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SUSTENTABILIDADE SOCIAL: RESPONSABILIDADE SOCIAL DAS

ORGANIZAÇÕES
Eduardo de Oliveira Vieira
Felipe Gonçalves
Vinicius Ramos
Professor: Wiliam Silva
Universidade Federal do Paraná – UFPR
Engenharia de Produção – Gerenciamento de projetos
09/10/2018

1. INTRODUÇÃO

A responsabilidade social é quando empresas, de forma voluntária, adotam posturas,


comportamentos e ações que promovam o bem-estar dos seus públicos interno e
externo. É uma prática voluntária pois não deve ser confundida exclusivamente por
ações compulsórias impostas pelo governo ou por quaisquer incentivos externos (como
fiscais, por exemplo). O conceito, nessa visão, envolve o benefício da coletividade, seja
ela relativa ao público interno (funcionários, acionistas, etc) ou atores externos
(comunidade, parceiros, meio ambiente, etc.).
As empresas são cobradas por uma atitude correspondente ao conceito da "Cidadania
Corporativa Global", que envolve, ao mesmo tempo, a sustentabilidade e a
responsabilidade social, dois conceitos que caminham juntos. Com o passar do tempo,
tal concepção originou algumas variantes ou nuances. Assim, conceitos novos – muitas
vezes complementares, distintos ou redundantes – são usados para definir
responsabilidade social, entre eles Responsabilidade Social Corporativa (RSC),
Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e Responsabilidade Social Ambiental
(RSA).
A chamada RSC é, na maioria dos casos, conceito usado na literatura especializada
sobretudo para empresas, principalmente de grande porte, com preocupações sociais
voltadas ao seu ambiente de negócios ou ao seu quadro de funcionários. O conceito de
RSE, ainda que muitos vejam como sinônimo de RSC, tende a envolver um espectro
mais amplo de beneficiários (stakeholders), envolvendo aí a qualidade de vida e bem
estar do público interno da empresa, mas também a redução de impactos negativos de
sua atividade na comunidade e meio ambiente. Na maioria das vezes tais ações são
acompanhadas pela adoção de uma mudança comportamental e de gestão que envolve
maior transparência, ética e valores na relação com seus parceiros.
Por fim, o conceito de Responsabilidade Social Ambiental (RSA), talvez mais atual e
abrangente, ilustra não apenas o compromisso de empresas com pessoas e valores
humanos, mas também preocupações genuínas com o meio ambiente.
Independentemente de que linha ou conceituação utilizar, fica evidente que empresas
variam bastante – o que muitas vezes é natural e reflete sua vocação como negócio – na
prioridade a ser dada a questões socioambientais, às vezes focando em certos públicos
em detrimento de outras ações sociais igualmente relevantes.

2. DESENVOLVIMENTO

A partir do critério de responsabilidade, pode-se classificar as empresas em três


grandes modelos: aquelas que visam apenas ao lucro e são assumidamente negócios; as
que colocam como organizações sociais e procuram satisfazer aos interesses de uma
rede de pessoas e, por último as empresas socialmente responsáveis, que não se
preocupam apenas com o lucro econômico, mas também com a ação social (Passos,
2012, p. 166).
Pensar em responsabilidade é automaticamente pensar em ética pelos falos de se
sensibilizar com o ser humano, respeitando os seus direitos e deveres, com o meio
ambiente e a preservação do mesmo. A principal utilidade de práticas sociais é visar o
bem-estar das pessoas e da evolução do país de forma consciente.
A gestão ecológica pode ser denominada como a vistoria das operações de uma
organização da perspectiva ecológica profunda, ou do novo paradigma (Tachizawa,
2009, p.57). É focada na mudança de cultura e valores de uma empresa, para não focar
apena no crescimento econômico, mas também juntar em seus requisitos a
sustentabilidade ecológica. Engloba a mudança do pensamento mecanicista para o
pensamento sistêmico.
O estudo informa que, mesmo sob dificuldades da atribuição de tais responsabilidades,
tal aplicação, ainda que atual, sempre esteve presente nas organizações desde o início de
suas atividades pelo principal motivo de que são compostas por pessoas. Mesmo com a
ciência da responsabilidade social e conduta ética na atualidade e através dos tempos, o
estudo traz à tona outro obstáculo que ainda é presente, que é o fato de que muitas
empresas ainda têm dificuldade de enxergar tal importância e mudar sua conduta, ou
seja, entender o cenário atual e permanecer com uma política interna e externa ainda
engessada. Este estudo evidenciou também outro importante fato, que é o olhar para as
mudanças e a principal delas, que influencia todo este cenário que força a mudança de
conduta das organizações para uma postura ética e ciência das suas responsabilidades
sociais para com a sociedade e que estamos na era da informação e as pessoas têm fácil
acesso à mesma e cobram seus direitos, qualidade nos produtos e melhores condições de
trabalho, fato este que é imprescindível para a carreira das pessoas e que agrega mais
valor do que altos salários. Afinal, as pesquisas aqui levantadas mostraram que grande
parte do patrimônio e valor econômico das organizações deve-se à sua imagem e
reputação e, apesar de muitas organizações estarem a par desse fato, ainda há um longo
caminho a percorrer para muitas outras tomarem consciência disso, até mesmo para sua
sobrevivência no mercado.
A responsabilidade socioambiental na empresa é uma prática voltada para seus
públicos internos e externos (colaboradores, fornecedores, consumidores, comunidade,
etc) que visam consciência e o compromisso de fazer o bem a todos que participam de
uma sociedade desenvolvida através de uma ação voluntária, que não valoriza somente
os lucros, mas também visa à ação sustentável.
As organizações que se mantem preocupadas com os aspectos socioambientais tende a
ganhar a fidelidade dos seus clientes, uma boa imagem perante a sociedade e também a
confiança de investidores. Esse tipo de atitude é vital para a competitividade, uma vez
que o mercado empresarial está se tornando cada vez mais competitivo, e adotar práticas
de gerenciamento sustentável é uma atitude não só legal perante a legislação, mas uma
forma de se sair na frente e se destacar no mercado.
Pode-se considerar uma empresa sustentável aquela empresa que gera lucros e
movimenta a economia da região sem afetar negativamente seus stakeholders (aqueles
que são atingidos de alguma forma pelas ações que a empresa vem a praticar). Trata-se
de uma cultura diferenciada, mudança na política empresarial, implantação de novas
atitudes e práticas cotidianas dentro de uma organização. Não só grandes empresas, mas
qualquer empreendimento pode adotar atitudes sustentáveis, basta ser sustentável em
seu ambiente e na sua comunidade.
Diversas empresas, tanto microempresa como empresas de grande porte já procuram
práticas sustentáveis, porém alguns gestores começam a encontrar dificuldades de
associar essas atitudes no cotidiano das corporações. Um dos pontos mais fortes é
associar a motivação de praticar atitudes sustentáveis com a rotina dos funcionários da
empresa. Para ocorrer um retorno econômico de longo prazo, um equilibro social e
ambiental os gestores devem, juntamente com o setor de recursos humanos focar em
planos estratégicos voltados para ações que viabilizem o desenvolvimento sustentável,
tanto para a organização quanto para seus
Dois exemplos ilustram o assunto:
O mercado parou de aceitar o descaso no tratamento dos recursos naturais e os
consumidores estão interessados em produtos "limpos". Da mesma forma, a sociedade
está muito mais atenta à inclusão de portadores de necessidades especiais no mercado
de trabalho. O resultado é óbvio: a legislação tornou-se mais rígida, obrigando as
empresas a encarar com muita seriedade a questão ambiental e a responsabilidade social
em sua estratégia operacional.
Com essa nova postura empresarial vem a necessidade de adaptação e consequente
direcionamento para novos caminhos. As empresas devem mudar seus paradigmas,
mudando sua visão empresarial, objetivos, estratégias de investimentos e de marketing,
tudo voltado para o aprimoramento de seu produto.
Empresas socialmente responsáveis e preocupadas com sustentabilidade conquistam
resultados melhores e geram valor aos que estão próximos. A responsabilidade social e
sustentabilidade deixaram de ser uma opção politicamente correta. É uma questão de
visão estratégica e, muitas vezes, de sobrevivência.
A empresa é socialmente responsável e sustentável quando vai além da obrigação de
respeitar as leis, pagar impostos e observar as condições adequadas de segurança e
saúde para os trabalhadores ou preservar o meio ambiente. É preciso adotar nova
postura: A empresa que não adequar suas atividades a esses novos conceitos está
destinada a perder competitividade em médio prazo.

