor). que pode ser superficial ou profundo. Eles vêm geralmente devido a uma obstrução no fluxo venoso. prejudicando a identificação. mais de 200UI de LDH e menos de 45mg/dL de glucose. para pesquisar se há presença de microrganismos. ascítico. Para caracterizar um exsudato tem que haver mais de 3g/dL de proteína. e uma das enzimas que participa desse processo é a LDH. a glucose estará diminuída. Nas infecções. Uma vez que há presença de bactérias. poucas células.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Há dois tipos de secreções patológicas: o exsudato e o transudato. Ocorre em abdome ascítico (hepatopata). a coleta varia com a forma clínica e a localização do processo. uma enzima que converte o lactato em piruvato e vice versa. como o líquor (para caracterizar uma meningite. Pus é sinônimo de exsudato purulento. de cavidades diversas. Transudato: geralmente são líquidos cavitários (pleural. vindo de uma cirurgia. pouca LDH e TAXAS NORMAIS DE GLUCOSE. além de ser uma enzima gluconeogênica). de característica transparente. Coleta do material A coleta correta do material é a etapa mais importante para o estudo do agente etiológico e deve ser precedida dos seguintes cuidados: a) Uma quantidade insuficiente de material dificulta os procedimentos laboratoriais. Os leucócitos presentes estão promovendo uma resposta imunológica imediata frente aos microrganismos. como será detalhado na disciplina de Patologia Médica Molecular (BP334). c) A coleta deve ser feita antes da antibioticoterapia. muita desidrogenase lática (LDH. muitas proteínas. Ela é o principal carboidrato utilizado no metabolismo bacteriano. O principal deles nesse caso é o neutrófilo. derrame pericárdico. ou mesmo prejudicial. pleural. de uma punção pleural. para caracterizar se o líquido é um exsudato ou um transudato o exame que é feito no Brasil é a CULTURA (nos mais diferentes meios sólidos e líquidos). por exemplo). que é a primeira linha de defesa do organismo e vem da fase de rolamento sobre o endotélio capilar. edema agudo de pulmão e por aí vai. Além da microbiologia. 81 . Exsudato: cor opaca. os líquidos de cavidades devem ser encaminhados à Anatomia Patológica para averiguar a presença de células neoplásicas por exame de citologia oncótica (o líquido pode ter se acumulado devido a uma metástase). Ambos são secreções liberadas como resposta pelo nosso organismo. Isso se deve à ausência de bactérias nesse líquido.

resultando numa parede que delimita o processo. A furunculose é uma infecção mais profunda na derme. Se por um lado a parede de fibrina evita a disseminação do estafilococo. sob o risco de disseminar a infecção (por analogia. No centro da lesão ocorre liquefação do tecido necrótico e o abscesso “aponta” na direção de menor resistência. Nestes recorre-se à punção aspirativa do exsudato purulento com seringa e agulha estéreis. Observação: uma vez drenado o pus. envolvendo o folículo piloso. 2) Secar com gaze estéril. observando rigorosa assepsia: 1) Descontaminar a superfície do abscesso com o auxílio de uma gaze estéril. de característica purulenta. a furunculose e o impetigo. que acomete o folículo piloso. ectima. Nas endocardites e septicemia coleta-se o sangue para hemocultura. etc. 82 . que muitas vezes adquire a característica nodular com muita hiperemia ativa (pústula interna). promiosite. Lesões superficiais As infecções de pele geralmente causadas pelos estafilococos são: a foliculite. A bactéria elabora a enzima coagulase que forma coágulo (fibrina) em torno da lesão e dentro dos linfáticos. a lesão cicatriza rapidamente. lanceta. infecções nas articulações e outras coleções fechadas de pus. A parede de fibrina evita a propagação dos estafilococos e não deve ser rompida por manipulação ou trauma. estéreis) levantar a afastar a película ou crosta superficial. etc. Coleta em lesões superficiais Nas formas superficiais. sinusite. O local da punção deve ser rigorosamente descontaminado com sabão cirúrgico ou outro anti-séptico adequado. embebida em anti-séptico ou salina estéril. meningite.. tais como furúnculo (ou outras piodermites: impetigo. evitar espremer “espinha”).) segue-se o seguinte esquema. O estafilococo estabelece-se em um folículo piloso. produzindo necrose tecidual com acúmulo de células inflamatórias.Em localização profunda estão a osteomielite. A foliculite é uma pústula mais superficial (em “cabeça de prego”). 3) Com um objeto perfurocortante (agulha. por outro lado dificulta o acesso de antibióticos e elementos sanguíneos de defesa.

4) Coletar o material purulento da profundidade da lesão com swab (ou aspirar com seringa) tendo o cuidado de não tocar as bordas da pele adjacente. revelando a presença. se suspeita de microrganismos menos freqüentes. remover a secreção superficial com gaze estéril com salina. Exame laboratorial O material enviado ao laboratório será submetido aos seguintes procedimentos: 1) Bacterioscopia. estreptococo e qualquer bacilo Gram negativo pouco exigente (Pseudomonas. Observação: o médico deve comunicar ao laboratório através da requisição dos exames. para eliminar os contaminantes. o tipo morfológico e propriedade tintorial da bactéria. estreptococos e bacilos (exigentes e não exigentes). 83 . 2) Cultivo. No Ágar-sangue: Vão crescer estafilococos. 4) Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA). Bacterioscopia Rotineiramente a bacterioscopia é feita pelo método de Gram (triagem). enterobactérias) ou exigente como o Haemophilus. No Teague/MacConkey: Vão crescer bacilos Gram negativos (BGN) pouco exigentes. Cultivo Na nossa aula prática o cultivo é feito em dois meios e visando apenas as bactérias aeróbias e anaeróbias facultativas. 2) Teague (EMB) ou MacConkey. que exijam técnicas próprias de microscopia e cultivo. 1) Ágar-sangue. 3) Identificação. Observação: em caso de lesões abertas. Onde vamos cercar as possibilidades de isolar estafilococo.

Interpretar as provas bioquímicas e 4o dia consultar tabelas para identificação Interpretar provas adicionais para ENPC. Cerca de 70% destas são produzidas por Pseudomonas aeruginosa. (Bacilo Piociânico) É freqüente o encontro de Pseudomonas sp. do bacilo Gram negativo (BGN). 84 . Pseudomonas sp. em infecções. deixando os meios de cultura claros e o pus com esta coloração. chamado piocianina. A cultura geralmente apresenta odor perfumado de essência barata de uva (trimetilamina). segundo o tipo de hemólise observada. Incubar a 35oC ± 1oC. Se negativa. b) Realizar provas de identificação para estreptococos. Meios de cultivo Ágar-sangue Semear por estrias na superfície do meio. 1. prosseguir a identificação de outras espécies de estafilococos. em tubos separados as L+ e L3. A característica marcante da Pseudomonas aeruginosa (88% delas) é a produção de pigmento azul-esverdeado. Repicar para gelose inclinada. Incubar a 35oC ± 1oC. Em geral.Procedimentos Dia Teague ou MacConkey 1o dia Semear por estrias na superfície do meio. Fazer Gram. 2. Fazer catalase. Fazer Gram 2o dia 2. 1. 3o dia Semear em diversos meios para provas bioquímicas. proceder a identificação para estreptococos. b) Se a catalase for negativa. repicar para tubo contendo plasma de coelho. a) Interpretar a coagulase. o odor do material infectado é muito fétido e ruim. As espécies (mais de 100) são diferenciadas por provas bioquímicas (pois é um bacilo gram negativo que não se diferencia dos demais BGNs à microscopia simples). a) Se a catalase por positiva.

Nas infecções por Pseudomonas. Pode causar infecções graves. em tecidos orgânicos. cardíacas. uma vez que é uma droga pouco eficaz contra germes gram positivos como pneumococo (o agente etiológico mais comum das pneumonias bacterianas). visto que ela apresenta resistência a muitos antibióticos. Este fármaco é citado muitas vezes como quinolona anti-pseudomonas pelos livros de clínica médica como “Harrison. garganta (5% de pessoas normais) e fezes. Após procedimentos com cateteres urinários. Fluoroquinolonas de 3ª geração em diante (levofloxacino. Identificação dos Bacilos Não Fermentadores – BÑF 85 . punções lombares. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Na clínica médica de rotina. é um agente que sempre deve ser considerado em infecções intestinais e do trato gênito urinário feminino. O homem alberga na pele. onde a mortalidade pode chegar a 50%. Entre os fatores de virulência destaca-se a toxina A. É uma bactéria oportunista. Tratado de Medicina Interna 2006”. inclusive. É sensível apenas à polimixina. Imunocomprometidos também são alvos preferenciais. podendo causar várias doenças. cloranfenicol e tetraciclinas. A droga de escolha mais adequada é o ciprofloxacino. de acordo com os critérios adotados pelas disciplinas clínicas de Pneumologia e Otorrinolaringologia do ciclo profissionalizante do curso de Medicina. vegetais e. que bloqueia a síntese protéica das células do hospedeiro (à semelhança da exotoxina do bacilo diftérico). o clínico sempre pede antibiograma. cirurgias oculares. Faz uma lesão em pele chamada de ectima gangrenosa (de odor muito fétido). Ela é tão pouco exigente que cresce até em água mineral.A Pseudomonas aeruginosa é ubiquitária: cresce em solo. em pneumonias causadas por Pseudomonas aeruginosa (pós confirmação bacterioscópica). etc. a bactéria pode adquirir resistência aos antimicrobianos citados por mutação ou aquisição de plasmídios de resistência. bem como nas publicações mais atuais. obviamente. especialmente e em pessoas hospitalizadas. moxifloxacino e gemifloxacino) são drogas mais apropriadas para infecções pulmonares. tais como: vários betalactâmicos. * Ciprofloxacino NUNCA é medicamento de primeira escolha (terapia empírica) para pneumonias. Pode ser utilizado. uma fluoroquinolona de 2ª geração. Com exceção da polimixina. São freqüentes as infecções em queimaduras e feridas cirúrgicas. amicacina e algumas penicilinas semisintéticas (carbenicilina). além de feridas cirúrgicas. água. gentamicina.

razão da proporção 0. diferente da relação 2:1 dos meios usuais para fermentação. Os bacilos não sacarolíticos não produzem alteração em nenhum dos tubos. Entre as bactérias não fermentadoras mais freqüentemente isoladas das infecções estão: • • • Pseudomonas aeruginosa Acinetobacter baumanii Outras Pseudomonas 70-75% 25% 5% As Pseudomonas utilizam os carboidratos por via oxidativa. Exemplo: Pseudomonas = metabolismo oxidativo Alcalígenes = não sacarolítico Para maiores detalhes da identificação dos bacilos oxidativos consultar: Diagnóstico Microbiológico.2% de peptona para 1% do carboidrato testado. A acidez produzida pelas bactérias oxidativas é muito pequena e não deve ser neutralizada pelos produtos de decomposição da peptona. Os BÑF podem ser isolados de infecções urinárias. A prova é realizada em dois tubos para cada açúcar: um com óleo mineral e outro sem óleo na superfície.Pacientes imunodeprimidos são muito suscetíveis à infecção por este grupo de bactérias. pode ser apenas contaminante e não o causador da infecção. Para verificar este tipo de metabolismo usa-se meios de cultura especiais. secreções de ferimentos e hemoculturas. Nos casos de locais não estéreis. de Konemann e colaboradores. Os bacilos fermentadores produzem ácido em ambos os tubos. O meio de O-F de Hugh e Leifson contém 0. como secreção de ferida cirúrgica. O isolamento de bacilo não fermentador de sítios anatômicos originalmente estéreis é forte indicador de ser este o responsável pela infecção. Hugh e Leifson foram os primeiros a idealizar um meio de cultivo que chamaram de Oxidação-Fermentação (O-F). Os bacilos oxidativos produzem ácido somente no meio exposto ao ar.2% da peptona para 1% do carboidrato. Meios de cultura usados nesta aula prática Ágar sangue: Ver página 78 86 .

Colônias: 1) Cor vermelha opaca. a finalidade desses meios no laboratório é a mesma.5% 100 mL 10 mL 2 mL 2 mL É um meio seletivo-diferencial para Bacilos Gram negativos (BGN) não exigentes. Colônias: Vermelhas claras transparentes. Diferencial: pela decomposição ou não da lactose evidenciada pela cor das colônias (os corantes funcionam como identificadores de pH). LACTOSE NEGATIVA (L-) Os não fermentadores de Lactose. 87 . Observação: podem crescer colônias intermediárias destes tipos. Composição: Ágar simples Lactose Solução de eosina 2% Solução de azul de metileno 0. 2) Cor vermelha com ponto central preto.Teague (EMB / HHT / TEA) Também chamado de Holt-Harris-Teague (HHT) ou ágar eosina-azul de metileno = EMB (“Eosin Methilene Blue”). 3) Secas com brilho metálico. Alguns autores descrevem pequenas diferenças entre a composição do EMB e do TEA. Seletivo: pelos corantes que inibem o crescimento da maior parte das bactérias Gram positivas. LACTOSE POSITIVA (L+) Os fermentadores de Lactose. No entanto.

Staphylococcus epidermidis. por exemplo. Neisseria sp. rinovírus. Streptococcus pyogenes. mastoidite e vias aéreas inferiores provocando broncopneumonias. Streptococcus pneumoniae (PNEUMOCOCO). 7. citomagalovírus (CMV). 4. É uma infecção que requer atenção especial. Streptococcus sanguis. OROFARINGE Estreptococos. Por exemplo. os bacteriologistas dão preferência àqueles que lhes oferecem dados mais visíveis. Neste capítulo. abordaremos as faringoamigdalites (faringites e tonsilites são os termos mais apropriados pela nômina anatômica atual) bacterianas. A infecção mais freqüente do trato respiratório superior manifesta-se sob a forma de faringite e tonsilite (amigdalite) causada por Streptococcus pyogenes (ESTREPTOCOCO BETA HEMOLÍTICO DO GRUPO A DE LANCEFIELD) = angina estreptocócica (90%). Com isto chamando-se a atenção para dificuldade de isolamento do agente real da infecção da orofaringe como. 14 e 21). apesar de não lhe ser específico. Haemophilus sp. influenza. além de disseminar-se a outros locais causando sinusite. Moraxella e Corynebacterium A microbiota da orofaringe é constituída principalmente por ESTREPTOCOCOS (50% da população total bacteriana). As infecções virais serão vistas mais adiante. coronavírus. Herpes vírus tipo 1 e coxsackie A. Streptococcus mitis). Haemophilus. bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium pseudodiphetheriticum ou Corynebacterium hofmanni) e outros.. parainfluenza. ajuda na identificação da Escherichia coli. visto que. o brilho metálico das colônias no Teague.. pelo estreptococo e bacilo diftérico.Observação: embora existam muitos meios de cultura seletivos e diferenciais para enterobactérias e mesmo havendo diferenças quanto à capacidade de inibição de bactérias indesejáveis. A dor é devido à infecção demasiada da mucosa ou da própria resposta inflamatória do organismo. Os principais vírus que podem causar faringites são os adenovírus (tipos 3. 88 . Esptain-Barr (EBV). Faringite Estreptocóccica Quase 70% das dores de garganta agudas são causadas por vírus. otite. Exemplos são os estreptococos do grupo viridante (Streptococcus salivarius.

acumulase exsudato purulento nessas regiões. dando o aspecto de placas amarelo-esbranquiçadas sobre as tonsilas. Nas tonsilas palatinas existem as criptas amigdalianas.pneumonias e empiema (pus no espaço pleural). Durante uma tonsilite. promovendo uma maior exposição de epítopos aos nódulos linfáticos confuentes que existem subjacentes à mucosa. Fonte: Rubin. ainda pode provocar seqüelas graves pósestreptocócicas como Febre Reumática e Glomerulonefrite Aguda (GNA). portanto ali o acúmulo de material é facilitado. Essas placas são facilmente removidas com swab e esse é o material que se utiliza para fazer semeadura em ágar sangue. 2006 89 . Nessas criptas não há drenagem de ductos das glândulas salivares menores. além da presença de febre na maioria dos casos. As características clínicas são semelhantes ao Haemophilus e à Moraxella. aumentando a superfície da tonsila. que são invaginações da mucosa.

o Streptococcus pyogenes tem uma enzima chamada peptidade do C5a. Porém. tecidos putrefados e exsudato intenso. E o quadro clínico comprova isso. e por conseqüência a quimiotaxia de neutrófilos. há uma proteína chamada de proteína M (uma proteína que inclusive. o quadro clínico se assemelha a infecções por Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis. que degrada o C5a. o antibiótico de escolha é a amoxicilina. A taxa de letalidade é relativamente alta. as manifestações pós estreptocóccicas de uma infecção mal tratada fazem parte de uma doença reumática. essa proteína é muito parecida com proteínas do organismo humano. Além disso. Uma doença maligna que pode ocorrer em feridas cirúrgicas. Muitas vezes o paciente necessita de prótese valvar (tamanho é o estrago) nos casos de valvulopatia severa e transplante renal nos casos mais intensos de glomerulonefrite não tratada. pois o paciente relata muitas vezes que sente que está sendo “comido vivo”. não conseguem eliminar a infecção. causando cardiopatia reumática e glomerulonefrite pósestreptocóccica. Até porque nunca se sabe ao certo qual a espécie de bactéria envolvida na infecção. Além disso. usam-se os critérios de Jones. os tecidos necrosados produzem muitas toxinas pelo 90 . Os aspectos morfológicos destas lesões serão abordados com detalhes na disciplina de Anatomia Patológica (MP313). Uma vez desenvolvidos anticorpos pelos linfócitos B contra essas proteínas dos estreptococos. A esse fenômeno pós-estreptocóccico dá-se o nome de febre reumática (cepas que produzem estreptolisina O). impedindo um via do sistema complemento. É conhecida como “doença da bactéria carnívora”. uma vez que a carga bacteriana já está tão elevada que os antibióticos. Além disso. necroses extensas. “um mal que deve ser cortado pela raiz” Na parte externa da parede celular de algumas cepas da espécie do estreptococo beta hemolítico. uma enzima que destrói o hialuronato do tecido conjuntivo e contribui para uma permeabilidade mais fácil nos tecidos sadios. Por isso é importante sempre tratar as faringoamigdalites com antibióticos mesmo dos casos mais brandos e silenciosos. Streptococcus pyogenes e as infecções hospitalares Além de ser um potente causador de infecções do trato respiratório.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Streptococcus pyogenes. o organismo entra em uma operação de auto-ataque. microrganismos potencialmente produtores dessas pelicilinases. Também produz hialuronidase. imunológica. Enfim. destruindo nossas próprias células e membranas (complexos imunes). com muitas áreas infectadas. quanto mais a cepa (se é resistente ou não). antes do desenvolvimento destes anticorpos. nas válvulas cardíacas. o estreptococo beta hemolítico ainda pode desencadear infecções hospitalares severas. como visto nas aulas teóricas desta disciplina. por exemplo. que ataca. Pode ser administrada sozinha ou associada a um bloqueador de β-lactamases. Esse assunto será abordado com detalhes em seminários promovidos pela disciplina de Imunologia Médica Aplicada (BP333). tecidos sadios com complexos imunes (reação de hipersensibilidade tipo III). depois de um tempo. mesmo os de maior eficácia. Um exemplo disso é a Fasciite Necrotizante. degrada o fator C3b e não deixa a cascata do sistema complemento agir). Para a terapia antimicrobiana. Para diagnóstico de febre reumática. que estão principalmente na membrana basal do glomérulo renal. de difícil controle que muitas vezes levam o paciente inevitavelmente ao óbito. etc. O sistema imunológico acaba por dar cabo da bactéria produzindo anticorpos contra essa proteína. uma vez que várias espécies da microbiota normal produzem tais enzimas.

O meio de cultura mais adequado é o ágar chocolate em microaerofilia (alta sensibilidade). CORRELAÇÕES CLÍNICAS: As cepas não encapsuladas do Haemophilus influenzae geralmente fazem parte da microbiota normal da orofaringe. Sempre suspeitar de infecção por H. sinusites. mas epidemiologicamente. O tipo b (encapsulado) é muito menos comum em microbiota normal e é o principal sorogrupo causador de infecções. e quando esse material atinge o sangue pode gerar estragos bem maiores. O meio de Hitchens-Pike também pode ser utilizado. 4 e 6 meses de idade. pyogenes são o Haemophilus influenzae e a Moraxella catarrhalis. pois essa resposta depende de alguns linfócitos T que o timo ainda não foi capaz de fabricar. ministrada obrigatoriamente pelo calendário de vacianação brasileiro em três doses. portanto a terapia sem bloqueador dessas enzimas pode ser ineficaz. o meio específico para o hemófilos é o ágar Mueller-Hinton (alta especifidade). Há vacina e é eficaz. aos 2. Há um meio com alta especificidade. Acomete muito as crianças. influenzae em crianças com sinais clínicos. Apresentam bom crescimento em ágar sangue e ágar chocolate. mas agora se sabe que é um invasor secundário do trato respiratório. A Moraxella catarrhalis (originalmente denominada Branhamella catarrhalis) hoje é considerada uma causa crescente de faringites e pneumonias. ou por PCR. otites. bronquites. oxidase positiva e catalase positiva. Além de faringites e tonsilites. 91 . meningite (em casos mais severos quando há bacteremia). Não se sabe ao certo o porquê. No entanto. artrite séptica. os pacientes mais acometidos por essa espécie são usuários crônicos de álcool. principalmente lactentes e pré-escolares. Há seis sorotipos (a-f). São diplococos gram negativos (às vezes chamadas de cocos ovais). O Haemophilus influenzae é um coco-bacilo gram negativo. sobretudo em pacientes com carcinoma de pulmão ou doença pulmonar de base. Crianças até 2-3 anos de idade não são capazes de fabricar tais anticorpos. distinguíveis sorologicamente pela cápsula polissacarídica. influenzae é um potente causador de pneumonias (2º agente mais comum). Os microrganismos mais comuns além do S. 15 a 20% das cepas patogênicas do Haemophilus influenzae produzem β-lactamases. “Haemophilus” significa “Gosta de sangue” e o nome “influenzae” foi dado porque originalmente se pensava que causasse gripe.metabolismo desorganizado. o ágar DNase (azul de toluidina). o H. além de ser o principal agente etiológico da epiglotite.

