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RESUMO DO LIVRO: ESCOLA E DEMOCRACIA DE DERMERVAL SAVIANI Leia livros

sobre este assunto! Saviani começa seu livro levantando questões de dois grupos mais ou
menos antagônicos. O primeiro grupo (teorias não-críticas, classificadas como a
pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista) acha que a educação é
a panacéia milagrosa capaz de erradicar a marginalidade de nossa sociedade. No
segundo grupo (Teorias Crítico-Reprodutivistas subdivididas em teoria de sistema
enquanto violência simbólica, Teoria da Escola Enquanto Aparelho Ideológico do Estado
(AIE) e Teoria da Escola Dualista). Neste caso, de forma oposta, a educação aparece
como fator agravante, através da discriminação e responsável pela marginalidade. Por
último, propõe uma Teoria Crítica da Educação. Saviani frisa que os dois primeiros grupos
explicam a marginalização na forma da relação entre educação e sociedade. Eu,
particularmente, tenho um ponto de vista formado a respeito da marginalização e acho
que o fator “educação” (como escola e pedagogia) não é fator preponderante na
erradicação ou no agravamento da marginalidade, acho apenas, um fator coadjuvante.
Por sua vez a sociedade também apontada como grande culpada, eu a colocaria em
segundo lugar, pois, para mim, a principal causa da marginalidade nasce no seio da
família ou seja na célula matter da sociedade e não nela como um todo. Isto pode ser
observado, (perdoe-nos a digressão) em casos que conhecemos, de indivíduos sem
estudos, aculturados, porém perfeitamente integrados na sociedade como pessoas de
bem e até com grande sucesso econômico. Para amparar minha tese, gostaria de lançar
mão da mãe natureza, na explicação. A maior parte dos animais, desde a mais tenra
idade tem uma relação instintiva com seus filhotes. Dentro desta relação, eles, além de
prover a alimentação e o afeto, logo que a ampulheta temporal sinaliza, começam a
integrar seus filhotes ao meio ambiente onde viverão. Estas criaturas ensinam seus filhos
a arte da caça e da sobrevivência. Como exemplo, citaremos as focas que elaboraram
uma forma de retirar crustáceos de dentro de suas conchas protetoras com pedras e
repassam este conhecimento para seus filhos que absorvem este conhecimento e passam
a usa-lo em suas existências. Acreditamos que, o ser humano tem fugido deste trabalho
instintivo de criar seus filhos abandonando-os à mercê das incertezas da vida. Acho que
se o pai é um pescador e aos poucos for introduzindo seu filho na arte da pesca, numa
relação sadia de companheirismo e amor, dificilmente esta criança será marginalizada.
Com certeza dentro de sua sociedade ele estará integrado! De fato, a falta de assistência
paterna (pai e mãe) para mim, é um dos principais fatores geradores da marginalidade em
nossa sociedade. A escola tradicional e a escola nova são criticadas terrivelmente. Seus
insucessos ao redor das décadas de 60 e 70, frisadas por Saviani é simples de explicar.
As teses tradicionais e novistas centradas no professor ou no aluno como principais
responsáveis pelo ensino aprendizado eram aleijadas! Ambos não possuem e nem
possuíam, separadamente, este poder mágico de “gerar” o ensino–aprendizado. Sabemos
hoje, que o papel do educador é gerar motivação e repassar metodologia de busca e
aquisição do conhecimento, com participação ativa do aluno, considerado, na época como
ser passivo perante o fenômeno ensino aprendizagem! Neste tempo, os professores se
limitavam às explicações cansativas para o coletivo. “Quem captou, captou, quem não
captou, ficou reprovado…” É claro que existem honrosas exceções, meu marido, Prof.
Rpires (Ver educação para o ano 2000) conta sobre um seu professor de ciências da
década de 70, construtivista, que dissecava pequenos animais em sala de aula,
demonstrando recursos educacionais incomum, na época. Nas teses acima, aceitamos
que esta educação contribuiu para a reprovação e para o abandono escolar, mas nunca,
absolutamente, como principal fator gerador de marginalidade, pois muitos que
abandonaram a escola da época se prepararam como autodidatas e se integraram.
