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Leitura e Produção

de Textos
Leitura e Produção
de Textos

1ª edição
2017
Unidade 5
Nova ortografia e
tópicos gramaticais
5
Para iniciar seus estudos

O que é a nova ortografia? Você conhece as novas regras ortográficas?


Quais as diferenças entre concordâncias verbal e nominal? Quando
devemos empregar a crase? Como utilizar as regências verbal e nominal
de forma correta? Como empregar bem os sinais de pontuação? Ficou
curioso? São essas perguntas que vamos responder ao longo desta uni-
dade.

Objetivos de Aprendizagem

• Compreender o porquê de termos uma nova ortografia.


• Utilizar as novas regras ortográficas.
• Acentuar as regras de concordância nominal e verbal.
• Compreender o uso da crase, empregando-a adequadamente.
• Utilizar as regras de regência verbal e nominal.
• Aplicar os sinais de pontuação no texto.

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5.1 O Novo Acordo Ortográfico


Escrever de acordo com a nova ortografia é uma tarefa, para muitos, muito árdua, não é mesmo? No entanto,
basta estudar as normas estabelecidas pelo Novo Acordo Ortográfico e colocar isso em prática, lendo e treinando
bastante a nova escrita de nossa língua. Mas, antes de começar a discutir esse assunto, vamos entender a origem
e o porquê de termos uma nova ortografia. Vamos lá!
Você sabia que não é de agora o empenho para modificar a língua portuguesa? Pois é, ao longo da história, con-
tamos com três ciclos pelos quais o nosso sistema ortográfico passou,que foram:
• o da ortografia fonética ou período arcaico: neste ciclo (séculos XIII a XVI), a escrita procurava ter a pro-
núncia como sua base, não sendo grafadas as letras que não fossem pronunciadas, como o h (AZEREDO,
2009);
• o pseudoetimológico: a escrita greco-latina influenciou, e muito, o sistema de escrita anterior, tendo
o latim tornado-se o modelo de escrita da língua portuguesa. Foi o tempo das palavras escritas com th
(theatro), ph (pharmácia) e ch (chrisma), o que dificultou a grafia de outras palavras, gerando erros como
em egreja e eschola (AZEREDO, 2009);
• a fase simplificada: neste ciclo, estudou-se as tendências da língua, eliminando os símbolos da etimo-
logia grega, como th, ph, ch /k/, rh e y; excluindo as consoantes mudas, por exemplo: sancto – santo,
septe – sete; e regularizando a acentuação gráfica (AZEREDO, 2009).

Figura 5.1 – Capa da primeira edição em latim do livro de René Descartes, Meditationes de prima philosophiphy.

Legenda: Antes do Acordo Ortográfico de 1943 (da fase simplificada), o latim era a base da grafia de nossa lín-
gua. Podemos citar como exemplo o que ocorria aqui no Brasil com a escrita da palavra Philosophia (Filosofia).
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Meditationes_de_prima_philosophia_1641.jpg

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Como acabamos de perceber, a língua portuguesa está em uma constante reforma. A respeito da importância da
língua e sua padronização, Azeredo (2009, p. 11) reconhece que “Qualquer língua expressa a cultura da comu-
nidade que a fala, transmitindo-a através de gerações e fazendo-a circular no seio dessa comunidade”. Além de
comentar o peso e valor que uma língua possui dentro de uma cultura, Azeredo (2009, p. 13-15) entende que
A ortografia de uma língua consiste na padronização da forma gráfica de suas palavras para o
fim de uma intercomunicação social universalista. [...] Uma língua é muito mais que um meio de
comunicação; ela é, sobretudo, um patrimônio historicamente construído pelas sociedades que
a falam e, em muitos casos, também escrevem.
Mas, e quanto ao Novo Acordo Ortográfico? Vamos compreender agora o contexto desse importante aconteci-
mento em nosso idioma.
A Nova Ortografia parte de um consenso entre os países falantes da língua portuguesa – Portugal, São Tomé,
Angola, São Tomé e Príncipe e Brasil –, cujo objetivo foi defender nosso idioma de possíveis degradações, atri-
buindo a ele uma unidade a fim de atender às necessidades da língua portuguesa (AZEREDO, 2009). Foi em 1990
que o pacto do Novo Acordo foi homologado. No entanto, sua implementação obrigatória no Brasil foi apenas a
partir do ano de 2013, sendo os dois objetivos principais desse acordo os seguintes:
[...] o primeiro é fixar e restringir as diferenças de escrita atualmente existentes entre os falantes da
língua; o segundo é ensejar uma comunidade que se constitua num [sic] grupo linguístico expres-
sivo, capaz de ampliar seu prestígio junto aos organismos internacionais (AZEREDO, 2009, p. 24).
Como fomos capazes de entender, o Novo Acordo Ortográfico não existe para “complicar” a nossa escrita, como
muitos dizem. Ele foi proposto para que nossa língua obtivesse mais prestígio, tendo igualdade na grafia dos
países falantes de nosso idioma. Por isso, é muito importante entender que esse pacto conferiu unidade e mais
prestígio à nossa ortografia. E mais: ele já está em vigência obrigatória nas escolas, nas instituições de Ensino
Superior e nos concursos públicos. Desse modo, é fundamental conhecer as novas regras e adaptar-se a elas!

Não foi de uma hora para outra que o Novo Acordo Ortográfico virou objeto de aceitação
consensual pelos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial. Para saber mais
sobre esse assunto, acesse o texto Novo Acordo Ortográfico, de Carlos Alberto Faraco (2013),
no seguinte link: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/EscrevendoFuturo/arquivos/187/
novoacordo2.pdf>. Boa leitura!