Essa pseudomembrana não é facilmente removida com swab. causada por cepas do Corynebacterium diphteriae (também chamado de bacilo diftérico ou bacilo de Klebs-Loeffler). palidez e adinamia (falta de disposição). com roquidão e voz velada. É uma infecção muito grave.Outros tipos de Faringites Angina de Vicent (Angina de Plaut-Vincent) Outra infecção na forma de tonsilite úlcero-membranosa é a chamada Angina de Plaut-Vincent. as fossas nasais. Difteria Faríngea A difteria que se caracteriza por inflamação da garganta (angina diftérica) onde as tonsilas palatinas. o bacilo diftérico pode colonizar a laringe. Além da faringe. A principal diferença para uma faringoamigdalite comum é o aspecto de falsa membrana que recobre as tonsilas. o trato genital e a pele. O diagnóstico é confirmado pelo exame bacterioscópico direto e pela cultura dos exsudatos faríngeos. Pode causar obstrução respiratória fatal (crupe). É causada pela associação fusoespirilar (Treponema vincentii e Fusobacterium nucleatum). As tonsilas palatinas e os pilares faríngeos adquirem úlceras em forma de verdadeiros “buracos”. mais comum entre o primeiro e o sétimo ano de vida. os pilares anteriores e a úvula se recobrem com exsudato pseudomembranoso. pulso rápido. ouvidos e. ou até mesmo um fragmento da pseudomembrana. sugere muito a origem etiológica da infecção. quando atinge a traquéia (tosse estridante). Esta bactéria produz uma endotoxina (responsável pelos fenômenos locais da doença) e uma exotoxina (extracelular) que se introduzir na corrente circulatória provocando febre (baixa). O quadro clínico. diferente das demais bactérias. diferente das infecções estreptocóccicas onde há placas purulentas nas criptas. 92 . ocasionalmente.

onde se diferenciam em quatro tipos. 3) Tipo α1 (alfa-primo) Fonte: Profª Alessandra Daur Ao isolar cocos Gram positivos da lesão. 1) Tipo α (alfa) produz em torno das colônias um halo verde de hemólise parcial (transformação da hemoglobina em substância semelhante à biliverdina). 2) Tipo β (beta) 4) Tipo γ (gama) produz um halo de hemólise total. de difícil observação. pelo PADRÃO DE HEMÓLISE EM ÁGAR SANGUE. 93 . deve-se fazer a prova da catalase (que deve ser negativa) para o início da caracterização do estreptococo.Identificação Presuntiva dos Estreptococos Classificação A classificação para um estudo preliminar dos estreptococos baseia-se no crescimento (comportamento) em placa ágar-sangue. segundo a hemólise que produzem. Ou seja. É a classificação de Schottmüller-Brown. Produzida por estreptococos conhecidos como do grupo viridans. ou inerte que não altera o sangue (espécies não hemolíticas). intermediário entre os precedentes.

há necessidade de se fazer a prova de Camp Test. Se resistente.04 µg). indica sensibilidade. Se for resistente. A bactéria é sensível se apresentar um halo de inibição ≥ 14 mm. devem-se fazer todos os testes para gama hemólise. Se for sensível. o diagnóstico é de Streptococcus pneumoniae (pneumococo). Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar o disco de bacitracina (0. Se sensível. o diagnóstico é de Streptococcus pyogenes. Incubar 24h em tensão de CO2. A presença de halo de inibição de qualquer tamanho. Semear a bactéria em ágar-sangue e colocar um disco de optoquina. (para auxílio no diagnóstico dos estreptococos β-hemolítico pode se utilizar disco de Sulfametoxazol-trimetropim).Prova de Optoquina Aplica-se para as colônias alfa hemolíticas. Fonte: Profª Alessandra Daur 94 . Fonte: Profa Alessandra Daur Prova de Bacitracina Ela diferencia as colônias beta hemolíticas em grupo A e B de Lancefield. Incubar 24h a 35oC.

formando um precipitado negro em 2/3 ou mais do ágar inoculado. Microrganismos Besc positivos crescem em presença de 40% de bile e hidrolisam a esculina. Semear linhas perpendiculares à linha de S. Fonte: Profª Alessandra Daur Prova de tolerância ao sal (MTS) Para Gama hemólise fazer prova de tolerância ao sal. fazer a prova da Bile-escurina. A atividade hemolítica do estafilococo é intensificada pelo fator extracelular do estreptococo do grupo B.5%). diagnostica-se Streptococcus agalactiae. A zona de intensificação da lise assume forma semelhante à ponta de flecha. na intersecção das duas estrias. aureus.Prova de Camp-Test (C-T) Em linha. uma amostra semeada de Staphylococcus aureus também beta hemolítico. Se negativa. denominado fator Camp. Incubar 24h a 35oC. Se ocorrer hemólise intensificada em forma de flecha (hemólise intensificada). porém sem contato físico de uma linha com a outra. Se positivo Enterococcus sp.5%). a turvação do meio e/ou a viragem do indicador de pH para amarelo indica positividade à prova (tolerância do microrganismo à alta concentração de NaCl 6. Semear a bactéria em caldo MTS (NaCl 6. Prova de Bile-esculina (Besc) Cultivar a bactéria na superfície do gar e incubar 24h a 35oC. 95 .

o meio de Stuart. Caso haja demora entre a coleta do material e o seu processamento no laboratório. o meio de Hitchens-Pike. 3. para não haver dificuldade na interpretação do exame bacteriológico enviado pelo laboratório. 4. 2. Em culturas da orofaringe o resultado positivo para estas bactérias não deve ser valorizado. Produz β hemólise. Cuidar para que as paredes laterais da boca. foi dada ênfase especial no capítulo que trata da microbiota normal do corpo humano. Neste sentido. Por exemplo. Para facilitar o isolamento de Streptococcus pyogenes. localizado na parede celular. Nesta classificação os estreptococos são designados pelas letras maiúsculas do alfabeto: de A a V. Produz β hemólise. Pesquisa do estreptococo Cuidados na Coleta 1. língua e gengivas não sejam tocadas. O Streptococcus pyogenes é do grupo A. Coletar as amostras antes da antibioticoterapia.Bile esculina + Bile esculina - Estreptococos do grupo D Estreptococos do grupo Viridans CLASSIFICAÇÃO DE LANCEFIELD (Muito importante) A classificação de Lancefield é baseada nas características antigênicas de um polissacarídeo. com isto evitando a contaminação pela microbiota normal. como por exemplo. (A descrição destes dois meios encontra-se no final deste capítulo). carboidrato C. é indicada a utilização de um meio de cultura de transporte. como por exemplo. O Streptococcus agalactiae é do grupo B. 96 . evitando os resultados falsonegativos. pelos estreptococos enverdescentes e ENPC. usar meio de enriquecimento.

grupamento típico e a Gram positividade. Exames Do material obtido procede-se ao exame: 1) Bacterioscópico (pelo Gram). observar a morfologia celular. Desta maneira consegue-se melhor isolamento. tonsilas ou fossa tonsilar. com o auxílio de alça metálica. 2) Cultivo em meios enriquecidos como ágar-sangue. Semeadura com swab Stabs 97 . Pressionar para imobilizar a língua com um abaixador de língua e com auxílio de um swab (zaragatoa). passar o swab nas partes hiperemiadas. Em seguida. O estreptococo não cresce em meios simples.Coleta do material da garganta Orientar o paciente a abrir a boca e falar um “aaaa” demorado que abre a garganta e ergue a úvula. tocando os pontos de pus ou placas (alguns recomendam removê-las e coletar material que estava por baixo delas). Cultivo 1o dia O cultivo é feito em ágar-sangue semeando com o swab numa pequena área da placa (1/5). Bacterioscopia Na bacterioscopia pelo Gram. tocar a área semeada com swab e puxar várias estrias. Na falta destas lesões. deslizar em movimentos suaves na faringe posterior.

O estreptococo cresce dando colônias pequenas. bordas lisas. Nos cortes cria-se atmosfera de relativa anaerobiose. fazer cortes curtos e profundos. pois em aerobiose não produzem hemólise. numa reação Ag-Ac. Teste definitivo é a aglutinação com o soro específico anticarboidrato C. Observações a respeito da hemólise O estreptococo produz duas hemolisinas: 1) Estreptolisina O = oxigênio sensível. Se o laboratório usar apenas o teste da Bacitracina para identificar o Streptococcus pyogenes. Cerca de 2% do Streptococcus pyogenes produz apenas a estreptolisina O. 2) Estreptolisina S = oxigênio estável. Portanto. pelo teste da bacitracina”. Observar a hemólise: • • Fazer Gram das colônias β hemolíticas. num ângulo aproximado de 40o para introduzir os estreptococos abaixo da superfície do meio de cultura e evidenciar a hemólise pela estreptolisina O que é oxigênio instável. alguns estreptococos alfahemolíticos são também sensíveis a 0. Para surpreender estas linhagens faz-se os stabs para obter hemólise em anaerobiose. isto deve constar no laudo enviado ao médico: “Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. Semear a colônia β hemolítica para o teste da Bacitracina. 2o dia No segundo dia.04 µg. puntiformes. os “stabs”. delimitadas. 98 . Técnica e recomendações: 1. perdendo-se um diagnóstico importante para Streptococcus pyogenes. observar o crescimento no ágar-sangue. visto que. Testar apenas amostras β hemolíticas. 2. a sensibilidade à Bacitracina não é um diagnóstico definitivo do Streptococcus pyogenes.Ainda com a alça.

quando requisitado por médico. somente pela atividade hemolítica. etc. Haemophilus influenzae em laringites. Por esta razão.” Observação: outros patógenos serão pesquisados. não requerendo assim os cuidados terapêuticos exigidos pelas infecções provocadas pelo Streptococcus pyogenes”.04 µg de bacitracina. Dr. Cerca de 85% de Streptococcus pyogenes são sensíveis a 0. revelando a presença de bacilos fusiformes e espiroquetas (associação fusoespirilar) que são o Fusobacterium nucleatum (fusiformes) e o Treponema vincentii. Titular de Microbiologia da Escola Paulista de Medicina – São Paulo. refere-se ao fato de que 10 a 20% dos indivíduos normais podem albergar Streptococcus pyogenes na garganta. 115. em faringites em pacientes que praticam sexo oral sem preservativo. é feito em anaerobiose. Luiz Rachid Trabulsi. ambos Gram negativos. Está bem demonstrado que os estreptococos beta-hemolíticos (além do Grupo A) podem ser isolados. A responsabilidade do germe pelo processo infeccioso terá que ser determinada tendo-se em conta as manifestações clínicas do paciente e de maneira mais segura. da garganta.3o dia Observar a sensibilidade à Bacitracina. Prof. por exemplo: Neisseria gonorrhoeae. se necessário. Fusiforme: 4 a 8 µm de comprimento. Conforme é sabido. O exame bacterioscópico é feito pelo método de Gram ou Giemsa. Treponema: 10 a 20 µm de comprimento. Qualquer halo de inibição dá positividade. 99 . Microbiologia Trabulsi – 2a edição. pela pesquisa de anticorpos séricos 2 a 3 semanas após o início da doença. o isolamento de uma amostra de Streptococcus pyogenes de um paciente com faringite. as infecções por estes estreptococos não são seguidas de febre reumática e glomerulonefrite. Angina de Plaut-Vincent Esta angina pode ser diagnosticada com segurança pelo exame bacterioscópico. B e G. “É de importância fundamental que tanto o bacteriologista como o clínico compreenda o pouco valor da identificação dos estreptococos. “Outro aspecto importante do diagnóstico. com freqüência. Pág. poder ser mera coincidência. O cultivo. particularmente os dos grupos C.

A morfologia típica é observada melhor quando se usa a coloração negativa com tinta-da-china. que em conjunto tem aparência de letras chinesas. 2a edição. Provavelmente as manifestações clínicas apresentadas pelo paciente são mais úteis para o diagnóstico etiológico do que um exame bacterioscópico.Difteria Coleta do material No caso da difteria da orofaringe. Os agrupamentos dos bacilos são peculiares. L. Visto que os bacilos pseudodiftéricos (Corynebacterium hofmanii. A bacterioscopia tem pequeno valor diagnóstico. são utilizados para exame bacterioscópico e outros dois destinados ao cultivo. também chamado Corynebacterium pseudodiphtheriticum) que fazem parte da microbiota normal da orofaringe. têm a mesma morfologia e a mesma propriedade tintorial. fusiforme e em halter. Luiz Rachid Trabulsi. Laybourn: revela as granulações metacromáticas (azuis) no interiordo bacilo. o exame bacterioscópico de esfregaços corados pelo Gram ou por outros processos como os usados para granulações metacromáticas. quando suspeita de difteria”. recomenda-se coletar o material com quatro swabs: dois da garganta (G1 e G2) e dois da região nasofaringea (N1 e N2). seja formando paliçada ou formando ângulos V. Infelizmente este conceito não é suficientemente difundido e por esta razão é freqüente em nosso meio. (Microbiologia Trabulsi. Dr. N1 e G1. piriforme. Y. o médico solicitar uma bacterioscopia de secreção de garganta. 129) 100 . pág. de acordo com o Manual de Procedimentos Básicos. O bacilo diftérico tem as mesmas características que as outras corinebactérias que fazem parte da microbiota normal da garganta. “No diagnóstico da difteria. O bacilo diftérico tem tendência ao pleomorfismo apresentando formas em clava. Bacterioscopia Os esfregaços são corados pelo Gram e Laybourn (bacilo verde claro). Dois swabs. não têm valor diagnóstico. sendo apenas um teste presuntivo. Gram: o bacilo diftérico aparece Gram positivo com extremidades dilatadas.

2) In vivo. 101 . Caso sejam encontrados caracteres morfotintoriais do bacilo diftérico será. O teste de certeza pode ser realizado de duas maneiras: 1) In vitro. O diagnóstico de certeza é dado somente pelas provas da produção de toxina pelo bacilo diftérico. neisserias. 8 a 10h. Do cultivo é feita nova bacterioscopia. um teste positivo de probabilidade. O Corynebacterium diphtheriae que não é lisogenizado não produz toxina e não é patogênico. O vírus integra o seu DNA ao cromossomo bacteriano e a toxina é sintetizada.O tratamento com antitoxina (soro antidiftérico) deve ser uma decisão clínica. mesmo assim. no máximo produz manifestações clínicas discretas e localizadas. Cultivo O cultivo é feito em meio de Loeffler (soro sanguíneo coagulado). não crescem com igual rapidez. In vitro Teste in vitro pode ser feito por imunodifusão radial = IDR (como recomendado pelo prof. Observação: o bacilo diftérico somente produz toxina quando lisogenizado por bacteriófagos contendo o gene tox. Para as provas seguintes: bioquímicas e de virulência. Outras bactérias como estafilococos. Luiz Carlos Duarte Formiga – Divisão Nacional de Laboratórios de Saúde Pública e utilizado no Lacen). cuja fase-lag é mais demorada. Neste meio o bacilo diftérico apresenta colônias após um período curto de incubação. O diagnóstico laboratorial completo terá valor retrospectivo na confirmação do diagnóstico clínico e como ponto de partida às medidas profiláticas. tão logo se suspeite de difteria com base nos sintomas apresentados. recomenda-se reisolamento em placas. Dr. a fim de evitar a propagação da difteria aos familiares e à comunidade (escola). estreptococos.

Outro método é o teste de Elek. após 48h desenvolve-se uma linha branca de precipitação na bissetriz do ângulo entre a tira e semeadura. porém o único seguro. Haverá reação Ag–Ac. Se o bacilo produzir a toxina. Resumo dos testes Segundo Otto Bier: 1) Diagnóstico de possibilidade 2) Diagnóstico de probabilidade 3) Diagnóstico de certeza .cultura em meios adequados. Esses testes não são usados por questões bioéticas. que determina a virulência (testes in vivo e in vitro).mais demorado. semear a bactéria suspeita isolada em forma de “spots” de aproximadamente 4mm de diâmetro.Técnica Em placas contendo meio de cultura acrescido de soro antidiftérico. . que se manifesta como precipitação em torno da colônia. Técnica Numa placa com meio transparente colocar uma tira de papel de filtro impregnada com soro antidiftérico. Incubar. fundamentando-se no mesmo princípio.pelo exame bacterioscópico. Teste de IDR (hemodifusão radial – Ag-Ac) Teste de Elek (tem anti-soro) In vivo O teste de virulência in vivo é feito em cobaia inoculando o bacilo suspeito e observando a ação da toxina. Semear o bacilo suspeito perpendicularmente ao papel. ela se difundirá no meio e reagirá com o soro antidiftérico. Se houver produção de toxina. 102 . .

103 .

Meio de Hitchens-Pike Meio de enriquecimento para estreptococos – consistência xaroposa. sem multiplicação significativa dos microrganismos. até que sejam semeadas em meios específicos para crescimento.000) 1L 10 g 5g 1g 40 mL 12. peptonas ou outras substâncias nutritivas de crescimento.Meios de Cultura Meio de Stuart É utilizado para transportar amostras para culturas de cocos Gram positivos e bacilos Gram negativos.5 mL evitando oxigenação e o 104 . Fórmula do meio de Stuart (semi-sólido) • • • • • • • • • Cloreto de sódio Cloreto de potássio Fosfato dissódico Fosfato monossódico Tioglicolato de sódio Cloreto de cálcio 1% aquoso Cloreto de magnésio 10% aquoso Ágar Água destilada 3g 0. mantendo as bactérias viáveis por 24h (tempo de segurança) ou 48h. não contendo carboidratos. extravasamento durante o transporte. O tioglicolato de sódio funciona como agente redutor. O meio de Stuart pode ser líquido ou semi-sólido. NaN (1:1. para melhorar o isolamento dos anaeróbios e a pequena quantidade de ágar fornece consistência semi-sólida.15 g 0.000) Solução aquosa de cristal violeta (1:25.2 g 1. Fórmula • • • • • • Infuso de coração bovino Peptona NaCl Ágar Solução aquosa de azida sódica. O meio apenas preserva a viabilidade das bactérias durante o transporte.2 g 1g 10 g 10 g 4g 1L É uma solução tampão.

CLASSIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES DE ESTREPTOCOCOS PATOGÊNICAS PARA O SER HUMANO GRUPO A PRINCIPAIS ESPÉCIES S. etc. endocardite ITU Endocardite B S.O cristal violeta impede o crescimento dos outros cocos Gram positivos e a azida sódica inibe a microbiota Gram negativa. escarlatina. pneumonia. mitis S. endocardite. O crescimento de estreptococos no meio Hitchens-Pike. Alfa) 105 . Infecções de pele. piodermites. Gama) Beta (Alfa. Gama) Gama (Alfa. sanguis S. Sinusite TGU e TGI Meningite Orofaringe e Abscesso cerebral. pneumoniae D F H K Orofaringe. faecium Não enterococos: S. pyogenes PADRÃO DE HEMÓLISE Beta HABITAT Orofaringe Pele Nasofaringe TGU Nasofaringe Pele TGU e TGI Nasofaringe Pele TGU e TGI TGU e TGI TGI PRINCIPAIS DOENÇAS Faringites. ITU. mutans Outros: S. agalactiae Beta (Alfa. canis Enterococos: E. Sepse neonatal. abscesso pulmonar e cerebral NÃO GRUPAVEIS ESTREPTOCOCOS ANAERÓBIOS Vários. Gama) Beta (Alfa. faringites Infecções de pele. Sinusite. cárie Pneumonia. sinusite. infecção puerperal. Gama) Alfa (Beta. formando filamentos que pendem da superfície do meio. salivaris Grupo Viridans: S. endocardites. incluíndo o Peptostreptococo Gama (Beta. tem semelhança com estalactites. faringe e traquéia Orofaringe. TGU e TGI Endocardite Endocartite. endocardites. meningites. faringites ITU. Beta) Beta (Alfa. equi S. TGI pneumonias Orofaringe Orofaringe Boca. Gama) Gama (Alfa) Alfa Alfa C G S. anginosus S. peritonite. tonsilites. faecalis E. Gama) Beta (Alfa. otite média. bovis S.

nádegas e abdômen. desprezar o 1o jato e coletar o jato médio da urina. quando existe suspeita de infecção do trato urinário. Caso não houver micção em uma hora. tampa de rosca e boca larga. para controle de tratamento ou em pacientes assintomáticos com alto risco de infecção. 1) Fazer anti-sepsia rigorosa do períneo. 2) Enxugar com gaze estéril. Pode ser adquirido em farmácias. 3) Aplicar o coletor autocolante. desde que o paciente retenha a urina no mínimo por 2 a 3 horas antes da coleta. 4) A seguir observar se há quantidade suficiente de urina para o exame. Coleta de urina De preferência coletar a primeira urina da manhã. Após a higienização da região genital. em frasco estéril. fazendo uma nova assepsia. devemse usar coletores próprios de urina. Em crianças com fraldas ou em pacientes que não têm controle de micção. 106 . Outras amostras também podem ser obtidas. O restante da micção não deve ser utilizado. O material para o diagnóstico laboratorial é a urina. fornecidos pelo Laboratório de Análises Clínicas. coxas.TRATO GÊNITO URINÁRIO (TGU) Os agentes etiológicos mais freqüentes das infecções do aparelho urinário são: 1) Enterobactérias: Escherichia coli (90% dos casos) Klebsiella Proteus 2) Pseudomonas aeruginosa 3) Enterococcus 4) Staphylococcus aureus 5) Staphylococcus saprophyticus (este é considerado atualmente o principal agente de infecção urinária em mulheres jovens). Amostras de urina são submetidas à cultura. trocar o coletor por um novo.

3) Contagem de colônias (bactérias ou contagem de UFC = unidades formadoras de colônias). Incubar a 37oC. 2) Cultivo da urina. fazer coloração de Gram para observar a presença ou ausência de leucócitos e bactérias. Diagnóstico bacteriológico Uma vez no laboratório o exame segue as seguintes etapas: 1) Bacterioscopia (Gram) do sedimento. Cultivo da urina homogeneizada Mergulhar uma alça de platina na urina e semear por estriais superficiais em placa de Teague e ágar sangue. 107 .UROCULTURA É um exame QUANTITATIVO. caso contrário. não mais que cinco horas. o exame laboratorial deve ser feito o mais rapidamente possível (dentro de uma hora após a coleta). Descrição dos procedimentos 1o dia 1) Centrifugar a urina em um tubo coberto com cápsula de papel alumínio. pode se manter o material à temperatura de geladeira. Para evitar a multiplicação das bactérias na urina coletada. 2) Derramar o sobrenadante e do sedimento. 4) Antibiograma.