Saviani analisa algumas características específicas das teorias educacionais, afirmando
que a teoria tradicional surge historicamente com o interesse de superar o Antigo Regime,
baseado nas conquistas da Revolução Francesa, esta propõe a universalização do ensino
para retirar os indivíduos da condição inferior de súditos e transformá-los em cidadãos
esclarecidos. Nesse contexto, a marginalidade é entendida enquanto um fenômeno
derivado do déficit intelectual ocasionado pela ausência de instrução. A escola seria o
remédio para este problema, na medida em que se difunde um ensino centrado e
organizado em torno da figura do professor. As lições dos alunos são seguidas com
disciplina e atenção, direcionadas pelo mestre-escola, ao aluno competia aprender. Aos
poucos, esse tipo de teoria foi caindo em descrédito devido às dificuldades de acesso de
todos à escola e também em função do fracasso escolar, mesmo para os que conseguiam
o seu desiderato de ingressar na instituição escolar. A Pedagogia Nova surge como uma
tentativa de equacionar os problemas gerados pela Pedagogia Tradicional. Nascida das
experiências de educação com portadores de necessidades especiais (Decroly e
Montessori), foi estendida a seguir como uma proposta para o âmbito escolar como um
todo. Concebe assim o marginalizado, não como um ignorante, mas como alguém que foi
rejeitado pelo sistema escolar e pela sociedade. À escola cabe a função de reintegrar o
aluno ao grupo, tomando-o como centro do processo ensino-aprendizagem,
desenvolvendo uma metodologia com atividades de cunho bio-psíquico e que o estimulem
à participação em um ambiente alegre e criativo, portanto. ( para nós, outro erro pois
educação não deve ser centrada no professor e nem, pior ainda , no aluno!) Como a
Pedagogia Nova precisava de um ambiente rico para a sua implantação ficou restrita, na
prática, a algumas experiências apenas. A proposta do movimento da escola nova, ao fim
de tudo, colabora para rebaixar o nível da aprendizagem e do ensino, pois retirou a
centralidade do processo no professor que sabia e jogou para o aluno, que não tinha
condições de adquirir o saber. Surge então a pedagogia tecnicista. Nesta, marginalizado
não é o ignorante e nem o rejeitado, mas sim, o incompetente (no sentido técnico da
palavra), o ineficiente e improdutivo, isto é, a educação estará contribuindo para superar o
problema da marginalidade na medida em formar indivíduos eficientes, portanto capazes
de contribuir para o aumento da produtividade da sociedade. Então para a pedagogia
tradicional o importante era aprender, para a pedagogia nova aprender a aprender e para
a pedagogia tecnicista, o importante era aprender a fazer. Para mim, todas pecavam por
se centrar em cima de uma única filosofia. Estas modificações da educação e seus
fracassos serviram para rotulá-la de discriminadora e repressiva (Schooling in Capitalist,
Bowles 1976, Bowles e Gintis). Sobre a violência simbólica que nos parece um forte
atributo do capitalismo, no sentido que é imposto. Podemos ver a força desta violência
simbólica nas mídias: seja jornais, rádios ou televisões. É imposto ao indivíduo teses,
produtos, enfim, um números de coisas e opiniões de forma técnica e até com
propaganda subliminar, que de uma forma ou de outra, impõe métodos e
comportamentos. A escola não escapa a esta regra. Os alunos como um rebanho
tranqüilo recebem e absorvem os conteúdos que representam a verdade inquestionável.
Se questiona é repelido e tachado de reacionário. De fato, esta realidade não pertence ao
passado. É coisa do presente e norteia as regras do capitalismo selvagem em que
vivemos. As características da democracia atual com suas classes dominantes e
dominadas, reforça a escola como aparelho ideológico do Estado. Apesar das lutas destas
classes, as chances de vitórias são pequenas. A dominação burguesa, através daqueles
que conseguiram algum sucesso e ocupam altas posições administrativas, possuem fortes
instrumentos de repressão contra eventuais e tímidos protestos da classe dominada.