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5.2 Aprendendo a usar a nova ortografia: principais mudanças


e regras ortográficas
Você sabia que, com o Novo Acordo Ortográfico, temos, hoje, 26 letras e não mais 23? Pois bem, esse é um dos
resultados do pacto por uma nova ortografia do nosso idioma. Vamos ver agora as principais mudanças que
devem ser adotadas em nossa escrita. Acompanhe!

5.2.1 Trema e acentuação

A mudança na acentuação de algumas palavras foi uma das principais alterações sofridas pelo nosso idioma
escrito, bem como a exclusão do uso do trema. O curioso é que, em certas grafias, é permitida a sua duplicidade,
sem que isso seja percebido como um erro. Escrever fêmur ou fémur, tênis ou ténis, bebé e bebê, por exemplo, é
aceitável, e isso é fruto do Novo Acordo que estamos a estudar nesta unidade! Nesses casos, são aceitas as duas
formas de acentuação, sendo o acento agudo utilizado, nessas palavras, mais comumente no Português euro-
peu. Veja o que mudou na acentuação:
• o trema foi abolido, não sendo mais usado para acentuar palavras como “arguição” (antes, escrevíamos
argüição), “bilíngue” (antes, escrevíamos bilíngüe), “eloquência” (antes, o correto era escrever eloqüên-
cia) etc.;
• as palavras terminadas em “oo” não recebem mais o acento circunflexo. Se, antes, escrevíamos “vôo”,
hoje, escrevemos “voo”, e assim por diante. Veja alguns exemplos da grafia atual: enjoo, abençoo, leiloo
etc.
• verbos terminados em “eem” também perderam o acento circunflexo. Veja alguns exemplos: creem,
veem, leem, deem etc.

Cuidado para não confundir as formas verbais “veem” (do verbo “ver”) e vêm (do verbo “vir”).
Este último continuará recebendo o acento circunflexo quando estiver referindo-se à ter-
ceira pessoa do plural, por exemplo: “Eles vêm cedo à escola” (veja que utilizamos o verbo
“vir”). Por outro lado, podemos dizer que “Eles veem de longe a escola”, empregando a forma
verbal “veem”, do verbo “ver”. Além disso, não se esqueça de que a forma verbal “pôde”
(verbo “poder’, no pretérito perfeito) continua recebendo o acento circunflexo.

• Os ditongos abertos “éi”, “éu” e “ói” de palavras paroxítonas não são mais acentuados. Veja alguns
exemplos: ideia, alcateia, assembleia, heroico, paranoico etc.
• Atente-se para a permanência do acento nesses mesmos ditongos quando se tratar de monossílabos e
oxítonos, como: céu, papéis. Nesses casos, a regra anterior ao acordo ortográfico não sofreu modifica-
ções. Não se usa mais acento agudo em “i” e “u” de palavras paroxítonas quando eles forem precedidos

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de ditongo. Antes, escrevíamos feiúra, baiúca e bocaiúva; agora, a grafia correta deve ser a seguinte:
feiura, baiuca e bocaiuva.
• Não se acentua palavras paroxítonas que tenham a mesma pronúncia para diferenciá-las; observe o qua-
dro a seguir:

Quadro 5.1 – Acentuação em palavras paroxítonas homógrafas.

Antes do Novo Acordo Depois do Novo Acordo

Pára (do verbo parar); Para (preposição) Para (do verbo parar); Para (preposição)

Pélo (do verbo pelar); Pêlo (substantivo); Pelo (do verbo pelar); Pelo (substantivo);
Pelo (preposição) Pelo (preposição)

Pólo(s) (substantivo); Polo(s) [combinação antiga e Polo(s) (substantivo); Polo(s) [combinação antiga e
popular de por e lo(s)] popular de por e lo(s)]

Legenda: As palavras homógrafas não recebem mais acento para serem diferenciadas na escrita.
Fonte: Adaptado de Faraco (2013).

Glossário

Ditongo: consiste no encontro de uma vogal e uma semivogal em uma mesma sílaba, por
exemplo: “história” (i é a semivogal; a é a vogal).
Homógrafa: palavras homógrafas são aquelas que possuem grafia idêntica, mas pronúncia
diferente, por exemplo: sede (“Tenho sede de água”) e sede (“A sede da comissão fica no
outro bairro”).

Agora que aprendemos quais foram as alterações na acentuação de nosso idioma, vamos compreender as
mudanças quanto ao uso do hífen.

Conheça mais exemplos das alterações na acentuação de palavras em língua portuguesa.


Confira o Guia prático da nova ortografia, de Douglas Tufano, e saiba mais sobre a Nova
Ortografia! Acesse: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/EscrevendoFuturo/arqui-
vos/188/Guia_Reforma_Ortografica_CP.pdf>.

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5.2.2 Sobre o uso do hífen

Você acha estranho a escrita de “minissaia”, “ideia”, “joia” (sem acento) e “macrorregião”? Pois é, esses são
alguns exemplos de palavras que sofreram modificações em razão do Novo Acordo Ortográfico. No item anterior,
conhecemos as mudanças ocorridas na acentuação; agora, vamos nos deter nas regras do uso do hífen. Observe
o quadro a seguir e veja as alterações ocorridas em palavras compostas:

Quadro 5.2 – Mudanças no uso do hífen.

O que foi alterado Exemplos

Em palavras formadas por prefixação, só se emprega o Pré-história, super-homem, pan-helenismo, semi-


hífen quando o segundo elemento começar por h. hospitalar.

Não se usa o hífen em certos compostos nos quais se Mandachuva e paraquedas.


perdeu a noção de composição.

Não se usa o hífen nas palavras formadas com os prefixos Desumano, inábil, inumano.
des e in e nas quais o segundo elemento perdeu o h
inicial.

Quando o prefixo terminar na mesma vogal com que se Contra-almirante, anti-idade, auto-observação,
inicia o segundo elemento, usa-se o hífen. micro-ondas, infra-axilar.