IMVIC é uma série bioquímica simplificada para caracterizar as bactérias do grupo coliforme.Contagem bacteriana (contagem de colônias) – UFC A técnica de contagem em placa é baseada no princípio de que cada célula bacteriana quando cultivada em meio sólido ao se multiplicar forma uma massa macroscópica que é a colônia. 1. a fim de espalhar ao máximo o material. Se for um bacilo L+. Se for um bacilo L-. 108 . 3. de forma vertical. 2. estria-se perpendicularmente à primeira linha semeada. A contagem pode ser feita das seguintes maneiras: 1. 1) Imergir a alça. Contagem com alça (é a mais utilizada) Para a contagem semiquantitativa usa-se alça metálica calibrada de 0.001mL. Por diluições. Estriamento 2o dia Do Teague (EMB). fazer a série completa de provas bioquímicas. Esgotamento (Inoculação primária) 2. Lâmino-cultivo. Observar as características coloniais. I = Indol M = Vermelho de Metila V = Voges-Proskauer C = Citratase 2. Somente serve para contagem de viáveis. Esquema da Contagem Bacteriana Com Alça 1. realizar o teste IMVIC.01 ou 0. Com alça calibrada. em urina homogeneizada e semear uma única estria central em placa de Teague e Ágar-sangue. 2) Em seguida.

000 col/mL urina.000 col/mL urina. • O número de colônias é multiplicado por 100 se a alça utilizada for de 0. 90. 109 .000 9. 40 x 1.001 muitos zeros. Exemplo: colônias contadas = 40.000 se a alça utilizada for de 0.000 = 40. 1) Alça 0. para evitar os números com Mais de 100.01 e por 1. Leitura das características do estafilococo e estreptococo. O resultado é dado pelo laboratório usando potenciação.000 = superior a 105 col/mL ou UFC/mL • • O Esquema de Urocultura está apresentado na página 109. Se houver crescimento de estafilococos ou estreptococos. se lactose negativa (L-).01 2) Alça 0.I Escherichia coli Enterobacter Klebsiella Citrobacter + + M + + V + + - C + + + móvel (urease tardia) imóvel Do crescimento em ágar sangue fazer Gram.000 100 45. Contagem das colônias Contagem de colônias (UFC) por alça calibrada. caracterizá-los como nos capítulos precedentes.000 100. Exemplos: • • • • • • 3o dia Leitura do IMVIC e das provas bioquímicas do BGN.000 = 9x104 col/mL ou UFC/mL = 9x103 col/mL ou UFC/mL = 102 col/mL ou UFC/mL = 4.001.5x104 col/mL ou UFC/mL = 105 col/mL ou UFC/mL 40 x 100 = 4.

110 .

Cistite. * 111 . Bacteriúria assintomática. Comentários Não existe infecção urinária. Tratamento prévio com antibióticos. * Bacteriúria sintomática. P A Identificação do MO e antibiograma. Piúria asséptica causada por desidratação / inflamação. Sem crescimento P A Não houve crescimento de MO. * P P Identificação do MO e antibiograma. pielonefrite. Bacteriúria sem piúria. Provável uretrite ou paciente sob uso de antibióticos. Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso). * Cistite. Provável contaminação ou colonização. Contaminação (crescimento de várias espécies de MO). UFC/mL P P Identificação do MO e antibiograma. pielonefrite. > 105 UFC/mL A P Identificação do MO e antibiograma. P P Não houve crescimento de MO.Interpretação dos resultados das análises de urina relacionados com sintomatologia clínica Contagem bacteriana Leucócitos Sintomas Como reportar o resultado A A Não houve crescimento de MO. P < 10 5 A Identificação do MO. A A Identificação do MO. A A Identificação do MO e antibiograma. Bacteriúria assintomática (gravidez ou paciente idoso).

considerar a predominante. 112 .Legenda: Sintomatologia Leucócitos MO = microrganismo P = presença de disúria e/ou freqüência urinária A = ausência de disúria e/ou freqüência urinária A = < 10/campo P = ≥ 10/campo * = se houver crescimento de mais de uma espécie de MO.

As fezes ficam liquefeitas. sendo que o período de incubação varia de acordo com o caldo utilizado. Outras bactéria como a Yersinia enterocolitica. A diarréia não sanguinolenta é causada por bactérias produtoras de enterotoxinas. 2) Semear 3 a 4 alçadas das fezes em um caldo de enriquecimento (caldo GN. As evacuações são sanguinolentas e pouco volumosas. Vibrio parahemolyticus e Campylobacter jejuni). tetrationato ou selenito) 3) Incubar o Teague e SS (ágar Salmonella-Shigella) a 35oC ± 1oC por 24 horas e caldo de enriquecimento a 35oC ± 1oC. As bactérias enteropatogênicas pesquisadas de rotina em coprocultura são: Salmonella. Ao exame microscópico observa-se a presença de muitos leucócitos. As fezes devem ser coletadas no início da diarréia. sendo respectivamente: 113 . em meio de Teague ou SS. para a pesquisa do patógeno. Cultura de Fezes 1o dia 1) Semear uma alçada de fezes ou swab anal. por estrias superficiais. Há ausência de leucócitos no exame microscópico das fezes. Estas bactérias aderem à mucosa intestinal sem interferir na integridade das células epiteliais. 2) Diarréia não sanguinolenta. As diarréias agudas podem ser divididas em dois grupos: 1) Sanguinolenta. Shigella e Escherichia coli invasora e Escherichia coli enteropatogênica clássica. de volume grande e evacuações freqüentes. A diarréia sanguinolenta é causada por bactérias invasivas e produtoras de citotoxinas que invadem ou destroem as células epiteliais do intestino.INTESTINAIS Diversos são os agentes que podem causar doenças diarréicas e entre eles as bactérias. vibriões (Vibrio cholerae. Clostridium (Clostridium difficile e Clostridium perfringens) e Staphylococcus aureus são pesquisados somente em situações especiais e quando solicitado pelo médico.

Desoxicolato). 2o dia 1) Observar o crescimento nas placas de Teague. Repicar as colônias suspeitas do Teague e SS para os tubos contendo EPM e MILI. Esquema da Inoculação Com Agulha Por Picada Profunda Vista Lateral Vista Anterior EPM EPM 114 . Lisina. 4) Repicar do caldo de enriquecimento para uma placa de SS ou XLD (Xilose. pois quando estas bactérias estão presentes em pequena quantidade podem ser prejudicadas pela competição com a microbiota intestinal. A inoculação em EPM é feita com agulha por picada profunda e. conforme esquema abaixo. sem recarregar a agulha. O meio de MILI deve ser semeado fazendo-se uma picada central próxima ao fundo do tubo. fazer estriais superficiais na parte inclinada do meio.GN – 4 a 6 horas Selenito – 8 a 12 horas Tetrationato – 12 a 24 horas O enriquecimento é necessário para recuperação e isolamento da Shigella e Salmonella.

realizar provas bioquímicas complementares (se necessário) e soroaglutinação específica. 3) Do SS. que veio do enriquecimento. 2) Se houver suspeita de algum patógeno significativo. EPM – Cor original: verde Verde acastanhado – LTD positivo Bolhas de ar – gás positivo Amarelo – glicose positivo Azulado – uréia positiva Preto – H2S positivo 6 MILI – Cor original: roxa Formação de anel vermelho ao adicionar o reativo de Kovacs – indol positivo Formação de anel amarelo ao adicionar o reativo de Kovacs – indol negativo Turvação ao redor da linha de inoculação motilidade positiva Amarelo – lisina negativa Qualquer cor diferente do amarelo lisina positiva 115 . semear as colônias claras no Baracchini.3o dia 1) Realizar a leitura do EPM/MILI.

misturando 1 gota do anti-soro e 1 gota da suspensão bacteriana a identificar. A Salmonella possui antígenos somáticos O e antígenos flagelares H. Técnica 1. a mais freqüente é a Salmonella typhimurium. O e H. Em seguida fazer aglutinação com soros monoespecíficos: somáticos e flagelares. antes de utilizar os soros monoespecíficos. Sobre uma lâmina colocar uma gota de soro polivalente O e 1 gota de suspensão bacteriana a identificar. têm que dar positivas. ocorre reação Ag-Ac que se manifesta pelo fenômeno da aglutinação. 2. 116 . Misturar com alça até ficar com aparência homogênea. 3. a aglutinação O forma grumos miúdos e compactos. fica comprovada a sua identificação. Com movimentos basculantes contínuos. Uma primeira orientação é obtida com misturas de soros O (polivalentes O) e soros H (polivalentes H). Ambas as aglutinações. promover maior contato entre o soro e as bactérias. Os antígenos flagelares podem pertencer a fase 1 ou fase 2 (Salmonelas difásicas). Caso haja especificidade. Em seguida repetir a mesma técnica usando o soro polivalente H. No nosso meio. A aglutinação H forma flocos grandes e frouxos. Caso haja aglutinação com todos os soros que correspondem à fórmula antigênica de Salmonella typhimurium. Iniciar com soros correspondentes às salmonelas que mais comumente se isolam na região. Teste de Identificação Sorológica O teste é feito por aglutinação rápida em lâmina.Enteropatógenos O fluxograma de triagem para enteropatógenos em Coprocultura após o cultivo em MILI e EPM encontra-se demosntrado na página 123.

7 6. 2 1. 7 6. thompson S. kaapstad S. v a c c c d e. h e. n. 12 4. x 1. h e. v k l d a d g. 5 1. 12 (Vi) 1. 7. h e. anatum S. 12 (Vi) 1. 12 9. 8 6. 4. 4. paratyphi – A S. bredeney S. 4. schwarzerngrund S. norvich S. 7 6. z15 1. 12 1. 12 3. h e. 12. g. 5 1. 2 C1 C2 C3 C4 D E 117 . x 1. agama S. 12 1. 12 4. 8 6. t i i l. e. 2 1. 6 1. typhimurium S. 6 1. 7 1. 2 1. v b e. 7 6. 12 1. n. 7 6. 5 z6 1. 5. 5. sendai S. 5. 5 1. 6 1. 7 6. bonariensis S. 2 1. tokodari S. 9. 5 e. typhi S. 10 3. m. 12 1. 5 1. 12 1. 4. panama S. saint-paul S. oslo S. Grupo A B Sorotipo S. inganda S. lichtfield S. h f. 12 1. w 1. 12. butantan S. 7 6.Observação: a identificação sorológica de todas as salmonelas (mais de 2200 sorotipos) só pode ser feita em Laboratórios de Referência. 7 6. h e. 8 6. 7 6. 7 6. 4. x 1. 7 1. 12 1. enteritidis S. tennessee S. 8 6. 5 1. p. reading S. gallinarum S. 8 6. 5 1. 4. n. infantis S. w 1. decatur S. 5. livingstone S. belem S. salinatis S. e. 14 1. derby S. 4. 12 1. m g. california S. 4. 5 1. 2 1. muechen S. nchanga Antígeno O 1. h l. 2 1. 12 1. 2. 27 4. 12 1. 5 1. w 1. t k r z10 z29 c c d e. agona S. 5 1. s g. 9. s m. g f. chester S. 9. haardt S. w Fase 2 1. h g. 5. 5 1. eimsbuettel S. kentucky S. 4. 7 6. montevideo S. 10 3. 12 1. p l. 5 e. 5 1. 6 1. 10 3. 12 4. paratyphi – C S. 9. 20 6. 27 6. 9. 5. 2 1. dublin S. birkenhead S. Os laboratórios clínicos dispõem apenas dos soros das salmonelas mais freqüentemente isoladas. 7 e. maleagridis S. m. newport S. 7 (Vi) 6. 8 8 8. 7 6. h i i l. paratyphi – B S. 7 d. oranienburg S. cholerae-suis S. 10 Fase 1 a b d d. n.

Técnica O teste de aglutinação segue a técnica anterior. Há 167 sorogrupos e desde 60 existem em humanos: 25 microbiota normal. Produzem poderosas enterotoxinas codificadas por plasmídeos – LT (termolábil) ou ST (termoestável). Escherichia coli A principal bactéria da microbiota intestinal é a Escherichia coli. As Escherichia coli patogênicas são distribuídas em 5 sorogrupos: EPEC – enteropatogênica clássica ETEC – toxigênica EIEC – invasiva EHEC – hemorrágica EAEC – aderente EPEC não produz nenhuma toxina. LT atua na adenilato ciclase e a ST na guanilato ciclase (aumenta assim aprodução de fluidos e causa diarréia). uma proteína translocase. ETEC possui fatores de colonização (adesinas fimbriais) – ligam a bactéria a sítios esfecificos na superfície celular dos enterócitos. 35 patogênicas. As não patogênicas podem causar infecção urinária e meningite. mas destrói microvilosidades (adesão-aplainamento) por fímbrias formadoras de feixes. É caracterizada somente pelo antígeno O (é desprovida de antígenos H e K). cada espécie com diversos sorotipos. 118 . intimina e seu receptor. As espécies: Shigella dysenteriae Shigella flexneri Shigella boydii Shigella sonnei A Shigella é imóvel.Shigella Possui 4 espécies.

142. 78. 144. 15. 25.Hemorrágica. 158 28. necrose e ulceração. 167 6. PCR pode ser utilizada. 164. coli possui os antígenos O. Sorogrupos de Escherichia coli associados a infecções humanas Infecção Sorogrupo O 26. Isso faz aparecer sangue e muco nas fezes. Produz uma toxina verotoxina (que é idêntica à toxina Shigalike da Shigella). 126. inflamação. igual à EPEC. coli – para fazer a diferenciação de qualquer cepa de Escherichia coli. 111. 63. provocando destruição tecidual. 125.EHEC . 86. * Testes específicos são necessários para identificar cepas de E. EAEC – liga-se às células na cultura de tecido. K e H – a partir deles fazemos a diferenciação das cepas de E. 20. 152. 8. No interior das células. EIEC se liga especificamente à mucosa do intestino grosso – utiliza genes associados a plasmídeos. 114. penetram nas células do epitélio intestinal por endocitose. 115. multiplicam-se e disseminam-se para as células adjacentes. 29. a bioquímica e a sorologia se fazem necessárias. coli patogênicas Por fazer parte da microbiota normal intestinal. mas é uma técnica muito cara (diagnóstico molecular). utilizamos a sorologia por meio desses três antígenos. 128. Tem muitas fímbrias que foram transcritas a partir de genes plasmidianos. Atuam no intestino delgado e fazem diarréia persistente. A verotoxina atinge as células epiteliais e causa diarréia. 119. 55. 124. principalmente em crianças. 112. 136. Observações EPEC (associados somente com diarréia infantil) EIEC (associados com disenteria bacilar) ETEC Intestinal 143. * E. 157 EHEC (associados com a colite hemorrágica) 119 . Faz que nem tijolo empilhado. lisam o vacúolo endocítico. Duas conseqüências são: a colite hemorrágica e a síndrome hemolítica urêmica. Ela se fixa na mucosa do intestino grosso pelo processo de adesão aplainamento. 128. Produz toxinas termolábeis. 148 26.

7. Coprocultura negativa para bactérias enteropatogênicas (citar as bactérias pesquisadas) Observação final: as provas bioquímicas são insuficientes para a identificação das enterobactérias patogênicas. Coprocultura positiva para Salmonella sp. Verde brilhante: seletivo. Hipossulfito de sódio: inibe outros Gram negativos. 83 1. 11. 3. 18. K e H. 6. Exemplos conforme o resultado obtido: 1. Ou citar o sorotipo quando efetuadas as tipagens sorológicas completas.Urinária 1. 11. A fórmula antigênica da Escherichia coli é representada por números arábicos colocados após as letras. 25. 7. 4. Vermelho neutro: indicador de pH. 4. 2. 22. 120 . Fórmula: Lactose: é diferencial. Meios de cultura usados nesta prática Meio SS Seletivo diferencial. 62. 18. Coprocultura positiva para Escherichia coli enteropatogênica clássica. inibem coliformes e Gram positivas. 6. Coprocultura positiva para Shigella flexnerii. SS – iniciais de Salmonella e Shigella. geralmente aglutinando-se com o soro anti-O. existem 171 antígenos O. o laboratório envia ao médico o resultado. 16. 7. Aglutinação: as técnicas de aglutinação são feitas como nas anteriormente citadas. 25. 2. 6. 75 Membros da microbiota normal dos intestinos Meningite do recém-nascido Bacteremia 1. Após a conclusão dos testes. 8. Sais biliares: favorecem a Salmonella. 22. 9. 76 A Escherichia coli possui antígenos O. 4. 9. Exemplo: O26:K60:H11. 8. A identificação só é completa após os testes sorológicos. 100 antígenos K e 57 antígenos H. 2. inibe a maior parte das bactérias Gram positivas.

coli invasoras. e algumas E. Vermelha. Shigella spp. coli MC Rugai e sorotipagem EBM TEA HHT bactérias. coli Azul ou verde azulado: suspeita de Salmonella spp. Incolor: suspeita de Shigella spp. Crescem BGNs somente Isolamento de entero- ASPECTO DAS COLÔNIAS SUSPEITAS Lactose negativa (transparente ou sem cor): suspeita de Salmonella spp. Shigella spp. Pode inibir Shigella spp. pelas altas concentrações de sais biliares (8. rosa forte ou translúcida circundadas de vermelho: suspeita de Salmonella spp. 2002 121 . Crescem BGNs somente Seletivo para Salmonella e Shigella. Amarela: suspeita de E. Inibe CGPs. Inibe CGPs. Colônias cor de rosa: suspeita de E. O meio SS é muito seletivo. PROCEDIMENTO DE IDENTIFICAÇÃO MEIO DE CULTURA FINALIDADE DO MEIO Isolamento de enterobactérias. Rugai e sorotipagem SS Contém indicador da produção de H2S Rugai e sorotipagem Seletivo para VB Salmonella spp.Cloreto férrico. a ponto de não ser aconselhado por microbiologistas de renome. Roxo escuro com brilho metálico: suspeita de E. Rugai e sorotipagem HE Contém indicador da produção de H2S (ácido sulfídrico) Seletivo para Salmonella spp. Rugai e sorotipagem Fonte: Opustil et al. Amarela: suspeita de Klebsiella spp. inclusive os coliformes. coli Incolor (com ou sem centro negro): suspeita de Salmonella spp. Ágar simples. (com ou sem centro negro). É formulado para prejudicar a maior parte das Gram negativas.5 g/L – os outros meios têm 1. Lactose positiva (co de rosa): suspeita de E..5 g/L) e altas concentrações de citrato de sódio. Colônias negras: suspeita de Salmonella spp. coli Transparentes ou roxo claro: suspeita de Salmonella spp.

Neste tubo pode ser lido: Desaminação do L–triptofano.EPM (Escola Paulista de Medicina) Este meio trata-se de uma modificação do meio de Rugai e Araújo pela retirada da sacarose e da prova do indol. Produção de indol a partir de triptofano. Produção de H2S. Fermentação da glucose. GN Broth (Bacilo Gram Negativo – Caldo) Triptose Dextrose D-manitol Citrato de sódio Desoxicolato de Na Fosfato de potássio Fosfato monopotássico NaCl P/ 1000mL de H2O. Hidrólise da uréia pela enzima urease. Indol e Lisina) É um meio semi-sólido onde pode ser lido: Motilidade. MILI (Motilidade. Produção de gás pela fermentação da glucose. Descarboxilação da lisina.5g 5g 122 . 20g 1g 2g 5g 0.5g 4g 1.

123 .

sem gás. Base amarela. Enterobacter sp. 2. 3. O meio sólido é distribuído para apresentar uma base em coluna alta de aproximadamente 3cm de altura e o ápice inclinado do mesmo comprimento que a base. Citrobacter sp. Lactose e Sacarose 7) Uréia 8) Vermelho de Fenol 9) Azul de Timol 10) Ágar É importante estabelecer a proporção de glucose de 1:10 em relação a cada um dos demais carboidratos.. Base amarela. Shigella sp. É um meio que promove sete provas bioquímicas em uma só. com gás. H2S. Base amarela. 7. com enegrecimento e com o ápice vermelho. ápice amarelo ou amarelo avermelhado. com ou sem enegrecimento e com o ápice amarelo. gás e indol. 4.MEIO BARACCHINI Este meio permite observar a decomposição de três açúcares: glucose. Escherichia sp. sem gás. sem gás e ápice vermelho. 6. DIAGNÓSTICO Salmonella typhi Salmonella arizona. em forma de bisel.. Proteus sp. Base amarela. Klebsiella sp. lactose e sacarose. com enegrecimento e com o ápice vermelho. com gás. além da produção ou não de urease. As bactérias inoculadas no fundo vão ter uma relativa anaerobiose. com ou sem enegrecimento e com o ápice violeta. Salmonella sp. Base amarela. 1) Extrato de carne 2) Triptose 3) NaCl 4) Tiossulfato de Sódio Composição deste meio de cultura 5) Sulfato Ferroso 6) Glucose. ASPECTO 1. 5. Pseudomonas aeruginosa Bactérias Gram Positivas 124 . Base e ápice vermelhos. Base violeta.

produziriam pequenas quantidades de ácidos. Há produção de ácidos. A glucose em pequenas quantidades nesse meio (1:10) em relação aos outros carboidratos. e que as aminas formadas não conseguiriam neutralizar. A base e ápice apresentam cor amarela (pH abaixo de 6. Inicial: A base e o ápice aparecem amarelos indicando acidificação (fermentação de glucose). onde não existe o O2. a decomposição dos peptídeos é quase nula). CASO 3: Ilustra o metabolismo inicial e a transformação posterior definitiva. A base e o ápice conservam a cor vermelha inicial (pH alcalino). temos três resultados: CASO 1 Base alcalina Ápice alcalino Não fermentadora CASO 2 Base ácida Ápice ácido Fermentadora de lactose e sacarose Inicial Ápice e base ácidos Não fermenta lactose Fermenta glucose CASO 3 Posterior Base ácida (amarela) Ápice vermelho CASO 1: Quando a bactéria é incapaz de fermentar qualquer açúcar testado. se fermentadas.0). 125 . a lactose ou a sacarose. CASO 2: Quando a bactéria é fermentadora de glucose e sacarose ou lactose. Posterior: A superfície do bisel gradualmente volve ao pH alcalino (meio vermelho inicial). ao transformarem aminas a partir da descarboxilação oxidativa do O2 do ar (no fundo do tubo. Devido à maior proporção. os quais são facilmente neutralizados pelas aminas alcalinas. produz pequenas quantidades de ácidos.Resultados Relacionados apenas com a decomposição de açúcares (não considerando a uréase e o H2S). A bactéria é não fermentadora de lactose e fermentadora de glucose.