Neste caso, a marginalidade é a própria classe trabalhadora, que sufocada pelo poder
estatal tem que se limitar a cumprir seu papel em cima de normas e leis vindas da classe
dominante, que visam somente manter seus interesses e o poder. Saviani termina seu
texto, com um parágrafo de desculpas e elogios aos heróis professores anônimos dentro
desta luta de classes em busca da tão falada sociedade igualitária. Uma característica do
capitalismo é a sua dualidade social já satirizadas em muitas modinhas: (porque o de cima
sobe e o de baixo desce.. bom te bom, bom, bom, bom, bom…). Os de baixo e os de
cima, ricos e pobres, dominadora e dominada, segundo Baudelot e Establet in Lécole
capitaliste em France (1971). A escola não foge a esta regra. A escola da plebe ou classe
dominada (proletária) intitulada simplesmente de Escola Pública. E a escola particular ou
escola da burguesia, incluindo as universidades. Mais uma vez aí está o proletariado e a
burguesia com fronteiras bem distintas. Parece-nos que a tônica desta dualidade é uma
tendência primária profissionalizante (PP) e a secundária superior (SS). A primeira para os
filhos da classe mais pobres, impedida de ter acesso às escolas superiores. A segunda, é
claro para a classe burguesa, capaz de chegar aos níveis superiores e manter, assim, nas
mãos de sua beneficiada classe, o poder. Este é o aparelho ideológico do Estado
Capitalista, que trabalha em proveito da classe dominante e contribui para manter as
relações sociais de produção capitalista. Dentro de conceitos preparados para esta escola
defensora de interesses burgueses, está o engrandecimento do intelecto e a
desvalorização do trabalho manual. Neste caso, a escola aparece como fator
marginalizante e não como fator de equalização como se propõe. No capítulo da Teoria da
Curvatura da Vara, Saviani justifica um processo de tentativa de ajustes da educação:
quando uma vara está torta ela fica curva de um lado e se você quiser endireita-la, não
basta colocá-la na posição correta. Lênin (Althusser, 1977: 136-38). É preciso curvá-la
para o lado oposto. Nesta mesma ocasião, afirma Saviani: quando mais se falou em
democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola e de como, quando
menos se falou em democracia, mais a escola teve articulada com a construção de uma
ordem democrática. A pedagogia tradicional calcada na concepção da filosofia
essencialista foi substituída pela pedagogia nova, baseada sobre uma filosofia
existencialista. É a existência superando a essência, recurso imposto pela casta burguesa
para sobreviver. No passado, na Grécia antiga, onde, a filosofia da essência tinha sua
fase áurea, os escravos não eram vistos como seres humanos. Essência humana, só era
realizada nos homens livres. Segundo esta visão, os seres já nasciam predestinados e
isto era coisa divina, que ninguém questionava. A classe dominante não tinha dificuldades
de quaisquer espécie, pois, na época, até a classe dominada aceitava isto como uma
imposição divina (castigo?). Desta forma, esta era parte da essência humana, que por si
só se justificava. Mas na verdade esta dominação não era natural, nem tampouco parte da
essência e o tempo se encarregariam de colocar abaixo esta filosofia, juntamente com sua
pedagogia. Tinham que cair, porque eram injustas e deveriam serem substituídas por
sociedades igualitárias. Mas quem faria esta reforma? A classe dominada? Nem pensar! A
história normalmente não caminha assim, por questão lógica inerente a esperteza da
burguesia, de posse do poder. Desta maneira, a classe dominante percebendo a mudança
por falta de sustentação racional e precisando manter o domínio, resolve reformar a
sociedade substituindo-a um suposto direito natural por uma sociedade contratual. Esta
sociedade partindo da premissa que todos os homens são livres para vender, mediante
contratos, sua mão de obra. Por outro lado, a outra parte é livre também para contratá-la
ou não. Este é o fundamento jurídico desta sociedade burguesa, onde existe uma
igualdade formal. É mais uma vez, neste contexto, que entra a escola com sua pedagogia.
