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FACULDADE MADRE THAÍS - FMT

BACHARELADO EM DIREITO

Como interpretar o Direito?

ILHÉUS
DEZEMBRO/2019
FACULDADE MADRE THAÍS - FMT

Discentes: Débora Almeida e Júlia Lino

Resumo solicitado pelo professor, Josevandro


Nascimento, Introdução ao estudo do Direito (IED), do
primeiro semestre, noturno, do curso de direito da
Faculdade Madre Thaís – FMT.

ILHÉUS
DEZEMBRO/2019
TEMA: Como interpretar o Direito? (Ricardo Maurício Freire Soares)

A hermenêutica crítica de Habermas procura ligar a objetividade dos processos históricos aos
motivos que neles atuam. Habermas recorre a psicanálise como modelo de uma ciência social
dialético-hermenêutica com intuito libertário. Ele introduz o pensamento hermenêutico na
metodologia das ciências sociais afim de demonstrar as deficiências das atuais abordagens
interpretativas.
Em continuidade, ele acredita que a verdade é alcançada consensualmente por meio de uma
dialética discursiva em que os falantes estejam submetidos a algumas regras que garantam certa
isonomia, possibilitando uma atmosfera classificada como: situação de discurso ideal. Ele propõe
uma reconstrução racional da interação linguística, pois mediante a competência comunicativa,
os indivíduos fazem afirmações sobre os fatos da natureza, julgam os padrões de comportamento
social e exprimem os seus sentimentos pessoais, criando portanto, condições de possibilidade de
um consenso racional acerca da institucionalização das normas do agir.
 O problema da interpretação do Direito:
Os elementos constituintes dessa teoria hermenêutica já aparecem esboçados no fim do
século XVIII, pois, com base na noção de sistema cunhada pelo jusnaturalismo, entendia-
se que interpretar o Direito significava a inserção da norma na totalidade do sistema,
colocando a questão geral do sentido da ordem normativa. Dando margem para o
surgimento da elaboração de 4 técnicas sistematizadas pelo pensamento de Savigny no
século XIX dentre as quais são : interpretação gramatical( que buscava o sentido vocabular
da lei) , interpretação lógica (que visava ao sentido proposicional) , a sistemática (que
procura sentido global) e a histórica (que se destinava ao sentido genético).
Posteriormente a hermenêutica jurídica ganha outro rumo, deixando de residir somente na
enumeração de técnicas interpretativas, para referir-se ao estabelecimento de uma
verdadeira teoria de interpretação, cujo ponto comum é o problema do sentido.
Diante disto o jurista deve considerar o ordenamento jurídico dinamicamente como uma
viva e operante concatenação produtiva, como um organismo em perene movimento que
imerso no mundo atual, é capaz de autointegrar-se , segundo um desenho atual de
coerência de acordo com as mutáveis circunstâncias da sociedade. A tarefa de interpretar
que afeta ao jurista não se esgota com o voltar a conhecer uma manifestação do
pensamento, mas busca também integrar a realidade social em relação com a ordem e a
composição preventiva dos conflitos de interesses previsíveis.
Deste modo a interpretação jurídica com toda modalidade de interpretação contém um
momento cognoscitivo e uma função normativa, consistente em obter máximas de decisão
e ação prática, visto que a interpretação mantém a vida da lei e das outras fontes de
Direito. A interpretação jurídica se põe em relação com a interpretação do jurista com
finalidade teórica, histórica ou comparativa ( pela qual entra uma das figuras de
interpretação meramente recognoscitiva e de outro lado a interpretação com finalidade
prática em função normativa da conduta que se espera diante de um direito em vigor ,
tendo em vista a sua aplicação.
Diante disso seria um equívoco acreditar que a disciplina codificada não apresenta
lacunas jurídicas e que seja direito vivo e vigente tudo o que está escrito no código ou
acreditar que é possível imobilizar o Direito e paralisar o seu dinamismo com o formalismo
na aplicação abstrata da lei. Logo, a interpretação que interessa ao Direito é uma atividade
dirigida a reconhecer e a reconstruir o significado que há de ser atribuído pelo hermeneuta
a formas representativas do fenômeno jurídico, com base em uma estrutura cambiante de
valorações sociais. É importante ressaltar que toda norma figura, pelo simples fato de ser
posta, passível de uma interpretação reconstrutiva pelos aplicadores do Direito.
 Caracteres da interpretação do Direito:
O mundo jurídico é associado a uma grande rede de interpretações, visto isso, os
profissionais do Direito estão a todo momento, interpretando a ordem jurídica. A
interpretação do Direito opera uma verdadeira compreensão, desenvolvendo-se em uma
dimensão axiológica. Nas ciências sociais a explicação pode ser vista genericamente como