Não se usa o hífen quando o segundo elemento começa Antirreligioso, antissemita, contrarregra, infrassom.
com s ou r, devendo essas consoantes serem duplicadas.

Quando os prefixos terminarem com r, ou seja, hiper, Hiper-requintado, inter-resistente, super-revista.


inter e super, empregamos o hífen.

Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e Extraescolar, aeroespacial, autoestrada,
o segundo elemento começa com uma vogal diferente. autoaprendizagem, antiaéreo, agroindustrial,
hidroelétrica.

Não se usa o hífen em composições em que haja o Coadministrador, coautor, coeditor, coeducador,
prefixo co. coexistência, coigual, coindicação etc.

Quando houver o prefixo co ligado ao segundo Coabitar e coerdeiro.


elemento iniciado por h, excluímos essa consoante e não
empregamos o hífen.

Legenda: As mudanças no uso do hífen envolvem os casos de palavras compostas.


Fonte: Adaptado de Faraco (2013).

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Se você fosse um professor do Ensino Fundamental e seus alunos tivessem sido alfabetiza-
dos de acordo com a antiga ortografia, que ferramentas e estratégias você utilizaria para
ensinar a eles a Nova Ortografia?

Como você percebeu, as novas regras ortográficas não são tão difíceis quanto parecem. Mas, para que você con-
siga aprender a utilizá-las de forma correta, é muito importante exercitar as novas grafias e sempre ter ao lado a
famosa gramática ou um manual da Nova Ortografia!

Como inserir nossos alunos no maravilhoso universo da Nova Ortografia? Existem alguns
métodos tecnológicos que auxiliam e muito no processo de ensino-aprendizagem das novas
regras ortográficas. Confira o artigo de Marques e Silva (2012), OrtograFixe - Um jogo para
apoiar o ensino-aprendizagem das regras da nova reforma ortográfica, e veja que o
ensino atual conta com muitos recursos para a melhor aprendizagem de nossos alunos! Boa
leitura! Acesse: <http://br-ie.org/pub/index.php/wcbie/article/view/1880/1645>.

5.3 Seguindo a gramática


Nesta unidade, além de nos dedicarmos ao aprendizado da Nova Ortografia, vamos estudar alguns tópicos da
gramática para que possamos nos expressar melhor na fala e na escrita. Mas, antes disso, é fundamental com-
preender os fundamentos da gramática, uma vez que é sobre ela que discutiremos agora. Vamos adiante!
Você sabia que a gramática é um instrumento que existe há muito tempo e que foi, inclusive, estudada dois mil
anos antes de Cristo? Faraco (2006, p. 16) explica que:
Os babilônios, por exemplo, já se dedicavam a esse tipo de estudo por volta do ano 2.000 a. C. Os
hindus desenvolveram uma forte tradição gramatical por volta do século IV a. C. No mesmo perí-
odo, os chineses estavam também iniciando suas reflexões gramaticais.
De acordo com o que já sabemos, a gramática é um material que estabelece as diretrizes e normas de nosso
idioma, a fim de apresentar as regras para o uso adequado da língua. Assim, esse instrumento sempre será um
apoio para nós, pois contém informações que vão desde aspectos fonéticos e fonológicos até a estruturação
gramatical. Para passar em um concurso público, por exemplo, o estudo das regras ortográficas, estruturas sin-
táticas, emprego da crase e concordâncias é obrigatório, uma vez que demonstra as capacidades do candidato
para ocupar o cargo em disputa.

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Figura 5.2 – Primeira tradução inglesa da gramática de Dionísio de Trácia.

Legenda: A primeira gramática que deu ênfase à linguística foi escrita no século XIX pelo gramático grego
Dionísio de Trácio, “A arte da gramática”, sendo esta traduzida posteriormente a outras línguas.
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Dionysius_Thrax._Grammar._Davidson._1874._Portada.jpg

A gramática não pode ser vista como um “bicho de sete cabeças”, como muitos dizem. Em seu ensino, deve haver
a contextualização da norma que se estuda, a fim de que o aluno possa entender a importância das variantes da
língua e do emprego de suas normas nas mais distintas situações. A respeito desse contexto, Faraco (2016, p. 26)
considera que é de suma importância refletirmos sobre o uso da língua, entendendo que:
Não cabe, no ensino de português, apenas agir no sentido de os alunos ampliarem seu domínio
das atividades de fala e escrita. Junto com esse trabalho (que é, digamos com todas as letras, a
parte central do ensino), é necessário realizar sempre uma ação reflexiva sobre a própria língua,
integrando as atividades verbais e o pensar sobre elas.
Com base nisso, percebemos que tanto o ensino como o aprendizado da gramática devem ser atividades prazerosas
e instigantes, cuja reflexão leve ao bom emprego de nosso idioma a fim de revelar nossas competências na língua.

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Portanto, veja que a gramática não pode ser encarada como um objeto que engessa a nossa língua, mas como
um instrumento que nos apoia e nos instrui a desenvolver as muitas capacidades que temos sobre nosso idioma.
Quem fala bem e escreve bem demonstra um bom grau de instrução, não é mesmo?

Por que existem padrões em nosso idioma? A quem pertencem as regras da língua? Leia o
artigo de Carlos Alberto Faraco (2006), Ensinar x Não ensinar gramática: ainda cabe essa
questão?, e veja as respostas a essas perguntas. Acesse: <http://revistas.unisinos.br/index.
php/calidoscopio/article/view/5983/0>.