Observem que até o momento anterior, a burguesia cavalgava junto com a história e como
classe dominante, não tinha menor interesse que algo fosse mudado. Com o passar do
tempo, suas teses filosóficas não garantem mais sustentação e ela passa a andar na
contra mão da história e é neste momento, que a escola tradicional e a antiga pedagogia
da essência não servem mais aos seus interesses burgueses e implantam-se a escola
nova e a pedagogia da existência. Observem o interessante: no momento anterior, os
homens eram na sua essência diferentes. Uns nasciam senhores e outros escravos. As
conquistas naturais trazem idéias de modificações, afirmando que o certo seria uma
sociedade igualitária, pois todos são iguais perante a lei. Mal poderiam imaginar que hoje,
em pleno ano 2000 voltaríamos a frisar as diferenças entre os homens e que estes
precisam ser respeitados e aceitos com suas diferenças. Eu como aluna, professora e
espectadora, acho isto tudo muito conflitante! Acho que esta sociedade é cíclica e as
coisas vão se invertendo durante o girar da história. Em um dado momento a classe “X”
domina e as lutas das classes dominadas a caracterizam como revolucionária. No
momento seguinte, cai a classe antiga dominante e os papeis se invertem. Entretanto, o
palco está formado: nova classe dominada entra na luta para reempossar-se de novo. A
escola também com suas pedagogias, oscilam sendo elas instrumento forte da classe
dominante. Parece que a vara da curvatura, ora vicia dum lado e ora vicia do outro. No
Brasil a filosofia da escola nova que propõe escola para todos e que se parece com um
beneficio para a classe proletária, na verdade era interesse comum. A burguesia
imaginava que os dominados mais escolarizados saberiam escolher melhor seus
governantes, digo: melhores sobre a ótica dominante. Por sua vez, o melhor segundo a
ótica da classe dominada não se afinava com o ideal burguês e na verdade nunca se
afinará. Fica observado que esta escola que foi dada não está cumprindo sua função, que
tudo indica é consolidar a burguesia. Como podemos ver, a burguesia continua a
manipular as ferramentas pedagógicas no sentido de manter inalterada a balança social
desequilibrada, sendo importante citar a classificação desta classe capitalista (em
comentário brincalhão) de até muito evangélica segundo Saviani, pois levam ao pé da
letra a parábola dos talentos: “ao que tem se lhe dará e ao que não tem, até o pouco que
tem lhe será tirado”. Observem que mesmo na época atual o Estado beneficia subsidiando
o ensino do primeiro grau, para que a classe proletária consiga aprender o mínimo
necessário para servir ao seu interesse, pois afinal, uma classe totalmente
desescolarizada se revela mais ou menos inútil aos interesses de uma sociedade no nível
atual de tecnologia. Entretanto, o ensino de segundo grau já possui restrições de subsídio,
pois, o abençoado FUNDEF não chega até lá. Arrematando sobre a Curvatura da Vara,
parece que Saviani puxa propositadamente a vara para o lado oposto, na esperança desta
vir para o centro, que não é nem a escola tradicional nem a escola nova; mas a vara é
meio teimosa e se vicia na nova posição e percebe-se que terá que ser com muito jeitinho
e pequenos ajustes programados para trazê-la para o centro. Já ao cerrar das portas
desta resenha percebe-se o objetivo principal de Saviani: Sacudir, com força a máquina
político-educacional, balançando as Curvaturas das Varas em busca de seu equilíbrio
ideal. Na verdade, ele conseguiu embaralhar minha cabeça, e aos poucos, após a
implantação do caos vai se remontando numa visão crítica em busca de uma educação
que consiga compartilhar com os aspectos político-sociais, altamente complexos. Saviani
durante este trabalho, balançou-me da direita para a esquerda e vice-versa. Neste
momento, solta-me, e aos poucos, vou indo em direção ao centro, tal qual a teoria da vara
torta! Percebo que educação e política não são iguais. Tal como água e óleo se recusam
a misturar e é preciso conseguir metodologia que juntem estas duas necessidades da
criatura humana em busca da sua integração plena na sociedade. Enquanto na educação
objetiva-se convencer, na política o objetivo é vencer! Estes são aspectos antagônicos.
Para exemplificar, o educando, ao longo do processo pode ser convencido e aprenderá.
Na política o adversário tem que ser vencido e mesmo assim, não se convencerá,
continuará na oposição lutando contra o vencedor, agora classe dominante! Como vimos,
educação e política são práticas diferentes e convém não confundi-las, o que poderia
resultar como o politicismo pedagógico ou pedagogismo político, o que terminaria na
escola a serviço de um grupo burguês. Porém, isto não resulta na exclusão da política
como prática independente, elas são antagônicas mais como o bem e o mal, o sim e o
não, o positivo e o negativo são inseparáveis e mantém forte relação. Entretanto, como
tratar destas coisas tão diferentes? De inicio é importante compreender que uma não
existe sem a outra. Elas possuem uma forte relação interna. De fato, toda prática
educativa possui uma dimensão política e toda prática política possui uma identidade
educativa. Vê-se que a dimensão pedagógica na política envolve a articulação, a aliança
visando o combate aos antagônicos, o mesmo acontecendo na dimensão política na
educação com apropriação de instrumentos culturais aplicados na luta contra o
antagonismo. A educação neste caso, depende da política no sentido orçamentário e a
política depende da educação na preparação de seus indivíduos. O que realmente sucede
é que a educação é mais dependente da política do que esta da educação. Na verdade,
Saviani acerta em cheio, quando diz, indiretamente, que política e educação são faces
opostas da mesma moeda: a prática social. Apesar de uma certa subordinação da
educação à política, podemos definir a educação como uma prática idealista e a política
como uma prática realista, mas que podem coexistir pacificamente, respeitadas as
diferenças: ser idealista sonhando que a sociedade desejada é uma realidade e ser
realista buscando atingir o ideal sonhado. Insistindo nas comparações podemos também
dizer que a prática política se apoia na verdade do poder e a prática da educação se apoia
no poder da verdade.

