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Cumprindo a norma técnica, pode-se evitar incêndios em

subestações elétricas
qualidadeonline.wordpress.com/2014/06/15/cumprindo-a-norma-tecnica-pode-se-evitar-incendios-em-
subestacoes-eletricas
15 de junho de
2014

Normalmente, nesse tipo de instalação elétrica,


algumas perguntas são inevitáveis. Para uma dada
subestação qual o grupo de equipamentos que
apresenta o maior risco de incêndio para a sua
continuidade operacional? Se um incêndio
ocorresse em uma subestação, em que locais a
sua propagação poderia rapidamente envolver
outros equipamentos?

Dessa forma, em um projeto de subestação de energia elétrica há um grande esforço em


assegurar a confiabilidade do sistema. Além disso, os equipamentos são testados para
um conjunto de especificações rígidas, tendo por intenção garantir a confiabilidade.

Porém, quando da instalação dos sistemas primários e secundários, devem ser


instalados no mesmo espaço físico. Dentro desse contexto, qual o significado em investir
na confiabilidade dos sistemas elétricos, se a sua redundância será comprometida no
caso de um incêndio? E quanto aos custos de manutenção ao longo do ciclo de vida se os
produtos da combustão e o impacto das ondas de choque proveniente de uma explosão
poderão torná-los inoperantes? É claro que os estudos sobre a confiabilidade não levam
em consideração os riscos de incêndios ou as perdas associadas.

Na verdade, no país, nos últimos 30 anos, os apagões entraram na lista das grandes
ameaças para a sociedade, muitos dos quais devidos a incêndios. Os custos resultantes
dos incêndios/explosões no setor elétrico são: perda de geração e/ou distribuição;
substituição de equipamentos (ou seja, transformadores, disjuntores, etc.) destruídos ou
danificados; deslocação de equipamentos e instalação de uma nova unidade; limpeza e
reparação dos sistemas elétricos resultante da fumaça; despesas de colocação em
serviço dos equipamentos substituídos; danos ambientais; litígios jurídicos; etc..

Igualmente, precisa-se conhecer as principais atividades da manutenção de


subestações. Elas incluem as inspeções periódicas, a manutenção preditiva, preventiva e
corretiva em equipamentos de transformação, manobras, serviços auxiliares, baterias,
retificadores, compressores, pára-raios, Transformadores de Potencial (TPs);
Tranformadores de Corrente (TCs) ; Grupos Auxiliares de Emergência; sistemas de ar
condicionado; sistemas anti-incendio (Mulsyfire); subestações blindadas a SF6
( hexafluoreto de enxofre); subestações móveis; compensadores síncronos; entre outros.

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A NBR 13231 de 04/2014 – Proteção contra incêndio em subestações elétricas
estabelece os requisitos mínimos exigíveis para proteção contra incêndio em
subestações elétricas, de sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia. As
subestações podem ser do tipo externa ou interna, convencional ou compacta. Esta
norma não se aplica a subestação compacta blindada e subestação ou transformadores
móveis.

A última revisão da NBR 13231 foi realizada pelo ABNT/CB 24 em 2005 e teve como
intuito identificar e adequar as práticas e tecnologias de segurança contra incêndio em
subestações elétricas, além de consolidá-la junto a normas de âmbito internacional
específicas sobre o assunto. A revisão atual inclui mudanças de formatação segundo os
novos padrões da ABNT e atualiza as práticas de proteção contra incêndio em
subestações elétricas, aprimorando procedimentos e incorporando tecnologias seguras
de prevenção e combate ao incêndio, incluindo também aspectos relacionados ao risco
ambiental na proteção contra incêndio.

As alterações incluídas nesta norma foram baseadas na pesquisa de Comitês Técnicos


especializados, experiências de campo adquiridas do incêndio de subestações elétricas,
avanços na engenharia de proteção contra incêndio e em normas internacionais aqui
referenciadas. O impacto do risco de incêndio na saúde, segurança, continuidade de
serviço e preservação patrimonial é a razão para promover a prevenção, proteção e
outras medidas de segurança contra incêndio.