5.3.1 Aprendendo a utilizar as concordâncias verbal e nominal

Certamente, você já deve ter observado algumas placas com frases semelhantes a essas: “Proibido a entrada de
animais!”, “Está aberta as matrículas para 2017” etc. Mas será que esses anúncios estão em desacordo com a
norma padrão culta? Sim, e como estão! Os equívocos que podemos perceber referem-se às concordâncias ver-
bal e nominal, cujas regras vamos conhecer adiante.
Quando nos referimos a uma proibição e utilizamos artigo, o correto é concordar o termo proibido com o subs-
tantivo que segue o artigo. No caso do segundo exemplo, o problema está na concordância verbal, já que, quando
utilizamos as matrículas, a conjugação do verbo deverá estar no plural.

5.3.2 Concordância nominal

A concordância nominal ocorre quando artigos, adjetivos, pronomes e numerais concordam – em gênero e
número – e são flexionados de acordo com o substantivo. Vejamos agora os casos mais importantes.

a. Meio ou meia?

A palavra “meio” pode significar tanto “metade” como ser um advérbio, que significa “um pouco”. Esse elemento
não pode variar (ir para o plural, por exemplo) quando fizer referência ao sentido de “um pouco”.
Dessa forma, não podemos dizer “Estou meia cansada”, pois não há alguém que possa ficar “metade” cansada,
não é mesmo? Assim, o advérbio “meio” deve ser empregado como nos exemplos a seguir.
• A palestra está meio (um pouco) cansativa.
• Aquela moça está meio (um pouco) triste esta semana.

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Quando a palavra “meio” significar “metade”, ele será um adjetivo. Dessa forma, ele pode variar, dependendo do
gênero (feminino ou masculino) e número (plural ou singular), conforme os exemplos a seguir.
• Pedi meio copo de suco de laranja ao garçom.
• A professora comeu meia maçã nesta manhã.
• Pare de falar meias verdades!
• Não quero meios agrados!
Viu como meia significa “metade”, neste caso? Mas ela também pode ser um substantivo, como a “meia” que
calçamos para usar com o sapato.

O vocábulo “meio”, além de ser advérbio ou adjetivo, também pode ser um substantivo.
Nesse caso, ele será variável (quanto ao número), como nos exemplos a seguir: “Utilizamos
meios seguros na viagem”, “Precisamos encontrar um meio mais eficiente para finalizar o
projeto”, “O meio no qual estou inserido apresenta muitos conflitos entre as pessoas” etc.

b. Possível

Combinada com as expressões “o mais”, “o menos”, “o pior” ou “o melhor”, a palavra “possível” será invariável, ou
seja, ficará no singular; por exemplo:
• Precisamos o maior número de candidatos possível.
• O resultado que esperamos é o melhor possível.
No entanto, a palavra “possível” pode ir para o plural quando os artigos “o” e “a” estiverem no plural; por exemplo:
• Buscamos as casas mais baratas possíveis.
• Queremos os menores telefones possíveis.

c. Anexo ou em anexo?

O emprego do “anexo” ou do “em anexo” causa muitas dúvidas, principalmente quando se escreve um e-mail.
Mas vejamos o que é, de fato, o correto.
A expressão “em anexo” (ou “no anexo”) só deverá ser utilizada se encaminharmos um anexo com outro docu-
mento dentro dele. Se enviarmos uma pasta zipada com fotos por e-mail, por exemplo, podemos dizer que “As
fotos vão em anexo”, ou seja, “dentro do anexo”, que é a pasta zipada.

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A palavra “anexo”, por sua vez, sempre vai variar, dependendo do substantivo ao qual estiver relacionada; por
exemplo:
• As planilhas seguem anexas.
• Encaminho anexo o documento solicitado.
• Anexos seguem os relatórios do mês passado.

d. Mesmo e só

Quando a palavra “mesmo” for equivalente a “de fato” (advérbio), será invariável; por exemplo:
• Os alunos empenharam-se mesmo para vencer o concurso de matemática.
Quando “mesmo” for um adjetivo, ele será variável; por exemplo:
• Eles mesmos arrecadaram os alimentos.
• Ela mesma inventou aquele texto.
Quanto ao uso da palavra “só”, é importante que você entenda que ela pode significar “somente” ou “sozinho(a)”.
Veja que se “só” for equivalente a “somente”, será sempre invariável; por exemplo:
• Naquele evento de Natal, estavam somente os funcionários do RH. Ou seja: Naquele evento de Natal,
estavam só os funcionários do RH.
Por outro lado, será variável se tiver o sentido de “sozinho(a)”, observe:
• As alunas estavam sós na sala de aula.
• Percebi que ele se sentia muito só naquele domingo.

e. Obrigada ou obrigado?

Você já deve ter perguntado-se alguma vez: “devo dizer ’obrigada’ ou ‘obrigado? ’”. Isso vai depender da seguinte
situação: se a mulher estiver agradecendo a alguém, sempre vai dizer “obrigada”. Por outro lado, quando um
homem fizer um agradecimento, sempre dirá “obrigado”, independentemente do gênero da pessoa a quem esti-
ver agradecendo. Simples, não?

Com relação à concordância quanto ao número, a palavra obrigado também deve concor-
dar com o sujeito que agradece. Veja mais informações neste link: <http://porticodalingua-
portuguesa.pt/index.php/duvidas-da-lp/dificuldades/item/obrigado-ou-obrigada-2>.

