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PASTORAL DA SAÚDE

Foi a 11 de Fevereiro de 1985 que o Papa João Paulo II instituiu, na Igreja, a


Pastoral da Saúde. Se S. João Paulo II, na relação com o mundo, teve uma
acção que levou à queda do muro de Berlim e à unificação da Europa, na sua
relação com o interior da Igreja, o Papa teve um gesto profundamente inovador
ao instituir a Pastoral da Saúde.

Durante séculos, através de santos extraordinários, a Igreja deu atenção aos


enfermos com especiais cuidados espirituais e, sobretudo, de preparação para
a morte. Agora, a Igreja está a voltar-se para a vida e a qualidade de vida. Mais
importante do que o cuidar dos doentes torna-se imperioso agir para prevenir a
doença. Se no campo da ciência e da clínica havia a preocupação de se
assegurar os cuidados primários, a Igreja tinha o dever de se dedicar também
ao cuidado das pessoas antes de adoecerem:

 Da Pastoral do Doente passou-se para a Pastoral da Saúde,


acompanhando, prevenindo, ensinando comportamentos que possam dar
mais vida às vidas;
 De uma pastoral de conforto no sofrimento, passou-se para uma pastoral
de qualidade, assegurando à vida de cada um a capacidade de evitar
crises físicas, psicológicas ou de outra natureza;
 De uma pastoral que responde espiritualmente à “angústia da vida”,
passou-se a uma pastoral de alegria em que se saboreia a vida sem
excessos e se descobre o sentido de cada atitude.

Com razão S. João Paulo II, na encíclica “O Evangelho da Vida”, afirma que a
qualidade é mais do que ter bens materiais, afirmação social, o simples bem-
estar, e exige as relações interpessoais, espirituais e mesmo sobrenaturais (EV
23). Esta qualidade global de vida reclama uma saúde integral. O mesmo Papa
pôde dizer a 11 de Fevereiro do ano 2000 que: “A saúde é a harmonia integral
do ser humano, apesar dos seus normais limites, em ordem à realização da
pessoa, na idade da vida que é a sua”.
A Pastoral da Saúde, que envolve sacerdotes e leigos, profissionais e
voluntários, jovens ou mais velhos, tem estas dimensões: a prevenção das
doenças e o cuidado dos doentes:

 A prevenção da doença é um processo educativo, indispensável para a


qualidade de vida de cada um. Desta educação faz parte o tipo de
alimentação, o controle dos consumos, a superação do stress, etc;
 O cuidado a ter com o doente implica o acompanhamento, a terapia, a
informação permanente, os apoios espirituais e religiosos e a preparação
dos profissionais e dos voluntários;
 Durante muitos séculos, a preocupação pelos doentes estava confinada
aos sacramentos e à preocupação pelos momentos mais difíceis da vida.
Hoje o trabalho pastoral com os doentes implica a assistência integral,
física, psicológica, social, afectiva, espiritual e religiosa.

A Pastoral da Saúde foi no pontificado de São João Paulo II a grande inovação.


Este Papa extraordinário, no cumprimento do Vaticano II, teve a preocupação
de renovar as estruturas das Igrejas locais. Chamou todos à responsabilidade
ética, convidando ao estudo da teologia do corpo e à redescoberta das mais
profundas dimensões do amor. Tudo isto no âmbito da Pastoral da Saúde é
profundamente desafiador.

Uma comunidade cristã deve ter a preocupação de organizar a Pastoral da


Saúde, dando mais qualidade de vida a todos. Há muitas pessoas a educar
para uma qualidade de vida melhor e há pessoas a acompanhar nas
dificuldades físicas, psicológicas ou sociais. Educar os comportamentos é
ponto-chave da Pastoral da Saúde.

Depois, é preciso interligar a Pastoral da Saúde à Pastoral Social, uma vez que
muitas das dificuldades nascem das condições de vida das pessoas. Os mais
carenciados por ignorância ou por falta de recursos têm tendência para
adoecer facilmente. Acolhê-los, servi-los, acompanhá-los, é um trabalho
pastoral do maior alcance. É por isso que a Pastoral da Saúde tem, na
paróquia, um parceiro extraordinário, o Centro Social.
Finalmente, é muito importante cuidar dos doentes. Este cuidado tem três
dimensões: a prestação das terapias necessárias, o acompanhamento social
mesmo no domicílio e, ainda, o indispensável apoio de natureza espiritual e
religiosa, em que estão incluídos a oração e os sacramentos. Tudo isto pode
ser realizado em cadeia pela organização da paróquia e o corpo de voluntários
expressamente preparados para esta extraordinária acção pastoral.

É bom ter em consideração que os idosos, os doentes, os desprotegidos,


também são membros da comunidade cristã. Não recebem apenas o auxílio
necessário, mas também contribuem, pela oração ou pela caridade,
acompanhando vizinhos que estão em solidão.

Numa estrutura paroquial, será muito importante conhecer os nossos doentes,


para podermos visitá-los e, depois, com eles crescer até espiritualmente. É
preciso também ter um corpo de voluntários devidamente preparados para este
tempo de acompanhamento dos doentes. A tarefa mais difícil será estar com os
enfermos em fase terminal, o que implica uma preparação específica para o
apoio ao enfermo e também à sua família. Na sua mensagem o Papa
Francisco refere Maria, que acompanhou Jesus no sofrimento do Calvário, mas
que também aceitou João como seu filho. Os profissionais da saúde, os
voluntários e os agentes pastorais não podem deixar de sentir, com Maria, a
dimensão lindíssima da sua presença eficaz junto dos doentes.