Estes sintomas persistem por uma semana ou mais e são seguidos de sintomas gastro-intestinais. Widal (75%). pode haver casos isolados e será a anamnese que nos guiará a qual exame deverá ser feito. Segunda semana = hemocultura (75%). que aumenta gradualmente. Terceira semana = Reação de Widal (100%). mialgias. Agente etiológico: Febre Tifóide Salmonella typhi Salmonella paratyphi A. No entanto. “Há quanto tempo o(a) senhor(a) está com essa febre?” NA PRIMEIRA SEMANA: FAZER HEMOCULTURA NA SEGUNDA SEMANA: INDIFERENTE NA TERCEIRA SEMANA: FAZER WIDAL 126 . quase sempre o exame a ser feito é a hemocultura. Widal (10%). Reação de Widal (diagnóstico indireto). hemocultura (40%). com queixas inespecíficas de cefaléia. No prazo de 10 ou 14 dias após a ingestão dos bacilos aparece febre. 2) Reação de soro-aglutinação Períodos da doença e as porcentagens de positividade Primeira semana = hemocultura (80 a 100% de positivo).FEBRE TIFÓIDE E PARATIFÓIDE A febre entérica é adquirida através da ingestão de água ou alimentos contaminados com material fecal. O diagnóstico laboratorial é feito por duas provas: 1) Hemocultura diagnóstico direto. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Como quase sempre o paciente chega ao serviço de saúde logo na primeira semana. Salmonella schottmuelleri (antiga Febre Paratifóide Salmonella paratyphi B) e Salmonella hirschfeldii. mal-estar e anorexia.

2006 Observação: como nem sempre o paciente sabe especificar o início da doença. alguns clínicos recomendam realizar ambas as provas simultaneamente. para obter maior probabilidade diagnóstica. independente do período da infecção. 127 .Incubação Invasão ativa e Bacteremia ACME Fonte: Rubin.

Em ambos os casos. As três devem ser negativas. 3) Aplicar álcool iodado a 1%. Hemocultura É o cultivo do sangue do paciente em meios adequados. Para comprovar que o paciente não alberga a Salmonella é preciso fazer três coproculturas de três evacuações consecutivas. Após a anti-sepsia não palpar a veia com os dedos. Recomenda-se fazer: 1) Lavagem com sabão medicinal. O sangue é obtido por punção da veia usando seringa e agulha. Puncionar a veia com a agulha do próprio sistema e o sangue é aspirado diretamente para o frasco. trocar a agulha e inocular no frasco com meio de cultivo.Quarta semana (fase de convalescença) = realiza-se a Coprocultura-Teste de libertação. 4) Passar álcool 70% para retirar o iodo. o local da punção deve ser rigorosamente descontaminado. A coprocultura não tem por objetivo o diagnóstico da doença e sim para confirmar o estado de portador. Mas como o pico febril geralmente 128 . em virtude da infecção crônica da vesícula biliar em alguns pacientes. 2) Enxaguar com água estéril. No caso da Salmonella pode se usar o caldo bileado. perfurando a tampa de borracha (o diafragma de borracha. Foi por isso chamada de Mary Typhoid. como nos frascos de penicilina). porque é o período de maior concentração de bactérias circulantes. Período da coleta Recomenda-se a coleta de sangue imediatamente antes do pico febril. Pode-se usar também um sistema fechado. Muitos livros de microbiologia citam o caso de uma cozinheira americana que trabalhou para oito famílias durante oito anos e foi a fonte de contaminação de sete epidemias de Febre Tifóide com mais de duzentos casos. que consiste num frasco com meio de cultura e vácuo. O portador elimina a Salmonella através das fezes podendo propagar a doença. Extraído o sangue.

visto que o número de bactérias circulantes é pequeno. Se forem sulfamídicos. um microrganismo da ação bactericida do sangue. até 30 dias). Cultivo Os frascos com o sangue devem ser incubados a 37oC e observados durante vários dias (para Listeria. Alguns meios para hemocultura disponíveis no comércio contêm anticoagulante polianetol-sulfonato de sódio (PSS) que. 3 em adultos que não estejam em tratamento e 4 a 6 amostras. neutraliza-se a sua ação. a diluição necessária para preservar. Se for penicilina. Proporção: semear em meios de cultura guardando a proporção de 1 para 10. o fato deve constar na requisição do exame dando o nome do medicamento. retira-se 10 mL de sangue. uma em cada braço. além de evitar a coagulação do sangue. fagocitose e inativa aminoglicosidios. Neisseria meningitidis e Gardnerella vaginalis não se deve usar este anticoagulante. Nos casos de estado febril agudo em que haja a necessidade de terapia imediata. é aconselhada a coleta de duas amostras com uma hora de diferença. acrescentase ácido p-amino-benzóico (5 mg%). acrescentando penicilinase ao meio de cultura (50 u%). Normalmente recomenda-se colher 2 amostras em crianças. inibe a ação do complemento. o 129 . de 10 a 20 bactérias por mL. lisozima. Devido ao pequeno número de microrganismos. colher de 1 a 5 mL. Em crianças de até um ano.não pode ser previsto. realizam-se duas coletas. in vitro. Observação: quando há suspeita de que a septicemia é causada por Neisseria gonorrhoeae. Volume do sangue a cultivar Para hemocultura de adultos. Uso de antibióticos Se o paciente estiver usando antibióticos. porque ele inibe o crescimento destes agentes. na vigência do tratamento com antibióticos.

635 a 642. O resultado de Gram é enviado ao clínico para orientação preliminar. no sangue do paciente. visto que eles existem em pequenas quantidades em sangue de pessoas normais. Caracterização bioquímica em andamento. Isolamento em placas para caracterização. Nesta ocasião. O crescimento é percebido pela turvação do meio. pág. consultar Microbiologia e Imunologia de Otto Bier. manda-se o resultado definitivo ao médico. Um vez identificada a bactéria. edição 1990. Por exemplo: Hemocultura positiva para bacilos Gram negativos após cinco dias de incubação. dirigida contra os antígenos O e antígenos H. Para que a Reação de Widal tenha valor diagnóstico é necessário titular os anticorpos presentes.crescimento é lento. Reação de Widal A Reação de Widal é uma soro-aglutinação e pesquisa anticorpos anti-salmonela. Para detalhes técnicos e interpretação de resultados da Reação de Widal. tirar uma pequena porção da cultura e fazer: • • Bacterioscopia pelo Gram. 130 .

é sempre usado em situações onde o método de difusão fornece dados inseguros. Após incubação.75 mcg/mL 1. Portanto temos: a) Quantidades variáveis do antimicrobiano.5 mcg/mL 3.5 mcg/mL. observar os tubos com crescimento revelado pela turbidez. Também quando os pacientes não respondem 131 . 1) Por diluição do antibiótico 2) Por difusão do antibiótico Diluição O teste da diluição em caldo é empregado para determinação da Concentração Inibitória Mínima (CIM) que é dada pela quantidade da droga no tubo onde não houver mais crescimento (a quantidade é expressa em mcg/mL). b) Quantidades constantes de bactérias. cuja sensibilidade não é previsível. O CIM deste antibiótico é = 7. Este método. No exemplo acima houve crescimento nos três tubos da direita.TESTE DE SENSIBILIDADE AOS ANTIBIÓTICOS (TSA) São testes utilizados para observar a resistência ou sensibilidade aos antimicrobianos de bactérias isoladas de amostras clínicas representativas de um processo infeccioso. Exemplo: 30 mcg/mL 15 mcg/mL 7.5 mcg não apresentou turbidez. Já o tubo com 7.88 mcg/mL 0. fornecendo dados quantitativos.94 mcg/mL Nos tubos são colocadas quantidades conhecidas e decrescentes do antimicrobiano e quantidades fixas de bactérias em todos os tubos.

como enterobactérias. embebido em antibiótico. A variação da concentração do inóculo pode resultar em erros superiores a 50%. Difusão O segundo método. A padronização requer os seguintes cuidados relacionados aos meios de cultura: 1) pH 7. mas a mais usada em Laboratórios de Análises Clínicas é a técnica de difusão do disco (confete) de papel de filtro.3 a 7. barato e de fácil execução. As técnicas variam. 4) O meio deve ser recente (não ressecado). o Teste de Sensibilidade aos Antibióticos (TSA) ou antibiograma. com a dosagem habitual do antibiótico prescrito.5 mL de H2SO4 a 1%). 3) As placas não devem ter umidade excessiva na superfície do meio e na tampa. 132 . escavações nas quais se coloca o antibiótico. Staphylococcus aureus e Pseudomonas. 2) Espessura uniforme de 4 mm com superfície perfeitamente plana.a uma terapêutica aparentemente adequada ou então que apresentam recidivas no curso do tratamento. o que permite correlação com os dados de CIM e os níveis antimicrobianos a nível de sangue e urina. seguro. É o método de Kirby-Bauer que é prático. Há vantagem também na apresentação do resultado em três níveis: sensível. Para outros microrganismos ainda são feitas investigações para efeito de padronização. podendo-se usar: comprimidos.5 mL de BaCl 1% + 99. apresentada pelo antibiótico. de se difundir no meio de cultura sólido.4. Cuidados com o inóculo A suspensão bacteriana deve ter turvação idêntica ao tubo no 5 do padrão de sulfato de bário (escala de Mac Farland – 0. O método de Kirby-Bauer foi padronizado para patógenos de crescimento rápido. baseia-se na capacidade. intermediário (ou pouco sensível) e resistente.

de 15 cm aproximadamente. 2) Deslizar o swab sobre a superfície em todas as direções (semeadura em massa). retirar da geladeira ou freezer e usar somente quando os frascos atingiram a temperatura ambiente. para evitar gotas de condensação. Os polidiscos são usados em laboratórios de rotina grande. 2) Antes de usar. Os discos podem ser individuais ou polidiscos. 133 . os discos podem ser aplicados manualmente (com auxílio de pinça estéril) ou por dispositivos mecânicos simples ou múltiplos. em frascos originais. 1o dia Semeadura em placa 1) Mergulhar um swab estéril no inóculo a testar. observando que não fique nem uma área sem semear. Aplicação dos discos 1) Com cuidados de assepsia. Retirar o excesso do líquido pressionando-o contra a parede interna do tubo. Ligações inertes Discos impregnados A placa é de diâmetro grande.Cuidados com os discos de papel de filtro 1) Devem ser conservados a 4oC (ou menos).

Usar um antibiótico de cada grupo. Colônias isoladas. bacitracina e vancomicina. indicam quantidade insuficiente de bactérias. 2) Após colocar o disco. 2) Medir com régua milimetrada o diâmetro da zona de inibição de crescimento ao redor do disco (inclusive o disco). No caso dos discos individuais deve se respeitar o espaçamento entre eles de 3 cm e 2 cm entre o disco e a borda da placa. Observar a variação. muito separadas. 134 . 3) Inverter a placa e incubar a 37oC. 2o dia 1) Observar o crescimento que deve ser semiconfluente. 3) Crescimento de colônias isoladas dentro do halo indica presença de mutantes resistentes ou contaminantes (cultura mista). na “Tabela de Agentes Antimicrobianos Sugeridos para Uso Rotineiro em Antibiograma” e “Tabela de Interpretação de Diâmetro dos Halos de Inibição”. No centro da placa colocar os antibióticos com menor poder de difusão: polimixina. do halo de inibição em relação ao antimicrobiano e a bactéria testada (as tabelas estão nas páginas seguintes). No exemplo acima o polidisco tem 13 antibióticos.Há economia de tempo e trabalho visto que se coloca o polidisco de uma só vez. São recomendados meios de cultura especiais para antibióticos pouco solúveis em água. fazer uma pressão leve com a pinça para deixá-lo aderido à superfície do meio.

. bovis 10 unidades ≤ 19 20 – 27 ≥ 28 Rifampicina 30 mcg ≤ 16 17 – 19 ≥ 20 Tetraciclina 30 mcg 15 – 18 ≤ 14 ≥ 19 Tobramicina 10 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Trimetoprim / sulfametoxazol 1..) Estafilococos 1 mcg 11 – 12 ≤ 10 ≥ 13 (.......) Enterococo 10 mcg ≤ 16 ≥ 19 (..) Pneumococos quando 1 mcg ≤ 19 ≥ 20 sensíveis à penicilina G Penicilina G (..) Estafilococos 10 unidades ≤ 28 ≥ 29 (..75 mcg ≤ 10 11 – 15 ≥ 20 Vancomicina 30 mcg ≤ 9 10 – 11 ≥ 28 Antimicrobianos específicos para infecções urinárias Ácido pipemídico 20 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Ácido nalidixo 30 mcg ≤ 13 14 – 18 ≥ 19 Nitrofurantoína 300 mcg ≤ 14 ≥ 17 15 – 16 Norfloxacina 10 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Sulmamídicos 250 a 300 mcg ≤ 12 13 – 16 ≥ 17 Drogas para Germes Urinários 135 .) Enterococos (E..) Listeria monocytogenes 10 mcg ≤ 19 ≥ 20 Carbecilina 100 mcg (. bovis) 10 mcg ≤ 21 22 – 29 ≥ 30 (.) Estreptococo (S.) Gram-negativos entéricos 10 mcg ≤ 11 12 – 13 ≥ 14 (..) L..) Gram-negativos entéricos ≤ 17 18 – 22 ≥ 23 Cefotaxima 30 mcg ≤ 14 15 – 22 ≥ 23 Cefoxitina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftazidima 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Ceftriaxona 30 mcg ≤ 13 ≥ 21 14 – 20 Cefalotina 30 mcg ≤ 14 15 – 17 ≥ 18 Cloranfenicol 30 mcg 13 – 17 ≤ 12 ≥ 18 Clindamicina ou Lincomicina 2 mcg ≤ 14 15 – 20 ≥ 21 Eritromicina 15 mcg ≤ 13 ≥ 23 14 – 22 Fosfomicina 50 mcg ≤ 13 14 – 22 ≥ 17 Gentamicina 10 mcg ≤ 12 ≥ 15 13 – 14 Imipenem 10 mcg ≤ 13 14 – 15 ≥ 16 Metilmicina 30 mcg ≤ 12 13 – 14 ≥ 15 Oxacilina (..Interpretação do Diâmetro dos Halos de Inibição Antimicrobiano Potência do Diâmetro do halo de inibição (mm) Resistente Intermediário Sensível disco Amicacina 30 mcg ≤ 14 15 – 16 ≥ 17 Ampicilina (...) Pseudomonas ≤ 13 14 – 16 ≥ 17 (. monocytogenes 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (.... 10 mcg ≤ 19 ≥ 30 (... gonorrhoae 10 unidades ≤ 19 ≥ 20 (.... faecalis) 10 unidades ≤ 14 ≥ 15 (.) S.25/23.) Haemophilus sp..) N.) Estafilococos 10 mcg ≤ 28 ≥ 29 (.....

o qual vocês verão com detalhes na Parasitologia Médica (BP331). entre os quais: • • • • Maior liberdade sexual. Há as que são causadas por vírus: Herpes. ligado a diversos fatores. A Entamoeba histolytica. Maior expressão social feminina Doenças infecciosas e infestações transmitidas por contato sexual Tipo de Agente Agente Específico Doença ou Síndrome Citomegalovírus Citomegalovirose Vírus da hepatite A Hepatite A Vírus da hepatite B Hepatite B Vírus do herpes simples tipo 2 Herpes simples genital Vírus Vírus da imunodeficiência AIDS humana Vírus do molusco contagioso Molusco contagioso Vírus do papiloma genital Condiloma acuminado 136 . Infecções por bactérias: Salmonella. Multiplicidade de parceiros. Ureoplasma urealyticum. AIDS. Herpes vírus e o protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. Candida albicans.11: CAPÍTULO 11: DOENÇAS SEXUALMENTE TRASMISSÍVEIS PRINCIPAIS AGENTES ETIOLÓGICOS: Cancro mole/cancróide Gonorréia Sífilis Outras: Haemophilus ducreyi Clamydia trachomatis Neisseria gonorrhoeae Linfogranuloma venéreo (LGV) Treponema pallidum Gardnerella vaginallis. hepatites. Giardia e Enterobius são transmitidas após o contato bucolingual-anal. O aumento das DST foi devido a mudanças do comportamento sexual. Início precoce da atividade sexual. Atualmente o número de doenças transmitidas pelo contato sexual aumentou (ver tabela). Calymmatobacterium granulomatis. Mycoplasma hominis. Shigella. Campylobacter.

proctite e linfogranuloma venéreo (no sexo masculino). uretroprostatite e corioamnionite Vulvovaginite e balanopostite Amebíase intestinal Giardíase Vulvovaginite e uretrite Enterobíase Ptiríase ou pediculose pubiana Escabiose Bactérias Gardnerella vaginalis Hemophilus ducreyi Mycoplasma hominis Neisseria gonorrhoeae Salmonella sp. bartolinite. acidentes de laboratório ou por via placentária. Mais raramente pode ser adquirida por transfusão de sangue. síndrome uretral. A sífilis é uma doença de evolução lenta e pode ser dividida em quatro fases: Fase da Doença 1 – Sífilis Primária 2 – Sífilis Secundária 3 – Sífilis Latente 4 – Sífilis Terciária Cancro duro Roséolas Caracterização Sem sintomas ou sinais Sífilis cardiovascular ou neurossífilis (demência) 137 . geralmente. proctite. salpingite. endometrite. epidimite. peri-hepatite e linfogranuloma venéreo (no sexo feminino) Vaginite Cancro mole ou cancróide Salpingite. transmitida sexualmente ou em relações muito íntimas. febre pós-abortamento. Chlamydia trachomatis Granuloma inguinal ou donovanose Enterite e enterocolite Uretrite. O treponema penetra através de mucosas íntegras ou em efrações da pele. febre puerperal e pielonefrite Gonorréia (uretrite e outras síndromes) Salmonelose Shigelose Sífilis Uretrite.Calymmatobacterium granulomatis Campylobacter sp. Treponema pallidum Ureaplasma urealyticum Fungo Protozoários Helmintos Artrópodes Candida albicans Entamoeba histolytica Giardia lamblia Trichomonas vaginalis Enterobius vermicularis Phthirus pubis Sarcoptes scabiei SÍFILIS Sífilis ou lues é causada por Treponema pallidum. A umidade favorece a instalação. Cervicite. Shigella sp.

Sífilis Secundária O Treponema pallidum dissemina-se a partir da lesão inicial e pode acometer vários órgãos e tecidos. Sífilis Primária Aparece de 2 a 6 semanas após o contágio e se manifesta com o aparecimento de uma lesão chamada cancro duro ou protosifiloma. geralmente circular e única. Cobre-se facilmente com secreção purulenta devido à infecção por contaminantes. Na mucosa bucal a lesão tem semelhança com a afta e é rica em treponemas. 2006 2. mucosa retal. bordas endurecidas (daí o nome) e elevadas. As localizações mais freqüentes são: pênis. reto e na cavidade oral (faringe e tonsilas). É uma lesão de 1 a 2 cm de diâmetro. canal endocervical e em menor freqüência no ânus. O cancro duro cura espontaneamente ao fim de 1 a 3 meses. indolor e de fundo liso com cor avermelhada.1. parede vaginal. Podem aparecer lesões nas amígdalas. Fonte: Netter. Na pele aparecem manchas eritematosas chamadas roséolas sifilíticas (principalmente no tronco). 2006 Fonte: Rubin. vulva. vulva. prepúcio e reação 138 .

5. pode ocorrer neurossífilis lesando meninges. com disseminação nos tecidos fetais. havendo proliferação e posterior resposta inflamatória. etc. que é um diagnóstico patognomônico da sífilis congênita. ou sintomas inespecíficos como rinite. e a sífilis terciária benigna (surgimento de uma goma em qualquer órgão). Esta fase pode durar de 1 a 30 anos. Pode se apresentar de maneira assintomática. apenas revelada em provas sorológicas. Além destas lesões. Em pacientes não tratados. medula e pares cranianos. 139 . que é um tipo de endarterite obliterante dos vasa vasorum (os microvasos que nutrem os leiomiócitos da túnica média dos grandes vasos. Fonte: Mims. córtex cerebral. Pode ocorrer aortite sifilítica. Sífilis Latente Segue-se a sífilis latente que é assintomática. Em alguns casos dá-se origem à tríade de Hutchinson. as lesões e os sintomas desaparecem após 1 a 3 meses. como foi visto em Histologia I). 2005 3. pode haver envolvimento de órgãos internos (nefrite. Sífilis congênita É quando a sífilis é transmitida in utero. da mãe infectada para o feto. Sífilis Terciária É quando o caráter de infecção já é neurológico e cardiovascular.ganglionar. Além disso.). 4. meningite. pode ocorrer um aneurisma sifilítico e outras lesões que serão discutidas na disciplina de Anatomia Patológica (MP313). hepatite.

visto que esta fase pode durar até 3 meses e já após a segunda semana começam a surgir anticorpos específicos.hipocusia (surdez) vestibular (labiríntica) . Observação: em certas ocasiões.queratite parenquimatosa com conseqüente cegueira .Tríade de Hutchinson . os clínicos requisitam bacterioscopia de lesões secundárias de sífilis. 140 . 2006 Fonte: Robbins. Como também alguns solicitam exame sorológico em sífilis primária. principalmente de mucosas e em material ganglionar.dentes ebtalhados semi lunarmente (o destista pode fazer o diagnóstico) Resumo: Fonte: Rubin. 2005 Diagnóstico Laboratorial O diagnóstico laboratorial depende da fase da doença: Sífilis Primária Diagnóstico direto – bacterioscopia para revelar a presença do agente causador. através de provas sorológicas. Secundária Sífilis Latente Terciária Diagnóstico indireto pela pesquisa de anticorpos no sangue do paciente.