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Veja exemplos de uso desse vocábulo com o sentido de agradecimento:


• Ela disse obrigada ao carteiro após receber o envelope.
• Elas disseram obrigadas ao pai pelos presentes.
• Obrigado pela lembrança – disse o avô à sua neta.
• Os meninos disseram obrigados para os organizadores da festa.

f. Proibido, necessário e permitido

As palavras “proibido” e “permitido” sempre serão variáveis quando o substantivo tiver um artigo que o antecede;
por exemplo:
• É proibido o uso de chapéu neste ambiente.
• É proibida a entrada de animais.
• A entrada de animais é permitida.
• É permitido o uso de capacete.
Por outro lado, essas mesmas palavras serão invariáveis quando fizerem referência a uma forma verbal ou quando
não houver artigo; por exemplo:
• Proibido fumar.
• É proibido o uso do celular neste local.
• É proibido entrar sem camisa neste ambiente.
• É proibida a entrada de pessoas estranhas.
• Permitido falar alto.
Com a palavra “necessário”, sempre que o substantivo for precedido de artigo ou pronome, existirá a variação do
termo; por exemplo:
• Aquelas discussões foram necessárias para chegarmos a um consenso.
• O protocolo é necessário para o evento.

g. Milhão

Milhão é um substantivo masculino, devendo ser variável de acordo com as palavras às quais fizer referência; por
exemplo:
• No show, havia dois milhões de pessoas.
• Havia milhões de dúvidas sobre aquele assunto.

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Mas e no caso da expressão 1.300.000,00 reais? Observe que esse valor se inicia com um numeral no singular, por
isso, o correto é dizer “um milhão e trezentos mil reais”, e não “mil e trezentos milhões”.

h. Menas ou menos?

A palavra menas não existe! Sempre empregamos a palavra “menos” de forma invariável; por exemplo:
• Faça menos bagunça.
• Compramos menos roupas neste ano.

i. Numerais ordinais

As expressões “primeiro”, “segundo”, “terceiro”, e assim por diante, admitem as seguintes construções:
• Vão formar-se, neste semestre, primeiro e segundo graus.
• O segundo e o terceiro ano farão uma linda festa de formatura.

Quer conhecer outras regras de concordância nominal? Então, confira o Manual de Reda-
ção da Presidência da República, disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
manual/manualredpr2aed.pdf>.

5.3.3 Concordância verbal

A concordância verbal ocorre quando o sujeito concorda com o verbo ao qual se refere e vice-versa. Dessa forma,
existem regras que precisam ser empregadas para algumas formas verbais, como você poderá conhecer na
sequência. Vamos lá!

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a. Haver, fazer, ir, estar e ser

Esses verbos, quando estiverem referindo-se a tempo, sempre ficarão no singular. Observe os exemplos:
• Há vários meses que os primos não vêm a minha casa.
• Faz cinco anos que não viajo a Europa.
• Irá fazer três anos que passei no concurso.
• Está fazendo três anos que mudamos de apartamento.
• No fim de novembro, será três dias de prova.
Na indicação de horas, datas e distâncias, o verbo [ser] é impessoal (sem sujeito) e concordará com a expressão
numérica (predicativo). Se ela for igual ou maior do que dois, usamos o “plural”:
• Da estação à fazenda, são duas léguas a cavalo.
• Hoje são vinte do mês, não?
• Seriam cinco da manhã?
• É uma hora e meia (hora).
• Hoje são 20 de fevereiro.

b. Chover, nevar, ventar, amanhecer etc.

Como esses verbos referem-se a fenômenos da natureza, ficarão sempre no singular; por exemplo:
• Choveu bastante nesta semana.
• Nevou em Santa Catarina durante o final de semana.

Se tivermos o verbo “chover” na expressão “Choveram aplausos”, por exemplo, o verbo con-
corda com o sujeito, tendo em vista que o verbo “chover”, nesse caso, está em sentido figu-
rado, não significando um fenômeno da natureza.

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c. “Mais de”, “menos de”, “cerca de” mais um numeral

Quando tivermos expressões como essas, unidas a um numeral, o verbo deve sempre concordar com o numeral;
por exemplo:
• Mais de um aluno compareceu à reunião.
• Cerca de dez pessoas faltaram ao evento.

d. “Existir”, “acontecer”, “faltar”, “sobrar” etc. mais sujeito posposto

Neste caso, o verbo sempre vai concordar com o sujeito que vier na sequência; por exemplo:
• Existem motivos para a sua demissão.
• Sobram razões para a minha felicidade.
• Aconteceu um imprevisto neste final de semana.
Caso esses verbos – “existir”, “acontecer”, “faltar”, “sobrar” etc. – façam parte de uma locução verbal, eles deve-
rão concordar com o sujeito que vier depois (sujeito posposto); por exemplo:
• Devem faltar motivos para a tua ausência.
Caso esses verbos – “existir”, “acontecer”, “falar”, “sobrar” etc. – façam parte de uma locução verbal, somente o
verbo auxiliar concordará com o sujeito posposto e eles permanecerão no infinitivo.
• Na prova daquele concurso público, podem faltar questões presentes na apostila que usei para estudar.

Glossário

Segundo Bechara (2009, p. 230, grifo do autor), “Chama-se locução verbal a combinação das
diversas formas de um verbo auxiliar com o infinitivo, gerúndio ou particípio de outro verbo
que se chama principal: hei de estudar, estou estudando, tenho estudado. Muitas vezes o auxiliar
empresta um matiz semântico ao verbo principal, dando origem aos chamados aspectos do
verbo.”

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e. Porcentagem

Sempre que nos referirmos à porcentagem e o número percentual for sujeito e estiver no plural, com percentual
acima de 2%, o verbo concordará com ele, ficando também no plural.
• 60% dos entrevistados resolveram não responder à primeira pergunta sobre política.
Contudo, se o substantivo posposto ao número estiver no singular, há duas possibilidades. Veja no exemplo a
seguir:
• 20% da população protestou (protestaram) contra a reforma agrária no ano passado.

Quando o número for inferior a 2%, o verbo fica no singular, mesmo que o número venha
acompanhado de nome plural: 1,97% de nossos fregueses ganha acima de 10 salários míni-
mos; 1% dos eleitores daquele país ainda está indeciso quanto ao seu candidato; só 0,2%
das empresas está habilitado a vender o produto.

f. Sujeito coletivo

Quando fizermos referência a um substantivo coletivo, o verbo ficará no singular; por exemplo:
• A multidão aplaudiu a banda de rock.
• Sabemos que o povo observa as mudanças no mundo político.