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demerval-saviani/
RESUMO DO LIVRO: ESCOLA E DEMOCRACIA E PEDAGOGIA HISTÓRICO-CRÍTICA
DE DEMERVAL SAVIANI Leia livros sobre este assunto! Escola e Democracia e
Pedagogia Histórico-Crítica INTRODUÇÃO O presente trabalho das obras “Escola e
Democracia” e “Pedagogia Histórico-Crítica”, de Demerval Saviani, pretende investigar ,
de maneira clara e objetiva, como o autor analisa a intervenção das diferentes teorias
pedagógicas na questão da marginalidade, retratar um de seus principais objetivos, que é
o de “sacudir” a máquina político-educacional, balançando as Curvaturas das Varas em
busca de seu equilíbrio ideal e compreender a Pedagogia Histórico-Crítica proposta. Estas
obras nos remete a uma reflexão ampla, sobre a questão da educação, nos ajudando a
identificar as causas da marginalidade, a relação escola-sociedade e também o papel do
professor, bem como o conteúdo aplicado na Pedagogia Tradicional, Nova, Tecnicista,
que são os principais enfoques do autor. No decorrer da elaboração deste trabalho, foi
possível observar que, ao apresentar suas teses, o autor convence seus leitores através
de uma exposição precisa de seus argumentos, fazendo com que estes sintam-se
intrigados e ao mesmo tempo motivados a remontar uma visão crítica que busque uma
educação que consiga compartilhar com os aspectos políticos-sociais altamente
complexos. DESENVOLVIMENTO “As diferentes teorias pedagógicas versus a questão
da marginalidade” Saviani inicia seu livro “Escola e Democracia”, levantando questões de
dois grupos antagônicos. O primeiro grupo é o das Teorias não-críticas, classificadas
como a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista. Este grupo
entende que a educação é capaz de erradicar a marginalidade de nossa sociedade, sendo
esta última, considerada aqui como harmoniosa. A marginalidade é um desvio, um
fenômeno individual que deve ser corrigido, portanto, a educação serve como um
instrumento de correção de desvios, tendo, ao mesmo tempo, uma margem de autonomia
com relação à sociedade. No segundo grupo, que é o das Teorias crítico-reprodutivistas,
subdivididas em Teoria do Sistema de Ensino como Violência Simbólica, Teoria da Escola
como Aparelho Ideológico de Estado (AIE) e Teoria da Escola Dualista. Neste caso, de
maneira oposta, a educação aparece como fator agravante, através da discriminação e
responsável pela marginalidade, onde esta é inerente à estrutura da sociedade, da qual a
educação é dependente. Aqui, a escola reforça e legitima a marginalização social através
da marginalização cultural. Saviani frisa que estes grupos de teorias explicam a
marginalização na forma da relação entre educação e sociedade. “O significado da
metáfora Teoria da Curvatura da Vara” Com base nesta metáfora, Saviani justifica um
processo de tentativa de ajustes da educação: “quando a vara está torta, ela fica curva de
um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso
curvá-la para o lado oposto”.Esta metáfora foi enunciada por Lênin (Althusser, 1977, pp.