Os riscos de incêndio são condições que criam o potencial para um incêndio e possuem
no mínimo os seguintes atributos: importância de um possível incêndio; consequência
da perda em potencial; e a probabilidade de ocorrência em algum momento. O processo
de análise e identificação dos riscos de incêndio deve ser usado em subestações novas e
existentes para determinar o nível apropriado de proteção contra incêndio para mitigar
as consequências do incêndio. A análise dos riscos de incêndio deve ser realizada por um
time constituído de projetistas da subestação, especialistas na proteção contra incêndio
e pessoal de operação, de forma que todas as perspectivas estejam incluídas no
processo.

A probabilidade de incêndio e potencial magnitude de suas consequências devem ser


quantificadas para ajudar a justificar a necessidade de proteção contra incêndio. Os
registros históricos de incêndios em subestações também ajudam na análise dos riscos
de incêndio.

A análise dos riscos de incêndio deve ser documentada e estar disponível junto ao
projeto executivo da subestação. Os itens a seguir apresentam riscos de incêndio
conhecidos, encontrados em subestações. Para informações adicionais, consultar NFPA
851 e folhas de dados da Factory Mutual: FM Data Sheets 5-4, 5-19 e 5-31.

Óleo mineral é o líquido isolante de uso predominante em transformadores e outros


equipamentos elétricos, que constitui um dos principais riscos de incêndio em uma
subestação. Consequentemente, muito desta norma trata de riscos e meios de proteção
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com base em incêndios de óleo mineral. Com base na massa e potencial de liberação de
energia, um equipamento isolado em óleo mineral é normalmente a maior fonte de
combustível presente na maioria das subestações, incluindo: transformadores e
reatores: tanques principais, buchas, radiadores, conservadores, comutadores de
derivação em carga e bombas de resfriamento; transformadores de instrumentos;
reguladores de tensão; disjuntores; cabos isolados a óleo, tubulares, caixas e juntas de
transição; capacitores; sistemas de óleo lubrificantes (por exemplo, para compensadores
síncronos); casas de bomba e plantas processadoras de óleo.

Existem vários líquidos isolantes alternativos com melhores propriedades de segurança


contra incêndio, desenvolvidos com pontos de fulgor e combustão mais altos, que são
reconhecidos como fluidos dielétricos que reduzem os riscos de incêndios em relação ao
óleo mineral. Esses fluidos são classificados como fluidos de alto ponto de combustão ou
classe K, e são um meio eficaz de reduzir o risco de incêndio em uma subestação.

Fluidos de alto ponto de combustão ou classe K são líquidos isolantes para uso em
transformadores ou outros equipamentos, que possuem ponto de combustão mínimo
de 300 °C pelo método de ensaio “vaso aberto Cleveland”, conforme NBR 11341. A
designação “classe K” é estabelecida pela NBR 5356-2. Anteriormente eram
denominados “fluidos resistentes ao fogo”.

A Tabela 1 (disponível na norma) apresenta exemplos de fluidos dielétricos de alto ponto


de combustão (classe K) e seus respectivos valores de ponto de fulgor, combustão e nível
máximo de contaminação com óleo mineral, para atender à classificação de fluidos de
alto ponto de combustão (classe K). Para comparação, o óleo mineral isolante possui
ponto de fulgor de 145 °C e ponto de combustão de 160 °C. Outras fontes de
combustível que podem ser encontradas em subestações incluem: compensadores
síncronos refrigerados a hidrogênio; oxiacetileno para fins de manutenção e construção;
casa de baterias; gás hidrogênio gerado no carregamento de baterias; aquecimento
gerado por curtos-circuitos ou avalanches térmicas; geradores a diesel ou gás, e células
combustíveis para energia elétrica de emergência; células de aquecimento a gás; e
armazenamento, manuseio e distribuição de líquidos inflamáveis e combustíveis.

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