3. CONCLUSÃO

No desenvolvimento deste estudo foi analisada a preocupação e aplicação da


doutrina ética, ciência e responsabilidade social por parte das organizações e que,
embora tal obrigatoriedade e responsabilidade estar em pauta atualmente, tais
preocupações e práticas já existiam desde o nascimento do capitalismo. Porém tal valor
e relevância ao tema se deram a partir do final dos anos 60.
O referido tema bem como a composição deste estudo e levantamento dos dados é de
suma importância para a conscientização da influência do papel das empresas para com
a sociedade. Papel este que diz respeito a sua atuação e responsabilidades como
empregadores (interna) e para com a sociedade (externa), cuidado e conservação do
meio ambiente no cenário e local em que atuam e como produtores e prestadores de
serviços no quesito qualidade e responsabilidade na fabricação de seus produtos e
excelência na prestação de serviços.
Mediante esses fatos levantados, este estudo tem o cunho principal de elucidar para a
sociedade a importância do papel e responsabilidades que as organizações têm e que
todos como clientes e colaboradores, ou seja, todos os envolvidos têm que acompanhar
e cobrar melhores condições e qualidade de vida. Portanto, este levantamento serviu
como incentivo para o autor como profissional a valorizar a carreira, agregando em sua
trajetória profissional empresas com uma boa imagem e reputação, e como cidadão a
acompanhar e exigir produtos e serviços de qualidade.
As organizações que demonstram compromisso com aspectos de responsabilidade
social obtêm vantagens competitivas, ganhando a confiança do mercado, clientes,
investidores, consumidores e da comunidade local. Este tipo de ação desencadeia no
mercado uma onda de responsabilidade corporativa social, que empresas espalhadas
pelo mundo, de todos os tamanhos e setores, estão adotando e promovendo.
Compreender essa onda de mudança no cenário empresarial é vital para a
competitividade, pois o mercado está cada vez mais transparente e competitivo, se
tornando uma oportunidade para que as empresas programem práticas sustentáveis de
gerenciamento, não apenas como uma postura para atender às exigências legais, mas
também com a intenção de melhor se colocar no mercado.
É um erro entender que a sustentabilidade seja apenas restrito a aspectos do meio
ambiente, da mesma forma, não deve-se assumir que responsabilidade social se limite a
ações ou investimentos em projetos sociais, sendo os dois conceitos estão intimamente
ligados. O administrador que pretenda que seu negócio seja mantido indefinidamente
deverá gerar valor nas dimensões econômicas, ambientais e sociais.
As empresas de hoje tornaram-se agentes transformadores que exercem uma influência
muito grande sobre os recursos humanos, a sociedade e o meio ambiente em que estão
inseridas. Os empresários, neste novo papel, tornam-se cada vez mais aptos a
compreender e participar das mudanças estruturais na relação de forças nas áreas
ambiental, econômica e social.

4. REFERÊNCIAS
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