136-138). Neste mesmo momento, afirma Saviani que “quando mais se falou em
democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola; e de como, quando
menos se falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a construção de uma
ordem democrática. Saviani parece que puxa propositadamente a vara para o lado
oposto, na esperança desta vir para o centro, que não é nem a Escola Tradicional , nem a
Escola Nova, mas sim no da valorização dos conteúdos, que remetem a uma pedagogia
revolucionária. “Uma teoria pedagógica mais satisfatória para as classes populares”
Partindo-se da crítica à pedagogia tradicional, Saviani defende uma pedagogia ativa,
centralizada na troca de conhecimentos e na iniciativa dos alunos. Com as propostas do
escolanovismo (métodos sofisticados, escolas bem equipadas, etc), seria válido adaptá-
las às camadas populares, nas quais são maiores as dificuldades de aprendizagem. O
povo busca o acesso às escolas, ao contrário dos que já se beneficiaram dela. A escola
será valorizada a partir de uma pedagogia articulada com os interesses do povo. Nessa
escola para o povo, os métodos ultrapassariam os métodos tradicionais e novos. Levariam
em conta os interesses dos alunos em primeiro lugar, porém sem abrir mão da iniciativa
do professor. Tais métodos não seriam ecléticos, mas sim manteriam continuamente
presente a vinculação entre educação e sociedade, onde o ponto de partida do ensino
seria a prática social, fazendo-se necessário transformar as relações de produção que
impedem a construção de uma sociedade igualitária. “A especificidade da escola” A
especificidade da escola toma corpo ao longo da História, quando as relações sociais
passaram a prevalecer sobre as naturais, ou seja, com o próprio surgimento da escola,
enfatizando, assim, o mundo da cultura, o mundo produzido pelo homem. A escola toma
conta de um conhecimento elaborado. A própria institucionalização do pedagógico através
da escola é um sinal da especificidade da educação. A dimensão pedagógica pode ser
detectada numa situação privilegiada, pois esta existe no interior da prática social global.
Assim sendo, a escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber
sistematizado. “A pedagogia histórico-crítica proposta” A teoria pedagógica histórico-
crítica foi criada por Saviani partindo do pressuposto de que é viável, mesmo numa
sociedade capitalista, uma educação que não seja, necessariamente, reprodutora da
situação vigente, e sim adequada aos interesses da maioria, aos interesses daquele
grande contingente da sociedade brasileira, explorado pela classe dominante. Segundo
Saviani, a Pedagogia Histórico-Crítica, embora consciente da determinação exercida pela
sociedade sobre a educação, fato que a torna crítica, acredita que a educação também
interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua própria transformação, fato que
a torna histórica. Saviani chega a dizer que Pedagogia Histórico-Crítica e dialética são
sinônimos e que só não usa o termo “dialético” porque, de um lado, há muito simplório que
não sabe o que “dialético” quer dizer, pensando que dialético é a mesma coisa que
dialógico e, de outro, há muito iluminado que pensa que já sabe o que dialético quer dizer,
e, portanto, não pergunta, assim impedindo que se explique . É preciso registrar que esta
teoria, como até aqui descrita, não só pouco tem de inovador, como menos tem ainda de
revolucionário. O que Saviani definiu como Pedagogia Histórico-Crítica, até aqui, poderia
ser entendida da seguinte maneira: uma teoria pedagógica, para ser histórico-crítica,
precisa reconhecer que a educação é determinada socialmente mas também admitir que
ela pode transformar as condições sociais . “As teses sobre educação e política
propostas” O autor propõe onze teses sobre educação e política, nas quais explica que
educação e política são fenômenos diferentes entre si, ao mesmo tempo em que são
inseparáveis. Nelas , seu principal argumento resume-se em caracterizar a prática política
e educativa, bem como suas especificidades, não deixando de ressaltar a existência da
sociedade de classes. CONCLUSÃO Como o observado, educação e política são práticas
distintas e convém não confundí-las, o que poderia resultar em um politicismo pedagógico
ou em um pedagogismo político, o que acabaria numa escola a serviço de um grupo
burguês. Porém, isto não resulta na exclusão da política como prática independente, pois
são inseparáveis e mantém forte relação. Entretando, como tratar destas coisas tão
diferentes? Vê-se que a dimensão pedagógica na política envolve a articulação, visando o
combate aos antagônicos, o mesmo acontecendo na dimensão política na educação, com
apropriação de instrumentos culturais aplicados na luta contra o antagonismo. A partir do
que foi exposto, podemos concluir que o autor está certo quando diz, indiretamente, que
política e educação são faces opostas da mesma moeda: a prática social. Apesar de uma
certa subordinação da educação à política, podemos definir a educação como uma prática
idealista e a política como uma prática realista, mas que podem coexistir pacificamente,
respeitadas as diferenças. Portanto, para que a escola seja um local de democratização,
de discussão, participação social e de cidadania, devemos exercer nossa consciência
crítica, mesmo que em passos lentos e repletos de obstáculos, para que esta não se torne
uma encubadora de atitudes e desejos dos educandos. BIBLIOGRAFIA: SAVIANI,
Demerval. Escola e Democracia. 34. ed. rev. Campinas, Autores Associados, 2001. (Col.
Polêmicas do Nosso Tempo; vol. 5). 94 p. SAVIANI, Demerval. Pedagogia Histórico-
Crítica: Primeiras Aproximações. 7.ed. Campinas, Autores Associados, 2000. (Col.