subjetiva, neutra, refratária ao mundo dos valores. Quando algo está sendo explicado está
sendo realizado uma descrição ontológica do “objeto” em questão. Portanto as ordens
sociais, inclusive a jurídica , são objetos da cultura humana, constituindo realidades
significativas que devem ser corretamente interpretadas.
Toda atividade interpretativa tem de visar, na ordem, aquilo que é compreensível, isto
é, inteligível em sentido concreto. Para a apreensão da ordem jurídica deve haver um
método adequado de natureza empírico-dialética constituído pelo ato gnoseológico da
compreensão. Portanto o significado de ordenamento jurídico assim como o de todo o
objeto cultural, revelam-se em um processo dialético entre seu substrato e sua vivência
espiritual. O ir e vir dialético manifesta-se por meio do confronto entre o texto normativo e a
realidade normada, assim também a hermenêutica jurídica se processa.
O intérprete do Direito atua como verdadeiro porta-voz do entendimento societário, à
proporção que exterioriza os valores fundantes de uma comunidade jurídica.
 Interpretação do Direito e a linguagem humana:
Essa relação é realizada pois, todo objeto hermenêutico é uma mensagem promanada de
um emissor para um conjunto de receptores ou destinatários. O termo semiótica passou a
referir uma teoria geral dos signos linguísticos. Dessa forma o signo linguístico ( palavras
ou componentes das palavras, sons ou letras) é um dos elementos que formam a
totalidade linguística. O referencial linguístico por sua vez é indispensável para o
desenvolvimento dos processos decisórios. Quando um jurista interpreta ele está desde
jogado na linguisticidade desse mundo do qual ao mesmo tempo fazem parte o sujeito e o
objeto. Nesse sentido a semiótica geral e jurídica pretende abordar a dialética entre a
linguagem corrente e a linguagem técnico-científica. A linguagem possui diferentes origens
dentre as quais destacam-se: natural, corrente ,artificial, técnico científico. Destaca-se
também a tridimensionalidade dos signos linguísticos desenvolvendo análises sintática
,semântica e pragmática do discurso. Ao decodificar a linguagem estampada no modelo
normativo, o intérprete opera verdadeira paráfrase.
A norma jurídica não fala por si só o hermeneuta exterioriza os seus significados por
meio de uma atividade compreensiva a aberta aos valores comunitários. Interpretar
consiste de ponto de vista semiótico, em descobrir o sentido e o alcance dos modelos
normativos procurando a significação dos signos jurídicos. O operador do direito ao aplicar
a norma ao caso a interpreta pesquisando o seu significante. Na redação de um texto
científico-jurídico, o jurista expõe suas conclusões em uma sequência de proposições
descritivas com o escopo de obter o convencimento. As normas jurídicas veiculam
mensagens, notadamente polissêmicas( ela deve ser resolvida mediante ao
reconhecimento das diferenças entre linguagem comum e linguagem técnico-científica e o
seu emprego das analises sintáticas ,semântica e pragmáticas sobre o discurso do
ordenamento jurídico), visto que comportam diversos significados.
 Técnicas de interpretação do Direito:
Tradicionalmente, a doutrina vem elencando as seguintes técnicas interpretativas:
gramatical(por meio dela o hermeneuta se debruça sobre as expressões normativas,
investigando a origem etimológica dos vocábulos e aplicando as regras estruturais de
concordância ou regência ,verbal e nominal) ,lógico-sistemática(busca do sentido global da
norma em um conjunto abarcante, envolvendo sempre uma teologia, exige uma visão
ampliada da norma dentro do ordenamento jurídico),histórica( o intérprete do Direito
perquire os antecedentes imediatos e remotos do modelo normativo), sociológica (
interpretação do direito objetiva, conferir a aplicabilidade da norma jurídica às relações
sociais que lhe deram origem relacionar com as necessidades atuais da comunidade
jurídica) , teológica ( serve de norte para os demais processos hermenêuticos , converge
todas as técnicas interpretativas em função dos objetivos que informam o sistema jurídico,
toda interpretação jurídica ostenta uma natureza teológica , fundada na consistência
axiológica do Direito).
 Interpretação do Direito e o binômio segurança jurídica x justiça:
O valor da segurança jurídica e a convicção da certeza do direito comportam a
relativização em determinadas circunstâncias a fim de que se realize em um dado caso
concreto a melhor interpretação e aplicação de um direito justo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. Soares, R. M. F. Hermenêutica e Interpretação Jurídica. 4.ed. – São Paulo: Saraiva


Educação, 2019.

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