Campo escuro É o método de escolha. mais calibroso. podem dar resultados falso-negativos. habitante freqüente da genitália. para remover os contaminantes. Fontana-Tribondeau. as formas espiraladas. utilizando alça metálica. A bacterioscopia pode ser feita por diversos métodos: a. tem espiras mais abertas e menos numerosas. Em lesões bucais. d. O uso de drogas antitreponêmicas locais ou sistêmicas ou o material coletado em lesões antigas. Secar com gaze estéril. de grande sensibilidade e uma positividade ao redor de 95%. b. Deve-se ter o cuidado de não confundir com outro espiroqueta. Os treponemas medem de 6 a 10 µm de comprimento e 0. Em campo escuro aparecem apresentando grande mobilidade. Fazer pressão leve na base endurecida e coletar a serosidade que poreja da lesão.2 µm de espessura. apresentam espiras apertadas. o Treponema refringens. tubo capilar ou fazendo um “imprint” com a própria lâmina. Técnica Imediatamente após coletar a serosidade. c. 2. Imunofluorescência direta.Coleta do material para bacterioscopia 1. como o Treponema microdentium. Limpar a superfície da lesão com gaze embebida em solução salina estéril. 3. Com experiência percebem-se logo as diferenças: o Treponema refringens é mais refringente (daí o nome). cobrir com lamínula e observar. de morfologia muito semelhante ao Treponema pallidum pode ocasionar resultados falso-positivos. regulares e numerosas (de 10 a 14). Campo escuro (95% de positividade). Encontrado em lesões sifilíticas secundariamente infectadas e também em lesões genitais não luéticas. 141 . Coloração negativa.

coletar o sangue e deixar coagular. Mesmo se corasse. O antígeno não treponêmico é a cardiolipina extraída de coração bovino. pois seu calibre é de 0. Cora-se mal pelos corantes de anilina. O sorodiagnóstico é feito por dois tipos de reação: 1. Caso haja interesse em outros métodos. O soro sobrenadante é submetido a diversos exames. limite de visibilidade em MO. VDRL e outras. são feitos exames sorológicos. 142 . o método de Fontana é usado principalmente em laboratórios clínicos de pequeno porte que não dispõem de microscópios de campo escuro. 2. É muito frágil e não suportaria a fixação pelo calor usado no Gram. Observação: não se usa o Gram para evidenciar o Treponema pallidum por três motivos: 1. quando observado ao microscópio de luz ultravileta.Técnica de Fontana-Tribondeau Apesar de menos sensível e mais trabalhoso que a pesquisa direta em campo escuro. por Fixação de Complemento. É usado também em reação de Wassermann. Reações com antígenos treponêmicos. Kline e VDRL.2 µm. Imunofluorescência Direta Na imunofluorescência direta são usados anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. Observação: os clínicos costumam solicitar a pesquisa de anticorpos sifilíticos através de: Soro Lues. entre elas: TPI: Treponema pallidum Immobilization. Após a assepsia do local. devido a composição em lipídios. Reações Sorológicas A partir da fase secundária da sífilis. Há formação de reação Ag-Ac. 2. O material é o sangue do paciente. deve constar na requisição. Neste caso o laboratório clínico só fará: Kahn. 1. É usado nas reações de floculação: Kahn. O antígeno treponêmico é usado em várias reações. 2. 3. Ag (bactéria) com anticorpo correspondente e o Treponema aparece fluorescente. Kline. visando encontrar anticorpos contra o treponema. Reações com antígenos não-treponêmicos. não seria observado.

Treponema pallidum x Anticorpo Anticorpo (gamaglobulina) x Soro antiglobulina humana (conjugado com fluoresceína) 143 . O FTA-ABS consiste em dois sistemas Ag-Ac. 2005 O TPI é muito específico. O Treponema pallidum e o Treponema reiterii têm antígenos em comum e geram a formação de anticorpos comuns. Há necessidade de manter o Treponema pallidum suficientemente patogênico em inoculação em coelhos. ficam somente aqueles do Treponema pallidum. Atualmente cada vez mais usado em laboratórios clínicos é o FTA-ABS. Mas cada um deles tem antígenos próprios. uma vez que o soro suspeito é absorvido com antígenos de treponemas não patogênicos (Treponema de Reiter).FTA: Fluorescent Treponema Antibody. apresentando reação cruzada apenas com o Treponema pertenue (bouba) e Treponema carateum (pinta). FTA-ABS: Fluorescent Treponema Antibody Absorved Test Fonte: Mims. Mas não é muito utilizado em laboratórios clínicos por ser caro e de difícil execução. que devem ser mantidos no biotério em temperaturas próximas de 18oC. Absorvidos os anticorpos comuns. que é de fácil execução e de grande sensibilidade e especificidade.

A Neisseria é um diplococo Gram negativo justaposto pela face plana ou côncava em forma de grão de café ou dois rins justapostos. e apresentar infecção ocular gonocócica. A gonorréia é normalmente sintomática em homens e geralmente assintomática em mulheres. A manifestação na orofaringe aparece em indivíduos que praticam sexo oral sem preservativo. Fica alojado dentro de neutrófilos em secreção (ela consegue entrar no PMN graças à proteína Rmp). Colocar o complexo soro antigamaglobulina humana + fluoresceína. 144 . a antigamaglobulina reagirá com ele. do reto e da faringe atuam como fontes na propagação do gonococo. aparecerão os treponemas fluorescentes em caso positivo. 2.V. Soro suspeito com Ac Treponema pallidum Antigamablobulina com fluoresceína GONORRÉIA Gonorréia ou blenorragia é causada pela Neisseria gonorrhoeae. Levada ao microscópio de luz U.Técnica 1. As infecções do trato genital. Os recém nascidos podem ser contaminados durante o parto ao atravessarem o canal vaginal. Caso haja anticorpos anti-sifilíticos. anal. É de transmissão pela relação sexual. chamada oftalmia do neonato. Sobre uma lâmina preparada com Treponema pallidum fixado é colocado o soro suspeito absorvido. Observação: o treponema pallidum não se cultiva em meios bacteriológicos artificiais e nem em cultura de células. Acontece com maior freqüência nos adolescentes e adultos jovens.

Fonte: Netter. Geralmente os casos são de endocervicite. meningite e endocardite. haverá propagação da infecção em 50% dos casos masculinos. Se a gonorréia não for tratada nas 2 semanas iniciais. para glândulas anexas causando epididimite.Transmissão Não-sexual a) Oftalmia neonatal b) Vulvovaginite em crianças a) Cistite b) Pielite Gonococo mucosas Homens (uretrite) c) Proctite d) Orquite e) Epididimite Transmissão Sexual Mulheres (cervicite) a) Salpingite: podendo esterilizar b) Metrite: podendo disseminar. causando peritonite ou proctite Quadro clínico As manifestações ocorrem após 2 a 5 dias do contágio. Nas mulheres somente 10 a 20% apresentam quadro clínico agudo. Em mulheres a propagação resultará em metrite e salpingite. 2006 145 . e a mais freqüente é a prostatite. artrite. Podem ocorrer manifestações extragenitais como anorretite. podendo aparecer vulvovaginite com secreção purulenta e abundante. orquite. Nos homens aparece fluxo mucoporulento uretral abundante.

Diagnóstico laboratorial: Bacterioscopia e Cultura Coleta do material Em homens: O melhor material é a secreção uretral. 2. 2005 146 . Enxugar. Limpar a secreção externa com gaze estéril embebida em salina. intra e extracelulares. Fonte: Tortora. Introduzir o swab no canal endocervical e absorver a secreção. 2 cm no canal uretral após a fossa navicular e absorver a secreção. esperma e líquido prostático. Em mulheres: Dar preferência à secreção do canal endocervical. 3. 1. Bacterioscopia pelo Gram Tem valor diagnóstico somente em uretrites gonocócicas masculinas e nas vulvovaginites agudas. Introduzir um swab fino. Na bacterioscopia aparecerão os gonococos na forma de diplococos Gram negativos. Retirar o swab com cuidado para não contaminar com bactérias da vagina. 3. limpar com gaze estéril a secreção da vagina e do colo do útero. Observação: pode-se coletar outros materiais como: urina (1o jato miccional). 2. antes da primeira micção: 1. Após introduzir o especulo. A coleta deve ser feita pela manhã. Em todos os outros casos é necessário fazer a cultura de bactérias.

No fundo da lata colocar uma mexa de algodão embebido em água para preservar a umidade deste ambiente. 5 a 10 p/c. Liberação de Laudo Negativo: não foram encontrados diplococos Gram negativos no exame bacterioscópico. 8. ou alguns. 2. nistatina e trimetoprim. própria para a proliferação do gonococo. Cultura: positiva para Neisseria gonorrhoeae. Com alça de platina fazer estrias em sentido transversal ao Z. Colocar uma tampa para baixo em uma lata que possa ser fechada hermeticamente (lata de biscoitos). Após a incubação examinar as colônias: gonococo cresce dando colônias brilhantes. Fazer bacterioscopia pelo Gram: após a cultura aparecerão as formas de autólise: os gonococos vão aparecer em formas atípicas como cocos intumescidos com fraco contorno e palidamente coradas. 6. deixando uma atmosfera de aproximadamente 5 a 10% de CO2. 5. A vela apaga quando o O2 fica exaurido.Cultivo O cultivo é feito de preferência no meio de cultura de Thayer-Martin Modificado (TMM). abaixo de 5 p/c. No fundo da lata ou sobre a placa. 4. Pode ser utilizado o ágar chocolate também. Positivo: presença de numerosos (ou vários. Estriar o meio em forma de Z rolando o swab suavemente sobre a superfície. Cultura: não houve crescimento de Neisseria gonorrhoeae em meio de Thayer-Martin após 48h de incubação. ou raros) diplococos Gram negativos intra e/ou extracelulares. 147 . ou de 20 a 25 p/c. A seguir realizar provas bioquímicas. Técnica (recomendada pelo Ministério da Saúde/PN-DST-AIDS) e seguida pelo Lacen: 1. colistina. mucóides e acinzentadas de tamanho variável. Polimorfonucleares acima de 30 por campo. que é um ágar chocolate acrescido de antibióticos: vancomicina. Fechar a tampa e segurar. 7. O TMM é específico para cultura de gonococo. Incubar com a lata em estufa a 35oC durante 48h. 3. colocar uma vela e acendê-la.

bartolinite (uma inflamação nas glândulas de Barthollini. proctite (inflamação no ânus). protozoários e vírus. Ureaplasma urealiticum. As lesões iniciais são mais freqüentes em sulco bálano prepucial e face interna dos pequenos lábios.URETRITES NÃO GONOCÓCICAS As uretrites não gonocócicas são causadas por Chlamydia trachomatis. Primeiro forma-se uma ulceração local formada por uma pápula ulcerada no local da inoculação. têm a Clamydia também. causando edema. É a maior causa de uretrite não gonocóccica. vírus. epididimite. portanto. No ser humano a uretrite por Chlamydia é a infecção mais comum. Pode haver febre. outras bactérias. Não confundir com Dovanose (granuloma inguinal) causada pelo Calymmatobacterium granulomatis 148 . etc. Por via inguinal pode causar uretrite. salpingite (salpingite de tubas UTERINAS. “salpingus” vem de tuba) 15-20% dos pacientes que tem gonorréia. temos que coletar a célula. não só a secreção. que fazem lubrificação na vagina). Lembrando que clamídias são intracelulares obrigatórias. LGV (Linfogranuloma Venéreo) Agente etiológico: Clamydia trachomatis Ocorre mais em homens. Para cultivá-las precisamos utilizar meios de cultura que tenham células eucarióticas. ccervicite (do cérvix na mulher). A partir da circulação linfática. ela pode se disseminar para outros órgãos. Faz adenopatia inguinal unilateral. na verdade. Gardnerella vaginalis. meningoencafalite. Infecção sistêmica acometendo tecido linfático. A Clamydia se oculta. Pode fazer hepatite. Abscessos (pontos de flutuação) fistulizam e disseminam para o resto do organismo via linfática. cefaléia e mialgia. mas forma infecções em linfonodos inguinais. pneumonite. não tubas auditivas. Tanto que se acreditava que as clamídias eram. Há material purulento espesso.

Fonte: Netter. utilizando coloração de Giemsa ou usando anticorpos específicos conjugados com fluoresceína. mas as mais usadas são as células Hela e células McCoy. Estas inclusões podem ser observadas ao microscópio. sendo mais aquosa ou mucóide. imóveis. Nos homens a uretrite por clamídia apresenta quadro clínico semelhante à uretrite gonocócica.5 vezes mais freqüente do que a uretrite gonocócica. embora a secreção uretral seja mais moderada ou escassa e menos purulenta. formando inclusões características. a uretrite por Chlamydia e 2. podendo ser graves. 2005 Há 3 fases: Primária: Pápulas nos órgãos genitais Secundária: Manifestações sistêmicas Terciária: Fibrose. enquanto o do gonococo é de 2 a 7 dias. O período de incubação é de duas a três semanas. Outros dados mais recentes apresentam a Chlamydia como responsável por 50% das uretrites. sendo parasitas intracelulares obrigatórios. As clamídias são organismos cocóides. Duplicam-se no citoplasma das células do hospedeiro. Alguns pesquisadores (Belle Grayston. Devido o seu parasitismo obrigatório. 2006 Fonte: Mims. drenagem linfática inapropriada. 1986) afirmam que no sexo masculino. trompa e ovários. Só se cultivam em sistemas vivos: saco vitelino de ovos embrionados. As complicações podem aparecer em tempo variável. A mais importante no homem é quando acomete a próstata e às vezes as vesículas seminais. Nas mulheres pode infectar útero. 149 . não é possível cultivá-la em meios artificiais. levando à infertilidade. cultura de tecidos.

Uma das características marcantes da secreção de vaginose bacteriana à microscopia óptica é a presença de clue cells (células epiteliais da vagina cobertas de bactérias). para a cultura é feito o esfregaço das células e/ou aspirado de linfonodos (onde o Haemophilus pode se alojar). O pH vaginal geralmente é maior que 4. 2006 Fonte: Google Imagens VAGINOSE BACTERIANA Esta doença.5. (o cancro da sífilis NÃO é doloroso) Fonte: Netter. freqüentemente mais notado após a menstruação ou coito. muitas vezes associado ao aumento do fluido vaginal. A sintomatologia típica é queixa de mau odor. Clue-cells Fonte: Google Imagens 150 .CANCRO MOLE (CANCRÓIDE) Agente etiológico: Haemophilus ducreyi Meio de cultura: ágar chocolate em microaerofilia. também conhecida como vaginite anaeróbia. Às vezes a paciente pode se queixar de prurido vulvar ou erupção perivulvar. O principal agente etiológico envolvido é a Gardnerella vaginalis. ainda não foi claramente definida. Manifestam-se como úlceras genitais DOLOROSAS.

É considerada por alguns pesquisadores como resultado do desequilíbrio entre a microbiota vaginal normal. Os sintomas podem ser causados por hipersensibilidade ou infecção. Mais detalhes: ver páginas 189 a 192. Exame laboratorial O exame laboratorial é feito pela demonstração do agente causador por microscopia pelo Gram ou Preparação a Fresco. com a relação sinérgica entre o número aumentado de Gardnerella e anaeróbios. O microrganismo é raramente encontrado em homens. A candidíase pode ser transmitida ou exacerbada pela relação sexual. mas é essencial examinar e tratar o parceiro assintomático para reduzir a chance de reinfecção. 151 . A cultura pode ser feita no Meio de Sabouraud. Na prática médica a doença pode se manifestar com sintomas em apenas um dos parceiros. CANDIDÍASE A infecção por Candida albicans é a infecção fúngica mais comum na prática genitourinária. No primeiro caso as manifestações microbiológicas são negativas. mostra células-chave (células epiteliais cobertas por um grande número de cocobacilos Gram-variáveis) com pequeno número de leucócitos polimorfonucleares e número diminuído de lactobacilos. Patogenicidade A patogenicidade da Gardnerella vaginalis ainda não foi estabelecida. mas a maioria das infecções (particularmente em mulheres) resultam de auto-inoculação do reto.Exame laboratorial A microscopia do exsudato vaginal pelo Gram. A cultura não é muito utilizada.

como três milhões por ano. Esse ânion é quem dá a esses microrganismos a característica de Bacilos Álcool-Ácido Resistentes (BAAR).12: CAPÍTULO 12: MICOBACTERIOSES Micobactérias são assim classificadas por terem sua parede celular diferente das demais bactérias. O micolato é o principal componente da parede celular. Causa grande mortalidade no mundo inteiro. tornandos-os fracamente positivos neste método. não se coram facilmente pelo Gram. imóveis e dispostos na forma de paliçada ou de globias. etc. A tuberculose é um grave problema de 152 . uma vez que eles retêm os corantes quando tratados com álcool e ácido. Registram-se atualmente cerca de 5 milhões de casos. a qual é denominada de "cerosa" pelo Robbins. TUBERCULOSE (TB) A tuberculose é uma doença extremamente contagiosa. Sua classificação é de bacilo pela forma e micobactéria pela bioquímica da parede. Mycobacterium avium. São bacilos retos ou um pouco curvados. Principais espécies de interesse médico: Mycobacterium tuberculosis e Mycobacterium leprae Outras espécies: Mycobacterium bovis. sendo que este número tem crescido. Ou seja.

saúde pública, visto que cada tuberculoso pode disseminar o bacilo no convívio familiar e social. Apesar de se conhecer o agente causador, a maneira de transmissão e o tratamento adequado, a tuberculose é um problema preocupante. A tuberculose humana é causada também pelo Mycobacterium bovis e outras espécies (ver tabela). Espécies de micobactérias de maior significado clínico Espécie M. ulcerans M. tuberculosis M. bovis M. marinum M. kansasii M. scrofulaceum M. xenopi M. avium M. intracellulare M. fortuitum M. smegmatis Transmissão: doença inflamatória infecciosa, de caráter contagioso, que evolui por surtos, sendo o acometimento pulmonar a maior causa de morbidade e mortalidade . Contágio: aquisição de bacilos através do contato direto com os portadores da doença (perdigotos), através do uso de utensílios contaminados (fômites), também através de permanência contínua e prolongada em meio ambiente contaminado. Aerossóis respiratórios são a principal forma de disseminação, pois ela é uma bactéria aeróbia e tem tropismo por alvéolos. Desta forma, as pessoas cujo escarro possui BAARs visíveis à microscopia são consideradas portadoras da micobactéria. Fatores predisponentes: doenças ou condições debilitantes. Essas pessoas são enquadradas dentro de grupos de risco: marginalizados, tóxico-dependentes, idosos, HIV+, transplantados, portadores de IRC, câncer, etilistas, diabéticos, portadores de neoplasias, grupos socialmente desfavorecidos, desnutridos e emigrantes. Há a TB gastrointestinal (Mycobacterium bovis), a aquisição do bacilo se faz pela ingestão de leite não-pasteurizado. IV (rápidos crescedores) Geralmente não-patogênicas III (não-cromógenas) Geralmente patogênicas II (escotocromógenas) Geralmente patogênicas I (fotocromógenas) Geralmente patogênicas Grupos de Runyon Significado clínico Sempre patogênicas

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Fisiopatologia: Inalação do BAAR via aerossóis ainda não tem resistência). As micobactérias são fagocitadas pelos macrófagos alveolares.
Fonte: Fernando Bortolozzi Fonte: Netter, 2005 (Fisiologia)

alvéolo

Primeiras semanas: a infecção primária ocorre no pulmão (lembre-se de que o hospedeiro

Macrófago alveolar Dentro dos macrófagos, os BAAR têm dois destinos: 1) Serem mortos e eliminados. 2) Continuarem resistentes e fazerem lise dos macrófagos. Os macrófagos liberam quimiocinas e fazem quimiotaxia de neutrófilos e monócitos circulantes (circulo vicioso). O Mycobacterium tuberculosis possui uma cápsula de composição lipoprotéica que interfere na fusão deste microrganismo com os fagolisossomos dos macrófagos alveolares. Isso possibilita a sobrevida dos BAAR no interior destas células, se não houver o correto direcionamento da ação enzimática dos macrófagos pelas linfocinas. As quimiciocinas se ligam na α-hélice dos receptores transmembrânicos dos monócitos e neutrófilos. Isso ativa a cascata das integrinas e provocam alterações no citoesqueleto, promovendo a migração destas células para os tecidos.

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Há Reação de Hipersensibilidade tipo IV (Tardia) formam o ganuloma (um tipo de inflamação crônica).

macrófagos cercam o bacilo e A Imunologia Médica (BP333)

explicará os mecanismos imunológicos da hipersensibilidade e a Patologia Médica Molecular (BP334) mostra os mecanismos deste tipo de inflamação crônica. Tentemos entender: de um lado os macrófagos ativados estão tentando conter a infecção e do outro eles provocam dano tecidual nos órgãos infectados (liberam EROs). EROs é uma sigla que quer dizer espécies reativas de oxigênio. São radicais livres. Geralmente são produzidos dentro de fagócitos como neutrófilos e macrófagos. Essas células os produzem no intuito de dar cabo das bactérias patogênicas. Nos pulmões, esse processo leva a cavitações e a disseminação de bactérias. Posteriormente há fibrose extensa e isso pode ser demonstrado em radiografias do tórax. (Aspecto radiográfico típico da tuberculose, o pulmão "em cavernas" na radiografia que será visto nas aulas de propedêutica). O Mycobacterium tuberculosis promove a formação de um granuloma "imunológico" (o termo imunológico é utilizado pela presença de linfócitos na lesão). Células gigantes e células epitelióides são os tipos celulares mais comuns encontrados nesses granulomas. As mononucleadas, porém aumentadas são as epitelióides. Elas são derivadas de macrófagos ativados pelas citocinas. Estas células secretam continuamente TNF, fazendo com que o processo inflamatório continue. As células polinucleadas são as células gigantes do tipo Langerhans (originadas pela fusão de vários macrófagos). Célula gigante típica de granulomas

Fonte: Junqueira, 2004 (Histologia Básica)

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O Granuloma

Granuloma é um tipo de inflamação crônica, que tenta conter a propagação de algo que o organismo não conseguiu dar cabo. Também é o padrão da resposta de hiperssensibilidade tipo IV. Esse tipo de resposta imune será abordado nas aulas de Imunologia Médica (BP333), bem como haverá um seminário específico para a imunopatogênese desta doença. A Histologia de um Granuloma Tuberculoso Uma área central de necrose caseosa (núcleo semi-sólido macio), circundada por uma outra área cheia de macrófagos, células epitelióides e células gigantes. Adjacente a essa coroa existe uma bainha de linfócitos T e mais externamente uma deposição fibrosa, com fibroblastos e formação de colágeno tipo I (está começando a ser formada a tríplice hélice do pró-colágeno. Uma vez empacotado pelo complexo de Golgi, esse colágeno fica mais denso e delimita os granulomas). Se a pessoa infectada for incapaz de produzir uma resposta imunológica adequada, o granuloma é bem menos organizado e pode consistir apenas em um agregado de macrófagos, sem arquitetura clássica das células gigantes. Ou seja, a anatomia patológica pode sugerir por si só um quadro de imunocomprometimento (suspeitar de HIV e correlacionar sempre com a história clínica do paciente).

Histologia do granuloma

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E isso explica o porquê da imunidade na tuberculose é do tipo celular. também não terá mais oxigênio nem suprimento para as células. Quando uma célula não tem mais suprimento de O2. alimento. substratos. quando a célula atinge o ponto de não-retorno. Necrose é a morte celular forçada.Necrose caseosa: a área central necrosada adquire um aspecto de queijo branco (do latim caseum). Granulomas à microscopia óptica (isso será visto com detalhes na Anatomia Patológica) Fonte: Bogliolo. A própria formação do granuloma explica que a imunidade é celular. por exemplo. Isso ocorre nas isquemias prolongas. Como não tem sangue. eletrólitos. 2006 Complexo de Ghon Complexo de Ghon é um nome que damos a um quadro na TB. 157 . Isquemia é o bloqueio na condução do sangue para uma certa região do corpo. etc. 2006 Fonte: Rubin.