Polêmicas do Nosso Tempo; vol. 40). 122 p. Escola e Democracia & Pedagogia Histórico-
Crítica INTRODUÇÃO O presente trabalho das obras “Escola e Democracia” e
“Pedagogia Histórico-Crítica”, de Demerval Saviani, pretende investigar , de maneira clara
e objetiva, como o autor analisa a intervenção das diferentes teorias pedagógicas na
questão da marginalidade, retratar um de seus principais objetivos, que é o de “sacudir” a
máquina político-educacional, balançando as Curvaturas das Varas em busca de seu
equilíbrio ideal e compreender a Pedagogia Histórico-Crítica proposta. Estas obras nos
remete a uma reflexão ampla, sobre a questão da educação, nos ajudando a identificar as
causas da marginalidade, a relação escola-sociedade e também o papel do professor,
bem como o conteúdo aplicado na Pedagogia Tradicional, Nova, Tecnicista, que são os
principais enfoques do autor. No decorrer da elaboração deste trabalho, foi possível
observar que, ao apresentar suas teses, o autor convence seus leitores através de uma
exposição precisa de seus argumentos, fazendo com que estes sintam-se intrigados e ao
mesmo tempo motivados a remontar uma visão crítica que busque uma educação que
consiga compartilhar com os aspectos políticos-sociais altamente complexos.
DESENVOLVIMENTO “As diferentes teorias pedagógicas versus a questão da
marginalidade” Saviani inicia seu livro “Escola e Democracia”, levantando questões de
dois grupos antagônicos. O primeiro grupo é o das Teorias não-críticas, classificadas
como a pedagogia tradicional, a pedagogia nova e a pedagogia tecnicista. Este grupo
entende que a educação é capaz de erradicar a marginalidade de nossa sociedade, sendo
esta última, considerada aqui como harmoniosa. A marginalidade é um desvio, um
fenômeno individual que deve ser corrigido, portanto, a educação serve como um
instrumento de correção de desvios, tendo, ao mesmo tempo, uma margem de autonomia
com relação à sociedade. No segundo grupo, que é o das Teorias crítico-reprodutivistas,
subdivididas em Teoria do Sistema de Ensino como Violência Simbólica, Teoria da Escola
como Aparelho Ideológico de Estado (AIE) e Teoria da Escola Dualista. Neste caso, de
maneira oposta, a educação aparece como fator agravante, através da discriminação e
responsável pela marginalidade, onde esta é inerente à estrutura da sociedade, da qual a
educação é dependente. Aqui, a escola reforça e legitima a marginalização social através
da marginalização cultural. Saviani frisa que estes grupos de teorias explicam a
marginalização na forma da relação entre educação e sociedade. “O significado da
metáfora Teoria da Curvatura da Vara” Com base nesta metáfora, Saviani justifica um
processo de tentativa de ajustes da educação: “quando a vara está torta, ela fica curva de
um lado e se você quiser endireitá-la, não basta colocá-la na posição correta. É preciso
curvá-la para o lado oposto”.Esta metáfora foi enunciada por Lênin (Althusser, 1977, pp.
136-138). Neste mesmo momento, afirma Saviani que “quando mais se falou em
democracia no interior da escola, menos democrática foi a escola; e de como, quando
menos se falou em democracia, mais a escola esteve articulada com a construção de uma
ordem democrática. Saviani parece que puxa propositadamente a vara para o lado
oposto, na esperança desta vir para o centro, que não é nem a Escola Tradicional , nem a
Escola Nova, mas sim no da valorização dos conteúdos, que remetem a uma pedagogia
revolucionária. “Uma teoria pedagógica mais satisfatória para as classes populares”
Partindo-se da crítica à pedagogia tradicional, Saviani defende uma pedagogia ativa,
centralizada na troca de conhecimentos e na iniciativa dos alunos. Com as propostas do
escolanovismo (métodos sofisticados, escolas bem equipadas, etc), seria válido adaptá-
las às camadas populares, nas quais são maiores as dificuldades de aprendizagem. O
povo busca o acesso às escolas, ao contrário dos que já se beneficiaram dela. A escola
será valorizada a partir de uma pedagogia articulada com os interesses do povo. Nessa
escola para o povo, os métodos ultrapassariam os métodos tradicionais e novos. Levariam
em conta os interesses dos alunos em primeiro lugar, porém sem abrir mão da iniciativa
do professor. Tais métodos não seriam ecléticos, mas sim manteriam continuamente
presente a vinculação entre educação e sociedade, onde o ponto de partida do ensino
seria a prática social, fazendo-se necessário transformar as relações de produção que
impedem a construção de uma sociedade igualitária. “A especificidade da escola” A
especificidade da escola toma corpo ao longo da História, quando as relações sociais
passaram a prevalecer sobre as naturais, ou seja, com o próprio surgimento da escola,
enfatizando, assim, o mundo da cultura, o mundo produzido pelo homem. A escola toma
conta de um conhecimento elaborado. A própria institucionalização do pedagógico através
da escola é um sinal da especificidade da educação. A dimensão pedagógica pode ser
detectada numa situação privilegiada, pois esta existe no interior da prática social global.