Se o sujeito coletivo for especificado, você pode optar por deixar o verbo no singular ou no
plural, por exemplo: “A multidão de seguidores chegou cedo ao evento”.

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g. Havia ou houveram?

O emprego do verbo “haver” costuma causar muitas dúvidas, não é mesmo? Vamos ver agora as normas para
o emprego desse verbo de forma adequada. Quando o verbo “haver” for sinônimo de “existir” ou “ocorrer”, ele
sempre ficará no singular, mesmo que o sujeito este no plural, veja:
• Houve muitos acidentes neste último verão.
• No dia da prova, havia alunos bastante nervosos.
No entanto, quando o verbo “haver” significar “decidir”, “apresentar-se”, “dar-se” (se dar bem em alguma coisa)
ou “sair-se” (sair-se bem em alguma situação), ele irá para o plural, veja:
• Os senadores houveram (“decidiram”) por bem adiar as sessões semanais.
• As coordenadoras do curso de Pedagogia houveram-se bem (saíram-se bem) na primeira reunião do
curso.

Além das regras de concordância que acabamos de conhecer, existem muitas outras que são
muito importantes em nosso dia a dia. Acesse o link a seguir e confira outros exemplos de
normas desse tópico da gramática: <http://educacao.globo.com/portugues/assunto/usos-
-da-lingua/concordancia-verbal-e-nominal.html>.

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5.3.4 Principais dúvidas sobre o emprego das regências verbal e nominal

Você sabia que algumas expressões possuem uma relação de dependência e subordinação a outras? Assim, para
os gramáticos, existem termos regentes e termos regidos (ou subordinados), a fim de completar o sentido da
frase. Mas, então, qual a forma correta de dependência do verbo “assistir”, por exemplo: “assistir o filme ou ao
filme”? Vamos esclarecer essas e outras questões ao longo deste tópico. Acompanhe!
Vejamos no quadro a seguir alguns exemplos de termos regentes e regidos.

Quadro 5.3 – Regência de expressões.

TERMO REGENTE TERMO REGIDO

amar, amor a Deus

insistiu, insistência em falar

Persuadiu o Senador a que votasse

obediente, obediência à lei

cuidado, cuidadoso com a revisão do texto

Legenda: A regência nominal vai depender da subordinação que algumas expressões têm para com as outras.
Fonte: Adaptado de Brasil (2002).

Conforme o que acabamos de observar nos exemplos ilustrados no quadro, substantivos e adjetivos podem ser
termos regentes, que determinam a regência nominal. Por outro lado, os verbos podem desempenhar o papel de
regentes de adjetivos, preposições e substantivos, o que chamamos de regência verbal. Dessa forma, a prepo-
sição será determinante nessa relação de dependência, sendo ela definida pela transitividade do verbo; observe:

Quadro 5.4 – A transitividade de alguns verbos.

VERBO TRANSITIVIDADE

Aspirar No sentido de respirar, é transitivo direto, por exemplo: “Aspiramos o ar puro da


montanha.”
No sentido de pretender, é transitivo indireto, por exemplo: “O projeto aspira à
estabilidade da economia.”

Assistir No sentido de auxiliar, socorrer, é transitivo direto: “Procuraremos assistir os atingidos


pela seca”.
No sentido de ver, é transitivo indireto, por exemplo: “Não assisti à reunião ontem.”

Atender Pode ser transitivo direto ou indireto, por exemplo:


“O Prefeito atendeu ao pedido do vereador” (transitivo indireto).
“O Presidente atendeu o Ministro” (transitivo direto).

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Consistir Depois da forma verbal “consiste”, por exemplo, sempre empregamos preposição,
por exemplo: “O plano consiste em promover uma trégua de preços por tempo
indeterminado.”

Obedecer Sempre será transitivo indireto, por exemplo:


“As reformas obedeceram à lógica do programa de governo.”
“É necessário que as autoridades constituídas obedeçam aos preceitos da Constituição.”

Visar Sempre será transitivo indireto, por exemplo: “O projeto visa ao incentivo da coleta
seletiva de lixo.”
É interessante acrescentar que, hoje, a gramática gerativa aceita o verbo visar como
transitivo direto. Neste caso, a frase ficaria assim: “O projeto visa o incentivo da coleta
seletiva de lixo.”

Legenda: O que vai determinar a regência verbal é a necessidade ou não de uma preposição.
Fonte: Adaptado de Brasil (2002).

Confira o material de Sérgio Lourenço Simões, Regência nominal e verbal sem segredo,
e conheça outros casos e exemplos de regência nominal e verbal. Acesse o livro em:
<http://dicasdiariasdeportugues.com.br/wp-content/uploads/2015/05/11-estude-
reg%C3%AAncia-nominal-fa%C3%A7a-o-download-do-ANEXO-11.pdf>.

Viu como o emprego da regência verbal e nominal não é tão complicado como parece? Basta sabermos a
transitividade do verbo e entender quais são os termos regentes para que possamos utilizar de forma correta a
regência de nomes e verbos. Vamos conhecer agora quando devemos usar a crase? Acompanhe!

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5.4 Quando usar a crase?


Antes de começar a falar sobre qualquer assunto, é necessário pensar um pouco melhor sobre o seu significado, o
seu conceito. Dessa forma, precisamos entender que o acento grave é utilizado quando ocorre a crase, encontro
do artigo a com a preposição a, desde que sejam obedecidas algumas regras que serão explicitadas mais à frente.
Para entender melhor, podemos, também, nos remeter a um dicionário, que poderá nos ajudar a esclarecer.