A tuberculose pulmonar primária progressiva é uma evolução alternativa menos comum. 158 .As células T sensibilizadas liberam linfocinas (linfocina é uma citocina que recebe esse nome porque veio do linfócito). o colabamento do lobo médio ("síndrome do lobo médio") é uma conseqüência comum dessa compressão. Os linfonodos hilares e mediastínicos acometidos também aumentam. na qual a resposta imunológica não consegue controlar a multiplicação dos BAAR da tuberculose. mas é comum nas crianças com menos de 5 anos de idade e em pacientes com imunidade suprimida ou prejudicada. uma vez que o organismo não consegue dar conta de matar o BAAR. às vezes comprimindo os brônquios a ponto de produzir atelectasias do pulmão distal. Resumo: Complexo de Ghon = granulomas no pulmão + linfonodos hilares e mediastínicos comprometidos. Na verdade o próprio granuloma explica isso. A infecção toma esse curso em menos de 10% dos adultos normais. O foco de Ghon no pulmão aumenta e pode mesmo erodir dentro da árvore brônquica. Complexo de Ghon Formas clínicas: Tuberculose Primária: Complexo de Ghon Tuberculose Primária progressiva: Uma pequena porção de microrganismos fica viável por anos.

O termo miliar é usado porque tem aparência amarela (como milho). Os segmentos apical e posterior dos lobos superiores são mais comumente acometidos. baço e medula óssea são locais comuns de lesões miliares. linfonodos. os linfonodos infectados erodem em uma via respiratória. Desenvolve-se uma lesão mal definida. suprarenais. fibrótica e difusa. que compreende núcleos necróticos moles. uma zona média de tecido de granulação e uma borda colagenosa. e a liberação do material infeccioso para as vias aéreas serve para disseminar a infecção no pulmão. fígado. mas muitas vezes de TB pulmonar primária ou de outros locais. Resulta da disseminação hematogênica dos BAAR. cinza. É a reativação da região de granulomas.Em alguns casos. A lesão progressiva pode atingir as meninges e provocar meningite tuberculosa. 159 . A parede da cavidade é feita de uma membrana interna delgada. em geral de TB pulmonar secundária. A cavidade tuberculosa em geral comunica-se livremente com um brônquio. rins. Ocorre uma resposta imune celular após um intervalo latente e essa resposta provoca a formação de muitos granulomas e necrose tissular extensa. É a TB cavitária. Pulmões. A luz é preenchida de material caseoso contendo BAAR. disseminando microrganismo pelos pulmões (pneumonia tuberculosa). Tuberculose Secundária: Esse estágio é quando há reativação da TB pulmonar primária ou uma nova infecção em hospedeiro previamente sensibilizado por TB primária. pequenas e múltiplas em vários órgãos. que exibe áreas focais de necrose caseosa. Disseminação bronquial Tuberculose Miliar: A infecção localiza-se em disseminadas regiões produzindo lesões nodulares amarelas (granulomas tuberculosos).

Disseminação hematogênica e TB miliar Fonte: Rubin. 2006 160 .

Sopro anafórico .Sibilos e Roncos . Pulmonar: 1 – Escarro.Diminui murmúrio vesicular .Broncofonia (pelo derrame pleural) .Revisando: Fonte: Robbins. 161 . 2 – Conteúdo gástrico.Hepatoesplenomegalia Diagnóstico Laboratorial Material: de acordo com a localização. 2005 Exame Físico da TB Pulmonar .

derrame articular. líquido pleural (colheita asséptica. 3. Líquido cefalorraquiano. derrame peritoneal. Sorológico: hemaglutinação. urina. Inoculação: cobaia. 4 – Lavado brônquico. Depositar a parte do escarro de preferência mais purulenta ou sanguinolenta e distribuir uniformemente. 162 .3 – Lavado gástrico. Diagnóstico Laboratorial Direto (bacterioscopia) 1. Técnica 1. Bacterioscopia: Ziehl-Neelsen. A localização mais freqüente é a tuberculose pulmonar. Quando este resultar negativo. Coleta do material 1. 2. coelho. Levar ao laboratório. No laboratório o escarro será submetido a uma bacterioscopia pelo método de Ziehl-Neelsen. 2. O material a coletar é o escarro. frasco estéril). Urina. Alérgico: intradermorreação com PPD pela técnica de Mantoux ou outras. Indireto 1. Cultura: Löewenstein-Jensen (30 dias). Óssea / ganglionar: Punção. 2. antes e após homogeneização. Orientar o paciente que recolha material da expectoração e não a saliva. fixação do complemento. podem-se usar outros materiais conforme citado. Não precisa descontaminar: líquor. Renal: Meningite: Observação: Descontaminar: escarro. pus de abscessos fistulizados. Recolher o escarro em frasco limpo.

referência internacional em tuberculose). devem ser examinadas exaustivamente. As lâminas. em caso de não aparecer os BAAR. Considerado como exame básico obrigatório em todos os laboratórios de análises clínicas.2. Fixar na chama. 3. temos os resultados da seguinte maneira: 163 . Segundo a OMS. 4. aparecerão os BAAR em vermelho em maior ou menor quantidade. isolados ou dispostos em grupos irregulares ou paliçada. BACILOSCOPIA DO ESCARRO A colocaração de rotina é o Zeihl Neelsen. Paliçada é uma disposição como se fosse um muro. Fonte: Robbins. Secar. Em caso positivo. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. 2005 Paliçadas do Mycobacterium tuberculosis observadas ao MO em escarro de paciente. que fazem rotina bacteriológica para diagnóstico e controle de tratamento. mais de uma. À microscopia ópica. apresentam-se como bacilos retos ou ligeiramente curvados. examinar no mínimo 400 campos microscópicos em cada lâmina (segundo a recomendação do Instituto Pasteur. Resultado Quantitativo No escarro é necessário usar a contagem de maneira sistemática anotando-se o número de campos examinados e a quantidade de bactérias.

Cultivo O cultivo é feito em meios especiais como o de Löewenstein-Jensen enriquecido com lipídeos. Persistindo suspeita clínica. em 50 campos examinados. De 1 a 10 BAAR por campo. uns mais agressivos. solicitar novas amostras de escarro. Do sedimento faz-se nova bacterioscopia pelo Ziehl-Neelsen. Meio de cultura: Lowenstein-Jensen Fonte: Profª Alessandra Daur 164 . Ao mesmo tempo serve para descontaminar o escarro. como: tratar com KOH ou ácidos diluídos ou trifosfato de sódio. O bacilo da tuberculose é de crescimento lento. em 20 campos examinados. rico em microbiota contaminante.+ ++ +++ Nenhum BAAR em 100 campos examinados. Com o resultado quantitativo. o tempo de geração é de mais ou menos 20h. mudar o esquema da terapêutica. em caso negativo. Quando o resultado direto do escarro der negativo. Menos de 1 BAAR por campo. pode se recorrer à chamada homogeneização. outros menos. Centrifugado em seguida. em 100 campos examinados. concentra as bactérias antes presas na viscosidade do muco. Fechar o tubo com parafina para evitar a ressecação do meio que vai ficar incubado a 37oC de 30 a 60 dias. O clínico pode requisitar o antibiograma caso haja resistência do bacilo aos medicamentos prescritos. utilizar o restante do sedimento para cultura. Existem diversos materiais usados para esta finalidade. o clínico pode avaliar o resultado do tratamento adequado ou em caso que os bacilos não estejam diminuindo. Estes produtos vão fluidificar o escarro dissolvendo a mucosidade. Mais de 10 BAAR por campo.

4) Teste PPD cutâneo Para identificar M. Será que o indivíduo já não foi vacinado com a BCG? O PPD mais serve para ver como está a imunidade do paciente frente ao bacilo do que como um método de diagnóstico propriamente dito. 2005 165 . É feito uma inoculação do Mycobacterium bovis atenuado na pele. Isso será discutido na disciplina clínica de Pneumologia.O meio Bactec consegue promover crescimento do bacilo da tuberculose dentro de 15 dias e pode ser uma revolução no cultivo desta espécie para diagnóstico. É bom lembrar que ele só dará positivo num período de 4 (às vezes até 6) semanas semanas após a infecção do bacilo. tuberculosis quando a bacterioscopia deu negativa. reação cutânea em TB Tratamento da Tuberculose: terapia RIP Rifampicina Isoniazida Pirazinamida Fonte: Robbins. TA (tuberculina antiga) CORRELAÇÕES CLÍNICAS: DIFERENCIAR HIPERSENSIBILIDADE TUBERCULÍNICA DE HIPERSENSIBILIDADE GRANULOMATOSA (BP333). e aguarda-se 48-72h para ver se tem endurecimento local e eritema.

. Contato direto e inoculação de aerossóis. as tentativas resultaram infrutíferas. Em patogenicidade experimental em homens. Transmissão: aglomerações excessivas e falta de higiene. tronco e extremidades. O bacilo causador. As características clínicas da hanseníase dependem de resposta celular. A exposição prolongada a uma fonte infectada é necessária para ocorrer transmissão. Espessamento palpável dos nervos periféricos (o BAAR se multiplica nas bainhas dos nervos periféricos) O indivíduo tem resposta alérgica exagerada 166 . não é cultivável em meios bacteriológicos ou culturas celulares. tatus e primatas. Outros mamíferos têm o BAAR. Hanseníase tuberculóide (TT): lesões eritematosas com áreas anestesiadas na face. Em animais de laboratório. há descrições de multiplicação do bacilo de Hansen em camundongos. ainda assim pouco se sabe sobre o período de incubação e maneira de transmissão. Acredita-se que para contrair a doença tenha que se ter uma predisposição genética. Mycobacterium leprae. Mas há dois tipos de manisfestações clínicas. bem como os macrófagos não ativados da pele chamam-se células de Langerhans. Estudada exaustivamente durante muito tempo. os do tecido conjuntivo normal chamam-se histiócitos. o Mycobacterium leprae. Ele é um agente monoxeno. O Mycobacterium leprae cresce dentro de outras células Especialmente histiócitos (histiócitos são aqueles macrófagos não ativados que residem no tecido conjuntivo e ficam esperando algo para algum dia fagocitar. os do SNC de micróglia. Há dois tipos de Hanseníase. são detectáveis clinicamente. Na verdade o agente etiológico é sempre o mesmo. e sim.HANSENÍASE (Mal de Hansen) É uma doença crônica conhecida desde a mais remota antiguidade. os do fígado de células de Kupffer. mas não o manifestam.

espessamento e dilatação das narinas. Fonte: Mims. por isso. Há destruição do septo nasal e a parede nasal fica rica em bactérias.e tem maior predisposição a outras infecções bacterianas. leva a traumatismos repetitivos em mãos e pés. Há formação de granulomas na derme. pela conseqüente falta de sensibilidade. o que. 2005 Hanseníase lepromatosa (LL): Tem envolvimente extenso da pele. com conseqüente infecção bacteriana secundária. os BAAR tornam-se extracelulares e agrupam-se em globias. resultando na aparência típica leonina. chama-se MADAROSE). orelhas e bochechas. Há intensa resposta da imunidade celular. Nessa fase. a resposta imune celular é fraca. nervos periféricos. SECREÇÕES (PRINCIPALMENTE NASAIS) DE PACIECTES COM HANSENÍASE LEPROMATOSA SÃO INFECTANTES (HÁ GLOBIAS). Fonte: Profª Alessandra Daur Fonte: Anatomia Patológica do HC 167 . pode haver destruição intensa das estruturas faciais. tuberculóide. No exame. Com o tempo. Há perda parcial das sobrancelhas (um sinal clínico importantíssimo e PATOGNOMÔNICO da hanseníase.

A linfa será coletada dos quatro locais uma ao lado da outra sobre a mesma lâmina. 1. Fixar na chama. O crescimento é lento. Fazer isquemia com auxílio de pinça ou dedos para evitar o fluxo de sangue. Cresce em temperaturas menores do que 37° por isso sua preferência por habitar a C. pele e a linfa (tecidos periféricos que têm temperaturas mais baixas). Identificar os esfregaços e a lâmina. pode levar até anos para que ocorram as manifestações clínicas. Leitura: os bacilos aparecerão em vermelho. fazer cortes na pele. 5. por Ziehl-Neelsen em material coletado das lesões ou da serosidade da pele. Fazer assepsia do local com álcool iodado. b) 2 cotovelos. 168 .Diagnóstico Laboratorial Mycobacterium leprae não cresce em nenhum meio de cultura. Com o bisturi. que são características do Mycobacterium leprae. isolados e formando grupamentos chamados globias. 3. Corar pelo método de Ziehl-Neelsen. Secar os esfregaços ao ar. LD LE CD CE 6. de aproximadamente de 5 mm de comprimento e 2 mm de profundidade e recolher a serosidade (linfa) sobre uma lâmina nova. O diagnóstico laboratorial é feito praticamente pela bacterioscopia. 4. eventualmente poderão ser usadas provas sorológicas. 2. Técnica de Wade (para coleta de linfa cutânea) Local da coleta: a) 2 lóbulos da orelha.

2005 Histologia dos Tipos Clínicos de Hanseníase Fonte: Rubin. 2006 169 . Fonte: Profª Alessandra Daur Fernando Bortolozzi Fonte: Tortora.À microscopia são vistos BAAR em forma de globias.

estes sorovares se agrupam em aproximadamente 27 sorogrupos (24 sorogrupos patogênicos e 3 sorogrupos saprófitas). A espécie patogênica era a Leptospira interrogans e a saprófita. há uma classificação mais detalhada). esse gênero possuía apenas duas espécies: a L. Sorogrupos relacionam a relação antigênica entre os sorovares. A Biologia Molecular classifica o gênero Leptospira em 16 a 18 espécies genômicas (não só as duas espécies clássicas da imunologia). Classicamente. distinguidas fenotipicamente. seis com sorovares saprofitas e duas com sorovares patogênicos e saprófitas. dez são constituídas por sorovares patogênicos. a Leptospira biflexa. em meio ao mundo contemporâneo das técnicas de Biologia Molecular.CAPÍTULO 13: LEPTOSPIROSE AGENTES ETIOLÓGICOS O gênero Leptospira. biflexa. No entanto alguns conceitos estão mudando. já foi classificado em 18 genomoespécies (só distinguidas por PCR). Destas 18 genomoespécies. Fonte: Google Imagens 170 . interrogans e a L. E estas cepas podem ser classificadas por biologia molecular (genótipo) e por sorologia (fenótipo). Sorologicamente. As duas espécies juntas apresentam aproximadamente 260 sorovares (cepas – aglutinação com soro anti-sorovares conhecidos).

que se originam em cada extremidade da bactéria (isto permite que ela escave tecidos do hospedeito).Classificação Molecular: 18 espécies genômicas 10 com sorovares patogênicos 06 com sorovares saprófitas 02 com patogênicos e saprófitas Classificação Sorológica: 24 sorogrupos patogênicos 03 sorogrupos saprófitas (+ de 260 sorovares) No entanto. muito espiraladas. 171 . Eles não se coram adequadamente pelos corantes de rotina e necessitam de microscopia de campo escuro. por isso seu nome. para sua visualização ao MO. As extremidades da Leptospira interrogans curvam-se no formato de um "ponto de interrogação". os microbiologistas ainda denominam a Leptospira interrogans como agente etiológico da leptospirose. de uma maneira geral. uma vez que as técnicas de PCR ainda são relativamente novas. Os microrganismos do gênero Leptospira são espiroquetas finas e móveis. com 5-20 µm de comprimento. ou impregnação pela prata (Fontana Trebondeau). Apresentam um movimento rotacional ativo e possuem dois flagelos internos (periplasmáticos). São aeróbios obrigatórios e necessitam de ácidos graxos de cadeia longa para sua nutrição.

Os meios de cultura utilizados são os meios de Fletcher. O microrganismo acomete cerca de 160 espécies de mamíferos. 172 . É também uma doença infecciosa emergente que ocorre em surtos. EPIDEMIOLOGIA A leptospirose é uma (antropo)zoonose importante. As espiroquetas morrem com exposição ao ressecamento. no entanto. estes mamíferos desenvolvem infecção renal crônica assintomática (e não tem grande número de bactérias na urina). ela está entre as doenças comuns e disseminadas mais mal diagnosticadas que existem. de distribuição mundial.Estas bactérias necessitam de condições e meios especiais (meio Fletcher) para que haja crescimento. a Leptospira sobrevive por anos nos túbulos contorcidos proximais destes animais. Outros animais silvestres. podendo ser necessárias várias semanas para que a cultura se torne positiva (o período de multiplicação é de aproximadamente 12 horas). pecuários e domésticos também fazem parte dessa lista. ao calor ou a detergentes e desinfetantes. em particular os ratos. No entanto. mas permanecem viáveis por várias semanas na água alcalina e no solo úmido. Os roedores. são os reservatórios naturais mais importantes. A notificação ao Ministério da Saúde é compulsória. A relação é harmônica do tipo mutualismo.

Em muitos países em desenvolvimento. Certos grupos ocupacionais correm risco particularmente elevado. Em 2006 no Brasil houve 4308 casos reportados (272 no Paraná). No globo. trabalhadores com água de esgoto. trabalha ou brinca em água contaminada. dos quais 401 foram a óbito (taxa de mortalidade de 0. próximo ao Equador. Os humanos são infectados pela ingestão ou exposição à água ou alimentos contaminados. No entanto. uma vez que a contaminação está ligada ao trabalho do paciente. mineradores. o homem é um hospedeiro acidental. Exemplos são os sorovares icterohaemorrhagiae/copenhageni de ratos. O clima e as precárias condições de higiene favorecem a sobrevida do patógeno. encontrado em todos os estados do Brasil. TRANSMISSÃO É importante lembrar que cada sorovar tem ser mamífero hospedeiro próprio. empregados de abatedouros e trabalhadores da indústria pesqueira. auxiliadas por sua motilidade. ou seja. Esses indivíduos podem adquirir leptospirose por exposição direta ou contato com água e solo contaminados. 87% do total de casos). fazendeiros. etc. inclusive. penetram através de abrasões da pele ou mucosas íntegras.A Leptospira é um ser euribionte. a bactéria sobrevive por meses em água doce. nesses grupos estão incluídos veterinários. a região em que mais ocorre leptospirose é entre os trópicos. ser considerada uma doença ocupacional. a leptospirose ainda representa um problema 173 . agricultores. As bactérias. grippotyphosa de ratazanas. apresentam risco elevado de contaminação (isso também explica o porquê da maior prevalência do sexo masculino. As epidemias de leptospirose podem resultar da exposição prolongada a águas de enchentes contaminadas pela urina de animais. ela pode. ou após a exposição a um ambiente contaminado. América Central.093). mas a transmissão interpessoal é rara. A contaminação pode suceder o contato direto com urina. A Leptospira é excretada na urina humana. grande número de bueiros e outros habitats de roedores. Portanto. sangue ou tecidos de um animal infectado. Ou seja. canicola de cães. de modo que a infecção pode ser adquirida quando o indivíduo nada.. etc. sendo esta um importante veículo de transmissão. principalmente em grandes centros urbanos onde há esgoto a céu aberto. pomona de porcos. assim como na Ásia. no restante da América do Sul e nos EUA. hardjo de bovinos.

onde a população de ratos está se expandindo.subestimado. A leptospirose também foi reconhecida em cidades do interior semi-abandonadas. principalmente quando o destino são os países tropicais. A leptospirose também pode ser enquadrada entre as "doenças do viajante". uma vez que essa bactéria possui dois flagelos periplasmáticos em suas extremindades. A multiplicação ocorre no sangue e nos tecidos e a bactéria pode ser isolada no sangue e no LCR nos primeiros 4-10 dias da doença. FATORES DE PATOGENICIDADE A Leptospira penetra em pele com abrasões e nas membranas mucosas integras (principalmente conjuntiva e revestimentos da orofaringe e nasofaringe). etc. que facilitam a sua introdução no hospedeiro (movimento "saca-rolha"). pessoas que praticam natação em rios. pois está associada com higiene. esqui aquático. A maioria dos casos ocorre durante o verão e outono nos países ocidentais e durante a estação chuvosa nos trópicos. a leptospirose é uma patologia intimamente associada a condições sócio-econômicas. Dados confiáveis da morbidade e da mortalidade da leptospirose começaram gradualmente a aparecer. 174 . uma enzima que destrói as moléculas de ácido hialurônico e outras glicosaminoglicanas da matriz intersticial do tecido conjuntivo da derme e de submucosas. canoagem. de imensa importância em saúde pública. facilitando a introdução do patógeno. Ela então se dissemina através da corrente sangüínea (leptospiremia) e disseminação para todos os órgãos. Além disso. Enzimas lipolíticas também fazem parte do arsenal de patogenicidade da Leptospira. maus hábitos de vida. windsurf. Em resumo. destruindo ácidos graxos insaturados da epiderme. esse microrganismo secreta hialuronidade. etc. Microgotículas de água que contenham a bactéria podem ser ingeridas ou a bactéria entrar por escoriações da pele. Além disso.

quimiotaxia e patogenicidade. A bactéria pode penetrar por pele. As cepas saprófitas permanecem com os antígenos ligados à parede celular bacteriana. por exemplo. As lesões causadas pela Leptospira são causadas em virtude de seus efeitos diretos. o que facilita a mobilidade e produz várias enzimas citotóxicas.FISIOPATOLOGIA O mecanismo ainda não está totalmente elucidado. mas principalmente da resposta imune do hospedeiro. produzindo poros nas membranas celulares. A proteína de membrana OmpL1 e a esfingomielinase H são citotóxicas. causa hemólise. Cepas virulentas exibem quimiotaxia. Isso pode explicar porque algumas cepas não são patogênicas. como motilidade. faringe e esôfago durante a ingestão de água. a proteína LigA (immunoglobulin-like) e as proteínas fibronectiba-ligantes auxiliam a invasão dos tecidos 175 . etc. mucosas. penetração em boca. É importante salientar que quem causa o efeito patológico são os anticorpos e a reação inflamatória. Glicoproteínas. A lipoproteína LipL32. aumenta a expressão de quimiocinas e do fator NFkB. e não o microrganismo em si. O sorovar patogênico libera o antígeno de membrana na circulação desencadeando a reação inflamatória.

calafrios. A resposta humoral é. A miagia afeta principalmente as panturrilhas. A vasculite é responsável pelas manifestações mais importantes da doença. SINTOMATOLOGIA É importante procurar obter uma história de exposição a materiais contaminados. náuseas. exantema. Pode ocorrer 176 . dor torácica e hemoptise. Nos casos de quem apresenta sintomatologia. às vezes grave e fatal em alguns casos (menos que 1%). Além de ser responsável pela imunidade. Por esses achados. O período de incubação varia de 2 a 20 dias. coincide com o surgimento dos anticorpos na circulação sangüínea. o dorso e o abdome. Em alguns casos pode haver irritação da garganta. ou dos neutrófilos com o endotélio.pela bactéria. grandes bacteremias podem ocorrem mesmo quando haja um grande título de anticorpos circulantes. comprometimento pulmonar com tosse. uma grande vilã nesse quadro patológico. O papel da resposta imune do hospedeiro durante a infecção ainda é obscuro. sem dúvidas. A maioria dos pacientes se torna assintomática em aproximadamente uma semana. A reação imunológica acaba por ocasionar uma reação de hipersensibilidade tipo III. e os casos mais leves nem sempre incluem a segunda fase. mas que não adoeceram. a imune. vômitos e mialgia. O início da segunda fase. essa resposta está envolvida na formação da uveíte e talvez das lesões pulmonares. A sintomatologia não está relacionada ao sorogrupo que o paciente esteja portando. Nessa fase. o fígado e os pulmões. A distinção entre a primeira e a segunda fase nem sempre é clara. classificamos a leptospirose como uma doença bifásica. No entanto. Esses complexos são responsáveis pela lesão endotelial e consequentemente pela hemorragia. Tipicamente. esta pode se apresentar de maneira leve (mais de 90% dos casos). com febre. a leptospirose pode se apresentar semelhantemente a uma gripe. gerando complexos imunes. Na fase anictérica. Obtêm-se avidências sorológicas de infecção inaparente pregressa em 15-40% dos indivíduos expostos. O achado clínico mais comum nessa fase é a febre junto à sufusão conjuntival. Ou seja. as mialgias e a febre têm intensidade menor. sendo a mais comum entre o 7º e o 14º dia pós-exposição. Os órgãos alvos preferenciais da leptospirose são os rins. cefaléia intensa. por facilitarem sua adesão com a pele e mucosas. a fase leptospirêmica aguda é seguida de uma fase leptospirúrica imune. são assintomáticos.