Assim sendo, a escola é uma instituição cujo papel consiste na socialização do saber
sistematizado. “A pedagogia histórico-crítica proposta” A teoria pedagógica histórico-
crítica foi criada por Saviani partindo do pressuposto de que é viável, mesmo numa
sociedade capitalista, uma educação que não seja, necessariamente, reprodutora da
situação vigente, e sim adequada aos interesses da maioria, aos interesses daquele
grande contingente da sociedade brasileira, explorado pela classe dominante. Segundo
Saviani, a Pedagogia Histórico-Crítica, embora consciente da determinação exercida pela
sociedade sobre a educação, fato que a torna crítica, acredita que a educação também
interfere sobre a sociedade, podendo contribuir para a sua própria transformação, fato que
a torna histórica. Saviani chega a dizer que Pedagogia Histórico-Crítica e dialética são
sinônimos e que só não usa o termo “dialético” porque, de um lado, há muito simplório que
não sabe o que “dialético” quer dizer, pensando que dialético é a mesma coisa que
dialógico e, de outro, há muito iluminado que pensa que já sabe o que dialético quer dizer,
e, portanto, não pergunta, assim impedindo que se explique . É preciso registrar que esta
teoria, como até aqui descrita, não só pouco tem de inovador, como menos tem ainda de
revolucionário. O que Saviani definiu como Pedagogia Histórico-Crítica, até aqui, poderia
ser entendida da seguinte maneira: uma teoria pedagógica, para ser histórico-crítica,
precisa reconhecer que a educação é determinada socialmente mas também admitir que
ela pode transformar as condições sociais . “As teses sobre educação e política
propostas” O autor propõe onze teses sobre educação e política, nas quais explica que
educação e política são fenômenos diferentes entre si, ao mesmo tempo em que são
inseparáveis. Nelas , seu principal argumento resume-se em caracterizar a prática política
e educativa, bem como suas especificidades, não deixando de ressaltar a existência da
sociedade de classes. CONCLUSÃO Como o observado, educação e política são práticas
distintas e convém não confundí-las, o que poderia resultar em um politicismo pedagógico
ou em um pedagogismo político, o que acabaria numa escola a serviço de um grupo
burguês. Porém, isto não resulta na exclusão da política como prática independente, pois
são inseparáveis e mantém forte relação. Entretando, como tratar destas coisas tão
diferentes? Vê-se que a dimensão pedagógica na política envolve a articulação, visando o
combate aos antagônicos, o mesmo acontecendo na dimensão política na educação, com
apropriação de instrumentos culturais aplicados na luta contra o antagonismo. A partir do
que foi exposto, podemos concluir que o autor está certo quando diz, indiretamente, que
política e educação são faces opostas da mesma moeda: a prática social. Apesar de uma
certa subordinação da educação à política, podemos definir a educação como uma prática
idealista e a política como uma prática realista, mas que podem coexistir pacificamente,
respeitadas as diferenças. Portanto, para que a escola seja um local de democratização,
de discussão, participação social e de cidadania, devemos exercer nossa consciência
crítica, mesmo que em passos lentos e repletos de obstáculos, para que esta não se torne
uma encubadora de atitudes e desejos dos educandos. BIBLIOGRAFIA: SAVIANI,
Demerval. Escola e Democracia. 34. ed. rev. Campinas, Autores Associados, 2001. (Col.
Polêmicas do Nosso Tempo; vol. 5). 94 p. SAVIANI, Demerval. Pedagogia Histórico-
Crítica: Primeiras Aproximações. 7.ed. Campinas, Autores Associados, 2000. (Col.
Polêmicas do Nosso Tempo; vol. 40). 122 p.

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