Glossário

Significado de Crase
1 - Contração ou fusão de sons vogais num só.
2 - Acento grave colocado para assinalar uma crase.
3 - Constituição; temperamento.
4 - Mistura das substâncias de um humor. <https://dicionariodoaurelio.com/crase>. Acesso
em: 24 fev. 2017.

O vestido é vendido “à vista” ou “à prazo”? Para você, essa dúvida às vezes é cruel, não é mesmo? Agora, vamos
conhecer quando devemos ou não utilizar a crase, e ver que, seguindo as regras básicas, isso será mais simples
do que parece!
Primeiro, é muito importante compreender que a crase não é um acento, mas um resultado da união de duas
vogais: “a” (artigo) e “a” (preposição). Observe um exemplo:
• “A menina foi cedo à igreja”.
Veja que, nesse caso, poderíamos dizer que a menina foi para (preposição) + a (artigo) igreja.
Usamos o acento grave indicando a crase sempre que o elemento inicial exigir a preposição “a” e o elemento
posterior aceitar o artigo “a”, como ocorre:
a. Na indicação de um horário
»» A palestra começa às 10h.
No entanto, é muito importante entender que, quando houver uma preposição antes da indicação de
horas, não se usa a crase; por exemplo: “O shopping fica aberto até as 12h.”
b. Pronomes demonstrativos com a preposição contraída
»» Referimo-nos àquela (a + aquela) palestrante.
»» Quanto àquele assunto, já entramos em um acordo.
c. Pronomes relativos com a preposição contraída
»» As profecias às quais fazemos referência são o foco de nossa discussão.

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d. Antes de palavras femininas


»» Na semana passada, fui de ônibus à cidade.
»» Vamos à palestra no mês que vem.
e. Expressões adverbiais femininas que indicam:
Tempo
»» A festa será à tarde.
Modo
»» Chegamos à aula às pressas.

Para saber se é preciso empregar a crase, existe uma técnica bastante útil. Basta que você
substitua a palavra feminina por uma masculina, dentro do mesmo contexto da frase. Por
exemplo: se eu quiser saber se terei que usar crase no “a” da frase “Vamos à palestra no
próximo sábado”, substituo “palestra” por “teatro. Nesse caso, terei “Vamos ao teatro no pró-
ximo sábado”, ficando entendido que, antes de “palestra” (no exemplo mostrado), deverei
usar a crase.

Não usamos crase nos seguintes casos:


a. Antes de verbo
»» Estamos a estudar muito.
b. Antes de palavras masculinas
»» Ando a cavalo.
Nesse caso, existe uma exceção, ou seja, se a expressão significar “à moda de”, teremos a crase antes da
palavra masculina; por exemplo: “Visto-me à Clodovil.”
c. Antes da palavra distância não especificada
»» Nosso curso é na modalidade a distância.
d. Pronomes como “ninguém”, “alguém”, “toda”, “cada”, “tudo”, “você”, “alguma” etc.
»» Não peço a ninguém estas informações.
e. Quando tivermos “a” no singular + palavra no plural,
»» Faço menção a questões anteriores.
f. Antes de artigos indefinidos,
»» Fomos a uma festa muito divertida hoje!

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Para saber se antes de nomes de cidades ou países usamos a crase, podemos utilizar uma
estratégia, que pode ser ilustrada na seguinte reflexão: “se eu volto da, crase há; se volto de,
crase para que? ”. Assim, no caso de Volto à Bahia, emprego a crase porque “volto da Bahia”;
no caso de “Vou a Florianópolis”, não uso a crase, porque “volto de Florianópolis. ” Simples,
não é mesmo?

5.5 A pontuação do texto


A maioria das pessoas tem dificuldade em usar de forma correta os sinais de pontuação. Muitos perguntam-
-se: “Será que agora é ponto final ou ponto e vírgula? ”; “Será que é travessão ou são dois pontos? ”, e assim por
diante. Pontuar bem o texto garante clareza e mais assertividade da situação comunicativa. Dessa forma, vamos
conhecer agora quando usar cada sinal de pontuação. Acompanhe!
Você sabia que uma simples vírgula é capaz de mudar todo o sentido de uma frase? Pois é; observe os exemplos
a seguir:
• Não sou capaz de fazer isso!
• Não, sou capaz de fazer isso!
Viu como uma vírgula muda tudo? No primeiro caso, eu indico que não tenho capacidade para alguma coisa;
no segundo, digo que sou capaz, e isso é determinado pelo uso da vírgula, um dos sinais de pontuação do texto.
Vamos ver agora, com mais detalhes, quando devemos empregar a vírgula. Observe!

Quadro 5.5 – Quando usamos a vírgula.

USAMOS A VÍRGULA EXEMPLOS

Para separar termos coordenados, ainda quando “Sim, eu não tinha um bom emprego, seguro,
ligados por conjunção (no caso de haver pausa). rentável.”

Para separar orações coordenadas aditivas ainda “Gostava muito das nossas antigas dobras de ouro, e
que sejam iniciadas pela conjunção e, proferidas eu levava-lhe quanta podia obter.”
com pausa.
“No fim da meia hora, ninguém diria que ele não era o
mais afortunado dos homens; conversava, chasqueava,
e ria, e riam todos”

Para separar orações coordenadas alternativas Ele sairá daqui logo, ou eu me desligarei do grupo.
(ou, quer etc.), quando proferidas com pausa.

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Nas aposições, exceto no especificativo. “Ora enfim de uma casa que ele meditava construir,
para residência própria, casa de feitio moderno...”

Para separar, em geral, os pleonasmos, “Nunca, nunca, meu amor!”


e as repetições (quando não têm efeito
superlativamente). A casa é linda, linda.

Para separar as orações adjetivas de valor “Perguntava a mim mesmo por que não seria melhor
explicativo. deputado e melhor marquês do que o lobo Neves, – eu,
que valia mais, muito mais do que ele, – ...”