Na forma leve. Irite. A pele fica com uma tonalidade laranja e nesse estágio geralmente ocorre necrose hepática com hepatomegalia perceptível à palpação profunda do hipocôndrio esquerdo. TRATAMENTO A terapia antimicrobiana é indicada para as formas mais graves da doença. sendo caracterizada por icterícia. 177 . uma vez que a Leptospira interrogans não tem potencial para produção desta enzima. púrpuras e equimoses. podem ser perceptíveis já na terceira semana da doença. diátese hemorrágica e taxa de letalidade de 5 a 15%. Durante a leptospirose grave. Com freqüência ocorre comprometimento pulmonar. petéquias. pancreatite necrosante e falência de múltiplos órgãos. inclusive. o qual desaparece após duas semanas. No rim. os antibióticos de escolha são a doxicilina e a ampicilina. Observam-se manifestações hemorrágicas na síndrome de Weil: epistaxe. O início da doença é semelhante ao da leptospirose de grau leve. após 4 a 9 dias. muitos exibem pleocitose no LCR. a hipovolemia e a diminuição da perfusão renal contribuem para o desenvolvimento de necrose tubular aguda. Na forma leve a terapêutica ainda é discutida. pericardite. ser iniciado após os primeiros quatro dias da doença. A Síndrome de Weil é a forma mais grave da leptospirose. síndrome da agústia respiratória do adulto. Em alguns casos. principalmente em crianças. miocardite.meningite asséptica nessa fase. a icterícia surge junto à vasculite a disfunção renal. Às vezes a diálise se faz necessária. com oligúria ou anúria. disfunção renal. descreveram-se rabdomiólise. Ainda há uma boa resposta dos indivíduos tratados com beta lactâmicos. choque cardiogênico. usa-se amoxicilina via oral ou penicilina G intramuscular. Nos casos de leptospirose moderada a grave. insuficiência cardíaca congestiva. no entanto. Não é necessário introduzir antibiótico associado aos bloqueadores de beta lactamases. iridociclite e coriorretinite são complicações tardias que podem ocorrer e persistir por vários anos. com achados clínicos já relatados anteriormente. Embora não mais que 15% dos pacientes exibam sinais e sintomas de meningite. O tratamento pode. hemólise (pela lipoproteína LipL32).

plumoso. Podem ser aeróbios e anaeróbios. São os liquens (cianobactéria + fungo) e micorrizas (fungo + raiz de fanerógama). levedos. TIPOS BÁSICOS DE FUNGOS 1. algodão em inglês). Exemplos: Mofos. bolores. leveduras. Parasitas: obtém alimentos de organismos vivos. Ex: Candida albicans. Mutualistas: sem grande importância médica.Macroscopicamente aspecto pulvurulento. BOLORES . ASPECTO SECO Exemplos: Penicillium sp. etc. cotonoso (de “cotton”. Aspergillus sp. Vivem sobre a matéria orgânica. fermentos. Predadores: capturam pequenos animais. MODOS DE VIDA Sapróbios: obtem seus alimentos decompondo organismos mortos. cogumentos. 178 .14: CAPÍTULO 14: OS FUNGOS E AS MICOSES CARACTERÍSTICAS GERAIS São seres eucariontes.. por meio de enzimas no substrado. Seres UBIQUITÁRIOS: vivem em qualquer lugar que tenha matéria orgânica em decomposição (ex: tecidos necrosados). Trycophyton sp. uni ou pluricelulares (99% são pluri) SEM CLOROFILA e HETERÓTROFOS FUNGOS NÃO FORMAM TECIDOS VERDADEIROS (no máximo formam hifas) Aproximam-se muito mais do Reino Animmalia do que do Reino Plantae: • • Armazenam GLICOGÊNIO Parede celular de QUITINA A digestão pode ser extracorpórea.

2005 3. DIMÓRFICOS – podem ser bolores e leveduras. 2001 Fonte: Mims. Fonte: Koneman. pastoso. depende da condição do ambiente (umidade. tem parede dupla ao MO. Ex: Histoplasma capsulatum. gelatinoso. Aspecto macroscópico cremoso. 2001 2. Candida albicans. ASPECTO ÚMIDO Exemplos: Cryptococcus neoformans. oval. temperatura). Causam doenças endêmicas e são potentes patógenos em indivíduos imunocomprometidos (principalmente doenças pulmonares).Fonte: Koneman. Paracocciodioides brasiliensis Histoplasma capsulatum Fonte: Google Imagens 179 . LEVEDURAS – Formato esférico.

As hifas são pequenos filamentos secos que correspondem ao corpo do fungo. não por tecidos. Micélio é o coletivo de hifas. Fonte: Material didático do Grupo Positivo 180 . encontramos um corpo formado por HIFAS (filamentos multinucleados). 2005 HIFAS: Nos bolores.Fonte: Mims. denominado MICÉLIO.

como nas formas unicelulares (Candida albicans e Paracocciodioides brasiliensis quando se apresenta como levedura) ou por fragmentação do micélio nas pluricelulares (Aspergillus sp. Fonte: Grupo Positivo CONÍDIO = reprodução por brotamento ESPORO = reprodução sexuada 181 . O reprodutivo chama-se de corpo de frutificação e geralmente são os que ficam pra fora da pele nas lesões cutâneas. A reprodução sexuada envolve a união de hifas gaméticas com a formação do zigoto. Fonte: Grupo Positivo REPRODUÇÃO DOS FUNGOS A reprodução pode ser assexuada.Há dois tipos de micélio: o vegetativo (hifas que adentram nos tecidos ou substrato em busca de alimento) e o reprodutivo. Podem ser móveis (zoósporos) ou imóveis (aplanósporos) que são transportados pelo vento (fungos do ar). em que as hifas têm a função de propagação e dão origem aos esporos. por brotamento. As estruturas que produzem os esporos são denominadas esporângios. O principal meio de reprodução é a formação de ESPOROS.).

) b) Oomicetos: Engloba fungos unicelulares até micélios filamentosos. que causa ferrugem ou requeima no tubérculo de batata). Deslizam sobre o solo e englobam partículas orgânicas. Pode ser formado por células uninucleadas ou se assemelhar a um plasmódio (polinucleado).).. Podem ser formar em garrafas plásticas de água mineral quando o recipiente for reutilizado diversas vezes. Reproduzem-se assexuadamente por zoósporos flagelados e sexuadamente por gametas distintos. apenas uma membrana flexível. além de bactérias e outros fungos. Claviceps purpurea (Esporão do centeio. Ex: levêdos. Penicillium sp. Não possui parede celular. a reprodução pode ocorrer por brotamento. Nos unicelulares. denominados ascos. Alguns são parasitas de vegetais (Phytophthora infestans. de onde vem a ergotamina).. Os ascomicetos também são os fungos que se cultivam no interior dos 182 . Próximo ao gargalo e à tampa podem se formar colônias pretas de oomicetos. Saccaromyces cervisiae (fermento da cerveja. Fonte: Corel Shock Photos 2) Eumicetos: "fungos verdadeiros". Divididos em grupos: a) Zigomicetos ou ficomicetos: Fungos primitivos constituídos por hifas não septadas. Seus esporos chamam-se ascósporos e são produzidos por esporângios em forma de um pequeno saco. Aspergillus sp. do vinho e do pão).CLASSIFICAÇÃO DOS FUNGOS 1) Mixomicetos: Fungos gelatinosos que habitam ambiente úmido e sombrio. Ex: bolor preto do pão (Mucor sp. c) Ascomicetos: constituídos por hifas septadas. Podem se alimentar de matéria orgânica em decomposição (Saprolegnia sp. no entanto algumas espécies podem parasitar plantas e animais. Em certas fases da vida se assemelham aos protozoários (emitem pseudópodos). Reproduzem-se por alternância de gerações Geralmente são decompositores.

Penicillium sp. que em muitos casos pode desencadear asma alérgica por reação de hiperssensibilidade tipo I (anafilática). Amanita muscarina. solos úmidos. Podem ser encontrados em tronco de árvores. Trycophyton sp. Ex: maioria das micoses. Os chamados fungos "imperfeitos". (que causa as frieiras). São pluricelulares e constituídos por hifas septadas. 183 . Fotos na seção de micoses. principalmente no vestuário de inverno. Alguns são parasitas de vegetais. não apresentam fase sexuada no ciclo reprodutivo. causando o odor forte típico. Exemplos: cogumelos e orelhas de pau. cobrindo uma área de 1. A maioria é patogênica ao ser humano. Cryptococcus neoformans. d) Basidiomicetos: São os fungos mais conhecidos (cogumelos) e os mais evoluídos. Fonte: Google Imagens e) Deuteromicetos: os fungos de maior importância MÉDICA.guarda-roupas. Agaricus campestris (champignon). Formam esporos (basidiósporos) que se fixam externamente em estruturas chamadas basídios. Fonte: Fernando Bortolozzi Aspergillus sp.5 x 105 m2. plantas e em matéria orgânica. O maior organismo do planeta é um fungo! Pertence ao gênero Armillariella e é encontrado nos EUA. Candida albicans. O corpo de frutificação chama-se basidiocarpo (chapéu).

O Claviceps purpurea infecta plantações de cereais e pode ser responsável por casos ocasionais de envenenamento em seres humanos que consumiram aquele cereal. Neste caso. Doenças de Hipersensibilidade: Respostas alérgicas que certas pessoas têm quando vestem um casaco que estava há muito tempo guardado no armário (ascomicetos). Alcalóides são uma classe de medicamentos. que é utilizada para evitar hemorragia pós-parto. As manifestações patológicas ocorrem em virtude da produção de imunoglobulinas pelos linfócitos B sensibilizados. e Psilocybe sp. gerando um quadro de intoxicação por substâncias orgânicas. por exemplo. e a bromocriptina. FUNGOS E MEDICINA Aproximadamente 106 espécies patogênicas. Podem gerar micotoxicose em humanos. que fazem vasocontrição. Conocybe sp. Fungos que produzem drogas alucinógenas (possuem muitos alcalóides): Amanita muscarina (age nos receptores muscarínicos). que trata a síndrome carcinóide.CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Ergotamina é um alcalóide. Essas reações alérgicas por esporos fúngicos (os imunógenos em questão) se enquadram nas 184 . Essa espécie também produz outros alcalóides como a ergometrina. que é utilizada no Parkinson e em distúrbios endócrinos. Micotoxicose: NÃO é sinônimo de micose. por inativar os receptores de dopamina. o fungo não se desenvolve nos tecidos. São agonistas α-adrenérgicos nos vasos sangüíneos. Micose é infecção por fungo. A ergotamina é a matéria prima do LSD. a metisergida. No entanto. micotoxicose é ingestão e/ou inalação de fungo que produz produtos tóxicos ao organismo humano (ex: alcalóides). utilizados nas crises agudas de enxaquecas. Os fungos patogênicos podem ser classificados com base nas suas formas de crescimento ou no tipo de infecção que causam. em outros locais a ergotamina é um antagonista parcial de serotonina – a 5-hidroxitriptamina (5-HT).

tórax. Exemplos de anafilaxia por fungos: renite alérgica. Caracteriza-se por lesões acrômicas ou hiperpigmentadas. manifesta-se na forma de nódulos amarelados. incluindo doenças invasivas de pêlos e unhas. Tipos de Micoses 1) SUPERFICIAIS: Colonizam as camadas mais superficias da pele (córnea e lúcida). um fungo dimórfico que produz melanina. os fungos etiológicos são denominados DERMATÓFITOS (que vivem às custas da queratina da pele e das unhas) e por espécies do gênero Candida. 2) CUTÂNEAS: Localizam-se mais profundamente na epiderme (camada granulosa e basal). maiores e de consistência mais mole nos pêlos (axilares. principalmente. A Piedra Branca é decorrente da infecção por Trichosporon beigelii.reações de hipersensibilidade tipo I (anafilaxia). É normalmente assintomática. asma brônquica. a) Ptiríase Versicolor: Seu agente etiológico é a Malassezia furfur. As lesões são observadas com maior freqüência em palmas das mãos e plantas dos pés. de bordos delimitados. Provocam alterações de importância estética. abdome. por isso. c) Piedra: Há dois tipos de Piedra – a Piedra Branca e a Piedra Negra. etc. vistas na disciplina Imunologia Médica (BP333). barba e cabelos). b) Tinha Nigra: O agente etiológico é a Exophiala werneckii. púbicos. que são elevadas acima da superfície. alveolite. pescoço e face. São as DERMATOMICOSES. incluindo os pêlos. 185 . A Piedra Negra é uma infecção nodular dos fios de cabelo causada pela Piedraia hortae. O tratamento pode ser feito com sulfeto de selênio. localizadas no couro cabeludo. e as manifestações clínicas. O tratamento consiste na remoção dos pêlos e aplicação de antifúngicos tópicos. conferindo uma coloração marrom à lesão. consistem em lesões maculares bem demarcadas (manchas pigmentadas na pele). quando existem. Muitas vezes estas duas doenças estão associadas à falta de higiene do paciente.

pêlos.: Ocorrem principalmente pela contaminação com Candida albicans. Fonte: Mims. O termo tinha (ou “tinea”) origina-se do Latim e significa “verme” ou “traça”. Tinha corporis: Micoses generalizadas no corpo. Tinha manus: Micoses nas mãos. Tinha capitis: Micoses do couro cabeludo (pode causar alopecia). GÊNEROS Trichophyton ESPÉCIES T. o fluconazol e principalmente o Itraconazol. gypseum E. canis M. b) Dermatomicoses por Candida sp. o miconazol. diabetes meliltus. Podem determinar lesões de pele. Tinha pedis: Micoses dos pés (frieiras. unhas e mucosas de indivíduos que apresentam fatores predisponentes como obesidade. 2005 Candida em pele 186 . mentagrophytes M. uso prolongado de antibióticos ou glicocorticóides e indivíduos que manuseiam muita água.Dermatófitos: Pertencem principalmente a três gêneros. pé-de-atleta). O tratamento consiste na utilização de derivaros imidazólicos como o cetoconazol. rubrum T. A adição do outro termo indica o local anatômico afestado. floccosum Microsporum Epidermophyton As manifestações clínicas dos dermatófitos são também conhecidas como tinha ou tinea. Crescem em baixo das unhas. Tinha unguium: Micoses nas unhas (ONICOMICOSE).

Posteriormente atinge as cadeias linfáticas. A infecção acontece mediante a um traumatismo. É um fungo saprófito encontrado no solo. itraconazol e os demais derivados imidazólicos. 3) SUBCUTÂNEAS: Os fungos que provocam micoses subcutâneas normalmente residem no solo e na vegetação. O agente etiológico é o fungo Sporothrix schenckii. Quando a infecção assume caráter sistêmico. Ex: cortadores de coco. em cascas de árvore e nas briófitas. Podem ser doenças ocupacionais por causa do tipo de trauma. nas roseiras. A lesão que se encontra ao redor do leito ungueal (paroniquia) também é comum. Surge como uma pequena pápula ou nódulo subcutâneo que se desenvolve entre 1 semana e 6 meses. rompem-se e liberam exsudato purulento. Isso será visto na disciplina de Propedêutica Médica II. a) Esporotricose: É uma infecção crônica caracterizada por lesões nodulares e ulcerativas (local correto para a coleta do material para exame microscópico) que se desenvolve ao longo dos vasos linfáticos. nos arbustos. tecidos subcutâneos.As lesões mais freqüentes são em unhas e espaços interdigitais das mãos. TEM QUE HAVER TRAUMA CUTÂNEO PARA ATINGUIR A DERME (TECIDO CONJUNTIVO). É também conhecida como Doença do Jardineiro e do Floricultor (é uma doença ocupacional). Em geral as lesões tornam-se granulomatosas (reação de hipersensibilidade tipo IV) e propagam-se lentamente a partir da área de implantação. músculos e fáscias. Penetram na pele ou tecido subcutâneo por inoculação traumática com material contaminado. Fonte: Mims. como o Staphylococcus aureus. Outras formas raras de esporotricose incluem solução saturada de iodeto de potássio. 2005 187 . Os nódulos amolecem. o tratamento é intrahospitalar com Anfotericina B. São infecções que afetam a derme. A paroníquia é uma tumefação anormal ao redor das unhas que pode ser causada por diversos agentes.

Os pontos enegrecidos são os locais certos para a coleta do material para exame. Existem outras micoses subcutâneas. o Micetoma Eumicótico. 4) SISTÊMICAS: Todos os fungos que causam infecções sistêmicas são DIMÓRFICOS. Já na doença avançada. É uma doença comum em trabalhadores rurais. Com o tempo assume o aspecto de couve flor. a Zigomicose. a) Paracoccidioidomicose (blastomicose Sul-Americana ou Micose de Lutz-Splendore Almeida): O agente etiológico é o fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. Localizam-se principalmente nos órgãos internos e vísceras podendo abranger muitos tecidos diferentes. Mas há outras espécies que podem provocar a cromoblastomicose: Phialophora verrucosa. Há preferência pelos pulmões. Fonsecaea compacta e Cladosporidium carrionii. É a única micose pulmonar que atinge o imunocompetente Na prática clínica a paracoccidioidomicose é chamada de PCM 188 . o 2º órgão é a mucosa bucal. torna-se necessário o uso de quimioterápicos. O agente etiológico predominante no Brasil é a Fonsecaea pedrosoi. a Lobomicose e a Rinosporidiose. Nos tecidos e nos meios de cultura especiais (entre 35 e 37° C). Muitas vezes lesões na boca aparecem antes (até dois anos) das manifestações pulmonares. que é a forma parasitária. Rhinocladiella aquaspersa. desenvolvem a forma de leveduras. principalmente nas áreas descobertas do corpo. com parede celular melaninizada. Esses microrganismos habitam o solo e coletivamente são denomindos fungos dematiáceos. porém de incidência muito baixa. Aspectos Clínicos: Aspecto radiográfico do pulmão em asa de borboleta Presença de vesículas no sulco gengival (muitas vezes o diagnóstico é feito pelo cirurgião-dentista e o paciente chega ao médico por encaminhamento) O 1º órgão de acometimento é o pulmão. O tratamento consiste na cauterização e na remoção cirúrgica das lesões inicias. entre elas a Feo-Hifomicose. Em meios de cultura simples (entre 24 e 28° e na natureza formam colônias micelianas C) formadas por hifas (bolores).b) Cromoblastomicose (cromomicose): Crescimento de nódulos verrucosos que aparecem nos locais de inoculação.

Além do pulmão, pode fazer lesão osteolítica, disseminar-se para o SNC, órgãos genitais, TGI. Às vezes o cirurgião encontra ao fazer uma laparotomia. A infecção pode resultar tanto da inoculação de estruturas do fungo consideradas infectantes, como a reativação de algum foco pré-existente. O número de homens afetados é desproporcional ao número de mulheres (9:1). Esta diferença foi atribuída a fatores de alto risco, doença subjacente, desnutrição e diferenças hormonais. Pneumonia por Paracoccidioides brasiliensis é muito difícil de tratar. O tratamento consiste no uso prolongado de Itraconazol, algumas vezes associado a Sulfametoxazol e Trimetropim (Bactrim®).

5) OPORTUNISTAS: Números fungos foram identificados como agnetes etiológicos de infecções oportunistas. Muitas vezes ocorre em ambientes hospitalares. Pacientes transplantados, usuários crônicos de glicocorticóides e HIV positivos merecem atenção especial nesses casos, uma vez que a cura torna-se muito dificultada. a) Candidíase, candidose e Candida sp. A Candida sp. é o patógeno fúngico mais comum do paciente imunocompetente. É uma levedura oportunista em uma variedade de pacientes e em vários sítios do corpo. No intestino ela atua como agente de microbiota normal. A espécie mais comum, epidemiologicamente, é a Candida albicans. Essa levedura gera diversos tipos de quadros clínicos como “candidíase bucal” e “candidíase vaginal”. Hoje em dia estes termos não são mais utilizados pela nômina anatômica moderna. Usa-se o termo CANDIDOSE para manifestações na cavidade bucal e o termo CANDIDÍASE para as demais infecções por Candida sp. Além disso, pode provocar alterações cutâneas, gastrointestinais e endocardites, particularmente em usuários de drogas ilícitas.

Fonte: Koneman, 2001

Candida sp.

189

A

candidose

pode

ser

encontrada

em

uma

variedade

de

pacientes

imunocomprometidos, pessoas com uso de próteses odontológicas mal adaptadas, portadores de diabetes mellitus, em tratamento com antibióticos de largo espectro, usuários crônicos de glicocorticóides, xerostomia (hipoprodução de saliva) entre outros. A manifestação mais freqüente se dá por meio de placas esbranquiçadas (forma pseudomembranosa) de fácil destaque com o auxílio de um algodão, principalmente em dorso de língua e palato duro. Há também a forma eritematosa, que se manifesta por meio de lesões hiperemiadas. O tratamento pode ser feito com o uso tópico de nistatina, anfotericina e derivados imidazólicos. Se o paciente for imunocomprometido e/ou a infecção já tiver adquirido caráter mais invasivo, deve se apelar para o uso de antifúngicos sistêmicos. * Causas comuns xerostomia: pacientes que fazem quimioterapia (que destrói grândulas salivares colateralmente) e usuários de antidepressivos como inibidores da recaptação de serotonina (5-HT). Esses pacientes são fortes candidatos a possuiem candidose. Aspecto pseudomembranosos em palato duro Pseudohifas e leveduras

Fonte: Rubin, 2006

A candidíase vaginal é uma das doenças que mais comumente acometem mulheres jovens, principalmente em países de clima tropical como o Brasil. Esta patologia pode, inclusive, ser enquadrada dentro do grupo das DSTs, uma vez que o contato sexual é uma das formas mais comuns de contágio. O homem tem a Candida albicans na microbiota normal peniana, portanto uma atividade sexual sem preservativo faria com que a mulher

190

entrasse em contato direto com a levedura. Se ela estiver em uma queda imunológica pode desenvolver a doença, bem como cultivá-la, fazendo sexo repetidamente com o mesmo parceiro (portador). Salienta-se também que as pessoas que fazem sexo oral sem proteção estão sujeitas a contraírem candidose por entrarem em contato com a microbiota normal do pênis. É imprescindível que o tratamento seja feito com o casal, ambos devem prosseguir com a terapia até a erradicação das leveduras. Outra fonte de contágio são os fômites contaminados (toalhas, roupas íntimas, acessórios diversos, etc.). O compartilhamento deste tipo de material pode acarretar um intercâmbio de espécies de Candida sp., ou mesmo de diferentes cepas de Candida albicans, geralndo infecções com mecanismos mais resistentes.

Fonte: Netter, 2006

A candidíase mucocutânea é uma manifestação rara e não invasiva, embora persistente, das membranas mucosas dos cabelos, da pele e das unhas. Em crianças, com defeito específico de células T, podem se tornar alérgicoa à Candida, tendo que fazer uso de antifúngicos intermitentes. A candidíase gastrointestinal é encontrada em pacientes que passaram por cirurgia gástrica ou abdominal (ex: cirurgia de redução de estômago), ou em pacientes que têm neoplasias. O microrganismo pode atravessar a parede intestinal e disseminar-se a partir de um foco gastrointestinal. O diagnóstico in vivo é difícil, e cerca de 25% dos pacientes não apresentam sintomas nos etágios iniciais da doença. Se ocorrer disseminação a partir do intestino, as hemoculturas podem se tornar positivas e antígenos de Candida podem ser detectáveis no soro. A terapia fungicida deve ser iniciada precocemente em pacientes com suspeita de infecção, mas a doença disseminada é frequentemente fatal.

191

A candidíase disseminada é provavelmente adiquirida via TGI, mas também pode se originar de infecções relacionadas a cateteres intravasculares. Pacientes com linfomas e leucemia correm maior risco. A disseminação hematológica alcança quase todos os órgãos. Infecções nos olhos (endoftalmia) e da pele (lesões mucocutâneas nodulares) são importantes porque fornecem evidências para o diagnóstico, sem as quais os sintomas inespecíficos de febre e choque séptico dificultam o diagnóstico precoce. Pacientes imunocomprometidos, por vezes, recebem terapia antifúngica empírica se apresentam febre e falham em responder aos agentes antibacterianos de largo espectro. Hoje em dia há aumento da resistência aos antifúngicos para tratar as espécies de cândidas. A Candida albicans responde bem aos derivados imidazólicos como o cetoconazol e fluconazol. No entanto, está aumentando gradativamente as infecções pelas Candida não-albicans, e estas espécies possuem mecanismos de defesa bem mais resistentes. O fluconazol apresenta atividade muito reduzida contra essas espécies, fazendo com que os pacientes sejam obrigados a usarem o Itraconazol via oral por longos períodos. A anfotericina B também é um antifúngico com boa atividade contra as cândidas, porém ela tem muitos efeitos colaterais e seu uso na prática médica é mais reservado.

CORRELAÇÕES CLÍNICAS: A secreção da candidíase é diferente das demais secreções infecciosas da vagina. O aspecto pseudomembranoso da cândida se manifesta como placas brancas facilmente destacáveis com auxílio de algodão, sem odor fétido. As demais secreções como a do Trichomonas vaginalis, das vaginites e vaginoses bacterianas são verde-amareladas (exsudato purulento), viscosas e geralmente de odor fétido.

Fonte: Netter, 2006

Colo uterino: Candida spp.

Colo uterino: Trichomonas vaginalis, gonococo, Gardnerella vaginalis e Chlamydia trachomatis

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linfoma de Hodgkin ou sarcoidose merecem atenção especial também. Essa forma de meningite é responsável pela morte de muitos pacientes com AIDS e outros imunocomprometidos na imunidade celular. O prognóstico varia muito de acordo com a doença de base do paciente. Por fim.b) Criptococose O agente etiológico é o Cryptococcus neoformans. junto a produção de melanina e enzimas). nos pacientes severamente imunocomprometidos. mesmo com a terapia intensiva. usando látex recoberto com anticorpos específicos. Curitiba é certamente uma cidade com uma população densa dessas aves. a cápsula se desenvolve a partir dos carboidratos do nosso metabolismo (é um fator de patogenicidade. Esse fungo tem tropismo pelo SNC (vem dos pulmões por via hematogênica). A resposta imunológica do hospedeiro se faz pela ativação dos linfócitos CD4 e produção de IFNγ. LES. Quando a levedura chega ao organismo humano. uma vez que o criptococo é transmitido pelas fezes dos pombos. No pombo o fungo é inativo. e o fungo adquire sua verdadeira forma ativa e infectante. Inalação pulmões meningite via hematogênica SNC 193 . pois a cápsula de carboidrato não se desenvolve no interior da ave. Acredita-se que o criptococo possa atravessar a barreira hematoencefálica via infecção de monócitos e/ou células endoteliais. Nos pacientes com AIDS é praticamente impossível erradicar o microrganismo. É um microrganismo euribionte. Um fungo leveduriforme que possui uma cápsula espessa de polissacarídeos complexos ao redor de sua parede celular. a mortalidade gira em torno de 50%. A identificação também pode ser feita pela detecção do antígeno no teste de aglutinação em látex. O tratamento engloba uma combinação entre anfotericina B e flucitosina. Pacientes com leucemia. No entanto alguns pacientes imunocompetentes são acometidos também. A inoculação geralmente é pulmonar e assintomática. porém numa porcentagem bem menor e com sintomas mais brandos. além de terem uma cura mais rápida e eficaz. a levedura pode ser demonstrada no líquido cérebro-espinhal. Nos casos de meningite criptocóccica. linfomas. portanto é uma importante questão de saúde pública que merece atenção especial. Pode fazer meningite criprocóccica quando atinge as meninges. e pode ser monitorado pela queda na concentração de antígenos no LCE.

mas a biópsia e o exame histológico da medula. Os esporos ou fragmentos de hifas são aspirados nos alvéolos e estes são fagocitadas pelos macrófagos alveolares e em seguida convertidos em leveduras (são capazes de se replicar dentro dos macrófagos). Trata-se de um fungo altamente infeccioso que causa infecção pulmonar aguda. Na maioria dos casos é assintomática. porém benigna em pessoas saudáveis. torre de igreja. áreas escuras. Embora as aves não sejam infectadas. Com o tempo ocorre dissiminação linfática. Nos imunocompetentes os macrófagos controlam a infecção eliminando as hifas. 2005 Cryptococcus neoformans e a cápsula de carboidratos c) Histoplasmose: Doença das Cavernas. muitas vezes. etc A doença ocorre no mundo todo. seguidos com menor freqüência de doença disseminada progressiva.Fonte: Mims. Nos casos sintomáticos observam-se sintomas clínicos de pneumonia aguda. Culturas de sangue. de medula. ocorre infecção natural nos morcegos. No imunocomprometido a infecção prossegue. Fonte: Robbins. Doença dos Espeleólogos O agente etiológico é o fungo dimórfico Histoplasma capsulatum. de escarro e de LCR podem conter Histoplasma no paciente suspeito. O fungo pode ser encontrado em porões. necessários para chegar a um diagnóstico definitivo. 2005 Histoplasma capsulatum colonizando linfonodo de paciente imunocomprometido 194 . Este fungo cresce em áreas contaminadas com excretas de morcegos e aves. fígado e de linfonódos são.

é ubiquitário no meio ambiente e faz parte da microbiota normal do organismo humano. O crescimento das hifas é em ângulo de 45º. é uma resposta alérgica à presença do antígeno. Fonte: Mims. como seu nome sugere.Doença disseminada no paciente imunocomprometido quando o fungo invade a partir dos pulmões. O mecanismo da asma será abordado em seminários da disciplina de Imunologia Médica (BP333). Esses fungos não invadem os tecidos pulmonares. Seus esporos são regularmente inalados sem conseqüências danosas. das quais a que merece maior destaque é o Aspergillus fumigatus. . destroem alvéolos e septos alveolares. a qual é denominada aspergiloma. O fungo coloniza a cavidade e cresce para produzir uma massa de hifas em forma esférica. que pode provocar diversas manifestações patológicas.Aspergilose broncopulmonar alérgica.Aspergiloma em pacientes com cavidades pulmonares preexistentes (ex: seqüela de TB) ou distúrbios pulmonares crônicos. que. tais como: . 2005 195 .CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Além do Histoplasma capsulatum. o que acaba por destruir a arquitetura pulmonar. quando crescem. quais outros agentes etiológicos de infecções também são parasitas intracelulares de macrófagos? c) Aspergilose O Aspergillus sp. porém o tamanho do aspergiloma pode desencadear dificuldade respiratória. As hifas deste fungo. É um gênero que contém várias espécies. Aspergillus nos pulmões podem desencadear um processo de hipersensibilidade tipo I e culminar em asma brônquica. A aspergilose invasiva geralmente é fatal no imunocomprometido. pois os pacientes são neutropênicos (com poucos neutrófilos circulantes). .

Para tratar. Pneumonia em paciente idoso: investigar infecção por fungos. o tratamento com esses antifúngicos é de custo muito elevado e não pode ser bancado pela grande maioria dos pacientes. a betametasona. este último. Nos casos de pneumonias fúngicas. a predinisolona. Antiinflamatórios por fazerem inibição da enzima fosfolipase A2. os fármacos de escolha ainda são os derivados imidazólicos tradicionaos de grande abrangência (Itraconazol). Os esporos são liberados quando estes reservatórios se rompem. A infecção é transmitida por meio de gotículas respiratórias (aerossóis). A classe de drogas de primeira escolha em pneumonia bacteria são as quinolonas de 3ª. comumente encontrado em seres humanos normais e roedores. Essas drogas mimetizam a atividade catalítica dos glicocorticosteróides produzidos pelos espongiócitos da camada fasciculada do córtex da glândula adrenal. moxifloxacino e gemifloxacino respectivamente). a mimetasona. O voriconazol e o posoconazol são exemplos delas. a partir de 2007 surgiram novas drogas triazólicas no mercado farmacêutico que prometem dar uma nova abordagem ao tratamento dessas pneumonias.d) Pneumocistose O Pneumocystis jiroveci (antigamente chamado de Pneumocystis carinii) é um fungo atípico. também em imunocompetentes. A tigeciclina é uma alternativa em teste. a terapia HAART (que será discutida nos seminários de Imunologia Médica). São muito utilizados no tratamento das doenças auto-imunes. No entanto. A doença está associada a uma pneumonite instesticial. Seus efeitos são antiinflamatórios e imunossupressores. As drogas referidas como glicocorticóides são a dexametasona. E imunossupressores 196 . a prednisona. Paciente portador de pneumonia fúngica deve necessáriamente ser submetido a exames para investigação de imunossupressão. Antes do advento da terapia antiretroviral altamente ativa. A doença ocorre em indivíduos debilitados e imunodeficientes. podendo ser fatal. com infiltração de plasmócitos. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Fazem pneumonia: Pneumocystis. Candida e Paracococcidioides. na forma de esporocistos e reservatórios de esporos. Já foram relatadas infecções em locais diferentes que não o pulmão. 4ª e 5a geração (levofloxacino. como foi visto nas aulas de Patologia Médica Molecular (BP334). As bacterianas são infinitamente mais fáceis de curar com os antimicrobianos. A anfotericina B pode ser uma arma de retaguarda. uma alta proporção dos pacientes com AIDS desenvolvia pneumonia por pneumocistos. com até 5 µm de diâmetro. ocorre em uma forma trófica. etc. Aspergillus. Em especial o Aspergillus fumigatus. assim interferindo no metabolismo do ácido aracdônico. Histoplasma. O Pneumocystis sp. Apenas causa doença sintomática em pessoas com a imunidade celular deficiente. Todavia. pneumonia fúngica é o pior tipo de pneumonia que existe. incluindo o anti-HIV (ELISAWestern Blot).

ele tem a mesma função do colesterol nas membranas celulares animais. reações alérgicas. Porém. Principais grupos de drogas: 1) Agentes poliênicos – Anfotericina B Mecanismo de ação: liga-se ao ergosterol da MP do fungo. toda a atividade imunológica do indivíduo estará comprometida enquanto ele estiver fazendo o uso deste medicamento. 197 . ele é portador de artrite reumatóide (uma das doenças auto-imunes que é tratada com glicocorticóides). um paciente portador de HBV com um quadro de esteatose avançada. Assim. esse ergosterol é muito parecido com a nossa molécula do colesterol. Porém. como a hepatite B é feito com altas doses de IFN (interferon). Padrão ouro para cândida. você prescreveria o uso prolongado de IFN para este paciente? Por quê? Drogas Antifúngicas A base do tratamento delas é inibir a síntese do esgosterol da membrana celular do fungo. chega a você. lesão renal. ser administrada em pacientes que fazem uso de digitálicos cardíacos (digoxina). NÃO MATEM SEUS PACIENTES! 2) Nistatina Mecanismo de ação: impede a ligação ao ergosterol da MP fúngica. Por sinal. Haverá uma aula teórica dentro da disciplina de Imunologia Médica (BP333) para abordar este tema. médico.porque essas drogas interferem na ação do IFNγ nos macrófagos. pois potencializa a ação e pode causar intoxicação digitálica. ao lado do Itraconazol. Por isso dizemos que os antifúngicos atingem tanto o hospedeiro como o fungo. Para pensar: O tratamento das hepatites virais. Com base no mecanismo de ação descrito acima e aprofundado nas aulas de Imunologia Médica. anemias. Na sua prática clínica. A droga se confunde e destrói ambos os lipídeos. dor abdominal. MAS IMPORTANTÍSSIMO: Anfotericina B não pode. em hipótese alguma. suprimindo sua atividade como célula apresentadora de antígeno e silenciando a transcrição dos genes do MHC. Também usada no tratamento de Leishmanioses. Efeitos colaterais: hipotensão. CURIOSIDADE.

Efeitos colaterais: depressão da medula óssea. fazendo com que o paciente sinta um gosto amargo de metal durante o tratamento (o que às vezes dificulta a adesão ao mesmo). anemias e discrasias sangüíneas.3) Flucitosina Mecanismo de ação: inibição da síntese de ácidos nucléicos. Clotrimazol. porém sua toxicidade é seletiva.00 (em 2007). 4) Derivados azólicos: Cetoconazol.000. Terapia para 5 dias: R$3. São medicamentos que em geral têm melhor absorção em pH ácido. Itraconazol Mecanismo de ação: inibição da síntese de ergosterol 5) Novas drogas triazólicas: voriconazol e posaconazol (um dos antifúngicos mais fortes que existem). Pode ser utilizada no tratamento da candidíase sistêmica. Portanto é bom recomentar o paciente tomar o medicamento junto às refeições. Miconazol. ou com refrigerante do tipo cola. São muito caros. Fluconazol. CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Efeito colateral dos antifúngicos: quase todos eles deixam resíduos metabólicos na cavidade bucal. O que é o trocisco? 198 .

Comparar o tamanho desta célula setada com as demais. CitoMEGALOvírus. Fonte: Fernando Bortolozzi Doença de inclusão citomegálica em pulmão de perinato. urina.hoje em dia 1 e 2 estão em conflito no sítio por causa do sexo oral). Ela é transmitida beijando. sêmen e secreções cervicais. via saliva. 199 . Pode fazer carcinoma genital. O CMV também pode ser transmitido pelo sangue. conhecida também como doença do beijo (também mais usado para o EBV). de maneira siminar) HHV-6: Causa roséola infanto HHV-7 HHV-8: Pode causar o Sarcoma de Kaposi EBV e CMV – Muito comuns e importantes. É o maior herpes vírus humano e só tem um sorotipo.CAPÍTULO 15: HERPES-VÍRUS HHV-1 ou HSV-1: Herpes Simplex Vírus 1 (Herpes bucal – não é oral) HHV-2 ou HSV-2: Herpes Simplex Vírus 2 (Herpes Genital . HHV-3 ou VZV: Varicela Zoster Vírus HHV-4 ou EBV: Epstein-Barr Vírus (Mononucleose infecciosa) HHV-5 ou CMV: Citomegalovírus (Mononucleose também. O nome refere-se a inclusões intranucleares que são respostas características desse patógeno. Eles causam a mononucleose infecciosa (esse termo é mais usado para o EBV).

Só tem um sorogrupo. e estes são expressos nas células infectadas.É transmitido pela saliva. E essas citocinas das células é quem causam os sintomas da doença. glândulas salivares. MMN) e envolve linfonodos e baço (defesa secundária e terciária). o C3d (CD21). testículos e epidídimo. . Digamos que as células T não se habituam com as células B infectadas em fazem um confronto por meio de citocinas. Os linfócitos T em guerra são denominados de células de Downey. Dissemina-se via linfócitos e monócitos (os MONOMORFONUCLEARES. semelhante aos estragos que as armas bélicas fazem numa região onde está tendo uma guerra. 200 . . Auto anticorpos também são produzidos. Esses vírus "escapam" das defesas imunológicas.A infecção pelo CMV geralmente é assintomática. que estão no núcleo das células infectadas. Esses linfócitos B infectados são estimulados a diferenciar-se e produzir anticorpos (ativação policlonal das células B. Os linfócitos T respondem imunologicamente às células B infectadas (aumentanto cerca de 50 vezes em número) e aparecem no sangue periférico como "linfócitos atípicos do EBV". Conhecida como a DOENÇA DO BEIJO. O QUE É RESPONSÁVEL PELA FORMAÇÃO DOS ANTICORPOS HETERÓFILOS DO EBV – reação com eritrócitos de carneiro ou de cavalo). colo uterino. Há febre e letargia. túbulos renais. O vírus condiciona-se a células epiteliais. ANTICORPOS HETEROFÍLOS O EBV se multiplica nos linfócitos B (eles tem na membrana um receptor. Antigenicamente diferente do CMV. como o IgM para eritrócitos (crioaglutininas).Utilizados no diagnóstico: o capsídeo viral (VCA). os antígenos precoces (EA) que são produzidos antes da síntese do DNA viral e os antígenos nucleares associados ao EBV (EBNA). que se liga ao vírus). São alvos ruins para as células T citotóxicas por interferirem no transporte de moléculas do MHC-I e induzem a transcrição de genes que codificam receptores Fc. Essa doença é uma verdadeira "guerra civil imunológica". Uma infecção muitas vezes silenciosa do trato respiratório superior. EBV – Epstein Barr Vírus .

Ex: gripe. 201 . Hemograma é útil por causa da formação dos linfócitos atípicos. O médico deverá pedir IgM contra o capsídeo viral para o diagnóstico. o que faz com que a doença siga seu curso autolimitado em pacientes sadios e não-imunocomprometidos. varicela. hepatomegalia e linfadenopatia. que também mostram uma translocação dos oncogenes myc no cromossomo 8 para o locus da cadeia pesada da imunoglobulina localizada no cromossomo 14. 2005 Fonte: Mims. como o Plasmodium falciparum ou o Plasmodium infantum. Outros achados clínicos incluem a esplenomegalia. Não há antiviral eficaz contra o EBV. Ele se associa com algumas espécies de Plasmodium sp. bem como o IgG. Autolimitada é uma doença que se cura sem intervenção medicamentos. tornando-as suceptíveis a maior formação neoplásica. NEOPLASIAS INDUZIDAS PELO EBV Linfoma de Burkitt: só o EBV não consegue fazer o linfoma. <40 é negativo) Esses anticorpos podem aparecer na mononucleose infecciosa (+++). O DNA e o RNA transcritos são encontrados nas células tumorais. enfraquecendo o controle das células T e talvez causando ativação policlonal das células B. 2005 Os anticorpos heterofilos são detectados pela Reação de Paul Bunnel (>40 é positivo. na doença do soro (+++) e mesmo em indivíduos normais (+).Linfócitos atípicos do EBV Fonte: Robbins.

Fonte: Robbins. 2005 Fonte: Robbins. 2006 Fonte: Mims. 2005 202 . 2005 Resultado = Fonte: Bogliolo.

as placas proporcionadas pelo já conhecido de vocês. Fatores genéticos do hospedeiro que controlam o HLA (“human leucocyte antigen”) e a resposta imune podem ser fatores de suceptibilidade. Boa anamnese e bom exame físico são essenciais. 2005 À esquerda. a MEMBRANA nas tonsilas palatinas ocasionada pelo EBV. Fonte: Mims. e um cocarcinógeno. temos como obrigação fazer o diagnóstico. HHV-2 faz carcinoma genital e HHV-8 faz Sarcoma de Kaposi. entre outros agentes. possivelmente de nitrosaminas ingeridas com peixes em conserva.Carcinoma Naso-Faringeal: O DNA do EBV é detectável nas células tumorais. Vão prescrever antibióticos para qual dos dois quadros mesmo? Clínica sem diferenciação: Infecções por Streptococcus pyogenes / Haemophilus influenzae / Moraxella catarrhalis Fonte: Fernando Bortolozzi 203 . CORRELAÇÕES CLÍNICAS: Antes de chegar a estas aberrações. Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta hemolítico do grupo A de Lancefield). à direita.

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