Para separar, quase sempre, as orações adjetivas “No meio da confusão que produzira por toda a parte
restritivas de certa extensão, principalmente este acontecimento inesperado e cujo motivo e
quando os verbos de duas orações diferentes se circunstâncias inteiramente se ignoravam, ninguém
juntam. reparou nos dois cavaleiros...”

Para separar as orações intercaladas “Não lhe posso dizer com certeza, respondi eu”

Para separar, em geral, adjuntos adverbiais que “Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta...”
precedem o verbo e as orações adverbiais que
vêm antes ou no meio da sua principal: “Mas, como as pestanas eram rótulas, o olhar
continuava o seu ofício...”

Para separar, nas datas, o nome do lugar: Rio de Janeiro, 8 de agosto de 1961.

Para separar as partículas e expressões de Sairá amanhã, aliás, depois de amanhã.


explicação, correção, continuação, conclusão,
concessão.

Para separar as conjunções e advérbios “A proposta, porém, desdizia tanto das minhas
adversativos (porém, todavia, contudo, sensações últimas...”
entretanto), principalmente quando pospostos.

Para indicar, às vezes, a elipse (ausência) do Ele sai agora: eu, logo mais.
verbo.

Legenda: Devemos entender as diversas situações em que a vírgula pode ser usada, pois um
sinal de pontuação dessa natureza pode alterar totalmente o sentido de uma frase.
Fonte: Adaptado de Brasil (2002).

Ponto final

Sempre que quisermos finalizar a ideia de uma mensagem, usamos o ponto final; por exemplo:
• É muito importante que consideremos a política um fenômeno positivo, uma vez que é ela que garante
também o nosso bem-estar social.
O ponto final indica que minha ideia já foi esclarecida e finalizada.

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Ponto e vírgula

Diferentemente da vírgula, o ponto e vírgula é um sinal que indica uma pausa maior, sendo utilizado para indicar
itens enumerados; por exemplo:
• Minhas áreas de estudo são:
»» Filosofia;
»» Química;
»» Português.
Além disso, o ponto e vírgula é utilizado em orações que estão relacionadas sem o uso de conjunções; por
exemplo:
• Um dos aspectos a serem observados é clima organizacional; o outro é a comunicação.

Dois pontos

Os dois pontos indicam a introdução de uma citação, a apresentação de um assunto, como se este fosse um
esclarecimento; por exemplo:
• Muitos são os desafios em nossa vida; entre eles, destaca-se os seguintes: alcance do sucesso, formação
de uma família e bem-estar financeiro.

Travessão

O travessão pode substituir parênteses e vírgulas em determinados casos. Esse sinal deve ser empregado quando
tivermos uma expressão isolada na frase, sendo esta um esclarecimento breve, como se fosse uma pausa na
frase; por exemplo:
• Os materiais escolares – caneta, lápis, borracha e caderno, por exemplo – estão cada vez mais caros.

Utilizar bem os sinais de pontuação é um requisito do bom escritor. Para conhecer mais
exemplos do uso de cada sinal, acesse o seguinte conteúdo: <http://portugues.uol.com.br/
gramatica/particularidades-alguns-sinais-pontuacao.html>.

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Considerações finais
Nesta unidade, conhecemos e aprendemos sobre vários assuntos. Dessa
forma, você compreendeu que o Novo Acordo Ortográfico foi proposto
para que nossa língua obtivesse mais prestígio, tendo igualdade na grafia
dos países falantes de nosso idioma. Além disso, conhecemos as novas
regras ortográficas, sendo que as principais são em torno da acentuação
e do emprego do hífen.
Na sequência, estudamos alguns tópicos da gramática e vimos que esse
instrumento é um material que estabelece as diretrizes e normas de nosso
idioma, a fim de apresentar as regras para o uso adequado da língua. Mas
nosso estudo não parou por aqui! Você teve a oportunidade de conhe-
cer as diferenças entre concordância verbal e nominal, sendo a primeira
definida pela harmonia entre verbos e complementos, e a segunda ocorre
quando artigos, adjetivos, pronomes e numerais concordam – em gênero
e número – e são flexionados de acordo com o substantivo.
Também compreendemos que substantivos e adjetivos podem ser termos
regentes, que determinam a regência nominal. Por outro lado, os ver-
bos podem desempenhar o papel de regentes de adjetivos, preposições e
substantivos, o que chamamos de regência verbal. Dessa forma, a pre-
posição será determinante nessa relação de dependência. Aprendemos
também quando devemos ou não usar a crase e as diferenças entre os
sinais de pontuação, reconhecendo que, se eles forem mal empregados,
a frase terá seu sentido totalmente modificado.
Até a próxima!

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Referências bibliográficas
AZEREDO, José Carlos (Coord.) Escrevendo pela nova ortografia. 3. ed.
São Paulo: Publifolha, 2009.

BECHARA, E. Moderna gramática portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro:


Nova Fronteira, 2009.

BRASIL. Manual de redação da Presidência da República. 2. ed. Brasília


(DF): presidência da República, 2002.

FARACO, Carlos Alberto. Ensinar x Não ensinar gramática: ainda cabe


essa questão? Calidoscópio. Vol. 4, n. 1, p. 15-26, jan/abr 2006. Dispo-
nível em: < http://revistas.unisinos.br/index.php/calidoscopio/article/
view/5983/0>. Acesso em: 12 jan. 2017.

______. Novo acordo ortográfico. Escrevendo o futuro. 2013. Disponível


em: <https://www.escrevendoofuturo.org.br/EscrevendoFuturo/arqui-
vos/187/novoacordo2.pdf>. Acesso em: 01 de fev. 2017.

SIMÕES, Sérgio L. Regência nominal e verbal sem segredo. São Paulo:


UNINOVE, 2009.

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